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Numero do processo: 11516.721807/2011-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2009
EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2009 EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS SECRETARIA DE DEFESA DO CIDADÃO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2009 EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 07 /2 01 1- 57 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 180 2 Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 181 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.009.3523, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, parte patronal e SAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.009.3531, que objetiva o lançamento das contribuições próprias dos trabalhadores, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.009.3493, CFL.78 apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 106 a 115, com período de apuração de 06/2006 a 12/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 109 e 110. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 05/10/2011, conforme Ofício SEFIS/DRF/FNS Nº 354 e 353/2011, de fls. 131 e 132, respectivamente. O contribuinte apresentou sua defesa, em 19/10/2011, as fls. 134 a 136, acompanhada dos documentos, de fls. 137 a 140 A defesa foi considerada tempestiva, fls. 141. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1533.371 7ª, Turma DRJ/SDR, em 10/09/2013, fls. 143 a 149. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/09/2013, conforme AR, de fls. 151. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 159 a 162, recebido, em 17/10/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 159, acompanhado dos documentos, de fls. 163 a 175. Mérito. · que as autuações devem ser revistas e consideradas nulas, pois não é possível exigir do servidor público municipal contribuição sobre a verba alimentação, aplicandose por analogia a Lei 10.887/2004, que expressamente a exclui da base de incidência por considerála indenizatória e não remuneratória; · que o auxílioalimentação é verba indenizatória como definido no parágrafo primeiro, do artigo 22, da Lei 8.460/92, e, assim sendo insuscetível de gerar contribuição previdenciária; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 182 4 · que sendo o auxílioalimentação excluído expressamente da base de contribuição pela Lei 10.877/2004 e considerado mera indenização pela Lei 8.460/92, mesmo quando pago em pecúnia, não pode sobre este incidir a exação. · que o recurso deve ser provido, para cancelar os autos e anular a decisão atacada. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 177. Os autos subiram ao CARF, fls. 177. É o Relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 183 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Não assiste razão a recorrente ao entender que as autuações devam ser revistas e anuladas, pois suas alegações recursais são dissociadas da realidade jurídica apresentada. A CRFB/88 em seu artigo 40, parágrafo 13, diz o que a seguir transcrevo. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (o realce é meu). Do texto constitucional fica evidente que aquele que exerce cargo em comissão, exclusivamente, e o que tem cargo temporário qualquer que seja a natureza vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS e não ao Regime Próprio de Previdência Social – RPPS. Extraise dessa disciplina constitucional que a Lei 8.460/92, bem como a Lei 10.887/2004 não se aplicam a esses trabalhadores, pois estes não estão no regime previdenciário disciplinado por essas leis, sendo isso muito evidente basta ver a ementa da Lei 10.877/2004 e a transcrição do artigo 22, da Lei 8.460/92 para se ter certeza dessa situação, observese. Lei 10.877/2004 Dispõe sobre a aplicação de disposições da Emenda Constitucional no 41, de 19 de dezembro de 2003, altera dispositivos das Leis nos 9.717, de 27 de novembro de 1998, 8.213, de 24 de julho de 1991, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e dá outras providências. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 184 6 Lei 8.460/92 Art. 22. O Poder Executivo disporá sobre a concessão mensal do auxílioalimentação por dia trabalhado, aos servidores públicos federais civis ativos da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 1997) A primeira lei citada cuida apenas de disciplinar, atualizar ou modificar as regras do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS estabelecido pela EC Nº 41 e regulado pela Lei 9.717/98 a segunda lei apenas cuida do auxílio – alimentação na esfera da Administração Federal e dos servidores federais e nada mais. Desta forma, nenhuma das leis em se lastreou o recurso são aplicáveis ao caso em tela, pois não se cuida de contribuição ao RPPS de servidores públicos, mas sim de servidores vinculados ao RGPS por determinação constitucional. Aliás, o próprio Supremo Tribunal Federal – STF entende que servidores com exercício exclusivo de cargo em comissão e temporários estão submetidos ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS. EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Administrativo. Ocupantes de cargo em comissão. Filiação ao Regime Geral de Previdência Social. Advento da EC nº 20/98. Direito adquirido a regime jurídico previdenciário. Inexistência. Precedentes. 1. Os ocupantes de cargo em comissão de forma exclusiva estão sujeitos ao regime geral de previdência social. 2. É pacífica a jurisprudência desta Corte de que não há direito adquirido a regime jurídico, inclusive o previdenciário. 3. Aplicase à aposentadoria a norma vigente à época do preenchimento dos requisitos para a sua concessão. 4. Agravo regimental não provido.(REAgR 409295, DIAS TOFFOLI, STF.) EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade: seu cabimento afirmado no STF desde 1926 para questionar a compatibilidade de emenda constitucional com os limites formais ou materiais impostos pela Constituição ao poder constituinte derivado: precedente. II. Previdência social (CF, art. 40, § 13, cf. EC 20/98): submissão dos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, assim como os de outro cargo temporário ou de emprego público ao regime geral da previdência social: argüição de inconstitucionalidade do preceito por tendente a abolir a "forma federativa do Estado" (CF, art. 60, § 4º, I): implausibilidade da alegação: medida cautelar indeferida. 1. A "forma federativa de Estado" elevado a princípio intangível por todas as Constituições da República não pode ser conceituada a partir de um modelo ideal e apriorístico de Federação, mas, sim, daquele que o constituinte originário concretamente adotou e, como o adotou, erigiu em limite material imposto às futuras emendas à Constituição; de resto as limitações materiais ao poder constituinte de reforma, que o art. 60, § 4º, da Lei Fundamental enumera, não significam a intangibilidade literal da respectiva disciplina na Constituição originária, mas apenas Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 185 7 a proteção do núcleo essencial dos princípios e institutos cuja preservação nelas se protege. 2. À vista do modelo ainda acentuadamente centralizado do federalismo adotado pela versão originária da Constituição de 1988, o preceito questionado da EC 20/98 nem tende a abolilo, nem sequer a afetálo. 3. Já assentou o Tribunal (MS 23047 ML, Pertence), que no novo art. 40 e seus parágrafos da Constituição (cf. EC 20/98), nela, pouco inovou "sob a perspectiva da Federação, a explicitação de que aos servidores efetivos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, "é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial", assim como as normas relativas às respectivas aposentadorias e pensões, objeto dos seus numerosos parágrafos: afinal, toda a disciplina constitucional originária do regime dos servidores públicos " inclusive a do seu regime previdenciário já abrangia os três níveis da organização federativa, impondose à observância de todas as unidades federadas, ainda quando com base no art. 149, parág. único que a proposta não altera organizem sistema previdenciário próprio para os seus servidores": análise da evolução do tema, do texto constitucional de 1988, passando pela EC 3/93, até a recente reforma previdenciária. 4. A matéria da disposição discutida é previdenciária e, por sua natureza, comporta norma geral de âmbito nacional de validade, que à União se facultava editar, sem prejuízo da legislação estadual suplementar ou plena, na falta de lei federal (CF 88, arts. 24, XII, e 40, § 2º): se já o podia ter feito a lei federal, com base nos preceitos recordados do texto constitucional originário, obviamente não afeta ou, menos ainda, tende a abolir a autonomia dos Estadosmembros que assim agora tenha prescrito diretamente a norma constitucional sobrevinda. 5. Parece não ter pertinência o princípio da imunidade tributária recíproca ainda que se discuta a sua aplicabilidade a outros tributos, que não os impostos à contribuição estatal para o custeio da previdência social dos servidores ou empregados públicos. 6. A autoaplicabilidade do novo art. 40, § 13 é questão estranha à constitucionalidade do preceito e, portanto, ao âmbito próprio da ação direta. (ADIMC 2024, SEPÚLVEDA PERTENCE, STF.) (o destaque é meu). No caso vertente os ocupantes de cargos em comissão e de cargos temporário são vinculados o RGPS e assim apenas quando tal benefício é oferecido in natura é que este não é base de cálculo da contribuição social previdenciária, conforme ADE, abaixo transcrito. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 186 8 Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional O Superior Tribunal de Justiça – STJ, também, entende que sob esta rubrica incide contribuição, quando paga em dinheiro, veja o excerto. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. REEXAME. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. HABITUALIDADE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. Conforme assentado na jurisprudência desta Corte, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros e resultados das empresas, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei n. 8.212/91, à luz do art. 7º, XI, da CR/88). Precedentes. 2. Descabe, nesta instância, revolver o conjunto fáticoprobatório dos autos para confrontar a premissa fática estabelecida pela Corte de origem. É caso, pois, de invocar as razões da Súmula n. 7 desta Corte. 3. O STJ também pacificou seu entendimento em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. EMEN: (RESP 201001007033, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:28/09/2010 ..DTPB:.) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/201157 Acórdão n.º 2803003.012 S2TE03 Fl. 187 9 Desta forma, não atendido o artigo 28, § 9º, “c” , da Lei 8.212/91, haja vista o pagamento em pecúnia de tal benefício a regra que incide é a do artigo 28, I, da citada lei. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000108/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.645
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por maioria dos votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que davam provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos contidos nos autos, reproduzo o relatório da Resolução nº 3402-000566, de 20 de agosto de 2013, que converteu o julgamento em diligência:
Veiculam os autos lançamento da contribuição PIS/PASEP dos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003 que não teria sido recolhida pela contribuinte, que dele foi cientificada em 25 de fevereiro de 2005 (fl. 64).
Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41, a autoridade fiscal aponta o que teria sido a infração cometida pela empresa e que resultou na falta de recolhimento da contribuição. Segundo ela, a contribuinte não ofereceu à tributação a receita obtida com a venda de vales-transporte e outros benefícios. No detalhamento dessa infração, esclarece que a autuada tem como objeto social a "prestação de serviços para representação perante terceiros na venda e operacionalização de sistemas de vales-transporte e bilhetes magnéticos para transportes urbanos e intermunicipais; organização, implementação e administração, por conta própria ou de terceiros (sic) na operacionalização de sistemas e/ou convênios de qualquer natureza relativas a refeições, alimentação, saúde, transporte e entretenimento, inclusive por meio de emissão de (sic) fornecimento de vales, cartões ou cupons, sejam os sistemas convencionais ou informatizados por meio magnético ou similar; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de refeições ou alimentação para o trabalhador, em conformidade com o PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT, desenvolvido pelo Ministério do Trabalho; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de pedágios, estacionamento regulamentado e telefonia". Tal descrição das atividades da empresa encontra-se à folha 1 do Termo mencionado (fl. 24 dos autos) sem a indicação da fonte, provavelmente o contrato social da empresa, que não se encontra juntado aos autos.
No mesmo Termo, a fiscalização informa a constituição societária da empresa e as inadequadas instalações (inclusive com fotos) do local que constitui o seu endereço de funcionamento informado à SRF. Ai, (município de Morungaba/SP) a autoridade fiscal apresentou o Termo de Inicio de Fiscalização, que foi recebido por funcionária da empresa. A descrição das alterações na constituição societária e das instalações que mais se assemelham a uma residência parece indicar total ausência de operações no momento do inicio dos trabalhos fiscais, embora disso a autoridade não tenha extraído quaisquer conseqüências, ao menos para este procedimento relativo à COFINS. No mesmo termo informa ela que as atividades da empresa seriam, de fato, desenvolvidas em São Paulo, em endereço que informa. Continua o relato fiscal com a indicação de que as solicitações constantes do Termo de Inicio foram atendidas apenas parcialmente e por meio de Procurador da empresa. Não há nos autos cópia desse termo de inicio nem do instrumento de mandato concedido pela empresa ao Procurador mencionado. Há, sim, referência a folhas (227 a 229) que não são deste processo.
No concernente à infração em si, relata a autoridade que a empresa contabiliza as operações relativas aos vales-transporte em contas exclusivamente patrimoniais. As compras a debito de contas de ativo circulante e as "vendas" a crédito de contas também do ativo circulante. Não haveria, portanto, a contabilização de receitas nas operações relacionadas distribuição de vales-transporte, entendidas pela fiscalização como sendo operações de vendas. Já durante os trabalhos fiscais, informa a mesma autoridade no termo já referido, a empresa teria procurado justificar seus procedimentos pela afirmação de que realizaria mera intermediação entre seus clientes e as empresas emitentes dos vales. Essas explicações estariam em resposta datada de 24/5/2004 e que, segundo a autoridade fiscal, estaria nos autos às fls. 239/412.
Para tanto, firmara contrato de permissão com a Companhia Metropolitano de São Paulo que lhe autorizaria a retirar vales a serem mantidos sob sua guarda e responsabilidade, mediante o pagamento direto à emitente. Segundo o Termo, tais disposições constariam, junto com diversas outras, no contrato de n° 4006928104, que ela, autoridade fiscal, por alguma razão, se considerou dispensada de juntar aos autos.
Menciona o mesmo termo a existência de documentos relativos a aquisições de vales à empresa SÃO PAULO TRANSPORTE S/A que também lastrearam as conclusões fiscais quanto à existência de receita de vendas não reconhecida contabilmente. Nenhum dos documentos se encontra juntado aos autos.
No restante do Termo, a autoridade fiscal fundamenta suas conclusões, baseadas no contrato, na contabilidade e nos documentos de aquisição mencionados e não juntados aos autos, de que a operação realizada pela empresa não se configura como mera representação, mas sim como compra e venda de vales-transporte, geradora de receita de venda que deveria ter sido oferecida à tributação.
Conclusivamente, importa ressaltar que a peça de acusação parece se encerrar à fl. 41, última do Termo mencionado. Essa conclusão se impõe ainda que o Termo de Encerramento, não assinado pela autuada, se encontre à fl. 22 pois a folha seguinte já é peça produzida pela autuada, após a ciência do lançamento (1° de março de 2005).
Ainda assim, a cópia do AR pelo qual se deu ciência do lançamento ao contribuinte se encontra à fl. 64. Nele se vê que foi dada ciência também de auto de infração de IRPJ, o que parece de acordo com a informação fiscal de que o procedimento começara com fiscalização daquele imposto e fora posteriormente ampliado para incluir "fiscalização das contribuições para o PIS e para a COFINS" (fl. 1 do Termo mencionado, 24 dos autos).
Essa afirmação também é corroborada pelo relatório da decisão atacada, que informa a existência do processo 13839.000107/2005-60, no qual se exigem IRPJ e contribuições "reflexas".
Toda a discussão travada na decisão recorrida, a partir da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, se atém à caracterização ou não da figura da representação, que motivaria a existência apenas de receita de serviço, como pretende a empresa. Essas argumentações, que não foram acolhidas pela DRJ de Campinas/SP, constam do recurso apresentado, que se baseia em resposta a consulta formulada ao Prof. Ives Gandra da Silva Martins, posteriormente constituído procurador da empresa.
A 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme já dito, converteu o julgamento em diligência para esclarecer os seguintes pontos:
a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmos do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/2005-60) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada;
b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida;
c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram.
O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SP) realizou o trabalho de campo e emitiu o relatório fiscal, fls. 586/587, cujas conclusões abaixo reproduzo:
a-) O presente auto de infração baseia-se em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/2005-60), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. Juntamos às folhas 381/482 todos os termos referentes àquela ação fiscal;
b-) A presente autuação deu-se por divergência de interpretação entre o contribuinte e a autoridade fiscal no tocante à incidência tributária de PIS e COFINS sobre as receitas provenientes da venda de vales transportes e outros benefícios, não tendo havido qualquer recolhimento por parte do contribuinte destas contribuições, considerando como base de cálculo tais receitas. De qualquer maneira, efetuamos a pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000, não tendo sido encontrado qualquer pagamento, conforme relatórios do sistema juntados às folhas 483/485; e
c-) Como bem explanado pela autoridade lançadora no item 1, página 3, do Termo de Verificação Fiscal (ver folha 24 deste processo), a presente autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecido à tributação no tocante às contribuições do PIS e COFINS. Desta maneira, atendendo ao item c da já citada solicitação de informação por parte do Conselho de Contribuintes, juntamos os lançamentos constantes destas contas, fls. 486/581, bem como as planilhas de apuração das contribuições, fls. 582/585.
O sujeito passivo tomou ciência do relatório fiscal em 12/02/2010 e apresentou sua manifestação sobre as constatações fiscais. Discordou somente sobre a não existência de recolhimentos referentes aos meses de 12/1999, 01/2000 e 02/2000. Afirma que efetuou tais pagamentos utilizando como base de cálculo o valor da taxa de administração dos serviços prestados aos seus clientes. Aduziu documentos para comprovar suas alegações.
Os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu novamente o julgamento em diligência para que a Autoridade preparadora verificasse a autenticidade dos recolhimentos acostados nos autos às fls. 603, 605, 607, 609, 610, 611 e 612, referentes aos períodos de apuração objeto deste processo.
A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí efetuou a diligência requerida e proferiu despacho com o seguinte teor:
(...)
A Fiscalização desta DRF/Jundiaí efetuou pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. Entretanto, no momento da consulta, foi informado o código da DRF/Jundiaí (08124), não tendo sido encontrado qualquer pagamento, pois a autuada já não estava mais circunstrita a esta Delegacia.
Em consulta nesta data ao sistema SINAL08, informando-se desta vez o código da DRF/Barueri (08128), foram localizados os pagamentos realizados pela autuada, confirmando-se, portanto, a autenticidade dos recolhimentos.
O recorrente tomou ciência do despacho em 12/11/2013 e não se manifestou.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos contidos nos autos, reproduzo o relatório da Resolução nº 3402-000566, de 20 de agosto de 2013, que converteu o julgamento em diligência: Veiculam os autos lançamento da contribuição PIS/PASEP dos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003 que não teria sido recolhida pela contribuinte, que dele foi cientificada em 25 de fevereiro de 2005 (fl. 64). Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41, a autoridade fiscal aponta o que teria sido a infração cometida pela empresa e que resultou na falta de recolhimento da contribuição. Segundo ela, a contribuinte não ofereceu à tributação a receita obtida com a venda de vales-transporte e outros benefícios. No detalhamento dessa infração, esclarece que a autuada tem como objeto social a "prestação de serviços para representação perante terceiros na venda e operacionalização de sistemas de vales-transporte e bilhetes magnéticos para transportes urbanos e intermunicipais; organização, implementação e administração, por conta própria ou de terceiros (sic) na operacionalização de sistemas e/ou convênios de qualquer natureza relativas a refeições, alimentação, saúde, transporte e entretenimento, inclusive por meio de emissão de (sic) fornecimento de vales, cartões ou cupons, sejam os sistemas convencionais ou informatizados por meio magnético ou similar; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de refeições ou alimentação para o trabalhador, em conformidade com o PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT, desenvolvido pelo Ministério do Trabalho; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de pedágios, estacionamento regulamentado e telefonia". Tal descrição das atividades da empresa encontra-se à folha 1 do Termo mencionado (fl. 24 dos autos) sem a indicação da fonte, provavelmente o contrato social da empresa, que não se encontra juntado aos autos. No mesmo Termo, a fiscalização informa a constituição societária da empresa e as inadequadas instalações (inclusive com fotos) do local que constitui o seu endereço de funcionamento informado à SRF. Ai, (município de Morungaba/SP) a autoridade fiscal apresentou o Termo de Inicio de Fiscalização, que foi recebido por funcionária da empresa. A descrição das alterações na constituição societária e das instalações que mais se assemelham a uma residência parece indicar total ausência de operações no momento do inicio dos trabalhos fiscais, embora disso a autoridade não tenha extraído quaisquer conseqüências, ao menos para este procedimento relativo à COFINS. No mesmo termo informa ela que as atividades da empresa seriam, de fato, desenvolvidas em São Paulo, em endereço que informa. Continua o relato fiscal com a indicação de que as solicitações constantes do Termo de Inicio foram atendidas apenas parcialmente e por meio de Procurador da empresa. Não há nos autos cópia desse termo de inicio nem do instrumento de mandato concedido pela empresa ao Procurador mencionado. Há, sim, referência a folhas (227 a 229) que não são deste processo. No concernente à infração em si, relata a autoridade que a empresa contabiliza as operações relativas aos vales-transporte em contas exclusivamente patrimoniais. As compras a debito de contas de ativo circulante e as "vendas" a crédito de contas também do ativo circulante. Não haveria, portanto, a contabilização de receitas nas operações relacionadas distribuição de vales-transporte, entendidas pela fiscalização como sendo operações de vendas. Já durante os trabalhos fiscais, informa a mesma autoridade no termo já referido, a empresa teria procurado justificar seus procedimentos pela afirmação de que realizaria mera intermediação entre seus clientes e as empresas emitentes dos vales. Essas explicações estariam em resposta datada de 24/5/2004 e que, segundo a autoridade fiscal, estaria nos autos às fls. 239/412. Para tanto, firmara contrato de permissão com a Companhia Metropolitano de São Paulo que lhe autorizaria a retirar vales a serem mantidos sob sua guarda e responsabilidade, mediante o pagamento direto à emitente. Segundo o Termo, tais disposições constariam, junto com diversas outras, no contrato de n° 4006928104, que ela, autoridade fiscal, por alguma razão, se considerou dispensada de juntar aos autos. Menciona o mesmo termo a existência de documentos relativos a aquisições de vales à empresa SÃO PAULO TRANSPORTE S/A que também lastrearam as conclusões fiscais quanto à existência de receita de vendas não reconhecida contabilmente. Nenhum dos documentos se encontra juntado aos autos. No restante do Termo, a autoridade fiscal fundamenta suas conclusões, baseadas no contrato, na contabilidade e nos documentos de aquisição mencionados e não juntados aos autos, de que a operação realizada pela empresa não se configura como mera representação, mas sim como compra e venda de vales-transporte, geradora de receita de venda que deveria ter sido oferecida à tributação. Conclusivamente, importa ressaltar que a peça de acusação parece se encerrar à fl. 41, última do Termo mencionado. Essa conclusão se impõe ainda que o Termo de Encerramento, não assinado pela autuada, se encontre à fl. 22 pois a folha seguinte já é peça produzida pela autuada, após a ciência do lançamento (1° de março de 2005). Ainda assim, a cópia do AR pelo qual se deu ciência do lançamento ao contribuinte se encontra à fl. 64. Nele se vê que foi dada ciência também de auto de infração de IRPJ, o que parece de acordo com a informação fiscal de que o procedimento começara com fiscalização daquele imposto e fora posteriormente ampliado para incluir "fiscalização das contribuições para o PIS e para a COFINS" (fl. 1 do Termo mencionado, 24 dos autos). Essa afirmação também é corroborada pelo relatório da decisão atacada, que informa a existência do processo 13839.000107/2005-60, no qual se exigem IRPJ e contribuições "reflexas". Toda a discussão travada na decisão recorrida, a partir da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, se atém à caracterização ou não da figura da representação, que motivaria a existência apenas de receita de serviço, como pretende a empresa. Essas argumentações, que não foram acolhidas pela DRJ de Campinas/SP, constam do recurso apresentado, que se baseia em resposta a consulta formulada ao Prof. Ives Gandra da Silva Martins, posteriormente constituído procurador da empresa. A 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme já dito, converteu o julgamento em diligência para esclarecer os seguintes pontos: a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmos do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/2005-60) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada; b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida; c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SP) realizou o trabalho de campo e emitiu o relatório fiscal, fls. 586/587, cujas conclusões abaixo reproduzo: a-) O presente auto de infração baseia-se em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/2005-60), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. Juntamos às folhas 381/482 todos os termos referentes àquela ação fiscal; b-) A presente autuação deu-se por divergência de interpretação entre o contribuinte e a autoridade fiscal no tocante à incidência tributária de PIS e COFINS sobre as receitas provenientes da venda de vales transportes e outros benefícios, não tendo havido qualquer recolhimento por parte do contribuinte destas contribuições, considerando como base de cálculo tais receitas. De qualquer maneira, efetuamos a pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000, não tendo sido encontrado qualquer pagamento, conforme relatórios do sistema juntados às folhas 483/485; e c-) Como bem explanado pela autoridade lançadora no item 1, página 3, do Termo de Verificação Fiscal (ver folha 24 deste processo), a presente autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecido à tributação no tocante às contribuições do PIS e COFINS. Desta maneira, atendendo ao item c da já citada solicitação de informação por parte do Conselho de Contribuintes, juntamos os lançamentos constantes destas contas, fls. 486/581, bem como as planilhas de apuração das contribuições, fls. 582/585. 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A Fiscalização desta DRF/Jundiaí efetuou pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. Entretanto, no momento da consulta, foi informado o código da DRF/Jundiaí (08124), não tendo sido encontrado qualquer pagamento, pois a autuada já não estava mais circunstrita a esta Delegacia. Em consulta nesta data ao sistema SINAL08, informando-se desta vez o código da DRF/Barueri (08128), foram localizados os pagamentos realizados pela autuada, confirmando-se, portanto, a autenticidade dos recolhimentos. O recorrente tomou ciência do despacho em 12/11/2013 e não se manifestou. É o Relatório. VOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 100 1 99 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.000108/200512 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.645 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de abril de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS (SP) RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por maioria dos votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que davam provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .0 00 10 8/ 20 05 -1 2 Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/200512 Resolução nº 3402000.645 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos contidos nos autos, reproduzo o relatório da Resolução nº 3402000566, de 20 de agosto de 2013, que converteu o julgamento em diligência: Veiculam os autos lançamento da contribuição PIS/PASEP dos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003 que não teria sido recolhida pela contribuinte, que dele foi cientificada em 25 de fevereiro de 2005 (fl. 64). Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41, a autoridade fiscal aponta o que teria sido a infração cometida pela empresa e que resultou na falta de recolhimento da contribuição. Segundo ela, a contribuinte não ofereceu à tributação a receita obtida com a venda de valestransporte e outros benefícios. No detalhamento dessa infração, esclarece que a autuada tem como objeto social a "prestação de serviços para representação perante terceiros na venda e operacionalização de sistemas de valestransporte e bilhetes magnéticos para transportes urbanos e intermunicipais; organização, implementação e administração, por conta própria ou de terceiros (sic) na operacionalização de sistemas e/ou convênios de qualquer natureza relativas a refeições, alimentação, saúde, transporte e entretenimento, inclusive por meio de emissão de (sic) fornecimento de vales, cartões ou cupons, sejam os sistemas convencionais ou informatizados por meio magnético ou similar; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de refeições ou alimentação para o trabalhador, em conformidade com o PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR — PAT, desenvolvido pelo Ministério do Trabalho; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de pedágios, estacionamento regulamentado e telefonia". Tal descrição das atividades da empresa encontrase à folha 1 do Termo mencionado (fl. 24 dos autos) sem a indicação da fonte, provavelmente o contrato social da empresa, que não se encontra juntado aos autos. No mesmo Termo, a fiscalização informa a constituição societária da empresa e as inadequadas instalações (inclusive com fotos) do local que constitui o seu endereço de funcionamento informado à SRF. Ai, (município de Morungaba/SP) a autoridade fiscal apresentou o Termo de Inicio de Fiscalização, que foi recebido por funcionária da empresa. A descrição das alterações na constituição societária e das instalações — que mais se assemelham a uma residência — parece indicar total ausência de operações no momento do inicio dos trabalhos fiscais, embora disso a autoridade não tenha extraído quaisquer conseqüências, ao menos para este procedimento relativo à COFINS. No mesmo termo informa ela que as atividades da empresa seriam, de fato, desenvolvidas em São Paulo, em endereço que informa. Continua o relato fiscal com a indicação de que as solicitações constantes do Termo de Inicio foram atendidas apenas parcialmente e por meio de Procurador da empresa. Não há nos autos cópia desse termo de inicio nem do instrumento de mandato concedido pela empresa ao Procurador mencionado. Há, sim, referência a folhas (227 a 229) que não são deste processo. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/200512 Resolução nº 3402000.645 S3C4T2 Fl. 102 3 No concernente à infração em si, relata a autoridade que a empresa contabiliza as operações relativas aos valestransporte em contas exclusivamente patrimoniais. As compras a debito de contas de ativo circulante e as "vendas" a crédito de contas também do ativo circulante. Não haveria, portanto, a contabilização de receitas nas operações relacionadas distribuição de valestransporte, entendidas pela fiscalização como sendo operações de vendas. Já durante os trabalhos fiscais, informa a mesma autoridade no termo já referido, a empresa teria procurado justificar seus procedimentos pela afirmação de que realizaria mera intermediação entre seus clientes e as empresas emitentes dos vales. Essas explicações estariam em resposta datada de 24/5/2004 e que, segundo a autoridade fiscal, estaria nos autos às fls. 239/412. Para tanto, firmara contrato de permissão com a Companhia Metropolitano de São Paulo que lhe autorizaria a retirar vales a serem mantidos sob sua guarda e responsabilidade, mediante o pagamento direto à emitente. Segundo o Termo, tais disposições constariam, junto com diversas outras, no contrato de n° 4006928104, que ela, autoridade fiscal, por alguma razão, se considerou dispensada de juntar aos autos. Menciona o mesmo termo a existência de documentos relativos a aquisições de vales à empresa SÃO PAULO TRANSPORTE S/A que também lastrearam as conclusões fiscais quanto à existência de receita de vendas não reconhecida contabilmente. Nenhum dos documentos se encontra juntado aos autos. No restante do Termo, a autoridade fiscal fundamenta suas conclusões, baseadas no contrato, na contabilidade e nos documentos de aquisição mencionados e não juntados aos autos, de que a operação realizada pela empresa não se configura como mera representação, mas sim como compra e venda de valestransporte, geradora de receita de venda que deveria ter sido oferecida à tributação. Conclusivamente, importa ressaltar que a peça de acusação parece se encerrar à fl. 41, última do Termo mencionado. Essa conclusão se impõe — ainda que o Termo de Encerramento, não assinado pela autuada, se encontre à fl. 22 — pois a folha seguinte já é peça produzida pela autuada, após a ciência do lançamento (1° de março de 2005). Ainda assim, a cópia do AR pelo qual se deu ciência do lançamento ao contribuinte se encontra à fl. 64. Nele se vê que foi dada ciência também de auto de infração de IRPJ, o que parece de acordo com a informação fiscal de que o procedimento começara com fiscalização daquele imposto e fora posteriormente ampliado para incluir "fiscalização das contribuições para o PIS e para a COFINS" (fl. 1 do Termo mencionado, 24 dos autos). Essa afirmação também é corroborada pelo relatório da decisão atacada, que informa a existência do processo 13839.000107/200560, no qual se exigem IRPJ e contribuições "reflexas". Toda a discussão travada na decisão recorrida, a partir da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, se atém à caracterização Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/200512 Resolução nº 3402000.645 S3C4T2 Fl. 103 4 ou não da figura da representação, que motivaria a existência apenas de receita de serviço, como pretende a empresa. Essas argumentações, que não foram acolhidas pela DRJ de Campinas/SP, constam do recurso apresentado, que se baseia em resposta a consulta formulada ao Prof. Ives Gandra da Silva Martins, posteriormente constituído procurador da empresa. A 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme já dito, converteu o julgamento em diligência para esclarecer os seguintes pontos: a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmos do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/200560) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada; b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida; c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SP) realizou o trabalho de campo e emitiu o relatório fiscal, fls. 586/587, cujas conclusões abaixo reproduzo: a) O presente auto de infração baseiase em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/200560), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. Juntamos às folhas 381/482 todos os termos referentes àquela ação fiscal; b) A presente autuação deuse por divergência de interpretação entre o contribuinte e a autoridade fiscal no tocante à incidência tributária de PIS e COFINS sobre as receitas provenientes da venda de vales transportes e outros benefícios, não tendo havido qualquer recolhimento por parte do contribuinte destas contribuições, considerando como base de cálculo tais receitas. De qualquer maneira, efetuamos a pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000, não tendo sido encontrado qualquer pagamento, conforme relatórios do sistema juntados às folhas 483/485; e c) Como bem explanado pela autoridade lançadora no item 1, página 3, do Termo de Verificação Fiscal (ver folha 24 deste processo), a presente autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecido à tributação no tocante às contribuições do PIS e COFINS. Desta maneira, atendendo ao item c da já citada solicitação de informação por parte do Conselho de Contribuintes, juntamos os lançamentos constantes destas contas, fls. 486/581, bem como as planilhas de apuração das contribuições, fls. 582/585. O sujeito passivo tomou ciência do relatório fiscal em 12/02/2010 e apresentou sua manifestação sobre as constatações fiscais. Discordou somente sobre a não existência de Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/200512 Resolução nº 3402000.645 S3C4T2 Fl. 104 5 recolhimentos referentes aos meses de 12/1999, 01/2000 e 02/2000. Afirma que efetuou tais pagamentos utilizando como base de cálculo o valor da taxa de administração dos serviços prestados aos seus clientes. Aduziu documentos para comprovar suas alegações. Os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu novamente o julgamento em diligência para que a Autoridade preparadora verificasse a autenticidade dos recolhimentos acostados nos autos às fls. 603, 605, 607, 609, 610, 611 e 612, referentes aos períodos de apuração objeto deste processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí efetuou a diligência requerida e proferiu despacho com o seguinte teor: (...) A Fiscalização desta DRF/Jundiaí efetuou pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. Entretanto, no momento da consulta, foi informado o código da DRF/Jundiaí (08124), não tendo sido encontrado qualquer pagamento, pois a autuada já não estava mais circunstrita a esta Delegacia. Em consulta nesta data ao sistema SINAL08, informandose desta vez o código da DRF/Barueri (08128), foram localizados os pagamentos realizados pela autuada, confirmandose, portanto, a autenticidade dos recolhimentos. O recorrente tomou ciência do despacho em 12/11/2013 e não se manifestou. É o Relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Sob a perspectiva do recorrente, a operação tributada nestes autos acontece da seguinte forma: 1) O recorrente recebe a solicitação de compra dos vales transporte de seus clientes; 2) O recorrente recebe dos clientes o valor dos valestransporte e repassa integralmente para as emissoras dos vales; 3) O recorrente recebe das emissoras os valestransporte adquiridos, envelopa individualmente e os guarda até a entrega final para cada empregado de seus clientes; 4) Pelo serviço prestado, recebe dos clientes uma taxa de administração que remunera as atividades de gerenciamento, Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/200512 Resolução nº 3402000.645 S3C4T2 Fl. 105 6 individualização, envelopamento, guarda e entrega dos vales transporte. Diante desse quadro, entende que a natureza jurídica da atividade que exerce não é de compra e venda mercantil dos valestransporte e sim contrato de comissão mercantil, a que se agregam vários serviços de gerenciamento dos valestransporte. Assim sendo, requer o mesmo tratamento dispensado pela Administração tributária às entidades da administração pública que presta serviço idêntico. Nos termos da Instrução Normativa nº. 306, de 12 de março de 2003, a base de cálculo neste tipo de serviço corresponde ao valor da corretagem ou comissão cobrada pela pessoa jurídica prestadora do serviço. A Fiscalização não entendeu da mesma forma e tributou o valor total recebido, sem subtrair o valor repassado aos clientes da recorrente. Delimitada a lide passo a análise. Para a recorrente fazer jus ao tratamento isonômico dado às entidades da administração pública, se faz necessário o cumprimento de requisitos específicos, a saber: destaque na nota fiscal de prestação de serviço do valor da corretagem ou comissão; que o valor repassado pelos clientes do recorrente sejam idênticos aos valores das compras dos vales transporte e que o objeto do contrato entre o recorrente e seus clientes tenha natureza jurídica de corretagem ou comissão. Compulsando os autos, não há elementos que comprovem que o recorrente cumpriu todos os requisitos impostos pela legislação. Contudo, admito que os fatos jurídicos apresentados pelo recorrente possuem uma grande probabilidade de serem verídicos, de sorte que entendo ser impossível julgar o mérito nesta sentada. Diante desta perspectiva, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem intime o recorrente a apresentar: a) Os contratos celebrados entre 01/01/2000 e 31/12/2003, cujo objeto seja de corretagem ou comissão sobre a venda de vales transporte; b) Os pedidos de compra dos valestransporte feitos pelos clientes da recorrente; c) Comprovantes dos valores recebidos dos clientes para aquisição dos valestransporte; d) Comprovantes dos valores pagos as empresas emissoras dos valestransporte; e e) As notas fiscais emitidas pela recorrente que conste a discriminação dos serviços prestados aos seus clientes. De posse destes documentos, que seja produzido relatório conclusivo que ateste: Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/200512 Resolução nº 3402000.645 S3C4T2 Fl. 106 7 1) A natureza dos contratos celebrados pela recorrente com seus clientes; 2) Se o valor do pedido confere com o valor repassado pelo cliente e com o valor pago às emissoras dos valestransporte; e 3) Se há destaque em todas as notasfiscais emitidas pelo recorrente para seus clientes do valor da corretagem ou da comissão recebida pelos serviços prestados. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, em 23/04/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10280.720846/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 46 /2 00 8- 80 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 145 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 6976, com a exigência do crédito tributário no valor de R$280.159,62 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado eferente aos quatro trimestres do ano calendário de 2006, em conformidade com o Relatório de Fiscalização, fls. 6367. O lançamento fundamentase na omissão de receitas de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados contacorrente nº 5517 da agência nº 15059 do Banco Bradesco S/A, fls. 5262. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 0811 e as informações constantes na Declaração de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 146 3 Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2006, fls. 4149. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e inciso III do art. 530, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 7784 a exigência do crédito tributário no valor de R$96.778,21 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 8593 com a exigência do crédito tributário no valor de R$21.936,94 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 94102 com a exigência do crédito tributário no valor de R$101.248,24 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Cientificada em 19.12.2008, fl. 106, a Recorrente apresentou a impugnação em 19.01.2009, fls. 108111. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita: No caso presente, existem extratos bancários em que demonstrada volumosa movimentação financeira realmente incompatível com a renda do Contribuinte. Entretanto, diversamente do entendido pela Fiscalização, o Contribuinte justificou e comprovou tal movimentação. Com efeito, conforme contrato de prestação de serviços cuja cópia segue em anexo (e que fora apresentada ao Ilustre Auditor Fiscal), o Impugnante atuou na "negociação e compra de créditos tributários" (cláusula primeira) da empresa W. R. Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, no valor de R$10.000.000,00 (dez milhões de reais), que seriam adquiridos por R$6.000.000,00 (seis milhões de reais) cláusula segunda. Assim sendo, perfeitamente plausível que os valores depositados na conta bancária do Contribuinte tenham sido para aquisição do referido crédito, como alegado quando da manifestação protocolada em 15.12.2008. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 147 4 Por conseguinte, como alegado, tais valores não representavam qualquer espécie de renda ou receita do Autuado, já que apenas transitaram em seu caixa, mas destinados a terceiros (a empresa W. R. Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, CNPJ 83.671.685/000125). [...] No caso presente, existem extratos bancários em que demonstrada volumosa movimentação financeira realmente incompatível com a renda do Contribuinte. Entretanto, diversamente do entendido pela Fiscalização, o Contribuinte justificou e comprovou tal movimentação. Com efeito, conforme contrato de prestação de serviços cuja cópia segue em anexo (e que fora apresentada ao Ilustre Auditor Fiscal), o Impugnante atuou na "negociação e compra de créditos tributários" (cláusula primeira) da empresa W. R. Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, no valor de R$10.000.000,00 (dez milhões de reais), que seriam adquiridos por R$6.000.000,00 (seis milhões de reais) cláusula segunda. Assim sendo, perfeitamente plausível que os valores depositados na conta bancária do Contribuinte tenham sido para aquisição do referido crédito, como alegado quando da manifestação protocolada em 15.12.2008. Por conseguinte, como alegado, tais valores não representavam qualquer espécie de renda ou receita do Autuado, já que apenas transitaram em seu caixa, mas destinados a terceiros (a empresa W. R. Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, CNPJ 83.671.685/000125). [...] Na situação presente, como já dito, os valores demonstrados nas planilhas anexadas não constituíram receita do Impugnante, eis que apenas transitaram no caixa da empresa, mas destinados à empresa W. R. Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, CNPJ 83.671.685/000125, titular dos créditos tributários adquiridos pelas Clientes da intimada. Cumpre informar, ainda, que a aquisição de tais créditos visava compensação de débitos perante a Receita Federal. Como a pretendida compensação foi indeferida pela RF (ao argumento, entre outros, de se tratar de crédito de terceiros), o negócio não foi concluído. [...] Ora, no caso presente, embora exista prova de que houve depósitos de valores incompatíveis com os rendimentos declarados pelo Contribuinte, há provas, também, do alegado pelo Impugnante. De fato, os extratos obtidos junto ao Bradesco comprovam que tais valores apenas transitaram na conta bancária da Impugnante. O contrato de prestação de serviços (com assinatura reconhecida por cartório de notas, em 22.03.2006, que revela sua idoneidade) comprova a atuação do Impugnante como intermediário na compra e venda de créditos tributários. Assim, repitase, caberia ao Fisco diligenciar no sentido de averiguar a veracidade do alegado, e não, como feito, dois dias após a manifestação do Contribuinte, o autuar por presunção de omissão de rendimentos. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 148 5 Conclui Diante das razões apresentadas, requerse a V. Sa., com o devido respeito e acatamento, seja julgada insubsistente a presente autuação, conforme os argumentos acima expostos, eis que não restou caracterizada, tampouco provada, a alegada omissão de rendimentos, e, portanto, não havendo que se falar na incidência do imposto de renda sobre tal rendimento inexistente; assim também em relação ao PIS, CSLL e COFINS. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 21.848, de 36.05.2011, fls. 116120: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de diligência para produzir provas que caberia ao autuado apresentar. CSLL. PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. Notificada em 19.08.2011, fl. 126, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.09.2011, fls. 127132, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Em relação à nulidade do lançamento por restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa acrescenta: A presente lide versa sobre alegada omissão de receitas. Em defesa, foi argumentado que os valores apenas transitaram no caixa da autuada, provenientes de clientes, com destinação para pagamento de créditos a serem adquiridos junto a terceiros. A Recorrente, neste caso, atuava como interveniente do negócio, e receberia comissão, caso concretizado o negócio. [...] Sem qualquer justificativa, a Receita Federal não considerou como hábil ou idôneo o contrato apresentado, e ainda indeferiu pedido de diligências, para confirmar a alegação feita. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 149 6 Diante de tal posicionamento, resta caracterizado o cerceamento ao direito de defesa da recorrente, consagrado constitucionalmente. A questão há de ser discutida sob dois aspectos : a) distribuição do ônus probante; b) motivação do ato que desconsidera a prova apresentada. Com efeito, como bem dito pela r. decisão ora recorrida, milita em favor do Fisco a presunção de que houve omissão de receita. A presunção, como sabido, é elidida por prova em contrário. A recorrente apresentou, como prova de suas alegações, o contrato de prestação de serviços, pelo qual se comprova o recebimento de valores para aquisição de créditos em favor do próprio Cliente. Comprovado estaria, pois, que o valor recebido não se caracterizava como receita, afastando a alegada infração. Ademais, requereu fossem feitas diligências, junto ao Cliente, para confirmar o ora alegado. Contudo, o Fisco considerou o contrato apresentado como inidôneo e inservível como meio de prova, sem qualquer motivação. Quanto ao pedido de diligências, o indeferiu ao argumento de que o ônus seria da Recorrente. [...] Pelo exposto, requerse seja acolhida a preliminar ora suscitada, para declarar a nulidade da r. decisão recorrida, por ausência de motivação no ato que considerou a prova apresentada como inidônea e inservível, causando, com isso, cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de 23.02.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 138142), vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 150 7 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. ] 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 151 8 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Termo de Continuidade do Procedimento Fiscal, fls. 0204, Termos de Reintimação, fls. 0507 e 1214, Termo de Intimação, fls. 1516, Termo de Encerramento, fls. 103106, bem como a Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 122126) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 152 9 comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 153 10 análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada4. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo5. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade6, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 5 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 6 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 154 11 Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. O lançamento fundamentase na omissão de receitas de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados contacorrente nº 5517 da agência nº 15059 do Banco Bradesco S/A, fls. 5262. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 0811 e as informações constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2006, fls. 4149. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão individualizados na Planilha Demonstrativa da Base de Cálculo, fls. 1521 e 68, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2006 Valores Creditados no Banco Bradesco S/A Movimentação Financeira (B) Mês (A) No Mês R$ No Trimestre R$ Valores DIPJ/DCTF R$ (C) Valores Omissão de Receitas R$ (D = BC) Janeiro 0,00 Fevereiro 150.000,00 Março 329.599,00 479.599,00 0,00 479.599,00 Abril 219.119,07 Maio 455.685,04 Junho 242.453,04 917.257,15 0,00 917.257,15 Julho 45.293,04 Agosto 63.313,04 Setembro 72.343,04 180.949,12 0,00 180.949,12 Outubro 25.526,14 Novembro 27.398,37 Dezembro 26.778,04 79.702,55 0,00 79.702,55 Total 1.657.507,82 Está registrado no Relatório de Fiscalização, fls. 6367, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: II. PROCEDIMENTOS FORMAIS Em 30/06/2008, lavrouse termo de continuidade do procedimento fiscal no âmbito do MPF em epígrafe (MPF originário 02.1.01.002007006944), ciência do sujeito passivo por via postal (AR em anexo), com a finalidade de investigar a movimentação financeira mantida junto ao Banco Bradesco S/A. no AC 2006, Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 155 12 revelandose incompatível com a receita bruta informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Foram solicitados no termo retrocitado os Livros Caixa ou Diário e Razão, bem como, os extratos bancários mantidos junto ao Banco Bradesco, tendo sido o contribuinte reintimado do mesmo objeto, em 14/08/2008 (AR em anexo), deixando de atender as intimações sem qualquer justificativa. Em face da ausência de manifestação do sujeito passivo, recorreu a autoridade fiscal ao permissivo legal da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), ante à caracterização do EMBARAÇO, nos termos de relatório fundamentado (em anexo). A RMF (02.1.01.002008000990, em anexo) destinada à Instituição Financeira (AR em anexo) foi cumprida nos termos em que requisitada, tendo sido recebidas todas as informações referentes à movimentação financeira do contribuinte, em papel e meio magnético. Em 13/10/2008 (AR em anexo), foi o sujeito passivo reintimado a apresentar Livro Caixa ou Diário e Razão do AC 2006, tendo transcorrido o prazo concedido sem atendimento. Em 25/11/2008, ciência por via postal (AR em anexo), foi intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos que transitaram em contacorrente mantida junto ao Banco Bradesco, no AC 2006, com base em planilha elaborada em anexo ao Termo. Em 15/12/2008, o sujeito passivo protocolizou resposta ao termo supra, alegando em síntese que: É empresa prestadora de serviços no ramo de consultoria, e nessa condição teria agido como intermediária na compra de créditos tributários para seus clientes; Os depósitos bancários havidos em sua contacorrente no AC 2006 eram decorrentes de tais operações, os quais eram repassados para a vendedora dos créditos; Finaliza com conceitos sobre ingressos e receitas, concluindo que os valores dos depósitos bancários relacionados em planilha elaborada pela fiscalização não constituem receita, tendo apenas transitado pelo caixa da empresa, juntando cópia de contrato de prestação de serviços que justificaria suas alegações. III. DA AUDITORIA FISCAL Preliminarmente, cabe destacar que nos procedimentos fiscais envolvendo a análise da movimentação financeira mantida junto a instituições bancárias, devese observar as prescrições do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o qual regula no âmbito da legislação tributária a presunção legal de omissão de receita ou rendimentos, caracterizada como a não comprovação da origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal disposição legal (juris tantum) tem o condão de inverter o ônus da prova em desfavor do contribuinte, no que tange à comprovação de que os depósitos Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 156 13 (créditos) não se referem à omissão de receitas, que em regra caberia à autoridade tributária no regular exercício da atividade administrativa de lançamento. Nesse diapasão, da análise individualizada da movimentação financeira havida no AC 2006, do total de depósitos (créditos) constantes dos extratos bancários disponibilizados (R$1.852.218,09), e em observância ao art. 42, § 3º , I da Lei n° 9.430/96, foram excluídos pela autoridade fiscal àqueles referentes a devolução cheques / CPMF transf. para mora / empréstimos / redução saldo devedor (R$ 194.710,27), resultando nos créditos sujeitos à comprovação de origem (R$ 1.657.507,82), entregues mediante Termo ao sujeito passivo/representante (em anexo). No que tange às alegações do contribuinte acerca da origem dos depósitos, razão não lhe assiste. Milita em seu desfavor a inexistência/não disponibilização do Livro Caixa ou Diário/Razão, ainda que intimado/reintimado para sua apresentação, que pudesse elucidar de forma individualizada (qualitativa e quantitativa), por força de presunção legal (juris tantum) que lhe é imposta, o vínculo de cada crédito bancário com a alegada operação de prestação de serviços. Não carreou em suas justificativas provas hábeis e idôneas, v.g, Notas Fiscais de Prestação de Serviços discriminativas de receitas (comissão) decorrentes da intermediação de negócios, documentação bancária comprobatória da origem/destino dos créditos efetivados em contacorrente, etc. Portanto, concluise que o sujeito passivo auferiu receitas de origem não comprovada, no AC 2006, no montante de R$1.657.507,82, já incluso os créditos sob histórico "Liquidação de Cobrança" (R$233.217,36). Tal omissão deverá ser tributada sob a sistemática do lucro arbitrado, aplicável o percentual majorado (38,4%) atinente ao objeto social da sociedade empresária constante do contrato social e alterações (prestação de serviços), em anexo. Com efeito, após diversas intimações ao contribuinte, sem qualquer justificativa deixou de apresentar os Livros a que estava obrigado (Caixa ou Diário) e, portanto, não encontra respaldo legal a opção pela forma de tributação exercida na DIPJ (Lucro Presumido), em face da ausência/não disponibilização de escrituração contábil regular. Neste contexto, a correta apuração da base de cálculo do IRPJ haverá de se dar pelo arbitramento do Lucro, ex vi do art. 47 da Lei n° 8.981/95 [...]. Portanto, a autoridade fiscal apurou o lucro arbitrado por períodos trimestrais, com base nas receitas omitidas (AC 2006), obtido de acordo com as disposições contidas no art. 1º e 27 da Lei n° 9.430/96,[...]. Quanto ao PIS e COFINS, em face do arbitramento do lucro, obrigatório é o recolhimento dessas contribuições com base no regime cumulativo, aplicáveis as alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente, calculadas sobre as mesmas bases do IRPJ/CSLL (receitas omitidas), por períodos de apuração mensal, em conformidade com a legislação do IRPJ (Lei n° 9.715/98, art. 9º ; Lei n° 9.249/95, art. 24; Decreto n° 4.524/02, art. 91). A apuração das bases de cálculo do IRPJ/CSLL e PIS/COFINS está demonstrada na planilha em anexo, ressaltandose que os seus valores correspondem ao total das receitas omitidas em cada trimestre/mês, respectivamente, tendo em vista que o sujeito passivo informou inexistência de receitas na DIPJ (ND 1321481), bem como, de débitos de tributos/contribuições nas DCTF's semestrais (ND Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 157 14 1002.006.2006.2030119133 e 1002.006.2007.2080214533), ambas transmitidas à RFB (em anexo). IV. CONCLUSÃO Em face da irregularidade descrita neste relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do crédito tributário total no valor de R$500.123.01, por intermédio de Autos de Infração (AI) do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), no AC 2006, que deu origem ao Processo MF N° 10280720.846/200880. No que se refere ao Contrato de Prestação de Serviços e Outras Avencas, fls. 113114, temse que a Recorrente/Contratante e a SB Comércio Ltda, CNPJ 04.429.478/0001 92/Contratante ajustaram: I OBJETO Cláusula I. A empresa contratada atuará na negociação e venda de créditos tributários da COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) de propriedade da W.R MAIA Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial. Parágrafo Único: O presente crédito é oriundo do processo administrativo nº 12155.00007/9913. COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), sobre exportação (Decreto n° 1030/93 que regulamentou o art 7o da Lei Complementar n°70/91, que estabelece a isenção da Cofins para venda de mercadorias ou serviços para o exterior), protocolado em 04 de Novembro de 1999. da Empresa Madeira De Exportação Madesil JE Ltda e que transferiu seus direitos creditórios a empresa do mesmo grupo WR Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, através do processo administrativo de restituição nº 10280.004600/200433. COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), protocolado em 02 de dezembro de 2004. ao qual as partes se reportam, tendo a contratante plena ciência de seu conteúdo. II DO VALOR DO CRÉDITO Cláusula II. O crédito da COFINS será negociado com um deságio de 40% (quarenta por cento) sobre o valor previamente determinado de compra de R$10.000.000.00 (dez milhões de reais), do processo administrativo n° l0280.004600/200433. restituição de COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) da Subsecretária de Planejamento Orçamento e Administração Coordenação Recursos Logísticos do Ministério Da Fazenda, e localização atual no setor de restituição e compensação DRF BSA DF. III DO PAGAMENTO Cláusula III. A contratante pagará a Contratada o valor devido de R$6.000.000.00 (seis milhões de reais) em 40 (Quarenta) parcelas iguais de R$150.000.00 (cento e cinqüenta mil reais) sendo que a 1ª parcela deverá ser paga em 48hs após a transferência do referido crédito para o nome da contratante e as demais parcelas vencíveis a cada trinta dias mediante a 39 (trinta e nove) promissórias no valor de R$150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) nominais a contratada que passam a fazer parte integrante desse contrato. IV DA VIGÊNCIA Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 158 15 Cláusula IV. O presente contrato passa a vigorar entre as partes a partir da transferência do crédito através do PER/DCOMP n° 2.1 ND 14064.71886.060206.1.3.046803. V DA RESCISÃO Cláusula V. Este contrato será rescindido de pleno direito na hipótese do crédito administrativo objeto desde contrato seja indeferido, em última instância, não cabendo recurso administrativo e/ou judicial, junto a Delegacia da Receita Federal ou pelo decurso de prazo de vigência deste contrato que é de 40 (Quarenta) meses a contar da data do 1º pagamento efetivamente liquidado. Parágrafo Único: Na hipótese da rescisão vier a ocorrer por indeferimento conforme cláusula V, antes de findar os 40 (quarenta) meses de vigência deste contrato, serão sustadas em definitivo todos os pagamentos das promissórias vincendas não cabendo a contratada a responsabilidade de qualquer devolução, seja em que espécie for, do valor recebido. Cabe ressaltar que a própria Recorrente afirma em sua defesa que “o negócio não foi concluído”, caso em que “não [cabe] a contratada a responsabilidade de qualquer devolução, seja em que espécie for, do valor recebido”. Ela não apresentou o Livro Caixa e nem o Livro Razão como prova de suas alegações, embora reiteradamente intimada. Assim, não pode ser considerado como de origem comprada o valor de R$6.000.000,00. Ela tampouco comprovou individualizadamente a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras e discriminadas às fls. 1521 e 68. Por essa razão, podese inferir que a Recorrente auferiu receitas de origem não comprovada, no anocalendário, no somatório de R$1.657.507,82. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/200880 Acórdão n.º 1801001.881 S1TE01 Fl. 159 16 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 9. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16095.000602/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2002
Ementa:
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Em termos de caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário relativo às contribuições sociais destinadas à seguridade social, declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 - DOU de 20 de junho de 2008), há de se observar as disposições do Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Na aplicação do precedente judicial, deve-se emprestar à expressão pagamento interpretação extensiva, de modo que a condição deverá ser considerada atendida na hipótese em que, apurada a exação devida e devidamente confessada por meio de instrumento declaratório próprio, ela foi extinta por meio de compensação tributária.
