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Numero do processo: 10480.009666/2002-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). AMORTIZAÇÃO LINEAR (IMPUTAÇÃO LINEAR). IMPOSSIBILIDADE.
Quando se trata da imputação do pagamento entre os valores do “principal”, “multa” e “juros”, de um mesmo crédito tributário, a amortização proporcional é a única forma admitida pelo Código Tributário Nacional.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no (a) art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996 e (b) caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 2102-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). AMORTIZAÇÃO LINEAR (IMPUTAÇÃO LINEAR). IMPOSSIBILIDADE. Quando se trata da imputação do pagamento entre os valores do “principal”, “multa” e “juros”, de um mesmo crédito tributário, a amortização proporcional é a única forma admitida pelo Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no (a) art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996 e (b) caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator e presidente-substituto Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (presidente-substituto e relator) Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia Matos Moura, Alice Grecchi e Lívia Vilas Boas e Silva. Relatório Trata-se de recurso de ofício, em face do Acórdão 11-36.553, de 30/03/2012, exarado pela 3ª Turma da DRJ/REC (fls. 159 a 167). Contra a contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 09 a 16), decorrente de auditoria interna nas DCTFs relativas aos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 1998, exigindo-lhe crédito tributário referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em face das seguintes infrações: (a) falta de recolhimento do imposto – valor de R$ 55.247,27, mais juros de mora e multa de ofício de 75%; (b) falta ou insuficiência de acréscimos legais: (b.1) multa paga a menor no valor de R$ 1.487,37; (b.2) juros pagos a menor ou não pagos no valor de R$ 21.269,12; e (b.3) multa de ofício isolada no valor de R$ 1.786.538,00. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 02 a 07), alegando, em síntese, falhas nas informações disponibilizadas nas DCTFs, concluindo pela inexistência de recolhimentos fora do prazo, indicando os pagamentos não localizados, e restringindo o débito em aberto à diferença de juros de mora no valor de R$ 55,69. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, para, do crédito tributário lançado: a) manter o imposto no valor de R$870,47, P.A. 01-01/1998, com os devidos acréscimos legais, exonerando R$ 54.376,80; b) exonerar a multa paga a menor no valor de R$1.487,37; c) manter os juros pagos a menor ou não pagos no valor de R$47,55, exonerando R$21.221,57, conforme demonstrado no voto; d) exonerar a multa de ofício isolada no valor de R$1.786.538,00; e e) exonerar a multa de ofício no montante de R$652,85. Tal acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10480.009666/2002-00 Acórdão n.º 2102-003.296 S2-C1T2 Fl. 2 3 A falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. DCTF - RECOLHIMENTO A DESTEMPO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. O recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte enseja o lançamento de ofício dos devidos acréscimos legais. DCTF - PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO. DARF APRESENTADO. Não procede a autuação quando o contribuinte comprova com documentação hábil os pagamentos efetuados. DCTF - ERRO DE FATO. Descabe a exigência quando comprovado que o lançamento decorreu de erro de fato no preenchimento da DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 MULTA POR INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado no art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 (redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97), c/c a Portaria MF 3, de 3 de 2008, das exonerações, houve recurso de ofício a este colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O montante exonerado supero o limite estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF 3, de 2008. Conheço do recurso de ofício. FALTA DE RECOLHIMENTO No que concerne aos lançamentos por falta de recolhimento, o acórdão recorrido utilizou-se da seguinte fundamentação: De acordo com o anexo III (fl. 122), o lançamento por falta de recolhimento ocorreu em função dos seguintes fatos geradores: ITEM N° DÉBITO CÓD.REC. P.A. VENC. VALOR R$ 01 7375149 0561 01-08/1998 05/08/1998 24.344,62 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 02 7375087 3426 03-08/1998 19/08/1998 85,05 03 4969801 8053 01-01/1998 07/01/1998 870,47 04 4969734 0561 02-01/1998 14/01/1998 18,00 05 4969739 0561 02-02/1998 18/02/1998 12.981,33 06 8716132 8053 02-10/1998 15/10/1998 4.221,29 07 8716100 0561 05-10/1998 05/11/1998 12.646,51 08 8716124 3426 02-11/1998 18/11/1998 80,00 TOTAL 55.247,27 A análise dos DARFs apresentados em conjunto com dados colhidos dos sistemas Sinal04,1-RPE, SIEF Web- DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO e DCTF Gerencial resultou nas seguintes conclusões: ITEM CONCLUSÃO OBSERVAÇÃO 01 IMPROCEDENTE DARF totalmente disponível no sistema (fl.XX). Ao invés do valor do imposto está digitado no campo "valor principal", está no campo "valor da multa" ERRO DE DIGITAÇÃO DO DARF 02 IMPROCEDENTE DARF DISPONÍVEL ENCONTRADO NO SISTEMA SIEF WEB - DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO. (fl.YY) 03 PROCEDENTE DARFs ENCONTRADOS NO SISTEMA SIEF WEB - DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO TOTALMENTE ALOCADOS - SEM SALDO DISPONÍVEL (fls.ZZ e TT) 04 IMPROCEDENTE ERRO NO PREENCHIMENTO DO VALOR DO DARF NA DCTF. ERRO DE FATO. 05 IMPROCEDENTE DARFs DISPONÍVEIS ENCONTRADOS NO SISTEMA SIEF WEB - DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO. (fls.KK e LL) 06 IMPROCEDENTE DARF DISPONÍVEL ENCONTRADO NO SISTEMA SIEF WEB - DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO. (fl.YY) 07 IMPROCEDENTE DARF totalmente disponível no sistema (fl.TT). Ao invés do valor do imposto está digitado no campo "valor principal", está no campo "valor da multa" ERRO DE DIGITAÇÃO DO DARF 08 IMPROCEDENTE ERRO NO PREENCHIMENTO DO VALOR DO DARF NA DCTF. No que diz respeito aos débitos dos itens 01 e 07, resta comprovado o erro de preenchimento do DARF, no qual o “valor do imposto” encontra-se vazio, sendo preenchido somente o campo “valor da multa” (fls. 98 e 106), estando o valor disponível, segundo informa a DRJ. No concernente aos débitos dos itens 02 e 05 e 06, o respectivo valor está disponível, de acordo com o acórdão exarado pela DRJ. No atinente aos débitos dos itens 04 e 08, segundo a DRJ houve erro de fato no preenchimento do valor na DCTF, de acordo com o acórdão exarado pela DRJ. ACRÉSCIMOS LEGAIS O acórdão recorrido cancelou parte dos valores lançados a título de acréscimos legais com base nos seguintes fundamentos: De acordo com o anexo IV (fls. 120, 121 e 123), o lançamento por falta de recolhimento de juros e/ou multa ocorreu em função dos seguintes fatos geradores: DÉBITO CÓD. REC. P.A. VENC. MULTA DE MORA - R$ JUROS DE MORA - R$ MULTA OFÍCIO ISOLADA - R$ 01 7375149 0561 01-08/1998 05/08/1998 24.204,67 02 7375118 3251 01-08/1998 05/08/1998 524,51 03 7375124 3426 01-08/1998 05/08/1998 95,30 1,87 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10480.009666/2002-00 Acórdão n.