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Numero do processo: 13808.000616/00-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Na hipótese de falta de pronunciamento sobre acórdão paradigma indicado em razões do recurso especial, são acolhidos os embargos de declaração para manifestação a esse respeito.
REGIMENTO INTERNO. MODIFICAÇÃO.
A alteração no Regimento Interno do CARF, de natureza processual, aplica-se aos processos pendentes, notadamente para os atos a serem praticados. Assim, é conhecida a divergência identificada quanto a 2 (dois) acórdãos paradigmas, aplicando-se o artigo 67, §6º e §7º, da Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos e dar-lhes provimento parcial sem efeitos infringentes.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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OMISSÃO. Na hipótese de falta de pronunciamento sobre acórdão paradigma indicado em razões do recurso especial, são acolhidos os embargos de declaração para manifestação a esse respeito. REGIMENTO INTERNO. MODIFICAÇÃO. A alteração no Regimento Interno do CARF, de natureza processual, aplicase aos processos pendentes, notadamente para os atos a serem praticados. Assim, é conhecida a divergência identificada quanto a 2 (dois) acórdãos paradigmas, aplicandose o artigo 67, §6º e §7º, da Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos e darlhes provimento parcial sem efeitos infringentes. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 06 16 /0 0- 38 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 de Moura, Livia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF relacionados ao período de 1995 a 1997. Como apontado pela DRJ, em relatório que adoto a seguir, foram identificadas as seguintes infrações: 02. O Auto de Infração de IRPJ, às fls.71, exige o recolhimento de R$ 13.801.623,27 de imposto e R$ 10.351.217,43 de multa de ofício proporcional, conforme enquadramento legal de fls. 70. 02.01 A autuação abrange os períodos de 1995, 1996 e 1997, tendo sido lavrada em face da apuração das seguintes situações: 02.01.01 Omissão de Receita Operacional, no anocalendário de 1996, caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação contabilizada em duplicidade, no valor de R$ 749.707,37, e somente estornada no período seguinte, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 61, restando infringidos os artigos 195, II, 197, parágrafo único; 226, e 228 do RIR/94; e art. 24 da Lei 9.249/95; 02.01.02 Falta de adição ao Lucro Real de reserva de reavaliação, no valor de R$ 23.056.272,08, considerada realizada, por ser utilizada para absorver prejuízo entendido como inexistente pela fiscalização, no anocalendário de 1996, já que o total da reserva transferida da conta do patrimônio líquido foi de R$ 33.388.534,22 e o prejuízo considerado existente pela fiscalização foi de R$ 10.332.262,14, portanto remanescendo aquele valor sem correspondência na rubrica de prejuízos acumulados, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 61, estando infringidos os artigos 195, II, 382, §§ 2° e 3°, 383, 387, par. único, do RIR/94; 02.01.03 Exclusão indevida, na apuração do Lucro Real do anocalendário de 1997, de resultado positivo na avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial, contexto no qual o Fisco apurou que o contribuinte somente poderia ter excluído R$ 2.965.047,25, e não R$ 13.594.927,95, restando, portanto, uma exclusão a maior e indevida de R$ 10.629.880,70, reputandose infringidos os artigos 193, 196, I, e 197, par. único, do RIR/94; e 02.01.04 Arbitramento do lucro do anocalendário de 1995, com base na receita bruta conhecida de R$ 40.498.901,26 (vide fls. 73 e 184), tendo em vista que o contribuinte foi notificado a apresentar os livros e documentos e deixou de fazêlo, alegando furto dos mesmos, conforme boletim de ocorrência policial e publicação em jornais, que apresentou nos termos de fls. 61, e 131 a 137. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.000616/0038 Acórdão n.º 9101002.178 CSRFT1 Fl. 1.150 3 03. O Auto de Infração da Contribuição para o PIS, às fls.77, exige o recolhimento de R$ 156.743,96 de contribuição e de R$ 117.557,96 de multa de ofício proporcional, conforme enquadramento legal de fls. 76. 03.01 O lançamento abrange os períodos de 1995 e 1996, e decorre das situações em relação ao IRPJ, descrita, neste relatório, no item 2 e seus sub itens, tendo como enquadramento legal aqueles constantes de fls. 78/79. 04. O Auto de Infração da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, às fls. 82, exige o recolhimento de R$ 14.994,14 de contribuição e de R$ 11.245,60 de multa de ofício proporcional, conforme enquadramento legal de fls. 81. 04.01 O lançamento abrange o período de 1996, e decorre das situações em relação ao IRPJ, descrita, neste relatório, no item 2 e seus subitens, tendo como enquadramento legal aqueles constantes de fls. 83, ao final. 05. O Auto de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, às fls. 91, exige o recolhimento de R$ 1.761.702,20 de imposto e de R$ 1.321.276,65 de multa de ofício proporcional, conforme enquadramento legal de fls. 90. 05.01 O lançamento abrange o período de 1995, e decorre da situação apurada em relação ao IRPJ, descrita, neste relatório, no item 2 e seus sub itens, tendo como enquadramento legal aqueles constantes de fls. 92, ao final. 06. O Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 87, exige o recolhimento de R$ 460.522,88 de contribuição e de R$ 345.392,15 de multa de ofício proporcional, conforme enquadramento legal de fls. 86. 06.01 01 O lançamento abrange os períodos de 1995 e 1996, e decorre da situação apurada em relação ao IRPJ, descrita, neste relatório, no item 2 e seus subitens, tendo como enquadramento legal aqueles constantes de fls. 88, ao final. Após a apresentação de impugnação administrativa pela contribuinte (fls. 462/486), o processo baixou em diligência por determinação do Delegado da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, para esclarecimentos a respeito do passivo fictício e sobre a reserva de reavaliação, desde sua formação até o aproveitamento contábil (fls. 624/627). A contribuinte apresentou aditamento à impugnação administrativa (fls. 633/642), em 07/03/2001 e, depois disso, A diligência foi realizada, com a intimação da contribuinte em 16/07/2004 e apresentação de manifestação e documentos em atendimento a esta intimação, como atesta o Termo de Constatação às fls. 679/682. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou o lançamento procedente em parte (fls. 689/707): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Anocalendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigação lançada em duplicidade, e estornada no exercício seguinte, não autoriza presunção de omissão de receitas. ADIÇÕES AO LUCRO REAL. REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Comprovado que a reavaliação que deu origem à reserva já foi totalmente realizada, mediante quotas de depreciação dos bens reavaliados, a utilização da reserva correspondente não constitui evento de adição para apuração do lucro real. EXCLUSÕES AO LUCRO REAL. RESULTADO POSITIVO NA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. O resultado positivo na avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial, quando a investidora preenche os requisitos legais, constituise exclusão na apuração do lucro real. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS, POR ALEGAÇÃO DE FURTO. NÃO OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAR BASES MENSAIS, QUANDO A DIRPJ ENTREGUE INFORMA QUE A APURAÇÃO DO LUCRO REAL FOI ANUAL. Correto o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos contábeis e fiscais, que demonstram o lucro real. A utilização da receita total do anocalendário é possível quando o próprio interessado declarou, em sua DIRPJ, que a apuração do lucro real foi anual. A Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigação lançada em duplicidade, e estornada no exercício seguinte, não autoriza presunção de omissão de receitas. ADIÇÕES AO LUCRO REAL. REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Comprovado que a reavaliação que deu origem à reserva já foi totalmente realizada, mediante quotas de depreciação dos bens reavaliados, a utilização da reserva correspondente não constitui evento de adição para apuração do lucro real. EXCLUSÕES AO LUCRO REAL. RESULTADO POSITIVO NA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. O resultado positivo na avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial, quando a investidora preenche os requisitos legais, constituise exclusão na apuração do lucro real. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na apuração do crédito tributário não pode deixar de ser observado o critério temporal. Sendo o períodobase de incidência mensal, para efetuar o arbitramento com base na receita bruta conhecida, o fisco deve evidenciar os elementos que permitiram conhecêla. Se a receita bruta mensal estiver informada na declaração, para fins de Cofins e PIS, não pode prosperar o arbitramento com base na receita bruta anual informada na DIRPJ para apuração do lucro real. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial em 03/09/2008, trazendo acórdãos paradigmas que demonstrariam que o fato gerador do IRPJ é Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.000616/0038 Acórdão n.º 9101002.178 CSRFT1 Fl. 1.151 5 anual, tendo a 1ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes decidido que o fato gerador seria mensal na hipótese de arbitramento do lucro. Apontou os seguintes acórdãos como paradigma: 10706313, 10807215, 10706728 e 10807595. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Em contrarrazões ao recurso especial, a contribuinte questiona a divergência apontada pela então recorrente, além de sustentar a legalidade do acórdão recorrido. Esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada em 16/10/2013, não conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional, conforme ementa do acórdão a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1995, 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Ementa: Tratando de decisões em confronto de situação fática e de matéria tributável distinta, não há falarse em caracterização de dissenso jurisprudencial passível de uniformização pela CSRF. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, no qual sustenta a existência de omissão no acórdão, pois só teria sido analisado 1 (um) acórdão paradigma, embora o recurso especial mencione 4 (quatro). Estes embargos foram admitidos pelo Presidente desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme despacho às fls. 1.144/1.146. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Conselheira Cristiane Silva Costa Considerando a tempestividade dos embargos de declaração, conheço de suas razões. Efetivamente, consta no recurso especial o apontamento de divergência do acórdão recorrido com 4 (quatro) acórdãos paradigmas, sem que todos estes acórdãos tenham sido analisados pelo acórdão embargado. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Ademais, consta do voto condutor do acórdão: “Quanto ao acórdão paradigma, a situação fática diz respeito à compensação de prejuízos fiscais em valores que excederam o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões, nos meses de março, junho e setembro. À evidência e sem maiores dificuldades, vêse perfeitamente que são situações fáticas, assim como matérias tributáveis, distintas, não havendo como gerar decisões divergentes entre si. ”. Aparentemente, o acórdão embargado analisou apenas um dos acórdãos paradigmas (nº 10706313), mas não se pronunciou quanto aos 3 (três) outros apontados em razões de recurso especial (10807215, 10706728 e 10807595). Ocorre que o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apenas autoriza a análise de dois acórdãos paradigmas, determinando sejam descartados os demais. Nesse sentido, é a prescrição do artigo 67, § 6º e §7º do atual Regimento (Portaria 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der À legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) §6º. Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. §7º. Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. O Regimento Interno anterior continha previsão similar, conforme artigo 67, §4º e §5º (Portaria nº 256/2009): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. Considerando que a sessão de julgamento do recurso especial ocorreu em 16 de outubro de 2013, vigia ao tempo deste julgamento a Portaria nº 256/2009., razão pela qual só seria necessária a apreciação de dois paradigmas por esta Turma, na forma do artigo 67, §5º, acima reproduzido. É relevante também mencionar que, tendo o recurso especial sido interposto em 03/09/2008, estava em vigor o Regimento Interno veiculado pela Portaria MF nº 147/2007, que não tinha qualquer disposição limitando a quantidade de acórdãos paradigmas a serem identificados em recurso especial. O Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 147/2007) tratava do recurso especial da forma seguinte: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.000616/0038 Acórdão n.º 9101002.178 CSRFT1 Fl. 1.152 7 Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2º Para efeito da aplicação do inciso II, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 4º É cabível a interposição de recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de ofício. § 5º O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria préquestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. O recurso especial fundado em divergência jurisprudencial estava previsto, portanto, no inciso II, acima colacionado. Ocorre que o inciso II do artigo 7º não se aplica aos recursos especiais julgados posteriormente à edição da Portaria MF nº 256/2009, que estabeleceu o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É relevante também mencionar que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256/2009) expressamente determinou que os recursos por "contrariedade à lei", tratados pelo artigo 7º, I, do Regimento precedente (Portaria MF nº 147/2007), desde que interpostos contra acórdãos proferidos nas sessões de julgamento anteriores à data de sua vigência, seriam processados de acordo com o Regimento anterior, verbis: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Diante disso, a única exceção é aquela prevista no Regimento (Portaria MF nº 256/2009), qual seja, o julgamento de recursos especiais fundados no inciso I, do artigo 7º Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 (contrariedade à lei) e desde que cumpridos requisitos mencionados no artigo 4º acima reproduzido. Quanto aos demais recursos especiais, fundados no inciso II, do artigo 7º, da Portaria MF nº 147/2007 (pela interpretação divergente da lei tributária), aplicamse os Regimentos posteriores, veiculados pelas Portarias nº 256/2009 e 343/2015, como acima mencionado. Sobreleva considerar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento submetido ao artigo 543B, do CPC, decidiu que norma processual é aplicada imediatamente aos processos pendentes, com relação aos atos a serem praticados: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. ART. 8º DA LEI 12.514/2011. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES EM TRÂMITE. NORMA PROCESSUAL. ART. 1.211 DO CPC. "TEORIA DOS ATOS PROCESSUAIS ISOLADOS". PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. 1. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC 2. É inaplicável o art. 8º da Lei nº 12.514/11 ("Os Conselhos não executarão judicialmente dívidas referentes a anuidades inferiores a 4 (quatro) vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente") às execuções propostas antes de sua entrada em vigor. 3. O Art. 1.211 do CPC dispõe: "Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes". Pela leitura do referido dispositivo concluise que, em regra, a norma de natureza processual tem aplicação imediata aos processos em curso. 4. Ocorre que, por mais que a lei processual seja aplicada imediatamente aos processos pendentes, devese ter conhecimento que o processo é constituído por inúmeros atos. Tal entendimento nos leva à chamada "Teoria dos Atos Processuais Isolados", em que cada ato deve ser considerado separadamente dos demais para o fim de se determinar qual a lei que o rege, recaindo sobre ele a preclusão consumativa, ou seja, a lei que rege o ato processual é aquela em vigor no momento em que ele é praticado. Seria a aplicação do Princípio tempus regit actum. Com base neste princípio, temos que a lei processual atinge o processo no estágio em que ele se encontra, onde a incidência da lei nova não gera prejuízo algum às parte, respeitandose a eficácia do ato processual já praticado. Dessa forma, a publicação e entrada em vigor de nova lei só atingem os atos ainda por praticar, no caso, os processos futuros, não sendo possível falar em retroatividade da nova norma, visto que os atos anteriores de processos em curso não serão atingidos. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.000616/0038 Acórdão n.º 9101002.178 CSRFT1 Fl. 1.153 9 5. Para que a nova lei produza efeitos retroativos é necessária a previsão expressa nesse sentido. O art. 8º da Lei nº 12.514/11, que trata das contribuições devidas aos conselhos profissionais em geral, determina que "Os Conselhos não executarão judicialmente dívidas referentes a anuidades inferiores a 4 (quatro) vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente". O referido dispositivo legal somente faz referência às execuções que serão propostas no futuro pelos conselhos profissionais, não estabelecendo critérios acerca das execuções já em curso no momento de entrada em vigor da nova lei. Dessa forma, como a Lei nº. 12.514/11 entrou em vigor na data de sua publicação (31.10.2011), e a execução fiscal em análise foi ajuizada em 15.9.2010, este ato processual (de propositura da demanda) não pode ser atingido por nova lei que impõe limitação de anuidades para o ajuizamento da execução fiscal. 6. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (Resp 1404796, DJe 09/04/2014) Na esteira da orientação do Superior Tribunal de Justiça e por força dos dispositivos regimentais anteriormente mencionados, deve ser conhecido o recurso interposto à luz de Regimento Interno tratado pela Portaria MF nº 147/2007, evitandose prejuízo às partes. No entanto, o julgamento deste recurso regese pelo momento de sua realização, submetendo se a eventuais alterações na competência da Turma procedida pela nova norma, estabelecida pelo atual Regimento Interno (Portaria MF nº 343/2015). Nesse contexto, presente no atual Regimento Interno o dever de somente analisar 2 (dois) paradigmas, tomo conhecimento do Acórdão nº 10807215, acolhendo os embargos de declaração para suprir indevida omissão a respeito da divergência apontada a respeito deste. O Acórdão nº 10807.215 foi proferido pela 8ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo a seguinte ementa: PAF RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO MOMENTO DE ' APRESENTAÇÃO A lei só admite a DIRPJ retificadora, se apresentada antes de instaurado o procedimento de ofício, desde que se comprove o erro nela contido. POSTO DE RENDA PESSOA JURTDICA MUDANÇA DA OPÇÃO NA FORMA DE TRIBUTAÇÃO APÓS ENTREGA DA DECLARAÇÃOIMPOSSIBILIDADE A forma de apuração dos resultados se consolida com a entrega da declaração do imposto de renda das pessoas jurídicas. A lei não autoriza retificação com esse fim. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA APURAÇÃO/ PAGAMENTO ANO CALENDÁRIO 1995 A partir de 01/0111992, o imposto de renda das pessoas jurídicas e a contribuição social sobre o lucro, são devidos mensalmente, independente da forma de tributação escolhida. Se o resultado for mensal, definitivos e independentes serão cada período. Na opção para recolhimento mensal com base no lucro estimado, o resultado será anual, Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 consolidado. Havendo imposto a recolher, será pago em cota única, na data fixada para entrega da declaração. Sendo negativo, o resultado, poderá ser restituído ou compensado. Ainda, à opção do sujeito passivo, poderá haver suspensão dos recolhimentos mensais, se balancetes de suspensão ou balanço comprovarem que foi pago todo imposto e contribuição devidos no período, inclusive adicionais. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL — Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, nos períodos de apuração (mensais ou anuais) do ano calendário de 1995 e seguintes, o lucro líquido ajustado e a base de cálculo da contribuição, poderão ser reduzidos, por compensação de prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, em no máximo trinta por cento. Recurso negado. Consta do relatório deste paradigma os fatos que originaram o lançamento então julgado: Decorre o lançamento de revisão sumária da declaração do imposto de renda pessoa jurídica, no exercício de 1996, onde foram apuradas as seguintes infrações: a) compensação de prejuízo fiscal na apuração do lucro real em montante superior a 30% do lucro real antes das compensações, inobservado os preceitos dos artigos 42 da Lei 8981/95; 12 da Lei 9065/95; b) compensação a maior do saldo de prejuízo fiscal na apuração do lucro real, com infração capitulada nos artigos 196, III, 502,503, RIR11994; artigos 42 da Lei 8981/95; 12 da Lei 9065/95; c) lucro líquido antes da provisão para o imposto de renda informado a menor na apuração do lucro real, infração aos artigos 193,194 do RIR/1994, parágrafo 2° do artigos 41 da Lei 8981/95. No presente caso, temos situação fática bastante distinta, qual seja, o arbitramento do lucro no ano calendário de 1995. Tanto assim que descrito no Auto de Infração (fls. 75): “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação anexo, deixou de apresentálos.” É importante ressaltar que as demais infrações tratadas no processo já foram definitivamente julgadas pela Câmara de origem, sem a apresentação de recurso especial a seu respeito. Diante disso, a despeito da falta de menção a este segundo paradigma (Acórdão nº 10807.215) pelo acórdão embargado, entendo que não há similitude fática entre o acórdão embargado e o paradigma que justifique a alteração de entendimento manifestado por esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais à ocasião do julgamento do recurso especial. Por tais razões, acolho os embargos de declaração para suprir omissão a respeito da análise do segundo paradigma indicado em recurso especial (Acórdão nº 108 07.215), sem efeitos infringentes, mantendo o quanto decidido no acórdão embargado, para não conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.000616/0038 Acórdão n.º 9101002.178 CSRFT1 Fl. 1.154 11 Cristiane Silva Costa Relatora Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 37094.000743/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
LANÇAMENTO.
O agente fiscal deve, ao verificar o descumprimento de obrigação tributária principal, efetuar o lançamento.
