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Numero do processo: 35011.002535/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SANEAMENTO DA OMISSÃO APONTADA
Acolhem-se os embargos de declaração interpostos para sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-006.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a obscuridade apontada, alterando a ementa e o voto do acórdão embargado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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SANEAMENTO DA OMISSÃO APONTADA Acolhem-se os embargos de declaração interpostos para sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a obscuridade apontada, alterando a ementa e o voto do acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 25 35 /2 00 5- 93 Fl. 563DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.645 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002535/2005-93 Relatório Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte, em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401005.674 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, (fls. 532/544), em sessão de julgamento realizada em 7 de agosto de 2018, que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN, e o sujeito passivo foi devidamente intimado, em várias ocasiões, para apresentação de defesa e dos documentos de seu interesse. AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, prescreve em seu artigo 15 que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrá-los ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. INTENÇÃO DO AGENTE. INSUBSISTÊNCIA A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. DEVOLUÇÃO DE GANHO INDEVIDO. Não prospera as alegações do contribuinte pela não tributação da parcela sob a rubrica “devolução de ganho indevido”, tendo em vista que o Recorrente nada trouxe para demonstrar que tais devoluções referiam-se a verbas de natureza indenizatórias ou que indevidamente integraram a base de cálculo tributável. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS Fl. 564DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.645 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002535/2005-93 A revisão do crédito foi com base nos resumos das folhas apresentados à Fiscalização pelo sujeito passivo na época do levantamento do crédito. Os mesmos resumos foram reapresentados quando o Órgão foi intimado em diligência realizada para análise deste Processo. Alegações insubsistentes. O contribuinte aduz em peça recursal de Embargos que o Acórdão embargado incorreu em contradições e obscuridades, pois foram incluídos pontos não constantes no Recurso Voluntário e pleiteia o provimento dos embargos com efeitos modificativos. Em despacho de fls. 558/562, os Embargos de Declaração foram admitidos pela presidente da Turma, por verificar que o Acórdão, além das questões apresentadas pelo sujeito passivo, tratou de uma preliminar que não foi suscitada pelo embargante no recurso voluntário apresentado, havendo assim necessidade do saneamento do Acórdão, razão pela qual o processo foi encaminhado para inclusão em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator. Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito Em Recurso Voluntário, o contribuinte aduziu que os servidores do Estado do Amazonas, contratados sob Regime Temporário disciplinado pela Lei nº 1.674/84, possuem vínculo com o instituto Previdenciário do Estado do Amazonas - IPEA, anteriormente à edição da Emenda Constitucional nº 20/98, e que pertencem ao quadro suplementar instituído pela Lei n. 2.624/2000. Afirma que, como Estado Autônomo, não reconhece a constitucionalidade da Emenda Constitucional nº 20/98 no que pertine à obrigatoriedade de filiação de seus antigos servidores especiais contratados pela Lei Estadual nº 1.674/84, identificados nas folhas de pagamento como “Vínculo C”, que por força da Lei nº 2.624/2000, receberam prerrogativas e deveres de servidores estatutários. Aduz que o art. 24, inciso XII da CF estabelece à União, estados, Distrito Federal e Municípios, o poder de legislar, concorrentemente, sobre a previdência social, assim, diante da legislação estadual, não poderiam pertencer ao Regime Geral. Por fim, assevera que a EC nº 20/98 que exclui do regime próprio os servidores ocupantes de cargos temporários é inconstitucional e que, por força de leis estaduais, o Estado recolheu, de boa-fé, a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos servidores temporários, à pessoa jurídica que faz a gestão do RPPS do Estado do Amazonas, não podendo ser responsabilizado pelo pagamento do crédito. Fl. 565DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.645 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002535/2005-93 Todas as questões apresentadas pelo sujeito passivo foram tratadas no Acórdão ora embargado. No entanto, de fato, também foram abordados outros pontos, questões suscitados apenas na impugnação e defesa complementar, mas não no Recurso Voluntário. Dessa forma, necessário se faz o saneamento do Acórdão com a exclusão das matérias não questionadas pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário. Dessa forma, o voto do Recurso Voluntário passa a ter a seguinte redação: Recurso Voluntário Mérito Primeiramente, há de se observar que a Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII), a qual será financiada por toda a sociedade, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, senão vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998). I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Nesse sentido, a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, estabelece em seu artigo 15, que os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias: Art. 15. Considera-se: I - empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Desse modo, a autonomia do Estado não impede a verificação do fato gerador no caso dos servidores comissionados/temporários que se submeter ao regime geral de previdência. Ocorrido o fato previamente descrito na norma de incidência basta para o nascimento da obrigação tributária correspondente (art. 113, § 1º e 114 do CTN), cabendo à autoridade administrativa, em face do princípio da legalidade, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). Mister se faz esclarecer que o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 1988, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, trouxe profundas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Fl. 566DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.645 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002535/2005-93 Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98). A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos, vinculam-se obrigatoriamente ao RGPS. Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V - cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios. Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, assim determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I- como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Destarte, aos servidores admitidos sob o amparo da Lei nº 1.674/1984, são classificados no Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. Fl. 567DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.645 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002535/2005-93 A alteração das funções em cargos operada com o advento Lei nº 2.624, de 2000, não descaracterizou a natureza temporária das atribuições dos servidores que, por esta razão, continuaram vinculados ao RGPS. Ademais, não restou atendido o requisito de art. 19 do ADCT, pois os servidores não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos estabelecido no referido artigo para enquadrá-los ao RPPS, além de não ter sido comprovada a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e de não estarem submetidos ao regime estatutário. Quanto à alegação de boa-fé alegada pelo Recorrente, sob o argumento de que havia Lei Estadual que impunha ao recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos servidores temporários ao RPPS do Estado do Amazonas, cabe nesse ponto registrar que a infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com efeito, a legislação que rege a matéria não determina, em nenhum momento, o recolhimento de contribuição a dois institutos. Assim, diante da ocorrência do fato gerador do tributo, é obrigação do agente fiscal realizar o lançamento do tributo devido, nos termos do art. 142 do CTN, e assim foi perfectibilizado conforme verificado nos presentes autos. No que tange a alegação de inconstitucionalidade do art. 40, §13 da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998, cabe destacar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não cabendo, em sede administrativa, declarar a inconstitucionalidade de ato normativo em vigor. Ademais, a Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não merece prosperar os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo ser mantido o lançamento nos termos em que efetivados. Após a modificação do voto, a ementa passa a ter a seguinte redação: EMENTA AUTONOMIA DOS ESTADOS. CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. LANÇAMENTO. SUBSISTÊNCIA A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, prescreve em seu artigo 15 que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Fl. 568DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.645 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35011.002535/2005-93 Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Os servidores admitidos sob o amparo da Lei nº 1.674/1984, são classificados no Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. A alteração das funções em cargos operada com o advento Lei nº 2.624, de 2000, não descaracterizou a natureza temporária das atribuições dos servidores que, por esta razão, continuaram vinculados ao RGPS. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. INTENÇÃO DO AGENTE. INSUBSISTÊNCIA A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, diante de todo o exposto, cumpre acolher os aclaratórios, sem efeitos modificativos do resultado do julgamento, com função de saneamento e integração do Acórdão, conforme termos do voto. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO dos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para saneamento e integração do acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15761.720012/2017-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/01/2014
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OMISSÃO. OBSCURIDADE. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA À LIDE.
Deve ser reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa que deixa de analisar argumentos da contribuinte expostos em impugnação, tratando nos autos de matéria estranha à lide.
Numero da decisão: 2202-005.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OMISSÃO. OBSCURIDADE. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Deve ser reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa que deixa de analisar argumentos da contribuinte expostos em impugnação, tratando nos autos de matéria estranha à lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 76 1. 72 00 12 /2 01 7- 76 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 160 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15761.720012/201776, em face do acórdão nº 0445.355, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), em sessão realizada em 14 de março de 2018, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de processo de Impugnação em face da obrigação tributária relativa a Contribuições Sociais Previdenciárias apurada mediante Auditoria Fiscal que resultou no lançamento de crédito fiscal lavrado na data de 13/12/2017, referente ao período de 05/2014 a 06/2017 resumidos nos seguintes demonstrativos: fl. 02 PROCEDIMENTO FISCAL Em resumo, segundo o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fl. 710), e demais relatórios integrantes e complementares, foram consignados os seguintes pontos acerca do procedimento fiscal: 3.2. Da Infração ... por meio de Despacho Decisório proferido no processo nº 10880.736406/201776 a autoridade administrativa preparadora homologou parcialmente as compensações informadas pelo contribuinte nas GFIP entregues para as competências 01/2013 a 13/2013. Nesse sentido, a teor do expresso no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, o contribuinte incorreu em infração à legislação tributária, impondose a aplicação da penalidade pecuniária nele prescrita, equivalente a 150% do valor da contribuição previdenciária indevidamente compensada. 3.3. Da Multa Isolada Lançada Em vista do exposto, o crédito tributário concernente a multa isolada, cujo fato gerador ocorreu na data de transmissão das respectivas GFIP, é o resumido na tabela abaixo: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 161 3 CIENTIFICAÇÃO Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada por meio Caixa Postal (Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal) em 15/12/2017 (fl. 34). IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou Impugnação (fl. 4253), na data de 10/01/2018, com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: RESPONSABILIDADE DO ATUAL PREFEITO Destacase no auto de infração que o procedimento fiscal abrangeu como período de apuração os meses de 01/2017, 03/2017, 03/2017 e 06/2017 – segundo o qual, teria o município realizado compensações indevidas nos referidos períodos de apuração . O atual ocupante do mandato eletivo de Prefeito Municipal, indicado como responsável tributário, foi empossado no cargo na data de 1º de janeiro de 2.017, para exercer o mandato correspondente ao quadriênio 2017 à 2020. É fato irretorquível que o atual Prefeito, após sua assunção no cargo, aboliu qualquer compensação previdenciária, sendo que a partir de 1º de Janeiro de 2.017, todas as contribuições previdenciárias foram RIGOROSAMENTE recolhidas conforme os ofícios informando os valores mensalmente à serem retidos junto ao FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DOS MUNICIPIOS – FPM, conforme as guias de recolhimento de previdência social – GPS. Relativo aos meses de competência de Janeiro à Junho de 2.017, a Municipalidade procedeu ao recolhimento à Previdência Social de forma correta no período de janeiro a dezembro de 2017, sem realizar qualquer abatimento ou compensação. Ademais, ressaltase, que conforme certidão expedida pela Divisão de Recursos Humanos na de 27.03.2017 a 30.03.2017, a Municipalidade procedeu a retificação das competências 05/2016, 06/2016, 07/2016, 08/2016, 09/2016, 10/2016 e Fl. 161DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 162 4 11/2016, devido a divergências nas informações em nome da servidora Sandra Maria Seabra Albuquerque Belchior, PIS/PASEP nº 130.34888.235. Posteriormente, a Divisão de Recursos Humanos realizou o envio da competência 13/2016, a qual não havia sido informada no prazo legal pela gestão anterior. Desta forma, não houve qualquer compensação indevida realizada a partir do dia 1º de Janeiro de 2.017, sendo que o atual responsável tributário, ocupante do cargo público de Prefeito Municipal, não praticou qualquer excesso de poderes que pudesse configurar infração à legislação pertinente . MULTA CONFISCATÓRIA Ainda que na fase administrativa não se reconheça que as multas não são confiscatórias porque previstas em lei, deve o contribuinte sempre invocar tal princípio. O artigo 150 da Constituição referese apenas ao tributo quando proíbe sua cobrança com efeito confiscatório. Todavia, a jurisprudência entende perfeitamente aplicável às multas a mesma limitação. Nesse sentido é a decisão do TRF1 (DJU 20/8/99): “A multa, a pretexto de desestimular a reiteração de condutas infracionais, não pode atingir o direito de propriedade, cabendo ao Poder Legislativo, com base no princípio da proporcionalidade, a fixação dos limites à sua imposição. Havendo margem na sua dosagem, a jurisprudência, com base no mesmo princípio tem, no entanto, admitido a intervenção da autoridade judicial.” O STJ, no processo 1998.010.00.501511, decidiu que “não é confiscatória multa de 20% (vinte por cento), inferior a percentual maior (30%) considerado razoável pelo SFT (RE 81.550MG, in RTJ 74/319)”. Ademais, a atual gestão a deparar com a situação determinou a suspensão de tais compensações, visto que, seguindo orientações do TCE/SP, este consignou que a compensação administrativa efetuada na forma da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 tem cabimento tão somente nos casos de recolhimento da GFIP/SEFIP ou qualquer outro similar, não se estendendo para os casos em que o recolhimento supostamente a maior decorra de interpretação de legislação passível de discussão judicial. Assim, a atual gestão apurou que, ao invés da municipalidade realizar consulta junto a Receita Federal ou entrar com ação judicial para regularizar a alíquota a ser recolhida, a mesma efetuou referidas compensações após contratação de uma empresa de assessoria, com objeto afeto à avaliação e revisão de grau de risco, enquadramento do quadro de pessoal pela preponderância e cálculos relativos à alíquota do RAT do INSS, conforme firmado com a empresa Castellucci Figueiredo e Advogados Associados. A Instrução Normativa RFB nº 900/08, apenas autoriza a compensação das contribuições de valores efetivamente recolhidos indevidamente, ou seja, são cabíveis as compensações para a correção de eventuais erros que possam ter gerado Fl. 162DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 163 5 recolhimentos com valores a maior, de modo que tais atos demonstram imprudência por parte do exadministrador, enquanto gestor, porquanto serem realizadas antes da existência de provimento judicial transitado em julgado (art. 170A do Código Tributário Nacional) e sem a demonstração de estarem em conformidade com o entendimento dado à matéria pela Fazenda Nacional, sendo evidente a irregularidade quanto às compensações sem a existência de respaldo administrativo da Receita Federal do Brasil, tampouco, a efetiva determinação judicial que garantisse ao município o direito de efetivar a compensação, sem o risco de causar eventual dano futuro ao erário. PEDIDO Ante ao exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, bem como seja afastada a responsabilidade solidária do atual gestor, visto que agiu dentro dos ditames legais.