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Numero do processo: 10830.009856/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. UTILIZAÇÃO EQUIVOCADA DE CÓDIGO DE TERCEIROS. VÍCIO INSANÁVEL.
É nulo, por vicio formal insanável, o lançamento realizado com a utilização de código de terceiros indevido, que implica na incorreta distribuição dos valores apurados através da NFLD.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2402-004.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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UTILIZAÇÃO EQUIVOCADA DE CÓDIGO DE TERCEIROS. VÍCIO INSANÁVEL. É nulo, por vicio formal insanável, o lançamento realizado com a utilização de código de terceiros indevido, que implica na incorreta distribuição dos valores apurados através da NFLD. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 98 56 /2 00 7- 14 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão de primeira instância que julgou nulo por vício formal o lançamento realizado em 06/11/2007. Todo o crédito foi exonerado por divergência entre as entidades beneficiárias das contribuições informadas no relatório fiscal e nos relatórios anexos. Embora a cobrança seja destinada apenas ao FNDE, os relatórios FLD e DAD ratearam a contribuição também para outras entidades. Seguem transcrições do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 Documento: NFLD n.° 37.134.6622, de 09/11/2007 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. UTILIZAÇÃO EQUIVOCADA DE CÓDIGO DE TERCEIROS. VÍCIO INSANÁVEL. É nulo, por vicio formal insanável, o lançamento realizado com a utilização de código de terceiros indevido, que implica na incorreta distribuição dos valores apurados através da NFLD. Lançamento Nulo ... Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, no montante de R$ 4.931.912,78 (quatro milhões, novecentos e trinta e um mil, novecentos e doze reais e setenta e oito centavos), consolidado em 06/11/2007, referente a contribuições destinadas ao FNDE — Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (SalárioEducação), incidentes sobre a remuneração de seus empregados, atinentes a competências de 01/1999 a 04/2006. ... Constatase, assim, antes de mais nada, que há divergência entre as informações contidas no Relatório Fiscal e nos anexos FLD e DAD da presente NFLD. Além disso, em função do código de Terceiros informado no sistema informatizado, as diferenças apuradas a titulo de contribuições para Terceiros, por meio desta NFLD, que deveriam ser direcionadas apenas para o FNDE — Salário Educação, conforme o Relatório Fiscal, estão sendo indevidamente distribuídas também ao Incra e Sebrae, como se pode verificar nos anexos FLD e DAD. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009856/200714 Acórdão n.º 2402004.264 S2C4T2 Fl. 130 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. O objeto do recurso é a existência de vício formal quando lançadas por equívoco contribuições destinadas a outras entidades. O relatório fiscal indica que se trata de contribuição destinada ao FNDE; no entanto, por equívoco no preenchimento do código de terceiros no sistema também foram apropriadas contribuições para outras entidades. O contribuinte não recorreu contra a natureza do vício, formal ou material. Assim sendo, não seria objeto nessa instância o exame dessa questão, já que se trata apenas de recurso de ofício. Quanto a este, não há de se manter um crédito tributário onde a própria informação sobre a contribuição encontrase equivocada. Conforme informa a decisão recorrida, não é apenas a indicação do dispositivo legal, o descritivo analítico do débito informa que estão sendo cobradas outras contribuições. E de fato a contribuição destinada ao FNDE não se confunde com a destinada ao INCRA, SEBRAE ou qualquer outra entidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10530.004264/2008-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
ESTÁGIO. PAGAMENTO DE BOLSA DE FORMA IRREGULAR. VIGÊNCIA DA LEI 6.494/77.
O pagamento de bolsa a estagiário em desacordo com os requisitos formais e materiais da Lei de regência da relação especial de trabalho, enseja o lançamento de contribuições previdenciárias.
TAXA SELIC. SÚMULA 03.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ESTÁGIO. PAGAMENTO DE BOLSA DE FORMA IRREGULAR. VIGÊNCIA DA LEI 6.494/77. O pagamento de bolsa a estagiário em desacordo com os requisitos formais e materiais da Lei de regência da relação especial de trabalho, enseja o lançamento de contribuições previdenciárias. TAXA SELIC. SÚMULA 03. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 42 64 /2 00 8- 63 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 2403002.694 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD nº 37.147.8898, referente ao período 01/2004 a 12/2004, com ciência pelo contribuinte em 31/12/2008, no montante de R$ 879.455,38 (oitocentos e setenta e nove mil quatrocentos e cinquenta e cinco e trinta e oito centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias referentes à cota patronal, desdobrandose nos seguintes levantamentos: 1. GFI – Remuneração declarada em GFIP: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais relativas ao atendimento de intimação para retificação da GFIP, por parte do contribuinte; 2. DOC – Remuneração de Contribuintes Individuais: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais apuradas em documentos apresentados pelo contribuinte visando esclarecer as informações contábeis nas contas PRESTADORES DE SERVIÇOS; 3. DIR – Divergência DIRF x GFIP: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais apurados em DIRF apresentado pelo contribuinte; 4. OUT – Remunerações identificadas em Outros Documentos: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais apuradas em relações de pagamentos apresentados pelo contribuinte visando esclarecer as informações contábeis nas contas PRESTADORES DE SERVIÇOS: a. AJUDA DE CUSTO: neste caso, o contribuinte efetua pagamentos indevidamente sob a rubrica ajuda de custo a segurados contribuintes individuais prestadores de serviços, com a possível intenção de driblar a contribuição incidente sob a remuneração do trabalhador. Desta forma, o pagamento efetuado a prestadores de serviços a título de ajuda de custo foram considerados como remuneração, haja vista que também não há qualquer indício de comprovação de despesas vinculadas a ajuda de custo na contabilidade, confirmado pelo contribuinte que tais pagamentos eram efetuados diretamente aos prestadores sem qualquer exigência do contribuinte. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 b. ESTÁGIO – BOLSA AUXÍLIO: condições para caracterização do estágio não atendidas: instrumento jurídico entre a instituição de ensino e a empresa concedente do estágio; celebração de termo de compromisso entre o estudante e a concedente, com intermediação obrigatória da instituição de ensino; seguro contra acidentes pessoais em favor do estagiário. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou defesa por meio de instrumento de fls. 298/329. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão nº 15 28.124, fls. 442/454, o qual julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito previdenciário ali consubstanciado, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É devida pela empresa a contribuição incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa uma vez que o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o presente Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ESTAGIÁRIO. INCIDÊNCIA. As importâncias pagas destinadas à manutenção de estagiários em desconformidade com Lei nº 11.788/2008 constituem fato gerador de contribuição previdenciária. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AJUDA DE CUSTO. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 2403002.694 S2C4T3 Fl. 4 5 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar, em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, a legislação vigente. JUROS SELIC. LEGALIDADE. É lícita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco Federal. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal. MULTA DE MORA. LIMITE DE 20%. O limite de 20% de multa previsto no art. 61 da Lei 9.430, de 1996 aplicase para contribuições pagas em atraso, mas não incluídas em auto de infração, já que nos lançamentos de ofício deve ser aplicado o art. 44 dessa Lei. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos exigidos pelo decreto nº 70.235/72. Desnecessária a perícia quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 459/491, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Ausência de clara fundamentação da autuação o que enseja cerceamento do direito de defesa; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 2. Detalha, por competência, inconsistências verificadas no lançamento, concernentes nas rubricas estagiários, prestadores de serviços pessoa física, ajuda de custo e bolsa auxílio; 3. Relevação da multa e caráter confiscatório, devendo ser aplicada a retroatividade benigna; 4. Ilegalidade da cobrança concomitante de juros e multa moratória; 5. Indevida inclusão da SELIC como taxa de juros; 6. Necessidade de realização de perícia. É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 2403002.694 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 510, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A Recorrente pretende a nulidade do lançamento em epígrafe por violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, em razão da ausência de fundamentos legais do débito, posto não haver ser possível identificar claramente os fundamentos que culminaram na autuação, preterindo o direito de defesa da contribuinte. Entretanto, conforme pode ser verificado nos autos, o Relatório Fiscal é rico na indicação dos fundamentos legais e na descrição dos fatos que culminaram na autuação. Inclusive, ainda é possível constatar os Fundamentos Legais do Débito – FLD, segundo fls. 36/37. Portanto, é plenamente possível a identificação de todos os requisitos descritos no art. 142 do CTN, assim como o art. 10 do Decreto 70.235/72. Vêse, pois, que não encontra guarida quaisquer das alegações acerca de suposto cerceamento do direito de defesa, razão pela qual não há que se falar em nulidade da autuação. ALEGAÇÕES DE INCONSISTÊNCIAS DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS A Recorrente suscita, para cada competência, inconsistências nos lançamentos contábeis realizados. Entretanto, não faz juntar nos autos quaisquer elementos probatórios que atestem as inconsistências supostamente verificadas pela contribuinte. Ocorre que, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder, quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (NEDER, Marcos Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de; FERRAGUT, Maria Rita. coord. A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 19). Portanto, alegações desacompanhadas da devida instrução probatória carecem de respaldo que lhe confira legitimidade, razão pela qual devem ser consideradas improcedentes. Ademais, todos os valores, indicados pela contribuinte, foram combatidos pela DRJ que à cada competência verificou sua improcedência através da análise dos Discriminativos e anexos colacionados à autuação em epígrafe. Deste modo, temse improcedentes as inconsistências alegadas. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente alega que as multas aplicadas revestemse de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV, da Carta Magna. Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima, portanto, não subsistem tais argumentos. LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado, na contramão do entendimento pacificamente esposado por este Conselho, inclusive consolidada na Súmula nº 03 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. AJUDA DE CUSTO Um dos levantamentos verifica que a autuação se deu, também, em razão da autuação de valores pagos a segurados contribuintes individuais a título de ajuda de custo. É sabido que tais rubricas não sofrem a incidência de contribuição previdenciária, uma vez que não integram ao salário de contribuição, nas hipóteses especificadas no art. 28, § 9º, “g”, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 2403002.694 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97. Vêse, pois, que a ajuda de custo prevista em lei como exceção à incidência de contribuição previdenciária é aquela paga a segurado empregado em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado quando o empregador arca com as despesas resultantes da transferência. In casu, a Recorrente não fez prova de que os valores autuados sob tal rubrica corresponderia à ajuda de custo, situação em que ensejaria a aplicação das exceções legais acima, de modo que se aplica o mesmo entendimento quanto a insuficiência probatória na alegação dos fatos, esposado anteriormente. Dessa forma, merece manutenção a procedência do crédito tributário atinente. BOLSA ESTÁGIO Segundo a Lei 8.212/91, está excluído do conceito de salário de contribuição a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da respectiva Lei, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; A Lei nº 6.494/77, que regia as relações de estágio à época dos fatos geradores, logo a aplicável, era de redação bastante simples e de poucos artigos, por tal razão, colacionase abaixo seus dispositivos pertinentes¸ in verbis: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 10 § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) § 2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. (Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Art. 2º O estágio, independentemente do aspecto profissionalizante, direto e específico, poderá assumir a forma de atividade de extensão, mediante a participação do estudante em empreendimentos ou projetos de interesse social. Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. Do texto acima, extraise que existem aspectos formais e materiais para configuração da relação especial de estágio. Pelo fato de a matéria encontrar relação bastante próxima com a seara trabalhista, o TST entende que no caso de ausência de um dos requisitos acima elencados, está a relação desvirtuada. Para tanto, vejase os precedentes abaixo trazidos à colação: (...) 3. DESVIRTUAMENTO DOS CONTRATOS DE ESTÁGIO. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 2403002.694 S2C4T3 Fl. 7 11 Na composição do tipo legal do estágio, é essencial que compareçam os requisitos formais e materiais específicos ao delineamento da figura sem os quais não se considera tipificada essa relação jurídica especial e excetiva de trabalho intelectual não empregatício. Se, diante do minucioso delineamento dos fatos no acórdão regional, constatase a ausência dos requisitos legais obrigatórios formais e materiais , ocorrendo desvirtuamento do contrato de estágio, impõese o consequente reconhecimento do vínculo empregatício. Ressalte se que a jurisprudência desta colenda Corte Superior considera desvirtuado o contrato de estágio quando inexiste correlação entre as atividades desempenhadas pelo estudante no estágio e o seu curso de formação, entendendo, então, pela caracterização do vínculo de emprego, caso presentes os requisitos para tanto. Precedentes. Recurso de revista não conhecido. Recurso de revista conhecido por divergência jurisprudencial, porém não provido. (RR 19750059.2001.5.15.0014 , Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 18/12/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 01/02/2013) **************************************************** AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONTRATO DE ESTÁGIO. DESVIRTUAMENTO. O Regional destacou, com base na prova produzida, a ausência de registro formal válido de que as partes firmaram termo de compromisso de estágio, com interveniência da instituição de ensino em que estivesse matriculada a reclamante. Consignou, ainda, que as atividades desenvolvidas pela autora, estudante de Ciências Contábeis, não estavam relacionadas com a contabilidade da reclamada. Assim, concluiu que não foi atendido o disposto no artigo 3°, caput e § 1º, da Lei nº 6.494/1977, que versava sobre a necessidade de celebração de termo de compromisso de estágio, com interveniência da instituição de ensino e a complementação do ensino e da aprendizagem, razão pela qual entendeu que houve o desvirtuamento do estágio e o consequente reconhecimento do vínculo de emprego. Para se concluir de forma diversa, seria imprescindível a reapreciação da prova coligida nos autos, procedimento vedado nesta fase recursal de natureza extraordinária, nos termos da Súmula nº 126 do TST. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 1317749.2010.5.04.0000 , Relator Ministro: José Roberto Freire Pimenta, Data de Julgamento: 11/05/2011, 2ª Turma, Data de Publicação: 20/05/2011) No mesmo sentido: AIRR 7210073.2009.5.05.0033 , Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 07/11/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 09/11/2012; AIRR 970023.2009.5.19.0004 , Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 19/09/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 21/09/2012. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 12 A norma previdenciária, acima exposta, informa que a bolsa paga aos estagiários serão excluídas do conceito de salário de contribuição caso pagas de acordo com a Lei do estágio. Para tanto, devem ser obedecidas cumulativamente todos os pontos ali constantes, sejam eles formais ou materiais, independentemente da caracterização da relação de emprego, o que o artigo manda observar é o cumprimento da Lei 6.494/77 apenas, sem influenciar em momento algum o âmbito das relações de trabalho. Ocorre que, segundo relata a autoridade fiscal, três foram os requisitos inobservados pela empresa: 1. Instrumento jurídico entre a instituição de ensino e a empresa concedente do estágio; 2. Celebração de termo de compromisso entre o estudante e a concedente, com intermediação obrigatória da instituição de ensino; 3. Seguro contra acidentes pessoas em favor do estagiário. Não havendo a apresentação de tais documentos, tornase inevitável o enquadramento das vergas pagas no conceito de salário de contribuição, uma vez que são formalidades de cumprimento obrigatório, vinculada à Lei nº 6.494/77. A empresa, por outro lado, não apresentou quaisquer dos documentos, o que atesta a irregularidade das verbas pagas sob esta rubrica. Portanto, comprovado que houve o descumprimento de requisitos constantes na Lei 6.494/77, acima elencados, há de ser considerado como salário de contribuição, os valores pagos a título de bolsa/auxílio estágio, mantida a autuação. COBRANÇA CONCOMITANTE DE MULTA E JUROS DE MORA Não há que se falar em bis in idem na cobrança concomitante de multa e juros de mora, uma vez que aquela revestese de caráter punitivo a fim de coibir a prática de infrações pelos contribuintes, enquanto que os juros adquire caráter indenizatório, com o intuito de recompensar monetariamente o Fisco pela ausência do recolhimento no dia do vencimento de determinado tributo. Ambos acréscimos legais encontramse previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 2403002.694 S2C4T3 Fl. 8 13 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Dessa forma, temse por devidos os acréscimos legais a qual a autuação em epígrafe foi submetida. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem à multa aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 14 Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 2403002.694 S2C4T3 Fl. 9 15 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
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Numero do processo: 10680.011519/2007-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.948
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 15 19 /2 00 7- 40 Fl. 957DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.011519/200740 Acórdão n.º 2803002.948 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.011519/200740 Acórdão n.º 2803002.948 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa apresentou GFIP com omissão de fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo ao disposto no artigo 32, IV, parágrafo 5º da lei nº 8.212/91 c/c o artigo 225, inciso IV e § 5º do RPS. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 20 de agosto de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004 Ementa: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE MULTA. DECADÊNCIA. RETIFICAÇÃO DA PENALIDADE. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA. Constitui infração ao art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.528/97, a empresa apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Supremo Tribunal Federal – STF, através da Súmula Vinculante nº 8, de 12 de junho de 2008, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que havia fixado o prazo decadencial de 10 9dez) anos para a constituição de contribuição para a Seguridade Social. O benefício de relevação da penalidade aplicada em Auto de Infração será concedido caso haja o pedido tempestivo, a correção da falta correspondente e inexistam circunstâncias agravantes em relação ao autuado. Lançamento Procedente em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminar. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.011519/200740 Acórdão n.º 2803002.948 S2TE03 Fl. 5 4 A decisão recorrida deve ser anulada, tendo em vista o cerceamento de defesa imposto à recorrente, situação que configura atentado aos artigos 5º, inciso LV, da CF/88 e artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. Conforme asseverado, pleiteou a recorrente em suas razões impugnatórias, o afastamento da sanção aplicada referente às competências de janeiro de 1999 a novembro de 2001, tendo em vista a flagrante caducidade do direito do fisco à exigência das GFIPS atinente a tais períodos. Mérito. O ato administrativo é insubsistente. É impossível acréscimo punitivo em infração continuada. Pelo exposto, confia e espera a recorrente seja totalmente provido o presente recurso, para que, reconhecendose o cerceamento de defesa a ela imposto, seja a decisão objurgada cancelada, determinandose à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte que exaura outra, desta feita, sem esse vício intransponível. Caso assim não se entenda, o que se admite ad argumentandum tantum, requer a recorrente seja o decisório reformado, em parte, para, se confirmando a decadência do direito do fisco à apresentação das GFIP relativas às competências de dezembro de 2000 a novembro de 2001, sejam as respectivas multas decotadas do crédito tributário. Ainda nesta hipótese, roga também sejam canceladas as penas remanescentes, porquanto absolutamente ilegais, irrazoáveis, desproporcionais e confiscatórias. Ademais, se assim não se acatar, situação trazida à baila em apreço à dialética, roga a recorrente sejam as multas aplicadas de forma singular, ou seja, sejam limitadas ao primeiro ilícito, erradicandose o extorsivo e inadmissível apenamento múltiplo pela sucessão de erros idênticos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.011519/200740 Acórdão n.º 2803002.948 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, constatouse que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32, IV, § 5º da lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais referidos no parágrafo anterior. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.011519/200740 Acórdão n.º 2803002.948 S2TE03 Fl. 7 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.011519/200740 Acórdão n.º 2803002.948 S2TE03 Fl. 8 7 infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001641/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
A alegação de omissão no julgamento deve estabelecer uma relação entre a matéria discutida nos autos e o objeto do julgamento e não a matéria julgada e interpretada por outras turmas do CARF, ou seja, a omissão que os Embargos pretender sanear relaciona-se com questões inerentes ao processo, a contradição com questões inerentes à decisão e a obscuridade inerente à ambas ou a cada uma delas.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS
Numero da decisão: 3101-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 06/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. A alegação de omissão no julgamento deve estabelecer uma relação entre a matéria discutida nos autos e o objeto do julgamento e não a matéria julgada e interpretada por outras turmas do CARF, ou seja, a omissão que os Embargos pretender sanear relaciona-se com questões inerentes ao processo, a contradição com questões inerentes à decisão e a obscuridade inerente à ambas ou a cada uma delas. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS
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score : 1.0
Numero do processo: 10380.724817/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004,2005,2006,2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
MULTA QUALIFICADA - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude.
Numero da decisão: 2202-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt).
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004,2005,2006,2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt).
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 48 17 /2 01 0- 83 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt). Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.724817/201083 Acórdão n.º 2202002.480 S2C2T2 Fl. 547 3 Relatório Contra a contribuinte, devidamente identificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração de IRPF, fls. 02/11, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 133.650,00. Sobre o Imposto de Renda Suplementar foi lançada Multa de Ofício Qualificada, no percentual de 150%, no valor de R$ 200.475,00. O crédito tributário totalizou, em 29/10/2010, o valor de R$ 383.571,04, compreendendo: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, Multa de Ofício Qualificada e Juros de Mora. De acordo com o quadro Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, continuação do Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 12/17, o crédito tributário é relativo às Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2006, 2007 e 2008, anoscalendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente, e decorreu de ação de fiscalização externa, através de Mandado de Procedimento Fiscal. Do procedimento de fiscalização resultou infração de omissão de rendimentos, relativamente aos rendimentos de trabalho com vínculo empregatício, percebidos da empresa Nossa Casa Comércio e Importação Ltda, CNPJ nº 07.205.776/000197, prólabore, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. A senhora contribuinte é sócia da empresa Nossa Casa Comércio e Importação Ltda, percebendo rendimentos de prólabore e rendimentos de lucros e dividendos. Nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2006, 2007 e 2008, anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, a senhora contribuinte informou, como rendimentos tributáveis, rendimentos de prólabore e rendimentos percebidos de pessoas físicas, sujeitos ao recolhimento de Carnêleão. Para o anocalendário de 2005, informou rendimentos de prólabore, no valor de R$ 18.000,00. Apurouse infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 162.000,00. Para o anocalendário de 2006, informou rendimentos de prólabore, no valor de R$ 18.000,00. Apurouse infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 162.000,00. Para o anocalendário de 2007, informou rendimentos de prólabore, no valor de R$ 18.000,00. Apurouse infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 162.000,00. A infração de omissão de rendimentos relacionada aos rendimentos de pró labore, recebidos da empresa Nossa Casa Comércio e Importação Ltda, no valor anual de R$ 162.000,00, foi apurada conforme os fatos a seguir relatados, conforme o Termo de Verificação Fiscal. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Inconformada com o Auto de Infração, da qual tomou ciência, em 11/11/2010, por via postal, Aviso de Recebimento anexado às fls. 426, a contribuinte apresentou impugnação, em 10/12/2010, contestando o Auto de Infração, argumentando: decadência, quanto aos fatos geradores dos meses de janeiro a outubro do anocalendário de 2005; não ocorrência da infração de omissão de rendimento; ausência de prova da ocorrência da infração de omissão de rendimentos e inadequação da penalidade da Multa de Ofício Qualificada. A Delegacia da Receita Federal ao analisar a impugnação, negou provimento, através do acórdão DRJ/FOR 0820.823, de 09 de maio de 2011, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRÓLABORE. Caracteriza infração de omissão de rendimentos a diferença entre os rendimentos de prólabore constantes de planilha de controle de despesas pessoas, elaborada em nome do sócio, e os rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual, se a planilha é confirmada pelo sócio através do fornecimento dos comprovantes das despesas e da declaração de que os rendimentos são relativos a prólabore percebidos pela função desenvolvida na empresa. Há de prevalecer a planilha de controle pessoal de despesas, como prova da ocorrência do fato gerador, no caso de não fornecimento de documentos contábeis da empresa que demonstrassem o efetivo pagamento de prólabore. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FRAUDE. SONEGAÇÃO FISCAL. Caracteriza sonegação fiscal a informação de rendimentos de prólabore na Declaração de Ajuste Anual em valor inferior ao efetivamente recebido, no caso de ato reiterado em anos calendário consecutivos, informandose prólabore no mesmo valor, conjugado com o fato de a empresa, pagadora dos pró labore, ter sido objeto de investigação pela Polícia Federal demandada de processo judicial em que se apura irregularidade no recolhimento de impostos, tais como: sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constatada a prática reiterada de atos praticados com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada, conforme o art. 44, inciso II da Lei nº. 9.430, de 1996. Infração de omissão de rendimentos apurada com base em documentos colhidos em investigação da Polícia Federal em operação de combate à sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.724817/201083 Acórdão n.º 2202002.480 S2C2T2 Fl. 548 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR ANUAL. DECADÊNCIA. Nos tributos que comportam lançamento por homologação, ocorre a decadência do direito de lançar quando transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, ainda que não tenha havido a homologação expressa. Nos termos da legislação do Imposto de Renda Pessoa Física, o fato gerador é anual, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário, em que ocorram a percepção do rendimento e o pagamento do Imposto de Renda, sob a forma de IRRF ou Carnêleão. Nos casos de dolo, fraude ou simulação não ocorre homologação tácita, caracterizada depois de decorridos os cinco anos do fato gerador, sem pronunciamento da autoridade administrativa sobre os pagamentos efetuados pelo contribuinte. Nessa situação, a decadência do direito de lançar ocorre depois de transcorridos cincos anos, contados a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido lançado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Aplicase a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, com efeito vinculante conforme Portaria do Ministro da Fazenda nº 383, de 2010. A presente defesa de nulidade do auto de infração não é amparada por nenhuma das súmulas vinculantes. Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DECADÊNCIA Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.724817/201083 Acórdão n.º 2202002.480 S2C2T2 Fl. 549 7 § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.724817/201083 Acórdão n.º 2202002.480 S2C2T2 Fl. 550 9 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente ao ano calendário 2005, em que foi apurada omissão de rendimentos, infração sujeita ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, cuja ciência do lançamento ocorreu em 29 de outubro de 2010. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 Para o anocalendário 2005, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.2005, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2010 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 29/10/2010, ainda não já havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente, negando provimento ao recurso . OMISSÃO DE RENDIMENTOS. No que tange a omissão de rendimentos atribuído a Recorrente, entendo que não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que os valores omitidos foram confirmados pela Recorrente conforme declaração prestada por ela mesma. O que afasta qualquer presunção argüida pela defesa. MULTA QUALIFICADA. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos, o que não foi efetuado pela autoridade lançadora. Desta forma, nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude: Súmula nº 14 do CARF: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento parcial para excluir da tributação a multa isolada e desqualificar a multa de ofício reduzindoa a 75%. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.724817/201083 Acórdão n.º 2202002.480 S2C2T2 Fl. 551 11 (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 556DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.001173/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Embargos por motivo de contradição, obscuridade e omissão só podem ser aceitos no caso de o acórdão efetivamente se revelar contraditório ou não ter analisado com clareza alguma alegação constante do recurso. Não caracterizada concretamente nenhuma dessas hipóteses, impõe-se a rejeição dos embargos.
