Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16707.001253/2005-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO, ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL,
É cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificação de sua movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001, 2002
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA, CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9,430, de 27 de dezembro de 1996, quando restar comprovado que o contribuinte teve a intenção de fraudar o fisco, nos termos definidos no art. 71 da Lei n° 4,502, de 30 de novembro de 1964, mediante movimentação de conta bancária em nome de interposta pessoa, mantida à margem da contabilidade.
DECADÊNCIA DO IRPJ, PRAZO.
Restando comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN, haja vista a ressalva na parte final do § 4° do art. 150 do mesmo código.
DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, PRAZO,
O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de cinco anos, consoante Súmula Vinculante STF nº 08.
OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA. PIS. COFINS, INCONSTITUCIONALIDADE,
O STF no julgamento do RE 390840/MG declarou inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de faturamento para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada, quando deveria jungir-se à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, Estende-se ao lançamento decorrente a
decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1201-000.225
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência do direito de lançar as contribuições para o PIS e COFINS relativas aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência de PIS e COF1NS sobre as receitas financeiras, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ARBITRAMENTO DO LUCRO, ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL, É cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificação de sua movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA, CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9,430, de 27 de dezembro de 1996, quando restar comprovado que o contribuinte teve a intenção de fraudar o fisco, nos termos definidos no art. 71 da Lei n° 4,502, de 30 de novembro de 1964, mediante movimentação de conta bancária em nome de interposta pessoa, mantida à margem da contabilidade. DECADÊNCIA DO IRPJ, PRAZO. Restando comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN, haja vista a ressalva na parte final do § 4° do art. 150 do mesmo código. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, PRAZO, O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de cinco anos, consoante Súmula Vinculante STF nº 08. OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA. PIS. COFINS, INCONSTITUCIONALIDADE, O STF no julgamento do RE 390840/MG declarou inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de faturamento para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada, quando deveria jungir-se à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, Estende-se ao lançamento decorrente a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 16707.001253/2005-04
anomes_publicacao_s : 201003
conteudo_id_s : 5006620
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1201-000.225
nome_arquivo_s : 1201000225_167723_16707001253200504_016.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
nome_arquivo_pdf_s : 16707001253200504_5006620.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência do direito de lançar as contribuições para o PIS e COFINS relativas aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência de PIS e COF1NS sobre as receitas financeiras, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
id : 4753053
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358748438528
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-22T13:51:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-22T13:51:55Z; Last-Modified: 2010-09-22T13:51:56Z; dcterms:modified: 2010-09-22T13:51:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4b12249f-a0f0-49c6-aba8-c2009ecd597a; Last-Save-Date: 2010-09-22T13:51:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-22T13:51:56Z; meta:save-date: 2010-09-22T13:51:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-22T13:51:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-22T13:51:55Z; created: 2010-09-22T13:51:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2010-09-22T13:51:55Z; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-22T13:51:55Z | Conteúdo => Sl-C2T1 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,211 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16707,001253/2005-04 Recurso n" 167,723 Voluntário Acórdão n° 1201-00.225 — 2" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente UVIFRIOS DISTRIBUIDOR ATACADISTA LTDA. Recorrida DRJ RECIFE PE ARBITRAMENTO DO LUCRO, ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL, É cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificação de sua movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA, CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9,430, de 27 de dezembro de 1996, quando restar comprovado que o contribuinte teve a intenção de fraudar o fisco, nos termos definidos no art. 71 da Lei n° 4,502, de 30 de novembro de 1964, mediante movimentação de conta bancária em nome de interposta pessoa, mantida à margem da contabilidade. DECADÊNCIA DO IRPJ, PRAZO. Restando comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN, haja vista a ressalva na parte final do § 4° do art. 150 do mesmo código. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, PRAZO, O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de cinco anos, consoante Súmula Vinculante STF if 08. OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA. PIS. COFINS, INCONSTITUCIONALIDADE, O STF no julgamento do RE 390840/MG declarou inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei IV 9_718/98, no que ampliou o conceito de faturamento para Processo n° 16707001253/2005 .04 SI-C2 1 I Acórdião n. 1201-00,225 El 2 envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada, quando deveria jungir-se à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, Estende-se ao lançamento decorrente a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência do direito de lançar as contribuições para o PIS e COF INS relativas aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência de PIS e COF1NS sobre as receitas financeiras, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. , lth \ , II\ .,, . CLAUDEM ' ROD ' ,i, ES MALA Oh, IAS: l'residente. ia Tti 41,1 REGIS MAGALHÃES SOARES Q , nt, - elator. EDITADO EM: 0 6 S EI 20 10 Participaram da sessão de julgamento os co selheiros: Claudernir Rodrigues Malaquias (Presidente), Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente' Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). Ausência justificada do Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe. 1 Processo TI 16707.001253/2005-04 S1-C2T1 Acórdão n 1201-00.225 Fl. 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ: "Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, às 07 a 11 e fls. 500 a .502 (complementai), e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às .11s. 18 a 22 e fls. 507 a 509 (complementar), .formalizando-se crédito no montante de R$ 8..984..810,27 (valores principais, multas e juros), em decorrência do arbitramento de seu lucro, que se fez necessário, segundo Termo de Verificação Fiscal, às .11s. 168 a 170, e Termo de Encerramento, às 451 a 459, ante a imprestabilidade de sua escrita contábil para identificação de sua efetiva movimentação financeira e para apuração do lucro real. 2. Os valores tributáveis utilizados no arbitramento estão descritos às fls. 28, 526 e 527. Estas últimas .folhas referem-se a rendimentos de aplicações financeiras em nome do Sr Gilberto Claudino da Silva Pinto, consoante Termo de Verificação Fiscal, às fls. .513 a 521, que deram ensejo à lavratura dos autos de infração complementares. 3. Foi aplicada a multa de oficio qualificada nos autos de infração complementares, então prevista no inciso II do art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os pormenores da ação fiscal estão descritos nos sobreditos Termos de Verificação Fiscal e de Encerramento. 4, Inconformada, ela apresentou as impugnações das fls.. 475 a 496, e fls. 1.089 a 1.110, contrapondo, em síntese, que.- Com relação aos autos originais. 4.1 — a sua escrita contábil não conteria vícios ou deficiências que a tornasse imprestável para a apuração do Lucro Real; 4,2 — a .fiscalização teria tomado como razões para "optar" pelo arbitramento do lucro "supostas falhas sanáveis ou inócuas em relação à mensuração das bases do IRPJ e CSLL",. 4,3 — a . fiscalização possuiria, com os valores obtidos através de seus exames, amplas condições de determinar os reais valores das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, de modo que "optando pelo arbitramento do lucro" teria se afastado da verdade material; Com relação aos autos de infração complementares. 4..4 — teria decaído o direito de a Fazenda constituir os créditos relativos aos períodos objeto da autuação; 3 Processo n° 6707.001253/2005-04 S1-C2T1 Acórdão n." 1201-00125 F I 4 4.5 — as receitas financeiras (base para o arbitramento) teriam sido registradas em sua contabilidade e estariam no bojo das receitas financeiras objeto dos autos originais. Caberia o fisco demonstrar o contrário; 4,6 - não . fora provado que tivera a intenção de fraudar o fisco, nos termos do inciso 11 do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, além do que a conduta descrita na norma exasperadora da multa de oficio não admitiria a presunção (art. 42 da Lei n°9.430, de 1996) como elemento nuclear De mais a mais, a qualificação seria inconstitucional, por violar os princípios constitucionais da Capacidade Contribuam e da Vedação ao Confisco. 5. Além das sobreditas contraposições, por entender que o lançamento teria sido fundamentado no art., 42 da Lei n" 9.430, de 1996, contrapôs diversos argumentos à suposta caracterização de omissão de receitas efetuada com base nesse dispositivo (fls. 1,101 a 1. 104). ' O relatório é complementado, em seguida, com certas passagens do voto que passamos a reproduzir por sua relevância para o melhor entendimento da lide: "O lançamento foi efetuado, como relatado, em decorrência do arbitramento do lucro nos anos objeto da autuação.. A .fiscalização constatou, ao longo do procedimento — diga-se, de passagenz, que o objetivo primeiro era a caracterização de omissão de receitas por falta da comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários, nos termos do ar!, 42 da Lei n" 9.430, de 1996—, que a escrita contábil da interessada padecia das condições (erros, vícios e deficiências) previstas no inciso lido art.. 530 do RIR, de 1999. 9.. Consoante Termo de Encerramento das fls. 451 a 459, as sobreditas condições restaram evidenciadas em face dos seguintes fatos: 9,1 — não contabilização de movimentação financeira havida em contas bancárias de titularidade da interessada; 9 2 — não contabilização de despesas com CPMF; bem assim de Receitas Financeiras; 9.3 — incorreção na contabilização do recebimento de receitas de revendas de mercadorias nos períodos de janeiro a agosto de 2001 e de janeiro a dezembro de 2002. Nesses períodos, tais receitas foram contabilizadas como tendo sido recebidas à vista, quando, na realidade, o foram a prazo, como evidenciado pelos lançamentos bancários de liquidação de cobrança do Anexo V, às fis. 192 a 208; 9,4 — demonstração insatisfatória da contabilização de diversos pagamentos verificados nas contas bancárias não contabilizadas (vide anexo VI, à . /L 204), o que denotou não havia conciliação entre o seu caixa e as suas contas bancárias; 9.5 — contabilização indevida de pagamentos, como despesas e pagamentos a fornecedores, por - meio das contas bancárias não escrituradas, cujos respectivos beneficiários, de fato, foram o Sr, /I 4 Processo n° 16707.001253/2005-04 SI-C2T1 Acórdão n.°1201-00225 EL 5 Gilberto Claudino da Silva Pinto, empregado da interessada, e a Sra. Maria Edite Gomes da Silva, sogra de seu representante legal, 10. Na impugnação das .fls. 475 a 496, a interessada insurgiu-se contra o lançamento, contrapondo, essencialmente, o seguinte 10.1 — a fiscalização não teria apontado, deforma específica, qualquer vício em seus livros contábeis, tampouco qualquer mácula nas formalidades intrínsecas ou extrínsecas ou "mesmo a glosa de despesas ou custos lançados". Também não teria apontado o motivo para o arbitramento, ou sela, se seria a letra "a" ou a letra "b" do inciso lido art. 530 do RIR, de 1999; 10.2 — a sua escrituração contábil se encontrava apta a oferecer subsídios ao trabalho fiscal, possibilitando, com os devidos ajustes decorrentes da ação fiscal, a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; 103 — não teria .ficado caracterizada a omissão de receita em face da não contabilização de contas bancárias, o que só poderia ter sido conseguido com o refazimento da conta caixa Por conta disso, também não teria havido motivo para o abandono da escrituração e, conseqüentemente, para o arbitramento do lucro; 10.4 — duas de suas contas bancárias, de fato, teriam sido movimentadas à margem da escrituração, motivo por que não teria contabilizado as respectivas despesas com CPMF e receitas financeiras; 10..5 por apurar lucro real, "implicando assim na adoção do regime de competência dos exercícios para a contabilização de suas receitas", não importaria se a venda .fosse "à vista" ou "a prazo", desde que contabilizada dentro do período de sua competência, vez que integraria o resultado (vide último parágrafo, à ,f1 482). A falha ao escriturar suas receitas de vendas a prazo como se fossem à vista só surtiria efeito em relação à constatação de saldo credor de caixa, que, entretanto não prescindiria da feitura do fluxo de caixa; 10.6 — teria atendido a 99,80% das exigências do anexo IV do Termo de Intimação n" 08 (fls. 137 e 138), de modo que não seria plausível o arbitramento por conta da não escrituração de apenas 0,20% dos pagamentos; 10,7 — a transferência de recursos de conta da empresa para a conta de pessoa fisica ligada não seria garantia de que movimentava patrimônio em nome de terceiros. De igual modo, o ,fato de tê-los registrado indevidamente como pagamentos de despesas ou de fornecedores não invalidaria os efetivos pagamentos, que poderiam ser verificados na escrituração. Nada a impedia de transferir valores a uni preposto para liquidação de obrigações." O órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento pela r, decisão de fls. 1.128 e seguintes, tendo sido ementada nos seguintes termos: Assunto.: Processo Administrativo Fiscal '44(4 5 Processo n° 16707,001253/2005-04 S1-C2T1 Acórdão a' 1201-00.225 F1 6 Ano-calendário... 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 ARBITRAMENTO DO LUCRO,. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁ VEL. É cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificação de sua movimentação . financeira, inclusive bancária, ou para determinar- a lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.. É cabível a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n" 9,430, de 27 de dezembro de 1996, quando restar comprovado que o contribuinte teve a intenção de fraudar o fisco, nos termos definidos no art. 71 da Lei n" 4..502, de 30 de novembro de 1964. DECADÊNCIA DO IRP1 PRAZO.. Restando comprovada a ocorrência de . fraude, o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN, haja vista a ressalva na parte final do § 4" do art. 150 do mesmo código. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, consoante legislação de regência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. A fls. 1141 e seguintes está o recurso voluntário, que sustenta: 1. decadência do direito de lançar; 2. impossibilidade de arbitramento em vista de existirem condições suficientes à apuração do lucro tributável; 3, depósitos movimentados em conta corrente de 640011 Processo n° 16707.001253/2005-04 S1-C2-11 Acórdão ri" 1201-00,225 Fl 7 terceiro foram contabilizadas e declaradas; 4. ilegalidade do lançamento sobre receitas financeiras por presunção e; 5. descabimento da multa agravada por inexistência de sonegação, fraude ou conluio. É o relatório. 4(110- 7 Processo n° 16707.001253/2005-04 S1-C2 Acórdão n.° 1201-00225 Fl 8 Voto Conselheiro REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Impossibilidade de arbitramento A fiscalização apontou inúmeras falhas na contabilização da recorrente, inclusive duas contas bancárias não declaradas, além da movimentação de duas contas bancárias em nome de terceiro, funcionário do almoxarifado da recorrente. A fiscalização fundamentou longamente os motivos do arbitramento no Teimo de Verificação Fiscal de fls. 168/209, que resumidamente são: 1, omissão de escriturar na conta caixa de diversas contas correntes; 2, omissão de contabilização dos resultados das aplicações financeiras de referidas contas; 3. ausência de saldo na conta Clientes, como se a empresa fizesse exclusivamente vendas a vista, conquanto haja nos extratos bancários referência à "cobrança", demonstrando a existência de vendas a prazo; 5, incapacidade de justificar pagamentos, que furam escolhidos por amostragem, para os quais a resposta não batia com os registros contábeis lançados no caixa (de 56 pagamentos da amostragem, apenas 3 foram justificados na conta caixa); 6. ausência de contabilização de pagamentos registrados no extrato como "vida e previdência" no valor de RS310.000,00; 7. pagamentos de valores relevantes (valores na casa dos milhões) contabilizados como sendo para fornecedores diversos mas que verificou-se tratar-se de pagamentos realizado a funcionário da empresa e a parente do seu sócio. A fiscalização intimou o recorrente para que apresentasse justificativa para as apontadas omissões e, em resposta, o recorrente limitou a insistir que a fiscalização deveria fazer a recomposição do fluxo de caixa, posto que a individualização dos depósitos não contabilizados com as receitas escrituradas não é obrigação do contribuinte, por ausência de previsão legal; que a movimentação financeira não necessitaria de ser contabilizada na conta caixa, podendo ser lançada em outras contas; e que não há obrigação de que todos os créditos do caixa correspondam a um débito na conta Banco, sendo possível fazer lançamentos de forma agrupada (fls. 449/450). No termo de encerramento de fls. 453 e seguintes, a fiscalização contrapôs estes argumentos nos seguintes termos: "a mera alegação de que o fatw-amento mensal engloba tanto depósitos contabilizados como os não contabilizados não é suficiente para demonstrar que todos os depósitos não escriturados transitaram diretamente do caixa, na medida em que o contribuinte escritura o seu faturamento pelo total ao final de cada mês. Em outras palavras, o Processo n0 16707. 001253/2005-04 81-C2T1 Acórdão o.' 1201-00.225 Fl. 9 Não obstante, na tentativa de verificar a plausibilidade da alegção, lavramos o Termo de Intimação .fiscal n. 08, de 28..01.2005 (fls. 137/142), do qual tomou ciência por via postal em 31,01.2005. Neste termo efetuamos algumas correções no demonstrativo de fls. 135, apresentado pelo contribuinte: corrigimos os valores de depósitos contabilizados, excluímos dos totais de depósitos não contabilizados os valores correspondentes a cheques devolvidos e passamos a considerar a movimentação da conta clientes havida nos meses de setembro a dezembro de .2001 Mesmo após estes ajustes obtivemos excessos de depósitos sobre receitas, conforme demonstramos no anexo III do termo n. 08 (fls. 141), sobre os quais novamente intimamos o contribuinte a comprovar a origem. Se verdade ,fosse que todos os depósitos verificados em contas correntes do contribuinte efetivamente transitaram pelo caixa, englobados no faturamento mensal, é certo que o contribuinte teria condições de comprovar a origem dos excessos delicados no anexo III do termo n, 08. Em resposta o contribuinte apresentou a resposta (sic) de fis, 114, reiterando que a .fiscalização deveria 'considera os possíveis excessos de disponibilidade em meses anteriores', conforme planilha que anexou (fls. 14.5). Mais uma vez, o contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos excessos de depósito sobre as receitas, restando prejudicada a sua tese de que a totalidade dos depósitos verificados em sua contas correntes não contabilizadas efetivamente transitaram pelo caixa. Os excessos de disponibilidades acumulados em meses anteriores não podem ser considerados, pelo simples fato de que os saldos mensais de caixa não dão suporte a tais excessos, o que demonstramos no anexo I do Termo de Verificação Fiscal de 05,04,2005 (fls. 171), Considerando a existência de contas bancárias não contabilizadas e não tendo o contribuinte demonstrado que a movimentação ,financeira de tais contas encontram-se integralmente contabilizadas no caixa, surge a hipótese de arbitramento do lucro, com base no art. .530, H, do RIR/99 No recurso voluntário voltou o recorrente a argumentar que caso a fiscalização "tivesse procedido a recomposição da conta caixa somente levaria a registro as entradas (saídas das contas bancárias são contabilizadas) que estivessem perfeitamente identificadas e comprovadas, o que garantiria, com total resguardo para o ,fisco, a exatidão das apurações dos saldos de caixa, sem precisar de se considerar valores não identificados, não comprovados ou alheios aos objetivos e atividades da empresa. Como se vê, somente com o aprofundamento da análise de tais contas é que se poderia obter a verdade dos fatos Servir-se do arbitramento sob o pálio de que a escrituração está eivada de vícios não é suficiente. Há que se demonstrar que esses vícios impossibilitam a apuração do lucro real, isto é, que não há como se recompor a verdade, chegar ao lucro real ajustado pelas omissões constatadas. Esse ajuste é feito de forma simples, bastando a adição das omissões constatadas pela inserção de valores não contabilizados nas respectivas contas determinadas pela legislação — ao lucro real anteriormente apurado". De fato, em abstrato a afirmação do recorrente faz todo o sentido. 