º 2102-003.296 S2-C1T2 Fl. 3 5 04 7375107 8053 01-08/1998 05/08/1998 257,98 2,08 05 7375162 0561 02-08/1998 12/08/1998 11.425,49 06 7375108 8053 02-08/1998 12/08/1998 217,10 1,65 07 7375098 3426 02-08/1998 12/08/1998 63,29 0,22 08 7375087 3426 03-08/1998 19/08/1998 1.657,57 09 7375125 0588 03-08/1998 19/08/1998 1.182,00 10 7375145 0561 03-08/1998 19/08/1998 135.537,32 11 7375109 8053 03-08/1998 19/08/1998 400,87 2,32 12 7375168 0561 04-08/1998 26/08/1998 21.007,53 1.580.651,46 13 7375122 3426 04-08/1998 26/08/1998 141,12 66,50 14 7375110 8053 04-08/1998 26/08/1998 311,80 139,40 15 7375035 3426 04-01/1998 28/01/1998 13,43 16 7375034 3426 05-01/1998 04/02/1998 23,41 17 7375052 3426 04-03/1998 01/04/1998 10,71 18 6114683 1708 02-05/1998 13/05/1998 493,08 19 6114756 8053 03-06/1998 24/06/1998 10.371,38 20 8716112 1708 01-12/1998 09/12/1998 2.601,95 21 8716107 3426 01-12/1998 09/12/1998 4.345,70 22 8716106 8053 01-12/1998 09/12/1998 13.542,89 1.487,37 21.269,12 1.786.538,00 A análise dos dados dos débitos em conjunto com os pagamentos a eles alocados declarados em DCTF (Sistema DCTF Gerencial) resultou nas seguintes conclusões: ITEM N° DÉBITO CÓD.REC. P.A. VENC. LANÇAMENTO 01 7375149 0561 02-08/1998 12/08/1998 IMPROCEDENTE 02 7375118 3251 02-08/1998 12/08/1998 IMPROCEDENTE 03 7375124 3426 02-08/1998 12/08/1998 IMPROCEDENTE 04 7375107 8053 02-08/1998 12/08/1998 IMPROCEDENTE 05 7375162 0561 03-08/1998 19/08/1998 IMPROCEDENTE 06 7375108 8053 03-08/1998 19/08/1998 IMPROCEDENTE 07 7375098 3426 03-08/1998 19/08/1998 IMPROCEDENTE 08 7375087 3426 04-08/1998 26/08/1998 IMPROCEDENTE 09 7375125 0588 04-08/1998 26/08/1998 IMPROCEDENTE 10 7375145 0561 04-08/1998 26/08/1998 IMPROCEDENTE 11 7305109 8053 04-08/1998 26/08/1998 IMPROCEDENTE 12 7375168 0561 05-08/1998 02/09/1998 IMPROCEDENTE 13 7375122 3426 05-08/1998 02/09/1998 IMPROCEDENTE 14 7375110 8053 05-08/1998 02/09/1998 IMPROCEDENTE 15 7375035 3426 04-01/1998 28/01/1998 PROCEDENTE 16 7375034 3426 05-01/1998 04/02/1998 PROCEDENTE 17 7375052 3426 04-03/1998 01/04/1998 PROCEDENTE 18 6114683 1708 03-05/1998 20/05/1998 IMPROCEDENTE 19 6114756 8053 03-06/1998 24/06/1998 IMPROCEDENTE 1 20 8716112 1708 01-12/1998 09/12/1998 IMPROCEDENTE 2 21 8716107 3426 01-12/1998 09/12/1998 IMPROCEDENTE 3 22 8716106 8053 01-12/1998 09/12/1998 IMPROCEDENTE 4 Exemplificando as improcedências no lançamento por informação errônea da semana do período de apuração do débito, considerando informação da própria DCTF (fl. 61), o débito em questão foi informado como relativo ao período de apuração correspondente à 1a semana de agosto de 1998, cujo vencimento seria no dia 05/08/1998. No entanto, consta da própria DCTF que o término do período de apuração se deu no dia 07/08/1998, que se insere na semana delimitada pelos dias Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 02/08/1998 (domingo) e 08/08/1998 (sábado). O período de apuração correto, por conseguinte, seria a 2ª semana de agosto, com vencimento em 12/08/1998, e não a 1ª semana de agosto, o que implicou na apuração indevida de insuficiência de acréscimos legais. Assim, para tais ocorrências, implica a cobrança indevida de insuficiência de acréscimos legais - multa e/ou juros não pagos ou de multa isolada. Embora a autoridade julgadora não tenha juntado aos autos as telas ou extratos do Sistema DCTF gerencial, por ela referido, entendo corretas as suas conclusões. A multa e aos juros de mora, lançados isoladamente, devem ser afastados uma vez que decorrem do chamada imputação, ou amortização, linear, a qual levava em conta o preenchimento, efetuado pela contribuinte, das linhas do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) com que ela pagava, a destempo, o débito tributário. A imputação linear foi objeto dos pareceres PGFN/CDA 1936/2005 e PGFN/CAT 74/2012, que concluíram pela impossibilidade de sua utilização. A ementa do primeiro parecer (PGFN/CDA 1936/2005) é citada no corpo do segundo (PGFN/CAT 74/2012), a saber: Amortização linear. Impossibilidade. No silêncio do art. 163 do Código Tributário Nacional, aplica-se o disposto no art. 167, por analogia e simetria. Quando se trata da imputação do pagamento entre os valores do ‘principal’, ‘multa’ e ‘juros’, de um mesmo crédito tributário, a amortização proporcional é a única forma admitida pelo Código Tributário Nacional. (Parecer PGFN/CDA 1936/2005) (Grifou-se.) Destaco também alguns trechos do PGFN/CAT 74/2012: A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Memorando nº 1533/2011-RFB/Gabin, de 20 de dezembro de 2011, encaminha consulta a esta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, constante da Nota Técnica 36 – Cosit, de 2 de dezembro de 2011, nos termos seguintes: (...) 9. Contudo, ressalta-se que tanto a Nota Cosit nº 106, de 2004, como o Parecer PGFN/CDA nº 1.936/2005 foram emitidos antes da alteração ocorrida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007. A alteração foi no sentido de excluir o inciso II do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, porque tal dispositivo ensejava a amortização linear, que a PGFN havia refutado por ocasião do Parecer PGFN/CDA nº 1.936/2005. Portanto, entende-se que a imputação proporcional é compatível com a Lei nº 9.430, de 1996, e, inclusive, tem-se que os sistemas da RFB foram adequados para adoção dessa modalidade de imputação e não da imputação linear. (...) 38. Ocorre que – e aqui já começamos a adentrar mais diretamente o cerne da consulta – o CTN não contém (como Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10480.009666/2002-00 Acórdão n.º 2102-003.296 S2-C1T2 Fl. 4 7 corretamente apontado pela SRFB) nenhuma regra expressa de imputação de pagamento para os casos em que o contribuinte tenha um débito tributário vencido para com o mesmo Fisco, composto de principal e juros, e efetue pagamento insuficiente para extingui-lo em seu todo. No que, portanto, distingue-se do direito privado, onde, como já vimos, há expresso comando de imputação primeiramente aos juros vencidos (artigo 354 do NCC). 39. Diante desse silêncio, o que cumpre indagar é: como a autoridade administrativa há de proceder diante de um caso assim? (i) Pode ela escolher um daqueles elementos (p. ex., os juros) para nele imputar o pagamento? (ii) Deve ela aceitar eventual imputação efetuada pelo contribuinte (p. ex., no principal)? (iii) Ou deve ela fazer a imputação primeiramente nos juros, por força de eventual aplicação subsidiária analógica do artigo 354 do NCC? Para o caso de rejeitarem-se tais soluções, é de indagar-se: (iv) deve a autoridade proceder a rateio, imputando, proporcionalmente, uma parte do valor pago ao principal e a outra aos juros? Ou (v) deve a autoridade simplesmente abater do débito o valor pago, desconsiderando, tout court, que ele se compõe de tais elementos? Qual deve ser a solução, afinal? (...) 102. De tudo isso se dessume que a única solução viável para o nosso problema à luz do CTN é aquela descrita no item 39.iv, consistente em que o pagamento deve ser imputado a todos os elementos de que se componha o crédito tributário, mediante rateio, pois dessa forma é que se terá um equilíbrio entre a posição do contribuinte e a posição do Fisco nesta seara. (...) 108. De tudo, nossa conclusão é no sentido de que, diante do pagamento não-integral de crédito tributário composto por mais de um elemento (principal, juros, penalidades pecuniárias), deve a autoridade administrativa efetuar a imputação proporcional entre cada um desses elementos. 