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação, mantendose integralmente o crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 106/122, reiterando as alegações expostas em impugnação. Alternativamente, o contribuinte requereu para que seja determinada a suspensão ou desmembramento do auto de infração em relação as verbas discutidas em mandado de segurança n.º 2009.34.00.0328587. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O acórdão da primeira instância administrativa, ao se manifestar em relação a multa aplicada, traz aos autos matéria estranha à lide, deixando de apreciar adequadamente as alegações da contribuinte de sua impugnação. No presente caso, conforme se verifica às fls. 07/10 (Termo de Verificação Fiscal), a multa aplicada é a isolada, decorrente de compensação considerada indevida, prevista no § 10º do artigo 89 da Lei n° 8.212/91. Vejamos: Lei 8.212/91 Art. 89. (...) §10º Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 164 6 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Por sua vez, assim estabelece o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96: Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, a multa aplicada, de natureza "isolada", decorrente de compensação indevida será no dobro do valor previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Ou seja, o dobro de 75%, logo, 150%. Assim, concluiu a fiscalização, no Relatório Fiscal, ao fazer o lançamento, o seguinte: "[...] DECIDO lançar multa isolada de 150% sobre todos os valores irregularmente compensados, [...]". No entanto, a DRJ ao apreciar a questão, assim foi tratado no acórdão: MULTA QUALIFICADA. Verificase que a própria Lei nº 8.212/91, ao dispor sobre o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo, determina a observação dos percentuais de previstos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96, no artigo 44, traz os percentuais de multa de ofício e faz remissão às circunstâncias qualificadoras capazes de ensejar a sua duplicação, vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 164DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 165 7 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Nesse contexto, necessário trazer à baila também os conceitos exarados na Lei nº 4.502/64 e ver se a conduta praticada pelo contribuinte encaixase em alguma(s) das ‘circunstâncias qualificativas’ ali propostas. Lei nº 4.502/64 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (...) § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (...) Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Vejase, destarte, que a aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento excepcional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude acima transcritas, situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta, com o fito de punir o infrator que assim age, extrapolando a conduta do mero inadimplemento e desestimulando novas condutas deste jaez. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 166 8 No caso sob exame, a fiscalização motiva o lançamento da multa isolada pela conduta de sonegação, nos seguintes termos conforme excerto do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Em decorrência do procedimento em comento, houve por bem a autoridade administrativa, sob o fundamento da falta de comprovação da certeza e liquidez dos créditos então utilizados pelo interessado, declarar como indevidas parte das referidas compensações, determinando, por conseguinte, a cobrança dos débitos previdenciários remanescentes e o consequente lançamento da Multa Isolada a que ser refere o art. 89 da Lei nº 8.212/91, conforme Despacho Decisório proferido pela DRF/SAE no processo nº 10880.736406/201776. O fundamento de fato referido pela autoridade lançadora, no bojo do referido processo principal conexo 10880.736406/2017 76, foi descrito no DESPACHO DECISÓRIO SEORT Nº 303/2017 (fl. 1626) nos seguintes termos: 34. Portanto, levandose em conta a natureza da Conta 21634 – INSS Verbas Indenizatórias Diferida, de Provisão Passiva, e, ao menos até o encerramento do anocalendário 2015, a inexistência de direito creditório decorrente das ações judiciais em comento, bem como não ter o interessado logrado demonstrar a origem e eventual certeza e liquidez do crédito de R$ 15.328.726,56, restaria à autoridade administrativa considerar como indevidas as compensações com ele efetuadas em GFIP, com a cobrança dos respectivos débitos confessados; 35. E nessa senda, mesmo que quisesse a autoridade administrativa, o que aqui se levanta por apego aos princípios da legalidade e da razoabilidade, considerar que o valor de R$ 15.328.726,56 corresponderia à parcela da contribuição previdenciária registrada a crédito à Conta 21634 – INSS Verbas Indenizatórias Diferida, o interessado deixou de demonstrar sua apuração, assim como ser ele decorrente da contribuição devida sobre as verbas a que alude o item 31 desta fundamentação, então com exigibilidade suspensa; 36. Ademais, ainda que o interessado o tivesse feito, é preciso enfatizar que a rubrica “compensação” da GFIP não se prestaria a informar débitos com exigibilidade suspensa, como se sugere ter ocorrido no caso concreto, consoante o previsto pelo Manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880/08, e pela Solução de Consulta nº 279 – Cosit, de 02/06/2017. [...] 37. Por derradeiro, em razão das compensações indevidamente declaradas pelo interessado nas GFIP entregues para o ano calendário 2013, como consignado no demonstrativo em anexo (folhas 39758 a 39762), deveria a autoridade administrativa lançar de ofício a Multa Isolada de que trata o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91 . Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 167 9 Depreendese da situação configurada nos autos que todas as ações do sujeito passivo tiveram a intenção, clara e manifesta de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, o que caracteriza a sonegação, rechaçada e punida pela legislação, conforme expendido em tópico anterior. Concluise, portanto, pelo cabimento da multa duplicada devido comprovação de ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." (grifouse) Ademais, constou inclusive na ementa do acórdão da DRJ que a matéria tratada foi a multa qualificada: "MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada devido comprovação de ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." (grifouse) Pelo demonstrado, embora o lançamento tenha sido de multa isolada, a fundamentação do voto do acórdão da DRJ tratou a multa como sendo de ofício, na forma qualificada. Ambas as multas tem percentual de 150%, porém o fundamento jurídico para incidência de cada uma é diferente. A existência de erro manifesto da DRJ, que não aprecia a principal matéria da lide (multa isolada), deixa o acórdão obscuro e omisso. Obscuro por tratar de matéria estranha à lide e omisso por não apreciar as alegações do contribuinte. Diante disso, impõese que seja declarada a nulidade da decisão de primeira instância, pois a omissão e obscuridade causam prejuízo à defesa do contribuinte, que deixa de ter seus argumentos analisados, causandolhe cerceamento de defesa, prejudicando, ainda, a análise da matéria pela segunda instância administrativa (CARF), pois ocorreria indevida supressão de instância. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15761.720012/201776 Acórdão n.º 2202005.090 S2C2T2 Fl. 168 10 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002953/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
Tendo sido comprovado em diligência que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
Tendo sido comprovado pelo contribuinte, em Recurso Voluntário e em Diligência fiscal, que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório.
COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 3201-005.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: a) reconhecer o crédito sobre a aquisição de embalagens e sobre a aquisição de bens e serviços essenciais e relevantes ao processo produtivo listados no voto (exceto os citados na alínea "a", a seguir), observando-se o critério da depreciação para os bens integrantes do ativo imobilizado adquiridos após 1º de maio de 2004. Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard, que negou provimento apenas quanto às embalagens; b) manter a glosa sobre os seguintes itens: (i) Furadeira; (ii) Grampeador; (iii) Guarda roupa; (iv) Ventilador Britânia; (v) Kit exaustor eólico; (vi) Aquecedor utilizado nos escritórios; (vii) Fogão; e (viii) Rádio; (ix) Unidade saída de usuário elo: utilizado para controle de gasto de energia; (x) Abraçadeira com guia: utilizada em instalações da empresa de maneira geral; (xi) Mangueiras para hidrantes: utilizadas para combate a incêndio; (xii) Ventilador centrífugo: utilizado para conforto térmico; e (xiii) Hidrômetro: utilizado na medição de consumo de água; c) Manter a glosa, por falta de comprovação, de aquisições de pessoas físicas.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Tendo sido comprovado pelo contribuinte, em Recurso Voluntário e em Diligência fiscal, que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório. COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas.
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PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Tendo sido comprovado pelo contribuinte, em Recurso Voluntário e em Diligência fiscal, que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório. COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 53 /2 00 7- 19 Fl. 1818DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: a) reconhecer o crédito sobre a aquisição de embalagens e sobre a aquisição de bens e serviços essenciais e relevantes ao processo produtivo listados no voto (exceto os citados na alínea "a", a seguir), observandose o critério da depreciação para os bens integrantes do ativo imobilizado adquiridos após 1º de maio de 2004. Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard, que negou provimento apenas quanto às embalagens; b) manter a glosa sobre os seguintes itens: (i) Furadeira; (ii) Grampeador; (iii) Guarda roupa; (iv) Ventilador Britânia; (v) Kit exaustor eólico; (vi) Aquecedor utilizado nos escritórios; (vii) Fogão; e (viii) Rádio; (ix) Unidade saída de usuário elo: utilizado para controle de gasto de energia; (x) Abraçadeira com guia: utilizada em instalações da empresa de maneira geral; (xi) Mangueiras para hidrantes: utilizadas para combate a incêndio; (xii) Ventilador centrífugo: utilizado para conforto térmico; e (xiii) Hidrômetro: utilizado na medição de consumo de água; c) Manter a glosa, por falta de comprovação, de aquisições de pessoas físicas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 0720.013 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (fls. 720 e seguintes). O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado externo, que remanesceram ao final do primeiro trimestre de 2004, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo indeferimento do pleito da contribuinte, reduzindo o saldo disponível para ressarcimento por ela apurado de R$103.050,44 para um saldo negativo de R$3.696,93, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) bens adquiridos para revenda: a autoridade fiscal glosou os valores referentes às operações de aquisição de bens adquiridos Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.819 3 com o fim específico de exportação (operações com CFOP 1501 – Entrada de mercadorias com fim específico de exportação) , por não gerarem tais operações direito de crédito, a teor do §4º, do art. 6º da Lei nº 10.833/2003; (b) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos listados no anexo III: (c.1) referentes a máquinas e a equipamentos considerados pela autoridade fiscal como não utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a maçã, consistindo, portanto, de “outros bens incorporados ao ativo imobilizado não ligados diretamente a produção”; e (c.2) referentes a reavaliações de máquinas, equipamentos e edificações do ativo imobilizado, em razão de tal creditamento estar em desacordo com a legislação, no caso a IN/SRF nº457/2004, §1º, art. 2º; (d) crédito presumido – atividade agroindustrial: em relação aos créditos desta natureza a autoridade fiscal: (d.1) considerando que estes não são passíveis de compensação ou de ressarcimento, mas somente de desconto, a teor no §10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, os transferiu do campo Receita de Exportação para o campo referente ao mercado interno; (d.2) glosou os créditos decorrentes de serviços prestados por pessoa física agroindústria em razão de não terem sido comprovados, tendo sido listados apenas como apropriação de serviços de terceiros, sem menção à nota fiscal e CPF do respectivo prestador; Informa, ainda, a autoridade fiscal, que corrigiu a distorção para maior verificada no rateio proporcional em relação aos créditos vinculados a exportação. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A Fl. 1820DF CARF MF 4 própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637 e ao Art. 66 na IN/SRF 247/2002 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8.a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4º) e como embalagem de transporte (art. 6º); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa de créditos vinculados a aquisição de cola, defensivos agrícolas,madeira bruta, termógrafos descatáveis, defendendo que estes produtos consistem de insumos consumidos durante o processo produtivo, integrando, portanto, o produto vendido. Contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e “packinghouse”. Assim explica: a)Pomares: tratores e implementos agrícolas utilizados para transporte dos frutos e também adubação e aplicação de defensivos agrícolas para o desenvolvimento dos frutos; caixas Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.820 5 para apicultura cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares; poços artesianos e caixas d’agua usadas para irrigação dos pomares e diluição dos sanitários e defensivos utilizados nos pomares. b)Paking House: edificações onde ocorre o processo de industrialização e acondicionamento dos frutos; máquinas para a lavação dos frutos; classificadeiras usadas para a seleção das maçãs, permitindo melhor manuseio e agilidade na separação. c)Atmosfera Controlada: câmaras de resfriamento utilizadas para a conservação dos frutos, para que assim possa se efetuar a venda dos produtos durante todo o ano; demais câmaras frias utilizadas para o préresfriamento da maçã desacelerando o metabolismo dos frutos. (...)A descrição dos bens glosados acima, já demonstra justamente o contrário, isto é, que são essenciais a produção de maçãs destinadas ao mercado externo. (...) Ao contrário da alegação da Autoridade Administrativa, os bens glosados são utilizados no processo de produção de maçãs e são indispensáveis para a atividade da empresa, inclusive os imóveis, possibilitando assim o desconto de créditos. Também foram glosados bens do PakingHouse, local onde ocorre todo o processo de industrialização da fruta, inclusive as classificadeiras e câmaras para acondicionamento. Os bens, ora glosados,são utilizados no cultivo dos frutos e na industrialização da maçã, ou seja, fazem parte da linha de produção da Recorrente. Em relação à glosa de créditos referentes ao mês de janeiro de 2004 argumenta que a Lei nº10.637/2002, em sua redação original, vigente até 31/01/2004, “... possibilitava o desconto de créditos sobre os encargos de depreciação de todos os bens utilizados pela empresa, não restringindo ao fim ou utilização do bem (sic)”. Segue dizendo que “A partir de 01 de fevereiro de 2004, somente era possível o direito creditório sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado, desde que os componentes do ativo imobilizado fossem utilizados na produção de bens destinados à venda”. Contra as glosas dos valores relacionados aos serviços prestados por pessoa física, argumenta que este referemse a contratação de serviços de tratores utilizados, principalmente, no “transporte das frutas em carretas agrícolas..., aplicação de defensivos agrícolas e adubação do solo...”, dois quais traz em anexo a listagem e os recibos de pagamento. Conclui que assim “restam devidamente comprovados os valores das aquisições de serviços de pessoas físicas que servem de base para a apuração do Crédito Presumido – Atividades Agroindustriais”. Fl. 1822DF CARF MF 6 Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS não cumulativo os valores contestados. A Turma Julgadora julgou a Impugnação parcialmente procedente, restando assim ementada a decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano calendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. SERVIÇOS PRESTADO POR PESSOA FÍSICA. Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.821 7 Para as pessoas jurídicas que desenvolvem atividade agroindustrial, a hipótese de desconto de crédito presumido, prevista no §10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, válida até a revogação deste pela Lei nº 10.925/2004, limitase a despesas com serviços adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, que tenham sido utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Os autos foram remetidos para julgamento e distribuídos ao Relator Luciano Lopes de Almeida Armando. Por unanimidade de votos, deliberouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 05 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. A Fiscalização apresentou a INFORMAÇÃO FISCAL SAORT 20140112 CCV, aduzindo que parte das glosas deixaram de ser contestadas pelo contribuinte, e mantendo os fundamentos das demais. Intimado do resultado da Diligência, o Contribuinte alegou, em conclusão, que "que todos os bens são indispensáveis para o processo de industrialização da fruta, conforme amplamente demonstrado em fotos e petição protocolada em 12/05/2014 (fls. 762 a 1045 dos presentes autos). Portanto, por razões de economia processual se reporta integralmente às informações prestadas na referida petição e anexos, reiterando o pedido de deferimento dos créditos decorrentes dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado". Os autos, então, retornaram ao CARF e, tendo em vista que o D. Relator originário não mais compõe este colegiado, foram a mim distribuídos por sorteio eletrônico. Fl. 1824DF CARF MF 8 Levado novamente o feito a julgamento, entendeu esta Turma que a diligência realizada não atendeu completamente ao que lhe foi solicitado, deliberando pela nova conversão em diligência: Entendo que a Autoridade Preparadora se limitou a listar os bens que entendia não serem aplicados no processo produtivo, mas deixou de especificar a sua efetiva utilização. Desse modo, entendo ser necessária a complementação da diligência solicitada para que a Autoridade Preparadora de fato, especifique, de forma clara, a efetiva utilização de cada um dos itens listados, podendo intimar o contribuinte para que apresente tais informações de forma consolidada para embasar seu convencimento. Desta feita, a Autoridade Preparadora esclareceu: Em consulta a outros processos da interessada relativos a ressarcimento de créditos das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, referentes ao 1º trimestre de 2004, constatouse que o objeto da presente diligência já foi tratado no processo nº 10925.002971/200709, que se refere a pedido de ressarcimento de créditos da Cofins nãocumulativa, Mercado Externo (Exportação), do 1º trimestre de 2004. É possível constatar que ambos os processos tratam de controvérsia relativa ao mesmo período de apuração, a mesma base de cálculo e aos mesmos bens e itens glosados. Também coincide o teor da diligência requisitada pela CARF. Dessa forma, consideramos realizada a presente diligência, nos termos da Informação Fiscal nº 424/2011 – SAORT/DRF/JOA, juntada às fls. 798/804 do processo digital nº 10925.002971/200709. Segue abaixo o teor da Informação Fiscal nº 424/2011 – SAORT/DRF/JOA, que listou os bens e itens do ativo imobilizado que são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, bem como os bens e itens não utilizados no processo produtivo e a especificação de sua efetiva utilização. Relativamente aqueles bens que se entendeu tratarse de "bens e itens do ativo imobilizado não utilizados como insumos", remeteuse às justificativas apresentadas no processo referido É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, alega a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância por desconsideração das provas apresentadas indeferimento da realização de diligência. Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.822 9 Tenho que tal preliminar não merece acolhida. É que a decisão recorrida, ainda que passível de reforma nesta instância, apresentase devidamente fundamentada, tendo sido irrelevante, para a fixação do julgado, a realização de provas tendentes à demonstrar o emprego e utilidade dos insumos adquiridos ao processo produtivo da Recorrente. Em outras palavras, atendose à então vigente orientação da RFB acerca da aplicação da legislação do IPI à apuração do PIS e Cofins não cumulativos, a demonstração realizada (provas) e pretendida (diligência) pela Recorrente se fazia despicienda, posto que incapaz de afastar o direito aplicado pela Autoridade Julgadora. Nada obstante, o pleito formulado foi devidamente acatado nesta segunda instância administrativa, que não apenas examina e valora todas as provas apresentadas, como determinou a realização de diligência fiscal para as apurações complementares. No mérito, conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito tem essencialmente um único aspecto a ser examinado: o conceito de insumos para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos. Tanto a Fiscalização, como o acórdão recorrido, pautaramse na aplicação da IN SRF nº 404/2004 para fundamentar a glosa de bens e serviços que, no seu entendimento, não teriam sido efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviço. É de conhecimento que a matéria em questão sofreu considerável alteração. Na esteira do que há muito vinha se estabelecendo deste CARF, para fins de apuração do PIS e da COFINS não cumulativas sobre a aquisição de insumos pela Pessoa Jurídica, já definiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso Representativo de Controvérsia, portanto, de efeito vinculante à este CARF e à propria Administração Tributária, pelo afastamento da aplicação da legislação de IPI utilizada como parâmetro na autuação. E, também consoante jurisprudência já estabelecida por esta Corte Administrativa, determinou a necessidade de se avaliar a essencialidade e relevância dos bens adquiridos como insumos à atividade produtiva do contribuinte. É a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN Fl. 1826DF CARF MF 10 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, examinou a decisão proferida pelo STJ para fins de dispensa de contestação e recursos nos processos que versem sobre a matéria. Já no âmbito da Receita Federal do Brasil, o Parecer Normativo COSIT Nº 5, de 17 de dezembro de 2018 "apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR". Fixados os parâmetros da essencialidade e relevância, para aplicação do direito já pacificado, é condição sine qua non a demonstração acerca do emprego de cada um dos itens adquiridos pelo contribuinte, para fins de validação do direito ao crédito.. Assim, ultrapassadas questões de direito, temse tratar de matéria essencialmente fática e documental: necessidade de demonstração de que os bens apropriados como insumos referemse a itens essenciais ao processo produtivo do contribuinte. Nesse sentido, foram realizadas 2 (duas) diligências no presente feito, justamente com o escopo de averiguar o emprego de cada um dos itens glosados. Nesse levantamento, cuidou a Recorrente de apresentar o detalhamento do seu processo produtivo, Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.823 11 indicando a inserção de cada um dos itens cuja glosa pretende reverter no seu processo produtivo. Assim, em conclusão, a Fiscalização afirma: “ Em atendimento à demanda do órgão julgador, segue lista dos bens e itens do ativo imobilizado debatidos e que são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa: • Etiquetas; • Disjuntor; • Exaustor industrial; • Defensivos agrícolas; • Medidor de diâmetro de fruta; • Motobomba; • Motor trifásico; • Separador magnético; • Navalhas para máquina picador; • Máquina classificadora; • Aparelho pulverizador; • Motosserra; • Panela isotérmica; • Pulmipur com campana; • Pulverizador; • Pulverizador jacto; • Escadas de ferro; • Adubadeira; • Centrífuga radial motorizada; • Hidroejetor; • Torneira de corte rápido; • Máquina semiautomática; • Refratômetro; • Decantador em aço inox; • Desoperculadora; • Distribuidor de calcário. Fl. 1828DF CARF MF 12 Logo, para os itens acima, não resta dúvida acerca da sua essencialidade ou relevância ao processo produtivo, razão pela qual devem ser revertidas as correspondentes glosas. A Fiscalização, contudo, apresentou uma segunda listagem, onde indica os itens que entende não serem integrantes do processo produtivo da Recorrente, com a respectiva fundamentação: Complementando a informação requerida, listamos, a seguir, os bens e itens do ativo imobilizado não utilizados como insumos e especificamos a sua efetiva utilização: • Caixa Tampa: embalagem utilizada precipuamente para acondicionamento dos produtos e transporte, não agregando valor aos mesmos; • Caixa Fundo: embalagem utilizada precipuamente para acondicionamento dos produtos e transporte, não agregando valor aos mesmos; • Caixa Refrai: embalagem utilizada precipuamente para acondicionamento dos produtos e transporte, não agregando valor aos mesmos; • Caixa Renar: embalagem utilizada precipuamente para acondicionamento dos produtos e transporte, não agregando valor aos mesmos; • Caixa Natura: embalagem utilizada precipuamente para acondicionamento dos produtos e transporte, não agregando valor aos mesmos; • Plásticos: utilizados na proteção dentro das caixas; • Sacolas Plásticas: embalagem utilizada precipuamente para acondicionamento e transporte; • Chapéu de Papelão: utilizado para proteção da fruta; • Bandejas: utilizadas precipuamente para transporte e proteção, não se trata de embalagens de apresentação; • Rede poliéster: utilizada como embalagem de transporte; • Papel: utilizado como proteção dentro das embalagens de transporte; • Arame: utilizado para montagem de caixas de madeira; • Cola: utilizado para montagem das caixas de papelão; • Termógrafos descartáveis: utilizados para controlar a temperatura durante o transporte; • Madeira bruta: utilizada na reforma dos bins; • Alça plástica: compõe embalagem de transporte; • Rótulos: utilizados na identificação de embalagens de transporte; Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.824 13 • Papel de seda: utilizado precipuamente para proteção do produto; • Plástico bolha: utilizado precipuamente para proteção do produto; • Analisador de gás: ativo utilizado para analisar e controlar os teores de gases no interior das câmaras de armazenagem dos produtos; • Termonebulizador marca Pulsfog modelo K 2: utilizado para desinfecção; • Aquecedor Britânia: utilizado para manter a temperatura em salas de teste; • Balança: utilizada para atender a requisitos de pesagem estabelecidos pelo Inmetro; • Bin: recipiente utilizado no acondicionamento da fruta até um momento anterior à embalagem final. Não se trata, portanto, de embalagem de apresentação; • Bombas: utilizadas para o recalque de água dos poços; • Bureta: utilizada para análise laboratorial; • Caçamba: usado para depósito temporário de lixo; • Carro hidráulico: utilizado para transportes internos; • Carro hidrocooler: utilizado para transportes internos; • Chuveiro com lava olhos: equipamento de segurança; • Costuradeira elétrica: equipamento utilizado em consertos e reformas; • Disco com suporte de análise de cloro: equipamento de análise de índice de cloro em embalagens; • Escada: utilizada em deslocamentos internos de funcionários na empresa; • Esmerilhadeira: ferramenta elétrica para trabalhos em metais; • Evaporador: equipamento utilizado para auxiliar o resfriamento das câmaras de armazenagem; • Furadeira: ferramenta utilizada precipuamente para consertos ou instalações não diretamente ligadas ao processo produtivo; • Grampeador: equipamento para utilização em escritório; • Guarda roupa: utilizado para guardar pertences dos funcionários; • Hidrolavadora: utilizada para lavagem de bins; Fl. 1830DF CARF MF 14 • Impulsora pneumática: grampeador de etiquetas nos bins, de utilização interna na empresa; • Lavadora alta pressão: utilizada na limpeza de pisos, paredes, máquinas e bins; • Máquina de grampear: utilizada na confecção de caixas de papelão; • Máquina de lavar: utilizada para lavar roupas e tecidos; • Máquina semi S10: utilizada para o fechamento de embalagens de transporte; • Mesa: utilizada para o controle de qualidade das frutas; • Módulo controller TSM: utilizado para monitorar as câmaras frigoríficas de armazenagem de frutas; • Módulo indicador 9091: utilizado na logística, após o processo produtivo; • Penetrômetro: utilizado para controle de qualidade; • Phmetro: utilizado em laboratório e para controle de qualidade; • Portapalete: utilizado para transporte de pallets; • Pulverizador: utilizado para aplicar defensivos na maçã; • Selador: utilizado para selar as embalagens de transporte; • Serra tico: serra utilizada para madeira e ferro; • Unidade saída de usuário elo: utilizado para controle de gasto de energia; • Ventilador beija flor: utilizado para umidificação das câmaras frigoríficas de armazenagem; • Ventilador Britânia: utilizado para conforto dos funcionários; • Kit exaustor eólico: utilizado para conforto dos funcionários; • Abraçadeira com guia: utilizada em instalações da empresa de maneira geral; • Aspersores: utilizados nas câmaras de armazenagem; • Caixas racks: utilizadas para acondicionamento; • Mangueiras para hidrantes: utilizadas para combate a incêndio; • Caixas plásticas: utilizadas na logística interna da empresa; • Aparelho de solda: utilizado em reparos de máquinas, equipamentos e barracões; • Bancada penetrômetro: utilizado no controle de qualidade; Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.825 15 • Carrinhos comboio: utilizados no transporte interno na empresa; • Condensador evaporativo: utilizado nas câmaras de armazenagem; • Controlador de fator de potência: utilizado para controlar banco de capacitores; • Esticador: utilizado para esticar fitas nos pallets; • Termômetro: utilizado para controlar a temperatura ambiente; • Ventilador centrífugo: utilizado para conforto térmico; • Inversor eletrônico: equipamento responsável por converter a frequência em equipamentos eletrônicos; • Multímetro: utilizado para medição de tensão e corrente; • Alicate tensionador: utilizado para tensionamento de fivelas ou fitas plásticas ou de aço, para a paletização; • Aquecedor: equipamento de conforto térmico utilizado nos escritórios; • Arado: utilizado na preparação do solo para plantio, não é diretamente ligado à produção, pois nesse momento o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Armário: utilizado para armazenagem; • Balanças: utilizadas no controle fitossanitário e fertilização; • Banca: utilizado para acondicionamento de peças ou produtos; • Bomba: utilizada em poços artesianos ou bombas de combustível; • Cabina para trator: utilizada na proteção do operador; • Carrinho plataforma base madeira: utilizado no transporte interno na empresa; • Coveador duplo com adubadeira: utilizado durante o preparo do solo para o plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Fogão: utilizado para prepara alimentos não ligados à produção; • Grade niveladora leve: utilizada durante o preparo do solo para o plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Hidrômetro: utilizado na medição de consumo de água; • Lavadora universal: utilizada para limpezas em geral; Fl. 1832DF CARF MF 16 • Macaco: utilizado em manutenção de máquinas; • Máquina alceadora: utilizada em combinação com máquina copiadora; • Máquina enxertia: utilizada no período de formação de mudas para plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Rádio: utilizado para comunicação entre funcionários; • Roçadeira: utilizada para limpeza dos pomares, não é diretamente ligada à produção; • Tanque: utilizado no tratamento de plantas de maçã. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Transportador florestal: utilizada na remoção de madeira; • Carreta agrícola: utilizada para transportes internos na empresa; • Montaria simples: utilizada para vigilância dos pomares; • Balde: utilizado na logística interna da empresa; • Empilhadeira agrícola: utilizada para carga e descarga de bins; • Perfurador solo: utilizado durante o preparo do solo para o plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Semeadeira: utilizada para lançar sementes ao solo. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Torre montada sem carro: utilizada para deslocamentos internos na empresa; • Transceptor VHF: utilizado na transmissão de mensagens; • Lava jato alta potência: utilizado na lavagem de tratores e pulverizadores; • Semireboque: utilizado para transporte interno na empresa; • Triturador de galhos: utilizado para triturar galhos nas podas; • Plataforma traseira: utilizado para transporte interno na empresa; • Carreta agrícola: utilizado para transporte interno na empresa; • Reboque: utilizado para transporte interno na empresa; • Adubadeira de cova para plantio: utilizada durante o preparo do solo para o plantio.Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado.” Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.826 17 Inicialmente, quanto aos itens que foram negritados e grifados na transcrição supra, entendo que, de fato, não capazes de gerar crédito para a Recorrente, uma vez que nitidamente empregados fora do setor produtivo. São eles: • Escada: utilizada em deslocamentos internos de funcionários na empresa; • Furadeira: ferramenta utilizada precipuamente para consertos ou instalações não diretamente ligadas ao processo produtivo; • Grampeador: equipamento para utilização em escritório; • Guarda roupa: utilizado para guardar pertences dos funcionários; • Ventilador Britânia: utilizado para conforto dos funcionários; • Kit exaustor eólico: utilizado para conforto dos funcionários; • Aquecedor: equipamento de conforto térmico utilizado nos escritórios; • Fogão: utilizado para prepara alimentos não ligados à produção; • Rádio: utilizado para comunicação entre funcionários; • Transceptor VHF: utilizado na transmissão de mensagens; Ademais, percebese que na detalhada manifestação da Recorrente de 1735 e seguintes, tais itens não foram apontados como integrantes do processo produtivo, reforçando a necessidade de manutenção das glosas respectivas. Todavia, quanto aos demais itens, equivocase a manifestação fiscal. Os itens são basicamente materiais de embalagem; itens de manutenção de máquinas e equipamentos; itens empregados na fase agrícola; itens utilizados no transporte interno de produtos em preparação, além de itens integrantes das diversas fases de preparação e preparação das maças para consumo. Relativamente aos itens de embalagem, trago como fundamento o acórdão 9303005.667, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da Fl. 1834DF CARF MF 18 empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte. (Acórdão 9303005.667, 3ª T. CARF, Relator Charles Mayer de Castro Souza, julgado em 19/09/2017) Do voto proferido, extraio parte da fundamentação: Segundo consta dos autos, a glosa revertida pela Câmara baixa diz com as aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, materiais que, a nosso sentir, embora sirvam ao transporte, constituem, sim, insumos, pois, caso não embalados corretamente, haveria evidente risco de dano aos produtos industrializados (artefatos de madeira). A propósito do tema, esta Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: É exatamente esta a hipótese dos autos: as embalagens utilizadas visam a preservar o produto (frutas), de alta sensibilidade, sendo de, sem as quais, tornariase absolutamente imprestável ao consumo, restando clara a sua essencialidade. Quanto aos itens integrantes do ativo imobilizado da Recorrente, inicialmente há que se destacar que, muito embora, em sede de acórdão, tenha sido abordada a questão relativa ao direito ao crédito sobre bens do ativo adquiridos antes de 1º de maio de 2004, não houve questionamento por parte do contribuinte em sede de Recurso Voluntário. Desse modo, mantêmse o direito à credito exclusivamente para os itens do ativo imobilizado adquiridos após 1º de maio de 2004, sujeitos à regra de depreciação. Obedecidos tais critérios, portanto, todos os itens integrantes do ativo imobilizado para os quais o contribuinte demonstrou de modo efetivo a sua inserção ao processo produtivo, comprovando sua essencialidade e relevância (quando classificáveis como insumo) ou a utilização em instalações utilizadas nas atividades da empresa, conforme já exposto, devese reconhecer o seu direito ao crédito, dentro dos parâmetros legais aplicáveis. Por fim, quanto aos serviços prestados por pessoas físicas, em sede de Recurso Voluntário o contribuinte remete à relação de fls. 166 a 169, onde constaria a relação dos serviços prestados por pessoas físicas sob os quais postula o crédito. Esclarece que estes não se limitam aos serviços prestados por “Donizete Ferreira ME” e que os demais serviços estão devidamente comprovados pelos recibos juntados às fls. 584 a 717, na Impugnação. Insiste, assim, no deferimento dos créditos presumidos calculados sobre as aquisições de serviços de pessoas físicas, que perfaz o valor de R$ 192.793,56. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.827 19 Em exame da listagem mencionada, verificase que, de fato, não há, para as pessoas físicas, descrição do serviço prestado, limitandose a informar “frete”. Desse modo, a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deve ser mantida a decisão recorrida: 5. Crédito Presumido – Atividade Agroindustrial. Como do relatório se vê, a DRF/Joaçaba glosou os créditos decorrentes de serviços prestados por pessoa física em razão de não terem sido comprovados, tendo sido estes listados apenas como apropriação de serviços de terceiros, sem menção à nota fiscal e CPF do respectivo prestador. A contribuinte, por seu turno, manifestase argumentando que estes créditos, em verdade, referemse a contratação de serviços de tratores utilizados, principalmente, no “transporte das frutas em carretas agrícolas..., aplicação de defensivos agrícolas e adubação do solo...”, dos quais traz em anexo a listagem e os recibos de pagamento. Conclui que assim “restam devidamente comprovados os valores das aquisições de serviços de pessoas físicas que servem de base para a apuração do Crédito Presumido – Atividades Agroindustriais”. Primeiro, há que se trazer dispositivo legal que trata desse tipo de creditamento: Lei nº 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o Fl. 1836DF CARF MF 20 PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (destaquei) Como se infere do dispositivo legal supra transcrito, a hipótese de desconto de crédito presumido do qual cuida limitase a bens e serviços adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, que tenham sido utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso concreto, então, a teor do que foi posto no item 1.1 deste, cabia à contribuinte comprovar minudentemente a origem do direito creditório pleiteado, demonstrando não só a ocorrência da despesa relacionada ao serviço alegado, como a natureza deste e sua efetiva aplicação na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda Ocorre porém que desta tarefa não se desincumbiu a contento a contribuinte. Vejamos. Compulsando os autos, verificase que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal, trouxe a descrição das atividades da empresa e juntou, dentre outras, uma planilha com os Serviços Adquiridos de Pessoas Físicas, os quais lhe dariam direito ao crédito pretendido. Nesta ocasião, a contribuinte além de não comprovar a efetiva aquisição dos serviços listados, não cuidou de vincular cada deles à atividade na qual teria sido utilizado/aplicado, assim como também não cuidou de fazer uma descrição mais detalhada e específica dos mesmos, por meio da qual fosse possível, eventualmente, aferir sua efetiva aplicação no processo produtivo da empresa. De outro turno, como do relatório se vê, tampouco em sede de manifestação de inconformidade laborou a interessada no sentido de demonstrar, detalhada e especificamente, a aplicação direta de cada serviço em seu processo produtivo. Salientese que os Recibos de Pagamento a Autônomo, consta referiremse estes a Prestação dos Serviços de Aluguéis de Trator, não havendo qualquer outra indicação da natureza do serviço e/ou utilização desses tratores. Não bastasse, verificase que grande parte dos serviços listados, foram prestados, não por pessoa física, mas por pessoa jurídica, no caso, Donizete Ferreira ME. (CNPJ 02.558.886/000119), pessoa que, aliás, também consta como beneficiária de vários outros pagamentos na planilha Despesas Aluguel Máquinas e Equipamentos Pessoa Jurídica. Assim é que, a ausência de comprovação por parte da contribuinte da utilização dos serviços em questão como insumos na produção de bens ou produtos destinados à venda impede o reconhecimento do direito ao crédito pretendido pela contribuinte. De se manter incólume, portanto, o Despacho Decisório da DRF/Joaçaba/SC em relação aos serviços aqui tratados. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10925.002953/200719 Acórdão n.º 3201005.430 S3C2T1 Fl. 1.828 21 Por todo o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito relativos à totalidade dos itens de embalagem (insumos) e sobre a aquisição de bens e serviços essenciais e relevantes ao processo produtivo, observandose o critério da depreciação para os bens que devam integrar o ativo imobilizado adquiridos após 1º de maio de 2004, com exceção dos itens (i) Furadeira; (ii) Grampeador; (iii) Guarda roupa; (iv) Ventilador Britânia; (v) Kit exaustor eólico; (vi) Aquecedor utilizado nos escritórios; (vii) Fogão; e (viii) Rádio; (ix) Unidade saída de usuário elo: utilizado para controle de gasto de energia; (x) Abraçadeira com guia: utilizada em instalações da empresa de maneira geral; (xi) Mangueiras para hidrantes: utilizadas para combate a incêndio; (xii) Ventilador centrífugo: utilizado para conforto térmico; e (xiii) Hidrômetro: utilizado na medição de consumo de água; Relativamente às aquisições de pessoa física, a glosa deve ser mantida, por falta de comprovação. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1838DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000442/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA.
A ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
NULIDADE.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal e ausentes quaisquer causas de nulidade, considera-se o lançamento como legal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DOCUMENTAL. FISCAL. COMPROVAÇÃO
Argumentos desacompanhados de prova documental e de forma cabal não se prestam para ilidir as acusações fiscais.
ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO.
A falta da escrituração do livro da atividade rural dá ensejo à aplicação do arbitramento da base de cálculo de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Consideram-se tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, se não houver justificativa conforme os rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
MULTA AGRAVADA OU QUALIFICADA.
Ausência da comprovação de que há, efetivamente, a sonegação fiscal, não se justifica o agravamento ou a qualificação da multa.
Numero da decisão: 2201-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. A ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal e ausentes quaisquer causas de nulidade, considera-se o lançamento como legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO DOCUMENTAL. FISCAL. COMPROVAÇÃO Argumentos desacompanhados de prova documental e de forma cabal não se prestam para ilidir as acusações fiscais. ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. A falta da escrituração do livro da atividade rural dá ensejo à aplicação do arbitramento da base de cálculo de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Consideram-se tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, se não houver justificativa conforme os rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA AGRAVADA OU QUALIFICADA. Ausência da comprovação de que há, efetivamente, a sonegação fiscal, não se justifica o agravamento ou a qualificação da multa.
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A ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal e ausentes quaisquer causas de nulidade, considera-se o lançamento como legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO DOCUMENTAL. FISCAL. COMPROVAÇÃO Argumentos desacompanhados de prova documental e de forma cabal não se prestam para ilidir as acusações fiscais. ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. A falta da escrituração do livro da atividade rural dá ensejo à aplicação do arbitramento da base de cálculo de vinte por cento da receita bruta do ano- calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Consideram-se tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, se não houver justificativa conforme os rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA AGRAVADA OU QUALIFICADA. Ausência da comprovação de que há, efetivamente, a sonegação fiscal, não se justifica o agravamento ou a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 04 42 /2 00 9- 12 Fl. 368DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fl. 341/366, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS), de fls. 318/334, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF, anos- calendários 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: O interessado acima qualificado foi autuado, tendo sido lhe exigido o crédito tributário no montante de R$ 93.508,48,, nele compreendidos imposto, multa de oficio e juros de mora, relativo aos anos-calendários 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, omissão de rendimentos da atividade rural e acréscimo patrimonial a descoberto, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas juridicas De acordo com as fichas referentes a Rendimentos de_ Dirigentes, Sócios ou Titular das DIPJs, exercícios 2004 a 2008, da empresa Comercial Kibarato, o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis e isentos, decorrentes de pagamentos de pró-labore e distribuição de lucros, nos anos calendários 2003 a 2007. Em consulta aos Livros Diários da empresa Comercial Kibarato, referentes aos anos- calendários 2003 a 2005, e aos arquivos digitais de lançamentos contábeis e arquivos dos Livros Razão dos anos-calendários de 2003 a 2006, foi verificado, pela fiscalização, que a referida empresa efetuou lançamentos contábeis de despesas com pró-labore de seus sócios Pedro Paulo e Antonio Carlos, contabilizados a débito da conta de resultado de despesas operacionais “Pró-labores” em contrapartida dos lançamentos a crédito da conta de passivo circulante de salários e ordenados a pagar “Pró-labores”. As diferenças relativas aos valores de pró-labore apuradas no procedimento fiscal e os informados nas DIRPFS dos exercicios 2004 a 2007 originais foram objeto de lançamento de oficio. Omissão de rendimentos da atividade rural O Sr. Pedro Paulo de Souza, irmão do contribuinte, entregou as Declarações do ITR, exercícios 2002, 2003, 2005 e 2006, relativamente aos imóveis rurais nas localidades de Rondinha e Cerro Madeira, no município de Encruzilhada do Sul, onde constou a informação de que o Grau de Utilização dos imóveis foi de 100%. O contribuinte informou que a exploração dos imóveis rurais era em condomínio. Por conseguinte, o contribuinte foi intimado a esclarecer o fato de não ter preenchido os anexos da atividade rural das DlRPFs dos exercícios 2004 a 2007 originais entregues, e a apresentar a apuração da atividade rural, no formato do anexo da DIRPF, bem como Fl. 369DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 apresentar as notas fiscais de produtor rural e os livros Caixa da atividade rural dos anos calendários 2003 a 2006. Os anexos da atividade rural das DIRPF dos exercícios 2004 a 2007 retificadoras e DIRPF do exercicio 2008, original, informam que a atividade rural do Sr. Pedro Paulo é exercida em parceria com seu irmão, Antonio Carlos, cada um com o percentual de 50%, no imóvel denominado Agropecuária Quero-Quero, na localidade de Cerro da Vigia, no municipio de Encruzilhada do Sul, com área de 112,2 ha. De acordo com consulta aos Livros Diários 01 a 04, referentes aos anos-calendários 2003 a 2005, entregues em 20/12/2007 e aos arquivos digitais de lançamentos contábeis e arquivos PDF dos Livros Razão, dos anos-calendários 2003 a 2006, entregues em 06/03/2008, foi verificado que a empresa Comercial Kibarato efetuou lançamentos contábeis de compras de mercadorias relativamente a 174 notas fiscais emitidas pelos produtores rurais Pedro Paulo Rodrigues de Souza e Antonio Carlos Rodrigues de Souza, contabilizados no montante de R4 560.360,00, no período de 03/12/2003 a 27/12/2006 a débito da conta de resultado Compras de Mercadorias e a crédito da conta de ativo circulante, Caixa. Além dos valores de receitas brutas com a atividade rural informados nas DIRPFs entregues pelos Srs. Pedro Paulo e Antonio Carlos terem sido inferiores aos valores de compras de mercadorias efetuadas pela empresa Comercial Kibarato junto aos seus sócios, o Sr. Pedro Paulo deixou de entregar os Livros Caixa da atividade rural dos anos-calendários 2003 a 2007. As diferenças apuradas quanto aos resultados tributáveis da atividade rural relativamente aos valores informados nas DIRPF s exercícios 2004 a 2008 originais foram lançadas de oficio. Foi aplicado o coeficiente de arbitramento de 20% sobre os valores mensais de receita. ' Acréscimos patrimoniais a descoberto A fiscalização confeccionou o demonstrativo de variação patrimonial do contribuinte por meio do fluxo financeiro mensal, no qual foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto no montante de R$ 102.803,01, nos meses de 01/2003, 02/2004, 03/2005, 0l/2007, 02/2007 e 03/2007. O contribuinte, quando intimado pela fiscalização, nâo logrou comprovar a origem de recursos que justificassem os acréscimos patrimoniais a descoberto nos meses relacionados. Multa de oficio qualificada A multa de oficio aplicada sobre as infrações apuradas foi a prevista no artigo 44, l, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007( 150%), em face da ocorrência de sonegação, prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964. independentemente da data de ocorrência do fato gerador, ficando tais infrações sujeitas à representação fiscal para fins penais, de acordo com a Portaria SRF n° 326, de 2005. Da Impugnação O contribuinte, às fls. 130 a 148, impugna total e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos de fls. 149 a 232, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Decadência do período-base 2003 Alega a fiscalização que o fato gerador é o mês de dezembro de 2003(31/12/2003). O próprio CTN, artigo 150, § 4°, determina que o prazo é de 5 anos da ocorrência do fato gerador, ou seja, incluído o mês do fato-gerador - dez/2003. Então, o direito de constituir o credito tributário pela Fazenda Nacional extingue-se em novembro/2008. Fl. 370DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 Ocorre que a ação fiscal teve seu término em 05/02/2009, após o decurso do prazo decadencial. O CTN, no artigo 156, estabeleceu a decadência como circunstância extintiva do crédito tributário. Conforme os artigos 106 a 113 do RIR/1999, baseados em leis, a regra de recolhimentos do imposto de renda pessoa fisica é mensal, por isso aplica-se o § 4° do artigo 150 do CTN. O fato de a apuração do imposto da atividade rural ter a competência dezembro, com vencimento em 30 de abril, prazo alargado pela lei, mesmo que o contribuinte apure prejuízo, não sendo necessário o recolhimento, aplica-se como base o recolhimento mensal de dezembro de cada ano. O contribuinte cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre decadência. Extrapolado o prazo máximo para a conclusão dos trabalhos A fiscalização iniciou em 24/12/2007, por meio do MPF 10l0300.2007.00297.2, substituído pelo MPF Diligência emitido em forma eletrônica de n° 10l0300.2008.00178.3 e modificado posteriormente para o MPF Fiscalização n° 1010300.2009.00023.3, quando o impugnante foi intimado a esclarecer diversas questões levantadas em relação às DIRPF exercícios 2004 a 2007. Em 05/02/2009, foi encerrada a fiscalização, momento em que o auditor lavrou o auto de infração contestado. Portanto, a fiscalização teve início em 24/12/2007, expirando seu prazo de fiscalização em 24/06/2008, ou seja, 120 dias após seu início. Não houve ato da SRFB, prorrogando o prazo fiscalizatório, por mais de 60 dias, conforme determina a Portaria SRFB n° 4.066/2007, nos artigos 12 e 13, que é o prazo máximo para cada prorrogação. O contribuinte transcreve, sobre prazo de fiscalizaçao, o artigo 145 da CF/1988 e 0 artigo 196 do CTN, e, também, os artigos 1° e 2° da Lei n° 9.784/1999. Mérito Fatos articulados não coincidem com conduta infratora 1. O contribuinte foi autuado por omissão de rendimentos de pessoa jurídica a título de pro labore e divisão de lucros. No entanto, o próprio fiscal relatou: “As declarações do imposto de renda na fonte - D1RFs anexas às fls. 131 demonstram que a empresa Comercial Kibarato efetuou pagamentos de rendimentos de trabalho assalariado e sem vínculo empregatício com os códigos da receita 0561 e 0588, nos anos-calendários 2006 e 2007, nos valores de RS 8.100, 00 e R$ 8. 