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4730264 #
Numero do processo: 16707.009236/99-25
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 14 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Fri Apr 14 00:00:00 UTC 2000
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IR - FONTE - INDENIZAÇÃO DE HORAS EXTRAS TRABALHADAS- Nos termos da legislação tributária vigente, a importância percebida a título de "indenização de horas extras trabalhadas" sofre tributação de imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual irá compor o total dos rendimentos tributáveis. Recurso negado.
Numero da decisão: 106-11259
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto

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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n°. : 16707.009236199-25 Recurso n°. : 121.234 Matéria: : IRPF - EX.: 1996 Recorrente : ANTONIO ÉLDEN BELÉM DA SILVA Recorrida : DRJ em RECIFE - PE Sessão de : 14 DE ABRIL DE 2000 Acórdão n°. : 106-11.259 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IR - FONTE – INDENIZAÇÃO DE HORAS EXTRAS TRABALHADAS- Nos termos da legislação tributária vigente, a importância percebida a titulo de Indenização de horas extras trabalhadas" sofre tributação de imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual irá compor o total dos rendimentos tributáveis. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTÔNIO ÉLDEN BELÉM DA SILVA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. è c_ I - e IM,t `A.. ODRI DE OLIVEIRA -mis,-.4MUNTE TI itill„ka,I,le II; t 4 . 1.-4 '0 li E BRITTO 'i E - ert FORMALIZADO EM: 1 7 NA Ad 2oGn Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, THAISA JANSEN PEREIRA, ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO, ROMEU BUENO DE CAMARGO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Ausente, justificadamente, o Conselheiro RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO. — --- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 16707.009236/99-25 Acórdão n°. : 106-11.259 Recurso n°. : 121.234 Recorrente : ANTÔNIO ÉLDEN BELÉM DA SILVA RELATÓRIO ANTÔNIO ÉLDEN BELÉM DA SILVA, já qualificado nos autos, apresenta recurso objetivando a reforma da decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Recife. Dá início aos presentes autos o pedido de restituição do montante de imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos a titulo de INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS no ano calendário de 1995. Seu pleito foi, preliminarmente, examinado e indeferido pelo Delegado da Receita Federal em Natal (fls.10/12). Cientificado desse resultado, protocolou sua manifestação de inconformidade anexada às fls.16/18. A autoridade julgadora Na quon manteve o indeferimento de seu pedido em decisão de fls. 19/20, assim ementada: 'Exercício: 1996 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE A isenção tributária decorre de lei, a qual especifica as condições e os requisitos para sua concessão? Dessa decisão tomou ciência em 22/10/99 (AR de fl. 22) , dentro do prazo legal, apresentou o recurso de fls.24/26, alegando, em síntese que: 2 (-3( - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 16707.009236/99-25 Acórdão n°. : 106-11.259 - o recorrente é empregado da empresa Petrobrás; - no ano de 1996 trabalhou grande número de horas extras e estas, por estarem fora do contrato de trabalho, são passíveis de indenização; - o pagamento de hora extraordinariamente prestadas refere-se a uma nova contratação, não se enquadrando portanto no ajuste do contrato principal de trabalho e tampouco no pagamento de salário. Transcreve lição doutrinária e o art. 40 do RIR/94, com o objetivo de defender que toda verba indenizatória está isenta do pagamento de imposto de renda. É o Relatório NUL 3 (3/ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 16707.009236/99-25 Acórdão n°. : 106-11.259 VOTO Conselheira SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRUTO, Relatora O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. O Recorrente, defende que os valores recebidos a titulo de indenização de horas extras trabalhadas não estão sujeitos a tributação. Solicita a restituição do imposto pago, porque durante o ano — calendário de 1995, a fonte pagadora de seus rendimentos — PETROBFtÁS, obedecendo a legislação tributária vigente, efetuou a retenção do imposto de renda na fonte sobre as parcelas percebidas sob esta rubrica. Essa matéria está disciplinada pela Lei n° 7.713/88 que assim define: `Art. 2 0 - O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. `Art. 3 0 - O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9°a 14 0 desta Lei. § 1°- Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. a.,, 4 - - - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 16707.009236/99-25 Acórdão n°. : 106-11.259 § 40 - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. § 5° - Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas , de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse económico ou social. "(grifei) Desses preceitos legais, extrai-se: a REGRA é de que todos os rendimentos estão sujeitos a incidência do imposto de renda, por conseqüência, isenção vem a ser EXCECÃO e como tal deve estar devidamente definida em lei. Por sua vez, o inciso V do art. 6° desta lei, consolidado no inciso XVIII do artigo 40 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/94, limitou a isenção para os valores pagos a titulo de indenização e O aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS "(grifei) Sendo assim, conclui-se que a isenção mencionada no dispositivo transcrito abrange, apenas e tão somente, os valores pagos a título de indenização motivada por DESPEDIDA OU RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. 4*/ e'27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 16707.009236/99-25 Acórdão n°. : 106-11.259 Aqui não se discute o caráter indenizatório das parcelas pagas, porque , mesmo, que tivessem essa natureza, o montante recebido não escaparia da hipótese de incidência do imposto de renda, uma vez que não ficou caracterizado nos autos o rompimento do contrato de trabalho. Lembrando que o art. 111 do Código Tributário Nacional preleciona que a interpretação da lei que outorgue isenção deve ser literal e que o art. 97 do mesmo diploma legal, determina que : "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer VI — a hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (grifei) VOTO no sentido negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 14 de abril de 2000 ti ITTO # eir 6 — - - - — Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1

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4730633 #
Numero do processo: 18471.000469/2002-38
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992 Ementa: PRELIMINAR – DECADÊNCIA – NOVO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL – o lançamento efetuado com vista a sanar vício formal de lançamento declarado nulo pode ser efetuado em até cinco anos a contar da data da decisão definitiva que houver declarado nulo o primeiro lançamento. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – a compensação de prejuízos fiscais encontra-se limitada ao saldo corrigido controlado no LALUR. ÕNUS DA PROVA – é da recorrente o ônus da prova de que apurou lucro em períodos subseqüentes, com vista à aplicação do artigo 174 do RIR/1980. Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 101-95.875
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido

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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992 Ementa: PRELIMINAR – DECADÊNCIA – NOVO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL – o lançamento efetuado com vista a sanar vício formal de lançamento declarado nulo pode ser efetuado em até cinco anos a contar da data da decisão definitiva que houver declarado nulo o primeiro lançamento. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – a compensação de prejuízos fiscais encontra-se limitada ao saldo corrigido controlado no LALUR. ÕNUS DA PROVA – é da recorrente o ônus da prova de que apurou lucro em períodos subseqüentes, com vista à aplicação do artigo 174 do RIR/1980. Recurso voluntário não provido.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-10T16:10:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-10T16:10:01Z; Last-Modified: 2009-07-10T16:10:01Z; dcterms:modified: 2009-07-10T16:10:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-10T16:10:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-10T16:10:01Z; meta:save-date: 2009-07-10T16:10:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-10T16:10:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-10T16:10:01Z; created: 2009-07-10T16:10:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-10T16:10:01Z; pdf:charsPerPage: 1347; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-10T16:10:01Z | Conteúdo => 1 ... n ! t f4 a Fls. I MINISTÉRIO DA FAZENDA ... _. ...... PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 18471.000469/2002-38 Recurso n° 149.149 Voluntário Matéria IRPJ - EX: DE 1993 Acórdão n° 101-95.875 Sessão de 09 de novembro de 2006 Recorrente INSTALADORA POUSO ALEGRE LTDA. Recorrida 5' TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ I NO RIO DE JANEIRO - RJ Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992 Ementa: PRELIMINAR — DECADÊNCIA — NOVO LANÇAMENTO — VICIO FORMAL — o lançamento efetuado com vista a sanar vício formal de lançamento declarado nulo pode ser efetuado em até cinco anos a contar da data da decisão definitiva que houver declarado nulo o primeiro lançamento. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — a compensação de prejuízos fiscais encontra-se limitada ao saldo corrigido controlado no LALUR. (SNUS DA PROVA — é da recorrente o ónus da prova de que apurou lucro em períodos subseqüentes, com vista à aplicação do artigo 174 do RIR/1980. 2Recurso voluntário não provido. j_ .. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INSTALADORA POUSO ALEGRE LTDA. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que adi passam a integrar o presente julgado. • Processo n. 18471.000469/2002-38 Acórdão n.• 101-95.875 Fls. 2 MANOEL ANTONIO (JADE - DIAS r Presidente "N. 411 e e AIO MARCOS CANDI à O • elator FO • OVADO EM: 9 0E1- 20o6 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI, VALMIR SANDRI, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo n.° 18471.000469/2002-38 Acórdão n.° 101-95.875 Fls. 3 Relatório INSTALADORA POUSO ALEGRE LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, recorre a este Conselho em razão do acórdão de lavra da DRJ I no Rio de Janeiro - RJ n° 8.842, de 10 de novembro de 2005, que julgou procedente em parte o lançamento consubstanciado no auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 29/33), relativo ao primeiro e segundo semestre do ano-calendário de 1992. Descrição dos fatos no Termo de Verificação e Esclarecimento de fls. 27/28. Os presentes autos decorrem da decisão DRJ/RJO n° 344/1998, de 15 de abril de 1998, às fls. 31 do processo administrativo fiscal n° 13702.000259/97-46, apenso ao presente, na qual foi declarada a nulidade, por vício formal, do lançamento suplementar do IRPJ relativo ao 1° semestre do ano-calendário de 1992. Tendo em vista a declaração de nulidade do lançamento com base em vicio formal na constituição do anterior foi efetuado novo lançamento, dentro do prazo estatuído no artigo 173,11 do Código Tributário Nacional — CTN. Os presentes autos de infração dão conta do cometimento de duas infrações, conforme descrição da autoridade julgadora de primeira instância: Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, e Termo de Verificação e Esclarecimento de fls. 27/28, o lançamento, de início, se baseou na mesma irregularidade constante da Notificação de Lançamento anulada em 15/04/1998, referente à interessada ter declarado na linha 22, do quadro 14, de sua DIRPJ do ano-calendário de 1992, primeiro semestre, o valor de Cr$ 909.724.013,00 a título de lucro inflacionário diferido, quando, segundo a linha 03, do quadro 05, da mesma Declaração, tal lucro inflacionário montava em apenas Cr$ 445.570.150,00. Porém, o fiscal autuante em vez de glosar a diferença de Cr$ 464.153.863,00, como na notificação de lançamento anulada, utilizou a totalidade do prejuízo compensável do exercício de 1992, ano-base 1991, no montante de Cr$ 333.889.934,00, e não o valor de Cr$ 93.828.053,00 como na declaração e na notificação de lançamento anulada, resultando na redução do valor tributável para Cr$ 224.091.982,00. Em função disso, glosou a compensação de tal prejuízo efetuada pela interessada, no período-base seguinte do segundo semestre de 1992, nele apurando o valor tributável de Cr$ 450.506,410,00. Tendo tomado ciência dos lançamentos em 26 de março de 2002, a autuada insurgiu-se contra tais exigências, tendo apresentado impugnação (fls. 37/40) em 11 de abril de 2002, em que apresenta em suma os seguintes fatos e argumentos: I. que a declaração de nulidade tomou sem efeito o lançamento anterior, não podendo interromper o prazo decadencial para a constituir o crédito tributário. Processo n.• 18471.000469/2002-38 Acórdão C 101-95.875 Fls. 4 2. que o lucro inflacionário realizado encontra-se absorvido pelos prejuízos fiscais a compensar, controlado na parte B do LALUR, não se mantendo o lançamento efetuado com base na ausência de adição do lucro inflacionário na apuração do lucro real. 3. que a diferença no valor dos prejuízos fiscais acumulados, informado pela recorrente e nos autos de infração, decorre da correção monetária especial pela diferença do IPC/BTNF no ano-base de 1990, prevista na Lei n°8.200/1991. 4. Ao final, pede o cancelamento dos autos. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão n° 8.842/2005 julgando parcialmente procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992 Ementa: DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VICIO FORMAL. O prazo decadencial de 5(cinco) anos relativo ao direito de a Fazenda Nacional reconstituir o crédito tributário objeto de lançamento declarado nulo, por vício formal, é contado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver declarado tal nulidade. Porém, o novo lançamento deve repetir o lançamento original anulado, não cabendo inovar a matéria tributável, muito menos o período-base. PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. O valor dos prejuízos compensáveis de que a interessada dispõe para redução dos valores glosados em ação fiscal devem ser corrigidos monetariamente somente até a data dos fatos geradores autuados. Lançamento procedente em parte. O referido acórdão concluiu por excluir o lançamento em relação ao 2° semestre de 1992, por inovar em relação ao primeiro lançamento, e manter o lançamento em relação ao 1° semestre de 1992, utilizando-se das seguintes razões de decidir: : 1. Em relação à possibilidade de efetuar o segundo lançamento: a. que o lançamento não obedeceu fidedignamente aquele anulado, uma vez que o fiscal autuante utilizou o total de prejuízos compensáveis de que dispunha a interessada no primeiro semestre de 1992, deixando para glosá-los no semestre seguinte, quando foram utilizados pela impugnante. b. Assim, o lançamento referente ao excesso de exclusão de lucro inflacionário do período-base do primeiro semestre de 1992, mesmo reduzido indevidamente pelo fiscal autuante, deve ser mantido, por referir-se à mesma autuação e período-base do lançamento original anulado. Porém, o lançamento de glosa de prejuízos fiscais, cujo fato gerador tem motivação, valor tributável e período- base inexistente no lançamento original anulado não pode pros eras, devendo ser cancelado. Processo n.° 18471.00046912002-38 Acórdão n.• 101-95.875 Fls. $ 2. Em relação ao prejuízo fiscal compensável no ano-base de 1991: a. Afirma que a impugnante equivocou-se ao indicar o valor do prejuízo fiscal de 1991. b. Que a origem da diferença da correção monetária indicada na autuação e no LALUR, não é a diferença da correção monetária do IPC/BTNF, posto que a impugnante apurou no período saldo credor de correção monetária. c. Que a origem de tal diferença é decorrente da correção monetária do montante inicial de prejuízo fiscal de 1991, corrigido até 31 de dezembro de 1992, o que é um equívoco, posto que a correção só poderia ter sido realizado até 30 de junho de 1992. d. "Assim, o prejuízo do ano-base de 1991, ajustado para o montante de Cr$ 96.402.464,00, corrigido até 30/06/1992, resulta em Cr$ 333.889.934,00 que reduzido dos Cr$ 93.828.053,00 já compensados na declaração naquele primeiro semestre de 1992, resulta no montante de Cr$ 240.061.881,00 de prejuízo compensável com o valor glosado de lucro inflacionário diferido de Cr$ 445.570.150,00, restando o valor tributável autuado de Cr$ 224.091.982,00, que originou o novo crédito tributário de IRPJ naquele período-base". Cientificado da decisão de primeira instância em 12 de dezembro de 2005, irresignado pela manutenção parcial do lançamento, o sujeito passivo apresentou em 29 de dezembro de 2005 o recurso voluntário de fls. 74/78, em que apresenta as seguintes razões de defesa: 1. que a decisão reconheceu o direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas negou a atualização monetária de modo que a compensação resultou insuficiente. 2. afirma que o montante de prejuízo acumulado é suficiente para a compensação do valor exigido. 3. que o regime de diferimento do lucro inflacionário necessariamente faz transferir de um exercício para outro a tributação da parcela que não foi objeto do pagamento de imposto no ano anterior. 4. que sendo assim aplicar-se-ia ao caso o artigo 171 do RIR11980, ou seja inobservância do regime de competência, com a compensação do imposto pago nos períodos subseqüentes cobrando-se somente a mora. 5. Ao final pede o cancelamento do lançamento. Às fls. 80 encontra-se arrolamento de bens previsto no artigo 33 do decreto n° 70.235/1972, alterado pelo artigo 32 da lei n° 10.522/2002. É o relatório. Passo a seguir ao voto. 641 Processo o. 18471.000469/2002-38 Acórdão n.• 101-95.875 Fls. 6 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Presente o arrolamento de bens para garantia de instância de julgamento, sendo o recurso voluntário tempestivo, dele tomo conhecimento. Preliminarmente a recorrente afirma que o lançamento originalmente declarado nulo não produz qualquer efeito, não podendo inclusive, alterar a forma de contagem do prazo decadencial, pelo quê o presente lançamento não poderia ter sido efetuado. A matéria tributada no presente lançamento foi objeto de lançamento anterior que tramitou nos autos do processo administrativo fiscal n° 13702.000259/97-46, encerrado com a decisão da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro I n° 344/1998 (fls. 31 daqueles autos), pela qual foram declarados nulos aqueles lançamentos, com base na existência de vícios formais na notificação de lançamento que o teria constituído. Os vícios formais apontados decorrem da ausência dos requisitos previstos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/1972. A autoridade tributária do domicilio fiscal do sujeito passivo efetuou o novo lançamento por entender que a regra decadencial teria restado deslocada para a contida no inciso II do artigo 173 do CTN, possibilitando, ainda, a lavratura de novo lançamento com base naqueles fatos geradores. O artigo 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II (.) - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. • Não resta dúvida de que o primeiro lançamento foi anulado por conter vício formal e que, sendo assim, a regra decadencial se deslocou para a estabelecida no inciso II do artigo 173 do CTN. No caso presente, a decisão que anulou o primeiro lançamento se deu em 15 de abril de 1998, tendo sido dada ciência ao sujeito passivo do segundo lançamento em 26 de março de 2002, portanto dentro do prazo estabelecido no citado inciso II. Ocorre que o novo lançamento deve conformar-se materialmente com o primeiro lançamento. Faz-se necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento tomado nulo por vício formal, sem que se comprometa a aplicação da regra do inciso II do 173, do CTN. Em relação à parcela mantida na decisão vergastada e objeto do presente recurso voluntário, o presente lançamento se conforma em tudo com o lançamento declarado nulo, devendo portanto ser REJEITADA a preliminar suscitada. • Processo n.• 18471.00046912002-38 Acórdão n.• 101-95.875 Fls. 7 No mérito, há que ser confirmada a decisão vergastada e para tanto reproduzo as razões de decidir, expendidas pela autoridade julgadora de primeira instância, em relação ao valor de prejuízos disponíveis à compensação: Aprofundando-me no valor apresentado pela mesma em seu quadro de fl. 39, pude concluir que a difèrença em debate decorre do seguinte: o valor de Cr$ 1.199.247.672,49, encontrado pela interessada, resulta de corrigir-se monetariamente o montante de Cr$ 91550.393,60 (prejuízo compenseml declarado de 1991), de 31/12/1991 até 31/12/1992. Porém, sendo o valor autuado, passível de ser compensado, referente ao primeiro semestre de 1992, o valor do prejuízo compensável do ano- base de 1991 deve ser corrigido somente até 30/06/1992, e então utilizado para tal compensação com o valor tributável apurado pela ação fiscal. Assim, o prejuízo do ano-base de 1991, ajustado para o montante de Cr$ 96.402.464,00, corrigido até 30/06/1992, resulta em Cr$ 333.889.934,00 que reduzido dos Cr$ 93.828.053,00 já compensados na declaração naquele primeiro semestre de 1992, resulta no montante de Cr$ 240.061.881,00 de prejuízo compensável com o valor glosado de lucro inflacionário diferido de Cr$ 441570.150,00, restando o valor tributável autuado de Cr$ 224.091.982,00, que originou o novo crédito tributário de 'MV naquele período-base. Portanto, resta insuficiente o saldo de prejuízo fiscal a compensar com o valor tributável no período autuado. Alega a recorrente que, no caso, deveria ser aplicado o artigo 171 do RIR/1980, em função da recorrente não ter observado o regime de competência e que a autoridade tributária deveria ter procedido à compensação devido com o imposto pago nos períodos subseqüentes, cobrando-se somente a mora. O ônus da prova de que tal tenha ocorrido é da recorrente, na forma do artigo 333, II do Código de Processo Civil Brasileiro: "PCArt.333. O ônus da prova incumbe ao autor: 1— quanto ao fato constitutivo do seu direito: II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A recorrente não trouxe aos autos a comprovação de que teria apurado lucro em períodos posteriores, pelo quê não há como acolher tais argumentações. Pelo exposto, REJEITO a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, NEGO provimento ao recurso voluntário. das Sessões, em 09 de nov; bro de 4006 411P1 • 410 C • 10 MARCOS CANDI130 (1:\ Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1

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Numero do processo: 19515.003561/2003-40
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2007
Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO - DECADÊNCIA - A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do ano-calendário (art. 150, § 4º, do CTN). NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA - As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. PRELIMINAR - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º - Pode ser aplicada de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS - TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4) Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
Numero da decisão: 104-22.871
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez

