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Numero do processo: 10805.001751/2003-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que os autos retornem à DRF do domicílio tributário, para que seja analisada a documentação contábil (Livro Diário), demonstrativos e outros documentos e informações constante dos autos e emitir parecer sobre os pontos pleiteados. Em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro prazo fixado, manifeste-se sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que os autos retornem à DRF do domicílio tributário, para que seja analisada a documentação contábil (Livro Diário), demonstrativos e outros documentos e informações constante dos autos e emitir parecer sobre os pontos pleiteados. Em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 5a Turma da DRJ de Campinas SP (fls. 259/269), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte as razões de impugnação e julgar procedente em parte as exigências em relação a COFINS, nos termos do Acórdão assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .0 01 75 1/ 20 03 -9 2 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 424 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PA 05/98. Mantémse a parcela da exigência remanescente da revisão de oficio para a qual a autoridade preparadora constatou insuficiência do crédito reconhecido judicialmente em apuração que a impugnante não logrou infirmar. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTO A MAIOR. PA 11/98. Mantémse a exigência na ausência de prova da efetivação, na escrituração, de compensação com alegado pagamento a maior para amortização de débito vinculado, em DCTF, à compensação com processo judicial não confirmado. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no an. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por muito bem retratar os fatos, transcrevo, a seguir, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado em 16/06/2003 (fls. 60) e cientificado ao contribuinte por via postal em 03/07/2003 (fls. 69), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 82.287,42, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não comprovação do processo judicial indicado para compensação sem DARF dos débitos declarados para os períodos de maio e novembro de 1998. Em oposição à exigência, foi apresentada, por via postal, a impugnação de fls. 01/04, acompanhada dos documentos de fls. 05/38, com as razões a seguir sintetizadas. Para 0 período de maio/98, informa ter efetuado compensação com Finsocial de 1982, com base na Ação Ordinária 93999011 (Ação de Repetição de Indébito, fls.10). Reportase a Sentença com decisão de procedência da ação, condenando a União Federal a restituir a quantia pleiteada (fls. 10/20); Acórdão negando provimento à apelação da União publicado em 25/O2/91 (fls. 21/24) e publicação de despacho deferindo a compensação em sede de execução de ação ordinária (fls. 25). Esclarece que: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 425 3 a ação ordinária foi proposta pelas empresas Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos e Cofade Sociedade Fabricadora de Elastômeros, pertencentes a um mesmo grupo; foi proferido em 16/10/95 despacho deferindo o pedido das Autoras de compensação do Finsocial com Cofins; O montante a ser compensado era de 21.755,47 UFIRs para a Cofade e de 46.830,50 UFIRS para a Cofac; em maio/98 o saldo de R$ 25.811,36 foi compensado pela Cofap, ora impugnante, em função da incorporação ocorrida (doc. 7, fls. 26/41), conforme quadro demonstrativo da compensação (doc. 08, fls. 41) e cópia da DCTF (doc. 9 e 10) Quanto à exigência relativa a novembro/98, no valor de R$ 4.674,64, alega que: o n° do processo judicial foi indicado incorretamente na DCTF, devendo ser considerado 0 de n° 94.00174950; o valor de R$ 4.674,64 tratase de saldo de crédito de Cofins pago a maior pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda., CNPJ 21.133.657/0001 05, incorporada pela ora impugnante (doc. 12, fls. 47/56) ; , referido saldo originouse de pagamentos do parcelamento da Cofins de maio/92 a out/93, conforme DARF de fls. 57 (doc. 13), cujo pedido administrativo foi indeferido, sendo compensado conforme demonstrativo de fls. 58 (doc. 14). Em análise prévia, a autoridade preparadora juntou documentos de fls.73/92 e, em despacho em› que identifica como interessada “COFAC COMPONENTES AUTOMOTIVOS sucedida por COFAP FABRICADORA DE PEÇAS”, informou às fls. 93/95: “ ... MANDADO DE SEGURANÇA N” 94. 001 74950 Em consulta as fases do processo judicial, observamos que o pedido da segurança foi julgado improcedente na data de 15/12/94, conforme se verifica às fls. 84. (...) AÇÃO ORDINÁRIA Nº 00.09399011 O contribuinte aduz, em síntese, ter promovido a mencionada ação com o ƒim de ver restituído o montante pago a título de FINSOCIAL referente ao ano de 1982. Sobreveio sentença que julgou procedente o pedido, tendo a União Federal interposto Recurso de Apelação, ao qual não foi dado provimento... Verificase que o contribuinte, ao peticionar a inicial da ação judicial, requereu a restituição dos valores pagos a título de FINSOCIAL, mas, a posteriori, pugnou pela possibilidade de compensar tais débitos, no que teve o seu pedido deferido, conforme se verifica às fls. 25. Nesta medida procedeuse ao levantamento dos direitos creditórios do contribuinte a serem compensados, nos moldes da decisão judicial de fls. 20, com base nos valores fornecidos pelo contribuinte às fls. 66, tendo sido apurado um montante de R$ 29.105,63 (..) contra a Fazenda Pública, valorizado este para a data de 01.01.96 (fls. 81). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 426 4 Vale ressaltar que tais créditos foram objeto de compensação tanto no processo N” 10805200121/2004~80, quanto no processo N” 10805200028/200394. E segundo informações às fls. 41, o contribuinte efetuou compensações de débitos de COFINS no período de jul/96 a abril/98, além do período de Maio/98, este referente ao tributo já de sua sucessora. 0 direito creditório contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 29.105,63 (...), valorizado este para a data de 01.01.96, foi reconhecido pelo Sr. Delegado de Santo André no processo 10805. 200028/200394. Às fls. 97/107 foram juntados demonstrativos indicando que, após compensação, foi amortizada a parcela de R$ 7.317,18 do débito de maio/98, remanescendo em aberto o saldo de R$ 18.494,18. Em conseqüência, foi o lançamento revisto de ofício, conforme despacho de fls. 109 e demonstrativo de fls. 110, que indica débitos em aberto de R$ 18.494,18 e R$ 4.674,64 relativos respectivamente a maio e novembro/98. Intimado em 19/06/2007 a recolher os saldos remanescentes ou a complementar a sua impugnação (fls. 113 e 118), o contribuinte manifestouse em 16/07/2007, alegando que: Relativamente a maio/98, o direito creditório reconhecido no processo l0805.200028/200394 no valor de RS 29.105,63 não corresponde ao determinado judicialmente nos autos da Ação Ordinária 9399011, cujos cálculos de liquidação (doc. 2, fls.144/148) e demonstrativo anexo como doc. 3 (fls. 149) apontam o total a ser compensado de 68.585,97 UFIRS, sendo 46.830,50 UFIRS em benefício da Cofac, incorporada pela impugnante, e não apenas 35.112,04 UFIRS (R$ 29.105,63). Relativamente a novembro/98: a contribuinte Cofap ajuizou Medida Cautelar (processo 92.0066243 9)objetivando efetivar depósitos de Cofins de 05/92 a 10/93, a qual foi julgada improcedente em maio/94 (doc. 4, fls. 150/153); em maio/94, a Cofap formulou pedido de parcelamento da Cofins do período envolvido na Medida Cautelar mediante pagamento da prestação inicial (doc. 5, fls.154), objetivando quitar os débitos e efetuar o levantamento dos depósitos, sendo que tal pedido foi indeferido pelo Delegado da Receita Federal; em julho/94, a Cofap impetrou Mandado de Segurança processo 94.00174950, pleiteando liminarmente o deferimento do pedido de parcelamento do débito, com o conseqüente levantamento dos depósitos, mas não logrou êxito, sendo os depósitos convertidos em renda (doc. 6, fls. 155/157); com a conversão dos depósitos e o encerramento das medidas judiciais, a prestação do pedido de parcelamento gerou um crédito a favor da Cofap; embora a origem do crédito esteja relacionada com o Mandado de Segurança 9400174950, o referido saldo originouse do pagamento da Fl. 426DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 427 5 prestação inicial do parcelamento da COFINS de 05/92 a 10/93, crédito que foi utilizado pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda conforme planilha anexa como doc 7 (fls. 158),restando quando de sua incorporação pela impugnante um saldo credor de 3.350,34 UFIRS, correspondente a R$ 2.776,43 em 31/12/05 e a R$ 4.674,67 atualizado pela Selic até 1 1/98. Às fis. 161/164, a autoridade preparadora, ao encaminhar o processo para julgamento, informa, em síntese, que: Para o PA 05/98, os cálculos de liquidação judicial apresentados às fls.144/148 incluem valores dos honorários advocatícios, além das custas judiciais dispendidas pelo autor, não compensáveis nos temos do art. 26, § 3°, VI, da IN SRF 600; Para o PA 11/98, o contribuinte apresenta outra fonte de crédito para compensação, diversa do alegado em sua primeira impugnação: primeira parcela de parcelamento denegado, fato não demonstrado na planilha de fls. 58. Em função das razões de defesa apresentadas relativamente ao débito do período de novembro/98 foi o processo encaminhado em diligência, por meio da Resolução da 5” Turma de Julgamento da DRJ/Campinas, de n° 1.953/2008 (fls.172l76), nos termos do voto a seguir transcritos: Impugnando a exigência, 0 contribuinte, entre outros argumentos de defesa, alega ter compensado o débito de Cofins exigido no valor de R$ 4.674,67 para o período de novembro/98, com crédito proveniente de pagamentos de parcelamento que fora indeferido pagamentos estes efetuados pela Cofap Minas, incorporada pela ora autuada. Para justificar sua alegação apresenta: cópia de Ata de Assembléias aprovando a incorporação da Cofap Minas (doc. 12, fls. 47/56); cópia DARF indicando tratarse de prestação inicial de parcelamento de Cofins recolhida em 05/05/94 (doc. 13, fls. 5 7); demonstrativo de fls. 58 (doc. 14) relacionando pagamentos mensais efetuados entre 25/05/1994 e 01/03/1995. Ao encaminhar os autos para julgamento (fls. 164), a autoridade preparadora informa que, para o PA Il/98, 0 contribuinte apresenta outra fonte de crédito para compensação, diversa do alegado em sua impugnação inicial: primeira parcela de parcelamento denegado, fato não demonstrado na planilha de fls. 5 8. Todavia, em sua defesa inicial o impugnante reportase ao Mandado de Segurança 94. 001 74950 e, nos itens 14 e 15 da mesma peça, alega que 0 saldo de crédito de Cofins utilizado na compensação do débito ora exigido para novembro/98 “originouse dos pagamentos efetuados no parcelamento da COFINS de maio/92 a out/93, conforme cópia da guia DARF que anexa (doc.13), cujo pedido administrativo foi indeferido e que “a demonstração anexa (doc. 14) esclarece de que forma foi originado o crédito de R$ 4.674,67 convalidando as compensações efetuadas na empresa incorporada (Cofap Minas) e a Fl. 427DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 428 6 atualização do saldo até a data de sua efetiva compensação E, como mencionado, o DARF de fls. 57 (doc. 13) contém indicação de que se trata da prestação inicial do parcelamento mencionado. Já, do demonstrativo de fls. 58 (doc. 14), depreendese que nele estariam relacionadas as demais prestações mensais pagas entre 25/05/94 e 01/03/95 e que teriam sido utilizadas em outras compensações, sendo indicado como saldo remanescente o mesmo valor utilizado na compensação de novembro/98 Na manifestação de fls. 124, o interessado acrescenta que, não tendo logrado êxito no Mandado de Segurança 94. 001 74950 em que pleiteou o deferimento do parcelamento e o levantamento dos depósitos, estes foram convertidos em renda. da União. Mas, como visto, em sua defesa inicial já havia feito menção à 1” prestação do parcelamento como origem do crédito. Portanto, considerando que se trata, aqui, de alegação de compensação entre tributos de mesma espécie, admitida no art. 14 da Instrução Normativa SRF n” 21, de 10/03/97,' que o débito pretensamente amortizado referese a novembro/98 e que, como crédito, é apontado valor decorrente de recolhimento efetuado em 05/05/1994 (item 13, fls. 03 e cópia do DARF de fls. 57, doc. 12 e 13), necessária se torna a verificação da existência, disponibilidade e suficiência de tal crédito. Diante do exposto, para garantir o bom julgamento da lide, VOTO no sentido de encaminhar o presente processo à Delegacia da Receita Federal em Santo Andre'/SP para que informe acerca do reconhecimento, disponibilidade e suficiência do crédito pleiteado. Ao final, caso remanesça crédito tributário devido relativamente a novembro/98, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado dos trabalhos fiscais, reabrindose prazo para complementação de sua defesa. Em atendimento, a DRF em Santo Andre'/SP, encaminhou os autos para a ARF de Itajuba/MG Jurisdição em que teria sido efetuado o pagamento ensejador do crédito. A autoridade da ARF Itajubá/MG juntou os documentos de fls. 190/201 e, as fls. 202, informou: (...) 2 O DARF apresentado de fls. 57 (doc. 13) corresponde a pagamento efetuado pela COFAP Componentes Automotivos Ltda, CNPJ n° 21.133.657/0001 05, com sede em ItajubáMG. Embora conste do campo 1 "prestação inicial de parcelamento do COFINS no período de maio/92 a outubro/93 não localizamos o respectivo processo; 3 O demonstrativo de fls 58 (doc 14) corresponde ao Pedido de Parcelamento da empresa COFAP Sistemas de Suspensão Ltda, CNPJ nº 22. 522. 452/0001 76, com sede em Lavras MG, jurisdicionada a ARF/Lavras/MG, processo administrativo n° 13654. 000101/9409 (cópia fls. 193 a 198), processo deferido e posteriormente cancelado a pedido. O pagamento informado no demonstrativo de fls. 58 como sendo em 25/05/94 tem como data correta 05/05/94, conforme pesquisa no sistema de pagamentos SINALO6 (pesquisa de fls. 201), e que este pagamento corresponde a entrada do parcelamento para o processo Fl. 428DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 429 7 administrativo n° 13654000101/9409. Ademais, faz necessário verificar onde o interessado compensou os créditos (R$ 399.191, 92), para confirmação do saldo a compensar; 4 Conforme fls. 190 a 192, a empresa COFAP Sistemas de Suspensão Ltda, CNPJ n° 22.522.452/000176, foi incorporada pela COFAP Minas Componentes Automotivos Ltda, CNPJ n” 21.133.657/000105, em 31/10/2004, sendo esta incorporada pela COFAP Fabricadora de Peças Ltda, CNPJ n” 5 7. 500. 001/0001 12, em 24/03/1995. Conforme legislação vigente a época da pretendida compensação, o Art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 21/1997 prevê que a compensação independentemente de requerimento é possível “para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica", o que, salvo melhor juízo, não é o caso em questão. Proponho o encaminhamento do presente processo À SEORT/DRF/Santo André para que o interessado se manifeste se houve Pedido de Compensação para o pagamento de fls. 5 7 e para o saldo do demonstrativo de fls. 58. Solicitada manifestação do contribuinte (fls. 204), foi apresentada petição de fls. 207/209, acompanhada dos documentos de fls. 210246, com os esclarecimentos e alegações a seguir sintetizados: Esclarece que: o DARF de fls. 57 no valor de CR$ 35.462.939,92 pago em 05/05/1994, não corresponde ao valor pago a maior pleiteado neste caso, devendo ser desconsiderado da análise deste processo; o crédito utilizado para amortização do débito de novembro/97, objeto deste processo, decorre dos DARF pagos pela empresa Cofap Sistemas de Suspensão Ltda. (CNPJ/MF 22.522.452/000176) no processo administrativo l3654.000l01/9409, conforme fls. 58, reproduzida às fls. 231, e demonstrativos de fls. 234/236; Reitera que: a Cofap Minas (CNPJ 21.133.657/000105) incorporou totalmente a Cofap Suspensão (CNPJ 22.522.452/000176) em 31/10/1994, assumindo o pagamento do parcelamento em curso à época da incorporação; a Cofap Companhia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda (CNPJ 57.500.001/000112), ora autuada, incorporou totalmente o patrimônio da Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda (CNPJ 21.133.657/000105) em 24/03/1995, assumindo seus direitos e obrigações. Acerca da utilização dos créditos, informa que, após incorporações, a Cofap Companhia compensou parcialmente os valores pagos a mais relativos ao parcelamento cancelado, com débitos de COFINS de sua filial em Lavras (CNPJ 57.500.001/002913), referentes aos períodos e apuração de março e abril de 1995 (fls. 245/246) e o saldo remanescente compensou em novembro de 1998 na sua matriz (CNPJ Fl. 429DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 430 8 57.500.001/000112),com o débito integrante do lançamento ora em litígio. Acrescenta não terem sido efetuados pedidos de compensação à época, de acordo com a legislação vigente, pois foram feitas compensações de débitos de Cofins com créditos de Cofins da própria empresa (adquiridos por força das incorporações). Reportase ao Quadro 2 (fls. 235) correspondente a reformulação do quadro 1 (fls. 234 e 38), em que o saldo a compensar originalmente indicado para 10/05/1995 passou, em função dos pagamentos relacionados pela ARF/Itajubá às fls. 201, de 3.350,34 UFIR (fls. 234 e 38) para 33.986,46 UFIR (fls. 235), alegando restar evidenciada a existência de saldo a compensar. Finaliza requerendo o cancelamento do Auto de Infração de fls. 60. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 30/09/2010 (fl. 274). Inconformada, a mesma apresentou, em 29/10/2010 (fl. 276), o recurso voluntário de fls. 276/295, onde se insurge contra o indeferimento parcial de seu pleito, conforme as razões abaixo sintetizadas: a) que tratase de Auto de Infração, no qual foram lançados supostos débitos de COFINS apurados nos meses de maio e novembro de 1998, no valor histórico de R$ 82.287,42. Quanto ao débito de maio de 1998 b) com relação ao débito de maio de 1998, informou ter se utilizado de crédito de FINSOCIAL, reconhecido judicialmente por meio da Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 0009399011, ajuizada pelas empresas Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos e Cofade Sociedade Fabricadora de Elastrômeros, sendo que a primeira foi incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Peças. Em razão da operação de incorporação, o crédito de FINSOCIAL, que lhe foi reconhecido na Ação Ordinária acima, foi sucedido pela Recorrente; que o utilizou para compensação de débitos próprios de COFINS apurados em junho/96 a março/98 e maio/98. c) que a Autoridade Administrativa, informou que, em relação à Ação Ordinária n° 00.09399011, “procedeuse o levantamento dos direitos creditórios do contribuinte a serem compensados (...) tendo sido apurado um montante de R$ 29.105, 63 (...)” e que “tais créditos foram objeto de compensações tanto no processo n° 10805.200121/2004 80, quanto no processo n° 10805.200028/200394 (...)” e, ainda, que “o direito creditório contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 29.105.63 (...) foi reconhecido no processo 10805.200028/2003 94. d) após proceder à revisão de ofício do lançamento, o Fisco reconheceu parcialmente o direito da Recorrente ao crédito de FINSOCIAL, amortizando parcialmente o débito original de COFINS de maio de 1998 correspondente a R$ 25.811,36. O valor amortizado foi de R$ 7.317,18 do débito original, remanescendo em aberto o valor de R$ 18.494,18. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 431 9 e) diante disso, foi novamente intimada a se pronunciar e protocolou manifestação esclarecendo que relativamente à compensação do débito da competência de maio/98, o crédito de FINSOCIAL, reconhecido no processo administrativo n° 10805.200028/200394, no valor de R$ 29.105,63, não corresponde efetivamente àquele reconhecido na ação ordinária nº 00.09399011, explicando com mais detalhes a operação; f) após prestados esses esclarecimentos, a Fiscalização, ao encaminhar o processo para julgamento, informou que em relação ao crédito utilizado para a compensação do débito da competência de maio/98, os cálculos de liquidação judicial apresentados pela Recorrente teriam incluído valores referentes a honorários advocatícios e custas judiciais, não compensáveis nos termos do art. 26, §3°, VI, da IN SRF 600. g) quando da analise do pleito, a DRJ de Campinas afirmou que quanto ao crédito de FINSOCIAL utilizado para compensação do débito de maio/1998, os cálculos de liquidação judicial apresentados não especificavam quais parcelas do crédito teriam sido conferidas às empresas Cofade e Cofac. (...) “Do crédito total, a impugnante indica, em seu demonstrativo de fls. 149, que a parcela de 68,28% seria a ela referente e o restante à outra empresa. Masnäo ' traz qualquer elemento documental hábil a subsidiar tal indicação”. Além disso, afirmouse que o montante do crédito utilizado para compensação do débito de maio/1998, englobou valores concernentes a honorários advocatícios e custas judiciais, os quais não são passíveis de (compensação com débitos de natureza tributária) Assim, após revisão de ofício do lançamento, foi mantida a cobrança do valor principal do débito de maio/1998, no valor de R$ 18.494,18. Quanto ao débito de novembro de 1998 a) quanto ao suposto débito de COFINS da competência de novembro/98, a Recorrente esclareceu, que tal exigência seria decorrente de mero erro de preenchimento de sua DCTF, em razão de equívoco na indicação do número da ação judicial originária do crédito utilizado para compensação do débito ora exigido. Nesta oportunidade informou que o crédito utilizado seria aquele oriundo do Mandado de Segurança n° 94.00174950; b) ocorre que, ao analisar preliminarmente as razões apresentadas pela Recorrente, a Fiscalização informou que "em consulta as fases do processo judicial [mandado de segurança n° 94. 00174950]”, foi observado “que o pedido da segurança foi julgado improcedente na data de 15/12/94, conforme se verifica às folhas 84”, motivo pelo qual manteve integralmente a exigência do débito de COFINS da competência de novembro/98, no valor de R$ 4.676,64; c) que o Fisco determinou a baixa dos autos em diligência para a ARF de Itajubá/MG, visando confirmar a existência e suficiência do referido crédito tributário. Ao analisar o processo, a autoridade da referida Agência da Receita Federal informou que “o DARF de fls. 57 (doc. 13) corresponde a pagamento efetuado pela Cofap Minas (...). O demonstrativo de fls. 58 (doc 14) corresponde ao Pedido de Parcelamento da empresa Cofap Sistemas de Suspensão Ltda (...). Conforme legislação vigente à época da pretendida compensação, o art. 14 da IN SRF n° 21/1997, prevê que a compensação independente de requerimento é possível “para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica”, o que, salvo melhor juízo, não é o caso em questão”. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 432 10 d) que em 07/04/2009, a Recorrente apresentou petição à DRF de Santo André/SP esclarecendo que não foram transmitidas DCOMP para estas compensações (posto que se referiam a créditos e débitos do mesmo imposto (COFINS) apurados pela mesma pessoa jurídica, e à época, não se exigia a transmissão de requerimentos formais de compensação (art. 14 da IN 21/1997). Explicou, primeiramente, que o DARF de fls. 57 (no valor de Cr$ 35.462.939,92), pago em 05/05/94 pela, Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda., não correspondia ao crédito pleiteado para compensação do débito de COFINS apurado em novembro/98. e) que o acórdão recorrido, entendeu que o argumento levantado pela ARF de Itajubá, no sentido de que séria necessária a formalização de pedido de compensação pela Recorrente para a compensação do débito de COFINS, estaria totalmente superado. No entanto, o acórdão entendeu que para admitir eventual erro no preenchimento da DCTF (ao indicar que o crédito seria decorrente de processo judicial) e, assim, justificar sua falta de retificação, a Recorrente deveria ter apresentado, além de identificação e prova dos recolhimentos a maior, prova de que efetuou tempestivamente a compensação alegada em sua contabilidade. f) com base nesse argumento, foi mantido o lançamento do débito de COFINS apurado em novembro/98, no valor de R$ 4.674,64 Por todo acima exposto e demais razões que serão tratadas nesses autos, requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para reformar o Acórdão proferido pela DRJ em Campinas, cancelandose o lançamento dos débitos de COFINS das competências de maio e novembro/98, nos valores de R$ 18.494,18 e R$ 4.674,67. Requer, por fim, que se entenda necessário, a baixa dos presentes autos em diligência, para que sejam comprovadas as alegações da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 30/09/2010 (fl. 274). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 29/10/2010 (fl. 276), tempestivamente, portanto. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. O montante em litígio também está dentro do limite de alçada de Turma Especial. Do mérito Como visto, trata o presente processo do Auto de Infração relativo a COFINS, lavrado em 16/06/2003 (fls. 64/70), formalizando crédito tributário em virtude da não Fl. 432DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 433 11 comprovação do processo judicial indicado para compensação sem DARF dos débitos declarados, para os períodos de maio e novembro de 1998. 1) Quanto ao débito de maio de 1998 Em relação ao débito de maio de 1998, informa a Recorrente ter se utilizado de crédito de FINSOCIAL, reconhecido judicialmente por meio da Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 0009399011, ajuizada pelas empresas Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos e Cofade Sociedade Fabricadora de Elastrômeros, sendo que a primeira foi incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Peças, ora Recorrente. Em razão da operação de incorporação, o crédito de FINSOCIAL, que lhe foi reconhecido na Ação Ordinária acima, foi sucedido pela Recorrente; que o utilizou para compensação de débitos próprios de COFINS apurados em junho/96 a março/98 e maio/98. Quando da análise da defesa apresentada pela Recorrente, verificase que a Autoridade Administrativa, informou que, em relação à Ação Ordinária n° 00.09399011, “procedeuse o levantamento dos direitos creditórios do contribuinte a serem compensados (...) tendo sido apurado um montante de R$ 29.105, 63 (...)” e que “tais créditos foram objeto de compensações tanto no processo n° 10805.200121/2004 80, quanto no processo n° 10805.200028/200394 (...)” e, ainda, que “o direito creditório contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 29.105.63 (...) foi reconhecido no processo 10805.200028/200394. Após proceder à revisão de ofício do lançamento, o Fisco reconheceu parcialmente o direito da Recorrente ao crédito de FINSOCIAL, amortizando parcialmente o débito original de COFINS de maio de 1998 correspondente a R$ 25.811,36. O valor amortizado foi de R$ 7.317,18 do débito original, remanescendo em aberto o valor de R$ 18.494,18. A DRJ de Campinas afirmou que quanto ao crédito de FINSOCIAL utilizado para compensação do débito de maio/1998, os cálculos de liquidação judicial apresentados não especificavam quais parcelas do crédito teriam sido conferidas às empresas Cofade e Cofac. Vejase trechos do Acórdão abaixo reproduzido: (...) Contudo, os cálculos de liquidação apresentados como doc. 2, às fls.144/ 148, que já haviam sido juntados pela autoridade preparadora às fls. 82/86 para justificar sua apuração, não discriminam as parcelas relativas a cada Empresa Autora. Do crédito total, a impugnante indica, em seu demonstrativo de fls. 149, que a parcela de 68,28% seria a ela referente e o restante à outra empresa. Mas não traz qualquer elemento documental hábil a subsidiar tal indicação. (...) Além disso, dos cálculos de liquidação invocados pela defesa, vêse que o valor total apontado pela impugnante (68.585,9786 UFIR) corresponde ao crédito geral das autores em UFIR, ou seja o principal corrigido mais juros de mora, acrescido de honorários advocatícios e custas, e não apenas à parcela do principal, e juros, reconhecida em juízo a título de Finsocial pago a maior. Já, a ação judicial, que motivou a liquidação mencionada, teve por objeto a contribuição recolhida a maior e somente 0 valor a ela relativo é passível de compensação, até porque, no âmbito tributário, o art. 170 do CTN somente admite tal forma de extinção mediante a utilização de créditos de natureza tributária. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 434 12 Assim, ausentes provas documentais capazes de justificar a oposição ao crédito admitido e que foi suficiente para amortizar apenas a parcela de R$ 7.317,18 do débito de maio/98, impõese a manutenção do valor principal remanescente para tal período. Como visto, asseverouse que o montante do crédito utilizado para compensação do débito de maio/1998, englobou valores concernentes a honorários advocatícios e custas judiciais, os quais não são passíveis de (compensação com débitos de natureza tributária). Assim, após revisão de ofício do lançamento, foi mantida a cobrança do valor principal do débito de maio/1998, no valor de R$ 18.494,18. Em seu recurso voluntário, aduziu a Recorrente esclarecer que a Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 0009399011, foi proposta pelas empresas Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.)l e Cofade Sociedade Fabricadora de Elastrômeros, visando a garantir o direito à restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de FINSOCIAL, no período de junho a dezembro/82. Alega que após o trânsito em julgado da decisão favorável às Empresas (Cofac e Cofade), procedeuse a liquidação da sentença para apuração do beneficio econômico conferido pela demanda judicial. De acordo. com os cálculos da liquidação de sentença, já juntados aos autos do presente processo (fls. 392/395 doc. 1), os créditos reconhecidos na Ação Ordinária n° 00.09399011, correspondiam a Cr$ 50.796.824,04 (68.585,9786 UFIR), conforme demonstrativo de fls. 285. Afirma que o valor do crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 00.09399011, passível de compensação com débitos tributários, ou seja, dispensados os valores dos honorários e custas judiciais, totalizou o montante de Cr$ 46.116.879,51. equivalente a R$ 62.267.09. Considerando os recolhimentos indevidos realizados pela Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.) no período de junho a dezembro/82 (comprovantes de recolhimento fls. 392/400 doc 2), é possível identificar o percentual do crédito que cabia à referida empresa, conforme se demonstra por meio da tabela demonstrativa à fl. 286 do recurso voluntário. Assim, considerando os valores indevidamente recolhidos pela empresa Cofac Componentes Automotivos Ltda (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.), a título de FINSOCIAL, no período de junho a dezembro/82, se conclui que a esta foi conferido crédito no valor de R$ 35.232,99 que, em percentuais. corresponde a 68.28% do crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 00.09399011. Diante do crédito reconhecido em seu favor, a Cofac utilizou o valor de R$ 35.232,99, no qual não estão incluídos valores de custas e honorários advocatícios, para compensar débitos próprios de COFINS, inclusive a maior parte do débito apurado na competência de maio/98, conforme demonstrado da tabela de fls. 287 a 288. Ao final, ressalta que conforme se verifica na planilha fls. 287/288, o crédito de R$ 35.232,99, seria suficiente para compensar apenas parte do débito de COFINS apurado na competência de maio/98, no valor de R$ 25.811,36, remanescendo saldo devedor no valor de R$ 8.803,17 (R$25.811,36 R$17.008,19), e não de R$ 18.464,18, conforme apurado pelo Fisco. Diante disso, a Recorrente apresenta o DARF, visando comprovar o pagamento do saldo devedor remanescente do débito de maio/98, no valor histórico de R$ 8.803,17 (fl. 402). Fl. 434DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 435 13 2) Quanto ao débito de novembro de 1998 No que se refere ao débito de COFINS da competência de novembro/98, a Recorrente esclarece, que tal exigência seria decorrente de mero erro de preenchimento de sua DCTF, em razão de equívoco na indicação do número da ação judicial originária do crédito utilizado para compensação do débito ora exigido. Nesta oportunidade informou que o crédito utilizado seria aquele oriundo do Mandado de Segurança n° 94.00174950. Ao analisar as razões apresentadas pela Recorrente, a Fiscalização informou que "em consulta as fases do processo judicial do mandado de segurança n° 94. 00174950”, foi observado “que o pedido da segurança foi julgado improcedente na data de 15/12/94, conforme se verifica às folhas 84”, motivo pelo qual manteve integralmente a exigência do débito de COFINS da competência de novembro/98, no valor de R$ 4.676,64 No Acórdão, a DRJ alega que a Recorrente não teria comprovado, que efetuou tempestivamente a compensação por meio de documentos fiscais hábeis, motivo pelo qual desnecessária se mostraria a realização de diligências para verificar a existência, suficiência disponibilidade do crédito alegado, conforme trecho abaixo reproduzido: (...) O interessado, no complemento a sua defesa apresentado em 07/04/2009 (fls. 207/209), limitouse a identificar o crédito como decorrente de DARF recolhidos pela Cofap Sistemas de Suspensão e a defender que esta já havia sido incorporada. Assim, ausente prova da efetivação da compensação, na escrituração, do débito de novembro/98 com o alegado crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, revendo posicionamento anteriormente adotado por esta 5” Turma, desnecessária se mostra a realização de diligência para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito alegado, impondose a manutenção do valor principal lançado para o período de novembro/98 (grifei). Agora, em fase de recurso voluntário, a Recorrente apresenta documentos contábeis, alegando que comprova que a compensação foi tempestivamente efetuada com crédito que era mais do que suficiente para a quitação da integralidade do débito de COFINS da competência de novembro de 1998. Alega que, (...) “os documentos contábeis juntados ao presente recurso comprovam que a referida compensação foi devidamente escriturada pela Recorrente em seus livros fiscais. As cópias do Diário Geral n° 960 do anocalendário de 1998 , da Empresa Cofap Companhia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças ora Recorrente identificam o valor compensado de R$ 4.674,67 nas contas 213601 e 114230”, conforme o doc. nº 4 juntado às fls. 404 a 411. Afirma que o crédito utilizado pela Recorrente para compensação do débito de COFINS de novembro/98, é decorrente do pagamento de prestações do parcelamento controlado por meio do processo administrativo n° 13654.000101/9409. O valor total dos DARFs pagos pela empresa Cofag Sistemas de Suspensao (incorporada pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda. e posteriormente pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Pecas Ltda.) atingiu o montante de 599.334,04 UFIRs, conforme guias de pagamento relacionadas no demonstrativo de fls. 291/291. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 436 14 Posto isto, repisa que o crédito decorrente dos pagamentos efetuados pela empresa Cofap Suspensão no Processo n° 13654000101/9409 era mais do que suficiente para o pagamento integral do débito ora autuado, no valor de R$ 4.674,67. Ao final, às fls. 292 a 294, elabora um detalhamento trazendo seus argumentos objetivando comprovar a tempestividade deste procedimento de compensação levado a efeito pela Recorrente. Conforme já apontado, a Recorrente efetuou depósitos judiciais nos autos da Medida Cautelar n° 92.00662439, relativos a débitos próprios de COFINS apurados no período de maio/92 a outubro/93. No entanto, a referida ação judicial foi julgada improcedente. Conclusão Ante a todo o acima exposto e visando comprovar os fatos alegados primando pela verdade material, a Recorrente em seu recursos voluntário, junta aos autos, cópia dos seguintes documentos: Livro Diário, Demonstrativos de cálculos no corpo do Recurso Voluntário, e outros documentos comprobatórios como DARF, parcelamentos, ações Judiciais, etc (fls. 276 a 420), visto que, parte deles, foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para, com base nos documentos constante dos autos, proceder as análises e emitir parecer conclusivo sobre: 1) Quanto ao débito de maio de 1998 1.1 – verificar se, conforme afirma a Recorrente, após o trânsito em julgado da decisão favorável às Empresas (Cofac e Cofade), procedeuse a liquidação da sentença para apuração do beneficio econômico conferido pela demanda judicial e se, de acordo. com os cálculos da liquidação de sentença, já juntados aos autos do presente processo (doc. 1 – fls. 392/395), os créditos reconhecidos na Ação Ordinária n° 00.09399011 correspondiam a Cr$ 50.796.824,04 (68.585,9786 UFIR), de acordo com o demonstrativo apresentado às fls. 285; 1.2 se, o valor do crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 00.09399011, passível de compensação com débitos tributários, ou seja, dispensados os valores dos honorários e custas judiciais, totaliza realmente o montante de Cr$ 46.116.879,51, equivalente a R$ 62.267.09 e considerando os recolhimentos alegados indevidos realizados pela Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.) no período de junho a dezembro/82 (comprovantes de recolhimento em anexo doc 2 – fls. 392/400), sendo possível identificar se o percentual do crédito que cabia à referida empresa, confere com o demonstrado por meio da tabela demonstrativa à fl. 286 (recurso voluntário); 1.3 Confirmar ou não, as seguintes cálculos e alegações da Recorrente: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 437 15 1.3.1 considerando os valores indevidamente recolhidos pela empresa Cofac Componentes Automotivos Ltda (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.), a título de FINSOCIAL, no período de junho a dezembroI82, se conclui que a esta foi conferido crédito no valor de R$ 35.232,99 que, em percentuais. corresponde a 68.28% do crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 00.09399011. Diante do crédito reconhecido em seu favor, a Cofac utilizou o valor de R$ 35.232,99, no qual não estão incluídos valores de custas e honorários advocatícios, para compensar débitos próprios de COFINS, inclusive a maior parte do débito apurado na competência de maio/98, conforme demonstrativo da tabela às fls. 287 a 288. 1.3.2 – verificar se na planilha acima, o crédito de R$ 35.232,99, seria suficiente para compensar parte do débito de COFINS apurado na competência de maio/98, no valor de R$ 25.811,36, remanescendo saldo devedor no valor de R$ 8.803,17 (R$25.811,36 R$17.008,19), e não de R$ 18.464,18, conforme apurado pelo Fisco. Diante disso, a Recorrente apresenta um DARF, visando comprovar o pagamento do saldo devedor remanescente do débito referente a maio/98, no valor histórico de R$ 8.803,17 (fl. 402). 2) Quanto ao débito de novembro de 1998 Aduz que tal exigência seria decorrente de mero erro de preenchimento de sua DCTF, em razão de equívoco na indicação do número da ação judicial originária do crédito utilizado para compensação do débito ora exigido. Nesta oportunidade informou que o crédito utilizado seria aquele oriundo do Mandado de Segurança n° 94.00174950. Agora, nesta fase, a Recorrente apresenta cópia de documentos contábeis, alegando que comprova que a compensação foi tempestivamente efetuada com crédito que era mais do que suficiente para a quitação da integralidade do débito de COFINS da competência de novembro de 1998, verificar: 2.1 – conforme alegado, se o crédito utilizado pela Recorrente para compensação do débito de COFINS de novembro/98, é decorrente do pagamento de prestações do parcelamento controlado por meio do PAF n° 13654.000101/9409. O valor total dos DARFs pagos pela empresa Cofag Sistemas de Suspensao (incorporada pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda. e posteriormente pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Pecas Ltda.) atingiu o montante de 599.334,04 UFIRs, conforme guias de pagamento relacionadas no demonstrativo de fls. 291/292. 2.2 – se os documentos contábeis juntados ao presente recurso comprovam que a referida compensação foi devidamente escriturada pela Recorrente em seus livros fiscais. `Para tanto, junta as cópias do Diário Geral n° 960, do anocalendário de 1998 , da Empresa Cofap Companhia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças ora Recorrente, que identifica o valor compensado de R$ 4.674,67 nas contas 213601 e 114230, conforme o doc. nº 4 às fls. 404 a 411. 2.3 – se, conforme repisa a Recorrente, o crédito decorrente dos pagamentos efetuados pela empresa Cofap Suspensão no PAF n° 13654000101/9409, era suficiente para o pagamento integral do débito ora autuado, no valor de R$ 4.674,67. 3) por fim, verificar a questão da tempestividade desta compensação, uma vez que às fls. 292 a 294 de seu recurso, a Recorrente elabora detalhamentos de seus argumentos, objetivando comprovar essa tempestividade, no que se refere ao procedimento de compensação que foi levado a efeito nestes autos. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10805.001751/200392 Resolução nº 3802000.381 S3TE02 Fl. 438 16 Em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 438DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000659/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Alice Grecchi e Rubens Mauricio Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos – Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Alice Grecchi e Rubens Mauricio Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 33/34: A interessada impugna auto de infração do imposto de renda do anocalendário 2004, lavrado para glosar imposto de renda na fonte de R$ 29.239,75 que teria incidido sobre rendimentos pagos em ação trabalhista contra o Bradesco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 58 .0 00 65 9/ 20 07 -9 6 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13558.000659/200796 Resolução nº 2102000.145 S2C1T2 Fl. 3 2 Para comprovar parte do imposto glosado, apresenta cópia de DARF de R$ 16.887,02, recolhido em agosto de 2006 (fls. 14). Argumenta ainda que teria declarado rendimentos a maior, pois informara o valor bruto, quando deveria ter declarado o líquido. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, para manter a exigência do imposto de R$17.586,99, acrescido de juros e multa de mora. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls.37 a 42, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Conforme fls. 07 e seguintes do Acordo judicial, constatase que o crédito tributário decorre de omissão de rendimentos cuja base de cálculo são rendimentos recebidos acumuladamente. Em razão das determinações no voto a seguir, este relato é o suficiente. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. No presente caso, temse que a infração de omissão de rendimentos, trata de rendimentos recebidos acumuladamente, sendo certo que o recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13558.000659/200796 Resolução nº 2102000.145 S2C1T2 Fl. 4 3 Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 13637.000346/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO.
Não impugnada toda a matéria submetida ao debate na Notificação de Lançamento, considera-se admitido a parte do crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na forma do art. 17 do Decreto nº70.235/72.
JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Devem ser apreciados todos os documentos legitimamente juntados aos autos, mesmo depois da impugnação e antes do julgamento do recurso, em atenção ao princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador do imposto em sua real expressão econômica.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOA FÍSICA.
A glosa da dedução de despesa médica efetuada não pode se fundamentar exclusivamente na divergência entre as datas de compensação dos cheques e as indicadas nos recibos, principalmente diante do fato de que tais recibos foram emitidos pelo prestador do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques e saques debitados na conta bancária do contribuinte representam indícios convergentes e coerentes, todos ocorridos no mesmo exercício fiscal, comprovando o efetivo pagamento da despesa médica passível de dedução no cálculo do imposto devido.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Mantido na Parte Não Contestada.
Numero da decisão: 2101-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo tributável o valor de R$ 4.500,00, relativo a despesas odontológicas comprovadas que podem ser deduzidas no cálculo do IRPF, contudo mantendo o lançamento fiscal no restante não contestado e assim admitido como devido pela Contribuinte/Recorrente.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Não impugnada toda a matéria submetida ao debate na Notificação de Lançamento, considera-se admitido a parte do crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na forma do art. 17 do Decreto nº70.235/72. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados todos os documentos legitimamente juntados aos autos, mesmo depois da impugnação e antes do julgamento do recurso, em atenção ao princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador do imposto em sua real expressão econômica. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOA FÍSICA. A glosa da dedução de despesa médica efetuada não pode se fundamentar exclusivamente na divergência entre as datas de compensação dos cheques e as indicadas nos recibos, principalmente diante do fato de que tais recibos foram emitidos pelo prestador do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques e saques debitados na conta bancária do contribuinte representam indícios convergentes e coerentes, todos ocorridos no mesmo exercício fiscal, comprovando o efetivo pagamento da despesa médica passível de dedução no cálculo do imposto devido. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Mantido na Parte Não Contestada.
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Não impugnada toda a matéria submetida ao debate na Notificação de Lançamento, considerase admitido a parte do crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na forma do art. 17 do Decreto nº70.235/72. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados todos os documentos legitimamente juntados aos autos, mesmo depois da impugnação e antes do julgamento do recurso, em atenção ao princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador do imposto em sua real expressão econômica. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOA FÍSICA. A glosa da dedução de despesa médica efetuada não pode se fundamentar exclusivamente na divergência entre as datas de compensação dos cheques e as indicadas nos recibos, principalmente diante do fato de que tais recibos foram emitidos pelo prestador do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques e saques debitados na conta bancária do contribuinte representam indícios convergentes e coerentes, todos ocorridos no mesmo exercício fiscal, comprovando o efetivo pagamento da despesa médica passível de dedução no cálculo do imposto devido. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Mantido na Parte Não Contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 03 46 /2 00 6- 77 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo tributável o valor de R$ 4.500,00, relativo a despesas odontológicas comprovadas que podem ser deduzidas no cálculo do IRPF, contudo mantendo o lançamento fiscal no restante não contestado e assim admitido como devido pela Contribuinte/Recorrente. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 19/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 09 23.712 da 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 81/91), que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento disposto na Notificação de Lançamento nº 2005/606450033874029 (fls. 07/12), glosando o montante de R$ 13.000,00 das deduções colacionadas pela Contribuinte/Recorrente em sua DIRPF/2005 a título de despesas médicas, por falta de comprovação, reduzindo o saldo de imposto a restituir. Na Impugnação, a Contribuinte apresentou defesa parcial, pretendendo justificar o montante de R$ 4.500,00, alegando tratarse de pagamento realizado ao profissional Luiz Marcos de Andrade, que restaria comprovado por meio de cópia dos canhotos de cheques (fl. 31), extratos bancários (fls. 15/29), assim como um recibo de valor em espécie (fl. 13). A decisão proferida pela da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), restou assim ementada: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.000346/200677 Acórdão n.º 2101002.638 S2C1T1 Fl. 3 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso. Lançamento Procedente” No caso, a Corte Originária manteve o lançamento fiscal em razão da inexistência de coincidência entre as datas das compensações dos cheques e os valores constantes nos recibos, além do recibo do valor em dinheiro não indicar a data do recebimento. No Recurso de fls. 99, a Contribuinte/Recorrente reitera as razões de impugnação, insistindo na defesa de parte do valor glosado, sob alegativa de que foram apresentados extratos bancários onde constam os cheques referentes aos pagamentos efetuados ao profissional Luís Marcos de Andrade, assim como uma declaração referente ao recebimento em moeda corrente no mês de setembro de 2004 no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Quanto ao fato dos recibos não coincidirem com os pagamentos dos cheques, esclarece que os recibos foram emitidos após o término de cada fase do tratamento, anexando novos documentos, desta feita uma declaração do profissional citado (fls. 105), ficha odontológica (fls. 111) e radiografias (fls. 108/110) referentes ao serviço odontológico prestado. Distribuído o feito para nossa relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, importa salientar que tanto a Impugnação quanto o Recurso Voluntário em análise, restou questionado apenas parte dos valores submetidos a tributação, no montante de R$ 4.500,00, valor alegado como referente ao pagamento do tratamento odontológico do profissional Luís Marcos de Andrade. Neste caso, não impugnada toda a matéria disposta na Notificação de Lançamento, considerase admitido a parte do crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na melhor aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Por outro lado, a parte remanescente do lançamento em litígio, referente a glosa de despesa médicaodontológica, foi motivada pela ausência de comprovação do pagamento, a despeito dos recibos inicialmente apresentados, restando mantida na decisão recorrida apenas em razão da desconexão entre as datas acostadas aos recibos e as datas de compensação dos cheques, discriminadas nos extratos bancários. Desta feita importa ressaltar a legislação citada como fundamento legal da glosa, o art. 8º, inciso II, alínea “a”, §§ 2º e 3º da Lei nº 9.250/1995, que assim dispõe: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – omissis; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.000346/200677 Acórdão n.º 2101002.638 S2C1T1 Fl. 4 5 (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)” (grifamos). Avulta da norma transcrita que as deduções relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, etc., devem decorrer de pagamentos especificados e comprovados por meio de recibo, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou de Pessoas Jurídicas CNPJ, de quem os recebeu. Com efeito, o Decreto n° 3.000/ 1999 (RIR/99), estabelece: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Assim, nos termos da legislação vigente, as despesas médicas e odontológicas dedutíveis do imposto, impõem a comprovação do pagamento efetivado por meio de recibo, com a indicação de nome, endereço e número de inscrição no cadastro da Receita Federal do recebedor. Caso os recibos não possam ser apresentados ou hajam dúvidas quanto a sua veracidade, tais despesas médicas podem ser comprovadas por outros documentos que tornem irrefutáveis os gastos dedutíveis, como por exemplo a microfilmagem de cheques que serviram como meio de pagamento, extratos bancários indicando o saque em valores, cópias de exames necessários aos tratamentos, dentre outros. No presente feito, verifico que a Contribuinte/Recorrente promoveu a juntada de diversos documentos probatórios de sua pretensão, quando em resposta a Intimação Fiscal (recibos fls. 69), na Impugnação (canhotos de cheques fl. 31, extratos bancários fls. 15/29, recibo de valor auferido em espécie fl. 13), assim como no Recurso Voluntário (declaração explicativa do profissional citado fls. 105, ficha odontológica fls. 111, e radiografias referentes ao serviço odontológico prestado fls. 108/110). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.000346/200677 Acórdão n.º 2101002.638 S2C1T1 Fl. 5 7 Embora não se possa olvidar que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão (§ 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72), entendo que, para evitar qualquer injustiça, devam ser considerados todos os elementos legítimos capazes de formatar convicção dispostos nos autos, em respeito ao princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. Nesse sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2006 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Comprovado por laudo oficial expedido pelo INSS que a contribuinte é portadora de moléstia grave desde 2005, os proventos de aposentadoria recebidos acumuladamente no anocalendário de 2006 são isentos do imposto de renda das pessoas físicas. Aplicação da Súmula CARF nº 63. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso Provido. (Acórdão nº 2202002.796, Processo nº 13975.001144/200873, Relatora Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 14/10/2014); Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005 COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em declarações prestadas por plano de saúde que confirma o efetivo pagamento das despesas declaradas, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso Provido. (Acórdão nº 2802002.727, Processo nº 10840.720606/200892, Relator Cons. GERMAN ALEJANDRO SAN Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 MARTIN FERNANDEZ, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 20/05/2014). Com base neste entendimento, figura inquestionável a existência nos autos de recibos (fls. 13 e 69), no montante total da alegada despesa odontológica, emitidos pelo Sr. Luís Marcos de Andrade, cirurgião dentista com CPF/MF nº 419.939.34634, e endereço na Av. Pereira Teixeira, 100, sala 303, Centro, Barbacena, Minas Gerais. Também se verifica a existência de uma declaração do mesmo profissional (fls. 105), reiterando o recebimento dos valores e explicitando que o pagamento ocorreu em nove parcelas de R$ 500,00. Do mesmo modo, observase que foram trazidos aos autos extratos bancários (fls. 15/29), onde se observa a compensação de cheques e retirada de valores em espécie, que corresponderiam ao pagamento do serviço prestado, parceladamente, entre abril e dezembro de 2004, corroborando a Declaração de fls. 105. Além disso, a Contribuinte/Recorrente diligenciou a juntada de ficha odontológica juntamente com o orçamento do tratamento realizado fls. 111, assim como de radiografias referentes ao serviço odontológico recebido fls. 108/110. Da análise fática, a única conclusão plausível é que o Sr. Luís Marcos de Andrade, cirurgião dentista devidamente identificado nos recibos e declaração fornecida, prestou seus serviços odontológicos à Contribuinte/Recorrente, tendo cobrado o valor total de R$ 4.500,00, que fora pago parceladamente pela sua cliente, conquanto integralmente dentro do anocalendário de 2004. Diante deste quadro probatório, induvidosamente coeso, entendo satisfeitos os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/1995 e pelo RIR, consistindo documentação hábil e idônea para a dedução do IRPF no valor de R$ 4.500,00, mormente quando a indicação feita nos extratos bancários coincide com os valores descritos na declaração e recibos emitidos pelo prestador do serviço, todos dentro de um mesmo exercício fiscal, de forma que a não coincidência das datas, que apenas conformariam uma informação subsidiária, jamais prova no sentido estrito, não pode ser impedimento para a dedução defendida. Desta feita, vejamos os seguintes precedentes deste CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.000346/200677 Acórdão n.º 2101002.638 S2C1T1 Fl. 6 9 Anocalendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazêla. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazêlo com numerário. Após comprovações apresentadas pelo contribuinte, a glosa de dedução de despesas somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade. Nos casos em que o contribuinte apresenta cópia de cheques nominais ao profissional odontológico e/ou à clínica, tais documentos devem ser acatados como prova das despesas. (Acórdão nº 2102002.910, Processo nº 10680.003876/200734, Relator Cons. CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA, 2ª TO/ 1ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 24/10/2014 grifamos); Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO CABÍVEL. Comprovado que o contribuinte omitiu rendimentos, é legítimo o lançamento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. SERVIÇOS ODONTOLÓGICOS. Comprovada com documentação hábil e idônea, as despesas com cirurgião dentista, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, são dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. (...) Recurso voluntário provido em parte. (Acórdão nº 2802002.904, Processo nº 10840.720403/201011, Relator Cons. JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 28/05/2014); Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2008 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 A glosa da dedução de despesa médica efetuada com pessoa jurídica não pode se fundamentar exclusivamente na falta de apresentação da nota fiscal, quando o contribuinte apresenta recibo emitido pela prestadora do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques emitidos pelo contribuinte e debitados em sua conta bancária representam indícios convergentes e coerentes com o recibo apresentado para comprovar o pagamento da despesa médica. (Acórdão nº 2802002.419, Processo nº 13807.721500/201114, Redator designado Cons. JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO, 2ª TE/ 2ª SEJUL/CARF/MF,– Data de Publicação: 06/08/2013). Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo tributável o valor de R$ 4.500,00, relativo a despesas odontológicas comprovadas que podem ser deduzidas no cálculo do IRPF, contudo mantendo o lançamento fiscal no restante não contestado e assim admitido como devido pela Contribuinte/Recorrente, reduzindo o valor da restituição da Contribuinte/Recorrente nos valores cominados em sua Declaração de Rendimentos. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10380.004718/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 28/02/2006
VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS.
Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignados em relatório do lançamento.
São indeferidos os pedidos de produção de provas não fundamentados.
COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo para homologar a compensação decai em cinco anos contados da data da declaração da compensação.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS DECLARADA INCONSTITUCIONAL. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
São indevidas as contribuições consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, incidentes sobre a remuneração dos autônomos e administradores com base no art. 3o, I, da Lei nº 7.787/89 e inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sendo permitida a compensação desde que comprovado o recolhimento indevido.
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS.
No lançamento tributário foi assegurado o direito creditório reconhecido em decisão judicial, tendo sido homologada a compensação realizada pelo sujeito passivo até o limite do seu crédito decorrente de pagamento de contribuição declarada inconstitucional, extraído das guias de recolhimento da previdência social (GRPS e GPS) juntadas ao processo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). Aplicação da Súmula CARF nº 28.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, sendo que a vigência dos seus dispositivos legais não pode ser negada por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 28/02/2006 VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignados em relatório do lançamento. São indeferidos os pedidos de produção de provas não fundamentados. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para homologar a compensação decai em cinco anos contados da data da declaração da compensação. CONTRIBUIÇÃO SOBRE REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS DECLARADA INCONSTITUCIONAL. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. São indevidas as contribuições consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, incidentes sobre a remuneração dos autônomos e administradores com base no art. 3o, I, da Lei nº 7.787/89 e inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sendo permitida a compensação desde que comprovado o recolhimento indevido. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. No lançamento tributário foi assegurado o direito creditório reconhecido em decisão judicial, tendo sido homologada a compensação realizada pelo sujeito passivo até o limite do seu crédito decorrente de pagamento de contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 47 18 /2 00 8- 67 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 declarada inconstitucional, extraído das guias de recolhimento da previdência social (GRPS e GPS) juntadas ao processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). Aplicação da Súmula CARF nº 28. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, sendo que a vigência dos seus dispositivos legais não pode ser negada por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.004718/200867 Acórdão n.º 2402004.350 S2C4T2 Fl. 359 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da DecisãoNotificação (DN) n.º 05.401.4/0014/2007, emitida pelo Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em Fortaleza (CE), fl. 218233, com ciência ao sujeito passivo em 05/04/2007, fl. 230, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 35.785.6945, da qual a notificada teve ciência pessoal em 22/05/2006. De acordo com o relatório fiscal de f. 3236, a NFLD trata de glosa de compensação indevida, com base no art. 89 da Lei 8.212/91, decorrente da constatação de que a empresa compensou valor superior ao recolhido indevidamente nas guias de pagamento, conforme demonstrado no relatório de fl. 3738. Relata, a autoridade lançadora, que no período de 12/2003 a 02/2006, a empresa realizou compensação de valores pagos indevidamente a título de prolabore no período anterior a maio de 1996, sustentandose em decisões judiciais proferidas nos processos n° 99.00165098 (Ação Ordinária) e n° 99.105265 (Ação Cautelar Inominada), da 10ª Vara da Justiça Federal do Ceará. Entretanto, os valores compensados superam o montante recolhido. A autoridade julgadora de primeira instância converteu o julgamento em diligência, solicitando a integração do lançamento mediante emissão de relatório fiscal complementar com a demonstração das contribuições correspondentes aos montantes glosados, e respectivos fundamentos legais, fl. 9798. O relatório fiscal complementar foi emitido, juntamente com nova planilha de cálculos, fl. 99105, e deles a notificada teve ciência pessoal em 14/09/2006, fl. 105. Dentro do prazo regulamentar, a notificada impugnou o lançamento. A autoridade julgadora de primeira instância proferiu decisão concluindo pela improcedência da impugnação e mantendo integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PRAZO PARA DEFESA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O prazo para defesa de NFLD é de 15 (quinze) dias, conforme art. 37, § 1o, da Lei 8.212/91. Os acréscimos legais das contribuições previdenciárias recolhidas com atraso estão previstos na Lei nº 8.212/91, arts. 34 e 35. Se a sentença judicial suspende a exigibilidade dos débitos vencidos e vincendos a título de contribuição sobre a folha de salários até o limite dos créditos não prescritos decorrente de pagamento indevido, os valores que superarem esses créditos, calculados de acordo com os índices oficiais, podem ser objeto de NFLD. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Em 27/04/2007 o sujeito passivo, por meio de advogado qualificado nos autos, interpôs recurso, fl. 241261, apresentando seus fundamentos, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, suscita a invalidade do lançamento por cerceamento de defesa, argumentando que o relatório fiscal não discrimina a origem dos valores glosados com base nas rubricas do plano de contas da recorrente. Além disso, entende que não é possível saber como foram apurados os dados informados na planilha de cálculo apresentada no relatório fiscal. No mérito, alega que a compensação foi realizada com base em direito líquido e certo decorrente de sentença judicial proferida em 03/08/2006 no processo de ação ordinária nº 99.00165098, da 10ª Vara da Justiça Federal em Fortaleza, sendo indevida a discussão da decisão judicial em processo administrativo de lançamento tributário. Acrescenta que a decisão judicial afasta a limitação dos valores compensados. Sustenta que as declarações de compensação constituem confissões de dívidas, o que é incompatível com a sonegação, motivo pelo qual é insubsistente a notificação ao Ministério Público Federal para apuração de crime. Pede a realização de perícia ou de diligência, bem como o cancelamento do crédito tributário lançado. O recurso não teve seguimento por falta do depósito recursal, fl. 266. Após isso, o sujeito passivo comunicou que obteve decisão judicial determinando a remessa do recurso independentemente de garantia, fl. 283321 e, em 05/11/2007, apresentou novas razões ao recurso voluntário, abaixo elencadas: Em preliminar sustenta que é nula a cobrança judicial do crédito tributário com recurso voluntário do sujeito passivo que deixou de ser conhecido por falta de garantia de instância. Também em preliminar alega invalidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) por contemplar período atingido pela decadência qüinqüenal reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e, ainda, a decadência do direito do Fisco de lançar contribuições sobre fatos geradores ocorridos antes de 1o de fevereiro de 2001. No mérito, reitera as razões expostas no primeiro recurso e acrescenta que os juros e a multa considerados no auto de infração são irrazoáveis, constituindose em confisco, que a empresa denominou de “extras” os valores pagos a título de complemento salarial variável, que o lançamento foi realizado com base em presunção, que o lançamento não contém o valor do crédito tributário devido, que a recorrente agiu de boafé e cumpriu os requisitos do art. 291 § 1o do Regulamento da Previdência Social (RPS), cabendo a relevação da multa aplicada. Ao final, requer que seja declarada a nulidade do MPF e do lançamento, por cerceamento de defesa, que seja excluída a taxa Selic, passandose a incidir INPC mais juros de 1%, e que sejam expurgados os valores referentes ao ano 2000. Requer juntada posterior de documentos, oitiva de testemunhas, exames periciais, sobretudo de natureza contábil, inspeção judicial e a realização de diligência. Apresenta os seguintes quesitos da perícia: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.004718/200867 Acórdão n.º 2402004.350 S2C4T2 Fl. 360 5 01 — As autuações e lançamentos encontram lastreadas em documentos individualizados? 02 — Os enquadramentos; legais apontados estão claros e bem identificados? 03 — Existe relação de equilíbrio entre os valores apontados e a realidade contábil, financeira e econômica da autuada? 04 — Houve arbitramento de valores por mera presunção e estimativa? 05 — Existem valores nos autos que tenham referências no período prescrito? 06 — Os valores apontados referente ao ano de 2.000, podem ser cobrados nestes autos? 07 —O Sr. Agente Fiscal têm competência para julgar quem é empregado, autônomo, prestador de serviços, pessoa física ou jurídica? Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Invalidade do Lançamento. Cerceamento de Defesa não configurado O relatório fiscal e seus anexos demonstram a origem do crédito tributário lançado e os fundamentos de fato e de direito que o sustenta. Os valores pagos indevidamente pela recorrente, suscetíveis de compensação, foram demonstrados na planilha de cálculo de fl. 46, contendo a informação do valor original pago no período de 10/1991 a 12/1994, relativo à contribuição declarada inconstitucional (administradores e autônomos), o qual foi extraído das guias de pagamento recolhidas pela empresa. Além disso, demonstra o valor do crédito da recorrente após conversão do valor original para a moeda atual e após incidência da correção monetária, dos juros e da multa, atualizados e calculados até 31/01/2005. O valor do crédito da recorrente, informado na planilha de fl. 46, é o valor reconhecido pela recorrente como certo, no período de 10/1991 a 12/1994, conforme consignado na coluna da contribuição apurado na planilha de cálculo apresentada no processo judicial, identificado como “alíquota 20%”, fl. 145146. O demonstrativo referente à compensação realizada pela empresa, fl. 37, por sua vez, demonstra o excedente compensado pela recorrente calculado pela diferença entre o valor compensado, extraído das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, e o que foi efetivamente pago indevidamente, apurado conforme planilha de fl. 46. No mais, o período do lançamento, que abrange as competências 12/2003 a 02/2006, está dentro do período do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fl. 47, de fevereiro/2000 a fevereiro/2006. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Na espécie não ficou configurado qualquer prejuízo, pois o relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a identificação da origem dos valores lançados, o período e a fundamentação jurídica que embasou o lançamento, assim como a indicação dos documentos que materializam os fatos geradores, contendo Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.004718/200867 Acórdão n.º 2402004.350 S2C4T2 Fl. 361 7 demonstrativos de cálculo dos valores glosados, permitindo à recorrente contestar individualmente os valores ali apontados. Concluo que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Preliminar de Decadência É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública realizar o lançamento de ofício decorrente de glosa de compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação, conforme determinar o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, na redação da Lei 10.637/02 e da Lei 10.833/03, decorrente da conversão da MP 135/03. Do lançamento da glosa de compensação do período de 12/2003 a 02/2006 a autuada tomou ciência em 22/05/2006, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco anos. Logo, rejeito a preliminar de decadência. Mérito Pedido de Produção de Provas. Prova Pericial. Oitiva de Testemunha Conforme determina o § 5o do art. 16 do Decreto 70.235/72, a juntada de documentos após a impugnação, por ser excepcional, deve ser justificada com base em pelo menos um dos motivos previstos em seu § 4o,, que, em síntese, remete à ocorrência de força maior, fato ou direito superveniente ou contraposição de fatos ou fundamentos novos. Nessa fase processual a recorrente não apresentou novas provas documentais, fazendose desnecessária a verificação da ocorrência das hipóteses autorizadoras para posterior produção dessas provas. Conforme quesitos formulados no recurso, o pedido de perícia visa a responder, em síntese, se o lançamento foi aferido de modo direito a partir dos documentos da empresa e se os valores estão corretos ou se o lançamento foi feito com base em presunção e estimativa; se os fundamentos legais do débito estão corretamente identificados; se o lançamento contempla período atingido pela decadência; se o agente fiscal é competente para fazer o enquadramento dos trabalhadores da empresa nas diversas categorias de segurados da previdência social. Ficou evidenciado, nos capítulos anteriores deste voto, que, conforme consta do relatório fiscal e anexos, o lançamento trata de glosa de compensação indevida, a qual foi constatada a partir da análise das guias de recolhimento da empresa, e referese a período não abrangido pela decadência. Tratase, portanto, de lançamento aferido diretamente dos documentos da empresa e com base nos valores por ela recolhidos. O lançamento não cuida de enquadramento de trabalhador em categoria de segurados da previdência social. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Os fundamentos legais pertinentes ao débito constam de relatório especifico juntado aos autos. Revelase, portanto, prescindível a perícia contábil, pois estão satisfatoriamente esclarecidos nos autos os fatos sobre os quais ela recai, e não foram apontadas, pela recorrente, eventuais divergências de valores. A prova pericial prestase a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação. Também não foi demonstrada a necessidade e utilidade de oitiva de testemunhas, que, a princípio, é prescindível para a matéria em litígio, afeita à prova documental. Em síntese, rejeito o pedido de produção de provas nessa fase processual. Compensação Indevida A recorrente compensou valores pagos indevidamente a título de contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos autônomos e administradores com base no art. 3o, I, da Lei nº 7.787/89 e inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91, as quais foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a primeira em sede de Recurso Extraordinário nº 177.2964, com suspensão determinada pela resolução nº 15 do Senado Federal, publicada em 28/04/1995, e a segunda em Ação Direta de Inconstitucionalidade, ADI nº 1.102/DF. A compensação foi feita com débitos da recorrente das competências 13/2001 e 07/2002 a 02/2006. De acordo com a planilha de cálculo apresentada pela recorrente, f. 145146, seu crédito decorre de pagamentos indevidos realizados por meio das guias de recolhimentos das competências 09/1989 a 12/1994, com exceção das competências 04/92, 07/92 e 01/93, no valor total de R$ 422.555,47, corrigido até 03/1999 mediante aplicação de coeficiente de correção da Justiça Federal. Entretanto, segundo a autoridade lançadora, os pagamentos indevidos ocorreram nas competências 10/1991 a 06/1994, com exceção das competências 04/1992, 07/1992, 01/1993, 09/1993, 10/1993 e 02/1994, conforme planilha de cálculo às fl. 4546, e perfaziam o valor total de R$ 99.890,09, atualizado em 30/11/2001, data do início da compensação, conforme explicado no demonstrativo de fl. 37. Constam dos autos as Guias de Recolhimento da Previdência Social – GRPS e Guias da Previdência Social – GPS do período de 09/1989 a 04/1993, fl. 147185, indicando recolhimentos a título de contribuição a autônomos e administradores, somente no período identificado na planilha elaborada pela autoridade lançadora às fl. 4546. Isso significa que os pagamentos indevidos que a recorrente alega ter feito no período de 09/1989 a 09/1991 não foram comprovados, justificandose, assim, a glosa levada a efeito pela fiscalização. Ação Judicial. Coisa Julgada. Efeitos Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.004718/200867 Acórdão n.º 2402004.350 S2C4T2 Fl. 362 9 A recorrente ingressou com ação cautelar pleiteando a suspensão da exigibilidade das contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento até o limite do que foi pago a título de contribuição previdenciária sobre o prolabore em período anterior a maio de 1996 (processo nº 99.105265, 10ª Vara da Justiça Federal/CE), tendo sido deferida liminar em seu favor, em 21/05/1999, fl. 4041, a qual foi posteriormente confirmada por sentença, fl. 192196. Além disso, a recorrente ingressou com ação ordinária autuada em 10/08/1999, processo nº 99.00165098, da 10ª Vara Federal/CE, fl. 186191, pleiteando o reconhecimento do seu direito à isenção das contribuições aqui tratadas e obteve sentença judicial favorável em 03/08/2006, declarando “o direito da parte autora de compensar os valores indevidamente pagos a tal título, sendo os mesmos devidamente corrigidos pelos índices oficiais de correção e pela aplicação do IPC (em substituição ao BTN) no período de março/90, abril/90, maio/90 e fevereiro/91, do INPC (em substituição da TR) no período de março a dezembro/91, da UFIR (a contar de janeiro de 1992) e da taxa SELIC (a contar de janeiro de 1996), sem as limitações da Lei n. 9.129/95”. A sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF), a qual foi publicada em 28/06/2007, constatada em consulta ao processo no sítio, na internet, do TRF da 5a Região: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. Não se aplicam os limites para a compensação previstos pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95 na hipótese de restituição de tributo declarado inconstitucional por decisão do STF. Precedente do STJ. Correção monetária plena. Precedente do STJ. ACÓRDÃO Vistos, etc. DECIDE a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negar provimento à remessa oficial e à apelação, nos termos do relatório e voto anexos, que passam a integrar o presente julgamento.Recife, 03 de maio de 2007.(data do julgamento) Des. Federal Ridalvo Costa Relator. A decisão não transitou em julgado até essa data, existindo recurso especial interposto perante o Superior Tribunal de Justiça, pendente de decisão. O procedimento fiscal não contraria o direito creditório reconhecido na sentença judicial, nem sua extensão, tendo, aliás, homologado a compensação realizada pela recorrente até o limite do valor comprovadamente pago, pois, se não existe pagamento indevido, não há o que compensar. Juros. Taxa Selic A utilização da Taxa Selic como taxa de juros está embasada na Lei 8.212/91, art. 34, para os fatos geradores ocorridos até 11/2008 e art. 35, na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c Lei 9.430/96, art. 61, para os fatos geradores ocorridos após 12/2008, não podendo, a autoridade administrativa, deixar de observar a lei, sob pena de incorrer em ilegalidade. O Código Tributário Nacional embora, em seu art. 161, § 1º, refira à taxa de 1% ao mês, o faz em caráter supletivo, deixando à lei, expressamente, a possibilidade de dispor de modo diverso. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) Convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Em síntese, são rejeitadas as alegações sobre essa matéria, de modo que se mantém a taxa de juros aplicada com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). Multa Confiscatória. Pedido de Relevação da Multa A multa foi aplicada com base na legislação de regência, cujos dispositivos legais estão citados no relatório de fundamentos legais do débito, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de afronta a princípio constitucional da vedação ao confisco, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, há pedido da recorrente para que a multa seja relevada por entender que cumpriu os requisitos do art. 291 § 1o do Regulamento da Previdência Social (RPS). O art. 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, antes de ser revogado pelo Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, previa a possibilidade de a autoridade administrativa relevar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória no caso de haver pedido do autuado dentro do prazo de defesa, de o infrator ser primário, ter corrigido a falta e não ter incorrido em nenhuma circunstância agravante: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.004718/200867 Acórdão n.º 2402004.350 S2C4T2 Fl. 363 11 ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3° A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Esse dispositivo tratava de relevação de penalidade decorrente de descumprimento de obrigação acessória, não se aplicando à multa de mora e à multa de ofício. Ressalvase que o instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, de modo que, no momento do pagamento, será calculada e aplicada a multa mais benéfica, em cumprimento ao disposto no art. 106 inciso II do CTN. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, negar lhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.721829/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2010
Ementa:
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA
A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 2201-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA, VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso, inclusive desqualificaram a multa de ofício e excluíram os juros de mora sobre ela incidentes. A Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA fará declaração de voto.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 03/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 29 /2 01 1- 39 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA, VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso, inclusive desqualificaram a multa de ofício e excluíram os juros de mora sobre ela incidentes. A Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA fará declaração de voto. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 03/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 461/469, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.763.169,49, calculado até 31/10/2011. A fiscalização apurou omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, com aplicação da multa qualificada de 150%. A autoridade recorrida descreveu a infração da seguinte forma: Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2006 6.613.148,45 150 30/09/2009 10.402.483,78 150 Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 441/458, em dezembro de 2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a participação que possuía no Banco Pactual, representada por 5.103.350 (cinco milhões, cento e três mil, trezentos e cinquenta) ações ordinárias. Tal alienação Fl. 798DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 3 3 resultou na apuração de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 17,0 milhões e de um imposto de renda pessoa física da ordem de R$ 2,55 milhões, sendo R$1,0 milhão no ano de 2006 e R$ 1,55 milhões em 2009 (uma vez que parte do valor da venda foi recebida apenas nessa data, diferindose, assim, sua tributação). Afirma a autoridade lançadora que, antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios societários, que, resumidamente, consistiram na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação. Conclui, então, o fiscal autuante que a análise em conjunto de todas as operações que antecederam a alienação das ações representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas entre o grupo Pactual e o contribuinte, evidenciam que este incorreu na prática de ato simulado, ao inflar artificialmente o custo de aquisição das ações, com capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, nas operações de incorporações inversas, com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurandose a hipótese de incidência prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com seu parágrafo 2º. Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em 03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão capitalização da empresa Nova Pactual Participações, no valor de R$ 4.982.699,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 6.580.658,70 (R$ 11.563.357,70 R$ 4.982.699,00). Fl. 799DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 1. antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 0,5756% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital da empresa Pactual S/A., holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; 2. os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade da Pactual Holdings S/A., sociedade holding na qual o impugnante não tinha qualquer participação; 3. os principais atos da reestruturação questionados pelo Auto de Infração foram: i) aumento de capital da Nova Pactual Participações, realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo do custo dos investimentos do impugnante em R$4.982.699,00; ii) aumento de capital da Pactual Holdings, na mesma data, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, o qual é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o impugnante não era titular de investimentos na Pactual Holdings; iii) incorporação da Nova Pactual Participações (e Pactual Holdings, o que não é relevante no caso) pela Pactual S/A, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao impugnante, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, na Pactual S/A; iv) aumento de capital da Pactual S/A, em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do impugnante na Pactual S/A em R$ 4.482.396,00; v) incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual (incorporação reversa), tendo o impugnante recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no Banco Pactual; 4. depois da incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual, as ações deste último, das quais o impugnante se tornou proprietário, foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda, pelo preço total de R$ 23.596.292,99, sendo que uma parcela foi paga a vista, em 2006 (R$ 9.170.731,19), e outra parcela, em 2009 (R$ 14.425.560,00); 5. do montante de R$ 14.425.560,00, parte foi paga em dinheiro (R$ 10.208.867,57) e o restante (R$ 4.216.692,43), em ações representativas de aumento de capital de BTG Pactual Participações II S/A; 6. após a implementação da reestruturação, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual passou a ser de R$ 11.563.357,70; Fl. 800DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 4 5 7. a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual, refletida em suas investidoras em razão da aplicação do MEP, seguida da incorporação inversa dessas mesmas investidoras por suas investidas, acarretou majoração do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco e a conseqüente redução do montante do ganho de capital e do IRPF sobre ele incidente; 8. no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, a fiscalização afirma que a reestruturação: i) implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; ii) consubstanciou ato simulado cujos efeitos, nos termos do art. 116, § único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; iii) implicou na caracterização cumulativa de todas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, motivando a aplicação da multa de 150%; 9. em razão do exposto, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, qual seja, aquele decorrente da capitalização de lucros pelas holdings do Banco Pactual (Nova Pactual Participações e Pactual S.A), no que excederam os lucros existentes no próprio Banco Pactual; 10. o auto indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, e nenhum deles foi infringido pelo impugnante; 11. o Grupo Pactual era composto por diversas holdings existentes há mais de dez anos e constituídas em uma época em que as pessoas físicas integrantes do grupo (controladores) sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; 12. os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e a distribuição de seus resultados e, dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as mesmas se tornassem totalmente desnecessárias; 13. em tese, as holdings poderiam ser extintas antes ou depois da concretização da venda do Banco Pactual, sendo que, na primeira hipótese, os controladores figurariam no pólo vendedor da operação, ao passo que, na segunda, as holdings ocupariam essa posição; 14. pela natureza do negócio celebrado com o UBS Brasil, optouse pela extinção das holdings antes da realização do negócio; 15. é comum nas vendas de instituições financeiras com as características do Banco Pactual que seus acionistas, ou ao menos alguns deles, assumam obrigações de caráter Fl. 801DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 personalíssimo, como a de não competirem com a sociedade vendida e mesmo de nela continuarem atuando até que seu fundo de comércio tenha se consolidado após a transferência de seu controle acionário; 16. como não poderia deixar de ser, os acionistas assumiram obrigações desta natureza na venda do Banco e, assim, nada mais lógico que eles fossem parte no negócio, e não meros intervenientes. 17. o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 18. entre as diversas variantes que poderiam ser adotadas para fazer com que os controladores figurassem como vendedores, tais como: i) a liquidação das holdings com a entrega dos ativos (no que se incluiriam as ações do Banco Pactual) aos controladores em devolução do capital; ii) a redução do capital das holdings, mediante entrega dos investimentos no Banco Pactual aos controladores; iii) incorporações diretas ou tradicionais, cujos inconvenientes são enormes, ressaltando que a incorporação de um banco como o Pactual por outra empresa, sobretudo uma que não seja instituição financeira, seria extremamente complexa e onerosa; iv) a venda, pelos controladores, de investimentos diretos nas holdings, hipótese em que seria desnecessária qualquer reestruturação societária prévia; a última variante disponível, a incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual, sem dúvida, era a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; 19. desde que o art. 