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Numero do processo: 13603.901353/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS UTILIZADOS. NORMA ESPECÍFICA. INOCORRÊNCIA.
O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 traz norma especial e específica, que confere o prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir da data da entrega da declaração de compensação, para a Autoridade Fiscal apurar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos indicados.
Não se aplicam às manobras de compensação, operadas por meio de PER/DCOMP, as regras de caducidade contra a Fazenda Pública previstas nos arts. 150, § 4º, e 173 do CTN.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ADEQUAÇÃO LEGAL E PRECISÃO DA MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É improcedente a arguição de nulidade do despacho decisório, por cerceamento de defesa, quando esta decisão administrativa apresenta-se revestida das formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais específicos, assim como verificado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos, assegurando-lhe o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade da decisão administrativa.
ESTIMATIVA CSLL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. OBJETO DE OUTRO FEITO. CONEXÃO. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO MERITÓRIO EM MESMA INSTÂNCIA.
Os autos em que se debate o mérito da procedência Auto de Infração referente a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa guardam relação de conexão, nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, com o feito em que o contribuinte pleiteia crédito formado pelas mesmas estimativas, cujo inadimplemento fora anteriormente constatado pelo Fisco.
Sob pena de anacronismo e incongruência jurisdicional, o julgamento da matéria coincidente dos processos conexos deverá ter mesmo desfecho, na mesma instância de jurisdição, sendo medida de higidez e racionalidade processual.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA.
É ônus do contribuinte a prova da existência e da quantificação do seu crédito, devendo refutar todas as constatações das Autoridades Fiscais que fundamentaram a denegação do direito creditório.
DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. MULTA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
A compensação indevida de débitos com crédito não comprovado configura legítimo inadimplemento fiscal e a mora do contribuinte, sendo devida a aplicação de sanção e os acréscimos moratórios.
Numero da decisão: 1402-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS UTILIZADOS. NORMA ESPECÍFICA. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 traz norma especial e específica, que confere o prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir da data da entrega da declaração de compensação, para a Autoridade Fiscal apurar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos indicados. Não se aplicam às manobras de compensação, operadas por meio de PER/DCOMP, as regras de caducidade contra a Fazenda Pública previstas nos arts. 150, § 4º, e 173 do CTN. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ADEQUAÇÃO LEGAL E PRECISÃO DA MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É improcedente a arguição de nulidade do despacho decisório, por cerceamento de defesa, quando esta decisão administrativa apresentase revestida das formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais específicos, assim como verificado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos, assegurandolhe o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade da decisão administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 13 53 /2 01 0- 61 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 260 2 ESTIMATIVA CSLL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. OBJETO DE OUTRO FEITO. CONEXÃO. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO MERITÓRIO EM MESMA INSTÂNCIA. Os autos em que se debate o mérito da procedência Auto de Infração referente a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa guardam relação de conexão, nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, com o feito em que o contribuinte pleiteia crédito formado pelas mesmas estimativas, cujo inadimplemento fora anteriormente constatado pelo Fisco. Sob pena de anacronismo e incongruência jurisdicional, o julgamento da matéria coincidente dos processos conexos deverá ter mesmo desfecho, na mesma instância de jurisdição, sendo medida de higidez e racionalidade processual. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. É ônus do contribuinte a prova da existência e da quantificação do seu crédito, devendo refutar todas as constatações das Autoridades Fiscais que fundamentaram a denegação do direito creditório. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. MULTA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A compensação indevida de débitos com crédito não comprovado configura legítimo inadimplemento fiscal e a mora do contribuinte, sendo devida a aplicação de sanção e os acréscimos moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Junia Roberta Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 261 3 Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 262 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 134 a 160), o interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls. 116 a 129) que reconheceu parte do crédito e, consequentemente, homologou apenas parcialmente a compensação pretendida pela Contribuinte (fls. 02 e 08), dando provimento parcial a Impugnação (fls. 13 a 34), oposta contra r. Despacho Decisório que primeiro denegou integralmente o direto creditório pleiteado (fls. 09 a 11). Em resumo, a contenda tem como objeto a compensação de diversos tributos com suposto crédito formado por saldo negativo apurado em razão de recolhimentos de estimativas de CSLL no anocalendário de 2002. O presente recurso já foi objeto de v. Resolução nº 1803000.104 proferida pela extinta C. 3º Turma Especial desta mesma C. 4ª Câmara (fls. 226 a 230), complementado por v. Acórdão nº 1402002.813 desta C. 2ª Turma Ordinária (fls. 243 a 249), que, por fim, acabou por determinar o sobrestamento do presente feito e seu julgamento em conjunto com processo nº 10680.013544/200687, em face da constatação de relação processual de conexão, havendo coincidência dos seus objetos. Esclarecendo, quando da prolatarão da v. Resolução nº 1803000.104, o Relator original do feito constatou que o debate sobre o recolhimento das mesmas estimativas de CSLL de fevereiro, março maio e agosto do anocalendário de 2002, que formaram o crédito aqui pretendido, era objeto do Processo Administrativo nº 10680.013544/200687, no qual visase à cobrança de multa isolada de 50%, nos termos do Art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Como mencionado, tendo em vista que neste feito já foi proferida v. Resolução, complementada por v. Acórdão, repito, a seguir, os principais trechos do preciso relatório empregado em tais oportunidades: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ de Belo Horizonte, que considerou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente e reconheceu parcialmente o direito creditório. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 263 5 Na origem, a recorrente apresentou a Declaração de Compensação (PEDCOMP) nº 15962.47391.111006.1.3.032046, requerendo a compensação de valores de crédito decorrente de base negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL). O despacho decisório não homologou a DCOMP sob o argumento que não existiria saldo negativo disponível, nos seguintes termos: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 262.472,43 Valor na DIPJ: R$ 262.472,43 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 615.140,96 CSLL devida: R$ 352.668,53 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Irresignada com a não homologação da compensação, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando o seguinte: A decadência do saldo negativo do anocalendário de 2002, uma vez que apenas em 14/06/2010 procedeuse o questionamento do tributo. A nulidade do procedimento por cerceamento de defesa, uma vez que o Auditor teria descrevido a “conduta supostamente irregular” redundando na indicação genérica do art. 74, da lei 9.430/96, sem apontar especificamente qual das regras integrantes do dispositivo foram afrontadas. Que demonstrou a existência do direito creditório, sendo imperioso e reconhecimento e a homologação das compensações declaradas. Que o “O Fisco deve proceder à análise do crédito declarado via DCOMP, pautandose no princípio da verdade material.” Ressalta que, a não observância do referido princípio coloca em “xeque” a legalidade da existência do direito creditório. Subsidiariamente, foi requerido que, se o direito à compensação não fosse reconhecido, em honra ao princípio da eventualidade, que não fosse aplicada multa e juros por atraso no pagamento, já que o débito teria sido quitado, tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, os débitos de PIS e COFINS de setembro/2005, que estavam em aberto. Que fosse realizada diligência. A DJR de Belo Horizonte, MG, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para indeferir ao pedido de Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 264 6 diligências, rejeitar a preliminar de nulidade e reconhecer saldo negativo da CSLL no exercício de 2003, anocalendário 2002, no valor original de R$ 49.703,47. O acórdão restou ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo decorrente do ajuste anual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Ainda no mérito, o acórdão recorrido dispôs que: “Os débitos não pagos nem confessados em DCTF do processo n.º 10680.013544/200687 são os que o manifestante ora pretende que se considere como parcela integrante do saldo negativo utilizado na compensação não homologada. No PER/DCOMP, a origem do crédito utilizado é exclusivamente recolhimentos com DARF de estimativas mensais. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte pleiteia o reconhecimento de outras parcelas de composição do crédito não informadas no PER/DCOMP. Além de pagamentos com DARF, invocamse, também, supostas compensações de débitos de CSLL mensal referentes a fevereiro, março, maio e agosto de 2002 com saldo negativo de períodos anteriores. No presente processo, não cabe discutir as invocadas compensações, uma vez que a falta de quitação dos valores supostamente compensados é objeto da lide de que trata o processo n.º 10680.013544/200687. O impedimento decorre de um dos pressupostos processuais. Para que a lide seja considerada válida, exigese originalidade. Constatada litispendência, haverá quebra de originalidade. Portanto, aqui só cabe adotar a solução da lide que ora prevalece naquele processo.” Intimada do acórdão da instância a quo em 28/06/2012, não se conformando com o acórdão prolatado, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no dia 27/07/2012, repetindo a mesma petição apresentada na manifestação de inconformidade, cujos fundamentos são os seguintes: A decadência do saldo negativo do anocalendário de 2002, uma vez que apenas em 14/06/2010 procedeuse o questionamento do tributo. A nulidade do procedimento por cerceamento de defesa, uma vez que o Auditor teria descrevido a “conduta supostamente irregular” redundando na indicação genérica do art. 74, da lei 9.430/96, sem apontar especificamente qual das regras integrantes do dispositivo foram afrontadas. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 265 7 Que demonstrou a existência do direito creditório, sendo imperioso e reconhecimento e a homologação das compensações declaradas. Que o “O Fisco deve proceder à análise do crédito declarado via DCOMP, pautandose no princípio da verdade material.” Ressalta que, a não observância do referido princípio coloca em “xeque” a legalidade da existência do direito creditório. Subsidiariamente, foi requerido que, se o direito à compensação não fosse reconhecido, em honra ao princípio da eventualidade, que não fosse aplicada multa e juros por atraso no pagamento, já que o débito teria sido quitado, tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, os débitos de PIS e COFINS de setembro/2005, que estavam em aberto. A Fazenda Pública não apresentou contrarrazões. É o relatório E estes foram os termos da v. Resolução determinada, redigida e subscrita pela I. Relator, Artur José André Neto: DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo, bem como preenche os demais requisitos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço e passo à análise do mérito. DO MÉRITO RECURSAL O acórdão guerreado entendeu que na manifestação de inconformidade a contribuinte pleiteia o reconhecimento de outras parcelas de composição do crédito não informadas no PER/COMP, uma vez que a falta de quitação dos valores supostamente compensados é objeto da lide de que trata o processo de nº 10680.013544/200687. Refutando o entendimento da instância inicial, a recorrente alegou que “o processo administrativo nº 10680.013544/200687 versa sobre a possibilidade de exigir multa isolada após o encerramento do ano fiscal por suposta falta de recolhimento de estimativa, enquanto o presente processo trata da comprovação/existência de créditos declarados em compensação.” Às fls. 107/114, foi juntado o acórdão referente ao processo 10680.013544/200687, cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 266 8 Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, e o contribuinte, no exercício pleno de sua defesa, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 MULTA ISOLADA ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA É legítima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do Imposto de Renda determinado sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impôs penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 MULTA ISOLADA ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA" Ora, da leitura do acórdão supracitado é possível inferir que objeto dos processos é o mesmo. O resente processo tem como objeto a existência do crédito e a possibilidade de ompensação, ao passo que o outro processo, cuja ementa foi acima colacionada, diz respeito à aplicação da multa isolada quanto à falta de recolhimento de estimativas eferente aos mesmos períodos em debate nesses autos. Diante disso, entendo que há conexão entre os processos, de forma que o julgamento de um irá influenciar diretamente no outro. Certo é que, a verdade real ou material é princípio informador do processo administrativo tributário, que se vincula ao princípio da oficialidade, sendo um direito dever da administração perseguir as informações, para que possa prolatar uma decisão equitativa. Ao abordar o tema em tela, o autor Celso Antônio Bandeira de Mello assim dispôs: “A administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e aprovado..." Sendo assim, quando o julgador se depara com uma questão duvidosa que pode influenciar diretamente em seu convencimento, é imperioso que o feito seja apensado ao processo nº 10680.013544/200687, que se encontra pendente de Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 267 9 sorteio, para que a decisão seja prolatada de forma equânime, refletindo assim imparcialidade e verdade dos fatos. CONCLUSÃO Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de devolver o processo em razão da impossibilidade de julgamento tomando em conta a necessidade de que seja julgado em conjunto com processo nº 16004.000130/200999 que se encontra pendente de sorteio. Conforme mencionado, em face de erro material no dispositivo de tal decisão, foram oposto Embargos de Declaração pela I. Presidente daquele N. Colegiado extinto, julgados em sessão de 19 de outubro de 2017, por meio do v. Acórdão nº 1402.002.813, no qual decidiuse da seguinte maneira: Diante do exposto, conheço e acolho integralmente os Embargos de Declaração, retificando a v. Resolução nº 1803000.104 (fls. 226 a 230) para que em sua parte dispositiva, onde consta a numeração 16004.000130/200999, passe a constar 10680.013544/200687, restando a seguinte redação completa de tal parágrafo: "Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de devolver o processo em razão da impossibilidade de julgamento tomando em conta a necessidade de que seja julgado em conjunto com processo nº 10680.013544/200687 que se encontra pendente de sorteio." Devidamente processados os autos, verificouse que em 05 de março de 2005 já havia sido proferido nos autos do processo administrativo nº 10680.013544/200687 o v. Acórdão nº 1803002.579, pela mesma C. 3ª Turma Especial desta 4ª Câmara, apreciando o mérito do feito. Na sequência, os autos retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 268 10 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Antes mesmo de se abordar a relação de conexão do presente feito com o processo administrativo nº 10680.013544/200687, cabe apreciar as alegações preliminares da Contribuinte, desvinculadas do cerne material referente à procedência do crédito pretendido. Inicialmente, a Recorrente alega decadência, nos termos do art. 150, §4º do CTN, entendendo que, tendo em vista que as estimativas em questão são de fevereiro a agosto de 2002 e, ao seu turno, o r. Despacho Decisório só foi aperfeiçoado em 14/06/2010 com a sua ciência, denotando lapso temporal superior a 5 (cinco) anos, não poderia, então, ter sido glosado seu direito creditório. Não assiste razão à Recorrente. Como é pacífico há muito na jurisprudência deste E. CARF, o que justifica a dispensa maiores elucubrações, o prazo de caducidade contra a Fazenda Nacional, referente aos PER/DCOMPs apresentados pelos contribuintes é especificamente regido pelo art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96. Desse modo, o termo a quo para o cômputo desse quinquênio legal é o momento da entrega/transmissão eficaz do próprio PER/DCOMP não o momento do indébito, per si. Ilustrando, confirase o v. Acórdão nº 9101003.708, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Rafael Vidal, publicado em 24/09/2018: Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 269 11 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Tendo em vista que a PER/DCOMP nº 15962.47391.111006.1.3.032046 foi transmitida em 11/10/2006 e tendo o r. Despacho Decisório inaugural deste feito produzido seus efeitos em 14/06/2010, não se verifica o extrapolamento do período quinquenal, não havendo em se falar de decadência. Posto isso, afastase tal preliminar arguida. Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alega, em suma, a ocorrência de cerceamento de defesa pelo r. Despacho Decisório, vez que invocouse formalmente, como fundamento da denegação, apenas artigos de normas fiscais, supostamente não procedendo à demonstração analítica e clara da correlação dos fatos apurados com o motivo da negativo. Alegase violação ao art. 10 e a hipótese de nulidade do art. 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, e repisa que, in casu, não houve a clara descrição da conduta supostamente irregular, restando, assim, prejudicado o seu direito de defesa. Igualmente, não assiste razão à Recorrente. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 270 12 Primeiro, temos que no presente caso foi proferido um r. Despacho Decisório eletrônico (Nº de Rastreamento: 863952588 fls. 09 a 11), com toda a instrução e detalhamento de praxe, não verificandose nenhuma anormalidade, falha ou ausência de componente de tal modalidade de decisão que compõe a atual realidade do processo administrativo fiscal federal. Este Conselheiro já se posicionou sobre a higidez de tal manobra processual Fisco no v. Acórdão nº 1402002.991, de votação unânime, publicado em 17/05/2018: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ADEQUAÇÃO LEGAL E PRECISÃO DA MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É improcedente a arguição de nulidade do despacho decisório, por cerceamento de defesa, quando esta decisão administrativa apresentase revestida das formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais específicos, assim como verificado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos, assegurandolhe o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade da decisão administrativa. (...) Tratase, na verdade, de contencioso administrativo, formado e conduzido a partir das previsões legais do art. 74 da Lei nº 9.430/96, largamente regulado nas últimas duas décadas. Em suma, a compensação de créditos de tributos federais apurados pelos contribuintes operase, inicialmente, mediante entrega de declaração própria (como precisamente ocorrido nesse feito), sujeita à homologação pela Administração Tributária federal, em prazo quinquenal previsto especificamente na norma mencionada. Uma vez transmitida, a mencionada Declaração de Compensação (DCOMP) é processada (atualmente de forma eletrônica), gerando um despacho decisório, o qual, com base nas informações constantes em tal documento, nas demais declarações prestadas e sistemas próprios e especializados (como o SCC Sistema de Controle de Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 271 13 Créditos e Compensações), confirmase a existência ou não do crédito, seu montante e a procedência formal da compensação. Não há qualquer menção da Recorrente a violação de dispositivos, regras ou outras determinações regulatórias de tal procedimento. Frisese que, uma vez questionada a existência, a monta ou a adequação da compensação procedida e declarada, cabe ao contribuinte o ônus da prova do seu direito. Como consta de tal r. decisum, não são aqui aplicáveis as regras típicas da confecção e lavratura dos Autos de Infração, sendo inadequada a invocação do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. No mais, claramente consta do r. Despacho Decisório e seu conjunto instrutório todas as informações necessárias para a verificação das razões e motivos da não homologação da compensação pretendida. Confirase (fls. 09 a 11): Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 272 14 Mais do que isso, a Contribuinte em suas defesas, quando aborda o mérito, é capaz de versar, especificamente, sobre a origem da controvérsia, apontar as estimativas que não foram reconhecidas como adimplidas, mostrar suas declarações fiscais e contabilidade, assim como, em momento algum de tal tópico postulatório, demonstra não compreender a motivação da denegação sofrida. Claramente, não há qualquer detrimento do seu direito de defesa e/ou ao contraditório, não havendo ofensa ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72, revelandose improcedentes tais alegações. Quanto à alegação de preterimento de sua defesa pelo reconhecimento de conexão deste feito com Auto de Infração que impõe multa à Contribuinte, ocorrida desde a DRJ a quo, tal tema será devidamente enfrentado a seguir. Se procedente a conexão constatada, não há qualquer prejuízo à Parte. Posto isso, cabe agora analisar a conexão presente feito com o Processo Administrativo nº 10680.013544/200687. Como já consta dos autos e embasou a v. Resolução nº 1803000.104, entendese que a existência e a regularidade do recolhimento das estimativas de fevereiro, março, maio e agosto de 2002 já era objeto de Autuação específica, referente àqueles autos acima mencionados. Portanto, reconheceuse sua conexão, não procedendo ao seu julgamento para que se aguardar à distribuição de tal outro feito, de modo a permitir julgar ambas as contendas simultaneamente. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 273 15 Pois bem, de fato, temos aqui que, de um lado a conduta da Contribuinte que deu ensejo à imposição da multa de ofício isolada, debatida no Processo Administrativo nº 10680.013544/200687, teria sido o não recolhimento das estimativas de fevereiro, março, maio e agosto devidas no anocalendário de 2002. E, por outro lado, o motivo para a denegação do crédito pretendido pelo contribuinte é a ausência de verificação da existência do saldo negativo pleiteado, na precisa monta correspondente ao valor das estimativas de fevereiro, março, maio e agosto devidas no anocalendário de 2002. Desse modo, temos que, se reconhecido o recolhimento daquelas estimativas, a multa seria inaplicável, devendo ser cancelada a imposição. Da mesma forma, se reconhecido terem sido saldados tais adiantamentos, a Contribuinte faria jus ao crédito pleiteado. É evidente que a existência ou não da quitação de tais parcelas mensais está sendo debatida (e é o cerne) em ambos os feitos, sendo inegável a ocorrência de conexão. A coincidência do objeto central dos feitos amoldase ao disposto no art. 6º, §1º, inciso I, do Anexo II1 do RICARF vigente. Confirmando tal constatação, observese que a parcela do crédito denegado, ainda controversa (considerando a redução promovida pela DRJ) é exatamente com coincidência de centavos o mesmo valor das estimativas inadimplidas, que deram margem à aplicação da sanção isolada: (r. Despacho Decisório de fls. 09) 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 274 16 Subtraindose de R$ 262.472,43 os R$ 49.703,47 reconhecidos pela 1ª Instância, obtêmse a monta de R$ 212.768,96. Ao seu turno, confirase trecho da fundamentação do Auto de Infração debatido no Processo Administrativo nº 10680.013544/200687, especificamente em relação às estimativas de CSLL do anocalendário de 2002: A Fiscalização com base nos documentos acima, dos sistemas informatizados da SRF, de relatórios internos e procedendo conforme determinado nos Anexos I e II a Norma de Execução nº 004, de 21 de julho de 2006, extraiu e compilou as seguintes dados relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: (extraído do v. Acórdão nº 1803002.579) A identidade é perfeita. Analisando o mencionado v. Acórdão nº 1803002.579, verificase que a Recorrente adentra o mérito, alegando ter saldado tais estimativas, trazendo argumentação muito semelhante senão idêntica àquela trazida nestes autos. Não há dúvidas sobre a correta constatação de existência de conexão, conforme antes procedido pela C. 3ª Turma Especial desta C. 4ª Câmara. Tais autos apenas não foram julgados conjuntamente em face do erro material contido no dispositivo do v. Acórdão nº 1803002.579, corrigido por meio do v. Acórdão nº 1402.002.813, em 19 de outubro de 2017, muito após ao julgamento do Auto de Infração referente à multa isolada. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 275 17 Apesar de tal falha, não existe prejuízo à higidez processual e ao alcance do conteúdo normativo do art. 6º do Anexo II do RICARF, devendo este Conselheiro, para evitar decisões institucionalmente conflitantes sobre o mesmo objeto de jurisdição, adotar a conclusão e o resultado do v. Acórdão nº 1803002.579, que concluiu pela inadimplemento das estimativas de fevereiro, março, maio e agosto devidas no anocalendário de 2002. Posto isso, como fundamentos decisórios complementares, reproduzse a seguir os termos meritórios de tal r. decisão da 3ª Turma Especial desta C. 4ª Câmara (atualmente objeto de Recurso Especial a ser apreciado pela CSRF): A Recorrente discorda da aplicação das multas de ofício isoladas. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Privilegiando o princípio da verdade material, consta no enunciado da Súmula CARF nº 93 que "a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa". A aplicação das multas de ofício isoladas pressupõe falta dos recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, ainda que o sujeito passivo tenha sido apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e base de cálculo negativa para a CSLL, no anocalendário correspondente. A apuração das insuficiências de recolhimentos de IRPJ e de CSLL para fins de determinação da base de cálculo das multas de ofício isoladas foi levada a efeito a partir do cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e aqueles confessados na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 276 18 Vale lembrar que esse critério foi utilizado corretamente levandose em conta que a partir de 01.01.1999 a Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), tem natureza jurídica tão somente informativa, de modo que não é instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União do saldo a pagar relativo ao tributo ali informado. Por seu turno, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício. Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por essa razão, os débitos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada confessados em DCTF não podem integrar a base de cálculo das multas de ofício isoladas por falta dos recolhimentos em referência. O valor tributável foi estabelecido corretamente pela diferença entre os dados informados na DIPJ e aqueles confessados em DCTF ou efetivamente recolhidos nos meses de meses de fevereiro, março, maio e agosto do anocalendário de 2002, conforme indicação minuciosa nos Termos de Verificação Fiscal, fls. 0608 e 1214, cujos motivos estão evidenciados de forma explícita, clara e congruente, nos termos da legislação de regência da matéria. O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso as obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em que for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 0608, em relação ao IRPJ, cujos fundamentos de fato e de direito cabem ser adotados de plano por estarem comprovados nos autos: Em 02 de Outubro de 2006, foram iniciados os trabalhos com o envio do Termo de Intimação Fiscal nº 01, cuja ciência se deu Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 277 19 em 05 de outubro de 2006 , para que o contribuinte cumprisse a prestação do contido naquele Termo. Apresentou o Contribuinte, atendendo ao Termo de Intimação, em 24 de outubro de 2006 , pedido de prorrogação do prazo para atendimento do termo de intimação n° 001 até 30 de outubro de 2006, prorrogação concedida em 25 de outubro de 2006. O Contribuinte, em 30 de outubro de 2006 apresentou os seguintes documentos: 1. Cópia parte A do LALUR, ano calendário 2002; 2. Cópia dos balancetes de Suspensão e do Balanço de 2002 e dos termos de abertura e encerramento; 3. Cópia dos comprovantes dos tributos federais cujos fatos geradores ocorreram em 2002; A Fiscalização, com base nos documentos acima, dos sistemas informatizados da SRF, de relatórios internos e procedendo conforme determinado nos Anexos I e II a Norma de Execução Cofis n° 004, de 21 de julho de 2006, extraiu e compilou os seguintes dados relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ: Da análise das declarações, dos documentos e dos dados acima, verificase que o Contribuinte: Na DIPJ informou IRPJ estimativa devido para os meses de fevereiro, março, maio, agosto, outubro e novembro de 2002, no valor total de R$1.536.001,67. Na DCTF deixou de apresentar informações relativas ao IRPJ estimativa para os meses de fevereiro, março, maio e agosto do ano de 2002, não informando, também, os pagamentos ou compensações efetuadas, conforme determina a legislação em vigor, para os meses de fevereiro, março, maio e agosto. Nos sistemas internos de pagamento, da Receita Federal, foi apurado pagamento por DARF no valor total de R$933.883,06 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 278 20 (coluna 3, da tabela acima ) e não o valor informado pelo contribuinte na DCTF, coluna 2 da mesma tabela . Confrontando os valores informados em DIPJ , coluna 1, da tabela acima, com os pagamentos constantes nos sistemas internos da receita, coluna 3, verificase uma omissão de declaração de IRPJ estimativa no valor de R$602.118,61 Pela omissão dos dados acima, incorreu, o Contribuinte, na infração prevista nos arts. 222 e 843 e 957, parágrafo único, inciso IV do RIR/99. Ficando sujeito à multa isolada correspondente a 75% do valor do imposto omitido, ou seja: Face ao exposto acima, lavrouse o Auto de Infração que apurou o crédito tributário referente à multa exigida isoladamente IRPJ estimativa no valor de R$451.588,97 [...]. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1214, em relação a CSLL, cujos fundamentos de fato e de direito cabem ser adotados de plano por estarem comprovados nos autos: Em 02 de Outubro de 2006, foram iniciados os trabalhos com o envio do Termo de Intimação Fiscal nº 01, cuja ciência se deu em 05 de outubro de 2006 , para que o contribuinte cumprisse a prestação do contido naquele Termo. Apresentou o Contribuinte, atendendo ao Termo de Intimação, em 24 de outubro de 2006 , pedido de prorrogação do prazo para atendimento do termo de intimação n° 001 até 30 de outubro de 2006, prorrogação concedida em 25 de outubro de 2006. O Contribuinte, em 30 de outubro de 2006 apresentou os seguintes documentos: 1. Cópia parte A do LALUR, ano calendário 2002; 2. Cópia dos balancetes de Suspensão e do Balanço de 2002 e dos termos de abertura e encerramento; 3. Cópia dos comprovantes dos tributos federais cujos fatos geradores ocorreram em 2002; Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 279 21 A Fiscalização com base nos documentos acima, dos sistemas informatizados da SRF, de relatórios internos e procedendo conforme determinado nos Anexos I e II a Norma de Execução nº 004, de 21 de julho de 2006, extraiu e compilou as seguintes dados relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: Da análise das declarações, dos documentos e dos dados acima, verificase que o Contribuinte: Na DIPJ informou IRPJ estimativa devido para os meses de fevereiro, março, maio, agosto, outubro e novembro de 2002, no valor total de R$615.140,96. Na DCTF omitiu os valores mensais da CSLL estimativa para os meses de fevereiro, março e agosto do ano de 2002, e não declarou, também qualquer pagamento ou compensação, conforme determina a legislação em vigor, exceto para o mês de maio que declarou e informou pagamento parcial no valor de R$16.735,60. Nos sistemas internos de pagamento, da Receita Federal, foi apurado pagamento por DARF no valor total de R$402.372,00 (coluna 3, da tabela acima ) e não o valor informado pelo contribuinte na DCTF, coluna 2 da mesma tabela . Confrontando os valores informados em DIPJ, coluna 1, da tabela acima, com os pagamentos constantes nos sistemas internos da receita, coluna 3, verificase uma omissão de declaração de CSLL estimativa no valor de R$212.768,96. Pela omissão dos dados acima, incorreu, o Contribuinte, na infração prevista nos arts. 222 e 843 e 957, parágrafo único, inciso IV do RIR/99. Ficando sujeito à multa isolada correspondente a 75% do valor do imposto omitido, ou seja: Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 280 22 Face ao exposto acima, lavrouse o Auto de Infração que apurou o crédito tributário referente à multa exigida isoladamente CSLL estimativa no valor de R$159.576,72 [...]. Adotando o princípio da retroatividade benigna, está registrado no Voto condutor do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0219.113, de 16.09.2008, fls. 175182: Cumpre porém ressaltar que a matéria em questão sofreu alteração posterior, tendo o percentual da multa isolada sido reduzido, consoante redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n” 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei n° 9. 430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 22 nos incisos I, III e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento). exigida isoladamente. sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 89 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2” desta Lei,_que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido. no ano~calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [...]" (grifos acrescentados) Conforme se depreende do texto transcrito, a multa isolada decorrente da falta de recolhimento da estimativa mensal passou a ser de 50% (art. 44, inciso II, “b” da Lei n° 9.430, de 1996). Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 281 23 Nesse contexto, o percentual da multa isolada deve ser reduzido para 50%, em observância ao princípio da retroatividade benigna previsto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, segundo o qual a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Feitas estas considerações, tomando por base os valores das estimativas mensais devidas do IRPJ e da CSLL apuradas nos meses de fevereiro, março, maio e agosto de 2002, consoante os autos de infração e os demonstrativos que compõem os TVF correspondentes, o cálculo das multas isoladas deve ser efetuado conforme se segue (valores expressos em R$): O ajuste dos valores das multas de ofício isoladas já foram regularmente procedidos pela autoridade julgadora de primeira instância na sua integralidade. A alegação de boafé por não ter causado qualquer prejuízo ao Erário, não tem qualquer influência no presente lançamento de ofício, uma vez que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 282 24 acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Registrese que ainda que exista Recurso Especial admitido em tal feito, uma vez que existe decisão meritório definitiva nessa mesma 2ª Instância ordinária, seus efeitos já devem ser considerados e adotados nessa causa conexa. Em acréscimo, até em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, no presente caso, no mérito, a Recorrente apenas alega que sua contabilidade (Livro Razão) exprimiria crédito, apurado em 2001, de CSLL a recuperar, equivalente a suas estimativas de 2002, tendo procedido a sua comepnsação. Não traz documentos, muito menos qualquer prova de recolhimento, mas apenas uma declaração de profissional contabilista que atesta que os valores de planilha subsequente, relacionando débitos e créditos de tal tributo, foram extraídos das contas da empresa. Alega que juntaria, no futuro, a documentação contábil o que nunca ocorreu. Não há indicação de nenhuma outra PER/DCOMP referente à suposta compensação das estimativas de 2002 com crédito formado anteriormente, levando a concluir que, se tal compensação ocorreu, teria apenas se dado no âmbito contábil da Recorrente. Além disso, afirma que retificou as DCTFs do período, em transmissão ocorrida em 19/03/2007, apontando para tal operação de compensação de estimativas, de modo que a incongruência entre DIPJ e DCTF teria restado superado. Não aponta as folhas dos autos em que constaria tal documento retificador, ainda que tenha sido juntado às fls. 96 a 100. Posto isso, não obstante a conexão processual existente, demandando o mesmo desfecho em relação aos mesmos fatos, objetos de jurisdição por este E. CARF, não Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 283 25 existe nos autos qualquer prova material da existência do crédito alegado pela Contribuinte ou que refute às conclusões obtidas pela DRJ a quo ou da própria 3ª Turma Especial desta 4ª Câmara, no Acórdão nº 1803002.579. Como a própria DRJ atestou, os sistemas da Receita Federal do Brasil não apontam para a existência de crédito e a transmissão da DCTF retificadora teria se dado após a lavratura do Auto de Infração de exigência de multa isolada, lavrado precisamente em face da discrepância entre DIPJ, DCTF original e sistemas da RFB do modo que tal correção já seria sem efeito, nos termos da legislação vigente. Confirase tal passagem do v. Acórdão recorrido: Alegase, na manifestação de inconformidade, que apenas em 14/06/2010 o fisco questionou os procedimentos adotados pela manifestante para a determinação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002. A alegação não se confirma. Em 20/12/2006, o contribuinte teve ciência de dois autos de infração contra ele lavrados, objetos do processo n.º 10680.013544/200687. A infração apontada é a falta de pagamento e de confissão em DCTF de débitos de CSLL mensal e de IRPJ mensal referentes ao anocalendário de 2002. Em conseqüência, foi aplicada a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa mensal prevista na alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Os autos de infração foram contestados, sendo proferido em primeira instância o Acórdão n.º 0219.113, da 2ª Turma da DRJ/BHE, de 16 de setembro de 2008 (fls. 107 a 115). Nele foi confirmada a infração imputada. Recurso contra referido acórdão ainda não foi julgado na data do presente voto. Os débitos de CSLL mensal não pagos nem confessados são a seguir identificados: Alertase que, com advento do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verificada a falta de pagamento de estimativa mensal após o término do ano calendário, não cabe exigir o principal devido, mas apenas a multa isolada sobre ele incidente. Na atual redação do art. 44, Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 284 26 dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007, disposição equivalente foi mantida na alínea “b” do seu inciso II. O art. 16 da IN SRF n.º 93, de 24 de dezembro de 1997, dispõe no mesmo sentido. Assim sendo, a falta do efetivo pagamento do valor deduzido a título de antecipações mensais implica redução do saldo negativo decorrente do ajuste anual apurado na DIPJ. Os débitos não pagos nem confessados em DCTF do processo n.º 10680.013544/200687 são os que o manifestante ora pretende que se considere como parcela integrante do saldo negativo utilizado na compensação não homologada. No PER/DCOMP, aorigem do crédito utilizado é exclusivamente recolhimentos com DARF de estimativas mensais. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte pleiteia o reconhecimento de outras parcelas de composição do crédito não informadas no PER/DCOMP. Além de pagamentos com DARF, invocamse, também, supostas compensações de débitos de CSLL mensal referentes a fevereiro, março, maio e agosto de 2002 com saldo negativo de períodos anteriores. No presente processo, não cabe discutir as invocadas compensações, uma vez que a falta de quitação dos valores supostamente compensados é objeto da lide de que trata o processo n.º 10680.013544/200687. O impedimento decorre de um dos pressupostos processuais. Para que a lide seja considerada válida, exigese originalidade. Constatada litispendência, haverá quebra de originalidade. Portanto, aqui só cabe adotar a solução da lide que ora prevalece naquele processo. Nas DCTF retificadoras entregues em 19/03/2007 (fls. 96 a 100), foram incluídas as compensações invocadas na manifestação de inconformidade, referentes aos débitos de CSLL mensal do ano calendário de 2002. Ocorre que, quanto da apresentação das retificadoras, a falta de pagamento e de confissão em DCTF desses mesmos débitos já era objeto de litígio. Os valores de CSLL mensal incluídos nas retificadoras de 19/03/2007 são exatamente os mesmos de que trata o auto de infração do processo n.º 10680.013544/200687, do qual o contribuinte teve ciência em 20/12/2006. Conseqüentemente, referidas retificadoras não surtem nenhum efeito. De acordo com o inciso III do § 2º do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando alterar débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Assim sendo, essas retificadoras não prejudicam entendimento anteriormente exposto e não influem na solução da presente lide. Antecipações Mensais Pagas Com DARF Admitese, aqui, que o contribuinte tenha incorrido em erro material no preenchimento do PER/DCOMP. Na ficha “Pagamentos” do PER/DCOMP, fl. 4, foram informados os recolhimentos com DARF assim identificados: Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 285 27 Portanto, segundo PER/DCOMP, o contribuinte teria efetuado dois recolhimentos com DARF que somam R$ 291.233,15 (131.998,83 + 159.234,32). Desse total, só teriam sido utilizados para compor o saldo negativo do período R$ 262.472,43 (103.238,11 + 159.234,32). Não obstante, nos bancos de dados do fisco encontramse quatro recolhimentos de código 2484 referentes ao anocalendário de 2002 (fl. 103), cujos dados são a seguir reproduzidos: Nos sistemas do fisco, a totalidade dos recolhimentos foi alocada a débitos de CSLL mensal de 2002 (fls. 102 e 103). Análise do Crédito e Sua Utilização Com base nos até aqui comentados, refazemse os cálculos do saldo negativo conforme se segue: Os débitos compensados com o saldo negativo de CSLL do exercício 2003 são abaixo identificados: Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 286 28 Conforme relatório de fls. 104 a 106, elaborado por sistema eletrônico da Receita Federal, o crédito reconhecido não é suficiente para quitar a totalidade dos débitos acima. Posto isso, uma vez ausente prova da existência do crédito e, mais do que isso, qualquer elemento que refute as constatações do v. Acórdão recorrido, o qual inclusive procedeu a consultas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, não há motivo para reconhecimento de direito creditório adicional, não havendo qualquer razão para a conversão do feito em diligência. Ficam as alegações de aplicação dos princípios da razoabilidade e moralidade prejudicadas em face da conclusão acima obtida e explicitada, sendo intransponíveis pela simples invocação de tais corolários constitucionais. Em relação à aplicação de multa e juros sobre os débitos, elementos os quais afirma a Contribuinte não serem aplicáveis, trazendo à baila o art. 394 do Código Civil de 2002, têmse não só clara situação de inadimplemento fiscal em face de compensação com crédito inexistente e consequente mora do contribuinte, revelandose hipótese muito diversa daquela que é tratada pelo referido dispositivo da Lei Civil como incidente, aqui, a norma veiculada no art. 61 da Lei nº 9.430/96, especificamente dirigida a débitos fiscais. Nesse sentido, confirase o v. Acórdão nº 1201002.209, proferido pela 1ª Turma da C. 2ª Câmara dessa mesma C. 1ª Seção, de relatoria da I. Conselheira Ester Marques Lins de Souza, publicado em 31/07/2018: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Acórdão n.º 1402003.592 S1C4T2 Fl. 287 29 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora). Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido integralmente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 287DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004011/2010-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
Numero da decisão: 9202-007.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 11 /2 01 0- 77 Fl. 430DF CARF MF 2 Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.004016/201008 37.313.4789 (AI 35) Obrig. Acessória Execução Fiscal 19515.003957/201016 37.313.4797 (AI 68) Obrig. Acessória Execução Fiscal 19515.004011/201077 37.313.4800 (Emp) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004015/201055 37.313.4819 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.313.4800, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos contribuintes individuais, sócios da empresa, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 211 a 219. Em sessão plenária de 20/11/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302002.860 (efls. 372 a 387), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 19515.004011/201077 Acórdão n.º 9202007.422 CSRFT2 Fl. 431 3 As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96)." O processo foi encaminhado à PGFN em 07/01/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 388) e, em 28/01/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 389 a 399 (Despacho de Encaminhamento de efls. 400). O apelo está fundamentado nos arts. 64, inciso II, e 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; ou b) multa aplicada de ofício, nos termos do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 31/05/2016 (efls. 401 a 405). Cientificada em 11/08/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 409/410), a Contribuinte ofereceu, em 21/11/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 412), as Contrarrazões de efls. 414 a 426. Fl. 432DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A Contribuinte foi intimada em 11/08/2016, quintafeira (AR de efls. 409/410), e teria até 26/08/2016, sextafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 21/11/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 412), portanto já fora do prazo de quinze dias. Assim, as Contrarrazões não podem ser conhecidas, por intempestividade. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.313.4800, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos contribuintes individuais, sócios da empresa, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 211 a 219. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, considerandose incabível o somatório das sanções decorrentes de descumprimento de obrigação principal e acessória. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Conforme o quadro demonstrativo constante do relatório, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração em GFIP, portanto a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14, de 2009, e a Súmula CARF nº 119: "Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 433DF CARF MF Processo nº 19515.004011/201077 Acórdão n.º 9202007.422 CSRFT2 Fl. 432 5 Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902984/2008-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. FALTA DE UM DOS PRESSUPOSTOS PARA REALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO NULO.