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PRELIMINAR - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1 0 - Pode ser aplicada de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de I 1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS - TAXA SELIC - A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4) Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAYER MOISE BARZILAI. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. i _e_t_a_;162_,L,.a. ,e_d3Zi. ARIA HELENA COTTA CAtié"» P ESIDENTE III% i t; i NTONI LjDPO ARTINEZ RELATOR . FORMALIZADO EM: 1 i MAP ?flop Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, HELOISA GUARITA SOUZA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, GUSTAVO LIAN HADDAD, RENATO COELHO BORELLI (Suplente convocado) e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Recurso : 152.218 Recorrente : MAYER MOISE BARZILAI RELATÓRIO 1- Em desfavor do contribuinte MAYER MOISE BARZILAI, já qualificado nos autos, foi lavrado, em 30/09/2003, o auto de infração de fls. 136/145, com ciência da interessada no dia 02/10/2003, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 1.999, 2.000, 2.001 e 2.002 (anos-calendário 1.998, 1.999, 2.000 e 2.001, respectivamente), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 921.314,12, dos quais R$ 381.643,78 correspondem a imposto, R$ 286.232,82, a multa proporcional, e R$ 253.437,52, a juros de mora, calculados até 29/08/2003. 2- Na descrição dos fatos, ás fls. 137/139, bem como Termo de Verificação Fiscal de fls. 121 a 135, foi relatado, em síntese, que foi apurada a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósitos mantidos em contas bancárias, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou integralmente, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 3 - Irresignado com a consubstanciação do lançamento, o autuado apresentou a impugnação tempestiva de fls. 149/159, onde suscitou, em síntese, o seguinte: "DAS PRELIMINARES 3.1- mister se faz destacar a nulidade do Auto de Infração, uma vez existir mácula no Mandado de Procedimento Fiscal, na medida em que foi firmado pelo Chefe de Divisão de Fiscalização, uma vez que a autoridade fiscal competente para expedir o MPF, conforme disposto no art. 2°, § 5 0 , inciso I, do Decreto n°. 3.724/2.001, que regulamentou o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2.001 deveria ser ocupante do cargo de Coordenador- Geral, Superintendente, Delegado ou Inspetor, integrante da estrutura de cargos e funções da Secretaria da Receita Federal; 3 • 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 3.2- existindo mácula no Mandado de Procedimento Fiscal, tudo o que lhe sucedeu encontra-se viciado, pois a seqüência de atos fiscalizatórios foi ordenada por quem não tinha competência legal para fazê-lo, já que efetuados sem supedâneo na Lei Complementar n° 10512.001 e no Decreto n° 3.724/2.001 (reproduz o art. 59, 1, do Decreto n° 70.235/1.972, que trata da nulidade de atos e termos lavrados por pessoa incompetente); 3.3- no presente caso, a fiscalização foi iniciada com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, o que toma o procedimento fiscal manifestamente ilegal, na medida em que contraria o disposto no § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/1.996, que determinou expressamente que o Fisco resguardasse o sigilo das informações a respeito da CPMF, vedando sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; 3.4- em face do disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional, e, em observância ao princípio da segurança jurídica (art. 5°, XXXVI, da CF), a modificação introduzi da no § 3° do art. 11 da Lei n°9.311/1.996 pelo art. I° da Lei n° 10.174, de 10/01/2.001, é inaplicável a fatos geradores anteriores á publicação desta Lei (10/01/2.001); 3.5- no processo fiscal deve prevalecer sempre a procura da verdade material e não da verdade formal, como ocorre no processo judicial, ou seja, no processo fiscal busca-se descobrir se, realmente, ocorreu, ou não, o fato gerador do tributo, e não a simples presunção, estando em jogo, na realidade, a legalidade da exigência fiscal, que deve ter como suporte os fatos e não simplesmente as formas (reproduz o art. 142 do CTN), razão pela qual o crédito tributário exigido é totalmente improcedente, posto que resultante de simples presunção da autoridade fiscalizadora; 3.6- a presunção de legitimidade, embora prerrogativa da Administração Pública, exclui a arbitrariedade, motivo pelo qual não pode o Fisco exigir do contribuinte algo que sabe ser indevido, sob pena da caracterização do abuso de poder e do direito de propriedade (art. 5°, XXII da CF), o que implicaria verdadeiro confisco não admitido pela Constituição vigente; 3.7- consoante disposto nos arts. 5°, parágrafo único, 7° e 12, todos da Lei n° 8.383/1.991, os rendimentos das pessoas físicas devem ser tributados no mês em que efetivamente forem recebidos, significando dizer que, a partir de 1° de janeiro de 1.992, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física passou a ser mensal; 3.8- tendo em vista que os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas estão sujeitas à tributação na fonte, ou, ainda, pelo camê-leão, aplica-se, no 4 1)1( • 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 que conceme à homologação do lançamento, o disposto no § 4° do art. 150 do CTN, o que implica que o crédito tributário, ora impugnado, que teve como fato gerador os rendimentos recebidos nos meses de janeiro a setembro de 1.998, no montante de R$ 661.053,33, encontra-se extinto por ter expirado o prazo de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituí-lo; DO MÉRITO 3.9- não tem respaldo no nosso ordenamento jurídico a exigência fiscal embasada somente em presunção fiscal (arts. 108, § 1° e 142, ambos do CTN), não constituindo rendimentos auferidos a movimentação financeira, por si só, representada, nos presentes autos, pelos créditos (depósitos) nas contas bancárias dele, contribuinte, concluindo-se que o presente Auto de Infração, lavrado com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1.996, não tem amparo nas disposições do art. 43, I, do CTN (reproduz o referido artigo, bem como ementas de acórdãos prolatados pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais); 3.10-o simples depósito bancário não constitui renda consumida, acréscimo patrimonial ou disponibilidade econômica, não podendo, portanto, a priori, ser tratado como fato gerador do imposto de renda, observando-se, ainda, que o Fisco não excluiu os valores correspondentes aos cheques devolvidos, no montante de R$ 36.643,62, conforme demonstrativo de "Devolução de Cheques Depositados", planilha feita por ele, contribuinte, com base nos extratos bancários (anexo A- fls. 160); 3.11- os juros moratórias, em matéria tributária, são devidos em razão da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, estabelecendo o Código Civil (Lei n° 3.07111.916), no art. 1.062, a taxa de juros de 6% (seis por cento) ao ano, quando não convencionada, sendo que a Lei de Usura (Decreto n° 22.626/1.933, art. 1°, caput, e § 3°), limitou a estipulação dos juros em, no máximo, ao dobro do legalmente previsto, ou seja, estabeleceu o limite de 12% (doze por cento) ao ano, sob pena da caracterização de delito de usura; 3.12- a expressão "se a lei não dispuser de modo diverso", contida no art. 161 do CTN, deve ser entendida no nosso ordenamento jurídico como sendo a possibilidade de uma lei ordinária estabelecer taxa menor de juros de mora que a prevista no CTN (um por cento ao mês), porém, nunca podendo ultrapassar esse percentual (nesse sentido, reproduz doutrina); 3.13- assim sendo, conclui-se que: a) a taxa de juros moratórios de 1% ao mês, fixada pelo § lo. do art. 161 do CTN é o limite máximo que pode ser 5 'MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 aplicado; b) é inconstitucional a utilização da Taxa SELIC para cálculo de juros moratórias, por embutir a correção monetária a título de juros, além de constituir uma taxa de remuneração de aplicações financeiras, fixada pelo Banco Central, superando o limite máximo fixado pelo § 1 ° do art. 161 do CTN, limite esse, que deve prevalecer para o cálculo dos juros moratórias (reproduz ementa de acórdão exarado pelo STJ); 3.14- demonstradas a nulidade, bem como a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, requer, por fim, sejam acolhidas as preliminares e/ou julgada procedente a impugnação, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração em tela. 4 — Em 3 de dezembro de 2004, os membros da 6 9 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares, e considerou procedente em parte o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: PRELIMINAR. DECADÊNCIA RELATIVA AO LANÇAMENTO QUE ABRANGE FATOS GERADORES OCORRIDOS NO PERÍODO DE JANEIRO A SETEMBRO DE 1.998. Nos casos em que o contribuinte entrega a declaração, o lançamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem a natureza jurídica de lançamento por homologação, sendo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos é a data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do ano-calendário correspondente ao exercício analisado. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INVÁLIDO. A competência da Autoridade Administrativa no que tange ao procedimento fiscal de constituição do lançamento, uma vez deferida, de forma exclusiva, ao Auditor Fiscal da Receita Federal, não cabe ser discutida à luz do Mandado de Procedimento Fiscal, já que essa competência só pode ser invalidada ou retirada por norma veiculada em legislação complementar ou ordinária. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCARIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2.001. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Devem ser escoimados da tributação os valores correspondentes aos cheques comprovadamente devolvidos, não excluídos pelo Fisco quando da determinação do montante dos depósitos bancários que foram objeto de autuação. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à autoridade julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecida. Lançamento Procedente em Parte." 5 - Cientificado em 22/12/2004, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 20/01/2005, o Recurso Voluntário, de fls. 212/225, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas no item "3" do presente relatório. É o Relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 VOTO Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os rendimentos omitidos que ocorreram ao longo do ano de 1998, previsto no art. 150, parágrafo 4°, do CTN é de 1° de janeiro de 1999, posto que é o 1° dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2003, para que pudesse alcançar os valores percebidos no ano-calendário de 1998. O contribuinte teve ciência do auto de infração em 02/10/2003, data em que entendo não havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constitui-se o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei 8 ï .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 como hipótese em que há incidência de tributo, verifica-se, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplica-se o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrando-se as insuficiências ou apurando-se os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo - lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 se constitui, pelo contrário, declara-se à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que independente do recorrente ter apresentado ou não declaração de ajuste anual, no meu entendimento esse fato não altera a conclusão, uma vez que se homologaria o procedimento. No caso o procedimento de nada fazer, não declarar e não pagar. Em suma, não há como considerar o lançamento do ano de 1998 como decadente. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência. Da Nulidade Formula o contribuinte preliminar de nulidade alegando que a autoridade administrativa tem o dever de analisar os atos administrativos eivados de vício de nulidade. Ocorre que, nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declaradas se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. Não havendo que se falar em nulidade no presente caso, rejeito a preliminar argüida pelo contribuinte. Do vicio do MPF. A contribuinte argüiu, ainda, como preliminar de nulidade, a falta de intimação ciência da prorrogação do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. 10 É • 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Ocorre, no entanto, como já decidiu esta Câmara em outra oportunidade (Acórdão n°. 104-21.690, Sessão de Julgamentos em 23/06/2006, Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa) as normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da Irretroatividade da LC 105/2001 e da Lei n°10.174/2001. O contribuinte se mostrou inconformado com a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que ao proceder com base em tais instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita. Não procede tal argumento. O parágrafo 1° do art. 144 do CTN permite a aplicação de legislação posterior à ocorrência do fato gerador, que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Desta forma é notória a possibilidade de aplicação dos mencionados instrumentos legais de forma retroativa, uma vez que, tão somente, ampliam os poderes de investigação do Fisco. O STJ já manifestou o seu entendimento neste sentido no RESP 529818/PR e no ERESP 726778/PR. Da Impossibilidade de Acesso ao Sigilo Bancário sem Autorização Judicial. 11 • 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 50 e 6° do artigo 38, da Lei n° 4.595, de 1964 e no artigo 8° da Lei n° 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, insere-se na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preserva-se a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocá-la para abster-se de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. 11 12 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: "Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5°, X e XII, da CF: Inexistência. (...). I - A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5°, X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). (•••). (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ-897/DF, rel. Min. Francisco Rezek, j. em 23.11.94)." Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n° 4.595, de 1964: "Art. 38 - As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legítimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. 13 • 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 § 2° O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente." Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximir-se de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no 14 • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão "processo instaurado" se refere ao "processo administrativo fiscal", já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5° e 6° do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas físicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei n°. 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 1970 Código Tributário Nacional dispõe: 15 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 "Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras." Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto n°. 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2° daquele ato legal foi estabelecido: "Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização." Já no comando da Lei n°. 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: "Art. 70 - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8° - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°. 4.595, de 31 de dezembro de 1964. 16 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Parágrafo único - As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 70." Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontra-se legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n°4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeita-se o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. A Lei n°. 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei n°. 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 50 e 6° que: "5° - Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6° - O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente? 17 • 1 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Resta claro, portanto, a possibilidade de a administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar n°. 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: "Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: I - a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II - o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III - o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV - a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fomecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V - a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI - a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 40, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar. (...) 18 • • • • "MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revoga-se o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.". A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo "processo", empregado no artigo 38 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativo-fiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão - que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei n°4.595, de 1964 -, de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo: que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente 19 II MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leia-se a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 1a. Edição, 1984, pág. 746: "O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis." Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os Auditores-Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da mesma forma, discordo daqueles que defendem a ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001, sob o argumento que em face ao princípio constitucional que veda a aplicação retroativa da lei, a mesma (LC n° 105, de 2001), não poderia ter sido tomada pelas autoridades fiscais para respaldar a obtenção e o exame da movimentação bancário do ano calendário de 1998. Diante do exposto, rejeito as preliminares para passar à análise do mérito do Recurso. DO MÉRITO. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários. O lançamento fundamenta-se em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste 21 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação 22 k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.003561/2003-40 Acórdão n°. : 104-22.871 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). Da lnaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros. Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas e no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, 05 de dezembro de 2007 Arrl» k ft A TONI LO O M TINEZ 23 Page 1 _0045500.PDF Page 1 _0045600.PDF Page 1 _0045700.PDF Page 1 _0045800.PDF Page 1 _0045900.PDF Page 1 _0046000.PDF Page 1 _0046100.PDF Page 1 _0046200.PDF Page 1 _0046300.PDF Page 1 _0046400.PDF Page 1 _0046500.PDF Page 1 _0046600.PDF Page 1 _0046700.PDF Page 1 _0046800.PDF Page 1 _0046900.PDF Page 1 _0047000.PDF Page 1 _0047100.PDF Page 1 _0047200.PDF Page 1 _0047300.PDF Page 1 _0047400.PDF Page 1 _0047500.PDF Page 1 _0047600.PDF Page 1

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Numero do processo: 18471.000748/2002-00
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - ARGÜIÇÃO DE NULIDADE - ILEGITIMIDADE DAS PROVAS - Não se caracteriza como prova ilegítima a prova obtida por meio de quebra do sigilo bancário obtida mediante autorização judicial a pedido do Ministério Público e também repassada à Receita Federal com autorização Judicial IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO - MÚTUO - A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO - É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Recurso negado.
Numero da decisão: 106-13763
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilfrido Augusto Marques (Relator) e Romeu Bueno de Camargo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Antonio de Paula.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques

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EMPRESTIMO NÃO COMPROVADO - MÚTUO - A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n°9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO - E lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MIGUEL WADYH SAADE. (y MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros . Wilfrido Augusto Marques (Relator) e Romeu Bueno de Camargo. Designado para redigir o voto vencedor o onselheiro uiz Antonio de Paula. - { JOSÉ IBAMAR MRRÓS-PENHA PRESIDENTE ( LUIZ ANTONIO DE PAULA RELATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 29 MAR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, as Conselheiras SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Edison Carlos Femandes. Impedida em face da aposentadoria, a conselheira Thaisa Jansen Pereira. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 Recurso n° : 133.699 Recorrente : MIGUEL WADYH SAADE RELATÓRIO Discute-se nos presentes autos autuação fiscal referente a acréscimo patrimonial a descoberto, verificado no ano de 1996; e omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, esta relativamente ao ano-base de 1997. Segundo consta às fls. 06 dos autos, os extratos foram apresentados pelo próprio contribuinte, a pedido da fiscalização (conferir fls. 28). Em Impugnação alegou o contribuinte que a fiscalização deixou de incluir no fluxo demonstrativo mensal de acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1996 (fls. 152), valor de R$ 200.000,00, recebido de Marcos Newland Freire, correspondente a pagamento por empréstimo realizado no ano-base de 1995, devidamente comprovado pela DIRPF/97 e instrumento de mútuo (fls. 182/188). Com relação aos depósitos bancários considerados para fins de autuação por omissão de rendimentos, aduziu que muitos se referem a pagamento de empréstimo realizado a Vila Moura Comércio e Representações Ltda., negócio jurídico devidamente comprovado nos autos, tendo sido, inclusive, incluído no fluxo mensal de acréscimo patrimonial, conforme fls. 152. Por esta razão, pede seja anulada esta exigência, já que não há como verificar a correição da base de cálculo utilizada. A 3° Turma da DRJ no Rio de Janeiro rejeitou a preliminar de nulidade da autuação por omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários, mantendo integralmente o lançamento. Sobre o acréscimo patrimonial a descoberto, no voto condutor do aresto recorrido restou assentado que "O empréstimo, para ser aceito na análise da evolução patrimonial do contribuinte, deve estar consignado nas respectivas declarações de ajuste, e comprovado por meio de documentação hábil er..\ ft 3 Cii MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 idónea, principalmente quanto à transferência do numerário emprestado, não bastando a mera apresentação de contratos de mútuo entre as partes". Inconformado, interpôs o contribuinte o Recurso Voluntário de fls. 204/211, que traz a mesma argumentação aventada em Impugnação. É o Relatório. 4 dra MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 VOTO VENCIDO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235 de 06 de março de 1972, tendo sido interposto por parte legítima, vindo acompanhado de arrolamento de bens em garantia recursal (fls. 224). Dois são os temas erigidos a debate, a saber a) inexistência de acréscimo patrimonial, dado o recebimento do valor de R$ 200.000,00 no ano de 1996, em razão de pagamento de empréstimo por Marcelo Newland Freire; b) invalidade da autuação por omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários. a) Recursos provenientes de empréstimo: No que tange ao acréscimo patrimonial verificado no mês de dezembro de 1996, no importe de R$ 166.671,57, o Recorrente alegou a ausência de cômputo no demonstrativo do valor de R$ 200.000,00, recebido de Marcos Newland Freire em razão de quitação de empréstimo tomado no ano de 1995. Nos autos está comprovado que o Recorrente, na qualidade de mutuante, declarou o referido empréstimo no ano de 1995, bem como sua quitação no ano de 1996 (fls. 183). Outrossim, o instrumento particular do contrato de mútuo firmado em 17/05/95 e subscrito por duas testemunhas, foi juntado às fls. 187/188. MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 Ora, os registros lançados em Declaração de Imposto de Renda presumem-se verdadeiros, cabendo ao Fisco prova em contrário, constituindo-se, portanto, em forma de inversão do ônus da prova, consoante já consignou a Ilustre Conselheira Thaisa Jansen no acórdão , cuja ementa está assim gizada: "DOCUMENTAÇÃO HÁBIL — A Declaração de Rendimentos é um documento fiscal obrigatório e que se reveste de toda a formalidade que a Administração tributária entende ser necessária. Por isso, trata-se de documento oficial, com presunção de veracidade, que inverte o Ónus da prova para quem ateu o contrário do que consta ali informado. Nesse sentido, a informação da existência de vínculo jurídico (empréstimo), tanto na Declaração do credor quanto do devedor, é documento hábil a comprová-lo." Assim sendo, no caso dos autos as provas colacionadas lograram comprovar a existência dos empréstimos, pelo que os recursos derivados deste contrato, no valor de R$ 200.000,00 devem ser considerados no demonstrativo de acréscimo patrimonial a descoberto referentes ao ano de 1996. b) Invalidade da autuação por omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários: Relativamente à omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários, há que se considerar, primeiramente, a validade das provas, ou seja, dos extratos bancários apresentados pelo Recorrente. A meu ver o direito ao sigilo bancário é espécie de direito indisponível. Trata-se de direito insculpido no art. 5 0, XII da CF, que, de acordo com precedentes do Supremo Tribunal Federal, é espécie do direito à intimidade e vida privada, estes consagrados no art. 50, X da CF e considerados como o mais exclusivo dos direitos subjetivos, conforme enuncia Tércio Ferraz: "sua identidade diante dos riscos proporcionados pela niveladora pressão social e pela incontrastável impositividade do poder político. Aquilo que é exclusivo é o que passa pelas opções pessoais, 6 I IPV MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 afetadas pela subjetividade do indivíduo e que não é guia nem por normas nem por padrões objetivos. No recôndito da privacidade se esconde pois a intimidade. A intimidade não exige publicidade porque não envolve direito de terceiros. No âmbito da privacidade, a intimidade é o mais exclusivo dos seus direitos".1 O Supremo Tribunal Federal, interpretando a Constituição Federal, confirmou o direito ao sigilo de dados como cláusula pétrea, impedindo, desta forma, até mesmo a aprovação de emenda constitucional tendente a aboli-lo ou mesmo modificá-lo estruturalmente, consagrando-o como indevassável, consoante se lê no voto do Ministro Celso de Mello no Mandado de Segurança 21.729-4/DF: "Tenho insistentemente salientado, em decisões várias que proferi nesta Suprema Corte, que a tutela jurídica da intimidade constitui — qualquer que seja a dimensão em que se projete — uma das expressões mais significativas em que se pluralizam os direitos da personalidade. Trata-se de valor constitucionalmente assegurado (CF, art. 50, X) cuja proteção normativa busca erigir e reservar, sempre em favor do indivíduo — e contra a ação expansiva do arbítrio do Poder Público — uma esfera de autonomia intangível e indevassável pela atividade desenvolvida pelo aparelho de Estado. (STF, MS 21.729-4/DF, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ de 19.10.2001) Mais à frente o mesmo Ministro traduz a importância deste direito como categoria de direito fundamental, transcreve-se: "O magistério doutrinário, bem por isso, tem acentuado que o sigilo bancário — que possui extração constitucional — reflete, na concreção do seu alcance um direito fundamental da personalidade‘ expondo-se, em conseqüência, à proteção jurídica a ele dispensada pelo ordenamento positivo do Estado". (...) A equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe ao Estado um claro de abstenção de um 1 FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Sigilo de dados: o direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do Estado. Cadernos de Direito Constitucional e Canja Política. 7 .. MINISTÉRIO DA FAZENDA... PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro, que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado do órgão do Poder Judiciário, cuja Intervenção moderadora na resolução dos litígios revela-se garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público". (STF, MS 21.729-4/DF, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ de 19.10.2001) (grifos acrescidos) Ora, de acordo com José Afonso da Silva são características dos direitos fundamentais a historicidade, a inalienabilidade, a imprescritibilidade e a irrenunciabilidade. Limito-me a transcrever os trechos atinentes aos tópicos inalienabilidade e irrenunciabilidade, já que somente estes importam para o caso em apreço: "(2) Inalienabilidade: São direitos intransferíveis, inegociáveis, porque não são de conteúdo econômico-patrimonial. Se a ordem constitucional os confere a todos, deles não se pode desfazer, porque são indisponíveis; (..-) (4) In-enunciabilidade: Não se renunciam direitos fundamentais. Alguns deles podem até não ser exercidos, pode-se deixar de exercê-los, mas não se admitem sejam renunciados"2. Claro está, portanto, que como espécie de direito fundamental, o direito ao sigilo de dados — corolário do direito à intimidade — é indisponível, ou seja, não é dado à pessoa desfazer-se dele, renunciá-lo. Em decorrência deste fato, a entrega pelo contribuinte de seus extratos bancários, mesmo que espontaneamente, constitui quebra do direito fundamental de sigilo bancário, já que a proteção é voltada não somente contra o Estado, mas também contra a o próprio indivíduo. É que ao contribuinte não era dado abrir mão deste direito, posto ser inalienável, irrenunciável, indisponível, conforme denotam as lições acima. AW2 SILVA, Jose Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. Editora Malheiros. s 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 Desta forma, as provas usadas para fundamentar o lançamento (extratos bancários) constituem-se em provas ilícitas e como tal não são hábeis a lastrear lançamento por omissão de rendimentos. Ademais, a omissão de rendimentos indicada na autuação decorreu exclusivamente do somatório dos depósitos verificados nos extratos bancários, sem que fosse apurada a efetiva disponibilidade e auferimento da renda respectiva. O fato gerador do imposto de renda pessoa física reside na aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza (C.T.N., art. 43, incisos I e II). Tanto o conceito de renda, como o de proventos, envolvem a existência de acréscimo patrimonial. Consoante lição do mestre HUGO DE BRITO MACHADO, como "acréscimo se há de entender o que foi auferido, menos parcelas que a lei, expressa ou implicitamente, e sem violência à natureza das coisas, admite sejam diminuídas na determinação desse acréscimo" (in "Curso de Direito Tributário", 11 8 edição, Malheiros Editores, p. 218). No mesmo sentido, confira-se Ricardo Matiz: "Com isto ficamos sabendo que o campo de incidência do imposto de renda necessariamente deve ser um acréscimo patrimonial de qualquer origem, e toda a definição poderia se concentrar nisso, ou se limitar a isso. É claro que falar em imposto de renda é falar necessariamente em um imposto que incida sobre os valores que se agreguem ao patrimônio de alguém, de tal forma que bastaria o texto constitucional dizer que a União pode cobrar imposto sobre a renda, para se saber que essa competência tributária exige a ocorrência de um acréscimo patrimonial"3. Assim sendo, a ocorrência do fato gerador do tributo está condicionada à disponibilidade efetiva de acréscimo patrimonial, que deve ser 3 OLIVEIRA, Ricardo Matiz de. Direito Tributário — Estudos em Homenagem o Brandào Machado — Princípios Fundamentais do Imposto de Renda. 9 ffe/al MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 comprovada. Tanto no âmbito do judiciário como no administrativo o entendimento é de que os depósitos bancários somente ensejarão lançamento quando reste demonstrada a aferição de renda, com o conseqüente acréscimo patrimonial, conforme já decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal por ocasião do exame do RE n° 117.887-6, Relator Ministro Carlos Mário Valioso: "Constitucional. Tributário. Imposto de Renda. Renda — Conceito. Lei n. 4.506, de 30-11-64, art. 38, CF/46, art. 15, IV;CF/67, art. 22, IV;EC 1/69, art. 21, IV; CTN, art. 43. I — Rendas e proventos de qualquer natureza o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a titulo oneroso. CF 1946, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV; CTN, art. 43. II — Inconstitucionalidade do art. 38 da Lei 4.506/64 que institui adicional de 7% de imposto de renda sobre os lucros distribuídos. III — RE conhecido e provido". Como se vê na decisão acima, não pode ser objeto de tributação o acréscimo patrimonial auferido a titulo gratuito, porquanto o CTN, bem como a Constituição Federal exigem como elemento essencial a onerosidade. Assim, cabe ao Fisco comprovar a existência do acréscimo patrimonial, bem como a onerosidade de tal acréscimo para que haja tributação do valor depositado em conta-corrente ou do valor aplicado. A ocorrência de depósitos bancários não implica necessariamente recebimento da renda respectiva. Os depósitos bancários podem constituir valiosos indícios, mas não prova da omissão de rendimentos já que não caracterizam, por si só, disponibilidade económica de renda e proventos, nem podem ser tomados como valores representativos de acréscimos patrimoniais. Para prevalecer o lançamento, mister que se estabeleça um nexo causal entre cada depósito e o rendimentos omitido, o que não foi feito no presente processo fiscal, não tendo a fiscalização trazido aos autos qualquer comprovação fática da materialização e exteriorização do lo MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 fato gerador do imposto em tela, pelo que não deve prevalecer o lançamento, conforme posiciona-se SAMUEL MONTEIRO, que bem sintetiza a matéria: "Assim, não prevalece hoje o antigo e medieval entendimento do fisco de que os depósitos bancários não identificados em sua origem ou causa, representam sempre rendimentos sonegados, e por isso devem ser tributados pelo Imposto de Renda, entendimento esse que partia de presunção de que o depósito bancário encobria sempre uma renda ou um rendimento, sem que o fisco provasse material e documentalmente a ocorrência de uma aquisição de disponibilidade econômica." ("Tributos e Contribuições" Tomo 3, 2 ' edição, Hemus Editora, p. 50/51). Sem que a fiscalização identifique a origem da aplicação financeira como efetiva aquisição de renda ou proventos omitidos, não se vislumbra a ocorrência do fato gerador do imposto. Assim, não há como se manter o lançamento realizado. Este é o entendimento manifestado no Primeiro Conselho de Contribuintes, ilustrado nas ementas abaixo: "IRPJ - LANÇAMENTO EMBASADO EM DEPÓSITO BANCÁRIO. Incabível lançamento efetuado tendo como suporte valores em depósitos bancários por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos, e, portanto, não são fatos geradores do imposto de renda. Lançamento calcado em depósitos bancários somente é admissivel quando provado o vinculo do valor depositado com a omissão de receita que o originou"(Ac. CSRF/01- 2.117, de 02.12.1996). "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A existência de depósitos bancários por si só, não é fato gerador de imposto de renda. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de rendimentos". (Ac. CSRF 01-02.563, de 07.12.1998) "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Descabe o arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras 11 101 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 quando o fisco deixa de demonstrar sinais exteriores de riqueza que evidenciem renda auferida ou consumida pelo contribuinte. Os valores depositados em conta corrente bancária não caracterizam fato gerador do imposto de renda, mas somente indícios que podem levar a um presunção de omissão de receita cabendo ao fisco a prova de sua existência". (Ac. CSRF 01-03.267, de 20.03.2001) ANTE O EXPOSTO, conheço do recurso e lhe dou provimento para: a)que sejam considerados no demonstrativo de evolução patrimonial relativo ao ano de 1996 o recebimento do valor de R$ 200.000,00, derivados da quitação de empréstimo tomado por Marcos Newland Freire; b)cancelar o lançamento referente a omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários (ano de 1997). Sala das Sessões - DF, em 05 de dezembro de 2003. O' WILFR DO AU cUSTO AR S 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 VOTO VENCEDOR Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator designado Em que pese as relevantes razões apresentadas pelo ilustre Conselheiro Relator Wilfrido Augusto Marques, entendo que não pode prosperar a pretensão do Recorrente em desconsiderar o acréscimo patrimonial a descoberto (ano-calendário de 1996) apurado pela fiscalização, bem como, a omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários (ano-calendário de 1997), consubstanciado no Auto de Infração de fls. 143/145 e seus anexos de fls. 146/148. Da análise dos autos verifica-se que o lançamento é proveniente de omissão de rendimentos decorrentes de acréscimos patrimoniais a descoberto, não justificados pelos rendimentos declarados no ano-calendário de 1996 (Demonstrativo do Fluxo Financeiro Mensal de fl. 152), e ainda, a omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, no ano-calendário de 1997. Em relação ao acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização no ano-calendário de 1996, na importância de R$ 166.671,57, relativo ao mês de dezembro, o recorrente argumentou a ausência da inclusão no demonstrativo de R$ 200.000,00, recebido de Marcos Newland Freire em razão de quitação de empréstimo tomado no ano de 1995. Com o objetivo de demonstrar o recebimento do empréstimo no ano de 1996, informo que o referido valor consta da Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo contribuinte, assim como, o contrato de mútuo firmado em 17/05/95 (fls. 187/188). 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 O acréscimo patrimonial a descoberto é fato gerador do imposto de renda como proventos de qualquer natureza, como definido no inciso II do art. 43 do CTN, pelo simples fato de que ninguém aumenta seu património sem a obtenção dos recursos para isso necessários. A eventual diferença ou descompasso demonstrado na evolução patrimonial evidencia a obtenção de recursos não conhecidos pelo Fisco. Porém, a presunção contida no dispositivo citado (CTN, art. 43, II) não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Entretanto, essa prova deve ser feita pelo acusado, uma vez que a legislação define descompasso patrimonial como fato gerador do imposto, sem impor condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio. O levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos. Neste caso, cabe à autoridade lançadora comprovar apenas a existência de rendimentos omitidos, que são revelados pelo acréscimo patrimonial não justificado. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa. O meio utilizado, no caso, para provar a omissão de rendimentos é a presunção que, segundo Washington de Barros Monteiro (in "Curso de Direito Civil", 6a Edição. Saraiva, 1° vol., pág. 270), "é a ilação que se extrai de um fato conhecido para chegar à demonstração de outro desconhecido". É o meio de prova admitido em Direito Civil, consoante estabelecem os arts. 136, V, do Código Civil (Lei n° 3.071, de 01/01/1916) e 332 do Código de Processo Civil (Lei n° 5.869, de 11/01/1973), e é também reconhecido no Processo Administrativo Fiscal e no Direito Tributário, conforme ar. 29 do Decreto n°70.235, de 06/03/1972, e art. 148 do CTN. Não foi a autoridade fiscal que presumiu a omissão de rendimentos, mas sim a lei, especificamente a Lei n° 7.713/88, art. 2°, § 1°, tratando-se, portanto, de presunção legal. Tal presunção encontra explicação lógica no fato de que ninguém compra algo ou paga a alguém sem que tenha recursos para isso, ou os tome emprestado de terceiros. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 Provada pelo fisco os gastos efetuados, aquisição de bens/direitos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, prova sax ante", de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. A jurisprudência administrativa é mansa e pacifica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado. "PROVA — A prova da origem do acréscimo patrimonial deve ser adequada ou hábil para o fim a que se destina, isto é, sujeitar-se à forma prevista em lei para a sua produção, sendo inaceitável a sua substituição por outra forma, salvo motivo relevante que impeça a produção adequada" (Ac. CSRF 01-0.145/81) "PROVA — A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário." (Ac. 1° CC 102-18.401/81) "PROVA — O acréscimo patrimonial de origem injustificada caracteriza omissão de rendimento e está sujeito à tributação" (Ac. 1° CC 102-22.002/85). A omissão de rendimentos devido à variação patrimonial a descoberto foi apurada pelo método do fluxo de caixa, de acordo com a planilha constantes dos autos (fl. 152). Nesse método, os acréscimos patrimoniais são apurados mensalmente, considerando-se o saldo de disponibilidade de um mês como recurso para o mês subseqüente (dentro do mesmo ano-calendário), na determinação da base de cálculo anula do tributo, em obediência aos dispositivos legais citados no Auto de Infração. Feitas essas considerações, conclui-se: que a eventual diferença ou descompasso demonstrado na evolução patrimonial evidencia a obtenção de recursos não conhecidos pelo Fisco. Porém, a presunção contida no dispositivo citado (CTN, art. 43, II) não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Entretanto, essa prova deve ser feita pelo acusado, uma vez que a legislação define descompasso patrimonial como fato gerador do imposto, sem impor condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio. 15 (;) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 Descabe razão ao recorrente em querer que sejam considerados como recursos disponíveis existentes no ano-calendário de 1996 o valor de R$ 200.000,00, provenientes do recebimento de empréstimo concedido pelo contribuinte no ano de 1995, para o Senhor Marcos Newland Freire, pois não basta à existência de instrumento particular de empréstimos entre pessoas físicas e estando consignados na Declaração de Ajuste Anual, sendo necessário à prova do efetivo recebimento da quantia mutuada, o que não logrou provar o recorrente, mesmo após várias intimações efetuadas pela fiscalização no decorrer dos trabalhos da ação fiscal, assim como na fase de impugnação e do recurso voluntário. Nos contratos de mútuo ou empréstimos, nos quais o autuado figura como mutuante, sendo imprescindível que se comprove tanto a efetividade do contrato quanto a entrada dos recursos correspondentes a ele. Uma vez não comprovada a relação entre esse contrato e eventual ingresso de valores, não cabe incluí-lo como recursos para justificar acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização, ou seja, não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez que tais contratos se perfazem com a tradição de seu objeto. Destarte, não há como considerar como ingresso de recursos para justificar acréscimos patrimoniais a descoberto. Assim, estando devidamente constituído o lançamento efetuado relativo à omissão de rendimentos provenientes do acréscimo patrimonial a descoberto apurado para o ano-calendário de 1996, é de se manter a exigência consubstanciada no Auto de Infração de fls. 143/144. Em relação ao outro item do lançamento (ano-calendário de 1997), por omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante 1/ê 16/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei n° 9.430/96), o condutor do voto vencido argüi a nulidade deste lançamento, por ter sido constituído em provas ilícitas. A propósito, de acordo com o Comunicado BACEN/DEFIS n° 373/1987, a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude o § 5° do art. 38 da Lei n° 4.595/64, não constituem quebra de sigilo bancário. A Constituição Federal, em seu art. 5°, incisos X e XII, dispõem: 'Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Como se vê, a Constituição Federal prevê a proteção à inviolabilidade da privacidade e de dados. Conferiu, contudo, igualmente, em seu art. 145, § 1°, à Administração Pública o direito de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas dos contribuintes, o que não lhe tira o direito à privacidade, visto que a Fazenda Pública tem obrigação de sigilo. O sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do Código Tributário Nacional, como, aliás, prevê o inciso XXXIII do art. 5° da Constituição 17 (? MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime (§ 7°, do art. 38 da Lei n°4.595/64; art. 198 do CTN; art. 325 do CP). Frise-se que no caso em concreto, foi o próprio contribuinte que atendendo ao Termo de Reintimação Fiscal datado de 29 de novembro de 2001, fls. 25/26, apresentou as cópias dos extratos bancários, fls. 90/109. Do exposto, conclui-se que não pode prosperar o argumento da nulidade do lançamento por fundamentar-se em prova obtida por meio ilícito, uma vez que no presente caso, não ocorreu tal situação. No mérito, cabe consignar que com base nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, verificou-se a movimentação financeira em seu nome, incompatível com os rendimentos declarados. Presume-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular E pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. O legislador federal pela redação do inciso XVIII, do artigo 88, da Lei n° 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5° do artigo 6°, da Lei n°8.021, de 1990 até porque o artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo. Destarte, para os lançamentos com base em depósitos bancários, a partir de fatos geradores de 01/01/97, não há que se falar em Lei n° 8.021/90, já que a mesma não produz mais seus efeitos legais. A argumentação de que uma autuação fundamentada apenas em depósitos bancários não pode prosperar porque depósitos não são fatos geradores )19 1 8 71/ MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.00074812002-00 Acórdão n° : 106-13.763 de imposto de renda, carece de sustentação, já que atinente a lançamento realizado sob a égide do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, c/c art. 4° da Lei n°9.481 de 1997. Assim, com o advento da Lei n°9.430/96, a partir do ano de 1997, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fosse. Para uma melhor compreensão, transcrevem-se os dispositivos legais pertinentes acerca desta matéria, ou seja: Lei n°9.430. de 27 de dezembro de 1996 "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° - O valor das receitas ou rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2°. Os valores cuja origem houve sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculos dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° .- Para efeito de determinação de receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — Os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). 19 fit MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 § 4° - Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado crédito pela instituição financeira". Lei n°9.481, de 13 de agosto de 1997 'Art. 4° - Os valores a que se refere o inciso li do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.° Dos dispositivos legais acima transcritos, pode-se extrair que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto às instituições financeiras, ou seja: primeiro, os créditos deverão ser analisados um a um; segundo, não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais; terceiro, excluindo-se as transferências entre contas do mesmo titular. No caso em discussão, verifica-se que esses limites, quando da lavratura do Auto de Infração, foram devidamente observados nos termos da legislação vigente, mesmo porque o somatório global dentro do ano-calendário era superior ao valor de R$ 80.000,00. Assim, denota-se que o procedimento fiscal está !astreado das condições impostas pelas leis (Lei n° 9.430/96 e 9.481/97), o que acarretará ao recorrente, o ónus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. De modo que, tendo o dispositivo legal acima estabelecido uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a tt 42 20 I MINISTÉRIO DA FAZENDA. . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, descabe a alegação de falta de previsão legal. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão; razão por que não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita ou alguma variação patrimonial. A presunção legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ónus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem, pois, afinal, trata-se de presunção relativa, passível de prova em contrário, entretanto, como o recorrente nada provou, não elidiu a presunção legal de omissão de rendimentos. Portanto, para elidir a presunção legal de que depósitos em conta corrente sem origem justificada, são rendimentos omitidos, deve o interessado, na fase de instrução ou na impugnatória, comprovar sua, conforme disposto no art. 16, III e § 4°, que foi acrescido ao artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, pelo artigo 67 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997: "Art. 16. A impugnação mencionará: — os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, o ponto de discordância e provas que possuir § 4° - A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." (Grifos acrescidos) ira 21 1 - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 18471.000748/2002-00 Acórdão n° : 106-13.763 Destarte, se o contribuinte não apresenta documentos que comprovem inequivocamente possuir os depósitos em questionamentos, a origem já submetida à tributação ou isenta, materializa-se à presunção legal formulada de omissão de receitas, por não ter sido elidida. Acrescente-se que a omissão de receitas, quando a sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizar-se por todos os meios admitidos no Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 05 de dezembro de 2003. 421114-- LUIZ ANTONIO DE PAULA / ( 22 Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1

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4729174 #
Numero do processo: 16327.001145/2001-74
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2003
Ementa: CSLL - DESPESAS DESNECESSÁRIAS - DEDUTIBILIDADE - A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período de apuração com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do Imposto de renda, pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda. Negado provimento ao recurso de ofício.
Numero da decisão: 101-94.070
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Raul Pimentel

