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Numero do processo: 11516.000905/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 30/06/2009
Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI.
A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpreta-se literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I.
MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO.
Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430).
Numero da decisão: 2302-001.720
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 30/06/2009 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpreta-se literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430).
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Recorrente INTEC INSTITUTO TECONOLOGICO E CIENTIFICO Recorrida DRJ FLORIANOPOLIS SC Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 30/06/2009 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpretase literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório O auto de infração tem por objeto as Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa sobre o pagamento aos segurados contribuintes individuais. Segundo a fiscalização, os segurados foram remunerados por meio do pagamento de bolsas no período de dezembro de 2008 a junho de 2009, conforme relatório fiscal às fls. 9 a 17. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 71 a 73. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento confirmou a procedência, em parte, do lançamento, fls. 94 a 98. Foram excluídos os valores relativos ao agravamento da multa. Por discordar da decisão proferida pelo órgão fazendário, o autuado interpôs recurso, conforme fls. 104 a 106. Em síntese, alega o seguinte: a) que era apenas repassador dos valores, cujos encargos foram suportados pelas tomadoras; b) que as bolsas eram isentas de contribuições; c) devia ser anulada a multa; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11516.000905/201076 Acórdão n.º 230201.720 S2C3T2 Fl. 371 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 369. Pressuposto de admissibilidade, passo ao exame das questões de mérito. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que seria apenas repassadora dos valores, cujos encargos teriam suportados pelas tomadoras. A remuneração paga aos segurados decorreu do vínculo que esses possuíam com a recorrente, e não com a tomadora. Quem contratou e selecionou as pessoas foi a própria recorrente, desse modo a relação jurídica, seguradoempresa, ocorreu com a autuada. Além do mais, os pagamentos foram apurados na contabilidade da autuada em conta de despesa Ao contrário do afirmado pela recorrente, os valores pagos não estão amparados por nenhuma lei isentiva. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpretase literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, se o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de serem violados os princípios da reserva legal e da isonomia. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Em relação ao valor da multa aplicada, não deve ser revista a decisão recorrida, pois abrangeu período posterior à entrada em vigor da MP n. 449 (o vencimento da obrigação ocorreu somente a partir de janeiro de 2009). É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício, e para os contribuintes que não declararam em GFIP, o regime jurídico novo ficou mais gravoso. Atualmente, para Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75% (setenta e cinco por cento). A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a Gfip – assim como para a DCTF e a DIRPF – há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Em relação à Gfip aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a terceira é a apresentação de declaração inexata. Essa conclusão é facilmente alcançável pela aplicação da regra de paralelismo sintático da língua portuguesa, haja vista – no art. 44 – a repetição da preposição “de” indicar o referencial “no caso”. Esquematicamente terseia: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1) 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos: 1.1 de falta de pagamento ou recolhimento, 1.2 de falta de declaração e 1.3 nos de declaração inexata; Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas se a despeito do pagamento não declarou em Gfip, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em Gfip não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11516.000905/201076 Acórdão n.º 230201.720 S2C3T2 Fl. 372 5 Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em Gfip, mas não tiver pago, não se aplica o art. 44 da Lei 9.430. Esse artigo não se impõe pelo fato de o contribuinte não ter recolhido e ter declarado, deveras não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a Gfip. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em Gfip, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em Gfip a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A, o que demonstra serem condutas independentes. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em Gfip, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispensála é o Poder Legislativo. A interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei, o que contraria o art. 150, parágrafo 6º da Constituição Federal. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei, além de violar os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que o novo regime (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). No presente caso somente estão sendo cobrados valores posteriores à entrada em vigor da MP n. 449. CONCLUSÃO: Voto pelo conhecimento do recurso e pela negativa de provimento. Marco André Ramos Vieira Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904262/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/03/2001
COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO.
Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos
referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal
tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que
tenha transitado em julgado a respectiva decisão.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO.
IMPOSSIBILIDADE.
É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar
tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de
inconstitucionalidade.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 15/03/2001
SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins
relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões
regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2001 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2001 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado
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E ADVOGADOS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2001 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2001 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 57 a 64) apresentado em 15 de abril de 2009 contra o Acórdão no 1333.439, de 16 de fevereiro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 50 a 53), cientificado em 07 de abril de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de 15 de março de 2001, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins, prevista no inciso II do art. 6º da LC 70/1991, foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430/1996. RECOLHIMENTO DEVIDO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo sido constatadas a correção do recolhimento efetuado e a inexistência de crédito em relação a esse pagamento, não há que se reconhecer o direito da interessada ao pretenso crédito. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 30 de janeiro de 2004. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 36762.27141.300104.1.3.04 8825, em 30/01/2004, de crédito referente a valor que teria sido Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.904262/200830 Acórdão n.º 330201.455 S3C3T2 Fl. 101 3 recolhido a maior, em 15/3/2001, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (cód. 2172), atinente ao período de apuração 2/2001 no valor original de R$ 61.537,70, com débito de IRPJ (20891) referente ao período de 4º trim./2003, no valor original de R$ 10.000,00. 2. Por meio do Despacho Decisório nº 759956373, emitido eletronicamente (fl. 2), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 20/05/2008 (fl.2), a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/06/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 12, na qual alega, em síntese, que: 3.1 O presente processo objetiva compelir o suplicante ao pagamento de crédito fiscal já compensado; 3.2 O despacho decisório considera que o pedido deve ser indeferindo diante da existência de crédito; 3.3 O pagamento referente a este processo já foi realizado em DARF anexo; 3.4 Qualquer impugnação ao crédito conforme art. 150, § 4º do CTN só poderia ser realizada até 2006. Por conseguinte, o pagamento se tornou definitivo em razão da decadência; 3.5 Como este foi o único fundamento para o indeferimento do pedido de compensação e a suplicante junta em anexo o comprovante do DARF respectivo, a decisão recorrida tem de ser revista para que se dê o pagamento como realizado, até porque é impossível contestálo, quer materialmente em função da comprovação do recolhimento, quer juridicamente em função da decadência; 3.6 O pagamento se refere à Cofins. Segundo o enunciado da Súmula 276 do STJ, em 14.05.2003: “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da cobrança para o financiamento da seguridade social (Cofins), independente do regime tributário adotado. Com base na súmula todas as sociedades civis de profissões regulamentadas poderão buscar direito de não pagar a Cofins e pedir restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente a partir de 1996”; 3.7 Como a suplicante se enquadra exatamente nas condições referidas na aludida decisão, o pagamento reputase indevido e o crédito apurado pode ser usado para quitação de tributos por compensação, como ocorreu; 3.8 Ressalta, porém, que este ponto não foi levantado para fundamentar o indeferimento do pedido de compensação, que é discutido e aponta apenas a inexistência do pagamento feito; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 4. Por estas razões, a suplicante está certa de que a questão será melhor examinada e a decisão recorrida reformada. 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento." No recurso, inicialmente a Interessada alegou haver ocorrido homologação tácita. Acrescentou que, quando houve o pagamento, vigorava a Súmula STJ n. 276, segundo a qual “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS irrelevante o regime tributário adotado”. Citou, ainda, os arts. 100 e 144 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que não se trata de auto de infração, mas de não homologação de compensação. Ainda assim, segundo dispõe o art. 74, § 5º, da Lei n. 9.430, de 1996, o prazo de homologação tácita é de cinco anos, contados da transmissão da declaração: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso, conforme esclarecido no relatório, a declaração de compensação foi transmitida em 03 de fevereiro de 2004 e o despacho decisório foi exarado em 09 de maio de 2008, dentro do prazo legal. O equívoco da Interessada foi considerar como termo de início do prazo a data de recolhimento da contribuição, o que não se coaduna com a lei. Quanto ao mérito, sua pretensão esbarra em outra questão, que se inicia pela não aplicação ao presente caso da disposição do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf Ricarf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.904262/200830 Acórdão n.º 330201.455 S3C3T2 Fl. 102 5 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em relação a tal matéria, a Portaria Carf n. 1, de 2012, esclareceu que somente caberia o sobrestamento de processos administrativos, nos casos de o STF houver determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários: Art. 1°. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. No caso dos autos, voltando à análise da isenção, a repercussão geral da matéria foi decidida no RE n. 575.093 (STF, < http://www.stf.jus.br/ portal/ diarioJustica/ verDiarioProcesso.asp? numDj =92&dataPublicacaoDj =23/05/2008 &incidente =3747060 &codCapitulo =2&numMateria =12&codMateria =7>, acesso em 03 fev 2012): COFINS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LEI Nº 9.430/96 PROCESSO LEGISLATIVO ISENÇÃO DISCIPLINA MEDIANTE LEI ORDINÁRIA RESERVA DE PLENÁRIO. Possui repercussão geral controvérsia sobre a observância do processo legislativo e do princípio da reserva de Plenário, considerada revogação de isenção por meio de lei ordinária. Entretanto, no referido RE, não foi determinado o sobrestamento dos demais RE que trataram da matéria, de forma que descabe o sobrestamento dos processos administrativos que versem sobre a matéria. Nesse contexto, aplicase, no entanto, o art. 62 do Ricarf e a Súmula Carf n. 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. [...] Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É certo que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse na conclusão de que o regime de apuração do imposto de renda não condicionaria a isenção da Cofins prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar n. 70, de 1991, que não fez ressalvas s relativas à isenção. A principal premissa desse entendimento é o fato de que a opção pela forma de tributação não pode alterar a natureza da sociedade civil, à vista do estritamente disposto no art. 1º do Decreto nº 2.397, de 1987. Entretanto, a Lei nº 9.430, de 1996, revogou expressamente a referida isenção. O Superior Tribunal de Justiça posicionou pela impossibilidade de uma lei ordinária revogar disposição instituída por lei complementar, pela suposta existência de hierarquia entre lei complementar e ordinária. No entanto, tratase de questão de natureza constitucional, matéria cuja competência para apreciação é do Supremo Tribunal Federal. De fato, desde a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, de 1993, o STF já havia se posicionado pela inexistência de hierarquia entre lei complementar e ordinária e, mais ainda, pelo entendimento de que a LC nº 70, de 1991, teria natureza material de lei ordinária, podendo, portanto, ser revogada por uma lei formalmente ordinária. No âmbito dos recursos extraordinários 377.457 e 381.964, o Tribunal posicionouse pela constitucionalidade da revogação (DJe241, DIVULG 18122008, PUBLIC 19122008, EMENT VOL0234608, PP01774): EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.904262/200830 Acórdão n.º 330201.455 S3C3T2 Fl. 103 7 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. Portanto, o entendimento do STF temse firmado em sentido contrário ao do STJ e deve, assim, não há como, administrativamente, considerar que a referida isenção não tenha sido revogada. Nesse contexto, o STJ reviu seu posicionamento anterior, alinhandose ao entendimento do STF, conforme demonstra a ementa a seguir reproduzida (AgRg no Ag 1248980 / DF 2009/02187450, Relator(a): Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 16/08/2011, Data da Publicação/Fonte: DJe 19/08/2011): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. COFINS. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. ISENÇÃO. LC N. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ORIENTA NO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 377.457/PR. DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DA REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO. 1. No tocante à decadência/prescrição do crédito tributário, essa matéria sequer foi objeto de conhecimento pelo Tribunal de origem, o que acarreta a ausência de prequestionamento, conforme o teor do entendimento consubstanciado na Súmula 282/STF. 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 17/9/2008, ao concluir o julgamento do RE 377.4573/PR, decidiu que não existe relação hierárquica entre lei complementar e lei ordinária e que a possibilidade de revogação da isenção concedida pela LC 70/91, por meio da Lei 9.430/96, encerra questão exclusivamente constitucional concernente à distribuição material entre as espécies legais. Na mesma oportunidade, o Pretório Excelso, ponderando preceitos constitucionais relativos à matéria tributária (arts. 195, I, e 239), afirmou que a LC 70/91 é materialmente ordinária. 3. Considerando que as leis confrontadas (art. 6º, II, da LC 70/91 e art. 56 da Lei 9.430/96) são materialmente ordinárias e ostentam normatização incompatível em si, é de se concluir pela prevalência do diploma mais moderno e, por conseguinte, pela Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 legitimidade da revogação da isenção da Cofins (art. 2º, § 1º, da LICC lex posterior derrogat priori). 4. Agravo regimental não provido. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.000451/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
Ementa:
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.
Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000451/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 230201.741 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria Salário Indireto: Participação nos Lucros e Resultados Recorrente BNP PARIBAS ASSET MANAGEMENT BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira – Presidente. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior ,Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 517DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000451/200911 Acórdão n.º 230201.741 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração lavrado em 18/02/2009 e cientificado ao sujeito passivo, através de registro postal em 25/02/2009, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados em desconformidade com a legislação que regula a matéria, relativas à competência 02/2004. De acordo com o relatório fiscal de fls. 46/54, os pagamentos foram efetuados sem a observância dos requisitos formais para a caracterização de PLR.: as assinaturas no Acordo de PLR não possuem reconhecimento de firma; o acordo para os exercícios de 2002 e 2003, foi elaborado e estabelecido em 14/02/2003, com vigência retroativa a 1º de janeiro de 2002; o Acordo não menciona quais as metas a serem alcançadas, quais os critérios adotados para a medição dos resultados individuais e não traz com clareza e objetividade a adoção de parâmetros para a fixação do fator multiplicador. Aduz o relatório que os documentos apresentados como Plano de Metas, Descritivo de Variáveis – Cálculo Demonstrativo, Tabela de Apoio – critério Avaliação e base 2003 – 2004 – Recursos Humanos, não possuem, data, assinatura, ou outro formalismo, não apresentando legitimidade para serem vinculados no Acordo de PLR. Os direitos substantivos também não estão esclarecidos e os valores estabelecidos no programa representam um mínimo, sendo facultado o pagamento superior quando o desempenho individual superar o esperado. Os documentos de avaliação individual não continham assinatura do empregado na versão português e algumas foram apresentadas somente em inglês. A Convenção Coletiva de Trabalho não prevê a PLR. A recorrente foi autuada por não prestar esclarecimentos quanto aos mecanismos de aferição da PLR, sendo que inclusive afirmou que a definição dos mesmos caberia a sua sócia majoritária “Banco BNP Paribas Brasil S/A”. Após a impugnação, Acórdão de fls. 397/415, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega em síntese: a) a falta de motivação e caracterização de fatos geradores; b) que devem ser excluídos os administradores da relação de vínculos da autuação fiscal; que o Sr. Luiz Carlos di Nizo Sorge somente foi eleito em 06/11/2007, quando o pretenso fato gerador ocorreu em 02/2004; c) que não é instituição financeira, mas prestadora de serviços, não sujeita à fiscalização do Banco Central do Brasil ou à SUSEP; que não se enquadra nas espécies societárias do § 1º, do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 d) que sua atividade é assessoramento e administração de fundos de investimento, prestação de serviço não bancária, nem securitária, como prova seu CNAE Fiscal 66304/00 (atividades de administração de Fundos por Contrato ou Comissão) e o sindicato representativo da categoria que é o Sindicato dos Empregados e Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento, Perícias,Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo; e) que a PLR não possui natureza remuneratória, que a Constituição Federal afasta qualquer dúvida sobre o tema e é aplicável independente de qualquer regulamentação; f) que cumpriu todas as exigências da Lei n.º 10.101/2000, a qual não exige o reconhecimento de firma para as assinaturas nos acordos de PLR; g) que foram realizadas assembléias para eleição e escolha dos representantes na Comissão de Empregados, com publicação em jornal de grande circulação, que houve anuência dos membros; h) que a lei não veda a validade do acordo de PLR em mais de um ano, nem que se refira a período retroativo; i) que o acordo foi firmado em 02/2003 e os valores pagos em 03/2004, sendo evidente a ciência prévia de todos os funcionários sobre os critérios e metas a serem alcançados; j) que a cláusula 5ª do Acordo de PLR traz os direitos substantivos, com os critérios especificados para pagamento e que junta Formulários de Avaliação para comprovar a existência dos parâmetros de avaliação e que eles eram de conhecimento dos empregados; k) que não cabem os exemplos individualizados trazidos no relatório fiscal, pois foram comparados empregados de níveis e funções diferentes , em departamentos diferentes e que obtiveram notas diferentes; l) que as metas individuais são de notório conhecimento por parte dos funcionários já que realizadas ano a ano e constam nos Formulários de Avaliação; o Acordo define como Fator Multiplicador de Salários um valor mínimo, variando conforme o nível de cargo do empregado e a lei não veda pagamentos maiores do que previsto no Acordo; m) a PLR não é salário, por não ser habitual e nem se referir a contraprestação por serviço prestado; n) a ilegalidade da SELIC como taxa de juros moratórios. Requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do crédito constituído. É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000451/200911 Acórdão n.º 230201.741 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Foi cumprido o requisito de admissibilidade do recurso frente à tempestividade. O contribuinte foi cientificado do Acórdão de fls.397/415, em 06/08/2010, conforme documento de fls. 418. Por ser sextafeira, o início do prazo de trinta dias se deu na segundafeira dia 10/08/2010, findando em 07/09/2010, que é feriado nacional, sendo prorrogado, assim, para 08/09/2010, data da interposição do recurso, documento de fls. 421. A Portaria RFB n.º 10.875/2007, dispõe quanto aos prazos: Art. 30. Os prazos serão contínuos e começarão a correr a partir da data da cientificação válida, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. § 1º Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que tramita o processo ou deva ser praticado o ato. § 2º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte, se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes do horário normal. Quanto à solicitada exclusão dos administradores do pólo passivo da notificação, cabe esclarecer que a relação de coresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Do Mérito Quanto ao mérito, a motivação para o lançamento ocorreu, devido a fiscalização entender que as parcelas pagas a título de PLR devem integrar o salário de contribuição, pois não respeitaram a legislação quando: a) nos instrumentos decorrentes da negociação deixaram de constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos e os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; b) o Acordo não continha assinaturas com firma reconhecida; c) a vigência do Acordo foi retroativa; d) o Acordo permitia pagamentos a maior que o mínimo consubstanciado nele quando o desempenho do empregado superasse o esperado. Primeiramente, quanto às assinaturas, é de se notar, pelos documentos trazidos aos autos tanto pelo fisco, como pelo recorrente, que o Acordo (fls. 224/230) para pagamento de PLR foi assinado pela Comissão de empregados eleita em reunião cuja ata consta das fls.237/241, e divulgada em jornal de circulação pública,(fl.231), e foi assinado pelo representante da empresa e do Sindicato da categoria, conferindo validade ao documento. A ata da reunião que aprovou o Acordo consta das fls.235 e a lista de presença às fls. 234, às fls.236, consta a remessa ao Sindicato para arquivamento. Foram cumpridos os atos necessários para a validade do Acordo. O artigo 221, do Código Civil, ao tratar dos requisitos para a validade dos instrumentos particulares não faz qualquer alusão à exigência do reconhecimento de firma dos que participaram do ato. Portanto, entendo que tal fato de não haver firma reconhecida das assinaturas constantes do Acordo, não é determinante de sua invalidade. Quanto à retroatividade do Acordo realmente não há como se aceitar que toda a negociação seja feita e se refira a período pretérito. Ou seja, como o empregado vai saber no decorrer do exercício o que ele deve fazer para alcançar o seu objetivo, qual é o objetivo, como alcançar a meta para receber o valor relativo à Participação nos Lucros e Resultados da Fl. 521DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000451/200911 Acórdão n.