Numero da decisão: 2302-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.003326/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 26 /2 00 9- 63 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do Acórdão nº 1654.733, da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 247/253, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 242/246, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 6.493.284,45 (seis milhões, quatrocentos e noventa e três mil, duzentos e oitenta e quatro reais e quarenta e cinco centavos), sendo R$3.232.741,44 referentes ao imposto, R$ 2.424.556,08, à multa proporcional, e R$835.986,93, aos juros de mora (calculados até 31/08/2009). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 251/252), o procedimento apurou a seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 242/246). Cientificado da autuação em 02/10/2009 (fls. 257), o contribuinte protocolizou, em 3016/10/2010, a impugnação de fls. 265/277, alegando, em resumo, o que segue: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 411 3 1. o procedimento de fiscalização que resultou no auto de infração que se impugna está eivado de nulidades, que demandam o seu cancelamento; 2. a primeira nulidade que macula o procedimento de fiscalização ocorreu no termo de início de fiscalização de 24/03/2009, que indicou incorretamente o período sob fiscalização, viciando todos os atos subseqüentes à sua lavratura; 3. o fato de constarem do referido termo informações conflitantes quanto ao período sob fiscalização (no primeiro parágrafo do termo constou "anocalendário de 2006", enquanto que na descrição dos valores movimentados nas contas bancárias mencionadas, constou "ANO 2005"), impossibilitou ao contribuinte o exercício pleno de sua defesa; 4. a supressão do prazo de vinte dias para a apresentação de esclarecimentos, previsto no caput do art. 844, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, constitui verdadeira ilegalidade, gerando a nulidade do ato em questão;o termo de inicio de fiscalização determinou ao contribuinte a prestação de esclarecimentos referentes às informações da movimentação bancária do ano de 2005; 5. o contribuinte cumpriu as exigências de apresentação de documentos no prazo de 10 dias, tendo sido concedido novo prazo, agora de 5 dias, para sua complementação, tendo sido apresentada vasta documentação que comprovava a origem das movimentações bancárias, como por exemplo, registros de propriedades, contratos de locação, livros diário, contrato social de pessoa jurídica da qual participa o contribuinte, entre outros; 6. entretanto, em razão do decurso de aproximadamente 4 anos, do vultuoso número de títulos creditados e do exíguo prazo, foi impossível a apresentação da microfilmagem de todos os cheques creditados nas contas bancárias do contribuinte no ano de 2005, exigida pelo auditor fiscal, que julgou insuficientes os documentos apresentados, devolvendoos em sua totalidade ao contribuinte ; 7. durante todo o procedimento de fiscalização, em especial no termo de início de fiscalização e no auto de infração, o auditor fiscal responsável não explicitou, analítica e especificamente, quais movimentações bancárias teriam sido objeto de omissão de rendimentos; 8. nas 3ª e 4ª folhas do Auto de Infração, vêse que o auditor fiscal relaciona valores que teriam sido omitidos para fins de apuração do imposto de renda, agrupandoos e descrevendoos indistintamente todo último dia de cada mês do ano de 2006, sem especificar quais movimentações bancárias somadas deram origem às respectivas quantias mensais, tornando impossível ao contribuinte identificar quais valores haviam sido levados em consideração para a apuração do imposto e quais valores foram julgados corretos quando da análise dos extratos bancários; 9. tal fato tornou impossível o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte, em desrespeito ao art. 5º, LV, da Constituição Federal, deixando de ser observada também a legislação infraconstitucional, já que o art. 142 do CTN determina que a autoridade administrativa deve verificar de forma inequívoca "a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, (...)", o que não ocorreu no caso em tela; 10. também ocorreu a nulidade do procedimento administrativo, vez que o mesmo foi baseado em informações prestadas pelas instituições financeiras à SRF, sem o consentimento do contribuinte, o que constitui grave violação ao sigilo fiscal (art. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 38, da Lei nº 4.595/1964) e, conseqüentemente, à garantia constitucional à intimidade (art. 5º, X, da CF); 11. embora as multas administrativas busquem compensar o possível dano causado pelo contribuinte ao Estado com a prática da infração, se ela é fixada em valor excessivo, tal penalidade toma caráter de ato confiscatório e se desvia da sua finalidade, impondose a sua anulação; 12. como se verá a seguir, comprovou o contribuinte que a movimentação bancária analisada no procedimento de fiscalização não era renda passível de tributação, sendo, por exemplo, valores creditados em suas contas a titulo de empréstimos bancários e, por isso, a tributação desses valores, e a incidência de multa sobre eles, além de ilegal, por não caracterizar fato gerador de imposto de renda, constitui ato confiscatório, passível de argüição de nulidade, gerando a nulidade do próprio auto de infração e do respectivo lançamento, em face da violação frontal da Constituição Federal (art. 150, inciso IV); 13. o Auditor Fiscal não se desincumbiu satisfatoriamente do ônus da prova sobre a alegada omissão de rendimentos, previsto no art. 924 do Decreto n° 3.000, de 1999, limitandose a listar diversos valores que teriam sido creditados na contas bancárias do contribuinte sem a devida tributação, sem, contudo, demonstrar seus valores exatos, as datas dos aportes e qualquer indício de que seria um valor passível de tributação; 14. os contratos de locação, registros de propriedade e livros diário apresentados pelo contribuinte davam conta de que a maior parte dos valores sob apuração eram provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual o contribuinte é sócio, valores esses já tributados pela pessoa jurídica, e que, por conseguinte, não poderiam ser objeto de nova tributação na pessoa física; 15. assim, o auto de infração lavrado contra o contribuinte tem outro gravíssimo vicio, a bitributação dos valores comprovadamente oriundos das locações de imóveis pertencentes à empresa da qual o contribuinte é sócio, porque já foram objeto de tributação pela pessoa jurídica, que é vedada pelo sistema pátrio (art. 154, I, da CF), e por isso vicia todo o auto de infração, que deverá ser cancelado; 16. os valores remanescentes também tiveram sua origem comprovada pelo contribuinte e referiamse a empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, não se tratando verdadeiramente de "renda"; 17. verificase, ainda, a existência de diversas transferências entre contas do próprio contribuinte, bem como da pessoa jurídica da qual e sócio, fato que não é passível de tributação, por ser mera movimentação de recursos, sem caráter de rendimentos, havendo vedação expressa nesse sentido, no art. 849, §2°, I, do Decreto n° 3.000, de 1999; 18. os juros aplicados no auto de infração excedem os limites da razoabilidade, pois, se entre particulares, a taxa de juros não pode ser superior à taxa máxima de 1%, e se o Estado Democrático de Direito veda esta incidência em índices superiores a 12% ao ano, qual é o motivo para que justamente a Administração Pública Federal, pretenda incidir em seu favor juros que excedam tal índice?; 19. não obstante tenha sido implantada por uma lei, a regulamentação efetiva da SELIC, inclusive quanto a seus índices, ocorre através de Regulamento do Conselho Monetário Nacional e, assim, sua imputação extrapola e desrespeita o principio da legalidade esculpido no art. 150, I, da Constituição Federal; 20. neste sentido, a implantação da SELIC não corresponde às determinações constitucionais exigidas, uma vez que a lei não conferiu segurança jurídica quanto Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 412 5 aos critérios utilizados, o que é feito através de mera resolução consubstanciada em ato administrativo que não proporciona os mínimos requisitos de segurança que a CF/88 exige, devendo eventual aplicação de juros ser restrita ao percentual de 1% ao mês; 21. ante o exposto, demonstrada a nulidade do procedimento de fiscalização, bem como a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer que: i) seja acolhida a presente Impugnação, anulandose o procedimento de fiscalização e o respectivo auto de infração, ou cancelandoo, por ser ilegal e indevido; ii) todas as intimações e publicações sejam realizadas em nome do patrono Dr. Mikhael Chahine OAB/SP n° 51.142, no endereço de seu escritório, situado na Av. Damasceno Vieira, n° 871 Vila Mascote São Paulo/ SP cep: 04363040. A 16ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, tendo excluído da tributação alguns depósitos que tiveram origem em transferências de contacorrente de titularidade do próprio contribuinte. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Eventuais erros no termo de início de fiscalização, devidamente sanados posteriormente, não inquinam de nulidade o lançamento efetuado. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento se encontram corretamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e estão presentes nos autos todos os elementos necessários à elaboração da impugnação, tendo sido oferecida ao litigante, seja durante o curso da ação fiscal, seja na fase de impugnação, ampla oportunidade de se manifestar e de apresentar provas que elidissem a autuação. NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. In casu, não houve quebra de sigilo bancário, haja vista que o próprio contribuinte forneceu à fiscalização os extratos bancários contendo sua movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Uma vez comprovado que alguns depósitos bancários tiveram origem em transferências provenientes de contacorrente de titularidade do contribuinte e, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 tendo a referida conta integrado o presente lançamento, cabe excluir do montante tributável tais valores. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi cientificado da decisão em 17/03/2014, por via postal, (A.R. à fl. 329) e interpôs recurso voluntário em 16/04/2014 (fls. 331 a 405), por meio de procurador legalmente habilitado, no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 413 7 Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação e excluiu da tributação os créditos efetuados na contacorrente do Banco Sudameris que foram provenientes de transferência da contacorrente do Banco do Brasil, dada a coincidência de datas e valores dos lançamentos. Das preliminares de nulidade do Auto de Infração O Recorrente pugna pela nulidade do Auto de Infração, alegando que o AuditorFiscal cometeu um erro quanto à indicação do anocalendário objeto da fiscalização, o que prejudicou a sua defesa. Aduz que a supressão do prazo de vinte dias para a apresentação de esclarecimentos, previsto no caput do art. 844 do RIR/99, constitui verdadeira ilegalidade, maculando o lançamento. Argumenta que durante todo o procedimento fiscal, bem como no Auto de Infração, não foram explicitadas, analítica e especificamente, quais movimentações bancárias teriam sido objeto de omissão de rendimentos, o que prejudicou o exercício do contraditório e da ampla defesa. Afirma que o AuditorFiscal limitouse a agrupar os valores no último dia de cada mês no Auto de Infração, sem especificar quais lançamentos bancários somados deram origem a essas quantias. Não há que se falar em nulidade do lançamento, uma vez que se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O equívoco cometido em relação ao anocalendário da fiscalização foi sanado ainda durante o procedimento fiscal, conforme o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fl. 16, não acarretando nenhum prejuízo à defesa do Recorrente, tanto que ele apresentou os extratos bancários solicitados. Sobre a alegação de que ocorreu supressão de prazo para apresentação dos documentos, esse fato também não lhe trouxe nenhum prejuízo, tendo ele solicitado prorrogações e atendido às intimações, conforme se verifica pelos termos de intimação e pelas suas respostas, acostados aos autos. Quanto à falta de especificação dos lançamentos bancários que foram objeto da autuação, também não lhe assiste razão, porquanto lhe foi dada oportunidade de apresentar as justificativas para os créditos realizados em suas contascorrentes, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 30/06/2009 (fls. 144 a 151), o qual contém a discriminação individualizada de todos os lançamentos bancários que necessitavam de comprovação da origem. O próprio contribuinte elaborou um demonstrativo (fls. 152 a 154) onde se encontram discriminadas as movimentações bancárias solicitadas. Assim, era de conhecimento do Recorrente todos os créditos bancários que foram lançados por falta de comprovação da origem. Outrossim, por ocasião da impugnação e do recurso voluntário, o contribuinte insiste em alegar que os depósitos bancários são provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e de empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, o que demonstra que ele teve pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada. Concluise, portanto, que o Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 242 a 246). Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. O Recorrente alega, ainda, que ocorreu ilegalidade na lavratura do auto de infração, pois ocorreu violação do seu sigilo bancário. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 414 9 A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que no presente caso o próprio o contribuinte apresentou seus extratos bancários. Dessa forma, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a apresentação dos extratos bancários pelo próprio contribuinte. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, data de publicação: 03/06/2014, relator Rafael Pandolfo, redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.96, data de publicação: 28/05/2014, relatora Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, data de publicação: 13/02/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia ). Por todas essas razões, rejeitamse as preliminares de nulidade do auto de infração apontadas pelo Recorrente. Da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários O Recorrente alega que os documentos apresentados durante a ação fiscal (contratos de locação, registros de propriedade e livros diário) demonstraram que a maior parte dos créditos eram provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e de empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras. Aduz, ainda, que os valores oriundos de locações de imóveis pertencentes à empresa da qual é sócio já haviam sido objeto de tributação pela pessoa jurídica. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 415 11 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Embora o contribuinte afirme que os valores movimentados em suas contas bancárias tiveram origem em aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e em empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, ele não logrou comprovar as suas alegações, mediante documentação hábil e idônea. Os documentos apresentados durante a ação fiscal não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos, uma vez que não estão devidamente correlacionados aos créditos bancários. Não é possível fazer uma vinculação entre os depósitos e os documentos apresentados. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Em relação às transferências bancárias, verificase que a decisão de primeira instância teve o cuidado de excluir da tributação todas as transferências efetuadas entre contas do próprio fiscalizado. Desse modo, está correta a decisão da DRJ em relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o Recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, os quais foram considerados como rendimentos omitidos. Da multa de ofício aplicada O Recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação do Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Juros de mora taxa Selic Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10111.000868/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/09/2007
AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO.
O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido.
Numero da decisão: 3201-001.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 08 68 /2 00 7- 91 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/20 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação doPatrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços(Pis/PasepImportação),da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Socialdevida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação),acrescidos da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, juros demora, da multa regulamentar por classificação incorreta em nomenclatura complementar (NVE– Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística) e, por fim, da multa pela descrição inexatade mercadoria perfazendo, na data da autuação, o valor total do crédito tributário lançado emR$ 82.154,00 (oitenta e dois mil e cento e cinquenta e quatro reais). Informa o relatório fiscal, fls. 03/05, que o importador, por meio dadeclaração de importação de número 07/12722178,de 19/09/2007, procedeu a importação, de500Kg de produto identificado por ele como sendo Azitromicina, sob o código NCM2941.90.59 e sob NVE 0001, ver fl. 33. Ocorre que o produto submetido efetivamente ao despacho foi a Azitromicina Diidratada, conforme demonstrado por Certificado de Análise do Produto, fl. 26,e nas etiquetas de identificação afixadas pelo fabricante, fls. 27/29. Em virtude disto foi lançada multa no montante de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria informada incorretamente em NVE, além de multa no mesmo índice em virtude de constatada a descrição inexata do produto, apresentado como Azitromicina, quando na verdade tratavase da Azitromicina Diidratada. A fiscalização argumenta que tratamse de produtos diferentes, o que pode ser verificado através da distinção na numeração de CAS – Chemical Abstracts Service, forma geral e peso molecular. Tal diferença faz com que a Azitromicina seja classificada na Nomenclatura de Valor Aduaneiro – NVE no enquadramento AA0001, enquanto a Azitromicina Diidratada no AA9999, conforme exposto na IN SRF 701/2006. Assim, no despacho realizado o importador utilizouse indevidamente de redução das alíquotas de contribuição para o PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, com base no artigo Fl. 238DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 94 3 1o, inciso I, do decreto 5.821/2006, que reduz a zero as alíquotas dos tributos citados, em relação aos produtos pertencentes ao Capitulo 29 da NCM listados no Anexo I da referida norma Prossegue o relatório fiscal, com o entendimento de que os produtos importados não poderiam usufruir do beneficio fiscal, uma vez que este contemplaria tão somente esses produtos na forma anidra, e não na forma hidratada, correspondente ao produto objeto da importação. Para reforçar o conceito, observa que a hidratação é um detalhamento considerado pelo legislador no Decreto 5.821/2006, como se pode verificar no caso da Amoxicilina, da Amplicilina e da Cefalexina, que figuram na lista tanto na forma anidra quanto em formas sódicas, monoidratada e triidratada. Conclui considerando que se o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio à Azitromicina Diidratada, a teria relacionado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, como o fez com os demais produtos citados. Cientificado do Auto de Infração em 03/10/2007, o sujeito passivo interpôs impugnação em 25/10/2007, na qual alega que: Há a necessidade de realização de perícia para que seja apresentada a diferença entre a Azitromicina e a Azitromicina Anidra, bem como entre a Azitromicina e a Azitromicina Diidratada, e ainda indicar o registro no CAS dos seguintes produtos: Azitromicina, Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada (mas sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito). Não poderia ser penalizada com a aplicação de penalidade relativa a classificação incorreta e além disso, incompleta, em virtude da impossibilidade da coexistência destas duas figuras. A Azitromicina é considerado gênero, que comporta as duas espécies: Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada, o que, como será demonstrado na perícia, a Azitromicina não comporta CAS, sendo suas especificidade apresentada nas formas anidro e Diidratada. O Anexo I do Decreto 5.821/2006 ao contemplar o gênero Azitromicina reduziu a zero a alíquota de PIS/PASEP – Importação e da COFINS Importação para todas as espécies. Requer a anulação da autuação ou, ao menos, a relevação da penalidade aplicada, vez que o fato gerador não foi eivado de dolo, fraude ou simulação. Solicita a conversão do julgamento em diligência. A Delegacia de Julgamento improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/09/2007 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 19/09/2007 AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada não foi elencada no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006 e por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que o legislador, “ao omitir a hidratação para alguns casos e a expressar em outros, deixou claro que, para aqueles produtos aos quais não especifica hidratação, refere se a forma anidra, e não à gênero ou grupo.” Nesse contexto, o Decreto n. 5.821/2008 determina que os produtos químicos tocados pela redução a zero das alíquotas devem estar, cumulativamente, classificados no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, e relacionados no Anexo I correspondente. Conclui, a decisão, portanto, que “a redução das alíquotas foi concedida a produtos, conforme especificado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, e não a códigos de NCM ou NVE, como roga o impugnante. Estes servem sobretudo para identificar aqueles nos procedimentos de comércio exterior, não significando que dois ou mais produtos serem identificados pelo mesmo código implica dizer que merecem o mesmo tratamento nos diversos aspectos relativos a legislação, como a concessão de benefícios”. No que tange às penalidade aplicadas, manteveas integralmente, pois se entendeu que deveria ter sido declarada a importação de Azitromicina Diidratada, e , tendo sido apenas declarada “azitromicina”, perfezse a incorreta descrição. Observase que houve declaração de voto, apenas para explicitar o fundamento segundo o qual Na lista da DCB 2003 já constavam a azitromicina e a azitromicina diidratada, porem, no anexo I do referido decreto, só está a azitromizina, ou seja, os produtos são listados exaustivamente no anexo I do Decreto nº 5.821/ 2006, sendo independentes das questões de gênero e de espécie. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 95 5 Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produto em referência. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 19/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual se transcrevem e reiteram os argumentos da decisão de impugnação. Tendo em vista a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, por meio da Resolução nº 3201000.522 ( fls.93 a 97), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora e considerando o disposto nas Soluções de Consulta SRRF08/DISIT nº 75/2015 e 8.052/2015, informamos que esta fiscalização mantém o entendimento exarado no Auto de Infração objeto do presente processo, com relação ao produto importado “Azitromicina”, uma vez que as supracitadas Soluções de Consulta se referem exclusivamente aos produtos Cefadroxila e Cefaclor Monoidratado, respectivamente. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: É o relatório. Voto Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto AZITROMICINA DIIDRATADA, NCM 2941.90.59, identificandoo como “AZITROMICINA” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 191 AZITROMICINA Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão diidratada da AZITROMICINA estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que “AZITROMICINA” seria o gênero, de sorte que o decreto contemplaria todas as espécies da substância. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 96 7 nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Na mesma coluna, estão os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. Assim se estrutura o CAS: Esse código é um número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. De acordo com as referidas normas técnicas, os produtos “AZITROMICINA” e “AZITROMICINA DIIDRATADA ”, são produtos químicos distintos, possuindo CAS distintos, como se depreende: Nº DCB Substância Nº CAS 00997 azitromicina 58503825 00998 azitromicina diidratada 83905015 Relevante observar que a Recorrente pleiteia que seja tomada prova emprestada de outro processo administrativo, no qual houve a análise técnica do produto em questão. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 Com efeito, às efls. 130, consta informação fiscal segundo a qual em relação ao qual foi produzido o laudo técnico n. 10831/012 sobre o produto importador, em que se confirma que se trata de AZITROMICINA DIIDRATADA, antibiótico que apresenta pseudoformismo, ou seja, pode apresentar diversas formas de cristalização, forma anidra e hidratada. Acresce que, a forma diidratada é a mais estável, e, por essa razão, de maior comercialização. Não obstante, está correta a decisão recorrida quando afirma que despicienda seria a realização de perícia técnica, uma vez que não se discute nos autos a correta identificação do produto em questão, pois mesmo a Recorrente afirma que importou o “AZITROMICINA DIIDRATADA”, que, ao seu ver, deve ser considerada espécie do gênero contemplado com o benefício fiscal, com fundamento no art.110 e 111 do Código Tributário Nacional. Ao se analisar o Anexo I, do Decreto nº 5.821 de 29/06/06, contudo, verificase que se fez a distinção entre as formas hidratadas e anidras de alguns dos produtos lá contemplados, como se verifica das seguintes substâncias: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA 1225 IMIPENEM 1226 IMIPENEM MONOIDRATADO Aliandose essa informação com o fato de que a AZITROMICINA é identificado na classificação farmacológica, em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderia se inferir que o legislador não estendeu o benefício fiscal para a AZITROMICINA DIIDRATADA . Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 97 9 Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cefadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, trata a Solução de Consulta n. 75 de importante orientação da Administração para uma questão tormentosa. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 19515.000902/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Dec 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Nulidade Da Decisão. Cerceamento Do Direito De Defesa.
Não constitui cerceamento de defesa a apreciação das razões de defesa apresentadas pela contribuinte somente em sede de impugnação, bem como os fundamentos de fato e de direito utilizados para serem refutados.
Normas Processuais. Matéria Não Impugnada. Preclusão.
Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas; e 3) NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Rogério Aparecido Gil, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Nulidade Da Decisão. Cerceamento Do Direito De Defesa. Não constitui cerceamento de defesa a apreciação das razões de defesa apresentadas pela contribuinte somente em sede de impugnação, bem como os fundamentos de fato e de direito utilizados para serem refutados. Normas Processuais. Matéria Não Impugnada. Preclusão. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição. Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
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(antiga SEMCO MANUTENÇÃO VOLANTE LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. As despesas consideradas dedutíveis para fins tributários são aquelas que se enquadrem nos conceitos de necessárias à atividade da empresa e à percepção das receitas, bem como devem ser usuais ou normais, devendo ser comprovadas como efetivamente incorridas e pagas, com documentação hábil, restando devidamente contabilizadas. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. DEDUTIBILIDADE. POSSIBILIDADE. A dedução de despesas havidas por rateio de custos entre empresas coligadas, exige a formalização prévia de convênio firmado entre as empresas envolvidas com a fixação de critérios claros, respeitada a proporcionalidade entre o efetivo gasto de cada empresa e com o preço globalpago pelos bens e serviços. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa a apreciação das razões de defesa apresentadas pela contribuinte somente em sede de impugnação, bem como os fundamentos de fato e de direito utilizados para serem refutados. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 02 /2 00 8- 30 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 2 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas; e 3) NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Rogério Aparecido Gil, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1526.430/11 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, efls. 186 a 195, que decidiu julgar procedentes os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ e CSLL, relativas ao anocalendário de 2003, no valor total de R$ 381.137,28 (incluídos os juros de mora e a multa de ofício regular), pela glosa de despesas/custos considerados indedutíveis. A glosa ocorreu pelos valores terem sido lançados na conta "Serviços Administrativos", cuja conta contábil de contrapartida foi "Dividendos a Pagar", sem que a empresa autuada apresentasse a documentação comprobatória correlata. Os Autos de Infração estão acostados às efls. 97 a 106 e os procedimentos fiscais descritos no Termo de Constatação Fiscal de efls. 94. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: (...) É importante frisar que a autoridade fiscal, de acordo com a folha n° 92 do PAF, intimou a Contribuinte em epígrafe a apresentar cópias dos documentos comprovantes dos seguintes lançamentos efetuados na conta 3.2.07.12.16 Serviços Administrativos: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 3 3 Data Histórico Valor (R$) 31/01/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 28/02/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/03/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/04/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/05/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/06/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/07/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/08/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/09/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/10/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/11/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/12/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 Total 480.000,00 Conforme a descrição dos fatos e do termo de Constatação Fiscal (fl. 94), durante o procedimento de fiscalização a autoridade efetuou os lançamentos supracitados, pois constatou que a Contribuinte, optante pela tributação na forma de Lucro Real Anual, lançou em sua escrituração contábil custos/despesas, relativos a Serviços administrativos, para os quais não apresentou documentações comprobatórias (...) [...] Cabe ressaltar que, no referido Termo de Constatação Fiscal, a autoridade lançadora constatou que os referidos lançamentos contábeis na conta "Serviços Administrativos" tiveram como contrapartida a conta "Dividendos a Pagar", como segue: "Assim sendo, o valor de R$ 480.000,00, tendo em vista a falta de comprovação, será tributado de ofício como despesa indedutível por se tratar, de acordo com os lançamentos contábeis, de dividendos pagos ou creditados, não podendo, desta forma, serem considerados custos ou despesas...". O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 31/03/2008 (fls. 99 e 104) e apresentou a impugnação de fls. 109 a 174 em 29/04/2008, alegando, em síntese, que: a) em razão da Impugnante ter registrado a contrapartida da despesa em questão em conta contábil de passivo denominada "Dividendos a Pagar", presumiu a fiscalização que tal montante (R$ 480.000,00) seria efetivamente dividendos, considerando o dispêndio indedutível; b) a impugnante pertence a um grupo empresarial que incorre em gastos em comum, suportados inicialmente por uma das empresas (Semco Equipamentos Industriais Ltda), gastos estes que, conforme disposto no respectivo contrato de repasse e reembolso (Doe. 05), correspondem à disponibilização dos diretores da Semco Equipamentos para suporte nas áreas comercial, administrativa, financeira, e de recursos humanos da Impugnante. c) Assim, a despesa em questão foi registrada indevidamente pela Impugnante na conta contábil de "Dividendos a Pagar ", constituindo ela uma efetiva despesa operacional (rateio de gastos corporativos) e, portanto, passível de ser deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL. [...] Voto Fl. 284DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 4 [...] Na realidade, no já relatado Termo de Constatação Fiscal a autoridade lançadora assim motiva os lançamentos tributários em epígrafe: "Assim sendo, o valor de 480.000,00, tendo em vista a falta de comprovação, será tributado de ofício como despesa indedutivel por se tratar, de acordo com os lançamentos contábeis, de dividendos pagos ou creditados não podendo, desta forma, serem considerados custos ou despesas". Ora, ao analisar esta afirmação da autoridade fiscal, observase, de pronto, que a verdadeira motivação para a lavratura dos autos de infração em epígrafe, foi a não comprovação dos referidos custos ou despesas por parte da Requerente. Inclusive, conforme já relatado em sua impugnação, a própria Requerente reconhece que as contrapartidas dos tais Serviços Administrativos, não deveriam ter sido lançadas na conta Dividendos a pagar, reconhecendo, assim, que houve erro nos referidos lançamentos contábeis. [...] A Impugnante também alega que pertence a um grupo empresarial que incorre em gastos em comum, suportados inicialmente por uma das empresas (Semco Equipamentos Industriais Ltda.), gastos estes que, conforme disposto no respectivo contrato de repasse e reembolso (Doc. 05 fl. \50), correspondem à disponibilização dos diretores da Semco Equipamentos para suporte nas áreas comercial, administrativa, financeira, e de recursos humanos da Impugnante. A Contribuinte não trouxe ao PAF, qualquer documento que comprove a sua participação em qualquer grupo empresarial, além do mais, isto não se encontra declarado na sua DIPJ do anocalendário de 2003, de fls. 19 a 78, nem na consulta do sistema CNPJ, administrado pela RFB, conforme fls. 181. [...] Por fim, a Requerente, alega que teria comprovado as despesas de rateio com os serviços administrativos, ora guerreadas ao trazer, a este PAF, o referido contrato de Repasse/Reembolso de custos, de fls. 150 a 152 e as notas de débito, de fls. 154 a 165. [...] Da mesma forma, mesmo na referida impugnação (fls. 109 a 174), não foi trazido ao PAF, nenhuma nota fiscal de serviços ou comprovante de quitação pelos serviços administrativos prestados pela empresa SEMCO Equipamentos Industriais, com a qual, conforme relato da própria Requerente, teria rateado tais custos. [...] (grifos pertencem ao original) A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 234 a 245, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que a fiscalização glosou despesas por considerálas indedutíveis pela exclusiva razão de estarem registradas em conta de "Dividendos a Pagar", no Passivo. Explica ter havido equívoco na contabilização de valores que são, na realidade, despesas devidas em razão de rateio de custos entre empresas coligadas, por conseguinte dedutíveis. Conforme a cláusula 5.1. do contrato celebrado entre si e a empresa 1 AR – 10/06/11, efls. 200; Recurso – 15/06/11, efls. 234 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 4 5 SEMCO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, "(...) para o ano de 2003, esses custos dos gastos compartilhados totalizou justamente os R$ 480.000,00 glosados, os quais foram pagos em doze parcelas mensais, em conformidade com as Notas de Débitos anexas (Doc. 06 da impugnação)". Justifica, ainda, que após perceber o equívoco cometido (de haver registrado a contrapartida em conta de "Dividendos a Pagar", apropriou a dívida em conta de mútuo com a (credora) SEMCO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS". Em outro momento, por ocasião de reestruturação negocial, "(...) esse crédito de R$ 480.000,00 foi cedido à empresa SEMCO INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, razão pela qual tal valor foi transferido para outra conta contábil de mútuo (...), o qual foi liquidado em momento posterior (...)". Acrescenta ao recurso voluntário que a decisão de primeira instância inovou nos fundamentos da lide, ao se manifestar sobre as referidas Notas de Débito apresentadas, dizendo que não constituíam documentos hábeis para a comprovação das despesas de rateio. Entende que a decisão deveria aterse, exclusivamente, ao alegado equívoco de contabilização de valores, mote do procedimento fiscal que ensejou a autuação, sendolhe vedado manifestar se a respeito da comprovação das despesas que de fato ocorreram, corporativas e de natureza operacional. Cita julgados administrativos que entende corroborar o seu entendimento. Por derradeiro, contesta, na peça recursal, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, matéria não aventada na impugnação oferecida às efls. 109 a 114. Em sessão, fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Jefferson Ferreira Antunes de Souza, OAB/SP nº 325.730. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. 1) Da Inovação no julgamento Afasto a argumentação da recorrente de que a Turma Julgadora de Primeira Instância inovou no julgamento da lide ao apreciar e se manifestar sobre os documentos apresentados na defesa para demonstrar qual a verdadeira natureza dos valores contabilizados em "Dividendos a Pagar", mantendo a tributação imposta, por prosseguir em considerar tais gastos, a despeito das justificativas apresentadas, indedutíveis. A razão de a questão ter sido abordada e tratada na decisão a quo foi provocada única e exclusivamente pela própria empresa recorrente, dado quedarse totalmente silente durante o procedimento fiscal. A empresa quando fiscalizada não atendeu à fiscalização esclarecendo qual a natureza dos dispêndios incorridos, nem comprovandoos com Fl. 286DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 6 documentação hábil e idônea de forma a possibilitar o juízo fiscal, que fundamentou os lançamentos tributários pela falta de comprovação de despesas, contabilizadas em conta contábil dissociada de possível despesa dedutível, como bem esclarecido no acórdão recorrido. A denominada inovação na fundamentação do julgamento combatido foi inserida nos autos pela própria recorrente na pretensão de esquivarse dos lançamentos tributários, não podendo, portanto, consistir em cerceamento de defesa, e consequente nulidade de decisão. Correta a decisão de primeira instância ao enfrentar cabalmente as razões de defesa da impugnante, demonstrando as razões de convencimento para a manutenção dos lançamentos tributários. Se assim não fosse, a torpeza dos contribuintes fiscalizados em não atender à fiscalização nos termos estabelecidos pelas normas tributárias (apresentar a contabilidade completa, bem como documentos que embasam os registros contábeis) seria premiada com a alegada (e equivocada) nulidade de decisão. Equivocada a linha de entendimento esposada pela recorrente na matéria inovação da lide no julgamento, devendo ser totalmente afastada. A matéria dedutibilidade de despesas com rateio de despesas entre empresas coligadas deverá ser atacada sim, haja vista ser o ponto de apoio trazido pela recorrente para afastar a tributação contra si imposta. II) Dos documentos apresentados para comprovar a realização de despesas de rateio Contrato e Notas de Débito e lançamento contábeis O contrato de repasse/reembolso de custos foi apresentado pela recorrente às efls. 150 a 152. Devese destacar do referido documento, que não se trata especificamente de rateio de custos entre empresas coligadas, mas de contrato firmado entre a recorrente e a empresa SEMCO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, que se dispõe a fornecer à empresa recorrente: (...) suporte, através de seus diretores, nas áreas comercial, administrativa, financeira e de recursos humanos, consistente em suporte estratégico, apoio operacional e quaisquer outras atividades relacionadas. 1.2. O SUPORTE inclui mas não se limita, aos seguintes eventos; Reunião mensal com gestores da DEVEDORA, com discussão e análise dos resultados; Análise e proposição de alternativas de expansão do negócio; Negociação da estrutura societária com sócio estrangeiro; Apoio comercial e técnico em fechamento de contratos com clientes; Avaliação e suporte na definição do planejamento tributário, operacional e estratégico. Merece destaque, ainda, da referida prestação de serviços contratada, além de ter sido firmado pelo prazo de 1 (um) ano: ALOCAÇÃO DE CUSTOS 5.1. O repasse dos custos envolvidos poderá ser feito mensalmente, ou em outra periodicidade, acertada de comum acordo entre as partes, ficando estabelecido, como valor base de reembolso a quantia mensal de R $40.000,00 (quarenta mil reais) para o primeiro ano de contrato. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 5 7 5.2. Os valores estabelecidos correspondem a 2,0% (dois por cento) do faturamento previsto para o período. E, ainda sobre a rescisão contratual: Qualquer uma das partes que, injustificadamente, der causa ao não cumprimento do contrato ora celebrado estará obrigada a reparar as perdas e danos sofridas pela outra parte. De plano, constatase que não há qualquer rateio de custos entre empresas do grupo empresarial, "gastos em comum", consoante alegado pela recorrente, mas sim puro contrato de prestação de serviços firmado entre a recorrente (contratante dos serviços) e uma das empresas do grupo econômico (contratada). Observo que o contrato carece de formalidades extrínsecas como a aposição de assinatura de testemunhas ou qualquer elemento fornecido por terceiro que comprove ter sido efetivamente firmado em janeiro de 2003 (reconhecimento de firma, registro etc). A recorrente não traz qualquer outro documento que demonstre a efetividade dos dispêndios alegados, nem comprova ser esta despesa normal, usual ou necessária à percepção da receita, nos termos exigidos, para a sua dedutibilidade, dos artigos 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 RIR/99), já transcritos e explicitados no acórdão recorrido. Também não se verifica qualquer critério de rateio de despesas ou o envolvimento das demais empresas do grupo econômico. No que respeita às Notas de Débito e/ou lançamentos contábeis, apresentados junto à impugnação, em nada aproveita a recorrente para comprovar o alegado, visto não serem as referidas notas substitutivas de Notas Fiscais de Prestação de Serviços, hábeis para a comprovação de despesas e contabilização, nem os lançamentos contábeis condizerem com as operações de prestação de serviços são contas de mútuos firmados entre empresas. III) Do rateio de despesas tributação E, tratando da matéria com mais profundidade, valhome neste julgado de excelentes artigos publicados no Consultor Jurídico2 e no Valor Tributário3, demonstrando que resta assente na doutrina que as despesas decorrentes de contratos de "cost sharing" celebrados entre pessoas vinculadas são dedutíveis se: a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços efetivamente pagos e recebidos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio se der mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; 2 "Controvérsia sobre regras de tributação do rateio de despesas caminha para o fim" http://www.conjur.com.br/2014jun18/rateiodespesasencontrarrespaldorazoeseconomicas 3 http://www.valortributario.com.br/arquivos/3703 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 8 d) o critério de rateio for consistente com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios gerais de Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriar como despesa tãosomente a parcela que lhe couber segundo o critério de rateio. Aproveito a definição de rateio de despesas oferecida por Luciana Rosanova Galhardo4, citada no artigo da Conjur: “Os contratos de compartilhamento de custos e despesas são celebrados entre empresas com a finalidade de ratear ou alocar custos ou despesas incorridas por uma delas para as demais, já que tais custos ou despesas acabam por beneficiar todas as empresas envolvidas na produção de bens, serviços ou direitos. A finalidade desses acordos consiste em determinar precisamente o modo e em que medida essas últimas sociedades devem colaborar ou participar dos custos e despesas incorridas pela primeira no interesse das demais, ressarcindoos sob a forma de reembolso”. Este Conselho tem firmado posição de que as despesas rateadas são admitidas, porém sempre com a parcimônia de certos requisitos serem fielmente cumpridos pelas empresas envolvidas: Acórdão nº 20309.674 RESSARCIMENTO. RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. CONFIGURAÇÃO DE RECEITA. O critério utilizado para se realizar o rateio de despesas deve encontrar respaldo em razões econômicas, preservando a proporcionalidade dos valores pagos pelas empresas envolvidas; a empresa que assumiu a despesa relativa a terceiros não pode ter como objeto social o exercício da atividade causadora do dispêndio. Não se insere dentre as características da sociedade anônima o intuito não lucrativo, razão pela qual a atividade fim é sempre onerosa, ao contrário da atividade meio, onde o traço marcante é a "cooperação", em havendo interesse do grupo de sociedades, centralizada em uma empresa. (grifos não pertencem ao original) Acórdão nº 10196357 IRPJ — RATEIO DE CUSTOS — DESPESAS COMUNS A EMPRESAS DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO — As despesas comuns a diversas empresas de um mesmo grupo econômico, lançadas na contabilidade da empresa controladora, podem ser rateadas para efeito de apropriação aos resultados de cada uma delas, com base no "Convênio de Rateio de Custos Comuns", desde que fique justificado e comprovado o critério de rateio. (grifos não pertencem ao original) Acórdão 1301000.977 4 “Rateio de Despesas no Direito Tributário”, Galhardo, Luciana Rosanova, Editora Quartier Latin Fl. 289DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 6 9 DESPESAS RATEADAS. Não comprovado que as despesas atribuídas ao sujeito passivo por rateio entre empresas do grupo correspondem a bens e serviços efetivamente recebidos, temse por não comprovada a legitimidade do lucro líquido tomado como ponto de partida para apuração da base de cálculo da CSLL. Assim vem se definindo, jurisprudencialmente, requisitos para a admissibilidade de despesas rateadas e sua dedutibilidade. Aproveito, in verbis, algumas das conclusões do já mencionado artigo de Gustavo Brigagão, in Consultor Jurídico: (i) que o acordo de rateio de despesas celebrado convencione que cada uma das partes contribua com recursos para a realização de atividades de interesse comum, na proporção dos benefícios recebidos; (ii) que as atividades relacionadas ao rateio de despesas sejam alheias ao objeto social das partes contratantes; (iii) efetivo recebimento das mercadorias e serviços; e (iv) que os critérios desse rateio sejam objetivos e assegurem que cada parte não receba qualquer valor a título de remuneração, mas apenas o ressarcimento dos custos e gastos efetivamente incorridos correspondentes à contribuição que prestou para a realização das atividades. Os requisitos acima visam evitar a má utilização de acordos de rateio de despesas, o que poderia ocorrer, por exemplo, nas hipóteses em que se pretendesse encobrir verdadeiros contratos de serviços e/ou de compra e venda de mercadorias. A matéria já foi objeto da Solução Consulta Divergente Cosit nº 23, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. (grifos não pertencem ao original) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 10 Por todo exposto, concluise que o contrato apresentado pela recorrente em nada se enquadra no conceito de despesas comuns rateadas entre empresas coligadas, bem como não há qualquer critério de rateio previamente ajustado, não há nos autos comprovação da efetividade dos pagamentos realizados a este título, nem da efetividade do recebimento dos serviços, a escrituração contábil apresentada pela recorrente não condiz em nada com as operações que alega, não houve emissão de Notas Fiscais, enfim, os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL devem ser mantidos por absoluta falta de comprovação dos valores de despesas a serem consideradas dedutíveis para os fins tributários, valores estes lançados indevidamente em rubricas contábeis inapropriadas. IV) Dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício Essa matéria não foi trazida ao litígio instaurado pela impugnação interposta pela contribuinte, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº 0103.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) V) Conclusão No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela recorrente, em não conhecer a matéria concernente nos juros incidentes sobre a multa de ofício e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 7 11 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721805/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 05 /2 01 2- 61 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721805/201261 Acórdão n.º 2402005.063 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por S&AA MARKETING LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 51.010.1062 (CFL 34), lavrado par a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de lançar de forma discriminada em títulos próprios de sua contabilidade, os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Constou do relatório fiscal da infração que com relação aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, a recorrente transferia o saldo indicado na conta n. 41208 (Serviços Prestados por Pessoas Físicas) para a conta 41209 (Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas). O lançamento se refere ao período de 01/2008 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 16/10/2012. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que não pode produzir prova a defenderse durante o procedimento fiscal, bem como houve a descabida inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte; 2. que não lhe foram fornecidas as planilhas de cálculo do fiscal durante a ação fiscal, de forma a produzir corretamente seus apontamentos sobre os termos de intimação que recebera em tal período; 3. que a autoridade lançadora deixou de fazer constar no acórdão recorrido a devida fundamentação a justificar o lançamento; 4. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Antes mesmo de passar as demais razões de decidir, pontuou que a recorrente utilizou como razões de defesa, as mesmas objeto dos lançamentos principais correlatos. Passo, portanto, a sua análise. Nulidade do Lançamento A recorrente sustenta ter sido cerceada em seu direito de defesa, na medida em que não lhe fora oportunizada a possibilidade de produzir prova em seu favor durante a ação fiscal levada a efeito, além do ônus da prova ter sido indevidamente invertido em desfavor do contribuinte. Em que pesem os esforços, tenho que o pedido merece ser rejeitado. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento das contribuições não adimplidas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Fl. 218DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721805/201261 Acórdão n.º 2402005.063 S2C4T2 Fl. 4 5 Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. A todo o momento a fiscalização intimou a contribuinte para apresentação de toda a documentação que entendia pertinente avaliar para concluir a auditoria, tendoa intimada de todos os termos e atos seja durante a ação fiscal, seja durante o presente processo administrativo. É de bom alvitre esclarecer que durante a fase de ação fiscal cabe ao contribuinte atender todas as solicitações realizadas pela fiscalização tributária, desde que não absolutamente sejam impertinentes ao objeto da fiscalização, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, até porque a fase litigiosa do procedimento só se inicia com a impugnação do lançamento formalizado. Também não houve qualquer situação de indevida inversão do ônus da prova, pois o lançamento fora efetuado com base na documentação apresentada pela contribuinte, a saber suas GFIP´s, folhas de pagamento e contabilidade apresentadas. Por tais motivos, não se pode decretar a nulidade do lançamento, seja em face da alegação do cerceamento do direito de defesa, seja em face da ausência de fundamentação. MÉRITO Quanto a mérito, a recorrente apenas se insurge no tocante a excessividade da multa aplicada no presente caso e que a sua cobrança ofende ao princípio do nãoconfisco, não tendo impugnado o seu fato gerador, no caso a existência das transferências dos pagamentos em sua escrituração contábil, e, por consequência, a existência da infração imputada. Tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Fl. 219DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720159/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
EMBARGOS. PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO.
A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradição e obscuridade, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado.