Numero da decisão: 1301-001.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Em termos de caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário relativo às contribuições sociais destinadas à seguridade social, declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 - DOU de 20 de junho de 2008), há de se observar as disposições do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Na aplicação do precedente judicial, deve-se emprestar à expressão pagamento interpretação extensiva, de modo que a condição deverá ser considerada atendida na hipótese em que, apurada a exação devida e devidamente confessada por meio de instrumento declaratório próprio, ela foi extinta por meio de compensação tributária.
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Em termos de caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário relativo às contribuições sociais destinadas à seguridade social, declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 DOU de 20 de junho de 2008), há de se observar as disposições do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Na aplicação do precedente judicial, devese emprestar à expressão “pagamento” interpretação extensiva, de modo que a condição deverá ser considerada atendida na hipótese em que, apurada a exação devida e devidamente confessada por meio de instrumento declaratório próprio, ela foi extinta por meio de compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 02 /2 00 7- 70 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 614 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 615 3 Relatório Trata o presente processo de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2001, formalizada em razão da imputação de apropriação de despesas indedutíveis e compensação indevida de base de cálculo negativa. O presente processo já foi objeto de apreciação por esta Primeira Turma Ordinária em sessão realizada em 16 de janeiro de 2012, ocasião em que o Colegiado, por unanimidade de votos, resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1301 – 00.401), relator o Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha. Por bem sintetizar os fatos apurados, a impugnação interposta, a decisão prolatada em primeira instância e o recurso voluntário apresentado, reproduzo o relatório constante na referida Resolução, que, por sua vez, tomou por base o elaborado em primeira instância. LETERO EMPREENDIMENTOS, PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S.A1., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0521.560, de 20/03/2008, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrado em 07/12/2007, para a constituição o crédito tributário, no valor total de R$61.941.057,84 (incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data da lavratura), pelos fundamentos fáticos e jurídicos descritos no Termo de Verificação e Constatação de fls. 119/124 que ora se transcreve: No exercício das funções de AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, em conformidade com o disposto nos artigos 904, 907, 911, 926, 927 e 928, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99, em cumprimento ao MPF n° 2007001520 junto ao contribuinte em epígrafe, CONSTATAMOS as irregularidades na apuração da CSLL abaixo discriminadas, as quais determinam a constituição de crédito tributário, através do competente Auto de Infração, a saber: A DOS FATOS I DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS – APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL A presente ação fiscal teve origem em representação elaborada pelo SEORT desta DRF, uma vez que aquele Serviço constatou, em verificações inerentes à compensação do saldo negativo do IRPJ pleiteada pelo contribuinte, a apropriação 1 O recurso voluntário foi apresentado em nome de LETERO EMPREENDIMENTOS, PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S/A. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 616 4 indevida de despesas financeiras oriundas da remuneração de debêntures no ano calendário de 2001, culminando, assim, com o Despacho Decisório exarado no processo n° 13820.000860/200210, o qual decidiu pela indedutibilidade das referidas despesas e o conseqüente ajuste do saldo negativo do IRPJ naquele período. Na citada representação, o SEORT também informou que despesas financeiras de mesma natureza (remuneração de debêntures) continuaram a influenciar o resultado dos anoscalendário subseqüentes, uma vez que em relação aos mesmos, houve apuração de expressivos saldos negativos de Imposto de Renda Assim sendo, fazse necessária a apuração do crédito tributário relativo a CSLL no anocalendário de 2001, em função dos fatos e constatações a seguir elencados: No curso da ação fiscal iniciada em 21/05/2007, dentre outros documentos, foram obtidos junto ao contribuinte a Escritura de Emissão por Instrumento Particular de Debêntures da Espécie Subordinada pela Sodepa Sociedade de Empreendimentos, Publicidade e Participações S.A. (atual LETERO), datada de 06/12/1999 e registrada no 2° Cartório de Registro de Imóveis de São Caetano do Sul em 09/12/1999, destacandose as seguintes condições: (a) debêntures da espécie subordinada aos demais credores da companhia; (b) valor de emissão de R$ 1.700.000.000,00 em uma única série de 10.000 títulos, no valor nominal de R$170.000,00 cada uma das debêntures; (c) de forma escritural; (d) não conversíveis em ações; (e) data de emissão em 2 de dezembro de 1999; (f) vencimento em 2 de dezembro de 2014; as debêntures serão resgatadas de uma só vez, no vencimento, facultandose à emissora a aquisição das debêntures de sua própria emissão, observadas as condições previstas no artigo 55, §2° da Lei n° 6.404, de 1976; a sociedade se reserva o direito de resgate antecipado total ou parcial dos títulos; o preço do resgate será o valor nominal atualizado nas condições previstas na Escritura de Emissão, acrescido de juros previstos, por dias decorridos; (g) atualização monetária com base na variação do IGPM, pagável por ocasião do resgate; (h) juros de 6% ao ano, pagáveis por ocasião do resgate, podendo ser repactuados pela emissora; (i) LIMITE EM FUNÇÃO DO LUCRO: a atualização monetária e os juros não excederão, em cada exercício, o lucro líquido calculado antes do cômputo desses mesmos juros e atualização monetária e dos resultados decorrentes de participações societárias da emissora. A insuficiência eventualmente verificada poderá ser compensada no cálculo referente aos exercícios seguintes, desde que haja lucros suficientes; (j) a emissão não se destina à colocação ou distribuição pública no mercado de valores mobiliários; (k) a colocação, que será particular, sendo subscrita e integralizada em moeda nacional ou mediante créditos de que são titulares os subscritores junto à emissora, ficando os títulos em carteira até a ocorrência da efetiva colocação; o preço da colocação será determinado na data do evento pelo valor nominal; Fl. 619DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 617 5 As debêntures foram adquiridas pelo Srs. Moise Yacoub Safra, CPF n° 006.062.19820, e Joseph Yacoub Safra, CPF n° 006.062.27849, únicos acionistas da companhia emissora, cabendo a cada um 3.987 títulos. Os títulos remanescentes (2.066), de posse da companhia, permaneceram em carteira até o seu cancelamento, o qual será a seguir descrito; Em 30/07/2001, conforme o 1º Aditivo à Escritura, Datada de 02 de Dezembro de 1999 (retificada através do aditivo retificatório datado de 28/09/2001, para 06 de dezembro de 1999), de Emissão por Instrumento Particular de Debêntures da Espécie Subordinada pela Sodepa, registrado no 2° Cartório de Registro de Imóveis de São Caetano do Sul em 17/10/2001, ficou estabelecida nova forma de remuneração das debêntures, abaixo transcrito: ‘01. ALTERAÇÃO da redação da alínea f do item II da Escritura, a qual passa a viger com o seguinte teor: ‘f) ATA DE VENCIMENTO E CONDIÇÕES DE RESGATE: o vencimento das debêntures será em 2 de dezembro de 2014; As debêntures serão resgatadas de uma só vez, no vencimento, ficando facultado à Emissora, adquirir as debêntures de sua própria emissão, observadas as condições previstas no artigo 55, §2° da Lei n° 6.404, de 15/12/1976; A sociedade reservase o direito de resgate antecipado total ou parcial dos títulos; o preço do resgate (antecipado ou não) das debêntures será o valor nominal atualizado nas condições previstas nesta Escritura de Emissão’. 02. ALTERAÇÃO da redação da alínea g do item II da Escritura, que passará a viger com o seguinte teor: g) ‘PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS: Será assegurado aos titulares das debêntures participação nos resultados da Emissora, apurados ao final de cada exercício social, exclusive aqueles oriundos de participações societárias de caráter permanente, no montante equivalente a 97% (noventa e sete por cento) do resultado assim ajustado, antes da referida participação’; 03. EXCLUSÃO das atuais alíneas ‘h’ e ‘i’ do item II da Escritura; 04. RENUMERAÇÃO em razão da exclusão constante do item 03 acima, das atuais alíneas ‘j’ e ‘k’, do item II da Escritura, que passarão a ser respectivamente alíneas ‘h’ e ‘i’; e 05. DETERMINAÇÃO de que as alterações acima efetuadas tenham como data de entrada em vigor 01 de junho de 2001’. Em 08/11/2001, conforme 2° Aditivo à Escritura, Datada de 6 de Dezembro de 1999, registrado no 2° Cartório de Registro de Imóveis de São Caetano do Sul em 07/12/2001, a Assembléia Geral dos Acionistas da Emissora, realizada em 28/08/2001, decidiu pelo cancelamento das 2.066 debêntures, mantidas em carteira e que não teriam sido subscritas quando de sua colocação; Da análise dos elementos acima, constatamos serem indedutíveis as despesas financeiras relativas à remuneração das debêntures apropriadas após a alteração do critério originalmente estabelecido, em função do caráter de liberalidade das despesas incorridas. Pela citada alteração, o contribuinte trocou uma remuneração estabelecida em função da variação do IGPM acrescida de juros de 6% ao ano, limitada ao valor dos lucros antes de deduzidas as próprias despesas e expurgado os resultados das participações societárias, por outra equivalente a Fl. 620DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 618 6 97% do resultado positivo auferido no exercício social ajustado pela exclusão de rendimentos de participações societárias de caráter permanente; Como preceitua a doutrina, a debênture tem em sua natureza, dentre outras, a característica de titulo de renda fixa, sendo assim os juros, remuneração básica para a mesma. A participação nos lucros podese considerar remuneração adicional ou complementar àquela de juros periódicos, visando atrair uma vantagem adicional quando da emissão dos títulos. Outra característica inerente à debênture, a de título de crédito, exige remuneração certa e periódica do capital, pois se assim não for, estaria descaracterizado o mútuo, uma vez que o debenturista empresta recursos à empresa; Não fosse o caso dos próprios acionistas da empresa serem os únicos subscritores das debêntures emitidas, e na exata proporção da participação acionária de cada um, sujeitarseia a empresa a entregar 97% do seu resultado aos debenturistas? Não pode ser considerado razoável a aceitação da troca pela empresa de uma posição consolidada de remuneração às debêntures já subscritas (IGPM + juros de 6% aa), por outra que a obriga entregar quase que a totalidade de seu resultado positivo aos debenturistas. Tal forma de remuneração não se reveste de características normais e usuais, quando comparadas às emissões de debêntures em geral. Afinal, o objetivo principal de uma companhia é auferir lucros aos seus acionistas, mas quando este lucro passa servir de remuneração a debêntures cujos próprios acionistas são os únicos beneficiários, fica evidenciado que tal operação serviu exclusivamente para reduzir a carga tributária, através da criação meramente liberal de despesas financeiras caracterizadas como não necessárias; Ressaltase, também, não ser cabível em relação à remuneração das debêntures em questão, a aplicação das regras anteriores à alteração da escritura emitida em 06/12/1999, uma vez que o aditivo à escritura, promovido pelos próprios e únicos interessados (debenturistas / acionistas) em 30/07/2001, revogou contratualmente o dispositivo original; Desta forma, os valores apropriados pelo contribuinte a título de despesas financeiras após a alteração do critério de remuneração das debêntures emitidas em 1999, ou seja, no período de julho a dezembro de 2001, serão objeto de glosa e conseqüente lançamento de oficio para a constituição do crédito tributário relativo a CSLL. Os referidos valores encontramse demonstrados na planilha elaborada pelo contribuinte, denominada “Demonstração da Movimentação de Debêntures – Ano de 2001”, assim como nas cópias do Livro Razão que acompanham a planilha, e montam as seguintes importâncias: Correção s/ Debêntures Subscritas: R$335.123.621,86 Correção s/ Debêntures em Carteira: (R$51.914.789,36) Valor Líquido da Correção s/ Debêntures: R$283.208.832,50 II – CSLL – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES O contribuinte possuía, no anocalendário de 2000, saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores no valor de R$64.082.406,89. Na apuração do resultado relativo à CSLL no anocalendário de 2001, o contribuinte utilizou do saldo de 2000, o valor de R$9.013.715,24, remanescendo Fl. 621DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 619 7 um saldo de R$55.068.891,65, o qual foi totalmente utilizado (consumido) em função da autuação da CSLL no anocalendário de 2001, já descrita neste Termo; O esgotamento total do saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores no anocalendário de 2001, levado a efeito através do Auto de Infração, tornou ineficazes as compensações efetuadas pelo contribuinte nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, as quais serão objeto de glosa e conseqüente lançamento de ofício para a constituição do devido crédito tributário relativo à CSLL. Os valores da base de cálculo negativa de períodos anteriores compensados pelo contribuinte foram extraídos de suas DIPJ. Os valores do saldo acumulado de 2000, assim como as compensações e baixas nos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, encontramse demonstrados na planilha denominada “Movimentação da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social”, elaborada pelo contribuinte. B – DA BASE DE CÁLCULO I – DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS – APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL O valor da glosa das despesas financeiras não dedutíveis, que servirá de base para a constituição do crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, monta a seguinte importância: Período Base Despesas Financeiras Não Dedutíveis – Glosa 01/01/2001 a 31/12/2001 283.208.832,50 II – CSLL – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES O valor da glosa das compensações indevidas de base negativa de períodos anteriores, que servirá de base para a constituição do crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, montam as seguintes importâncias: Período Base BC Negativa Períodos Anteriores Comp Indevida – Glosa 01/01/2002 a 31/12/2002 19.707.486,80 01/01/2003 a 06/11/2003 427.913,73 07/11/2003 a 31/12/2003 967.586,07 01/01/2004 a 01/12/2004 2.095.868,91 02/12/2004 a 31/12/2004 516.449,58 01/01/2005 a 31/12/2005 7.530.585,42 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 620 8 AnoCalendário Total Glosa p/Ano Calendário 2002 19.707.486,80 2003 1.395.499,80 2004 2.612.318,49 2005 7.530.585,42 C – DA BASE LEGAL I – DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS – APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL Com relação ao IRPJ, infração “Apuração Incorreta da CSLL”, o crédito aqui constituído é procedido com base no quanto disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, art. 299, do RIR/99 aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99, art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88, art. 19 da Lei nº 9.249/95, art. 1º da Lei nº 9.316/96, art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições. II – CSLL – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Com relação à infração ‘Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores’ o crédito aqui constituído é procedido com base no quanto disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, art. 299, do RIR/99 aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99, art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88, art. 58 da Lei nº 8.981/95, art. 16 da Lei nº 9.065/95, art. 19 da Lei nº 9.249/95, art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições e art. 37 da Lei nº 10.637/02”. Cientificada dos autos de infração, em 07/12/2007, a contribuinte, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumentos de Mandato e de Substabelecimento de fls. 210/211 e 212), protocolizou a impugnação, de fls. 159/204, em 04/01/2008, oferecendo, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito. Afirma que a decadência e a prescrição são matérias reservada à Lei Complementar (art. 146, III, b, da CF), e tendo em conta as disposições do art. 150, §4º do CTN toda a atividade do sujeito passivo de apuração e pagamento da CSLL devida no anocalendário de 2001 estaria tacitamente homologada. Defende que a homologação tácita não se restringiria ao valor da CSLL recolhida, mas a todos os procedimentos adotados pelo sujeito passivo na apuração do montante devido: “aí incluídos os registros, cada lançamento contábil, enfim transcorridos o prazo de 5 (cinco) anos, tudo é homologado e a União Federal não pode revisar tais dados, exceção feita aos casos de dolo, fraude e simulação”. Salienta que o presente lançamento de CSLL é decorrência da glosa das despesas financeiras contabilizadas no anocalendário de 2001, e que teriam repercutido na determinação das bases de cálculo dos períodos subseqüentes. Desta feita, “considerando que a glosa da despesa apropriada em 2001 seria o ponto fulcral do lançamento, sem o qual ele não existiria e, ainda que a Requerente somente foi cientificada do auto de infração em 07/12/2007, é correto afirmar que Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 621 9 se passaram mais de 5 (cinco) anos entre o procedimento adotado e a constituição do crédito tributário”. Transcreve jurisprudência. No entender da defesa, a exigência de CSLL não teria embasamento legal, tendo em conta estar fundada no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, no qual não se encontra fundamento para a glosa ora perpetrada. Não haveria, no âmbito da legislação da CSLL, a qualificação de despesa normal, usual e necessária, e tal norma válida e vigente para o IRPJ não teria sido mencionada como de aplicação válida também para a CSLL. Em suas palavras: “Constatase da digressão feita sobre o art. 2º da Lei nº 9.430/96, com a qual o AFRFB pretende justificar a glosa fiscal, que não há previsão normativa específica sobre a CSLL ou comando legal autorizador do empréstimo da legislação do IRPJ, prevendo a qualificação da despesa nos moldes do art. 299 do RIR/99, para apuração da base de cálculo tributável da contribuição em comento”. Invoca o princípio da legalidade e da certeza jurídica. Transcreve jurisprudência administrativa em favor de sua tese. Afirma a existência de erro de cálculo nos lançamentos, na medida em que, na mesma data, teriam sido lavrados outros autos de infração de IRPJ e CSLL (processo administrativo nº 16095.000603/200714), nos quais teriam sido glosadas as despesas financeiras com a remuneração das debêntures nos anoscalendário de 2002 a 2005. Observa ainda a existência de processo administrativo nº 13820.000860/200210 de compensação, relacionada ao saldo negativo apurado no anocalendário de 2001 em que teria sido glosada a contabilização da mesma despesa financeira. Em suas palavras: “Ocorre que as glosas do saldo negativo de IRPJ (ou ‘Imposto a Compensar’) dos anos de 2001 a 2004 deveriam ser computadas na apuração de ofício das novas bases de cálculo da CSLL (assim como do IRPJ) dos anos de 2002 a 2005, objeto do lançamento em análise. Explicase: o saldo de Imposto a Compensar corresponde a uma conta no ativo circulante da Requerente e, por conta da previsão legal de sua atualização pela taxa Selic, foi reconhecida a sua variação monetária pelo regime de competência em todos os períodos analisados pelo AFRFB” Afirma, assim, que as variações monetárias ativas, incidentes sobre os valores dos saldos negativos de IRPJ, objeto de redução, escrituradas pelo regime de competência, com base na variação da taxa Selic, deveriam também ser excluídas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Cita, a título de exemplo, a apuração da base de cálculo do IRPJ, no ano calendário de 2002, no qual teria sido glosado o valor de R$218.812.578,35 do saldo negativo de IRPJ. Para que a recomposição da base de cálculo ficasse correta, deveria também ser excluída da base de cálculo a variação monetária ativa relativa a tal montante de saldo negativo de IRPJ, escriturada segundo o regime de competência, nos anos subseqüentes. Segundo a Impugnante, apenas no ano calendário de 2003 (com a Selic acumulada de 21,16%), a variação monetária ativa escriturada sobre a parcela glosada do saldo negativo de R$218.812.578,35 seria de R$46.300.741,58. Apresenta demonstrativo consolidado e de atualização Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 622 10 monetária dos saldos negativos de IRPJ a compensar (doc. 5 e 6) e cópia do livro Razão da conta em que teriam sido lançadas as variações mensais da Selic do ano de 2003 sobre todo o saldo de 2002 (doc. 7). Conclui em suas palavras: “Enfim, tendo sido glosada parte do saldo apurado num determinado ano, é obrigatória a verificação do que essa glosa refletiu nos períodos seguintes (não apenas no ano seguinte, mas naqueles em que havia saldo), que também fizeram parte do trabalho de fiscalização e que inclusive geraram lançamento de ofício. Esse reflexo do trabalho fiscal representa – por óbvio – uma receita financeira reconhecida a maior pelo contribuinte, isto é, sobre uma base que, na visão de quem está recalculando o quantum debeatur, não existe mais [destaques do original]” A recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL imporseia para refletir a base de incidência dos tributos em questão, qual seja, o lucro ou a renda, sem caráter sancionatório (art. 3º do CTN). Invoca o Parecer Normativo nº 2, de 1996, para fundamentar a necessidade de recomposição da base de cálculo. Afirma não ser exigível da contribuinte obrigação tributária maior do que a expressamente prevista em Lei. Conclui estarem erradas todas as bases de cálculo tributadas exofficio nos lançamentos, inclusive a base de cálculo relativa ao anocalendário de 2002, tendo em conta a redução/reversão do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, objeto do processo administrativo nº 13820.000860/200210. No entender da defesa, tais erros na determinação das bases de cálculo ensejariam a nulidade dos lançamentos. Transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento, inovação ou mudança de critério jurídico no lançamento efetuada pelo órgão julgador de primeira instância. Passa a historiar os fatos ocorridos da seguinte forma: • A contribuinte seria sociedade titular de participações societárias no setor financeiro e bancário; • Faria uso de debêntures como a principal fonte de financiamento para a consecução de suas atividades; • No período objeto da autuação (2002 a 2005), mantinha, em seu passivo, debêntures originárias de duas distintas emissões: o Debêntures 1997, de 14/01/1997, com vencimento em 14/01/2025 e valor nominal original de R$300.000.000,00 (trezentos milhões de reais), cuja remuneração era calculada com base na variação de uma cesta de índices, próxima à remuneração do CDI; o Debêntures 1999, de 06/12/1999, com vencimento em 02/12/2014, com valor nominal original de R$1.700.000.000,00 (um bilhão e setecentos milhões de reais), cuja remuneração era calculada com base na variação do IGPM, acrescida de 6% a.a., limitada ao lucro ajustado da empresa. Por meio do aditivo de 30/07/2001, o critério de remuneração teria sido alterado para 97% do lucro ajustado pela exclusão dos resultados decorrentes de participações societárias e da própria remuneração de debêntures; Afirma terem sido comprovadas a existência e a origem das debêntures mantidas no passivo, mediante a apresentação de cópias das competentes escrituras de emissão, e da comprovação dos aportes efetivos de recursos em períodos Fl. 625DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 623 11 anteriores. As despesas financeiras vinculadas à remuneração das debêntures emitidas em 1997 teriam sido validadas pela fiscalização. A glosa ora efetivada atingiria apenas as despesas financeiras vinculadas à remuneração das debêntures emitidas em 1999 e somente após a mudança de critério de remuneração. Destaca que a autuação teria sido motivada pela mudança de critério de remuneração e não em questionamentos acerca de sua existência e validade. Ao solicitar a elaboração de quadro comparativo com a projeção de remuneração das debêntures com base na variação do IGPM + 6% ao ano, a fiscalização estaria a indicar a efetivação da glosa apenas do montante que excedesse tal critério de remuneração, mas por “cobiça arrecadatória” teriam sido glosadas a totalidade das despesas contabilizadas. No que toca à alteração do critério de remuneração das debêntures para 97% do lucro ajustado, afirma a observância do art. 56 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações – LSA), no qual estaria prescrita apenas a possibilidade de as debêntures assegurarem participação nos lucros da companhia, sem imposição de qualquer limite. Assim, com base no princípio da livre iniciativa e da liberdade de contratação teria sido estabelecido como critério de remuneração a participação nos lucros. Colaciona doutrina a favor desta forma de remuneração das debêntures. Cita o julgado do Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 10708.029 no qual seria sustentada a possibilidade de remuneração de debêntures, mediante participação nos lucros. Ademais, afirma que a própria legislação fiscal, no art. 58 do DecretoLei nº 1.598, de 1977 (consolidado no art. 462 do RIR/99), asseguraria a dedução da participação das debêntures no lucro, sem impor limites, configurando direito legítimo, normal e usual da empresa. Em síntese, a regularidade do procedimento adotado pela contribuinte teria os seguintes pressupostos: (i) ser a debênture um meio legal e adequado para financiamento de suas atividades; (ii) ser o custo da remuneração dedutível na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (iii) é