1 109. A idêntica conclusão, mas por caminho hermenêutico diverso, chegou o Parecer PGFN/CDA/Nº 1936/2005, 2 que consubstancia o entendimento prevalecente até esta data no âmbito desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional sobre o assunto. Ali, com efeito, também se conclui que, na hipótese aqui tratada, a imputação deve ser proporcional entre os componentes da dívida. O fundamento ali utilizado foi, no entanto, o da analogia com a regra do artigo 167, caput, do CTN, relativa à restituição de tributos, que dispõe: 1 Exemplificando: débito de IOF de 4.000 reais, composto de principal de 3.000 reais (equivalentes a 75% do débito), de juros de 500 reais (equivalentes a 12,5% do débito) e de multa de mora de 500 reais (equivalentes a 12,5% do débito); pagamento de 400 reais (insuficientes para cobrir o débito, ou mesmo qualquer de seus componentes); pela imputação proporcional o valor pago (400 reais) será dividido entre cada componente do débito conforme a proporção acima referida (75%, 12,5% e 12,5%): 300 reais para o principal, 50 reais para os juros e 50 reais para a multa. 2 A que já fizemos referência, sendo que a própria consulta parte das conclusões nele postas, na matéria. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 (...) 120. Dito tudo isso, prossigamos na análise da consulta, lembrando que a situação de fato subjacente à controvérsia nela descrita é aquela em que o particular tem um débito tributário que não é pago no seu vencimento, mas em data posterior, ainda que o valor pago corresponda, exatamente, ao montante que era devido na data do vencimento. Exemplificando: o contribuinte devia 10.000 reais em MAI de 2009; pagou exatos 10.000 reais; mas fê-lo, v.g., três (3) anos depois, em MAI de 2012. 3 121. Ora, sabendo-se que sobre o débito tributário não pago no vencimento incidem, pelo menos 4 , encargos relativos à mora – juros de mora (sempre) 5 e multa de mora (quando prevista) 6 –, o que se tem é que o contribuinte, a rigor, deveria ter pago, além daquele valor (10.000 reais), também a quantia referente aos citados encargos moratórios, incidentes entre a data do vencimento e a data do pagamento. (...) 123. Anote-se que os referidos encargos (juros de mora e multa de mora) incidem imediatamente após o vencimento do débito tributário, decorrentes, como são, diretamente da lei, não se fazendo necessária, para que isso ocorra, a prática de qualquer ato da autoridade administrativa. 7 124. Fácil concluir, portanto, que um pagamento como aquele acima descrito – que não inclui nem o valor dos juros de mora nem o valor da multa de mora (esta, quando prevista 8 ) – jamais se poderá caracterizar como um pagamento integral do débito tributário. 125. Sendo, pois, parcial um pagamento assim e estando o débito tributário – desde o vencimento – composto por mais de um elemento (quais sejam: principal e, pelo menos, encargos da mora), a conseqüência inarredável é a de que será necessário efetuar-se a imputação do valor pago por entre esses elementos. 126. Essa imputação, mais que necessária, é, como toda imputação de pagamento na seara tributária, um dever da autoridade administrativa, não podendo deixar de ser praticada – nos termos do artigo 163 do CTN –, e, isto, de forma proporcional entre aqueles componentes do crédito tributário, tudo, na forma do que mais acima exposto. 3 Não vamos analisar neste Parecer a situação em que o particular paga – prosseguindo no exemplo – 9.000 reais, ou seja, menos que o próprio valor original. 4 Ou seja, sem prejuízo de outras cominações. 5 Vide nota de rodapé adiante. 6 Vide nota de rodapé adiante. 7 É o que demonstra, quanto à multa de mora e aos juros de mora, GILBERTO RODRIGUES GONÇALVES [Juros de Mora sobre Dívidas Tributárias: Ilegitimidade da Contagem de Prazo Adotada, Revista Dialética de Direito Tributário nº 152, maio 2008, pp. 93-102 (p.96)] e, quanto aos juros de mora, LUCIANO AMARO (Direito Tributário, cit., p. 392). 8 E que, além disso, não seja excluída por força da aplicação do artigo 138 do CTN. Esse dispositivo, como se sabe, afasta a responsabilidade por infrações quando denunciadas espontaneamente pelos contribuintes antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração e desde que pago, se for o caso, o respectivo tributo, o que impede a incidência de multas de natureza punitiva, categoria em que a multa de mora se inclui, conforme reconhecido, de resto, por esta PGFN no Parecer PGFN/CAT/Nº 1347/2001, de 12 de junho de 2001, onde se afasta sua caracterização como cominação de índole meramente indenizatória. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10480.009666/2002-00 Acórdão n.º 2102-003.296 S2-C1T2 Fl. 5 9 127. Com isso, rechaça-se, de pronto, a postura que, segundo a consulta, algumas Delegacias Regionais de Julgamento, da SRFB, vêm adotando – na situação em que o contribuinte paga débito tributário federal em data posterior à do vencimento sem incluir o valor referente à multa de mora –, consistente em lançar simplesmente a citada multa. 9 128. Por meio de tal postura, como se vê, a autoridade administrativa não procede à imputação proporcional do pagamento, deixando de lançar o resíduo de principal, o resíduo de juros de mora e o resíduo de multa de mora que, necessariamente, dela (imputação proporcional) decorreriam, o que, a toda evidência, não pode ser aceito. (...) 130. Retomando o raciocínio, não se pode, com efeito, acatar a postura acima descrita, porque ela não é condizente com o dever imposto pelo artigo 163 do CTN à autoridade administrativa de efetuar a imputação de pagamento nos casos em que o contribuinte paga valor insuficiente para saldar todo o débito tributário e de fazê-lo proporcionalmente entre os elementos de que ele seja composto, como tanto vimos enfatizando nesta manifestação. (...) 133. De tudo, a solução correta, segundo nos parece, será então a de: 1) apurar o valor do débito tributário na data do pagamento, fazendo, para isso, o acréscimo dos encargos da mora (multa de mora e juros de mora) sobre o valor que era devido na data do vencimento, incidentes entre essa data e a do pagamento; 2) apurar quanto de principal, quanto de juros de mora e quanto de multa de mora, foram efetivamente pagos; noutras palavras: efetuar a imputação do pagamento proporcionalmente aos elementos de que passou a ser composto, a partir do vencimento, o débito tributário (principal, multa de mora e juros de mora); 3) lançar o saldo devedor remanescente 10 , isto é, o valor não pago 11 , para, em seguida, iniciar-se a respectiva cobrança (...) 143. Chamava-se linear essa forma de imputação porque levava em conta o preenchimento, efetuado pelo próprio contribuinte, das linhas do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) com que ele pagava, a destempo, o débito tributário. 144. Pode-se ver a associação entre a imputação linear e a formatação original do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, 9 Imaginando-se uma multa de mora de 30%, teríamos, então, no mesmo exemplo que demos acima, 30% sobre 10.000 reais, que é o valor não pago no vencimento, perfazendo 3.000 reais, num total de 13.000 reais. 10 Discriminando-se, evidentemente, os elementos de que composto o saldo (resíduo de principal, resíduo de juros de mora, resíduo de multa de mora). 11 Sem prejuízo da incidência de juros de mora sobre esse saldo, na forma do § 3º do já citado artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, acima reproduzido. Trata-se, também aqui, da taxa SELIC. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 mediante o seguinte exemplo: pagando o contribuinte, em MAI 2012, a quantia de 10.000 reais, correspondente ao valor do débito tributário devido na data de vencimento (MAI 2009) –, sem incluir, portanto, o valor da multa de mora –, e escrevendo, naturalmente, 10.000 reais na linha do DARF correspondente ao principal, não se fazia, àquela época, nenhuma imputação a título de multa de mora, ou seja, considerava-se imputado o pagamento exclusivamente ao principal, lançando-se a multa de ofício, de 75% (ou 150%, se houvesse fraude), sobre os 10.000 reais. 145. Tal procedimento não era – insta dizê-lo com todas as letras – condizente com os ditames do artigo 163 do CTN, porque representava simples acatamento de pretendida imputação feita pelo próprio contribuinte, tendo a imputação linear, de resto, sido objeto de expresso rechaço por este órgão jurídico no Parecer PGFN/CDA/Nº 1936/2005, acima referido, com conclusão no sentido da obrigatoriedade de observância da imputação proporcional (ainda que, como já dito, se tenha trilhado ali caminho interpretativo diverso daquele que aqui utilizamos). No âmbito da Receita Federal do Brasil, por sua vez, a Nota Cosit 106, de 2004, analisou a questão de qual método de imputação – linear ou proporcional – deveria ser utilizado no âmbito da RFB, também concluindo pela imputação proporcional. Com base em tais fundamentos, descabe a imposição dos juros e da multa de mora lançados isoladamente. Quanto à imposição da multa de ofício isolada por falta do recolhimento de multa de mora, a sua exoneração é tema de tópico específico, a ser abordado a seguir. MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGAMENTO DA MULTA DE MORA No que tange à multa isolada por falta de pagamento da multa de mora, o acórdão recorrido aplicou retroativamente o disposto no art. 14 da Lei 11.448, de 2007, nos seguintes termos: Quanto à multa isolada por falta de pagamento da multa de mora, para os casos em que foi observada a correção da semana do período de apuração, sua aplicação se deu com fulcro no que previa o art. 44, § 1°, II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: "Art.44. - Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10480.009666/2002-00 Acórdão n.º 2102-003.296 S2-C1T2 Fl. 6 11 § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (g.n.) Entretanto, a Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, deu nova redação ao supracitado artigo, revogando a aplicação da multa isolada por falta de pagamento da multa de mora nos recolhimentos intempestivos, conforme art. 14, que se reproduz: "Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformando-se as alíneas a, b e c do § 2º nos incisos I, II, e III: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei." Dessa forma, em face do princípio da retroatividade benigna consagrado no art. 106, II, da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 1966 - Código Tributário Nacional, deve-se exonerar a multa isolada, vez que revogado o dispositivo legal que amparava sua exigência. Não há reparos a fazer quanto ao decidido pelo acórdão recorrido, que deve ser mantido pelos próprios fundamentos. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO No que diz respeito à multa de ofício incidentes sobre débitos declarados em DCTF, o acórdão recorrido aplicou retroativamente o disposto no art. 18 da Lei 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, nos seguintes termos: No que concerne à multa de ofício, há que se observar que o presente lançamento, tratando-se de auditoria interna de DCTF, foi efetuado sob a vigência do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, que prescreve: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. " Entretanto, a Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art. 18, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, estabeleceu: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) §4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Destaque-se que, embora a lei tenha passado a dispensar a constituição de ofício em face de eventuais diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo, os lançamentos que foram efetuados sob a eficácia do texto originário do art. 90 da MP n° 2.158-35, de 2001, constituem atos perfeitos, segundo a norma aplicável à data em que foram elaborados. Todavia, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II "c", da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada, nos casos em que o lançamento de ofício não se enquadrar dentro das Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10480.009666/2002-00 Acórdão n.º 2102-003.296 S2-C1T2 Fl. 7 13 hipóteses previstas no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004. Esse é o entendimento da Coordenação Geral de Tributação expresso na Solução de Consulta Interna n° 3, de 8 de janeiro de 2004, que se reproduz: 21. Muito embora a MP no 135, de 2003, dispense referido lançamento inclusive em relação aos documentos apresentados nesse período, os lançamentos que foram efetuados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituem-se atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal. 22. Nesse julgamento, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, ou seja, que as diferenças apuradas tenham decorrido de compensação indevida em virtude de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que tenha ficado caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. Assim, deve-se exonerar a multa de ofício, haja vista que, no caso vertente, não está presente nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004. Não há reparos a fazer na decisão recorrida, que deve ser mantidos pelos próprios fundamentos. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13407.000101/2010-30
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2010
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB
O atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA
Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2010 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB O atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB O atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratando se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 7. 00 01 01 /2 01 0- 30 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 49 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 07, com a exigência do crédito tributário no valor de R$55.000,00 a título de multa de ofício isolada por onze meses de atraso na entrega em 19.02.2010 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 31.03.2009. A DIMOB foi apresentada em Situação Especial o evento "extinção" datado de 18.02.2009, fl. 03. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: A entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob, após o prazo estabelecido na legislação, enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mêscalendário. [...] Art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de Janeiro de 1999 e art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Cientificada em 19.02.2010, fl. 18, a Recorrente apresentou a impugnação, fl. 02, com as alegações a seguir transcritas: A empresa acima citada apresentou seu pedido de baixa em 18/02/2009 e a RFB protocolou o recebimento do pedido de baixa e o deferiu, conforme Certidão de Baixa em anexo, sem a exigência da apresentação da DIMOB de baixa. Em 19/02/2010 apresentamos a DIMOB com o último movimento da empresa, inclusive a informação da Baixa e após a transmissão se gerou uma multa conforme a Notificação acima. A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da NOTIFICAÇÃO, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 44.809, de 27.06.2013, fls. 2224: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DIMOB. PREVISÃO LEGAL. EXTINÇÃO. TERMO FINAL PARA A ENTREGA. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 50 3 A Dimob foi instituída com base em competência legalmente atribuída à RFB; para a hipótese de descumprimento da obrigação de entrega, a lei prevê multa de R$5.000,00 por mêscalendário de duração da inadimplência. No caso de extinção da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 28.11.2013, fl. 29, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.12.2013, fls. 3136 e 47, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta: Ocorre colenda turma que o parâmetro de julgamento utilizado em 1ª instância fora o do artigo 57 da Medida Provisória N° 2.15835, cujo texto já fora alterado por leis posteriores e em que pese acredita ter sido revogado por não ter eficácia plena, pois o Código Tributário Nacional é imperativo ao definir em seus artigos 96 e 97, o que compreende a expressão "legislação tributária" e estabelecendo que somente lei poderá majorar ou reduzir tributos, e, em assim sendo não poderia tal medida provisória atribuir a multa que se segue no caput do artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15835 [art. 105, art. 106 e art. 112 do Código Tributário Nacional]. Afirmo ainda eméritos julgadores, que não pretende a entidade empresarial, que como já dito anteriormente, tratase de empresa optante pelo Simples Nacional desde 05/05/2008, se eximir do pagamento da multa, em absoluto, o que a mesma pretende é apenas a sua adequação a valores razoáveis, os quais já estão explícitos na Lei 12.766 de 2012, em seu artigo 8", §1", bem como no artigo 57 da Lei nº 12.873, de 2013, tendo em vista que ambas alteraram o texto do artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15835. [...] Pelo que se pode observar Doutos Conselheiros, o julgador de primeira instância não observou tal mudança normativa para tomar sua decisão, devendo neste norte a mesma ser revogada, tendo em vista ainda que, mesmo tendo sido a Medida Provisória do ano de 2001 absorvido pela legislação 12.873/2013, a decisão dos prezados julgadores não considerou o parágrafo único do artigo 57 da [Medida Provisória n° 2.15835] [...]. Óbvio está que por tratarse de Empresa Simples Nacional optante por esta modalidade desde 05/05/2008 data de sua constituição e dada como baixada desde 18/02/2009 (conforme documentos em anexo), mesmo que a multa restasse em um quantum correto, coisa que não se acredita, este deveria reduzido em setenta por cento, conforme a legislação vigente à época. Redução esta que não foi feita. Neste diapasão, podem ser verificados não somente um equívoco no julgado, mas dois, posto que a multa deveria ser arbitrada com fulcro na legislação atual, ou seja, Lei nº 12.879/2013, onde o parâmetro de valores para aplicação da multa são inferiores aos estipulados na media provisória, bem como o montante final deveria ser reduzido em seu valor, sendo de conhecimento que a referida empresa é Simples Nacional, se enquadrando a mesma nos requisitos necessários a redução. Ainda há de se falar da boafé do contribuinte, pois o mesmo não se negou, em momento algum, a prestar a declaração obrigatória (DIMOB), apenas por Fl. 50DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 51 4 equívoco fez este com atraso. Tanto não tem o mesmo o intuito de lesar os cofres públicos que na data habitual da entrega da declaração, todos os meses de fevereiro dos anos seguintes, o fez perante a Receita Federal, contudo, infelizmente quedouse fora do prazo pelo lapso a que fora acometido, jamais por máfé. Ademais, diante da análise de toda legislação supra ventilada, concluise que a importância inicialmente devida seria R$5.500,00 [...], e baseado no parágrafo 3° da Lei nº 12.873 de 2013, por ter a entidade apresentado à declaração antes de qualquer recebimento de ofício, tal quantum deverá ser reduzido à metade, perfazendo o valor de R$2.250,00 [...], que é o que se entende ser devido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ante o exposto e com base em sua boafé, pede e requer à recorrente que seja o presente recurso conhecido e provido, reformandose assim a decisão de primeira instância para que seja desconstituída a multa; Em caso de não ser o entendimento dos ilustríssimos julgadores, o que não se acredita por toda matéria de fato e de direito apresentada, por ser a entidade recorrente, como já dito anteriormente, empresa Simples Nacional, e tendo em vista a legislação pátria atual, pugna caso não seja possível à declaração de improcedência da decisão que arbitrou a multa, que se verifique a redução do valor, de maneira a adequála a legislação hodierna. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 52 5 Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária1. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 2 No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), intituída pela Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003 com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. Deve ser apresentada obrigatória pelas pessoas jurídicas e equiparadas (a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim, (b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis, (c) que realizarem sublocação de imóveis e (d) e ainda aquelas que foram constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios3. A Instrução Normativa SRF nº 694, de 13 de dezembro de 2006, prevê: 1 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 2 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 694, de 13 de dezembro de 2006 e Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 53 6 Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. § 1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. § 2º Nos casos de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. [...] Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >. Parágrafo único. O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 4º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I deste artigo tem, por termo inicial, o primeiro dia subseqüente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob. A Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010, determina: Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 54 7 I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios. § 1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. § 2º Nos casos de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente à ocorrência do evento. [...] Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 1º Para a apresentação da Dimob referente aos fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital, exceto para as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). § 2º O recibo de entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 4º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II 5% (cinco por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I do caput tem, por termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 55 8 Sobre a matéria, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, até 27.12.2012, com alterações introduzidas pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, assim determina: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 56 9 deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. [...] Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 57 10 (iv) Como ficam as multas envolvendo o Simples? [...] 