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Numero do processo: 19647.009829/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/10/2000 a 01/07/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE.
A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3202-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar nulo o auto de infração, por vício material.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente ALBALAB COMÉRCIO DE PRODUTOS LABORATORIAIS E HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/10/2000 a 01/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar nulo o auto de infração, por vício material. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “DO LANÇAMENTO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 98 29 /2 00 5- 13 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Tratase de Auto de Infração (AI) lavrado em razão da reclassificação fiscal de produtos químicos, importados através das Declarações de Importação (DI) indicadas às fls. 09 a 11 e 18 a 21 do AI, registradas de 02/10/2000 a 01/07/2005 (II) e 02.10.2002 a 01.07.2005 (IPI), conforme Demonstrativos de Apuração do II e do IPI, demais encargos legais e multas, às fls. 26 a 69 (II) e 75 a 86 (IPI), para a cobrança: a) da diferença do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 51.951,34 (cinquenta e um mil, novecentos e cinquenta e um reais e trinta e quatro centavos), acrescida de juros de mora, calculados até 31.08.2005, no montante de R$ 13.624,38 (treze mil, seiscentos e vinte e quatro reais e trinta e oito centavos), multa proporcional de 75% (passível de redução), no valor de R$ 34.224,31 (trinta e quatro mil, duzentos e vinte e quatro reais e trinta e um centavos), multa proporcional multa de mora (não passível de redução), no valor de R$ 1.263,79 (um mil, duzentos e sessenta e três reais e setenta e nove centavos), multa proporcional ao valor aduaneiro 1% (passível de redução), que soma R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), além de multa regulamentar (proporcional ao valor aduaneiro 1%), no montante de R$ 20.297,00 (vinte mil, duzentos e noventa e sete reais), totalizando o crédito tributário, R$ 135.360,81 (cento e trinta e cinco mil, trezentos e sessenta reais e oitenta e um centavos); b) da diferença do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 29.415,48 (vinte e nove mil, quatrocentos e quinze reais e quarenta e oito centavos), acrescida de juros de mora, calculados até 31.08.2005, no montante de R$ 5.931,84 (cinco mil, novecentos e trinta e um reais e oitenta e quatro centavos), multa proporcional de 75% (passível de redução), no valor de R$ 22.061,61 (vinte e dois mil, sessenta e um reais e sessenta e um centavos), totalizando o crédito tributário, R$ 57.408,93 (cinquenta e sete mil, quatrocentos e oito reais e noventa e três centavos). Na descrição dos fatos, as autoridades lançadoras, descrevem as infrações apuradas, de acordo com a legislação vigente, agrupando as mercadorias importadas e as correspondentes DI, de acordo com o histórico resumido a seguir: 1 Divergência de classificação das mercadorias (DI de 02.10.2000 a 06.09.2002, indicadas às fls.08 e 09 do volume 1 do processo digital): Através das DI elencadas, o importador submeteu a despacho produtos diversos para uso em laboratório de clínica médica, bem como cartuchos para equipamento GEM Premier, classificandoos no código NCM/TEC 3822.00.00 e 3822.00.90, ao amparo do Decreto nº 97.409, de 1988, Decreto nº 435, de 1992, e INSRF nº 123, de 1998. A Posição indicada pelo importador, Posição 3822, abrange os reagentes de diagnóstico ou de laboratório em um suporte e os reagentes de diagnóstico ou de laboratório preparados (excluídos os reagente de diagnóstico da Posição 3002) 1. Citam, as autoridades lançadoras, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), publicação subsidiária do Sistema Harmonizado (SH), no tocante à Posição 3002, no que diz respeito a “Outras frações do sangue”. 1 Os produtos excluídos da Posição 3822 (pelo seu próprio texto) são os reagentes de diagnóstico que se incluem na Posição 3002, a saber: sangue humano; sangue animal preparado p/usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, outras frações do sangue, produtos imunológicos modificados, mesmo obtidos por via biotecnológica; vacinas, toxinas, culturas de microorganismos (exceto leveduras) e produtos semelhantes. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.009829/200513 Acórdão n.º 3202001.133 S3C2T2 Fl. 865 3 Transcrevem, ainda, as NESH referentes à Posição 3824 (“.....; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas, incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais)”. Listam, em seguida, às fls. 05 a 08 do volume 1 do processo digital, os produtos importados, objeto da reclassificação fiscal para os códigos NCM/TEC 3824.90.89 (cartuchos para equipamento GEM Premier) e 3002.10.29 (produtos químicos diversos), com base nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nºs 1 (Posição) e 6 (Subposição) e Regra Geral Complementar (RGC) nº 1 (Item e Subitem), acobertados pelas DI de 2000 a setembro de 2002 (relacionadas às fls. 08 a 11), registrando as alíquotas incidentes sobre os produtos, nos códigos por eles indicados, ao amparo da legislação então vigente. 2Declaração inexata das mercadorias (DI de 02.10 2002 a 01.07.2005, às fls. 16 e 17 do volume 1 do processo digital): Às fls. 11 a 16 do volume 1 do processo digital, a autuação relaciona os produtos importados (classificados pelo importador nos códigos NCM/TEC 3822.00.00 e 3822.00.90), objeto da reclassificação fiscal para os códigos NCM/TEC 3824.90.89 (cartuchos para equipamento GEM Premier) e 3002.10.29 (trinta produtos químicos diversos), com base nas RGI nºs 1 (Posição) e 6 (Subposição) e RGC nº 1 (Item e Subitem), acobertados pelas DI de 2002 a 2005 (relacionadas às fls. 18 a 21), registrando as alíquotas incidentes sobre os produtos, nos códigos por eles indicados, ao amparo da legislação então vigente (fls 16 e 17). 3 Mercadorias classificadas incorretamente na NCM, multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias: Penalidade aplicada ao amparo dos arts. 1°, 77, inciso I, 103, 411 a 413, 416, 418, 455, 456, 500, incisos I e IV, 501, inciso III, 542, do RA/85, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, c/c art. 84, inciso I, da MP 2.158, de 24/08/01, (abrangendo as DI cobertas por essa legislação), e, posteriormente, ao amparo dos arts. 2°, 97, 482 a 485, 489, 491, 570, 602, 603, incisos I e IV, 604, inciso IV, 636, inciso I e §§ 3°, 4° e 5°, e 684 do Decreto n° 4.543/02 (RA/2002), c/c art. 84, inciso I, da MP 2.158, de 24/08/01(abarcando as DI amparadas por essa legislação). Ao Auto de Infração foram acostados os seguintes documentos: • Relações das mercadorias constantes de cada Declaração de Importação, objeto de autuação (de suas respectivas Adições); extratos dessas DIs., extraídos do Sistema de Comércio Exterior (Siscomex), às fls. 88 a 204 do volume 1, 208 a 406 do volume 2, 410 a 613 do volume 3 e 621 a 633 do volume 4 do processo digital; • Documentação relativa ao estudo das especificações técnicas dos produtos químicos objeto da presente autuação, às fls. 634 a 726 do volume 4. DA IMPUGNAÇÃO Na impugnação tempestiva, apresentada em 24.10.2005, às fls. 728 a 739 do volume 4 dos autos digitais, complementada pelos documentos de fls. 740 a 755, o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) os produtos químicos importados foram reclassificados para o código NCM/SH 3002.10.29, enquanto o cartucho para equipamento GEM Premier seguiu para o código 3824.90.89, o que acarretou a alteração das alíquotas do II e do IPI e a Fl. 866DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 cobrança da diferença desses tributos, além da multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, na forma do artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, e artigo 636 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002. b) as suas razões de defesa eram “....de natureza meramente técnica, cingindose apenas a questões que podem esclarecer a questão das divergências apontadas pelos autuantes e firmar uma classificação fiscal NCM/SH definitiva para as mercadorias importadas pela autuada”; c) concordava com a NCM/SH proposta pelas autoridades lançadoras, no tocante a 24 (vinte e quatro) produtos (concordância que dizia respeito, todavia, às próximas operações de importação), discordando relativamente a 07 (sete) produtos2 2 (nº total de produtos importados 31 (trinta e um): Item 3 Produto (Cartuchos) 4 Concordância (C) Discordância (D) Razões da Discordância 1 Cartuchos para equipamento GEM Premier (D) Caracterizamse como reagentes de diagnóstico/laboratório, na forma de kit, uma vez que permitem identificar níveis de gases, eletrólitos e metabólitos sanguíneos, através de soluções preparadas especialmente para calibragem ou checagem de tais níveis, c/a finalidade de diagnosticar distúrbios do desequilíbrio respiratório, metabólico e hidro eletrolítico. Item 5 Produtos químicos diversos 6 Concordância (C) Discordância (D) Razões da Discordância 1 PT Fibrinogênio HS/0008468210 (C) 2 LAC Screen/0020008000 e LAC Confirmatório/0020008200 (C) 3 Tempo de Trombina/0009758315 (C) 4 Plasma Calibrador/0008467300 (C) 5 Proteína C/0020009100 (C) 6 Proteína S/0008468810 (C) 7 Normal Control Plasma/0008467011 (D) Material certificado7: tratase de plasma humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida (o método avaliado é a turbidimetria). 8 Control Plasma/0008467500 (D) Material certificado. 9 Abnormal Control (D) Material certificado. 2 Os produtos serão objeto do demonstrativo a seguir elaborado pela relatora, de modo a facilitar o entendimento dos argumentos da defesa. 3 A numeração acompanha a que foi utilizada na relação dos produtos, na defesa apresentada pelo contribuinte. 4 Produto classificado pelas autoridades lançadoras no código NCM/TEC 3824.90.89 e que a defendente entende que o código adequado continua sendo aquele indicado nas respectivas DI, ou seja, 3822.00.90. 5 A numeração dos Itens acompanha a numeração dos produtos constante da defesa do contribuinte. 6 Produtos classificados pelas autoridades lançadoras no código NCM/TEC 3002.10.29, acatado pela defendente, relativamente a alguns produtos, e não aceito, no tocante a outros produtos que especifica, para os quais entende que o código indicado nas respectivas DI está correto: 3822.00.90. 7 Certificado que acompanha o produto e indica os valores das propriedades certificadas, os métodos utilizados para determinar esses valores, o grau de certeza associado a cada valor que pode ser utilizado para análise, aferição ou referência, além do nome da autoridade certificadora. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.009829/200513 Acórdão n.º 3202001.133 S3C2T2 Fl. 866 5 Plasma/0008467700 10 Resistência ao Fator V/002000870 (C) 11 Controle baixo fibrinogênio/0020004200 (D) Material certificado 12 Antitrombina (C) 13 DDimer/0020008500 (C) 14 Normal Control Assayed/0020003110 (D) Material certificado 15 Fibrinogênio C/0008469110 (C) 16 Fator VIII/0008466450 (C) 17 Fator VII/0008466250 (C) 18 Fator XII/0008466750 ou 0020001200 (C) 19 Fator XI/0008466650 (C) 20 Fator IX/0008466550 (C) 21 Control Alto Abnormal/ 00220003310 (D) Material certificado 22 Nycocard U Albumin/0001100296 (C) 23 PTFibrinogênio Recombinante/0020005000 (C) 24 Kit de HIV/Vírus da Imunodeficiência Humana (C) 25 Toxoplasma G (C) 26 Toxoplasma M (C) 27 Rubela G (C) 28 Rubela M (C) 29 CMV G/Cytomegalovirus (C) 30 CMV M/Cytomegalovirus (C) d) a multa de 1%, que lhe foi imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, ou seja, por omissão praticada em relação à obrigação não pecuniária, não deve ser aplicada cumulativamente sobre um fato ou uma infração que já foi punida com a incidência de multa proporcional à diferença do II, em decorrência das alíquotas majoradas aplicadas sobre os produtos importados. Por todo o exposto, requer seja julgada improcedente a presente ação fiscal, no tocante aos tributos cobrados e às penalidades aplicadas, ainda que “...consideradas errôneas algumas das nomenclaturas NCM/SH que vem sendo utilizadas pela defendente em suas importações, o que deverá servir para as próximas operações de importação” (Grifos da Relatora).” A DRJRecife/PE julgou a impugnação procedente em parte (efls. 805/827), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/10/2000 a 01/07/2005 Classificação incorreta de mercadoria As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Tarifa Externa Comum (TEC) e na Fl. 868DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Antisoros, outras frações do sangue e produtos imunológicos, mesmo modificados ou obtidos por via biotecnológica, classificamse no Subitem 3002.10.29 da NCM/TEC e NBM/TIPI então vigentes. Kit composto por solução para controle do processo químico, solução para o condicionamento dos sensores de glicose e lactato, e solução de referência; cartão do sensor; válvula de distribuição; tubulação da bomba; mostrador; bolsa de resíduos e bolsa de gás, apresentados em cartucho descartável, denominado comercialmente de Cartucho para Equipamento GEM Premier, não se classifica na Posição adotada pelo importador. Por outro lado não ficou comprovada a classificação no código indicado no Auto de Infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 02/10/2000 a 01/07/2005 Insuficiência de recolhimento do II. Multa de ofício de 75% Constatado o não recolhimento de diferença do II incidente sobre parte dos produtos importados, em razão de erro ocorrido em sua classificação fiscal, cabe o lançamento da diferença desse imposto acrescida dos encargos legais cabíveis e da multa de ofício de 75%. Classificação incorreta de mercadoria. Multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro Em razão da classificação incorreta, na NCM/TEC, promovida pelo importador, tanto dos antisoros, outros frações do sangue e produtos imunológicos, quanto do kit (comercialmente denominado de Cartucho para equipamento GEM Premier), cabe a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 02/10/2002 a 01/07/2005 Insuficiência de recolhimento do IPI. Multa de ofício de 75%. Incabível. Descabe o lançamento da diferença desse imposto com o acréscimo dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, uma vez que não ficou comprovada a classificação dos Cartuchos para Equipamento GEM Premier no código indicado no Auto de Infração. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.009829/200513 Acórdão n.º 3202001.133 S3C2T2 Fl. 867 7 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/10/2000 a 01/07/2005 Revisão de Ofício Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de ofício e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do desembaraço da mercadoria, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/10/2000 a 01/07/2005 Matéria não impugnada Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 840/845), alegando, em síntese: que concorda com a autuação em relação a vinte e quatro produtos importados, insurgindose apenas em relação a sete, quais sejam: a) produto “Cartucho para equipamento GEM premier”: afirma que a classificação correta é no código 3822.00.90, pois se trataria de um kit, de um conjunto de bolsas uma para calibração no ponto 1, uma para calibração no ponto 2, uma para calibração de hematócrito 1, uma para calibração de hematócrito 2. Há, ainda, uma bolsa de esgoto, sensores para medição dos parâmetros e agulha para amostra; b) produtos “Normal Control Plasma/0008467011”, “Control Plasma/0008467500”, “Abnormal Control Plasma/0008467700”, “Normal Control Assayed/0020003110” e “Control Alto Abnormal/00220003310”, afirma que a classificação correta é no código 3822.00.90, pois se tratariam de plasma humano liofilizado, usados como materiais de referência certificados para avaliação de um método de medida, conforme informações da bula já anexadas à impugnação (método avaliado é a turbidimetrina); e c) para o produto “Controle Baixo Fibrinogênio/0020004200”, afirma que a classificação correta é no código 3822.00.90, pois se trataria de plasma humano fresco liofilizado, usado como material de referência certificado para Fl. 870DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 avaliação de um método de medida, conforme informações da bula já anexadas à impugnação (método avaliado é a turbidimetrina) . que a aplicação da multa de 1%, como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, cumulativamente à penalidade já aplicada sobre as diferenças a pagar do II, é ilegal, pois se trata de dupla penalização do contribuinte em razão do mesmo fato, mostrandose, por isso, abusiva e confiscatória, violando o princípio constitucional da capacidade contributiva. Ao final, requereu a reforma da decisão administrativa de primeira instância, no sentido declararse a improcedência da autuação. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Pela leitura da Descrição dos Fatos constante do Auto de Infração não se consegue, de forma alguma, identificar quais foram os motivos da autuação, senão a simples discordância da autoridade fiscal em relação à classificação fiscal adotada pela contribuinte. O auto se limita a transcrever os textos dos códigos das classificações fiscais, tanto aquela utilizada pela contribuinte quanto aquela pretendida pela Fiscalização, bem como a reproduzir as notas explicativas das NESH correspondentes às posições e a descrever os produtos reclassificados, mas não identifica qual o motivo para adotarse uma classificação em detrimento da outra. Desta forma, entendo que falta à peça de autuação elemento essencial de sua validade, qual seja, a motivação. Não basta à autoridade autuante dizer “o contribuinte classificou o produto na posição X, mas o correto é a posição Y”. Deve indicar o porquê de entender incorreta a classificação da contribuinte, não bastando para isso simplesmente transcrever os textos das NESH referentes às posições sem indicar qual é o ponto da NESH em que se identifica o equívoco cometido pelo contribuinte, demonstrando, com isso, a subsunção do fato à norma. Assim, a ausência da indicação dos motivos que levaram à autuação àquele entendimento caracterizam a existência de vício material no lançamento perpetrado, pois, quando do lançamento, a autoridade fiscal deveria ter determinado as razões pelas quais entendeu ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deixando, dessa forma, de obedecer ao comando do art. 142 do CTN. No caso, deveria a Fiscalização ter identificado por quais razões entendeu que a classificação adotada pela contribuinte estaria incorreta e, em razão disso, levaria à existência de diferença de tributos a serem exigidas, bem como à aplicação da multa por classificação incorreta na NCM. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para declarar nulo o auto de infração, por vício material. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.009829/200513 Acórdão n.º 3202001.133 S3C2T2 Fl. 868 9 É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 872DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 16327.720037/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O Supremo Tribunal Federal entendeu que o pagamento do vale transporte em pecúnia não retira o caráter indenizatório da verba. Súmula 60 da AGU, a qual reconhece o caráter indenizatório da verba.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES.
Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei 10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO.
O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. VALOR SUPERIOR A DOZE SALÁRIOS MENSAIS. CARÁTER SUBSTITUTIVO DESTE VEDADO PELA NORMA REGULAMENTADORA.
Os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados que sejam equivalentes a mais de doze vezes o salário mensal, ou seja, ao salário anual, assumem a feição de contraprestação pelo trabalho, de remuneração, portanto, pois o expressivo montante evidencia que o salário foi substituído pelo pagamento intitulado de Participação nos Lucros ou Resultados. Nesses casos, a parcela, por ter verdadeira natureza remuneratória e estar em ofensa ao art. 3º da Lei 10.101/2000, deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária.
PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FORA DO PERÍODO PREVISTO EM LEI.
O § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/00 determina que é proibido o pagamento de antecipação ou distribuição de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.
Os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela contrariam o disposto na Lei nº 10.101/00 e, portanto, ficam sujeitos à incidência da contribuição previdenciária.