411Wir 9 Processo n° 16707.001253/2005-04 S1-C2T 1 Acórdão n° 1201-00.225 Fl 10 Entretanto, não se pode olvidar — diante das expressivas omissões que foram constatadas pela fiscalização, inclusive de movimentação de contas bancárias em nome de terceiros —, que a contabilidade do recorrente não inspira nenhuma confiança e preenche os requisitos do RIR, art. 530. Desta forma, entendo razoável a opção pelo arbitramento, vez que pelos extensos relatos da autoridade autuante a contabilidade do recorrente se mostrava formalmente inadequada (RIR, inc. I, do art. 530) e revelava indícios de fraude (RIR, inc, II do art. 530), 1 situação que se confirmou no curso da fiscalização. Não vou descartar liminarmente que eventual recomposição de caixa pudesse sanar as dúvidas, deixando a mostra exclusivamente as receitas omitidas que, assim, poderiam ser tributadas por presunção legal. Mas também não se pode descartar a hipótese — de resto a mais provável — de que a recomposição do caixa não seria viável, como afirmou a fiscalização. Em vista do impasse, competia ao recorrente trazer aos autos a demonstração — no mínimo indiciária — de que a recomposição de caixa sanaria as omissões apontadas pela autoridade lançadora, consoante determina o art. 16, inc. III, do Decreto 70.235/72. Não o fez, entretanto, tendo se limitado a argumentar monocordicamente que competia à fiscalização fazê-lo, Em momento algum o recurso trouxe algum elemento fãtico em auxílio de sua tese. Tivesse se desincumbido de produzir prova ao julgador de que a contabilização da sua conta caixa, ao contrário do restante de sua contabilidade, seria merecedora de maior crédito e que a sua recomposição possibilitaria a apuração mais fidedigna do seu lucro, e este julgador não hesitaria em reconhecer o arbitramento como indevido. Entretanto, a míngua de maiores elementos que conduzam àquela conclusão, não vejo porque desmerecer as longas justificativas lançadas pelo auditor fiscal durante a fiscalização e mantenho o arbitramento, 2. Da contabilização e tributação dos depósitos de terceiro A fiscalização lavrou auto de infração complementar para efetuar o lançamento dos tributos incidentes sobre as receitas omitidas relativas às contas bancárias movimentadas pela recorrente em nome de terceiros. O auto de infração constituiu os tributos sobre: 1. os depósitos bancários não comprovados, por presunção, consoante art. 42, da Lei 9.430/96; 2. pagamentos realizados a beneficiários não identificados; e 3. receitas de aplicações financeiras em renda fixa realizadas nas contas omitidas. Ari 530, O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 2 8 981, de 1995, art. 47, e Lei n 2 9 430, de 1996, mi 12). 1- o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, 11 - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para. a) identificar a efetiva movimentação . financeira, inclusive bancária, ou b) determinar o lucro real, 401.111;1°P 10 Processo n' 16707 001253/2005-04 S1-C211 Acórdão n " 1201-00.225 Fl. 11 No recurso voluntário o recorrente aduz que os rendimentos de aplicações financeiras realizadas nas contas omitidas não poderiam ser tributados com fundamento no art. 42, da Lei 9430/96, até mesmo porque elas já sofrem a retenção de 20% da fonte. Ora, se as receitas das contas de terceiros são reconhecidamente pertencentes ao recorrente — fato confessado por ele, como dá conta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 518 — os rendimentos da aplicação destas receitas também devem ser lançados contra si, independentemente do art. 42, da Lei 9.430/96. Adicionalmente, o imposto de renda retido na fonte é mera antecipação e não imposto definitivo e foi descontado pela autoridade fiscal„ Quanto à alegação de que os saldos dos referidos depósitos eram produto de vendas realizadas e que teriam sido tributados, ela não convence. Se as receitas foram mantidas a margem de contabilização é porque são fruto de operações igualmente não contabilizadas e somente prova em sentido contrário, produzida pelo contribuinte, poderia desqualificar esta presunção, o que não ocorreu. Esquece-se o contribuinte que devido às presunções legais às quais se sujeitou, em vista da omissão de receita e da desqualificação de sua escrita fiscal, o ônus da prova inverte-se, passando do fisco para o contribuinte. Aqui novamente o recorrente apenas tece alegações desacompanhadas de provas capazes de infirmar a presunção legal que, por isso, fica mantida. 3. Do deseabimento da muita de agravada O recorrente aduz que a autoridade lançadora deixou de fundamentar a imposição de qualificadora na multa e que a movimentação de conta corrente em nome de terceiro não é garantia de fraude ao fisco. Realmente, a simples movimentação de valores próprios com conta corrente em nome de terceiro, quando devidamente contabilizada e oferecida à tributação, contando com ampla documentação, não implicaria em nenhum prejuízo ao fisco, seja financeiro seja de acesso aos fatos geradores respectivos e, portanto, não caracteriza fraude. Em conclusão, não é a simples movimentação de recursos próprios em contas correntes de terceiros que qualifica a operação como fraudulenta. A fraude existe sempre que a movimentação de recursos próprios em contas de terceiros não é devidamente levada ao conhecimento do fisco e os rendimentos dali advindos não são corretamente oferecidos à tributação. E esta é a situação da recorrente. Dispõem o inc. 1, do art. 71, e art, 73, da Lei 4.502/64, aplicáveis por imputação do inc. II, do art. 44, da Lei n° 9430/96: Art. 71, Sonegação é toda ação ou 0111iSS110 dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 400‘010. 11 Processo n° 16707001253/2005-04 Sl-C2T1 Acórdão n 1201-00225 Fl. 12 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Ari . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos nferidos nos arts 71 e 72. Ou seja, a manutenção e movimentação de recursos próprios à margem da contabilidade por utilização de conta corrente de interposta pessoa é ato decorrente da vontade do contribuinte (dolo) que visa (na falta de justificativa plausível para o binômio uso de conta de terceiro / não contabilização) suprimir ao fisco a capacidade de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador, da sua natureza e de suas condições materiais, em conluio com terceira pessoa. Esses fundamentos se encontram no auto de infração (fls. 521), não havendo omissão do dever de fundamentação. Aduziu a autoridade autuante: "Considerando que o contribuinte efetuou movimentação em contas bancárias mantidas em nome de terceiro, utilizadas para suas operações, conforme admitido no item 14 da resposta datada de 05.12.2006 (fls. 921/927), e que essas movimentações ficaram, a margem da contabilidade (conforme item 4 deste Termo), entendemos que o contribuinte agiu intencionalmente com o intuito de ocultar das autoridades fazendá rias a ocorrência dos fatos geradores do imposto e, por via de conseqüência, o seu pagamento, nos termos dos arts 71, 72 e 73 da Lei 4. 502/64", Se fosse verídico o argumento de que o intuito da recorrente, ao utilizar contas correntes em nome de interposta pessoas, era o de evitar a penhora dos seus saldos por credores — o que já nos dá uma noção da distorcida ética empresarial da recorrente —, teria ela procedido à sua regular contabilização e oferecimento à tributação, o que jamais ocorreu, demonstrando claramente que a intenção maliciosa da recorrente não se voltava exclusivamente a afastar seus credores privados, senão a todos os credores, inclusive o fisco. Assim, fica mantida a imputação da multa agravada. 4. Receitas financeiras auferidas da conta de terceiros Com relação aos rendimentos dos investimentos em renda fixa da conta movimentada por intermédio de interposta pessoa, sobre eles não incidem as contribuições para o PIS e o COFINS, consoante decisão plenária do CoL STF, proferida no RE n° 3911840/MG, verbis: RE 390840 / MG DJ 15-08-2006 PP-00025 EMENT VOL-02242-03 PP-00372 RDDT n 133, 2006,p. 214-215 Parte(s) RECTE: UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. ADV.. .. CLÁUDIO HENRIQUE CALDEIRA E OUTRO(A/S) 12 Processo o° 16707 001253/2005-04 SI-CM Acórdão n." 1201-00.225 Fl. 13 RECDO.: UNIÃO ADV: PFN - CLÁUDIA REGINA A. M. PEREIRA Ementa CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3", § I", DA LEI N9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N" 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998, O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO,. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto .formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1" DO ARTIGO 3" DA LEI N" 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n" 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.. É inconstitucional o § I" do artigo 3" da Lei n" 9,718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.. Decisão Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relata), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendo-o, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendo-o, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau, Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dn Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste Julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente. Presidência da Senhora Ministra Ellen Grade (Vice-Presidente). Plenário, 18052005, Decisão.. Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § I" do artigo I" da Resolução 11" 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15,06.2005. Decisão: . O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deu-lhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § I" do artigo 3" da Lei n" 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8" e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro 13 Processo na 16707 001253/2005-04 SI-CM Acórdão n 1201-00,225 Fl. 14 Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09 , 11.2005 . Desta forma, reconheço a inconstitucionalidade da incidência do PIS e do COF1NS sobre as receitas financeiras, autorizado que estou, para tanto, pelo art. 26-A, do Decreto 70,235/72, verbis: Art. 26-A, No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009) (.) § O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei n" 11.941, de 2009) 1 — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n" 11,941, de 2009) (os grifas e negritos não estão no original) Isso posto, é de cancelar-se o lançamento do PIS e coFrNs sobre as receitas financeiras auferidas nas contas movimentadas por terceiros, realizado pelo auto de infração complementar. 5. Preliminar de decadência do direito de lançar Deixou-se esta preliminar para o final, em vista de manter a coerência lógica do raciocínio, garantindo, desta forma, a apreciação da ocorrência de fraude e da conseqüente imposição da multa qualificada antes da decisão sobre a decadência. Aduz o recurso que tendo principiado o pagamento dos IRRI e da CSLL a contagem do prazo decadencial é aquela regulada pelo art. 150, § 4°, do CTN, mesmo na hipótese de fraude. Mantida a imputação de prática fraudulenta pelo contribuinte, aplica-se a contagem do prazo decadêncial fixado no art. 173, do CTN, consoante a ressalva contida na parte final do § 4", do art. 150, do mesmo codex, mesmo quando o contribuinte tenha realizado princípio de pagamento. Essa é a jurisprudência pacífica do antigo Conselho de Contribuintes e do CARF, Si. Do IRP3 e da CSLL Sendo anuais os fatos geradores de IRPJ e da CSLL verificamos que os mais remotos datam de 30/12/2001, que poderiam ser lançados em 1° de janeiro de 2002. Então, de 14 Processo n° 16707.001253/2005-04 SI-C2T1 Acórdão n ° 1201-00.225 F1 15 acordo com a dicção do CTN, art.. 173, o prazo decadencial começou a fluir no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em 1" de janeiro de 200.3, findando-se em 1' de janeiro de 2008. Como o lançamento mais remoto ocorreu em 15,08,2007 (pelo auto de infração complementar de fls. 1083) não se observa a decadência do IRP3 nem da CSLL. 5.2. Do PIS/COFINS Os fatos geradores de PIS e COFINS são mensais e ocorrem no último dia de cada mês. A estas contribuições aplicam-se as regras gerais de decadência prevista no CTN e, assim, o disposto no art. 17.3. Nesse sentido, aliás, decidiu o Supremo Tribunal Federal nos julgamento dos Recursos Extraordinários ri% 556664, 559882, 55994.3 e 560626, que deram margem a edição da editou a Súmula Vinculante STF if 08, cujo verbete estabelece: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Assim, o fisco poderia ter lançado mencionadas contribuições, referentes aos meses de janeiro a novembro de 2001, ainda neste ano, posto que os seus fatos geradores ocorrem no último dia de cada mês. Logo, o prazo decadência, para eles, começou a fluir já em 1' de janeiro de 2002, vindo a findar-se em 1° de janeiro de 2007. Com relação ao mês de dezembro de 2001, o fisco só poderia realizar o seu lançamento em janeiro de 2002. Logo, o termo inicial da contagem do prazo de decadência iniciou-se apenas em 1 0 de janeiro de 2003, vindo a findar-se apenas em 2008. Como o auto de infração original foi notificado ao recorrente em 04 de outubro de 2005, nenhum tributo por ele lançado estava sujeito à decadência. Entretanto, o auto de infração complementar foi intimado apenas em 15.082007 (fls. 1083), quando já havia decaído o direito de lançar o PIS e o COFINS incidentes sobre os fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001. 6. Conclusão Isso posto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a preliminar de decadência do direito de lançar o PIS e o COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001 e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário a fim t excluir o lançamen o do PIS/COFINS sobre todas as receitas financeiras, objeto de lançamext no auto de in ção complementar. É rne "Regis Magalha,•11-WO -iroz .44\ IS MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 16327.001253/2005-04 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado .junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009.. Brasília, 06 de setembro de 2010. Maria Cs . cerção de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; []com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001868/2002-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:1997
FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF QUITAÇÃO
POR COMPENSAÇÃO Restando afastados os fundamentos que levaram ao não reconhecimento da compensação na primeira instância administrativa (a prescrição do crédito e o conteúdo da DIRPJ), devem os autos retornar à Delegacia de Julgamento, para que uma nova decisão seja proferida em relação às matérias ainda não
examinadas naquela instância.
Numero da decisão: 1802-001.072
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do crédito utilizado na compensação, e devolver os autos à DRJ para que seja proferida uma nova decisão quanto às matérias não analisadas naquela instância administrativa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:1997 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO Restando afastados os fundamentos que levaram ao não reconhecimento da compensação na primeira instância administrativa (a prescrição do crédito e o conteúdo da DIRPJ), devem os autos retornar à Delegacia de Julgamento, para que uma nova decisão seja proferida em relação às matérias ainda não examinadas naquela instância.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10640.001868/2002-15
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4854804
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.072
nome_arquivo_s : 1802001072_10640001868200215_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10640001868200215_4854804.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do crédito utilizado na compensação, e devolver os autos à DRJ para que seja proferida uma nova decisão quanto às matérias não analisadas naquela instância administrativa.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4748901
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358768361472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 206 1 205 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.001868/200215 Recurso nº 918.591 Voluntário Acórdão nº 180201.072 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria CSLL Recorrente ERGA PRODUTOS SIDERÚRGICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO Restando afastados os fundamentos que levaram ao não reconhecimento da compensação na primeira instância administrativa (a prescrição do crédito e o conteúdo da DIRPJ), devem os autos retornar à Delegacia de Julgamento, para que uma nova decisão seja proferida em relação às matérias ainda não examinadas naquela instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do crédito utilizado na compensação, e devolver os autos à DRJ para que seja proferida uma nova decisão quanto às matérias não analisadas naquela instância administrativa. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 207 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 14 a 22), no valor originário de R$ 8.556,20, estando incluído nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. A exigência decorreu de procedimento de auditoria interna de DCTF. Conforme os relatórios que integram o auto de infração, o lançamento, que abrange a CSLL/ Lucro Presumido referente ao 3º trimestre do anocalendário de 1997, decorreu do fato de a Contribuinte ter informado para este débito uma vinculação relativa à compensação sem DARF, indicando um número de processo judicial que não foi comprovado. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 1 a 10, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0932.322 (fls. 145 a 150) a Contribuinte alegou em síntese: 1. utilização de compensação com crédito advindo de ação judicial onde obteve o direito a correção de suas demonstrações financeiras do anocalendário 1990 pelo IPC integral e imediata compensação dos resultados na apuração do lucro real de 1991, na apuração do IRPJ; 2. optou pela utilização de seus créditos após o trânsito em julgado da decisão judicial, cabendo ao Fisco a verificação da existência ou não de créditos em função da diferença de correção monetária IPC/BTNF das demonstrações financeiras do ano de 1990. Informa que essa diferença se encontra registrada e controlada em seus livros contábeis e fiscais como também em suas DIPJ; 3.impropriedade da aplicação da Taxa Selic. Na seqüência, o processo foi baixado em diligência, às fls. 73/74, para verificação da existência de direito creditório referente à CSLL, decorrente das implicações da decisão judicial transitada em julgado, que pudesse ser utilizado na compensação com débito da mesma contribuição. Como já mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada falta de recolhimento deve persistir o lançamento efetuado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 208 3 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/01/2011, a Contribuinte apresentou em 22/02/2011 o recurso voluntário de fls. 155 a 170, com os argumentos abaixo: DOS FATOS o débito em questão já se encontrava quitado antes mesmo do ato fiscalizatório, uma vez que a Recorrente, de forma devida, utilizouse do instituto da compensação para efetuar o seu pagamento, nos estritos termos legais e com o direito creditório reconhecido através da decisão obtida no processo judicial registrado sob o n°. 