º 230201.741 S2C3T2 Fl. 4 7 empresa para a qual trabalha? Se o Acordo visa o lucro auferido no ano em curso, parece bastante evidente que isto não pode ser usado para pagar PLR em exercício anterior. Entretanto, no caso em questão a competência constante do levantamento de contribuições previdenciárias sobre PLR, tido pelo fisco como pago em desacordo com as normas legais, é 02/2004, enquanto o Acordo para pagamento foi firmado em 02/2003, tendo como base o exercício de 2003. Assim, embora no corpo do documento traga que sua vigência será retroativa a 01/2002 até 12/2003, entendo que os pagamentos efetuados tomando como base o exercício de 2003, estariam corretos quanto ao fator temporal, para o pagamento ocorrido em 02/2004. Porém, o fator determinante, a meu ver, que desvirtuou o pagamento exposto é que pela análise dos documentos acostados tanto pelo fisco , quanto pela recorrente, em especial aqueles das fls. 55 a 57 e o Acordo de fls. 224 a 230, não é possível vislumbrar o cumprimento do disposto no artigo 2º, parágrafo 1º da Lei n.º 101.101/200, no que se refere ao programa de metas, resultados e prazos: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.(grifei) Conforme o documento de fl.55, o Plano de Metas é individual e as variáveis expostas no quadro de fl.56, referemse exclusivamente ao desempenho individual do empregado, através de resultado subjetivo de comportamentos/habilidades avaliados por um gestor, que vai dar nota para classificar o empregado em um nível de acordo com seu comportamento individual. A recorrente não demonstrou a existência de um programas de metas, resultados e prazos , compactuados com seus empregados previamente à prestação do serviço, para que pudessem, os mesmos, empenharemse para o cumprimento do acordado, garantindo assim a Participação nos Lucros e Resultados. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Muito embora a recorrente diga da existência de parâmetros de avaliação e que eram de conhecimento dos empregados, nada foi trazido aos autos para comprovar o alegado. Os formulários de avaliação acostados trazem apenas as avaliações individuais dos segurados efetuadas por funcionário mais graduado e algumas com a avaliação do próprio avaliado em nada servindo como “programas de metas” exposto na avaliação. Ainda quanto à inconformidade da recorrente acerca dos exemplos trazidos pelo fisco que ao nominar funcionários que teriam recebido a PLR, o fez entre segurados de diversos níveis e funções diferentes, o que logicamente fez suas notas serem distintas, tenho a dizer que o fato relevante, aqui, não é que as notas sejam diferentes, mas salientar que não há critério claro e objetivo que permite avaliar o que o empregado fez ou deveria ter feito para garantir uma nota que fizesse jus ao pagamento de valores a título de PLR, o que mais, uma vez repito, não ficou demonstrado. Também, não há qualquer prova de que as metas individuais são de notório conhecimento por parte dos funcionários, como diz a recorrente, ao contrário, não há indicação de como é atribuído o fator multiplicador sobre o salário dos empregados, só se sabe que é de acordo com a avaliação global, mas o que implica isto, quais aspectos são avaliados? As regras estabelecidas no Acordo, fls. 224/230, não citam critérios claros para que um empregado consiga obter uma avaliação acima do esperado e nem qual o limite máximo de multiplicador de salário fixo mensal pode ser alcançado. A recorrente referese à clausula 5ª do Acordo, para dizer que ali estão explícitos os parâmetros para medição dos resultados individuais e os critérios para a distribuição da PLR, consistindo em múltiplos de salário fixo mensal. Transcrevo, abaixo, o citado item 5, para reforçar que não há qualquer critério exposto, sendo que está expresso que os instrumentos de aferição da avaliação do desempenho individual de todos os empregados serão aqueles “utilizados atualmente pela empresa”. Só que tais instrumentos não foram indicados pela recorrente durante todo o procedimento administrativo. 5. DIREITOS SUBSTANTIVOS A EMPRESA pagará a participação nos lucros ou resultados (P.L.R.) de acordo com o desempenho individual do empregado, devendo o montante ser apurado conforme os critérios adiante especificados: PARÂMETROS PARA MEDIÇÃO DOS RESULTADOS INDIVIDUAIS CONCEITOS 1 Acima das expectativas 2 De acordo com as expectativas 3 A ser melhorado 4 Inadequado Os instrumentos para aferição da avaliação do desempenho individual de todos os empregados serão os mesmos atualmente praticados pela EMPRESA. CRITÉRIO PARA DISTRIBUIÇÃO DA P.L.R. (MÚLTIPLOS DE SALÁRIO FIXO MENSAL) Fl. 523DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000451/200911 Acórdão n.º 230201.741 S2C3T2 Fl. 5 9 NÍVEIS AVALIAÇÃO 1 2 3 4 01 a 04 1,5 1,0 0,5 05 a 07 2,0 1,5 0,75 08 a 10 2,5 2,0 1,0 11 acima 3,0 2,5 1,25 Assim, entendo a PLR é um direito constitucional do trabalhador, desde que paga ou creditada conforme definido em lei: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... Fl. 524DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/94. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000451/200911 Acórdão n.º 230201.741 S2C3T2 Fl. 6 11 §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa, desde que claramente especificados pela empresa e de conhecimento pleno dos seus empregados, o que não restou comprovado neste processo. Frente a todo o exposto, é de se notar que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal, no uso de suas prerrogativas, tem o ônus de comprovar a dissimulação do sujeito passivo, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 527DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000451/200911 Acórdão n.º 230201.741 S2C3T2 Fl. 7 13 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, o objeto social da recorrente, vigente no período fiscalizado e conforme 11ª e 12ª da Alteração do Contrato Social, Cláusula Terceira, está exposto a seguir, lhe sendo aplicado o que está pactuado no parágrafo 1º do artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, quanto ao adicional de 2,5% sobre a base de cálculo dos segurados empregados e contribuintes individuais: Contrato Social a) Administração de fundos e carteiras de valores mobiliários; b) A promoção de pesquisa e análise de investimentos e de mercados; c) A representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, por conta própria ou de terceiros; d) A prestação de serviços de gestão e administração de recursos de terceiros, bem como de serviços técnicos de assessoria, consultoria e planejamento em investimentos financeiros; e, e) A participação em negócios e em capital de terceiros e toda atividade conexa ou acessória da enumeração supra. Lei n.º 8.212/91 Art. 22 (...) § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001) Fl. 528DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 529DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13819.000519/00-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/1990 a 31/12/1990, 01/05/1991 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 28/02/1996, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/11/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO. NULIDADE
É válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1990 a 31/12/1990, 01/05/1991 a 28/02/1995.
DECADÊNCIA. DIFERENÇA APURADA. LANÇAMENTO.
O direito de a Fazenda Nacional exigir crédito tributário decorrente de contribuição social declarada e paga a menor decai em 05 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 28/02/1996, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/11/1998 a 31/12/1998
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE
Para o período de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, era o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, nos termos da Súmula 15 do CARF.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB
A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE
O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de
competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, e cuja aplicação ainda não havia sido afastada pelo Senado Federal, extingue a obrigação tributária, inexistindo amparo legal para sua exigência nos termos da legislação revigorada.
BASE DE CÁLCULO. FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DE MARÇO DE 1996
A partir de 1º de março de 1996, a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) tornou-se devida nos termos da Medida Provisória (MP) nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998, que elegeu como base de cálculo dessa contribuição o faturamento mensal da pessoa jurídica.