7.9. Para as pessoas jurídicas inscritas no Simples, a multa do art. 57, incisos II e III (o aspecto quantitativo [valor] do inciso I torna a sua aplicação impossível a elas) está vigente para outras situações que não se tratem de multa por atraso na entrega da declaração (Maed), principalmente quando em procedimento de fiscalização feita pela RFB (nesse caso pode ser feita por lei ordinária por se tratar de atividade federal de competência da União, e não nacional), com a redução constante do § 1º. (grifos acrescentados) 4 No presente caso, restou comprovado que houve atraso por onze meses na entrega em 19.02.2010 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 13.03.2009. Em relação à alegação da Recorrente de que era optante pelo Simples Nacional, vale examinar o extrato de consulta aos sistemas internos da RFB, fl. 38, juntado aos autos por ocasião da apresentação do recuso voluntário. Nesse documento está registrado que, embora fosse optante pelo Simples Nacional no período de 05.05.2008 a 18.02.2009, foi "Excluída por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil". Assim consta que a "Situação Atual Situação no Simples Nacional: Não optante pelo Simples Nacional". No procedimento de ofício, por essa razão, foi adotado o patamar de R$5.000,00 por mês calendário ou fração, em conformidade com a legislação prevista à época. Ademais, a redução de 70% da multa de ofício isolada não se aplica ao inciso I art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$1.500,00 por mêscalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista a alínea "b" do inciso I do art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, aplicável às demais pessoas jurídicas. Pode, ainda, ser reduzida à metade, pois a DIMOB foi apresentada anteriormente ao procedimento de ofício sendo que este decorreu daquela transmissão. Não constam nos autos que a Recorrente no período tenha apresentado a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido. A alegação de boafé, no presente caso, não tem qualquer influência no presente lançamento de ofício, uma vez que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Assim, a exigência do crédito tributário deve ser reduzida para o valor total de R$16.500,00 a título de multa de ofício isolada por onze meses de atraso na entrega em atraso por onze meses na entrega em 19.02.2010 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 31.03.2009. Ainda deve ser reduzida à metade, já que no presente caso a obrigação acessória foi cumprida antes de qualquer procedimento de ofício, ou seja, a entrega em atraso via internet da DIMOB no dia 19.02.2010 foi seguida da ciência eletrônica em 19.02.2010, fl. 18, da Notificação de Lançamento à fl. 07. Notese que a premissa do lançamento de ofício foi exatamente a prévia 4 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 58 11 transmissão da DIMOB. Por essa razão, o valor da multa de ofício isolada deve ser novamente reduzida para R$8.250,00, porque, repitase, a obrigação acessória foi cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. A ilação designada pela defendente destacase como procedente em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$8.250,00 (oito mil e duzentos e cinquenta reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13407.000101/201030 Acórdão n.º 1803002.588 S1TE03 Fl. 59 12 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10830.014949/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUMULA CARF Nº 01
Não se conhece de matéria suscitada em sede de recurso voluntário, a qual seja objeto de demanda judicial. Incidência da Sumula CARF nº 01.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos
Numero da decisão: 2301-004.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
Marcelo Oliveira Presidente e Redator
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUMULA CARF Nº 01 Não se conhece de matéria suscitada em sede de recurso voluntário, a qual seja objeto de demanda judicial. Incidência da Sumula CARF nº 01. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Marcelo Oliveira Presidente e Redator Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RECURSO VOLUNTÁRIO. SUMULA CARF Nº 01 Não se conhece de matéria suscitada em sede de recurso voluntário, a qual seja objeto de demanda judicial. Incidência da Sumula CARF nº 01. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 49 49 /2 01 0- 58 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira – Presidente e Redator Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.241.3919, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo ter apresentado GFIP sem todos os dados correspondentes aos fatos geradores. Aponta o Relatório Fiscal que ao se declarar, indevidamente, como entidade isenta, não calculou as contribuições devidas e, consequentemente, não informou os fatos geradores em GFIP. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou o seguinte: i) preliminarmente, que impetrou, em 01.11.2006, mandado de segurança, que recebeu o nº 001363974.2006.403.6105, para discutir a imunidade das contribuições previdenciárias, com base no §7º, do art. 195 da CF/88, sendo necessária a suspensão do presente processo administrativo para evitar decisões conflitantes; ii) no mérito, que a multa deve ser recalculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212/91; que é sociedade de assistência social sem fins lucrativos, fundada há mais de 100 anos, cujo principal objetivo é a prática permanente da gratuidade e filantropia e goza da isenção prevista no §7º do artigo 195 da Carta Magna. Sustenta que a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 foi requerida através do protocolo nº 71010.002644/200312, e apesar de não constar da Resolução nº 7/2009, foi automaticamente renovado nos termos do artigo 39, da MP 446/2008 e que não pode se sujeitar ao pagamento do SalárioEducação. A DRJ de Campinas manteve a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 GFIP. Constitui infração punível com multa pecuniária a empresa entregar GFIP em desconformidade com os fatos geradores. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014949/201058 Acórdão n.º 2301004.203 S2C3T1 Fl. 3 3 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MP Nº 449, DE 2009. Para aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN, quando da lavratura de auto de infração, deve ser comparada a multa prevista no art.44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com as duas multas aplicadas segundo a legislação anterior à Medida Provisória nº 449, de 2009, ou seja, a determinada pelo art. 35, inciso II, e a prevista no § 5º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. Por unanimidade dos votos, essa Turma converteu o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade fiscal informasse acerca do andamento do processo administrativo que deu origem ao Ato Cancelatório, anexando as decisões e os recursos nele protocolados, bem como intimasse o sujeito passivo para trazer aos autos cópias da petição inicial do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, sentença, recursos e acórdãos por ventura existentes. Cumprida a diligência os autos retornaram a esse CARF para processamento e julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente auto de infração possui como fundamento a falta de informação na GFIP dos fatos geradores da contribuição previdenciária, devido ao fato de que a Autuada se classificou como entidade imune. Segundo consta dos autos, a recorrente teve sua isenção cancelada por descumprir à época, o artigo 55, inciso