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; 20. não procede, assim, a alegação de que a opção pelas incorporações inversas consistiu em um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; 21. nas incorporações, a incorporadora recebe um conjunto patrimonial (bens, direitos e obrigações) e “paga” aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas de aumento de seu capital; 22. não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada têm o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; 23. a incorporação das holdings pelo Banco Pactual é um exemplo de incorporação “inversa” ou “reversa”, na qual a investida (Banco Pactual) sucede as investidoras (as holdings) em todos os seus bens, direitos e obrigações, dentre os quais figuram os investimentos da investidora/incorporada na investida/incorporadora, cabendo à investida/incorporadora Fl. 802DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 5 7 aumentar seu capital social e entregar as ações representativas desse aumento aos acionistas da investidora/incorporada; 24. contudo, a investida/incorporadora passa a ter ações representativas de seu próprio capital social, que são canceladas no próprio ato ou, opcionalmente, mantidas em tesouraria, na hipótese de a investida dispor de lucros ou reservas suficientes à subsistência das ações; 25. ocorre, assim, um aumento de capital (para a emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora/incorporada) e uma subsequente redução do capital para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida, caso a mesma não possa ou não queira mantêlas em tesouraria; 26. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 27. a parcela do patrimônio líquido da incorporada, representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação e, por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 28. a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até mesmo pelo fisco; 29. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S/A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 30. em vista disto, os lucros de Nova Pactual Participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação; 31. tal assertiva é comprovada pela simples análise da capitalização de lucros de Nova Pactual Participações, realizada nos termos de sua 4a Alteração Contratual, datada de 13/10/2006 oportunidade em que o capital de Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do direito ao recebimento de lucros; 32. esta foi, portanto, a razão de a capitalização de lucros de Nova Pactual Participações ter sido expressa e não mera decorrência de sua incorporação por Pactual; Fl. 803DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 33. a legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130, §1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados; 34. nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado, ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada; 35. no caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação; 36. o ajuste de custo do valor dos investimentos se verificaria, quer houvesse deliberação expressa específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings, como houve, quer não; 37. a legislação em vigor prevê que a capitalização dos lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; 38. quer a capitalização dos lucros das holdings tivesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionistas eram os vendedores e, dentre eles, estava o impugnante e, assim, o ajuste do custo dos seus investimentos decorre da aplicação da lei, não havendo como rejeitálo; 39. a opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção legítima e essencial aos negócios; 40. ainda que a majoração dos investimentos do impugnante no Banco Pactual seja em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco e que esta seja encarada como uma distorção, ela resulta da aplicação das normas societárias em vigor; 41. não se pode esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe favorecer, pela peculiaridade de determinada situação; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; 42. as distorções decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial ocorrem não só nas hipóteses de incorporações reversas, mas também em outras situações; 43. o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, Fl. 804DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 6 9 ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”; 44. as distorções que ocorrem devem ser corrigidas por quem tem competência para isso, o legislador, estando o intérprete e o aplicador da lei adstritos aos seus termos, não lhes cabendo deixar de aplicála por considerar que deveria ter tratado de forma diversa uma situação específica; 45. ao afirmar que o impugnante deveria ter baixado uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos quando ocorreu a incorporação reversa das holdings do Grupo Pactual, a fiscalização quer impor a adoção de procedimento sem base legal e sequer previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil; 46. além disso, faltaria até lógica a esse procedimento, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital; 47. a distribuição proporcional dos lucros da Nova Pactual Participações, decorrente desse aumento de capital, resultou em um acréscimo significativo na participação do impugnante, que passou de 0,3839% para 0,5756%; 48. por outro lado, após a incorporação da Nova Pactual Participações pela Pactual S/A ocorreu um aumento de capital dessa última, que proporcionou ao impugnante um acréscimo de custo no montante de R$ 4.482.396,00, sendo que o auto de infração desconsidera o acréscimo de custo decorrente do primeiro aumento de capital, ou seja, o de maior valor; 49. por coerência com o que consta do auto de infração, se alguma parcela de custo tivesse que ser desconsiderada, seria a decorrente do aumento de capital da Pactual S/A e não da Nova Pactual Participações uma vez que: i) o aumento vinculado à esta última empresa é resultante da utilização de lucros nela existentes e o impugnante tinha investimentos diretos na empresa; e ii) esse aumento de custo teria ocorrido mesmo na hipótese da empresa Nova Pactual Participações ter incorporado a Pactual S/A (a investida), dentro do que seria o “padrão normal” destas operações, conforme sustenta o auto de infração; 50. o art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil contempla situação em que pessoas sem qualquer interesse real (as chamadas interpostas pessoas) participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes; 51. no caso concreto, não houve simulação por interposição de pessoa, pois em nenhum momento aparentouse conferir direitos a pessoa distinta com o objetivo de ocultar a que efetivamente os recebeu, não tendo havido em qualquer etapa da reestruturação a interposição de parte oculta; Fl. 805DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 52. a alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e o UBS Brasil, tendo a reestruturação sido feita às claras para viabilizar a negociação das ações do Banco Pactual diretamente pelos controladores e, nesse particular, ela não foi contestada; 53. os bens transferidos aos controladores foram ações do Banco Pactual e não direitos caracterizados pela majoração artificial do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A; 54. ainda que a legislação vedasse a elevação dos custos do investimento do impugnante, a reestruturação teria ocorrido exatamente da mesma forma que ocorreu, pois ela representava a maneira mais rápida e econômica de viabilizar o negócio; 55. de acordo com a maior parte dos precedentes do 1º CC, a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles; 56. o art. 116, § único, do CTN é inaplicável, seja porque ele não se destina ao combate de atos simulados, seja porque ele é ainda ineficaz, por não ter sido regulamentado; 57. o referido dispositivo não é autoaplicável e o próprio texto faz referência aos “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, sem os quais o referido dispositivo não produz efeitos; 58. a fiscalização não lançou a multa agravada com base na ocorrência de simulação, a qual foi suscitada no TVF unicamente para justificar a aplicação do art. 116, § único do CTN; 59. todavia, se este tivesse sido o caso, a inaplicabilidade da multa já teria restado plenamente comprovada, pois, conforme visto, não houve qualquer ato simulado na reestruturação; 60. o fato de o TVF indicar a existência cumulativa de simulação, sonegação, fraude e conluio é um fortíssimo indício de que a fiscalização não se preocupou em comprovar suas alegações, optando por mencionar todas as patologias que lhe ocorreram; 61. tal procedimento contraria a jurisprudência pacífica do CARF e da CSRF, que em numerosos julgados têm decidido que a aplicação da multa agravada está condicionada à comprovação, por parte do fisco, da existência de “evidente intuito de fraude do sujeito passivo”; 62. diante do exposto, fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente; 63. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; Fl. 806DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 7 11 64. à vista do exposto, requer que seja julgado improcedente o auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário dele decorrente. Para fins de instrução processual, o contribuinte juntou aos autos os documentos de fls. 520/656. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. LAPSO MANIFESTO. Para a correção de inexatidão material devida a lapso manifesto existente no acórdão, é proferido novo acórdão. ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constar do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Só é considerado válido o planejamento tributário, conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômicofiscal, se este anteceder o fato gerador e pautarse pela legalidade, com o afastamento de qualquer forma de simulação em relação aos atos e negócios praticados. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. INCORPORAÇÕES REVERSAS. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada a simulação, visto que, por trás da verdade declarada, uma aparente reorganização societária representada por um conjunto de alterações contratuais, existia uma outra verdade, qual seja, a majoração artificial do custo das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 MULTA QUALIFICADA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do pagamento do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 01/02/2013 (fl. 729) e, em 21/02/2013, interpôs o recurso de fls. 741/791, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2009. Como visto do relatório, cingese a controvérsia na regularidade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição das ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. Em seu apelo, defende o contribuinte a higidez da operação alegando que o Grupo Pactual era composto por diversas holdings constituídas há mais de dez anos, cujo objetivo era organizar o controle do Banco, quando sequer cogitavam alienar seus investimentos. Afirma que as incorporações de holdings tem sido a opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária, conforme dispõe o art. 8º da Lei 9.532/1997. Assegura que é inaplicável o art. 116, parágrafo único, do CTN, já que a validade do método encontra respaldo no art. 135 do RIR/1999. Por fim, assevera que “... o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor”. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 8 13 Pois bem, para o deslinde da controvérsia, cumpre reproduzir, de antemão, trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 441/457): Ao observarmos, os negócios perpetrados pelo "GRUPO PACTUAL", entre os dias 13.10.06 e 01.12.06, verificamos de pronto o seguinte padrão: o aumento de capital em uma determinada empresa, através de créditos detidos por seus sócios pessoas físicas, e sua subseqüente incorporação em outra empresa que, por sua vez, sofrerá novo aumento de capital e nova incorporação. E, ainda, que os ativos das empresas incorporadas se constituíam quase que integralmente, ou integralmente no último caso, do investimento na incorporadora. Essas incorporações, não seguiram o padrão normal que é aquele onde a investidora incorpora a investida, mas o inverso, onde as investidas incorporam suas investidoras em operações conhecidas como incorporações reversas. Não há obste legal que impeça os contribuintes de optar por qualquer uma das formas de incorporação, sendo que é comum a utilização da forma reversa em alguns planejamentos tributários com objetivo de se aproveitar o prejuízo fiscal da incorporadora, o que não seria possível através da forma tradicional devido à expressa vedação imposta pelo art. 514 do RIR/99.(1) A par da licitude da vontade e realidade dos atos societários examinados que permearam a reorganização societária quanto a sua adequada cronologia, execução e tempestividade de arquivamento no registro de comércio, no presente caso essas capitalizações seguidas das incorporações reversas serviram, como se demonstrará a seguir, para á elevação indevida do custo da participação que o Contribuinte possuía no "BANCO", reduzindo assim o valor do Ganho de Capital na posterior alienação dessa participação e conseqüentemente o valor do imposto devido. (...) Procurar dar outra conotação ao art.135 do RIR/99 seria presumir que o mesmo tenha pretendido extinguir a figura do Ganho de Capital e por decorrência á sua tributação, uma vez que, como foi visto acima, o seu valor ficaria exclusivamente a critério do contribuinte que poderia inclusive transformálo em prejuízo. IV.i Operação Simulada Pretendeuse simular, através das operações acima descritas, que o Custo, de aquisição da participação societária detida pelo CONTRIBUINTE junto ao BANCO PACTUAL S/A e alienada a UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. seria de R$ 11.563.357,70 quando conforme demonstrado, o valor total do investimento efetuado pelo Contribuinte na referida participação Fl. 809DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 alcançou o valor de. R$ 6.580.658,70 (R$ 11.563.357,70 R$4.982.699,00). (...) VIICONCLUSÃO Antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda., o Contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação através dos artifícios contábeis, acima detalhados, que, resumidamente consistiram, na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea incorporação reversa daquelas por estas últimas. Com isto, a cada incorporação realizada, o Contribuinte aumentava o custo da participação que intencionava vender e assim, subtrair parte do ganho de capital que ocorreria na alienação. Entretanto, os aumentos de capital promovidos pelo Sr. Iuri Rapoport e utilizados como justificativa para esses aumentos de custo tiveram por gênese um único fato econômico: o Lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, os demais aumentos de custo foram efetuados destituídos de qualquer amparo material e econômico. Pretendeuse, aumentar o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos. Do exposto, verificase que o recorrente aumentou o custo de aquisição de sua participação, por meio de artifícios contábeis que tiveram como única origem o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Na verdade, a mesma riqueza representou aumento do custo de aquisição mais de uma vez, reduzindo, dessa feita, o ganho de capital e, por consequência, o pagamento do imposto de renda devido. Como bem pontuou o recorrente, não há qualquer impedimento à utilização do art. 135 do RIR/1999 para computar no custo de aquisição os lucros ou reservas de lucros oriundos do aumento de capital ou incorporação dos resultados apurados pela sociedade, contudo, uma vez utilizados os lucros e reservas de capital, não é plausível que eles possam lastrear nova operação, já que, no caso dos autos, não houve geração de lucros autônomos e independentes nas sociedades investidoras. O método de equivalência patrimonial consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida. Portanto, o contribuinte pode promover o acréscimo ao custo de aquisição de investimento por meio da capitalização de lucros ou reserva de lucros, mesmo que esses tenham sido apurados única e exclusivamente com base em resultados decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial. Entretanto, in casu, houve o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual, evidenciando, repisese, a elevação artificial do custo de alienação das ações, conforme se infere da comparação do aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período. Com efeito, não é dado ao contribuinte criar determinada situação para se encaixilhar na situação legalmente prevista, ou seja, proceder a uma interpretação jurídica da norma descasada com seu aspecto econômico. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 9 15 O fato de cada uma das transações isoladamente e do ponto de vista formal ostentar legalidade, não garante a legitimidade, perante o fisco, do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática desses atos. Concluise, pois, que o recorrente majorou artificialmente o custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, já que seu propósito era de fato reduzir o montante de seu ganho de capital e consequente imposto incidente sobre essa alienação. Essa premissa fica mais evidente quando se constata que os aumentos de capital tiveram origem em um único fato econômico, o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico. Em decisões semelhantes, envolvendo outros sócios/acionistas, o CARF reiteradamente posicionouse no sentido da ilegitimidade da majoração artificial do custo de aquisição, consoante se observa das ementas transcritas: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202002.165) .... OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202002.428) .... Fl. 811DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 16 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS REFLETIDOS NAS HOLDINGS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na incorporação societária é indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados pela empresa investidora (operacional) refletidos nas investidas (holdings), apurados pelo Método de Equivalência Patrimonial, por se tratar de serem os mesmos lucros refletidos da investidora e das investidas holdings. (Acórdão n° 2201002.196) .... OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítido inobsevância do Principio da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202002.167) .... OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítido inobsevância do Principio da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. (Acórdão nº 2202002.166) Quanto à alegação de erro na base de cálculo, penso que não tem passagem, já que a autoridade fiscal identificou corretamente a base de cálculo, conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual, tendo, inclusive, compensado o valor tempestivamente recolhido pelo contribuinte (fls. 456/457). Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização de se expurgar o efeito das seguidas capitalizações nas participações, tendo em vista que a operação implicaria em capitalização duplicada, e sem fundamentação econômica. No que tange à multa qualificada, entendeu a autoridade autuante que a forma utilizada pelo contribuinte para a implementação da alienação de sua participação societária demonstra, inequivocamente, a intenção de impedir o conhecimento por parte da autoridade Fl. 812DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 10 17 fazendária das circunstâncias materiais do fato gerador, configurandose a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502/1964. Com a devida vênia, entendo que a operação praticada pelo contribuinte foi determinante para a apuração da omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas, contudo, penso que não pode ser indicativo de evidente intuito de fraude. A propósito, valho me dos bem lançados fundamentos do Conselheiro Nelson Mallmann quando discorreu sobre o evidente intuito de fraude no Acórdão nº: 10421.480, de 23 de março de 2006: O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Com efeito, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. Nessa ordem de ideias, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de ofício qualificada, devendo a penalidade ser reduzida ao percentual de 75%. Por fim, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, já que tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário, sendo, portanto, aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Esse entendimento está pacificado na CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Ressaltese que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 813DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Declaração de Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. 1. Custo de Aquisição – Elemento formador da base de cálculo Ganho de capital é base de cálculo do imposto sobre a renda e consiste na diferença positiva entre o valor de venda e o custo de aquisição de investimento. Assim, como o custo de aquisição e o valor de venda são elementos formadores da base de cálculo, ambos devem ser devidamente definidos na norma tributária, com vistas a garantir a segurança jurídica e evitar critérios subjetivos e casuísticos. A definição do custo de aquisição não pode ser entendida como um conceito aberto, sujeito a interpretações subjetivas e casuísticas. Por se tratar de elemento formador da base de cálculo do tributo sua definição deve ser clara e objetiva. No caso em questão, a discussão se trava quanto à possibilidade de incremento do custo de aquisição do investimento detido pelo Recorrente, especialmente em face da capitalização de lucros/reserva de lucros resultantes única e exclusivamente de equivalência patrimonial. Logo, tratase de tema que impacta a base de cálculo do imposto de renda. A norma tributária dispõe, no artigo 135 do RIR/99, como é definido o custo de aquisição do investimento quando da capitalização de lucros ou reserva de lucros, confira se: Custo de Participações Societárias Adquiridas com Incorporação de Lucros e Reservas Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Logo, percebese que a definição do custo de aquisição encontrase prevista em lei e, portanto, não cabe definição casuística. O dispositivo em questão goza de caráter genérico e deve ser aplicado de forma indistinta a todos os fatos que se enquadrem na sua disposição. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 11 19 No caso em apreço, tanto a fiscalização quanto o Recorrente não discordam que o referido dispositivo legal se aplica, porém não há concordância acerca da interpretação do dispositivo legal. Se por um lado a autoridade tributária entende que é a capitalização de lucros ou reserva de lucros resultantes única e exclusivamente de equivalência patrimonial representa a mesma riqueza e, portanto apenas passível de incrementar o custo de aquisição do investimento uma única vez, por outro lado o Recorrente entende que não há vedação legal para se proceder ao incremento do custo de aquisição do investimento em face lucros ou reserva de lucros oriundos de equivalência patrimonial. Em face das interpretações apresentadas, a lei faculta ao contribuinte o acréscimo ao custo de aquisição de investimento a capitalização de lucros ou reserva de lucros, mesmo que esses tenham sido apurados única e exclusivamente com base em resultado de equivalência patrimonial. Isso porque não há dispositivo legal que impeça o incremento do custo de aquisição com base em resultados oriundos de equivalência patrimonial e como mencionado anteriormente por ser elemento formador da base de cálculo do imposto sobre a renda, a definição do custo de aquisição deve ser clara e objetivamente determinada, não sendo possíveis interpretações que se afastem do caráter objetivo da norma. Logo, onde o legislador não restringiu não cabe ao intérprete fazêlo. Assim, procedeu de forma correta o Recorrente ao acrescer ao custo de aquisição do investimento as capitalizações de lucro e reservas de lucros oriundos de resultados única e exclusivamente apurados com base em equivalência patrimonial. Porém, esse não é o único argumento pelo qual o auto de infração não deve ser mantido. A diferenciação entre os efeitos econômicos e jurídicos para fins tributários também é de importante análise para esses fins. 2. Tributação Jurídica x Econômica Sob a alegação que a capitalização de lucros e reserva de lucros resultantes de equivalência patrimonial não deve ser considerada para fins de aumento do custo de aquisição, a fiscalização pretende reduzir o custo de aquisição do Recorrente utilizado para apurar o ganho de capital na venda do investimento. O lucro resultante de equivalência patrimonial nada mais é que a riqueza auferida pela investida (Banco Pactual) refletida nos registros contábeis das investidoras (holdings). Assim, no entendimento da fiscalização, permitir que o custo de aquisição seja aumentado em face da capitalização de lucros oriundos de equivalência patrimonial, seria permitir que a mesma riqueza representasse aumento do custo de aquisição mais de uma vez, Fl. 815DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 20 fato que acaba por refletir na apuração do ganho de capital e, por consequência, em pagamento a menor de tributo. Sob a ótica econômica, é certo que o lucro da investida é refletido no lucro da investidora por equivalência patrimonial e se isolarmos esse fato e apenas pensarmos economicamente, chegamos à conclusão que é a mesma riqueza e de o fato é. A partir desse raciocínio que a autoridade tributária desconsidera parte dos lucros capitalizados, pois já que é economicamente a mesma riqueza, não poderiam aumentar o custo de aquisição (elemento integrante da base de cálculo do ganho de capital) duplamente. Porém, os efeitos econômicos não devem ser utilizados para exigir indistintamente a tributação, especialmente quando há norma formal expressa sobre o tema. A tributação econômica ocorre diariamente e não deve ser tomada como base para fins de cobrança de imposto ou para fins de nãopagamento de imposto. Para tanto devemos considerar a tributação jurídica, aquela prescrita nas normas tributárias que garantem aos jurisdicionados a segurança jurídica. Proponho um exercício sob outra perspectiva, qual seja, quando o contribuinte, sob a ótica econômica, paga duas vezes tributo sobre a mesma riqueza. Imaginemos um profissional assalariado que recebe mensalmente seu ordenado e é descontado na fonte o imposto de renda. Tal profissional recebe seu rendimento líquido de imposto e contrata os serviços de um arquiteto para reformar sua residência. Pois bem. O profissional assalariado remunera o arquiteto pelos serviços prestados e o arquiteto, por também ser contribuinte do imposto de renda, deve recolher imposto sobre esse rendimento auferido. Percebase que sob a ótica econômica tratase do mesmo rendimento, qual seja da mesma riqueza (salário e honorários do arquiteto). Porém, não há possibilidade de o arquiteto não pagar imposto de renda sobre o rendimento auferido sob a alegação que se trata de riqueza economicamente já tributada no nível do profissional assalariado. Isso porque o ordenamento jurídico brasileiro é pautado na tributação jurídica da renda e não em sua tributação econômica. Devese tributar aquilo que a lei prescreve como tributável, independente do efeito econômico. Assim, não se pode sob o pretexto de uma tributação econômica desconsiderar por completo a legislação posta. A tributação não pode ser decidida casuisticamente e com base em critérios econômicos, aritméticos ou matemáticos como defende a fiscalização. A tributação deve observar a norma legal, mesmo que essa por algumas vezes, não se coadune de forma perfeita com a realidade econômica dos fatos. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 12 21 Desta forma, tendo em vista que a presente autuação é exclusivamente baseada em critérios econômicos, entendo que o auto de infração não deve prosperar. 3. Afastamento da multa de ofício qualificada A fiscalização entende aplicável multa de ofício qualificada por restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Recorrente no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou a excluir ou modificar as suas características essenciais Com vistas a respaldar o entendimento acima, a fiscalização elenca uma série de condutas do Recorrente e dos exacionistas do Grupo Pactual. Vejamos a seguir os argumentos levantados pela fiscalização e o contraponto do Recorrente. 3.1. Estrutura do Grupo Pactual em holdings A estrutura societária do Grupo Pactual com holdings já existia antes do processo de venda. Era a forma societária pela qual o Grupo executava suas atividades. De acordo com o apresentado pelo Recorrente, a referida estrutura vale por uma questão de assegurar a divisão da gestão e controle do Grupo, bem como para repartir os lucros em face dos acionistas que mais contribuíram para alcançar resultado, com base no sistema da meritocracia. Ou seja, aqueles acionistas que gerem melhor suas áreas de atuação recebem mais retorno financeiro. A estrutura da forma que se encontra é validamente aceitável perante o ordenamento jurídico brasileiro e atinge aos objetivos a que se propõe. Ou melhor, a estrutura de holding não foi criada para fins de planejamento tributário. Assim, a argumentação no sentido de que a estrutura societária com holdings objetiva redução do pagamento de imposto devido em face da operação de alienação não pode ser acatada, pois a estrutura de holdings apresentada pelo Grupo existe muito antes de se cogitar a venda do Banco Pactual, bem como a estrutura apresenta propósito jurídico válido, ou seja, organizar não apenas a divisão do controle e gestão do Grupo Pactual, mas também repartir os resultados de forma meritória entre aos acionistas. 