DIFERENÇAS APURADAS. PERÍODO DE MARÇO DE 1996 EM DIANTE
As diferenças apuradas entre os valores declarados para os períodos de competência de novembro e dezembro de 1997 e de fevereiro, novembro e dezembro de 1998 e os devidos com base na MP nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998, são passíveis de exigência por meio de lançamento de ofício.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3301-001.248
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1990 a 31/12/1990, 01/05/1991 a 28/02/1995 DECADÊNCIA. DIFERENÇA APURADA. LANÇAMENTO. O direito de a Fazenda Nacional exigir crédito tributário decorrente de contribuição social declarada e paga a menor decai em 05 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 28/02/1996, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/11/1998 a 31/12/1998 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE Para o período de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, era o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, nos termos da Súmula 15 do CARF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, em montante integral ao devido, nos termos da legislação Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 tributária, então vigente, e cuja aplicação ainda não havia sido afastada pelo Senado Federal, extingue a obrigação tributária, inexistindo amparo legal para sua exigência nos termos da legislação revigorada. BASE DE CÁLCULO. FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DE MARÇO DE 1996 A partir de 1º de março de 1996, a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) tornouse devida nos termos da Medida Provisória (MP) nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998, que elegeu como base de cálculo dessa contribuição o faturamento mensal da pessoa jurídica. DIFERENÇAS APURADAS. PERÍODO DE MARÇO DE 1996 EM DIANTE As diferenças apuradas entre os valores declarados para os períodos de competência de novembro e dezembro de 1997 e de fevereiro, novembro e dezembro de 1998 e os devidos com base na MP nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998, são passíveis de exigência por meio de lançamento de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Campinas que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) referente aos fatos geradores dos meses de competência de dezembro de 1990 a dezembro de 1998, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 06. O lançamento decorreu da falta de declaração/pagamento e/ ou pela insuficiência dos depósitos judiciais da contribuição devida naquele período. A decisão transitada em julgado em que a recorrente discutia o direito de excluir o valor do ICMS da base de cálculo daquela contribuição lhe foi desfavorável. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13819.000519/0099 Acórdão n.º 330101.248 S3C3T1 Fl. 1.501 3 Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente interpôs a impugnação (fls. 108/146), alegando, em síntese: a) nulidade do lançamento; b) decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente ao período de competência de dezembro de 1990 a fevereiro de 1995; c) a semestralidade da base de cálculo do PIS; e, d) efetuou o pagamento de conformidade com a legislação então vigente. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente, conforme acórdão nº 6.367, datado de 14/04/2005, às fls. 348/357, sob as seguintes ementas: “AUTO DE INFRAÇÃO. DATA E HORÁRIO DA LAVRATURA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há falar em irregularidade ou nulidade do auto de infração, por ausência de data e horário de sua lavratura, quando tais elementos constam do termo de verificação fiscal a ele anexado. PIS. SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. O PIS é contribuição destinada à Seguridade Social e, como tal, tem o prazo decadencial de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído, entendimento esse consolidado no art. 95 do Regulamento do PIS/Pasep e da Cofins, Decreto nº 4.524. de 2002. BASE DE CÁLCULO. FATO GERADOR. A base de cálculo vinculase ao fato tributável para que surja a obrigação tributária. Aquela já de retratar, em valores, a real dimensão do fato gerador, pelo que o art. 6º da Lei Complementar 7, de 1970, veicula norma sobre prazo de recolhimento e não regra especial sobre base de cálculo retroativa da referida contribuição ao PIS, conforme Parecer PGFN/CART/nº 437/98, aprovado pelo Ministro da Fazenda.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 373/398), requerendo a sua reforma a fim que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese: i) em preliminar: i.a) nulidade do lançamento pro inobservância do disposto no inciso II do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972; e, i.b) decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário referente ao período de competência de dezembro de 1990 a fevereiro de 1995, nos termos do CTN, art. 150, § 4º; e, ii) no mérito: ii.a) semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS nos termos da LC nº 07, de 07/09/1970; e, ii.b) efetuou o pagamento da contribuição nos termos da legislação então vigente, Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Preliminarmente, a suscitada nulidade do auto de infração e, conseqüentemente, do lançamento, sob a alegação de inobservância do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 10, incisos II (data e hora da lavratura) não tem amparo legal e não prospera. Segundo aquele Decreto somente são nulos os atos administrativos lavrados por pessoa incompetente, assim dispondo: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...).” O auto de infração em discussão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Possíveis incorreções, não os tornam nulos nem anuláveis e sim defeituosos ou ineficazes até as suas retificações. Contudo, nenhuma incorreção e/ ou deficiência foi apontada e provada pela recorrente. Assim, não há que se falar em nulidade do auto de infração e, conseqüentemente, do lançamento. No mérito as questões se restringem à: i) decadência parcial do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário; ii) semestralidade da base do PIS; e, iii) pagamentos integrais nos termos da legislação então vigente. I – decadência A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelecia o prazo de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, para a Fazenda Pública lançar e exigir contribuições destinadas à seguridade social, como no presente caso. No entanto, em julgamento ocorrido em 11 de junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o art. 45 daquela lei e, ainda, aprovou na sessão plenária realizada em 12/06/2008 a Súmula Vinculante nº 08, que assim estabelece: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em relação à decadência, a contagem do prazo decadencial deve ser efetuada, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN) que estabelece duas regras. A geral, definida em seu art. 173, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13819.000519/0099 Acórdão n.º 330101.248 S3C3T1 Fl. 1.502 5 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” E a específica, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...).” § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (...). Do exposto, concluise que a regra do art. 173, I, aplicase para os tributos, em geral, inclusive para os sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo não cumprir o seu dever de lançar e antecipar o pagamento do tributo, ainda que de forma parcial. Já o art. 150, § 4º, aplicase somente quando o sujeito passivo cumpre sua obrigação, ou seja, lança e efetua o pagamento do tributo, ainda que de forma parcial. No presente caso, conforme consta do auto, houve pagamentos parciais da contribuição. Assim, a decadência qüinqüenal deve ser contada nos termos do CTN, art. 150, § 4º, citado e transcrito anteriormente. Como a recorrente foi cientificada do lançamento na data de 20/03/2000, o crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos até fevereiro de 1995, inclusive, deverá ser cancelado. ii – semestralidade da base do PIS Conforme se verifica do exame do lançamento, para o período de vigência da LC nº 07, de 1970, ou seja, para os fatos geradores ocorridos até fevereiro de 2006, o autuante não levou em conta a semestralidade da base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º, desta lei. A semestralidade da base de cálculo dessa contribuição, na vigência daquela lei complementar, constitui matéria sumulada por este Conselho Administrativo Recursos Fiscais (Carf), termos da Súmula nº 15 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Assim, em relação à semestralidade da base de cálculo do PIS, aplicase esta súmula. iii) pagamentos integrais nos termos da legislação então vigente a) pagamentos efetuados nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, de 1988 Os pagamentos efetuados, nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, de 1988, referente aos fatos geradores de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, correspondem, na íntegra, aos valores das parcelas devidas nos termos destes decretoslei, então vigente. As diferenças lançadas e exigidas para aquelas competências correspondem aos valores da contribuição, apurados e pagos, nos termos dos Decretoslei n.º 2.445 e 2.449, ambos de 1988, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aqueles que seriam devidos segundo as LCs n.º 7, de 1970, e n.º 17, de 1973. Ora, o fato de o Senado Federal ter suspendido a execução daqueles Decretoslei, restabelecendo as normas fixadas pelas LCs nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973, não obriga o contribuinte a pagar a diferença de 0,10 % entre a alíquota de 0,65 %, prevista nos referidos decretoslei, e de 0,75 %, prevista na LC nº 17, de 1973. Os lançamentos das parcelas e os recolhimentos efetuados pela recorrente, com base naqueles diplomas, então vigentes, extinguiram integralmente as contribuições devidas, desobrigandoa de quaisquer complementos complementares. Neste caso devese observar o princípio da segurança jurídica, pois o contribuinte agiu de acordo com a legislação então vigente ainda não declarada inconstitucional. Exigir diferenças de tributos em face da inconstitucionalidade lei declarada posteriormente aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte de acordo a lei então vigente e editada pelo Estado constituiu penalidade a ele por um erro ou infração que não cometeu. Também, tal entendimento está implícito no art. 18 da Medida Provisória n.º 1.973, de 10 de dezembro de 1999, in verbis: Art. 18 Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: ........................................................................................ VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decretolei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores. ......................................................................................... § 2º O disposto neste artigo não implicará restituição ex offício de quantias pagas. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13819.000519/0099 Acórdão n.º 330101.248 S3C3T1 Fl. 1.503 7 Portanto, considerados válidos os atos praticados à época em que a observância dos decretoslei era exigida, não há que se falar em lançamento de diferenças de contribuições para o PIS. O entendimento acima externado coincide com o da administração da Secretaria da Receita Federal (SRF), consubstanciado no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC N.º 156, de 7 de maio de 1996, item “e”, verbis: e) Em situação de cobrança (CAD) tendo o contribuinte efetuado o recolhimento com base no DL 2.445 e 2.449/88 (alíquota de 0,65% e com Receitas Financeiras) e tal valor seja menor que o apurado com base na LC 7/70, devese cobrar a diferença? Considerando que a resposta seja negativa, e no caso de não ter pago sobre as receitas financeiras, deverá ser cobrado das mesmas? Resp.: Não, visto que o contribuinte efetuou o pagamento na forma determinada pela legislação aplicável à época. No caso de falta ou insuficiência de recolhimento de acordo com a legislação vigente à época, apurada após a Resolução SF n.º 49/95, deverá ser efetuado lançamento de ofício com base na Lei Complementar n.º 7/70 e alterações posteriores. (grifei) Assim, a infração apontada a título de insuficiência de recolhimento, em relação aos valores da contribuição devida nos termos das LCs nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973, concernente aos períodos em que os Decretoslei foram aplicados, não pode subsistir por desrespeito ao princípio da segurança jurídica. b) pagamentos efetuados nos termos da MP nº 1.212, de 28/11/1995 Os pagamentos efetuados por conta das contribuições devidas para as competências de novembro e dezembro de 1997 e de fevereiro, novembro e dezembro de 1998, ao contrário do entendimento da recorrente, não extinguiram, na íntegra, os valores das contribuições devidas. A recorrente, em momento algum, demonstrou pagamentos, além daqueles considerados, no auto de infração, pelo autuante. Assim, correto o lançamento das diferenças da contribuição, devida nos termos da MP nº 1.212, de 28/11/1995, e/ suas reedições, e os valores declarados e/ ou pagos pela recorrente, com base nesta MP. Em face do exposto e de tudo mais que dos autos consta, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) excluir do crédito tributário lançado e exigido as parcelas do PIS correspondentes aos períodos de competência de dezembro de 1990 e de maio de 1991 a fevereiro de 1995, inclusive, e respectivas cominações legais, em face da decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda exigilas; b) excluir do lançamento as parcelas lançadas e exigidas para os períodos de competência de março a setembro e de novembro a dezembro de 1995 e de janeiro a fevereiro de 1996, por terem sido extintas pelo pagamento nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, então vigentes; e, c) manter a exigência das parcelas lançadas e exigidas para as demais competências, ou seja, para novembro e dezembro de 1997 e para fevereiro, novembro e dezembro de 1998, acrescidas das cominações legais. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 14041.000164/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003
Ementa:
EMBARGOS. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO.
