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Numero do processo: 11516.721807/2011-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2009 EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2009 EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Negado.

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Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/2011­57  Acórdão n.º 2803­003.012  S2­TE03  Fl. 181          3 Relatório  O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP  ­  DEBCAD  51.009.352­3,  que  objetiva  o  lançamento  das  contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos  trabalhadores da empresa da categoria de empregados, parte patronal e SAT, bem como o Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP  ­  DEBCAD  51.009.353­1,  que  objetiva  o  lançamento  das  contribuições  próprias  dos  trabalhadores,  decorrente  da  remuneração  paga,  devida ou  creditada  aos  trabalhadores da  empresa da  categoria de  empregados,  bem como o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  –  AIOA  DEBCAD  51.009.349­3,  CFL.78  apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV,  acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida  na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório  Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 106 a 115, com período de apuração de 06/2006 a  12/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal ­ TIPF, de fls. 109 e 110.   O  sujeito  passivo  foi  cientificado  das  autuações,  em  05/10/2011,  conforme  Ofício SEFIS/DRF/FNS Nº 354 e 353/2011, de fls. 131 e 132, respectivamente.  O  contribuinte  apresentou  sua  defesa,  em  19/10/2011,  as  fls.  134  a  136,  acompanhada dos documentos, de fls. 137 a 140  A defesa foi considerada tempestiva, fls. 141.  O  órgão  julgador  de  primeiro  grau  emitiu  o  Acórdão  Nº  15­33.371  ­  7ª,  Turma DRJ/SDR, em 10/09/2013, fls. 143 a 149.   No qual a impugnação foi considerada improcedente.  O  contribuinte  tomou  conhecimento  desse  decisório,  em  20/09/2013,  conforme AR, de fls. 151.  Irresignado  o  contribuinte  impetrou  o  Recurso  Voluntário,  petição  de  interposição  com  razões  recursais,  as  fls.  159  a  162,  recebido,  em  17/10/2013,  conforme  carimbo de recepção, de fls. 159, acompanhado dos documentos, de fls. 163 a 175.  Mérito.  · que as autuações devem ser revistas e consideradas nulas, pois não é  possível  exigir  do  servidor  público  municipal  contribuição  sobre  a  verba alimentação, aplicando­se por analogia a Lei 10.887/2004, que  expressamente  a  exclui  da  base  de  incidência  por  considerá­la  indenizatória e não remuneratória;   · que  o  auxílio­alimentação  é  verba  indenizatória  como  definido  no  parágrafo  primeiro,  do  artigo  22,  da  Lei  8.460/92,  e,  assim  sendo  insuscetível de gerar contribuição previdenciária;  Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/2011­57  Acórdão n.º 2803­003.012  S2­TE03  Fl. 182          4 · que  sendo o  auxílio­alimentação  excluído  expressamente da base de  contribuição  pela  Lei  10.877/2004  e  considerado  mera  indenização  pela Lei 8.460/92, mesmo quando pago em pecúnia, não pode sobre  este incidir a exação.  · que  o  recurso  deve  ser  provido,  para  cancelar  os  autos  e  anular  a  decisão atacada.  A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 177.  Os autos subiram ao CARF, fls. 177.   É o Relatório.  Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/2011­57  Acórdão n.º 2803­003.012  S2­TE03  Fl. 183          5   Voto             Conselheiro Eduardo de Oliveira.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado.  Não  assiste  razão  a  recorrente  ao  entender  que  as  autuações  devam  ser  revistas  e  anuladas,  pois  suas  alegações  recursais  são  dissociadas  da  realidade  jurídica  apresentada.  A CRFB/88 em seu artigo 40, parágrafo 13, diz o que a seguir transcrevo.   Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  incluídas  suas  autarquias e  fundações, é assegurado regime de previdência de  caráter  contributivo  e  solidário,  mediante  contribuição  do  respectivo  ente  público,  dos  servidores  ativos  e  inativos  e  dos  pensionistas,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial  e  o  disposto  neste  artigo.  (Redação  dada  pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)  §  13  ­  Ao  servidor  ocupante,  exclusivamente,  de  cargo  em  comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem  como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica­ se o regime geral de previdência social.  (Incluído pela Emenda  Constitucional nº 20, de 15/12/98) (o realce é meu).  Do  texto  constitucional  fica  evidente  que  aquele  que  exerce  cargo  em  comissão,  exclusivamente,  e  o  que  tem  cargo  temporário  qualquer  que  seja  a  natureza  vinculam­se  ao  Regime  Geral  de  Previdência  Social  –  RGPS  e  não  ao  Regime  Próprio  de  Previdência Social – RPPS.  Extrai­se dessa disciplina constitucional que a Lei 8.460/92, bem como a Lei  10.887/2004  não  se  aplicam  a  esses  trabalhadores,  pois  estes  não  estão  no  regime  previdenciário disciplinado por essas leis, sendo isso muito evidente basta ver a ementa da Lei  10.877/2004 e a  transcrição do artigo 22, da Lei 8.460/92 para  se  ter certeza dessa  situação,  observe­se.  Lei 10.877/2004  Dispõe  sobre  a  aplicação  de  disposições  da  Emenda  Constitucional  no  41,  de  19  de  dezembro  de  2003,  altera  dispositivos  das  Leis  nos  9.717,  de  27  de  novembro  de  1998,  8.213,  de  24  de  julho  de  1991,  9.532,  de  10  de  dezembro  de  1997, e dá outras providências.      Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/2011­57  Acórdão n.º 2803­003.012  S2­TE03  Fl. 184          6 Lei 8.460/92  Art. 22. O Poder Executivo disporá sobre a concessão mensal do  auxílio­alimentação por dia trabalhado, aos servidores públicos  federais  civis  ativos  da  Administração  Pública  Federal  direta,  autárquica e fundacional. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de  1997)  A primeira  lei  citada  cuida  apenas  de  disciplinar,  atualizar  ou modificar  as  regras do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS estabelecido pela EC Nº 41 e regulado  pela  Lei  9.717/98  a  segunda  lei  apenas  cuida  do  auxílio  –  alimentação  na  esfera  da  Administração Federal e dos servidores federais e nada mais.  Desta  forma,  nenhuma  das  leis  em  se  lastreou  o  recurso  são  aplicáveis  ao  caso em tela, pois não se cuida de contribuição ao RPPS de servidores públicos, mas sim de  servidores vinculados ao RGPS por determinação constitucional.  Aliás,  o  próprio  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF  entende  que  servidores  com  exercício  exclusivo  de  cargo  em  comissão  e  temporários  estão  submetidos  ao  Regime  Geral de Previdência Social – RGPS.  EMENTA  Agravo  regimental  no  recurso  extraordinário.  Administrativo.  Ocupantes  de  cargo  em  comissão.  Filiação  ao  Regime Geral  de Previdência  Social.  Advento  da EC  nº  20/98.  Direito adquirido a regime jurídico previdenciário. Inexistência.  Precedentes. 1. Os ocupantes de  cargo  em  comissão  de  forma  exclusiva  estão  sujeitos ao  regime geral  de previdência  social.  2. É pacífica a jurisprudência desta Corte de que não há direito  adquirido  a  regime  jurídico,  inclusive  o  previdenciário.  3.  Aplica­se  à  aposentadoria  a  norma  vigente  à  época  do  preenchimento  dos  requisitos  para  a  sua  concessão.  4.  Agravo  regimental  não  provido.(RE­AgR  409295,  DIAS  TOFFOLI,  STF.)   EMENTA:  I.  Ação  direta  de  inconstitucionalidade:  seu  cabimento  ­  afirmado  no  STF  desde  1926  ­  para  questionar  a  compatibilidade de emenda constitucional com os limites formais  ou  materiais  impostos  pela  Constituição  ao  poder  constituinte  derivado: precedente.  II. Previdência social (CF, art. 40, § 13,  cf.  EC  20/98):  submissão  dos  ocupantes  exclusivamente  de  cargos em comissão, assim como os de outro cargo temporário  ou de emprego público ao regime geral da previdência  social:  argüição  de  inconstitucionalidade  do  preceito  por  tendente  a  abolir  a  "forma  federativa  do  Estado"  (CF,  art.  60,  §  4º,  I):  implausibilidade da alegação: medida cautelar  indeferida. 1. A  "forma federativa de Estado" ­ elevado a princípio intangível por  todas as Constituições da República ­ não pode ser conceituada  a  partir  de  um modelo  ideal  e apriorístico  de Federação, mas,  sim, daquele que o constituinte originário concretamente adotou  e,  como o  adotou,  erigiu  em  limite material  imposto às  futuras  emendas  à  Constituição;  de  resto  as  limitações  materiais  ao  poder  constituinte  de  reforma,  que  o  art.  60,  §  4º,  da  Lei  Fundamental  enumera,  não  significam  a  intangibilidade  literal  da respectiva disciplina na Constituição originária, mas apenas  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/2011­57  Acórdão n.º 2803­003.012  S2­TE03  Fl. 185          7 a  proteção  do  núcleo  essencial  dos  princípios  e  institutos  cuja  preservação  nelas  se  protege.  2.  À  vista  do  modelo  ainda  acentuadamente  centralizado  do  federalismo  adotado  pela  versão  originária  da  Constituição  de  1988,  o  preceito  questionado  da  EC  20/98  nem  tende  a  aboli­lo,  nem  sequer  a  afetá­lo. 3. Já assentou o Tribunal  (MS 23047 ­ ML, Pertence),  que  no  novo  art.  40  e  seus  parágrafos  da Constituição  (cf. EC  20/98),  nela,  pouco  inovou  "sob a perspectiva da Federação, a  explicitação  de  que  aos  servidores  efetivos  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  "é  assegurado  regime  de  previdência  de  caráter  contributivo,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial",  assim  como  as  normas relativas às respectivas aposentadorias e pensões, objeto  dos  seus  numerosos  parágrafos:  afinal,  toda  a  disciplina  constitucional  originária  do  regime  dos  servidores  públicos  "  inclusive  a  do  seu  regime  previdenciário  ­  já  abrangia  os  três  níveis da  organização  federativa,  impondo­se  à  observância  de  todas  as  unidades  federadas,  ainda  quando  ­  com  base  no  art.  149,  parág.  único  ­  que  a  proposta  não  altera  ­  organizem  sistema previdenciário próprio para os seus servidores": análise  da evolução do tema, do texto constitucional de 1988, passando  pela EC 3/93, até a recente reforma previdenciária. 4. A matéria  da  disposição  discutida  é  previdenciária  e,  por  sua  natureza,  comporta  norma  geral  de  âmbito  nacional  de  validade,  que  à  União  se  facultava  editar,  sem  prejuízo  da  legislação  estadual  suplementar  ou  plena,  na  falta  de  lei  federal  (CF  88,  arts.  24,  XII, e 40, § 2º): se já o podia ter feito a lei federal, com base nos  preceitos  recordados  do  texto  constitucional  originário,  obviamente  não  afeta  ou,  menos  ainda,  tende  a  abolir  a  autonomia  dos  Estados­membros  que  assim  agora  tenha  prescrito  diretamente  a  norma  constitucional  sobrevinda.  5.  Parece  não  ter pertinência  o  princípio da  imunidade  tributária  recíproca  ­  ainda  que  se discuta  a  sua  aplicabilidade  a  outros  tributos,  que  não  os  impostos  ­  à  contribuição  estatal  para  o  custeio  da  previdência  social  dos  servidores  ou  empregados  públicos.  6.  A  auto­aplicabilidade  do  novo  art.  40,  §  13  é  questão  estranha à  constitucionalidade do preceito  e,  portanto,  ao âmbito próprio da ação direta. (ADI­MC 2024, SEPÚLVEDA  PERTENCE, STF.) (o destaque é meu).  No caso vertente os ocupantes de cargos em comissão e de cargos temporário  são vinculados o RGPS e assim apenas quando tal benefício é oferecido  in natura é que este  não é base de cálculo da contribuição social previdenciária, conforme ADE, abaixo transcrito.  ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011    A  PROCURADORA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL,  no  uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos  do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de  julho de  2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro  de  1997,  tendo  em  vista  a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Procuradoria­Geral da  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/2011­57  Acórdão n.º 2803­003.012  S2­TE03  Fl. 186          8 Fazenda  Nacional,  pelo  Senhor  Ministro  de  Estado  da  Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no  DOU  de  24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de  apresentação  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde que inexista outro fundamento relevante:    “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre  o  pagamento  in  natura  do  auxílio­alimentação  não  há  incidência de contribuição previdenciária”.    JURISPRUDÊNCIA:  Resp  nº  1.119.787­SP  (DJe  13/05/2010),  Resp  nº  922.781/RS  (DJe  18/11/2008),  EREsp  nº  476.194/PR  (DJ  01.08.2005),  Resp  nº  719.714/PR  (DJ  24/04/2006),  Resp  nº  333.001/RS  (DJ  17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007).  Brasília, 20 de dezembro de 2011.  ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO  Procuradora­Geral da Fazenda Nacional  O Superior Tribunal de Justiça – STJ, também, entende que sob esta rubrica  incide contribuição, quando paga em dinheiro, veja o excerto.  EMEN:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  BASE  DE  CÁLCULO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  ATENDIMENTO  AOS  REQUISITOS  LEGAIS.  REEXAME.  SÚMULA  N.  7  DO  STJ.  AUXÍLIO­ALIMENTAÇÃO.  HABITUALIDADE.  PAGAMENTO  EM  PECÚNIA.  INCIDÊNCIA.  1.  Conforme  assentado  na  jurisprudência  desta  Corte,  não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  a  verba  paga  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados  das  empresas,  desde  que  realizadas  na  forma  da  lei  (art.  28,  §  9º,  alínea  "j",  da  Lei  n.  8.212/91,  à  luz  do  art.  7º,  XI,  da CR/88).  Precedentes.  2.  Descabe,  nesta  instância,  revolver  o  conjunto  fático­probatório  dos  autos  para  confrontar  a  premissa  fática  estabelecida  pela Corte  de  origem. É  caso,  pois,  de  invocar as  razões da Súmula n. 7 desta Corte. 3. O STJ  também pacificou  seu entendimento em relação ao auxílio­alimentação, que, pago  in  natura,  não  integra  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária,  esteja  ou  não  a  empresa  inscrita  no  PAT.  Ao  revés,  pago  habitualmente  e  em  pecúnia,  há  a  incidência  da  referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  não  provido.  EMEN:  (RESP  201001007033,  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  STJ  ­  SEGUNDA TURMA, DJE DATA:28/09/2010 ..DTPB:.)          Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721807/2011­57  Acórdão n.º 2803­003.012  S2­TE03  Fl. 187          9   Desta forma, não atendido o artigo 28, § 9º, “c” , da Lei 8.212/91, haja vista o  pagamento em pecúnia de tal benefício a regra que incide é a do artigo 28, I, da citada lei.  Assim  com  esses  esclarecimentos  rejeito  todas  as  alegações  de  mérito,  suscitadas pela recorrente.  CONCLUSÃO:  Pelo  exposto  voto  por  conhecer  do  recurso,  para  no  mérito  negar­lhe  provimento.   (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.                              Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 13839.000108/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.645
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por maioria dos votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que davam provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos contidos nos autos, reproduzo o relatório da Resolução nº 3402-000566, de 20 de agosto de 2013, que converteu o julgamento em diligência: Veiculam os autos lançamento da contribuição PIS/PASEP dos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003 que não teria sido recolhida pela contribuinte, que dele foi cientificada em 25 de fevereiro de 2005 (fl. 64). Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41, a autoridade fiscal aponta o que teria sido a infração cometida pela empresa e que resultou na falta de recolhimento da contribuição. Segundo ela, a contribuinte não ofereceu à tributação a receita obtida com a venda de vales-transporte e outros benefícios. No detalhamento dessa infração, esclarece que a autuada tem como objeto social a "prestação de serviços para representação perante terceiros na venda e operacionalização de sistemas de vales-transporte e bilhetes magnéticos para transportes urbanos e intermunicipais; organização, implementação e administração, por conta própria ou de terceiros (sic) na operacionalização de sistemas e/ou convênios de qualquer natureza relativas a refeições, alimentação, saúde, transporte e entretenimento, inclusive por meio de emissão de (sic) fornecimento de vales, cartões ou cupons, sejam os sistemas convencionais ou informatizados por meio magnético ou similar; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de refeições ou alimentação para o trabalhador, em conformidade com o PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR — PAT, desenvolvido pelo Ministério do Trabalho; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de pedágios, estacionamento regulamentado e telefonia". Tal descrição das atividades da empresa encontra-se à folha 1 do Termo mencionado (fl. 24 dos autos) sem a indicação da fonte, provavelmente o contrato social da empresa, que não se encontra juntado aos autos. No mesmo Termo, a fiscalização informa a constituição societária da empresa e as inadequadas instalações (inclusive com fotos) do local que constitui o seu endereço de funcionamento informado à SRF. Ai, (município de Morungaba/SP) a autoridade fiscal apresentou o Termo de Inicio de Fiscalização, que foi recebido por funcionária da empresa. A descrição das alterações na constituição societária e das instalações — que mais se assemelham a uma residência — parece indicar total ausência de operações no momento do inicio dos trabalhos fiscais, embora disso a autoridade não tenha extraído quaisquer conseqüências, ao menos para este procedimento relativo à COFINS. No mesmo termo informa ela que as atividades da empresa seriam, de fato, desenvolvidas em São Paulo, em endereço que informa. Continua o relato fiscal com a indicação de que as solicitações constantes do Termo de Inicio foram atendidas apenas parcialmente e por meio de Procurador da empresa. Não há nos autos cópia desse termo de inicio nem do instrumento de mandato concedido pela empresa ao Procurador mencionado. Há, sim, referência a folhas (227 a 229) que não são deste processo. No concernente à infração em si, relata a autoridade que a empresa contabiliza as operações relativas aos vales-transporte em contas exclusivamente patrimoniais. As compras a debito de contas de ativo circulante e as "vendas" a crédito de contas também do ativo circulante. Não haveria, portanto, a contabilização de receitas nas operações relacionadas distribuição de vales-transporte, entendidas pela fiscalização como sendo operações de vendas. Já durante os trabalhos fiscais, informa a mesma autoridade no termo já referido, a empresa teria procurado justificar seus procedimentos pela afirmação de que realizaria mera intermediação entre seus clientes e as empresas emitentes dos vales. Essas explicações estariam em resposta datada de 24/5/2004 e que, segundo a autoridade fiscal, estaria nos autos às fls. 239/412. Para tanto, firmara contrato de permissão com a Companhia Metropolitano de São Paulo que lhe autorizaria a retirar vales a serem mantidos sob sua guarda e responsabilidade, mediante o pagamento direto à emitente. Segundo o Termo, tais disposições constariam, junto com diversas outras, no contrato de n° 4006928104, que ela, autoridade fiscal, por alguma razão, se considerou dispensada de juntar aos autos. Menciona o mesmo termo a existência de documentos relativos a aquisições de vales à empresa SÃO PAULO TRANSPORTE S/A que também lastrearam as conclusões fiscais quanto à existência de receita de vendas não reconhecida contabilmente. Nenhum dos documentos se encontra juntado aos autos. No restante do Termo, a autoridade fiscal fundamenta suas conclusões, baseadas no contrato, na contabilidade e nos documentos de aquisição mencionados e não juntados aos autos, de que a operação realizada pela empresa não se configura como mera representação, mas sim como compra e venda de vales-transporte, geradora de receita de venda que deveria ter sido oferecida à tributação. Conclusivamente, importa ressaltar que a peça de acusação parece se encerrar à fl. 41, última do Termo mencionado. Essa conclusão se impõe — ainda que o Termo de Encerramento, não assinado pela autuada, se encontre à fl. 22 — pois a folha seguinte já é peça produzida pela autuada, após a ciência do lançamento (1° de março de 2005). Ainda assim, a cópia do AR pelo qual se deu ciência do lançamento ao contribuinte se encontra à fl. 64. Nele se vê que foi dada ciência também de auto de infração de IRPJ, o que parece de acordo com a informação fiscal de que o procedimento começara com fiscalização daquele imposto e fora posteriormente ampliado para incluir "fiscalização das contribuições para o PIS e para a COFINS" (fl. 1 do Termo mencionado, 24 dos autos). Essa afirmação também é corroborada pelo relatório da decisão atacada, que informa a existência do processo 13839.000107/2005-60, no qual se exigem IRPJ e contribuições "reflexas". Toda a discussão travada na decisão recorrida, a partir da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, se atém à caracterização ou não da figura da representação, que motivaria a existência apenas de receita de serviço, como pretende a empresa. Essas argumentações, que não foram acolhidas pela DRJ de Campinas/SP, constam do recurso apresentado, que se baseia em resposta a consulta formulada ao Prof. Ives Gandra da Silva Martins, posteriormente constituído procurador da empresa. A 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme já dito, converteu o julgamento em diligência para esclarecer os seguintes pontos: a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmos do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/2005-60) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada; b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida; c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SP) realizou o trabalho de campo e emitiu o relatório fiscal, fls. 586/587, cujas conclusões abaixo reproduzo: a-) O presente auto de infração baseia-se em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/2005-60), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. Juntamos às folhas 381/482 todos os termos referentes àquela ação fiscal; b-) A presente autuação deu-se por divergência de interpretação entre o contribuinte e a autoridade fiscal no tocante à incidência tributária de PIS e COFINS sobre as receitas provenientes da venda de vales transportes e outros benefícios, não tendo havido qualquer recolhimento por parte do contribuinte destas contribuições, considerando como base de cálculo tais receitas. De qualquer maneira, efetuamos a pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000, não tendo sido encontrado qualquer pagamento, conforme relatórios do sistema juntados às folhas 483/485; e c-) Como bem explanado pela autoridade lançadora no item 1, página 3, do Termo de Verificação Fiscal (ver folha 24 deste processo), a presente autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecido à tributação no tocante às contribuições do PIS e COFINS. Desta maneira, atendendo ao item c da já citada solicitação de informação por parte do Conselho de Contribuintes, juntamos os lançamentos constantes destas contas, fls. 486/581, bem como as planilhas de apuração das contribuições, fls. 582/585. O sujeito passivo tomou ciência do relatório fiscal em 12/02/2010 e apresentou sua manifestação sobre as constatações fiscais. Discordou somente sobre a não existência de recolhimentos referentes aos meses de 12/1999, 01/2000 e 02/2000. Afirma que efetuou tais pagamentos utilizando como base de cálculo o valor da taxa de administração dos serviços prestados aos seus clientes. Aduziu documentos para comprovar suas alegações. Os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu novamente o julgamento em diligência para que a Autoridade preparadora verificasse a autenticidade dos recolhimentos acostados nos autos às fls. 603, 605, 607, 609, 610, 611 e 612, referentes aos períodos de apuração objeto deste processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí efetuou a diligência requerida e proferiu despacho com o seguinte teor: (...) A Fiscalização desta DRF/Jundiaí efetuou pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. Entretanto, no momento da consulta, foi informado o código da DRF/Jundiaí (08124), não tendo sido encontrado qualquer pagamento, pois a autuada já não estava mais circunstrita a esta Delegacia. Em consulta nesta data ao sistema SINAL08, informando-se desta vez o código da DRF/Barueri (08128), foram localizados os pagamentos realizados pela autuada, confirmando-se, portanto, a autenticidade dos recolhimentos. O recorrente tomou ciência do despacho em 12/11/2013 e não se manifestou. É o Relatório. VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por maioria dos votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que davam provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos contidos nos autos, reproduzo o relatório da Resolução nº 3402-000566, de 20 de agosto de 2013, que converteu o julgamento em diligência: Veiculam os autos lançamento da contribuição PIS/PASEP dos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003 que não teria sido recolhida pela contribuinte, que dele foi cientificada em 25 de fevereiro de 2005 (fl. 64). Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41, a autoridade fiscal aponta o que teria sido a infração cometida pela empresa e que resultou na falta de recolhimento da contribuição. Segundo ela, a contribuinte não ofereceu à tributação a receita obtida com a venda de vales-transporte e outros benefícios. No detalhamento dessa infração, esclarece que a autuada tem como objeto social a "prestação de serviços para representação perante terceiros na venda e operacionalização de sistemas de vales-transporte e bilhetes magnéticos para transportes urbanos e intermunicipais; organização, implementação e administração, por conta própria ou de terceiros (sic) na operacionalização de sistemas e/ou convênios de qualquer natureza relativas a refeições, alimentação, saúde, transporte e entretenimento, inclusive por meio de emissão de (sic) fornecimento de vales, cartões ou cupons, sejam os sistemas convencionais ou informatizados por meio magnético ou similar; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de refeições ou alimentação para o trabalhador, em conformidade com o PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR — PAT, desenvolvido pelo Ministério do Trabalho; comercialização de vales, cartões ou cupons destinados ao pagamento de pedágios, estacionamento regulamentado e telefonia". Tal descrição das atividades da empresa encontra-se à folha 1 do Termo mencionado (fl. 24 dos autos) sem a indicação da fonte, provavelmente o contrato social da empresa, que não se encontra juntado aos autos. No mesmo Termo, a fiscalização informa a constituição societária da empresa e as inadequadas instalações (inclusive com fotos) do local que constitui o seu endereço de funcionamento informado à SRF. Ai, (município de Morungaba/SP) a autoridade fiscal apresentou o Termo de Inicio de Fiscalização, que foi recebido por funcionária da empresa. A descrição das alterações na constituição societária e das instalações — que mais se assemelham a uma residência — parece indicar total ausência de operações no momento do inicio dos trabalhos fiscais, embora disso a autoridade não tenha extraído quaisquer conseqüências, ao menos para este procedimento relativo à COFINS. No mesmo termo informa ela que as atividades da empresa seriam, de fato, desenvolvidas em São Paulo, em endereço que informa. Continua o relato fiscal com a indicação de que as solicitações constantes do Termo de Inicio foram atendidas apenas parcialmente e por meio de Procurador da empresa. Não há nos autos cópia desse termo de inicio nem do instrumento de mandato concedido pela empresa ao Procurador mencionado. Há, sim, referência a folhas (227 a 229) que não são deste processo. No concernente à infração em si, relata a autoridade que a empresa contabiliza as operações relativas aos vales-transporte em contas exclusivamente patrimoniais. As compras a debito de contas de ativo circulante e as "vendas" a crédito de contas também do ativo circulante. Não haveria, portanto, a contabilização de receitas nas operações relacionadas distribuição de vales-transporte, entendidas pela fiscalização como sendo operações de vendas. Já durante os trabalhos fiscais, informa a mesma autoridade no termo já referido, a empresa teria procurado justificar seus procedimentos pela afirmação de que realizaria mera intermediação entre seus clientes e as empresas emitentes dos vales. Essas explicações estariam em resposta datada de 24/5/2004 e que, segundo a autoridade fiscal, estaria nos autos às fls. 239/412. Para tanto, firmara contrato de permissão com a Companhia Metropolitano de São Paulo que lhe autorizaria a retirar vales a serem mantidos sob sua guarda e responsabilidade, mediante o pagamento direto à emitente. Segundo o Termo, tais disposições constariam, junto com diversas outras, no contrato de n° 4006928104, que ela, autoridade fiscal, por alguma razão, se considerou dispensada de juntar aos autos. Menciona o mesmo termo a existência de documentos relativos a aquisições de vales à empresa SÃO PAULO TRANSPORTE S/A que também lastrearam as conclusões fiscais quanto à existência de receita de vendas não reconhecida contabilmente. Nenhum dos documentos se encontra juntado aos autos. No restante do Termo, a autoridade fiscal fundamenta suas conclusões, baseadas no contrato, na contabilidade e nos documentos de aquisição mencionados e não juntados aos autos, de que a operação realizada pela empresa não se configura como mera representação, mas sim como compra e venda de vales-transporte, geradora de receita de venda que deveria ter sido oferecida à tributação. Conclusivamente, importa ressaltar que a peça de acusação parece se encerrar à fl. 41, última do Termo mencionado. Essa conclusão se impõe — ainda que o Termo de Encerramento, não assinado pela autuada, se encontre à fl. 22 — pois a folha seguinte já é peça produzida pela autuada, após a ciência do lançamento (1° de março de 2005). Ainda assim, a cópia do AR pelo qual se deu ciência do lançamento ao contribuinte se encontra à fl. 64. Nele se vê que foi dada ciência também de auto de infração de IRPJ, o que parece de acordo com a informação fiscal de que o procedimento começara com fiscalização daquele imposto e fora posteriormente ampliado para incluir "fiscalização das contribuições para o PIS e para a COFINS" (fl. 1 do Termo mencionado, 24 dos autos). Essa afirmação também é corroborada pelo relatório da decisão atacada, que informa a existência do processo 13839.000107/2005-60, no qual se exigem IRPJ e contribuições "reflexas". Toda a discussão travada na decisão recorrida, a partir da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, se atém à caracterização ou não da figura da representação, que motivaria a existência apenas de receita de serviço, como pretende a empresa. Essas argumentações, que não foram acolhidas pela DRJ de Campinas/SP, constam do recurso apresentado, que se baseia em resposta a consulta formulada ao Prof. Ives Gandra da Silva Martins, posteriormente constituído procurador da empresa. A 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme já dito, converteu o julgamento em diligência para esclarecer os seguintes pontos: a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmos do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/2005-60) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada; b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida; c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SP) realizou o trabalho de campo e emitiu o relatório fiscal, fls. 586/587, cujas conclusões abaixo reproduzo: a-) O presente auto de infração baseia-se em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/2005-60), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. Juntamos às folhas 381/482 todos os termos referentes àquela ação fiscal; b-) A presente autuação deu-se por divergência de interpretação entre o contribuinte e a autoridade fiscal no tocante à incidência tributária de PIS e COFINS sobre as receitas provenientes da venda de vales transportes e outros benefícios, não tendo havido qualquer recolhimento por parte do contribuinte destas contribuições, considerando como base de cálculo tais receitas. De qualquer maneira, efetuamos a pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000, não tendo sido encontrado qualquer pagamento, conforme relatórios do sistema juntados às folhas 483/485; e c-) Como bem explanado pela autoridade lançadora no item 1, página 3, do Termo de Verificação Fiscal (ver folha 24 deste processo), a presente autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecido à tributação no tocante às contribuições do PIS e COFINS. Desta maneira, atendendo ao item c da já citada solicitação de informação por parte do Conselho de Contribuintes, juntamos os lançamentos constantes destas contas, fls. 486/581, bem como as planilhas de apuração das contribuições, fls. 582/585. O sujeito passivo tomou ciência do relatório fiscal em 12/02/2010 e apresentou sua manifestação sobre as constatações fiscais. Discordou somente sobre a não existência de recolhimentos referentes aos meses de 12/1999, 01/2000 e 02/2000. Afirma que efetuou tais pagamentos utilizando como base de cálculo o valor da taxa de administração dos serviços prestados aos seus clientes. Aduziu documentos para comprovar suas alegações. Os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu novamente o julgamento em diligência para que a Autoridade preparadora verificasse a autenticidade dos recolhimentos acostados nos autos às fls. 603, 605, 607, 609, 610, 611 e 612, referentes aos períodos de apuração objeto deste processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí efetuou a diligência requerida e proferiu despacho com o seguinte teor: (...) A Fiscalização desta DRF/Jundiaí efetuou pesquisa no sistema SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. Entretanto, no momento da consulta, foi informado o código da DRF/Jundiaí (08124), não tendo sido encontrado qualquer pagamento, pois a autuada já não estava mais circunstrita a esta Delegacia. Em consulta nesta data ao sistema SINAL08, informando-se desta vez o código da DRF/Barueri (08128), foram localizados os pagamentos realizados pela autuada, confirmando-se, portanto, a autenticidade dos recolhimentos. O recorrente tomou ciência do despacho em 12/11/2013 e não se manifestou. É o Relatório. VOTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 100          1 99  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.000108/2005­12  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.645  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de abril de 2014  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA  Recorrida  DRJ CAMPINAS (SP)    RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª  turma ordinária da Terceira Seção  de  julgamento,  por  maioria  dos  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência.  Vencidos  conselheiros  Fernando  Luiz  da  Gama  D  Eça  e  Francisco Mauricio  Rabelo  de  Albuquerque  Silva que davam provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.     (assinado digitalmente)  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto.        Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  João  Carlos  Cassuli  Junior,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Silvia  de  Brito  Oliveira,  Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).                 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .0 00 10 8/ 20 05 -1 2 Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/2005­12  Resolução nº  3402­000.645  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Como  forma de  elucidar  os  fatos  contidos  nos  autos,  reproduzo  o  relatório  da  Resolução  nº  3402­000566,  de  20  de  agosto  de  2013,  que  converteu  o  julgamento  em  diligência:  Veiculam  os  autos  lançamento  da  contribuição  PIS/PASEP  dos  períodos  de  apuração  mensais  compreendidos  entre  os  meses  de  janeiro de 2000 e dezembro de 2003 que não teria sido recolhida pela  contribuinte,  que dele  foi cientificada em 25 de  fevereiro de 2005  (fl.  64).  Em  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  24  a  41,  a  autoridade  fiscal  aponta  o  que  teria  sido  a  infração  cometida  pela  empresa  e  que  resultou  na  falta  de  recolhimento  da  contribuição.  Segundo  ela,  a  contribuinte não ofereceu à tributação a receita obtida com a venda de  vales­transporte e outros benefícios. No detalhamento dessa  infração,  esclarece  que  a  autuada  tem  como  objeto  social  a  "prestação  de  serviços  para  representação  perante  terceiros  na  venda  e  operacionalização  de  sistemas  de  vales­transporte  e  bilhetes  magnéticos  para  transportes  urbanos  e  intermunicipais; organização,  implementação e administração, por conta própria ou de terceiros (sic)  na operacionalização de sistemas e/ou convênios de qualquer natureza  relativas a refeições, alimentação, saúde, transporte e entretenimento,  inclusive por meio de emissão de  (sic)  fornecimento de vales,  cartões  ou  cupons,  sejam  os  sistemas  convencionais  ou  informatizados  por  meio  magnético  ou  similar;  comercialização  de  vales,  cartões  ou  cupons destinados ao  pagamento  de  refeições  ou  alimentação para  o  trabalhador,  em  conformidade  com  o  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  DO  TRABALHADOR  —  PAT,  desenvolvido  pelo  Ministério do Trabalho;  comercialização de  vales,  cartões ou  cupons  destinados ao pagamento de pedágios, estacionamento regulamentado  e  telefonia".  Tal  descrição  das  atividades  da  empresa  encontra­se  à  folha  1  do  Termo mencionado  (fl.  24  dos  autos)  sem  a  indicação  da  fonte,  provavelmente  o  contrato  social  da  empresa,  que  não  se  encontra juntado aos autos.  No mesmo Termo, a  fiscalização  informa a constituição societária da  empresa  e  as  inadequadas  instalações  (inclusive  com  fotos)  do  local  que  constitui  o  seu  endereço  de  funcionamento  informado à  SRF. Ai,  (município de Morungaba/SP) a autoridade fiscal apresentou o Termo  de Inicio de Fiscalização, que foi recebido por funcionária da empresa.  A descrição das alterações na constituição societária e das instalações  — que mais  se  assemelham a  uma  residência — parece  indicar  total  ausência  de  operações  no  momento  do  inicio  dos  trabalhos  fiscais,  embora  disso  a  autoridade  não  tenha  extraído  quaisquer  conseqüências,  ao menos para este procedimento  relativo à COFINS.  No mesmo termo informa ela que as atividades da empresa seriam, de  fato, desenvolvidas em São Paulo, em endereço que informa. Continua  o  relato  fiscal  com  a  indicação  de  que  as  solicitações  constantes  do  Termo de  Inicio  foram atendidas  apenas  parcialmente  e  por meio  de  Procurador da empresa. Não há nos autos cópia desse termo de inicio  nem  do  instrumento  de  mandato  concedido  pela  empresa  ao  Procurador mencionado. Há, sim, referência a folhas (227 a 229) que  não são deste processo.  Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/2005­12  Resolução nº  3402­000.645  S3­C4T2  Fl. 102          3 No  concernente  à  infração  em  si,  relata  a  autoridade  que  a  empresa  contabiliza  as  operações  relativas  aos  vales­transporte  em  contas  exclusivamente  patrimoniais. As  compras  a  debito  de  contas  de  ativo  circulante  e  as  "vendas"  a  crédito  de  contas  também  do  ativo  circulante.  Não  haveria,  portanto,  a  contabilização  de  receitas  nas  operações  relacionadas  distribuição  de  vales­transporte,  entendidas  pela  fiscalização  como  sendo  operações  de  vendas.  Já  durante  os  trabalhos fiscais, informa a mesma autoridade no termo já referido, a  empresa teria procurado justificar seus procedimentos pela afirmação  de que realizaria mera intermediação entre seus clientes e as empresas  emitentes dos vales. Essas explicações estariam em resposta datada de  24/5/2004 e que, segundo a autoridade fiscal, estaria nos autos às fls.  239/412.  Para  tanto,  firmara  contrato  de  permissão  com  a  Companhia  Metropolitano de São Paulo que lhe autorizaria a retirar vales a serem  mantidos  sob  sua  guarda  e  responsabilidade,  mediante  o  pagamento  direto à emitente. Segundo o Termo, tais disposições constariam, junto  com  diversas  outras,  no  contrato  de  n°  4006928104,  que  ela,  autoridade  fiscal,  por  alguma  razão,  se  considerou  dispensada  de  juntar aos autos.  Menciona  o  mesmo  termo  a  existência  de  documentos  relativos  a  aquisições  de  vales  à  empresa  SÃO  PAULO  TRANSPORTE  S/A  que  também lastrearam as conclusões fiscais quanto à existência de receita  de vendas não reconhecida contabilmente. Nenhum dos documentos se  encontra juntado aos autos.  No restante do Termo, a autoridade fiscal fundamenta suas conclusões,  baseadas no contrato, na contabilidade e nos documentos de aquisição  mencionados  e  não  juntados  aos  autos,  de  que  a  operação  realizada  pela  empresa  não  se  configura  como  mera  representação,  mas  sim  como  compra  e  venda  de  vales­transporte,  geradora  de  receita  de  venda que deveria ter sido oferecida à tributação.  Conclusivamente, importa ressaltar que a peça de acusação parece se  encerrar  à  fl.  41,  última  do  Termo  mencionado.  Essa  conclusão  se  impõe  —  ainda  que  o  Termo  de  Encerramento,  não  assinado  pela  autuada,  se  encontre  à  fl.  22  —  pois  a  folha  seguinte  já  é  peça  produzida pela autuada, após a ciência do lançamento (1° de março de  2005).  Ainda assim, a cópia do AR pelo qual se deu ciência do lançamento ao  contribuinte  se  encontra  à  fl.  64.  Nele  se  vê  que  foi  dada  ciência  também de auto de  infração de  IRPJ, o que parece de acordo com a  informação  fiscal  de  que  o  procedimento  começara  com  fiscalização  daquele  imposto  e  fora  posteriormente  ampliado  para  incluir  "fiscalização das contribuições para o PIS e para a COFINS" (fl. 1 do  Termo mencionado, 24 dos autos).  Essa  afirmação  também  é  corroborada  pelo  relatório  da  decisão  atacada, que informa a existência do processo 13839.000107/2005­60,  no qual se exigem IRPJ e contribuições "reflexas".  Toda  a  discussão  travada  na  decisão  recorrida,  a  partir  da  impugnação apresentada pelo sujeito passivo, se atém à caracterização  Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/2005­12  Resolução nº  3402­000.645  S3­C4T2  Fl. 103          4 ou não da figura da representação, que motivaria a existência apenas  de receita de serviço, como pretende a empresa. Essas argumentações,  que  não  foram  acolhidas  pela  DRJ  de  Campinas/SP,  constam  do  recurso apresentado, que se baseia em resposta a consulta formulada  ao  Prof.  Ives  Gandra  da  Silva  Martins,  posteriormente  constituído  procurador da empresa.  A 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme  já dito, converteu o julgamento em diligência para esclarecer os seguintes pontos:  a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls.  24  a  41  são mesmos  do  processo  relativo  ao  IRPJ  (n°  13839.000107/2005­60)  promovendo,  nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada;  b)  se houve  algum  recolhimento  por  parte  da  empresa nos meses  de  janeiro  e  fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida;  c)  a  completa  composição  das  bases  de  cálculo  que  embasaram  os  valores  exigidos, discriminando as contas que a integraram.  O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí  (SP)  realizou  o  trabalho  de  campo  e  emitiu  o  relatório  fiscal,  fls.  586/587,  cujas  conclusões  abaixo reproduzo:  a­)  O  presente  auto  de  infração  baseia­se  em  elementos  de  prova  diversos  daqueles  presentes  no  processo  relativo  ao  IRPJ  (13839.000107/2005­60),  não  se  tratando  de  lançamento  reflexo,  apesar  de  haverem  como  origem  a  mesma  ação  fiscal.  Juntamos  às  folhas 381/482 todos os termos referentes àquela ação fiscal;  b­) A presente autuação deu­se por divergência de interpretação entre  o contribuinte e a autoridade fiscal no tocante à incidência tributária  de  PIS  e  COFINS  sobre  as  receitas  provenientes  da  venda  de  vales  transportes  e  outros  benefícios,  não  tendo  havido  qualquer  recolhimento  por  parte  do  contribuinte  destas  contribuições,  considerando como base de cálculo tais receitas. De qualquer maneira,  efetuamos  a  pesquisa  no  sistema  SINAL08  para  verificar  se  o  contribuinte  realizou  pagamentos  de  PIS  e  COFINS  no  período  compreendido  entre  janeiro  de  2000  a  fevereiro  de  2000,  não  tendo  sido  encontrado qualquer pagamento,  conforme relatórios do  sistema  juntados às folhas 483/485; e  c­) Como bem explanado pela autoridade lançadora no item 1, página  3,  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  (ver  folha  24  deste  processo),  a  presente autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas  contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante,  os quais não foram oferecido à tributação no tocante às contribuições  do PIS  e COFINS. Desta maneira,  atendendo  ao  item  c  da  já  citada  solicitação  de  informação  por  parte  do  Conselho  de  Contribuintes,  juntamos  os  lançamentos  constantes  destas  contas,  fls.  486/581,  bem  como as planilhas de apuração das contribuições, fls. 582/585.  