Numero da decisão: 1401-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer d os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Karen Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer d os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Karen Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro.
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargos por motivo de contradição, obscuridade e omissão só podem ser aceitos no caso de o acórdão efetivamente se revelar contraditório ou não ter analisado com clareza alguma alegação constante do recurso. Não caracterizada concretamente nenhuma dessas hipóteses, impõese a rejeição dos embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer d os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Karen Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 73 /2 00 7- 58 Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 31/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão 1401 00.685 desta Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Cientificada pessoalmente do retrocitado Acórdão em 24/07/2012, a interessada interpôs os presentes embargos em 30/07/2012, arguindo: a) contradição quanto ao resultado do julgamento ; b) obscuridade e omissão quanto ao termo inicial da amortização dos gastos reclassificados como ativáveis. No tocante à alegada contradição quanto ao resultado do julgamento, assim se manifestou a embargante: [...] ao final do voto lavrado pelo i. Conselheiro Relator Fernando Luiz Gomes de Mattos, consta o seguinte: “Conclusão Diante de todo oe xposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, afastar a decadência e, nomérito, NEGAR provimento do recurso voluntário.” Ocorre que, como verificase do voto proferido, houvve, no mérito, acolhimento parcial das alegações contidas no recurso da Embargante, o que denota que houve o parcial provimento do Recurso Voluntário e não o total improvimento. [...] Vejase o seguinte trecho do voto condutor do aresto: 2.1. Pagamento de bônus a empregados (...) Em relação a este tema, assiste razão à Recorrente. De fato, as gratificações ou bônus pagos aos empregados da contribuinte constituem contraprestação do trabalho prestado pelos aludidos funcionários em favor da empresa empregadora. Consequentemente, tais pagamentos devem ser considerados dedutíveis, por se revelarem necesários ao desenvolvimento do objeto social da Recorrente. (...) Dessa forma, considero dedutivel a referida despesa, sujeita porém {a sua ativação, por contribuir para a formação do resultado de exercícios futuros.” Logo, se “assiste razão à Recorrente” e se “tais pagamentos devem ser considerados dedutíveis”, a conclusão quanto ao Recurso Voluntário interpossto pela Embargante não pode ser outra que não a procedência parcial do mesmo. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 31/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001173/200758 Acórdão n.º 1401000.928 S1C4T1 Fl. 3 3 No tocante à alegada obscuridade e omissão quanto ao termo inicial de amoritzação dos gastos ativáveis, assim se pronunciou a embargante: Conforme se denota destes autos, a Embargante, no ano calendário de 2002, havia contabilizado como despesas dedutíveis o montante de R$ 28.628.851,17, que foi questionado pela fiscalização. Partes das despesas em questão foram consideradas indedutíveis e parte foi considerada como “aplicações de recursos emd espesas que contribuíram para a formação do resultado de mais de um exercício social, que deveriam ser contabilizdas no ATIVO DIFERIDO”. [...] Desde a impugnação, a Embargante vem defendendo o direito de efetuar a amortização dos gastos a partir do anocalendário de 2002. Com efeito, foi discorrido que no ano de 2002 a Embargante auferiu receitas operacionaiss (decorrente da prestação de serviços). [...] Citando a decisão proferida em 1ª instância administrativa, esta C. Turma Julgadora refutou o posicionamento da Embargante e considerou que os referidos gastos não poderiam ser amortizados no ano de 2002, tal como defendido pela fiscalização. [...] [...] Entretanto, a decisão ora embargada é obscura em afirmar que “a contribuinte não comprova as condições que permitam a amortização dos gastos (...), nem que o início da amortização poderia se dar a partir do anocalendário de 2002. [...] Igualmente e como consequência, é obscura também a afirmação desta C. Turma Julgadora de que os efeitos postergatórios do pagamento do IRPJ//CSL deveriam ter sido comprovados pela Embargante, a quem, supostamente, caberia o ônus da prova. [...] De fato, se esta C. Turma entende que despesas classificadas pela Embargante como dedutíveis devem ser ativadas para posterior amortização (uma vez que referentes à formação do resultado de exercícios futuros) e se não concorda que a amortização deve iniciar já no ano de 2002, deve determinar que a Receita Federal faça a consequente aplicação de tais efeitos nos exercícios posteriores. Nestes termos, ao final de sua peça recursal, a Embargante formulou os seguintes pedidos: Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 31/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 (i) seja retificado o dispositivo do acórdão, para consignar o parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Embargante; e (ii) seja esclarecido a partir de que exercício a Embargante poderpa amortizar os gastos contabilizados no Ativo Diferido, bem como que seja determinado á fiscalização que recomponha as declarações da Embargante considerando os efeitos decorrentes da ativação de despesas contabilizadas como dedutíveis em 2002, retificando a cobrnaça contida no Auto de Infração, caso se verifique prejuízo ao Erário. É o relatório. Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 31/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001173/200758 Acórdão n.º 1401000.928 S1C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os embargos de declaração são tempestivos e, em tese, atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálos quanto ao mérito. Alegação de contradição quanto ao resultado do julgamento Analisandose a íntegra do acórdão recorrido, facilmente se constata a inexistência da contradição arguida pela embargante. No caso do pagamento de bônus a empregados, a autoridade autuante e a decisão de 1ª instância apontaram duas razões para a glosa: a) indedutibilidade das despesas, por falta de indicação da causa do pagamento; b) ainda que tais despesas fossem dedutíveis, elas deveriam ser ativadas, nãopodendo ser amortizadas a partir do anocalendário de 2002. Este colegiado julgador reconheceu que as aludidas despesas eram dedutíveis. No entanto, a glosa foi mantida, posto que que a contribuinte não comprovou as condições que permitissem a amortização dos gastos (previstas no artigo 324 do RIR/99), nem que o inicio da amortização poderia se dar a partir do anocalendário de 2002. Para maior clareza, transcrevo alguns trechos do acórdão recorrido, fls. 1609 1611 (grifado): 2 Gastos ativáveis —Item 4 do TVF 2.1. Pagamento de bônus a empregados [...] Como facilmente se percebe, foram duas razões que motivaram a glosa desse valor, de acordo com a interpretação das autoridades autuantes (corroborada pelo colegiado julgador a quo): a) tratamse de gastos indedutiveis, por ausência da indicação da causa que motivou o pagamento; b) ainda que tais gastos fossem dedutiveis, eles deveriam ser ativados, por contribuir para a formação do resultado de mais de um exercício social. [...] Em relação a este tema, a Recorrente alegou que, nos termos da IN SRF n° 93, de 24/12/1997, as despesas com o pagamento de gratificação a empregado poderá ser deduzida na apuração do lucro real, independentemente de limitação. [...] Em relação a este tema, assiste razão à Recorrente. De fato, as gratificações ou bônus pagos aos empregados da contribuinte constituem contraprestação do trabalho prestado Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 31/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 pelos aludidos funcionários em favor da empresa empregadora. Consequentemente, tais pagamentos devem ser considerados dedutíveis, por se revelarem necessários ao desenvolvimento do objeto social da Recorrente. [...] Desta forma, considero dedutivel a referida despesa, sujeita porem à sua ativação, por contribuir para a formação do resultado de exercícios futuros. No próximo item, analisarei se a referida despesa poderia ser amortizada a partir do próprio anocalendário de 2002. 2.2. Amortização dos gastos ativáveis a partir do ano calendário de 2002 [...] Considerando que amortização do Ativo Diferido implica redução do lucro líquido e, conseqüentemente, do crédito tributário, é ônus da contribuinte comproválas, conforme ensinamento doutrinário de Antônio da Silva Cabral, já citado. Ocorre que a contribuinte não comprova as condições que permitam a amortização dos gastos (previstas no artigo 324 do RIR/99), nem que o inicio da amortização poderia se dar a partir do anocalendário de 2002 (artigo 325 do RIR/99). Destaquese que a contribuinte não demonstra, e muito menos comprova, que as eventuais receitas auferidas no anocalendário de 2002 tiveram qualquer vinculo com os gastos ativados. Ademais, mesmo se assim não fosse, a amortização não poderia ser feita de uma só vez, nos termos do artigo 327 do RIR/99. Concluise, dessa forma, que os valores ativados não são passíveis de amortização no anocalendário de 2002, devendo se manter a glosa efetuada pela fiscalização. Concluise, portanto, que inexiste qualquer contradição no acórdão embargado, que negou provimento ao recurso voluntário. Alegação de obscuridade e omissão quanto ao termo inicial de amortização dos gastos ativáveis Também se revela improcedente a arguição de obscuridade e omissão relativa ao termo inicial de amortização dos gastos ativáveis. O acórdão recorrido foi suficientemente claro ao indicar que a amortização dos gastos registrados no Ativo Diferido somente pode ocorrer quando verificadas as condições previstas nos arts. 324, 325 e 327 do RIR/99. Vale dizer que os aludidos artigos encontramse transcritos no corpo do voto que integra o acórdão embargado. No que tange à alegação de postergação do pagamento do tributo, também foi suficientemente claro o posicionamento do acórdão embargado, fls. 1611: Sobre o tema, a jurisprudência deste Conselho é pacifica no sentido de reconhecer que a simples alegação de postergação não é suficiente ao seu reconhecimento, necessitando, para Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 31/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001173/200758 Acórdão n.º 1401000.928 S1C4T1 Fl. 5 7 tanto, de comprovação. Isso porque, na relação jurídico tributária o ónus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente, cabe ao Fisco, investigando, diligenciando, demonstrando e provando a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. Após transcrever farta jurisprudência desta Corte, o acórdão embargado concluiu, de forma oobjetiva e cristalina (fls. 1612): Concluo, dessa forma, que os valores relativos a pagamento de bónus aos empregados (considerados indedutiveis pela fiscalização) devem ser ativados, mas não são passíveis de amortização no anocaledário de 2002, devendose manter a glosa efetuada pela fiscalização. Afasto a alegação de efeitos postergat6rios, tendo em vista que a ausência de provas neste sentido, ressaltando que o ônus da prova competia à Recorrente (consoante pacifica jurisprisprudência desta Conselho). Conclusão Em vista de todo o exposto, entendo que as alegações da embargante não se subsumem aos casos previstos no Regimento Interno do CARF, por não evidenciarem nenhuma contradição, obscuridade ou omissão, razão pela qual voto pelo não conhecimento dos presentes embargos. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 31/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001594/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO
COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E
DA CSLL.
Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos.
A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo.
A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização.
Precedente da CSRF (Acórdão 9101001.518).