Se a contribuinte, cientificada da decisão prolatada em segunda instância e demonstrando não ter compreendido a amplitude do expendido no voto condutor da referida decisão, interpõe embargos declaratórios, o recurso deve ser acolhido de modo a clarificar os exatos termos do acórdão combatido.
Numero da decisão: 1301-000.922
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento acolhem, por unanimidade, os embargos de declaração, para dirimir obscuridade do acórdão embargado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Se a contribuinte, cientificada da decisão prolatada em segunda instância e demonstrando não ter compreendido a amplitude do expendido no voto condutor da referida decisão, interpõe embargos declaratórios, o recurso deve ser acolhido de modo a clarificar os exatos termos do acórdão combatido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento acolhem, por unanimidade, os embargos de declaração, para dirimir obscuridade do acórdão embargado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 14041.000164/200588 Acórdão n.º 130100.922 S1C3T1 Fl. 867 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos por PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA. Em conformidade com o aludido pela embargante na peça de fls. 858/863, a Segunda Turma de julgamento desta Terceira Câmara, ao prolatar o acórdão nº 130200.124 (sessão de 07 de dezembro de 2009), incorreu em omissão. Como suporte, sustenta que o Colegiado não se pronunciou sobre a alegada duplicidade de débitos (valores confessados no PAES foram lançados no auto de infração). Nessa Linha, argumenta: ... Agindo contrariamente à Portaria PGFN/SRF n.° 03/2003, os auditores ignoraram a adesão da Recorrente ao PAES, tendo lançado novamente todas as dívidas já confessadas, dessa vez com incidência de multa de oficio. Ora, a rigor, o que os Autuantes deveriam ter feito, após emissão de MPF/F específico para a extensão do procedimento à SCP, seria conferir a correção da confissão de divida e, se cabível, exigir, tãosomente, eventuais resíduos no tocante ao principal (tributo), aí, sim, aplicando multa de oficio sobre os mesmos, mais juros de mora. A situação derivada de toda essa confusão foi a duplicidade de exigências, com a superposição de créditos tributários gerados por lançamento de oficio, iguais aos já confessados no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei n.° 10.684/2003, embora com uma defasagem de mais de um ano entre a adesão e a confissão dos débitos ao PAES (2003) e o lançamento do auto de infração, que é de 2005. ... Inobstante admita a permanência da adesão da Recorrente ao PAES, mostra se imprescindível que o voto condutor também determine a baixa dos débitos confessados pela empresa, na adesão ao PAES feita em 2003, que coincidam com os valores lançados de oficio, em 2005. O acórdão NADA DIZ SOBRE ESSE PONTO, razão pela qual se REQUER seja suprida a referida omissão, de modo a evitar que permaneçam cobranças em duplicidade contra a Recorrente nos sistemas da Receita Federal do Brasil. É o Relatório. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 14041.000164/200588 Acórdão n.º 130100.922 S1C3T1 Fl. 868 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Ausente a prova de recebimento do acórdão embargado, tenho por tempestivo o recurso impetrado. Alega a embargante que o voto condutor da decisão atacada não determinou a “baixa” dos débitos confessados por ocasião da adesão ao PAES em 2003 que fossem coincidentes com os valores lançados de ofício em 2005. Ao que parece, a embargante não compreendeu adequadamente os termos do acórdão nº 130200.124, eis que ali, afastandose a tese trazida pela defesa de que houve declaração espontânea de débitos, restou consignado que “os valores a serem submetidos ao parcelamento especial são os indicados nos autos de infração lavrados, aplicandolhes, no que couber, os benefícios previstos na Lei nº 10.684, de 2003”. Diante da aparente dúvida acerca do expendido no acórdão, esclareço que a decisão combatida, ao estabelecer que os benefícios da lei deveriam ser aplicados levandose em consideração os valores lançados de ofício (inclusive MULTA DE OFÍCIO), deixou fora de dúvida de que os eventuais valores apontados pela contribuinte no pedido de parcelamento, que guardasse total identidade com os que foram objeto de lançamento de ofício, deveriam ser desconsiderados, evitandose, assim, a duplicidade de exigência. Assim, acolho os embargos interpostos, não pelo pressuposto indicado para a sua impetração (omissão), mas, tãosomente, para esclarecer que no parcelamento especial requerido pela ora embargante os débitos confessados no curso do procedimento fiscal, confirmada a sua total identidade com os que foram lançados de ofício, devem ser substituídos por estes, impedindose com isto a exigência em duplicidade. Sala das Sessões, em 10 de maio de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 10970.000580/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros,
incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados.
MATÉRIA SUB JUDICE -
A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao
da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso
administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial.
A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar,
lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade,
ou seja, os atos executórios de cobrança.
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL -
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a
propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do
lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal
relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2301-02.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar
provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). I) Por unanimidade de votos: a)
em conhecer parcialmente do recurso, devido a existência de matéria(s) constantes em ação
judicial; e b) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Sustentação oral: Hugo Leonardo Zapani Teixeira - OAB:
33.899 / DF.
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados. MATÉRIA SUB JUDICE - A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a existência de matéria(s) constantes em ação judicial; e b) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Hugo Leonardo Zapani Teixeira - OAB: 33.899 / DF.
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MATÉRIA SUB JUDICE A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a existência de matéria(s) constantes em ação judicial; e b) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Hugo Leonardo Zapani Teixeira OAB: 33.899 / DF. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.000580/200968 Acórdão n.º 230102.473 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas aos Terceiros. Conforme Relatório do AI (fls. 53), o fato gerador da contribuição lançada é a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados da recorrente. A autoridade lançadora esclarece que a empresa apresentou, no período de apuração, GFIPs com código de FPAS 639, correspondente a entidades isentas da contribuição previdenciária patronal e que, ao agir dessa forma, deixou de declarar a cota patronal destinada às entidades e fundos, mesmo não tendo comprovado ser portadora de CEBAS emitido pelo CNAS, bem como não constar pedido de isenção previdenciária perante a RFB, motivo pelo qual não faz jus à isenção das referidas contribuições sociais. Informa que a empresa ingressou com Mandado de Segurança nº 1999.38302.0019688 perante a Justiça Federal, visando o reconhecimento do direito à imunidade das contribuições previdenciárias, sendo que a matéria não se encontra definitivamente julgada, pois contra o acórdão foi interposto Recurso Extraordinário (RE 481558), ainda não apreciado pelo STF. Segundo ainda a fiscalização, tratase de hipótese de imunidade condicional, que depende do atendimento pela entidade dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, para assegurar a proteção constitucional. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0930.606, da 5a Turma da DRJ/JFA (FLS. 184), manteve em parte o crédito tributário, julgando a impugnação parcialmente procedente, excluindo do lançamento a multa de mora, ao argumento de não ser a mesma cabível nos casos de suspensão da exigibilidade por ação judicial favorecida com medida liminar. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 190), alegando, em síntese, o que se segue. Reafirma que achase em pleno vigor a ordem mandamental para que a Recorrente seja fiscalizada, no que pertine a sua reconhecida condição de entidade beneficente de assistência social, apenas em relação ao cumprimento das exigências estabelecidas no art. 14 do CTN. Entende que o acórdão recorrido nega vigência à ordem mandamental em vigor, na medida em que acolhe o entendimento de que tratase de imunidade condicional, que depende do atendimento pela entidade dos requisitos previstos em lei para assegurarlhe a proteção constitucional, por força do art. 195 da CF, estando estas exigências, à época, no art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Frisa que, no caso dos autos, há decisão judicial no sentido de se aplicar o art. 14 do CTN, independentemente da razoabilidade do entendimento esposado no acórdão recorrido, o fato é que a Recorrente já obteve decisão mandamental favorável à sua tese, a qual produz efeito imediato, eis que não foi conferido efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda. Sustenta que a fiscalização, ainda que para prevenção da decadência, deve aterse aos limites da ordem mandamental em vigor, isto é, averiguar se a Recorrente cumpre ou não as exigências impostas pelo art. 14 do CTN, com vistas ao gozo da imunidade em relação às contribuições sociais, e que negar tal entendimento constituise afronta à ordem mandamental em vigor. Reitera que faz jus à imunidade tributária e que a desconstituição dessa situação jurídica depende, antes de mais nada, da instauração de regular processo que objetive a suspensão dessa condição de imune, conforme determina o art. 32 da Lei 9.430/96. Destaca que o auto de infração objeto do processo em epígrafe é nulo porque lavrado sem que antes houvesse sido expedido o ato declaratório de suspensão da imunidade, conforme preceitua § 3° do art. 32 da lei 9.430/96, sendo a efetivação da referida suspensão condição essencial para a pratica do ato, conforme estabelece o inc. II do § 62 do mesmo artigo. Espera, por fim, que seja reformada a decisão recorrida, a fim de que seja anulado o Auto de Infração, como medida única de justiça. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.000580/200968 Acórdão n.º 230102.473 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e os requisitos de admissibilidade foram cumpridos. Da análise dos recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição devida às Terceiras Entidades, incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos seus segurados empregados. Ela apenas entende que é detentora da imunidade de que trata o art. 195, da CF, e que o Fisco não poderia lançar a contribuição, por força de decisão judicial, em ação movida pela entidade, determinando que seja reconhecida sua condição de entidade beneficente de assistência social apenas em relação ao cumprimento das exigências estabelecidas no art. 14 do CTN. Porém, a referida ação judicial não transitou em julgado e, sendo o lançamento um ato vinculado, a Autoridade Fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o não recolhimento das contribuições devidas aos Terceiros, lavrou corretamente o presente AI, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8.212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Cumpre observar que a matéria relativa ao direito à imunidade da recorrente é objeto de discussão judicial, o que implica em renúncia ao contencioso administrativo, acarretando o não conhecimento dessa parte do recurso. Contudo, as outras matérias trazidas pela recorrente diferem da levada à apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual conheço do recurso em relação a tais matérias. A renúncia ao contencioso administrativo somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto "idêntico pedido" sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3º, da Lei 8.213/91), o que não é o caso presente. A recorrente entende que a fiscalização, ainda que para prevenção da decadência, deve aterse aos limites da ordem mandamental em vigor, isto é, averiguar se a Recorrente cumpre ou não as exigências impostas pelo art. 14 do CTN, com vistas ao gozo da imunidade em relação às contribuições sociais, e que negar tal entendimento constituise afronta à ordem mandamental em vigor. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Porém, é oportuno ressaltar que o presente lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário, já que não é possível a sua constituição após o término do prazo de decadência, mesmo com decisão judicial favorável ao fisco, uma vez que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador, ou da data prevista em lei. E o lançamento com o objetivo de prevenir a decadência deve observar a legislação vigente quando da ocorrência do fato gerador. A ação judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os atos executórios de cobrança, mas a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, observando os mandamentos legais vigentes à época, e nem deve ser suspenso o trâmite do presente processo administrativo ou decretada a nulidade do AI, pois a suspensão referese à exigência do crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento ou de as autoridades julgadoras administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal. Assim, não há que se falar em nulidade do AI, que foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A autuada alega que a desconstituição de sua situação de imune depende, antes de mais nada, da instauração de regular processo que objetive a suspensão dessa condição, conforme determina o art. 32 da Lei 9.430/96. Contudo, a fiscalização deixou claro que a entidade não possuía CEAS e nem havia requerido, junto à RFB, isenção previdenciária da cota patronal. E, á época do lançamento e da ocorrência do fato gerador, o direito à isenção não era exercível de plano por quem preenchia as condições, mas dependia de ato declaratório da Autarquia Previdenciária. E mesmo que houvesse o ato declaratório da isenção, a recorrente não teria direito à benesse fiscal, pois não cumpria, à época do lançamento, todos os requisitos do artigo 55, da Lei 8.212/91, já que não era detentora do Certificado de que trata o inciso II, do referido dispositivo legal. E mesmo a Lei 12.101 de 27/11/2009, que revogou o artigo 55, da Lei 8.212/91, estabelece que a entidade deve requerer a certificação para usufruir da isenção fiscal. O art. 31 estabelece que: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.000580/200968 Acórdão n.º 230102.473 S2C3T1 Fl. 4 7 Dessa forma, para usufruir da isenção previdenciária, as entidades devem possuir, até 10/2009 , o certificado de que trata o inciso II, do artigo 55, da Lei 8.212/91 e, a partir de 11/2009, a certificação de que trata a Lei 12.101/09. Portanto, sendo o lançamento um ato vinculado, a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição aos Terceiros, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. Diante de todo o exposto e CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER EM PARTE do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000563/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de Apuração: 2002, 2003 e 2004
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por atraso ou falta da entrega da chamada “ DIF-Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº. 9.779, de 19/01/1999; art. 57 da Medida Provisória nº. 2.158-35, de 24/08/2001; arts. 11 e 12 da Instrução Normativa/SRF n° 71, de 24/08/2001 e arts. 212 e 505 do Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002).
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA “DIFPAPEL IMUNE”.
Nos termos do parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº. 159, de 16/05/2002, a apresentação da DIF-Papel Imune é obrigatória para aqueles possuidores do registro especial, mesmo que não tenha ocorrido operação com papel imune no período.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF-Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.158-35/2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”,
inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO.
A instância administrativa não é competente para se manifestar sobre a constitucionalidade de normas legais, nos termos da Súmula nº 02 do CARF.
Recurso conhecido em parte.
Na parte conhecida, recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.477
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de Apuração: 2002, 2003 e 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por atraso ou falta da entrega da chamada “ DIF-Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº. 9.779, de 19/01/1999; art. 57 da Medida Provisória nº. 2.158-35, de 24/08/2001; arts. 11 e 12 da Instrução Normativa/SRF n° 71, de 24/08/2001 e arts. 212 e 505 do Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002). OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA “DIFPAPEL IMUNE”. Nos termos do parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº. 159, de 16/05/2002, a apresentação da DIF-Papel Imune é obrigatória para aqueles possuidores do registro especial, mesmo que não tenha ocorrido operação com papel imune no período. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF-Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.158-35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não é competente para se manifestar sobre a constitucionalidade de normas legais, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. Recurso conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário provido em parte.
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Recorrente DIRCE SOUZA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de Apuração: 2002, 2003 e 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por atraso ou falta da entrega da chamada “ DIFPapel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº. 9.779, de 19/01/1999; art. 57 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 24/08/2001; arts. 11 e 12 da Instrução Normativa/SRF n° 71, de 24/08/2001 e arts. 212 e 505 do Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002). OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA “DIFPAPEL IMUNE”. Nos termos do parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº. 159, de 16/05/2002, a apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória para aqueles possuidores do registro especial, mesmo que não tenha ocorrido operação com papel imune no período. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIFPapel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.158 35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não é competente para se manifestar sobre a constitucionalidade de normas legais, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Recurso conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Luiz Novo Rossari. Relatório Contra a contribuinte já qualificado nestes autos foi lavrado Auto de Infração (fls.24/29), em 25/04/2005, para aplicação da multa regulamentar pelo atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), no valor total de R$ 303.000,00. Por meio do Ato Declaratório Executivo nº.08, de 22/03/2002, foi concedido à contribuinte, microempresa optante pelo Simples, registro especial destinado aos estabelecimentos que realizam operações com papel utilizado na impressão de livros, jornais e periódicos, na atividade gráfica (fl.18). Apesar de, desde o registro, estar obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, conforme determinado pelo art. 10 da retrocitada IN/SRF nº. 71/2001, a contribuinte apresentouse omissa em relação aos anos de 2002 (1º, 2º, 3º e 4º trimestres), 2003 (1º, 2º, 3º e 4º trimestres) e 2004 (1º e 2º trimestres). Instada pela Fiscalização a esclarecer os fatos, em 03/02/2005 a interessada informou que desconhecia que havia controle do papelimune e a obrigação de preenchimento da DIF (fls. 06/07). Naquela oportunidade, apresentou as DIF referentes aos trimestres solicitados, todas enviadas a destempo. Desta feita, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração para exigência da multa regulamentar, sob o seguinte fundamento legal: art. 4° do DecretoLei n°1.680/79 c/c art. 10 c/c art. 1° da Instrução Normativa SRF n°71/2001; art. 505 e parágrafo único c/c art. 368 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02). A contribuinte apresentou impugnação (fls.32/54), alegando, em síntese que à multa aplicada falecia previsão legal, possuía caráter confiscatório e sua aplicação representava afronta aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva: A DRJPorto Alegre/RS julgou procedente o lançamento (fls.73/85), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.000563/200527 Acórdão n.º 3202000.477 S3C2T2 Fl. 125 3 Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 113, § 2°, do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da Dif. – papel imune por meio da Instrução Normativa n° 71/2001. As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente previu as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações Acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.90/111), repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Ao final, requereu o cancelamento da exigência perpetrada. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte MARLY DE MOURA RIGO ME, para exigência da multa prevista no art. 12 da Instrução Normativa/SRF nº. 71, de 24/08/2001, com supedâneo legal no art. 57 da MP nº 2.158 35/2001, por ter apresentado a destempo as “DIFPapel Imune”, referentes aos anos de 2002 (2º, 3º e 4º trimestres), 2003 (1º, 2º , 3º e 4º trimestres) e 2004 (1º e 2º trimestres). Por ser a interessa microempresa optante do Simples, a empresa foi penalizada com a multa reduzida a R$ 1.500,00 por mês calendário de atraso na entrega, conforme estabelece o art. 505, parágrafo único do Decreto no 4.544/2002 (RIPI/2002), totalizando a exigência o valor de R$ 256.500,00. Vejamos toda a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº. 9.779, de 19/01/1999 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Parágrafo único. A DIF Papel Imune, relativa ao período de fevereiro a março de 2002, poderá, excepcionalmente, ser apresentada até o dia 31 de julho de 2002. (redação dada pela IN/SRF nº. 134, de 08/02/2002) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Medida Provisória 2.15825, de 24/08/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002) Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei nº 9.779, de 1999, art.16). (...) Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.000563/200527 Acórdão n.º 3202000.477 S3C2T2 Fl. 126 5 Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). Assim, conforme acima claramente se verifica, a multa perpetrada pela autuação, prevista na Instrução Normativa/SRF nº 71/2001, com a nova redação dada pela IN/SRF nº. 134, de 08/02/2002, encontra todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento, sendo incabíbel a alegação de desconhecimento por parte da recorrente. Ressaltese, ainda, que a Medida Provisória nº. 2.158 foi sucessivamente reeditada, sem perda de força normativa, e consolidouse na sua reedição nº. 35, “fossilizada” pela Emenda Constitucional nº. 32, de 11/09/2001, encontrandose, portanto, plenamente em vigor quando da autuação. Visto isso, temse que, quanto ao valor da multa cominada, idêntica matéria foi muito bem enfrentada pelo eminente Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Presidente desta Turma, nos autos do processo nº 10218.000118/200569, cujos fundamentos adoto como razão de decidir e reproduzo abaixo seu teor: “No mérito, em face da competência para dispor sobre obrigações acessórias, que foi atribuída à SRF pelo art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, resta clara a legislação no que respeita à obrigatoriedade de apresentação da DIFPapel Imune no prazo definido no art. 11 da Instrução Normativa SRF no 71, de 2001, sob pena de aplicação da multa instituída pelo art. 57 da Medida Provisória no 2.15834, de 2001, conforme estabelece o art. 12 da referida IN. A multa exigida tem plena aplicação às infrações da espécie, por se tratar de norma tributáriapenal destinada ao controle fiscal e com previsão expressa em lei, sendo descabida a alegação de que, pelo seu valor elevado, importaria em confisco. (...) No entanto, com a superveniência da Lei no 11.945, de 4/6/2009, houve substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil e à apresentação de informações referentes ao controle de papel beneficiado com imunidade, como se verifica do seu art. 1o, verbis: “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei no 10.637, de 30 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido.(destaquei) § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade.” Esse dispositivo legal foi objeto da IN RFB no 976, de 2009, que revogou a IN SRF no 71 e as INs que lhe alteraram a redação, e dispôs especificamente sobre a apresentação da DIF – Papel Imune em seu art. 12, verbis: “Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade.” Verificase que a nova legislação sobre a matéria é clara, alterando a sistemática até então vigente, de imposição de penalidade por mêscalendário Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.000563/200527 Acórdão n.º 3202000.477 S3C2T2 Fl. 127 7 estabelecida pela Medida Provisória no 2.15834, de 2001, de forma a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF – Papel Imune no prazo estabelecido (art. 1o, § 4o, II, da Lei no 11.945/2009 e art. 12, II, da IN RFB no 976/2009). Nos termos do seu art. 33, o art. 1o da Lei no 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim, por aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, tendo a nova lei cominado penalidade menos severa que a anterior, entendo que o valor da multa aplicada deve ser de R$ 2.500,00 para cada declaração trimestral não apresentada, isto é, para cada uma das dez declarações trimestrais que deixaram de ser entregues (1º, 2º, 3º e 4º trimestres/2002; 1º, 2º, 3º e 4º trimestres/2003 e 1º e 2º trimestres/2004), reduzindoa para o valor total de R$ 25.000,00 (vinte mil reais). Quanto às questões constitucionais suscitadas no recurso voluntário, de idêntico teor às arguidas na impugnação, temse que delas não se pode tomar conhecimento, visto que as instâncias administrativas de julgamento não possuem competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto pela Constituição Federal, em seu art. 102, incisos I, “a” e III, “b”, onde estão configuradas as duas formas de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de ação (ou concentrado) e o controle por via de exceção (ou difuso). É óbvio que a Administração tem o poder, e até mesmo o dever, de afastar a aplicação de lei inconstitucional, entretanto, não pode a Administração negarse à aplicação de lei que apenas entenda ser inconstitucional, pois não lhe compete realizar o controle difuso de constitucionalidade. Sem a declaração de inconstitucionalidade daquele que é competente para tanto – o Poder Judiciário não há que se falar em lei inconstitucional. Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário, como também fere de morte um dos princípios norteadores da Administração Pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. A propósito da controvérsia empreendida pela contribuinte, cito excerto do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134): “(...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada.” Tal questão, inclusive, já se encontra sumulada por este CARF, a saber: Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto ao pedido de declaração de ilegalidade da aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros, constante do item “c” do Pedido, temse que tal é matéria estranha à lide, vez que a autuação diz respeito tão somente à aplicação da multa regulamentar, razão pela qual também nesta parte, não deve o recurso ser conhecido. Demais disso, consta somente do pedido, sem que tenha sido apresentado qualquer argumento de defesa a respeito. Assim, pelo exposto, conheço em parte do recurso; na parte conhecida, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o valor da multa aplicada para R$ 25.000,00, na forma acima posta. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10725.000802/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL, EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL.
São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2102-001.978
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.000802/201088 Recurso nº 916.438 Voluntário Acórdão nº 210201.978 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria IRPF MOLÉSTIA GRAVE Recorrente IVONE MUNIZ SOARES ONÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL, EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Tratase de recurso contra a notificação de Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2007 (fls. 3/5), que reduziu o valor da restituição, em decorrência da reclassificação dos rendimentos pagos pelo Comando do Exército. A contribuinte impugnou o lançamento, argumentando que os rendimentos são isentos, por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, e que foi emitido o laudo médico pelo Hospital Santa Casa de Misericórdia, credenciado pelo Sistema Único de Saúde, onde é assistida, conforme já analisado pela Receita Federal para o exercício 2008/2007, sendo creditada a restituição em conta corrente em 16 de agosto de 2010. Juntou aos autos a declaração médica da Santa Casa de Misericórdia de Campos (fl. 7) e pesquisa textual do Portal do TCU, que trata da concessão da pensão. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2, por meio do Acórdão nº 1333.968 (fls. 19/20), julgou improcedente a impugnação. A contribuinte, cientificada da decisão em 18 de maio de 2011, interpôs recurso no dia 15 do mês subsequente. Na sua petição alega que apresentou o Laudo Médico que comprava a deficiência cardíaca e pede o cancelamento do débito fiscal. Aos documentos já anexados aos autos, a recorrente junta uma declaração assinada por médico cardiologista da Clinica Checor Serviços Médicos Ltda (fl. 28), cópia da carteira de portador de marcapasso (fl. 30) e um laudo médico emitido pela Fundação Dr. João Barcelos Martins, da Prefeitura de Campos dos Goytacazes (fl. 32). É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10725.000802/201088 Acórdão n.º 210201.978 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A exigência fiscal em teve origem em revisão interna de Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido omissão de rendimentos tributáveis, que a recorrente declarou como isentos. Conforme o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma e pensão percebidos pelos portadores das moléstias, dentre elas a cardiopatia grave. Dispondo sobre tal concessão, o art. 30 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito, estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, a doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dos dispositivos citados, extraíse que os rendimentos devem decorrer de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave relacionada na Lei nº 7.713, de 1988, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A questão foi assim sumulada neste Colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse é também o entendimento do STJ, como expresso no RE nº 1.286.094 – CE: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS PERCEBIDOS POR PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DOENÇA MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 [...] 3. Recurso especial provido, em parte, tãosomente para determinar a produção da prova pericial. RECURSO ESPECIAL Nº 1.286.094 CE (2011/02415660). MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. (Grifos nossos) Além das declarações emitidas pelo médico cardiologista da Clinica Checor Serviços Médicos Ltda e da Santa Casa de Misericórdia, a requerente anexou laudo médico da Fundação Dr. João Barcelos Martins, órgão oficial da Prefeitura de Campos de Goytacazes, afirmando que a paciente sofre de cardiopatia, sendo portadora de marcapasso desde o ano de 2001. Ante ao exposto, dou provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000830/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se
mostra mais benéfico ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. 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Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000830/201045 Acórdão n.º 230201.611 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 07/04/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 20/02/2010, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas através do confronto das GFIP’s, GPS e folhas de pagamento, documentos, todos, elaborados e de posse da recorrente, no período de 01/2006 a 12/2007. Após a impugnação, Acórdão de fls. 191/204, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, argüindo, preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida por não lhe ter sido deferida a perícia solicitada para averiguar a base de cálculo, já que a dilação probatória é um direito do contribuinte.No mérito alega que deveria ter sido apreciada a inconstitucionalidade das leis e que a multa deve ser reduzida para 20%, ao invés dos 24% aplicado. Requer o provimento do recurso para ser atendida a produção de prova pericial, ou alternativamente, que seja reconhecida a improcedência do auto de infração. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão da autuação ter sido efetuada em decorrência do exame dos documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defender se sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso ao Auto de Infração lavrado. Ademais, as diligências ou as perícias podem ser determinadas em razão de pedido do interessado ou, por iniciativa de ofício das autoridades preparadoras ou julgadoras, conforme contido nos artigos 17 a 19 do Decreto n.º 70.235/72. Mas, somente justificase a formulação de pedidos de diligências ou perícias, pelo Reclamante, quando em razão da natureza técnica do assunto, a comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000830/201045 Acórdão n.º 230201.611 S2C3T2 Fl. 3 5 impossibilidade de deslocar os elementos materiais examináveis, quer seja pela localização da prova, que, por exemplo, pode encontrarse em poder de terceiros, ou em outros procedimentos fiscais existentes. Logo, revelase prescindível a diligência ou perícia sobre aspecto que poderia ser comodamente trazido à colação com o recurso, ou quando tratarse de matéria puramente jurídica e, para que possa ser afastada a suspeita quanto à finalidade protelatória, o requerimento deve vir acompanhado, sempre que possível, de amostragem ou qualquer forma de evidenciação dos aspectos cuja apreciação requer minucioso exame. No caso em tela, da análise dos documentos oferecidos para exame e elaborados pela própria recorrente, o fisco constatou diferenças nos valores informados em GFIP, em contraponto com aqueles constantes das folhas de pagamento apresentadas. Dessa forma, tendo a fiscalização se baseado nas folhas de pagamento e registros contábeis da própria recorrente, para verificar o descumprimento da obrigação principal, qual seja , o pagamento do tributo, afastada está a hipótese de necessidade de realização de perícia para a convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB Nº 10.875, de 24 de agosto de 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. Está correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido de perícia, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova dos fatos independe de conhecimento técnico e a recorrente poderia ter colacionado aos autos as provas acerca do recolhimento das contribuições previdenciárias. Do Mérito Quanto à alegação de que o Contencioso Administrativo deve apreciar a inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS e lançados na contabilidade da empresa, de forma que se torna incontroverso o lançamento e totalmente inócua a alegação de nulidade frente á falta de comprovação dos valores recolhidos, eis que o relatório fiscal explicita que os valores recolhidos pela autuada foram devidamente apropriados no crédito. Quanto à multa, a recorrente requer que seja aplicada a retroatividade benigna exposta no artigo 106 do Código Tributário Nacional para fazer incidir alterações introduzidas pela MP nº 449/2008. Todavia, é de se notar que o benefício da retroatividade benigna contido na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado sempre que uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000830/201045 Acórdão n.º 230201.611 S2C3T2 Fl. 4 7 No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000830/201045 Acórdão n.º 230201.611 S2C3T2 Fl. 5 9 tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Relator Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10880.905375/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE
PESSOA FÍSICA E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO STJ.
