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Numero do processo: 11080.720699/2012-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.502
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 06 99 /2 01 2- 43 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.720699/201243 Acórdão n.º 2803003.502 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.720699/201243 Acórdão n.º 2803003.502 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de contratação com cooperativas de trabalho. O r. acórdão – fls 153 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Sobrestamento do feito em razão de se tratar de matéria com repercussão geral reconhecida pelo STF. · Inexigibilidade do crédito por se tratar de cooperativa de prestação de serviço. · Base de cálculo implica em nova contribuição · Base de cálculo coincidente com COFINS. · Requer o sobrestamento do recurso e, no mérito, o provimento do mesmo. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.720699/201243 Acórdão n.º 2803003.502 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 595838 / SP, com repercussão geral reconhecida, considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, inconstitucional. O art. 62A do Regimento Interno do CARF informa: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa feita, considerada a lei que justifica a autuação como em descompasso com a Constituição Federal, desaparece o fundamento jurídico que sustenta o auto lavrado, devendo assim o mesmo ser desconstituído CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.720699/201243 Acórdão n.º 2803003.502 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907891/2012-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 91 /2 01 2- 33 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 3801003.798 S3TE01 Fl. 98 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/08/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 3801003.798 S3TE01 Fl. 99 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 3801003.798 S3TE01 Fl. 100 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 3801003.798 S3TE01 Fl. 101 5 para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 3801003.798 S3TE01 Fl. 102 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10183.721592/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/03/2008
ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICIENTE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 55 DA LEI 8.212/91.
A Recorrente faz jus à isenção das contribuições sociais previdenciárias quando comprovado o cumprimento dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal.
Em razão da isenção, não são devidas as contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal, tampouco as contribuições a Outras Entidades e Fundos. Da mesma forma, não há que se falar em omissão em GFIP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu que o provimento deveria ser dado pela ausência de motivação do descumprimento dos requisitos para o gozo da isenção no lançamento tributário.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICIENTE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 55 DA LEI 8.212/91. A Recorrente faz jus à isenção das contribuições sociais previdenciárias quando comprovado o cumprimento dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal. Em razão da isenção, não são devidas as contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal, tampouco as contribuições a Outras Entidades e Fundos. Da mesma forma, não há que se falar em omissão em GFIP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 15 92 /2 01 1- 11 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu que o provimento deveria ser dado pela ausência de motivação do descumprimento dos requisitos para o gozo da isenção no lançamento tributário. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, que objetiva a cobrança de: · DEBCAD nº 37.337.9080, referente às contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa (alíquota de 20%) e contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho Gilrat/SAT/RAT (alíquota de 1%), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas e creditadas aos segurados empregados, cujas bases de cálculo foram declaradas em GFIP com incorreções no código FPAS (declaradas sob o código FPAS 639 quando o correto é o código FPAS 574) e não recolhidas aos cofres públicos; · DEBCAD nº 37.337.9099, referente às contribuições devidas às outras entidades e fundos: FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SESC (1,5%) e SEBRAE (0,3%), cujas bases de cálculo foram declaradas em GFIP com incorreções no código FPAS (declaradas sob o código FPAS 639 quando o correto é o código FPAS 574) e não recolhidas aos cofres públicos; · DEBCAD nº 37.337.9072, por ter apresentado GFIP com informações incorretas ou omissas. A autoridade fiscal inicia o Relatório Fiscal de fl.35/40 discorrendo sobre a transformação da Recorrente de entidade civil sem fins lucrativos em sociedade empresária. O autuante informa que a autuada, até 04/2008, figurava como entidade civil educacional sem fins lucrativos, denominada UNIC – União das Escolas Superiores de Cuiabá, e tinha como objetivo difundir, ministrar e aperfeiçoar a educação e a cultura em todos os graus. A partir de 04/2008, foi transformada em sociedade empresária e passou a adotar a denominação IUNI Educacional Ltda., cujo objeto passou a ser a exploração de serviços educacionais, culturais e científicos, em todos os níveis, mantidos de acordo com as exigências dos sistemas de ensino federal, estadual e municipal, bem como a participação em sociedades de qualquer natureza e o exercício de atividades relacionadas às atividades anteriores. Conforme consta no relatório fiscal, do exame das informações constantes nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil concernentes às informações prestadas através de GFIP, foi constatado que em relação aos estabelecimentos filiais e competências, abaixo especificados, a autuada é devedora das contribuições patronais (Empresa= 20%, RAT= 1% e Terceiros= 4,5%) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, uma vez que informou incorretamente em suas GFIP o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social em gozo da isenção das Contribuições Previdenciárias), como se fosse uma entidade beneficente possuidora do Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária, nos termos do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, quando na verdade não possuía o referido Ato Declaratório. Estabelecimento Competências 33.005.265/000212 10, 11 e 12/2007, 02 e 03/2008 33.005.265/000484 11 e 12/2007 e 02 e 03/2008 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Complementou ainda que o FPAS correto do contribuinte é o 574 (Estabelecimento de Ensinos), que gera a obrigação de recolhimento de todas as contribuições devidas pelo empregador. Em detrimento disso, o FPAS informado nas GFIP foi o 639, que gera somente a obrigação de recolher as contribuições a cargo do segurados. Por esse motivo, constituiuse o presente crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias patronais por ele devidas considerando que estas não seriam objeto de cobrança eletrônica em razão das referidas incorreções. Em relação ao descumprimento de obrigações acessórias, por entrega de GFIP com informações incorretas ou omissas, em observância ao principio da retroatividade benigna tributária, foi aplicada a multa prevista nos incisos I e II do §3º do art. 32A da Lei 8.212/91 por ser a mais benigna ao contribuinte. Já em relação às contribuições devidas aos terceiros conveniados foi lançada a multa de mora de 24%, sem comparação, por compreender um período em que tais contribuições não eram incluídas no calculo das multas por omissões/incorreções previstas na Lei 8.212/91. Em 31/05/2012, o Recorrente tomou ciência da Ação Fiscal (fl. 62) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 65/102), alegando, em síntese: · Que no período dos fatos geradores examinados (01/2006 a 03/2008), por ser entidade beneficente de assistência social e educação, era detentora do direito à imunidade tributária garantida constitucionalmente; · Que anteriormente era denominada UNICUnião das Escolas Superiores de Cuiabá e possuía à época dos fatos narrados no Relatório Fiscal a natureza jurídica de associação civil, sem fins lucrativos, voltada à atividade educacional, de caráter cultural, científico e social, nos termos do seu estatuto social, o que prevaleceu até a transformação da sua natureza jurídica ocorrida em abril de 2008, ou seja, transformação essa que ocorreu após o período fiscalizado. · Que é portadora de diversos títulos reconhecedores da importância do seu papel na sociedade, fazendo prova incontroversa da sua natureza de associação civil, sem fins lucrativos e de assistência social, quais sejam: (i) registro no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, pelo processo nº 23002.002717/199065, deferido em Sessão realizada no dia 11/10/1990, (ii) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), requerido por meio do processo nº 71010.002151/200382 e deferido em 17 de março de 2005, com validade até 21/03/2008, (iii) declaração de utilidade pública federal expedido pelo Ministério da Justiça por meio da Portaria nº 1521, de 8 de novembro de 2002, publicada no Diário Oficial da União de 11 de novembro de 2002, (iv) Declaração de Utilidade Pública Estadual por meio da Lei nº 7.026 de 29 de junho de 1998, (v) Declaração de Utilidade Pública Municipal pelo DecretoLei nº 4.431 de 30 de dezembro de 2002, (vi) Certificado de inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) de CuiabáMT. · Que em consonância com o que determina o art. 55 da Lei 8.212/91, nunca remunerou seus dirigentes, sendo sempre vedado o recebimento de qualquer lucro, gratificação, bonificação ou vantagem a qualquer título, conforme estabelecido no art. 15, parágrafo 3º do seu estatuto social, aplicando integralmente seu capital no território nacional, e ainda, mantendo devidamente escriturados os seus livros fiscais. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 4 5 · Que cumpriu fielmente todos os requisitos para ser considerada como entidade de assistência social pelo CNAS de acordo com o art. 3º do Decreto nº 2.536/98, que são também todas as exigências contidas no art. 55 da Lei 8.212/91. · Que diante da entrada em vigor da Lei 12.101/2009, com a consequente revogação do art. 55 da Lei 8.212/91, o direito ao benefício fiscal opera efeitos desde a publicação da concessão da certificação até a data de eventual ocorrência de infração que lhe suspenda. · Que a norma garantidora da imunidade a que faz jus a impugnante abrange qualquer espécie de contribuição a cargo da empresa destinada à Seguridade Social, incluindo as contribuições previdenciárias devidas a outras entidades e fundos: FNDE, Incra, Sesc e Sebrae. · Que em relação ao descumprimento da obrigação acessória, sendo nula a obrigação principal em razão do direito constitucional assegurado, terseá, por consequência lógica, a insubsistência da obrigação tributária acessória, por força do disposto no art. 113, parágrafo segundo do CTN. · Que a existência do pedido de Ato Declaratório de Isenção, nos termos do processo nº 12045.000370/200794, ainda em trâmite no CARF, não obsta a sua garantia constitucional acerca da imunidade tributária das contribuições sociais. Por fim, requereu que fosse acolhida a impugnação para tornar insubsistentes os créditos tributários consubstanciados nos Ais nº 37.337.9080, 37.337.9099 e 37.337.9072, haja vista a evidente comprovação de sua natureza jurídica de entidade beneficente de assistência social, de educação, no período do fato gerador em exame, ou seja, janeiro de 2006 a marco de 2008, e do gozo do direito da imunidade das contribuições sociais relativas à quota patronal, em absoluta consonância com o artigo 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, em virtude da validade do CEAS concedido à impugnante no período dos fatos geradores dos Autos de Infração em debate. Instada a manifestarse sobre o tema, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou improcedente a impugnação nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/03/2008 ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Somente são “isentas” das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, as entidades beneficentes de assistência social que cumpram, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. REQUISITOS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Os requisitos para o gozo da “isenção” prevista no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Inaplicabilidade do art. 14 do CTN. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A isenção das contribuições sociais previstas no art. 55 da Lei nº 8.212/91 pressupõe ato administrativo declaratório do direito à isenção, que se processa mediante requerimento administrativo. Não dispondo a entidade do ato declaratório de isenção fornecido pelo Instituto Nacional do Seguro Social, hodiernamentepela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tem se por válido o lançamento fiscal. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA EM GFIP. CÓDIGO FPAS. ENTIDADE FILANTRÓPICA. A utilização em GFIP do código FPAS 639 por entidade que não goze da isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, implica omissão do valor da contribuição previdenciária declarada no documento de confissão de dívida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada em 18/02/2013 (AR fls. 169), a Recorrente postou seu recurso voluntário de fls. 170/215 em 20/03/2013, rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. Às fls. 228/231, requereu a Recorrente a conexão dos presentes autos com o processo administrativo de nº 12045.000370/200791 para julgamento em conjunto em virtude da relação de prejudicialidade com o processo administrativo que discute o pedido de expedição de Ato Declaratório de Isenção. À fl. 271, foi devolvido o presente processo para redistribuição, para que fossem remetidos à 4º Câmara, 2º Seção do CARF e julgados em conjunto com os autos do processo nº 12045.000370/200794, tendo sido deferida tal solicitação pelo presidente da Câmara às fls. 282/283. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme consta no relatório fiscal, o referido auto de infração foi lavrado em virtude de a Recorrente ter informado em suas GFIP o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social em gozo da isenção das Contribuições Previdenciárias), enquanto que o FPAS correto seria o 574 (Estabelecimento de Ensinos), visto que não possuía o Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária deferido em seu favor. A Recorrente, em seu recurso, pretende ver reconhecida a sua condição de imune, para, assim, ver desconstituída a cobrança contra si perpetrada. Sendo assim, para apreciação do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, fazse necessário analisar se a Recorrente faz jus à imunidade das contribuições sociais, a qual foi requerida em 01/04/2005. Conforme despacho proferido no processo administrativo de n. 12045.000370/200794, em apenso a este processo, a Recorrente protocolou na Secretaria de Receita Previdenciária de Cuiabá, no dia 01/04/2005, pedido de expedição de Ato Declaratório de Isenção (fls. 0116), alegando em síntese o seguinte: · Ser uma associação civil, sem fins lucrativos, de caráter educacional, cultural, científico e social; · em consequência de seu caráter assistencial, tem beneficiado centenas de pessoas, o que lhe garante a detenção de vários títulos, que ratificam a sua natureza de entidade beneficente de assistência social, quais sejam: atestado de registro no Conselho Nacional de Serviços Sociais; declaração de Utilidade Pública Federal, estadual e municipal; certificado de inscrição no Conselho Público Municipal de Assistência Social e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). · concede bolsas de estudos aos alunos carentes e mantém o Hospital Geral Universitário e o núcleo de práticas jurídicas, que prestam assistência aos mais carentes; · mais de 20% (vinte por cento) da sua receita bruta são destinados à assistência social; · não remunera seus dirigentes, aplica integralmente seus recursos no território nacional, na manutenção dos seus objetivos institucionais e, ainda, mantém devidamente escriturados os seus livros fiscais; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 · no processo de obtenção do título de utilidade pública federal teve reconhecida a sua aptidão, tendo em vista que possuía todos os requisitos previstos nas letras: a, b, c, d, e, f, g do art. 2º do Decreto n. 50.517/61; · preenche todos as exigências listadas no artigo 55, da Lei 8.212, de 1991 e no artigo 14 do CTN. · comprova sua regularidade fiscal mediante apresentação de Certidão Negativa de Débito (CND). Intimada a apresentar documentos complementares, em 02 de maio de 2005, a Recorrente anexou aos autos do referido processo os formulários da Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003, bem como cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Em 02 de março de 2006, o Pedido de Isenção foi analisado através do OFÍCIO SAARP N° 07/2006 (fls. 137), tendo a delegacia da SRP em Cuiabá decidido pelo indeferimento do pedido em razão da existência de dívidas impeditivas da concessão do Ato declaratório de Isenção. Em 06/04/2006, a Recorrente interpôs Recurso Administrativo junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), alegando que o ato que indeferira o seu direito à isenção estava eivado de nulidade, cerceando o seu direito de defesa e afrontando o princípio da legalidade, que determina a motivação dos atos adminsitrativos, tendo em vista que não foram indicados os débitos que impediram a expedição do Ato Declaratório de Isenção. Ademais, alegou que instruiu seu pedido com certidão de regularidade fiscal válida por três meses e reiterou o atendimento aos requisitos necessário ao gozo do incentivo. Em seguida, a SRP, através da Seção de Orientação da Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciária em Cuiabá, apresentou contrarrazões ao recurso, repisando a existência de débitos previdenciários. Após a transferência da competência para julgamento do citado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03.03.2009, foi proferido o Acórdão n° 230100.005– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fls. 156158), que anulou o Ato da Delegacia da Receita Previdenciária de Cuiabá, em função do cerceamento de direito de defesa do Recorrente, uma vez que no OFÍCIO SAARP N° 07/2006 não foram elencados os créditos tributários que deram causa ao indeferimento do ato de isenção pleiteado. Anulada a decisão anterior, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cuiabá (MT) entendeu por bem reanalisar a situação da entidade na data do protocolo do pedido de isenção, a fim de avaliar de modo global o cumprimento dos requisitos necessários à fruição do incentivo fiscal pleiteado, previstos no artigo 55 da Lei n. 8.212/91. De tal análise, resultou o indeferimento da emissão do Ato Declaratório de isenção (fls. 528 a 539), desta vez sob os seguintes fundamentos: · Inicialmente, defende o auditor fiscal responsável que, com o advento da Lei 12.101/2009, cabe ao auditor fiscal da Receita Federal a verificação do requisitos previstos no art. 55 da Lei n. 8.212/1991, inclusive quanto aos percentuais de aplicação em gratuidade, a teor do seu artigo 32, sendo tal dispositivo aplicado retroativamente, nos termos do parágrafo único do artigo 144 do CTN;. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 6 9 · Para apurar a situação da entidade na data do pedido, o auditor fiscal realizou buscas nos sistemas da RFB e identificou a existência de ação fiscal realizada pela Secretaria da Receita Previdenciária no ano de 2005, que resultou em: Lançamentos de Débitos Confessados — LDC; Representação Fiscal para Fins Penais encaminhada ao Ministério Público Federal, fls. 194 a 213; Representação Administrativa à Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, fls. 216 a 236, e; Representação Administrativa ao Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, fls. 237 a 257. Das constatações dessa fiscalização, foram extraídos os elementos de maior relevância para a análise do direito à isenção pleiteado: · DA REMUNERAÇÃO E DOMICÍLIO DOS DIRETORES: o O art. 55, IV da Lei n. 8.212/1991, determina que a entidade beneficente de assistência social não pode remunerar seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, ou distribuir vantagens a qualquer título, ressalvada a possibilidade de remuneração por outros serviços profissionais. o De acordo com a Ata da AGE realizada em 06/09/1999 (fls. 264), todos os membros da diretoria (mandato 1999/2004) pertencem à família do Presidente/Reitor; o Conforme tabela apresentada na Representação Fiscal para fins Penais e DIRFs, a remuneração paga aos dirigentes que pertencem à família do Presidente da entidade, Sr. Altamiro Belo Galindo, é sempre duas vezes maior do que aquelas pagas aos demais diretores. Resta claro, portanto, que a remuneração paga aos dirigentes é decorrência direta de sua atividade de direção e de sua vinculação à família do presidente, e não do exercício de atividade profissional; o Os diretores Marcelo Calvo Galindo e Wlademir Lovato Fragão nunca residiram no município sede da entidade, CuiabáMT, conforme consulta de alteração de endereço no sistema CPF, tornando dificultoso o exercício de atividade profissional nas dependências da Universidade; · DA DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS: Há indícios contundentes de distribuição disfarçada dos lucros/faturamento da instituição através de uma empresa terceirizada de propriedade dos dirigentes da UNIC / IUNI, posto que foram emitidas notas fiscais ns. 390 a 395 (fls. 288 a 304), em formulário antigo, em desacordo com a legislação do município de CuiabáMT. Essas notas são inidôneas em razão da falta de contabilização pela TERCEIRIZE, pela ausência de informação dessas receitas à Prefeitura e ainda pela ausência de recolhimento do ISSQN pela citada empresa. Ademais, no quadro societário da TERCEIRIZE, até 01/2005, constavam os seguintes sócios: Abraão Antônio Sebe; Rodrigo Calvo Galindo; Marcelo Calvo Galino; Mário César Fernandes e Wladimir Lovato Fragão, todos do quadro da UNIC/IUNI e familiares do presidente. Segundo informações constantes das Notas Fiscais citadas acima, o endereço da TERCERIZE é o mesmo da UNIC/IUNI. · DA HIPOTECA EM GARANTIA: Foram oferecidos bens da UNIC / IUNI como garantia de empréstimos obtidos junto a instituições financeiras pela UNIME — UNIÃ0 METROPOLITANA DE EDUCAÇÃO E CULTURA S/C LTDA, empresa com fins lucrativos sediada no município de Lauro de Freitas / BA. Ocorre que o artigo 29, inciso II Fl. 293DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 da Lei n° 12.101/2009, dispõe que um dos requisitos para fazer jus a isenção é a aplicação de suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. · DA FALTA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS DA ATIVIDADE EMPRESARIAL: A grande maioria dos alunos bolsistas são filhos de empregados da UNIC / IUNI ou o próprio bolsista é empregado. Ocorre que eventuais bolsas, totais ou parciais, concedidas a funcionários não podem ser consideradas aplicação em gratuidade. Ademais, a totalidade dos alunos é pertencente a famílias cuja renda per capta é muito superior a 1/4 do salário mínimo. Lembrando que em 2001, segundo MP n° 2.1945, de 26 de julho de 2001, o salário mínimo vigente era de R$ 180,00 (cento e oitenta reais). No processo de concessão do CEBAS, o CNAS considerou como aplicação em gratuidade despesas que não se enquadram nos objetivos estatutários da entidade, quais sejam: assistências jurídicas gratuitas e assistência a saúde. Sendo assim, foi recalculado o percentual de gratuidade, que atingiu 9,08%,¨percentual inferior ao mínimo de 20% em gratuidade; · DOS DÉBITOS EXIGÍVEIS: A Constituição Federal de 1998, em seu art. 195, §3°, veda a concessão de benefícios ou incentivos fiscais a pessoas jurídicas que estejam em débito com a seguridade social. Assevera que, em 01/04/2005, data do pedido de isenção, existiam duas parcelas do PAES — Parcelamento Especial, Lei n° 10.684/2003, vencidas e não pagas (fl. 525). Por fim, concluiu por indeferir o pedido de isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Cientificada em 07/05/2010, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/06/2010 (fls. 544586), aduzindo o que segue: ü Em sede de preliminar sustenta que a mora da administração em julgar, em grau definitivo, o pedido de expedição de isenção, não pode prejudicar o direito do administrado. Em razão de tal fato não pode ser negada a isenção sob a alegação de existência de débitos patronais contraídos após o pedido; ü Ainda em preliminar, aduz que o indeferimento do pedido fundase na constatação da ação fiscal realizada em 2005, o que resultou em lançamentos fiscais e representações administrativas. A representação administrativa apresentada ao CNAS, em face do processo de concessão de CEAS da entidade, restou arquivada nos termos da manifestação da Advocacia Geral da União (despacho 6/doc. 3). Desta forma, já houve deliberação em grau final acerca dos elementos apontados pela ação fiscal de 2005; ü Destaca a definição entre entidade mantenedora e mantida e sustenta que não há vedação a que o diretor da entidade mantenedora perceba remuneração pela função desempenhada na entidade mantida, desde que relacionado com a sua formação profissional, sendo este o caso dos autos – os diretores da mantenedora não percebem vantagem em função da atividade de direção, mas são remunerados pelos serviços prestados na mantida, para os quais são devidamente qualificados; ü É irrelevante o fato de o domicílio dos Diretores, no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda, ser em outro Estado, onde estes não desempenhavam suas funções. Não há qualquer ilegalidade em contratação de profissionais com CPF em outro Estado; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 7 11 ü A entidade possui 1.220 profissionais contratados, pelo que não se pode concluir tratar se de empresa familiar em razão de 7 membros da diretoria serem parentes do diretor presidente; ü A fiscalização utilizou a competência de junho/2005 para demonstrar a remuneração dos funcionários, apontados como membros da família do presidente, na medida em que tal competência equivale ao mês de base de férias/recesso escolar, elevando, por óbvio, a remuneração dos profissionais, gerando distorções nos casos apresentados. Ademais, a remuneração dos diretores corresponde à média salarial aplicada aos demais casos paradigmas, respeitadas as devidas proporções (acúmulo de funções e tempo de serviço), não havendo qualquer vantagem pela relação de parentesco com o reitor/diretor presidente. Por outro lado, a relação de parentesco não configura qualquer ilicitude da entidade que goza da liberdade de contratar o profissional que lhe convém, não podendo tal fato ser motivo de indeferimento do pedido de isenção da Recorrente; ü As irregularidades fiscais constatadas na empresa contratada pela Recorrente, quanto à emissão de notas fiscais em formulário antigo, ou mesmo a ausência de recolhimento do ISSQN ou de processamento de obrigações acessórias ao ente tributante municipal, não dizem respeito à Recorrente e não podem obstar o reconhecimento da isenção; ü A utilização de imóvel da Recorrente, em garantia de empréstimo obtido junto à instituição financeira para construção do Campus da atual empresa Grupo IUNI, dispensa maiores comentários, na medida em que ocorreu a liquidação do contrato com a liberação da hipoteca, conforme documentos anexados aos autos: ü O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS) deferido à UNIC é prova evidente da ratificação do reconhecimento de sua natureza jurídica de entidade de assistência social, de educação, sem fins lucrativos, como prescrevia o seu estatuto social, colaborado, ainda, com os demais títulos expedidos em seu nome pelos demais órgãos de assistência social em nível municipal, estadual e federal (doc. 7), os quais constituem verdadeiros elementos probatórios do cumprimento efetivo dos requisitos estabelecidos na norma isencional; ü a RFB efetuou o lançamento da quota patronal no período entre abril de 2005 e abril de 2008, que deveria estar abarcado pela isenção pretendida. Tais débitos estão suspensos em razão de decisão proferida em mandado de segurança impetrado pela Recorrente. Além disto, não pode prosperar o indeferimento da isenção por conta de supostas parcelas do PAES vencidas e não pagas, primeiro porque os débitos parcelados estão com a exigibilidade suspensa e porque o pedido foi instruído com certidão negativa de débitos válida por noventa dias. Por fim, requereu que seja dado provimento ao Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito de isenção das contribuições previdenciárias em favor da Recorrente, para o período compreendido entre abril de 2005 e abril de 2008. Às fls. 979/984, foi proferida Informação Fiscal nº 0116/12, pelo Serviço de orientação e análise tributária SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cuiabá, aduzindo que, diante da emissão do despacho decisório 419 DRF CBA, e em respeito à determinação do art. 44 do Decreto nº 7.237/2010, não existem determinações oriundas do Decreto a serem cumpridas neste momento processual pelo SEORT DRF CBA, de um lado porque se encontrando o processo pendente de reconhecido de pedido de isenção anterior à Fl. 295DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 publicação da lei 12.101/2009, já foi analisado de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador (entre os anos de 2005 e 2008) com a emissão do despacho decisório nº 419 DRF CBA indeferindo o pleito; de outro porque havendo inconformismo do contribuinte foi interposto Recurso Voluntário, restando assim, suprido o comando regulamentar, somente o julgamento do recurso. Por fim, propôs o envio do processo à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do recurso voluntário interposto ao indeferimento do pedido de isenção. Às fls. 1227/1233 do processo administrativo que trata do reconhecimento da isenção, a Recorrente informa que em auditoria fiscal realizada pela RFB em face da entidade, instaurada após o requerimento de isenção, foram realizados lançamentos fiscais motivados unicamente pela inexistência do ato declaratório de isenção em favor da entidade nos termos do processo administrativo ora discutido, de número 10183.721592/201111, fundado nas NFLDs nº 37.337.9080, 37.337.9099 e 37.337.9072, que tem como objeto a cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa (quota patronal) e aquelas destinadas a Terceiros, no período do fato gerador compreendido entre janeiro/2006 e março/2008. Às fls. 1250/1252, foi solicitado e deferido a reunião dos referidos processos administrativos para esta relatoria. Diante da impossibilidade de este Conselho apreciar, na presente data, o Pedido de Expedição de Ato Declaratório de Isenção, conforme já informado nos autos do processo administrativo em apenso, passo a analisar se as razões que levaram a Delegacia da Receita Federal de Cuiabá a indeferir o pedido de reconhecimento de isenção devem ser mantidas ou não, a fim de decidir acerca da manutenção ou não do crédito tributário exigido no presente processo. A Constituição Federal de 1988 estabelece no seu art. 195, §7º a possibilidade de as entidades beneficentes de assistência social gozarem da imunidade das contribuições previdenciárias, desde que atendidos os requisitos estabelecidos em lei. Entendendo fazer jus ao benefício aqui tratado, a Recorrente apresentou, em 01/04/2005, pedido de reconhecimento da sua isenção, formalizando o processo administrativo nº 12045.000370/200794. À época, os requisitos para reconhecimento da imunidade/isenção estavam assim previstos no art. 55, da Lei n. 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 8 13 III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. Em 02 de março de 2006, o Pedido de Isenção foi analisado através do OFÍCIO SAARP N° 07/2006, tendo a Delegacia da SRP em Cuiabá decidido pelo indeferimento do pedido em razão da existência de dívidas impeditivas da concessão do Ato Declaratório de Isenção. Em 06/04/2006, a Recorrente interpôs Recurso Administrativo junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), alegando que o ato que indeferira o seu direito à isenção estava eivado de nulidade, cerceando o seu direito de defesa e afrontando o princípio da legalidade, que determina a motivação dos atos administrativos, tendo em vista que não foram indicados os débitos que impediram a expedição do Ato Declaratório de Isenção. Ademais, alegou que instruiu seu pedido com certidão de regularidade fiscal válida por três meses e reiterou o atendimento aos requisitos necessário ao gozo do incentivo. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Após a transferência da competência para julgamento do citado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03.03.2009, foi proferido o Acórdão n° 230100.005– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária que anulou o Ato da Delegacia da Receita Previdenciária de Cuiabá, em função do cerceamento de direito de defesa do Recorrente, uma vez que no OFÍCIO SAARP N° 07/2006 não foram elencados os créditos tributários que deram causa ao indeferimento do ato de isenção pleiteado. Anulada a decisão anterior, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cuiabá (MT) reanalisou a situação da entidade e, inovando os fundamentos proferidos na decisão anterior, concluiu que a ora Recorrente não faria jus à isenção em razão não apenas da existência de débitos no momento em que o pedido foi formulado, os quais desta vez foram devidamente discriminados, mas também pelos outros fundamentos já acima descritos. Primeiramente, entendo que não poderia a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cuiabá (MT), ao reanalisar o pedido de isenção, fundamentar o indeferimento do pleito em novos argumentos não aventados quando da análise inicial do pedido formulado pela Recorrente. Ora, se ao analisar inicialmente o pleito de concessão de Ato Declaratório de Isenção, a DRF de Cuiabá apontou como impeditivo apenas a existência de débitos – que não logrou identificar, não poderia, posteriormente, inovar os fundamentos da decisão para trazer tantos outros fundamentos para indeferir o ato em questão. Ao proferir a decisão que indeferiu o pleito da Recorrente, em 2006, deveria o órgão fazendário ter analisado o cumprimento de todos os requisitos previstos no artigo 55 da Lei n. 8.212/1991, para então conclur pelo seu indeferimento. Se, ao proferir a sua decisão, não foram apontados outros motivos para o indeferimento do pleito, que não a existência de débitos fiscais, é porque a autoridade fiscal, à época, concordou, mesmo que tacitamente, com o cumprimento pela Recorrente dos incisos I a V do artigo 55 da Lei n. 8.212/1991. Não se pode perder de vista que o próprio artigo 55 previa, em seu parágrafo primeiro, prazo de trinta dias para que o INSS se manifestasse sobre o pedido de reconhecimento de isenção/imunidade. Tal prazo já foi extrapolado pela autoridade fiscal à época, causando prejuízos à Recorrente. Não se pode permitir que, além de extrapolar o prazo para decisão, o INSS pudesse à época efetuar a sua avaliação em etapas, indeferindo a cada provocação o pedido do contribuinte por um motivo diferente. Entendo que, no caso, precluiu o direito de a autoridade competente indeferir o pedido de reconhecimento da isenção por motivo diverso da alegada existência de débitos fiscais, sob pena de desrespeitar o prazo célere de tramitação de pleitos dessa natureza e, com isso, prejudicar o direito à imunidade constitucional. Até porque, na época em que apresentado o pedido de reconhecimento da isenção, a existência de débitos fiscais no momento em que formulado o pedido não era um motivo impeditivo do gozo da isenção definitivo, já que, nesses casos, poderia a entidade regularizar a sua situação fiscal e passar a gozar da isenção após regularizada a pendência que lhe havia sido indicada. É o que se observa do parágrafo 3o do artigo 308 da IN INSS DC 100/2003, vigente na época da apresentação do pedido: Art. 308. Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata o artigo 307 deverá ser requerida ao INSS. (...) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 9 15 §3o. A existência de débito em nome da entidade requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido, até que seja regularizada a situação da entidade requerente, no prazo de trinta dias, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do primeiro dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (grifos aditados) Pelo que se verifica do dispositivo acima, diante da existência de débitos, poderia o contribuinte regularizar a sua situação fiscal e, logo após, ver produzidos os efeitos da decisão concessória da isenção. Daí se conclui que a autoridade que apreciava o pedido de isenção não podia analisar em parte o pleito, especialmente se o motivo do indeferimento é a existência de débitos – situação em que deveria ser concedida a isenção condicionada à regularização em trinta dias das pendências apontadas. No caso em apreço, a decisão proferida através do Ofício SAARP n. 07/2006, além de não indicar os débitos impeditivos ao deferimento do pedido de isenção, na época em que apresentados, também não oportunizou à Recorrente a sua regularização, o que, se tivesse sido feito, teria evitado os prejuízos que advieram da demora na solução da lide envolvendo o direito à isenção da Recorrente. Diante desse contexto, entendo que a nova decisão proferida pela RFB de Cuiabá, em decorrência da anulação do Ofício SAARP n. 07/2006, não pode inovar nos seus fundamentos, mas apenas sanar o seu vício, através da indicação dos débitos que seriam impeditivos, à época, do deferimento do pedido de reconhecimento de isenção. Nesse tocante, a DRF de Cuiabá aduziu que, em 01/04/2005, data do pedido de isenção, existiam duas parcelas do PAES em aberto em nome da Recorrente. Em seu Recurso Voluntário apresentado naqueles autos, a Recorrente alega que não pode prosperar o indeferimento da isenção por conta de supostas parcelas do PAES vencidas e não pagas, primeiro porque os débitos parcelados estavam com a exigibilidade suspensa e porque o pedido foi instruído com certidão negativa de débitos válida por noventa dias. A Recorrente instruiu o seu pedido de isenção com Certidão Positiva de Débito com efeitos de negativa emitida em 03/03/2005, com validade até 01/06/2005, demonstrando sua regularidade fiscal no momento do protocolo do pedido de isenção. Tal certidão é o documento emitido pela Receita Federal para atestar a regularidade fiscal do sujeito passivo, pelo que não pode ser desconsiderado por este órgão. Sobre o tema, vale transcrever trecho de voto proferido pela Relatora Carmem Ferreira Saraiva, Conselheira desse Ilustríssimo Conselho de Recursos Fiscais: Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Ademais, o CPC determina que não dependem de prova os fatos notórios, afirmados por uma parte e confessados pela parte Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 contrária, admitidos, no processo, como incontroversos e em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Neste sentido, tem cabimento aceitar as certidões negativa e positiva com efeito de negativa, a cuja informação a própria Administração Pública deu publicidade em sítios institucionais. (Processo nº 13807.007490/200210, Acórdão nº 1801001.317, 1º Turma Especial da primeira seção de julgamento. Sessão de 05 de março de 2013). Além disto, ainda que não se considerasse a Certidão apresentada como documento hábil à comprovação da regularidade fiscal da Recorrente, não se pode dizer que a existência de duas parcelas do PAES em aberto configura a existência de débitos fiscais hábeis a impedir a concessão do benefício em análise. Isso porque, como se sabe, o parcelamento é uma das hipóteses previstas no Código Tributário Nacional que ocasionam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Vejamos: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) VI – o parcelamento. Ou seja, os débitos insertos em parcelamento estão com sua exigibilidade suspensa e, como tal, não impedem a emissão de certidão de regularidade fiscal ou concessão de incentivos em favor do contribuinte. A Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 – instituidora do PAES, estabelece que o sujeito passivo somente será excluído do parcelamento na hipótese de inadimplência por três meses consecutivos das parcelas. Vejamos: Art. 7º O sujeito passivo será excluído dos parcelamentos a que se refere esta Lei na hipótese de inadimplência, por três meses consecutivos ou seis meses alternados, o que primeiro ocorrer, relativamente a qualquer dos tributos e das contribuições referidos nos arts. 1º e 5º, inclusive os com vencimento após 28 de fevereiro de 2003. Conforme consta na decisão recorrida, na data do pedido de isenção, a Recorrente estava com duas parcelas em aberto do PAES, de modo que não tinha sido excluída do referido parcelamento e, portanto, os débitos continuavam amparados pela hipótese suspensiva da exigibilidade de que trata o art. 151, VI, do CTN. Dessa mesma forma, também já se posicionou o ilustre conselheiro desta Turma, Kléber Ferreira de Araújo, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2004 ENTIDADE BENEFICENTE. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPEDIMENTO PARA GOZO DA ISENÇÃO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 10 17 Não são impeditivos para gozo de isenção os débitos do sujeito passivo para com a Seguridade Social que estejam com a exigibilidade suspensa. Recurso Voluntário Provido. (Processo nº 10640.004852/200850, Acórdão Nº 2401003.090, 4º Câmara, 1º Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Sessão de 16 de julho de 2013. Face ao exposto, entendo que a existência de duas parcelas em aberto do PAES no momento do protocolo do pedido não inviabiliza o reconhecimento do benefício, visto que a regularidade fiscal foi comprovada por certidão negativa válida, bem como pelo fato de que os débitos estavam insertos no parcelamento, estando contemplados pela hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário de que trata o art. 151, VI, do CTN, sendo que o Recorrente não estava incurso em hipótese de exclusão do citado parcelamento. Vale ressaltar que consta no processo apenso, de n. 12045.000370/200794, extrato emitido em 24/05/2006 (fls. 270), que aponta que as duas parcelas em atraso, vencidas em 20/02/2005 e 20/03/2005, foram recolhidas em 22/08/2005. Ou seja, na época em que o pedido foi analisado, em 2006, essa pendência que existia na data do pedido já havia sido sanada. Por fim, é importante pontuar que não cabe a esta relatora perquirir se o contribuinte mantevese em situação de regularidade fiscal após a data do protocolo do pedido de isenção, sendo certo que os débitos relativos ao período abarcado pela isenção, cobrados por força do indeferimento do pedido de expedição de ato declaratório de isenção, não devem ser considerados como infração à legislação que regula a isenção. Entendo que caberia à autoridade fiscal lançadora do crédito tributário, a teor do artigo 32 da Lei n. 12.101/2009, apontar eventuais descumprimentos aos requisitos do artigo 55 da Lei n. 8.212/1991 que surgissem após 01/04/2005, já que a discussão acerca do direito à isenção ainda não havia se encerrado. Não tendo sido apontados descumprimentos das condições para a manutenção da isenção surgidos após o protocolo do pedido de reconhecimento da isenção, não cabe ao órgão julgador fazer esse tipo de investigação. Embora os motivos acima já sejam suficientes para reconhecer que a Recorrente fazia jus à isenção, na data em que protocolado o seu pedido, vale pontuar que os demais fundamentos aventados no Despacho Decisório de n. 419/2010 também não merecem prosperar. Vejamos. DA REMUNERAÇÃO E DOMICÍLIO DOS DIRETORES: Em sua decisão, a DRF de Cuiabá aduziu que, de acordo com a Ata da AGE realizada em 06/09/1999 (fls. 264), todos os membros da diretoria (mandato 1999/2004) pertencem à família do Presidente/Reitor, percebendo remuneração sempre duas vezes maior do que aquelas pagas aos demais diretores. Dessa forma, concluiu que a remuneração paga aos dirigentes é decorrência direta de sua atividade de direção e de sua vinculação à família do presidente, e não do exercício de atividade profissional regulamentada. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Complementou ainda que os diretores Marcelo Calvo Galindo e Wlademir Lovato Fragão nunca residiram no município sede da entidade, CuiabáMT, tornando dificultoso o exercício de atividade profissional nas dependências da Universidade. Nos termos do inciso IV do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, a entidade fará jus à isenção ali prevista se, dentre o preenchimento de outros requisitos, os seus diretores não perceberem remuneração e não usufruírem de vantagem ou beneficio, a qualquer título: IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Cumpre ressaltar que a legislação à época não vedava que os diretores da entidade beneficiária da isenção fossem parentes entre si, ou parentes do Reitor, não cabendo ao órgão julgador indeferir o benefício por este motivo. Ressaltese que, atualmente, a Lei n. 12.101/2009, com as alterações promovidas pela Lei n. 12.868/2013, até mesmo permite a remuneração dos dirigentes estatutários, dentro de certos limites, dentre os quais está a condição de parentesco com sócios, diretores, instituidores e afins. À época, contudo, não existia vedação à relação de parentesco entre os diretores da entidade. Diante desse contexto, não cabendo ao julgador inovar, criando novos requisitos não expressamente previstos na legislação. Também descabe ao órgão julgador indeferir o pedido de isenção pelo fato de a remuneração dos diretores que são parentes do Reitor ser superior à dos demais diretores. Caberia ao órgão julgador indeferir a isenção pelo fato de os diretores serem remunerados por sua função de diretor. É esta a dicção da Lei e é este, aliás, o entendimento emanado da própria decisão recorrida, como se verifica do trecho abaixo transcrito (fls. 532 do processo): Portanto, aos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores está vedada a percepção de remuneração pelo exercício da sua função de direção, ressalvada a possibilidade de remuneração por outros serviços profissionais. No caso específico, a decisão que indeferiu o benefício aduz que o fato de os diretores que são parentes do Reitor perceberem uma remuneração pelos serviços profissionais superior à percebida pelos demais diretores leva à conclusão de que a remuneração paga aos dirigentes é decorrência direta de sua atividade de direção e de sua vinculação à família do presidente, e não do exercício de atividade profissional. Entretanto, para que pudesse concluir que a Recorrente descumpria o requisito estabelecido no incisos IV do art. 55, da Lei nº 8.212/1991, deveria a autoridade fiscal ter comprovado que os diretores não exercem atividade que deva ser remunerada, como alegado pela Recorrente em seu recurso, no qual defende que os diretores não percebem vantagem em função da atividade de direção, mas são remunerados pelos serviços prestados na entidade mantida, para os quais são devidamente qualificados. O fato de alguns diretores perceberem remuneração superior à percebida pelos demais, por si só, já é um indício de que o pagamento não decorre do cargo de direção, e sim, do desempenho de outras atividades profissionais. Deveria o Fisco ter verificado se o exercício de tal atividade é efetivo e se há diferenças entre essas atividades, ou entre a Fl. 302DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 11 19 qualificação dos profissionais, para, na inexistência de diferenças, poder atribuir a remuneração recebida a maior como decorrente da atividade de direção. Por fim, em relação à alegação de que dois diretores jamais residiram no município sede da entidade, impossibilitando o exercício de qualquer atividade, embora tal fato não esteja previsto na Lei como impeditivo à concessão da isenção, entendo que a informação de domicílio prestada no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda não impede que o indivíduo tenha mais de uma moradia fixa, ou mesmo que exerça as suas atividades profissionais em local diverso do ali indicado, o que não é incomum no ramo da educação. Entendo, portanto, que a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar, pelos meros indícios apontados, que a entidade remunerava os seus dirigentes, ou que estes auferiam vantagens indevidas, com infração ao inciso IV do artigo 55 da Lei n. 8.212/1991. DA DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS: Em seguida, a DRF de Cuiabá alega que a Recorrente contratou, no ano de 2003, a empresa Tercerize Administradora de Serviços Ltda., que emitiu as notas fiscais 390 a 395 em formulário antigo, em desacordo com a legislação do município de Cuiabá. Ainda nos termos da decisão, as receitas não foram informadas à Prefeitura e não fora recolhido o ISSQN correspondente. Conclui que, em razão de a Tercerize ter como sócios familiares do presidente e diretores da Recorrente, há indícios contundentes de distribuição disfarçada de lucros. Entendo que o fato de a Terceirize haver emitido notas fiscais com formulário antigo, não ter contabilizado suas receitas ou recolhido o ISSQN, em nada macula a Recorrente, que é pessoa jurídica distinta da Terceirize e que apenas contratou os serviços desta. Para que se concluísse pela existência de indícios de distribuição disfarçada de lucros, a fiscalização teria que comprovar que os preços praticados com a Terceirize foram superiores e incompatíveis com aqueles praticados no mercado, ou que os serviços não foram efetivamente prestados. A autoridade fiscal, contudo, não trilhou esse caminho, preferindo se ater a indícios de irregularidade fiscal da empresa terceirizada para daí concluir pela distribuição disfarçada de lucros. Concluo, portanto, pela insubsistência deste argumento para justificar a negativa na emissão do Ato Declaratório de Isenção. DA HIPOTECA EM GARANTIA: Nos termos da decisão proferida pela DRF de Cuiabá, de acordo com o art. 3º, IV, do Decreto n. 2.536/1998, faz jus ao CEAS a entidade que demonstre aplicar suas rendas, seus recursos e eventual resultado operacional integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Diante de tal comando legal, o citado órgão fazendário entendeu que o fato de a Recorrente ter oferecido bens imóveis de sua propriedade em garantia de empréstimo formalizado pela UNIME – União Metropolitana de Educação e Cultura S/C Ltda. empresa com fins lucrativos cujos sócios são membros da diretoria da UNIC , obstaria a concessão do CEBAS em favor da Recorrente e, consequentemente, o reconhecimento da isenção pleiteada. Em primeiro lugar, importante salientar que cumpre à Delegacia da Receita Federal analisar a presença dos requisitos previstos no art. 55, da Lei n. 8.212/1991, para concessão da isenção, cabendo ao CNAS a verificação da presença dos requisitos necessários à emissão do CEAS. Nos termos do inciso V, do art. 55, da Lei n. 8.212/1991, a entidade fará jus a isenção se aplicar integralmente eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais: V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Ou seja, a entidade deve aplicar eventual resultado operacional, assim entendido como a receita bruta da sua operação, líquida das despesas correspondentes, na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais. A Lei não veda, portanto, que o ativo da entidade seja gravado em empréstimo, mesmo que em favor de terceiro. Vale salientar que o fato de gravar um ativo em hipoteca não retira recursos da Recorrente que deveriam ser utilizados no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, como seria o caso de se aplicar o resultado operacional para outros fins. O fato de ter gravado seus bens em hipoteca não impediu que a Recorrente utilizasse estes bens na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, ou aplicasse seus recursos visando estes fins. Mesmo analisando a dicção do art. 3º, IV, do Decreto n. 2.536/1998 – que regulamenta a concessão do CEAS pelo CNAS, o fato de gravar um bem imóvel em hipoteca não estaria em confronto com tal dispositivo, que determina a aplicação, pela entidade, das suas rendas, seus recursos e eventual resultado operacional integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Ademais, como faz prova a Recorrente, o empréstimo foi liquidado e a hipoteca liberada. O oferecimento de bem da Recorrente em hipoteca de empréstimo já liquidado, portanto, não inviabiliza o reconhecimento da isenção. DA FALTA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS DA ATIVIDADE ASSISTENCIAL: Nos termos da decisão denegatória da isenção, para obtenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS a instituição deve atender, dentre outros requisitos, o disposto no inciso VI do art. 3º do Decreto nº 2.536/1998, que estabelece a Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721592/201111 Acórdão n.