Numero da decisão: 1402-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL. Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização. Precedente da CSRF (Acórdão 9101001.518).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL. Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização. Precedente da CSRF (Acórdão 9101001.518). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 94 /2 00 6- 27 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 776 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 777 3 Relatório Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão decorrida, complementandoo ao final: Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.05/08, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, o autuante verificou que a empresa deixou de recolher a CSLL referente aos anos calendário de 2002 e 2003. [...] DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou a impugnação de fls.433/472, acompanhada dos documentos de fls.473/516, e protocolizada em 24/11/2006, alegando em síntese que: 1. A Fiscalização ignorou a qualificação jurídicotributária da impugnante, que é uma cooperativa, descaracterizandoa como tal e tributandolhe indistintamente em todas as suas operações, configurem atos cooperativos ou não. Tal posição merece ressalvas, pois deve haver a apartação de atos cooperativos e não cooperativos. 1.1. A captação de recursos de cooperados, empréstimos a cooperados e aplicações financeiras realizadas na central e no mercado pelas cooperativas de crédito são típicos atos cooperativos, na linha do art.79, da Lei nº 5.764/71. Sendo assim, sobre tais operações não há incidência de CSLL. 2. No caso específico das sociedades cooperativas, não há que se falar em base tributável da CSLL. O lucro caracterizase como o resultado econômico ou jurídico auferido pelas pessoas jurídicas de fins empresariais, em ciclos determinados, decorrente de sua atividade econômica, isto é, derivado de sua atividade lucrativa, organizada justamente com o objetivo de sua percepção, no que se diferencia, por absoluto, do conceito de sobras, as quais são aferíveis de forma acanhada e eventual, mesmo porque não são perseguidas pelas sociedades cooperativas, que são entidades de pessoas e sem fins lucrativos. 2.1. A eventual receita, chamada de ingresso, que adentra na cooperativa, tem como função específica e exclusiva a cobertura das despesas da sociedade, sendo que o montante que eventualmente exceder a essas despesas, consubstanciando as sobras líquidas do exercício, é rateado entre os associados, confirmando sua natureza de ato cooperativo, e sendo nesses (os cooperados) tributável. Não há intuito lucrativo, pois, independentemente de haver remuneração, esta se dá como contraprestação Fl. 777DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 778 4 ao serviço prestado, e unicamente como forma de cobrir o custo da entidade, pois o que sobra do ajuste do ato cooperativo retorna aos cooperados (art.4º, da Lei nº 5.764/71). 2.2. Diante da inexistência de identidade entre lucro e sobra, não há incidência de CSLL nos atos cooperativos praticados pelas sociedades cooperativas. 3. Os valores determinados no auto de infração foram extraídos do resultado da atividade financeira, desconsiderandose o não auferimento de lucro por parte da impugnante. Tributaramse, assim, entradas, e não lucro, o que contraria o CTN, os artigos 153, III e 195, I, “c” da Constituição Federal e a capacidade contributiva (art.145, §1º, CF). 3.1. Conforme o Parecer Normativo CST nº 73/75, a cooperativa deveria proporcionalizar os ingressos de seus atos cooperativos e atos não cooperativos. O percentual de atos não cooperativos deveria ser aplicado às despesas totais, de forma a colher a despesa de tais atos. Essas despesas, quantificadas, seriam deduzidas dos ingressos de atos não cooperativos, de forma a colher o resultado/lucro tributável advindo de atos não cooperativos. Contudo, isso não foi feito pela Fiscalização, que tributou entradas e não resultado, em clara ofensa à Lei nº 5.764/71, ao CTN, à CF/88 e ao PN nº 73/75. 4. Na exigência em questão nenhuma despesa/custo foi considerada. 4.1. É necessário um ajuste na base tributável da CSLL lançada pela Fiscalização, caso contrário se colheria não o lucro ou a renda de tais entes, mas o trânsito de valores pela contabilidade, e que representam custo do serviço prestado aos cooperados. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A contribuição social sobre o lucro líquido incide sobre a totalidade do resultado apurado pela cooperativa no período base, o qual inclui as receitas decorrentes de atos cooperativos e nãocooperativos. Somente a partir de janeiro de 2005, com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficaram isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO NÃO COOPERATIVO. O resultado das aplicações financeiras, em qualquer de suas modalidades, efetuadas por sociedades cooperativas, inclusive as de crédito e as que mantenham seção de crédito, em bancos comerciais ou múltiplos, não está abrangido pela não incidência Fl. 778DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 779 5 de que gozam tais sociedades, conforme entendimento expresso no PN CST nº 4/1986. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar questões relacionadas à inconstitucionalidade de leis ou à ilegalidade de normas infralegais, matérias estas reservadas ao Poder Judiciário. A interessada foi cientificada da decisão de primeira instância em 19 de setembro de 2008 (fl. 345), apresentando recurso voluntário de fls. 346361. Em resumo, reforça os argumentos da impugnação, alegando não haver incidência de CSLL sobre o resultado das cooperativas, uma vez que se auferem sobras, e não lucros. O processo fora distribuído à Terceira Turma Especial da 4ª Câmara, sob a relatoria da então Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Na sessão de 03 de agosto de 2011, por meio da Resolução nº 180300.044, aquele Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência. Em resumo, entendeu o Colegiado que haveria necessidade de se segregar os resultados dos atos cooperativos dos não cooperativos, uma vez que a CSLL deveria incidir sobre estes últimos. Os atos não cooperativos adviriam dos resultados de aplicações financeiras em outras instituições financeiras que visavam ao lucro. Em cumprimento da diligência, a autoridade preparadora anexou o relatório de fls. 656676. A interessada foi cientificada de tal relatório em 15 de março de 2013 (fl. 678), apresentando expediente de fls. 679688. Concorda com os cálculos e método utilizados no relatório fiscal de diligência. Contudo, reforça seu inconformismo com o entendimento de que as aplicações financeiras realizadas não se caracterizariam como atos cooperativos. Retornados os autos da diligência, a Relatora da Resolução 180300.044, Selene Ferreira de Moraes, não mais compõe os quadros do CARF. Os autos foram redistribuídos a este Colegiado. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 780 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Resta evidente que a lide restringese à exigência de CSLL sobre “Aplicações Financeiras em outras Instituições”. Em suas razões recursais, a Recorrente requer a desconstituição do lançamento, arguindo, em suma, que os resultados por ele tributados são oriundos da prática de atos cooperativos, logo, situados fora do campo de incidência da norma tributária, conforme aponta não só a doutrina em torno do assunto, mas, também, a própria jurisprudência dominante no Poder Judiciário e do próprio CARF. Como visto, a presente controvérsia resumese na possibilidade ou não de sujeitar as receitas obtidas pelas cooperativas centrais de crédito, por meio de aplicações financeiras dos recursos de seus cooperados, à tributação de CSLL. Entretanto, embora as cooperativas sejam, nos termos da lei civil, pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, o regime jurídico aplicável a elas é diferente das sociedades empresárias ou simples, visto que possuem uma finalidade peculiar. Isto porque as cooperativas, na exegese dos arts. 3° e 4° da Lei n°. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Portanto, será considerado ato cooperativo todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. Nesse caso, a cooperativa atuará como intermediária entre o cooperado e o mercado financeiro, sendo que o resultado obtido com a realização deste negócio jurídico será, posteriormente, repassado ao cooperado. Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que "os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos". Desta forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, temse que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 781 7 Sobre o tema, o STJ pacificou o entendimento, determinando que, tratandose de cooperativas de crédito, qualquer aplicação financeira caracterizase como ato cooperado. Na sessão de 20 de novembro de 2012, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou o tema (Acórdão 9101001.518 – Relatora Susy Gomes Hoffmann, embasandose em precedente do STJ: A Súmula n° 262 do STJ, no mesmo sentido, estabelece que “incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”. Tal entendimento, contudo, referese às cooperativas em geral. Na sua consolidação, o STJ não trouxe à baila a análise específica da situação das Cooperativas de Crédito. Pelo contrário, ao fazêlo, o Égrégio Tribunal manifestouse, por diversas vezes, no sentido de excluílas do entendimento retratado no acórdão e na súmula acima transcritos. Isto porque, tratandose de Cooperativa de Crédito, as receitas financeiras, efetivamente, consubstanciam atos cooperativos. Neste sentido, os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Tratase de aplicação do direito à espécie. [...] 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tãosomente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizadomonetariamente. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 782 8 (AgRg no AgRg no REsp 717.126/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 24/02/2010) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. (EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611.217/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 823.207/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 21/08/2009) Neste sentido, devese ter em mente que o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça pode ser resumido da seguinte forma: o imposto sobre a renda incide sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, salvo em relação às cooperativas de crédito. Isto justamente porque, no caso particular das cooperativas de crédito, as aplicações financeiras realizadas inseremse no conceito de atos cooperativos. Com efeito, como bem se demonstrou no acórdão recorrido, as cooperativas são pessoas jurídicas criadas com uma finalidade central de prestar serviços relevantes de assistência a seus associados, conforme se depreende dos artigos 3° e 4° da Lei n° 5.764/71. E mais, sem objetivo de lucro. Neste sentido, a Lei n° 5.764/71 (artigo 79) qualifica juridicamente como cooperativos os atos praticados “entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Tais atos, como se sabe, não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. No caso específico das Cooperativas de Crédito, o respectivo objetivo social, em síntese, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro. Na hipótese dos autos, a contribuinte, conforme se depreende do artigo 3° do seu Estatuto Social, tem por objetivo “a organização em comum e em maior escala dos serviços econômicofinanceiros e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços.” Tratandose de atos cooperativos, incide, portanto a Súmula 83 do CARF, assim vazada: “O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações Fl. 782DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001594/200627 Acórdão n.º 1402001.541 S1C4T2 Fl. 783 9 realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 783DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.720228/2012-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
PROCESSO.ELEMENTOS DE CONVICÇÃO DISTINTOS. Devem ser formalizados em processos distintos quando seus elementos de convicção forem distintos.
EFEITOS DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL, POR OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar-se-ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Inteligência do artigo 32 da Lei Complementar nº 123/2006).
No caso dos presentes autos, excluída a pessoa jurídica, por opção, do Simples Nacional em 2009, somente a partir de 01/01/2010 é que sujeitar-se-á, às normas de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado.
ARBITRAMENTO. IRREGULARIDADE NOS LIVROS FISCAIS.DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA.
A desclassificação de escrita, para fins de arbitramento do lucro, somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real da empresa.
As irregularidades apontadas nos livros fiscais (Livro Registro de Entrada, Livro de Inventário e Livro Registro de Saídas) são insuficientes para desclassificar a escrituração e tornar impossível a apuração do lucro real da empresa, pois, diante dos demais elementos probantes (notas fiscais, declarações de importação, levantamento dos estoques inicial e final em 31/12/2010 e planilhas elaboradas pelos autuantes) tornou-se possível ao Fisco apurar a matéria tributável/receita omitida.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL , PIS e Cofins.
Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda.
Quanto aos lançamentos do PIS e da Cofins, apesar da origem em matéria fática apurada na exigência principal, em que a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, as bases de cálculos mensais relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio e dezembro de 2010, das mencionadas contribuições (PIS e Cofins ) não são o lucro arbitrado trimestral, e sim, os valores das receitas mensais omitidas, discriminadas nos autos de infração e planilhas 03, 05 e 06 anexas ao Relatório Fiscal que fazem parte integrante dos autos de infração, razão pela qual ensejam conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 Ementa: PROCESSO.ELEMENTOS DE CONVICÇÃO DISTINTOS. Devem ser formalizados em processos distintos quando seus elementos de convicção forem distintos. EFEITOS DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL, POR OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar-se-ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Inteligência do artigo 32 da Lei Complementar nº 123/2006). No caso dos presentes autos, excluída a pessoa jurídica, por opção, do Simples Nacional em 2009, somente a partir de 01/01/2010 é que sujeitar-se-á, às normas de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado. ARBITRAMENTO. IRREGULARIDADE NOS LIVROS FISCAIS.DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. A desclassificação de escrita, para fins de arbitramento do lucro, somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real da empresa. As irregularidades apontadas nos livros fiscais (Livro Registro de Entrada, Livro de Inventário e Livro Registro de Saídas) são insuficientes para desclassificar a escrituração e tornar impossível a apuração do lucro real da empresa, pois, diante dos demais elementos probantes (notas fiscais, declarações de importação, levantamento dos estoques inicial e final em 31/12/2010 e planilhas elaboradas pelos autuantes) tornou-se possível ao Fisco apurar a matéria tributável/receita omitida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL , PIS e Cofins. Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. Quanto aos lançamentos do PIS e da Cofins, apesar da origem em matéria fática apurada na exigência principal, em que a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, as bases de cálculos mensais relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio e dezembro de 2010, das mencionadas contribuições (PIS e Cofins ) não são o lucro arbitrado trimestral, e sim, os valores das receitas mensais omitidas, discriminadas nos autos de infração e planilhas 03, 05 e 06 anexas ao Relatório Fiscal que fazem parte integrante dos autos de infração, razão pela qual ensejam conclusão diversa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
