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Numero do processo: 13874.000015/2005-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. NEGATIVA DE ANÁLISE DAS PROVAS JUNTADAS PELA RECORRENTE.
A Autoridade Julgadora de Primeira Instância não analisou as provas juntadas pela Recorrente sob o argumento que na fase impugnatória se analisa a impugnação e não as provas acostadas, o que resulta em inegável nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Nulidade processual que tem por objeto os atos praticados após a decisão de primeira instância, inclusive.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o processo a partir da decisão da primeira instância, inclusive, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. Sustentou pela Recorrente o Dr. Sérgio Mello Almada de Cillo, OAB/SP 246.822.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. NEGATIVA DE ANÁLISE DAS PROVAS JUNTADAS PELA RECORRENTE. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância não analisou as provas juntadas pela Recorrente sob o argumento que na fase impugnatória se analisa a impugnação e não as provas acostadas, o que resulta em inegável nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Nulidade processual que tem por objeto os atos praticados após a decisão de primeira instância, inclusive. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. NEGATIVA DE ANÁLISE DAS PROVAS JUNTADAS PELA RECORRENTE. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância não analisou as provas juntadas pela Recorrente sob o argumento que na fase impugnatória se analisa a impugnação e não as provas acostadas, o que resulta em inegável nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Nulidade processual que tem por objeto os atos praticados após a decisão de primeira instância, inclusive. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o processo a partir da decisão da primeira instância, inclusive, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. Sustentou pela Recorrente o Dr. Sérgio Mello Almada de Cillo, OAB/SP 246.822. Antonio Carlos Atulim Presidente. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 4. 00 00 15 /2 00 5- 53 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento decorrente de suposto crédito da Contribuição ao Programa de Integração Social ("PIS") relativa a receitas de exportação, apuradas no regime de incidência nãocumulativa, referente ao terceiro trimestre de 2004. A DRF/Sorocaba indeferiu o pleito da Recorrente, por meio de despacho decisório, sob o fundamento de que a Recorrente deixou de apresentar documentos e arquivos exigidos pela Fiscalização para análise do pleito. De acordo com o relatório constante nos autos, que fundamentou a negativa pelo despacho decisório, mesmo após diversas intimações a Recorrente deixou de apresentar os arquivos magnéticos com dados manipuláveis de sua escrituração contábil e fiscal de acordo com as especificações contidas na Lei n. 8.218/1991, bem assim a relação das notas fiscais que geraram créditos e débitos relativas ao trimestre em questão, inviabilizando, assim, a análise do direito creditório. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que apresentou toda a documentação em meio físico e digital, e que tais documentos teriam sido recebidos pela Fiscalização, que fez constar na informação fiscal que a Recorrente insistiu em entregar os documentos na DRF, o que não foi aceito, e ainda que disponibilizou documentos na sede da empresa. Alegou a Recorrente que chegou a levar todas as notas fiscais na Receita Federal, mas que elas foram recusadas sob a alegação de que seriam analisadas na sede da Recorrente, e que o ressarcimento referee apenas ao 4 trimestre de 2003 e ao segundo e terceiro de 2004, sendo que o pedido da Fiscalizaria extrapolaria o escopo dos trabalhos. Afirma a Recorrente que em 14 de março de 2008 entregou a quase totalidade dos documentos solicitados, tendo pedido prorrogação, sendo que os restantes foram entregues em 25 de março de 2008. E aduz a Recorrente que entregou dados contábeis da empresa em 14 de abril de 2008, e que realizou outras entregas em 25 de março de 2009 e 23 de abril de 2009. Enfim, a Recorrente defende que entregou toda a documentação. A DRJ indeferiu o pedido, sob o fundamento de que a composição do valor do crédito pretendido, por se tratar de pedido de ressarcimento, deve ser devidamente comprovado por quem o postula. Caberia a Recorrente, na visão da DRJ, o ônus da comprovação da existência do crédito postulado, bem como da demonstração dae sua composição de forma discriminada. A DRJ fundamenta o seu raciocínio no artigo 24 da IN SRF 460/2004. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13874.000015/200553 Acórdão n.º 3403003.295 S3C4T3 Fl. 6 3 De acordo com o que constou nos autos, segundo o relato da DRJ, a Recorrente não apresentou a documentação, sendo que a DRJ faz uma relação de datas e intimações demonstrando que a Recorrente foi intimada a entregar documentos posteriormente a data que alega que já os teria entregue. De acordo com a DRJ, a alegação de que o fiscal constatou que há créditos mas os indeferiu não procede, pois o que o fiscal relata é que há créditos para serem analisados, mas sem um sistema contábil e fiscal manipulável eletronicamente, sem uma relação escrita dos documentos que geraram créditos e débitos não é possível analisar o crédito como um todo. E o mesmo sucedeu com os arquivos magnéticos, motivo pelo qual a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que reproduz as alegações de sua manifestação de inconformidade e aborda que o ônus da prova caberia à Fiscalização, sustentando a entrega de toda a documentação. Aduz que a documentação acostada na Manifestação de Inconformidade deveria ter sido analisada pela DRJ e que houve cerceamento de defesa pela ausência de juntada de documentos entregues pela Recorrente. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Inicialmente, necessária a análise das preliminares arguidas pela Recorrente, pois alegou que houve cerceamento de defesa pela não apresentação de documentos que teriam sido juntados pela Recorrente aos autos e que a Decisão recorrida incorreu em falta de motivação. O presente processo é palco de contenda indesejável entre a Recorrente e as autoridades fazendárias, em que a Recorrente alega que já juntou documentos, que documentos foram recebidos pelas autoridades fazendárias e essas, por outro lado, intimaram e reintimaram inúmeras vezes a Recorrente a apresentar a documentação. E de forma contraditória a Recorrente, que afirma ter acostado toda a documentação exigida pelas autoridades fazendárias, se apega à juntada de notas fiscais em sua Manifestação de Inconformidade, demonstrando, na realidade, que não há que se falar, de nenhuma forma, em cerceamento ao direito de defesa. A Recorrente teve inúmeras oportunidades de apresentar a documentação necessária para a análise de seu crédito, tendo adotado caminho diverso e, posteriormente, indevidamente, alegou simplesmente que a documentação já havia sido entregue, mesmo tendo continuado a receber intimações da Fiscalização. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Conforme observado, no presente processo instaurouse, por conta da Recorrente, desnecessária contenda com a Fiscalização, em decorrência de documentação comprovadamente não juntada aos autos pela Recorrente mesmo após inúmeras intimações. A lide se deu principalmente em razão da postura da Recorrente de alegar que havia entregue documentação, que a documentação teria sido recebida, mesmo com o não reconhecimento por parte da Fiscalização de que as provas exigidas não foram entregues e mesmo após diversas intimações dirigidas à Recorrente para a entrega da documentação. Não obstante a Recorrente, ainda que defendendo a entrega da documentação na fase de verificação de seu crédito, juntou notas fiscais em sua Manifestação de Inconformidade que não foram reconhecidas pela DRJ sob o fundamento de que na fase impugnatória cabe apenas a análise da Manifestação de Inconformidade, mas não o mérito do pedido. Diversamente do alegado pela Recorrente, em processo de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus probatório, de modo que o contribuinte, ou melhor, a Recorrente deveria ter concorrido para fazer prova de seu crédito pleiteado, disponibilizando para a Fiscalização toda a documentação, na forma exigida, de maneira a possibilitar a devida análise de seu crédito perseguido. As provas constantes nos autos, objeto de análise, e do princípio da verdade material, apontam para o fato de que a Recorrente realmente não se desincumbiu de seu ônus probatório, tendo, como observado, adotado condenável atitude de procurar demonstrar que a Fiscalização teria cometido grave erro senão com máfé ao afirmar que não recebeu documentos que teriam sido entregues. A relação de datas e intimações feita pela Decisão guerreada comprova justamente o oposto, que efetivamente a documentação exigida não foi entregue na fase fiscalizatória, não estando claro nos autos que a Recorrente acostou tal documentação completa em sua Manifestação de Inconformidade. A Decisão aponta que a Recorrente juntou relação de notas, que essa relação seria parcial, mas ela se nega a analisar a documentação, sob o frágil argumento, com todo o respeito à autoridade, que na fase impugnatória apenas se analisa o conteúdo da impugnação e não provas não juntadas na origem. Ora, a Recorrente pode sim produzir as provas necessárias, em Manifestação de Inconformidade, para fazer valer o seu direito, tendo a autoridade fazendária o poderdever de analisálas e verificar se estão a contento ou não, podendo, a seu critério, remeter o processo para que a DRF/Origem se manifeste sobre a documentação juntada, no regular exercício do devido processo legal. Dessa forma, não há outra alternativa senão anular a decisão de primeira instância por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, posto que a documentação juntada pela Recorrente deverá ser obrigatoriamente analisada no presente processo administrativo, com a expedição de novo ato decisório, em conformidade com as regras processuais. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13874.000015/200553 Acórdão n.º 3403003.295 S3C4T3 Fl. 7 5 É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10950.724230/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
Ementa:
QUEBRA DE SIGILO SEM DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE.
Impertinente alegar ilicitude de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial quando os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte. Além disso, é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
O art. 42 da Lei nº 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratando-se de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA.
Descabe a prova pericial quando a comprovação do fato litigado deva ser feita por meio ordinário de prova, a documental.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. APURAÇÃO.
Na apuração da omissão de receita fundada em depósitos sem comprovação da origem dos respectivos recursos, devem ser excluídos os valores que possam ser identificados como oriundos de transferência entre contas do mesmo titular.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO.
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Estando, a multa imposta, rigorosamente de acordo com a lei, não pode o CARF afastar sua aplicação, sob o invocado argumento de que os percentuais têm caráter confiscatório, ferindo os princípios constitucionais.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, COFINS e PIS). MESMOS EVENTOS.
A ocorrência de eventos que influenciam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos, impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Numero da decisão: 1301-001.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Ementa: QUEBRA DE SIGILO SEM DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE. Impertinente alegar ilicitude de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial quando os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte. Além disso, é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratando-se de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Descabe a prova pericial quando a comprovação do fato litigado deva ser feita por meio ordinário de prova, a documental. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. APURAÇÃO. Na apuração da omissão de receita fundada em depósitos sem comprovação da origem dos respectivos recursos, devem ser excluídos os valores que possam ser identificados como oriundos de transferência entre contas do mesmo titular. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Estando, a multa imposta, rigorosamente de acordo com a lei, não pode o CARF afastar sua aplicação, sob o invocado argumento de que os percentuais têm caráter confiscatório, ferindo os princípios constitucionais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, COFINS e PIS). MESMOS EVENTOS. A ocorrência de eventos que influenciam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos, impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Ementa: QUEBRA DE SIGILO SEM DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE. Impertinente alegar ilicitude de “quebra de sigilo bancário” sem autorização judicial quando os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte. Além disso, é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratandose de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Descabe a prova pericial quando a comprovação do fato litigado deva ser feita por meio ordinário de prova, a documental. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. APURAÇÃO. Na apuração da omissão de receita fundada em depósitos sem comprovação da origem dos respectivos recursos, devem ser excluídos os valores que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 42 30 /2 01 1- 43 Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 3 2 possam ser identificados como oriundos de transferência entre contas do mesmo titular. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Estando, a multa imposta, rigorosamente de acordo com a lei, não pode o CARF afastar sua aplicação, sob o invocado argumento de que os percentuais têm caráter confiscatório, ferindo os princípios constitucionais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, COFINS e PIS). MESMOS EVENTOS. A ocorrência de eventos que influenciam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos, impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado). Relatório Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 4 3 Cuidase de recurso interposto por Confecções Herreiro Ltda., contra a decisão da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, que julgou: (i) procedentes os lançamentos, para manter integralmente as exigências de IRPJSimples, CSLLSimples, PISSimples, CofinsSimples, INSSSimples, do período 2006, (ii) procedentes os Atos Declaratórios Executivos de Exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional e, (iii) procedentes os lançamentos efetuados para formalizar exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, dos períodos 2007, 2008 e 2009, com manutencão integral dos créditos lançados ( Acórdão 0636.910). O contribuinte foi excluído do Simples Federal, desde 01/01/2007 (Ato Declaratório Executivo nº 57/2011) e do Simples Nacional a partir de 01/07/2007 (Ato Declaratório Executivo nº 56/2011). A motivação dos Atos Declaratórios Executivos foi ter excedido o limite legal de receita que permite o regime simplificado. Para o anocalendário de 2006, o contribuinte foi autuado para exigência dos tributos incidentes sobre a receita omitida, na modalidade SIMPLES. Em decorrência dos Atos de Exclusão do Regime Simplificado, para os fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, a autoridade fiscal efetuou o lançamento do IRPJ e reflexos, sendo que para o IRPJ e a CSLL a base de cálculo foi pelo Lucro Arbitrado, uma vez que os livros e documentos da escrituração contábil e fiscal apresentados foram imprestáveis para aferir a verdadeira movimentação financeira da empresa. A acusação é de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em impugnação tempestiva a interessada suscitou a nulidade dos lançamentos por quebra do sigilo bancário, citando doutrina e jurisprudência do STF. Ainda em sede de preliminar de nulidade, invocou o princípio da verdade material, e alegou que o auto de infração fundase em indícios, não tendo o autuante verificado detalhadamente se os depósitos eram faturamento, ou empréstimos, ou transferência entre contas de mesma titularidade. Afirma, ainda, que os atos administrativos combatidos padecem de nulidade por desrespeito ao art. 288 do RIR/99, por não ter sido respeitado o regime de tributação a que estava submetida a pessoa jurídica. Alegou ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança retroativa, ferindo os princípios da anterioridade e segurança jurídica. Suscitou decadência do direito de a Fazenda efetuar o lançamento relativo ao período de dezembro de 2006 a dezembro de 2007. No mérito, disse ter ocorrido uma distorção da realidade fática, pois nem todos os valores creditados em suas contas são sinônimo de receita tributável, não tendo sido levado em consideração a existência de transferência entre contas bancárias de titularidade da empresa, bem como a existência de valores intitulados “créditos em liberação”, que correspondem a empréstimos fornecidos pela instituição financeira para capital de giro. Pede a correção do auto de infração para excluir esses valores. Afirmou que muitos dos valores creditados em sua conta bancária no Banco Sicoob referemse a empréstimos para capital de giro, informando que solicitou ao Banco um Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 5 4 relatório que comprove tal informação, documento que anexou. Apontou alguns valores que a Receita Federal do Brasil tributou como receita, mas que na verdade seriam empréstimos para capital de giro e de transferências entre contas bancárias da mesma empresa, apresentando tabela em que relaciona depósitos entre abril/2006 a outubro/2009, com histórico “Crédito Liberação”. Asseverou que foram tributados mais de R$ 8.484.572,14 (oito milhões, quatrocentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e setenta e dois reais e dezessete centavos), referentes a empréstimo de capital de giro e a transferências entre contas bancárias de titularidade da empresa, requerendo a correção do ato ilegal. Requereu a decretação de nulidade do Termo de Arrolamento de Bens, alegandoo inconstitucional. Contestou a multa aplicada (75%) alegandoa inconstitucional, por confiscatória. Aduziu que não conseguiu realizar a diligência de comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem e natureza dos créditos, por ser insuficiente o prazo, e pugnou pela realização de prova pericial, indicando perito. Pediu, afinal, (i) o acolhimento da nulidade do Auto de Infração e dos Atos Declaratórios Executivos n° 57 e 56, decorrentes de quebra de sigilo bancário, haja vista tratar se de matéria já discutida e com entendimento nesse sentido pelo STF; (ii) a declaração de nulidade dos Autos de Infração e os Atos Declaratórios Executivos n° 57 e 56, tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material; (iii) o reconhecimento do erro na construção do lançamento com base na ofensa ao art. 288 do Decreto 3.000/99, declarandose nulos os Autos de Infração e os Atos Declaratórios Executivos n° 57 e 56; (iv) a correção dos Autos de Infração para exclusão dos valores referentes a empréstimos e a transferência entre as contas da empresa contribuinte; (v) o cancelamento de toda a cobrança retroativa haja vista tratarse de uma cobrança ilegal e inconstitucional, e caso não seja esse o entendimento, a anulação da cobrança retroativa das diferenças tributárias principais e acessórias do mês de dezembro de 2006 até o mês de dezembro de 2007 em respeito as regras da decadência; (vi) a exclusão de todos os valores discriminados, referentes à conta bancária no Banco Sicoob, haja vista trata ser de crédito não tributável; (vii) a declaração de nulidade do Termo de Arrolamento de Bens n° 10950.724.324/201112; (viii) a readequação das multas, conforme dispõe a legislação brasileira e a jurisprudência, respeitando o princípio do nãoconfisco; (ix) a admissão de produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial. A Turma de Julgamento indeferiu todos os pleitos, em decisão assim ementada: SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Descabe alegar quebra de sigilo bancário, sob alegação de ausência de autorização judicial, eis que a legislação tributária autoriza ao fisco o acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras, sobretudo quando os extratos bancários são fornecidos pelo próprio contribuinte. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 6 5 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese pedido de produção de prova pericial, quando o lançamento decorreu de presunção de omissão de receitas, a qual somente poderia ser revertida através de comprovação em sentido contrário, pelo contribuinte, o qual preferiu deixar de apresentar qualquer justificativa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2006 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, dispositivo este que se aplica inclusive para as microempresas e empresas de pequeno porte. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Correto o ato de exclusão do Simples, com base em excesso de receita, ainda que somente parte dela tenha sido objeto de lançamento, por motivo de decadência. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde determinada data passada, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 7 6 Ano calendário: 2007, 2008, 2009 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS. A falta de escrituração de contas bancárias torna a contabilidade imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, autorizando o arbitramento do lucro. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROCESSO DE ARROLAMENTO. COMPETÊNCIA. DRF. Em face da ausência de competência da DRJ para apreciar matéria ligada ao procedimento de arrolamento de bens, os pedidos devem ser endereçados à DRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 23 de maio de 2012, a interessada ingressou com recurso em 21 de junho, no qual, de um modo geral, renova as razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório, a fiscalização detectou omissão de receitas por parte da Recorrente, apurada com base na presunção legal veiculada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Essa omissão, detectada a partir do ano calendário de 2006, demonstrou que a receita do contribuinte atingia valores que a impediam de ser optante do Simples, o que implicou sua exclusão de ofício do Simples Federal a partir de 01/01/2007 e do Simples Nacional (LC 123/2006) a partir de 01/07/2007. Procedida a exclusão, foram lavrados os autos de infração para exigência dos tributos que deixaram de ser pagos pelo regime simplificado (anocalendário de 2006) e pelo regime ordinário (não simplificado) para os anos calendário de 2007 a 2009. Como as exigências se fundam em omissão de receita, o decidido quanto a essa matéria se aplica a todas as exações litigadas. As razões de defesa recursais estão desenvolvidas sob os títulos II (Preliminares) e III (Mérito). Passo a analisálos. Preliminares Nas preliminares, o contribuinte suscita nulidade dos lançamentos (e dos Atos Declaratórios) alegando violação do sigilo bancário sem autorização judicial, em oposição ao entendimento do STF, desrespeito ao princípio da verdade material, com lançamento baseado em indícios, e erro na construção do lançamento, por inobservância do art. 288 do regulamento do imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999). Item II.1.1 do Recurso (violação do sigilo bancário) Analisando in abstrato a alegação de ilegitimidade do acesso à movimentação financeira sem autorização judicial, observo que este tribunal administrativo não tem competência para analisar questões relacionadas à constitucionalidade, cabendolhe, exclusivamente, julgar se o lançamento está de acordo com lei vigente (legalidade do ato administrativo). A Súmula CARF nº 2 enuncia O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF determina expressamente ser vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo na hipótese em que o dispositivo já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 9 8 A requisição da movimentação financeira encontra respaldo legal na Lei Complementar nº 105, de 2001, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida, até o presente, pelo Plenário do STF. O art. 1ª da Lei Complementar nº 105 determina que as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, mas ressalva, no inciso VI do § 3o desse mesmo artigo, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos, entre outros, nos artigos 5o e 6o. O artigo 6º estabelece que os agentes fiscais poderão examinar os livros, documentos e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O art. 6º da Lei Complementar foi disciplinado pelo Decreto no 3.724/2001. O §5º do art. 2º do Decreto estabelece que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis No caso concreto, o procedimento de fiscalização foi deflagrado em razão do indício de omissão de receitas detectado a partir dos dados relativos à CPMF, constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal, que deixavam vislumbrar uma movimentação financeira muito superior ao limite de receitas que autoriza a tributação pelo SIMPLES. Muitos são os parâmetros de que a fiscalização pode se utilizar para deflagrar uma investigação (noticiário de imprensa, dados obtidos junto a fornecedores ou clientes, sinais exteriores de riqueza, etc.). A disparidade entre a movimentação financeira revelada pela arrecadação da CPMF e a receita declarada constitui forte indício de omissão de receita, que deflagra uma fiscalização. O procedimento estabelecido no Decreto nº 3.724/2001 prevê que o AFRFB intime o sujeito passivo a apresentar os extratos, somente podendo fazer a requisição dos mesmos às instituições financeiras se o contribuinte não os apresentar. No caso, sequer foi necessária a emissão de Requisição de Movimentação Financeira aos bancos, como autoriza o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, disciplinado pelo Decreto no 3.724/2001, pois os extratos bancários foram apresentados pela contribuinte, quando para tanto intimada. Assim, descabida a arguição de nulidade. Item II.1.2 do Recurso (violação da verdade material) Não tem procedência, também, a alegação de que o lançamento se baseia em indícios, violando o princípio da verdade material. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 10 9 A seleção da empresa para fiscalização, como dito acima, baseouse em indício de omissão de receitas, mas o lançamento esteiase não em indício, mas em prova indireta da omissão, com fulcro em presunção legal relativa. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, instituiu a presunção legal relativa de omissão de receita para os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa nova norma, ocorrendo a hipótese nela prevista (não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados para créditos em conta de depósito ou de investimento de titularidade do contribuinte), a lei tem como indiretamente comprovada a omissão de receita, que autoriza o lançamento de todos os tributos em cuja base de cálculo influencie. O contribuinte só tem uma forma de elidir a presunção legal: mediante a apresentação da prova documental de que os valores creditados ou não têm origem em receita (mútuos, titularidade de terceiros, etc.) ou, se oriundos de receita, sejam não tributáveis ou já tenham sido tributados. Tendo a lei instituído a presunção legal, descabe determinar diligência/perícia para produzir a prova cujo ônus é do contribuinte. Item II.2.3 do Recurso (erro na construção do lançamento) A terceira motivação invocada pela contribuinte para requerer a nulidade dos atos administrativos é a violação do art. 288 do RIR/99, é de que teria havido “erro na construção do lançamento”, uma vez que não foi respeitado o regime ao qual a Recorrente era adepta (o SIMPLES). Ao formalizar o lançamento, a autoridade fiscal cumpriu rigorosamente a lei. Para o anocalendário de 2006, a omissão de receitas foi tributada pelo SIMPLES, regime adotado pelo contribuinte. Contudo, a partir de 01/01/2007 a tributação pelo SIMPLES eralhe vedada, por ter auferido receita acima do limite legal (razão pela qual foi excluído do sistema). A autoridade fiscal intimouo a, sendo do seu interesse, optar pelo lucro real para os dois primeiros trimestres de 2007, e pelo lucro presumido no período posterior, como faculta o art. 32 da Lei Complementar nº 123, verbis: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (...) § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual.” A contribuinte fez opção pelo lucro arbitrado para os dois primeiros trimestres de 2007 e pelo lucro presumido para os demais períodos. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 11 10 Contudo, tendo em vista que a movimentação financeira da empresa foi em valores muito superiores àqueles declarados e contabilizados, a autoridade fiscal viuse compelida a apurar o IRPJ e a CSLL pelo lucro arbitrado, como impõe o art. 530, II, “a”, do RI/99: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou (...) A atividade de lançamento é vinculada ao que dispõe a lei. Uma vez que a escrituração da contribuinte não registra integralmente sua movimentação bancária, a autoridade fiscal fica obrigada a apurar o tributo pelo lucro arbitrado, conforme impõe a lei. Na formalização da exigência a autoridade deduziu os valores pagos pelo regime simplificado. Irreparável, pois, a “construção do lançamento”. Mérito: II.2.1 do Recurso (Operações Financeiras) Afirma a Recorrente que muitos dos valores tidos como omissão de receitas pela fiscalização são transferência entre contas bancárias de titularidade da empresa, bem como que existem valores intitulados “créditos em liberação”, que correspondem a empréstimos fornecidos pela instituição financeira para capital de giro. Elabora tabelas referentes a cada uma das instituições financeiras, para demonstrar as transferências entre contas que, segundo alega, foram desconsideradas pela autoridade fiscal. Nessas tabelas constam colunas para indicar a data em que foi feito o crédito, o banco que recebeu o débito, o valor e a data do débito. Afirma que a análise dessas tabelas mostra que pelo menos R$ 746.405,00 devem ser excluídos dos autos de infração, por serem transferência entre contas de mesma titularidade. Aduz que, além desses valores, os denominados “créditos em liberação” também não são receita tributável, mas empréstimo de capital de giro. Esses argumentos haviam sido apresentados na impugnação, quando foram relacionados os valores intitulados “créditos em liberação”, mas não foram apontados os Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 12 11 valores que corresponderiam a transferência entre bancos, como feito no recurso, por meio das tabelas nele insertas. A decisão de primeira instância assim os apreciou: 33. Na impugnação, a litigante alega, sem razão, que não houve, por parte da administração pública, uma detalhada verificação se os créditos bancários eram faturamento ou empréstimos e transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa fiscalizada. No caso, desde a primeira intimação, a autoridade fiscal cuidou de excluir da relação de depósitos os estornos e cheques devolvidos. Além disso, foi dada oportunidade para que o contribuinte se manifestasse sobre os depósitos, tendo a fiscalização inclusive excluído uma série de depósitos que foram justificados. (...) 35. Não há como aceitar tampouco os argumentos de que muitos dos valores tidos como receita seriam transferências entre as contas bancárias de mesma titularidade, ou de empréstimos fornecidos pelas instituições bancárias. Tais ponderações devem ser acompanhadas de prova documental, a fim de dar sustentação às alegações do contribuinte. (...) 37. A interessada requer também a exclusão de créditos do Siccob, sob a alegação de que se refeririam a empréstimos para capital de giro, tendo ela afirmado que foi solicitado a este Banco um relatório que comprove tal informação. De fato, à fl. 1213, a impugnante juntou declaração do Sicoob, com data de 25/01/2012, com o seguinte teor: Declaro à quem possa interessar, que a empresa CONFECÇÕES HERREIRO LTDA ME cooperada desta instituição sob conta corrente n° 66.9229, solicitou informações sobre os créditos de liberação entre o período 04/04/2007 até 31/12/2009. Diante da impossibilidade de consultas em movimentações financeiras superior a 6 meses, foi solicitado no dia 19/01/2012 relatórios que comprovem tais informações. Solicitamos que denominase crédito de liberação as seguintes transações financeiras: antecipação de recebíveis, financiamentos e empréstimos e conta garantida. Segundo o Bancoob, o prazo de atendimento da demanda solicitada é de 15 dias úteis. Assim que recebido será destinado a empresa. 38. Conforme se depreende da declaração, o banco deu um prazo de quinze dias úteis para fornecer informações sobre determinados depósitos, contados a partir do requerimento, que é de 25/01/2012. Passados quase quatro meses sem que a impugnante tenha juntado tais informações, não há como acatar o pedido de exclusão dos mencionados valores. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 13 12 No Recurso, a Recorrente rebate a afirmativa contida no item 35 da decisão recorrida, no sentido de que suas “ponderações devem ser acompanhadas de prova documental, a fim de dar sustentação às alegações do contribuinte”, alegando que para gerar a prova documental é necessária a produção de prova pericial, o que foi negado pela decisão. Irrepreensível o enfrentamento da matéria pelo julgador a quo. O comando legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é de que, não logrando o titular comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, presumese que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. A inversão do ônus da prova é característica das presunções legais, cumprindo ao contribuinte comprovar documentalmente que o numerário creditado não é renda tributável ou que já foi oferecido à tributação. A perícia só se justifica quando o exame do fato litigioso não puder ser feito pelos meios ordinários de convencimento, dependendo de conhecimentos técnicos especializados. E esse não é o caso, pois o fato litigioso deve ser provado documentalmente. Pela presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a fiscalização analisa os créditos individualizadamente, desconsiderando os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica. Para os demais, intima o titular a comprovar documentalmente sua natureza e origem. No caso concreto, em 07/04/2011 a contribuinte foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, a comprovação individualizada, por escrito, acompanhada de documentação hábil e idônea, da origem e natureza dos créditos discriminados nas planilhas anexadas à intimação. Após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, em 22/11/2011 apresentou justificativas que foram acatadas pela fiscalização, que excluiu os valores justificados e elaborou planilhas com a relação dos ingressos não justificados e resumos mensais de totais a comprovar, cotejando com o faturamento declarado os créditos não justificados. O contribuinte tomou ciência das planilhas fiscais em 22/11/2011. Portanto, não obstante a interessada tenha identificado, em sua impugnação, os créditos com histórico “créditos em liberação”, não juntou a prova documental de que não correspondiam a receita. Essa prova poderia ser trazida em outro momento processual, ao amparo do art. 16, § 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72, considerando que em 25 de janeiro de 2012 o banco deu um prazo de 15 dias úteis para apresentar os relatórios que comprovavam a natureza dos valores correspondentes a “créditos em liquidação”. Contudo, até o presente momento (decorridos mais de dois anos) a prova não foi trazida. Notese que, pela declaração do Banco, uma das possibilidades da natureza dos referidos créditos é “antecipação de recebíveis”. Quanto às transferências entre contas de sua titularidade, a interessada não as apontou durante o procedimento fiscal, quando foi intimada a explicar os créditos. Na impugnação, alega que existem, mas não as identifica objetivamente. Com o recurso, aponta, entre os créditos listados pela fiscalização como não justificados e que foram tidos como omissão de receitas, 84 que diz serem oriundos de contas de sua titularidade (14 no Banco do Brasil, 6 no Banco Itaú, 8 no Banco Sicoob e 51 no Banco Real e 5 no Bradesco). E elabora cinco tabelas (uma para cada banco) a pretexto de demonstrá lo. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 14 13 Ocorre que as alegações da empresa não vieram acompanhadas de prova. A Recorrente apenas aponta a correspondência entre o crédito questionado e débitos em contas de sua titularidade em outras instituições, que corresponderiam àquele crédito. Examinei um a um todos os créditos indicados nas cinco tabelas, procurando, nos extratos juntados aos autos, nos quais se baseou a fiscalização, os valores indicados como origem, pela Recorrente, para ver se seria possível concluir que se tratava da alegada transferência. Dessa análise, constatei que, dos 84 créditos apontados, para apenas 34 deles constava, na instituição e data consignadas na tabela como origem, compensação de cheques em valor coincidente. São eles: Banco creditado Valor Banco debitado Data do débito Brasil 3.000,00 Itaú 23/01/2007 Brasil 4.150,00 Bradesco 07/02/2008 Brasil 3.102,00 Bradesco 13/01/2008 Brasil 400,00 Itaú 25/02/2009 Brasil 150,00 Itaú 29/05/2009 Itaú 1.866,00 Bradesco 22/03/2006 Itaú 3.000,00 Real 18/09/2009 Sicoob 3.500,00 Bradesco 08/11/2006 Sicoob 800,00 Real 18/11/2009 Sicoob 1.000,00 Real 30/11/2009 Sicoob 1.000,00 Sicoob 29/12/2009 Real 490,00 Itaú 23/01/2006 Real 2.700,00 Sicoob 02/05/2006 Real 3.700,00 Sicoob 05/05/2006 Real 2.850,00 Bradesco 08/06/2006 Real 1.150,00 Bradesco 31/07/2006 Real 300,00 Bradesco 31/08/2006 Real 4.450,00 Bradesco 05/12/2006 Real 2.200,00 Bradesco 05/02/2007 Real 5.500,00 Bradesco 08/02/2007 Real 2.100,00 Bradesco 07/03/2007 Real 3.200,00 Bradesco 11/07/2007 Real 400,00 Bradesco 10/12/2007 Real 3.100,00 Sicoob 07/04/2008 Real 3.500,00 Bradesco 19/05/2008 Real 4.167,00 Itaú 19/05/2008 Real 2.900,00 Itaú 04/07/2008 Real 3.202,00 Itaú 04/07/2008 Real 3.400,00 Bradesco 16/07/2008 Real 2.500,00 Itaú 02/12/2008 Bradesco 2.091,00 Sicoob 06/04/2006 Bradesco 1.400,00 Sicoob 03/05/2006 Bradesco 22.820,00 Real 19/06/2006 Bradesco 2.000,00 Itaú 28/10/2008 Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 15 14 O fato de haver, na data correspondente ao depósito questionado, compensação de cheque de mesmo valor em conta de sua titularidade em outra instituição, não é suficiente para provar a origem do crédito. Não há como afirmar, por exemplo, que o cheque de R$ 3.000,00 compensado na conta corrente da Recorrente no Banco Itaú em 23/01/2007 tenha sido depositado em sua conta corrente no Banco do Brasil. Ele pode ter tido outra destinação, e o depósito no Banco do Brasil pode ter tido outra origem. Devidamente individualizados os créditos tributados, inclusive por seu histórico, caberia à Recorrente não só indicar débitos em outras contas que, segundo afirma, deram suporte aos créditos questionados, mas trazer o documento comprobatório. Para isso poderia, por exemplo, solicitar aos bancos sacados a cópia dos cheques microfilmados. Notese que entre a intimação e a apresentação da justificação da origem dos créditos decorreram sete meses, tempo mais que razoável para obter dos bancos a cópia dos cheques. E desde a apresentação do recurso decorreram quase dois anos. Há, ainda, um valor indicado como omissão de receitas e que os elementos dos autos permitem concluir, com absoluta segurança, tratarse de transferência entre contas de mesma titularidade. Explico: Entre os créditos listados pelo Auditor Fiscal na intimação para comprovação da origem, consta um, no Banco Sicoob, na data de 07 de fevereiro de 2008, no valor de R$ 141.772,00, com o histórico “crédito liberação”. Esse valor está consignado no extrato do Banco Sicoob com o histórico “CRÉD.TEDSTR” No extrato do Bradesco, nessa mesma data, consta um débito nesse mesmo valor, com o histórico “TED TRANSF ELET DISP”. Assim, para esse valor, entendo haver prova nos autos de que não se trata de receita, mas transferência entre contas de mesma titularidade. II.2.2 do Recurso (Ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança retroativa). Alega a Recorrente que a autoridade fiscal excluiu a empresa do Simples e cobrou, retroativamente, diferenças tributárias, ferindo vários princípios constitucionais. Diz ser surpreendente que a Receita Federal receba todas as contribuições referentes ao Simples/Simples Nacional, consolidando um ato jurídico perfeito e, posteriormente, como se nunca houvesse tido tal recolhimento, cobre retroativamente todas as diferenças tributárias principais e acessórias. Os recolhimentos efetuados pela empresa, longe de serem ato jurídico perfeito extintivos da obrigação, sujeitamse à verificação pela autoridade administrativa, que tem o prazo de cinco anos para revisálos e, não os homologando, exigir a diferença. E foi isso que fez a autoridade fiscal, que, inclusive, não exigiu as diferenças anteriores ao mês de dezembro de 2006, porque decaído o direito de rever o lançamento. II.2.3 do Recurso (Efeitos da Exclusão do Simples). Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 16 15 Alega a Recorrente que, com base nas regras de decadência, a atividade fiscalizatória somente poderia trabalhar com dados de dezembro de 2006 até a data do lançamento, e assim, o procedimento correto seria a exclusão do Simples só surtindo efeitos a partir de 2008. Na realidade, a contribuinte defende preclusão do direito do Fisco de auditar fatos ocorridos após o prazo decadencial. Contudo, as normas de decadência limitam o direito do Fisco de exigir crédito relativo a fatos geradores alcançados pela decadência, mas não convolam em verdadeiras as declarações do contribuinte relativas aos respectivos períodos. De acordo com a norma que rege a decadência, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que tenha ocorrido pagamento e não tenha sido contatado dolo, fraude ou simulação, em dezembro de 2011 a Fazenda não poderia rever lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos até novembro de 2006 (cinco anos contados da data do fato gerador). A verificação (ocorrida em dezembro de 2011) de que a empresa, no ano calendário de 2006, omitiu receitas que implicam exceder o limite autorizativo de pagamento pelo regime simplificado impõe a adoção de duas medidas: a constituição crédito tributário incidente sobre a receita omitida e o reconhecimento da exclusão da empresa do Simples a partir do primeiro dia do anocalendário de 2006. Apenas a primeira medida (constituição do crédito incidente sobre a receita omitida) sofre a limitação do prazo decadencial. Bem por isso, embora tenha sido constatada omissão de receitas desde janeiro de 2006, não houve constituição de crédito relativo a fatos geradores ocorridos até novembro de 2006. A segunda medida (exclusão do Simples), por seu turno, é ato meramente declaratório, que consiste simplesmente em reconhecer que a pessoa jurídica não preenchia, desde data pretérita, as condições para ser tributada pelo regime simplificado. Não há que se falar, portanto, em violação dos princípios da anterioridade, da segurança jurídica, da irretroatividade da lei tributária, da não surpresa e do ato jurídico perfeito. Como com muita propriedade expõe a decisão recorrida, o princípio da irretroatividade da lei tributária diz respeito à vigência da lei em relação à data de ocorrência dos fatos, e no caso em comento, a lei aplicada foi a vigente da data dos fatos. II.2.4 do Recurso (exclusão dos créditos Sicoob). A Recorrente reitera a necessidade de exclusão dos valores que diz corresponderem a empréstimo de capital de giro, insistindo na necessidade de prova pericial, alegando que a produção da prova não depende só da empresa, mas também da boa vontade dos bancos. Essa matéria já foi enfrentada quando da apreciação do item II.2.1 do Recurso (Operações Financeiras), ao quando abordada a questão dos “créditos em liberação”, quando restou assentado que: Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 17 16 “A perícia só se justifica quando o exame do fato litigioso não puder ser feito pelos meios ordinários de convencimento, dependendo de conhecimentos técnicos especializados. E esse não é o caso, pois o fato litigioso deve ser provado documentalmente. Pela presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, apenas os créditos são objeto de verificação, e a fiscalização os analisa individualizadamente, desconsiderando os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica. Para os demais, intima o titular a comprovar documentalmente sua natureza e origem. No caso concreto, em 07/04/2011 o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 20 dias, a comprovação individualizada, por escrito, acompanhada de documentação hábil e idônea, da origem e natureza dos créditos discriminados nas planilhas anexadas à intimação. Após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, em 22/11/2011 apresentou justificativas que foram acatadas pela fiscalização, que excluiu os valores com origem justificada, e elaborou planilhas com a relação dos ingressos não justificados e resumos mensais de totais a comprovar, cotejando com o faturamento declarado os créditos não justificados. O contribuinte tomou ciência das planilhas fiscais em 22/11/2011. Portanto, não obstante a interessada tenha identificado, em sua impugnação, os créditos com histórico “créditos em liberação”, não juntou a prova documental de que não correspondiam a receita. Essa prova poderia ser trazida em outro momento processual, ao amparo do art. 16, § 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72, considerando que em 25 de janeiro de 2012 o banco deu um prazo de 15 dias úteis para apresentar os relatórios que comprovavam a natureza dos valores correspondentes a “créditos em liquidação”. Contudo, até o presente momento (decorridos mais de dois anos) a prova não foi trazida. Notese que, pela declaração do Banco, uma das possibilidades da natureza dos referidos créditos é “antecipação de recebíveis”. Observese que a decisão recorrida apontou que “o banco deu um prazo de quinze dias úteis para fornecer informações sobre determinados depósitos, contados a partir do requerimento, que é de 25/01/2012. Passados quase quatro meses sem que a impugnante tenha juntado tais informações, não há como acatar o pedido de exclusão dos mencionados valores.” O recurso foi interposto em junho de 2012, e nele a Recorrente nada aduz sobre a obtenção da prova (que o banco declarou que estaria disponível em fevereiro de 2012), limitandose a afirmar que “não é uma atividade que dependa só da boa vontade da empresa, mas também da cooperação de outras instituições (Bancos)”. II.2.5 do Recurso (multa confiscatória). Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 18 17 A alegação de que a multa tem caráter confiscatório não tem influência no julgamento administrativo, uma vez constatado que o lançamento obedeceu rigorosamente as normas legais. Por isso, a invocação ao princípio do não confisco não socorre a contribuinte, uma vez que, regimentalmente, os membros das turmas de julgamento do CARF não podem afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo na hipótese em que o dispositivo já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Conforme enuncia a Súmula CARF nº 2, o CARFs não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. II.2.71 do Recurso (prova pericial). A questão já foi apreciada nos itens precedentes, quando se decidiu ser injustificada a perícia, uma vez que o fato litigioso deve ser provado documentalmente. Quanto a tributação reflexa (CSLL, PIS e COFI NS), A ocorrência de eventos que influenciam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos, impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplicam se aos lançamentos decorrentes. Pelas razões expostas, rejeito as preliminares, indefiro a perícia e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para excluir da matéria tributável valores referente aos fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2008, na importância de R$ 141.772,00. É como voto. Sala das Sessões, em 08 08 de maio de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri. 1 Por um equívoco, a Recorrente numerou o inte por II.2.7, sem que houvesse um item II.2.6. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.724230/201143 Acórdão n.º 1301001.523 S1C3T1 Fl. 19 18 Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13747.000109/2002-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
PROVA. ÔNUS. AUSÊNCIA. PROVIMENTO. NEGADO.
O ônus da prova cabe a quem alega conforme dispõe o art. 333 do CPC. No caso concreto essa incumbência cabia a Recorrente provar por meio da Declaração de Valores Retido fornecido pelo tomador do serviço que os valores deduzidos dos débitos e declarados em DCTF foram de fato retidos. Diante da ausência dessa prova, impõe negar provimento ao recurso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 PROVA. ÔNUS. AUSÊNCIA. PROVIMENTO. NEGADO. O ônus da prova cabe a quem alega conforme dispõe o art. 333 do CPC. No caso concreto essa incumbência cabia a Recorrente provar por meio da Declaração de Valores Retido fornecido pelo tomador do serviço que os valores deduzidos dos débitos e declarados em DCTF foram de fato retidos. Diante da ausência dessa prova, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS. AUSÊNCIA. PROVIMENTO. NEGADO. O ônus da prova cabe a quem alega conforme dispõe o art. 333 do CPC. No caso concreto essa incumbência cabia a Recorrente provar por meio da “Declaração de Valores Retido” fornecido pelo tomador do serviço que os valores deduzidos dos débitos e declarados em DCTF foram de fato retidos. Diante da ausência dessa prova, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 7. 00 01 09 /2 00 2- 35 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuida de Recurso Voluntário visando modificar o Acórdão que manteve parcialmente o crédito tributário constituído para a COFINS relativo ao período de apuração d 01.04.1997 a 30.06.1997. O julgamento parcial foi para acolher pagamentos por meio de DARF apresentados pelo contribuinte e exonerar aplicação da Multa de Ofício. A decisão recorrida manteve o crédito tributário declarado cuja vinculação de extinção davase com valores retidos pelos tomadores de serviços diante da ausência de comprovante da retenção pelo Órgão Público. A Recorrente em razões recursais continua sustentando a retenção na fonte das contribuições, principalmente, de COFINS pelo Arsenal de Marinha, no entanto, deixa de juntar comprovante, mesmo nessa fase processual. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A tempestividade do recurso não pode ser aferida diante da ausência de cópia do “AR”. A matéria trazida neste caderno é relativamente simples, não demanda complexidade. Resumese a matéria de prova. O direito de deduzir do débito os valores retidos é indiscutível, o que é assegurado pelo art. 64 da Lei nº 9.430/96. O documento capaz de provar a Autoridade Tributária a existência das retenções encontra estipulado pelo parágrafo quarto do art. 64 daquele diploma legal: “§ 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição” Neste contexto andou bem o Julgador de Piso ao manter o crédito tributário intacto, pois a Recorrente não logrou provar através de documento a existência do crédito, a legislação pertinente permite que essa comprovação possa também ser realizada pelos DARF’s, desde que conste observação indicando o prestador de serviço. O documento trazido não pode ser considerado prova, pois se trata de demonstrativo elaborado unilateral e está revestido dos requisitos previstos no parágrafo 4º do art. 64 da lei 9.430/96, como bem asseverou a Autoridade Julgadora: “A interessada não apresenta os comprovantes de retenção na impugnação. Consta no processo apenso nº 13747.000098/200617, cópia de FAX com tabela de retenções Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13747.000109/200235 Acórdão n.º 3403003.260 S3C4T3 Fl. 4 3 manuscrita. Deve ser dito que a documentação apresentada pelo interessado não contempla os denominados “Comprovantes Anuais de Retenção”. Tampouco, e de forma alternativa, foram apresentados pelo autuado os Darf´s arrecadados pela fonte pagadora, contemplando, no seu campo “Observação”, o valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou aos serviços prestados (cf. art. 23, § 2º, da IN SRF/STN/SFC nº 04/1997). “Ora, sem a apresentação dos documentos na forma em que previstos na legislação, não há como atestar e identificar (quantificar) os valores de cada tributo ou contribuição, que foram efetivamente retidos do interessado.” É de conhecimento geral que ônus da prova cabe a quem alega conforme dispõe o art. 333 do CPC. No caso concreto essa incumbência é da Recorrente que argúi que houve retenção na fonte tomadora dos serviços o percentual referente à Contribuição para a COFINS. Desse modo, a incumbência de diligenciar a juntada da prova, comprovante de retenção fornecido pelo tomador do serviço, quando esse encontra em seu poder é de quem alegou quanto ao fato constitutivo do direito. Em sendo assim, não há como acolher o pleito do recurso, cabe tãosó manter a decisão recorrida nos termos proferida. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003809/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF. A controvérsia acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre recebidas a título de auxílio creche, ora submetida a esta 2a Turma da CSRF, foi superada pela Súmula nº 64: Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7o, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória.
AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28, parágrafo 9º , não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas relativas ao auxílio-creche, auxílio-saúde e cooperativa de trabalho médico, vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis que mantinham a parcela relativa à cooperativa de trabalho.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF. A controvérsia acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre recebidas a título de auxílio creche, ora submetida a esta 2a Turma da CSRF, foi superada pela Súmula nº 64: Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7o, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória. AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28, parágrafo 9º , não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas relativas ao auxílio-creche, auxílio-saúde e cooperativa de trabalho médico, vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis que mantinham a parcela relativa à cooperativa de trabalho. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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SALÁRIO INDIRETO: HABITAÇÃO. COOPERATIVAS. Recorrente CENTROVIAS SISTEMAS RODOVIÁRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF. A controvérsia acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre recebidas a título de auxílio creche, ora submetida a esta 2a Turma da CSRF, foi superada pela Súmula nº 64: Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxíliocreche, na forma do artigo 7o, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória. AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28, parágrafo 9º , não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 09 /2 00 7- 81 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas relativas ao auxíliocreche, auxílio saúde e cooperativa de trabalho médico, vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis que mantinham a parcela relativa à cooperativa de trabalho. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003809/200781 Acórdão n.º 2402004.354 S2C4T2 Fl. 692 3 Relatório Tratase de autuação decorrente da ausência de pagamento das contribuições devidas pela empresa e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte de segurados, empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às entidades Senac, Sesc, Incra e Sebrae, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais, auxílio creche, salárioeducação, planos de saúde, aluguéis etc. Relatório Fiscal às fls. 159/164. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 172/207, que restou parcialmente procedente às fls. 367/376, sob os seguintes fundamentos: 1. Considerandose que a presente NFLD foi lavrada em 30/10/2007, com cientificação ao sujeito passivo na mesma data, temse que, nas competências de 06/1998 a 13/2001 (décimo terceiro salário), ocorre a decadência; 2. As contribuições relativas às competências 12/2001 a 09/2002 restaram atingidas pela decadência, vez que se verifica na conta corrente da autuada recolhimento de contribuições efetuado nesta competência (telas impressas e juntadas às fls. 298/307), dando ensejo, por conseguinte, à aplicação da regra contida no artigo 150, parágrafo 4 0 do CTN, com a contagem dos cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador; 3. Com relação à competência 10/2002 e seguintes, desnecessária a análise acerca de eventuais recolhimentos efetuados pela empresa, posto que não restaram fulminadas pela decadência, qualquer que seja a regra do CTN aplicada às mesmas (contagem de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador ou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado); 4. Quanto ao pagamento a título de auxíliocreche, primeiramente, há que se ressaltar que as parcelas reembolsocreche e auxíliocreche possuem naturezas jurídicas distintas. O auxíliocreche é aquele em que o empregado não comprova nenhuma despesa gasta, mas mesmo assim recebe do empregador, a título de ajuda nas despesas com os filhos, um plus no seu salário, estando, portanto, sujeito às contribuições previdenciárias; 5. Quando se procede ao pagamento de plano de saúde diferenciado a alguns funcionários, além de disponibilizar o plano que se estende a todos os demais empregados, caracterizase a ocorrência de salário indireto a esse determinado grupo de trabalhadores; 6. Sobre o pagamento de aluguéis residenciais e telefone aos segurados Jorge Carlos Amin e Luis Augusto Spadotto Batista, diretores empregados e Ricardo Humberto Apfelbaum, empregado, não restam dúvidas quanto à existência de ganho por parte desses trabalhadores, pois os benefícios fornecidos destinamse a suprir uma necessidade vital que, de outro modo, haveria de ser satisfeita com recursos próprios. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 4 Portanto, essa verba se reveste de natureza salarial, devendo ser incluída como base de cálculo da contribuição previdenciária; 7. A prestação de serviços remunerados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, constitui fato gerador de contribuições; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 381/396 alegando, em síntese: 1. Não há de se supor que a alegada falta de comprovação da despesa retire do auxílio creche a natureza indenizatória, transformandoo em remuneração, tese tradicionalmente sustentada pelo INSS e já afastada pela Jurisprudência (Recurso Especial n° 438.152); 2. Ao sustentar que para que não incida a contribuição não basta que a totalidade dos empregados seja beneficiada por assistência médica, sendo também necessário que todos façam jus ao mesmo plano de assistência, a decisão recorrida contraria o princípio de hermenêutica segundo o qual onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir; 3. A lei não impõe, em momento algum, a necessidade de que todos os empregados e diretores sejam beneficiados pelo mesmo plano; 4. A regra do art. 28, § 9º, também se aplica à prestação de serviços em local distante da sua residência, hipótese esta na qual se inserem os casos em exame, em relação aos quais a própria decisão recorrida expressamente reconhece que as pessoas contratadas moravam "em outra cidade ou mesmo em outro país”; 5. A partir do momento em que se considera que é a UNIMED, na qualidade de empresa, que presta serviços para a Recorrente, e não os cooperados, não pode ser exigido da Recorrente o pagamento de contribuição nos termos do inciso IV do artigo 22 da Lei n° 8.212/91; Às fls. 406/409, o contribuinte apresentou em 28/12/2009 desistência parcial de Recurso Voluntário, face pagamento com os benefícios da Lei 11941/2009. Foram confirmados os recolhimentos e apropriados os pagamentos apresentados pela empresa conforme telas juntadas às fls. 482 à 650. Foram emitidos relatórios do saldo remanescente do débito conforme fls. 651 à 673 e tela CCADPRO às fls. 674. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário e para verificação quanto a divergência entre o valor do principal nos relatórios e o constante na tela de consulta aos dados identificadores de processo. É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003809/200781 Acórdão n.º 2402004.354 S2C4T2 Fl. 693 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Quanto às alegações nele colocadas, passo à análise. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra parte do v. acórdão de primeira instância que considerou como procedente o lançamento. A seguir faremos análise da incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas discutidas no recurso. Valores Pagos a título de AuxílioCreche A não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas creditadas aos empregados a título de auxíliocreche é entendimento sumulado por este Conselho. Não há necessidade de o valor ser reembolsado aos funcionários, mediante a apresentação de recibo, podendo ser antecipado pelo empregador. “Súmula CARF nº 64: Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxíliocreche, na forma do artigo 7°, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória.” Acórdão nº 240200985, de 06/07/2010. Acórdão nº 20601.797, de 04/02/2009. Acórdão nº 240100181, de 07/05/2009. Acórdão nº 240100182, de 07/05/2009. Acórdão nº 240200122, de 19/08/2009. Sendo assim, excluo da autuação as contribuições incidentes sobre essas verbas. Valores relativos a Planos de Saúde A recorrente foi autuada por fornecer a seus empregados planos de saúde de diversas prestadoras de serviços médicos e hospitalares, de acordo com o cargo ocupado na empresa. Esses planos, por sua vez, não eram equivalentes, visto que possuíam diferenças em relação à abrangência territorial, hospitais conveniados etc. Por tais razões, a quantia direcionada ao pagamento dos convênios fornecidos aos ocupantes de cargo de diretoria e gerência foram considerados como salário indireto. O art. 28 da Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a composição do salário de contribuição, traz expressamente, em seu § 9º, alínea “q”, que não integram o salário de contribuição, portanto não fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores despendidos pelo empregador para o custeio de planos de saúde de seus empregados. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 6 “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;” Vejase que o dispositivo legal acima transcrito faz apenas duas exigências para que sejam excluídas essas verbas do salário de contribuição: a) a assistência ser médica ou odontológica; b)cobertura que abranja a totalidade de empregados e dirigentes da empresa. Desta feita, a diferença entre os planos daqueles de função hierárquica superior e os de função subalterna não descaracteriza a natureza indenizatória da verba. Ora, o que a lei requer é que haja a cobertura a todos os funcionários e dirigentes, ou seja, impõe universalidade, no entanto, não o faz quanto à homogeneidade. Por isso não compete ao intérprete e ao julgador incluir palavras onde o legislador não o fez. Assim, contando que todos os funcionários percebiam o benefício, há de se afastar a incidência de contribuição previdenciária. Pagamento de Aluguel a Empregados e Diretores Nos termos do Relatório Fiscal, a concessionária efetuou pagamentos de aluguéis residenciais a empregados. Tais pagamentos foram constatados através de registros contábeis e considerados salário de contribuição como determina o artigo 28, item I, da Lei n° 8.212/91, com redação alterada pela Lei n° 9.528/97. Aduz a Recorrente, contudo, que tais pagamentos foram feitos a empregados que moravam em outra cidade, ou mesmo em outro país, conforme expressamente reconhecido na decisão recorrida. Sendo assim, tais valores não integram o salário de contribuição, por serem exceção positivada no art. 28, § 9º, alínea “m” da Lei nº 8.212/91: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;” De fato, a decisão recorrida reconhece que os funcionários que recebiam tais verbas moravam em outra cidade ou até em outro país. Portanto, esse benefício é concedido Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003809/200781 Acórdão n.º 2402004.354 S2C4T2 Fl. 694 7 para indenizar os funcionários, que mudaram de residência em razão da contratação pela Recorrente. Vejamos: "Os documentos apresentados pela empresa em sua impugnação demonstram que os beneficiários foram regularmente contratados para lhe prestarem serviços, independentemente de seus domicílios, embora morassem em outra cidade ou mesmo em outro país. Tal fato não provoca o direito à dupla residência e não caracteriza a situação descrita na legislação citada, ou seja, a prestação de serviço "em canteiro de obras ou locais que, por força da atividade, exijam deslocamento e estada". O TST possui a Súmula nº 367, que esclarece em quais situações a habitação fornecida pelo empregador pode ser considerada como salárioutilidade: “Súmula nº 367 do TST UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) (...)” Porém, a jurisprudência deste Conselho fixou o entendimento segundo o qual o trabalhador, ao ser convidado para trabalhar fora de seu domicílio, deve considerar se o novo salário tornaria vantajosa tal situação. Dispondo de salário adequado, o próprio empregado pode providenciar seu novo domicílio. Nesse sentido é o acórdão proferido no julgamento do PAF nº 10166.720033/201011, realizado em 15 de abril de 2014: “In casu, os contratos que constam dos autos apontam que os imóveis locados localizavamse em cidades com boa disponibilidade de imóveis, como Brasília. Como qualquer trabalhador, os diretores ao serem convidados para trabalhar fora de seu domicílio devem ter considerado se o novo salário tornaria vantajosa sua nova situação. Em cidades com ampla oferta de imóveis, dispondo de salário adequado, os diretores poderiam providenciar seu novo domicílio. Com relação às utilidades, boa parte da doutrina e da jurisprudência do TST se alinhou à teoria finalística – originalmente defendida entre nós por José Martins Catharino na década de 1950 – que distingue as utilidades fornecidas “para o trabalho” das utilidades fornecidas “pelo trabalho”. As primeiras, “para o trabalho”, seriam funcionais, instrumentais, verdadeiros Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 8 equipamentos de trabalho e, portanto, sem natureza salarial; as segundas, “pelo trabalho”, seriam contraprestativas e com natureza salarial. Não nos parece que o fornecimento de habitação em cidades com boa oferta de imóveis possa ser considerado de maneira similar a um equipamento de trabalho, pois a esmagadora maioria dos trabalhadores que lá trabalham arcam com o custo da habitação com seu próprio salário. (...) Assim, entendo que a inclusão dos valores despendidos com habitação de diretores na base de cálculo da contribuição previdenciária atende aos desígnios da lei.” Temse, então, que o pagamento mensal de aluguéis dos empregados reforça o caráter remuneratório das verbas, já que são habituais. Já a ajuda de custo, concedida de uma vez só, para suprir custos de alteração de moradia do trabalhador em razão do emprego, possui clara natureza indenizatória. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. SALÁRIO CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DOS ALUGUÉIS E IPTU DO IMÓVEL EM QUE RESIDE O EMPREGADO. HABITUALIDADE. NATUREZA SALARIAL. 1. Em sede de embargos declaratórios é possível a modificação do julgado para o fim de suprir os vícios previstos no art. 535 do CPC, ou diante de erro material. 2. Os aluguéis e IPTU do imóvel onde reside o empregado transferido, pagos com habitualidade, por tempo indeterminado, não se configuram ajuda de custo, uma vez que esta é concedida em parcela única. 3. A ausência de eventualidade do pagamento de referidas verbas, a exemplo do que ocorre com o auxíliocreche e auxílioalimentação, torna nítido o seu caráter remuneratório, integrando o saláriocontribuição. 4. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, tão somente para sanar omissão quanto incidência da contribuição previdenciária sobre as despesas com aluguéis e IPTU.” (STJ Embargos de Declaração no REsp: 440916 SC 2002/00743716. Data de Julgamento: 25/03/2003) No mesmo sentido são as decisões neste CARF: “PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver Fl. 698DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003809/200781 Acórdão n.º 2402004.354 S2C4T2 Fl. 695 9 antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ALUGUEL RESIDENCIAL. SALÁRIO INDIRETO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a título de aluguel residencial aos seus empregados. Tal benefício constitui salário indireto, o que evidencia o caráter remuneratório, razão pela qual incide contribuição previdenciária sobre tais valores.” (CARF. Processo nº. 12045.000310/200771.Data do julgamento: 17 de julho de 2013.) “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. SALÁRIOUTILIDADE. ALUGUEL RESIDENCIAL. CONFIGURAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos pelo empregador por imóveis locados em grande centro urbano em beneficio de empregados ocupantes de cargos de gerência ou de administração, integra o salário de contribuição nos termos do art. 28, I, da Lei 8.212/1991. (...)” (CARF. Processo nº. 10283.006925/200773. Data do julgamento: 29 de abril de 2010.) “INDICAÇÃO CLARA E PRECISA DO FATO GERADOR. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afasta se a preliminar de cerceamento do direito de defesa, com consequente nulidade do lançamento, quando a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é lavrada com a indicação clara e precisa do fato gerador e da forma de apuração da matéria tributável. ALUGUEL. SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de utilidade. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (CARF. Processo nº. 14489.000052/200730. Data do julgamento: 20 de agosto de 2009.) Sendo assim, mantenho a autuação, já que devidas as contribuições sobre as verbas creditadas aos empregados a títulos de aluguel, já que remuneratórias. Pagamento a Cooperativa de Trabalho Médico UNIMED São Carlos Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 10 A Recorrente foi autuada, nos termos do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.876/99, por não recolher contribuições decorrentes da prestação de serviços médicos e hospitalares pela UNIMED São Carlos Cooperativa de Trabalho Médico, a seus empregados. O Pleno do STF, em sede de Recurso Extraordinário, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, redação dada pelo 9.876/99, que alterou a sujeição passiva da obrigação tributária para as empresas tomadoras de serviços. Adentrando ao mérito da questão, em abril do corrente ano, foi reconhecida a inconstitucionalidade do referido inciso, sob o argumento de que a regra insculpida artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/91 significa nova fonte de custeio, e nestes termos, fere o artigo 154, I, da Constituição Federal, que é categórico quanto obrigatoriedade de lei complementar para o exercício da competência tributária residual. A pretensão do legislador foi instituir contribuição previdenciária a cargo das empresas tomadoras de serviços, transferindo assim, a sujeição passiva da obrigação tributária. O Ministro Dias Tofolli, Relator do RE 595.838/SP, este com repercussão geral reconhecida, deu provimento ao recurso reconhecendo a inconstitucionalidade do dispositivo em comento, conforme excerto do voto prolatado: “Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.” Levado em sessão no Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, foi dado provimento ao recurso declarando a inconstitucionalidade do inciso que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Sendo assim, excluo da autuação os valores referentes as contribuições previdenciárias incidentes sobre a contratação dos serviços prestados por cooperativa de saúde. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003809/200781 Acórdão n.º 2402004.354 S2C4T2 Fl. 696 11 Conclusão Por todo o exposto, voto para CONHECER do recurso voluntário e a ele DAR PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento os valores relativos ao plano de saúde, auxílio creche e aqueles referentes aos pagamentos realizados a cooperativas de trabalho. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO
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Numero do processo: 18471.001301/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir àquelas que julgar desnecessárias.
IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando-se sua tributação a esse título.
Numero da decisão: 2201-002.552
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 03/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001301/200754 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.552 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente PAULO CESAR BASTOS RAMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir àquelas que julgar desnecessárias. IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 01 /2 00 7- 54 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificandose sua tributação a esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 03/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração, de fls. 127 e seguintes, lavrado em 02/10/2007, exigese do Contribuinte PAULO DESAR BASTOS RAMOS o montante de R$ 1.840.907,68 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 1.273.539,93 de juros de mora e R$ 1.380.680,76 de multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 4.495.128,37 (atualizados até a data da autuação) referente ao ano calendário 2002, decorrente de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. O Termo de Constatação Fiscal, de fls. 114 e seguintes, relata: · O Contribuinte apresentou Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física simplificada (DIRPF), ano calendário 2002, reportando como rendimentos tributáveis o total de R$ 18.7001,00, que resultou em um montante de R$ 339,60 de imposto devido. Ressalta que não houve o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis. Entretanto, a movimentação financeira para o ano calendário de 2002 foi de R$ 6.713.961,85 (Unibanco – R$ 17.124,06 e Bradesco R$ 6.696.837,79). · O Contribuinte informou que na conta do Unibanco transitam seus rendimentos, enquanto a conta do Bradesco é utilizada paras suas atividades profissionais. Informou que atua no mercado de compra e venda de ouro e que exerce esta Fl. 442DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001301/200754 Acórdão n.º 2201002.552 S2C2T1 Fl. 3 3 atividade há mais de 30 anos, adquirindo o metal no mercado e revendendo para ourives, artesãos, pessoas físicas, em grande maioria pequenas oficinas muito informais. · O Contribuinte apresentou os extratos do Unibanco. Em face da inércia para entrega dos extratos do banco Bradesco, este foram requeridos à instituição financeira através de Requisição de Movimentação Financeira (RMF). · Com base nos extratos, o Contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos: (i) Bradesco, conta corrente 1452147028, os depósitos no montante de R$ 7.439.427,57. Foi subtraído os valores referentes aos cheques devolvidos no valor R$ 748.072,41 e (ii) Unibanco, conta corrente 302/7231749, os depósitos no montante de R$ 17.219,00. · O Contribuinte informou que os valores que transitaram na conta Unibanco são perfeitamente compatíveis com seus rendimentos. Na conta junto ao Bradesco transitaram cheques que correspondem à atividade de compra e venda do ouro. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 09/10/2007, conforme espelho da página dos correios na Rede Mundial de Comunicação de fl. 341, tendo apresentado Impugnação (de fls. 345), em 08/11/2007, na qual trouxe as seguintes alegações: · O seu direito de defesa restou prejudicado uma vez que a documentação hábil e idônea não foram disponibilizadas pelas instituições financeiras, pois inclui quebra de sigilo bancário de terceiros. Assim a recusa da Autoridade fiscal em aprofundar a investigação, solicitando às instituições financeiras destes terceiros e perquirindo os emitentes dos cheques e daqueles que promoveram as transferências através de máquinas de autoatendimento, viola o seu direito de defesa uma vez que para o recorrente tratase de prova impossível de produzir. · A arbitrariedade e ilegalidade promovidas pela autoridade lançadora afrontariam o princípio do devido processo legal, cuja inobservância seria fundamenta a qualquer procedimento instaurado sob a égide do direito pátrio. Deve ser declarada preliminarmente a nulidade do Auto de Infração, uma vez eivado de vício insanável na forma prevista no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. · A acusação fiscal não passaria de uma mera presunção não autorizada pela Lei. E, em se tratando de presunção a autoridade a autoridade lançadora deveria, pelo menos, ter abatido do lançamento a renda tributável declarada e auferida pelo Contribuinte. A renda e movimentação financeira são conceitos distintos, não autorizando as conclusões da autoridade lançadora. Assim os depósitos podem ser considerados no máximo indício de renda, mas não renda auferida. Assim a fiscalização não poderia ter arbitrado a base de cálculo sem um procedimento de arbitramento garantido o contraditório. A súmula 182 do TFR já teria rechaçado que o imposto de renda fosse arbitrado com base em depósitos bancários. Bem como a jurisprudência administrativa e dos tribunais superiores. · Se existisse incompatibilidade entre a renda declarada pelo contribuinte e sua movimentação financeira, a questão deveria ter se limitada à conta corrente mantida junto ao Banco Bradesco, por onde teriam transitado os recursos oriundos de suas atividades profissionais, sendo incabível, em razão disso, a inclusão de valores relativos à conta corrente mantida junto ao Unibanco. A conta corrente mantida no Bradesco seria utilizada pelo Contribuinte para compra e venda de ouro, sendo o Contribuinte comerciante no mercado de oura há mais de trinta anos. Os valores Fl. 443DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 creditados na conta corrente do Bradesco diriam respeito à venda de ouro, para pequenos empresários, tais como artesãos e ourives, a maioria deles profissionais informais do interior do Estado do Rio de Janeiro. · A fiscalização desconsiderou as transferências entre contas correntes bancárias do Contribuinte, que estariam perfeitamente identificadas no histórico dos extratos bancários, bem como rendimentos considerados como rendimentos valores que manifestamente jamais teriam sido de propriedade do Contribuinte, fato que poderia ser aferido com a simples análise dos extratos bancários. · Diligência junto aos bancos Bradesco e Unibanco para a obtenção de documentos esclarecimentos relativos à movimentação financeira de suas contas. A 2ª Turma da DRJ/RJ2 na sessão de 22/12/2009 pelo Acórdão 1324.926, de fls. 364 e seguintes, julgou procedente o lançamento: PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste embaraço ao exercício do direito de defesa se o auto de infração e os demais elementos do processo permitem ao impugnante o conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, tendo sido possibilitada ao contribuinte a oportunidade apresentar, quer durante o procedimento fiscal, quer na fase impugnatória, os elementos probatórios que entendia pertinente. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de realização de diligência, quando este for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. O Contribuinte foi notificado do Acórdão, em 17/06/2009, conforme documento dos correios de fls. 376, vindo apresentar Recurso Voluntário em 17/07/2009, às fls. 337 e seguintes, reproduzindo o alegado na Impugnação, complementando com as seguintes solicitações de diligências: (i) junto ao Banco Bradesco S/A para: indicar na relação de depósitos bancários elaborado pela autoridade lançadora, quais são os depósitos efetuados mediante cheques, transferências interbancárias, DOC, TED e em moeda corrente nacional, obter a cópia dos mesmos (DOC,TED, Cheques), ou que sejam fornecidos os elementos necessários pelo Banco Bradesco para identificar a origem dos recursos (emitente, banco e conta corrente), analisando a cópia do documento identificar a operação que deu causa ao depósito, caso haja no verso ou no corpo do mesmo e caso não seja possível identificar de plano a que não houve qualquer remuneração ao Contribuinte, realizar oitiva dos emitentes dos cheques DOC, TED etc, para que informem qual foi a operação que deu causa ao depósitos na conta corrente mantida junto ao Banco Bradesco; indagar aos emitentes dos cheques DOC, Fl. 444DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001301/200754 Acórdão n.º 2201002.552 S2C2T1 Fl. 4 5 TED etc, ou titulares da conta corrente bancária de onde saíram os valores que transitaram pela conta corrente bancária do Contribuinte, se existia qualquer relação de remuneração direta entre o recorrente e os mesmos e (ii) relativamente ao Banco Unibanco S/A requerer que se identifique a conta corrente bancária de titularidade mantida junto ao Banco Unibanco se há compatibilidade entre aquela movimentação financeira, e o correspondente ao total dos rendimentos tributáveis, isentos e tributados deforma exclusiva/definitiva informados na declaração de rendimentos do exercício de 2003. Pela Resolução nº 220200.183 de 12/03/2012, às fls. 399 e seguintes, a 2ª Turma Ordinária /2ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu sobrestar o Processo Administrativo Tributário com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, §3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Embora o cabeçalho da Resolução cite o presente processo. O relatório cita outro contribuinte, bem como decisão proferida por outra Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (São Paulo). Posteriormente, a Portaria MF nº 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. DA PRELIMINAR I.1. Cerceamento do Direito de Defesa e Pedido de Diligência O Contribuinte aponta que seu direito de defesa restou prejudicado, uma vez que a documentação hábil e idônea não foi disponibilizada pelas instituições financeiras, tendo em vista que a sua defesa esbarra na quebra do sigilo bancário de terceiros que com ele transacionaram. Assim, a recusa da Autoridade Fiscal em aprofundar a investigação, solicitando às instituições financeiras destes terceiros e perquirindo os emitentes dos cheques e Fl. 445DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 daqueles que promoveram as transferências através de máquinas de auto atendimento, viola o seu direito de defesa, pois se trata de prova impossível de o Contribuinte de produzir. A argumentação do Contribuinte não procede tendo em vista que o que se objetiva do Contribuinte não é tomar conhecimento de quem lhe emitiu o cheque ou de quem lhe efetuou a transferências de valores pelas máquinas de auto atendimento, mas sim de saber a origem do negócio jurídico que fundamentou o ingresso de tais valores nas contas do Contribuinte, verificando se o valor decorrente deste negócio jurídico representa renda ou não; e se representa, se esta renda é tributável e se tributável se o contribuinte já ofereceu a mesma à tributação. Assim, a documentação hábil e idônea exigida pela Autoridade Tributária não se encontra na movimentação financeira de quem lhe efetuou os depósitos, mas sim nos negócios jurídicos realizados pelo Contribuinte que fundamentaram as referidas transações bancárias. Desta feita, documentação hábil e idônea pretendida é de perfeita produção pelo Contribuinte, não caracterizando prova impossível. Especialmente porque é de se esperar que o Contribuinte tenha ciência dos valores que ingressam em sua conta bancária, bem como da origem dos mesmos. Ainda com base no cerceamento do direito a ampla defesa, o Contribuinte requer a nulidade da decisão recorrida por haver indeferido a produção da prova através de diligência aos Bancos UNIBANCO S/A e BRADESCO S/A a fim de comprovar as operações comerciais que ensejaram os créditos na sua conta corrente bancária. Conforme já salientado, o Contribuinte não foi intimado a informar quem procedeu aos depósitos em sua conta bancária, mas sim comprovar a que título tais depósitos foram efetuados (origem). Assim, a diligência para quebra do sigilo bancário daqueles que efetuaram os depósitos (terceiros) é inócua, uma vez que não irá comprovar o negócio jurídico que embasou o depósito por este terceiro e que ademais, tal comprovação, encontrase a pleno alcance do Contribuinte, tendo em vista que os depósitos foram efetuados em sua conta bancária. Diante do exposto, não se vislumbra violação ao direito de defesa do Contribuinte. Preliminar rejeitada. II. DO MÉRITO O Contribuinte argumenta que a acusação fiscal não passa de mera presunção, não autorizada pela Lei. Logo, os depósitos podem ser considerados no máximo indício de renda, mas não renda auferida, até porque renda e movimentação financeira não se confundem. Complementa afirmando tanto a Súmula 182 do TFR quanto as decisões judiciais que a embasaram rechaçaram o arbitramento do imposto de renda com base em depósitos bancários. Conforme a vasta jurisprudência deste Conselho, as argumentações levantadas pelo Contribuinte não se sustentam a partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001301/200754 Acórdão n.º 2201002.552 S2C2T1 Fl. 5 7 Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Cabe apontar que o fundamento utilizado para Autoridade Lançadora não é § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90 que embasou o Enunciado 182 da Súmula do TFR, mas sim o art. 42 da Lei nº 9.430/96, artigo este criado pelo mesmo ato normativo que revogou § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Assim, a partir da sua produção de efeitos o art. 42 da Lei nº 9.430/96 passa a caracterizar como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O referido dispositivo traz conteúdo distinto do §5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Notase que o caput do dispositivo revogado, expressamente, exige a exteriorização de sinais de riqueza, servindo os depósitos como meros indícios, como sustenta o Contribuinte. Todavia, o referido requisito não é mais exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Diante da alteração legislativa, a autoridade tributária não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio) incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorreria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Diante do novo preceito normativo a presunção lógica entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos, pretendido pela Contribuinte, como a exteriorização de riqueza não é mais exigido pelo novo comando normativo. A presunção lógica foi substituída pela presunção jurídica trazida pelo preceito normativo criado pelos representantes do contribuinte no poder legislativo. Desta feita, os argumentos de defesa levantados pelo Contribuinte estão deslocado temporalmente. Destacase que o presente posicionamento já se encontra pacificado na presente Corte administrativa conforme enunciado Súmula do CARF nº 26: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Enunciado 182 da Súmula do TFR foi publicado no DJ em 07/10/1985, abordando o preceito normativo contido no § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90, que conforme já exposto foi revogado pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. O Acórdão 10311.723 citado pelo Contribuinte aborda os exercícios de 1986 a 1989. Logo, a fundamentação jurisprudencial do Contribuinte é anacrônica, abordando entendimento anterior a janeiro de 1997, início da eficácia da Lei ora em tela. Logo, tais julgados não são parâmetros para embasar a pretensão do Contribuinte, uma vez que o presente Auto de Infração apura omissão de rendimentos referente ao ano calendário de 2003, ou seja, fato geradores sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Conforme demonstrado acima, não se trata de confundir renda com movimentação financeira, ou de ampliar o conceito de renda ou de processo de arbitramento, mas sim de presunção legal, logo incabível trazer para colação a presente autuação o imposto recolhido sobre a renda já declarada pelo Contribuinte, uma vez que o presente Auto de Infração está tributando renda distinta daquela já declarada pelo Contribuinte e que com ela não se confunde. O Contribuinte argumenta que a movimentação financeira da conta junto ao Unibanco é compatível com a renda declarada, logo a questão deveria ter se limitado à conta corrente mantida junto ao Banco Bradesco, por onde teriam transitado os recursos oriundos de suas atividades profissionais, sendo incabível, em razão disso, a inclusão de valores relativos à conta corrente mantida junto ao Unibanco. A segregação patrimonial através de contas bancárias não é fundamento para afastar a tributação do Imposto de Renda, conforme pretendido pelo Contribuinte. Ademais, o Contribuinte não junta provas quanto à existência da atividade de comercialização de ouro, ou que os rendimentos desta atividade já foram tributados ou não estão sujeitos à incidência do imposto. A argumentação que somente pela quebra do sigilo bancários destes pequenos empresários seria possível a comprovação das operações. A referida defesa busca transferir o ônus, que lhe é atribuído, quanto à comprovação de atividade que exerce, à Autoridade Fiscal e às pessoas que com ele comercializam. A informalidade da operação e ausência de obrigação de manutenção de contabilidade, não ilide presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo ônus do Contribuinte a produção de prova quanto às operações que fundamentarem os depósitos bancários. Cabe ao Contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O Contribuinte afirma que a fiscalização desconsiderou as transferências entre contas correntes bancárias. Porém, o Contribuinte, tanto na Impugnação quanto no Recurso Voluntário não identifica quais seriam estes depósitos, não tendo sido identificando pela simples análise dos extratos quais seriam estes depósitos. Isto posto, a alegação do Contribuinte não se sustenta diante da falta de conteúdo probatório. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001301/200754 Acórdão n.º 2201002.552 S2C2T1 Fl. 6 9 Desta feita, tendo em vista que o Contribuinte não logrou êxito em justificar a origem dos depósitos bancários apontados pela fiscalização, por meio de documentação hábil e idônea, o lançamento deve ser mantido. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 449DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000397/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE VOTO. Embora as normas regimentais considerem não formulada a declaração de voto quando descumprido o prazo previsto para sua apresentação, há omissão que deve ser suprida quando a declaração de voto é tempestivamente apresentada e deixa de ser juntada ao acórdão embargado.
