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Numero do processo: 11080.935288/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 52 88 /2 00 9- 55 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935288/200955 Acórdão n.º 3803005.982 S3TE03 Fl. 482 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 10 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935288/200955 Acórdão n.º 3803005.982 S3TE03 Fl. 483 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935288/200955 Acórdão n.º 3803005.982 S3TE03 Fl. 484 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935288/200955 Acórdão n.º 3803005.982 S3TE03 Fl. 485 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935288/200955 Acórdão n.º 3803005.982 S3TE03 Fl. 486 11 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13807.010403/00-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETO-LEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO.
A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decreto-lei n.º 1.510, de 1976, da condição de isenção por ele implementada, de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, não perfaz a hipótese de incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Direito adquirido do contribuinte, devendo ser reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária perpetrado pelo Recorrente (art. 5º, XXXVI, da Constituição; art. 6º, caput e §2º, da LINDB; e art. 178 do Código Tributário Nacional).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Redator-Designado
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETOLEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei n.º 1.510, de 1976, da condição de isenção por ele implementada, de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, não perfaz a hipótese de incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Direito adquirido do contribuinte, devendo ser reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária perpetrado pelo Recorrente (art. 5º, XXXVI, da Constituição; art. 6º, caput e §2º, da LINDB; e art. 178 do Código Tributário Nacional). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 04 03 /0 0- 15 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – RedatorDesignado EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata o processo, de pedido de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, incidente sobre ganho de capital obtido na alienação de ações, adquiridas na vigência do Decretolei n° 1.510, de 1976. Em sessão plenária de 26/04/2007, foi julgado o Recurso Voluntário 154.087, prolatandose o Acórdão 10248.473 (fls. 285 a 299), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário:1995 Ementa: IRPF —PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 – Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art.4°, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de n° 7.713, em decorrência do direito adquirido (Acórdão n° CSRF/0400.215, de 14/03/2006). Recurso provido.” Cientificada do acórdão em 18/02/2008 (fls. 300), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 303 a 310, com fundamento no art. 7º, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 442 3 inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, vigente à época. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega contrariedade aos artigos 144 e 178 do CTN, bem como à Lei n° 7.713, de 1988, que revogou o artigo 4° do DecretoLei nº 1.510, de 1976. Ao recurso foi dado seguimento, conforme Despacho 335, de 22/04/2008 (fls. 311/312). O recurso contém os seguintes argumentos, em síntese: inicialmente, é oportuno salientar que, à época do fato gerador, já não vigia o art. 4° do DecretoLei nº 1.510, de 1976, que fora revogado pela Lei n° 7.713, de 1988, portanto aplicar o referido DecretoLei ao presente caso afronta o art. 144 do Código Tributário Nacional, que dispõe: "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." portanto, considerando que o fato gerador ocorreu a partir de 1995, não mais existia no ordenamento o art. 4° do DecretoLei nº 1.510, de 1976; assim, plenamente possível a incidência de IRPF na operação de alienação de participações societárias do Contribuinte por oportuno, cabe tecer algumas considerações que indicam a inconsistência dos argumentos lançados pelo Contribuinte; o dispositivo legal que o Contribuinte alega amparar sua pretensão é o art. 4°, "d", do DecretoLei nº 1510, de 1976, que estabelece: "Art. 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. (...) Art. 4°. Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1°: a)nas negociações, realizadas em Bolsa de Valores, com ações de sociedades anônimas; d)nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação." o cerne da questão apresentada está na norma prevista no art. 178 do Código Tributário Nacional, que diz: "Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar n° 24, de 7.1.1975)" Fl. 443DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 assim, alguns aspectos devem ser observados, pois apontam a improcedência dos argumentos do Contribuinte; primeiro, observase que a isenção, para não ser alterada ou revogada a qualquer tempo, deve ser instituída com dois requisitos: a) ser concedida por prazo certo; e b) ser concedida em função de determinadas condições; portanto, para que a isenção não seja revogada a qualquer tempo é absolutamente necessário que tenham sido atendidos esses dois requisitos (cita doutrina de José Souto Maior Borges); no caso da isenção pretendida pelo Contribuinte, mesmo que se considere como tendo sido concedida sob certas condições (o que não ocorreu conforme demonstrarseá a seguir) não houve a fixação de prazo certo; o prazo de cinco anos indicado no dispositivo legal é prazo em que o contribuinte deverá permanecer na propriedade das ações e não o prazo de duração da isenção; se a isenção alegada pelo Contribuinte tivesse sido concedida por prazo certo não haveria, talvez, a necessidade de revogála expressamente na Lei 7713/88, ou seja, se fosse isenção por prazo certo, ultrapassados os cinco anos contados de 1976 (ano do Decreto Lei nº 1.510, com que a autora fundamenta sua pretensão) não estaria mais em vigor a isenção; a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem reconhecendo cumulativa desses dois requisitos, conforme se observa na seguinte decisão: "RE 71381 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRA ORDINÁRIO Relator(a): Min. BILAC PINTO Julgamento: 27/09/1971 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Publicação DJ 12111971 PP Ementa ISENÇÃO TRIBUTARIA. INTERPRETAÇÃO DO ART. 178 DO COD. TRIBUTÁRIO NACIONAL. ISENÇÃO CONCEDIDA POR PRAZO CERTO E SOB CONDIÇÃO ONEROSA. SÚMULA 544. PROVIDO O RECURSO DA CIA. TELEFÔNICA BRASILEIRA é relevante mencionar que a isenção postulada pelo Contribuinte não pode ser considerada como isenção "condicionada" ou "onerosa"; com efeito, para se habilitar ao gozo desta espécie de isenção condicionada, o contribuinte deve cumprir certo número de requisitos onerosos, geralmente ligados a investimentos em áreas industriais, agrícolas, etc. (cita doutrina de Luciano Amaro); como se vê, a isenção condicionada é um instrumento posto à disposição do Estado, para estimular o contribuinte à prática de certa atividade industrial, de interesse público; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 443 5 portanto, o instituto da isenção condicionada nada tem a ver com a estipulação, pela lei, de condições para o gozo de isenção pelo contribuinte, quando essas condições não são onerosas e não se referem à prática de investimentos ou atividades de interesse público, etc, pelo contribuinte; assim, se existe uma espécie de "direito adquirido" do contribuinte à não revogação da norma que lhe concedeu a isenção condicionada, face haver incorrido em onerosos investimentos e atividades estimuladas e previstas em lei, não se pode dizer o mesmo das isenções não condicionadas, que não geram nenhum "direito adquirido"; evidente que a edição do art. 40 do DecretoLei nº 1.510, de 1976, que não tem natureza de isenção condicionada, consoante o disposto no art. 178 do CTN, não proporciona ao Contribuinte qualquer "direito adquirido" à isenção do imposto em tela (cita doutrina de José Souto Maior Borges); cabe novamente mencionar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal na seguinte decisão: "RE 82201 / GO GOIÁS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. CORDEIRO GUERRA Julgamento: 31/10/1975 Órgão Julgador: SEGUNDA TU Publicação DJ 26121975 PP***** RTJ VOL0007703 PP00952 Ementa AÇÃO RESCISÓRIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE INTENTA O REEXAME DO MÉRITO. INADMISSIBILIDADE. SOMENTE AS ISENÇÕES TRIBUTÁRIAS CONCEDIDAS, SOB CONDIÇÃO ONEROSA, NÃO PODEM SER LIVREMENTE SUPRIMIDAS. SÚMULA 544. ISENÇÕES DEPENDENTES DO IMPLEMENTO DE CIRCUNSTANCIAS ESPECIAIS NÃO VERIFICADAS, NÃO PREVALECEM, AINDA QUE 'CONCEDIDAS A PRAZO CERTO ART. 178 DO CTN." Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, bem como do despacho que lhe deu seguimento, em 02/06/2008 (fls. 315), a Contribuinte ofereceu, em 17/06/2008, as ContraRazões de fls. 317 a 339, aduzindo o seguinte: trata o presente processo, de pedido de restituição, relativamente aos valores recolhidos indevidamente a título de Imposto de Renda Pessoa Física, incidentes sobre o ganho de capital na venda de participação societária no ano de 1995; Fl. 445DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 tal pedido se justifica pelo fato de a participação societária alienada ter sido adquirida anteriormente ao prazo de 5 anos a contar da vigência da Lei 7.713, DE 1988 e, assim sendo, a alienante detinha o direito à nãoincidência do IRPF conferida pelo DecretoLei nº 1.510, de 1976, art. 40, letra "d"; em outras palavras, os recolhimentos são indevidos em razão do direito adquirido à não. incidência do IRPF na alienação da participação societária a participação societária em questão foi adquirida anteriormente ao prazo de cinco anos a contar da vigência da Lei nº 7.713, de 1988, por isso a Contribuinte tinha o direito à nãoincidência do IRPF, prevista no DecretoLei nº 1.510, de 1976, art. 4°,"d"; com efeito, o DecretoLei nº 1.510, de 1976 previa, em seu art. 4°, algumas hipóteses de nãoincidência do Imposto de Renda da Pessoa FísicaIRPF, dentre as quais destacase a da alínea "d", que tratava do caso em tela; notese, portanto, que o comando legal acima cuidava de hipóteses de "não incidência" do imposto e não de isenção, como mencionado equivocadamente pela Recorrente; a posterior norma sobre o IRPF (Lei nº 7.713, de 1988), estabeleceu indistintamente a incidência para ganho de capital; ao contrário do que se pode imaginar, não se revogou a nãoincidência, mas instituiuse a tributação nos casos do art. 4° do DecretoLei nº 1510, de 1976; cabe lembrar, por oportuno, que na situação do benefício de redução do IRPF na venda de imóvel conforme o prazo (5% ao ano) em que permaneceu em domínio do contribuinte, o direito até então adquirido foi respeitado pela Lei nº 7.713, de 1988 (art. 26); esqueceuse, contudo, o legislador da Lei 7.713, de 1988, de preservar o direito do contribuinte que já havia cumprido a condição prevista no art. 4°, "d", do Decreto Lei nº 1510, de 1976; considerando que a subscrição ocorreu em 1982 (com integralização até janeiro/83), é evidente que a Recorrente havia cumprido, antes da mudança da regra (31/12/1988, com a Lei nº 7.713, de 1988), a condição para que o IRPF não incidisse sobre o ganho de capital na venda de suas quotas, qual seja: alienar a participação após 5 anos de sua subscrição ou aquisição (passaram mais do que 5 anos entre a doação das ações e a entrada em vigor da Lei nº 7.713, de 1988); portanto, se cumprida a condição dos cinco anos, tinha a Contribuinte o direito adquirido de não recolher o imposto na ocasião da venda das ações correspondentes à sua participação; a nãoincidência do IRPF, depois de cumprida a condição do DecretoLei nº 1.510, de 1976 (art. 4°, "d"), passou a fazer parte do patrimônio da Recorrida, e, com base no comando constitucional do respeito ao direito adquirido, não há como incidir o tributo, independentemente do momento da venda, portanto o direito à não incidência é patente, não podendo, pois, prevalecer os argumentos distorcidos da Recorrente. ao contrário do que entendeu a Recorrente, o direito adquirido à "não incidência" do IRPF em comento é plenamente garantido à Recorrida. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 444 7 é cediço que a Carta Magna assegura, em suas cláusulas pétreas, que não podem ser alteradas sequer por Emenda Constitucional (artigo 60, § 4º, IV), que: "Art. 5° (...) XXVI A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada." (grifouse) verificase que estão relacionados na Lei Maior os direitos fundamentais do cidadão, que devem ser respeitados por toda a coletividade, incluindose as pessoas políticas (União, Estados, Distrito Federal e Municípios); observase, ainda, que está inserida, entre essas garantias fundamentais, o "direito adquirido"; desnecessário aduzir que o art. 5º da Constituição Federal tutela os bens da vida mais preciosos dos cidadãos, isto é, os direitos que são inatos, inalienáveis, irrenunciáveis, imprescritíveis e invioláveis; A Lei de Introdução ao Código Civil recepcionada pela Constituição Federal de 1988 — também cuidou de consagrar o direito adquirido: "Art. 6° A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, direito adquirido e a coisa julgada. § 1° Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. § 2° Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém que por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (grifouse)” assim, sob os prismas constitucional e legal, direito adquirido é definido como aquele que pode ser exercido a qualquer momento pelo seu titular, não podendo norma superveniente causar prejuízo àquela situação jurídica verificada e incorporada ao respectivo patrimônio sob a égide da norma anterior (cita doutrina de José Afonso da Silva, de Plácido e Silva e Maria Helena Diniz);. concluise assim que, quando alguém adquire na vigência de determinada norma certo direito, este é incorporado ao patrimônio subjetivo de seu titular, que pode ou não exercêlo; de modo que, o advento de nova norma não atinge o status por ele conquistado; em outras palavras, o não exercício do direito não significa que tenha este perecido por ocasião da nova ordem normativa (cita doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello); no caso em apreço, ao preencher o critério necessário ao direito à não incidência do IRPF, qual seja, propriedade, pelo prazo de 05 anos, da participação societária, a Recorrida cumpriu a condição indispensável e necessária ao usufruto da intangibilidade fiscal; Fl. 447DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 à, evidência, a partir do lapso temporal de cinco anos, o direito a "não incidência" do IRPF integrou o patrimônio da Recorrente, não podendo, assim, ser violado por uma nova ordem normativa; não há também como prosperar o entendimento da Recorrente de que a Recorrida teria que obedecer simplesmente a Lei n° 7.713, de 1988, vigente à época da venda, com base no art. 144 do CTN, como se o direito a não incidência de IRPF até então fosse apenas "expectativa de direito"; Nas palavras do Professor Carlos Maximiliano, a expectativa de direito "se verifica toda vez que um direito desponta porém lhe falta algum requisito para se completar”. Não se trata, então, de um direito definitivo, mas de uma aspiração; assim, para se concluir pela "expectativa de direito", há que se partir da premissa de que houve falta de preenchimento de requisito legal para a apropriação desse mesmo direito; trazendo tais preceitos para o caso concreto, verificase que no momento em que a Recorrida alienou a sua participação societária, estavam plenamente preenchidos todos os requisitos legais para a fruição do direito a "nãoincidência" do IRPF incidente sobre o respectivo ganho de capital, haja vista que a única condição indispensável prevista legalmente para tal era a titularidade da participação societária por 5 anos, nada mais. o direito a nãoincidência no presente caso deuse com o transcorrer do prazo de cinco anos em que a Recorrida permaneceu com a titularidade das ações, única condição estabelecida no Decreto Lei nº 1.510, de 1976; diante disso, a Recorrida poderia exercer tal direito a qualquer tempo; ou seja, a nãoincidência do IR seria verificada quando ela alienasse sua participação societária, que poderia ocorrer até mesmo após o advento da Lei n° 7.713, de 1988; na verdade, o que se vê é que a Recorrente, ao interpretar e aplicar o art. 144 do CTN ao caso concreto, confundiu o tempo de aquisição do direito da Recorrida com o de seu exercício; é justamente por isso, para não macular o direito que se encontra nas mãos do cidadão, mas que pode ser exercido a qualquer tempo, que a CF/88 garante que a norma superveniente não pode alterar o direito adquirido na constância da regra anterior; evidente, pois, que a Recorrida possui o direito adquirido à nãoincidência do IR sobre ganho de capital na venda de suas ações e não uma mera expectativa de direito, como entendido equivocadamente pela Recorrente; tal assertiva é confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do E. Conselho de Contribuintes (cita jurisprudência ); ainda nesse diapasão, há também que ser afastado o entendimento da Recorrente de que a Recorrida não teria direito a não incidência do IR porque a lei vigente na data de ocorrência da alienação assim o determinava; aqui, o equívoco da Recorrente cingese à falta de distinção dos conceitos de "direito adquirido" e "direito consumado"; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 445 9 conforme acima dito; o direito adquirido prestigia o direito nascido em dado momento, segundo a lei então vigente, mas que poderá ser exercido posteriormente, ainda que sob a égide da nova lei; o direito consumado, por sua vez, é aquele que se esgotou por já ter sido adquirido e exercido na vigência dessa mesma lei; pensar na forma da Recorrente é negar a própria existência do direito adquirido, pois sob seu ponto de vista o direito deveria ser adquirido (5 anos de propriedade) e consumado (alienação da participação societária) na vigência do Decreto Lei n.° 1.510, de 1976, para que a Recorrente pudesse fazer jus nãoincidência do IRPF; no Acórdão CSRF/0102.964, restou também afastado o equívoco cometido pela Fazenda Nacional quanto à distinção desses conceitos: "É o que acontece no caso, a lei previa uma hipótese de exclusão de incidência de imposto de renda, para o caso de alienação de participações societárias, que consistia no implemento de um prazo durante o qual ela devia permanecer na propriedade do contribuinte, findo o qual passava a ter o gozo de um benefício estipulado por lei, e o mesmo tinha inteira liberdade para exercêlo, sem prazo específico para fazêlo. A partir do momento em que se implementou este prazo, que era uma condição imposta pela lei, adquiriu o contribuinte o direito de ter a nãoincidência do imposto de renda sobre a operação que realizasse. (..) Ou seja, a aquisição do direito é um fato independente do seu exercício após a sua aquisição." (grifos nossos) em outras palavras, a prevalecer o entendimento da Recorrente estarseá retirando a expressão "direito adquirido" do art. 5º, inciso XXXVI, da Carta Magna, visto que ela equipara tal conceito com o de direito consumado, um verdadeiro absurdo, para se dizer o menos; demais disso, não se pode desprezar que o ordenamento jurídico exige a compatibilidade entre as normas positivas que o integram, seja no plano vertical, numa relação de subordinação, ou no plano horizontal, numa relação de coordenação. partindo desse princípio é que se deve aplicar o art. 144, do CTN, que deve conviver necessária e harmoniosamente com o art. 5°, inciso XXXVI, da CF/88, e art. 6°, Lei de Introdução ao Código Civil; é com apoio nessa regra basilar de hermenêutica jurídica que o intérprete consegue vislumbrar os elementos de validade e eficácia de determinada norma perante todo o ordenamento jurídico e, conseqüentemente, aplicála aos fatos ocorridos no contexto social; assim, a regra da nãoincidência do IR deve ser analisada mediante a interpretação sistemática do Direito, e nesse sentido é o entendimento do E. Conselho de Contribuintes (cita jurisprudência); Fl. 449DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 não só pela interpretação integrada do comando legal, mas por uma questão de obediência ao princípio da legalidade, que rege a imposição tributária (art. 150, I, CF), é vedado exigir tributo sem lei que o estabeleça; alegações da Recorrente, importa dizer novamente que, no caso da Recorrida, houve a perfeita subsunção do fato ao conceito da norma de nãoincidência do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na venda de participação societária; é absolutamente inquestionável que qualquer direito que se encontre incorporado ao patrimônio do seu titular está resguardado pela garantia constitucional do inciso XXXVI do art. 5º) da CF/88 e da Lei de Introdução ao Código Civil, sendo, portanto, intocável e imune a qualquer fato ou norma que tente usurpálo; portanto, a Recorrente detém o direito à devolução dos valores recolhidos indevidamente a título de IRPF, uma vez que (i) na vigência do DecretoLei nº 1.510, de 1976, havia preenchido o requisito indispensável à garantia da nãoincidência do imposto na alienação de sua participação societária e (ii) tal direito não pode ser usurpado em razão da vigência da Lei nº 7.713, de 1988 . em todo o seu recurso a Recorrente distorce o objeto do processo, pois trata de "isenção" quando a norma que deflui do DecretoLei nº 1.510, de 1976, na verdade, é clara ao tratar de "nãoincidência"; já por essa dose abissal de distorção, que em nenhum momento foi justificada, é necessário afastar as razões maliciosas da Recorrente; com efeito, o DecretoLei nº 1.510, de 1976 previa no seu art. 4° hipótese de "nãoincidência" do Imposto, de Renda da Pessoa Física, dentre as quais destacase a da alínea "a", que tratava do caso em tela; repitase que o comando legal cuidava de hipótese de nãoincidência do imposto e não de isenção, como, inexplicavelmente, menciona a Recorrente; apesar do silêncio e distorção feita pela Recorrente, mister frisar, nesse sentido, que isenção e não incidência são conceitos absolutamente distintos e que não se confundem; como é cediço, a isenção; de forma geral, trata do afastamento ou exclusão da tributação de determinado fato anteriormente tributado, por intermédio exclusivo de Lei; na situação em apreço, temse que não se operou o fenômeno da isenção, já que o fato jurídico tributário impugnado jamais fora tributada até o advento da Lei n° 7.713, de 1988; nessa mesma linha de raciocínio, é lógico concluir que a Lei nº 7.713, de 1988 não cuidou de revogar uma isenção, mas, sim, de criar uma nova incidência, haja vista que o fato tributável ali descrito não era objeto de tributação à vigência do Decreto n° 1.510, de 1976; em sendo assim, o que ocorreu, na verdade, foi a tributação originária das alienações efetivadas depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação por intermédio da Lei n° 7.713, de 1988; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 446 11 a prescrição legislativa contida no art. 4º do Decreto n° 1.510, de 1976 foi expressa ao discriminar que a exclusão da tributação tratavase de hipótese de nãoincidência (cita doutrina de Hugo de Brito Machado); a não incidência não é sinônimo de isenção, como trata a Recorrente, no intuito de distorcer o objeto do processo e trazer dispositivos específicos sobre esse instituto ao caso em testilha; vêse que, ao contrário do que foi sustentado pela Recorrente, a situação ora tratada é de "não incidência" e não de isenção, motivo pelo qual suas razões são completamente despropositadas; diante disso e considerando que a Recorrida já era titular, em 1982, da participação alienada, é evidente que ela havia cumprido, antes da mudança da regra (31/12/1988, com a Lei nº 7.713, de 1988), a condição para que o IRPF não incidisse sobre o ganho de capital na venda de suas quotas; mesmo que a não incidência ora tratada fosse considerada isenção, o que se admite apenas por amor à argumentação, o Superior Tribunal de Justiça já assegurou que a condição de cinco anos de propriedade da participação, prevista pelo DecretoLei nº 1.510, de 1976, é suficiente para atender ao comando do art. 178 do CTN. "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI N. 1.510/76. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 7.713/88. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO. SÚMULA N. 544/STF." "1. Inserese no conceito de isenção condicionada ou onerosa a isenção do imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações (art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.510/76), pois concedida mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual sela: o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 2. Cumpridos os requisitos para o gozo da isenção condicionada, tem o contribuinte direito adquirido ao benefício fiscal. 3. "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas" (Súmula n. 544/STF)." 4. Recurso especial nãoprovido." (STJ, 2 Turma REsp 656.222 /RS — Rel. Min. João Otávio de Noronha — DJ 21.11.2005, pág. 185— grifouse) na esfera administrativa, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento estão em conformidade com o direito pleiteado pela Recorrida (cita jurisprudência da DRJ); no âmbito do Conselho de Contribuintes a situação é a mesma; quase a unanimidade das Câmaras entende que há direito adquirido na situação prevista no DecretoLei n° 1.510, de 1976: Fl. 451DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 "IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento de imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 14°, letra d, do DL 1.510/76, sendo 'irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n° 7.713/88. Recurso parcialmente provido." (Acórdão 10611.429, em 15.08.2000). essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuinte já encerrou a discussão há muito, corroborando o direito da Recorrida (cita jursiprudência); além de toda a jurisprudência administrativa acima, que é maciça, indo da Delegacia da Receita Federal de Julgamento à Câmara Superior de Recursos Fiscais, é preciso dizer que a jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça — STJ também é favorável à Recorrida: "RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONCEDIDA PELO DECRETOLEI N. 1.510/76, REVOGADA PELA LEI N. 7.713/88. (...) NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE." Implementada a condição pelo contribuinte antes mesmo da norma ser revogada, ainda que a alienação I tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há que se manter a norma isentiva. Incidência do enunciado da Súmula 5441STF. O fato do Fisco tributar os lucros auferidos pela alienação das ações albergadas pela isenção, juntamente com outras tributáveis, por si só, possui a virtude de comprometer todo o lançamento e afasta a possibilidade de nulidade parcial, relativamente a parcelas identificáveis e destacáveis do débito. (...)" (STJ, 2 Turma REsp 723508/RS — Rel. Min. Franciulli Netto pág. 347). Ao final, a Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 447 13 Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Trata o processo, de pedido de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, incidente sobre ganho de capital obtido na alienação de ações, adquiridas na vigência do Decretolei n° 1.510, de 1976. O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional por contrariedade à lei, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A questão a ser decidida, é se existiria direito adquirido ao benefício previsto no art. 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, no caso de alienação de participação societária que, embora tenha permanecido em poder da Contribuinte por cinco anos na vigência do citado DecretoLei, foi alienada já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, que, em seu art. 58, expressamente revogou dito dispositivo. Em sede de ContraRazões, a Contribuinte busca desqualificar o Recurso Especial da Fazenda Nacional, argumentando que esta teria utilizado erroneamente a expressão “isenção”, quando na verdade tratarseia de “não incidência” tributária. Ora, a Recorrente nada mais fez que acompanhar a interpretação esposada no próprio acórdão recorrido, que, logo na introdução, assim registra (fls. 291): “Conforme relatado, o litígio versa sobre pedido de reconhecimento de direito creditório sobre recolhimento de IRPF sobre ganho de capital obtido na alienação de ações, adquiridas antes de 1983, operação, que segundo o recorrente, seria isenta à luz do Decretolei nº 1.510/76, art. 4°, letra "d", por se tratar de direito adquirido.” (grifei) Se a distinção entre isenção e não incidência fosse efetivamente fundamental para o deslinde da controvérsia, como defende a Contribuinte, seria o caso de oposição de Embargos de Declaração para rediscussão da questão, porém isso não ocorreu. Ademais, concluindo o voto, o Relator cita julgado do Superior Tribunal de Justiça, que também entende que o art. 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, trata de isenção. Confirase (fls. 294): “O Superior Tribunal de Justiça STJ também já apreciou essa matéria,sendo que suas decisões ratificam o entendimento deste Conselho a exemplo de recente julgado, REsp 656222/RS de 25/10/2005, cuja ementa e acórdão abaixo transcrevo Ementa: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU Fl. 453DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 ONEROSA. DECRETOLEI N. 1.510/76. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 7.713/88. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO. SÚMULA N. 544/STF. I. Inserese no conceito de isenção condicionada ou onerosa a isenção do imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações (art. 4°, “d” do Decreto Lei n. 1.510/76), pois concedida mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 2. Cumpridos os requisitos para o gozo da isenção condicionada, tem o contribuinte direito adquirido ao beneficio fiscal. 3. Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas' (Súmula n. 544/STF). 4.Recurso especial nãoprovido.” Nas próprias ContraRazões, boa parte delas dedicadas a pontificar que o instituto analisado não é a “isenção”, e sim a “não incidência”, a Contribuinte cita jurisprudência administrativa que trata de isenção. Confirase às fls. 330/331 e 337: “Assim, a regra da nãoincidência do IR deve ser analisada mediante a interpretação sistemática do Direito. Nesse sentido, o entendimento do E. Conselho de Contribuintes: "INTERPRETAÇÃO DA NORMA TRIBUTARIA — ISENÇÕES – Na busca da decisão mais adequada deverá o aplicador da norma isentiva ponderar os valores envolvidos e construir a sua interpretação por meio da integração dos métodos literal, histórico, lógico, teleológico e sistemático, a fim de que na presença de uma aparente quebra da capacidade contributiva, da generalidade e da universalidade, sejam prestigiados os princípios da isonomia e da legalidade por eles se apresentarem com maior força no caso concreto, em respeito ao equilíbrio e à segurança das relações jurídicotributárias." (Ac. 10320650 — Sessão de 25.7.01 — g.n.).” (sublinhei) "IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento de imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 14°, letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n° 7.713/88. Recurso parcialmente provido." (Acórdão 10611.429, em 15.08.2000).” (sublinhei) Ainda nas ContraRazões, a Contribuinte colaciona jurisprudência do STJ, que interpreta o caso ora tratado como de isenção (fls. 335 e 338): Fl. 454DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 448 15 "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI N. 1.510/76. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 7.713/88. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO. SÚMULA N. 544/STF." "1. Inserese no conceito de isenção condicionada ou onerosa a isenção do imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações (art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.510/76), pois concedida mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual sela: o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 2. Cumpridos os requisitos para o gozo da isenção condicionada, tem o contribuinte direito adquirido ao benefício fiscal. 3. "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas" (Súmula n. 544/STF)." 4. Recurso especial nãoprovido." (STJ, 2 Turma REsp 656.222 /RS — Rel. Min. João Otávio de Noronha — DJ 21.11.2005, pág. 185— grifouse)” (sublinhei) "RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONCEDIDA PELO DECRETOLEI N. 1.510/76, REVOGADA PELA LEI N. 7.713/88. (...) NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE." Implementada a condição pelo contribuinte antes mesmo da norma ser revogada, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há que se manter a norma isentiva. Incidência do enunciado da Súmula 5441STF. O fato do Fisco tributar os lucros auferidos pela alienação das ações albergadas pela isenção, juntamente com outras tributáveis, por si só, possui a virtude de comprometer todo o lançamento e afasta a possibilidade de nulidade parcial, relativamente a parcelas identificáveis e destacáveis do débito. (...)" (STJ, 2 Turma REsp 723508/RS — Rel. Min. Franciulli Netto pág. 347)” (sublinhei) Destarte, tendo em vista que tanto o acórdão recorrido, como a jurisprudência administrativa, e até mesmo o Superior Tribunal de Justiça caracterizam a questão ora tratada como de isenção, não há qualquer impropriedade no Recurso Especial da Fazenda Nacional. Aliás, o posicionamento do STJ, favorável ao cancelamento da exigência, ancorase exatamente no fato de tratarse de isenção, entendendo o Tribunal que o dispositivo do DecretoLei nº 1.510, de 1976, abrigaria uma isenção condicionada. Analisando a questão sob o ponto de vista da isenção, trago à colação o brilhante voto proferido no Acórdão 2201001.831, julgado em 16/10/2012, da lavra do Ilustre Fl. 455DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cujos fundamentos ora adoto como razões de decidir: “No caso específico das isenções, inclusive, o CTN dispõe expressamente que estas podem ser revogadas ou modificadas, por lei, desde que não tenham sido concedidas em função de determinadas condições e por prazo certo. É o que reza o art. 178, verbis: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Em nota de rodapé, o Ilustre Conselheiro traz informação essencial: “É interessante notar, inclusive, que a redação atual do art. 178 do CTN foi determinada pela Lei Complementar nº 24, de 07 de janeiro de 1975. Na redação anterior, onde hoje está dito "...por prazo certo e em função de determinadas condições....", havia "...por prazo certo ou em função de determinadas condições....", o que deixa inequívoca a intenção do legislador de exigir as duas condições, cumulativamente.” Assim, o benefício ora tratado não constitui, em absoluto, uma isenção condicionada, já que não foram atendidos os dois requisitos para tal – prazo certo e determinadas condições – como requer expressamente o artigo 178 do CTN. E segue o Conselheiro: “Como se vê, o cerne da questão em debate neste processo é se o Contribuinte teria, ou não, o direito adquirido à não incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na alienação de participação societária, considerando a situação fática em que, quando da alienação, já havia transcorrido cinco anos da aquisição da participação societária, conforme exigia o art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976, posteriormente revogado pela Lei nº 7.713, de 1988, considerando que a alienação se deu já na vigência dessa última Lei. (...) O que se discute é qual a legislação aplicável ao caso, se a revogada, considerandose, nessa hipótese, que a Contribuinte adquiriu o direito à não incidência após cinco anos de posse da participação societária; ou a lei vigente na data da alienação, considerando, portanto, que o fato de ter sido ultrapassado os cincos anos da propriedade da participação societária, antes da revogação do dispositivo que previa a isenção, não preserva o direito ao benefício fiscal. Penso que a segunda hipótese é a correta. Tratase neste caso de regimes jurídicos distintos e, como é cediço, não há direito adquirido a regimes jurídicos. Até a edição da lei nº 7.713, de 1988 vigia um regime jurídico que contemplava essa hipótese de isenção, mas com a Lei nº 7.713, de 1988, inaugurouse um outro regime. E é este último que se aplica aos fatos ocorridos a partir de sua vigência. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 449 17 Em reforço, o art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN explicita que a legislação que rege o lançamento é aquela então vigente, a saber: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ora, o fato gerador do Imposto de Renda sobre o ganho de capital só ocorre no momento da alienação e, quando esta ocorreu (em 14/05/1996) a Lei nº 7.713, de 1988 já estava em vigor. O art. 104, por sua vez, é parte do capítulo que cuida da vigência da legislação tributária, e é claro ao fixar a vigência de lei que reduz ou extingue isenção, a saber: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a imposto sobre o patrimônio e a renda: (...) III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178. Ora, no caso sob exame, a alienação da participação societária e, portanto, o fato gerador da obrigação tributário ocorreu na vigência da Lei nº 7.713, de 1988 e a isenção prevista no art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976 não preenche ambas as condições previstas no art. 178 do CTN: ser condicionada a determinadas condições e, cumulativamente, ser por prazo certo. Portanto, o imposto recolhido era devido, razão pela qual a Contribuinte não faz jus à restituição pleiteada.” Mais recentemente, o entendimento ora esposado foi abraçado no Acórdão 2201002.116, de 14/05/2013, da lavra do Ilustre Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: “Assim, melhor refletindo, penso que não há ofensa ao direito adquirido, pois como houve revogação expressa da isenção pela Lei nº 7.713, de 1988, a lei nova deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. A mudança de entendimento se deve aos atuais debates da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, fundamentalmente, pelo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) das ADIN’s nº 3.105/DF e 3.128/DF, relativas ao art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. Na ocasião, entendeu o Pretório Excelso que é constitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre inativos e pensionistas, pois, como inexiste norma de exoneração tributária absoluta, a lei deve incidir sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Vejase o teor da ementa do julgado: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Emenda Constitucional nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte. Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição jurídicosubjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou ulterior, os submeta à incidência de contribuição previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito adquirido com o aposentamento. 2. Inconstitucionalidade. Ação direta. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária, por força de Emenda Constitucional. Ofensa a outros direitos e garantias individuais. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Regra não retroativa. Instrumento de atuação do Estado na área da previdência social. Obediência aos princípios da solidariedade e do equilíbrio financeiro e atuarial, bem como aos objetivos constitucionais de universalidade, equidade na forma de participação no custeio e diversidade da base de financiamento. Ação julgada improcedente em relação ao art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. Votos vencidos. Aplicação dos arts. 149, caput, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, e 201, caput, da CF. Não é inconstitucional o art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu contribuição previdenciária sobre os proventos de aposentadoria e as pensões dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. 3. Inconstitucionalidade. Ação direta. Emenda Constitucional (EC nº 41/2003, art. 4º, § únic, I e II). Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Bases de cálculo diferenciadas. Arbitrariedade. Tratamento discriminatório entre servidores e pensionistas da União, de um lado, e servidores e pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de outro. Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária, que é particularização do princípio fundamental da igualdade. Ação julgada procedente para declarar inconstitucionais as expressões "cinquenta por cento do" e "sessenta por cento do", constante do art. 4º, § único, I e II, da Fl. 458DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 450 19 EC nº 41/2003. Aplicação dos arts. 145, § 1º, e 150, II, cc. art. 5º, caput e § 1º, e 60, § 4º, IV, da CF, com restabelecimento do caráter geral da regra do art. 40, § 18. São inconstitucionais as expressões "cinqüenta por cento do" e "sessenta por cento do", constantes do § único, incisos I e II, do art. 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, e tal pronúncia restabelece o caráter geral da regra do art. 40, § 18, da Constituição da República, com a redação dada por essa mesma Emenda.” (grifos meus) (ADI 3.105 e da ADI 3.128 (rel. Min. Ellen Gracie, rel. p/ o acórdão Min. Cezar Peluso, DJ de 18.02.2005) (grifei) Corrobora com o exposto, o recente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Lei da Ficha Limpa (ADCs 29 e 30), que determinou sua aplicação a fatos iniciados ou ocorridos antes de sua edição, por entender inexistir direito adquirido a regime jurídico. Com efeito, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada” (art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN). O fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital somente ocorre no momento da alienação e, no caso dos autos, esta se deu em 2008, ou seja, na vigência da Lei nº 7.713, de 1988.” Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal exarou os julgados abaixo colacionados, confirmando o posicionamento no sentido de que não há que se falar em direito adquirido a regime jurídicotributário: ACÓRDÃO ELETRÔNICO Dje 210 – PUBLICAÇÃO EM 2510 2012; RELATOR:MIN. DIAS TOFFOLI; AGTE:ACADEMIA VERANENSE DE ASSISTÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA; AGDO:UNIÃO EMENTA Constitucional. Tributário. Imunidade. Entidade de assistência social. Requisitos. Artigo 195, § 7º, da Constituição Federal. Reexames de fatos e provas. Súmula nº 279 desta Corte. 