O sujeito passivo tomou ciência do relatório fiscal em 12/02/2010 e apresentou  sua manifestação sobre  as constatações  fiscais. Discordou somente  sobre a não existência de  Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/2005­12  Resolução nº  3402­000.645  S3­C4T2  Fl. 104          5 recolhimentos  referentes  aos meses de 12/1999, 01/2000 e 02/2000. Afirma que  efetuou  tais  pagamentos  utilizando  como  base  de  cálculo  o  valor  da  taxa  de  administração  dos  serviços  prestados aos seus clientes. Aduziu documentos para comprovar suas alegações.  Os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do  CARF  converteu  novamente  o  julgamento  em  diligência  para  que  a Autoridade  preparadora  verificasse a  autenticidade dos  recolhimentos acostados nos autos às  fls. 603, 605, 607, 609,  610, 611 e 612, referentes aos períodos de apuração objeto deste processo.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Jundiaí  efetuou  a  diligência  requerida e proferiu despacho com o seguinte teor:  (...)  A  Fiscalização  desta  DRF/Jundiaí  efetuou  pesquisa  no  sistema  SINAL08 para verificar se o contribuinte realizou pagamentos de PIS e  COFINS no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de  2000. Entretanto, no momento da consulta, foi  informado o código da  DRF/Jundiaí (08124), não tendo sido encontrado qualquer pagamento,  pois a autuada já não estava mais circunstrita a esta Delegacia.  Em consulta nesta data ao sistema SINAL08, informando­se desta vez o  código  da  DRF/Barueri  (08128),  foram  localizados  os  pagamentos  realizados pela autuada, confirmando­se, portanto, a autenticidade dos  recolhimentos.  O recorrente tomou ciência do despacho em 12/11/2013 e não se manifestou.   É o Relatório.    VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  Sob a perspectiva do  recorrente,  a operação  tributada nestes autos acontece da  seguinte forma:  1)  O  recorrente  recebe  a  solicitação  de  compra  dos  vales­ transporte de seus clientes;  2)  O recorrente recebe dos clientes o valor dos vales­transporte e  repassa integralmente para as emissoras dos vales;  3)  O  recorrente  recebe  das  emissoras  os  vales­transporte  adquiridos,  envelopa  individualmente  e  os  guarda  até  a  entrega final para cada empregado de seus clientes;  4)  Pelo  serviço  prestado,  recebe  dos  clientes  uma  taxa  de  administração  que  remunera  as  atividades  de  gerenciamento,  Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/2005­12  Resolução nº  3402­000.645  S3­C4T2  Fl. 105          6 individualização, envelopamento, guarda e entrega dos vales­ transporte.  Diante  desse  quadro,  entende  que  a  natureza  jurídica  da  atividade  que  exerce  não é de compra e venda mercantil dos vales­transporte e sim contrato de comissão mercantil, a  que se agregam vários serviços de gerenciamento dos vales­transporte.  Assim  sendo,  requer  o  mesmo  tratamento  dispensado  pela  Administração  tributária às entidades da administração pública que presta serviço idêntico.  Nos termos da Instrução Normativa nº. 306, de 12 de março de 2003, a base de  cálculo  neste  tipo  de  serviço  corresponde  ao  valor  da  corretagem  ou  comissão  cobrada  pela  pessoa jurídica prestadora do serviço.  A Fiscalização não entendeu da mesma forma e tributou o valor total recebido,  sem subtrair o valor repassado aos clientes da recorrente.  Delimitada a lide passo a análise.  Para  a  recorrente  fazer  jus  ao  tratamento  isonômico  dado  às  entidades  da  administração  pública,  se  faz  necessário  o  cumprimento  de  requisitos  específicos,  a  saber:  destaque  na  nota  fiscal  de  prestação  de  serviço  do  valor  da  corretagem  ou  comissão;  que  o  valor repassado pelos clientes do recorrente sejam idênticos aos valores das compras dos vales­ transporte e que o objeto do contrato entre o recorrente e seus clientes tenha natureza jurídica  de corretagem ou comissão.    Compulsando  os  autos,  não  há  elementos  que  comprovem  que  o  recorrente  cumpriu  todos os  requisitos  impostos pela  legislação. Contudo, admito que os  fatos  jurídicos  apresentados pelo recorrente possuem uma grande probabilidade de serem verídicos, de sorte  que entendo ser impossível julgar o mérito nesta sentada.  Diante desta perspectiva,  nos  termos do  art.  29 do Decreto nº 70.235/72, voto  por  converter  o  julgamento  em diligência  para  que  o  órgão  de  origem  intime o  recorrente  a  apresentar:  a)  Os contratos celebrados entre 01/01/2000 e 31/12/2003, cujo  objeto seja de corretagem ou comissão sobre a venda de vales­ transporte;  b)  Os  pedidos  de  compra  dos  vales­transporte  feitos  pelos  clientes da recorrente;  c)  Comprovantes  dos  valores  recebidos  dos  clientes  para  aquisição dos vales­transporte;  d)  Comprovantes  dos  valores  pagos  as  empresas  emissoras  dos  vales­transporte; e  e)  As  notas  fiscais  emitidas  pela  recorrente  que  conste  a  discriminação dos serviços prestados aos seus clientes.  De posse destes documentos, que seja produzido relatório conclusivo que ateste:  Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.000108/2005­12  Resolução nº  3402­000.645  S3­C4T2  Fl. 106          7 1)  A  natureza  dos  contratos  celebrados  pela  recorrente  com  seus  clientes;  2)  Se  o  valor  do  pedido  confere  com o  valor  repassado  pelo  cliente  e  com o valor pago às emissoras dos vales­transporte; e  3)  Se  há  destaque  em  todas  as  notas­fiscais  emitidas  pelo  recorrente  para  seus  clientes  do  valor da  corretagem ou  da  comissão  recebida  pelos serviços prestados.  Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Sala das Sessões, em 23/04/2014  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO    Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Numero do processo: 10280.720846/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 145          2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.   LANÇAMENTOS DECORRENTES.  Os  lançamentos  de  PIS,  de  COFINS  e  de  CSLL  sendo  decorrentes  das  mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a  que  os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles  que  foram dados à exigência de IRPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  da  Relatora.  Ausente,  momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Relatora  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Alexandre  Fernandes  Limiro,  Carmen  Ferreira  Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros  Fernandes.    Relatório  I ­ Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls.  69­76,  com  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor  de  R$280.159,62  a  título  de  Imposto  Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado  pelo regime de tributação com base no  lucro arbitrado eferente aos quatro  trimestres do ano­ calendário de 2006, em conformidade com o Relatório de Fiscalização, fls. 63­67.  O lançamento fundamenta­se na omissão de receitas de receitas de depósitos  bancários  não  escriturados,  cuja  apuração  foi  efetivada  a  partir  do  cotejo  entre  os  valores  creditados conta­corrente nº 551­7 da agência nº 1505­9 do Banco Bradesco S/A, fls. 52­62.  Em relação a esses valores a Recorrente  titular,  regularmente  intimada, não  comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação  hábil  e  idônea  coincidente  em  datas  e  valores,  de  acordo  com  os  extratos  bancários  apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento à Requisição de Informações sobre  Movimentação  Financeira  (RMF),  fls.  08­11  e  as  informações  constantes  na  Declaração  de  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 146          3 Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ),  referente aos quatro  trimestres do  ano­calendário de 2006, fls. 41­49.   Para tanto, foi  indicado o seguinte enquadramento legal: art. 27 e art. 42 da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  e  inciso  III  do  art.  530,  art.  532  e  art.  537  do  Regulamento do  Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999  (RIR, de 1999).  Em decorrência de  serem os mesmos elementos de provas  indispensáveis  à  comprovação dos  fatos  ilícitos  tributários  foram constituídos os  seguintes créditos  tributários  pelos lançamentos formalizados neste processo:  II – O Auto de Infração às fls. 77­84 a exigência do crédito tributário no valor  de R$96.778,21 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e  multa de ofício proporcional. Para tanto, foi  indicado o seguinte enquadramento legal: art. 22  da  Lei  nº  10.684,  de  30  de  maio  de  2003,  bem  como  art.  37  da  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro de 2002.  III ­ O Auto de Infração às fls. 85­93 com a exigência do crédito tributário no  valor  de R$21.936,94  a  título  de Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  proporcional.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º  do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a”  do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de  17 de dezembro de 2002.  IV – O Auto de Infração às fls. 94­102 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$101.248,24 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  juros  de  mora  e multa  de  ofício  proporcional.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art.  91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002.   Cientificada em 19.12.2008,  fl. 106, a Recorrente apresentou a  impugnação  em 19.01.2009, fls. 108­111.  Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita:  No caso presente, existem extratos bancários em que demonstrada volumosa  movimentação financeira realmente incompatível com a renda do Contribuinte.  Entretanto,  diversamente  do  entendido  pela  Fiscalização,  o  Contribuinte  justificou ­ e comprovou ­ tal movimentação.  Com efeito, conforme contrato de prestação de serviços cuja cópia segue em  anexo  (e  que  fora  apresentada  ao  Ilustre  Auditor  Fiscal),  o  Impugnante  atuou  na  "negociação e compra de créditos tributários" (cláusula primeira) da empresa W. R.  Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, no valor de R$10.000.000,00 (dez  milhões de reais), que seriam adquiridos por R$6.000.000,00 (seis milhões de reais)  ­ cláusula segunda.  Assim  sendo,  perfeitamente  plausível  que  os  valores  depositados  na  conta  bancária  do  Contribuinte  tenham  sido  para  aquisição  do  referido  crédito,  como  alegado quando da manifestação protocolada em 15.12.2008.  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 147          4 Por  conseguinte,  como  alegado,  tais  valores  não  representavam  qualquer  espécie de renda ou receita do Autuado, já que apenas transitaram em seu caixa, mas  destinados  a  terceiros  (a  empresa  W.  R.  Maia  Cardoso  Serviços  e  Assessoria  Empresarial, CNPJ 83.671.685/0001­25). [...]  No caso presente, existem extratos bancários em que demonstrada volumosa  movimentação financeira realmente incompatível com a renda do Contribuinte.  Entretanto,  diversamente  do  entendido  pela  Fiscalização,  o  Contribuinte  justificou ­ e comprovou ­ tal movimentação.  Com efeito, conforme contrato de prestação de serviços cuja cópia segue em  anexo  (e  que  fora  apresentada  ao  Ilustre  Auditor  Fiscal),  o  Impugnante  atuou  na  "negociação e compra de créditos tributários" (cláusula primeira) da empresa W. R.  Maia Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial, no valor de R$10.000.000,00 (dez  milhões de reais), que seriam adquiridos por R$6.000.000,00 (seis milhões de reais)  ­ cláusula segunda.  Assim  sendo,  perfeitamente  plausível  que  os  valores  depositados  na  conta  bancária  do  Contribuinte  tenham  sido  para  aquisição  do  referido  crédito,  como  alegado quando da manifestação protocolada em 15.12.2008.  Por  conseguinte,  como  alegado,  tais  valores  não  representavam  qualquer  espécie de renda ou receita do Autuado, já que apenas transitaram em seu caixa, mas  destinados  a  terceiros  (a  empresa  W.  R.  Maia  Cardoso  Serviços  e  Assessoria  Empresarial, CNPJ 83.671.685/0001­25). [...]  Na  situação  presente,  como  já  dito,  os  valores  demonstrados  nas  planilhas  anexadas  não  constituíram  receita  do  Impugnante,  eis  que  apenas  transitaram  no  caixa  da  empresa,  mas  destinados  à  empresa  W.  R.  Maia  Cardoso  Serviços  e  Assessoria  Empresarial,  CNPJ  83.671.685/0001­25,  titular  dos  créditos  tributários  adquiridos pelas Clientes da intimada.  Cumpre informar, ainda, que a aquisição de tais créditos visava compensação  de débitos perante a Receita Federal. Como a pretendida compensação foi indeferida  pela RF (ao argumento, entre outros, de se tratar de crédito de terceiros), o negócio  não foi concluído. [...]  Ora, no caso presente, embora exista prova de que houve depósitos de valores  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados  pelo  Contribuinte,  há  provas,  também, do alegado pelo Impugnante.  De  fato,  os  extratos  obtidos  junto  ao Bradesco  comprovam que  tais  valores  apenas transitaram na conta bancária da Impugnante.  O contrato de prestação de serviços (com assinatura reconhecida por cartório  de  notas,  em  22.03.2006,  que  revela  sua  idoneidade)  comprova  a  atuação  do  Impugnante como intermediário na compra e venda de créditos tributários.  Assim,  repita­se,  caberia  ao  Fisco  diligenciar  no  sentido  de  averiguar  a  veracidade  do  alegado,  e  não,  como  feito,  dois  dias  após  a  manifestação  do  Contribuinte, o autuar por presunção de omissão de rendimentos. [...]  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 148          5 Conclui  Diante das  razões apresentadas,  requer­se a V. Sa.,  com o devido  respeito e  acatamento, seja julgada insubsistente a presente autuação, conforme os argumentos  acima  expostos,  eis  que  não  restou  caracterizada,  tampouco  provada,  a  alegada  omissão  de  rendimentos,  e,  portanto,  não  havendo  que  se  falar  na  incidência  do  imposto de renda sobre tal rendimento inexistente; assim também em relação ao PIS,  CSLL e COFINS.  Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01­ 21.848, de 36.05.2011, fls. 116­120: “Impugnação Improcedente”.  Restou ementado  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2006   DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.  Os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações são caracterizados como omissão de receitas.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA.  Devem ser  indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis  ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização  de diligência para produzir provas que caberia ao autuado apresentar.  CSLL. PIS E COFINS. DECORRÊNCIA.  Quando  há  harmonia  entre  as  provas  e  irregularidades  que  ampararam  os  lançamentos  do  IRPJ  e  das  Contribuições  Sociais,  o  que  foi  decidido  em  relação  àquele é aproveitado nos lançamentos destas.  Notificada em 19.08.2011, fl. 126, a Recorrente apresentou o recurso voluntário  em 08.09.2011, fls. 127­132, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade.  Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra  o  qual  se  insurge  reiterando  os  argumentos  apresentados na impugnação.  Em relação à nulidade do lançamento por restar caracterizado o cerceamento do  direito de defesa acrescenta:  A  presente  lide  versa  sobre  alegada  omissão  de  receitas.  Em  defesa,  foi  argumentado que os valores apenas transitaram no caixa da autuada, provenientes de  clientes,  com  destinação  para  pagamento  de  créditos  a  serem  adquiridos  junto  a  terceiros.  A Recorrente, neste caso, atuava como interveniente do negócio, e receberia  comissão, caso concretizado o negócio. [...]  Sem qualquer  justificativa, a Receita Federal  não considerou como hábil ou  idôneo  o  contrato  apresentado,  e  ainda  indeferiu  pedido  de  diligências,  para  confirmar a alegação feita.  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 149          6 Diante de tal posicionamento, resta caracterizado o cerceamento ao direito de  defesa da recorrente, consagrado constitucionalmente.  A  questão  há  de  ser  discutida  sob  dois  aspectos  :  a)  distribuição  do  ônus  probante; b) motivação do ato que desconsidera a prova apresentada.  Com efeito, como bem dito pela r. decisão ora recorrida, milita em favor do  Fisco a presunção de que houve omissão de receita.  A presunção, como sabido, é elidida por prova em contrário.  A  recorrente  apresentou,  como  prova  de  suas  alegações,  o  contrato  de  prestação  de  serviços,  pelo  qual  se  comprova  o  recebimento  de  valores  para  aquisição de créditos em favor do próprio Cliente. Comprovado estaria, pois, que o  valor recebido não se caracterizava como receita, afastando a alegada infração.  Ademais, requereu fossem feitas diligências, junto ao Cliente, para confirmar  o ora alegado.  Contudo,  o  Fisco  considerou  o  contrato  apresentado  como  inidôneo  e  inservível  como  meio  de  prova,  sem  qualquer  motivação.  Quanto  ao  pedido  de  diligências, o indeferiu ao argumento de que o ônus seria da Recorrente. [...]  Pelo exposto, requer­se seja acolhida a preliminar ora suscitada, para declarar  a nulidade da r. decisão recorrida, por ausência de motivação no ato que considerou  a prova apresentada como inidônea e inservível, causando, com isso, cerceamento ao  direito de defesa da Recorrente.  Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de  23.02.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 138­142), vale esclarecer que a Portaria MF  nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62­A do Anexo II da Portaria  MF  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009,  que  aprova  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).  Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do  julgamento  do  processo  referente  à matéria  (art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001)  que  está  em  repercussão  geral  no  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  sem  trânsito em julgado (art. 543­B do Código de Processo Civil ­ CPC). Assim, o julgamento do  presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de  06 de março de 1972.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 150          7 O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  exercício  da  competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta  atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja  de  jurisdição diversa da do domicílio  tributário do sujeito passivo. É a autoridade  legitimada  para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação  profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do  crédito  tributário,  os  Autos  de  Infração  podem  ser  lavrados  sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica no  local em que foi constatada a  infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os  quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de  prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem  da  intimação válida para que  se  instaure o processo, vigorando na  sua  totalidade os direitos,  deveres  e  ônus  advindos  da  relação  processual  de modo  a  privilegiar  as  garantias  ao  devido  processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1.  Os Autos de  Infração foram lavrados por Auditor­Fiscal da Receita Federal  do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou  a  matéria  tributável,  calculou  o  montante  do  tributo  devido,  identificou  o  sujeito  passivo,  aplicou  a  penalidade  cabível  e  determinou  a  exigência  com  a  regular  intimação  para  que  a  Recorrente pudesse cumpri­la ou  impugná­la no prazo  legal. A decisão de primeira  instância  está  motivada  de  forma  explícita,  clara  e  congruente  e  da  qual  a  pessoa  jurídica  foi  regularmente  cientificada.  Assim,  estes  atos  contêm  todos  os  requisitos  legais,  o  que  lhes  conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas,  os  documentos  foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por  meios  lícitos,  em  observância  às  garantias  ao  devido  processo  legal.  O  enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita  compreensão da descrição dos  fatos  e  dos  enquadramentos  legais  que  ensejaram  os  procedimentos  de  ofício. A  proposição  afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões  em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas,  tais como fique demonstrada  a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior, refira­se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões  posteriormente trazidas aos autos2. ]                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 151          8 Embora  lhe  fossem  oferecidas  várias  oportunidades  no  curso  do  processo  (Termo de Continuidade do Procedimento Fiscal, fls. 02­04, Termos de Reintimação, fls. 05­07  e 12­14, Termo de Intimação,  fls. 15­16, Termo de Encerramento,  fls. 103­106, bem como a  Intimação  do  Resultado  do  Julgamento,  fls.  122­126)  a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham  correlação  com  as  situações  excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível,  uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios  lícitos constantes nos autos  são  suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não  se comprova.  A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado.  Na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  RFB,  em  caráter  privativo,  cabe ao Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica,  nos  casos  em  que  a  autoridade  dispuser  de  elementos  suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de  jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe  sendo exigida a habilitação profissional de  contador3. O Auto de  Infração  foi  lavrado com a  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinação  da  matéria  tributável,  cálculo  do  montante  do  tributo  devido,  identificação  do  sujeito  passivo,  aplicação da penalidade  cabível e validamente cientificada  a Recorrente,  o que  lhe conferem  existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser  sancionada.  A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas.  A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos  comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibi­los e  conservá­los  até que ocorra  a prescrição dos  créditos  tributários decorrentes das operações  a  que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como  de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais,  cabendo  à  autoridade  a  prova  da  não  veracidade dos fatos registrados.   A  autoridade  fiscal  verificando  que  a  pessoa  jurídica  deixou  de  cumprir  as  obrigações acessórias  relativas à determinação do  lucro  real  ou presumido, conforme o caso,  deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano­ calendário,  sendo  conhecida  ou  não  a  receita  bruta,  de  acordo  com  as  determinações  legais.  Este regime aplica­se no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis                                                              3  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  195  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  6º  da  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784  de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46.  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 152          9 comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios,  erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da  escrituração  comercial  e  fiscal  ou  optar  indevidamente  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido ou  deixar de  escriturar  e  apurar o  lucro  da  sua  atividade  separadamente  do  lucro  proveniente do exterior.   Em  relação  à  receita  bruta  ser  conhecida,  o  lucro  arbitrado  é  determinado  pelo  somatório  do  ganho  de  capital,  da  receita  financeira  e  das  demais  receitas  auferidas  incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no  recebimento  de  créditos,  bem  como  do  valor  resultante  da  aplicação  do  coeficiente  legal  correspondente  a  sua  atividade  econômica  sobre  a  receita  bruta  total  auferida  no  período  de  apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar  de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para  cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente.   A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens  nas  operações  de  conta  própria,  o  preço  dos  serviços  prestados  e  o  resultado  auferido  nas  operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos  não  cumulativos  cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário,  uma  vez  que  se  presume  que  uma  parcela  da  receita  bruta  foi  consumida  na  produção  dos  rendimentos  decorrentes  da  atividade  econômica.  Vale  esclarecer  que  permanece  a  obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas.   Este  regime  não  é  uma  sanção,  tanto  que  a  pessoa  jurídica,  desde  que  preencha as condições  legais, pode optar pelo  lucro arbitrado com base na  receita  conhecida  mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente  ao  período.  Também  pode  adotar  a  tributação  com  base  no  lucro  presumido  nos  demais  trimestres do ano­calendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real.  Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Positivada  em  uma  norma  com  os  atributos  de  ser  abstrata,  geral,  imperativa  e  impessoal,  há  presunção  de  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação  de causalidade entre o fato e o ilícito tributário.   Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na  sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim,  se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos  recursos informados para acobertar a movimentação financeira.  É  determinada  mensalmente  pelo  somatório  de  cada  crédito,  que  deve  ser  analisado  de  forma  individual,  observando  que  os  depósitos  de  um  mês  não  servem  para  comprovar a origem de depósitos havidos em meses  subsequentes. A sua  titularidade, via de  regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante  demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria  pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de  resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 153          10 análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira  para verificar a compatibilidade entre as informações.   Ademais,  a  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996  dispensa  o Erário  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem origem comprovada. Na  tributação da omissão de  rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para  comprovar  a origem de depósitos havidos em meses  subsequentes,  em conformidade com as  Súmulas CARF nºs 26 e 30.  Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem  dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram  evidenciadas  as  origens,  presumem  receitas  omitidas,  o  que  dispensa  a  autoridade  administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem  origem comprovada4.  Em  relação  à  possibilidade  jurídica  de  obtenção  dos  dados  bancários  pela  autoridade tributária da RFB tem­se que no caso em que há processo administrativo instaurado  ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado  dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo5.  Prevalece  o  entendimento  de  que  o  sigilo  bancário,  fundado  constitucionalmente no direito à privacidade6, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando  a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo  bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal  regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente.   Ressalte­se  que  o  exame  dos  dados  financeiros  afigura­se  como  medida  necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão  legal  permissiva  expressa  e  esta  se  destina  a  identificar  a materialidade  do  ilícito  tributário.  Além disso  esses dados devem ser mantidos  em  sigilo pela  autoridade  fiscal. Assim, não há  que se falar em obtenção de prova por meio ilícito.  Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das  instituições  financeiras,  de  informações  solicitadas  pelo  órgão  fiscal  tributário  não  constitui  quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário  às autoridades obrigadas a mantê­los no âmbito do sigilo fiscal.  Feitas  essas  considerações normativas,  tem cabimento  a  análise da  situação  fática  tendo  em  vista  os  documentos  já  analisados  pela  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário.                                                              4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985, art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de  dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61.  5 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001.  6 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 154          11 Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a  tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.   O lançamento fundamenta­se na omissão de receitas de receitas de depósitos  bancários  não  escriturados,  cuja  apuração  foi  efetivada  a  partir  do  cotejo  entre  os  valores  creditados conta­corrente nº 551­7 da agência nº 1505­9 do Banco Bradesco S/A, fls. 52­62.  Em relação a esses valores a Recorrente  titular,  regularmente  intimada, não  comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação  hábil  e  idônea  coincidente  em  datas  e  valores,  de  acordo  com  os  extratos  bancários  apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento à Requisição de Informações sobre  Movimentação  Financeira  (RMF),  fls.  08­11  e  as  informações  constantes  na  Declaração  de  Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ),  referente aos quatro  trimestres do  ano­calendário de 2006, fls. 41­49.   Os  valores  considerados  como  base  de  cálculo  para  fins  de  apuração  dos  tributos estão individualizados na Planilha Demonstrativa da Base de Cálculo, fls. 15­21 e 68,  em conformidade com a Tabela 1.    Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no ano­calendário de 2006    Valores Creditados no Banco Bradesco S/A  Movimentação Financeira  (B)  Mês  (A)  No Mês  R$  No Trimestre  R$  Valores   DIPJ/DCTF  R$  (C)  Valores  Omissão de Receitas  R$  (D = B­C)  Janeiro  0,00  Fevereiro  150.000,00  Março  329.599,00  479.599,00  0,00  479.599,00  Abril  219.119,07  Maio  455.685,04  Junho  242.453,04  917.257,15  0,00  917.257,15  Julho  45.293,04  Agosto  63.313,04  Setembro  72.343,04  180.949,12  0,00  180.949,12  Outubro  25.526,14  Novembro  27.398,37  Dezembro  26.778,04  79.702,55  0,00  79.702,55  Total    1.657.507,82    Está  registrado  no  Relatório  de  Fiscalização,  fls.  63­67,  cujas  informações  estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano:  II. PROCEDIMENTOS FORMAIS   Em 30/06/2008,  lavrou­se  termo de  continuidade do procedimento  fiscal  no  âmbito do MPF em epígrafe (MPF originário 02.1.01.00­2007­00694­4), ciência do  sujeito  passivo  por  via  postal  (AR  em  anexo),  com  a  finalidade  de  investigar  a  movimentação  financeira  mantida  junto  ao  Banco  Bradesco  S/A.  no  AC  2006,  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 155          12 revelando­se  incompatível  com  a  receita  bruta  informada  na  Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).  Foram  solicitados  no  termo  retrocitado  os Livros Caixa  ou Diário  e Razão,  bem como, os extratos bancários mantidos  junto ao Banco Bradesco,  tendo sido o  contribuinte reintimado do mesmo objeto, em 14/08/2008 (AR em anexo), deixando  de atender as intimações sem qualquer justificativa.  Em face da ausência de manifestação do sujeito passivo, recorreu a autoridade  fiscal  ao  permissivo  legal  da  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  (RMF), ante à caracterização do EMBARAÇO, nos  termos de relatório  fundamentado (em anexo).  A  RMF  (02.1.01.00­2008­00099­0,  em  anexo)  destinada  à  Instituição  Financeira (AR em anexo) foi cumprida nos termos em que requisitada, tendo sido  recebidas  todas  as  informações  referentes  à  movimentação  financeira  do  contribuinte, em papel e meio magnético.  Em 13/10/2008 (AR em anexo), foi o sujeito passivo reintimado a apresentar  Livro Caixa ou Diário e Razão do AC 2006, tendo transcorrido o prazo concedido  sem atendimento.  Em  25/11/2008,  ciência  por  via  postal  (AR  em  anexo),  foi  intimado  o  contribuinte a comprovar a origem dos recursos que  transitaram em conta­corrente  mantida junto ao Banco Bradesco, no AC 2006, com base em planilha elaborada em  anexo ao Termo.  Em  15/12/2008,  o  sujeito  passivo  protocolizou  resposta  ao  termo  supra,  alegando em síntese que:  ­ É empresa prestadora de serviços no ramo de consultoria, e nessa condição  teria agido como intermediária na compra de créditos tributários para seus clientes;  ­  Os  depósitos  bancários  havidos  em  sua  conta­corrente  no AC  2006  eram  decorrentes  de  tais  operações,  os  quais  eram  repassados  para  a  vendedora  dos  créditos;  ­ Finaliza com conceitos sobre ingressos e receitas, concluindo que os valores  dos  depósitos  bancários  relacionados  em  planilha  elaborada  pela  fiscalização  não  constituem receita, tendo apenas transitado pelo caixa da empresa, juntando cópia de  contrato de prestação de serviços que justificaria suas alegações.  III. DA AUDITORIA FISCAL   Preliminarmente,  cabe  destacar  que nos  procedimentos  fiscais  envolvendo  a  análise da movimentação financeira mantida junto a  instituições bancárias, deve­se  observar as prescrições do  art.  42 da Lei n° 9.430/96, o qual  regula no âmbito da  legislação  tributária  a  presunção  legal  de  omissão  de  receita  ou  rendimentos,  caracterizada como a não comprovação da origem dos valores creditados em conta  de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Tal disposição legal (juris tantum) tem o condão de inverter o ônus da prova  em  desfavor  do  contribuinte,  no  que  tange  à  comprovação  de  que  os  depósitos  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 156          13 (créditos) não se  referem à omissão de receitas, que em regra caberia à autoridade  tributária no regular exercício da atividade administrativa de lançamento.  Nesse  diapasão,  da  análise  individualizada  da  movimentação  financeira  havida  no  AC  2006,  do  total  de  depósitos  (créditos)  constantes  dos  extratos  bancários disponibilizados (R$1.852.218,09), e em observância ao art. 42, § 3º , I da  Lei  n°  9.430/96,  foram  excluídos  pela  autoridade  fiscal  àqueles  referentes  a  devolução cheques / CPMF transf. para mora / empréstimos / redução saldo devedor  (R$  194.710,27),  resultando  nos  créditos  sujeitos  à  comprovação  de  origem  (R$  1.657.507,82),  entregues  mediante  Termo  ao  sujeito  passivo/representante  (em  anexo).  No  que  tange  às  alegações  do  contribuinte  acerca  da  origem  dos  depósitos,  razão não lhe assiste. Milita em seu desfavor a inexistência/não disponibilização do  Livro Caixa ou Diário/Razão, ainda que intimado/reintimado para sua apresentação,  que pudesse elucidar de forma individualizada (qualitativa e quantitativa), por força  de  presunção  legal  (juris  tantum)  que  lhe  é  imposta,  o  vínculo  de  cada  crédito  bancário  com  a  alegada  operação  de  prestação  de  serviços.  Não  carreou  em  suas  justificativas  provas  hábeis  e  idôneas,  v.g, Notas Fiscais de Prestação  de Serviços  discriminativas de receitas (comissão)  decorrentes  da  intermediação  de  negócios,  documentação  bancária  comprobatória da origem/destino dos créditos efetivados em conta­corrente, etc.  Portanto,  conclui­se  que  o  sujeito  passivo  auferiu  receitas  de  origem  não  comprovada,  no AC 2006,  no montante  de R$1.657.507,82,  já  incluso  os  créditos  sob  histórico  "Liquidação  de  Cobrança"  (R$233.217,36).  Tal  omissão  deverá  ser  tributada  sob  a  sistemática  do  lucro  arbitrado,  aplicável  o  percentual  majorado  (38,4%)  atinente  ao  objeto  social  da  sociedade  empresária  constante  do  contrato  social e alterações (prestação de serviços), em anexo.  Com  efeito,  após  diversas  intimações  ao  contribuinte,  sem  qualquer  justificativa deixou de apresentar os Livros a que estava obrigado (Caixa ou Diário)  e,  portanto,  não  encontra  respaldo  legal  a  opção  pela  forma  de  tributação  exercida na DIPJ  (Lucro Presumido), em face da ausência/não disponibilização de  escrituração contábil regular. Neste contexto, a correta apuração da base de cálculo  do  IRPJ  haverá  de  se  dar  pelo  arbitramento  do  Lucro,  ex  vi  do  art.  47  da Lei  n°  8.981/95 [...].  Portanto, a autoridade fiscal apurou o lucro arbitrado por períodos trimestrais,  com  base  nas  receitas  omitidas  (AC  2006),  obtido  de  acordo  com  as  disposições  contidas no art. 1º e 27 da Lei n° 9.430/96,[...].  Quanto ao PIS e COFINS, em face do arbitramento do lucro, obrigatório é o  recolhimento  dessas  contribuições  com  base  no  regime  cumulativo,  aplicáveis  as  alíquotas  de  0,65%  e  3%,  respectivamente,  calculadas  sobre  as  mesmas  bases  do  IRPJ/CSLL (receitas omitidas), por períodos de apuração mensal, em conformidade  com a legislação do IRPJ (Lei n° 9.715/98, art. 9º ; Lei n° 9.249/95, art. 24; Decreto  n° 4.524/02, art. 91).  A  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ/CSLL  e  PIS/COFINS  está  demonstrada na planilha em anexo, ressaltando­se que os seus valores correspondem  ao  total  das  receitas  omitidas  em  cada  trimestre/mês,  respectivamente,  tendo  em  vista que o sujeito passivo informou inexistência de receitas na DIPJ (ND 1321481),  bem  como,  de  débitos  de  tributos/contribuições  nas  DCTF's  semestrais  (ND  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 157          14 1002.006.2006.2030119133  e  1002.006.2007.2080214533),  ambas  transmitidas  à  RFB (em anexo).  IV. CONCLUSÃO   Em face da irregularidade descrita neste relatório, a autoridade fiscal procedeu  ao lançamento do crédito tributário total no valor de R$500.123.01, por intermédio  de Autos de Infração (AI) do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), no AC 2006,  que deu origem ao Processo MF N° 10280­720.846/2008­80.  No que se refere ao Contrato de Prestação de Serviços e Outras Avencas, fls.  113­114, tem­se que a Recorrente/Contratante e a SB Comércio Ltda, CNPJ 04.429.478/0001­ 92/Contratante ajustaram:  I ­ OBJETO   Cláusula  I. A  empresa  contratada  atuará  na  negociação  e  venda  de  créditos  tributários da COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) de  propriedade da W.R MAIA Cardoso Serviços e Assessoria Empresarial.  Parágrafo Único: O presente crédito é oriundo do processo administrativo nº  12155.00007/99­13.  COFINS  (Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social),  sobre  exportação  (Decreto  n°  1030/93  que  regulamentou  o  art  7o  da  Lei  Complementar  n°70/91,  que  estabelece  a  isenção  da  Cofins  para  venda  de  mercadorias ou serviços para o exterior), protocolado em 04 de Novembro de 1999.  da Empresa Madeira De Exportação Madesil JE Ltda e que transferiu seus direitos  creditórios  a  empresa  do mesmo  grupo WR Maia  Cardoso  Serviços  e  Assessoria  Empresarial,  através  do  processo  administrativo  de  restituição  nº  10280.004600/2004­33. COFINS  (Contribuição para Financiamento da Seguridade  Social),  protocolado  em  02  de  dezembro  de  2004.  ao  qual  as  partes  se  reportam,  tendo a contratante plena ciência de seu conteúdo.  II ­ DO VALOR DO CRÉDITO   Cláusula  II. O crédito da COFINS será negociado com um deságio de 40%  (quarenta  por  cento)  sobre  o  valor  previamente  determinado  de  compra  de  R$10.000.000.00  (dez  milhões  de  reais),  do  processo  administrativo  n°  l0280.004600/2004­33. restituição de COFINS (Contribuição para Financiamento da  Seguridade  Social)  da  Subsecretária  de  Planejamento Orçamento  e Administração  Coordenação ­ Recursos Logísticos do Ministério Da Fazenda, e localização atual no  setor de restituição e compensação ­ DRF ­ BSA ­ DF.  III ­ DO PAGAMENTO   Cláusula  III.  A  contratante  pagará  a  Contratada  o  valor  devido  de  R$6.000.000.00  (seis  milhões  de  reais)  em  40  (Quarenta)  parcelas  iguais  de  R$150.000.00 (cento e cinqüenta mil reais) sendo que a 1ª parcela deverá ser paga  em  48hs  após  a  transferência  do  referido  crédito  para  o  nome  da  contratante  e  as  demais  parcelas  vencíveis  a  cada  trinta  dias  mediante  a  39  (trinta  e  nove)  promissórias  no  valor  de  R$150.000,00  (cento  e  cinqüenta  mil  reais)  nominais  a  contratada que passam a fazer parte integrante desse contrato.  IV ­ DA VIGÊNCIA  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 158          15 Cláusula  IV. O  presente  contrato  passa  a  vigorar  entre  as  partes  a  partir  da  transferência  do  crédito  através  do  PER/DCOMP  n°  2.1  ND  14064.71886.060206.1.3.04­6803.  V ­ DA RESCISÃO   Cláusula  V.  Este  contrato  será  rescindido  de  pleno  direito  na  hipótese  do  crédito  administrativo  objeto  desde  contrato  seja  indeferido,  em  última  instância,  não  cabendo  recurso  administrativo  e/ou  judicial,  junto  a  Delegacia  da  Receita  Federal ou pelo decurso de prazo de vigência deste contrato que é de 40 (Quarenta)  meses a contar da data do 1º pagamento efetivamente liquidado.  Parágrafo  Único:  Na  hipótese  da  rescisão  vier  a  ocorrer  por  indeferimento  conforme  cláusula  V,  antes  de  findar  os  40  (quarenta)  meses  de  vigência  deste  contrato,  serão  sustadas  em  definitivo  todos  os  pagamentos  das  promissórias  vincendas não cabendo a contratada a responsabilidade de qualquer devolução, seja  em que espécie for, do valor recebido.  Cabe ressaltar que a própria Recorrente afirma em sua defesa que “o negócio  não  foi  concluído”,  caso  em  que  “não  [cabe]  a  contratada  a  responsabilidade  de  qualquer  devolução,  seja  em que  espécie  for,  do valor  recebido”. Ela não apresentou o Livro Caixa  e  nem o Livro Razão  como prova de  suas  alegações,  embora  reiteradamente  intimada. Assim,  não pode ser considerado como de origem comprada o valor de R$6.000.000,00.  Ela  tampouco  comprovou  individualizadamente  a  origem  dos  recursos  utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas  e  valores,  de  acordo  com  os  extratos  bancários  apresentados  pelas  instituições  financeiras  e  discriminadas  às  fls.  15­21  e  68.  Por  essa  razão,  pode­se  inferir  que  a  Recorrente  auferiu  receitas de origem não comprovada, no ano­calendário, no somatório de R$1.657.507,82.  A omissão  de  receita  foi  determinada mensalmente  pelo  somatório  de  cada  crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado  pelas  autoridades  fiscais,  de  modo  que  cada  valor  creditado  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  às  instituições  financeiras,  a  Recorrente  titular  foi  regularmente  intimada  não  comprovou,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados nessas operações.   Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o  conjunto  probatório  já  produzido  evidencia  que  o  procedimento  de  ofício  está  correto.  A  inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de                                                              7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720846/2008­80  Acórdão n.º 1801­001.881  S1­TE01  Fl. 159          16 observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade8.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.  41  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  julho  de  2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  O  nexo  causal  entre  as  exigências  de  créditos  tributários,  formalizados  em  autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto  de um único processo no caso em que os  ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam  relativos  ao  mesmo  sujeito  passivo  9.  Os  lançamentos  PIS,  de  COFINS  e  de  CSLL  sendo  decorrentes das mesmas  infrações  tributárias, a  relação de causalidade que os  informa  leva a  que  os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles  que  foram  dados  à  exigência de IRPJ.  Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                                8 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.                                Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 16095.000602/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Em termos de caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário relativo às contribuições sociais destinadas à seguridade social, declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 - DOU de 20 de junho de 2008), há de se observar as disposições do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Na aplicação do precedente judicial, deve-se emprestar à expressão “pagamento” interpretação extensiva, de modo que a condição deverá ser considerada atendida na hipótese em que, apurada a exação devida e devidamente confessada por meio de instrumento declaratório próprio, ela foi extinta por meio de compensação tributária.