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TURMA/DRJ SÃO PAULO — SP - I. Interessada : BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO - BOVESPA Sessão de : 29 de janeiro de 2003 Acórdão n°. : 101-94.070 CSLL — DESPESAS DESNECESSÁRIAS — DEDUTIBILIDADE: A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período de apuração com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do imposto de renda , pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda. Negado provimento a recurso de oficio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DA 8'. TURMA EM SÃO PAULO — SP - I. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. /131eN " • RO' GUES PRESIDENTE M L RELATOR FORMALIZADO EM: 22 A-BR 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: VALMIR SANDRI, KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, PAULO ROBERTO CORTEZ, CELSO ALVES FEITOSA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • , - . , . . ." -.. . 'o • , 4: • ' . • ' ..'' Processo n°. :16327.001145/2001-74 2 Acórdão n°. :101-94.070 Recurso n°. : 132.471 Recorrente : 8'. TURMA/DRJ EM SÃO PAULO — SP 1. RELATÓRIO O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO-SP recorre de ofício para este Conselho, nos termos do artigo 34 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/93 e Lei n° 9.532/97, da Decisão de fls. 495/497, através da qual foi desconstituído parcialmente o credito tributário proveniente de lançamentos de ofício do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido realizados contra a BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO — BOVESPA, com sede naquela Cidade, nos anos-calendários de 1997 e 1998. A retrocitada entidade teve suspensa sua condição de entidade isenta do Imposto de Renda, sob o enquadramento legal dos artigos 30 da Lei n° 4.506/64; 12 a 15 da Lei 9.532/97; 32 da Lei 9.430/96; 3°, 4 0, 8° 17 da Lei 6.385/76; 10 da IN SRF n° 113/98, 159 e 242 do RIR/94, tendo por base o Ato Executivo DEINF/SPO n° 07, de 08-06-2001, e a Notificação Fiscal de fls. 70/94, trazendo como conseqüência, ainda, a lavratura do Auto de Infração de fls. 278/279, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e Auto de Infração de fls. 282/283, para exigência da Contribuição Social pertinentes aos anos calendários de 1997 e 1998. Consta do referido despacho, na parte motivadora da cassação da isenção tributária: "3. De conformidade com os Ofícios Circulares 135197-SG, de 14 de abril de 1997, e 102/1998-SG, de 25 de março de 1998, o Conselho de Administração da Bovespa aprovou as denominadas "Campanhas de Estímulo ao Aumento de Negócios", com a finalidade de promover o crescimento do mercado acionário brasileiro e prover meios às sociedades corretoras para que possam investir no desenvolvimento de suas atividades. 4. Assim, nos anos-calendários de 1997 e 1998, a Bovespa contabilizou a débito de conta "Despesas de Aumento de Negócios", P j\ p. sub-contas "Bônus Incentivo" e "Bônus Desempenho", os valores de, . . h .. • , • • ,.... Processo n°. :16327.001145/2001-74 3 Acórdão n°. :101-94.070 respectivamente, R$ 74.744.769,00 e R$ 39.092.882,00, sob a rubrica "Campanha de Estímulo ao Aumento de Negócios". 5. Em 27 de junho de 2000, a Bovespa foi regularmente intimada a comprovar que as despesas com as mencionadas campanhas: a) são essenciais à manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, relacionados no art. 2° de seu Estatuto Social; b) são geralmente verificadas no tipo de operações e transações efetuadas; c) na realização das respectivas atividades, se apresentam de forma usual, costumeira ou ordinária. 6. Os Auditores Fiscais entenderam que a Bovespa não comprovou que as despesas para o aumento de negócios são essenciais à manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, atendendo aos critérios de dedutibilidade acima elencados, com base nas seguintes razões que resumimos: a)A Bovespa não tem por finalidade promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações, bem como estimular as aplicações permanentes em ações do capital social de companhias abertas; mas sim, de manter um local adequado, provendo-o de todos os recursos, de alta tecnologia, necessários e suficientes para a realização e concretização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, sem qualquer finalidade lucrativa. b) Os órgãos componentes para promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações, bem como estimular as aplicações permanentes em ações do capital social de companhias abertas, são o Conselho Monetário Nacional (CMN) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), consoante o art. 4° da Lei n° 6.835/76. c) O aporte de recursos às corretoras é de competência exclusiva de seus acionistas/quotistas. Não se enquadrando a Bovespa nessa categoria, não se justifica prover as corretoras de recursos, configurando assim desvio de seus objetivos sociais, d) A Bovespa não comprovou que essas despesas são habituais e usualmente realizadas por outras Bolsas de Valores. e)As despesas em tela, com exceção de 1997 e 1998, jamais ocorreram desde a fundação da Bovespa, em 23 de agosto de 1890. f) De acordo com os relatórios anuais, no ano-calendário de 1997, a Bovespa, para o incremento de suas receitas operacionais , no montante de R$ 62.809.000,00 despendeu o valor de R$ . . •. .•. • Processo n°. :16327.001145/2001-74 4 Acórdão n°. :101-94.070 74.745.000,00 a titulo de "Despesas de Aumento de Negócios". No ano-calendário de 1998, a situação é mais extraordinária, pois, cotejando com o ano-calendário de 1997, as receitas operacionais da Bovespa tiveram uma redução efetiva na ordem de R$ 39.374.000,00, no entanto, a título de incremento das Receitas Operacionais, despendeu sob a rubrica de tais despesas a quantia de R$ 39.092.882,00." Nessa linha de argumentação, concluíram os Auditores Fiscais que a Bovespa destinou recursos para finalidade diversa daquelas previstas nos seus estatutos sociais, infringindo os artigos 30, II, da Lei n° 4.506/64 e art. 12, § 2°, alínea "b", da Lei n° 9.532197, c/c § 50 do art. 32 da Lei n° 9.430/96. O ato da cassação foi confirmado em primeira instância, mantida a tributação do IRPJ, porém, foi excluído da tributação a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a que se refere a Lei n° 7.689/88, artigo 1°, através da Decisão de fls., assim ementada: "CSLL. CAMPANHA DE ESTÍMULO AO AUMENTO DE NEGÓCIOS. PREMIAÇÕES. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. DEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período apurado com observância da legislação comercial, e com os ajustes previstos em legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do imposto de renda, pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda. É o Relatório . . ".•- .• • " Processo n°. :16327.001145/2001-74 5 Acórdão n°. :101-94.070 VOTO Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator: Recurso manifestado de acordo com o disposto no artigo 34 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/93 e Lei n° 9.532/97, dele tomo conhecimento. Como vimos da leitura do relatório, trata-se de exclusão do crédito tributário do valor correspondente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano-calendário de 1997. Assim se manifesta o Relator da matéria em seu Voto, ás fls. ..., ao examinar a questão: "Alega a impugnante que, ainda que julgada indedutível a despesa com as "Campanhas de Estímulo ao Aumento de Negócios" para fins de determinação do lucro real tributado pelo IRPJ, os critérios de dedutibilidade definidos pelo art. 242 do RIR/94 não se aplicam para a apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido. As despesas consideradas não dedutivels, afirma a reclamante, são aquelas relacionadas na Lei 9.249/95, descabendo a adição de outras despesa no cômputo da base de cálculo da CSLL. De fato, a apuração procedida pela autoridade fiscal considerou indedutível a despesa havida com as "Campanhas", tanto na determinação do lucro real como na da base de cálculo da contribuição social que, conforme se pode verificar às fls. 274 e 275, resultaram em idêntico valor. As mencionadas despesas, conforme exposto no item anterior, foram consideradas desnecessárias, por não serem incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da BOVESPA, e portanto não atendiam ao critério de dedutibilidade definido no art. 242 do RIR/94, havendo que ser adicionado para a determinação do lucro reeal tributado pelo IRPJ. Por outro lado, a base de cálculo da CSLL foi definida pelo art. 2° da Lei 7.689, de 15-12-1998, verbis:.. Observe-se que dentre os ajustes prescritos pela Lei não consta a adição de despesas não necessárias. Diversos atos legais posteriores à Lei 7.689/88 introduziram alterações nos ajustes a serem procedidos no resultado do período, para a apuração da base de cálculo da CSLL, - notadamente a Lei 9.249/95, que instituiu em seu art. 13 novas • • .• n • • • • • Processo n°. :16327.001145/2001-74 6 Acórdão n°. :101-94.070 vedações no que conceme a deduções. Entretanto, em nenhum desses atos legais foi estabelecida a indedutibilidade de despesas não necessárias na apuração da base de cálculo da contribuição social. Há que se atentar, contudo, ao fato de que as referidas despesas com a "Campanha de Estimulo ao Aumento de Negócios", embora consideradas desnecessárias reputam-se comprovadamente pagas, e os beneficiários destes pagamentos, devidamente identificados, porquanto não foram objeto de qualquer ressalva ou contestação, nestes requisitos, por parte da fiscalização. Sendo assim, o que se está a discutir é a dedutibilidade de despesas efetivamente comprovadas que, não obstante, foram consideradas desnecessárias à atividade da entidade. Não resta dúvida que a norma do art. 242 do RIR194, cujo fundamento legal reside no art. 47 da Lei n° 4.506/64, é regra aplicável tão-somente à apuração do luicro real tributado pelo IRPJ,. Perceba-se que esta última Lei foi editada no ano de 1964, muito antes da criação da CSLL em 1988, de forma que seria inaceitável estender a sua aplicação, sem que haja previsão legal expressa, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição. Ademais, o eventual recurso à analogia, para utilizar esta norma de IRPJ para embasar a tributação da CSLL sobre aludidas despesas, configuraria violação da regra insculpida no § 1°, art. 108, do Código Tributário Nacional. Tanto a base de cálculo do IRPJ como a da CSLL são obtidas a partir do lucro liquido contábil apurado pela entidade, procedidos os ajustes (adições e exclusões) prescritos ou autorizados pela legislação especifica que rege cada tributo/contribuição. Se a norma do IRPJ define como indedutivel as despesas desnecessárias, ensejando a respectiva adição na apuração do lucro real, é porque no cômputo do lucro liquido são tais valores normalmente deduzidos, porém no lucro real não devem sê-lo, segundo a legislação deste imposto. Por outro lado, em face da ausência de norma equivalente na legislação da CSLL, não há como fundamentar a adição destas mesmas despesas na apuração da base de cálculo da contribuição, tal como levado a efeito pela autoridade fiscal no demonstrativo de fls. 275. Há jurisprudência administrativa, além daquela aduzida pela innpugnante, que corrobora este entendimento: (cita os Acórdãos 108- 05.395; 101-93.418:103-20.321 e 101-91.979) Portanto, resta incabível a adição das despesas desnecessárias, diante da falta de previsão legal, na apuração da base de cálculo da CSLL, que, por definida em legislação especifica, não se confunde com o lucro real tributado pelo IRPJ." Estou com a autoridade julgadora de primeiro grau que bem analisou a questão e decidiu pelo afastamento, nos cálculos do crédito tributário, da ,e ( • . Processo n°. :16327.001145/2001-74 7 Acórdão n°. :101-94.070 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em consonância, também, com a jurisprudência do Colegiado. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de oficio. Brasilia,DF, 29 de •- • PIMENTEL, Rela or

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Numero do processo: 15586.000303/2005-89
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Processo Administrativo Fiscal - Ano-calendário: 1999, 2000 PRELIMINAR DE NULIDADE - MOTIVAÇÃO PARA O LANÇAMENTO - Não cabe a alegação de nulidade por falta de motivação para o lançamento, uma vez que formalizado com base em disposição legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário - Ano-calendário: 1999, 2000 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA - FATO GERADOR - No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador e não a contar do vencimento do tributo. PRAZO DECADENCIAL - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Tendo o STF por meio do RE 559.882-9, confirmado a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, e à vista da aprovação da Súmula vinculante nº 8, o prazo decadencial para que a Fazenda Nacional efetue o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - Ano-calendário: 1999, 2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM NÃO COMPROVADA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PENALIDADE - MULTA DE OFÍCIO - Tratando-se de valores apurados em lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Presentes os pressupostos legais para sua imposição. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Às exigências decorrentes de tributação reflexa, aplica-se o decidido no julgamento relacionado com a exigência principal, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 107-09.430
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e ACOLHER a preliminar de decadência para fatos geradores até junho de 2000 e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termo do relatorio e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima

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Não cabe a alegação de nulidade por falta de motivação para o lançamento, uma vez que formalizado com base em disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA - FATO GERADOR. • No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador e não a contar do vencimento do tributo. PRAZO DECADENCIAL - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Tendo o STF por meio do RE 559.882-9, confirmado a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, e à vista da aprovação da Súmula vinculante n° 8, o prazo decadencial para que a Fazenda Nacional efetue o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 . •. Processo n.° 15586.000303/2005-89 CO I/C07 Acórdão n.° 107-09.430 lis. 670 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM NÃO COMPROVADA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PENALIDADE - MULTA DE OFICIO. Tratando-se de valores apurados em lançamento de oficio, deve ser aplicada a multa de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Presentes os pressupostos legais para sua imposição. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Às exigências decorrentes de tributação reflexa, aplica-se o decidido no julgamento relacionado com a exigência principal, em razão da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, VILFER COMÉRCIO DE METAIS LTDA ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e ACOLHER a preliminar de decadência para fatos I; . dores até junho de 2000 e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termo d. ; atário e voto que passam a integrar o presente julgado. si MAR OV7/e 1 I, IUS NEDER DE LIMA Presidente —7ALBERTINA SILVA A c-OS D LIMA Relatora . Formalizado Em: .1 e Ar^ 2009iu Processo n.° 15586.000303/2005-89 CCOIC07 Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 671 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Martins Valem, Hugo Correia Sotero, Jayme Juarez Grotto, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplentes Convocadas). Ausentes, justificadamente os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Lisa Marini Ferreira dos Santos. . . Processo n.° 15586.000303/2005-89 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 672 Relatório 1- DA AUTUAÇÃO Trata-se de lançamento efetuado sob o regime do Simples, em que foram exigidos, o IRPJ e as contribuições decorrentes (PIS, COFINS, CSLL e Contribuição para a Seguridade Social), no ano-calendário de 2000, em virtude da infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados e com origem não comprovada; e nos anos-calendário de 1999 e 2000, por insuficiência de recolhimento (fato gerador de 01/99 e 02 a 12/2000) obtido a partir das Declarações Anuais Simplificadas (fls. 225/230) e do extrato do sistema SRF Sinal (fls. 266/271), e por diferença entre o valor escriturado e o pago, conforme demonstrativos de fls. 357/358 (fato gerador de 12/99, 02/2000, 03/2000 e 12/2000). A ciência dos autos se deu em 01.07.2005, conforme AR de fls. 447. Às fls. 374 consta o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta no período de 01/99 a 12/2000. Às fls. 377/382 consta o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, obtido a partir das alíquotas do regime do Simples, alteradas em função da infração de omissão de receitas e diferença entre o valor de receitas escrituradas e declaradas. Às fls. 383/387 consta o demonstrativo de apuração do imposto e contribuições sobre as diferenças apuradas. Para a primeira infração foi aplicada multa de oficio de 150% e para as demais de 75%. Durante o procedimento fiscal foram relacionados os depósitos/créditos existentes em suas contas correntes bancárias, analisados individualmente, não sendo considerados os decorrentes de transferência de outras contas bancárias da própria pessoa jurídica; também foram relacionados os valores relativos a estornos e/ou devoluções referentes aos créditos e/ou depósitos ali arrolados, no que foi a empresa intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados naquelas operações de depósitos/créditos, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, conforme docs. de fls. 34 a 95, 123 a 197, entretanto, conforme declaração da própria empresa, ela não conseguiu levantar documentos para fazerem prova de suas movimentações bancárias. A empresa foi intimada a apresentar os extratos bancários. Não foram apresentados, conseqüentemente foram emitidas RIVIF para as instituições financeiras. As contas bancárias de titularidade da empresa eram mantidas em três instituições. O valor total dos depósitos bancários superou o total das receitas declaradas nos anos de 2000 a 2002. A empresa não registrou em seus livros Diário e Razão lançamentos em sua escrituração relativos à movimentação bancária/financeira. Foram extraídos dos valores dos depósitos/créditos, os relativos a transferências entre as contas da própria pessoa jurídica e foram excluídos os valores relativos a estornos e/ou devoluções. A empresa foi intimada a comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes identificadas. Após prorrogações de prazo diversas foi entregue à fiscalização listagem na qual a empresa identifica alguns créditos oriundos de suas próprias contas correntes. • . , Processo n.° 15586.000303/2005-89 CCO I 1C07 Acórdão n.° 107-09.430 AS. 673 Efetua a entrega de livros caixa, confeccionados no decorrer da fiscalização, e documento denominado "planilha de empréstimos tomados com terceiros", por meio das quais relaciona empréstimos que "provavelmente" teriam sido tomados com terceiros, identificando ainda as pessoas físicas e jurídicas que possivelmente os efetuaram no decorrer dos anos- calendário de 2000 a 2002, porém não foram apresentados documentos comprobatórios que os respaldassem. De posse dos livros caixa e das planilhas a fiscalização procedeu ao exame dos créditos existentes nos documentos fornecidos pelas instituições bancárias como: cópias dos extratos bancários, dos documentos de depósitos bancários, das fichas de depósito/transferências e das listagens de créditos. Ao analisar o rol de empréstimos contidos nas planilhas, em comparação com os documentos bancários anteriormente mencionados, constatou-se não haver naqueles documentos identificação alguma dos reponsáveis pelos depósitos, créditos e/ou transferências efetuados em favor da fiscalizada, estando somente neles consignados a empresa VILFER como FAVORECIDO dos depósitos. A emprea foi intimada a comprovar com documentos hábeis e idôneos, como se deu a efetiva quitação dos empréstimos tomados e relacionados naquelas planilhas. Posteriormente a empresa foi intimada a comprovar a origem dos depósitos/créditos recebidos em suas contas correntes, com documento hábil e idôneo, por meio do qual ficasse efetivamente identificada a pessoa cedente dos valores depositados/creditados e constantes da "Planilha de empréstimos tomados com terceiros"; comprovar analiticamente, os pagamentos dos empréstimos recebidos, que se encontram relacionados na planilha, com documento hábil e idôneo, por meio do qual seja identificada a pessoa beneficiária deles, a fim de que comprovada a quitação dos empréstimos, supostamente tomados pela empresa. Foi lavrado termo de Re-ratificação e intimação, sendo ali confeccionado novo rol de valores creditados/depositados (fls. 123/197) e mais uma vez a empresa intimada a comprovar com documentos hábeis e idôneos, a origem dos valores em suas contas correntes. A empresa apresenta resposta na qual declara não haver conseguido levantar documentos para fazerem prova de suas movimentações bancárias (fls. 205/206). Pelo demonstrativo dos créditos/depósitos mensais de fls. 359, referente ao ano- calendário de 2000, constata-se mensalmente, os valores oriundos de depósitos efetuados nas contas correntes bancárias da empresa, com o somatório de R$ 3.234.998,45. Por meio do demonstrativo da omissão de receita a tributar, demonstra-se o total da receita bruta anual escriturada de R$ 619.808,20, sendo apurada diferença de origem não comprovada no montante de R$ 2.615.190,25, sendo objeto de lançamento em auto de infração — Simples, como omissão de receita. A empresa omitiu receitas de forma reiterada nos anos-calendário de 2000 a 2002. Para os anos-calendário de 2001 e 2002, a empresa optou pelo Lucro Presumido, ocorrendo lançamento do auto de infração separado. — DA IMPUGNAÇÃO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Transcrevo do relatório contido na decisão de primeira instância os argumentos contidos na impugnação: • Processo n.° 15586.000303/2005-89 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 674 - sendo de 5 anos o prazo preconizado pelo art. 150 do CIN, ocorreu a decadência do lançamento referente aos fatos geradores anteriores a maio de 2000; - sua atividade exige retiradas e depósitos bancários diários, movimentação que não correspondem a receita bruta; - a multa só pode ser agravada diante de manifestos casos de dolo, que não se presume, nem no caso de ausência de comprovação de origem dos depósitos ancários (cita jurisprudência), sendo nulo o lançamento; - a multa de 150% é inconstitucional; - sobre os valores escriturados mas não recolhidos só cabe a multa de mora (20%), sendo inaplicável a multa de 75%; - deve ser declarada a nulidade do lançamento pela ausência de explicação do critério empregado pela fiscalização para transformar os valores referentes às movimentações financeiras em receita bruta; - encerra solicitando a nulidade ou a insubsistência dos autos de infração. A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de nulidade. Considerou que uma vez que a omissão de receitas foi apurada com base em presunção legal (depósitos bancários não escriturados), os fatos descritos não se ajustam à hipótese de evidente intuito de fraude, na forma prevista nos mis. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Assim, reduziu a multa de 150% para 75%. Em relação à preliminar de decadência, como a ciência dos autos se deu em 01.07.2005, concluiu-se que já estava caracterizada a decadência do IRPJ em relação aos fatos geradores até 31.05.2000 (vencimento em 12.06.2000), como alegou a interessada. Assim, excluiu do lançamento o IRPJ dos fatos geradores de janeiro de 1999 a 31.05.2000 Em relação às contribuições sociais, aplicou o prazo decadencial de 10 anos previsto na Lei 8.212/91. Quanto ao mérito considerou ser legítima a autuação quando a pessoa jurídica não comprova a origem dos depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, que, consta do enquadramento legal, restando esclarecido o critério empregado pela fiscalização para transformar os valores referentes às movimentações financeiras em receita bruta. Manteve o lançamento nessa parte. Quanto à infração de insuficiência de recolhimento, e infração relativa à diferença entre o valor escriturado e o declarado, registra a Turma Julgadora que a interessada não apresenta qualquer alegação ou documentação de forma a demonstrar a inexistência das infrações que lhe foram imputadas neste item. Considerou não impugnadas tais matérias. Assim, a Turma Julgadora reduziu a multa de 150% para 75% e a mesma, não acolheu o argumento de que para os valores escriturados e não recolhidos só caberia a multa de 20%. Não houve recurso de oficio. A ciência da decisão deu-se em 14.02.2006 e o recurso foi recebido em 16.03.2006. Processo n.° 15586.000303/2005-89 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 67$ III — DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente afirma que dedica-se ao comércio atacadista de metais, sucatas, resíduos e derivados em geral, que em outras palavras, significa "sucata" ou "ferro velho". Ao contrário da maioria das empresas comerciais, que adquirem as suas mercadorias de pessoas jurídicas em grandes lotes, e por elas pagam por meio de transações bancárias ou boletos, por tratar-se de um "ferro velho" especializado em alumínio, adquire suas mercadorias de catadores que recolhem as latinhas e demais metais e resíduos do lixo ou das ruas, as acondicionam em sacos, que por sua vez são transportadores em carroças por eles próprios fracionadas. Tais fornecedores não possuem contas em bancos, exigindo da recorrente o pagamento pela sucata, à vista e em espécie. Assim, tem a necessidade de todos os dias, sacar grande quantidade de dinheiro, de suas contas para entregar aos seus compradores que, em seus caminhões, saem às ruas para adquirir sucata dos catadores. Quando do retomo à empresa, os compradores prestam contas das aquisições à recorrente, devolvendo-lhe o valor da diferença entre o dinheiro adiantado e a sucata comprada. Registra que é inviável manter, na empresa, as quantias eventualmente vultuosas, correspondentes à diferença entre o adiantamento e a aquisição. Dessa forma é compelida a realizar diversas vezes por semana, retiradas e depósitos em suas contas-correntes, sem que isso signifique receita bruta. Conclui que os sucessivos depósitos nas contas correntes não passam de sucessivas movimentações (retiradas e depósitos) do mesmo dinheiro, única e exclusivamente em razão da impossibilidade fática de manter grandes importâncias em sua empresa, para ser utilizada alguns dias após. Afirma que foram feridos o art. 110 do CTN, que veda a interpretação, pelo legislador ou aplicador da norma tributária, dos conceitos do direito privado, de forma diversa da qual eles são tratados no Direito Civil e Direito Comercial. Aduz que da mesma forma foram considerados como receita bruta omitida, valores que a recorrente fez ingressar em sua conta a título de pequenos e consecutivos empréstimos e que posteriormente foi utilizado para quitar as obrigações com os seus credores. Desafiada a demonstrar os contratos que consubstanciavam tais transações, a recorrente não foi capaz de produzir provas, eis que tais transações foram realizadas informalmente, como, de fato, é corriqueiro no comércio, merecendo sempre o destaque que sua atividade é "ferro velho". Entretanto, a ausência de tais contratos pelo seu entendimento não seria suficiente para ilidir a presunção de inocência da recorrente, eis que o fato de haver circulado, na conta corrente da recorrente, importância superior ao contabilizado na qualidade de faturamento, ou receita bruta, não possuiria o condão de gerar a presunção de que tais quantias sejam oriundas de receitas de vendas. Destaca que a ausência de escrituração dos depósitos bancários não representa nada além da realidade da vida financeira da empresa, que possui constante necessidade de ingressos e saídas de recursos em suas contas correntes. Aduz que a comprovação das operações é complexa, eis que como a movimentação financeira não é fato gerador para qualquer outro tributo, senão a CPMF, a • . . Processo n.° 15586.000303/2005-89 CCOlion Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 676 recorrente não se preocupou em manter uma documentação contábil precisa de tais valores. Limitou-se a guardar os blocos de notas onde o motorista comprova o recebimento do numerário quando de sua partida, bem como o depósito da diferença do que não foi gasto na viagem. Argüi que em relação ao fato de não haver produzido as provas quando da fiscalização, não as fez única e exclusivamente pelo fato de que a autoridade fiscal afirmou que tais provas (blocos de notas de recebimento de numerário pelos motoristas) não serviriam de prova contra o fisco. Ressalta que tratando-se de omissão de receitas, tais receitas deveriam ter sido tratadas como receitas de vendas não declaradas e não como lucro. Assim, deveriam ter sido aplicados os percentuais de lucratividade relativos ao setor. Discorda da decisão de primeira instância quanto à manutenção da multa de oficio de 75%, porque entende que no caso concreto, os valores foram devidamente escriturados, mas não foram recolhidos, fato tipificado no art. 61 da Lei 9430/96. Argumenta que em nenhum momento foi evidenciada qual metodologia foi utilizada pelo fisco para presumir tais valores, nem a recorrente teve qualquer oportunidade de discutir tais quantias, ou o método empregado para obtê-las. Ressalta que a ausência da descrição do método para calcular a renda supostamente auferida com os depósitos realizados em suas contas é parte integrante da motivação do ato administrativo, sem o qual este deve ter sua nulidade prontamente declarada. Afirma ser ilegal o procedimento da fiscalização de equiparar a movimentação financeira à sua receita bruta, sendo juridicamente inadmissível, promovendo igual tratamento a fatos e institutos absolutamente distintos. Pede a declaração de nulidade por ausência de explicitação do critério empregado pela autoridade fiscal para o arbitramento da renda, do faturamento e da receita bruta por meio da movimentação financeira. Requer seja determinada a utilização de método que reflita a sua realidade financeira. Cita jurisprudência. É o Relatório. ' • Processo n.° 15586.000303/2005-89 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 677 Voto Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de lançamento efetuado sob o regime do Simples, em que foram exigidos, o IRPJ e as contribuições decorrentes, no ano-calendário de 2000, em virtude da infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados; e nos anos-calendário de 1999 e 2000, por insuficiência de recolhimento para fatos geradores de 01/99 e 02 a 12/2000, e ainda por diferença entre o valor escriturado e o pago, para os fatos geradores de 12/99, 02/2000, 03/2000 e 12/2000. A ciência dos autos se deu em 01.07.2005, conforme AR de fls. 447. Às fls. 374 consta o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta no período de 01/99 a 12/2000. Às fls. 377/382 consta o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, obtido a partir das aliquotas do regime do Simples, alteradas em função da infração de omissão de receitas e diferença entre o valor de receitas escrituradas e declaradas. Às fls. 383/387 consta o demonstrativo de apuração do imposto e contribuições sobre as diferenças apuradas. Para a primeira infração foi aplicada multa de oficio de 150% e para as demais de 75%. A Turma Julgadora considerou que uma vez que a omissão de receitas foi apurada com base em presunção legal (depósitos bancários não escriturados), os fatos descritos não se ajustam à hipótese de evidente intuito de fraude, na forma prevista nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Assim, reduziu a multa de 150% para 75%. Em relação à decadência, a Turma Julgadora concluiu que o direito da Fazenda Nacional decaiu em relação ao IRPJ dos fatos geradores ocorridos até 31.05.2000, vencimento em 12.06.2000, uma vez que a ciência dos autos se deu em 01.07.2005. Entretanto, o art. 150, § 4°, do CTN, prevê que no lançamento por homologação, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador e não a contar do vencimento do tributo. Dessa forma, também ocorreu a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o IRPJ do fato gerador ocorrido em junho de 2000. Para o prazo decadencial relativo às contribuições sociais, até às sessões do mês de maio votei pelo prazo de 10 anos, com base na Lei 8.212/91, art. 45, entretanto, tendo em vista a recente confirmação da declaração de inconstitucionalidade desse artigo (RE 559.882-9, de 12.06.2008, relator Min. Gilmar Mendes), passo a votar pelo prazo de 5 anos. Destaco que inclusive foi aprovada a Súmula vinculante n° 8 do STF, na sessão plenária de 12.06.2008. Transcrevo o teor de referida súmula: Súmula n°8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. • '1 Processo n.° 15586.000303/2005-89 cco I /CO7 Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 678 Conseqüentemente, também ocorreu a decadência até os fatos geradores de junho de 2000, em relação ao direito da Fazenda Nacional lançar as contribuições sociais. A argumentação sobre a nulidade do lançamento, pela suposta falta de motivação, não prospera, uma vez que foi formalizado com base em disposição legal, conforme se verá adiante. Rejeita-se essa preliminar. Os valores dos depósitos não contabilizados e com origem não comprovada, que pelo art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se como omissão de receita, foram submetidos à tributação pelo Regime do Simples, com a aplicação dos percentuais sobre a receita previstos para esse regime de tributação. Transcrevo o caput do referido art. 42 da Lei 9.430/96 e § 3°: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §3 0 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (.) Não tendo a contribuinte trazido aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem a origem dos recursos creditados em conta corrente, tais valores são considerados omissão de receita. Trata-se de uma presunção legal em que o ônus da prova cabe ao contribuinte. Cabia ao sujeito passivo comprovar a origem de cada depósito de forma individualizada, apresentar documentação hábil e idônea, sobre a origem dos recursos, inclusive dos alegados empréstimos. Destaca-se que este colegiado apreciando a mesma matéria em julgamento de recurso do mesmo sujeito passivo, pelo acórdão n° 107-09028, de 23.05.2007 (Recurso 153139), que teve como relator o Conselheiro Natanael Martins, proferiu a seguinte ementa: IR)'.! — OMISSÃO DE RECEITAS — ART. 42 DA LEI 9.430/96 — CARACTERIZAÇÃO — Demonstrado pela fiscalização a ocorrência de movimentação financeira mantida a margem, por força do disposto no art. 42 da Lei 9.430/96 tem-se por estabeleci* a presunção de omissão de receitas. Não se trata de ofensa ao art. 110 do CTN, mas sim, de aplicação de lei, conforme caput do artigo transcrito. Convém registrar que conforme Súmula n° 2, o Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação às demais infrações relativas à diferença entre o valor das receitas escrituradas e declaradas, de que trata o demonstrativo de fls. 383/387, e diferença de falta de Ir Y, r Processo n.° 15586.00030312005-89 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.430 Fls. 679 recolhimento, como conseqüência do recálculo dos valores declarados, a partir das aliquotas do regime do Simples, alteradas em função da infração de omissão de receitas, de que trata o demonstrativo de fls. 377/382, a recorrente não faz expressamente alusão a essas exigências. Tais matérias também não foram expressamente contestadas na impugnação, conforme está consignado na decisão de primeira instância. Quanto à multa de 75% que restou do julgamento de primeira instância, a contribuinte argumenta que no caso concreto, os valores foram devidamente escriturados, mas não foram recolhidos, fato que entende estar tipificado no art. 61 da Lei 9430/96. Tratando-se de valores apurados em lançamento de oficio, deve ser aplicada a multa de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, pois estão presentes os pressupostos legais para sua imposição. Não cabe a aplicação da multa prevista no 61 da Lei 9.430/96, que diz respeito a recolhimento fora do prazo do vencimento, em procedimento espontâneo. Em relação às contribuições decorrentes de tributação reflexa, aplica-se a decisão proferida no lançamento principal, em razão da intima relação de causa e efeito. Do exposto, oriento meu voto para rejeitar a preliminar de nulidade, acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até junho de 2000 e no mérito negar provimento ao recurso. , Sala das Sessões — DF, em 26 de junho de 2008 ----. fç °C,••n ALBERTINA SILV ANTOS 7LIMA Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1