1. No acórdão recorrido, assentouse que não há direito adquirido a regime tributário, ainda que a entidade tenha sido reconhecida como de caráter filantrópico, na forma do Decreto lei nº 1.572/77, entendeuse, além disso, que, no caso concreto, não foram comprovados os requisitos exigidos em lei. Assim, a autora não faz jus ao reconhecimento da imunidade pretendida. 2. Esta Corte firmou orientação no sentido de não reconhecer direito adquirido a regime jurídico. Por isso mesmo, inexistiria direito à imunidade tributária por prazo indeterminado, conforme decidido no acórdão ora recorrido. É o que sobressai do julgamento proferido no RMS nº 27.093, de relatoria do Ministro Eros Grau, DJe de 13/11/08. 3. A verificação do regime jurídico de entidade de assistência social para a configuração da imunidade tributária carece de reexame de fatos e provas, o que atrai a incidência da Súmula nº 279 desta Corte. 4. Agravo regimental não provido. (grifei) Fl. 459DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 RMS 26932/DF RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA; Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA; Julgamento: 01/12/2009; Publicação: DJe022,DE 05022010; RECTE:PROVÍNCIA BRASILEIRA DA CONGREGAÇÃO DA MISSÃO – PBCM; RECDO:UNIÃO EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (grifei) RE 254459/SC; Relator: Min. ILMAR GALVÃO; Julgamento: 23/05/200; Publicação DJ 10082000; RECTE.: MUCHADON CABELEIREIROS LTDA – ME; RECDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO UTILIZÁVEL PARA EXTINÇÃO, POR COMPENSAÇÃO, DE DÉBITOS DA MESMA NATUREZA, ATÉ O LIMITE DE 30%, QUANDO CONSTITUÍDOS APÓS A EDIÇÃO DA LEI Nº 9.129/95. ALEGADA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO DIREITO ADQUIRIDO E DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Se o crédito se constituiu após o advento do referido diploma legal, é fora de dúvida que a sua extinção, mediante compensação, ou por outro qualquer meio, há de processarse pelo regime nele estabelecido e não pelo da lei anterior, posto aplicável, no caso, o princípio segundo o qual não há direito adquirido a regime jurídico. Recurso não conhecido.(grifei) Por último, cabe analisar o argumento da Contribuinte, trazido em sede de ContraRazões, assim formulado: “Cabe lembrar, por oportuno, que na situação do benefício de redução do IRPF na venda de imóvel conforme o prazo (5% ao ano) em que permaneceu em domínio do contribuinte, o direito Fl. 460DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 451 21 até então adquirido foi respeitado pela Lei 7.713 (art. 26). Esqueceuse, contudo, o legislador da Lei 7713/88, de preservar o direito do contribuinte que já havia cumprido a condição prevista no art. 4°, "d", do DL 1510.” Ora, o fato de um certo benefício ser expressamente resguardado, e outro ser expressamente revogado pela lei nova, não significa esquecimento, e sim deixa clara a vontade do legislador de manter o primeiro e extinguir o segundo, o que só vem a reforçar o entendimento defendido no presente voto. Destarte, considerandose o benefício ora tratado como isenção, não há como mantêlo após a edição da Lei nº 7.713, de 1988, uma vez que esta o revogou expressamente, sendo que não se tratava de isenção condicionada, já que não foram atendidos os dois requisitos para tal – prazo certo e determinadas condições – como requer o artigo 178 do CTN. A interpretação no sentido de que tratarseia de não incidência não traz melhor sorte à Contribuinte, já que, qualquer que seja o instituto do benefício, o STF já deixou patente a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, até mesmo em relação a imunidade tributária. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 461DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Designado Ouso divergir do voto da Ilma. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. De início, importante verificar que, à luz da Constituição, em especial do seu art. 153, III, a União poderá instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, assim entendido, na clássica lição de José Artur Lima Gonçalves, o saldo positivo decorrente do confronto entre entradas e saídas que tenham significado relacionado ao conceito de acréscimo patrimonial, ocorridas ao longo de um período de tempo (Imposto sobre a renda: pressupostos constitucionais. São Paulo: Malheiros, 2002. p. 183187). A hipótese de alienação de ações, da qual decorra ganho de capital, configura, portanto, o aspecto material possível da regra matriz de incidência do imposto sobre a renda. No entanto, o Decretolei n.º 1.510/1976, em seu art. 4º, alínea “d”, estabeleceu verdadeira isenção, ao excluir referida hipótese do campo de incidência da norma. Como bem salienta Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção pode inibir a funcionalidade da regramatriz tributária, comprometendoa para certos casos (...).” (Curso de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 1998. p. 333). É exatamente o que se dá no caso em questão: muito embora seja possível, de acordo com a Carta Magna, a instituição do imposto de renda sobre a alienação de ações, como, aliás, estabelecia expressamente o art. 1º do Decretolei n.º 1.510/1976, o seu art. 4º afasta parcialmente a norma de incidência, determinando que, sobre as alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, não haverá a incidência do referido tributo. As isenções, como se sabe, podem ser condicionadas ou incondicionadas. Sobre as isenções condicionadas, afirma Luciano Amaro: “Isenções condicionadas são as que dependem do cumprimento de certos requisitos por quem a elas se queira habilitar; por exemplo: instalar em certo local uma indústria que empregue determinado número de pessoas. Esse tipo de isenção geralmente é concedido por prazo certo, o que as qualifica como isenções temporárias.” (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 289). É o que se verifica no caso concreto: o Decretolei n.º 1.510/1976, ao conceder a isenção sobre a alienação de participação societária, exigia, para tanto, que o acionista a detivesse por um período mínimo de cinco anos. Somente após cumprida a condição de não dispor o acionista de suas ações por esse período mínimo de cinco anos é que a alienação seria beneficiada com a isenção. Visando à proteção de casos como o presente, o legislador fez editar a ressalva constante no artigo 178 do Código Tributário Nacional, excetuando a possibilidade de revogação ou modificação àquela isenção concedida por prazo certo e em função de determinadas condições. Vejase: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 452 23 “Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104.” (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7/1/1975) Nessa linha, eis o entendimento consignado na Súmula n.º 544 do Supremo Tribunal Federal: “Súmula n.º 544 do STF: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas.” Importa esclarecer, nesse ponto, quais os efeitos da revogação dos dispositivos concessivos da isenção, previstos no Decretolei n.º 1.510/1976, pela Lei n.º 7.713/1988. Referida lei, em seu art. 58, expressamente revogou os arts. 1º ao 9º daquele decretolei, que estabeleciam a isenção condicionada ora examinada. Pois bem. O ordenamento jurídico, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, protege aqueles direitos já incorporados ao patrimônio do contribuinte. É o que dispõe o art. 5º, XXXVI, da Constituição da República: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; (...).” No mesmo sentido é o art. 6º, caput e §2º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro: “Art. 6º. A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, direito adquirido e a coisa julgada. (...) § 2º. Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (...).” O direito adquirido, na esclarecedora lição de Maria Helena Diniz, “é o que já se incorporou definitivamente ao patrimônio e à personalidade de seu titular, de modo que nem lei nem fato posterior possa alterar tal situação jurídica, pois há direito concreto, ou seja, direito subjetivo e não potencial ou abstrato.” (A irretroatividade das leis e o direito adquirido, Revista dos Tribunais, São Paulo, 1982, p. 204). Fl. 463DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 Assim, deve ser preservado o direito à percepção da isenção àqueles que, como a Recorrida, já perfizeram a condição prevista na norma que instituíra o benefício, não podendo lei posterior alterar referida situação jurídica. No que concerne à proteção das hipóteses de isenção condicionada verificadas sob a égide de lei que venha a ser posteriormente revogada, eis a lição de Seabra Fagundes, que já na década de 60 asseverava: “Quando a isenção exprima uma abstenção legítima do poder de tributar, com ela nasce para o beneficiário direito subjetivo a usufruílas, no tempo e com o conteúdo da lei instituidora, desde que a sua situação se ajuste às exigências feitas pelo legislador para outorgála. Satisfeitas essas exigências, o legislador não é livre de, sem mais nem menos, declarála revogada.” (FAGUNDES, Seabra. Revogabilidade das isenções tributárias, Revista de Direito Administrativo, v. 53, a. 1959, p. 1). Outro não é o entendimento, já à luz da Constituição de 1988, de Roque Antonio Carrazza: “É evidente que a lei revocatória nunca alcançará as isenções (seja as com prazo certo, seja as com prazo indeterminado) que se perfizeram juridicamente, produzindo os efeitos que lhes eram próprios. Deveras, ela, em razão da norma constitucional que protege o ato jurídico perfeito, não poderá alterar ou destruir os benefícios fiscais auferidos sob o império da antiga lei isentiva.” (CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 16. ed. São Paulo: Malheiros, 2011. p. 732). Como conclui o citado autor, “a revogação de isenção com prazo certo, condicional, só vale para os casos futuros. Os pendentes continuam sob a égide da lei isentiva.” (Op. cit., p. 734). Também no mesmo sentido, afirma Luciano Amaro que deve ser preservado o direito à isenção daquele que já cumpriu a condição prevista na lei posteriormente revogada: “Assim, ainda que a lei defina isenção condicionada e garanta sua aplicação por certo tempo e período de tempo, a norma legal pode ser revogada. Essa revogação, porém, não tem o efeito de cassar a isenção de quem já cumpriu a condição e possui, por isso, direito à isenção pelo prazo que a lei definia.” (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 288). Não há dúvidas, pois, que o caso dos autos configura hipótese de direito adquirido do contribuinte, em relação ao qual, à luz dos citados arts. 5º, XXXVI, da Constituição, 6º, caput e §2º, da LINDB, e 178 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária perpetrado pela Recorrida. No mesmo sentido é o entendimento de inúmeros acórdãos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo do que se depreende da ementa do julgado a seguir transcrita, da então 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, de Relatoria do Conselheiro José Raimundo Tosta Santos: “AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº. 1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO DIREITO ADQUIRIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos Fl. 464DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.010403/0015 Acórdão n.º 9202002.805 CSRFT2 Fl. 453 25 cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido, constitucionalmente previsto. Implementada a condição antes da revogação da lei que concedia o benefício, os pagamentos porventura efetuados são indevidos, portanto passíveis de restituição (Acórdão nº CSRF/0400.215, de 14/03/2006). Recurso provido.” (Acórdão 10248.824, 2ª Câmara do então 1º Conselho de Contribuintes, Relator Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, julgado em 08/11/2007, DOU de 06/05/2008). A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já analisou a matéria, reconhecendo o direito à isenção mesmo na vigência de legislação posterior estabelecendo a hipótese de incidência: “IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 40, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1.510176 DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 77131/88) Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4°, "d", do DecretoLei 1.510/76, subsequentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação.” (Acórdão 40102.973, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Relator Designado Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, julgado em 09/05/2000). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 465DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13656.720030/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCONFORMIDADE DOS ARQUIVOS DIGITAIS SUPRIDA PELA ENTREGA CORRETA EM ATRASO. PENALIDADE CANCELADA.
Ainda que entregues com atraso, os arquivos digitais solicitados ao contribuinte foram, reconhecidamente, recebidos pela fiscalização, devendo ser cancelada a multa por entrega fora da forma exigida, pois que capitulada nos artigos 11 e 12, I da Lei 8.218/91.
Negado Provimento ao Recurso de Ofício.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), ADRIANA OLIVEIRA RIBEIRO (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Ausente o conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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DESCONFORMIDADE DOS ARQUIVOS DIGITAIS SUPRIDA PELA ENTREGA CORRETA EM ATRASO. PENALIDADE CANCELADA. Ainda que entregues com atraso, os arquivos digitais solicitados ao contribuinte foram, reconhecidamente, recebidos pela fiscalização, devendo ser cancelada a multa por entrega fora da forma exigida, pois que capitulada nos artigos 11 e 12, I da Lei 8.218/91. Negado Provimento ao Recurso de Ofício. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 00 30 /2 01 1- 34 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), ADRIANA OLIVEIRA RIBEIRO (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Ausente o conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.720030/201134 Acórdão n.º 3402002.272 S3C4T2 Fl. 122 3 Relatório Tratase de Auto de infração, onde a autoridade fiscal exige montante de R$ 2.582.514,46, à título de multa embasada nos artigos 11 e 12, I, da Lei nº 8.218/91, sob a alegação de que a contribuinte teria deixado de apresentar os arquivos eletrônicos na forma estabelecida pela IN 86/01 e ADE 15/01. Assim, a contribuinte foi autuada, levandose em consideração sua Receita Bruta declarada em DIPJs, relativas aos anos calendários 2005, 2006, 2007 e 2008. DA IMPUGNAÇÃO Ciente do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, na qual destaca não ter medido esforços para solucionar os problemas nos arquivos eletrônicos apontados nos Termos de Ciência emitidos pela autoridade fiscal, entregandoos, corretamente, em 17/12/2010. A autoridade fiscal, por mais que tenha confirmado o recebimento do arquivo eletrônico correto, recusouse a analisálo, o que caracteriza, de acordo com a contribuinte, cerceamento de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, embasando, assim, seu pedido para que o Auto de Infração tivesse sua nulidade declarada. Conclui declarando que restou comprovada sua boafé e que as imperfeições apontadas pelo sistema em nada teriam prejudicado a análise documental, uma vez que foi emitido Termo de Constatação em 21/01/2011, homologando todos os pedidos de ressarcimento da contribuinte. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), proferiu o Acórdão de nº. 0937.980, no sentido de julgar procedente a impugnação apresentada, exonerando o crédito tributário, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 IPI. MULTA ISOLADA. ARTIGO 504, INCISO I, DO RIPI 2002. A multa prevista no art. 504, inciso I, do RIPI 2002 não se aplica se o contribuinte apresenta os arquivos corretivos antes da lavratura do auto de infração e o Fisco simplesmente os ignora. A referida multa só se presta à punição pela falta de formatação, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 não albergando a entrega a destempo, hipótese essa prevista no inciso III do mesmo artigo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado.” Em apertada síntese, a DRJ entendeu que de acordo com os fatos contidos nos autos, houve um alerta final (Termo de Ciência nº 2) ao contribuinte, para que apresentasse os arquivos eletrônicos, o qual não foi seguido de inércia por parte da contribuinte, pois que esta enviou os arquivos eletrônicos requeridos pela autoridade fiscal, tendo inclusive sido confirmado seu recebimento. Cita o ferimento ao princípio da razoabilidade, pois que o Fisco recebeu os arquivos e optou por não analisálos, lavrando o auto de infração quarenta dias após tal recebimento. Assim, entendeu que a penalidade capitulada não alberga a entrega fora da formatação exigida pela Administração, mas sim a entrega em atraso, considerando que o ato de penalizar o contribuinte sem a devida análise de todos os documentos disponíveis, caracteriza ilegalidade insanável, votando, ao fim, pela improcedência do auto de infração. DO RECURSO DE OFÍCIO Com base no disposto na Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, recorreuse de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 120 (cento e vinte), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.720030/201134 Acórdão n.º 3402002.272 S3C4T2 Fl. 123 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Em sendo recurso de ofício, os pressupostos de admissibilidade se restringem à verificação dos valores exonerados, de forma que, ultrapassando o montante de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) na forma como prevista pela Portaria Ministerial nº. 3/2008 , do recurso devese tomar conhecimento. Entendo que os arquivos digitais solicitados, uma vez que entregues à autoridade fiscal, deveriam ter sido devidamente analisados para correto e justo embasamento da decisão proferida. No que concerne à aplicação da penalidade pela apresentação fora da “forma” legal, registro que a própria Autoridade Fiscal reconheceu que, ainda que tardiamente, os arquivos digitais – na forma como solicitados – foram entregues pelo contribuinte e, uma vez apresentados antes da lavratura do auto de infração, inclusive a autoridade tendo confirmado tal recebimento, não há que se falar em aplicabilidade da multa prevista nos artigos 11 e 12, I da Lei nº 8.218/91, trazida pelos artigos 318 e 504, I do RIPI/2002. Houve a apresentação dos documentos na forma solicitada pela Administração, ainda que tardiamente, ou seja, em atraso. Mas o “atraso” é objeto de outra capitulação própria e com penalidade própria (inciso III, do art. 504, do RIPI/02). Se houve a apresentação, ainda que tardia, dos arquivos de acordo com a exigência feita pela autoridade fiscal (que não imputou incorreções no arquivo recebido, que sequer foi analisado), descabe a penalização pelo desatendimento da “forma”, sendo então desmotivada a aplicação da penalidade prevista no inciso I, do artigo 12, da Lei 8.218/91, pelo que agiu com acerto a DRJ, ao cancelar a multa imputada no caso em exame. Após todo o exposto, assim como ocorreu em julgamento da DRJ de Juiz de Fora/MG, não há que se admitir a manutenção do auto de infração em desfavor da contribuinte. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exoneração do crédito tributário nestes e naqueles termos. É como voto (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 11030.904073/2012-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 73 /2 01 2- 83 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10950.904834/2009-57
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO
Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.904834/200957 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.136 – 2ª Turma Especial Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AUTO POSTO ABEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 34 /2 00 9- 57 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904834/200957 Acórdão n.º 1802002.136 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, Acórdão nº 0635.182, de 12/01/2012, às fls. 25 a 29, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE CSLL. DEDUÇÃO DE 1/3 DA COFINS. VIGÊNCIA. A compensação da CSLL com um terço da Cofins efetivamente paga não vigora a partir de 01/01/2000, diante de expressa revogação legal, o que implica o não reconhecimento de pagamento indevido de CSLL, e a conseqüente não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA DOS DÉBITOS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. Não homologada a compensação, a cobrança dos débitos deve ser acompanhada de multa e juros moratórios, conforme previsto na legislação, sendo descabido o pedido de sua não exigência. Manifestação de Inconformidade Improcedente A ciência desta decisão pela Contribuinte ocorreu em 04/06/2012 (segunda feira), e o recurso voluntário foi apresentado em 05/07/2012 (quintafeira). Este é o Relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904834/200957 Acórdão n.º 1802002.136 S1TE02 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Não há condição para se conhecer do recurso. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 04/06/2012, uma segundafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 04/07/2012, quartafeira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 05/07/2012, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.733025/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
Ementa:
IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. AJUSTE.