3.2. Incorporação inversa A fiscalização entende que as incorporações inversas tiveram como único objetivo incrementar artificialmente o custo de aquisição do investimento detido pelo Recorrente. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Argumentar que a incorporação inversa não seria o processo “normal”, parece uma limitação aquilo que o legislador não pretendeu limitar. Não há na lei processo normal ou alternativo à operação de incorporação. De acordo com o artigo 227 da Lei nº 6.404/76, temse que: A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Verificase da leitura do dispositivo legal que não há “processo normal” de incorporação. A incorporação é uma operação societária que visa absorção de sociedades com a sucessão de direitos e obrigações. Não há na lei menção há investidoras e investidas. A ilação da fiscalização busca conceder à operação um caráter escuso que essa não apresenta. O Recorrente argumenta que efetuar a reestruturação societária para fins de venda da forma que a fiscalização sugere é um processo mais gravoso, burocrático e demorado, além de por em risco negócios firmados pelo Banco Pactual, tendo em vista que nos contratos financeiros há cláusulas expressas que vedam a incorporação da instituição financeira por outra sociedade, cláusula que visa garantir a integridade do banco para seus credores. Ademais, a atividade financeira apresenta como principal característica a fidúcia, ou seja, seus clientes e credores devem ter a confiança que a instituição vai ali permanecer sem alterações substanciais. Logo, tendo em vista o fato concreto em questão, promover a reestruturação com a incorporação do Banco Pactual pela sua investidora acabaria por prejudicar as atividades do Banco e possivelmente influenciaria de forma negativa a operação de alienação. Além disso, a incorporação do Banco Pactual pela sua investidora, especialmente porque sua investidora não é qualificada como instituição financeira perante o Banco Central do Brasil, acabaria por acarretar necessidade de um tempo maior, com vistas a serem atendidos os requisitos regulatórios nacionais para que a investidora pudesse assumir as atividades do Banco Pactual. Portanto, não há ilícito na forma pela qual a reestruturação societária foi efetuada. Ilicitude haveria se tal reestruturação fosse realizada para dissimular ou fraudar o real objetivo das partes. São coerentes, razoáveis e justificáveis os fatos apresentados pelo Recorrente para justificar a reestruturação da forma que ocorreu. 3.3. Atos societários sucessivos A fiscalização também se prende à questão dos atos societários terem sido praticados em curto espaço de tempo, fato que pode ser entendido como um planejamento ilícito. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 13 23 Como demonstrado pelo Recorrente, o fato dos atos societários terem sido praticados de forma sucessiva e em curto espaço de tempo decorrem única e exclusivamente do caráter negocial da operação. Ou melhor, os então acionistas do Grupo Pactual possuíam uma “janela de oportunidade” para alienar o Banco Pactual. Em face da oportunidade, os exacionistas se deparam com a condição do comprador que deseja apenas adquirir a unidade operacional do Grupo, qual seja, o Banco Pactual. Ao comprador não interessa a aquisição de uma estrutura de holdings que apenas faz sentido da forma que o Grupo Pactual era estruturado em face da sua multiplicidade de acionistas, sendo preciso um mecanismo societário eficaz que conseguisse alocar poder de decisão, gestão e repartição de resultados. Assim, em face da premência do fechamento do negócio, os vendedores envidam seus melhores esforços para que em um espaço de tempo reduzido apenas reste o Banco Pactual como ativo a ser alienado ao comprador. Daí, os atos societários terem sido realizados em curto espaço de tempo e quase que em dias sucessivos. Argumenta o Recorrente que a incorporação da investidora pela investida foi adotada como forma de extinção das holdings, pois era o procedimento mais célere e menos burocrático dentre todos os possíveis. Portanto, entendo que o fato de os atos societários das incorporações terem ocorrido de forma sucessiva e em curto espaço de tempo mantém total alinhamento com o objetivo dos negócios nos tempos atuais, qual seja, celeridade. Não resta comprovado haver intuito de fraude, abuso de direito ou simulação nos atos societários que foram praticados para fins de incorporação. Os mesmos observaram seus objetivos, quais sejam reduzir o Grupo Pactual a uma única empresa para venda e foram praticados em linha com o ordenamento jurídico pátrio. 3.4. Estratégia de alienação do investimento A fiscalização ainda no auto de infração buscou simular operações onde haveria pagamento a maior ou a menor de imposto. De fato, a operação adotada pelo Recorrente resulta no pagamento de menos imposto quando comparada a outra, porém ambas encontram respaldo na legislação, não há óbices ou ilícitos em adotar uma ou outra. Não pode a fiscalização exigir do contribuinte o comportamento que resulte em pagamento maior de tributos quando há alternativa lícita e legal que resulte em menos pagamento de tributo. Isso seria interferir na vontade, nas intenções, na vida privada dos contribuintes. Desta forma, não pode a fiscalização impor ao contribuinte que efetue o negócio jurídico da forma que mais onerosa, especialmente quando a operação tem fundado propósito negocial, quer para fins civis quanto para fins comerciais e econômicos. 3.5. Abuso de direito, fraude ou simulação Fl. 819DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 24 Apesar da argumentação da fiscalização no sentido de restar caracterizado abuso de direito fraude ou simulação, o caso não se trata de abuso de direito, mas sim de divergência de interpretação da norma. A norma pode ser interpretada de várias formas a depender do operador do direito que a esteja manejando. A interpretação literal e a interpretação teleológica são formas de interpretação aceitas pelo ordenamento jurídico pátrio e lançar mão de uma ou de outra para observar a norma não caracteriza de forma alguma abuso de direito. A fiscalização interpreta a letra e o espírito da norma sob o viés econômico, enquanto o contribuinte compreende o disposto na norma sob uma acepção jurídica. Interpretações antagônicas não caracterizam abuso de direito, mas sim divergência. E, quando há divergência de interpretação, cabe aos julgadores nortearem o melhor sentido para aplicação da norma. Ademais, não houve prestação de informação falsa pelo Recorrente, esse de fato ao elaborar o cálculo do ganho de capital entende estar aplicando a legislação fiscal vigente. O máximo que poderia ter ocorrido, e já afasto essa hipótese, seria um equívoco de interpretação legislativa do contribuinte. Logo, resta comprovado o propósito negocial da estrutura, não havendo que se ventilar simulação, fraude ou abuso de direito. Pelo contrário os atos praticados isoladamente, bem como os atos vistos dentro de um conjunto têm como objetivo a alienação do Banco Pactual ao comprador da forma mais célere e menos onerosa possível, dentro dos limites e ditames legais. Em resumo, pelos fatos e argumentos acima narrados, a aplicação de multa de ofício qualificada não condiz com a realidade fática e deve ser afastada. 4. Juros de Mora sobre a Multa de Ofício O Recorrente em antecipação já defende a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, em razão da ausência de respaldo legal, bem como se tratar de uma dupla penalização. A cobrança de juros sobre multa de oficio ocorre em face do Parecer MF nº. 28, de 02.04.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), cuja conclusão deixa exposto que: “O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos Fl. 820DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 2201002.637 S2C2T1 Fl. 14 25 fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos.” Contudo, essa conclusão parte de uma exegese equivocada, porquanto o art. 61 da Lei nº. 9.430/96 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de oficio, que não são espécie tributária, conforme previsão do art. 3º do Código Tributário Nacional. Assim, não é cabível a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. (assinado digitalmente) NATHÁLIA MESQUITA CEIA Fl. 821DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16349.000040/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE.
O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA.
O contribuinte que apura Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial nos termos da Lei 10.925/04, não tem direito à correção dos valores correspondentes, por ausência de previsão legal.
Inaplicável ao caso o precedente veiculado no Recurso Repetitivo nº. 1035847 decidido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de utilização dos créditos para ressarcimento/compensação. Pelo Voto de Qualidade, não foi acatado o pedido de correção monetária suscitado em memoriais e durante a sustentação oral. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Leonardo Mussi da Silva, que substituiu o Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru, ausente momentaneamente, e Nanci Gama. O Conselheiro Leonardo Mussi da Silva fará declaração de voto quanto ao mérito e o Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, quanto à correção monetária.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente em Exercício e Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. O contribuinte que apura Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial nos termos da Lei 10.925/04, não tem direito à correção dos valores correspondentes, por ausência de previsão legal. Inaplicável ao caso o precedente veiculado no Recurso Repetitivo nº. 1035847 decidido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de utilização dos créditos para ressarcimento/compensação. Pelo Voto de Qualidade, não foi acatado o pedido de correção monetária suscitado em memoriais e durante a sustentação oral. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Leonardo Mussi da Silva, que substituiu o Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru, ausente momentaneamente, e Nanci Gama. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 40 /2 00 7- 35 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Conselheiro Leonardo Mussi da Silva fará declaração de voto quanto ao mérito e o Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, quanto à correção monetária. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente em Exercício e Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. 1. INDEPENDÊNCIA S.A, atual denominação de INDEPENDÊNCIA ALIMENTOS LTDA, empresa acima identificada, transmitiu Pedido de Ressarcimento (PER) nº 07877.55062.040206.1.1.080933 em 04/02/2006 (fls. 01/04). Este PER foi retificado pelo PER nº 03403.19664.310107.1.5.084728 (fls. 39/43) em 31/01/2007. 2. Segundo o interessado, a empresa teria apurado, no terceiro trimestre do ano de 2005, crédito decorrente de PIS não cumulativo – exportação, no valor de R$ 1.907.813,07. Deste montante: 2.1. R$ 387.763,01 teria sido utilizado para dedução do PIS apurado no período; 2.2. R$ 1.520.050,06 é objeto do Pedido de Ressarcimento. 3. Com o intuito de averiguar a liquidez e certeza do crédito, os autos foram encaminhados à DEFICSP (fls. 07/08). 4. Ao término dos trabalhos de diligência, a autoridade fiscal responsável pela execução dos trabalhos anexou aos autos os documentos de fls. 17/973 e exarou a Informação Fiscal de fls. 974/978, na qual reconhece o crédito pleiteado pelo contribuinte (ressarcimento), exceto no que tange ao crédito apurado sobre fretes internacionais. 5. Após a realização da diligência fiscal, os autos retornaram à DERAT SP que proferiu Despacho Decisório de fls. 982/990, no qual deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento, ratificando a posição do diligenciante, no que tange à glosa dos créditos incidentes sobre fretes internacionais (pagamento de frete para não residentes), e concluindo que o crédito presumido – atividades agroindustriais não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento. 6. Ciente desta decisão em 17/07/2007 (fl. 991 v), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 10/08/2007 (fls. 992/1.007) que pode ser sintetizada da seguinte maneira: 6.1.o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 é inconstitucional, pois fere o princípio da legalidade. Este Ato afronta as Leis nºs 10.833/2003, Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000040/200735 Acórdão n.º 3102001.725 S3C1T2 Fl. 3 3 10.637/2002, 10.925/2004, 11.116/2005 e 11.033/2004, que prevêem a possibilidade de compensação ou ressarcimento do saldo credor de PIS e de COFINS; 6.2.as Leis nºs 11.116/2005 e 11.033/2004 concedem o direito à compensação/ressarcimento do saldo credor de PIS e de COFINS, decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de tais contribuições; 6.3. as Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002 prevêem a não incidência da contribuição ao PIS e COFINS sobre a receita de exportação e asseguram a utilização deste crédito com fins de compensação/ressarcimento; 6.4.o direito ao crédito presumido está previsto na Lei nº 10.925/2004; 6.5.cita a exposição de motivos da MP nº 183/2004, que resultou na Lei nº 10.925/2004. Segundo o contribuinte, fica claro que o crédito presumido foi instituído com a finalidade de anular a acumulação do PIS/COFINS no preço dos produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas. Negar a possibilidade de compensação/ressarcimento do PIS/COFINS significa transferir a acumulação destas contribuições para a indústria que adquiriu os bens e insumos de pessoa física. No caso de empresa exportadora, como o interessado, significa acumular saldo credor de contribuições indefinidamente; 6.6.o Ato Declaratório não se encontra entre as fontes do direito; 6.7.discorre sobre o julgamento administrativo; 6.8.requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A falta de reconhecimento do crédito pleiteado pelo contribuinte não permite deferir o pedido de ressarcimento elaborado pelo interessado. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Assevera que “as Leis 11.116/2005 e 11.033/2004 concedem o direito à compensação/ressarcimento do saldo credor de PIS e COFINS, decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de tais contribuições”. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Que “as Leis 10.833/2003 e 10.637/2002 prevêem a não incidência da contribuição ao PIS e COFINS sobre a receita de exportação e asseguram a utilização deste crédito com fins de compensação/ressarcimento”. Que “o direito ao crédito presumido está previsto na Lei 10.925/2004”. E que “na exposição de motivos da MP 183/04, que resultou na Lei 10.925/2004, fica claro que o crédito presumido foi instituído com a finalidade de anular a acumulação do PIS/COFINS no preço dos produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas, contudo, negar a possibilidade de compensação/ressarcimento do PIS/COFINS significa transferir a acumulação destas contribuições para a indústria que adquiriu esses bens e insumos”. Considera que, caso entendase que tais disposições não sejam aplicáveis ao caso concreto, deveria o Fisco lançar mão da analogia como método de integração da norma, para “que a recorrente possa utilizarse de seus créditos presumidos da atividade agroindustrial para compensar tributos ou ser ressarcida em espécie”. Advoga a ilegalidade do Ato Declaratório nº. 15/2005. Por fim, requer atualização dos valores do crédito pela Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Embora a divergência encontrada entre o valor pretendido pela Recorrente e o valor admitido pelo Fisco decorra não só da glosa do Crédito Presumido para Atividades Agroindustriais, mas também de créditos calculados sobre o valor pago por frete internacional contratado, está claro, desde a impugnação ao lançamento, que somente a primeira matéria foi objeto de contestação.O Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado não inova. Não acusa erro na formulação da decisão de piso, apenas reedita os argumentos já apresentados à instância a quo. Examino o entendimento defendido pelo contribuinte. O argumento de que as 11.116/05 e 11.033/04 concedem, em caráter genérico e indiscriminado, o direito à compensação/ressarcimento do saldo credor de PIS/Pasep e Cofins, decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de tais contribuições, merece ser, uma vez mais, rejeitado. Os artigos das Leis supracitadas que disciplinam a matéria são os seguintes. Lei 11.116/05 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000040/200735 Acórdão n.º 3102001.725 S3C1T2 Fl. 4 5 acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Inicio por examinar as remissões feitas no caput do artigo 16 da Lei 11.116/05. A Lei 10.865/04 instituiu a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEP Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINS Importação. Por seu turno, os artigos 3o das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03, como se sabe, regulamentam o sistema básico de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Nenhum um e nem outro, como se vê, dizem respeito ao assunto objeto da presente demanda, na medida em que aqui se discute não créditos básicos, mas o Crédito Presumido do PIS/PASEP e COFINS da Atividade Agroindustriais. O artigo 17 da Lei 11.033/04 tem o seguinte teor. Lei 11.033/04 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Embora uma leitura apressada possa conduzir a outro entendimento, a observação atenta do enunciado do artigo 16 da Lei 11.116/05, combinado com a permissão outorgada pelo artigo 17, acima, pareceme por demais clara, qual seja, o saldo credor obtido no sistema básico de apuração não cumulativa das Contribuições (art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (também afetado pelos créditos decorrentes da Lei nº 10.865/04)), que tenhase acumulado ao final do período por conta do direito à manutenção do crédito nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência admitida pela Lei 11.033/04, poderá ser compensado, ou ressarcido em dinheiro. Equivocada, portanto, a interpretação da Recorrente de que o artigo 16 da Lei 11.116/05 estaria autorizando, de forma ampla e irrestrita, a compensação dos créditos decorrentes das vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, o que lhe aproveitaria. Na verdade, autoriza apenas a compensação dos chamados créditos básicos, que, em decorrência da desoneração na saída, terminam por acumularse gerando saldo que, não fosse assim autorizado, perderiam a utilidade. Ainda que se diga que o Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial também se acumula como causa da não incidência das Contribuições na receita decorrente da venda, o fato é que a Lei 11.116/05 é cristalina ao especificar quais créditos podem ser Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 compensados, restringindo seu universo aqueles apurados na forma dos artigos 3o das Leis nºs 10.637/02 e Lei 10.833/03, além dos créditos do art. 15 da Lei nº 10.865/04. Quanto a isso, importante relembrar que o Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, desde 30 de abril de 2004, deixou de estar contemplado nos artigos 3º das Leis 10.637/02 e Lei 10.833/03, passando a ser regido pelas disposições da MP nº 183, de 30/04/2004, convertida na Lei nº 10.925/04 e, mais tarde, Lei nº 11.051/04, com a seguinte redação final. Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Não há qualquer disposição no texto normativo que se refira à prerrogativa de compensação ou restituição do Crédito. Com efeito, com a edição das Leis acima citadas, revogando, a partir do ano de 2004, as disposições do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03 que referiam o Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, ele passou a ser regido por Lei própria, não lhe sendo mais aplicáveis especificações delimitadas a outras particularidades do sistema da não cumulatividade das Contribuições. Assim, seja prevalência da lei mais específica, seja pelas disposições literais de lei, não vejo margem para a interpretação desejada pela Recorrente. A esse respeito, merecem ser reproduzidos os esclarecimentos contidos no Voto Condutor da decisão recorrida, enfrentando a alegação de “as Leis 10.833/2003 e 10.637/2002 prevêem a não incidência da contribuição ao PIS e COFINS sobre a receita de exportação e asseguram a utilização deste crédito com fins de compensação/ressarcimento”, conforme também defendido em sede de Recurso Voluntário. Sustenta a defesa que o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 permitiria a compensação ou ressarcimento do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais. Este texto normativo tem a seguinte redação: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000040/200735 Acórdão n.º 3102001.725 S3C1T2 Fl. 5 7 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 6º são taxativos ao determinar que poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento os créditos apurados na forma do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Conforme anteriormente relatado, o crédito presumido previsto no parágrafo quinto do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 foi expressamente revogado pela Lei nº 10.925/04, destarte não há como entender correto o raciocínio do defendente. Desta forma, não há nenhuma possibilidade de que a exposição de motivos da MP 183/04 possa modificar a interpretação dada às disposições legais acima delineadas. Ainda que, como assevera a Recorrente, o crédito presumido tenha sido instituído com a finalidade de anular a acumulação do PIS/Pasep e Cofins no preço dos produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas, o alcance do favor, na época da ocorrência dos fatos constitutivos do direito requerido no processo, se limitava à autorização para deduzilo do valor das Contribuições devido em cada período, tal como definido pelo legislador na elaboração do texto normativo. Neste ponto, de se acrescentar que não vejo necessidade de perquirir sobre a ilegalidade do Ato Declaratório nº 15/2005. Como até aqui tentouse demonstrar, a solução do litígio depende, exclusivamente, da correta interpretação das Leis que regulamentam a concessão do benefício. Também não há que se falar em analogia. Tratase de um expediente somente aplicável na ausência de disposição expressa de lei, ex vi artigo 108 do Código Tributário Nacional. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (grifos meus) I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. Feitas todas essas considerações, há que se fazer menção à inovação legislativa introduzida pela Lei 12.058/09, não referida no corpo do Recurso Voluntário, mas argüida pelo Patrono da Recorrente, diretamente da tribuna. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Art. 47. O disposto nos arts. 31 a 37 desta Lei produzirá efeitos a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei. As novas regras são claras. A partir do dia 13 de outubro de 2009, desde que atendida a condição definida no parágrafo 2º acima reproduzido, o saldo do Créditos Presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8º da Lei no 10.925/04, Créditos do qual aqui nos ocupamos, passou a ser, ele também, passível de ressarcimento. Prescreveu a norma que os pedidos somente poderiam ser efetuados (i) a partir do primeiro dia do mês subseqüente à publicação da Lei e (ii) a partir de 1º de janeiro de 2010, respectivamente, em relação (i) aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007 e (ii) os créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação da Lei. As datas acima tratamse, salvo melhor juízo, de uma medida destinada a disciplinar o fluxo de ingresso dos pedidos, sem qualquer conseqüência em relação ao direito propriamente dito. Com efeito, não é de se imaginar que a inobservância das datas especificadas nos incisos I e II do parágrafo 1º tivesse o condão de excluir o direito ao aproveitamento do Crédito sob a forma autorizada na Lei. Por certo que a Administração haverá de ter obstaculizado o andamento dos pedidos de ressarcimento de créditos apurados depois do ano de 2007 e que tenham ingressado em data anterior a 1º de janeiro de 2010; contudo, nenhum prejuízo pode ser aventado em relação ao ingresso do pedido de ressarcimento de créditos apurados em data anterior, cuja condição delimita apenas a data a partir da qual poderseá exercêlo. Enquanto não decaído o direito, pareceme que não exista nada que impeça o administrado de apresentar o pleito. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000040/200735 Acórdão n.º 3102001.725 S3C1T2 Fl. 6 9 Nestes termos, uma vez que aqui se discute o direito ao ressarcimento de créditos apurados no ano de 2005, não vejo que leitura dos fatos poderia ensejar a negativa à sua concessão. Cogitar de recusálos por que o requerimento se deu em data anterior à fixada em Lei, remeteria a situação, a meu sentir, absolutamente despropositada. Não vejo como conceber uma recusa baseada numa casualidade desta ordem. Pelo simples fato de estar discutindo o direito perante a Administração e, até por isso, impedido de ingressar com novo pedido, a parte restaria severamente prejudicada, negandoselhe direito concedido por Lei. Não creio que a interpretação das disposições legislativas possa levar a tal situação. Noutro giro, no Parecer emitido pela Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo, Equipe de Orientação e Análise Tributária, a Autoridade Fiscal esclarece as razões para glosa dos valores requeridos no pedido de ressarcimento, conforme segue. Dessa forma, o crédito presumido vinculado às receitas de exportação auferidas no mesmo período de apuração somente pode ser utilizado para fins de desconto com débitos da própria contribuição, vedado sua compensação ou ressarcimento em espécie. Uma vez atendida a condição especificada no § 2º do artigo 36 da Lei 12.058/09, deve ser reconhecido o direito pleiteado pela Recorrente, conforme inteligência do caput, inciso II, do mesmo artigo, combinado com inciso I do parágrafo 1º, autorizando o procedimento pretendido no período neste informado. A mesma sorte não socorre à parte quando o assunto diz respeito à atualização dos créditos pela Taxa Selic. Como é cediço, a teor das disposições legais pertinentes, somente se cogita da aplicação de índices de correção ou atualização monetária nas hipóteses de pagamento indevido, conceito no qual o ressarcimento não está incluído. Código Tributário Nacional. Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No caso concreto não há cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador. Em lugar disso, foi concedido o direito a crédito Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 presumido em razão do tipo de atividade exercido pela Recorrente, sem que se tenha configurado, em nenhum momento, o indébito. Descendo à legislação ordinária, encontrase disciplinada no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a aplicação da taxa Selic à compensação ou à restituição, nos seguintes termos: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (grifos meus) (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Lei 8.383/91, Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) (grifos meus) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) Não me parece haver dúvidas de que as normas regulamentares, em sintonia com o Código Tributário Nacional, previram correção nos casos de restituição ou de compensação decorrentes de pagamento indevido ou a maior (de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383) de tributos, nunca nos casos de pedido de ressarcimento do valor acumulado por força da não incidência sobre receitas decorrentes de atividade incentivada. Superadas as questões de natureza eminentemente legais, devese acrescentar ao vertente juízo eventual efeito das decisões tomadas em Regime de Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal ou Recurso Repetitivo, em matéria infraconstitucional, pelo Superior Tribunal de Justiça, que, conforme artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000040/200735 Acórdão n.º 3102001.725 S3C1T2 Fl. 7 11 alteração introduzida pela Portaria 586/2010, devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos submetidos a este Conselho. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Quanto a isso, pareceme que mereçam especial atenção os Recursos Especiais nºs 1.035.847 e 993.164, e a Súmula nº 411, todos decididos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, versando sobre matéria de interesse da lide. RECURSO ESPECIAL Nº 1.035.847 RS (2008/00448972) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO ANGELA T. GOBBI ESTRELLA E OUTRO(S) RECORRIDO : MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA ADVOGADO : HILDA HELENA DE BRITTO FORNI EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA N. 411STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000040/200735 Acórdão n.º 3102001.725 S3C1T2 Fl. 8 13 I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 14 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ainda que todas as decisões acima transcritas, repitase, de reprodução obrigatória nos julgamentos que versem sobre a matéria nelas decidida, indiquem clara tendência jurisprudencial favorável ao intento da Recorrente, o fato é que, em nenhum caso, identificase exata correspondência entre o assunto versado nos autos e a matéria decidida naquelas. O Recurso Especial nº 1.035.847 e a Súmula 411 fazem referência textual, um, ao Imposto sobre Produtos Industrializados e, outro, aos créditos desse Imposto decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade, afastandose, assim, do caso concreto. Por sua vez, o Recurso Especial 993.164 decide a respeito do direito ao Crédito Presumido previsto na Lei 9.363/96, assunto distinto do que aqui é tratado: Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao ressarcimento/compensação dos créditos discutidos, sem qualquer tipo de atualização/correção dos valores correspondentes. Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000040/200735 Acórdão n.º 3102001.725 S3C1T2 Fl. 9 15 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000863/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS
O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ.
Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado.
No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições.
As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO INDEVIDA DE CUSTOS DE MÃO DE OBRA
Somente podem ser excluídas da base de cálculo as verbas e rubricas citadas expressamente no art. 1º, §3o, da lei n° 10.833/2003, entre as quais não há nenhuma menção a custos de mão de obra.
CRÉDITOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. VEDAÇÃO LEGAL
O inciso V do art. 3° da lei n° 10.833/2003, que permitia calcular créditos sobre despesas financeiras, foi revogado pelo art. 37 da lei n° 10.865/2004, ficando vedada tal prática a partir de 01/08/2004.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. PROVA. NECESSIDADE.
A conduta do contribuinte de dar uma interpretação divergente daquela dada pelo Fisco a um fato não implica, per si, que esteja praticando uma conduta dolosa ou fraudulenta. Devem ser juntadas aos autos, pela autoridade autuante, provas da ocorrência dessas condutas.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n° 14 do CARF).
Numero da decisão: 3202-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO INDEVIDA DE CUSTOS DE MÃO DE OBRA Somente podem ser excluídas da base de cálculo as verbas e rubricas citadas expressamente no art. 1º, §3o, da lei n° 10.833/2003, entre as quais não há nenhuma menção a custos de mão de obra. CRÉDITOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. VEDAÇÃO LEGAL O inciso V do art. 3° da lei n° 10.833/2003, que permitia calcular créditos sobre despesas financeiras, foi revogado pelo art. 37 da lei n° 10.865/2004, ficando vedada tal prática a partir de 01/08/2004. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. PROVA. NECESSIDADE. A conduta do contribuinte de dar uma interpretação divergente daquela dada pelo Fisco a um fato não implica, per si, que esteja praticando uma conduta dolosa ou fraudulenta. Devem ser juntadas aos autos, pela autoridade autuante, provas da ocorrência dessas condutas. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n° 14 do CARF).
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INCIDÊNCIA Recorrente DACALA SERVIÇOS TERCEIRIZADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO INDEVIDA DE CUSTOS DE MÃO DE OBRA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 63 /2 01 1- 76 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 490 2 Somente podem ser excluídas da base de cálculo as verbas e rubricas citadas expressamente no art. 1º, §3o, da lei n° 10.833/2003, entre as quais não há nenhuma menção a custos de mão de obra. CRÉDITOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. VEDAÇÃO LEGAL O inciso V do art. 3° da lei n° 10.833/2003, que permitia calcular créditos sobre despesas financeiras, foi revogado pelo art. 37 da lei n° 10.865/2004, ficando vedada tal prática a partir de 01/08/2004. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. PROVA. NECESSIDADE. A conduta do contribuinte de dar uma interpretação divergente daquela dada pelo Fisco a um fato não implica, per si, que esteja praticando uma conduta dolosa ou fraudulenta. Devem ser juntadas aos autos, pela autoridade autuante, provas da ocorrência dessas condutas. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n° 14 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração lavrados em 31/03/2011 (efls. 124/ss), para a cobrança da Cofins e do PIS, juros de mora e multa de ofício agravada (150%), em relação às seguintes matérias: (i) na apuração da base de cálculo das contribuições o contribuinte excluiu os custos relativos à mão Fl. 491DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 491 3 deobra pagos a pessoa física (“item 4 – Exclusões ref. Mão de Obra”); (ii) inclusão indevida de créditos decorrentes de despesas financeiras (“item 11 – Despesas financeiras”). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório 4. O processo em exame versa sobre um lançamento de Cofins e outro de Pis, ambos realizados pela DEFIS/SPO em 31/03/2011 com o escopo de constituir os débitos dessas contribuições apurados no anocalendário de 2007, os quais não haviam sido recolhidos nem declarados. 5. O lançamento da Cofins foi formalizado no auto de infração anexo às fls. 132/135 (V1), cujos demonstrativos se acham nas fls. 128/131 (V1); já o do Pis deu origem ao auto de infração das fls. 142/145 (V1), cujos demonstrativos se encontram nas fls. 138/141 (V1). 6. O autor do feito lavrou ainda um “Termo de Constatação Fiscal” (fls. 123/126 — V1), em que relata os fatos apurados no decurso da fiscalização, salientando que, em face da conduta reiterada de falta de recolhimento e declaração de contribuições sabidamente devidas, se viu obrigado a majorar a multa de ofício imposta, nos termos do art. 44, § 1o, da lei n° 9.430/96, sem prejuízo da lavratura de representação fiscal para fins penais, consoante determinação contida no art. 1o da Portaria RFB n° 2.439/2010. 7. O crédito tributário lançado, composto de principal, multa de ofício de 150% e juros de mora (calculados até 28/02/2011), perfaz os montantes de R$ 738.775,64 no caso da Cofins (fl. 132 — V1) e R$ 160.603,95 no caso do Pis (fl. 142 — V1). 8. Tomando conhecimento da autuação em 12/04/2011, a interessada apresentou em 11/05/2011 — tempestivamente portanto — a impugnação contida no arquivo “PDF” intitulado “Impugnação”, cujo teor resumo abaixo, acompanhada de alguns documentos constantes nos arquivos digitais que se lhe seguem. Resumo a. Começa por requerer a anulação dos lançamentos, cuja insubsistência se propõe demonstrar no curso do arrazoado em exame; b. Afirma que, sendo empresa de mão de obra temporária, é evidente que a quase totalidade de sua receita provém da aplicação de mão de obra em diversas atividades que enumera no item 8 da impugnação. c. Alega que, devido a essa particularidade, os custos relativos à mão de obra e às receitas financeiras devem ser considerados como insumos, podendo portanto ser descontados da base de cálculo do Pis e da Cofins, consoante prevêem as leis n° 10.637 e 10.835 em seu art. 3o, II, o qual reproduz no item 7. d. Observa que, ao não levar em conta tal fato, a autoridade fiscal foi de encontro ao princípio da legalidade, que deve nortear a atividade fiscalizadora. e. Alegando que o pagamento de salários consome mais de 60% de seu faturamento, pondera não ser razoável que uma empresa cedente de mão de obra deva incluir na base de cálculo das referidas contribuições a remuneração paga a seus funcionários. f. Passa a discorrer sobre o conceito de insumo, fazendo farta citação de doutrina e jurisprudência. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 492 4 g. Assevera que, ao estender ao Pis e à Cofins o conceito de insumo utilizado para fins de apuração do IPI, as IN n° 247/2002 e 404/2004 infringiram o princípio da estrita legalidade tributária, bem como o art. 109 do CTN, distorcendo assim o conceito de insumo. h. Apoiada em alguns julgados do CARF, cujas ementas transcreve no item 22, advoga a tese de que, na apuração das contribuições em apreço, o conceito de insumo deve ser definido com base na legislação do imposto de renda, “sendo certo que os custos e despesas com a mão de obra e receitas financeiras aplicadas na execução dos objetivos sociais da empresa deverão ser descontados da base de cálculo das citadas contribuições, sob pena de infração à lei e ao principio da estrita legalidade” (item 23). i. “Portanto — prossegue — concluise que o termo "insumos" deve compreender necessariamente os custos e despesas operacionais da Impugnante nos moldes estabelecidos nos artigos 290 e 299 do RIR/99, não se limitando apenas ao conceito trazido pelas ilegais IN's 247/02 404/04 que se embasam exclusiva e equivocadamente na legislação do IPI” (item 24). j. Encerrando a parte da impugnação dedicada ao tema, ressalta ainda que “o pagamento dos salários de seus funcionários é despesa necessária para o desenvolvimento das atividades da empresa, sendo inequívoco o direito ao crédito sobre os respectivos valores para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, pelo que o presente Auto de Infração deverá ser anulado por essa corte de julgamento” (fl. 25). k. Em longa dissertação pontilhada de citações de doutrina e jurisprudência, procura defender a tese de que os lançamentos, estando viciados pela falta de base imponível — uma vez que os créditos utilizados pela impugnante eram legítimos — não obedeceram ao princípio da verdade material, violando em consequência, além desse outros princípios que norteiam o processo administrativo, tais como os princípios da eficiência, da finalidade, da motivação e da boafé. l. Invoca o art. 2o da lei n° 9.784/99, que transcreve no item 38, o qual, a seu ver, inovou o ordenamento jurídico ao vincular a atividade administrativa não só à lei, mas também ao direito. m. Conclui daí, em outras palavras, que a dita atividade “não se encontra plenamente vinculada apenas à Lei, mas também aos princípios gerais de Direito e, especificamente, aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal, da eficiência, da verdade material, da finalidade, da impessoalidade, da moralidade, da motivação, dentre outros” (item 36) n. Observa que o autor do feito, como se sua atividade estivesse vinculada apenas à lei e livre de interpretação, preferiu ignorar os princípios citados, sem cuja observância o lançamento tributário não adquire presunção de legitimidade e veracidade. o. Acrescenta haver apresentado “toda a documentação fiscal necessária para se demonstrar a origem e destinação das importâncias contabilizadas e efetivamente recebidas pela Impugnante, entretanto, o Agente Fiscal as ignorou, lavrando o presente Auto de Infração sem qualquer embasamento jurídico ou fático” (item 44). p. Informa que, juntamente com a impugnação, “promove a juntada da relação das notas fiscais do período investigado, bem como a descrição da apuração do PIS/COFINS, que ratificam o uso da mão de obra e despesas financeiras como insumo da empresa, justificandose o escorreito aproveitamento dos créditos tributários em consonância com o princípio da verdade material” (item 45) Fl. 493DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 493 5 q. Assevera por fim que o agente fiscal se equivocou ao lavrar os autos de infração, tendo em vista que “os créditos relativos à mão de obra e despesas financeiras devem ser descontados da base de cálculo do PIS e da COFINS, em especial, por se tratar de efetivos insumos decorrentes da atvidade (sic) essencial e principal da empresa, pelo que a anulação do AI1M é medida de rigor” (item 46). r. Fundandose na premissa de que a glosa dos créditos relativos à mão de obra e às despesas financeiras carece de amparo legal, acrescenta que os autos de infração, por falta de previsão legal, ferem o princípio da estrita legalidade. s. Quanto à penalidade pecuniária, procura demonstrar, em ligeira dissertação entremeada de citações de doutrina e jurisprudência, a inaplicabilidade da multa qualificada de 150% em face da ausência de comprovação de dolo específico (evidente intuito de fraude), que a seu ver nem sequer foi cogitado no procedimento de verificação fiscal. t. Referindose aos termos empregados pelo autor do feito no termo de constatação fiscal, observa que este não comprovou a ocorrência de ato fraudulento suscetível de ensejar aplicação da multa agravada, limitandose a observar que “denotam o elemento SUBJETIVO do intuito doloso, os quais caracterizam, EM TESE, o crime previsto ..." (item 53). u. Da análise dos referidos termos conclui ainda que “a conclusão exarada pelo Auditor Fiscal se deu única e exclusivamente por força de raciocínio pessoal, dotado de absoluta parcialidade e tendenciosidade, sem qualquer elemento concreto hábil a justificar a penalidade imposta, razão pela qual deverá ser totalmente desconsiderada por essa Delegacia de Julgamento” (item 55). v. Reitera não haver nos autos nenhum fato concreto ou prova de que teria agido com intuito fraudulento ou doloso, havendo apenas “apenas a presunção parcial e tendenciosa do Agente Fiscal, que pelas próprias palavras assume que age pelo desenvolvimento de sua tese e dotado de pleno subjetivismo, sem prova da materialidade do ato ensejador da penalidade” (item 56) w. Afirma ainda que a multa qualificada de 150% é inconstitucional por ter caráter confiscatório, malferindo o disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal. x. Concluindo, requer que este órgão judicante reconheça a insubsistência dos autos de infração, com sua consequente anulação, ou alternativamente — na hipótese de não reconhecer sua total improcedência — afaste a multa de 150% pelas razões já expostas. y. Requer outrossim o envio de todas as notificações e intimações pertinentes ao caso ao escritório de seu patrono, cujo nome e endereço menciona no fim do texto. 9. É o relatório. A 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1635.298, em 13 de dezembro de 201a (efolhas 216/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO Cumpre lançar de ofício os débitos apurados pela empresa que não tenham sido recolhidos nem declarados em DCTF. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 494 6 CRÉDITOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. VEDAÇÃO LEGAL O inciso V do art. 3° da lei n° 10.833/2003, que permitia calcular créditos sobre despesas financeiras, foi revogado pelo art. 37 da lei n° 10.865/2004, ficando vedada tal prática a partir de 01/08/2004. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO INDEVIDA DE CUSTOS DE MÃO DE OBRA Somente podem ser excluídas da base de cálculo as verbas e rubricas citadas nominalmente no art. 1o, § 3o, da lei n° 10.833/2003, entre as quais não há nenhuma menção a custos de mão de obra. Houve uma primeira tentativa de ciência à empresa, via Correios (efls. 243/244), que se mostrou improfícua, e posteriormente, foi emitido o Edital nº 159/2012 (efl. 246). Em seguida o débito foi inscrito em dívida ativa por meio do Termo de Inscrição de Dívida Ativa, lavrado em 29/10/2012 (efls. 264/291). A interessada interpôs Recurso Voluntário em 27/05/2013 (efls. 317/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Conforme despacho de efls. 465, o processo foi encaminhado ao CARF em cumprimento à decisão proferida pelo TRF da 3ª Região, em 30/09/213, no Agravo de Instrumento do processo nº 2013.03.00.0198114. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário deve ser conhecido em cumprimento à decisão proferida no Agravo de Instrumento (processo judicial nº 2013.03.00.0198114). Matérias em litígio Como relatado, duas são as matérias em discussão neste litígio: (i) A exclusão, efetuada pela empresa, dos custos relativos à mãodeobra paga a pessoa física na apuração da base de cálculo das contribuições (“item 4 – Exclusões ref. Mão de Obra”); (ii) A inclusão, efetuada pela empresa, de créditos decorrentes de despesas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições (“item 11 – Despesas financeiras”). Passemos a análise de cada uma delas separadamente. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 495 7 Exclusão dos custos relativos à mãodeobra paga a pessoa física na apuração da base de cálculo das contribuições Não há previsão legal que acolha a pretensão da Recorrente. Vejamos. Isto porque tanto o parágrafo 3º do artigo 1º da Lei n° 10.637/2002 (PIS) como o parágrafo 3º do artigo 1º da Lei n° 10.833/2003 (Cofins), não relacionam entre as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições os custos de mãodeobra paga a pessoa física. De outro lado, não há como dar o tratamento de “insumos”, previstos nos art. 3º, inciso II, das Lei nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, como pretende a Recorrente, aos custos relativos à mãodeobra pagos a pessoa física. Os citados dispositivos preveem que apenas os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção/fabricação de bens destinados à venda darão direito ao creditamento. Claramente as citadas leis não incluíram a rubrica “mãodeobra” paga a pessoas físicas dentre as hipóteses previstas como insumo para fins de creditamento. O conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Cofins tem dado azo a profundos debates no CARF, contudo, não há como cogitar ampliar o conceito de insumo para abarcar também as despesas com mãodeobra paga aos funcionários. Existem julgados que têm dado interpretação mais restritiva ao conceito de insumos, equiparandoos ao conceito utilizado na legislação do IPI (vide Acórdãos nº 3801 001.855, de 23/05/2013 e nº 330100.929, de 3/05/2011), adotando o entendimento constante das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004; há pouquíssimos julgados que aplicaram conceito mais elástico, adotando o conceito de insumo como todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos moldes da legislação do IRPJ (vide Acórdãos nº 320200.226, de 08/12/2010 e nº 20312.741, de 11/03/2008); há julgados, em uma linha intermediária, que têm aplicado critérios próprios para tentar definir o conceito de insumo para fins das citadas contribuições (vide Acórdãos CSRF nº 930301.741, 09/11/2011 e nº 930301.042, de 23/08/2010). Esta última posição, ao que nos parece, tem sido majoritária. A meu ver, ambas as posição extremas (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Desse modo, é preciso deixar assentado que, de um lado, o conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI – restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção, de outro lado, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 496 8 Compartilhamos do entendimento (da escola do Constructivismo Lógico Semântico) pelo qual o intérprete, sempre, deve partir dos enunciados prescritivos para construir a norma aplicável ao caso concreto, atribuindo sentido e definindo o alcance ao texto bruto da lei. Assim, a partir dos enunciados da Lei nº 10.637/2002 (e, também, Lei nº 10.833/2003, para a Cofins), alterada pela Lei nº 10.865, de 2004, é que devemos construir os critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições, definindo quais as rubricas que podem gerar direito de crédito (aspecto quantitativo da regramatriz de incidência). Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que, do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Registrese, de antemão, que não há nenhum dispositivo legal indicando que se deva buscar o significado do termo “insumo”, de maneira restritiva, com base na legislação do IPI (como também não há estabelecendo a interpretação extensiva, nos moldes do IRPJ). Onde a lei não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. A própria lei, portanto, ao introduzir no ordenamento jurídico a sistemática da não cumulatividade, já dispôs sobre a possibilidade do abatimento de determinados créditos com o intuito de afastar, ou ao menos atenuar, a cumulatividade, até então existente, das referidas contribuições, com fundamento no que dispôs o artigo 195, parágrafo 12, da CF/88 (não cumulatividade). Embora não muito claramente, o enunciado prescritivo acima referido (artigo 3º, II, Lei nº 10.637/2002) indicou que poderiam ser descontados créditos relativos aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens/produtos destinados à venda. Deste modo, a lei não restringiu o crédito apenas aos insumos diretamente aplicados no produto, como entendem alguns; ao contrário, prescreveu que os bens e serviços utilizados, diretamente ou indiretamente, indiferentemente a meu ver, como insumos, portanto todos aqueles necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo, poderiam ser descontados, e desde que relacionado ao objeto social da empresa (porque somente as atividades ali previstas podem relacionarse com o processo produtivo da empresa). Devese, destarte, apurar quais foram os bens e serviços utilizados no processo produtivo são necessários, pertinentes e inerentes para elaboração do produto final destinado a venda, que resultam no auferimento das receitas tributáveis, representativas da materialidade sobre as quais se dá a incidência do PIS e Cofins (aspecto material da regra matriz de incidência). De outro lado, a meu ver, também não houve intenção do legislador em ampliar o conteúdo semântico do vocábulo “insumo”, equiparandoo aos conceitos de custos e despesas operacionais previstos na legislação do IRPJ. Se assim o fosse, não seria necessário relacionar, de forma exaustiva, todas as hipóteses permissivas de créditos nos incisos do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. Além, é claro, de disporem sobre materialidades distintas como já anotado linhas acima (receita não é lucro!). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 497 9 Pois bem. Passemos à jurisprudência sobre a matéria. No STJ há dois julgados relevantes e divergentes sobre a matéria: (i) o REsp nº 1.246.317 – MG, Ministro Relator Mauro Campbell (2ª Turma), em linha com o entendimento exarado neste voto; (ii) o REsp nº 1.020.991 – RS. Ministro Relator Sérgio Kukina (1ª Turma), que adota posição mais restritiva (legislação do IPI), de modo a possibilitar o creditamento do PIS e da Cofins apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Conforme noticiado por Fabiana Del Padre Tomé (artigo “Definição do conceito de insumo para a nãocumulatividade do PIS e da COFINS”, consulta ao endereço eletrônico http://ibet.provisorio.ws), o Ministro Relator Mauro Campbell proferiu seu voto no REsp nº 1.246.317 – MG no seguinte sentido, verbis: Ementa: (...) 5. São ‘insumos’, para efeitos do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.8332003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo ‘insumo’ para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. (...). (grifos no original) Registrese que o Ministro Relator Mauro Campbell foi acompanhado pelos Ministros Castro Meira e Humberto Martins. O Ministro Herman Benjamin pediu vistas dos autos, em 16/06/2011 (fonte: consulta processual no site do STJ, em 07/11/2013). Portanto, aguardase o resultado final do julgamento. A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF manifestouse no Acórdão nº 930301.741, de 09/11/2011, Conselheira Relatora Nanci Gama, em consonância com a linha intermediária por nos adotada (definição de insumos por critérios próprios), conforme ementa abaixo transcrita: PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3º LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo Fl. 498DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 498 10 inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. No caso concreto tratado nos autos, portanto, correta o entendimento da fiscalização ao glosar as despesas com mãodeobra pagas a pessoas físicas da apuração da base de cálculo dos débitos do PIS e da Cofins. Créditos decorrentes de despesas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições A segunda irregularidade apontada pela autoridade autuante referese ao fato de o contribuinte, na apuração dos créditos das contribuições, ter incluído as despesas financeiras em suas bases de cálculo. Nessa matéria também não assiste razão à Recorrente. Os créditos sobre despesas financeiras podiam ser descontados no cálculo das contribuições até 31/07/2004, conforme prescrevia o inciso V do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Contudo, tal permissivo legal foi expressamente revogado pelo artigo 37 da Lei n° 10.865/2004, de modo que a partir de 01082004 os créditos sobre as despesas financeiras passaram a ser vedado. Confiramse os dispositivos legais: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Destarte, como a autuação fiscal abrangeu o anocalendário 2007, já não era mais possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, devendo ser mantido o lançamento tributário também nesta matéria. Da alegação de ofensa a princípios constitucionais Quanto ao argumento da Recorrente de que houve ofensa a princípios constitucionais, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessa matéria. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, Fl. 499DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 499 11 condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Da multa agravada Por fim, passemos à análise do agravamento da multa de ofício aplicada pela fiscalização (150%). Aduz a autoridade autuante que “a conduta reiterada da falta de recolhimento das contribuições sabidamente devidas e a omissão dessas informações das autoridades administrativas nos formulários de apresentação obrigatória, relativamente a todos os meses de apuração de 2007, denotam o elemento subjetivo do intuito doloso, os quais caracterizam, em tese, o crime previsto no inciso I do artigo 1º da Lei n° 8.137/90 e no inciso I do artigo 71 da Lei n° 4.502/64, ambas a seguir transcritas, ensejando a aplicação da penalidade majorada nos termos do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, sem prejuízo da representação fiscal para fins penais, conforme determina o artigo 1 o da Portaria RFB n° 2.439/2010”. Neste ponto, com todas as vênias, discordo da autoridade autuante. No meu entender, a simples conduta de deixar de recolher, mesmo que por reiteradas vezes, as contribuições devidas, assim como o fato de não ter informado o seu não recolhimento às autoridades administrativas, não demonstram necessariamente conduta dolosa ou fraudulenta. É de conhecimento geral que legislação tributária brasileira é extremamente complexa e tem dado ensejo às mais diversas interpretações, quando da aplicação da norma ao caso concreto. Desta feita, no caso de o contribuinte dar uma interpretação divergente daquela dada pelo Fisco a um fato não implica, per si, que esteja praticando uma conduta dolosa ou que tenha deixado de recolher o tributo com evidente intuito de fraude. Sobre esse assunto, impende destacar que a multa de ofício qualificada está prevista no parágrafo 1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Esse dispositivo legal determina que seja aplicada multa qualificada (150%), nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais assim dispõem: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 500 12 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.” Como se vê, o elemento dolo está prevista nos três ilícitos acima citados. No caso em tela, a autoridade fiscal não juntou aos autos provas da conduta dolosa da Recorrente, de modo a demonstrar que ela tenha agido deliberadamente com a intenção de sonegar ou fraudar o recolhimento de tributos ou mesmo que tenha havido o conluio entre duas ou mais pessoas com este intuito. Ademais, em relação à multa qualificada, a Súmula n° 14 do CARF é clara ao preceituar que “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Não há nos autos comprovação de fraude ou dolo para a manutenção da multa qualificada (no percentual de 150%), devendo ser mantida apenas a multa de ofício no percentual de 75% sobre o montante dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Conclusão Destarte, em face de tudo o que foi exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar o agravamento da multa de ofício, mantendose a cobrança dos tributos, multa de ofício no percentual de 75% e juros moratórios. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 501DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000863/201176 Acórdão n.º 3202001.485 S3C2T2 Fl. 501 13 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.012180/2005-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO.