Havendo indícios nos autos da ausência de débito, ainda que informado por equívoco, é impossível a realização de compensação. Necessidade de análise da manifestação de inconformidade e para verificar a existência de todos os pressupostos para a realização da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem à DRJ/CTA para análise da manifestação de inconformidade.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. FALTA DE UM DOS PRESSUPOSTOS PARA REALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO NULO. Havendo indícios nos autos da ausência de débito, ainda que informado por equívoco, é impossível a realização de compensação. Necessidade de análise da manifestação de inconformidade e para verificar a existência de todos os pressupostos para a realização da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem à DRJ/CTA para análise da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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FALTA DE UM DOS PRESSUPOSTOS PARA REALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO NULO. Havendo indícios nos autos da ausência de débito, ainda que informado por equívoco, é impossível a realização de compensação. Necessidade de análise da manifestação de inconformidade e para verificar a existência de todos os pressupostos para a realização da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem à DRJ/CTA para análise da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 84 /2 00 8- 98 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10980.902984/200898 Acórdão n.º 1003000.269 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0628.933, de 21 de outubro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA, que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Aos 16/06/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 759948111, emitido em 09/05/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 22919.66054.150304.1.3.043526. Em sua defesa, a contribuinte não contestou a não homologação da declaração, mas declarou que o débito cobrado de PIS no importe de R$ 665,00 não está correto, visto que, conforme declarou em DACON, o débito correto é no valor de R$ 244,29. A DRJ/CTA não conheceu a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2000 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE COBRANÇA DE DÉBITO. INADEQUAÇÃO DA VIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade não á veiculo para insurgência contra a cobrança de débitos decorrentes da nãohomologação da compensação, podendose atacar apenas a nãohomologação da compensação, conforme a Lei n° 9.430/96, art. 74, §9 0. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que os débitos declarados na verdade não existiam, pois decorriam de um equívoco na apuração do valor devido; (ii) que o agente julgador se limitou a dizer que não conhecia do recurso vez que não se tratava de discussão acerca da não compensação, e sim, de pedido de anulação do débito e tal posicionamento se reveste de formalismo exarcebado; (iii) que havendo requerimento expresso de revisão e sendo o fisco, por força do artigo 142 do Código Tributário Nacional, obrigado a verificar a ocorrência do fato gerador e apurar o "quantum " devido, não há como este se esquivar da análise pretendida no bojo deste processo; (iv) que a declaração da Recorrente não pode ser considerada confissão de dívida, visto que o fisco não pode se eximir de analisar o crédito e o débito apontado pelo contribuinte. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10980.902984/200898 Acórdão n.º 1003000.269 S1C0T3 Fl. 4 3 Por fim, requereu que o recurso seja conhecido e provido para reconhecer a inexistência do débito ora exigido. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso atende ao requisito da tempestividade, contudo é indispensável analisar as se ele cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade. A DRJ/CTA não conheceu da manifestação de inconformidade, destacando que a via escolhida não era adequada para anular o débito, bem como a Recorrente não se insurgiu contra a não homologação da declaração de compensação. Em razão do não conhecimento do recurso, temse, em tese, a não instauração da fase litigiosa e, por conseguinte, as razões apontadas no recurso voluntário estariam preclusas, vide o que determina o Decreto n.º 70.235/72, in vebis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Por outro lado, a Lei nº 9.430/1991, o art. 74, no seu parágrafo 6º, explica que o sujeito passivo que apurar créditos poderá utilizálo na compensação de débitos. Esses serão considerados confessados na declaração de compensação vide abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 6oA declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Se a declaração de compensação não for homologada, o contribuinte possui prazo de 30 (trinta) dias para apresentar manifestação de inconformidade, que irá, como visto, instaurar a fase litigiosa, art. 74 da Lei nº 9.430/1991: § 9oÉ facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10980.902984/200898 Acórdão n.º 1003000.269 S1C0T3 Fl. 5 4 Analisando a legislação acima, concluise que para a homologação da declaração de compensação é imprescindível a existência de um crédito líquido e certo e de um débito. Uma vez identificada a existência do débito, a declaração revestirseá de confissão da referida dívida. A Recorrente defende que o débito é inferior àquele informado na Declaração de Compensação ora em análise, essa foi realizada por equívoco e o débito apontado na declaração, em verdade, é no valor de R$ 244,29. De fato, analisando a DIPJ e as DCTFs acostadas ao processo (fls. 32 a 94 e 95 a 145) demonstram que o débito não confere com aquele declarado. Ou seja, a existência de outros documentos no processo, demonstram haver possível erro no valor apontado no débito da declaração de compensação. Se a contribuinte identificou a existência de erro no preenchimento da DCOMP, deveria ter requerido o cancelamento antes da ciência do despacho decisório. Contudo, o erro na informação do débito, antes de configurar qualquer confissão, é fato que demonstra a falta de objeto da declaração. É condição primeira para a homologação de qualquer pedido de declaração, além da existência de crédito líquido e certo que haja um débito igualmente certo, do contrário não há o que compensar. Vêse que se pode estar diante de impossibilidade jurídica do pedido por erro do objeto, qual seja, o próprio débito. Identificada a existência de uma das condições da ação, o julgador pode extinguir de ofício o processo. Não conhecer da defesa por não ser o meio hábil para o cancelamento da declaração, mas manter o débito declarado alegando estar confesso, não está correto. O Ilmo. Julgador, em razão de sua discricionariedade, pode, de ofício, identificar a falta de objeto da declaração e anular o procedimento. Pelas declarações da Recorrente e dos documentos acostados ao processo, verificase que há um possível erro e, por conseguinte, inexistência do citado débito. Sendo assim, entendo que estão ausentes os motivos de rejeitar a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, devendo o processo retornar à DRJ para que essa análise os argumentos da defesa em relação ao valor do débito. Isto posto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os autos retornem à DRJ/CTA para análise da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 16692.721050/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam julgados e prolatados acórdãos definitivos no âmbito administrativo dos processos nºs 12585.000383/2010-51, 12585.000384/2010-04, 12585.000385/2010-41, 12585.000381/2010-62, 12585.000379/2010-93 e 12585.000380/2010-18.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam julgados e prolatados acórdãos definitivos no âmbito administrativo dos processos nºs 12585.000383/2010-51, 12585.000384/2010-04, 12585.000385/2010-41, 12585.000381/2010-62, 12585.000379/2010-93 e 12585.000380/2010-18. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Relatório
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam julgados e prolatados acórdãos definitivos no âmbito administrativo dos processos nºs 12585.000383/201051, 12585.000384/201004, 12585.000385/201041, 12585.000381/201062, 12585.000379/201093 e 12585.000380/201018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 21 05 0/ 20 14 -2 7 Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 16692.721050/201427 Resolução nº 1402000.731 S1C4T2 Fl. 1.270 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Trata o presente processo do pedido de restituição PER/DCOMP nº 21850.92363.301112.1.2.029412 (fls. 02 a 08) meio da qual o contribuinte pretende a restituição de crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 26.910.765,40 referente ao exercício de 2011, anocalendário de 2010. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança visando que a autoridade administrativa procedesse à análise, dentre outros, do pedido de restituição nº 21850.92363.301112.1.2.029412, e após a interposição de Agravo de Instrumento a liminar foi concedida. Assim, por meio do despacho decisório de fls. 120 a 128, a análise foi efetuada pela autoridade administrativa, sendo que o IRRF que compôs o saldo negativo foi integralmente confirmado, no valor de R$ 5.185.790,54, mas o direito creditório foi reconhecido em parte, no valor de R$ 12.459.156,47, sob o fundamento de que as compensações das estimativas mensais de IRPJ cujas Dcomps ainda não foram apreciadas ou, já apreciadas mas consideradas não homologadas, não gozam de certeza e liquidez, e dessa forma não podem compor o saldo negativo do exercício. Os quadros a seguir resumem os valores confirmados: Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 16692.721050/201427 Resolução nº 1402000.731 S1C4T2 Fl. 1.271 3 Cientificada do despacho decisório em 30/06/2014 (comprovante fl. 131), a interessada apresentou em 25/07/2014 a manifestação de inconformidade de fls. 134/147, acompanhada dos documentos de fls. 148 a 650, onde alega, em síntese: (i) não pode haver glosa das estimativas compensadas vez que ainda não teria havido prolação de despacho decisório; (ii) da ilegalidade da glosa das estimativas cujas decisões das compensações se encontram com efeito suspenso por força de recurso administrativo; (iii) da ilegalidade da diminuição do saldo negativo sob pena de dúplice cobrança do crédito tributário; e (iv) da prejudicialidade do julgamento em razão da pendencia de decisão definitiva acerca da compensação das estimativas. Em seguida, a DRJ decidiu converte o julgamento em diligência para que a Derat/SP (fls.) informasse se existiam mais compensações de estimativas homologadas e juntasse os extratos indicando tais informações. Ato contínuo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de conformidade, reconhecendo mais estimativas cujas compensações foram homologadas em parte no importe de R$ 6.870.876,75, conforme quadro abaixo. Portanto, conforme quadro acima, foram extintas por compensação as estimativas mensais e a DRJ reconheceu o valor adicional de R$ 6.870.876,75. Sendo assim, somandose o valor de R$ 17.664.947,01 reconhecido no r. Despacho Decisório, com o montante reconhecido pelo v. acórdão da DRJ de R$ 6.870.876,75, chegase ao valor total do crédito de Saldo Negativo de IRPJ de R$ 24.535.823,76. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 16692.721050/201427 Resolução nº 1402000.731 S1C4T2 Fl. 1.272 4 O v. acórdão da DRJ registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, somente quando comprovada a sua extinção mediante pagamento ou compensação homologada. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. NÃO OCORRÊNCIA. Somente fica caracterizada a duplicidade de cobrança se houver coincidência entre os tributos, períodos de apurações e valores, o que não ocorre no presente caso, o qual trata apenas de pedido de restituição, sem declaração de compensação vinculada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 16692.721050/201427 Resolução nº 1402000.731 S1C4T2 Fl. 1.273 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Do sobrestamento do feito devido a pendência de decisão dos demais processos que tratam das compensação das estimativas que compões o saldo negativo que se pretende compensar neste processo: O presente processo encontrase dependendo do julgamento dos processos abaixo indicados, que estão julgando as estimativas que compõe o saldo negativo que se pretende compensar com o IRPJ dos autos do processo em epígrafe. Os PER/DCOMPs que controlam as estimativas cujos processos ainda não terminaram são os seguintes: As parcelas da estimativas mensais de IRPJ dos meses de agosto, setembro, outubro, e novembro que não foram extintas por compensação permanecem na situação de “Devedor” em seus respectivos processos de cobrança, mas com a exigibilidade suspensa em razão de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte nos processos de créditos nºs 12585.000383/201051, 12585.000384/201004, 12585.000385/201041, 12585.000381/2010 62, 12585.000379/201093 e 12585.000380/201018. As DCOMP´s tratadas nos processos acima indicados ainda não foram objeto de decisão administrativa definitiva, uma vez que aguardam julgamento pelo CARF/MF acerca dos recursos apresentados, nos processos acima indicados. Ou seja, caso sobrevenha decisão administrativa definitiva no sentido da homologação das estimativas compensadas, tal decisão implicará necessariamente no reconhecimento integral do crédito de Saldo Negativo pleiteado nos presentes autos, mostrandose cristalina a relação de prejudicialidade mantida entre este processo e os processos acima indicados. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 16692.721050/201427 Resolução nº 1402000.731 S1C4T2 Fl. 1.274 6 Vejam nobres Conselheiro, notese que o sobrestamento do presente processo até que haja julgamento definitivo das estimativas que compõem o crédito pleiteado é decorrência lógica do próprio raciocínio traçado no acórdão ora atacado. Isto porque, reconhecidamente, o valor revertido por meio do provimento do Recurso Voluntário deverá ser devidamente computado no saldo negativo, implicando na necessidade de se aguardar o desfecho dos processos que controlam as estimativas. O entendimento para sobrestar os processos que acarretam prejudicialidade ao presente julgamento dos autos do processo em epígrafe, pode ser visto, em recente decisão, onde o CARF determinou o sobrestamento do processo referente a saldo negativo até o julgamento definitivo dos processos referentes as estimativas, conforme atesta a Resolução nº 1402000.348, proferida no PA 10880.902342/201112, cujas linhas conclusivas transcrevemos: “Isso porque na composição do saldo negativo há estimativas que foram compensadas. A parcela de estimativa compensada no processo 10880.900202/2011 18 foi homologada por meio do Acórdão 1801002.015, não sendo óbice para a continuidade da presente análise. Contudo, o restante da estimativa de janeiro de 2005 foi compensada e, até o momento, não homologada. A discussão a esse respeito se dá no bojo do processo nº 10880.673243/200901, sobrestado por meio da Resolução nº 1402000.347. Entendo, portanto, que o presente processo deva ser sobrestado até que seja proferida decisão, no âmbito do CARF (recurso voluntário), no processo nº 10880.673243/200901. 3 CONCLUSÃO Assim sendo, voto no sentido de sobrestar o julgamento até que seja apreciado o recurso voluntário relativo ao processo nº 10880.673243/200901, devendo tal processo ser vinculado ao presente. Os autos deverão ser remetidos à unidade de origem para ciência do contribuinte da presente Resolução, retornando em seguida ao CARF até que se encontre em condição de julgamento.” (2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF; Resoluçao nº 1402000.348; PA 10880.902342/201112; julgado em 20.01.2016; Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto) Por fim, insta ressaltar que o argumento constate no acórdão de que inexiste norma que autorize a suspensão do trâmite processual não se encontra em consonância com o Regulamento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015), uma vez que o art. 6º, §§4 e 6º do Anexo II determinam o sobrestamento do processo quando dependente de decisão de processos vinculados por decorrência, assim como foi decidido no julgado acima transcrito. Vejamos o texto do dispositivo citado: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 16692.721050/201427 Resolução nº 1402000.731 S1C4T2 Fl. 1.275 7 §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (...) § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Desta forma, ante a nítida correlação existente entre o crédito pleiteado nestes autos e os Processos Administrativos indicados acima, impõese ao menos o sobrestamento deste feito até o julgamento definitivo no CARF/MF dos processos nº 12585.000383/201051, 12585.000384/201004, 12585.000385/201041, 12585.000381/201062, 12585.000379/2010 93 e 12585.000380/201018. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.721072/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 05/01/2009
RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
INFRAÇÕES DE NATUREZA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação aduaneira, salvo disposição em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. FALTA DE VINCULAÇÃO DO MANIFESTO À ESCALA. PRAZO MÍNIMO PREVISTO NA IN RFB Nº 800/2007. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE CABÍVEL.