permitida a remuneração das debêntures com base na participação dos lucros da empresa emitente. Invoca as disposições do art. 58 do DecretoLei nº 1.598, de 1977 para referendar a permissão de exclusão do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, das participações nos lucros asseguradas a debêntures de sua emissão. Em seu entender, haveria erro na imputação fiscal com fundamento de ser desnecessária e indedutível a remuneração das debêntures. Novamente, faz remissão ao Acórdão nº 10708.029, no qual o Relator teria afirmado que a dedutibilidade da participação nos lucros, conferida aos debenturistas, não se submeteria ao regime de dedutibilidade das despesas, mas deveria ser apreciada como exclusão indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Defende haver erro na acusação, não passível de aperfeiçoamento pelo julgador administrativo. Ademais, a acusação de que tal forma de remuneração das debêntures seria desnecessária, por não atender às características da normalidade e da usualidade, seria decorrente de mera presunção, baseada nas seguintes premissas: (i) não ser razoável a alteração, para um critério mais oneroso, de remuneração de debêntures já subscritas; (ii) não ser normal e usual a remuneração de debêntures no percentual de 97% do lucro; (iii) desvio de finalidade da empresa. No entender da defesa, tais conclusões decorreriam de uma análise estreita e restrita, de uma visão obtusa. Defende serem necessárias: (i) uma comparação quantitativa entre o critério de remuneração anterior (IGPM + 6%) e o alterado (97% do lucro); (ii) uma análise da “expressiva quantia monetária das Fl. 626DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 624 12 debêntures”; (iii) uma análise do custo de captação no mercado dos mesmos recursos. Segundo a Impugnante, a maior parte dos recursos aplicados pela empresa teria origem em debêntures, emitidas em diversos períodos, com remuneração variável. Uma pesquisa mais acurada da situação patrimonial da empresa conduziria à conclusão de que a alteração do critério de remuneração sob apreciação não teria resultado em ganhos para os debenturistas, em detrimento dos interesses empresariais. Afirma assim que o intuito de tal alteração não seria praticar uma remuneração acima dos níveis de mercado, mas o contrário. Assevera que, na data da alteração da remuneração das debêntures, o único critério de comparação que a Impugnante possuía era o histórico das remunerações com base na primitiva contratação (IGPM + 6% a.a.) visàvis com os lucros apurados nos anos anteriores. E nesse contexto, defende: “a remuneração paga pelas debêntures nos seis anos anteriores à operação de troca de índices suplantou o percentual de 97% do resultado ajustado da Requerente” (destaques do original). Segundo a defendente, nos anos de 1995 a 2002, a soma da remuneração das debêntures teria sido de R$1.387.830.718,00, e a soma do resultado ajustado de R$1.243.736.328,00, resultando em 112% o percentual da remuneração sobre os resultados. Em suas palavras: “Desse modo, percebese que o histórico da remuneração passada demonstrava, na ocasião, que, se com a remuneração do IGPM + 6% a.a. a Requerente entregava praticamente todo o seu lucro ajustado ao debenturista, ao repactuar para 97% do lucro, ao menos uma parcela, ainda que pequena, correspondente a 3% do lucro ajustado, permaneceria em poder da Requerente”. Rechaça a imputação fiscal de que a contribuinte autuada teria laborado em exercício de adivinhação e antevisto que os resultados futuros suplantariam a remuneração até então praticada. Ademais, a remuneração em 97% do lucro ajustado não teria se mostrado distante da regra anterior (IGPM + 6%), e teria sido menor do que a remuneração de debêntures com base nas taxas de mercado (variação do CDI) – diferença de R$500.000.000,00; e menor do que a remuneração contratada com base variação de títulos do governo – diferença de R$1.200.000.000,00. E mais a frente consigna: “Apenas para deixar claro: A remuneração da Debênture/1999, até junho de 2001 (IGPM + 6% a.a.), era muito abaixo de mercado, se comparada (a) tanto com os títulos do governo federal (NTNC Notas do Tesouro Nacional) que à época da emissão da Debênture/1999 remuneravam em níveis superiores a IGPM + 12% a.a. e em julho de 2001 a IGPM + 10,39%; (b) quanto com emissões de outras empresas privadas, que remuneravam os seguintes percentuais acima do IGPM: [Demonstrativo de IGPM + Juros entre 11% e 14% por Empresa Emissora de Debêntures e Ano de Emissão] No período da autuação (2002 a 2005), a remuneração total (glosada) da Debênture/1999 atingiu R$1.369.252.189,00, que comparada à remuneração que teria sido paga se não houvesse a alteração em julho de 2001 (motivação do lançamento), no montante de R$1.125.589.204,00 correspondeu a uma diferença de R$243.662.986,00 equivalente a 17,79% do que foi deduzido pela Requerente”. Defende, assim, que, para fundamentar a imputação de despesa desnecessária fora dos parâmetros da normalidade e da usualidade, deveria a fiscalização proceder à comparação com os valores de remuneração fixados no mercado, com base na variação das NTNC e CDI. Afirma que, em regra, a Fl. 627DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 625 13 remuneração das debêntures seria superior à NTNC (IGPM + 10,39% a.a.) ou a 100% do CDI (Doc. 08A). In casu, se a remuneração tivesse adotado o CDI (puro sem spread), a remuneração da Debênture/1999 atingiria R$1.951.726.853,00 (Doc. 09), ou seja, R$582.474.664,00 a mais do que a despesa contabilizada pela empresa. Por outro lado, se tivesse adotado a NTNC, a remuneração atingiria R$2.518.621.848,00 (Doc. 09), ou seja, R$1.149.369.659,00 a mais do que a despesa contabilizada. E conclui: “Ora, se o mercado indica ao menos que o custo do financiamento da Debênture/1999 seria de R$582 milhões a mais se comparada com o CDI ou até R$1.149 milhões se comparada com a NTNC, então a acusação de que a remuneração contabilizada não é usual e não normal somente pode ser aceita se for para considerála abaixo do mercado, mas isso não autoriza a sua indedutibilidade”. Reforça ainda que se mantida a remuneração prevista na cláusula vigente até junho de 2001, a despesa teria sido sempre superior àquela efetivamente contabilizada, pois atingiria nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006 (e provavelmente em 2007) o limite de 100% do lucro líquido ajustado. Explica que tal fato seria decorrente da relevância das debêntures no financiamento dos recursos aplicados nas atividades da Impugnante. No caso da Debênture/1999, o valor de emissão teria sido de R$1,7 bilhões. Desta forma, a despesa se configuraria dedutível na medida em que relacionada à manutenção da fonte produtora e vinculada com a receita gerada na atividade da empresa (objeto social). Nesse aspecto, diz que a fiscalização deveria ter demonstrado a falta de vinculação entre a emissão de Debênture/1999 e a atividade operacional da Impugnante que lhe gera receitas. Somente poderia ser considerada não necessária se se tratasse de um favor para o debenturista. Afirma que o ônus da prova do fato gerador cabe ao Fisco. Em suas palavras: “Destarte, não se pode admitir que, diante de um legítimo financiamento (e quanto a isso o AFRFB não cogita), seja desconsiderado todo o seu custo (abaixo do mercado), com base em meras presunções sem nem sequer perquirir todos os aspectos e valores que envolvem a atividade da Requerente”. Aduz que se não cancelados integralmente, os lançamentos deveriam ser cancelados parcialmente devido ao excesso de glosa, na medida em que as remunerações das debêntures com base na variação do IGPM + 6% a.a., limitada ao lucro, conforme as disposições originais seriam dedutíveis. Nota que somente as remunerações efetuadas após a mudança do critério de remuneração teriam sido glosadas. Instada pela fiscalização, a Impugnante teria apresentado um quadro comparativo com a projeção da remuneração das debêntures em ambos os critérios. A fiscalização não teria questionado a validade das emissões de debêntures como legítimos instrumentos de financiamento, nos casos em que a remuneração foi fixada com base no IGPM + 6% e na “cesta” de índices correspondentes à variação do CDI. Afirma que a existência e a materialização das debêntures teriam sido devidamente comprovadas no curso do trabalho fiscal, não tendo sofrido qualquer questionamento nesses aspectos. Conclui daí que se as debêntures são existentes e válidas não poderia ser negada a dedutibilidade da parcela de encargos que, na visão da fiscalização, seriam necessários, não se constituindo em mera Fl. 628DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 626 14 liberalidade. Em suas palavras: “(...) se 97% do lucro constitui exagero, negar toda e qualquer dedução para a Requerente também é um exagero”. Explica que não se trata de aplicar regras anteriores à alteração promovida pelo aditivo de 30/07/2001, mas de garantir à Impugnante a justa identificação da parcela de despesas reputadas excessivas e que caracterizam liberalidade. Se não excluídas as parcelas necessárias, usuais e normais da despesa com a remuneração das debêntures, estarseia tributando o patrimônio e não o acréscimo patrimonial. Questiona a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic por afronta à Constituição Federal e ao CTN. A 2ª Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0521.560, de 20/03/2008 (fls. 253/269v), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Decadência. Contribuições para a Seguridade Social. CSLL. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Despesas Desnecessárias. Ofensa ao Princípio da Entidade Contábil. A base de cálculo da CSLL é o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, na qual há determinação expressa para que a escrituração da companhia obedeça também aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. O Princípio Contábil da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial da pessoa jurídica em relação ao patrimônio particular de seus sócios ou acionistas. Reputamse indedutíveis da base de cálculo da CSLL, as despesas desnecessárias, assumidas pela empresa e não vinculadas às suas finalidades essenciais, que assim ofendem diretamente ao princípio da entidade. Remuneração de Debêntures. Participações nos Lucros. Titularidade Exclusiva dos Acionistas. Para a Lei fiscal, somente são dedutíveis as participações nos lucros atribuídas a debêntures de emissão da companhia, na medida em que essa participação tenha natureza de juros. Conseqüentemente, a possibilidade de dedução dessas participações, deve ser confrontada com o critério de sua necessidade, em face dos objetivos sociais da empresa. Despesas Financeiras. Remuneração de Debêntures. Indedutibilidade. Despesas Desnecessárias. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 627 15 Configuram ato de liberalidade ou de favor, estranho aos objetivos sociais da empresa, as despesas financeiras com remuneração de debêntures, de titularidade exclusiva dos acionistas, calculadas com base em 97% do lucro ajustado. É ato estranho aos objetivos sociais da empresa produzir lucros para terceiros. Admitirse a dedutibilidade das despesas financeiras com a remuneração de debêntures, pagas aos próprios acionistas do empreendimento, com base em 97% dos lucros ajustado, seria permitir a manipulação pelos contribuintes da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por meio de contratos particulares entre pessoas ligadas. Compensação de Bases de Cálculo Negativas de Períodos Anteriores. Anos calendário de 2002 a 2005. Procedida à recomposição da base de cálculo da CSLL, no anocalendário de 2001, e compensado todo o saldo de bases de cálculo negativas de períodos anteriores, procedente a glosa das compensações efetuadas pelo contribuinte nos períodos subseqüentes, por falta de saldo disponível. Ciente da decisão de primeira instância em 23/04/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 273, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/05/2008 conforme carimbo de recepção à folha 274. No recurso interposto (fls. 275/317), após historiar, por sua ótica, o ocorrido, a interessada alega preliminarmente os pontos que se seguem, em apertada síntese: • Insiste em que a decadência teria atingido os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001, forte nas disposições do art. 150, § 4º, do CTN e na inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Com isso, também desapareceriam as infrações de compensação indevida de bases de cálculo negativas da CSLL, apontadas pelo Fisco nos anos seguintes. • Argúi a ilegalidade da glosa de despesas na apuração da CSLL. O enquadramento legal dos autos não daria amparo à glosa de despesa considerada indedutível para fins do IRPJ, levada a efeito pelo Fisco na base de cálculo da CSLL. Quanto a este ponto, alega, ainda, que a DRJ teria inovado o lançamento, ao trazer à baila o princípio da entidade, a fim de sustentar a autuação. • Reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação acerca de erro de cálculo na autuação. No mérito, a recorrente traz os argumentos abaixo sintetizados: • Historia, por sua ótica, os fatos relacionados à emissão de debêntures. • Afirma a regularidade da debênture e a correta apuração do IRPJ e da CSLL mediante a dedução de sua remuneração. Conclui que “não merece prosperar a alegação exposta pela Turma Julgadora no sentido de que a dedutibilidade fiscal das participações nos lucros atribuídas às debêntures somente se justifica desde que (i) tenha natureza de juros e (ii) os acionistas não sejam os próprios debenturistas”. • Sustenta a ocorrência de erro na tipificação infracional. Além da alegação preliminar sobre a falta de base legal para a glosa, a recorrente acrescenta que a fundamentação da infração não poderia ser com supedâneo no art. 299 do RIR/99, mas somente no art. 462 do regulamento, que trata de regra específica da dedutibilidade de debêntures. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 628 16 • Alega que as despesas por ela incorridas seriam normais, usuais e necessárias. O Fisco não teria comprovado a falta de vinculação entre as debêntures emitidas e a atividade operacional da recorrente. • Prossegue tratando da efetiva remuneração atribuída às debêntures emitidas, buscando, mediante cálculos e comparações, demonstrar que tal remuneração se encontrava dentro de parâmetros adequados ao mercado. • Como argumento subsidiário, requer que, caso o Colegiado entenda que a despesa incorrida seria mera liberalidade, que se reconheça, ao menos, o direito à dedução de remuneração pela regra anterior, ou seja, a variação do IGPM acrescida de 6% a.a. • Questiona a aplicação da taxa SELIC como índice de juros para fins tributários. Como dito, esta Primeira Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência. Na ocasião, restou assinalado no voto condutor: Ao examinar a DIPJ apresentada pelo contribuinte correspondente ao ano calendário 2001 (Fichas 16 e 17, fls. 38/42), constato que o contribuinte calculou as estimativas mensais da CSLL com base em balanços/balancetes de suspensão/redução nos meses de janeiro, fevereiro, março, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, não resultando saldo a pagar. Por outro lado, nos meses de abril, maio, junho e julho esse cálculo foi feito com base na receita bruta e acréscimos, gerando CSLL a pagar (linha 07 da Ficha 16) nos valores respectivos de R$ 1.214.153,56, R$ 439.454,64, R$ 1.675.309,89 e R$ 1.647.555,77. Tais valores, totalizando R$ 4.976.473,86 foram levados ao ajuste anual como CSLL mensal paga por estimativa (Linha 38 da Ficha 17), reduzindo o valor devido calculado ao final do período de apuração anual. Em outras palavras, há indicativos de que tais valores tenham sido efetivamente pagos. No entanto, tais indicativos são insuficientes como prova efetiva do pagamento, a permitir que se decida sobre a questão da decadência com a indispensável certeza. Pelo exposto, de forma a permitir a formação de convicção deste Conselheiro, voto pela conversão do julgamento em diligência para que: A) A Secretaria desta Câmara faça juntar aos autos os documentos apresentados (por cópia autenticada) por ocasião do julgamento. B) A Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte consulte os sistemas de processamento de dados da RFB e adote as seguintes providências: 1. Informe se as estimativas mensais de CSLL do anocalendário 2001 foram extintas mediante pagamento ou algum outro meio de extinção do crédito tributário, fazendo acostar aos autos a documentação comprobatória de sua resposta. 2. Informe se os débitos correspondentes às estimativas mensais de CSLL do anocalendário 2001 foram objeto de declaração em DCTF. Em caso afirmativo, fazer acostar aos autos os extratos correspondentes. 3. Acrescente outras informações e/ou documentos que considerar relevantes. Às fls. 466, consta registro acerca da juntada de documentos ao processo. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 629 17 A Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, por sua vez, em despacho fundamentado (fls. 580/582), informa que, com base em extratos dos sistemas informatizados da Receita Federal (anexados ao processo), podese afirmar que os débitos relativos às antecipações obrigatórias (estimativas) do período de abril a julho de 2001 foram efetivamente declarados em DCTF e encontramse extintos por compensação. Cientificada do pronunciamento da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, a contribuinte argumenta que, diante da conclusão esposada pelo órgão administrativo demandado por este Colegiado, “observase que os fatos submetemse à disciplina do disposto no art. 150, § 4º do CTN, ensejando o necessário reconhecimento da extinção dos valores exigidos pela ocorrência da decadência, nos termos do art. 156, inciso V, do referido diploma legal.” É o Relatório. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 630 18 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2001, formalizada em razão da imputação de apropriação de despesas indedutíveis e compensação indevida de base de cálculo negativa. Em conformidade com os elementos reunidos ao processo, o lançamento tributário em questão derivou de averiguações efetuadas no processo administrativo nº 13820.000860/200210, em que foram analisadas compensações cujo crédito ali indicado dizia respeito a saldo negativo do anocalendário de 2001. Identificando despesas financeiras tidas como indedutíveis, a unidade administrativa responsável pela apreciação do pedido (Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, São Paulo) promoveu a recomposição do resultado final apurado pela contribuinte, deferindo parcialmente os pedidos de compensação pleiteados, e, passo seguinte, elaborou Representação Fiscal para que o setor de fiscalização empreendesse as verificações de sua alçada. Efetuadas as verificações, foi constituído o crédito tributário relativo à CSLL, pois, diante da redução do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 efetuada por meio do processo nº 13820.000860/200210, não caberia lançamento relativo ao IRPJ. O aproveitamento de bases negativas de períodos anteriores na compensação do valor apurado de ofício relativo ao ano de 2001, implicou considerar como indevidas compensações efetuadas nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Cabe informar que o processo administrativo nº 13820.000860/200210 foi apreciado pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo sido prolatado pela sua Primeira Câmara o acórdão nº 10197.021 (sessão de 13 de novembro de 2008). Ali, o colegiado, por maioria de votos, decidiu no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações correspondentes. O julgado em referência foi assim ementado: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. IRPJ REVISÃO DE OFÍCIO É cabível a revisão de oficio imposto de renda apurado pelo contribuinte e informado na DIPJ, realizada pela autoridade tributária competente, mediante despacho decisório, cientificada antes do transcurso do prazo decadencial, sendo discipienda a lavratura de auto de infração. IRPJ REMUNERAÇÕES DE DEBÊNTURES DEDUTIBILIDADE LIMITES A legislação societária e fiscal prevê a possibilidade de a debênture Fl. 633DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 631 19 assegurar participação no lucro da companhia, sem contudo impor um limite percentual do lucro. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO Para que se considere distribuição disfarçada de lucros, deve ficar suficientemente demonstrado que houve favorecimento por descontos maiores, sendo que a parcela tributável deve corresponder apenas à diferença entre o desconto dado a terceiros e o desconto dado à controladora. CSLL LANÇAMENTO REFLEXO Tratandose de lançamento reflexo, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que o vincula. Embora me pareça impertinente a referência feita a lançamento reflexo, eis que o processo em questão trata de pedido de compensação tributária, observase que a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes não considerou indedutíveis as despesas financeiras apropriadas pela contribuinte (remuneração de debêntures), desautorizando, assim, a recomposição do saldo negativo efetuada pela Delegacia da Receita Federal e, por decorrência, a autuação tratada no presente processo. Entretanto, releva notar que a decisão exarada pela citada Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes ainda não é irreformável administrativamente, vez que encontrase pendente de apreciação a admissibilidade do recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional. Não obstante, no recurso voluntário interposto no presente processo a contribuinte sustenta que o lançamento tributário relativo ao fato gerador ocorrido no ano de 2001 já não mais poderia ter sido efetuado, haja vista a ocorrência da caducidade do direito. Nessa linha, argumenta que, se o crédito tributário relativo à irregularidade apontada para o ano de 2001 não poderia ser constituído, descabe também promover glosas de compensações de bases negativas em período posteriores que dela decorrem. A meu ver, o alegado pela Recorrente está correto, isto é, se, de fato, o lançamento tributário relativo ao anocalendário de 2001 não mais poderia ser efetuado, desaparece a infração a ela imputada e, por decorrência, revelase imotivada a glosa das compensações de bases negativas dos períodos subseqüentes. A autoridade julgadora de primeiro grau não acolheu a alegação de decadência trazida em sede de impugnação com no entendimento de que, tratandose de contribuição social instituída em interesse da seguridade social, a norma a ser aplicada em relação a tal matéria seria a estabelecida pelo art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, como é cediço, a partir da publicação2 da súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional, entre outros dispositivos, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, tal norma não pode mais servir de suporte para contagem do prazo decadencial, subsistindo, assim, as disposições do Código Tributário Nacional. Tratandose, pois, de contribuição submetida ao denominado lançamento por homologação, transcrevo pronunciamento do Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha que, 2 A referida súmula foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 20 de junho de 2008. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 632 20 com clareza solar, aborda as questões relacionadas à caducidade estampada parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional [...] A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 635DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 633 21 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o Fl. 636DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 634 22 acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Embora entenda que a aplicação das disposições estabelecidas pelo parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional esteja condicionada à realização da atividade ali prevista, sendo ela o objeto da homologação e não o pagamento, em virtude do comando regimental, devo me curvar ao entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça nos julgados antes transcritos. Nessa linha, cabe averiguar se encontramse presentes elementos autorizadores da aplicação, para fins de decadência, das disposições do já citado parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Como visto, provocada a trazer esclarecimentos acerca de eventual realização de pagamentos no exercício da atividade referenciada na norma de decadência em questão, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, tomando por base extratos dos sistemas informatizados da Receita Federal, informou que os débitos relativos às antecipações obrigatórias (estimativas) do período de abril a julho de 2001 foram efetivamente declarados em DCTF, tendo sido extintos por compensação. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/200770 Acórdão n.º 1301001.358 S1C3T1 Fl. 635 23 Não resta dúvida de que a compensação não se confunde com pagamento, embora ambos os institutos representem forma de extinção do crédito tributário. Contudo, penso que se deve emprestar uma interpretação extensiva ao decidido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, de modo que não se pode afastar a aplicação da regra estampada no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional na situação em que o contribuinte, em atendimento ao “caput” do referido artigo, apura, sem prévio exame da autoridade administrativa, o montante do tributo devido, confessa a dívida por meio do instrumento declaratório previsto na legislação tributária para tanto e extingue o crédito tributário por meio de um encontro de contas. A exemplo do previsto no parágrafo 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional em relação ao pagamento, a compensação declarada à Receita Federal, nos exatos termos do parágrafo 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fica evidenciado, assim, que a Administração Tributária, a partir da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar a exação devida, confessála e extinguíla, toma conhecimento do rol de procedimentos, o que possibilita a homologação do lançamento. Considerado o exposto e diante do fato de que a Recorrente foi cientificada do lançamento em 07 de dezembro de 2007 (fls. 132), relativamente ao anocalendário de 2001 já não era mais possível promover a constituição do crédito tributário, eis que a datalimite para tal se deu em 31 de dezembro de 2006. Assim, acolhendo o argumento de caducidade do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 638DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 19515.001983/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO.
