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Numero do processo: 10880.932434/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO.
Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
Numero da decisão: 1401-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 24 34 /2 01 3- 99 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10880.932434/201399 Acórdão n.º 1401002.843 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/REC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado que a informação quanto ao montante da estimativa na DIPJ e na DCTF está incorreta, e, em conseqüência, concluir pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, já que o valor recolhido correspondia integralmente à débito confessado pelo contribuinte. A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte efetuou compensação de débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente a abril de 2011 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cujo valor na data de transmissão informado era de R$ 21.569,37. Este crédito decorreu de Darf no valor de 21.569,37, no código de receita 2484, referente ao período de apuração março de 2009. Consoante declarado, foi utilizada na compensação a parcela do crédito de R$ 17.522,07, restando um saldo do crédito original de R$ 4.047,30. Como resultado da análise efetuada foi proferido o despacho decisório que decidiu por não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. Segundo a fundamentação da decisão, o valor recolhido via Darf foi integralmente utilizado para a quitação de débito confessado. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ, pois teria adicionado indevidamente montante relativo a ajuste do RTT na determinação da base de cálculo do tributo, como conseqüência do preenchimento equivocado da linha de custos da ficha 07 A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007 – PJ em Geral), com valor diferente do informado na Ficha 06 A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral). Afirma que, retificado o erro, não haveria estimativa a pagar, sendo seu direito a utilização do montante recolhido a este título como crédito em compensação. Anexa balancetes, LALUR 2009, memória de cálculo IRPJ e relação de DECOMPs. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.840, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.932430/2013 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10880.932434/201399 Acórdão n.º 1401002.843 S1C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.840): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme já esclarecido pela decisão de piso, perfeitamente possível aferir a opção pelo RTT alegada pela Recorrente em sua DIPJ/2009 como pode ser visto na Ficha 01 abaixo copiada parcialmente (informação repetida na DIPJ/2010 à fl. 54). Contudo, para reconhecimento do crédito pretendido, segundo a DRJ, era necessária a prova de que a informação constante na DIPJ e na DCTF, estaria incorreta em função do alegado erro de fato em seu preenchimento, o que não havia sido feito pela Recorrente até aquele momento. Isto porque, conforme acórdão recorrido, uma vez feita a opção pelo RTT, caberia ao contribuinte ter trazido cópia de seu Lalur a fim de comprovar que o ajuste ao lucro líquido na determinação da base de cálculo do tributo não existiu de fato. Todavia, como prova do alegado erro de preenchimento da DIPJ, carreou aos autos apenas o demonstrativo de resultado (apuração do lucro líquido) à fl. 79 e o balanço patrimonial à fl. 80. Conforme tratado anteriormente, o ajuste porventura existente não é registrado em tais demonstrativos, razão pela qual esses não possuem qualquer valor probatório. Ainda que se entendesse demonstrado que não houve apuração de ajuste pelo contribuinte, o que se coloca apenas em tese, há que se considerar que a ocorrência do pagamento indevido ou a maior restaria não comprovada. Isto porque a revisão de ofício do erro de preenchimento da DIPJ ensejaria apenas a alteração da base de cálculo do tributo devido e, por conseguinte, do seu montante devido no ajuste anual. A partir dessas informações não é possível aferir com certeza absoluta que não houve tributo a pagar apurado por estimativa no transcorrer do anocalendário, pois a Ficha 11 da declaração não permite verificar a composição da base de cálculo estimada e, portanto, aferir se o alegado erro formal de preenchimento cometido nas fichas anuais também ocorreu nas fichas de apuração mensal. Segundo a DRJ: "Para a comprovação de que de fato não foi apurada qualquer estimativa a pagar durante o ano, a manifestação de inconformidade deveria estar instruída com cópias do balancete de suspensão/redução e do Razão (nas contas de interesse, relativas à estimativa mensal). Se tal medida tivesse sido adotada pelo contribuinte e restasse demonstrada a inexistência de estimativa apurada, seria devida a revisão de ofício da DIPJ e da DCTF em função do erro fato no preenchimento, em respeito ao princípio da verdade material. Todavia, tais documentos imprescindíveis à solução da lide não constam dos autos". Admito que a Recorrente trouxe alguns desses documentos anexados ao seu Recurso Voluntário, contudo tais Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.932434/201399 Acórdão n.º 1401002.843 S1C4T1 Fl. 5 4 documentos confirmar a correção do Acórdão DRJ, mas mesmo que assim não fosse, entendo que para o reconhecimento do crédito era necessário um passo além, por parte dela, que confessa que embora venha sustentando a existência de erro no preenchimento da DIPJ e, por consequencia, na Decomp, em nenhum momento tomou a iniciativa de retificálas, requerendo que tal providência seja implementada por este colegiado caso reconheça a possibilidade da compensação pleiteada. Neste momento entendo pela impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente, sem que tenha havido no mínimo a retificação por parte dela dos erros materiais existentes em suas declarações, não vejo a possibilidade de promover tal retificação de ofício, uma vez que tal providência é exclusiva do contribuinte. Destacase que não há saldo negativo a ser compensado. Já houve casos em que reconheci inclusive a possibilidade de retificação de declaração por parte do contribuinte em momento posterior inclusive ao Despacho Decisório, como por exemplo no Acórdão n. 1401002.702, contudo, na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900829/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI E SUA UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS
Para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matéria-prima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerar-se líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento
Numero da decisão: 3301-004.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI E SUA UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS Para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matéria-prima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerar-se líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-04T19:16:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-04T19:16:51Z; Last-Modified: 2018-10-04T19:16:51Z; dcterms:modified: 2018-10-04T19:16:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:9834c77f-5857-4dde-b314-19712a6caeff; Last-Save-Date: 2018-10-04T19:16:51Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-04T19:16:51Z; meta:save-date: 2018-10-04T19:16:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-04T19:16:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-04T19:16:51Z; created: 2018-10-04T19:16:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2018-10-04T19:16:51Z; pdf:charsPerPage: 2475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-04T19:16:51Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.409 1 1.408 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.900829/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.892 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente MAXI RUBBER INDUSTRIAS QUIMICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI E SUA UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS Para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matériasprimas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matériaprima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerarse líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 08 29 /2 01 0- 11 Fl. 1409DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, e Declarações de Compensação vinculadas. Assim a DRJ/RIBEIRÃO PRETO, em seu Acórdão nº 1463.951 – 8ª Turma, combatido no Recurso Voluntário apresentado, descreveu o litígio. Por bem descrito, adoto seu texto: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente ante Despacho Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu totalmente o ressarcimento, no montante de R$ 236.276,48 e nãohomologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP 10023.71547.100708.1.3.016005; 42168.72349.120808.1.3.014413; 26632.62733.020908.1.3.016462, 33372.44072.191108.1.3.012030 e 08591.12644.081008.1.3.015852 e indeferiu o pedido ressarcimento apresentado no(s) PER 03872.16330.100708.1.1.010043, fato que constou da cobrança do valor de R$ 236.276,48 mais acréscimos legais. Consta dos autos que o crédito que se pretendeu compensar diz respeito ao saldo credor do IPI apurado no 1º trimestre de 2008. A nãohomologação das compensações se deu em conseqüência de glosas de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Conforme informação fiscal, inclusa no despacho decisório anexo na internet, do procedimento de verificação dos Pedidos de Ressarcimento de Créditos Incentivados do IPI relativos aos Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP apresentados em decorrência de intimação fiscal, constatouse diversas inconsistências nos arquivos digitais entregues pela empresa. As principais sendo: a falta da entrega dos arquivos de todos os estabelecimentos; os arquivos entregues contemplam apenas os dados contábeis; não apresentam os saldos iniciais e não foram incluídos os dados fiscais ou uma alternativa (SINTEGRA). A análise dos arquivos digitais mostrou uma contabilidade desconexa e inconsistente. A lógica de algumas Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 13819.900829/201011 Acórdão n.º 3301004.892 S3C3T1 Fl. 1.410 3 contas e sua contrapartida não coaduna com os princípios contábeis vigentes e alguns lançamentos não são concretamente esclarecidos. Da verificação das notas fiscais NF, após a analise do fornecedor, do material adquirido e dos valores, procurouse verificar a aquisição propriamente dita e a entrada da mercadoria (insumos) no estabelecimento. Neste exame se verificou os meios de pagamento e o seu fluxo, representados pelo registro nas contas Fornecedores, Caixa, Bancos e outras eventuais utilizadas pelo contribuinte. Desta verificação foram constatadas as seguintes irregularidades: Manutenção de Saldo Devedor na conta fornecedores; manutenção de Saldo Credor na conta Caixa; utilização de contas com título de Adiantamentos Diversos/Cheques a Receber com o propósito de efetuar ajustes contábeis; Saldos Iniciais e Finais das contas apresentadas nos arquivos digitais divergentes daqueles registrados na DIPJ. Também foi solicitado à contribuinte a entrega do livro Registro de Produção e Estoque (Mod. 3), para que se pudesse analisar a sua produção e assim comprovar suas compras de insumos, sua produção e vendas. A contribuinte alegou não escriturar este livro e quando instada a apresentar uma alternativa do controle de sua produção disse não efetuar qualquer registro geral, controlando a sua produção apenas por Ordens de Serviço OS individuais. Face a complexidade dos produtos e especialmente sua grande diversidade, a análise destas OS mostrou ser inviável para a montagem de um quadro geral da produção da contribuinte sem contarmos, adicionalmente com as NF de entradas e saídas correlacionadas, com o livro Registro de Inventário e com um registro geral da mesma. Desta forma, concluiuse pela impossibilidade de julgar legítimos os créditos cujo ressarcimento foi pedido através dos PER/DCOMP indicados e em decorrência, em acordo com a IN SRF n° 600/2005 e a OS DRF/SBC n°01/99, o Fisco opinou pelo eu indeferimento total, no montante de R$ 1.454.969,22 (Um milhão quatrocentos e ciquenta e quatro reais e vinte e dois centavos). Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em suma, o que segue: Da nulidade Inicialmente, o Auditor da Receita Federal confirma em suas informações se tratar de créditos de IPI passíveis de ressarcimento, inclusive, de entrada de insumos relativos aos produtos da empresa, com atendimento as obrigações acessórias. Portanto, com base nas informações prestadas pelo Auditor, estamos autorizados em afirmar se tratar de crédito passível de ressarcimento e compensação. No entanto, em virtude da contribuinte não escriturar no livro Registro de Produção e Estoque (Modelo 3) nem apresentar SUPOSTAMENTE alternativa ao controle, além das Ordens de Produção, e diante da complexidade dos produtos e especialmente a sua grande diversidade, o Auditor deixou de analisar e montar quadro geral da produção com base nas Ordens de Serviços. O Auditor não agiu com legalidade, ou seja, mesmo sujeito aos mandamentos da lei se afastou e se desviou dos mesmos, praticando um ato ilegal, devendo ser responsabilizado disciplinarmente, pois na Administração Pública não se admite liberdade com a lei ou vontade pessoal. Diferentemente da contribuinte a qual é lícito fazer o que a lei não proíbe, na Administração só é permitido fazer o que a lei autoriza e no presente caso, não há lei que autorize o Auditor a glosar créditos quando se deparar com situações complexas. Fl. 1411DF CARF MF 4 Por conseguinte, o Auditor Fiscal desrespeitou a Carta Magna e os princípios que regem a Administração Pública. Por estas razões, é inaceitável a atitude do Auditor Fiscal que, por conseguinte, violou os princípios fundamentais e os norteadores da Administração Pública. E vou mais além, agiu dolosamente e sem amparo legal, pois inexiste previsão que autorize a glosa de crédito de ressarcimento de IPI diante de situações complexas. Com esta atitude impensada o Auditor Fiscal se sobrepôs a própria Constituição. Ao ponto de desrespeitar os princípios já mencionados. Ou seja, colocou a própria vontade acima da lei. Fato inadmissível em virtude das violações mencionadas, que por si só, garante a contribuinte o cancelamento da decisão que NÃO HOMOLOGOU os créditos de ressarcimento de IPI, cuja base teve as informações prestadas pelo Auditor da Receita Federal. A "dito documentação complexa" que levou o Auditor da Receita Federal a deixar de montar quadro da produção, é fruto dos próprios documentos fiscais que foram apresentados no longo da fiscalização, ou seja, notas fiscais de aquisição; Livro de Entrada, Livro de Saída; Inventário; Livro de Apuração; Livro Razão, Livro Diário e Arquivo Magnético Sintegra,cujas informações são correlatas as do Livro Modelo 3.Por outro lado, é certo que o Auditor tem o direitodever de prestar informações corretas ao órgão julgador, sem qualquer vício ou erros. Assim, é inadmissível que por falta de vontade em analisar os ditos documentos complexos seja a contribuinte penalizada com a glosa dos créditos. É incontestável que a atitude impensada do Auditor resultou na violação direta a Constituição Federal com o desrespeito aos princípios que regem a Administração Pública (art. 37), em especial o Princípio da Eficiência, onde ficou caracterizado que o Auditor deixou de analisar e montar o quadro da produção em virtude da complexidade da documentação apresentada em substituição ao Livro de Registro de Produção (Modelo 3). Da legitimação dos créditos. Insta salientar, que o Auditor da Receita Federal, em suas Informações Fiscais, reconhece que os créditos apurados pela Contribuinte são efetivamente de insumos relativos aos produtos da empresa, cuja entrada foi devidamente registrada nos livros. Conforme se denota, não há controvérsia a respeito da origem dos créditos. O Auditor é bem claro ao afirmar que as NF's de entrada demonstram que o crédito apurado pela Contribuinte é passível de ressarcimento/compensação. Essa afirmativa, por si só, torna desnecessária qualquer discussão a respeito. Assim sendo, nos reservamos o direito apenas de demonstrar os valores apurados a título de crédito e os débitos que foram objeto de compensação. Conforme se denota, em atendimento ao artigo 11 da Lei 9.779/99, os créditos foram apurados em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, e compensados com débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto, restou comprovado se tratar de crédito decorrente da entrada de insumos, com registro no Livro de Entrada, e passível de ressarcimento/compensação. Do Registro de Controle de Produção e do Estoque Uma vez que a Contribuinte não mantém sistema de contabilidade de custo integrado, seu estoque de material em processamento e dos produtos acabados é arbitrado com base no artigo 296 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 13819.900829/201011 Acórdão n.º 3301004.892 S3C3T1 Fl. 1.411 5 O arbitramento é ferramenta válida para as empresas que não possuem contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escritura. Assim, quando a empresa não puder determinar os valores originais da escrituração contábil que permita, ao final de cada mês, determinar o valor dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração, bem como de se apoiar em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas ou mapas de apropriação ou rateio, que permita avaliar o estoque existente na data do encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivos, deverá arbitrar seu estoque nos moldes do artigo 296 do RIR. Ao contrário do exposto, quando a empresa mantém contabilidade de custo integrado e coordenada com o restante da escritura, pressupõe que tenha o controle das entradas de insumos no estoque e a sua utilização no processo de industrialização. Por isso, estão obrigadas a manterem o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque. No presente caso, a contribuinte não mantém sistema de contabilidade de custo integrada. Assim sendo, seu estoque é arbitrado nos termos do artigo 296 do RIR. Por conta dessa sistemática de apuração e valorização dos estoques, tornasse desrazoável que a Contribuinte mantenha o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque (Modelo 3). Por outro lado, não é demais ressaltar, que as mesmas informações lançadas no dito Livro Modelo 3 são facilmente encontradas nas Notas Fiscais de aquisição; Livro de Entrada; Livro de Saída; Inventário; Livro de Apuração do IPI; Livro Razão, Livro Diário e Arquivo Magnético Sintegra. Todos esses documentos foram tempestivamente apresentados ao Auditor Fiscal, inclusive Ordens de Produção, mas, sob alegação de complexidade, não houve montagem de um quadro geral da produção: Veja Julgador, o Auditor estava de posse de toda documentação necessária e suficiente para apurar as mesmas informações contidas no Livro Modelo 3, mas, "por falta de vontade" preferiu julgar ilegítimos os créditos de ressarcimento de IPI. Reapresentar tais documentos nesta Manifestação de Inconformidade é tarefa árdua, por se tratar de documentos volumosos e, ao invés de ajudar no julgamento, poderá atrapalhar em virtude da quantidade de folhas a serem analisadas. Por isso, a contribuinte se reserva o direito de apresentar o mínimo possível, mas suficiente, para o respeitável Julgador reconhecer o crédito pleiteado. Não obstante as dificuldades de se juntar inúmeros documentos, com objetivo de demonstrar que os insumos foram efetivamente consumidos/utilizados no processo de industrialização, a contribuinte junta amostras das Fichas de Emergência e das Estruturas dos Produtos, cujo teor demonstra que os insumos foram utilizados na composição daquele produto. Sendo certo que, se conciliado com as Notas Fiscais de entrada, facilmente se comprova que os insumos de aquisição foram efetivamente consumidos/utilizados no processo de industrialização. Desse modo, não restará qualquer dúvida a respeito do direito da Contribuinte de ver seu crédito compensado com os débitos indicados nas compensações. Por fim, requereu o recebimento, processamento e apreciação da presente Fl. 1413DF CARF MF 6 manifestação de inconformidade, e ao final, julguea totalmente procedente, com a legitimação dos créditos cujo ressarcimento foi pedido através dos PER/DCOMP's. Requereu, também: a) a declaração de nulidade do despacho decisório que não homologou os créditos, haja vista que os vícios apresentados nas Informações Fiscais, invalidam todo o processo por desrespeito aos princípios constitucionais, os quais a Administração está subordinada art. 37 da CF. b) deferimento de diligências no sentido de se apurar e se validar as compensações informadas nas DCOMP's. c) deferimento de perícia contábil, a ser realizada em prazo razoável, e juntada a posteriore; d) reconhecer a contribuinte o direito à compensação dos créditos de ressarcimento de IPI e conseqüente homologação das DCOMP's, com a conseqüente extinção dos débitos compensados, em atenção aos art. 156, VII, do CTN e) por derradeiro, que as intimações deste processo sejam encaminhadas no endereço comercial da Contribuinte, qual seja, Av. Luigi Papaiz, 783/843 – Campanário CEP: 09.931610 Diadema/SP. 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/RPO : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela manifestante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. PEDIDO DE PERÍCIA. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. A perícia solicitada não foi acompanhada com os quesitos referentes aos exames necessários, nem indicado o perito, pelo que o pedido deve ser considerado não formulado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, no caso de exigência tributária, e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. NULIDADE. No caso concreto, não se verifica a imposição de restrições à apresentação da manifestação, nem a existência de obscuridades no despacho decisório. ÔNUS DA PROVA. A parte que invoca direito deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. No caso em concreto, o administrado deve fazer as provas que dão lastro ao direito creditório reclamado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13819.900829/201011 Acórdão n.º 3301004.892 S3C3T1 Fl. 1.412 7 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 10/02/2017 conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, ás fls. 989 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 14/03/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 990 dos autos digitais, alegando : para que tivesse direito ao ressarcimento de créditos do IPI deveria atender a dois requisitos, quais sejam /; devem os créditos ser decorrentes de entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e devem ser escriturados no trimestre calendário; houve o reconhecimento da existência de tais créditos pela Fiscalização, inclusive que se tratavam de créditos oriundos das aquisições de insumos realizadas pela recorrente, tendo estas sido registradas no seu Livro de Entradas, portanto, reconh3cida a aquisição de insumos utilizados no processo industrial de bens para revenda, não pode a Fiscalização glosar a integralidade de seus créditos foram disponibilizados ao Fisco diversos livros fiscais que comprovam a aquisição de todos os insumos, anexa planilha entrada x consumo para que seja verificado o consumo dos insumos no processo produtivo, adotando a linha de que a verdade material estabelece, para a Administração, o dever de buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada, é forçoso concluir que a recorrente tem direito á homologação das compensações efetuadas, demonstrada a legitimidade dos créditos, se não se entender a comprovação suscitada, por meio dos documentos acostados aos autos, a recorrente se vê obrigada a requerer a realização de diligência e/ou perícia, apresentando os seguintes quesitos : houve aquisição por parte da recorrente de materiais utilizados na produção de bens para a revenda ?, esses materiais são considerados insumos para fins de creditamento do imposto ? ainda, caso positivo, a Recorrente poderia ter lançado como crédito os valores decorrentes da aquisição de tais materiais adquiridos ? o montante glosado a titulo de crédito do imposto representa a totalidade dos créditos lançados no período (a título do referido imposto) pela Recorrente ? é possível identificar ? requer, por fim, seja, após realizada diligência requerida, seja conhecido e provido o Recurso, para homologar as compensações realizadas e cancelar integralmente a exigência a título de principal, multa, juros e demais encargos. 