A vinculação extemporânea do manifesto de carga à escala da embarcação em porto no País configura prestação de informação fora do prazo da carga transportada, punível com a multa regulamentar tipificada na alínea e do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-006.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 05/01/2009 RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. INFRAÇÕES DE NATUREZA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação aduaneira, salvo disposição em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. INFRAÇÃO ADUANEIRA. FALTA DE VINCULAÇÃO DO MANIFESTO À ESCALA. PRAZO MÍNIMO PREVISTO NA IN RFB Nº 800/2007. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE CABÍVEL. A vinculação extemporânea do manifesto de carga à escala da embarcação em porto no País configura prestação de informação fora do prazo da carga transportada, punível com a multa regulamentar tipificada na alínea e do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 05/01/2009 RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. INFRAÇÕES DE NATUREZA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação aduaneira, salvo disposição em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. INFRAÇÃO ADUANEIRA. FALTA DE VINCULAÇÃO DO MANIFESTO À ESCALA. PRAZO MÍNIMO PREVISTO NA IN RFB Nº 800/2007. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE CABÍVEL. A vinculação extemporânea do manifesto de carga à escala da embarcação em porto no País configura prestação de informação fora do prazo da carga transportada, punível com a multa regulamentar tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 72 10 72 /2 01 1- 86 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 156 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança da multa prevista no artigo 107, IV, "e" do Decretolei nº 37 de 18/11/1966, pela falta de vinculação do manifesto de carga à escala da embarcação. Em impugnação, a recorrente deduziu que: 1. A impossibilidade de aplicação da multa cominada por falta de tipificação legal e ilegitimidade passiva da recorrente; 2 A exigência somente seria possível a partir de 1º/04/2009, conforme o artigo 50 da IN RFB nº 800/2007 e que na data de 05/01/2009 não havia a exigência de 48 horas para a prestação da informação; 3. A impossibilidade de aplicação da multa por ofensa às limitações constitucionais ao poder de tributar e ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade e da vedação ao confisco; 4. A inexistência de prejuízo ao erário e a aplicação do artigo 112 do CTN, uma vez que antes de o agente marítimo informar os dados do registro da embarcação, a autoridade fiscal aduaneira já possui conhecimento dos referidos dados e que o atraso no registro não implica em qualquer prejuízo ao controle de carga; 5. A possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo. A Quarta Turma da DRJ no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 12086.584, julgando a impugnação improcedente, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2011 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 157 3 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submetese às regras da IN RFB nº 800/2007, pois é expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado do termo transportador ser compreendido levando em consideração o contexto em que ele foi empregado. Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2009 INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO, OPERAÇÃO OU CARGA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Até a entrada em vigor dos prazos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, as informações exigidas pela Aduana referentes ao transporte internacional de mercadorias, inclusive as de responsabilidade do agente de carga, deveriam ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 158 4 Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de dados sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento ou item incluído ou retificado após o prazo para prestar a devida informação, independente da quantidade de campos alterados. NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 está em pleno vigor, logo não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida pelos seus destinatários por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas na impugnação, resumidas abaixo: 1. A impossibilidade de aplicação de multa cominada por falta de tipificação legal e ilegitimidade passiva; 2. A imprecisão contida no Auto de Infração sobre como a mesma agiu, se como transportador ou agente ou outra hipótese, ou seja, a comprovação da sujeição passiva; 3. O princípio da razoabilidade e as multas fiscais e sua violação no caso concreto limitações constitucionais ao poder de tributar; 4. A inexistência de prejuízo ao erário e aplicação do artigo 112 do CTN e ausência de dolo ou máfé; 5. A possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. . Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 159 5 Inicialmente, cabe ressalvar que as alegações de inconstitucionalidade não podem ser conhecidas por este colegiado, em razão da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, as alegações concernentes à ilegalidade de dispositivos legais por ofensa ao princípio da razoabilidade, princípio de vedação ao confisco, à reserva de lei complementar, às limitações constitucionais ao poder de tributar e, por óbvio, concernentes à possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo não serão conhecidas. De forma complementar, adoto as razões da decisão recorrida quanto às alegações de violações de princípios efetuadas pela recorrente, conforme disposto no §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999. A primeira alegação referese à impossibilidade de aplicação da multa cominada por falta de tipificação legal. O fato consubstanciado no Auto de Infração foi de aplicação da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do artigo 37 do Decretolei nº 37/1966 pela falta de vinculação dos manifestos de carga às escalas das embarcações, conforme estabelecido nos artigos 10, 11, 12, 22 e 50 da IN RFB nº 800/2007. Os dispositivos mencionados são transcritos abaixo: Decretolei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; ...” IN SRF nº 800/2007: Seção II Da Informação sobre a Carga Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I a informação do manifesto eletrônico; II a vinculação do manifesto eletrônico a escala; [...] Art. 11. A informação do manifesto eletrônico compreende a prestação dos dados constantes do Anexo II referentes a todos os manifestos e relações de contêineres vazios transportados pela embarcação durante sua viagem pelo território nacional. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 160 6 § 1o A informação dos manifestos eletrônicos será prestada pela empresa de navegação operadora da embarcação e pelas empresas de navegação parceiras identificadas na informação da escala ou pelas agências de navegação que as representem. § 2o Deverão ser informados para a embarcação tantos manifestos eletrônicos quantos forem as empresas de navegação, os portos de carregamento e de descarregamento e os tipos de manifesto emitidos. [...] Art. 12. A vinculação ou desvinculação do manifesto eletrônico às escalas deverá ser informada pela empresa de navegação que emitiu o manifesto ou por agência de navegação que a represente. § 1o O manifesto eletrônico deverá ser vinculado a todas as escalas em que a respectiva carga estiver a bordo da embarcação. § 2o A vinculação não será permitida caso o manifesto eletrônico possua bloqueio total. [...] Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: [...] d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 161 7 No caso concreto, os manifestos foram bloqueados pela vinculação do manifesto à escala após a atracação, fato não contestado pela recorrente. A recorrente, por sua vez, defendeu que operou como mero agente marítimo, mas não como transportadora e que, na condição de agente marítimo, não poderia ser responsabilizada pela multa aplicada. Juntou diversas decisões judiciais afastando a responsabilidade do agente marítimo, mormente com fulcro na Súmula nº 192/TRF. Quanto à matéria e jurisprudência acerca da Súmula nº 192/TRF, o STJ já se pronunciou no REsp 1.129.430, o qual, na sistemática de recursos repetitivos de que tratava o artigo 543C do anterior CPC, afastou sua aplicação após a vigência do Decretolei nº 2.472/1988, que alterou o artigo 32 do Decretolei nº 37/1966, incluindo a hipótese de responsabilidade do representante do transportador estrangeiro, no atual inciso II de seu parágrafo único: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AGENTE MARÍTIMO. ARTIGO 32, DO DECRETOLEI 37/66. FATO GERADOR ANTERIOR AO DECRETOLEI 2.472/88. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 1. O agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, nem se equiparava ao transportador, para fins de recolhimento do imposto sobre importação, porquanto inexistente previsão legal para tanto. 2. O sujeito passivo da obrigação tributária, que compõe o critério pessoal inserto no conseqüente da regra matriz de incidência tributária, é a pessoa que juridicamente deve pagar a dívida tributária, seja sua ou de terceiro(s). 3. O artigo 121 do Codex Tributário, elenca o contribuinte e o responsável como sujeitos passivos da obrigação tributária principal, assentando a doutrina que: "Qualquer pessoa colocada por lei na qualidade de devedora da prestação tributária, será sujeito passivo, pouco importando o nome que lhe seja atribuído ou a sua situação de contribuinte ou responsável" (Bernardo Ribeiro de Moraes, in "Compêndio de Direito Tributário", 2º Volume, 3ª ed., Ed. Forense,Rio de Janeiro, 2002, pág. 279). 4. O contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN). 5. O responsável tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto), por sua vez, não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 162 8 (...) 9. O transportador da mercadoria estrangeira, à época, sujeitavase à responsabilidade tributária por infração, nos termos do artigo 41 e 95, do DecretoLei 37/66. 10. O DecretoLei 2.472, de 1º de setembro de 1988, alterou os artigos 31 e 32, do DecretoLei 37/66, que passaram a dispor que: "Art. 31. É contribuinte do imposto: I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; II o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente; III o adquirente de mercadoria entrepostada. Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: a) o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; b) o representante, no País, do transportador estrangeiro. " 11. Consequentemente, antes do DecretoLei 2.472/88, inexistia hipótese legal expressa de responsabilidade tributária do "representante, no País, do transportador estrangeiro", contexto legislativo que culminou na edição da Súmula 192/TFR, editada em 19.11.1985, que cristalizou o entendimento de que: "O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei 37/66." (...) 14. No que concerne ao período posterior à vigência do DecretoLei 2.472/88, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do transportador estrangeiro.(grifo nosso) (...) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 163 9 17. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Neste sentido, o Acórdão da CSRF nº 9303003.276: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Na qualidade de representante do transportador estrangeiro, a recorrente figurou como agência de navegação nos extratos efls. 12/22 e responsável pelas informações sobre a carga, constando expressamente no Sistema Mercante1. A condição de representante do transportador estrangeiro restou esclarecida na IN RFB nº 800/2007, em seu artigo 4º: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. 1 O Sistema Mercante é um instrumento que fornece o suporte informatizado para o controle e arrecadação do AFRMM, desde o registro do Conhecimento de Embarque (CE) até o efetivo crédito nas contas vinculadas ao Fundo da Marinha Mercante (FMM). Uma vez apropriados os dados, o sistema Mercante efetua o cálculo do valor do AFRMM de cada conhecimento de embarque e registra o valor apurado na base de dados. O transportador deverá prestar no sistema Mercante as informações sobre o veículo assim como as cargas nele transportadas, inclusive contêineres vazios e demais unidades de cargas vazias, para cada escala da embarcação. A informação sobre o veículo transportador corresponde à informação de suas escalas nos portos nacionais, que deverá ser efetuada pela empresa de navegação operadora da embarcação ou a agência de navegação que a represente. A informação da carga transportada no veículo, por sua vez, compreende: a informação do manifesto eletrônico; a vinculação do manifesto eletrônico à escala; a informação dos conhecimentos eletrônicos; a informação da desconsolidação; a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga; e a transferência de CE entre manifestos (Arrasta CE), quando for o caso. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 164 10 Assim, o agente marítimo é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis, nos termos do artigo 95 do Decretolei nº 37/1966, conforme abaixo: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Ressaltase, inclusive, que não houve qualquer imprecisão no Auto de Infração quanto à atuação da recorrente como agência de navegação, conforme excerto abaixo: No caso, a agência era a responsável pela prestação das informação no Sistema Mercante e, na qualidade de representante da empresa de navegação estrangeira, deixou de efetuar a vinculação do manifesto à escala antes da atracação, descumprindo as disposições da IN RFB nº 800/2007 e incidindo, por consequência, na penalidade prevista no artigo 107, IV, "e" do Decretolei nº 37/1966. A recorrente pugnou, ainda, pela inexistência de prejuízo ao erário, a inexistência de dolo ou máfé e a aplicação do artigo 112 do CTN. De plano, ressaltase que a responsabilidade por infrações, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme preconizado pelo artigo 94 do Decretolei nº 37/19662. No que tange ao prejuízo ao erário, esclareçase que o próprio Auto de Infração informou o prejuízo ocorrido, a saber: [...] 2 Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 165 11 Destarte, a informação prestada no prazo exigido permite a análise de risco das operações previamente à atracação das embarcações, necessária ao adequado controle aduaneiro. Aliás, tal prejuízo não é afastado nem pela informação extemporânea espontânea, razão pela qual a Súmula CARF nº 126 foi editada: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Por fim, não há que se falar em aplicação do artigo 112 do CTN, pois que não há qualquer dúvida quanto à natureza ou circunstâncias materiais do fato (informação extemporânea e responsabilidade da recorrente) e nem quanto aos seus efeitos, ainda que irrelevantes, para se determinar a responsabilidade. Por fim, destacase que este colegiado, em outra composição, já abordou a matéria, julgando procedente a autuação, conforme Acórdão nº 3302003.184: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/04/2010 CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA SOBRE A CARGA. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A vinculação extemporânea do manifesto de carga à escala da embarcação em porto no País, bem como a destempo da prestação de informação dos conhecimentos eletrônicos, configura prestação de informação fora do prazo da carga transportada, punível com a multa regulamentar tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11050.721072/201186 Acórdão n.º 3302006.095 S3C3T2 Fl. 166 12 Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724904/2012-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de regras e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria, disso decorrendo a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