Não há direito adquirido a regime jurídico-fiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Precendentes e Súmula n° 352 do STJ (AgRg no AREsp 357.985/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013) e do STF (RMS 27382 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 08/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-220 DIVULG 06-11-2013 PUBLIC 07-11-2013).
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. Não há direito adquirido a regime jurídicofiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Precendentes e Súmula n° 352 do STJ (AgRg no AREsp 357.985/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013) e do STF (RMS 27382 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 08/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe220 DIVULG 06112013 PUBLIC 07112013). AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 83 /2 01 0- 18 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/201018 Acórdão n.º 2302003.067 S2C3T2 Fl. 322 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 251 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.261.6070, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, por infração ao artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5º da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9528/97, c/c o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. 1.1 De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 50, informa que: • O Contribuinte entregou GFIP´s utilizando código FPAS 639 correspondente às Entidades Beneficentes de Assistência Social, e recolheu as contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais em Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS sob o código de pagamento 2305, correspondente a Entidades Filantrópicas com Isenção CNPJ/MF; • Este procedimento está em desacordo com a situação do Contribuinte que teve cancelada a isenção concedida anteriormente, conforme Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais nº 001/2001, de 17/12/2001, vigente a partir de 01/01/1995, com base no disposto no artigo 207 do RPS RPS— Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, por ter infringido o disposto no inciso II do artigo 55 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 407 do Regulamento da Organização e Custeio da Seguridade Social — ROCSS (cópia do Ato Cancelatório no Anexo l); • O Contribuinte obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social na forma do artigo 37 da MP 446/2008, para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 (processo nº 71010.002865/200397, D.O.U. 04/02/2009), e para o período de 01/01/2007 a 31/12/2009 (processo nº 71010.004007/200623, D.O.U. 26/01/2009), conforme cópia juntada no Anexo II; • Entretanto, tal fato não configura condição suficiente para enquadramento como entidade com direito à isenção de contribuições previdenciárias. Para tal, o Contribuinte deveria ter formalizado novo requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, além de atender, cumulativamente, todos os requisitos legais; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 • Uma vez que não foi feito novo requerimento, o Contribuinte permaneceu obrigado ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, previstas nos incisos I, II, e III, do artigo 22 da Lei nº 8212/91, incidentes sobre as remunerações efetuadas a segurados empregados e contribuintes individuais; • O Contribuinte recebeu a Intimação nº 19/2010 da Divisão de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo — DERAT/DIORT, onde é orientado a corrigir as GFIP's, bem como a regularizar as respectivas contribuições previdenciárias, tendo sido inclusive alertada quanto ao fato de que o código FPAS 639 é de uso exclusivo das entidades regularmente isentas. A referida Intimação foi recebida em 21/05/2010, conforme Aviso de Recebimento do Correio — AR (cópias da Intimação e do AR no Anexo III); 1.2 O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 51, informa que: • Foi aplicada multa conforme artigo 32, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, atualizada pela Portaria Interministerial nº 333 (Ministérios da Fazenda e da Previdência Social), de 29/06/2010, D.O.U. de 30/06/2010; • O valor da multa correspondente a 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada, limitada, em função do número de segurados da empresa, aos valores previstos no artigo 32, inciso IV, parágrafo 4º, da Lei nº 8212/91. No caso da Autuada, o número de segurados variou entre 101 e 500, nas competências 01/2006 a 13/2007, e o limite equivale a dez vezes o valor mínimo, conforme Anexo IV; • O Anexo V apresenta o demonstrativo do cálculo da multa paliçada, que totalizou R$ 372.265,40 (trezentos e setenta e dois mil e duzentos e sessenta e cinco reais e quarenta centavos); • O valor do Auto de Infração será atualizado pela SELIC conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 10, de 14/11/2008, D.O.U. de 17/11/2008, bem como na legislação que a ampara. 1.3 Encontramse anexos ao Auto de Infração de fl. 04: Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 02; IPC – Instruções para o Contribuinte, fls. 05 a 06; Relatório de Vínculos, fl. 07; Termos de Início de Procedimento Fiscal e de Intimação Fiscal, fls. 43 a 45; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl. 49; ANEXO I – Cópia do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 001/2001, fls. 52 a 53; ANEXO II – Cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fls. 54 a 57; ANEXO III – Cópia da Intimação nº 19/2010 da DERAT/DIORT e de AR, fls. 58/60; ANEXO IV – Tabela de Enquadramento para Aplicação da Multa, fl. 61; ANEXO V – Cálculo da Multa Aplicada, fls. 62/65; ANEXO VI – Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 66/72. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/201018 Acórdão n.º 2302003.067 S2C3T2 Fl. 323 5 1.4 Também foram juntados, pela Fiscalização: Estatuto e Atas de Assembléia, fls. 08 a 42; Procurações, fls. 46 a 48. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 277 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * Aduz que, já na defesa, havia demonstrado e comprovado documentalmente que o único requisito que não preenchia à época dos fatos geradores era o Certificado de Entidade Filantrópica, posteriormente emitido pelo CNAS, com efeitos retroativos; * Aduz que não teve renovada sua Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social quanto ao período compreendido entre os anos de 1994 e 1997, sendo que, em o fisco editou o Ato Cancelatório n° 001/2001, referente ao referido período. Acrescenta que, em virtude da morosidade do CNAS, os pedidos de renovação do certificado relativamente a períodos posteriores a 1997 não teriam sido julgados até 2008, quando do avento da MP n° 446, que teria concedido, automaticamente, todos os certificados que estavam pendentes de análise e julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação, com efeitos retroativos, dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos aos períodos de 1998 a 2009. Assim, conforme certidão já anexada à impugnação, a recorrente seria portadora do certificado no período de 1998 a 2009. Como o certificado foi emitido somente em 2009, a recorrente esteve impossibilitada, fática e juridicamente, de requerer à RFB o reconhecimento da imunidade/isenção; * Afirma que continuou a apresentar os Relatórios de Atividade ao fisco comprovaria a sua boafé e a total ausência de motivos para a negativa do benefício; * Aduz que mesmo se tivesse apresentado o pedido após o deferimento dos certificados, ou seja, no ano de 2009, referido pleito somente retroagiria à data do protocolo, o que não influiria em nada nos fatos geradores da autuação, conforme o § 2° do art. 208 do RPS. Acrescenta que apresentou Plano de Ação e Relatório Circunstanciado de suas atividades. * A imunidade estabelecida no § 7° do art. 195 somente poderia estar condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14 do CTN, que é lei complementar no sentido “material”. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Requerimento da Isenção. Art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91. Alega a recorrente que, já na defesa, havia demonstrado e comprovado documentalmente que o único requisito que não preenchia à época dos fatos geradores era o Certificado de Entidade Filantrópica, posteriormente emitido pelo CNAS, com efeitos retroativos. Acrescenta que Aduz que não teve renovada sua Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social quanto ao período compreendido entre os anos de 1994 e 1997, sendo que, em o fisco editou o Ato Cancelatório n° 001/2001, referente ao referido período. Acrescenta que, em virtude da morosidade do CNAS, os pedidos de renovação do certificado relativamente a períodos posteriores a 1997 não teriam sido julgados até 2008, quando do avento da MP n° 446, que teria concedido, automaticamente, todos os certificados que estavam pendentes de análise e julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação, com efeitos retroativos, dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos aos períodos de 1998 a 2009. Assim, conforme certidão já anexada à impugnação, a recorrente seria portadora do certificado no período de 1998 a 2009. Como o certificado foi emitido somente em 2009, a recorrente esteve impossibilitada, fática e juridicamente, de requerer à RFB o reconhecimento da imunidade/isenção. Em que pese a afirmação da recorrente de que continuou a apresentar os Relatórios de Atividade ao fisco, o que comprovaria a sua boafé e a total ausência de motivos para a negativa do benefício, é fato que a Lei n° 8.212/91, dispôs sobre a necessidade de requerimento do benefício fiscal ao INSS (art. 55, § 1°). Assim, mesmo ausente o certificado de entidade beneficente, a partir do Ato Cancelatório n° 001/2001, deveria a recorrente ter cumprido o requisito legal a fim de resguardar os seus direitos. Nessa hipótese, mesmo com a negativa do órgão fazendário, restaria assegurada a retroação caso houvesse posterior obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), como de fato ocorreu. Com efeito, dispõe a Súmula 352 do STJ que “a obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes”. O STJ já decidiu caso semelhante: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. CONDICIONAMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. RECURSO ESPECIAL. 1. Se o contribuinte não deu cumprimento ao comando do artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91 em relação aos exercícios de 1997/1998 não reveste a qualidade de "isento" devendo, pois, pagar as contribuições sociais inadimplidas. 2. Às entidades cabe o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para que possam usufruir da isenção pleiteada. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/201018 Acórdão n.º 2302003.067 S2C3T2 Fl. 324 7 É do conhecimento médio de quem trilha a seara do direito tributário que, relativamente às regras de isenção, a interpretação deve ser literal nos termos do artigo 111 do CTN. Salientese, outrossim, a precariedade da "isenção" sob comento, ou seja, a entidade encontrase sujeita à verificação pelo INSS, do cumprimento de todas as condições legais necessárias à outorga ou permanência no gozo da isenção. 3. In casu, a recorrida, no período em que as contribuições lhe foram cobradas, não se encontrava amparada pela isenção em face do nãocumprimento do requisito inserto no artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91. 4. Recurso especial provido. (REsp 463.335/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2003, DJ 17/12/2004, p. 419) (destaques nossos) Imunidade/Isenção. Art. 14 do CTN. A imunidade estabelecida no § 7° do art. 195 somente poderia estar condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14 do CTN, que é lei complementar no sentido “material”. Quanto a tal argumentação, pedimos vênia para seguir a orientação adotada pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire, relator do Recurso Especial 255.559, acórdão 9202 002.420 (processo 13016.000954/200770, Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 07 de novembro de 2012). Dispõe o Código Tributário Nacional que: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Como se vê, o regramento invocado pela recorrente referese à imunidade de impostos. Para as entidades beneficentes de assistência social, a Constituição concedeu imunidade/isenção das contribuições para a seguridade social desde que atendidas as exigências estabelecidas em lei. Não é verdade que o § 7º do art. 195 da Constituição, por se tratar de uma limitação constitucional ao poder de tributar, deve ser regulamentado por lei complementar (art. 14 do Código Tributário Nacional). Conforme nos ensina Leandro Paulsen, “é rígida a posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificála, cuida se de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente” (Contribuições – Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145) É verdade que, quanto à matéria, houve o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n° 566.622 (tema 32), o que demonstra que não se trata de questão fechada: Recurso REPERCUSSÃO GERAL ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ARTIGO 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Admissão pelo Colegiado Maior. (RE 566622 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 21/02/2008, DJe074 DIVULG 24042008 PUBLIC 2504 2008 EMENT VOL0231609 PP01919 ) Tema 32 Reserva de lei complementar para instituir requisitos à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. No entanto, alinhase o presente voto com a posição adotada pelo próprio STF por ocasião do julgamento do Ag. Reg. no RE n° 428.8150, no qual decidiuse que os requisitos formais para a constituição e funcionamento das entidades beneficentes de assistência social são matérias que podem ser tratadas por lei ordinária: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/201018 Acórdão n.º 2302003.067 S2C3T2 Fl. 325 9 EMENTA: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP 00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150153) Nada impede que a Constituição crie uma regra geral (lei complementar regula as limitações constitucionais ao poder de tributar) e estabeleça exceções (como a regulamentação do art. 195, § 7°, por lei ordinária). Desta forma, impõese às entidades beneficentes de assistência social que cumpram os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei n.º 8.212/91, a fim de que possam ser consideradas isentas/imunes das contribuições para a seguridade social. Portanto, a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c” não se confunde com a imunidade prevista no art. 195, § 7º , ambos da Constituição Federal. Esta incide sobre contribuições sociais para a seguridade social e aquela sobre impostos. Além disso, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, pode ser regulamentada por lei ordinária, como no caso, pela Lei 8.212/91, não havendo necessidade, nesta hipótese, de regulamentação por meio de lei complementar. Destarte, as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam – à época dos fatos geradores atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Multa. Retroatividade Benigna. Cumpre analisar matéria de ordem pública, referente à retroatividade benigna da legislação relativa a infração em destaque. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/201018 Acórdão n.º 2302003.067 S2C3T2 Fl. 326 11 às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/201018 Acórdão n.º 2302003.067 S2C3T2 Fl. 327 13 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11030.904109/2012-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 41 09 /2 01 2- 29 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/201229 Acórdão n.º 3803005.546 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13971.004624/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/03/2004 a 09/11/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA.
A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo.
RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado).
PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de acobertar.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS. TERCEIROS.
Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
No art. 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário no dispositivo citado, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria norma legal.
Numero da decisão: 3403-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA. A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado). PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 46 24 /2 00 9- 15 Fl. 6457DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS. TERCEIROS. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. No art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário no dispositivo citado, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria norma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2727 a 29681), para exigência de multa no valor aduaneiro da mercadoria (R$ 19.318.221,60), diante da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, em virtude da “não localização ou consumo das mercadorias importadas irregular ou fraudulentamente, em função de prática utilizada pela autuada, legalmente definida como dano ao Erário” (“interposição fraudulenta na importação, mediante ocultação do sujeito passivo, comprador ou responsável pela operação”). Na autuação, lavrada em 16/11/2009, com amparo no art. 23, § 3o do Decretolei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, narrase que a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 6458DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.626 3 empresa promoveu importações de mercadorias da marca “Taschibra” por intermédio da empresa Proimport Brasil LTDA (Proimport), que registrava as Declarações de Importação (DI) em nome próprio (declarando ser importadora e adquirente das mercadorias). Informase ainda que: (a) em 27/6/2003, em procedimento especial de fiscalização aberto contra a empresa All Home Com. Imp. e Exp. LTDA (All Home) fls. 5 a 6, constatouse que esta ocultava a empresa Brasilux Ind. e Com. Imp. e Exp. LTDA (Brasilux) em operações de importação, gerando, em 5/7/2007, a autuação de fls. 7 a 99, mantida pelo julgador administrativo em primeira instância (fls. 100 a 133); (b) em diligência efetuada na Brasilux (MPF de fl. 134), foram retidos, em 5/7/2007, os documentos relacionados às fls. 137 e 138, apurandose que as importações anteriormente efetuadas pela All Home, a partir de 19/12/2003 passaram a ser feitas pela Proimport; e (c) convertido o MPF de diligência em fiscalização, intimouse, então, em 24/3/2009, a Proimport a apresentar documentos referentes às 175 declarações de importação indicadas às fls. 139 e 140 e, em 9/6/2009, a empresa Brasilux a apresentar os livros relacionados à fl. 187, e os documentos e arquivos complementares (cópias dos documentos apresentados e de solicitações adicionais às fls. 142 a 186, e 195 a 2723); (d) constatouse que, em dezembro de 2003, a Brasilux deixou de operar com a interposta All Home que estava sob procedimento fiscal passando a operar com a interposta Proimport, empresa Fundapiana, fato claramente observado na planilha I (fl. 383), o que perdurou até 2006, quando a empresa Proimport passou, como importadora por encomenda, a registrar formalmente DI em nome da encomendante Brasilux (em que pese ter havido, após a formalização, uma 175a e última DI da Proimport acobertando fraudulentamente a Brasilux); (e) as 175 DI objeto da autuação abarcam o período de 4/3/2004 a 9/11/2006, tendo operado a decadência em relação às declarações de importação anteriores; (f) embora o tipo infracional seja objetivo (ocultação do real adquirente), não demandando a averiguação dos benefícios obtidos com a fraude, destacamse na autuação alguns deles, como: (1) a quebra da cadeia do IPI (com sonegação desse tributo, cf. exemplos de fls. 2745 a 2750), (2) a fuga à parametrização (que Fl. 6459DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 direciona a seleção fiscal para canais diferentes dos que seriam cabíveis se informada fielmente a operação recordandose que à época em que a Proimport começa a operar as DI da Brasilux estavam sendo direcionadas para o canal cinza, de análise mais rigorosa), e (3) a burla aos controles aduaneiros (habilitação e estimativas de importação, permitindo a duas outras empresas administradas pelo sócio majoritário da Brasilux, Sr. Afonso Luiz Schreiber Eletrobrasil e World Brasil situadas no mesmo endereço da Brasilux, importarem além de seus limites permitidos pela RFB); (g) o Sr. Afonso Luiz Schreiber assumiu a administração da All Home (que teve sua habilitação para operar no comércio exterior cancelada em 2004, por inatividade) em 21/12/2007 (com 99,8% de participação, sendo os outros 0,02% em nome de Natalie Schreiber Filippi), em substituição a seu irmão, Sr. Germano Schreiber, com alteração da empresa para o mesmo endereço da Brasilux; (h) a marca “Taschibra” está registrada no INPI na titularidade da empresa ALS Administradora de Bens, que tem como sócioadministrador majoritário o Sr. Afonso Luiz Schreiber (com 50%, sendo os outros 4 sócios também da família Schreiber, detendo 12,5 % de participação cada); (i) com base em informações do sítio da “Taschibra”, com domínio registrado em nome da Brasilux, e no sítio da própria Brasilux (onde a empresa é chamada de “Brasilux/Taschibra” fls. 2764 e 2765), verificouse a existência de uma filial da “Brasilux/Taschibra” em Xangai/China, onde são fabricados os produtos importados para o Brasil; (j) o nome “Taschibra”, conforme se informa no sítio, é uma homenagem ao inventor Thomas Alva Edson, ao fundador da empresa Afonso Luiz Schreiber, à China e ao Brasil, o que só endossa a clara conexão direta entre a empresa brasileira e a chinesa; (k) “Taschibra” e Brasilux são nomes usados indistintamente em diversos documentos da empresa, na lista telefônica, nas placas indicativas da empresa, outdoors etc.; (l) as mercadorias importadas nas 175 DI objeto da autuação, oriundas da China, ostentavam, em regra (1067, de um total de 1087 itens) a marca “Taschibra”, sendo descritas na DI, na fatura comercial e no conhecimento de carga como sendo da marca “Taschibra”; Fl. 6460DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.627 5 (m) as 175 DI foram registradas em nome da Proimport, que indicava ser a importadora e a adquirente dos produtos da marca “Taschibra” (sendo que havia determinação normativa de indicação da natureza da operação conta e ordem, inicialmente no campo informações complementares ou em campo próprio da DI); (n) após a importação, a Proimport revendia as mercadorias (99,3% delas ao grupo “Taschiba”/Brasilux), e a análise da documentação apresentada comprova que a empresa Brasilux era responsável por suprir os recursos à empresa Proimport antes da remessa destes ao fornecedor estrangeiro, independentemente de sua posterior revenda ser para o grupo “Taschibra”; (o) a Proimport, assim, registrava importações da marca Taschibra oriundas da China e as revendia à própria Taschibra brasileira (com todos os benefíciso fiscais e extrafiscais daí decorrentes, e em oposição à legislação vigente); (p) vários elementos, como a alteração de um embarque da empresa World Brasil para Proimport, mediante autorização do Sr. Afonso Luiz Schreiber (fls. 2780 a 2784), a demonstração de que a Brasilux efetuava o pagamento das despesas inerentes ao despacho aduaneiro (v.g. fls. 2785, 2814, 2817, 2822, e 2825, bem assim a solicitação de numerário de fls. 2933/2934), e a posse de documentos relativos ao despacho pela Brasilux (por exemplo, casos de faturas ainda em fase de elaboração na Brasilux, com correções, inclusive de valor, depois incorporadas à fatura definitiva de posse da Proimport v.g. fls. 2789, 2792, 2794, 2798 e 2819), endossam ainda mais a prática da interposição fraudulenta; (q) a empresa Brasilux, se fosse mera adquirente de produtos importados pela Proimport, não teria acesso às despesas da importadora, aos trâmites operacionais do despacho de importação (como os problemas enfrentados no recebimento de mercadorias da China fls. 2937/2938), detalhes do embarque (há inclusive fax da transportadora à Brasilux após o embarque das mercadorias fl. 2847), preços de compra da mercadoria no exterior, nem acesso direto ao exportador estrangeiro; (r) os fornecedores chineses das mercadorias importadas diretamente pela Brasilux (92 DI) no mesmo período das importadas por intemédio da Proimport (175 DI) são Fl. 6461DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 comuns, e há documentos que demonstram o contato direto do representante da Brasilux com o fornecedor (v.g. no caso de diferença na conferência de mercadorias fls. 2696 a 2705); (s) a autuada não só concorreu para a prática da infração como foi a artífice e principal beneficiária do esquema engendrado; (t) a interposição fraudulenta é caracterizada como dano ao Erário, ensejador da pena de perdimento; (u) intimada a apresentar as mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento (fls. 2719/2720), a autuada não o fez, tendo respondido (fls. 2722/2723) com a alegação de não possuir informações acerca de 174 DI, pois as mercadorias não foram importadas pela Brasilux (afirmando que a 175a importação foi por encomenda e a mercadoria foi consumida); e (v) sendo a alegação da empresa totalmente avessa ao verificado na autuação, e sendo a 175a DI resultante de adulteração de documentos somada a ausência de escrituração contábil da operação, ambos comprovados na autuação, a falta de apresentação das mercadorias enseja a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3o do Decretolei no 1.455/1976, no valor aduaneiro destas (com a conversão do câmbio na data do registro de cada DI, perfazendo o total de R$ 19.318.221,60). Cientificada da autuação em 25/11/2009 (fl. 2968), a empresa Brasilux apresenta impugnação em 21/12/2009 (fls. 2990 a 3041), sustentando que: (a) após dois anos da retenção de documentos, em decorrência de diligência amparada por MPFD, a empresa recebeu termo de início de procedimento fiscal, sendo intimada a apresentar documentos, e cientificada da conversão do MPFD em MPFF (de fiscalização); (b) depois de apresentar os documentos solicitados, a empresa foi intimada, em 30/10/2009, a apresentar, em 10 dias, mercadorias relativas a diversas declarações de importação, para fins de aplicação da pena de perdimento, sem que lhe fosse permitido apresentar quaisquer esclarecimentos; (c) em resposta (fls. 2722/2723), a empresa informou que as mercadorias de uma das DI foram consumidas, mas que não possuía informação sobre as outras 174 DI, solicitando ao fisco que detalhasse ao menos as Notas Fiscais de Entrada relativas a cada mercadoria, para que a empresa pudesse localizálas (destacandose que o Fl. 6462DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.628 7 fisco paradoxalmente estava de posse da documentação referente às DI); (d) sem análise da resposta da empresa, sobreveio então a autuação objeto do presente processo, imputando à empresa o cometimento de infração advinda de sua própria ocultação fraudulenta, mediante a utilização de interposta pessoa, nas 175 DI resgistradas pela Proimport; (e) houve irregularidade na prorrogação da validade do MPF, por inobservância das formalidades imprescindíveis (ausência de informação ao sujeito passivo das prorrogações e inexistência de demonstrativo de emissão e prorrogação do MPF), o que implica extinção do mandado, e invalidez do lançamento (por incompetência do agente); (f) quanto aos documentos apreendidos na Brasilux, (1) as “papeletas de quitação de fechamento de câmbio” são documentos internos de controle da importadora (Proimport), que não possuem valor probante, não tendo sido comprovada a origem das solicitações; e (2) não se reconhece a origem dos email e documentos apócrifos utilizados na autuação, e que não constam do relatório de documentos retidos, o que prejudica a liquidez e a certeza de sua licitude; (g) parte dos créditos lançados já restaram atingidos pela decadência, não se aplicando o CTN por não se estar tratando de crédito tributário, devendo reger a matéria o art. 139 do Decretolei no 37/1966 (ou, alternativamente, o Decreto no 20.910/1932, que leva ao mesmo resultado), e ainda que se entenda tratarse de crédito tributário, há de se aplicar a regra do art. 150, § 4o do CTN, por ter ocorrido antecipação/pagamento de tributos (o que também resulta na mesma conclusão: a de que estava decaído o direito de lançar multa relativa às DI registradas antes de 25/11/2004, retroagindo cinco anos da ciência da autuação); (h) a marca “Taschibra” em território chinês não pertence à impugnante, mas ao próprio fabricante de lâmpadas chinês, e os dados levantados pelo fisco sobre a marca e as empresas All Home, Eletrobrasil e World Brasil não são pertinentes ao caso concreto; (i) a Brasilux nunca negou a existência do grupo econômico, nem o fato de ser cessionária da marca “Taschibra” (de fato as empresas Brasilux, All Home, Eletrobrasil e World Brasil possuem sócios em comum, Fl. 6463DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 