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Numero do processo: 19515.001063/2003-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/08/1999 a 05/05/2000 Normas gerais de direito tributário. Obrigação tributária. Responsabilidade por infrações. A atribuição de responsabilidade ao contribuinte por infrações à legislação tributária carece da comprovação de dolo, senão por força de determinação legal noutro sentido. Normas gerais de direito tributário. Solidariedade. Sujeição passiva solidária por interesse comum. Nas infrações à legislação tributaria decorrentes de operações por conta de terceiros, o lançamento ex officio pode ser levado a efeito tanto na trading company quanto na pessoa contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem; uma como contribuinte, a outra como responsável solidária por interesse comum. Imposto de importação. Base de cálculo. Métodos de valoração aduaneira. A declaração a menor do valor aduaneiro de mercadorias é infração que autoriza o lançamento da diferença entre o tributo devido e o recolhido em cada importação, calculado mediante o uso da aliquota ad valorem e do valor aduaneiro apurado em conformidade com os métodos definidos no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação. Licenciamento de importação. Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importaçóes; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6362, de 1978. Imposto de importação. Multa qualificada. Legitima é a aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento quando presente o evidente intuido de fraude lato sensu por ação ou omissão dolosa, pressuposto qualificador da pena materializado em ao menos uma de SIM espécies: sonegação, fraude stricto sensu ou conluio. Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importa9ão. Multa qualificada e agravada. Legitima é a aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento majorada de cem por cento quando presente o evidente intuido de fraude lato sensu por ação ou omissão dolosa, pressuposto qualificador da pena, materializado em mais de uma de suas espécies: sonegação, fraude stricto sensu ou conluio. Importação irregular. Consumo ou entrega a consumo. Penalidade. A exigência dos tributos incidentes sobre a importação, por ato de oficio, acrescida das multas pela falta ou insuficiência de oportuno recolhimento da exação, pressupõe o juizo de admissibilidade da regularização dos produtos irregularmente internados na economia nacional, salvo nas hipóteses de: (1)ingresso no território nacional ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando vedada ou suspensa a sua emissão; (2)importação proibida; (3) consumo proibido; ou (4)circulação proibida no território nacional. Diante do pressuposto de admissibilidade da regularização, resta incabível, a aplicação da multa do artigo 83, caput e inciso I, da Lei 4.502, de 1964. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-000.173
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, 1) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. O Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. 2) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa de LI, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento.
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges

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Obrigação tributária. Responsabilidade por infrações. A atribuição de responsabilidade ao contribuinte por infrações à legislação tributária carece da comprovação de dolo, senão por força de determinação legal noutro sentido. Normas gerais de direito tributário. Solidariedade. Sujeição passiva solidária por interesse comum. Nas infrações à legislação tributaria decorrentes de operações por conta de terceiros, o lançamento ex officio pode ser levado a efeito tanto na trading company quanto na pessoa contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem; uma como contribuinte, a outra como responsável solidária por interesse comum. Imposto de importação. Base de cálculo. Métodos de valoração aduaneira. A declaração a menor do valor aduaneiro de mercadorias é infração que autoriza o lançamento da diferença entre o tributo devido e o recolhido em cada importação, calculado mediante o uso da aliquota ad valorem e do valor aduaneiro apurado em conformidade com os métodos definidos no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação. Licenciamento de importação. Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importaçóes; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6362, de 1978. Imposto de importação. Multa qualificada. Legitima é a aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento quando presente o evidente intuido de fraude lato sensu por ação ou omissão dolosa, pressuposto qualificador da pena materializado em ao menos uma de SIM espécies: sonegação, fraude stricto sensu ou conluio. Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importa9ão. Multa qualificada e agravada. Legitima é a aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento majorada de cem por cento quando presente o evidente intuido de fraude lato sensu por ação ou omissão dolosa, pressuposto qualificador da pena, materializado em mais de uma de suas espécies: sonegação, fraude stricto sensu ou conluio. Importação irregular. Consumo ou entrega a consumo. Penalidade. A exigência dos tributos incidentes sobre a importação, por ato de oficio, acrescida das multas pela falta ou insuficiência de oportuno recolhimento da exação, pressupõe o juizo de admissibilidade da regularização dos produtos irregularmente internados na economia nacional, salvo nas hipóteses de: (1)ingresso no território nacional ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando vedada ou suspensa a sua emissão; (2)importação proibida; (3) consumo proibido; ou (4)circulação proibida no território nacional. Diante do pressuposto de admissibilidade da regularização, resta incabível, a aplicação da multa do artigo 83, caput e inciso I, da Lei 4.502, de 1964. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, 1) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. O Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. 2) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa de LI, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. HENRIQUE .)1\1HE1R-0 T4-T- - Presidente TARÁSIO CAMPELO BORGES — Relator EDITADO EM 16/10/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo e 2 Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-CITI Acórdão n.° 3101-00.173 FL 1.170 Vanessa Albuquerque Valente. Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Cuida-se de retorno de diligência à repartição de origem nos autos de recurso voluntário e de recurso de oficio' contra acórdão da Primeira Turma da DRJ Florianópolis (SC) que, por maioria de votos2, julgou parcialmente procedentes os lançamentos 3 : do Imposto de Importação4, acrescido de juros de mora (Selic), de multa proporcional de 150% 5 , e de multas do controle administrativo de importações (30% 6 e 100°/07); e do Imposto sobre Produtos Industrializados na import?o 8 , acrescido de juros de mora (Selic), de multa proporcional de 150°/09 majorada em 100% 1 (300%) e de multa regulamentar". A ciência dos lançamentos aos 1 Recurso de oficio com fundamento no artigo 34, inciso I, do Decreto 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pelo artigo 67 da Lei 9.532, de 1997, e na Portaria MF 375, de 2001. 2 Restaram vencidos: o julgador Orlando Rutigliani Berri e o presidente da turma, Cícero Pereira Peres Martins, que votaram pela exclusão, além das parcelas afastadas pelos demais julgadores, da multa por falta de guia de importação ou documento equivalente [motivo do afastamento dessa multa não consignado no acórdão DRJ, mas as mercadorias importadas estavam sujeitas a licenciamento automático]. 3 O órgão julgador a quo: (1) por unanimidade de votos, considerou caracterizada a renúncia à via administrativa e não conheceu a preliminar de provas ilícitas, invocada com fundamento na garantia constitucional do habeas data; (2) também por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade; e (3) por maioria de votos, considerou os lançamentos parcialmente procedentes e excluiu da exigência fiscal a multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e as parcelas do crédito tributário vinculadas às Dl 99/098 128 1-9 e 99/0981039-5 (não encontrados elementos capazes de comprovar os valores efetivos das operações nem de operações com mercadorias idênticas ou similares). 4 Auto de infração do Imposto de Importação acostado às folhas 2 a 6 e 73 a 85. Fatos geradores ocorridos entre 6 de outubro de 1999 e 13 de dezembro de 1999. 5 Lei 9.430, de 1996, artigo 44, inciso II. 6 DL 37, de 1966, artigo 169, inciso 1, alínea "b", alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978, e regulamentado pelo artigo 526, inciso II, do RA aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985 (importação desamparada de licenciamento de importação). 7 DL 37, de 1966, artigo 169, inciso II, alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978, e regulamentado pelo artigo 526, inciso III, do RA aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985 (subfaturamento do preço ou valor da mercadoria). 8 Auto de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados acostado às folhas 7 a 10 e 86 a 92. Fatos geradores ocorridos entre 6 de outubro de 1999 e 13 de dezembro de 1999 (período idêntico ao dos fatos geradores do Imposto de Importação). 9 Lei 4.502, de 1964, artigo 80, II, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei 9.430, de 1996. Lei 4.502, de 1964, artigo 69, II, com a redação dada pelo artigo 2° do DL 34, de 1966. I t Lei 4.502, de 1964, artigo 83, caput e inciso I, com a redação dada pelo artigo I°, alteração 2 , do DL 400, de 1968, regulamentado pelo artigo 463, inciso I, do Decreto 2.637, de 1998 (RIPI 1998) (consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular). 3 prepostos da sociedade empresária se deu no dia 2 de abril de 2003. No dia seguinte, deles igualmente tomou ciência o advogado Celso Vieira Ticianelli, sem juntada aos autos do correspondente instrumento de mandato. Segundo a denúncia fiscal, são quatro as condutas qualificadas como infrações pela fiscalização da Receita Federal: (1) declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto); (2) importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente l2 (licenciamento automático) 13 ; (3) subfaturamento do preço ou valor da mercadoria na importação; (4) consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular. As infrações denunciadas, os procedimentos de fiscalização, a síntese do ato constitutivo da sociedade empresária e das suas sucessivas alterações, bem como o detalhamento do modus operandi no qual os auditores fiscais sustentam a firme convicção da "existência de uma grande organização criminosa, verdadeira quadrilha praticando crimes contra a ordem tributária e outros" I4 estão descritos no relatório de fiscalização acostado às folhas 13 a 64. Do relatório do acórdão recorrido, transcrevo detalhes dos fatos motivadores do lançamento do crédito tributário ora discutido: Segundo consta no Relatório de Fiscalização, a presente ação fiscal originou-se de exaustiva operação de investigação, que incluiu diligências em diversas empresas e residências, através das quais apurou-se a existência de uma grande e complexa organização constituída para realizar operações fraudulentas, tendo a autuada operado no esquema como importadora. Muitos dos documentos que serviram de base para a formalização da presente exigência foram apreendidos na casa de Liu Kuo An e no estabelecimento da empresa Word Comercial do Brasil. A empresa Tass Trading, da qual a autuada é sucessora, registrou onze Declarações de Importação, todas instruídas com faturas comerciais falsas, declarando no despacho aduaneiro valores subfaturados. A autoridade lançadora efetuou extensa pesquisa no histórico da empresa Tass Importação e Exportação Ltda., cuja razão social foi posteriormente alterada para Tass Trading, Distribuidora, Importadora e Exportadora Ltda., depois para Tass — Trading Importadora e Exportadora Ltda. Em 23/10/2001 a razão social foi modificada para H & S Trading, Importadora e Exportadora Ltda. O quadro societário da empresa sofreu inúmeras alterações, a ponto de se renovar completamente, ou seja, na data em que foi efetuado o lançamento nenhum dos sócios que iniciou a empresa permanecia em seu quadro societário. Prosseguindo no relato, a autoridade autuante afirma que o quadro societário da autuada H & S Trading é composto pela 12 Documentos equivalentes, nas palavras do auditor fiscal autuante: guia de importação e licenciamento de importação. 13 Importação sujeita a licenciamento automático, fato reconhecido no voto condutor do acórdão recorrido (folha 1.010, início do sexto parágrafo). 14 Relatório de fiscalização, folha 47, primeiro parágrafo. 4 Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-CIT1 Acórdão n.°3101-O0.173 Fl. 1.171 - empresa Hefner & Staley Participações, com 99% do capital social, e por Marcelo Gomes Taddei, o qual participa com 1% do capital. O quadro societário da empresa Hefner & Staley Participações é constituído pelas empresas uruguaias Hefner Federal Sociedad Anonima e Staley Federal Sociedad Anônima, as quais firmaram procuração a favor de Marcelo Gomes Taddei para administrar as empresas no Brasil. Verifica-se nas procurações que o Presidente da Diretoria de ambas as empresas uruguaias é a mesma pessoa, Juan Carlos Perocco, e que o endereço das duas empresas é o mesmo. Em decorrência das investigações, constatou-se que há uma organização criminosa controlada e administrada por algumas poucas pessoas, e que utilizou outras empresas para a comercialização de grande quantidade de produtos importados, especialmente da área de informática. A autoridade lançadora relata que as efetivas operações de comércio exterior são realizadas entre o fornecedor de fato no exterior e o comprador de fato no Brasil. Os fornecedores são empresas diversas, sediadas na China, Cingapura, Coréia, Estados Unidos e outros países, e o comprador de fato é Liu Kuo An, por vezes representado por seus filhos Liu Shun Chien e Liu Shun Jen, por meio das empresas Troni Eletrônica Ltda., Luft Indústria e Comércio Ltda. e Ktypton T.F.Representações S/C Ltda. As compras internacionais são formalizadas em nome do comprador de fato, por empresas representantes sediadas em Taiwan, denominadas Doluoni Development CO., LTD e Chu Sheng International CO., LTD, cujos proprietários são Liu Chin Chang e Liu Hsiu Chen, provavelmente irmãos de Liu Kuo An. O pagamento das importações é realizado pelos representantes, a partir de Taiwan, os quais inclusive contratam cartas de crédito em beneficio dos fornecedores de fato, para garantir o pagamento das mercadorias embarcadas para o Brasil, e também o seguro de transporte internacional. Os despachos aduaneiros foram instruidos com faturas comerciais emitidas em formulários da empresa Chu Sheng, de Taiwan, como se esta fosse a efetiva fornecedora, e como se a autuada H & S Trading fosse a compradora de fato. No entanto, verifica-se que Chu Sheng é um agente operacional que representa o comprador de fato em Taiwan. Em outras importações, que não são objeto do presente processo, realizadas pela filial da interessada, situada em Vitória/ES, as faturas utilizadas foram emitidas pela empresa Hefner Federal, do Uruguai, que é detentora de 80% do capital da empresa Hefner & Staley, que por sua vez é proprietária de 99,99% da importadora H & S Trading. A efetiva operação de venda aos adquirentes finais é realizada pela empresa Krypton T. F. Representações, cujos sócios são Liu Shun Chen e Tibé rio Alves Rodrigues, e tem ainda como responsáveis Liu Kuo An e Liu Shun Jen [pai e filho 1 . Verifica- se, assim, que o comprador de fato é o próprio vendedor das 5 mercadorias aos adquirentes finais, constituindo-se, as operações registradas, em prática de simulação fraudulenta com vistas a ocultar os reais beneficiários e sonegar tributos. Os documentos referentes a todas as Dl objeto do presente processo foram encontrados na residência de Liu Kuo An, e apresentam as seguintes irregularidades: - DI n° 99/0848820-1 — vários documentos com dados gerais da operação, inclusive Packing List emitido pelo fabricante das mercadorias High View International., LTD., demonstram que a mercadoria foi negociada pelo preço de US$ 43.359,64. A empresa Tass apresentou documentos demonstrando que vendeu os produtos para a empresa Yuni Comércio, porém os registros encontrados na residência de Liu Kuo An atestam que a prestaçã o de contas relativa às despesas com a desconsolidação da carga, o despacho, o transporte e a solicitação de numerário foram feitas pela empresa de despachos aduaneiros diretamente a Marco Liu, filho de Liu Kuo An, em nome da empresa Kiypton. Ademais, as notas fiscais de saída emitidas pelo importador não contemplam nem o custo total declarado para a importação. - Dl n° 99/1066832-7 - os documentos que refletem a verdadeira operação comercial, inclusive Packing List emitido por I Horng Power CO., LTD., indicam que a mercadoria foi embarcada em Hong Kong para Paranaguá, por conta e risco de Betra Com. Internacional, pelo preço de /V73 3.756.240,00, equivalente a US$ 119.107,20. Da mesma forma que na operação descrita no item anterior, o valor constante nas notas fiscais de saída emitidas pelo importador não contempla o custo total declarado para a importação. - DI n o 99/0953974-8 —foram encontrados documentos contendo os preços unitários dos produtos transacionados, bem como documentos que demonstram o valor total efetivamente pago pelos mesmos produtos, no montante de US$ 38.860,00. - DI nrs. 99/0980756-4 e 99/0980793-9 — dois Packing List emitidos pelo fabricante Dongguan Zhan Yi Metal & Electrical Products Co. Ltd., entre outros documentos, discriminam detalhadamente as mercadorias, as quantidades e os pesos, indicando que o preço total pago por elas foi de US$ 74.154,00. - DI n o 9911067024-0 — mercadoria foi efetivamente negociada pelo preço de US$ 29.350,00, conforme atestam diversos documentos. Também nesta importação observa-se que os valores das notas fiscais de saída não alcançam, sequer, o resultado da soma do valor declarado para as mercadorias na DI e do valor das despesas referentes à importação. - DI n° 99/1076063-0 — nesta e nas demais operações, os documentos comprovam que a TASS Trading, que se apresentou como importadora, nem sequer [sic] pagava as despesas gerais de importação, pois a empresa LM Despachos Aduaneiros prestava contas diretamente ao Sr. Lia, bem como dele solicitava o numerário necessário para tanto. O valor real de transação das mercadorias é US$ 119.105,90. )01":"."‘ 6 Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-CIT1 Acórdão n,° 3101-00.173 Fl. 1,172 - DI n° 99/1029825-2 — Packing List emitido pelo fabricante Sandmartin Company Ltd., Conhecimento de embarque da mercadoria, por via marítima, até Montevidéu, e outros controles contábeis comprovam que o valor real da mercadoria é US$ 47.895,00. - Dl n° 99/1053393-6 — o Conhecimento de Embarque HKMT 0010 demonstra que a mercadoria foi embarcada por Dongguan Zhan Yi Metal & Electrical Products Co. Ltd., em Hong Kong, com destino a Montevidéu, com trânsito para o Brasil. O valor efetivo das mercadorias foi encontrado em vários documentos, inclusive Packing List, no montante de US$ 34.036,70. Saliente-se que, em todas as operações, foi indevidamente declarado, como país de procedência, o Uruguai, quando, na verdade, as mercadorias foram embarcadas em Hong Kong, como demonstram os Conhecimentos de Transporte Marítimo, os Packing List e os próprios controles internos do importador, implicando, inclusive, na omissão do valor do frete marítimo entre Hong Kong e Montevidéu, no valor aproximado de US$ 2.800,00, tendo sido declarado apenas o frete rodoviário, no valor de US$ 300,00. À fl. 632, foi juntado um documento que demonstra que a importadora Tass Trading administrava os pagamentos das despesas ocorridas em Montevidéu, bem como as despesas do frete marítimo das cargas importadas, tendo pleno conhecimento de que as mercadorias eram, de fato, procedentes de Hong Kong, e não de Montevidéu, e que os valores declarados a título de frete nas DI não correspondiam ao custo do transporte. Além das importações já arroladas, foram também objeto da presente autuação as Dl nrs. 99/0981281-9 e 99/0981039-5, em relação as quais foram encontrados documentos, no entanto, neles não há elementos capazes de demonstrar os valores efetivos das operações. Tais declarações, instruídas com faturas comerciais da empresa Chu Sheng, de Taiwan, referem-se a importação de cabos, conectores, capas, plug, fios, baterias, etc. Do exame dos documentos apresentados pelo importador, relacionados com as operações em referência, verifica-se terem elas as mesmas características das demais importações de que trata o presente processo. Quanto à responsabilidade tributária, a autoridade lançadora afirma que a empresa H & S Trading é a contribuinte, pois registrou as declarações de importação, embora não tenha participado das transações comerciais das quais se originaram as importações. Saliente-se, ainda, que a autuada apresentou documentos falsos que simulam operações de compras internacionais, como se fosse comerciante compradora das mercadorias. No caso vertente, sem prejuízo da responsabilidade da contribuinte importadora, ocorre a responsabilidade solidária do mentor e dirigente da organização criminosa, Liu Kuo An, 7 cuja vincula ção ficou suficientemente provada nos documentos, registros e arquivos magnéticos examinados pelo Fisco. Intimados do lançamento, os interessados instauraram o contraditório com as razões de folhas 659 a 713 do volume III e 1 a 6 dos autos apensos 15 , assim sintetizadas no final da segunda e no inicio da terceira folhas das razões recursais: A recorrente apresentou impugnação à autuação fiscal, alegando, preliminarmente, a nulidade da autuação por incompetência dos auditores — que teriam agido sem Mandado de Procedimento Fiscal específico para fiscalizar uma de suas filiais —, omissão de remissão legal, inobservância dos procedimentos de valoraçã o estabelecidos pelo GATT e desobediência aos princípios da moralidade, razoabilidade e tipicidade. No mérito, de sua defesa, a recorrente rebateu todas as acusações de conluio, fraude e sonegação, asseverando não possuir qualquer controle sobre as atividades de seus clientes, sendo-lhe facultado o exercício de serviços de importação por ig conta de terceiros. Alternativamente, pediu a manutenção do crédito tributário e da multa e juros morató rios, e o afastamento das multas regulamentar e de controle administrativo, aplicadas sob fundamento de suposta conduta dolosa. O Sr. Liu Kou An também apresentou impugnação ao lançamento, suscitando a nulidade dos Autos de Infração por ausência de qualificação do responsável solidário, violação ao principio de presunção de inocência, ausência de demonstração de interesse comum na obrigação solidária, necessidade de perícia nos documentos encontrados em sua residência e insuficiência de indícios para caracterização de sua responsabilidade solidária pelos débitos. A impugnação em nome de Liu Kuo An, responsável solidário, foi subscrita por dois advogados com poderes recebidos por substabelecimentos 16 , o primeiro deles firmado pelo também advogado Celso Vieira Ticianelli, outorgado no instrumento particular de procuração ad judicia et extra de folha 653, cuja finalidade especifica é retirar quatrocentos dólares americanos (travelers cheques) do Banco Central do Brasil 17 O segundo substabelecimento foi firmado por beneficiário do primeiro. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: 15 Processo administrativo 11831.003073/2003-48. 16 Instrumentos particulares de substabelecimentos acostados às folhas 7 e 8 dos autos apensos (processo administrativo 11831.003073/2003-48). 17 Incidente de restituição na Primeira Vara Federal Criminal de São Paulo (SP). vr a Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.173 Fl. 1.173 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/08/1999 a 05/05/2000 Ementa: MPF. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Os Autos de Infração atendem aos requisitos legais, pois foram lavrados por Auditores Fiscais que detém competência legal para tanto, e que estavam devidamente autorizados por MPF, inclusive quando da diligência efetuada na filial da interessada, em São Paulo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia quando a solicitante apresenta apenas razões vagas e genéricas para justificar a sua realização, e não indica qualquer quesito que pretenda seja respondido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 17/08/1999 a 05/05/2000 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme disposto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Importação -II Período de apuração: 17/08/1999 a 05/05/2000 Ementa: VALORA ÇÃO ADUANEIRA. FRAUDE. Havendo nos autos prova de que os preços declarados nos despachos de importação não correspondem ao valor de transação, tendo em vista que as faturas apresentadas são inidôneas, é de se adotar os preços informados em documentos que representam a real transação, exigindo-se a diferença de Imposto de Importação acrescida de multa de oficio majorada de 150%, e a diferença de IPI acrescida de multa de oficio majorada de 300%, cabível diante da presença dos elementos fraude, conluio e sonegação. SUBFATURAMENTO. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTA ÇOES. A declaração, nos despachos aduaneiros, de preços inferiores aos praticados de fato, com a utiliza çâo de documentos ideologicamente falsificados, sujeita o infrator à multa por infração ao controle administrativo das importações, a título de subfaturamento. ÇÇN 9 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 17/08/1999 a 05/05/2000 Ementa: FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. A Licença obtida pela importadora, quando do registro da DI, não ampara a operação de fato ocorrida, pois foram ocultados os reais exportadores e importadores, e o valor das mercadorias declarado não corresponde ao efetivamente praticado, tendo sido burlados os controles de natureza cambial, comercial e financeira, caracterizando-se, assim, a chamada infração administrativa ao controle das importações. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 17/08/1999 a 05/05/2000 Ementa: PENALIDADE. INC. I DO ART. 463 DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO DA INFRAÇÃO. A exigência de diferença de tributos vinculados à importação pressupõe o juízo da admissibilidade da regularização dos produtos internados na economia do Pais, afastando a exigência da multa prevista para os casos de entrega a consumo de produto de procedência estrangeira importado irregular ou fraudulentamente, passível de perdimento. Lançamento Procedente em Parte Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Florianópolis (SC), recurso voluntário foi interposto por 1-1 & S Trading Importadora e Exportadora Ltda. às folhas 1.023 a 1.045 e 1.137 a 1.153. Nessa petição, a sociedade empresária discorre sobre: (1) inaplicabilidade das penalidades por infração à legislação aduaneira em face da inexistência de efetiva comprovação de dolo na conduta da recorrente; (2) indevida aplicação da multa por ausência de guia de importação; (3) indevida utilização do sexto método de valordo aduaneira, também conhecido como método dos critérios razoáveis ou do último recurso. Dos dois sujeitos passivos da obrigação tributária principal, somente o contribuinte foi intimado da decisão a quo, o responsável solidário não foi intimado nem recorreu à segunda instância administrativa, nesse primeiro momento. Na sessão de julgamento de 28 de março de 2007, por intermédio da Resolução 303-01.290, a conversão do julgamento do recurso em diligência à repartição de origem foi conduzida pelo voto que transcrevo: Conforme relatado, um dos sujeitos passivos da obrigação tributária principal objeto desta lide é patrocinado na impugnação por advogados que receberam poderes por substabelecimentosm, o primeiro deles firmado pelo também advogado Celso Vieira Ticianelli, outorgado no instrumento particular de procuração ad judicia et extra de folha 653, cuja finalidade especifica é retirar quatrocentos dólares americanos (travelers cheques) do Banco Central do Brasil. O segundo substabelecimento foi firmado por beneficiário do primeiro. 18 Instrumentos particulares de substabelecimentos acostados às folhas 7 e 8 dos autos apensos (processo administrativo 11831.003073/2003-48). Ir A t5-- io Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.173 Fl. 1.174 Lanço mão da analogia, procedimento autorizado no inciso I do artigo 108 do Código Tributário Nacional, para tentar eliminar o defeito constatado mediante aplicação do disposto no caput do artigo 13 do Código de Processo Civi119. Outrossim, o responsável solidário não foi intimado da decisão de primeira instância nem apresentou recurso voluntário. Isso posto, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade competente: a) intime o responsável solidário, Liu Kuo An, a sanar o vício de representação, no prazo de cinco dias, dilatado até o dobro mediante comprovada justificação", por meio da juntada do regular instrumento de outorga de poderes da cláusula extra judicia possíveis de serem exercidos nos autos do presente processo administrativo tanto pelo advogado que tomou ciência dos lançamentos2I quanto por aqueles que subscreveram a impugnação da exigência22; e b) após sanado o vício de representação, dê ciência do acórdão da Primeira Turma da DRJ Florianópolis (SC) ao responsável solidário e intime-o a pagar os tributos ou a interpor recurso voluntário. Em atendimento à determinação deste colegiado, foram acostados aos autos, dentre outros documentos: (1) instrumento particular no qual Liu Kuo An outorga poderes de representação às advogadas Lyse Maria Rodrigues Fajnzylber e Isabella Fajnzylber Krueger2 3 ; (2) instrumento particular no qual a advogada Lyse Maria Rodrigues Fajnzylber substabelece os poderes recebidos de Liu Kuo An para o advogado Josuel Benedito de Farias, dentre outros beneficiários da outorga, com reservas de iguais para ela24 ; (3) recurso voluntário interposto .por Liu Kuo An25 , no qual reclama a extinção do crédito tributário pela decadência e reitera suas razões iniciais quanto às demais razões de mérito. 19 CPC, artigo 13: Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (I) ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; (II) ao réu, reputar-se-á revel; (III) ao terceiro, será excluído do processo. 20 Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 24 e parágrafo único. 21 Advogado que tomou ciência dos lançamentos: Celso Vieira Ticianelli. 22 Advogado que subscreveram a impugnação: Lyse Maria Rodrigues Fajnzylber e Josuel Benedito de Farias. 23 Instrumento particular de mandato acostado à folha 1.131 (volume IV). 24 Instrumento particular de substabelecimento de mandato acostado à folha 1.132 (volume IV). 25 Recurso voluntário interposto por Liu Kuo An acostado às folhas 1.137 a 1.153 (volume IV). 11 Concluída a juntada dos documentos, a autoridade preparadora deu _por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa 2b os quatro volumes dos autos então processados com 1.155 folhas, afora uni apenso27. Depois disso, a secretaria da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional. Em suas contra-razões, a Fazenda Nacional assevera: O caso destes autos se assemelha a muitos outros que trafegam por estes Conselhos, TODOS a terem por figura central o Sr. Liu Kuo An, coordenador de organização fraudulenta que engloba quase uma dezena de empresas dedicadas a importar produtos com fraude à legislação tributária. No corpo de sua manifestação, a PFN transcreve memorial relativo a caso que considera assemelhado e bem retrata a situação aqui discutida28 e, no final, conclui: Em face da sistemática atividade criminosa promovida por esse grupo de empresas, sempre orquestradas pelo Sr. Liu Kuo An, entende a Procuradoria da Fazenda Nacional que os recursos, tanto da empresa como do responsável solidário devam ter o mesmo fim: o inteiro improvimento. Essas contra-razões da Fazenda Nacional, acostadas às folhas 1.158 a 1.168, encerram o quarto e último volume dos autos do presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Relator Conheço dos recursos voluntários e de oficio porque atendidos todos os pressupostos processuais. Despacho acostado à folha 1.155 (volume IV) determina o encaminhamento dos autos para o Terceiro Conselho de Contribuintes. 27 Processo administrativo 11831.003073/2003-48, processado com 30 folhas. Termo de .juntada por apensamento ao processo administrativo 19515.001063/2003-62 lavrado no encerramento do volume. 28 Memorial paradigma relativo ao Recurso 136082 (Cremei Comercial Exp. Imp. e Distr. Ltda. & Outros). 12 Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.173 Fl. 1.175 Inicialmente, cuidarei dos recursos voluntários, dos quais são matérias estranhas: a multa regulamentar29 do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e as parcelas do crédito tributário vinculadas às DI 99/0981281-9 e 99/0981039-5, temas do recurso de oficio. Afasto, sumariamente, a alegada decadência do direito da Fazenda Nacional, porquanto os fatos geradores das obrigações tributárias ocorreram no período de 6 de outubro de 1999 a 13 de dezembro de 1999 e a ciência dos lançamentos dos créditos tributários aos sujeitos passivos de tais obrigações foi levada a efeito nos dias 2 e 3 de abril de 2003, antes de completados três anos e seis meses do fato gerador mais antigo. Nas demais razões de mérito da primeira parte desse voto, enfrentarei três das quatro infrações denunciadas: (1) declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto); (2) importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente30 (licenciamento automático)31 , e (3) subfaturamento do preço ou valor da mercadoria na importação. Em sede de recurso, a declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto) sequer é questionada na parcela do lançamento vinculado a nove 32 das onze declarações de importação identificadas na denúncia fiscal, submetidas ao primeiro método de valoração aduaneira. Com efeito, nesse particular, a pessoa jurídica aduz, em síntese, serem inaplicáveis as penalidades por infração à legislação aduaneira em face da inexistência de efetiva comprovação de dolo na sua conduta. No entanto, consoante a exegese do artigo 136 do Código Tributário Nacional [ 33], a atribuição de responsabilidade ao contribuinte por infrações à legislação tributária carece da comprovação de dolo, senão por força de determinação legal noutro sentido. Ademais, é cediço que a declaração a menor do valor aduaneiro de mercadorias é infração que autoriza o lançamento da diferença entre o tributo devido e o recolhido em cada importação, calculado mediante o uso da aliquota ad valorem e do valor aduaneiro apurado em conformidade com os métodos definidos no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). 29 Lei 4.502, de 1964, artigo 83, caput e inciso I, e artigo 1 0, alteração 2, do DL 400, de 1968, regulamentados pelo artigo 463, inciso I, do Decreto 2.637, de 1998 (RIPI 1998) (consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular). 30 Documentos equivalentes, nas palavras do auditor fiscal autuante: guia de importação e licenciamento de importação. 'I Importação sujeita a licenciamento automático, fato reconhecido no voto condutor do acórdão recorrido (folha 1.010 5 início do sexto parágrafo). 32 Declarações de Importação submetidas ao primeiro método de valora* aduaneira: 99/0848820-1, 99/1066832-7, 99/0953974-8, 99/0980756-4, 99/0980793-9, 99/1067024-0, 99/1076063-0, 99/1029825-2, 99/1053393-6. 33 CTN, artigo 136: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. //// 13 Por conseguinte, na parcela do lançamento vinculado às declarações de importação submetidas ao primeiro método de valoração aduaneira 34 , considero irreparável a denunciada declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorretamente declarado). A respeito da exigência da multa do controle administrativo das importações, fundamentada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 [ 35 ], cuja base legal é o Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, I, "b", alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978. A aplicação da penalidade tem dois motivos: a) mercadoria considerada importada sem licenciamento (licenciamento automático)36, em face de declarações fictícias deliberadamente prestadas na identificação das operações de comércio exterior registradas no Siscomex 37 , motivou a cominação de pena cujo fato típico é falta de guia de importação ou documento equivalente; b) entende o autuante que guia e licenciamento de importação são documentos equivalentes. Logo, faz-se necessário, em primeiro lugar, identificar a natureza da guia e a do licenciamento de importação. Reportando-nos à segunda metade da década de 50 do século XX, é fácil constatar que a guia de importação foi instituída "para fins de levantamento da estatística de importação do comércio exterior"38 , nos termos do § 3° do artigo 38 da Lei 3.244, de 14 de agosto de 1957, regulamentado pelo Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, posteriormente revogado por Decreto de 5 de setembro de 1991. 34 Declarações de Importação submetidas ao primeiro método de valoração aduaneira: 99/0848820 - 1, 99/1066832-7, 99/0953974-8, 99/0980756-4, 99/0980793-9, 99/1067024-0, 99/1076063-0, 99/1029825-2, 99/1053393-6. 35 RA de 1985, artigo 526: Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, alterado pela Lei 6.562, de 1978, artigo 2°): [...] (II) importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; [...] (§ 4°) Salvo no caso do inciso III deste artigo, na ocorrência simultânea de mais de uma infração, será punida apenas aquela a que for cominada a penalidade mais grave (Decreto-Lei n° 37/66, art. 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, art. 2°, § 40). (§ 5°) A aplicação das penas previstas neste artigo (Decreto-Lei n° 37/66, art. 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, art. 2°, § 5°): (I) não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; [...]. 36 Importação sujeita a licenciamento automático, fato reconhecido no voto condutor do acórdão recorrido (folha 1.010, inicio do sexto parágrafo). 37 Relatório de Fiscalização, folha 61: "[...] verificou-se, no decorrer desta fiscalização, que as informações prestadas pelo importador para efeitos de licenciamento (automático ou não) e de despacho aduaneiro, não permitiram que as operações pudessem ser corretamente caracterizadas, prejudicando a definição do seu enquadramento quanto ao controle administrativo. Na medida em que, deliberadamente, foram declaradas operações comerciais fictícias, com valores que não representam os valores comerciais efetivamente praticados, que se declarou exportadores fictícios, que se omitiu as verdadeiras características das operações, inclusive informando com falsidade as quantidades na medida estatística (informação relevante para o controle de preços), que se omitiu o fato de que as mercadorias importadas eram pagas à margem do sistema cambial regular para importações, todo e qualquer controle administrativo ficou prejudicado, pois as informações de natureza comercial, financeira cambial e fiscal foram totalmente adulteradas". 38 Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, artigo 1°. j/ 14 Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.173 Fl. 1.176 Quase quatro décadas depois da instituição daquele documento de controle estatístico, no Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, parte integrante da ata final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada pelo Decreto 1.355, de 30 de dezembro de 1994, o licenciamento de importação é definido como procedimentos administrativos. [.] que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. 39 [Gnfeil Portanto, têm naturezas diversas a guia e o licenciamento de importação. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. Assim, entendo equivocado, no caso concreto, infligir a multa do controle administrativo das importações, fundamentada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 [40], cuja base legal é o Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, I, "b", alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978, em razão de não ser fato típico dela a importação de mercadorias ao desamparo de licenciamento de importação. Ainda na primeira parte desse voto, passo agora à terceira [ultima a ser aqui enfrentada] das quatro infrações denunciadas: subfaturamento do preço ou valor da mercadoria na importação, legalmente enquadrada no artigo 526, III [ 41 ], do Regulamento Aduaneiro de 1985. Pena cominada: 100% do subfaturamento das mercadorias importadas. De início destaco permissivo legal inclusive para o lançamento dessa multa na ocorrência simultânea de outra infração administrativa ao controle das importações, a contrario do disposto no § 40 do artigo 169 do Decreto-lei 37, de 1966, com a redação dada pela Lei 6.562, de 1978, bem como para a concomitante exigência dos tributos eventualmente 39 Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, artigo 1, parágrafo 1. 40 RA de 1985, artigo 526: Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, alterado pela Lei 6.562, de 1978, artigo 2°): [...] (II) importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; [...] (§ 4°) Salvo no caso do inciso III deste artigo, na ocorrência simultânea de mais de uma infração, será punida apenas aquela a que for cominada a penalidade mais grave (Decreto-Lei n° 37/66, art. 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, art. 2°, 4 0). ( ,5 5°) A aplicação das penas previstas neste artigo (Decreto-Lei n° 37/66, art. 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, art. 2°, § 5 0): (I) não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação especifica; 41 RA de 1985, artigo 526: Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, alterado pela Lei 6.562, de 1978, artigo 2°): [...] (III) subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria: multa de 100% (cem por cento) da diferença; [...] (§ 4°) Salvo no caso do inciso III deste artigo, na ocorrência simultânea de mais de uma infração, será punida apenas aquela a que for cominada a penalidade mais grave (Decreto-Lei n° 37/66, art. 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, art. 2°, § 4°). (§ 5°) A aplicação das penas previstas neste artigo (Decreto-Lei n° 37/66, art. 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, art. 2°, § 5°): (I) não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação especifica; [...J. (\ç., 15 devidos e das penas a eles vinculadas, por expressa determinação do inciso I do § 5° do artigo citado (RA, de 1985, artigo 526, § 4° e § 5°, I). Fato relevante merece aqui ser mencionado: a margem de desacerto dos valores declarados nas Dl revisadas variava entre 61% e 76% dos valores aduaneiros das mercadorias importadas42 , diferença bastante superior ao erro escusável de que trata o § 7° do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro de 1985: "diferença para mais ou para menos, por embarque, não superior a 10% (dez por cento) quanto ao preço". Por essa forma, entendo irreparável o lançamento da multa do controle administrativo de importações equivalente a 100% do subfaturamento das mercadorias, dada a incontroversa existência do subfaturamento das operações apuradas mediante utilização do primeiro método de valoração aduaneira (valor de transação), amparado em farta documentação acostada aos autos, tais como: pacicing list, apólices de seguro e documentos relacionados ao transporte. A propósito da refutada sujeição passiva solidária por interesse comum, é fato que a ora recorrente se apresenta nos autos como responsável pela importação por conta e ordem de terceiros. Previamente à abordagem do tema, lembro que o intérprete deve ir além da investigação do sentido das palavras, buscando a inteligência do texto legal (interpretação lógica) de tal sorte que o harmonize com o sistema normativo no qual está inserido (interpretação sistemática), sem abandonar o objetivo visado pela norma jurídica (interpretação teleoló gica). Nesse contexto, a trading company, nas operações por conta de terceiros, e as contratantes dessas importações são sujeitos passivos da obrigação tributária principal; seja como personagens principais do fato jurídico, na qualidade de contribuintes (CTN, artigo 121, parágrafo único, I), seja na qualidade de responsáveis solidárias (CTN, artigo 124, I e parágrafo único, e artigo 121, parágrafo único, II, c/c Decreto-lei 37, de 1966, artigo 95, I e IV). O tributarista LUCIANO AMAR043 , quando cuida de "precisar melhor o que o Código Tributário Nacional objetivou com a definição do contribuinte", assevera: [...] Ao falar em relação pessoal, o que se pretendeu foi sublinhar a presença do contribuinte na situação que constitui o fato gerador. Ele deve participar pessoalmente do acontecimento fatie° que realiza o fato gerador. É claro que essa presença é jurídica e não necessariamente física (ou seja, o contribuinte pode relacionar-se com o fato gerador através de representante legal; o representante o faz presente). Ademais, quer o Código que essa relação seja direta. Em linguagem figurada, podemos dizer que o contribuinte há de ser o personagem de relevo no acontecimento, o personagem principal, e não mero coadjuvante. Ele deve ser identificado na pessoa em tomo da qual giram os fatos. [...] A identificação do contribuinte facilita a análise do responsável. Recordemos que, na definição legal, o sujeito passivo diz-se 42 Relatório de Fiscalização, folha 56. 43 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 302-304. 16 Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.173 Fl. 1.177 responsável "quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei" (CTN, art. 121, parágrafo único, II). Esse conceito, tecnicamente pobre, é dado por exclusão: se alguém é devedor da obrigação principal e não é definível como contribuinte, ele será responsável. A segunda noção contida no dispositivo (no sentido de que o responsável há de ser obrigado por expressa disposição legal) é despicienda. Ela está, evidentemente, inspirada na idéia [...] de que o contribuinte não precisaria ser explicitado na lei, pois o intérprete o identificaria a partir da mera descrição do fato gerador, ao contrário do responsável, que necessitaria dessa expressa indicação na lei. Por expressa determinação do Decreto-lei 37, de 1966, artigo 95, I e IV, são responsáveis pela infração: "quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie", bem como "a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria". Destarte, nas infrações à legislação tributaria decorrentes de operações por conta de terceiros, entendo correto o lançamento tanto na trading company quanto na contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem; uma como contribuinte, a outra como responsável solidária por interesse comum. Ainda vinculado ao Imposto de Importação, há no crédito tributário lançado multa proporcional de 150%, fundamentada no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e essa pena qualificada é matéria litigiosa. Neste momento, é imperiosa para a formulação do juizo de valor quanto à legitimidade da exigência, a investigação da presença do pressuposto qualificador da pena, vale dizer, a busca do evidente intuito de fraude por ação ou omissão dolosa. Por força da remissão aos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, o gênero fraude, pressuposto qualificador da pena referido no fundamento legal da multa ex officio, contém três espécies: sonegação, fraude stricto sensu e conluio. Em tese, a presença de apenas uma das espécies do gênero fraude já seria suficiente para sustentar a aplicação da multa qualificada, mas há nos autos deste processo minudente descrição de fatos, corroborada por documentação nele acostada, caracterizadores da existência de sonegação fiscal, fraude stricto sensu e conluio. Sonegação fiscal porque foi tentado o impedimento e lograram retardar dolosa e parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, mormente quanto à declarada identificação inverídica do comprador (real importador, no Brasil), do vendedor (real exportador, no exterior) e do valor aduaneiro das mercadorias. Fraude stricto sensu porque dolosamente modificadas as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal com o intuito de reduzir o tributo devido. Destacam-se dentre as modificações implementadas: emissão de faturas falsas 17 omitindo a identificação do vendedor (real exportador, no exterior), substituindo-o por empresas uruguaias, com valores subfaturados. Conluio porque diversas pessoas físicas e jurídicas promoveram o ajuste doloso com o fim precípuo de reduzir o montante do tributo devido. Alguns agentes do conluio identificados no Relatório de Fiscalização de folhas 13 a 64: Tass Importação e Exportação Ltda. [antiga denominação social de Tass Trading, Distribuidora, Importadora e Exportadora Ltda., posteriormente renomeada Tass Trading Importadora e Exportadora Ltda. antes da atual denominação social H & S Trading, Importadora e Exportadora Ltda.]; Hefner & Staley Participações"; Hefner Federal Sociedad Anônima e Staley Federal Sociedad Anônima"; Troni Eletrônica Ltda.; Luft Indústria e Comércio Ltda.; Krypton T. F. Representações S/C Ltda."; Chu Sheng47; Liu Kuo An48 e seus filhos Liu Shun Chien e Liu Shun Jen"; Marcelo Gomes Taddei50; Juan Carlos Perocco; e Tibério Alves Rodrigues51. A participação da Tass Trading, Distribuidora, Importadora e Exportadora Ltda., antiga denominação social de H & S Trading Importadora e Exportadora Ltda. no conluio para sonegar tributos resta evidenciada na comprovada administração que fazia dos pagamentos das despesas ocorridas em Montevidéu' 2 , tais como: frete marítimo das importações. Na qualidade de administradora dessas despesas, indubitável era o pleno conhecimento da Tass Trading, Distribuidora, Importadora e Exportadora Ltda. acerca da procedência das mercadorias [Hong Kong] bem como o valor a menor do frete consignado nas declarações de importação. No Brasil, a pessoa jurídica responsável pelos despachos aduaneiros se dirigia ao responsável solidário Liu Kuo An ou a seus filhos, diretamente ou por intermédio da sociedade empresária Krypton T. F. Representações S/C Ltda. 53 , nas solicitações dos recursos financeiros e prestação de contas das despesas incorridas nesse labor. Diante disso, por ação desses agentes, principalmente Tass Trading, Distribuidora, Importadora e Exportadora Ltda., Liu Kuo An e seus filhos, Krypton T. F. Representações S/C Ltda. e a comissária de despachos aduaneiros, tenho por certa a caracterização das três qualificativas da multa, o conluio a sonegação e a fraude stricto sensu. Por conseguinte, entendo legitima a aplicação da multa de 150%, fundada na presença do evidente intuído de fraude lato sensu por ação ou omissão dolosa, pressuposto qualificador da pena quando materializado em ao menos uma de suas espécies: sonegação, fraude stricto sensu ou conluio. " Quotista da sociedade empresária recorrente, com 99% do capital social. 45 Uruguaias, com sede comum, quotistas da sociedade empresária Hefner & Staley Participações. 46 Responsável pela venda das mercadorias importadas aos adquirentes finais. 47 Agente operacional de Liu Kuo An em Taiwan, dissimulada como fornecedora das mercadorias. 48 Comprador de fato das mercadorias importadas. 49 Representantes do pai em operações de comércio exterior por meio das empresas Troni Eletrônica Ltda., Luft Indústria e Comércio Ltda. e Krypton T. F. Representações S/C Ltda. 5° Quotista da sociedade empresária recorrente, com 1% do capital social e procurador das uruguaias Hefner Federal Sociedad Anônima e Staley Federal Sociedad Anônima, poderes outorgados pelo diretor presidente de ambas: Juan Carlos Perocco. 51 Sócio da pessoa jurídica Krypton T. F. Representações S/C Ltda., ao lado de Liu Shun Chen. 52 Ver documento de folha 632. 53 Responsável pela venda das mercadorias importadas aos adquirentes finais. 4' 18 • Processo Ir 19515.00106312003-62 83-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.173 Fl. 1.178 Assim como no Imposto de Importação, a multa relativa ao lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação é qualificada (150%), mas diferencia-se daquela porque aqui além de qualificada é majorada em 100%. A exasperação da pena é matéria litigiosa. Diferentemente do Imposto de Importação, para o Imposto sobre Produtos Industrializados, as circunstâncias qualificativas estão enumeradas no artigo 68, § 2°, da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo Decreto-lei 34, de 18 de novembro de 1966, mas as substâncias são coincidentes: sonegação, fraude stricto sensu e conluio. Conseqüentemente, faço uso dos elementos de convicção expostos na apreciação do lançamento da multa qualificada (150%) do Imposto de Importação para concluir igualmente pela procedência da multa qualificada (150%) do lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação. Porém o litígio alcança ainda a multa majorada de 100% no lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação. Sobre esta matéria, ordena o artigo 69, II, da Lei 4.502, de 1964: "nas infrações qualificadas, ocorrendo mais de uma circunstância qualificativa, a pena básica será majorada de 100%". Consoante já destaquei noutra passagem deste voto, por ação dos agentes então identificados, entendo caracterizadas as qualificativas da multa, o conluio e sonegação e a fraude stricto sensu. Desse modo, entendo legítima a aplicação da multa de 150% majorada de 100%, fundada na presença do evidente intuído de fraude lato sensu por ação ou omissão dolosa, pressuposto qualificador da pena materializado em mais de uma de suas espécies: sonegação, fraude stricto sensu ou conluio. Doravante, cuidarei do recurso de oficio, que alcança a multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e as parcelas do crédito tributário vinculadas às DI 99/0981281-9 e 99/0981039-5. Conforme relatado, a multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fundamentada no artigo 83, caput e inciso I, da Lei 4.502, de 1964, alteração r, do DL 400, de 1968 [54], regulamentado pelo artigo 463, inciso I, do Decreto 54 Lei 4.502, de 1964, artigo 83: Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (I) Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota-fiscal, conforme o caso; (redação dada pelo artigo 1°, alteração 2', do Decreto-lei 400, de 1968) (II) Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota-fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (redação dada pelo artigo 1°, alteração 2, do Decreto-lei 400, de 1968) (§ 1°) No caso do inciso I, a pena não prejudica a que for aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e no caso do inciso II, é independente da que for cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, em razão it( '19 2.637, de 1998 (RIPI 1998), foi lançada sob a denúncia: consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular. Neste caso, creio descabido o lançamento dessa multa substitutiva da pena de perdimento: aquela cabível quando impossível a aplicação desta em face do consumo ou da entrega a consumo do produto sobre o qual incidiria o perdimento. Com efeito, segundo a inteligência do § 1 0 do artigo 83 da Lei 4.502, de 1964, das penas cominadas nos dois incisos, somente a penalidade do inciso II independe "da que for cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto". A contrário, não há se falar na concomitante incidência da multa do inciso I com a exigência dos tributos acrescidos das multas de oficio, afora outra multa equivalente a 100% da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado55. Nesse sentido, para concluir pela exasperada exigência fiscal dessa multa, faço uso subsidiário do comando emanado do artigo 23 do Decreto-lei 1.455, de 7 de abril de 1976, que converte em pecúnia a pena de perdimento das mercadorias consumidas ou não localizadas nas infrações consideradas dano ao erário, mas não autoriza a futura apreensão dessas mesmas mercadorias, se localizadas, salvo em hipóteses estranhas ao caso concreto ora examinado: (1) ingresso no território nacional "ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor"; (2) importação proibida; (3) consumo proibido; ou (4) circulação proibida no território nacional56. Ora, se a aplicação da pena de perdimento convertida em dinheiro outorga a aparência de regularidade à mercadoria irregularmente nacionalizada, se posteriormente localizada, salvo nos casos expressamente enumerados no § 40 do artigo 23 do Decreto-lei 1.455, de 7 de abril de 1976, nenhum deles aqui caracterizado, e se das penas cominadas nos dois incisos do artigo 83 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, somente a penalidade do inciso II independe "da que for cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto", concluo pela inadequada aplicação da multa do citado artigo 83, caput e inciso I, quando igualmente exigidos todos os tributos incidentes sobre a importação, bem como as multas pela falta ou insuficiência de recolhimento dos referidos tributos. Logo, considero irreparável essa parte do julgamento de primeira instância administrativa que excluiu da exigência a multa igual ao valor comercial da mercadoria da utilização da nota, não podendo, em qualquer dos casos, o mínimo da multa aplicada ser inferior ao grau máximo da pena prevista no artigo seguinte para a classe de capital do infrator. 55 Para fatos geradores até 27 de agosto de 2001: artigo 169, II, do Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966. Para fatos geradores posteriores a 27 de agosto de 2001: artigo 88, parágrafo único, da Medida Provisória 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (RA 1985, artigo 526, III; e RA 2002, artigo 633, 1.). 56 Decreto-lei 1.455, de 1976, artigo 23: Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (I) importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; [...] (§ 1°) O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) [...] (§ 3°) A pena prevista no § 1 Q converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) (§ 4°) O disposto no § 3 2 não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002). nn(f-5Ï 20 Processo n° 19515.001063/2003-62 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.173 Fl. 1.179 prevista no artigo 83, caput e inciso 1, da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo artigo 1 0, alteração 2', do Decreto-lei 400, de 30 de dezembro de 1968. Noutro ponto, trata a remessa oficial das parcelas do crédito tributário vinculadas às DI 99/0981281-9 e 99/0981039-5. Nesse particular, adoto e transcrevo os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso das DI nrs. 99/0981281-9 e 99/0981039-5, não foram encontrados elementos capazes de comprovar os valores efetivos das operações. A autoridade autuante entendeu que tais importações tinham as mesmas características das demais importações que foram objeto dos presentes lançamentos, e apurou novo valor aduaneiro, utilizando o 6° método de valoraçã o. Com fundamento no referido método, arbitrou valores tomando por base as demais importações objeto dos autos, calculou a relação entre o preço declarado e o preço efetivo, e adotou o menor percentual de subfaturamento. De outra forma dizendo, a autoridade lançadora concluiu que, se nas outras importações houve subfaturamento, cujos valores declarados alcançaram, no máximo, 39% do valor real, também nestas deve ter ocorrido o subfaturamento dos preços, nos mesmos percentuais. Ocorre que, no contexto do Acordo de Valoração Aduaneira, tal critério não pode ser considerado razoável, pois todos os métodos substitutivos de valoraçã o tem [sie] por finalidade buscar a aproximação do efetivo valor pelo qual a mercadoria poderia ser comercializada, nas mesmas condições em que ocorreu a transação. Verifica-se que o critério adotado, no caso em exame, afasta-se da comparação de preços de mercadorias idênticas ou similares, adotando percentuais de outras importações cujos produtos não guardam relação com a mercadoria que se pretende valorar, bem como se afasta de buscar outros elementos da mesma operação, como o custo de fabricação ou o preço de venda no país importador. Logo, considero irreparável esse aspecto do julgamento do órgão judicante de primeira instância administrativa porque não encontrados elementos capazes de comprovar os valores efetivos das operações levadas a efeito por intermédio dessas duas declarações de importação, nem de operações com mercadorias idênticas ou similares. No caso concreto, a metodologia adotada no curso da ação fiscal para apurar o valor das operações registradas nas declarações de importação 99/0981281-9 e 9910981039-5 diverge da sistemática inerente ao sexto método de valoraçâo aduaneira (método dos critérios razoáveis ou do último recurso). Com essas considerações, nego provimento ao recurso ex officio e dou parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a multa do controle administrativo de importações equivalente a 30% do valor das mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento de importação. ( ar7CC' ' TARÁSIO CAMPELO BORGES 21