MULTA. RETROATIVIDADE.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do auxílio transporte, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, na questão da ausência de representação da empresa, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a ausência de prova sobre a participação do sindicato, nas atas de ajustes do plano, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, devido ao caráter substitutivo da remuneração, no que se refere à PLR, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento ao recurso, devido à ausência de regras claras e objetivas das regras adjetivas, referentes aos no que se refere à PLR, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de reunião de fixação de metas, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros que negava provimento ao recurso nesta questão e Damião Cordeiro de Moraes que dava provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Luiz Eduardo de C. Girotto. OAB: 124.071/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Mauro José Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O Supremo Tribunal Federal entendeu que o pagamento do vale transporte em pecúnia não retira o caráter indenizatório da verba. Súmula 60 da AGU, a qual reconhece o caráter indenizatório da verba. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES. Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei 10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. VALOR SUPERIOR A DOZE SALÁRIOS MENSAIS. CARÁTER SUBSTITUTIVO DESTE VEDADO PELA NORMA REGULAMENTADORA. Os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados que sejam equivalentes a mais de doze vezes o salário mensal, ou seja, ao salário anual, assumem a feição de contraprestação pelo trabalho, de remuneração, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 37 /2 01 1- 76 Fl. 9941DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 portanto, pois o expressivo montante evidencia que o salário foi substituído pelo pagamento intitulado de Participação nos Lucros ou Resultados. Nesses casos, a parcela, por ter verdadeira natureza remuneratória e estar em ofensa ao art. 3º da Lei 10.101/2000, deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FORA DO PERÍODO PREVISTO EM LEI. O § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/00 determina que é proibido o pagamento de antecipação ou distribuição de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela contrariam o disposto na Lei nº 10.101/00 e, portanto, ficam sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do auxílio transporte, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, na questão da ausência de representação da empresa, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a ausência de prova sobre a participação do sindicato, nas atas de ajustes do plano, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, devido ao caráter substitutivo da remuneração, no que se refere à PLR, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento ao recurso, devido à ausência de regras claras e objetivas das regras adjetivas, referentes aos no que se refere à PLR, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de reunião de fixação de metas, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros que negava provimento ao recurso nesta questão e Damião Cordeiro de Moraes que dava provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Luiz Eduardo de C. Girotto. OAB: 124.071/SP. Fl. 9942DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 3 3 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 9943DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Relatório O presente processo administrativo fiscal tem por objeto os seguintes autos de infrações sob as seguintes rubricas: i) Debcad nº 37.296.6195 lançamento das contribuições devidas pela empresa (quota patronal e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT) no valor total de R$ 99.380.970,44 (noventa e nove milhões, trezentos e oitenta mil, novecentos e setenta reais e quarenta e quatro centavos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” e “Vale Transporte”, ambas em desacordo com as respectivas legislações específicas, nas competências 01/2006 a 12/2006; ii) Debcad nº 37.296.6209 lançamento das contribuições devidas pela empresa e destinadas ao FNDE (Salário Educação) no valor de R$ 10.572.443,71 (dez milhões, quinhentos e setenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e três reais e setenta e um centavos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” e “Vale Transporte”, ambas em desacordo com as respectivas legislações específicas, nas competências 01/2006 a 12/2006; iii) Debcad nº 37.296.6217 lançamento das contribuições devidas pela empresa e destinadas ao INCRA no valor de R$ 845.795,53 (oitocentos e quarenta e cinco mil, setecentos e noventa e cinco reais e cinquenta e três centavos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” e “Vale Transporte”, ambas em desacordo com as respectivas legislações específicas, nas competências 01/2006 a 12/2006; e iv) Debcad nº 37.296.6225 lançamento de multa por ter o Contribuinte apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP – do período 01/2006 a 12/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, totalizando R$ 914.142,00 (novecentos e quatorze mil, cento e quarenta e dois reais). Fundamentando a lavratura dos relacionados autos de infração, a D. Autoridade fiscal informa, em relação ao PLR, que: a) “4.1 Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas as remunerações pagas aos segurados a propósito de “Participação nos Lucros ou Resultados” e “Vale Transporte”, ambas em desacordo com a Fl. 9944DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 4 5 legislação específica, sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Sociais.”; b) “4.2 Foram examinados, durante a auditoria fiscal, documentos tais como Livros Diário e Razão, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, Guias da Previdência Social – GPS, Convenções e Acordos Coletivos, Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIPF.” c) “4.3 Os valores apurados de Participação nos Lucros ou Resultados foram obtidos de dados constantes em planilhas (formato excel), fornecidas pela empresa ora notificada por meio de arquivos em meio magnético (CD), entregues em 13 de dezembro de 2010, cujo Código de Identificação Geral – CIGA, do Sistema de Validação de Arquivos – SVA, é 89ª5b55ccb88f9f509ce27267cfo6ed6. Tais dados foram extraídos e confirmados a partir da contabilidade (extratos) e das folhas de pagamento do sujeito passivo, entregues no formato de arquivos magnéticos com leiaute ADE/15 – Sistema Integrado de Coleta – SINCO (Contabilidade) e Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD (folhas de pagamento), respectivamente em 19 e 21 de julho de 2010, com CIGA nº 60374854ed2b5c5fad7507099fb3baaf (extratos da contabilidade) e nº 17624d36d9027b8c72f52e925923c522 (folhas de pagamento dos empregados).”; d) “4.4 Os montantes de Vale Transporte, por sua vez, foram extraídos e confirmados a partir da contabilidade (extratos) e das folhas de pagamento do sujeito passivo, entregues na forma e datas contidas no item anterior.”; e) 5.11 Destarte, a Participação nos Lucros ou Resultados, como prevista constitucionalmente, é desvinculada da remuneração, não possuindo natureza jurídica salarial e não integrando, portanto, o salário de contribuição, desde que paga em conformidade com lei específica.”; f) “5.12 A regulamentação deuse com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, as quais foram finalmente convertidas na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro 2000, que disciplina a PLR da empresa, estabelecendo os requisitos necessários para que a desvinculação da remuneração ocorra, ad litteram.”; g) “5.15 A Participação nos Lucros ou Resultados do Banco ABN Amro Real S.A., cujos pagamentos ocorreram durante o exercício de 2006, é regida pelo Acordo do Plano de Participação nos Resultados do Grupo ABN AMRO, assinado em 11 de junho 2001, tendo como partes, de um lado o Banco ABN AMRO Real S.A. e de outro seus empregados. Tal acordo possui vigência retroativa a 1º de janeiro de 2001 e prazo de vigência de 24 (vinte e quatro meses). Todavia, o Parágrafo Único, da Cláusula Décimo, dispõe que enquanto inexistir novo plano de PPR que Fl. 9945DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 substitua o celebrado em 2001, este último será contínua e automaticamente prorrogado a cada ano.” h) “5.22 No caso em apreço, não obstante haver uma assinatura genérica (sem qualificação) em nome do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, não houve a comprovação do Registro e Arquivamento do acordo na entidade sindical da categoria.”; i) 5.23 Apesar de reiteradamente intimado a exibir comprovação da participação do sindicato nas negociações, bem como o Registro e o Arquivamento do acordo na entidade sindical, através dos Termos de Intimação nº 2, de 17.07.09; nº 3, de 16.09.09; nº 4, de 4.11.09; nº 6, de 22.12.09; nº 7, de 22.02.10; 08, de 19.04.10 e nº 09, de 16.06.10, o banco não apresentou qualquer documentação.”; j) “5.28 Juntamente ao instrumento de negociação, sendo partes integrantes deste, foram apresentados três anexos. O Anexo I – PPR Quantidade de Unidades – exibe uma tabela que expressa as quantidades mínimas de unidades a serem distribuídas em face ao alcance das metas e à forma de apuração dos valores, bem como um exemplo. No entanto, em nenhum momento o anexo traz tais as metas, nem os critérios de avaliação. O texto aponta ainda a existência de uma avaliação de desempenho quantitativa e qualificativa, mas não traz as regras a serem utilizadas, nem o modelo básico dessas avaliações.” k) “5.34 No presente caso não há a presença nem de regras substantivas, nem de regras adjetivas. Não são fixadas as metas a serem atingidas para que haja conhecimento prévio por parte dos funcionários do esforço necessário para o recebimento da PLR, não é descrito o processo de avaliação e nem são apresentados os formulários que embasarão tal processo. É apenas citada a existência de metas préestabelecidas para cada área, bem como de uma avaliação quantitativa e qualificativa de desempenho dos empregados, sem que nenhum desses dois integre o acordo firmado.” No que tange ao Vale Transporte, salienta que: a) “6.16 No caso em tela foram encontrados pagamentos em dinheiro a título de Vale Transporte nas rubricas nº 0110 (Vlr debitado em c/c), nº 0209 (Vale Transporte), nº 0210 (Dif. Vale Transporte) e nº 0596 (Dif. Vale Transporte Empresa) das Folhas de Pagamento do banco, os quais foram confirmados pela escrituração realizada na conta nº 73750 (Desp. Vale Transporte). Os valores líquidos, retirados das Folhas de Pagamento e totalizados mensalmente, encontramse apontados no Anexo IV – Vale Transporte 2006.” Devidamente notificada, a Recorrente opôs impugnação alegando, basicamente, que (i) o seu programa de participação nos lucros ou resultados cumpre regularmente os requisitos legais, instituído por acordos coletivos assinados pela comissão dos empregados, representante sindical e da empresa, onde foram estabelecidas regras claras e objetivas para ao pagamento dos benefícios; (ii) o fornecimento em dinheiro de vale transporte não descaracterizaria a natureza do pagamento dessa verba, a ponto de transformála em salário. Fl. 9946DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 5 7 A instância a quo julgou improcedente a impugnação, mantendose, dessa forma, o lançamento integralmente no período subsequente. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Vale transporte em pecúnia Segundo a D. Fiscalização, o lançamento das contribuições previdenciárias seriam devidas, uma vez que a alínea f, do §9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias a parcela recebida a título de vale transporte apenas na forma do artigo 1º da Lei nº 7.418/85. Contudo, tal entendimento não pode prevalecer, já que o Supremo Tribunal Federal entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Ademais, a não aceitação do fornecimento do vale transporte em dinheiro caracterizaria a negação do curso legal da moeda. Cito o precedente do Pretório Excelso: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. Fl. 9947DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) É importante ressaltar que a Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, a qual instituiu o Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi alterado pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, a qual incluiu o artigo 62A, segundo o qual devem ser observadas nos julgamentos desse Conselho as decisões definitivas de mérito do Pretório Excelso, proferidas na sistemática da repercussão geral, bem como as do C. Superior Tribunal de Justiça, na forma de recurso repetitivo. O que se extrai dessas alterações é que esse Conselho valhase, em suas decisões, daquelas já tomadas pelo Poder Judiciário e que consolidaram seu entendimento final sobre a matéria, pois no sistema jurídico brasileiro esse é o único órgão competente para “dizer o direito” com foros de definitividade. É certo que, até o presente momento, o Supremo Tribunal Federal não julgou a questão ora posta em julgamento na forma de repercussão geral. É medida, pois, que se impõe reconhecer que essa temática já está superada no âmbito do Poder Judiciário, cabendonos, pelos princípios que regem a administração pública, tais como legalidade, moralidade e eficiência (artigo 37 caput da Constituição Federal) aplicála. Por essas razões, inclusive, que a AGU editou a Súmula 60, a qual reconhece o caráter indenizatório da verba. Diante desse panorama jurídico, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em decorrência do pagamento de vale transporte em dinheiro. Participação nos Lucros e Resultados – Lei nº 10.101/00 A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7°, inciso XI, instituiu a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho, desvinculandoa, nos termos da lei regulamentadora, expressamente da remuneração e, portanto, da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Fl. 9948DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 6 9 (...) XI — participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" Muito se discute acerca das qualidades da norma imunizante do disposito supra, isto é, se de eficácia plena e com aplicabilidade imediata ou de eficácia contida e dependente de lei que talhe os requisitos para a sua fruição. Até o presente momento, o Supremo Tribunal Federal tem se manifestado no sentido de que o dispositivo constitucional supra depende, para sua aplicabilidade, de lei que o regulamente. É o que se vê nos julgados abaixo: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.(RE 505597 AgRAgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe237 DIVULG 17122009 PUBLIC 18122009 EMENT VOL02387 08 PP01391)” “DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança da contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94.(RE 393764 AgR, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008, DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234609 PP01971 RTJ VOL0020902 PP 00864)” “EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições Fl. 9949DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido.(RE 398284, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008, DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL02346 09 PP02087 RTJ VOL0020803 PP01221)” Não obstante os precedentes ora colacionados o Augusto Supremo Tribunal Federal, nos autos do recurso extraordinário nº 569.441/RS, reconheceu a densidade constitucional da matéria e sua repercussão geral, submetendo o caso a julgamento pelo Plenário, de modo a dar contornos definitivos acerca da interpretação do inciso XI, do artigo 7º da Constituição. A legislação tributária, ao tratar da matéria, impôs condição para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9°, alínea "j", que assim preceitua: "Art. 28. (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: (...) j — a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando para ou creditada de acordo com a lei específica." Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: "Art. 2° Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participacão e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vivência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3° A participação de que trata o artigo 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário.” (...) Fl. 9950DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 7 11 § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. (...)" Após reedições a Medida Provisória retro foi convertida na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: "Art. 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art.3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” Como se extrai da legislação existem alguns requisitos basilares para que os valores pagos a título de participação nos lucros não sejam tributados por meio das contribuições previdenciárias, quais sejam, exemplificativamente: Fl. 9951DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 i) negociação entre empresa e empregados, representados por suas respectivas comissões mediante acordo, com a participação do representante do sindicato da categoria, ou mediante acordo ou convenção coletiva; ii) no acordo entre empresa e empregados ou no acordo ou convenção coletiva deverá conter regras claras e objetivas, isto é, do conhecimento de todos, quanto à forma de atingimento das metas, índices de produtividade, lucratividade, etc. (regras substantivas), e conter mecanismos de aferição de como esses valores serão apurados; iii) dada a predileção normativa para a livre negociação entre empresa e empregados, podem ser adotados os critérios de antemão exemplificados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º ou outros de interesse das partes; iv) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; v) a participação nos lucros ou resultados não pode substituir ou complementar a remunerção devida a qualquer empregado; vi) os pagamentos a esse título não podem ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes ao ano. Importante registrar que, por um lado, se a empresa instituir a participação nos lucros ou resultados deverá atender a todos os requisitos expostos na Lei nº 10.101/00, por outro, a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem, em seus julgados, privilegiando a interpretação normativa no sentido da liberdade de negociação entre as partes envolvidas e da atenção ao cumprimento dos requisitos que expressamente constem da lei de regência. Nesse sentido destaco voto do Conselheiro Elias Sampaio Freire, condutor do Acórdão nº 920200.503: “Mais uma vez há de se insistir na questão de que, procurando não interferir nas relações entre a empresa e seus empregados e atento ao verdadeiro conteúdo do inciso XI do art. 7º da Constituição, o legislador ordinário, no art. 2º da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, fruto da conversão da Medida Provisória nº 794/94 e reedições, limitouse a prever que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para a revisão do acordo. A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício. Existe sim a obrigatoriedade de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. A Constituição reconhece amplamente a validade das convenções e acordos coletivos de trabalho (art. 7º, XXVI) e a Fl. 9952DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 8 13 função da negociação coletiva é obter melhores condições de trabalho e cobrir os espaços que a lei deixa em branco. Se por um lado cabe ao fisco verificar se os requisitos legalmente estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado é defeso a este mesmo fisco exigir requisitos desprovidos de previsão legal.” No caso desses autos, a autoridade fiscalizadora elencou, no Relatório Fiscal, os fatos que na sua visão comprometeram o acordo de participação nos lucros e resultados em relação ao cumprimento dos requisitos legais: a) não ficou comprovado o poder de representação dos integrantes da comissão de representantes da empresa; b) assinatura genérica do sindicato; c) ausência de comprovação de arquivamento na entidade; d) ausência de regras claras e objetivas; e) divergência nos valores pagos aos empregados, sendo que alguns variaram entre 13,45% a 88,79% dos seus salários nominais enquanto outros ficaram entre 103,64% a 371,60%; e f) pagamentos de PRL em 2006 em periodicidade inferior àquela prevista no § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/00. Seguindo a linha de raciocínio entendemos que prevalece o princípio do “ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus”, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto. Nesse sentido o voto do Conselheiro Oseas Coimbra Junior, condutor do Acórdão nº 280300.254: “As regras das PLR foram estatuídas ao final do exercício, com acordos assinados no mês de dezembro dos respectivos anos envolvidos na PLR. A lei 10.101/00 não traz limite temporal para a celebração dos acordos, o que seria mais um fator limitador de aplicação da norma. Não cabe ao julgador estabelecer limites que dificultem a efetivação de direitos, onde a lei assim não se manifestou.” Posição essa que vem encontrando ressonância nesse Conselho, conforme se vê do voto do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, condutor do Acórdão nº 240100.828: “Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de Fl. 9953DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade” Dessa forma, entendo que não podem constituir como desrespeito à Lei nº 10.101/00 os itens “a”, “b” e “e” acima descritos, já que não se configuram como requisitos exigidos para a validade do Plano. Fato é que do acordo de PLR anexo verificase a identificação e assinatura dos representantes da empresa, bem como do representante do Sindicato. Ademais, não exige a Lei nº 10.101/01 que todos os empregados recebam a PLR de maneira uniforme e equânime, até porque o contrário implicaria em ofensa ao seu espírito que procura permitir que o empregado que mais contribuiu para o atingimento de resultado ou meta também seja agraciado com maior participação. Nesse sentido o Acórdão 20501.331: “ (...) a lei não diz que os valores pagos a titulo de participação nos lucros devem ser idênticos e uniformes para todos os beneficiários do programa. Os aumentos de lucratividade da empresa resultam participação variável pela aplicação de percentual incidente sobre os salários. Dai a necessidade do ajuste anual para que as regras pactuadas previamente sejam adequadas à realidade dos fatos. Não há nenhuma restrição da lei nesse sentido” No tocante ao arquivamento do acordo de PLR no Sindicato da categoria verifico que em todas as suas páginas foi aposto carimbo de “Recebido”, o que a meu ver satisfaz integralmente o requisito do § 2º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00. Aponta o relato fiscal que o acordo de PLR não contém regras claras e objetivas. Assim expõe: “Da leitura direta da Cartilha notase de pronto a não existência no acordo de PLR de estipulação das metas a serem atingidas, assim como da definição da avaliação qualitativa e quantitativa, uma vez que as respostas ali encontradas nos mostram que os objetivos individuais e as capacidades que cada funcionário deve desenvolver são atribuídos pelo gestor e não negociados previamente e contidos em instrumento de negociação. Além das metas individuais, as metas para as áreas igualmente não são conhecidas previamente, mas somente a posteriori por intermédio de consulta a terminais eletrônicos ou aos próprios gestores.” Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que “a objetividade e clareza exigida pelo § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado”, conforme Acórdão nº 920201.607 proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. No caso dos autos o programa de PLR define que metas serão individuais serão fixadas entre empregado e seu gestor direto, bem como há desempenho fixado para as respectivas áreas de trabalho, sendo que o atingimento de ambas comporão, respectivamente, em 50% da aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Nesse sentido a Cartilha anexa ao programa de PLR divulgada aos empregados da Recorrente: Fl. 9954DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 9 15 “Observe que 50% dos resultados dependem do seu desempenho individual e 50%, do desempenho coletivo de áreas diretamente ligadas ao seu trabalho.” Os mecanismos de aferição de remuneração também em virtude do atingimento de metas são evidenciados na citada Cartilha: “A partir das notas recebidas nas avaliações e do seu grade, você receberá determinado numero de Unidades. Essas unidades determinarão quanto você receberá de incentivo. Há uma tabela que determina o numero de unidades a receber, segundo a nota obtida em cada critério e o grade do funcionário.” A Lei nº 10.101/00 apenas exemplifica alguns critérios por meio dos quais poderão ser aferidas a participação do empregado, tais como, lucro, índices de resultado, prazos, não impondo às partes legitimidades para a elaboração do acordo (empregador e empregados) a obrigatoriedade na utilização dos critérios nela arrolados. Nesse sentido são livres as partes para instituírem metas ou resultados que melhor condizem com os objetivos a serem alcançados em conjunto de modo a dar flexibilidade nas relações e, com isso, construir uma sociedade mais justa e solidária ao entabular a paridade nas relações ao passo que representantes do empregador e dos empregados, estes com a participação e orientação sindical, criam suas próprias metas. Por essa trilha e seguindo o precedente acima citado da Câmara Superior de Recursos Fiscais não vislumbro a existência de dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado, já que parte das metas a ser atingidas é fixada entre os próprios empregados (coordenador e coordenado) e a outra parte é fixada para a área, a qual pode ser consultada pelos empregados a qualquer tempo nos terminais eletrônicos disponíveis. O sindicato da categoria, como visto, acompanhou as negociações e arquivou o programa, o que reforça, a meu ver, que esse, tal como fixado, foi amplamente aceito e conhecido pelos empregados. Chama atenção, outrossim, o fato de que o acordo de PLR foi entabulado em 2001 e prosseguiu vigente durante os anos posteriores incluindo o ano autuado de 2006 o que vem a revelar que as partes envolvidas, empregador, empregados e sindicato têm tido o acordo de PLR como salutar para todos e, sem dúvidas, amplamente conhecidas as regras instituídas. Ademais, os Anexos I, II e III acostados ao acordo de PLR definem os termos nele utilizados tais como grade, ágio, etc., explica a forma e os critérios para a pontuação dos empregados, além de demonstrar exemplificativamente a avaliação de um caso concreto, o que a meu ver revela a clareza das suas regras, seja no atingimento das metas, seja quanto aos mecanismos de aferição do que fora acordado. Por fim, apontou o Fisco que houve pagamentos de PRL em 2006 em periodicidade inferior àquela prevista no § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/00, o qual Fl. 9955DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 16 determina, objetivamente, que é proibido o pagamento de antecipação ou distribuição de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Dessa forma, entendo que os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela contrariam o disposto na Lei nº 10.101/00 e, portanto, ficam sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. Nesse sentido o Acórdão nº 2402002.861: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária aos valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando não satisfeitos os requisitos exigidos pela legislação para gozo da imunidade. Somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a lei. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o Fl. 9956DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 10 17 artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para manter no lançamento os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela, sendo que a multa, para a obrigação principal, deverá ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 9957DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 18 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Natureza jurídica e finalidade da norma imunizante. Inicio a análise do litígio posicionandome sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias Fl. 9958DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 11 19 triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está Fl. 9959DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 20 inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a Fl. 9960DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 12 21 observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a Fl. 9961DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 22 autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Participação de representante dos sindicatos nas negociações que antecederam o acordo sobre a PLR São dois os procedimentos previstos pela lei para a celebração de acordo sobre PLR: comissão escolhida entre as partes e convenção ou acordo coletivo. Neste último, é fora de dúvida que haverá a participação do sindicato, pois é exigência do art. 611 da CLT. No primeiro, a lei determina que a comissão escolhida pelas partes será “integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria”. A expressão “também” não pode ser interpretada aqui como uma possibilidade, e sim como uma exigência adicional, pois somente assim estaríamos garantindo que a finalidade da norma imunizante e de sua regulamentação no sentido de harmonizar as relações capital e trabalho seja atingida. As tratativas diretas entre empregados e patrão sem a intermediação do sindicato são permeadas pelo temor pelo emprego, o que retira do trabalhador a vontade livre e espontânea de suas manifestações. A repetição desses eventos pode agravar as relações capital e trabalho, ao invés de contribuir para a sua harmonização. A manifestação a posteriori do sindicato, ou a o envio para sua ciência, não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estão maculadas. Assim, quando o empregador optar pela comissão escolhida entre as partes como procedimento para negociar a PLR, deve assegurar que haja participação do representante sindical durante as tratativas. Fl. 9962DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 13 23 No caso, não houve comprovação da participação da entidade sindical nas negociações. Ao contrário, no Recurso Voluntário, a recorrente admite no item 51, fls. 9.780, que o representante sindical estava ausente. Nesse sentido, destacamos trecho do Acórdão a quo: 8.3.2. Novamente, apesar de reiteradamente intimado a exibir comprovação da participação do sindicato nas negociações, bem como o Registro e o Arquivamento do acordo na entidade sindical, o Contribuinte não apresentou qualquer documentação, inexistindo nos autos a comprovação de que a negociação teve o acompanhamento de um representante sindical. Não obstante haver uma assinatura genérica (sem qualificação) em nome do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, não houve a comprovação do Registro e Arquivamento do acordo na entidade sindical da categoria. Sem a participação do sindicato durante as negociações, fato incontroverso, temos por descumprido um dos requisitos da Lei 10.101/2000, o que nos leva a concluir pela natureza remuneratória das parcelas pagas, uma vez que o benefício fiscal não subsiste sem o cumprimento dos requisitos legais. Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Fl. 9963DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 24 Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Fl. 9964DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 14 25 Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Nº 31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Fl. 9965DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 26 Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. No caso dos autos, como muito bem destacado pelo Acórdão a quo, a Cartilha explicativa integrante do PPR , fls. 8.945, revela que o Acordo não estipulava as regras, sendo que estas eram definidas a posteriori: 3. Como funciona o processo de avaliação do desempenho individual? O processo de Gestão de Desempenho começa com o acordo de metas, em que gestor e avaliado definem, juntos, o conjunto de objetivos que devem ser alcançados no período e as competências que o funcionário deve desenvolver. Este acordo é feito anualmente, mas deve ser revisado a cada seis meses. A avaliação do desempenho individual termina quando o gestor atribui notas aos objetivos (avaliação quantitiva) e às competências (avaliação qualitativa), discutindo com o avaliado, em uma entrevista de feedback, os aspectos positivos e os aspectos que precisam ser melhorados daí em diante. 4. Como você fica sabendo quais são suas metas? As metas individuais são definidas pelo gestor de cada funcionário, no início de cada ano. Comprovada, portanto, a ausência de regras claras e objetivas no Acordo, não há reparos a fazer no lançamento que considerou descumprido o requisito legal para desfrute do benefício fiscal. Valor pago a título de PLR que se mostra excessivo e de caráter substitutivo ao salário A questão que agora enfrentamos diz respeito à existência de um limite ao pagamento da PLR. Parecenos que a interpretação do caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 esclarece a dúvida. A norma regulamentadora de tal dispositivo determina que a PLR “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado”. Ou seja, não pode a verba paga a título de PLR tomar uma feição de parcela que remunere a prestação do trabalho. Para tanto, os indícios colhidos na situação fática devem ser cuidadosamente analisados. O principal indício de que a empresa está usando a PLR como substituição do salário é a elevada proporção entre PLR e salário. È certo que a lei não estabelece tal limite, mas essa não é situação inédita no direito tributário. Nossas leis tributárias estão repletas de conceitos indeterminados que suscitou a atuação do hermeneuta. Como exemplo, temos a determinação do valor de tributo que torna a exação confiscatória. A Corte Constitucional brasileira no ADI 551 debateu a respeito da configuração de uma situação de confisco tributário. Naquela ocasião, o Ministro Sepúlveda da Pertence afirmou que não sabia “a que altura um tributo ou uma multa se torna confiscatório; mas uma multa de duas vezes o valor do tributo, por mero Fl. 9966DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 15 27 retardamento da satisfação, ou de cinco vezes, em caso de sonegação, certamente sei que é confiscatório e desproporcional”. Em outra ocasião, na ADI 520, o Ministro Celso de Mello reconheceu que a vedação ao confisco é uma “cláusula aberta veiculadora de um conceito jurídico indeterminado, mas o excesso de poder estatal na fixação do tributo pode ser verificado pelo juiz diante do caso concreto”. Nos casos referidos a Corte Constitucional tratava de afastar por inconstitucionalidade norma validamente inserida em nosso ordenamento, o que é vedado para este Tribunal Administrativo. No entanto, o raciocínio utilizado pelos Ministros pode ser utilizado num caso de aplicação de limite não previsto expressamente em lei, mas decorrente de interpretação fundada na finalidade da lei, como é o caso do limite para a PLR. Assim, se não sabemos qual valor torna uma PLR substitutiva do salário, podemos, in casu, concluir que uma parcela paga a título de PLR que seja equivalente a mais de doze vezes o salário mensal, ou equivalente ao salário anual, certamente já assumiu a feição de contraprestação pelo trabalho, de remuneração, portanto, pois certamente o trabalhador só substituiria seu salário por valor equivalente ou maior. Nesses casos a parcela, por ter verdadeira natureza remuneratória e estar em ofensa ao art. 3º da Lei 10.101/2000, deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nos autos temos a informação de que alguns empregados receberam pagamento a título de PLR no valor equivalente a 371,60% de seus salários anuais, o que confronta o requisito acima adotado. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 9967DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 28 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva: Passamos a registrar nosso posicionamento sobre um dos aspectos abordados no caso. PLR. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Fl. 9968DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 16 29 Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição Fl. 9969DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 30 do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre Fl. 9970DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.731 S2C3T1 Fl. 17 31 capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Não vislumbramos no caso a assinatura dos acordos até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados, uma vez que, conforme assumido pela recorrente, em 02/08/2005 e 06/07/2006, os acordos de 2005 e 2006, respectivamente, ainda não haviam sido concluídos, fls. 9775/9776. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 9971DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002562/2004-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
IRRF. DIVERGÊNCIA ESCLARECIDA E DEMONSTRADA QUANTO À NATUREZA DOS RENDIMENTOS SOBRE 2002.
Uma vez sanadas e justificadas as divergências quanto ao rendimento sobre a sua tributação, deve ser considerado o imposto retido na fonte a ele correspondente, correspondente ao ano-calendário de 2002, na apuração do saldo negativo de IRPJ.
Numero da decisão: 1202-001.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar a proposta de diligência para exame do ano de 2001, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (propositora) e Geraldo Valentim Neto e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da tributação o ano de 2002, vencido o Conselheiro Plinio Rodrigues Lima, que negava integral provimento do recurso. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Marcos Aguiar Vilas-Bôas, OAB /SP 298.297.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno
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DIVERGÊNCIA ESCLARECIDA E DEMONSTRADA QUANTO À NATUREZA DOS RENDIMENTOS SOBRE 2002. Uma vez sanadas e justificadas as divergências quanto ao rendimento sobre a sua tributação, deve ser considerado o imposto retido na fonte a ele correspondente, correspondente ao anocalendário de 2002, na apuração do saldo negativo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar a proposta de diligência para exame do ano de 2001, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (propositora) e Geraldo Valentim Neto e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da tributação o ano de 2002, vencido o Conselheiro Plinio Rodrigues Lima, que negava integral provimento do recurso. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Marcos Aguiar VilasBôas, OAB /SP 298.297. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 25 62 /2 00 4- 82 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 16 2 Relatório Tratamse os presentes autos de Pedido de Restituição de IRPJ cumulado com Pedidos de Compensações onde a Contribuinte requer o aproveitamento de saldos negativos do referido imposto durante os anoscalendários de 2.001 e 2.002, com vistas à quitação de débitos compreendidos de períodos subseqüentes de COFINS, CSLL, PIS e CIDE. Em despacho decisório proferido em 29.11.2004, foi deferido parcialmente o pedido da contribuinte, reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional, acrescidos de juros SELIC, sob os seguintes fundamentos: ANO CALENDÁRIO DE 1.999: No AnoCalendário de 1.999 a Contribuinte declarou em sua DIPJ saldo negativo de IRPJ. Ao verificar a procedência do mesmo, verificouse no sistema da SRF Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo como beneficiária uma filial da contribuinte, receitas financeiras muito superiores ao informado na Demonstração do Resultado do Exercício. Intimada apresentar os documentos do IRRF deduzido em 1999, a contribuinte incluiu documento referente ao AnoCalendário de 1.998, não observando o dispositivo legal (RIR/99, art. 231,I) que determina que somente o imposto pago ou retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real pode ser deduzido do imposto devido ai final do período de apuração. Por esta razão, o demonstrativo apresentado pela contribuinte foi desconsiderado. Após verificar e adicionar as receitas apuradas e não incluídas, constatouse IR à pagar no AnoCalendário de 1.999, tendo, posteriormente, a Contribuinte retificado a DCTF 3º Trimestre/2001 e procedido a desistência da compensação por estimativa com saldo negativo de 1.999. ANO CALENDÁRIO DE 2.001: Da análise da declaração de rendimentos do AnoCalendário de 2.001, constatase que a contribuinte informou prejuízo fiscal de R$ 43.472.347,68 e saldo negativo de R$ 657.657,10, sendo este composto de IRRF e recolhimento, à título de estimativa, no mês de Janeiro/2001. A estimativa referente à Setembro/2001 foi declarada em DCTF no valor de R$ 95.450,24, para o qual inicialmente existia uma compensação de R$ 95.940,24 com saldo negativo de períodos anteriores e DARF de R$ 10,00. Entretanto, posteriormente, foi apresentada DCTF retificadora, porém sem compensação, mantendose somente a DARF no valor de R$ 10,00 para débito. Ressalta a autoridade administrativa que na DIPJ, no campo relativo à setembro, não consta valor apurado. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 17 3 Ao proceder a verificação das retenções de IRRF, não foi confirmada a retenção referente à fonte pagadora “GASOCIDENTE DE MATO GROSSO LTDA”. Em resposta à intimação, foi apresentada tão somente um formulário “modelo”, disponibilizado no site da SRF, preenchido e datado de 05/10/2004, sem constar nenhuma assinatura ou qualquer outra formalidade que indique sua procedência, conforme legislação pertinente. Considerada a ausência de comprovação referente à retenção supra mencionada, a mesma não foi considerada para efeitos de cálculo do IRPJ, sendo desta forma, apurado saldo negativo a menor do que aquele declarado. ANOCALENDÁRIO DE 2.002: O montante informado nas retenções por meio de DIRF´s das fontes pagadoras foi devidamente confirmado pela SRF. No entanto, do total de rendimentos em aplicações financeiras identificadas nas DIRF´s, a contribuinte incluiu na apuração de seus resultado (DIPJ) valor a menor. Nos termos do §2º, inciso I, do art. 770 do RIR, os rendimentos de aplicações financeiras integrarão na apuração do lucro real. Desta forma, após acrescentar ao lucro real as diferenças apuradas de rendimentos de aplicações financeiras, apurouse slado negativo reduzido do informado pela contribuinte. A Contribuinte, notificada do referido Despacho Decisório, apresentou tempestivamente sua Manifestação de Inconformidade alegando, em apertada síntese que: ANO CALENDÁRIO DE 1.999 Inicialmente, ressalta a Contribuinte que os Pedidos de Compensação apresentados não envolvem débitos ou créditos referentes a este AnoCalendário, mas tão somente referente aos AnosCalendários de 2.001 e 2.002. Ademais, qualquer consideração referente ao AnoCalendário de 1.999 não podem representar óbices ao reconhecimento dos créditos da Impugnante, tendo em vista a ocorrência do instituto de decadência. ANO CALENDÁRIO DE 2.001 Informa que por um lapso, a empresa “GASOCIDENTE” deixou de incluir na DIRF apresentada à SRF o montante retido de imposto sobre a renda incidente sobre os juros pagos, mas que procedeu a retificação da DIRF, conforme documento anexo, comprovando, portanto, que a compensação realizada operouse de forma regular e válida, não havendo qualquer razão de fato e de direito para que não seja reconhecida e homologada no valor integral pleiteado. ANO CALENDÁRIO DE 2002 A Impugnante alega que a diferença apurada entre as receitas financeiras supostamente não incluídas no resultado da contribuinte devese à maior parte da parcela ser oriunda de operações financeiras realizadas com o “Banco de Investimento Credit Suisse First Boston S/A”, conforme devidamente comprovado pelos anexos “Contrato de Cessão de Crédito” e “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito”, ambos celebrados ainda no mês de junho de 2.002, vindo a efetivarse ainda no transcorrer do ano de 2.002. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 18 4 Neste contexto, em decorrência da significativa variação da taxa de câmbio verificada no período em questão, a Impugnante auferiu receita relativa a esta, na importância ora litigada. Destaca que a Impugnante estava, neste ano, submetida ao regime de caixa para fins de tributação da variação cambial pelo IRPJ, conforme legislação vigente. Desta forma, somente em dezembro de 2.002, quando da liquidação da operação, a receita em questão decorrente desta variação cambial foi oferecida à tributação, por meio de adição ao LALUR, conforme verifica pela documentação anexa, restando comprovado que o imputado montante foi devidamente tributado. Invoca a responsabilidade do Agente Fiscal em diligenciar acerca destes fatos para assim, apurar corretamente os valores devidamente tributados. Diante de todo o exposto, requer sejam seus pedidos de compensações integralmente homologados, protestando pela juntada de documentos. Em vista aos argumentos apresentados pela Contribuinte, a 2ª Turma da DRJ / de Campo Grande (MS) manifestouse nos seguintes termos: Assunto: Imposto Sobre A renda de pessoa juridica irpj Anocalendário: 2001, 2002 IRRF. DIVERGÊNCIA QUANTO À NATUREZA DOS RENDIMENTOS. Havendo divergências quanto ao rendimento e falta de esclarecimento sobre a sua tributação, não há como considerar o imposto retido na fonte a ele correspondente na apuração do saldo negativo de IRPJ. OPERAÇÕES DE SWAP. RENDIMENTO NÃO OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO Não estando evidenciado o oferecimento à tributação do rendimento de operações de “swap”, este deve ser adicionado ao lucro real apurado pela contribuinte para a verificação do saldo negativo do imposto Compensação não Homologada. Assim, entendeu a 1ª Instância Julgadora que : ANO CALENDÁRIO DE 1.999 Entende a Autoridade Julgadora que se o crédito advier de períodos alcançados pela prescrição para o lançamento, mesmo assim o FISCO poderá efetuar as verificações e cálculos necessários, com vistas á apuração da certeza e da liquidez deste, conforme determinação legal. Entretanto, esta discussão encontrase prejudicada em face da desistência noticiada no Parecer da SAORT, às fls. 163. ANO CALENDÁRIO DE 2.001 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 19 5 De fato, quanto a não confirmação das retenções feitas pela pessoa jurídica “Gasocidente de Mato Grosso Ltda”, referente aos pagamentos efetuados à interessada. No entanto, considerando os dados disponíveis à época da verificação, a decisão emanada pela DRF/CBA encontrase de fato correta! A referida retificação da declaração foi efetuada em 25/03/2005, ou seja, em data posterior à ciência do despacho decisório. Entretanto, em que pese tal esclarecimento, muitos outros ponderam ainda presentes, senão vejamos: O fato da DIPJ/2002 constar rendimento com o código de 3249 (Ouro Ativo Financeiro) ainda ativo no sistema e que deveria ser utilizado na DIRF retificadora e nas DARF´s; Divergência existente na apresentação do informe de rendimentos no qual constam rendimentos em valores divergentes com o da DIRF retificadora e consignado, ainda, como descrição de rendimentos “Remuneração de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica”. Inexistência de certeza se estes rendimentos forma efetivamente oferecidos à tributação. ANO CALENDÁRIO DE 2.002 Entende a Autoridade Julgadora que se houve erros no preenchimento da DIPJ/2003. A contribuinte deveria trazer justificativas lastreadas em documentos hábeis e idôneos, pelos quais pudesse ser verificado o erro e que o valor indicado como variação cambial seria decorrente de operações de “swap”. Por fim, entende que os contratos carreados aos autos não são hábeis a justificar que os valores informados pela fonte pagadora, não são decorrentes de operação de “swap” e sim relativos a variação cambial. Por estas razões, a 1ª Instância Julgadora votou no sentido de indeferir o pedido de restituição remanescente e não homologar a compensação solicitada. A Contribuinte, cientificada da decisão de 1ª Instância em 13.09.2007 (quintafeira) interpôs Recurso Voluntário contra decisão proferida, reapresentando as razões defensórias de 1ª Instância, demonstrando as diferenças entre os contratos de “swap” e dos “contratos de cessão de crédito”, requerendo, ao final, a reformar a decisão proferida pela 1ª Instância Julgadora conferindo o direito ao aproveitamento da totalidade dos saldos pleiteados no pedido de restituição em tela e,por fim, seja homologada a compensação referenciada no pedido de restituição, garantindo a utilização do saldo remanescente com outros tributos administrados pela SRF do Brasil. O processo foi convertido em duas diligências, a primeira para demonstrar, com documentação hábil e idônea, os referidos Contratos de Cessão de Crédito (fls. 301/302) e Instrumento Particular de Contrato de Promessa de Cessão de Crédito (fls. 303/304) firmados junto à instituição financeira “Banco de Investimentos CSFB S/A” e, de forma diversa esta ter informado à Fiscalização tratarse de “rendimentos auferidos em operações de “swap”(fls. 133) onde foi proposta a conversão do julgamento, a fim de que fosse o Banco de Investimento CSFS S/A intimado a informar, efetivamente, se os rendimentos auferidos são ou não decorrentes de operação de “swap”, assim como, qual a natureza da operação subscrita nos contratos de cessão de crédito junto a estes autos. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 20 6 Já a segunda diligência foi proposta para a finalidade de que a autoridade de origem intime a Recorrente, e colha junto a mesma, as informações pertinentes, inclusive com documentação comprobatória, da composição da conta de Variação Cambial Ativa, indicando as rubricas constituintes da formação do lançamento dessa em seu balanço e na DIPJ 2003/anocalendário 2002, retornando os autos para o competente julgamento. Com os cumprimentos das diligências, retornam os autos para julgamento. É o relatório! Voto Conselheiro Orlando J. G. Bueno, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que se refere ao cumprimento da primeira diligência, cumpre esclarecer o seguinte, diante do fato da Recorrente trazer aos autos os referidos Contratos de Cessão de Crédito (fls. 301/302) e Instrumento Particular de Contrato de Promessa de Cessão de Crédito (fls. 303/304) firmados junto ao "Banco de Investimentos CSFB S/A" e, de forma diversa esta ter informado à Fiscalização tratarse de "rendimentos auferidos em operações de swap", conforme relatado, na sessão de 04 de novembro de 2009 o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que a referida instituição financeira se manifestasse efetivamente, se os rendimentos auferidos são decorrentes de operações "swap", e, caso contrario, classifique a natureza das operações informadas pela Recorrente. Referida instituição financeira informou tratarse de operações equiparadas a aplicação financeira de renda fixa, sendo retido o valor tributável correspondente ao crédito adquirido. Deste modo, no que toca a modalidade de operação que gerou os rendimentos, prestou as seguintes informações: Os valores constantes do Informe de Rendimentos anocalendário 2002 conforme detalhados pela mesma instituição foram equivocadamente informados como rendimentos de swap, quando na verdade se referem aplicação financeira comumente denominada de aplicação em Export Note. 0 rendimento de tal operação bem como o valor de imposto de renda retido na fonte (aquela ocasião também retido indevidamente sob o código de receita n° 5273 — 1RRF Operações de Swap). Relativamente a natureza das operações, informou que "os referidos contratos representam uma operação de Export Note, onde o cliente adquiriu determinados títulos de crédito decorrentes de exportação que foram posteriormente adquiridos pelo Banco. Tal operação é equiparadas a uma aplicação financeira de renda fixa, conforme inciso IV, do artigo 730 do Regulamento do Imposto de Renda". Pelo resultado da diligência, assim, realmente, tais contratos não possuem a mesma natureza das operações "swap ", configurando operações conhecidas como "export notes ", que como já reconhecido por este Conselho, conforme acórdão 105140.105 (processo Fl. 850DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 21 7 13807.000932/9912), da 5ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, reproduzida abaixo parte do voto condutor, são equiparadas a aplicações de renda fixa, e, o imposto de renda relativo esta operação deve ser retida pela instituição financeira titular da conta: OPERAÇÕES COM "EXPORT NOTES". Cabe agora a análise das operações evolvendo as nominadas "export notes", se caracterizadas como aplicações de renda fixa ou de renda variável. No Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/01/1994, encontramos em seu artigo 718, o seguinte texto: "Art. 718. O disposto neste Capítulo aplicase, também, aos rendimentos auferidos em operações de adiantamento sobre contratos de câmbio, de exportação, não sacado ("trava de cambio"), em operações com export notes, em debentures, em depósitos voluntários para garantia de instância e depósitos judiciais ou administrativos quando o seu levantamento se der em favor do depositante." (grifos nossos). Referido regulamento (RIR/94) estava composto por 5 (cinco) livros, assim dispostos: LIVRO I Tributação das Pessoas Físicas LIVRO II Tributação das Pessoas Jurídicas LIVRO III Tributação na Fonte LIVRO IV Tributação Definitiva LIVRO V Administração do Imposto O LIVRO III Tributação na Fonte estava assim estruturado: Capítulo I Rendimentos Sujeitos à Tabela Progressiva Capítulo II Rendimentos de Pessoas Jurídicas Sujeitas a Alíquotas Específicas Capítulo III Rendimentos e Ganhos de Capital farts. 670,a 7j Capítulo IV Rendimentos de Participações Societárias_Z/lJ Capítulo V Rendimentos Diversos Capítulo VI Rendimentos de Residentes ou Domiciliados no Exterior Capítulo VII Retenção e Recolhimento. Já o Capítulo III RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL, estava assim distribuído: Seção I Aplicações Financeiras em Fundos ou Sociedades de Investimento Renda Variável (arts. 676 a 690) Seção II Fundos de Renda Fixa (arts. 691 a 700) Fl. 851DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 22 8 Seção III Títulos de Crédito, Obrigações e Aplicações Financeiras de Renda Fixa (arts. 701 a 721) O artigo 718, estava localizado na seção III, subseção V – Disposições Diversas. Como o Artigo 718 do RIR/94, pelo seu enunciado, referese ao "CAPÍTULO", e o capítulo III Rendimentos e Ganhos de Capital referese igualmente a aplicações em RENDA FIXA e RENDA VARIÁVEL, entendo que não pode ser acatada, por inteiro, a alegação da recorrente, por si só, de que as operações ali nominadas, caracterizariam somente operações envolvendo aplicações de Renda Fixa. No Termo de Constatação n° 03 (fls. 35/36), onde são listadas as receitas de aplicações financeiras, além das receitas de Swap, que trataremos posteriormente, constam valores referentes a receitas de compra e venda de opção e Rendas s/contratos Export Note. Com relação às despesas, somente constam valores referentes a Swap e Export Notes. Como a seguir demonstraremos, realmente, tanto as operações de compra e venda de opção (R$:575.434,95), como as operações s/contratos export notes, são realmente operações financeiras de renda fixa. Socorrendonos da publicação da Secretaria da Receita Federal IRRF IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 1996 MANUAL DE ORIENTAÇÃO MAFON , na parte que trata dos Rendimentos de Capital código 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa na descrição do fato gerador, assim encontro: "Rendimentos predeterminados obtidos em operações conjugadas realizadas: nos mercados de opção de compra e venda em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros (box); no mercado a termo nas bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, em operações de vendas coberta e sem ajuste diário; e no mercado de balcão." (grifei) Igualmente, no MANUAL IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 2001 , na parte que trata dos Rendimentos de Capital código 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa, exceto em Fundos de Investimentos na descrição do fato gerador, além do acima transcrito referente a opção de compra e venda, entre outros, assim encontro: "Rendimentos auferidos em operações de adiantamento sobre contratos de câmbio de exportação, não sacado (trava de cambio), bem como operações com export notes, com debêntures, com depósitos voluntários para garantia de instância e com depósitos judiciais ou administrativos, quando seu levantamento se der em favor do depositante." (grifei) Igualmente o Primeiro Conselho de Contribuintes, teve oportunidade de examinar a matéria que aqui se apresenta, através do Acórdão n° 10418.376, em sessão de 16/10/2001, pelo ilustre Conselheiro NELSON MALLMANN, assim ementado: "IRPF GANHOS E RENDIMENTOS DE CAPITAL OPERAÇÕES COM EXPORT NOTES CONTRATOS DE CESSÃO DE CRÉDITO EM EXPORTAÇÃO APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA Estão compreendidos na incidência do imposto todos os ganhos e rendimentos de capital, Fl. 852DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 23 9 qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos previstos na norma específica de incidência do imposto (art. 51, da Lei n° 7.450, de 1985). Estão equiparados a ganhos e rendimentos de capital os rendimentos auferidos em operações de adiantamento sobre contratos de câmbio de exportação, não sacado ("trava de câmbio"), em operações com export notes, em debêntures, em depósitos voluntários para garantia de instância e depósitos judiciais ou administrativos quando o seu levantamento se der em favor do depositante. Estas operações por sua vez, são equiparadas a aplicações financeiras de renda fixa, cujos rendimentos estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, quando o beneficiário for pessoa física. Cabe à instituição financeira titular da conta, como responsável, quando for o caso, calcular, reter e recolher o imposto de renda na fonte. Assim, não encontra respaldo legal a tributação dos ganhos em operações de export notes diretamente na pessoa física como se fossem ganhos de capital na alienação de bens e direitos." Mesmo o Acórdão acima referido, tratar de tributação de Pessoa Física, o seu entendimento, quanto à definição de "aplicações em renda fixa", é totalmente aplicável ao caso sob análise tributação de Pessoa Jurídica, Entendimento no mesmo sentido, foi manifestado através do voto contido no Acórdão n° 10244.158, em sessão de 15 de março de 2000. Assim, sendo tanto as operações de compra e venda de opção, como as operações com "export notes", aplicações financeiras, cuja remuneração ou retorno de capital pode ser dimensionada no momento da aplicação, entendo revestirem as condições caracterizadores de aplicações de renda fixa. Caracterizandose as operações com "export notes" e compra e venda de opção, como operações de renda fixa, o tratamento tributário a ser dado, no período base de 1995, é o definido pelo art. 76, inciso I, e § 2o, da Lei n° 8.981, de 1995, que assim dispunha: "Art. 76. O Imposto de Renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; (...) §2° Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1o de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. Não identificando na legislação aplicável, dispositivo que determine a limitação ou não dedutibilidade de perdas apuradas em operações de aplicações financeiras de renda fixa (os artigos 72 a 74 da Lei n° 8.981, referemse ao mercado de renda variável), entendo ser possível a sua integral dedutibilidade.” No que se refere a segunda diligência, a Recorrente atendeu a intimação e respondeu o seguinte: Fl. 853DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 24 10 “ composição analítica da conta Variação Cambial Ativa no anocalendário , 2002. Segue cópia impressa dos razões contábeis da composição analítica da Conta Variação Cambial, além disso arquivo em Excel dos razões contábeis. Cópia da Ficha 06A Demonstração do Resultado, da DIPJ 2003, destacado os valores da variação cambial .Indica as rubricas constituintes da referida conta no Balanço Patrimonial e na DIPJ ,'2003/ano calendário 2002; . Segue as rubricas constituintes da razão contábil 601.00.1.0.32 Variação Cambial Gas Natural 601.00.1.0.31 Variação Cambial Passiva Gas Natural 604.01.2.0.15 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA 604.01.1.0.25 Variação Cambial PASSIVA Apresenta documentação comprobatória das informações referentes aos itens mencionados. Segue cópia dos contratos financeiros onde demonstra o cálculo da Variação Cambial nas contas contábeis; Segue CD gravado com todas informações acima.” A fim de esclarecer os fatos, reproduzse, com a devida permissão, íntegra da descrição fática apresentada pela Recorrente, em sede de memoriais, a saber: 1.Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que homologou apenas parcialmente os pedidos de compensações apresentados pela Recorrente no curso dos exercícios de 2003 e 2004, referentes aos saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendários de 2002 e 2003 a serem compensados com COFINS, CSLL, PIS e CIDE. 2.Em sintese, a Recorrente demonstrou que declarou à Secretaria da Receita Federal a compensação de um crédito total de R$ 8.503.756,93, contudo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá reconheceu apenas o direito creditório no valor de R$ 2.919.634,67, sob os seguintes fundamentos: (i)não teria havido a comprovação do recolhimento do montante total declarado como retenção de imposto de renda, muito embora a I. Autoridade Julgadora tenha reconhecido a legitimidade da retenção de R$ 255.916,00; (ii)teriam sido equivocadamente informados como rendimentos decorrentes de variação cambial valores de liquidação de contrato de swap, e que, portanto, não teria havido a inclusão de R$ 15.258.618,40 na base tributável do IRPJ de 2002 da ora Recorrente a título desse rendimento. 3.Interposto Recurso Voluntário pela Recorrente e iniciado o julgamento, com relação ao saldo negativo do anocalendário de 2002, por entender pela existência de informações contraditórias prestadas pelo Banco de Investimentos Credit Suisse S/A, o I. Relator determinou a conversão em diligência para que o Banco informasse se os rendimentos auferidos pela Recorrente eram ou não decorrentes de operações de swap, o que foi devidamente cumprido pelo Banco (fls. 454/455). Fl. 854DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 25 11 4.Em 24/05/11, este E. Conselho, após reconhecer que os mencionados contratos não possuem a mesma natureza das operações de swap, configurando operações nas quais a instituição financeira é responsável pela retenção do imposto de renda (como comprovadamente o fez), decidiu converter novamente o julgamento em diligência para que a Recorrente demonstrasse a composição analítica da conta Variação Cambial Ativa para que, assim, fosse discriminado o valor referente aos contratos firmados com o Banco de Investimentos Credit Suisse S/A. 5.Ato continuo, a Recorrente informou a composição analítica da conta Variação Cambial Ativa no anocalendário de 2002, decompondo as rubricas pela demonstração documental de suas origens, bem como indicou as rubricas constituintes da mencionada conta no Balanço Patrimonial e na DIPJ 2003/ano calendário 2002, por meio dos seguintes documentos, também apresentados em versão digital: cópia dos razões contábeis da composição analítica da Conta Variação Cambial; Cópia da Ficha 06A Demonstração do Resultado (DIPJ 2003); e cópias dos demais contratos financeiros para comprovar o cálculo da Variação Cambial (documentos de fls. 482/628). 6.Para que não restassem dúvidas acerca da composição analítica da conta Variação Cambial Ativa no anocalendário de 2002, a Recorrente requereu a juntada de planilhas explicativas dos documentos apresentados por ocasião da diligência, as quais discriminam as rubricas relativas ao contrato firmado com o Banco de Investimentos Credit Suisse S/A em 2002, a fim de distinguir os valores constantes no Razão Analítico já apresentado (fls. 483/505). 7.Retomado o julgamento no último dia 07 de novembro, esta C. Câmara levantou questionamentos acerca da composição do valor total de R$ 25.018.293,12 informado no LALUR a titulo de "Variações Cambiais Ativas Operações Liquidadas" (fl. 306 dos autos), o qual engloba a liquidação de outras operações em 2002, além das já demonstradas operações realizadas com o Banco de Investimento Credit Suisse First Boston S/A ("Credit Suisse"). 8.Esse valor total de R$ 25.018.293, 12 é composto, além das operações com o Credit Suisse, por operações decorrentes do Contrato de Câmbio "Recebimento Hermes KFW ("Hermes Free") e pelo Contrato de Câmbio para pagamento da Nota Fiscal n° 1794 ("Transborder"), conforme quadro resumo abaixo: 9.É importante ressaltar que a Recorrente não havia demonstrado detalhadamente1, nestes autos, a composição dessas outras operações pelo fato de que, não havendo a incidência do IRRF sobre elas2 e, portanto, não tendo sido objeto das compensações em discussão (fls. 08, 09, 13, 14, 18, 19 e 35 dos autos), nunca foram objeto de questionamento pelo Fisco (fls. 47/48 dos autos) e por este E. Tribunal. 10.Todavia, para que não restem dúvidas acerca da legitimidade das compensações realizadas, a Recorrente requer a juntada dos documentos anexos que discriminam as rubricas relativas às operações decorrentes dos contratos "Hermes Free" e "Transborder", a fim de distinguir os valores constantes no Razão Analítico já apresentado (fls. 483/505), reiterando todos os fundamentos que comprovam que a Recorrente faz jus à integralidade do direito creditório pleiteado. II DAS RAZÕES PARA PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO 11.1. Anocalendário de 2002 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 26 12 11.Como demonstrado no curso do processo, o D. Agente Fiscal identificou, por meio da análise das DIRF's, que a Recorrente auferiu rendimentos de aplicação financeira no montante de R$ 19.278.194,28 no ano calendário de 2002; e inferiu, sem a realização de nenhuma diligência, e, ainda, sem intimar a Recorrente para prestar esclarecimentos quanto a esta matéria, que ela apenas teria incluido na apuração do resultado do mesmo periodo o montante de R$ 9.919.330,47 no campo "outras receitas financeiras". 12.Neste sentido, o D. Agente Fiscal incluiu a diferença entre as receitas financeiras supostamente não incluidas no resultado da Recorrente o valor de R$ 9.358.863,813, o que resultou na indevida redução do saldo negativo de IRPJ que a Recorrente utilizou nas compensações em tela. 13.Do valor de R$ 19.278.194,28, a parcela correspondente a R$ 15.258.618,40 é oriunda de operações realizadas pela Recorrente 1As operações estão discriminadas na documentação já acostada às fls. 482/628, mas não foram objeto das planilhas explicativas acostadas posteriormente. 2Contrato de Câmbio "Recebimento Hermes KFW ("Hermes Free"): operação não tributada na Fonte por se tratar de reembolso de despesas do exterior de Hermes Free (repatriamento parcial de um valor pago em anos anteriores como Hermes FREE operação de Empréstimo cancelada): Contrato de Câmbio para pagamento da Nota Fiscal n° 1794 ("Transborder"): operação não tributada na Fonte por se tratar de despesa com compra do gás natural. Com o Banco de Investimento Credit Suisse First Boston S/A ("Credit Suisse"), conforme Contrato de Cessão de Crédito e Instrumento Particular de Contrato de Promessa de Cessão de Crédito, acostados aos autos, ambos celebrados em 08 de julho de 2002 (fls. 301/304) . 14.Conforme se depreende do Contrato de Cessão de Crédito, a Recorrente adquiriu um crédito do CREDIT SUISSE no valor correspondente a US$ 15.290.992,07 (quinze milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e noventa e dois mil dólares e sete centavos) em 08 de julho de 2002. Na mesma data, de acordo com o Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito, a Recorrente comprometeuse a ceder, em 16 de dezembro de 2002, ao CREDIT SUISSE O crédito pelo mesmo valor em moeda norteamericana, ou seja, US$ 15.290.992,07 (quinze milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e noventa e dois mil dólares e sete centavos), o que ocorreu na data pactuada. 15.Essas informações foram comprovadas pela primeira diligência realizada. Portanto, tratase inequivocamente de Contratos de Cessão de Crédito com posterior obrigação de quitação. 16.Neste contexto, em decorrência da variação da taxa de câmbio verificada entre a celebração do contrato e a data de quitação, qual seja, de R$ 2,736/US$ para R$ 3,734/US$, a Recorrente auferiu uma receita relativa a esta variação no montante de R$ 12.511.837,19, que, acrescida dos juros de R$ 2.746.781,21, totaliza R$ 15.258.618,40. As rubricas que compõem esse montante estão devidamente discriminadas no Razão Analítico apresentado (fls. 486/488 e 503 dos autos) e nas planilhas apresentadas por ocasião dos memoriais de julgamento. 17.É mister destacar, ainda, que, no anocalendário de 2002, a Recorrente estava submetida ao regime de caixa para fins de tributação da variação cambial pelo Fl. 856DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 27 13 IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme previsão constante do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. 18.Desta forma, apenas quando da liquidação da operação, em 16 de dezembro de 2002, a receita em questão decorrente da variação cambial foi oferecida à tributação (fls. 119 e 133) . Para tanto, a Recorrente assim procedeu: adição do valor de R$ 15.258.618,40 no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, devidamente refletida na Ficha 09A, linha 09 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2003 (fls. 306, 309 e 358 dos autos). 19.O montante adicionado no Livro de Apuração do Lucro Real é de R$ 25.018.293,12, uma vez que, como afirmado, a Recorrente liquidou outras operações no ano calendário em questão que geraram variação cambial ativa (doe. 01) , mas que não compuseram o saldo negativo em questão por não sofrerem a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. 2 0. Conforme a documentação anexa, as operações decorrentes do Contrato de Câmbio "Recebimento Hermes KFW Hermes Free" (doc. 02) resultaram em uma discriminada :variação cambial ativa de R$12.499.398,38, assim V. Cambial (Ativa)V. Cambial (Passiva) 604012015604011025 2.351.753,801.683.942,20 934.455,80590.941,20 3.879.533,00 5.440 983,00 2.167.556,18 Total14.774.281.782.274.883.40 VARIAÇÃO CAMBIAL12.499.398,38 21. Por sua vez, a variação cambial ativa relativa ao Contrato de Câmbio para pagamento da Nota Fiscal n° 1794 ("Transborder") foi de R$ 7.057,564 (doe. 03): V. Cambiai (Ativa)V. Cambial (Passiva) 604012015604011025 168.757,44161.699.88 Total168.757,44s161.699,88 VARIAÇÃO CAMBIAL7.057,56 22.Portanto, são legitimas as compensações efetuadas, cujas rubricas das operações que lastreiam o crédito utilizado estão devidamente discriminadas pelos documentos apresentados, merecendo ser provido o Recurso Voluntário.” Diante da exposição detalhada acima, os resultados das diligências demonstraram que as operações, relativas ao anocalendário de 2002, consistiram em Fl. 857DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 28 14 operações de aplicação financeira de renda fixa, com a retenção do IRfonte, pelo que confirma as razões da Recorrente e não consistiram em variação cambial propriamente que compuseram o saldo negativo do IRPJ como apurado, como igualmente demonstrado pelo resultado da última diligência, e bem descrito pelo memorial último da Recorrente. Assim, no que se refere as rubricas fiscalizadas e apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância, em face aos elementos probatórios carreados aos autos pelas aludidas diligências, é se acolher os argumentos da Recorrente, para reconhecer a composição do saldo negativo de 2002 do IRPJ. No entanto, quanto ao anocalendário de 2001, não prospera a pretensão da Recorrente posto que não existe nos autos a comprovação das retenções da empresa “Gasocidente do Mato Grosso Ltda” , assim como pelas demais razões elencadas pela decisão de primeira instância : (i) o fato da DIPJ/2002 constar rendimento com o código de 3249 (Ouro Ativo Financeiro) ainda ativo no sistema e que deveria ser utilizado na DIRF retificadora e nas DARF´s; Divergência existente na apresentação do informe de rendimentos no qual constam rendimentos em valores divergentes com o da DIRF retificadora e consignado, ainda, como descrição de rendimentos “Remuneração de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica”. Inexistência de certeza se estes rendimentos forma efetivamente oferecidos à tributação. Por fim com relação à CSLL do período de 2003, cujo valor de cobrança fora reduzido pela decisão da DRJ de R$ 1.187.302,46 para R$ 12.074,55, de fato referido valor remanescente também fora devidamente quitado por meio da respectiva DARF no valor de R$ 1.207.341,72, o que quita o valor autuado de R$ 1.187.302,46 e que, consequentemente, inclui o valor de R$ 12.074,55 remanescente. Diante o exposto, dáse provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecerse o direito creditório referente somente ao anocalendário de 2002 , cujo valor deve ser ajustado em sede de execução do presente julgado, junto a autoridade administrativa de origem. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 858DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10183.002562/200482 Acórdão n.º 1202001.112 S1C2T2 Fl. 29 15 Fl. 859DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 10540.000814/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2004