e as operações realizadas pela All Home foram efetivamente realizadas irregularmente, tanto é que este débito já foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei no 11.941/2009, e isso não pode levar à conclusão de que a empresa continua atuando irregularmente); (j) não há continuidade delitiva, pois a ocultação do adquirente mediante interposição de pessoas apenas foi considerada infração a partir da MP no 66/2002, e nesse primeiro momento abrangeu somente as importações realizadas por conta e ordem de terceiros; (k) as operações realizadas pela Proimport foram por encomenda (modalidade que posteriormente foi contemplada pela Lei no 11.281/2006), com recursos próprios da importadora, sem que a Brasilux fornecesse ou antecipasse qualquer suporte financeiro às operações de importação; (l) ao mesmo tempo em que afirma existir continuidade delitiva, com simples alteração do ocultante (de All Home para Proimport), a autoridade autuante adota procedimento diferente nas duas autuações: naquela, a interposta pessoa foi notificada, justamente por ser a agente da fraude (vez que ela é que registra a DI), sendo a Brasilux solidária, enquanto nesta a interposta pessoa nada sofreu, o que é estranho, pois a situação é idêntica; (m) a pessoa que se interpõe é que realiza as condutas que caracterizam o núcleo do tipo legal da pena de perdimento, portanto é ela que deve ser apenada com o perdimento das mercadorias; (n) não há que se falar em fraude ou simulação se não houver supressão de tributo ou ocultação de real beneficiário da operação, ou seja, se o sujeito omitido não for equiparado a importador (no caso, o encomendante ainda não o era); (o) é evidente que a infração prevista na MP no 66/2002 somente se aplicava às importações por conta e ordem, pois apenas nessa hipótese o real adquirente se equiparava ao importador, nos termos do art. 79 da MP no 2.158/2001, passando a abranger as importações por encomenda apartir da Lei no 11.281/2006; (p) as importações por encomenda sem identificação do encomendante, antes da vigência da Lei no 11.281/2006, não eram tipificadas como infração; (q) para a configuração da interposição fraudulenta são necessários dois agentes, o ocultador e o ocultado, Fl. 6464DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.629 9 devendo ambos serem responsabilizados pelo fisco (como na autuação anterior, da All Home); (r) é impossível o ocultado realizar o núcleo da conduta, e por isso é uma aberração aplicar somente a ele a pena de perdimento, pois estarseia punindo só o mandante, e não o agente da infração; (s) a suposta ocultante, a empresa Proimport, não foi punida justamente por não haver irregularidade nenhuma nas importações, sendo que sequer foi solicitada a correção das DI pelo fisco; (t) mesmo que se configurasse a infração, a falta de responsabilização da autora da infração implicaria impossibilidade de aplicação de penalidade à Brasilux, pois segundo os princípios de direito penal, a renúncia concedida a um réu se estende a todos; (u) na DI no 06/13570833, o encomendante foi devidamente identificado, como se observa na fl. 1473, não havendo que se falar em interposição fraudulenta (o que ocorreu foi simplesmente substituição do importador contratado, que tinha atingido suas quotas de importação concedidas pelo fisco “Radar”), visto que a Brasilux adquiriu as mercadorias e foi inclusive equiparada a contribuinte do IPI nessa operação, e, ao contrário do que afirma a fiscalização, houve contabilização da operação (que não foi constatada pelos fiscais porque ocorreu com atraso, em 2007); (v) a Brasilux é encomendante, e não uma singela adquirente de mercadorias no mercado interno, e por isso tem acesso a informações do importador e indica o que será importado, tudo dentro do permitido pelo § 3o do art. 11 da Lei no 11.281/2006; (w) todas as despesas (como tributos incidentes na importação, capatazia , armazenagem, frete, honorários de despachante, fechamento de câmbio etc) eram suportados pela Proimport, com recursos próprios desta, não tendo havido qualquer antecipação de numerário da Brasilux à Proimport (pelo contrário, a Proimport é que financiava a Brasilux); (x) a importadora, utilizando dos mecanismos comerciais, retardava o fechamento de câmbio, que as vezes era quitado após o pagamento das duplicatas (daí as “papeletas de quitação do fechamento” em data posterior a pagamentos de duplicatas); Fl. 6465DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 (y) a empresa junta aos autos documentação elaborada pela Proimport que demonstra os pagamentos realizados e recebidos em 18 importações, afirmando que carrearia aos autos posteriormente as demais, em virtude de dificuldade de obtenção junto à importadora em tempo exíguo, e, usando como exemplo a DI no 04/09048199, explica o mecanismo de pagamentos de duplicatas pela Brasilux à Proimport, e sua desvinculação cronológica com o fechamento de câmbio; (z) para configurarse adiantamento de valores, o pagamento deve ser procedido dentro do desencadear da operação de importação por encomenda; (aa) a Proimport tem capacidade financeira para efetuar as importações, o que poderia ter sido verificado pela fiscalização, que optou por não incluíla no polo passivo; (bb) ainda que se entenda que a operação não foi por encomenda, ad argumentandum, não houve importação por conta e ordem, pois a importadora não possuía habilitação para tal; (cc) a equiparação do encomendante ao importador, pela Lei no 11.281/2006, instituiu nova obrigação tributária, e, portando deveria respeitar o princípio da anterioridade (de exercício e nonagesimal), somente cabendo a pena de perdimento ou a multa substitutiva a partir de 2007, pois tais penalidades são diretamente vinculadas à existência de responsabilidade advinda da equiparação do encomendante ao importador; (dd) não houve dano ao Erário, pois não ocorreu dano patrimonial ao fisco, nem quebra da cadeia do IPI (pois, mesmo que houvesse equiparação, grande parte das mercadorias não é tributada na saída), nem fuga aos controles aduaneiros (pois a contratação de trading companies e empresas com limites maiores de importação é lícita). (ee) não se pode imputar à Brasilux a pena de perdimento (ou multa substitutiva) no caso de mercadorias adquiridas pela Eletrobrasil, All Home e World Brasil, pois a Brasilux não é nem foi detentora da posse ou propriedade das mercadorias; (ff) no caso em análise, não houve comprovação da não localização, da transferência ou do consumo das mercadorias importadas (em virtude de não ter havido por parte da autuada, quando intimada, condições de manifestarse sobre mercadorias importadas pela Fl. 6466DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.630 11 Proimport e que, em diversos casos, sequer eram a ela destinadas); e (gg) a solicitação da Brasilux para que fosse detalhada a mercadoria que se solicitava apresentar não foi considerada pela fiscalização. Em 27/8/2010, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 3610 a 3618), tendo o julgador a quo analisado somente a questão da sujeição passiva (entendida como suficiente para a nulidade do lançamento, com a procedência da impugnação), concluindo que: (a) o adquirente e o encomendante das mercadorias importadas não podem ser solidários pelos tributos sem que se tenha determinado e autuado o contribuinte; (b) a previsão legal de os acusados responderem pela infração “conjunta ou isoladamente” não permite que o autuante eleja entre eles aquele que deve responder pela infração (em outras palavras, identificados mais de um infrator todos devem ser autuados conjuntamente); (c) parcial razão cabe à interessada quando afirma que a não autuação da importadora “Proimport Brasil Ltda” fere seu direito de defesa em razão de não possibilitar a apresentação da documentação fiscal e contábil daquela empresa (cumpre verificar que os registros, documentos contábeis e bancários e esclarecimentos da importadora de direito, aquela em nome de quem foram registradas as Declarações de Importação, são de fundamental importância para se comprovar a correção das operações de importação realizadas); (d) o auto de infração padece de vicio de sujeição passiva, uma vez que foi lavrado em afronta ao disposto nos artigos 121 e 142 do CTN; e (e) houve preterição do direito de defesa. O processo foi remetido então a este CARF, com recurso de ofício, nos termos do 34 do Decreto no 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei no 9.532/1997, e do art. 1o da Portaria MF no 3/2008, em virtude do montante exonerado. Por meio do Acórdão no 3403001.912, de 26/02/2013, esta terceira turma decidiu unanimemente dar provimento ao recurso de ofício, determinando o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos da impugnação, em julgamento assim ementado: “RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 6467DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado). PROVIMENTO DE RECURSO DE OFÍCIO QUE ANALISA PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REENVIO AO TRIBUNAL A QUO. Na hipótese de a decisão de primeira instância pela nulidade da autuação, em sede preliminar, sem análise do mérito da impugnação, ser revertida em segunda instância, devem os autos ser remetidos ao tribunal a quo, para apreciação dos argumentos expostos na impugnação, ainda não analisados, a partir do decidido na última instância administrativa, para que não se configure supressão de instância.” A DRJ, então, efetua novo julgamento, em 20/11/2013 (fls. 6328 a 6350), no qual acorda unanimemente em dar parcial provimento à impugnação, exonerando R$ 2.637.987, 05 em função de decadência (ensejando novo recurso de ofício), de acordo com o disposto no art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Em relação aos demais tópicos, sustenta o julgado de piso que: (a) o MPF é instrumento de controle da administração, e sua prorrogação pode ser efetuada tantas vezes quanto necessária, de acordo com a legislação de regência (Portarias SRF no 307/2001, RFB no 4.328/2005 e RFB no 6.087/2005), não acarretando eventuais irregularidades em relação ao MPF nulidade do lançamento, em função do disposto no art. 142 do CTN; (b) não procede a alegação de que as provas utilizadas pela fiscalização são ilícitas ou sem comprovação de origem, pois foram obtidas em procedimento de diligência na própria empresa, ou foram por ela fornecidas; (c) a alegação de que o art. 13 da Lei no 11.281/2006 cria equiparação tributária, e somente poderia ter vigência a partir do exercício seguinte ao da publicação, foge à competência do julgador administrativo, assim como as demais alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade; (d) o dano ao Erário decorre de disposição legal, não cabendo discutir sua existência efetiva; (e) a infração se caracterizou pela comprovação de que a “Brasilux” interpôs fraudulentamente nas operações de importação a empresa “Proimport”, que registrava as declarações como se fosse a importadora e adquirente das mercadorias, quando, na verdade, as mercadorias tinham como real adquirente a própria “Brasilux”, que as recebia logo que desembaraçadas; (f) o fato de terem sido utilizados recursos da adquirente nas operações de importação faz presumir que houve importação por conta e ordem, mesmo antes da legislação que veio a disciplinar a importação por encomenda; (g) na única DI para a qual a a empresa afirma ter havido discriminação do encomendante, a declarante não inseriu o dado no campo previsto na legislação, sendo que as características do caso (troca de correspondências entre os envolvidos) mostram que tal incorreção não se tratou de mero equívoco, mas de verdadeira fraude; (h) não prospera a alegação da empresa de que não pode responder pelas aquisições realizadas pelas empresas “Eletrobrasil”, “All Home” e “World Brasil”, restando evidente que em todas as importações os recursos provieram da autuada; e (i) como a própria empresa admite, esta detinha todo o conhecimento das operações de importação, pois quer fazer crer que se tratavam de operações de importação sob sua encomenda. Cientificada do julgamento da DRJ em 29/11/2013 (cf. AR de fl. 6396), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 20/12/2013 (fls. 6398 a 6451), argumentando que: (a) há incompetência absoluta dos AuditoresFiscais, pois o MPFD utilizado não preencheu as formalidades previstas na Portaria RFB no 4.066/2007 (no que se refere à formalização e à comunicação das prorrogações ao sujeito passivo), sendo, portanto, extinto; (b) as provas utilizadas são ilícitas, que abarcam “supostos emails e faxes enviados e recebidos pela empresa” (sic), “papeletas de quitação de fechamento de câmbio” (documentos internos da Fl. 6468DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.631 13 empresa, sem valor probante), e “documentos apócrifos”, sendo que não há cópias de email entre os documentos retidos (fls. 136/137) nem entre os restituídos; (c) não há continuidade delitiva, pois as irregularidades passadas (em relação à empresa “All Home”), pois a “Proimport” é empresa diversa e totalmente independente do ponto de vista operacional, porque a ocultação não era apenada antes da MP no 66/2002, e porque a recorrente nunca negou a existência de grupo econômico, nem o fato de ser cessionária da marca “Taschibra”; (d) não houve interposição fraudulenta, pois, a partir da evolução legislativa do tema, percebese que “somente haverá fraude e simulação quando o adquirente/encomendante for equiparado ao importador”, e tal equiparação com a figura do encomendante só veio a ocorrer com a Lei no 11.281/2006 (art. 13); (e) há extinção da responsabilidade da autuada, pois a responsabilidade por infrações, cf. art. 95 do DecretoLei no 37/1966, só pode ser imputada ao importador (agente da infração que ocasiona dano ao Erário), pois o terceiro adquirente não pode ocultarse a si próprio (sendo impossível que realize o núcleo da conduta “ocultar”); (f) houve cerceamento de defesa, pois é impossível à autuada apresentar documentos que não são de sua responsabilidade, mas da responsabilidade da importadora, empresa distinta; (g) não houve suporte financeiro da operação pela recorrente (como se demonstra em tabela relacionada à DI no 04/09048199), sendo que a “Proimport” é que era a verdadeira financiadora das importações (e esta, “utilizando dos mecanismos comerciais, retardava o fechamento de câmbio, os quais (sic), as vezes eram quitados após o pagamento de algumas duplicatas”), e todos os pagamentos de duplicatas e fechamentos de câmbio ocorreram após a entrega das mercadorias, conforme planilha que anexaria, elaborada pela importadora (“Proimport”), sendo que não existiu procedimento especial de verificação da origem dos recursos, no caso; (h) a recorrente, de fato, tem gerência sobre os procedimentos de importação, como encomendante predeterminada, e não como adquirente por conta e ordem; (i) não houve interposição em relação à DI no 06/13570833, pois o encomendante está devidamente identificado nos dados complementares da DI, tendo a DRJ alterado o enquadramento da autuação; (j) não existiu dano ao Erário, pois não houve “quebra da cadeia do IPI”; (k) há ilegitimidade passiva nas aquisições realizadas pela Eletrobrasil, pela All Home e pela World Brazil, porque é impossível aplicar a pena de perdimento a figura distinta do real adquirente, tendo em vista que o responsável deve estar diretamente ligado à propriedade das mercadorias; e (l) a conversão da pena de perdimento em multa é ilegal, porque não houve comprovação, pela autoridade autuante, da não localização, transferência ou consumo das mercadorias (que estava de posse dos documentos relativos às importações). Requer, ao final, juntada posterior de auditoria contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. 1. Das Preliminares Fl. 6469DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 A empresa apresenta em seu recurso voluntário questionamentos em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, à obtenção das provas utilizadas pela fiscalização, e ao cerceamento de defesa, atrelado à responsabilidade da autuada. 1.1. Do Mandado de Procedimento Fiscal A empresa recorrente alega há incompetência absoluta dos AuditoresFiscais, pois o MPFD utilizado não preencheu as formalidades previstas na Portaria RFB no 4.066/2007 (no que se refere à formalização e à comunicação das prorrogações ao sujeito passivo), sendo, portanto, extinto. Compulsando os autos, revelase que havia procedimento anterior de fiscalização sobre as empresas “All Home” e “Brasilux”, tendo sido detectada interposição fraudulenta e lavrada autuação correspondente. Sobre o tema, a recorrente revela que “as operações realizadas à época pela All Home foram efetivamente realizadas irregularmente, tento é que este débito já foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei no 11.941/2009”, mas que a infração preexistente não possui qualquer relação com a imputada nestes autos, e que não houve continuidade delitiva. De fato, a existência de uma infração anterior não influencia de qualquer forma o julgamento do presente processo, que será efetuado à vista dos elementos nele constantes, sendo a autuação anterior tomada em conta tão somente com conteúdo histórico, e não probatório. O que importa aqui é que, após aquele primeiro procedimento, é emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) no 09.2.04.002007001593 (fl. 134), cientificado à empresa em 05/07/2007, com fundamento na Portaria RFB no 4.066/2007. A empresa é então intimada, ainda em 05/07/2007, a apresentar “todos os documentos e arquivos referentes às importações promovidas pela empresa, ou das quais a empresa participou, a partir de exercício de 2003” (fls. 135/136). Ainda em 05/07/2007, foram retidos diversos documentos (detalhados como instrutivos de declarações, logísticos e comerciais) em caixas identificadas no termo de fls. 137/138). Em 24/03/2009 iniciase o procedimento fiscal, conforme termo de fls. 139/140 em relação à empresa “Proimport”, que é intimada a apresentar 175 declarações de importação (DI) e as documentações instrutivas correspondentes. Tais documentos são apresentados , na ordem estabelecida na relação de fls. 155 a 186. O procedimento fiscal em relação à “Brasilux” inicia em 07/05/2009 (fls. 187/188, com ciência em 09/05/2009, cf. AR de fl. 188), em cumprimento ao MPF no 09.2.04.002009002015, que menciona que “fica o contribuinte ciente do encerramento do MPF no 09.2.04.002007001593, com a consequente manutenção dos documentos retidos sob aquele procedimento”. Na mesma data são solicitados à “Brasilux” livros diário, razão, registro de entradas e saídas e apuração de IPI, referentes a 2004, 2005 e 2006. Como dito ao início deste tópico, a irregularidade apontada pela empresa é em relação ao MPFD, e não no que se refere ao MPF de fiscalização, sustentandose que não foram preenchidas as formalidades previstas nos arts. 13 e Anexo VI da Portaria RFB no 4.066/2007 (no que se refere à formalização e à comunicação das prorrogações ao sujeito passivo), e que isso ocasionaria a extinção do MPF, cf. art. 15, e a consequente nulidade da autuação. Dispõe a referida Portaria: Fl. 6470DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.632 15 “Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1 º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7 º, inciso VIII. § 2 º Na hipótese do § 1 º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI.” (grifo nosso) Para verificar se houve registro das prorrogações na Internet, em nome da verdade material, efetuamos consulta ao sítio web da Receita Federal (conforme recomendava a última linha do MPFD de fl. 134, digitando o CNPJ da empresa e o código ali fornecido 76849187). A consulta, que poderia ter sido efetuada pela empresa a qualquer tempo, apontou como resposta a tela da página seguinte, na qual se detalham as prorrogações, até a data em que o MPFD foi extinto, dando lugar a um MPFF. Assim, não existe a irregularidade apontada em relação ao MPF, tendo as prorrogações sido todas registradas eletronicamente, com dados à disposição da fiscalizada. E, quando o fisco contactou a empresa, em 09/05/2009, informando sobre o encerramento do MPFD, já era vigente a Portaria RFB no 11.371/2007, que estabelecia em seus arts. 9o e 14: “Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. (...) Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Fl. 6471DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº 0920400 2007 00159 CNPJ/CPF: 00.374.121/000101 RAZÃO SOCIAL/NOME: BRASILUX IND COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA PROCEDIMENTO: DILIGÊNCIA VALIDADE: 31/08/2007 Nome Função Matrícula Telefone GILBERTO ANTONIO DEZORZI Supervisor 0076232 MARCELO AUGUSTO GUIMARAES GONCALVES Auditor Fiscal 0718209 GILBERTO ANTONIO DEZORZI Auditor Fiscal 0076232 LUIZ FELIPE CAYRES PINTO Auditor Fiscal 0033506 VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFs MPF prorrogado até: 30 de Setembro de 2007 MPF prorrogado até: 30 de Outubro de 2007 MPF prorrogado até: 29 de Novembro de 2007 MPF prorrogado até: 29 de Dezembro de 2007 MPF prorrogado até: 28 de Janeiro de 2008 MPF prorrogado até: 27 de Fevereiro de 2008 MPF prorrogado até: 28 de Março de 2008 MPF prorrogado até: 27 de Abril de 2008 MPF prorrogado até: 27 de Maio de 2008 MPF prorrogado até: 26 de Junho de 2008 MPF prorrogado até: 26 de Julho de 2008 MPF prorrogado até: 25 de Agosto de 2008 MPF prorrogado até: 24 de Setembro de 2008 MPF prorrogado até: 24 de Outubro de 2008 MPF prorrogado até: 23 de Novembro de 2008 MPF prorrogado até: 23 de Dezembro de 2008 MPF prorrogado até: 22 de Janeiro de 2009 MPF prorrogado até: 21 de Fevereiro de 2009 MPF prorrogado até: 23 de Março de 2009 MPF prorrogado até: 22 de Abril de 2009 MPF prorrogado até: 22 de Maio de 2009 MPF prorrogado até: 21 de Junho de 2009 Fl. 6472DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.633 17 Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF.” Sendo a ciência ao sujeito passivo em 09/05/2009, e estando o MPFD vigente até 21/06/2009, nenhum desrespeito aos comandos normativos que regem o MPF foi detectado. De qualquer forma, ainda que houvesse irregularidade, é necessário aclarar que a competência do AuditorFiscal, seja para o exame ou a apreensão de documentos, seja para levar a cabo qualquer outro procedimento fiscal, não deriva de norma infralegal, mas de lei. Assim, o AuditorFiscal da RFB, autoridade administrativa de que trata, v.g., o art. 142 do CTN, tem competência legal para (art. 6o, I, “c” da Lei no 10.593/2002) “executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados”. Reparese que o art. 6o da referida Lei não possibilita que o Poder Executivo em ato infralegal retire ou mitigue a competência, consentindo somente com a regulamentação das competências ali estabelecidas (art. 6o, § 3o da Lei no 10.593/2002). O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle administrativo, e não um documento que atribua competência (e nem poderia, pois a competência já foi legalmente atribuída). Ambas as Portarias aqui referidas têm por base o Decreto no 3.724/2001 (que, por sua vez, regulamenta o art. 6o da Lei Complementar no 105/2001, que disciplina requisição, acesso e uso de informações bancárias pelo fisco). E, na interpretação do Decreto que inova no ordenamento jurídico disciplinando o Mandado de Procedimento Fiscal (Decreto no 3.724/2001), poderseia trilhar dois caminhos. O primeiro é o de que estabeleceram as normas infralegais condição de validade do ato administrativo, mitigando ou retirando (em verdade, transferindo ao administrador de plantão) a competência do AuditorFiscal legalmente estabelecida. Essa linha, que parece ser adotada na defesa da recorrente, encontra numerosos obstáculos de ordem legal e constitucional, pois está a restringir a lei, alterando atribuições por ela estabelecidas, sem autorização, em prejuízo do Poder Público (e até do Erário). Não se tem dúvidas que tal linha levaria à conclusão pela ilegalidade (e, inclusive, pela inconstitucionalidade) do Decreto no 3.724/2001. É corolário da hermenêutica que entre as interpretações de determinado ato normativo, deve prevalecer a que não conduza ao absurdo, à ilegalidade, ao abuso, ao desrespeito a atos de hierarquia superior. E é nesse sentido, alicerçado pelo art. 26A do Decreto no 70.235/1972 (que impede o julgador de negar vigência a decreto sob fundamento de inconstitucionalidade), que se busca interpretação do Decreto no 3.724/2001 que não afronte o sistema ao qual tal norma é vinculada. Assim, para que tal Decreto seja legal e constitucional, deve ser lido não como um mitigador ou saqueador de competência, mas como um instrumento de controle da Administração, de caráter interna corporis. E é desta forma que o MPF tem sido encarado por este CARF, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 6473DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 18 “NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é simples instrumento de controle interno da Administração Tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Também aí entendese pertinente o posicionamento do julgador a quo, que esclareceu que o MPF é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades fiscais, e eventuais irregularidades em seu trâmite não invalidam o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado.” 2 “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.” 3 “MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração” 4 “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público.” 5 “NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração.” 6 Improcedente, assim, a alegação de nulidade por ausência ou irregularidades na emissão do MPF. 1.2. Das provas obtidas pela fiscalização A empresa recorrente afirma que a autuação teve por base documentos “supostamente apreendidos no estabelecimento da recorrente ou enviados pela Proimport”. Em relação aos documentos enviados pela “Proimport” (“papeletas de quitação de fechamento de câmbio”), afirma que são documentos internos de controle da importadora, que não 2 CARF, Acórdão 1401000.740, 4a Câmara, 1a Seção, Rel. Cons. Fernando Luis Gomes de Matos, unanimidade, Sessão de 15.mar.2012. 3 CARF, Acórdão 1801001.018, 3a Turma Especial, 1a Seção, Rel. Cons. Carmen Ferreira Saraiva, unanimidade, Sessão de 10.mai.2012. 4 CARF, Acórdão 3102001.669, 1a Câmara, 3a Seção, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, unanimidade, Sessão de 27.nov.2012. 5 CARF, Acórdão 2403002.353, 3a Câmara, 2a Seção, Rel. Cons. Carlos Alberto Mees Stringari, unanimidade, Sessão de 20.nov.2013. 6 CSRF, Acórdão 9101001.798, Rel. Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão, maioria, Sessão de 19.nov.2013. Fl. 6474DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.634 19 possuem valor probante, nem vinculam a recorrente. No que se refere à correspondências comerciais (email impressos), alega a empresa recorrente que não constam da relação de documentos retidos. Alega, por fim, que os documentos não têm origem individualizadamente identificada, e vários sequer estão assinados. Como já expresso no tópico anterior, foi efetuada a retenção de caixas de documentos, e não de uma relação individualizada de documentos. As sete caixas retidas, seus nomes e conteúdos gerais (“declarações de importação e seus documentos instrutivos e demais documentos logísticos e/ou comerciais”) estão destacados no Termo de Retenção de fls. 135 a 138. Por outro lado, os documentos enviados pela “Proimport” são detalhados nas fls. 155 a 186. A empresa recorrente conjectura a respeito de violação de sigilo telefônico ou de dados, fazendo crer que o fisco utiliza documentos além dos que foram retidos na “Brasilux” ou enviados pela “Proimport”. Mas não aponta individualmente eventual documento que tenha sido “plantado” na autuação irregularmente pelo Fisco. Em alguns casos (como o das “papeletas de quitação de fechamento de câmbio”), não refuta os documentos, mas ataca seu poder probatório, também sem argumentação específica que supedaneie o alegado. Mais êxito teria a empresa recorrente em sua jornada recursal se se dedicasse a identificar especificamente tais documentos, tornando a discussão passível de análise concreta no plano contencioso. Não há como acolher a alegação genérica de obtenção ilícita de provas quando não se indica especificamente a ilicitude, ou quais os documentos ilicitamente obtidos, sendo a mera alegação genérica de que há “emails” impressos que não estavam na documentação da empresa algo distante da especificação demandada. Refutase, assim, a alegação de que as provas foram ilicitamente obtidas. 1.3. Da responsabilidade da empresa “Brasilux” Essa matéria foi a única tratada no julgamento anterior feito por este colegiado. E, desde então, não houve nenhuma situação que desconstituísse o entendimento ali externado, pelo que basicamente e mantém a seguir a argumentação anteriormente empregada. O Código Tributário Nacional trata da sujeição passiva em seus arts. 121 a 127, cabendo destacar que: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.” (...) “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei.. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Fl. 6475DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 20 Inquestionável, no presente processo, que a empresa “Brasilux”, autuada, tinha interesse comum na importação das mercadorias pelo importador de direito (“Proimport”) a ela destinadas, pois ambas as empresas previamente acordaram as condições da introdução das mercadorias no território nacional e sua posterior transferência para a “Brasilux”, participando a “Brasilux” ativamente do processo de importação. Por diversas ocasiões, em sua impugnação, a autuada o reconheceu explicitamente, afirmando que as operações eram feitas por sua encomenda: “78. [...] é imperioso elucidar que a Impugnante nunca negou a existência de grupo econômico, nem o fato de ser cessionária da marca Taschibra”. 79. As empresas All Home, Eletrobrasil, World Brazil e Brasilux de fato possuem sócios em comum, e as operações realizadas à época pela All Home, em home. da Impugnante ,foram efetivamente realizadas irregularmente, tanto que este débito já foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei n. 11.941/2009.” (...) “141. Deste modo, as importações realizadas pela sistemática de encomenda sem identificação do encomendante, no período em questão, são absolutamente regulares, pois a legislação não exigia a identificação deste nos documentos atinentes à importação” (...) “178. Contudo, e que isto fique bem claro, a Impugnante não é uma singela adquirente de mercadorias, mas uma encomendante de mercadorias prédeterminadas, ou seja, ao contrário do que afirmam os agentes fiscais, a Impugnante não adquire simplesmente mercadorias no mercado nacional a fim de cumprir seu objeto social, mas as encomenda! E encomendar significa identificar o que será importado, significa ter acesso e repassar imformações ao importador, enfim, significa indicar o que, quando e qual quantidade será importada”.(grifos no original) E a argumentação de que as operações eram feitas “por encomenda” é mantida em sede de recurso voluntário. O parágrafo acima relacionado como item 178 da impugnação, v.g., é reproduzido no item 227 do Recurso Voluntário. Não se apresenta, assim, a mínima margem de dúvida de que a empresa autuada é solidariamente obrigada em relação ao crédito tributário. Sem embargo, ante a ausência da importadora de direito (“Proimport”) no polo passivo da autuação, há de se destacar duas observações. A primeira remete ao parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional (que estabelece não haver benefício de ordem na solidariedade tributária). Sobre tal comando, ensina Luciano Amaro: “Por cuidarse de solidariedade passiva, situação na qual o credor tem a prerrogativa de exigir de qualquer dos co obrigados (ou de todos) o cumprimento da obrigação, seria desnecessário dizer, como faz o parágrafo único do art. 124, que Fl. 6476DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.635 21 a ‘solidariedade referidas neste artigo não comorta benefício de ordem’.” 7 (grifo nosso) A conclusão da DRJ, em seu primeiro julgamento, de que não se pode exigir crédito tributário de responsável solidário sem que se tenha autuado o contribuinte, assim, encontrava obstáculo interpretativo no art. 124 do CTN, pois a inexistência de benefício de ordem não se coaduna com a obrigatoriedade de autuação de um, de outro, ou de ambos os membros do polo passivo da relação tributária. A segunda observação referese à natureza da exigência fiscal. Vejase que o montante exigido é a título de penalidade, e não de tributo. A multa a que se refere a autuação decorre da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento às mercadorias irregular ou fraudulentamente importadas, ante sua não localização ou seu consumo. A aplicação da pena de perdimento está prevista na legislação aduaneira (principalmente nos DecretosLeis no 37/1966 e no 1.455/1976), que lhe outorga tratamento sensivelmente distinto daquele delineado na legislação tributária (inclusive no que se refere a ritos e instâncias julgadoras). O julgador a quo não deixou de tomar em conta esse fator, trazendo ao voto condutor do acórdão o art. 95 do DecretoLei no 37/1966, que afirma responder pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, seja o importador, o adquirente de mercadorias por conta e ordem, ou o encomendante predeterminado. De tal comando, extraiu o julgador a quo inicialmente que: “Identificados os infratores todos devem responder pela infração conjuntamente. No outro sentido, no caso de se identificar apenas um dos infratores este responderá isoladamente. Essa é a interpretação que deve se dar aos dispositivos legais em trato. Portanto, a previsão legal de os acusados responderem pela infração "conjunta ou isoladamente" não permite que o autuante eleja entre eles aquele que deve responder pela infração. Em outras palavras, identificados mais de um infrator todos devem Ser autuados conjuntamente, conforme previsão legal. Como visto, não foi esse o procedimento adotado pela fiscalização, que autuou unicamente a pessoa jurídica que concluiu ser a real adquirente das mercadorias importadas.” (grifo nosso) Percebese novamente que o julgador relacionava a ausência do coautor da infração na autuação à exoneração da responsabilidade do autuado. Tal leitura do comando legal apresenta contradição lógica. Vejamse, além do inciso I, os incisos V e VI do comando legal: “Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) 7 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 308309. Fl. 6477DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 22 V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)”. Levada adiante a interpretação inicial do julgador de primeira instância, seria ilógico que os incisos V e VI utilizassem a expressão “conjunta ou isoladamente”, visto que tais operações (conta e ordem e encomenda) são realizadas de forma conjunta (entre importador e adquirente, ou importador e encomendante), e um eventual acobertamento ou ocultação não poderia ser praticado somente com a ação de um operador, como reconheceu a própria decisão de piso: “Não se pode olvidar que, ainda que se comprove que a real adquirente das mercadorias importadas tenha sido a mentora da fraude acusada, a infração não teria como ser cometida sem o envolvimento direto da importadora que registrou as Declarações de Importação em seu nome.” Não se pode confundir a prática conjunta ou isolada com a responsabilidade conjunta ou isolada. É não só possível, mas frequente que agentes que concorrem conjuntamente para a prática de uma infração respondam de forma isolada, em autuações distintas, e, às vezes, com penalidades distintas. Nesse sentido vale recordar decisão recente, exarada no âmbito deste CARF, em caso que guarda notória relação com o tratado no presente processo: “PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. SUJEIÇÃO PASSIVA. IMPORTADOR OSTENSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não sendo possível a cominação da pena de perdimento e identificado o importador oculto no curso da fiscalização, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas demais hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. Não há erro na imputação subjetiva quando o auto de infração impõe a penalidade apenas a um dos coautores identificados.” 8 Convém ainda transcrever excerto do voto condutor do referido julgamento do CARF, acolhido unanimemente pela Turma9: “Com efeito, o exame dos autos mostra que a empresa (...), ao figurar formalmente na documentação de importação, agiu como importadora ostensiva de mercadorias destinadas à Recorrente 8 Acórdão 380200.914, CARF/2a TE/3a Seção, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, sessão de 21.mar.2012. 9 Suprimindose o nome das empresas envolvidas. Fl. 6478DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.636 23 (...) (importadora oculta). A Recorrente (...), por sua vez, embora não tenha figurado formalmente em nenhum documento de importação, coordenava a operação e se utilizava da importadora ostensiva (...) para internalizar mercadorias destinadas à (...).” “Diante disso, constatada a impossibilidade de cominação da pena de perdimento, a Fiscalização, à luz da legislação aplicável e dos precedentes do Carf acerca da interposição fraudulenta, deveria ter cominado à importadora ostensiva (...) a multa de 10% da operação acobertada (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e a multa substitutiva do perdimento (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º); esta última, em solidariedade com o importador oculto (...) e com a (...), que, no caso, coordenou e auferiu vantagem financeira com a operação, concorrendo e se beneficiando com a prática do ato (DL 37/1996, art. 95, I). A Fiscalização, entretanto, deixou de penalizar a importadora ostensiva, cominando a pena substitutiva do art. 23, § 3º, apenas aos demais coautores. Esse equívoco, todavia, não implica a nulidade do auto de infração, porque a omissão de um dos coautores não afasta a responsabilidade dos demais agentes que concorreram para a prática do ato. Não há, destarte, uma interdependência entre as relações jurídicas, porque a responsabilidade solidária, na hipótese, decorre da coautoria. Tanto é assim que, na maioria dos casos, o importador ostensivo é punido de forma autônoma, mesmo quando não identificado o real adquirente. É o que ocorre na interposição fraudulenta por presunção, que é caracterizada, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sempre que o importador não é capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Da mesma forma, se o importador ostensivo, embora identificado, deixa de ser penalizado porque a autoridade fazendária entendeu que apenas a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 lhe seria aplicável, subsiste a responsabilidade do importador oculto e dos demais coautores (como, no caso, a ...).” Daí o Acórdão no 3403001.912 ter externado posicionamento unânime desta turma em relação à sujeição passiva, admitindo que a ausência do importador de direito (“Proimport”) na autuação não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato). Em adição ao exposto, é preciso esclarecer que a penalidade de que trata o art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 não tem como núcleo da conduta o verbo “ocultar”: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou Fl. 6479DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 24 simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.” (grifo nosso) A penalidade não é por ocultar, mas pela hipótese de ocultação, pela ocorrência de ocultação. Estaria correto o raciocínio da empresa recorrente se a multa em comento fosse a prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, pois aí sim o núcleo é “acobertar”/ceder o nome/ocultar: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais).” (grifo nosso) A multa do art. 33 da Lei no 11.488/2007 é inaplicável ao ocultado. Já a penalidade pela infração prevista no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 é aplicável, conjunta ou isoladamente, a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (ocultante ou ocultado), conforme o já citado art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Assim decidiu esta turma de forma unânime recentemente: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) E também é de se esclarecer que é imprópria a analogia com o processo penal, porque a autuação lavrada somente contra um dos envolvidos não tem o permissivo normativo de perdoar os demais. Eventual ausência de um dos sujeitos passivos na autuação por certo não tem o condão de nulificar a autuação em relação ao outro, ou perdoar o outro. Poderia, no máximo, Fl. 6480DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.637 25 ensejar providências administrativas de autuação complementar (se ainda não existente), ou de responsabilização da autoridade autuante. Enfim, é preciso recordar que o que se está aqui a julgar é a autuação da empresa “Brasilux”, e não a ausência de autuação da empresa “Proimport”. E não há dúvidas sobre a responsabilidade da empresa “Brasilux”. 1.4. Do cerceamento de defesa A única influência da ausência de autuação da empresa “Proimport” sobre o presente processo é o alegado cerceamento de defesa, por não ter a “Brasilux” os documentos referentes às importações. Tal argumento serviu, inclusive, para supedanear a procedência da impugnação no primeiro julgamento efetuado pela DRJ. No entanto, se há algo inequívoco no presente processo é o fato de a empresa “Proimport” ter importado recorrentemente mercadorias para a “Brasilux”, que acompanhou todos os procedimentos relativos ao despacho de importação. Como já exposto aqui, a própria “Brasilux” confirma que a “Proimport” atuava importando mercadorias sob sua encomenda, e que ela (a “Brasilux”) não é uma singela adquirente. Irrazoável, assim, crer que a não autuação da empresa “Proimport” tenha sido um obstáculo instransponível à defesa da “Brasilux”. Na autuação, a conduta imputada é de que a autuada, importadora de fato (“Brasilux”), importou por intermédio de interposta pessoa, de forma fraudulenta. São juntados ao processo os documentos referentes a todas as 175 Declarações de Importação objeto da autuação (extrato da declaração e documentos instrutivos). Quando o fisco solicita à autuada a apresentação das mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento (fls. 2719/2710), a empresa informa (fls. 2722/2723) que a mercadoria de uma das DI foi consumida, e que, em relação às outras 174 DI: “[...] não possui, em seus registros, quaisquer informações relativas às respectivas importações, o que leva a concluir que não foram importadas pela Brasilux.” Por óbvio, não haviam sido importadas pela Brasilux. Tanto o fisco quanto a empresa recorrente o sabiam, e tinham conhecimento de que a importadora indicada nos documentos era a “Proimport”. Verificando a documentação apreendida na empresa, e as alegações em sede de impugnação que confirmam ser as mercadorias importadas por encomenda da “Brasilux” à empresa “Proimport”, sendo que a “Brasilux” é que definia preços, quantidades e outros fatores relevantes da importação, é irrazoável a alegação de desconhecimento. Contudo, nessa etapa do processo ainda não estava instaurado o contencioso, que tem início com a ciência da autuação. Inaugurado o contencioso, a empresa obteve cópia da documentação referente à autuação e documentos complementares constantes no presente processo (fl. 2986), e teve à sua disposição a íntegra do processo, onde consta, como aqui explicitado, toda a documentação instrutiva das 175 Declarações de Importação, o que lhe permitiria facilmente vincular, com base em seu registro de entrada, as notas fiscais correspondentes a tais Fl. 6481DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 26 declarações. Contudo, persistiu na impugnação (e ainda persiste em sede de recurso voluntário) a alegação de cerceamento de defesa pela impossibilidade de acesso à documentação da “Proimport” (empresa que, repitase, era mera importadora de bens para destinação previamente acordada à “Brasilux”, nos termos por esta estabelecidos). Não se vê, assim, a apontada mácula à defesa da autuada, cabendo também aqui, pela notória relação com o tratado no presente processo, transcrever outro excerto da mesma decisão unânime do CARF, aqui já referida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO [...] CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NEGATIVA DE ACESSO À DOCUMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa por negativa de acesso à documentação, uma vez que a procuradora da Recorrente requereu e obteve cópia integral dos autos do processo.” 10 Assim, correta a responsabilização da empresa “Brasilux” (independentemente do tratamento que se tenha dado à empresa “Proimport”), restando ausente o alegado cerceamento de defesa. 2. Do recurso de ofício A DRJ afasta a exigência da multa em relação às DI registradas até 18/11/2004, com base no art. 139 do DecretoLei no 37/1966: “Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” (grifo nosso) (o prazo a que se refere o art. 138 é de cinco anos) E o valor exonerado totaliza R$ 2.367.987,05, o que enseja o recurso de ofício. Como a ciência da autuação ocorreu em 25/11/2009 (fl. 2968), o lançamento da multa só poderia abarcar as DI registradas após 24/11/2004. Assim, correta a exclusão das multas correspondentes a 19 DI (da relação de 175, constante da autuação), efetuada pela DRJ. Tais DI foram registradas no período de 04/03/2004 a 18/11/2004. Acolhese assim, a argumentação pela decadência, por disposição legal expressa constante no art. 139 do DecretoLei no 37/1966. 3. Da Interposição Fraudulenta A tese mestra da empresa é de que não ocorreu interposição fraudulenta porque as importações efetuadas foram por encomenda, sendo a “Brasilux” a encomendante predeterminada e a “Proimport” a importadora por encomenda. 3.1. Das importações por encomenda e por conta e ordem A empresa afirma, analisando a evolução legislativa do tema, que “somente haverá fraude e simulação quando o adquirente/encomendante for equiparado ao importador”, e que tal equiparação com a figura do encomendante só veio a ocorrer com a Lei no 11.281/2006 (art. 13). 10 Acórdão 380200.914, CARF/2a TE/3a Seção, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, sessão de 21.mar.2012. Fl. 6482DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.638 27 A leitura do histórico da legislação sobre importações efetuadas por terceiros no Brasil (conta e ordem e encomenda), efetuada pela empresa, é substancialmente equivocada. A uma, porque imagina que as alterações legislativas tiveram por escopo principal a disciplina do IPI. A duas, porque entende que só existe fraude ou simulação se o ocultado for equiparado a importador. A questão referente ao IPI é uma, mas não a motivação de todo o arcabouço legislativo disciplinando as importações por conta e ordem e encomenda, prática que pode ser prestar a propiciar subfaturamento, sonegação na tributação interna, burla a controles administrativos e à habilitação, e fuga a parâmetros de seletividade aduaneiros (canais de conferência mais rigorosos). Assim, a construção jurídica desenvolvida apena com o perdimento, v.g., uma empresa que recolhe todos os tributos devidos (inclusive o IPI), mas ainda assim oculta terceiro de forma fraudulenta em operação de comércio exterior. A visão exclusivamente tributária do comércio exterior é míope, e ignora os contornos aduaneiros das operações. Vejase que o fisco aponta, na autuação, possíveis benefícios obtidos com a fraude, sendo a “quebra da cadeia do IPI” um deles. Como já destacado anteriormente, em citação a julgamento unânime desta turma, a interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada, por sua vez, é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. Nesse caso, a penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar” Assim, a conclusão a que chega a empresa recorrente de que “a interposição de terceiros apenas será considerada infração quando existir evidente fraude ou simulação, bem como conluio entre as partes” é correta (em relação à interposição comprovada), e indiretamente correta em relação à interposição presumida. Contudo, daí a concluir no parágrafo seguinte da argumentação, que “a fraude ou simulação, na interposição de pessoas, todavia, apenas ocorrerá quando o sujeito omitido for equiparado ao importador para fins de recolhimento dos tributos, haja vista que, não havendo qualquer equiparação, não há que se falar em fraude ou simulação, porquanto não haverá supressão de tributo ou ocultação do real beneficiário da operação” vai uma distância abissal. E mais, endossa a visão equivocada de que a construção legislativa é, em verdade, para evitar a “interposição fraudulenta no pagamento do IPI”. Além de em momento algum a legislação equiparar o adquirente (ou mesmo o encomendante) ao importador, tal fato não guarda nenhuma conexão com a figura da interposição fraudulenta, pois a ocultação não busca, como aqui já exposto, unicamente os aspectos tributários. O que a legislação (art. 79 da MP no 2.15835/2001) faz é uma equiparação a “estabelecimento industrial” de quem adquire mercadorias do importador. E tal equiparação não é, definitivamente, condição para aplicação da penalidade de perdimento Fl. 6483DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 28 prevista em dispositivo legal diverso (art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976), em que sequer se faz menção ao recolhimento de IPI (ou de outro tributo). Não se alongará aqui a discussão a respeito de a “Proimport” ser uma pessoa interposta à “Brasilux” nas importações, pois isso é incontroversos nos autos. A controvérsia reside na forma de interposição, lícita (na modalidade por encomenda, ainda que antes da legislação que veio a reger a matéria, como defende a empresa recorrente) ou fraudulenta (conforme sustenta o fisco, na modalidade por conta e ordem). E, para tanto, é relevante verificar o comportamento financeiro da operação, que possibilita identificar diante de qual modalidade de importação se está, principalmente tendo em vista o disposto no art, 27 da Lei no 10.637/2002: “a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste”. Afirma a empresa recorrente, sobre o tema, que não suportou financeiramente a operação (como se demonstra em tabela relacionada à DI no 04/09048199), sendo que a “Proimport” é que era a verdadeira financiadora das importações (e esta, “utilizando dos mecanismos comerciais, retardava o fechamento de câmbio, os quais (sic), as vezes eram quitados após o pagamento de algumas duplicatas”), e todos os pagamentos de duplicatas e fechamentos de câmbio ocorreram após a entrega das mercadorias, conforme planilha a ser anexada, elaborada pela importadora (“Proimport”), sendo que não existiu procedimento especial de verificação da origem dos recursos, no caso. A inexistência de procedimento especial, destaquese de início, não é impeditiva da autuação, ainda mais se os efeitos da verificação levada a cabo no procedimento fiscal tiverem finalidade idêntica. Às fls. 2777/2778, a fiscalização destaca a origem dos documentos que utiliza, o que refuta a tese da não identificação da origem dos documentos levada a cabo pela empresa, e aqui tratada no tópico 1.2. Informa o fisco que os documentos de fls. 504 a 1443 (notas fiscais e documentos instrutivos) foram enviados pela “Proimport” e os de fls. 1444 a 2680 (extratos das DI, e documentos instrutivos muitas vezes com claras características de estarem em elaboração), foram retidos na empresa “Brasilux”, com exceção dos contratos de câmbio e das “papeletas de quitação do fechamento”, também enviados pela “Proimport”. E as solicitações de numerário ora foram enviadas pela “Proimport”, ora retidas na “Brasilux”, havendo casos em que ambas as partes forneceram suas cópias de tal documento. E com base em tais documentos, confecciona a planilha V (Saída das DI mercadorias da “Proimport” para a “Brasilux”), e detalha a fundamentação da autuação para cada DI, com base nos documentos instrutivos, nas “papeletas” e em email trocados por representantes da empresa com importadores, fornecedores estrangeiros e outros operadores. Tal detalhamento, que consta da autuação às fls. 2780 a 2912, não é especificamente refutado pela empresa recorrente, que se limita a afirmar que as “papeletas” não possuem valor probatório, e que são documentos apócrifos. É cediço que no comércio internacional a maior parte das questões é resolvida por contatos via email ou pedidos que não são formalmente assinados ou registrados em cartório. Ademais, em relação à conduta imputada (interposição fraudulenta), não é de se esperar que as documentações que atestassem as fraudes fossem formalizadas e oficializadas. Seria exigir como requisito à autuação o irrazoável. No que se refere ao financiamento das operações pela “Brasilux”, repitase, a argumentação genérica sobre invalidade de documentos e o exemplo (em relação a uma DI) Fl. 6484DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.639 29 presente no recurso voluntário (com a promessa de planilha anexa) estão longe de refutar as provas existentes nos autos. Vejase que ao final da autuação a questão é sintetizada da seguinte forma: “Em todas as importações, o suporte financeiro dos valores remetidos aos fornecedores no exterior foi inteiramente suportado pela empresa Brasilux, antes de a Proimport remeter as divisas através (sic) de contrato de câmbio em seu próprio nome, e após solicitação expressa da Proimport à Brasilux – mesmo independentemente de as mercadorias serem destinadas, formal e posteriormente, às outras três empresas do grupo Taschibra ou, minoritariamente, a outras empresas estranhas ao grupo.” Ou, como destacou a DRJ: “A fiscalização constatou que a ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ tinha total domínio e conhecimento das importações operacionalizadas por intermédio da ‘Proimport Brasil LTDA’, tendo apreendido em seu poder documentos relativos às importações. Fato determinante da caracterização da infração foi a constatação, por parte da fiscalização, de que a ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ transferia recursos à ‘Proimport Brasil LTDA’ que os utilizava para fechamento dos contratos de câmbio referentes às mercadorias importadas. Para o feito a ‘Proimport Brasil LTDA’ encaminhava solicitação de transferência de recursos à ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ detalhando os custos envolvidos nas importações (v. fls. 1461 a 2365). Dessa forma, restou demonstrado que houve a ocultação da autuada ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ com interposição fraudulenta da empresa ‘Proimport Brasil LTDA’ nas 175 operações de importação analisadas. O fato de terem sido utilizados recursos da adquirente nas operações de importação da importadora, faz presumir que as operações foram realizadas por sua conta e ordem, nos termos do artigo 27 da Lei no 10.637/2002 (...)” E as peças de defesa não conseguem afastar as provas individualizadas por DI, constante na autuação. Em algumas declarações de importação o modus operandi salta aos olhos. Vejase a DI no 04/02317372, de 11/03/2004, registrada em 11/03/2004 (documentos às fls. 2644 a 2664, e descrição na autuação às fls. 2932 a 2936). Além da documentação instrutiva da DI, figura uma solicitação de antecipação de numerário, endereçada da “Proimport” à “Brasilux”, em 09/03/2004, com a descrição em minúcias dos custos a serem depositados em conta corrente (frete, taxa SISCOMEX...). E ao final da solicitação a “Proimport” esclarece que “caso o depósito seja efetuado em cheque, aguardaremos a compensação do mesmo (sic) para Fl. 6485DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 30 darmos início à nacionalização da mercadoria”. E segue a mensagem informando que “havendo urgência na nacionalização, favor efetuar um TED, pois nesta modalidade de pagamento o crédito é efetuado em aproximadamente 30 minutos em nossa conta corrente”. Se isso não for adiantamento de recursos, não se saberá o que o é. E o numerário solicitado foi prontamente transferido em 10/03/2004, pela “Brasilux”. Em vista do exposto, revelase absolutamente equivocada a tese da recorrente sobre eventuais atrasos no fechamento de câmbio. Não se está aqui a discutir procedimentos contábeis, mas a tratar de interposição fraudulenta comprovada por meio dos próprios documentos enviados pelo ocultante ou apreendidos na empresa ocultada. Procedente assim a argumentação de que a importação ocorreu por conta e ordem, tendo em vista que os recursos foram carreados pela empresa “Brasilux” à “Proimport”, como comprovado pelo fisco, e não afastado pela empresa recorrente. 3.2. Do dano ao Erário A empresa afirma ainda não ter existido dano ao Erário, pois não houve “quebra da cadeia do IPI”. A alegação revela dois entendimentos equivocados em relação à interposição fraudulenta. O primeiro de que toda a construção legislativa que rege a matéria teve preocupação exclusivamente tributária, quando a temática afeta à interposição fraudulenta é predominantemente aduaneira, ligada à gestão de risco nas operações de comércio exterior. A segunda, de que o dano ao Erário tem que ser especificamente caracterizado para a aplicação da penalidade. O auto de infração foi lavrado com enquadramento no art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, motivado por interposição fraudulenta. Dada a impossibilidade de localização da mercadoria, o perdimento foi substituído por multa com base no § 3o do mesmo art. 23: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou Fl. 6486DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.640 31 que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” (grifos nossos) É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido tem acordado unanimemente esta turma.11 3.3. Da conversão da pena de perdimento em multa A substituição da pena de perdimento por uma multa, no valor aduaneiro das mercadorias, prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, resulta da impossibilidade de localização ou do consumo das mercadorias. No caso em análise, a empresa recorrente sustenta que a “conversão” da pena de perdimento em multa é ilegal, porque não houve comprovação, pela autoridade autuante, da não localização, transferência ou consumo das mercadorias. A alegação é incompatível com o restante da defesa da empresa, que sustenta que as importações foram efetuadas por encomenda da “Brasilux”. 