92.01015402; no referido Mandado de Segurança, a Recorrente buscou o direito de deduzir, imediatamente, no próprio anobase de 1990 o expurgo desse ano. Contrariando dessa forma o disposto no art. 3º da Lei 8.200, de 1991, que determina o aproveitamento somente no anobase de 1993 e em quatro exercícios (25% ao ano). Tal comando normativo acarretava à Recorrente maior pagamento de imposto de renda, com recuperação posterior, apesar de corrigida, com características, portanto, de empréstimo compulsório. Sustentou, ainda, que a Lei 8.200, de 1991, reconheceu a diferença real no ano de 1990 entre a BTNF e o IPC, e, assim, o direito das pessoas jurídicas de corrigirem seus balanços pelo IPC no ano de 1990 para efeitos legais; o MM. Juiz de 1ª instância acatou integralmente o pedido exordial, declarando, incidenter tantum, a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n° 8.200/91, permitindo a Impetrante, ora Recorrente, a imediata absorção da referida correção monetária calculada com base nos índices do IPC, sem o referido diferimento; irresignada, a União Federal/Fazenda Nacional aviou Recurso de Apelação ao TRF da lª Região, que teve, por unanimidade, provimento negado. O referido acórdão transitou em julgado em 1995; vêse, portanto, que não houve nenhuma dúvida quanto ao direito de a Recorrente proceder à correção monetária de suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990, segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE, compensando de imediato os resultados, na apuração do lucro real do anobase de 1991, na apuração do Imposto de Renda e da CSLL, uma vez que restou afastada também, na referida decisão, o diferimento de aproveitamento previsto no art. 3° da Lei n° 8.200/91; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 209 4 ressaltase, no entanto, que a Recorrente, inobstante ter obtido direito de compensação imediata, optou por utilizar os seus créditos após o trânsito em julgado da referida decisão, pretendendo, dessa forma, não ser alvo de quaisquer represálias por parte do Fisco; no entanto, apesar do ato de prudência da Recorrente aguardar o trânsito em julgado para efetuar a absorção do direito creditório, ou seja, com base em um título judicial não passível de modificações, a mesma sofreu a lavratura do Auto de Infração em epígrafe pela suposta falta de recolhimento de CSLL, justamente no período em que realizou a compensação; e conforme se extrai da decisão recorrida, a compensação de CSLL realizada pela Recorrente não foi homologada pelo fato de o valor pago a maior relativo à correção monetária das demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 ter sido atingido pela prescrição e, dessa forma, a Recorrente teria perdido o direito de pleitear sua restituição ou fazer uso de tal crédito em um procedimento compensatório; DO DIREITO DA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL diferentemente do que alega a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, ora Recorrida, o direito de proceder à compensação e de pedir restituição por parte da Recorrente não encerrouse em 31/12/1996; como já narrado anteriormente, a ora Recorrente ajuizou, em 1992, Mandado de Segurança para ter reconhecido o direito de corrigir monetariamente as suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE, e fazer o aproveitamento do crédito imediatamente; temse que o fato gerador da correção monetária discutida em sede de Mandado de Segurança pertence ao anocalendário de 1990. E que, como se verifica, in casu, a Recorrente impetrou o referido mandado pleiteando o direito à correção de suas demonstrações financeiras em 1992. Assim, temse que o Mandado de Segurança foi ajuizado dentro do prazo, restando suspenso o direito de reaver os valores recolhidos a maior a título de correção monetária das demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 até o trânsito em julgado da referido mandamus; com o trânsito em julgado favorável do referido Mandado de Segurança em 1995, iniciouse o prazo previsto no art. l° do Decreto n° 20.910/1932; tendo em vista o referido dispositivo legal, e sendo certo que o ato que deu origem, efetiva e definitivamente, ao direito creditório da Recorrente foi o trânsito em julgado favorável do indigitado Mandado de Segurança em 1995, conclui se que o prazo para requerer a restituição/compensação do referido crédito expiraria em 2000. Como o procedimento compensatório fora iniciado em 1997 (competência compensada com vencimento em 31/10/1997) e finalizado em 1998 (DCTF correspondente entregue em 05/06/1998), não há que se falar em decurso do prazo; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 210 5 cumpre esclarecer ainda que o indigitado Mandado de Segurança, ao contrário do que alega a Delegacia de Julgamento, possui total ligação com a compensação realizada, já que o crédito surgiu somente com o reconhecimento judicial definitivo (após o trânsito em julgado) do direito da ora Recorrente corrigir monetariamente as suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990 segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE e fazer o aproveitamento de imediato; somente com o trânsito em julgado favorável, a Recorrente pode aplicar o IPC nas suas demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990, fazendo as devidas alterações nos balanços correspondentes, criando, desse modo, um saldo negativo de IRPJ e CSLL dentro do próprio ano base, que fora compensado com o valor ora cobrado; cabe salientar que, conforme levantado pela própria Delegacia de Julgamento, não consta realmente na DIPJ do ano base de 1990 a indicação do mencionado Saldo Negativo. Todavia, apesar de a alegação ser verídica, a Delegacia deixou de observar que na data que o procedimento fora realizado (alteração do BTNF pelo IPC nas demonstrações financeiras através de retificação dos balanços, com surgimento de saldo negativo dentro do próprio ano), não havia mais prazo para retificação da DIPJ correlata, ou seja, o próprio sistema da Receita Federal não autorizava tal retificação, não podendo, portanto, de maneira alguma, essa retificação ser colocada como requisito para o reconhecimento da compensação realizada; DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM EPÍGRAFE: SUJEITO AO REGIME ESTABELECIDO ANTES DA LC 118/2005 TESE DOS CINCO MAIS CINCO ad argumentandum tantum, caso não houvesse o Mandado de Segurança mencionado, por se tratar de pagamentos indevidos/a maior efetuados e aproveitados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, temse que o prazo prescricional para o Contribuinte pleitear a restituição do mencionado indébito, por ser tributo sujeito a lançamento por homologação, deve respeitar a tese dos “cinco mais cinco”; entender, como pretende a DRJ em Juiz de Fora, que o prazo prescricional para a restituição/compensação dos valores recolhidos a maior/indevidamente a título de correção monetária das demonstrações financeiras referentes ao ano base de 1990, caso não houvesse o Mandado de Segurança mencionado, ocorre após cinco anos contados do fato gerador do referido tributo, configura, isto sim, afronta à jurisprudência pacificada do STJ e negativa de vigência aos artigos 168, I e 156, I do Código Tributário Nacional; frisese, pois, que o dies a quo do prazo prescricional para os fatos geradores anteriores à edição da LC 118/2005 não pode ser outro que não a data em que a Fazenda homologa expressa ou tacitamente o pagamento efetuado pelo Contribuinte; dúvida não há quanto ao fato de que o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro se enquadram no rol dos tributos cujo lançamento é feito por homologação, declarados e constituídos pelo contribuinte através de entrega da DIPJ correspondente. Assim o dies a quo do prazo prescricional não se conta do pagamento indevido ou a maior, mas, sim, da data limite em que os valores recolhidos restariam atingidos pela homologação, seja expressa, seja tácita; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 211 6 esse entendimento já foi exaustivamente debatido e encontrase pacificado pelos Tribunais pátrios e pelo Superior Tribunal de Justiça; dessa forma, por todas as razões exaustivamente despendidas, verificase que o lançamento ora combatido não deve prosperar, uma vez que o crédito tributário ora exigido encontrase quitado, desde o seu vencimento, através do instituto da compensação. E, mais do que isso, que não houve prescrição do direito de o Contribuinte requerer a restituição do indébito, devendo, diante disso, ser reconhecida a referida compensação; DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO como é sabido, o Fisco possui o prazo prescricional de cinco anos para o ajuizamento da execução fiscal a partir do lançamento tributário, sob pena de extinção da obrigação tributária nos termos do art.156, inciso V, do CTN; a prescrição tem o condão de refletir diretamente o princípio da segurança jurídica, como um direito individual do cidadão em ver garantida uma determinada situação jurídica, por ter passado um certo lapso temporal; logo, admitir que a Administração Tributária, durante um processo administrativo fiscal, pode ficar inerte pelo tempo que bem entende, sem maiores cuidados quanto à sua movimentação, no pressuposto de que não estaria sujeita à prescrição, enquanto não proferida a decisão final do julgador administrativo, é ferir o princípio constitucional da moralidade administrativa, consagrado no art. 37 da Constituição Federal; nesse particular, cumpre salientar que a Lei 11.051/04 trouxe previsão de prescrição intercorrente no processo judicial, alterando o parágrafo 4º do art. 40 da Lei 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais); diante da instituição da prescrição intercorrente para o processo judicial de Execução Fiscal, a Fazenda Pública ficou legalmente impedida de se manter inerte diante do processo, sob pena de arquivamento definitivo deste e, por conseqüência, do seu direito de cobrança; referida prescrição intercorrente serve para garantir a segurança jurídica e, ainda, para garantir a efetividade do processo, devendo o Fisco, que possui meios suficientes, localizar o devedor, seus bens, e impulsionar o processo para que este não fique eternamente tramitando sem qualquer movimentação; no âmbito do processo administrativo o tratamento não pode ser diferente, afinal, a prescrição intercorrente tem como marco o princípio da segurança jurídica, sendo assim, ambos (o princípio da segurança jurídica e a prescrição intercorrente) devem ser aplicados em toda e qualquer relação jurídica existente, não somente no âmbito das relações que tramitam no Judiciário, mas também naquelas que repercutem na seara administrativa; para justificar a aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo, podese invocar, além dos princípios constitucionais já mencionados que devem ser respeitados em qualquer tipo de processo, seja jurídico ou administrativo , o art.108, inciso I, do CTN, que determina a aplicação da analogia na ausência de disposição legal expressa; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 212 7 diante da ausência de previsão expressa da prescrição intercorrente administrativa, o art. 6° da Lei n° 11.051/04 deve ser aplicado aos processos administrativos analogicamente, nos termos do art.108, inciso I, do CTN; tendo em vista que os princípios devem nortear a interpretação das leis juntamente com a analogia quando for constatada a ausência de disposição expressa, a administração deve julgar os recursos administrativos dentro do prazo quinquenal, sob pena de incorrer na prescrição intercorrente, que deve ser aplicada ao processo administrativo fiscal conforme fundamentação acima exposta; cumpre destacar que, in casu, a ocorrência da mesma deve ser reconhecida em razão do decurso de mais de 8 (oito) anos entre o protocolo da impugnação (em 08/07/2002) e a ciência do contribuinte acerca da decisão que julgou o referido recurso (a decisão foi proferida em 10/11/2010 e o Contribuinte foi cientificado no dia 25/01/2011); indubitável que o feito permaneceu paralisado por tempo demasiadamente longo, e, em atenção ao imperativo da segurança jurídica, o qual impede a procrastinação indefinida de uma lide, evidente a ocorrência da prescrição intercorrente, a qual impossibilita o direito de prosseguimento da presente cobrança; DO PEDIDO a Recorrente espera e requer que V. Exa. julgue improcedente o lançamento ora combatido, de sorte que o Auto de Infração em referência seja cancelado e remetido ao arquivo. Este é o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 213 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi exigido da Contribuinte a CSLL/Lucro Presumido referente ao terceiro trimestre de 1997. O lançamento decorreu de procedimento de auditoria interna de DCTF, e foi realizado nos termos da redação original do art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001. De acordo com os relatórios que integram o auto de infração, a exigência decorreu do fato de a Contribuinte ter informado para este débito uma vinculação relativa à compensação sem DARF, indicando um número de processo judicial que não foi comprovado. Desde a primeira instância, a Contribuinte alega que quitou o débito mediante compensação com crédito advindo de ação judicial onde obteve o direito à correção de suas demonstrações financeiras do anocalendário 1990 pelo IPC integral e à imediata compensação dos resultados na apuração do lucro de 1991. Alega também que somente utilizou os créditos após o trânsito em julgado da decisão obtida no Mandado de Segurança nº 92.01015402. Juntamente com sua impugnação, ela apresentou cópias das decisões judiciais em primeira e segunda instâncias, e também cópia da peça inaugural da ação judicial, cujo pedido demonstra bem quais eram as pretensões deduzidas em juízo (fls. 31/32): DO PEDIDO A Impetrante demonstrou acima o seu direito de proceder à correção monetária de suas demonstrações financeiras referentes ao anobase de 1990, segundo a variação dos índices inflacionários apontados pelo IPC/IBGE, COMPENSANDO DE IMEDIATO OS RESULTADOS, na determinação do lucro real do anobase de 1991, na apuração do Imposto sobre a Renda, do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido e da Contribuição Social sobre o Lucro. Contudo, estando às vésperas de entregar sua declaração anual de Imposto de Renda, a Impetrante não teve outro remédio senão vir a JUÍZO, impetrando o presente pedido de segurança, na defesa do seu direito liquido e certo acima deduzido, já que a D. Autoridade Coatora, (...), em estrita observância ao comando estampado na Lei 8.200 e no Decreto 332, persistirá na exigência inconstitucional. Data vênia, o pressuposto para a concessão da medida liminar estão atendidos (...). Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 214 9 Diante disso, é que a Impetrante requer a V. Exa. Dignese concederlhe liminarmente autorização para efetuação de cálculos e lançamentos contábeis de seu lucro real, apurando as diferenças entre BTN/IPC do balanço de 31/12/90, e trazendo, de pronto, tais diferenças para o balanço de 31/12/91, conforme o seu direito. (...) Após examinar a impugnação apresentada, a Delegacia de Julgamento – DRJ, primeiramente, enviou o processo em diligência, para verificação da existência de direito creditório referente à CSLL, decorrente das implicações da decisão judicial transitada em julgado, que pudesse ser utilizado na compensação com débito da mesma contribuição. Com o retorno dos autos, a DRJ, observando as alterações implementadas pela Lei 10.833/2003 no referido art. 90 da MP 2.15835/2001, apenas afastou a multa de ofício, aplicando a regra do Código Tributário Nacional que prevê a retroatividade benigna. Contudo, em relação à rubrica principal do débito lançado, rejeitou a compensação, com os seguintes fundamentos: o propósito da ação judicial não mantém relação com o processo administrativo fiscal sob exame; na esfera judicial a Contribuinte buscou tãosomente o direito de realizar a dedução integral da diferença de correção monetária e essa tinha somente o condão de reduzir o lucro líquido e o lucro real do período, podendo gerar prejuízo contábil e fiscal; o saldo negativo do tributo, em função de recolhimentos de antecipações realizadas antes da utilização da referida dedução integral, passível de restituição ou compensação, é uma conseqüência indireta da autorização obtida na esfera judicial; deste modo, o direito à compensação de débito de CSLL com crédito proveniente de antecipações pagas a maior ou indevidas não foi autorizado no Mandado de Segurança 92.01015402, às fls. 26/70, cabendo analisar se a compensação foi declarada em DCTF dentro do prazo permitido na legislação; como se tratam de antecipações de CSLL, relativas ao períodobase de 1991, o prazo para pleitear restituição/compensação iniciou em 31/12/1991, encerrandose em 31/12/1996 (cinco anos depois); como a compensação só foi pleiteada nas DCTF entregues em 05/06/1998, para débito com vencimento em 31/10/1997 (fl. 18), o prazo legal já havia se expirado; ainda que o prazo para compensação não estivesse extrapolado, importa esclarecer que na DÍPJ retificadora entregue em 04/09/92, telas de fls. 142/144, não há indicação de Saldo Negativo de CSLL, mais sim de débito no importe de 14.063,61 UFIR já quitado pelas antecipações realizadas, ou seja, o argumento da contribuinte não condiz com as informações registradas na declaração liberada no sistema da RFB. Não havendo Saldo Negativo de CSLL, não há direito creditório que possa sustentar a compensação registrada em DCTF. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 215 10 Não entendo corretos os fundamentos da decisão recorrida. Primeiro, porque o alegado crédito, caso confirmada a sua existência, decorreria diretamente da ação judicial que permitiu à Contribuinte deduzir imediata e integralmente o saldo devedor decorrente da diferença de correção monetária IPCBTNF/1990, sem o diferimento estabelecido na Lei 8.200/1991. Com efeito, não se poderia falar em prejuízo contábil e fiscal em 1991 e no decorrente saldo negativo de CSLL (que é o crédito utilizado na compensação), sem o resultado da referida ação judicial, da qual o crédito seria totalmente dependente. Deste modo, estando em curso ação judicial que visava os reflexos imediatos e integrais da correção monetária pela diferença IPCBTNF/1990, não poderia correr o prazo de prescrição para repetição de eventual indébito gerado justamente pelo cômputo desta rubrica no resultado. Mas mesmo que assim não fosse, ou seja, ainda que o propósito da ação judicial não guardasse relação com o processo administrativo fiscal sob exame (como entendeu a DRJ), o fato de o crédito ser do anobase 1991 e a alegada compensação ter ocorrido em 1997 também não implica na prescrição do crédito. Isto porque na Sessão Plenária de 04/08/2011, ao julgar o RE 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão geral, o STF por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, validando, deste modo, a chamada “tese 5+5” do STJ, a ser aplicada aos procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005. Nestes termos, resta afastado o problema do prazo transcorrido entre o direito creditório e o seu aproveitamento, mediante compensação com débitos de mesma espécie. Além disso, considero que o fato de a declaração DIRPJ não indicar o reivindicado saldo negativo também não pode ser oposto ao pleito da Contribuinte. Realmente, o trânsito em julgado da decisão judicial só ocorreu em 1995, e não se pode exigir que sua DIRPJ, que foi apresentada em 1992, já indicasse a apuração de saldo negativo, eis que o contexto jurídico que possibilitou tal apuração só se tornou definitivo em momento posterior. Assim, afastadas estas questões iniciais, cabe averiguar a existência do alegado crédito, o seu valor e o efetivo encontro de contas. Nesse sentido, cabe registrar mais uma vez que a Delegacia de Julgamento, antes de proferir sua decisão, enviou o processo em diligência (fls. 73), demandando as seguintes providências: (...) Em função dos fatos relatados, fazse necessária diligência para verificação da existência de direito creditório, referente à CSLL, decorrente das implicações da decisão judicial transitada em julgado, que possa ser utilizado na compensação com débito da própria contribuição no valor R$ 3.186,55, PA 0107/1997, como consta dos anexos de fls. 18. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 216 11 Encaminhese à SAFIS/DRF/JFA/MG para providências. Em cumprimento à diligência, a Fiscalização da DRF em Juiz de Fora/MG encaminhou intimação aos sócios da Pessoa Jurídica, requerendo os elementos abaixo: 1. Apresentar Livros Contábeis, Fiscais e DIRPJ onde estão registradas as diferenças de correção monetária das demonstrações financeiras do ano de 1990, com base na diferença IPC/BTNF, conforme autorizado por Decisão Judicial; 2. Apresentar a(s) própria(s) Decisão(ões) Judicial(ais) Transitada(s) em Julgado, que reconhece(m) a existência de direito creditório referente ao IRPJ e a CSLL. 3. Esclarecer a diferença entre os números de processo informados na impugnação e na DCTF. Na seqüência, a Contribuinte novamente apresentou as decisões judiciais de primeira e segunda instâncias, referentes ao Mandado de Segurança nº 92.01015402; cópia da DIRPJ do anobase de 1990; cópias de folhas do Livro Diário nº 07 com dados sobre a apuração do resultado do anobase de 1991, incluindo registros sobre o procedimento de correção monetária; cópia do Balanço Patrimonial realizado em 31/12/1991; e ainda os seguintes esclarecimentos, às fls. 140: ERGA PRODUTOS SIDERÚRGICOS LTDA, empresa sediada em Juiz de Fora MG, na Rua Carlos Rocha, n° 424 Progresso, inscrita no CNPJ sob o n.° 18.338.368/000120, vem, respeitosamente, prestar esclarecimentos sobre os créditos de IRPJ, CSLL e ILL apresentados no anocalendário de 1991: Conforme previsto na Lei n° 8.200/91, regulamentada pelo Decreto 332/91, a empresa procedeu à correção monetária do balanço relativo ao anocalendário de 1990, apurando a diferença entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal. De acordo com referida Lei, a diferença relativa à variação IPC/BTN poderia ser deduzida, na determinação do Lucro Real, em seis anoscalendários, a partir de 1993. Contudo, através de decisão judicial, a empresa obteve autorização para dedução integral desta diferença no ano calendário de 1991. Desta forma, realizada a dedução integral, foi apresentado prejuízo fiscal no período, conforme demonstrado às folhas 15,16 e 17, do processo nº 92.01015402, sendo evidenciado o recolhimento indevido de estimativas de IRPJ e de CSLL, no montante de 52.080,32 UFIR e 14.031,61 UFIR, respectivamente, e de ILL, no montante de 4.808,70 UFIR, conforme demonstrado através da retificação da DIPJ 1992, períodobase 1991, transmitida em 04/09/1992. Ocorre que a Fiscalização apenas juntou estes documentos e esclarecimentos aos autos, devolvendo o processo à DRJ, sem, a meu ver, concluir adequadamente a “diligência para verificação da existência de direito creditório”, conforme havia sido demandado pela Delegacia de Julgamento. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001868/200215 Acórdão n.º 180201.072 S1TE02 Fl. 217 12 Não há nem mesmo um relatório de diligência, com uma análise e conclusões da Fiscalização sobre os documentos e esclarecimentos apresentados pela Contribuinte. A DRJ, por sua vez, abstraindo das questões de mérito em relação à existência do crédito (que ela mesma estava buscando esclarecer), proferiu decisão baseandose nos aspectos de preclusão, que ora estão sendo afastados. Deste modo, não há ainda como concluir sobre os reflexos da referida ação judicial no resultado de 31/12/1991, ou seja, se ela realmente implicou em apuração de prejuízo contábil e fiscal, e se as antecipações converteramse em saldo negativo. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição do crédito utilizado na alegada compensação, devolvendo os autos à DRJ, para que seja proferida uma nova decisão quanto às matérias não analisadas naquela instância administrativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720174/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/07/2005
PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO.
A prescrição é interrompida pelo ajuizamento do processo administrativo
fiscal.
IPI. RESSARCIMENTO. DECISÃO ANTERIOR.