º 2401003.473 S2C4T1 Fl. 12 21 necessidade de aplicação anual, em gratuidade, de pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços. Prossegue afirmando que, para fins de atingimento do percentual de 20% de aplicação em gratuidade, as bolsas de estudo que a instituição oferece deveriam ser distribuídas às pessoas carentes, sendo que a grande maioria dos alunos bolsistas são filhos de empregados da UNIC / IUNI ou o próprio bolsista é empregado, logo tais bolsas não podem ser consideradas para fins de verificação do cumprimento do requisito em análise, nos termos do Parecer da Consultoria Jurídica do MPS n. 2.414/2001. Alega, ademais, que no processo de concessão do CEBAS, o CNAS considerou como aplicação em gratuidade despesas que não se enquadram nos objetivos estatutários da entidade e que esta não cumpriu com o requisito que exige a aplicação anual de pelo menos 20% em gratuidade. Nos termos da decisão proferida pela DRF de Cuiabá, para que possa ser considerada aplicação em gratuidade, devese observar as diretrizes do art. 203 da Constituição Federal, segundo o qual a assistência social deve ser prestada a quem dela necessitar; ou seja, a pessoas carentes. Assevera que a definição de carência está na lei Orgânica da Seguridade Social Lei n. 8.742/1993, no §3º do seu art. 20 e art. 22: Art. 20 – O benefício de prestação continuada é a garantia de 1 (um) salário mínimo mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com 70 (setenta) anos ou mais e que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de têla provida por sua família.(...) §3º Considerase incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo. (...) Art. 22 – Entendemse por benefícios eventuais aqueles que visam ao pagamento de auxílio por natalidade ou morte às famílias cuja renda mensal per capita seja inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo. Partindo destas premissas, a DRF de Cuiabá analisou as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda apresentadas pelos pais e alunos beneficiados, relativas ao ano base 2001, bem como a DIRF relativa àquele mesmo ano base, apresentada pela IUNI, para concluir que a renda per capita dos beneficiários é superior a ¼ do salário mínimo vigente àquela data. Com base nas premissas que adota, a autoridade fiscal refaz os cálculos do percentual de gratuidade do ano de 2001, concluindo ser o mesmo de 9%. Vale notar que o Decreto nº 2.536, de 06 de abril de 1998, estabelece que compete ao CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, conforme dispositivo abaixo transcrito: Art . 7º Compete ao CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, observando as disposições deste Decreto e de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 legislação específica, bem como cancelar, a qualquer tempo, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, se verificado o descumprimento das condições e dos requisitos estabelecidos nos arts. 2º e 3º. Dessa forma, uma vez reconhecida a Recorrente como entidade beneficente de assistência social, não cabe à Delegacia da Receita Federal de Cuiabá aduzir que no caso em tela não está se atingindo o percentual mínimo de 20% de aplicação em gratuidade, nem tampouco compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apreciar os requisitos para concessão do CEBAS. Cabe ao órgão fazendário verificar se estão presentes os requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/1991, não tendo tal órgão competência para reformar o entendimento do CNAS que conduziu à concessão do CEBAS. Eventuais inconformismos com a certificação concedida à Recorrente devem ser objeto de representação administrativa, o que, ressaltese, foi feito no caso dos autos, conforme se verifica das fls. 443/444, do processo administrativo nº 12045.000370/200794. Sem que o órgão competente anule o CEBAS concedido, não pode a Receita Federal lançar com base no suposto descumprimento dos requisitos para a sua concessão. Diante de todo o exposto, entendo que a Recorrente fazia jus ao benefício da isenção, em 01/04/2005, data do requerimento, não sendo os motivos indicados pela Receita Federal de Cuiabá suficientes para afastar a aplicação da regra imunizante em seu favor. Uma vez reconhecido o direito à isenção da Recorrente no período em questão, não há que se falar em necessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias parte patronal, objeto dos DEBCADs nºs 37.337.9080, tampouco das contribuições a outras entidades e fundos, objeto do DEBCAD n° 37.337.9099. Da mesma forma, considerando que a Recorrente fazia jus à isenção de que trata o art. 55, da Lei n° 8.212/1991, não estava incorreta a utilização do código FPAS 574 em suas GFIPs e, desta forma, não há que se falar em omissão de incorretas ou omissas nos citados documentos. Face ao exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento, julgando os Autos de Infração cadastrados sobre os DEBCAD´s nsº 37.337.9080, 37.337.9099 e 37.337.9072 totalmente improcedentes. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10283.901239/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2005
RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VALIDADE.
Conformada a materialidade das bases de cálculo do tributo em levantamento fiscal lastreado na escrituração contábil da contribuinte, o que confirmou as retificações efetivadas ns DCTF, após o ingresso do pedido de restituição/compensação, em face do princípio da verdade material, o direito creditório deve ser reconhecido. Inteligência do art. 1o da IN SRF nº 77/98 e art. 10, §1º, da IN SRF nº 482/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2005 RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VALIDADE. Conformada a materialidade das bases de cálculo do tributo em levantamento fiscal lastreado na escrituração contábil da contribuinte, o que confirmou as retificações efetivadas ns DCTF, após o ingresso do pedido de restituição/compensação, em face do princípio da verdade material, o direito creditório deve ser reconhecido. Inteligência do art. 1o da IN SRF nº 77/98 e art. 10, §1º, da IN SRF nº 482/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes- Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VALIDADE. Conformada a materialidade das bases de cálculo do tributo em levantamento fiscal lastreado na escrituração contábil da contribuinte, o que confirmou as retificações efetivadas ns DCTF, após o ingresso do pedido de restituição/compensação, em face do princípio da verdade material, o direito creditório deve ser reconhecido. Inteligência do art. 1o da IN SRF nº 77/98 e art. 10, §1º, da IN SRF nº 482/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente Luiz Roberto Domingo Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 12 39 /2 00 9- 70 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Relatório Tratase de Pedido de Compensação – PER/DCOMP formulado pela Recorrente para compensação de créditos de PIS referente ao período de março de 2005, decorrentes de pagamento a maior, com débitos de CSLL – dezembro de 2006, o qual foi NÃO HOMOLOGADO pela ausência de crédito. Contra o referido despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, o direito creditório referese ao pagamento a maior de PIS em razão do erro na declaração da DCTF emitida em 06/05/2005 – referente ao período de 03/2005 – no montante de R$ 45.594,80, cujo montante devido foi declarado posteriormente na DACON no valor de R$ 10.413,70, ou seja, o pagamento indevido ou maior seria a diferença do valor declarado na DACON com a DCTF. Tendo em vista a falta de retificação da DCTF, o crédito decorrente do pagamento a maior constante do DARF indicado pela Recorrente, estava integralmente alocado ao débito de PIS declarado na DCTF. Assim, ao analisar a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, a DRJ proferiu decisão no sentido de indeferir o pedido com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra decisão proferida pela DRJ, foi interposto pela Recorrente Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: (i) a DACON é o instrumento competente para apuração do PIS, devendo prevalecer sobre a DCTF; (ii) a observância do princípio da verdade material; e, (iii) impossibilidade de cobrança da estimativa mensal de CSLL após o encerramento do anobase. Submetido à apreciação desta Turma, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que informasse e juntasse aos autos a alegada DCTF retificadora referente ao mês de março de 2005, bem como confirmasse na escrituração contábil e fiscal da Recorrente a correlação entre a materialidade da base de cálculo declarada, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10283.901239/200970 Acórdão n.º 3101001.692 S3C1T1 Fl. 532 3 e procedência, bem como o valor do crédito tributário devido decorrente dessa apuração e, por fim confirmasse se o valor devido após a retificação da DCTF corresponde ao pedido de restituição. Em atendimento à diligência, a autoridade da repartição de origem trouxe aos autos farta documentação que comprova a materialidade da base de incidência tributária, formalizando Informação Fiscal SEORT/DRF/MNS nº 00009/2014 e elaborando demonstrativos contábeis, bem como resumo da apuração. Concluída a diligência, a Recorrente foi intimada. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Conforme já foi consignado, alega a Recorrente que, de forma equivocada, apurou e declarou em sua DCTF o montante de R$ 45.594,80 a título de PIS, e, posteriormente, no momento da entrega da DACON, percebeu que o verdadeiro montante devido era de R$ 10.413,70, o que ensejou um crédito pelo pagamento a maior de R$ 35.181,10. Para tanto, sustenta que diante da divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevaleceria as informações prestadas via DACON, o que não deve prosperar já que o único instrumento lingüístico apropriado para constituição do crédito tributário é a DCTF. Conforme se verifica pela sua própria denominação – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais , o DACON é um mero demonstrativo de apuração que não tem o condão de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. Quanto ao crédito pleiteado pela Recorrente, verificarse que o PIS é espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, segundo as quais corresponde à atividade do Contribuinte de apurar o montante do tributo devido e efetuar o seu recolhimento antecipado. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito constituise com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF. A DCTF, inicialmente denominada Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF nº 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, posteriormente, substituída pela Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais instituída pela já revogada IN SRF nº 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada pela IN SRF nº 482/2004, instrumento este que tem o condão de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Os efeitos de constituição do crédito e confissão de dívida das declarações prestadas pelo Contribuinte estão previstos no § 1º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/841. Corroborando o efeito previsto no Decretolei nº 2.341/84, foi editada a IN SRF nº 77/98 que veio justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos débitos declarados e não quitados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Demonstrado que a DCTF é o instrumento que constituí o crédito tributário, é consequência lógica que a restituição/compensação de eventual pagamento a maior só poderia ser homologada caso o valor recolhido fosse maior do que os valores constituídos em sua DCTF, e não com base nos valores informados na DACON. O indébito tributário decorrente de pagamento a maior de tributos declarados em DCTF são desde logo passíveis de compensação justamente porque a declaração do contribuinte importa na sua constituição como crédito tributário. Assim, mesmo tendo a Recorrente declarado em sua DCTF e pago um valor superior do que o devido, bastaria sua retificação para constituir o PIS no montante devido, uma vez que a DCTF retificadora substituí integralmente a original, podendo inclusive reduzir o valor do crédito tributário confessado, conforme §1º do artigo 10 da IN SRF nº 482/2004 (vigente à época da declaração): Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Ocorre que, a Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que efetuou a retificação de sua DCTF para constar o montante informado na DACON, entretanto, juntou apenas o recibo de entrega da DCTF retificadora do mês de março de 2005 – fls. 189 (as folhas seguintes ao recibo de entrega referemse à DCTF de fevereiro de 2005). Assim, com base no artigo 37 da Lei nº 9.784/992, mesmo que a alegação e juntada da retificadora tenham sido apresentadas apenas no Recurso Voluntário, já que em sua 1 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10283.901239/200970 Acórdão n.º 3101001.692 S3C1T1 Fl. 533 5 Manifestação de Inconformidade a Recorrente defendia que a retificação deveria ser efetuada de ofício pelo Fisco, restou fundamental a juntada da suposta DCTF retificadora para julgamento da lide. Na diligência, a autoridade responsável pelo levantamento das informações constatou que, segundo a apuração contábil do PIS, a contribuição devida seria menor que a declarada na DCTF Retificadora, de modo que o crédito a que teria direito a Recorrente seria ainda maior que aquele requerido. Vejamos o resumos de fls. 519: março05 PIS/Pasep Cofins Valor a ser recolhido de acordo com a Contabilidade: R$ 7.486,87 R$ 37.951,76 Valor a ser recolhido pela DACON: R$ 10.413,70 R$ 48.834,25 Valor a ser recolhido pela DCTF: R$ 10.413,70 R$ 48.834,25 Valor do Recolhimento DARF e SINAL02: R$ 45.594,80 R$ 213.318,27 Diferença: DACON x DCTF x RECOLHIMENTO: R$ 35.181,10 R$ 164.484,02 Contudo, é certo que todo processo contempla um limite objetivo que, neste caso, se consolidou no momento da protocolização do pedido de restituição do PIS recolhido a maior que o devido, cujo valor foi R$ 35.181,10. Não pode a administração alargar esse objeto sob pena de apreciar de forma ultra petita. Diante das constatações efetivadas em diligência e da confirmação do recolhimento a maior, DOU PROVIMENTO ao Recurso para deferir a restituição cumulada com compensação até o limite do pedido. Luiz Roberto Domingo Relator 2 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000111/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
O cálculo do limite para imposição da multa em razão da desobediência ao art. 52 da Lei n. 8.212/1991 deve levar em conta todos os débitos para com a União e não apenas aqueles relativos às contribuições sociais.