Numero da decisão: 1301-001.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES provimento. Houve sustentação oral proferida pelo Dra Ana Paula Lui, OAB/SP nº 157.658.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 Ementa: EMBARGOS. PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO. A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradição e obscuridade, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES provimento. Houve sustentação oral proferida pelo Dra Ana Paula Lui, OAB/SP nº 157.658. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
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PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO. A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradição e obscuridade, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, NEGARLHES provimento. Houve sustentação oral proferida pelo Dra Ana Paula Lui, OAB/SP nº 157.658. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 59 /2 01 1- 97 Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.017 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos pela empresa em epígrafe, tendo por objeto o acórdão nº 1301001.803, prolatado por esta Primeira Turma na sessão de julgamento realizada em 05 de março de 2015. A contribuinte foi cientificada do acórdão prolatado em segunda instância em 04/05/2015, de modo que, tendo impetrado os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em 08/05/2015, o fez com observância do prazo regimental. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de negar provimento aos recursos impetrados, de ofício e voluntário. Alega a embargante que o acórdão em referência contém omissões, contradição e obscuridade que precisam ser eliminadas. Os Embargos de Declaração foram admitidos, conforme despacho de fls. 2.015. É o Relatório. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.018 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e JUROS ISOLADOS, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas com base na imputação de ausência de oferecimento à tributação, segundo o regime de competência, de valores recebidos de fornecedores. Tendo a contribuinte apurado o imposto com base no lucro real trimestral, a matéria tributável apurada restou assim distribuída: FATO GERADOR VALOR (R$) 31.03.2006 8.830.204,71 30.06.2006 42.871.869,88 30.09.2006 75.017.019,23 31.12.2006 88.856.162,99 JUROS ISOLADOS 31.03.2006 499.486,47 30.06.2006 1.779.964,78 30.09.2006 3.549.986,82 Alega a embargante que o acórdão nº 1301001.803, de 05/03/2015, contém omissões, contradição e obscuridade que precisam ser eliminadas. Objetivando demonstrar a ocorrência dos pressupostos declinados na peça de defesa, a contribuinte indica os elementos abaixo enumerados, os quais, em seguida, passo a apreciar. i) omissões, em decorrência da ausência de exame de argumentos e documentos abordados no Recurso voluntário; i.1) Natureza dos Valores Recebidos da Kawasaki para a embargante, o Conselheiro Relator, ao concluir pela tributação dos referidos valores, fundamentou seu entendimento, sobretudo, no fato de ela ter respondido, em sede de diligência, que citados montantes não haviam sido tratados contabilmente como indenização. Alega que o acórdão atacado não analisou o denominado MEMORANDO DE ATIVAÇÃO DO PROJETO MAP 10602, que, a seu ver, deixa claro que a natureza dos valores pagos pela KAWASAKI não pode ser outra que não a de indenização. Diz que o Conselheiro Relator "deixou de se Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.019 4 manifestar acerca da defesa da ora Embargante acerca da confusão entre os termos indenização e compensação e os motivos pelos quais eles devem, no caso em tela, ser considerados sinônimos". À evidência, a contribuinte, adotando estratégia que vem se repetindo com relativa frequência na interposição de EMBARGOS, busca por meio do referido recurso rediscutir matéria que já foi devidamente apreciada pelo acórdão contestado. Ora, se a convicção acerca da natureza dos valores recebidos está lastreada em argumentos e documentos declinados no voto condutor da decisão, revelase absolutamente impertinente direcionar, em sede de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, a análise antes realizada para documento que não constituiu peça relevante na formação dessa mesma convicção. Os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do voto condutor da decisão embargada, deixam claro quais foram os elementos que serviram de suporte para o entendimento ali declinado, descabendo falar, no contexto da interposição de embargos, em omissão, pelo simples fato de um determinado documento não ter sido ali referenciado. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS DA KAWASAKI (INDENIZAÇÃO) E CRÉDITOS DE PARCEIROS Alega a Recorrente que a decisão recorrida incorreu em evidente equívoco ao não reconhecer que os valores recebidos da KAWASAKI não representaram acréscimo patrimonial tributável, e ao não considerar como correto o tratamento contábil adotado por ela com relação aos chamados “créditos de parceiros”. Diz que a Turma Julgadora, ao decidir a questão, acabou por mostrarse pouco técnica e bastante contraditória, uma vez que utilizou o termo “compensação” em sua acepção comum (e não jurídica), da mesma forma que ela ao longo da fiscalização, sem atentar para o fato de que, nesse sentido, “compensação” e “indenização” nada mais são do que termos sinônimos. Afirma que os valores recebidos da KAWASAKI possuem natureza de indenização e tem por objetivo a recomposição patrimonial dos danos sofridos com o cancelamento de contrato celebrado com a KHI, com sede no Japão, e com a KAB, com sede no Brasil. Após discorrer sobre o caráter indenizatório dos valores recebidos, sustenta que, ainda que tais montantes não tivessem tal natureza, eles só deveriam ser registrados como receita pelo regime de competência, de modo que referidos ingressos somente poderiam ser reconhecidos quando da venda das aeronaves produzidas. ... Por relevante, apresento histórico da ação fiscal desenvolvida na ora Recorrente. Em 15/03/2010 foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal (Mandado de Procedimento nº 08.1.20.002010000490 – fls. 390), recebido em 18/03/2010, conforme AR de fls. 391, por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar: 1. Escrituração dos pagamentos em dinheiro recebidos da empresa KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES LTD (“KHI”) no ano calendário de 2006 em cumprimento à Carta de Acordo (“Letter of Agreement”) firmada em 15 de maio de 2006; Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.020 5 2. Escrituração dos ativos da subsidiária brasileira da KHI, KAWASAKI AERONÁUTICA DO BRASIL INDUSTRIA LTDA (“KAB”) que foram transferidos para a EMBRAER em 31 de agosto de 2006, bem como informações conforme segue: nos termos da Carta de Acordo supra mencionada, os ativos seriam transferidos gratuitamente como forma de reembolsar a EMBRAER pelos eventuais custos e despesas decorrentes do cancelamento/revisão pela KHI e KAB dos acordos originariamente firmados com a EMBRAER para fornecimento de produtos e serviços em apoio ao programa do Embraer 170/190. Entretanto, nas notas fiscais que formalizaram a transferência de propriedade dos bens integrantes do ativo da KAB para a EMBRAER não constaram operações de doação, mas de dação em pagamento. Informar se a EMBRAER recebeu os ativos da KAB a título gratuito ou como dação em pagamento. Nessa última hipótese, informar o conteúdo exato das obrigações da KAB que teriam sido liquidadas por meio da transferência de seu ativo para a EMBRAER. Em 07 e 26 de abril de 2010, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento (fls. 392 e 396); Em 06 de maio de 2010, a contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 397/419): i) que recebeu os ativos imobilizados da KAB a título de dação em pagamento; ii) que a transferência de ativos, ocorrida em 31 de agosto de 2006, ocorreu como parte do pagamento efetuado pela Kawasaki em razão da redução do escopo do contrato firmado com a Kawasaki Japão e o término contratual com a filial da Kawasaki no Brasil; e iii) que, a título de compensação dos custos e despesas que ela incorreria pela redução do escopo e da rescisão antecipada do contrato, a Kawasaki se comprometeu em pagar o valor de USD 57.000.000,00, bem como a transferir ferramentais e equipamentos, necessários para dar continuidade a fabricação do produto objeto dos contratos assinados entre elas, evitando, assim, colocar em risco a entrega das aeronaves; Em 07/06/2010 foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 420 (recebido em 14/06/2010, conforme AR de fls. 421), no qual restou assinalado: [...] CONSTATAMOS, após análise dos documentos e informações apresentados em 06.05.2010, os fatos a seguir: a) A escrituração apresentada mostra que os ativos recebidos da KAB foram contabilizados em contas do Ativo Imobilizado/Ativo Diferido, mas não informa a contrapartida a crédito desses lançamentos. Quanto aos pagamentos recebidos da KHI, a ficha apresentada não permite conhecer a natureza da conta 112022001; b) O item 1.2 da LOA firmada em 15 de maio de 2006, bem como o item 1.1 do First Amendment da LOA firmado em 21 de agosto de 2006, estabelecem que os ativos da KAB seriam transferidos sem custos para a EMBRAER, contrariamente à afirmação contida na resposta de 06 de maio de 2010 de que seriam a título de dação em pagamento; c) Além dos ativos da KAB, a EMBRAER exigiu o valor de USD 57.000.000.00 em espécie por conta do término do contrato com a KAB e como forma de reembolso de todos os custos e despesas que poderiam resultar desse Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.021 6 término. Entretanto, nenhuma informação foi fornecida sobre como se chegou/quantificou esse valor; Diante dessas constatações, INTIMAMOS o sujeito passivo, no prazo de 10 (dez) dias, a: 1) Indicar e detalhar a natureza de todas as contas envolvidas na escrituração do numerário e dos ativos recebidos da KHI/KAB; 2) Informar como foi calculado/estimado o valor de USD 57.000.000,00 que a KHI/KHA aceitou pagar; 3) Esclarecer por que a transferência sem custos dos Ativos da KHA, conforme texto da Loa, constou nas notas fiscais como dação em pagamento e não como simples doação; 4) Informar se houve alguma tributação sobre os valores e os bens recebidos. Em 24/06/2010, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento (fls. 422); Em 05/07/2010, a contribuinte prestou os seguintes esclarecimentos: [...] Em relação à escrituração do numerário recebido da KHI no valor de USD 57.000.000,00 originalmente foi reconhecido um contas a receber da KHI que após alteração de versão de nosso sistema SAP passou a ser representado pelas seguintes contas: D – 112022001 Clientes Exterior C – 133023001 Adição – Desenvolvimento (natureza Diferido) Em relação à escrituração dos bens recebidos da KAB as contas envolvidas foram: D – Diversas contas do ativo permanente C – 133023004 – Adição – Contribuição Parceiro (natureza Diferido) [...] informa a Empresa que o valor de USD 57.000.000,00 (cinqüenta e sete milhões de dólares) foi calculado após um processo de negociação entre as partes envolvidas, decorrente da manifestação de vontade da Kawasaki no sentido de não mais dar cumprimento às obrigações assumidas perante à Embraer, em 05 de outubro de 1.999. Portanto, o valor em questão decorre de acertos comerciais oriundos da quebra de contrato por parte da Kawasaki. (GRIFEI) [...] A Empresa informa que a redação do contrato (Letter of Agreement), ao mencionar “sem custos” não o fez em sentido financeiro e contábil, mas considerando o contexto das obrigações descritas no documento. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.022 7 Ao utilizar a expressão “sem custo”, o que as partes quiseram manifestar foi a ausência de movimentação financeira decorrente da transferência de ativos, ou seja, sem novos custos ou qualquer desembolso pela Embraer, recebedora dos ativos. A “dação de pagamento” constante das notas fiscais reflete a verdadeira natureza da operação sob o ponto de vista contábil e fiscal. [...] A Empresa informa que houve tributação sobre os valores e bens recebidos e esta tributação decorreu da classificação contábil utilizada. (GRIFEI) Em 12/07/2010, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 425 (recebido em 15/07/2010, conforme AR de fls. 426), no qual restou assinalado: [...] CONSTATAMOS que as informações prestadas por meio do protocolo datado de 05/07/2010 não foram conclusivas. Diante dessa constatação, INTIMAMOS o sujeito passivo, em novo prazo de 10 (dez) dias, a: 1) Apresentar demonstrativo analítico dos custos e despesas diferidos por meio das contas ”133023001 Adição – Desenvolvimento” e “133023004 Adição – Contribuição Parceiro”; 2) Apresentar demonstrativo dos tributos apurados com base nos valores e bens recebidos da KHI/KAB por força da LOA; 3) Apresentar cópia do contrato MPC ( “Master Program Contract’”) atualizado até a data da LOA. Em 28/07/2010, a contribuinte, informando que estava apresentando cópia do contrato MASTER PROGRAM CONTRACT – MPC, requereu prorrogação do prazo para atendimento das demais solicitações (fls. 427). Em 16/08/2010, a contribuinte prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 435): que, relativamente ao demonstrativo analítico dos custos e despesas diferidos, apresentava planilha nos padrões anteriormente acertados; que, relativamente aos tributos apurados, apresentava cópias do LALUR parte B, esclarecendo que os dispêndios com gastos com Pesquisa e Desenvolvimento eram alocados no Ativo Diferido; que, no LALUR, os dispêndios do período eram excluídos da base de cálculo do Lucro Real e quando das amortizações do Diferido esses valores eram oferecidos à tributação (adição), tendo em vista que as exclusões haviam sido efetuadas à medida em que os gastos iam ocorrendo; e que, relativamente ao contrato MPC, informava que não havia cláusula “termination” referente à empresa KHI/KAB; que as cláusulas que tratavam das obrigações na hipótese de rescisão contratual seriam somente as entregue em 28/07/2010. Em 11/01/2011, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 443 (recebido em 17/11/2011, conforme AR de fls. 444) –, no qual restou assinalado: [...] Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.023 8 CONSTATAMOS, após análise dos documentos e informações apresentados em 16.08.2010, os fatos a seguir: a) O valor de USD 57 milhões recebido em espécie da KAB/KHI foi contabilizado diretamente a crédito da conta de Ativo Diferido 133023001 Gastos c/ Pesquisa e Desenvto sem antes transitar por conta de resultado. Constatase, dessarte, um desbalanceamento na apuração do resultado, pois os dispêndios em P&D foram originalmente excluídos via LALUR em montante superior ao saldo remanescente sujeito à amortização em períodos de apuração posteriores; b) A planilha do Ativo Diferido e o LALUR Parte B apresentados mostram a movimentação por montantes trimestrais, não sendo possível a identificação individual dos valores recebidos da KAB/KHI; Diante dessas constatações, INTIMAMOS o sujeito passivo, no prazo de 10 (dez) dias, a: 1) Informar por que o valor de USD 57 milhões não transitou por conta de resultado embora tenha sido contabilizado como recuperação de despesas diferidas; 2) Apresentar planilha do Ativo Diferido e LALUR Parte B com individualização de cada valor recebido pela EMBRAER da KAB/KHI por conta do distrato havido entre as empresas. Em 26/01/2011, a contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 445/447): que, de fato, existia um desbalanceamento entre os dispêndios de P&D originalmente excluídos e o saldo remanescente sujeito à amortização, e que isso ocorria por força da dissociação entre o balanço fiscal e o contábil, regidos por regras diferentes, com funções diferentes; que as exclusões eram maiores que o saldo remanescente em virtude de que estas ocorriam no momento em que os respectivos gastos eram incorridos e a amortização dependia da percepção das receitas correspondentes, ou seja, de acordo com o cronograma de entrega das aeronaves; que, relativamente ao fato de os USD 57.000.000,00 não terem transitado em conta de resultado, esclarecia que tais valores compunham os seus investimentos em desenvolvimento dos produtos, razão pela qual, por ausência de receitas para contrapor aos gastos, eles foram alocados em conta de Ativo Diferido, adequandose aos demais gastos de mesma natureza e seguindo a lógica contábil de contraposição de despesas com receitas correspondentes. Na ocasião, a contribuinte requereu a juntada do que denominou “mapeamento completo do Ativo Diferido e Parte B do LALUR”, em que procurou demonstrar a forma de amortização dos gastos. Em 03/02/2011, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 450 (recebido em 07/02/2011, conforme AR de fls. 451), no qual restou assinalado: [...] CONSTATAMOS, após análise dos documentos e informações apresentados até 26.01.2011, os fatos a seguir: a) O valor de USD 57 milhões recebido da KAB/KHI no anocalendário de 2006 foi escriturado como recuperação de dispêndios de P&D, mas não entrou na composição do lucro real. Os dispêndios diferidos por meio da Conta de Ativo Diferido 133023001 – Gastos c/ Pesquisa e Desenvto. – foram integralmente deduzidos da base de cálculo do IRPJ via exclusão incentivada da Lei 10.637/02. Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.024 9 Assim, por estar anulando gastos que anteriormente reduziram o lucro real frente ao lucro contábil, esse valor não lançado como receita deve ser adicionado ao lucro contábil apurado em 31.12.2006. Tal adição (LALUR parte A) não se confunde em sua natureza com as adições do LALUR parte B, pois enquanto estas visam a anular os efeitos das amortizações do saldo de P&D no resultado fiscal futuro, aquela ajusta o resultado fiscal presente frente ao montante de despesas diferidas que deixaram de existir. b) A planilha de Ativo Diferido apresentada em 26.01.2011 é a mesma já apresentada em 16.08.2010, exibindo apenas a movimentação por montantes trimestrais. Diante dessas constatações, INTIMAMOS o sujeito passivo, no prazo de mais 10 (dez) dias, a: 1) Dizer sobre o valor de USD 57 milhões recebido em dinheiro da KAB/KHI, informando se existe(m) razão(ões) que justifique(m) a sua não inclusão na base de cálculo do IRPJ; 2) Apresentar planilha do Ativo Diferido e LALUR Parte B com individualização do lançamento de cada valor recebido pela EMBRAER da KAB/KHI por conta do distrato havido entre as empresas. Em 18/02/2011, por meio do documento de fls. 452/454, a contribuinte, argumentando ser necessária a correta compreensão quanto a forma de contabilização dos valores recebidos, informa ter trazido, em anexo, exemplo da forma como referidos valores são contabilizados. Requereu, ainda, a juntada de planilha do ativo diferido e LALUR parte B, com a individualização do lançamento de cada valor recebido por ela por conta do distrato. Em 28/02/2011, a contribuinte requereu a juntada do documento por ela denominado “planilha do ativo diferido – Contribuição de Parceiros e P&D – Movimentação Contábil” (fls. 460/461). Em 14/03/2011, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal – fls. 476 (recebido em 17/03/2011, conforme AR de fls. 477)–, no qual restou assinalado: [...] INTIMAMOS o contribuinte acima identificado, no prazo de 5 (cinco) dias, a responder aos quesitos relacionados abaixo: 1) Por que razão o numerário de USD 57 milhões recebido da KHI e os bens recebidos da KAB não foram escriturados na mesma conta, já que em princípio possuem a mesma natureza jurídica, ou seja, compensação/indenização por conta da rescisão do contrato com a KAB? 2) O que são os valores escriturados na Conta 133023004 – Contribuição Parceiro e como estão vinculados às despesas com P&D escrituradas na Conta 133023001? 3) Os critérios e as variáveis que comandam a amortização das despesas com P&D são os mesmos que determinam a amortização dos valores de contribuição parceiro? 4) Que suporte legal autoriza a manutenção dessa conta redutora de Ativo Diferido, cuja “amortização” gera uma receita diferida? Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.025 10 Em 22 de março de 2011, por meio do documento de fls. 479/482, a contribuinte argumentou: que era importante destacar que os bens e valores recebidos da KHI/KAB não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de “indenização”, pois, se assim o fossem, não haveria incidência de imposto de renda e seus reflexos, dada a eminente natureza de recomposição de patrimônio; que os valores e bens oriundos do distrato mantiveram o reconhecimento, mensuração e evidenciação contábeis de cada compromisso contratual anterior nos quais tiveram origem; que os USD 57 milhões foram reconhecidos como valores a serem aplicados em gastos com pesquisa e desenvolvimento e, portanto, contabilizados reduzindo o diferido e os bens foram reconhecidos como complementação da contribuição de parceiros devida pela outra parte; que as contribuições de parceiros não possuem características de “doações” por parte dos fornecedores à Sociedade, visto que há uma obrigação contratual entre as partes, não configurando a liberalidade peculiar às operações de doações; que as contribuições de parceiros são efetuadas por contrato, em que há o pagamento de determinada quantia para o desenvolvimento de projetos, os quais ficam à disposição da Sociedade até o fim do desenvolvimento e a posterior venda de unidades (aeronaves), quando encerrase a fase préoperacional; que, conforme disposição contratual, as contribuições de parceiros podem ser reembolsadas aos respectivos fornecedores, caso haja desistência ou a não homologação do resultado do projeto (aditou que a Sociedade não possui disponibilidade jurídica e econômica das quantias em seu poder, face a contra obrigação contratual suspensiva); que, quando ocorre a condição suspensiva, como exemplo a homologação da aeronave, o negócio jurídico reputase perfeito e acabado; que, considerando a necessidade de atendimento ao princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis, a Sociedade realiza a reclassificação das contribuições de parceiros recebidas e contabilizadas no passivo exigível a longo prazo para o ativo diferido, como redutora das despesas próprias da Sociedade, para posterior amortização contábil, a fim de manter o critério de contraposição de receitas de vendas de aeronave com despesas com o projeto destas; que, a princípio, a classificação no ativo diferido atende ao artigo 179, inciso V, da Lei nº 6.404/76; que, considerando que as contribuições de parceiros não são aplicações de recursos próprios da Sociedade, mas contribuirão para formação do resultado de mais de um exercício social, estas podem ser classificadas como redutora (crédito) no ativo diferido; que essa situação implica na tributação “pro rata tempore” das receitas oriundas das contribuições de parceiros na apuração do lucro real e da CSLL, vez que estão sujeitas à amortização contábil da despesa classificada no ativo diferido, sendo este o procedimento que vem adotando, isto é, os critérios e as variáveis que comandam a amortização das despesas com P&D são os mesmos que determinam a amortização dos valores de contribuição de parceiros, caso se trate do mesmo Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.026 11 projeto, ressalvando que há outros projetos e gastos efetuados pela Sociedade em que não há vinculação com as contribuições de parceiros, estes por sua vez seguem a amortização normal no tempo; que, para fins fiscais, considerando a hipótese dada pela Lei 10.637/02, deduz, no LALUR, os dispêndios incorridos durante o exercício social que foram contabilmente ativados e nos exercícios da amortização desses diferimentos, são adicionados ao LALUR, enquanto os montantes referentes aos recebimentos dos parceiros são apropriados ao resultado contábil segundo a competência e considerados como tributáveis nesse mesmo momento. Na ocasião, requereu a juntada de exemplo de contabilização de contribuição de parceiros e gastos com pesquisa e desenvolvimento. Em 27/05/2011, foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 484), recepcionado em 02/06/2011, conforme AR de fls. 485, por meio do qual a contribuinte foi intimada a: 1] a confirmar as informações a seguir, prestadas durante procedimento fiscal anterior: a) O valor de USD 57 milhões recebido em espécie no ano de 2006 da empresa KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES. LTD (“KHI”) está sendo tributado “pro rata tempore” diretamente no resultado como “receita” de amortização segundo cronograma de entrega de aeronaves. Nessa sistemática, já teria sido oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, até dezembro de 2010, o valor de R$ 65.225.346,35; b) O valor de R$ R$ 20.104.550,58 recebido em ativos no mesmo ano da subsidiária brasileira KAWASAKI AERONÁUTICA DO BRASIL INDÚSTRIA LTDA (“KAB”) também estaria sendo tributado “pro rata tempore”, via redução do CPV, segundo mesmo plano de amortização da série de aeronaves. 