Numero da decisão: 9202-007.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de regras e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria, disso decorrendo a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 04 /2 01 2- 72 Fl. 571DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2803003.424, proferido pela 3ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuição social destinada à Seguridade Social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros (em desacordo com a lei) e pagamentos efetuados a contribuintes individuais, não declarados em GFIP, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 20/41. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 142/165. A DRJ/SDR, às fls. 284/292, julgou improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo o lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 301/338. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 424/430, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, mantendo o lançamento relacionado aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACT ASSINADO NO EXERCÍCIO QUE SE ATRIBUI A PLR. LEGALIDADE. PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA PREVISTA NO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 10 3 1. O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa. 2. Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei. 3. Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR. 4. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos. 5. Os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e não declarados em folhas de pagamento e nem em GFIP, cujos recolhimentos foram feitos a menor, ou seja, a outra verba discutida nestes autos, tendo em vista que o contribuinte não apresentou impugnação em relação a essa matéria, aplicar seá a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 441/443, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração arguindo contradição da decisão embargada, restando, porém, rejeitados, às fls. 446/447. Às fls. 483/490, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: pagamento da PLR inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. O acórdão recorrido entendeu que a formalização do acordo pode ser posterior ao início do período de apuração do lucro. Em sentido diametralmente oposto, foi o entendimento proferido no acórdão paradigma, segundo o qual restam descumpridos os requisitos legais para o pagamento a título de Participação dos Lucros e Resultados, diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 508/512, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: pagamento da PLR inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. Os Contribuintes foram cientificados à fl. 519 e à fl. 521, apresentando Contrarrazões, às fls. 524/533, alegando, preliminarmente, não cabimento do recurso especial por ausência de divergência demonstrada analiticamente (situação fática distinta). No mérito, reforçou os argumentos aduzidos no acórdão recorrido, requerendo a manutenção do mesmo. Os autos vieram conclusos para julgamento. Fl. 573DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO Conforme já vem sendo decidido neste Colegiado por unanimidade, não há necessidade de cotejamento analítico para que o Recurso Especial seja admitido, basta que a parte esclareça o ponto (matéria) que deseja ver alterado por via de uniformização de jurisprudência, apontando o paradigma que traria resultado diverso ao seu caso concreto. O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuição social destinada à Seguridade Social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros (em desacordo com a lei) e pagamentos efetuados a contribuintes individuais, não declarados em GFIP, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 20/41. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: pagamento da PLR inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 11 5 PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Fl. 575DF CARF MF 6 Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 12 7 Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Fl. 577DF CARF MF 8 Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 13 9 III – LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 579DF CARF MF 10 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos, que subiu para análise deste Colegiado, discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, a inexistência de pacto prévio anterior ao pagamento da PLR (a) Inexistência de Pacto Prévio Neste Tribunal Administrativo existem várias correntes de pensamento a respeito do que seria a expressão ‘pacto prévio’ prevista em na Lei. Recentes estudos demonstram que a jurisprudência desta Corte, observada de 2010 até 2016, já se dividiu em quatro posicionamentos distintos a respeito do momento da assinatura do acordo: (i) necessidade de assinatura antes do início do exercício relativo ao cumprimento das metas; Fl. 580DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 14 11 (ii) possibilidade de assinatura no exercício seguinte ao cumprimento das metas, em razão de a Lei n. 10.101/00 não trazer “limite temporal para a celebração dos acordos” e, conseqüentemente, pela impossibilidade de assinatura no exercício seguinte em razão de não haver incentivo à produtividade, com precedente da CSRF; (iii) possibilidade de assinatura até período em que possa vislumbrar um incentivo à produtividade, mas não necessariamente até o fim do período a que se refere; e (iv) possibilidade até antes do pagamento da PLR, havendo também precedente da CSRF nesse sentido. Para a Fazenda Nacional vige o entendimento de que a data de assinatura do acordo – posterior ao início do período de apuração do PLR – retira da verba uma característica essencial à recompensa pelo esforço feito para alcance de metas. Contudo, discordo frontalmente deste entendimento, por compreender que ele desconfigura a real intenção do poder Legislativo na adoção da PLR. A relação globalizada entre os países, as trocas mercantis, a participação do Brasil nos mercados externos contribuiu para a adoção da PLR no Brasil, a fim de tornar o Brasil competitivo no mercado externo, bem como trazer um incentivo aos seus empregados e trabalhadores, a fim de que esta produtividade trouxesse lucro e participação para aqueles que se encontram na base da pirâmide, no plano da força de trabalho. Exigir algo que a Lei não exigiu consiste em criar regras mais gravosas que aquelas que foram elaboradas pelo Congresso, fugindo assim do real objetivo da norma legal. Hoje não se fala mais no positivismo exacerbado, mas a norma ainda é a matriz, o ponto de partida de onde se retira o Direito. Sendo assim, a meu ver a PLR pode ser assinada até a data do efetivo pagamento realizado aos trabalhadores, pois a Lei não impôs limite temporal para a celebração dos acordos, isso ocorre por que, é notório que um conjunto de fatores de ordem burocrática, são conjugados até a finalização destes acordos. Pensar diferente significaria criar um requisito temporal não existente na lei, o qual não poderia ser imposto ao Contribuinte, quanto menos poderia ele ser penalizado com base numa regra não positivada. No caso em análise depreendese do Relatório fiscal que: 30. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que a Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa é instrumento de integração entre o capital e o trabalho e um incentivo à produtividade, que, para ficar fora do alcance das contribuições previdenciárias, deve atender aos vários requisitos previstos em lei 10.101/2000. Fl. 581DF CARF MF 12 31. Feitas essas considerações acerca da legislação que rege a Participação nos Lucros ou Resultados dos empregados, passase a relatar a situação concreta encontrada na auditada relativamente a essa verba. 32. Por meio das folhas de pagamento apresentadas, rubricas de proventos 7 Participação Resultados e 689 Dif. Participação Resultados, verificaramse pagamentos a empregados da auditada pela Participação nos Lucros ou Resultados dentro do período fiscalizado (01/2007 a 12/2008). 33. Tal verba não foi considerada pela empresa por parcela de incidência das contribuições previdenciárias. 34.Intimada a prestar esclarecimentos sobre a citada Participação, a empresa exibiu à fiscalização a Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007, celebrada em 20 de junho de 2006, e a Convenção de Trabalho 2007/2008, celebrada em 29 de junho de 2007, ambas, tendo como signatários, de um lado, a Rosal Energia S/A e, de outro, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica do Estado do Espírito Santo. 35.Além desses acordos a auditada apresentou , em atendimento à intimação fiscal, outros documentos relacionados à Participação nos Resultados referentes a 2006 (pagamento até março de 2007) e à Participação nos Resultados referentes a 2007 (pagamento até março de 2008): arquivo contendo apuração de metas para o Pagamento de PLR 2007 e 2008 e arquivo de controle de desligamentos 2007 e 2008 (total e duração), arquivos que foram autenticados no Sistema de Validação de Arquivos Digitais sob o código geral 5a0b10174cf137140e12c3bdb022ec50 36.No Acordo Coletivo de Trabalho de 2006/2007 , frisese, celebrado em 20 de junho de 2006 (doc. anexo), a Participação nos Resultados foi tratada na cláusula quarta– PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS REFERENTES A 2006 – PAGAMENTO ATÉ MARÇO DE 2007. 37.Nesse Acordo Coletivo de Trabalho 2006/2007, a participação ficou correspondendo a 150% (cento e cinqüenta inteiros por cento) da Remuneração mensal do empregado, estabelecida como sendo o Saláriobase mais o adicional de Periculosidade, quando houver, acrescido de R$ 1.600,00 (hum mil e seiscentos reais), para todos os empregados da empresa, condicionandoa ao cumprimento das metas, cuja apuração seria feita de janeiro de 2006 a dezembro de 2006, para pagamento em março de 2007. 38.Essas metas levaram em conta indicadores corporativos (Resultado Operacional, no de desligamentos e duração dos desligamentos) e indicadores individuais ( absenteísmo), tratados nos itens I e II da cláusula quarta daquele instrumento. 39.No Acordo Coletivo de Trabalho de 2007/2008 (doc. Anexo), celebrado em 29 de junho de 2007, a Participação nos Resultados foi tratada na cláusula quarta – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS REFERENTES A 2006 – PAGAMENTO ATÉ MARÇO DE 2008 e na cláusula quinta – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DISTRIBUIÇÃO EXTRAORDINÁRIA (pagamento em setembro de 2007). 40.Nesse Acordo, nos termos da sua cláusula quarta, ficou estipulado a Participação nos Resultados que seria correspondente a 140% (cento e quarenta inteiros por cento) da Remuneração mensal do empregado, estabelecida como sendo o Salário base mais o adicional de Periculosidade, quando houver, acrescido de R$ 1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), para todos os empregados da empresa, condicionandoa ao cumprimento das metas, a serem apuradas entre janeiro de 2007 a dezembro de 2007, que também levaram em conta indicadores corporativos (Resultado Operacional, no de desligamentos e duração dos desligamentos) e Fl. 582DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 15 13 indicadores individuais ( absenteísmo), tratados nos itens I e II de sua cláusula quarta. 41.O pagamento da Participação nos Resultados do Acordo Coletivo de Trabalho 2007/2008 ocorreu em março de 2008. (...) 43.Analisadas as cláusulas que cuidam da Participação nos Resultados de Empregados constantes dos Acordos Coletivos de Trabalho 2006/2007 e 2007/2008, constatase que os pagamentos feitos a esse título não seguiram rigorosamente os preceitos da Lei 10.101/2000. 44.O Acordo Coletivo de Trabalho 2006/2007, que estipulou o pagamento da Participação até março de 2007, com metas a serem apuradas de janeiro de 2006 a dezembro de 2006, foi assinado somente em 20 de junho de 2006. 45.Portanto, já estavam transcorridos quase seis meses completos do exercício de 2006 quando foram estabelecidas as regras do Programa assinado com o sindicato dos trabalhadores. Do transcrito acima observase que houve um preciosismo exagerado do auditor, uma rigidez na imputação da exação tributária como fato gerador de contribuição previdenciária, considerou o auditor, por exemplo, que a assinatura do acordo em julho elidiria a isenção proposta por lei para a PLR. A inclusão aqui que se observa é de um marco temporal rígido, não previsto no texto legal. A reiteração dos acordos com mesma redação em anos seguidos perfectibiliza o conhecimento das partes ao termos do acordo regras claras e objetivas, e modo que a data da assinatura não fere os objetivos legais da isenção. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado A despeito dos fundamentos trazidos pela i. Relatora, entendo que a legislação de regência conduz a interpretação diversa quanto à necessidade da pacto prévio para que a Participação nos Lucros ou Resultados – PLR seja excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 583DF CARF MF 14 As contribuições destinadas ao custeio da Previdência Social, incidentes sobre a folha de salários, encontram abrigo na alínea “a” do inciso I e no inciso II do art. 195 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] Apercebase que, como forma de resguardar a previdência pública, o legislador constituinte tratou de esclarecer que a incidência da contribuição alcança a folha de salários, além de todo e qualquer outro rendimento do trabalho, independentemente do nomen jures que lhe venha a ser atribuído. Na esteira do texto constitucional, o caput do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 tratou de constituir a base de cálculo das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (saláriodecontribuição) como sendo “a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma”. Não restam dúvidas de que a PLR paga aos empregados tem por objetivo retribuir o trabalho. Via de regra, essa verba tem como desígnio premiar o esforço adicional empreendido pelos obreiros no intuito de incrementar os resultados da empresa. Desnecessários, pois, grandes esforços interpretativos para se concluir que a participação nos lucros ou resultados encontrase inserida no conceito de saláriodecontribuição. Aliás, entendimento em sentido diverso não encontra baliza na doutrina especializada, tampouco na jurisprudência consolidada. É certo que a própria Constituição da República elencou entre os direitos sociais do trabalhadores a participação nos lucros ou resultados das empresas, porém, a desvinculação de referida parcela da remuneração está subordinada à observância dos requisitos estabelecidos em lei, conforme preceitua o inciso XI de seu art. 7º: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 16 15 [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (Grifouse) Em estrita consonância com o texto constitucional a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/1991 estabelece que a exclusão da parcela paga a título de PLR da composição do saláriodecontribuição (base cálculo da contribuição previdenciária) está condicionada à submissão dessa verba à lei reguladora do dispositivo constitucional. Senão vejamos: Art. 28. [...] [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. [...] (Grifouse) A regulamentação reclamada pelo inciso XI de seu art. 7º da CF/1988 somente ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei n° 10.101/2000. Antes disso, tendo em vista a eficácia limitada da disposição constitucional, era perfeitamente cabível a tributação das parcelas pagas sob a denominação de PLR pelas contribuições previdenciárias. Ademais, foi exatamente nesse sentido que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento a respeito do tema. Confirase: RE393764 AgR /RSRIO GRANDE DO SUL AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. ELLEN GRA CIEJulgamento: 25/11/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Ementa DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7°, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança dá contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso de agravo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2"Turma, 25.11.2008. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Fl. 585DF CARF MF 16 Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa Participação nos lucros. Art. 7º, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. O grande objetivo do pagamento de PLR é a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse sintase estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu empenho resultará em incremento pecuniário. Por essa razão, não vejo como se falar em engajamento adicional do empregado se ele não tem conhecimento prévio a respeito dos propósitos que se intenta alcançar, tampouco do quanto sua dedicação irá refletir em termos de participação. Nesse sentido, considero que a lei exigiu não apenas o acordo prévio, ou seja, antes do início do período a que se refira, mas também o conhecimento por parte dos empregados de quais as regras (ou mesmo as metas) deverão ser alcançadas para que esses façam jus ao pagamento da parcela. Esse juízo pode ser extraído § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. [...] Ora, se consoante as disposições normativas encimadas, a lei exige a fixação de regras claras e objetivas, estabelecendo inclusive que do acordo para o pagamento da PLR devem constar mecanismos de aferição voltados para a mensuração dos índices ou metas convencionados, não me parece razoável que essa pactuação possa ser feita após o início do Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 9202007.290 CSRFT2 Fl. 17 17 período de apuração voltado à aquisição do direito. No meu entender, a interpretação que mais guarda coerência com lei disciplinadora da participação nos lucros ou resultados conduz à conclusão de que as regras e critérios devem ser previamente ajustados, pois somente após a adoção de tal medida será possível aferir o cumprimento do que fora acordado. Dito de outra forma, como o legislador condicionou o pagamento da PLR à negociação entre capital e trabalho, devendo o instrumento resultante do ajuste conter claramente as condições necessárias à obtenção da vantagem, embora a Lei n.º 10.101/2000 não disponha de forma expressa sobre ao lapso temporal que se deve observar entre a assinatura do acordo e o pagamento da verba, é de se adotar o entendimento que provém da norma legal, de que os requisitos necessários a fruição do benefício trabalhista hão de ter sido estipulados previamente. A lógica intrínseca ao sistema de participação nos lucros ou resultados exige que os empregados inteiremse das regras com a antecedência necessária para que possam, assim, contribuir com seu esforço para o alcance das condições fixadas no ajuste, de forma a se valerem dos benefícios daí resultantes. Por todas essas razões, a despeito dos argumentos trazidos em sede de contrarrazões e do bem fundamentado voto da i. Relatora, entendo que a celebração de acordo entre empregador e empregados no transcurso do período de aquisição do referido direito desatende ao que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000. Ressaltese que o entendimento aqui esposado é o que tem prevalecido no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a título exemplificativo cito os acórdãos nº 2401003.488 de 15/4/2014, 9202005.211, de 21/02/2017 e 9202006.478, de 31/01/2018 e 2402006.071, de 03/04/2018. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 587DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.720036/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012.