900, 00, que confirmam os valores informados a título de pró-labore na DIRPF exercício 2007 retificadora e DIRF exercício 2008 original (fls. 111 a 119) 2. De fato, a única divergência que realmente existe, e somente devido a um erro de fato, é quanto aos valores recebidos a título de pró-labore no ano de 2003. A empresa Comercial Kibarato deixou de contabilizar na conta passivo circulante os pró-labores relativamente aos meses de 01/2003 a O5/2003, como bem salienta o órgão autuador. Contudo, como foi demonstrado anteriormente, o ano de 2003 já está alcançado pela decadência. A entrega das DIRPFs, no caso em tela, não se classifica como denúncia espontânea, pois, a retificação não foi feita com o intuito de pagar imposto de renda. É de fácil visualização que, mesmo agregando os valores correspondentes aos pró-labores, o ora impugnante ainda assim ficaria isento de pagamento do imposto. Fl. 371DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 O próprio contribuinte, ao saber de seu erro, por ocasião do recebimentos do auto de infração, de pronto, retificou as DIRPFS numa atitude de honestidade e simplicidade. Omissão de rendimentos tributáveis na atividade rural 1. O agente fiscalizador confrontou 174 notas fiscais de produtor em relação ao impugnante e seu irmão. E, usou como parâmetro referente às receitas na atividade rural as informações prestadas nas DIRPFS retificadas, porém, o estranho é que quando o fiscal deveria colher as informações quanto aos prejuízos que o impugnante suportou nos anos-bases anteriores, isso não ocorreu. 2. Na verdade, houve glosa de custos agrícolas por parte do fisco, que apenas se preocupou em levantar as receitas. Quanto às receitas agrícolas, essas não podem ser repassadas indevidamente ao irmão do impugnante e vice-versa, não se pode tirar de um e imputar ao outro. Não houve omissão de rendimentos. 3. Em carta explicativa, quando foi relatado que o impugnante era parceiro de seu irmão, referia-se apenas à área de terras. Quanto à compra de semoventes e tudo o mais que se refere a exploração agrícola, cada um e' completamente independente. Não pode o órgão fiscalizador somar duas receitas diferentes e dividir por dois. A receita do contribuinte não pode afetar a contabilização de mais ninguém, a não ser que fossem dois titulares do mesmo talonário de notas fiscais de produtor rural. 4. É de causar estranheza que o fiscal se municie dos danos referentes à receita bruta mensal do autuado(anexo 6), mas não desconte as despesas de custeio/investimento. Sem que fosse efetuado qualquer levantamento específico sobre produtos agrícolas vendidos e não informados na declaração IRPF ou contabilidade, para demonstrar a existência material da omissão de receitas, o agente autuante sequer mencionou se o contribuinte infringiu algum dispositivo legal relacionado com a presunção legal de omissão de receitas. É consenso entre os doutrinadores que a omissão de rendimentos deve ser provada pelo fisco ou deve ser objeto de presunção legal. 5. O auto de infração é confuso desde o início, por não atender o disposto no artigo 10, lll e IV, do Decreto-lei n° 70.235, de l972, que trata dos requisitos para a lavratura do auto de infração. Isto porque não permite ao contribuinte precisar exatamente a infração cometida, vedando 0 pleno exercício ao seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Cita ementa do 3° Conselho de Contribuinte a respeito da questão. 6. Cotejando a descrição da infração omissão de rendimentos da atividade rural com os documentos juntados ao auto de infração, infere-se claramente que são insuficientes para estabelecer quais os rendimentos foram omitidos na atividade rural. Afinal, quais rendimentos foram omitidos? Houve desclassificação da escrita? (pois, cada um dos irmãos possuem sua escrita). 7. Como provado nas DIRPFS, os rendimentos frutos da atividade rural são inerentes a cada contribuinte, que não se comunicam, assumindo, assim, os riscos inerentes à atividade profissional. Rendimentos próprios da venda de produtos agrícolas Cada irmão tem rendimentos próprios e não comuns da venda de produtos agrícolas. a) Escrita contábil Por meio da escrituração contábil e dos documentos, o contribuinte prova que explora a atividade rural independentemente de seu irmão. b) Boa-fé dos negócios jurídicos Fl. 372DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 O autuado alega que tanto ele quanto seu irmão mantém seus negócios relacionados à atividade rural, independentes, e não estão cometendo nenhum ilícito, estão agindo de boa-fé, e, para desqualificar o negócio, cabe à fiscalização comprovar que ele contém algum vício ou má-fé nos atos negociais, fato que nem foi suscitado pelo fiscal. O anexo 5 e 6 do auto de infração devem ser completamente desconsiderados, uma vez que foi criado usando infonnações de contribuintes diferentes, onde cada um possui sua atividade rural própria. Hiromi Higuchi e outros - Imposto de renda das empresas, 32* edição - 2007, na página 660, comenta sobre a desconsideração no negócio jurídico. Segundo ele, a aplicação do artigo ll6 do CTN caberia somente para os negócios jurídicos práticos com dissimulação. Acréscimos patrimoniais a descoberto Quanto à relação de bens e direitos adquiridos e alienados pelo impugnante, no período de 01/2003 a l2/2007, deve-se observar as seguintes considerações: Primeiramente todo o ano-calendário de 2003 está alcançado pelo instituto da decadência. Segundo, com relação ao imóvel matrícula 13.330, que o impugnante comprou e, por um equívoco, uma vez que possui uma empresa individual, registrou o imóvel em nome da empresa, os recursos para a compra originaram-se basicamente da divisão de lucros da empresa, quando o contribuinte recebeu o valor de R$ 65.000,00, e da alienação do imóvel matriculado sob o n 11.441, pelo valor de R$ 35.000,00, tudo conforme informações retiradas do próprio auto de infração. Do requerimento O autuado requer que seja cancelado o auto de infração, para fins de reconhecer: a) a nulidade ab initio do auto de infração e a decadência, referente ao ano-calendário 2003, acolhendo-se as preliminares argüidas; b) a improcedência pelas razões de mérito, quanto ao direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPF dos anos-base 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) julgou procedente em parte a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 318): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regulannente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. As informações prestadas pelo sujeito passivo, até prova em contrário, são consideradas verdadeiras, e não podem ser desconsideradas mediante simples alegações; para que o lançamento originado destas informações seja alterado, deverá o contribuinte comprovar inequivocamente o alegado. Fl. 373DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. A falta da escrituração do livro da atividade rural implicará no arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa fisica, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 341/366, em que praticamente repete os argumentos apresentados em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Preliminar de decadência Nos termos do alegado pelo Recorrente, o fato gerador é o mês de dezembro/2003, representado pelo algarismo 31.12.2003 (o mesmo utilizado para o recolhimento de tributos pela DARF que indica o mês de referência da competência pela data do último dia do mês). O art. 150, § 4° do CTN, determina o direito de lançamento do tributo decaí em 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. No caso em questão, o lançamento ocorreu em 05.05.2009. Inicialmente, para verificar a aplicabilidade do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o Fl. 374DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu- se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543-C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Fl. 375DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em questão, não há pagamento antecipado. Quanto à ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tratarei disso mais adiante, mas a meu ver, aplica-se, mesmo assim, o disposto no art. 173, I, CTN. Para fins de interpretação do presente caso, adotarei o enunciado da Súmula CARF nº 101: Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Sendo assim, o dia seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, é o dia 1º de Janeiro de 2005 e o lançamento ocorreu no dia 05 de fevereiro de 2009, portanto, dentro do lustro legal de 5 (cinco) anos, de modo que não deve ser reconhecida a decadência do ano- calendário de 2003, seja para o lançamento da atividade rural, quanto do lançamento do IRPF. Preliminares de nulidade Do Mandado de Procedimento Fiscal Alega o recorrente que o Auto de Infração seria nulo, tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal já estaria vencido. Entretanto, conforme se verifica dos autos, na e-fl. 70 (fl. 49), consta o Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização nº 10.1.03.00-2009-00023-3, com validade até 02 de junho de 2009. Sendo assim, esta preliminar de nulidade não deve ser acolhida. Do cerceamento de defesa Como se verifica do relatório do auto de infração, no Anexo 5 (fl. 19 verso), foi apresentado o confronto de valores das receitas brutas da atividade rural apuradas e informadas nas DlRPFs entregues pelo contribuinte, com os valores de compras de mercadorias efetuadas pela empresa Comercial Kibarato, lançadas a débito da conta de resultado “Compras de Mercadorias”. Nos meses de 09/2003, 07/2004, 10/2004, l l/2005, 03/2006, 08/2006 e 09/2006, a empresa Comercial Kibarato contabilizou compras de mercadorias com os produtores rurais Pedro Paulo e Antonio Carlos, irmãos do ora Recorrente, em valores superiores às receitas brutas informadas nas DIRPF retificadoras que foram entregues por eles. A fiscalização considerou as diferenças apuradas nos meses acima mencionados como omissão de receitas da atividade rural e foram adicionadas e houve por bem atribuir ao ora Recorrente o percentual de parceria de 50%, para os valores de receita bruta da atividade rural informados nas DlRPFs por ele entregues, o que resultou nos valores de receitas com a atividade Fl. 376DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 rural apurados pela fiscalização para os anos-calendários 2003 a 2007, apresentados no Anexo 6 (fl. 20). Conforme se verificada da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, constante à fl. 05, os dispositivos legais infringidos estão devidamente mencionados, de modo que não há que se falar em cerceamento de defesa. Omissão de rendimentos da atividade rural É fato que o ora Recorrente entregou as Declarações do ITR nos exercícios 2002, 2003, 2005 e 2006 com a informação de que os imóveis rurais localizados em Rondinha e Cerro Madeira, no município de Encruzilhada do Sul, de que o Grau de Utilização dos imóveis foi de 100% e por tal razão, foi a fiscalização presumiu que o resultado da atividade rural do Recorrente era de 50%. A alegação do ora Recorrente de que a exploração dos imóveis rurais era em condomínio, não lhe favorece, tendo em vista que, quando intimado a esclarecer o fato de não ter preenchido os anexos da atividade rural das DIRPFs dos exercícios 2004 a 2007 originais entregues, apresentou os anexos da atividade rural das DIRPFS dos exercicios 2004 a 2007 retificadoras e a DIRPF do exercício 2008, original, nas quais informou que exerce a atividade rural em parceria com seu irmão Pedro Paulo, cada um com o percentual de 50%, no imóvel denominado Agropecuária Quero-Quero, na localidade de Cerro da Vigia, no município de Encruzilhada do Sul, com área de 1 12,2 ha. Muito pelo contrário e por esta razão, o procedimento fiscal tomou como base os dados informados pelo contribuinte nas referidas declarações para efetuar o lançamento. A simples alegação, de que haveria parceria com o irmão, não tem o condão de ilidir a presunção do fisco, posto que não existem informações ou mesmo provas para que se pudesse concluir de forma diversa. Neste sentido, peço vênia para transcrever trechos da decisão recorrida: No presente caso, o contribuinte não apresentou provas que sustentem suas alegações, limitando-se a alegações vagas, sem a devida comprovação. As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Portanto, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Ora, não podem os contribuintes, a bel-prazer, informar dados a RFB e, posteriormente, quererem exclui-los sem qualquer justificativa. Os contribuintes ao apresentarem suas DIRPF têm responsabilidade sobre as informações nelas constantes, podendo retificá-las somente com a comprovação do erro cometido, via documentação hábil e idônea e, mesmo assim, dentro do prazo regulamentar, ou seja, antes do inicio de qualquer procedimento de oficio adotado pela Fiscalização da RFB acerca dessas informações, como prevê o art. 832 do RIR/1999. Ainda que o ora Recorrente questiona o não acolhimento de declarações apresentadas, aplica-se o disposto na súmula CARF nº 33: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 377DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 Em outros termos, depois de iniciada a ação fiscal, qualquer alteração na declaração só pode ser efetuada de oficio à luz das provas apresentadas pelo contribuinte, que pode ser em atendimento à intimações do agente fiscalizador ou por ocasião da impugnação/recurso. Com relação à parceria rural, faz-se necessário mencionar o disposto no art. 59 do Regulamento do Imposto de Renda - Decreto nº 3.000, de 6 de janeiro de 1999 (RIR/1999), in verbis: “Art. 59. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto, separadamente, na proporção dos rendimentos que couberem a cada um (Lei nº 8.023, de 1990, art. 13). Parágrafo único. Na hipótese de parceria rural, o disposto neste artigo aplica-se somente em relação aos rendimentos para cuja obtenção o parceiro houver assumido os riscos inerentes à exploração da respectiva atividade. Por outro lado, a regulamentação da parceria rural encontra fundamento no art. 49 do Decreto nº 59.566, de 14 de Novembro de 1966, que regulamentou a Lei n9 4.504, de 30 de Novembro de 1964 (Estatuto da Terra): Art. 4º - Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não. o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias-primas de origem animal, mediante partilha de riscos de caso fortuito e de forca maior do empreendimento rural. e dos frutos produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (Art. 96, VI, do Estatuto da Terra).(Grifado). Além disso, o Recorrente argumentou, no sentido de que a fiscalização fez uso dos dados referentes à receita bruta declarada, mas não aplicou as deduções das despesas de custeio e investimento. Neste sentido, mais uma vez, pedimos vênia para transcrever trecho da decisão recorrida: Com relação às formas de apuração do resultado da atividade rural, assim dispõe o Decreto n° 3.000, de 1999: Formas de Apuração Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nf 9.250, de 1995, art. 18, § 19. Fl. 378DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte par cento da receita bruta do ano-calendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §2º). § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais faculta-se apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 3º). (...) As despesas da atividade rural informadas pelo recorrente, na declaração retificadora, não foram consideradas no lançamento pelo fato de que o contribuinte, quando intimado, deixou de entregar os Livros Caixa da atividade rural relativos aos anos-calendários 2003 a 2007. Por conseguinte, a fiscalização aplicou o coeficiente de arbitramento de 20% sobre os valores mensais de receita, apurando os resultados tributáveis apresentados no Anexo 6. Verifica-se que, à luz do dispositivo legal transcrito supra, foi correto o procedimento fiscal neste sentido. Conclui-se, portanto, que o lançamento, relativo à omissão de rendimentos da atividade rural, possui sólido fundamento legal e foi efetuado com base em documentação idônea fornecida pelo contribuinte, conforme se depreende pela leitura das peças de autuação. Logo, nega-se provimento ao recurso quanto a este ponto. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica O recorrente insurge-se sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, mas excetuando a declaração entregue já com o procedimento fiscal instaurado, como mencionado anteriormente, não pode ser acolhida. Aplicável ao caso, o disposto na súmula CARF nº 33: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em outros termos, depois de iniciada a ação fiscal, qualquer alteração na declaração só pode ser efetuada de oficio à luz das provas apresentadas pelo contribuinte, que pode ser em atendimento à intimações do agente fiscalizador ou por ocasião da impugnação/recurso. Assim, não merece provimento o recurso quanto a este ponto. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Com relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, transcrevo trechos da decisão recorrida, que servem como fundamentação para minha decisão: O contribuinte insurge-se contra o lançamento do acréscimo patrimonial a descoberto, no qual ficou evidenciado que o autuado consumiu mais do que possuía de recursos com origem justificada. O fato a ser julgado é omissão de rendimentos. Trata-se, portanto, de matéria de prova. Fl. 379DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 O acréscimo patrimonial a descoberto é fato gerador do imposto de renda como proventos de qualquer natureza, conforme determina o § 1° do artigo 3° da Lei 7.713, de 1988. A eventual diferença ou descompasso demonstrado na evolução patrimonial evidencia a obtenção de recursos não conhecidos pelo fisco. Porém, a presunção contida no dispositivo citado não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Entretanto, essa prova deve ser feita pelo acusado, uma vez que a legislação define o descompasso patrimonial como fato gerador do imposto, sem impor condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio. O levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos. Nesse caso, cabe à autoridade lançadora comprovar apenas a existência de rendimentos omitidos que são revelados pelo acréscimo patrimonial não justificado. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa. O meio utilizado, no caso, para provar a omissão de rendimentos é a presunção que, segundo Washington de Barros Monteiro (in Curso de Direito Civil 6ª Edição, Saraiva, 1º vol., pág 270), ‘é a ilação que se extrai de um fato conhecido para chegar à demonstração de outro desconhecido’. É o meio de prova admitido em Direito Civil, consoante estabelecem o Código Civil (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916), e o Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), art. 332, e é também reconhecido no Processo Administrativo Fiscal e no Direito Tributário, conforme Decreto nº 70.235, de 1972, art. 29 e CTN, art. 148. (...) O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o falo econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (grifos acrescidos) Não foi a autoridade fiscal que presumiu a omissão de rendimentos, mas sim a lei, especificamente a Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 1°, tratando-se, portanto, de presunção legal e não pessoal. Tal presunção encontra explicação lógica no fato de que ninguém compra algo ou paga a alguém sem que tenha recursos para isso ou os tome emprestado de terceiros. Provada pelo fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. A fiscalização intimou o contribuinte a comprovar os recursos suficientes para justificar o acréscimo patrimonial. Além da fase de fiscalização, o contribuinte teve o prazo dedicado à impugnação para comprovar a existência de numerários suficientes para cobrir tal variação. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 55, XIII: Decreto n° 3.000: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 39, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): Fl. 380DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 (...) XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelas rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Conclui-se do exposto que o método empregado pela fiscalização na apuração do presente crédito tributário tem amplo amparo legal e jurisprudencial. Por tais razões, nego provimento ao recurso voluntário. Multa de 150% O recorrente insurge-se também quanto à aplicação ao caso, da multa agravada ou qualificada. Neste sentido, aplicável o teor da Súmula CARF nº 25: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). De fato, conforme se verifica do relatório fiscal, aplicou-se a multa qualificada sob o seguinte argumento: A multa de oficio aplicada sobre as infrações apuradas foi a prevista no artigo 44, l, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007( 150%), em face da ocorrência de sonegação, prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964. independentemente da data de ocorrência do fato gerador, ficando tais infrações sujeitas à representação fiscal para fins penais, de acordo com a Portaria SRF n° 326, de 2005. Vejamos o que dispõe o art. 71 da Lei nº 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. No caso em questão, não se está diante de um caso de sonegação fiscal a justificar o agravamento da multa, pelo menos, como foi lavrado o auto de infração. Ocorre que, a simples indicação do dispositivo não tem o condão de explicar o real motivo da aplicação da multa qualificada. Sendo assim, quanto a este tópico, dou provimento ao recurso. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso rejeito a preliminar de decadência e dou parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento). (documento assinado digitalmente) Fl. 381DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portaria-383.pdf Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.182 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.000442/2009-12 Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.002921/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. CARACTERIZAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Caracterizada a intempestividade do recurso voluntário, dele não há de se conhecer.
Numero da decisão: 2402-007.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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INTEMPESTIVIDADE. CARACTERIZAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada a intempestividade do recurso voluntário, dele não há de se conhecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 29 21 /2 00 7- 11 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10845.002921/200711 Acórdão n.º 2402007.477 S2C4T2 Fl. 47 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efl. 34) em face do Acórdão n. 1732.025 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II DRJ/SP2 (efls. 24/26), que julgou improcedente a impugnação (efl. 02), apresentada em 10/10/2007, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 04/10/2007 (efl. 14) mediante o Auto de Infração Imposto de Renda Pessoa Física no total de R$ 3.682,84 (efls. 17/21) com fulcro em omissão de rendimentos tributáveis. Não resta esclarecido nos autos a data exata de ciência do impugnante, agora Recorrente, do teor da decisão de piso, bem assim a data de protocolo de interposição do recurso voluntário e a respectiva identificação do signatário (nome e assinatura legível e condizente com aquela anotada no documento de identidade efl. 04) com a data em que foi assinado. Todavia, consta dos autos Termo de Perempção e respectiva cartacobrança , com data de 26/11/2009 (efls. 30/32), de cujo teor o Recorrente tomou ciência em 08/12/2009 (efl. 33), e que só após essa ciência é que foi apresentado recurso voluntário, com os vícios acima relatados, oportunidade em que o Recorrente afirma ter sido cientificado da decisão de piso em junho de 2009, sem especificar o dia. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator Da análise autos, verificase que a Unidade de Origem da Receita Federal lavrou Termo de Perempção (e respectiva cartacobrança) informando que, transcorrido o prazo regulamentar, o contribuinte não apresentou recurso perante a segunda instância. Ocorre que, conforme já relatado, não consta dos autos a data de ciência do impugnante, agora Recorrente, do teor da decisão de piso, nem a data de protocolo da interposição do recurso voluntário e a respectiva identificação do signatário (nome e assinatura legível e condizente com aquela anotada no documento de identidade efl. 04). Entretanto, entendo que, em virtude do Recorrente ter afirmado perante a segunda instância que foi cientificado da decisão de piso em junho de 2009, sem especificar o dia, bem assim só ter apresentado recurso voluntário (com os vícios já relatados) após a ciência do Termo de Perempção e respectiva cartacobrança (ocorrida em 08/12/2009), resta plenamente caracterizada a intempestividade do recurso voluntário, não atendendo, assim, a requisito elementar de admissibilidade, a teor do art. 33 do Decreto n. 70.235/1972, e alterações posteriores. De se observar ainda, só para argumentar, que, além da intempestividade ora reconhecida, a ausência da devida identificação do signatário (nome e assinatura legível e Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10845.002921/200711 Acórdão n.º 2402007.477 S2C4T2 Fl. 48 3 condizente com aquela anotada no documento de identidade efl. 04), com a respectiva data de assinatura, também torna o recurso voluntário imprestável para fins de conhecimento. Nessa perspectiva, não conheço do recurso voluntário. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, em virtude de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001194/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/07/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. LIMITE DE ALÇADA EXCEDIDO. VIOLAÇÃO DE REGRA DE COMPETÊNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
Reconhecida inexatidão material no acórdão embargado devida à inobservância de limite de alçada pela turma extraordinária, estes devem ser recebidos como inominados. A violação de regra de competência enseja a nulidade do Acórdão exarado em função do Recurso Voluntário interposto, devendo ser remetido o feito à Turma competente para novo julgamento e prolação de nova decisão.
Numero da decisão: 3001-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração e anular o Acórdão no 3001-000.043, de 27/10/2017, uma vez que foi proferido por Turma sem competência, por ultrapassar ao limite de alçada estabelecido para as Turmas Extraordinárias.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2003 a 30/07/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. LIMITE DE ALÇADA EXCEDIDO. VIOLAÇÃO DE REGRA DE COMPETÊNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Reconhecida inexatidão material no acórdão embargado devida à inobservância de limite de alçada pela turma extraordinária, estes devem ser recebidos como inominados. A violação de regra de competência enseja a nulidade do Acórdão exarado em função do Recurso Voluntário interposto, devendo ser remetido o feito à Turma competente para novo julgamento e prolação de nova decisão.
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INEXATIDÃO MATERIAL. LIMITE DE ALÇADA EXCEDIDO. VIOLAÇÃO DE REGRA DE COMPETÊNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Reconhecida inexatidão material no acórdão embargado devida à inobservância de limite de alçada pela turma extraordinária, estes devem ser recebidos como inominados. A violação de regra de competência enseja a nulidade do Acórdão exarado em função do Recurso Voluntário interposto, devendo ser remetido o feito à Turma competente para novo julgamento e prolação de nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração e anular o Acórdão n o 3001-000.043, de 27/10/2017, uma vez que foi proferido por Turma sem competência, por ultrapassar ao limite de alçada estabelecido para as Turmas Extraordinárias. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Cuida-se de apresentação de Embargos por Conselheiro integrante deste colegiado, por meio do qual sustenta a ocorrência de lapso manifesto no Acórdão n o 3001- AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 11 94 /2 00 8- 14 Fl. 161DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.850 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.001194/2008-14 000.043, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte epigrafado. A lide materializada no presente processo se inicia a partir de Manifestação de Inconformidade contra a decisão que indeferiu pedido de reconhecimento de crédito formulado pela empresa em 25/04/2008, sob a alegação de que despesas financeiras deixaram de ser computados na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, por força do artigo 21 da Lei n o 10.865, de 2004, que alterou a redação do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 2003. Defende o embargante que a planilha acostada pelo requerente às fls. 07 e as telas (Dacon) de fls. 08 a 11 permitiriam evidenciar que os valores objeto do presente litígio perfazem créditos acumulados nos meses de janeiro/2003 a julho/2004 no montante de R$ 7.332.585,15 (PIS: R$ 3.361.245,31 e Cofins R$ 3.971.339,84). Assim, sustenta a ocorrência de afronta ao disposto no caput do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF n o 343 de 09.06.2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n o 329 de 04.06.2017, que dispõe que as Turmas Extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Por essa razão, propõe nova apreciação por esta c. Turma, com vistas ao saneamento do julgado para correção do lapso manifesto destacado. Então, na condição de Presidente desta c. Turma, prolatora do Acórdão n o 3001-000.043, e “considerando que o presente processo trata de recurso voluntário que deve ser levado novamente a julgamento” o embargante determinou ao Conselheiro Relator que “proceda à sua inclusão em pauta, com proposta de saneamento do vício apontado e demais providências que o caso requer”. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Tendo o Conselheiro Relator do voto condutor do Acórdão embargado deixado esta Turma, o processo foi a mim sorteado para nova avaliação. Conhecimento do recurso Embargos Inominados podem ser opostos a qualquer tempo, dentro de cada fase processual, desde que a decisão embargada não tenha sido substituída por decisão ad quem e enquanto não ocorrida a decadência ou a prescrição, de sorte que não há prazo para sua apresentação. Legitimidade do Embargante Fl. 162DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.850 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.001194/2008-14 Nos termos do art. 66, caput, do Anexo II do RICARF, são legitimados para oposição de Embargos Inominados os mesmos autorizados à utilização dos Embargos de Declaração. Assim, tendo sido os presentes Embargos formalizados por Conselheiro do colegiado que proferiu a decisão embargada, legitimado a opor esse tipo de recurso conforme o que estabelece o § 1 o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, podem estes ser conhecidos. Análise do mérito O art. 66 do Anexo II do RICARF estabelece que as alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo Acórdão. O STJ definiu erro material ao julgar o REsp n o 15.649/SP (de relatoria do Min. Antônio de Pádua Ribeiro, J. 17.11.93, DJU 06.12.93, pg. 26.653) da seguinte forma: “Erro material é aquele perceptível ‘primo ictu oculi’[2] e sem maior exame, a traduzir desacordo entre a vontade do juiz e a expressa na sentença”. É o que se observa do que nos ensina Eduardo Talamini 1 “O erro material reside na expressão do julgamento, e não no julgamento em si ou em suas premissas. Trata-se de uma inconsistência que pode ser clara e diretamente apurada e que não tem como ser atribuída ao conteúdo do julgamento - podendo apenas ser imputada à forma (incorreta) como ele foi exteriorizado”. Na mesma linha tem-se a lição de Antônio Carlos de Araújo Cintra 2 : “A rigor, há de se entender que o erro material é aquele que consiste em simples lapsus linguae aut calami, ou de mera distração do juiz, reconhecível à primeira vista. Sempre que o suposto erro constitui o resultado consciente da aplicação de um critério ou de uma apreciação do juiz, ainda que inócua, não haverá erro material no sentido que a expressão é usada pela disposição em exame, de modo que sua eventual correção deve ser feita por outra forma, notadamente pela via recursal.” O embargante sustenta que os valores objeto do presente litígio perfazem créditos acumulados no montante de R$ 7.332.585,15, afrontando, desta maneira, o disposto no caput do art. 23-B do Anexo II da RICARF, que assim estabelece: “Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017”) Confrontando o alegado com o valor do crédito constante do e-processo, verifica- se que assiste razão ao embargante. Verifica-se que realmente ocorreu o vício apontado, uma vez o i. Conselheiro Relator não observou que o crédito objeto do perfaz um valor que excede em muito o limite de alçada estabelecido na definição da competência das Turmas Extraordinárias pelo RICARF, haja vista que a tal espécie de turma somente cabe julgar créditos com valor em litígio de até 60 (sessenta) salários mínimos, conforme normas transcritas linhas acima. 1 TALAMINI, Eduardo. Coisa julgada e sua revisão, p. 527. 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araujo. Comentário ao código de processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 2003. v. IV. p. 301. Fl. 163DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.850 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.001194/2008-14 Posto isto, o julgamento por essa espécie de Turma deve ser tomado como nulo, nos termos do artigo 59, inciso I, do Decreto n o 70.235/72 e do artigo 53, caput, da Lei n o 9.784/99, que assim dispõem: Decreto n o 70.235/72 “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...)” Lei n o 9.784/99 “Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revoga-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Destarte, os presentes Embargos devem ser acolhidos, emprestando efeitos modificativos ao julgado no sentido de declarar a nulidade daquele ato decisório colegiado. Conclusões Por tudo quanto exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração, dando a estes efeitos modificativos da decisão anterior, anulando o Acórdão n o 3001-000.043, exarado em razão de Recurso Voluntário, uma vez que proferido por Turma sem competência, por ultrapassar ao limite de alçada estabelecido para as Turmas Extraordinárias. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720544/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2005
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO.