VEÍCULO UTILIZADO PARA TRANSPORTE DE MERCADORIA ESTRANGEIRAS IMPORTADA DE FORMA IRREGULAR. PERDA DE PERDIMENTO. CABIMENTO
O veículo utilizado para o transporte de mercadoria estrangeria importada em desacordo com o regramento fiscal enseja a apreensão do bem, independente se conduzido por seu proprietário ou não:
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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PERDA DE PERDIMENTO. CABIMENTO O veículo utilizado para o transporte de mercadoria estrangeria importada em desacordo com o regramento fiscal enseja a apreensão do bem, independente se conduzido por seu proprietário ou não: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 08 14 /2 00 5- 11 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte GERALDO MAGELA ALVES SOUZA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que, por voto de qualidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, bem como manteve o crédito tributário lançado. O matéria em discussão é relativa à exigência da multa prevista no parágrafo único, art. 3º do DecretoLei nº. 399/1968, pela prática, por parte do Recorrente, de infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira. Emerge das razões de constituição do crédito que o lançamento decorreu de fiscalização aduaneira, na qual se verificou que o veículo tipo ônibus, marca Scania, modelo K113 TL, com placa nacional JMM2352/BA, chassi 9BSKT6X2BM3460324, fabricado em 1991, Renavam nº. 216924863, de propriedade do Recorrente, transportava, em 27 de outubro de 2004, 177 (cento e setenta e sete) volumes contendo cigarros estrangeiros de marcas diversas, perfazendo a quantia de 89.000 (oitenta e nove mil) maços de cigarros estrangeiros sem o devido Selo de Controle Fiscal exigido pela legislação tributária brasileira (art. 46, da Lei nº 4.502, de 30/11/64, c/c o art. 15, inc. II, da Instrução Normativa SRF nº 095, de 28/11/01), o que demonstra que a entrada destas mercadorias no País ocorreu de maneira irregular. Devidamente intimado, foi concedida ao proprietário do veículo a oportunidade de apresentar documentos que possibilitassem comprovar que as mercadorias transportadas foram objeto de aquisição ou de importação regular, ou, ainda, hábeis a demonstrar alguma excludente de responsabilidade do proprietário quanto ao transporte e propriedade, posse ou detenção das citadas mercadorias estrangeiras, introduzidas clandestinamente no País ou importadas fraudulentamente. Em manifestação, o contribuinte apresentou petição na qual postula a restituição do veículo, alegando que o teria fretado, pelo valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), ao Sr. José Carlos Pales Teixeira durante o período entre 20.10.04 a 28.10.04, não tendo conhecimento de que o fretador iria empregar o veículo para o transporte de mercadorias desprovidas de documentação comprobatória de importação, fato que o exime de responsabilidade. Não tendo sido acolhida, à míngua de razoabilidade, a alegação do recorrente, o crédito tributário foi devidamente constituído, com a regular notificação do contribuinte em 23.09.2005. Apresentada a Impugnação (fls. 83/86), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) proferiu acórdão que restou assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 27/10/2004 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10540.000814/200511 Acórdão n.º 3401002.352 S3C4T1 Fl. 127 3 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. Constitui infração às medidas de controle fiscal o transporte de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa específica prevista na legislação aduaneira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado da decisão, em 16.10.2012, conforme faz prova o Aviso de Recebimento de fls. 166, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 117/121, desacompanhado de documentos. Em suas razões recursais, a Recorrente argumenta que “não pode ser responsabilizada pela referida prática delituosa, em razão de ter fretado o seu veículo para o Sr. José Carlos Pales Teixeira, sem ter conhecimento, contudo, de que o mesmo iria utilizar o veículo para o transporte da mercadoria mencionada.” – fls. 118, penúltimo parágrafo. Em seguida, tece considerações acerca de direitos consagrados constitucionalmente, como o de propriedade e o de livre exercício da profissão que, na presente hipótese, encontramse afrontados em razão da retenção do veículo apreendido. Ao final, requer seja acolhido o presente recurso e, no mérito, considerada improcedente a ação fiscal. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e estão presentes os demais requisitos para a sua admissibilidade, assim dele eu conheço. DA PENA DE PERDIMENTO DO VEÍCULO Às mercadorias apreendidas, transportadas sem a documentação exigida pela legislação tributária, o artigo 105, X, do DecretoLei nº 37/66, que dispõe sobre o imposto de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências, transcrito a seguir, prevê a aplicável da pena de perdimento: “Art.105 – Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) (...) X – estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular;” Existem possibilidades legais para a importação de produtos estrangeiros, desde que sejam cumpridas as formalidades e os requisitos ditados por lei. A constatação dessas mercadorias sem o regular processo de importação, por si só, enseja a aplicação da pena de perdimento. A legislação aduaneira dispõe que está sujeita à pena de perdimento a mercadoria estrangeira, sem comprovação de sua regular importação, conforme disposto no artigo 105, X, do DecretoLei nº 37/1966, supracitado, cuja redação é a mesma do artigo 618, X, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), atual artigo 689, X, do Decreto nº 6.759/2009. O cometimento de tal infração (introdução irregular de mercadoria estrangeira) implica dano ao Erário, sendo punido com a pena de perda da mercadoria. Como se observa da análise dos artigos 23 e 24, do DecretoLei nº 1.455/1976: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002] Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Art 25. As mercadorias nas condições dos artigos 23 e 24 serão guardadas em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional.” A não observância do correto trâmite de importação, aliado à falta de documentos probantes da internação regular das mercadorias no País, impõe a aplicação da pena de perdimento destas, por expressa determinação legal, diante da configuração do ilícito. Segue acórdão confirmando a constitucionalidade da tomada de tal medida pelo Fisco, pois o direito de propriedade expresso na Constituição não é absoluto e cede à preservação do interesse público: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. PROCESSO ADMINISTRATIVO REGULAMENTE Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10540.000814/200511 Acórdão n.º 3401002.352 S3C4T1 Fl. 128 5 INSTAURADO. VEÍCULO ADQUIRIDO DE PARTICULAR. EMPRESA IMPORTADORA BOAFÉ NÃO EVIDENCIADA. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. SEGURANÇA DENEGADA. 1. A pena de perdimento de bens, prevista para os casos de importação irregular de mercadorias, está prevista no art. 105, X, do DL 37/66, c/c o art. 23, IV, do DL 1455/76, sendo sua previsão, perfeitamente constitucional, nos termos do art. 5º, inciso XLVI, letra b, da Constituição Federal. 2. A instauração de procedimento administrativo investigatório, pela Receita Federal, ao verificar indícios de irregularidades na aquisição de mercadoria importada, consubstancia atividade regular e natural da Administração Tributária. 3. É legal, nos termos do Decreto 83.937/79 que regulamentou o DecretoLei 200/67, a delegação de competência feita pelo Ministro do Estado da Fazenda às autoridades fazendárias para a aplicação da pena de perdimento em processo administrativo. 4. O apelante não logrou juntar aos autos qualquer comprovante da alegada operação comercial intermediada por empresa importadora, ou seja, a nota fiscal ou qualquer outro documento igualmente idôneo, que atestasse sua boafé na aquisição do veículo. 5. Para afastar a pena de perdimento em regular processo administrativo, é mister que essa afirmação seja elidida mediante prova idônea (CPC, arts. 332 e 333, I) o que reclama dilação probatória, a qual é incompatível com o rito procedimental do mandado de segurança. 6. Apelação improvida.”(APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2000.34.00.0087060, rel. Des. Fed. Maria do Carmo Cardoso, 8ª Turma do TRF1, DJ de 03/12/2004, página 165). (grifos nossos) A pena de perdimento da mercadoria objetiva, além de reprimir ilícitos fiscais, a proteção de bens jurídicos caros no Direito Brasileiro. O transporte da mercadoria é conditio sine qua non para a prática do ilícito de introdução ilegal. Sem o transporte, a infração não acontece. Tendo sido comprovada a ocorrência do ilícito fiscal – importação de mercadoria de forma irregular, o veículo é retido, por estar configurada a hipótese legal de aplicação da pena de perdimento do veículo transportador, com base no art. 104, V, do DecretoLei 37/66. Vale transcrever a legislação aplicável: “DecretoLei nº 37/66: Art.104 Aplicase a pena de perda do veículo nos seguintes casos: (...) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 (...) V quando o veículo conduzir mercadoria sujeita à pena de perda, se pertencente ao responsável por infração punível com aquela sanção; DecretoLei nº 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002] Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Decreto nº 4.543/2002:[revogado expressamente pelo Decreto nº 6.759/2009, transcrito em seguida a este] Art. 617. Aplicase a pena de perdimento do veículo nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 104, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 24):(...) V quando o veículo conduzir mercadoria sujeita a perdimento, se pertencente ao responsável por infração punível com essa penalidade; Decreto nº 6.759/2009: Art. 688. Aplicase a pena de perdimento do veículo nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 104; DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 24; e Lei no 10.833, de 2003, art. 75, § 4o):(...) V quando o veículo conduzir mercadoria sujeita a perdimento, se pertencente ao responsável por infração punível com essa penalidade;” A constitucionalidade da referida pena administrativa de perdimento de mercadorias irregularmente ingressadas no País, assim como dos veículos que a transportam, restou pacificada nos Tribunais pátrios. Vale conferir: “PENA DE PERDIMENTO CONSTITUCIONALIDADE INSTÂNCIAS PENAL E ADMINISTRATIVA INDEPENDÊNCIA. 1 Não há violação do princípio do devido processo legal na aplicação da pena de perdimento. A prévia apreensão da mercadoria, ou do veículo, não constitui ato de expropriação e sim medida acauteladora para garantir a futura aplicação da Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10540.000814/200511 Acórdão n.º 3401002.352 S3C4T1 Fl. 129 7 penalidade. Esta é precedida de procedimento administrativo contraditório, em que é facultada ampla defesa ao responsável pela infração. 2 Há independência entre as instâncias penal e administrativa. Hipótese em que a decisão prolatada na esfera penal fez essa ressalva.” (TRF 4ª Região – AMS 200371050054721/RS – Segunda Turma Decisão 05/10/2004 – DJU DATA:12/01/2005 PÁGINA: 668 – Relator: Juiz Federal A A Ramos de Oliveira) “PERDIMENTO DE VEÍCULO. PRÁTICA DE DESCAMINHO. DECRETOSLEIS NºS 37/66 E 1.455/76. Os DecretosLeis nºs 37/66 e 1.455/76 foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988. O STF já declarou a constitucionalidade da pena de perdimento por danos causados ao erário, por haver previsão expressa na CF de 1967 (RExt. nº 95.693/RS, Rel. Min. Alfredo Buzaid). Por meio do devido processo legal, o direito de propriedade pode ser restringido, porque nãoabsoluto. A jurisprudência desta Corte é pacífica ao considerar constitucional e possível a aplicação da pena de perdimento em processo administrativo aduaneiro. A questão restou superada com a edição do novo Regulamento Aduaneiro, o Decreto n° 4.543/2002. O artigo 603, I e II, do Decreto n° 4.543/2002 prevê que respondem pela infração "conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie" ou "conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorra do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes". Considerando que o interesse da viagem realizada pelo ônibus fretado era auferimento de lucro com a venda das mercadorias elidida a presunção de boafé do transportador , é possível a aplicação da pena de perdimento do veículo, nos termos do artigo 617 do Decreto n° 4.543/2002.” (TRF 4ª Região AC APELAÇÃO CÍVEL Processo: 200570020040740 UF: PR Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Data da decisão: 22/11/2006 D.E. 04/12/2006 – Relator: VILSON DARÓS – unanimidade). Assim sendo, resta patente a possibilidade de perdimento do veículo no transporte irregular de mercadorias, não havendo relevância para o Fisco se quem conduzia o veículo era ou não seu proprietário. Ademais, o direito constitucional de profissão está diretamente relacionado ao exercício de profissão lícita, por consectário, a utilização do veículo do recorrente como meio de transporte de importação irregular resulta no perdimento do veículo, não merecendo, portanto, prosperar o presente recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento pelas razões supra aduzidas. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000076/2005-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Não basta a alegação de que os valores dos depósitos bancários tiveram origem em parte das vendas de veículos realizadas por empresa comercial de veículos, da qual o contribuinte é sócio, sem que fique demonstrado nos autos o vínculo existente entre os referidos depósitos bancários e os registros contábeis das operações que importaram eventual transferência de numerário para a conta corrente do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Não basta a alegação de que os valores dos depósitos bancários tiveram origem em parte das vendas de veículos realizadas por empresa comercial de veículos, da qual o contribuinte é sócio, sem que fique demonstrado nos autos o vínculo existente entre os referidos depósitos bancários e os registros contábeis das operações que importaram eventual transferência de numerário para a conta corrente do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 00 76 /2 00 5- 60 Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, fls. 3 a 6, lavrado em virtude da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos calendários 2000, 2001, 2002 e 2003. Em face da impugnação apresentada pelo autuado às fls. 847 a 884, a Delegacia de Julgamento de Santa Maria RS julgou o lançamento procedente, 1323 a 1328, nos termos da ementa subscrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa FísicaIRPF Anoscalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receitas ou rendimentos omitidos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificado da decisão de primeira instância administrativa em 09/10/2006, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 01/11/2006, fls. 1332 a 1359, aduzindo em suas razões o que segue: que em momento algum foi analisado a situação peculiar em que se vê envolvido o suplicante, razão pela qual resta reprisar todos os argumentos já trazidos à colação na peça de impugnação, que bem irão demonstrar a total e absoluta ilegitimidade e injustiça da sentença "a quo"; durante a ação fiscal o contribuinte esclareceu que era sócio majoritário de uma empresa que atua na intermediação de compra e venda de veículos automotores usados, cujo lucro da referida empresa provêm das comissões recebidas em cada venda realizada, cujo montante bruto está na faixa de 3 a 10%; que no momento de todas as comissões recebidas por estas vendas realizadas pela Empresa, foram destacadas as respectivas notas fiscais de prestação de serviço, e recolhidos os tributos federais cujos comprovantes destes recolhimentos foram entregues ao fiscal e fazem parte do presente processo; que por ser empresa de compra e venda de veículos automotores usados, realizada também a intermediação de financiamentos para os seus clientes através de várias instituições bancárias; que o contribuinte de forma totalmente inadvertida e por demais ingênua, utilizou as suas contascorrentes bancárias pessoa física para nelas realizar as transações Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.000076/200560 Acórdão n.º 2802002.638 S2TE02 Fl. 1.405 3 comerciais da pessoa jurídica, na medida em que ele é o único responsável por essas operações junto à Empresa; esta realidade pode ser facilmente visualizada, na medida em que analisandose as contas correntes bancárias pessoa física do contribuinte, verificarseá que existem vários depósitos do tipo TED ou DOC, que se referem a financiamentos realizados pelos clientes da Empresa, em instituições bancárias e que foram depositados diretamente nestas contas; que, da mesma forma, se examinados os extratos bancários verificarseá a emissão de cheques que foram utilizados para o pagamento de automóveis comprados pela pessoa jurídica, e, inclusive para o pagamento dos tributos federais da própria pessoa jurídica; que foi intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários nas suas contas correntes no montante total de R$ 9.493.264,66, todavia devido ao exíguo tempo de que dispunha para realizar uma pesquisa minuciosa em toda a sua documentação pessoal e da empresa, relativa há mais de 4 anos passados, mais ainda assim conseguiu juntar uma documentação hábil e idônea (fls. 559 a 844) que comprovam a origem dos depósitos bancários no montante de R$ 7.932.825,38; que num reduzido espaço de tempo, comprovou mais de 80% do valor total dos depósitos, restando somente o montante de R$ 1.560.439,28 porque tão só na oportunidade não pode ser devidamente comprovado e que acabou sendo o objeto do presente Auto de Infração, já impugnado; que na oportunidade da fiscalização não conseguiu identificar na documentação pesquisada a origem daqueles depósitos bancários, mas continuou buscando encontrar a documentação hábil e idônea que efetivamente haveriam de comprovar aqueles depósitos bancários não identificados; que a impugnação acabou sendo realizada parcialmente, em que pese o suplicante ter a mais absoluta certeza da sua total inocência, tão somente porque não conseguiu identificar a origem da totalidade dos depósitos bancários creditados em suas contascorrentes, por isso optou por pagar parceladamente o tributo imposto pelo presente Auto de Infração relativo evidentemente aos depósitos bancários cuja origem não foi possível identificar; que para que não reste nenhuma dúvida em relação à legítima origem de parte destes depósitos bancários, o contribuinte se permite trazer, novamente, à colação as justificativas que irão demonstrar, concreta e definitivamente, a improcedência parcial do presente auto de infração; que as tabelas de fls. 1324 a 1351 trazem os valores supostamente não comprovados, as justificativas e a comprovação da origem de cada um dos depósitos bancários; já comprovou a origem dos depósitos bancários em suas contas correntes, mas permitese também demonstrar a total ilegitimidade dos depósitos bancários como exclusivos fatores de omissão de rendimentos; sobre a presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, a verdade incomensurável a respeito é que entre o fato conhecido e o fato desconhecido deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concretização; a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso está em pleno vigor estabelecendo que "é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos e depósitos bancários". Cita jurisprudência judicial e administrativa sobre o assunto e trecho de doutrinas na tentativa de demonstrar a ilegitimidade dos depósitos bancários como exclusivos fatores de omissão de rendimentos e consequente tributação. Por fim requer a reforma da sentença de primeiro grau para o cancelamento e arquivamento do auto de infração. Em sessão realizada em 11/03/2010, por meio da Resolução nº 220100034 de, fls. 1365 a 1367 (fls. 1397 a 1402 – digital), os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara deste CARF resolveram converter o julgamento do processo em diligência “no sentido de restituir os autos à fiscalização para analisar os documentos novos juntados, para manifestação, verificar critério e fazer as diligências pertinentes, lavrando relatório circunstanciado e após abrir prazo para o recorrente, querendo, manifestarse no prazo legal”. Cientificado desse Relatório Fiscal em 06/04/2011, fls. 1380 e 1384 (digital), o contribuinte não se manifestou sobre as considerações expostas pela autoridade fiscal, conforme despacho, datado de 11/05/2011, proferido às fls. 1383 (digital). É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme planilha anexa ao Auto de Infração, fls. 18 a 27, em relação aos depósitos/créditos realizados na conta bancária do contribuinte sob os históricos distintos de “Deposito CX.EXP”, o sujeito passivo não logrou êxito em comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem de tais recursos. Diante disso, e em conformidade com o que preceitua o caput do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, os respectivos valores foram considerados como omissão de rendimentos caracterizada por recursos de origem não comprovada. No recurso voluntário o contribuinte alegou que, apesar de sua impugnação haver sido instruída com mais documentos que poderiam comprovar a origem dos recursos, a decisão recorrida não os considerou. Em virtude dessa alegação, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara deste CARF , fls. 1365 a 1367 (fls. 1397 a 1402 – digital), converteu o julgamento do processo em diligência para averiguação pela autoridade fiscal que, em atendimento, emitiu o relatório de fls. 1381 a 1383 (digital), nos seguintes termos: 1. O critério utilizado pela fiscalização para aceitar parte substancial dos valores depositados/creditados nas contas bancárias do sujeito passivo se deu em função que o sujeito passivo, através dos documentos apresentados a época do procedimento fiscal cópia do documento de transferência de veículos, nota fiscal Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.000076/200560 Acórdão n.º 2802002.638 S2TE02 Fl. 1.406 5 de entrada e ou cópia do cheque depositado e nota fiscal de prestação de serviço constando a comissão recebida — coincidiam em valores e datas muita próximas em relação aos valores depositados através de cheques na conta corrente no Banco Unibanco, cujo histórico de crédito constante nos extratos "Depósito CX.EXP," (fls. 18 a 27) se referir a vários cheques serem depositados num mesmo lançamento na conta corrente do sujeito passivo, na modalidade de caixa expresso (envelope contendo vários cheques para depósito), e não de maneira individualizada por documento (cheque) apresentado, que seria a maneira mais correta do Banco lançar tais depósitos na conta corrente dos seus clientes. Diante deste fato, resta explicado o motivo pelo qual a fiscalização aceitou parte dos valores depositados/creditados e glosou parte não comprovada, conforme planilha anexa ao Auto de Infração (fls. 18 a 27) . Em relação ao demais históricos de depósitos/créditos, distintos de "Deposito CX.EXP," o sujeito passivo não logrou êxito em comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem de tais recursos, conforme preceitua o "caput" do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 e foram por isso considerados como recursos de origem não comprovada. 2. Em relação aos "novos documentos" apresentados pelo sujeito passivo, conforme verificado no processo administrativo, constatase que não se tratam de novos documentos trazidos à lide, os quais, não teriam sequer sido analisados pela Autoridade Julgadora de 1ª instância; ao contrário, a documentação foi encaminhada, pelo sujeito passivo, juntamente com a impugnação (fls. 847 a 1.319) dirigida à Delegacia da RFB de Julgamento em Santa Maria em 01/03/2005. Tanto que no Acórdão DRJ/STM n° 5.880 de 18/08/2006 exarado pela 2° Turma, a relatora sinteticamente conclui em seu voto, afirmando que: "Da análise desses demonstrativos e documentos, concluise o seguinte: 1. .................................................................................................... 2. As justificativas apresentadas pelo impugnante resumemse em: a) Os valores depositados são referentes à entrada ou parte do pagamento relativo à venda de automóveis. Não há relação entre o depósito e o valor das comissões recebidas, constantes das notas fiscais de prestação de serviços, e nem com o valor constante do documento de transferência dos veículos. Portanto, não há como vincular os depósitos com as operações de revenda de automóveis, como quer o autuado (fls.1.328). Conforme exposto acima, houve análise, pela Autoridade Julgadora de 1° instância, dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, sendo que a mesma conclui que tais documentos não se prestaram para afastar a exigência do imposto de renda conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Pois, não há qualquer coincidência em data e valores nos documentos juntados pelo sujeito passivo na impugnação em relação aos valores depositados/creditados em contas correntes e que foram objeto de lançamento de imposto de renda, constituído através no Auto de Infração. Após a impugnação ao Auto de Infração, o sujeito passivo não juntou qualquer documento "novo" ao processo administrativo. Tanto que, no recurso voluntário ao então 1° Conselho de Contribuintes, o sujeito passivo apenas repetiu a mesma tabela e as mesmas justificativas (fls. 1.340 a 1.351) para comprovação dos Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 depósitos/créditos em conta corrente apresentados na impugnação á DRJ, sem, no entanto, juntar novos documentos ao processo. Diante do exposto, concluise que os documentos apresentados pelo sujeito passivo, como meio de prova para tentar justificar a origem dos recursos depositados/creditados em conta corrente, já foram analisados pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, os quais foram rejeitados pela mesma, conforme justificativa apresentada em seu voto (fls. 1.328). Por sua vez, do exame da documentação que instruiu a impugnação, fls. 847 a 1.319, constatase que, de fato, não há como se estabelecer relação entre os valores das notas fiscais emitidas pela empresa, da qual o contribuinte é sócio, com os valores dos depósitos que foram objeto de lançamento, haja vista a desproporcionalidade entre eles. Tendo em vista que os valores das notas fiscais das vendas dos veículos realizados pela referida empresa e/ou comissões recebidas não coincidem com os valores dos depósitos registrados nas contas bancárias examinadas pelo fisco, faltou ao contribuinte instruir sua impugnação com elementos comprobatórios, extraídos diretamente da contabilidade da empresa alienante de tais veículos, no sentido de demonstrar que o valor depositado, de fato, transitou primeiramente pelo caixa contábil de tal empresa, antes de ingressar como depósito em sua conta corrente bancária. À falta desses elementos comprobatórios, não há como vincular os valores das vendas realizadas pela empresa com os valores depositados na conta corrente bancária do contribuinte, sócio dessa empresa. Não basta, pois, a alegação de que os valores dos depósitos bancários tiveram origem em parte das vendas de veículos realizadas por empresa comercial de veículos, sem que fique demonstrado nos autos o vínculo existente entre os depósitos bancários e os registros contábeis das operações que importaram eventual transferência de numerário para a conta corrente do contribuinte. Portanto, não merece reparos a decisão recorrida. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000688/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A descrição dos fatos e enquadramento legal incompletos ensejam a nulidade do auto de infração, se resta configurado prejuízo ao direito de defesa da recorrente.