O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012.
O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7ºA, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 00 36 /2 01 5- 99 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16366.720036/201599 Acórdão n.º 3301005.443 S3C3T1 Fl. 3 2 Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento (PER) de Crédito Presumido da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude do fato de que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 autorizava a utilização do crédito presumido somente para dedução das próprias contribuições não cumulativas. De acordo com a repartição de origem, a Lei 12.995/2014 passou a autorizar que empresas da agroindústria que possuíssem, em 01/01/2012, saldo de crédito presumido calculado e acumulado na forma da Lei 10.925/2004 pudessem utilizar esse saldo via compensação ou ressarcimento. Contudo, ainda de acordo com a autoridade administrativa de origem, no presente caso, mesmo preenchendo todos os requisitos legais para apuração e aproveitamento dos créditos em referência, o requerimento do ressarcimento fora protocolizado após o prazo prescricional de cinco anos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a lei que concedera o direito ao ressarcimento do crédito presumido acumulado havia sido publicada em 18/06/2014, inexistindo, até então, direito ao ressarcimento, apenas sendo possível o aproveitamento com débitos das contribuições (PIS/Cofins), em razão do quê, somente se aplicaria a regra da prescrição a partir daquela data. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14062.935, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o prazo para se pedir ressarcimento de créditos da não cumulatividade, básicos ou presumidos, é de cinco anos contados da data de sua apuração. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: a) no formulário do pedido, consta “CRÉDITO PRESUMIDO vinculado à receita de exportação com base na Lei nº 12.995/2014”; b) cita o Decreto nº 20.910/1932, em que se prevê, em seu art. 1º, que qualquer dívida da União, de qualquer natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem; c) a possibilidade de crédito prevista no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 (acrescentado pela Lei nº 12.995/2014), e de seu ressarcimento, é um direito “novo” e não a implementação de uma condição suspensiva que impedia o referido aproveitamento; d) a norma que instituiu o aproveitamento dos referidos créditos presumidos, expressamente previu a aplicação da prescrição; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16366.720036/201599 Acórdão n.º 3301005.443 S3C3T1 Fl. 4 3 e) cita o art. 29D da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, onde resta previsto que o ressarcimento do saldo de créditos presumidos de que trata o caput pode ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, insistindo que a Lei nº 12.995/2014, ao acrescentar o art. 7A à Lei nº 12.599/2012, conferira o direito ao contribuinte de obter créditos que, até então, não podiam ser utilizados, não tendo ocorrido, portanto, a prescrição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.430, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.721698/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.430): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. A partir do relato acima, constatase que a discussão dos autos não está na legitimidade ou não do montante de crédito, pois este foi conferido e admitido pelo Fisco. Centrase a discussão em saber se o pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente está prescrito ou não. Assim, para fins de realizar uma análise do prazo prescricional, necessário traçar a linha do tempo. Até 18 de junho de 2014, a pessoa jurídica que desenvolvesse atividades agroindustriais, poderia apurar crédito presumido de PIS e COFINS, na forma como previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para compensar, exclusivamente, com débitos destas mesmas contribuições (caput). No dia 18 de junho de 2014 entrou em vigor a Lei nº 12.995/2014 que acrescentou o art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, permitindo que o saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 até 01/01/2012 pudessem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, vencidos ou vincendos, ou ainda requerer o ressarcimento em dinheiro, observandose a legislação aplicável sobre os prazos extintivos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1o de janeiro de 2012 em relação Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16366.720036/201599 Acórdão n.º 3301005.443 S3C3T1 Fl. 5 4 à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) (grifei) Em 26/08/2014 a Recorrente protocolizou seu pedido de ressarcimento de créditos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme permissivo implementado pela novel Lei nº 12.995/2014. Resta, portanto, determinar quando surge o direito de ressarcimento de crédito, para fins de contagem da prescrição, se de sua apuração ou da publicação da lei que confere o direito, e qual é o prazo prescricional, bem como determinar o que se entende por "saldo de crédito presumido" apurado até 01/01/2012. I) Do prazo de prescrição e de seu marco inicial A prescrição é um instituto jurídico previsto no ordenamento jurídico com a finalidade de fornecer estabilidade às relações jurídicas, em homenagem à segurança jurídica, estabelecendo um prazo para o exercício de um direito. A premissa é que não se tem como desejável a permanência indefinida de um direito, estabelecendose, assim, um prazo para o exercício de sua pretensão. Caso o titular de um direito não exerça este direito no prazo, isto é, não exercite sua pretensão para ver satisfeito seu direito, considerase extinta esta pretensão, impossibilitandose que este direito seja, juridicamente, exercido. Com isso, para que o prazo prescricional tenha início, é preciso haver um direito, a possibilidade de exercêlo (pretensão) e a inércia do titular deste direito. Neste sentido, Caio Mário da Silva Pereira1: O sujeito não conserva indefinidamente a faculdade de intentar um procedimento judicial defensivo de seu direito. A lei, ao mesmo tempo em que o reconhece, estabelece que a pretensão deve ser exigida em determinado prazo, sob pena de perecer. Pela prescrição, extinguese a pretensão, nos prazos que a lei estabelece. (...) É, então, na segurança da ordem jurídica que se deve buscar o seu verdadeiro fundamento. O direito exige que o devedor cumpra o obrigado e permite ao sujeito ativo (credor) valerse da sanção contra quem quer que vulnere o seu direito. Mas se ele se mantém inerte, por longo tempo, deixando que se constitua uma situação contrária ao seu direito, permitir que mais tarde reviva o passado é deixar em perpétua incerteza a vida social. Há, pois, um interesse de ordem pública no afastamento das incertezas em torno da existência e eficácia dos direitos, e este interesse justifica o instituto da prescrição, em sentido genérico. Na seara tributária o instituto da prescrição se funda, também, na segurança jurídica, conforme ensinamentos de Luís Eduardo Schoueri, no 1 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil. Volume 1. 26ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16366.720036/201599 Acórdão n.º 3301005.443 S3C3T1 Fl. 6 5 sentido de que a prescrição surge "da necessidade de garantir a desejada estabilidade das relações jurídicas"2. No direito tributário, portanto, também há prazos extintivos por prescrição tanto para o crédito tributário, conforme art. 156, V do CTN, extinguese o próprio direito de crédito da Fazenda Pública, como há também prazo de prescrição extintivo do direito de requerer (pretensão) a restituição de um indébito, ou de cobrar créditos que o particular tenha contra a Fazenda Pública. Assim, a hipótese de incidência da prescrição é a existência de um direito sem que seja exercido por seu titular, tendo como consequente a extinção do respectivo direito. Discutiase se o prazo prescricional para ressarcimento de créditos acumulados seria aquele do art. 168, CTN, no qual tinha início com o pagamento indevido, ou se seria outro, como o do artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932. Não me parece adequado que o prazo prescricional, bem como seu marco de início de contagem, sejam aqueles previstos no CTN para a repetição do indébito, na medida que o pedido de ressarcimento não se funda em pagamento indevido. Assim, o crédito presumido é, veramente, um direito de crédito que o particular possui contra a Fazenda Pública em razão de alguma determinação legal. Portanto, se é um direito de crédito contra a Fazenda Pública, não decorrente de pagamento indevido, mas por alguma disposição legal, creio ser mais adequada aplicação do prazo prescricional existente no Decreto nº 20.910/1932 para a cobrança das dívidas passivas das entidades públicas. Neste diapasão, de acordo com o Decreto nº 20.910/1932, as dívidas passivas da União Federal, bem como qualquer direito ou ação contra a Fazenda Nacional, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, verbis: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, para um caso de crédito presumido de IPI, em sessão de 15/03/2018, proferiu o Acórdão CSRF nº 9303006.519, de relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, onde restou consignado que o prazo prescricional para ressarcimento deste crédito presumido observa o Decreto nº 20.910/1932: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16366.720036/201599 Acórdão n.º 3301005.443 S3C3T1 Fl. 7 6 tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 9303006.519, proferido em sessão de 21/03/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI prescreve em cinco anos contados do último dia do trimestre em que se deu a entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicação do Decreto n° 20.910, de 1932, combinado com Portaria MF n° 38/97. Recurso Especial do Contribuinte negado Em síntese, para que seja possível se falar em prescrição, necessário, preliminarmente, a existência de um direito. Somente após verificada a existência de um direito é que passa a ser possível se falar em início de prazo prescricional, extinguindose este direito caso não exercido por seu titular. No caso dos autos, é preciso discernir, o direito que se pleiteia não é o crédito presumido em si, qual seja, o crédito presumido apurado da forma em que previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004 e passível de utilização desde 2004. Repitase, não é esse o direito que se pretende exercer. O direito que se discute nestes autos é o direito de utilizar este crédito para compensar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, bem como o direito de requerer o ressarcimento em dinheiro deste crédito. E este direito apenas surgiu no ordenamento jurídico quando da publicação Lei nº 12.995 em 18 de junho de 2014. Não se pode admitir o fluxo do lapso temporal para a prescrição extintiva de um direito se o direito não existia e não podia ser exercido. Não se trata de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição, mas sim da própria impossibilidade de início do curso do prazo diante da inexistência do direito a ser exercido. Não há como falar de inércia do titular do direito se direito não havia. Como dito, para se falar em prescrição é preciso que o direito exista e que o titular deste direito fique inerte por certo período de tempo. Assim, o ato ou fato que origina este direito, para utilizar a dicção do Decreto nº 20.910/1932, é a Lei nº 12.995 que permite novas formas de utilização de um crédito, criando, portanto, um novo direito a ser exercido. Desta feita, se o direito de ressarcimento em dinheiro do crédito presumido apenas surgiu em 18 de junho de 2014, é a partir deste momento que o prazo de prescrição tem início. No entanto, não se quer dizer, com Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16366.720036/201599 Acórdão n.º 3301005.443 S3C3T1 Fl. 8 7 isso, que o crédito presumido que se quer ver ressarcido é irrelevante, muito ao contrário, a meu ver, a lei estabeleceu um marco temporal para o crédito presumido para que o direito de ver este crédito ressarcido em dinheiro possa ser fruído a partir de 18 de junho de 2014. II) Do saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012 A apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo se faz no confronto dos débitos decorrentes de receitas auferidas em face de créditos apurados em razão de custos e despesas permitidos na legislação. Incluem se nestes créditos, os créditos presumidos permitidos pela lei. Ao final do período de apuração, o saldo de débito é levado à DCTF e recolhido pelo contribuinte, mas o saldo de crédito, por sua vez, pode ser mantido e transferido para o próximo período de apuração, e assim indefinidamente por tantos quantos períodos de apuração sejam necessários até que o montante de débito supere o montante de crédito. No caso em análise, a Recorrente pretende ver ressarcido um montante de crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009. A fiscalização afirma nestes autos, fls. 151156, que este crédito presumido foi apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, salvo melhor juízo, não foi o crédito presumido apurado em seu respectivo período de apuração que a Lei nº 12.995/2014 permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento, mas sim o saldo de crédito presumido que permaneceu escriturado em 01/01/2012, vejamos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Ao que parece, o problema não é de prescrição. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Desta feita, não se permitiu ressarcir o montante de crédito de cada período de apuração, individualmente, até 01/01/2012, mas sim o saldo ainda existente nesta data. Até porque, conforme salientado acima, a apuração do PIS e da COFINS se faz por confronto de créditos e débitos por período de apuração, podendose manter escriturado o saldo de crédito para abatimento das contribuições devidas nos próximos períodos de apuração. Desta feita, não há como identificar nestes autos se este crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009 já não foi superado por algum montante de débito de algum período de apuração que o sucedeu até janeiro de 2012. Nem poderia ser assim, já que não me parece ter sido esta a escolha do legislador, já que foi definido um momento específico no tempo. Com isso, creio que o pedido de ressarcimento está equivocado, pois o que deve ser objeto de ressarcimento é o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16366.720036/201599 Acórdão n.º 3301005.443 S3C3T1 Fl. 9 8 Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720614/2013-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Numero da decisão: 3002-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 06 14 /2 01 3- 84 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10907.720614/201384 Acórdão n.º 3002000.479 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1294.844 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 52/56), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 21/29) e seu aditamento (fls. 45/49), deixando de "acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo" no mérito refutou o argumento da denúncia espontânea, bem como, da ausência de tipicidade, da ilegitimidade passiva e da "relevação da penalidade" concluindo que "o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido" por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 63/81) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a denúncia espontânea, b) a inaplicabilidade da multa em face da prorrogação do prazo de vigência da norma e, por fim, c) a cerca da interpretação mais favorável e do principio da proporcionalidade. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10907.720614/201384 Acórdão n.º 3002000.479 S3C0T2 Fl. 4 3 É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Alega o contribuinte em sua Impugnação (fls. 21/29) que a "intempestividade referida no BL acima citado está fora do campo de aplicabilidade da sansão", ou seja, a IN SRF nº 800/2008 em razão da alteração dada pela nova redação da IN SRF nº 899/2008 ampliou os prazos, concluindo que só seriam obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 e, ainda, que "a informação da carga com breve retardo, que por sinal não gera nenhum prejuízo ao controle aduaneiro, por certo não pode desencadear uma pena tão gravosa em face do valor nela contido" entendendo assim que deve ser aplicado interpretação mais favorável ao contribuinte por fim, o principio da proporcionalidade e a denúncia espontânea. Da leitura do voto proferido pela DRJ nos leva à conclusão de omissão sobre questões relevantes trazidas pela recorrente, quais sejam, a obrigatoriedade dos prazos contido na IN SRF nº 899/2008 a partir de 1º de abril de 2009 e sobre a aplicação da interpretação mais favorável ao contribuinte. Além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, como por exemplo a "alegação acerca de ausência de tipicidade" deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10907.720614/201384 Acórdão n.º 3002000.479 S3C0T2 Fl. 5 4 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (grifado). O fato de o contribuinte não ter protestado sobre esse ponto específico em seu Recurso Voluntário não afeta a posição que aqui se adota, tendo em vista a prevalência do interesse público. Cabe a este Colegiado, no que concerne aos princípios que regem o processo administrativo fiscal, o controle da legalidade dos atos administrativos podendo, inclusive, como é o caso, ser suscitado de ofício o cerceamento do direito de defesa. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001204/2009-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