O IRPJ e a CSLL devidos após o encerramento do ano-calendário (ajuste) não se confundem com os débitos de estimativa apurados ao longo do exercício fiscal. Encerrado este (exercício fiscal), a declaração relativa aos débitos de estimativa perde eficácia, remanescendo ao contribuinte a obrigação de pagar o tributo informado na declaração anual de rendimentos (ajuste).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. NÃO LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO.
O fato de as estimativas não mais poderem ser exigidas após o encerramento do exercício fiscal não elide a aplicação da penalidade isolada sobre essas mesmas estimativas, não recolhidas em momento próprio. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, o art. 44 da Lei 9.430/96 expressamente prevê a aplicação da multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, caso em que o imposto devido seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO.
Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Recurso voluntário a que se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 1102-000.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e dos lançamentos; b) em relação à multa isolada, emergiram três soluções distintas: cancelamento integral, cancelamento parcial e manutenção integral; em primeira votação, por maioria de votos, decidiu-se reduzir a base de cálculo da multa isolada para R$ 1.187.121,60, em relação ao IRPJ e para R$ 425.203,78 em relação à CSLL, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) e Francisco Alexandre dos Santos Linhares que cancelavam a multa isolada integralmente, e em segunda votação, por maioria de votos, decidiu-se pela redução da base de cálculo da multa isolada para os valores já mencionados, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sérgio Gomes que a mantinham integralmente; c) Por maioria de votos, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, calculados com base na taxa Selic, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) que os excluía; d) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor, a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Redator designado ad hoc.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 Ementa: IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. AJUSTE. O IRPJ e a CSLL devidos após o encerramento do ano-calendário (ajuste) não se confundem com os débitos de estimativa apurados ao longo do exercício fiscal. Encerrado este (exercício fiscal), a declaração relativa aos débitos de estimativa perde eficácia, remanescendo ao contribuinte a obrigação de pagar o tributo informado na declaração anual de rendimentos (ajuste). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. NÃO LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. O fato de as estimativas não mais poderem ser exigidas após o encerramento do exercício fiscal não elide a aplicação da penalidade isolada sobre essas mesmas estimativas, não recolhidas em momento próprio. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, o art. 44 da Lei 9.430/96 expressamente prevê a aplicação da multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, caso em que o imposto devido seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento.
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CSLL. LANÇAMENTO. AJUSTE. O IRPJ e a CSLL devidos após o encerramento do anocalendário (“ajuste”) não se confundem com os débitos de “estimativa” apurados ao longo do exercício fiscal. Encerrado este (exercício fiscal), a declaração relativa aos débitos de “estimativa” perde eficácia, remanescendo ao contribuinte a obrigação de pagar o tributo informado na declaração anual de rendimentos (“ajuste”). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. NÃO LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. O fato de as estimativas não mais poderem ser exigidas após o encerramento do exercício fiscal não elide a aplicação da penalidade isolada sobre essas mesmas estimativas, não recolhidas em momento próprio. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, o art. 44 da Lei 9.430/96 expressamente prevê a aplicação da multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, caso em que o imposto devido seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 30 25 /2 01 1- 81 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 3 2 cobrança de tributo, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e dos lançamentos; b) em relação à multa isolada, emergiram três soluções distintas: cancelamento integral, cancelamento parcial e manutenção integral; em primeira votação, por maioria de votos, decidiuse reduzir a base de cálculo da multa isolada para R$ 1.187.121,60, em relação ao IRPJ e para R$ 425.203,78 em relação à CSLL, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) e Francisco Alexandre dos Santos Linhares que cancelavam a multa isolada integralmente, e em segunda votação, por maioria de votos, decidiuse pela redução da base de cálculo da multa isolada para os valores já mencionados, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sérgio Gomes que a mantinham integralmente; c) Por maioria de votos, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, calculados com base na taxa Selic, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) que os excluía; d) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor, a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator designado ad hoc. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram do julgamento os conselheiros Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP, que acolheu parcialmente impugnação Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 4 3 da Contribuinte relativa a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (“CSLL”) referente ao anocalendário de 2008, assim ementado, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade por cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações estão corretamente indicados no auto de infração e são suficientes a permitirem a plena compreensão do conteúdo das imputações, mormente quando o contribuinte tem reiteradas oportunidades de prestar esclarecimentos durante a fiscalização e não o faz. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo o contribuinte logrado comprovar o pagamento ou parcelamento da estimativa indevidamente deduzida no ajuste anual, procedente a respectiva glosa e o conseqüente lançamento de ofício do IRPJ anual. A falta de recolhimento da estimativa, ainda que declarada em DCTF, enseja a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. As estimativas devidas ao longo do anobase a título de antecipação e o IRPJ apurado no ajuste anual constituem débitos distintos, sujeitos a distintas disciplinas de constituição e exigência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo o contribuinte logrado comprovar o pagamento ou parcelamento da estimativa indevidamente deduzida no ajuste anual, procedente a respectiva glosa e o conseqüente lançamento de ofício da CSLL anual. A falta de recolhimento da estimativa, ainda que declarada em DCTF, enseja a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. As estimativas devidas ao longo do anobase a título de antecipação e a CSLL apurada no ajuste anual constituem débitos distintos, sujeitos a distintas disciplinas de constituição e exigência. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 5 4 Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados autos de infração para constituição do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ, no valor total de R$ 20.153.032,81 (fls. 2 a 09); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de CSLL, no valor total de R$ 7.275.792,37 (fls. 10 a 17), perfazendo um crédito tributário consolidado total na data do lançamento, no valor de R$ 27.428.825,18, já incluídos os acréscimos legais vinculados. 2. As infrações imputadas ao sujeito passivo, referentes ao ano base 2008, foram: a) dedução indevida, na apuração do ajuste anual do IRPJ, da estimativa de setembro de 2008, não recolhida; com o seguinte enquadramento legal: art. 11 e § 3º da Lei nº 9.249/95 e RIR/99 – arts. 231, III e IV; 841, III e IV e 943, § 2º. b) falta de recolhimento da estimativa do IRPJ de setembro/2008; com o seguinte enquadramento legal: art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e RR/99 – arts. 222 e 843; c) dedução indevida, na apuração do ajuste anual da CSLL, da estimativa de setembro de 2008, não recolhida; com o seguinte enquadramento legal: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 3º da Lei nº 7.689/88; d) falta de recolhimento da estimativa da CSLL de setembro/2008; com o seguinte enquadramento legal: art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e RR/99 – arts. 222 e 843. 3. Ciente do lançamento através de procurador em 12/12/2011 (fls. 4 e 12), o sujeito passivo apresentou impugnações em 09/01/2012 (fls. 68 a 108 – CSLL e fls. 308 a 348 – IRPJ), com as alegações que passamos a reproduzir sinteticamente abaixo. Nas preliminares. a) Levantamento e acusações precárias a acusação fiscal foi precária, carecendo de elementos suficientes a permitirem à impugnante compreender as bases em que foi realizado o lançamento. b) Cerceamento do direito de defesa – da forma como foi lavrado, o auto de infração não permitiu à autuada compreender como pode ser possível sua lavratura; c) O AI contraria o art. 63 da Lei nº 9.430/96 e art. 142 do CTN os lançamentos são nulos por ofensa aos referidos dispositivos, uma vez que os créditos Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 6 5 tributários objeto de lançamento estavam previamente constituídos em DCTF e com exigibilidade suspensa por parcelamento; d) A possibilidade da constituição de crédito tributário apenas da diferença não declarada os autos são nulos porque, conforme artigo 90 da MP 2.15835, vigente à época, somente está autorizada a constituição de crédito tributário mediante lançamento de oficio das diferenças apuradas nas declarações do contribuinte e no presente caso não há diferenças, já que os valores foram integralmente declarados em DCTF e DIPJ; e) Débito declarado não pode ser objeto de AI e deve seguir o procedimento previsto no artigo 933 do RIR/99 de acordo com o referido dispositivo, o documento que formaliza a existência do crédito tributário através de obrigação acessória constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, excluindo a necessidade de lançamento; f) O AI implica a quebra do parcelamento por ato unilateral e por pessoa incompetente – (i) as estimativas IRPJ e de CSLL foram constituídas na DCTF e DIPJ, antes da lavratura do AI e parceladas conforme regras previstas na Lei nº 11.941/2009, por ter a empresa realizado Pedido de Parcelamento, no dia 17/06/2010; (ii) o lançamento, sem prévia e regular exclusão do contribuinte do parcelamento, mediante procedimento em que lhe seja assegurada defesa, constitui ofensa aos artigos 1° e seguintes da Lei n° 11.941/2009 e artigos 1º e seguintes da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009; (iii) em relação ao parcelamento realizado pela impugnante, ocorreu um fato que está sendo discutido no âmbito administrativo envolvendo a consolidação dos débitos, conforme demonstra a integralidade do processo nº 10380731120/201140; g) O artigo 16 da IN nº 93/97 – Impossibilidade do lançamento de ofício – de acordo com referido dispositivo somente é permitida a realização de lançamento na hipótese de falta de pagamento da estimativa, situação totalmente diversa do caso concreto em lide, em que as estimativas foram declaradas em DCTF/DIPJ, antes do AI. h) Erro de direito e capitulação infracional incorreta – conforme consta do AI, o objetivo da fiscalização foi constituir crédito tributário de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2008, não obstante isso, o conteúdo da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 7 6 tratam unicamente de glosa de dedução de IRPJ por estimativa; i) Falta de provas da inexistência de pagamento de tributo – o AI deve ser cancelado por falta de prova da existência de débito tributário envolvendo o IRPJ e a CSLL, com fato gerador ocorrido em 31/12/2008; j) Falta de MPFD – o AI deve ser cancelado porque as diligências que culminaram com a intimação da impugnante foram realizadas por auditores fiscais sem que tivesse sido emitido previamente Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência, nos termos do artigo 10, § 1º da Portaria RFB 3.014/2011; k) Termo de início – perda de eficácia – o AI deve ser cancelado em razão de falta de emissão de Termo de Início de Ação Fiscal, que tem validade pelo prazo de 60 dias, salvo se dentro desse período tivesse sido prorrogado, nos termos do artigo 7º, § 2º do Decreto nº 70.235/72; l) Falta de intimação para a impugnante se manifestar sobre o fim da instrução – art. 44 da Lei nº 9.784/99 – a impugnação merece ser provida porque a impugnante não foi previamente intimada para manifestarse sobre o encerramento da fase instrutória dos trabalhos fiscais, nos termos do dispositivo acima indicado; m) Inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do AI – para a validade dos lançamentos, seria imprescindível que o AFRF demonstrasse os respectivos fundamentos jurídicos, que não foram demonstrados; n) Falta de apresentação de cópia integral do AI e seus anexos – cerceamento do direito de defesa – os autos de infração devem ser nulos porque os AFRF cientificaram a impugnante do seu inteiro teor, sem apresentarem seus anexos e todo o material que fundamentou a sua elaboração na data da intimação da empresa. No mérito. a) Constituição de crédito tributário em duplicidade – IRPJ declarado em DCTF – as estimativas de IRPJ e CSLL foram declaradas em DCTF, tornando se débitos constituídos e exigíveis. b) Impossibilidade de glosa – débito confessado e parcelado – a impugnante não pode ser considerada infratora à legislação tributária, porque, considerandose terem sido o IRPJ e CSLL estimativas declarados em DCTF e parcelados, Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 8 7 jamais poderia a fiscalização ter glosado referidos valores. c) Impossibilidade de aplicação da multa de lançamento de ofício e da multa isolada – denuncia espontânea – não existe a possibilidade de aplicação das multas acima referidas, porque a empresa praticou a denuncia espontânea ao declarar em DCTF e parcelar as estimativas objeto de glosa. d) Impossibilidade da aplicação das penalidades e dos juros de mora – referidos encargos só podem ser constituídos na hipótese de lançamento de ofício sobre valores de tributos não pagos, não sendo o caso da impugnante, que declarou e parcelou os débitos; e) Multa e juros da Lei n 11.941/2009 – uma vez que a empresa confessou e parcelou os débitos, não cabe a incidência dos acréscimos legais aplicados no AI, mas os encargos moratórios previstos na referida lei. f) Multa isolada – principio da consumação e duplicidade – não existe permissão na legislação para aplicação da multa isolada, por já ter sido a impugnante penalizada com a multa de ofício. g) Juros de mora sobre a multa – é inconstitucional a exigibilidade dos juros de mora sobre as multas. 4. Ao final, solicita a impugnante a realização de diligência, para que seja constatada a improcedência dos lançamentos e requer provimento integral da impugnação ou, caso não se julgue integralmente procedente a impugnação, que pelo menos e sucessivamente: (i) cancele a multa isolada; (ii) afaste a incidência dos juros de mora sobre as penalidades e (iii) reduza a multa de lançamento de ofício para 20%, haja vista o instituto da denúncia espontânea. A fim de checar as alegações do sujeito passivo frente às informações constantes dos bancos de dados da RFB procedi às pesquisas nas declarações do contribuinte nos sistemas correspondentes, resultando os extratos que anexei às fls. 555 à 562”. O acórdão recorrido rejeitou a impugnação apresentada pela Contribuinte, sob os fundamentos de que: (i) a diligência pretendida seria prescindível, já que os sistemas da RFB atestam que não existe o parcelamento de débitos citado pela Contribuinte em sua defesa; (ii) não haveria nulidade do procedimento fiscal por ausência de MPF, seja porque se trata de procedimento de “revisão de declaração”, seja porque Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 9 8 eventual irregularidade ou falta de emissão de MPF não implicaria nulidade do julgamento, a teor da jurisprudência do CARF; (iii) não haveria cerceamento do direito de defesa, pois os fatos e infrações estão adequadamente descritos no lançamento e “enquadradas na legislação”; (iv) não haveria perda de eficácia do termo de intimação, pois “não houve descontinuidade no procedimento, que se pudesse caracterizar pela ausência de ato escrito da autoridade lançadora por prazo superior a 60 dias, uma vez que os despachos do Auditor Fiscal nos termos de solicitação de prorrogação, cumpriram o papel dos “atos escritos”, a que ser refere o § 3º do artigo 33 do Decreto nº 7.574/2011 (Processo Administrativo Tributário – PAT) 4. Ademais, apenas para argumentar, ainda que houvesse descontinuidade, isso não acarretaria a nulidade do lançamento, pois seu efeito restringirseia apenas ao restabelecimento da espontaneidade do contribuinte, permitindo que retificasse suas declarações e pagasse os tributos abrangidos pela intimação sem penalidades, o que efetivamente não aconteceu”; (v) no mérito em sentido estrito, embora seja procedente a alegação da Contribuinte de que os débitos de estimativas no exercício de 2009 estejam confessados em DCTF, o auto de infração é procedente pois o lançamento não se refere a “estimativas não pagas”, mas sim ao IRPJ devido ao final do anocalendário (“ajuste”), que não foi objeto de confissão pela Contribuinte; (vi) merecem ser rejeitados todos os argumentos da Contribuinte que tenham como premissa o alegado “parcelamento das estimativas”, pois citado parcelamento foi indeferido, conforme sistemas informatizados da RFB; (vii) a multa isolada por não recolhimento de tributos sobre bases estimadas e os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício merecem ser mantidos, em vista de expressa previsão legal nesse sentido. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido por alegado cerceamento do direito de defesa e, no mais, reproduz suas razões de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, em virtude de a infração não estar devidamente descrita e enquadrada na legislação vigente e não ter sido apresentada memória de cálculo do tributo lançado; (ii) contrariedade aos artigos 63 da Lei n. 9.430/96 e artigo 142 do CTN, em virtude do fato de o débito lançado estar confessado em DCTF e parcelado segundo as regras da Lei n. 11.941/2009; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 10 9 (iii) ilegitimidade da constituição de crédito tributário que já seja objeto de prévia declaração (confissão), o qual deveria seguir o procedimento previsto no art. 933 do RIR/99; (iv) o auto de infração implica “quebra de acordo de parcelamento” “por ato unilateral e por pessoa competente”, especialmente se considerado o fato de que a Contribuinte não teria sido intimada da decisão da RFB de indeferimento do parcelamento. Segundo a Contribuinte, “todos os contribuintes que optaram pelo parcelamento no âmbito da Lei n. 11.941/2009 caso sejam excluídos ou tenham seu parcelamento rescindido devem ser comunicados e com o direito de apresentarem Recurso Administrativo no prazo de 10 (dez) dias com efeito suspensivo, que serão apreciados por representantes da PGFN ou pelo titular da DRF da jurisdição da contribuinte, como estabelece o artigo 23 e seguintes da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 06/2009. Até a emissão de uma decisão final administrativa acerca da exclusão ou rescisão, os débitos parcelados estarão submetidos aos efeitos do parcelamento, como algo que deve ser considerado pelas autoridades fiscais por estarem impedidas de realizarem o lançamento de ofício envolvendo valores parcelados pelo contribuinte. Como esta decisão não foi emitida até o momento por representantes da PGFN e pelo titular da DRF, jamais os efeitos do parcelamento poderiam ter sido desconsiderados e a autoridade lançadora não teria sequer a competência de apreciar tais questões por não se enquadrar naquelas descritas na supracitada legislação.”; (v) o lançamento seria ilegítimo também por força do disposto no art. 16 da IN n. 93/97, em vista da prévia declaração do débito e do parcelamento respectivo pela Contribuinte; (vi) o lançamento deveria ser cancelado por força (a) da ausência de prova sobre a inexistência de pagamento das estimativas no caso; (b) da ausência de MPFD; (c) da perda de eficácia da intimação de início de ação fiscal; (d) da falta de intimação para a Contribuinte se manifestar sobre o fim da instrução; (e) da ausência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; (f) da falta de apresentação de cópia integral do auto de infração e seus anexos, em manifesto cerceamento do direito de defesa; (vii) não haveria possibilidade de (a) constituição de crédito em duplicidade (IRPJ estimado e CSLL estimada declarados em DCTF); (b) glosa de débito parcelado e confessado; (c) lançamento de multa de ofício e de multa isolada por força da denúncia espontânea e por força do princípio da “consunção e duplicidade”; (d) aplicação de penalidades e juros de mora, sendo certo que a Contribuinte tem direito à aplicação dos encargos moratórios previstos na Lei n. 11.941/2009 e (e) exigência de juros de mora sobre a multa de ofício; Reiterase, ao final, o pedido de diligência para “que este juízo constate o andamento perante a DRF/Fortaleza do parcelamento formalizado pela empresa” e para “serem Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 11 10 constatados por este juízo a improcedência do lançamento tributário como garante do Princípio da verdade material”. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. A preliminar de nulidade do acórdão recorrido merece ser rejeitada. Conforme se depreende de seu inteiro teor, o ato decisório tratou satisfatoriamente de todas as questões aduzidas no processo. Os argumentos tidos pela Contribuinte como não contraditados foram expressamente superados pelo acórdão recorrido pois as premissas fáticas que os embasam não eram procedentes no seu entender, quais sejam: (i) (in)existência de parcelamento válido e eficaz dos débitos lançados e (ii) (inexistência de) prévia constituição dos débitos lançados por intermédio de declaração, ante a distinção jurídica entre “valores devidos a título de estimativa” e o tributo devido após o encerramento do anocalendário (“ajuste”). Em suma, o acórdão recorrido é suficientemente claro ao justificar a improcedência da impugnação, conforme argumentos sintetizados na ementa transcrita e nos argumentos sintetizados em sede de relatório. As preliminares de nulidade do lançamento e o pedido de perícia também não merecem ser acolhidos. No ponto, pelo fato de o recurso voluntário meramente reproduzir as razões de impugnação, peço vênia para transcrever as razões do acórdão recorrido sobre o tema e adotálas como razão de decidir neste voto, verbis: “Do Pedido de Diligência. 6. Cabe inicialmente apreciar o pedido de diligência formulado pela impugnante. Solicita ela, genericamente, “a realização de diligências para serem constatados por este juízo a improcedência do lançamento”.... e prossegue: “ a diligência se justifica para que este juízo constate o andamento perante a DRF Fortaleza do parcelamento formalizado pela empresa”. 7. Conforme será abordado em tópicos seguintes deste Voto, as pesquisas internas nos sistemas informatizados da RFB atestaram que inexiste o parcelamento alegado pela impugnante. Em assim sendo, a diligência solicitada evidenciase prescindível, pelo que a indefiro, com fundamento no § 2º do Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 12 11 artigo 36 do Decreto 7.574/2011 (Regulamento do Processo Administrativo Tributário) Da Ausência de MPFD. 8. Alega o sujeito passivo, em defesa indireta, que o lançamento seria nulo pela ausência de Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência (MPFD). Sobre essa questão, esclareçase que o lançamento em causa resulta de procedimento de fiscalização da espécie “Revisão de Declaração”, conforme expresso no Termo de Intimação de fl. 21. 9. O procedimento fiscal da espécie “Revisão de Declaração” caracterizase por ser realizado internamente, com base em dados extraídos das declarações dos contribuintes, prescindindo da presença do Auditor Fiscal no domicílio do sujeito passivo. Por essa razão, as normas internas da RFB dispensam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal para a realização dessa espécie de procedimento. É o que prescreve expressamente o inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 11.371/2007. (...) Do Regular Exercício da Defesa. 12. Ainda em defesa indireta, alega a impugnante que a acusação fiscal foi precária, carecendo de elementos suficientes para permitir a compreensão das bases em que foi realizado o lançamento. 13. Não é o que se constata dos autos. 14. Conforme se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 e 6, o Auditor Fiscal assim descreve as infrações: a) quanto às deduções indevidas de estimativas de IRPJ não pagas: “Glosa de deduções a título de imposto de renda sobre a base de cálculo estimada, cujo recolhimento, no valor de R$ 8.946.045,80, não foi comprovado pela empresa”. b) quanto à multa isolada: “falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada” 15. Como se vê, as infrações estão corretamente descritas. Observese que no caso da glosa da dedução, a data do fato gerador está indicada no AI como 31/12/2008. Isso torna claro que se trata de lançamento do IRPJ anual e não da estimativa não paga. Essa diferença é fundamental para compreensão do conteúdo desta decisão, conforme veremos em tópicos seguintes. Pois bem, ao recompor o IRPJ anual, após a glosa da estimativa não paga (R$ 8.946.045,80), o resultado da DIPJ passou de saldo negativo de imposto de R$ 1.187.121,60, para imposto a pagar de R$ 7.759.924,20. É exatamente esse valor e respectivos acréscimos que estão sendo exigidos nos presentes autos. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 13 12 16. No caso da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, o auto de infração descreve: “O contribuinte optou por pagar a base de cálculo do Imposto de Renda com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, tendo em setembro de 2008 apurado e declarado em DCTF débito de IRPJ, sob o código 599301– N OBR L REAL ESTIMATIVA, no valor de R$8.946.045,80, porém não recolhido aos cofres públicos...”. 17. Para ambas as infrações, a autoridade lançadora indicou corretamente os enquadramentos legais, a saber: a) dedução indevida de estimativas de IRPJ não pagas: art. 11 e § 3º da Lei nº 9.249/95 e RIR/99 – arts. 231, III e IV; 841, III e IV e 943, § 2º; b) multa isolada: art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e RR/99 – arts. 222 e 843; 18. O mesmo raciocínio despendido acima para a demonstração da suficiência da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” no AI do IRPJ (fls. 5 e 6), vale, mutatis mutandis para o AI da CSLL (fls. 13/14). 19. Portanto, os fatos estão suficientemente descritos e corretamente enquadrados na legislação, de modo que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, seja por falhas ou imprecisão na descrição dos fatos, seja por erro de indicação de dispositivos legais ou ainda por ausência de fundamentos jurídicos. 20. Alega também a impugnante que deixou de ser intimada para manifestarse sobre o encerramento da fase instrutória dos trabalhos fiscais, restando violado o artigo da Lei nº 9.784/99. Referido diploma legal trata da disciplina geral do Processo Administrativo da União, sendo que de acordo com seu artigo 69, os processos administrativos específicos continuam a regeremse por suas regras próprias, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos da referida norma geral. No presente caso, o ato impugnado tem tratamento processual próprio, claramente delineado no Decreto 7.574/2011 Processo Administrativo Tributário – PAT, que regulamentou o Decreto n° 70.235/72 – PAF, não havendo necessidade de integrar subsidiariamente uma norma à outra. 21. Ademais, mister observarse que, na prática, a impugnante teve por duas vezes a oportunidade de manifestarse previamente ao lançamento, e não o fez ao longo de mais de quatro meses, desde a ciência da primeira intimação, em 28/07/2011 (fl. 23), até a ciência da lavratura do auto de infração, em 12/12/2011. 22. Não prospera também o argumento da impugnante de que sua defesa teria restado cerceada por não haver tomado conhecimento da integralidade dos autos de infração e seus Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 14 13 anexos. Com efeito, da análise dos autos verificase que a impugnante foi regularmente notificada dos autos de infração e seus anexos, conforme ciência do seu representante legal (fls 4 e 12). Além do mais, o respectivo processo esteve na repartição fiscal, na íntegra, à disposição do autuado, durante o prazo para impugnação. 23. Logo, não há também que se falar em cerceamento do direito de defesa por obstáculos ao acesso ao conteúdo dos autos e seus anexos. Das Prorrogações do Termo de Intimação. 24. Outro argumento de defesa indireta apresentado pela impugnante é o da perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal, pela ausência de prorrogação de sua validade no prazo de 60 dias. 25. A esse respeito, verificase que a impugnante tomou ciência da primeira intimação em 28/07/2011 (fl. 23.), cuja resposta foi no sentido de solicitar a prorrogação do prazo para atendimento. Tal solicitação foi atendida por despacho escrito do Auditor Fiscal no próprio pedido do contribuinte, prorrogando o prazo para 03/10/2011(fl. 24). Decorrido o novo prazo, a impugnante voltou a solicitar prorrogação, mais uma vez atendida pelo Auditor Fiscal, que desta feita prorrogou o prazo para 03/11/2011 (fl. 31). Finalmente, não atendida novamente a intimação, a fiscalização procedeu ao lançamento de ofício, cientificando o sujeito passivo em 12/12/2011(fl. 4 e 12) 26. Como se vê, não houve descontinuidade no procedimento, que se pudesse caracterizar pela ausência de ato escrito da autoridade lançadora por prazo superior a 60 dias, uma vez que os despachos do Auditor Fiscal nos termos de solicitação de prorrogação, cumpriram o papel dos “atos escritos”, a que ser refere o § 3º do artigo 33 do Decreto nº 7.574/2011 (Processo Administrativo Tributário – PAT). Ademais, apenas para argumentar, ainda que houvesse descontinuidade, isso não acarretaria a nulidade do lançamento, pois seu efeito restringir seia apenas ao restabelecimento da espontaneidade do contribuinte, permitindo que retificasse suas declarações e pagasse os tributos abrangidos pela intimação sem penalidades, o que efetivamente não aconteceu.” No mérito, em que pese tenha sido dividida em inúmeros capítulos, a insurgência da Contribuinte embasase notadamente em apenas dois pilares, quais sejam: (i) impossibilidade de constituição, por lançamento, de crédito tributário já constituído por declaração (DCTF); e (ii) impossibilidade de constituição de crédito tributário já parcelado na forma da Lei n. 11.941/2009. Citados pilares de defesa foram adequadamente refutados pelo acórdão recorrido, porquanto: (i) há notória distinção entre “débitos decorrentes de estimativas recolhidas e não pagas” – os quais não são objeto do lançamento – e créditos tributários de IRPJ e CSLL devidos após o encerramento do anocalendário respectivo (estes sim objeto de Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 15 14 lançamento); e (ii) não existe o alegado parcelamento dos débitos de estimativa alegados pela Contribuinte em impugnação. Quanto ao primeiro deles, por sua concisão e pertinência ao caso, pedese vênia para novamente transcrever trecho do acórdão recorrido, verbis: “27. No mérito, a primeira alegação da impugnante é de que confessou os débitos das estimativas em DCTF e que, por isso, não caberia o lançamento. 28. Quanto à declaração em DCTF das estimativas não pagas, as provas dos autos e as pesquisas internas nos sistemas da RFB confirmam a alegação da impugnante, conforme extrato de fl. 555. Contudo, o objeto do presente lançamento não são as estimativas declaradas em DCTF, mas o IRPJ e a CSLL apurados em 31 de dezembro do ano base, recompostos a partir da glosa das estimativas que deixaram de ser pagas. 29. A estimativa e o tributo anual apurado na declaração de ajuste constituem créditos tributários distintos, sujeitos a diferentes vencimentos, regimes de apuração e regras de exigibilidade. As estimativas são apuradas com base na receita bruta e recolhidas no próprio anobase, tendo natureza de antecipação do tributo devido na declaração anual de ajuste. Por essa razão, as têm exigibilidade efêmera, subsistindo somente até o momento do ajuste anual. Uma vez procedido ao ajuste, as estimativas tornamse inexigíveis, ainda que declaradas em DCTF. Por sua vez, o imposto/contribuição anual é apurado com base no lucro real, em caráter definitivo, resultando exigível somente a partir do ano seguinte ao da apuração. 30. Essa distinção confirmase na diferente codificação das respectivas receitas, a saber: (..._ 32. Nesse sentido, observese que o débito declarado em DCTF pelo sujeito passivo é o do código 5993. O entendimento de que os débitos correspondentes a este código (estimativas) não são exigíveis após ajuste anual, mesmo declaradas em DCTF, constitui entendimento pacifico na Administração Tributária. Nesse sentido, reportome ao recente Parecer PGFN nº 1658/2011. 33. No caso em espécie, analisandose o lançamento do IRPJ, verificase da Ficha 12A da DIPJ do contribuinte, (fl. 558), que mesmo não tendo o sujeito passivo pago a estimativa de setembro/2008 (R$ 8.946.045,80), esse valor foi abatido na apuração do imposto anual, fazendo gerar um saldo negativo fictício de IRPJ de R$ 1.187.121,60. Assim, recomposto o saldo do IRPJ, após a glosa da estimativa deduzida indevidamente, restou IRPJ a pagar de R$ 7.759.924,20. Esse valor, que foi objeto de lançamento, não se confunde, repitase, com a estimativa declarada em DCTF. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 16 15 34. Ainda sobre a apuração do IRPJ anual, registrese por fim que na DCTF do 1º semestre de 2009 (fl. 556), correspondente ao vencimento do imposto anual, não há débitos declarados. 35. O mesmo raciocínio acima despendido para o IRPJ vale para a CSLL. Conforme Ficha 17 da DIPJ, reproduzida no extrato de fl. 559, a estimativa de CSLL deduzida indevidamente foi de R$ 3.227.056,49, fazendo gerar um saldo negativo fictício de R$ 425.203,78, que após a glosa, converteuse em CSLL a pagar no valor de R$ 2.801.852,71. 36. Eis os códigos de receita da CSLL: (..._ 37. Observese que o débito de CSLL que está declarado na DCTF é do código 2484 (estimativa), da mesma forma que não há débitos declarados na DCTF do 1º semestre de 2009 (fl. 556) em que ocorreu o vencimento da CSLL anual – Código 6773. 38. Portanto: (i) os débitos de estimativas declarados em DCTF são inexigíveis; (ii) os débitos de que trata este processo, vencíveis no primeiro semestre de 2009 e classificáveis nos códigos 2362 e 2484, não foram objeto de DCTF, sendo portanto passíveis de lançamento de ofício e exigíveis. 