LIMITE PARA APLICAÇÃO DA MULTA. VERIFICAÇÃO PARA CADA COMPETÊNCIA INCLUÍDA NA LAVRATURA FISCAL.
A aplicação do teto para fixação da multa prevista no art. 52 da Lei n. 8.212/1991 deve levar em consideração todos os débitos com a União, não garantidos, no momento de cada distribuição irregular de lucros.
DECLARAÇÃO EM GFIP. NATUREZA CONSTITUTIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A declaração em GFIP das contribuições devidas é tratada como constituição do crédito tributário, independentemente de qualquer providência do fisco.
Numero da decisão: 2401-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; e II) dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. O cálculo do limite para imposição da multa em razão da desobediência ao art. 52 da Lei n. 8.212/1991 deve levar em conta todos os débitos para com a União e não apenas aqueles relativos às contribuições sociais. LIMITE PARA APLICAÇÃO DA MULTA. VERIFICAÇÃO PARA CADA COMPETÊNCIA INCLUÍDA NA LAVRATURA FISCAL. A aplicação do teto para fixação da multa prevista no art. 52 da Lei n. 8.212/1991 deve levar em consideração todos os débitos com a União, não garantidos, no momento de cada distribuição irregular de lucros. DECLARAÇÃO EM GFIP. NATUREZA CONSTITUTIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A declaração em GFIP das contribuições devidas é tratada como constituição do crédito tributário, independentemente de qualquer providência do fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; e II) dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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NATUREZA JURÍDICA DE DÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de aplicação da multa prevista no art. 52 da Lei n. 8.212/1991, as provisões contábeis de contribuições sociais não baixadas, não podem ser consideradas como créditos tributários. DÉBITOS COM A UNIÃO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO LIMITE PARA APLICAÇÃO DA MULTA DECORRENTE DA CONDUTA DA EMPRESA DE DISTRIBUIR LUCROS ESTANDO EM DÉBITO COM A FAZENDA NACIONAL. O cálculo do limite para imposição da multa em razão da desobediência ao art. 52 da Lei n. 8.212/1991 deve levar em conta todos os débitos para com a União e não apenas aqueles relativos às contribuições sociais. LIMITE PARA APLICAÇÃO DA MULTA. VERIFICAÇÃO PARA CADA COMPETÊNCIA INCLUÍDA NA LAVRATURA FISCAL. A aplicação do teto para fixação da multa prevista no art. 52 da Lei n. 8.212/1991 deve levar em consideração todos os débitos com a União, não garantidos, no momento de cada distribuição irregular de lucros. DECLARAÇÃO EM GFIP. NATUREZA CONSTITUTIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A declaração em GFIP das contribuições devidas é tratada como constituição do crédito tributário, independentemente de qualquer providência do fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 11 /2 00 8- 18 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; e II) dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000111/200818 Acórdão n.º 2401003.649 S2C4T1 Fl. 299 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF) de decisão consubstanciada no Acórdão n.º 0334.404, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.143.8110. Da referida decisão também recorreu o sujeito passivo. I. Decisão Recorrida Diante da impugnação do sujeito passivo e após a realização de duas diligências fiscais, a DRJ reduziu o montante da penalidade aplicada de R$ 17.328.038,42 para R$ 723.474,95. Inicialmente o órgão a quo apreciou a decadência, tendo concluído que na espécie, por se tratar de lavratura para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial deveria ser aferido pela norma do inciso I do art. 173 do CTN. Foram consideradas decadentes as competências de 03/1993 a 11/2001, haja vista que a cientificação do lançamento ao sujeito passivo ocorreu em 12/2007. A seguir, a DRJ, atendendo a retificação promovida pelo fisco por aplicação da norma mais benéfica, reduziu o montante da multa. Acerca da suposta inexistência de débitos, a Turma a quo entendeu esta ficou caracterizada pela existência de provisão contábil de contribuições não recolhidas, de divergência entre os valores confessados mediante GFIP e aqueles recolhidos, além de débitos relativos ao IRPJ e à CSLL. Finalmente, concluiu que a nova redação do art. 52 da Lei n. 8.212/1991 leva à aplicação da multa no patamar de 50% dos valores indevidamente distribuídos, limitada a 50% dos débitos com a União, não garantidos. II. Recurso Voluntário O sujeito passivo pediu que o julgamento do processo em tela fosse realizado somente após a apreciação da NFLD n. 37.141.8063, que supostamente teria caráter de prejudicialidade frente ao AI sob enfoque. Postulou pelo reconhecimento da decadência para as competências de 12/2001 a 11/2002. Alegou que o fisco incorreu em erro ao tomar como base para cálculo do limite da multa débitos de IRPJ e CSLL, haja vista que o MPF que autorizou o procedimento fiscal limitou a auditoria às contribuições previdenciárias. Assevera que a autoridade fiscal jamais pode exorbitar da ordem que lhe foi dirigida mediante o MPF. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Asseverou que a provisão contábil não pode ser considerada como débito previdenciário, posto que esta é mera expectativa de obrigação, jamais um passivo tributário. Alem de que as provisões em questão foram oportunamente baixadas contabilmente, ao contrário do que afirmou o fisco. De outra banda, sustenta que somente nas competências em que comprovadamente existam passivos previdenciários é que se poderia aplicar a multa combatida. Ao final, pede que seja cancelado o presente AI, posto que está desprovido de razoabilidade. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000111/200818 Acórdão n.º 2401003.649 S2C4T1 Fl. 300 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado situase acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. O recurso voluntário também merece conhecimento, uma vez que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Julgamento conjunto A conexão do AI sob cuidado com a NFLD n. 37.141.8063 não existe. O fato de serem procedentes ou não as contribuições lançadas não interfere na conduta relativa à distribuição de lucros de empresas em débito com a Seguridade Social. Todavia, há de se ter em conta que o pedido do sujeito passivo para julgamento conjunto dos processos restou prejudicado com o julgamento do recurso interposto no processo que trata da referida notificação na reunião desta Turma ocorrida do mês de julho passado. Recurso Voluntário Provisões contábeis Tem razão a empresa ao afirmar que as provisões contábeis não podem ser consideradas débitos para fins de aplicação do art. 52 da Lei n. 8.212/1991. Quando da ocorrência das condutas tidas como irregulares, o citado dispositivo encontravase assim redigido: Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: I distribuir bonificação ou dividendo a acionista; 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento, atualizadas na forma prevista no art. 34. Para o fisco a existência de provisões contábeis não baixadas deve ser equiparada a existência de débito. Esse posicionamento está respaldado na legislação infralegal. É assim que dispõe o § 4. do art. 649 da Instrução Normativa – IN SRP n. 03/2005: § 4º Consideramse débitos, para fins da multa prevista no inciso VIII do caput, desde que não estejam com a exigibilidade suspensa, a NFLD e o AI transitados em julgado na fase administrativa, o LDC inscrito em dívida ativa, o valor lançado em documento de natureza declaratória não recolhido e a provisão contábil de contribuições sociais não recolhidas.(grifei) Essa previsão normativa tem sido reiteradamente afastada pelo CARF. Peço licença para transcrever a ementa do Acórdão n. 2301002.948, em processo de relatoria da Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, em que a turma por maioria, entendeu que as provisões contábeis não têm natureza de débito para fins de aplicação da multa sob comento. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/10/2006 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS . A provisão contábil de contribuições sociais não recolhidas não pode ser considerada débito, para efeito de impedimento da distribuição de lucros. Somente o crédito tributário devidamente constituído e não pago é motivo de impedimento para a distribuição de lucros aos sócios, nos termos do art. 52 da Lei 8.212/91, c/c art. 280, inc.II, do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Provido Quando a matéria foi tratada na Câmara Superior de Recursos Fiscal, esse entendimento foi adotado por unanimidade, conforme se vê da ementa do Acórdão n. 9202 003.194: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 29/02/2004 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO COMPROVAÇÃO. SIMPLES PROVISÃO CONTÁBIL. O simples fato de se apurar na contabilidade da contribuinte a existência de supostos débitos previdenciários, a partir de provisões contábeis com a finalidade de sua quitação, não é capaz de autorizar a imputação da infração prevista no artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, uma vez que somente com a Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000111/200818 Acórdão n.º 2401003.649 S2C4T1 Fl. 301 7 constituição definitiva do crédito tributário é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige a existência de débitos passíveis de impedir a distribuição de lucros da empresa. Recurso especial negado. Peço vênia para transcrever excerto do voto do Conselheiro Rycardo Henrique de Oliveira quando apresentava argumentos para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional: “Ao analisar a demanda, fixando nos esclarecimentos da própria fiscalização, o julgador de primeira instância, inferiu que o débito foi formalizado através da provisão contábil de contribuições previdenciárias não recolhidas, registrada na contabilidade da contribuinte. Olvidouse, porém, a autoridade lançadora e, bem assim, a nobre Procuradoria que o simples fato de constar da contabilidade da contribuinte contribuições a recolher, não implica dizer que o crédito previdenciário encontrase constituído, o que só ocorrerá com a formalização do lançamento ou a partir de declarações específicas de dívida. Em outras palavras, nessa hipótese, não há se falar em créditos tributários capazes de impedir a distribuição de lucros, na forma do artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91. Com efeito, somente com a constituição definitiva dos eventuais débitos registrados na escrituração contábil da contribuinte, após todo trâmite do processo administrativo fiscal e decisão transitada em julgado confirmando a procedência do lançamento, é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige, ser a contribuinte devedora da Seguridade Social, na linha do que restou decidido no Acórdão recorrido. Aliás, não é demais relembrar que a constituição do crédito tributário/débito exige a prática do lançamento em uma de suas modalidades, consoante se infere dos preceitos inscritos nos artigos 142 e 147 a 150 do Código Tributário Nacional...” Se essa questão outrora me deixava inquieto, com essa decisão unânime adotada pelo órgão responsável pela uniformização da jurisprudência no âmbito do CARF, dissiparamse as minhas dúvidas quanto ao encaminhamento do tema. Assim, estou seguro que de fato a mera provisão contábil não é suficiente para que se impute ao sujeito passivo a existência de débito para fins de aplicação da multa sob testilha. Considerando que o pressuposto do lançamento, nos termos do relatório fiscal, foi a distribuição de lucros estando a empresa em débito com a Seguridade Social, em razão da existência de provisões contábeis não baixadas, devo encaminhar pelo provimento do recurso. Recurso de Ofício Tendo encaminhado pelo provimento do recurso de voluntário, por decorrência, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10850.904555/2011-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
:
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 45 55 /2 01 1- 36 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) de nº 23307.63251.201008.1.1.100056, por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, no valor de R$ 4.364,32, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 7, com fundamento na informação fiscal de fls. 54/56, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do PIS/PASEP, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 17/01/2012 (fl. 8), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 09/46, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 7, acompanhado de Informação Fiscal, na qual alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 4 3 (Cofins nãocumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na cumulatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/Cofins nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a freqüência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/Cofins, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da nãocumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 5 4 negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/Cofins nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/Cofins); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/Cofins com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofasia ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/Cofins; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/Cofins, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologada a compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativo às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 6 5 incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Reforça as teses suscitadas na manifestação de inconformidade e insiste que com o art. 17 da Lei n° 11.033/04 reaparece permissão para a mantença dos créditos discutidos e que o art. 16 da Lei nº 11.116/05 permitiu a utilização dos referidos créditos. Questiona o mérito das decisões judiciais colacionadas no acórdão. Argumenta que no caso da recorrente há: a) uma incidência tributária no início da cadeia, com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais alta que a regra geral; b) e também uma incidência tributária nos demais elos da cadeia, igualmente com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais baixa que a da regra geral. Pontua que monofásico seria, como a própria nomenclatura já adianta, só incidir em uma fase, ficando as demais como NT; que não é, como visto, o que ocorre, afinal a contribuinte está também ao alcance das contribuições sociais, apenas com uma alíquota diferenciada. Reitera que monofasia não é alíquota zero citando artigos das Leis 10.865/04 e 10.560/2002. Alega que o acórdão recorrido passou sem maiores análises sobre o fundamental art. 17 da Lei nº 11.033/04, que, por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo que houvesse ao creditamento pretendido. Discorda da tese de que o art. 17 da Lei n° 11.033/04 não pode prevalecer sobre a vedação. Aduz que o art. 17 só pode se destinar exatamente para os casos que tinham vedação expressa. Os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados. De outro giro, apresenta os contornos das edições da Medidas Provisórias 413 e 451 de 2008, que não foram convertidas em Lei. Por fim, colaciona novamente as premissas legais apresentadas na manifestação de inconformidade e requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Para a solução da lide é importante um breve histórico da evolução legislativa em face da tributação das contribuições PIS e Cofins sobre os combustíveis. De imediato, registrese que não há controvérsia em relação ao fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis (gasolina e óleo diesel) a partir da edição da MP 199115, de 10 de março de 2000, e Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que alteraram a redação original da Lei 9.718/98: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. (Vide arts. 4º e art. 92, da Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 8 7 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) III – 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.(Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Parágrafo único. Revogado.(Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000)" Anotese, por pertinente, que a MP 199115, de 10 de março de 2000 (atual e em vigor MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001) em seu art. 43 reduziu a zero as alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre os combustíveis vendidos pelos distribuidores e comerciantes, uma vez que se adotou o regime concentrado com alíquotas diferenciadas: Art. 43 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas;(...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6º da Lei no 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. (...) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. . Como visto, o regime de substituição tributária nas operações com combustíveis foi extinto a partir da edição da MP 199115/2000 e de suas reedições. Desta forma, o regime em relação à incidência das contribuições PIS e Cofins passou a ser concentrado, em uma única fase, incidindo apenas sobre a receita de venda das refinarias. Com a instituição da sistemática de incidência nãocumulativa para as contribuições PIS e Cofins, as receitas de venda de combustíveis, inicialmente, não integravam a base de cálculo da contribuição em face de vedação legal, PIS/Pasep: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 66/2002 e da Lei n° 10.637/2002 e Cofins: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 135/2003 e da Lei n° 10.833/2003. Este status foi alterado pela Lei n° 10.865/2004 (DOU 30/4) que permitiu por força do disposto nos artigos 21 e 37, a utilização da sistemática nãocumulativa em relação às receitas da venda de gasolinas (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) e autorizou o aproveitamento dos créditos relativos a tais produtos. Destacase a vedação da utilização de créditos por parte dos revendedores em relação aos produtos adquiridos para revenda, nos termos do art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 10 9 derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)(grifouse) A recorrente insiste que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 alterou esse cenário e por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo ao pretenso crédito. Não assiste razão à recorrente. Este dispositivo legal, abaixo transcrito, não alcança os produtos sujeitos ao regime monofásico. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por força de expresso dispositivo legal (art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003), o regime monofásico não possibilita o creditamento referentes as aquisições de mercadorias para revenda. Tenhase presente que a tributação concentrada nos produtores, importadores e refinarias de petróleo foi uma opção do legislador e não foi modificada pelo citado art. 17. Não se pode perder de vista que o referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004. A exposição de motivos reafirma o caráter meramente interpretativo deste diploma legal: “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” Deste modo, o artigo 17 da Lei nº 11.033/04 não gerou novas hipóteses de creditamento como quer fazer crer a recorrente. Reiterase que a vedação expressa não foi revogada tacitamente. Interpretação equivocada a da recorrente e que não tem guarita neste Conselho e no Poder Judiciário. Por pertinente, transcrevese a expressão do § 8º da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 11 10 as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária.(grifouse). Nesse sentido, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial 1.259.770 PR, assim se pronunciou: COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. REVENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E AUTOPEÇAS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Consoante os precedentes desta Segunda Turma de Direito Tributário do Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime NãoCumulativo, salvo determinação legal expressa. Precedentes: REsp. Nº 1.267.003 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; AgRg no REsp. Nº 1.239.794 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.09.2013. 2. Indiferentes se tornam as alterações efetuadas no art. 8º VII "a" da Lei n.º 10.637/2002 e art. 10, VII "a" da Lei n.º 10.833/2003 pelo art. 42, III, "c" e "d", da Lei n. 11.727/2008, e pelo art. 21, da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.833/2003 e pelo art. 37 da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.637/2002, pois a incompatibilidade é dos próprios regimes de tributação. 3. Incompatibilidade que se restringe às mercadorias e produtos sujeitos à tributação monofásica, não alcançando as atividades empresariais como um todo. 4. Agravo regimental não provido.(grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. Uma interpretação equivocada de um dispositivo legal, art. 17 da Lei nº 11.033/04, não pode enriquecer ilicitamente parcela dos contribuintes. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza o creditamento dos produtos adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904555/201136 Acórdão n.º 3801003.642 S3TE01 Fl. 12 11 De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição dos valores de PIS e Cofins, visto que há vedação expressa ao creditamento referente às aquisições de produtos monofásicos destinados à revenda. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações pleiteadas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10715.005247/2010-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/11/2007, 15/11/2007, 29/11/2007
MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação.