CSLL. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DO IRPJ. VINCULAÇÃO AO
LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Igual sorte devem colher os lançamentos decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração de IRPJ, na medida que inexistem circunstâncias ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.
Numero da decisão: 1301-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A descrição dos fatos e enquadramento legal incompletos ensejam a nulidade do auto de infração, se resta configurado prejuízo ao direito de defesa da recorrente. CSLL. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DO IRPJ. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Igual sorte devem colher os lançamentos decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração de IRPJ, na medida que inexistem circunstâncias ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 06 88 /2 01 0- 19 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício manuseado na forma regimental, ante a exoneração de crédito tributário em decisão proferida pela 5ª Turma Julgadora da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. A referida decisão está encartada às folhas 763 a 779, e ficou assim ementada: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2007,2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A descrição dos fatos e enquadramento legal incompletos ensejam a nulidade do auto de infração, se resta configurado prejuízo ao direito de defesa da impugnante. CSLL. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DO IRPJ. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Igual sorte devem colher os lançamentos decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração de IRPJ, na medida que inexistem circunstâncias ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado (...) Em análise do presente processo administrativo temse que em desfavor da contribuinte acima identificada, tributada pelo lucro real, foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL (fls. 186/207), referentes aos anoscalendário 2007 e 2008. De acordo com o TVF (fls. 186/9), foram apuradas pela autoridade fiscal irregularidades cometidas pelo contribuinte consistentes em adições não computadas às bases de cálculos dos tributos indicados (lucros auferidos no exterior). Segundo afirmouse, haveriam provas coligidas que revelariam de forma cristalina a ilicitude de conduta da contribuinte, caracterizada pela verificação de adições não Fl. 911DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11052.000688/201019 Acórdão n.º 1301001.314 S1C3T1 Fl. !Indicador não definido, TXTFLS 3 computadas na apuração do Lucro Real do IRPJ e na Base de Cálculo da CSLL Lucros Auferidos no Exterior pela filial “Cargill Agrícola S/A” e as controladas/coligadas “Cargill T&C Limited” e “Cargill Nassau Limited”. Ainda de acordo com o auto de infração lavrado, constatouse a ofensa ao disposto no art. 25, §§ 2º e 3º da Lei n° 9.249/95; art. 16 da Lei n° 9.430/96: art. 249, inciso II, e 394, do RIR/99 e art. 3º da Lei n° 9.959/00, que se constituem no enquadramento legal das infrações. Anotouse que pela falta de adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL de diferenças apuradas a título de lucros auferidos no exterior, apurouse, à época da lavratura, autos de infração no valor de R$ 211.726.515,98. A contribuinte apresentou Impugnação, alegando em síntese que o Fisco sustenta que a ela teria auferido lucros no exterior relativamente às atividades desenvolvidas pela Netherlands e Brascuba, os quais, apesar de disponibilizados à controladora brasileira, não teriam sido submetidos à incidência do IRPJ e da CSLL, defendendo, contudo, a invalidade do lançamento, em relação aos lucros da Yolanda Netherlands, seja por ter a Fiscalização desconsiderado o disposto no Tratado BrasilHolanda, seja por não haver sido caracterizada a materialidade prevista pela legislação para tributação de tais valores no Brasil de disponibilização econômica ou jurídica. Apontou vícios que maculariam o auto quanto à tributação dos lucros disponibilizados pela Brascuba, que alegadamente teriam sido oferecidos à tributação pela contribuinte, além do que denominou de graves erros quando da quantificação da matéria tributável supostamente devida, assinalando que a análise e compreensão do auto de infração deve se dar pela confrontação dos fatos suscitados pela autoridade fiscal com os dispositivos legais invocados como violados pelo contribuinte e que se aferiria dessa forma o exercício de subsunção dos fatos concretos reportados às regras gerais e abstratas havidas como infringidas, defendendo que uma vez lavrado o auto de infração, os dispositivos normativos invocados pela autoridade lançadora passam a figurar como a motivação legal do ato administrativo de lançamento, sendo que o artigo 3º da Lei n° 9.959/00, também invocado pela Fiscalização, alterou o artigo 1º da Lei n° 9.532/97 (cuja redação original já havia sido incorporada ao artigo 394 do RIR/99) para inserir duas novas situações em que os lucros seriam considerados disponibilizados para fins de incidência do IRPJ e da CSLL e que esses eventos de disponibilização não constam do artigo 394 do RIR/99 por serem posteriores à edição da norma regulamentar e tampouco são aplicáveis ao caso concreto. Citou como eventos reveladores de tal disponibilização aqueles que impliquem (i) pagamento ou (ii) crédito de tais lucros à controladora no Brasil , (iii) a contratação de operações de mútuo em favor da controladora se a controlada possuir lucros ou reservas de lucros e (iv) o adiantamento de recursos à controladora, por conta de venda futura, cuja liquidação ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. Diante disso, defendeu que não houve qualquer ato que possa se subsumir à hipótese de disponibilização dos lucros da Netherlands, ou seja, terseia verificado a inexistência da obrigatoriedade de adição dos lucros auferidos pela Netherlands ao lucro real dela Impugnante, nos termos do art. 394 do RIR/99, sendo que os lucros auferidos pela Netherlands não poderiam, de qualquer forma, ser tributados no Brasil por conta da Fl. 912DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 competência exclusiva da Holanda para tributação dos lucros auferidos pela Netherlands, firmada no Tratado contra dupla tributação celebrado entre Brasil e Holanda. Afirmou que o tratado, para evitar a bitributação, celebrado entre Brasil e Holanda deve ser aplicado ao caso em exame com prevalência sobre a legislação interna invocada no auto de infração, consequentemente, afastando a obrigatoriedade de adição às bases de cálculo do IRPJ e a CSLL dos lucros auferidos pela Yolanda Netherlands e aduziu que a regra constante do art. 7º do Modelo OCDE é a de que o direito de tributar os lucros das empresas é o objeto da atribuição exclusiva ao Estado de que tais empresas são residentes, de sorte que, em face ao Tratado BrasilHolanda, não assiste competência ao Brasil para tributála em relação aos lucros da Yolanda Netherlands, por se tratar de empresa domiciliada na Holanda e submetida à competência tributária exclusiva daquele país, sendo que os lucros auferidos, no que tange às atividades desenvolvidas pela Brascuba, foram devidamente adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL e tributados no Brasil, no ano em que foram disponibilizados, como comprovariam cabalmente os documentos já apresentados no curso da fiscalização (docs. 05 a 08). Seguiu arrazoando que incorreu a Fiscalização em gravíssimos equívocos na quantificação da matéria tributável, desconsiderando o valor do imposto pago tanto em Cuba, quanto no Brasil, e aplicando a taxa de câmbio errada em seus cálculos, sendo que a autoridade lançadora deixou de realizar a compensação do imposto recolhido pela Brascuba às autoridades cubanas nos termos em que expressamente autorizados pelo artigo 26 da Lei n° 9.249/96, muito embora as cópias dos documentos de arrecadação do imposto cubano tenham sido devidamente apresentadas no curso da ação fiscal. Reputou que o Termo de Intimação Fiscal apenas solicitara que informasse os valores dos lucros auferidos pela Brascuba nos anos de 2007 e 2008, sem nem mesmo solicitar sua conversão em Reais ou especificar uma taxa de câmbio a ser utilizada, motivo pelo qual não se lhe poderia imputar qualquer falha, afirmando que a correta determinação da matéria tributável é dever de ofício da autoridade fiscal, nos termos do artigo 142 do CTN e que nos anoscalendário de 2007 e 2008 a empresa cubana Brascuba auferiu lucros antes da tributação nos montantes de $ 8.129.499,00 CUC e $ 11.554.742,00 CUC, respectivamente e que a base de cálculo a ser reconhecida pela Impugnante, portanto, seria de $ 4.064.479,50 CUC e $ 5.777.371,00 respectivamente, parcela correspondente à sua participação no capital da Brascuba. Afirmou assim, que dos valores de R$ 7.214.320,65 e R$ 13.528.754,12, calculou o IRPJ e a CSLL devidos (R$ 2.452.869,02 para 2007 e R$ 4.599.776,40 para 2008) e abateu o imposto pago no exterior pela Brascuba, devidamente convertido pela taxa de câmbio oficial do CUC, para venda, da data em que o imposto foi pago e que o saldo dos lucros disponibilizados pela Brascuba foram então adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme se verifica das anexas cópias do Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR") e das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") doc. 07 a 08. Referiuse ao artigo 26 da Lei n° 9.249/96, que expressamente autorizaria a compensação do imposto pago no exterior e mencionou que embora o § 2º do artigo 26 da Lei n° 9.249/96 defina que para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deva ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado ou Embaixada Brasileira no país em que o imposto for devido, o § 2º do artigo 16 da Lei 9.430/96 dispõe que para efeito da compensação a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, ficando dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do artigo 26 da Lei 9.249/96 quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio da cópia dos Fl. 913DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11052.000688/201019 Acórdão n.º 1301001.314 S1C3T1 Fl. !Indicador não definido, TXTFLS 5 comprovantes de recolhimento, sendo que o imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago. Insistiu que embora não tenha a Fiscalização lançado qualquer acusação ou levantado qualquer discordância quanto ao momento em que os valores foram adicionados ao lucro real da Impugnante, eventual divergência nesse sentido jamais poderia implicar exigência fiscal nos termos em que formulada nos presentes autos, já que quando muito terseia postergação no pagamento do imposto devido, aduzindo que existe apenas e tão somente uma discrepância no que tange ao aspecto temporal dos tributos devidos, cabendo ao Fisco unicamente exigir a atualização monetária incidente sobre o imposto devido caso inexista diferença de IRPJ e CSLL a ser cobrada, consoante determina o artigo 273 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, esclarecendo que o Parecer Normativo n° 2/96 ("PN 2/96") considera postergada a parcela do imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, inexistindo diferença de IRPJ ou CSLL a ser cobrada, exigemse apenas os acréscimos legais, e que a Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais) e as demais Câmaras daquele Colegiado vêm reiteradamente determinando que o desrespeito às regras do PN 2/96 conduz à total improcedência do auto de infração lavrado. Em vista destas razões formuladas, a contribuinte requereu o cancelamento da autuação pela total falta de sincronia entre o lançamento e a realidade fática, ou sua improcedência referente aos lucros auferidos pela Brascuba, haja vista: i) terem sido tais lucros devidamente adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos e, ii) subsidiariamente, por terem sido cometidos diversos equívocos insanáveis na quantificação da matéria tributável, em especial por ter deixado a autoridade fiscal de aplicar as regras atinentes à postergação de receitas. Assinalouse ao fim que ajuizou os Mandados de Segurança n° 2003.51.0084586 e 2003.51.01.0084598, para discutir a constitucionalidade da medida provisória que trata da tributação dos lucros no exterior e a variação cambial. A decisão recorrida de ofício atestou que não haveria elementos suficientes nos autos para aferir eventual concomitância entre os autos de infração e os supracitados Mandados de Segurança. Passouse a apreciar preliminar de nulidade do auto de infração, iniciandose pela textualização do disposto no art. 25, §§ 2º e 3º da Lei n° 9.249/95, art. 16 da Lei n° 9.430/96, arts. 249, inciso II, e 394, do RIR/99 e art. 3º da Lei n° 9.959/00, que se constituem no enquadramento legal das infrações e teriam sido, portanto, infringidos pela contribuinte. Após citar os referidos dispositivos, registrou a decisão recorrida que analisandose o que dispõe a legislação de regência, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, se aplicam os arts. 21 e 74 da Medida Provisória n° 215835/2001, também textualizados, para então afirmarse que a MP 2.158/2001 redefiniu o elemento temporal configurador da incidência tributária sobre os resultados auferidos no exterior por controlada ou coligada, revogando tacitamente a legislação anterior, de sorte que verificavase que o autuante indicou, no enquadramento legal, a legislação que definia o elemento temporal Fl. 914DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 configurador da incidência tributária in casu de forma diversa à prevista na MP 2.15835/2001 e, por conseguinte, a impugnante, ao defenderse do lançamento nos limites da legislação invocada pelo autuante, o fez com evidente cerceamento do seu direito de defesa. Para a decisão recorrida, portanto, para imputar à contribuinte a infração de falta de adição dos valores correspondentes aos lucros em questão na apuração do lucro real atinente a 30/12/2007 e 31/12/2008, a autoridade lançadora deveria ter deixado claro que essa obrigação decorre da definição legal para sua ocorrência e que constava dos artigos 21 e 74 da MP 2.158/2001, não capitulados na peça acusatória. Reproduziu a decisão recorrida o disposto nos artigo 105 e 144 do Código Tributário Nacional, e consignou que a legislação tributária é aplicável aos fatos geradores futuros e o lançamento se reporta à data do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, de sorte que sendo editada e entrando em vigor, as disposições da MP 2.158/2001 regem todos os fatos geradores que são posteriores à data de sua vigência, ou seja, à data de sua publicação, conforme disposto em seu artigo 92, que se deu em 27 de agosto de 2001. Ou seja, os fatos geradores aqui tratados são dos anos calendários de 2007 e 2008, sendo a eles aplicável a MP 2.158/2001, mencionandose que as disposições contidas nos artigos 21 e 74 da MP 2.158/2001 determinam que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento e que em seu termo de constatação dos fatos, a fiscalização caracterizou a ilicitude da conduta da impugnante como adições não computadas na apuração do lucro real do IRPJ e na base de cálculo da CSLL Lucros Auferidos no Exterior e invocando os artigos 25 e §§ 2º e 3º da Lei 9.430/96; 249, inciso II e 394 do RIR/99 e 3º da Lei 9.959/00, sem que estivesse claro para a autuada que essa obrigação decorria do fato de que os lucros obtidos pelas controladas no exterior são considerados disponibilizados para ela na data do balanço no qual foram apurados. Concluiuse assim, que em nenhum momento o autuante se referiu à MP 2.158/2001, de forma que, em sua defesa, a contribuinte restringiuse à base legal invocada pela fiscalização, que não se referia ao fato gerador da infração, e não pôde defenderse da real infração cometida: a falta de contabilização nos balanços dos anoscalendários de 2007 e 2008 dos lucros auferidos por Yolanda Netherlands e Brascuba Cigarrillos. Citouse o artigo 5º da Constituição da República, e o artigo 10º do Decreto nº 70.235/72, arrematando que no presente caso, a motivação do autuante para o lançamento é inexistente, visto que a matéria de fato e de direito em que se fundamenta o ato é juridicamente inadequada ao resultado pretendido, o que caracteriza a nulidade do ato. Em conclusão, afirmouse que o autuante deixou de fazer constar, obrigatoriamente, no auto de infração, o que está previsto no artigo 10, inciso III a descrição do fato que enseja a infração, qual seja, a falta de disponibilização dos lucros obtidos no exterior pelas controladas da autuada, e, em consequência, a não adição ao lucro líquido, e inciso IV a disposição legal infringida artigos 21 e 74 da MP 2.158/2001, maculandoo de nulidade, a revelar que a contribuinte foi prejudicada em seu direito de ampla defesa por não ter sido informado o motivo real da infração cometida, vez que a fiscalização não se referiu, em nenhum momento, à legislação vigente sobre o assunto (lucros no exterior disponibilização no balanço anual para fins de tributação MP 2.158/2001, art. 74), configurandose violação ao artigo 10, incisos III e IV do Decreto 70.235/72, e prejuízo à defesa da impugnante, sendo passíveis de nulidade os autos de infração por falta de motivação, nos termos do artigo 2 o da Lei 4.717/65, declarando nulos os autos de infração do IRPJ e, por decorrência, da CSLL. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11052.000688/201019 Acórdão n.º 1301001.314 S1C3T1 Fl. !Indicador não definido, TXTFLS 7 Como dito acima, deste ato se recorreu de Ofício. É o relatório. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso de Ofício atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tal como verificado acima a decisão de que recorreu de ofício reconheceu a nulidade do auto de infração porquanto não se fez menção ao dispositivo legal que indicava a infração alegadamente cometida pela contribuinte, situação que teria implicado em cerceamento do direito de defesa da contribuinte e, por conseguinte, desencadeado a nulidade reconhecida. Seguindo uma lógica que entendo aplicável ao Processo Administrativo Fiscal, tenho me manifestado que, em regra, o contribuinte exerce sua defesa com base nos fatos articulados nas imputações fiscais e não, necessariamente, contra os dispositivos legais a que se amoldam os fatos, situação que ao meu sentir prestigia a lógica do sistema e decorre da legalidade estrita a que se submete a obrigação tributária, ou seja, sendo vedado exigirse tributo fora dos limites da lei, somente restaria ao contribuinte defenderse das circunstâncias fáticas, pois as demais (legais) são meras conformações às situações que ficam delineadas no processo administrativas. Registro, por oportuno, que não abandono estas premissas na análise do caso concreto, continuo a propagar que no âmbito do processo administrativo fiscal compete ao contribuinte defenderse em vista da conjuntura fática delineada pelo ente tributante, contudo, não se pode, a este pretexto, chancelar uma autuação que por indicar dispositivos de lei equivocadamente terminem por confundir o contribuinte e lhe cerceiem, a um só tempo, o amplo direito à defesa. Considero ser precisamente esta a hipótese dos autos, ou seja, as imperfeições na capitulação legal das infrações foram tamanhas que repercutiram no enfretamento e compreensão dos fatos, a revelar cerceamento de defesa, reconhecimento da nulidade e, por conseguinte, a subsistência da decisão recorrida. Não se está diante de mero formalismo que prestigia a ausência de determinado dispositivo de lei, o auto de infração omitiu que se aplicaria o disposto na MP 2.158/2001, que por seus artigos 21 e 74, redefiniuse o elemento temporal configurador da incidência tributária sobre os resultados auferidos no exterior por controlada ou coligada, revogando tacitamente a legislação anterior, que constou no auto de infração, impedindo a contribuinte de exercer plenamente seu direito de defesa. Acertadamente a decisão recorrida apontou que a Fiscalização indicou no enquadramento legal, a legislação que definia o elemento temporal configurador da incidência tributária de forma diversa à prevista na MP 2.15835/2001, trazendo à contribuinte inequívoco cerceamento ao seu direito de defesa, que deveria ser exercido nos limites da legislação aplicável, de sorte que, também de maneira acertada concluiuse que para imputar à contribuinte infração de falta de adição dos valores correspondentes aos lucros em questão na apuração do lucro real atinente a 30/12/2007 e 31/12/2008, cumpria à fiscalização reputar que essa obrigação decorre da definição legal para sua ocorrência e que constava dos artigos 21 e 74 da MP 2.158/2001. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11052.000688/201019 Acórdão n.º 1301001.314 S1C3T1 Fl. !Indicador não definido, TXTFLS 9 Diante disso, verificada a preterição ao direito de defesa da contribuinte, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. Sala das Sessões, 05 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11065.001086/2009-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS-RG.
Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários.
Numero da decisão: 3403-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer: (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE no 606.107/RS-RG); (b) os créditos da contribuição em relação a combustíveis utilizados na frota da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos; e (c) os créditos da contribuição em relação a despesas de remoção de resíduos industriais. O provimento é parcial porque são mantidas as glosas em relação a combustíveis utilizados nas "kombis" da empresa, que transportam funcionários.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer: (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE no 606.107/RSRG); (b) os créditos da contribuição em relação a combustíveis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 86 /2 00 9- 04 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 utilizados na frota da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos; e (c) os créditos da contribuição em relação a despesas de remoção de resíduos industriais. O provimento é parcial porque são mantidas as glosas em relação a combustíveis utilizados nas "kombis" da empresa, que transportam funcionários. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento (fls. 1 a 51) relativo a saldo credor da COFINS nãocumulativa apurado no período de 1/10 a 31/12/2008. Do valor total solicitado, são reconhecidos pela unidade local da RFB R$ 691.716,86, glosandose a quantia de R$ 61.329,31 (cf. Despacho Decisório de fls. 70 a 74), basicamente por cômputo incorreto de receitas com créditos de ICMS transferidos a terceiros, pela utilização indevida de créditos sobre despesas com combustíveis e sobre despesas com remoção de resíduos industriais. Cientificada da decisão da unidade local (em 7/10/2009 fl. 127), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 3/11/2009 fls. 128 a 145). Na peça apresentada, discorda da glosa referente à não inclusão na base de cálculo da contribuição da cessão de créditos de ICMS a terceiros, sustentando que o Decretolei no 1.598/77 teria excluído do conceito de receita bruta o valor dos impostos recuperáveis, entendimento corroborado pela IN SRF no 51/78. Afirma ainda ter direito a apurar créditos sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos pelos veículos de sua frota (utilizados para transportes de matérias primas, produtos intermediários, embalagens e até funcionários), vinculados diretamente às atividades da empresa. Por fim, contesta a glosa referente a créditos apurados sobre o custo de remoção de resíduos industriais, atividade sem a qual fica inviabilizada a operação da empresa. No julgamento de primeira instância (fls. 190 a 197), afirmase que: (a) não procede a argumentação em relação ao ICMS, porque a não incidência da contribuição sobre as transferências onerosas de ICMS ocorreu somente a partir de 1o/1/2009, com a edição da MP no 451, de 15/12/2008, que não possui efeitos retroativos, e que (b) foram também corretas as duas outras glosas, pois as aquisições de combustíveis e a remoção de resíduos industriais não obedecem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação, uma vez que não houve aplicação ou consumo no processo de fabricação ou produção desenvolvido pela empresa. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.001086/200904 Acórdão n.º 3403002.784 S3C4T3 Fl. 254 3 Cientificada da decisão em 4/5/2011 (fl. 199), a empresa apresenta recurso voluntário em 3/6/2011 (fls. 200 a 214), afirmando, em síntese, que: (a) está dispensada do recolhimento da COFINS nãocumulativa sobre operações de exportação, e tem assegurado o ressarcimento de tal contribuição nas hipóteses referidas no art. 6o da Lei no 10.833/2003; (b) o montante de ICMS não compõe a receita bruta (cf. Decretolei no 1.598/77, RIRart. 279), e é absurda a argumentação do fisco de que a transferência de crédito equivale à alienação de direitos a título oneroso, pois a transferência de valores (a exemplo dos créditos de ICMS reconhecidos contabilmente e registrados em conta de ativo circulante) nunca se constituiu em receita; (c) os combustíveis e lubrificantes consumidos pela frota são expressamente contemplados pelo art. 3o, II da Lei no 10.833/2003, e restringir o direito a seu creditamento constitui negação ao princípio da nãocumulatividade; e (d) os resíduos da produção, que demandam cerca de duas a três viagens diárias para remoção, por empresa terceirizada, ocasionam despesas que devem ser consideradas custos de industrialização, constituindo a recusa ao creditamento também uma ofensa ao princípio da nãocumulatividade. Em anexo ao Recurso Voluntário são colacionados vários precedentes jurisprudenciais em favor da argumentação da recorrente. Em 29/01/2013, esta turma unanimemente decide sobrestar o julgamento do recurso voluntário (pela Resolução no 3403000.415), tendo em vista a reconhecida repercussão geral no RE no 606.107/RS, e o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010), no que se refere à constitucionalidade da incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em função de transferência de créditos de ICMS a terceiros. Com o advento da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo volta a ser distribuído, para apreciação pelo colegiado, independente da decisão definitiva a ser proferida pelo STF no RE no 606.107/RS. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Como destacado ainda por ocasião da emissão da Resolução no 3403 000.414, a recorrente é empresa que atua no curtimento, na industrialização, na comercialização e na exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás) e de capas de couro bovino e outros materiais para sofás. Assim, faz jus aos créditos de que trata o art. 3o da Lei no 10.833/2003. E se ao final de cada trimestre não tiver sido possível utilizar ou compensar tais créditos, faz jus ao ressarcimento de que trata o § 2o do art. 6o da mesma Lei no 10.833/2003, sendo o presente processo exatamente sobre tal solicitação de ressarcimento. A matéria controversa resumese a três tópicos: a possibilidade de creditamento em relação à cessão de créditos de ICMS a terceiros, a inclusão no conceito de insumos para aquisições de combustíveis consumidos pelos veículos da frota da recorrente Fl. 255DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 (utilizados para transportes de matérias primas, produtos intermediários, embalagens e até funcionários), e o tratamento como insumo para o custo de remoção de resíduos industriais. Da cessão de créditos de ICMS a terceiros A discussão sobre a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da COFINS é frequente neste CARF. Contudo, não se pode afirmar que esteja assentado o posicionamento sobre a matéria. A recorrente aponta normas relativas ao Imposto de Renda (Decretolei no 1.598/77, art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda e IN SRF no 51/78) como supedâneos para a conclusão de que a expressão “receita bruta” não abarca o crédito de ICMS registrados em seu ativo circulante. Adiciona acórdãos da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que afirmam não incidir “PIS e COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial”, corroborados por acórdãos da segunda e da quarta câmaras do mesmo conselho. Adiciona ainda um julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais2. Analisandose julgados mais recentes (anos de 2011 e 2012) deste CARF, tribunal que substituiu o antigo Conselho de Contribuintes, encontramse tanto posicionamentos alinhados com a citada decisão da CSRF3, quanto em sentido diverso4, pela incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS sobre o resultado da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Também judicialmente a matéria é controversa, tanto que foi reconhecida sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal em 1/7/2010, no RE no 606.107/RS: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida5.(grifo nosso) Reconhecida a repercussão geral, a suprema corte vem determinando a devolução dos autos à origem, sobrestandoos (v.g. RE no 650.767/RS, RE no 641.035/RS, RE no 605.195/RS, RE no 631.574/DF, RE no 600.384/RS, e RE no 614.307/RS). Por isso, ocorreu 2 Acórdão no 02/03783, Rel Cons. Maria Tereza Martinez López, unânime, Sessão de 11.fev.2009. 3 Acórdãos no 3202000.498 e 499, ambos relatados pela Cons. Irene Souza da Trindade Torres (vencida), maioria, sessão de 23.mai.2012; e Acórdãos no 3801001.041 a 043, todos relatados pelo Cons. Jose Luiz Bordignon, unânime, sessão de 22.mar.2012. 4 Acórdãos no 3301001.373 a 376, todos relatados pelo Cons. Antonio Lisboa Cardoso (vencido), qualidade, sessão de 22.mar.2012; Acórdãos no 3801001.343 a 353, todos relatados pela Cons. Andrea Medrado Darze (vencida), qualidade, sessão de 15.fev.2012; Acórdãos no 3301000.916 a 920, todos relatados pelo Cons. José Adão Vitorino de Morais, unânime, sessão de 2.mai.2011; e Acórdão no 3402000.988, Cons. Júlio Cesar Alves Ramos, unânime, sessão de 3.fev.2011. 5 RE no 606.107/RS, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 1.jul.2010, public. Em 20/8/2010. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.001086/200904 Acórdão n.º 3403002.784 S3C4T3 Fl. 255 5 o sobrestamento do julgamento, por determinação desta turma, conforme a Resolução no 3403 000.414. Contudo, dois eventos posteriores possibilitam (em verdade, obrigam) o retorno da análise, agora de forma definitiva, por este CARF. O primeiro é a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que permitia o sobrestamento administrativo dos processos sobre as matérias com repercussão geral reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Permaneceu vigente no referido art. 62A somente o comando do caput: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) O segundo evento é exatamente a decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria. Em 22/05/2013 (com publicação em 25/11/2013) o pleno da corte julgou o RE no 606.107/RS, acordando, por maioria de votos (vencido o Min. Dias Toffoli), que: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO Fl. 258DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.001086/200904 Acórdão n.º 3403002.784 S3C4T3 Fl. 256 7 ELETRÔNICO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 2511 2013) (grifo nosso) Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado ainda em dezembro de 2013. Aplicável, assim, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Procedente, então, nesse tópico, o recurso voluntário. Do conceito de insumos para a contribuição Os dois tópicos restantes a analisar tratam da correta interpretação do conceito de insumos na legislação que rege a contribuição, pelo que se recomenda, inicialmente, tecer algumas considerações gerais sobre a matéria. O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarse ia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma (v.g. Acórdãos no 3403002.469 a 477; 3403001.893 a 896; 3403001.935; e 3403002.318 e 319). Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das duas rubricas questionadas no presente contencioso: despesas com combustíveis consumidos pelos veículos da frota da recorrente (utilizados para transportes de matérias primas, produtos intermediários, embalagens e até funcionários) e custo de remoção de resíduos industriais. Das despesas com combustíveis A fiscalização alega que não pode haver crédito em relação a “despesas com combustíveis”, visto que tais combustíveis não se integram ao produto no processo produtivo. É nítida, assim, a aplicação da legislação do IPI à contribuição, em dissonância com as disposições gerais expostas no tópico anterior (conceito de insumos). Tal aplicação restritiva é corroborada pela decisão de piso. Incumbe já de início adequar tal raciocínio ao conceito de insumo compatível com a contribuição, seja porque a legislação expressamente relaciona os combustíveis na lista de insumos que podem ser aplicados no processo produtivo, ou mesmo porque é excepcional imaginar uma situação em que o combustível se integre ao produto, ou com ele entre em contato físico (não parecendo ter o comando a visão restritíssima que lhe dá a autoridade fiscal). Cabível, assim, a priori, o crédito em relação a despesas com combustíveis, desde que este seja necessário ao processo produtivo da empresa. Pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada (reiterado no recurso voluntário), notase que a empresa possui onze caminhões (todos movidos a óleo diesel) e duas “kombis” (ambas movidas a gasolina), e que: “Todos esses veículos são utilizados nas operações de transporte de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem entre os diversos estabelecimentos da empresa. Em alguns períodos, as ‘kombis’ também são utilizadas para o transporte de funcionários da produção, que fazem horas extras.” (grifo nosso) Ainda em suas peças de defesa, a empresa chama a atenção para o fato de que a própria autoridade fiscal reconhece a utilização do combustível nas atividades da empresa. De fato, a autoridade fiscal afirma (fl. 69) que: “embora utilizado nas atividades da empresa, esse combustível não pode ser considerado insumo já que não é integrado ao produto no processo produtivo”. Para a autoridade fiscal, bastava que o combustível não houvesse entrado em contato com o produto para que fosse inviabilizado o crédito. Não merecendo prosperar tal entendimento, cabe a acolhida dos créditos em relação a combustíveis utilizados nos caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, inegavelmente necessários ao processo produtivo. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.001086/200904 Acórdão n.º 3403002.784 S3C4T3 Fl. 257 9 Nesse sentido diversas decisões desta quarta turma (v.g. Acórdãos no 3403 002.469 a 477; e 3403002.318 e 319). No entanto, a própria recorrente expressamente admite que há despesas com combustível para transporte de funcionários. E sobre tais despesas não se pode reconhecer o crédito, pela ausência de possibilidade de enquadramento no conceito de insumo neste voto adotado (assim como nos precedentes mencionados). Destarte, por tal motivo (revelação pela própria recorrente de que as “kombis” transportam funcionários), dáse provimento apenas parcial ao recurso. Incumbe à postulante do crédito a prova do direito creditório, indicando a forma de emprego dos insumos no processo produtivo, individualizadamente. A empresa atesta que não utiliza as duas “kombis” especificamente para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, mas também para transporte de funcionários. A alegação se repete, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, sendo que em ambas as ocasiões está desacompanhada de discernimento que permita segregar as despesas, tarefa que não pode ser levada a cabo com os elementos presentes no processo. Incabível ainda a diligência, que se prestaria a permitir dilação probatória, no caso, à postulante. Assim, mantémse a glosa em relação às despesas com combustíveis (gasolina) relativas aos abastecimentos das duas “kombis”, por não restar comprovada a aplicação no processo produtivo da empresa. Do custo de remoção de resíduos industriais À luz do aqui exposto sobre o conceito de insumo, e sobre a adoção, pela autoridade fiscal, do conceito inerente ao IPI, cabe ainda destacar a imprescindibilidade da remoção de resíduos industriais para o processo produtivo. A recorrente informa em sua manifestação de inconformidade que: “a) os resíduos industriais em comento se constituem por restos de couro, lodo que se forma no fundo dos tanques, onde o mesmo (sic) é tratado, gordura e demais impurezas que saem das peças do produto durante o processo de seu tratamento e outros itens de menor grandeza; b) é tão grande o volume dessas impurezas, que são necessárias duas a três viagens diárias de um ou dois caminhões basculantes: uma para retirar a parte seca e outra para retirar o lodo, a gordura e outras impurezas; c) por isso, a Requerente paga para uma pessoa jurídica retirar esses resíduos,...” (grifo nosso) A remoção de resíduos nas condições descritas atende aos pressupostos para inserção na categoria de insumo, por ser necessária ao processo produtivo. Endossese que já há algum tempo esta turma vem se manifestando unanimemente no sentido de que a remoção de resíduos, em regra, é geradora de crédito em relação à contribuição (v.g. Acórdãos no 3403002.469 a 477; e 3403002.318 e 319). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 Assim, procedente a argumentação da recorrente neste tópico. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer: (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE no 606.107/RS RG); (b) os créditos da contribuição em relação a combustíveis utilizados na frota da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos; e (c) os créditos da contribuição em relação a despesas de remoção de resíduos industriais. O provimento é parcial porque são mantidas as glosas em relação a combustíveis utilizados nas “kombis” da empresa, que transportam funcionários. Rosaldo Trevisan Fl. 262DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13002.000281/00-32
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 29/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 29/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 02 81 /0 0- 32 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 29/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 10/10/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 07/1988 e 12/1995. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13002.000281/0032 Acórdão n.º 9900000.712 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13002.000281/0032 Acórdão n.º 9900000.712 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13002.000281/0032 Acórdão n.º 9900000.712 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13002.000281/0032 Acórdão n.º 9900000.712 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 10/10/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 07/1988 e 12/1995. Sendo assim, encontramse alcançados pela prescrição o direito à repetição referente aos fatos geradores ocorridos até 10/10/1990. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para considerar prescritos os indébitos fiscais sobre os fatos geradores ocorridos até 10/10/1990,devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10880.721746/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO.
A contribuinte podia aproveitar-se integralmente do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002, porquanto tributou as receitas financeiras em montante maior do que seria devido de acordo com as retenções sofridas, antecipando a tributação sobre rendimentos financeiros que apenas em 2002, foram resgatados.