11 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013. Fl. 6487DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 32 Não há controvérsia nos autos de que a “Brasilux” participou das importações. E em sua sede foram retidos documentos correspondentes às importações em análise (com detalhamento incompatível para uma empresa que alegava inicialmente, de forma simples, que as importações não foram por ela efetuadas). A efetiva responsável pela importação (e proprietária das mercadorias importadas) é a “Brasilux”, seja a operação por conta e ordem, seja por encomenda (como defende a recorrente). Assim, correto o procedimento do fisco de intimar a “Brasilux” a apresentar as mercadorias (fls. 2719/2720) e, diante da negativa, efetuar a substituição da pena de perdimento por multa, na forma do § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976. Reparese que a empresa “Brasilux”, que detinha conhecimento de (e controle sob) todas as operações de importação relacionadas (o que é inequívoco nos autos), responde à intimação informando que a mercadoria da 175a DI (a última recente) havia sido consumida, e que, em relação às outras 174 DI: “[...] a Contribuinte informa que não possui, em seus registros, quaisquer informações relativas às respectivas operações, o que nos leva a concluir que não foram importadas pela Brasilux”. Destaquese ainda que a afirmação da recorrente, em sede de recurso voluntário, de que “a matéria sequer foi apreciada pelo julgamento de primeira instância” se revela também equivocada, bastando a leitura do último parágrafo da fl. 6349 e o primeiro da fl. 6350 para comprovar o oposto. Não há, assim, máculas ao procedimento adotado pela fiscalização, que se revelou totalmente conforme a legislação em vigor. 3.4. Da DI no 06/13570833 A empresa recorrente sustenta que não houve interposição em relação à DI no 06/13570833, pois o encomendante está devidamente identificado nos dados complementares da DI, tendo a DRJ alterado o enquadramento da autuação. Em relação a tal DI, os documentos de fls. 2780 a 2784 (nota de débito, e mensagens eletrônicas) tornam inequívoco que a empresa “Brasilux” detinha o controle de toda a operação de importação, determinava alterações de documentos da “World Brazil” para a “Proimport” (burlando controles aduaneiros e limites de habilitação), suportando o ônus financeiro da operação (não só a remessa cambial, conforme se depreende das mensagens eletrônicas, mas as próprias despesas de despacho). E, destaquese que à época do registro da DI (09/11/2006) já era vigente a legislação que rege as importações por encomenda (Lei no 11.281/2006 e IN SRF no 634/2006), e que a “Brasilux” já usava as importações por encomenda em DI anteriores, que eram corretamente preenchidas no campo “adquirente”. Mas, nesta, em específico (para a qual a “Brasilux” tinha conhecimento, como comprovado nos autos, que a mercadoria estava com “World Brazil” escrito nas caixas, mas que estava sendo intermediada a operação pela “Proimport”), o campo “adquirente” não foi preenchido como “Brasilux” (que seria a encomendante), mas com “Proimport”, fazendose menção à modalidade de encomenda somente no campo (informações complementares, que, por ser um campo aberto, não é tratado, em regra, por parâmetros sistêmicos de seletividade). Fl. 6488DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403002.865 S3C4T3 Fl. 3.641 33 Assim, aumentava a chance de canal verde (o que significa ausência de verificação da mercadoria pela Aduana). E, de fato, como se narra à fl. 2786, atingiuse o objetivo: a DI foi selecionada para o canal verde. Aí, com a burla aos parâmetros de seletividade, reside o mais claro exemplo de que a interposição nem sempre tem por escopo aspectos tributários. E todas as informações registradas neste item foram explícitas na autuação. Assim, quando a DRJ expressa entendimento de que restou plenamente demonstrado que a importação em análise foi efetuada por conta e ordem, tendo em vista que recursos utilizados na operação provieram da “Brasilux”, não está inovando, mas endossando os argumentos da autuação. Improcedente, assim, o recurso voluntário nesse aspecto. 3.5. Da ilegitimidade passiva nas aquisições efetuadas por terceiros A empresa recorrente afirma, por fim, que há ilegitimidade passiva nas aquisições realizadas pela “Eletrobrasil”, pela “All Home” e pela “World Brazil”, porque é impossível aplicar a pena de perdimento a figura distinta do real adquirente, tendo em vista que o responsável deve estar diretamente ligado à propriedade das mercadorias. Como aqui já exposto, revela a autuação (no que não é refutada a contento nas peças de defesa) que em todas as importações, o suporte financeiro dos valores remetidos aos fornecedores no exterior foi inteiramente suportado pela empresa Brasilux, mesmo nas DI que eram “destinadas, formal e posteriormente, às outras três empresas do grupo Taschibra, ou, minoritariamente, a outras empresas estranhas ao grupo”. Ademais, revelase ainda que: “A ‘Brasilux’ possuía em seu poder documentação acerca de duplicatas referentes a notas fiscais emitidas pela ‘Proimport’ a empresas estranhas ao grupo ‘Taschibra’, o que revela ingerência daquela na comercialização das referidas mercadorias, não obstante tratarse de valores bastante insignificantes em relação ao total (0,7%).” Ou seja, mesmo nas importações que tinham por destino final outras empresas, o que de fato ocorria era uma interposição fraudulenta da “Proimport” em relação à “Brasilux”. Mesmo nas importações destinadas a terceiro, o suporte financeiro era da “Brasilux”, o que torna as importações por sua conta e ordem , por presunção legal (art. 27 da Lei no 10.637/2002). Ou, como bem observou a DRJ: “O relatório fiscal especifica detalhadamente o modus operandi da interessada e demonstra, apontando os documentos comprobatórios, a origem dos recursos utilizados nas operações de importação. Nesse escopo, restou evidente que em todas as importações os recursos provieram da autuada. Portanto, ainda que algumas das notas fiscais de venda tenham sido emitidas como se outras empresas fossem as adquirentes das mercadorias, o fato não invalida a presunção legal de que as importações tenham sido realizadas pela autuada.” Fl. 6489DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 34 Assim, improcedente nesse tópico a alegação do recurso voluntário. 3.6. Da auditoria contábil Derradeiramente, destaquese que pela robustez das provas carreadas à autuação, individualizando por DI as infrações cometidas, e prela precariedade dos argumentos de defesa, mormente direcionados a aspectos formais, evitando contrapor uma a uma as informações prestadas na autuação, os elementos constantes no presente processo são suficientes ao julgamento, revelandose dispensável a realização de auditoria contábil. Ademais, os procedimentos de fiscalização adotados já avaliaram aspectos contábeis da empresa, e os resultados poderiam ter sido contrapostos durante todo o contencioso. Tendo em conta o exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 6490DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10650.901312/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 12 /2 01 2- 83 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 3º trimestre de 2007, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito do PIS não cumulativo reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$464.975,59, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou PIS devido a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$58.834,26, sendo R$25.255,23 de PIS não cumulativo devido e R$18.941,42 de multa de ofício e R$11.637,61 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito do PIS não cumulativo reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito de PIS não cumulativo homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/201283 Acórdão n.º 3301002.244 S3C3T1 Fl. 197 3 extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos do PIS não cumulativo, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos do PIS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0944.916, datado de 04/07/2013, às fls. 138/153, sob as seguintes ementas: “ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO. A legislação vigente não prevê prazo para a necessária verificação da liquidez e certeza do direito creditório postulado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 159/179), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – Que seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia de R$409.141,33, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo ao PIS não cumulativo cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro no § 4º do artigo 150 e do artigo 149, § único ambos do CTN, em razão da inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, fato que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os créditos glosados pela Fiscalização a título de PIS não cumulativo de R$ 1.303.972,04, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, e sejam ressarcidos em espécie face o que dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005. V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente o direito ao ressarcimento em espécie previsto no artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, dos créditos no valor de R$ 717.077,03, cujos fatos geradores ocorreram no período de 2006 (Janeiro a Dezembro); VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo ao PIS/PASEP não cumulativo, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos do PIS/PASEP objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/201283 Acórdão n.º 3301002.244 S3C3T1 Fl. 198 5 com fulcro no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITO DE PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos créditos do PIS glosados para o período de 01/2006 a 08/2007 e seus ressarcimentos; (iv) o reconhecimento do direito ao ressarcimento, em espécie, previsto no artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, de créditos, no valor de R$ 717.077,03, referente ao período janeiro a dezembro de 2006, a questão a ser decidida, neste processo, é o ressarcimento do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 3º trimestre de 2007, no valor original de R$301.832,52, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.637. de 30/12/2002, que instituiu o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS, assim dispõe, quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...]. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/201283 Acórdão n.º 3301002.244 S3C3T1 Fl. 199 7 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Por sua vez, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, estabelece: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...]; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/201283 Acórdão n.º 3301002.244 S3C3T1 Fl. 200 9 classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos do PIS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 1,65 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País, desde que tributadas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue, também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/201283 Acórdão n.º 3301002.244 S3C3T1 Fl. 201 11 suspensão da alíquota, não gera crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato por ter sido adquiridos com alíquota zero não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas, física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foi provada a aquisições dos bens; também, a recorrente não contestou esta fundamentação; 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e de bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços geram créditos; 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos as devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13116.902560/2011-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 60 /2 01 1- 14 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902560/201114 Acórdão n.º 3803005.379 S3TE03 Fl. 82 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 970,42. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 25 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902560/201114 Acórdão n.º 3803005.379 S3TE03 Fl. 83 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902560/201114 Acórdão n.º 3803005.379 S3TE03 Fl. 84 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002645/2001-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001
INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. GERAÇÃO DE CRÉDITO.
Conforme a Súmula nº 494 do STJ, também gera crédito presumido do IPI a aquisição de insumos adquiridos de pessoas físicas ou jurídicas não contribuintes do PIS. Assim, as aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas também geram crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO.
O consumo de energia elétrica e de outros combustíveis não gera crédito presumido do IPI, por não se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF.
MATÉRIA-PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL.
Para o bem ser considerado matéria-prima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO CENTRALIZADA NA MATRIZ. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA BRUTA DE TODOS OS ESTABELECIMENTOS.
Na apuração do crédito presumido do IPI centralizada na matriz, deve ser levado em consideração a totalidade das receitas brutas de todos os estabelecimentos da empresa.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC.
O crédito presumido do IPI reconhecido em favor do contribuinte deve ser corrigido pela taxa SELIC a partir da data da transmissão da PER/DCOMP até a data do seu reconhecimento.
Numero da decisão: 3401-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001 INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. GERAÇÃO DE CRÉDITO. Conforme a Súmula nº 494 do STJ, também gera crédito presumido do IPI a aquisição de insumos adquiridos de pessoas físicas ou jurídicas não contribuintes do PIS. Assim, as aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas também geram crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO. O consumo de energia elétrica e de outros combustíveis não gera crédito presumido do IPI, por não se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF. MATÉRIA-PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL. Para o bem ser considerado matéria-prima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO CENTRALIZADA NA MATRIZ. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA BRUTA DE TODOS OS ESTABELECIMENTOS. Na apuração do crédito presumido do IPI centralizada na matriz, deve ser levado em consideração a totalidade das receitas brutas de todos os estabelecimentos da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. O crédito presumido do IPI reconhecido em favor do contribuinte deve ser corrigido pela taxa SELIC a partir da data da transmissão da PER/DCOMP até a data do seu reconhecimento.
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GERAÇÃO DE CRÉDITO. Conforme a Súmula nº 494 do STJ, também gera crédito presumido do IPI a aquisição de insumos adquiridos de pessoas físicas ou jurídicas não contribuintes do PIS. Assim, as aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas também geram crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO. O consumo de energia elétrica e de outros combustíveis não gera crédito presumido do IPI, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF. MATÉRIAPRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL. Para o bem ser considerado matériaprima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO CENTRALIZADA NA MATRIZ. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA BRUTA DE TODOS OS ESTABELECIMENTOS. Na apuração do crédito presumido do IPI centralizada na matriz, deve ser levado em consideração a totalidade das receitas brutas de todos os estabelecimentos da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 26 45 /2 00 1- 73 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 O crédito presumido do IPI reconhecido em favor do contribuinte deve ser corrigido pela taxa SELIC a partir da data da transmissão da PER/DCOMP até a data do seu reconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI do 2º trimestre de 2001, protocolado em 20/11/2001 (fls.23/24), no valor de R$ 19.751.369,20 (dezenove milhões, setecentos e cinquenta e um mil, trezentos e sessenta e nove reais e vinte centavos). Da base de cálculo do crédito, a autoridade fiscal glosou os seguintes itens, por entender que não geram o crédito: aquisições de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas), combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, água e lenha (fls.623/626). Com isso, foi deferido parcialmente o ressarcimento, somente no montante de R$ 2.918.563,40 (dois milhões, novecentos e dezoito mil, quinhentos e sessenta e três reais e quarenta centavos) (fls. 02/07). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.668/694), mas a DRJ manteve as glosas, ao prolatar acórdão (fls. 707/721) com a seguinte ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Se o administrado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. Os Fl. 764DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/200173 Acórdão n.º 3401002.466 S3C4T1 Fl. 764 3 conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. CONCEITO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. Na apuração centralizada, a receita operacional bruta a ser considerada no cálculo do crédito presumido deve incluir as receitas de todos os estabelecimentos da empresa (pessoa jurídica), mesmo aqueles não produtores exportadores, ou seja, inclusive os comerciais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 13/07/2011 (fl.723) e interpôs o Recurso em 18/07/2011(fls.724/756): 1 A lei não veda o aproveitamento de crédito da aquisição de pessoa física e cooperativa, de modo que a instrução normativa não pode restringir o direito creditório; 2 A energia elétrica, combustíveis, telefonia, a água e a lenha são materiais intermediários, os quais, apesar de não entrarem contato direto com o produto fabricado, participam diretamente do processo industrial; 3 A autoridade fiscal majorou indevidamente a receita operacional bruta da Recorrente de R$ 960.841.860,06 para R$ 1.904.295.165,00. Isso aconteceu porque a fiscalização considerou, para fins de apuração do crédito presumido, a receita operacional bruta de todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive daqueles que não realizam atividade de exportação; 4 O cálculo do crédito presumido deve ser centralizado pelo estabelecimento matriz, nos termos do art. 15, inciso II, da Lei nº 9.779/99; 5 Tem direito à aplicação da Taxa SELIC sobre todos os valores reconhecidos, haja vista o pedido de ressarcimento ter sido protocolado no ano de 2001, enquanto a decisão que reconheceu parcialmente o direito creditório foi proferida somente no ano de 2009. Ao fim, a Recorrente pediu o reconhecimento integral dos créditos, com o acréscimo dos juros calculados pela SELIC. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o reconhecimento integral do crédito presumido do IPI pleiteado. As matérias devolvidas para apreciação deste Conselho foram as seguintes: geração de crédito na aquisição de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS; geração de créditos nos gastos com energia elétrica, combustíveis, telefonia, água e lenha; majoração indevida da receita operacional bruta e; direito aos juros calculados pela Taxa SELIC. 1. Da geração de crédito na aquisição de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS. O debate acerca do direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativa já foi acirrado em outrora. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o tema, ao editar a Súmula 494, cuja redação é a seguinte: “Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP”. Portanto, não restam mais dúvidas de que a Recorrente tem direito ao crédito relativo à aquisição de insumos de pessoa física e de cooperativas. Insta salientar que autoridade fiscal constatou que os insumos foram de fato adquiridos, mas negou o crédito com fundamento em matéria de direito e não em matéria de fato (fls.641/642). Diante disso, é desnecessária a realização de diligência para o reconhecimento do direito creditório. Desse modo, excluo a glosa relativa a esse item. 2. Da geração de créditos nos gastos com energia elétrica, combustíveis, telefonia, a água e a lenha. A questão referente à geração de crédito na aquisição de energia elétrica e de óleo diesel já está pacificada pela Súmula nº 19 do CARF da seguinte forma: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/200173 Acórdão n.º 3401002.466 S3C4T1 Fl. 765 5 “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. O mesmo raciocínio utilizado para a energia elétrica e para os combustíveis é aplicável aos gastos com a lenha e com a água, pois a Recorrente não demonstrou como elas são desgastadas durante o processo produtivo. Quanto ao gasto do telefone, esse item não está entre as glosas efetuadas pela autoridade fiscal, conforme se verifica nas fls. 623/626, razão pela qual deixo de analisála. Portanto, são legítimas as glosas relativas aos gastos com energia elétrica, combustíveis, água e lenha. 3. Majoração indevida da receita operacional bruta. A Recorrente alega que no, caso da apuração do crédito centralizada na matriz, deveria ser levada em consideração somente a receita bruta da matriz. Contudo a interpretação da Recorrente está equivocada, conforme será demonstrado. A Lei nº 9.363/96, no § 2º, do art. 2º, estabelecia que “no caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz”. Ou seja, com base nesse dispositivo, a empresa poderia descentralizar a apuração do crédito por cada estabelecimento, ou centralizálo na matriz. Caso a opção fosse por descentralizar, a empresa apuraria o crédito separadamente de cada estabelecimento, calculando, em relação a cada estabelecimento, a respectiva a receita de exportação, a receita operacional bruta e a aquisição de MP, PI e ME e, ao final, chegarseia ao crédito individual de cada estabelecimento. Caso a opção fosse pela apuração centralizada na matriz, deveria somar a receita operacional bruta, as receitas de exportação e as aquisições de MP, PI e ME de todos os estabelecimentos como se um só fosse. Nesse caso, o pedido de ressarcimento seria feito somente em nome da matriz, mas o crédito poderia se distribuído entre as filiais, nos termos do § 3º, do art. 2º, da Lei nº 9.363/96. Em 1999, com o advento da Lei nº 9.779, o cálculo centralizado na matriz passou a ser obrigatório, por disposição do art. 15, inciso II, da referida lei, in verbis: “ Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: Fl. 767DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996”. Como a apuração passou a ser obrigatória pelo estabelecimento matriz, as filiais estão impossibilitadas de fazer a apuração individual do seu crédito. Dessa forma, se prevalecesse a tese da Recorrente, de que só se deve levar em consideração a receita bruta da matriz, estarseia impossibilitando o aproveitamento do crédito gerado pela atividades das filiais, já que estas não podem apurar seus créditos individualmente. Diante disso, não resta dúvida de que, mesmo na apuração centralizada na matriz, devem ser levados em consideração o total das receitas de exportação, receitas operacionais e aquisições de insumos de todas as filiais. Portanto, diante dessas considerações, não há que se falar em majoração indevida da receita operacional bruta. 4. Do direito aos juros calculados pela Taxa SELIC. Como parte do crédito foi reconhecida, cabe analisar a aplicabilidade da Taxa Selic para a correção dos créditos conhecidos. O Superior Tribunal de Justiça, no jumento do Recurso Especial nº 993.164, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do Código de Processo Civil, assim decidiu acerca desse tema: "PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA IPI CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS LEI Nº 9.363/1996 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 23/1997 (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do art. 543C do CPC : REsp 1035847/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa Selic (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Relª Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...)15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao Fl. 768DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/200173 Acórdão n.º 3401002.466 S3C4T1 Fl. 766 7 regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ nº 8/2008." (STJ REsp 993.164 1ª S. Rel. Min. Luiz Fux DJe 17.12.2010 ) (Grifos nossos) Recentemente, o STJ, ao julgar o embargo de divergência em agravo nº 1.220.942, mencionando a decisão transcrita acima, estabeleceu que basta a mora no reconhecimento do direito ao ressarcimento para que o contribuinte tenha direito à correção pela taxa SELIC, bem como a correção incidirá também nos créditos do PIS e da COFINS. Vejamos a ementa: “TRIBUTÁRIO IPI CREDITAMENTO DIFERENÇA ENTRE CRÉDITO ESCRITURAL E PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO OU MEDIANTE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS MORA DA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 411/STJ CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO INICIAL PROTOCOLO DO PEDIDO TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC , E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA 1 É pacífico o entendimento do STJ no sentido de que, em regra, eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento foi injustamente obstado pela Fazenda. Jurisprudência consolidada no enunciado nº 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". 2 No entanto, os equívocos na aplicação do enunciado surgem quando se está diante de mora da Fazenda Pública para apreciar pedidos administrativos de ressarcimento de créditos em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos. 3 Para espancar de vez as dúvidas a respeito, é preciso separar duas situações distintas: a situação do crédito escritural (crédito de um determinado tributo recebido em dado período de apuração e utilizado para abatimento desse mesmo tributo em outro período de apuração dentro da escrita fiscal) e a situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento (crédito de um determinado tributo recebido em dado período de apuração utilizado fora da escrita fiscal mediante pedido de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos). 4 Situação do crédito escritural: Devese negar ordinariamente o direito à correção monetária quando se fala de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro (sistemática ordinária de aproveitamento), ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subseqüentes. Na exceção à regra, se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de Fl. 769DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 incidência de correção monetária quando de sua utilização, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento (Súmula nº 411/STJ). Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima, salvo, neste último caso, declaração de inconstitucionalidade da lei que impôs o comportamento. 5 Situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento: Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. São utilizáveis fora da escrita fiscal. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente ou caso pudesse ter sido utilizado na escrita fiscal mediante a sistemática ordinária de aproveitamento. Essa foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária. 6 A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula nº 411/STJ . Precedentes: REsp. nº 1.122.800/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 1.3.2011; AgRg no REsp. nº 1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. nº 1088292/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011. 7 O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. 8 Embargos de divergência providos”. (STJ EDAG 1.220.942 (2012/00953416) 1ª S. Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe 18.04.2013 p. 614) (grifo nosso) Portanto, a taxa SELIC é devida a partir da data de transmissão da PER/DCOMP, tanto para os créditos já reconhecidos pela DRF, quanto para os créditos reconhecidos neste julgamento. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/200173 Acórdão n.º 3401002.466 S3C4T1 Fl. 767 9 Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543C, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Ex positis¸ dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito creditório em relação às aquisições de MP, PI e ME de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS, bem como o direito à aplicação da taxa SELIC ao total créditos reconhecidos, inclusive os reconhecidos pela DRF, desde a data de transmissão da PER/DCOMP. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 771DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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