ASPECTOS NÃO APRECIADOS NO VOTO CONDUTOR DO JULGADO. INOCORRÊNCIA. Se as razões de decidir expostos no voto condutor do julgado abordam expressa ou implicitamente as omissões alegadas, os embargos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1101-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER PARCIALMENTE os embargos de declaração e na parte acolhida DAR-LHES PROVIMENTO, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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OMISSÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE VOTO. Embora as normas regimentais considerem não formulada a declaração de voto quando descumprido o prazo previsto para sua apresentação, há omissão que deve ser suprida quando a declaração de voto é tempestivamente apresentada e deixa de ser juntada ao acórdão embargado. ASPECTOS NÃO APRECIADOS NO VOTO CONDUTOR DO JULGADO. INOCORRÊNCIA. Se as razões de decidir expostos no voto condutor do julgado abordam expressa ou implicitamente as omissões alegadas, os embargos devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER PARCIALMENTE os embargos de declaração e na parte acolhida DARLHES PROVIMENTO, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 03 97 /2 00 9- 46 Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.000397/200946 Acórdão n.º 1101001.202 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.000397/200946 Acórdão n.º 1101001.202 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão plenária de 03 de julho de 2012 foi julgado recurso de ofício interposto nestes autos. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 110100760, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 2006, 2007. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO Não havendo nos autos nenhum elemento que infirme a atividade econômica indicada no contrato social, o percentual de arbitramento deve ser de acordo com tal atividade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007. MULTA DE 150%. CARACTERIZAÇÃO Ficando demonstrado que a empresa informou nas suas declarações valores expressivamente menores que os apurados pela fiscalização, por meio de presunção legal de omissão de receita, fica caracterizada a intenção de sonegar, sendo aplicável a multa de 150%. A não localização da empresa no domicilio fiscal cadastrado na Receita corrobora a intenção da empresa de sonegar tributos. Também confirma a sonegação a demonstração de que os sócios gerentes alienaram as quotas para terceiros a fim de tentar escapar de suas responsabilidades. Os autos do processo administrativo foram entregues à Procuradoria da Fazenda Nacional em 04/09/2012 (fl. 652), sendo opostos embargos em 08/10/2012 (fls. 653/664) apontando omissão no julgado com referência à juntada de declaração de voto desta Conselheira, tendo em conta que o acórdão assim expõe: Acordam os membros do colegiado: [...] 3) relativamente à imputação de responsabilidade a Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho: 3.1) por maioria de votos, CONHECER a matéria, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 3.2) por maioria de votos, ANULAR os termos de sujeição passiva solidária, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. Diz também que houve omissão quanto à possibilidade de se discutir responsabilidade tributária em sede de processo administrativo fiscal, asseverando que a jurisprudência do CARF tem se firmado no sentido de que a matéria envolvendo responsabilidade está restrita à fase de execução do crédito tributário, não podendo o julgador administrativo adentrar nessa questão. Adiciona que houve: 1) omissão a respeito da aplicação do art. 124, I do CTN, tendo em conta que o entendimento esposado no acórdão embargado divergiria do que manifestado por outros Colegiados deste Conselho; 2) omissão acerca da jurisprudência pacífica do STJ em favor da responsabilidade solidária dos administradores em caso de encerramento irregular da atividade empresarial e violação à lei. Nos termos do despacho de fls. 1096/1098, em juízo de cognição sumária, restou caracterizada apenas a primeira omissão suscitada pela embargante. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.000397/200946 Acórdão n.º 1101001.202 S1C1T1 Fl. 5 4 Registrese que o presente processo administrativo foi originalmente formalizado para exigência de crédito tributário em face da interessada MARMO DE CACHOEIRAS GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, em razão da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada nos anoscalendário 2005 e 2006, e conseqüente exigência de IRPJ e CSLL mediante arbitramento dos lucros porque a contribuinte, excluída do SIMPLES Federal, não apresentou escrituração comercial e fiscal. Houve também exigência de Contribuição ao PIS e COFINS incidentes sobre as receitas omitidas e todos os créditos tributários foram acrescidos de multa qualificada. A autoridade lançadora também imputou responsabilidade tributária solidária aos exsócios da pessoa jurídica, Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho. A Turma Julgadora de 1a instância exonerou parcialmente a exigência, admitindo a dedução dos pagamentos promovidos no âmbito do SIMPLES Federal, e afastando a qualificação da penalidade por falta de comprovação da motivação que a ensejou, mas mantendo a responsabilidade tributária imputada aos exsócios da pessoa jurídica. Como o crédito tributário exonerado superou o limite previsto na Portaria MF nº 3/2008, o Presidente da Turma Julgadora submeteu a decisão correspondente a reexame necessário. Às fls. 618/619 constam os procedimentos para ciência, à pessoa jurídica autuada, da decisão de 1a instância, seguidos das informações de transferência do crédito tributário mantido para o processo administrativo nº 10730.720046/201038 com vistas à sua inscrição em Dívida Ativa da União. O despacho de fl. 631 informa que os presentes autos são enviados a este Conselho para apreciação, apenas, do recurso de ofício. Na sessão de julgamento de 03 de julho de 2012 ambos processos (o presente e o de número 10730.720046/201038) foram submetidos à apreciação deste Colegiado. Isto porque nos autos do processo administrativo nº 10730.720046/201038 a contribuinte alegou, perante a Procuradoria da Fazenda Nacional, que não fora cientificada da decisão de 1a instância, requerendo formalização de sua ciência e dos responsáveis tributários pelo crédito tributário mantido. Várias manifestações da Procuradoria da Fazenda Nacional e da Unidade local foram juntadas aos autos acerca do procedimento de ciência, e na seqüência a contribuinte apresentou recurso voluntário. Relativamente ao litígio aqui subsistente, o Colegiado decidiu: 1) por maioria de votos, AFASTAR a hipótese de sobrestamento com base no art. 62A do Anexo II do RICARF, divergindo as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de oficio; e 3) relativamente à imputação de responsabilidade a Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho: 3.1) por maioria de votos, CONHECER a matéria, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 3.2) por maioria de votos, ANULAR os termos de sujeição passiva solidária, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. Já no acórdão proferido nos autos do processo administrativo nº 10730.720046/201038: 1) Por maioria de votos, foi AFASTADA a hipótese de sobrestamento com base no art. 62A do Anexo II do RICARF, divergindo as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, NÃO FOI CONHECIDO o recurso voluntário de MARMO DE CACHOEIRAS GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.000397/200946 Acórdão n.º 1101001.202 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, a primeira omissão apontada pela embargante diz respeito à falta de juntada de declaração de voto desta Conselheira, citada na decisão do acórdão: Acordam os membros do colegiado: [...] 3) relativamente à imputação de responsabilidade a Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho: 3.1) por maioria de votos, CONHECER a matéria, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 3.2) por maioria de votos, ANULAR os termos de sujeição passiva solidária, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. O art. 63, §§ 7º e 8º do Anexo II do Regimento Interno do CARF estipula o prazo de 15 (quinze) dias para sua formalização e define que será considerada não formulada a declaração de voto quando descumprido aquele prazo. Contudo, no presente caso, a declaração de voto foi produzida tempestivamente, em 05/07/2012, e encaminhada à Secretaria de Câmara, deixando de ser juntada ao acórdão embargado por erro em sua formalização. A referida declaração de voto foi assim redigida: DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA No que tange à imputação de responsabilidade a Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho, observo que não lhes foi cientificado o acórdão de 1a instância, e este possivelmente é o motivo de não ter se verificado a apresentação de recurso voluntário por aqueles responsáveis. Em tais condições, não admito a apreciação oficiosa desta imputação de responsabilidade, e entendo que os autos deveriam retornar à autoridade preparadora para que a ciência fosse providenciada. De toda sorte, vencida quanto ao conhecimento da matéria, discordo da anulação da imputação de responsabilidade que lhes foi feita. A autoridade fiscal reuniu elementos para concluir que as pessoas que substituíram Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho, na sociedade fiscalizada, não possuíam condições econômicas para adquirir seu controle societário, evidência de simulação para evitar a responsabilidade pelos tributos que deixaram de ser recolhidos. Relevante, neste ponto, destacar que a justificativa para aqueles antigos sócios não atenderem às intimações da fiscalização foi fundada no fato de não serem mais sócios da pessoa jurídica. De outro lado, ao longo de dois anos, a pessoa jurídica fiscalizada apresentou expressiva movimentação financeira, e ínfimos rendimentos declarados na sistemática do SIMPLES, fatos que ensejaram, inclusive, a aplicação de multa qualificada no lançamento aqui em debate. Logo, a autoridade lançadora logrou reunir elementos que permitem concluir que a conduta da contribuinte, e de seus agentes, não se limitou à mera falta de Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.000397/200946 Acórdão n.º 1101001.202 S1C1T1 Fl. 7 6 recolhimento, exsurgindo motivação suficiente para caracterizar a responsabilidade tributária, ao menos com fundamento no art. 135, III do CTN. Ressalto que o art. 135 do CTN prestase a ampliar as garantias do crédito tributário, permitindo a busca de sua satisfação no patrimônio pessoal daqueles que participaram da gestão da pessoa jurídica sem a necessária lisura, hábil a assegurar que não houve desvio da riqueza manifestada pelos fatos jurídicos tributáveis. Assim, se tais pessoas se conduzem com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, o Fisco tem o direito de também buscar a satisfação de seus créditos no patrimônio pessoal destes responsáveis, ainda que o representado detenha patrimônio suficiente para tanto, na medida em que esta situação patrimonial pode não decorrer necessariamente da riqueza tributável em debate e estar gravada por outras dívidas, além de estar sujeita a flutuações que podem, no futuro, prejudicar a liquidação da obrigação tributária. Por esta razões, não vejo motivo para anular a imputação de responsabilidade, e concluo que necessário seria o retorno dos autos à DRF de origem, para ciência da decisão de 1a instância aos responsáveis, facultandolhes a interposição de recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Neste ponto, portanto, os embargos devem ser ACOLHIDOS e PROVIDOS, mas sem efeitos infringentes, apenas para integrar ao acórdão embargado a declaração de voto reclamada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A embargante também diz que houve omissão quanto à possibilidade de se discutir responsabilidade tributária em sede de processo administrativo fiscal, asseverando que a jurisprudência do CARF tem se firmado no sentido de que a matéria envolvendo responsabilidade está restrita à fase de execução do crédito tributário, não podendo o julgador administrativo adentrar nessa questão. Adiciona que houve: 1) omissão a respeito da aplicação do art. 124, I do CTN, tendo em conta que o entendimento esposado no acórdão embargado divergiria do que manifestado por outros Colegiados deste Conselho; 2) omissão acerca da jurisprudência pacífica do STJ em favor da responsabilidade solidária dos administradores em caso de encerramento irregular da atividade empresarial e violação à lei. Porém, vêse no acórdão embargado que a apreciação da responsabilidade tributária imputada a Victor Leonardo Ferreira de Araújo Coutinho e Caio Marcus Ferreira de Araújo Coutinho teve em conta o dever da Administração Tributária de anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade (art. 53 da Lei nº 9.784/99), superando o entendimento esposado por outros Colegiados no sentido de que a matéria envolvendo responsabilidade estaria restrita à fase de execução do crédito tributário. Com referência à possibilidade de aplicação do art. 124, I do CTN, o voto condutor do acórdão embargado expõe claramente o entendimento de que referido dispositivo legal não autoriza a imputação de responsabilidade a terceiros. E, no que tange à responsabilidade solidária de administradores em caso de encerramento irregular da pessoa jurídica, o voto condutor do julgado expõe o entendimento que prevaleceu no julgado no sentido de que não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tinha condições de pagar o débito. Assim, os aspectos apontados poderiam, no máximo, caracterizar eventual divergência e suscitar a interposição de recurso especial à CSRF. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.000397/200946 Acórdão n.º 1101001.202 S1C1T1 Fl. 8 7 Por estas razões, relativamente a este segundo conjunto de omissões, os embargos devem ser REJEITADOS. Diante de todo o exposto, os embargos devem ser PARCIALMENTE ACOLHIDOS, e na parte acolhida deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso, mas sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16327.001195/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO.
Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR.
ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR - POSSIBILIDADE DE AUMENTO DE VALOR PAGO A TITULO DE PLR, POR DESEMPENHO INDIVIDUAL
Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário.
As metas a serem alcançadas devem estar descritas nos acordos firmados, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador.
A definição de critérios de aferição pode ser exigida, com vistas a determinar o cumprimento das metas estipuladas no acordo.
A cláusula que determina o pagamento de PLR como valos substitutivo de prêmios e produtividade acaba por afastar o PLR de sua essência, passando a constituir mera premiação pessoal por resultado alcançado.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.- CONTRIBUIÇÃO DE 2,5%
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
.PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
-DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PLR - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - RUBRICACAÇÃO DA SÚMULA N. 99 DO CARF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e b) declarar a decadência até a competência 09/2003. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR. ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR - POSSIBILIDADE DE AUMENTO DE VALOR PAGO A TITULO DE PLR, POR DESEMPENHO INDIVIDUAL Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. As metas a serem alcançadas devem estar descritas nos acordos firmados, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. A definição de critérios de aferição pode ser exigida, com vistas a determinar o cumprimento das metas estipuladas no acordo. A cláusula que determina o pagamento de PLR como valos substitutivo de prêmios e produtividade acaba por afastar o PLR de sua essência, passando a constituir mera premiação pessoal por resultado alcançado. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.- CONTRIBUIÇÃO DE 2,5% A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. .PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. -DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PLR - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - RUBRICACAÇÃO DA SÚMULA N. 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindose natureza salarial a verba PLR. ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR POSSIBILIDADE DE AUMENTO DE VALOR PAGO A TITULO DE PLR, POR DESEMPENHO INDIVIDUAL Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. As metas a serem alcançadas devem estar descritas nos acordos firmados, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. A definição de critérios de aferição pode ser exigida, com vistas a determinar o cumprimento das metas estipuladas no acordo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 95 /2 00 8- 28 Fl. 905DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 A cláusula que determina o pagamento de PLR como valos substitutivo de prêmios e produtividade acaba por afastar o PLR de sua essência, passando a constituir mera premiação pessoal por resultado alcançado. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. CONTRIBUIÇÃO DE 2,5% A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. .PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PLR DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RUBRICACAÇÃO DA SÚMULA N. 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e b) declarar a decadência até a competência 09/2003. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.187.7970, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinadas a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, no nas seguintes competências 02/2003; 03/2003; 06/2003; 09/2003; 02/2004 a 04/2004;07/2004 a 09/2004; 01/2005 a 03/2005; 05/2005; 08/2005; 12/2005; 02/2006 a 04/2006;08/2006 a 12/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 20 a 30, foram solicitados através do Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF os regulamentos das Participações nos Lucros ou Resultados — PLR — para o período fiscalizado e seus respectivos comprovantes de arquivamento no sindicato da categoria. A empresa apresentou as convenções coletivas de trabalho e 1 (UM) plano próprio e seu respectivo anexo . CARACTERIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS COMO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO • conforme relatório fiscal Primeiramente, é importante frisar novamente que os valores pagos até os limites previstos pelas convenções coletivas de trabalho foram considerados de acordo com a legislação e, portanto, não estão incluídos neste levantamento, posto que foram descontados dos totais pagos. Cabe salientar que estes valores foram calculados, consolidados e conferidos juntamente com a empresa ora fiscalizada. Do exposto acima, foi constatado que a empresa não cumpriu a legislação, nem tampouco ao pretenso plano de participação nos resultados apresentado por ela. Segue comparativo entre as alegações da empresa e os fatos verificados pela fiscalização: ` Itens verificados pela auditoria e que levaram a conclusão acerca do descumprimento legal: 1. Vigência do Plano de PLR Alega que o plano tem vigência por prazo indeterminado – Fiscalização: verificou que o próprio plano da empresa prevê revisões anuais obrigatórias, que entretanto não foram feitas. O item 7 do anexo (documento 2) preconiza que as políticas deverão ser revistas anualmente ou ainda por motivos de mudança no • momento econômico, ou no plano de negócios do BankBoston (atual Itaubank), etc. Concluise portanto que o próprio acordo coletivo e seu respectivo anexo previam mudanças anuais no programa de PLR, conferindolhe dessa forma a validade de apenas 1 ano; 2. Ausência de pactuação prévia O instrumento de negociação utilizado para o plano próprio foi um acordo coletivo assinado em 07 de fevereiro de 2001 (documento 1) que previa no seu item 10 vigência retroativa a 1 ° de janeiro de 2000 e por prazo indeterminado; 3. Participação dos empregados e do sindicato no processo de negociação: ITAUBANK Assinou o acordo coletivo assinado e seu anexo. – FISCALIZAÇÃO: Não participaram de nenhuma das revisões previstas pelo próprio acordo, tampouco das metas e valores a Fl. 908DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 4 5 serem pagos, visto que a própria empresa informou que os valores são discricionariamente definidos pela empresa e que podem levar em conta resultados negociação globais, ou seja, outras empresas do grupo econômico, ainda que localizadas no exterior. 4. Regras claras sobre os direitos dos empregados ITAUBANK Afirma que os modelos de avaliação descrevem minuciosamente os critérios, parâmetros e métricas. FISCALIZAÇÃO: verificou que a empresa leva em conta o comportamento pessoal do empregado, faz comparações entre eles, valoriza a figura do avaliador, trata das metas em tese e não em números objetivamente e não prevê limite máximo para o pagamento. 5. Metas pactuadas previamente com a participação do sindicato. FISCALIZAÇÃO A empresa não apresentou. 6. Avaliações individuais FISCALIZAÇÃO A empresa não apresentou metas individuais tendo em vista que não as arquivou. 7. Caráter remuneratório – FISCALIZAÇÃO O item 6 do acordo coletivo (documento 1) prevê que o acordo coletivo compensa e substitui eventuais programas existentes anteriormente , que tenham a mesma causa de concessão , inclusive bônus, e/ou produtividade ; (grifado no próprio plano apresentado, vide item 6 do documento 1); 8. Pagamento Semestral – ITAUBANK – metas calculadas mensalmente, mas apuradas semestralmente. FISCALIZAÇÃO – metas individuais calculadas mensalmente baseadas nas operações realizadas, mas pagas semestralmente, demonstrando a natureza de comissão/bônus dessa verba. Por outro lado, esta fiscalização, em relação ao item 20 (Vigência do Plano de PLR, e Participação dos empregados e do sindicato no processo de negociação) entende que: se o próprio plano apresentado prevê revisões anuais obrigatórias, estas revisões devem ser negociadas anualmente com a comissão de empregados e com o sindicato da categoria, e formalizadas em um novo instrumento decorrente dessa negociação, como a lei 10.101/200 exige. Portanto, a empresa não cumpriu o artigo 2° da lei supracitada e não possui plano que suporte os pagamentos apurados neste auto de infração; mesmo em relação ao pseudo acordo apresentado pela empresa, fica clara a participação figurativa da comissão de empregados e do sindicato, já que no que realmente interessa, que são as metas a serem cumpridas e os instrumentos de avaliação, não houve participação dos mesmos, contrariando novamente a legislação; a Lei 10.101/2000 não deixa dúvidas quando trata de regras claras, e • evidente fica o descompasso da empresa e seu pseudo plano de PLR com o texto legal, pois vejamos, o "plano de PLR" não trata de metas em números (objetivas), prevê avaliações de seus empregados por critérios comportamentais, não prevê limites para os pagamentos, leva em conta resultados da empresa fora do país, que estão totalmente fora da competência de seus empregados e define discricionariamente os valores a serem pagos por área, não obedecendo sob mais este aspecto o referido texto legal. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 a Lei 10.101/2000 no seu artigo Y preconiza que a PLR não substitui ou complementa a remuneração, mas a empresa pagou bônus e produtividade a título de PLR. Portanto, o simples fato da empresa nomear a rubrica de PLR, não significa que seja PLR, nem tampouco e muito menos gozar da isenção tributária. O fato da empresa: não possuir planos próprios para os pagamentos objeto deste Auto de Infração; não haver prova de que houve negociações, tampouco com a participação dos empregados e do sindicato da categoria; a falta de regras claras para os pagamentos; (Foram solicitadas as folhas de pagamento, e na análise das mesmas verificaramse vários casos em que a remuneração paga a título de Participação nos Resultados excedia em dezenas de vezes o valor do salário de contribuição. Cabe ressaltar que na leitura do plano, do seu anexo, dos modelos de avaliação de desempenho, não foi verificada a possibilidade do PLR alcançar os valores exemplificados na tabela fls. Que alcança até a179 vezes o salário do empregado): não haver pactuado metas previamente; não manter memória de cálculo das aferições das metas à disposição dos funcionários e da fiscalização; Portanto, conclui o auditor: “fica caracterizada a "participação nos lucros ou resultados", paga em valores superiores aos previstos nas convenções coletivas de trabalho como integrante do salário de contribuição, visto que não atende aos requisitos • da lei em seu aspecto formal e material, integrando, portanto, o salário de contribuição.” Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/10/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 108 a 168. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, 213 a 242: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 5 7 O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional, em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. O Relatório de Representantes Legais não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. MULTA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 247 a 310 , contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 9. Alertese, desde já, que no que se refere à dissonância entre a r. decisão recorrida e a realidade dos fatos, a singela leitura da r. decisão recorrida denota que ela simplesmente ratificou o entendimento proferido pelo Sr. Agente Fiscal quando, na verdade, deveria ter sido precedida de uma análise aprofundada e imparcial das provas e argumentos apresentados, conforme determina o Princípio da Verdade Material, que rege todo o processo administrativo federal. O expediente adotado pela Turma Julgadora poderia, na sua essência, ser considerado válido. Porém, quando tal expediente implica na • ausência de uma análise detalhada e imparcial dos argumentos e provas apresentados pelo contribuinte, como ocorreu no presente caso, constitui clara ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, o que é inaceitável. 10. Afirma que o presente crédito tributário foi parcialmente alcançado pela decadência, razão pela qual deverá ser reconhecida a sua extinção relativo ao período anterior a 09/2003, nos termos dos artigos 150, §4° e 156, inciso V, do CTN, e não a aplicação do art. 173, I do CTN.~ Fl. 911DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 11. Ocorreu a indevida desconsideração indireta do PLR, isso porque, se há um PLR validamente ajustado entre Recorrente e seus empregados e se a Constituição Federal nega a natureza remuneratória dos pagamentos realizados a este título, o único meio que poderia, em tese, autorizar a exigência das contribuições previdenciárias combatidas, seria, de fato, a desconsideração daquele acordo, sob o fundamento de que teria sido ajustado com a exclusiva "fina/idade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo'; no caso, de uma verba remuneratória (bônus/prêmio). 12. Diante da análise da do art. 195, I da CF/88, parágrafo 11, do artigo 201, da CF e lei 8.212./91, temos que qualquer verba somente integrará a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas se, e unicamente se, (i)retribuir (contraprestação) os serviços prestados (retributividade). ou (ii) for paga com habitualidade (para os casos em que não se prestar à retribuição do trabalho). Nestes exatos limites encontrase a norma contida nos incisos I e III, do art. 28 da lei 8212/91. 13. Enfatiza que a fiscalização não comprovou que os pagamentos realizados pelo recorrente teriam o condão de remunerar os serviços prestados pelos empregados; apenas/presumiu, com base no infundado entendimento de que o seu plano de PLR seria inválido/ilegal, e os pagamentos possuiriam natureza remuneratória. Baseouse em presunção não se atentando para a norma contida no art. 142 do CTN. 14. Ressalta ainda, que não há como se cogitar a habitualidade desses pagamentos pois os mesmo encontramse atrelados ao PLR que ao tratar da periodicidade dos pagamentos, dispõe que é "anual, facultada a antecipação semestral". Diante de tais considerações, passase a análise mais detalhada da natureza jurídica desses pagamentos, concluindose inevitavelmente pela não incidência das contribuições previdenciárias face à ausência de retributividade e habitualidade. 15. Por meio da Lei n. 10.101/2000 se estabeleceu que a participação dos empregados nos lucros ou resultados pode ser implantada de três formas, que não se excluem : mediante comissão escolhida pelas partes (inciso I do art. 2 0), por acordo ou convenção coletiva (inciso II do artigo 2 ), ou por planos mantidos espontaneamente pela empresa (parágrafo 3 do artigo 3 0). 16. A Constituição Federal garantiu aos trabalhadores a participação nos. lucros ou resultados das empresas, como melhoria de sua condição social, através do art. 7% inciso XI da CF. 17. Destaca a cláusula dos "Direitos Substantivos" constante do programa de participação nos lucros ou resultados do recorrente, afirmando que a desvinculação dos valores percebidos pelos empregados, a título de PLR, da sua remuneração decorre do fato de que não se tratam de valores provenientes do trabalho, mas sim de sua condição de trabalhador, de ser ele detentor de força de trabalho, verdadeiro "capital" que é empregado no negócio e que lhe rende resultados. Para que se conceda a PLR é necessário que além do trabalho, sejam atingidas determinadas metas e condições eleitas metas estas que podem ser fixadas com base em critérios como existência de lucro ou de faturamento, e que não dependem, exclusivamente, do empregado. A natureza jurídica destes valores dependem de um concurso de fatores, dentre eles o desempenho da empresa em geral e do empregado. 18. Afirma ainda que a lei n° 10.101 trouxe as diretrizes que norteiam a negociação entre os empregados e empresa, vindo a reforçar que. cabe ao intérprete garantir ao direito o máximo de eficácia, no cumprimento do mandamento constitucional. Menciona as Fl. 912DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 6 9 reiteradas manifestações jurisprudenciais no sentido de que o inciso XI, do artigo 7° da Constituição Federal é autoaplicável mesmo antes da edição da Medida Provisória n.° 794/94, posteriormente convertida na Lei n.° 10.101/2000. Acresce que mesmo no âmbito da jurisprudência administrativa há posicionamento no mesmo sentido, 19. Através da Lei n.° 10.101/2000 verificase que a participação dos Empregados nos lucros ou resultados pode ser implantada de três formas, que não se excluem: mediante comissão escolhida pelas partes (inciso I do art. 20), por acordo ou convenção coletiva (inciso II do artigo 2°), ou por planos mantidos espontaneamente pela empresa (parágrafo 3° do artigo 3°), devendo ser assegurado que condições de um PLR obedeçam a critérios de publicidade ampla com relação às partes envolvidas, para que as regras sejam claras e possam ser compreendidas pela população dos eventuais contemplados; previu, também, regras de periodicidade de pagamentos. 20. Afirma que tais requisitos foram integralmente cumpridos na constituição do Acordo em questão, como se verifica na simples leitura de algumas de suas cláusulas — a 2 8; a 4a, a 5' a 8' e 11' , transcrevendoas. A lei n° 10.101/00 garantiu que as verbas pagas a título de PLR não substituam ou complementem a remuneração habitual paga aos empregados, assegurando que os valores pagos a título de PLR não constituem base de incidência das contribuições previdenciárias, não se lhes aplicando o princípio da habitualidade, dada a natureza da verba em estudo. 21. Diante de tais fatos concluise que a adoção de PLR pelas empresas deve ser respeitada em sua essência maior, por quem é parte no plano e também por terceiros, aqui incluídos sindicatos e, especialmente, o Poder Público, não havendo permissão constitucional, bem como em lei, que os efeitos próprios da adoção de um PLR, em quaisquer de suas formas, sejam objetos de desclassificação por quem quer que seja, nem mesmo pelo Poder Público. 22. Somente atendendo ao disposto no § único do art.116 do CTN (redação dada pela LC n° 104/2001) poderia ocorrer a desclassificação/desconsideração de determinado ato jurídico, não havendo a fiscalização constatado abuso de forma ou ato simulado por parte da impugnante,. ao revés, presumiu que tais pagamentos possuem natureza remuneratória, sem provas neste sentido e sendo que a média salarial dos empregados da Impugnante está adequada a média do setor. 23. Se por uma ou outra, a formalidade não se sobrepõe à essência da garantia constitucional de participação desvinculada da remuneração. 24. No caso presente, temos que o PLR adotado pelo recorrente e seus empregados (mediante comissão devidamente formada), bem como por meio de Convenções Coletivas de Trabalho, ambos firmados com o competente sindicato de classe. 25. 0 que fez a Turma Julgadora foi tentar modificar a realidade dos fatos, na tentativa de "salvar' a autuação, fazendo crer que o Acordo de PLR estava condicionado à sua mudança anual, quando na verdade, o mesmo estava sujeito à simples revisão (que poderia ou não configurar um novo plano de PLR). Nesse ponto, o que se extrai da simples leitura do §1 0, do artigo 20 da Lei n.O 10.101/2000, que existe um dever de prever o prazo de vigência do olano de PLR, o aue não se _confunde com a obrigatoriedade de que este prazo seja determinado , conforme equivocado entendimento Fl. 913DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 do Sr. Agente Fiscal e, agora, da Turma Julgadora. Aliás, não há qualquer disposição na Lei n. 10.101/2000 nesse sentido! 26. Apontese, a propósito, que a disposição contida no §30, do artigo 614 — segundo o qual "não será permitido estipular duração de Convenção ou Acordo superiora dois (dois) anos"— se aplicaria ao presente caso. 27. Com base no equivocado entendimento da Turma Julgadora quanto à suposta obrigatoriedade de renovação/modificação anual do programa de PLR em questão, também restou consignado na decisão em questão que a definição das metas e valores para o pagamento da PLR não contou com a participação dos empregados ou Sindicato de classe. Ocorre que, conforme visto anteriormente, além de não ser obrigatória a renovação/modificação do programa de PLR, a "ausência" desta revisão decorre tão somente da manutenção dos seus termos, o que não é vedado pela legislação. 