II, da Lei nº 8.212/91. Aduz em sede recursal que para o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006 foi requerida, por meio do protocolo 7101.002644/200312, a reconsideração da decisão que teria indeferido a renovação do certificado e que, por força da MP 446/2008 teria sido renovado automaticamente. A diligência trouxe aos autos as cópias do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, cuja petição inicial se encontra às fls. 221248 e que possui como Fl. 474DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 objeto o reconhecimento da impossibilidade de cobrança da contribuição previdenciária “uma vez que a Impetrante está protegida pela imunidade tributária prevista no artigo 195, §7º da Constituição Federal e cumpre todos os requisitos do artigo 14 do CTN”. Postulou, ademais, que o Poder Judiciário reconheça a inconstitucionalidade dos artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91, bem como do artigo 55, inciso III, §§ 3º, 4º e 5º, também da Lei nº 8.212/91. Analisando a sentença proferida nesses autos, anexada às fls. 249/257, verifico que a questão relativa ao cumprimento do requisito estampado no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/91 (vigente à época dos fatos), tornouse matéria controversa no processo, já que, em sede de preliminar, a autoridade apontada como coatora naqueles autos argüiu a ausência de certificado. Destaco os seguintes trechos da r. sentença: A razão preliminar invocada pela autoridade impetrada às fl. 262263 (ausência de CEBAS) é, em verdade, matéria de mérito e com ele será apreciada. Desse modo, não havendo teses preliminares ou prejudiciais, passo diretamente ao mérito da impetração. (...) O que de fato cumpre verificar, portanto, é se a entidade beneficiente de assistência social atende aos requisitos inscritos no artigo 14 do Código Tributário Nacional e no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, excluídas as modificações promovidas na redação deste último pela Lei nº 9.732/1998. Para o caso dos autos, de uma análise sumária, verifico que falta à impetrante o preenchimento do requisito da apresentação do Certificado ou Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social (artigo 55, inciso II, da Lei nº 8.212/91).” Desse modo, na medida em que a discussão do presente caso é a isenção da recorrente e que a questão relativa ao cumprimento do inciso II, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 (motivo do cancelamento da isenção nesses autos) tornouse matéria de discussão na esfera judicial, especificamente no referido mandado de segurança, é de rigor aplicar a Súmula CARF nº 01, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, identificada a identidade de matérias, entendo que, na questão relativa à isenção da recorrente o recurso não pode ser conhecido. Contudo, no tocante à aplicação da penalidade, segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, Fl. 475DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014949/201058 Acórdão n.º 2301004.203 S2C3T1 Fl. 4 5 passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, se mais benéfica ao recorrente. Adriano Gonzales Silvério Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Quanto a multa, cabe esclarecer que ocorreu alteração de seu cálculo pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, com o surgimento do Art. 35A na Lei 8.212/1991. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para tanto, devese comparar as penalidades impostas antes da alteração legislativa com as posteriores a alteração legislativa, para o mesmo tipo de infração. Conseqüentemente, para tanto, devese comparar a multa constante dos autos com a resultante do cálculo da multa expressa no I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, com o que determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e caso seja mais benéfico à recorrente utilizar esse valor. Portanto, o recurso deve ser provido parcialmente neste ponto. Marcelo Oliveira Fl. 477DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000749/00-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA.
lnexistindo omissão no julgado, deve ser mantido o julgamento proferido na integra.
EMBARGOS DECLARATORIOS CONHECIDOS E REJEITADOS.
Numero da decisão: 3201-000.436
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA. lnexistindo omissão no julgado, deve ser mantido o julgamento proferido na integra. EMBARGOS DECLARATORIOS CONHECIDOS E REJEITADOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / 1 a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. e , u (jvl JUDITH D k R2.1 MAIEGVNb AR. NDO ( Presidente ' LUCIANO LOPES p LÊVIEIDA MORA- S Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Méreia Helena Trajano D 'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 Processo n" 13888.000749/00-34 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00436 Fl. 389 Relatório Discute-se nos autos o direito à compensação de valores recolhidos a maior de FINSOCIAL pelo contribuinte, em face de decisão judicial proferida. O contribuinte discutia, dentre outros assuntos, o direito à inclusão dos expurgos inflacionários na sua repetição de indébito administrativa. A decisão ora embargaria entendeu que deveria ser obedecida a decisão judicial proferida, bem como deveriam ser incluídos os expurgos inflacionários, forte na jurisprudência desta Corte e do AD PGFN 10/08. A União apresentou embargos de declaração, alegando omissão no julgado, pois não poderia ser dado na decisão o direito judicialmente reconhecido acrescido dos expurgos inflacionários. 2 Processo n° 13888.000749/00-34 S3-C2T1 Acórdão nó' 3201-00.436 Fl. 390 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A União embarga a decisão proferida alegando omissão, pois o acórdão não poderia dar os expurgos inflacionários se a decisão judicial assim não o determinou. Entendo inexista omissão no julgado, pois o deferimento dos expurgos inflacionários na seara administrativa em nada viola a coisa julgada. Tal inclusão não é um piás que se acrescenta, mas simples reposição da perda de valor da moeda. Não é um adicional à restituição a ser dada ao contribuinte neste caso, trata- se tão somente de reposição do valor monetário, a fim de equiparação ao valor que possuía quando do pleito inicial de restituição. Assim, não estamos violando a decisão judicial quando apenas mantemos o valor da moeda no tempo. Ademais, a própria embargante já emitiu parecer determinando ser legal e devida a inclusão dos expurgos inflacionários, como vemos no AD PGFN 10/08: O PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso 11 do art. 19, da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2601 /2008, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007." JURISPRUDÊNCIA: AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.339/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007). A não aplicação dos expurgos inflacionários neste caso implicaria em tratar desigualmente contribuintes em situação idêntica, o que violaria o princípio constitucional da igualdade. 3 Processe n° 13888.000749/00-34 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.436 Fl. 391 Ante o exposto, voto por conhecer dos embargos de declaração interpostos e negar-lhes provimento. .132,Sala das Sessões, e 29 de abril de 2010 / LUCIANO LOli S E ALMEIDA MORAES 4
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722399/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2012
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO.