39. Essa distinção fulmina todos os argumentos da defesa fundados na sofista premissa da declaração dos débitos em DCTF.” Quanto ao item (ii) supra (parcelamento), consta dos autos (fls. 562) que o alegado parcelamento de débitos foi indeferido pela RFB, razão pela qual não produz qualquer efeito jurídico. O fato (alegado e não provado) de a Contribuinte não ter sido intimada do indeferimento do parcelamento deve ser objeto de contraditório no processo de parcelamento e não neste PA. Para esta lide, releva apenas constatar que não há parcelamento de débitos vigente, o que afasta, de per si, todos os argumentos de defesa relacionados com essa premissa fática. Por fim, não prospera o argumento da Contribuinte no sentido de que a Fiscalização deveria ter feito a prova da inexistência do pagamento das estimativas declaradas em DCTF. A existência de pagamento caracterizase em fato extintivo do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, cujo ônus da prova é do contribuinte. Ficam integralmente mantidos, pois, os lançamentos do montante principal do tributo, acrescidos da respectiva multa de ofício aplicada de 75% e de juros moratórios equivalentes à taxa selic. Quanto à multa de ofício isolada, filiome à corrente jurisprudencial majoritária no sentido de que a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano calendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Vejase, nesse sentido, Fl. 711DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 17 16 ementas de v. acórdãos proferidos pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105 139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelandose improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS. (CSRF, 10140.001362/200247, Ac. 107133806, José Henrique Longo) No mesmo sentido: IRPJ – RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANOCALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no Fl. 712DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 18 17 lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Ac. 103124926, Rel.: José Carlos Paussuelo, Processo n. 10280.009389/9926) Também é entendimento assente em seara administrativa o de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/200219, Recurso n. 106 131314, Ac. CSRF/0104.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) Do exame dos autos verificase que no anocalendário autuado houve lançamento de tributos com multa de ofício (em auto de infração apartado) e de multas isoladas por não recolhimento do imposto sobre bases estimadas por conta dos mesmos fatos, razão pela qual se impõe, por este fundamento, o afastamento das multas isoladas. Quanto ao último item recursal (juros de mora sobre multa de ofício), entendo que procede a alegação da Contribuinte quanto à (ilegítima) incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada. Para que esse voto não se alongue em demasia, reportome aos argumentos aduzidos pelo Ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido para fundamentar esse entendimento, verbis: “Entendo caber razão à recorrente quanto à não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nem mesmo no percentual de 1%. Reproduzo parte dos argumentos de defesa esposados pela recorrente. O artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”, nos termos do parágrafo 3º do citado artigo 113. Assim, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. É somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não integralmente paga no respectivo vencimento podem incidir os Fl. 713DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 19 18 juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não pode incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.”. Corrobora tal entendimento o voto condutor do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, nos autos do recurso nº 125.436, que deu origem ao acórdão 202 16.397: Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelo quê, entendo não ser cabível a cobrança de juros moratórios, à taxa de 1% ao mês, sobre a multa de ofício imposta no lançamento.” (Processo n. 16327.004079/200275, Acórdão n. 10196.008, sessão de 01 de março de 2007). Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e dos lançamentos e, no mérito, darlhe parcial provimento para cancelar os lançamentos de multa de ofício isolada e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício remanescente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 20 19 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Colhidos os votos em sessão, restou o relator vencido com relação aos seguintes pontos: (i) lançamento da multa isolada sobre as estimativas, em relação ao qual o relator propunha o seu cancelamento; (ii) juros de mora sobre a multa de ofício, calculados com base na taxa Selic, que o relator excluía. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Albertina Silva Santos de Lima, esta não mais integra o colegiado. Neste caso, dispõe o art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF): “Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; (...)” Nestes termos, na condição de atual presidente da Turma, e tendo participado daquele julgamento, designo a mim como redator ad hoc para o voto vencedor. Inicialmente, cumpre esclarecer que minha posição pessoal é pela manutenção integral das multas isoladas aplicadas, uma vez que não partilho do entendimento de nenhuma das inúmeras teses que vicejaram no CARF propondo o seu cancelamento, em função das circunstâncias específicas que cercam a determinação do seu montante em cada caso concreto. A meu modo de ver, a penalidade pelo descumprimento da obrigação de recolher as antecipações devidas está expressamente prevista em lei e não guarda qualquer correlação com o montante do imposto devido ao final do ano, nem tampouco pode ser afastada sob o argumento de concomitância com a multa proporcional eventualmente aplicada. Contudo, tal entendimento também restou superado por ocasião da votação, tendo prevalecido, por maioria de votos, a posição da conselheira Albertina Silva Santos de Lima, então presidente da Turma. A posição da ilustre conselheira, por diversas vezes manifestada em outros julgados, e que restou vencedora, centrase no entendimento de que não há na lei qualquer limitação quanto a não poder a base de cálculo da multa isolada aplicada (i.e., as estimativas devidas) ser superior à base de cálculo apurada no ajuste anual. Ou seja, a ilustre conselheira defende a manutenção da multa isolada inclusive nos casos em que a base de cálculo do tributo ao final do ano resultar negativa (prejuízo fiscal), bem como nos casos em que, como ocorre no presente, a base de cálculo apurada no ajuste resulta inferior às estimativas devidas. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 21 20 Por outro lado, a ilustre conselheira rejeita a chamada “aplicação concomitante” da multa de ofício isolada e da multa de ofício proporcional sobre uma mesma base. Para ilustrar de forma sintética o seu posicionamento, trago à colação trecho do voto por ela proferido nos autos do processo 18471.002644/200311: “(...) Os valores cuja insuficiência foi detectada pela fiscalização são de R$ 4.571,75 para janeiro, R$ 52.294,24 para agosto, R$ 11.227,93 para setembro, e R$ 38.746,19 para outubro. O valor total das estimativas corresponde a R$ 106.840,11 Esses valores de estimativas foram incluídos no PAES, mas durante a ação fiscal. Teria de ser efetuado lançamento da multa por falta de recolhimento de estimativas? Entendo que sim, porque a contribuinte estava sob a ação fiscal quando aderiu ao PAES. Entretanto, sobre a base de R$ 60.569,80 (valor do ajuste) foi lançada a multa de oficio. Assim, houve dupla incidência de multa sobre esse valor. Meu entendimento pessoal é de que deveria ser excluída a multa isolada que incidiu sobre o valor do ajuste, em razão da concomitância com a multa de oficio, mantendose o valor restante reduzido de 75% para 50% em função da alteração na legislação posterior.” Transpondo para o presente caso, a situação que emerge é a seguinte: No caso do IRPJ, as estimativas devidas e não recolhidas apuradas pelo fisco foram de R$ 8.946.045,80, e o valor do imposto devido no ajuste, e também lançado de ofício, foi de R$ 7.758.924,20. Assim, resta como estimativa devida e não recolhida o montante de R$ 1.187.121,60, que corresponde à base de cálculo sobre a qual deve ser mantida a multa isolada de 50%. E, no caso da CSLL, as estimativas devidas e não recolhidas apuradas pelo fisco foram da ordem de R$ 3.227.056,49, e o valor da contribuição devida no ajuste, e também lançada de ofício, foi de R$ 2.801.852,71. Assim, resta como estimativa devida e não recolhida o montante de R$ 425.203,78, que corresponde à base de cálculo sobre a qual deve ser mantida a multa isolada de 50%. Com relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, o entendimento majoritário do colegiado é no sentido da manutenção de sua exigência, em síntese, pelos fundamentos a seguir expostos. A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 22 21 (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Historicamente, o DecretoLei nº 1.736/1979 já previa a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos seguintes termos: Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) O parágrafo único do art. 2º acima transcrito expressamente ressalvava a não incidência de juros apenas sobre a multa de mora, mas não sobre a multa de oficio, prescrevendo o seu caput a incidência de juros sobre o “valor originário” dos “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional”. O art. 3o, por sua vez, referia todas as Fl. 717DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 23 22 parcelas do débito que não se consideram incluídas no “valor originário” do débito, não se encontrando ali também a previsão para a exclusão, deste valor, da multa de ofício. Houve, contudo, de fato, períodos em que, apesar da previsão geral de incidência de juros de mora contida no CTN, a lei expressamente restringiu os juros de mora apenas aos tributos e contribuições atualizados monetariamente, o que implicou, portanto, na sua não incidência, naqueles períodos, sobre a multa de ofício. Por exemplo, houve a Lei nº 7.738/89, cujo art. 23 possuía a seguinte redação: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Contudo, já com a Lei nº 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre “os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, juros estes que eram então calculados com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e Sem estender a análise histórica de modo a contemplar todos os diplomas legais que trataram do assunto, o que se verifica é que, sempre que o legislador visou a restringir o alcance dos juros a apenas parte (ou partes) do crédito tributário, o fez de modo expresso, ou usando a expressão “tributos e contribuições” para referir que somente estes se sujeitariam aos juros de mora, ou então mencionando expressamente todas as parcelas do crédito tributário (débito para com a Fazenda Nacional) que não deveriam sofrer a incidência daqueles juros. No caso dos autos, há que se levar em consideração o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 24 23 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Rogando vênia à corrente desta Corte que se tem manifestado em sentido oposto, entendo que a expressão “decorrentes de tributos e contribuições” deva ser interpretada de modo a incluir a multa de ofício, e não a excluíla. Os débitos para com a Fazenda Nacional podem ser de diversas naturezas, não apenas tributária. Assim, tenho que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” visa a apenas ressaltar a natureza tributária dos débitos a que se refere o dispositivo em questão, em contraste com a mais abrangente expressão “débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, anteriormente empregada pela legislação de regência. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso para reduzir a base de cálculo da multa isolada para R$ 1.187.121,60, em relação ao IRPJ, e para R$ 425.203,78 em relação à CSLL. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado ad hoc Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722683/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. GLOSA
Não estando comprovadas as despesas com contribuição a Previdência Privada e FAPI, deve ser mantida a presente glosa.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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GLOSA Não estando comprovadas as despesas com contribuição a Previdência Privada e FAPI, deve ser mantida a presente glosa. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 83 /2 00 9- 70 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Tratase de Notificação de Lançamento nº 2006/610410113433028, lavrada em 05/06/2008 (fls. 05/09), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Ano Calendário 2005, Exercício 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 8.825,44, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 05/06/2008. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06/07, que o contribuinte regularmente intimado, não atendeu a intimação do Fisco, e em decorrência, foi glosado o valor de R$ 16.555,72, deduzido indevidamente à título de despesas médicas por falta de comprovação e glosou o valor de R$ 9.058,94, deduzido indevidamente à título de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, também por falta de comprovação. Cientificado da exigência tributária em 18/06/2008, e, irresignado com o Lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou Impugnação em 16/07/08 (fls. 01/02), instruída com os documentos de fls. 04 e seguintes. Inicialmente alegou o não recebimento de qualquer intimação para a apresentação de documentos em momento antecedente ao do recebimento da presente notificação fiscal. Quanto ao valor da Previdência Privada e FAPI disse que em 31/10/02 foi feita uma migração do Plano Único da Fundação CEEE para o Plano de Benefícios CEEEPREV Previdência Privada da Cia. Estadual de Energia Elétrica administrado pela Fundação CEEE Anexo I. Em 10/2002, o valor pago como complementação de aposentadoria por tempo de serviço era de R$ 6.062,25, com a contribuição de R$ 517,66. Após a assinatura do Anexo I, em 11/2002, passou a ser de R$ 5.500,59. Ficando retido pela Fundação CEEE de Seguridade Social o valor da contribuição para a Previdência Privada e FAPI Anexo II. Destaca que no demonstrativo para opção da migração para o CEEPREV Participante Assistido consta que o benefício saldado corresponde ao valor do benefício do Plano Único deduzida a contribuição. Concluindo suas razões, reafirmou que o valor da Contribuição à Previdência e Fapi vem sendo retido mensalmente pela Fundação CEEE, que restou comprovado pela redução do valor recebido conforme Anexo II. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos transcritos abaixo: “Preliminarmente convém destacar que, conforme informado às fls. 01 e fls 25, foi transferido para o processo n° 11080.008.639/200872 o valor originário (principal) de R$ 1.907,22 relacionado à parte não impugnada do lançamento (despesas médicas). Assim, registro que o presente julgamento restringirseá à parte litigada. Na defesa, o contribuinte alegou ter sido retido o valor da contribuição para a Previdência Privada e FAPI. Mencionou a existência de anexos I, II e III, porém conforme verifico nos autos, não apresentou no prazo de defesa quaisquer elementos probatórios das suas alegações. [...] De acordo com os dispositivos transcritos, todas as deduções estão sujeitas a comprovação por parte do contribuinte. Conforme verifico nos autos, o contribuinte não apresentou no prazo de defesa elementos comprovadores das suas afirmações Fl. 43DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.722683/200970 Acórdão n.º 2102002.864 S2C1T2 Fl. 43 3 que permitissem o entendimento diverso daquele apontado pela fiscalização. Assim, mantenho o crédito tributário relativamente a parte em litígio na forma lançada. [...]” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1031.950 da 8ª Turma da DRJ/POA em 22/06/2011 (fl. 34). Sobreveio Recurso Voluntário em 14/07/2011 (fl. 41), desacompanhado de documentos. Em suma, alegou que: “Como não possui outro tipo de rendimento, a não ser a complementação da Aposentadoria pela Fundação CEEE de Seguridade Social e a aposentadoria propriamente dita, do INSS, cujos cálculos do imposto de renda retido na fonte são de acordo com as tabelas emanadas da Receita Federal, solicita exame deste cálculo, pois entende que o mesmo já contempla o fisco com os valores devidos. Outrossim, gostaria que também fosse levado em conta que possa estar havendo bitributação, o eu também fosse levado em conta que possa estar havendo bitributação, o eu já tem ocasionado demandas judiciais, com ganho de causa aos contribuintes.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia acerca dos valores da contribuição para a Previdência Privada e FAPI. Dá análise dos autos, ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que o contribuinte não acostou nenhum documento que fundamente suas razões junto ao Recurso. Inclusive, cabe consignar que na impugnação o interessado alega ter acostado anexos I, II, e III, contudo, compulsando os autos, verificase que não há quaisquer documentos apresentados pelo contribuinte, tanto na impugnação quanto no presente recurso. Conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, as deduções informadas pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual são passíveis de comprovação. Nesse sentido, transcrevo abaixo os arts. 73, §1º, 797 e 835 do RIR/99: “Art. 73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Art. 797. E dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. Ari. 835. As declarações de rendimentos estão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários.” Portanto, não estando comprovadas nos autos as despesas com contribuição a Previdência Privada e FAPI, deve ser mantido o presente lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001469/2009-34
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL.
Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007.
A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS.
Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
Numero da decisão: 1802-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2347; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 105 1 104 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.001469/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.576 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de março de 2013 Matéria DECLARÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente USINA CAETÉ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 14 69 /2 00 9- 34 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 106 2 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 107 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.79/93 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 70/75) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 20/03/2009, a Contribuinte protocolizou Declaração de Compensação Tributária, formulário em papel (modelo previsto no Anexo VII da IN RFB n° 900/2008), informando (fls. 02/04): a) débitos previdenciários Fundo de Asistência da Previdência Social FPAS: Código de Receita – FPAS Período de Apuração Vencimento Valor Orginal do Débito (R$) Outras Informações 2100 02/2009 20/03/2009 169.165,60 FPAS 604 2607 02/2009 20/03/2009 192.889,51 FPAS 744 2100 02/2009 20/03/2009 90.254,58 FPAS 833 Obs: Os débitos discriminados acima são da Filial da Contribuinte USINA CAETÉ, unidade de São Miguel dos Campos – AL. b) crédito utilizado (valor original): R$ 452.309,69. que, segundo a Contribuinte, a origem desse direito creditório utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendáro 2008, no montante de R$ 5.484.010,68 (valor original), objeto do Processo de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP: 02581.89116.190309.1.3.028782, protocolizada em 19/03/2009, cópia juntada (fls. 17/19). Não informou o número daquele processo; que o reconhecimento do direito de compensação impõese com base na Lei nº 11.457/2007; A DRF/Maceió (4ª Região Fiscal), por Despacho Decisório de 22/06/2009 (fls. 26/28), sem enfrentar o mérito quanto ao direito creditório pleiteado nestes autos, indeferiu a Compensação tributária informada, em face de utilização pela contribuinte de procedimento de compensação diverso do previsto legalmente. A propósito, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação constante do Parecer da Seção – SAORT, parte integrante do referido Despacho Decisório (fls. 26/28), in verbis: (...) Fundamentação Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 108 4 2. De acordo com o que consta às fls. 01 e 02 dos autos, as compensações requeridas têm como alvos débitos relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a seus empregados, demais segurados do regime geral de previdência social e de suas operações normais durante o mês de fevereiro de 2.009. No caso, observase que os débitos sobre os quais se requer as compensações são decorrentes do que consta na alínea "a", parágrafo único, art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 3. O requerente fundamentase na Lei n° 11.457, de 2.007, para solicitar o reconhecimento do direito às compensações (ver fls. 01). 4. A Lei n° 11.457, de 2.007, em seu art. 26, parágrafo único, determina que o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, não se aplica às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 5.Entendo, no caso, que as compensações pretendidas utilizaram como base o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, atualmente com redação dada pela dada pela Lei n° 10.637, de 2.002, tendo em vista que a declaração de compensação de fls. 02 dos autos foi efetivada com base em crédito de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ). Conclusão 6. Tendo em vista o que consta neste parecer, proponho que seja indeferida a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Despacho decisório À vista dos elementos que instruem este processo e dos fundamentos contidos no parecer que integra este ato, conforme § 1º, art. 50, da Lei n° 9.784, de 1.999, indefiro a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Ciente dessa decisão monocrática em 06/07/2009 (fl. 29), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade para a DRF/Recife em 05/08/2009 (fls. 30/38), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que pela Lei 11.457/2007 ocorreu a unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, dando origem à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Super Receita); que, pelo art. 2º da Lei nº 11.457/2007, foi transferida toda a competência sobre a fiscalização e administração das Contribuições Previdenciárias, de que tratam as alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 109 5 que não há, absolutamente, nenhuma vedação expressa na lei no sentido de que não poderia a Contribuinte compensar seu débito correspondente à contribuição previdenciária com crédito originário de outros tributos como, por exemplo, saldo negativo de IRPJ e também não haveria de ter, pois são tributos administrados pelo mesmo órgão; que a Lei 11.457/2007 e a Instrução Normativa n° 900/08 não apresentam quaisquer restrições ou justificativas no sentido da impossibilidade de compensação dos débitos relativos às contribuições previdenciárias com créditos relativos a outros tributos; que se encontra consolidado pelo Supremo Tribunal Federal o reconhecimento de que as contribuições sociais têm natureza tributária e que, antes da edição da Lei 11.457/2007, o único empecilho que permanecia à compensação, entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, era o fato de que àquelas eram administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social; que o art. 7° do DecretoLei n° 2.287/1986 (nova redação dada pelo art. 114 da Lei n° 11.196/2005) já determinava que o fisco, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deveria averiguar se o contribuinte era devedor da Fazenda Nacional e, no caso de existência de débitos, inclusive previdenciários, o valor correspondente ao crédito deveria ser compensado de ofício, total ou parcialmente, com o valor do débito; que atinente a débitos das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91 ou das contribuições instituídas a título de substituição – incidentes sobre o faturamento – Agroindústria (Lei nº 8.212/91, art. 11, § parágrafo único, “d” c/c art. 22A) e em relação à Divida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, o dispositivo prevê o mesmo procedimento. Ou seja, a autoridade fiscal deve compensar de oficio créditos de tributos federais com débitos previdenciários antes de qualquer ressarcimento ou restituição; que as compensações de créditos de tributos federais com débitos de contribuições administrados pela extinta Secretaria da Receita Previdencidria já eram realizadas, independentemente de requerimento do contribuinte e, sendo assim, a Lei 11.457/2007 buscou justamente tornar possível também a compensação pelo próprio contribuinte. Ademais, seria injustificável que este procedimento somente pudesse ser realizado de oficio pelo fisco, razão pela qual as compensações, do caso em tela, devem ser aceitas/homologadas com base em declaração da própria Contribuinte, na forma prevista pelo art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que todos os tributos federais passaram a ser administrados pelo mesmo órgão, ou seja, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatase que a compensação objeto do processo em comento se mostra absolutamente legitima, motivo pelo qual o suposto débito de contribuição previdenciária deve ser extinto; que, caso se entenda pela impossibilidade de realização das compensações, sob hipótese alguma poderia ser fundamentada pela aplicação do artigo 26 da Lei 11.457/2007, pois esse dispositivo se refere, exclusivamente, às contribuições: a) das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos e c) dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, o que, definitivamente, não é o caso dos autos; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 110 6 que, vale dizer, os artigos 2º e 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 somente vedam a compensação nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para as constribuições previdenciárias das alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91; que a situação da Contribuinte é diversa, pois tratase de Agroindústria e, por isso, o débito compensado se enquadra na alínea "d" do § único do artigo 11 da Lei 8.212/91, ou seja, contribuição social incidente sobre o faturamento, por força do disposto no art. 22A da Lei 8.212/91, redação dada pelo art. 1º da Lei 10.256/2001, e que, por conseguinte, a compensação efetuada não é vedada; que, não obstante, a vedação de compensação (alineas a, b e c do § único do art. 11 da Lei 8.212/91), também, não deve prevalecer por ser flagrantemente inconstitucional, por falta de proporcionalidade ou razoabilidade da restrição; que, desta forma, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria, alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91), e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos; que, por fim, pedidu a revisão do indigitado Despacho Decisório. A DRJ/Recife, na mesma esteira do Despacho Decisório, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela vedação da compensação pleiteada no rito do procedimento previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, não entrando no mérito do direito creditório, cuja menta do acórdão transcrevo a seguir (fl. 70), in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição não se aplicam às disposições relativas à restituição e compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência do art. 26 da Lei n° 11.457/2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 111 7 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 22/03/2012sextafeira (fl. 78), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (fls. 79/93), juntando ainda os documentos de fls. 94/100, aduzindo, em suma, as mesmas razões já apresentadas na instância a quo, já resumidas anteriormente, neste relatório. Por fim, a Recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, reiterando que, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91) e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos. Aduziu, também, a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação de débitos de contribuição previdenciária com créditos de outros tributos mediante prévio requerimento. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 112 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A Contribuinte, em 20/03/2009 (fls. 02/03), formalizou compensação tributária de débitos das contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com direito creditório saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, utilizando o procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão a quo, assim como acontecera com o despacho decisório, sem entrar no mérito do direito creditório, rejeitou a compensação tributária, pela impossibilidade jurídica do encontro de contas pelo procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo, argumentando que é inaplicável a vedação do art. 26, parágrafo único, da Lei nº 11.457/2007, pelas seguintes razões: a) que a vedação estendese, apenas, às exações fiscais das alínesas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; b) que, por ser agroindústria (contribuições da Agoindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º), os débitos compensados do INSS referemse à alínea “d” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; c) que, caso esse entendimento não seja acatado e ainda assim, a partir da criação da Super Receita Lei nº 11.457/2007 (unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria de Arrecadação Previdenciária do Ministério da Previdência Social), não deve prevalecer a vedação de aplicação do art. 74 da Lei 9.430/96. Vale dizer: que é inconstitucional o dispositivo legal que veda a compensação tributária, via DCOMP, de débitos do INSS com créditos de tributos federais, pois tais exações fiscais passaram a ser administradas pelo mesmo órgão, ou seja, a Secretaria da Receita Federal do Brasil. d) que, por fim ainda, defende a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação por prévio requerimento entre débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 113 9 Inexistindo preliminar suscitada de natureza processual, passo diretamente à análise do mérito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PROCEDIMENTOS. O ponto controvertido, que precede à análise de mérito do direito creditório pleiteado, diz respeito ao procedimento utilizado pela Recorrente para viabilizar o “encontro de contas” de débitos de contribuições sociais do INSS (estatuídas na Lei nº 8.212, art. 11, parágrafo único, alíneas “a”, “b”, e “c”) e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições sociais da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com créditos de outros tributos federais. Em relação às contribuições previdenciárias do INSS, antes da fusão da Receita Federal com a Receita Previdenciária promovida pela Lei nº 11.457/07 (Lei que criou a "Super Receita"), as hipóteses de compensação dessas exações fiscais estavam bem delineadas na legislação de regência. Senão vejamos: a) compensação voluntária, via declaração (GFIP), somente entre débitos tributários de contribuições previdenciárias do INSS e crédito dessas mesmas exações fiscais, decorrente de pagamento indevido ou a maior (Lei nº 8.212/91, art. 89 c/c Lei nº 9.032/95); b) compensação de ofício, entre débitos do sujeito passivo com a Fazenda Nacional e créditos de competência do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (Lei nº 8.212/91, art. 89, § 8º, MP 252/2005 e Lei nº 11.196/05); c) compensação de ofício, realizada entre créditos de quaisquer tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias, cuja competência era exercida pela Secretaria da Receita Federal. (DecretoLei nº 2.287/86, art. 7º, § 2º, com redação dada pelo art. 114, da Lei nº 11.196/05). Portanto, enquanto vigente o art. 89, § 2º, da Lei nº 8.212/91, o qual foi objeto de revogação pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, havia expressa disposição de que a restituição ou compensação de contribuições previdenciárias, por iniciativa voluntária do contribuinte, somente envolvia débitos e créditos tributários decorrentes dessas mesmas contribuições, in verbis: "Art. 89. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei." Quando da entrada em vigor da Lei nº 11.457/07 (unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria de Arrecadação da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social), o caput do art. 26 trouxe uma inovação legislativa atinente à compensação de contribuições previdenciárias, ou seja, além da compensação voluntária entre débitos e créditos de contribuições sociais do INSS, prevê a compensação, por requerimento, em procedimento diverso da Declaração de Compensação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para débitos de contribuições sociais do INSS com créditos de outros tributos federais. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 114 10 Vale dizer, a partir data da entrada em vigor da MP 449/08, restou revogada a restrição contida no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91 (norma específica). A mencionada medida provisória foi convertida na Lei nº 11.941/09, que manteve a revogação. Em face disso, e em consonância com o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/07, há previsão legal, em abstrato, de compensação voluntária, por requerimento, de débitos previdenciários com créditos de tributos federais. Já, os Tribunais brasileiros, interpretando a norma inserta no art. 26, e parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, têm enfrentado a questão, apenas, sob o ângulo se cábivel ou não a aplicação do procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para efeito de compensação voluntária, por iniciativa do contribuinte, entre débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos de tributos federais. A propósito da norma insculpida no art. 26, da Lei nº 11.457/07, o Superior Tribunal Justiça (STJ) já se manifestou acerca de compensação entre contribuições federais e os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vale dizer, a Segunda Turma desse Excelso Tribunal, em julgado datado 05/04/2011 (STJ. REsp 1235348/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 02/05/2011), quanto ao alcance do art. 26, e seu parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, assim concluiu, in verbis: "(...) consignou expressamente que o art. 74 da Lei 9.430/96 não se aplica às exações cuja competência arrecadatória foi transferida, ou seja, vedou a compensação entre créditos de tributos que eram administrados pela antiga Receita Federal com débitos de natureza previdenciária, até então sob o pálio do INSS." (p.08). Em outro julgado, mais recente da mesma Turma julgadora do STJ (AgRg no REsp 1267060/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 24/10/2011), reafirmase o entendimento exposado no início do ano de 2011, in verbis: "É incontroverso que, em regra, os créditos do contribuinte contra a Receita Federal do Brasil podem ser compensados com quaisquer débitos tributários administrados pelo mesmo órgão, por meio da declaração eletrônica (DCOMP), nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei 10.637/2002). Ocorre que o art. 26, parágrafo único, c/c o art. 2º da Lei 11.457/2007 afastou expressamente essa prerrogativa em relação às contribuições sociais do art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei 8.212/1991 (contribuições patronais, dos empregadores domésticos e dos trabalhadores) e àquelas instituídas a título de substituição: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 115 11 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. A intenção do legislador foi, claramente, resguardar as receitas necessárias para o atendimento aos benefícios, que serão creditadas diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei 11.457/2007”. Portanto, conforme entendimento do Poder Judiciário, o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (compensação por PER/DCOMP) não se aplica às contribuições sociais aludidas no art. 2º da Lei nº 11.457/07. Não obstante, como já disse alhures, entendo que a partir da revogação do § 2º do art. 89 Lei nº 8.212/91 (norma específica), operada pela Lei nº 11.941/09, abriuse possibilidade legal de compensação voluntária, de iniciativa do contribuinte (prévio requerimento), de débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos dos demais tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que observado específico procedimento legal de compensação a ser implementado, conforme será demonstrado a seguir. Primeiramente, tornase mister transcrever o texto dos arts. 2º e 26 da Lei nº 11.457/2007, in verbis: Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1º O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. (...) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 116 12 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei." No contexto sistemáticonormativo que se insere a Lei nº 11.457/07 (arts. 2º e 26), é cediço que o referido diploma legal procedeu à fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, criando a cognominada "SUPER RECEITA", cujo órgão passou a ser chamado de Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, no contexto da referida fusão, foram criadas regras para a estrutura administrativa e de procedimentos administrativos para harmonização e operacionalização da reunião das competências de administração, fiscalização e arrecadação dos tributos federais, incluindo agora as contribuições previdenciárias, previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei nº 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição. A norma insculpida no caput do art. 26 da Lei 11.457/07, numa primeira análise, diz respeito apenas à obrigatoriedade do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias do INSS ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Já, a regra contida no parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 dispõe apenas acerca do alinhamento e adaptação do procedimento administrativo de compensação, para operacionalização do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social. Mas, não é só isso! Em análise detida, o art. 26 da Lei nº 11.457/07 diz mais: busca equalizar o fluxo de arrecadação e manter íntegra a destinação dos valores arrecadados a título de contribuições previdenciárias do INSS, diante da característica das contribuições especiais: a destinação específica do produto de sua arrecadação. A equalização do fluxo de arrecadação, para manutenção da correta destinação dos valores das contribuições previdenciárias ao Fundo do RGPS, somente se justifica se, e apenas se, na compensação (débitos x créditos) os créditos utilizados para o encontro de contas não forem de natureza previdência (contribuições previdenciárias). A propósito, os efeitos financeiros da compensação tributária, se operada apenas entre contribuições previdenciárias ou entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, são os seguintes: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 117 13 a) compensação de débito de contribuição previdenciária com créditos previdenciários. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária, já descontada a compensação, é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Aqui, não há equalização do fluxo de arrecadação, pois tudo é feito no âmbito da GFIP, conforme será abordado mais adiante. b) compensação débito de contribuição previdenciária do INSS com créditos de tributos federais. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária (valor recolhido pelo contribuinte + o valor compensado) é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei nº 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Quanto ao valor compensado (crédito utilizado de tributos administrado pela RFB), o repasse do respectivo valor pela União (RFB) ao Fundo RGPS deve ocorrer em dois dias úteis (Lei nº 11.457/2007, art. 26). Aqui, destarte, que se dá a equalização para que haja o repasse integral da arrecadação das contribuições previdenciárias. É essa equalização de arrecadação que está regulamentada no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. Tal procedimento financeirocontábil já era adotado desde o ano de 2005, antes mesmo da criação da "Super Receita", com o advento Lei nº 11.196/05, que modificou o DecretoLei nº 2.287/86, instituindo a compensação de ofício entre as contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais. Entretanto, o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 foi além dessa compensação de ofício, ou seja, prevê também a compensação voluntária, mediante requerimento do contribuinte, de débito de contribuição previdenciária (INSS) com créditos de tributos federais, porém, neste último caso, em procedimento diverso do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Logo, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 deve ser entendido no sentido de que o procedimento de compensação previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96 não se aplica às compensações de débitos previdenciários via DCOMP eletrônica ou em papel, quando estiverem envolvidos créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias. E não se aplica o mencionado procedimento administrativo fiscal do art. 74 da Lei 9.430/96 para as compensações de débitos previdenciários com créditos de outros tributos federais por uma razão lógica e sistêmica após unificação da arrecadação dos tributos federais, promovida pela Lei nº 11.457/07, ou seja, em face da necessidade de equalização do fluxo de arrecadação do INSS (necessidade de repasse em dois dias úteis em procedimento de compensação ágil, diverso do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96). Como a compensação tributária, no procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96, dáse imediatamente, ainda que em caráter resolutório, podendo a homologação ocorrer de forma expressa ou tácita, no prazo de até cinco anos. Vêse, logo, que o procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 é incompatível com a necessidade de equalização imediata do fluxo de arrecadação da receita previdenciária. É notório que o procedimento administrativo de compensação, previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96, é o denominado de "Compensação por Declaração", ou seja, o próprio contribuinte realiza a compensação e a informa à RFB, mediante utilização do Programa Gerador PER/DCOMP eletrônica ou, em certos casos, mediante DCOMP em formulário em papel. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 118 14 O procedimento de compensação por declaração (DCOMP) é incompatível com o procedimento de equalização do fluxo de recursos financeiros, prevista no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. É incompatível pelas seguintes razões: necessidade de controle prévio da compensação de crédito de tributos federais (exceto previdenciários) com os débitos de contribuição previdenciária, para fins de determinação do quantum a ser repassado para o Fundo do RGPS; exíguo lapso temporal para o repasse pela União (RFB) ao Fundo do RGPS dos valores compensados, uma vez que fixado dois dias úteis da data da compensação de ofício ou do deferimento do requerimento. Prazo incompatível com a DCOMP que exingue o débito sob condição resolutória na data de sua transmissão. Cabe mencionar, ainda, que a Lei nº 11.457/07 faz referência à data do deferimento do requerimento. Tal REQUERIMENTO somente pode ser considerado o pedido administrativo prévio de compensação voluntária pelo contribuinte. É indubitável que a compensação via requerimento é completamente distinta da compensação por intermédio de declaração. Nesta, o contribuinte realiza a compensação sob condição resolutória e, ato contínuo, informa à RFB, que tem determinado prazo para homologála ou não. Naquela, o contribuinte faz meramente um pedido administrativo de compensação, o qual será analisado pela RFB, que poderá deferilo ou não. De modo que já se sabe, até mesmo por expressa menção do parágrafo único do art. 26 da referida Lei, que o procedimento via DCOMP não se aplica às compensações referidas no caput. E mais, sabese que a compensação entre crédito de contribuição previdenciária e débitos desta mesma contribuição é realizada por declaração, na denominada GFIP, pois desnecessária, nestes casos, a equalização de recursos financeiros entre a União e o INSS (RGPS). Com efeito, não faria qualquer sentido dizer que o vocábulo "requerimento", a que se refere o caput do art. 26, da Lei nº 11.457/07, estaria ligado à compensação entre crédito de contribuições previdenciárias e débitos de natureza prvidênciária. Como visto, há diversos procedimentos de compensação tributária. Resumidamente, a compensação tributária ocorre em momentos distintos a depender do tipo de procedimento adotado, ou seja: a) entre contribuições previdenciárias, conforme legislação de regência da GFIP (Lei 8.212/91, art. 89, c/c art. 44 da IN RFB nº 900/2008); b) entre tributos federais administrados pela RFB, pela legislação de regência da DCOMP (Lei nº 9.430/96, art. 74, § 1º); Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 119 15 c) entre débitos de contribuição previdenciária do INSS e crédito de tributos federais administrados pela RFB, somente após deferimento de requerimento, em procedimento diverso do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Lei 11.457/2007, art. 26). Assim, embora não aplicável o art. 74 da Lei 9.430/96 à compensação tributária entre créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07, ao invés de vedar, está a viabilizar possível compensação tributária por “requerimento” do contribuinte prevista no seu caput. Tanto é assim que, com o fito de eliminar o último óbice quanto à compensação voluntária entre contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais, a Lei nº 11.941/09 revogou, expressamente, o § 2º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Significa isso que, acaso o legislador desejasse vedar a compensação, por iniciativa do contribuinte, de crédito de outros tributos federais com os débitos de contribuições previdenciárias, teria mantido a norma inserta no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, modificando apenas o órgão arrecadador para a RFB. Mas assim não o fez, mantendo a coerência lógicosistemática da compensação de tributos administrados pela RFB. Em face do exposto, cabe concluir que a compensação de créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS tem previsão legal, porém deve ser apresentada via “requerimento” do contribuinte, por força do art. 26, caput, da Lei nº 11.457/07, em face de necessidade de controle da compensação para fins de repasse, pela União (RFB), do valor compensado ao Fundo do RGPS, não podendo ser utilizado, por conseguinte, o procedimento de compensação por declaração (DCOMP), prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, conforme dispõe o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07. No caso, inadvertidamente a Recorrente utilizou, para compensação tributária de débitos de contribuição previdenciária – INSS (de que tratam as alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição) com créditos de tributos federais (saldo negativo do IRPJ), o procedimento vedado do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (DCOMP) quando deveria ter utilizado a via requerimento a que alude o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007. A alegação da Recorrente de que as contribuições previdenciárias do INSS da agroindústria (contribuições instituídas a título de substituição) estariam enquadradas, abarcadas, no art. 11, parágrafo único, alínea “d” da Lei 8.212/91) e que não estariam abrangidas pela vedação do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 também não merece prosperar. As contribuições da alínea “d” do parágrafo único do art. 11 (contribuições sobre o faturamento) são diversas das contribuições instituídas para a agroindústria, a título de substituição. Logo, a vedação de compensação tributária pelo sistema do art.74 da Lei n° 9.430/96 aplicase às contribuições instituídas a título de substituição, conforme previsão, de forma expressa, do art. 2º da Lei 11.457/2007. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 120 16 Nessa parte ainda, como razão de decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida por serem plusíveis ou pertinentes e que transcrevo a seguir (fls. 72/73), in verbis: (...) O contribuinte pleiteia compensação de crédito referente ao saldo negativo do IRPJ anocalendário 2008 com débitos de Contribuição Social Previdenciária e se insurge contra o Despacho Decisório, fl. 25, que indeferiu o pleito, alegando não haver impedimento legal para a compensação após a Lei n° 11.457/2007 que unificou as competências da Receita Federal com a Receita Previdenciária. E acrescenta que por força do art. 22A da Lei n° 8.212/1991 se enquadra na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da citada lei, por conseguinte, não se encontra atingida pela possível vedação à aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Não lhe assiste razão, é impossível, para o caso em análise, a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, porque, diferente do que afirma a defesa, a Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 (Lei de criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil), mediante o art. 26, parágrafo único, veda expressamente a citada aplicação às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) O regime substitutivo está disciplinado no art. 22A da Lei n° 8.212/1991: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei n° 10.256. de 2001). ..." (Grifei) Portanto, às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do art. 2o da Lei n° 8.212/1991, bem como as instituídas a título de substituição, não se aplicam as disposições sobre compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 é o que determina com clareza o art. 26 c/c art. 2o da Lei n° 11.457/2007, acima transcritos. Sendo assim, diferente do que alega a defesa, a contribuição devida e para a qual se requer compensação, com crédito de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2008, se trata de contribuição previdenciária e seja do tipo das previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 121 17 n° 8.212/1991, seja do tipo das instituídas a título de substituição (agroindústria), se encontra excetuada das determinações contidas no art. 74 da Lei n0 9.430/1996. Pelo exposto, não prospera a tentativa da defesa de enquadrar a contribuição referida na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, a qual abrange, tão somente, às contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro das empresas, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS, ambas já administradas pela Receita Federal. Tanto é assim que o art. 2o da Lei n° 11.457/2007 ao atribuir a nova competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil se referiu às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991 e às contribuições instituídas a título de substituição, cujo regime substitutivo está previsto no art. 22A, referido pela defesa. Corroborando o entendimento acima a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, regulamenta a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e determina: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. ....” (Grifei). Também divergente do que interpreta a defesa, as contribuições previdenciárias foram ressalvadas e obedecem a regime próprio de compensação previsto nos artigos 44 a 48 da referida Instrução Normativa. (...) Portanto, conforme demonstrado, às contribuições da agroindústria (contribuições substitutivas) é inaplicável o procedimento de compensação previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Por outro lado, cabe pequeno reparo na decisão recorrida, ou seja, diversamente do que consta da decisão a quo, a situação dos autos também não se amolda, não se subsume, aos artigos 44 a 48 da IN RFB n° 900/2008, pois esses dispositivos tratam de compensação de créditos decorrentes de pagamento a maior de contribuições previdenciárias com débitos dessas mesmas contribuições. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 122 18 A situação dos autos, como já restou sobejamente demonstrado, tratase de situação diversa, ou seja, de declaração de compensação de crédito de outros tributos (saldo negativo do IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias. Tal fundamento ou possibilidade de compensação tributária não foi enfrentada pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, embora, em abstrato, tenha sido prevista, em tese, no caput do art. 26 da Lei n° 11.457/2007, conforme já fartamente demonstrado. Por conseguinte, se a compensação pleiteada não pode se efetivar pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, e também não pode se efetivar pelos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 900/2008, cabia ao despacho decisório e à decisão recorrida pronunciarse, de forma expressa, se na data de protocolização da Declaração de Compensação objeto dos autos (20/03/2009) já estava, ou não, implementada a possibilidade de compensação de créditos de outros tributos (saldo negativo de IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias, e não simplesmente denegar o pleito da Recorrente, sob pretexto de que foi utilizado procedimento vedado. Qual seria o procedimento de compensação permitido, no caso? A Recorrente tem direito de compensação tributária, em tese. Para evitar possível cerceamento do direito de defesa, negativa de prestação de jurisdição e evitar supressão de instância de julgamento, tornase necessário devolver os autos à Unidade de origem da RFB (DRF/Maceió), para que enfrente, no mérito, a questão se Recorrente tem, ou não, o direito de compensação tributária, no caso, com fulcro no caput do art.26 da Lei n° 11.457/2007 que estaria permitindo, em tese, a compensação no caso, mediante mero requerimento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSIÇÃO LEGAL. Nas razões do seu recurso, a Recorrente arguiu a ilegalidade ou inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007, por afronta a princípios constitucionais, em face da vedação de aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 nas compensações, entre créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalide de lei, negar vigência, afastar ou deixar de aplicar disposição legal de regência vigente sob pena de responsabilidade funcional, pois, em face da adoção do princípio da Jurisdição Una pela Carta da República, o controle de legalidade de lei é da competência do Poder Judiciário. A propósito, esse entendimento é pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo cuja matéria já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na verdade, na esfera administrativa o escopo do julgamento não é o controle de legalidade da legislação aplicada (eventuais ou pretensos vícios formais ou materias da lei), Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 123 19 mas sim o controle de legalidade do ato administrativo, do despacho decisório e da decisão recorrida, no sentido de aferir se houve, ou não, observância da legislação material e processual de regência. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Maceió para que se pronuncie, no mérito, se a Recorrente tem ou não, no caso, direito à compensação tributária com base no caput do artigo 26 da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação tributária objeto dos autos, haja vista a inaplicabilidade do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e do procedimento dos artigos 44 a 48 da IN SRF n° 900/2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002779/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CANCELAMENTO DOS VALORES DECLARADOS.
Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca da forma de tributação dos rendimentos (Súmula CARF nº 86).
Ademais não há como zerar e cancelar valores constantes da declaração, restando comprovado que o contribuinte tinha o intuito de obter restituição indevida, isso porque o próprio contribuinte reconheceu que não possui comprovantes e não tem direito a restituição.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CANCELAMENTO DOS VALORES DECLARADOS. Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca da forma de tributação dos rendimentos (Súmula CARF nº 86). Ademais não há como zerar e cancelar valores constantes da declaração, restando comprovado que o contribuinte tinha o intuito de obter restituição indevida, isso porque o próprio contribuinte reconheceu que não possui comprovantes e não tem direito a restituição. Recurso Negado
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CANCELAMENTO DOS VALORES DECLARADOS. Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca da forma de tributação dos rendimentos (Súmula CARF nº 86). Ademais não há como zerar e cancelar valores constantes da declaração, restando comprovado que o contribuinte tinha o intuito de obter restituição indevida, isso porque o próprio contribuinte reconheceu que não possui comprovantes e não tem direito a restituição. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 27 79 /2 00 9- 10 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2007/608450765864099, lavrada em 21/09/2007 (fls. 03/07), contra o contribuinte acima qualificado, relativa ao Anocalendário 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 13.326,35, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 03/11/2009. Costa da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 04 e seguintes, que foi efetuada a glosa do valores descritos abaixo, conforme segue: a) R$ 5.056,44, indevidamente deduzido a título de "contribuição à Previdência Oficial", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. b) R$ 4.673,84, indevidamente deduzido a título de "Despesas com Instrução", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. c) R$ 9.097,92, correspondente à "dedução indevida com Dependentes", por falta de comprovação da relação de dependência de: Severino Luiz Lima; Vinícius Lima Barbosa; Murilo Medeiros Souza; Mayquila Lima Barbosa; Neusa Freitas Alves e Maria Ferreira Lima. d) R$ 17.180,00, indevidamente deduzido a título de "Despesas Médicas", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. O contribuinte não apresentou comprovação documental das despesas declaradas. e) R$ 6.124,88, à título de compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte. Inconformado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o autuado apresentou impugnação, escrita à mão, datada de 24/11/2009, acompanhada dos documentos de fls. 08 e seguintes, alegando, em síntese que: “Não tinha a necessidade de declarar no ano base de 2006, pois ganhava salário anual abaixo de R$ 16.000,00, conforme xerox do contrato de trabalho do ano de 2006. Até agora ganha salário mínimo, conforme cópias da carteira de trabalho, do holerith e de rescisão do contrato de trabalho. Solicita zerar, bem como cancelar todos valores declarados a título de "dependentes", "despesas médicas", "despesas de instrução", valores estes lançados aleatoriamente. Não possui comprovantes e não tem direito a nada a ser restituído, devendo a declaração ser zerada.” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002779/200910 Acórdão n.º 2102002.876 S2C1T2 Fl. 61 3 A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos transcritos abaixo: “[...] somente a caracterização do erro de fato torna viável a retificação da declaração de rendimentos antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. [...] A mera juntada dos documentos de fls. 09 a 14 ("Contrato de Trabalho a Título de Experiência", datado de 01/09/2006, "Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho" datado de 28/08/2007, folhas da carteira de trabalho e de holeriths do ano de 2009), não é suficiente para ilidir o procedimento fiscal.” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1751.380 da 9ª Turma da DRJ/SP2 em 13/07/2011 (fl. 39). Sobreveio Recurso Voluntário em 15/07/2011 (fl. 42), escrito à mão, acompanhado dos documentos de fls. 44/52. Em suma, o Recorrente aduziu que: “Venho encarecidamente, solicitar o cancelamento e anulação de cobrança das multas pelos seguintes motivos, abaixo discriminados: Por estar mal informado, de como preencher formulário foi feito lançamentos aleatoriamente indevidos, ou seja: Não tinha necessidade de fazer declaração pois ganhava salário mínimo com renda anual abaixo de R$ 16.000,00 – até ao ano de 2009 – conforme xerox carteira trabalho. Impossibilitado de fazer, qualquer acordo, desempregado desde DEZ/2010 – conforme xerox aviso prévio, rescisão de contrato de trabalho. Venho pedir, sinceramente, anulação do ref. Processo de multa anulada.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Dá análise dos autos, ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que o Recorrente não acostou nenhum documento que fundamente suas razões junto ao Recurso. Ademais, o entendimento sobre a Retificação de Declaração de Ajuste Anual, visando a troca de tributação dos rendimentos, está pacificado no âmbito deste Egrégio Conselho, através da Súmula nº 86, de aplicação obrigatória pelos seus Conselheiros. In verbis: “É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega.” No tocante a matéria em litígio, o artigo 832 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, dispõe que: "Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de oficio (DecretoLei n 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6£)." Portanto, de acordo com o artigo supra, somente a caracterização do erro de fato torna viável a retificação da declaração de rendimentos antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. Por pertinência, cabe transcrever excertos da decisão a quo, que bem analisou os documentos acostados aos autos, conforme segue: “A mera juntada dos documentos de fls. 09 a 14 ("Contrato de Trabalho a Título de Experiência", datado de 01/09/2006, "Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho" datado de 28/08/2007, folhas da carteira de trabalho e de holeriths do ano de 2009), não é suficiente para ilidir o procedimento fiscal.” Ademais, não há como se atender ao pedido do contribuinte de zerar e cancelar valores constantes da declaração, visto que restou comprovado que o Recorrente tinha o intuito de obter restituição indevida, reconhecendo que não possui comprovantes e não tem direito a restituição. Inclusive, cabe ressaltar que por ocasião do presente recurso, o Contribuinte limitouse a juntar cópia dos mesmos documentos acostados na impugnação (fls. 43/57), os quais não bastam para ilidir a ação fiscal. Assim, ratifico a decisão singular pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002779/200910 Acórdão n.º 2102002.876 S2C1T2 Fl. 62 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720090/2013-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio-educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.195
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara Dos Santos. Sustentação oral Advogado Dr Tiago Vieira, OAB/SP nº 286.790.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio-educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara Dos Santos. Sustentação oral Advogado Dr Tiago Vieira, OAB/SP nº 286.790. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720090/201314 Recurso nº 10.283.720090201314 Voluntário Acórdão nº 2803003.195 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente YAMAHA MOTOR DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara Dos Santos. Sustentação oral Advogado Dr Tiago Vieira, OAB/SP nº 286.790. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 90 /2 01 3- 14 Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações dos empregados, contribuições para o SAT/RAT, bem como as contribuições destinadas às terceiras entidades, apuradas sobre o salário indireto pago pela empresa aos empregados a título de auxílio educação. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 15 de agosto de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EDUCAÇÃO SUPERIOR PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores relativos a plano educacional que visem à educação superior integram o salário de contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente foi submetida à fiscalização da Receita Federal que, equivocadamente, apontou suposta insuficiência de recolhimento da contribuição previdenciária da empresa sobre a remuneração dos empregados, do RAT, bem como daquelas contribuições destinadas a outras entidades, FNDE, INCRA e SEBRAE, relativamente às verbas pagas no exercício de 2009, a título de auxílioeducação aos colaboradores que frequentam o curso superior. A educação é um dever do estado, assegurado pela Constituição Federal. De acordo com o inciso II do § 2º do art. 458 da CLT, a verba destinada à educação não tem caráter salarial, segundo a jurisprudência pacífica do TST. Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 5 4 O art. 22 da Lei nº 8.212/91, elegeu a base de cálculo da contribuição previdenciária a cargo do empregador, o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título destinadas a retribuir o trabalho. O artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, determinada que o saláriode contribuição do empregado para a Previdência Social é a totalidade da remuneração auferida pelo trabalhador no mês, destinada a retribuirlhe o trabalho. É consenso na doutrina e na jurisprudência especializada que o auxílio educação não é pago em retribuição ao trabalho desenvolvido pelo colaborador, tanto é que a própria CLT excluiu tal verba do conceito de salário. No exercício de 2009, a empresa forneceu aos seus colaboradores, sem distinção, programa de assistência educacional, nos níveis de graduação, pósgraduação e MBA (nível de especialização – lato sensu) visando proporcionar condições para que os profissionais possam ampliar seus conhecimentos em sua área de atuação. A matéria aqui debatida foi analisada pelo CARF com decisão favorável ao contribuinte, conforme se infere do teor do Acórdão nº 2301.001.875, prolatado no julgamento do recurso voluntário em 15 de março de 2001, pela Terceira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de julgamento. A capitulação da multa de 75%, com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, não tem suporte fático ante a inexistência de diferença de contribuição previdenciária a recolher, no exercício de 2009, a título de auxílioeducação pago aos colaboradores que frequenta cursos universitários relacionados à sua área de atuação e ramo de atividade da empresa. O Acórdão recorrido deve se reformado para que os autos de infração sejam anulados porque contém grave ofensa aos preceitos constitucionais, não se coadunando com a legislação trabalhista e previdenciária, contrariando a jurisprudência pacífica do TST e do STJ. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Como bem apontado pelo julgador ao quo, a discussão constante destes autos reside em saber se o reembolso de parte das mensalidades de cursos de ensino superior frequentado pelos empregados da empresa, e que foram realizados pelo empregador a título de auxílio educação, integram, ou não, o saláriodecontribuição, que é essencialmente a base de cálculo das contribuições sociais ora exigidas. Por seu turno, o contribuinte afirma tratarse de verba não alcançada pela tributação, tendo em vista as peculiaridades afetas ao caso, notadamente no que se refere ao inciso II do § 2º do art. 458 da CLT. Para consolidar seu posicionamento, o contribuinte faz referências à jurisprudência do TST e do STJ. De sua parte, os julgadores de primeira instância administrativa, asseveram que o conceito de remuneração prevista na Lei nº 8.212/91 deve prevalecer sobre o mesmo conceito quando visto sob a ótica da CLT. In casu, entendo que o contribuinte está com a razão, como se pode verificar da jurisprudência pacífica do STJ: Processo AgRg no AREsp 182495 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2012/01083566 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 26/02/2013 Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Ementa PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 7 6 IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. Vêse, portanto, tratarse de verba utilizada para o trabalho e não pelo trabalho, situação que afasta a hipótese de incidência perseguida pela autoridade administrativa incumbida da constituição do crédito tributário. Ademais, verificase nos autos que a empresa forneceu aos seus colaboradores, no exercício de 2009, sem distinção, o programa de assistência educacional, nos níveis de graduação, pósgraduação e MBA, visando proporcionar condições para que os profissionais por ela contratados pudessem ampliar seus conhecimentos em sua área de atuação. Destarte, não vislumbro a possibilidade de manutenção do lançamento e muito menos de seus consectários legais, tendo em vista que a verba ora em discussão não tem caráter remuneratório, situação que a coloca fora do alcance da tributação. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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