2] a prestar informações complementares, conforme abaixo: a) Informar qual parcela do valor de R$ 20.104.550,58 já foi tributada até dezembro de 2010 via CPV. b) Sabendo que a EMBRAER recebeu os ativos da KAB já na fase operacional do programa em parceria, livre de condição suspensiva e, portanto com plena disponibilidade jurídica sobre os mesmos, por que o valor desses ativos não foi integralmente oferecido à tributação naquele exercício ? Por meio do documento de fls. 486/489, datado de 17/06/2011, a Recorrente, demonstrando entender que tinha havido conversão do procedimento administrativo de diligência para fiscalização, prestou, em apertada síntese, os seguintes esclarecimentos: que, por ocasião da realização do procedimento de diligência, haviam sido prestadas inúmeras informações acerca dos efeitos tributários e contábeis decorrentes do DISTRATO celebrado entre ela e as empresas KHI e KAB, e, a partir da alteração de MPFD para MPFF, a Fiscalização requer confirmação de informações que foram prestadas em outro contexto e sob a guarda de outra espécie de Mandado de Procedimento Fiscal; que confirmava as informações descritas nas letras “a” e “b” do item 1 do Termo de Início; Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.027 12 que, relativamente ao montante de R$ 20.104.550,58, informava que até dezembro de 2010 a parcela amortizada tinha sido de R$ 2.811.127,94; e que o tratamento contábil dado aos ativos recebidos da KAB seguiram a mesma sistemática aplicada a todos os bens recebidos em idêntica situação, mas que o tratamento fiscal atribuído foi aquele que melhor refletia a natureza do DISTRATO, assim considerado em sua totalidade, incluindo todas as previsões constantes daquele documento, qual seja, tratamento de indenização, que reflete com exatidão o contexto lá descrito. Em 25/07/2011, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal (fls. 501/507), recepcionado em 01/08/2011, conforme AR de fls. 508, por meio do qual a contribuinte foi instada a preencher determinadas planilhas, cujos dados diziam respeito aos valores recebidos da KHI e da KAB. Por meio do documento de fls. 509/510, datado de 11/08/2011, a contribuinte requereu a juntada das planilhas preenchidas, e, em correspondência protocolada em 15/08/2011, prestou esclarecimentos complementares relacionados às planilhas anteriormente entregues. Dos fatos que serviram de suporte para a imputação da infração feita pela Fiscalização, tomando por base os elementos descritos na peças acusatórias de fls. 1.205/1.239, destaco os seguintes: i) os valores recebidos pela autuada da KHI, assim como os ativos transferidos pela KAB, não foram contabilizados em conta de resultado, mas, sim, em contas de ATIVO DIFERIDO; ii) o montante de cinqüenta e sete milhões de dólares, recebido da KHI, foi registrado em conta redutora de despesas diferidas em P&D, enquanto os ativos transferidos pela KAB foram registrados na conta das denominadas CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS DIFERIDAS; iii) em suma, o tratamento contábil que foi dado ao numerário recebido da KHI é, em essência, o mesmo que foi dispensado aos ativos recebidos da KAB, isto é, ambos foram levados a resultado, aos poucos, via amortização de contas do ativo diferido; iv) para a Fiscalização, as denominadas CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS, a partir do momento em que a contribuinte adquire disponibilidade econômica e jurídica sobre elas, passam a integrar seu patrimônio e tornamse, diferentemente do entendido pela autuada, recursos próprios da sociedade; v) ao reduzir os gastos de P&D com os recebimentos de futuros fornecedores, a autuada pretendeu dar aspecto de legalidade para uma prática contábil para a qual inexiste base legal, pois, enquanto os gastos ativados podem ser amortizados conforme as aeronaves são comercializadas, os valores recebidos dos parceiros devem ir a resultado segundo a sua competência, isto é, a partir do momento em que fique afastada a hipótese de devolução dos valores recebidos; vi) a resposta apresentada pela fiscalizada, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, no sentido de que os recursos entregues pela KAWASAKI tinham natureza de indenização, revelou contradição em relação ao anteriormente informado, visto que, na resposta apresentada em 22 de março de 2011, ela havia afirmado exatamente o contrário, isto é, que os valores em questão não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de indenização; e Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.028 13 vii) o DISTRATO referenciado pela fiscalizada qualifica os recursos entregues pela KAWASAKI como sendo referentes à COMPENSAÇÃO, e não INDENIZAÇÃO, sendo correta a escolha do termo, pois, se não houve recomposição patrimonial, não cabe falar em indenização. Concluindo, como visto, que os recursos recebidos da KAWASAKI tiveram o mesmo tratamento contábil dos demais créditos oriundos de operações com parceiros e entendendo que referido tratamento não tinha suporte legal, a Fiscalização, identificando postergação no reconhecimento dos montantes recebidos, partiu para a quantificação dos referidos valores que foram recebidos no ano de 2006, recompôs o resultado contábil do citado ano e recalculou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Retomando a questão relacionada ao fato de a ação fiscal levada a efeito na Recorrente ter sido iniciada na modalidade diligência e, depois, ter sido transformada em Fiscalização, entendo que tais modalidades, quais sejam, DILIGÊNCIA e FISCALIZAÇÃO, dizem respeito única e exclusivamente aos controles administrativos internos do Fisco, e não devem e nem podem produzir efeito de qualquer natureza na conduta do diligenciado ou fiscalizado, isto é, revela se absolutamente inaceitável que o contribuinte submetido qualquer dos procedimentos referenciados, relativamente ao mesmo fato objeto de questionamento por parte da autoridade fiscal, tenha um tipo distinto de resposta para cada uma dessas modalidades. Destaco, pois, relativamente aos valores entregues pela KAWASAKI, a evidente contradição entre as respostas apresentadas pela autuada em 22 de março de 2011, no curso da diligência fiscal, e a que foi dada em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal. Com efeito, por ocasião da diligência fiscal, a contribuinte afirmou que os bens e valores recebidos da KHI/KAB não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de “indenização”, pois, se assim o fossem, não haveria incidência de imposto de renda e seus reflexos, dada a eminente natureza de recomposição de patrimônio, depois, instaurado o procedimento fiscal e intimada a ratificar as informações anteriormente apresentadas, simplesmente afirmou que, aos valores recebidos, foi dado tratamento de INDENIZAÇÃO. A linha de defesa da Recorrente, portanto, é direcionada no sentido de que os valores e ativos recebidos enquadramse como INDENIZAÇÃO. Em nítida contradição em relação ao que havia informado anteriormente à autoridade fiscal, a Recorrente afirma que “pretendeu a Turma Julgadora, com seu “jogo de palavras” (indenizar x compensar), camuflar o direito da Recorrente de não oferecer os referidos valores à tributação, na medida em que estes não correspondem a ganhos tributáveis.” Não obstante a referida contradição, que, sem dúvida, contamina com um certo grau de incerteza os pronunciamentos da fiscalizada, penso que, no que diz respeito aos recursos repassados pela KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES LTD (KHI) e aos ativos transferidos pela KAWASAKI AERONÁUTICA DO BRASIL INDÚSTRIA LTDA (KAB), o que cabe apreciar é se constam dos autos elementos capazes de efetivamente criar a convicção de que eles, os recursos financeiros e os ativos, foram repassados para fins de recomposição patrimonial da Recorrente, revelandose, assim, ausente o acréscimo patrimonial autorizador da tributação pretendida pelo Fisco. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.029 14 Em atendimento à diligência fiscal requerida por esta Turma Julgadora, a contribuinte apresentou, devidamente traduzido por tradutor juramentado, o documento que motivou a entrega de recursos por parte da KHI e a transferência de ativos feita pela KAB, denominado LETTER OF AGREEMENT (fls. 1.761/1.772). Analisando o referido documento, extraio os seguintes elementos: a) os fatos que proporcionaram a entrega de recursos e a transferência dos ativos foram a rescisão antecipada de contratos de fornecimento e assistência firmados com a KAB, e a rescisão parcial e a reforma de contrato assinado anteriormente com a KHI; b) na cláusula I, relativo à RESCISÃO DOS CONTRATOS DA KAB, resta assinalado: [...] 1.2 Como condição precedente para que a Embraer aceite a rescisão dos Contratos da KAB, e como reembolso da KAB para a Embraer de todos os custos e despesas em que a Embraer possa a vir a incorrer em função da referida rescisão, deverá a KAB: i) efetuar (ou providenciar que a KHI efetue em nome da KAB) os pagamentos dos montantes especificados na Seção III, cláusula 3.2 abaixo; e (ii) transferir para a Embraer, a título gratuito, todos os ativos relativos à montagem dos Produtos, localizados nas Instalações da KAB, inclusive, mas, não apenas, ferramentas, aparelhos, dispositivos, máquinas, computadores, móveis, equipamentos de transportes e manuseio de asas, etc. (adiante designados “Ativos”), na condição em que se encontram e isentos de gravames e penhores; no entanto, fica estabelecido que nada nesta cláusula 1.2 terá o condão de limitar os direitos da Embraer previstos nas Seções V e VI desta Carta Convênio1, nem os previstos na cláusula 6.4 do Contrato de Programa Piloto2. Uma lista completa dos Ativos a serem transferidos consta aqui em apenso na forma de Anexo I (“Lista de Ativos”). As Partes reconhecem que aprovarão reciprocamente o conteúdo do Anexo I no prazo de 15 (quinze) dias da assinatura desta Carta Convênio, antes e como condição à aceitação da Embraer da transferência dos Ativos. c) a cláusula 3.1 do acordo, que trata do VALOR DE LIQUIDAÇÃO, estabelece que em decorrência do, entre outros, descumprimento generalizado dos termos dos contratos, a KHI e a KAB pagariam à Recorrente a importância de US$ 5.870.000 (cinco milhões, oitocentos e setenta mil dólares americanos), até 19 de maio de 2006, ficando consignado que, caso o referido pagamento não fosse feito no vencimento, o valor seria acrescido de juros, na forma estabelecida na cláusula 6.5.6 do denominado Contrato de Programa Piloto; d) na cláusula 3.1.2, resta assinalado que, mediante o pagamento do Valor de Liquidação (US$ 5.870.000), a Recorrente liberaria a KAB e a KHI, de modo que elas não teriam mais quaisquer obrigações a respeito dos itens apontados na cláusula 3.1, incorridas até 17 de março de 2006; e) a cláusula 3.2, que trata de PAGAMENTO DE COMPENSAÇÃO, registra: 1 As seções V e VI referenciadas tratam do compomisso da KHI em indenizar, defender e isentar a Recorrente, em razão de eventuais danos provocados pelo acordo (Seção V), e de garantias dadas pela KHI em relação às obrigações da KAB estabelecidas no mesmo acordo (seção VI). 2 A cláusula 6.4 do denominado Contrato de Programa Piloto (MASTER PROGRAM CONTRACT) trata das reparações decorrentes do DESCUMPRIMENTO do pactuado referido acordo. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.030 15 Além do acima exposto, a KHI e a KAB pagarão à Embraer a importância de US$ 57.000.000 (cinqüenta e sete milhões de dólares), adiante designado “Pagamento de Compensação”, para cobrir os Custos Não Recorrentes em que a Embraer possa a vir a incorrer como resultado dos Contratos da KAB e da redução do escopo de serviços do Contrato de Programa Piloto. Vêse, pois, que os recursos financeiros repassados pela KHI e os ativos transferidos pela KAB representaram uma espécie de compensação em virtude de rescisões, total e parcial, de contratos anteriormente firmados. Observese que o acordo firmado entre as partes faz referência a custos e despesas que a Embraer possa vir a incorrer e à transferência a título gratuito. Tais aspectos são relevantes na medida em que afastam, por completo, a tese da defesa de que, no caso, estamos diante de reparação patrimonial. É importante frisar que, no instituto da INDENIZAÇÃO, seja para reparar danos, seja visando o reembolso de custos ou despesas, para que se possa falar em neutralidade do ponto de vista da tributação da renda, é essencial que a percepção dos recursos esteja diretamente vinculada a uma saída anterior, previamente determinada. Ainda que se possa falar em um dano futuro, é primordial que ele, esse dano futuro, seja prédeterminado. Não identifico no instrumento que lastreou as transferências de recursos para a Recorrente (LETTER OF AGREEMENT), nenhum indicativo de que referidas transferências estavam vinculadas à obrigação de qualquer natureza, de modo que a decisão acerca da destinação dos recursos recebidos decorreu da sua livre vontade, porém, é certo que tal destinação, na medida em que provocou efeitos tributários contrários á legislação de regência, ao menos do ponto de vista do Fisco, não pode ser admitida. Além da não identificação de vinculação entre os recursos recebidos e obrigações assumidas por parte da Recorrente, o que poderia justificar o critério adotado por ela para registrar contabilmente tais recebimentos, cumpre ressaltar que o acordo firmado entre ela, a KHI e a KAB, é induvidoso acerca da natureza dos valores transferidos, eis que os trata como condição prévia para a rescisão e reformulação dos contratos e como PAGAMENTO DE COMPENSAÇÃO, e, ao tratar de INDENIZAÇÃO, o faz em cláusulas próprias, que não guardam relação direta com o montante pago em dinheiro e os ativos transferidos. Repiso, pois que a decisão da Recorrente de classificar os recebimentos da KHI e da KAB como recursos destinados a P&D ou como contribuição de parceiros não foi vinculada a qualquer instrumento contratual, decorrendo, pois, da sua autonomia de vontade. No caso específico da CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS, não identifico nos autos, especialmente nos contratos anexados a partir da realização da diligência, qualquer indicação de que os recursos recebidos estariam vinculados a acordos dessa natureza, de modo que, não obstante a densa e excelente descrição acerca da natureza, das condições e do tratamento contábil dispensado aos recursos recebidos a esse título, não há prova no processo de que os montantes questionados pela Fiscalização estavam vinculados a qualquer tipo de contrato. Portanto, relativamente aos recursos recebidos pela Recorrente da KHI e da KAB, tenho por correto o procedimento adotado pela Fiscalização, vez que Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.031 16 referidos recursos efetivamente deveriam ter sido computados no resultado no ano de 2006. O pronunciamento acima transcrito, além de demonstrar que, ao contrário do sustentado na peça de embargos, a prestação de esclarecimentos contraditórios no curso da Fiscalização não constituiu elemento essencial na definição da natureza dos valores em discussão, revela que a análise foi lastreada em inúmeros elementos, tornando absolutamente dispensável a apreciação do documento denominado MEMORANDO DE ATIVAÇÃO DO PROJETO MAP 10602. i.2) Juros Isolados argumenta a embargante que o Conselheiro Relator furtouse de analisar as alegações de que: a) não houve equívoco na defesa em face da cobrança de juros sobre a multa de ofício; e b) a cobrança dos juros isolados decorre unicamente das demais infrações atribuída à ela, para as quais se apresentou a competente defesa. Relativamente à matéria em destaque (JUROS ISOLADOS), o acórdão embargado assinala: JUROS ISOLADOS Argumenta a Recorrente que apresentou defesa relativamente aos juros isolados, de modo que não há que se aceitar o entendimento esposado na decisão recorrida no sentido de que ela teria silenciado quanto a tal matéria. Diz que, quando da apresentação de sua impugnação, expressamente mencionou que não poderia subsistir, também, a cobrança dos juros isolados, como decorrência do quanto exposto com relação à improcedência dos lançamentos relativos aos “créditos de parceiros”. Registro que o que consta assinalado na decisão recorrida é o seguinte: “De plano, consignese o manifesto equívoco da defesa em se insurgir contra lançamentos de juros isolados sobre multa de ofício, quando, na verdade, os lançamentos efetuados pelo Fisco referemse a juros isolados sobre o principal (tributo)”. (GRIFOS DO ORIGINAL). Perscrutando a peça impugnatória apresentada, penso que não seja merecedor de qualquer reparo o afirmado no ato decisório recorrido. Com efeito, as referências feitas pela Recorrente aos juros isolados se deram, unicamente, em dois momentos, quais sejam: a) ao sustentar a ocorrência de decadência, em que simplesmente reproduziu os termos da autuação; e b) no pedido formulado na peça de defesa, em que assinalou: “...requer a Impugnante sejam acolhidas as razões aqui expostas, que levarão à decretação da improcedência integral dos presentes lançamentos, extinguindose, por consequência, os créditos tributários de IRPJ; de CSLL e os juros isolados exigidos, arquivandose, por consequência, o respectivo processo administrativo. Resta evidente, pois, que a matéria não foi contestada. Diante de tal circunstância, cabe apenas considerar que, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar seá não impugnada, decorrendo daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.032 17 Como se vê, a embargante pretende, mais uma vez, rediscutir a matéria pela via estreita do recurso interposto, o que, à evidência, não é possível. Cabe destacar que, não tendo sido conhecida a matéria já em primeira instância, descabe falar em omissão na apreciação das razões trazidas em sede de recurso voluntário. ii) Contradição: Vícios de Fundamentação (MPF) Sustenta a embargante que o Conselheiro Relator, ao mesmo tempo em que afirma que não há respaldo nos autos para a alegação de que a Turma Julgadora (de primeira instância) deixou de analisar a preliminar suscitada, acaba também por assumir que a decisão de primeira instância demonstrou uma certa incompreensão acerca da matéria. Inexistente a contradição apontada. Com efeito, o que o voto condutor do acórdão embargado assinala é que, diante da confusa argumentação expendida pela contribuinte na peça impugnatória, a autoridade julgadora de primeira instância revelou uma certa dificuldade para entender a tese de defesa, mas que isso, essa "incompreensão", não a impediu de, a partir de uma adequada análise acerca da regularidade do procedimento, rejeitar a nulidade suscitada. Como registrado na própria peça de embargos, a incompreensão em primeira instância acerca do que a contribuinte denominou "vício de fundamentação" encontrou justificativa na total improcedência da argumentação, motivo pelo qual foi considerada "razoável" pelo acórdão embargado. iii) Obscuridade: Contribuição de Parceiros Alega a embargante que não ficou claro o motivo pelo qual o Conselheiro Relator negou provimento ao recurso voluntário relativamente ao item em questão. Para sustentar a sua incompreensão acerca dos fundamentos da decisão, ela, a embargante, coloca em confronto os seguintes fragmentos do voto condutor correspondente: TEXTO 1 No caso específico da CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS, não identifico nos autos, especialmente nos contratos anexados a partir da realização da diligência, qualquer indicação de que os recursos recebidos estariam vinculados a acordos dessa natureza, de modo que, não obstante a densa e excelente descrição acerca da natureza, das condições e do tratamento contábil dispensado aos recursos recebidos a esse título, não há prova no processo de que os montantes questionados pela Fiscalização estavam vinculados a qualquer tipo de contrato. TEXTO 2 Irretocável, a meu ver, a análise promovida em primeira instância, eis que absolutamente improcedente a tentativa da Recorrente de emprestar tratamento idêntico a situações absolutamente distintas. Com efeito, o que foi objeto de questionamento pela Fiscalização não foi o tratamento contábil dispensado às inversões de capital e aos custos associados aos projetos de P&D, mas, sim, o tratamento tributário que a Recorrente pretendeu dar às receitas surgidas a partir de contribuições de parceiros que, antes, estavam submetidas à condição suspensiva. Correto, pois, a meu ver, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.033 18 A embargante extrai fragmentos do voto condutor do acórdão contestado e, fora do contexto em que eles estão inseridos, alega que restam obscuros os fundamentos da decisão proferida. Nada mais razoável, pois, confrontar textos sem levar em consideração o contexto em que eles se encontram, pode, sim, gerar obscuridades. O primeiro texto relacionase às respostas da contribuinte à Fiscalização no sentido de que os recebimentos da KHI e da KAB foram classificados como recursos destinados a P&D ou como CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS. Nele, fezse a ressalva de que, não obstante a densa e excelente descrição acerca do tratamento dispensado aos recursos recebidos a esse título, não foi carreado ao processo prova de que os MONTANTES QUESTIONADOS PELA FISCALIZAÇÃO estavam vinculados a qualquer tipo de contrato. O segundo texto trata dos DEMAIS RECURSOS registrados a título de CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS, sendo que, neste caso, a embargante limitase a reproduzir a parte final da análise, deixando de transcrever os excertos onde os fundamentos relacionados ao item (DEMAIS RECURSOS REGISTRADOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS) foram devidamente declinados, senão vejamos: No que tange aos demais recursos registrados a título de CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS, registro inicialmente que, embora intimada por meio da diligência requerida por esta Turma Julgadora, a Recorrente não aportou aos autos nenhum contrato representativo dos denominados ACORDOS DE PARCERIA DE RISCO, o que, à evidência, fragiliza a tese esposada na peça recursal acerca do diferimento da tributação dos valores recebidos e registrados a esse título (contribuição de parceiros). (GRIFO DO ORIGINAL) A situação fática relacionada às denominadas CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS, a sua correlação com as normas contábeis e o adequado tratamento tributário, foram, a meu ver, brilhantemente enfrentadas na instância a quo, de modo que é com base na análise espelhada no voto condutor correspondente que eu aprecio a matéria. A situação fática pode assim ser resumida: fornecedores (parceiros) aportaram recursos à Recorrente para que ela pudesse implementar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) necessários à fabricação das aeronaves das “famílias” 145 e 170/190. A exigibilidade de tais recursos ficou sob condição suspensiva, visto que a Recorrente só arcaria com o pagamento deles caso os projetos das aeronaves não fossem aprovados e, conseqüentemente, o produto final (avião) não fosse certificado. No caso de aprovação dos projetos e certificação do produto, os recursos fornecidos pelos parceiros ficariam definitivamente transferidos para a Recorrente, sem ônus3. Portanto, a Recorrente só restitui os recursos recebidos dos parceiros no caso de o empreendimento não lograr êxito. Ocorrendo a certificação, deixa de existir a obrigatoriedade de pagamento, de modo que os recursos fornecidos incorporamse ao patrimônio da Recorrente, de forma gratuita. 3 Justificando tal fato, o voto condutor da decsião de primeira instância reproduz a seguinte passagem da defesa apresentada pela autuada: a “certificação de um determinado modelo [de aeronave] representa também um fluxo futuro de receitas para os parceiros envolvidos, uma vez que os parceiros se beneficiam com a venda de motores, componentes hidráulicos, sistemas eletrônicos de aviação, asas, interiores e partes da fuselagem e da cauda”. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.034 19 No presente caso, não existe controvérsia de que, a partir do momento desaparecimento da obrigação da Recorrente com os ditos parceiros, os valores recebidos transformamse em RECEITAS. O questionamento feito pela Fiscalização disse respeito ao momento em que esta receita deveria ser computada no resultado. Para ela, no exato momento do seu surgimento, enquanto que para a Recorrente, somente por ocasião da venda das aeronaves. O ato decisório recorrido alinhouse ao entendimento esposado pela Fiscalização, servindose, para tanto, em apertada síntese, dos seguintes fundamentos: i) a discussão centrase na receita obtida pela Recorrente por força do desaparecimento da condição que existia em relação aos recursos fornecidos pelos seus parceiros, e não em torno da apropriação do capital e custos dos projetos de P&D; ii) em um primeiro momento, o fornecimento de recursos foi feito com ônus, o que levou a Recorrente a registrar as operações no passivo, posteriormente, desaparecendo a condição suspensiva, a obrigação deixou de existir, momento em que surgiu a receita, que deveria ser reconhecida em obediência ao regime de competência; iii) revelase, assim, sem respaldo, o entendimento da Recorrente de que tais receitas, que ela própria reconhece como existentes, somente sejam apropriadas (e tributadas) por ocasião da venda das aeronaves, como se a elas fossem vinculadas; iv) resta induvidoso que os fornecedores da Recorrente registraram a finalização da operação como PERDA, pois é disso que trata a situação; v) não existe amparo legal que permita deslocar a tributação de tais receitas para o momento da venda das aeronaves; vi) as inversões feitas no projeto, controladas no ativo intangível, podem e devem ser amortizadas conforme comercialização futura das aeronaves resultantes de tais projetos, respeitado o prazo previsto na legislação, entretanto, os valores aportados pelos denominados PARCEIROS e que deixaram de ser exigíveis, passando a compor, graciosamente, sem ônus, o patrimônio da Recorrente, devem compor o resultado no momento da sua ocorrência. Irretocável, a meu ver, a análise promovida em primeira instância, eis que absolutamente improcedente a tentativa da Recorrente de emprestar tratamento idêntico a situações absolutamente distintas. Com efeito, o que foi objeto de questionamento pela Fiscalização não foi o tratamento contábil dispensado às inversões de capital e aos custos associados aos projetos de P&D, mas, sim, o tratamento tributário que a Recorrente pretendeu dar às receitas surgidas a partir de contribuições de parceiros que, antes, estavam submetidas à condição suspensiva. Correto, pois, a meu ver, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Vêse, assim, que a obscuridade apontada pela embargante só subsiste na circunstância em que se compara, fora do contexto em que foram emitidos, os pronunciamentos em discussão. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.035 20 Pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de REJEITAR os EMBARGOS interpostos. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900420/2011-69
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado.
Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3802-004.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
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PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 20 /2 01 1- 69 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 327), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1442.411, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que não acolheu sua Manifestação de Inconformidade, na qual afirma ter direito a ressarcimento de IPI nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem explicitar as questões de fato pertinentes ao caso, adotase o quanto consta da Informação Fiscal apresentada pela SARAC de Fortaleza/CE (fls. 4/16): (...) 2 – DO OBJETO SOCIAL No ato constitutivo original da São Geraldo Águas Minerais Ltda, datado de 13/01/1995, consta como objetivo social a extração, beneficiamento e comercialização de bens minerais. Através do 6.° Aditivo contratual datado de 01/06/2009, o objeto social foi alterado para: Extração, Engarrafamento e Gaseificação de Águas Minerais. 3 – DOS PRODUTOS FABRICADOS No item 2 da Descrição do Processo Produtivo apresentado a fiscalização, a São Geraldo Águas Minerais Ltda indica a fabricação dos seguintes produtos:ProdutoRegistro MS Código de Barra Garrafão 20L6.0980.000200137898193940202 Garrafão 10L6.0980.000200137898193940103 Garrafas 500 ML6.0980.000200137898193940226 Garrafas 1.500 ML 6.0980.000200137898193940219 No subitem 2.1, a fiscalizada enquadra os produtos por ela fabricados no Código NCM 2201.10.00 EX 01 e EX 02, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Os rótulos dos produtos fabricados pela São Geraldo Águas Minerais Ltda, as cópias das Notas Fiscais de Vendas mais relevantes dos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2006, bem como as informações colhidas nos livros fiscais e nos arquivos digitais de notas fiscais (Convênio 57/95 – SINTEGRA) apresentados mediante autenticação através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, demonstram que a citada empresa atua na fabricação e comercialização de ÁGUA Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900420/201169 Acórdão n.º 3802004.076 S3TE02 Fl. 329 3 MINERAL NATURAL (SEM GÁS), conforme definido no item 2.1 do Anexo do Regulamento Técnico para Águas Envasadas e Gelo, aprovado pela Resolução RDC N.° 274, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA. (...)Temos, portanto, que a São Geraldo Águas Minerais Ltda não pode se creditar do IPI referente a aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS), tendo em vista que tal produto além de ser classificado como nãotributável (NT) impede o enquadramento da fiscalizada como “estabelecimento industrial” para estas operações, ficando impossibilitada de utilizar eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96. (...) (grifo nosso). Referida Informação Fiscal embasou o Despacho Decisório, nos termos abaixo (fls. 232/233): "(...) 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassificação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matéria prima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Dec laratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. 5. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 20654.74987.290808.1.1.017027 e considerando nãohomologada a compensação declarada no documento 36540.21123.270908.1.3.018496. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) o processamento do recurso sem efetivação de depósito recursal ou arrolamento de bens; (ii) da adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (iii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iv) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 327), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. De início friso que o relatório da DRJ contém erro quanto às premissas fáticas, pois aduz serem os produtos finais do Recorrente tratarse de livros. Segue transcrito abaixo o sucinto relatório: "(...) O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900420/201169 Acórdão n.º 3802004.076 S3TE02 Fl. 330 5 A autoridade competente indeferiu o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem livros classificados como NT (não tributado) na TIPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. (grifei) O Recurso Voluntário não suscita esse vício, e a rigor a questão de mérito poderia ser facilmente resolvível ante a Súmula CARF nº 20. Veja se: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, como se trata de questão de fato, a premissa inicial da DRJ pode ser considerada como tendente a promover cerceamento de defesa – causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse vício pode levar, portanto, a uma anulação de todo o processo administrativo, desde o julgamento pela DRJ, estendendose todos os demais atos posteriores. E tal pode ser suscitado inclusive judicialmente, nada obstante a conclusão me parecer ser a mesma – pois tanto o livro quanto a água mineral são considerados produtos NT pela legislação. Conclusão Dessa forma, para assegurar a higidez processual e, em última análise, o próprio crédito tributário em si, conheço do Recurso Voluntário e, de ofício, voto pela anulação da decisão recorrida, a fim de que profira novo julgamento considerando o efetivo produto final do Recorrente – água mineral natural (sem gás). Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720448/2012-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/07/2010
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA ISOLADA. ART. 89, § 10º, DA LEI Nº 8.212/9. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE FALSIDADE.
À luz do art. 18, da Lei nº 10.833/2003, a multa isolada só é aplicável quando restar comprovada a falsidade na declaração do sujeito passivo, não podendo ser presumida pelo simples preenchimento incorreto da declaração quanto à ausência de trânsito em julgado de sentença judicial.
Numero da decisão: 9202-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Presidiu o Julgamento o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
PATRICIA DA SILVA - Relatora.
EDITADO EM: 29/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/07/2010 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA ISOLADA. ART. 89, § 10º, DA LEI Nº 8.212/9. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE FALSIDADE. À luz do art. 18, da Lei nº 10.833/2003, a multa isolada só é aplicável quando restar comprovada a falsidade na declaração do sujeito passivo, não podendo ser presumida pelo simples preenchimento incorreto da declaração quanto à ausência de trânsito em julgado de sentença judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Presidiu o Julgamento o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. PATRICIA DA SILVA - Relatora. EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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MULTA ISOLADA. ART. 89, § 10º, DA LEI Nº 8.212/9. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE FALSIDADE. À luz do art. 18, da Lei nº 10.833/2003, a multa isolada só é aplicável quando restar comprovada a falsidade na declaração do sujeito passivo, não podendo ser presumida pelo simples preenchimento incorreto da declaração quanto à ausência de trânsito em julgado de sentença judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Presidiu o Julgamento o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. PATRICIA DA SILVA Relatora. EDITADO EM: 29/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 04 48 /2 01 2- 75 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela União Federal contra o r. acórdão nº 2302002.514 da 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para reformar a decisão de origem no sentido de excluir do lançamento a parcela referente à multa isolada. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/07/2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Recurso Voluntário Provido em Parte Na origem, tratase de Autos de Infração, lavrados em 14/02/2012, que têm por objeto glosa de compensação de contribuições previdenciárias declaradas pelo Recorrido no período entre 09/2009 a 07/2010, tendo por base sentença judicial não transitada em julgado. O referido processo de nº 2007.34.00.0049154, que tramitou perante a Subseção da Justiça Federal de Varginha/MG, foi ajuizado contra a Fazenda Nacional requerendo a declaração da inconstitucionalidade da contribuição patronal incidente sobre os Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10660.720448/201275 Acórdão n.º 9202003.732 CSRFT2 Fl. 268 3 valores pagos aos detentores de cargo efetivo e a ilegalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a função gratificada dos servidores efetivos. Haja vista a ausência de trânsito em julgado da ação, as compensações não foram homologadas, apurandose crédito tributário no montante de R$ 3.458.622,04 (três milhões, quatrocentos e cinquenta e oito mil, seiscentos e vinte e dois reais e quatro centavos), dos quais R$ 1.671.465,49 (Um milhão, seiscentos e setenta e um mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e quarenta e nove centavos) corresponde ao principal, juros e multa de mora e R$ 1.787.156,55 (Um milhão, setecentos e oitenta e sete mil, cento e cinquenta e seis reais e cinquenta e cinco centavos) referese à multa isolada de 150% . A multa de mora foi aplicada com fundamento nos art. 170A, do CTN, art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212 e arts. 35 e 61, da Lei nº 9.430/96. Já a multa isolada decorreu das informações equivocadas contidas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP concernente à compensação de crédito tributário com ação judicial não transitada em julgado e teve por fundamento legal o art. 89, § 10º, da Lei nº 8.212 c/c art. 44, da Lei nº 9.430/96 Após análise da impugnação apresentada pelo Contribuinte, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG decidiu, por unanimidade, julgar totalmente improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em sua totalidade (fls. 166). Interposto Recurso Voluntário, a 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento a parcela referente à multa isolada, sob o fundamento de que a conduta do contribuinte, apesar de contrária ao art. 170A, do CTN, não denota qualquer intenção de ludibriar o fisco, razão pela qual não restou configurada a ocorrência do tipo infracional previsto no art. 89, § 10º, da Lei nº 8.212/91 (fls. 216). Foram opostos Embargos de Declaração pela União sob o fundamento de que a Turma se omitiu quanto à aplicação da multa de 75% prevista no art. 89, § 10º, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, os quais não foram acolhidos sob o fundamento de inexistência de omissão no acórdão. No Recurso Especial (fls. 235), a União Federal alega que a compensação se fundamenta em declaração falsa, restando configurada a hipótese de incidência prevista no art. 89, § 10º, da Lei nº 8.212/91, sendo dispensável a verificação de dolo do agente. Colacionou acórdãos paradigmas para demonstrar a divergência no seguinte sentido: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INIDONEIDADE DA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 (Recurso de Ofício. Acórdão nº 2301002.636. 3a Câmara/ 1a Turma Ordinária. Sessão: 18/04/2012) COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. IMPOSSIBILIDADE. Para que se configure fraude na compensação indevida, é necessário que reste demonstrado pela fiscalização a intenção do contribuinte em se beneficiar das informações equivocadas dolosamente. No caso em questão, o contribuinte, ao ajuizar Mandado de Segurança para reconhecimento de inexistência de relação jurídica referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de algumas verbas específicas, o fez por entender que o recolhimento de contribuições sobre as mesmas era indevido. Neste sentido é a Súmula CARF n° 25. Sendo assim, não havendo comprovação de fraude, dolo ou simulação, aplicável ao caso a multa comum aos lançamentos de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a caracterização de falsidade da declaração e, conseqüentemente, o recálculo das multas aplicadas totalizando 75%, correspondente à multa de ofício. (Recurso Voluntário. Acórdão nº 2403003.407. 4a Câmara/ 2a Turma Ordinária. Sessão: 19/02/2013). Ao final, requereu a reforma do r. acórdão para que seja restabelecida a multa no percentual de 150% ou que seja aplicada a multa no percentual de 75%. Nas contrarrazões recursais (fls. 257), o Recorrido argumentou que a União deixa de fundamentar suas alegações no art. 18, da Lei nº 10.833/03; que o art. 112, do CTN impõe uma interpretação mais favorável à norma em caso de dúvida quanto à natureza e/ou graduação da penalidade aplicável; que “da lavratura dos autos de infração não é possível constatar, expressamente ou implicitamente, que houve intenção do sujeito passivo em se beneficiar irregularmente da compensação tributária” e, por fim, que o processo judicial que autoriza a compensação tributária transitou em julgado em 22/11/2012. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10660.720448/201275 Acórdão n.º 9202003.732 CSRFT2 Fl. 269 5 Voto Conselheira Relatora Patricia da Silva Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, quais sejam, tempestividade, prequestionamento e indicação de acórdãos paradigmas para comprovar a divergência, razão pela qual dele conheço. A matéria restringese à aplicação da multa isolada prevista no § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91 pela realização de compensação tributária com base em sentença judicial não transitada em julgado. A compensação de créditos tributários está disciplinada no art. 170, do CTN, art. 74 e parágrafos, da Lei nº 9.430/96 e art. 18, da Lei nº 10833/2003, e está sujeita à homologação por parte da autoridade fiscal que tem por dever de verificar a exatidão do crédito compensado. Em caso de não homologação da compensação, é realizado um lançamento suplementar acrescido das multas cabíveis, nos termos da legislação tributária. No tocante à multa isolada, o art. 18, da Lei nº 10.833/2003 dispõe claramente que ela somente é cabível quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, vejamos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifei) No presente caso, a alegação de falsidade na declaração apresentada pelo Contribuinte tem por fundamento o incorreto preenchimento da declaração, pela ausência de trânsito em julgado do processo judicial. Não há como se negar que o contribuinte agiu com desacerto ao realizar a compensação antes do trânsito em julgado, pois desrespeitou o disposto no art. 170A, do CTN e no art. 74, § 12, II, “d”, da Lei nº 9.430/1996. Todavia, a simples ausência de trânsito em julgado da ação judicial na qual se discutia o crédito tributário, por si só, não caracteriza evidente intuito de fralde que justifique a imposição na multa prevista no art. 89, da Lei 8.212/91. Como bem pontuado no supra citado artigo 18, e até mesmo nos acórdão paradigmas trazidos pela União, a falsidade da declaração deve ser comprovada, o que não ocorreu no presente caso. Ainda, o segundo acórdão paradigma confirma a tese do r. acórdão ora recorrido no sentido de que ser imprescindível a demonstração da intenção do contribuinte, vejamos: Para que se configure fraude na compensação indevida, é necessário que reste demonstrado pela fiscalização a intenção do contribuinte em se beneficiar das informações equivocadas dolosamente. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Aliás, esse entendimento tem sido amplamente utilizado neste Conselho, vejamos: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. DECISÃO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos dos ar tigos 156, inciso II, e 170A do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar, impondo, ainda, a ocorrência de seu trânsito em julgado. Os valores compensados a maior ou indevidamente ensejam a manutenção da exigência fisc al relativa à diferença entre esse valor e aquele garantido na sen tença judicial. Somente as compensações procedidas pelo contribuinte com estrita observância da legislação de regência, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente co mprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Auto de Infração. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FALSIDADE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamenta a sua imposição apenas n a incorreta declaração da GFIP, mormente quando não compr ovada a intenção de fraude. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Grifei) (Recurso Voluntário. Acórdão nº 2402004.601. 4a Câmara/ 2a Turma. Sessão: 11/02/2015). RECURSO DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CAR ACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A simples omissão de receitas, mesmo sendo de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Assim, para se proceder a qualificação da multa de ofício exigese que a mesma seja devidamente comprovada e justificada nos autos do processo. Além disso, exige se que o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito e fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. (Recurso de Ofício e Voluntário. Acórdão nº 1402001.954 – 4a Câmara/ 2a Turma Ordinária. Sessão: 25/03/2015). Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10660.720448/201275 Acórdão n.º 9202003.732 CSRFT2 Fl. 270 7 Quanto à multa de 75%, a decisão proferida em sede de Embargos de Declaração merece ser aqui reproduzida pela clareza de seus argumentos: Ocorre que, como já destacado na decisão recorrida: A leitura atenta dos textos legais indicam que há a previsão de duas penalidades pecuniárias para a compensação indevida de contribuições previdenciárias: (i) a multa de mora de 20%; e (ii) a multa isolada de 150%. Ocorre que, para a aplicação da primeira (multa de mora), a legislação exige apenas à apuração de compensação efetuada de forma indevida. Quanto à segunda (multa isolada), consta que tem cabimento “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. (destaque do original) Assim, afastada a comprovação da falsidade, persiste somente a multa de mora de 20%, aplicada pela autoridade fiscal e que encontra previsão no § 9° do citado artigo 89 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 89. (...) § 9° Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei Vejase jurisprudência deste Conselho nesse mesmo sentido: COMPENSAÇÃO, MULTA ISOLADA DE 75%. INAPLICABILIDADE. À luz da Lei nº 11.051/2004, cabível a multa isolada apenas nas hipóteses de prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, isto é, sonegação, fraude, conluio, hipóteses estas não tipificadas nos autos. (Recurso de Ofício. Acórdão nº 3201001.484. 2a Câmara/ 1a Turma Ordinária. Sessão: 23/10/2013). Diante do exposto, haja vista que o acórdão recorrido está em total consonância com a jurisprudência deste Conselho, ele deve ser mantido pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial. É como voto. Patricia da Silva Relatora Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10909.003020/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE
É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não sendo permitido o ressarcimento de seu saldo credor.
PIS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. COOPERATIVAS.
A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep em relação às vendas efetuadas por empresas cerealistas e cooperativas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei de regência.