4. O processo veio a mim distribuído para relatar. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 6. O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 7. Passemos a analisar as razões recursais. 8. Tratase de matéria fática, qual seja a comprovação do direito pleiteado pela recorrente em Pedido Eletrônico de Ressarcimento, consubstanciado em créditos de IPI, Fl. 1415DF CARF MF 8 refrentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo. 9. De basilar lógica admitirse que, ao formular o seu pedido, a recorrente já tivesse, de forma clara e identificável, os documentos que dariam suporte ao seu direito. 10. No caso em exame, por tratarse de créditos de IPI, que a recorrente utilizou para compensação de tributos administrados pela RFB, o direito se materializa na comprovação de que os créditos são líquidos e certos, para tal, a pleiteante, ao efetivar seu pedido, e discriminar seus créditos no próprio Pedido de Ressarcimento , por certo já teria, á disposição, a comprovação de sue direito. 11. Socorremonos do Regulamento do IPI ( Decreto nª 7.212/2010 ) que determina, em dispositivo próprio, como se realiza a escrituração dos créditos do tributo, a esse respeito vejase o disposto no artigo 251 do RIPI : Requisitos para a Escrituração Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 3o; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. § 2o O disposto no § 1o não se aplica aos produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. § 3o No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na sua efetiva entrada no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13819.900829/201011 Acórdão n.º 3301004.892 S3C3T1 Fl. 1.413 9 12. Como determina o dispositivo, os créditos devem ser escriturados a vista de documentos que lhes confiram legitimidade, o que já pressupõe a vinculação estrita entre os créditos escriturados e os documentos que os lastream. 13. O mesmo Regulamento determina como serão utilizados os créditos : Da Utilização dos Créditos Normas Gerais Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 257. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 256 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração neste Regulamento. 14. Como se vê, o artigo 257 do RIPI determina que o direito á utilização dos créditos está subordinado ao cumprimento das exigências previstas para a sua escrituração. 15. Para o ressarcimento e compensação de tais créditos, o RIPI estabelece : DA COMPENSAÇÃO, DA RESTITUIÇÃO E DO RESSARCIMENTO DO IMPOSTO Normas Gerais Art. 268. O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais (Lei nº 5.172, de 1966, art. 170, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, Lei no 10.637, de 2002, art. 49, Lei no 10.833, de 2003, art. 17, e Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Fl. 1417DF CARF MF 10 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). Art. 269. A restituição ou o ressarcimento do imposto ficam condicionados à verificação da quitação de impostos e contribuições federais do interessado (DecretoLei nº 2.287, de 1986, art. 7º, e Lei no 11.196, de 2005, art. 114). Parágrafo único. Verificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a existência de débitos em nome do contribuinte, será realizada a compensação, total ou parcial, do valor da restituição ou do ressarcimento com o valor do débito (DecretoLei nº 2.287, de 1986, art. 7º, § 1º, e Lei nº 11.196, de 2005, art. 114). 16. Assim, os créditos, por terem utilização regulada, e por se prestarem a serem devolvidos em espécie e, ainda, para serem compensados com débitos titularizados pelo deterntor de tais créditos, estes, os créditos, se transformam como que em moedas de troca, de valor inestimável, e, por tal característica, devem ter seu reconhecimento cercado de cuidados e verificações rigorosas, para que não tenham sua utilização desvirtuada. 17. Desta forma, sua escrituração deve ser a mais clara possível, sendo registrada em livros de controle que merecem todo o cuidado e preservação. 18. Para esse mister, a escrituração dos livros de controle, o Regulamento tratou de estabelecer regras claras para sua guarda e conservação : DO DOCUMENTÁRIO FISCAL Seção I Das Disposições Gerais Modelos Art. 382. O documentário fiscal obedecerá aos modelos anexos a este Regulamento, bem como àqueles aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo Ministro de Estado da Fazenda, em atos administrativos ou em convênio com as unidades federadas (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 48 e 56, § 1º, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 17). Normas de Escrituração Art. 383. Os livros, os documentos que servirem de base à sua escrituração e demais elementos compreendidos no documentário fiscal serão escriturados ou emitidos em ordem cronológica, sem rasuras ou emendas, e conservados no próprio estabelecimento para exibição aos agentes do Fisco, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, e Lei nº 4.502, de 1964, arts. 57, § 1º, e 58). Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13819.900829/201011 Acórdão n.º 3301004.892 S3C3T1 Fl. 1.414 11 19. Diante deste norte, verificase que a escrituração dos créditos e os doscumentos que os lastream, em conjunto com os livros de controle de al escrituração, somados aos demais registros contábeis que formam um sistema coordenado de informações, é de fundamental importância para a sua apuração e verificação. 20. Por serem de tamanha importância para o controle dos créditos e de toda a sistemática que forma a lógica do IPI, inclusive para aferição da não cumulatividade a que o tributo está submetido, os livros de registro receberam tratamento regulatório nos artigos 444 a 478, sendo de destaque o disposto no artigo 461, que trata do Registro de Produção e Controle do Estoque, modelo 3 : Do Registro de Controle da Produção e do Estoque Art. 461. O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias e, também, ao fornecimento de dados para preenchimento do documento de prestação de informações à repartição fiscal. § 1o Serão escriturados no livro os documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, bem como os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento. § 2o Não serão objeto de escrituração as entradas de produtos destinados ao ativo fixo ou ao uso do próprio estabelecimento. § 3o Os registros serão feitos operação a operação, devendo ser utilizada uma folha para cada espécie, marca, tipo e modelo de produtos. § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando se tratar de produtos com a mesma classificação fiscal na TIPI, poderá autorizar o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a agrupálos numa mesma folha. 21. Portanto, de suma importância a escrituração dos créditos e a manutenção dos livros de registro e controle dos mesmos, em conjunto com os documentos Notas Fiscais que lhes dão lastro e legitimidade. 22. Ainda, por princípio basilar, também, há que se presumir que tais registros serão mantidos em boa ordem, como determinam as regras de registro contábil, que devem nortear todo o sistema de registro do fatos contábeis que fundamentam a vida empresarial. 23. Diante desta preocupação, o legislador cuidou de editar um diploma legal que regulasse tal procedimento, o Decretolei nº 486/1969, que dispõe sobre a escrituração dos livros mercantis e sua organização. Fl. 1419DF CARF MF 12 24. Por todo o exposto, o Termo de Verificação Fiscal, que veio quase que em sua totalidade delimitado no relatório do Acórdão de piso, é claro ao demonstrar que a recorrente, apesar de ser intimada várias vezes, não logrou demonstrar, de forma clara e organizada, a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, inclusive afirmando que não possui o Livro Registro de Produção e Estoque, modelo 3, utilizando para o controle de sua produção, apenas Ordens de Serviço e adotando o arbitramento de estoques, previsto no artigo 296 do Regulamento do Imposto de Renda. 25. Tal arbitramento, alegado como adotado pelo recorrente, torna a apuração dos créditos mais complexa ainda, pois com a recorrente poderia comprovar a utilização dos créditos ou seu cálculo, diante de fatos arbitrados. 26. Outro importante a ser destacado é que, se a recorrente se utiliza de tal arbitramento, deveria, por força do estabelecido no § 2ª do artigo 296 do RIR, ter reconhecido tal prática na sua escrituração comercial, que, como atesta a Fiscalização, é totalmente desconexa e com registros confusos. 27. Por todo este arcabouço regulatório demonstrado, confrontado aos registros apresentados e o ateste da Fiscalização, de que não teve condições, diante da dificuldade em analisar tais registros, é que não se pode aferir a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA / PERÍCIA 28. Solicita a recorrente a realização de diligências ou perícia, para aferir a existência e liquidez dos seus créditos, pleiteados em resasrcimento e utilizados em compensação. 29. Há eu se esclarecer que o pedido de diligência ou perícia deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento Conclusão 30. Concluise, portanto, que, para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13819.900829/201011 Acórdão n.º 3301004.892 S3C3T1 Fl. 1.415 13 tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matériasprimas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matériaprima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerarse líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. 31. Quanto ao pedido de diligência ou perícia, o indefiro, por considerar que o pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento 32. Diante destas de convencimento, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO para manter a decisão da DRJ/RPO em sua integralidade e indeferir o pedido de diligência ou perícia, por considerálos desnecessários no caso presente.. 33. É o meu voto. . assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002737/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2004
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
NORMAIS GERAIS. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2401-005.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: Rayd Santana Ferreira
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. NORMAIS GERAIS. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 37 /2 00 8- 29 Fl. 224DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 15504.002737/200829 Acórdão n.º 2401005.476 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório FUNDAÇÃO HOSPITALAR ESTADO DE MINAS GERAIS FHEMIG, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0219.104/2008, às efls. 165/173, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, relativo a parte patronal, inclusive SAT/RAT, e parte devida pelos segurados incidentes sobre a remuneração paga a servidores cedidos a FHEMIG, cujo regime de previdência de origem não foi comprovado pelo sujeito passivo, em relação as competências de dezembro/1998 à dezembro/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 99/113 e demais documentos que instruem o processo. O Relatório Fiscal sobre o fato gerado versa o seguinte: 11 A fiscalização através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos —TIAD de 1710512007, formalizou a solicitação feita à área de Recursos Humanos no sentido de comprovar a situação funcional dos servidores de outros órgãos cedidos à FHEMIG. Tal solicitação se fez necessária em virtude de se ter constatado na análise do banco de dados da folha de pagamento que tais servidores receberam remuneração na ora notificada. 12 — Até a data de emissão da presente notificação não restou comprovado pela FHEMIG, através de documentação hábil estarem os servidores cedidos amparados por regime próprio de previdência social no órgão requisitante. As informações fornecidas pela notificada não foram juntadas a documentação necessária para afastar o enquadramento da parcela de remuneração recebida por tais servidores como parte integrante do salário de contribuição nos termos estabelecidos pela Lei 8.21211991, vez que não foi comprovada a vinculação funcional no órgão de origem, através do termo de posse, portarias de nomeações ou quaisquer outros atos que a legislação pertinente estabelecer. 13 — Visto que a Lei 8.21211991, de 2410711991, estabeleceu expressamente que o servidor cedido para outro órgão cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição permanecerá vinculado ao regime de origem e não restando provado pelo órgão cessionário— a FHEMIG — que tais servidores encontramse amparados por regime próprio de previdência social temse que a contribuição de tais servidores relativamente à remuneração recebida do órgão cessionário ou requisitante é para o RGPS, no período compreendido na presente NFLD.A contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Fl. 226DF CARF MF 4 Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender alcançado pela decadência quiquenal, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão já mencionado, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2004 DECADÊNCIA QUIQUENAL. SERVIDORES CEDIDOS. AUSÊNCIA DE PROVA DA SITUAÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO ÓRGÃO DE ORIGEM. A decadência das contribuições previdenciárias operase em 05 (cinco) anos em face da declaração de inconstitucionalidade formal dos art. 45 e 46 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal,Ausentes provas da vinculação previdenciária no órgão de origem dos servidores cedidos, está a Auditoria Fiscal autorizada reputálos vinculados ao RGPS e exigir as respectivas contribuições sociais previdenciárias. Lançamento Procedente em Parte Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a parte mantida pela Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 194/210, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugna pela realização de prova pericial para verificar o quantum efetivamente devido, haja vista a obrigatoriedade da ampla defesa, do contraditório e da indisponibilidade do interesse público. Quanto ao mérito, contesta a filiação previdenciária ao Regime Geral de Previdência dos servidores cedidos de outros órgãos remunerados pela FEMIG alegando tratar se de pessoa jurídica de direito público interno dotada de autonomia política no pacto federativo para instituir tributo de seus servidores. Acrescenta que em matéria previdenciária compete a União estabelecer normas gerais e aos Estados as normas suplementares nos termos do a rt. 24, inciso XII da Constituição Federal. Afirma que a Lei 10.254. de 20 de julho de 1990 instituiu regime jurídico único estatutário no Estado de Minas Gerais, conforme seu art. 1°. ConcIui que existe Regime Próprio de Previdência Social, não se podendo questionálo face ao princípio constitucional da paridade federativa entre os entes federativos, devendo ser aplicado o art. 13 da Lei 8.212/91. Argumenta que os servidores de outros órgãos cedidos a FHEMIG,—nó que tange às parcelas pagas pela Fundação, se encontram sujeito a regime próprio de previdência, no caso o IPSEMG. Cita em seu favor o inciso I do parágrafo 3° do artigo 6 0 da Instrução Normátiva Instrução Normativa n° 03, de 14/07/2005, que estabelece que até 15 de dezembro de 1998, o servidor cedido contribuía para o RGPS relativamente à remuneração recebida da Fl. 227DF CARF MF Processo nº 15504.002737/200829 Acórdão n.º 2401005.476 S2C4T1 Fl. 4 5 entidade ou órgão cessionário, desde que não amparado por Regime Próprio de Previdência Social. Para afastar a alegação da fiscalização de que não foi comprovada pela FHEMIG a vinculação funcional no órgão de origem, afirma que foi juntada a defesa Declaração expedida pela Divisão de Convênios e Gestão do Ministério da Saúde, que estaria apta a comprovar o vínculo e o regime jurídico dos servidores oriundos daquele órgão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado pela primeira instância monta a importância de R$ 1.667.654,73 e, portanto, não alcança o limite de alçada, hoje de R$ 2.500.000,00, não levado a efeito os juros. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, maio de 2017. RECURSO VOLUNTÁRIO ADMISSIBILIDADE Fl. 229DF CARF MF Processo nº 15504.002737/200829 Acórdão n.º 2401005.476 S2C4T1 Fl. 5 7 Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer o pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se extraí dos dispositivos encimados, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. No presente caso, conforme as datas relatadas, o recurso é intempestivo. A contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação em 13/11/2009 (sextafeira), conforme AR de efls. 175, o prazo para a interposição se iniciou em 16/11/2009 (segundafeira); portanto, seu termo final foi o dia 15/12/2009 (terçafeira). Entretanto o recurso foi protocolado em 16/12/2009, ou seja, após o prazo legal para interposição do recurso. Por todo o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR SER INTEMPESTIVO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963670/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.406
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 63 67 0/ 20 09 -7 1 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.963670/200971 Resolução nº 3201001.406 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.963670/200971 Resolução nº 3201001.406 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.963670/200971 Resolução nº 3201001.406 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.963670/200971 Resolução nº 3201001.406 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720863/2017-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente),
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ e CSLL, apurados pelo lucro real anual, no montante de R$ 112.666.974,09, incluídos juros de mora, multa de ofício de 75% e multa exigida isoladamente, conforme quadro abaixo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 86 3/ 20 17 -6 1 Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 3 2 Auto de Infração Valor (R$) IRPJ 82.843.363,32 CSLL 29.823.610,77 2. A autoridade lançadora apontou as seguintes infrações, constantes do Auto de Infração (fls. 1145/1164), cuja descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1116/1142): 2.1. Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real: Infração – Exclusões indevidas / Ágio indedutível. 2.2. Multa ou juros isolados: Infração – Falta de recolhimento de estimativas/ antecipações mensais: “Multa exigida em função da falta/insuficiência de recolhimento das estimativas/antecipações mensais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica”. 3. De acordo com o TVF a autoridade fiscalizadora verificou e concluiu que: “IV DO RESULTADO DA AUDITORIA. DAS INFRAÇÕES APURADAS. [...]Com efeito, restou constatado que a fiscalizada excluiu das bases de cálculo de referidas exações valores relativos à amortização de ágio indedutível para fins fiscais, gerando assim indevida redução das bases tributáveis e, consequentemente, falta de recolhimento dos tributos devidos. Estas indevidas exclusões foram efetuadas tanto na apuração das bases de cálculo anuais do IRPJ e da CSLL, através das linhas 56 da Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) e 17 da Ficha 46 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) da DIPJ, quanto na apuração das bases de cálculo mensais das estimativas/antecipações devidas, conforme demonstrativos de apuração apresentados, e se deram nos montantes, respectivamente, de R$177.953.029,96 (exclusão anual) e de R$14.829.419,08 (exclusão mensal). Os valores excluídos por sua vez são relativos a ágio indedutível para fins fiscais, adquirido pela fiscalizada em decorrência da absorção de parcela do patrimônio da empresa COSAN Combustíveis e Lubrificantes S.A (hoje COSAN Lubrificantes e Especialidades S.A.), CNPJ 33.000.092/000169, ocorrida em consequência de processo de cisão datado de 01/06/2011.[...] IV.1 – DA ORIGEM DO ÁGIO AMORTIZADO PELA FISCALIZADA E DA SUA INDEDUTIBILIDADE. Conforme noticiado pela fiscalizada (resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal), em 01/06/2011 foi realizada a cisão parcial da empresa COSAN Combustíveis e Lubrificantes S.A., que aqui será também referida como COSAN COMBUSTÍVEIS. Em virtude desse processo de cisão, parte do patrimônio de COSAN COMBUSTÍVEIS foi vertida para fiscalizada, incluída, entre os Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 4 3 ativos e passivos vertidos, a parcela relativa ao ágio que até então vinha sendo por ela COSAN COMBUSTÍVEIS amortizado em decorrência da anterior incorporação da empresa denominada Cosanpar Participações S.A. (COSANPAR), CNPJ 09.503.936/000100, que originariamente detinha esse ágio. À época dessa cisão a fiscalizada se denominava Shell Brasil S.A.; antes da cisão a COSAN COMBUSTÍVEIS se denominava Esso Brasileira de Petróleo Ltda. (ESSO); e, hoje, a COSAN COMBUSTÍVEIS se denomina COSAN Lubrificantes e Especialidades S.A. (...) O ágio amortizado no ano calendário de 2013 originouse do valor pago pela empresa Cosanpar Participações S/A à ExxonMobil Capital N.V., no montante de R$1.672.445.205,96, referente à aquisição de 100% das participações societárias de duas empresas holandesas que detinham os Ativos de Distribuição da então denominada Esso Brasileira de Petróleo Ltda. Tais pagamentos foram realizados na forma e data infrademonstradas” (...) A análise pormenorizada de todas as operações ocorridas até a consequente incorporação da COSANPAR pela sua controlada COSAN COMBUSTÍVEIS (antiga ESSO) trouxe a comprovação de que, se a COSAN SA (controladora de COSANPAR) tivesse procedido diretamente à aquisição do investimento na ESSO, sem para isso se utilizar da criação da controlada COSANPAR, não haveria possibilidade do grupo econômico beneficiarse da amortização do ágio para fins tributários, haja vista que nesse caso a respectiva despesa não seria dedutível das bases de cálculos dos tributos devidos por nenhuma das empresas envolvidas. Assim, para que pudesse se valer da norma de dedutibilidade prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97, é que a COSAN SA constituiu e se aproveitou de empresa veículo (a COSANPAR), de vida efêmera de março de 2008 a junho de 2009 – e sem propósito negocial, e nesta fez registrar o ágio havido na aquisição de ESSO (COSAN COMBUSTÍVEIS), para posteriormente promover a incorporação de COSANPAR pela sua controlada, ESSO (COSAN COMBUSTÍVEIS), e, em consequência, levar a efeito a dedução das indigitadas despesas de amortização das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, beneficiando todo o grupo econômico. A análise das operações ocorridas desde a criação de COSANPAR até a sua consequente incorporação por COSAN COMBUSTÍVEIS (sua controlada) não deixou dúvidas de que a reorganização societária promovida envolveu planejamento tributário abusivo, cujo fim era dar roupagem de dedutível ao ágio sabidamente indedutível, e, desta forma, possibilitar a aludida economia tributária indevida. (...) Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 5 4 Por conseguinte e em função de todas as razões até aqui relatadas, sendo o aludido ágio indedutível em sua origem, não é o fato “ter mudado de mãos” que o tornará dedutível. Em outras palavras, não é fato de ter sido cedido à empresa ora fiscalizada, por meio do processo de cisão datado de junho/2011, que o transmuta em ágio dedutível para fins fiscais. Dessa forma, indevidas foram as exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL procedidas a esse título pela fiscalizada no anocalendário de 2013, impondose, portanto, a glosa de aludidas exclusões e a constituição e exigência do crédito tributário dela decorrente”. 3. A contribuinte Raízen Combustíveis S.A., devidamente cientificada (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 14/06/2017, fl. 1171), apresentou impugnação em 14/07/2017 (fls. 1177/1272), onde abordou os seguintes tópicos: “DO DIREITO 3 – Legitimidade das Operações Realizadas e Posterior Aproveitamento Fiscal do Ágio pela Impugnante – Dos Limites da Lide: Cisão Não Questionada 4 – Demonstração da Validade e do Propósito Negocial da Operação de Aquisição das Cooperativas Holandesas BIH e BHC 4.1 – Diversas Estruturas Possíveis para o Aproveitamento Fiscal do Ágio – Falsa Premissa do Sr. Agente Fiscal 4.2 – Demonstração do Propósito Negocial para a Constituição da COSANPAR 4.3 – Ad Argumentandum – Validade da Suposta Empresa Veículo 5 – Ad Argumentandum Da Ausência de Simulação 5.1 – Validade dos Atos Praticados – Hipótese de “Opção Legal” 6 –Demonstração de Fundamento Econômico do Ágio – Laudo de Avaliação 7 – Inexistência do Requisito Legal de “Confusão Patrimonial 8 – Da Impossibilidade de Ingerência do Fisco na Atividade do Contribuinte – Da Opção Legal – Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras da Impugnante 9 – Da Impossibilidade da Cobrança da Multa Isolada em Razão da Falta de Recolhimento do IRPJ e da CSLL por Estimativa 10 – Ad Argumentandum – Da Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização 11 – Ad Argumentandum – O Valor do Ágio Deverá ser Majorado em Razão do Acréscimo do Custo de Aquisição do Investimento pela Adição do Valor do IR/Fonte no Preço da Operação Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 6 5 12 Da Necessidade de Restabelecimento do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da CSLL Compensados de Ofício pela Fiscalização 13 Preclusão / Decadência da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio Amortizado pela Impugnante 14 – Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa DO PEDIDO Ao final da impugnação, a interessada assim pediu: “Pelo exposto, a Impugnante requer a esta E. Turma de Julgamento o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, com a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o cancelamento integral dos autos de infração originários do presente processo administrativo. Ainda, caso não seja determinado o cancelamento integral dos lançamentos tributários, o que se alega a título argumentativo, requerse, subsidiariamente (i) o reconhecimento da impossibilidade de exigência da CSLL sobre a amortização do ágio;(ii) que sejam cancelados os juros calculados com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada, por inexistência de previsão legal; e (iii) o ajuste no valor do ágio na remota hipótese de prevalecer a cobrança do IR/Fonte nos autos do Processo Administrativo no 16682.720343/201325”. 4. Em sessão de 23 de novembro de 2017, a 1ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0965.119 (fls. 1533/1574), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2013 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DECADÊNCIA. MARCO INICIAL DA CONTAGEM. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, constituída sem finalidade negocial, em cujo patrimônio constava registro de ágio em decorrência de participação na incorporadora com fundamento em expectativa de rentabilidade futura. Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 7 6 TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a real sociedade investidora que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. REPERCUSSÃO PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A interpretação sistemática da legislação tributária leva à convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às condições de dedutibilidade do ágio na aquisição de investimento. Havendo adição da despesa corresponde para fins de apuração do IRPJ, esta se comunica para fins de apuração da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 5. Cientificada da decisão (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 28/11/2017, fl. 1584), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1587/1688) em Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 8 7 26/12/2017. Em seu recurso apresenta cronologia dos principais eventos da operação objeto do processo, tal como segue: • “Desde 1912, a Esso Brasileira de Petróleo Ltda. (“Esso”), empresa do Grupo Exxonmobil, atuava no país no setor de petróleo. De fato, até o ano de 2008, a Esso permanecia sob controle deste Grupo, mais especificamente da sociedade holandesa Exxonmobil Brazil Holdings B.V. (“Exxonmobil BR”), que por sua vez era controlada pela Exxonmobil International Holdings B.V. (“Exxonmobil International”). · Até 2008, o Grupo Cosan e sua holding operacional Cosan S/A Indústria e Comércio (“Cosan”) representava um dos maiores conglomerados econômicos no segmento de açúcar e etanol no cenário nacional, porém sem atuação no segmento de combustíveis e lubrificantes derivados do petróleo. Com efeito, foi estabelecido como prioridade em seu planejamento estratégico o ingresso neste segmento, motivo pelo qual surge o interesse na aquisição de parte do Grupo Exxonmobil. · Em 19/03/2008, neste contexto de expansão das atividades do Grupo Cosan, houve a constituição da Cosanpar Participações Ltda. (“COSANPAR”), CNPJ nº 09.503.936/0001 00, cujos acionistas eram as sociedades brasileiras Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool (“Usina”) e Agrícola Ponte Alta S/A (“Agrícola”). Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 9 8 Conforme será demonstrado, a COSANPAR foi a empresa de participações do Grupo Cosan responsável pela aquisição do investimento no segmento de combustíveis e lubrificantes derivados do petróleo. Ressaltese, também, que a constituição da COSANPAR tinha o objetivo de segregar a atividade de distribuição de combustíveis e lubrificantes dos demais negócios do Grupo Cosan. Objetivava, ainda, permitir o ingresso de investidores nesse negócio. Por eventos negociais subsequentes, a entrada de investidores externos acabou por não se efetivar, pelo menos naquela ocasião, o que motivou o Grupo Cosan a decidir pela incorporação da COSANPAR pela COSAN LE alguns meses depois de concluída a operação de compra e venda com o Grupo ExxonMobil. No entanto, durante a fase de transição, que vigorou desde a assinatura do Contrato de Compra e Venda até a data de conclusão da transação, a COSANPAR se preparou para exercer as atividades de backoffice para a Esso brasileira, admitindo cerca de 100 empregados que foram treinados e passaram a atuar nas atividades de Atendimento a Clientes, Contas a Pagar, Contas a Receber, Informática, Controladoria, entre outras. O exercício dessas atividades continuou até a incorporação da COSANPAR pela COSAN LE A entrada de investidor externo no segmento de combustíveis acabou acontecendo apenas em 2010, quando COSAN e SHELL decidiram unir suas operações e constituir a Raízen Combustíveis S/A (uma das maiores empresas do segmento de combustíveis do mundo), com início efetivo em 06/2011, ora Recorrente. · Em 23/04/2008, foi firmado o Contrato de Compra e Venda, entre as sociedades Exxonmobil Holdings e Exxonmobil BR, na qualidade de Vendedoras (“Fornecedoras”), e Cosan Industria e Comércio e Usina, como Compradoras, cujo objeto era a aquisição de todas as participações em duas cooperativas que Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 10 9 seriam criadas em conformidade com a legislação dos Países Baixos, e que deteriam 100% das ações da Esso. Destaquese que o interesse do Grupo Exxonmobil, desde o início das negociações, era a venda da empresa Exxonmobil BR, empresa holding que detinha o investimento no segmento de combustíveis e lubrificantes no Brasil. No entanto, para a aquisição direta da Exxonmobil BR, seria necessária a realização de uma auditoria minuciosa e detalhada sobre eventuais contingências e riscos que envolvem uma aquisição dessa magnitude. Destaquese que a ExxonMobil BR operava desde a década de 90, razão pela qual fica claro que se trata de uma sociedade que exercia suas atividades regularmente. Com efeito, chegouse a um acordo no sentido de que seriam constituídas as mencionadas cooperativas holandesas para receber o investimento direto na Esso. Com isso, foi possível chegar ao mesmo resultado prático da aquisição de ativos na Holanda (aquisição direta da Exxonmobil BR ou das cooperativas). · Em 03/10/2008, como uma etapa intermediária na reestruturação societária para constituição das cooperativas, a Exxonmobil BR transfere parte da participação societária na Esso para Exxonmobil International. · Em 03/10/2008, foram transferidas as quotas de participação na Esso para as cooperativas holandesas Brazil International Holdings Cooperatief U.A. (“BIH”) e a Brazil Holdings Cooperatief U.A. (“BHC”), em estrita observância ao previsto no contrato firmado em 23/04/2008: Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 11 10 · Em 06/10/2008, houve a transformação da COSANPAR em sociedade anônima e o aumento de seu capital social em R$ 557.378.790,00, integralizado pela Cosan. Neste evento, a Agrícola se retira do investimento na COSANPAR: · Em 13 e 14/10/2008, houve o registro das cooperativas holandesas BIH e a BHC perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (“CNPJ”) no Brasil. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 12 11 · Em 07/11/2008, foi realizada Assembleia Geral Extraordinária (“AGE”) para a deliberação dos acionistas da COSANPAR com relação à aquisição das participações societárias representativas da totalidade do capital social das duas sociedades cooperativas sediadas na Holanda, bem como para autorizar ordens de pagamento e remessas para o exterior até o valor de US$ 989 milhões. · Em 17/11/2008, houve nova integralização de capital da Cosan na COSANPAR no valor de R$ 1.149.400.000,00, o que fez com que o saldo final da conta Capital Social da COSANPAR correspondesse a R$ 1.706.779.790,00. · Em 21/11/2008, ocorreu a primeira transferência no valor de R$ 520.385.540,64 da COSANPAR para a Exxonmobil Capital N.V. relativa ao pagamento da aquisição das participações nas cooperativas holandesas BIH e BHC. · Em 25/11/2008, houve a alteração do Contrato de Compra e Venda firmado em 23/04/2008 entre Exxonmobil e Cosan, de forma que esta empresa fosse substituída pela COSANPAR na qualidade de compradora (empresa esta que havia sido constituída pelo Grupo Cosan com a finalidade de aquisição do investimento, conforme demonstrado). Nesta mesma data, houve a segunda transferência da COSANPAR para a Exxonmobil Capital N.V. relativa à aquisição das participações societárias nas cooperativas holandesas. · Em 01/12/2008, são firmados 4 contratos de “Transferência de Participação em uma Cooperativa”, por meio dos quais as participações societárias que a Exxonmobil International e a Exxonmobil BR possuíam nas cooperativas holandesas BIH e BHC foram adquiridas pela COSANPAR e pela Usina, que passam a ser suas controladoras diretas. Com efeito, neste momento, a COSANPAR registrou um ágio de R$ 1.487.009.597,18 gerado pela referida aquisição entre partes independentes e com pagamento em dinheiro. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 13 12 · Em 04/12/2008, ratificação em AGE de transferências de numerários da COSANPAR à sua controladora Cosan referentes a valores de caixa não utilizados na aquisição do investimento nas cooperativas, bem como autorização para proceder a novas transferências de valores pelo período de seis meses. · Em 18/12/2008, houve a liquidação das cooperativas holandesas BIH e BHC, em conformidade com a legislação vigente na Holanda, motivo pelo qual a participação na Esso passou a ser registrada diretamente nas empresas brasileiras Usina e COSANPAR como sucessoras legais, desdobrandose seu custo de aquisição entre patrimônio líquido e ágio nos mesmos montantes registrados na etapa anterior: Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 14 13 · Em 19/01/2009, transformação da Esso de sociedade limitada em sociedade por ações, passando a denominarse Cosan Combustíveis e Lubrificantes S.A (“COSAN CL”): · Em 30/01/2009, a COSANPAR adquire a totalidade da participação societária detida pela Usina na COSAN CL, tornandose, portanto, sua única acionista: · Em 23/06/2009, houve a deliberação sobre a incorporação da COSANPAR pela COSAN CL (antiga Esso – posteriormente denominada Cosan Lubrificantes e Especialidades S.A. “COSAN LE”). Tratase de incorporação reversa, na qual a sociedade controlada incorpora sua controladora3. Neste momento, o ágio pago passou a ser amortizado para fins fiscais, nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. · Em 01/06/2011, a COSAN LE sofreu cisão parcial, sendo o acervo cindido incorporado pela antiga SHELL (atual Raízen Combustíveis S/A, ora Impugnante). Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 15 14 Na operação, foi transferida para a Impugnante parte do ágio em investimentos, no valor de R$ 548.688.506,92, gerado originalmente pela COSANPAR, quando da aquisição, por esta, das participações societárias nas cooperativas holandesas, e posteriormente transferido para a COSAN CL, por incorporação reversa”. 6. A Recorrente, em seu Recurso Voluntário, reitera as razões já expostas em Impugnação e complementa sua defesa com os seguintes pontos: Preliminarmente 6.1. Argui que o Programa de Produtividade da RFB e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária previstos na Lei nº 13.464/2017 são inconstitucionais e violam diversos dispositivos legais. Logo, requer a suspensão do julgamento do presente processo em razão de suspeição até que o referido programa mencionado e o bônus sejam revogados, pois violam a imparcialidade da administração pública uma vez que os julgadores são diretamente interessados na manutenção das autuações. Do Direito 6.2. Os requisitos legais para o registro e amortização do ágio foram integralmente cumpridos e que a criação da COSANPAR não se deu por razões exclusivamente fiscais, pois foi criada com o intuito de dar suporte a um investimento separado do Grupo Cosan, tendo inclusive seus próprios funcionários e sua estrutura administrativa, e as atividades desenvolvidas por ela não tinham como beneficiária a Cosan. Ademais, a hipótese de a COSANPAR ser uma empresa veículo, a título argumentativo, não impede a realização da amortização do ágio dentro dos ditames legais. 6.3. A pretensão da DRJ de coibir o direito da Recorrente à amortização fiscal do ágio em face da ausência de “confusão patrimonial” é descabida, pois tal requisito não se encontra previsto na legislação. Mesmo que fosse um requisito necessário ressalta que a confusão patrimonial ocorreu no presente caso. 6.4. Os valores adicionados pela Fiscalização nas bases mensais para o cálculo da multa isolada foram exatamente os mesmos incluídos no cálculo do ajuste anual para a cobrança da multa de ofício. Logo, a afirmação da decisão de piso de que as referidas multas teriam fatos geradores distintos não é correta. 6.5. Sobre a base de cálculo da CSLL, alega, a título argumentativo, que uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo caso haja previsão expressa em lei para este tributo, o que não ocorre no caso deste processo. Visto que o ordenamento foi silente quanto à adição da parcela do ágio ao lucro líquido, não cabe à autoridade fiscal exigir o que a lei não exige. 6.6. Alega ainda, a título argumentativo, que no caso de se julgar pela incidência do IRRF no processo administrativo nº 16682.720343/201325 o valor da operação Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 16 15 realizada entre o Grupo Exxonmobil será majorado com a inclusão do valor deste tributo no preço da aquisição. E, quanto maior o valor da operação, maior será o valor a ser registrado a título de ágio, razão pela qual deve ser permitido o respectivo reajuste no valor do ágio caso a referida hipótese se concretize. 6.7. A decisão recorrida cometeu equívoco ao afastar o argumento da decadência, pois muito embora a amortização do ágio tenha ocorrido em 2013, o fato contábil societário que deu origem ao ágio ocorreu no anobase de 2008, sendo então vedado ao fisco efetuar lançamentos de ofício sobre fatos pretéritos. 6.8. O artigo 13, da Lei nº 9.065/95 prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos, não havendo previsão legal que permita a incidência desses juros de mora sobre a multa de ofício. 6.9 Por fim, o Recorrente requer: (i) preliminarmente a suspensão do julgamento do processo em razão de suspeição até que o Programa de Produtividade da RFB e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária sejam revogados; (ii) o cancelamento integral dos autos de infração; e subsidiariamente (iii) que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de CSLL sobre a amortização do ágio; (iv) que sejam cancelados os juros com base na taxa SELIC; e (v) o ajusto no valor do ágio na remota hipótese de prevalecer a cobrança do IRRF nos autos do Processo Administrativo nº 16682.720343/2013 25. 7. A União, por intermédio da Procuradoria da Fazenda nacional, apresentou contrarrazões (fls. 1803/1848) ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, nas quais reforçou as questões fáticoprobatórias trazidas pelas autoridades fiscais para que seja mantido o acórdão proferido pela E. Delegacia de Julgamento e alegou a inexistência de impedimento dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional e que o julgamento não deve ser suspenso. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 8. O recurso voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questão de Ordem 1. A Recorrente apresentou questão de ordem para fins de requerer a aplicação imediata do artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais. 2. Acerca da temática apresentada, vale trazer algumas ponderações. I. Da Aplicabilidade da LINDB ao CARF Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 17 16 3. Inicialmente, cumpre consignar que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) deve ser observada e aplicada por todos os Órgãos de Estado. 4. A recente decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais chamou a atenção dos operadores ao afastar a aplicação desta Lei a atividade judicante do CARF, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. Não se conhece de questão de ordem cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.” (Processo nº 19515.003515/200774, Acórdão nº 9202006.996, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 21 de junho de 2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). 5. Como fundamento, o voto condutor do r. Acórdão entendeu que a lei só “promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Fez questão de consignar que “os dispositivos ora tratados basearamse na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada Contratações Públicas e Seu Controle, o que não deixa margem de dúvida acerca da natureza essencialmente administrativa dos novos dispositivos”. 6. No mais, registrou que “em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF”, de modo que,“quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva”. 7. Diante de tais colocações, os citados professores e coautores do anteprojeto da LINDB, manifestaramse na mídia. Vale conferir os seguintes trechos, verbis: Floriano de Azevedo Marques1 “A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretação contra legis." (...) 1 MENDES, Guilherme. CARF deve aplicar artigo 24 da LINDB, afirma autor da nova redação da norma. Jota, São Paulo, 06 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/phv85x. Acesso em: 07 ago. 2018. "Floriano de Azevedo Marques, que formulou as alterações da lei, afirma que o CARF não está imune à sua aplicação." Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 18 17 "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. Carlos Ari Sundfeld2 “A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. Entendemse como tal as operações cuja tutela tenha como centro as autoridades administrativas, embora com fiscalização e participação de controladores externos e juízes. Em suma, os arts. 20 a 30 da Lei de Introdução tratam do direito público cuja aplicação primária seja administrativa. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). Eis então o âmbito objetivo de incidência da lei: situações de criação e aplicação do direito público sob tutela primária da administração pública como um todo. Ela impacta diretamente a aplicação dos direitos constitucional, tributário, administrativo (em sentido estrito), financeiro, ambiental, sanitário, concorrencial, previdenciário, de trânsito, enfim, os ramos do direito público. (...) Impor normas comuns a todos os administradores, controladores e juízes não significa desconhecer as especificidades de organização e funcionamento do controle externo e do Judiciário, tampouco as diferenças que existem na extensão de suas competências de aplicação das normas de direito público cuja tutela primária seja da administração. Para a sujeição de todos às mesmas normas sobre criação e aplicação do Direito, a Lei de Introdução levou em conta a necessidade de coerência normativa: nem o juiz, nem o controlador, 2 SUNDFELD, Carlos Ari. LINDB: Direito Tributário está sujeito à Lei de Introdução reformada. Jota, São Paulo, 10 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/3kub1r. Acesso em: 10 ago. 2018. Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 19 18 podem invalidar, sancionar ou substituir as opções do administrador usando parâmetros de interpretação e decisão discrepantes dos que são naturais e exigíveis na função administrativa. A interpretação tributária feita pelo juiz tem de estar sujeita às mesmas diretrizes que vinculam o administrador tributário. Por identidade de razão, autoridades administrativas judicantes (como o CARF) não podem, para decidir casos, usar conjunto próprio e autônomo de referências jurídicas, diversas das que estão a vincular o administrador tributário ativo e o Poder Judiciário. Convém não esquecer que, ao menos nesse sentido, o Direito é uno, e que a autoridade judicante administrativa em matéria tributária nada mais faz do que aplicar o Direito, e não outra coisa qualquer.” (grifos nossos) 8. Em vista do exposto, fica claro que a LINDB é plenamente aplicável ao CARF e, pessoalmente, não encontro qualquer sentido técnico, jurídico ou hermêutico para afastar os preceitos contidos na LINDB da atividade judicante administrativa. 9. Não há dúvidas de que a LINDB é preceito norteador interpretativo que objetiva, em última análise, assegurar segurança jurídica e previsibilidade aos administrados e anseia pela almejada coerência normativa dada a unicidade do Direito. 10. Nessa esteira, o primado da eficiência buscar atingir tais preceitos e garantir a satisfatividade das decisões na esfera administrativa. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila3 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 11. Assim sendo, a inobservância dos citados preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 12. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade e uniformidade são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica. 3 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 20 19 13. Dito isto, é fácil evidenciar que a LINDB está alinhada aos princípios que regem a Administração Pública, constantes do artigo 374, da CF/88 e do artigo 2º5, da Lei nº 9.784/99, às diretrizes processuais da Lei nº 13.105/20156 (Código de Processo Civil) e, portanto, não há como afastar sua aplicação no âmbito do CARF. II. Da Pertinência da Questão de Ordem Suscitada 14. É notório que tema ágio é altamente controvertido e respondeu em 2014, pelo montante de R$ 18,7 bilhões, nas 30 maiores empresas nãofinanceiras do País (em receita líquida) que acumulavam R$ 283,4 bilhões em contencioso tributário, conforme estudo empírico realizado por Ana Teresa Lopes7 na Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. 15. Não podemos olvidar que tais montantes, a depender da classificação de risco da companhia, deixam de ser provisionados e, portanto, em termos práticos, não afetam o resultado financeiro e permitem que tais montantes sejam investidos nas atividades empresariais. 16. Nessa linha, se determinada questão vem sendo julgada pelos tribunais administrativos e/ou judiciais de forma predominantemente favorável aos administrados, as companhias deixam de provisionar determinados valores em litígio, de acordo com as próprias diretrizes do CPC 258: "Provisão 14. Uma provisão deve ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. 4 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" 5 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 6 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 7 LOPES, Ana Teresa. O contencioso tributário sob a perspectiva corporativa: estudo das informações publicadas pelas maiores companhias abertas do país. Dissertação de mestrado apresentada no programa de direito da FGV DIREITO SP (p. 35 e p. 49), em 15/03/2017. Disponível em: https://goo.gl/2xp1fN. Acesso em: 24/07/2018. 8 "Na elaboração das demonstrações financeiras é comum que as empresas reconheçam como provisão os valores relativos às ações judiciais passivas cuja probabilidade de perda é provável. De acordo com o CPC 25, embora haja um nível de incerteza nestas provisões, o reconhecimento desses eventos como passivo indica que é mais provável que a saída de caixa aconteça do que não aconteça (itens 15 e 16)", por CANADO, Vanessa. Precedentes e Probabilidade de Perda em Ações Judiciais. Jota, São Paulo, 10 mai. 2018. Disponível em: https://goo.gl/eHKKPf. Acesso em: 13 ago. 2018. Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 21 20 Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida. Obrigação presente 15. Em casos raros não é claro se existe ou não uma obrigação presente. Nesses casos, presumese que um evento passado dá origem a uma obrigação presente se, levando em consideração toda a evidência disponível, é mais provável que sim do que não que existe uma obrigação presente na data do balanço. 16. Em quase todos os casos será claro se um evento passado deu origem a uma obrigação presente. Em casos raros – como em um processo judicial, por exemplo –, podese discutir tanto se certos eventos ocorreram quanto se esses eventos resultaram em uma obrigação presente. Nesse caso, a entidade deve determinar se a obrigação presente existe na data do balanço ao considerar toda a evidência disponível incluindo, por exemplo, a opinião de peritos. A evidência considerada inclui qualquer evidência adicional proporcionada por eventos após a data do balanço. Com base em tal evidência: (a) quando for mais provável que sim do que não que existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade deve reconhecer a provisão (se os critérios de reconhecimento forem satisfeitos); e (b) quando for mais provável que não existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que seja remota a possibilidade de uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos (ver item 86)." (grifos nossos) 17. Trago este singelo exemplo para demonstrar como a mudança repentina de entendimento do CARF pode impactar diretamente o resultado das companhias e na tomada de decisão dos investidores. 18. Vejam que, em razão da alteração de posicionamento, as empresas acabam, inevitavelmente, por afetar seus resultados (constituição de provisão). Tal movimentação financeira é, por óbvio e diretamente, sentida pelos investidores9. O efeito desta dinâmica nefasta é simples: assistimos o desinvestimento nas operações nacionais, o agravamento do “Custo Brasil” 10, a saída de grupos econômicos do país e o aumento da crise de confiança diante da insegurança jurídica provocada pelos Órgãos de Estado. 19. Sobre este aspecto, bem caminhou o artigo 20 da LINDB, ao dispor que: "Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. 9 A simples divulgação dos balanços e notas explicativas afugentam os investimentos. 10 O custo Brasil é um termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, aumentando o desemprego, o trabalho informal, a sonegação de impostos e a evasão de divisas. Em outros termos, "é custo adicional de transacionar, de realizar negócios, no Brasil, em comparação ao custo em um país com instituições que funcionam adequadamente", em PINHEIRO, Armando Castelar. A Justiça e o Custo Brasil. In: Revista USP, nº 101, mar/abr/mai. São Paulo, p. 141158. Disponível em: https://goo.gl/CSvJcn. Acesso em: 13/08/2018. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 22 21 Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.” 20. A devida motivação calcada em valores concretos, a observância prática dos efeitos da decisão proferida e a publicização de eventual mudança de posicionamento, são fundamentais para trazer coerência aos julgados, bem como asseguram que o administrado tenha ciência e previsibilidade para bem gerir suas atividades empresariais. 21. Igualmente alinhado aos valores da segurança jurídica e da previsibilidade, o invocado artigo 24, da LINDB, proíbe expressamente que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, verbis: LINDB "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público." (grifos nossos) 22. Notase que, o caput do citado dispositivo converge com os preceitos contidos no artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, artigo 100, incisos II, III e parágrafo único. Confirase: Lei nº 9.784/1999 "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." CTN "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 23 22 III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." (grifos nossos) 23. Contudo, a polêmica trazida pelos operadores com relação a aplicação do artigo 24, da LINDB, gira em torno das expressões "revisão" e "orientações gerais da época", entendidas como "jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público". 24. No presente caso, conforme relatado, a Recorrente teria amortizado, indevidamente, o ágio apurado na aquisição da ESSO pela empresa COSAN S.A após a cisão parcial da empresa COSAN Combustíveis e Lubrificantes S.A., uma vez que, supostamente, não haveria razões econômicas ou negociais para a criação da Cosanpar Participações S.A., suposta "empresa veículo" que teria sido utilizada para viabilizar a futura incorporação reversa dela pela sua própria controlada. 25. Ocorre que, a Recorrente invoca a aplicação do artigo 24, da LINDB, por considerar que a jurisprudência administrativa era majoritária na época dos fatos geradores objeto do lançamento fiscal. 26. Para comprovar o alegado, apresenta relação de casos semelhantes ao presente, onde o aproveitamento fiscal de ágio foi considerado legítimo e plenamente válido: "Acórdão nº 10809.529 (sessão de 23/01/2008), acórdão nº 101 97.027 (sessão de 13/11/2d08), acórdão nº 110100.064 (sessão de 13/05/2009), acórdão nº 110100.354 (sessão de; 02/09/2010), acórdão nº 1201000.285 (sessão de 09/07/2010), acórdão nº 1301000.711 (sessão de 19/10/2011), acórdão nº 1402000.802 (sessão de 21/10/2011), acórdão nº .1402001.310, acórdão nº 1302001.150 (Sessão de 07/08/2013); acórdão nº 1402001.409 (Sessão de 10/07/2013); acórdão nº 1102000.875 (Sessão de 12/06/2013); acórdão nº 1102000.873 (Sessão de 11/06/2013); e acórdão nº 1301 001.224 (Sessão de 11/06/2013)." 27. Diante das razões técnicas e jurídicas aqui apresentadas e em vista da relação de julgados supra, evidencio que há fortes indícios de que a jurisprudência aplicável seria majoritária. Assim, considero prudente, em consonância com o princípio do contraditório, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) seja intimada para se manifestar acerca do pleito em questão. Das Providências 28. Em face do exposto, proponho a remessa dos presentes autos à unidade preparadora com o objetivo de intimar a PGFN para se manifestar acerca da questão de ordem suscitada pela Recorrente e, em especial, sobre a relação de decisões apresentadas que, a priori, demonstram ser o entendimento majoritário da época favorável ao aproveitamento fiscal de ágio em casos semelhantes ao presente. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 16682.720863/201761 Resolução nº 1201000.609 S1C2T1 Fl. 24 23 29. Se for o caso, apresente rol de julgados para contrapor os apresentados pela Recorrente. 30. Na sequência, retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 1886DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.906476/2009-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE ALEGADO POR INCLUSÃO DE DÉBITO EXTINTO EM PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. PARCELAMENTO. VEDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Tendo o débito sido extinto pelo pagamento e, posteriormente, havendo a suposta inclusão dele em parcelamento, o indébito é relativo aos valores do parcelamento e não do DARF primitivamente recolhido e devidamente alocado para extinção do débito. Sendo vedado pela legislação de regência a inclusão, como objeto de compensação, do débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, não há que se cogitar efetivar a compensação de eventual indébito constituído após inclusão em parcelamento de débito já extinto. Demais disto, carecendo o indébito de comprovação, quando o ônus da prova compete ao contribuinte, não há, realmente, que se falar em compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.407
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE ALEGADO POR INCLUSÃO DE DÉBITO EXTINTO EM PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. PARCELAMENTO. VEDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Tendo o débito sido extinto pelo pagamento e, posteriormente, havendo a suposta inclusão dele em parcelamento, o indébito é relativo aos valores do parcelamento e não do DARF primitivamente recolhido e devidamente alocado para extinção do débito. Sendo vedado pela legislação de regência a inclusão, como objeto de compensação, do débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, não há que se cogitar efetivar a compensação de eventual indébito constituído após inclusão em parcelamento de débito já extinto. Demais disto, carecendo o indébito de comprovação, quando o ônus da prova compete ao contribuinte, não há, realmente, que se falar em compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 64 76 /2 00 9- 63 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10166.906476/200963 Acórdão n.º 1002000.407 S1C0T2 Fl. 56 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 50/53) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 43/45), proferida em sessão de 08 de julho de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0343.965, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 01) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 09/04/2009 (efl. 02), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 29788.69856.201005.1.3.047635, transmitido em 20/10/2005, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003 PAGAMENTO INDEVIDO. DARF. PARCELAMENTO. Tendo o débito sido extinto pelo pagamento e posteriormente incluído em parcelamento, o pagamento indevido é o dos valores do parcelamento e não do DARF primitivamente recolhido para extinção do débito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 02, emitido eletronicamente em 09/04/2009, a autoridade competente não homologou a compensação declarada pela Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10166.906476/200963 Acórdão n.º 1002000.407 S1C0T2 Fl. 57 3 contribuinte no PER/DCOMP n.º 29788.68856.201005.1.3.047635, transmitido em 31/08/2004, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, proveniente de pagamento a maior no valor original de R$ 6.656,22, relativo a CSLL do período de apuração de 31/12/2003 (cód. 2372), efetuado em 30/01/2004, através de DARF no importe de R$ 13.946,76, o qual foi totalmente utilizado para extinção de débito de igual valor informado em DCTF. Cientificada do despacho denegatório por via postal em 30/04/2009 (fl. 40) [efl. 41], a interessada apresentou em 07/05/2009 a manifestação de inconformidade acostada à fl. 01, na qual, em síntese, alega que o crédito informado no PER/DCOMP provém de pagamento em duplicidade, tendo em vista que o débito foi incluído no processo de parcelamento n.º 13013.001168/200468, formalizado em 29/10/2004, cujos pagamentos se encontram em dia e em fase final de liquidação. A petição da interessada vem instruída com as peças anexadas às fls. 03 e seguintes, relativas ao parcelamento. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 6.656,22, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/12/2003 2372 R$ 13.946,76 30/01/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1545956231 R$ 13.946,76 DB: cód 2372 PA 31/12/2003 R$ 13.946,76 Valor Total R$ 13.946,76 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2008 Principal: R$ 7.013,38 Multa: R$ 1.402,67 Juros: R$ 3.080,97 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A respeito da alegação da interessada, esta identificou no PER/DCOMP, como origem do crédito utilizado na compensação, o DARF no valor de R$ 13.946,76, recolhido em 30/01/2004, o qual foi utilizado para extinguir débito de igual Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10166.906476/200963 Acórdão n.º 1002000.407 S1C0T2 Fl. 58 4 valor informado em DCTF, o que impediu, consequentemente, a homologação da compensação. Quanto ao fato de a reclamante ter incluído o débito já extinto no pedido de parcelamento formalizado posteriormente, em 19/10/2004, tal equívoco não provoca o desfazimento da extinção consumada pelo pagamento efetuado através do DARF em questão, de modo a tornálo crédito líquido e certo utilizável para compensação. Na realidade, o pagamento indevido que ocorreu, nesta circunstância, foi dos valores do parcelamento, os quais, estes sim, poderiam ser objeto de pedido de restituição pela contribuinte. Em suma, não merece reparo o despacho decisório que não homologou a compensação, tendo em vista que o DARF identificado pela interessada como origem do crédito foi utilizado, em caráter definitivo, para extinguir débito de igual valor informado em DCTF pelo sujeito passivo. Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Em síntese, alega que: a) pagou o imposto em duplicidade (CSLL, 2372, do 4.º Trimestre/2003, Período de Apuração 31/12/2003, no valor de R$ 13.946,76), sendo o indébito reconhecido, recolhimento regular em DARF e recolhimento dúplice via parcelamento processo n.º 13103.001168/200468, tendo a compensação autorização em lei; b) compensou via PER/DCOMP o indébito, referenciando o DARF objeto do pedido, posto que o sistema não permite a vinculação do parcelamento; e c) a Administração Tributária teria mecanismos internos capazes de realocar o crédito do contribuinte, tendo o tributo sido compensado na forma possível do ponto de vista da praticidade e da realidade. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 27/10/2011, quintafeira, efls. 46 e 49, e protocolo em 28/11/2011, segundafeira, efl. 50), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10166.906476/200963 Acórdão n.º 1002000.407 S1C0T2 Fl. 59 5 competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. De toda sorte, a compensação para extinção de crédito tributário, que só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária, em Despacho Decisório (DD), não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto, não havendo saldo a ser apropriado. Aliás, no julgamento de primeira instância colhese o seguinte fundamento nas razões de decidir: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.906476/200963 Acórdão n.º 1002000.407 S1C0T2 Fl. 60 6 “A respeito da alegação da interessada, esta identificou no PER/DCOMP, como origem do crédito utilizado na compensação, o DARF no valor de R$ 13.946,76, recolhido em 30/01/2004, o qual foi utilizado para extinguir débito de igual valor informado em DCTF, o que impediu, consequentemente, a homologação da compensação. Quanto ao fato de a reclamante ter incluído o débito já extinto no pedido de parcelamento formalizado posteriormente, em 19/10/2004, tal equívoco não provoca o desfazimento da extinção consumada pelo pagamento efetuado através do DARF em questão, de modo a tornálo crédito líquido e certo utilizável para compensação. Na realidade, o pagamento indevido que ocorreu, nesta circunstância, foi dos valores do parcelamento, os quais, estes sim, poderiam ser objeto de pedido de restituição pela contribuinte. Em suma, não merece reparo o despacho decisório que não homologou a compensação, tendo em vista que o DARF identificado pela interessada como origem do crédito foi utilizado, em caráter definitivo, para extinguir débito de igual valor informado em DCTF pelo sujeito passivo.” Com a devida vênia as razões recursais, percebese que o indébito, se existir, é do suposto pagamento do parcelamento no qual teria sido incluso débito já extinto pelo DARF indicado no PER/DCOMP não homologado. Percebase que, se o DARF indicado no PER/DCOMP foi alocado anteriormente para quitar débito próprio do contribuinte, este restou extinto, a tempo e modo, não havendo nele pagamento indevido ou a maior, de modo que é correta a não homologação do PER/DCOMP pelo despacho decisório, objeto do controle de legalidade efetivado neste processo. Se o referido débito, já extinto, foi incluído em parcelamento e se este parcelamento, uma vez consolidado, manteve o dito débito incluso e se este foi posteriormente quitado, o indébito se origina destes recolhimentos e não do DARF indicado no PER/DCOMP. O eventual pagamento indevido se caracteriza no processo de parcelamento, logo a eventual restituição deve ser requerida junto a unidade local em procedimento próprio e não é objeto dessa lide. Em outras palavras, tendo o débito sido extinto pelo pagamento e, posteriormente, havendo a suposta inclusão dele em parcelamento, o indébito é relativo aos valores do parcelamento e não do DARF primitivamente recolhido e devidamente alocado para extinção do débito. Vejase que o PER/DCOMP indica o DARF original do recolhimento como objeto do pedido de compensação destes autos. De mais a mais, o apontamento no PER/DCOMP objeto da lide do DARF original, ao invés de se indicar o suposto indébito do parcelamento, não pode ser tratado como mero erro formal. Isto porque, a incidência de acréscimos legais sobre pagamento indevido contase a partir da data do indébito, que no caso seria da data do pedido de parcelamento (29/10/2004) e não do recolhimento do DARF indicado no PER/DCOMP (30/01/2004). Noutro prisma, é importante registrar e deixar bem consignado que o art. 74, § 3.º, inciso IV, da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações posteriores, veda a inclusão, como objeto de compensação, do débito consolidado em qualquer modalidade de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10166.906476/200963 Acórdão n.º 1002000.407 S1C0T2 Fl. 61 7 parcelamento, logo não há que se cogitar efetivar a compensação de eventual indébito constituído após inclusão em parcelamento de débito já extinto. Vejase a transcrição da norma citada: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n.º 10.637, de 2002) § 1.º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei n.º 10.637, de 2002) § 3.º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1.º: (Redação dada pela Lei n.º 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (grifos e destaque acrescidos). De toda sorte, ad argumentandum tantum, percebo que nos autos sequer consta a prova cabal, contundente, inconteste que o referido parcelamento foi deferido, consolidandose, de forma definitiva, com a inclusão do referido débito já extinto em seu bojo e que o mesmo (parcelamento) foi integralmente quitado, a tempo e modo. O ônus da prova em matéria de direito creditório é de responsabilidade do contribuinte e, neste caderno processual, não se vê tais provas carreadas aos autos. Por conseguinte, não há, realmente, que se falar em compensação, ainda mais quando existe impedimento legal para a dita compensação, na dicção do art. 74, § 3.º, inciso IV, da Lei n.º 9.430, de 1996. Constatese, outrossim, que no caso dos autos a Administração Tributária, de mãos do PER/DCOMP transmitido, em seus exatos termos, não homologou a compensação declarada por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débito próprio do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade do ato da Administração tributária, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10166.906476/200963 Acórdão n.º 1002000.407 S1C0T2 Fl. 62 8 Noutro prisma, vejase que a alegação do contribuinte no sentido de que cometeu erro de preenchimento no PER/DCOMP, sendo o direito creditório baseado na inclusão de débito extinto em parcelamento e que assim deve ser entendido, em verdade, trata de uma espécie de pedido de "reprocessamento" do PER/DCOMP, sem previsão legal ou infralegal e protocolado ou pretendido iniciar a partir de instâncias recursais e não diretamente junto a unidade de jurisdição do contribuinte. Assemelhase a retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP, que implicaria em um novo procedimento, o qual não guardaria contato com estes autos. A retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP implicaria seguir o fluxo normal disciplinado em normas próprias que regem a mencionada declaração, sendo certo, no entanto, que existe impedimento legal para a dita compensação, na dicção do art. 74, § 3.º, inciso IV, da Lei n.º 9.430, de 1996, de forma que a pretensão do contribuinte impõe novas bases, novos fundamentos materiais para o pretendido escopo, equivalendo, efetivamente, a um novo pedido, não sendo permitido nestes autos. Considerando o esposado, entendo pela manutenção da decisão da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720009/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2008, 2009
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO. MUTUÁRIAS SITUADAS NO EXTERIOR.
As operações de créditos concedidas pela contribuinte, na qualidade de mutuante, a suas subsidiárias no exterior, os quais não caracterizam empréstimo externo, sujeitam-se à incidência do IOF na modalidade crédito.
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE DE CONTA DE PARTICIPAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO.
Não há incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação em Sociedade de Conta de Paerticipação (SCP). da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP").
A Lei 9.779/1999, em seu artigo 13, definiu como fato gerador do IOF a operação em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros.