O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei.
Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
Numero da decisão: 2401-006.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.720142/2011-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2005 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
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SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.720142/2011-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 05 44 /2 01 0- 74 Fl. 325DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720544/2010-74 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13609.720142/2011-51, paradigma deste julgamento. “Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto - SP (DRJ/RPO) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza dos créditos objeto de compensação. O presente processo trata do pedido de compensação declarado em PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte, no qual pretende utilizar crédito relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF - de cooperativas. O Contribuinte, após ser intimado, apresentou os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do Imposto de Renda na fonte relativos aos pagamentos efetuados por Pessoas Jurídicas a ele, com Código Receita 3280. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas/MG emitiu Despacho Decisório onde homologa parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório parcial. No Despacho Decisório a Autoridade Fiscal afirma que o art. 64 da Lei nº 8.541/1992 restringiria a compensação ao imposto incidente sobre o montante pago ou creditado por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, quando se tratasse de serviços pessoais que lhes fossem prestados por associados das mesmas (Código Receita 3280). Portanto, o imposto incidente sobre a remuneração de serviços gerais prestados a pessoas jurídicas pelas cooperativas (Código Receita 1708) e outras modalidades de retenção não estão abrangidas pelo dispositivo legal. No Despacho foi destacado que o IRRF de Código Receita 1708 somente poderia ser compensado com o saldo credor do IRPJ (receitas oferecidas à tributação decorrentes de atos não cooperados). O Despacho conclui dizendo que as retenções constantes do PER/DCOMP efetuadas com Códigos Receita diferentes de 3280 foram descartados, razão pela qual o direito creditório foi parcialmente reconhecido e o PER/DCOMP parcialmente homologado. A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e, inconformado com a decisão proferida, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade instruída com os documentos acostados aos autos. O Processo foi encaminhado para a DRJ/RPO que decidiu julgar a Manifestação de Inconformidade IMPROCEDENTE. Fl. 326DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720544/2010-74 A Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/RPO e inconformada com o Acórdão prolatado, tempestivamente, interpôs seu Recurso Voluntário instruído com documentos. Em seu Recurso Voluntário a Contribuinte, em síntese, aduz que: 1. A Prática de ato cooperativo goza de isenção do Imposto de Renda conforme previsto no art.182 do RIR/99 e na Lei nº 5.764/71; 2. Valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, em decorrência dos serviços prestados pelos associados, a outras pessoas ainda que não associados, é ato cooperativo, não sendo tributável pelo IRPJ; 3. O entendimento da Autoridade Fiscal, mantida pela DRJ, desprezou todas as provas produzidas no processo administrativo, uma vez que foi demonstrado que até mesmo o IRRF recolhido sob o código 1708 se referiu ao imposto retido por pagamento dos cooperados do Contribuinte; 4. A compensação efetuada pelo Contribuinte foi regular pois se trata de pleitear a compensação de tributos retidos na fonte que não se relacionam na hipótese de incidência do Imposto de Renda; 5. Os serviços a cargo das cooperativas de trabalho se sujeitam à retenção do Imposto de Renda, tenham sido eles efetivamente prestados ou simplesmente colocados à disposição dos Contratantes, portanto, o Acórdão da DRJ, ao afirmar que os valores recebidos nos contratos firmados sob a modalidade pré-pagamento não estariam sujeitos à retenção de IRRF, motivo pelo qual seria inviável a compensação pretendida, incorre em violação ao Princípio da Legalidade. Finaliza seu Recurso pedindo seu provimento para que seja reformado o Acórdão recorrido, homologada integralmente a compensação efetuada e cancelada a cobrança referente aos débitos tidos como "indevidamente compensados". É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13609.720142/2011-51, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.454 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Juízo de admissibilidade Fl. 327DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720544/2010-74 O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A Recorrente se insurge contra a homologação parcial da compensação por ela efetuada, aduzindo que algumas tomadoras de serviços apresentaram código equivocado do IRRF (1708 – Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica), quando deveriam ter apresentado o código 3280 (Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho). Afirma que é isento do IRPJ quando da prática de atos cooperados e que a compensação das retenções com o Código Receita 1708 são aplicáveis apenas às demais pessoas jurídicas tendo em vista a isenção a que tem direito. O Código Tributário Nacional estabelece a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, II), cujo procedimento ocorre entre créditos líquidos e certos, com débitos vencidos e vincendos do sujeito passivo (art. 170), através de estipulação legal e que encontra-se disciplinado através da Lei nº 9.430/96. No tocante à possibilidade de compensação de IRRF por cooperativas de trabalho, cabe destacar que o art. 64 da Lei nº 8.981/95 deu nova redação ao art. 45 da Lei nº 8.541/92, nos seguintes termos: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Notoriamente, é indubitável a possibilidade de compensação direta entre o IRRF pelos tomadores de serviços e o IRRF quando dos pagamentos (repasses) aos associados das cooperativas de trabalho, como a Recorrente. Destaque-se que a Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, dispõe o seguinte: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. No entanto, dentro das atividades da contribuinte, há a prática de outros atos que não os eminentemente os cooperativos, tais como pagamentos efetuados por Fl. 328DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720544/2010-74 contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Vejamos o que preceitua a Lei nº 9.656/98: Art. 1º Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) I - Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) O Superior Tribunal de Justiça já definiu que as operações realizadas diretamente (e não através de seus cooperados) com terceiros não associados, embora indiretamente se busque a consecução do objeto social da cooperativa, consubstanciam atos não-cooperativos. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543-C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. 1. A jurisprudência deste STJ já se firmou no sentido de que é legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, sendo que por faturamento deve ser compreendido o conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF. Precedentes: REsp 635.986/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 25.9.2008; REsp 1081747 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, 15.10.2009. 2. O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente. Precedentes: REsp 635.986/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006; REsp 1096776/PB, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2010; AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009; AgRg no AgRg no REsp 1033732/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 1.12.2008; EDcl nos EDcl no REsp 875.388/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29.10.2008. 3. O tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados pela cooperativa com terceiros não associados já foi objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo da controvérsia REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. 4. No referido julgamento, embora se estivesse apreciando a hipótese específica voltada ao Imposto de Renda e não às contribuições ao PIS e COFINS, nas razões de decidir restou firmado o pressuposto de que "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da Fl. 329DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720544/2010-74 cooperativa), consubstanciam 'atos não-cooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. Desse modo, definido que se tratam de atos não-cooperativos, não há que se falar em isenção do IRPJ, da CSLL e das contribuições ao PIS e COFINS por aplicação do art. 79, da Lei n. 5.764/71. 6. Observar que nos recursos representativos da controvérsia REsp. n. 1.141.667/RS e REsp. n. 1.164.716/MG, pendentes de julgamento, e RE 598.085-RJ o que se discute não é o conceito de ato cooperativo típico (tema já abordado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009), mas sim o confronto da isenção para o ato cooperativo típico previsto no art. 79, da Lei n. 5.764/71 com o estabelecido pelo art. 15, da Medida Provisória n. 2.158-35, que restringiu as exclusões da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS somente a determinados valores ali especificados. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 24/10/2013) De acordo com a decisão de piso, há ainda que se esclarecer que no presente caso a contribuinte formulou consulta através da qual restou estabelecido na Solução de Consulta nº 6.017 - SRRF06/Disit, de 29 de abril de 2016, que os pagamentos efetuados na modalidade pré-pagamento, como as mensalidades, não se sujeitam à retenção do Imposto de Renda. No entanto, embora indevida a retenção do IR na fonte, a compensação realizada pela contribuinte não está abrangida pelo art. 64 da Lei nº 8.981/1995, tendo em vista que não restou comprovado que se trata de importâncias creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. Com efeito, in casu, não há subsunção do fato à norma do art. 45 da Lei 8.541/92, posto que não se enquadra exclusivamente como atividade cooperada dado o exercício de atividades diversas que não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos. Destaque-se ainda que as retenções foram realizadas com código da receita 1708 - Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, sendo que a Recorrente não comprovou se tratar de retenção com o código 3280 - Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho. Vejamos trechos da decisão de piso: As demais retenções foram efetuadas com outros Códigos Receita e as provas constantes do processo levam à conclusão de que realmente não são caso de retenção do IR nos pagamentos efetuados a serviços pessoais prestados pelos associados, e sim nos pagamentos efetuados por contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Lembro que as provas apresentadas pelo interessado, quando intimado, foram levadas em consideração pelas autoridades fiscais que proferiram o despacho decisório, não tendo comprovado se tratar da retenção do Imposto de Renda com Código Receita 3280. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte não trouxe outros documentos de sua escrita contábil e fiscal, ou demonstrativos com força para comprovar as importâncias que, de fato, referem-se à prestação de serviços pessoais pelos associados Fl. 330DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720544/2010-74 da cooperativa, limitando-se apresentar apenas planilha com relação de retenções do IR, discriminando CNPJ, banco e valor, o que não comprova o tipo de serviço prestado. Se o Código Receita do IRRF realmente estivesse incorreto, o interessado deveria apresentar, ainda, o Redarf efetuado pelo tomador de serviço, bem como novo comprovante de retenção. Em se tratando de Declaração de Compensação, de interesse do contribuinte, cabe a ele o ônus comprobatório, devendo apresentar provas sobre suas alegações. O reconhecimento do direito creditório depende de liquidez e certeza, atributos que não estão presentes no caso em tela. Dessa forma, a compensação pleiteada pelo contribuinte no presente caso só é aplicável para os casos em que a retenção do Imposto de Renda ocorrer sobre serviços pessoais prestados pelos cooperados. Como não há relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992. Destarte, não há previsão legal que ampare as compensações declaradas. Assim, as retenções sofridas somente poderiam ser utilizadas na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ao final do período de apuração, cabendo ainda ao contribuinte a restituição do indébito, observando a legislação pertinente. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO.” Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 331DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.907577/2009-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/02/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/02/2009
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/02/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/02/2009 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 164 1 163 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.907577/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.747 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente ESSILOR DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/02/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/02/2009 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 75 77 /2 00 9- 15 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10283.907577/200915 Acórdão n.º 3002000.747 S3C0T2 Fl. 165 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 08938.75315.240409.1.3.040960 (fl. 03/07), transmitido em 24/04/2009, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior, referente ao período de apuração de janeiro de 2009. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 08), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada dessa decisão em 20/10/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 18/11/2009 (fl. 12/19), na qual alegou que recolheu errado a contribuição para a COFINS eferente a janeiro/2009, assim como informou o valor incorreto na DCTF original. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10283.907577/200915 Acórdão n.º 3002000.747 S3C0T2 Fl. 166 3 A contribuinte continuou suas alegações, informando que, após ter verificado a inconsistência por meio do Despacho Decisório, transmitiu DCTF e DACON retificadoras, regularizando a situação, em 16/11/2009. Ademais, o Sujeito passivo seguiu asseverando que o seu crédito já havia sido reconhecido por ela na sua contabilidade em março de 2009. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia das DCTF´s e DACON´s, originais e retificadoras, cópia parcial do Livro Razão, relativo aos lançamentos de março de 2009 e uma planilha de vendas para a empresa Technopark em janeiro de 2009. Em seqüência, analisando as argumentações e os documentos da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (DRJ/BEL) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE, SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 145/154), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando o esclarecimento de que o recolhimento a maior deveuse a equívoco no cálculo da Cofins sobre a receita de venda para o cliente Technopark, empresa estabelecida fora da Zona. Franca de Manaus e tributada pelo lucro real, na medida em que a Recorrente aplicou alíquota de 6% (lucro presumido) sobre tal receita ao invés da alíquota de 3% prevista no artigo 2º, parágrafo 5º, inciso I, aliena b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, a recorrente juntou novos documentos aos autos: Livro Razão, janeiro e março de 2009, em mídia digital (fl. 155) e protestou pela realização de diligência. É o relatório, em síntese. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10283.907577/200915 Acórdão n.º 3002000.747 S3C0T2 Fl. 167 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10283.907577/200915 Acórdão n.º 3002000.747 S3C0T2 Fl. 168 5 c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10283.907577/200915 Acórdão n.º 3002000.747 S3C0T2 Fl. 169 6 circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Porém, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e se possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10283.907577/200915 Acórdão n.º 3002000.747 S3C0T2 Fl. 170 7 Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópias das DCTF´s e DACON´s, originais e retificadoras, estas últimas transmitidas após a ciência do Despacho Decisório, planilha de vendas e cópia parcial do Livro Razão, relativo aos lançamentos de março de 2009. Assim procedendo, a contribuinte não demonstrou de forma robusta a existência do crédito e a justeza de sua pretensão. Em realidade, considerandose que as declarações transmitidas extemporaneamente não se caracterizam como prova e considerandose que os registros contábeis apresentados não se referem ao período de apuração, no qual teria origem o crédito pleiteado, mas sim ao de sua utilização, há que se reconhecer que nenhum conjunto probatório foi anexado à Manifestação de Inconformidade. Dessa forma, não a reparo a ser feito na decisão de primeira instância que considerou, corretamente, que o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois não apresentou material algum que se constituísse em um conjunto probatório. Após a ciência dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório desenvolvido ao longo do presente voto e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório mínimo já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza no momento oportuno na fase de litígio. Quanto ao pedido de diligência formulado pela recorrente, cumpre esclarecer que o procedimento fiscal de diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Portanto, não visa suprir a inércia probatória de qualquer uma das partes envolvidas. Assim, descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado, como no presente caso, por isso, indefiro o pedido formulado. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10283.907577/200915 Acórdão n.º 3002000.747 S3C0T2 Fl. 171 8 Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726568/2016-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS INOMINADOS - VÍCIO MATERIAL - CORREÇÃO - POSSIBILIDADE