28. Em momento algum foi levada em consideração a real complexidade de observação e mensuração da multiplicidade de funções, áreas, capacidades e estratégias de uma instituição financeira que possui milhares e milhares de empregados, que, em tese, poderiam impossibilitar a fixação de regras claras e objetivas para implantação de um plano de PLR; por conseguinte, também se ignorou o fato de que, a despeito de tamanha complexidade, as partes acordaram e foram capazes de, juntas, estabelecer regras claras e objetivas para todas e quaisquer situações dos empregados. 29. Especificamente no que se refere à eleição do comportamento do empregado como um critério objetivo para a definição do valor da PLR (conforme se verificará mais adiante, da simples visualização das regras que integram as avaliações de desempenho dos empregados da Recorrente: item V) 30. Rentabilidade — Avaliação Qualitativa% esclareçase que além de tal medida, ao contrário do que está disposto na decisão recorrida, não depender de edição de lei nesse sentido ou ser vedada pela legislação (já que a Lei n.O 10.101/2000 impõe que devem ser pactuadas regras claras e objetivas, sem restringir o seu alcance), todo 0 universo de empregados do Recorrente detinha conhecimento de que o seu comportamento seria um dos critérios avaliados. 31. Ademais, até mesmo o mais desafeto ou desatento às relações de trabalho modernas já percebeu que o comportamento do empregado, tanto em relação ao cliente externo como em relação ao cliente interno, constitui requisito essencial à manutenção e harmonia do ambiente de trabalho, que acaba por influenciar direta ou indiretamente nos resultados financeiros de uma empresa. 32. Em relação ao fato do valor distribuído a título de PLR não possuir limite máximo, e seu montante ser definido de forma discricionária (levando em consideração resultados globais, inclusive de empresas do mesmo grupo localizadas no exterior), cumpre apontar que, além de tais expedientes não serem vedados pela Lei n.O 10.10112000 ou qualquer outra que regule ou tenha regulado a matéria, é até natural que os valores distribuídos a título de PLR possam contemplar resultados globais, pois o esforço de uma unidade terá efeito no conjunto da produção ou resultado atingi. A eleição da base de cálculo das distribuições cabe • aos participantes do programa, e, se eles entenderam que não deviam se restringir a resultados locais, mas ampliar a base para resultados globais, essa decisão deve ser respeitada. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 7 11 33. Os resultados finais da aplicação dos referidos modelos de avaliação foram disponibilizados ao Sr. Agente Fiscal, cuja existência e suficiente para demonstrar e comprovar que os requisitos formais e materiais reclamados pela legislação foram plenamente atendidos pelo plano adotado entre o Recorrente e os seus empregados. 34. Ocorre que, além da própria Turma Julgadora reconhecer (conforme exposto nos tópicos anteriores) que o Recorrente possui Acordo assinado por todas as partes envolvidas, a verdade é a de que o referido Acordo foi devidamente arquivado perante a competente entidade sindical. 35. Não há como constituir prova de `negociações"! A prova de que elas.existiram é o produto final , o acordo em si. Nesse passo, as alegações do Sr. Agente Fiscal e da Turma Julgadora são contrárias à lógica dos fatos por ele mesmos constatados. 36. Do descabimento da cobrança da contribuição adicional de 2,5%. 37. Ainda, no que diz respeito à inclusão dos nomes dos diretores no "Relatório de Representantes Legais", cumpre destacar que a Auditoria Fiscal não configurou a ocorrência de qualquer uma das hipóteses legais (artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional) aptas a fundamentar a imputação de responsabilidade tributária a tais pessoas, motivo pelo qual a inclusão ou menção dos nomes dos sócios do Impugnante no relatório de representantes legais não pode representar a exigência dos valores aqui discutidos em face de tais pessoas, sob pena de ilegalidade. 38. No entanto, diante do até aqui exposto já se evidenciou que nenhum dos pagamentos realizados pelo Recorrente a título de PLR se prestou a remunerar o trabalho executado pelo empregado. A PLR paga pelo Recorrente observou todos os requisitos formais e materiais da legislacão em Vigor. 39. Ademais, muito embora os pagamentos mencionados pela Turma Julgadora tenham sido realizados dentro da estrita legalidade, vale demonstrar novamente a sua completa ausência de conhecimento do mundo corporativo. 40. 1* Isto porque, a título exemplificativo, o empregado que recebeu cerca de 179 vezes o valor do seu salário a título de participação nos • resultados, ocupava cargo de extrema responsabilidade, cujo desempenho impactava direta e indiretamente no êxito do empreendimento como um todo. 41. Este empregado nada mais era que um dos mais brilhantes profissionais do mercado financeiro brasileiro, cujo histórico profissional relata que teve uma carreira de assombroso sucesso, tendo ingressado na instituição como assistente administrativo no ano de 1990 e, em 2004, no ano que recebeu o montante mencionado pela autoridade fiscal, era o principal executivo — Superintendente Executivo (não estatutário) da área de Tesouraria do Banco, ou seja, era simplesmente o gestor de todos os recursos próprios e de terceiros sob a responsabilidade do banco. Segundo dados gerenciais, no referido ano de 2004, a área de sua responsabilidade gerou à instituição, receitas superiores a R$ 176 milhões. 42. Logo, o valor de PLR está vinculado às metas por ele atingidas que culminaram em proporcional participação desse empregado nos resultados almejados pelo Recorrente. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 12 43. Especificamente no que se refere à periodicidade eleita pelo Recorrente para a apuração do alcance das metas vinculadas ao PLR, o fato de ocorrer, em alguns casos, mensalmente, jamais poderia servir de fundamento para qualificar os pagamentos de PLR como comissão. Isso porque, além de tal expediente não ser vedado pela legislação, denota que os pagamentos de PLR decorreram do alcance de metas préestabelecidas! 44. Logo, permitir que os argumentos aduzidos pela Turma Julgadora prosperem significa espezinhar um dos mais basilares princípios que regem o procedimento administrativo: o princípio da verdade material; também significa autorizar que um lançamento fiscal esteja calcado em mera presunção (o que — como já mencionado — não pode subsistir). 45. Do descabimento da cobrança da contribuição adicional de 2,5%. 46. Ainda, no que diz respeito à inclusão dos nomes dos diretores no "Relatório de Representantes Legais", cumpre destacar que a Auditoria Fiscal não configurou a ocorrência de qualquer uma das hipóteses legais (artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional) aptas a fundamentar a imputação de responsabilidade tributária a tais pessoas, motivo pelo qual a inclusão ou menção dos nomes dos sócios do Impugnante no relatório de representantes legais não pode representar a exigência dos valores aqui discutidos em face de tais pessoas, sob pena de ilegalidade. 47. Do descabimento da taxa selic e da multa aplicada. que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. 48. Com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída. De fato, a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se ela tiver sido lançada antes do ato sucessório. Isto porque a multa já integra o passivo da empresa sucedida. Transpondo as lições acima descritas para o caso concreto, verificase que o Recorrente (Banco Itaubank S.A.), na condição de sucessor BankBoston Banco Múltiplo S/A não pode se responsabilizar Dela multa de mora, em razão da suposta infração cometida durante a gestão da empresa sucedida. 49. Deveras, cumpre esclarecer que não há motivo legal que permita que a cobrança da multa de ofício levada a efeito pela Turma Julgadora, de acordo com o artigo 35 da Lei n. 0 8.212191. Conclusivamente, a multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. 50. Dos pedidos Requer seja julgado integralmente improcedente o lançamento fiscal com cancelamento da NFLD e conseqüente extinção do credito, e também a exclusão dos diretores da Impugnante do pólo passivo. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 247. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. Esclarecemos apenas, que a data constante do despacho, fl. 412, que ensejaria a conclusão de intempestividade do recurso encontrase equivocada. Sendo assim, tomamos por base a data constante no AR de cientificação, fl. 245 e a data d protocolo constante na capa do recurso, fl. 247. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Quanto a alegação de ausência de averiguação por parte da autoridade de primeira instância, tendo em vista não ter sido a mesma imparcial, mas tomado por verdade absoluta as palavras do auditor entendo que razão não assiste ao recorrente. Bastanos ler a Decisão de primeira instância, para observar ter o julgador cumprido seu papel em apreciar os argumentos trazidos pelo recorrente, frente ao relatório fiscal apresentado. A interpretação dada pelo julgador ou mesmo pelo auditor fiscal, nem sempre se coaduna com o entendimento esboçado pelo impugnante, até porquê, se fosse o mesmo, não haveria litígio. Contudo, cabe a autoridade julgadora enfrentar as questões trazidas pelo impugnante, contudo sem a necessidade de apreciálas, ponto a ponto, desde que a teses trazidas pela defesa seja no todo ou afastadas ou mesmo acatadas parcialmente. Foi apreciada a decadência (é claro considerando a norma em vigor à época), bem como enfrentou o julgador os argumentos acerca do enfoque constitucional, com base na lei 10.101/2000, adentrando ainda pontualmente aos pontos trazidos pelo auditor e rebatidos pelo recorrente quanto aos requisitos da lei 10.101/2000 O julgador não tem, assim como este colegiado, acesso a todos os documentos e provas apresentados durante o procedimento fiscal. Dessa forma, é consubstanciado no relatório fiscal, e nos documentos e argumentos trazidos na defesa e recurso é que será possível estabelecer um juízo de valor, para identificar se os fatos descritos pelo auditor realmente caracterizam os pagamentos de PLR como fato gerador de contribuição previdenciária. Assim, a menção das palavras do auditor em seu relatório não demonstra não ter a autoridade julgadora apreciado os documentos, mas chegase a conclusão que ao fazêlo chegou as mesmas constatações do agente fiscal, o que de forma alguma demonstra parcialidade , presunção ou nulidade da decisão recorrida. Conforme dito acima, a discordância do julgador com as argumentações trazidas aos autos pelo recorrente, de forma alguma demonstram qualquer vício. Este vício estaria presente se não fosse apreciada matéria trazida na impugnação, nem mesmo tendo a mesma sido averiguada em conjunto com as demais. Esse fato, sim, demonstraria, cerceamento do direito de defesa, o que não vislumbro no presente caso, razão pela qual afasto a nulidade pretendida. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 14 DECADÊNCIA Quanto a aplicação do prazo decadencial exponho meu entendimento a respeito do tema, concluindo ao final, o dispositivo legal a ser aplicado ao caso concreto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, Fl. 918DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 9 15 segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciária definindo remuneração como algo global, é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (MORADIA, PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível Fl. 919DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 16 considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. No caso ora em análise, identificamos pagamentos de “alimentação em desacordo com o PAT”, ou seja salários indiretos, nos quais o próprio recorrente entende não existir contribuição, posto se tratar de fornecimento de alimentação sem natureza salarial. Afastase, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar, chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajarse em tal raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Contudo, embora, meu entendimento quanto a aplicação da decadência siga os parâmetros acima destacados, deixo de aplicar referido entendimento, tendo em vista posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão dos pagamentos indiretos firma entendimento de que em se tratando de salário indireto o recolhimento de qualquer montante, mesmo que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por consequência a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 29/10/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. . Os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/2003 a 12/2006, sendo assim a luz do 150, devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 09/2003. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Fl. 920DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 10 17 Quanto aos levantamentos de PLR, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. No relatório fiscal, bem descreveu o auditor as regras para que o pagamento de PLR não constitua salário de contribuição, descrevendo que o pagamento em desacordo com o previsto na lei, determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR destinados aos segurados empregados. A empresa, utilizandose de uma interpretação elástica da Lei 10.101/00, entendeu que:único acordo de PLR assinado em 2001, que mesmo contendo em suas cláusulas previsão obrigatória de revisão anual, continua a possuir vigência por prazo indeterminado. a assinatura da comissão de empregados e do respectivo sindicato somente nesse acordo e seu anexo, sem a participação efetiva dos mesmos em nenhuma outra negociação pertinente ao plano e realmente relevante, tais como as metas a serem cumpridas por exemplo, seriam suficientes para cumprir a legislação. o fato do plano não possuir previsão de nenhuma meta objetiva, nem • de limites máximos para os pagamentos, que os métodos de avaliação previstos levarem em conta fatores altamente subjetivos como comportamento pessoal do empregado e que finalmente a discricionariedade utilizada pela empresa para definição dos montantes a serem pagos não contrariam a Lei 10.101/2000, mesmo que nesta mesma lei exista a previsão de regras claras quanto aos direitos e quanto aos mecanismos de aferição; o fato do programa de PLR substituir programas de bônus e produtividade anteriores e essa verba passar a ser dezenas de vezes o salário, como já exemplificado, invertendo totalmente a lógica da remuneração, não contraria a Lei 10.101/2000 no seu artigo 3°. 21. Por outro lado, esta fiscalização, em relação ao item 20, entende que: se o próprio plano apresentado prevê revisões anuais obrigatórias, estas revisões devem ser negociadas anualmente com a comissão de empregados e com o sindicato da categoria, e formalizadas em um novo instrumento decorrente dessa negociação, como a lei 10.101/200 exige. Portanto, a empresa não cumpriu o artigo 2° da lei supracitada e não possui plano que suporte os pagamentos apurados neste auto de infração; mesmo em relação ao pseudo acordo apresentado pela empresa, fica clara a participação figurativa da comissão de empregados e do sindicato, já que no que realmente interessa, que são as metas a serem cumpridas e os instrumentos de Fl. 921DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 18 avaliação, não houve participação dos mesmos, contrariando novamente a legislação; a Lei 10.101/2000 não deixa dúvidas quando trata de regras claras, e • evidente fica o descompasso da empresa e seu pseudo plano de PLR com o texto legal, pois vejamos, o "plano de PLR" não trata de metas em números, prevê avaliações de seus empregados por critérios comportamentais, não prevê limites para os pagamentos, leva em conta resultados da empresa fora do país, que estão totalmente fora da competência de seus empregados e define discricionariamente os valores a serem pagos por área, não obedecendo sob mais este aspecto o referido texto legal. a Lei 10.101/2000 no seu artigo Y preconiza que a PLR não substitui ou complementa a remuneração, mas a empresa pagou bônus e produtividade a título de PLR. Portanto, o simples fato da empresa nomear a rubrica de PLR, não significa que seja PLR, nem tampouco e muito menos gozar da isenção tributária. 22. O fato da empresa: não possuir planos próprios para os pagamentos objeto deste Auto de Infração; • não haver prova de que houve negociações, tampouco com a participação dos empregados e do sindicato da categoria; a falta de regras claras para os pagamentos; não haver pactuado metas previamente; não manter memória de cálculo das aferições das metas à disposição dos funcionários e da fiscalização; Assim, não merece ser acolhido o fundamento de que inexiste comprovação da ocorrência da suposta obrigação tributária, tendo o auditor utilizado da presunção para concluir pela inobservância dos disposto na lei 10.101/2000. O pagamento de PLR nada mais é do que uma forma de remunerar o empregado, contudo, por força constitucional, dita verba encontrase desvinculada do salário desde que paga nos exatos termos de lei, ou seja, tendo a lei 10.101 descrito a forma, como o PLR deve ser distribuído, bem como estabelecido regras para o seu pagamento, deverá o interessa, para usufruir do benefício constitucional Dessa forma, conclui o auditor, que ao descumprilas, assume o recorrente o risco de não mais ter esses pagamentos desvinculados do salário, passando a ter natureza salarial e por conseguinte faz nascer a obrigação de efetivar recolhimentos à título de contribuições previdenciárias sobre o PLR. Oportunamente, vale mencionar que não há qualquer nulidade no presente lançamento, quando desincumbiuse a autoridade fiscal e julgadora de explicitar qual o fato gerador, a base de cálculo e a contribuição devida. Assim, como já mencionado na preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, não há que se falar em presunção, considerando ter o auditor com base nos documentos apresentados durante a fiscalização, analisadoos e apontado quais dos requisitos legais, no seu entender deixaram de ser cumpridos. Tal procedimento encontrase em perfeita consonância com o princípio da segurança jurídica, tendo o auditor devidamente fundamentado Fl. 922DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 11 19 a autuação, notificado o recorrente, permitindolhe o exercício do amplo poder de defesa, bem como o direito ao contraditório. O fato de ter o auditor e o recorrente interpretações distintas, quanto a incidência de contribuições sobre o PLR, de forma, alguma, invalida o lançamento. As referências do auditor quanto a suas conclusão podem ser facilmente alcançadas pelo documentos constantes dos autos. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. DO TRABALHO DO AUDITOR E DA APLICAÇÃO DOS TERMOS DA LEI 10.101. Da mesma forma, que mencionado pelo recorrente, grande é a discussão acerca das limitações do trabalho do auditor, seja quanto a possibilidade de desclassificar planos de PLR, desconsiderar pessoas jurídicas, formar vínculos de emprego nos casos em que constata os requisitos da condição de empregado, desenquadramento do sistema SIMPLES. Nesse ponto, é plausível a insatisfação dos contribuintes, tendo em vista que a interpretação Fl. 923DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 20 dada pela autoridade fiscal, muitas vezes mostrase diametralmente oposta ao que o recorrente interpreta da legislação, ou mesmo o que foi orientado por seus contadores ou advogados. Contudo, a papel da auditoria, no exercício da atividade vinculada de verificar o cumprimento da legislação previdenciária, é sim identificar não apenas as folhas de pagamento, mas em realizando a auditoria contábil, verificar, a existência de outros pagamentos, que constituam fato gerador de contribuições previdenciárias. É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros, dos mais diversos títulos, como no caso do PLR, intimar o contribuinte a apresentar os fundamentos para o referido pagamento. Ao depararse com esses instrumentos e considerando as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não fator gerador de contribuições previdenciárias. Não se trata, portanto de desclassificar um acordo firmado, ou interferir nas tratativas ali acordadas, MAS TÃO SOMENTE, IDENTIFICAR SE O PLANO ATENDE AS EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO AO PAGAMENTO DESVINCULADO DO SALÁRIO. Falando mais objetivamente, no caso de pagamento de PLR, compete ao auditor verificar a norma que autoriza o pagamento, e se a mesma encontrase em conformidade (dentro dos limites) para que os pagamentos sob elas consubstanciados estarão excluídos do conceito de salário de contribuição. Porém um ponto, deve ser prontamente enfrentado, posto que seu acatamento dispensaria a apreciação das demais alegações. Trouxe o recorrente: “por força do que dispõe o artigo 7 XI da Constituição Federal os pagamentos realizados a título de PLR estão automaticamente excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias” De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte dos argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR. Entendo que embora prevista na Constituição Federal a desvinculação do PLR do salário, o que lhe conferi caráter de imunidade, não há possibilidade de considerar ter o recorrente a ampla liberdade de efetuar pagamento, sob essa denominação, da maneira que tiver interesse. A CF/88, reporta os limites para que o PLR esteja desvinculado do salário, indicando a os requisitos legais para efetivação do pagamento. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 12 21 (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 22 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações Fl. 926DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 13 23 sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Conforme descrito pela autoridade fiscal e julgadora os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente constituem salário de contribuição e, por conseguinte, sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. DA EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Assim , voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador Fl. 927DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 24 estabelecer limites, regras claras, revisão do acordo, averiguação do cumprimento de metas, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos, conforme os 2 primeiros abaixo transcritos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigência legais para a referida desviNculação, que nada mais são, do que reflexos da vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Também dois pontos merecem ser enfrentados prontamente: DA DESVINCULAÇÃO COM O TRABALHO DESENVOLVIDO Neste ponto já rechaço argumento do recorrente de que o pagamento em questão não possui correlação com o trabalho prestado, ou mesmo caracterizase como contraprestação pelo serviço prestado. Qual seria outra forma de enquadrar o pagamento de PLR, que não contraprestação pelo serviço prestado, tanto o é, que se estabelecem metas de trabalho, desempenho, como forma de estímulo para que o empregado, produza cada vez mais, e por conseguinte, sintase recompensado. Não estou dizendo com isso que PLR é salário. Pelo contrário entendo estar claro no texto constitucional que a PLR será desvinculada do salário, porém tratase de norma com limitações prevista em lei específica, como reportamos ateriormente. Nem tampouco, acato os argumentos de que não se tratam de valores provenientes do trabalho. Respeito o posicionamento defendido pelo recorrente, contudo, possuo entendimento inverso a respeito do tema. A participação nos lucros ou resultados paga pela recorrente, conforme descrito em seus acordos, demonstra que o desempenho do empregado será avaliado, sendo fator determinante para que determine o montante a ser distribuído. Ora, não fosse o empenho do empregado e alcançar cada vez mais resultados positivos, como se falaria em uma avaliação positiva do seu trabalho. É fato que a PLR nada mais almeja do que o engajamento do empregado no capital da empresa, para que o mesmo sintase estimulado a executar suas atividades em prol, não apenas, do seu crescimento na empresa, mas do crescimento de toda a empresa.em si O seu engajamento renderá frutos não apenas sobre o crescimento do negócio, mas lhe proporcionará pagamentos na modalidade de participação nos lucros. É nesse sentido, que discordo do recorrente de que encontrase desvinculado do trabalho. DA HABITUALIDADE NO PAGAMENTO Fl. 928DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 14 25 Argumentar que a verba não era paga com habitualidade, mas apenas eventualmente, também não demonstra equivoco no pagamento. Alías, o conceito de habitual, no presente caso, não reportase a idéia de pagamentos constantes, porque se assim o fosse, de pronto já constituiriam salário de contribuição. A lei 10.101 limite a distribuição de lucros a 2 pagamentos anuais, observando a semestralidade para sua concessão. O ajuste de distribuição de lucros, determinando o seu pagamento uma vez por ano, não é o fator determinante, tanto que normalmente não descrito entre os requisitos descumpridos pela autoridade fiscal. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário, ou mesmo quando buscase definir uma parcela in natura como integrante do conceito de remuneração. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fatos determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória. Alías, muito se observa a preocupação exacerbada quanto a nomenclatura adotada pelas empresas, quando fornecem benefícios indiretos ao seus trabalhadores. É fato que muitas se utilizam de nomes que transmitem, em uma primeira visão aspectos de que se trata de verba indenizatória. PAGAMENTO EM MAIS DE UM PLANO DE PLR Outro ponto, que merece ser de pronto evidenciado, é que a empresa elegeu na verdade duas formas de pagamento de PLR, por CCT e por acordo firmado com comissão de empregados. Esse fato foi suficientemente esclarecido pelo auditor fiscal em diversas ocasiões, mas ao qual podemos sintetizar ao trazer alguns trechos do relatório fiscal: A empresa apresentou as convenções coletivas de trabalho e 1 (UM) plano próprio e seu respectivo anexo . Porém, na análise dos documentos originais constatou se que: a) A empresa, bem como seus empregados , são representados pelos sindicatos dos bancos e dos bancários respectivamente , e estes formalizaram Convenções Coletivas de Trabalho anuais que previam o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados da empresa para todo o período fiscalizado . Estas convenções atenderam os • requisitos legais e os pagamentos a título de PLR efetuados até os limites previstos pelas convenções coletivas de trabalho estão de acordo com a legislação; b) A empresa não se ateve as Convenções Coletivas de Trabalho e pagou valores a este título (PLR) além dos limites estabelecidos pelas mesmas, tendo por base um plano próprio;(...) 18. Primeiramente, é importante frisar novamente que os valores pagos até os limites previstos pelas convenções coletivas de trabalho foram considerados de acordo com a legislação e, portanto, não estão incluídos neste levantamento, posto que foram descontados dos totais pagos. Cabe salientar que estes valores foram calculados, consolidados e conferidos juntamente com a empresa ora fiscalizada. São os valores pagos com base nesse segundo acordo (direto com a comissão), objeto de lançamento, uma vez que apontou o auditor diversas irregularidades quanto a sua constituição na conformidade da lei. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 26 CUMPRIMENTO DO ART. 2 DA LEI 10.101/00 E MP ANTERIORES Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Ø Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) Ø Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, porém ao elegêlos, deveriam ter cumprido o rito procedimental para sua formalização, o que não restou demonstrado em todos os casos. Ressalto, aqui alegação do patrono da empresa de que a lei 10.101/2000, prevê 3 possibilidade de negociação, senão vejamos: Por meio da Lei n 10.101/2000 se estabeleceu que a participação dos empregados nos lucros ou resultados pode ser implantada de três formas, que não se excluem : mediante comissão escolhida pelas partes (inciso I do art. 2 0), por acordo ou convenção coletiva (inciso II do artigo 2 0), ou por planos mantidos espontaneamente pela empresa (parágrafo 3 do artigo 3 ). Quanto a dito argumento não venho a concordar com a sua interpretação acerca do dispositivo mencionado. Entendo que a possibilidade de compensação dos valores previstos em acordo da empresa, apenas descreve que aqueles pagamentos previstos nos acordos coletivos, podem ser compensados, até porque se pagos em conjunto estariam, no meu entender, de imediato, determinando a irregularidade do pagamento, pois a empresa pagaria ao empregado PLR com base em dois acordos. Aliás, entendo ter sido esse o procedimento adotado ao caso em questão, quando o auditor (baseado no próprio acordo firmado – item 6, fl. 37) abateu do montante pago pela empresa, aqueles regularmente previstos nos acordos e convenções coletivas. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) FORMALIZAÇÃO DO ACORDO DE PLR Conforme descrito pela própria autoridade fiscal, a empresa escolheu a realização de acordo diretamente com a comissão de empregados para formalizar plano de participação nos lucros, pagando valores acima dos descritos nas convenções coletivas, porém segundo descrito o acordo foi considerado anexo do documento principal, tendo inclusive sido assinado pelos pessoas que validaram o documento principal. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 15 27 Do referido acordo, consta expressamente a participação do representante do sindicato, porém, não foi esse o fato que ensejou a inclusão dos valores de PLR no salário de contribuição, mas sim, a ausência nesse mesmo acordo de outros requisitos, quais sejam: O instrumento de negociação utilizado para o plano próprio foi um acordo coletivo assinado em 07 de fevereiro de 2001 (documento 1) que previa no seu item 10 vigência retroativa a 1 ° de janeiro de 2000 e por prazo indeterminado; O plano possui um anexo que faz parte do acordo coletivo (documento 2), que foi rubricado pelos participantes do acordo coletivo, onde estão descritos os objetivos, premissas básicas do programa, as formas de aplicação do plano , instrumentos de avaliação dos profissionais, periodicidade, forma de pagamento e considerações finais;(todos tidos de maneira genérica) f) O item 3 do anexo (documento 2) trata da aplicação do plano; DA APRECIAÇÃO DOS ACORDOS Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, não entendo que os auditores e o julgador tenham simplesmente feito juízo de valor, ou conclusão por mera presunção, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas. Neste ponto, o primeiro argumento trazido pelo auditor é que as metas não foram estabelecidas no acordo mas, em instrumento apartado, não fazendo parte do acordo firmado com a comissão de empregados § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. DA VIGÊNCIA DO ACORDO Quanto a este ponto descreve o auditor o descumprimento do § 1º do art. 2, acima transcrito, tendo em vista que o acordo celebrado descreve ter vigência retroativa, sendo firmado por prazo indeterminado. Embora tenha a empresa argumentado que a lei não prescreve qual deveria ser o período de vigência, razão pela qual nada impede que vigore por prazo indeterminado, não tenho como concordar com tal interpretação. O referido parágrafo determina, e não faculta, o que deve conter os instrumentos de negociação, sejam eles formalizados por meio de acordos coletivos ou diretamente por comissão. Neste caso, entendo claro que conste não apenas o Fl. 931DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 28 período de vigência, como os prazos para revisão do acordo, o que no meu entender, corroborando os argumentos do auditor, inviabiliza a interpretação de um acordo por prazo indeterminado. OU SEJA, NÃO CUMPRIU O RECORRENTE O REQUISITO QUE DETERMINA A NECESSÁRIA PREVISÃO DOS PRAZOS PARA REVISÃO DO ACORDO. Outro ponto, atrelado a este mesmo descumprimento, foi mencionado pela autoridade fiscal, embora no acordo não exista a previsão de revisões, e considerando que o anexo, foi tratado como parte do acordado, devese observar o disposto no item 7, fls. 102: Considerações Finais As políticas aqui descritas deverão ser revistas, anualmente, ou quandode alterações: do momento econômico, local ou Internacional; —da legislação trabalhista, previdenciária e fiscal; — da Convenção Coletiva; — do plano de negócios do BankBoston; e submetidas à apreciação da Comissão de Funcionários. Analisando, também pela previsão de revisão no anexo, observase que o próprio recorrente deixou de atender o dispositivo por ele mesmo estipulado, ou seja, não foram apresentados os termos de revisão dos acordos devidamente negociados e assinados pela comissão com participação dos sindicatos. Aliás, os argumentos do recorrente quanto a esse ponto, em nada alteram a decisão recorrida. O fato do auditor mencionar o termo do anexo “revisões” anuais, e o julgador identificálas como “mudanças anuais, no meu entender”, não afastam o descumprimento apontado, qual seja AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ANUAL COM A PARTICIPAÇÃO DOS INTERESSADOS COMO O PRÓPRIO CONTRIBUINTE NEGOCIOU. Não apreciarei aqui o art. 614 da CLT, posto que , conforme bem lembrado aquelas regras são adstritas aos Acordos e Convenções Coletivas, mas esse fato não afasta em momento algum a exigência de previsões nos acordos, por comissão, dos prazo para revisão dos mesmos. Segundo o recorrente o fato de não ter havido qualquer alteração no conteúdo do PLR, desde a sua instituição, denota a desnecessidade de que se procedesse a revisão. Contudo, não entendo da mesma forma, a lei não facultou, ela determinou, razão pela qual far seia necessária a renegociação anual (já que prevista no próprio acordo), nem que fosse para ratificar os termos acordados anteriormente. ASSIM, ENTENDO DESCUMPRIDO REFERIDO REQUISITO. Segundo o recorrente a diferença é sutil, porém suficiente para desconstituir a alegação da Turma Julgadora, já que, enquanto o Acordo trata da abrangência, periodicidade, vigência, revisão e rescisão do programa de PLR, o seu Anexo trata das políticas vinculadas a aplicação do programa de PLR, aos instrumentos de avaliação de, desempenho e à forma de seu pagamento. Ou seja, a "obrigação" contida no Anexo que integra o Acordo de PLR não trata do conteúdo do Plano, mas tão somente das políticas Fl. 932DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 16 29 que são aplicadas nas avaliações de desempenho dos empregados do Recorrente. Entendo que se for acatar referida argumentação, estarei acatando que as regras descritas no anexo não compõem o acordo, o que de pronto levaria ao descumprimento de outros requisitos da própria lei 10.101/2000. Nesse ponto, se levarmos em consideração que o anexo, não trata do conteúdo do plano, em nada alterará o descumprimento, já que no plano principal não existe prazo para revisão do mesmo, conforme inicialmente abordamos nesse tópico. Concordo com o recorrente que as metas para aferir o cumprimento de resultados admite diversas interpretações e diversos critérios, inclusive avaliações que contenham também requisitos subjetivas do desempenho do empregado, contudo três pontos merecem destaque: METAS E CRITÉRIOS NÃO INCLUÍDOS NO ACORDO NEGOCIADO: As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei e acima grifado, não estipulados posteriormente pela empresa, conforme trazido pelo auditor e enfatizado pelo recorrente. O que se busca são critérios que sejam negociados não impostos. Discordo do entendimento de que não há como constituir prova de negociações, sendo que a prova de que elas existiram é o produto final, não merece guarida. As atas das negociações poderiam sim, indicar que as referidas metas foram negociadas, bem como sua inclusão no próprio instrumento do acordo, como acima mencionado. Estabelecer que o plano pode pagar acima do acordado, sem definir qual o critério será utilizado, ou mesmo em quanto a avaliação individual irá definir o valor recebido pelo empregado, leva exatamente as distorções apontadas pelo auditor em seu relatório, onde funcionários receberam a título de PLR vultosos valores em relação aos seus salários, SEM QUE SEJA POSSÍVEL ENXERGAR SEJA NO PLANO OU NO ANEXO QUAL O CRITÉRIO UTILIZADO, como por exemplo: I. JOAQUIM PAULO KOKUDAI – SALÁRIO 14.840,00 – PLR. 898.942,00. II. RICARDO DUARTE CALDEIRA – SALÁRIO 16693,12 – PLR 909.092,00 III. PEDRO MADER MELONI – SALÁRIO 41.060,72 – PLR – 2.192,28+5.014.099,79. IV. JOÃO CANCIO A SAMPAIO FILHO – SALÁRIO 24.820,97 – PLR – 9.009.092,00. V. SÉRGIO LUIZ GABRIELE – SALÁRIO 15.239,17 – PLR 2.737.000,00 Conclusão: DESSA FORMA, A NÃO INCLUSÃO DOS CRITÉRIOS E METAS NOS INSTRUMENTOS DECORRENTES DA NEGOCIAÇÃO DETERMINA O DESCUMPRIMENTO DO § 1º, CONFORME MENCIONADO PELO AUDITOR. Aliás, aqui vale uma consideração trazida no recurso pelo patrono, a qual transcrevo abaixo: Especificamente no que se refere à eleição do comportamento do empregado como um critério objetivo para a definição do valor Fl. 933DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 30 da PLR (conforme se verificará mais adiante, da simples visualização das regras que integram as avaliações de desempenho dos empregados da Recorrente: item 3) Rentabilidade — Avaliação Qualitativa% esclareçase que além de tal medida, ao contrário do que está disposto na decisão recorrida, não depender de edição de lei nesse sentido ou ser vedada pela legislação (já que a Lei n.O 10.101/2000 impõe que devem ser pactuadas regras claras e objetivas, sem restringir o seu alcance), todo o universo de empregados do Recorrente detinha conhecimento de que o seu comportamento seria um dos critérios avaliados. Ademais, até mesmo o mais desafeto ou desatento às relações de trabalho modernas já percebeu que o comportamento do empregado, tanto em relação ao cliente externo como em relação ao cliente interno, constitui requisito essencial à manutenção e harmonia do ambiente de trabalho, que acaba por influenciar direta ou indiretamente nos resultados financeiros de uma empresa. Conforme dito acima, entendo que pode esse elemento “comportamento do empregado” ser um dos critérios, mas devese estabelecer o critério de quanto isso ira influenciar, qual o parâmetro utilizado. (isso não consegui de forma alguma identificar.nos documentos acordados) Aliás, com relação a esse ponto, vamos identificar mais um ponto importante trazido pelo patrono. Isso porque, exceto no caso do critério eleito para o pagamento da "PLR" ser exclusivamente financeiro (o qual não se adequa ao presente caso, em que critérios comportamentais também influenciam na avaliação de desempenho do empregado), não é possivel a realização de uma avaliação exclusivamente objetiva. (...) Isto porque, a título exemplificativo, o empregado que recebeu cerca de 179 vezes o valor do seu salário a título de participação nos resultados, ocupava cargo de extrema responsabilidade, cujo desempenho impactava direta e indiretamente no êxito do empreendimento como um todo. Este empregado nada mais era que um dos mais brilhantes profissionais do mercado financeiro brasileiro, cujo histórico profissional relata que teve uma carreira de assombroso sucesso, tendo ingressado na instituição como assistente administrativo no ano de 1990 e, em 2004, no ano que recebeu o montante mencionado pela autoridade fiscal, era o principal executivo — Superintendente Executivo (não estatutário) da área de Tesouraria do Banco, ou seja, era simplesmente o gestor de todos os recursos próprios e de terceiros sob a responsabilidade do banco. Segundo dados gerenciais, no referido ano de 2004, a área de sua responsabilidade gerou à instituição, receitas superiores a R$ 176 milhões. Logo, o valor de PLR está vinculado às metas por ele atingidas que culminaram em proporcional participação desse empregado nos resultados almejados pelo Recorrente. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 17 31 Caso fosse válido o expediente adotado pela Turma Julgadora para invalidar o plano de PLR do Recorrente (multiplicar valores), cumpre destacar, também a título exemplificativo, que a receita gerada pela equipe coordenada pelo empregado acima mencionado gerou resultado correspondente a aproximadamente 64 (sessenta e quatro) vezes o valor por ele recebido a título de participação nos resultados. Ou seja, participação desse empregado foi de apenas 1/64 de sua "produção". Sem querer tirar o entusiasmo da empresa, de pela análise dos seus supostos parâmetros”, distribuir parte do seu lucro, resultado com seus empregados, voltase a questão, trazida pelo auditor, isso se amolda a PLR ou a um bônus, prêmio? Realmente é difícil determinar, já que não vejo, nos acordos negociados na conformidade da lei, o quanto do trabalho desse brilhante profissional” foi alcançado, ou superado. É ISSO O ALVO DA QUESTÃO; NO INSTRUMENTO NEGOCIADO NÃO EXISTE ESSES PARÂMETROS, O QUE CONFERE CARÁTER DE LIBERALIDADE E SUBJETIVIDADE AOS VALORES DETERMINADOS PELA EMPRESA DE QUANTO O EMPREGADO DEVE RECEBER. Quando o auditor descreve que a empresa nem mesmo estabelece o máximo, é que essa fixação seria um parâmetro objetivo, que se alcançados as metas (sejam em conjunto:globais, por setor, por área e individuais), justificariam o pagamento de até 1000 vezes o valor do seus salário, por exemplo. A lei não limita o quanto você irá distribuir a título de PLR, mas determina, a definição prévia dos parâmetro para alcançar esse resultado, visando justamente afastar que a nomenclatura PLR seja utilizada para pagamentos diversos. CONCLUSÃO: NÃO DEMONSTROU A EMPRESA QUE OS PLANOS DEFINIRAM QUAIS AS METAS QUE JUSTIFICARIAM OS PAGAMENTOS DE PLR REALIZADOS. MECANISMOS DE AFERIÇÃO NÃO INCLUÍDOS NO ACORDO NEGOCIADO: Os mecanismos de aferição devem ser também estipulados no acordo e apresentados a autoridade fiscal, de forma, que a mesma, possa apreciar se os pagamentos realizados, estão em conformidade com as metas e critérios previamente ajustados. Alegar que os resultados encontramse nos sistemas, não valida o PLR, tendo em vista não ter sido demonstrado a inclusão dos mecanismos de aferição no instrumento do acordo, O QUE DEMONSTRARIA A NEGOCIAÇÃO DOS MESMOS. Concordo com o recorrente de que nada impede a aferição mensal, para que se determine no semestre ou ano o alcance dos resultados, isso é mais uma questão gerencial, do que uma regra a ser observada com base na lei 10.101/2000. Contudo, vislumbro ter o auditor trazido está observação, quando enfatizou que o pagamento, nos moldes em que realizado assemelhase a uma premiação ou bônus, mas não utilizou esse critério para determinar a inobservância da lei 10.101/2000. DESSA FORMA, A NÃO INCLUSÃO DOS CRITÉRIOS DE AFERIÇÃO INSTRUMENTOS DECORRENTES DA NEGOCIAÇÃO DETERMINA O DESCUMPRIMENTO DO § 1º, CONFORME MENCIONADO PELO AUDITOR. NÃO APRESENTAÇÃO DOS FORMULÁRIOS DE AFERIÇÃO Fl. 935DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 32 Da mesma forma, deixar a empresa de apresentar os instrumentos de aferição quando solicitados pela fiscalização, inviabiliza a autoridade a apreciação da conformidade do que foi acordado com o que foi efetivamente alcançado e pago. Ora, compete ao auditor, verificar o cumprimento da lei, que dentro outros parâmetros é a negociação dos parâmetros de aferição. Para determinar se foram observados, concordo com o auditor que a empresa deverá manter os mesmos arquivados e não apenas o resultado. Principalmente, quando identificamos, como da análise do item anterior que a empresa também utilizava o “brilhantismo” de seus empregados (ou seja, avaliação individual), como um dos parâmetros. CONCLUSÃO: AO NÃO MANTER ARQUIVADO OS INSTRUMENTOS DE AFERIÇÃO, INVIABILIZA A EMPRESA A VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DO ACORDADO. OU SEJA, CORROBORADO COM A AUSÊNCIA DOS MÉTODOS NO INSTRUMENTO, A NÃO APRESENTAÇÃO DOS MESMOS, INVIABILIZA O CUMPRIMENTO DO DISPOSTO QUANTO A REGRAS CLARA E OBJETIVAS. Apenas para esclarecer, as planilhas constantesàs fls. 289 e seguintes não afasta a falta descrita pelo auditor, qual seja, os critérios de aferição e avaliações para que se chegase a esse resultados, não tendo os mesmos o condão de suprir a exigência legal. NÃO DEFINIÇÃO DE METAS, LEVA A SUBJETIVIDADADE E AO DESVIRTUAMENTO DO PLR. Não se deve conferir ao caráter de subjetividade tanto enfoque, de forma, que o pagamento afastese do conceito de alcance de resultados obtidos pela empresa, sejam eles lucros ou crescimento, e passe a individualmente ser utilizado como critério de premiação individual dos trabalhadores. Esse fato foi mencionado pelo auditor, quando o mesmo descreve nos acordos a expressa previsão de possibilidade pagamento a maior do que o previsto nos acordos, dependendo do desempenho individual do empregado. Entendo que, ao conferir muita subjetividade ao pagamento, fugindo de critérios objetivos e dos limites do acordo estipulado a empresa, foge a essência do pagamento de PLR e desvirtua o pagamento, concedendo ao empregado mero prêmio desempenho, verba contraprestativa com nítida feição salarial. Pelo contrário, entendo estar dentro da competência do auditor observar se os acordos firmados encontramse em conformidade com a exigência legal, estando, ainda, dentro de sua competência o lançamento de importâncias que entender devidas, pelo descumprimento dos referidos requisitos legais. O FATO DO MESMO INDICAR TRATARSE DE MERO BÔNUS OU PRÊMIO É UMA CONCLUSÃO CONSUBSTANCIADA NA ANÁLISE QUE CHEGOU DA SISTEMÁTICA DO PLANO DO PLR APRESENTADO, EM ESPECIAL, O FATO DE QUE NO PRÓPRIO CORPO DO AJUSTE ESTAR FIXADO QUE O PRESENTE PLANO SUBSTITUI PLANOS ANTERIORES, INCLUSIVE DE BÔNUS E PARTICIPAÇÕES. A empresa por outro lado, tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferílas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente, no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prémios, gratificações, gorjetas, bônus etc. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 18 33 NÃO PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO NOS INSTRUMENTOS QUE DEFINIRIAM METAS E CRITÉRIOS DE AFERIÇÃO Descreveu o auditor, conforme já amplamento debatido que não houve participação do sindicato e empregados no estabelecimento de metas e instrumentos de aferição, já que estes, segundo o auditor estariam presentes nas cópias acostadas às fls. 317 e seguintes. mesmo em relação ao pseudo acordo apresentado pela empresa, fica clara a participação figurativa da comissão de empregados e do sindicato, já que no que realmente interessa, que são as metas a serem cumpridas e os instrumentos de avaliação, não houve participação dos mesmos, contrariando novamente a legislação; a Lei 10.101/2000 não deixa dúvidas quando trata de regras claras, e • evidente fica o descompasso da empresa e seu pseudo plano de PLR com o texto legal, pois vejamos, o "plano de PLR" não trata de metas em números, prevê avaliações de seus empregados por critérios comportamentais, não prevê limites para os pagamentos, leva em conta resultados da empresa fora do país, que estão totalmente fora da competência de seus empregados e define discricionariamente os valores a serem pagos por área, não obedecendo sob mais este aspecto o referido texto legal. As cópias apresentadas, assim como entendeu o auditor não suprem a exigência legal, JÁ QUE NÃO EXISTE QUALQUER ELEMENTO QUE INDIQUE A NEGOCIAÇÃO, DISCUSSÃO DAS MESMAS, QUANDO DA CELEBRAÇÃO DO ACORDO. Aliás, me ative a leitura dos telas de PowerPoint ali arroladas, e da mesma forma nem mesmo identifiquei a definição objetiva de metas e critérios de eferição, tão mencionados). Temos que ter em mente que as exigência legais não são despiciendas. As negociações prévias e a participação do sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que o PLR não refletiria nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). No plano ideológico há entidades sindicais que não apóiam o sistema de remuneração de participação nos lucros e resultados, razão pela qual são resistente a participar (o que se vislumbra apenas em caráter ilustrativo) Para esta corrente, seria uma forma de rebaixamento de salários e de ganhos reais e de precarização de condições de trabalho. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros sem a devida legitimação, conforme amplamente discutido acima, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. DA PREVISÃO DE SUBSTITUIÇÃO DE VERBAS COM NATUREZA SALARIAL Fl. 937DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 34 Outro ponto trazido pelo auditor é o fato de existir expressa previsão no acordo de substituição de bônus ou gratificações produtividade. Mesmo que argumente o recorrente que tal fato não ocorreu, a mera previsão em um contrato tido por indeterminado pelo recorrente, já abri a possibilidade de utilização de PLR como forma indireta de remunerar trabalhadores, já que expresso no acordo. Portanto, considerando que as verbas que se pretender ver substituídas possuem natureza salarial, não outra conclusão pode se chegar do que a utilização do pagamento de PLR em desconformidade com a lei 10.101/2000, assim como o fez o auditor. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. PACTUAÇÃO PRÉVIA Embora, esse ponto mencionado pelo auditor, acabe por ser absorvido pelos demais requisitos acima, apreciados, em especial, ausência de metas objetivas pactuadas no instrumento de negociação, apenas, para esclarecer entendo, ser o requisito pacto prévio – fundamental, assim como descrito no relatório fiscal, para que se faça cumprir os preceitos da lei 10.101/00. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a Fl. 938DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 19 35 inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. CONTRIBUIÇÃO DE 2,5% No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A alíquota de 2,5% em relação a atividade de instituições financeiras, encontra previsão legal, razão pela qual, conforme mencionado acima, não cabe a este Conselho deixar de determinar a procedência do seu lançamento: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). DA MULTA LIMITADA A 20% Com relação da interpretação em relação a aplicação dos dispositivos da MP 449/2008, convertida na lei 11.941 em relação a competência 10/2008, entendo que os argumentos do recorrente não merecem prosperar. Filiome a tese adotado pelo auditor fiscal e ratificada pelo julgador de primeira instância. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 36 No que tange ao cálculo da multa, face à edição da MP 449/08, convertida em lei 11.941, a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 20 37 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado (75%). As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso conforme descrito no relatório fiscal, para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática, multa moratória, com a aplicação de multa pela não informação em GFIP, e da sistemática descrita na nova legislação. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos explicitados acima. Em relação as competências anteriores a edição da referida MP (04/12/2008) e considerando que o art. 106 que, inciso II, "c do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) dispõe que tratandose de ato não definitivamente julgado a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, efetuamos o demonstrativo da multa entre as penalidades da legislação posterior e anterior a MP 449/2008 para a aplicação da mais benéfica, conforme Anexo único e resumo abaixo. Ou seja, para efeitos da apuração da situação mais favorável, observou o auditor fiscal notificante: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se Fl. 941DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 38 refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Por fim, quanto a exclusão dos coresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de NFLD, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de CoResponsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: Fl. 942DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 16327.001195/200828 Acórdão n.º 2401003.550 S2C4T1 Fl. 21 39 X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. No mesmo sentido dispõe a súmula do CARF n. 88, aprovada na sessão de 10/12/2012, vejamos seu texto. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância, excluir do lançamento os fatos geradores até 09/2003 e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
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Numero do processo: 10746.904185/2012-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 5/ 20 12 -1 3 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904185/201213 Resolução nº 3803000.559 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.834, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904185/201213 Resolução nº 3803000.559 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904185/201213 Resolução nº 3803000.559 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904185/201213 Resolução nº 3803000.559 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904185/201213 Resolução nº 3803000.559 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904185/201213 Resolução nº 3803000.559 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904185/201213 Resolução nº 3803000.559 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.004276/2007-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2002,2003,2004,2005,2006
NULIDADE. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA.
O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração.
Numero da decisão: 1803-002.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Arthur José André Neto Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Arthur José André Neto – Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 76 /2 00 7- 70 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 3 2 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CEAZZA DISTRIBUIDORA DE FRUTAS, LEGUMES E VERDURAS LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito. 2. De acordo com a descrição dos fatos, a fiscalização apurou diferenças na contribuição par ao Programa de Integração Social – PIS entre os valores escriturados no razão contábil, os valores declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados pelo contribuinte. Após ter sido devidamente intimado, o contribuinte não apresentou quaisquer justificativas que esclarecesse as respectivas diferenças. Assim, lavrouse o presente auto de infração no valor de R$566.038,71 9quinhentos e sessenta e sei mil, trinta e oito reais e setenta e um centavos), incluindose o valor do principal, multa e juros, calculados até 30/11/2007. 3. Após devidamente intimado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 68/94. No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento. O acórdão restou ementado nos seguintes termos: “Anocalendário: 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais. ASSINATURA DO CHEFE DO ÓRGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não há a exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor. PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Não tem fundamento a alegação sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de lançamento relativo a diferenças constatadas entre os valores de PIS escriturados e declarados e/ou pagos, enquanto o outro processo formalizado na mesma data versa sobre tributos de outras espécies e de matéria totalmente alheia à tratada nestes autos. AUTUAÇÃO REFLEXA. SUBORDINAÇÃO A OUTRO PROCESSO. Estes autos não estão subordinados a outro processo. A matéria aqui tratada, diferenças constatadas entre valores do PIS declarados na DCTF e/ou pagos e aqueles informados na DIPJ, não enseja a sua vinculação a um outro processo. CERCEAMENTO DE DEFESA. VISTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de defesa, quando a autuação foi baseada livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e a este foi fornecida cópia dos autos de infração, termos e demonstrativos elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito tributário. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal não prescreve prazo para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais. PRODUÇÃO DE PROVAS. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 4 3 No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4o do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P I S / PASEP Anocalendário: 2003, 2004 DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. A falta ou insuficiência de declaração e de recolhimento dos débitos apurados com base na escrituração do sujeito passivo enseja o lançamento de ofício. ARGUIÇÕES DE LNCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de ofício ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão” (f. 121/122) 4. Em sede recursal, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 137/152) no qual pleiteia em síntese: a) Preliminarmente busca a nulidade do auto de infração sob os seguintes argumentos: a. por entender que o auto de infração foi lavrado por pessoa incompetente, tendo em vista que este foi assinado pelo auditor fiscal da receita e não pelo Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo; b. o auditor fiscal possuía fundamentação para fiscalizar a recorrente relativamente ao ano calendário de 2003, no entanto, não apresentou motivo para fiscalizar o período de 2002 a 2006; c. cerceamento de defesa do contribuinte pois faltam elementos comprobatórios das irregularidades apontadas pelo Fisco o que, de certo modo, implicou em uma inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que não cometeu a infração; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 5 4 d. violação ao princípio constitucional da razoável duração do processo, tendo em vista que entre o protocolo da defesa e a intimação da decisão decorreram mais de cinco anos. Assim, diante da patente violação ao princípio da celeridade, da segurança jurídica e da razoabilidade, sustenta que o presente auto de infração deve ser extinto tendo como fundamento o instituto da prescrição intercorrente; e. o auto de infração está eivado de vício formal, pois não há a clara e exata indicação do dispositivo legal supostamente infringido; f. houve bis in idem na lavratura do auto de infração, pois o contribuinte foi autuado várias vezes pelo mesmo objeto, por falta de previsão legal que permita tal ocorrência; b) No mérito, eis os argumentos recursais: a. Deve ser cancelado o auto de infração pois o fisco agiu precipitadamente, tendo em vista que antes mesmo de expirar o prazo para apresentar as justificativas, a autoridade fiscal já solicitou a formalização do processo administrativo objetivando a lavratura do auto de infração; b. Sustenta que as diferenças apontadas pela fiscalização não existem. Tratamse de movimentações financeiras da empresa não consideradas pela fiscalização; c. Considera incorreta a base de cálculo do IRPJ e CSLL, pois o Fisco não aguardou a recorrente apresentar as justificativas das supostas diferenças apuradas e não provou durante todo o processo administrativo, que as supostas diferenças constituem fato gerador de tributo; d. Não houve declaração inexata, posto que não se justifica a aplicação da multa; e. Por fim, não reconhece a ocorrência do fato gerador do tributo, tampouco a, consequente, obrigação acessória correlata. 5. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Artur José André Neto, Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 6 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. DA NULIDADE – INCOMPETÊNCIA 1. A recorrente alega a nulidade do lançamento na medida em que teria sido desrespeitado o art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, quando de sua formalização. Sustenta que, não tendo sido o auto de infração lavrado pelo chefe do órgão expedidor ou outro servidor autorizado, o lançamento é nulo, nos termos do art. 59 do mesmo diploma. 2. No entanto, não merece razão a recorrente, pois o artigo 11 do Decreto nº 70.235/1972, trata da notificação de lançamento que é uma das formas de exigir o crédito tributário de ofício, ao lado do auto de infração, conforme dispõe o art. 9º do mesmo decreto. 3. Ocorre que o lançamento sob exame foi realizado por meio de auto de infração, cujos requisitos estão fixados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. O dispositivo citado estabelece que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente. 4. Ademais, assim também disciplina o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Da Competência para Efetuar Lançamento Art. 31 . O lançamento de ofício do crédito tributário compete: I a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração (Decreto n o 70.235, de 1972, arts. 7 o e 10; Lei n o 10.593, de 6 de dezembro de 2002, arts. 5 o e 6 o , com a redação dada pela Lei n o 11.457, de 2007 , art. 9 o ); ou II ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregado da formalização da exigência ou ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em notificação de lançamento (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 11; Lei n o 10.593, de 2002, art. 6 o ). Nesse mesmo sentido, tem decidido esse conselho, in verbis: “CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 COFINS. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. AUDITOR DA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO REALIZADA COM BASE EM DECISÃO JUDICIAL INEXISTENTE. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. E competente para a lavratura do auto de infração, nos termos do art. 142 do CTN e art. 2º, I, a, do Decreto n° 6.641/08, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. A Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 7 6 compensação realizada com base em decisão judicial inexistente está sujeita a lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. (Ac. 3801 000.377. 1ª Turma especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. data do julgamento 16/3/10). NULIDADE – TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES 5. Segundo a recorrente o auditor fiscal possuía fundamentação para fiscalizar a recorrente relativamente ao ano calendário de 2003, no entanto, não apresentou motivo para fiscalizar o período de 2002 a 2006. 6. Afasto também esse argumento de nulidade. Isso porque o procedimento em epígrafe, resta autorizado pela Portaria da Secretaria da receita Federal do brasil nº 6.087/2005, art. 7º, § 1º, que há época da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) estava em vigência. 7. Tal dispositivo autoriza as chamadas “verificações obrigatórias” relativas à correspondência entre os valores declarados eos apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de regência. NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA, RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO, VÍCIO FORMAL 8. Como bem destaca a DRJ, a autuação segue os parâmetros legais de lançamento. Em comum, de fato, há somente o período de apuração, sendo que cada processo protocolizado referese a tributos e condutas distintas do contribuinte, 19515.004277/200714 – IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e COFINS; 19515.004276/200770 – apuração de diferenças entre os valores de PIS escriturados e os declarados/pagos em DCTF (anoscalendário de 2003 e 2004); 19515.004278/200769 – apuração de diferenças entre os valores de IRPJ c CSLL escriturados e os declarados/pagos em DCTF; assim também ocorre com o processo n. 19515.004277/2007 14 que versa sobre diversa desses autos. 9. Quanto a alegação e bis in idem, a simples leitura dos artigos 9º, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), legitima a conduta da autoridade fiscal, uma vez que o lançamento do crédito tributário darseá em autos de infração ou notificação de lançamento distintos por (i) imposto, (ii) contribuição ou penalidade, in verbis: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com Iodos os lermos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 8.748. de 1993) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 8 7 10. Dessa forma, resta claro que o procedimento fiscal está de acordo com o determinado pela legislação e regência. 11. De igual modo, não procede a alegação de cerceamento de defesa, tendo em vista que a fiscalização promoveu o devido enquadramento da conduta da recorrente, fundamentando o lançamento e fornecendo ao contribuinte cópia detalhada de todo o procedimento fiscal, desde a apuração até a consolidação do montante devido. Diante disso, estava a recorrente de posse de todos os fundamentos da autuação, bem como lhe foi oportunizado apresentar documentos de sua própria contabilidade para embasar a apuração do tributo. Pelos mesmos motivos afasto também a arguição de vício formal por ausência de indicação clara e exata do dispositivo legal infringido, tendo em vista que estes constam devidamente identificados no relatório da autuação fiscal. 12. Afastase, inclusive os argumentos de nulidade relacionados ao prazo de duração do processo, nada trouxe aos autos para comprovar que o princípio da razoável duração do processo foi maculado. De todo modo, a legislação não estabelece prazo para que seja concluído o procedimento fiscal. 13. Além desses argumentos, a recorrente ainda insiste na nulidade do processo, fundamentado que o auditor fiscal antes de expirar o prazo dado na intimação, solicitou a formalização do processo administrativo. No entanto, inócuo tal argumento, na medida em que a efetiva lavratura do auto de infração só ocorrem em 31/12/2007, ou seja, mais de dez dias depois do termino do prazo para apresentação de informações. 14. Por fim, ressaltese que nenhum dos argumentos amoldase às hipóteses que a legislação elenca como vícios hábeis a caracterizar a nulidade do processo. Estas elencadas no art. 59 do Decreto Federal n 70.235/1972, quais sejam: são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 15. Por tais razões, afasto a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. DO MÉRITO 16. Sustenta que as diferenças apontadas pela fiscalização não existem. Tratamse de movimentações financeiras da empresa não consideradas pela fiscalização. 17. Para a recorrente, a fiscalização sequer comprovou o acréscimo patrimonial ou gastos incompatíveis com os rendimentos declarados que levassem à convicção de ocorrência do fato gerador. 18. O auto de infração foi lavrado após a identificação de diferenças entre os valores de IRPJ e CSLL, apuradas mediante análise de documentos fornecidos pela própria recorrente e a comparação com os valores declarados em DCTF, conforme termo de verificação fiscal, fls. 56/58. 19. Confunde a recorrente o motivo da lavratura do auto de infração com a identificação de omissão de receitas, essa conduta caracterizase por deixar de computar acréscimos tributáveis no resultado do período, ou seja, é omitirse em contabilizar receita ganha, isto é, obtida de modo definitivo e intencional. Esse caso de autuação, ao contrário do caso em análise, requer, na prática, a produção de prova pela fiscalização, que tem o dever de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 9 8 demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A fiscalização deve apresentar provas robustas sobre a natureza da eventual receita omitida. 20. Portanto, não merece razão o acolhimento das razões recursais nesse ponto, visto que, evidentemente inaceitável o argumento de inexistência de diferenças apurados pela fiscalização, da mesma forma, inquestionável a base de cálculo do tributo, pois esta foi consolidada com base em valores escriturados no livro razão analítico da recorrente. Ressalte se que procedeu de maneira correta o fisco ao lavra o presente auto de infração, quando, mesmo devidamente intimada, a ora recorrente, eximiuse de apresentar esclarecimentos comprovados a respeito da conduta evidenciada. 21. Das mesma forma, que não se pode acolher a alegação de que o Fisco não aguardou a recorrente apresentar as justificativas das supostas diferenças apuradas, pois ela foi devidamente intimada a se manifestar, mas assim não o fez. Tampouco merece guarida a falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, pelos motivos já esposados supra. DA MULTA 22. Estabelece o art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/1996 que nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de: (i) falta de pagamento ou recolhimento; (ii) pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e, (iii) falta de declaração e nos (iv) de declaração inexata. 23. Assim, em casos de lançamento de ofício, devese obrigatoriamente aplicar a penalidade mencionada, correspondente a 75% sobre o valor do tributo. Correta a aplicação da multa. CONCLUSÃO 24. Diante do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Artur José André Neto Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004276/200770 Acórdão n.º 1803002.209 S1TE03 Fl. 10 9 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13827.000281/2005-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA.