No caso dos autos, os valores relativos ao fluxo financeiro estabelecido e contabilizados nas contas auditadas não podem ser considerados como mútuo a teor do que prescreve o art. 586 do Código Civil, não se sujeitando, portanto à incidência do IOF.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
Numero da decisão: 3201-004.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos, para excluir do lançamento a incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP"); II - Por maioria de votos, para manter a incidência dos juros de mora sobre a multa aplicada, em relação à parcela mantida do lançamento. Vencidos, no ponto, o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (relator) e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2008, 2009 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO. MUTUÁRIAS SITUADAS NO EXTERIOR. As operações de créditos concedidas pela contribuinte, na qualidade de mutuante, a suas subsidiárias no exterior, os quais não caracterizam empréstimo externo, sujeitam-se à incidência do IOF na modalidade crédito. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE DE CONTA DE PARTICIPAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. Não há incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação em Sociedade de Conta de Paerticipação (SCP). da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP"). A Lei 9.779/1999, em seu artigo 13, definiu como fato gerador do IOF a operação em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. No caso dos autos, os valores relativos ao fluxo financeiro estabelecido e contabilizados nas contas auditadas não podem ser considerados como mútuo a teor do que prescreve o art. 586 do Código Civil, não se sujeitando, portanto à incidência do IOF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.088 1 1.087 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10972.720009/201320 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.189 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria IOF Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008, 2009 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação no art. 26A do Decreto nº 70.235/72. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO. MUTUÁRIAS SITUADAS NO EXTERIOR. As operações de créditos concedidas pela contribuinte, na qualidade de mutuante, a suas subsidiárias no exterior, os quais não caracterizam empréstimo externo, sujeitamse à incidência do IOF na modalidade crédito. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE DE CONTA DE PARTICIPAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. Não há incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação em Sociedade de Conta de Paerticipação (SCP). da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP"). A Lei 9.779/1999, em seu artigo 13, definiu como fato gerador do IOF a operação em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. No caso dos autos, os valores relativos ao fluxo financeiro estabelecido e contabilizados nas contas auditadas não podem ser considerados como mútuo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 09 /2 01 3- 20 Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.089 2 a teor do que prescreve o art. 586 do Código Civil, não se sujeitando, portanto à incidência do IOF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos, para excluir do lançamento a incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP"); II Por maioria de votos, para manter a incidência dos juros de mora sobre a multa aplicada, em relação à parcela mantida do lançamento. Vencidos, no ponto, o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (relator) e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de lançamento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, cujo crédito tributário constituído perfaz o valor de R$ 15.158.245,17. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.090 3 No Termo de Verificação Fiscal (TVF) integrante do respectivo Auto de Infração foi constado insuficiência de declaração e de recolhimento de IOF nas seguintes modalidades: IOF "crédito fixo e prazo definido" em face de contratos de mútuo e moeda estrangeira com suas subsidiárias no exterior, às seguintes razões em síntese: [...] as operações de mútuos entre a CBMM e suas coligadas domiciliadas no exterior não caracterizam operações de crédito externo, a que se refere o § 2º do art. 2º do Decreto nº 6.306/2007. [...] as operações praticadas pelo contribuinte são exatamente aquelas previstas no artigo 13 da Lei nº 9.779/99 [...]. [...] a norma não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica mutuante, unicamente por estar a mutuária situada no exterior. IOF "crédito rotativo" sobre fluxo financeiro decorrente de participação da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais Codemig na sociedade em conta de participação (SCP) contratada com a contribuinte, abaixo, resumidamente: [...] foram analisadas as relações negociais da CBMM com a CODEMIG, bem como o Contrato que concede 25% de participação desta no lucro liquido daquela. Também foram analisados os direitos a receber registrados pelo contribuinte nas contas analíticas 0011205003 CODEMIG – IMPOSTOS, 0011205008 CODEMIG – ACC, 0011205009 CODEMIG ACE e 0011205011 CODEMIGOUTROS, concluindose que tais direitos a receber caracterizam uma modalidade de empréstimo sujeito à incidência do IOF, intimandoo a justificar a ausência de declaração e recolhimento do IOF incidente e apresentar esclarecimentos. [...] [...] o contribuinte calculou a participação da CODEMIG sobre o resultado da SCP, antes das provisões dos tributos (IRPJ e CSLL), deixando de observar os termos contratados e a legislação em vigor, transferindo mais recursos a CODEMIG, que são exatamente as parcelas das provisões dos tributos que a esta competia, que deixou de decotar do lucro líquido, que foram apropriados como direitos a receber da CODEMIG no ativo circulante na conta 0011205003 CODEMIG – IMPOSTOS. Para as contas 0011205008 CODEMIG – ACC, 0011205009 CODEMIG ACE e 0011205011 CODEMIGOUTROS, promoveu antecipações à CODEMIG, ocorre que a participação da CODEMIG é no resultado, seja como previsto no contrato, seja pela legislação em vigor. Impugnação articulada; excertos abaixo: Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.091 4 “2.1. A Incidência do IOF/Crédito nos contratos de mútuo celebrados com coligadas no exterior [...] se o Poder Executivo não restringiu a aplicação da hipótese de exclusão do IOF/Crédito prevista no art. 2º, parágrafo 2º, do Decreto n. 6306, tampouco cabe ao intérprete fazêlo, sob pena de infundada limitação ao âmbito de aplicação do ato normativo em epígrafe”. Vale ressaltar que essa linha de raciocínio não se altera pelo fato de se estar diante de um decreto, uma vez que o enunciado normativo em questão veicula norma jurídica geral e abstrata, assim como uma lei. [...] embora a Impugnante tenha comprovado o recolhimento do IOF/Câmbio incidente sobre na operação de câmbio para a compra de moeda estrangeira e posterior remessa dos recursos financeiras às pessoas jurídicas mutuarias no exterior, a fiscalização considerou que a incidência desse imposto não afasta a obrigação de recolher o IOF/Crédito que pretensamente incide sobre os respectivos contratos de mútuo. [...] o enunciado normativo acima transcrito (em alusão ao art. 2º, incisos I e II e § 2º, do Decreto 6.306/2007) claramente exclui da incidência do IOF/Crédito as operações de crédito externo, as quais permanecem sujeitas, exclusivamente, à incidência do IOF/Câmbio. [...] devese afastar o argumento de que o art. 2º, parágrafo 2º, do Decreto n. 6306 faz alusão ao conceito de "operação de crédito externo", previsto em atos normativos regulamentares do Banco Central do Brasil [...]. [...] inconstitucionalidade do art. 13 da Lei n. 9779 é patente [...] 2.2. A incidência do IOF/Crédito sobre as operações financeiras decorrentes da participação da [...] CODEMIG [...] na [...] SCP [...]. [...] o procedimento adotado pela Impugnante no cálculo da participação da CODEMIG [...] consiste em uma obrigação contratual, com força vinculante entre as partes, o que afasta qualquer possibilidade de sua caracterização como concessão de recursos por liberalidade. [...] em virtude da alteração na legislação tributária vigente à época, o resultado da SCP atribuível à CODEMIG passou a corresponder ao lucro líquido apurado após o IRPJ e a CSLL, motivo pelo qual a CODEMIG procede ao seu reembolso. [...] cabe fazer um esclarecimento que é essencial para compreender o motivo pelo qual a Impugnante adota o procedimento de remeter a participação da CODEMIG nos resultados da SCP, para somente após o efetivo pagamento dos tributos devidos, receber o reembolso do IRPJ e da CSLL. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.092 5 [...] a despeito da escrituração dos resultados da Impugnante (e da SCP) com base no regime de competência, a efetiva participação da CODEMIG nos resultados da SCP é calculada com base no regime de caixa, tendo em vista que as partes optaram por partilhar apenas os resultados efetivamente ingressados. É de vital importância sublinhar que o regime de caixa também é adotado em relação à participação da CODEMIG nos impostos devidos pela SCP, motivo pelo qual o reembolso de tais despesas somente é realizado após o efetivo desembolso financeiro pela Impugnante, isto é, após o efetivo recolhimento do tributo aos cofres públicos Esse aspecto consta expressamente do item 10.0 da “certidão de arquivamento dos critérios para a determinação do lucro da CBMM” [...]. [...] a participação efetiva da CODEMIG é baseada no lucro apurado pelo regime de caixa após os impostos devidos, mas o desconto de tais impostos somente poderia ocorrer após o efetivo pagamento ao erário (i.e. após o desembolso financeiro). [...] o contrato que regulamenta a SCP obriga a Impugnante a calcular a participação da CODEMIG com base no regime de caixa, até o 5º dia útil do mês subsequente ao mês de apuração (período base) [...]. Porém, como o efetivo recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL somente é realizado no último dia útil do mês de subsequente ao período de apuração, a Impugnante realiza o pagamento da participação relativa ao mês vigente, para somente no mês subseqüente receber o reembolso dos impostos devidos, após o seu efetivo recolhimento aos cofres públicos, como determina o contrato de constituição da SCP. [...] a Impugnante opta pelo recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL com base no método das estimativas mensais, mediante aplicação de um percentual sobre a sua receita bruta mensal. Ou seja, [...] não utiliza a alternativa de calcular as antecipações de IRPJ e CSLL com base em balancete mensal de suspensão ou redução como permite o artigo 35 da Lei n. 8.981 [...]. Ocorre que, para fins de atendimento das regras contábeis vigentes [...] a Impugnante segue o procedimento de evidenciar, na elaboração de suas demonstrações financeiras, os valores de IRPJ e CSLL que seriam efetivamente devidos com base no lucro real. [...]. Ou seja, a Impugnante utiliza, para fins meramente contábeis, os valores que seriam devidos com base no lucro real. Isso ocorre porque o recolhimento mensal por estimativa decorre de uma norma tributária, sendo que, para demonstração aos investidores, a Impugnante deve seguir as normas contábeis vigentes, que exigem a demonstração do valor que seria efetivamente devido a título de IRPJ e CSLL, com base no lucro real anual. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.093 6 Em virtude do procedimento contábil acima, a Impugnante também registra, como “valor a receber” decorrente da participação da CODEMIG nos tributos devidos, na conta contábil 11205003 – CODEMIG IMPOSTOS, o montante correspondente à participação nas antecipações de IRPJ e CSLL que serão efetivamente devidas no encerramento do período de apuração. Com esse procedimento, a Impugnante evidencia em suas demonstrações financeiras os valores efetivos de IRPJ e CSLL a recolher com base no lucro real, bem como a parcela de tais valores será suportada pela CODEMIG. Portanto, uma parte do valor registrado na conta contábil 11205003 [...] reflete reembolso que somente será recebido da CODEMIG no anocalendário seguinte, após efetivo pagamento dos saldos de IRPJ e CSLL a recolher [...]. [...] como os fatos geradores do IRPJ e CSLL são anuais [...] calcula os valores [...] efetivamente devidos, sendo que os respectivos saldos [...] são pagos em quota única até o último dia do mês de janeiro do anocalendário subsequente. Após o efetivo pagamento do tributo (lembrese que a participação nos resultados da SCP é calculada pelo regime de caixa), o valor relativo à participação da CODEMIG nos tributos [...] é reembolsado ou compensado contra os seus direitos de participação dos meses subsequentes. Sintetizando [...] os valores de IRPJ e CSLL antecipados com base na receita bruta são reembolsados pela CODEMIG no mês subseqüente ao seu pagamento pela Impugnante, tendo em vista que tais montantes são recolhidos no último dia útil do mês subseqüente ao mês de apuração. Por outro lado, no que tange ao saldo correspondente ao IRPJ e à CSLL devidos com base no lucro real, a Impugnante apenas recebe o reembolso após o seu efetivo recolhimento no último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subseqüente, em conformidade com o regime de caixa pactuado entre as partes [...]. [..] a fiscalização equivocase ao fazer uma leitura isolada da cláusula que estabelece que a participação da CODEMIG deve ser calculada com base nos resultados apurados após o desconto dos tributos recolhidos, sem levar em consideração que o desconto da participação da CODEMIG somente pode ser feito após o efetivo desembolso financeiro para o recolhimento do IRPJ e da CSLL aos cofres públicos. [...] o contrato de constituição da SCP [...] foi firmado muito antes de a legislação tributária passar a prever a incidência de IOF/Crédito sobre os contratos de mútuo celebrados entre pessoas jurídicas não financeiras [...]. [...] a Impugnante e a CODEMIG pactuaram uma definição própria de lucro líquido para efeito de cálculo da participação estimada no resultado da SCP, a qual não guarda correspondência exata com o conceito de lucro líquido da Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.094 7 legislação do imposto de renda. Assim, não deve prosperar o argumento da fiscalização de que o lucro líquido, em qualquer circunstância, equivale ao resultado após a provisão do imposto de renda. [...] a Impugnante não entrega recursos financeiros à CODEMIG, a qual, em contrapartida, assume a obrigação de restituir outra coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade, como ocorre no âmbito do contrato de mútuo. [...] Não há, em nenhum momento, a realização de uma operação de financiamento corporativo da CODEMIG, por meio de contrato de mútuo, como quer fazer crer a fiscalização. [...] idêntico raciocínio se aplica aos recursos provenientes de operações de ACC e ACE, os quais foram posteriormente repassados para a CODEMIG. [...] a fiscalização sustenta que essa antecipação de recursos à CODEMIG caracterizaria uma modalidade de empréstimo, sujeita à incidência do IOF/Crédito [...]. Os valores em questão são antecipados à CODEMIG, no percentual de sua participação na SCP, tendo em vista que as duas sociedades concorrem para o beneficiamento e industrialização do pirocloro. [...] esse procedimento ocorre única e exclusivamente em cumprimento a escritura pública de constituição da SCP [...]. [...] no caso de operações realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras, a hipótese de incidência do IOF/Crédito somente alcança as operações de crédito realizadas por meio de contrato de mútuo. [...] o art. 13 da Lei n. 9.779/99 não alcança a totalidade das operações de crédito, mas, sim, um negócio jurídico típico e específico, que consiste no contrato de mútuo de recursos financeiros [...]. [...] é necessário investigar se o negócio jurídico mercantil financeiro celebrado entre as partes pode ser qualificado como mútuo. [...]. [...] a fiscalização, ao examinar os valores registrados na conta analítica 0021103001 PARTICIPAÇÃO DA CODEMIG, levou em consideração, para a apuração do crédito tributário de IOF/Crédito, valores que não são efetivamente transferidos para a CODEMIG. Esse aspecto pode ser constatado [...] da página 4 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 01.02.2003 [...]. [...] o IOF/Crédito somente poderia incidir sobre os valores efetivamente transferidos à CODEMIG, mas não sobre os valores eventualmente utilizados para compensar as obrigações da CODEMIG com a SCP. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.095 8 2.3 Da inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício” (negritos e sublinhas originais)" A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008, 2009 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO. MUTUÁRIAS SITUADAS NO EXTERIOR. As operações de créditos concedidos pela contribuinte, na qualidade de mutuante, a suas subsidiárias no exterior, os quais não caracterizam empréstimo externo, sujeitamse à incidência do IOF na modalidade crédito. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE DE CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Uma vez que a participação no resultado de Sociedade em Conta de Participação (SCP) contratada com a contribuinte, considerou valores anteriores ao lucro líquido ajustado, em inobservância, tanto aos critérios de determinação da participação na SCP, quanto à legislação de regência da matéria, sem que tenha havido declaração de IOF, ou seu recolhimento, mantémse a exigência dos valores provisionados e contabilizados pela contribuinte como direitos a receber. Impugnação Improcedente Crédito tributário Mantido" O Recurso Voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Em relação a incidência do IOF/Crédito nos contratos de mútuo celebrados com coligadas no exterior: (i) preliminarmente, requer que o julgamento siga o entendimento a ser adotado pelo Supremo Tribunal Federal STF no Recurso Extraordinário nº 590.186, o qual possui repercussão geral, caso possua decisão favorável aos contribuintes; Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.096 9 (ii) os contratos de mútuos celebrados com pessoas jurídicas coligadas no exterior não estavam sujeitos à incidência do IOF/Crédito; (iii) o art. 2º, parágrafo 2º , do Decreto nº 6306, de 14.12.2007, que instituiu o Regulamento do IOF ("RIOF"), dispõe que, nas operações de crédito externo, a incidência do lOF/Câmbio afasta a incidência do IOF/Crédito; (iv) se o Poder Executivo não restringiu a aplicação da hipótese de exclusão do IOF/Crédito prevista no art. 2º, parágrafo 2º, do Decreto nº 6306, tampouco cabe ao intérprete fazêlo, sob pena de infundada limitação ao âmbito de aplicação do ato normativo em epígrafe; (v) a interpretação sistemática da legislação tributária em vigor evidencia que não há qualquer justificativa plausível para que se entenda como imperativa a submissão do art. 2º, parágrafo 2º, do Decreto nº 6306 ao conceito de operação de crédito externo porventura adotado pelo BACEN em atos normativos; (vi) ao citar "operação de crédito externo", o Poder Executivo alcançou qualquer operação de crédito que contenha elemento de estraneidade apto a tornála sujeita à incidência do IOF/Câmbio, o que, por consequência, afasta a incidência do IOF/Crédito; (vii) embora as hipóteses de incidência do IOF/Crédito e do IOF/Câmbio sejam distintas, é inegável que as duas modalidades atingem a mesma manifestação de capacidade contributiva, que consiste na existência de recursos disponíveis para a celebração de operação de crédito com terceiro no exterior; (viii) a maior prova de que ambas as modalidades de incidência do IOF atingem a mesma manifestação de capacidade contributiva repousa na base de cálculo do IOF/Câmbio, que é o montante em moeda nacional recebido, entregue ou posto à disposição, correspondente ao valor, em moeda estrangeira, da operação de câmbio. É o que dispõe o art. 14 do Decreto n. 6306; (ix) o IOF é um tributo com nítida função extrafiscal, motivo pelo qual uma única incidência do imposto é suficiente para se atinja ao objetivo buscado pelo legislador com a sua instituição. Assim, caso opte por desestimular os empréstimos externos, basta que o legislador aumente a alíquota do lOF/Câmbio; e (x) a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei n. 9.779/1999. Com relação a incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP"): (i) a Recorrente e a CODEMIG constituíram a SCP para o beneficiamento e industrialização do pirocloro, minério que contém o nióbio; (ii) está absolutamente vinculada às cláusulas contratuais que regulamentam a SCP; (iii) podese assentar que o procedimento adotado pela Recorrente no cálculo da participação da CODEMIG, consiste em uma obrigação contratual, com força vinculante Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.097 10 entre as partes, o que afasta qualquer possibilidade de sua caracterização como concessão de recursos por liberalidade; (iii) em termos gerais, o contrato de SCP estabelece que a CODEMIG tem direito a uma participação de 25% do lucro líquido ajustado apurado pela SCP. Na eventualidade de a participação de CODEMIG deixar de ser dedutível na apuração dos tributos da Recorrente, essa soma deve ser objeto de reembolso por parte da CODEMIG; (iv) atualmente, como a participação da CODEMIG não constitui despesa dedutível, a participação da CODEMIG é calculada com base no lucro líquido apurado após os impostos, motivo pelo qual essa empresa deve reembolsar à Recorrente o valor correspondente a sua participação nos tributos devidos; (v) após o registro da obrigação tributária a recolher, a Recorrente providencia o registro contábil do "valor a receber" correspondente à participação da CODEMIG nos tributos devidos (25% dos tributos devidos pela SCP) na conta contábil 11205003 CODEMIG IMPOSTOS, embora o seu efetivo recebimento (ou desconto) somente ocorra após o pagamento do tributo, com base no regime de caixa; (vi) em nenhum momento, houve a disponibilização de recursos para a CODEMIG no âmbito de uma relação de crédito, como se suscita, ao contrário, a Recorrente cumpriu rigorosamente as disposições contratuais que disciplinam a sua participação nos resultados da SCP; (vii) para fins de atendimento das regras contábeis vigentes, especialmente aquelas introduzidas pela Lei n. 11638, de 28.12.2007, que iniciou o processo de convergência das regras contábeis brasileiras aos padrões internacionais ("International Financial Reporting Standards" IFRS), a Recorrente segue o procedimento de evidenciar, na elaboração de suas demonstrações financeiras, os valores de IRPJ e CSLL que seriam efetivamente devidos com base no lucro real. Ou seja, a Recorrente utiliza, para fins contábeis, os valores que seriam devidos com base no lucro real; (viii) após o efetivo pagamento do tributo (relembrese que a participação nos resultados da SCP é calculada pelo regime de caixa), o valor relativo à participação da CODEMIG nos tributos devidos pela SCP é reembolsado ou compensado contra os seus direitos de participação dos meses subsequentes; (ix) sintetizando os procedimentos contábeis relatados, podese dizer que os valores de IRPJ e CSLL antecipados com base na receita bruta são reembolsados pela CODEMIG no mês subsequente ao seu pagamento pela Recorrente, tendo em vista que tais montantes são recolhidos no último dia útil do mês subsequente ao mês de apuração. Por outro lado, no que tange ao saldo correspondente ao IRPJ e à CSLL devidos com base no lucro real efetivo, a Recorrente apenas recebe o reembolso após o seu efetivo recolhimento no último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subsequente, em conformidade com o regime de caixa pactuado entre as partes na escritura pública de constituição da SCP, nos termos comentados, o que demonstra cabalmente que o procedimento adotado pela Recorrente não pode ser equiparado a um contrato de mútuo; (x) houve um equívoco de premissa da DRJ/JFA na própria interpretação do contrato de constituição da SCP, o que, por consequência, conduziu aos demais equívocos perpetrados na decisão de primeira instância administrativa; Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.098 11 (xi) a DRJ/JFA simplesmente considera que a participação da CODEMIG deve ser calculada no lucro líquido após o desconto dos tributos corporativos, sem levar em consideração que os resultados das atividades da SCP são partilhados pelo regime de caixa; (xii) ao contrário do que sustenta a DRJ/JFA, a Recorrente estava obrigada a adiantar a participação da CODEMIG com base no regime de caixa, até o 5 o dia útil do mês subsequente ao mês de apuração (período base), conforme determina a cláusula 05.1 do instrumento de transação datado de 17.04.1996, para somente então receber o reembolso ou proceder a compensação dos tributos devidos; (xiii) a Recorrente, em coerência com o contrato firmado, registra os recursos que transfere para CODEMIG, bem como o "valor a receber" relativo aos tributos devidos, mas ainda não recolhidos. Nesta toada, resta claro que as partes quiseram e contrataram a partilha dos resultados da SCP pelo regime de caixa: essa é a vontade declarada e dessa forma elas vêm agindo, inclusive para fins contábeis, na estrita observância do contrato; (xiv) Não há, em n e n h um momento, a realização de uma operação de financiamento corporativo da CODEMIG, por