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Numero do processo: 18336.000311/00-16
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2005
Ementa: ADUANEIRO - MULTA DE MORA - Não se há de aplicar a multa moratória quando o contribuinte recolheu, antes de qualquer medida de fiscalização relacionada à infração, a diferença de imposto acrescida dos juros moratórios, estando perfeitamente caracterizada a denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-04.260
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias acompanhou o Conselheiro Relator pelas suas conclusões.
Nome do relator: HENRIQUE PRADO MEGDA

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MINISTÉRIO DA FAZENDA J- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS fcr.;r1> TERCEIRA TURMA Processo n° :18336.000311/00-16 Recurso n° : 303-124233 Matéria : MULTA DE MORA Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS Recorrida : r CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 21 de fevereiro de 2005 Acórdão n° : CSRF/03-04.260 ADUANEIRO - MULTA DE MORA - Não se há de aplicar a multa moratória quando o contribuinte recolheu, antes de qualquer medida de fiscalização relacionada à infração, a diferença de imposto acrescida dos juros moratórios, estando perfeitamente caracterizada a denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias acompanhou o Conselheiro Relator pelas suas conclusões. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE HENRIQ RADO MEGDA RELATOR FORMALIZADO EM: 27 AR 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. une , Processo n° :18336.000311/00-16 Acórdão n° : CS RF/03-04 .260 Recurso n° :303-124233 Recorrente • FAZENA NACIONAL Interessada : PETROLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS RELATÓRIO A Colenda Terceira Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto por PETROLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS através do Acórdão n° 303-30.379, de 21/08/2002, assim ementado: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA. A denúncia espontânea de infração, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, exclui a responsabilidade do denunciante pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa de mora sendo, portanto, inaplicável esta última. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs tempestivo recurso especial de divergência contra a decisão proferida pela Colenda Câmara, requerendo seja reformada a decisão da instancia a quo para manter integralmente a bem lançada decisão proferida pelo julgador de primeira instância administrativa. Em prol de sua defesa deduziu, em síntese, os seguintes argumentos: "Inserido no capítulo que consubstancia a estrutura básica da responsabilidade por infração no Direito Tributário brasileiro, o artigo 138 do Código Tributário Nacional tem como conteúdo o instituto da denúncia espontânea. Por intermédio deste instituto, a responsabilidade pelo cometimento de infração de natureza fiscal é elidida através da comunicação do fato à autoridade administrativa competente, acompanhada, quando houver previsão legal, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou depósito da importância arbitrada, comunicação esta que deverá preceder a qualquer procedimento ou medida de fiscalização atinente à infração (in "Denúncia Espontânea — Alcance e Efeitos no Direito Tributário", Rosenice Desiandes, P edição, p. 1). Ocorre que tal instituto não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente de mera inadimplência, configurada no pagamento fora de prazo de tributos apurados e declarados pelo sujeito passivo, sob pena de se premiar o contribuinte que não honra seus débitos tempestivamente, criando verdadeiro desrespeito e pouco caso com relação ao contribuinte cumpridor dos ditames legais. Neste contexto, quando se trata de imposto de importação, Como é o caso "sub" examen", a data de pagamento é a do registro da Declaração de 2 gri et,"1- . .'• Processo n° :18336.000311/00-16 Acórdão n° : CS RF/03-04.260 Importação, conforme sabidamente previsto na legislação aduaneira, sendo que a PETROBRÁS não cumpriu com tal ônus. Logo, não se pode interpretar gramaticalmente o artigo 138 de Código Tributário Nacional como hipótese de dispensa da multa Moratória, já que a interpretação deve ser sistemática e em confronto com o disposto no artigo 161 e 134, parágrafo único, ambos do mesmo código, que prevêem a possibilidade de criação da multa de mora, senão vejamos, verbis: "Art. 161 — O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição de penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas garantia prevista nesta lei ou em lei tributária. Art. 134, parágrafo único: "O disposto neste artigo só se Aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório." GRIFOS NOSSOS Atente-se que a interpretação deve ser SISTEMÁTICA no caso vertente, eis que como bem assinala o culto doutrinador ROQUE CARRAZZA, "a interpretação sistemática, embora parta da interpretação gramatical, vai além desta, uma vez, após atentar pra as palavras da lei, acaba por estabelecer o sentido objetivamente válido de um preceito ou disposição jurídica, levando em conta todo o Direito." ( in "O Regulamento no Direito Tributário brasileiro", p. 141). Por outro lado, não há como se querer invocar o parágrafo único, do artigo 1° da Lei n° 4.287/63 para atacar a autuação perpetrada. Ora, tal dispositivo legal, como é notório, confirmou a isenção outorgada pelo artigo 22, da Lei n° 2.004/53, iximindo a Petrobrás de pagar impostos, taxas e quaisquer ônus fiscais compreendidos na competência da União. Ocorre que este artigo de Lei NÃO FOI RECPCIONADO pela Constituição Federal de 1988, eis que esta determinou de FORMA EXPRESSA tule as empresas públicas e as sociedades de economia mista (a PETROBRAS E UMA) não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado (artigo 173, par. 2°). Ou seja, o tratamento dispensado pela Lei n° 4.287/63 só subsistiria após o advento da nova Carta Nagna, se o beneficio que previu existisse também para o setor privado, o que inocorre. Por conseguinte, o parágrafo único do artigo 1° da citada lei não tem mais respaldo jurídico após 1988." Analisado o recurso especial de divergência, verificou-se o atendimento dos requisitos legais para sua admissibilidade, razão pela qual foi recebido pelo ilustre presidente da 3' Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes. Devidamente cientificado da decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes e do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo-lhe sido facultada a apresentação de contra-razões recursais, o contribuinte compareceu aos autos com suas 3 çrtQl 61 Processo n° :18336.000311/00-16 Acórdão n° : CSRF/03-04.260 contra-razoes recursais, fartamente apoiado na doutrina e na jurisprudência, das quais destacamos os seguintes argumentos: "Como dito linhas atrás, a Petrobrás apresntou Declaração Complementar de Importação à já mencionada Declaração ,de Importação n° 00/0112214- 7, apresentando DENÚNCIA ESPONTANEA, consoante previsto no artigo 138, do Código Tributário Nacional, ocasião em que anexou a DARF original comprobatória do recolhimento do tributo devido, acrescido de juros de mora e correção monetária, assim como Declaração Complementar de Importação de Importação retificando os dados constantes da Declaração de importação em referência, tudo consoante comprovam os documentos em anexo. É bem de ver-se, portanto que a Recorrida, ao contrário que busca a recorrente, cumpriu exatamente o que prescreve o artigo 138, do Código Tributário Nacional. Eis que, conforme demonstrado anteriormente, no momento em que fez a denúncia espontânea não se encontrava com procedimento fiscal iniciado, ou mesmo já instaurado, relacionado com a matéria objeto daquela denúncia, nem tampouco estava intimada para cumprir obrigação referente à mesma. Indevida, pois, a imputação ora impugnada, na medida em que a Recorrida cumpriu com toda sua obrigação legal, procedendo na forma prevista legalmente, não havendo, portanto, razão para sua autuação. A denúncia espontânea nada mais é do que a confissão prática da infração tributária pelo contribuinte e ainda desconhecida pelo Fisco. Como recompensa, não se lhe aplica a sanção correspondente — a multa fiscal. E a sua não incidência decorre da pouca utilidade da pena na hipótese do contribuinte confesso: proteção da norma jurídica afinal preservada pelo comportamento voluntário do devedor. Há também o aspecto da economia proporcionada pela denúncia: evita-se a instauração de um procedimento sancionador. Como não houve por parte do Fisco procedimento ou medida objetivando a apuração da infração fiscal, a denúncia espontânea da infração mostra-se válida e eficaz, isentando o contribuinte do pagamento de qualquer multa. É o relatório. , 4 Processo n° :18336.000311/00-16 Acórdão n° : CS PP/03-04.260 VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA, RELATOR Tomo conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional porque atende aos requisitos de admissibilidade quanto à matéria versada que pertence à competência desta 3* Temia da CSRF, quanto à tempestividade, à demonstração da divergência e à juntada de paradigma (art. 5°, inciso II, parágrafo 2°, art. 70 caput e parágrafo 2°, parágrafo 4°, do Regimento Interno da CSRF). Convém ressaltar que, da simples leitura do disposto no art. 138 do CTN, tem-se que a responsabilidade pelo pagamento da multa é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo e dos juros de mora. Por outro lado, convém, desde logo, trazer à consideração desta CSRF a lição do saudoso Ministro Aliomar Baleeiro, a respeito do alcance do art. 138 do Código Tributário Nacional: "A denúncia espontânea deve vir acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, diz o art. 138, sem distinguir entre espécie de infração (material ou formal) ou de sanções. A infração pode configurar descumprimento do dever de pagar o tributo ou tão-somente descumprimento de obrigação acessória ou de ambas, envolvendo multas moratórias, de revalidação ou isolada. Por tal razão é que o art. 138 dispõe que a denúncia deve vir acompanhada do pagamento do tributo devido, se for o caso. Qualquer espécie de multa supõe a responsabilidade por ato ilícito. Assim, a multa moratória tem, como suporte, o descumprimento tempestivo do dever tributário. E, se a denúncia espontânea afasta a responsabilidade por infrações, é inconcebível a exigência do pagamento de multa moratória, como faz a Administração Fazendária, ao autodenunciante. Seria supor que a responsabilidade por infração estaria afastada apenas para outras multas, mas não para a multa moratória, o que é modificação indevida do art. 138 do CTN. Ao excluir a responsabilidade por infração, por meio da denúncia espontânea, o CTN não abre exceção, nem temperamentos." (Direito Tributário Brasileiro,obra atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi, Editora Forense, 11' Edição, Rio de janeiro, 2002, pág. 769). No mesmo sentido tem se manifestado o Poder Judiciário, favoravelmente a dispensa total das multas de mora mediante a aplicação do dispositivo da denúncia espontânea inserido no art. 138 do Código Tributário Nacional, como assim diz o Supremo Tribunal Federal em acórdão da lavra do Ministro Cordeiro Guerra: "Multa moratória. Sua inexigibilidade em falência, art. 23, parág. Único, III, da Lei de Falências. A partir do Código Tributário Nacional, Lei 5.172, de gig . te Processo n° :18336.000311/00-16 Acórdão n° : CSRF/03-04.260 25.10.66, não há como se distinguir entre multa moratória e administrativa. Para a indenização da mora são previstos juros e correção monetária. RE não conhecido. Nota: neste julgamento foi cancelada a súmula 191." (RE 79625-SP — Relator Ministro Cordeiro Guerra, DJ 08.07.76, RTJ vol. 080-01 pp. 104). Ademais, este julgado assinala que, ao excluir a responsabilidade por infração, o CTN afasta toda e qualquer multa ou pena quando, em seu artigo 138, explicita claramente que o crédito somente será acrescido dos juros moratórios. Na esteira desse entendimento, apresenta-se acórdão do Tribunal Regional Federal da 4' Região, com sede na capital gaúcha: "Tributário. Denúncia Espontânea. Multa Moratória. 1. A denúncia espontânea da infração exclui o pagamento de qualquer penalidade, tenha ela a denominação de multa moratória ou multa punitiva - que são a mesma coisa -, sendo devidos, no entanto, juros de mora. Que não possuem caráter punitivo. Constituindo mera indenização decorrente do pagamento fora do prazo, ou seja, da mora. Como aliás consta expressamente do citado artigo 138 do CTN. 2. Exige-se apenas que a confissão não seja precedida de processo administrativo ou de fiscalização tributária. Porque isso lhe retira a espontaneidade, que é exatamente o que o legislador tributário buscou privilegiar ao editar o artigo 138 do CTN." (Apelação em Mandado de Segurança n° 96.04.28447-9/RS, 2' T. do TRF da 4' R, Rei' Juiza Tânia Escobar, j. em 27 de fevereiro de 1997, DJU 2 de 9.4.97, p. 21872) (sem grifos no original) Corroborando este entendimento, a Súmula n° 208, do extinto Tribunal Federal de Recursos, frente às mais modernas decisões do Superior Tribunal de Justiça, encontra negada a sua vigência, vez que os decisum hodiemos propugnam pela inexigibilidade de multa moratória com o pagamento da divida, vez que, é lógico, proveniente de denúncia espontânea. Neste diapasão resulta de extrema felicidade e clareza a recente decisão do E. Superior Tribunal de Justiça transcrita abaixo: "Tributário. COFINS. Denúncia espontânea. Parcelamento da Dívida. Multa. Art. 138 do C77V. Inexigibilidade. Na hipótese de denúncia espontânea, realizada formalmente. com o devido recolhimento do tributo, é inexigível a multa de mora incidente sobre o montante da divida parcelada, por força do disposto no artigo 138 do CTIV. Precedentes. Recurso provido, sem discrepância. "(Resp n° 111.470/SC T do STJ, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, v. u., julgamento em 20.03.97, DJU 1 de 19.05.97, p. 20587) (apud in Revista Dialética de Direito Tributário v. 22, p. 186). 6 Cir? # , . . Processo n° :18336.000311/00-16 Acórdão n° : CSRF/03-04.260 Como é cediço, não cabe ao intérprete distinguir onde a lei não distingue, especialmente quando se trata de norma que afetam tanto a obrigação principal (na qual se converte a acessória quando não cumprida), quanto a penalidade (administrativa ou punitiva, indistingilidas no direito tributário em vigor). De fato, tanto no que concerne à obrigação tributária principal, quanto no que interessa às multas, é indispensável a tipicidade cerrada, a estrita legalidade, que estão excluídas no texto da lei de natureza 'complementar que extingue, sem ressalvas, a responsabilidade por infrações espontaneamente denunciadas pelo sujeito passivo. Considerando todas as razões acima expostas, voto para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2005 HENRIQ RADO MEGDA o 7 Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1