Numero da decisão: 3803-006.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 52 47 /2 01 0- 08 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005247/201008 Acórdão n.º 3803006.276 S3TE03 Fl. 193 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 70.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 14 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Consta do auto de infração que o contribuinte registrara no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) os dados de embarques de exportação fora do prazo legal de 2 (dois) dias, infração essa sujeita a multa, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n ° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833, de 2003. De acordo com o autuante, a obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do mesmo Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Ainda de acordo com o agente fiscal, o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo voo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DE). Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Posteriormente, o contribuinte arguiu a ocorrência de direito superveniente, estipulando o prazo de sete dias para a inserção dos dados de embarque no Siscomex. A DRJ Florianópolis/SC julgou procedente em parte a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 RESPONSABILIDADE OBJETIVA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 RETROATIVIDADE BENIGNA Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005247/201008 Acórdão n.º 3803006.276 S3TE03 Fl. 194 3 Aplicase retroativamente a norma legal que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Destacou o julgador administrativo que a IN RFB n.º 1.096/2010 alargara para sete dias o prazo para a prestação das informações de embarque, em razão do que afastaramse as parcelas da multa exigidas com base no prazo de dois dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (retroatividade benigna), sendo mantido o crédito tributário de R$ 20.000,00. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 13/08/2012, o contribuinte interpôs, no dia 5 de setembro do mesmo ano, Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, sendo acrescentada a alegação de que a penalidade deveria ser afastada com base na denúncia espontânea da infração. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de acórdãos administrativos sobre a matéria e de ofício do Serpro, datado de 11/11/2011, informando sobre as indisponibilidades ocorridas no sistema Siscomex durante o ano 2004. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertido nos autos parte do auto de infração lavrado em decorrência da prestação intempestiva de informações relativas a embarques de mercadorias para o exterior, transportadas por via aérea, no ano de 2007. Em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. No que se refere aos argumentos e elementos de prova trazidos apenas em grau de recurso, devese destacar que o ofício do Serpro é relativo às indisponibilidades ocorridas no sistema Siscomex durante o ano 2004, enquanto que os fatos autuados ocorreram Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005247/201008 Acórdão n.º 3803006.276 S3TE03 Fl. 195 4 em 2007, e os dispositivos da Lei nº 5.025, de 1966, nada trazem que possa comprometer o lançamento de ofício. Contudo, um dos argumentos trazidos pelo Recorrente no recurso mostrase cabível no presente julgamento. Tratase da aplicação da denúncia espontânea, considerando que as informações registradas intempestivamente pelo Recorrente ocorreram antes de qualquer medida da fiscalização relacionada à alegada infração. Eis o teor do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo exceção em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informações relativas a embarques de mercadorias informadas em Declarações de Exportação (DE). A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005247/201008 Acórdão n.º 3803006.276 S3TE03 Fl. 196 5 Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória destes autos. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após as datas dos voos, ou seja, após o desembaraço das mercadorias e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, o que torna, a princípio, o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005247/201008 Acórdão n.º 3803006.276 S3TE03 Fl. 197 6 Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, a sua disciplina abrange as declarações periódicas a que os contribuintes se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de sujeito passivo ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. Contudo, necessário se torna analisar, uma por uma, as exceções impostas pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber: a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); b) não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005247/201008 Acórdão n.º 3803006.276 S3TE03 Fl. 198 7 c) não se considera espontânea a denúncia relativamente a penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto lei nº 37, de 1966); d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro). Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos voos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso. No caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 18050.004577/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 50 .0 04 57 7/ 20 08 -2 6 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.004577/200826 Resolução nº 2402000.435 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de autos de infração constituído em 24/07/2008 (fl. 02), para exigir multa em razão da Recorrente ter deixado de exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentálos sem atender as formalidades legais exigidas, contendo informação diversa da realidade ou omitindo informação verdadeira, no período de 01/07/2003 a 31/12/2003. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 59/99) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 104/107), julgou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E/OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, constitui infração ao art. 33, parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. MULTA. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no art. 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 283, inciso II, ‘j’ e art. 373 do RPS. CIRCUSTÂNCIA AGRAVANTE DA PENALIDADE. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. Não preenchidos os requisitos arrolados no caput e § 1º do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, não há falar no instituto da atenuação ou relevação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.004577/200826 Resolução nº 2402000.435 S2C4T2 Fl. 4 3 O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 111/116) argumentando que (i) a aplicação da multa deve ser relevada, uma vez que não teria havido dolo, culpa ou máfé por parte do contribuinte, pois a incorreção atingiu apenas o patamar procedimental; e (ii) há ausência de previsão legal da multa imposta. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.004577/200826 Resolução nº 2402000.435 S2C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando as questões suscitadas no presente processo, observase que existe óbice ao julgamento do recurso apresentado. A presente autuação versa sobre a exigência de multa decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória pela Recorrente, uma vez que deixou de exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentálos sem atender as formalidades legais exigidas, contendo informação diversa da realidade ou omitindo informação verdadeira, no período de 01/07/2003 a 31/12/2003. Ocorre que analisando a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA no presente processo (fls. 104/107), verificase que por ocasião da digitalização faltaram as páginas 2, 4, 6 e 8 em diante dessa decisão, o que torna impossível a análise completa da decisão. Diante disso, para que seja possível proceder com o julgamento do presente auto de infração, é necessário que a autoridade fiscal traga aos autos uma nova cópia integral da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA no presente processo. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam cumpridas as solicitações acima. Após a realização da diligência, e independentemente do seu resultado, deve ser obrigatoriamente aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio do contraditório e da ampla defesa, após o qual deverão retornar os autos para julgamento neste Conselho. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002113/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: Não se aplica
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RICARF, art. 62A, § 2º. Art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS OLIVETANOS Recorrida DRJ SÃO PAULO ISP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata do Auto de Infração de fls. 245/263, com ciência em 06/10/2006, relativo à Cofins cumulativa dos períodos de apuração 01/2001 a 01/2004 e não cumulativo de 02/2004 a 06/2006, cujos valores principais foram acompanhados de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Conforme o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL foi constatada a falta de recolhimentos (fl. 237), o que é confirmado pelo DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO de fls. 245/248. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 11 3/ 20 06 -7 1 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3401000.645 S3C4T1 Fl. 672 2 0 Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 237238 reconhece a isenção de receita de atividade própria (MP 1.858/99 e IN 247/02: doações, contribuições, anuidades, mensalidades, sem caráter contraprestacional direto e para custeio do objeto social), tributando todas as demais receitas pela Lei 9.718/98 e, a partir de 1/2/2004, pela Lei 10.833/2003). 0 auditor diz que as receitas típicas das entidades sem fins lucrativos eram excepcionadas pelo Parecer CST/05/92 e passaram ao campo de incidência a partir da Lei 9.718/98 (art. 2 e 3). Em 3/11/2006 há impugnação (fls. 266 a 280, anexos até fl 301). A procuradora diz: há receitas de mensalidades escolares destinadas à assistência e educação; há 73 anos a entidade é beneficente, assistencial, educacional e de utilidade pública e é imune (art. 195, § 7 0, CF/88 e art. 12, Lei 9.532/97); pede cancelamento; invoca jurisprudência do STF e administrativa; atende aos requisitos do art. 14 do CTN e de imunidade do art. 55, Lei 8.212/91 (fl 275, item 18); ad argumentandum, separar receitas próprias e não próprias é inconstitucional; suas receitas não são de vendas, mas de atividade educacional e religiosa; o art 10 da MP 2.15835/01 reconhece a imunidade e prevaleceria, quando muito, a aliquota de 3% a partir de fevereiro de 2004, sobre atividade não própria; a receita financeira sobre receita de atividade própria é imune (SC SRF 364, de 14/11/95); as "Outras Receitas" são de aluguéis e, se revertidas em proveito próprio, o STF tem decidido pela imunidade. Toda renda custeia os objetos sociais em proveito da entidade, como comprovam a escrituração e as certificações, não desnaturando a imunidade, conforme transcrição de decisão do STF. As receitas financeiras a partir de 2004, se estivesse sob nãocumulatividade, são nãopróprias, mas a aliquota foi reduzida a zero pelos Decretos 5.164/04 e 5.442/05, devendo ser excluídas. Pede anulação. Anexou documentos (fl 281301), dentre os quais certificado de ser Entidade Beneficente e Assistência Social entre 1/1/2001 e 31/12/2003 (fl 296) e declarada de utilidade pública federal até 30/4/2007 (fl 301). A 9ª Turma da DRJ manteve o lançamento íntegro, nos termos do acórdão de fls. 345/355, cuja ementa, ao tratar do mérito, informa: ENTIDADE EDUCACIONAL, ASSISTENCIAL, FILANTRÓPICA, RECREATIVA, CULTURAL, CIENTÍFICA OU ASSOCIAÇÃO. ATIVIDADE NÃO PRÓPRIA. COFINS. INCIDÊNCIA. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, a MP 1.858/99 determina isenção da Cofins apenas para as receitas de atividades próprias das associações, instituições de educação, assistência social, filantrópicas, recreativas, culturais e/ou cientificas. Receita de atividade própria não advém de contraprestação direta (IN 247/02). COFINS. ENTIDADE SUJEITA AO REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA. Ê aplicável a aliquota de 7,6 %, a partir de fevereiro de 2004 (art 2°, Lei 10.833/2003). Fl. 672DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3401000.645 S3C4T1 Fl. 673 3 Rejeitou a alegação de nulidade do lançamento, por não ver configurada qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não conheceu dos argumentos de inconstitucionalidade por serem de competência privativa do Judiciário. Analisando a alegação de imunidade, a DRJ observou que a associação não comprovou atender a todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e que nas DIPJ do período autuado (anoscalendários de 2001 a 2006) declarou ser isenta, e não imune, como alega na Impugnação. Afastada a imunidade, considerou que a Cofins é devida pelo regime não cumulativo a partir de fevereiro de 2004 por não se enquadrar no inc. IV do art. 10 da Medida Provisória nº 135 (convertida na Lei nº 10.833, de 2003), segundo o qual continuam submetidas ao regime cumulativo as pessoas jurídicas imunes a impostos. Interpretou que a isenção determinada pelos arts. 13, IV, e 14, X, da MP nº 2.15835/2001, se restringe às receitas de atividades próprias, e com base na IN SRF nº 247, de 2002, considerou que “receita de atividade própria não advém de contraprestação direta”, tal como entendeu a autuação. No mais, manteve a tributação sobre os aluguéis, por ser “contraprestacional e direta, ou seja envolve direitos e obrigações recíprocos entre os contraentes (obrigações: pagar ao locador x deixar usar o objeto locado)” e observou que as receitas financeiras, a partir de agosto de 2004, não mais foram tributadas em função dos Decretos nºs 5.164/04 e 5.442/05, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e Cofins. No Recurso Voluntário, tempestivo, a associação repisa as alegações da Impugnação e refuta o acórdão da DRJ, arguindo o seguinte: estão decaídos os fatores geradores entre janeiro e setembro de 2001; nulidade decorrente do erro conceitual no Auto de Infração, já que não é simplesmente uma instituição isenta enquadrada no inc. IV do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, como considerou o autuante, mas uma entidade beneficente de assistência social que promove a educação e a cultura e goza da imunidade da Cofins, nos termos do art. 195, § 7º, da Constituição; os requisitos dessa imunidade são unicamente os do art. 14 CTN, havendo necessidade de lei complementar para tanto para veiculálos; não houve em nenhum momento no Auto de Infração acusação de descumprimento do art. 55 da Lei nº 8.212/91, pelo que a DRJ inovou a acusação; as receitas de atividades atípicas da entidade também são abarcadas por essa imunidade (menciona neste sentido jurisprudência do CARF e do Primeiro Conselho de Contribuintes, de Processo de Consulta nº 34/11, da 7ª Região Fiscal e, do STF, AI nº 447.855 9); a autuação desprezou a inconstitucionalidade o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998; e Fl. 673DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3401000.645 S3C4T1 Fl. 674 4 Ao final requer sejam acolhidas as nulidades indicadas ou, em caso contrário, o cancelamento integral do lançamento. Finaliza requerendo a anulação do acórdão recorrido, com retorno dos autos à origem para produção das provas pleiteadas, e, no mérito a nulidade ou insubsistência do lançamento. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, o julgamento deve ser sobrestado em cumprimento ao § 2º do art. 62A do Anexo II do RICARF1, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010. Devese aguardar que o Supremo Tribunal Federal decida sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade do art. 55 da Lei nº 8.212/91, no que estabeleceu, mediante lei ordinária, os requisitos para a imunidade das entidades de seguridade social, estatuída no § 7º do art. 195 da Constituição Federal. O sobrestamento impõese porque, desde a Impugnação, a associação afirma ser imune à Cofins, nos termos do art. 195, § 7º, da Constituição. O tema da imunidade, depois de aboradado pela então Impugnante, foi analisado pela DRJ e consta novamente da peça recursal, compondo a lide. Apesar de eu interpretar que o art. 55 da Lei nº 8.212/91 trata de isenção, é certo que para alguns membros deste Colegiado, assim como boa parte da doutrina e da jurisprudência, esse dispositivo cuida de imunidade. Assim, a análise da imunidade (ou isenção) não pode ser dissociada dos requisitos estabelecidos no art. 55, mesmo que no Auto de Infração inexista afirmação de que a Recorrente os teria descumprido. No site do STF são encontrados diversos processos com suspensão mediante despacho monocrático, em face da repercussão geral decidida sobre a inconstitucionalidade (ou não) do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Dentre tantos, o do RE 635120/RS, no qual o relator, Min. Ricardo Lewandowski, determinou em 08/11/2011 “com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3401000.645 S3C4T1 Fl. 675 5 observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que neste apelo extremo discutese questão que será apreciada no RE 636.941RG/RS” 2; Especificamente em relação à Cofins, a controvérsia está resumida no site do STF da seguinte forma (consulta na internet em 20/01/2013): Tema Título Descrição Leading Case Há Repercussão 032 Reserva de lei complementar para instituir requisitos à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 146, II; e 195, § 7º, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre as exigências para a concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. RE566622 Sim Acórdão Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inconstitucionalidade ou não dos requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis 2 RE 636941 RG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MINISTRO PRESIDENTE Julgamento: 16/06/2011 RECURSO. Extraordinário. PIS. Imunidade tributária. Entidades filantrópicas. Relevância do tema. Repercussão geral reconhecida. Apresenta repercussão geral recurso extraordinário que verse sobre imunidade tributária das entidades filantrópicas em relação à contribuição para o PIS. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, mas, no mérito, não reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria, que será submetida a posterior julgamento, vencidos os Ministros Cezar Peluso, Dias Toffoli, Celso de Mello e Luiz Fux.. Não se manifestaram os Ministros Joaquim Barbosa e Cármen Lúcia. Ministro CEZAR PELUSO Relator Fl. 675DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS
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Numero do processo: 13603.905777/2012-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO. Versa o imbróglio sobre a não homologação de declaração de compensação transmitida pela contribuinte, em razão do mesmo não haver logrado comprovar de maneira inconteste a certeza, liquidez e a exigibilidade do direito creditorio, oriundo de Cofins Importação de Serviços, código de receita 5442, sob a alegação de se tratar de recolhimento indevido a título de Cofins, proveniente de pagamento de royalties a empresa sediada no exterior, o que lhe daria o direito à compensação de tais valores (DARF de R$ 30.716,09 valor original), com débito de mesma natureza relacionado ao período de apuração de outubro/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 05 77 7/ 20 12 -6 7 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 15 2 A autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório constatou a inexistência de saldo credor o bastante para solver a compensação declarada, eis que o crédito informado na DComp transmitida foi integralmente utilizado para a liquidação de outros débitos própros. Com a ciência do despacho decisório adveio a manifestação de inconformidade, quando aduziu ser o valor original do DARF declarado em DCTF, utilizado para pagamento de licença de uso da marca (royaties), não gerando com isso uma contrapartida de serviços provenientes do exterior. Assim sendo sobre tais valores não incide a Cofinsimportação de serviços. Para consubstanciar a sua tese menciona fragmentos do processo de consulta nº 263/11, exarado pela SRRF/8ª RF, que versa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS e firma conclusão de que o pagamento ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, por simples licença de uso de marca, a título de royalties, não caracteriza contrapartida de serviços provenientes do exterior, não cabendo, portanto, a hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasepimportação, bem assim para a Cofinsimportação. A contribuinte informou que à época dos fatos apesar de haver identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, cometeu a falha de não retificar a DCTF original que informava o valor indevido, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pelo sistema da RFB. Finalmente, nos termos do caput e do § 1º do art. 11 da IN SRF nº 903/08, apresentou à repartição fiscal a DCTF retificadora, com a mesma natureza da original, que a substituiu integralmente, eficaz para declarar novos/velhos débitos, entretanto a mesma não foi recepcionada pela RFB, eis que já havia decorrido mais de cinco anos de janeiro/07, contados consoante a regra esculpida no artigo 173, I, do CTN. A título de elemento probante de seu direito apresentou cópia de uma fatura de pagamento de royalties, com base em suposto contrato vigente em 2000/2001. Conclusos foram os autos para apreciação pela 2ª Turma da DRJ/BHE que, em sessão realizada em 09/07/13, por meio do Acórdão nº 0245.968, proferiu decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante a ementaadiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As razões de decisão constantes do voto condutor do acórdão em questão, resumidamente, entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 16 3 iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, o que não ocorreu no caso. Ademais disso o aresto firmou posição que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, conforme reza o Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação, e que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Uma vez ciente do teor da decisão de piso em 27/08/13 (vide AR), a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 18/09/13, para aduzir resumidamente: Em 13/12/00 celebrou um acordo de licenciamento para uso de marcas diversas de propriedade da Licenciante, empresa italiana denominada F. L. Itália S.p.A (doc. 06) e, desde então, remete ao exterior mensalmente pagamento a título de royalties pela exploração dessas máquinas (doc. 07). Deduziu que da leitura do aditivo contratual datado de 08/10/01 (doc. 06) e com efeitos retroativos à data da contratação inicial, não se tem dúvidas de que o objeto do contrato é EXCLUSIVAMENTE o licenciamento para uso de marcas, não envolvendo importação de quaisquer serviços conexos. Todavia, através de 52 despachos decisórios distintos a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas, pelo fato de que a recorrente não havia retificado as informações em sua DCTF, anteriormente ao protocolo dos pedidos de compensação. Alegou a contribuinte possuir direito creditório oriundo de Cofinsimportação, referentes à remessas de royalties para o exterior, apurados desde janeiro/2007 a maio/2011, atrelados ao mesmo contrato já referenciado. Por conseguinte, apresentou 52 pedidos de compensação, atinentes a recolhimentos indevidos, com idêntica fundamentação e resultados de decisões pela DRJ/BHEMG. Para consubstanciar o alegado menciona julgados no âmbito do CARF (10860.905038/200941, em 23/04/13), AC. CSRF/0304.382 (26/12/06), e a solução de divergência COSIT nº 11, de 28/04/2011. A fim de possibilitar o julgamento em conjunto dos 52 processos, por sua vinculação, a contribuinte requereu a reunião dos autos, ex vi do art. 47 do RICARF/09, com redação da Portaria MF nº 586/10. Arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência no seu interesse. Arguiu sobre a possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp. Sustentou que não há norma procedimental, seja ela de ordem legal ou regulamentar, que impeça a retificação da DCTF em período posterior ao despacho decisório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 17 4 Mesmo o art. 9º da atual IN/RFB 1.110/2010, veda a retificação que vise à redução ou alteração de (i) débitos que já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida ativa da União, ou (ii) que tenham sido objeto de procedimento de fiscalização. No presente caso, nenhuma das hipóteses de vedação está presente, uma vez que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. No mais a decisão administrativa versa sobre pedido de compensação, que pressupõe confissão de débito confessado pelo contribuinte, a ser compensado, não pode ser considerada como procedimento fiscal procedimento destinado a apurar débito do contribuinte. Enfatizou que o próprio CARF já admitiu que não há nenhum impedimento à retificação da DCTF após o despacho decisório, não estando tal direito, portanto, condicionado à prévia retificação da declaração, conforme decisões contidas nos Acórdãos 3802001.849 (25/06/2013), 380201.005 (22/05/12), 380201.125 (28/07/12), 330200.809 (03/02/11). A defendente arguiu acerca da necessidade de recebimento da DCTF de ofício pela autoridade administrativa, ante a impossibilidade de transmissão eletrônica, relativamente a declarações originais transmitidas há mais de cinco anos, por restrição formal à verdade material, contra senso que não pode ser admitido. Nesse passo mencionou que inobstante não haja prescrição do direito ao crédito, posto que a compensçaão foi realizada dentro do prazo prescricional quinquenal, a retificação da DCTF está sendo obstada pelo sistema, de forma a impedir a comprovação da verdade material. Justificou que é por conta dessa situação que a DCTF retificadora, relativa ao crédito postulado do ano base de 2007, está sendo ora apresentada em versão impressa, a fim de que V. Sas, determinem o seu processamento e, via de consequência, analisem o seu conteúdo para fins de deferimento do direito creditório. Menciona fragmento do Acórdão 3802001.642, de 28/02/13, para consubstanciar a sua tese. A comprovação documental do direito de crédito da recorrente fazse mediante a apresentação do contrato de licença para uso de marcas (sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties, e memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas). Aduziu que outro não foi o entendimento firmado pelo Acórdão 3801001.813, em análise de matéria e de situações fáticas idênticas, julgado em 23/04/13. Resumidamente, esclareceu que a comprovação do pagamento indevido de Cofinsimportação sobre royalties, fezse mediante a retificação da DCTF e, com isso, deuse o reconhecimento do direito creditório. Em suma a retificação foi realizada para fins de desvincular a existência de débitos atrelados aos pagamentos de Cofinsimportação que foram realizados (doc. 04), a fim de que a declaração espelhasse a existência do crédito compensável (pagamento sem respectivo débito vinculado = crédito compensável). Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 18 5 Ou seja, para a recorrente tratase de mero erro formal incorrido, que não altera a situação fática, na qual ela efetuou o pagamento do débito de Cofinsimportação indevidamente, o que lhe garante o direito de restituir/compensar tal quantia correspondente. A título de requerimentos temse: A reunião dos 52 processos conexos para julgamento em conjunto, em razão de sua interdependência, a fim de evitar eventual julgamento despido de congruência. O reconhecimento da integralidade do direito creditório e, via de consequência, a homologação integral da compensação processada via Per/DComp referenciado nos autos (doc. 05). Caso se entenda pela baixa dos autos em diligência para que a 2ª turma da DRJ/BHE reaprecie a questão à luz das provas juntadas aos autos em sede recursal, requer o provimento do presente recurso nestes termos, a exemplo do que ocorrido em sessão de julgamento de 28/06/2012, nos autos do PAF nº 16443.000318/201045, (Resolução nº 3402 000.422, da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara). Caso ainda se entenda que são necessárias outras provas documentais para evidenciar o direito creditório postulado, a fim de se confirmar ainda mais a verdade material, requerse seja determinada a baixa dos autos em diligência, com intimação da recorrente para que possa providenciar o suporte documental julgado indispensável e ainda não acostado aos autos, retornando em seguida ao CARF para conclusão do julgamento. A recorrente fez colação aos autos dentre outros documentos, de cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia do contrato de licença para uso de marca comercial e respectivo aditivo contratual (doc. 06); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Por fim relacionou os processos que pretende sejam julgados em conjunto, a saber: É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 19 6 VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese à comprovação pela recorrente da existência de certeza e de liquidez do direito creditório alegado, da existência ou não de prescrição do direito à repetição do indébito, bem assim da suficiência de crédito para a extinção dos débitos declarados por meio de Per/DComp, no período de janeiro/2007 a maio/2011. A decisão a quo ao examinar a controvérsia entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, para concluir que na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Ademais disso o aresto mencionou que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, mediante a aplicação ao caso vertente, por analogia do contido no Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, para concluir que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Em oposição às razões de decisão do acórdão recorrido a contribuinte informou que a origem do direito creditório resulta do indébito de CofinsImportação, proveniente da remessa de royalties para o exterior pela exploração de máquinas, no período de apuração compreendido entre janeiro/2007 a maio/2011, respectivamente. A título de comprovação ao alegado colacionou aos autos, em sede de recurso, cópia xerográfica do contrato de licença para uso de marcas (doc. 06 sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties; as memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas); cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Uma vez apresentados tais documentos a título de elementos probantes da existência do direito credittório suscitado, a recorrente arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência administrativa no seu interesse. Arguiu também acerca da possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp, sustentando pela inexistência de norma legal ou regulamentar que impeça o feito, notadamente tendo em vista que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 20 7 Finalmente a recorrente, acerca da decisão administrativa, arguiu que pressupondo ser o pedido de compensão uma confissão de débito formulado pelo contribuinte, não pode ser considerado como procedimento fiscal, tendente à apuração de débito. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: a) Há nos autos cópia de comprovante de pagamento indevido da Cofins Importação, confirmado pelos sistemas de arrecadação da RFB (extrato de comprovante de arrecadação), que menciona o valor do pagamento efetuado, a data de vencimento da obrigação, o código da receita arrecadada e o código de controle eletrônico de realização da operação, ou seja houve o recolhimento do valor do indébito de R$ R$ 30.716,09 (informado no pedido de compensação não homologado doc. 05), valor esse constante do despacho decisório, como sendo o valor originário utilizado (doc. 03); b) Há nos autos cópia do Contrato de Licença para Uso de Marca Comercial e para Transferência de knowhow em marketing e propaganda, e o respectivo aditivo, celebrado com a proprietária da marca, que atestam a origem e justifica a remessa de royalties para o exterior, por conseguinte a origem do indébito (doc. 06); c) Há o Certificado de Averbação nº 010589/10 (Processo INPI/DIRTEC), fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em conformidade com o art. 211, Lei nº 9.279/96, que autoriza o licenciamento exclusivo dos produtos objeto do contrato em comento, inclusive estabelece o valor percentual do faturamento líquido mensal (1%), que é remetido para o exterior mensalmente, em cumprimento de cláusula contratual de nº 3, pois representa a remuneração para a licença de uso das marcas listadas no Anexo I, com informações atualizadas até 24/04/2012 (doc. 06); d) Constam dos autos cópia da fatura comercial de pagamento de royalties (Invoice nº 1107160012 e data 17/01/2007), cujo campo de descrição menciona os royalties relacionados ao contrato em comento, e respectivo demonstrativo de cálculo dos tributos recolhidos e incidentes sobre a cofins no valor de R$ 22.801,26, para a data de 17/01/2007, em conformidade à Lei nº 10.865/ (doc. 07); e, por fim, e) Constam dos autos cópia da DCTF original (vide fl. 12/22, débito apurado e créditos vinculados/pagamento) e retificadora (vide fls. 15/16), correspondente ao mês de janeiro/2007, em substituição àquela original de nº 19.15.32.19.5906, onde não mais registra valores de créditos vinculados/pagamento e sujeitos a compensação, em razão da realização de pagamento a maior ou indevido (doc. 08). No que atine à colação aos autos de documentos e de razões complementares à defesa contida na exordial, mesmo que extemporaneamente, a jurisprudência administrativa firmou escólio a respeito dessa possibilidade, em razão da natureza do informalismo ou do formalismo moderado que regem o processo administrativo, em conformidade ao disposto na Fl. 263DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 21 8 Lei nº 9.784/99, utilizada subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários por força de seu art. 69, que autoriza a autoridade administrativa a rever os seus próprios atos, conforme estabelece o art. 65 desse mandamus, bem assim por não prejudicar o desenvolvimento do processo em trâmite e, principalmente por dar a oportunidade para que se exerça o princípio da verdade material, inclusive no caso vertente, pois as provas acostadas foram úteis para auxiliar na formação da convicção deste julgador acerca da existência do direito creditório. Quanto ao direito creditório alegado, proveniente da não incidência de Cofins Importação, para os royalties remetidos ao exterior, em razão da concessão de direitos pelo uso de marcas, de transferência de conhecimento e de tecnologia, o mesmo encontra respaldo no contido na legislação tributária vigente. Neste sentido se transcreve excertos extraídos do Acórdão nº 3801001.813, cuja sessão de julgamento se realizou em 23/04/13 (fl. 208), cujo voto condutor ao apreciar caso semelhante, fundamentou suas razões de decidir de acordo com a legislação tributária vigente e aplicável ao caso em concreto, inclusive citando a solução de divergência nº 11, de 28 de abril de 2011, senão vejamos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 22 9 c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. e) Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” Da simples leitura efetuada da transcrição acima fazse possível inferir que estão contemplados os requisitos para a não incidência da CofinsImportação ao caso de que se cuida, eis a matéria sob exame e o contrato possui as características de contrato de knowhow, por cessão de direitos, concedente de autonomia administrativa e financeira ao licenciado, versam sobre o licenciamento de patentes (marcas), os produtos licenciados estão descritos no Anexo I, os valores devidos a esse título encontramse expressos, e não há serviços conexos. Assiste razão à recorrente quanto a existência de direito creditório sob tal argumentação. Passase ao exame da decadência/prescrição do direito ao exercício da compensação pelo sujeito passivo, de indébito oriundo de erro formal. Defende o Fisco que a constituição do crédito tributário em definitivo se dá com a entrega da DCTF, por constituir confissão de débito irrevogável e imprescritível, pela via do autolançamento, o que implica no afastamento do instituto da decadência, como no marco inicial para a promoção da execução fiscal, bem assim para a contagem do prazo quinquenal prescricional, o que se dá nesse caso, sob o auspício do contido nos incisos I, V, ou VII, do art. 156, ou mesmo de acordo com o disposto no art. 174, I, ambos do CTN, sendo que esta hipótese ocorre pela ausência do exercício do direito de ação do sujeito passivo. É o que se verifica do artigo 156, I , V e VII, do CTN (Lei 5.172/66), in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...); V a prescrição e a decadência; (...); VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. (Grifei). À hipótese descrita no inciso I do artigo 156 aplicase a regra de contagem do prazo previsto no art. 168, I, c/c o disposto no art. 165, I, ambos do CTN, cujo dies a quo é a data do pagamento. À hipótese descrita no inciso V corresponde à ausência da constituição do crédito tributário ou à ausência do exercício de cobrança, ou do direito de ação do sujeito passivo, contado de acordo com as regras estabelecidas no art. 150, §§ 1º e 4º, ou do art. 173, I, do CTN. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 23 10 À hipótese contemplada no inciso VII, específica para os casos de lançamento por homologação, para que ocorra a extinção se faz necessário a realização tanto do pagamento antecipado, quanto da ulterior homologação pela autoridade administrativa, é o que determinam os dispositivos contidos no caput e §§ 1º e 4º do CTN, verifiquese: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...); § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O fundamento legal suso transcrito encontra guarida no § 2º do mesmo mandamus, vejamos: § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Como visto a condição para a extinção do crédito tributário no lançamento por homologação dáse, exclusivamente, com o pagamento antecipado e a ulterior homologação desse lançamento pela autoridade administrativa, eis que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo, visando à extinção desse crédito. Com o advento da LC nº 118/05, que veio com a finalidade dentre outras de interpretar o contido no inciso I do artigo 168 do CTN, as regras de contagem do prazo decadencial/prescricional sofreram alteração substancial, passando a contagem desse prazo, para os créditos constituídos anteriormente ao dia 09/05/2005, ter a duração de dez anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e, nos casos de constituição do crédito após essa data, o prazo da contagem passou a ser de cinco anos, a contar da data do pagamento do tributo devido. Assim sendo, com o fito de disciplinar a aplicação da regra adequada no âmbito do CARF, veio o RICARF/2009, por meio do seu art. 62A, a determinar que os conselheiros deste órgão judicante, passassem a utilizar essa regra nos julgamentos de processos administrativos fiscais. Cumpre registrar que a narrativa até então efetuada, tem a finalidade de circunstanciar as situações jurídicas, onde a cobrança ou o pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, relacionase à RESTITUIÇÃO parcial ou total, em face da Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 24 11 legislação tributária aplicável, ou das circunstâncias materiais do FATO GERADOR efetivamente ocorrido, ex vi do art. 165, I, do CTN. Ressaltase, por relevante, que no caso sob exame, como já visto não se trata de restituição de tributo pago indevidamente/maior que o devido, porém de declaração de compensação eletrônica transmitida em 18/11/2011, cuja hipótese de extinção do crédito tributário encontrase prevista no art. 156, II, do CTN, tratandose neste caso de direito potestativo do sujeito passivo. Acrescentese a isto o fato de que não há incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties, em conformidade com o disposto no caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865/04. Vale dizer que no caso em apreço não há se falar em tributo recolhido, porém há a existência de um erro de fato, configurado em razão de recolhimento indevido realizado pelo sujeito passivo, de natureza financeira (não há incidência tributaria sobre royalties remetidos para o exterior nas condições do caso sob exame), portanto, que não tem o condão de fazer surgir à ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, pois não há subsunção desse recolhimento indevido à quaisquer das hipóteses previstas no art. 165, I, do CTN, que trata de restituição, em face da legislação aplicável e, desde que, ocorra as circunstâncias materiais efetivas do fato gerador. Descartada, então, a possibilidade de utilização do instituto da restituição neste caso. Logo, não havendo ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, por conseguinte não há a instalação da relação jurídica tributária ensejadora da subsunção do fato à norma legal primária, ou mesmo àquela sancionadora. Também não se verifica as possibilidades para se estabelecer os critérios da regra matriz de incidência tributária e aplicá los ao caso concreto, pois, in caso, não há exigidor, nem exigido. Ao tratar de tributo indevidamente pago, notadamente dos temas “prazo extintivo do direito de pleitear restituição e o direito de compensar”, o jurisconsultor e Prof. Hugo de Brito Machado, assim se referiu: A Constituição Federal assegura a todos o direito de pagar apenas os tributos que tenham sido estabelecidos em lei. Em outras palavras, assegura o direito de não pagar tributos legalmente indevidos. Em sendo assim, é induvidoso o direito do contribuinte que tenha pago um tributo indevido de obter a restituição respectiva, ou de fazer a compensação do valor respectivo com tributo que deva pagar O direito à restituição, todavia, não se confunde com o direito à compensação. Por isto mesmo o prazo extintivo, restrição legalmente prevista para o direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, não se aplica ao direito de compensar. Normas restritivas de direitos não podem ser objeto de interpretação ampliativa de alcance. Este é um princípio da hermenêutica jurídica universalmente consagrado. Dúvida, portanto, não pode haver. “Não se aplica o lapso decadencial previsto no art. 168 do CTN, que diz Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 25 12 respeito tão somente ao direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago, mas não à compensação de tributos1” Nem poderia ser de outra forma. “O direito de compensar é um direito potestativo, porque o seu exercício independe da vontade, e pode dar se mesmo contra a vontade da Fazenda Pública. Só em situações excepcionais os direitos potestativos são alvo de extinção, pela decadência, que a lei estabelece apenas para aqueles direitos potestativos cuja falta de exercício concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social”2. (...). 6. Síntese conclusiva É possível, portanto, concluirse que: f) O prazo extintivo de que se cuida não se aplica ao direito de fazer a compensação de tributo pago indevidamente, que é direito potestativo e portanto imprescritível. (Grifei). É isto. O direito de compensação de indébito de natureza financeira, pago indevidamente, é direito potestativo, portanto imprescritível. Já a declaração retificadora decorre de uma necessidade imposta pelo Fisco, em face do “autolançamento”, para atender ao regime do lançamento por homologação e ao curto prazo estabelecido para a apuração do tributo devido, além do adimplemento da obrigação acessória, ante à complexidade da legislação fiscal vigente. Outrossim, a declaração retificadora não importa em novo reconhecimento de débito existente, nem tampouco em interrupção do prazo prescricional, uma vez que tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada ao Fisco, substituindoa integralmente, inclusive servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores, sendo esta a modalidade do caso de que se cuida, tudo isto de acordo com o disposto na IN SRF nº 842/04. A DCTF retificadora não tem o condão de revisar o lançamento que não existiu, como no caso em comento (autolançamento = ausência de lançamento), por força do disposto no art. 142, ou mesmo porque a revisão de lançamento somente tem lugar quando ocorre uma ou mais das hipóteses descritas no art. 149, ambos do CTN, o que também só pode ser realizada pela autoridade administrativa, sob pena de responsabilização funcional. E mais, entendo que é a DCTF original a ensejadora à ocorrência do fato gerador, pois declara a existência da obrigação e da constituição do crédito tributários, representa a confissão de dívida irretratável e irrevogável, o que dispensa qualquer outra providência nesse sentido, inobstante tal procedimento constitua um mero dever instrumental. 1 TRF da 4ª Região, Embargos de Declaração na AC nº 97.04.039174SC, DOU II, de 02/07/97, p. 50898, e RDDT Nº 26, P. 141 Trânsito em julgado em 04/07/2002, DOU de 16/07/2002. 2 Agnelo Amorim Filho, Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as ações imprescritíveis, em Revista Forense, nº 193, p. 39 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 26 13 É dessa maneira que tem se pronunciado o Poder Judiciário, cujo entendimento do julgado, a título de exemplo, transcrevese resumidamente na forma de ementa, adiante: Ementa:TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.DCTF.PRESCRIÇÃO.DECLARAÇÃORETIFICADORA.AR TIGO 174 , PARÁGRAFO ÚNICO , IV , DO CTN . INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO QUE NÃO SE APLICA À ESPÉCIE. 1. A exequente sustenta que o contribuinte entregou aDCTF em 13/6/2000, sendo objeto deretificaçãoem 1º/7/2003, momento em que defende que houve a interrupção do prazo prescricional, nos termos do artigo 174 , IV , do CTN . 2. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC ), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. 3. Na hipótese de entrega de declaração retificadora com constituição de créditos não declarados na original, não estaria a se falar de prescrição, mas do instituto da decadência, pois estaria a se discutir o prazo para o contribuinte constituir aquele saldo remanescente que não constou quando da entrega da declaração originária. Importa registrar que ainda na hipótese de lançamento suplementar pelo Fisco estaria a se discutir o momento da constituição do crédito e, portanto, de prazo decadencial. 4. Ocorre que não há reconhecimento de débito tributário pela simples entrega de declaração retificadora, pois o contribuinte já reconheceu os valores constantes na declaração original, quando constituiu o crédito tributário. A declaração retificadora, tão somente, corrigiu equívocos formais da declaração anterior, não havendo que se falar em aplicação do artigo 174 , parágrafo único , IV , do CTN . 5. Recurso não provido... (STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1167677 SC 2009/02242332 , Data de publicação: 29/06/2010). (Grifei). O entendimento ora esposado, como visto, encontra respaldo em matéria similar julgada e consolidada em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos da sistemática contida no art. 543C, do CPC, bem assim consoante dispõe o art. 62A do RICARF/2009, adiante transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905777/201267 Resolução nº 3803000.488 S3TE03 Fl. 27 14 Os termos do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça vincula os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais devem ser reproduzidos nos julgamentos realizados por este Colegiado. Assim no que pertine a DCTF retificadora, não há se falar em prazo prescricional, por dar azo a enriquecimento sem causa ao Erário. Isto posto e, considerando a documentação acostada aos autos mesmo que a destempo, pois elucidativa quanto à existência e demonstração dos valores pagos a título de royalties (fl. 24, do RV), e demonstrada e reconhecida à existência do direito creditório pelo seu valor original nestes autos, cabe verificar o valor atualizado do mesmo e a sua contrapartida, ou seja, a existência e o valor do débito original e atualizado da contribuinte, na data da transmissão da declaração de compensação, bem assim verificar se o valor informado a título de direito creditório é o bastante para a extinção do débito declarado, na forma prevista no art. 156, II, do CTN, uma vez que os débitos mencionados no despacho decisório não se encontram discriminados, portanto não há a certeza de sua liquidez e exigibilidade. Proponho pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que a autoridade administrativa informe acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada. Uma vez atendido ao pleito ora formulado, que seja oportunizado a contribuinte se pronunciar nos autos, em prazo razoável, se assim lhe aprouver para, em seguida, serem remetidos os autos a este Colegiado para se retomar o julgamento do feito, ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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