meio de contrato de mútuo, como quer fazer crer a DRJ/JFA; (xv) a relação jurídica entre a Recorrente e a CODEMIG não tem natureza jurídica de contrato mútuo, o que afasta a possibilidade de incidência do IOF/Crédito; (xvi) idêntico raciocínio se aplica aos recursos provenientes de operações de ACC e ACE, os quais foram posteriormente repassados para a CODEMIG. (xvii) neste ponto, sustentar que essa antecipação de recursos à CODEMIG caracterizaria uma modalidade de empréstimo, sujeita à incidência do IOF/Crédito, é absolutamente improcedente; (xviii) os valores em questão são antecipados à CODEMIG, no percentual de sua participação na SCP, tendo em vista que as duas sociedades concorrem para o beneficiamento e industrialização do pirocloro; (xix) Na operação de ACC, os recursos são concedidos pela instituição financeira para o exportador antes do embarque da mercadoria, ao passo que no ACE os recursos são concedidos após o embarque da mercadoria. Em qualquer caso, o valor efetivamente recebido compõe a receita bruta da SCP, para o cálculo da participação da CODEMIG; (xx) deixouse de levar em consideração o âmbito normativo da hipótese de incidência contida do art. 13 da Lei n. 9.779/99, que alcança apenas o "mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física"; (xxi) podese assentar que o art. 13 da Lei n. 9.779/99 não alcança a totalidade das operações de crédito, mas, sim, um negócio jurídico típico e específico, que consiste no contrato de mútuo de recursos financeiros; (xxii) a hipótese de incidência de IOF/Crédito contempla tãosomente os mútuos de recursos financeiros, e não qualquer operação de empréstimo; Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.099 12 (xxiii) caso a transação não seja qualificada como mútuo, restará afastada a incidência do IOF/Crédito, em razão da ausência de subsunção entre a realidade fática e a hipótese de incidência do referido imposto; (xxiv) podese assentar que, sob a perspectiva da causa dos negócios jurídicos, é clara a distinção entre o contrato de mútuo e a participação da CODEMIG nos resultados da SCP, pelos seguintes fundamentos: ao repassar os resultados da SCP para a CODEMIG a Recorrente cumpre obrigação contratual. O direito e a pretensão ao reembolso dos tributos por parte da Recorrente somente surge após o efetivo recolhimento aos cofres públicos, com base no regime de caixa pactuado para a partilha dos resultados da SCP. o resultado da SCP repassado pertence à CODEMIG, que deve simplesmente reembolsar os tributos devidos. Os respectivos valores não são concedidos à CODEMIG a título de empréstimo, para posterior devolução. a causa típica que justifica o fluxo de recursos para a CODEMIG decorre de sua participação em um empreendimento econômico, no âmbito da SCP, o que não se confunde com a relação jurídica típica de crédito decorrente de um contrato de mútuo. a Recorrente não se compromete a entregar dinheiro à CODEMIG, para posterior restituição na mesma quantidade, gênero e qualidade. Não há, portanto, a irradiação de uma relação jurídica de natureza creditícia, mas, sim, mera participação nos resultados econômicos provenientes da SCP, ainda que pactuado o reembolso parcial das despesas com tributos, no montante equivalente à participação da CODEMIG. (xxv) a Recorrente simplesmente entrega os recursos financeiros para a CODEMIG e recebe o posterior reembolso das despesas com tributos, em conformidade com a escritura pública de constituição da SCP, sem que reste caracterizada qualquer relação jurídica de mútuo, como sustenta a fiscalização no auto de infração "sub judíce". Esse aspecto confirma que os valores repassados à CODEMIG não têm natureza jurídica de mútuo, na medida em que seguem estritamente a vontade descrita nas cláusulas pactuantes entre as partes; e (xxvi) inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício. O processo teve seguimento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tendo sido suscitado conflito de competência entre a 1ª e 3ª Seções do Colegiado, que culminou com o Despacho do Sr. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datado de 28/06/2017, o qual definiu pela competência para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário ser da 3ª Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.100 13 Da alegação de inconstitucionalidade do art. 13 da Lei n. 9.779/1999 Preliminarmente, em relação a alegação de inconstitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/1999 tecida pela Recorrente em sua peça recursal, é de se esclarecer que sua análise está pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal STF. A matéria teve sua repercussão geral reconhecida no Recurso Extraordinário nº 590.186/RS, mencionado pela própria Recorrente, cuja ementa se transcreve: "DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA NAS OPERAÇÕES DE MÚTUO PRATICADAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS OU ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E PESSOAS FÍSICAS SEGUNDO AS MESMAS REGRAS APLICÁVEIS ÀS OPERAÇÕES PRATICADAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.779/99. PRESENÇA DE REPERCUSSÃO GERAL." (RE 590186 RG, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, julgado em 28/08/2008, DJe182 DIVULG 25092008 PUBLIC 26092008 EMENT VOL0233413 PP02799 ) Ocorre que, como por demais conhecido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF é vedada a apreciação de questões de índole constitucional, não detendo atribuição para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de normas válidas e vigentes, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, afasto a alegação apresentada em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária Diante do exposto, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. A incidência do IOF/Crédito nos contratos de mútuo celebrados com coligadas no exterior Cingese uma das parcelas da questão posta em julgamento sobre a possibilidade da incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários, na modalidade IOF/crédito em operações de mútuo com coligadas no exterior, quando já ocorrera a incidência do IOF/câmbio. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.101 14 O Código Tributário Nacional CTN, respectivamente, nos arts. 63 e 64 estabeleceu o fato gerador e a base de cálculo do IOF nos seguintes termos: "Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros; II quanto às operações de câmbio, o respectivo montante em moeda nacional, recebido, entregue ou posto à disposição; III quanto às operações de seguro, o montante do prêmio; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários: a) na emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver; b) na transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da cotação em Bolsa, como determinar a lei; c) no pagamento ou resgate, o preço" O art. 13 da Lei 9.779/1999, dispõe que: "Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.102 15 § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador." A jurisprudência colacionada pela Recorrente que lastreia o seu entendimento já está superada, conforme decisões a seguir colacionadas, as quais concluem pela existência de duas operações distintas e autônomas, no caso concreto, uma de crédito, outra de câmbio. Entendo que ao caso, é de adotar o entendimento jurisprudencial, razão pela qual adoto como razões de decidir. Do Superior Tribunal de Justiça STJ, temse os seguintes julgados: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS IOF. CONTRATO DE MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. MUTUÁRIA SEDIADA NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMO DE MOEDA NACIONAL. CONVERSÃO EM DÓLAR. FATO AUTÔNOMO. ART. 2º, § 2º, DO DECRETO N. 4.494/2002. OPERAÇÃO DE CRÉDITO EXTERNO. NÃO OCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DO "IOF CÂMBIO" E DO "IOF CRÉDITO". 1. A questão discutida limitase a saber se o contrato de mútuo celebrado entre recorrente e empresa coligada com sede nos Estados Unidos configura hipótese de "operação de crédito externo", o que ensejaria as disposições do § 2º do art. 2º do Decreto n. 4.494/2002, tese defendida pela empresa; ou simples contrato de mútuo celebrado no Brasil, posição defendida pela Fazenda Nacional e adotada pela Corte de origem, e que ensejaria a dupla incidência do IOF: uma, no momento da operação cambial; e outra, no momento da disponibilidade dos valores. 2. Para haver a incidência da hipótese do § 2º do art. 2º do Decreto nº 4.494/2002, o contrato de mútuo deve referirse a crédito advindo do exterior. Essa é a razão pela qual a incidência do IOF é excluída na disponibilização dos valores decorrentes do mútuo (art. 2º, I, do Decreto nº 4.494/2002), pois o tributo incidirá por ocasião da conversão dos valores, nas operações de câmbio (art. 2º, II, do Decreto nº 4.494/2002). 3. No caso, portanto, verificase que há duas operações distintas e autônomas, uma de crédito, outra de câmbio, que não são interdependentes para o cumprimento do contrato de mútuo firmado, pois o empréstimo em moeda nacional não necessita, para sua concretude, que se convertam em moeda estrangeira os valores contratados. A operação de câmbio, no caso, é fato autônomo decorrente tão somente da vontade das partes e, na prática, implica compra de moeda estrangeira para, na Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.103 16 sequência, ser emprestada à mutuária. Precedente: REsp 1.063.507/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 23/9/2009. 4. Agravo Regimental não provido." (AgRg no REsp 1506113/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/06/2016, DJe 05/09/2016) "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS IOF. CONTRATO DE MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. MUTUÁRIA SEDIADA NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMO DE MOEDA NACIONAL. CONVERSÃO EM DÓLAR. FATO AUTÔNOMO. ART. 2º, § 2º, DO DECRETO N. 4.494/2002. OPERAÇÃO DE CRÉDITO EXTERNO. NÃO OCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DO "IOF CÂMBIO" E DO "IOF CRÉDITO". VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA. 1. A questão discutida limitase a saber se o contrato de mútuo celebrado entre Sadesa Brasil Indústria e Comércio de Couros Ltda, mutuante, e Sadesa (HK) Limited, mutuária, configura hipótese de "operação de crédito externo", o que ensejaria as disposições do § 2º do art. 2º do Decreto n. 4.494/2002, tese defendida pela autora e desenvolvida pelo Tribunal a quo, ou simples contrato de mútuo celebrado no Brasil, tese defendida pela Fazenda Nacional, e que ensejaria a dupla incidência do IOF: uma, no momento da operação cambial; e outra, no momento da disponibilidade dos valores. 2. Para haver a incidência da hipótese do § 2º do art. 2º do Decreto nº 4.494/2002, o contrato de mútuo deve referirse a crédito advindo do exterior. Essa é a razão pela qual a incidência do IOF é excluída na disponibilização dos valores decorrentes do mútuo (art. 2º, I, do Decreto nº 4.494/2002), pois o tributo incidirá por ocasião da conversão dos valores, nas operações de câmbio (art. 2º, II, do Decreto nº 4.494/2002). 3. No caso, portanto, verificase que há duas operações distintas e autônomas, uma de crédito, outra de câmbio, que não são interdependentes para o cumprimento do contrato de mútuo firmado, pois o empréstimo em moeda nacional não necessita, para sua concretude, que se convertam em moeda estrangeira os valores contratados. A operação de câmbio, no caso, é fato autônomo decorrente tão somente da vontade das partes e, na prática, implica compra de moeda estrangeira para, na sequência, ser emprestada à mutuária. 4. Assim, o acórdão recorrido está a negar vigência ao art. 13 da Lei n. 9.779/99. 5. O julgador, desde que fundamente suficientemente sua decisão, não está obrigado a responder todas as alegações das partes, a aterse aos fundamentos por elas apresentados nem a rebater um a um todos os argumentos levantados, de tal sorte Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.104 17 que a insatisfação quanto ao deslinde da causa não oportuniza a oposição de embargos de declaração, sem que presente alguma das hipóteses do art. 535 do CPC. 6. Ausência de violação ao art. 535 do CPC, pois o acórdão recorrido, de forma clara e fundamentada, aplicou o direito que entendeu incidir à espécie. 7. Recurso especial provido." (REsp 1063507/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 23/09/2009) Do Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF4: "TRIBUTÁRIO. IOF. CONTRATO DE MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. MUTUÁRIA SEDIADA NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMO DE MOEDA NACIONAL. CONVERSÃO EM DÓLAR. FATO AUTÔNOMO. ART. 2º, § 2º, DO DECRETO N. 4.494/2002. OPERAÇÃO DE CRÉDITO EXTERNO. NÃO OCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DO 'IOF CÂMBIO' E DO 'IOF CRÉDITO'. 1. A operação de mútuo entre empresas integrantes do mesmo grupo econômico está sujeita à hipótese de incidência do imposto sobre operações financeiras, porque o art. 13 da Lei nº 9.779/99 não excepciona as sociedades coligadas da exação. 2. Para haver a incidência da hipótese do § 2º do art. 2º do Decreto nº 4.494/2002, o contrato de mútuo deve referirse a crédito advindo do exterior. Essa é a razão pela qual a incidência do IOF é excluída na disponibilização dos valores decorrentes do mútuo (art. 2º, I, do Decreto nº 4.494/2002), pois o tributo incidirá por ocasião da conversão dos valores, nas operações de câmbio (art. 2º, II, do Decreto nº 4.494/2002). 3. Verificase a ocorrência de duas operações distintas e autônomas, no caso concreto, uma de crédito, outra de câmbio, que não são interdependentes para o cumprimento do contrato de mútuo firmado, pois o empréstimo em moeda nacional não necessita, para sua concretude, que se convertam em moeda estrangeira os valores contratados. A operação de câmbio, no caso, é fato autônomo decorrente tão somente da vontade das partes e, na prática, implica compra de moeda estrangeira para, na sequência, ser emprestada à mutuária." (TRF4, AC 5040636 32.2014.4.04.7000, PRIMEIRA TURMA, Relator AMAURY CHAVES DE ATHAYDE, juntado aos autos em 29/07/2016) "TRIBUTÁRIO. IOF. CONTRATO DE MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. MUTUÁRIA SEDIADA NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMO DE MOEDA NACIONAL. CONVERSÃO EM DÓLAR. FATO AUTÔNOMO. ART. 2º, § 2º, DO DECRETO N. 4.494/2002. OPERAÇÃO DE CRÉDITO EXTERNO. NÃO Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.105 18 OCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DO 'IOF CÂMBIO' E DO 'IOF CRÉDITO'. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA. 1. A operação de mútuo entre empresas integrantes do mesmo grupo econômico está sujeita à hipótese de incidência do imposto sobre operações financeiras, porque o art. 13 da Lei nº 9.779/99 não excepciona as sociedades coligadas da exação. 2. Para haver a incidência da hipótese do § 2º do art. 2º do Decreto nº 4.494/2002, o contrato de mútuo deve referirse a crédito advindo do exterior. Essa é a razão pela qual a incidência do IOF é excluída na disponibilização dos valores decorrentes do mútuo (art. 2º, I, do Decreto nº 4.494/2002), pois o tributo incidirá por ocasião da conversão dos valores, nas operações de câmbio (art. 2º, II, do Decreto nº 4.494/2002). 3. Verificase a ocorrência de duas operações distintas e autônomas, no caso concreto, uma de crédito, outra de câmbio, que não são interdependentes para o cumprimento do contrato de mútuo firmado, pois o empréstimo em moeda nacional não necessita, para sua concretude, que se convertam em moeda estrangeira os valores contratados. A operação de câmbio, no caso, é fato autônomo decorrente tão somente da vontade das partes e, na prática, implica compra de moeda estrangeira para, na sequência, ser emprestada à mutuária." (TRF4, AC 5015146 76.2012.4.04.7000, PRIMEIRA TURMA, Relatora CARLA EVELISE JUSTINO HENDGES, juntado aos autos em 09/05/2013) No mesmo sentido é o posicionamento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF3: "DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. LEGITIMIDADE PASSIVA DA AUTORIDADE IMPETRADA. INTERESSE PROCESSUAL INEXISTENTE EM FACE DO IOF/CÂMBIO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO NESSE PONTO. CONTRATO DE MÚTUO INTERNACIONAL. IOF MODALIDADE CRÉDITO. EXIGIBILIDADE. RESPONSABILIDADE DA IMPETRANTE. LEI Nº 9.779/99. EXTINÇÃO DO PROCESSO COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO QUANTO A ESSE PEDIDO. 1. Em face da estrutura complexa dos órgãos que integram a Receita Federal, nem sempre a correta identificação da autoridade coatora é operação simples. Portanto, em caso como o dos autos é razoável a indicação de autoridade que, se de um lado, não tem atribuições diretas para cumprir a decisão judicial, de outro, tem meios para encaminhar de forma eficiente o seu cumprimento. Assim sendo, tem legitimidade passiva ad causam o Delegado da Receita Federal da Delegacia Especial das Instituições Financeiras DEINF. 2. Quanto à questão preliminar de falta de interesse processual da impetrante, no que tange ao IOF/Câmbio, de fato, esta sequer Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.106 19 comprovou qualquer ato coator acerca da exigência desse tributo, pois, o documento de fls. 38, referese ao comprovante de recolhimento do IOF/Crédito, nos termos do artigo 13 da Lei nº. 9.779/99, devendo o feito deve ser extinto, sem resolução de mérito, em relação ao pedido de inexigibilidade do tributo na mencionada modalidade, restando acolhida a questão preliminar. 3. O imposto sobre operações financeiras IOF, com o advento da Lei nº. 9.779/99, passou a incidir, nos termos do artigo 13, sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras, considerando ocorrido o fato gerador na data da concessão do crédito e sendo responsável pelo recolhimento a pessoa jurídica que conceder o crédito. 4. No caso dos autos, sobre o contrato de mútuo em questão incide o IOF, na modalidade crédito, restando caracterizada como operação de crédito o mútuo firmado entre a impetrante e a empresa sediada no exterior, sendo aquela responsável pelo recolhimento do tributo, nos termos do artigo 13, § 2º, da Lei nº 9.779/99, não havendo que se falar em ato ilegal da autoridade impetrada, porquanto é devido o imposto, sendo este exigido nos exatos termos da legislação de regência da matéria. 5. Apelação da impetrante a que se nega provimento e apelação da União Federal e remessa oficial, tida por interposta, a que se dá provimento, extinguindose o feito, sem resolução do mérito, com relação ao pedido de inexigibilidade do IOF câmbio, e denegar a segurança com relação ao IOF crédito." (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AMS APELAÇÃO CÍVEL 304522 001651670.2004.4.03.6100, Rel. JUIZ CONVOCADO VALDECI DOS SANTOS, julgado em 17/06/2010, eDJF3 Judicial 1 DATA:06/07/2010 PÁGINA: 419) Assim, considerando o reiterado entendimento jurisprudencial citado, a tese de defesa posta pela Recorrente não merece prosperar. Diante do exposto, em relação a tal tópico voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. A incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP") Como se observa da autuação fiscal, a fiscalização entendeu que a operação em debate apresentaria a natureza jurídica de mútuo, o que implicaria na incidência do IOF então exigido. Como dito pela Recorrente em seu Recurso, a fiscalização considerou que, ao calcular o valor da participação da CODEMIG nos resultados da SCP com base no lucro apurado antes das provisões para o IRPJ e a CSLL, a Recorrente colocou recursos financeiros à Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.107 20 disposição da CODEMIG, o que caracterizaria uma modalidade de empréstimo sujeita à incidência do IOF/Crédito. Inicialmente, é de se tecer algumas breves considerações prévias sobre o contrato de mútuo. O contrato de mútuo tem sua previsão legal insculpida no art. 586 do Código Civil, in verbis: "Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade." O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, por ocasião do julgamento do processo nº 10480.725110/201490 (Acórdão 3402003.018), procedeu a minuciosa análise dos contratos de mútuo, conforme a seguir reproduzido: "Tratando sobre as características do mútuo, Waldirio Bulgarelli (Ob. Cit., p.562) aponta que se trata de um contrato: I) Unilateral, pois uma vez aperfeiçoado, gera obrigações para apenas uma das partes, o mutuário, que deverá devolver a coisa, e se for o caso, acrescido de juros. II) Oneroso ou Gratuito, a depender da previsão de juros, os quais, quando o mútuo tenha fins econômicos, presumemse devidos, e também podem ser objeto de fixação contratual, desde que no limite legal (SELIC), além de ser permitida a capitalização anual (art. 406 e 591). III) Temporário, pela necessidade de previsão temporal para a restituição da coisa emprestada. IV) Real, pois implica a entrega da coisa para o uso do mutuário, transferindose a sua propriedade. Por meio do contrato de mútuo, a propriedade dos bens é transferida ao mutuário. Na verdade, o mútuo, embora contratado, somente se aperfeiçoa se houver a efetiva entrega dos bens mutuados, sendo por isso classificado como contrato real. Após a transferência dos bens, o mutuário pode utilizálos como quiser, eis que, sendo proprietário, pode deles dispor, usando e gozando deles como lhe aprouver (Código Civil, art. 1228). Todavia, ele passa a ser responsável pelos prejuízos que os bens possam sofrer, exatamente porque fica com a propriedade daqueles que recebeu, mas, em contrapartida, tem a obrigação de devolver outros do mesmo gênero, da mesma qualidade e na mesma quantidade. (grifos constantes no original)." Da doutrina de Orlando Gomes temse: "o mútuo é contrato pelo qual uma das partes empresta à outra coisa fungível, tendo a outra, a obrigação de restituir igual quantidade de bens do mesmo gênero e qualidade. A Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.108 21 característica fundamental do mútuo é a transferência da propriedade da coisa emprestada, que sucede necessariamente devido à impossibilidade de ser restituída na sua individualidade. Daí se dizer que é contrato translativo. A propriedade da coisa só se transmite com a tradição." GOMES, Orlando. Contratos. 10a Edição. Rio de Janeiro: Forense, 1984, p. 354.) Com base em tais premissas, o contrato de mútuo pressupõe o empréstimo de um bem fungível que, depois de um determinado lapso temporal, implicará ao mutuário o dever de devolver ao mutuante a coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Assim, se o mutuante emprestou dinheiro ao mutuário, depois de determinado período, o mutuário deverá devolver dinheiro ao mutuante. Necessário transcrever novamente o caput do art. 13 da Lei 9.779/1999: "Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras." Por sua vez os arts. 2º, in. I, alínea “c” e 3º, §3º, inc. III, do Decreto nº 6.306/2007: "Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: (...) c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física" "Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (...) § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13)." Denotase, então, da previsão legal que a regramatriz de incidência do IOF sobre operações de crédito praticadas por pessoas jurídicas nãofinanceiras exige a presença de um contrato de mútuo. O escólio de Alberto Xavier é importante ao caso: Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.109 22 "Sucede que, no que concerne ao caso peculiar de operações realizadas por pessoas jurídicas não financeiras, a lei ordinária (Lei nº 9.779/1999) voltou de novo a autolimitarse, restringindo o âmbito de incidência ao conceito bem mais restritivo de "mútuo de recursos financeiros". Tivesse a lei ordinária adotado o conceito amplo de "operação de crédito", com raízes na lei constitucional e na lei complementar, poderseia sustentar, com alguma verossimilhança, que os fluxos financeiros realizados por uma parte poderiam subsumirse em tal conceito, na medida em que poderiam representar um diferimento no tempo de uma prestação, para usar o clássico conceito de "operação de crédito" de João Eunápio Borges. Com efeito, o conceito de "operação de crédito" foi entre nós objeto de clara lição pelo referido autor. "Em qualquer operação de crédito o que sempre se verifica é a troca de um valor presente e atual por um valor futuro. Numa venda a prazo, o vendedor troca a mercadoria o valor presente e atual pela promessa de pagamento a ser feito futuramente pelo comprador. No mútuo ou em qualquer modalidade de empréstimo, à prestação atual do credor corresponde a prestação futura do devedor. O crédito é, pois, economicamente, a negociação de uma obrigação futura; é a utilização dessa obrigação futura para a realização de negócios atuais. (...) Na noção de crédito estão implícitos os seguintes elementos: a) a confiança: quem aceita, em troca de sua mercadoria ou de seu dinheiro, a promessa de pagamento futuro, confia no devedor. Confiança que pode não repousar exclusivamente no devedor, mas em garantias pessoais (aval, fiança) ou reais (penhor, hipoteca, etc.) que ele ofereça em segurança da oportuna realização da prestação futura a que se obrigou; mas, de qualquer forma, é sempre a confiança elemento essencial do crédito; b) o tempo, constituindo o prazo, o intervalo, o período que medeia entre a prestação presente e atual e a prestação futura. (...) Dúvidas mais sérias, porém, se suscitam face à qualificação dos fluxos financeiros em causa como "mútuo de recursos financeiros", qualificação esta estritamente indispensável para atrair a incidência do IOF nas operações de crédito realizadas por pessoas jurídicas que não sejam instituições financeiras. Tratase, em suma, de saber se poderá a expressão "mútuo de recursos financeiros", utilizada no art. 13 da Lei nº 9.779/1999, ser interpretada em sentido amplo, de modo a abranger negócios Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.110 23 jurídicos que, muito embora não sejam mútuos em sentido técnicojurídico, possam produzir efeitos econômicos similares aos de uma operação de crédito (...)" (XAVIER, Alberto. A Distinção entre Contrato de Contacorrente e Mútuo de Recursos Financeiros para Efeitos de IOF. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 208, fls. 15 a 26.) O exemplo citado pela Recorrente em sua peça recursal é elucidativo para o correto deslinde da questão: "Um exemplo pode ajudar a compreender a situação fática. Com base no regime de caixa, a Recorrente calcula a participação da CODEMIG nos valores efetivamente recebidos pela SCP no mês de janeiro do ano X1. Esse valor é pago à CODEMIG até o 5º dia útil do mês de fevereiro do ano X1. Ocorre que as estimativas de IRPJ e CSLL correspondentes ao mês de janeiro somente são recolhidas no último dia útil do mês de fevereiro do ano X1, motivo pelo qual o valor correspondente somente é reembolsado (ou descontado da próxima participação da CODEMIG) no 5º dia útil do mês de março, ao efetuar o pagamento da participação correspondente ao mês de fevereiro. Notese que, após o registro da obrigação tributária a recolher, a Recorrente providencia o registro contábil do "valor a receber" correspondente à participação da CODEMIG nos tributos devidos (25% dos tributos devidos pela SCP) na conta contábil 11205003 CODEMIG IMPOSTOS, embora o seu efetivo recebimento (ou desconto) somente ocorra após o pagamento do tributo, com base no regime de caixa. Face ao que precede, é fácil concluir que, em nenhum momento, houve a disponibilização de recursos para a CODEMIG no âmbito de uma relação de crédito, como se suscita. Ao contrário, a Recorrente cumpriu rigorosamente as disposições contratuais que disciplinam a sua participação nos resultados da SCP." E prossegue a Recorrente com acerto: "Como se não bastasse, há algo mais a ser dito a respeito da participação da CODEMIG nos impostos devidos em virtude das atividades desenvolvidas pela SCP. Invariavelmente, a Recorrente opta pelo recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL com base no método das estimativas mensais, mediante aplicação de um percentual sobre a sua receita bruta mensal. Ou seja, a Recorrente não utiliza a alternativa de calcular as antecipações de IRPJ e CSLL com base em balancete mensal de suspensão ou redução, como permite o artigo 35 da Lei n. 8.981, de 20.1.1995. Ocorre que, para fins de atendimento das regras contábeis vigentes, especialmente aquelas introduzidas pela Lei n. 11638, de 28.12.2007, que iniciou o processo de convergência das regras contábeis brasileiras aos padrões internacionais Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.111 24 ("International Financial Reporting Standards" IFRS), a Recorrente segue o procedimento de evidenciar, na elaboração de suas demonstrações financeiras, os valores de IRPJ e CSLL que s e r i am efetivamente devidos c om base no l u c r o real. Ou seja, a Recorrente utiliza, para fins contábeis, os valores que seriam devidos com base no lucro real. Isso ocorre porque o recolhimento mensal por estimativa decorre de uma norma tributária, sendo que, para demonstração aos investidores, a Recorrente deve seguir as normas contábeis vigentes, que exigem a demonstração do valor que seria efetivamente devido a título de IRPJ e CSLL, com base no lucro real anual. Em virtude do procedimento contábil acima, a Recorrente também registra, como "valor a receber" decorrente da participação da CODEMIG nos tributos devidos, na conta contábil 11205003 CODEMIG IMPOSTOS, o montante correspondente à participação da CODEMIG nas antecipações de IRPJ e CSLL que serão efetivamente devidas no encerramento do período de apuração, com a apuração do lucro real efetivo. Com esse procedimento, a Recorrente evidencia em suas demonstrações financeiras os valores efetivos de IRPJ e CSLL a recolher com base no lucro real, bem como a parcela de tais valores que será suportada pela CODEMIG. Portanto, uma parte do valor registrado na conta contábil 11205003 CODEMIG IMPOSTOS reflete um reembolso que somente será recebido da CODEMIG no anocalendário seguinte, após efetivo pagamento dos saldos de IRPJ e CSLL a recolher aos cofres públicos. De fato, como os fatos geradores do IRPJ e da CSLL são anuais, em 31 de dezembro da cada anocalendário a Recorrente calcula os valores de IRPJ e CSLL efetivamente devidos, sendo que os respectivos saldos de IRPJ e CSLL são pagos em quota única até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subsequente. Após o efetivo pagamento do tributo (relembrese que a participação nos resultados da SCP é calculada pelo regime de caixa), o valor relativo à participação da CODEMIG nos tributos devidos pela SCP é reembolsado ou compensado contra os seus direitos de participação dos meses subsequentes. Sintetizando os procedimentos contábeis alinhados acima, pode se dizer que os valores de IRPJ e CSLL antecipados com base na receita bruta são reembolsados pela CODEMIG no mês subsequente ao seu pagamento pela Recorrente, tendo em vista que tais montantes são recolhidos no último dia útil do mês subsequente ao mês de apuração. Por outro lado, no que tange ao saldo correspondente ao IRPJ e à CSLL devidos com base no lucro real efetivo, a Recorrente apenas recebe o reembolso após o seu efetivo recolhimento no último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subsequente, em conformidade com o regime Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.112 25 de caixa pactuado entre as partes na escritura pública de constituição da SCP, nos termos acima comentados. Isso demonstra cabalmente que o procedimento adotado pela Recorrente não pode ser equiparados um contrato de mútuo. No contrato de mútuo, a pessoa jurídica mutuante tem o direito de receber a devolução do valor do principal emprestado, acrescido ou não de juros, conforme pactuado entre as partes. No caso do reembolso, a Recorrente somente recebe eventual devolução se e quando houver o recolhimento de imposto ao erário público, com base no regime de caixa. Assim, caso a SCP eventualmente apure prejuízo e não haja qualquer valor a recolher aos cofres públicos, é evidente que o valor transferido da Recorrente para a CODEMIG sob o regime de caixa será definitivo, não sendo possível se falar em devolução. Essa circunstância, por si só, impede sua equiparação a um empréstimo, como pretende a fiscalização e a DRJ/JFA." Pelo exposto, considerando o modelo adotado, está evidente que a relação jurídica entre a Recorrente e a CODEMIG não possui natureza jurídica de contrato mútuo, o que afasta a possibilidade de incidência do IOF/Crédito, como pretendido pela fiscalização e ratificado pela decisão de 1ª instância proferida pela DRJ/JFA. É claro, portanto, que não houve a disponibilização de recursos à CODEMIG, no âmbito de uma relação de concessão de crédito. A operação que não se revestir dos atributos do contrato de mútuo não resultará em obrigação tributária à pessoa jurídica envolvida de pagar o IOF. Não se pode pretender que ocorra a incidência do IOF sobre movimentações financeiras (fluxo financeiro) do modo como pretendido pela Fiscalização. A pretensão da Fazenda Nacional, encontra óbice no contido no art. 108, § 1º do Código Tributário Nacional CTN, pois se estaria a tributar com base na analogia, o que fere, ainda, o princípio da estrita legalidade em matéria tributária. Dispõe o CTN: "Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei." Pertinentes são as ponderações do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, (Acórdão 3402003.018): "Não se pode utilizar de juízos de semelhança entre fatos, negócios ou atos para exigir o tributo é dizer, a legislação veda que o aplicador do Direito Tributário, ao se deparar com um caso que esteja fora da hipótese de incidência, se baseie em Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.113 26 elementos desse fato que tenham semelhança com elementos de outro fato (este presente em uma hipótese de tributação) para que determine a sua tributabilidade (a exemplo do caso que erroneamente se pretenda tributar indenização por danos materiais como se renda fosse, estendendo por analogia a hipótese do IR, considerando apenas o elemento de aquisição de disponibilidade, mas não o do acréscimo patrimonial). Não é à toa que o art.150, I da Constituição Federal determina que a exigência do tributo está condicionada a Lei que o estabelece, que tem como consectário lógico o dever de conformidade da tributação com o “fato gerador”, desenvolvido em festejado trabalho de Gerd Rothmann, que reflete uma faceta principiológica da legalidade na disposição de que a lei não pode deixar ao critério da administração a diferenciação objetiva, devendo ela própria prever, na maior medida, possível, os aspectos necessários à configuração do fato gerador, não bastando ao legislador autorizar, de forma ampla, vaga, genérica ou indeterminada, a criação do tributo, mas cabendo a ele descrever a situação que lhe dará causa (ROTHMANN, Gerd Willi. O Princípio da Legalidade Tributária. In. DÓRIA, A.R.S.; ROTHMANN, G.W. Temas Fundamentais do Direito Tributário Atual. Belém: Cejup, 1983. P.9099)." No caso em apreço, a Fazenda Nacional utilizouse do instituto da analogia para a inclusão do chamado "fluxo financeiro" no âmbito de incidência do IOF, invadindo indevidamente o terreno do princípio da legalidade ou da reserva legal que, em sede de direito tributário, estabelece que o tributo só pode ser instituído ou aumentado por lei. É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ acerca da impossibilidade do emprego da analogia não poder resultar na exigência de tributo não previsto em lei, conforme precedentes a seguir colacionados: "TRIBUTÁRIO. ISS. SERVIÇOS DE MANOBRA E DE REMOÇÃO. NULIDADE DA CDA. OCORRÊNCIA. 1. A lista de serviços é "números clausus" inadmitindo interpretação por analogia, como fez o Município para cobrar o ISS da recorrente, em flagrante violação ao princípio da legalidade tributária. 2. Recurso especial conhecido e provido por maioria." (REsp 401.698/ES, Rel. Ministro PAULO MEDINA, Rel. p/ Acórdão Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2002, DJ 09/06/2003, p. 213) "TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE CORREÇÃO MONETÁRIA ANALOGIA IMPOSSIBILIDADE RESERVA LEGAL. Revelase inviável a pretendida interpretação analógica do art. 5º do DecretoLei 2.354/87, no sentido de corrigir monetariamente o valor retido do Imposto de Renda decorrente Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.114 27 de aplicações financeiras, uma vez que na esteira da construção jurisprudencial desta Corte, exigese Lei que determine tal correção, vedandose o uso da analogia. Precedentes Recurso improvido." (REsp 389.403/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/05/2002, DJ 11/11/2002, p. 154) "TRIBUTÁRIO. ICMS. INCIDÊNCIA SOBRE A HABILITAÇÃO DE TELEFONES CELULARES. IMPOSSIBILIDADE. ATIVIDADE QUE NÃO SE CONSTITUI EM SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÕES. ANALOGIA EXTENSIVA. EXIGÊNCIA DE TRIBUTO SOBRE FATO GERADOR NÃO PREVISTO EM LEI. PROIBIÇÃO. ART. 108, § 1º, DO CTN. I No ato de habilitação de aparelho móvel celular inocorre qualquer serviço efetivo de telecomunicação, senão de disponibilização do serviço, de modo a assegurar ao usuário a possibilidade de fruição do serviço de telecomunicações. II O ICMS incide, tão somente, na atividade final, que é o serviço de telecomunicação propriamente dito, e não sobre o ato de habilitação do telefone celular, que se afigura como atividade meramente intermediária. III O Convênio ICMS nº 69/98, ao determinar a incidência do ICMS sobre a habilitação de aparelho móvel celular, empreendeu verdadeira analogia extensiva do âmbito material de incidência do tributo, em flagrante violação ao art. 108, § 1º do CTN. IV Recurso Ordinário provido." (RMS 11.368/MT, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2004, DJ 09/02/2005, p. 182) A cobrança do IOF no caso sobre o fluxo financeiro estabelecido pela Recorrente viola o princípio da tipicidade tributária, segundo o qual o tributo só pode ser exigido quando todos os elementos da norma jurídica tributária hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo, base de cálculo e alíquotas estejam previstos na legislação. Como visto, é pacífico no Direito Tributário que o princípio da reserva legal ou da tipicidade fechada impossibilita o uso da analogia que resulte na exigência de tributo. A tentativa de tributar fluxos financeiros realizados pela Recorrente, com fundamento no art. 13 da Lei 9.779/1999 resulta no emprego da analogia, incompatível como dito com o princípio da legalidade e da tipicidade da tributação. Assiste razão à Recorrente ao consignar: "Com base nas considerações acima, podese assentar que, sob a perspectiva da causa dos negócios jurídicos, é clara a distinção entre o contrato de mútuo e a participação da CODEMIG nos resultados da SCP, pelos seguintes fundamentos: Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.115 28 ao repassar os resultados da SCP para a CODEMIG a Recorrente cumpre obrigação contratual. O direito e a pretensão ao reembolso dos tributos por parte da Recorrente somente surge após o efetivo recolhimento aos cofres públicos, com base no regime de caixa pactuado para a partilha dos resultados da SCP. o resultado da SCP repassado pertence à CODEMIG, que deve simplesmente reembolsar os tributos devidos. Os respectivos valores não são concedidos à CODEMIG a título de empréstimo, para posterior devolução. a causa típica que justifica o fluxo de recursos para a CODEMIG decorre de sua participação em um empreendimento econômico, no âmbito da SCP, o que não se confunde com a relação jurídica típica de crédito decorrente de um contrato de mútuo. a Recorrente não se compromete a entregar dinheiro à CODEMIG, para posterior restituição na mesma quantidade, gênero e qualidade. Não há, portanto, a irradiação de uma relação jurídica de natureza creditícia, mas, sim, mera participação nos resultados econômicos provenientes da SCP, ainda que pactuado o reembolso parcial das despesas com tributos, no montante equivalente à participação da CODEMIG." Em recente julgado, à unanimidade de votos, a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, decidiu que não incide o IOF pelo simples adiantamento de recursos, sendo imprescindível para a incidência tributária a exata correspondência a um mútuo. A decisão está ementada nos seguintes moldes: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/12/2012 a 04/01/2013 Ementa: OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE ATIVOS. ANTECIPAÇÃO DE VALORES. IOF MÚTUO. NÃO INCIDÊNCIA A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos a parte relacionada, como pagamento para a aquisição de ativos a ser entregue futuramente, não se encontra na hipótese de incidência do IOF. Recurso de ofício negado." (Processo nº 11080.731006/201591; Acórdão 3402005.259; Relator Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, sessão de 23/05/2018) Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.116 29 Do voto do relator destaco: "17. Assim, quando o art. 3º, §3º, inciso III do Decreto n. 6.306/2007 estabelece que haverá incidência de IOF sobre o mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, o signo "mútuo" é ali empregado nos termos do que fora desenhado pelo direito civil, exatamente como estabelece o art. 110 do Código Tributário Nacional. Aliás, é do referido dispositivo do CTN que se extrai a ideia do direito tributário ser um direito de sobreposição, na medida em que ele (direito tributário) se vale de conceitos e institutos já estabelecidos por outros ramos do direito para então atuar, atuação essa que, por conseguinte, fica limitada por tais conceitos e institutos do direito privado. (...) 20. Neste sentido, o adiantamento de recursos financeiros por parte da recorrida em favor da empresa Fibria constitui uma das suas obrigações em razão do que fora estipulado no PSA e não o negócio jurídico em si considerado (como seria no caso de um contrato de mútuo). Em verdade, o importe financeiro entregue pela recorrida em favor da empresa Fibria tinha por escopo garantir o direito de aquisição dos ativos que compõem o Projeto Losango. 21. Ademais, também não há obrigação da empresa Fibria em devolver recursos financeiros no mesmo valor do adiantamento efetuado pela recorrida. A obrigação da Fibria é a entrega de cotas de duas sociedades (Newcol e Newco2), proprietárias dos ativos que constituem o Projeto Losango. A Fibria também não possui a prerrogativa de devolver antecipadamente os recursos financeiros recebidos da Recorrida (prerrogativa que seria concedida a um mutuário)." Temse, também, os seguintes julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010, 2011 IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL AFAC. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Estando demonstrado que os recursos repassados representavam pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), cumprindo os requisitos exigidos pela legislação, o aporte de recursos financeiros efetuados não se caracteriza como uma operação de crédito correspondente a mútuo, razão pela qual não é suficiente para a configuração do fato gerador do IOF, previsto no artigo 13 da Lei nº 9.779/99. (...) Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.117 30 IOF. OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOA JURÍDICAS RELACIONADAS. OTM. TRANSPORTE. HOLDING. EMPRESA NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei 9.779, em seu artigo 13, definiu como fato gerador do IOF a operação em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. No caso dos autos, os valores contabilizados nas contas auditadas constituem remuneração ou reembolso pelos serviços prestados por empresas subcontratadas no plano de atuação OTM (operador de transporte multimodal), que, no caso, são controladas/coligadas. Assim, ficou comprovado que há relações comerciais entre as empresas, justamente pelo fato da Contribuinte operar o OTM. Ela subcontrata as empresas controladas do grupo para a realização de diversas atividades de transporte. Porém, por ser holding responsável pelo gerenciamento do grupo, o faturamento é nela centralizado e contabilizado, consolidando os recebimentos que são posteriormente divididos entre suas controladas. Em outras palavras, a holding faturava os serviços em sua integralidade, e posteriormente pagava os valores devidos às demais empresas do grupo que prestaram serviços para o adimplemento do contrato. Não há empréstimo, uma vez que os valores constituem acertos de contas entre as empresas, não havendo, portanto, posterior restituição do dinheiro em espécie, requisito para configuração do mútuo (artigo 586 do Código Civil). Portanto, não há sujeição à incidência do IOF. (...)" (Processo nº 10980.721730/201338; Acórdão nº 3402004.932; Relator Conselheiro Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 26/02/2018) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2000, 30/06/2000 a 30/06/2003 IOF. OPERAÇÃO DE CRÉDITO REALIZADA ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. REQUISITOS. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação configure mútuo de recursos financeiros. Não o é mero adiantamento de recursos a fornecedor de serviço regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução do serviço. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.118 31 Recurso Provido." (Processo nº 10746.001486/200394; Acórdão nº 340200.472; Relator Conselheiro Júlio Cesár Alves Ramos; sessão de 04/02/2010) Do voto extraise o seguinte excerto: "Por isso, ainda que se possa entender que a operação consistente nos adiantamentos é diversa da contratação das obras, e assim também penso, o máximo que se pode considerá la é modalidade de financiamento pelo contratante. Como bem se sabe, distinguese tal modalidade daquela prevista na Lei n° 9.779 pelo fato de estar vinculada à elaboração de um bem ou realização de serviço, por meio da qual o adiantamento é pago. Já o mútuo, como citado no recurso, é modalidade diversa de crédito e tem expressa definição no Código Civil (art. 586). Nela a obrigação do mutuário é devolver, em quantidade determinada, coisa da mesma espécie e qualidade que lhe fora entregue pelo mutuante. A modalidade mais comum, por óbvio, é o mútuo de dinheiro, em que dinheiro, portanto, tem de ser devolvido." Ainda: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 IOF. RECURSOS DA CONTROLADA EM CONTA DA CONTROLADORA. CONTA CORRENTE. RAZÃO DE SER DA HOLDING. Os recursos financeiros das empresas controladas que circulam nas contas da controladora não constituem de forma automática a caracterização de mútuo, pois dentre as atividades da empresa controladora de grupo econômico está a gestão de recursos, por meio de contacorrente, não podendo o Fisco constituir uma realidade que a lei expressamente não preveja. Recurso Voluntário Provido" (Processo nº 11080.015070/2008 00; Acórdão 3101001.094; Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado; sessão de 25/04/2012) Da decisão temse: “É que entendo que o Fisco incorre em equívoco na interpretação dos fatos jurídicos colhidos para aplicação das normas relativas ao IOF. Isso porque, diferentemente do que interpretou a Fiscalização, não houve a contratação de mútuo entre a Recorrente e sua Controladora, da qual é controlada, mas sim, entendo ser contrato de conta corrente pelo qual a Holding administra o caixa do Grupo. O direito civil tem previsão para as duas modalidades de contrato e não cabe ao Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.119 32 Fisco decidir qual deles está sendo implementado no caso em apreço. Apesar de o Fisco apresentar coerente com as práticas de fiscalização que vem desenvolvendo nos últimos anos, há muito que a jurisprudência administrativa tem feito a correta distinção entre contratos de mútuo e contratos de conta corrente. No contrato de mútuo o credor dá em empréstimo coisa fungível ao devedor que se obriga a restituir ‘coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade’. O tomador tem a prerrogativa de realizar as operações que melhor lhe prover com os valores emprestados, Já o contrato de conta corrente não há um empréstimo, propriamente dito, as partes estabelecem uma relação na qual cada uma das partes pode estar simultaneamente na posição de credor e devedor o que lhe dá a característica de contrato bilateral, com direitos e obrigações recíprocas. Ocorre que aquele que tem a posse do numerário não está livre para fazer dele o que quiser, pois se o depositante requerer o numerário, aquele deverá restituílo imediatamente. Somente por estas diferenças essenciais entre o contrato de mútuo e o contrato de conta corrente é que não poderia o Fisco, definir, a partir de um saldo contábil definir o tipo de contratação que se opera." O mesmo raciocínio até aqui exposto, tem aplicação aos recursos provenientes das operações da ACC e ACE, os quais foram posteriormente repassados à CODEMIG. É de se acrescentar que tal antecipação de recursos à CODEMIG, não pode ser caracterizada como uma modalidade de empréstimo, sujeita à incidência do IOF/Crédito. A Recorrente pontua: "Os valores em questão são antecipados à CODEMIG, no percentual de sua participação na SCP, tendo em vista que as duas sociedades concorrem para o beneficiamento e industrialização do pirocloro. Assinalese, ainda, que esse procedimento ocorre única e exclusivamente em cumprimento a escritura pública de constituição da SCP, que regula as relações entre a Recorrente e a CODEMIG, a qual estabelece o seguinte: 1.0. Receita Bruta de Vendas Inclui a receita bruta recebida na venda de produtos derivados do beneficiamento e industrialização do pirocloro de Araxá. 