Numero da decisão: 1301-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. A contribuinte podia aproveitarse integralmente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, porquanto tributou as receitas financeiras em montante maior do que seria devido de acordo com as retenções sofridas, antecipando a tributação sobre rendimentos financeiros que apenas em 2002, foram resgatados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 17 46 /2 01 0- 26 Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Versa o presente processo administrativo acerca de declarações de compensação em formulário e eletrônicas conforme Tabelas 1 e 2 (fls. 137 138) elaboradas no Despacho Decisório de fls. 136 a 145. Atestouse que o crédito apresentado pela recorrente à compensação foram saldos negativos de IRPJ (anocalendário de 2002) e base negativa de CSLL (anocalendário 2001). A autoridade administrativa, por meio do já citado Despacho Decisório concluiu: i) confirmar o saldo negativo de CSLL do AC 2001 no montante de RS 223.649,38, que após ser parcialmente consumido em compensações diretamente em DCTF (fls. 82/87), resultou no valor de RS 119.573,46, disponível; ii) glosar o IRRF deduzido na apuração do IRPJ, em razão do não oferecimento da totalidade dos rendimentos de aplicações financeiras respectivas, resultando em um saldo negativo de IRPJ do AC 2002 no montante de R$ 545.263,67, de sorte convalidouse as compensações sem processo do saldo credor CSLL/PB 2001 com os débitos de CSLL apurados no anobase de 2002 e homologouse as declarações de compensação constantes das tabelas 1 e 2 anexas ao Despacho Decisório, limitadas ao valor do crédito residual disponível de CSLL de 2001 de R$ 119.573,46 e homologouse as declarações de compensação constantes das tabelas 1 e 2 anexas ao Despacho Decisório, limitadas ao valor do crédito revisado disponível de IRPJ de 2002 de R$ 545.263,67, com a cobrança dos eventuais débitos remanescentes com os respectivos acréscimos legais, nos termos da legislação vigente. Devidamente cientificada (fl. 151), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 176/193), alegando em síntese que os débitos relativos à compensação homologada parcialmente deverão permanecer com a exigibilidade suspensa, até a apreciação da aludida manifestação, nos termos do art. 74, §§ 7º, 9° e 11, da Lei n° 9.430/1996. Aduziu ainda que os rendimentos de aplicações financeiras em CDB foram apropriados mensalmente, em anoscalendário anteriores, em atendimento ao regime de competência tendo sido anexados os documentos de fls. 338/417, solicitando, diligência para comprovar o seu direito. A 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 418 a 424, indeferiu a solicitação da contribuinte, assinalando que de início seria importante observar que a contribuinte somente ofertou defesa quanto à glosa do IRRF em razão do não oferecimento da totalidade dos rendimentos de aplicações financeiras respectivas, do que resulta que somente apreciouse a redução do saldo negativo do IRPJ produzido no ano calendário 2002. Marcados estes limites objetivos, frisou a decisão recorrida que a contribuinte procedeu a compensações por intermédio de Declarações de Compensações, em formulário e eletrônicas, sendo que o crédito oferecido à compensação pelo sujeito passivo deve líquido e Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.721746/201026 Acórdão n.º 1301001.320 S1C3T1 Fl. 3 3 certo e que verificada a não existência de parte ou mesmo a totalidade do crédito, pela Autoridade Administrativa, cumpre ao contribuinte a comprovação do direito alegado, cuja negativa restou demonstrada no despacho decisório. No tocante ao pedido de diligência, observou a decisão recorrida que o pleito foi genérico e sem a formulação de quesitos, sendo que a comprovação deveria ser feita com a escrituração, documentos suporte e demonstrativos aptos a provar o alegado, devendose lembrar o que dispõe o art. 264 do RIR/1999. Quanto à glosa de IRRF, assentou a decisão recorrida que haveria norma específica prevendo a necessidade da exigência dos comprovantes de retenção emitidos em nome do contribuinte pela fonte pagadora dos rendimentos, para fins de compensação na declaração de rendimentos da pessoa jurídica, a saber, o art. 55 da Lei nº 7.450/1985, reputando que os julgadores administrativos estão adstritos ao cumprimento da lei. No mais, registrou que o oferecimento das receitas é requisito de dedutibilidade do IRRF na determinação do imposto a pagar, conforme apontou o despacho decisório (art. 231 do RIR/l999) e que as receitas, dependendo do caso, devem ser oferecidas por regime de caixa ou de competência, sendo por regime de caixa, a comprovação depende de verificarse a linha da DIPJ em que a receita foi oferecida, discriminandose, se necessário, os diversos tipos de rendimentos nela informados, com cópia da escrituração apta a tal fim e, se for por regime de competência, para possibilitar a verificação da efetiva tributação, além da composição da linha da DIPJ em que foi informada a receita, haveria a necessidade, em linhas gerais, da apresentação de memórias de cálculo da apropriação das receitas informadas na linha em questão, individualizadas por aplicação/rendimento e/ou por banco, das quais constem a data da aplicação, resgate e as regras da aplicação (bases de cálculo, juros, correção, tipo de IRRF), ou documentos equivalentes emitidos pelos bancos ou pessoas jurídicas retentoras; comprovação da escrituração, com totalizações, por período de apuração; comprovação da inclusão das receitas na apuração do lucro líquido e na DIPJ; e demais documentos que dessem suporte à contabilização. Segundo a decisão recorrida, essa comprovação deve ser feita para todos os períodos em que esse oferecimento afetou o resultado e, portanto, em tese haveria que concordar com a possibilidade de se oferecer rendimentos de aplicações financeiras, a depender de comprovação, entretanto, para o caso concreto, analisandose os documentos juntados verificou a decisão recorrida que se trata somente de cópias do razão emitidas a partir de sistema eletrônico em 2008 e 2009, sem a devida apresentação da documentação suporte (informes, extratos do banco retentor, contratos, planilhas, etc) e que não foram apresentados, ademais, demonstrativos que permitam realizar a análise e correlação dos valores constantes da escrituração e informados na DIPJ, ano a ano. Concluiuse assim, que deixouse de comprovar os valores informados em DIPJ que compuseram as demais receitas financeiras ali oferecidas e que não houve a apresentação dos informes de rendimentos relativos às operações em comento, conforme alegado e que estaria comprovado o oferecimento das receitas conforme alegado. A contribuinte foi devidamente notificada (fl. 435 em diante), e apresentou Recurso Voluntário (fls. 698 – 703), que primitivamente não fora processado, situação que foi corrigida pelo Memorando de folha 678. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Em sua peça recursal a contribuinte insiste que o fundamento para o reconhecimento parcial do seu direito creditório não subsiste, porquanto já havia apropriado em seu resultado os rendimentos mensais decorrentes das aplicações em renda fixa, oferecendo esses valores à tributação do IRPJ e da CSLL, aduzindo que a DRJ, apesar de concordar com a argumentação jurídica, manteve a decisão da DERAT, por entender que a Recorrente não provou o oferecimento das receitas financeiras, ocorrendo, todavia, que já teria demonstrado didaticamente o oferecimento à tributação das receitas, comprovando o indébito e, por consequência, sendo merecedora da devolução do saldo negativo de IRPJ. Tornou a argumentar que o cerne da demanda cingese na suposta ausência de direito creditório decorrente do saldo negativo de IRPJ, em razão do equivocado entendimento fazendário de que a empresa não tributou todos os rendimentos de aplicações financeiras recebidos, portanto, não fazendo jus à dedução integral do respectivo valor do IR/Fonte, insistindo ainda, que ofereceu à tributação todos os rendimentos decorrentes da aplicação em CDB, só que em anoscalendário anteriores — o que em hipótese alguma pode ser utilizado como argumento para indeferir a pretensão da Recorrente, sendo que a prova da tributação foi feita pela Recorrente por meio dos documentos e esclarecimentos prestados. Segundo a recorrente, nos anoscalendários anteriores a 2002, reconheceu e ofereceu à tributação às variações positivas de suas aplicações financeiras, independentemente de ter sofrido retenções de IRRF (tributação segundo o regime de competência) e, por ocasião do resgate das aplicações (regime de caixa), a sofreu retenção de IRRF sobre o montante total creditado pelas instituições financeiras, não obstante parte desse valor, no passado, já ter sido submetida à tributação. Argumentou que caso se estivesse diante de ganhos financeiros auferidos por uma pessoa física ou por uma pessoa jurídica optante pelo reconhecimento dos rendimentos com base no regime de caixa (lucro presumido), não haveria qualquer divergência entre as informações lançadas na declaração de rendimento dos beneficiários versus os dados constantes dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, sendo evidente, todavia, que, no caso de uma pessoa jurídica submetida à tributação pelo regime de competência (como é o caso da Recorrente), sempre haverá esse descompasso de informações, no caso de resgate de aplicações financeiras em exercícios seguintes, porém, em hipótese alguma, esse desencontro de informações pode ser utilizado como subterfúgio para tolher o direito ao aproveitamento do IRRF retido do beneficiário. Seguiu argumentando que para que não restem dúvidas acerca do seu direito de aproveitarse integralmente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, passaria a demonstrar, a tributação das receitas financeiras auferidas no anocalendário de 2001 (sendo que igual raciocínio deve ser desenvolvido para os anos anteriores) e que essa demonstração permitirá visualizar que, no ano de 2001, a Recorrente tributou receita financeira em montante maior do que seria devido de acordo com as retenções sofridas, antecipando a tributação sobre rendimentos financeiros que apenas em 2002, foram resgatados. Nesse propósito, insistiu que conforme se depreende da "Ficha 6A Demonstração do Resulta" da DIPJ anocalendário 2001, exercício 2002 (folha 24 do PA), especificamente na linha 24, a Recorrente ofereceu à tributação, a título de receitas financeiras, a quantia de R$ 4.127.140,30. Essa informação está expressamente consignada às folhas 24 do presente PA. Na "Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real” (folha 30 do PA), especificamente na linha 13, a Recorrente sofreu retenção de IRRF de apenas R$ 43.611,00. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.721746/201026 Acórdão n.º 1301001.320 S1C3T1 Fl. 4 5 Do cotejo entre essas informações, segundo reputa a recorrente, constatase que no ano de 2001, tributou ganhos financeiros de RS 4.127.140,30, enquanto que o IRRF aproveitado (referente a essa receita) foi de apenas RS 43.611,00 e nesse contexto, considerando que a alíquota de IRRF aplicável (20%), inferese que o IRRF que poderia ser aproveitado nos anos seguintes — sem a necessidade de nova tributação — corresponde a R$ 3.909.085,30. Apresentou o seguinte quadro demonstrativo: Receita financeira tributada (Ficha 6 A DIPJ Linha 24) A R$ 4.127.140,30 IRRF aplicável sobre a receita financeira total B = A x 20% R$ 825.428,06 IRRF retido (Ficha 12ª DIPJ – Linha) C R$ 43.611,00 IRRF aproveitado a menor D = B – C R$ 781.817,06 Receita financeira já tributada, mas que ainda não sofreu incidência de IRRF E = A – F R$ 3.909.085,30 Receita financeira que já sofreu retenção de IRRF F = C ÷ 20% R$ 218.055,00 Reputou, destarte, que no ano de 2002, caso, por exemplo, resgatasse integralmente suas aplicações financeiras remanescente (receita total R$ 4.127.140,30 receita já resgatada R$ 218.055,00 = R$ 3.909.085,30), ela sofreria uma retenção de R$ 781.817,60 (R$ 3.909.085,30 x 20% = regime de caixa), mas não deveria adicionar essa receita de RS 3.909.085,30 na linha 24 "Receitas Financeiras" da DIPJ, uma vez que este montante já fora devidamente tributado (regime de competência), concluindo ser esta a hipótese dos autos, porquanto dentro do montante desprezado pela autoridade administrativa no Despacho Decisório, em relação ao ano de 2002, R$ 4.257.006,69, estão contidos estes R$ 3.909.085,30 tributados antecipadamente em 2001 e que a parcela restante da receita financeira foi tributada em anos anteriores a 2001, seguindo a mesma sistemática aplicável para o anocalendário de 2001. Diante dos esclarecimentos acima prestados, pugnou pelo provimento do seu recurso e a consequente reforma da decisão proferida pela DRJ. É o relatório. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Extraise do presente processo, que versa declarações de compensação apresentada pela ora recorrente com a indicação de pretenso saldo negativo relativo à CSLL do anocalendário 2001 e ao IRPJ do anocalendário 2002. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, em análise primitiva do feito, pelo Despacho Decisório de folhas 136 a 145, para o ano de 2001 a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório no valor pleiteado, reduzindo o montante a ser utilizado em virtude de compensações realizadas em DCTF no anocalendário de 2002, porém, o alegado saldo negativo de 2002 – IRPJ, foi reconhecido apenas o valor de R$ 545.263,67, glosando o IRRF deduzido na apuração do IRPJ em razão de não se verificar o oferecimento à tributação da totalidade dos rendimentos de aplicações financeiras recebidos no decorrer do exercício, ou seja, por não ter oferecido à tributação todos os valores relativos às receitas financeiras "auferidas", atestouse que a Recorrente não possuiria o direito de se aproveitar integralmente do IRRF considerado. Com também já relatado, a decisão ora recorrida reafirmou este fundamento, conquanto tenha reconhecido que as receitas, dependendo do caso, devem ser oferecidas por regime de caixa ou de competência, de sorte que em tese, concordaria com a possibilidade de se oferecer rendimentos de aplicações financeiras, a depender de comprovação, sendo, entretanto, que analisandose os documentos juntados verificava que se trata somente de cópias do razão emitidas a partir de sistema eletrônico em 2008 e 2009, sem a devida apresentação da documentação suporte (informes, extratos do banco retentor, contratos, planilhas, etc), considerando assim, que não foram apresentados, ademais, demonstrativos que permitam realizar a análise e correlação dos valores constantes da escrituração e informados na DIPJ, ano a ano. A contribuinte tem sustentado, desde os primitivos arrazoados, que a glosa aos valores de IRRF utilizados na apuração do IRPJ em questão não subsiste, porquanto já havia apropriado em seu resultado os rendimentos mensais decorrentes das aplicações em renda fixa, oferecendo esses valores à tributação do IRPJ e da CSLL, aduzindo ainda, que a DRJ chegou a concordar com a argumentação jurídica da Recorrente, mantendo a decisão da DERAT, apenas por entender que a Recorrente não provou o oferecimento das receitas financeiras. Em resumo, portanto, insiste a recorrente que ofereceu à tributação todos os rendimentos decorrentes da aplicação em CDB, só que em anoscalendário anteriores, situação que não poderia obstar sua pretensão. Adianto que a decisão recorrida está a merecer reforma e não subsiste, portanto, a glosa imposta na apuração do saldo negativo indicado pela contribuinte. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.721746/201026 Acórdão n.º 1301001.320 S1C3T1 Fl. 5 7 Digo isso, porquanto a questão gira em torno da valoração das provas apresentadas, eis que a própria decisão recorrida indicou que o artigo 231 do RIR/99, assinala que para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Ou seja, reconheceuse, acertadamente neste ponto, que as receitas podem ser oferecidas por regime de caixa ou de competência e, sendo por regime de caixa, a comprovação depende de verificarse a linha da DIPJ em que a receita foi oferecida, discriminandose, se necessário, os diversos tipos de rendimentos nela informados, com cópia da escrituração apta a tal fim e sendo por regime de competência, para possibilitar a verificação da efetiva tributação, além da composição da linha da DIPJ em que foi informada a receita, haveria a necessidade, da apresentação dos demais elementos que deem suporte à contabilização. Até ai me parece acertado o cotejo realizado pela decisão recorrida, ouso divergir, no entanto, naquilo em que desconsiderou a escrituração da contribuinte como elemento apto a indicar que as receitas em questão foram oferecidas à tributação em anos calendário anteriores. Tem justificado a contribuinte, que nos anoscalendários anteriores a 2002, reconheceu e ofereceu à tributação às variações positivas de suas aplicações financeiras, independentemente de ter sofrido retenções de IRRF e, somente por ocasião do resgate das aplicações, foi que sofreu a retenção de IRRF sobre o montante total creditado pelas instituições financeiras não obstante parte desse valor, nos anos pretéritos, já ter sido submetida à tributação. Ou seja, diante da justificativa apresentada pela contribuinte, não era mesmo possível que a decisão recorrida exigisse informes de rendimentos, comprovantes de retenção ou coisa que o valha, dos anos anteriores, quando a própria contribuinte alegava que realizou ofereceu as tais receitas à tributação pelo regime de competência e somente em 2002 foi que resgatou a aplicação e teve, efetivamente, retidos os valores. Sendo assim, era exatamente a escrituração apresentada pela contribuinte (fls. 338 a 417) que permitia tal verificação. Novamente assiste razão à contribuinte ao afirmar que no caso de uma pessoa jurídica submetida à tributação pelo regime de competência, sempre haverá esse descompasso de informações, no caso de resgate de aplicações financeiras em exercícios seguintes, no entanto, esse desencontro de informações não indica ausência de certeza e liquidez. Assento em conclusão, que a contribuinte podia aproveitarse integralmente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, porquanto tributou as receita financeira em montante maior do que seria devido de acordo com as retenções sofridas, antecipando a tributação sobre rendimentos financeiros que apenas em 2002, foram resgatados. Verifiquese o exemplo trazido pela contribuinte em seu Recurso Voluntário: (...) Pois bem. Conforme se depreende da "Ficha 6A Demonstração do Resultado" da DIPJ anocalendário 2.001, exercício 2.002 (folha 24 do PA), especificamente na linha 24, a Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Recorrente ofereceu à tributação, a título de receitas financeiras, a quantia de RS 4.127.140,30. Essa informação está expressamente consignada às folhas 24 do presente PA. Na "Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (folha 30 do PA), especificamente na linha 13, a Recorrente sofreu retenção de IRRF de apenas R$ 43.611,00. Do cotejo entre essas informações, constatase que, no ano de 2001, a Recorrente tributou ganhos financeiros de RS 4.127.140,30, enquanto que o IRRF aproveitado (referente a essa receita) foi de apenas RS 43.611,00. Nesse contexto, considerando que a alíquota de IRRF aplicável (20%), inferese que o IRRF que poderia ser aproveitado nos anos seguintes — sem a necessidade de nova tributação — corresponde a R$ 3.909.085,30. (...) Atentese agora ao quadro demonstrativo elaborado: Receita financeira tributada (Ficha 6 A DIPJ Linha 24) A R$ 4.127.140,30 IRRF aplicável sobre a receita financeira total B = A x 20% R$ 825.428,06 IRRF retido (Ficha 12ª DIPJ – Linha) C R$ 43.611,00 IRRF aproveitado a menor D = B – C R$ 781.817,06 Receita financeira já tributada, mas que ainda não sofreu incidência de IRRF E = A – F R$ 3.909.085,30 Receita financeira que já sofreu retenção de IRRF F = C ÷ 20% R$ 218.055,00 Diante disso, de rigor reconhecer que no ano de 2002, caso a Recorrente, por exemplo, resgatasse integralmente suas aplicações financeiras remanescente (receita total R$ 4.127.140,30 receita já resgatada R$ 218.055,00 = R$ 3.909.085,30), ela sofreria uma retenção de R$ 781.817,60 (R$ 3.909.085,30 x 20% = regime de caixa), mas não deveria adicionar essa receita de RS 3.909.085,30 na linha 24, "Receitas Financeiras" da DIPJ, uma vez que este montante já foi devidamente tributado no regime de competência. Sendo assim, entendo que a decisão recorrida está a merecer reforma, porquanto justificou a recorrente o oferecimento à tributação dos valores que compuseram a formação do saldo negativo indicado à compensação, razão pela qual encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.721746/201026 Acórdão n.º 1301001.320 S1C3T1 Fl. 6 9 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 06/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10920.911350/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 50 /2 01 2- 17 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 274,94, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 13/06/2003. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório.. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911350/201217 Acórdão n.º 3803005.300 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/68[6] reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro · Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911350/201217 Acórdão n.º 3803005.300 S3TE03 Fl. 50 5 Se o cálculo do ICMS fosse por fora · O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS à parte do faturamento: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911350/201217 Acórdão n.º 3803005.300 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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