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DE SOUSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 Ementa: PROCESSO.ELEMENTOS DE CONVICÇÃO DISTINTOS. Devem ser formalizados em processos distintos quando seus elementos de convicção forem distintos. EFEITOS DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL, POR OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Inteligência do artigo 32 da Lei Complementar nº 123/2006). No caso dos presentes autos, excluída a pessoa jurídica, por opção, do Simples Nacional em 2009, somente a partir de 01/01/2010 é que sujeitarse á, às normas de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado. ARBITRAMENTO. IRREGULARIDADE NOS LIVROS FISCAIS.DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. A desclassificação de escrita, para fins de arbitramento do lucro, somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real da empresa. As irregularidades apontadas nos livros fiscais (Livro Registro de Entrada, Livro de Inventário e Livro Registro de Saídas) são insuficientes para desclassificar a escrituração e tornar impossível a apuração do lucro real da empresa, pois, diante dos demais elementos probantes (notas fiscais, declarações de importação, levantamento dos estoques inicial e final em 31/12/2010 e planilhas elaboradas pelos autuantes) tornouse possível ao Fisco apurar a matéria tributável/receita omitida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL , PIS e Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 02 28 /2 01 2- 16 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. Quanto aos lançamentos do PIS e da Cofins, apesar da origem em matéria fática apurada na exigência principal, em que a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, as bases de cálculos mensais relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio e dezembro de 2010, das mencionadas contribuições (PIS e Cofins ) não são o lucro arbitrado trimestral, e sim, os valores das receitas mensais omitidas, discriminadas nos autos de infração e planilhas 03, 05 e 06 anexas ao Relatório Fiscal que fazem parte integrante dos autos de infração, razão pela qual ensejam conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Trata o presente processo dos autos de infração, lavrados pela Alfândega do Porto de Pelem/PA, Seção de Fiscalização, exigindo da pessoa jurídica, acima identificada, os seguintes tributos nos valores respectivos, relativos aos anos calendário de 2009 e 2010: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), R$ 47. 585,80; Contribuição par o PIS/PASEP, R$ 18. 849,68; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$ 31. 319,57; e, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, R$ 86. 998,89. Os tributos lançados foram acrescidos de multa de ofício de 150%, e juros de mora calculados até 30.12.2011. Por considerar pertinente adoto a seguinte parte do Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: A ciência da autuação ocorreu em 30/01/2012; e a impugnação se deu em 26/02/2012. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 3 3 A forma de tributação adotada pela fiscalização foi “Lucro Arbitrado”, nos períodos relativos aos 1º,2º,3º e 4º trimestres de 2009, e 1º trimestre de 2010, em virtude de a escrituração fiscal apresentar vícios a saber: “...2.7 ESCRITURAÇÃO FISCAL 2.7.1 Livro Registro de Entradas Para o ano calendário de 2009 a empresa desembaraçou 09 (nove) Declarações de importação (Dls) no qual ensejaram na emissão de 09 (nove) entradas respectivas às Dls. A emissão destas notas fiscais de entrada é imperativa, pois se consubstanciam em documentos idôneos para transporte e retirada da mercadoria da zona alfandegada e também servem como instrumento para o devido recolhimento do ICMS. Na contramão de inequívocas informações, o contribuinte escriturou a entrada de 03 (três) notas fiscais correspondentes à apenas 02 (duas) Dls, em suma, para este ano calendário, as entradas correspondentes a 07 (sete) Dls deixaram de ser contabilizadas no Livro Registro de Entradas em discordância com o art. 251 do RIR/99, deste dispositivo destacamos o dever do contribuinte de escriturar todas as suas operações, in verbis: (...) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2o, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) Similarmente ao acorrido para o ano calendário de 2009, no ano calendário de 2010 constatamos o desembaraço de 05 (cinco) Dls e o registro de 04 (quatro) entradas correspondentes a 04 (quatro) Dls. A Fiscalização, por meio da documentação apreendida, teve acesso às notas fiscais de entrada equivalentes a 12 (doze) Dls, excetuamse somente as Dls 09/14953731 e 10/00165096. 2.7.2 Livro Registro de Inventário No atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização, a empresa apresentou o Livro Registro de Inventário totalmente em BRANCO e posteriormente foi intimada a proceder a escrituração no qual logramos o breve atendimento, entretanto, a escrituração disponibilizada apresenta lacunas insanáveis com escrituração somente a partir do ano calendário de 2009. Para "Estoques existentes em 31/12/2009", podemos exemplificar: Fl. 793DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Em item especifico, o contribuinte discriminao como "Pneus Novos 175", com base nas Dls. elencamos a existência de 05 (cinco) tipos de pneumáticos 175: 175/65 R14 4 82HXR611 L 175/ 65R14 4 82H RX615 L 175/70R14 4 84H CX668 L 175/70R14 4 84H RX615 L175/ 70R13 4 82HCX668L No ano calendário 2010 ressaltamos falhas ainda mais evidentes. Para "Estoques existentes em 31/12/2010", temos 24 (vinte e quatro) itens descritos apenas como "Pneus Novos Nankang", para este ano, a fiscalização detectou a existência de 58 (cinquenta e oito) referencias diferentes para pneumáticos. Em decorrência das lacunas verificadas é notório que o Livro Registro de Inventário demonstrouse completamente inócuo para balizar qualquer análise do estoque do contribuinte e em dissonância com o art 261 do RIR/99, in verbis: (...) Art. 261. No Livro de Inventário deverão ser arrolados, com especificações que facilitem sua identificação, as mercadorias, os produtos manufaturados, as matériasprimas, os produtos em fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim da cada período de apuração (Lei n° 154, de 1947, art. 2°, § 2o, Lei n° 6.404, de 1976, art. 183, inciso II, e Lei n° 8.541, de 1992, art. 3o). (...) 2.7.3 Livro Registro de Saídas Após as solicitações de escrituração e pedido de esclarecimentos sobre a falta de escrituração das notas fiscais 610 e 611 (Termo de Intimação 21/09/2011), constatamos a rasura do Livro Fiscal com as inclusões das supramencionadas notas, onde o próprio contribuinte afirma, através de declaração (28/09/2011), ter procedido a retificação do Livro ao invés de somente especificar o tratamento dado a estas notas conforme lhe foi requerido. Salta aos olhos outras rasuras efetuadas no livro fiscal, pontualmente, destacamos a rasura notada na página 39, mês 03/2010, Nf 685, consta no livro a emissão na data de 05/03/2010, todavia, a data que consta no documento é 05/05/2010 pois se trata da data correta. Observamos que as mercadorias vendidas por intermédio desta nota correspondem exatamente as mercadorias desembaraçadas na data de 05/05/2010 por meio da Dl 10/07249538, por conseguinte o mês de apuração correto é 05/2010. 2.7.4 Conclusão acerca da Escrituração Tendo em vista o exposto, concluímos que a escrituração apresenta inconsistências que justificam a aplicação do Regime do Lucro Arbitrado. 2.8.1 Omissão de declarações Fl. 794DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 4 5 Foi constatada a omissão no tocante a apresentação das declarações de imposto de renda referentes aos anos calendário 2009 e 2010 conforme consultas extraídas dos sistemas da RFB, estes anos calendário correspondem ao período fiscalizado. Verificouse que, segundo consulta ao sistema SIMPLES NACIONAL, o contribuinte optou pela sua exclusão do regime simplificado em 09/07/2009. De posse dos blocos de notas fiscais, temos conhecimento das notas de saída e consequentemente da receita bruta auferida pelo contribuinte nos anos calendário 2009 e 2010, para melhor análise, consolidamos as informações nas planilhas: "Planilha 02 Receitas não declaradas AC 2009" e "Planilha 03 Receitas não declaradas AC 2010". A multa de ofício aplicada apresentou percentual de 75%, para o ano calendário de 2009 e 150% para o ano calendário de 2010. “...Relativamente a omissão de receitas, o percentual aplicado sobre a multa de ofício é igual a 150%, onde temos o percentual de 75% duplicado, em decorrência, em tese, da prática de sonegação fiscal materializada pela venda de mercadorias sem a devida emissão de notas fiscais conforme a base legal pertinente art. 44, inciso I e parágrafo 1 o da Lei n° 9.430 de 27/12/1996 com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488 de 16/06/2007. Notoriamente, não temos como precisar o correto período de apuração em que ocorreu a venda das mercadorias estimadas como omissão de receitas. Em consequência desta imprecisão, procedemos o lançamento do montante total proveniente da omissão de receitas no período 12/2010...” A impugnação apresentou os argumentos a seguir: que o presente processo aguarde o deslinde do processo nº. 10280.721601/201175. “...Caso seja confirmada pelos ilustres julgadores a indevida pena de perdimento a empresa impugnante, não haverá Imposto de Renda pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL a recolher, vez que a perda de perdimento na realidade é um confisco por parte do Estado, é a aplicação da pena máxima, logo uma vez aplicada, e perdido o bem para a Fazenda Nacional, a empresa deixa de ter tido Receita com a operação, pois não há Lucro, operação de venda de mercadoria, uma vez não ocorrendo acréscimo patrimonial e não havendo lucro líquido inocorre o fato gerador dos tributos indevidamente lavrados no presente Ainf , de forma a empresa impugnante nada ter a pagar, pela ausência total de lucro, vez que todas as mercadorias forma objeto de pena de perdimento e confiscada pelo Estado/Fazenda Nacional...” Portanto o presente processo administrativo tributário fica vinculado ao processo nº 10280.721601/201175, e caso seja julgado pela procedência do auto de infração irá anular por completo o presente processo, vez que não restará nada a pagar Fl. 795DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 a título de IRPJ e CSLL pro ter sido aplicada a pena de perdimento da mercadoria...” Improcedência da multa aplicada de 150% em virtude da não existência de conluio.. “Uma vez que: 1 todas as operações de importação de pneus foram todas realizadas através de Licença de Declaração de Importação, Recolhimento dos impostos devidos, e 2 a venda das mercadorias (pneus) no mercado interno foram todas realizadas por meio de nota fiscal com o recolhimento de IN e ICMS, não há que se falar em Sonegação, Fraude, ou Conluio, pois em nenhum momento a empresa impugnante pretendeu ou teve qualquer atitude que levasse a crer estar praticando qualquer ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, ou ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, ou praticou acordo com pessoa jurídica ou pessoa física visando a obtenção de vantagens junto ao fisco. Verificase claramente que a empresa importou pneus recolhendo os tributos devidos, e obedecendo a legislação vigente e uma vez que efetuou a venda de mercadorias no mercado interno acompanhada das notas fiscais com o recolhimento dos impostos devidos, não ha que se falar em imposição de multa de 150%, pois em nenhum momento a empresa praticou sonegação, fraude, ou Conluio, tendo tal aplicação de multa praticada pelo douto fiscal sido feita de maneira arbitraria, irresponsável, descabida e em total dissonância com a legislação vigente. Concluise facilmente do exposto, que o agente fiscal agiu de forma irresponsável ao aplicar multa de oficio de 1501%, alegando sem provas e indo contra a realidade fática das operações de importação e venda no mercado interno, que foram realizadas dentro das conformidades legais, devidamente acompanhados das Declarações de Importação e notas fiscais e com o recolhimento dos impostos devidos, portanto indevido a alegação de ocorrência de sonegação, fraude e conluio e nula a multa indevidamente aplicada, motivo pelo qual requer de plano que seja anulada a multa indevidamente lavrada no Ainf...” "Impossibilidade de arbitramento do lucro por ser tributada pela sistemática do SIMPLES até 09/07/2009, e pelo Lucro presumido desta data em diante. “...A Receita Federal representada pela pessoa do ilustre fiscal, estava em posse do livros da empresa impugnante, tendo posse do livro registro de inventário, do livro de Saídas, bem como de todas as Declarações de Importação. Importante ressaltar que a empresa impugnante saiu do SIMPLES no dia 09 de julho de 2009 e passou a tributar por Lucro Presumido, logo para a obtenção do valor devido a titulo de IRPJ e CSLL e necessário que seja apurado o valor das Fl. 796DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 5 7 operações nos livros fiscais, obtendose o lucro bruto e para fins de auferir a base de calculo, ou seja o lucro presumido, e aplicada alíquota de 12% e sabre a base de calculo incide a alíquota de 15% para o IRPJ e de 9% para a CSLL. Constase que a empresa apresentou todos os livros solicitados pela Receita Federal, e além disso o fisco tinha em sua posse todas as declarações de Importação, logo sabia e sabe, toda a mercadoria importada e que adentrou no território nacional em nome da empresa impugnante, e uma vez que os valores referentes a estoque que constavam no livro fiscal e no livro de saída batiam exatamente com o valor declarado, e uma vez que as vendas internas estavam respaldadas em notas fiscais com o devido recolhimento de ICMS e IPI e em conformidade com a legislação vigente, não poderia e não pode o fisco arbitrar o valor devido a titulo de IRPJ e CSLL pelo lucro arbitrado, vez que possuía e possui todos os documentos contábeis da empresa suficientes e hábeis para a apuração do imposto supostamente devido. A Legislação é taxativa e exaustiva no que tange ao regime do lucro arbitrado e com base no principio da legalidade, ou estrita legalidade tributária, o fisco só pode efetuar a apuração com base no regime do lucro arbitrado nas hipóteses estritamente enquadradas e prevista em lei. Importante atentar, que tratase de uma exceção ao lucro presumido, que deve ser utilizado tão somente nas hipóteses excepcionais previstas em lei. Da leitura do artigo supra transcrito constatase facilmente que o fisco não poderia utilizar da metodologia do regime do lucro arbitrado, vez que entregou todos os livros fiscais a Secretaria da Receita Federal, e que esta estava em posse de todos os livros e documentos fiscais que demonstravam com precisão as movimentações financeiras e bancarias capazes de identifica e determinar o lucro real da empresa, e principalmente verificase a inexistência de intuito ou de fraude, logo uma vez que a empresa impugnante não atuou com fraude, entregou os livros sem vícios e não é optante do lucro real, não poderia o fisco apura o IRPJ e a CSLL com base no regime do Lucro Arbitrado, motivo pelo qual resta completamente nulo e insubsistente o Auto de Infração indevidamente lavrado pelo ilustre fiscal da Receita Federal...” “...Por todo o exposto, concluise da total impropriedade e nulidade do Auto de Infração lavrado pelo fiscal da Receita Federal, visto que foi aplicada multa em total desconformidade com a legislação vigente, vez que a empresa impugnante em momento algum praticou sonegação fiscal, fraude, ou conluio, e a Receita Federal calculou o IRPJ e a CSLL supostamente devidos de forma arbitraria e em total descompasso com a legislação vigente, pois arbitraram a base de cálculo aos tributos, quando foram fornecidos documentos contábeis e suficientes para a aferição dos mesmos, logo indevida a apuração dos valores supostamente devidos e completamente nulo presente auto de infração ora impugnado, motivo pelo qual Fl. 797DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 deve ser julgada procedente a presente impugnação e extinto o auto de infração indevidamente lavrado...” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Belém /PA), julgou procedente em parte a impugnação para afastar a aplicação da multa qualificada, mediante o Acórdão nº 0125.415, de 10 de agosto de 2012 (fls.746/757) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PROCESSO.ELEMENTOS DE CONVICÇÃO DISTINTOS. Devem ser formalizados em processos distintos quando seus elementos de convicção forem distintos. LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular, deve ser tributado pelo Lucro Arbitrado. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo para autorizar a qualificação da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A pessoa jurídica cientificada da mencionada decisão em 06/12/2012, Aviso de Recebimento AR, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 07/01/2013. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, no tocante ao sobrestamento do presente processo até decisão final do Processo nº. 10280.721601/201175 e impossibilidade da utilização do lucro arbitrado, portanto, desnecessário repetilas. Afastada a aplicação da multa qualificada, mediante o Acórdão nº 01 25.415, de 10 de agosto de 2012, na fase recursal a Recorrente nada alega em relação à multa de ofício. Finalmente requer o provimento do recurso voluntário e o cancelamentos das exigências reclamadas. É o relatório. Voto Fl. 798DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 6 9 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. De início a Recorrente requer que o presente processo aguarde o deslinde do processo nº. 10280.721601/201175. Conforme consulta no eprocesso, o mencionado processo nº. 10280.721601/201175, trata de lançamento no valor total de R$ 1.626.586,93, referente ao auto de infração, lavrado em 24/06/2011, mediante o qual foram formalizadas exigências relativas a diferenças de tributos (imposto sobre as importações, IPI, PIS e COFINS importação), além de conversão do perdimento em multa, por impossibilidade de apreensão de mercadorias. Tem razão a decisão recorrida ao afirmar que o mencionado processo apenas forneceu indícios que levaram a fiscalização à busca dos fatos geradores dos créditos cobrados no processo 10280.720228/201216 de que tratam os presentes autos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). Com efeito, os fatos geradores são distintos, não dependem dos mesmos elementos de convicção, seus julgamentos devem ser distintos, razão pela qual referidos processos são distintos e não formalizados em um único processo, conforme prevê o artigo 9º do Decreto 70235/72. Assim, não há porque um processo aguardar a decisão administrativa do outro processo. Conforme relatado, a forma de apuração da base de cálculo, para o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, adotada pela fiscalização foi a do “Lucro Arbitrado”, nos períodos relativos aos trimestres de 2009 e 2010, em virtude de a escrituração fiscal apresentar vícios. Consta do Relatório de Auditoria Fiscal que faz parte integrante dos Autos de Infração o seguinte: Foi constatada a omissão no tocante a apresentação das declarações de imposto de renda referentes aos anoscalendário 2009 e 2010 conforme consultas extraídas dos sistemas da RFB, estes anoscalendário correspondem ao período fiscalizado. Verificouse que, segundo consulta ao sistema SIMPLES NACIONAL, o contribuinte optou pela sua exclusão do regime simplificado em 09/07/2009. (Grifei) Compulsandose os autos, consta um extrato, “Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional”, o qual informa a mencionada exclusão com efeito a partir de 01/01/2010. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 que rege o Simples Nacional, assim dispõe: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: ... VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; ... § 1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. ... Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; ... Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir de 1o de janeiro do anocalendário subseqüente, ressalvado o disposto no § 4o deste artigo; ... § 4o No caso de a microempresa ou a empresa de pequeno porte ser excluída do Simples Nacional no mês de janeiro, na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, os efeitos da exclusão darseão nesse mesmo ano. ... Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal e o Termo de Inicio de Fiscalização de 16/02/2011 a empresa sob ação fiscal foi intimada a apresentar a seguinte documentação: ... g) Balanço patrimonial referentes aos anos calendário 2009; h) Demonstração do resultado do exercício dos anos calendário 2009; Fl. 800DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 7 11 i)Balancetes de verificação, discriminados mensalmente, referentes aos anos calendário 2009 e 2010 j) Nome, n° do CRC e endereço do contador responsável pela escrituração contábil da empresa e pelas demonstrações contábeis; k) Relatórios sobre a movimentação bancária dos anos de 2009 relativas a todas as contas da Pessoa Jurídica (Extratos mensais com o detalhamento de cada operação); 1) Livros de Escrituração Fiscal de Entrada e Salda — 2009; m) Livro de Apuração do ICMS 2009 ; n) Livro registro de inventário 2009 ; o) Livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrências; p) Livros Razão contábil e Diário Geral ou Livro Caixa (onde deverá constar toda a movimentação financeira, inclusive bancária) 2009; q) AIDF Autorização para Impressão de Documentos Fiscais, que estão citados nas notas fiscais confeccionadas para a empresa; r) Outros documentos que se fizerem necessários no decorrer da Fiscalização Não consta dos autos que a intimada tenha sido excluída do Simples Nacional com efeito retroativo, a partir do próprio mês de janeiro de 2009, em consonância com o disposto no § 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/96, em comento. A autoridade administrativa não procedera a exclusão de ofício, mediante Termo de Exclusão (na forma do § 3º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/96) conformandose, pois, com a exclusão procedida por opção do contribuinte, com efeito a partir de 01/01/2010. Desse modo, os tributos devidos em relação ao ano calendário de 2009 devem ser exigidos pelo regime de tributação simplificada do Simples Nacional, pois, a partir do mês de janeiro de 2010, é que a pessoa jurídica não será mais optante pelo Simples Nacional e, sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Indubitavelmente, os procedimentos adotados pelo Fisco em adotar a forma de tributação pelo lucro arbitrado em relação ao ano calendário de 2009 contrariam dispositivo legal, notadamente o artigo 32 da Lei Complementar nº 123/2006, pois, excluída a pessoa jurídica do SIMPLES NACIONAL em 2009, somente a partir de 01/01/2010 é que sujeitarse á, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No caso dos presentes autos, somente a partir de 01/01/2010 é que a pessoa jurídica autuada ficaria sujeita às regras do arbitramento. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Assim, restam afastadas as exigências do IRPJ e da CSLL em relação ao ano calendário de 2009, porque não apuradas com base no regime de tributação simplificada (Simples Nacional) até 31/12/99. Passemos a análise quanto ao ano calendário de 2010. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração que, o Arbitramento do Lucro no(s) período(s) fiscalizados se fez tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas discriminadas no Relatório Fiscal em anexo e parte integrante deste auto de infração. (Enquadramento Legal: Art. 530, inciso II, do RIR/99). Infrações apuradas: Omissão de receitas da revenda de mercadorias sem emissão da(s)respectiva(s) nota(s) fiscal(is) conforme relatório fiscal anexo e parte integrante do auto de infração. Período de apuração: 31/12/2010. Enquadramento Legal: Arts. 532 e 537, do RIR/99. Receitas operacionais Revenda de Mercadorias . Valor apurado conforme relatório fiscal anexo ao processo. Períodos de apuração: 31/03/2010 e 30/06/2010. Enquadramento Legal: Art. 532, do RIR/99. A Recorrente insurgese quanto ao arbitramento alegando que foram fornecidos documentos contábeis e suficientes para a aferição dos mesmos e apuração dos valores supostamente devidos. Apesar de no Termo de Inicio de Fiscalização de 16/02/2011, constar intimação para a empresa AHC de Sousa apresentar os Livros Razão contábil e Diário Geral ou Livro Caixa (onde deverá constar toda a movimentação financeira, inclusive bancária) em relação ao ano calendário de 2009, o mesmo não ocorre em relação ao ano calendário de 2010. Dos autos consta o Termo de Continuidade de Fiscalização no qual o AuditorFiscal informa que : Procedemos a extensão da fiscalização, MPF 02.1.01.002011 000521, para o ano calendário 2010, o que não substitui o Termo de Intimação para que a empresa apresente os livros contábeis e fiscais necessários ao seu exame em relação aos fatos ocorridos em 2010. Como dito acima, consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração que, o Arbitramento do Lucro no(s) período(s) fiscalizados se fez tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas discriminadas no Relatório Fiscal em anexo e parte integrante deste auto de infração. Do mencionado Relatório Fiscal consta expressamente que os vícios e erros foram detectados na Escrituração Fiscal (Livro Registro de Entrada, Livro de Inventário e Livro Registro de Saídas), e finalmente conclui que, a escrituração apresenta inconsistências que justificam a aplicação do Regime do Lucro Arbitrado. Vejamos: ... 2.7.1 Livro Registro de Entradas Para o anocalendário de 2009 a empresa desembaraçou 09 (nove) Declarações de importação (Dls) no qual ensejaram na emissão de 09 (nove) entradas respectivas às Dls. A emissão Fl. 802DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 8 13 destas notas fiscais de entrada é imperativa, pois se consubstanciam em documentos idôneos para transporte e retirada da mercadoria da zona alfandegada e também servem como instrumento para o devido recolhimento do ICMS. Na contramão de inequívocas informações, o contribuinte escriturou a entrada de 03 (três) notas fiscais correspondentes à apenas 02 (duas) Dls, em suma, para este ano calendário, as entradas correspondentes a 07 (sete) Dls deixaram de ser contabilizadas no Livro Registro de Entradas em discordância com o art. 251 do RIR799, deste dispositivo destacamos o dever do contribuinte de escriturar todas as suas operações, in verbis: (...) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2o, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) Similarmente ao acorrido para o ano calendário de 2009, no ano calendário de 2010 constatamos o desembaraço de 05 (cinco) Dls e o registro de 04 (quatro) entradas correspondentes a 04 (quatro) Dls. A Fiscalização, por meio da documentação apreendida, teve acesso às notas fiscais de entrada equivalentes a 12 (doze) Dls, excetuamse somente as Dls 09/14953731 e 10/00165096. 2.7.2 Livro Registro de Inventário No atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização, a empresa apresentou o Livro Registro de Inventário totalmente em BRANCO e posteriormente foi intimada a proceder a escrituração no qual logramos o breve atendimento, entretanto, a escrituração disponibilizada apresenta lacunas insanáveis com escrituração somente a partir do ano calendário de 2009. Para "Estoques existentes em 31/12/2009", podemos exemplificar: Em item especifico, o contribuinte discriminao como "Pneus Novos 175", com base nas Dls. elencamos a existência de 05 (cinco) tipos de pneumáticos 175: 175/65 R14 4 82HXR611 L 175/ 65R14 4 82H RX615 L 175/70R14 4 84H CX668 L 175/70R14 4 84H RX615 L175/ 70R13 4 82HCX668L No ano calendário 2010 ressaltamos falhas ainda mais evidentes. Para "Estoques existentes em 31/12/2010", temos 24 (vinte e quatro) itens descritos apenas como "Pneus Novos Fl. 803DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Nankang", para este ano, a fiscalização detectou a existência de 58 (cinquenta e oito) referencias diferentes para pneumáticos. Em decorrência das lacunas verificadas é notório que o Livro Registro de Inventário demonstrouse completamente inócuo para balizar qualquer análise do estoque do contribuinte e em dissonância com o art 261 do RIR/99, in verbis: (...) Art. 261. No Livro de Inventário deverão ser arrolados, com especificações que facilitem sua identificação, as mercadorias, os produtos manufaturados, as matériasprimas, os produtos em fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim da cada período de apuração (Lei n° 154, de 1947, art. 2°, § 2o, Lei n° 6.404, de 1976, art. 183, inciso II, e Lei n° 8.541, de 1992, art. 3o). (...) 2.7.3 Livro Registro de Saídas Após as solicitações de escrituração e pedido de esclarecimentos sobre a falta de escrituração das notas fiscais 610 e 611 (Termo de Intimação 21/09/2011), constatamos a rasura do Livro Fiscal com as inclusões das supramencionadas notas, onde o próprio contribuinte afirma, através de declaração (28/09/2011), ter procedido a retificação do Livro ao invés de somente especificar o tratamento dado a estas notas conforme lhe foi requerido. Salta aos olhos outras rasuras efetuadas no livro fiscal, pontualmente, destacamos a rasura notada na página 39, mês 03/2010, Nf 685, consta no livro a emissão na data de 05/03/2010, todavia, a data que consta no documento é 05/05/2010 pois se trata da data correta. Observamos que as mercadorias vendidas por intermédio desta nota correspondem exatamente as mercadorias desembaraçadas na data de 05/05/2010 por meio da Dl 10/07249538, por conseguinte o mês de apuração correto é 05/2010. 2.7.4 Conclusão acerca da Escrituração Tendo em vista o exposto, concluímos que a escrituração apresenta inconsistências que justificam a aplicação do Regime do Lucro Arbitrado. (GRIFEI) Desse relato depreendese que o contribuinte apresentou os livros contábeis e fiscais, no entanto, a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas nos livros fiscais (Livro Registro de Entrada, Livro de Inventário e Livro Registro de Saídas) discriminadas no Relatório Fiscal. Caso o contribuinte não houvesse apresentado os livros contábeis e fiscais relativos ao ano calendário de 2010, ainda que não expressamente intimado para tanto, a fundamentação para o arbitramento do lucro seria o inciso I ou III e não o inciso II do artigo 530 do RIR/99, como descrito nos autos de infração. Para melhor compreensão transcrevo tal dispositivo legal. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 9 15 Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... Na ementa da decisão recorrida consta o seguinte: LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular, deve ser tributado pelo Lucro Arbitrado. Como se vê, tal fundamentação é a prevista no inciso III do artigo 530 acima transcrito, mas a motivação para o arbitramento do lucro adotado pelos autuantes é a constante no inciso II, acima explicitado. Com efeito, não cabe a autoridade julgadora alterar os fundamentos da autuação para aperfeiçoar o lançamento tributário. Vale ressaltar que, a desclassificação de escrita, para fins de arbitramento do lucro, somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real da empresa. Para fins de apuração das bases de cálculos constantes nos autos de infração, os autuantes elaboraram as seguintes planilhas em relação ao ano calendário de 2010: Planilha 03 Receitas não declaradas AC 2010 – Relação com nº e valor das Notas Fiscais de Saídas, no 1º e 2º Trimestre de 2010; Planilha 05 Levantamento das entradas/saídas no estoque (pneus) com base nas Dls E NFs DE saída AC 2010 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Planilha 06 Total do estoque final (ac 2010) x preço médio para cálculo da receita omitida em 31/12/2010 no valor de R$ 1.231.912,25, por revenda de mercadorias sem emissão da(s)respectiva(s) nota(s) fiscal(is). O Relatório Fiscal esclarece que a planilha 06 demonstra a omissão de receita consubstanciada na omissão de vendas com base no levantamento do estoque de pneumáticos resultante do cotejo entre as informações destacadas nas Declarações de importação e notas fiscais da saída. Apesar das irregularidades apontadas nos mencionados livros fiscais (Livro Registro de Entrada, Livro de Inventário e Livro Registro de Saídas) consideroas insuficientes para desclassificar a escrituração e tornar impossível a apuração do lucro real da empresa, pois, diante dos demais elementos probantes (notas fiscais, declarações de importação, levantamento dos estoques inicial e final em 31/12/2010 e planilhas elaboradas pelos autuantes) tornouse possível ao Fisco apurar a matéria tributável/receita omitida. A autoridade não descreve qual a imprestabilidade dos livros contábeis. Nesse diapasão, o artigo 288 do Decreto 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) assim dispõe Art.288.Verificada omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei n º 9.249, de 1995, art. 24). Gizse, a verificação de documentos apresentados pelo contribuinte que permitem ao AuditorFiscal apurar as receitas omitidas com a prova das notas fiscais emitidas e DIs que também permitem o levantamento dos estoques e a constatação da revenda de mercadorias sem emissão da(s)respectiva(s) nota(s) fiscal não impossibilitam a apuração das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A constatação de notas fiscais de entrada e saída não escrituradas ou com “erros e falhas” nos livros fiscais (Livro Registro de Entrada, Livro de Inventário e Livro Registro de Saídas) servem para demonstrar a existência da omissão de receitas mas não necessariamente servem de fundamento para a desclassificação da escrita tornandoa imprestável para a apuração do lucro real e conseqüente arbitramento do lucro. Nos moldes da autuação, toda omissão de receita, não escriturada, seria motivo para o arbitramento do lucro o que não se admite em respeito às hipóteses definidas em lei como causa para o arbitramento do lucro (RIR/99, art. 530). Destarte, afastado o arbitramento do lucro pelas razões acima, caem por terra os tributos exigidos com a base de cálculo arbitrada, ainda que configurada a omissão da receita constatada pelo Fisco. Pelas razões acima, entendo que não podem prosperar os lançamentos que tenham por base o lucro arbitrado, no caso dos presentes autos, o IRPJ e a CSLL. Quanto à CSLL, decorrendo a exigência das contribuições do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não presentes elementos de prova a ensejar conclusão diversa Fl. 806DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720228/201216 Acórdão n.º 1802001.982 S1TE02 Fl. 10 17 De outra banda, mas preservando a coerência com o decidido no presente voto, entendo que não há reparo quanto aos lançamentos do PIS e da Cofins, em questão, pois, apesar da origem em matéria fática apurada na exigência principal, em que a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, as bases de cálculos mensais relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio e dezembro de 2010, das mencionadas contribuições (PIS e Cofins ) não são o lucro arbitrado trimestral, e sim, os valores das receitas mensais omitidas, discriminadas nos autos de infração e planilhas 03, 05 e 06 anexas ao Relatório Fiscal que fazem parte integrante dos autos de infração. Portanto, não há fundamento para afastar as contribuições do PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: a) exonerar as exigências relativas ao ano calendário de 2009 porque não lançadas com base no Simples Nacional, bem como o IRPJ e a CSLL relativos ao ano calendário de 2010 porque lançados com base no lucro arbitrado; e b) manter o PIS e a Cofins em relação ao ano calendário de 2010. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11610.004256/2007-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA.