Mostra-se correto o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido não mantiver escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou, alternativamente, Livro Caixa com escrituração da toda a movimentação financeira inclusive bancária.
Numero da decisão: 9101-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Karem Jureidini Dias e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Votaram pelas conclusões acompanhando à divergência os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado).
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
(documento assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto
Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITA LANÇAMENTO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do tributo a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. Mostrase correto o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido não mantiver escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou, alternativamente, Livro Caixa com escrituração da toda a movimentação financeira inclusive bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Karem Jureidini Dias e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Votaram pelas conclusões acompanhando à divergência os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 21 80 /2 00 5- 11 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 3 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Fl. 635DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão plenária de 17 de junho de 2009, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso n° 158.793 (voluntário) e, por maioria de votos, deulhe provimento para cancelar a exigência em face da incorreta tributação de ofício pelo lucro arbitrado, conforme Acórdão nº 1101000.114, cuja ementa apresenta o teor a seguir: IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS 1NAPLICABILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL PIS COFINS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos consequentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por contrariedade à lei, com fulcro nas disposições do art. 56, inciso II, Anexo I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, e art. 7°, inciso I, Anexo II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007. O recurso especial tramitou sob as disposições dos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 28/06/2007, vigentes à época em que prolatado o acórdão recorrido (17/06/2009), segundo disposto no art. 4°, Portaria Ministerial n° 256, de 22/06/2009. Assevera a Fazenda Nacional que a decisão contraria as disposições do art. 47, II da Lei n° 8.981/95, art. 26, §1° da Lei n° 9.430/96, arts. 516, §4° e 530 do RIR199, bem como contraria as provas dos autos. A Recorrente transcreve os dispositivos que considera violados, como a seguir: “Lei 8.981/95 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: (...) b) determinar o lucro real. Lei nº 9.430/96 Art.26.A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. §1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. RIR/99 Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicados pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei n°9.718, de 1998, art. 13). (...) § 4° A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei n° 9.430, de 1996, art. 26, § 1°). Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (Grifos nossos)” Fl. 637DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 6 5 Destaca a Recorrente que os dispositivos indicados definem que o contribuinte que optar pela tributação com base no lucro presumido, deve pagar a primeira ou única cota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração do ano calendário correspondente, e que, no caso, a DRJ esclareceu em diversas ocasiões que o contribuinte apenas declarou o débito em DCTF, mas não efetuou o pagamento exigido pela lei, razão pela qual a opção pelo lucro presumido não foi considerada válida. Afirma, ainda, que a lei diz que há possibilidade de arbitramento quando os registros contábeis não são fidedignos, ou não existem, ou quando o contribuinte se recusa a apresentálos. Aduz que as provas contidas nos autos demonstram que o contribuinte não observou as regras contábeis. Assim, uma vez que não houve opção válida pelo lucro presumido, e a escrituração continha erros que a tornavam imprestável para a determinação do lucro real, correto o arbitramento. Acrescenta haver entendimento jurisprudencial no sentido de que a não escrituração de conta bancária na contabilidade do contribuinte possibilita o arbitramento. O Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o legitimam, devendo ser conhecido. A infração identificada pela autoridade fiscal foi omissão de receitas, e a decisão recorrida (Acórdão nº 1101000.114) cancelou os lançamentos por entender equivocada a apuração com base no lucro arbitrado, uma vez que o contribuinte havia optado pelo lucro presumido. Para que possa avaliar se o acórdão recorrido contraria a lei e a prova dos autos, é preciso, antes de mais nada, analisar a justificativa da autoridade fiscal para desconsiderar a opção do contribuinte. Do teor do Termo de Verificação, parte integrante do auto de infração, constatase que a ação fiscal foi resultante de procedimento fiscal desenvolvido junto à pessoa física do Sr. Sergio Miranda, sócio gerente da empresa, que havia apresentado declaração de rendimentos com dados de patrimônio e rendimentos incompatíveis com o volume de recursos creditados em contas bancárias mantidas em seu nome individual. Intimado, o Sr. Sérgio afirmou que os recursos eram provenientes da empresa DMarket. Foi então iniciada a fiscalização junto à pessoa destinada, basicamente, ao exame do registro, em sua contabilidade, dos recursos movimentados nas contas bancárias de titularidade do Sr. Sérgio. Intimada a apresentar os livros de sua escrituração contábil contendo os registros dos recursos movimentados nas contas bancárias, a empresa entregou à fiscalização Fl. 638DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 7 6 os livros Diário de n° 03, Razão, de Registros de Entrada de Mercadorias, de Registro de Saídas de Mercadorias e de Registro de Apuração do ICMS, todos com escrituração referente ao anocalendário de 2000. Como não foi possível vincular os valores dos depósitos bancários aos valores escriturados nos livros contábeis e fiscais da empresa, foi apurada a omissão de receitas por presunção legal, fulcrada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em síntese, a fiscalização apurou que o contribuinte omitiu receitas no ano calendário de 2000, e lavrou os autos de infração para exigir, de ofício, os tributos sobre as receitas omitidas. O art. 24 da Lei nº 9.249/95, base legal do art. 288 do RIR/99, dispõe que “verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.” No ano calendário de 2000 o contribuinte apresentou DIPJ e DCTFs pelo lucro presumido, conforme registra o TVF: “ (...) as vendas que constam escrituradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS e de Saída de Mercadorias estão compatíveis com as bases de incidência do IRPJ e CSLL (apurados pelo Lucro Presumido), PIS e COFINS, tal domo registrados nas respectivas DCTF (fls. 311 a 314 ) apresentadas para os 1°., 2°., 3°.e 4°. trimestre/2000. A propósito, para o ano calendário de 2000, a empresa apresentou a sua Declaração de Rendimentos — DIPJ pelo regime de lucro presumido, cujos dados estão coerentes com o registrado nas DCTF do 2°. ao 4°. trimestre/2000, estando porém "em branco" no que tange aos dados do primeiro trimestre.” Assim, em princípio, o tributo sobre a receita omitida deveria ter sido apurado pelo lucro presumido. Para não efetuar o lançamento sob esse regime a autoridade fiscal deveria demonstrar que a opção pelo lucro presumido foi indevida. Uma vez demonstrado o impedimento da opção lucro presumido, a autoridade fiscal deve apurar o imposto pelo lucro real, somente estando autorizada a proceder ao arbitramento em caso de impossibilidade de sua apuração pela não manutenção ou não apresentação da escrituração com base nas leis comerciais ou fiscais, ou se essa contiver vícios ou erros que impossibilitem a apuração do lucro real. Ou seja, são duas etapas a serem cumpridas: primeira, a rejeição do lucro presumido, segunda, a não aplicação do lucro real. Se não ultrapassada a primeira etapa, ou seja, se considerada indevida a rejeição do lucro presumido, sequer cabe analisar a não aplicação do lucro real. Destaco que a autoridade fiscal não acusa o contribuinte de ter optado indevidamente pelo lucro presumido, mas apenas entende que ele não fez a opção, e que sua escrituração não contém os requisitos necessários à apuração do lucro real, restando apenas a apuração pelo lucro arbitrado. A conferir: Fl. 639DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 8 7 “Em razão do exposto, e considerando que em relação ao ano sob fiscalização (anocalendário 2000) a empresa não concretizou a pretendida opção pelo lucro presumido e nem tampouco levantou na sua contabilidade demonstrações financeiras trimestrais, conforme escriturado no Razão (fls. 319 a 321), necessárias à apuração do lucro real no período, é de imporse, por conseguinte, o regime de arbitramento do lucro "exofficio”, na forma preceituada no art. 530, inciso III, do Decreto 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), adotando se por base de cálculo, 'a receita bruta constante do Livro de Registro de Saída de Mercadorias (QUADRO I, fls. 293), somada aos valores correspondentes aos depósitos/créditos (Quadro II, fls. 310) registrados nas contas bancárias mantidas em nome do referido sócio Sergio Miranda, consideradas como provenientes de receitas omitidas da base de incidência dos tributos/contribuições declarados em DCTF pela empresa.” O acórdão recorrido refuta a rejeição da apuração pelo lucro presumido. Analisemos se, no caso, ocorreu, como alega a Fazenda Nacional, violação da lei. A lei estabelece três regimes de tributação, lucro real, lucro presumido e lucro arbitrado. O regime ordinário, aplicável a qualquer empresa. é o do lucro real, determinado com base na escrituração completa, que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. Em determinadas situações (receita total no ano anterior superior a determinado limite, atividades consideradas equiparadas às de instituições financeiras, auferimento de lucros, rendimentos ou ganhos de capital originados do exterior, fruição de benefícios fiscais de isenção ou redução do imposto, etc.), a tributação pelo lucro real é obrigatória. Se não se enquadrar em qualquer situação que obrigue a adoção do lucro real, a pessoa jurídica pode optar pelo lucro presumido, apurado mediante a aplicação de um percentual sobre a receita bruta. O terceiro regime, o do lucro arbitrado, também é apurado mediante a aplicação de um percentual sobre a receita bruta. De um modo geral, a tributação será com base no lucro arbitrado quando o contribuinte: (i) não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, nos casos em que a tributação pelo lucro real é obrigatória; (ii) mantiver escrituração com vícios ou erros que a tornem imprestável à apuração do lucro real; (iii) não apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração fiscal; (iv) tiver optado indevidamente pelo lucro presumido. No caso concreto, a autoridade fiscal não demonstrou que o contribuinte estava impedido de optar pelo lucro presumido, mas considerou que ele não exerceu a opção porque não efetuou o pagamento da primeira quota ou quota única do imposto devido no primeiro trimestre, conforme prevê o § 4º do art. 516 do RIR/99, verbis: 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido Fl. 640DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 9 8 correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). O acórdão recorrido assim tratou a questão: “Para rejeitar os argumentos da empresa em relação à opção pelo lucro presumido, a autoridade autuante assim se manifestou: “Quanto à regularidade do regime de tributação adotado pela empresa no anocalendário de 2000, têmse que a DIPJ foi apresentada sob o regime do lucro presumido, opção esta que consta também indicada nas DCTF do período. No entanto, tal opção não foi concretizada pela empresa na forma da Lei, porquanto em relação aos trimestres da competência do ano 2000, nenhum recolhimento de IRPJ foi realizado pela empresa, tampouco pelo código 2089, não atendendo, portanto, ao requisito previsto no parágrafo 4°. do art. 516 do Decreto n. 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), que prescreve "verbis'. Por seu turno, a turma de julgamento de primeiro grau manteve a posição do autuante sob os mesmos fundamentos, porém, cabe destaque o excerto abaixo, extraído do acórdão recorrido: 7.1.9 registrese, também, que, mesmo levandose em conta o fato de o contribuinte ter declarado na DCTF do 1° trimestre de 2000 a título de IRPJ (código 20891), o valor de R$ 1.621,91, (V.II. fls. 311), nada muda em termos da forma de tributação adotada no procedimento fiscal em apreço, porquanto o que valeria para efeito de adoção da forma de tributação pelo Lucro Presumido, por exemplo, seria o contribuinte ter efetivado o recolhimento do IRPJ referente ao 1° trimestre do anocalendário de 2000, o que, no presente caso, não ocorreu; Como visto acima, está devidamente provado que a contribuinte inclusive declarou em DCTF (confissão espontânea de dívida) o IRPJ sob o código 20891 — qual seja, a apuração com base no lucro presumido, o que não foi aceito pelos julgadores de primeira instância. Apesar de a contribuinte insistir que havia optado pela tributação com base no lucro presumido no anocalendário relativo ao período fiscalizado (ano de 2000), tendo em vista que apresentou as DCTFs relativas aos quatro trimestres de 2000, onde informa o imposto devido a título de IRPJ com base no lucro presumido (código de receita 20891), também a CSLL sob o código de receita 23721, também com apuração pela sistemática do lucro presumido, conforme comprovam os documentos de fls. 311/314, emitidos pela Receita Federal, onde consta a confissão dos valores devidos. Além disso, declarou nas referidas DCTFs, as contribuições para o PIS/PASEP sob o código 81092 e para COFINS código 21721 (ambos pelo sistema cumulativo), ou seja, declarou todos os tributos devidos no anocalendário de 2000, com apuração pelo lucro presumido. Disso não resta qualquer dúvida, pois os documentos são oficiais emitidos pela própria Secretaria da Fl. 641DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 10 9 Receita Federal, cujos valores encontramse devidamente escriturados na contabilidade da recorrente, conforme cópia dos livros Diário e Razão (fls. 316/322). Se mais não bastasse, a própria autoridade fiscal juntou aos autos, às fls. 323/332, cópia da declaração de rendimentos — DIPJ, entregue espontaneamente pela contribuinte, dentro do prazo normal para a entrega, onde consta especificamente, às fls. 323 o seguinte: "FORMA DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO: LUCRO PRESUMIDO". Na DIPJ citada, consta todas as informações correspondentes, tais como: dados da empresa; dados cadastrais; receita bruta auferida em cada um dos trimestres para fins de apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido; a apuração do 1RPJ e da CSLL com base no lucro presumido em cada um dos trimestres; o faturamento mensal e a respectiva apuração das contribuições para o PIS e COFINS, enfim, a declaração de rendimentos foi entregue no prazo, devidamente preenchida, com a opção da apuração com base no lucro presumido e com todos os tributos informados e declarados. Além disso, às folhas 311/314 dos autos, constam as planilhas denominadas "RESUMO GERAL DE DÉBITOS E CRÉDITOS DA DECLARAÇÃO", emitidas pela própria Receita Federal, com destaque aos recolhimentos efetuados no anobase de 2000, correspondente às contribuições para o PIS e COFINS, dos meses de janeiro a março (fls. 311) e dos meses de outubro a dezembro (fls. 314). Pois bem, tenho para mim sem qualquer resquício de dúvida, apesar do entendimento em contrário da fiscalização e da DRJ, que efetivamente a contribuinte fez a opção irretratável pela apuração com base no lucro presumido em relação ao ano calendário de 2000, objeto do presente auto de infração. Essa forma de tributação eleita pela contribuinte para recolher os tributos devidos conforme todos os documentos acima relacionados, não pode ser modificada pela fiscalização, salvo situações especiais definidas claramente em lei (imprestabilidade dos registros, opção proibida em função da atividade econômica exercida, etc.), o que não é o caso dos presentes autos, pois, pelo que consta do presente processo, apesar de optar pelo lucro presumido, a empresa possuía também escrituração regular, com livros Diário e Razão, além dos demais livros obrigatórios. Portanto, considero regular a opção exercida pela recorrente em relação à opção pelo lucro presumido, não havendo qualquer reparo a ser feito em relação às suas providências tomadas para tanto.” Entendo não merecer reparos a decisão recorrida. E apenas para reforçar esse entendimento, observo que, ainda que se pudesse aceitar o entendimento da fiscalização e da DRJ, no sentido de que a confissão da dívida em DCTF não pode ser tida como formalização Fl. 642DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 11 10 da opção, quando da efetivação do lançamento em discussão a opção já estava homologada pela SRF. Explico. O auto de infração foi lavrado em 21/12/2005 (ciência em 30/12/2005). Ocorre que havia auto de infração anterior, cientificado ao contribuinte em 30 de junho de 2004, alcançando, inclusive, o anocalendário de 2000, também com acusação de omissão de receita (outras receitas), cujo lançamento foi feito com base no lucro presumido. O litígio foi objeto do Acórdão 110100.146, do qual colho as seguintes informações: “Relatório: Cuidase de recurso voluntário interposto por Dmarket Comercial e Arquitetura e Interiores Ltda. em face da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza, que julgou procedentes os lançamentos formalizados mediante autos de infração relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) dos anoscalendário de 1999 a 2003. Nos períodos fiscalizados, a contribuinte apresentou declarações pelo lucro presumido. A fiscalização acusa o sujeito passivo de ter omitido receitas da atividade, assim apuradas: (a) nos anoscalendário de 1999 a 2003, a partir de divergências entre os valores declarados nas DCTFs apresentadas e pagamentos constantes dos Sistemas de Controle da Receita Federal e os valores escriturados, identificados através da documentação disponibilizada pela empresa, conforme Livros Diário e Razão e Livros Fiscais (Registro de Apuração do ICMS, de Entradas e de Saídas); (b) (....) (...) Voto (...) Ora, como visto, o fisco levantou, a partir da escrituração comercial e fiscal do contribuinte, receitas que não foram oferecidas à tributação, e exigiu a diferença de tributos decorrentes da omissão, respeitando a opção da contribuinte quanto ao regime de apuração do lucro (lucro presumido). A Recorrente nada trouxe de concreto para infirmar o apurado pela fiscalização. (...)” (destaquei) Ora, em junho de 2004, ao lavrar o auto de infração relativo ao ano calendário de 2000 respeitando a opção do contribuinte pelo lucro presumido, a autoridade administrativa, agindo em nome da Receita Federal, teve como válida a opção formalizada mediante confissão da dívida em DCTF. Considerar, em auto de infração alcançando o mesmo Fl. 643DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 12 11 anocalendário, formalizado em dezembro de 2005, inválida a opção em razão da forma, significa alterar o critério jurídico do lançamento, em violação ao que dispõe o art. 146 do CTN, verbis: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Pelas razões expostas, NEGO provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 20 de janeiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 644DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, RedatorDesignado Ainda que reconhecendo a habitual proficiência com que o I. Relator manifestouse em seu voto, o que me faz acolher boa parte das considerações por ele explanadas , ouso discordar das conclusões a que chegou. Em princípio, tenderia a corroborar o entendimento da autoridade lançadora no sentido de que não teria havido a opção pelo lucro presumido pela inexistência de pagamento nesse sentido no anocalendário sob exame. Ao contrário do suscitado pela decisão recorrida, tal circunstância é sim relevante para definir a opção de tributação adotada pelo sujeito passivo, eis que textualmente definida em lei, nos termos do § 1º, do art. 26, da Lei nº 9.430/96 (destaque acrescidos): [....] Art.26.A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. §1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. [....] Assim, a opção não teria se concretizado pela inexistência do pagamento nos moldes estabelecidos no texto legal. Por outro lado, como bem lembrou o I. Relator, em procedimento fiscal anterior formalizado nos autos do processo 10380.006154/200473 a interessada foi autuada, inclusive em relação ao anocalendário de 2000, sem sofrer alteração no regime de apuração em relação ao qual defendeu ter optado, ou seja, lucro presumido. O procedimento fiscal anterior não causaria impacto à análise de que tratam os presentes autos, se aqui tivessem sido apresentadas novas razões para a desconsideração da opção. Não foi o caso e, sendo assim, a inexistência de pagamento seria dirimida pela autuação lá formalizada, eis que implicou na cobrança do tributo sob essa modalidade. Entretanto, ainda assim o arbitramento mostrase correto no caso aqui sob exame, pois a obrigação de manter a escrituração regular aplicase também a esse regime, como previsto no inciso I, do art. 527, do RIR/99: [....] Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Fl. 645DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.012180/200511 Acórdão n.º 9101002.076 CSRFT1 Fl. 14 13 [...] Nesse ponto, A Fiscalização registrou as irregularidades na escrituração ressaltando que sequer foram apuradas demonstrações trimestrais (periodicidade do lucro presumido). Os vícios na escrituração só poderiam ser supridos, nos termos do Parágrafo Único desse mesmo art. 45, pela apresentação do Livro Caixa com registro de toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, o que não ocorreu. Do exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 646DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.007840/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/10/2008
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 78 40 /2 00 8- 75 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 05/2004 a 10/2008. O Relatório Fiscal (fls. 15/31) informa que a contribuição previdenciária foi apurada por aferição indireta com base na mão de obra contida no Custo Unitário Básico (CUB), aplicado nas seguintes obras: 1. Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76), período 07/2004 a 01/2007; 2. Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), período 01/2006 a 05/2008; 3. Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73), período 05/2004 a 05/2007; 4. Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79), período 08/2003 a 05/2005. Consta ainda do lançamento fiscal o levantamento PA Pagamento autônomo, relativo às competências 01/2005, 02/2005, 07/2007, 08/2007 e 10/2007. Em síntese, as razões e motivações do lançamento das contribuições previdenciárias apuradas por aferição indireta da mão de obra utilizada nas edificações supracitadas foram: 1. Cita a fiscalização que por meio do exame dos livros Diário e Razão e da documentação de Caixa referente aos lançamentos contábeis, que a empresa não observa os princípios contábeis em sua escrituração. Discorre sobre os princípios contábeis geralmente aceitos; 2. Informa que do exame nos livros contábeis e folha de pagamento constatou que a empresa não registrou todas as despesas efetuadas com as obras que realizou. Na obra denominada Residencial Guimarães, consta folha de pagamento relativo as competências 07/2004 a 11/2004, e não consta registro contábeis nos centros de custos 1.1.3.5, relativos a este período. Relata que a citada obra iniciou em 07/2004, conforme consta de folha de pagamento apresentada pela empresa, com admissão de 04 empregados nesta competência. Não consta registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, impostos sobre a folha de pagamento. O centro de custo relativo a esta obra contem registros de lançamentos contábeis apenas a partir do ano de 2005. Informa que a Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007840/200875 Acórdão n.º 2402004.537 S2C4T2 Fl. 3 3 empresa deixou de lançar em títulos próprio despesas com remuneração e que este fato fere os princípios da oportunidade, continuidade e competência. O balanço patrimonial apresentado no ano de 2004, não apresenta registro com a obra Residencial Guimarães, de forma que este não espelha a realidade; 3. Da análise da folha de pagamento da empresa, informa que a empresa não possui em seu quadro de empregados engenheiros, e não consta dos registros contábeis pagamentos a estes profissionais, exceto para a obra Residencial Alaíde. Não existem registros de despesas, na execução das demais obras com relação aos mesmos; 4. Cita que não consta diversos registros de despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Bernardo Koerich, centro de custo 1.1.14, não consta despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Não consta lançamentos relativos a pagamento de profissionais habilitados. Este fato também foi constatado na obra Residencial Alaíde, centro de custo 1.1.3.2. Cita que constam registro de despesas com terreno, ferragens, concretagem, argamassa, salários e encargos, previdência social, FGTS, materiais, fretes, impostos, água, luz e esgoto. Cita que não consta registro de despesas com alimentação dos empregados; 5. Não consta registro contábil das despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), em anexo. Os serviços foram relativos a projeto arquitetônico e complementares do Residencial Bernardo Vicente Koerich. Relata que a contratação do respectivo profissional foi por meio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda e não constam registros contábeis referentes a pagamentos para a citada empresa. Que este fato ratifica a constatação de que a empresa não registra despesas com profissionais em diversas obras realizadas. O mesmo fato foi apurado com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho, com honorário de R$ 1.200,00, conforme consta de ART em anexo, sendo que não consta registro contábil relativo a mencionada despesa; 6. Relata que a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos, e cita as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não traduzem a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas com descrições como “deposito bancário” e “retirada bancária”, sendo que estes lançamentos envolvem em contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil; Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 7. Cita que, considerando os fatos apurados, os salários de contribuição das obras foram apurados por aferição indireta com base na área construída, tendo como parâmetro para a apuração da mão de obra empregada o Custo Unitário Básico aplicável para a construção. Apresenta quadro descritivo das obras, Residencial Guimarães, Residencial Pedro Coelho, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde, fls. 25/26 dos autos; 8. Foram considerados nos cálculos todos os salários de contribuição declarados em GFIP inequivocamente vinculados às obras, bem como 5% das despesas com fornecimento de concreto usinado, conforme demonstrativo fls. 32/60. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 164/182) – acompanha de anexos de fls. 183/684, alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007840/200875 Acórdão n.º 2402004.537 S2C4T2 Fl. 4 5 de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra, são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 8. argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil; 9. aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; 10. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.601 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 687/694) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. E, com relação aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, GPS acostadas aos autos (fls. 606, 608, 610 e 612), relativo aos contribuinte individuais (levantamento PA), tratados no “item c da decisão”, ficou consignado que: “(...) cabe ao setor competente da unidade de origem, após a confirmação dos mesmo no sistema, providenciar a apropriação ao presente crédito”. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O lançamento em questão referese à apuração das contribuições incidentes sobre mão de obra utilizada em obra de construção civil, por aferição indireta com base na área construída e no valor do Custo Unitário Básico (CUB), fornecido pelo SINDUSCON. Com relação às obras Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73), Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76) e Residencial Alaíde, a Recorrente alega que não é cabível o arbitramento efetuado. A Recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato da auditoria fiscal haver desconsiderado sua contabilidade e partido para o procedimento de aferição indireta. Segundo a Recorrente não haveria razão para tal conduta, já que ela possui a escrituração contábil formal e regular, inclusive a sua contabilidade foi submetida a uma análise da perícia contábil que não apontou qualquer irregularidade. As razões fáticas que levaram a auditoria fiscal a desconsiderar a contabilidade e efetuar o lançamento por aferição indireta foram as seguintes: 1. a Recorrente não realizou o registro de todas as despesas efetuadas com a obras denominada Residencial Guimarães, pois consta folha de pagamento relativo as competências 07/2004 a 11/2004, e não consta registro contábeis nos centros de custos 1.1.3.5, relativos a este período. Relata que a citada obra iniciou em 07/2004, conforme consta de folha de pagamento apresentada pela empresa, com admissão de 04 empregados nesta competência. Não consta registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, impostos sobre a folha de pagamento. O centro de custo relativo a esta obra contém registros de lançamentos contábeis apenas a partir do ano de 2005. Informa que a empresa deixou de lançar em títulos próprio despesas com remuneração e que este fato fere os princípios da oportunidade, continuidade e competência. O balanço patrimonial apresentado no ano de 2004, não apresenta registro com a obra Residencial Guimarães, de forma que este não espelha a realidade; 2. da análise da folha de pagamento da empresa, informa que a empresa não possui em seu quadro de empregados engenheiros, e não consta dos registros contábeis pagamentos a estes profissionais, exceto para a obra Residencial Alaíde. Não existem registros de despesas, na execução das demais obras com relação aos mesmos; 3. não consta diversos registros de despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007840/200875 Acórdão n.º 2402004.537 S2C4T2 Fl. 5 7 Bernardo Koerich, centro de custo 1.1.14, não consta despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Não consta lançamentos relativos a pagamento de profissionais habilitados. Este fato também foi constatado na obra Residencial Alaíde, centro de custo 1.1.3.2. Cita que constam registro de despesas com terreno, ferragens, concretagem, argamassa, salários e encargos, previdência social, FGTS, materiais, fretes, impostos, água, luz e esgoto. Cita que não consta registro de despesas com alimentação dos empregados; 4. não consta registro contábil das despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), em anexo. Os serviços foram relativos a projeto arquitetônico e complementares do Residencial Bernardo Vicente Koerich. Relata que a contratação do respectivo profissional foi por meio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda e não constam registros contábeis referentes a pagamentos para a citada empresa. Que este fato ratifica a constatação de que a empresa não registra despesas com profissionais em diversas obras realizadas. O mesmo fato foi apurado com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho, com honorário de R$1.200,00, conforme consta de ART em anexo, sendo que não consta registro contábil relativo a mencionada despesa; 5. da análise da remuneração contida nas GFIP's relativas às (4) quatro obras em questão, declaradas pela Recorrente, constatase que esta representa uma média de apenas 51 % da mão de obra obtida com base no Custo Unitário Básico (CUB) aplicável. Isso evidencia que os salários identificados para a construção, informados na GFIP, apresenta um percentual baixo em relação à mão de obra obtida com base neste parâmetro (CUB). Este fato vem a corroborar a ausência de registro contábil da remuneração de mão de obra utilizada na execução da obras objeto do lançamento fiscal; 6. a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos, e cita as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não traduzem a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas com descrições como “deposito bancário” e “retirada bancária”, sendo que estes lançamentos envolvem em contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil. É de fato que a utilização de métodos indiretos para a apuração dos fatos geradores é medida excepcional, da qual a auditoria fiscal deve lançar mão quando presentes as circunstâncias que autorizam o procedimento, conforme dispõe o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º, da Lei 8.212/1991, in verbis: Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).(...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Dos fatos enumerados nos itens 1 a 6, retromencionados, verificase que eles são suficientes para justificar a utilização da técnica de aferição indireta (arbitramento) na apuração da base de cálculo, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “3” e “18” (fls. 15/31), visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Essa demonstração da recusa de apresentação de documentos ou informações, ou a sua apresentação deficiente, também foi noticiada na decisão de primeira instância nos seguintes termos (fls. 687/694, Acórdão 0717.601 da 6a Turma da DRJ/FNS): “[...] Relata a fiscalização que a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos contábeis efetuados. Cita que são rotineiramente utilizados expressões que não traduzem as reais operações registradas. Este fato ficou constatado nos lançamentos contábeis relativos as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não permitem identificar a natureza das operações realizadas. Isto porque os históricos destas contas, em muitos casos, se apresentam com ausência da descrição ou descrição que impossibilita a identificação sobre o que se refere os pagamentos ou recebimentos. Na conta Bancos, os lançamentos não permitem traduzir a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas informações, tais como "depósito bancário' e "retirada bancária". Cabe observar que muitos destes lançamentos tem Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007840/200875 Acórdão n.º 2402004.537 S2C4T2 Fl. 6 9 como contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. Estes lançamentos contábeis, da forma como são realizados não permitem identificar adequadamente a ocorrência de pagamento remuneração, bem como outros eventos necessários para a análise contábil dos custos relativos às diversas obras executadas pelo contribuinte. Esta análise se faz necessária para verificar se a remuneração registrada na contabilidade da empresa está compatível com o porte da empresa e com o custo das obras por ela realizada. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil. Além desta situação apontadas pela fiscalização, de acordo com o discorrido pormenorizadamente no relatório fiscal da notificação, foram constatados outros vícios nos registros contábeis, conforme segue. A fiscalização informa que do exame nos livros contábeis e folha de pagamento constatou que a empresa não registrou todas as despesas efetuadas com as obras que realizou. Este fato, conforme já apontado anteriormente neste relatório, restou demonstrado em decorrência da ausência de registro contábil da folha de pagamento da obra do Edifício Residencial Guimarães, no exercício de 2004. Além desta situação fática, constatouse que não constam outros registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, e despesas com fundações. Outra situação constatada na ação fiscal foi a ausência de registro na contabilidade dos pagamentos efetuados a profissionais responsáveis pela elaboração de projetos e pelo execução e acompanhamento das obras. Não constam da folha de pagamento da empresa segurados empregados o contribuintes individuais que executem estas atividades, e não consta da escrituração contábil examinada despesas desta natureza, exceto para a obra Residencial Alaíde, conforme relata a fiscalização. Este fato portanto, ocorre com relação às diversas obras que integram os centros de custos da contabilidade da empresa. Outra constatação apontada foi que ocorre a ausência de registros contábeis, com relação a despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Bernardo Koerich, cento de custo 1.1.14, não registra despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Verificouse inclusive a ausência de despesas com alimentação de segurados empregados próprios da empresa, nas obras em esta apresentou folha de pagamento com mão de obra direta. Em casos mais específicos, demonstrou nos autos a não contabilização de despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de ART Anotação de Responsabilidade Técnica, em anexo. Os serviços prestados pelo citado profissional ocorreu Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 por intermédio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda. Nada consta da contabilidade da empresa com relação a estes fatos geradores de contribuição previdenciária. Resta portanto, evidente que a empresa não registra a totalidade das despesas com profissionais em diversas obras realizadas. Esta mesma situação foi constatada com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho. A remuneração paga à engenheira não consta dos registros contábeis examinados, fato que demonstra a ausência de confiabilidade nos lançamentos efetuados. (...) Outro fato a ser considerado é que, da análise da remuneração contida nas GFIP's relativas às (4) quatro obras em questão, declaradas pela empresa notificada, constatase que esta representa uma média de apenas 51 % da mão de obra obtida com base no Custo Unitário Básico CUB aplicável. Verificase desta forma que os salários identificados para a construção, informados na GFIP apresenta um percentual baixo em relação à mão de obra obtida com base neste parâmetro (CUB). Este fato vem a corroborar a ausência de registro contábil da remuneração de mão de obra utilizada na execução da obras objeto do lançamento fiscal. Resta evidente nos autos, que não apenas o custo da mão de obra está contabilizado a menor que a realidade, bem como o custo total das construções. A título de exemplificação deste fato, citase que o custo total da execução da obra Residencial Alaíde, conforme consta do Livro Razão e citado nos autos, fl. 309, foi de R$ 1.853.619,63, incluindo inclusive o custo de aquisição do terreno. Considerando que esta obra foi construída com área total de 7.776,43 m2, o custo por metro quadrado informado pela empresa por meio de sua escrituração contábil é de apenas R$ 238,36. O Custo Unitário Básico habitacional, médio para o período de. execução da citada obra, 08/2003 a 05/2005 de acordo com dados do SINDUSCONSC, variou no período entre os valores R$ 732,71 a R$ 828,23 o que demonstra a grande discrepância entre os valores contabilizados e os valores reais. [...]”. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de arbitramento é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3°, 4º e 6o, da Lei 8.212/1991 combinado com o art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007840/200875 Acórdão n.º 2402004.537 S2C4T2 Fl. 7 11 regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, fato este não demonstrado pela Recorrente. A Recorrente alega que a obra Residencial Guimarães iniciou apenas em 04/2005, apresentando como prova os registros contábeis de 2005 e um contrato de aquisição por permuta do terreno com a empresa H. Sell Empreendimentos Ltda. Tal alegação não será acatada, já que, para as competências 07/2004 a 11/2004, existem folhas de pagamento de trabalhadores e as correspondentes Guias de Pagamento de FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP). Em relação ao contrato de aquisição com permuta, apresentado pela Recorrente, além de não ter sido contabilizado na data de sua emissão, percebese que, embora tenha sido emitido em 09/11/2004, a assinatura da Senhora Glausi Santos Lima Pereira só foi reconhecida em cartório em 22/12/2008 (fls. 433/435), data posterior tanto à sua emissão como à lavratura do presente lançamento fiscal (21/11/2008). Assim, esse contrato de aquisição não serve para comprovar que a obra do Residencial Guimarães iniciouse somente em 04/2005, conforme afirmado pela Recorrente. A Recorrente alega a existência de ações judiciais ordinárias, propostas na Justiça Federal de Florianópolis/SC, de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde) e 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich). Afirma que os processos judiciais foram favoráveis à Recorrente e estes apresentam perícia contábil. Cumpre esclarecer que as informações contidas no laudo pericial não indicam uma auditoria acompanhada de exame pormenorizado na contabilidade da Recorrente. O perito indicado apenas informou que a empresa possui contabilidade formalizada e que efetuava registros em centros de custos. Em outras palavras, não houve uma análise específica dos fatos apontados pelo Fisco no âmbito do Poder Judiciário. Portanto, não existe qualquer conflito com relação a matéria já apreciada no judiciário, eis que os fatos apontados pelo Fisco, apurados do exame na escrituração contábil da empresa, não foram objeto de análise no citado processo judicial. Diante disso, não acato as alegações da Recorrente. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10920.000091/2010-35
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
CORESP. SOLIDARIEDADE.
A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.
PLR. DIRETORES ESTATURÁRIOS. POSSIBILIDADE
A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos diretores não empregados enquadra-se nas hipóteses previstas pela Lei 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, em virtude de expressa previsão legal (Lei 6.404/76).
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado:
Numero da decisão: 2803-004.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira e Oseas Coimbra Junior votaram pelas conclusões. Declarou-se impedido o Conselheiro Gustavo Vettorato.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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SOLIDARIEDADE. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos. PLR. DIRETORES ESTATURÁRIOS. POSSIBILIDADE A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos diretores não empregados enquadrase nas hipóteses previstas pela Lei 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, em virtude de expressa previsão legal (Lei 6.404/76). Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira e Oseas Coimbra Junior votaram pelas conclusões. Declarouse impedido o Conselheiro Gustavo Vettorato. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 00 91 /2 01 0- 35 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.000091/201035 Acórdão n.º 2803004.090 S2TE03 Fl. 178 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CIA LATINO AMERICANA DE MEDICAMENTOS, em face da decisão da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que indeferiu a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o lançamento. O auto de infração em debate referese à contribuição previdenciária devida, não recolhida e não declarada à Seguridade Social, prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91, na alíquota de 20% (vinte por cento), incidente sobre o total das participações nos lucros atribuídas aos administradores e aprovadas em assembleias da empresa. Para delimitar o fato gerador da contribuição foram examinados a escrituração contábil e as folhas de pagamentos do período fiscalizado, ambas em meio digital (MANAD); as Guias de Recolhimento do FGTS e Informação À Previdência Social (GFIP) e demais documentos requeridos durante a fiscalização, abrangendo o período de 12/2005 a 04/2008. Transcrevo a descrição fática relatada pelo auditor fiscal: FATOS 4. Por intermédio do já referido TIPF, foi a empresa intimada a apresentar livros e documentos, incluindose as atas de assembleias e escrituração contábil e folha de pagamento de todo o período fiscalizado. 5. Examinando a contabilidade apresentada — especificamente o razão da conta de passivo adiante demonstrada intitulada" 2221 — Gratificações aos Diretores" e suas contrapartidas " 4814 — Despesas de Participações Estatutárias" e ainda "2645 — Lucro/Prejuízo Acumulado", verificase que a empresa pagou os seguintes valores anuais aos seus administradores a título de Participação nos Lucros: (...) TRATAMENTO TRIBUTÁRIO 8. O pagamento ou crédito de participação nos lucros de administradores, regida pela Lei n°. 6.404/76, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias em qualquer caso, por falta de previsão legal de não incidência. 9. Tais dispêndios, para fins previdenciários, não se confundem e nem se revestem das características jurídicas que qualificam a Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Participação nos Lucros atribuída a empregados, regulada na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 10. A nãoincidência prevista na legislação (Lei n°. 8.212/91, art. 28, §9º, j) é aplicável unicamente Às participações dos empregados, quando distribuídas em conformidade com a Lei n. 10.101/2000. (fls. 16/17). Após devidamente intimada do lançamento, em 18/02/2010 a empresa apresentou impugnação tempestiva, às fls. 65/89. Ao analisar os argumentos trazidos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis (SC) considerou o lançamento procedente e manteve o crédito tributário exigido. A decisão restou ementada nos seguintes termos: PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. A participação dos membros do conselho de administração e da diretoria no lucro de companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A mera inclusão do nome de pessoas físicas ligadas à Autuada pessoa jurídica no relatório de vínculos que integra o auto de infração visa apenas fornecer subsídios à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que esta, caso seja necessário, pleiteie judicialmente o redirecionamento de eventual execução forçada do crédito tributário. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (fl. 127) A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão supramencionada, em 31/05/2013 e apresentou recurso tempestivo em 01/06/2013 às fls. 139/163, no qual aduz, em síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, suscita a nulidade do auto de infração, no que tange à atribuição de responsabilidade tributária às pessoas relacionadas na relação de vínculos, pois considera indevida a atribuição de responsabilidade tributária às pessoas físicas, por considerar descabida a extensão das pessoas sujeitas à responsabilidade tributária. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.000091/201035 Acórdão n.º 2803004.090 S2TE03 Fl. 179 5 Requer o reconhecimento da decadência parcial do lançamento, no que refere a distribuição de lucros da competência 12/2005 pois, considerando que o fato gerador da contribuição previdenciária teria ocorrido quando do reconhecimento do crédito em sua contabilidade, os valores, supostamente considerados remuneração, contabilizados até dezembro de 2005 estão abrangidos pelo instituto da decadência. Defende que, in casu, sobre a participação dos administradores (diretores não empregados) nos lucros da empresa não pode ocorrer a incidência de contribuição previdenciária. Inexiste fundamentação legal para o enquadramento de lucro como base de cálculo da contribuição previdenciária. Pois, diante da interpretação do §1º do artigo 201 do Decreto 3.048/99, a parcela do lucro distribuída aos administradores não deve ser enquadrada como remuneração e muito menos servir como base de cálculo para a incidência de contribuição previdenciária. Por fim, ressalta que a participação nos lucros não pode ser considerada como fato gerador de contribuição previdenciária, tendo em vista que ela não compõe o salário de contribuição. Sem contrarrazões fiscais, os autos vieram à apreciação desse Conselho. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Responsabilidade Solidaria – CORESP É inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte. O que é questionável é a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. O que o sistema tributário prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” De maneira que, sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. Nesse sentido leciona o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. Nesse sentido, uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.000091/201035 Acórdão n.º 2803004.090 S2TE03 Fl. 180 7 em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” Sobre o anexo denominado “Relação de CoResponsáveis – CORESP” já há súmula nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Desta forma, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos administradores da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), ante a ausência de provas no sentido da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos, dou provimento nesta parte para deixar asseverado que a “Relação de Co Responsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Da Decadência Aduz a recorrente, ainda, a existência de decadência parcial. Todavia, compulsando os autos, observase, pelo relatório fiscal (fls. 16/22), que a presente autuação referese às competências 04/2006, 04/2007 e 04/2008, sendo o lançamento efetuado em 19.01.2010. Destarte, independente dos critérios adotados para a contagem do prazo decadência (art. 150, § 4º do CTN ou art. 173, I, do CTN) não ocorreu a decadência pleiteada, razão pela qual nego provimento ao recurso neste ponto. Ademais, não consigo vislumbrar a decadência pleiteada, uma vez entendo que a competência para as contribuições previdenciárias deve ser considerada aquele em que houve o efetivo pagamento, e não o reconhecimento contábil pelo contribuinte. Da PLR para Diretores Ultrapassada a preliminar arguida pela recorrente, passo a apreciar as alegações de mérito trazidas no bojo das razões do Recurso Voluntário. No tocante à não incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus diretores estatutários e membros do Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Conselho de Administração, sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), pareceme que razão assiste ao contribuinte. Entendo que a aplicação da previsão constitucional de participação nos lucros e resultados da empresa pelos seus empregados é perfeitamente extensiva àqueles pertencentes aos quadros estatutários e Conselho de Administração, visto que a legislação de regência da matéria não colocou qualquer amarra (art. 7º, XI da CF; Lei 10.101/2000). Salientase, outrossim, que não se sustenta a posição do fisco de que não haveria lei específica desonerando a PLR para os servidores estatutários, pois a previsão da participação destes na empresa já vem sufragada na legislação societária antes mesmo da entrada em vigor da Carta Cidadã. A Lei das S.A. (Lei n. 6.404/76) sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores as eventuais participações nos lucros ou resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. Eis o dispositivo citado: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202 (...) Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Forçoso é concluir que o fisco só promoveu o lançamento da contribuição no equivocado entendimento de que a PLR deve ser paga exclusivamente aos trabalhadores empregados. Em nenhum momento considerou que os lucros auferidos pela empresa para distribuição foram decorrentes do esforço mútuo de todos, seja empregado ou diretor estatutário, não devendo existir qualquer distinção pelo vínculo dos trabalhadores. Ademais, o benefício é notadamente conhecido como um plano de incentivo coletivo, em que o desempenho de cada trabalhador, seja celetista ou estatutário, afeta o rendimento de todos, criase um incentivo à cooperação de modo a maximizar o desempenho do grupo como um todo, não soando lógico, ao menos ao meu ver, que somente os trabalhadores com vínculo empregatícios sejam por ela agraciados. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.000091/201035 Acórdão n.º 2803004.090 S2TE03 Fl. 181 9 Insta salientar, outrossim, como bem trazido pela recorrente em suas razões, há expressa previsão para a participação nos lucros aos administradores em seus estatutos sociaos, consubstanciado no art. 19, da Lei nº 6.404/76. Diante desses elementos, entendo que, neste tópico, o recurso voluntário do Contribuinte deve ser provido, com a exoneração do crédito tributário aqui imputado. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso voluntário do contribuinte para, no mérito, darlhe provimento, asseverando que a “Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, e afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a diretores estatutários e Conselho de Administração a título de Participação no Lucros e Resultados. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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