A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO.
As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não-cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não-cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 570 1 569 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13827.000281/200541 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.849 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria DCOMP COFINS não cumulativo Recorrente SANTA CANDIDA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA (INCORPORADA POR TONON BIOENERGIA S/A CNPJ 07.914.230/000105) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 02 81 /2 00 5- 41 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 571 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 488/494 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que homologou parcialmente a Declaração de Compensação (Dcomp fls. 4/6), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS não cumulativos, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de outubro de 2004. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), a fls.4 a 6, cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de outubro/2004, no valor de R$ 246.489,27. A DRF/Bauru, por meio do despacho decisório de fls. 162/164, homologou parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 52.521,86. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 149/153, o crédito foi deferido parcialmente devido à glosa de vários itens relativos aos créditos apurados pela requerente, conforme descrito no citado termo. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls.188/222, alegando, preliminarmente, duplicidade de autuação, porquanto em data anterior foi lavrado auto de infração sob as mesmas alegações, cuja verificação fiscal abrangeu os anos de 2004 e 2005, conforme documentos que anexa. Assim, tratarseia da mesma exigência fiscal em razão de um mesmo fato. Ainda em preliminar, alega que “a inclusão, no auto de infração, de valores não devidos, face à parte da exigência estar abrangida pelo instituto da decadência ou em razão da glosa indevida...” “...retira do presente a liquidez e certeza, o que por si só torna nula a lavratura do auto de infração...” Prosseguindo, também em preliminar, argumenta que o despacho decisório e o termo de constatação seriam nulos porquanto não discriminam especificamente quais os produtos que não se enquadram como insumo, tampouco apresentam a motivação e a fundamentação legal das glosas, além de a fiscalização ter apontado no termo de constatação o descumprimento de vários artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que seriam totalmente inaplicáveis ao caso concreto. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim, faltariam elementos essenciais ao ato administrativo, tais como, motivo, agente, objeto, forma, finalidade, resultando no cerceamento do direito de defesa e na nulidade do procedimento. Também discorre longamente sobre a motivação do ato administrativo, para concluir que a motivação que o ato deve conter tem que ser acessível ao destinatário, de modo que este prescinda de advogado ou especialista para exercer seu direito de defesa. Por fim, argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade. Quanto ao mérito, alega, em resumo, que o conceito de insumo para o PIS e Cofins não pode ser transposto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS), pois a nãocumulatividade das contribuições sociais não se restringe às empresas industriais. Assim, insumo, no âmbito da nãocumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Ainda quanto ao mérito, repete as alegações preliminares quanto à ausência de discriminação e fundamentação das glosas, discorrendo brevemente sobre seu processo produtivo e o aproveitamento dos insumos que, segundo seu entendimento, gerariam direito ao crédito das contribuições. Quanto aos insumos, argumenta que a graxa foi indevidamente glosada, pois nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento das máquinas do processo produtivo, e, assim como este, deveria dar direito ao crédito, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Solução de Divergência que cita. O mesmo se aplica aos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo, cujo aproveitamento do crédito está previsto na Lei nº 10.833, de 2003, na IN SRF nº 404, de 2004, e ainda em entendimento da Administração Tributária. Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. O mesmo se pode dizer em relação aos insumos utilizados para a produção de álcool carburante, ou seja, deveria haver o rateio entre os insumos utilizados na produção de álcool carburante, álcool para outros fins e açúcar. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 572 5 Reclama também a recorrente que teria havido glosa indevida de créditos relativos a embalagens, haja vista que o acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização. No que tange aos créditos relativos aos serviços prestados, argumenta, em resumo, que a legislação permite o desconto de tais créditos desde que utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, e não somente aqueles aplicados diretamente na produção dos produtos, e ainda que a fiscalização não teria sido clara no embasamento da glosa. Em relação à glosa dos créditos referentes aos serviços que, segundo a fiscalização, a contribuinte não teria comprovado que não houve aumento da vida útil do bem em mais de um ano, alega que não há como fazer prova negativa e que houve inversão do ônus da prova já que a fiscalização é que teria que provar o que alegou para embasar a glosa. Quanto aos créditos oriundos do aluguel de máquinas e equipamentos, argúi que tais bens são utilizados tanto na movimentação da matériaprima, que geraria crédito, quanto no transporte e empilhamento de mercadorias, que não geraria crédito, assim a fiscalização deveria ter segregado proporcionalmente os créditos relativos a esse item. No tocante aos créditos relativos a arrendamento mercantil, argumenta que a fiscalização, apesar de não citar no termo de constatação nem no despacho decisório, glosou esse crédito sem maiores explicações. Alega também que para os créditos relativos a insumos adquiridos de pessoa jurídica foram utilizados os percentuais relativos ao crédito presumido, reduzindo assim o seu valor sem base legal ou justificativa. Por fim, argumenta que houve aplicação indevida de rateio do crédito em casos em que o crédito deveria ser integral, como nos serviços de ensacamento, marcação e manuseio de sacaria e em relação à levedura. Diante de tais alegações, que incluem a imputação de falta de clareza e de cerceamento do direito de defesa à decisão da autoridade a quo, considerando ainda que a recorrente cita itens que, de acordo com os autos, os respectivos créditos não teriam sido objeto de glosa e também tendo em vista que o termo de constatação, de fls. 149/153, contém apenas uma descrição vaga das glosas, pois não detalha os itens glosados acompanhados dos respectivos valores, o presente foi baixado em diligência à DRF para que os auditoresfiscais responsáveis discriminassem, por item, os valores dos créditos glosados, bem assim esclarecessem o porquê de cada glosa. Em atendimento à diligência foi expedido o Termo de Diligência, de fls.459/466, com os esclarecimentos solicitados. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Ciente do termo acima, a requerente apresentou a manifestação de fls.469/477, onde alega, em resumo, que as IN nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, são ilegais, porquanto extrapolam o disposto nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, ao restringirem o conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Repete ainda alegação da manifestação inicial no sentido de que o conceito de insumos para as contribuições sociais não é o mesmo que o aplicado no âmbito do IPI, se assemelhando mais aos conceitos utilizados no imposto de renda, abrangendo todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e da Justiça, das quais transcreve partes. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à não cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporado diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 575DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 573 7 Cientificada da referida decisão em 18/12/2012 (fls. 502), a interessada, em 15/01/2013 (data da transmissão de arquivos via sistema de validação e autenticação de arquivos digitais – fls. 504), apresentou o recurso voluntário de fls. 505/532, com as alegações resumidas abaixo: a) preliminarmente, argumenta que a questão não foi decidida com isenção, falta do princípio da motivação, inconsistências dos dados, subjetivismo, demonstração da efetiva irregularidade, e ainda ausência, no Acórdão, de apreciação de todas as razões suscitadas, solicitando a nulidade da decisão DRJ, posto que cuidou ela de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade. Argumenta ofensa ao princípio da verdade material, ensejando que o lançamento de ofício, está irremediavelmente eivado de nulidade, portanto deve ser decretada a insubsistência do despacho decisório ora combatido. Cita jurisprudências administrativas e judiciais; b) quanto ao mérito, no que se refere aos tópicos abaixo relacionados, questiona o Fisco pelas glosas dos créditos, expressando seus argumentos para cada item, observandose que na maioria deles, houve por parte fiscalização algum tipo de restrição ao conceito de insumos: b.1 Da Definição de Insumos no Contexto da NãoCumulatividade; b.2 Dos Insumos Consumidos Pela Recorrente; b.3 Dos Produtos Lubrificantes (graxas); b.4 Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo; b.5 Falta Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo; b.6 Os Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar; b.7 O Valor do Estoque de Abertura; b.8 Dos Serviços Tomados Pela Recorrente; b.9 Do Aluguel de Máquinas e Equipamentos; b.10 Do Leasing; b.11 Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas, e b.12 Da Aplicação Indevida do Rateio. Diante do exposto, requer que seja declarada a nulidade da decisão ora recorrida ou, se assim não entender, que seja dado provimento ao presente recurso em face da improcedência do feito fiscal e, como decorrência, ser com o reconhecido o direito creditório da Recorrente e a consequente homologação das compensações objeto do pleito. É o relatório. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso Quanto ao recurso voluntário, não consta, dos autos, claramente no documento, a data em que o mesmo foi protocolizado. Todavia, admito que o aludido recurso foi protocolizado em 15/01/2013, data em que foi recebido o arquivo digital da empresa segundo o correspondente recibo do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (fl. 504). Assim, considerando que o arquivo transmitido é identificado como “RECURSO VOLUNTÁRIO – PROCESSO 13827.000281/200541”, e que a unidade preparadora encaminhou o processo para este CARF, julgoo como tempestivo. No mais, o recurso voluntário preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. 2) Preliminar de Nulidade da decisão recorrida Alegou a recorrente a nulidade do Acórdão de primeira instancia, argumentando que teria havido a ausência de apreciação de todas as razões suscitadas e que a questão não foi decidida com isenção, havendo inconsistências dos dados, subjetivismo, não demonstração da efetiva irregularidade e porque o acórdão recorrido não se ateve aos aspectos fundamentais colocados à análise do julgador. Conclui alegando que a decisão em discussão cuidou de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade, proferindo, assim, decisão de natureza diversa da que foi demandada, sem a motivação e violando a garantia do recorrente e que o Termo de Diligência, em sua visão, nada acrescentou aos autos. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos e dos serviços só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto a graxa, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, verificase na decisão, que a DRJ detalhou todas as razões pelas quais resultou na improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo, como exposto, o direito creditório. Contudo, temos que observar que o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem detalhar ao máximo seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita no Acórdão, não se tem por omisso o julgado. Em suma, os motivos de não reconhecer o direito creditório postulado, residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte e que nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa da recorrente. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 574 9 Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. 3) Ofensa ao Princípio da verdade material A recorrente argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade, conforme consta do item 44 do recurso voluntário: (...) “44 Temos, por conseqüência, que o lançamento de ofício vestibular está irremediavelmente eivado de nulidade, aliás, insanável. Isto posto, deve ser provida a manifestação de inconformidade ora interposta para o fim de ser decretada, ab initio, a insubsistência do despacho decisório ora combatido, conforme as preliminares acima alinhadas” (g.n). Frisese que o presente processo não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente a compensação apresentada via Dcomp, ou seja, análise de compensação entre créditos e débitos tributários. Notese que no acórdão da DRJ restou demonstrado com clareza essa questão. Observese: (...) Primeiramente, quanto às alegações preliminares de que haveria duplicidade de autuação, pois o período em questão já havia sido objeto de auto de infração, e que faltaria liquidez e certeza ao lançamento, cumpre esclarecer que a impugnante enganase, porquanto o presente não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente compensação apresentada via DComp. Assim, não há que se falar em duplicidade de lançamento, pois os procedimentos envolvidos são distintos, este processo, como acima explicado, tratase de análise de compensação entre créditos e débitos tributários e aquele, de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, tampouco a homologação parcial de Declaração de Compensação necessita de liquidez e certeza, requisitos estes exigidos para o lançamento do crédito tributário (...). Portanto, no que se refere às preliminares de insubsistência, também não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende o contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação parcial do crédito alegado, como também, não ficou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente foi regularmente intimada nos autos. Preliminar de insubsistência do despacho decisório rejeitada. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 4) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS de competência do mês de outubro de 2004. A recorrente, cujo nome de fantasia é Destilaria Tonon, tem por objeto a fabricação de álcool nas suas diversas especificações, e a sua comercialização nos mercados interno e externo (exportação), podendo, em nome dela, serem praticados todas as operações, principais e acessórias, relacionadas com tal atividade. Acrescentese que através do processamento da canadeaçúcar a destilaria produz álcool e açúcar. Consta dos autos que no anocalendário 2004, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar, energia elétrica, levedura e da venda de créditos de carbono e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais Fl. 579DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 575 11 créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4.1) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). A recorrente aduz em seu recurso que: (...) “ao contrário do que ocorre na legislação do IPI, as leis que regulam o regime do PIS e da COFINS não cumulativos não delimitam o significado de insumo. No entanto, a Receita Federal, extrapolando sua competência, expediu as Instruções Normativas 247/02 e 404/04, que se amoldando a legislação do IPI, restringiu o significado de insumo para o PIS e a COFINS não cumulativos”. E segue defendendo que: (...) “Dessarte, devem ser considerados insumos os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção”. Ou seja, pelo entendimento da contribuinte, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 No entanto, da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem Fl. 581DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 576 13 ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 4.2) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 296/301 (Análise dos dados elaboradas pela fiscalização durante a ação fiscal), parte foram objeto de glosa e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito da COFINS. Ressalta que os produtos e serviços concorrem decisivamente para a obtenção do açúcar e do álcool, ou seja, inúmeros produtos e serviços que são adicionados ao caldo durante a decantação, fermentação, destilação (álcool) ou filtração, evaporação, cozimento centrifugação e secagem (açúcar) visando um só e único fim: o produto final industrializado. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados nas planilhas (fls. 296/301), se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente se verifica que não integram o custo de produção. Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos, lubrificantes e combustíveis, se aplicados na produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Embora a Recorrente trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo da empresa (Etapas do Processo Industrial e Fluxogramas fls. 244/259), por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas nas planilhas de fls. 296/301. Ressaltese que para todos os itens glosados nos autos, a fiscalização elaborou uma Planilha denominada “Análise de dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 296/301), que contém a discriminação e identificação das despesas apresentadas pela Recorrente, as linhas do DACON, data e número da Nota Fiscal, insumos, serviços, produtos, fornecedores, valores, receitas, e a informação da manutenção do item ou a glosa efetuada pela fiscalização e seu motivo. Para tanto foi tomado a devida ciência da empresa. 4.3) Os Produtos Lubrificantes Graxa Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso voluntário que, (...) “quanto aos insumos, nas alegações para justificar o feito fiscal, a fiscalização referese expressamente às aquisições de graxa feitas pela Recorrente e glosa os créditos a ela relativo invocando a Solução de Divergência nº 12/07”. Tal contraditório se apresenta enfrentado, uma vez que nas planilhas demonstrativas das glosas e no relatório do Termo de Diligência (fl. 460), onde no item “Lubrificantes” a fiscalização descreve a motivação do ato: glosa – graxa não é lubrificante, por definição da (ANP). A recorrente visando elucidar a questão no intento de elidir a glosa perpetrada pelo Fisco, reproduz várias conceituação do vocábulo “graxa”, pesquisado em Fl. 583DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 577 15 abalizadas publicações linguísticas e técnicas (dicionários, sites, Wikipédia, etc.), visando conceituar o termo graxa, concluindo que a graxa nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento de máquinas, equipamentos, motores, etc. Isto porque, conforme definido na legislação (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II e § 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 40) os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para a COFINS. No entanto, o Fisco em seu Termo de Constatação Fiscal (fls. 149/153), informa que: (...) “Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 136 a 139”. Quando da elaboração do Termo de Diligência (fls. 459/466), a fiscalização relata que: (...) Lubrificantes foi glosada a nota fiscal de compra de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3º o da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Solução de Divergência 12 de 24 de outubro de 2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas (...). Como se nota, o Fisco escorouse na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007, que conclui que não são considerados insumos, para fins de desconto de créditos da contribuição para o PISPasep e da Cofins, os materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. No entanto, entendo que o produto graxa, no caso, tem a finalidade de preservar a integridade e o regular funcionamento das máquinas utilizadas na atividade produtiva e, portanto, atividade intrínseca ao processo produtivo da empresa. Não há atividade produtiva sem a constante preservação dos maquinários. O dicionário Wikipédia ao se referir ao vocábulo “graxa” dános o seguinte ensinamento: “Graxas são o nome genérico e popular dado a lubrificantes pastosos compostos (semi plásticos) ou de alta viscosidade, compostos de misturas de óleos lubrificantes minerais (de diversas viscosidades) e seus aditivos e especialmente do ponto de vista químico, sais de determinados ácidos graxos com cálcio, sódio, lítio, alumínio, bário e magnésio (geralmente chamados de sabão que em formam com os óleos de origem mineral uma emulsão, que atuam como agente espessador. Em tais formulações o óleo mineral entra como o verdadeiro lubrificante e o espessador, além de conferir a viscosidade à mistura, atua na retenção do óleo mineral” (g.n). Fl. 584DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Portanto, no que se refere ao produto graxa, devese reconhecer o direito de crédito do PIS e da COFINS, pois o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 é expresso em reconhecer tal direito em relação às aquisições de combustíveis e lubrificantes, não havendo dúvida de que a graxa é um lubrificante e de que tem a sua aplicação como lubrificante nos equipamentos e máquinas utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Com base nos conceitos acima, concluo, pois, pelo reconhecimento do direito de crédito na aquisição de graxa, glosado pelo Fisco conforme demonstrativo de fl. 297. 4.4) Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo Nos termos relatados nos autos, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Neste tópico específico, argumenta a recorrente em seu recurso voluntário no que se refere ao entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo, e que: (...) “Segundo a disposição expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, 22 e segundo, ainda, a disciplina contida no art. 66, inciso I, alínea ”b”, da Instrução Normativa SRF 247/02, geram direito a créditos da COFINS os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda”. E segue, (...) “Esclarecendo o alcance da norma em comento, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT, expediu a Solução de Divergência nº 37/08, firmando o entendimento abaixo transcrito:”(...). Por outro lado, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 149/153), o Fisco relata que: (...) “Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 136 a 139”. Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 297), a fiscalização esclarece, na coluna especificada para os Lubrificantes, que tais créditos foram mantidos (glosando somente as graxas, por não ser considerado lubrificantes). Restando claro, portanto, que somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. De acordo com os dispositivos legais (arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003) já reproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o direito de creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 578 17 Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às glosas nas aquisições de lubrificantes. Notese, que no caso, conforme apurado pela fiscalização em seu demonstrativo (fl. 297), tais créditos referente às aquisições de lubrificantes, foram mantidos. Portanto, quanto aos Lubrificantes utilizados no processo produtivo, não conheço do recurso apresentado, por falta de interesse recursal. 4.5) Falta de Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Argumenta a recorrente que no que se refere à glosa relativa aos insumos empregados no fabrico do álcool carburante (cumulativo), tampouco assiste razão à fiscalização. 4.5.1) Produtos Químicos utilizados Em seu recurso aduz que: (...) “A fiscalização glosou o crédito de vários produtos químicos que possuem emprego geral no processo produtivo, ou seja: são aplicados tanto na industrialização do álcool como do açúcar, conforme se vê na planilha – utilização anexada aos autos, sem a mínima preocupação em estabelecer o necessário e indispensável rateio proporcional para distinguir a quantidade destinada à produção do álcool e daquela destinada à produção do açúcar. Com efeito, revendo os termos da fiscalização, verifico que, concernente aos produtos químicos adquiridos, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles utilizados no tratamento de água, na limpeza de caldeiras, nas torres de resfriamento e os utilizados exclusivamente na fabricação de álcool, na premissa que o termo “insumo” refere se aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal. Tal fato, consta quando o Fisco relata em seu Termo de Diligência (fls. 459/466) que glosou as compras de determinados produtos químicos: (...) Visando a esclarecer a analise feita na ação fiscal, complementamos as informações contidas no Termo de Constatação Fiscal de 29/06/2009 com as despesas glosadas pela fiscalização de acordo com as linhas da ficha 04 do DACON. Estão sendo anexadas fotocópias de notas fiscais de produtos químicos, lubrificantes, serviços, fretes, razões de contas contábeis, estoque de abertura, contratos de prestação de serviços, descritivos manutenção e demais elementos que serviram de base para as glosas. LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de produtos químicos, lubrificantes, embalagens e cana adquirida de pessoas jurídicas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e açúcar foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo do açúcar foram considerados sem aplicação do rateio. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 Produtos Químicos a fiscalização glosou as compras de produtos químicos que não são utilizados diretamente na produção do açúcar. Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 296/297), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L02 Produtos Químicos, que para algumas notas fiscais os créditos foram mantidos e outros foram glosados, assim motivados: glosa álcool e glosa – caldeira, mantido com rateio e mantido sem rateio. Portanto, não assiste razão a Recorrente, pois como se verifica no referido Termo, o Fisco informou ainda que os produtos de utilização comum na produção do álcool dos outros produtos não cumulativos, como o açúcar e levedura, foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo dos produtos não cumulativos foram considerados sem aplicação do rateio. Em seu recurso voluntário, embora a recorrente tenha discorrido sobre os insumos consumidos por ela (produtos químicos), em momento algum demonstrou e provou que os bens cujos créditos foram glosados são consumidos no processo de fabricação de seus produtos. A configuração de insumo depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. Com já relatado, como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Portanto, não podem descontar da contribuição para o COFINS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo, por absoluta falta de amparo legal uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. 4.5.2) Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Neste mesmo tópico a Recorrente prossegue alegado em seu recurso que: (...) “Ainda seguindo este confuso raciocínio, em momento algum a fiscalização preocupouse em verificar se todo o álcool produzido teria sido, de fato, comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro) – CUMULATIVO ou se, como comprovadamente ocorreu, teria havido também a comercialização de álcool destinado a outros fins que não ao consumo como combustível e, portanto, NÃOCUMULATIVO. A par deste fato, a Recorrente apresentou cópias de inúmeras notas fiscais emitidas que comprovam cabalmente que a operação de venda por elas acobertadas referemse à venda de álcool etílico hidratado ou álcool etílico anidro destinados à utilização de diversos outros fins que não ao uso como combustível. As operações de vendas do álcool “Outros Fins“ foi igualmente comprovada através do registro contábil daquelas vendas no período de auditado, conforme espelhado nas folhas do Razão Analítico juntado aos autos. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 579 19 A título de exemplo, listamos abaixo algumas notas fiscais, dentre aquelas já anexadas, que evidenciam, apenas pela singela leitura da razão social do destinatário da mercadoria, não se tratar de operação relativa à venda de álcool anidro ou hidratado para fins carburantes, já que a comercialização de álcool combustível somente é permitida, pela Agência Nacional de Petróleo ANP, para as distribuidoras por ela credenciadas. NF. 075228 – 01/10/2004 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF. 075281 – 04/10/2004 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF. 075318 – 05/10/2004 – Butilamil Inds. Reunidas S/A. NF. 076227 – 21/10/2004 – Butilamil Inds. Reunidas S/A. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza da precariedade e subjetividade do trabalho realizado pela fiscalização que, por consequência atestam a incontestável nulidade da glosa efetuada”. Sobre esse fato, no Termo de Constatação, verificase consignado que: (...) No anocalendário 2004, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar e levedura e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. Tal fato, também foi mencionado quando o Fisco relata em seu Termo de Diligência (fls. 459/466) quando efetua analisa sobre o estoque de álcool: Com relação ao estoque de álcool, temos no Livro de Produção Diária, a seguinte variação do estoque, porém, não há identificação do destino do produto, se é álcool carburante ou outros fins: (...). (...)Podemos concluir que houve venda de álcool para outros fins, porém, a empresa não apresentou elementos que pudessem definir o volume correto das vendas do álcool para fins não carburante para ser mantido o seu credito presumido do estoque de abertura, conforme solicitado no item 8, do Termo de Diligência Fiscal (...). A DRJ, sobre a questão, não se manifestou, mesmo considerando que tais argumentos estava presentes na manifestação de inconformidade, conforme trecho do Acórdão recorrido, abaixo destacado (fl. 490): (...) Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 Como é sabido, em que pese o exposto, na fase impugnatória do processo administrativo fiscal ainda há a possibilidade de a requerente aduzir provas aos autos, conforme disposto no § 4º, do art. 16 do PAF. No caso vertente, a interessada apresentou cópia de notas fiscais de venda de álcool para “Outros fins” (fls. 263 a 274), além de outros documentos, como cópia do livro Razão Analítico (fl. 260/262), o que comprovam documentalmente esse tipo de venda e podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para “Outros fins”, efetivamente comprovadas pela Recorrente, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. Verificase que, pelo exposto acima, que a decisão a quo não analisou as vendas de álcool para “Outros fins” efetivamente comprovadas através de documentação hábil juntadas aos autos (cópia de Notas Fiscais). Na linha do acima verificado, os respectivos valores de créditos devem ser ajustados pela Delegacia da RFB de origem. Quanto aos demais argumentos da recorrente, não podem ser considerados, tendo em vista que não foram acostados aos autos, mais provas hábeis contrária em sede de manifestação de inconformidade e tampouco nesta fase, objetivando comprovar o alegado pela Recorrente. Assim, temse que devem ser reconhecidos o direito pleiteado da Recorrente, concernente apenas para as Notas Fiscais de venda álcool “Outros fins” nºs 075228, 075231, 075318, 076149, 076211, 076390, 075224, 075513, 076106, 076227, 076355 e 076541, emitidas no mês de outubro de 2004, cujas cópias foram juntadas aos autos às fls. 263/274. As mesmas, foram devidamente contabilizadas no Livro Razão Analítico, conforme extrato de fls. 260/262. Concluindo, temos que para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. 4.6) Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar Aduz a recorrente que: (...) “A glosa, de forma inexplicável, atingiu os créditos oriundos da aquisição de sacaria destinada especificamente à embalagem do açúcar. O acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Neste aspecto, diante da obviedade do direito ao creditamento, cremos desnecessária argumentação mais aprofundada acerca deste tema”. A fiscalização no seu Termo de Diligência (fls. 459/466) apresenta como fundamentação da glosa dessas aquisições pela seguinte motivação: (...) Embalagens Glosada a nota fiscal da Polikraft referente a aquisição de sacos para embalagens de levedura. O contribuinte ensaca seus produtos em embalagens retornáveis ou em sacas de 25 kgs que não atendem ao previsto na legislação. Ou seja, a empresa não utiliza as chamas Fl. 589DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 580 21 "embalagens de apresentação", aceitas pela legislação como dando direito ao crédito, e sim as "embalagens de transporte". A embalagem de apresentação é aquela incorporada ao produto durante o processo de fabricação, há que se ter como tal aquela que é usualmente empregada para a venda do produto ao consumidor final e que contenha o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo; e também podese ter como tal aquela que, apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto; de outro lado, há que se ter como embalagens de transporte aquelas que se destinam apenas ao transporte dos produtos, por comportarem quantidades superiores às usualmente vendidas no varejo e não conterem indicações promocionais destinadas à valorização do produto (são, geralmente, latas, caixas, engradados, tambores, as sacas (te 50/ikgs, etc). Essas embalagens não fazem parte do processo produtivo, o produto é embalado após a produção. Fundamentação legal: art. 3 o , II, da Lei 10.833/2003 c/c o artigo 8°,I, b CL §4°,I, a da Instrução Normativa SRF n° 404/2004. Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, verifico que, concernente ao material de embalagem específico para o açúcar, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos por se tratarem de embalagens retornáveis, de transporte e não de apresentação, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 297), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L02 Embalagens, que tais notas fiscais os créditos foram glosados, assim motivados: glosa – não se agrega ao produto. No entanto, a recorrente alega que a glosa, atingiu os créditos oriundos da aquisição de sacaria destinada especificamente à embalagem do açúcar. O acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Como já frisado anteriormente sobre o conceito de insumos, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do IRPJ, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a fiscalização, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de Embalagens (no caso sacaria), assentado nos seguintes fundamentos: Glosadas por se tratarem de embalagens de transporte e não de apresentação. A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito de insumo restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] Fl. 590DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. O Recorrente, portanto, mesmo considerando os critérios da IN SRF nº 247/2002 e ao conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de embalagens (sacaria – embalagem do açúcar). Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de embalagens com o produto ao consumidor final. 4.7) O Valor do Estoque de Abertura Descreve a recorrente em seu recurso, que: (...)A mesma indesculpável falha e condenável parcialidade está presente quando se verifica que foram glosados os valores de todo o estoque de abertura do álcool sem se proceder a necessária e inafastável proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza do precário trabalho realizado pela fiscalização e a conseqüente nulidade da glosa efetuada. Tais fatos revelam, além de ser de extrema fragilidade e arbitrariedade a verificação efetuada, que a fiscalização não tem observado in totum as regras da própria RFB, o que torna ainda mais marcante em todo o procedimento fiscal a opção pelo hipotético e pela presunção”. No referido Termo de Constatação (fl. 151), a fiscalização observa que: (...) O estoque de abertura a ser considerado para a COFINS foi diminuído de R$ 64.442,75 para R$ 9.584,96 com a glosa dos valores referentes a álcool carburante (estoque de produto acabado) e dos produtos químicos utilizados na produção do álcool carburante. O fisco, ao elaborar o Termo de Diligência, informa que (fls. 464/465): LINHA 20 CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE ABERTURA O estoque de abertura apresentado pela empresa continha os materiais de embalagem que foram mantidos pela fiscalização. Dos produtos químicos apresentados, foram glosados os utilizados nas caldeiras e na produção do álcool, por não serem insumos de produtos não cumulativos. Já no estoque de produtos acabados foram glosados o álcool hidratado e o álcool anidro no valor total. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 581 23 Com relação ao estoque de álcool, temos no Livro de Produção Diária, a seguinte variação do estoque, porém, não há identificação do destino do produto, se é álcool carburante ou outros fins: (...). (...) Com as informações contidas nos razões apresentados da venda de álcool outros fins e com as informações prestadas nos valores de venda dos diversos tipos de álcool temos o seguinte: (...). (...) Podemos concluir que houve venda de álcool para outros fins, porém, a empresa não apresentou elementos que pudessem definir o volume correto das vendas do álcool para fins não carburante para ser mantido o seu credito presumido do estoque de abertura, conforme solicitado no item 8 do Termo de Diligência Fiscal. O mesmo ocorrendo com os produtos químicos em estoque utilizados na produção de álcool. Neste momento, assiste razão a recorrente, pois ao se analisar a questão da venda de álcool para “Outros fins”, no caso vertente, a interessada apresentou aos autos cópias das referidas notas fiscais (venda de álcool para “outros fins” (fls. 263/274) acompanhado de cópia da escrituração no livro Razão analítico (fls. 260/262), o que comprovam documentalmente esse tipo de venda e podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, as receitas relativas a vendas de álcool para outros fins são tributadas pela contribuição social (COFINS) no regime de incidência nãocumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção desse álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. Portanto, assiste razão a Recorrente, pois verificase que nem todo o álcool produzido teria sido comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro – regime cumulativo). Desta forma, deverá ser reavaliado o estoque de abertura do álcool e proceder a reavaliação da necessária proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante, conforme ficou descrito no Termo de Diligência (fls. 464/465) e demonstrativos (fls. 296/301). 4.8) Serviços Tomados Pela Recorrente Nos termos relatados neste processo, o Fisco glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso que: (...) “concluise que insumo , no contexto das regras desta não cumulatividade da contribuição ao PIS, comporta a contratação de serviços destinados a execução de outros serviços. Mais ainda, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02 e o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, conjugados com as demais regras previstas nesta lei, autoriza nos a concluir que a expressão “serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” acolhe a possibilidade de haver a contratação de serviços para a execução de outros serviços, quaisquer que sejam, desde utilizados com o escopo final que é a obtenção do produto final industrializado. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 Resta, destarte evidenciado que não foi a preocupação da autoridade lançadora a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. Por derradeiro, cumpre esclarecer que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do Imposto de Rendas Pessoas Jurídicas, eis que se tratam de serviços que em sua essência e própria finalidade devem e foram lançados diretamente como custo de produção” (...). Como já abordado neste relatório, os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03 vedam o crédito da contribuição à COFINS e ao PIS se os bens e serviços forem adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica não estabelecida no País. Desta forma, as exceções às regras de apropriação de créditos já estão claramente dispostas em tais parágrafos, cumprindo, assim, a função que lhes foi atribuída pela alínea “c ” do inciso III, do art. 11, da Lei Complementar nº 95/09. Verificase que no Termo de Constatação Fiscal (fls. 149/153), consta que: (...) “As despesas com prestação de serviço com direito ao crédito da COFINS não cumulativo estão disciplinadas pelo disposto na IN SRF 404/2004, art. 8º, inciso I, “'b". " b.1 " , § 4º , I. '"b". Foram objetos de glosa as despesas apresentadas pela empresa que não se enquadravam na definição supramencionada: "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto"; neste caso, açúcar e outros produtos sujeitos ao regime não cumulativo da COFINS. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 136 a 139”. Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação de açúcar e levedura, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional. Também não procede as alegações da recorrente no que concerne que não houve a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. No Termo de Diligência (fls. 459/466) a fiscalização elaborou relatório bem detalhado no tópico “LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COM INSUMO”, onde descreve que, LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO A fiscalização entendeu que a informação contida na linha 13Outros valores com direito à crédito deveria ser informada na linha 3 da ficha 4 do Dacon serviços utilizados como insumo, por se tratar de serviços prestados por pessoa jurídica. Portanto não houve glosa total do informado pela Santa Cândida na Linha 13 — Ficha 04, mas simplesmente a análise como sendo linha 3 da mesma ficha: (...). Seguindo o tópico, a fiscalização explicita no documento toda fundamentação e as base legal sobre os conceitos de insumos para fins de creditamento sobre tais bens e serviços, especificando as glosas efetuados (fl. 462): (...) Com a base legal acima foram efetuadas as seguintes glosas: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 582 25 "não corresponde ao conceito de insumo" notas fiscais de serviços não relacionados com o processo produtivo, citados no anexo, como por exemplo leitura mensal, controle de pragas, assessoria técnica, locação de toalhas, conserto de rádio, copias de chaves, locomoção de motoristas. "NF não identifica se é custo ou despesa" notas fiscais com descrição genérica não sendo possível identificar se é despesa ou custo. "valor que deveria ser incorporado ao ativo" notas fiscais de reformas de equipamentos que deveriam ser ativadas em razão do aumento da vida útil do bem reparado. As partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que respondam diretamente pela fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes da ação diretamente exercida no processo de fabricação do produto que está sendo produzido e desde que não estejam incorporadas ao ativo imobilizado da empresa. Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, se verifica que, concernente aos materiais acima especificados, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles enquadrados no conceito do termo “insumo”, este quando referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 297/298), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L03 – Serviços Utilizados como insumo, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: as que não corresponde ao conceito de insumo, valor que deveria ser incorporado ao ativo e nota fiscal não identificada se é custo ou despesas. Quanto a alegação de que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do IRPJ, verificamos que a fiscalização relata em seu Termo de Constatação Fiscal que, (...) “Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação dos produtos de incidência nãocumulativa, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional”. Se as partes e peças adquiridas no caso, forem para máquinas ou equipamentos que estiverem no ativo imobilizado, deixarão de ser consideradas como insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3º, Inciso VI, combinado com o seu § 1º, Inciso III, (c/ artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Desta forma, esses produtos que atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizados, consoante estabelece o art. 346 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/1999) . Verificase no Termo de Diligência que: Fl. 594DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 (...) A Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos. Apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Da descrição verificase que as mesas alimentadoras, as esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da Safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Os ternos são compostos por castelo, bagaceira, cabeçotes, rolos e pentes. Nas notas fiscais de serviços não se verifica a aquisição ou instalação desses elementos anualmente. As notas fiscais de serviços glosadas referemse a soldas, frisamentos, aplicações de chapas inox, válvulas, hidrojateamento, recuperação de cilindros, desfibrilador, usinagem, etc, portanto são substituições de partes e peças que resultam em aumento da vida útil em mais de um ano, devendo ser ativadas. Também consideramos que devem ser ativados as notas fiscais de fornecimento de mão de obra de pedreiros, pintores e serviços de engenharia. Como se vê, consta do Termo de Constatação que a empresa Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos e ainda apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Verificase que as mesas alimentadoras, esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Assim, não procede as alegações da recorrente no que concerne não haver a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. A fiscalização elaborou um demonstrativo, detalhando que como regra foram glosados os serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, ou seja, os serviços que não quedaramse demonstrados que estavam diretamente ligados à produção dos produtos não cumulativos. Portanto, correto as glosas de parte dos valores dos serviços tomados pela Recorrente, uma vez que a mesma não junta nos autos provas contrárias. 4.9) Aluguel de Máquinas e Equipamentos Aduz a recorrente em seu recurso que: (...) “Segundo a dicção do Fisco, não geram direito a crédito o aluguel de máquinas, escavadeira ou guindaste, porque a Recorrente não demonstrou terem sido eles utilizados na fabricação do açúcar. A respeito há que se ter presente que a escavadeira é utilizada na tanto movimentação da matériaprima (canadeaçúcar), como no transporte e movimentação do açúcar em bruto. O mesmo se dá com o guindaste que faz a movimentação dos contêineres de açúcar, tanto no empilhamento e armazenagem quanto no carregamento nos veículos de transporte. É também utilizado na movimentação de peças e equipamentos pesados. Assim, ou se deveria reconhecer o direito ao crédito integral ou, ao menos, proporcional na hipótese de movimentação da matériaprima da qual deriva tanto o açúcar como o álcool. Tal questão foi dessa forma analisada pela fiscalização em seu Termo de Constatação Fiscal (fls. 149/153): Fl. 595DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 583 27 Também não geraram direito a crédito o aluguel de máquinas que não se enquadravam no disposto no art. 66, inciso II, i b" da IN 247/2002: "aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa". Assim, não foram consideradas as Notas Fiscais referentes a aluguel de escavadeira, andaimes ou guindastes, máquinas que a empresa não demonstrou terem sido utilizadas na fabricação de açúcar e outros produtos com direito ao crédito da COFINS não cumulativo. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 136 a 139 (grifamos). O artigo 3º da Lei nº 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Porém, como se verifica no Termo de Diligência efetuado pela fiscalização (fls. 459/466), Linha 6 –Despesas de aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, tais despesas que foram glosadas porque verificouse que tratam de locação de máquinas e equipamentos referente à atividade de construção civil da empresa: LINHA 6 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS O artigo 3 o da Lei 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Foram glosadas notas fiscais de locação de guindastes e munks, equipamentos utilizados na construção civil.A recorrente não faz provas nos autos de que tais despesas foram aplicados no processo produtivo. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 299), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L06 – Aluguel de Máquinas e Equipamentos, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas efetuadas estão assim motivadas: não é atividade da empresa. No entanto, em seu recurso, a recorrente não faz provas nos autos de que tais despesas foram aplicados no processo produtivo. Portanto, os gastos com tais itens escapam do conceito de insumo e não geram crédito das contribuições sociais não cumulativas. Mantenhamse as glosas procedidas a esse título. 4.10) Do Leasing A empresa em seu recurso argumenta que, (...) “A Fiscalização, é omissa ao fato tanto no Despacho Decisório como no Termo de Verificação Fiscal, porém elaborou os demonstrativos e fichas do DACON de acordo com seu critério e entendimento, desprezando as informações prestadas anteriormente pela Recorrente no mesmo DACON relativamente aos créditos, oriundos de operações de arrendamento mercantil (leasing), que foram sumariamente glosados. Assim, no DACON elaborado pelo Fisco não constou sequer uma das aquisições de bens na modalidade de leasing, sendo que, na realidade existem várias no período examinado que, inexplicavelmente, foram desprezadas. Nada há no bojo dos autos que indique, especifique, ou sequer Fl. 596DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 28 sugira o porque da glosa ou da omissão naquele DACON dos valores relativos aos contratos de leasing ignorados pelo Fisco. Não procede a alegação de omissão colocada pela recorrente, senão vejamos o que foi relatado sobre este tema no Termo de Constatação Fiscal (fls. 149/153): A partir de 01/05/2004 em virtude de alterações na Lei 10.833/2003, introduzidas pela Lei 10.865/2004, deixaram de dar direito a crédito: despesas financeiras, aquisições de máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda anteriores a 01/05/2004. Portanto, os valores referentes a esses lançamentos foram glosados. E o Fisco segue informando no Relatório de Diligência (fl. 463): LINHA 8 ARRENDAMENTO MERCANTIL mantidas as despesas informadas de duas Saveiros e uma Kombi. Glosada duas notas fiscais da Laponia Sudeste Ltda referente a arrendamento mercantil feito em 18/02/2004, pois o inciso V do art. 3ºo da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 21 da Lei 10.865/04 foi limitado pelo art. 31 da Lei 10.865/04 à aquisições feitas a partir de 01/05/2004. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 299), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L08 – Arrendamento Mercantil, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: adquirido antes de 01/05/2004. A Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, regula o tratamento tributário que deve ser dispensado ao contrato de arrendamento mercantil. O art. 3º, da mencionada lei, assim determina: “Art. 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil” Assim, não resta dúvida de que os bens destinados ao arrendamento mercantil compõem o ativo imobilizado das arrendadoras. No entanto, verificase que no Termo de Constatação Fiscal, bem como no demonstrativo de fl. 299, o Fisco promoveu a glosa do valor das despesas com Arrendamento Mercantil, realizadas antes de 30/04/2004, com fundamento no inciso V do art. 3º da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 21 da Lei 10.865/04, limitado pelo art. 31 da Lei nº 10.865/04 às aquisições a partir de 01/05/2004. O art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865/2004, define que: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 584 29 (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica (g.n). Notese que a Lei não se refere a arrendamento mercantil no parágrafo primeiro do artigo 31. Isso é apenas tratado no parágrafo 3º, para vedar apenas o crédito relativo a arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado patrimônio da Pessoa Jurídica, o que não restou demonstrado nos autos pelo Fisco. Portanto, assiste razão a recorrente em reclamar de seu direito, uma vez que não consta dos autos, que as aquisições dos referidos veículos, já tinham em algum momento, integrado o patrimônio da empresa. Por este motivo legal, no presente caso, não deve ser mantida a glosa dos valores computados em desacordo com a legislação. 4.11) Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas De acordo com a Administração tributária, a vinculação dos créditos aos tipos de receitas auferidas deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a sua vinculação exclusiva a cada tipo de receita, sendo que, em relação aos custos comuns das atividades cumulativas e não cumulativas, facultase à pessoa jurídica a utilização de qualquer dos critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, a apropriação direta (no caso de a pessoa jurídica possuir sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração) ou o rateio proporcional. No que se refere a esse tópico, a recorrente alega que: (...) “No indigitado DACON elaborado pela Fiscalização foi utilizado e aplicado, indevidamente, para fins de cálculo do valor a ser creditado nas aquisições de canadeaçúcar, efetuadas de Pessoa Jurídica, o mesmo critério e método de apuração adotado para se apurar o Crédito Presumido (para o PIS 70% e para a COFINS 80%), reduzindo, sem base legal, o montante do crédito a ser aproveitado pela Recorrente. Igualmente, ao item imediatamente anterior, nada há nos autos e nas notas feitas a ele que esclareça o motivo e justifique tamanha parcialidade”. Vejase o que informa a fiscalização no Termo de Diligência (fl. 460/461): LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de produtos químicos, lubrificantes, embalagens e cana adquirida de pessoas jurídicas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e açúcar foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo do açúcar foram considerados sem aplicação do rateio. (...) Cana Adquirida de Pessoa Jurídica A empresa informou o total de cana adquirida de pessoa jurídica R$ 465.030,45. A fiscalização aplicou sobre este valor o percentual 50,30% referente a cana utilizada na produção do açúcar e acrescentou o frete proporcional a cana adquirida de pessoa jurídica utilizada na produção do açúcar, valor informado como sendo linha 3 e apurado na conta 30101003004020 Despesas de Fabricação Transporte de Cana de Açúcar, demonstrados no anexo do Termo de Constatação Fiscal. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 30 E segue informando o contido na LINHA 19: LINHA 19 – CRÉDITO PRESUMIDO NA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL– Apurado com base de cálculo o valor da aquisição de cana de açúcar de pessoas físicas aplicandose o percentual de cana utilizada na produção de açúcar e acrescendo o frete da cana adquirida de pessoa física utilizada na produção do açúcar (demonstrado no anexo do Termo de Constatação Fiscal). De acordo com o artigo 8º da Lei 10.925/2004 só é possível o aproveitamento deste crédito para abater das contribuições devidas. Observese que, quanto ao rateio cabe esclarecer que o percentual das receitas cumulativas e nãocumulativas foi informado pela própria requerente, conforme consta das planilha à fls. 123/143 (informações da própria fiscalizada e aceito pela fiscalização – demonstrativos de fls. 144/148 e 296/301), sendo nela apurado o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas e, por diferença, o percentual das nãocumulativas. Como se sabe, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência "não cumulativa" da COFINS em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Para tanto, a pessoa jurídica deverá alocar, a cada mês, separadamente para a modalidade de incidência as parcelas dos custos respectivos. No caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à "não cumulatividade" e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: a) apropriação direta, inclusive, em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Verificase que o método eleito pela Recorrente foi aceito pela Fisco e aplicado consistentemente por todo o período analisado. 4.12) Da Aplicação Indevida de Rateio Dispõe o § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que “Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas”. Como já abordado no tópico anterior, a regra acima implica em que, se o contribuinte auferir receitas sujeitas aos regimes cumulativo e nãocumulativo, os insumos apenas gerarão crédito na proporção em que forem aplicados nestas últimas. A comercialização de álcool “para fins carburantes” submetese à incidência de PIS/Cofins pelo regime cumulativo, de modo que, por não se submeter ao regime não cumulativo das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os insumos aplicados na sua produção não geram direito de crédito. Nesse contexto a recorrente alega em seu recurso que: Fl. 599DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 585 31 “Houve, ainda, no DACON da fiscalização, aplicação indevida de rateio proporcional para fins de apurar o valor do crédito, em situações em que o crédito deve ser integral, a exemplo dos serviços de ensacamento, marcação e manuseio da sacaria, serviços estes utilizados especificamente na produção do açúcar. Da mesma forma, esse erro crasso foi cometido em relação à levedura, sendo que por serem ambos os produtos não cumulativos, o crédito corresponde a 100%”. Como se observa, a Recorrente sustenta que a fiscalização, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito em que nos casos citados os créditos deveriam ser integrais. Vejase que no Termo de Diligência elaborado pela fiscalização, esclarece que (fls. 465/466): (...) PERCENTUAIS DE RATEIO COM BASE NAS RECEITAS Conforme previsão contida na Lei 10.833/03 artigos 6º (exportação) e 3º , § 8o , II (não cumulativas) os rateios tem a seguinte regra: "rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. " A fiscalização apurou, primeiramente, o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas no mês, e considerando a diferença para 100% como o percentual das receitas não cumulativas, mesmo valor utilizado pela Santa Cândida — 85,64%. O percentual de exportação foi obtido, pela fiscalização, como sendo o total das exportações de produtos não cumulativos (açúcar e levedura) dividido pelo total das receitas não cumulativas (descontandose as receitas cumulativas do total das receitas no mês) resultando em 84,52%. A empresa apurou como sendo o total das exportações de produtos não cumulativos dividido pelo total das receitas descontado o álcool exportado (não descontou o álcool no mercado interno como nos meses anteriores), apurando 72,39%. Portanto, não conseguimos vislumbrar as inconsistências apresentadas pela recorrente, uma vez que não demonstra claramente, com base em documentos e números, onde se encontra as referidas distorções, pois examinando os autos e verificandose os rateio mencionados, concluise pela inclusão de tais serviços nas referidas composições dos rateios, exceto àqueles que foram objeto de glosa. Isto posto, não leva a outro caminho senão à manutenção da forma com procedeu a fiscalização nesse tópico, fazendose, obviamente, os ajustes necessários, decorrentes desta decisão. 5) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às vendas de álcool para outros fins efetivamente comprovadas pela recorrente, não anexou aos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em Fl. 600DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 32 especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 6) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem Fl. 601DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000281/200541 Acórdão n.º 3802003.849 S3TE02 Fl. 586 33 que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 7) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto da seguinte forma: a) não conhecer do recurso voluntário na parte concernente ao seguinte item: dos Lubrificantes (item 4.4), por falta de interesse recursal; b) na parte conhecida, para: rejeitar as preliminares, e c) dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito calculado da COFINS não cumulativo calculado sobre os seguintes itens: graxa (item 4.3), insumos utilizados nas vendas de álcool para “outros fins”, referente às notas fiscais comprovadas (item 4.5.2); das Embalagens (item 4.6); no ajuste do Valor do Estoque de Abertura (item 4.7) e das operações com arrendamento mercantil Leasing (item 4.10), conforme voto; d) negar provimento em relação aos seguintes itens: dos produtos químicos (item 4.5.1); serviços utilizados como insumos (item 4.8) e aluguel de Máquinas e Equipamentos (item 4.9), e e) manter o entendimento do Fisco em relação aos créditos decorrentes da aquisição de insumos de pessoas jurídicas e forma de aplicação do rateio, já que os cálculos foram baseados em dados do próprio sujeito passivo (itens 4.11 e 4.12), de acordo com o contido neste voto. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 602DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 34 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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