Numero da decisão: 1301-001.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 613          1 612  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16095.000602/2007­70  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.358  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de dezembro de 2013  Matéria  CSLL ­ DESPESAS INDEDUTÍVEIS  Recorrente  JS ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 2002  Ementa:  DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.  Em  termos  de  caducidade  do  direito  de  se  efetuar  o  lançamento  tributário  relativo  às  contribuições  sociais  destinadas  à  seguridade  social,  declarada  a  inconstitucionalidade  do  art.  45  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  pelo  Supremo  Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 ­ DOU de 20 de junho de 2008), há  de se observar as disposições do Código Tributário Nacional.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO.  Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733­SC, de observância  obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial  qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício)  conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre.  A  contrario  sensu,  nos  casos  em  que  a  lei  prevê  o  pagamento  antecipado da  exação e  este ocorre,  o prazo qüinqüenal  em  referência deve  ser  contado  da  data  da  ocorrência  do  fato  gerador,  ex  vi  do  disposto  no  parágrafo  4º  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional.  Na  aplicação  do  precedente  judicial,  deve­se  emprestar  à  expressão  “pagamento”  interpretação  extensiva,  de  modo  que  a  condição  deverá  ser  considerada  atendida  na  hipótese  em  que,  apurada  a  exação  devida  e  devidamente  confessada por meio de instrumento declaratório próprio, ela  foi extinta por  meio de compensação tributária.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 02 /2 00 7- 70 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 614          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.  “documento assinado digitalmente”  Valmar Fonseca de Menezes  Presidente  “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães  Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Valmar  Fonseca  de  Menezes, Paulo  Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal  Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 615          3   Relatório  Trata o presente processo de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido  (CSLL),  relativa ao  ano­calendário de  2001,  formalizada  em  razão da  imputação de  apropriação de despesas indedutíveis e compensação indevida de base de cálculo negativa.   O  presente  processo  já  foi  objeto  de  apreciação  por  esta  Primeira  Turma  Ordinária  em  sessão  realizada  em  16  de  janeiro  de  2012,  ocasião  em  que  o Colegiado,  por  unanimidade de  votos,  resolveu  converter o  julgamento  em diligência  (Resolução  nº  1301 –  00.401), relator o Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha.  Por  bem  sintetizar  os  fatos  apurados,  a  impugnação  interposta,  a  decisão  prolatada  em  primeira  instância  e  o  recurso  voluntário  apresentado,  reproduzo  o  relatório  constante na  referida Resolução,  que,  por  sua vez,  tomou por base  o  elaborado  em primeira  instância.  LETERO  EMPREENDIMENTOS,  PUBLICIDADE  E  PARTICIPAÇÕES  S.A1.,  já  qualificada  nestes  autos,  inconformada  com  o Acórdão  n°  05­21.560,  de  20/03/2008,  da  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campinas/SP,  recorre voluntariamente  a  este Colegiado, objetivando a  reforma do  referido julgado.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do relatório elaborado por ocasião do  julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  Trata­se  de  auto  de  infração  à  legislação  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  lavrado  em  07/12/2007,  para  a  constituição  o  crédito  tributário,  no  valor  total  de  R$61.941.057,84  (incluídos  o  principal,  a  multa  de  ofício  e  os  juros  de  mora  devidos  até  a  data  da  lavratura),  pelos  fundamentos  fáticos e jurídicos descritos no Termo de Verificação e Constatação de fls. 119/124  que ora se transcreve:  No exercício das funções de AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL  DO BRASIL, em conformidade com o disposto nos artigos 904, 907, 911, 926, 927 e  928,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26/03/99,  em  cumprimento  ao  MPF  n°  2007­00152­0  junto  ao  contribuinte  em  epígrafe,  CONSTATAMOS  as  irregularidades  na  apuração  da  CSLL  abaixo  discriminadas, as quais determinam a constituição de crédito tributário, através do  competente Auto de Infração, a saber:  A ­ DOS FATOS  I  ­  DESPESAS  FINANCEIRAS  NÃO  DEDUTÍVEIS  –  APURAÇÃO  INCORRETA DA CSLL  A presente ação fiscal teve origem em representação elaborada pelo SEORT  desta  DRF,  uma  vez  que  aquele  Serviço  constatou,  em  verificações  inerentes  à  compensação do saldo negativo do IRPJ pleiteada pelo contribuinte, a apropriação                                                              1  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  em  nome  de  LETERO  EMPREENDIMENTOS,  PUBLICIDADE  E  PARTICIPAÇÕES S/A.  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 616          4 indevida de despesas financeiras oriundas da remuneração de debêntures no ano­ calendário  de  2001,  culminando,  assim,  com  o  Despacho  Decisório  exarado  no  processo  n°  13820.000860/2002­10,  o  qual  decidiu  pela  indedutibilidade  das  referidas  despesas  e  o  conseqüente  ajuste  do  saldo  negativo  do  IRPJ  naquele  período.  Na  citada  representação,  o  SEORT  também  informou  que  despesas  financeiras  de  mesma  natureza  (remuneração  de  debêntures)  continuaram  a  influenciar o resultado dos anos­calendário subseqüentes, uma vez que em relação  aos mesmos, houve apuração de expressivos saldos negativos de Imposto de Renda  Assim sendo, faz­se necessária a apuração do crédito tributário relativo a CSLL no  ano­calendário de 2001, em função dos fatos e constatações a seguir elencados:  ­ No curso da ação fiscal iniciada em 21/05/2007, dentre outros documentos,  foram  obtidos  junto  ao  contribuinte  a  Escritura  de  Emissão  por  Instrumento  Particular  de  Debêntures  da  Espécie  Subordinada  pela  Sodepa  Sociedade  de  Empreendimentos,  Publicidade  e  Participações  S.A.  (atual  LETERO),  datada  de  06/12/1999 e registrada no 2° Cartório de Registro de Imóveis de São Caetano do  Sul em 09/12/1999, destacando­se as seguintes condições:  (a) debêntures da espécie subordinada aos demais credores da companhia;  (b) valor de emissão de R$ 1.700.000.000,00 em uma única série de 10.000  títulos, no valor nominal de R$170.000,00 cada uma das debêntures;  (c) de forma escritural;  (d) não conversíveis em ações;  (e) data de emissão em 2 de dezembro de 1999;  (f) vencimento em 2 de dezembro de 2014; as debêntures serão resgatadas de  uma só vez, no vencimento, facultando­se à emissora a aquisição das debêntures de  sua própria emissão, observadas as condições previstas no artigo 55, §2° da Lei n°  6.404,  de  1976;  a  sociedade  se  reserva  o  direito  de  resgate  antecipado  total  ou  parcial  dos  títulos;  o  preço  do  resgate  será  o  valor  nominal  atualizado  nas  condições previstas na Escritura de Emissão, acrescido de juros previstos, por dias  decorridos;  (g)  atualização  monetária  com  base  na  variação  do  IGPM,  pagável  por  ocasião do resgate;  (h)  juros  de  6%  ao  ano,  pagáveis  por  ocasião  do  resgate,  podendo  ser  repactuados pela emissora;  (i) LIMITE EM FUNÇÃO DO LUCRO: a atualização monetária  e os  juros  não  excederão,  em  cada  exercício,  o  lucro  líquido  calculado  antes  do  cômputo  desses  mesmos  juros  e  atualização  monetária  e  dos  resultados  decorrentes  de  participações  societárias  da  emissora.  A  insuficiência  eventualmente  verificada  poderá  ser  compensada  no  cálculo  referente  aos  exercícios  seguintes,  desde  que  haja lucros suficientes;  (j) a emissão não se destina à colocação ou distribuição pública no mercado  de valores mobiliários;  (k)  a  colocação,  que  será  particular,  sendo  subscrita  e  integralizada  em  moeda nacional  ou mediante  créditos  de que  são  titulares  os  subscritores  junto  à  emissora,  ficando  os  títulos  em  carteira  até  a  ocorrência  da  efetiva  colocação;  o  preço da colocação será determinado na data do evento pelo valor nominal;  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 617          5 ­  As  debêntures  foram  adquiridas  pelo  Srs.  Moise  Yacoub  Safra,  CPF  n°  006.062.19820,  e Joseph Yacoub Safra, CPF n°  006.062.27849,  únicos acionistas  da companhia emissora, cabendo a cada um 3.987 títulos. Os títulos remanescentes  (2.066), de posse da companhia, permaneceram em carteira até o seu cancelamento,  o qual será a seguir descrito;  ­  Em  30/07/2001,  conforme  o  1º  Aditivo  à  Escritura,  Datada  de  02  de  Dezembro de 1999 (retificada através do aditivo retificatório datado de 28/09/2001,  para  06  de  dezembro  de  1999),  de  Emissão  por  Instrumento  Particular  de  Debêntures  da  Espécie  Subordinada  pela  Sodepa,  registrado  no  2°  Cartório  de  Registro de Imóveis de São Caetano do Sul em 17/10/2001, ficou estabelecida nova  forma de remuneração das debêntures, abaixo transcrito:  ‘01.  ALTERAÇÃO  da  redação  da  alínea  f  do  item  II  da  Escritura,  a  qual  passa a viger com o seguinte teor:  ‘f) ATA DE VENCIMENTO E CONDIÇÕES DE RESGATE: o vencimento das  debêntures será em 2 de dezembro de 2014; As debêntures serão resgatadas de uma  só vez, no vencimento, ficando facultado à Emissora, adquirir as debêntures de sua  própria  emissão,  observadas  as  condições  previstas  no  artigo  55,  §2°  da  Lei  n°  6.404, de 15/12/1976; A sociedade reserva­se o direito de resgate antecipado total  ou parcial dos títulos; o preço do resgate (antecipado ou não) das debêntures será o  valor nominal atualizado nas condições previstas nesta Escritura de Emissão’.  02. ALTERAÇÃO da redação da alínea g do item II da Escritura, que passará  a viger com o seguinte teor:  g) ‘PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS: Será assegurado aos titulares das  debêntures  participação  nos  resultados  da  Emissora,  apurados  ao  final  de  cada  exercício social, exclusive aqueles oriundos de participações societárias de caráter  permanente, no montante equivalente a 97% (noventa e sete por cento) do resultado  assim ajustado, antes da referida participação’;  03. EXCLUSÃO das atuais alíneas ‘h’ e ‘i’ do item II da Escritura;  04. RENUMERAÇÃO em razão da exclusão constante do item 03 acima, das  atuais alíneas ‘j’ e ‘k’, do item II da Escritura, que passarão a ser respectivamente  alíneas ‘h’ e ‘i’; e   05.  DETERMINAÇÃO  de  que  as  alterações  acima  efetuadas  tenham  como  data de entrada em vigor 01 de junho de 2001’.  ­ Em 08/11/2001, conforme 2° Aditivo à Escritura, Datada de 6 de Dezembro  de 1999, registrado no 2° Cartório de Registro de Imóveis de São Caetano do Sul  em  07/12/2001,  a  Assembléia  Geral  dos  Acionistas  da  Emissora,  realizada  em  28/08/2001, decidiu pelo cancelamento das 2.066 debêntures, mantidas em carteira  e que não teriam sido subscritas quando de sua colocação;  ­  Da  análise  dos  elementos  acima,  constatamos  serem  indedutíveis  as  despesas  financeiras  relativas  à  remuneração das  debêntures  apropriadas  após  a  alteração  do  critério  originalmente  estabelecido,  em  função  do  caráter  de  liberalidade das despesas  incorridas. Pela  citada alteração, o  contribuinte  trocou  uma remuneração estabelecida em função da variação do IGPM acrescida de juros  de 6% ao ano, limitada ao valor dos lucros antes de deduzidas as próprias despesas  e  expurgado  os  resultados  das  participações  societárias,  por  outra  equivalente  a  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 618          6 97% do  resultado  positivo  auferido no  exercício  social  ajustado pela  exclusão  de  rendimentos de participações societárias de caráter permanente;  ­ Como preceitua a doutrina, a debênture tem em sua natureza, dentre outras,  a característica de titulo de renda fixa, sendo assim os  juros, remuneração básica  para  a  mesma.  A  participação  nos  lucros  pode­se  considerar  remuneração  adicional  ou  complementar  àquela  de  juros  periódicos,  visando  atrair  uma  vantagem adicional quando da emissão dos títulos. Outra característica inerente à  debênture,  a de  título de crédito,  exige  remuneração certa  e periódica do  capital,  pois se assim não for, estaria descaracterizado o mútuo, uma vez que o debenturista  empresta recursos à empresa;  ­  Não  fosse  o  caso  dos  próprios  acionistas  da  empresa  serem  os  únicos  subscritores  das  debêntures  emitidas,  e  na  exata  proporção  da  participação  acionária de cada um, sujeitar­se­ia a empresa a entregar 97% do seu resultado aos  debenturistas?  Não  pode  ser  considerado  razoável  a  aceitação  da  troca  pela  empresa de uma posição consolidada de remuneração às debêntures já subscritas  (IGPM + juros de 6% aa), por outra que a obriga entregar quase que a totalidade  de  seu  resultado  positivo  aos  debenturistas.  Tal  forma  de  remuneração  não  se  reveste  de  características  normais  e  usuais,  quando  comparadas  às  emissões  de  debêntures em geral. Afinal, o objetivo principal de uma companhia é auferir lucros  aos  seus  acionistas,  mas  quando  este  lucro  passa  servir  de  remuneração  a  debêntures  cujos próprios acionistas  são os únicos beneficiários,  fica  evidenciado  que tal operação serviu exclusivamente para reduzir a carga tributária, através da  criação  meramente  liberal  de  despesas  financeiras  caracterizadas  como  não  necessárias;  ­  Ressalta­se,  também,  não  ser  cabível  em  relação  à  remuneração  das  debêntures em questão, a aplicação das regras anteriores à alteração da escritura  emitida em 06/12/1999, uma vez que o aditivo à escritura, promovido pelos próprios  e  únicos  interessados  (debenturistas  /  acionistas)  em  30/07/2001,  revogou  contratualmente o dispositivo original;  ­ Desta forma, os valores apropriados pelo contribuinte a título de despesas  financeiras  após  a  alteração  do  critério  de  remuneração das  debêntures  emitidas  em 1999, ou seja, no período de julho a dezembro de 2001, serão objeto de glosa e  conseqüente lançamento de oficio para a constituição do crédito tributário relativo  a  CSLL.  Os  referidos  valores  encontram­se  demonstrados  na  planilha  elaborada  pelo contribuinte, denominada “Demonstração da Movimentação de Debêntures –  Ano de 2001”, assim como nas cópias do Livro Razão que acompanham a planilha,  e montam as seguintes importâncias:  ­ Correção s/ Debêntures Subscritas: R$335.123.621,86  ­ Correção s/ Debêntures em Carteira: (R$51.914.789,36)  ­ Valor Líquido da Correção s/ Debêntures: R$283.208.832,50  II  –  CSLL  –  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES  ­ O contribuinte possuía, no ano­calendário de 2000, saldo de base de cálculo  negativa de períodos anteriores no valor de R$64.082.406,89.  ­ Na apuração do  resultado  relativo  à CSLL no ano­calendário  de  2001,  o  contribuinte  utilizou  do  saldo  de  2000,  o  valor  de R$9.013.715,24,  remanescendo  Fl. 621DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 619          7 um  saldo  de  R$55.068.891,65,  o  qual  foi  totalmente  utilizado  (consumido)  em  função da autuação da CSLL no ano­calendário de 2001, já descrita neste Termo;  ­  O  esgotamento  total  do  saldo  de  base  de  cálculo  negativa  de  períodos  anteriores no ano­calendário de 2001, levado a efeito através do Auto de Infração,  tornou ineficazes as compensações efetuadas pelo contribuinte nos anos­calendário  de  2002,  2003,  2004  e  2005,  as  quais  serão  objeto  de  glosa  e  conseqüente  lançamento  de  ofício  para  a  constituição  do  devido  crédito  tributário  relativo  à  CSLL. Os valores da base de cálculo negativa de períodos anteriores compensados  pelo contribuinte foram extraídos de suas DIPJ. Os valores do saldo acumulado de  2000,  assim  como as  compensações  e  baixas  nos  anos­calendário  de  2001,  2002,  2003,  2004  e  2005,  encontram­se  demonstrados  na  planilha  denominada  “Movimentação da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social”, elaborada  pelo contribuinte.  B – DA BASE DE CÁLCULO  I  –  DESPESAS  FINANCEIRAS  NÃO  DEDUTÍVEIS  –  APURAÇÃO  INCORRETA DA CSLL  O valor da glosa das despesas financeiras não dedutíveis, que servirá de base  para  a  constituição  do  crédito  tributário  relativo  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro Líquido – CSLL, monta a seguinte importância:  Período Base  Despesas  Financeiras  Não  Dedutíveis – Glosa  01/01/2001 a 31/12/2001  283.208.832,50  II  –  CSLL  –  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES  O valor da glosa das compensações  indevidas de base negativa de períodos  anteriores, que servirá de base para a constituição do crédito tributário relativo à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  montam  as  seguintes  importâncias:  Período Base  BC  Negativa  Períodos  Anteriores Comp Indevida –  Glosa  01/01/2002 a 31/12/2002  19.707.486,80  01/01/2003 a 06/11/2003  427.913,73  07/11/2003 a 31/12/2003  967.586,07  01/01/2004 a 01/12/2004  2.095.868,91  02/12/2004 a 31/12/2004  516.449,58  01/01/2005 a 31/12/2005  7.530.585,42      Fl. 622DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 620          8 Ano­Calendário  Total  Glosa  p/Ano­ Calendário  2002  19.707.486,80  2003  1.395.499,80  2004  2.612.318,49  2005  7.530.585,42    C – DA BASE LEGAL  I  –  DESPESAS  FINANCEIRAS  NÃO  DEDUTÍVEIS  –  APURAÇÃO  INCORRETA DA CSLL  Com  relação  ao  IRPJ,  infração  “Apuração  Incorreta  da  CSLL”,  o  crédito  aqui  constituído  é  procedido  com  base  no  quanto  disposto  no  art.  45  da  Lei  nº  8.212/91, art. 299, do RIR/99 aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99, art. 2º e  §§ da Lei nº 7.689/88, art. 19 da Lei nº 9.249/95, art. 1º da Lei nº 9.316/96, art. 28  da Lei nº 9.430/96 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições.  II  –  CSLL  –  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES  Com relação à infração ‘Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa  de Períodos Anteriores’ o crédito aqui constituído é procedido com base no quanto  disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, art. 299, do RIR/99 aprovado pelo Decreto  n° 3.000, de 26/03/99, art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88, art. 58 da Lei nº 8.981/95, art.  16 da Lei nº 9.065/95, art. 19 da Lei nº 9.249/95, art. 6º da Medida Provisória nº  1.858/99 e suas reedições e art. 37 da Lei nº 10.637/02”.  Cientificada  dos  autos  de  infração,  em  07/12/2007,  a  contribuinte,  por  intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumentos de Mandato  e de Substabelecimento de  fls. 210/211 e 212), protocolizou a  impugnação, de  fls.  159/204, em 04/01/2008, oferecendo, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de  direito.  Afirma  que  a  decadência  e  a  prescrição  são  matérias  reservada  à  Lei  Complementar (art. 146, III, b, da CF), e tendo em conta as disposições do art. 150,  §4º do CTN toda a atividade do sujeito passivo de apuração e pagamento da CSLL  devida no ano­calendário de 2001 estaria tacitamente homologada. Defende que a  homologação tácita não se restringiria ao valor da CSLL recolhida, mas a todos os  procedimentos adotados pelo sujeito passivo na apuração do montante devido: “aí  incluídos os registros, cada lançamento contábil, enfim transcorridos o prazo de 5  (cinco) anos,  tudo é homologado e a União Federal não pode  revisar  tais dados,  exceção feita aos casos de dolo, fraude e simulação”.  Salienta  que  o  presente  lançamento  de  CSLL  é  decorrência  da  glosa  das  despesas  financeiras  contabilizadas  no  ano­calendário  de  2001,  e  que  teriam  repercutido na determinação das bases de cálculo dos períodos subseqüentes. Desta  feita,  “considerando  que  a  glosa  da  despesa  apropriada  em  2001  seria  o  ponto  fulcral  do  lançamento,  sem  o  qual  ele  não  existiria  e,  ainda  que  a  Requerente  somente foi cientificada do auto de infração em 07/12/2007, é correto afirmar que  Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 621          9 se passaram mais de 5 (cinco) anos entre o procedimento adotado e a constituição  do crédito tributário”.  Transcreve jurisprudência.  No  entender  da  defesa,  a  exigência  de CSLL  não  teria  embasamento  legal,  tendo em conta estar fundada no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, no qual não se  encontra  fundamento  para  a  glosa  ora  perpetrada.  Não  haveria,  no  âmbito  da  legislação  da  CSLL,  a  qualificação  de  despesa  normal,  usual  e  necessária,  e  tal  norma válida e vigente para o IRPJ não teria sido mencionada como de aplicação  válida também para a CSLL. Em suas palavras:  “Constata­se da digressão feita sobre o art. 2º da Lei nº 9.430/96, com a qual  o  AFRFB  pretende  justificar  a  glosa  fiscal,  que  não  há  previsão  normativa  específica sobre a CSLL ou comando legal autorizador do empréstimo da legislação  do  IRPJ,  prevendo  a  qualificação  da  despesa  nos moldes  do  art.  299  do RIR/99,  para apuração da base de cálculo tributável da contribuição em comento”.  Invoca  o  princípio  da  legalidade  e  da  certeza  jurídica.  Transcreve  jurisprudência administrativa em favor de sua tese.  Afirma a existência de erro de cálculo nos lançamentos, na medida em que,  na  mesma  data,  teriam  sido  lavrados  outros  autos  de  infração  de  IRPJ  e  CSLL  (processo administrativo nº 16095.000603/2007­14), nos quais teriam sido glosadas  as despesas financeiras com a remuneração das debêntures nos anos­calendário de  2002 a 2005.  Observa  ainda  a  existência  de  processo  administrativo  nº  13820.000860/2002­10 de compensação, relacionada ao saldo negativo apurado no  ano­calendário  de  2001  em  que  teria  sido  glosada  a  contabilização  da  mesma  despesa financeira. Em suas palavras:  “Ocorre  que  as  glosas  do  saldo  negativo  de  IRPJ  (ou  ‘Imposto  a  Compensar’) dos anos de 2001 a 2004 deveriam ser  computadas na apuração de  ofício das novas bases de cálculo da CSLL (assim como do IRPJ) dos anos de 2002  a 2005, objeto do lançamento em análise.  Explica­se:  o  saldo  de  Imposto  a  Compensar  corresponde  a  uma  conta  no  ativo  circulante  da Requerente  e,  por  conta  da  previsão  legal  de  sua  atualização  pela  taxa  Selic,  foi  reconhecida  a  sua  variação  monetária  pelo  regime  de  competência em todos os períodos analisados pelo AFRFB”  Afirma,  assim,  que  as  variações  monetárias  ativas,  incidentes  sobre  os  valores dos saldos negativos de IRPJ, objeto de redução, escrituradas pelo regime  de  competência,  com  base  na  variação  da  taxa  Selic,  deveriam  também  ser  excluídas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.  Cita,  a  título de  exemplo, a apuração da base de cálculo do  IRPJ, no ano­ calendário  de  2002,  no  qual  teria  sido  glosado  o  valor  de  R$218.812.578,35  do  saldo  negativo  de  IRPJ.  Para  que  a  recomposição  da  base  de  cálculo  ficasse  correta, deveria também ser excluída da base de cálculo a variação monetária ativa  relativa a tal montante de saldo negativo de IRPJ, escriturada segundo o regime de  competência,  nos  anos  subseqüentes.  Segundo  a  Impugnante,  apenas  no  ano­ calendário de 2003 (com a Selic acumulada de 21,16%), a variação monetária ativa  escriturada sobre a parcela glosada do saldo negativo de R$218.812.578,35 seria  de  R$46.300.741,58.  Apresenta  demonstrativo  consolidado  e  de  atualização  Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 622          10 monetária dos saldos negativos de IRPJ a compensar (doc. 5 e 6) e cópia do livro  Razão da conta em que teriam sido lançadas as variações mensais da Selic do ano  de 2003 sobre todo o saldo de 2002 (doc. 7). Conclui em suas palavras:  “Enfim, tendo sido glosada parte do saldo apurado num determinado ano, é  obrigatória  a  verificação  do  que  essa  glosa  refletiu  nos  períodos  seguintes  (não  apenas  no  ano  seguinte, mas  naqueles  em  que  havia  saldo),  que  também  fizeram  parte  do  trabalho  de  fiscalização  e  que  inclusive  geraram  lançamento  de  ofício.  Esse  reflexo  do  trabalho  fiscal  representa  –  por  óbvio  –  uma  receita  financeira  reconhecida a maior pelo contribuinte, isto é, sobre uma base que, na visão de quem  está recalculando o quantum debeatur, não existe mais [destaques do original]”  A  recomposição das bases de  cálculo do  IRPJ e da CSLL  impor­se­ia para  refletir a base de incidência dos tributos em questão, qual seja, o lucro ou a renda,  sem caráter  sancionatório (art. 3º do CTN).  Invoca o Parecer Normativo nº 2, de  1996, para fundamentar a necessidade de recomposição da base de cálculo. Afirma  não ser exigível da contribuinte obrigação tributária maior do que a expressamente  prevista em Lei.  Conclui  estarem  erradas  todas  as  bases  de  cálculo  tributadas  exofficio  nos  lançamentos, inclusive a base de cálculo relativa ao ano­calendário de 2002, tendo  em conta a redução/reversão do saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2001,  objeto do processo administrativo nº 13820.000860/200210.  No  entender  da  defesa,  tais  erros  na  determinação  das  bases  de  cálculo  ensejariam  a  nulidade  dos  lançamentos.  Transcreve  ementas  de  julgados  do  Conselho de Contribuintes acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento, inovação  ou  mudança  de  critério  jurídico  no  lançamento  efetuada  pelo  órgão  julgador  de  primeira instância.  Passa a historiar os fatos ocorridos da seguinte forma:  • A contribuinte seria sociedade titular de participações societárias no setor  financeiro e bancário;  •  Faria  uso  de  debêntures  como  a  principal  fonte  de  financiamento  para  a  consecução de suas atividades;  • No período objeto da autuação  (2002 a 2005), mantinha,  em  seu passivo,  debêntures originárias de duas distintas emissões:  o Debêntures  1997,  de  14/01/1997,  com  vencimento  em 14/01/2025  e  valor  nominal  original  de  R$300.000.000,00  (trezentos  milhões  de  reais),  cuja  remuneração era calculada com base na variação de uma cesta de índices, próxima  à remuneração do CDI;  o  Debêntures  1999,  de  06/12/1999,  com  vencimento  em  02/12/2014,  com  valor nominal original de R$1.700.000.000,00  (um bilhão e  setecentos milhões de  reais), cuja remuneração era calculada com base na variação do IGPM, acrescida  de  6%  a.a.,  limitada  ao  lucro  ajustado  da  empresa.  Por  meio  do  aditivo  de  30/07/2001,  o  critério  de  remuneração  teria  sido  alterado  para  97%  do  lucro  ajustado pela exclusão dos resultados decorrentes de participações societárias e da  própria remuneração de debêntures;  Afirma  terem  sido  comprovadas  a  existência  e  a  origem  das  debêntures  mantidas no passivo, mediante a apresentação de cópias das competentes escrituras  de  emissão,  e  da  comprovação  dos  aportes  efetivos  de  recursos  em  períodos  Fl. 625DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 623          11 anteriores.  As  despesas  financeiras  vinculadas  à  remuneração  das  debêntures  emitidas  em  1997  teriam  sido  validadas  pela  fiscalização.  A  glosa  ora  efetivada  atingiria apenas as despesas financeiras vinculadas à remuneração das debêntures  emitidas em 1999 e somente após a mudança de critério de remuneração. Destaca  que a autuação teria sido motivada pela mudança de critério de remuneração e não  em questionamentos acerca de sua existência e validade. Ao solicitar a elaboração  de quadro comparativo com a projeção de remuneração das debêntures com base  na variação do IGPM + 6% ao ano, a fiscalização estaria a indicar a efetivação da  glosa  apenas  do  montante  que  excedesse  tal  critério  de  remuneração,  mas  por  “cobiça  arrecadatória”  teriam  sido  glosadas  a  totalidade  das  despesas  contabilizadas.  No que toca à alteração do critério de remuneração das debêntures para 97%  do  lucro  ajustado,  afirma  a  observância  do  art.  56  da  Lei  nº  6.404,  de  15  de  dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações – LSA), no qual estaria prescrita  apenas  a  possibilidade  de  as  debêntures  assegurarem  participação  nos  lucros  da  companhia,  sem  imposição  de  qualquer  limite.  Assim,  com  base  no  princípio  da  livre iniciativa e da liberdade de contratação teria sido estabelecido como critério  de remuneração a participação nos lucros. Colaciona doutrina a favor desta forma  de remuneração das debêntures.  Cita o  julgado do Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 107­08.029 no  qual  seria  sustentada  a  possibilidade  de  remuneração  de  debêntures,  mediante  participação nos lucros. Ademais, afirma que a própria legislação fiscal, no art. 58  do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977 (consolidado no art. 462 do RIR/99), asseguraria  a  dedução  da  participação  das  debêntures  no  lucro,  sem  impor  limites,  configurando direito legítimo, normal e usual da empresa.  Em síntese, a regularidade do procedimento adotado pela contribuinte teria  os  seguintes  pressupostos:  (i)  ser  a  debênture  um  meio  legal  e  adequado  para  financiamento  de  suas  atividades;  (ii)  ser  o  custo  da  remuneração  dedutível  na  apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (iii) é permitida a remuneração  das debêntures com base na participação dos lucros da empresa emitente.  Invoca  as  disposições  do  art.  58  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977  para  referendar a permissão de exclusão do lucro líquido, para fins de determinação do  lucro real, das participações nos lucros asseguradas a debêntures de sua emissão.  Em  seu  entender,  haveria  erro  na  imputação  fiscal  com  fundamento  de  ser  desnecessária  e  indedutível  a  remuneração  das  debêntures.  Novamente,  faz  remissão  ao  Acórdão  nº  107­08.029,  no  qual  o  Relator  teria  afirmado  que  a  dedutibilidade  da  participação  nos  lucros,  conferida  aos  debenturistas,  não  se  submeteria  ao  regime  de  dedutibilidade  das  despesas, mas  deveria  ser  apreciada  como exclusão  indevida das  bases de  cálculo do  IRPJ e da CSLL. Defende haver  erro na acusação, não passível de aperfeiçoamento pelo julgador administrativo.  Ademais, a acusação de que tal forma de remuneração das debêntures seria  desnecessária, por não atender às características da normalidade e da usualidade,  seria decorrente de mera presunção, baseada nas seguintes premissas:  (i) não ser  razoável a alteração, para um critério mais oneroso, de remuneração de debêntures  já  subscritas;  (ii)  não  ser  normal  e  usual  a  remuneração  de  debêntures  no  percentual de 97% do lucro; (iii) desvio de finalidade da empresa.  No entender da defesa, tais conclusões decorreriam de uma análise estreita e  restrita,  de  uma  visão  obtusa.  Defende  serem  necessárias:  (i)  uma  comparação  quantitativa  entre  o  critério  de  remuneração anterior  (IGPM + 6%)  e  o  alterado  (97%  do  lucro);  (ii)  uma  análise  da  “expressiva  quantia  monetária  das  Fl. 626DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 624          12 debêntures”;  (iii)  uma  análise  do  custo  de  captação  no  mercado  dos  mesmos  recursos.  Segundo a  Impugnante, a maior parte dos  recursos aplicados pela empresa  teria  origem  em  debêntures,  emitidas  em  diversos  períodos,  com  remuneração  variável.  Uma  pesquisa  mais  acurada  da  situação  patrimonial  da  empresa  conduziria  à  conclusão  de  que  a  alteração  do  critério  de  remuneração  sob  apreciação não teria resultado em ganhos para os debenturistas, em detrimento dos  interesses  empresariais.  Afirma  assim  que  o  intuito  de  tal  alteração  não  seria  praticar uma remuneração acima dos níveis de mercado, mas o contrário. Assevera  que,  na  data  da  alteração  da  remuneração  das  debêntures,  o  único  critério  de  comparação que a Impugnante possuía era o histórico das remunerações com base  na primitiva contratação (IGPM + 6% a.a.) vis­à­vis com os  lucros apurados nos  anos anteriores. E nesse contexto, defende: “a remuneração paga pelas debêntures  nos seis anos anteriores à operação de troca de índices suplantou o percentual de  97%  do  resultado  ajustado  da  Requerente”  (destaques  do  original).  Segundo  a  defendente, nos anos de 1995 a 2002, a soma da remuneração das debêntures teria  sido  de  R$1.387.830.718,00,  e  a  soma  do  resultado  ajustado  de  R$1.243.736.328,00,  resultando  em  112%  o  percentual  da  remuneração  sobre  os  resultados. Em suas palavras:  “Desse  modo,  percebe­se  que  o  histórico  da  remuneração  passada  demonstrava,  na  ocasião,  que,  se  com  a  remuneração  do  IGPM  +  6%  a.a.  a  Requerente  entregava  praticamente  todo  o  seu  lucro  ajustado  ao  debenturista,  ao  repactuar  para  97%  do  lucro,  ao  menos  uma  parcela,  ainda  que  pequena,  correspondente a 3% do lucro ajustado, permaneceria em poder da Requerente”.  Rechaça a imputação fiscal de que a contribuinte autuada teria laborado em  exercício  de  adivinhação  e  antevisto  que  os  resultados  futuros  suplantariam  a  remuneração  até  então  praticada.  Ademais,  a  remuneração  em  97%  do  lucro  ajustado  não  teria  se mostrado  distante  da  regra  anterior  (IGPM +  6%),  e  teria  sido menor do que a  remuneração de debêntures com base nas  taxas de mercado  (variação  do  CDI)  –  diferença  de  R$500.000.000,00;  e  menor  do  que  a  remuneração  contratada  com  base  variação de  títulos  do  governo  –  diferença  de  R$1.200.000.000,00. E mais a frente consigna:  “Apenas para deixar claro: A remuneração da Debênture/1999, até junho de  2001 (IGPM + 6% a.a.), era muito abaixo de mercado, se comparada (a) tanto com  os títulos do governo federal (NTN­C Notas do Tesouro Nacional) que à época da  emissão da Debênture/1999 remuneravam em níveis superiores a IGPM + 12% a.a.  e em julho de 2001 a IGPM + 10,39%; (b) quanto com emissões de outras empresas  privadas, que remuneravam os seguintes percentuais acima do IGPM:  [Demonstrativo de IGPM + Juros entre 11% e 14% por Empresa Emissora  de Debêntures e Ano de Emissão]  No  período  da  autuação  (2002  a  2005),  a  remuneração  total  (glosada)  da  Debênture/1999  atingiu  R$1.369.252.189,00,  que  comparada  à  remuneração  que  teria  sido  paga  se  não  houvesse  a  alteração  em  julho  de  2001  (motivação  do  lançamento), no montante de R$1.125.589.204,00 correspondeu a uma diferença de  R$243.662.986,00 equivalente a 17,79% do que foi deduzido pela Requerente”.  Defende,  assim,  que,  para  fundamentar  a  imputação  de  despesa  desnecessária  fora  dos  parâmetros  da  normalidade  e  da  usualidade,  deveria  a  fiscalização  proceder  à  comparação  com  os  valores  de  remuneração  fixados  no  mercado,  com  base  na  variação  das  NTN­C  e  CDI.  Afirma  que,  em  regra,  a  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 625          13 remuneração das debêntures seria superior à NTN­C (IGPM + 10,39% a.a.) ou a  100% do CDI (Doc. 08A). In casu, se a remuneração tivesse adotado o CDI (puro  sem  spread),  a  remuneração  da  Debênture/1999  atingiria  R$1.951.726.853,00  (Doc. 09), ou seja, R$582.474.664,00 a mais do que a despesa contabilizada pela  empresa.  Por  outro  lado,  se  tivesse  adotado  a  NTN­C,  a  remuneração  atingiria  R$2.518.621.848,00  (Doc.  09),  ou  seja,  R$1.149.369.659,00  a  mais  do  que  a  despesa contabilizada. E conclui:  “Ora,  se  o  mercado  indica  ao  menos  que  o  custo  do  financiamento  da  Debênture/1999  seria  de R$582 milhões a mais  se  comparada com o CDI  ou  até  R$1.149  milhões  se  comparada  com  a  NTN­C,  então  a  acusação  de  que  a  remuneração contabilizada não é usual e não normal somente pode ser aceita se for  para  considerá­la  abaixo  do  mercado,  mas  isso  não  autoriza  a  sua  indedutibilidade”.  Reforça ainda que se mantida a remuneração prevista na cláusula vigente até  junho  de  2001,  a  despesa  teria  sido  sempre  superior  àquela  efetivamente  contabilizada,  pois  atingiria  nos  anos­calendário  de  2003,  2004,  2005  e  2006  (e  provavelmente em 2007) o limite de 100% do lucro líquido ajustado.  Explica  que  tal  fato  seria  decorrente  da  relevância  das  debêntures  no  financiamento  dos  recursos  aplicados  nas  atividades  da  Impugnante.  No  caso  da  Debênture/1999,  o  valor  de  emissão  teria  sido  de  R$1,7  bilhões.  Desta  forma,  a  despesa se configuraria dedutível na medida em que relacionada à manutenção da  fonte produtora e vinculada com a receita gerada na atividade da empresa (objeto  social).  Nesse  aspecto,  diz  que  a  fiscalização  deveria  ter  demonstrado  a  falta  de  vinculação  entre  a  emissão  de  Debênture/1999  e  a  atividade  operacional  da  Impugnante que lhe gera receitas. Somente poderia ser considerada não necessária  se se tratasse de um favor para o debenturista. Afirma que o ônus da prova do fato  gerador cabe ao Fisco. Em suas palavras:  “Destarte, não se pode admitir que, diante de um legítimo  financiamento (e  quanto a isso o AFRFB não cogita), seja desconsiderado todo o seu custo (abaixo  do mercado),  com  base  em meras  presunções  sem  nem  sequer  perquirir  todos  os  aspectos e valores que envolvem a atividade da Requerente”.  Aduz  que  se  não  cancelados  integralmente,  os  lançamentos  deveriam  ser  cancelados  parcialmente  devido  ao  excesso  de  glosa,  na  medida  em  que  as  remunerações das debêntures com base na variação do IGPM + 6% a.a., limitada  ao lucro, conforme as disposições originais seriam dedutíveis. Nota que somente as  remunerações  efetuadas  após  a mudança  do  critério  de  remuneração  teriam  sido  glosadas.  Instada  pela  fiscalização,  a  Impugnante  teria  apresentado  um  quadro  comparativo com a projeção da remuneração das debêntures em ambos os critérios.  A  fiscalização não  teria questionado a validade das emissões de debêntures  como legítimos instrumentos de financiamento, nos casos em que a remuneração foi  fixada  com  base  no  IGPM  +  6%  e  na  “cesta”  de  índices  correspondentes  à  variação do CDI. Afirma que a existência e a materialização das debêntures teriam  sido  devidamente  comprovadas  no  curso  do  trabalho  fiscal,  não  tendo  sofrido  qualquer  questionamento  nesses  aspectos.  Conclui  daí  que  se  as  debêntures  são  existentes e válidas não poderia ser negada a dedutibilidade da parcela de encargos  que,  na  visão  da  fiscalização,  seriam  necessários,  não  se  constituindo  em  mera  Fl. 628DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 626          14 liberalidade. Em suas palavras: “(...) se 97% do lucro constitui exagero, negar toda  e qualquer dedução para a Requerente também é um exagero”.  Explica que não se trata de aplicar regras anteriores à alteração promovida  pelo aditivo de 30/07/2001, mas de garantir à Impugnante a justa identificação da  parcela de despesas  reputadas excessivas e que caracterizam  liberalidade. Se não  excluídas as parcelas necessárias, usuais e normais da despesa com a remuneração  das debêntures, estar­se­ia tributando o patrimônio e não o acréscimo patrimonial.  Questiona a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic por afronta à  Constituição Federal e ao CTN.  A 2ª Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela  contribuinte  e,  por  via  do  Acórdão  nº  0521.560,  de  20/03/2008  (fls.  253/269v),  considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2001  Decadência. Contribuições para a Seguridade Social. CSLL.  O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue­se  após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  crédito poderia ter sido constituído.  Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005  Despesas Desnecessárias. Ofensa ao Princípio da Entidade Contábil.  A  base  de  cálculo  da  CSLL  é  o  resultado  do  período­base,  apurado  com  observância da legislação comercial, na qual há determinação expressa para que a  escrituração  da  companhia  obedeça  também  aos  princípios  de  contabilidade  geralmente aceitos.  O  Princípio Contábil  da Entidade  reconhece  o  Patrimônio  como  objeto  da  Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial da pessoa jurídica em relação ao  patrimônio particular de seus sócios ou acionistas.  Reputam­se  indedutíveis  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  as  despesas  desnecessárias,  assumidas  pela  empresa  e  não  vinculadas  às  suas  finalidades  essenciais, que assim ofendem diretamente ao princípio da entidade.  Remuneração  de  Debêntures.  Participações  nos  Lucros.  Titularidade  Exclusiva dos Acionistas.  Para  a  Lei  fiscal,  somente  são  dedutíveis  as  participações  nos  lucros  atribuídas  a  debêntures  de  emissão  da  companhia,  na  medida  em  que  essa  participação  tenha  natureza  de  juros.  Conseqüentemente,  a  possibilidade  de  dedução  dessas  participações,  deve  ser  confrontada  com  o  critério  de  sua  necessidade, em face dos objetivos sociais da empresa.  Despesas  Financeiras.  Remuneração  de  Debêntures.  Indedutibilidade.  Despesas Desnecessárias.  Fl. 629DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 627          15 Configuram ato de liberalidade ou de favor, estranho aos objetivos sociais da  empresa, as despesas  financeiras com remuneração de debêntures, de  titularidade  exclusiva  dos  acionistas,  calculadas  com  base  em  97%  do  lucro  ajustado.  É  ato  estranho aos objetivos sociais da empresa produzir lucros para terceiros.  Admitir­se a dedutibilidade das despesas financeiras com a remuneração de  debêntures,  pagas aos próprios acionistas do empreendimento,  com base  em 97%  dos  lucros  ajustado,  seria  permitir  a manipulação  pelos  contribuintes  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  por  meio  de  contratos  particulares  entre  pessoas  ligadas.  Compensação de Bases de Cálculo Negativas de Períodos Anteriores. Anos­ calendário de 2002 a 2005.  Procedida à recomposição da base de cálculo da CSLL, no ano­calendário de  2001,  e  compensado  todo  o  saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  de  períodos  anteriores,  procedente  a  glosa  das  compensações  efetuadas  pelo  contribuinte  nos  períodos subseqüentes, por falta de saldo disponível.  Ciente  da  decisão de  primeira  instância  em 23/04/2008,  conforme Aviso  de  Recebimento à fl. 273, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/05/2008  conforme carimbo de recepção à folha 274.  No recurso interposto (fls. 275/317), após historiar, por sua ótica, o ocorrido,  a interessada alega preliminarmente os pontos que se seguem, em apertada síntese:  •  Insiste em que a decadência  teria atingido os  fatos geradores ocorridos no  ano­calendário  2001,  forte  nas  disposições  do  art.  150,  §  4º,  do  CTN  e  na  inconstitucionalidade  do  art.  45  da  Lei  nº  8.212/1991.  Com  isso,  também  desapareceriam as infrações de compensação indevida de bases de cálculo negativas  da CSLL, apontadas pelo Fisco nos anos seguintes.  •  Argúi  a  ilegalidade  da  glosa  de  despesas  na  apuração  da  CSLL.  O  enquadramento  legal  dos  autos  não  daria  amparo  à  glosa  de  despesa  considerada  indedutível  para  fins  do  IRPJ,  levada  a  efeito  pelo  Fisco  na  base  de  cálculo  da  CSLL. Quanto a este ponto, alega, ainda, que a DRJ teria inovado o lançamento, ao  trazer à baila o princípio da entidade, a fim de sustentar a autuação.  • Reitera  os  argumentos  trazidos  em  sede  de  impugnação  acerca  de  erro  de  cálculo na autuação.  No mérito, a recorrente traz os argumentos abaixo sintetizados:  • Historia, por sua ótica, os fatos relacionados à emissão de debêntures.  • Afirma a regularidade da debênture e a correta apuração do IRPJ e da CSLL  mediante  a  dedução  de  sua  remuneração.  Conclui  que  “não  merece  prosperar  a  alegação exposta pela Turma Julgadora no sentido de que a dedutibilidade  fiscal  das participações nos lucros atribuídas às debêntures somente se justifica desde que  (i) tenha natureza de juros e (ii) os acionistas não sejam os próprios debenturistas”.  • Sustenta a ocorrência de erro na  tipificação  infracional. Além da  alegação  preliminar  sobre  a  falta  de  base  legal  para  a  glosa,  a  recorrente  acrescenta  que  a  fundamentação da infração não poderia ser com supedâneo no art. 299 do RIR/99,  mas  somente  no  art.  462  do  regulamento,  que  trata  de  regra  específica  da  dedutibilidade de debêntures.  Fl. 630DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 628          16 •  Alega  que  as  despesas  por  ela  incorridas  seriam  normais,  usuais  e  necessárias. O Fisco não teria comprovado a falta de vinculação entre as debêntures  emitidas e a atividade operacional da recorrente.  • Prossegue tratando da efetiva remuneração atribuída às debêntures emitidas,  buscando,  mediante  cálculos  e  comparações,  demonstrar  que  tal  remuneração  se  encontrava dentro de parâmetros adequados ao mercado.  • Como argumento  subsidiário,  requer que,  caso o Colegiado entenda que  a  despesa  incorrida  seria mera  liberalidade, que  se  reconheça,  ao menos,  o direito  à  dedução de remuneração pela regra anterior, ou seja, a variação do IGPM acrescida  de 6% a.a.  •  Questiona  a  aplicação  da  taxa  SELIC  como  índice  de  juros  para  fins  tributários.  Como dito, esta Primeira Turma Ordinária  resolveu converter o  julgamento  em diligência. Na ocasião, restou assinalado no voto condutor:  Ao  examinar  a  DIPJ  apresentada  pelo  contribuinte  correspondente  ao  ano­ calendário 2001 (Fichas 16 e 17, fls. 38/42), constato que o contribuinte calculou as  estimativas  mensais  da  CSLL  com  base  em  balanços/balancetes  de  suspensão/redução  nos  meses  de  janeiro,  fevereiro,  março,  agosto,  setembro,  outubro,  novembro e dezembro, não  resultando  saldo a pagar. Por outro  lado, nos  meses de abril, maio, junho e julho esse cálculo foi feito com base na receita bruta e  acréscimos, gerando CSLL a pagar (linha 07 da Ficha 16) nos valores respectivos de  R$ 1.214.153,56, R$ 439.454,64, R$ 1.675.309,89 e R$ 1.647.555,77. Tais valores,  totalizando R$ 4.976.473,86 foram levados ao ajuste anual como CSLL mensal paga  por estimativa (Linha 38 da Ficha 17), reduzindo o valor devido calculado ao final  do período de apuração anual. Em outras palavras, há indicativos de que tais valores  tenham sido efetivamente pagos. No entanto, tais indicativos são insuficientes como  prova efetiva do pagamento, a permitir que se decida sobre a questão da decadência  com a indispensável certeza.  Pelo exposto, de forma a permitir a formação de convicção deste Conselheiro,  voto pela conversão do julgamento em diligência para que:  A)  A  Secretaria  desta  Câmara  faça  juntar  aos  autos  os  documentos  apresentados (por cópia autenticada) por ocasião do julgamento.  B)  A Unidade  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  jurisdiciona  o  contribuinte  consulte  os  sistemas  de  processamento  de  dados  da  RFB  e  adote  as  seguintes  providências:  1. Informe se as estimativas mensais de CSLL do ano­calendário 2001 foram  extintas mediante pagamento ou algum outro meio de extinção do crédito tributário,  fazendo acostar aos autos a documentação comprobatória de sua resposta.  2. Informe se os débitos correspondentes às estimativas mensais de CSLL do  ano­calendário  2001  foram  objeto  de  declaração  em  DCTF.  