Numero da decisão: 3201-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35220.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não sendo permitido o ressarcimento de seu saldo credor. PIS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. COOPERATIVAS. A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep em relação às vendas efetuadas por empresas cerealistas e cooperativas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei de regência.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Cofins no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não sendo permitido o ressarcimento de seu saldo credor. PIS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. COOPERATIVAS. A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep em relação às vendas efetuadas por empresas cerealistas e cooperativas às agroindústrias que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 30 20 /2 00 5- 85 Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.136 2 apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35220. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social PIS nãocumulativa. no valor de R$ 2.373.689,28. decorrentes de operações no mercado externo. que remanesceram ao final do 3º trimestre de 2005. Do Parecer Fiscal Em seu parecer. a Seção de Arrecadação e Cobrança (Sarac da Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC. inicialmente. registra que os valores informados pela interessada no Dacon não correspondem àqueles presentes na memória de calculo apresentada em atendimento a intimação a Receita Federal para fins de demonstração da composição da base de calculo do Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.137 3 direito de credito e que foram. então. considerados como pleiteados os valores presentes nesta e não os declarados no Dacon. Na apreciação do pleito. efetuadas as verificações do credito em confronto com os livros contábeis. arquivos digitais dentre outros documentos da contribuinte. manifestouse a Sarae/DRF/ltaíaí/SC pelo seu deferimento apenas parcial. fazendoo com base no não acatamento na apuração de créditos. dos seguintes valores: a) Bens Adquiridos para Revenda: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de produtos classificados nos capítulos e códigos previstos nos incisos II e VII do artigo1º" da Lei nº 10.925/2004 b) Bens Utilizadas como Insumos: do montante informado a esse título foram excluídos os valores: de aquisição de bens utilizados como insumos. cujas receitas de vendas estão sujeitas a alíquota zero. conforme: art. 1º do Decreto nº5.127/2004; art. 28, III, da Lei nº10.865/2004; art. 1º, incisos I,II, IV e VII da Lei nº 10.925/2004; de fretes relativos a CTRC aos quais não foram vinculadas quaisquer notas fiscais (Anexo ll). por não ser possível determinar trataremse de fretes no transporte de insumos. pagos pela adquirente a pessoas jurídicas domiciliadas no país: de fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram na memória de cálculo do crédito do período apresentada pela contribuinte (Anexo lll). não configurando. portanto. fretes na compra de bens utilizados como insumos. c) Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda: foram excluídos: os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período; os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se referem a uma operação de venda de mercadoria de produção do estabelecimento. d) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado: foram excluídos os valores referentes a bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção de bens destinados a venda; e) Crédito Presumido Atividades Agroindustriais: dos valores informados a esse titulo: foram excluídos: os valores relativos a aquisições de pessoas jurídicas, em razão de este tipo de aquisição. a teor da legislação pertinente. não gerar direito a credito presumido: os valores dos fretes relativos a essas aquisições. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.138 4 pelo mesmo motivo também foram glosados da base de calculo do credito presumido aquisições de mercadorias para revenda Cfop 1 102; foram ajustadas as alíquotas aplicadas a aquisições de insumos de pessoas físicas: 0.99% (60% de 1,65%) para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10 e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. e de 0.5775% (35% de 1.65%) para os demais produtos: f) Outros Créditos a Descontar: sobre os valores informados a esse título. informa a autoridade fiscal que a interessada não presta serviços de transporte rodoviário de carga e que os códigos Cnae relativos a esse tipo de serviço. atribuídos a algumas de suas filiais. têm servido apenas para a emissão de conhecimentos de carga cujo tomador do serviço e a própria empresa. tendo sido. então. excluídos os valores informados destes serviços. por não gerarem créditos presumidos nos termos previstos nos §§ 19 e 20 do art. 3º e inciso ll do art 15 da Lei nº 10.833/2003. na redação da Lei nº 11.051/2004. Alem das glosas acima. a Autoridade Fiscal. considerando que a interessada utiliza o método de rateio proporcional. ajustou a proporção entre a receita de exportação vinculada as aquisições de bens e serviços que geram direito ao credito e a receita bruta total de vendas de bens e serviços. a ser aplica a sobre os valores dos custos. despesas e encargos comuns. incorridos no mês. Ao final. ressalva a Autoridade Fiscal que a soma. por mês de apuração. dos valores indicados à linha 09 da ficha 11B do Dacon (Total da Contribuição para o PIS no mês. antes do desconto de créditos) foi extraída do Dacon da interessada e não se constituiu em objeto de procedimento de fiscalização. o qual ainda poderá ser realizado. respeitado o prazo decadencial. Por meio do Despacho Decisório. presente na folha 1061. com base no Parecer/Sarac/DRF/ITJ nº 071/2008. a DRF/Itajai/SC decidiu por: a) reconhecer parcialmente o direito creditório no valor originário de RS 593.379,97: b) homologar parcialmente a compensação constante da Dcomp de fl. 01, protocolada em 28/09/2005. até a o limite do valor do credito reconhecido; c) não homologar as compensações constante das demais Dcomp presentes nos autos. entres as folhas 10 e 33. Da Manifestação de Inconformidade Em sua Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório a interessa contesta o parecer fiscal nos termos que seguem. Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.139 5 Inicialmente contesta a glosa dos valores das aquisições dos bens para revenda e de insumos adquiridos a alíquota zero alegando que. “a despeito de terem [as aquisições] sido realizadas mediante alíquota zero de PIS". os tais produtos “foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação". Nesse sentido aduz que "Mesmo quando o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero. paga. embutido no preço. o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos. adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo". A corroborar sua tese traz excertos de uma decisão do STJ e de outras do Conselho de Contribuintes. Conclui. então. que as aquisições de produtos tributados pela presente contribuição a alíquota zero. não se tratam "de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições. e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3°. parágrafo 2° da Lei 10.637/02". E acrescenta que a própria legislação. no caso a Lei n° 11.033/04. em seu artigo 17. autoriza a manutenção dos créditos em situações como a presente. Quanto aos valores dos fretes relativos às operações de aquisição de insumos. alega que não procedem as duas razões motivadoras das glosas postas pela autoridade fiscal pois os CTRC indicados estão vinculados ao transporte de aves. ou seja. de insumos utilizados em seu processo produtivo. Em relação as glosas dos valores referentes a fretes nas operações de venda. relativos: CTRCs cujas notas fiscais não se encontrariam escrituradas no Livro Registro de Saídas. alega que não tem condições de contestaas pois não teria como identificar "quais são as notas fiscais que não estariam registradas no aludido livro. eis que não há qualquer menção a elas na decisão ora recorrida. apresentando o fisco apenas o valor total glosado a este título". Reclama então que “teve seu direito à ampla defesa cerceado. impondose que. na dúvida. lhe sejam totalmente deferidos os créditos indevidamente glosados.". Adicionalmente argumenta que. mesmo que assim não fosse. ainda assim improcedentes seriam as glosas. uma vez que a legislação de regência não impõe a escrituração de notas Fiscais em Livros Registro de Saídas como condição à geração de créditos. Aduz que o direito ao credito está vinculado "ao efetivo valor de frete suportado. desde que se refira a serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no Pais" e conclui que "comprovado que o frete realmente foi um custo incorrido pela Recorrente. a glosa fiscal aqui tratada não merece prosperar". Já em relação as despesas de fretes entre estabelecimentos da própria empresa. defende que "com base na lei e nas soluções de consulta da Receita Federal. conferem direito a créditos de PIS". entre outros: (...) Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.140 6 c) transferência de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento distribuidor da mesmo pessoa jurídica; d) serviços de transporte (adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais) de insumos, de um estabelecimento a outro da mesmo pessoa jurídica, sendo esse deslocamento necessário à inserção desse insumo no processo produtivo desenvolvido no estabelecimento de destino. e) transporte de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente. E conclui que comprovado o direito ao credito referente a despesas de "serviços de transporte relativos a transferências essenciais ao processo produtivo" as glosas dos valores correspondentes não devem ser mantidas. "eis que tratam de créditos a título de frete apropriados nos exatos termos das leis que regulamentam esta questão". Das glosas referentes aos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado. a interessada manifestase concordando com a glosa em relação aos "Juros Capitaliz. Operacional" e "Construções Civis e Benfeitorias". Todavia contesta a glosa dos valores referentes aos moveis e utensílios. computadores ou softwares alegando que todos esses bens. indistintamente. fazem parte do seu processo produtivo. gerando portanto o direito ao credito pretendido. a teor das soluções de consulta da RFB cujas ementas transcrevo. Explica. então. a utilização dos bens em questão. como segue: Com efeito, em seus parques industriais se utiliza de mesas de corte e cadeiras para seus funcionários, sendo estes utencílios essenciais ao seus processos produtivos, como bem se observa por meio das fotos anexas, tiradas, exemplificativamente, da fábrica localizada em Seara/Santa Catarina (doc. 03) O mesmo ocorre em relação aos computadores e softwares, tendo em vista que a Recorrente os utiliza em todas as suas fábricas, a exemplo daquelas destinadas a produção de rações, onde controlam a mistura e composição de rações, monitorando itens como o peso, quantidade, etc. Vide, também neste contexto, as fotos anexas, que bem comprovam a utilização dos computadores na fabrica da Recorrente localizada em Seara/Santa Catarina (doc. 4) No que concerne ao crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial. a interessada inicialmente insurgese contra a glosa dos valores da aquisições junto a pessoas jurídicas. alegando: Desta forma, no entendimento da fiscalização, a Recorrente somente teria direito ao crédito presumido sobre os valores relativos às aquisições de pessoas jurídicas beneficiadas com a Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.141 7 suspensão da contribuição ao PIS, conferida pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/04, a partir de 04/04/2006, visto que somente a partir desta data a IN SRF nº 636/2006 regulamentou tal suspensão. Ocorre que, de acordo com tal entendimento, a fiscalização deveria ter efetuado a inclusão de tais aquisições na rúbrica "bens utilizados como insumos" e, portanto, ter concedido a Recorrente o direito ao crédito do PIS sobre tais aquisições mediante a aplicação da alíquota integral de 1,65%. Isto porque, com base na premissa fixada pela fiscalização que somente a partir de 04/04/2006 foi possível efetuar vendas com a suspensão da contribuição para o PIS, inferese, por conclusão lógica, que as aquisições realizadas pela recorrente até 04/04/2006 sofreram a tributação pelo PIS, o que, pela sistemática da nãocumulatividade, gera o inquestionável direito da Recorrente apropriarse dos créditos correspondentes! Quanto a alíquota de 0.5775%, utilizada pela Autoridade Fiscal nos cálculos do credito presumido. argumenta. a interessada. ser esta equivocada. considerando que o critério eleito pelo legislador para determinar o calculo do beneficio do credito presumido não e o insumo c sim o produto produzido pela empresa c que seu objetivo social que consiste. entre outros. a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos. bovinos e outros animais que convier. observada a respectiva classificação nos Capitulos 2 e 16 da TIPI bem como nos códigos 15.01 da NCM (doc. 02) calculou corretamente o credito presumido da Contribuição para o pis à alíquota de 0,99%. tendo em vista que os produtos produzidos pela mesma encontramse classificados nos códigos constantes do inciso l do § 3°. art. 8” do mencionado diploma legal. A contribuinte defende. ainda. ter direito a credito em relação aos “custos com a subcontratação de serviços de transporte de carga prestados por pessoa física. por força do disposto nos §§ 19 e 20 do art. 3° da Lei nº 10.833/2003 considerando ser uma de suas atividades empresariais. conforme consta de seu objeto social (doc. 02). a prestação de serviços de transporte de cargas. Salienta que: (..) a fiscalização reconhece que a Recorrente é uma empresa prestadora de serviços de transporte de cargas, o que significa que, mesmo prestando operações de transporte em benefício próprio, tem inquestionável direito aos créditos de PIS ora glosados, na medida em que NÃO HÁ QUALQUER ÓBICE LEGAL PARA TANTO. Diante de todo o exposto. requer o acolhimento de sua Manifestação d Inconformidade para que reste deferido seu pleito. Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Os fundamentos do Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.142 8 voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÃO. Quando o contribuinte adquire bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições nãocumulativas, por disposição legal expressa, não tem direito a crédito sobre tais aquisições, independentemente de suas vendas serem ou não tributadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma “operação de venda”, não gerando crédito, portanto. o frete relacionado ao mero deslocamento de insumos ou produtos entre estabelecimentos da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A despesa com frete na aquisição de um bem integra o valor deste, para fins de compor a base de cálculo do crédito, quando o bem seja utilizado como insumo, o serviço seja contratado com pessoa jurídica domiciliada no País e o custo seja suportado pelo adquirente do insumo REGIME DA NAOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA CONFORME NATUREZA DO INSUMO. A natureza da atividade da empresa é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento de credito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇO DE TRANSPORTE PRESTADO POR PESSOA FISICA. Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.143 9 A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que sub contratar serviços de transporte de carga prestados por pessoa física, poderá descontar. da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre os valores dos pagamentos efetuados por esses serviços, desde que estes tenham sido por ela utilizados como insumo na prestação de serviço destinados à venda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição. compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para O PIS e da Cofins. nãocumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo Dacon. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.144 10 A lide versa sobre a exigência de Contribuição para o PIS/Pasep apurada no Regime da Não Cumulatividade, e decorre da glosa de determinados créditos requeridos pela contribuinte. A este respeito, esclarecese que as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 instituíram um sistema legal de abatimento de créditos em relação a determinados gastos, apurados mediante a aplicação das alíquotas especificadas para estas contribuições (1,65% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins). O legislador adotou o critério de listar expressamente os bens e serviços capazes de gerar créditos, dispostos no artigo 3º destas leis: Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.145 11 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifo nosso) Como se percebe, as hipóteses passíveis de geração de créditos não abarcam a totalidade das despesas e custos que as pessoas jurídicas possuem, estando ausentes, por exemplo, as despesas financeiras. Ressaltese que tais despesas, originalmente, geravam direito a créditos, mas esta possibilidade foi extinta pela Lei nº 10.865 de 30 de abril de 2004. A hipótese de geração de créditos que mais gera controvérsia entre o Fisco e os contribuintes referese ao inciso II deste artigo, que permite o creditamento em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O termo insumos, de origem econômica, traduzido do termo inglês input, compreende, de um modo geral, bens ou serviços utilizados na produção de um outro bem ou serviço. Inclui, em sua acepção mais ampla, cada um dos elementos que entram no processo de produção de mercadorias ou serviços, e são necessários para a sua produção, tais como matériasprimas, bens intermediários, máquinas e equipamentos, capital e trabalho humano. Diferentemente dos bens adquiridos para revenda, os insumos são comprados pelos produtores ou prestadores de serviço para consumo em suas atividades. Na indústria, podem integrar o produto final, como as matérias primas, podem servir para alimentação de máquinas, como os combustíveis, ou podem ser utilizados para a manutenção do parque fabril, como os lubrificantes. Insumo, desta forma, pode ser entendido como todos os fatores de produção que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços, sejam eles diretos, como as matériasprimas, ou indiretos, como a mãodeobra, energia, e os tributos. O vocábulo, em seu sentido jurídico, foi desta forma conceituado por Maria Helena Diniz: Insumo. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.146 12 entra (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributo), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços. 1 Marco Aurélio Greco2 distingue os insumos em econômicos e funcionais. Insumos econômicos seriam aqueles que incluem os fatores de produção, como o capital e o trabalho; já os funcionais englobam todos os elementos que integram o processo produtivo, como máquinas, equipamentos, matériasprimas, trabalho humano, embalagens, etc.. Observase, todavia, que nem toda aquisição de bens nãoduráveis será caracterizada como compra de insumo. É necessário que as despesas sejam relacionadas às atividades da pessoa jurídica. Desta forma, despesas com familiares de executivos, por exemplo, nunca são considerados insumos, mesmo que tenham sido custeadas pela pessoa jurídica. Analisandose os elementos que permitem o desconto de créditos na Contribuição para o PIS/Pasep e na Cofins, verificase que eles tomam por base bens adquiridos para revenda (inciso I), bens do ativo permanente (incisos VI e VII), insumos necessários à produção (inciso II), serviços (inciso IX), bem como outros custos e despesas incorridos com a atividade empresarial (incisos III, IV, V e X). Da análise das hipóteses acima expostas, constatase que os créditos abrangem, de forma selecionada, insumos econômicos e funcionais. Observase ainda que, dentre as hipóteses passíveis de geração de créditos, o inciso II do artigo 3º das leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permite o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo “insumos”, incluído dentre as hipóteses de creditamento, que por sua vez são constituídas por “insumos” em significado amplo, como não poderia deixar de ser, gerou uma infinidade de divergências em relação ao seu significado. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão competente para emissão de normas complementares referentes ao sistema tributário nacional, definiu como insumos apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem que sejam utilizados em "ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação"3. Adotouse, nestes atos, o entendimento exposto no Parecer Normativo COSIT n° 65/79 acerca do conceito de insumos – tal ato, contudo, versa sobre o IPI. Alguns julgados deste Conselho, de forma diametralmente oposta, defendem que o conceito de insumo aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins deve ser o mesmo aplicável ao Imposto de Renda, baseado em que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. 1 DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. Vol 2, São Paulo: Saraiva, 1988, p. 870 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, p. 113 3 Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, art. 66, §5º e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, art. 8º, §4º. Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.147 13 Entendem, desta forma, que a materialidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é mais próxima daquela estabelecida para o IRPJ do que daquela prevista para o IPI. Assim sendo, baseado na natureza das respectivas hipóteses de incidência (receita/lucro/industrialização), o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ (artigo 290 do RIR/99), bem como o de despesas operacionais previsto no artigo 299 do RIR/99, seria mais próprio de ser aplicado a estas contribuições do que o conceito previsto na legislação do IPI. Entendo, contudo, que a melhor forma de definição conceito de insumos passa pela análise da figura tributária ao qual este conceito foi estabelecido, qual seja da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. E, tendo em vista que o cerne de uma figura tributária é a sua materialidade econômica, no caso das contribuições em tela esta definição exige que se verifique “a receita ou o faturamento”, nos termos da CF/88, e mais especificadamente a receita bruta, ou “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, conforme previsto pelas leis nº 10.833/03 e 10.637/02. Este entendimento inviabiliza a defesa do conceito de insumos estabelecido pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, que reproduzem o conceito de insumos estabelecido pela legislação do IPI. Esclarecese que o IPI possui como elemento nuclear as operações de industrialização, assim entendidas aquelas que modificam a natureza ou a finalidade de produtos, ou os aperfeiçoem para o consumo, fato jurídico com profundas diferenças em relação às contribuições em tela. Em que pese a receita bruta de uma pessoa jurídica ter por base, entre outras receitas, aquelas decorrentes de operações de industrialização, a materialidade jurídica receita em nada corresponde a destas operações. Da mesma forma, não se mostra apropriada a utilização do conceito de insumos adotado na legislação do Imposto de Renda. Este tributo incide sobre o acréscimo patrimonial da pessoa jurídica, denominado renda ou lucro. Não se confunde, de forma alguma, com receita bruta, que possui sentido bem mais amplo, compreendendo qualquer quantia percebida. Mesmo que se possa falar que a materialidade jurídica “renda” é mais próxima a “receita” do que “operações de industrialização”, ainda assim as diferenças entre estas figuras impedem que se adote, pura e simplesmente, os entendimentos já consolidados na legislação do Imposto de Renda para a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Desta forma, a busca do conceito de insumos para estas contribuições impõe que se verifique a base econômica destas, ou seja, a receita bruta. Por outro ângulo, tendo em vista a ausência de uma verdadeira cadeia econômica relacionada à receita bruta, posto dizer respeito a cada contribuinte individualmente considerado, as proposições existentes para as demais exações tributadas pelo regime da não Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.148 14 cumulatividade, quais sejam o IPI e o ICMS, tampouco podem ser utilizadas sem que sejam feitas as devidas adaptações. Assim sendo, em consonância com o pensamento de Marco Aurélio Greco4, mostrase necessário, para definição do conceito de insumos, a visualização do processo formativo da receita daquela pessoa jurídica. E este processo formativo da receita inclui todos os elementos, sejam eles físicos ou funcionais, necessários para a obtenção desta receita. Claro que este entendimento não pode vir dissociado das hipóteses previstas na legislação como passíveis da geração de créditos. O legislador especificou, no artigo 3º das leis 10.637/02 e 10.833/03, quais situações passíveis de geração de créditos, deixando de fora desta lista determinados custos e despesas. Caso a lei tivesse por objetivo adotar a generalidade, bastaria fazer uma alusão genérica a toda e qualquer despesa ocorrida e que estivesse sujeita, anteriormente, à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins. Como esta não foi a forma adotada pela legislação, não se pode entender como insumos despesas que dizem respeito a todo e qualquer aspecto da atividade de uma empresa. Pois bem, o artigo 3º destas leis, ao falar de “insumos”, restringe aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes a prestação de serviços ou a produção de bens, tais como as despesas financeiras. Isto não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II deste artigo. Pelo mesmo raciocínio, as despesas administrativas, por não terem relação ao processo formativo da receita na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens, não geram direito a crédito. Outro aspecto importante para a definição de determinado bem como insumo é o momento em que este bem é utilizado, se antes, durante ou após o término do processo produtivo. Como já esclarecido, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, de forma que os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não são considerados insumos para fins de geração de créditos. 4 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, pp. 112122 Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.149 15 Do exposto, conceituamos insumo para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como sendo toda aquisição de bens ou serviços necessários para a percepção de receitas decorrentes da prestação de serviços ou da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade, ou por serem necessárias a outras atividades desta pessoa jurídica. Também não se enquadram como insumos os bens destinados ao ativo imobilizado, posto que os créditos referentes a estes bens estão incluídos em hipóteses distintas de creditamento, e devem ser apropriados por meio de calculo de depreciação. Ultrapassadas as exposições iniciais sobre a matéria, é possível adentrarmos na lide propriamente dita. Bens adquiridos para revenda operações sujeitas à alíquota zero Foram glosados os créditos referentes a produtos adquiridos cujas receitas encontravamse sujeitas à alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A recorrente contesta a glosa, afirmando que os produtos correspondem a matériaprima utilizada em seu processo industrial, e que tem direito ao crédito em relação às aquisições, "[...] na medida em que, a despeito de terem sido realizadas mediante alíquota zero de PIS, é fato incontestável que foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação." Explicitada a divergência, esclarecese que os incisos II dos parágrafos 2º dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 determinam que não gera direito a crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições: Art. 3o [...] § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (grifo nosso) Os créditos foram glosados devido aos produtos estarem sujeitos à alíquota zero para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. Pois bem, a principal característica da figura tributária da alíquota zero é justamente a que ela resulta em uma exigibilidade nula, ou seja, não sujeita a operação ao pagamento da contribuição. Em restando incontroverso que as mercadorias adquiridas sujeitavamse a alíquota zero, mostrase incorreta a apropriação de créditos pela recorrente. Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.150 16 Desta feita, tendo em vista o disposto no inciso II do parágrafo 2º do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal. Insumos Serviços de transporte utilizados na aquisição de bens Em relação aos créditos apropriados pela recorrente relativos a fretes na aquisição de insumos, a autoridade fiscal glosou os créditos em relação aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) apresentados pela recorrente para comprovação dos créditos que não informavam a Nota Fiscal a que estavam vinculados. Justificou a glosa afirmando que tais documentos não são suficientes para comprovar o direito creditório. Foram glosados ainda os créditos referentes a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram na memória de cálculo do crédito do período e que, portanto, não configurariam frete na compra de bens utilizados como insumos. A recorrente contesta a glosa, afirmando que os fretes referiamse ao transporte de aves, insumo de seu processo produtivo, o que daria o direito ao crédito. Afirma ainda que: A fim de corroborar tais alegações requer a Recorrente a juntada das planilhas comprovando o vínculo da nota fiscal de compra de insumos com a nota fiscal de frete, relacionando, ainda, os números dos CFOP's e CTRCs De fato, conforme defendido pela recorrente, o frete pago na aquisição de insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep da Cofins no regime da não cumulatividade. A autoridade fiscal não contesta o direito ao crédito da recorrente em relação aos gastos com fretes nas aquisições de insumos de seu processo produtivo. A glosa decorre da falta de comprovação da natureza dos dispêndios, de que o frete, de fato, referese a aquisição de insumos. Mostrase necessário, neste ponto, alguns esclarecimentos acerca da repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. O artigo 333 do Código de Processo Civil disciplina a distribuição do ônus probatório da seguinte forma: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.151 17 Estatuiuse por meio desta norma que o ônus da prova no processo civil incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Comentando esse art. 333, Humberto Theodoro Júnior sustenta que: Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito. Quando, todavia, o réu se defende através de defesa indireta, invocando fato capaz de alterar ou eliminar as conseqüências jurídicas daquele outro fato invocado pelo autor, a regra invertese. É que, ao se basear em fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do autor, o réu implicitamente admitiu como verídico o fato básico da petição inicial, ou seja, aquele que causou o aparecimento do direito que, posteriormente, veio a sofrer as conseqüências do evento a que alude a contestação. O fato constitutivo do direito do autor tornouse, destarte, incontroverso, dispensando, por isso mesmo, a respectiva prova (art. 334, n.º III). 5 Aplicandose este conceito à lide tributária, podese afirmar que à autoridade lançadora incumbe o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que deseja imputar ao contribuinte, enquanto que ao contribuinte incumbe provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. À legislação processual administrativotributária inclui disposições que reproduzem este conceito. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235/1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". A distribuição do ônus da prova possui ainda certas características quando se trata de glosa de créditos do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 5 THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Forense, São Paulo, 23ª ed., 1998, p. 424. Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.152 18 Esclarecese, sucintamente, que para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins a não cumulatividade consiste na possibilidade de se deduzir, do valor a ser recolhido, créditos calculados sobre encargos da pessoa jurídica, tais como matériaprima, energia elétrica e aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. Desta forma, neste regime mantémse a premissa de que compete a autoridade fiscal comprovar a ausência de recolhimentos em relação matéria tributável desta contribuições, qual seja a receita bruta do contribuinte. Quanto aos créditos, todavia, diante das particularidades deste regime tributário, estes se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja a de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Assim, em sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Desta forma, o direito aos créditos da não cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Exigese, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Caso o contribuinte não comprove possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. No tocante a realização de diligências probatórias, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, é preciso ter em conta que as diligências não podem ter por finalidade suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso em análise, ao contribuinte cumpre o ônus de trazer os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.153 19 processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é lícito ao julgador dispensar a autoridade fiscal ou o contribuinte, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Retornandose a análise da lide, constatase que a recorrente não trouxe aos autos nenhum documento capaz de comprovar sua afirmação de que os fretes referiamse ao transporte de aves. Nem mesmo a planilha a que fez alusão em seu Recurso Voluntário foi anexada. Os CTRC apresentados pela recorrente, posto não informarem a nota fiscal referente aos insumos que afirma estar adquirindo, não são suficientes para comprovar que o transporte se refere a aquisição de mercadorias. A Nota Fiscal é o instrumento que formaliza a aquisição dos insumos. A ausência desta informação no CTRC impede que se tenha segurança de que a carga transportada se refira a insumos adquiridos. Desta forma, os bens podem estar sendo transportados por diferentes finalidades, não sendo possível ter certeza de que se refere a aquisição de insumos. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.154 20 Desta forma, tendo em vista que cumpre à contribuinte o ônus de comprovar seu direito creditório, e que os documentos anexados não se prestam a tal finalidade, mostrase correta a glosa de créditos promovida pela autoridade fiscal. Fretes na operação de venda falta de comprovação A autoridade fiscal glosou os créditos requeridos vinculados a fretes na operação de venda relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período. A recorrente contesta a glosa, afirmando que os CTRCs que a administração alegou que não seriam vinculados às notas fiscais se referiam a aquisições de aves vivas, consideradas insumos no seu processo produtivo. Esclarece que um único transportador é responsável pelo transporte de aves de diversos produtores, recolhendo as aves em cada estabelecimento dos criadores durante um único transporte, e por conseqüência emite somente um CTRC. Assim sendo, no momento que os CTRCs são emitidos, a transportadora não possui conhecimento de quais notas fiscais irão acompanhar o transporte de aves vivas e, por tal razão, emitese os CTRCs sem a descrição da nota fiscal correspondente. Em atenção ao arguido, constatase inicialmente que a recorrente modifica a natureza do direito creditório requerido: os créditos declarados em seu Dacon como sendo referentes a frete na operação de venda agora são apresentados como sendo frete na aquisição de insumos. Observase, ainda, que a recorrente não apresenta nenhum documento comprobatório do que alega. Restringese a afirmar que possui direito aos créditos, mas novamente deixa de cumprir com seu ônus probatório. Em sendo esta a situação em tela, tendo em vista a falta de comprovação de seu direito creditório, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal em relação créditos a fretes na operação de venda relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período. Fretes na operação de venda transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Foram glosados créditos vinculados a fretes na operação de venda em que foi constatado corresponderem a transferência de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e estabelecimentos distribuidores, não integrando a operação de venda a ser realizada posteriormente. A glosa foi promovida tomando por base o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) de saída do produto informado pela recorrente, em relação as seguintes operações: 5151 Transferência de produção do estabelecimento 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5451 Remessa de animal e de insumo para estabelecimento produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.155 21 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 5910 Remessa em bonificação, doação ou brinde 5914 Remessa de mercadoria ou bem para exposição ou feira 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem 5949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado 6151 Transferência de produção do estabelecimento 6152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 6501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 6503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 6910 Remessa em bonificação, doação ou brinde 6923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem 6949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado 7949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado A recorrente contesta a glosa, afirmando que, muito embora não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados às vendas ou ao processo produtivo, o que daria direito ao crédito de PIS/COFINS. Em atenção ao alegado, esclarecese que o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 determina o direito ao desconto de créditos em relação a gastos com armazenagem e frete na operação de venda relacionados a produtos adquiridos para revenda ou a insumos de seu processo produtivo: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.(grifo nosso) O artigo 15, inciso II, da Lei nº 10.833/2003 expressamente confere o direito ao crédito em relação a Contribuição para o PIS/Pasep. Pois bem, do citado dispositivo, extraise que gera direito ao crédito o pagamento de serviços de frete nas operações de venda. Não abarca, desta forma, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria contribuinte, que por não integrarem uma operação de venda, não possibilitam a apropriação de créditos. A recorrente afirma ainda alguns destes fretes tem por objeto o transporte de insumos de seu processo produtivo. Em análise aos CFOP de saída que foram objeto de glosa, constatase que estes abarcam o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria recorrente. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.156 22 Como explicitado no início deste voto, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, não sendo possível considerar o produto já acabado, após a etapa de produção, como insumos para fins de geração de créditos. Desta forma, mostramse corretas as glosas promovidas em relação aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 5910, 5914, 5949, 6151, 6152, 6151, 6152, 6501, 6503, 6910, 6923, 6949 e 7949. O CFOP 5451, contudo, referese a remessa de animal e de insumo para estabelecimento produtor. A recorrente informa que se tratam de remessas de insumos relacionados ao seu processo produtivo, por meio de um sistema integrado de parceria rural com pequenos produtores. Da mesma forma, os CFOPs 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros também dizem respeito ao seu processo produtivo. Estes fretes, portanto, tem por objeto o transporte de insumos de seu processo produtivo, o que gera direito ao crédito. Quanto aos CFOPs 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação e 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem, os mesmos correspondem a frete na operação de venda, o que gera direito a crédito. Desta forma, deve ser revista a glosa dos créditos relacionados aos fretes relacionados as saídas no CFOP 5451, 5152, 5501 e 5923 mantendo os demais créditos glosados. Depreciação de bens do Ativo Imobilizado Foram glosados os créditos com depreciação de bens do ativo imobilizado apropriados referentes as contas "Juros e Capitalização Operacional", "Construções Civis e Benfeitorias", "Software Imobilizado" e "Área Administrativa", devido a não serem utilizados na produção de bens destinados à venda. A recorrente contesta a glosa, afirmando que todo o processo industrial depende destes itens, que estariam diretamente vinculados ao seu processo produtivo. Em atenção ao alegado, esclarecese que os incisos VI dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 determinam o direito ao desconto de créditos em relação aos encargos de depreciação referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda de seu processo produtivo: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.157 23 venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Os bens do Ativo Imobilizado, desta forma, para conceder direito ao crédito, precisam estar vinculados ao processo produtivo da contribuinte. Não se incluem nesta hipótese os bens do ativo imobilizado utilizados em outras atividades, como, por exemplo, os equipamentos utilizados nas áreas administrativa e comercial. As glosas correspondem as contas "Juros e Capitalização Operacional", "Construções Civis e Benfeitorias", "Software Imobilizado" e "Área Administrativa". De pronto, verificase que os gastos referentes as contas "Juros e Capitalização Operacional" e "Área Administrativa" não tem nenhuma relação como seu processo produtivo, de forma que não geram direito ao crédito pleiteado. Quanto às contas "Construções Civis e Benfeitorias" e "Software Imobilizado", que pela descrição poderiam incluir tanto bens utilizados em seu processo produtivo como nas demais atividades da empresa, a recorrente restringese a vociferar a vinculação ao seu processo produtivo, sem, contudo, explicitar quais os bens a que se refere, com a efetiva utilização. A recorrente, além de não descrever de forma individualizada os bens a que se refere, não apresenta nenhum documento passível de comprovar que são efetivamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Em sendo estes os fatos em julgamento, constatada a falta de comprovação do seu direito creditório, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal. Crédito presumido da agroindústria A autoridade fiscal glosou o crédito presumido da agroindústria, previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/04, referente a aquisições de pessoas jurídicas, com base no entendimento de que a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins prevista no artigo 9º da Lei nº 10.925/04 passou a vigorar somente a partir de 04/04/2006, após a regulamentação do referido dispositivo legal pela IN SRF 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF 660/2006. Foram ainda glosados os créditos presumidos da agroindústria referentes a aquisição de mercadorias para revenda, bem como foram modificados os percentuais aplicados em relação a determinadas mercadorias adquiridas que explicita. A recorrente contesta as glosas afirmando que os bens adquiridos correspondem a insumos, e que teria aplicado o percentual correto. Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.158 24 A recorrente não contesta a glosa referente a aquisições de pessoas jurídicas, requerendo, contudo, que seja reconhecido o crédito integral de PIS sobre as aquisições realizadas no período envolvido. Exposta a lide, a glosa referese ao crédito presumido previsto pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe (redação vigente à época dos fatos geradores): Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.159 25 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O dispositivo estabelece que o crédito presumido decorrente das aquisições que menciona somente pode ser deduzido do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime da não cumulatividade. Não esta prevista, portanto, a hipótese de ressarcimento ou da utilização deste crédito presumido na compensação com outros débitos tributários. O próprio art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, que prevê a possibilidade de compensação e ressarcimento de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, restringe aos créditos apurados na forma do art. 3º da referida lei. Assim sendo, por falta de previsão legal, concluise que a recorrente não possui direito ao ressarcimento dos créditos presumidos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. Resta verificar ainda o pedido da recorrente referente às aquisições de pessoas jurídicas, para que seja reconhecido o crédito integral de PIS sobre as aquisições realizadas no período envolvido. A questão versa sobre o termo inicial da vigência da suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação às vendas efetuadas por empresas cerealistas e cooperativas às agroindústrias. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.160 26 A suspensão da incidência das contribuições foi estabelecida pela Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que em seu artigo 9º assim dispõe: Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifo nosso) Constatase que a referida suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins abrangia a receita com a venda dos produtos in natura de origem vegetal efetuada por cerealistas e cooperativas agropecuárias. Os contribuintes, contudo, deveriam atender aos termos e condições estabelecidas pela RFB. O artigo 17 desta Lei estabeleceu que a norma produziria efeitos a partir de 1º/08/2004: Art. 17. Produz efeitos: [...] III – a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei. (grifo nosso) Posteriormente, em 29/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.051, alterando a redação deste dispositivo, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.161 27 § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF." (NR) (grifo nosso) A nova redação, em que pese ter ampliado o benefício, não alterou a situação dos cerealistas e cooperativas que já possuíam o direito a suspensão. Mantevese ainda a necessidade de se atender aos termos e condições estabelecidos pela RFB. O artigo 34 desta Lei definiu o início da produção de efeitos desta alteração para 29/12/2004: Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1o de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11 a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação. Verificase ainda que a RFB, em que pese a Lei nº 10.925 ter sido publicada em 23 de julho de 2004, apenas em 24 de março de 2006, por meio da Instrução Normativa SRF nº 636, estabeleceu as condições para o exercício do direito da suspensão da incidência do PIS e da Cofins. Este ato normativo produziu de efeitos para a partir de 1º/8/2004, conforme previsto em seu artigo 5º : Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. A IN SRFnº 636/2006 foi revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, que passou a dispor sobre a matéria. O artigo 11 desta IN estabeleceu que seus dispositivos produziriam efeitos, em relação à suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, a partir de 4/4/2006: Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I – em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. (grifo nosso) Ultrapassada a exposição dos dispositivos que regem a matéria, resta definir qual o marco inicial da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o Pis/Pasep e da Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.162 28 Cofins: se a partir de 1º/8/2004, conforme previsto no artigo 17 da Lei nº 10.925/2004 e no artigo 5º da IN SRF nº 636/2006, ou se a partir de 4/4/2006, como estabelecido pelo artigo 11, inciso I da IN SRF nº 660/2006. Observo que a questão já foi examinada e definida com muita propriedade pelo STJ, em acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. SÚMULA 284/STF. PIS/COFINS. SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA. 1. Não se conhece de Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Hipótese em que se discute a data a partir da qual passou a ter eficácia o benefício de suspensão da incidência do PIS/Cofins, previsto no art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004. O Tribunal de origem entendeu que o termo seria 30.12.2004 (publicação da Lei 11.051/2004). 3. O Fisco aponta ofensa ao art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, que remeteria o termo inicial do benefício à regulamentação. Defende a suspensão da incidência a partir de 4.4.2006, data prevista na IN SRF 660/2006 (argumento principal). 4. Também indica violação do art. 34, II, da Lei 11.051/2004. Sustenta que a suspensão da exigibilidade não poderia ter eficácia antes de 1º. 4.2005, conforme previsto nesse dispositivo legal (argumento subsidiário). 5. O art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, faz referência aos "termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF”, para fins de aplicação do benefício fiscal. A Fazenda defende que este benefício, portanto, é previsto por norma de eficácia limitada, a depender da disciplina pela SRF para sua aplicação. 6. A primeira Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal que regulou a matéria foi a IN SRF 636, publicada em 4.4.2006. Seu art. 5º previa o início de vigência retroativamente, a partir de 1º.8.2004, data prevista consoante o art. 17, III, da Lei 10.925/2004 como termo inicial do benefício de suspensão da incidência do PIS/Cofins. 7. A IN SRF 636/2006 não tem, por si só, o condão de infirmar o acórdão recorrido, pois, logicamente, o confronto dessas duas normas (IN SRF 636/2006 e Lei 11.051/2004) permite apenas reconhecer o benefício a partir de 30.12.2004 (data mais recente, entre o início de eficácia da IN SRF 636/2006 – 1º.8.2004 – e o da Lei 11.051/2004 – 30.12.2004), como decidiu o Tribunal a quo. Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.163 29 8. A Fazenda Nacional defende que a posterior IN SRF 660, publicada em 25 de julho de 2006, revogou a IN SRF 636/2006 (publicada em 4.4.2006, previa o início de eficácia retroativamente, a partir de 1º. 8.2004) e acabou com a previsão de retroatividade do benefício. Essa segunda IN determinou que o benefício teria eficácia somente a partir de 4.4.2006, quando publicada a primeira Instrução (argumento principal). 9. É como se a Receita Federal tivesse, com a IN SRF 660/2006, mudado de idéia e passado a reconhecer o início de eficácia não mais retroativamente, em 1º.8.2004 (como previa o art. 5º da IN SRF 636/2006), mas apenas em 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006). Esse argumento não pode subsistir. 10. O benefício da suspensão de incidência do PIS/Cofins foi claramente concedido em favor da contribuinte pela Lei 11.051, publicada em 30.12.2004, que deu nova redação ao art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal (IN SRF 636 e 660 de 2006) não trouxeram inovações significativas em relação à normatização da matéria, restringindose a repetir e a detalhar minimamente a norma legal. 11. Ademais, ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tem característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação foi viabilizada pela publicação da IN SRF 636/2006, cujo art. 5º previu sua entrada em "vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004” (fato incontroverso). 12. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito dos contribuintes à fruição do benefício a partir de 1º. 8.2004; no caso da contribuinte, desde 30.12.2004 (data de publicação da Lei 11.051, que ampliou o benefício em seu favor). 13. De fato, o acolhimento do pleito da Fazenda significaria impedir o aproveitamento do benefício entre 30.12.2004 (data da ampliação da suspensão em favor da contribuinte pela Lei 11.051/2004) e 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006), o que já havia sido reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal quando da publicação da IN SRF 636/2006 (art. 5º desse normativo). 14. Segundo a Fazenda Nacional, ainda que não se aceite 4.4.2006 como termo inicial para o benefício (data prevista na IN SRF 636/2006), impossível reconhecêlo antes de 1º. 4.2005 (data prevista no citado art. 34, II, da Lei 11.051/2004 – argumento subsidiário). 15. Há erro no argumento subsidiário da recorrente, pois a discussão recursal referese ao art. 9º da Lei 10.925/2004 (suspensão da incidência do PIS/Cofins) e não ao art. 9º da Lei 11.051/2004 (crédito presumido). Foi o benefício do crédito Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.164 30 presumido que teve sua eficácia diferida para o primeiro dia do 4º mês subseqüente ao da publicação (art. 34, II, da Lei 11.051/2004), mas isso não tem relação com o presente litígio. 16. A alteração do art. 9º da Lei 10.925/2004, ampliando o benefício fiscal de suspensão de incidência do PIS/Cofins em proveito da recorrida (objeto desta demanda), foi promovida pelo art. 29 da Lei 11.051/2004 (e não por seu art. 9º). Esse dispositivo legal (art. 29) passou a gerar efeitos a partir da publicação da Lei 11.051/2004, nos termos de seu art. 34, III, como decidiu o Tribunal de origem. 17. O art. 34, II, da Lei 11.051/2005, suscitado pela Fazenda, referese à matéria estranha ao debate recursal, de modo que carece de comando suficiente para infirmar o fundamento do acórdão recorrido. Aplicase, nesse ponto, o disposto na Súmula 284/STF. 18. Recurso Especial não provido. (Resp 1.160.835/RS, 2ª Turma, sessão de 13/04/2010, relator Min. Herman Benjamin) Conforme definido nesta decisão, cujos fundamentos adotase neste voto, em que pese o disposto no artigo 11, inciso I, da IN SRF nº 660/2006, a suspensão da incidência do PIS e da Cofins iniciase em 1º de agosto de 2004, conforme previsto no art. 17 da Lei nº 10.925/2004. Assim sendo, tendo em vista que os créditos glosados referiamse a receitas cuja incidência do PIS e da Cofins encontravase suspensa, os mesmos permitem a apropriação do crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. Observase, contudo, conforma já explicitado, que o nosso ordenamento jurídico não permite o Ressarcimento ou a Compensação do crédito presumido da agroindústria, apenas o desconto no valor da contribuição devida, o que impede a homologação da compensação declarada. Desta forma, mostrase correta a autoridade fiscal ao negar direito à compensação do crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, restando prejudicados os demais argumentos. Outros créditos a descontar Tratase de hipótese de crédito prevista no §§ 19 e 20 do art. 3o e inciso II do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003, na redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, relacionada a empresa de serviço de transporte rodoviário de carga, e incidente sobre o valor dos pagamentos de serviços de transporte de carga prestados por pessoa física, transportador autônomo, e pessoa jurídica transportadora optante do Simples. A autoridade fiscal procedeu com a glosa dos créditos por constatar que a recorrente não presta serviços de transporte rodoviário de carga. Os códigos Cnae, relativos a esse tipo de serviço, atribuídos a algumas de suas filiais, teriam servido apenas para a emissão de conhecimentos de carga cujo tomador do serviço é a própria empresa Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.165 31 A recorrente, a seu turno, justifica o direito ao crédito pois a atividade de transporte de carga estaria descrita em seu objeto social. Delimitada a controvérsia, transcrevese abaixo os dispositivos que permitem o direito ao crédito: Artigo 3º [...] § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (grifo nosso) Segundo tal dispositivo, o que gera direito ao crédito é a subcontratação de serviços de transporte de cargas. Não basta, portanto, a atividade de transporte de carga estaria descrita no objeto social da empresa, ela precisa realizar uma subcontratação de serviços de transporte de cargas. Tratase de espécie de contrato amplamente utilizada no segmento de transportes, mediante o qual as empresas transportadoras subcontratam outras empresas do mesmo ramo de atividade ou transportadores autônomos de cargas para cumprirem parte do percurso constante de Conhecimento de Transporte. Ela pressupõe a existência de uma operação prévia de venda de serviços de transporte, na qual a empresa transportadora contrata a prestação de serviço de transportes com determinado cliente, emite o conhecimento de frete e recebe em seu nome o valor total da venda. A subcontratação de serviços de transporte de cargas corresponde a uma operação posterior, por meio da qual a transportadora repassa a terceiros, também empresa de transporte, um valor inferior ao recebido sem a emissão de novo documento fiscal, referente à execução parcial do serviço de transporte contratado com seu cliente. Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.166 32 Em análise aos autos, constatase que créditos glosados não correspondem a subcontratação de serviços de transportes, posto não estarem vinculados a uma prestação de serviços de transporte previamente contratada junto a recorrente. Desta forma, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, restaurando o crédito referente aos gastos com fretes que informam o CFOP 5451, 5152, 5501 e 5923, e mantendo a glosa quanto aos demais créditos. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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