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Numero do processo: 11040.000788/2002-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF.- É de ser confirmada a decisão que cancelou o lançamento decorrente de revisão de DCTF, uma vez comprovado que o valor do débito foi declarado a maior.
Numero da decisão: 1101-000.049
Decisão: Acórdão os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Ausente, justificada e momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni

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4730527 #
Numero do processo: 18336.000612/2003-27
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DENUNCIA ESPONTÂNEA - A teor do art. 138 do CTN, se a denúnica espontânea for acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e ocorrer antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, não é devido o pagamento da multa de mora ou da multade ofício, vinculadas ao fato gerador. RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-32.981
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, que negava provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, que negava provimento. t.1 ANE SE DAUDT PRIETO Pres' ente • L irL2I la ARTO tor Formalizado em: O 5 MAI 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa.Presentes os advogados Micaela Domingues Dutra, OAB/RJ 121248 e Igor Coelho Ferreira de Miranda, OAB/MG 88140. RZ Processo n° : 18336.000612/2003-27 ! • Acórdão n° : 303-32.981 RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração de fls. 01/05, no qual se exige o recolhimento de juros e multa de mora relativa à complementação da CIDE, demonstrada na descrição dos fatos (fls. 02), referente à declaração de Importação n°02/0771395-7 registrada em 28/08/2002 na modalidade antecipada (fls. 6/9). Segundo procedimento fiscal de verificação, em relação a DI em questão ora registrada e desembaraçada alicerçada na quantidade declarada (fls.10/12), conforme preconiza a IN SFR 175/02, diesel é uma mercadoria importada a granel, a arqueação foi realizada com respaldo na art. 5°da citada IN, o arqueador emitiu um laudo de arqueação, onde foi constatada diferença de volume descarregado a mais. Visando sanar as irregularidades apresentadas, a Petrobrás solicitou a retificação da DI em 16/09/2002 instruída pelo DARF (fls. 15/19 e 23), com o recolhimento da CIDE para a mercadoria descarregada a mais. Da assinatura do Termo de Responsabilidade (fls. 25) a empresa tem até vinte dias para realizar o recolhimento, o qual foi feito tempestivamente, sem o recolhimento da multa moratória. Fundamentaram-se as exigências nos arts. 43, 44, inciso I e § 1°, inciso II e art. 61, 1°§ e 2§, da Lei n°9.430/96, art. 6° da Lei n°10.336/01, art. 570 do Decreto n° 4.543/02 bem como art. 161 da Lei n°5.172/66. Ciente do Auto de Infração o contribuinte apresenta tempestiva impugnação de fls. 31/41 e documentos de fls. 42/45, alegando, em síntese, que: (i) em matéria idêntica a esta lide, foram dadas 23 decisões a seu favor, as quais é importante que sejam observadas afim de que todas as unidades da Receita Federal se mantenham firmes e coerentes; (ii) com as mudanças constantes do preço do petróleo, bem como as variações apresentadas de volume, ambos inconstantes, apenas com a chegada no porto de destino, com o inicio de procedimento fiscal é que se dará a regularização fiscal da importação; (iii) devido à retificação feita pelo contribuinte que caracteriza a denúncia espontânea (atividade de colaboração entre contribuinte e o fisco), é incabível a aplicação de multa de mora, portanto efetuou o pagamento da diferença do CIDE, com juros, mas sem multa, ressaltando que não se encontrava sob procedimento fiscal instaurado; 2 • Processo n° : 18336.000612/2003-27 $ • Acórdão n° : 303-32.981 (v) por se tratar de uma matéria reservada a Lei Complementar (não pode ser alterada por lei ordinária) não pode ser alterado o instituto da denuncia espontânea. Frente aos argumentos citadõs, o contribuinte requer seja declarado nulo por ilegalidade, ou se assim não entender, seja dado como improcedente este AI. Para afirmar seus argumentos faz uso de Jurisprudências do 1 0 , 2° e 3° Conselho de Contribuintes, do STJ e TRF 2 Região, doutrinas, bem como do art. 138 do CTN. Encaminhados os autos a DRJ-FORTALEZA/CE, esta entendeu pela Procedência do Lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/09/2002 • Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontado pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 12/09/2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO DO DOMÍNIO ECONÓMICO-CIDE, APÓS O VENCIMENTO DO PRAZO, SEM O ACRÉSCIMO DE MULTA MORATÓRIA. O recolhimento do tributo, fora dos prazos previstos na legislação, não tem amparo no artigo 138 do CTN, para • excluir a responsabilidade pela multa moratória. Lançamento Procedente" Irresignado com a decisão singular, o contribuinte apresentou tempestivo Recurso Voluntário, fls.63/79, e documentos de fls. 82/166, reiterando todos os argumentos e pedidos apresentados em sua peça impugnatória, ressaltando, ainda, que: (i) anteriormente a CSRF julgou 5 processos a seu favor em matéria idêntica, assim como o 3° Conselho de Contribuintes, em 24 oportunidades; (ii) o impugnante se vê indagado, sobre a quem compete o "controle da constitucionalidade e ou legalidade" das leis, sendo que a administração deve tornar sem efeito os atos viciados; 3 Processo n° : 18336.000612/2003-27 t Acórdão n° : 303-32.981 (iii) é importante ressaltar que a Lei n°9.430/96 só poderia se aplicar ao contribuinte se não fosse à expedição feita pelo Secretário da Receita Federal no Ato Declaratório SRF no. 13/2002, o qual desconsiderou infração punível a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional; (iv) ademais, o fato gerador é anterior ao advento do Ato Declaratório n°13/02 (norma complementar), sendo assim não há como subsistir a aplicação da multa proporcional imposta pelo Fisco. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário, apresentou Relação de Bens e Direitos para Arrolamento, fls. 80 e 81. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n°314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto • pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até às fls. 169, última. É o Relatório. 4 Processo e : 18336.000612/2003-27 Acórdão n° : 303-32.981 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator. O recurso é tempestivo, vem acompanhado de depósito recursal e trata de matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes, o que habilita esta Colenda Turma a examinar o feito. Para o deslinde da questão, impõe-se examinar o instituto da denúncia espontânea, previsto pelo artigo 138 do CTN, in verbis: • "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração" Ora, para que se possa excluir a responsabilidade por infrações, não basta a simples denúncia espontânea do descumprimento da obrigação tributária. Pelo contrário, para se exonerar das penalidades, deve o contribuinte-denunciante regularizar sua situação, cumprindo, ainda que a destempo, a obrigação principal, acompanhada dos juros moratórios. Apesar da clareza do dispositivo em comento, o tema tem passado pela análise cuidadosa da doutrina e jurisprudência, todas elas uníssonas em um ponto, qual seja, o da inaplicabilidade de qualquer form- a de aplicação de multa. Colha-se, a propoósito, o magistério do Professor Sacha Calmon Navarro Coêlho, ao analisar o artigo 138 do CTN: "Só existe uma explicação. Evidentemente é porque o dispositivo em questão abrange a responsabilidade pela pratica de infrações substanciais e formais, indistintamente. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagá-lo. Nesse caso, o autodenunciante ao confessar-se deverá pagar o tributo não pago. Em conseqüência do exposto nas alíneas a e b precedentes é de se concluir que a exclusão da responsabilidade operada pela denúncia espontânea do infrator elide o pagamento, quer das multas de mora ou revalidação, quer das multas ditas 'isoladas'. - _ _ Processo n° : 18336.000612/2003-27 - Acórdão n° : 303-32.981 É sabido que o descumprimento de obrigação principal impõe além do pagamento do tributo não pago, e do pagamento dos juros e da correção monetária a inflição de uma multa, comumente chamada de moratória ou de revalidação e que o descumprimento de obrigação acessória acarreta tão-somente a imposição de uma multa disciplinar, usualmente conhecida pelo apelido de 'isolada'. Assim, pouco importa ser a multa isolada ou de mora. A denúncia espontânea opera contra as duas" (in Sacha Calmon Navarro Coelho, Teoria e Prática das Multas Tributárias, p. 106/107, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 1995) (sem grifos no original) À respeito, afirma o ilustre Professor Hugo de Brito Machado: "A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora (CTN, art. 138). Assim, o sujeito passivo • que procura o fisco, espontaneamente, e confessa o cometimento de infração não será punido. Sua responsabilidade fica excluída pela denúncia espontânea da infração. Mas se o cometimento da infração implicou o não pagamento de tributo, a denúncia há de ser acompanhada do pagamento do tributo devido" (in Curso de Direito Tributário, 17.. Ed. São Paulo: Malheiros Editores Ltda, pp. 126 e 127) Vê-se, pois, que a imposição de qualquer espécie ou forma de multa é incompatível com o instituto da denúncia espontânea, entendida como aquela ocorrida antes de qualquer procedimento administrativo, acompanhada do pagamento do tributo, se for o caso, devidamente acrescido dos juros de mora. Não é dificil intuir que aplicação de multa decorre do lançamento de oficio efetivado pela Autoridade Fiscal, diante do descumprimento, pelo contribuinte, • de alguma sorte de obrigação tributária, principal ou acessória. Todavia, o sujeito passivo que não teve contra si iniciado o procedimento administrativo que culminará com o lançamento de oficio, e que comparece espontaneamente apontando seu próprio equívoco para então corrigi-lo, não merece a mesma sanção daquele outro contribuinte que demanda a atuação da máquina estatal para ver cumprida sua obrigação fiscal. Ressalte-se, todavia, que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A questão em discussão não é nova, sendo que a jurisprudência deste tribunal já se pacificou a respeito. 6 Processo n° : 18336.000612/2003-27 A Acórdão n° : 303-32.981 A exemplo, veja-se o Acórdão n° 302-34302, prolatado à unanimidade de votos pela C. 2' Câmara deste E. 3° Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 06/07/2000: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA A denúncia espontânea, acompanhada do pagamento dos tributos corrigidos e dos juros de mora, elide o pagamento de quaisquer penalidades incidentes, inclusive da multa de mora. Recurso voluntário provido." ( grifei ) Já tive inclusive a oportunidade de me manifestar sobre a matéria como relator no julgamento do Recurso n° 124.239, interposto pela própria Recorrente, no qual restou provido por unanimidade de votos (Acórdão n° 303- 30517/Sessão de 06/11/2002), assim ementado: 4111 "DENUNCIA ESPONTÂNEA - A teor do art. 138 do CTN a exoneração das penalidades, de mora e/ou de oficio, vinculadas ao fato gerador, se torna eficaz a partir do espontâneo e integral recolhimento de tributo. Recurso Voluntário provido." ( grifei ) Com efeito, à luz da correta exegese .do art. 138 do CTN, o dever de recolher a penalidade, seja de mora ou de oficio, vinculada ao fato gerador, deixa de existir no momento em que existe um espontâneo e integral recolhimento do tributo. Nesta linha de raciocínio, manifestou-se o Eg. Superior Tribunal de Justiça, acerca da interpretação do artigo 138 do CTN: "... 3. Sem antecedente procedimento administrativo descabe a imposição da multa, mesmo pago o imposto após a denúncia 0110 espontânea (art. 138, CTN). Exigi-la seria desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirador da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada via da impontualidade, comportamento prejudicial à arrecadação da receita tributária, principal objetivo da atividade fiscal ..." (1 a. Turma. — Resp. N° 9.421-0 — PR, 02/09/92, Rel. Ministro Milton Pereira, RSTJ 37/394) No mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. 1. A denúncia espontânea da infração exclui o pagamento de qualquer penalidade, tenha ela a denominação de multa moratória ou multa punitiva — que são a mesma coisa — sendo devidos apenas juros de mora, que não possuem caráter punitivo, constituindo mera indenização decorrente do pagamento fora do prazo, ou seja, da mora, 7 Processo n° : 18336.000612/2003-27 - Acórdão n° : 303-32.981 como aliás consta expressamente do citado art. 138 do CTN/66. 2. Em se tratando de infração à obrigação acessória, a confissão espontânea também afasta a multa punitiva. 3. Exige-se apenas que a confissão não seja precedida de processo administrativo ou de fiscalização tributária, por que isso lhe retiraria a espontaneidade, que é exatamente o que o legislador tributário buscou privilegiar ao editar o art. 138 do CTN/66" (TRF, 4. Região, 2. Turma, REO 50426-97/PR, rel. Juíza Tânia Terezinha Cardoso Escobar, DJU 24/12/97, p. 112.585) "TRIBUTÁRIO. DÉBITOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. INEXIGIBILIDADE. ART. 138 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na hipótese de denúncia espontânea, realizada formalmente, com o devido recolhimento do tributo, é inexigível a multa de mora • incidente sobre o montante da dívida parcelada, por força do disposto no art. 138 do CTN. Precedentes. Rejeição dos embargos de divergência." (STJ, Primeira Seção, por maioria, EdivREsp 180.700/SC, rel. Min. Francisco Falcão, set/2000) "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DAS MULTAS. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN afasta a incidência das multas, sendo irrelevante se incidentes em razão do simples não pagamento do tributo no prazo ou de outra infração." (TRF4, 1'. T., unânime, AC 1998.04.01.089946-0/SC, rel. Juiz Fed. Leandro Paulsen, jun/2002) Merece cita o entendimento firmado por este Conselho e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ART 138 CTN — MULTA DE MORA IMPROCEDÊNCIA. A denúncia espontânea de infração fiscal/tributária, estabelecida no compensatório, decorrentes de descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. A multa de mora, por conseguinte, é excluída pela denúncia espontânea, desde que efetuado o pagamento do tributo devido, se for o caso, acompanhado dos juros de mora incidentes. Incabível, neste caso, a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, inciso I, §1°, da Lei n° 9.430/96. PROVIDO PELO VOTO DE QUALIDADE" (2a. - Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, Recurso 124429, Acórdão n° 302-35374, provido por voto de qualidade, rel. Walber José da Silva, dez/2002) 8 ". Processo n° : 18336.000612/2003-27 Acórdão n° : 303-32.981 "DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO — MULTA DE MORA — INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" (3'. Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, Recurso 124253, Acórdão n° 303-30805, unânime, rel. Irineu Bianchi, jul/2003) "MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do início de qualquer procedimento • administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). RECURSO ESPECIAL NEGADO". (3a• Turma da CSRF, Recurso 303- 124856, Acórdão CSRF/03-04.104, por unanimidade de votos se negou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, rel. Carlos Henrique Klaser Filho, jul/2004) "ADUANEIRO — MULTA DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — Não se há de aplicar de oficio a multa do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, quando o importador recolheu, antes de qualquer medida de fiscalização relacionada à infração, a diferença de imposto decorrente da inclusão do valor do frete marítimo à base de cálculo do imposto de importação, estando caracterizada a denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN. Recurso Negado." (3'. Turma da CSRF, Recurso 301- 124346, Acórdão CSRF/03-04.116, por unanimidade de votos • se negou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, rel. João Holanda da Costa, jul/2004) "TRIBUTÁRIO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA — CIN. ART. 138 — MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO — IMPROCEDÊNCIA — Tendo o contribuinte efetuado o recolhimento do imposto devido, corrigido monetariamente e com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, há de se lhe aplicar o beneficio da denúncia espontânea estabelecida no art. 138, do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. A MULTA DE MORA é, portanto, excluída pela denúncia 9 , ./ ,... Processo n° : 18336.000612/2003-27 i: Acórdão n° : 303-32.981 . espontânea, não se comportando, de forma alguma, a , aplicação de Multa de Oficio, seja a prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/96, ou qualquer outra. Recurso negado." (3'• Turma da CSRF, Recurso 301-124116, Acórdão CSRF/03-04.145, por maioria de votos se negou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, rel. Paulo Roberto Cucco Antunes, nov/2004) In cczsu, demonstra-se incontroversa a ocorrência da denúncia espontânea, haja vista que o próprio importador, aqui Recorrente, ao apurar desembaraço de mercadoria em quantidade superior à declarada, solicitou retificação da DI e recolhimento complementar da CIDE, sem que estivesse sob qualquer procedimento fiscal, conforme atestam os documentos de fls. 11/15 e 18. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário , interposto pelo contribuinte, para que seja cancelada a autuação fiscal em questão. • Sala das Sessões, 22 de março de 2006 1 )2TON L BARTOL - Relator/)5-- , , • - io Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1

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