Por forço do disposto no art. 62-A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1803-002.009
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Acompanhou o Dr. Nazir Araujo da Fonseca Júnior. OAB/DF 38.889.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Configura a denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento de ofício ou declaração do débito em DCTF. O instituto da denúncia espontânea elide a exigência das multas de ofício e de mora. (Inteligência do REsp STJ nº 1.149.022, representativo de controvérsia Art. 543C do CPC e art. 62A do RICARF). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. Por forço do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 42 56 /2 00 7- 17 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Acompanhou o Dr. Nazir Araujo da Fonseca Júnior. OAB/DF 38.889. Relatório EDP LAJEADO ENERGIA S/A, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. O presente processo trata do Auto de Infração nº 1007876 (fls. 29 a 34), lavrado eletronicamente em 14/03/2007, em procedimento interno de auditoria de Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais – DCTF, para exigência de multa moratória não recolhida por ocasião do pagamento em atraso de parcela da estimativa mensal de IRPJ relativa a dezembro/2003 (código de receita 2362). O Anexo IIb – Demonstrativo de Pagamentos Efetuados após o Vencimento do Auto de Infração (fls. 31) aponta que a parcela de R$122.138,27 relativa à estimativa mensal de IRPJ de dezembro/2003, cujo vencimento ocorreu em 30/01/2004, foi paga em 09/12/2004, tendo sido recolhidos R$122.138,27 a título de principal e R$16.354,31 a título de juros moratórios. Ante o exposto, foi lavrado Auto de Infração para a exigência de R$24.427,65 a título de multa de mora, com fundamento no art. 160 da Lei nº 5.172/66, nos artigos 43 e 61, §§1º e 2º, da Lei nº 9.430/96 e art. 6º e parágrafo único da Lei nº 10.426/2002. Cientificada da autuação por via postal em 09/04/2007 (fls. 35), a contribuinte apresentou, em 08/05/2007, a impugnação de fls. 2 a 11, acompanhada dos documentos de fls. 12 a 34, consistentes em cópias de atos societários, da procuração, do documento de identificação da advogada que subscreve a impugnação e do auto de infração. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11610.004256/200717 Acórdão n.º 1803002.009 S1TE03 Fl. 93 3 A impugnante alega ser indevida a exigência de multa moratória, visto que o pagamento foi efetuado espontaneamente, sem que o Fisco tivesse realizado qualquer procedimento para a exigência do tributo, restando configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN, que determina o pagamento apenas do tributo e dos juros moratórios. A corroborar seu entendimento, cita jurisprudência administrativa e judicial. Assim, requer o cancelamento do auto de infração. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1634.912, de 28 de novembro de 2012 (fls. 39/43), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento de tributo ou contribuição se der após o vencimento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional, exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, não as de natureza moratória. Ciente da decisão em 16/03/2012, de forma pessoal (fl. 48), apresentou o recurso voluntário em 12/04/2012 fls. 80/90, onde reitera suas alegações da inicial. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Não obstante o equivocado despacho de fls. 92, onde tomando por base manifestação sobre a tempestiva apresentação da impugnação (fls. 67/68), aludiuse suposta intempestividade, conheço do recurso voluntário. Na mesma data (12/04/2012) formalizouse o recurso voluntário do processo 11610.004257/200753, considerado tempestivo pela unidade de origem e que contém o mesmo carimbo e data do presente processo. Trata o presente processo de lançamento de ofício, de multa de mora decorrente de pagamento com atraso de tributo apenas com os acréscimos de juros de mora. Alega a recorrente em síntese: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 a) Que efetuou o pagamento de diferença de imposto, apresentando posteriormente a DCTF retificadora estando portanto ao abrigo da denúncia espontânea e não se sujeitando ao pagamento da multa de mora lançada de ofício; b) Que não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, conforme já reconheceu a jurisprudência reproduzida no recurso voluntário. Assiste razão à interessada. Com efeito, em diversas ocasiões já tenho manifestado meu ponto de vista acerca da improcedência da exigência de ofício de forma isolada de multa de mora, considerando que o método de imputação proporcional é o único que se afeiçoa às determinações contidas no Código Tributário Nacional, conforme já reconheceu o Parecer PGFN CDA nº 1.936/2005. Tal constatação por si só já implicaria reconhecimento da improcedência do lançamento e o cancelamento da exigência. Contudo, no caso presente impõese reproduzir decisão emanada do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Neste sentido, cabe observar o contido no Recurso Especial nº 1.149.022/SP do STJ, submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia do art. 543C do CPC, com a seguinte ementa: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11610.004256/200717 Acórdão n.º 1803002.009 S1TE03 Fl. 94 5 noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp. 1.149.022, 09.06.2010, Rel. Min. Luiz Fux, Conforme se depreende do aresto transcrito, o Superior Tribunal de Justiça reconhece a existência do instituto da denúncia espontânea, configurado o prévio recolhimento com os acréscimos da taxa SELIC à título de juros de mora, desde que antes do lançamento de ofício ou da confissão da dívida mediante entrega da DCTF retificadora. Afasta outrossim, quaisquer dúvidas a respeito da aplicação do instituto da denúncia espontânea sobre quaisquer modalidades de penalidade, afastando inclusive a multa de mora decorrente de simples atraso de pagamento. Destarte, impõe verificar se a situação fática contida no presente processo se amolda aos requisitos estipulados pelo Egrégio Sodalício. Conforme se verifica do auto de infração e seus anexos (fls. 25/30), constata se que a exigência se refere ao lançamento de ofício de multa de mora isolada, em virtude do recolhimento de IRPJ em atraso efetuado em 09/12/2004 (vcto. 31/01/2004), vinculado ao débito constante da DCTF retificadora, entregue em 07/12/2005 (fl. 25). Ainda de acordo com o detalhamento do mesmo auto de infração (fl. 27), constatase que houve o recolhimento dos correspondentes juros de mora. Desta forma, entendo restarem atendidos os requisitos para reconhecimento e configurada a denúncia espontânea, conforme preconizado no art. 138 do Código Tributário Nacional, eximindo em conseqüência a aplicação e exigência da multa de mora decorrente do recolhimento de tributo em atraso. Ante o exposto, voto para dar provimento integral ao recurso. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10183.004486/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA).
Por se tratar de áreas que independem do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento de APP e ARL declaradas em DITR. Precedentes.
RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO PRÉVIA NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA.
Tendo sido comprovada a prévia averbação de ARL na matrícula do imóvel, tal deve ser reconhecida e excluída da base tributável do ITR.
VALOR DA TERRA NUA - VTN ARBITRADO COM BASE NO SIPT. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. MANUTENÇÃO.
Não tendo sido impugnado o fundamento da decisão recorrida que confirmou o VTN arbitrado com base no SIPT, tal deve ser mantido para fins de cálculo do ITR, especialmente porque baseado na média por aptidão agrícola do município.