Em  caso  afirmativo,  fazer acostar aos autos os extratos correspondentes.  3. Acrescente outras informações e/ou documentos que considerar relevantes.  Às fls. 466, consta registro acerca da juntada de documentos ao processo.  Fl. 631DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 629          17 A Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, por sua vez,  em  despacho  fundamentado  (fls.  580/582),  informa que,  com  base  em  extratos  dos  sistemas  informatizados  da  Receita  Federal  (anexados  ao  processo),  pode­se  afirmar  que  os  débitos  relativos às antecipações obrigatórias (estimativas) do período de abril a julho de 2001 foram  efetivamente declarados em DCTF e encontram­se extintos por compensação.  Cientificada  do  pronunciamento  da  Delegacia  Especial  de  Instituições  Financeiras  em São Paulo,  a  contribuinte  argumenta  que,  diante  da  conclusão  esposada  pelo  órgão administrativo demandado por este Colegiado, “observa­se que os fatos submetem­se à  disciplina do disposto no art.  150, § 4º do CTN,  ensejando o necessário  reconhecimento da  extinção dos valores exigidos pela ocorrência da decadência, nos termos do art. 156, inciso V,  do referido diploma legal.”   É o Relatório.  Fl. 632DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 630          18   Voto             Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães  Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo.  Cuida o presente processo de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido  (CSLL),  relativa ao  ano­calendário de  2001,  formalizada  em  razão da  imputação de  apropriação de despesas indedutíveis e compensação indevida de base de cálculo negativa.  Em  conformidade  com  os  elementos  reunidos  ao  processo,  o  lançamento  tributário  em  questão  derivou  de  averiguações  efetuadas  no  processo  administrativo  nº  13820.000860/2002­10, em que foram analisadas compensações cujo crédito ali indicado dizia  respeito a saldo negativo do ano­calendário de 2001.  Identificando despesas  financeiras  tidas  como indedutíveis, a unidade administrativa responsável pela apreciação do pedido (Delegacia  da  Receita  Federal  em  Guarulhos,  São  Paulo)  promoveu  a  recomposição  do  resultado  final  apurado  pela  contribuinte,  deferindo  parcialmente  os  pedidos  de  compensação  pleiteados,  e,  passo seguinte, elaborou Representação Fiscal para que o setor de fiscalização empreendesse as  verificações de sua alçada.  Efetuadas as verificações, foi constituído o crédito tributário relativo à CSLL,  pois, diante da redução do saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2001 efetuada por meio  do processo nº 13820.000860/2002­10, não caberia lançamento relativo ao IRPJ.  O aproveitamento de bases negativas de períodos anteriores na compensação  do  valor  apurado  de  ofício  relativo  ao  ano  de  2001,  implicou  considerar  como  indevidas  compensações efetuadas nos anos­calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005.  Cabe  informar  que  o  processo  administrativo  nº  13820.000860/2002­10  foi  apreciado  pelo  então  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  tendo  sido  prolatado  pela  sua  Primeira  Câmara  o  acórdão  nº  101­97.021  (sessão  de  13  de  novembro  de  2008).  Ali,  o  colegiado, por maioria de votos, decidiu no sentido de dar provimento ao  recurso voluntário  para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações correspondentes.  O julgado em referência foi assim ementado:  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  ­  SALDO  NEGATIVO  DE  IRPJ  ­  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA  ­  IMPOSSIBILIDADE.  Não  se  submetem  à  homologação  tácita  os  saldos  negativos  de  IRPJ,  a  serem  regularmente  comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação.  IRPJ REVISÃO DE OFÍCIO ­ É cabível a revisão de oficio imposto de renda  apurado pelo contribuinte e informado na DIPJ, realizada pela autoridade tributária  competente, mediante despacho decisório, cientificada antes do transcurso do prazo  decadencial, sendo discipienda a lavratura de auto de infração.  IRPJ  ­  REMUNERAÇÕES  DE  DEBÊNTURES  ­  DEDUTIBILIDADE  ­  LIMITES  ­  A  legislação  societária  e  fiscal  prevê  a  possibilidade  de  a  debênture  Fl. 633DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 631          19 assegurar  participação  no  lucro  da  companhia,  sem  contudo  impor  um  limite  percentual do lucro.  DISTRIBUIÇÃO  DISFARÇADA  DE  LUCRO  ­  Para  que  se  considere  distribuição disfarçada de lucros, deve ficar suficientemente demonstrado que houve  favorecimento  por  descontos  maiores,  sendo  que  a  parcela  tributável  deve  corresponder apenas à diferença entre o desconto dado a terceiros e o desconto dado  à controladora.  CSLL ­ LANÇAMENTO REFLEXO ­ Tratando­se de lançamento reflexo, a  decisão prolatada no  lançamento matriz é aplicável, no que couber,  ao decorrente,  em razão da íntima relação de causa e efeito que o vincula.   Embora me pareça  impertinente  a  referência  feita a  lançamento  reflexo,  eis  que  o  processo  em  questão  trata  de  pedido  de  compensação  tributária,  observa­se  que  a  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  não  considerou  indedutíveis  as  despesas  financeiras  apropriadas  pela  contribuinte  (remuneração  de  debêntures),  desautorizando, assim, a  recomposição do saldo negativo efetuada pela Delegacia da Receita  Federal e, por decorrência, a autuação tratada no presente processo.  Entretanto,  releva notar  que a decisão  exarada pela  citada Primeira Câmara  do Primeiro Conselho de Contribuintes ainda não é irreformável administrativamente, vez que  encontra­se  pendente  de  apreciação  a  admissibilidade  do  recurso  especial  impetrado  pela  Fazenda Nacional.  Não  obstante,  no  recurso  voluntário  interposto  no  presente  processo  a  contribuinte sustenta que o  lançamento  tributário  relativo ao  fato gerador ocorrido no ano de  2001  já não mais poderia  ter sido efetuado, haja vista a ocorrência da caducidade do direito.  Nessa linha, argumenta que, se o crédito tributário relativo à irregularidade apontada para o ano  de  2001 não  poderia  ser  constituído,  descabe  também promover  glosas  de  compensações  de  bases negativas em período posteriores que dela decorrem.  A  meu  ver,  o  alegado  pela  Recorrente  está  correto,  isto  é,  se,  de  fato,  o  lançamento  tributário  relativo  ao  ano­calendário  de  2001  não  mais  poderia  ser  efetuado,  desaparece  a  infração  a  ela  imputada  e,  por  decorrência,  revela­se  imotivada  a  glosa  das  compensações de bases negativas dos períodos subseqüentes.  A  autoridade  julgadora  de  primeiro  grau  não  acolheu  a  alegação  de  decadência  trazida  em  sede  de  impugnação  com  no  entendimento  de  que,  tratando­se  de  contribuição  social  instituída  em  interesse  da  seguridade  social,  a  norma  a  ser  aplicada  em  relação a tal matéria seria a estabelecida pelo art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991.  Entretanto, como é cediço, a partir da publicação2 da súmula vinculante nº 8,  do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional, entre outros dispositivos, o art. 45  da Lei nº 8.212, de 1991, tal norma não pode mais servir de suporte para contagem do prazo  decadencial, subsistindo, assim, as disposições do Código Tributário Nacional.  Tratando­se, pois, de contribuição submetida ao denominado lançamento por  homologação,  transcrevo  pronunciamento  do  Ilustre  Conselheiro  Waldir  Veiga  Rocha  que,                                                              2 A referida súmula foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 20 de junho de 2008.  Fl. 634DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 632          20 com clareza solar, aborda as questões relacionadas à caducidade estampada parágrafo 4º do art.  150 do Código Tributário Nacional  [...]  A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento  dito  por  homologação,  é  matéria  tormentosa,  que  tem  suscitado  interpretações  variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em  oportunidades  anteriores,  tenho  me  manifestado  no  sentido  de  que  o  critério  aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve  ser a própria sistemática de apuração do  tributo. Os  tributos  sujeitos a  lançamento  por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo  que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade  Administrativa.  Seria  essa  sistemática,  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte,  que  faria  com  que  o  lançamento  fosse  por  homologação,  e  não  a  mera  presença  ou  ausência de pagamento.  Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas  se  conformassem  à  jurisprudência  pacificada  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  do  Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu  alterações, especialmente a  introdução do art. 62­A no Anexo II da Portaria MF nº  256/2009, com a redação a seguir transcrita:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.  (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU  de 22/12/2010)  Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou  do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida  pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543­C do  CPC),  nos  autos  do  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0).  O  julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009,  restando assim ementado (grifos constam do original):  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS  ARTIGOS  150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  Fl. 635DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 633          21 simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem:  (i) cuida­se de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Posteriormente,  o  próprio  STJ  reviu  seu  posicionamento  quanto  ao  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  nos  EDcl  no  AgRG  no  Recurso  Especial nº 674.497 – PR (2004/0109978­2). Ressalto que o ilustre Ministro Relator,  após  mencionar  expressamente  o  REsp  nº  973.733,  registra  que  “impõe­se  o  Fl. 636DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 634          22 acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório  embargado à  jurisprudência  uniformizada no  âmbito  do  STJ  sobre  a matéria”. O  julgamento  ocorreu  em  09/02/2010,  e  o  acórdão  foi  publicado  no  DJe  em  26/02/2010, com a seguinte ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.  De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro  caso (REsp nº 973.733), o  termo inicial para a contagem do prazo decadencial era  tido  como  sendo  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do  CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a  considerar que (naquele caso), completando­se o fato gerador em 31 de dezembro de  1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial  começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995.  Embora entenda que a aplicação das disposições estabelecidas pelo parágrafo  4º do art. 150 do Código Tributário Nacional esteja condicionada à realização da atividade ali  prevista,  sendo  ela  o  objeto  da  homologação  e  não  o  pagamento,  em  virtude  do  comando  regimental, devo me curvar ao entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça nos  julgados antes transcritos.  Nessa  linha,  cabe  averiguar  se  encontram­se  presentes  elementos  autorizadores da aplicação, para fins de decadência, das disposições do já citado parágrafo 4º  do art. 150 do Código Tributário Nacional.  Como visto, provocada a trazer esclarecimentos acerca de eventual realização  de pagamentos no exercício da atividade referenciada na norma de decadência em questão, a  Delegacia Especial de  Instituições Financeiras em São Paulo,  tomando por base extratos dos  sistemas informatizados da Receita Federal, informou que os débitos relativos às antecipações  obrigatórias  (estimativas) do período de abril a  julho de 2001 foram efetivamente declarados  em DCTF, tendo sido extintos por compensação.  Fl. 637DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16095.000602/2007­70  Acórdão n.º 1301­001.358  S1­C3T1  Fl. 635          23 Não  resta  dúvida  de  que  a  compensação  não  se  confunde  com  pagamento,  embora  ambos  os  institutos  representem  forma  de  extinção  do  crédito  tributário.  Contudo,  penso que se deve emprestar uma  interpretação extensiva ao decidido no âmbito do Superior  Tribunal  de  Justiça,  de  modo  que  não  se  pode  afastar  a  aplicação  da  regra  estampada  no  parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional na situação em que o contribuinte, em  atendimento  ao  “caput”  do  referido  artigo,  apura,  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  o  montante  do  tributo  devido,  confessa  a  dívida  por  meio  do  instrumento  declaratório previsto na legislação tributária para tanto e extingue o crédito tributário por meio  de um encontro de contas.  A  exemplo  do  previsto  no  parágrafo  1º  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional  em  relação  ao  pagamento,  a  compensação  declarada  à Receita  Federal,  nos  exatos  termos do parágrafo 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, extingue o crédito tributário sob condição  resolutória de sua ulterior homologação.  Fica evidenciado, assim, que a Administração Tributária, a partir da atividade  exercida pelo contribuinte no sentido de apurar a exação devida, confessá­la e extinguí­la, toma  conhecimento do rol de procedimentos, o que possibilita a homologação do lançamento.  Considerado o exposto e diante do fato de que a Recorrente foi cientificada  do lançamento em 07 de dezembro de 2007 (fls. 132), relativamente ao ano­calendário de 2001  já não era mais possível promover a constituição do crédito tributário, eis que a data­limite para  tal se deu em 31 de dezembro de 2006.  Assim,  acolhendo  o  argumento  de  caducidade  do  direito  de  a  Fazenda  constituir  o  crédito  tributário,  conduzo  meu  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso.   “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator                                Fl. 638DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES

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Numero do processo: 19515.001983/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. Não há direito adquirido a regime jurídico-fiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Precendentes e Súmula n° 352 do STJ (AgRg no AREsp 357.985/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013) e do STF (RMS 27382 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 08/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-220 DIVULG 06-11-2013 PUBLIC 07-11-2013). AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), para que  a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32­A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91,  na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.     (assinado digitalmente)  LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente        (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente), Arlindo da Costa  e  Silva,  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz,  Bianca  Delgado  Pinheiro  e  André  Luís  Mársico  Lombardi.     Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/2010­18  Acórdão n.º 2302­003.067  S2­C3T2  Fl. 322          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado.  Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 251 e seguintes),  que bem resume o quanto consta dos autos:  1. Trata­se de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.261.607­0,  lavrado  pela  fiscalização  contra  a  empresa  em  epígrafe,  por  infração  ao  artigo  32,  inciso  IV,  e  parágrafo  5º  da  Lei  nº  8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9528/97, c/c o artigo  225,  inciso  IV  e  parágrafo  4º  do  Regulamento  da  Previdência  Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99.  1.1  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  da  Infração,  fl.  50,  informa que:  • O Contribuinte entregou GFIP´s utilizando código FPAS 639  correspondente  às  Entidades  Beneficentes  de  Assistência  Social,  e  recolheu  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  em  Guias  de  Recolhimento  da  Previdência  Social  –  GPS  sob  o  código  de  pagamento  2305,  correspondente  a  Entidades  Filantrópicas  com  Isenção  CNPJ/MF;   •  Este  procedimento  está  em  desacordo  com  a  situação  do  Contribuinte  que  teve  cancelada  a  isenção  concedida  anteriormente,  conforme  Ato  Cancelatório  de  Isenção  das  Contribuições  Sociais  nº  001/2001,  de  17/12/2001,  vigente  a  partir  de  01/01/1995,  com  base  no  disposto  no  artigo  207  do  RPS RPS— Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo  Decreto 3.048/1999, por ter infringido o disposto no inciso II do  artigo  55  da  Lei  8212/91,  combinado  com  o  artigo  407  do  Regulamento da Organização e Custeio da Seguridade Social —  ROCSS (cópia do Ato Cancelatório no Anexo l);  • O Contribuinte obteve o Certificado de Entidade Beneficente  de Assistência Social na  forma do artigo 37 da MP 446/2008,  para  o  período  de  01/01/2004  a  31/12/2006  (processo  nº  71010.002865/200397, D.O.U. 04/02/2009), e para o período de  01/01/2007  a  31/12/2009  (processo  nº  71010.004007/200623,  D.O.U. 26/01/2009), conforme cópia juntada no Anexo II;   •  Entretanto,  tal  fato  não  configura  condição  suficiente  para  enquadramento  como  entidade  com  direito  à  isenção  de  contribuições  previdenciárias.  Para  tal,  o  Contribuinte  deveria  ter  formalizado  novo  requerimento  junto  à  Secretaria  da  Receita Federal  do Brasil,  além de atender,  cumulativamente,  todos os requisitos legais;   Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     4 • Uma vez que não  foi  feito novo  requerimento,  o Contribuinte  permaneceu  obrigado  ao  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  patronais,  previstas  nos  incisos  I,  II,  e  III,  do  artigo  22  da Lei  nº  8212/91,  incidentes  sobre  as  remunerações  efetuadas a segurados empregados e contribuintes individuais;   • O Contribuinte recebeu a Intimação nº 19/2010 da Divisão de  Orientação  e  Análise  Tributária,  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo — DERAT/DIORT,  onde  é  orientado  a  corrigir  as  GFIP's,  bem  como a regularizar as respectivas contribuições previdenciárias,  tendo  sido  inclusive  alertada  quanto  ao  fato  de  que  o  código  FPAS 639 é de uso exclusivo das entidades regularmente isentas.  A  referida  Intimação  foi  recebida  em  21/05/2010,  conforme  Aviso de Recebimento do Correio — AR (cópias da Intimação e  do AR no Anexo III);  1.2  O  Relatório  Fiscal  da  Aplicação  da Multa,  fl.  51,  informa  que:  • Foi aplicada multa conforme artigo 32, parágrafo 5º da Lei n.º  8.212/91, na  redação dada pela Lei n.º  9.528/97,  e artigo 284,  inciso  II,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo  Decreto  n.º  3.048/99,  atualizada  pela  Portaria  Interministerial nº 333 (Ministérios da Fazenda e da Previdência  Social), de 29/06/2010, D.O.U. de 30/06/2010;   •  O  valor  da  multa  correspondente  a  100%  do  valor  da  contribuição previdenciária não declarada,  limitada, em função  do  número  de  segurados  da  empresa,  aos  valores  previstos  no  artigo 32, inciso IV, parágrafo 4º, da Lei nº 8212/91. No caso da  Autuada,  o  número  de  segurados  variou  entre  101  e  500,  nas  competências 01/2006 a 13/2007, e o limite equivale a dez vezes  o valor mínimo, conforme Anexo IV;   •  O  Anexo  V  apresenta  o  demonstrativo  do  cálculo  da  multa  paliçada, que totalizou R$ 372.265,40 (trezentos e setenta e dois  mil e duzentos e sessenta e cinco reais e quarenta centavos);  •  O  valor  do  Auto  de  Infração  será  atualizado  pela  SELIC  conforme  dispõe  a  Portaria  Conjunta  PGFN/SRF  nº  10,  de  14/11/2008, D.O.U. de 17/11/2008, bem como na legislação que  a ampara.  1.3  Encontram­se  anexos  ao  Auto  de  Infração  de  fl.  04:  Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 02; IPC – Instruções para  o Contribuinte, fls. 05 a 06; Relatório de Vínculos, fl. 07; Termos  de Início de Procedimento Fiscal e de Intimação Fiscal, fls. 43 a  45; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl.  49;  ANEXO  I  –  Cópia  do  Ato  Cancelatório  de  Isenção  de  Contribuições  Sociais  nº  001/2001,  fls.  52  a  53;  ANEXO  II  –  Cópia  do  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social, fls. 54 a 57; ANEXO III – Cópia da Intimação nº 19/2010  da DERAT/DIORT e de AR,  fls. 58/60; ANEXO IV – Tabela de  Enquadramento  para  Aplicação  da Multa,  fl.  61;  ANEXO  V  –  Cálculo da Multa Aplicada,  fls.  62/65; ANEXO VI – Recibo de  Entrega de Arquivos Digitais, fls. 66/72.  Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/2010­18  Acórdão n.º 2302­003.067  S2­C3T2  Fl. 323          5 1.4 Também foram juntados, pela Fiscalização: Estatuto e Atas  de Assembléia, fls. 08 a 42; Procurações, fls. 46 a 48. (...)  Como  afirmado,  a  impugnação  apresentada  pela  recorrente  foi  julgada  improcedente,  tendo  a  recorrente  apresentado,  tempestivamente,  o  recurso  de  fls.  277  e  seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que:  *  Aduz  que,  já  na  defesa,  havia  demonstrado  e  comprovado  documentalmente que o único  requisito que não preenchia à época dos  fatos geradores era o  Certificado  de  Entidade  Filantrópica,  posteriormente  emitido  pelo  CNAS,  com  efeitos  retroativos;  *  Aduz  que  não  teve  renovada  sua  Certidão  do  Conselho  Nacional  de  Assistência Social quanto ao período compreendido entre os anos de 1994 e 1997, sendo que,  em o  fisco editou o Ato Cancelatório n° 001/2001,  referente ao  referido período. Acrescenta  que,  em  virtude  da  morosidade  do  CNAS,  os  pedidos  de  renovação  do  certificado  relativamente  a  períodos  posteriores  a  1997  não  teriam  sido  julgados  até  2008,  quando  do  avento da MP n° 446, que teria concedido, automaticamente, todos os certificados que estavam  pendentes de análise e julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação,  com efeitos retroativos, dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos  aos períodos de 1998 a 2009. Assim, conforme certidão já anexada à impugnação, a recorrente  seria  portadora  do  certificado  no  período  de  1998  a  2009.  Como  o  certificado  foi  emitido  somente  em  2009,  a  recorrente  esteve  impossibilitada,  fática  e  juridicamente,  de  requerer  à  RFB o reconhecimento da imunidade/isenção;  *  Afirma  que  continuou  a  apresentar  os  Relatórios  de  Atividade  ao  fisco  comprovaria a sua boa­fé e a total ausência de motivos para a negativa do benefício;   * Aduz que mesmo se tivesse apresentado o pedido após o deferimento dos  certificados, ou seja, no ano de 2009, referido pleito somente retroagiria à data do protocolo, o  que não influiria em nada nos fatos geradores da autuação, conforme o § 2° do art. 208 do RPS.  Acrescenta que apresentou Plano de Ação e Relatório Circunstanciado de suas atividades.  *  A  imunidade  estabelecida  no  §  7°  do  art.  195  somente  poderia  estar  condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no caso,  teria  incidência  apenas  as  condições  estabelecidas  no  artigo  14  do  CTN,  que  é  lei  complementar no sentido “material”.    É o relatório.  Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     6 Voto             Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi    Requerimento  da  Isenção.  Art.  55,  §  1°  da  Lei  n°  8.212/91.  Alega  a  recorrente que, já na defesa, havia demonstrado e comprovado documentalmente que o único  requisito  que  não  preenchia  à  época  dos  fatos  geradores  era  o  Certificado  de  Entidade  Filantrópica, posteriormente emitido pelo CNAS, com efeitos retroativos. Acrescenta que Aduz  que  não  teve  renovada  sua Certidão  do Conselho Nacional  de Assistência  Social  quanto  ao  período  compreendido  entre  os  anos  de  1994  e  1997,  sendo  que,  em  o  fisco  editou  o  Ato  Cancelatório  n°  001/2001,  referente  ao  referido  período.  Acrescenta  que,  em  virtude  da  morosidade  do  CNAS,  os  pedidos  de  renovação  do  certificado  relativamente  a  períodos  posteriores  a 1997 não  teriam sido  julgados  até  2008, quando do avento da MP n° 446, que  teria  concedido,  automaticamente,  todos  os  certificados  que  estavam  pendentes  de  análise  e  julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação, com efeitos retroativos,  dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos aos períodos de 1998 a  2009.  Assim,  conforme  certidão  já  anexada  à  impugnação,  a  recorrente  seria  portadora  do  certificado  no  período  de  1998  a 2009. Como o  certificado  foi  emitido  somente  em 2009,  a  recorrente esteve impossibilitada, fática e juridicamente, de requerer à RFB o reconhecimento  da imunidade/isenção.   Em  que  pese  a  afirmação  da  recorrente  de  que  continuou  a  apresentar  os  Relatórios de Atividade ao fisco, o que comprovaria a sua boa­fé e a total ausência de motivos  para  a  negativa  do  benefício,  é  fato  que  a  Lei  n°  8.212/91,  dispôs  sobre  a  necessidade  de  requerimento do benefício fiscal ao INSS (art. 55, § 1°).  Assim, mesmo ausente o certificado de entidade beneficente, a partir do Ato  Cancelatório  n°  001/2001,  deveria  a  recorrente  ter  cumprido  o  requisito  legal  a  fim  de  resguardar  os  seus  direitos.  Nessa  hipótese,  mesmo  com  a  negativa  do  órgão  fazendário,  restaria assegurada a retroação caso houvesse posterior obtenção ou a renovação do Certificado  de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), como de fato ocorreu.  Com efeito, dispõe a Súmula 352 do STJ que “a obtenção ou a renovação do  Certificado  de Entidade Beneficente  de Assistência  Social  (Cebas)  não  exime  a  entidade  do  cumprimento dos requisitos legais supervenientes”.  O STJ já decidiu caso semelhante:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ENTIDADE  FILANTRÓPICA.  ISENÇÃO.  INTERPRETAÇÃO  RESTRITIVA.  CONDICIONAMENTO  AOS  REQUISITOS  LEGAIS. RECURSO ESPECIAL.  1.  Se  o  contribuinte  não  deu  cumprimento  ao  comando  do  artigo  55,  §  1º,  da  Lei  8.212/91  em  relação  aos  exercícios  de  1997/1998 não  reveste a qualidade  de "isento" devendo,  pois,  pagar as contribuições sociais inadimplidas.  2.  Às  entidades  cabe  o  cumprimento  cumulativo  de  todos  os  requisitos legais para que possam usufruir da isenção pleiteada.  Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/2010­18  Acórdão n.º 2302­003.067  S2­C3T2  Fl. 324          7 É  do  conhecimento  médio  de  quem  trilha  a  seara  do  direito  tributário  que,  relativamente  às  regras  de  isenção,  a  interpretação deve ser literal nos termos do artigo 111 do CTN.  Saliente­se,  outrossim,  a  precariedade  da  "isenção"  sob  comento,  ou  seja,  a  entidade  encontra­se  sujeita  à  verificação  pelo  INSS,  do  cumprimento  de  todas  as  condições  legais  necessárias à outorga ou permanência no gozo da isenção.  3. In casu, a recorrida, no período em que as contribuições lhe  foram  cobradas,  não  se encontrava  amparada pela  isenção  em  face do não­cumprimento do requisito inserto no artigo 55, § 1º,  da Lei 8.212/91.  4. Recurso especial provido.  (REsp  463.335/PR,  Rel. Ministro  LUIZ  FUX,  Rel.  p/  Acórdão  Ministro  JOSÉ  DELGADO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  16/12/2003, DJ 17/12/2004, p. 419)  (destaques nossos)    Imunidade/Isenção. Art. 14 do CTN. A imunidade estabelecida no § 7° do  art.  195  somente  poderia  estar  condicionada  a  requisitos  estabelecidos  em  lei  complementar  (artigo 146, II, da CF), no caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14  do CTN, que é lei complementar no sentido “material”.  Quanto a  tal argumentação, pedimos vênia para seguir a orientação adotada  pelo Conselheiro Elias  Sampaio  Freire,  relator  do Recurso Especial  255.559,  acórdão  9202­ 002.420 (processo 13016.000954/2007­70, Câmara Superior de Recursos Fiscais,  julgado em  07 de novembro de 2012).  Dispõe o Código Tributário Nacional que:  Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos  Municípios:  (...)  IV ­ cobrar imposto sobre:  (...)  c)  o  patrimônio,  a  renda  ou  serviços  dos  partidos  políticos,  inclusive  suas  fundações,  das  entidades  sindicais  dos  trabalhadores,  das  instituições  de  educação  e  de  assistência  social,  sem  fins  lucrativos,  observados  os  requisitos  fixados  na  Seção II deste Capítulo;  (...)  Art.  14.  O  disposto  na  alínea  c  do  inciso  IV  do  artigo  9º  é  subordinado  à  observância  dos  seguintes  requisitos  pelas  entidades nele referidas:  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     8 I  – não distribuírem qualquer parcela de  seu patrimônio ou de  suas rendas, a qualquer título;  II  –  aplicarem  integralmente,  no  País,  os  seus  recursos  na  manutenção dos seus objetivos institucionais;  III  –  manterem  escrituração  de  suas  receitas  e  despesas  em  livros  revestidos  de  formalidades  capazes  de  assegurar  sua  exatidão.  § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º  do  artigo  9º,  a  autoridade  competente  pode  suspender  a  aplicação do benefício.  § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo  9º  são  exclusivamente,  os  diretamente  relacionados  com  os  objetivos  institucionais  das  entidades  de  que  trata  este  artigo,  previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.    Como se vê, o regramento invocado pela recorrente refere­se à imunidade de  impostos.  Para  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  a  Constituição  concedeu  imunidade/isenção  das  contribuições  para  a  seguridade  social  desde  que  atendidas  as  exigências estabelecidas em lei.  Não é verdade que o § 7º do art. 195 da Constituição, por se  tratar de uma  limitação  constitucional  ao  poder  de  tributar,  deve  ser  regulamentado  por  lei  complementar  (art.  14  do Código Tributário Nacional). Conforme  nos  ensina Leandro  Paulsen,  “é  rígida  a  posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificá­la, cuida­ se de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente” (Contribuições  – Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145)  É  verdade  que,  quanto  à  matéria,  houve  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  no Recurso Extraordinário n° 566.622  (tema 32),  o que demonstra que não  se  trata de  questão fechada:  Recurso REPERCUSSÃO GERAL ­ ENTIDADE BENEFICENTE  DE ASSISTÊNCIA SOCIAL ­ IMUNIDADE ­ CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS ­ ARTIGO 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.  Admissão pelo Colegiado Maior.  (RE 566622 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO,  julgado  em 21/02/2008, DJe­074 DIVULG 24­04­2008 PUBLIC 25­04­ 2008 EMENT VOL­02316­09 PP­01919 )  Tema 32 ­ Reserva de lei complementar para instituir requisitos  à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de  assistência social.    No  entanto,  alinha­se  o  presente  voto  com  a  posição  adotada  pelo  próprio  STF por  ocasião  do  julgamento  do Ag. Reg.  no RE n°  428.8150,  no  qual  decidiu­se  que  os  requisitos  formais  para  a  constituição  e  funcionamento  das  entidades  beneficentes  de  assistência social são matérias que podem ser tratadas por lei ordinária:  Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/2010­18  Acórdão n.º 2302­003.067  S2­C3T2  Fl. 325          9 EMENTA:  I.  Imunidade  tributária:  entidade  filantrópica:  CF,  arts.  146,  II  e  195,  §  7º:  delimitação  dos  âmbitos  da  matéria  reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da  lei  ordinária  (ADI­MC  1802,  27.8.1998,  Pertence,  DJ  13.2.2004;RE 93.770,  17.3.81,  Soares Muñoz, RTJ  102/304). A  Constituição  reduz  a  reserva  de  lei  complementar  da  regra  constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à  demarcação  do  objeto  material  da  vedação  constitucional  de  tributar;  mas  remete  à  lei  ordinária  "as  normas  sobre  a  constituição  e  o  funcionamento  da  entidade  educacional  ou  assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada  de  fins  filantrópicos  e  de  utilidade  pública:  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos:  exigência  de  renovação  periódica  (L.  8.212,  de  1991,  art.  55).  Sendo  o  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos  mero  reconhecimento,  pelo  Poder Público, do preenchimento das condições de constituição  e  funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade  receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e  195,  §  7º,  da  Constituição  Federal  a  exigência  de  emissão  e  renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91.  (RE  428815  AgR,  Relator(a):  Min.  SEPÚLVEDA  PERTENCE,  Primeira  Turma,  julgado  em  07/06/2005,  DJ  24­06­2005  PP­ 00040 EMENT VOL­02197­07 PP­01247 RDDT n. 120, 2005, p.  150­153)    Nada  impede  que  a  Constituição  crie  uma  regra  geral  (lei  complementar  regula  as  limitações  constitucionais  ao  poder  de  tributar)  e  estabeleça  exceções  (como  a  regulamentação do art. 195, § 7°, por lei ordinária).  Desta  forma,  impõe­se  às  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  cumpram os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei n.º 8.212/91, a  fim de que possam ser  consideradas isentas/imunes das contribuições para a seguridade social.   Portanto,  a  imunidade  tributária  prevista  no  artigo  150,  VI,  “c”  não  se  confunde  com  a  imunidade  prevista  no  art.  195,  §  7º  ,  ambos  da Constituição  Federal.  Esta  incide  sobre  contribuições  sociais  para  a  seguridade  social  e  aquela  sobre  impostos.  Além  disso, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, pode ser regulamentada por lei ordinária, como no  caso, pela Lei 8.212/91, não havendo necessidade, nesta hipótese, de regulamentação por meio  de lei complementar.  Destarte,  as  entidades beneficentes que prestam assistência  social,  inclusive  no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da  Constituição  Federal,  deveriam  –  à  época  dos  fatos  geradores  atender  ao  rol  de  exigências  determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91.    Multa. Retroatividade Benigna. Cumpre analisar matéria de ordem pública,  referente à retroatividade benigna da legislação relativa a infração em destaque.  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     10 Apurado o  descumprimento  de  obrigação  acessória  (obrigação  de  fazer/não  fazer),  compete  à  autoridade  fiscal  lavrar  Auto  de  Infração,  aplicando  a  penalidade  correspondente,  que  se  converterá  em  obrigação  principal,  na  forma  do  §  3º  do  art.  113  do  CTN.  No  presente  caso,  a  obrigação  acessória  corresponde  ao  dever  de  informar  mensalmente  ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS,  por  intermédio  de  documento  definido  em  regulamento  (GFIP),  TODOS  os  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS.  Ao  deixar  de  informar  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  a  recorrente  infringiu  o  artigo  32,  IV,  §  5º,  da  Lei  n.º  8.212/91;  e  o  artigo  225,  IV,  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n.º  3.048/99,  pois  é  obrigada  a  informar,  mensalmente,  por  intermédio  da  GFIP,  todos  os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária,  sendo que  a  apresentação  do  documento  com dados  não  correspondentes  aos  fatos geradores sujeitava o  infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por  cento do valor devido relativo à contribuição não declarada.  A multa  referente  ao  descumprimento  da obrigação  acessória,  que  originou  este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II,  do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99:  Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225  sujeitará  o  responsável  às  seguintes  penalidades  administrativas:  I  ­  valor  equivalente  a  um multiplicador  sobre  o  valor mínimo  previsto  no  caput  do  art.  283,  em  função  do  número  de  segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social,  independentemente  do  recolhimento  da  contribuição, conforme quadro abaixo:    0 a 5 segurados  ½ valor mínimo  6 a 15 segurados  1 x o valor mínimo  16 a 50 segurados  2 x o valor mínimo  51 a 100 segurados  5 x o valor mínimo   101 a 500 segurados  10 x o valor mínimo  501 a 1000 segurados  20 x o valor mínimo  1001 a 5000 segurados   35 x o valor mínimo  Acima de 5000 segurados  50 x o valor mínimo    II  ­  cem por  cento do  valor devido  relativo à  contribuição não  declarada,  limitada  aos  valores  previstos  no  inciso  I,  pela  apresentação  da Guia  de Recolhimento  do  Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  com  dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/2010­18  Acórdão n.º 2302­003.067  S2­C3T2  Fl. 326          11 às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem  o  valor das  contribuições, ou do valor que  seria devido  se não  houvesse  isenção ou  substituição,  quando  se  tratar  de  infração  cometida  por  pessoa  jurídica  de  direito  privado beneficente  de  assistência  social  em  gozo  de  isenção  das  contribuições  previdenciárias  ou  por  empresa  cujas  contribuições  incidentes  sobre  os  respectivos  fatos  geradores  tenham  sido  substituídas  por  outras;  e  (Redação  dada  pelo  Decreto  nº  4.729,  de  9/06/2003)  III  ­ cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art.  283,  por  campo  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omissas,  limitada  aos  valores  previstos  no  inciso  I,  pela  apresentação  da Guia  de Recolhimento  do  Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  com  erro  de  preenchimento  nos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores.  §  1º  A multa  de  que  trata  o  inciso  I,  a  partir  do mês  seguinte  àquele  em  que  o  documento  deveria  ter  sido  entregue,  sofrerá  acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração.  § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na  data da lavratura do auto­de­infração.    Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa,  para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somando­se os valores  da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada  uma das competências.  Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449  de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32­A à Lei n º 8.212, já na redação  da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras:    Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     12 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.  § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.  § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.    Assim,  no  caso  presente,  há  cabimento  do  art.  106,  II,  “c”,  do  Código  Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplica­se a ato ou fato pretérito, tratando­se de ato  não definitivamente julgado:  a)  quando deixe de defini­lo como infração;  b)   quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência de ação ou  omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em  falta de pagamento de tributo;   c)  quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente  ao tempo da sua prática.    Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser  feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32­A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada  a multa mais favorável ao contribuinte.   Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR­ LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade  a ser aplicada ao sujeito passivo ser  recalculada,  tomando­se  em  consideração  as  disposições  inscritas  no  art.  32­A,  I,  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  somente  na  estrita  hipótese  de  o  valor  multa  assim  calculado  se  mostrar  menos  gravoso  à  recorrente,  em  atenção  ao  princípio  da  retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN.      (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator              Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001983/2010­18  Acórdão n.º 2302­003.067  S2­C3T2  Fl. 327          13                 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI

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Numero do processo: 11030.904109/2012-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 64          1 63  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11030.904109/2012­29  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­005.546  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2014  Matéria  COFINS ­ RESTITUIÇÃO  Recorrente  INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS MARAU LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009  BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.   Inclui­se  na  base  de  cálculo  da  contribuição  a  parcela  relativa  ao  ICMS  devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita  decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde  ao  faturamento,  independentemente  da  parcela  destinada  a  pagamento  de  tributos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  conselheiros  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado  para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis – Redator designado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 41 09 /2 01 2- 29 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 65          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João  Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  contraposição  à  decisão  da  DRJ  Belo  Horizonte/MG  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão  de  despacho  decisório  em  que  a  repartição  de  origem  denegara  o  Pedido  de  Restituição  formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para  quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  alegara  que  o  indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com  base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao  ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito  de faturamento.  A  DRJ  Belo  Horizonte/MG  não  reconheceu  o  direito  creditório  por  considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo  da contribuição.  Registre­se que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer  juízo  de  valor  ou mesmo  qualquer  referência  ao  conjunto  probatório  trazido  aos  autos  pelo  contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito.  Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  em  22  de  outubro  do  mesmo  ano  e  reiterou  seu  pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.  O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço.  A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS  da base de cálculo do PIS e da Cofins.  Acerca desta matéria há o  reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por  meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº  88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen  Lúcia (RE 574.706, leading case).  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 66          3 Para os  fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os  procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62­A, ou seja  pelo sobrestamento do  julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos  termos do  art. 543­B, da Lei nº 5.869/73  (CPC). Tudo  isto encontra­se consubstanciado no RE 574706  RG / PR, cuja ementa transcreve­se adiante:  REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.  Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA  Julgamento: 24/04/2008.  Ementa:  Reconhecida  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional  relativa  à  inclusão  do  ICMS na  base  de  cálculo  da  COFINS  e  da  contribuição  ao  PIS.  Pendência  de  julgamento  no  Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário  n. 240.785.  Decisão: O  Tribunal  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral  da  questão  constitucional  suscitada.  Não  se  manifestaram  os  Ministros  Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora  Publicação:  DJe­088  DIVULG  15­05­2008  PUBLIC  16­05­2008.  EMENT VOL­02319­10  PP­02174.  Tema  69  ­  Inclusão  do  ICMS  na  base de cálculo do PIS e da COFINS.­ Veja RE 240785.  Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os  procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art.  62­A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º.  Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos  termos  do  artigo  543­B,  da  Lei  nº  5.869/73,  como  também  há  a  orientação  expressa  para  o  sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus,  ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam.  Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para  alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62­A, senão vejamos  os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria.  Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62­A do Anexo II da  Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho  de  2009,  página  34,  Seção  1,  que  aprovou  o Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­CARF.  De  sorte  que  não  há  a  controvérsia  atinente  ao  sobrestamento,  resta  o  pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das  referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confira­se:  A Constituição Federal criou o  tributo e  traça a moldura para que o  legislador  ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 67          4 Para  a  instituição  válida  da  exação,  como  regra,  a  lei  ordinária  deverá  contemplar  alguns  critérios,  quais  sejam:  a)  material,  temporal  e  espacial,  localizados  no  antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente  dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária ­ RMIT. Tudo o  que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra.  Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito  (regra  matriz  de  incidência  tributária)  das  contribuições  sociais  instituídas  nas  Leis  nº  10.637/02 e 10.833/03,respectivamente.  (a)  Regra­matriz  de  incidência  do  PIS  Não­Cumulativo:  De  acordo  com  o  disposto na Lei nº. 10.637/02, a regra­matriz de incidência tributária do PIS Não­Cumulativo  pode ser construída da seguinte forma, in verbis:  Lei nº. 10.637/02.  “Art.  1º. A  contribuição para o PIS/PASEP  tem como  fato gerador o  faturamento mensal (...);  § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do  faturamento (...)” (Grifei)  Como dito na lei, tem­se:  ­ Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput)  ­ Critério temporal: mensal (Art. 10);  ­ Critério espacial: no âmbito nacional;  ­  Critério  pessoal:  União  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  aufere  faturamento  (sujeito  passivo) ­ (Art. 4º);  ­  Critério  quantitativo:  Base  de  cálculo  –  Valor  do  Faturamento  (Art.  1º,  §  2º);  Alíquota  –  1,65% (Art. 2º).  Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verifica­se que o fato  signo  presumível  de  riqueza  eleito  pelo  legislador  ordinário  para  instituir  o  PIS  Não­ Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  (b) Regra­matriz de incidência da COFINS Não­Cumulativa: Assim estabelece o  caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis:  Lei nº. 10.833/03.  “Art.  1º.  A  contribuição  para  a  COFINS  tem  como  fato  gerador  o  faturamento mensal (...);  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 68          5 § 2º A base de cálculo da  contribuição para a COFINS é o  valor do  faturamento (...)” (Grifei)  Como dito na lei, tem­se:  ­ Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput);  ­ Critério temporal: mensal (Art. 10);  ­ Critério espacial: no âmbito nacional;  ­  Critério  pessoal:  União  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  aufere  faturamento  (sujeito  passivo) ­ (Art. 4º);  ­ Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6%  (Art. 2º)  Igualmente ao PIS, observa­se do cotejo entre hipótese de incidência e a base de  cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não­ Cumulativa  foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  Pela  dicção  legal  dos  artigos  1º  das Leis  ordinárias  vertentes  não  há  qualquer  dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo.  A  base  de  cálculo,  em  seu  desiderato  nuclear,  tem  por  escopo  dimensionar  economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente,  guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência.  Além  da  função  mensuradora,  a  base  de  cálculo  também  tem  o  papel  de  confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou  seja, quando a base de  cálculo  tiver o condão de  infirmá­la, deverá prevalecer o disposto no  critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se  cuida.  Na  espécie,  o  critério  quantitativo  afirma  a  hipótese  de  incidência  que  é  o  faturamento.  Assim,  devem  as  contribuições  sociais  relativas  ao  PIS  e  à  COFINS  Não­ Cumulativas  incidir  sobre as  receitas advindas  tão­somente da venda de mercadorias e/ou da  prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei).  A  definição  de  faturamento  pelo  STF,  sem  maiores  delongas,  encontra­se  no  julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita  para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal,  em  sessão  plenária,  em  fixar  do  conteúdo  semântico  de  faturamento,  como  sendo  o  das  entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para  explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto­ vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo:  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 69          6 “[...]  Ainda  no  universo  semântico  normativo,  faturamento  não  pode  soar  o  mesmo  que  receita,  nem  confundidas  ou  identificadas  as  operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas  numéricas’.  [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o  gênero,  compreensivo  das  características  ou  propriedades  de  certa  classe,  abrangente  de  todos  os  valores  que,  recebidos  da  pessoa  jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido  pela  pessoa  jurídica,  a  qualquer  título,  será,  nos  termos  da  norma,  receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá  havê­la não operacional.  [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre  as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há  um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele.  Nem  para  atinar  logo  em  que,  como  já  visto,  faturamento  também  significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe  receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os  valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para  a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias  e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei  contemporânea  ao  início  da  vigência  da  atual  Constituição  da  República,  embora  todo  faturamento  seja  receita,  nem  toda  receita  é  faturamento.12” (grifamos).  No  caso  do  PIS  e  da  COFINS  Não­Cumulativos  o  que  se  observa  é  que  o  legislador  ordinário,  apesar  de  possuir  a  competência  tributária  para  tributar  a  receita,  novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento,  adotando­o como critério material da hipótese e afirmando­o na base de cálculo. Todavia, ao  definir  faturamento,  recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98,  senão  vejamos:  Lei nº. 10.637/02  “Art.  1º. A  contribuição  para  o  PIS/PASEP  tem  como  fato  gerador  o  faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação contábil;  § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do  faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei)  Lei nº. 10.833/03  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 70          7 “Art.  1º.  A  contribuição  para  a  COFINS  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  a  COFINS  é  o  valor  dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei)  Note­se  que  a  definição  legal  apresentada  pelo  legislador  ordinário  ao  faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº.  9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal.  Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram  tais exações, bem como das regras­matrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada  como  critério  material  da  hipótese  muito  menos  como  aspecto  quantitativo  dessas  contribuições.  Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o  sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tão­somente sobre o  faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade.  Admitir­se  o  contrário  implica  na  violação  dos  princípios  constitucionais  da  Legalidade, Estrita  Legalidade Tributária,  Segurança  Jurídica  e Razoabilidade  e,  além disso,  tem o condão de  infringir entendimento  já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção  entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação  ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar.  Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos  artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º,  do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema  jurídico,  consoante  decisum  da  Suprema  Corte  que,  pontificou,  claramente,  a  distinção  existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita.  Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de  equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como  se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entenda­se receita), então, é indubitável que  recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário  Nacional, que alude:  Art.  110.  A  lei  tributária  não  pode  alterar  a  definição,  conteúdo  e  o  alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição  Federal,  pelas  Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal  ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.  Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e  receita, que o legislador constituinte  inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195,  inciso I, “b”, da  Constituição Federal, ipsis litteris:  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 71          8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:  I  –  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  formada lei, incidentes sobre:...  b) a receita OU o faturamento.(Grifei)  A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio,  no  julgamento do RE 380.840/MG, nos  seguintes  termos:  “A disjuntiva  ‘ou’ bem revela que  não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”.  Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado  pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa:  “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS  – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário  Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.”  (STF, RE  380.940­5/MG, Rel. Min. Marco  Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos.  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO  DA  BASE  DECÁLCULO  DO  PIS  E  DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98.  ART.  110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO  PRIVADO.  EQUIPARAÇÃO  DOS  CONCEITOS  DE  FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E  DO STF. DECLARAÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE PELO  PRETÓRIO  EXCELSO.  PRINCÍPIO  DA  UTILIDADE.  PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE.  ...2.  A  Lei  nº  9.718/98,  ao  ampliar  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de  incidência  da COFINS,  com  o  objetivo  de  abranger  todas  as  receitas  auferidas pela pessoa jurídica,  invadiu a esfera da definição do direito  privado,  violando  frontalmente  o  art.  110  do  CTN....”  (AgRg  no  Ag  954.490/SP,  1ª  T.,  Rel.  Min.  José  Delgado,  v.u.,  j.  24/03/2008,  DJ  24/08/2008)É  imperiosa  para  a  harmonia  do  sistema  jurídico  que  a  atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento,  principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica,  sem  dúvida  alguma,  na  expropriação  de  parte  do  patrimônio  dos  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 72          9 contribuintes.  Por  isso,  não  pode  o  ente  tributante  agir  de  forma  abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos  signos presuntivos de  riqueza  e,  desse  modo,  gerar  absoluta  insegurança  das  relações  jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como  bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADI­MC­QO 2551 / MG,  in verbis:  “TRIBUTAÇÃO  E  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  DA  PROPORCIONALIDADE. ­ O Poder Público, especialmente em sede  de  tributação,  não  pode  agir  imoderadamente,  pois  a  atividade  estatal  acha­se  essencialmente  condicionada  pelo  princípio  da  razoabilidade,  que  traduz  limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo.  ­  O Estado não pode  legislar abusivamente. A atividade  legislativa está  necessariamente  sujeita  à  rígida  observância  de  diretriz  fundamental,  que,  encontrando  suporte  teórico  no  princípio  da  proporcionalidade,  veda  os  excessos  normativos  e  as  prescrições  irrazoáveis  do  Poder  Público.  O  princípio  da  proporcionalidade,  nesse  contexto,  acha­se  vocacionado  a  inibir  e  a  neutralizar  os  abusos  do  Poder  Público  no  exercício de suas funções, qualificando­se como parâmetro de aferição  da  própria  constitucionalidade  material  dos  atos  estatais.  ­  A  prerrogativa  institucional  de  tributar,  que  o  ordenamento  positivo  reconhece  ao  Estado,  não  lhe  outorga  o  poder  de  suprimir  (ou  de  inviabilizar)  direitos  de  caráter  fundamental  constitucionalmente  assegurados  ao contribuinte. É que este dispõe, nos  termos da própria  Carta Política, de um sistema de proteção destinado aampará­lo contra  eventuais  excessos  cometidos  pelo  poder  tributante  ou,  ainda,  contra  exigências  irrazoáveis  veiculadas  em  diplomas  normativos  editados  pelo  Estado.”  (ADI­MC­QO  2551  / MG  ­ MINAS GERAIS,  Relator  Min.  CELSO DE MELLO,  Julgamento:  02/04/2003, Órgão  Julgador:  Tribunal Pleno, Publicação DJ 20­04­2006 PP­00005 – (grifei.)  (c)  Já  a  Regra­matriz  de  incidência  do  ICMS:  De  acordo  com  o  disposto  na  CF/88, a regra­matriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art.  155, c/c a LC nº 87/96, in verbis:  CF/88.  “Art.  155.  Compete  aos  Estados  e  ao  Distrito  Federal  instituir  impostos sobre:  II  ­  operações  relativas  à  circulação  de  mercadorias  e  sobre  prestações  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal  e  de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no  exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993).     Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 73          10 Art. 12. Considera­se ocorrido o fato gerador do imposto no momento:   I  ­ da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda  que para outro estabelecimento do mesmo titular;  II ­ do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por  qualquer estabelecimento;  III ­ da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém  geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente;   IV ­ da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a  represente,  quando  a  mercadoria  não  tiver  transitado  pelo  estabelecimento transmitente;  V  ­  do  início  da  prestação  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal, de qualquer natureza;  VI ­ do ato final do transporte iniciado no exterior;  VII  ­  das  prestações  onerosas  de  serviços  de  comunicação,  feita  por  qualquer  meio,  inclusive  a  geração,  a  emissão,  a  recepção,  a  transmissão,  a  retransmissão,  a  repetição  e  a  ampliação  de  comunicação de qualquer natureza;  VIII ­ do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços:  a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios;  b)  compreendidos  na  competência  tributária  dos  Municípios  e  com  indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual,  como definido na lei complementar aplicável;   IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do  exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002)  X ­ do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior;   XI  –  da  aquisição  em  licitação  pública  de  mercadorias  ou  bens  importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada  pela Lcp 114, de 16.12.2002)  XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis  líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de  outro  Estado,  quando  não  destinados  à  comercialização  ou  à  industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000)  XIII  ­  da  utilização,  por  contribuinte,  de  serviço  cuja  prestação  se  tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou  prestação subseqüente.   § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante  pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considera­se ocorrido o  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 74          11 fato gerador do  imposto quando do  fornecimento desses  instrumentos  ao usuário.  §  2º  Na  hipótese  do  inciso  IX,  após  o  desembaraço  aduaneiro,  a  entrega,  pelo  depositário,  de  mercadoria  ou  bem  importados  do  exterior  deverá  ser  autorizada  pelo  órgão  responsável  pelo  seu  desembaraço,  que  somente  se  fará  mediante  a  exibição  do  comprovante de pagamento do  imposto  incidente no ato do despacho  aduaneiro, salvo disposição em contrário.   §  3o  Na  hipótese  de  entrega  de  mercadoria  ou  bem  importados  do  exterior antes do desembaraço aduaneiro, considera­se ocorrido o fato  gerador  neste  momento,  devendo  a  autoridade  responsável,  salvo  disposição  em  contrário,  exigir  a  comprovação  do  pagamento  do  imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002)  Art. 13. A base de cálculo do imposto é:  I ­ na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o  valor da operação;  II  ­  na  hipótese  do  inciso  II  do  art.  12,  o  valor  da  operação,  compreendendo mercadoria e serviço;  III  ­  na  prestação  de  serviço  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço;  IV ­ no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12;  a) o valor da operação, na hipótese da alínea a;  b)  o  preço  corrente  da  mercadoria  fornecida  ou  empregada,  na  hipótese da alínea b;  V ­ na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas:   a)  o  valor  da  mercadoria  ou  bem  constante  dos  documentos  de  importação, observado o disposto no art. 14;  b) imposto de importação;   c) imposto sobre produtos industrializados;  d) imposto sobre operações de câmbio;  e)quaisquer  outros  impostos,  taxas,  contribuições  e  despesas  aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002)  VI ­ na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço,  acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua  utilização;  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 75          12 VII ­ no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do  valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e  de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente;  VIII ­ na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que  decorrer a entrada;  IX  ­  na  hipótese  do  inciso  XIII  do  art.  12,  o  valor  da  prestação  no  Estado de origem.  §  1o  Integra  a  base  de  cálculo  do  imposto,  inclusive  na  hipótese  do  inciso  V  do  caput  deste  artigo:  (Redação  dada  pela  Lcp  114,  de  16.12.2002)  I ­ o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque  mera indicação para fins de controle;   II ­ o valor correspondente a:  a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas,  bem como descontos concedidos sob condição;  b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por  sua conta e ordem e seja cobrado em separado.  § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  quando  a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos.  § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da  aplicação  do  percentual  equivalente  à  diferença  entre  a  alíquota  interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto.  § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro  Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é:  I ­ o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria;  II ­ o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo  da  matéria­prima,  material  secundário,  mão­de­obra  e  acondicionamento;  III  ­  tratando­se  de  mercadorias  não  industrializadas,  o  seu  preço  corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente.  § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos  de  contribuintes  diferentes,  caso  haja  reajuste  do  valor  depois  da  remessa  ou  da  prestação,  a  diferença  fica  sujeita  ao  imposto  no  estabelecimento do remetente ou do prestador.  Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de  cálculo.  Como dito na lei, tem­se:  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 76          13 ­ Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação,  bebidas  e  outras  mercadorias  por  qualquer  estabelecimento;  a  transmissão,  dentre  outros  estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96.  ­  Critério  temporal:  é  o  momento  da  saída,  do  fornecimento,  da  transmissão,  do  início  da  prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96);  ­ Critério espacial: no âmbito estadual;  ­  Critério  pessoal:  Estado/DF  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  promove  a  saída  de  mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) ­ (Art. 12);  ­  Critério  quantitativo:  Base  de  cálculo  –  O  valor  da  operação  (vide  art.  12,  I,  III  e  IV);  Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º,  IV e § 2º, IV e VI);  Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verifica­se que o fato  signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o  VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  Os  elementos  informadores  da  incidência  e  da  base  de  cálculo  da  norma  tributária  ensejadora  do  PIS  e  da  Cofins,  bem  assim  da  constituição  da  relação  jurídico  tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do  ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS,  razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins.  Por outro enfoque:  A  lei  infraconstitucional  deve  identificar,  pormenorizadamente,  todos  os  elementos essenciais da norma  tributária, principalmente no  tocante à hipótese de  incidência,  sob pena de não poder ser exigida pelo fisco.  Nas  palavras  de  XAVIER  apud  CARRAZZA  descreve  o  mesmo  que  “a  tipicidade  pressupõe  (...)  uma  descrição  rigorosa  dos  seus  elementos  constitutivos,  cuja  integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003).  Vale  dizer  que  o  princípio  da  Tipicidade  Tributária  não  dá  margem  para  o  intérprete  ou  ao  aplicador  da  lei  para  o  exercício  de  entendimentos  contraditórios,  mais  abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional.  Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS  e  da  Cofins  em  razão  da  interpretação  do  contido  no  art.  2º  da  Lei  nº  9.718/98,  de  que  o  faturamento  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevante  o  tipo  de  atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas  (art. 13, § 1º, I,  da  LC  87/96,  ex  vi  "cálculo  por  dentro"  ­  fator  aplicado  ao  cálculo  deste  tributo  de  competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é  totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91.  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 77          14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e  “ingresso”,  eis  que  a  primeira  é  a  quantia  recebida/apurada/arrecadada,  que  acresce  o  patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica  por  ela  exercida.  Já  o  ingresso  pressupõe  tanto  as  receitas  como  os  valores  pertencentes  a  terceiros  (que  integram  o  patrimônio  de  outrem),  pois  não  importam  em  modificação  do  patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente.  É  que  o  ICMS  para  a  empresa  é mero  ingresso,  para  posterior  destinação  ao  Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma  do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da  Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos  últimos dez anos.  Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF  já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de  cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou:  "Descabe  assentar  que  os  contribuintes  da  Cofins  faturam,  em  si,  o  ICMS.  O  valor  deste  revela,  isto  sim,  um  desembolso  a  beneficiar  a  entidade  de  direito  público  que  tem  a  competência  para  cobrá­lo.  A  conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea,  importa  na  incidência  do  tributo  que  é  a  Cofins,  não  sobre  o  faturamento,  mas  sobre  outro  tributo  já  agora  da  competência  de  unidade  da  Federação.  (...)  Difícil  é  conceber  a  existência  de  tributo  sem  que  se  tenha  uma  vantagem,  ainda  que  mediata,  para  o  contribuinte,  o  que  se  dirá  quanto  a  um  ônus,  como  é  o  ônus  fiscal  atinente  ao  ICMS.  O  valor  correspondente  a  este  último  não  tem  a  natureza  de  faturamento.  Não  pode,  então,  servir  à  incidência  da  Cofins,  pois  não  revela  medida  de  riqueza  apanhada  pela  expressão  contida  no  preceito  da  alínea  "b"  do  incido  I  do  artigo  195  da  Constituição Federal.  O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente  tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins  a cargo da empresa sob pena de exigir­se tributo sem o devido lastro constitucional previsto  no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  fere  os  princípios  da  capacidade  contributiva,  razoabilidade,  proporcionalidade,  equidade  de  participação  no  custeio  da  seguridade  social,  imunidade  recíproca e confisco à Constituição.  Filiaram­se  ao  voto  do  Relator  os  Ministros  Ricardo  Lewandowski,  Carlos  Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou  provimento ao  recurso,  faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie  e  Celso Mello.  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 78          15 Diante  de  todo  o  exposto  a  Administração  Pública  somente  poderá  impor  ao  contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal  de  incidência  do  tributo,  ou  seja,  sua  descrição  típica.  É  condição  sine  qua  non  para  a  exigibilidade de um tributo.  Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade  e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a  lei  deve  conter,  em  seu  bojo,  todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja  imediatamente  dedutível  da  lei,  sem  valoração  pessoal  do  órgão  de  aplicação  da  lei,  o  que  decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.”  Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na  identificação  do  sujeito  passivo,  do  valor  do  montante  apurado  e  das  penalidades  cabíveis  devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra  geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao  aplicador da  lei,  especialmente à Administração Pública, para uma  interpretação extensiva,  e  mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer.  Portanto,  sendo  a  definição  de  fato  gerador  a  situação  definida  em  lei  como  necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo  e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na  base  de  cálculo  desses  tributos,  eis  que  tanto  o  fato  gerador,  quanto  a  base  de  cálculo  é  totalmente diversa, não se coadunam.  O  Ministro  Cesar  Peluzo,  no  voto­vista  proferido  no  julgamento  do  RE  nº.  350.950,  foi  peremptório  ao  atestar  que:  “A  base  de  cálculo  é  tão  importante  na  identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.”  Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a  base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o  faturamento como fato  signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas.     Contudo,  mesmo  que  houvesse  divergência  entre  aquele  (critério  material)  e  esse  (critério  quantitativo)  –  ad  argumentandum  tantum  –  é  a  base  de  cálculo  que  deverá  prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana.     Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi  o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que  sobre  o  PIS  e  COFINS  Não­Cumulativos  devem  incidir  sobre  ofaturamento,  cujo  aspecto  semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da  operação.  Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores,  notadamente  no  STF,  de  enxugar  a  base  de  cálculo  dos  tributos,  de  valores  que  não  representam faturamento dos Contribuintes.  A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e  do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confira­se:  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 79          16 Ementa:  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCLUSÃO  DO  ICMS  E  DO  ISS  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DAS  CONTRIBUIÇÕES.  COMPENSAÇÃO.  COMPROVAÇÃO.  DESNECESSIDADE DE  PROVA PERICIAL.  1. O  ICMS  não  deve  ser  incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS,  tendo em vista  recente posicionamento do STF  sobre  a questão no  julgamento,  ainda  em andamento,  do Recurso Extraordinário nº 240.785­2. 2. Embora o  referido  julgamento ainda não  tenha se encerrado, não há como negar  que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de  que  o  ICMS  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  3.  O  ISS  ­  que  como  o  ICMS  não  se  consubstancia  em  faturamento, mas  sim  em  ônus  fiscal  ­  não  deve,  também,  integrar  a  base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a  compensação  tributária  deve  demonstrar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a maior.  5.  Na  ausência  de  documento  indispensável  à  propositura  da  demanda,  deve  ser  julgado  improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não  restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte  o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via  administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não  inclusão do ICMS na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  é  matéria  de  direito  que  não  demanda dilação probatória. O pedido de compensação soluciona­se  com  a  apresentação  das  guias  de  recolhimento  (DARF),  que  prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente  provido.  TRF­3  ­  APELAÇÃO  CÍVEL  AC  23169  SP  0023169­ 44.2011.4.03.6100 (TRF­3) Data de publicação: 07/02/2013.  Ementa:  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCLUSÃO  DO  ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.  1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  tendo  em  vista  recente  posicionamento  do  STF  sobre  a  questão  no  julgamento,  ainda  em  andamento,  do  Recurso  Extraordinário  nº  240.785­2.  2.  No  referido  julgamento,  o  Ministro  Março  Aurélio,  relator,  deu  provimento  ao  recurso,  no  que  foi  acompanhado  pelos  Ministros  Ricardo  Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda  Pertence. Entendeu o Ministro  relator  estar  configurada  a violação  ao  artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base  de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos  valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou  seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o  ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi  suspensa  em  virtude  do  pedido  de  vista  do Ministro  Gilmar Mendes  (Informativo  do  STF  n.  437,  de  24/8/2006).  3.  Embora  o  referido  julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz  concreta  expectativa  de  que  será  adotado  o  entendimento  de  que  o  ICMS  e,  consequentemente,  o  ISS,  devem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a  compensar  os  valores  indevidamente  recolhidos.  No  entanto,  ela  não  comprovou  ter  pago  as  contribuições  que  pretende  compensar,  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 80          17 mediante  a  juntada  das  guias  de  recolhimento.  5.  A  via  especial  do  mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o  autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para  isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do  que requer. Sem esses elementos de prova, torna­se carecedora da ação.  Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos,  cujos  pagamentos  não  restaram  comprovados  nos  autos,  a  parte  deve  ser  considerada  carecedora  da  ação.  7.  Apelação,  parcialmente,  provida..  TRF­3  ­ APELAÇÃO EM MANDADO DE  SEGURANÇA  AMS  6072  SP  2007.61.11.006072­2  (TRF­3).  Data  de  publicação:  16/06/2011.  Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e  da  Cofins,  restou  a  questão  de  prova  acerca  da  certeza  e  liquidez  da  existência  do  crédito  alegado pela Recorrente,  em quantidade o bastante para  solver o débito  existente na data da  transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao  transmitente do  referido  documento,  o  que  deve  ser  efetivado  juntamente  com  a  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade, eis que preclui o direito de fazê­lo em outro momento processual, ressalvadas  as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.  No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência  de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão  somente à existência de crédito, o que não é o bastante.  Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o  bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do  crédito  alegado,  assiste  razão  ao  juízo  a  quo,  eis  que  aos  mesmos  deveriam  se  somar,  no  mínimo,  as  DCTF’s  correspondentes  e  o  Livro  Razão  relacionados  ao  período  de  apuração  objeto  do  pedido  de  restituição,  em  observância  aos  princípios  da  segurança  jurídica,  da  verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88.  É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal,  por  se  tratar  de  iniciativa  do  próprio  contribuinte,  cabe  ao  transmitente  o  ônus  probante  da  liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na  DComp.   Por  sua  vez  à  autoridade  administrativa  cabe  a  verificação  da  existência  e  regularidade  desse  direito, mediante  o  exame  de  provas  hábeis,  idôneas  e  suficientes  a  essa  comprovação.  Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto.  É como voto.  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  Voto Vencedor  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 81          18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado  Tendo  sido  designado  pelo  Presidente  da  3ª  Turma  Especial  para  redigir  o  voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia.  Com  base  no  relatório  supra,  contata­se  que  a  controvérsia  nos  autos  se  restringe  à  existência  ou  não  do  direito  de  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  De início, ressalte­se que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a  discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS  e  Cofins.  A  matéria  encontra­se  sob  análise  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  que  já  reconheceu  a  sua  repercussão  geral,  estando  pendente  de  julgamento  o  mérito  do  Recurso  Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor:  Ementa:  Reconhecida  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da  COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  do  Recurso  Extraordinário n. 240.785.  Encontra­se  pendente  de  julgamento,  também,  a  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe:  EMENTA  Medida  cautelar.  Ação  declaratória  de  constitucionalidade.  Art.  3º,  §  2º,  inciso  I,  da  Lei  nº  9.718/98.  COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195,  inciso  I,  alínea  "b",  da  CF).  Exclusão  do  valor  relativo  ao  ICMS.  1.  O  controle  direto  de  constitucionalidade  precede  o  controle  difuso,  não  obstando  o  ajuizamento  da  ação  direta  o  curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada  a  divergência  jurisprudencial  entre  Juízes  e  Tribunais  pátrios  relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base  de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida  cautelar  para  suspender  o  julgamento  das  demandas  que  envolvam  a  aplicação  do  art.  3º,  §  2º,  inciso  I,  da  Lei  nº  9.718/98.  3.  Medida  cautelar  deferida,  excluídos  desta  os  processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal  Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se  invocar o art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI­CARF), em que se prevê  a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em  processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543­B do Código de Processo Civil –  CPC).  Além  do mais,  tendo  a  Portaria MF  nº  545,  de  18  de  novembro  de  2013,  revogado  os  parágrafos  primeiro  e  segundo  do mesmo  art.  62­A  do Anexo  II  do RI­CARF,  desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito  deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543­B do CPC.                                                              1 ADC n° 18/DF  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 82          19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista  que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja,  o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do  imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento.  Em  conformidade  com  esse  entendimento,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM inclui­se na base  de calculo do PIS.  Essa  mesma  conclusão  tem  sido  exarada  em  outros  julgados,  como  por  exemplo  na  decisão  contida  no  Recurso  Especial  n°  501.626/RS  e  no  AMS  2004.71.01.005040­8/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis:  REsp 501626 / RS  TRIBUTÁRIO ­ PIS E COFINS: INCIDÊNCIA ­ INCLUSÃO NO  ICMS NA BASE DE CÁLCULO.  1.  O  PIS  e  a COFINS  incidem  sobre  o  resultado  da  atividade  econômica  das  empresas  (faturamento),  sem  possibilidade  de  reduções ou deduções.  2.  Ausente  dispositivo  legal,  não  se  pode  deduzir  da  base  de  cálculo o ICMS. (grifei)  3. Recurso especial improvido.  AMS ­ APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA  Processo: 2004.70.01.005040­8  Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA  PARCELA DO ICMS.  Inclui­se  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  a  parcela  relativa  ao  ICMS  devido  pela  empresa  na  condição  de  contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o  que  entra  na  empresa  a  título  de  preço  pela  venda  de  mercadorias corresponde à receita ­ faturamento ­, independente  da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei)  Nesse  sentido,  tem­se  que  a  receita  de  vendas  de mercadorias  configura  o  faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não  tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir  a  contribuição,  não  disseca  os  elementos  constituintes  do  termo  linguístico  “faturamento”,  prevendo­se a incidência sobre todo o montante assim constituído.  Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN),  “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e  formas  de  direito  privado,  utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela Constituição Federal,  pelas  Constituições  dos  Estados,  ou  pelas  Leis  Orgânicas  do  Distrito  Federal  ou  dos  Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”.  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904109/2012­29  Acórdão n.º 3803­005.546  S3­TE03  Fl. 83          20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem  como  fato  gerador  o  faturamento,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil,  encontrando­se  previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de  créditos de  ICMS  transferidos onerosamente a outros contribuintes do  imposto, nos casos de  operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente  nessa hipótese.  Dessa forma, conclui­se pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base  de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins.  Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis – Redator designado                    Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 13971.004624/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 04/03/2004 a 09/11/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA. A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado). PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto-Lei no 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS. TERCEIROS. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. No art. 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário no dispositivo citado, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria norma legal.
Numero da decisão: 3403-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 04/03/2004 a 09/11/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA. A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado). PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto-Lei no 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS. TERCEIROS. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. No art. 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário no dispositivo citado, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria norma legal.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 3.625          1 3.624  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.004624/2009­15  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  3403­002.865  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de março de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              BRASILUX IND COM IMP EXP LTDA    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 04/03/2004 a 09/11/2006  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  PRORROGAÇÕES.  ALTERAÇÕES. CIÊNCIA.  A  prorrogação  ou  alteração  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade  outorgante,  divulgando  a  informação  na  internet,  para  ciência/acompanhamento do sujeito passivo.  RESPONSABILIDADE.  INFRAÇÕES.  IMPORTAÇÃO.  SOLIDARIEDADE.  AUTUAÇÃO  ISOLADA  DO  IMPORTADOR  DE  FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  A  ausência  do  importador  de  direito  na  autuação  (ocultante)  não  exclui  a  responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado).  PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA.  Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de  cinco  anos  a  contar da  data da  infração,  conforme  estabelece o  art.  139  do  Decreto­Lei no 37/1966.  INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.  A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada  ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a  empresa que está  importando não o  faz para ela própria, pois não consegue  comprovar  a  origem,  a  disponibilidade  e  a  transferência  dos  recursos  empregados  na  operação.  Assim,  com  base  em  presunção  legalmente  estabelecida  (art.  23,  §  2o  do  Decreto­Lei  no  1.455/1976),  configura­se  a  interposição  e  aplica­se  o  perdimento.  Segue­se,  então,  a  declaração  de  inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a  redação  dada  pela  Lei  no  10.637/2002.  A  interposição  comprovada  é  caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 46 24 /2 00 9- 15 Fl. 6457DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     2 quem  é  o  acobertado.  A  penalidade  de  perdimento  afeta  materialmente  o  acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o  art. 95 do Decreto­Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei  no  11.488/2007)  afete  somente  o  acobertante,  e  justamente  pelo  fato  de  “acobertar”.  IMPORTAÇÃO  POR  CONTA  E  ORDEM.  PRESUNÇÃO.  RECURSOS.  TERCEIROS.  Conforme  art.  27  da  Lei  no  10.637/2002,  a  operação  de  comércio  exterior  realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume­se por conta e  ordem deste.  DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.  No art. 23 do Decreto­Lei no 1.455/1976 enumeram­se as infrações que, por  constituírem  dano  ao  Erário,  são  punidas  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias.  É  inócua,  assim,  a  discussão  sobre  a  existência  de  dano  ao  Erário no dispositivo citado, visto que o dano ao Erário decorre do texto da  própria norma legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício.    Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.    Rosaldo Trevisan ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente da  turma), Rosaldo Trevisan  (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi  Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.    Relatório  Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2727 a 29681), para exigência  de multa no valor aduaneiro da mercadoria (R$ 19.318.221,60), diante da impossibilidade de  aplicação da pena de perdimento, em virtude da “não localização ou consumo das mercadorias  importadas  irregular  ou  fraudulentamente,  em  função  de  prática  utilizada  pela  autuada,  legalmente definida como dano ao Erário” (“interposição fraudulenta na importação, mediante  ocultação do sujeito passivo, comprador ou responsável pela operação”).  Na  autuação,  lavrada  em  16/11/2009,  com  amparo  no  art.  23,  §  3o  do  Decreto­lei  no  1.455/1976,  com  a  redação  dada  pela  Lei  no  10.637/2002,  narra­se  que  a                                                              1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Fl. 6458DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.626          3 empresa  promoveu  importações  de  mercadorias  da  marca  “Taschibra”  por  intermédio  da  empresa  Proimport  Brasil  LTDA  (Proimport),  que  registrava  as  Declarações  de  Importação  (DI) em nome próprio (declarando ser importadora e adquirente das mercadorias). Informa­se  ainda que:  (a)  em 27/6/2003, em procedimento especial de fiscalização  aberto  contra  a  empresa  All  Home  Com.  Imp.  e  Exp.  LTDA  (All  Home)  ­  fls.  5  a  6,  constatou­se  que  esta  ocultava  a  empresa  Brasilux  Ind.  e  Com.  Imp.  e  Exp.  LTDA (Brasilux) em operações de importação, gerando,  em  5/7/2007,  a  autuação  de  fls.  7  a  99,  mantida  pelo  julgador administrativo em primeira instância (fls. 100 a  133);  (b)  em  diligência  efetuada  na  Brasilux  (MPF  de  fl.  134),  foram retidos, em 5/7/2007, os documentos relacionados  às  fls.  137  e  138,  apurando­se  que  as  importações  anteriormente  efetuadas  pela  All  Home,  a  partir  de  19/12/2003 passaram a ser feitas pela Proimport; e  (c)  convertido  o  MPF  de  diligência  em  fiscalização,  intimou­se,  então,  em  24/3/2009,  a  Proimport  a  apresentar documentos referentes às 175 declarações de  importação indicadas às fls. 139 e 140 e, em 9/6/2009, a  empresa Brasilux  a  apresentar  os  livros  relacionados  à  fl.  187,  e  os  documentos  e  arquivos  complementares  (cópias  dos  documentos  apresentados  e  de  solicitações  adicionais às fls. 142 a 186, e 195 a 2723);  (d)  constatou­se  que,  em  dezembro  de  2003,  a  Brasilux  deixou  de  operar  com  a  interposta  All  Home  ­  que  estava sob procedimento fiscal ­ passando a operar com  a  interposta  Proimport,  empresa  Fundapiana,  fato  claramente  observado  na  planilha  I  (fl.  383),  o  que  perdurou até 2006, quando a empresa Proimport passou,  como  importadora  por  encomenda,  a  registrar  formalmente  DI  em  nome  da  encomendante  Brasilux  (em que pese ter havido, após a formalização, uma 175a  e última DI da Proimport acobertando fraudulentamente  a Brasilux);  (e)  as  175  DI  objeto  da  autuação  abarcam  o  período  de  4/3/2004  a  9/11/2006,  tendo  operado  a  decadência  em  relação às declarações de importação anteriores;  (f)  embora  o  tipo  infracional  seja  objetivo  (ocultação  do  real  adquirente),  não  demandando  a  averiguação  dos  benefícios  obtidos  com  a  fraude,  destacam­se  na  autuação alguns deles, como: (1) a quebra da cadeia do  IPI  (com  sonegação  desse  tributo,  cf.  exemplos  de  fls.  2745  a  2750),  (2)  a  fuga  à  parametrização  (que  Fl. 6459DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     4 direciona a seleção fiscal para canais diferentes dos que  seriam  cabíveis  se  informada  fielmente  a  operação  ­  recordando­se que à época em que a Proimport começa  a operar as DI da Brasilux estavam sendo direcionadas  para  o  canal  cinza,  de  análise  mais  rigorosa),  e  (3)  a  burla aos controles aduaneiros (habilitação e estimativas  de  importação,  permitindo  a  duas  outras  empresas  administradas  pelo  sócio  majoritário  da  Brasilux,  Sr.  Afonso  Luiz  Schreiber  ­  Eletrobrasil  e World  Brasil  ­  situadas  no  mesmo  endereço  da  Brasilux,  importarem  além de seus limites permitidos pela RFB);  (g)  o Sr. Afonso Luiz Schreiber assumiu a administração da  All  Home  (que  teve  sua  habilitação  para  operar  no  comércio  exterior  cancelada  em  2004,  por  inatividade)  em  21/12/2007  (com  99,8%  de  participação,  sendo  os  outros 0,02% em nome de Natalie Schreiber Filippi), em  substituição  a  seu  irmão,  Sr.  Germano  Schreiber,  com  alteração  da  empresa  para  o  mesmo  endereço  da  Brasilux;  (h)  a  marca  “Taschibra”  está  registrada  no  INPI  na  titularidade  da  empresa  ALS  Administradora  de  Bens,  que  tem  como  sócio­administrador  majoritário  o  Sr.  