Com a edição do art. 62A
do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C do CPC devem ser seguidas pelo CARF.
Assim, o crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96 não
apresenta a restrição contida na IN SRF nº 23/97. Destarte, o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela Cofins, exorbita dos limites impostos pela lei ordinária.
TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. APLICABILIDADE AOS CRÉDITOS LEGÍTIMOS RESISTIDOS PELO FISCO.
Deverão ser corrigidos pela taxa Selic os valores devidos e resistidos pelo fisco, desde a formulação do pedido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-000.824
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos
termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO STJ. Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C do CPC devem ser seguidas pelo CARF. Assim, o crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96 não apresenta a restrição contida na IN SRF nº 23/97. Destarte, o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela Cofins, exorbita dos limites impostos pela lei ordinária. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. APLICABILIDADE AOS CRÉDITOS LEGÍTIMOS RESISTIDOS PELO FISCO. Deverão ser corrigidos pela taxa Selic os valores devidos e resistidos pelo fisco, desde a formulação do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 127 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Sustentou pela parte o Advogado Hexandro Barreto Borges OAB nº. 196401 SP Relatório MARFRIG FRIGORÍFICOS E COMÉRCIO DE ALIMENTOS S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 86/105, contra o acórdão nº 1427.247, de 21/01/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, fls. 79/84v, que considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, relativa à solicitação de ressarcimento do crédito presumido de IPI e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito deferido, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos (fls. 79v/80): Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do créditopresumido do IPI e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito deferido. A Contribuinte apresentou diversas Dcomp pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei nº 10.276/2001, cálculo alternativo, referente ao 1º Trimestre do ano de 2003, no montante de R$ 11.724.120,10, sendo R$ 8.856.262,26 de crédito presumido e R$ 2.867.857,84 de correção monetária. A DRF de origem deferiu parcialmente o crédito e, conseqüentemente, as compensações, no montante de R$ 7.057.333,56 (glosa de R$ 4.666.786,54), pelos motivos abaixo expostos: a) Aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins (R$ 1.798.928,70); b) Atualização monetária do crédito, no valor de R$ 2.867.857,84 (demonstrada na planilha, anexo I, fls. 61/62). Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em resumo, o seguinte: Considerando a data em que as Dcomp foram apresentadas em 5/11/2003 e 11/11/2003 e tendo em vista que o despacho Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 128 3 decisório que não homologou parte destas compensações foi proferido em 30/06/2009, sendo a ciência dada em 31/07/2009, resta evidente que os “débitos glosados foram atingidos pela decadência”, determinada pelo artigo 150, § 4º do CTN; Assim, considerando que se tratam de Per/Dcomp transmitida em 2003, verificase que decaiu o direito do Fisco de proceder o lançamento dos débitos objeto da compensação em comento, vez que ultrapassou os cinco anos do prazo estabelecido no artigo 150, § 4º do CTN; O incentivo fiscal estipulado pela lei visou incentivar as exportações com desoneração da tributação e via de conseqüência, do custo dos produtos brasileiros exportados, devolvendo às empresas produtoras/exportadoras os valores que foram recolhidos à título de contribuições sociais – PIS e Cofins; Independente da ocorrência ou não de incidência das contribuições na etapa anterior, as aquisições de matérias primas produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. A Instrução Normativa SRF nº 23/97 restringe claramente o incentivo fiscal criado pela Lei nº 9.363/96, ferindo os princípios basilares insculpidos na Constituição Federal e agindo em flagrante e absoluta ilegalidade . A lei estabelece que a base de cálculo é o valor total das aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, sem exclusões. A jurisprudência administrativa emanada pela Câmara Superior confirmam a ilegalidade da IN SRF 23/97; Em situação análoga ao presente caso, houve reparação normativa do equivoco adotado para o PIS nãocumulativo previsto na Lei 10.637/2002, que teria onerado demasiadamente o adquirente de produtos de pessoas físicas. Ainda que o artigo 1º da citada lei tenha a princípio restringido a possibilidade de crédito aos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas, mereceu reparo, por meio da MP nº 107/2003, que expressamente incluiu tais créditos da vedação; A aplicação de fator de atualização monetária configura medida de irrefutável obediência aos princípios gerais do direito, em especial ao princípio da isonomia., sendo cabível a analogia com o disposto no artigo 66, 3º, da Lei nº 8.383/1991, dispensados aos institutos da restituição ou compensação. Por fim, solicitou a reforma da decisão para se reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas bem como a atualização monetária deste crédito pela aplicação da taxa Selic, convalidando totalmente as compensações realizadas. O acórdão restou assim ementado: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 129 4 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Incabível a concessão do crédito presumido acrescido de juros de mora pela taxa SELIC. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 86/105, repisando seus argumentos de defesa anteriormente apresentados em relação à necessidade de apreciação de inconstitucionalidade de norma; reconhecimento do direito ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas e cooperativas, visto que a restrição ao benefício decorre apenas da IN SRF nº 23/97, sendo irrelevante a incidência em etapa anterior e, por fim, requer a atualização monetária do crédito. Seu pedido encontrase registrado nos seguintes termos: DO PEDIDO Face ao exposto, requer seja recebido e processado o presente recurso, acatando os argumentos consignados para que seja DADO PROVIMENTO, a fim de: i) suspender a exigibilidade do crédito tributário, consoante disposição do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; ii) reformar a r. decisão no que tange aos débitos glosados, a fim de reconhecer o direito de crédito presumido de IPI das aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas, bem como a atualização monetária do crédito e taxa selic, homologando totalmente as compensações realizadas pela empresa. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 130 5 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente, conforme registra a interessada em seu pedido, o presente processo encontrase com a exigibilidade suspensa com supedâneo no art. 151, III, do CTN, c/c o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, em decorrência do recurso apresentado. Conforme mencionado anteriormente, a contribuinte pleiteou crédito presumido de IPI, com fulcro na Lei nº 10.276/01, modalidade alternativa ao previsto na Lei nº 9.363/96, referente ao 1º trimestre de 2003, no valor de R$11.724.120,10. A DRF de origem reconheceu o valor de R$ 7.057.333,56, efetuando a glosa de R$ 4.666.786,54, sendo: R$1.798.928,70 por se tratar de aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins e R$2.867.857,84 por se referir a atualização monetária do crédito pleiteado. A interessada insurgese contra a não apreciação das alegações de inconstitucionalidades. Em relação à necessidade de apreciação de inconstitucionalidade de norma, este Conselho já se manifestou por meio da Súmula CARF nº 2, no seguinte sentido: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, em relação a este tema, este Conselho não está autorizado a se manifestar. Quanto às glosas decorrentes das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins, tenho me manifestado no sentido de que a lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao Pis e à Cofins no fornecimento ao produtor exportador. O crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior. Nesse diapasão, verificase que o artigo 1º da Lei nº 9.363/96, restringe o benefício ao “ressarcimento de contribuições ... incidentes nas respectivas aquisições”. O estímulo concedido foi materializado como crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. Esse entendimento é reforçado através do que dispõe o art. 5º da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito, o qual prevê o imediato estorno a ser promovido pelo produtor exportador, quando o seu fornecedor se beneficiar, através de restituição ou compensação, da contribuição que havia sido paga. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 131 6 Art.5oA eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1o, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Portanto, não foi a IN SRF nº 23/97 que limitou a utilização dos créditos, e sim a própria Lei nº 9.363/96 instituidora do benefício. Na mesma toada, entendo indevida a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento de créditos de IPI, pois, a uma, pela inexistência de previsão legal; a duas, pela impropriedade de se aplicar, por analogia, a taxa Selic prevista no art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95, aos casos de restituição, ou seja, decorrentes de pagamento de tributo, indevido ou a maior, dada a natureza distinta dos institutos; a três, por se tratar de um instrumento inadequado no caso de uma economia estabilizada e desindexada inaugurada pós Plano Real. Contudo, por meio do REsp 993.164MG, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 13/12/2010, o STJ pronunciouse de outro modo, conforme registram as razões de decidir postas nos seguintes termos: 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. [...] 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 132 7 Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). [...] Em relação a aplicação da taxa Selic a mesma decisão consigna: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). [...] Por fim, o referido acórdão registra: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 133 8 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O acórdão restou assim ementado: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Ademais, neste sentido já havia se pronunciado o Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009, que assim dispõe: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Por outro lado, a Portaria MF nº 256/09, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nos 446/09 e 586/10, que aprova o Regimento Interno do CARF, passou a dispor do seguinte modo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, vez que a decisão citada fora proferida em conformidade com o rito previsto no art. 543C, deverá ser seguida por este colegiado. Ressaltese que a correção dos valores pleiteados somente se aplica à pretensão legítima quando resistida pelo fisco. Neste passo, somente créditos remanescentes da compensação declarada, são passíveis de correção em relação aos valores oriundos de aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente ao crédito oriundo de aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem assim, da aplicação da taxa Selic, somente sobre estes valores (créditos de pessoas físicas e cooperativas), desde o pedido efetuado pela contribuinte, em relação aos crédito remanescentes das compensações declaradas. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10880.905375/200657 Acórdão n.º 3301000.824 S3C3T1 Fl. 134 9 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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