Deve ser assegurado o direito ao ressarcimento de IPI, através de estorno de débito no livro de apuração, tanto mais quando foram esses os termos de decisão que, em processo anterior, mais de 5 (cinco) anos após o pedido (portanto, após o prazo legal de manifestação do Fisco), apesar de reconhecer o pagamento em duplicidade, pretendeu negar a restituição. Impossibilidade de que novo pedido do contribuinte seja recusado, sob a justificativa de que seria caso de restituição, se pedido de restituição já havia sido formulado e negado antes.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-001.284
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso,nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/07/2005 PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. A prescrição é interrompida pelo ajuizamento do processo administrativo fiscal. IPI. RESSARCIMENTO. DECISÃO ANTERIOR. Deve ser assegurado o direito ao ressarcimento de IPI, através de estorno de débito no livro de apuração, tanto mais quando foram esses os termos de decisão que, em processo anterior, mais de 5 (cinco) anos após o pedido (portanto, após o prazo legal de manifestação do Fisco), apesar de reconhecer o pagamento em duplicidade, pretendeu negar a restituição. Impossibilidade de que novo pedido do contribuinte seja recusado, sob a justificativa de que seria caso de restituição, se pedido de restituição já havia sido formulado e negado antes. Recurso voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10830.720174/2007-58
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4827000
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 02 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-001.284
nome_arquivo_s : 330101284_10830720174200758_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FABIO LUIZ NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830720174200758_4827000.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso,nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4749232
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358773604352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 402 1 401 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720174/200758 Recurso nº 511.857 Voluntário Acórdão nº 3301001.284 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2012 Matéria IPI. RESSARCIMENTO. DCOMP. Recorrente PLASTIPAK PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/07/2005 PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. A prescrição é interrompida pelo ajuizamento do processo administrativo fiscal. IPI. RESSARCIMENTO. DECISÃO ANTERIOR. Deve ser assegurado o direito ao ressarcimento de IPI, através de estorno de débito no livro de apuração, tanto mais quando foram esses os termos de decisão que, em processo anterior, mais de 5 (cinco) anos após o pedido (portanto, após o prazo legal de manifestação do Fisco), apesar de reconhecer o pagamento em duplicidade, pretendeu negar a restituição. Impossibilidade de que novo pedido do contribuinte seja recusado, sob a justificativa de que seria caso de restituição, se pedido de restituição já havia sido formulado e negado antes. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso,nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 408DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório PLASTIPAK PACKAGING DO BRASIL LTDA., já qualificado nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 382 e seguintes) contra o acórdão nº 14 21.825, de 11 de dezembro de 2008, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 376 e seguintes), que indeferiu pedido de ressarcimento de IPI/DCOMP, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil Campinas, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e a conseqüente compensação de referidos créditos com débitos da própria empresa. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no montante de R$ 291.766,05, relativo ao saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre de 2005, a ser utilizada na compensação dos débitos declara os nos autos. 0 pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 205.670,67, homologando as compensações declaradas até este limite, sendo que a parcela glosada — R$ 86.095,38, se refere a estorno de débito (recolhimento de Cofins) realizado no 3o decêndio de julho/1999, no montante de R$43.601,43, corrigido monetariamente. Tempestivamente, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que está comprovado que o valor de R$ 86.095,38 estornado em julho de 2005, correspondia a pagamento indevido realizado em julho de 1999 e que não haveria ocorrência da prescrição qüinqüenal do Decreto no 20.910/32, isso porque não se trata de divida passiva não tributária da Unido ou de créditos escriturais de IPI. Conforme já demonstrado tratase originalmente de um pagamento indevido de IPI feito em duplicidade no mês de julho de 1999, no valor original de R$ 43.601,43 e nos termos do artigo 168, ,I c/c artigo 150, § 4° do CTN o prazo é de 10 anos. Acrescentou que tratandose de restituição ou compensação de pagamento indevido de tributo é legitima a atualização monetária pela Selic. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e indeferiu o pedido de ressarcimento, consoante a seguinte Ementa: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.720174/200758 Acórdão n.º 3301001.284 S3C3T1 Fl. 403 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. CRÉDITO GLOSADO. Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens/produtos desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de contato físico. Valores pagos indevidamente ou a maior a titulo de tributo não podem ser escriturados no livro de apuração do imposto e não são passive s de ressarcimento, pois não se referem a crédito de imposto pago pelas aquisições de insumos, conforme determina a legislação de regência. Solicitação Indeferida Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho: Primeiramente, fazse necessário esclarecer que se trata de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e a sua conseqüente compensação com débitos da própria empresa e não de restituição de pagamento de imposto pago indevidamente ou a maior. Assim, o que se deve discutir é se o crédito efetuado no livro de apuração de IPI para fins de determinação do saldo do imposto é passível ou não de ressarcimento, conforme determina a legislação de regência. Assim determina o regulamento do IPI com relação aos valores que podem ser creditados no livro de apuração do imposto: Seção lI Das Espécies dos Créditos Subseção I Dos Créditos Básicos Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei no. 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego a industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprima e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME, quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produto de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito o ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista não contribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (Decreto lei no. 400, de 1968, art. 6o). Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição do crédito de MP, PI e ME (Lei n 2 9.317, de 1996, art. 5, § 5o). Subseção II Dos Créditos por Devolução ou Retorno de Produtos Devolução ou Retorno. Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução retorno, total ou parcial (Lei no. 4.502, de 1964, art. 30). Art. 168. No caso de locação ou arrendamento, a reentrada do produto no estabelecimento remetente não dará direito ao crédito do imposto, salvo se o produto tiver sido submetido a nova industrialização e ocorrer nova saída tributada. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.720174/200758 Acórdão n.º 3301001.284 S3C3T1 Fl. 404 5 Como se vê, somente pode ser escriturado a titulo de crédito valores referentes ao imposto pago nas aquisições de insumos ou recebidos em devolução ou retorno. Nada há na legislação com referência a pagamentos feitos em duplicidade. Quanto ao ressarcimento, a Lei n° 9779, de 1999, assim estabelece: Art. 11. 0 saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – 1PI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado a alíquota zero, quo contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da L n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. A própria manifestante admite que o crédito em questão não se refere à aquisições de insumos e sim a destaque do imposto em duplicidade e, portanto, pagamento/recolhimento a maior que o devido. Portanto, fica claro que a legislação de regência não admite o creditamento deste valor, sua apuração como saldo credor nem seu ressarcimento. Correto, portanto, o despacho da autoridade administrativa. PRAZO PARA A ESCRITURAÇÃO Com a suposição de que fosse meritória a pretensão material da interessada, deve ser registrado que após a ocorrência dos fatos geradores relativos ao direito creditório (entrada de insumos na empresa), começa a transcorrer o prazo qüinqüenal do fenômeno jurídico da decadência (perecimento do próprio direito aos créditos), a teor do disposto no Parecer Normativo CST n° 515, de 1971, exarado com base no Decreto n° 20 910, de 06 de janeiro de 1932 (embora o ato normativo faça menção, impropriamente, na minha ótica, a prescrição, a não ser que um pedido administrativo possa ser tratado como ação administrativa"), com inteiro teor a seguir transposto. "DECRETO N. 20.910 DE 6 DE JANEIRO DE 1932 Regula a prescrição qüinqüenal 0 Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, usando das atribuições contidas no art. 1° do decreto n° 19.398, de 11 de novembro de 1930, decreta: Art. 1° As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 (...) Dentro desse prazo podem os créditos, sendo líquidos e certos, ser ressarcidos trimestralmente, em espécie ou compensados com débitos de outros tributos de acordo com a apuração periódica consignada na escrita fiscal; transcorrido o prazo decadencial, os créditos não podem mais ser utilizados, nem para a compensação com débitos do próprio imposto em questão em sua conta gráfica, que não se confundem com direito creditório resultante de pagamento indevido ou a maior e outro prazo decadencial, que não o qüinqüenal não pode ser cogitado. CONCLUSÃO. Posto isto, entendo não assistir razão à interessada, porquanto voto pelo indeferimento da solicitação. Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, pedindo a reforma da decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIO LUIZ NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Transcrevo o seguinte trecho do recurso voluntário de fls. 382 e seguintes, por delimitar a controvérsia dos autos: Inicialmente é de se observar que a glosa do crédito originário da ora Recorrente, deuse exatamente por ter pleiteado restituição do tributo em processo administrativo regular sob n. 10830.000.013/0052, (cópia juntada aos autos), quando na ótica da fiscalização deveria ter realizado estorno de débito no livro de apuração, o que configura uma contradição do fundamento da decisão ora recorrida com a decisão originária.. Conforme foi esclarecido na exordial, a origem do problema decorreu de pagamento indevido, realizado em duplicidade, ou seja, através de lançamento das notas fiscais nos. 023931 e 023932 a débito no livro de apuração e de seu errôneo recolhimento por Darfs especiais, no valor de R$ 55.102,90, (DOCS.16 a 23) os quais correspondem ao valor de R$ 43.601,43, com acréscimos legais, conforme se comprova do Processo de Pedido de Restituição no 10830.000.013/0052. (doc. 14/15). Referido processo de restituição foi protocolado em 04/01/2000 e foi indeferido pela Autoridade Competente, em decisão de 26/05/2005 (doc. 33/34), por questão puramente formal, ou seja, reconheceuse o pagamento em duplicidade, porém que não seria o caso de restituição e sim de simples lançamento de Fl. 413DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.720174/200758 Acórdão n.º 3301001.284 S3C3T1 Fl. 405 7 estorno de débito no livro de apuração do IPI, já que o débito teria sido indevido. Na referida decisão, todavia, ocorreu um erro, porque fez uma conversão automática do pedido de restituição em Declaração de Compensação, por força do disposto no § 4o. , do artigo 74, da Lei no 9.430/96, alterado pelo artigo 49, da Lei no. 10.637/2002, e no momento de sua decisão de indeferimento intimou a Requerente, ora Recorrente, ao recolhimento do valor supostamente compensado, emitindolhe o Darf no valor total de R$ 94.122,40, (R$ 43.601,43, com acréscimos legais), o qual foi outra vez indevidamente recolhido em 29/07/2005 (docs. 35/39). É de se esclarecer que não houve aquela compensação de 1999, apenas seu pedido de restituição. Portanto, no dia 29/07/2005, a Requerente recolheu indevidamente o valor total de R$ 94.122,40, referente ao Processo no 10830.000.013/0052 e no mesmo mês de julho/2005, fez estorno de débito no valor de apenas R$ 86.095,38, quando direito de recuperarse de R$ 94.122,40. Tem ainda a seu favor o valor da diferença de R$ 8.027,02, conforme apregoado e orientado na própria decisão de indeferimento do pedido anterior. Quanto à forma de compensação, a legislação do IPI, inclusive seu regulamento, sempre permitiu seu lançamento na escrita fiscal seja como estorno de débito ou como outros créditos a recuperação desse imposto pago indevidamente por erro no preenchimento dos documentos fiscais, conforme se vê do artigo 190 do RIPI, verbis: Art. 190. Nos casos de pagamento indevido ou a maior do imposto, inclusive quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o valor correspondente poderá ser utilizado, mediante compensação, para pagamentos de débitos do imposto do próprio sujeito passivo, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimentos de oficio, independentemente de requerimento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 165, Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, e Lei n.o 9.430, de 1996, art. 73). § 1o. É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição Lei n.o 8.383, de 1991, art. 66, § 2o). § 2o Parte legitima para efetuar a compensação ou pleitear a restituição é o sujeito passivo que comprove haver efetuado o pagamento indevido, ou a maior. Art. 191. Poderão ser concedidas outras formas de compensação do imposto, inclusive com outros tributos ou contribuições federais, desde que mediante requerimento do sujeito passivo e observadas as normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74). Está claro que o IPI sempre teve regra especial de compensação de indébito, antes até da Lei 8.383/91 que estendeu para os Fl. 414DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 demais tributos. E essa compensação, no caso do IPI, sempre se fez dentro do seu procedimento regular de escrituração de débitos e créditos, ou seja, no livro de apuração do imposto, conforme se vê dos dispositivos supracitados e conforme afirmou a própria Autoridade Administrativa que indeferiu o pedido de restituição, unicamente porque deveria a então Requerente ter efetuado a compensação do indébito, através de lançamento de estorno no livro de apuração do IPI. DA NÃO PRESCRIÇÃO OU DECADÊNCIA QÜINQÜENAL PAGAMENTO INDEVIDO Também não há como prosperar a alegação de decadência, se considerarmos que o valor de R$ 86.095,38 estornado em julho de 2005, corresponde a um pagamento indevido realizado em julho de 1999, não haveria a prescrição qüinqüenal do Decreto nº 20.910/32, isto porque não se trata de uma divida passiva não tributária da União, ou de créditos escriturais do IPI decorrente do principio da nãocumulatividade, conforme justificado na r. decisão ora recorrida. Com efeito, conforme já demonstrado tratase originalmente de um pagamento indevido de IPI, feito em duplicidade no mês de julho de 1999, no valor original de R$ 43.601,43, decorrente de emissão de notas fiscais complementares nos. 023391 e 023392, para lançamento do IPI. Ora, é sabido que o IPI é um imposto sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 168, I, c/c. artigo 150, §4o, do Código Tributário Nacional, conforme já definitivamente sufragado pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: (...) Está claro, pois, que o pagamento realizado pelo débito indevido no mês de julho de 1999 é de IPI, imposto sujeito ao lançamento por homologação, ato este (homologação negativa) que só ocorreu com a intimação da decisão do Processo Administrativo nº 10830.000013/0051, ocorrida em 20/06/2005. De qualquer forma, caso não se considere essa data ou essa decisão como homologação, teria esta ocorrido tacitamente em julho de 2004, pelo decurso do prazo de cinco anos previsto no §4o do artigo 150 do CTN e, portanto, o prazo prescricional qüinqüenal do art. 168, I, começaria a contar da extinção do crédito tributário (julho de 2004), conforme a transcrita jurisprudência do STJ. Além do mais, não haveria que se falar em decadência ou prescrição, pois o estorno realizado em julho de 2005, teve origem no segundo pagamento indevido realizado em 29/07/2005, pela ora Recorrente, por força da equivocada decisão do citado processo administrativo de restituição no 10830.000013/0051, convertido em compensação, compensação que não existira. Tratandose de restituição ou compensação de pagamento indevido de tributo é legitima a atualização pela SELIC nos termos do §4°, do artigo 39, da Lei n° 9.250 de 26/12/1995. O caso é resultado de uma duplicidade de lançamento pelo Recorrente, ou seja, fez o lançamento das notas fiscais nºs 023931 e 023932 a débito no livro de apuração de Fl. 415DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.720174/200758 Acórdão n.º 3301001.284 S3C3T1 Fl. 406 9 IPI e fez também o seu recolhimento por Darfs especiais, no valor de R$ 55.102,90, (docs. de fls. 273 e seguintes) , os quais correspondem ao valor de R$ 43.601,43, com acréscimos legais, conforme se comprova do Processo de Pedido de Restituição no 10830.000.013/0052 (fls. 271/272). Referido processo de restituição, protocolado em janeiro de 2000, foi indeferido (fl. 282/283), em decisão de maio de 2005, passados mais de 5 anos. Naquela oportunidade, não obstante o indeferimento, reconheceuse o pagamento em duplicidade, alegandose, porém, que não seria o caso de restituição e sim de simples lançamento de estorno de débito no livro de apuração do IPI. Em julho/2005, a Recorrente recolheu (fl. 287) o valor atualizado de R$ 94.122,40, referente ao Processo no 10830.000.013/0052 e no mesmo mês de julho/2005, fez estorno de débito no valor de apenas R$ 86.095,38, quando poderia ter recuperado R$ 94.122,40 (informa que teria ainda a seu favor o valor da diferença, de R$ 8.027,02). Alega que o recolhimento foi indevido, pois não teria ocorrido a compensação, apenas um pedido de restituição, que foi convertido em declaração de compensação. Apresentou, então, o presente pedido de ressarcimento/DCOMP indeferido quanto à parcela mencionada de R$ 86.095,38. Apresentada a manifestação de inconformidade foi mantido o indeferimento do pedido, entendendo não se tratar de crédito básico e sim de pagamento indevido e que já teria ocorrido a prescrição qüinqüenal do Decreto 20.910, de 6 de janeiro de 1932. A questão merece uma análise mais acurada. Em relação à alegação de prescrição qüinqüenal, do Decreto 20.910, entendo que deve ser afastada, pela interrupção da prescrição no processo administrativo. No caso, como mencionado, o primeiro pedido de restituição foi apresentado em janeiro de 2000 (relativo às operações ocorridas em julho de 1999) e só foi julgado mais de 5 anos depois, em maio de 2005. Como o pedido seguinte, de ressarcimento, é de julho de 2005 deve ser afastada a pecha de prescrição. Cabe citar o próprio Decreto 20.910, que, ao regular a prescrição, em seu artigo 4o dispõe, com inteligência: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, no reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada liquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Quanto ao pedido de ressarcimento propriamente dito, entendo que não se pode olvidar da primeira decisão, que apesar de reconhecer o pagamento em duplicidade, indeferiu o pedido de restituição do contribuinte, entendendo que seria caso de simples estorno no livro de apuração de IPI. A primeira decisão deve ser confrontada com a decisão deste novo processo, eis que, quando o Contribuinte assim procedeu (efetuando o estorno do débito), a decisão de indeferimento é sob o fundamento de que não seria hipótese de estorno de débito, a permitir o ressarcimento, e sim caso de pagamento indevido, ou seja, restituição. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Ressaltese: pedido sob essa modalidade (restituição) já havia sido negado antes. Partindose desse princípio, deve ser admitido o crédito, reformandose a decisão recorrida, que tratou o pedido como se fosse de crédito básico – não era e argumentou que a hipótese seria de pagamento indevido. É importante registrar: o Fisco já havia se manifestado – reconhecendo o crédito, tardiamente, na primeira decisão, de fls. 282/283, pois já havia passado o prazo de 5 (cinco) anos para manifestação fiscal. Portanto, na verdade, o crédito já foi reconhecido no processo anterior, por dois motivos. E não pode agora ser negado. Primeiro, porque, ao indeferir por aspecto puramente formal (considerandose, naquela oportunidade, equivocadamente – digase de passagem que não poderia ser objeto de restituição e sim de lançamento escritural), a existência do crédito ficou registrada na referida decisão. Segundo, porque, quando da referida decisão já havia transcorrido o prazo de 5 anos para manifestação do Fisco. Vale dizer, o crédito então já havia sido reconhecido pelo transcurso do prazo. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, afastando a prescrição e reconhecendo o crédito desde a sua origem, corrigido pelas regras aplicáveis, homologandose a compensação até o limite do credito pleiteado. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Fl. 417DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.004591/2002-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002
BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO
INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços.
Recurso Negado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.103
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso especial.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Negado. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11020.004591/2002-42
anomes_publicacao_s : 201009
conteudo_id_s : 4898008
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-001.103
nome_arquivo_s : 930301103_11020004591200242_201009.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Henrique Pinheiro Torres
nome_arquivo_pdf_s : 11020004591200242_4898008.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
id : 4751814
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358777798656