Numero da decisão: 2202-002.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer os valores declarados como Área de Preservação Permanente - APP e Área de Reserva Legal - ARL. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 12/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Por se tratar de áreas que independem do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento de APP e ARL declaradas em DITR. Precedentes. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO PRÉVIA NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA. Tendo sido comprovada a prévia averbação de ARL na matrícula do imóvel, tal deve ser reconhecida e excluída da base tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN ARBITRADO COM BASE NO SIPT. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. MANUTENÇÃO. Não tendo sido impugnado o fundamento da decisão recorrida que confirmou o VTN arbitrado com base no SIPT, tal deve ser mantido para fins de cálculo do ITR, especialmente porque baseado na média por aptidão agrícola do município. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer os valores declarados como Área de Preservação Permanente APP e Área de Reserva Legal ARL. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 44 86 /2 00 7- 92 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 14 2 (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 12/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (Fls. 0611), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercícios 2003 e 2005, no valor total de R$ 4.377.241,74, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário (Fls. 02) do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 1.595.3068, localizado no município de Santa Carmen – MT, sendo R$ 2.019.964,24 à título de imposto, R$ 842.304,32 à título de juros de mora e R$ 1.514.973,318 à título de multa. Na descrição dos fatos (Fls. 0810), o fiscal autuante relata a falta de recolhimento do ITR dos exercícios citados acima, apurados após a alteração da declaração do contribuinte, por não terem sido comprovadas as informações nela contidas. Ainda, que não houve a comprovação da solicitação de emissão do ADA – Ato Declaratório Ambiental, protocolizado junto ao IBAMA, sendo desconsiderada a Área de utilização Limitada. Também, que o contribuinte não teria apresentado o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua – VTN, sendo arbitrado o Valor da Terra Nua com base nas informações do SIPT – Sistema de Informações de Preços de Terras. Por fim, que não houve a apresentação de Laudo elaborado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, informando as áreas que se enquadrariam na legislação, nem a documentação exigida para comprovação das Áreas de Preservação Permanente, sendo estas também desconsideradas. Foi exarado Termo de Intimação Fiscal n° 01301/00045/2006 (Fls. 1314), intimando o contribuinte para a juntada dos seguintes documentos, dos anos de 2003 e 2005: Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do património natural ou de servidão florestal. Cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 15 3 Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico. Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Apresentada manifestação pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal (Fls.2324), requereu dilação de prazo para apresentação de documentos, mas apresentou Matrículas do Registro de Imóveis n.° 9.564 e 9.565, onde consta a averbação da área de reserva legal (Fl. 3136). Enviado Ofício ao Prefeito do Município de Santa Carmen (Fl. 4445), solicitando os valores de mercado, por hectare e por aptidão das terras de tal Município nas datas de 1º de janeiro de 2002 à 2006, houve resposta à Fl. 47. Impugnação Cientificado do Auto de Infração em 11/10/2007 (Fl. 54), a interessada apresentou a impugnação às fls. 5566. Inicialmente informa que a área total da fazenda é constituída das Matrículas 9.564 e 9.565, totalizando a área de 6.728,9ha. Alega que a Área de Reserva Legal declarada no ITR exercício de 2003 esta devidamente averbada as margens das Matrículas do Registro Imobiliário desde 17/07/1991, sendo esta de 5.553,1ha. Também, que a área de reserva legal declarada no ITR 2005, de mesmo modo, está devidamente averbada as margens das Matrículas, onde consta averbada a área de utilização limitada de 4.764,2ha. Quanto à Área de Preservação Permanente declarada no ITR do exercício 2005, de 264,2ha, localizada dentro das 2 matrículas, esta encontrase comprovada por meio de carta imagem georeferenciada com laudo técnico, a ser juntada no prazo de até 30 dias, assim como laudo com fotos devidamente assinado por engenheiro credenciado com ART. Discorda ainda da exigência de ADA, para fins de isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, uma vez que vai de encontro ao Princípio da Legalidade, afirmando ainda, se tratar de mero instrumento declaratório da existência de uma situação fática prévia, mas anexa o mesmo do ano de 2007 (Fls. 6869). Ainda, insurgese contra a aplicação da multa de ofício na ordem de 75%, uma vez que não subsiste qualquer imposto suplementar a ser objeto de lançamento. Por fim, quanto ao Valor da Terra Nua, solicita a dilação de prazo por 180 dias para elaboração e apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, impugnando também tal valor, por não retratar a realidade dos valores praticados na região durante os anos de 2003 e 2005, tendo em vista que à época desencadeou se várias operações de combate a extração ilegal de madeira, assim como a baixa do dólar e o aumento do preço dos insumos, fazendo despencar os preços dos imóveis na região. Também, pois não observadas as particularidades da Fazenda, sendo área de difícil acesso. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 16 4 Assim, requer a anulação do Auto de Infração lavrado, para que sejam excluídas de tributação as áreas declaradas como de reserva legal e preservação permanente. Colaciona vasta jurisprudência do CARF. Solicita a realização de vistoria técnica no imóvel, caso entenda a Receita necessário, para confirmação das informações. Intimado para apresentação de cópias do Estatuto Social (Fl. 89), juntou o contribuinte o mesmo e requereu prorrogação de prazo para apresentação do Laudo de avaliação do imóvel por mais 60 dias. Protocolada petição em 30/11/2007 pelo contribuinte (Fls. 116117), juntando Laudo Técnico de Constatação e comprovação da área existente de Utilização limitada, Reserva Legal e Preservação Permanente no imóvel, elaborado e assinado por Engenheiro competente e credenciado no CREA, dos anos de 2003 (Fls. 118124) e 2005 (Fls. 134140); Carta – Imagem de Satélite do ITR 2003 (Fl. 125) e 2005 (Fl. 141), elaboradas com a caracterização do imóvel, destacandose a área existente de Utilização limitada, Reserva Legal e Preservação Permanente; ART – Autorização de Responsabilidade Técnica devidamente recolhida (Fls. 126 e 142)); ADA – Ato Declaratório Ambiental de recibo n° 10751510136786 constando a área de Reserva Legal e Preservação Permanente (Fls. 149150); e requerendo nova dilação de prazo para apresentação de Laudo de avaliação do imóvel. Decisão da DRJ Considerada tempestiva, a impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 1ª Turma da DRJ de Campo Grande (Fls. 152162), mantendose o crédito tributário exigido. Quanto ao pedido de perícia, entendeu o órgão julgador, que a mesma não merecia deferimento, pois somente visaria corroborar informações que poderiam por este serem produzidas por outros meios. Quanto à nulidade do Auto, entendeu também o julgador que o mesmo contém todos os requisitos exigidos na legislação, havendo também a prévia intimação para apresentação da documentação exigida, não podendo a impugnante sequer alegar cerceamento de defesa. No mérito, não restou melhor sorte ao impugnante. No que concerne a multa, sendo esta decorrente de expressa previsão legal, não há autorização normativa para o julgador afastar ou reduzir a multa aplicada no lançamento. Que seriam imprescindíveis para a comprovação das referidas áreas, o ADA protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado e a averbação prévia da ARL, vez que decorrentes de lei, não se podendo levantar questionamentos acerca das legalidades de referidas exigências. Ainda que tenha sido trazido aos autos matrículas dos imóveis com averbação de “área de utilização limitada” desde 1991, bem como atualização da dimensão de área averbada como ARL em 2003, entendeu a DRJ que não teriam sido apresentados o ADA e a averbação tempestivos para os Exercícios do lançamento, não havendo, portanto, como se acatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal pretendidas. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 17 5 Por fim, quanto à utilização da tabela SIPT, afirma que este encontra amparo legal, e que somente é utilizado quando, após intimado o contribuinte, o mesmo não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, e, como não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não há de ser revisto o valor arbitrado. Recurso Voluntário De tal decisão, foi cientificado o contribuinte em 03/11/2009 (Fl. 169), tendo o mesmo interposto, em 23/11/2009, Recurso Voluntário (Fls. 172229), sob os seguintes argumentos: Que o Auto de Infração seria nulo, uma vez que não cita a área total da fazenda, composta pelas duas matrículas. Que constam nos autos o Laudo Técnico de Constatação e as cópias das Matrículas de Registro de Imóveis, os quais foram ignorados na decisão recorrida, em flagrante omissão; Que o ITR exigido sobre as Áreas de Reserva Legal é extralegal, uma vez que devidamente averbado na matrícula a condição limitadora de utilização, com averbação do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal; Que as Áreas de Preservação Permanente e as Áreas de Reserva Legal são isentas do recolhimento do ITR, independentemente da apresentação tempestiva do ADA; Que a entrega posterior do ADA não traz qualquer prejuízo ao Fisco Federal; Que não se mostra razoável o indeferimento da perícia pleiteada, em respeito a ampla discussão e investigação das questões concernentes; Colaciona vasta jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, STJ e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais corroborando com a suas teses. Ainda, junta novamente a documentação já apresentada, e mais cópias de Autorizações para Exploração de Plano de Manejo Florestal Sustentado. É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 18 6 O art. 10, § 1, II, da Lei 9.393/961, exclui do conceito de área tributável para fins de ITR, entre outras, as áreas de preservação permanente (APP), de reserva legal (ARL) e de interesse ecológico. Quanto às APP e ARL, suas definições estão previstas no art. 1º, § 2º, II e III, da Lei nº 4.771/65, devendo o contribuinte apenas declarálas em DITR, informação esta que “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis” (art. 10, § 7º, da lei 9.393/96). Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, devendo a Administração, em caso de dúvidas, demonstrar que o contribuinte incorreu em falsidade. No caso em questão, justamente em decorrência de dúvidas por parte da fiscalização acerca da veracidade das informações prestadas a título de ARL (DITR 2003 e 2005) e APP (DITR 2005), foi o contribuinte intimado a apresentar documentos que as corroborassem, tendo sido entregue, naquele momento, cópia das matrículas dos imóveis, nas quais constam averbação de áreas de utilização limitada desde o ano de 1991 (nos termos informados na DITR 2003) e retificação no ano de 2003 (nos termos informados na DITR 2005). Ainda, após a apresentação de sua impugnação, o contribuinte juntou aos autos Laudos Técnicos – referentes ao ITR de 2003 (Fls. 118124) e de 2005 (Fls. 134140) –, devidamente assinados por profissional qualificado e registrado junto ao CREA (Fls. 126 e 142), nos quais foi demonstrada a existência das APP e ARL declaradas. Após a detida análise dos autos, estou entendendo por discordar em parte da fiscalização e reformar parcialmente da decisão recorrida para que seja excluída a glosa das APP e ARL para fins de cálculo do ITR em questão, em especial observância à verdade da real. Com efeito, conforme se verifica da autuação lavrada (Fl. 08), a fiscalização fundamenta a glosa das APP e ARL no fato de não ter o contribuinte comprovado a apresentação de ADA, conforme exigiria o § 1º do art. 17O da Lei 6.938/812 (com a redação 1 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; redação vigente ao tempo do fato gerador b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; 2 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 19 7 dada pela Lei nº 10.165/00), segundo o qual, “a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Entretanto, entendo que tal disposição deve ser interpretada em harmonia e de forma sistemática com o caput do referido art. 17O. Neste ponto, ao determinar que “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ... taxa de Vistoria”, entendo que o aludido dispositivo está, no seu caput, admitindo que há casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA” (ou mesmo de outro ato ou reconhecimento do Poder Público), hipótese esta em que tal artigo de lei (em sua íntegra, logicamente) não se aplicará. Nesse mesmo sentido, aliás, entendendo que a exigência de ADA para fins de reconhecimento de APP e ARL somente se aplicaria aos casos em que a existência da área ambiental, para fins de redução de ITR, dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público, assim já entendeu esse Conselho, ao julgar, em 10/02/2011, o Processo nº 13161.000676/200604, por meio do Acórdão n.º 220100.985, cuja relatoria foi do eminente Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cabendo a transcrição do seguinte trecho do voto proferido: Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: (...) Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA, para todas as situações de áreas ambientais, como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in clariscessatinterpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe ou não a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 20 8 O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância relativa ao fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; (...) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 21 9 esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR, define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: (...) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: (…) Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 17O, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. E a resposta é negativa. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 22 10 Em conclusão, penso que o art. 17O da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. No caso dos autos, as APP e ARL se enquadram entre aquelas cujo reconhecimento da área, para fins de redução do ITR, independem de ato específico do Poder Público, não estando enquandradas no caput do art. 17O da Lei nº 6.938/81 e não lhes sendo aplicável, portanto, a exigência do seu §1º, restando afastada a exigência de entrega do ADA para permitir a exclusão das aludidas áreas do conceito de área tributável para fins de ITR. Ademais, especificamente em relação à Area de Utilização Limitada/ARL declarada nas DITRs de 2003 e 2005, também restou exigido pela fiscalização para o seu reconhecimento a prévia averbação na matrícula do imóvel. Nesse ponto, encontrase equívoco na decisão da DRJ ao afirmar que não foi providenciada averbação tempestiva para os Exercícios do lançamento (fl 161). Isso porque, conforme comprovam as cópias das matrículas juntadas aos autos: (i) no ano de 1991 (Fls. 31/32), foi feita averbação de “área de utilização limitada” relativamente aos 1.175,8 ha assim declarados em 2003, e (ii) em 2003 (Fls. 34/35) houve atualização de matrícula e averbação relativamente aos 3.588,43 declarados a mais em 2005 (exercício em que a ARL totalizou 4.764,2 ha). Dessa forma, independentemente do debate acerca da exigência ou não averbação de ARL na matrícula do imóvel para garantir o seu reconhecimento para fins de redução do ITR, tal requisito foi devidamente comprovado pelo contribuinte, justificandose, por mais esse fundamento, a exclusão da glosa de tal área feita pela fiscalização quando da lavratura da autuação. Por tais razões, visto que devidamente comprovada a existência de ARL e APP nos termos declarados pelo contribuinte, entendo que deva ser provido o recurso voluntário, para o fim de exclusão de tais áreas na apuração do ITR devido nos exercícios de 2003 e 2005. Valor da Terra Nua Quanto ao Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela Fiscalização no caso em tela, não houve insurgência do contribuinte em seu Recurso Voluntário. Nesses casos, o art. 17 do Decreto 70.235/72 dispõe expressamente que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) E neste sentido são as seguintes decisões deste Conselho: Processo nº 15758.000533/200952 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 23 11 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1202000.948 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2013 Matéria IRPJ AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes CSI CENTRO DE SERVIÇOS INTEGRADOS SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO EXOFFÍCIO. MULTA AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. Devese dar provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, quando a decisão recorrida decidiu, de forma equivocada, o não agravamento, em 50%, da multa de ofício aplicada, uma vez que ficou evidenciada a não prestação de esclarecimentos e a não entrega dos livros e documentos pelo sujeito passivo, no prazo marcado, quando regularmente intimado. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitivamente julgada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. (...) Processo nº 13866.000231/0021 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.936 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria RessarcimentoCrédito Presumido de IPI Compensação Recorrente NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 24 12 Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação retificadora e não da data do pedido de ressarcimento ou do pedido de compensação substituído. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT), por se encontrarem fora do campo de incidência do IPI, não podem ser considerados produtos industrializados. Por conseguinte, não podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. Portanto, só integram a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos consumidos na produção que entrem em contato direto com o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. CAL VIRGEM. A cal virgem, utilizada para alterar as características da cana de açúcar de modo evitar a proliferação de bactérias, caracteriza se como produto consumido no processo de fabricação de açúcar e álcool e, assim, como insumo, para efeito de crédito de IPI. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 25 13 VARIAÇÕES CAMBIAIS. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. ACEITAÇÃO TÁCITA. Computase como acatada a decisão proferida em primeira instância administrativa julgadora quando não for expressamente confrontada no recurso. (...) Destaco, ainda, que, das informações constantes dos autos, não há indicação de que o VTN aplicado pela Fiscalização com base no Sistema de Preços da Terra SIPT tenha sido apurado a partir do universo de DITRs apresentadas para determinado município no mesmo exercício (caso em que seria vedada a sua utilização, conforme reiteradas decisões desse Conselho). Ao contrário, foi juntado ao processo VTN médio por Aptidão Agrícola (Fl. 5253), dos anos de 2003 e 2005 do Município de Santa Carmen. Sendo assim, neste ponto, entendo não merecer reparos a decisão da DRJ. Com base no exposto, voto pelo parcial provimento do Recurso Voluntário para o fim de determinar a exclusão das áreas de utilização limitada/ARL e APP na apuração do ITR devido nos exercícios de 2003 e 2005, mantendo o VTN arbitrado pela fiscalização. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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