Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10640.721177/2011-22
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade do pagamento de despesa efetuada com tratamento odontológico, nos termos da legislação aplicável, deve ser restabelecida a dedução da despesa glosada em procedimento de revisão da declaração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 1.600,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade do pagamento de despesa efetuada com tratamento odontológico, nos termos da legislação aplicável, deve ser restabelecida a dedução da despesa glosada em procedimento de revisão da declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10640.721177/2011-22
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5325850
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.356
nome_arquivo_s : Decisao_10640721177201122.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 10640721177201122_5325850.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 1.600,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5304954
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368094781440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 69 1 68 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.721177/201122 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.356 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente EDSON SOARES PECHINCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade do pagamento de despesa efetuada com tratamento odontológico, nos termos da legislação aplicável, deve ser restabelecida a dedução da despesa glosada em procedimento de revisão da declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 1.600,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 11 77 /2 01 1- 22 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.721177/201122 Acórdão n.º 2801003.356 S2TE01 Fl. 70 2 Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrada, em 21/02/2001, Notificação de Lançamento (fl. 13) relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 2010, anocalendário de 2009. Observase no demonstrativo de apuração do imposto devido, na folha 16, que não houve a exigência de crédito tributário, mas somente a alteração do valor do imposto a restituir, apurado pelo próprio contribuinte na DIRPF. Verificase, na “descrição dos fatos e enquadramento legal”, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que efetuou a glosa de despesas médicas referentes ao plano de saúde em nome de Efhigência Maria da Fonseca Pechincha, considerando que a mesma não é dependente do contribuinte, nos termos da legislação aplicável, e do valor de R$ 1.600,00 referente a serviço odontológico, por estar o documento apresentado para comprovação da despesa ilegível. (fl. 15) Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento, que foi conhecida e tratada pela DRJ/Juiz de Fora/MG nos seguintes e resumidos termos: A Fiscalização glosou a despesa médica declarada com a Cob Ortondotia Ltda., no valor de R$1.600,00, por estar ilegível o documento comprobatório oferecido pelo contribuinte, a nota fiscal apensada à fl. 25, não sendo possível identificar o valor nela descrito. Na fase impugnatória, então, o interessado ofereceu outra cópia, que se mostra legível, fl. 4; tal documento foi emitido naquele exato valor, porém, nele não há informação da forma de pagamento, nem foi ali dado a efetiva quitação daquele valor, ao contrário das demais notas fiscais apresentadas pelo contribuinte à autoridade revisora – fls. 28/39. Diante dessa irregularidade, é de se manter a glosa da dedução correspondente. Quanto à glosa das despesas médicas com plano de saúde de sua esposa, em que pese a reclamação do contribuinte, o art. 80, §1º inciso II, do RIR/1999, anteriormente transcrito, somente admite despesas médicas para fins de dedução quando efetuadas em benefício do próprio contribuinte ou de seu dependente. Assim, diante de tal orientação, independe quem sofreu o ônus do pagamento, sendo relevante para o pleito de dedução quem foi o beneficiário do serviço médico prestado; logo, sendo o valor questionado pago em função da esposa do contribuinte e não estando ela relacionada na DIRPF/2010 revisada como dependente do declarante, sendo certo que nem poderia pois apresentou declaração em separado, não há dúvida de se tratar indevida a dedução correspondente, devendo, portanto, ser mantida a glosa sob análise. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.721177/201122 Acórdão n.º 2801003.356 S2TE01 Fl. 71 3 E assim deuse o resultado do Julgamento recorrido, para considerar improcedente a impugnação, nos termos do Voto do Relator. Não satisfeito, o contribuinte apresentou singelo recurso voluntário, onde não questiona a glosa da despesa com o plano de saúde, efetuada em nome de pessoa não dependente, mas apenas se manifesta expressamente sobre a glosa da despesa odontológica, em função de não existir na Nota Fiscal exibida a quitação pelo pagamento. Diz que houve um “lamentável descuido do expedidor da referida nota fiscal” (fl. 64) Assim, requer que seja reconhecida a dedução do IR referente a tal despesa. Anexa, na folha 66, uma declaração da empresa de ortodontia expedidora da Nota onde está declarado que a mesma foi devidamente quitada na data de sua emissão, em pagamento à vista, pelo próprio contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 07/12/2011 (fl. 63) e o recurso voluntário foi protocolado, dentro do prazo legal, em 16/12/2011 (fl. 64). O recurso é tempestivo e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. DA DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Conforme art. 80 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.721177/201122 Acórdão n.º 2801003.356 S2TE01 Fl. 72 4 Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei) O contribuinte teve duas de suas despesas glosadas pela Fiscalização. Quanto à glosa efetuada no valor de R$ 6.205,92, referente a plano de saúde em nome de pessoa não dependente, não se manifesta expressamente no recurso e considerarseá matéria não recorrida, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Quanto à glosa da despesa de R$ 1.600,00 relativa a tratamento odontológico, encontrase duas razões para decidir a seu favor. A primeira é que o motivo alegado pela Fiscalização para não admitir a dedução da despesa foi unicamente considerar ilegível o documento apresentado. Especificou ainda que “não tendo sido possível a identificação do valor pago”. Juntamente com a impugnação, o contribuinte apresentou nova cópia da Nota Fiscal, conforme fl. 4, onde está claramente legível o valor de R$ 1.600,00. Mas o julgador de 1ª instância inovou na motivação para entender que: A Fiscalização glosou a despesa médica declarada com a Cob Ortondotia Ltda., no valor de R$1.600,00, por estar ilegível o documento comprobatório oferecido pelo contribuinte, a nota fiscal apensada à fl. 25, não sendo possível identificar o valor nela descrito. Na fase impugnatória, então, o interessado ofereceu outra cópia, que se mostra legível, fl. 4; tal documento foi emitido naquele exato valor, porém, nele não há informação da forma de pagamento, nem foi ali dado a efetiva quitação daquele valor, ao contrário das demais notas fiscais apresentadas pelo contribuinte à autoridade revisora – fls. 28/39. Diante dessa irregularidade, é de se manter a glosa da dedução correspondente. . (grifei) Não obstante, encontrase uma segunda e determinante razão que é a declaração apresentada pelo Recorrente, assinada pelo emissor da Nota Fiscal em comento, dandolhe quitação por pagamento à vista, na data da emissão, em 08/12/2009 (fl. 66). CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar, na apuração da base de cálculo do imposto devido, o valor de R$ 1.600,00 (um mil e seiscentos reais) como dedução a título de despesas médicas, anteriormente glosado. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.721177/201122 Acórdão n.º 2801003.356 S2TE01 Fl. 73 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930872/2011-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.930872/2011-39
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320900
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.520
nome_arquivo_s : Decisao_11080930872201139.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080930872201139_5320900.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5276078
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368098975744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.930872/201139 Recurso nº Acórdão nº 3801002.520 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERAÇÃO CRM. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 72 /2 01 1- 39 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.358, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930872/201139 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as 4 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724364/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 21/10/2010
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1101-001.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário com retorno à origem., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 21/10/2010 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15374.724364/2009-54
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315776
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-001.012
nome_arquivo_s : Decisao_15374724364200954.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
nome_arquivo_pdf_s : 15374724364200954_5315776.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário com retorno à origem., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
id : 5242134
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368107364352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 352 1 351 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.724364/200954 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.012 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ Compensação de Saldo Negativo Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 21/10/2010 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário com retorno à origem., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 64 /2 00 9- 54 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 353 2 Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 354 3 Relatório PETROLEO BRASILEIRO S.A PETROBRÁS, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de no Rio de Janeiro I/RJ que, por UNANIMIDADE de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado pela pessoa jurídica nos PER/DCOMP n. 15845.20729.160710.1.7.042049, 33219.13142.160710.1.7.047454 e 18267.68287.300710.1.3.046102 e não homologou as compensações dos débitos declarados nos referidos PER/DCOMP. Consta na decisão recorrida que o processo versa sobre compensações declaradas pela contribuinte por meio dos PER/DCOMP, de débitos de estimativa de IRPJ (código 2362) e CSLL (código 2484), com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior da estimativa de IRPJ, período de apuração maio/2008, realizados por meio de DARF (código 2362), no valor de R$178.118.817,34. PER/DCOMP n° Débito Crédito DARF 36681.10121.300909.1.3.04 0937(retificado pelo de n°19683.28652.260210.1.7.04 7473) CSLL (PA: agosto/2009) Vl: R$ 24.119.026,06 R$ 22.608.760,84 R$ 178.118.817,34 19683.28652.260210.1.7.047473 (retifica o de n° 36681.10121.300909.1.3.040937) CSLL (PA: agosto/2009) VI: R$10.956.939,78 R$ 22.608.760,84 R$ 178.118.817,34 15845.20729.160710.1.7.042049 (retifica o PER/DCOMP n° 9683.28652.260210.1.7.047473) CSLL (PA: agosto/2009) VI: R$ 10.196.501,03 R$ 22.608.760,84 R$ 178.118.817,34 33219.13142.160710.1.7.047454 IRPJ (PA: janeiro/2010) VI: R$ 13.585.276,72 R$ 13.050.735,88 R$ 178.118.817,34 18267.68287.300710.1.3.046102 IRPJ (PA: junho/2010) VI: R$ 810.265,03 R$ 712.822,23 R$ 178.118.817,34 O despacho decisório emitido em 21/10/2010 (fl. 41) negou o direito à compensação nos seguintes termos: 1) Deferir os pedidos de retificação de DCOMP de n.°19683.28652.260210.1.7.04 7473 e 15845.20729.160710.1.7.042049; 2) NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas nas Declarações de Compensação a seguir relacionadas: PER/DCOMP 15845.20729.160710.1.7.042049 33219.13142.160710.1.7.047454 18267.68287.300710.1.3.046102 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 355 4 A decisão baseouse no Parecer conclusivo n. 060/2010 (fls. 3640), que em síntese, relata : “Trata o presente processo de declarações de compensação, fls. 03/07 e 26/35, nas quais é utilizado suposto indébito tributário, no montante de R$ 22.608.760,84, que segundo a contribuinte tem origem no pagamento a maior da estimativa de IRPJ de maio de 2008. Salientese que as DCOMP transmitidas eletronicamente receberam a seguinte numeração: PER/DCOMP 36681.10121.300909.1.3.040937 19683.28652.260210.1.7.047473 15845.20729.160710.1.7.042049 33219.13142.160710.1.7.047454 18267.68287.300710.1.3.046102 Quanto ao alegado direito creditório, verificase nos sistemas da Receita Federal, o recolhimento por intermédio de DARF da estimativa de IRPJ relativa ao mês de maio de 2008, no valor total de R$ 765.330.222,94 (R$ 599.653.711,60, em 30/06/2008 + R$ 165.676.511,34, em 30/01/2009), conforme extratos de pagamento de fls. 16/18. Na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF originalmente entregue em 07/07/2008 (fl. 19), a contribuinte informou, para o mês de maio de 2008,estimativa de IRPJ no montante de R$ 911.251.112,02, cuja quitação teria sido ocorrido: parte em pagamento, R$ 599.653.711,60; e parte por compensação, R$ 311.597.400,42, conforme Declarações de Compensação relacionadas às fls. 22/25. Em 20/03/2009, a empresa apresentou DCTF retificadora (fls. 20), alterando o valor da antecipação para R$ 1.076.927.623,36, o qual correspondente ao total recolhido e compensado à título de estimativa de maio de 2008. Por fim, em 23/10/2009, a referida importância foi reduzida para R$ 1.055.898.174,15. (....) Retificação de Declarações de Compensação (...) Considerando que as solicitadas retificações estão de acordo com a legislação vigente cumpre reconhecêlos como válidos. Desta forma, resta apreciar as seguintes DCOMP: PER/DCOMP 15845.20729.160710.1.7.042049 33219.13142.160710.1.7.047454 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 356 5 18267.68287.300710.1.3.046102 Impossibilidade de restituição de estimativas mensais de IRPJ. Conforme se verifica na declaração de compensação apresentada, a contribuinte pleiteia o reconhecimento de crédito tributário oriundo de suposta estimativa de IRPJ feita em valor maior que o devido. Cabe esclarecer, entretanto, que, tratandose de recolhimentos antecipados integrados a sistemática do Lucro Real Anual, prevista no art. 2o da Lei n.