Identificado o vício material na decisão embargada, há que se prover os embargos, ainda que não lhe sejam emprestados efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1302-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2011 EMBARGOS INOMINADOS - VÍCIO MATERIAL - CORREÇÃO - POSSIBILIDADE Identificado o vício material na decisão embargada, há que se prover os embargos, ainda que não lhe sejam emprestados efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida-se de embargos de declaração opostos a fim de, num primeiro momento, dirimir um alegado erro material contido no acórdão recorrido, consistente num equívoco quanto aos cálculos realizados pelo relator quando da elaboração de seu voto (cálculos estes utilizados para justificar o não reconhecimento do direito creditório da então recorrente). Demais disso, sustentou, também, a embargante a existência de omissões no aresto ora combatido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 65 68 /2 01 6- 64 Fl. 294DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.763 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726568/2016-64 Por meio do despacho de e-fl. 288/293, a D. Presidência desta turma houve por bem admitir o recurso apenas quanto ao suscitado erro material, recebendo-o como embargos inominados, negando-lhes seguimento (por manifestamente improcedentes) quanto às demais alegações. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, Relator. O recurso é tempestivo, preenchendo os respectivos requisitos extrínsecos. Quanto aos pressupostos subjetivos (intrínsecos), no caso dos embargos de declaração, estes se confundem com o próprio mérito do remédio processual, sobre o que, passo a me manifestar.. E, de início, cumpre anotar, há, realmente, no acórdão embargado, erro material a ser saneado. De fato, quando da elaboração do voto condutor do acórdão embargado, este Relator, aplicando ao processo os efeitos do julgamento realizado pelo Colegiado em relação ao PA de nº 13116.722236/2014-59, considerou que, mesmo que acolhida parte da pretensão ali externada, a empresa insurgente ainda seria compelida ao pagamento de valores concernentes à CSLL, deixando-se, pois, de apurar, saldo negativo que, ao fim e ao cabo, seria objeto da compensação que originara a multa (isolada) aqui cobrada. Vale lembrar, tal como noticiado na decisão objeto destes embargos, que o Auto de Infração consubstanciado no já citado PA de nº 13116.722236/2014-59, apontara para a ocorrência de quatro infrações, abaixo descritas: a) omissão de receitas, consistente no destaque, indevido, do IPI em notas fiscais de venda, ao mercado interno, de veículos importados; b) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida, como subvenções para custeio ou operação, decorrentes do gozo, pelo contribuinte, de crédito presumido de IPI; c) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida de subvenções concedidas pelo Estado de Goiás aos contribuintes lá instalados; d) glosa de despesas concernentes à bônus sobre vendas. O erro noticiado no recurso em análise, e que fundamentou a sua admissão (parcial), cinge à soma aritmética dos valores das infrações acima tratadas e cujos valores individualizados reproduzo a seguir: a) infração descrita em "a" - R$ 472.626.360,46; b) infração descrita em "b" - R$ 27.363.463,77; c) infração descrita em "c" - R$ 767.585.183,90; Fl. 295DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.763 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726568/2016-64 d) infração descrita em "d" - R$ 276.802.781,40 Conforme exposto no voto do acórdão ora vergastado, apenas a infração descrita em “c” teria sido afastada (subvenções – LC 160/17); destaque-se, aqui, que empresa desistiu das discussões afeitas às infrações descritas em “b” e “d”; eventual questionamento, por meio de Recurso Especial, se daria, tão só, quanto a infração mencionada em “a”. Neste passo, para verificar a existência ou não ainda que de parte do direito creditório pleiteado, promoveu-se a soma das parcelas supra com o subsequente decote da importância relativa à infração apontada em “c”. Esta soma, diga-se, e com razão o recorrente, está errada. No acórdão recorrido, informou-se que o valor somado das infrações alhures perfazia a monta de R$ 1.561.762.418,72 quando, todavia, o resultado da operação em testilha seria de R$ 1.544.377.789,53. Neste particular, e promovendo-se o recálculo da CSLL devida com a supressão do valor da infração descrita em “c” (R$ 767.585.183,90) e mediante aplicação de sua alíquota – 9% -, ter-se-ia um saldo de contribuição a pagar no montante de R$ 69.911.334,50 (diferente, portanto, do valor final apontado pelo aresto embargado – R$ 71.475.951,13). Pois bem, o saldo negativo informado pela empresa (página 4 da manifestação de inconformidade de e-fls. 67/79) era de R$ 25.910.948,62; abatendo-se este valor da contribuição apurada anteriormente, teríamos um débito de R$ 44.000.385,88 (não existindo, pois, saldo negativo compensável). E, vale reprisar o que foi dito no acórdão embargado; mesmo que a empresa logre êxito perante a Câmara Superior e reverta-o quanto a infração descrita em “a”, não se observaria a formação de saldo negativo; com efeito, o valor somado das infrações, apontadas nos itens “b” e “d”, anteriormente descritos, alçaria o importe de R$ 304.166.245,77. A contribuição apurada a partir desta receita, de sua sorte, alcança o montante de R$ 27.374.962,06; abatendo-se desta importância o valor do saldo anteriormente mencionado, ainda se teria um valor a pagar de pouco menos de R$ 2.000.000,00. Em linhas gerais, o acolhimento destes embargos, não obstante promover o saneamento do julgado, não altera o resultado final julgamento realizado por este Colegiado, permanecendo, inexistente, qualquer direito creditório reconhecível no feito. A luz do exposto, voto por ACOLHER OS EMBARGOS (recebidos como “inominados”) para, retificando o valor concernente à soma das receitas oriundas das infrações descritas no PA de nº 13116.722236/2014-59 - de R$ 1.561.762.418,72 para R$ 1.544.377.789,53 -, sanar o vício apontado sem, contudo, emprestar-lhes efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 296DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.763 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726568/2016-64 Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.911017/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece de recurso, tendo em vista tratar-se de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, e não apreciada pela DRJ.
Numero da decisão: 1301-003.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de fl. 78 e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da manifestação de inconformidade de fl 78, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive, se for o caso, quanto à abertura de prazo para apresentação de novo recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verificasse as atividades efetivamente desenvolvidas pelo contribuinte e, se fosse o caso, apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11080.911022/2009-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Não se conhece de recurso, tendo em vista tratarse de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, e não apreciada pela DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de fl. 78 e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da manifestação de inconformidade de fl 78, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive, se for o caso, quanto à abertura de prazo para apresentação de novo recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verificasse as atividades efetivamente desenvolvidas pelo contribuinte e, se fosse o caso, apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11080.911022/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 10 17 /2 00 9- 12 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11080.911017/200912 Acórdão n.º 1301003.925 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação Eletrônico DCOMP, que pleiteia compensação de crédito de pagamento indevido ou a maior. O pedido foi indeferido por Despacho Decisório Eletrônico, visto que o pagamento encontravase integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. A empresa apresentou impugnação ao Despacho Decisório, onde alegou que havia apurado indevidamente o tributo e que constatado o erro, apresentou a DCOMP. A DRJ proferiu acórdão, através do qual não reconheceu a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento de que não lhe caberia analisar apenas questões expressamente apreciadas no despacho decisório, que questões não apreciadas na origem transbordam sua competência e deveriam ser analisadas pelo titular da Delegacia de Origem. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual relata erro de apuração do IRPJ e da CSLL, uma vez que sendo optante pelo lucro presumido e dedicada à atividade gráfica, estaria submetida ao percentual de presunção de 8% e 12%, respectivamente, ao invés do percentual de 32%. Informa que constatado o erro apresentou DCOMP e retificou as DCTF e DIPJ. Anexou cópia das DCTF original e retificadora, bem como DIPJ original e retificadora. Ao final, requereu que fosse reconhecido o direito creditório e homologada a compensação. Em seguida, consta do processo cópia de sentença, datada de 05/10/2012, proferida em sede de mandado de segurança impetrado pelo contribuinte. Transcrevese o teor da sentença: (...) Saliento que, com relação ao quantum a compensar apontado pela empresa, incumbe à Fazenda Nacional conferir a regularidade, de forma que não se está aqui reconhecendo os créditos nos valores informados aliás, isso sequer foi requerido. Em decorrência disso, deve ser suspensa a exigibilidade do crédito tributário decorrente da não homologação da compensação até nova análise do pedido, nos termos desta decisão. A consequência é que não pode ser obstada, com base nesses créditos especificamente, a expedição de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa. Após a análise da declaração de compensação, e confirmado no âmbito administrativo o crédito ali declarado, fica garantida a restituição dos valores que excederem o débito compensado. Ressalto que, conforme já referi, incumbe à autoridade administrativa reconhecer a validade e regularidade dos créditos declarados. Eventual divergência nesse particular não faz parte do objeto desta demanda. III Dispositivo Ante o exposto, julgo procedente o pedido e concedo a segurança, nos termos da fundamentação.(grifei) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11080.911017/200912 Acórdão n.º 1301003.925 S1C3T1 Fl. 4 3 De acordo com a determinação da sentença, os pedidos de compensação foram revisados pela Delegacia de Origem e foi emitida Informação Fiscal75), em 11/01/2013, que concluiu que a atividade preponderante da Recorrente era a prestação de serviços gráficos e que o contribuinte não estava sujeito a alíquotas diferenciadas para o IRPJ e a CSLL, e por conseguinte não havia erro de apuração na base de cálculo. Em fevereiro de 2013, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Informação Fiscal, onde defende que sua atividade está sujeita aos percentuais de presunção de 8% e 12% por ser atividade industrial nos termos do art. 4º do RIPI/2002, e não prestadora de serviços, como entendeu a Auditora. Acrescenta que os créditos apresentados são efetivos e devidos à Recorrente, considerando que os pagamentos foram efetuados a maior com base nos valores das DCTF retificadoras. Ao final, o contribuinte requereu o cancelamento da Informação Fiscal e a homologação da DCOMP, e subsidiariamente, requereu a determinação do Delegado para que fosse informado à Fazenda Nacional sobre a regularidade do procedimento da Litigante, de modo a possibilitar a essa Procuradoria pedido de arquivamento do processo judicial n° 506291083.2011.404.7100/RS, em tramitação no TRF/ 4a Região. Alternativamente, requereu o encaminhamento da manifestação à DRJ em Porto Alegra para seguimento, nos termos do PAF. A Unidade de Origem enviou questionamento à Procuradoria da Fazenda para dirimir dúvida acerca do fluxo recursal, pois havia pedido do contribuinte para que o processo fosse remetido à DRJ/POA e decisão judicial concedendo a segurança, nos termos da fundamentação. A Procuradoria opinou que a interpretação a ser dada ao caso, em estrita obediência e fidelidade ao comando judicial encartado no writ, é a de que os recursos voluntários fossem remetidos ao CARF para julgamento. Seguindo a opinião da PFN, os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso apresentado pela interessada constante de folha 78. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.917, de 16/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.911022/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.917): Primeiramente, cumpre fazer uma breve síntese das etapas deste processo: 1 Apresentação da DCOMP; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11080.911017/200912 Acórdão n.º 1301003.925 S1C3T1 Fl. 5 4 2 Despacho decisório eletrônico indeferiu pedido de compensação pagamento já alocado; 3 Manifestação de Inconformidade alega erro na apuração, pois o contribuinte estaria submetido aos percentuias de presunção de 8% e 12%, informa que houve retificação das declarações; 4 Acórdão da DRJ não conhece da manifestação de Inconformidade; 5 Recurso Voluntário: insiste no erro da apuração, informa retificação das declarações; 6 Decisão judicial em MS, concedendo a segurança; 7 Processo devolvido para DRF, emitida Informação Fiscal que não reconhece o crédito sob o fundamento de que a atividade do contribuinte é de prestação de serviços e não de indústria, logo, não houve erro na apuração; 8 Segunda manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, contra a informação fiscal que indeferiu o crédito; 9 Após consulta à PFN, processo é enviado ao CARF para análise do recurso voluntário. 10 Processo é encaminhado ao CARF para análise do recurso de folha 78, qual seja, a segunda manifestação de inconformidade. Diante desses fatos, em face da opinião da PFN, que sugeriu o envio dos recursos voluntáirios ao CARF, a Delegacia de Origem encaminhou o processo para este Órgão para análise do recurso constante de folha 78, denominado Manifestação de Inconformidade: Considerando o Recurso apresentado pela interessada (...), protocolado no CAC/POA em 01/02/2013, em relação à Informação Fiscal DRF/POA nº 033, do qual o contribuinte tomou ciência em 23/01/2003 e com base no PARECER da PGFN folhas 98/102, proponho o encaminhamento deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ressaltase ainda a existência de recurso voluntário não julgado (...). Pois bem. Por força da decisão judicial, após o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade, o processo foi enviado à DRF/POA que, superando o motivo inicial para indeferimento, procedeu à nova análise de mérito dos pedidos de compensação. A Auditora elaborou documento intitulado de Informação Fiscal, o qual se debruçou sobre a alegação do contribuinte de apuração incorreta dos tributos, e concluiu que a atividade empresarial era a prestação de serviços, não estando o contribuinte sujeito á alíquota diferenciada para a CSLL e IRPJ e tendo efetuado corretamente a apuração de sua base de cálculo. Apesar da denominação de "Informação Fiscal", este documento se consubstancia em novo Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação por fundamento distinto daquele esposado no primeiro despacho decisório. Deste segundo Despacho Decisório/Informação Fiscal, o contribuinte interpôs nova Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.911017/200912 Acórdão n.º 1301003.925 S1C3T1 Fl. 6 5 manifestação de inconformidade de folha 78, a qual foi enviada ao CARF para análise. Entendo que o recurso de fl.(...) (manifestação de inconformidade) não pode ser conhecido por esta Turma Julgadora, posto que se trata de recurso interposto em face de Despacho Decisório/Informação Fiscal (...), o qual deverá ser analisado pela DRJ, sob pena de supressão de instância. Em relação ao recurso voluntário (...), considero que este perdeu seu objeto, uma vez que interposto contra acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade do contribuinte, que versava sob o primeiro despacho decisório (eletrônico), o qual foi substituído pelo Despacho/Informação Fiscal de fl.(...). A partir do momento em que a Unidade de Origem proferiu novo despacho decisório, consubstanciado na Informação Fiscal de fl.(...), há de se retomar o rito processual de praxe, sem que haja supressão de instância. Neste diapasão, voto por não conhecer do recurso de fl. (...)e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da Manifestação de Inconformidade de fl.(...), com abertura de prazo, após o acórdão da DRJ, para que o contribuinte apresente novo recurso voluntário, prosseguindose assim, o processo de praxe, em cumprimento à decisão judicial que concedeu a segurança e anulou as decisões que não homologaram as compensações em exame. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso de fl. 78 e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da Manifestação de Inconformidade de fl.78, com abertura de prazo, após o acórdão da DRJ, para que o contribuinte apresente novo recurso voluntário, prosseguindose assim, o processo de praxe, em cumprimento à decisão judicial que concedeu a segurança e anulou as decisões que não homologaram as compensações em exame. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