Afonso  Luiz  Schreiber  (com  50%,  sendo  os  outros  4  sócios também da família Schreiber, detendo 12,5 % de  participação cada);  (i)  com base em informações do sítio da “Taschibra”, com  domínio  registrado em nome da Brasilux, e no sítio da  própria  Brasilux  (onde  a  empresa  é  chamada  de  “Brasilux/Taschibra” ­ fls. 2764 e 2765), verificou­se a  existência  de  uma  filial  da  “Brasilux/Taschibra”  em  Xangai/China,  onde  são  fabricados  os  produtos  importados para o Brasil;  (j)  o  nome  “Taschibra”,  conforme  se  informa  no  sítio,  é  uma  homenagem  ao  inventor  Thomas  Alva  Edson,  ao  fundador da empresa Afonso Luiz Schreiber, à China e  ao Brasil, o que só endossa a clara conexão direta entre  a empresa brasileira e a chinesa;  (k)  “Taschibra”  e  Brasilux  são  nomes  usados  indistintamente em diversos documentos da empresa, na  lista  telefônica,  nas  placas  indicativas  da  empresa,  outdoors etc.;  (l)  as  mercadorias  importadas  nas  175  DI  objeto  da  autuação,  oriundas  da  China,  ostentavam,  em  regra  (1067, de um total de 1087 itens) a marca “Taschibra”,  sendo  descritas  na  DI,  na  fatura  comercial  e  no  conhecimento  de  carga  como  sendo  da  marca  “Taschibra”;  Fl. 6460DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.627          5 (m)  as 175 DI foram registradas em nome da Proimport, que  indicava ser a  importadora e a adquirente dos produtos  da  marca  “Taschibra”  (sendo  que  havia  determinação  normativa de indicação da natureza da operação ­ conta  e  ordem,  inicialmente  ­  no  campo  informações  complementares ou em campo próprio da DI);  (n)  após a importação, a Proimport revendia as mercadorias  (99,3% delas ao grupo “Taschiba”/Brasilux), e a análise  da documentação apresentada comprova que a empresa  Brasilux  era  responsável  por  suprir  os  recursos  à  empresa  Proimport  antes  da  remessa  destes  ao  fornecedor  estrangeiro,  independentemente  de  sua  posterior revenda ser para o grupo “Taschibra”;  (o)  a  Proimport,  assim,  registrava  importações  da  marca  Taschibra  oriundas  da  China  e  as  revendia  à  própria  Taschibra  brasileira  (com  todos  os  benefíciso  fiscais  e  extrafiscais daí decorrentes, e em oposição à legislação  vigente);  (p)  vários elementos, como a alteração de um embarque da  empresa  World  Brasil  para  Proimport,  mediante  autorização  do  Sr.  Afonso  Luiz  Schreiber  (fls.  2780  a  2784),  a  demonstração  de  que  a  Brasilux  efetuava  o  pagamento  das  despesas  inerentes  ao  despacho  aduaneiro (v.g. fls. 2785, 2814, 2817, 2822, e 2825, bem  assim a solicitação de numerário de fls. 2933/2934), e a  posse  de  documentos  relativos  ao  despacho  pela  Brasilux  (por  exemplo,  casos  de  faturas  ainda  em  fase  de elaboração na Brasilux, com correções,  inclusive de  valor,  depois  incorporadas  à  fatura  definitiva  de  posse  da Proimport ­ v.g. fls. 2789, 2792, 2794, 2798 e 2819),  endossam  ainda  mais  a  prática  da  interposição  fraudulenta;  (q)  a  empresa  Brasilux,  se  fosse  mera  adquirente  de  produtos importados pela Proimport, não teria acesso às  despesas  da  importadora,  aos  trâmites  operacionais  do  despacho  de  importação  (como  os  problemas  enfrentados no  recebimento de mercadorias da China  ­  fls. 2937/2938), detalhes do embarque (há inclusive fax  da  transportadora  à  Brasilux  após  o  embarque  das  mercadorias ­ fl. 2847), preços de compra da mercadoria  no  exterior,  nem  acesso  direto  ao  exportador  estrangeiro;  (r)  os  fornecedores  chineses  das  mercadorias  importadas  diretamente  pela  Brasilux  (92  DI)  no  mesmo  período  das importadas por intemédio da Proimport (175 DI) são  Fl. 6461DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     6 comuns,  e  há  documentos  que  demonstram  o  contato  direto  do  representante  da  Brasilux  com  o  fornecedor  (v.g. no caso de diferença na conferência de mercadorias  ­ fls. 2696 a 2705);  (s)  a  autuada  não  só  concorreu  para  a  prática  da  infração  como foi a artífice e principal beneficiária do esquema  engendrado;  (t)  a interposição fraudulenta é caracterizada como dano ao  Erário, ensejador da pena de perdimento;  (u)  intimada  a  apresentar  as  mercadorias  importadas  para  fins  de  aplicação  da  pena  de  perdimento  (fls.  2719/2720), a autuada não o fez, tendo respondido (fls.  2722/2723) com a alegação de não possuir informações  acerca  de  174  DI,  pois  as  mercadorias  não  foram  importadas  pela  Brasilux  (afirmando  que  a  175a  importação  foi  por  encomenda  e  a  mercadoria  foi  consumida); e  (v)  sendo  a  alegação  da  empresa  totalmente  avessa  ao  verificado na autuação, e sendo a 175a DI resultante de  adulteração  de  documentos  somada  a  ausência  de  escrituração contábil  da  operação,  ambos  comprovados  na  autuação,  a  falta  de  apresentação  das  mercadorias  enseja a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3o do  Decreto­lei  no  1.455/1976,  no  valor  aduaneiro  destas  (com a conversão do câmbio na data do registro de cada  DI, perfazendo o total de R$ 19.318.221,60).  Cientificada  da  autuação  em  25/11/2009  (fl.  2968),  a  empresa  Brasilux  apresenta impugnação em 21/12/2009 (fls. 2990 a 3041), sustentando que:  (a)  após  dois  anos  da  retenção  de  documentos,  em  decorrência  de  diligência  amparada  por  MPF­D,  a  empresa recebeu termo de início de procedimento fiscal,  sendo  intimada a  apresentar documentos,  e cientificada  da conversão do MPF­D em MPF­F (de fiscalização);  (b)  depois  de  apresentar  os  documentos  solicitados,  a  empresa  foi  intimada, em 30/10/2009, a apresentar,  em  10 dias, mercadorias relativas a diversas declarações de  importação,  para  fins  de  aplicação  da  pena  de  perdimento,  sem  que  lhe  fosse  permitido  apresentar  quaisquer esclarecimentos;  (c)  em resposta (fls. 2722/2723), a empresa informou que as  mercadorias de uma das DI foram consumidas, mas que  não  possuía  informação  sobre  as  outras  174  DI,  solicitando  ao  fisco  que  detalhasse  ao menos  as Notas  Fiscais de Entrada relativas a cada mercadoria, para que  a  empresa  pudesse  localizá­las  (destacando­se  que  o  Fl. 6462DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.628          7 fisco paradoxalmente estava de posse da documentação  referente às DI);  (d)  sem  análise  da  resposta  da  empresa,  sobreveio  então  a  autuação  objeto  do  presente  processo,  imputando  à  empresa  o  cometimento  de  infração  advinda  de  sua  própria  ocultação  fraudulenta, mediante  a utilização  de  interposta  pessoa,  nas  175  DI  resgistradas  pela  Proimport;  (e)  houve  irregularidade  na  prorrogação  da  validade  do  MPF,  por  inobservância  das  formalidades  imprescindíveis  (ausência  de  informação  ao  sujeito  passivo  das  prorrogações  e  inexistência  de  demonstrativo de emissão e prorrogação do MPF), o que  implica  extinção  do  mandado,  e  invalidez  do  lançamento (por incompetência do agente);  (f)  quanto aos documentos apreendidos na Brasilux,  (1) as  “papeletas  de  quitação  de  fechamento  de  câmbio”  são  documentos  internos  de  controle  da  importadora  (Proimport), que não possuem valor probante, não tendo  sido comprovada a origem das solicitações; e (2) não se  reconhece a origem dos e­mail e documentos apócrifos  utilizados  na  autuação,  e  que  não  constam do  relatório  de  documentos  retidos,  o  que  prejudica  a  liquidez  e  a  certeza de sua licitude;  (g)  parte  dos  créditos  lançados  já  restaram  atingidos  pela  decadência,  não  se  aplicando  o  CTN  por  não  se  estar  tratando de crédito tributário, devendo reger a matéria o  art. 139 do Decreto­lei no 37/1966 (ou, alternativamente,  o  Decreto  no  20.910/1932,  que  leva  ao  mesmo  resultado),  e  ainda  que  se  entenda  tratar­se  de  crédito  tributário,  há de  se  aplicar  a  regra do  art.  150, § 4o  do  CTN,  por  ter  ocorrido  antecipação/pagamento  de  tributos  (o  que  também  resulta  na mesma  conclusão:  a  de que estava decaído o direito de lançar multa relativa  às DI registradas antes de 25/11/2004, retroagindo cinco  anos da ciência da autuação);  (h)  a marca “Taschibra” em território chinês não pertence à  impugnante,  mas  ao  próprio  fabricante  de  lâmpadas  chinês, e os dados levantados pelo fisco sobre a marca e  as empresas All Home, Eletrobrasil e World Brasil não  são pertinentes ao caso concreto;  (i)  a  Brasilux  nunca  negou  a  existência  do  grupo  econômico,  nem  o  fato  de  ser  cessionária  da  marca  “Taschibra”  (de  fato  as  empresas  Brasilux,  All  Home,  Eletrobrasil e World Brasil possuem sócios em comum,  Fl. 6463DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     8 e  as  operações  realizadas  pela  All  Home  foram  efetivamente realizadas irregularmente,  tanto é que este  débito já foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei no  11.941/2009, e isso não pode levar à conclusão de que a  empresa continua atuando irregularmente);  (j)  não  há  continuidade  delitiva,  pois  a  ocultação  do  adquirente mediante  interposição de pessoas apenas  foi  considerada infração a partir da MP no 66/2002, e nesse  primeiro  momento  abrangeu  somente  as  importações  realizadas por conta e ordem de terceiros;  (k)  as  operações  realizadas  pela  Proimport  foram  por  encomenda  (modalidade  que  posteriormente  foi  contemplada  pela  Lei  no  11.281/2006),  com  recursos  próprios da importadora, sem que a Brasilux fornecesse  ou antecipasse qualquer suporte financeiro às operações  de importação;  (l)  ao  mesmo  tempo  em  que  afirma  existir  continuidade  delitiva,  com  simples  alteração  do  ocultante  (de  All  Home  para  Proimport),  a  autoridade  autuante  adota  procedimento  diferente  nas  duas  autuações:  naquela,  a  interposta  pessoa  foi  notificada,  justamente  por  ser  a  agente da fraude (vez que ela é que registra a DI), sendo  a Brasilux solidária, enquanto nesta a  interposta pessoa  nada sofreu, o que é estranho, pois a situação é idêntica;  (m)  a pessoa que  se  interpõe  é que  realiza as  condutas que  caracterizam  o  núcleo  do  tipo  legal  da  pena  de  perdimento, portanto é ela que deve ser apenada com o  perdimento das mercadorias;  (n)  não  há  que  se  falar  em  fraude  ou  simulação  se  não  houver  supressão  de  tributo  ou  ocultação  de  real  beneficiário  da  operação,  ou  seja,  se  o  sujeito  omitido  não  for  equiparado  a  importador  (no  caso,  o  encomendante ainda não o era);  (o)  é  evidente  que  a  infração  prevista  na  MP  no  66/2002  somente se aplicava às  importações por conta e ordem,  pois  apenas  nessa  hipótese  o  real  adquirente  se  equiparava ao importador, nos termos do art. 79 da MP  no 2.158/2001, passando a abranger as  importações por  encomenda apartir da Lei no 11.281/2006;  (p)  as  importações  por  encomenda  sem  identificação  do  encomendante, antes da vigência da Lei no 11.281/2006,  não eram tipificadas como infração;  (q)  para  a  configuração  da  interposição  fraudulenta  são  necessários  dois  agentes,  o  ocultador  e  o  ocultado,  Fl. 6464DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.629          9 devendo  ambos  serem  responsabilizados  pelo  fisco  (como na autuação anterior, da All Home);  (r)  é  impossível o ocultado realizar o núcleo da conduta, e  por isso é uma aberração aplicar somente a ele a pena de  perdimento,  pois  estar­se­ia  punindo  só  o  mandante,  e  não o agente da infração;  (s)  a suposta ocultante, a empresa Proimport, não foi punida  justamente  por  não  haver  irregularidade  nenhuma  nas  importações, sendo que sequer  foi solicitada a correção  das DI pelo fisco;  (t)  mesmo  que  se  configurasse  a  infração,  a  falta  de  responsabilização  da  autora  da  infração  implicaria  impossibilidade  de  aplicação  de  penalidade  à Brasilux,  pois  segundo os  princípios  de  direito  penal,  a  renúncia  concedida a um réu se estende a todos;  (u)  na  DI  no  06/1357083­3,  o  encomendante  foi  devidamente identificado, como se observa na fl. 1473,  não havendo que se falar em interposição fraudulenta (o  que  ocorreu  foi  simplesmente  substituição  do  importador contratado, que tinha atingido suas quotas de  importação concedidas pelo fisco ­ “Radar”), visto que a  Brasilux  adquiriu  as  mercadorias  e  foi  inclusive  equiparada  a  contribuinte  do  IPI  nessa  operação,  e,  ao  contrário  do  que  afirma  a  fiscalização,  houve  contabilização da operação (que não foi constatada pelos  fiscais porque ocorreu com atraso, em 2007);  (v)  a  Brasilux  é  encomendante,  e  não  uma  singela  adquirente  de  mercadorias  no  mercado  interno,  e  por  isso tem acesso a informações do importador e indica o  que será importado,  tudo dentro do permitido pelo § 3o  do art. 11 da Lei no 11.281/2006;  (w)  todas  as  despesas  (como  tributos  incidentes  na  importação,  capatazia  ,  armazenagem,  frete,  honorários  de  despachante,  fechamento  de  câmbio  etc)  eram  suportados pela Proimport, com recursos próprios desta,  não tendo havido qualquer antecipação de numerário da  Brasilux à Proimport (pelo contrário, a Proimport é que  financiava a Brasilux);  (x)  a  importadora,  utilizando  dos  mecanismos  comerciais,  retardava  o  fechamento  de  câmbio,  que  as  vezes  era  quitado  após  o  pagamento  das  duplicatas  (daí  as  “papeletas  de  quitação  do  fechamento”  em  data  posterior a pagamentos de duplicatas);  Fl. 6465DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     10 (y)  a empresa junta aos autos documentação elaborada pela  Proimport  que  demonstra  os  pagamentos  realizados  e  recebidos  em  18  importações,  afirmando  que  carrearia  aos  autos  posteriormente  as  demais,  em  virtude  de  dificuldade de obtenção  junto  à  importadora em  tempo  exíguo, e, usando como exemplo a DI no 04/0904819­9,  explica o mecanismo de pagamentos de duplicatas pela  Brasilux  à  Proimport,  e  sua  desvinculação  cronológica  com o fechamento de câmbio;  (z)  para  configurar­se  adiantamento  de  valores,  o  pagamento deve ser procedido dentro do desencadear da  operação de importação por encomenda;  (aa)  a  Proimport  tem  capacidade  financeira  para  efetuar  as  importações,  o  que  poderia  ter  sido  verificado  pela  fiscalização,  que  optou  por  não  incluí­la  no  polo  passivo;  (bb)  ainda  que  se  entenda  que  a  operação  não  foi  por  encomenda, ad argumentandum, não houve importação  por  conta  e  ordem,  pois  a  importadora  não  possuía  habilitação para tal;  (cc)  a equiparação do encomendante ao importador, pela Lei  no  11.281/2006,  instituiu  nova  obrigação  tributária,  e,  portando  deveria  respeitar  o  princípio  da  anterioridade  (de  exercício  e  nonagesimal),  somente  cabendo  a  pena  de perdimento ou a multa substitutiva a partir de 2007,  pois  tais  penalidades  são  diretamente  vinculadas  à  existência  de  responsabilidade  advinda  da  equiparação  do encomendante ao importador;  (dd)  não  houve  dano  ao  Erário,  pois  não  ocorreu  dano  patrimonial ao fisco, nem quebra da cadeia do IPI (pois,  mesmo  que  houvesse  equiparação,  grande  parte  das  mercadorias  não  é  tributada  na  saída),  nem  fuga  aos  controles  aduaneiros  (pois  a  contratação  de  trading  companies  e  empresas  com  limites  maiores  de  importação é lícita).  (ee)  não  se  pode  imputar  à  Brasilux  a  pena  de  perdimento  (ou  multa  substitutiva)  no  caso  de  mercadorias  adquiridas  pela Eletrobrasil, All Home  e World Brasil,  pois  a  Brasilux  não  é  nem  foi  detentora  da  posse  ou  propriedade das mercadorias;  (ff)  no  caso  em  análise,  não  houve  comprovação  da  não  localização,  da  transferência  ou  do  consumo  das  mercadorias  importadas  (em  virtude  de  não  ter  havido  por  parte  da  autuada,  quando  intimada,  condições  de  manifestar­se  sobre  mercadorias  importadas  pela  Fl. 6466DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.630          11 Proimport  e que,  em diversos  casos,  sequer  eram a  ela  destinadas); e  (gg)  a  solicitação  da  Brasilux  para  que  fosse  detalhada  a  mercadoria  que  se  solicitava  apresentar  não  foi  considerada pela fiscalização.  Em 27/8/2010, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 3610 a 3618),  tendo  o  julgador  a  quo  analisado  somente  a  questão  da  sujeição  passiva  (entendida  como  suficiente para a nulidade do lançamento, com a procedência da impugnação), concluindo que:  (a)  o  adquirente  e  o  encomendante  das  mercadorias  importadas não podem ser solidários pelos tributos sem  que se tenha determinado e autuado o contribuinte;  (b)  a  previsão  legal  de  os  acusados  responderem  pela  infração “conjunta ou isoladamente” não permite que o  autuante eleja entre eles aquele que deve responder pela  infração  (em outras palavras,  identificados mais  de um  infrator todos devem ser autuados conjuntamente);  (c)  parcial  razão  cabe  à  interessada  quando  afirma  que  a  não  autuação  da  importadora  “Proimport  Brasil  Ltda”  fere seu direito de defesa em razão de não possibilitar a  apresentação da documentação fiscal e contábil daquela  empresa (cumpre verificar que os registros, documentos  contábeis e bancários e esclarecimentos da importadora  de direito,  aquela em nome de quem  foram  registradas  as  Declarações  de  Importação,  são  de  fundamental  importância para se comprovar a correção das operações  de importação realizadas);  (d)  o auto de  infração padece de vicio de sujeição passiva,  uma  vez  que  foi  lavrado  em  afronta  ao  disposto  nos  artigos 121 e 142 do CTN; e  (e)  houve preterição do direito de defesa.  O  processo  foi  remetido  então  a  este  CARF,  com  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  34  do  Decreto  no  70.235/1972,  com  as  alterações  introduzidas  pela  Lei  no  9.532/1997, e do art. 1o da Portaria MF no 3/2008, em virtude do montante exonerado.  Por meio  do Acórdão  no  3403­001.912,  de  26/02/2013,  esta  terceira  turma  decidiu unanimemente dar provimento ao recurso de ofício, determinando o retorno dos autos à  DRJ para apreciação dos demais argumentos da impugnação, em julgamento assim ementado:  “RESPONSABILIDADE.  INFRAÇÕES.  IMPORTAÇÃO.  SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR  DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  Fl. 6467DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     12 A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não  exclui  a  responsabilidade  do  autuado  (importador  de  fato  /  ocultado).  PROVIMENTO  DE  RECURSO  DE  OFÍCIO  QUE  ANALISA  PRELIMINAR.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  SUPRESSÃO  DE INSTÂNCIA. REENVIO AO TRIBUNAL A QUO.  Na hipótese de a decisão de primeira instância pela nulidade da  autuação,  em  sede  preliminar,  sem  análise  do  mérito  da  impugnação, ser revertida em segunda instância, devem os autos  ser  remetidos  ao  tribunal  a  quo,  para  apreciação  dos  argumentos  expostos  na  impugnação,  ainda  não  analisados,  a  partir do decidido na última  instância administrativa, para que  não se configure supressão de instância.”  A DRJ, então, efetua novo julgamento, em 20/11/2013 (fls. 6328 a 6350), no  qual  acorda  unanimemente  em  dar  parcial  provimento  à  impugnação,  exonerando  R$  2.637.987, 05 em função de decadência (ensejando novo recurso de ofício), de acordo com o  disposto  no  art.  139  do Decreto­Lei  no  37/1966.  Em  relação  aos  demais  tópicos,  sustenta  o  julgado de piso que: (a) o MPF é instrumento de controle da administração, e sua prorrogação  pode  ser  efetuada  tantas  vezes  quanto  necessária,  de  acordo  com  a  legislação  de  regência  (Portarias  SRF  no  307/2001,  RFB  no  4.328/2005  e  RFB  no  6.087/2005),  não  acarretando  eventuais irregularidades em relação ao MPF nulidade do lançamento, em função do disposto  no art. 142 do CTN; (b) não procede a alegação de que as provas utilizadas pela fiscalização  são ilícitas ou sem comprovação de origem, pois foram obtidas em procedimento de diligência  na  própria  empresa,  ou  foram  por  ela  fornecidas;  (c)  a  alegação  de  que  o  art.  13  da  Lei  no  11.281/2006  cria  equiparação  tributária,  e  somente poderia  ter  vigência  a partir  do  exercício  seguinte  ao  da  publicação,  foge  à  competência  do  julgador  administrativo,  assim  como  as  demais  alegações  de  ilegalidade/inconstitucionalidade;  (d)  o  dano  ao  Erário  decorre  de  disposição legal, não cabendo discutir sua existência efetiva; (e) a infração se caracterizou pela  comprovação  de  que  a  “Brasilux”  interpôs  fraudulentamente  nas  operações  de  importação  a  empresa “Proimport”, que registrava as declarações como se fosse a importadora e adquirente  das mercadorias,  quando, na verdade,  as mercadorias  tinham como  real  adquirente  a própria  “Brasilux”,  que  as  recebia  logo  que  desembaraçadas;  (f)  o  fato  de  terem  sido  utilizados  recursos  da  adquirente  nas  operações  de  importação  faz  presumir que  houve  importação  por  conta e ordem, mesmo antes da legislação que veio a disciplinar a importação por encomenda;  (g) na única DI para a qual a a empresa afirma ter havido discriminação do encomendante, a  declarante não inseriu o dado no campo previsto na legislação, sendo que as características do  caso (troca de correspondências entre os envolvidos) mostram que tal incorreção não se tratou  de mero equívoco, mas de verdadeira fraude; (h) não prospera a alegação da empresa de que  não pode  responder pelas  aquisições  realizadas pelas  empresas  “Eletrobrasil”,  “All Home”  e  “World  Brasil”,  restando  evidente  que  em  todas  as  importações  os  recursos  provieram  da  autuada; e (i) como a própria empresa admite, esta detinha todo o conhecimento das operações  de  importação,  pois  quer  fazer  crer  que  se  tratavam  de  operações  de  importação  sob  sua  encomenda.  Cientificada  do  julgamento  da DRJ  em  29/11/2013  (cf. AR  de  fl.  6396),  a  empresa apresenta Recurso Voluntário em 20/12/2013 (fls. 6398 a 6451), argumentando que:  (a) há incompetência absoluta dos Auditores­Fiscais, pois o MPF­D utilizado não preencheu  as formalidades previstas na Portaria RFB no 4.066/2007 (no que se refere à formalização e à  comunicação  das  prorrogações  ao  sujeito  passivo),  sendo,  portanto,  extinto;  (b)  as  provas  utilizadas  são  ilícitas,  que  abarcam  “supostos  e­mails  e  faxes  enviados  e  recebidos  pela  empresa”  (sic),  “papeletas  de  quitação  de  fechamento  de  câmbio”  (documentos  internos  da  Fl. 6468DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.631          13 empresa, sem valor probante),  e “documentos apócrifos”, sendo que não há cópias de e­mail  entre os documentos retidos (fls. 136/137) nem entre os restituídos; (c) não há continuidade  delitiva,  pois  as  irregularidades  passadas  (em  relação  à  empresa  “All  Home”),  pois  a  “Proimport”  é  empresa  diversa  e  totalmente  independente  do  ponto  de  vista  operacional,  porque  a  ocultação  não  era  apenada  antes  da MP  no  66/2002,  e  porque  a  recorrente  nunca  negou a existência de grupo econômico, nem o fato de ser cessionária da marca “Taschibra”;  (d)  não  houve  interposição  fraudulenta,  pois,  a  partir  da  evolução  legislativa  do  tema,  percebe­se  que  “somente  haverá  fraude  e  simulação  quando  o  adquirente/encomendante  for  equiparado ao importador”, e tal equiparação com a figura do encomendante só veio a ocorrer  com a Lei no 11.281/2006 (art. 13); (e) há extinção da responsabilidade da autuada, pois a  responsabilidade por infrações, cf. art. 95 do Decreto­Lei no 37/1966, só pode ser imputada ao  importador  (agente da  infração que ocasiona dano ao Erário),  pois o  terceiro  adquirente não  pode ocultar­se a si próprio (sendo impossível que realize o núcleo da conduta ­ “ocultar”); (f)  houve cerceamento de defesa, pois é impossível à autuada apresentar documentos que não são  de  sua  responsabilidade, mas  da  responsabilidade  da  importadora,  empresa  distinta;  (g)  não  houve  suporte  financeiro  da  operação  pela  recorrente  (como  se  demonstra  em  tabela  relacionada  à  DI  no  04/0904819­9),  sendo  que  a  “Proimport”  é  que  era  a  verdadeira  financiadora  das  importações  (e  esta,  “utilizando  dos  mecanismos  comerciais,  retardava  o  fechamento de câmbio, os quais  (sic),  as vezes eram quitados após o pagamento de algumas  duplicatas”), e todos os pagamentos de duplicatas e fechamentos de câmbio ocorreram após a  entrega  das  mercadorias,  conforme  planilha  que  anexaria,  elaborada  pela  importadora  (“Proimport”),  sendo  que  não  existiu  procedimento  especial  de  verificação  da  origem  dos  recursos,  no  caso;  (h)  a  recorrente,  de  fato,  tem  gerência  sobre  os  procedimentos  de  importação, como encomendante predeterminada, e não como adquirente por conta e ordem;  (i)  não  houve  interposição  em  relação  à  DI  no  06/1357083­3,  pois  o  encomendante  está  devidamente  identificado  nos  dados  complementares  da  DI,  tendo  a  DRJ  alterado  o  enquadramento  da  autuação;  (j) não  existiu  dano  ao Erário,  pois  não  houve  “quebra  da  cadeia  do  IPI”;  (k)  há  ilegitimidade  passiva  nas  aquisições  realizadas  pela  Eletrobrasil,  pela  All  Home  e  pela World  Brazil,  porque  é  impossível  aplicar  a  pena  de  perdimento  a  figura  distinta  do  real  adquirente,  tendo  em  vista  que  o  responsável  deve  estar  diretamente  ligado à propriedade das mercadorias; e (l) a conversão da pena de perdimento em multa é  ilegal,  porque  não  houve  comprovação,  pela  autoridade  autuante,  da  não  localização,  transferência ou consumo das mercadorias  (que  estava de posse dos documentos  relativos às  importações). Requer, ao final, juntada posterior de auditoria contábil.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  Os recursos preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto,  deles se toma conhecimento.  1. Das Preliminares  Fl. 6469DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     14 A empresa apresenta em seu recurso voluntário questionamentos em relação  ao Mandado de Procedimento Fiscal, à obtenção das provas utilizadas pela  fiscalização, e ao  cerceamento de defesa, atrelado à responsabilidade da autuada.  1.1. Do Mandado de Procedimento Fiscal  A empresa recorrente alega há incompetência absoluta dos Auditores­Fiscais,  pois  o  MPF­D  utilizado  não  preencheu  as  formalidades  previstas  na  Portaria  RFB  no  4.066/2007  (no  que  se  refere  à  formalização  e  à  comunicação  das  prorrogações  ao  sujeito  passivo), sendo, portanto, extinto.  Compulsando  os  autos,  revela­se  que  havia  procedimento  anterior  de  fiscalização  sobre  as  empresas  “All  Home”  e  “Brasilux”,  tendo  sido  detectada  interposição  fraudulenta  e  lavrada  autuação  correspondente.  Sobre  o  tema,  a  recorrente  revela  que  “as  operações  realizadas  à  época  pela All Home  foram  efetivamente  realizadas  irregularmente,  tento é que este débito já foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei no 11.941/2009”, mas  que a infração preexistente não possui qualquer relação com a imputada nestes autos, e que não  houve continuidade delitiva. De fato, a existência de uma infração anterior não  influencia de  qualquer  forma  o  julgamento  do  presente  processo,  que  será  efetuado  à  vista  dos  elementos  nele  constantes,  sendo  a  autuação  anterior  tomada  em  conta  tão  somente  com  conteúdo  histórico, e não probatório.  O que  importa  aqui  é que,  após  aquele primeiro procedimento,  é  emitido o  Mandado de Procedimento Fiscal­ Diligência (MPF­D) no 09.2.04.00­2007­00159­3 (fl. 134),  cientificado à empresa em 05/07/2007, com fundamento na Portaria RFB no 4.066/2007.  A  empresa  é  então  intimada,  ainda  em  05/07/2007,  a  apresentar  “todos  os  documentos  e  arquivos  referentes  às  importações  promovidas  pela  empresa,  ou  das  quais  a  empresa participou, a partir de exercício de 2003” (fls. 135/136). Ainda em 05/07/2007, foram  retidos  diversos  documentos  (detalhados  como  instrutivos  de  declarações,  logísticos  e  comerciais) em caixas identificadas no termo de fls. 137/138).  Em  24/03/2009  inicia­se  o  procedimento  fiscal,  conforme  termo  de  fls.  139/140  em  relação  à  empresa  “Proimport”,  que  é  intimada  a  apresentar 175 declarações de  importação  (DI)  e  as  documentações  instrutivas  correspondentes.  Tais  documentos  são  apresentados , na ordem estabelecida na relação de fls. 155 a 186.  O  procedimento  fiscal  em  relação  à  “Brasilux”  inicia  em  07/05/2009  (fls.  187/188,  com  ciência  em  09/05/2009,  cf.  AR  de  fl.  188),  em  cumprimento  ao  MPF  no  09.2.04.00­2009­00201­5, que menciona que  “fica o  contribuinte  ciente  do  encerramento do  MPF no 09.2.04.00­2007­00159­3, com a consequente manutenção dos documentos retidos sob  aquele procedimento”. Na mesma data são solicitados à “Brasilux” livros diário, razão, registro  de entradas e saídas e apuração de IPI, referentes a 2004, 2005 e 2006.  Como dito  ao  início deste  tópico,  a  irregularidade apontada pela  empresa  é  em relação ao MPF­D, e não no que se refere ao MPF de fiscalização, sustentando­se que não  foram  preenchidas  as  formalidades  previstas  nos  arts.  13  e  Anexo  VI  da  Portaria  RFB  no  4.066/2007  (no  que  se  refere  à  formalização  e  à  comunicação  das  prorrogações  ao  sujeito  passivo),  e que  isso ocasionaria a extinção do MPF, cf.  art. 15, e  a consequente nulidade da  autuação.  Dispõe a referida Portaria:  Fl. 6470DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.632          15 “Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior  poderá  ser  efetuada  pela  autoridade  outorgante,  tantas  vezes  quantas necessárias,  observado,  em  cada ato,  o  prazo máximo  de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta  dias, para procedimentos de diligência.  § 1  º A prorrogação de que  trata o caput poderá  ser  feita por  intermédio  de  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  outorgante,  cuja  informação  estará  disponível  na  Internet, nos termos do art. 7 º, inciso VIII.  §  2  º  Na  hipótese  do  §  1  º,  o  AFRFB  responsável  pelo  procedimento  fiscal  fornecerá  ao  sujeito  passivo,  quando  do  primeiro  ato  de  ofício  praticado  junto  ao  mesmo  após  cada  prorrogação,  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação,  contendo  o  MPF  emitido  e  as  prorrogações  efetuadas,  reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet,  conforme modelo constante do Anexo VI.” (grifo nosso)  Para  verificar  se  houve  registro  das  prorrogações  na  Internet,  em  nome  da  verdade material, efetuamos consulta ao sítio web da Receita Federal (conforme recomendava  a última linha do MPF­D de fl. 134, digitando o CNPJ da empresa e o código ali fornecido ­  76849187). A consulta, que poderia ter sido efetuada pela empresa a qualquer tempo, apontou  como resposta a tela da página seguinte, na qual se detalham as prorrogações, até a data em que  o MPF­D foi extinto, dando lugar a um MPF­F.  Assim,  não  existe  a  irregularidade  apontada  em  relação  ao MPF,  tendo  as  prorrogações sido todas registradas eletronicamente, com dados à disposição da fiscalizada.  E, quando o fisco contactou a empresa, em 09/05/2009, informando sobre o  encerramento  do MPF­D,  já  era  vigente  a Portaria RFB no  11.371/2007,  que  estabelecia  em  seus arts. 9o e 14:  “Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de  prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável  pela  sua  execução  ou  supervisão,  bem  como  as  relativas  a  tributos  ou  contribuições  a  serem  examinados  e  período  de  apuração,  serão  procedidas  mediante  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  outorgante,  conforme  modelo aprovado por esta Portaria.  Parágrafo  único.  Na  hipótese  de  que  trata  o  caput,  o  AFRFB  responsável  pelo  procedimento  fiscal  cientificará  o  sujeito  passivo  das  alterações  efetuadas,  quando  do  primeiro  ato  de  ofício praticado após cada alteração.  (...)  Art. 14. O MPF se extingue:   I  ­ pela conclusão do procedimento  fiscal, registrado em termo  próprio, com a ciência do sujeito passivo;  II ­ pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12.  Fl. 6471DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     16     SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL    MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL  Nº 0920400 2007 00159    CNPJ/CPF: 00.374.121/0001­01  RAZÃO SOCIAL/NOME: BRASILUX IND COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA   PROCEDIMENTO: DILIGÊNCIA  VALIDADE: 31/08/2007  Nome  Função  Matrícula  Telefone  GILBERTO ANTONIO DEZORZI   Supervisor   0076232      MARCELO AUGUSTO GUIMARAES GONCALVES   Auditor Fiscal   0718209      GILBERTO ANTONIO DEZORZI   Auditor Fiscal   0076232      LUIZ FELIPE CAYRES PINTO   Auditor Fiscal   0033506      VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFs    MPF prorrogado até: 30 de Setembro de 2007  MPF prorrogado até: 30 de Outubro de 2007  MPF prorrogado até: 29 de Novembro de 2007  MPF prorrogado até: 29 de Dezembro de 2007  MPF prorrogado até: 28 de Janeiro de 2008  MPF prorrogado até: 27 de Fevereiro de 2008  MPF prorrogado até: 28 de Março de 2008  MPF prorrogado até: 27 de Abril de 2008  MPF prorrogado até: 27 de Maio de 2008  MPF prorrogado até: 26 de Junho de 2008  MPF prorrogado até: 26 de Julho de 2008  MPF prorrogado até: 25 de Agosto de 2008  MPF prorrogado até: 24 de Setembro de 2008  MPF prorrogado até: 24 de Outubro de 2008  MPF prorrogado até: 23 de Novembro de 2008  MPF prorrogado até: 23 de Dezembro de 2008  MPF prorrogado até: 22 de Janeiro de 2009  MPF prorrogado até: 21 de Fevereiro de 2009  MPF prorrogado até: 23 de Março de 2009  MPF prorrogado até: 22 de Abril de 2009  MPF prorrogado até: 22 de Maio de 2009  MPF prorrogado até: 21 de Junho de 2009   Fl. 6472DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.633          17 Parágrafo  único.  A  ciência  do  sujeito  passivo  de  que  trata  o  inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF.”  Sendo  a  ciência  ao  sujeito  passivo  em  09/05/2009,  e  estando  o  MPF­D  vigente até 21/06/2009, nenhum desrespeito aos comandos normativos que regem o MPF foi  detectado.  De qualquer  forma,  ainda que  houvesse  irregularidade,  é necessário  aclarar  que a competência do Auditor­Fiscal,  seja para o exame ou a apreensão de documentos, seja  para levar a cabo qualquer outro procedimento fiscal, não deriva de norma infralegal, mas de  lei.  Assim, o Auditor­Fiscal da RFB, autoridade administrativa de que trata, v.g.,  o art. 142 do CTN, tem competência legal para (art. 6o, I, “c” da Lei no 10.593/2002) “executar  procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive  os  relacionados  com  o  controle  aduaneiro,  apreensão  de mercadorias,  livros,  documentos,  materiais,  equipamentos  e  assemelhados”.  Repare­se  que  o  art.  6o  da  referida  Lei  não  possibilita  que  o  Poder  Executivo  em  ato  infralegal  retire  ou  mitigue  a  competência,  consentindo somente com a regulamentação das competências ali estabelecidas (art. 6o, § 3o da  Lei no 10.593/2002).  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  um  instrumento  de  controle  administrativo,  e  não  um  documento  que  atribua  competência  (e  nem  poderia,  pois  a  competência já foi legalmente atribuída).  Ambas as Portarias aqui referidas têm por base o Decreto no 3.724/2001 (que,  por sua vez, regulamenta o art. 6o da Lei Complementar no 105/2001, que disciplina requisição,  acesso e uso de informações bancárias pelo fisco). E, na interpretação do Decreto que inova no  ordenamento  jurídico  disciplinando  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (Decreto  no  3.724/2001), poder­se­ia trilhar dois caminhos.  O  primeiro  é  o  de  que  estabeleceram  as  normas  infralegais  condição  de  validade  do  ato  administrativo,  mitigando  ou  retirando  (em  verdade,  transferindo  ao  administrador de plantão) a competência do Auditor­Fiscal legalmente estabelecida. Essa linha,  que parece ser adotada na defesa da recorrente, encontra numerosos obstáculos de ordem legal  e  constitucional,  pois  está  a  restringir  a  lei,  alterando  atribuições  por  ela  estabelecidas,  sem  autorização, em prejuízo do Poder Público (e até do Erário). Não se tem dúvidas que tal linha  levaria  à  conclusão  pela  ilegalidade  (e,  inclusive,  pela  inconstitucionalidade)  do  Decreto  no  3.724/2001.  É corolário da hermenêutica que entre  as  interpretações de determinado ato  normativo,  deve  prevalecer  a  que  não  conduza  ao  absurdo,  à  ilegalidade,  ao  abuso,  ao  desrespeito  a  atos  de  hierarquia  superior.  E  é  nesse  sentido,  alicerçado  pelo  art.  26­A  do  Decreto no 70.235/1972 (que impede o julgador de negar vigência a decreto sob fundamento de  inconstitucionalidade), que se busca interpretação do Decreto no 3.724/2001 que não afronte o  sistema ao qual tal norma é vinculada.  Assim,  para  que  tal  Decreto  seja  legal  e  constitucional,  deve  ser  lido  não  como um mitigador ou saqueador de competência, mas como um instrumento de controle da  Administração, de caráter interna corporis. E é desta forma que o MPF tem sido encarado por  este CARF, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais:  Fl. 6473DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     18 “NULIDADE.  IRREGULARIDADES  NA  EMISSÃO  DE  MPF.  INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é simples  instrumento  de  controle  interno  da  Administração  Tributária,  não  se  constituindo  em  elemento  essencial  de  validade  do  correspondente  auto  de  infração.  Também  aí  entende­se  pertinente o posicionamento do  julgador a quo, que  esclareceu  que o MPF é um instrumento interno de planejamento e controle  das atividades fiscais, e eventuais irregularidades em seu trâmite  não  invalidam  o  auto  de  infração  decorrente  do  procedimento  fiscal relacionado.” 2   “MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  O  MPF  é  ato  interna  corporis  de  controle  interno  e  eventuais  vícios  são  consideradas  meras  irregularidades,  que  não  têm  efeito  de  contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de  ofício.” 3   “MPF.  AUSÊNCIA  DE  NULIDADE.  O  MPF­  Mandado  de  Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e  de  informação  ao  contribuinte.  Eventuais  omissões  ou  incorreções  do  MPF  não  são  causa  de  nulidade  do  auto  de  infração” 4   “MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­ MPF  Eventual  irregularidade  na  emissão  do  MPF  ou  o  descumprimento  do  prazo  previsto  no  MPF  para  realização  da  ação  fiscal  não  induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal  pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e  não um limitador da competência do agente público.” 5   “NORMAS  PROCESSUAIS  MPF  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O  MPF  é  instrumento  de  controle  administrativo  e  eventual  irregularidade  em  sua  emissão  não  tem  o  condão  de  trazer  nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o  Código Tributário Nacional acerca do  lançamento  tributário, e  aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência  funcional para a 1avratura do auto de infração.” 6  Improcedente, assim, a alegação de nulidade por ausência ou irregularidades  na emissão do MPF.  1.2. Das provas obtidas pela fiscalização  A  empresa  recorrente  afirma  que  a  autuação  teve  por  base  documentos  “supostamente  apreendidos  no  estabelecimento  da  recorrente  ou  enviados  pela  Proimport”.  Em relação aos documentos enviados pela “Proimport” (“papeletas de quitação de fechamento  de  câmbio”),  afirma  que  são  documentos  internos  de  controle  da  importadora,  que  não                                                              2 CARF, Acórdão 1401­000.740, 4a Câmara, 1a Seção, Rel. Cons. Fernando Luis Gomes de Matos, unanimidade,  Sessão de 15.mar.2012.  3 CARF, Acórdão 1801­001.018, 3a Turma Especial, 1a Seção, Rel. Cons. Carmen Ferreira Saraiva, unanimidade,  Sessão de 10.mai.2012.  4  CARF,  Acórdão  3102­001.669,  1a  Câmara,  3a  Seção,  Rel.  Cons.  Winderley  Morais  Pereira,  unanimidade,  Sessão de 27.nov.2012.  5 CARF, Acórdão 2403­002.353, 3a Câmara, 2a Seção, Rel. Cons. Carlos Alberto Mees Stringari, unanimidade,  Sessão de 20.nov.2013.  6 CSRF, Acórdão 9101­001.798, Rel. Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão, maioria, Sessão de 19.nov.2013.  Fl. 6474DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.634          19 possuem  valor  probante,  nem  vinculam  a  recorrente.  No  que  se  refere  à  correspondências  comerciais  (e­mail  impressos),  alega  a  empresa  recorrente  que  não  constam  da  relação  de  documentos retidos. Alega, por fim, que os documentos não têm origem individualizadamente  identificada, e vários sequer estão assinados.  Como  já  expresso  no  tópico  anterior,  foi  efetuada  a  retenção  de  caixas  de  documentos, e não de uma relação individualizada de documentos. As sete caixas retidas, seus  nomes e conteúdos gerais (“declarações de importação e seus documentos instrutivos e demais  documentos logísticos e/ou comerciais”) estão destacados no Termo de Retenção de fls. 135 a  138. Por outro  lado, os documentos enviados pela “Proimport”  são detalhados nas  fls. 155 a  186.  A empresa recorrente conjectura a respeito de violação de sigilo telefônico ou  de  dados,  fazendo  crer  que  o  fisco  utiliza  documentos  além  dos  que  foram  retidos  na  “Brasilux”  ou  enviados  pela  “Proimport”.  Mas  não  aponta  individualmente  eventual  documento que tenha sido “plantado” na autuação irregularmente pelo Fisco. Em alguns casos  (como o das “papeletas de quitação de fechamento de câmbio”), não refuta os documentos, mas  ataca seu poder probatório, também sem argumentação específica que supedaneie o alegado.  Mais êxito teria a empresa recorrente em sua jornada recursal se se dedicasse  a  identificar  especificamente  tais  documentos,  tornando  a  discussão  passível  de  análise  concreta no plano contencioso.  Não  há  como  acolher  a  alegação  genérica  de  obtenção  ilícita  de  provas  quando não se indica especificamente a ilicitude, ou quais os documentos ilicitamente obtidos,  sendo  a  mera  alegação  genérica  de  que  há  “e­mails”  impressos  que  não  estavam  na  documentação da empresa algo distante da especificação demandada.  Refuta­se, assim, a alegação de que as provas foram ilicitamente obtidas.  1.3. Da responsabilidade da empresa “Brasilux”  Essa  matéria  foi  a  única  tratada  no  julgamento  anterior  feito  por  este  colegiado. E, desde então, não houve nenhuma situação que desconstituísse o entendimento ali  externado, pelo que basicamente e mantém a seguir a argumentação anteriormente empregada.  O Código Tributário Nacional  trata da  sujeição passiva em seus  arts. 121 a  127, cabendo destacar que:  “Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.”  (...)  “Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei..  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.”  Fl. 6475DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     20 Inquestionável,  no  presente  processo,  que  a  empresa  “Brasilux”,  autuada,  tinha interesse comum na importação das mercadorias pelo importador de direito (“Proimport”)  a ela destinadas, pois ambas as empresas previamente acordaram as condições da  introdução  das  mercadorias  no  território  nacional  e  sua  posterior  transferência  para  a  “Brasilux”,  participando a “Brasilux” ativamente do processo de importação. Por diversas ocasiões, em sua  impugnação, a autuada o reconheceu explicitamente, afirmando que as operações eram feitas  por sua encomenda:  “78. [...] é imperioso elucidar que a Impugnante nunca negou a  existência de grupo econômico, nem o fato de ser cessionária da  marca Taschibra”.  79. As empresas All Home, Eletrobrasil, World Brazil e Brasilux  de fato possuem sócios em comum, ­ e as operações realizadas à  época  pela  All  Home,  em  home.  da  Impugnante  ,foram  efetivamente realizadas irregularmente,  tanto que este débito já  foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei n. 11.941/2009.”  (...)  “141. Deste modo, as importações realizadas pela sistemática de  encomenda  sem  identificação do  encomendante,  no  período  em  questão,  são  absolutamente  regulares,  pois  a  legislação  não  exigia  a  identificação  deste  nos  documentos  atinentes  à  importação”  (...)  “178. Contudo, e que isto fique bem claro, a Impugnante não é  uma  singela  adquirente  de  mercadorias,  mas  uma  encomendante  de  mercadorias  pré­determinadas,  ou  seja,  ao  contrário do que afirmam os agentes fiscais, a Impugnante não  adquire simplesmente mercadorias no mercado nacional a fim  de  cumprir  seu  objeto  social,  mas  as  encomenda!  E  encomendar  significa  identificar  o  que  será  importado,  significa  ter  acesso  e  repassar  imformações  ao  importador,  enfim, significa indicar o que, quando e qual quantidade será  importada”.(grifos no original)  E  a  argumentação  de  que  as  operações  eram  feitas  “por  encomenda”  é  mantida  em  sede  de  recurso  voluntário.  O  parágrafo  acima  relacionado  como  item  178  da  impugnação, v.g., é reproduzido no item 227 do Recurso Voluntário.  Não  se  apresenta,  assim,  a  mínima  margem  de  dúvida  de  que  a  empresa  autuada  é  solidariamente  obrigada  em  relação  ao  crédito  tributário.  Sem  embargo,  ante  a  ausência  da  importadora  de  direito  (“Proimport”)  no  polo  passivo  da  autuação,  há  de  se  destacar duas observações.  A  primeira  remete  ao  parágrafo  único  do  artigo  124  do  Código  Tributário  Nacional (que estabelece não haver benefício de ordem na solidariedade tributária). Sobre tal  comando, ensina Luciano Amaro:  “Por  cuidar­se  de  solidariedade  passiva,  situação  na  qual  o  credor  tem  a  prerrogativa  de  exigir  de  qualquer  dos  co­ obrigados  (ou  de  todos)  o  cumprimento  da  obrigação,  seria  desnecessário dizer, como faz o parágrafo único do art. 124, que  Fl. 6476DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.635          21 a ‘solidariedade referidas neste artigo não comorta benefício de  ordem’.” 7 (grifo nosso)  A conclusão da DRJ, em seu primeiro julgamento, de que não se pode exigir  crédito  tributário  de  responsável  solidário  sem  que  se  tenha  autuado  o  contribuinte,  assim,  encontrava  obstáculo  interpretativo  no  art.  124  do CTN,  pois  a  inexistência  de  benefício  de  ordem não  se  coaduna com a obrigatoriedade de  autuação de um, de outro,  ou de  ambos os  membros do polo passivo da relação tributária.  A segunda observação refere­se à natureza da exigência fiscal. Veja­se que o  montante exigido é a título de penalidade, e não de tributo. A multa a que se refere a autuação  decorre  da  impossibilidade  de  aplicação  da  pena  de  perdimento  às mercadorias  irregular  ou  fraudulentamente importadas, ante sua não localização ou seu consumo.  A  aplicação  da  pena  de  perdimento  está  prevista  na  legislação  aduaneira  (principalmente  nos Decretos­Leis  no  37/1966  e  no  1.455/1976),  que  lhe  outorga  tratamento  sensivelmente distinto daquele delineado na legislação tributária (inclusive no que se refere a  ritos  e  instâncias  julgadoras).  O  julgador  a  quo  não  deixou  de  tomar  em  conta  esse  fator,  trazendo  ao  voto  condutor  do  acórdão  o  art.  95  do  Decreto­Lei  no  37/1966,  que  afirma  responder  pela  infração,  conjunta  ou  isoladamente,  quem  quer  que,  de  qualquer  forma,  concorra para sua prática, ou dela se beneficie, seja o importador, o adquirente de mercadorias  por conta e ordem, ou o encomendante predeterminado. De tal comando, extraiu o julgador a  quo inicialmente que:  “Identificados  os  infratores  todos  devem  responder  pela  infração  conjuntamente.  No  outro  sentido,  no  caso  de  se  identificar  apenas  um  dos  infratores  este  responderá  isoladamente.  Essa  é  a  interpretação  que  deve  se  dar  aos  dispositivos legais em trato.  Portanto,  a  previsão  legal  de  os  acusados  responderem  pela  infração "conjunta ou isoladamente" não permite que o autuante  eleja  entre  eles  aquele  que  deve  responder  pela  infração.  Em  outras palavras,  identificados mais de um  infrator  todos devem  Ser autuados conjuntamente, conforme previsão legal.  Como  visto,  não  foi  esse  o  procedimento  adotado  pela  fiscalização,  que  autuou  unicamente  a  pessoa  jurídica  que  concluiu  ser  a  real  adquirente  das  mercadorias  importadas.”  (grifo nosso)  Percebe­se  novamente  que o  julgador  relacionava  a  ausência  do  coautor  da  infração  na  autuação  à  exoneração  da  responsabilidade  do  autuado.  Tal  leitura  do  comando  legal apresenta contradição lógica. Vejam­se, além do inciso I, os incisos V e VI do comando  legal:  “Art.95 ­ Respondem pela infração:  I ­ conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma,  concorra para sua prática, ou dela se beneficie;  (...)                                                              7 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 308­309.  Fl. 6477DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     22 V  ­  conjunta  ou  isoladamente,  o  adquirente  de  mercadoria  de  procedência  estrangeira,  no  caso  da  importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora.  (Incluído pela Medida Provisória  nº 2.158­35,  de  2001)  VI ­ conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado  que  adquire  mercadoria  de  procedência  estrangeira  de  pessoa  jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)”.  Levada adiante a interpretação inicial do julgador de primeira instância, seria  ilógico que os  incisos V e VI utilizassem a expressão “conjunta ou  isoladamente”, visto que  tais  operações  (conta  e  ordem  e  encomenda)  são  realizadas  de  forma  conjunta  (entre  importador  e  adquirente,  ou  importador  e  encomendante),  e  um  eventual  acobertamento  ou  ocultação não poderia ser praticado somente com a ação de um operador, como reconheceu a  própria decisão de piso:  “Não  se  pode  olvidar  que,  ainda  que  se  comprove  que  a  real  adquirente das mercadorias importadas tenha sido a mentora da  fraude acusada, a  infração não  teria como  ser  cometida  sem o  envolvimento  direto  da  importadora  que  registrou  as  Declarações de Importação em seu nome.”  Não se pode confundir a prática conjunta ou isolada com a responsabilidade  conjunta  ou  isolada.  É  não  só  possível,  mas  frequente  que  agentes  que  concorrem  conjuntamente  para  a  prática  de  uma  infração  respondam  de  forma  isolada,  em  autuações  distintas, e, às vezes, com penalidades distintas.  Nesse sentido vale recordar decisão recente, exarada no âmbito deste CARF,  em caso que guarda notória relação com o tratado no presente processo:  “PENA  DE  PERDIMENTO.  MULTA  SUBSTITUTIVA  EQUIVALENTE  AO  VALOR  ADUANEIRO.  SUJEIÇÃO  PASSIVA. IMPORTADOR OSTENSIVO. NULIDADE DO AUTO  DE  INFRAÇÃO.  Não  sendo  possível  a  cominação  da  pena  de  perdimento  e  identificado  o  importador  oculto  no  curso  da  fiscalização,  o  importador  ostensivo  estará  sujeito  à  multa  de  10%  da  operação  (Lei  nº  11.488/2007,  art.  33)  e  à  multa  substitutiva  correspondente  ao  valor  aduaneiro  da mercadoria  importada  (Decreto­Lei  nº  1.455/1976,  art.  23,  V,  §  3º).  Esta  será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição  de  coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas  demais  hipóteses  de  responsabilização  solidária  do  art.  95  do  Decreto­Lei  nº  37/1966,  notadamente  aquele  que  se  beneficia  com a prática da infração. Não há erro na imputação subjetiva  quando o auto de infração impõe a penalidade apenas a um dos  coautores identificados.” 8  Convém ainda  transcrever excerto do voto  condutor do  referido  julgamento  do CARF, acolhido unanimemente pela Turma9:  “Com efeito, o exame dos autos mostra que a empresa  (...), ao  figurar formalmente na documentação de importação, agiu como  importadora ostensiva  de mercadorias  destinadas  à Recorrente                                                              8 Acórdão 3802­00.914, CARF/2a TE/3a Seção, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, sessão de 21.mar.2012.  9 Suprimindo­se o nome das empresas envolvidas.  Fl. 6478DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.636          23 (...) (importadora oculta). A Recorrente (...), por sua vez, embora  não  tenha  figurado  formalmente  em  nenhum  documento  de  importação,  coordenava  a  operação  e  se  utilizava  da  importadora  ostensiva  (...)  para  internalizar  mercadorias  destinadas à (...).”  “Diante  disso,  constatada  a  impossibilidade  de  cominação  da  pena de perdimento, a Fiscalização, à luz da legislação aplicável  e  dos  precedentes  do Carf  acerca  da  interposição  fraudulenta,  deveria  ter  cominado  à  importadora  ostensiva  (...)  a  multa  de  10% da operação acobertada  (Lei nº 11.488/2007, art.  33) e a  multa substitutiva do perdimento (DecretoLei nº 1.455/1976, art.  23,  V,  §  3º);  esta  última,  em  solidariedade  com  o  importador  oculto  (...)  e  com  a  (...),  que,  no  caso,  coordenou  e  auferiu  vantagem  financeira  com  a  operação,  concorrendo  e  se  beneficiando com a prática do ato (DL 37/1996, art. 95, I).  A  Fiscalização,  entretanto,  deixou  de  penalizar  a  importadora  ostensiva, cominando a pena substitutiva do art. 23, § 3º, apenas  aos  demais  coautores.  Esse  equívoco,  todavia,  não  implica  a  nulidade  do  auto  de  infração,  porque  a  omissão  de  um  dos  coautores não afasta a responsabilidade dos demais agentes que  concorreram para a prática do ato.  Não  há,  destarte,  uma  interdependência  entre  as  relações  jurídicas,  porque  a  responsabilidade  solidária,  na  hipótese,  decorre da coautoria. Tanto é assim que, na maioria dos casos, o  importador  ostensivo  é  punido  de  forma  autônoma,  mesmo  quando  não  identificado  o  real  adquirente.  É  o  que  ocorre  na  interposição  fraudulenta  por  presunção,  que  é  caracterizada,  nos  termos  do  §  2º  do  art.  23,  do  DecretoLei  nº  1.455/1976,  sempre que o  importador não é capaz de comprovar a origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados  na  operação. Da mesma forma, se o importador ostensivo, embora  identificado,  deixa  de  ser  penalizado  porque  a  autoridade  fazendária  entendeu  que  apenas  a  multa  do  art.  33  da  Lei  nº  11.488/2007  lhe  seria aplicável,  subsiste a  responsabilidade do  importador  oculto  e  dos  demais  coautores  (como,  no  caso,  a  ...).”  Daí o Acórdão no 3403­001.912 ter externado posicionamento unânime desta  turma  em  relação  à  sujeição  passiva,  admitindo  que  a  ausência  do  importador  de  direito  (“Proimport”) na autuação não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato).  Em adição ao exposto, é preciso esclarecer que a penalidade de que  trata o  art. 23, V do Decreto­Lei no 1.455/1976 não tem como núcleo da conduta o verbo “ocultar”:  “Art.  23. Consideram­se  dano  ao Erário  as  infrações  relativas  às mercadorias:  (...)  V ­ estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação,  na hipótese  de  ocultação do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou  Fl. 6479DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     24 simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros.”  (grifo nosso)  A  penalidade  não  é  por  ocultar,  mas  pela  hipótese  de  ocultação,  pela  ocorrência de ocultação.  Estaria  correto  o  raciocínio  da  empresa  recorrente  se  a multa  em  comento  fosse a prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, pois aí sim o núcleo é “acobertar”/ceder o  nome/ocultar:  “Art.  33.  A  pessoa  jurídica  que  ceder  seu  nome,  inclusive  mediante  a  disponibilização  de  documentos  próprios,  para  a  realização de operações de comércio exterior de  terceiros com  vistas  no  acobertamento  de  seus  reais  intervenientes  ou  beneficiários  fica  sujeita  a  multa  de  10%  (dez  por  cento)  do  valor  da  operação  acobertada,  não  podendo  ser  inferior  a  R$  5.000,00 (cinco mil reais).” (grifo nosso)  A multa  do  art.  33  da  Lei  no  11.488/2007  é  inaplicável  ao  ocultado.  Já  a  penalidade  pela  infração  prevista  no  art.  23,  V  do  Decreto­Lei  no  1.455/1976  é  aplicável,  conjunta ou isoladamente, a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou  dela  se  beneficie  (ocultante  ou  ocultado),  conforme  o  já  citado  art.  95  do  Decreto­Lei  no  37/1966.  Assim decidiu esta turma de forma unânime recentemente:  “INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  PENALIDADES.  CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO.  A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser  comprovada  ou  presumida.  A  interposição  presumida  é  aquela  na qual se  identifica que a empresa que está importando não o  faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a  disponibilidade  e  a  transferência  dos  recursos  empregados  na  operação.  Assim,  com  base  em  presunção  legalmente  estabelecida  (art.  23,  §  2o  do  Decreto­Lei  no  1.455/1976),  configura­se  a  interposição  e  aplica­se  o  perdimento.  Em  tal  hipótese,  não  há  que  se  cogitar  da  aplicação  da  multa  pelo  acobertamento.  Segue­se,  então,  a  declaração  de  inaptidão  da  empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a  redação  dada  pela  Lei  no  10.637/2002.  A  interposição  comprovada  é  caracterizada  por  um acobertamento no  qual  se  sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade  de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese  possa  a  responsabilidade  ser  conjunta,  conforme  o  art.  95  do  Decreto­Lei  no  37/1966)  e  a  multa  por  acobertamento  afeta  somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.”  (Acórdão  no  3403­002.746,  Rel.  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso)  E  também  é  de  se  esclarecer  que  é  imprópria  a  analogia  com  o  processo  penal,  porque  a  autuação  lavrada  somente  contra  um  dos  envolvidos  não  tem  o  permissivo  normativo de perdoar os demais.  Eventual ausência de um dos sujeitos passivos na autuação por certo não tem  o condão de nulificar a autuação em relação ao outro, ou perdoar o outro. Poderia, no máximo,  Fl. 6480DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.637          25 ensejar providências administrativas de autuação complementar (se ainda não existente), ou de  responsabilização da autoridade autuante.  Enfim,  é  preciso  recordar  que  o  que  se  está  aqui  a  julgar  é  a  autuação  da  empresa “Brasilux”, e não a ausência de autuação da empresa “Proimport”. E não há dúvidas  sobre a responsabilidade da empresa “Brasilux”.  1.4. Do cerceamento de defesa  A única influência da ausência de autuação da empresa “Proimport” sobre o  presente processo é o alegado cerceamento de defesa, por não ter a “Brasilux” os documentos  referentes às  importações. Tal argumento serviu,  inclusive, para supedanear a procedência da  impugnação no primeiro julgamento efetuado pela DRJ.  No entanto, se há algo inequívoco no presente processo é o fato de a empresa  “Proimport”  ter  importado  recorrentemente mercadorias  para  a  “Brasilux”,  que  acompanhou  todos os procedimentos relativos ao despacho de importação. Como já exposto aqui, a própria  “Brasilux” confirma que a “Proimport” atuava importando mercadorias sob sua encomenda, e  que ela (a “Brasilux”) não é uma singela adquirente.  Irrazoável, assim, crer que a não autuação da empresa “Proimport” tenha sido  um obstáculo instransponível à defesa da “Brasilux”.  Na  autuação,  a  conduta  imputada  é  de  que  a  autuada,  importadora  de  fato  (“Brasilux”), importou por intermédio de interposta pessoa, de forma fraudulenta. São juntados  ao  processo  os  documentos  referentes  a  todas  as  175  Declarações  de  Importação  objeto  da  autuação (extrato da declaração e documentos instrutivos).  Quando o fisco solicita à autuada a apresentação das mercadorias importadas  para  fins  de  aplicação  da  pena  de  perdimento  (fls.  2719/2710),  a  empresa  informa  (fls.  2722/2723) que a mercadoria de uma das DI foi consumida, e que, em relação às outras 174  DI:  “[...]  não  possui,  em  seus  registros,  quaisquer  informações  relativas às  respectivas  importações,  o que  leva a  concluir que  não foram importadas pela Brasilux.”  Por óbvio, não haviam sido importadas pela Brasilux. Tanto o fisco quanto a  empresa  recorrente  o  sabiam,  e  tinham  conhecimento  de  que  a  importadora  indicada  nos  documentos era a “Proimport”.  Verificando a documentação apreendida na empresa, e as alegações em sede  de impugnação que confirmam ser as mercadorias importadas por encomenda da “Brasilux” à  empresa “Proimport”, sendo que a “Brasilux” é que definia preços, quantidades e outros fatores  relevantes da importação, é irrazoável a alegação de desconhecimento. Contudo, nessa etapa do  processo ainda não estava instaurado o contencioso, que tem início com a ciência da autuação.  Inaugurado  o  contencioso,  a  empresa  obteve  cópia  da  documentação  referente à autuação e documentos complementares constantes no presente processo (fl. 2986),  e  teve  à  sua  disposição  a  íntegra  do  processo,  onde  consta,  como  aqui  explicitado,  toda  a  documentação  instrutiva das 175 Declarações de  Importação, o que  lhe permitiria  facilmente  vincular,  com  base  em  seu  registro  de  entrada,  as  notas  fiscais  correspondentes  a  tais  Fl. 6481DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     26 declarações. Contudo, persistiu na impugnação (e ainda persiste em sede de recurso voluntário)  a  alegação  de  cerceamento  de  defesa  pela  impossibilidade  de  acesso  à  documentação  da  “Proimport”  (empresa  que,  repita­se,  era  mera  importadora  de  bens  para  destinação  previamente acordada à “Brasilux”, nos termos por esta estabelecidos).  Não se vê, assim, a apontada mácula à defesa da autuada, cabendo  também  aqui,  pela  notória  relação  com  o  tratado  no  presente  processo,  transcrever  outro  excerto  da  mesma decisão unânime do CARF, aqui já referida:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO [...]  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  NEGATIVA DE  ACESSO À DOCUMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não  há que se falar em cerceamento de direito de defesa por negativa  de  acesso  à  documentação,  uma  vez  que  a  procuradora  da  Recorrente  requereu  e  obteve  cópia  integral  dos  autos  do  processo.” 10  Assim,  correta  a  responsabilização  da  empresa  “Brasilux”  (independentemente do tratamento que se tenha dado à empresa “Proimport”), restando ausente  o alegado cerceamento de defesa.  2. Do recurso de ofício  A  DRJ  afasta  a  exigência  da  multa  em  relação  às  DI  registradas  até  18/11/2004, com base no art. 139 do Decreto­Lei no 37/1966:  “Art.139  ­ No mesmo  prazo  do  artigo  anterior  se  extingue  o  direito  de  impor  penalidade,  a  contar  da  data  da  infração.”  (grifo nosso) (o prazo a que se refere o art. 138 é de cinco anos)  E  o  valor  exonerado  totaliza  R$  2.367.987,05,  o  que  enseja  o  recurso  de  ofício.  Como a ciência da autuação ocorreu em 25/11/2009 (fl. 2968), o lançamento  da multa só poderia abarcar as DI registradas após 24/11/2004. Assim, correta a exclusão das  multas correspondentes a 19 DI (da relação de 175, constante da autuação), efetuada pela DRJ.  Tais DI foram registradas no período de 04/03/2004 a 18/11/2004.  Acolhe­se  assim,  a  argumentação  pela  decadência,  por  disposição  legal  expressa constante no art. 139 do Decreto­Lei no 37/1966.  3. Da Interposição Fraudulenta  A  tese  mestra  da  empresa  é  de  que  não  ocorreu  interposição  fraudulenta  porque  as  importações  efetuadas  foram  por  encomenda,  sendo  a  “Brasilux”  a  encomendante  predeterminada e a “Proimport” a importadora por encomenda.  3.1. Das importações por encomenda e por conta e ordem  A empresa afirma, analisando a evolução  legislativa do  tema, que “somente  haverá  fraude  e  simulação  quando  o  adquirente/encomendante  for  equiparado  ao  importador”, e que tal equiparação com a figura do encomendante só veio a ocorrer com a Lei  no 11.281/2006 (art. 13).                                                              10 Acórdão 3802­00.914, CARF/2a TE/3a Seção, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, sessão de 21.mar.2012.  Fl. 6482DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.638          27 A leitura do histórico da legislação sobre importações efetuadas por terceiros  no Brasil (conta e ordem e encomenda), efetuada pela empresa, é substancialmente equivocada.  A uma, porque imagina que as alterações legislativas tiveram por escopo principal a disciplina  do IPI. A duas, porque entende que só existe fraude ou simulação se o ocultado for equiparado  a importador.  A questão referente ao IPI é uma, mas não a motivação de todo o arcabouço  legislativo disciplinando as importações por conta e ordem e encomenda, prática que pode ser  prestar  a  propiciar  subfaturamento,  sonegação  na  tributação  interna,  burla  a  controles  administrativos  e  à  habilitação,  e  fuga  a  parâmetros  de  seletividade  aduaneiros  (canais  de  conferência  mais  rigorosos).  Assim,  a  construção  jurídica  desenvolvida  apena  com  o  perdimento,  v.g.,  uma  empresa  que  recolhe  todos  os  tributos  devidos  (inclusive  o  IPI), mas  ainda assim oculta  terceiro de  forma  fraudulenta  em operação de comércio  exterior. A visão  exclusivamente tributária do comércio exterior é míope, e ignora os contornos aduaneiros das  operações. Veja­se que o fisco aponta, na autuação, possíveis benefícios obtidos com a fraude,  sendo a “quebra da cadeia do IPI” um deles.  Como  já  destacado  anteriormente,  em  citação  a  julgamento  unânime  desta  turma,  a  interposição,  em  uma  operação  de  comércio  exterior,  pode  ser  comprovada  ou  presumida. A  interposição  presumida  é  aquela  na  qual  se  identifica  que  a  empresa  que  está  importando  não  o  faz  para  ela  própria,  pois  não  consegue  comprovar  a  origem,  a  disponibilidade e a  transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em  presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto­Lei no 1.455/1976), configura­se a  interposição e aplica­se o perdimento. Segue­se, então, a declaração de inaptidão da empresa,  com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A  interposição comprovada, por sua vez, é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe  quem é o  acobertante  e  quem é o  acobertado. Nesse  caso,  a  penalidade  de perdimento  afeta  materialmente o acobertado  (em que pese possa a  responsabilidade ser conjunta,  conforme o  art. 95 do Decreto­Lei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e  justamente pelo fato de “acobertar”  Assim, a conclusão a que chega a empresa recorrente de que “a interposição  de  terceiros apenas  será  considerada  infração quando existir  evidente  fraude ou  simulação,  bem  como  conluio  entre  as  partes”  é  correta  (em  relação  à  interposição  comprovada),  e  indiretamente correta em relação à interposição presumida.  Contudo,  daí  a  concluir  no  parágrafo  seguinte  da  argumentação,  que  “a  fraude ou simulação, na  interposição de pessoas,  todavia, apenas ocorrerá quando o sujeito  omitido for equiparado ao importador para fins de recolhimento dos tributos, haja vista que,  não havendo qualquer equiparação, não há que se falar em fraude ou simulação, porquanto  não  haverá  supressão  de  tributo  ou  ocultação  do  real  beneficiário  da  operação”  vai  uma  distância  abissal.  E mais,  endossa  a  visão  equivocada  de  que  a  construção  legislativa  é,  em  verdade, para evitar a “interposição fraudulenta no pagamento do IPI”.  Além de em momento algum a legislação equiparar o adquirente (ou mesmo  o  encomendante)  ao  importador,  tal  fato  não  guarda  nenhuma  conexão  com  a  figura  da  interposição  fraudulenta,  pois  a  ocultação  não  busca,  como  aqui  já  exposto,  unicamente  os  aspectos  tributários.  O  que  a  legislação  (art.  79  da  MP  no  2.158­35/2001)  faz  é  uma  equiparação a “estabelecimento industrial” de quem adquire mercadorias do importador. E tal  equiparação  não  é,  definitivamente,  condição  para  aplicação  da  penalidade  de  perdimento  Fl. 6483DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     28 prevista em dispositivo legal diverso (art. 23, V do Decreto­Lei no 1.455/1976), em que sequer  se faz menção ao recolhimento de IPI (ou de outro tributo).  Não se alongará aqui a discussão a respeito de a “Proimport” ser uma pessoa  interposta à “Brasilux” nas  importações, pois  isso é  incontroversos nos autos. A controvérsia  reside  na  forma  de  interposição,  lícita  (na  modalidade  por  encomenda,  ainda  que  antes  da  legislação  que  veio  a  reger  a  matéria,  como  defende  a  empresa  recorrente)  ou  fraudulenta  (conforme sustenta o fisco, na modalidade por conta e ordem).  E, para tanto, é relevante verificar o comportamento financeiro da operação,  que  possibilita  identificar  diante  de  qual  modalidade  de  importação  se  está,  principalmente  tendo em vista o disposto no art, 27 da Lei no 10.637/2002: “a operação de comércio exterior  realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume­se por conta e ordem deste”.  Afirma a empresa recorrente, sobre o tema, que não suportou financeiramente  a  operação  (como  se  demonstra  em  tabela  relacionada  à  DI  no  04/0904819­9),  sendo  que  a  “Proimport”  é  que  era  a  verdadeira  financiadora  das  importações  (e  esta,  “utilizando  dos  mecanismos  comerciais,  retardava  o  fechamento  de  câmbio,  os  quais  (sic),  as  vezes  eram  quitados  após  o  pagamento  de  algumas  duplicatas”),  e  todos  os  pagamentos  de  duplicatas  e  fechamentos  de  câmbio  ocorreram  após  a  entrega  das mercadorias,  conforme  planilha  a  ser  anexada,  elaborada  pela  importadora  (“Proimport”),  sendo  que  não  existiu  procedimento  especial de verificação da origem dos recursos, no caso.  A  inexistência  de  procedimento  especial,  destaque­se  de  início,  não  é  impeditiva da autuação, ainda mais se os efeitos da verificação levada a cabo no procedimento  fiscal tiverem finalidade idêntica.  Às  fls.  2777/2778,  a  fiscalização  destaca  a  origem  dos  documentos  que  utiliza, o que refuta a tese da não identificação da origem dos documentos levada a cabo pela  empresa, e aqui  tratada no tópico 1.2.  Informa o fisco que os documentos de fls. 504 a 1443  (notas  fiscais e documentos  instrutivos) foram enviados pela “Proimport” e os de  fls. 1444 a  2680  (extratos das DI,  e documentos  instrutivos  ­ muitas vezes  com claras  características de  estarem em elaboração),  foram retidos na empresa “Brasilux”, com exceção dos contratos de  câmbio e das “papeletas de quitação do fechamento”, também enviados pela “Proimport”. E as  solicitações  de  numerário  ora  foram  enviadas  pela  “Proimport”,  ora  retidas  na  “Brasilux”,  havendo casos em que ambas as partes forneceram suas cópias de tal documento.  E  com base  em  tais  documentos,  confecciona  a  planilha V  (Saída  das DI  ­  mercadorias ­ da “Proimport” para a “Brasilux”), e detalha a fundamentação da autuação para  cada  DI,  com  base  nos  documentos  instrutivos,  nas  “papeletas”  e  em  e­mail  trocados  por  representantes  da  empresa  com  importadores,  fornecedores  estrangeiros  e  outros  operadores.  Tal detalhamento, que consta da autuação às fls. 2780 a 2912, não é especificamente refutado  pela  empresa  recorrente,  que  se  limita  a  afirmar  que  as  “papeletas”  não  possuem  valor  probatório, e que são documentos apócrifos.  É  cediço  que  no  comércio  internacional  a  maior  parte  das  questões  é  resolvida por contatos via e­mail ou pedidos que não são formalmente assinados ou registrados  em cartório. Ademais, em relação à conduta imputada (interposição fraudulenta), não é de se  esperar que as documentações que atestassem as fraudes fossem formalizadas e oficializadas.  Seria exigir como requisito à autuação o irrazoável.  No que se refere ao financiamento das operações pela “Brasilux”, repita­se, a  argumentação  genérica  sobre  invalidade de documentos  e o  exemplo  (em  relação  a uma DI)  Fl. 6484DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.639          29 presente no  recurso voluntário  (com a promessa de planilha anexa) estão  longe de  refutar as  provas existentes nos autos.  Veja­se que ao final da autuação a questão é sintetizada da seguinte forma:  “Em  todas  as  importações,  o  suporte  financeiro  dos  valores  remetidos  aos  fornecedores  no  exterior  foi  inteiramente  suportado pela empresa Brasilux, antes de a Proimport remeter  as  divisas  através  (sic)  de  contrato  de  câmbio  em  seu  próprio  nome,  e  após  solicitação  expressa  da  Proimport  à  Brasilux  –  mesmo independentemente de as mercadorias serem destinadas,  formal  e  posteriormente,  às  outras  três  empresas  do  grupo  Taschibra ou, minoritariamente, a outras empresas estranhas ao  grupo.”  Ou, como destacou a DRJ:  “A  fiscalização  constatou  que  a  ‘Brasilux  Indústria  Comércio  Importação  e  Exportação  LTDA’  tinha  total  domínio  e  conhecimento das importações operacionalizadas por intermédio  da  ‘Proimport  Brasil  LTDA’,  tendo  apreendido  em  seu  poder  documentos relativos às importações.  Fato  determinante  da  caracterização  da  infração  foi  a  constatação,  por  parte  da  fiscalização,  de  que  a  ‘Brasilux  Indústria Comércio  Importação e Exportação LTDA’  transferia  recursos  à  ‘Proimport  Brasil  LTDA’  que  os  utilizava  para  fechamento  dos  contratos de  câmbio  referentes  às mercadorias  importadas.  Para  o  feito  a  ‘Proimport  Brasil  LTDA’  encaminhava  solicitação  de  transferência  de  recursos  à  ‘Brasilux  Indústria  Comércio  Importação  e  Exportação  LTDA’  detalhando os custos envolvidos nas importações (v.  fls. 1461 a  2365).  Dessa  forma,  restou  demonstrado  que  houve  a  ocultação  da  autuada ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação  LTDA’  com  interposição  fraudulenta  da  empresa  ‘Proimport  Brasil LTDA’ nas 175 operações de importação analisadas.  O  fato  de  terem  sido  utilizados  recursos  da  adquirente  nas  operações  de  importação  da  importadora,  faz  presumir  que  as  operações  foram realizadas por sua conta e ordem, nos  termos  do artigo 27 da Lei no 10.637/2002 (...)”  E as peças de defesa não conseguem afastar  as provas  individualizadas por  DI, constante na autuação.  Em  algumas  declarações  de  importação  o modus  operandi  salta  aos  olhos.  Veja­se a DI no 04/0231737­2, de 11/03/2004,  registrada em 11/03/2004 (documentos às  fls.  2644 a 2664, e descrição na autuação às fls. 2932 a 2936). Além da documentação instrutiva da  DI,  figura  uma  solicitação  de  antecipação  de  numerário,  endereçada  da  “Proimport”  à  “Brasilux”, em 09/03/2004, com a descrição em minúcias dos custos a serem depositados em  conta corrente (frete, taxa SISCOMEX...). E ao final da solicitação a “Proimport” esclarece que  “caso o depósito seja efetuado em cheque, aguardaremos a compensação do mesmo (sic) para  Fl. 6485DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     30 darmos  início  à  nacionalização  da  mercadoria”.  E  segue  a  mensagem  informando  que  “havendo  urgência  na  nacionalização,  favor  efetuar  um  TED,  pois  nesta  modalidade  de  pagamento o crédito é efetuado em aproximadamente 30 minutos em nossa conta corrente”. Se  isso não for adiantamento de recursos, não se saberá o que o é. E o numerário solicitado foi  prontamente transferido em 10/03/2004, pela “Brasilux”.  Em vista do exposto, revela­se absolutamente equivocada a tese da recorrente  sobre eventuais atrasos no fechamento de câmbio.  Não  se  está  aqui  a  discutir  procedimentos  contábeis,  mas  a  tratar  de  interposição  fraudulenta  comprovada  por  meio  dos  próprios  documentos  enviados  pelo  ocultante ou apreendidos na empresa ocultada.  Procedente  assim a argumentação de que  a  importação ocorreu por  conta  e  ordem, tendo em vista que os recursos foram carreados pela empresa “Brasilux” à “Proimport”,  como comprovado pelo fisco, e não afastado pela empresa recorrente.  3.2. Do dano ao Erário  A  empresa  afirma  ainda  não  ter  existido  dano  ao  Erário,  pois  não  houve  “quebra  da  cadeia  do  IPI”. A  alegação  revela  dois  entendimentos  equivocados  em  relação  à  interposição  fraudulenta. O primeiro de que  toda  a  construção  legislativa que  rege a matéria  teve preocupação exclusivamente tributária, quando a temática afeta à interposição fraudulenta  é predominantemente aduaneira, ligada à gestão de risco nas operações de comércio exterior.  A  segunda,  de  que  o  dano  ao  Erário  tem  que  ser  especificamente  caracterizado para a aplicação da penalidade.  O auto de infração foi lavrado com enquadramento no art. 23 do Decreto­Lei  no  1.455/1976,  com  a  redação  dada  pela  Lei  no  10.637/2002,  motivado  por  interposição  fraudulenta. Dada a impossibilidade de localização da mercadoria, o perdimento foi substituído  por multa com base no § 3o do mesmo art. 23:  “Art. 23. Consideram­se dano ao Erário as  infrações relativas  às mercadorias:  (...)  IV ­ enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b "  do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo  105, do Decreto­lei número 37, de 18 de novembro de 1966.  V ­ estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação,  na  hipótese  de  ocultação  do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou  simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.  §  1o  O  dano  ao  erário  decorrente  das  infrações  previstas  no  caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das  mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002)  §  2o  Presume­se  interposição  fraudulenta  na  operação  de  comércio  exterior  a  não­comprovação  da  origem,  disponibilidade e transferência dos recursos empregados.  § 3o A pena prevista no § 1o converte­se em multa equivalente  ao  valor  aduaneiro  da mercadoria que não  seja  localizada  ou  Fl. 6486DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.640          31 que  tenha  sido  consumida.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.637,  de  30.12.2002)” (grifos nossos)  É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer  que  só  quando  ocasionarem  dano  ao  Erário  as  infrações  ali  referidas  serão  punidas  com  o  perdimento.  Ele  está,  sim,  trazendo  claramente  duas  afirmações:  (a)  as  infrações  ali  relacionadas consideram­se dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento.  Disso,  silogisticamente  se pode  afirmar que  as  infrações  ali  relacionadas  são  punidas  com o  perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto.  Seria  improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos  importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23).  Aliás,  as  disposições  do Decreto­Lei  surgem  exatamente  para  regulamentar  dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte,  de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica  adversa,  ou  revolucionária  ou  subversiva  nos  termos  que  a  lei  determinar.  Esta  disporá  também,  sobre  o  perdimento  de  bens  por  danos  causados  ao  Erário,  ou  no  caso  de  enriquecimento  ilícito no  exercício de cargo,  função ou emprego na Administração Pública,  Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17):  “17.  Nos  artigos  23  e  24,  com  fulcro  no  artigo  153  da  Lei  Magna, enumeram­se as  infrações que, por constituírem dano  ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De  fato, todas as hipóteses arroladas, quase  todas  já existentes em  legislação anterior, representam um comprometimento a dano de  nossas  reservas  cambiais  e  uma  inadimplência  de  obrigações  tributárias essenciais.”(grifo nosso)  Assim,  é  inócua  a  discussão  sobre  a  existência  de  dano  ao  Erário  nos  dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do  texto da própria  lei  (em verdade,  decreto­lei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da  norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF  no 2.  Nesse sentido tem acordado unanimemente esta turma.11  3.3. Da conversão da pena de perdimento em multa  A substituição da pena de perdimento por uma multa, no valor aduaneiro das  mercadorias, prevista no § 3o do art. 23 do Decreto­Lei no 1.455/1976, com a redação dada pela  Lei no 10.637/2002, resulta da impossibilidade de localização ou do consumo das mercadorias.  No caso em análise, a empresa recorrente sustenta que a “conversão” da pena  de perdimento em multa é ilegal, porque não houve comprovação, pela autoridade autuante, da  não localização, transferência ou consumo das mercadorias.  A alegação é incompatível com o restante da defesa da empresa, que sustenta  que as importações foram efetuadas por encomenda da “Brasilux”.                                                              11 Acórdão n. 3403­002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403­ 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013.  Fl. 6487DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     32 Não  há  controvérsia  nos  autos  de  que  a  “Brasilux”  participou  das  importações.  E  em  sua  sede  foram  retidos  documentos  correspondentes  às  importações  em  análise (com detalhamento incompatível para uma empresa que alegava inicialmente, de forma  simples, que as importações não foram por ela efetuadas).  A  efetiva  responsável  pela  importação  (e  proprietária  das  mercadorias  importadas)  é  a  “Brasilux”,  seja  a  operação  por  conta  e  ordem,  seja  por  encomenda  (como  defende a recorrente).  Assim, correto o procedimento do fisco de intimar a “Brasilux” a apresentar  as  mercadorias  (fls.  2719/2720)  e,  diante  da  negativa,  efetuar  a  substituição  da  pena  de  perdimento por multa, na forma do § 3o do art. 23 do Decreto­Lei no 1.455/1976.  Repare­se  que  a  empresa  “Brasilux”,  que  detinha  conhecimento  de  (e  controle sob)  todas as operações de  importação  relacionadas  (o que é  inequívoco nos autos),  responde à  intimação  informando que a mercadoria da 175a DI  (a última  recente) havia  sido  consumida, e que, em relação às outras 174 DI:  “[...] a Contribuinte informa que não possui, em seus registros,  quaisquer informações relativas às respectivas operações, o que  nos leva a concluir que não foram importadas pela Brasilux”.  Destaque­se  ainda  que  a  afirmação  da  recorrente,  em  sede  de  recurso  voluntário, de que “a matéria  sequer  foi apreciada pelo  julgamento de primeira  instância”  se  revela também equivocada, bastando a leitura do último parágrafo da fl. 6349 e o primeiro da  fl. 6350 para comprovar o oposto.  Não  há,  assim, máculas  ao  procedimento  adotado  pela  fiscalização,  que  se  revelou totalmente conforme a legislação em vigor.  3.4. Da DI no 06/1357083­3  A empresa recorrente sustenta que não houve interposição em relação à DI no  06/1357083­3, pois o encomendante está devidamente identificado nos dados complementares  da DI, tendo a DRJ alterado o enquadramento da autuação.  Em  relação  a  tal DI,  os  documentos de  fls.  2780 a 2784  (nota de débito,  e  mensagens eletrônicas) tornam inequívoco que a empresa “Brasilux” detinha o controle de toda  a  operação  de  importação,  determinava  alterações  de  documentos  da  “World Brazil”  para  a  “Proimport”  (burlando  controles  aduaneiros  e  limites  de  habilitação),  suportando  o  ônus  financeiro  da  operação  (não  só  a  remessa  cambial,  conforme  se  depreende  das  mensagens  eletrônicas, mas as próprias despesas de despacho).  E,  destaque­se que  à  época do  registro da DI  (09/11/2006)  já  era vigente  a  legislação que rege as importações por encomenda (Lei no 11.281/2006 e IN SRF no 634/2006),  e  que  a  “Brasilux”  já  usava  as  importações  por  encomenda  em  DI  anteriores,  que  eram  corretamente preenchidas no campo “adquirente”.  Mas,  nesta,  em  específico  (para  a  qual  a  “Brasilux”  tinha  conhecimento,  como comprovado nos autos, que a mercadoria estava com “World Brazil” escrito nas caixas,  mas que estava sendo  intermediada a operação pela “Proimport”), o campo “adquirente” não  foi preenchido como “Brasilux” (que seria a encomendante), mas com “Proimport”, fazendo­se  menção  à modalidade  de  encomenda  somente no  campo  (informações  complementares,  que,  por ser um campo aberto, não é tratado, em regra, por parâmetros sistêmicos de seletividade).  Fl. 6488DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/2009­15  Acórdão n.º 3403­002.865  S3­C4T3  Fl. 3.641          33 Assim,  aumentava  a  chance  de  canal  verde  (o  que  significa  ausência  de  verificação  da  mercadoria pela Aduana). E, de fato, como se narra à fl. 2786, atingiu­se o objetivo: a DI foi  selecionada para o canal verde.  Aí, com a burla aos parâmetros de seletividade, reside o mais claro exemplo  de que a interposição nem sempre tem por escopo aspectos tributários.  E todas as informações registradas neste item foram explícitas na autuação.  Assim,  quando  a  DRJ  expressa  entendimento  de  que  restou  plenamente  demonstrado que a importação em análise foi efetuada por conta e ordem, tendo em vista que  recursos utilizados na operação provieram da “Brasilux”, não está inovando, mas endossando  os argumentos da autuação.  Improcedente, assim, o recurso voluntário nesse aspecto.  3.5. Da ilegitimidade passiva nas aquisições efetuadas por terceiros  A  empresa  recorrente  afirma,  por  fim,  que  há  ilegitimidade  passiva  nas  aquisições  realizadas  pela  “Eletrobrasil”,  pela  “All  Home”  e  pela  “World  Brazil”,  porque  é  impossível aplicar a pena de perdimento a figura distinta do real adquirente, tendo em vista que  o responsável deve estar diretamente ligado à propriedade das mercadorias.  Como aqui  já exposto,  revela a autuação  (no que não é  refutada a contento  nas peças de defesa) que em todas as importações, o suporte financeiro dos valores remetidos  aos fornecedores no exterior foi inteiramente suportado pela empresa Brasilux, mesmo nas DI  que eram “destinadas,  formal e posteriormente, às outras três empresas do grupo Taschibra,  ou, minoritariamente, a outras empresas estranhas ao grupo”. Ademais, revela­se ainda que:  “A  ‘Brasilux’  possuía  em  seu  poder  documentação  acerca  de  duplicatas referentes a notas fiscais emitidas pela ‘Proimport’ a  empresas  estranhas  ao  grupo  ‘Taschibra’,  o  que  revela  ingerência  daquela  na  comercialização  das  referidas  mercadorias,  não  obstante  tratar­se  de  valores  bastante  insignificantes em relação ao total (0,7%).”  Ou  seja,  mesmo  nas  importações  que  tinham  por  destino  final  outras  empresas, o que de fato ocorria era uma interposição fraudulenta da “Proimport” em relação à  “Brasilux”.  Mesmo  nas  importações  destinadas  a  terceiro,  o  suporte  financeiro  era  da  “Brasilux”, o que torna as importações por sua conta e ordem , por presunção legal (art. 27 da  Lei no 10.637/2002).  Ou, como bem observou a DRJ:  “O relatório fiscal especifica detalhadamente o modus operandi  da  interessada  e  demonstra,  apontando  os  documentos  comprobatórios, a origem dos recursos utilizados nas operações  de  importação.  Nesse  escopo,  restou  evidente  que  em  todas  as  importações os recursos provieram da autuada. Portanto, ainda  que  algumas  das  notas  fiscais  de  venda  tenham  sido  emitidas  como  se  outras  empresas  fossem  as  adquirentes  das  mercadorias,  o  fato  não  invalida  a  presunção  legal  de  que  as  importações tenham sido realizadas pela autuada.”  Fl. 6489DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN     34 Assim, improcedente nesse tópico a alegação do recurso voluntário.  3.6. Da auditoria contábil  Derradeiramente,  destaque­se  que  pela  robustez  das  provas  carreadas  à  autuação, individualizando por DI as infrações cometidas, e prela precariedade dos argumentos  de  defesa,  mormente  direcionados  a  aspectos  formais,  evitando  contrapor  uma  a  uma  as  informações  prestadas  na  autuação,  os  elementos  constantes  no  presente  processo  são  suficientes  ao  julgamento,  revelando­se  dispensável  a  realização  de  auditoria  contábil.  Ademais,  os  procedimentos  de  fiscalização  adotados  já  avaliaram  aspectos  contábeis  da  empresa, e os resultados poderiam ter sido contrapostos durante todo o contencioso.    Tendo em conta o exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos  voluntário e de ofício.  Rosaldo Trevisan                                Fl. 6490DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN

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Numero do processo: 10650.901312/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 196          1 195  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10650.901312/2012­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.244  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de março de 2014  Matéria  PIS ­ PER  Recorrente  COOPERATIVA AGRO PECUÁRIA DE ARAXÁ LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007  CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS  PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.  Somente  geram  créditos  passíveis  de  desconto  da  contribuição  mensal  apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral  os  custos  dos  bens  para  revenda  e  os  custos/despesas  dos  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  bens  e  produtos  destinados  a  venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela  contribuição.  CUSTOS.  INSUMOS.  AQUISIÇÕES.  FRETES.  PRODUTOS  DESONERADOS.  Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados  como  insumos  na  produção  de  bens  destinados  a  venda,  desonerados  da  contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.  CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.  Os  custos  com  aquisições  de  uréia  para  revenda  geram  créditos  da  contribuição passível de ressarcimento/ compensação.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 12 /2 01 2- 83 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG)  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho  decisório  que  indeferiu  o  Pedido  de  Ressarcimento  (PER)  do  saldo  credor  do  PIS  não  cumulativo, apurado para o 3º trimestre de 2007, às fls. 02/05.  A DRF  em Uberaba  (MG)  glosou  os  créditos  apurados  e  escriturados  pela  recorrente  sob  o  argumento  de  que  os  custos  dos  bens  e  serviços  sobre  os  quais  foram  calculados  não  geram  créditos  daquela  contribuição,  nos  termos  da  legislação  tributária  vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48.  Inconformada  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  a  recorrente  interpôs  manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o  seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ:  O crédito do PIS não cumulativo reconhecido através de despacho decisório  da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou  R$464.975,59, portanto, trata­se de matéria incontroversa.  ........................  Quanto  ao  lançamento  de  ofício  que  apurou PIS  devido  a  pagar  relativo  ao  fato  gerador  ocorrido  em  02/2008,  que  resultou  na  exigência  tributária  de  R$58.834,26, sendo R$25.255,23 de PIS não cumulativo devido e R$18.941,42 de  multa  de  ofício  e  R$11.637,61  de  juros  de  mora,  a  impugnante  concorda  com  a  exigência  tributária  e  já  efetuou  a  compensação  com  o  crédito  do  PIS  não  cumulativo  reconhecido  pelo  Delegado  da  Receita  Federal  em  Uberaba  –  Minas  Gerais  (matéria  incontroversa),  tendo como  fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e  alterações posteriores e o artigo 170 do CTN...  ...............................  A  petição  apresentada  pela  requerente,  onde  impugna  o  ato  decisório  que  negou  o  direito  ao  ressarcimento  de  parte  do  pedido  formulado  na  inicial  que  se  constituiu no processo nº 13646.000074/2009­49, está em conformidade com o que  dispõe  o  artigo  15  do  Decreto  nº  70.235/72,  portanto,  deve  ser  admitida  como  tempestiva.  ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não  consignou no seu despacho Decisório o crédito de PIS não cumulativo homologado  tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e período de janeiro a  dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o  processo administrativo nº 13646.000074/2009­49.  A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a  Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido  pela  decadência  e  a  Autoridade  Fiscal,  através  do  despacho  decisório,  de  forma  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/2012­83  Acórdão n.º 3301­002.244  S3­C3T1  Fl. 197          3 extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e §  único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica.  A  impugnante  se  insurge,  ainda,  contra  o  despacho  decisório  da  autoridade  fiscal  que  não  admitiu  a  restituição  dos  créditos  do  PIS  não  cumulativo,  não  atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento  da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos,  despesas  e  encargos  na  manutenção  da  empresa,  portanto,  o  despacho  decisório  emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para  restabelecer tais créditos.  .........................  Como a impugnante não tem como utilizar os créditos do PIS na compensação  de  débitos  administrados  pela  SRFB,  a  vedação  ao  ressarcimento  em  espécie  dos  créditos  pela  Autoridade  Fiscal,  sob  o  argumento  de  que  inexiste  norma  procedimental  regulamentadora  a  ser  adotada  para  conceder  o  ressarcimento  em  espécie, além de tornar a  lei  inócua, a conduta omissiva da Administração falta de  emissão  dos  atos  administrativos  regulamentadores  do  exercício  do  direito  da  contribuinte  caracteriza  enriquecimento  sem  causa  da  própria  Administração  EM  RAZÃO DE SUA TORPEZA.  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente, conforme Acórdão nº 09­44.916, datado de 04/07/2013, às fls. 138/153, sob as  seguintes ementas:  “ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO.  A  legislação  vigente  não  prevê  prazo  para  a  necessária  verificação da liquidez e certeza do direito creditório postulado.  MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA.  Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil  de Julgamento DRJ apreciar a manifestação de inconformidade  contra  o  não  reconhecimento  de  direito  creditório  ou  a  não  homologação da  compensação,  e  não  apreciar originariamente  pedido de ressarcimento.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS.  Consideram­se  não  impugnadas  as  matérias  que  não  tenham  sido expressamente contestadas pela interessada.  INCONSTITUCIONALIDADE.  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade, restringindo­se a instância administrativa ao exame  da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.  INCIDÊNCIA.  NÃO  CUMULATIVA.  INSUMOS.  BENS  E  SERVIÇOS.  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4 Para  efeito  da  não  cumulatividade  das  contribuições,  há  de  se  entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando­ o  à  necessidade  na  fabricação  do  produto  e  na  consecução  de  sua  atividade­fim  (conceito  econômico),  mas  adstrito  ao  que  determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando  a  caracterização  do  insumo  à  sua  aplicação  direta  ao  produto  em fabricação.”  