° 9.430, de 1996, somente é possível reconhecer direitos creditórios relacionados aos saldos negativos apurados ao final do ano calendário, não sendo pertinente apurar pagamento indevido ou a maior de antecipações de IRPJ.” O relatório propôs então o não deferimento do crédito de R$22.608.760,84, e a não homologação da compensação declarada pela contribuinte nas PER/DCOMP n. 15845.20729.160710.1.7.042049; 33219.13142.160710.1.7.047454; 18267.68287.300710.1.3.04 6102. Inconformada, a contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade em 14/01/2011 (fls. 45/59), instruída com documentos de fls. 60/193, alegando, em síntese que: · A vedação imposta pelo art. 10 da IN SRF N. 600/2005, de redação semelhante ao art. 10 da IN SRF n. 460/2004, é expressa no sentido da impossibilidade de compensar o pagamento indevido de IRPJ ou CSLL apurado por estimativa com o IRPJ ou a CSLL do mês imediatamente subseqüente, somente permitindo a utilização do valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo da IRPJ ou de CSLL do período. · Os referidos atos normativos foram editados com o fim de instrumentalizar a aplicação das leis que versam sobre compensação tributária e que esses atos devem ser invocados para verificar se ultrapassaram os limites da lei, ferindo em hipótese, o direito do contribuinte; · Os artigos 10 da IN SRF 460/2005 e o art. 10 da IN SRF n. 600/2005 são ilegais, pois violam o princípio da hierarquia das normas e que sendo normas complementares veiculadas pelo poder executivo (art. 100, do CNT), invadem matéria reservado à lei, colidindo frontalmente com a Lei 9.430/1996 (na redação dada pela Lei n. 11.051/2004), ao acrescentar em seu art. 10, por sua única conta, hipótese de restrição ao direito do contribuinte em exercer a compensação. · O art. 11 da IN SRF 900/2008, que regula a compensação, não mais traz a limitação outrora existente e que esta última IN deve ser aplicada ao caso pois era vigente no momento da apreciação do pedido e que a não aplicação dos artigos 2o, 4o e 11 da IN SRF Fl. 356DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 357 6 900/2008 contraria o disposto no art. 105 do CTN, pois aplicase à legislação tributária imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do art. 116 do CTN. · A compensação foi transmitida por PER/DCOMP em agosto/2009, janeiro/2010 e junho/2010, quando já estava em vigor a IN SRF n. 900/2008. Desse modo, aplicase ao caso a legislação vigente à época da compensação, que é mais benigna à contribuinte, motivo pelo qual deve ser homologada a compensação e julgada procedente a manifestação de inconformidade. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos. Inicialmente, em apreciação preliminar da nulidade do Despacho Decisório, por se basear no art. 10 das Instruções Normativas SRF n° 460/2005 e 600/2005, aduziu: 7. Cumpre esclarecer, que os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada aos atos praticados pelo Poder Executivo e às leis promulgadas pelo Poder Legislativo, não cabendo discussão, nesta esfera administrativa, sobre o acerto dos critérios neles contidos. 8. Nesse sentido, a atividade desenvolvida no âmbito do processo administrativo fiscal é, do ponto de vista formal, de natureza administrativa, sendo, pois, plenamente vinculada. 9. No que diz respeito, em particular, ao julgamento de processos fiscais, exercendo os órgãos administrativos atividade vinculada não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação de arguições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, provocadas no curso dos processos administrativos fiscais, uma vez que seu poder se limita ao exame dos atos praticados pela Administração Tributária, assim como dos atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores. A competência para arguições desta natureza foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição da República de 1988 (art. 102). 10. Nestes termos, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Relativamente ao mérito, a autoridade julgadora aduziu: 11. A interessada declara nos PER/DCOMP n° 15845.20729.160710.1.7.04 2049, 33219.13142.160710.1.7.047454 e 18267.68287.300710.1.3.046102 (fls.201), a compensação de débitos de estimativa de IRPJ (cód. 2362) e CSLL (cód. 2484) com créditos oriundos de pagamento a maior da estimativa de IRPJ (cód. 2362), período de apuração maio/2008, efetuado por meio de DARF, no valor total de R$ 178.118.817,34, como discriminado a seguir: PER/DCOMP Débito Crédito DARF 15845.20729.160710.1.7.04 2049 CSLL (PA: agosto/2009) VI: R$ 10.196.501,03 R$ 22.608.760,84 R$ 178.118.817,34 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 358 7 33219.13142.160710.1.7.04 7454 IRPJ (PA: janeiro/2010) VI: R$ 13.585.276,72 R$ 13.050.735,88 R$ 178.118.817,34 18267.68287.300710.1.3.04 6102 IRPJ (PA: junho/2010) VI: R$810.265,03 R$712.822,23 R$178.118.817,34 12. Na Ficha 11 da DIPJ/2009, ano calendário 2008, transmitida em 15/10/2009, a interessada apura em maio/2008 débito de estimativa de IRPJ de R$ 1.055.898.174,13 (fls.133). 13. Na última DCTF retificadora/ativa do mês de maio/2008, de n° 1002.008.2010.1820420368 (fls. 202/212), entregue em 06/08/2010, consta o débito de IRPJ (cód.2362), período de apuração maio/2008, no valor de R$ 1.055.898.174,15, e sua vinculação à compensação de R$ 311.597.400,42, em razão de diversos pagamentos indevidos ou a maior e a crédito oriundo de pagamentos efetuados por meio de DARF, no montante de R$ 744.300.773,73, como discriminado a seguir: DCTF Valor Total do DARF (R$) Valor Pago do Débito (R$) 178.118.817,34 144.647.062,13 599.653.711,60 599.653.711,60 Total Pago do Débito: 744.300.773,73 Compensação: 311.597.400,42 Débito: 1.055.898.174,15 14. Desse modo, as informações prestadas na DIPJ/2009 e na última DCTF retificadora entregue estão em consonância. 15. Além dos referidos documentos, a interessada também instrui sua manifestação de inconformidade com cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) Partes A e B (fls. 143/193), cujo Termo de Abertura data de 31/01/2008, por meio do qual apurou mensalmente, durante o ano calendário de 2008, o Lucro Real do Período, cujo valor restou transportado para a Ficha 11, linha 01, da DIPJ/2008 (Base de Cálculo do Imposto de Renda). 16. Assim, no mês de maio/2008 a interessada apurou no mencionado Livro, a título de base de cálculo do IRPJ, o montante de R$ 16.313.969.927,81 (fls.148), valor esse transposto para a DIPJ/2009 (fls. 133). Neste documento, aplicou sobre tal importância as alíquotas de 15% (quinze por cento) e de 10% (dez por cento) previstas na legislação tributária, daí resultando no "IRPJ à Alíquota de 15%" de R$ 2.447.095.489,17 e no "IRPJ Adicional" de R$ 1.631.386.992,78, indicados nas linhas 02 e 03 respectivamente. Para efeito de cálculo do IRPJ, procedeu à dedução das parcelas correspondentes às "Deduções de Incentivos Fiscais" (R$ 440.167.330,97), ao "Imposto de Renda Devido em Meses Anteriores" (R$ 2.571.434.067,23) e ao "Imposto de Renda de R$ 1.055.898.174,13. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 359 8 17. Em consulta ao Sistema SIEFWeb (fls. 18 e 213/214), verificase o efetivo recolhimento do DARF indicado no PER/DCOMP, em 30/01/2009, no valor total de R$ 178.118.817,34, nele constando R$ 165.676.511,34 a título de principal e R$ 12.442.306,00, de juros de mora. 18. Com a entrega da DCTF, a interessada pretendeu, mediante o recolhimento de R$ 178.118.817,34, a quitação parcial do débito, no valor de R$ 144.647.062,13. 19. Uma vez que no Sistema SIEF não consta qualquer valor reservado ou disponível para o presente processo, recorri ao Sistema de Apoio Operacional (SAPO) para efeito de verificação de eventual saldo disponível de crédito. Inseridos os dados do crédito (valor total do DARF) e do débito informado na DCTF, a listagem extraída de nosso sistema interno (fls.215) nos informa que, tendo a interessada deixado de recolher o valor da multa de 20% (vinte por cento) incidente sobre o principal, o DARF recolhido revelouse insuficiente para quitação do débito de R$ 144.647.062,13, inexistindo, em decorrência, saldo de crédito disponível passível de compensação. 20. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, para rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório, não reconhecer qualquer direito creditório nos PER/DCOMP n° 15845.20729.160710.1.7.042049, 33219.13142.160710.1.7.04 7454 e 18267.68287.300710.1.3.046102, e não homologar as compensações dos débitos efetivadas nos referidos PER/DCOMP. O Acórdão n. 1237.017 foi prolatado em 28/04/2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/10/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE SEUS FUNDAMENTOS. REJEIÇÃO. Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendolhes competência para apreciar arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 10 das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, regularmente editados, atribuição esta privativa do Poder Judiciário. LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ, APÓS O VENCIMENTO. RECOLHIMENTO SEM A MULTA DE MORA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Sobre os débitos recolhidos após o vencimento incide multa de mora. A sua falta e a conseqüente utilização de parte do crédito pleiteado no PER/DCOMP para o seu pagamento, resulta, na espécie, na inexistência de saldo de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 359DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 360 9 Cientificada da decisão de primeira instância em 12/05/2011 (fl. P. 234), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 09/06/2011 (fls. 263 a 283), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, em síntese: · Pede análise da legalidade do art. 10 das IN SRF n. 460/2004 e 600/2005. · Alega que a justificativa de que a contribuinte deveria ter pagado 20% de multa na liquidação do débito de R$144.647.062,13 é equivocada posto que realizou denúncia espontânea conforme doc. 04. · Cita doutrina e jurisprudência administrativa que versam sobre o afastamento da multa de mora quando há denúncia espontânea. · Aduz que caso não se chegue a conclusão de que a contribuinte não poderia ter se utilizado da denúncia espontânea, também não seria possível impingir a ela o pagamento da multa de mora por falta de previsão legal. · Alega que o próprio CARF tem admitido que o pagamento da estimativa de IRPJ e CSLL, se feita em atraso, não deve ser recolhida multa de mora por falta de previsão legal. Cita acórdão do processo 10.980.014666/200614, 1a Seção. · Complementa dizendo que a RFB está cobrando valor de R$24.119.026,06 de principal, divergindo do apurado, caso se aplique 20% sobre o valor do débito. Adiciona que o valor do principal devido de CSLL que foi compensado com o crédito não reconhecido é de R$10.196.501,03 e que a RFB cobrou o débito indicado no primeiro PERDCOMP de número 36681.10121.300909.1.3.040937 e não o débito da última PERDCOMP retificadora enviada em 2010, de número 15845.20729.160710.1.7.042049. · Retoma o debate em torno do art. 10 da IN SRF 600/2005, de redação idêntica ao art. 10 da IN SRF n. 460/2004 que expressam a impossibilidade e compensação o pagamento de CSLL ou IRPJ por estimativa com o IRPJ ou CSLL do mês imediatamente subseqüente, ou de outro, somente o permitindo para utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do IRPJ ou de CSLL no período. · Aduz que estes artigos ultrapassaram os lindes das Lei 8383/91, art. 61 e 9250/95, art. 39 e Lei 9430/96 art. 74 nas quais não se vislumbra limitação ao direito de compensação a ser exercido pelo contribuinte que apurar crédito contra a Fazenda Nacional. Tece alegações, junta doutrina e jurisprudência. Afirma que o vício da ilegalidade dos anos normativos são INCONSTITUCIONAIS uma vez que a contribuinte aquilo que seja devido nos termos da própria Constituição. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 361 10 · Coleciona jurisprudência administrativa, a ver: Acórdão 10515943; Acórdão 10515942; Acórdão 10515944, todos da Quinta Câmara . · Reafirma que a compensação deve ser homologada tendo em vista que as Instruções Normativas apontadas como respaldo à sua não homologação são frontalmente contrária à Lei e à Constituição Federal, ferindo direito do contribuinte previsto no art. 74 da Lei 9.430/96. · Acrescenta que ainda que se compreenda que a restrição atacada não representa ofensa ao princípio da legalidade e à hierarquia das Leis, ainda assim não poderia ser oposta ao contribuinte em razão do previsto no art. 11 da IN 900/2008. Informa que a compensação foi transmitida por PER/DCOMP em agosto de 2009, janeiro de 2010 e junho de 2010, quando já estava em vigor a IN SRF 900/2008. · Afirma que no caso em tela a contribuinte busca efetuar a compensação com base em crédito obtido por meio de pagamento indevido ou a maior obtido por meio de erro na formação da base de cálculo do recolhimento mensal por estimativa, respaldando a fundamentação do seu direito, em síntese, nos arts. 165, II c/c 170 do CTN e 74 da Lei 9.430/1996. · Aduz que o art. 35 da Lei 8981/1995 não regula a hipótese em comento, pois é usado para corrigir distorções naturais que ser verificam na sistemática de recolhimento mensal, em que há diferenças de recolhimentos entre os meses durante o exercício financeiro, por isso permite que o contribuinte, para mitigar essas distorções, possa, após levantamento de balanço/balancete, suspender ou reduzir o pagamento da estimativa no mês seguinte. Por fim, pede que seja dado provimento ao recurso para declarar legítima a compensação efetuada, procedendose à sua homologação. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 362 11 Voto Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI O recurso é tempestivo. Dele dou conhecimento. Preliminarmente cabe analisar a fundamentação do Parecer Conclusivo e da Decisão da DRJ. O Despacho Decisório de 21/10/2010 deferiu os pedidos de retificação de DCOMP ns. 19683.28652.260210.1.7.047473 e 15845.20729.160710.1.7.042049 e não homologou as compensações pleiteadas nas PER/DCOMP15845.20729.160710.1.7.042049; 33219.13142.160710.1.7.047454; 18267.68287.300710.1.3.046102. O parecer conclusivo n. 060/2010, exarado pela Demac RJO, no qual foi lastreado o Despacho Decisório de 21/10/2010– Rj, asseverou, em síntese, que não homologou a compensação fundamentando que, a Recorrente enquanto pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetuou pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro, sendo possível somente reconhecer direitos creditórios relacionados a saldos negativos, não sendo pertinente apurar pagamento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ. Por sua vez, a decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/ RJ1, consubstanciada através do Acórdão nº 1237.017 asseverou em argüição preliminar de nulidade que “os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendolhe competência para apreciar a argüição de ilegalidade e insconstitucionalidade do artigo 10 e das Instruções Normativas SRF no 460/2004 e 600/2005 (...)” e, em síntese, que não haveria direito à compensação devido o recolhimento em DARF ter sido realizado após o vencimento de estimativa mensal de IRPJ relativo ao período de apuração de 31/05/2008, data de vencimento 30/06/2008, com pagamento em 30/01/2009, efetuado sem a multa de mora. O recolhimento foi efetuado no valor total de R$178.118.817,34 (darf composto por R$165.676.511,34 de principal e R$12.442.306,00 de juros de mora). Em que pese as demais argumentações trazidas em âmbito recursal, o assunto cerne da lide encontrase despacho decisório que inicialmente indeferiu a homologação, ou seja, centrase nos artigos 10 das Instruções Normativas SRF n. 460/2004 e 600/2005. Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além disso, a matéria está sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através da súmula n. 84: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 363 12 “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação” Uma vez que o mérito do direito creditório não foi apreciado, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, os autos devem retornar à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela, ou seja, a necessária prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ressaltese que a DemacRJO chega a dizer que inexiste prova do indébito alegado pelo contribuinte, contudo a contribuinte não foi intimada a prestar esclarecimento, conforme mostra texto do Parecer Conclusivo 060/2010; “Porém, compulsando os presentes autos, verificase não haver esclarecimento ou documentos que justifiquem a redução da estimativa de IRPJ de maio de 2008. E ainda que a contribuinte possa reclamar da falta de intimação para prestar esclarecimentos, o fato é que sem a comprovação do indébito tributário, o seu pleito não pode ser deferido.” Nessa linha de raciocínio, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Deixo de analisar as demais razões recursais em vista da análise preliminar, suficiente para o deslinde do caso. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 363DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1101001.012 S1C1T1 Fl. 364 13 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001244/2008-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/03/2004
GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91.