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-13T10:53:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-13T10:53:31Z; Last-Modified: 2011-10-13T10:53:32Z; dcterms:modified: 2011-10-13T10:53:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:36bcce42-dd85-4ec2-9e21-ed76ee64a3e8; Last-Save-Date: 2011-10-13T10:53:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-13T10:53:32Z; meta:save-date: 2011-10-13T10:53:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-13T10:53:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-13T10:53:31Z; created: 2011-10-13T10:53:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-10-13T10:53:31Z; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-13T10:53:31Z | Conteúdo => CSRF-T3 Fl 229 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 11020..004591/2002-42 Recurso 0 229.937 Especial do Procurador Acórdão 930-01.103 — 3" Turma Sessão de 27 de setembro de 2010 Matéria Base de cálculo do PIS/Pasep - receita de crédito presumido de IPI - alargamento da Lei 9.718/1998 Recorrente Fazenda Nacional Interessado Marini Moveis Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 P1S/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 BASE DE CALCULO. ALARGAMENTO, APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, pode-se afasta'r aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional" por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1' do art. 3° da Lei IV 9,718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Negado. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 09/11/2010 • • !.. f):1 *!,: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (convocado), Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes (convocado), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino (convocado), Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do julgamento de primeira instância. O contribuinte foi lançado de oficio devido a constatação de falta/insuficiência de recolhimento de PIS nos meses de fevereiro e novembro de 1999, de janeiro, aln julho e outubi o de 2000, de janeiro, abril, junho, novembro e dezembr o de 2001 e de março e junho de 2002, devido a divergência emu e os valores apurados pelo contribuinte os apurados pelo procedimento fiscal, conforme planilha de fls.23 a 26 Resultou num crédito tributário de R$ 6,586,59, conforme Auto de Infração, de ft 03, cientificado em 04/11/2002 (It 72). A legislação infringida consta de fls.04 e 05, compondo o Auto de Infração Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação, de fls.73 a 85. Nesta, começa argumentando que os valores lançados de oficio deconem do tributação sobre os incentivos fiscais recebidos a titulo de crédito pr emio de !PI, sendo que incentivos fiscais não devem ser considerado receita para fins de tributação Ademais, ao se albino? o WI devolvido pelo PIS e pela COF1NS estaria se convertendo o IPI em um impost() cumulativo, anulando o incipio constitucional da não-cumulatividade deste. tabula Somalia ao entendimento do contribuinte o entendimento clo extinto Tribunal Federal de Recursos, que editou a Sri/meta 161, na qual não deve incidir PIS sabre o Out, ossiin, o lançamento fiscal apresentaria vicio na aplicação da eção monetária do crédito exigido, ensejando revisão deste, já que a taxa SEL1C, instituida pelo am 1.13 da Lei 9.065/1995, não pode ser aplicada para .fins de correcão de débitos ti ibutarios por ser ilegal e inconstitucional, conforme ¡wisp, udência do STI Julgando o feito, a %mina julgadonz de primeira instância, manteve o lançamento fiscal, em acórdão assim ementado: Assunto.. Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração 01/02/1999 a 30/06/2002 Ementa: PIS — BASE DE CALCULO — Lei 9.718/1998 — A base de cálculo da contribuição para o PIS, a par tir da edição da Lei 9:718, de 27 de novembro de 1998, passou a ser o [cum cimento, i• ;,.7 2 1'1 Processo no 11020 004591/2002-42 AcOrdilo n° 9303-01.103 CSRF-T3 Fl 230 considerado como ct receita bruta das empresas, composto pelas receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade poi ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, excluindo-se da tributação as hipóteses de dedução e isenção expressamente permitidas em norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE - INAPRECIAÇÁO NA ESPERA ADMINISTRATIVA - COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIARIO - As alegações de inconstitucionalidade izão podem ser apreciadas na esfei a administiativas por seven; prerrogativa exclusiva do Poder Judiciá, io. Lançamento Procedente. Irresignada, a autuada apresentou recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, onde, em apertada síntese, repisa os mesmos argumentos expendidos na impugnação.. Julgando o feito, a Camara a quo deu provimento ao recurso, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto; Conti ibuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 Excluem-se da base de cálculo da contribuição as "outras receitas", poi força da declaração de inconstitucionalidade do art. 3", ,§ 1",da Lei n°9.718/98 Recurso provido. Contra esse acórdão, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência que logrou seguimento, nos tennos do despacho de fls. 207/208. Contrarrazbes ao apelo fazendario As fls. 214 a 220 o relatório. Voto Conselheiro Hem ique Pinheiro Torres 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão posta em debate cinge-se a decidir se os valores recebidos pelo sujeito passivo a titulo de crédito presumido de IPI integrava, até a entrada em vigor da Lei 10.637/2002, a base de calculo da PIS/Pasep. 3 Primeiramente, faz-se necessário de finir a natureza desses ingressos. Se configuram ou não receita. Receita, do latim "recepta", é o vocábulo que designa recebimento, valores recebidos. Assim, em sentido amplo, é o vocábulo que designa o conjunto ou a soma de valores que ingressam no patrimônio de determinada pessoa. 0 mestre Geraldo Ataliba l , em trabalho publicado sobre o ISS, conceituou receita, e a diferenciou de meros ingressos, nos termos seguintes "O conceito de receita ieferese a uma espécie de entrada Entrada é todo dinhen o que ingi essa nos cofies de deter minada entidade Nem toda entrada é receita. Receita é entrada que passa a pertencer i entidade Assim, só se considera reedia o ingresso de dinheiro que venha integral o património da entidade que a recebe As ieceitas devem sei esci ituradas separadamente das me, as entradas. E que estas não peirencem a entidade que as r we're Têm cenhte, - eminentemente tiansitório.Ing, essam a titulo proviso' io, pa, a saírem, com destinacão ce, ta, em breve lapso de tempo." Das palavras do mestre, podemos concluir que todos os ingressos que sejam incorporados ao patrimônio de determinada pessoa, jurídica ou fisica, são considerados como receita, já os valores que são recebidos, a titulo transitório, que não pertencem ao recebedor, e, em breve lapso tempo, devem sair, com destinação certa, não são receitas, mas meros ingressos, ALIOMAR BALEEIRO, ao analisar o que deve-se entender por receitas, assim concluiu: Receita pública é a entrada que, integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas, condicbes ou co, respondencia no passivo, vem acresce, o seu vulto, como elemento novo e positivo. Adaptando o conceito dado pelo mestre baiano, ao Direito Tributário, tern-se que receita não 6, a priori, todo e qualquer ingresso, mas tão-somente aquele que, efetivamente, se incorpora ao patrimônio do sujeito passivo, sem contrapartida, reserva, condições ou correspondência no passivo da pessoa. Nessa linha de raciocínio, vê-se que o crédito presumido de IPI representa um ingresso que se incorpora ao patrimônio do exportador, sem implicar em contrapartida, reserva, ou condições ou correspondência em seu passivo . Assim, pode-se afirmar que, os valores recebidos a titulo de crédito presumido constitui receita da pessoa juridica, mais precisamente, receita não operacional, posto não set fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado a atividade fim da sociedade empresária, mas de um incentivo fiscal, vinculado A exportação, Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência do PIS/Pasep, Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de MALIBA, Geraldo ISS — Base imponivel. Estudos e pareceres de Direito Triburário, v. 1 Sdo Paulo: Revista dos T ibunais, 1978, p. 88 t 4 Processo n" 11020 004591/2002-42 CS1117 -T3 Acórdtio n ° 9303-01.103 Ft 231 fattuamento). Todavia, o §2 I' do art. 3 0 dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofms, alargando-o, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas . Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas oriundas do ressarcimento de crédito presumido de IPI, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal.. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tern efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios A lide. Para que produza efeitos erga minis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos geral as decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da sumula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios A demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria n° 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria n° 147/2007): E vedado afastar a aplicação de lei, exceto . "I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Note-se que tal dispositivo cria ulna exceção A regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tern de ser de seu plenário, e, deve-se entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amolda-se, perfeitamente, 6 norma inserta no artigo 69 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1' do art. 3" da Lei 9318/1998 encontra-se apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de sumula vinculante, que não foi adiante por causa de uma outra decisão desse Tribunal, referindo-se A base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante 6 base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, tern-se noticia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que 2 Art. 3 0 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde 5 receita bruta da pessoa jurídica. § 1 0 Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 5 LI! 1.1 reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, fat° esse que corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do SRF sobre o indigitado alargamento da base de calculo do PIS/Pasep. A jurisprudencia do CARP caminha no sentido de estendei a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos, Neste sentido, votou a Bustle Conselheira Maria Tereza Martinez, que rendo as homenagens de praxe, e preço licença para transcrever excerto de seu voto. ILEGALIDADE DA LEI N" 9718/98 Perdeu igualmente inter esse para o deslinde deste processo a questão do almgamento da base de cálculo O Supremo I) ibunal Federal ao julgar o Recurso Extraordincir io no 357.950, em 09/11/2005 (Dial io da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstinicionalidade da ampliação do conceito de faun cimento popen ada pelo art. 3", § 1", da Lei no 9.718/98. Portanto. à luz daquele julgado, somente as receitas provenientes da venda de mercadoi ias e se, yips podem softer a incidência do PIS e da Cofins, o que não é o caso do valor do r .egistrado extempoianeamente. No tocante à extensão dos efeitos da referida declaração de inconstitucionalidade, com fidcro no art. 77 da Lei n2 9.430/96, o Presidente da República baixou o Deo eto 2 346/97 para disciplina, a atuação dos drgaos da Administração Pública. Ora, o art 41; parcigrafo único, do Decreto n° 2,346/97, estabelece que "( .) Na hipótese de o édito ti ibutário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazenclaria, afastar a aplicação da lei, naiad° ou ato no: inativo federal, declarado inconstitucional pelo Sup emo ibtural Feclei al. ( )". Cabe observar que a matéria, de aplicar ou não decisão do Pleno do SIF, antes da expedição de Resolução, no meu entende), não se alterou ao longo dos vários Regimentos Into nos aprovados, quo dos então Conselhos de Contribuintes, quer do atual CARE O atual Regimento Interno (art 69 da Poi tar ia n" 256/200V reproduz a mesma redação prevista no anterior (art, 49, na redação dada pela Por tai ia n" 147/2007). E vedado afasta, a aplicação de lei exceto „. "I - que jet ten Jut sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;" A questão foi ben) tratada poi diversas vezes neste di gão achninistrativo Cito, no entanto, o julgamento oco, lido do Rec 127006, pela Conselheira MARIA CRIST1NA ROZA DA COSIA, Acórdão n" 202-17530 (naquele caso PIS, vai loções moneicirias), pela qual peg() vertia pala reproduzir ex-cellos como se meus fossem: Este Conselho de contribuintes possui larga expo iência no trato com lides cujo mét i/o versava sobre matéria que o plencir io do • 6 Processo r1 0 11020 004591/2002-42 CSRF-T3 Acórdfio a° 9303-01.103 Fl 232 STFjulgou inconstitucional, incidenter tantum, e que no aguardo da Resolução do Senado Federal, manteve por muito tempo a exigência de tributo já reputado definitivamente inconstitucional ou mesmo ilegal, nos casos julgados pelo ST.I Ha que se aprender corn a experiência. Não que se possa aqui decidir açodadamente após inaugural's decisões nesse sentido pelas Cortes Constitucional ou Legal. No caso em tela não é esta a circunstância. Trata-se de matéria que ha muito vem gerando conflito ena e o Fisco e os contribuintes, tendo sido aim de sentenças judiciais de monta, contrárias aos inter OSSCS do Fisco. O volume dessas decisões atingiu seu ápice com a decisão do STF, a qual, publicada, transitou em julgado em 29 de .setembro de 2006, sendo enviada pelo Presidente do STF ao Presidente do Senado Federal em 03/10/2006, ern cumprimento ao disposto na Constituição Federal. Portanto, entendo que não ha a que re.sistir O julgador adminisnativo tern como limite de decidir as normas legais em vigor, não lhe competindo apreciar inconstitucionalidades ou ilegalidades. Ao revés, a incoustitucionalidade do dispositivo fundador da autuação encontrasse declarada por sentença transitada em julgado pelo órgão designado pela Constituição da Republica, no art. 102, inciso III, alínea "a", a julgar causas decididas quando a decisão recorr ida contrariar sous dispositivos ou declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. E, consoante dispõe o inciso I do parágrafo único do art 2" da Lei 11" 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, nos processos administrativos serão observado.s, entre out, os, os critérios de atuação conforme a lei e o direito, devendo a Administração pública, segundo dispde o caput, obedecer; dentre outros, os principios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Ademais, também não compete ao julgador administrativo dar seqüência a exigência de crédito tributário que esteja ar rimado em norma sabidamente afastada do mundo jurídico, com efeitos ex tune, pela Corte constitucional. Seria de extremo non sense e mais que isso, ofensivo aos princípios acima citados cia Lei n" 9.784/99 manter a exigência tributária, remetendo o contribuinte a duas vertentes possíveis.' ou socorrer-se da proteção judicial, levando os cofres públicos a pagarem por essa teimosia irracional de exigir tributo indevido, via ônus da sucumbência, ou, extinguindo o crédito tributário exigido, submeter-se a via crusis do solve et repete Nem tuna nem outra. Na sutileza desse momento é que se justifica a existência de UM tribunal administrativa Não pode o julgador administrativo, posicionado diante de tal circunstância deixar de enfrentar as vicissitudes de ter de um lado a lei formalmente ainda válida e eficaz, de out; o a sentença i 1•2011..) IHLino-j C)Ft1 ,- ti 7 • J.:: 10 I 1 i) transitada em julgado, projer ida pelo Tribunal Maior do Pais, que mitiga, reduz, apequena o alcance pretendido pela lei no sentido de avança? .sobre o pan inránio do particular. Entendo esta; na es/el a de competência do julgador administrativo afasia; a exigência tributária que se encontra sob sua ap, cc/ação, atria inconstitucionalidade já tenha sido declarada, porém, ainda não ampliada pm-a os efeitos erg, mimes, o que oco, rerá inexoravelmente por set- conduta for mal de outro Poder, cuja atuação nem .sempr e esta sincránica com o tempo e a necessidade da sociedade, afastando, corn isso, as inevitáveis ações judiciais e maior es embaraços para o tesouro nacional e pain o contribuinte Não bastasse toda fundamenta cão ar gumentativa acima azoada, tal entendimento também encontra supedâneo na nor ma que rege os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em matéria tributár ia a serem observados pelos órgãos julgadores. Dispõe o art. 40, parágrafo !Mica, do Decteto n" 2.346/1997: "Ai t 4" Ficam o Sec; dui, to da Receita Feder al e o Proem actor- Gerd da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que dean, e a inconstitucionalidade de lei, tintado ou ato normativo, qua: 1 - não sejam constituidos ou que sejam etificados ou cancelados,. II - não sejam ejetivadas ins c, ições de débitos em divida ativa da União; III - sejam revistos os. valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da re.spectiva inset icão,. IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado mitt a a sita constitztição, devem Os órgãos julgador es, singular es ou coletivos, da Administração Fazendfiria, afasta; a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Sup; amo 'Tribunal Federal." (negrito inset ido). Compulsando as regras de redação oficial de (nos normativos com o objetivo de perquirir o exato alcance da order); contida no e'er ido pal ágrafo único, de vez se, em existentes vozes isoladas que entenden, estar o citado parág, afo único atrelado ao caput do ar ligo, ensejando a existência de autorizava-o ou ordent expressa dos áigãos que cita para que os órgdos julgadores da Administração Fazenclária se considerem "autorizados" a afastar norma declarada inconstnucional, constata-se comando normativo diametralmente oposto a tal entendimento O Decr elo n" 4.176, de 28/03/2002, que estabelece normas e diretrizes para a elaboração, a redação, a alteração, a .1 ; 8 i ;.; Processo IV 11020 004591 12002-42 Acdran n" 9303-01.103 consolidação e o encaminhamento ao Presidente da República de projetos de atos normativos de competência dos órgãos do Poder Executivo Federal, ao regulamentar a Lei Complementar n" 9.5/1998, determina a forma técnica de redação consoante no art. 23, inciso Ill, alínea "c", sendo que para a obtenção de ordem lógica os parágrafos deverão expressar os aspectos complemental es a norma enunciada no copal do artigo e as exceções a regra por este estabelecido, conforme se confere a seguir: "Da Redação Art. 23. As disposições normativas serão redigidas coin clareza, precisão e ordem lógica, observado o seguinte: para a obtenção de ordem lógica' c) expresso, por meio dos parágrafos os aspectos complementares a norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida." Aplicando a repo ao twig() 4" do Decreto n" 2.346/97, é de iniediata comp; een são, por qualquer operador cio Di; eito, que o disposto no parágrafo único se constitui em urna exceção à regra estabelecido no caput, pelo simples motivo de o copra refer ir-se a órgãos diversos dos citados no parágrafo único, ,sern que exista qualquer liame de subordinação ou mesmo coordenação entre os citados orgiios par a aplica cão de seus termos. Alias, quanto a possibilidade de subordinagão dos órgãos administrativo julgadores à hierarquia da Achninistração Pública, valido buscar os ensinamentos da Professora Maria Sylvia Zune/la Di Pietro' acerca da matéria "Sendo competência exclusiva, absolutamente exclusiva, isto afasta qualquer possibilidade de controle e o 6rgdo fica praticamente fora da hierarquia da Administração Pública. Eu citaria dais tipos de órgãos que ficam fora da hierar quia administrativa Em primeh o lugar, os órgãos consultivos Unta autoridade superior não pode obrigar um determinado funcionário encarregado de função consultiva a dar um parecer neste ou naquele .sentido A segunda modalidade de órgãos que estão fora da hierarquia são justamente os órgãos administrativos encarregados do processo administrativo tributário. É ver dade que principalmente os órgãos de I" Instância e.xercem outras funções além dessas fienções julgadoras, e, nessas outras funções, estão integrados Ira hier arquia. Mas, no que diz respeito especificameme às decisões no processo administrativo fiscal, não estão integr ac/os iia h feral qitia, também não obedecem ordens, não seguem instruções; eles têm ate: Iona composição mista, pm te com representantes dos próprios quadros da Administração Pública e par te com rep; esentantes da sociedade " CSRF-T3 F1 233 ■ .2() nro ; 9 D VI I A matéria em ,foco - alteiação da base de cálculo da Cofins e do PIS pela Lei n" 9,718/98 - foi apreciada pelo Plemitio do Sup emo ibunal Federal, constituindo-se em decisão definitiva daquele Ti ibunal, tuna vez que prolei ida pelo Pleno, coin 41 pat ticipação e voto de todos Os Ministros que o compõem A época da lavratura do auto de infração outra não podia ter sido a atuação do autuante. Também agora, a época do julgamento, outra não pode ser a posição do julgador que não exonerar a exigência constituída. Impo, tanta mencionai que acatam a decisão do STF não é o mesmo que declaim a inconstitucionalidade de lei, o que, realmente, não está na alçada dos órgãos administiativos eis que essa competência é do Poder Judicial lo. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional pato mantel o acórdão teem) ido por seus próprios e jut idicos ftmdamentos. Aplicando-se, pois ao caso ora em exame, a decisiio do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.63712002, a base de calculo do PIS/Pasep voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Corn essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional Henrique Pinheiro Torres 10
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000097/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCELANTE STF - CONSTATAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante nº 8" São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
Em se tratando de diferença de contribuições, apuradas no documento GFIP, bem como em folhas de pagamento, e considerando a existência de contribuições, aplicável o art. 150, § 4° do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.082
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição argüida de oficio pelo Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira
de Araújo e Elias Sampaio Freire, que votaram por declarar a prescrição. II) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCELANTE STF - CONSTATAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante nº 8" São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de diferença de contribuições, apuradas no documento GFIP, bem como em folhas de pagamento, e considerando a existência de contribuições, aplicável o art. 150, § 4° do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 16641.000097/2007-20
anomes_publicacao_s : 201002
conteudo_id_s : 5066960
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.082
nome_arquivo_s : 240101082_156013_16641000097200720_010.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16641000097200720_5066960.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição argüida de oficio pelo Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elias Sampaio Freire, que votaram por declarar a prescrição. II) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4753676
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358786187264
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:31Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:32Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:32Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:31Z; created: 2010-03-30T23:57:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:31Z; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:31Z | Conteúdo => S2-COTI Fl. 225 " MINISTÉRIO DA FAZENDA • -; - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16641.000097/2007-20 Recurso n° 156.013 Voluntário Acórdão n° 2401-01.082 — C Câmara / 1° Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente INDÚSTRIA DE CONSERVAS SCHRAMM LIDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCELANTE STF - CONSTATAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4 0 00 CIN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionarnento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante n" 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de diferença de contribuições, apuradas no documento GFIP, bem como em folhas de pagamento, e considerando a existência de contribuições, aplicável o art. 150, § 4° do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição argüida de oficio pelo Conselheiro ICIeber Ferreira de Araújo. Vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elias Sampaio Freire, que votaram por declarar a prescrição. II) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. 421 çill ELIAS SA P ' I FREIRE - Presidente , . ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo n° 16641.000097/2007-20 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.082 Fl. 226 Relatório A presente NFLD de n°37.066957-6, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas fisicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 09/1997 a 12/2001, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, folhas de pagamento, bem como livros contábeis disponibilizados durante o procedimento fiscal, conforme relatório fiscal fls. 78 a 81. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/10/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 94 a 142. A Decisão-Notificação confirmou a procedência total do lançamento, fls. 156 a 163. Tendo em vista que a empresa não foi encontrada para recebimento do AR encaminhado com os acordãos proferidos pelos membros da 7 Turma da DRJ — Porto Alegre/RS, que julgou procedente os débitos, foi publicado edital de ri° 04/013/2008 em 24/03/2008. Não concordando com a decisão do órgão previdenciario, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 173 a 222 A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. (k 3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 224. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar cumpre-nos apreciar o argumento de que o crédito encontra-se decadente, o que entendo razão assiste ao recorrente nos termos abaixo expostos. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela la Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: Processo n° 16641.000097/2007-20 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.082 Fl. 227 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA.CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 906/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.° DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA TÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no ambito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se da com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3° Ed., Max Limonad. págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. II. Assim, conta-se do "do primeiro dia do 5 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4", e 173. do C77V, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenaL 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CFA), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 1 70). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTIV e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita 6 te Processo n° 16641.000097/2007-20 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.082 Fl. 228 • do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, 11, do CTN cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatoria. 16. In casa: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998,- (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQ1V, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27,11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3. Ed., Max Limonad, págs. 163/210) 4121 7 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela nonficação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4 0, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. r Processo n° 16641.000097/2007-20 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-01.082 Fl. 229 Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. NO caso em tela, observamos que o lançamento veio simplesmente para apurara diferenças já declaradas em GFIP, ou mesmo contabilizadas e demonstradas nas folhas de pagamento, sem que o contribuinte tivesse recolhido a totalidade das contribuições devidas. Tal conclusão toma-se evidente pela análise do relatório fiscal, em conjunto com o Discriminativo Analítico de Débito — DAI) e demais relatórios anexos a NFLD. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, com a cientificação do sujeito passivo em 19/10/2007 e que os fatos geradores ocorreram no período de 09/1997 a 12/2001, pela aplicação do art. 150, § 4'nos temios acima expostos, há de se declarar a decadência da totalidade dos crédito lançados na NFLD ora julgada. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 • - - • • 1 • O E SILVA VIEIRA-Relatora 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA :,;!Alry CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIScv-,:,t. t..-t,t,tft;fr QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 16641.000097/2007-20 Recurso n": 156.013 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.082 Brasília, te março de 2010 , ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [J Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / 1Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001375/2004-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.NECESSIDADE.
O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei no 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei no 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada
à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de
averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo
em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar
no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido antes do início da ação fiscal.
Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei no 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei no 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido antes do início da ação fiscal. Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10670.001375/2004-90
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4875860
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.945
nome_arquivo_s : 920201945_10670001375200490_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10670001375200490_4875860.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4749886
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358794575872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10670.001375/200490 Recurso nº 337.887 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 920201.945 – 2ª Turma Sessão de 14 de fevereiro de 2012 Matéria ITR Recorrentes FAZENDA NACIONAL e CLAUDIO GIANOTTI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1o, II, “a”, da Lei no 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei no 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8o, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7o, § 1o, do Decreto no 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 2 estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido antes do início da ação fiscal. Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 29/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratamse de recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo contribuinte. Conforme o Termo de Verificação Fiscal presente às fls. 09/11 dos autos, temse que o auto de infração foi lavrado contra o contribuinte, relativamente ao ITR referente ao exercício de 2001, com base nos seguintes fatos: a) em relação à área declarada como de preservação permanente, num total de 1.900,00 ha, a fiscalização constatou que o requerimento do Ada apresentado fora protocolizado após o transcurso do prazo de seis meses fixado para tanto; b) Área de Utilização LimitadaReserva Legal (1989,00 ha): inferese da certidão do cartório de registro de imóveis apresentada, atestando a averbação da área em questão à margem da inscrição da matrícula do imóvel, que tal o referido registro deuse no dia 08/06/2001, após, portanto, ao fato gerador do ITR, e contrariando, assim, a legislação de regência. c) Área utilizada com produtos vegetais: não houve apresentação de qualquer documento que se comprova a declaração, referente a um total de 1.000,00 ha. d) Área de pastagens: a cópia da ficha de vacinação do gado remete ao ano de 2003, e não ao ano de 2000, além de referirse, também, a outras propriedades. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 2 3 e) valor das culturas, pastagens cultivadas e melhoradas, e florestas plantadas: não se apresentou documentação comprobatória. f) Valor da Terra Nua: o contribuinte não apresentou qualquer laudo que atestasse o valor indicado, restringindose, o contribuinte, a dizer que se baseou no valor de mercado então vigente. Assim, aplicouse o artigo 14 da Lei n° 9393/96. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 35/46 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento (fls. 69/85). Eis a ementa da decisão: Ementa: DO ENQUADRAMENTO LEGAL. O enquadramento legal contido no Auto de Infração não trouxe qualquer prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que a perfeita descrição dos fatos possibilitou ao interessado exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva da sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, fazendose, também, necessária, em relação áreas de utilização limitada/reserva legal, a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. DA ÁREA DESTINADA À PRODUÇÃO VEGETAL. Não comprovada, por meio de documentação hábil, a utilização da área de produtos vegetais informada na DITR/2001, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. DA ÁREA DE PASTAGENS DA COMPROVAÇÃO DO REBANHO DECLARADO Não comprovado, por meio de documentação hábil, a existência do rebanho declarado na DITR/2001, deve ser mantida a glosa da área de pastagens, efetuada pela fiscalização. DO VALOR DA TERRA NUA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos da normas da ABNT demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Lançamento Procedente. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 92/103). Preliminarmente, alegou ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista que a autoridade fiscal não expôs a fundamentação legal da autuação. Salientou que a violação a tai princípios caracterizamse independentemente de efetivo prejuízo ao contribuinte. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 4 No que tange à área de preservação permanente e à área de reserva legal, alegou que a realidade do que existe no imóvel deve preponderar sobre eventuais formalidades, quando restam efetivamente comprovadas as áreas declaradas, ainda que por meios outros que não o previsto em lei. Ressaltou que firmou, junto ao Instituto Estadual de Florestas, Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, em que aquele instituto reconheceu a existência da área de 1989 ha, declarada como de utilização limitada/reserva legal. Alegou que a fiscalização não pode desconsiderar a existência física da área de preservação permanente e de reserva legal, tão somente pelo eventual descumprimento de prazos. Relativamente à área de produção vegetal ou de exploração extrativa, expôs que se trata de área própria para a exploração de carvão vegetal, com utilização de madeira nativa. Argumentou que a DRJ anotou que o laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo remete a 500,00 ha, e que a declaração foi de 940,00 ha, contudo desconsiderou tanto uma quanto outra. Aduziu que pelo menos os 500,00 ha encontramse devidamente comprovados. E lembrou, ainda, que a maior parte da referida área encontrase em fase de regeneração natural, por ter sido explorada com a produção de carvão vegetal pelos proprietários anteriores. No que concerne à área de pastagens, alegou que o órgão a quo não aceitou as provas trazidas à tona (notas fiscais de produtor rural e Laudo Técnico) por não enquadraremse na legislação. Sustentou que o rol probatório elencado na Lei n° 9.393/96 não é taxativo, e sim exemplificativo. Segundo o contribuinte: “O laudo técnico apresentado dá conta da existência da referida área de pastagens, desde a época de aquisição da propriedade e ampliada pelo proprietário, conforme nota fiscal n° 000727de Lanza Vieira Agroindustrial Ltda. referente aquisição de semente capim”. No que tange ao VTN arbitrado pela fiscalização, alegou ser totalmente fora da realidade do mercado local, e que comprovou o preço declarado por meio de laudo técnico elaborado por engenheiro legalmente habilitado. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 132/155) deu provimento ao recurso voluntário em relação à área de preservação permanente. Negouse provimento quanto à área de reserva legal, de produção vegetal, de pastagens e quanto ao VTN. Eis o teor da ementa da decisão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento do Direito de Defesa. Não há que se falar em erro de capitulação legal nas hipóteses em que Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento indica os fundamentos de natureza fática, bem assim os dispositivos legais que embasam a formalização da exigência, máxime quando a manifestação de inconformidade do sujeito passivo demonstra seu conhecimento acerca dos fato e da base legal que deu espeque à exigência. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 3 5 Área de Reserva Legal. Antes da demarcação e correspondente averbação à margem da matrícula do imóvel, não há que se falar em Área de Reserva Legal. Precedentes do STF. Área de Preservação Permanente. Condições. A configuração de determinada área como de preservação permanente decorre exclusivamente da sua conformidade com as hipóteses contempladas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal). Inadmissível portanto; a pretensão de condicionar seu reconhecimento ao cumprimento de formalidade fixada em ato hierarquicamente inferior. Áreas de Produtos Vegetais e de Exploração Extrativa O aproveitamento das área declaradas como de produtos vegetais ou exploração extrativa deve ser amparado em documentação idônea que comprove sua efetiva utilização. Não é suficiente para a comprovação a exclusiva menção a tais áreas em laudo técnico ou nota fiscal de produtor emitida em período posterior ao da apuração. Áreas de Pastagem As áreas declaradas como destinadas a pastagem somente podem ser consideradas como aproveitadas se demonstrado o seu aproveitamento por rebanho, observado o índice de lotação definido em ato da Receita Federal do Brasil. Demonstramse inidôneos para tal mister a simples menção a tais áreas em laudo técnico, bem assim ficha de vacinação referente a imunização realizada em período posterior ao objeto de apuração. Valor da Terra Nua Havendo significativa disparidade entre o VTN declarado e o constante do SIPT, fazse necessário demonstrar, por meio de laudo técnico, expedido nos termos da NBR 14.6533, os elementos que dão respaldo aos valores declarados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com base em divergência jurisprudencial, no que se refere à comprovação da área de preservação permanente, fundamentandose em decisão da antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de ser imprescindível, para tanto, a apresentação tempestiva do ADA, para o reconhecimento da área de preservação permanente, e o registro da área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel rural correspondente. O recorrente fundamentou, quanto à área de preservação permanente, a exigibilidade dos requisitos de apresentação do ADA ou de protocolização do seu pedidono prazo de seis meses, para fins de exclusão da incidência do ITR, no disposto no artigo 10, §1°, inciso II, “a”, da Lei n° 9.393/96 e na IN SRF n° 43/97. Suscitou, também, o disposto no artigo 17O, §1°, da Lei n° 6.938/81. Argumentou que o artigo 10, §7°, da Lei n° 9.393/96, deve ser interpretado de forma literal, no sentido de que não se exige a prévia comprovação pelo contribuinte quando Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 6 da declaração. Porém, uma vez solicitado pela Secretaria da Receita Federal, a pertinente comprovação deve ser realizada pelo contribuinte, com base na legislação acima citada. Por meio de exame de admissibilidade, a i. Presidente da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes entendeu que houve comprovação de divergência, tendo, por conseguinte, dado seguimento ao especial interposto [fls. 186/188]. O contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 192/194 dos autos. Refutou as alegações da Fazenda Nacional, aduzindo que não se pode fechar os olhos à realidade física do seu imóvel rural, com a existência da área de preservação permanente comprovada por laudo técnico. O contribuinte interpôs, também, recurso especial (fls. 199/206), com base em divergência jurisprudencial relativamente à não consideração da área de reserva legal, no acórdão recorrido, para fins de exclusão da área de reserva legal. Fundamentouse em entendimento da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, externado no acórdão de n° 30134691, e da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdão n° 30239800), no sentido de que somente a partir 19/09/2002, com o advento do Decreto n° 4.382/02, é que se tornou obrigatória a averbação da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural no registro de imóveis. Suscitou, também, acórdão da própria Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de que nem mesmo com a superveniência do referido decreto passouse a exigir a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis. Ressaltou que a autuação teve em vista o fato, não da ausência de registro da área de reserva legal, mas sim da sua extemporaneidade, tendo em vista que o registro deuse após a ocorrência do fato gerador do ITR. Assim, não se questiona a efetiva existência da área, mas sim o cumprimento dos aspectos temporais das formalidades exigidas para a comprovação em questão. Alegou que a averbação da área de reserva legal na inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis não tem efeito constitutivo, mas sim declaratório do que já existe. Afirmou, por outro lado, que se o Decreto n° 4.382/2002 ensejasse, de fato, a obrigatoriedade do registro da área de reserva legal, tal não poderia serlhe exigido no presente caso, já que o fato gerador de que se trata é referente ao exercício de 2001. Ademais, salientou que no STJ prevalece o entendimento da inexigibilidade da averbação, para fins de comprovação da área de reserva legal. Tratando, de outro lado, da área de exploração extrativa e da área de pastagem, trouxe à tona acórdão da antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em que se admitiu, para a comprovação da área de pastagem, a apresentação de laudo técnico. Segundo o recorrente, o acórdão recorrido estabeleceu que: “(...) a única prova capaz de elidir a autuação em razão da área de exploração extrativa seria através de índice de rendimento do produto, e para a área de pastagens através Fl. 294DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 4 7 de cumprimento de índices por lotação por zona de pecuária, argumentos baseados na Lei 9.393/96”. Alegou que a comprovação em questão, diante do princípio da ampla defesa, do que prevê o artigo 332 do CPC, e do princípio da verdade real, pode darse por qualquer meio de prova admitido em direito. Assim, asseverou que as áreas em questão restaram comprovadas por laudo técnico e por notas fiscais de aquisição de sementes de capim. Finalmente, em relação ao Valor da Terra Nua, citou o acórdão n° 30335329 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em que se posicionou no sentido de que, havendo discrepância entre os valores declarados pelo contribuinte e aqueles apurados pela fiscalização, deve ser mantido aquele. Outrossim, citou acórdão n° 30134409, em que se entendeu que constitui nulidade do auto de infração a restrição às informações do SIPT. Alegou que, tratandose de ITR relativo ao exercício de 2001, a fiscalização não poderia valerse da tabela SIPT, tendo em vista que a sua instituição somente ocorreu com o advento da Portaria SRF 447/2002. Assim, reputou ilegal os valor arbitrado pelo fisco. Ressaltou, ainda, que: “Também não houve manifestação quanto à informação de que este recorrente foi fiscalizado relativamente ao mesmo imóvel rural ITR2002 e pelo mesmo agente fiscal, que considerou o VTN declarado para o ano de 2002 como correto, exatamente o mesmo valor declarado pelo recorrente em 2001, ou seja, R$ 8000.00 (oito mil reais)” Ademais, expôs que é entendimento pacífico do Conselho de Contribuintes que o laudo técnico emitido por engenheiro habilitado constituise em documento capaz de comprovar o VTN do imóvel. Tal laudo, lembrou, foi apresentado nos presentes autos. Ainda, afirmou que o município de Januária, através de sua Secretaria Municipal de Tributos, Arrecadação e Fiscalização, declarou que o VTN, no ano de 2001, era em torno de R$ 10,53, o que foi desconsiderado na decisão recorrida. Por meio do Despacho n. 21000350/2010 [fls. 237/239], o i. Presidente da 2ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao especial, pois não o admitiu na parte em que discute sobre as glosas das áreas de exploração extrativa da base de cálculo do ITR e sobre o VTN arbitrado, tendo entendido não terem sido atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade pela Câmara Superior de Recursos FiscaisCSRF, uma vez que não restou demonstrado dissenso jurisprudencial necessário à sua interposição para o primeiro assunto e por falta de prequestionamento para o segundo. Nesse sentido, deu seguimento tãosomente a divergência quanto às glosa das áreas de reserva legal e de pastagem. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões [fls. 243/251]. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 8 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Os recursos especiais da Fazenda e do Contribuinte são tempestivos, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que demonstraram a divergência jurisprudencial alegada. Recurso Especial da Fazenda Nacional Referese, o recurso especial, à questão concernente à comprovação da área de preservação permanente, que sustenta que se deva fazer por meio da apresentação do Ato Declaratório do IBAMA ou pela apresentação do protocolo do seu pedido dentro do prazo de seis meses da entrega da DITR. Tenho para mim que tal exigência, inflexível, a fim de comprovar determinado fato (área de preservação permanente), mostrase fora da razoabilidade e da proporcionalidade, e chocase com uma série de circunstâncias, legais e sistemáticas, que merecem aqui ser delineadas. Em primeiro lugar, é de se estabelecer que o artigo 10, §7°, da Lei n° 9.393/96, não retira do contribuinte o ônus probatório a respeito das declarações encartadas na DITR, especificamente em relação à área sobre a qual recai a presente celeuma. Óbvio que não. O dispositivo em questão estabelece que a declaração para fins de isenção do ITR, no que concerne às áreas citadas nas alíneas “a” e “d”, inciso II, do §1° do mesmo artigo, não se submete à prévia comprovação por parte do declarante. Com efeito, não se submete. Feita a declaração, essa basta para o gozo da isenção. Contudo, uma vez que se inicia um procedimento fiscal contra o contribuinte, aquela declaração deixa de ser suficiente; a fiscalização, por sua própria natureza, demanda a averiguação da realidade da declaração do contribuinte, e esta somente poderá assomar, vir à tona, tornarse inquestionável, se o contribuinte apresentar ao fisco elementos que atestem que a sua declaração, de fato, converge com a verdade, e que aquela não fora declinada sob um espírito de confiança na álea de não ser atingido pela malha fina do Fisco. Porém, notese, tal comprovação não é de ser limitada, em seu meio de perpetração, como quer o recorrente, à apresentação do ADA. Pode, ela, ocorrer de qualquer forma, desde que se consiga deixar patente a verdade da declaração anteriormente feita. Com efeito, malgrado o entendimento da Receita Federal, no sentido da indispensabilidade da observância das formalidades em questão, para a comprovação da existência da área de preservação permanente, entendimento fundado, sobretudo, no artigo 17 O da Lei n° 6.938/81, verifico que o sistema geral de valoração de provas vigente no Brasil aponta noutro sentido. Realmente, conforme sobejamente sabido, o ordenamento jurídico brasileiro adota, expressamente, no tange ao sistema de valoração das provas, o sistema designado como do “livre convencimento motivado” ou da “persuasão racional”, conforme se depreende do artigo 131 do Código de Processo Civil, que tem a seguinte redação: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 5 9 Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. Tal sistema contrapõese ao das provas tarifadas, aquele em que o legislador estabelece por que meio cada fato da vida deve ser comprovado, elaborando, por assim dizer, uma espécie de tabela probatória, à qual o julgador se prende, e pelo qual este se reduz a um mero autômato, tendo, amiúde, que fechar os olhos para a realidade com a qual se depara. Este panorama de há muito já foi superado. Porém, é de se fazer uma ressalva: de fato, há na legislação brasileira disposições normativas que se referem à matéria probatória, vinculando alguns fatos a uma dada espécie de prova. Aliás, é o que sucede no presente caso, consoante se pode depreender do artigo 17O da Lei n° 6.938/81. Contudo, e é a isso que se deve chamar a atenção, a existência de normas dessa natureza não tem o condão de engessar o julgador. Não é este o sentido que se lhe deve dar. Com efeito, a doutrina processual anota, sobre a matéria, que a existência de normas que tais no ordenamento brasileiro, na verdade, não impedem que o julgador afaste a sua aplicabilidade, no caso concreto, quando o resultado da sua incidência implicar consolidação de injustiças. É neste sentido a seguinte passagem de Fredie Didier: “É bom que deixemos claro: a existência de dispositivos legais relacionados à prova não impede a livre apreciação do material probatório pelo magistrado; a apenas a direciona, estabelecendo parâmetros. Pensar de modo contrário seria exumar um sistema de valoração que, em sua versão rigorosa, já há muito tempo fora banido das legislações modernas”.1 E Marinoni e Arenhart, ao tratarem das regras legais referentes à prova documental, arrematam: “Importa lembrar, todavia, que, considerando o princípio da persuasão racional do juiz (art. 131 do CPC), é sempre possível ao juiz afastar as regras apresentadas nesta subseção, desde que justifique, devidamente, a razão da inobservância das normas prescritas”.2 Ademais, a doutrina sempre consigna que a razão de existência de normas deste jaez servem, não ao aprisionamento do julgador e das partes, mas sim para evitar que ocorram arbitrariedades, consubstanciadas em decisões desprovidas de qualquer suporte probatório. Ora, resguardase situações de falta de provas, e não situações de existência de provas, ainda que diversas daquelas estabelecidas como parâmetro pelo legislador. Depreendese dos autos que o contribuinte logrou comprovar, de fato, a existência da área de preservação permanente, por meio de Termo de dos autos, de solicitação de ADA junto ao IBAMA, e de registro na matrícula do imóvel, o que, aliás, embasou a decisão recorrida. 1 DIDIER JR. Fredie. BRAGA, Paula Sarno e OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil. Volume 2. 2° edição. Jus Podivm. 2008. p. 43. 2MARINONI, Luiz Guilherme, e ARENHART, Sérgio Cruz. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: RT, 2000, v. 5.t.2. p. 11 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 10 Como se vê, além do fato de que o recorrente não se contrapôs à existência real das áreas discutidas, o que a torna incontroversa, apenas argumentando a respeito da questão referente ao meio probatório utilizado para comprovála, com alegações de descumprimento de formalidades, temse que o contribuinte, realmente, atestou a materialidade das áreas em questão através dos documentos acima mencionados. Ora, diante disso, é de se questionar: este órgão julgador deve, deliberadamente, fechar os olhos à realidade fática dos autos, para considerar a não configuração do benefício em tela, tãosomente pelo descumprimento das formalidades defendidas pela recorrente? Não nos parece que se deva proceder assim. Caso contrário, estarseia indo de encontro à razoabilidade necessária que deve caracterizar os atos do Poder Público em face do cidadão. E mais, o princípio da verdade material, que deve reger o procedimento administrativo fiscal, também restaria afrontado. E em prol de um formalismo excessivo, exacerbado, de todo contrário ao Direito moderno. Seguindo na linha do que até aqui vem sendo exposto, é de se entender que a exigência do ADA, ou da apresentação do protocolo do seu pedido dentro prazo semestral, e da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel no registro de imóveis, como requisitos para a comprovação das áreas discutidas, para fins de nãoincidência do ITR, constituem um parâmetro para a comprovação, mas não uma lista inafastável. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 6 11 geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 27, contemplando a área objeto da demanda, ainda que intempestivamente, datado de 08/11/2004. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 3ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Para aqueles Conselheiros que não comungam deste entendimento, ressalto que, no caso em tela, apesar de não possuir esse documento específico, o sujeito passivo possui averbação da área de preservação permanente à margem do registro imobiliário do imóvel rural, emitida muito antes da ação fiscal – em 08/06/2001 , que atesta que o imóvel está inteiramente inserido em área de preservação permanente. Assim, há que se concluir que o documento apresentado é mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois não se trata de mera informação para que o órgão ambiental verifique que o imóvel possui área de preservação permanente, mas de reconhecimento do fato pelo órgão. Nesse sentido, entendo que a exigência legal foi atendida por documento diferente do nela previsto, mas que cumpre de forma mais completa a intenção do legislador. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. Recurso Especial do Contribuinte Como dito alhures, o Despacho de admissibilidade deu seguimento tão somente a divergência quanto às glosa das áreas de reserva legal e de pastagem. Dito isso, passo a exame de cada uma. Reserva Legal Utilizo como razões de decidir o brilhante e substancioso voto prolatdo pelo Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando da prolação do Acórdão n. 9202 01.510. Resume a decidir quanto à pertinência da averbação da área de reserva legal à margem do registro imobiliário do imóvel rural, como condição para fruição de exclusão de tal área da incidência do ITR. Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1o, § 2o, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8o, do Código Florestal). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 12 Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2o do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8o, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 7 13 Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp no 1.060.886/PR, na sessão de 1o/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp no 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei no 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei no 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Já no âmbito da Segunda Turma do STJ, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, recentemente se firmou uma posição pela necessidade da averbação como condição para fruição da benesse no âmbito do ITR, como se pode ver no Recurso Especial no 1.027.051 – SC (STJ, 2011 C), sessão de 07/04/2011, por maioria (relator vencido), com a seguinte ementa no votovista do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. LEIS 8.971/91 E 9.393/96. RESERVA LEGAL FLORESTAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O Código Florestal exige a aprovação dos órgãos ambientais quanto à localização da reserva legal, bem como a sua averbação no registro de imóveis. A imprescindibilidade da averbação justificase não apenas para facilitar o controle do Poder Público, mas também em razão do caráter propter rem da obrigação de manter a reserva legal que, em regra, não se altera nos casos de transmissão, desmembramento ou de retificação da área. 2. O imposto territorial rural ITR possui inequívoco propósito extrafiscal, sendo utilizado para combater o latifúndio improdutivo e para incentivar e proporcionar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Caracterizase, portanto, como um imposto que auxilia o Estado no disciplinamento da propriedade rural, tendo como norte a função social da propriedade. 3. Os incentivos fiscais assumem considerável relevância na consecução dos objetivos constitucionais, o que implica reconhecer, sob a ótica da proteção ao meio ambiente, que a interpretação da norma instituidora da isenção tributária não Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 14 pode se afastar dos valores e princípios veiculados na Constituição e na legislação ambiental. 4. Apesar de o art. 111 do CTN consignar que se interpreta literalmente a norma que outorga isenção, isso não significa que seja vedada a utilização dos critérios teleológico, histórico e sistemático. O hermetismo do ordenamento jurídico não prescinde da atuação do intérprete, cumprindolhe buscar uma identidade lógicojurídica do deverser. Assim, é impossível conferir à lei uma aplicação em descompasso com o sistema normativo no qual esteja inserida. 5. Quando as Leis nos 8.171/91 e 9.393/96 isentam o tributo referente à área de reserva legal prevista na Lei no 4.771/65, significa que apenas se sujeitam à exclusão do crédito tributário as áreas que estiverem em consonância com a legislação de proteção ao meio ambiente, visto que não é possível conferir um benefício fiscal àqueles que descumpriram a própria lei que serve de base para a isenção. Entender o contrário seria desconsiderar o modelo de proteção ambiental contemplado no Texto Maior, bem assim o princípio cooperativo insculpido no art. 225 da CF. 6. A previsão contida no § 7o do art. 10 da Lei n. 9.393/96, segundo a qual o contribuinte não precisa comprovar a regularidade das deduções efetuadas em decorrência da isenção, apenas disciplina a forma de constituição do crédito tributário, que se dá por meio do autolançamento, em nada interferindo quanto à exclusão do crédito tributário, ou seja, sobre os requisitos para obtenção do benefício fiscal. 7. Recurso especial provido. (grifouse) Claramente se vê que a Segunda Turma do STJ, com supedâneo no caráter extrafiscal do ITR, albergou a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Observese que se trata de Acórdão em que a Turma debateu a matéria com profundidade, como se comprova pela existência de voto vencido. Por tudo, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, a Segunda Turma do STJ asseverou sua necessidade, não havendo ainda concordância no âmbito da Primeira Turma. Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, como se vê pelas decisões conflitantes no âmbito da Primeira Turma do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001 (que pode ser aplicada desde o exercício 1997, pois a legislação que passou a obrigar a averbação de tal área remonta à Lei no 7.803/89), em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 8 15 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto no 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão no 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão no 30134475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão no 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão no 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão no 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão no 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4.área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão no 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão no 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão no 30134788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 6.comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão no 30239244, sessao de 29/01/2008, por maioria; Acórdão n. 30239866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão no 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão no 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão no 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: • averbação após a publicação do Decreto no 4.382/2002 (1a Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1a, 2a, 3a Câmaras e 3a TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1a Câmara); averbação cartorária intempestiva (1a Câmara); averbação e ADA tempestivos (2a, 3a e 3a TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante à necessidade da averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 16 ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita (apesar da matéria aparentemente ter sido pacificada na Segunda Turma, como já visto neste artigo). Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1o, II, “a” a “f”, da Lei no 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio aqui é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da exclusão da tributação do ITR. Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área tributável da propriedade (área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de utilização limitada), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal, cumpridos os requisitos formais, que se verá a seguir. Assim, para a fruição de isenção tributária, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, o art. 4o, V, da Lei no 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstas em contratos de transferência de tecnologia, desde que averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei no 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1o, II, “a”, da Lei no 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 9 17 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei no 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei no 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei no 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei no 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei no 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto no 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI No 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüênciasnefastas,paulatinamente,levamà conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 18 vindouras" (RMS no 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei no 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis no 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserve legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. E aqui não se diga que, por se tratar de isenção tributária, estarseia obrigado a fazer uma interpretação literal, na forma do art. 111, II, do Código Tributário Nacional, sem qualquer observação da teleologia visada pelo legislador. Não obstante a interpretacao restritiva, nada impede a busca da concretizacao das finalidades previstas pelo legislador, como se pode ver no precedente do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2o, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DAIMUNIDADEÀCPMFINCIDENTESOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃOESTRITADANORMA.RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2o, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – movimentações financeiras – não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (STF; RE 566259; Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski; Tribunal Pleno; julgado em 12/08/2010; Repercussão Geral Mérito; DJe179: 24092010) – Destacouse. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei no 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece que com as condicionantes da legislação ambiental. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 10 19 A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho3: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira4 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei no 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei no 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei no 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei no 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado5, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: •imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; •progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei no 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; •tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 20 •exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei no 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1o, II, “a”, da Lei no 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei no 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8o, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão no 9202001.348, sessão de 09 de fevereiro de 2011, por maioria, que restou assim ementado: (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1o, II, “a”, da Lei no 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei no 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8o, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10670.001375/200490 Acórdão n.º 920201.945 CSRFT2 Fl. 11 21 necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. No caso sub examen, a glosa da área de reserva legal não pode prosperar, visto que a averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis da cidade de Januária foi promovida em 08/06/2001, ou seja, antes do início da ação fiscal. Áreas de pastagens Quanto à segunda matéria, entendo que o decisum recorrido não merece qualquer reparo. Nesse sentido, peço venia aos ilustres Conselheiros para utilizar como razões de decidir os argumentos colacionados no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro [fls. 153/154]: Busca a recorrente que a comprovação das áreas de pastagem pudesse ser concretizada a partir do laudo técnico ou da aquisição de sementes de capim, comprovada por meio da nota fiscal n° 000727, emitida por Lanza Vieira Agroindustrial. Penso que os fatos colacionados não têm o efeito pretendido. A meu ver, tais documentos comprovariam, no máximo, a existência de área, plantada ou de vegetação nativa, que poderia ser utilizada como de pastagem. Ocorre que, como é cediço, em homenagem à regra definida no art. 10, § 1°, inciso IV, alínea "h" , o cômputo das áreas de pastagem está sujeito ao cumprimento dos índices por lotação por zona de pecuária. Ou seja, além das áreas de pastagem, é necessário que tais áreas sejam utilizadas por um rebanho mínimo, fato que, como ficou consignado no auto de infração objeto do presente recurso, não pôde ser comprovado com a ficha de vacinação apresentada, que diz respeito a período diverso do ano calendário fiscalizado. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 22 Sem a comprovação da efetiva ocupação da área, não há como considerála utilizada e, conseqüentemente, forçoso é manter a glosa que foi alvo de recurso. Dispositivo Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria: VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas; VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, para que afastada a autuação quanto às áreas de reserva legal. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado.