COFINS. CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE
Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 04 /2 00 9- 11 Fl. 150DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de COFINS de incidência não cumulativa, relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2005, no valor de R$ 71.487,80, ( setenta e um mil e quatrocentos e oitenta e sete reais e oitenta centavos). Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento do PIS/ Pasep nãocumulativo (§ 1° do art. 5 0 da Lei n° 10.637/2002) e da Cofins nãocumulativa (§1° do art.6° da Lei n° 10.833/2003) do 2° trimestre de 2004 ao 4° trimestre de 2006, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 30 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório A autoridade fiscal afirma que a contribuinte forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas ficais utilizadas como insumos, bem como, apresentou, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, memória de cálculo demonstrando os valores preenchidos nos DACON. Alega, também, em seu Despacho Decisório, que ao analisar os dados informados, constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do PIS, valores de aluguéis pagos à Pessoa Física, o que é proibido pela legislação tributária. Ademais, que foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada, o que provocou a apuração de créditos a menor. Com isso, o presente despacho decisório houve por bem, reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 66.625,00 e homologar a DCOMP até o limite de crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, principalmente quanto aos aluguéis pagos e no que se refere aos créditos de exportação utilizados. Créditos de Aluguel Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11516.001204/200911 Acórdão n.º 3001000.550 S3C0T1 Fl. 151 3 Alega a manifestante que o crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para fins de compensação/ressarcimento referese ao Aditivo n.1, que é o contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica, e não à pessoa física, como alega a autoridade fiscalizadora e por isso, merece o reconhecimento dos créditos de aluguel no montante de R$ 1.333,36. Créditos de estoque de mercadorias nacionais A manifestante alega ter autorização para obter o crédito referente ao estoque de mercadorias nacionais do 2° trimestre de 2004, na proporção de 1/12 ao mês, de acordo com a Lei n° 10.833 de 2003. Informa que o estoque de abertura no valor de R$1.412.255,04, o qual serviu de base de cálculo e apropriação dos referidos créditos está devidamente amparado pelos lançamentos contábeis, balancete de verificação levantado em 31 de janeiro de 2004 e registro de inventário devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC. Estoques de Mercadorias Nacionais constantes do Balanço de 31/01/2004: R$ 1.412.255,04 Alíquota do crédito presumido COFINS 3,00% ( = ) Valor a ser creditado à razão de 1/12 avos R$ 42.367,65 Crédito a ser efetuado mensalmente R$ 3.530,64 Com isso, requereu a revisão da Decisão exarada, para que fosse reconhecido o crédito presumido sobre os estoques adquiridos de pessoas jurídicas domiciliada no País. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0729.362 4ª Turma da DRJ/FNS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 152DF CARF MF 4 O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o processo de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) da Contribuição para a Cofins de incidência não cumulativa, relativo ao 1º. trimestre do anocalendário de 2005, no valor de R$ 71.487,80 (setenta e um mil e quatrocentos e oitenta e sete reais e oitenta centavos). Na análise do pedido formulado pela empresa acima identificada, constatou a autoridade fiscalizadora que foram considerados, para fins de créditos, os valores de aluguéis pagos à pessoa física. Além disso, foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais. Conforme o Despacho Decisório constante dos autos, foi reconhecido parcialmente o crédito no valor de R$ 66.625,00 (sessenta e seis mil e seiscentos e vinte e cinco reais). A contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis mforam feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Requer, por fim, que seja revisto e reconhecido o direito creditório adicional de R$ 1.333,36 (mil e trezentos e trinta e três reais e trinta e seis centavos) em relação aos créditos de aluguel de imóveis. O restante da manifestação não será aqui relatoriado em vista de que se tratam de argumentos relativos aos créditos de estoque de mercadorias nacionais do 2º. trimestre do ano de 2004, relativos, pois, a trimestre diverso do que aqui se trata. Créditos de Locação Ausência de nota fiscal Quanto aos créditos de aluguel, entendeu a DRJ/FNS que embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Por isso, manteve as glosas relativas aos valores de aluguel de R$ 1.333,36. Créditos de estoque Omissão no julgamento No tocante ao esposado na manifestação de inconformidade, sob o argumento da tomada de créditos oriundos do estoque de mercadorias nacionais, conforme consta no instrumento de defesa relatado em tópico anterior, a autoridade julgadora de primeira instância não se pronunciou a respeito do tópico, declarando: O restante da manifestação não será aqui relatoriado em vista de que se tratam de argumentos relativos aos créditos de estoque de mercadorias nacionais do 2º. trimestre do ano de 2004, relativos, pois, a trimestre diverso do que aqui se trata. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11516.001204/200911 Acórdão n.º 3001000.550 S3C0T1 Fl. 152 5 Desta forma, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal na impossibilidade de exigência de nota fiscal como prova de pagamento de aluguel à pessoa jurídica, bem como a legitimidade da compensação de débitos do 1º trimestre de 2005 com os créditos do 2º trimestre de 2004. Créditos de Aluguel Em suma, a recorrente alega que a tese adotada pela DRJ de que, a contribuinte, para viabilizar o direito creditório dos aluguéis, deveria ter apresentado as notas fiscais respectivas, não pode prevalecer. Nesse sentido, aduz que a posição adotada lhe impõe a obrigação de comprovar o cumprimento de obrigação acessória por terceiro locador, ou condiciona o direito ao crédito à produção de prova documental inexigível por lei, isto porque, segundo a mesma, o locador é obrigado a fornecer simples recibo discriminado das importâncias pagas pelo locatário e não nota fiscal. A fim de sustentar seu direito a comprovar a legitimidade da locaçao, avoca o artigo 109 do CTN, no qual principio gerais de direito privado não deveriam ser inobservados. Neste sentido, buscou no artigo 565, e seguintes do código civil, além da própria lei de locação. Em especial, destacou o artigo 569, II, no qual o locatário é obrigado a pagar segundo o costume do lugar. Não, há, portanto, obrigação legal de o locador fornecer qualquer outro documento senão recibo. Ainda, demonstra não ser a recorrente, contribuinte de qualquer tipo de tributo ou imposto que implique na emissão de nota fiscal. Violação de princípio fundamental Alegou a recorrente que violação do artigo 5.º, II da Constituição Federal, por entender a ausência de lei que obrigue a emissão de nota fiscal para a comprovação da legitimidade do crédito tomado. Aduz, também, que a recusa contida na decisão recorrida atenta contra o principio da legalidade. Desrespeito ao artigo 3.º, IV da Lei 10.637/02, à Lei Complementar 116/03 e a Lei 8.846/94 Salienta ter havido desrespeito ao artigo 3. da Lei 10.637/02, em seu inciso IV, o qual prevê a possibilidade de tomada de crédito quando houver locação de pessoa jurídica, sem a condição imposta pelo decisão de primeira instância. Ainda, relata que a lei 8.864/94 equipara a emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, como documentos igualmente idôneos para efeito de imposto de renda, inclusive para a locação de bens móveis e imóveis. Créditos de estoque de mercadorias nacionais Fl. 154DF CARF MF 6 Relata em seu recurso, repetindo sua argumentação já apresentada em sede de manifestação de inconformidade, que a compensação regularmente efetiva derivou de compensação por crédito oriundos dos estoques. Acrescenta que não a diversidade de trimestres, não pode ser elemento obstativo do direito de compensar, uma vez que, segundo sua interpretação, lhe é facultada a utilização em 12 parcelas mensais, iguais e sucessivas. sendo a compensação com débitos do 1º trimestre de 2005 lícita e possível, na forma da Lei 10.833 de 2003. Com isso, requereu a reforma do v. Acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que não reconheceu o Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 4.862,80, que se subdividem em créditos de aluguel e créditos de estoque de mercadorias nacionais do 2º trimestre de 2004. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 27.08.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, fls. 143144, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 20.09.2012, conforme comprova o carimbo da ARF CRICIÚMA, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11516.001204/200911 Acórdão n.º 3001000.550 S3C0T1 Fl. 153 7 Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. Inconstitucionalidade do impedimento da tomada de crédito decorrente das operações de locação, por ofensa ao princípio da legalidade, e crédito decorrente de estoque de mercadorias nacionais Na manifestação de Inconformidade, conforme se denota a seguir, resta evidente a devida iresignação ao teor da tese defendida pela autoridade fazendária Ocorre que houve equivoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante á. análise da documentação apresentada pela empresa, principalmente no que pertine aos aluguéis pagos, haja vista que feitos a pessoa jurídica, conforme documentação em anexo e, também, no 'que se refere aos créditos de mercadorias nacionais utilizadas. • Conforme se verifica da documentação anexa, o pedido de ressarcimento 'baseouse em créditos de aluguel e créditos de estoque referente a mercadorias nacionais. DO MÉRITO Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, referente aos períodos de apuração 01 a 03/2005 (1° trimestre de 2005), que, na matéria cujo mérito será enfrentado, circunscreve se a determinar se, conforme a linguagem expressa no voto condutor da decisão examinada, é legal a exigência de nota fiscal emitida pela locatária para comprovar a legitimidade da tomada do crédito de locação, previsto no artigo 3.º , iv da Lei 10.833/03. Seguese ao trecho enxertado. Todavia, embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Percebese que a autoridade de primeira instância reconheceu ter sido a locatária, pessoa jurídica, enquadrandose, portanto na hipótese legal aqui discutida. Neste sentido, encontrase devidamente satisfeita a argumentação trazida em sede de defesa: No tocante à glosa referente ao crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para compensação/ressarcimento, verificase que os aluguéis aproveitados como crédito referemse ao contrato realizado 'corn a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.980.774/000187, conforme aditivo n. 01 ao Contrato de Locação em 17.12.2001 e não à pessoa física, como por equivoco concluiu , a autoridade notificante. Outrossim, resta claramente delineado que a questão aqui tratada referese ao fato de não ter sido apresentadas as notas fiscais para fins de comprovação. Créditos decorrentes de Aluguel Fl. 156DF CARF MF 8 Suficiência probatória dos contratos de locação Os créditos decorrentes de aluguel estão previstos na legislação e respeitam a seguinte determinação: a locação deve ser de prédios, com o requisito de ser pago unicamente a pessoa jurídica, e, ainda, necessariamente deverão ser empregados na utilização das atividades operacionais da empresa. Quanto ao primeiro requisito, registrase que o contrato de locação acostado em fls. 123 destes autos, o documento denominado ADITIVO NR.. 01 AO CONTRATO DE LOCAÇÃO CELEBRADO EM 17.12.2001 ENTRE SÉRGIO CIZESKI, COMO LOCADOR, E PLASSON DO BRASIL Ltda., COMO LOCATÁRIA. Neste instrumento, agora em fls. 128, deparase com a incorporação do mencionado imóvel, anteriormente dado em locação, conforme visto, ao capital social da empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS Ltda. , consoante o mencionado ato de constituição desta sociedade na JUCESC sob NIRE 42203139679. Com isto, e de acordo com o expresso em seu item 2. o titular do contrato de locação seria a pessoa jurídica GARANTIA. A título de evidenciar a existência do contrato de locação, acosta, também, Aditivo n.º 02, firmado em 31 de março de 2009. Desta vez, para regrar novo prazo de locação. Ainda, importa a menção na qual a peça contém a cláusula primeira, cujo conteúdo demonstra a descrição do objeto de tal instrumento, como sendo "um terreno com área de 3.501,77 m2, com um pavilhão industrial recém construído, me primeira ocupação, com área de 1.377,70m2". Portanto, concluise que os requisitos para o reconhecimento da legitimidade do crédito estão satisfeitos, determinando ser o contrato de locação a Documentação hábil para comprovação da existência do negócio. Desnecessidade de nota fiscal A recorrente, enquanto pratica atividade de locação, não é contribuinte estadual nem municipal, não sendo lícito impor o requisito probatório da juntada de notas fiscais. Devidamente enfrentadas as questões de fato e mérito, apontase decisão desta CARF no sentido de aceitar os contratos de locação como instrumentos aptos a comprovação do negócio, inclusive apontadolhe as devidas limitações (no precedente citado, foi excluído da base do crédito, taxas condominais, por não ser parte do preço contratado, este sim, base para a tomada de crédito, conforme, repitase, previsão contratual, e, não, valor emitido em nota fiscal. Acórdão nº 3401004.021 ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11516.001204/200911 Acórdão n.º 3001000.550 S3C0T1 Fl. 154 9 nos contratos administrativos de concessão das parcerias público privadas. Fundamento legal Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; DECISÃO Conheço do recurso, para, no MÉRITO, dar provimento a tomada de crédito decorrente da operação de locação de imóvel. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979464/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.627
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 79 46 4/ 20 09 -8 2 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.979464/200982 Resolução nº 1201000.627 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de IRPJ do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de IRPJ; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de IRPJ, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.979464/200982 Resolução nº 1201000.627 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de IRPJ'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de IRPJ"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de IRPJ da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.979464/200982 Resolução nº 1201000.627 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.979464/200982 Resolução nº 1201000.627 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 53DF CARF MF
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