Intimada  dessa  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  159/179), requerendo, literalmente:  “I  – Determinem  à Autoridade  administrativa  competente  que  efetue  a  homologação  da  compensação  e  declare  a  extinção  do  crédito  tributário  na  forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66;  II – Que seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia de  R$409.141,33, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005;  III  –  Seja  reconhecida  a  decadência  do  direito  de  revisar  o  lançamento  homologado  tacitamente,  relativo  ao  PIS  não  cumulativo  cujos  fatos  geradores  ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro no § 4º do artigo 150 e do  artigo 149, § único  ambos do CTN, em  razão da  inexistência de  crédito  tributário  constituído via auto de infração, fato que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do  CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório;  IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos  os  créditos  glosados  pela  Fiscalização  a  título  de  PIS  não  cumulativo  de  R$  1.303.972,04, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a  08/2007, e sejam ressarcidos em espécie face o que dispõe o artigo 16, II da Lei nº  11.116/2005.  V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de  efetuar  a  revisão  do  lançamento  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja  reconhecido expressamente o direito ao ressarcimento em espécie previsto no artigo  16,  II  da Lei nº 11.116/2005, dos  créditos no valor de R$ 717.077,03,  cujos  fatos  geradores ocorreram no período de 2006 (Janeiro a Dezembro);  VI  –  Seja  revisado  o  despacho  decisório  para  incluir  e/ou  restabelecer  o  direito  creditório,  relativo  ao  PIS/PASEP  não  cumulativo,  cujos  fatos  geradores  ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150  e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do  CTN à matéria objeto do contraditório;  VII  –  Quanto  à  matéria  não  atingida  pela  decadência,  seja  restabelecido  o  direito  creditório  das  contribuições  do  PIS/PASEP  não  cumulativo,  visto  que  esta  Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto  de  Castro  Moreira  Júnior  ao  Julgar  o  Recurso  Voluntário  nº  369.519,  pela  ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo  e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração  de custos, despesas e encargos utilizados pela  legislação do Imposto de Renda  Pessoa  Jurídica,  para  efeitos  de  apuração  do  lucro  real,  entendimento  que  restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo  146  da  Constituição  Federal  e  o  princípio  da  reserva  absoluta  de  lei  formal  previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.  VIII  –  Os  créditos  do  PIS/PASEP  objeto  da  lide  sejam  ressarcidos  à  Autuada em espécie,  conforme dispõe o artigo 16,  II da Lei nº 11.116/2005,  e  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/2012­83  Acórdão n.º 3301­002.244  S3­C3T1  Fl. 198          5 com fulcro no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa,  aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.”  Para fundamentar seu  recurso expendeu extenso arrazoado sobre:  “1 – DOS  FATOS;  II  –  DA  APLICABILIDADE  DO  PRINCÍPIO  DA  ECONOMIA  PROCESSUAL  DA  CELERIDADE  PROCESSUAL,  DA  FUNGIBILIDADE  DOS  RECURSOS  E  DA  UTILIDADE  (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE  (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE  RESTITUIÇÃO  DE  QUE  TRATA  O  PROCESSO  DE  nº  13646.000074/2009­49);  III  –  DO  CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO  DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITO DE PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, RECONHECIDOS PELA  FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE PIS/PASEP  NÃO  CUMULATIVO,  RECONHECIDOS  PELA  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA  E  OBJETO  DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE  LANÇAR;  III.4  –  CRÉDITOS  DA  COFINS  NÃO  CUMULATIVA  OBJETO  DE  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO,  NÃO  ATINGIDOS  PELA  DECADÊNCIA”;  concluindo,  ao  final,  que  tem  direito ao ressarcimento pleiteado.  É o relatório.    Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  Em  que  pese  o  extenso  recurso  voluntário  apresentado  pela  recorrente,  inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação  de  compensação  e  extinção  do  crédito  tributário;  (ii)  decadência  do  direito  de  revisar  o  lançamento  homologado  tacitamente;  (iii)  reconhecimento  da  homologação  tácita  do  lançamento  e  restabelecimento  dos  créditos  do  PIS  glosados  para  o  período  de  01/2006  a  08/2007 e seus ressarcimentos; (iv) o reconhecimento do direito ao ressarcimento, em espécie,  previsto  no  artigo  16,  II  da  Lei  nº  11.116/2005,  de  créditos,  no  valor  de  R$  717.077,03,  referente ao período janeiro a dezembro de 2006, a questão a ser decidida, neste processo, é o  ressarcimento do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 3º trimestre de 2007, no  valor original de R$301.832,52, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias.  Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão  recorrida,  o  indeferimento  do  pedido  de  restituição,  objeto  deste  processo,  teve  como  fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela  Fiscalização  sob  os  argumentos  de  que  os  custos  dos  bens  e  serviços  sobre  os  quais  foram  apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.637, de 30/12/2002.  Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas  de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café,  caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho  e  café);  4)  bens  para  revenda  (leite,  café,  caroço  de  algodão  e  milho);  5)  bens  para  venda  adquirido  com alíquota  zero; 6)  receita  somada  irregularmente aos bens  (bônus  recebidos na  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     6 comercialização  do  leite  dos  associados);  7)  bens  utilizados  como  insumo,  de  fato  contabilizado  sob  esta  rubrica,  mas  revendidos  (calcário  bicálcio,  fosfato  e  uréia);  8)  bens  fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados  como  insumos  (fretes  sobre  aquisições  de  bens  para  revenda);  10)  despesas  com  contraprestações  de  arrendamento  mercantil;  11)  bens  do  ativo  imobilizado  ­  encargos  de  depreciação; 12) bens do ativo imobilizado ­ depreciações com base no valor de aquisição; e,  13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero.  A  recorrente,  em seu  recurso voluntário, não  fundamentou sua discordância  contra  cada  uma  das  glosas,  se  limitando  a  afirmações  genéricas,  literalmente:  “Quanto  à  matéria  não  atingida  pela  decadência,  seja  restabelecido  o  direito  creditório  das  contribuições  do  PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto  do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela  ampliação  do  conceito  de  insumos,  para  efeitos  de  apuração  da  base  de  cálculo  e  do  crédito  do  PIS/PASEP  não  cumulativo,  adotando  as  regras  para  apuração  de  custos,  despesas  e  encargos  utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do  lucro  real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo  146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I  da CF aplicável à lide.”  A Lei nº 10.637. de 30/12/2002, que instituiu o regime não cumulativo para a  contribuição para o PIS, assim dispõe, quanto aos créditos e ressarcimento:  “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos:  [...].  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;  [...];  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda ou na prestação de serviços.  [...];  VIII ­ bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei.  [...].  §  1o  O  crédito  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor:  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/2012­83  Acórdão n.º 3301­002.244  S3­C3T1  Fl. 199          7 I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos  no mês;  [...];  III  ­  dos  encargos  de  depreciação  e  amortização  dos  bens  mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  IV ­ dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no  mês.  § 2o Não dará direito a crédito o valor:  [...];  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela contribuição.  § 3o O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada  no País;  II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País;  [...].  § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo  nos meses subseqüentes.  [...].”  Por sua vez, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, estabelece:  “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...].  § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de  que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de  máquinas  e  equipamentos  destinados  ao  ativo  imobilizado,  no  prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das  alíquotas  referidas  no  caput  do  art.  2o  desta  Lei  sobre  o  valor  correspondente  a  1/48  (um  quarenta  e  oito  avos)  do  valor  de  aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria  da Receita Federal.  § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que  tratam  os  §§  1o  e  2o  do  art.  2o  desta  Lei,  será  determinado  mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o  valor  ou  unidade  de  medida,  conforme  o  caso,  dos  produtos  recebidos em devolução no mês.  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     8 [...}.  Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das  operações de:  [...].  §  1o  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins  de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  II  ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano  civil,  não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §  1o  poderá  solicitar  o  seu  ressarcimento  em  dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.  §  3o  O  disposto  nos  §§  1o  e  2o  aplica­se  somente  aos  créditos  apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à  receita  de  exportação,  observado  o  disposto  nos  §§  8o  e  9o  do  art. 3o.  §  4o  O  direito  de  utilizar  o  crédito  de  acordo  com  o  §  1o  não  beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido  mercadorias  com o  fim previsto no  inciso  III  do  caput,  ficando  vedada,  nesta  hipótese,  a  apuração  de  créditos  vinculados  à  receita de exportação.  Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o,  do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II  do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou  incidência de juros sobre os respectivos valores.  Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de  2002, o disposto:  [...];  II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art.  3o desta Lei;  III ­ nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei;  V ­ nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art.  10 desta Lei;  VI ­ no art. 13 desta Lei.”  Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina:  “Art.  8o  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/2012­83  Acórdão n.º 3301­002.244  S3­C3T1  Fl. 200          9 classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no  inciso  II do caput do art. 3º das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física.  Art.  9o  A  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins fica suspensa no caso de venda:  [...];  II  ­  de  leite  in  natura,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído  pela Lei nº 11.051, de 2004)  III  ­  de  insumos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8o  desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do  mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...].  Art.  15.  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  vegetal,  classificadas  no  código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  devidas  em  cada  período  de  apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens  referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de  30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003,  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos  de  cooperado  pessoa  física.  § 1o O direito ao crédito presumido de que  trata o caput deste  artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das  Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro de 2003.  § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo  será  determinado  mediante  aplicação,  sobre  o  valor  das  aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por  cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de  dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  fica  suspensa  na  hipótese  de  venda  de  produtos  in  natura  de  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     10 origem  vegetal,  efetuada  por  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  rural  e  cooperativa  de  produção  agropecuária,  para  pessoa  jurídica  tributada com base no  lucro real, nos  termos e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF.  § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica  que  exerça  atividade  rural  e  pela  cooperativa  de  produção  agropecuária,  em  relação às  receitas  de  vendas  efetuadas  com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  [...].”  De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos do PIS  glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 1,65 % sobre  os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens.  Nem o autuante nem a recorrente referiram­se ao crédito presumido da agroindústria.  Segundo o  inciso  II  do  §  2º  do  art.  3º  da Lei  nº  10.637,  de  2002,  citado  e  transcrito  anteriormente,  aquisições  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como  insumo em produtos ou  serviços  sujeitos  à  alíquota 0  (zero),  isentos ou  não alcançados pela  contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de  ressarcimento/compensação.  Assim,  passemos  a  análise  de  cada  uma  das  rubricas  cujos  valores  foram  glosados:  1) produtos adquiridos de pessoas  físicas;  segundo o § 3º,  incisos  I e  II, do  art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos  de  pessoas  jurídicas  e  os  custos  e  despesas  incorridas  e  pagas  pessoas  jurídicas,  todas  domiciliadas no País, desde que tributadas;  2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho);  de  acordo  com  art.  9º,  II  e  III,  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  além  de  grande  parte  ter  sido  adquirida/recebida de pessoas físicas,  trata­se de produtos comercializados com suspensão da  contribuição,  assim  não  dão  direito  a  crédito,  inclusive,  os  adquiridos/recebidos  de  pessoas  jurídicas;  3)  bens  revendidos  com  suspensão  da  contribuição  (leite,  milho  e  café)  também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou  adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2;  4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o  mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos;  5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do  art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não geram créditos;  6)  bônus  recebidos  na  comercialização  do  leite  dos  associados  e  a  estes  repassados,  por  representarem  custo  do  leite  entregue,  também não  geram  créditos  porque  o  leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas;  7)  bens  utilizados  como  insumo,  de  fato,  contabilizados  assim,  mas  revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901312/2012­83  Acórdão n.º 3301­002.244  S3­C3T1  Fl. 201          11 suspensão  da  alíquota,  não  gera  crédito;  também o  cálcário  bicálcio  e  o  fosfato  por  ter  sido  adquiridos com alíquota zero não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram  créditos  da  contribuição,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  passíveis de dedução/ressarcimento;  8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas, física e jurídica; as aquisições de  pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições  de  pessoas  jurídicas  geram  créditos,  conforme dispositivo  citado  no  item  anterior  (7),  desde  que  o  insumo  tenha  sido  utilizado  na  fabricação  de  produto  destinado  à  venda  e  sujeito  à  contribuição, o que não ocorreu;  9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição;  estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo  como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos;  10)  de  contraprestações  de  arrendamento mercantil;  conforme  demonstrado  no Despacho Decisório,  na  realidade,  trata­se  de  encargos  de  depreciações,  contudo  não  foi  provada a aquisições dos bens; também, a recorrente não contestou esta fundamentação;  11)  encargos  de  depreciação  de  bens  do  ativo  imobilizado;  segundo  o  Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições  não  foram  comprovadas  (planilha  às  fls.  38)  e  de  bens  não  utilizados  na  fábrica  de  ração  (produção – planilha às  fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços geram créditos;  12)  depreciações  de  bens  do  ativo  imobilizado  com  base  no  valor  de  aquisição,  trata­se  de  depreciação  acelerada,  correspondente  a  1/48  do  valor  de  aquisição;  contudo  todas  as  despesas  foram  apropriadas  sobre  aquisições  efetuadas  até  30/04/2004;  segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas  depois daquela data;  13)  devoluções  de  vendas  de  bens  sujeitos  à  alíquota  zero,  somente  dão  direito a créditos as devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas  vendas.  Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e  tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os  custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor,  efetuar sua compensação e/ ou ressarci­lo nos termos da legislação tributária vigente.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     12                 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 13116.902560/2011-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 81          1 80  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13116.902560/2011­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­005.379  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2014  Matéria  COFINS ­ RESTITUIÇÃO  Recorrente  CENTRO OESTE RAÇÕES S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002  INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue ou que  lhe  serve de  impedimento,  devendo prevalecer  a  decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não  infirmada com documentação hábil e idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 60 /2 01 1- 14 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902560/2011­14  Acórdão n.º 3803­005.379  S3­TE03  Fl. 82          2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição  à  decisão  da  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição.  O  contribuinte  havia  transmitido  Pedido  de  Restituição  (PER)  em  3  de  novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no  valor de R$ 970,42.  Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em  16/01/2012,  a  repartição  de  origem  indeferiu  a  restituição  pleiteada,  pelo  fato  de  que  o  pagamento  declarado  no  PER  já  havia  sido  integralmente  utilizado  na  quitação  de  outros  débitos da titularidade do sujeito passivo.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  e  requereu  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  alegando  que  o  indébito  reclamado  decorreria  do  reconhecimento  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  da  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  inconstitucionalidade  essa  já  reconhecida  pela  própria  Administração tributária.  Junto  à  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada.  A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua  decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se  encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na  incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis.  Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 25 de julho de 2013, o  contribuinte  apresentou  Recurso Voluntário  em  21  de  agosto  do mesmo  ano,  e  reiterou  seu  pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido  pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a  outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP.  De  início,  registre­se  que,  para  se  apreciarem  pleitos  da  espécie,  não  basta  que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que  os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total  inviabilidade da apreciação do pedido.  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902560/2011­14  Acórdão n.º 3803­005.379  S3­TE03  Fl. 83          3 Não  há  dúvidas  que  este  Colegiado,  por  força  do  contido  no  art.  62­A  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  encontra­se  obrigado  a  reproduzir  decisões  definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral  (art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC),  mas  desde  que  comprovada,  com  documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo  apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional.  No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos  autos  apenas  cópias  de  documentos  societários  e  de  uma  planilha  por  ele  elaborada,  documentos  esses  totalmente  insuficientes  à  comprovação  do  indébito,  dado  que  desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábil­fiscal e da documentação que  a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea.  Para  decidir  acerca  do  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento,  em  razão  da  inconstitucionalidade do  art.  3º,  §  1º,  da Lei  nº  9.718,  de  1988,  este Colegiado  necessita,  além  de  conhecer  os  valores  envolvidos  nas  operações  mercantis,  como  o  faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na  contabilidade da pessoa jurídica.  Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução  do  processo  por  parte  da  pessoa  obrigada  não  pode  ser  suprida  por  meio  de  diligência  à  repartição  de  origem,  dada  a  inexistência  de  qualquer  indício  fático  do  direito  pleiteado,  ou  seja, um  início de prova que pudesse convencer o  julgador quanto à possibilidade de efetiva  existência  do  direito  creditório  pleiteado,  isso  em  conformidade  com  os  princípios  constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação  da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37,  caput, da Constituição Federal de 1988.  Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da  verdade  dos  fatos  pelo  julgador  administrativo  vai  além  das  provas  trazidas  aos  autos  pelo  interessado, nos  casos da espécie ao ora analisado, a prova encontra­se  em poder do próprio  sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo  a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus  da prova.  A  não  apresentação  de  provas  dos  fatos  apontados  encontra­se  em  total  desacordo com a disciplina do art. 16,  inciso  III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902560/2011­14  Acórdão n.º 3803­005.379  S3­TE03  Fl. 84          4 a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de  1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº  9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Em  conformidade  com  o  excerto  supra,  tem­se  que  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o modifica,  extingue  ou  que  lhe  serve  de  impedimento,  devendo  prevalecer  a  decisão  administrativa  que  não  reconheceu  o  direito  creditório,  amparada  em  informações  declaradas  pelo  próprio  sujeito  passivo,  presentes  nos  sistemas  da  Receita  Federal,  informações  essas  não  infirmadas  com  documentação  hábil  e  idônea.  Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao  recurso, em razão da  ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 13811.002645/2001-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001 INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. GERAÇÃO DE CRÉDITO. Conforme a Súmula nº 494 do STJ, também gera crédito presumido do IPI a aquisição de insumos adquiridos de pessoas físicas ou jurídicas não contribuintes do PIS. Assim, as aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas também geram crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO. O consumo de energia elétrica e de outros combustíveis não gera crédito presumido do IPI, por não se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF. MATÉRIA-PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL. Para o bem ser considerado matéria-prima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO CENTRALIZADA NA MATRIZ. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA BRUTA DE TODOS OS ESTABELECIMENTOS. Na apuração do crédito presumido do IPI centralizada na matriz, deve ser levado em consideração a totalidade das receitas brutas de todos os estabelecimentos da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. O crédito presumido do IPI reconhecido em favor do contribuinte deve ser corrigido pela taxa SELIC a partir da data da transmissão da PER/DCOMP até a data do seu reconhecimento.
Numero da decisão: 3401-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001 INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. GERAÇÃO DE CRÉDITO. Conforme a Súmula nº 494 do STJ, também gera crédito presumido do IPI a aquisição de insumos adquiridos de pessoas físicas ou jurídicas não contribuintes do PIS. Assim, as aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas também geram crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO. O consumo de energia elétrica e de outros combustíveis não gera crédito presumido do IPI, por não se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF. MATÉRIA-PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL. Para o bem ser considerado matéria-prima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO CENTRALIZADA NA MATRIZ. CONSIDERAÇÃO DA RECEITA BRUTA DE TODOS OS ESTABELECIMENTOS. Na apuração do crédito presumido do IPI centralizada na matriz, deve ser levado em consideração a totalidade das receitas brutas de todos os estabelecimentos da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. O crédito presumido do IPI reconhecido em favor do contribuinte deve ser corrigido pela taxa SELIC a partir da data da transmissão da PER/DCOMP até a data do seu reconhecimento.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 763          1 762  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13811.002645/2001­73  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.466  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2013  Matéria  RESSARCIMENTO DE IPI  Recorrente  CARGIL AGRÍCOLA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOAS  FÍSICAS  E  COOPERATIVAS.  GERAÇÃO DE CRÉDITO.  Conforme a Súmula nº 494 do STJ, também gera crédito presumido do IPI a  aquisição  de  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas  ou  jurídicas  não  contribuintes do PIS. Assim, as aquisições de insumos de pessoas físicas e de  cooperativas também geram crédito presumido do IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI.  ENERGIA  ELÉTRICA  E  COMBUSTÍVEL.  SÚMULA Nº  19.  IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO  DE CRÉDITO.  O  consumo  de  energia  elétrica  e  de  outros  combustíveis  não  gera  crédito  presumido  do  IPI,  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  matéria­prima,  produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF.  MATÉRIA­PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE  DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO  NO PRODUTO FINAL.  Para  o  bem  ser  considerado  matéria­prima  ou  produto  intermediário,  é  necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o  produto final.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI.  APURAÇÃO  CENTRALIZADA  NA  MATRIZ.  CONSIDERAÇÃO  DA  RECEITA  BRUTA  DE  TODOS  OS  ESTABELECIMENTOS.  Na  apuração  do  crédito  presumido  do  IPI  centralizada  na matriz,  deve  ser  levado  em  consideração  a  totalidade  das  receitas  brutas  de  todos  os  estabelecimentos da empresa.  CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 26 45 /2 00 1- 73 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA     2 O crédito  presumido do  IPI  reconhecido  em  favor  do  contribuinte  deve  ser  corrigido pela  taxa SELIC a partir da data da  transmissão da PER/DCOMP  até a data do seu reconhecimento.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário.  JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Presidente.     JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos  (Presidente),  Robson  José  Bayerl  (Substituto),  Jean  Cleuter  Simões  Mendonça,  Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.    Relatório  Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do crédito presumido  do  IPI  do  2º  trimestre  de  2001,  protocolado  em  20/11/2001  (fls.23/24),  no  valor  de  R$  19.751.369,20 (dezenove milhões, setecentos e cinquenta e um mil, trezentos e sessenta e nove  reais e vinte centavos).  Da base de cálculo do crédito, a autoridade fiscal glosou os seguintes  itens,  por  entender  que  não  geram  o  crédito:  aquisições  de  pessoas  não  contribuintes  do  PIS  e  da  COFINS (pessoas físicas e cooperativas), combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, água e  lenha (fls.623/626). Com isso, foi deferido parcialmente o ressarcimento, somente no montante  de R$ 2.918.563,40 (dois milhões, novecentos e dezoito mil, quinhentos e sessenta e três reais  e quarenta centavos) (fls. 02/07).  A  Contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.668/694),  mas a DRJ manteve as glosas, ao prolatar acórdão (fls. 707/721) com a seguinte ementa:    “PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  NULIDADE.  IMPROCEDÊNCIA.  Se o administrado revela conhecer plenamente as acusações que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as  de  forma  meticulosa,  mediante  extensa  e  substanciosa  impugnação,  abrangendo  não  só outras questões preliminares como também razões de mérito,  descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.   CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  Os  valores  referentes  às  aquisições de insumos de pessoa não­contribuintes do PIS/Pasep  e  da  Cofins  não  integram  o  cálculo  do  crédito  presumido.  Os  Fl. 764DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/2001­73  Acórdão n.º 3401­002.466  S3­C4T1  Fl. 764          3 conceitos  de  produção,  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  são  os  admitidos  na  legislação  aplicável  ao  IPI,  não  abrangendo  as  despesas  com  energia elétrica e combustível.  RECEITA  OPERACIONAL  BRUTA.  CONCEITO.  APURAÇÃO  CENTRALIZADA.  Na  apuração  centralizada,  a  receita  operacional  bruta  a  ser  considerada  no  cálculo  do  crédito  presumido deve incluir as receitas de todos os estabelecimentos  da  empresa  (pessoa  jurídica),  mesmo  aqueles  não  produtores­ exportadores, ou seja, inclusive os comerciais.   CRÉDITO  PRESUMIDO.  JUROS  PELA  TAXA  SELIC.  POSSIBILIDADE.  Inexiste  previsão  legal  para  abonar  atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa  SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI   Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido”.    A  Contribuinte  foi  intimada  do  acórdão  da  DRJ  em  13/07/2011  (fl.723)  e  interpôs o Recurso em 18/07/2011(fls.724/756):  1­  A lei não veda o aproveitamento de crédito da aquisição de pessoa física e  cooperativa,  de  modo  que  a  instrução  normativa  não  pode  restringir  o  direito creditório;  2­  A energia elétrica, combustíveis, telefonia, a água e a lenha são materiais  intermediários,  os  quais,  apesar  de  não  entrarem  contato  direto  com  o  produto fabricado, participam diretamente do processo industrial;  3­  A autoridade fiscal majorou indevidamente a receita operacional bruta da  Recorrente  de  R$  960.841.860,06  para  R$  1.904.295.165,00.  Isso  aconteceu  porque  a  fiscalização  considerou,  para  fins  de  apuração  do  crédito  presumido,  a  receita  operacional  bruta  de  todos  os  estabelecimentos  da  Recorrente,  inclusive  daqueles  que  não  realizam  atividade de exportação;  4­  O  cálculo  do  crédito  presumido  deve  ser  centralizado  pelo  estabelecimento  matriz,  nos  termos  do  art.  15,  inciso  II,  da  Lei  nº  9.779/99;  5­  Tem  direito  à  aplicação  da  Taxa  SELIC  sobre  todos  os  valores  reconhecidos,  haja  vista  o  pedido  de  ressarcimento  ter  sido  protocolado  no  ano  de  2001,  enquanto  a  decisão  que  reconheceu  parcialmente  o  direito creditório foi proferida somente no ano de 2009.  Ao fim, a Recorrente pediu o reconhecimento integral dos créditos, com o  acréscimo dos juros calculados pela SELIC.  Fl. 765DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA     4 É o Relatório.     Voto             Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  razão pela qual dele tomo conhecimento.  A Recorrente busca o  reconhecimento  integral do crédito presumido do  IPI  pleiteado. As matérias devolvidas para apreciação deste Conselho foram as seguintes: geração  de crédito na aquisição de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS; geração  de créditos nos gastos com energia elétrica,  combustíveis,  telefonia, água e  lenha; majoração  indevida da receita operacional bruta e; direito aos juros calculados pela Taxa SELIC.    1.  Da  geração  de  crédito  na  aquisição  de  insumos  de  pessoas  não  contribuintes do PIS e da COFINS.  O  debate  acerca  do  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI  em  relação  às  aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativa já foi acirrado em outrora. Contudo,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  pacificou  o  tema,  ao  editar  a  Súmula  494,  cuja  redação  é  a  seguinte:    “Súmula  494  ­  O  benefício  fiscal  do  ressarcimento  do  crédito  presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando  as  matérias­primas  ou  os  insumos  sejam  adquiridos  de  pessoa  física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP”.     Portanto, não restam mais dúvidas de que a Recorrente tem direito ao crédito  relativo à aquisição de insumos de pessoa física e de cooperativas.  Insta salientar que autoridade fiscal constatou que os insumos foram de fato  adquiridos, mas negou o crédito com fundamento em matéria de direito e não em matéria de  fato  (fls.641/642).  Diante  disso,  é  desnecessária  a  realização  de  diligência  para  o  reconhecimento do direito creditório.  Desse modo, excluo a glosa relativa a esse item.    2.  Da geração de créditos nos gastos com energia elétrica, combustíveis,  telefonia, a água e a lenha.  A questão referente à geração de crédito na aquisição de energia elétrica e de  óleo diesel já está pacificada pela Súmula nº 19 do CARF da seguinte forma:  Fl. 766DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/2001­73  Acórdão n.º 3401­002.466  S3­C4T1  Fl. 765          5   “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito  presumido  da  Lei  nº  9.363,  de  1996,  as  aquisições  de  combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos  em  contato  direto  com  o  produto,  não  se  enquadrando  nos  conceitos de matéria­prima ou produto intermediário”.    O mesmo raciocínio utilizado para a energia elétrica e para os combustíveis é  aplicável aos gastos com a lenha e com a água, pois a Recorrente não demonstrou como elas  são desgastadas durante o processo produtivo.  Quanto ao gasto do telefone, esse item não está entre as glosas efetuadas pela  autoridade fiscal, conforme se verifica nas fls. 623/626, razão pela qual deixo de analisá­la.   Portanto,  são  legítimas  as  glosas  relativas  aos  gastos  com  energia  elétrica,  combustíveis, água e lenha.     3.  Majoração indevida da receita operacional bruta.  A  Recorrente  alega  que  no,  caso  da  apuração  do  crédito  centralizada  na  matriz, deveria ser levada em consideração somente a receita bruta da matriz.  Contudo  a  interpretação  da  Recorrente  está  equivocada,  conforme  será  demonstrado.  A Lei nº 9.363/96, no § 2º, do art. 2º, estabelecia que “no caso de empresa  com  mais  de  um  estabelecimento  produtor  exportador,  a  apuração  do  crédito  presumido  poderá  ser  centralizada  na matriz”. Ou  seja,  com base nesse dispositivo,  a  empresa poderia  descentralizar a apuração do crédito por cada estabelecimento, ou centralizá­lo na matriz.   Caso  a  opção  fosse  por  descentralizar,  a  empresa  apuraria  o  crédito  separadamente  de  cada  estabelecimento,  calculando,  em  relação  a  cada  estabelecimento,  a  respectiva a receita de exportação, a receita operacional bruta e a aquisição de MP, PI e ME e,  ao final, chegar­se­ia ao crédito individual de cada estabelecimento.  Caso  a  opção  fosse  pela  apuração  centralizada  na  matriz,  deveria  somar  a  receita operacional bruta, as receitas de exportação e as aquisições de MP, PI e ME de todos os  estabelecimentos  como  se  um  só  fosse.  Nesse  caso,  o  pedido  de  ressarcimento  seria  feito  somente em nome da matriz, mas o crédito poderia se distribuído entre as filiais, nos termos do  § 3º, do art. 2º, da Lei nº 9.363/96.  Em 1999,  com o advento da Lei nº 9.779, o  cálculo  centralizado na matriz  passou a ser obrigatório, por disposição do art. 15, inciso II, da referida lei, in verbis:    “ Art. 15.  Serão  efetuados,  de  forma  centralizada,  pelo  estabelecimento matriz da pessoa jurídica:  Fl. 767DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA     6  II ­ a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos  Industrializados  ­  IPI  de  que  trata  a Lei  no 9.363,  de  13  de  dezembro de 1996”.    Como  a  apuração  passou  a  ser  obrigatória  pelo  estabelecimento  matriz,  as  filiais  estão  impossibilitadas  de  fazer  a  apuração  individual  do  seu  crédito. Dessa  forma,  se  prevalecesse a tese da Recorrente, de que só se deve levar em consideração a receita bruta da  matriz,  estar­se­ia  impossibilitando  o  aproveitamento  do  crédito  gerado  pela  atividades  das  filiais, já que estas não podem apurar seus créditos individualmente.  Diante  disso,  não  resta  dúvida  de  que, mesmo  na  apuração  centralizada  na  matriz,  devem  ser  levados  em  consideração  o  total  das  receitas  de  exportação,  receitas  operacionais e aquisições de insumos de todas as filiais.  Portanto,  diante  dessas  considerações,  não  há  que  se  falar  em  majoração  indevida da receita operacional bruta.    4.  Do direito aos juros calculados pela Taxa SELIC.  Como parte do crédito foi reconhecida, cabe analisar a aplicabilidade da Taxa  Selic para a correção dos créditos conhecidos.  O Superior Tribunal de Justiça, no jumento do Recurso Especial nº 993.164,  representativo de controvérsia, nos termos do art. 543­C, do Código de Processo Civil, assim  decidiu acerca desse tema:    "PROCESSUAL  CIVIL  ­  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA ­ IPI ­ CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP E DA COFINS  ­ EMPRESAS PRODUTORAS E  EXPORTADORAS  DE MERCADORIAS  NACIONAIS  ­  LEI  Nº 9.363/1996  ­ INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 23/1997  (...)  12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização do direito de crédito de  IPI  (decorrente  da  aplicação  do  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil),  exsurgindo  legítima  a  incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (aplicação  analógica  do  precedente  da  Primeira Seção submetido ao rito do art. 543­C do CPC : REsp  1035847/RS,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Julgado  em  24.06.2009,  DJe  03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção  (que  agrega  o  Manual  de  Cálculos  da  Justiça  Federal  e  a  jurisprudência  do STJ)  autoriza  a  aplicação da Taxa Selic  (a  partir de  janeiro de 1996) na correção monetária dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP, Relª Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Julgado  em  20.04.2010,  DJe  03.05.2010).  (...)15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência  de  correção  monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da  Fazenda  Nacional  desprovido.  17.  Acórdão  submetido  ao  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/2001­73  Acórdão n.º 3401­002.466  S3­C4T1  Fl. 766          7 regime do  art.  543­C do CPC  e  da Resolução STJ nº  8/2008."  (STJ  ­  REsp  993.164  ­  1ª  S.  ­  Rel.  Min.  Luiz  Fux  ­  DJe  17.12.2010 ) (Grifos nossos)    Recentemente,  o  STJ,  ao  julgar  o  embargo  de  divergência  em  agravo  nº  1.220.942,  mencionando  a  decisão  transcrita  acima,  estabeleceu  que  basta  a  mora  no  reconhecimento  do  direito  ao  ressarcimento  para  que  o  contribuinte  tenha  direito  à  correção  pela  taxa SELIC, bem como a correção  incidirá  também nos  créditos do PIS  e da COFINS.  Vejamos a ementa:    “TRIBUTÁRIO ­ IPI ­ CREDITAMENTO ­ DIFERENÇA ENTRE  CRÉDITO  ESCRITURAL  E  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO  EM  DINHEIRO  OU  MEDIANTE  COMPENSAÇÃO  COM  OUTROS  TRIBUTOS  ­  MORA  DA  FAZENDA  PÚBLICA  FEDERAL  ­  INCIDÊNCIA  DA SÚMULA  Nº  411/STJ ­  CORREÇÃO MONETÁRIA ­ TERMO INICIAL ­ PROTOCOLO  DO PEDIDO ­ TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO  PELO ART.  543­C,  CPC ,  E  DA  RESOLUÇÃO  STJ  08/2008  QUE  INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA  CONTROVÉRSIA  ­ 1­  É  pacífico  o  entendimento  do  STJ  no  sentido  de  que,  em  regra,  eventual  possibilidade  de  aproveitamento  dos  créditos  escriturais  não  dá  ensejo  à  correção monetária, exceto se tal creditamento  foi  injustamente  obstado pela Fazenda. Jurisprudência consolidada no enunciado  nº 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao  creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento  decorrente de resistência  ilegítima do Fisco". 2­ No entanto, os  equívocos  na  aplicação  do  enunciado  surgem  quando  se  está  diante  de  mora  da  Fazenda  Pública  para  apreciar  pedidos  administrativos  de  ressarcimento  de  créditos  em  dinheiro  ou  ressarcimento  mediante  compensação  com  outros  tributos.  3­  Para  espancar  de  vez  as  dúvidas  a  respeito,  é  preciso  separar  duas situações distintas: a situação do crédito escritural (crédito  de  um  determinado  tributo  recebido  em  dado  período  de  apuração  e  utilizado  para  abatimento  desse  mesmo  tributo  em  outro período de apuração dentro da escrita fiscal) e a situação  do  crédito  objeto  de  pedido  de  ressarcimento  (crédito  de  um  determinado  tributo  recebido  em  dado  período  de  apuração  utilizado fora da escrita fiscal mediante pedido de ressarcimento  em  dinheiro  ou  ressarcimento  mediante  compensação  com  outros tributos). 4­ Situação do crédito escritural: Deve­se negar  ordinariamente o direito à correção monetária quando se fala de  créditos  escriturais  recebidos  em  um  período  de  apuração  e  utilizados  em  outro  (sistemática  ordinária  de  aproveitamento),  ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um  período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI  decorrentes  das  saídas  de  produtos  tributados  em  períodos  de  apuração subseqüentes. Na exceção à regra, se o Fisco impede a  utilização  desses  créditos  escriturais,  seja  por  entendê­los  inexistentes  ou  por  qualquer  outro  motivo,  a  hipótese  é  de  Fl. 769DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA     8 incidência  de  correção monetária  quando  de  sua  utilização,  se  ficar  caracterizada  a  injustiça  desse  impedimento  (Súmula  nº  411/STJ). Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais  créditos para utilizá­los posteriormente em sua escrita fiscal por  opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção  monetária,  pois a  postergação do  uso  foi  legítima,  salvo,  neste  último  caso,  declaração  de  inconstitucionalidade  da  lei  que  impôs o comportamento. 5­ Situação do crédito objeto de pedido  de ressarcimento: Contudo, no presente caso estamos a falar de  ressarcimento  de  créditos,  sistemática  diversa  (sistemática  extraordinária  de  aproveitamento)  onde  os  créditos  outrora  escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou  ressarcimento  mediante  compensação  com  outros  tributos  em  virtude  da  impossibilidade  de  dedução  com  débitos  de  IPI  decorrentes  das  saídas  de  produtos  (normalmente  porque  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero),  ou  até  mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por  lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais  acumulados  na  escrita  fiscal  para  uso  exclusivo  no  abatimento  do  IPI  devido  na  saída.  São  utilizáveis  fora  da  escrita  fiscal.  Nestes  casos,  o  ressarcimento  em  dinheiro  ou  ressarcimento  mediante  compensação  com  outros  tributos  se  dá  mediante  requerimento  feito  pelo  contribuinte  que,  muitas  vezes,  diante  das  vicissitudes  burocráticas  do Fisco,  demora  a  ser  atendido,  gerando  uma  defasagem  no  valor  do  crédito  que  não  existiria  caso  fosse  reconhecido  anteriormente  ou  caso  pudesse  ter  sido  utilizado  na  escrita  fiscal  mediante  a  sistemática  ordinária  de  aproveitamento. Essa foi exatamente a situação caracterizada no  Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 ­ RS,  Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde  foi reconhecida a incidência de correção monetária. 6­ A lógica  é  simples:  se  há  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  de  IPI,  PIS/COFINS  (em  dinheiro  ou  via  compensação  com  outros  tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal  com mora,  essa  demora no  ressarcimento  enseja  a  incidência  de  correção  monetária,  posto  que  caracteriza  também  a  chamada  "resistência  ilegítima"  exigida  pela Súmula  nº  411/STJ . Precedentes: REsp. nº 1.122.800/RS, Segunda Turma,  Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 1.3.2011; AgRg  no  REsp.  nº  1082458/RS  e  AgRg  no  AgRg  no  REsp.  nº  1088292/RS,  Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  julgados  em  8.2.2011.  7­  O  Fisco  deve  ser  considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos  pedidos  de  ressarcimento.  8­  Embargos  de  divergência  providos”. (STJ ­ ED­AG 1.220.942 ­ (2012/0095341­6) ­ 1ª  S. ­ Rel. Min. Mauro Campbell Marques ­ DJe 18.04.2013 ­  p. 614) (grifo nosso)    Portanto,  a  taxa  SELIC  é  devida  a  partir  da  data  de  transmissão  da  PER/DCOMP,  tanto  para  os  créditos  já  reconhecidos  pela  DRF,  quanto  para  os  créditos  reconhecidos neste julgamento.  Fl. 770DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13811.002645/2001­73  Acórdão n.º 3401­002.466  S3­C4T1  Fl. 767          9 Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543­C, do  CPC, é o caso da aplicação do art. 62­A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o  seguinte:    “Art.  62­A. As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.    Ex  positis¸  dou  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  interposto,  para  reconhecer  o  direito  creditório  em  relação  às  aquisições  de  MP,  PI  e  ME  de  pessoas  não  contribuintes  do PIS  e  da COFINS,  bem como o  direito  à  aplicação  da  taxa SELIC  ao  total  créditos  reconhecidos,  inclusive  os  reconhecidos  pela  DRF,  desde  a  data  de  transmissão  da  PER/DCOMP.  É como voto.    Jean  Cleuter  Simões  Mendonça  ­  Relator                               Fl. 771DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA

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