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000098/2006-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem
ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso. Foi pedida preferência na ordem de julgamento. Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Carlos Eduardo Pretti Ramalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2001 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16095.000098/2006-27
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4880648
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.440
nome_arquivo_s : 210101440_16095000098200627_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 16095000098200627_4880648.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Foi pedida preferência na ordem de julgamento. Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Carlos Eduardo Pretti Ramalho.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4749811
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358841761792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 455 1 454 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000098/200627 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.440 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente CLÁUDIO BENEDITO CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Foi pedida preferência na ordem de julgamento. Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Carlos Eduardo Pretti Ramalho. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 04 16.020, proferido pela 2ª Turma da DRJ Campo Grande (fl. 208), que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou procedente o lançamento, realizado com suporte no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Cláudio Benedito Cruz, acima qualificado, foi autuado conforme Auto de Infração (AI) e demonstrativos de f. 166 a 171, tendo sido apurados os valores de R$ 745.630,51 de imposto, R$ 559.222,88 de multa proporcional de oficio (75%) e R$ 538.718,04 de juros moratórios calculados até 31 de maio de 2006, totalizando R$ 1.843.571,43 de crédito tributário. O lançamento ocorreu em face de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, em todos os meses do anocalendário 2001, cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte após regular intimação. A descrição das infrações e o enquadramento legal encontramse às f. 169 e 170. O enquadramento legal relativo à multa proporcional e aos juros de mora encontra se à f. 167. Como se vê nos autos, durante todo o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar documentos e a prestar esclarecimentos. A ciência quanto ao lançamento ocorreu, pessoalmente, em 19 de junho de 2006 (f. 168 e 171). Inconformado, o autuado apresentou impugnação em 18 de julho de 2006 (f.181 a 199 — anexos às f. 202 e 203), firmada por procurador (instrumento de mandato à f. 202). Nesta, após relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese, que: a) o lançamento é nulo, em face de o autuante ter simplesmente desconsiderado o contrato de mútuo que foi devidamente apresentado, sem que houvesse intimação para que fossem entregues outros documentos, tendo havido afronta ao princípio da motivação dos atos administrativos; b) os valores depositados na conta bancária decorreram de trânsito de seus próprios recursos e linhas de crédito, conforme contrato de mútuo e demais demonstrativos constantes nos autos; c) o lançamento não poderia ter sido efetuado da forma como foi, com base em presunção, em face de toda a documentação apresentada; d) a presunção estabelecida no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 admite prova em contrário que foi devidamente fornecida pelo contribuinte, revertendose o ônus da prova ao Fisco, que tem o dever de comprovar a omissão de receitas; e) o Fisco, de posse do contrato de mútuo que o autuado mantinha com pessoa jurídica, deveria fiscalizar esta, verificando sua escrituração, para comprovar o alegado; f) para haver fato gerador do imposto de renda é necessário acréscimo patrimonial, nos termos do art. 43 do CTN; g) a multa de ofício de 75% ofende o princípio constitucional da vedação ao confisco. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16095.000098/200627 Acórdão n.º 2101001.440 S2C1T1 Fl. 456 3 h) é ilegal a aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. . Ao final, o autuado requer seja cancelado o lançamento de oficio. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 NULIDADE. Observados os preceitos do art. 10 do Decreto n.70.235/72 e tendo sido o contribuinte intimado de todo o procedimento realizado, abrindoselhe prazo para manifestação, não há que se falar em nulidade do lançamento. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tendose em vista o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como rendimentos omitidos, podendo haver o correspondente lançamento de IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. Para que seja afastada a presunção de omissão de rendimentos, devem ser apresentados documentos hábeis e idôneos e, para valerem em relação a terceiros, os contratos particulares devem ser registrados no órgão próprio. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, sendo que o principio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento, por expressa determinação legal. Lançamento procedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 224/256, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16095.000098/200627 Acórdão n.º 2101001.440 S2C1T1 Fl. 457 5 A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (conforme arestos colacionados no recurso) e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Como a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, os procedimentos estabelecidos em lei para que a presunção possa ser validamente aplicada deve ser rigorosamente observada pela fiscalização, por ser matéria de ordem pública que objetivam o controle da legalidade do lançamento. O § 6º da Lei nº 9.430, de 1996, determina que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. É claro que tal divisão deve ser precedida da intimação de todos os titulares da conta bancária, pois a relação tributária obrigacional não pode ser dirigida contra quem não foi previamente intimado para comprovar a origem dos depósitos. O comando da lei tributária é específico para a presunção em comento. Se não houve a intimação prévia de todos os titulares, conforme determina o caput do referido artigo, também não poderá haver a divisão determinada no § 6º, sendo inválida a exigência relacionada à conta cotitulada sem a comprovação da intimação destes. De se notar que a hipótese de haver declaração em conjunto ou separadamente se aplica justamente a pessoas com relações de dependência econômica, por isso a cautela da lei em mandar observar se há declaração em conjunto. Cada pessoa física é contribuinte do imposto de renda e, portanto, passível de ser questionado a respeito da origem dos créditos que transitaram por sua conta bancária. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 A falta de intimação de todos os titulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, exige para que a presunção possa ser validamente aplicada. Este entendimento já é pacífico no âmbito deste Conselho, nos termos dos Acórdãos de nºs 10419988, 102 47453, 10248.880, sendo que deste último transcrevo do voto vencedor o seguinte excerto: Divirjo do ilustre relator apenas quanto ao seu entendimento no que diz respeito à contacorrente conjunta, qual seja: Caixa Econômica Federal Agência 143 nº 243791. Nesse sentido, devese examinar a aplicação do parágrafo 6º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, no presente lançamento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo acima transcrito foi acrescentado ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, o citado parágrafo já se encontrava em vigor desde 29/08/2002, portanto, deveria ter sido observado pela autoridade fiscal quando da lavratura do presente Auto de Infração. Como sabido, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados é uma presunção legal. No entanto, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento devese conformar aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é óbvio, que no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam utilizarse das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. Dos extratos das contascorrentes, que motivaram o lançamento, acostados aos autos, verificase que esta circunstância (conta corrente mantida em conjunto) era conhecida pela autoridade fiscal. Entretanto, mesmo conhecendo o fato, deixou a autoridade administrativa de intimar o outro titular da conta corrente em questão. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16095.000098/200627 Acórdão n.º 2101001.440 S2C1T1 Fl. 458 7 Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Assim, não poderia o agente fiscal ter deixado de intimar o outro titular daquela contacorrente, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. É bem verdade que existe um estreito relacionamento entre o Recorrente e o outro titular (são cônjuges), mas tal circunstância não permite presumir que a intimação contra um deles tenha plenos efeitos em relação ao outro. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. Banco Caixa econômica Federal De sorte que, no que se refere aos valores creditados na contacorrente Agência 143 nº 243791, mantida em conjunto, devese afastar a presunção de omissão de rendimentos. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula nº 29 deste CARF, de aplicação obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. É evidente que somente poderão ser divididos os créditos para os quais a presunção possa ser validamente aplicada. Caracterizada a presunção de omissão de rendimentos, decorrente de crédito bancário sem origem comprovada, mediante a prévia intimação de todos os titulares da conta, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Considerandose que não houve a prévia intimação do cotitular das contas bancárias consideradas no Auto de Infração (fls. 12/104), Sr. Ademir Mori da Cruz, para comprovar a origem dos depósitos bancários, a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser validamente aplicada no lançamento em exame. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000380/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ônus da prova.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NFLD - RECURSO DE OFÍCIO - VALOR DE ALÇADA
O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais).
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de lançamento de contribuições onde restou constatado a existência de recolhimento a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 150º do CTN.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.328
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não
conhecer do recurso de ofício; e II) declarar a decadência até a competência 02/2000; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para efetuar as retificações propostas pelo
auditor, conforme informação prestada às fls. 2988 a 2993.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ônus da prova. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NFLD - RECURSO DE OFÍCIO - VALOR DE ALÇADA O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de lançamento de contribuições onde restou constatado a existência de recolhimento a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 150º do CTN. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11330.000380/2007-41
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5058168
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2401-002.328
nome_arquivo_s : 2401002328_11330000380200741_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11330000380200741_5058168.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer do recurso de ofício; e II) declarar a decadência até a competência 02/2000; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para efetuar as retificações propostas pelo auditor, conforme informação prestada às fls. 2988 a 2993.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4750064
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358849101824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000380/200741 Recurso nº 000.000 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 240102.328 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES Recorrentes LIMPIND MANUTENÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ônus da prova. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RECURSO DE OFÍCIO VALOR DE ALÇADA O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF Fl. 3932DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de lançamento de contribuições onde restou constatado a existência de recolhimento a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 150º do CTN. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer do recurso de ofício; e II) declarar a decadência até a competência 02/2000; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para efetuar as retificações propostas pelo auditor, conforme informação prestada às fls. 2988 a 2993. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3933DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.038 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de que fossem prestados esclarecimentos acerca das apropriações de documentos, considerando os argumentos e documentos levantados pelo recorrente em seu recurso, fl. 2971 a 2975. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, inclusive a contribuição adicional decorrente da aposentadoria especial e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2000 a 12/2004, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, bem como folhas de pagamento. Durante o procedimento fiscal, constatouse que a empresa não efetuou o recolhimento sobre a totalidade das folhas de pagamento, mesmo em considerando as retenções realizadas, apropriadas muitas vezes nas competências subseqüentes, face a sobra apurada. Em anexo ao relatório fiscal, fls. 119 a 144 foram relacionadas todas as notas fiscais emitidas, bem como as retenções destacadas e a fls. 145 consta planilha das apropriações das sobras, acrescidas dos juros correspondentes até o mês da apropriação. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 23/03/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2005. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 149 a 161, alegando em síntese serem indevidas as contribuições à título e aposentadoria especial, tendo em vista que resultaram de informação incorreta no documento GFIP, bem como à título de retenções. Existem créditos advindos de GPS, retenções sofridas e conta corrente da empresa que não foram aproveitados pelo auditor. Incabível a aplicação da taxa SELIC. Destacase que a empresa apresentou às fls. 162 a 994, diversos documentos que entendeu pertinentes a apreciação da impugnação, sejam eles: laudos técnicos, GPS, relações das retenções realizadas, Guias retificadora de GFIP O processo foi convertido em diligência para manifestação da autoridade fiscal acerca das alegações realizadas, fl. 996 a 998. Foi emitida informação fiscal onde o auditor esclarece, que a empresa em relação aos segurados sujeitos a aposentadoria especial, não apresentou os laudos, razão porque mantido o débito em relação a essas rubricas. Com relação as GPS foram apresentadas na defesa, guias não apreciadas durante o procedimento fiscal, razão porque será o débito retificado para aproveitamento destas Guias, fls. 1000 a 1003. Fl. 3934DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 O processo foi novamente baixado em diligência para realização de planilha esclarecendo os valores anteriormente apurados, fls. 1009 a 1050. Devidamente cientificada da diligência, fls. 1057, a empresa manifestouse às fls. 1060 a 1066. A empresa apresentou cópias de diversas GPS às fls. 1068 a 2422. Os autos foram novamente encaminhados a fiscalização para apreciação das novas alegações, tendo a auditoria às fls. 2424 a 2430. Novamente cientificada, não ocorreu qualquer manifestação do recorrente. Foi emitida DN que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 2435 a 2450, observando as retificações propostas pela autoridade fiscal. O processo foi baixado em diligência pela 6ª Câmara do 2º CC, tendo em vista ter sido encaminhado recurso de ofício, sem ter o impugnante oportunidade de manifestarse, fls. 2465. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 2473 a 2485. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • Parte da decisão recorrida contém flagrante equívoco, uma vez que nem a recorrente , nem as empresas tomadoras dos seus serviços estão sujeitas a risco ambiental que enseja o pagamento de adicional destinado a aposentadoria especial. • A jurisprudência dos tribunais entende que a atividade exercida pela recorrente (limpeza e conservação de prédios e áreas verdes não se enquadra como insalubre). • Persistem erros, mesmo após as diligência quanto a totalidade das retenções consideradas no lançamento. • Estão sendo apresentados apenas agora, em sede de recurso os PPRA (programas de Proteção de Riscos Ambientais da Recorrente e das empresas para as quais presta serviços, o que demonstra não estarem submetidas a atividades insalubres. • Os PPRA apresentados referemse aos anos de 2008, sendo que por similaridade podem também ser adotados para os anos anteriores em relação a prestação de serviços. • O próprio TST manifestasse no sentido de que não é considerada atividade insalubre os serviços de limpeza, conservação. • O valor das retenções consideradas pelo fisco, ainda não está em consonância com o prescrito na própria planilha conta corrente, por ele elaborada quando de diligência, portanto, ainda restam valores a serem apropriados. • Face o exposto, requer seja julgada inteiramente procedente o presente recurso, para fim de ser reconhecida a total improcedência da NFLD. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este 2º CC tendo oferecido contrarazões às fls. 139 a 145. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento, após cumprimento da diligência determinada, fl. 2988 a 2993, Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 3 5 prestando esclarecimentos e realizando planilha de/para, no sentido de que fossem considerados outras retenções realizadas pelas tomadoras de serviço É o relatório. Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto ao Recurso, não há como conhecêlo. O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Como, no presente processo, a exoneração do pagamento do tributo possui valor inferior ao determinado, não há como conhecer do recurso. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Tendo a diligência sido cumprida, tenho que o primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a preliminar de decadência, considerando que o lançamento envolve o período de 01/2000 a 12/2004. DA DECADÊNCIA – DE OFÍCIO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. Fl. 3937DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 4 7 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma Fl. 3938DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da Fl. 3939DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 5 9 decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a Fl. 3940DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Fl. 3941DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 6 11 Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 3942DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso ora em análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde é possível identificar pelo relatório Discriminativo analítico de débito – DAD, recolhimento de contribuições, inclusive sendo apropriadas contribuições, razão porque entendo aplicável o prazo decadencial a luz do art. 150, § 4º. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 23/03/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2005 e que os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2000 a 12/2004, sendo assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 02/2000. Superadas as preliminares, passo ao mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, no que diz respeito ao aproveitamento das retenções, e da impossibilidade de cobrança de alíquota adicional de RAT, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados (digase bases de cálculo) . Dessa forma, em relação aos valores das bases de cálculo objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira Instância. Fl. 3943DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 7 13 Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão, neste ponto. QUANTO A APROPRIAÇÃO DE OUTROS VALORES RETIDOS Quanto a este ponto, observou essa Câmara a pertinência das alegações do recorrente, quando da análise dos relatórios fiscais e dos inúmeros documentos apresentados pelo recorrente. Em função disso, foi o processo convertido em diligência, sendo que após apreciar as ponderações desse colegiado e os documentos apresentados pelo recorrente, procedeu a autoridade fiscal a retificação do montante de retenções apropriados no lançamento. Após dita manifestação, foi o recorrente devidamente cientificado da informação fiscal, e dos valores alterados, sendo que não se manifestou. Dessa forma, como não houve por parte do recorrente, qualquer manifestação após a proposta de retificação pela autoridade fiscal, entendo que não haja mais o que ser apreciado nesse ponto, razão porque devem ser acatadas as retificações propostas pelo auditor, conforme informação prestada às fls. 2988 a 2993. QUANTO A ALÍQUOTA RAT – CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL Toda a argumentação do recorrente é no sentido de tentar demonstrar que os documentos de segurança de saúde do trabalho apresentados , mesmo que referentes a períodos anteriores são suficientes para por fim ao presente lançamento, visto que demonstrariam que os segurados empregados na área de limpeza não estão sujeitos a condições especiais, capazes de ensejar aposentadoria especial. De pronto, devemos avaliar a competência para que a autoridade fiscal previdenciária possa fiscalizar o procedimento da empresa quanto ao controle dos riscos ambientais de trabalho, encontrase na Lei nº 8.212/1991, que assim dispõe: “Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. § 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. § 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. § 3º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. § 4º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento.” Fl. 3944DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 Por sua vez a Lei nº 10.593/2002, dispõe na alínea “a”, do art. 8º que é atribuição do ocupante do cargo de Auditor Fiscal, relativamente às contribuições administradas pelo INSS “executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados.” Da leitura dos dispositivos acima, fica evidenciado que a auditoria fiscal previdenciária tem a competência legal para verificar a existência de riscos não controlados no ambiente da empresa e efetuar o lançamento da correspondente contribuição adicional. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a ocorrência de infração ou falta de recolhimento no âmbito da legislação previdenciária, cumprilhe lavrar de imediato autode infração e NFLD correspondentes de forma vinculada. Conforme preceitua a legislação previdenciária, é dever do contribuinte zelar pelo bem estar físico e mental de seus empregados, adotando todas as medidas pertinentes a minimizar ou mesmo eliminar o impacto de agentes nocivos na saúde dos segurados empregados. No caso em tela, competiria a empresa demonstrar por meio dos laudos, exames e de medidas de segurança e medicina do trabalho que eliminou todos os agentes nocivos, afastando de pronto o direito a aposentadoria especial e por conseguinte o respectivo adicional. Não há que se falar, que laudo de anos posteriores serviriam para elidir a situação de exposição a agentes nocivos de períodos anteriores, considerando ser uma situação que não permanece estanque ao longo do tempo, pois, sempre que forem observadas medidas de segurança, a exposição pode ser reduzida. Afastou a autoridade julgadora o argumento de que se tratariam de meros serviços. Ressaltese que todos os demais pontos apresentados em sede recursal, giram em torno da mesma argumentação, sendo este o cerne da questão a ser avaliado para determinar a procedência da NFLD. O programa de prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) capaz de demonstrar a política da empresa no tocante à gestão da segurança e da saúde deve obedecer as prerrogativas na NR9, no entanto não foi contundente em identificar o plano de combate aos riscos e o detalhamento em cada um dos diversos postos de trabalho. No relatório fiscal, restou demonstrada que a empresa deixava, por exemplo a critério do empregado a troca do EPI. È certo que é de responsabilidade do empregado informar possíveis deteriorações, ou problemas do EPI, porém é de competência da empresa, a troca, reposição, manutenção, devendo inclusive promover o registro da realização dos mesmos, visando que o empregado tenha sempre em mão equipamentos que o protejam de forma a minimizar os riscos a saúde. Na informação fiscal foram apreciados todos os documentos apresentados, fls. 2157, tendo o auditor da análise dos mesmos novamente constatado a exposição dos empregados nos mais diversos setores a níveis ruído passíveis de ensejar aposentadoria especial. A menção dos diversos autos de infração aplicados pelo MTE, apenas corroboram a constatação de atividades insalubres, onde a sobrejornada depende de autorização da autoridade em matéria de segurança do trabalho. Novamente se denota, que o uso do EPI, obrigatório por lei, visa minimizar os prejuízos, mas não elimina a insalubridade a que o empregado está submetido. Fl. 3945DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 8 15 A mesma conclusão é aplicável ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO), onde cabe a empresa em consonância com o PPRA, prevenir, rastrear, diagnosticar os agravamentos da saúde do trabalhador, buscando com essa informações alimentar informações no PPRA e ajustar as políticas de combate aos agentes nocivos. Essa interação não restou demonstrada no presente caso, onde os relatórios e laudos apresentamse estáticos, ou demonstram no mínimo um padrão de trabalho e nocividade incompatível com os trabalhos realizados na empresa. Nesse sentido, entendo que o fornecimento do EPI, por si só, não é capaz de afastar a nocividade. Destaco o que descreveu a ilustre conselheira Ana Maria, em voto proferido em caso semelhante, NFLD nº 35.580.5807, recurso 144145: Asseverese que as condições do ambiente de trabalho não são estáticas, ao contrário, é a dinâmica do ambiente de trabalho que demanda o controle contínuo por parte da empresa, por meio da emissão de PPRAs anuais, bem como LTCATs que devem ser anuais ou emitidos em periodicidade inferior se for constatada alteração no ambiente de trabalho. De igual sorte o PCMSO obriga as empresas a monitorar constantemente os efeitos das condições ambientais na saúde dos funcionários a fim de detectar quaisquer anomalias, que levassem à necessidade de se proceder a alterações no ambiente a fim de preservar a saúde do trabalhador. Nesse sentido, ainda que a perícia médica tivesse informado que no momento presente o ambiente de trabalho estaria devidamente controlado de modo a não agredir a saúde do trabalhador, tal afirmação não poderia garantir que no período do lançamento tal condição existia. Entende a recorrente que efetua o controle de seu ambiente de trabalho e que a presente exação só seria possível caso configurado o direito à contagem do tempo de serviço como atividade especial, em razão da exposição do trabalhador aos agentes nocivos. O direito a um ambiente de trabalho saudável é preceito constitucional insculpido no inciso XXII, do art 7º, da Constituição Federal, que garante aos trabalhadores o direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Os procedimentos que garantem o adequado controle do ambiente de trabalho estão insertos nas Normas Regulamentadoras elaboradas pelo Ministério do Trabalho, cuja observância demonstra o cuidado da empresa para com o ambiente de trabalho em suas dependências. As citadas normas trazem de forma detalhada como deve ser a conduta da empresa no gerenciamento do ambiente de trabalho e, também, como devem ser elaborados os documentos relacionados ao controle ambiental. Seria interessante que a recorrente observasse atentamente os conteúdos das Normas Regulamentadoras que instituíram os Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 16 documentos em questão e percebesse que a elaboração dos mesmos está diretamente relacionada com a realidade fática do contribuinte. O PPRA, LTCAT e PCMSO, por exemplo, não são elaborados a partir de situações hipotéticas, ao contrário, são documentos exclusivos, elaborados para determinada empresa com base em suas condições ambientais existentes. Assim, a conclusão fiscal a respeito do correto gerenciamento de seu ambiente de trabalho prescinde de diligências in loco, sobretudo se considerarmos que o ambiente de trabalho não é estático no tempo, ao contrário, é o dinamismo do mesmo que demanda o controle contínuo e intermitente das condições do ambiente de trabalho. A auditoria fiscal apresentou as razões pelas quais entendeu que os documentos relacionados ao risco ambiental da recorrente não foram formalizados na estrita observância das normativas pertinentes. NO caso, de acordo com os cargos ocupados a fiscalização procedeu a cobrança individualizada dos empregados sujeitos a aposentadoria especial. A recorrente afirma que a atividade exercida seria suficiente para garantir a proteção dos empregados, poto que executam erviço de limpeza, no entanto, ainda persistem casos (pelas informações do CAT e reuniões da CIPA), onde os empregados sofrem acidente de trabalho pelo não uso de equipamentos ou constante perda auditiva entre seus empregados. Quanto à alegação acima, cumpre dizer que o controle dos riscos ambientais do trabalho tem natureza preventiva e a inexistência de concessão de benefício de aposentadoria especial não significa que nenhum empregado da recorrente esteve exposto a risco, sobretudo se considerarmos que para a obtenção do benefício, in casu, o empregado estaria obrigado a trabalhar sob condições especiais por 25 anos, de forma permanente e intermitente. As disposições da legislação atual são voltadas à preservação da integridade física do empregado, de tal sorte que a regra é bem gerenciar o ambiente de trabalho e a exceção é a concessão da aposentadoria especial pelo reconhecimento do exercício do trabalho em ambiente nocivo. Ainda em relação a este questionamento, novamente peço licença a conselheira Ana para trazer sua palavras: Ainda que as Normas Regulamentadoras do MTE tenham sido instituídas em 1978, somente em com a alteração introduzida pela Lei nº 9.732/1998 na redação do § 6º do art. 57 da Lei nº 8.212/1991, passou a ser cobrado das empresas o adicional para o financiamento de benefício das aposentadorias especiais, conforme se verifica no dispositivo transcrito abaixo: “§ 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do Art. 22 da lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. ”(...) Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11330.000380/200741 Acórdão n.º 240102.328 S2C4T1 Fl. 9 17 Quando da análise do PCMSO apurouse um elevado número de exames audiométricos alterados sugestivos de PAIR. No caso de ruído, a recorrente limitase a fornecer EPI Equipamentos de Proteção Individual e entende que tal procedimento seria suficiente para garantir a proteção aos empregados. Ou seja, pela análise do relatório fiscal apresentado, informação fiscal, que reavaliou os documentos apresentados pelo recorrente e argumentos trazidos na fase recursal, entendo que este não logrou êxito em demonstrar a improcedência do lançamento, devendo apenas serem observadas as deduções descritas na informação fiscal, fl. 2988 a 2993 CONCLUSÃO: Voto por NÃO CONHECER o recurso de Ofício, face o valor de alçada. Quanto ao recurso voluntário, voto por CONHECÊLO, para excluir as competências até 02/2000 face o alcance da decadência quinquenal e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja observada a tabela DE/PARA descrita pelo auditor às fls. 2988 a 2993. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005483/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - FATOS GERADORES APURADOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - NÃO CONSTATAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO - APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante nº 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
Em se tratando de valores apurados em folha de pagamento, sem existir qualquer recolhimento, muito menos a declaração em GFIP, aplicável o art. 173 do CTN.
NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - RENÚNCIA A APRECIAÇÃO DO MÉRITO
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.088
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que
votaram por declarar a decadência 02/2002. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - FATOS GERADORES APURADOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - NÃO CONSTATAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO - APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante nº 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de valores apurados em folha de pagamento, sem existir qualquer recolhimento, muito menos a declaração em GFIP, aplicável o art. 173 do CTN. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - RENÚNCIA A APRECIAÇÃO DO MÉRITO A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10580.005483/2007-93
anomes_publicacao_s : 201002
conteudo_id_s : 5067212
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.088
nome_arquivo_s : 240101088_158567_10580005483200793_011.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580005483200793_5067212.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência 02/2002. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4753685
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358894190592
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:16Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:17Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:17Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:16Z; created: 2010-03-30T23:57:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:16Z; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:16Z | Conteúdo => • S2-C4TI 341 - •11:. -I' MINISTÉRIO DA FAZENDA : CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.005483/2007-93 Recurso n° 158.567 Voluntário Acórdão n° 2401-01.088 — 4° Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente CEDIG CENTRO DE DIGITAÇÃO LTDA S/C Recorrida DM-SALVADOR/BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - FATOS GERADORES APURADOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - NÃO CONSTATAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO - APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante n" 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de valores apurados em folha de pagamento, sem existir qualquer recolhimento, muito menos a delcração em GFIP, aplicável o art. 173 do CTN. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - RENÚNCIA A APRECIAÇÃO DO MÉRITO A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / F Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, H Por maioria de votos, em declarar a decadência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães iveira, que • • votaram por declarar a decadência 02/2002. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS S • • AIO FREIRE - Presidente EL E CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza 2 Processo n" 10580.00548312007-93 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.088 Fl. 342 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas fisicas na qualidade de empregados. O lançamento compreende competências entre o período de 01/1999 A 01/2007, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do das folhas de pagamento, em confronto com os segurados e remunerações descritos no documento GFIP. Observa-se que foram realizados dois levantamentos: FP2 (período anterior a opção pelo SIMPLES) e FP3 (período com opção pelo SIMPLES). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 22/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 294 a 301. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 316 a 323. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 327 a 333. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Que o motivo do inicio da ação fiscal, foi a sua intenção em aderir ao parcelamento da Lei n° 10684/2003, considerando ter tido dificuldades de em sozinho fazer o levantamento do suposto débito. Neste sentido, procurou o impugnante atender todas as solicitações da autoridade fiscal. Apenas em duas ocasiões o impugnante teve contato com o auditor fiscal, e que o mesmo poderia buscar esclarecimentos. Em momento algum o recorrente agiu com dolo na intenção de dificultar o procedimento fiscal. O contribuinte nunca fez retenções ou descontos em pagamentos de salários, retiradas de sócios, à titulo de contribuição previdenciária. Parte do crédito encontra-se alcançado pela decadência qüinqüenal, sendo assim, ilegal a cobrança de contribuições anteriores a 01/2002. Por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. A Receita Previdenciária encaminhou o recurso a este conselho, sem a apresentação de contra-razões . É o relatório. • Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 339. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar cumpre-nos apreciar o argumento de que o crédito encontra-se decadente, o que entendo razão assiste ao recorrente nos termos abaixo expostos. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n o 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciaria constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do ST.1 quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: Ígi Processo n° 10580.005483/2007-93 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.088 Fl. 343 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. !SS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI Ar° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. • HONORÁRIOS ADVOCATiCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA, FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3." DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL, REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO ST.1. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRENCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados:1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (10 regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre • o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário. Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decculenciais apresentam prazo qüinqüenal com cites a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTIV), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato irnponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro kulo, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira pane do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limoncid , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com .fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casa, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita #.--/ Processo n 10580.005483/2007-93 S2-C4T1 Acórdão n.°2401-01.088 Fl. 344 do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vicio • formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em • que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou aelimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar • intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Godes Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos ienponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18• Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n°8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210) 7 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo única O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, - tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2' - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 40_ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador: expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (gni() nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4", é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. 8 kV Processo ré 10580.00548312007-93 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.088 Fl. 345 Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Tal circunstância não se encontra vislumbrada na NFLD em tela, onde não se identificou qualquer espécie de recolhimento. Nesse sentido, entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, para aplicação do art. 150, § 4', é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. Observa-se que nos levantamentos, não houve por parte do recorrente nem o reconhecimento da rubrica como fato gerador de contribuições, tampouco recolhimento antecipado. Consubstanciado nestes argumentos, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC), ou mesmo da obrigação descrita em folha, mas declaradas em GFIP, objeto da NFLD em tela, onde não ocorreu por parte do recorrente qualquer recolhimento. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 22/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2007 e que os fatos geradores ocorreram no período de 01/1999 a 01/2007, pela aplicação do art. 173 nos termos acima expostos, há de se declarar a decadência dos créditos até a competência 11/2001. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a validade do procedimento fiscal, por considerar as multas exorbitantes para uma micro empresa sem refutar propriamente, qualquer dos fatos geradores apurados. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação. Ademais, foi colacionado as fls. 158, pedido de parcelamento do recorrente datado de 12/04/2007, em que inclui os fatos geradores descritos na NÉLD n°37.018.065-8, ou seja a NFLD ora lançada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/2001, e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora io MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘.7±, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS n;; , -;.W3 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10580.00548312007-93 Recurso n°: 158.567 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime -se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.088 Brasil' ., 12 • e março de 2010 ELIAS SA ; s 10 FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001014/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
Ementa:
AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E OMISSÃO – INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios alegados, não prospera a alegação de nulidade da
decisão.
ATO – DECLARATÓRIO – VALIDADE. O ato administrativo que declara
a exclusão da opção pelo SIMPLES, emitido por autoridade competente e devidamente motivado, com indicação expressa do mandamento legal que a determinou, não padece de nulidade. A confirmação do motivo da exclusão, discutida em procedimento administrativo contraditório, é condição resolutória de sua validade, e não suspensiva.
EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege a matéria. O ato da exclusão, sendo declaratório, produz efeitos ex tunc.
Numero da decisão: 1301-000.815
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar suscitada para, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003 Ementa: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E OMISSÃO – INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios alegados, não prospera a alegação de nulidade da decisão. ATO – DECLARATÓRIO – VALIDADE. O ato administrativo que declara a exclusão da opção pelo SIMPLES, emitido por autoridade competente e devidamente motivado, com indicação expressa do mandamento legal que a determinou, não padece de nulidade. A confirmação do motivo da exclusão, discutida em procedimento administrativo contraditório, é condição resolutória de sua validade, e não suspensiva. EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege a matéria. O ato da exclusão, sendo declaratório, produz efeitos ex tunc.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10950.001014/2005-88
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 5078244
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.815
nome_arquivo_s : 130100815_10950001014200588_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 10950001014200588_5078244.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar suscitada para, no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
id : 4749391
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358959202304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.001014/200588 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.815 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente Rádio Jornal FM Ltda. EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 Ementa: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E OMISSÃO – INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios alegados, não prospera a alegação de nulidade da decisão. ATO – DECLARATÓRIO – VALIDADE. O ato administrativo que declara a exclusão da opção pelo SIMPLES, emitido por autoridade competente e devidamente motivado, com indicação expressa do mandamento legal que a determinou, não padece de nulidade. A confirmação do motivo da exclusão, discutida em procedimento administrativo contraditório, é condição resolutória de sua validade, e não suspensiva. EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege a matéria. O ato da exclusão, sendo declaratório, produz efeitos ex tunc. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar suscitada para, no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Presidente Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Rádio Jornal FM Ltda. – EPP, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), pelo Ato Declaratório Executivo 528.357, de 02 de agosto de 2004, do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, com efeitos a partir de 01/01/2003. A causa do evento informada foi o fato de um dos sócios ou o titular participar de outra pessoa jurídica com mais de 10% e a receita global do anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite estabelecido pela legislação que rege o Simples, conforme previsto no artigo 9°, inciso IX, da Lei n° 9.317, de 1996. O contribuinte manifestou seu inconformismo com a exclusão alegando, em síntese: (a) que o ato atacado deve ser reformado por ferir os princípios constitucionais tributários da publicidade e irretroatividade; (b) que o ato declaratório apenas surtirá seus efeitos após a publicação e a partir do mês subseqüente ao seu recebimento, uma vez que a reclamante não pode perder benefício que lhe foi assegurado pela legislação antes da existência efetiva do ato determinante; (c) que o STJ já decidiu quanto à necessidade de publicação para que o ato administrativo produza efeitos; (d) que está havendo ofensa ao princípio da irretroatividade da norma; (e) que a irretroatividade é inadmissível na legislação brasileira; (f) que a decisão não pode retroagir a fatos ocorridos antes de sua publicação, já que caracterizaria desrespeito ao seu direito adquirido e, (g) que a SRS deve ser reapreciada pela delegacia de origem, pedindo ao final, a nulidade do ADE. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba indeferiu sua manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2003 INCONSTITUCIONALIDADE É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade de lei em vigor. EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege amatéria. BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Para usufruir o beneficio do Simples, impõese observar o regramento constante de legislação especifica, nos termo do artigo 111 do Código Tributário Nacional, onde está previsto que se interpreta literalmente a legislação que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário.: Ciente da decisão em 26 de agosto de 2008, a interessada apresentou recurso em 23 setembro seguinte. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 4 4 Inicialmente, suscita nulidade da decisão por omissão. Concretamente, diz que a fundamentação foi omissa no que pertine à ofensa aos princípios da publicidade e da irretroatividade, que o ato (decisão) é nulo por inequívoca falta de motivação, que ocorreu flagrante cerceamento de defesa, já que a Recorrente sequer dispõe dos motivos (fatos e fundamentos) pelos quais a DRJ entendeu não restarem violados os princípios da publicidade e da irretroatividade. No mérito, e com o escopo de defender a irretroatividade dos efeitos do ADE, alega sua total inadequação para pretender a exclusão da opção que se operou legalmente através de ato administrativo perfeito e acabado e que produziu seus regulares efeitos. Afirma que o ato infringiu os princípios da publicidade, irretroatividade e da segurança jurídica. Alega que a decisão interpretou erroneamente a legislação que trata dos efeitos da exclusão. Defende que o ADE se caracteriza como ato complementar de legislação tributária, conforme inciso II do art. 100 do CTN, não podendo retroagir. Invoca, também, o art. 146 do mesmo Código. Ressalta ter sido induzida a erro, vez que se o órgão tributante houvesse sido diligente e indeferido a opção oportunamente, ela teria continuado o recolhimento conforme vinha fazendo e, portanto, deve o órgão tributante se responsabilizar por seu erro ou ineficiência, arcando com as conseqüências do seu ato. Postula, afinal, o reconhecimento da irretroatividade dos efeitos da exclusão e a vedação na sua aplicação ao caso em questão. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, todo o inconformismo da Recorrente se situa no fato de a exclusão do Simples produzir efeitos a partir de 01/01/2003, período anterior à edição do Ato Declaratório. O motivo da exclusão, foi o fato de sua sócia possuir 50% do capital de outra empresa no período de 19/02/2001 a 23/12/2004, quando se retirou da sociedade, e com receita global superior ao limite legal, fato esse não refutado. A Recorrente inicia por requerer a nulidade da decisão alegando ausência de motivação e omissão quanto às alegações de ofensa aos princípios da publicidade e da irretroatividade. Na lição de Welington Cabral Saraiva, os princípios, no direito, densificam os valores mais relevantes do ordenamento jurídico, e têm por função essencial orientar e influenciar a interpretação e a aplicação das demais normas jurídicas1. A decisão recorrida, no “relatório” que a integra, contém referência expressa à razão de defesa suscitada relativa à ofensa aos princípios acima mencionados. O ato decisório encontrase devidamente motivado, quando assenta que: (a) a lei determina a data a partir de quando os efeitos da exclusão se operam; (b) esta matriz foi editada em 1996; (c) portanto, quando optou por aderir ao Simples a reclamante estava ciente das hipóteses de vedação existentes e que, se não observadas, poderiam acarretar sua exclusão; (d) nada foi criado no apagar das luzes e, nada foi modificado a posteriori; (e) as regras são claras e vigem desde a publicação da norma; (h) na atividade funcional vinculada, os servidores têm o poderdever de agir conforme as determinações positivadas no ordenamento jurídico. Ao decidir com base na lei e mencionar o dever de observar as determinações positivadas, a decisão indicou que os princípios, na esfera administrativa, não têm força para afastar a aplicação da lei. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Quanto ao ato declaratório executivo, vê se que o mesmo foi praticado por autoridade competente, atendendo rigorosamente os demais requisitos de validade (objeto, motivo, finalidade e forma). Vejase: A interessada exerceu sua opção pelo Simples a partir de 01/01/92, quando a legislação em vigor (Lei nº 9.317/96) estabelecia: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 1 Welington Cabral Saraiva, O Caráter Principiológico das Normas Constitucionais Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 6 6 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (...) Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias (...) (...) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Ina condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a (...); IIna condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a (...) (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° (...) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 7 7 I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; A pretexto de justificar a ausência de requisitos do ato administrativo, a Recorrente desenvolve extenso arrazoado defendendo que foi incluída legitimamente no Simples, que esse ato tem presunção de legitimidade e assim, os seus efeitos se produzem durante o período entre a inclusão e a exclusão, que não se exclui o que não está incluído, que o indeferimento da opção deveria se submeter ao rito do Decreto nº 70.235/72, que para imprimir efeito retroativo à exclusão a administração deveria revogar o ato de inclusão por ilegalidade, etc. Contudo, a argumentação da Recorrente é equivocada, vejamos. Como se verifica dos dispositivos legais acima reproduzidos, não existe um ato praticado pela administração para inclusão do contribuinte no Sistema Simplificado. A inclusão no sistema não depende de anuência prévia da administração tributária, sendo ato unilateral da pessoa jurídica que, desde que preencha os requisitos legais, faz a opção, por simples alteração cadastral (art. 3º). Todavia, a inclusão e permanência no sistema estão condicionadas ao cumprimento dos requisitos previstos na lei, e se, a qualquer tempo, a Receita Federal constatar o não atendimento das condições, a inclusão praticada pelo contribuinte é desfeita (resolvida) por ato declaratório, com efeitos ex tunc. O ato declaratório da exclusão pode ser impugnado (como aconteceu, no caso), assegurada a ampla defesa e o contraditório, dentro do rito do Decreto nº 70.235/72. Assim, débeis seus argumentos: O ato de enquadramento no Simples (opção) praticado pela empresa não foi legal, pois ela promoveu a alteração cadastral para se incluir no sistema estando incursa numa condição legal impeditiva. Não há que se falar em “presunção de legitimidade e produção de efeitos durante o período de tempo compreendido entre a inclusão e a exclusão”, porque não houve um ato administrativo de inclusão. E o ato administrado não gera presunção de legitimidade. O ADE de exclusão cumpre, exatamente, a função prevista no § 6º do art. 8º da Lei 6.718/96, de indeferimento da opção (e se sujeita ao rito do Decreto n. 70.235/72). Improcedente a alegação de que o ato declaratório de exclusão se caracteriza como norma complementar de legislação tributária, nos termos do inciso II do art. 100 do CTN. Primeiro, porque sequer presente o requisito previsto no referido inciso II, de existência de lei atribuindo ao ato eficácia normativa. Mas principalmente, porque atos normativos são aqueles que contêm um comando geral do Poder Executivo visando à correta aplicação da lei (situação que exigiria sua publicação na imprensa oficial), o que não é o caso, em que o comando do ato se dirige exclusivamente ao administrado, exigindo apenas a ciência deste. O ADE não é ato normativo de legislação tributária, mas de execução. Não tem aplicação, também, o art. 146 do CTN, pois não ocorreu qualquer alteração de critério jurídico aplicado em lançamento. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 8 8 Portanto, o ato de exclusão, repitase, não desfaz uma situação jurídica preexistente, ou seja, não tem o caráter desconstitutivo. Na realidade, ele declara a inexistência da situação jurídica a que se atribuiu o administrado. Como ato declaratório, produz efeitos ex tunc. Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, para no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 02 de fevereiro de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