Conforme previsto no art. 106 do CTN, a lei se aplica a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao valor da multa de ofício, em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/03/2004 GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, a lei se aplica a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.001244/2008-01
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5325489
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-002.936
nome_arquivo_s : Decisao_19515001244200801.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001244200801_5325489.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao valor da multa de ofício, em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5295588
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368114704384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 179 1 178 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001244/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.936 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente METRO TECNOLOGIA INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/03/2004 GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, a lei se aplica a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao valor da multa de ofício, em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 44 /2 00 8- 01 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 180 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de AI Auto de Infração Debcad 37.102.3750/2008 contra a empresa supracitada por apresentar Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o art. 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91, na redação pela Lei 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, conforme Relatório Fiscal da Infração, fls. 27. A empresa apresentou GFIP com dados de remuneração dos diretores para a competência de março/04 não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Auto de Infração se refere aos levantamentos apresentados na NFLD 37.102.3770 e não declarados em GFIP. Não há circunstância agravante nem atenuante. Foi aplicada a multa de acordo com o previsto no artigo 284, inciso II, e artigo 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e artigo 32, inciso IV, § 5o, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, valor atualizado pela Portaria Interministerial, fls. 28. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 13/06/2008, fl. 02, inconformado o recorrente apresentou impugnação, fls. 32 a 41, acompanhada de anexo. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 59 a 68. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 20/01/2010, fl. 71, inconformado interpôs recurso voluntário em 18/02/2010, fls. 72/84, alegando em síntese: a) a fiscalização não agiu corretamente, merecendo reparos o acórdão ora guerreado; b) há conflito entre o disposto no Relatório Fiscal e o disposto no AI 37.102.3770. A incerteza causa a nulidade do lançamento fiscal; b.1) a competência 03/2008 é o objeto da autuação fiscal que decorre das contribuições exigidas no AI 37.102.3777. No entanto, da análise do AI 37.102.3777, percebese que a competência em que são cobradas contribuições sociais é 03/2004, conforme se extrai da verificação do DAD, DSD e RL. Qual a competência correta?; Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 181 3 b.2) há nos autos um vicio formal capaz de ensejar a nulidade do lançamento, prejudicando, assim, a análise do mérito, pois não é possível a realização de um lançamento padronizado e desfalcado de inarredáveis formalidades legais; b.3) ante a nítida precariedade da motivação do fato gerador da autuação combatida, e desde que não sanada tal falha, há que ser reconhecida sua nulidade; c) a aplicação da multa mais benéfica da nova redação dada ao art. 35 da lei 8.212/91 por força do art. 106, II do CTN; d) o sobrestamento do julgamento da autuação em razão da manifesta prejudicialidade do seu objeto em decorrência do recurso apresentado em outra notificação – NFLD 37.102.3777. O acessório deve seguir o principal; e) Há que ser sobrestada a autuação combatida face a manifesta prejudicialidade perante o julgamento do AI conexo. f) por fim, requer a nulidade da autuação combatida por falta de atendimento a rigores formais e materiais, da falta de certeza e liquidez, em razão do não esclarecimento da competência considerada para aplicação da multa, bem como, pela não aplicação do disposto no artigo 106, II, do CTN, devendose, ainda, sobrestar o julgamento face a manifesta prejudicialidade perante o julgamento do AI conexo. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA FISCAL O julgamento foi convertido em diligência fiscal pela Resolução 2803 000.069 – 3a Turma Especial da 2a Seção do CARF para que a autoridade lançadora analisasse o recurso do contribuinte, informando qual a competência correta da autuação fiscal, ratificando ou não seu cálculo e fundamentação legal. Em resposta à resolução foi emitido em 23/09/2013 (fls. 159/164) Relatório Fiscal Complementar à diligência fiscal informando: os valores de honorários da diretoria foram extraídos da folha de pagamento honorários da diretoria (em anexo) e do livro razão de 2004. Estão corretamente lançados e se referem à competência 03/2004. Os valores também foram lançados na NFLD/DEBCAD 37.102.3777/2008 (AI da obrigação principal); a fiscalização aplicou a multa prevista no art. 32, §5°, da Lei 8.212/91, e a retroatividade benigna, observando o art. art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN; O contribuinte foi cientificado da Resolução do CARF, do resultado da diligência fiscal e anexos, apresentando manifestação de inconformidade (fls. 169/174): alterar a competência erroneamente indicada, substituindoa por outra ferem os princípios que norteiam o processo administrativo e tolhe o direito de ampla defesa e contraditório, a legalidade, a moralidade, a segurança jurídica, a certeza e liquidez do lançamento fiscal, bem como, a validade de eventuais CDA emitidas ou a emitir. Assim, a autuação fiscal deve ser nula; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 182 4 a necessidade de sobrestamento do julgamento ante a prejudicialidade do seu objeto com o recurso apresentado em outra NFLD (37.102.3777). O acessório deve seguir o principal; por fim, requer a improcedência da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 183 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO Não existe determinação legal ou judicial específica para o sobrestamento do processo administrativo em epígrafe. O processo administrativo, jungido à lei, deve seguir o seu trâmite normal. Iniciado o processo, compete à própria Administração impulsionálo até sua conclusão, diligenciando para formalizar os atos necessários ao seu deslinde, com base no princípio da Oficialidade. Dessa forma, não pode a autoridade administrativa sobrestar o julgamento do processo, cabendolhe, tãosomente, a titulo de cautela, aguardar o julgamento definitivo do feito judicial para iniciar a fase de execução, como paradigma os termos do parágrafo único do art. 62 do Decreto 70.235/72. A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não há necessidade de juntar os processos autônomos para decisões conjuntas por se tratar de assuntos distintos (obrigação principal e acessória) e já distribuídos para as turmas de julgamento. ERRO SANÁVEL Sanada eventual dúvida do contribuinte quanto à correta competência do lançamento fiscal, que é a 03/2004, como se pode notar do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (fl. 2) e Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF (fl. 8) o período de 01/2004 a 12/2004 para solicitação dos documentos pela fiscalização, com a devida ciência do contribuinte. Tratase de erro involuntário e sanável, mera irregularidade já sanada, esclarecida e com ciência do contribuinte, tudo em observância ao principio da verdade material e aos princípios do contraditório e da ampla defesa, conforme preceitua o inciso LV do art. 5 da Constituição da República. Assim sendo, não há que se falar em substituição de competência por outra, como mencionado pelo contribuinte, tampouco, em ferimento aos princípios que norteiam o processo administrativo, como o direito de ampla defesa e contraditório, a legalidade, a moralidade, a segurança jurídica, a certeza e liquidez do lançamento fiscal, a validade de eventuais CDA emitidas ou a emitir. No mesmo sentido, não há que se falar em vício formal capaz de ensejar nulidade da autuação. Em que pesem os argumentos trazidos pelo contribuinte no recurso voluntário, são os mesmos apresentados na impugnação e já analisados quando da decisão de Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 184 6 primeira instância administrativa, com exceção do pedido para aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, com base no art. 106, inciso II do CTN, mas que também foi analisada pela decisão de primeira instância. O relatório fiscal e a decisão recorrida mencionam que na competência 03/2004 foi feito pagamento a titulo de Participação nos Lucros aos diretores da empresa, informado na Folha de Pagamento de Honorários da Diretoria. A Lei 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim, não pode ser aplicada a contribuintes individuais (sócios da empresa) que não são empregados. A empresa não informou os fatos geradores em GFIP. Consta do voto da decisão recorrida quanto ao lançamento 37.102.3777 (obrigação principal): Voto O Relatório Fiscal do AI n° 37.102.3777 traz, dentre outras, as seguintes informações: • Na competência 03/2004 foi feito pagamento a titulo de Participação Nos Lucros aos diretores da empresa, e informados na Folha de Pagamento de Honorários da Diretoria. A empresa entende que sobre essa rubrica não incidem contribuições previdenciárias, por se enquadrar na Lei n° 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Ocorre que a referida legislação se aplica aos trabalhadores empregados, e não aos contribuintes individuais, sendo, portanto, considerados como remuneração o pagamento feito aos diretores a titulo de Participação nos Lucros. • A Constituição Federal, nos termos do artigo 7°, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa, desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei especifica, que é a Lei n° 10.101, de 19/12/2000, a qual não regulamenta o pagamento de PLR para o contribuinte individual, mas sim para o empregado, desde que atenda todas as suas condições. • Sendo assim, foi apurado o débito e consideradas devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a titulo de Participação nos Lucros aos seus Diretores. • Base de cálculo: Adilson Herrero — R$ 88.935,00, René Aduan R$ 239.000,00 e Marcelo Leite Henriques — R$ 115.000,00. Assim, total da base de cálculo:R$ 442.935,00. • A empresa não informou este fato gerador em GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, gerando a lavratura do AI Debcad n° 37.102.3750. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 185 7 Consta ainda do Relatório Fiscal da Infração do presente AI a seguinte informação: "Em ação fiscal na empresa foram solicitados, através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD os documentos contábeis, Livros Diário, Razão e Plano de Contas do período fiscalizado, que embasaram os trabalhos dessa fiscalização." (grifei) Conforme se observa do referido Termo, as fls. 07/08, recebido e devidamente assinado pelo gerente da empresa, Sr. Ricardo Ananias de Oliveira, em 22/02/2008, foi solicitada a documentação relativa ao período de 01/2004 a 12/2004, que corresponde, portanto, ao período fiscalizado. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 28, a empresa está sujeita a multa no valor de 100% do valor relativo a contribuição não declarada de R$ 88.587,00, (correspondente a 20% do total de saláriodecontribuição no valor de R$ 442.935,00 informado no Relatório Fiscal do AI n° 37.102.3777), esclarecendo ainda que a multa a ser aplicada é de R$ 12.548,90 em obediência ao limite estabelecido pela legislação. Ademais, conforme consta do Relatório Fiscal do AI n° 37.102.3777, os valores lançados a titulo de Participação nos Lucros aos diretores foram extraídos das folhas de pagamento da empresa, documentos por ela emitidos, que tem, portanto, conhecimento, da competência em que tais valores foram pagos aos diretores, e não declarados em GFIP. De todo o exposto, concluise que, embora tenha a fiscalização informado de forma equivocada no Relatório Fiscal da Infração, que a autuação corresponde a competência 03/2008, este fato em nada prejudicou o direito de defesa da Impugnante, vez que as demais informações constantes do Relatório Fiscal da Infração, do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e dos anexos e Relatório Fiscal do AI n° 37.102.3777, dos quais a empresa foi devidamente cientificada, oferecem plenas condições de identificar que a competência correta na qual deixou de informar os fatos geradores de contribuições previdenciárias citados, corresponde a 03/2004. Ademais, causa estranheza a empresa não ter questionado qual seria a competência correta do lançamento (03/2004 ou 03/2008), na impugnação apresentada contra o AI n° 37.102.3777, uma vez que no Relatório Fiscal a ele correspondente foi informado que por não ter declarado os fatos geradores em questão nas GFIP, foi lavrado o presente AI Debcad n° 37.102.3750, que indica a competência 03/2008 como objeto da autuação, enquanto que naquele processo consta o lançamento das contribuições devidas na competência 03/2004. A questão foi trazida apenas nos presentes autos, talvez com o intuito somente de apontar o equivoco da fiscalização, e não por não ser possível identificar em qual competência deixou de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 186 8 declarar os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Do pedido de sobrestamento dos Autos Requer a Impugnante o sobrestamento do presente Auto de Infração até definição decisória do correspondente Auto de Infração de obrigação principal, n° 37.102.377 7. De pronto, salientase que inexiste mandamento legal capaz de dar suporte ao pedido da Impugnante. 0 Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina: Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância deverão ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles em que estiverem presentes as circunstancias de crime contra a ordem tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Parágrafo único. Os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretario da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput deste artigo. Desse modo, a decisão de primeira instância deve ser fundada com observância do principio da celeridade do julgamento. No caso em tela, de fato, podese dizer que existe conexão entre o Auto de Infração n° 37.102.3777 e o presente AI. Cabe destacar, no entanto, que se tratam de processos administrativofiscais autônomos, sendo as alegações referentes a cada um deles analisadas em seus respectivos processos. Desta forma, nesta data está sendo julgado somente o AI n° 37.102.3750, por apresentação por parte da empresa da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Cabe novamente ressaltar que o AI n° 37.102.3777, que trata das contribuições lançadas sobre os valores pagos a titulo de PLR aos diretores contribuintes individuais foi julgado Procedente por esta Décima Segunda Turma de Julgamento, em sessão de 07/04/2009, através do Acórdão n° 1620.991. Da infração Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 187 9 A empresa incorreu na infração prevista no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, (vigente à época), combinado com o artigo 225, inciso IV, parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, abaixo transcritos, ao apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados de remuneração dos diretores não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, na competência 03/2004: Lei n°8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... Foi aplicada, no caso, multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à. contribuição não declarada, conforme artigo 32, parágrafo 5° da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.528/97 (vigente à época e acima transcrito), e artigos 284, inciso II e 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 4.729, de 09/06/2003, a seguir transcritos, com atualização pela Portaria Interministerial MPS n° 77, de 11/03/2008 — DOU de 12/03/20080, observado o limite previsto no art. 32, §4o, da Lei n° 8.212/91, em função do número de segurados da empresa, totalizando o montante de R$ 12.548,90 (doze mil, quinhentos e quarenta e oito reais e noventa centavos). ... Conforme consta do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 28, o valor da contribuição não declarada em GFIP atingiu o montante de R$ 88.587,00, que corresponde a 20% (vinte por cento) de R$ 442.935,00. Considerando que o número de segurados no período da autuação está na faixa de 101 a 500 segurados, o limite previsto no artigo 32, § 4° da Lei n° 8.212/91 corresponde a 10 (dez) vezes o valor mínimo de R$ 1.254,89, atualizado pela Portaria Interministerial n° 77, de 11/03/2008, publicada no DOU de 12/03/2008, totalizando R$ 12.548,90. Desta forma, a multa foi aplicada corretamente conforme os dispositivos legais citados, vigentes à época. Da retroatividade benigna da multa Cumpre esclarecer ainda, que a Medida Provisória n° 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, trouxe em seu bojo, alterações significativas quanto a sistemática para cálculo da multa, quando constatada pela fiscalização a omissão de fatos geradores em GFIP, como no presente caso. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 188 10 Assim, nos casos de falta de declaração e falta de recolhimento, a citada Medida Provisória alterou a regra de imposição das multas de mora por lançamento de oficio, anteriormente prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e por falta de declaração, anteriormente prevista no § 5° do art. 32 da mesma Lei, submetendo o lançamento de oficio à capitulação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que versa sobre a multa de 75%, nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, e de seu agravamento, quando couber. Tendo em vista que o cálculo da multa aplicada no presente Auto de Infração foi realizado com base na legislação vigente à época de sua lavratura, há que se verificar acerca da retroatividade benigna da lei, conforme se depreende do disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito. ... Importante observar que a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação anterior à MP n° 449/2008, é definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada, razão pela qual deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, no momento de eventual pagamento do débito, parcelamento ou inscrição em Divida Ativa. CONCLUSÃO Diante do exposto, VOTO no sentido de considerar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido no AI em epígrafe. RETROATIVIDADE BENIGNA Quanto à multa aplicada na autuação fiscal em epígrafe, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Lei 11.941, de 27/05/2009, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei 8.212/91, nestas palavras: Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 189 11 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3odeste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei 8.212 de 1991. Agora, com a Lei 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, a Instrução para o Contribuinte – IPC; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes dos autos, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001244/200801 Acórdão n.º 2803002.936 S2TE03 Fl. 190 12 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao valor da multa de ofício, em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002006/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.291
Decisão: Por unanimidade, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Raquel Motta Brandão Minatel (suplente) e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12466.002006/2009-70
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5307302
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3101-000.291
nome_arquivo_s : Decisao_12466002006200970.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 12466002006200970_5307302.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Raquel Motta Brandão Minatel (suplente) e Luiz Roberto Domingo.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5173699
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368134627328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002006/200970 Recurso nº De Ofício Resolução nº 3101000.291 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de setembro de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Por unanimidade, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Raquel Motta Brandão Minatel (suplente) e Luiz Roberto Domingo. RELATÓRIO Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 09) lavrado contra a empresa em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário no valor total de R$ 1.302.006,42 (um milhão, trezentos e dois mil, seis reais e quarenta e dois centavos), consistente na multa aplicada caem base no inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502, de 1964, com redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n.' 400, de 1968, combinado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 02 00 6/ 20 09 -7 0 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12466.002006/200970 Resolução nº 3101000.291 S3C1T1 Fl. 4 2 com o inciso V do art. 81 da Lei n° 10.833, de 2003, em virtude da entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira, que foram importados de forma fraudulenta. Segundo relata a fiscalização às fls. 03 a 08, as provas caracterizadoras da infração cominada pela presente penalidade são constituídas pela cópia de atos e elementos probatórios constantes do processo administrativo fiscal n° 12466.002004/200981, onde foram identificadas as importações realizadas fraudulentamente (fls. 11 a 296), e pelas cópias de notas fiscais colacionadas às fls. 235, 255, 256, 275, 276, 295 e 296 do processo. Relativamente ao procedimento que constituiu o objeto do PAF n.° 12466.002004/200981, a fiscalização descreveu, em síntese, as seguintes irregularidades: a) as empresas DARCK e COTIA TRADING S/A estão envolvidas nas importações relacionadas à fl. 14, tidas como simuladas, e realizadas com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da prática de utilização de documentos ideológico e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas; b) as importações acobertadas pelas DI sob apreço foram registradas pela empresa COTIA por conta e ~isco próprio, sendo que, na realidade, quem financiava as operações de importação era a empresa DARCK, configurando um quadro de simulação e interposição fraudulenta; c) a DARCK foi identificada como real compradora das mercadorias no exterior, real importadora e como real adquirente no mercado nacional ao passo que a COTIA, ao revestirse da qualidade de importadora, serviu de escudo e blindagem para a real importadora; d) os fornecedores e a DARCK (real importadora) foram os que acertaram as condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos, formas de pagamento, etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes colimaram ocultar; e) os valores de transação declarados nas DI analisadas são muito inferiores aos valores efetivamente praticados (DI n.°s 04/03360573, 04/05549142 e 05/00066013) ou arbitrados (DI n.° 04/06740440), havendo a empresa fiscalizada incorrido na prática de subfaturamento. Regularmente cientificado, em 18/06/2009 (fl. 02), o sujeito passivo, irresignado, apresentou, em 28/06/2009, os documentos de fls. 298 a 319 e a impugnação de fls. 1059 a 1079, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, que a autoridade autuante desbordou dos limites da legislação aplicável ao trazer relatos e graves afirmações de que houve crime de falsidade e descaminho, com base em documentos extraídos de procedimentos conduzidos nas esferas policial e judicial, ao que aduz o raciocínio de que, por estar o auto de infração em tela baseado no processo penal, é de se declarar a sua improcedência ante o Fl. 390DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12466.002006/200970 Resolução nº 3101000.291 S3C1T1 Fl. 5 3 fato de a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do HC n.° 113.145PR e por unanimidade de votos, ter concedida a ordem para trancar a ação penal em relevo, decisão esta que deve ser respeitada na esfera administrativa, pois transitou em julgado em 23/03/2009; Em outro plano, alega que não pode ser responsabilizado pela infração descrita no presente processo, ao argumento de que todos os tributos incidentes nas operações que praticou, inclusive aqueles que incidiram na venda a varejo das mercadorias adquiridas foram recolhidos, além do que pagou pela aquisição no mercado interno das mercadorias importadas, fato este que foi desconsiderado pela fiscalização; Considera descabidas as acusações que lhe foram imputadas, já que as empresas que lhe venderam as mercadorias estavam habilitadas no RADAR para efetivar suas atividades na qualidade de trading company, além do que reclama de estar sendo acusado por condutas que não lhe dizem respeito e que, ante a ausência de documentos, os valores aduaneiros arbitrados pelo Fisco encontramse fulcrados em suposições e ficções, em flagrante desatendimento ao princípio do ônus da prova; Nega ter assumido financeiramente os custos incorridos nas operações de importação, ao que aduz não ser da atividade da empresa desincumbirse de operações de logística atinentes ao comércio internacional e que o aspecto mais importante das operações realizadas pelas trading é a necessidade de recursos financeiros e fluxo de caixa para fazer frente aos tributos no momento da nacionalização das mercadorias importadas; Alega que, em razão de os tributos incidentes nas operações de importação serem pagos antecipadamente, a terceirização das atividades de logística internacional tornase conveniente, não só do ponto de vista de custos e de estrutura organizacional, mas também em face do próprio aspecto econômicofinanceiro inerente às trading, como o financiamento de todos os custos e tributos até a entrega do bem no armazém do distribuidor e a possibilidade da redução de custos oriundos de benefícios e créditos fiscais das trading; Reclama que a autoridade autuante desbordou do que determinam as disposições contidas no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e no caput do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que trouxe para o feito, indevidamente, relatos e graves afirmações extraídos de procedimentos levados a efeito nas esferas policial e judicial, quando deveria limitarse aos fatos que ensejaram o ato do lançamento para a constituição do crédito tributário; Nesta mesma linha, reclama também ter sido violado o sigilo de seus dados, com a juntada de peças do processo de competência das autoridades policial e judicial, pelo que entende ter sido ofendido, na realização do feito ora atacado, o direito previsto no inciso XII do art. 5° da Constituição Federal; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12466.002006/200970 Resolução nº 3101000.291 S3C1T1 Fl. 6 4 Insurgese contra a afirmação da autoridade autuante que se refere à prática de sonegação, fraude, conluio, falsificação de documentos, prestação de informações falsas e de benefícios obtidos com as ilegalidades praticadas, eis que jamais buscou o encerramento de suas atividades e ofereceu ao Fisco toda a documentação requerida, havendo, inclusive, incabível apreensão sem devolução de todos os documentos solicitados, em razão de que entende ter a presente autuação desrespeitado as disposições contidas nos artigos 2° e 3° da Lei n° 9.784, de 1999, dentre os quais destaca a previsão de ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que devem facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; Nega ter participado do esquema fraudulento apontado pela fiscalização, ao argumento de que não é empresa de grande porte, seu faturamento é limitado, não movimenta grande soma de recursos financeiros, além do que não é detentor de informações de natureza fiscal e procedimental relacionadas às demais empresas citadas no relatório da autuação; Reclama não poder ser equiparado à empresa industrial para efeito de exigir o IPI, pois jamais desenvolveu atividade industrial ou a ela equiparada, nem é importador, pelo que entende não poder ser responsabilizado pela exigência do IPI, nos moldes estabelecidos na autuação, ao que noticia ter recolhido todos os tributos que incidiram nas operações realizadas com a aquisição das mercadorias em relevo no mercado interno e posterior venda a varejo das mercadorias adquiridas; Em outro plano, contesta a cobrança de juros de mora calculados à taxa referencial Selic, eis que eivada de incerteza e iliquidez, por entender ser referida cobrança ilegal e inconstitucional; Quanto à aplicação das multas veiculadas no auto de infração, alega não ter sido demonstrada ou comprovada a prática das infrações cominadas pelas mencionadas penalidades que reputa serem confiscatórias, violando o preceito contido no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, ao que aduz não ter incorrido em qualquer fraude que desse azo a essa penalização; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. A 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº0723.199, julgando procedente a impugnação, ementando assim o acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 14/04/2004 a 18/01/2005 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12466.002006/200970 Resolução nº 3101000.291 S3C1T1 Fl. 7 5 É incabível a aplicação da multa regulamentar do IPI por entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulentamente, quando a fraude ou a irregularidade que macula a importação é definida legalmente de forma mais específica como dano ao Erário, porquanto, nesses casos, a não localização da mercadoria sujeita a perdimento em face da entrega a consumo é penalizada expressamente na forma de outra disposição legal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Aquela turma de julgamento submeteu à apreciação desse órgão julgador o Recurso de Ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 dezembro de 1997, e art. 1° da Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Analisase no presente voto o recurso de ofício interposto pela 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis. A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa por virtude da entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira, alegadamente importados de forma fraudulenta, prevista no inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502, de 1964. A ação fiscal que originou o auto de infração em questão foi resultante da denominada Operação Dilúvio, que procurou desnudar o complexo esquema fraudulento administrado pelo Grupo MAM, através de operações de importação tidas como simuladas, com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da pratica de utilização de documentos ideológica e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas. Especificamente no procedimento fiscal em questão foram tratadas a entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira, importados de forma fraudulenta. É de conhecimento de todos dessa turma de julgamento que o Poder Judiciário no HC 142.045/PR declarou ilícitas provas colhidas via prorrogações de interceptação telefônica na Operação Dilúvio. Destacase que não foram anuladas todas as provas produzidas durante o inquérito policial, mas apenas aquelas derivadas das prorrogações consideradas ilegais. Pois bem. O HC nº 142.045 – PR foi impetrado pelo advogado René Ariel Dotti, em benefício de Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho, apontando como autoridade coatora o eg. TRF da 4ª Região. O ato de coação ilegal consistiu na decisão que julgou regular a interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do inquérito policial n° 2006.70.00.0224356. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12466.002006/200970 Resolução nº 3101000.291 S3C1T1 Fl. 8 6 A decisão final do STJ, apontada na conclusão do i. Relator designado para redigir o voto vencedor foi a seguinte: “Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6ª Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que ‘toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas’ seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito”. Portanto, o STJ não declarou a ilegalidade de toda prova produzida no inquérito policial, mas apenas da interceptação telefônica no tocante às sucessivas renovações e daquela decorrente dela, estipulando ainda o prazo máximo da interceptação telefônica (60 dias, desde que houvesse decisão fundamentada). Dessa forma, tornase imprescindível que essa turma de julgamento identifique, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ, separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiros sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal. Destaca se que, no presente caso, as Notas Fiscais de entrada nºs 048244, 050248, 051617 e 057857, relativas às importações alegadamente fraudulentas, emitidas pela empresa importadora COTIA TRADING, foram retidas no estabelecimento da recorrente, conforme termos próprios (fls. 201 a 209). Para prosseguir com a análise do presente processo, será necessário que essa turma de julgamento tenha acesso às transcrições das escutas telefônicas e aos dados telemáticos referentes ao período de interceptação validado pelo STJ, de forma a conferir se os investigados mencionaram, por exemplo, alguma importação referente à fraude aduaneira em questão. Diante do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para o retorno dos autos à unidade de origem para que a autoridade competente: i. Identifique, dentre as provas utilizadas para o lançamento, aquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; ii. Identifique as provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica; iii. Identifique as provas produzidas por uma fonte independente (ex. apresentadas durante a ação fiscal); iv. Identifique as provas que a Receita Federal poderia ter acesso independentemente de autorização judicial; v. Anexe o inteiro teor da decisão judicial do HC 142.045/PR; vi. Anexe as transcrições das escutas telefônicas referentes ao período de interceptação validado pelo STJ (os primeiros sessenta dias); Fl. 394DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12466.002006/200970 Resolução nº 3101000.291 S3C1T1 Fl. 9 7 vii. Informe se foi lançada a multa substitutiva do perdimento relativo aos mesmos fatos e períodos do auto de infração objeto do presente processo, anexando, em caso positivo, a cópia integral (digital) do(s) processo(s) de lançamento(s). Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo lhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 24 de setembro de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 395DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908283/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação
Numero da decisão: 3803-004.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13819.908283/2009-11
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315899
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.060
nome_arquivo_s : Decisao_13819908283200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13819908283200911_5315899.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5245143
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368137773056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 6 1 5 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.908283/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.060 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2013 Matéria Compensação Recorrente FORD MOTORS COMPANY BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 82 83 /2 00 9- 11 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório Versa o imbróglio sobre Declaração de Compensação de Cofins, cód. De receita 2172, referente ao período de apuração de julho de 2003, sob a alegação de recolhimento a maior, no valor original de R$ 121.266,79, apresentada pelo contribuinte à repartição fiscal em 15/08/2003. O Despacho Decisório nº 848702781 (fl. 06), emitido em 07/10/09, analisou o limite original do crédito informado no Per/DComp na data de sua transmissão (15/08/03), de R$ 121.266,79, quando constatou a partir do DARF apresentado, a sua integral utilização para a quitação de débitos informados pelo próprio contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados, por conseguinte não homologou a compensação declarada. A contribuinte ao manifestar a sua inconformidade com o feito assinalou que a insuficiência resultou da prática de erro material perfeitamente escusável qual seja, a não exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos aos concessionários pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, nas vendas diretas, o que é expressamente autorizado pela legislação (art. 2o, Lei nº 10485/02), informando, outrossim, que efetuou a retificação do DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, porém deixando de promover a retificação da DCTF correspondente. Esclareceu que apenas com o advento da edição da IN SRF nº 594/05, é que constatou o equívoco cometido e promoveu a revisão e a correção da apuração da Cofins (doc. 03), cujas origens se encontram exemplificativamente comprovada pela inclusa relação de notas fiscais relativas às vendas diretas de caminhões (doc. 04), tendo em vista a enorme quantidade de documentos fiscais envolvidos, os quais, desde já, coloca à disposição para a verificação fiscal. Esclareceu que providenciou a retificação do DACON e passou a compensar os valores recolhidos a maior e que, embora não tenha retificado a DCTF, restou demonstrada a existência do crédito utilizado para a compensação em análise, bem assim a extinção do débito ora exigido, com fundamento no artigo 156, II, do CTN. Requereu ao final a reforma do decidido no despacho decisório e a homologação da compensação pretendida. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13819.908283/200911 Acórdão n.º 3803004.060 S3TE03 Fl. 7 3 Conclusos os autos foram encaminhados para julgamento em sede de primeira instância, para a 3a Turma da DRJ/CPS, que proferiu decisão formatada no Acórdão nº 0537.080, de 27/02/12, cuja ementa adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor deste acórdão sintetizou que no presente caso a interessada apresentou apenas uma relação exemplificativa de notas fiscais que aludiriam às referidas vendas, documentos que, por si só, não tem a força requerida à comprovação do direito creditório em análise; que seria indispensável a apresentação dos registros contábeis que evidenciem a apuração da contribuição em comento, e o lançamento dos valores a título de vendas diretas a consumidor final e comissões pagas em decorrência dessas vendas acompanhada das cópias das notas fiscais relativas àquelas operações. Em relação à documentação acostada aos autos após o despacho decisório consideraa intempestiva nos termos do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, bem assim indefere o pedido de perícia, que não pode ser utilizado para a produção de provas que competem à interessada apresentálas, notadamente quanto à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. A ciência da decisão de primeira instância pela contribuinte deuse em 26/07/2012, conforme atesta o AR colacionado aos autos, sendo a interposição do recurso voluntário em 27/08/2012. O conteúdo do recurso aviado reitera os argumentos expendidos na exordial, enfatizando os documentos acostados aos autos nesta fase processual (DACON’s, e notas fiscais exemplificativas) que, no entender da recorrente, demonstram o efetivo pagamento da Cofins recolhida a maior e o saldo credor remanescente, bem assim a necessidade de realização de perícia, em face do reconhecimento pelo decidido da apresentação do rol exemplificativo de notas fiscais, para a persecução da verdade material, em detrimento de mero formalismo denotado na decisão recorrida, quando indeferiu a sua realização, sob a alegação de que não foi juntada a totalidade de documentos que a autoridade administrativa julgou ser necessária. Entendeu a recorrente que se tais documentos juntados eram demonstrativos do direito creditório, bem como é incontroversa a discussão acerca do direito à exclusão na base de cálculo da Cofins o valor relacionado à comissão dos concessionários, nas vendas diretas de caminhões, nos termos expressos pela Lei nº 10.785/02 e IN SRF nº 594/05, não poderia, então, ser indeferido o pedido de realização de perícia, sob pena de cerceamento ao exercício do direito à ampla defesa, o que enseja a nulidade ao ato administrativo combatido (art. 59, II, e § 3o, Dec. 70.235/72), uma vez que os documentos exemplificativos se prestavam, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 4 justamente, para provar a composição da base de cálculo e apuração da contribuição. Mencionou jurisprudência administrativa nesse sentido. Ao final requereu a reforma da decisão de primeira instância e a homologação da compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo (a data de interposição do recurso se deu no primeiro dia útil após a data de exaurimento do prazo processual ocorrida num sábado) e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração de julho/2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. Documentos outros foram apresentados pela interessada após a ciência do despacho decisório, notadamente DACON retificadas e rol exemplificativo de notas fiscais, a título de complementação àqueles já colacionados, oportunamente, com o fito de comprovação do alegado na exordial. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância, e também a questões de direito suscitadas pelo contribuinte em sede de apelo, inclusive mediante preliminar de nulidade, por vício substancial, da decisão recorrida, ante o indeferimento do pedido de realização de perícia. O entendimento profligado no acórdão recorrido acerca do indeferimento do pedido para a realização de perícia formulado pela recorrente encontrase escorreito. É cediço que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De outra parte cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém a homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. Por sua vez o momento de apresentação da prova dáse simultaneamente com a interposição da impugnação/manifestação de inconformidade, não podendo ocorrer em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13819.908283/200911 Acórdão n.º 3803004.060 S3TE03 Fl. 8 5 Determina o disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. O § 4º deste mandamus dispõe que a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Inferese dos elementos contidos nos autos que o Recorrente não laborou para demonstrar a razão superveniente que a impediu de apresentar, oportunamente, os documentos trazidos em outro momento processual, não condizente com a data de protocolização da manifestação de inconformidade. E mais, o contido neste artigo não conflita com princípio da verdade material, notadamente com vistas à rejeição do pedido de perícia, pelas razões explicitadas. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. É certo que ao não atentar para este detalhe o recorrente incorreu em duas situações que lhe são desfavoráveis, quais sejam: (i) impediu que o juízo a quo pudesse analisar e se pronunciar acerca dos elementos de prova material, de forma a impactar diversamente no resultado da peleja e, para não que não reste caracterizada a supressão de instância, fica este colegiado impedido de apreciar as provas sonegadas àquele Tribunal; e (ii) com a desídia ora assinalada deu azo ao surgimento do instituto processual denominado de preclusão temporal, que reside na perda do direito de apresentação de documentos em momento inoportuno, uma homenagem ao princípio da razoável duração do processo, que busca à celeridade dos deslindes das querelas, eis que o direito não socorre àqueles que dormem. A não apresentação de documentos necessários à comprovação de direito creditório juntamente com a impugnação, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, impede a revisão de ofício e enseja o lançamento para o cumprimento de exigência fiscal. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001113/2008-77
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL.
É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL. É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11543.001113/2008-77
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309927
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.205
nome_arquivo_s : Decisao_11543001113200877.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 11543001113200877_5309927.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5192664
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368150355968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 84 1 83 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.001113/200877 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.205 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente MANUEL DO COUTO ROBALINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL. É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BSB/DF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 13 /2 00 8- 77 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11543.001113/200877 Acórdão n.º 2801003.205 S2TE01 Fl. 85 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Para o sujeito passivo identificado no preâmbulo foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Vitória (ES), a Notificação de Lançamento de fls. 24/27, referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2006. Foi apurado imposto suplementar de R$ 4.423,21, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual, quando foram alterados os dados nela informados, em razão da omissão de rendimentos de pessoa jurídica, no valor de R$ 18.053,94, conforme enquadramento legal e descrição dos fatos às fls. 25. Em conseqüência da omissão, a compensação de imposto retido foi acrescida de RS 541,62. Depois da ciência do lançamento, o sujeito passivo apresenta impugnação às fls. 1, na qual alega que, em decorrência de moléstia grave, os rendimentos recebidos a título de aposentadoria, pensão ou reforma são isentos do imposto de renda. Para provar o alegado, junta aos autos os documentos de fls. 6/10 e 40/49.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 53/56, que restou assim ementado: ISENÇÃO DECORRENTE DE MOLÉSTIA GRAVE PREVISTA EM LEI. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Regularmente cientificada daquele acórdão em 08/06/2011 (fl. 60), a filha do contribuinte (falecido, sem bens a inventariar, conforme Certidão de Óbito, fl. 65) interpôs recurso voluntário de fls. 61/62, em 01/07/2011, pretendendo seja reconhecida a improcedência do lançamento para declarar o recorrente isento do pagamento de imposto de renda no ano calendário em questão. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, a representante do recorrente argumenta que não pode prosperar a exigência formalizada na Notificação de Lançamento em apreço, eis que o contribuinte faz jus à isenção prevista no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações. Sobre a matéria, assim dispõe o inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11543.001113/200877 Acórdão n.º 2801003.205 S2TE01 Fl. 86 3 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)” Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995 determina: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).” Cumpre destacar que a partir de 1º de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto a essa matéria, a decisão recorrida concluiu que não consta dos autos laudo médico pericial emitido por serviço oficial de saúde (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios) para comprovar a Doença de Parkinson alegada e a data em que foi diagnosticada, conforme determina o §4° do artigo 39, incisos XXXI e XXXIII do RIR/99. Ainda esclareceu que os documentos de fls. 10 e 40 carta e ofício destinados ao contribuinte por setores administrativos da Previdência Oficial não preenchem os requisitos de um laudo médico pericial, como se denota do conteúdo do dispositivo legal antes colacionado. Em sede de recurso, foram apresentados novamente, às fls 72/73, os mencionados carta e ofício destinados ao contribuinte por setores administrativos da Previdência Oficial, informando que, de acordo com o exame pericial, foi constatado que o Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11543.001113/200877 Acórdão n.º 2801003.205 S2TE01 Fl. 87 4 contribuinte era portador de moléstia grave, nos termos do item XIV do art 6º da Lei nº 7.713/88. Ocorre que os laudos periciais que instruíram os processos a que se referem os ofícios não foram carreados ao autos. Com efeito, ante a inexistência da condição essencial ao pleito, qual seja, o apontamento de moléstia contemplada pela norma legal em laudo pericial realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e ou dos Municípios, nos termos do art. 30 da Lei n° 9.250/95, resta considerar acertado o lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008917/2008-07
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE E CESTA BÁSICA. VERBAS DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA. REEMBOLSO COMBUSTÍVEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. NATUREZA SALARIAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESCUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS. MULTA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Tratando-se de pagamento de cesta básica, decorrente de norma coletiva, em que há previsão expressa de que sua concessão não possui natureza salarial, não há incidência de contribuição.
Incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas como reembolso combustível, quando não houver a devida comprovação das despesas.
Integra o salário de contribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) excluir do lançamento as rubricas referentes ao vale-transporte e às cestas básicas; b) aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte.Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE E CESTA BÁSICA. VERBAS DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA. REEMBOLSO COMBUSTÍVEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. NATUREZA SALARIAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESCUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS. MULTA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Tratando-se de pagamento de cesta básica, decorrente de norma coletiva, em que há previsão expressa de que sua concessão não possui natureza salarial, não há incidência de contribuição. Incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas como reembolso combustível, quando não houver a devida comprovação das despesas. Integra o salário de contribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.008917/2008-07
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326006
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-002.940
nome_arquivo_s : Decisao_10830008917200807.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10830008917200807_5326006.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) excluir do lançamento as rubricas referentes ao vale-transporte e às cestas básicas; b) aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte.Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5306534
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368156647424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 723 1 722 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.008917/200807 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.940 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TRANSMERIDIANO TRANSPORTES TODOVIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE E CESTA BÁSICA. VERBAS DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA. REEMBOLSO COMBUSTÍVEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. NATUREZA SALARIAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESCUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS. MULTA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Tratandose de pagamento de cesta básica, decorrente de norma coletiva, em que há previsão expressa de que sua concessão não possui natureza salarial, não há incidência de contribuição. Incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas como reembolso combustível, quando não houver a devida comprovação das despesas. Integra o salário de contribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 89 17 /2 00 8- 07 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 724 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) excluir do lançamento as rubricas referentes ao valetransporte e às cestas básicas; b) aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte.Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 725 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela TRANSMERIDIANO TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA. em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campinas (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a lavratura do Auto de Infração DEBCAD nº 37.181.8761 (fl. 363). 2. Consta no relatório fiscal que o Auto de Infração referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal destinada a terceiros (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), no período de agosto de 2003 a dezembro de 2004 (fl. 377). 3. De acordo com o relatório fiscal do Auto de Infração (fls. 377/382), verificase que os valores lançados referemse a créditos previdenciários decorrentes de contribuições sociais, incidentes sobre parcelas pagas, devidas ou creditadas, a título de auxílio transporte, cestas básicas, reembolso combustível e participação nos lucros e resultados (PLR), informados em folhas de pagamento de salários, não incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. 4. A fiscalização considerou o valetransporte como de caráter remuneratório, tendo em vista que não houve atendimento à previsão legal (Lei n.º 7.418/85); bem como a alimentação fornecida pela empresa foi considerada base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, em razão da ausência de inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT); além disso, foram consideradas como base de cálculo do tributo as parcelas pagas a título de Participação nos lucros ou resultados da empresa (PLR), pois não foram identificados instrumentos com regras claras e objetivas, nenhum instrumento de aferição, nenhum programa de resultados a serem alcançados, nem critério de distribuição, o contribuinte limitouse ao pagamento da quantia fixada em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT); por fim, restou constatado que a parcela paga sob a denominação de reembolso combustível não se configura ressarcimento de despesa, posto que não houve sua comprovação, integrando a base da contribuição. 5. Conforme consignado na fl. 363 dos autos, a contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal, em 04/09/2008. 6. Diante da autuação, opondose ao lançamento, em 29/09/2008, junto à DRF – Campinas, Protocolo nº 009591 (fl. 388), a recorrente apresentou tempestivamente impugnação (fls. 388/425) a qual, em decisão a quo foi tida como improcedente, fato este formalmente comunicado a empresa em 13/03/2009 (fls. 673/674). 7. O acórdão (fls. 611/656) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever: “LANÇAMENTO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS A SEGURADOS EMPREGADOS. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 726 4 A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. . INCRA As empresas urbanas, mesmo não exercentes de qualquer atividade rural, ficaram sujeitas à contribuição para o INCRA. AUXÍLIO TRANSPORTE Integra o salário de contribuição a verba paga em pecúnia a título de vale transporte. CESTA BÁSICA/P AT Integra o salário de contribuição a verba paga em pecúnia a titulo de auxílio alimentação quando em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador/PAT. REEMBOLSO COMBUSTÍVEL A comprovação das despesas efetuadas com reembolso combustível é condição necessária para não incidência de contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica MULTA MORATÓRIA Os débitos previdenciários, por comando da Lei n° 8.212/91, sujeitamse ao cômputo de juros e a multa moratória, aplicados em caráter irrelevável MULTA. CONFISCO A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo a autoridade administrativa afastar a incidência da lei. Lançamento Procedente 8. Buscando reverter o lançamento, em 30/03/2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese que: a) é indevida a cobrança da contribuição ao INCRA, pois, não foi recepcionada pela Constituição Federal, inclusive não está prevista na Lei nº 8.212/91. b) o valetransporte possui caráter indenizatório, e não de remuneração, motivo que o mantém fora da incidência das contribuições sociais previdenciárias. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 727 5 c) a recorrente encontravase inscrita no PAT na época da autuação, com fundamento no que dispõe do art. 3º da Portaria Interministerial n.º 05/99, portanto, a parcela paga pela empresa não deveria integrar o salário de contribuição. d) o reembolso combustível possui caráter indenizatório, pois visa ressarcir o empregado das despesas que teve durante as viagens realizadas. e) as contribuições sociais previdenciárias não podem incidir sobre a rubrica PLR, pois houve pagamento de acordo com a lei (inclusive no que tange à periodicidade do pagamento da PLR não poder ser inferior a um semestre), tendo em vista a existência de convenções coletivas. f) a multa é indevida, posto que manifestamente confiscatória. 9. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 728 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA 2. A recorrente, em síntese, sustenta que a contribuição ao INCRA não foi recepcionada pela Constituição Federal, inclusive não está prevista na Lei nº 8.212/91, exação esta, portanto, indevida, porque estranha ao custeio da Seguridade Social; e, se quer tal contribuição enquadrase no conceito de contribuição destinada à intervenção no domínio econômico. 3. Ocorre que, esses argumentos da autuada não merecem prosperar ante a apreciação da matéria por parte do Superior Tribunal de Justiça, o qual, além de concluir tratar se a referida exação de natureza de intervenção de domínio econômico, decidiu pela legalidade da sua exigibilidade, em julgado submetido à sistemática do art. 543C (Recurso Repetitivo) do Código de Processo Civil CPC, cuja ementa transcrevo a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris.(Grifei). Fl. 728DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 729 7 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice , ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. (STJ REsp: 977058 RS 2007/01903560, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 22/10/2008, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 10/11/2008) Fl. 729DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 730 8 4. Assim, em face da vinculação deste Conselho à aplicação dos julgados decididos sob a sistemática do art. 543C, do CPC, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, inferese que inexistem dúvidas quanto à legalidade da exigência da contribuição ao INCRA. 5. Dessa forma, com base nas considerações tecidas acima, entendo que não merecem prosperar as alegações trazidas pela recorrente, mantendo lançamento inalterado em relação a esse ponto. DO VALETRANSPORTE 6. Depreendese da leitura dos autos que a autuação se originou também de valores declarados pelo contribuinte em suas folhas de pagamentos, valetransporte pago em pecúnia, pagamentos efetuados aos funcionários. 7. Segundo a recorrente, em suas argumentações, não há incidência de contribuições sobre tais verbas, por não possuírem natureza salarial, e sim indenizatória, além de decorrerem de previsão em Acordo Coletivo de Trabalho firmado entre os sindicatos da categoria. 8. No entanto, ainda assim a delegacia de julgamento manteve o lançamento sobre tais valores, pois considerou que o auxílio transporte pago em pecúnia pela impugnante não atende a legislação que trata da matéria, por força da alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. 9. Divirjo da posição adotada pelo julgador a quo, isso por que independentemente de previsão em acordo coletivo considero que os valores pagos a título de transporte, ainda que pagos em dinheiro, não possuem natureza salarial. 10. Isso porque a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois, foi assim que a norma instituidora do benefício deixou consignada. 11. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 12. Ademais, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; Fl. 730DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 731 9 III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 13. Com isso, tendo em conta o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. 14. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Conselho já sumulou o assunto, conforme segue: “Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia”. 15. Dito isso, verificase que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas à Seguridade Social. DAS CESTAS BÁSICAS 16. A respeito da incidência de contribuição social previdenciária sobre as verbas oriundas de pagamento de cestas básicas aos empregados, a recorrente argumenta que estava devidamente inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) ao tempo da autuação, pois, segundo a legislação em vigor à época dos fatos, a partir de 1999, a inscrição do PAT passou a ter validade por tempo indeterminado, conforme o art. 3º, da Portaria Interministerial n.º 05/1999. Além disso, houve convenção coletiva que tratou expressamente sobre tais verbas. 17. Conforme narra o auto de infração, “sem adesão ao programa, os valores gastos com alimentação integram o saláriodecontribuição. Além disso, o pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais (...)”. 18. A decisão de primeira instância teve o seguinte entendimento: “(...). Ainda que as cestas básicas tenham sido fornecidas aos empregados de acordo como disposto em convenção coletiva, estas verbas não estão excluídas do conceito de salário de contribuição, quando pagas em desacordo com o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT).” (fl. 666). (...). Vale ressaltar que para os anos calendários anteriores ao de 1999, a empresa deveria renovar anualmente a sua adesão ao PAT. Somente a partir da Portaria Interministerial n.º 05/99, é que a inscrição passou a produzir efeitos por prazo Fl. 731DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 732 10 indeterminado, tendo sido realizado um recadastramento obrigatório em 2004 (Portaria n.º 66/2003, posteriormente alterada pela Portaria n.º 81/2004, sob pena do cancelamento automático da inscrição”. (fl.667). 19. Observase que, a partir de 1999, a inscrição no PAT passou a ter validade por tempo indeterminado, conforme a Portaria Interministerial nº 05, de 30 de novembro de 1999, em vigor. 20. Entretanto, de forma a proceder a uma avaliação mais criteriosa dos resultados alcançados pelo Programa, foi baixada a Portaria nº 66, de 19 de dezembro de 2003, dispondo sobre o recadastramento, até maio de 2004, das empresas participantes do PAT, o qual foi prorrogado até 29 de agosto de 2004. 21. Contudo, a empresa é obrigada a prestar informações anualmente ao MTE, por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Além disso, deverá atualizar os dados constantes de seu registro no PAT, sempre que houver alteração de informações cadastrais. 22. Cumpre observar que a inscrição do contribuinte no PAT, válida até maio de 2004, quando deveria ocorrer o recadastramento, referiase apenas à modalidade refeição convênio (fls. 79 e seguintes), modalidade esta diversa do pagamento realizado pelo contribuinte (cestas básicas em pecúnia). 23. Assim, cumpre esclarecer que não há incidência das contribuições previdenciárias apenas quando o pagamento for “in natura”, independentemente de inscrição ou não no PAT, ou quando pago em pecúnia, com inscrição no Programa. 24. No caso em análise, a inscrição da empresa no PAT ocorreu em parte do período autuado, conforme a disposição trazida pela Portaria Interministerial n.º 05/99, contudo em modalidade distinta da fornecida pelo contribuinte, como citado anteriormente. 25. Salientese que as verbas ora em análise constam como de caráter indenizatório em Convenções Coletivas de Trabalho vigentes no período da autuação, como se depreende dos autos. A jurisprudência já considerou que quando a concessão de alimentação advém da convenção coletiva da categoria, fica afastada a natureza salarial às verbas pagas a título de alimentação. 26. Vejamos alguns julgados que guardam relação com que vem sido explanado: “ACORDO HOMOLOGADO. VALEALIMENTAÇÃO. NATUREZA NÃO SALARIAL. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Tratandose de auxílio alimentação, decorrente de norma coletiva, em que há previsão expressa que sua concessão não possui natureza salarial, não existe incidência previdenciária nas parcelas pagas a tal título objeto de acordo homologado judicialmente. (RO 00214.2008.006.14.003, Relator: Vulmar de Araújo Coêlho Junior, Data do Julgamento: 03/09/2008, 1ª Turma, Data da Publicação: 09/09/2008)." Fl. 732DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 733 11 “VALE REFEIÇÃO NATUREZA INDENIZATÓRIA ESTABELECIDA EM NORMA COLETIVA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NÃOINCIDÊNCIA. Os valores pagos a título de vale refeição que por força de norma coletiva são parcelas de natureza indenizatória, não integrando a remuneração do empregado para quaisquer efeitos não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária, já que não se destinam a retribuir trabalho nem a remunerar tempo à disposição do empregador. Recurso de Revista parcialmente conhecido e provido. (RR 904/2006 1261500.8 , Relatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Data de Julgamento:11/02/2009, 8ª Turma, Data de Publicação: 13/02/2009).” 27. É o caso, portanto, de dar provimento, nesta parte, ao recurso, tendo em vista que o lançamento não pode se fundamentar em rubricas que não detenham caráter salarial. DO REEMBOLSO DE COMBUSTÍVEL 28. No que se refere ao reembolso combustível, alega o contribuinte a natureza indenizatória das verbas, pois visam a ressarcir o empregado das despesas que teve durante as viagens que realizou. 29. A DRJ entendeu pela incidência das contribuições previdenciárias, em razão da inexistência de comprovação das despesas, como descrito no relatório da fiscalização (item 20). 30. Em seu recurso, a empresa não se insurgiu contra o argumento da fiscalização sobre a ausência de comprovação das despesas, de modo que a durante o processo administrativo fiscal, o contribuinte teve toda oportunidade de se contrapor a essa questão, todavia, não cuidou de trazer aos autos os efetivos comprovantes das despesas. 31. Portanto, tendo em vista a legislação sobre o tema (art. 28, § 9º, “s” da Lei nº 8.212/91), em que consta a necessidade de comprovação das despesas para que não integrem o saláriodecontribuição, nego provimento ao recurso nessa parte, mantendo, assim, o lançamento inalterado em relação à verba “reembolso de combustível” . DO PAGAMENTO DE PLR 32. Narra o auditor fiscal que o lançamento teve como base de cálculo os pagamentos e créditos efetuados a funcionários a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), pois foram pagos em desacordo com a Lei n.º 10.101/2000, em valor fixo, sendo que não houve instrumento com regras claras e objetivas, nenhum mecanismo de aferição, nenhum programa de resultados a serem alcançados, nem foi apresentado critério de distribuição. 33. O colegiado de primeira instância, ao se manifestar quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, manteve o lançamento efetuado pelo auditor fiscal. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 734 12 34. Nessa decisão, um dos principais motivos que foram considerados para a manutenção do débito tributário foi o fato de a empresa pagar PLRs em desacordo com a Lei 10.101/2000, pois pagas em valor fixo, não havendo nenhum instrumento com regras claras e objetivas, ou mecanismo de aferição, nem critério de distribuição, afastandose, assim, da regra de exclusão a que alude o artigo 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91. 35. A recorrente, por sua vez, alega que:“não há obrigatoriedade a que a empresa possua regras ou critérios de produtividade ou acordo coletivo de trabalho, pois a lei lhe faculta a possibilidade de ser firmada apenas convenção coletiva de trabalho entre os sindicatos patronal e profissional dispondo sobre a PLR, inclusive sobre seu valor, convenção esta existente e devidamente registrada no Ministério Público do Trabalho e arquivada no sindicato dos trabalhadores, referente aos anos em análise (...)”. 36. Posta a questão controvertida, oportuno trazer uma análise contextual do instituto da PLR. 37. A PLR visa à disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, e é regulada pela lei 10.101/2000. 38. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 39. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 40. Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 734DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 735 13 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 41. A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 42. Segundo o que se extrai das previsões contidas nas Convenções Coletivas sobre PLR vigentes durante o período da autuação, não há discriminação das regras e critérios para o pagamento da PLR, de acordo com as exigências legais, como segue (fls. 110 e seguintes): Convenções Coletivas de trabalho 2003/2004 (vigência 0110512003 a 30/04/2004): Sindicato dos Rodoviários (Profissional) X SINDICAMP (Patronal): Cláusula 12) Convencionam as partes, com base nas diretrizes fixadas em Lei, implantar o Programa de Participação nos Lucros e Resultados das Empresas, mediante as seguintes condições: Parágrafo 3º. A empresa que, individualmente, não formalizar a referida comissão ou não fixar valores para o programa de Participação nos Lucros e Resultados, ficará obrigada, a pagar a seus Empregados, a título de P.L.R. admitidos antes de 10 (primeiro) de maio de 2002 (dois mil e dois), montante equivalente a 38,93% (trinta e oito inteiros e noventa e três centésimos percentuais) de seu salário Normativo ou Base Contratual, limitado ao valor máximo de R$ 250, 00 (duzentos e cinquenta reais). SINDCAPRI (Profissional) X SINDICAMP (Patronal): Fl. 735DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 736 14 Cláusula 12) Convencionam as partes, com base nas diretrizes fixadas em Lei, implantar o Programa de Participação nos Lucros e Resultados das Empresas, mediante as seguintes condições: Parágrafo 3º. A empresa que, individualmente, não formalizar a referida comissão ou não fixar valores para o programa de Participação nos Lucros e Resultados, ficará obrigada, a pagar a seus Empregados, a título de P.L.R. admitidos antes de 10 (primeiro) de maio de 2002 (dois mil e dois), o valor de R$ 210,00 (duzentos e dez reais). Convenções Coletivas de trabalho 200412005 (vigência 01/0512004 a • 30/04/2005): Sindicato dos Rodoviários (Profissional) X SINDICAMP (Patronal): Cláusula 13) Convencionam as partes, com base nas diretrizes fixadas em Lei, implantar o Programa de Participação nos Lucros e Resultados das Empresas, mediante as seguintes condições: Parágrafo 3º. A empresa que, individualmente, não formalizar a referida comissão ou não fixar valores para o programa de Participação nos Lucros e Resultados, ficará obrigada, apagar a seus Empregados, com contratos de trabalho em vigor a partir de 1º (primeiro) de maio de 2004 (dois mil e quatro), inclusive, a título de P.L.R., montante equivalente a 38,92% (trinta e oito inteiros e noventa e dois centésimos percentuais) de seu salário Normativo ou Base Contratual, limitado ao valor máximo de R$ 265, 00 (duzentos e sessenta e cinco reais). SINDCAPRI (Profissional) X SINDICAMP (Patronal): Cláusula 13) Convencionam as partes, com base nas diretrizes fixadas em Lei, implantar o Programa de Participação nos Lucros e Resultados das Empresas, mediante as seguintes condições: Parágrafo 3º. A empresa que, individualmente, não formalizar a referida comissão ou não fixar valores para o programa de Participação nos Lucros e Resultados, ficará obrigada, apagar a seus Empregados, a título de P.L.R. admitidos antes de 10 (primeiro) de maio de 2004 (dois mil e quatro), o valor de R$ 222,00 (duzentos e vinte e dois reais). 43. O que se observa é que a Lei previu os seguintes requisitos: negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. 44. Assim, a partir do escopo constitucional e das normas legais atinentes ao tema, verificase que a PLR deve guardar uma relação direta com o desempenho da empresa, Fl. 736DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 737 15 sendo parcela variável da remuneração do trabalhador, em função dos resultados econômicos alcançados. 45. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. 46. A PLR é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. 47. Desse modo, entendese que a exigência legal está na estipulação conjunta (por isso a necessidade de participação de representantes dos interessados) das metas, dos resultados e dos prazos, para que se cumpra a finalidade do instituto. 48. Portanto, não merece prosperar a alegação do contribuinte da ausência de obrigatoriedade a que a empresa possua regras ou critérios de produtividade, pois a previsão dessa exigência é expressa. 49. Corroborado o entendimento exposto, temse jurisprudência sobre o tema: “O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ademais, o cumprimento das metas precisa ser aferível. Se a empresa não se mostra capaz de comprovar o atingimento das metas e o cálculo da PLR individual, o requisito legal do § 1º da Lei 10101/2000 resulta violado.” (Acórdão 2301002.627, Relator Mauro José da Silva, sessão de 12/03/2012, 1ª Turma/3ª Câmara/2ª Seção). 50. Assim, neste ponto, deve ser mantida a decisão recorrida. DA MULTA APLICADA 51. A recorrente ao afirmar que a aplicação da multa imposta representa “confisco pelo Estado” (fl. 701), inclusive com aplicação progressiva, “assume o caráter de abuso do poder fiscal” (fl.702), inferese de tais argumentos a pretensão de sustentar que se trata de exigência sem observância ao preceito do não confisco, previsto Constituição Federal, art. 150, IV, verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...). IV utilizar tributo com efeito de confisco. (...).” 52. “Ad argumentandum tantum”, do dispositivo constitucional ora transcrito verifica tratarse de vedação que representa um limite material ao exercício da Fl. 737DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 738 16 competência tributária, inspirado, especialmente nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. 53. Das observações no item precedente, reiterese, o que se pretende discutir é quanto à aplicação do princípio constitucional do não confisco à multa ora imposta ao caso em análise. 54. Ocorre que, reconhecer a existência de confisco seria o mesmo que admitir a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno, quais sejam: “Art. 62. (...). I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” 55. No caso dos presentes autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 56. É oportuno reiterar que não cabe a autoridade administrativa decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional, inclusive, insistase, que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte originário teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 57. Ademais, o Conselho de Contribuintes, por meio de seu Regimento Interno e Súmula, impuseram regra proibitiva nesse sentido: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 739 17 Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” “Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 58. Assim, deixo de apreciar eventuais aspectos relacionados à exorbitância da multa imposta ao presente caso, haja vista que não compete a autoridade lançadora ou julgadora dispensar ou reduzir valores de multas, sob o argumento de inconstitucionalidade, aí compreendida abusividade e ilegalidade. 59. Por outro lado, no caso destes autos o período fiscalizado abrange 01/08/2003 a 31/12/2004 que foi lançado em 29/08/2008 (fl. 363), antes, portanto, da vigência da MP nº 449/2008, ou seja, a multa aplicada variaria de 24% a 100%, a depender da fase do processo administrativo. 60. No caso em análise a multa aplicada é 75%, o que leva a questionar: como isso pode ser mais benéfico ao contribuinte? Este patamar de 75% só será mais benéfico quando a multa do artigo 35, da Lei nº 8.212/91 na redação da Lei nº 9.876/99, chegasse a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento. 61. Feitos estes esclarecimentos necessários entendo que deve ser aplicado ao lançamento a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75% em respeito ao artigo 35 – A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009, dependendo, contudo, da época do pagamento, parcelamento ou execução. 62. Aplicando a situação acima, em respeito ao princípio da retroatividade benigna ou lex mitior, prevista no art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. CONCLUSÃO 63. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, para: a) excluir do lançamento as rubricas referentes ao valetransporte e às cestas básicas; b) aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao Fl. 739DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.008917/200807 Acórdão n.º 2803002.940 S2TE03 Fl. 740 18 que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909603/2011-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10850.909603/2011-82
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313008
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-000.392
nome_arquivo_s : Decisao_10850909603201182.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10850909603201182_5313008.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5215010
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368182861824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 337 1 336 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909603/201182 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.392 – 3ª Turma Especial Data 26 de novembro de 2013 Assunto COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente GV HOLDING S/A (Sucessora de ITABENS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 60 3/ 20 11 -8 2 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Resolução nº 3803000.392 S3TE03 Fl. 338 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; b) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; c) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Resolução nº 3803000.392 S3TE03 Fl. 339 3 Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Além disso, segundo o mesmo julgador, o demonstrativo apresentado com a manifestação de inconformidade indicaria um valor da contribuição, referente às receitas financeiras, inferior ao recolhimento total, infirmando o valor que constou do Pedido Eletrônico de Restituição (PER). Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 24 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22 de maio do mesmo ano e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; Fl. 412DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Resolução nº 3803000.392 S3TE03 Fl. 340 4 e) a Planilha de cálculo, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; f) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; g) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; h) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; i) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; j) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2001 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Resolução nº 3803000.392 S3TE03 Fl. 341 5 Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 28 de março de 2013, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal do pedido de restituição. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Resolução nº 3803000.392 S3TE03 Fl. 342 6 De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia do Balancete, relativo ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a receitas financeira, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente, em razão da alegação do julgador de piso de que as partes da escrituração então apresentadas não seriam suficientes à apuração da base de cálculo total da contribuição no período, trouxe aos autos cópia integral do livro Diário 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Resolução nº 3803000.392 S3TE03 Fl. 343 7 e do Balancete correspondentes ao anocalendário sob análise, em que se confirmam as informações que já haviam sido apresentadas na primeira instância. Contudo, conforme já havia destacado o julgador de primeira instância, tendo o contribuinte requerido no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) a devolução de todo o valor da contribuição recolhido no período, a conclusão a que se chega é que toda a receita auferida teria natureza financeira, não tendo havido então a ocorrência de faturamento, conclusão essa que se confirma no Balancete, mas não na planilha trazida aos autos pelo Recorrente. Nesse sentido, não remanescem dúvidas quanto ao auferimento de receitas financeiras no período, tratandose de elemento de prova consistente que robustece a tese defendida pelo Recorrente. Analisandose os referidos documentos, é possível constatar que, na referida planilha e na escrituração, o Recorrente apurara a contribuição com base na alíquota de 3% e, no DARF, com base na alíquota de 2%, aproximadamente, sendo que a primeira alíquota corresponde à definida pelo art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. Contudo, apenas essa constatação não se mostra suficiente para se decidir, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado pelo Recorrente, pois, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º)” – grifei. Além disso, o fato de não se constatar do livro Diário e do Balancete a ocorrência de faturamento, mas apenas de receitas financeiras, indica a necessidade de se estender a pesquisa a toda a escrituração contábilfiscal do Recorrente para se esclarecer essa peculiaridade, tendose em conta que o seu objeto social encontrase definido no estatuto como “a) administração de bens móveis por conta própria ou de terceiros; b) representação comercial; c) promoção e publicidade; d) prestação de serviços técnicos; e) participação no capital e proventos de :outras sociedades.” Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período sob análise neste processo, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição operado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Mostrase relevante verificar se o objeto social da pessoa jurídica não abrange a prestação de serviços de caráter financeiro, situação em que parte ou a totalidade das receitas financeiras auferidas pode se configurar faturamento ou receita bruta, suscetível de tributação com base na Lei nº 9.718, de 1998, mesmo considerando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Resolução nº 3803000.392 S3TE03 Fl. 344 8 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 417DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10410.007264/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/09/2008
MPF. PRORROGAÇÃO POR VIA ELETRÔNICA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MULTA CORREÇÃO. RELEVAÇÃO. A RELEVAÇÃO SÓ SE APLICA QUANDO PRESENTES TODOS OS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEGISLAÇÃO. A AUSÊNCIA DE CORREÇÃO TOTAL DA FALTA IMPEDE A RELEVAÇÃO. MULTA APLICA NO PATAMAR DETERMINADO LEGALMENTE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/09/2008 MPF. PRORROGAÇÃO POR VIA ELETRÔNICA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MULTA CORREÇÃO. RELEVAÇÃO. A RELEVAÇÃO SÓ SE APLICA QUANDO PRESENTES TODOS OS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEGISLAÇÃO. A AUSÊNCIA DE CORREÇÃO TOTAL DA FALTA IMPEDE A RELEVAÇÃO. MULTA APLICA NO PATAMAR DETERMINADO LEGALMENTE. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10410.007264/2008-81
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313169
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.818
nome_arquivo_s : Decisao_10410007264200881.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10410007264200881_5313169.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5216669
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368211173376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 157 1 156 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.007264/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.818 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. Recorrente PENEDO AGROINDUSTRIAL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/09/2008 MPF. PRORROGAÇÃO POR VIA ELETRÔNICA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MULTA CORREÇÃO. RELEVAÇÃO. A RELEVAÇÃO SÓ SE APLICA QUANDO PRESENTES TODOS OS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEGISLAÇÃO. A AUSÊNCIA DE CORREÇÃO TOTAL DA FALTA IMPEDE A RELEVAÇÃO. MULTA APLICA NO PATAMAR DETERMINADO LEGALMENTE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 72 64 /2 00 8- 81 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 158 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.187.4998, CFL.38, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 23/09/2008, conforme – Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, protocolizada sob número 10410.007928/200811, capa, as fls. 27, do digital, e com pedido e teses impugnatórias, as fls. 26 a 34 , do físico, acompanhada dos documentos, de fls. 34 a 59. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 60 e 61. O autos foram baixados em diligência pelo Despacho Nº 1.358 7ª Turma DRJ/REC, da03/03/2011, conforme, fls. 69 e 70. A diligência foi cumprida, conforme elementos, de fls. 73 a 102 O contribuinte foi cientificado e manifestouse quanto ao resultado da diligência, as fls. 103. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1135.929 7ª , Turma da DRJ/REC, datado de 20/01/2012, as fls. 121 a 126, por intermédio do qual considerou a impugnação improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 16/02/2013 , AR, de fls. 130. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 133, recebida, em 06/03/2013, com as razões recursais, as fls. 134 a 142, acompanhado dos documentos, de fls. 143 a 155. As razões recursais sumariadas estão a seguir declinadas. Preliminar. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 159 3 · que o auto de infração é nulo, pois o MPF foi prorrogado por meio eletrônico, sem autorização, deste modo a autoridade fiscal não detinha competência para a prática do ato; · que no julgamento a quo a turma julgadora entendeu que não é necessário a autorização do sujeito passivo para este ser intimado das prorrogações do MPF por via eletrônica, bem como entendeu desnecessária a intimação pessoal e tempestiva acerca de tais prorrogações, nos termos dos artigo 9º e 14 da PT RFB 11.371/2007; · que ao decidir desta forma o acórdão recorrido violou a legislação tributária, além de divergir do que decidido no Acórdão da 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara da 2ª Seção do CAR (Acórdão Nº 240100.606, de 29/08/2009, o qual transcreve, fincado clara a necessidade de intimação pessoal; · que o acórdão recorrido entende ser necessário apenas a ciência pessoal do recorrente em razão do TIAF e do MPF inicial, sendo que as prorrogações deste pode ocorrer via internet, demonstrado que a emissão do MPF não atende as normas legais, deve o lançamento ser anulado; Mérito. · que a interpretação do órgão julgador a quo do texto do artigo 291, § 1º, do Decreto 3.048/99 está equivocada, pois tal norma não exige que a correção da falta seja feita dentro do prazo de defesa, mas que apenas o pedido seja feito nesse prazo, estando constatado pelo fisco em diligência que a recorrente corrigiu as faltas, uma antes e outras depois do prazo de defesa, faz a recorrente jus a relevação da multa; · que é improcedente a afirmação de que a multa não pode ser reduzida, uma vez que o art. 4º, da PT MPAS 4479/1998, autoriza tal conduta, desta forma a multa deveria ser reduzida ao seu patamar mínimo, especialmente por que a infração não impediu o trabalho do fisco; · Ao final, requer: a) reforma da decisão de primeiro grau para anular totalmente ou parcialmente a atuação, dandose provimento ao recurso. O órgão preparador não se manifesta quanto a tempestividade do Recurso Voluntário. Não há despacho de encaminhamento dos autos ao CARF, mas está aqui, encontrase formalizado e foi distribuído. É o Relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 160 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. O contribuinte está equivocado quanto a interpretação da norma, pois esta não exige a autorização do contribuinte, para que a autoridade fiscal possa prorrogar a validade de seus atos de controle por meio eletrônico, inclusive em relação ao Mandato de Procedimento Fiscal – MPF. O razão é muito simples o artigo 23, parágrafo 4º, inciso II, suscitado pelo contribuinte não se aplica ao caso. O dispositivo citado cuida da intimação ao sujeito passivo em endereço eletrônico deste fornecido ao fisco e com autorização do contribuinte para a sua utilização pelo fisco. No caso dos autos o contribuinte deveria verificar a validade do MPF e suas eventuais prorrogações no site do fisco, ou seja, no endereço eletrônico do fisco consignado no documento fornecido em meio papel e não em endereço eletrônico do contribuinte fornecido ao fisco, observese o que diz uma passagem do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF, de fls. 09 e 10, abaixo transcrito. O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do mandado de procedimento fiscal, utilizando o programa Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo. No caso de o sujeito passivo não possuir acesso à internet, poderá verificar a autenticidade do mandado comparecendo a uma unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou entrando em contato com: Chefe de Equipe: ANTÔNIO CARLOS ALBERTO MATOS DE SOUSA Endereço: R. SÁ E ALBUQUERQUE. 541 Sala 12 JARAGUÁ MACEIÓ – AL Telefone: 30369170 (grifo meu). Ademais, o MPF foi instituído pela Portaria RFB Nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, conforme autorização do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, tal ato normativo deixa claro que o MPF será emitido por via eletrônica e qual é o site que deve ser usado para a sua confirmação, veja a transcrição. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 161 5 Do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4º, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. A utilização de endereço eletrônico do contribuinte para sua cientificação exige sua autorização, mas a utilização de endereço eletrônico do próprio fisco para que o contribuinte verifique a autenticidade e validade de um documento é prerrogativa do fisco e não depende de autorização do contribuinte, sendo duas situações distintas e diametralmente opostas. Desta forma, a decisão da instância julgadora a quo foi acertada, não havendo violação à legislação tributária como afirma o contribuinte e nem tão pouco a decisão invocada pelo contribuinte se aplica ao caso. A uma, porque na situação vertente o MPF original foi cientificado ao contribuinte, cabendo a este verificar a sua regularidade e das eventuais prorrogações no site do fisco TIAF, de fls. 09 e 10. A duas, porque as prorrogações foram efetuadas dentro da validade dos mandados anteriores, bem como o lançamento se deu dentro desta validade, basta consultar o site da receita com os códigos fornecidos no TIAF, aliás realizada a consulta por este conselheiro seu resultado vai ao final do acórdão como anexo. Caso estes não fossem motivos suficientes para afastar as alegações da recorrente, basta observar, o que a seguir se apresenta. A competência do ente fiscal para empreender a ações necessárias de controle fiscal do Estado são determinadas por lei e não podem ser suprimidas por simples ato administrativo, observe as decisões. É corrente majoritária neste Conselho o entendimento de que o MPF é apenas um instrumento de controle administrativo interno, de modo que os vícios eventualmente verificados não implicam nulidade do auto de infração, como se observa dos seguintes precedentes: · Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ · Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 FALTA DE MPF ESPECÍFICO. NULIDADE. Constituindo ser o MPF e, por extensão, o Termo de Início de Ação Fiscal nele fundamentado em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 162 6 detectada não enseja a nulidade do auto de infração. (...) (CARF. Acórdão 1402001.229. Sessão 6/11/2012). · (...) NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...) (CARF. Acórdão 1402001.145. Sessão 08/08/2012). A esta corrente filiase esta Turma, razão pela qual adoto o entendimento acima como razões de decidir, para reconhecer o MPF como elemento de controle interno da administração tributária, cujos vícios não maculam o auto de infração. PROC: 11080.724888/201295. Acórdão 1302001.159. Sessão de 08/08/2013. CARF. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 3ª Câmara 2ª Turma Ordinária. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(AC 200585000058685, Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, TRF5 Terceira Turma, DJ Data::31/07/2008 Página::426 Nº::146.) (meus grifos) Assim sendo, pelos argumentos supramencionados rejeito a preliminar de nulidade. Mérito. O recorrente apóia sua tese de mérito em relação ao seu suposto direito de obter relevação da multa em norma que encontravase revogada quando da realização do lançamento do crédito e da tentativa de correção da infração. O artigo 291, caput, e seu parágrafo primeiro, do Decreto 3.048/1999, tiveram a sua redação alterada, em 12 de fevereiro de 2007, por intermédio do Decreto 6.032/2007, sendo que a nova redação passou a ser a seguinte, o que se compara com a anterior. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 163 7 CAPÍTULO V DAS CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES DA PENALIDADE Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) Redação anterior Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Desta forma, verificase da norma suscita e desconhecida pelo contribuinte que o prazo para que o sujeito passivo corrija a falta para fins de relevação da multa e o da apresentação da defesa. Nos termos da diligência realizada pelo órgão local, conforme resultado, as fls. 101, e admitido pela recorrente na peça recursal, não tendo havido a correção das faltas in totum, dentro do prazo, não há razão para que se conceda a relevação da multa. Fala do fisco: 6) Constatouse que os Livros diários n° 54, 55, 56 e 57 foram autenticados posteriormente à data de impugnação. 7) CONCLUSÃO: Em relação ao período de novembro de 2006 a março de 2007, a falta não foi corrigida antes da data da impugnação. Fala do contribuinte: A redução da multa para os patamares da PT MPAS 4.479/1998 e mais um equivoco de interpretação do contribuinte recorrente, uma vez que nos termos do artigo 92 c/c o artigo 102, ambos, da Lei 8.212/91 as multas são atualizadas anualmente pelos mesmos índices aplicados aos benefícios da previdência social. Aliás, o agente lançador deixou isto claro no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, fls. 22, observe a transcrição. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 164 8 Em decorrência das infrações praticadas, está sendo aplicada a multa cabível, nos termos do artigo 92 e 102 da Lei 8.212, de 24/07/91, e do artigo 283, inciso I I , alínea " j " e do artigo 373, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/99, no valor de R$ 12.548,77 (doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos). Tal valor está atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de, 2008, publicada no Diário Oficial da União D.O.U. de 12/03/2008. Posto isto, não há razões fáticas e jurídicas para conhecer dos pedidos da recorrente sejam em preliminar ou em mérito. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. ANEXO AO ACÓRDÃO – CONSULTA DE MPF NO SITE DA RECITA EM 30/10/2013. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 165 9 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007264/200881 Acórdão n.º 2803002.818 S2TE03 Fl. 166 10 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