1.1. As vendas em moeda estrangeira serão computadas pelo valor em cruzeiros efetivamente recebidos na venda de cambiais. Salta aos olhos que a cláusula 1.1, acima transcrita, estabelece expressamente que as vendas em moeda estrangeira serão computadas pelo valor em cruzeiros efetivamente recebidos na Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.120 33 venda de cambiais. Em termos práticos, isso significa que o valor recebido na venda de cambiais integra a receita bruta sobre a qual será calculada a participação da CODEMIG, com base nos valores efetivamente ingressados. Como se sabe, as operações de ACC e ACE caracterizamse pela antecipação, total ou parcial, em moeda nacional, concedida por instituição financeira, de moeda estrangeira a ser entregue futuramente pelo exportador. Neste sentido, convém reproduzir a definição constante do item 1, seção 3, capítulo 3, do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais ("RMCCI"): 'O adiantamento sobre contrato de câmbio constitui antecipação parcial ou total por conta do preço em moeda nacional da moeda estrangeira comprada para entrega futura, podendo ser concedido a qualquer tempo, a critério das partes.' Na operação de ACC, os recursos são concedidos pela instituição financeira para o exportador antes do embarque da mercadoria, ao passo que no ACE os recursos são concedidos após o embarque da mercadoria. Em qualquer caso, o valor efetivamente recebido compõe a receita bruta da SCP, para o cálculo da participação da CODEMIG." O fato de a Recorrente entregar os recursos financeiros para a CODEMIG e, posteriormente, receber o reembolso das despesas com tributos, em conformidade com a escritura pública de constituição da SCP, não caracteriza relação mutuária, como posto na autuação. Assim, entendo que o denominado fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP") não constitui hipótese de incidência do IOF/Crédito, merecendo ser provido o recurso nesta parte. Da inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício Com razão a Recorrente. A obrigação tributária principal (o tributo) decorre de lei. A obrigação tributária acessória (a multa) decorre de atividade administrativa vinculada de fiscalização. Logo, a correção monetária da multa aparece como claro benefício e prêmio ao autor em prejuízo ao réu. Basta confrontar o valor do tributo (obrigação tributária principal) e o valor da multa (obrigação tributária acessória) grafado no auto de infração. Ademais, por ser a multa uma penalidade não possui natureza de tributo . Assim, não se pode, do exposto, admitir que a multa seja atualizada. O CARF possui precedentes sobre o tema. Vejamos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.121 34 Anocalendário: 2008, 2009, 2010 REGIME MONOFÁSICO. LEI Nº 10.147/2000. FABRICANTES DE PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS. PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, PERFUMARIA OU DE TOUCADOR. REVENDA. INCIDÊNCIA. Incidem as alíquotas diferenciadas previstas no art. 1º, I, "b" da Lei nº 10.147/2000 sobre as receitas oriundas da revenda de produtos de higiene pessoal, perfumaria ou de toucador, auferida por pessoa jurídica fabricante desses produtos, ainda que o revendedor não os tenha submetido a processo de industrialização. ERROS MATERIAIS. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. ABUSIVIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Estando a penalidade e seu percentual expressamente previstos em texto legal, só cabe à administração verificar a presença dos pressupostos de fato para sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte." (Processo nº 19311.720281/201287; Acórdão nº 3402002.799; Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; sessão de 09/12/2015) (destaque nosso) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 ARRENDAMENTO MERCANTIL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Conforme entendimento assentado pelo STF (RE no 592.905/SC), em questão de reconhecida Repercussão Geral, a partir das disposições da Lei Complementar no 116/2003, o arrendamento mercantil constitui prestação de serviço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por carência de base legal." Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.122 35 (Processo nº 16327.721234/201111; Acórdão nº 3403002.918; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; sessão de 25/04/2014) "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/08/2007 (...) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício.Assim, não se pode admitir que a multa seja atualizada." (Processo nº 12782.000010/201054; Acórdão nº 3401003.199; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; sessão de 23/08/2016) Nestes termos, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para (i) excluir do lançamento a incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP") e (ii) excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa aplicada, em relação a parcela mantida do lançamento. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.123 36 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado Inaugurei a divergência quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, ao bem fundamento voto do Relator. Assim, coubeme a designação para redigir este voto vencedor. Juros de Mora sobre Multa de Ofício No que concerne à alegação referente incidência a juros de mora sobre o valor lançado de multa de ofício, o entendimento majoritário do CARF é de que é cabível. Cobramse juros de mora sobre a multa de ofício equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, por expressa previsão legal. O art. 161 do Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Além destes dispositivos, destacase ainda o artigo 43 da Lei n° 9.430/96, que assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos citados, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de oficio, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, os juros de mora devem incidir também sobre a multa de ofício, que integra o crédito tributário constituído de ofício. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3201004.189 S3C2T1 Fl. 1.124 37 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.900017/2008-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 90 00 17 /2 00 8- 95 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10670.900017/200895 Acórdão n.º 1002000.415 S1C0T2 Fl. 41 2 Relatório Em atenção aos princípios da celeridade e economia processual, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/JFA (grifos do original). O interessado apresentou PER/Dcomp visando compensar os débitos nele declarados com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior referente ao SIMPLES. Em 24/04/2008, a DRF/MCR emitiu o Despacho Decisório de fl. 09, no qual decidiuse pela não homologação da compensação declarada, devido ao fato de não ter sido confirmada a existência do credito informado, pois o DARF discriminado no PER/Dcomp não foi localizado nos sistemas da RFB. Contra o feito, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fl.13) na qual alega, em síntese, o seguinte: GAMA COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, com sede e estabelecimento comercial e prestação de serviços na rua CARMINIO DE ABREU,N.° 291 MONTES CLAROS, cep 39.401708, MINAS GERAIS, CNPJ 01.660.127/000108, por seu representante legal, não se conformando com o auto de infração acima referido, lavrado pelo Sr AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, do qual foi notificado em 02/05/2008, vem, respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõem o art. 15 do Dec. 70.235/72, apresentar sua impugnação, pelos motivos de fato e de direito que se seguem (art. 16. inciso II do Dec. 70.235/ 72): Em 30/06/2004 foi feita uma PER/DCOMP 1. 3 de n.° 15I24.85628.300604. 1.3. 0485 71 solicitando o credito de Simples referente ao período de apuração de 31/03/2003 no valor total recolhido de R$ 2.8 73, 74 para ser compensado em PIS, COFINS, IRPJ e Contribuição Social. Só que ao preencher a PER/DCOMP foi informado o valor integral do recolhimento e não o valor de cada guia, ocorrendo portanto um erro de fato ao preenchimento. Solicitamos que fosse verificado os recolhimentos feito na data do dia 10/04/2003 os valores de R$ 1.308,57, RS 100,59, R$ 997,32,R$ 184,21 E R$ 283,05 com o código 6106 do período de apuração 31/03/2003. E que esse crédito fosse compensado nos débitos de PIS, COFINS, IRPJ e Contribuição conforme solicitado na PER/DCOMP. Por oportuno esclarecemos que houve um erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, mas sem causa qualquer prejuízo ao fisco. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10670.900017/200895 Acórdão n.º 1002000.415 S1C0T2 Fl. 42 3 A empresa inconformado com o despacho decisório, pede a Vossa Excelência que reveja os procedimentos adotados para analise do caso e considere a PER/DCOMP ou dê a empresa o direito do credito. A vista de lodo exposto, inconformada com o despacho decisório, acima mencionado, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de que seja compensado os impostos indevidamente recolhidos pelos solicitados. Termos em que Pede deferimento. (grifos nossos) É o relatório. A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação foi julgada improcedente pela DRJ/JFA, conforme acórdão n. 0930.473, de 09 de julho de 2010 (efl. 28), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 SIMPLES. OPÇÃO. Uma vez que a contribuinte, no anocalendário de 2003, ainda estava submetida ao regime de tributação do SIMPLES, não há direito creditório algum a favor da empresa. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta o Recurso Voluntário de efl. 36. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é manifestamente intempestivo, e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10670.900017/200895 Acórdão n.º 1002000.415 S1C0T2 Fl. 43 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Consta dos autos que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ/JFA dia 24/08/2010 (efl. 33) e apresentou seu Recurso Voluntário somente no dia 30/09/2010 (efl. 38/39), isto é, fora do prazo legal de 30 dias, o que leva à conclusão de sua intempestividade, não devendo ser conhecido por este colegiado. Logo, tornouse definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Ainda que se trate de Recurso Voluntário perempto contra Manifestação de Inconformidade julgada improcedente pela instancia a quo, pontuo que é dever deste órgão julgador de segunda instância pronunciarse sobre a perempção, por força do artigo 35 do já citado Decreto n° 70.235/1972, que prevê: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Por fim, inobstante a aparente razoabilidade da alegação de ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de compensação, fundada na afirmação de que houve efetivamente a exclusão do Recorrente do Simples em 01/07/2001, mediante o acórdão nº 30236556, a qual colide frontalmente com o fundamento do indeferimento da Manifestação de Inconformidade externado no acórdão da instância a quo (não exclusão do simples), registro, por oportuno, que não compete a este colegiado a revisão de ofício de declaração, sendo a atividade de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do contribuinte, conforme artigo 149 do Código Tributário Nacional CTN1 c/c o artigo 270 da Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10670.900017/200895 Acórdão n.º 1002000.415 S1C0T2 Fl. 44 5 Pelo exposto, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerá lo intempestivo. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.908540/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS.
Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
Numero da decisão: 1401-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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EMPREITADA Recorrente TESCON ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 85 40 /2 00 9- 41 Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10166.908540/200941 Acórdão n.º 1401002.670 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório [...], em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento, relativo ao ano calendário de 2004, bem aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, pelo percentual de 32%, da receita bruta a ser considerada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando o correto seria aplicar o percentual de 12%, conforme determina a Solução de Consulta nº 337, de 28 de novembro de 2008. “A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todo os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita ao percentual de 12% na determinação da base de calculo da CSLL, pela sistemática do lucro presumido. A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita a percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ, pela sistemática do lucro presumido”. Alega que à época informou nas DIPJ 2005 e 2006, bem com nas DCTF do período os valores recolhidos indevidamente. Ciente do equivoco providenciou as devidas retificações das declarações a fim de regularizar tal situação. A fim de provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 12% para a apuração da base de cálculo da CSLL no regime de lucro presumido, junta cópia da Décima Terceira Alteração do Contrato Social e DIPJ e DCTF retificadoras. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10166.908540/200941 Acórdão n.º 1401002.670 S1C4T1 Fl. 4 3 Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a homologação da compensação solicitada. Em 4 de agosto de 2011 a DRJ em Brasília DF julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente alegando, em síntese, a correção quanto ao percentual de presunção de 12% para fins da CSLL, na medida em que todos os contratos por ela firmados o são na modalidade empreitada por preço unitário, o que se identifica com a empreitada total. Ainda, em resposta à decisão recorrida, que considerou imprescindível a juntada aos autos de documentação comprobatória, a Recorrente apresentou anexos contendo todos os contratos por ela firmados, acompanhados das notas fiscais faturadas e recebidas no período de 01/04/2004 a 30/09/2005, as DIPJs referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005 acompanhadas dos comprovantes de pagamento de tributos, além de comprovantes de valores retidos, registros contábeis e demonstrativos de apuração. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.660, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10166.903369/2009 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.660): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10166.908540/200941 Acórdão n.º 1401002.670 S1C4T1 Fl. 5 4 A Recorrente apurou seus tributos na sistemática do lucro presumido tendo originalmente utilizado como base de cálculo o percentual de presunção de 32% para fins de CSLL. Posteriormente retificou suas declarações e demonstrativos a fim de utilizar o percentual de 12%, sendo essa a origem do pagamento a maior que ela pretende ver compensado em suas declarações de compensação. Portanto, a discussão de fundo do presente processo reside em definir qual o percentual de presunção aplicável às atividades realizadas pela Recorrente. A legislação aplicável é a seguinte: Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10166.908540/200941 Acórdão n.º 1401002.670 S1C4T1 Fl. 6 5 Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) A decisão recorrida, citando o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, afirmou que "No caso da CSLL, as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 12% (doze por cento) para fins de cálculo dessa contribuição. As receitas oriundas de construção por empreitada com fornecimento parcial de materiais ou unicamente de mãodeobra, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento)." Não obstante concordem quanto ao conceito, a decisão recorrida considerou que a Recorrente não teria apresentado a documentação comprobatória de seu direito a aplicar o percentual de 12% para fins da CSLL, entendendo que apenas a análise do objeto social não seria suficiente. Em resposta, como relatado, a Recorrente trouxe a documentação que comprova que ela era contratada para execução de obras por preço unitário, devendo fornecer todos os equipamentos, pessoal e materiais necessários, tratandose assim de empreitada total/global. A aplicação do percentual de 12% de CSLL para casos como o presente é corroborada pela jurisprudência deste CARF, conforme recentemente decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), considerase atividade de construção civil aquela que envolva a produção de uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10166.908540/200941 Acórdão n.º 1401002.670 S1C4T1 Fl. 7 6 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (Acórdão nº 9101002.545 Sessão de 7 de fevereiro de 2017) Ante o exposto oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, de modo que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001452/2008-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
ANISTIADOS POLÍTICOS. ISENÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10.599/2002.
Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O benefício alcança as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002.
Numero da decisão: 2002-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 ANISTIADOS POLÍTICOS. ISENÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10.599/2002. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O benefício alcança as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIADO POLÍTICO. Recorrente LUIZA DE SIQUEIRA CAMPOS CORREA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 ANISTIADOS POLÍTICOS. ISENÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10.599/2002. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O benefício alcança as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 14 52 /2 00 8- 79 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13706.001452/200879 Acórdão n.º 2002000.272 S2C0T2 Fl. 89 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da DRJ/RJ2, que considerou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada (fls.61/65): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIA POLÍTICA. As aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos já anistiados políticos, civis ou militares, a partir de 29 de agosto de 2002 são isentos do Imposto de Renda, desde que o beneficiário tenha solicitado, mediante requerimento ao Ministério da Justiça, a sua substituição pelo regime de reparação econômica. Se houve retenção de imposto de renda na fonte, os rendimentos deverão ser informados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, enquanto não verificada a substituição de regime. Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 23/27, relativa ao anocalendário 2003, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$161.556,60. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$27.720,24, para saldo de imposto a pagar de R$10.833,05. Cientificada da notificação em 18/2/2008 (fls.56), a contribuinte impugnou a exigência fiscal em 6/3/2008 (fls. 3/47), alegando, em síntese, que os rendimentos considerados omitidos seriam isentos por força do parágrafo único, artigo 9º, da Lei nº 10.559, de 2002. Intimada da decisão do colegiado de primeira instância em 22/11/2011 (fl. 67), a recorrente, por intermédio de representante legal (fls.80/81), apresentou recurso voluntário em 13/12/2011 (fls. 69/81), em que alega os seguintes argumentos de defesa: é pensionista do Exército brasileiro, recebendo o benefício por ser viúva de anistiado político, conforme Emenda Constitucional nº 26, de 1985 e artigo 8º e parágrafos do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. os valores recebidos se configuram em uma indenização, por dano patrimonial, e não devem ser submetidas à incidência do IR. Cita jurisprudência e doutrina acerca do tema e a Lei nº 10.559, de 2002. menciona medida liminar a ela favorável concedida pelo STJ no mandado de segurança nº 11.038. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13706.001452/200879 Acórdão n.º 2002000.272 S2C0T2 Fl. 90 3 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.82). Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13706.001452/200879 Acórdão n.º 2002000.272 S2C0T2 Fl. 91 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pela recorrente, os quais ela alega serem isentos por se tratar de indenização paga a anistiado político. Inicialmente, cabe registrar que o mandando de segurança nº 2005/0161747 5, citado no recurso voluntário, não se aplica a situação aqui analisada, visto que foi ajuizado pela recorrente visando o fim do desconto na fonte do IR sobre a pensão por ela recebida. A ação foi ajuizada em 2005 e aqui está se tratando do anocalendário 2003 quando o IRRF já fora descontado por ocasião do pagamento da pensão a ela ao longo do ano de 2003. Assinale se ainda que, em consulta ao sítio do STJ, constatase que foi declarada a ilegitimidade passiva da RFB para figurar no pólo passivo da ação, conforme trecho da decisão a seguir reproduzido: Inicialmente, acolho a alegação de ilegitimidade passiva ad causam do Sr. SecretárioGeral da Receita Federal, considerando que os procedimentos tidos como ilegais não resultam nem dependem de sua conduta, mas sim dos órgãos administrativos responsáveis pelo pagamento da pensão, isto é, o Comando do Exército e o Ministério da Defesa. Quanto ao mérito da questão, o colegiado de primeira instância considerou improcedente a impugnação, consignando: A Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002 (resultante da conversão da Medida Provisória n° 65, de 28 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da Unido —DOU de 29.08.2002), ao regulamentar o art. 8° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabelecendo o Regime do Anistiado Político, garantiu ao anistiado político, entre outros direitos, o da reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada (art. 1°, inciso II), e também dispôs que os valores pagos a titulo de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13706.001452/200879 Acórdão n.º 2002000.272 S2C0T2 Fl. 92 5 indenização ao anistiado político são isentos do imposto de renda (art.9°, parágrafo único): ... No que toca aos pagamentos de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vinham sendo efetuados pelo INSS e demais entidades públicas, a referida Lei, dispôs o seguinte: Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos , que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. (Grifouse.) O Decreto n° 4.897, de 25 de novembro de 2003, ao regulamentar o parágrafo único do art. 9° da Lei n° 10.559, de 2002, determinou expressamente que também estão isentos do imposto de renda as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n° 10.559, de 2002: Art. 10 Os valores pagos a titulo de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9° da Lei n°10.559, de 13 de novembro de 2002. § 1º O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002. Entretanto, conforme se depreende da leitura dos arts. 10 e 12 da Lei n° 10.559, de 2002, bem como do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 8 de dezembro de 2003 (publicada no DOU de 09.12.2003), transcritos a seguir, a isenção do art. 9° da referida lei é condicionada à existência prévia de requerimento: Art. 10. Caberá ao Ministro de Estado da Justiça decidir a respeito dos requerimentos fundados nesta Lei. (..) Art. 12. Fica criada, no âmbito do Ministério da Justiça, a Comissão de Anistia, com a finalidade de examinar os requerimentos referidos no art. 10 desta Lei e assessorar o respectivo Ministro de Estado em suas decisões. (...) Exposição de Motivos n°197, do Ministério da Justiça: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13706.001452/200879 Acórdão n.º 2002000.272 S2C0T2 Fl. 93 6 CONCLUSÕES DA COMISSÃO INTERMINISTERIAL Em atendimento ao disposto no art. 3° do Decreto de 27 de agosto de 2003, que instituiu Comissão Interministerial para estabelecer critérios e forma de pagamento da reparação econômica aos anistiados políticos de que trata a Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002, o Ministro de Estado da Justiça, na condição de coordenador daquela Comissão, torna públicas as conclusões dos trabalhos por ela realizados. 1. O art. 9º, parágrafo único, da Lei n° 10.559, de 2002, concedeu isenção do imposto de renda aos valores pagos a titulo de indenização aos anistiados políticos e deve ser observado independentemente da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça. Neste sentido, foi editado o Decreto n°4.897, de 25 de novembro de 2003. Sendo assim, as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da referida Lei n2 10.559 de 2002, a partir de 29 de agosto de 2002, são isentos do imposto de renda, desde que exista o prévio requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica, ainda que pendente de deferimento. Ressaltese que se a fonte pagadora efetuou retenção de imposto de renda, há que se observar, ainda, o disposto no parágrafo único do art. 22 do Decreto 4.897, de 2003: Art. 2° O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 —Código tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarse6 após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n°10.559. de 2002. (Grifouse). Portanto, eventual restituição de imposto de renda já recolhido somente poderá ser efetivada após deferimento da mencionada substituição de regime. (destaques acrescidos) Assim, a decisão de piso não reconhece a isenção pleiteada pelo fato de a recorrente não ter apresentado requerimento junto ao Ministério da Justiça para substituição da pensão recebida pelo regime de reparação econômica. Nesse tocante, cabe reproduzir o Decreto nº 4.897, de 2003: Art. 1º Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13706.001452/200879 Acórdão n.º 2002000.272 S2C0T2 Fl. 94 7 § 1º O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. § 2º Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art. 2º O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002.” O §2º, do artigo 1º, acima destacado, estabelece regras para a retenção retroativa do IR devido no caso de indeferimento da substituição do regime. Essa regra se mostra incompatível com o entendimento da decisão de piso, de reconhecimento da isenção somente após o requerimento para substituição de regime ao Ministério da Justiça. Ao prever a retenção retroativa, é de se concluir que o decreto reconhece a não incidência do imposto no momento do pagamento, sem condicionar a isenção à existência de pedido ou portaria ministerial. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, cancelando a omissão de rendimentos apontada no lançamento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 94DF CARF MF
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