Aplica-se a multa isolada qualificada na compensação indevida em que ficar caracterizada a falsidade na declaração.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.623
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO. Aplicase a multa isolada qualificada na compensação indevida em que ficar caracterizada a falsidade na declaração. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 23 99 /2 01 3- 78 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 23/09/2013 (efls. 3/ss), para a cobrança da multa isolada qualificada, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/03, com redação dada Lei nº 11.488, de 2007, pelo fato de o contribuinte ter utilizado o mesmo crédito, decorrente de recolhimento indevido de Cofins nãocumulativa (no valor de R$ 38.584,41), para compensar 12 débitos em 4 diferentes declarações de compensação. Por bem descrever os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, em que foi lançado crédito tributário no valor de R$ 180.665,19, referente a multa isolada (qualificada) capitulada no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. 2. Segundo a descrição do fatos, a impugnante utilizou o mesmo crédito, decorrente de recolhimento indevido de Cofins não cumulativa (código de receita 5856) em 25/01/2012 (R$ 38.584,41), para compensar 12 débitos em 4 diferentes declarações de compensação, num total de mais de R$ 120.000,00. 3. A fiscalização informa que nos quatro PER/DCOMP’s foram informados valores diferentes para o mesmo crédito apontado e, tendo escriturado e demonstrado um valor devido de Cofins não cumulativa de R$ 38.584,41, e recolhido esse mesmo montante, fica claro que o contribuinte agiu com falsidade ao compensar com esse crédito inexistente mais de R$ 120 mil de débitos. 4. A autoridade lançadora acrescenta ainda que nas manifestações de inconformidade apresentadas nos processo referentes às compensações, o contribuinte tentou aplicar o entendimento do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que trata do alargamento da base de cálculo da Cofins cumulativa, ao seu recolhimento de Cofins nãocumulativa, que sequer é regida pela Lei nº 9.718, de 1998. 5. Cientificada em 28.09.2013 (AR fl. 117), a interessada apresentou, tempestivamente, em 18.10.2013 (conforme validação de fl. 148), impugnação (fls. 119/134) na qual alega: a) “(...) o Impugnante em tela postulou a restituição de pagamentos a maior, de créditos da COFINS, relativo ao período de apuração de julho de 2008, pelo qual, não há decisão administrativa transitada em julgado da sua não possibilidade.”; b) “Ainda, em que pese a decisão de aplicação da multa isolada ora combatida, cita que existem alguns processos administrativos em andamento, quais sejam: 10840.907052/201212; 10840.907053/201267; 10840.907055/201256 e, 10840.907056/201209, todas referentes a procedimentos de compensação tributária a serem administrativo.”; c) Cita o ADI 17/2002, afirmando: “Observese que o referido ADI tratou as compensações indevidas em razão de vedação legal expressa e crédito de natureza nãotributária como presumidamente fraudulentas, o que nos leva a crer que a ocorrência de fraude para estes casos depende de esforço probatório autônomo, tal como veiculado pelo referido ato declaratório interpretativo.”; d) “Pois bem. Com o advento da Lei n° 11.488 de 2007 fora introduzida a mais recente redação do art. 18 da Lei 10.833/03, limitando a imposição de multa Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10840.722399/201378 Acórdão n.º 3202001.623 S3C2T2 Fl. 205 3 isolada aos casos em que se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, e, nas hipóteses de compensação considerada não declarada”; e) “Tais alterações legislativas, e entendimentos consolidados pelo CC, foram ora expostos pelo simples fato de que a imposição de multa isolada deve ser aplicada unicamente em caso de fraude, quando esta estiver devidamente comprovada nos Autos, inclusive com dolo, não tendo qualquer cabimento jurídico se falar na presunção constante na ADI nº 17/2002, refutado até mesmo na esfera administrativa”; f) Acrescenta: “Partindo da análise da jurisprudência administrativa formada no curso das sucessivas alterações dos dispositivos legais em comento (multa pela compensação indevida), temos que o ônus da prova no que tange à fraude cabe ao Fisco, incluindo comprovar elemento subjetivo do tipo (dolo) do Contribuinte, sendo que, a contrário senso, estaríamos diante de simples erro na declaração. Revelase incoerente, e até ilegal, qualquer raciocínio indutivo sem provas para se configurar fraude, baseandose em elementos e meros indícios relatados pelo Auditor e não constante em ato normativo vinculado, ou devidamente comprovado nos autos, para simplesmente se presumir o ilícito.” g) Procura definir “fraude” e “erro”, vinculando a primeira hipótese ao dolo, para concluir: “Nobre Julgador, em consonância com as alterações legislativas acerca da possibilidade de aplicação da multa isolada nos casos de compensação indevida, e ainda, tendo como base as diretrizes do sistema jurídico penal acerca do que venha a ser fraude, e a necessária configuração do elemento subjetivo do tipo (dolo), i.e., a vontade de se cometer o ilícito, temos que para se ter a hipótese qualificada da multa, como no caso em apreço, há que se comprovar a fraude, e esta, de forma inequívoca. Em verdade, tal hipótese se perfaz em requisito de admissibilidade para aplicação da multa qualificada, e tal condição não encontra baliza no Auto de Infração em tela. Em muito, podemos reconhecer que o Contribuinte incorreu em erro, quiçá, em culpa (negligência, imperícia ou imprudência), porém, apenas afirmar que o mesmo cometeu uma fraude Como bem é cediço, para a prolação de um Auto de Infração para aplicação de multa majorada é indispensável prova robusta, apta a ensejar certeza da fraude ou falsificação cometida. Não obstante, nossa sistemática administrativa e judicial não opera com conjecturas ou probabilidades, i.e., sem a certeza total e plena do cometimento do ilícito administrativo apoiados em dados objetivos e concretos teremos a transformação de um poder (discricionário) em arbítrio, o que não se pode prosperar.” h) Prossegue argumentando que, no caso da manutenção da multa, deva ser a mesma considerada confiscatória: “Reconhecido em nossos Tribunais, como também, nos julgamentos administrativos, a aplicação de multas superiores a 100% do valor principal configuram ofensa aos princípios citados, se configurando verdadeiramente em medida confiscatória, inconstitucional.”; i) Ao final requer o cancelamento do auto ou, em não se entendendo pela anulação total, a redução da multa para o patamar mínimo Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão nº 0128.442, de 4/02/2014 (fls. 152/ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012 MULTA. PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. FALSIDADE. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo e será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte devidamente cientificada do acórdão em 19/03/2014, apresentou recurso voluntário (efls. 164/ss), por meio do qual, depois de relatar os fatos, repisa os mesmos argumentos já trazidos em sua impugnação. O processo foi sorteado e distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como relatado, a Recorrente tentou utilizar um mesmo crédito, decorrente de recolhimento indevido de Cofins nãocumulativa (no valor de R$ 38.584,41), para compensar 12 débitos em 4 diferentes declarações de compensação. A meu ver, não há menor dúvida que tal conduta praticada pelo contribuinte denota claramente intuito fraudulento, de modo que restou plenamente caracterizada a utilização de declarações de compensação falsas. Como bem destacou a decisão recorrida, em que pese os esforços da impugnante para defender que tal procedimento caracterizou “mero erro” da empresa, entende se que inexistem dúvidas quanto à falsidade apontada, corretamente pela fiscalização no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Corrobora esse entendimento, o fato dos PER/DCOMP’s terem sido transmitidos em intervalos próximos (setembro, outubro, novembro e dezembro de 2012) de Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10840.722399/201378 Acórdão n.º 3202001.623 S3C2T2 Fl. 206 5 modo que fica afastada a hipótese de erro na utilização de mesmo pagamento em tão curto espaço de tempo. Quanto à alegação de que a multa aplicada seria inconstitucional em razão de seu caráter confiscatório e, também, que a multa seja mensurada com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, entendo que a Administração Pública está sujeita à observância estrita do princípio constitucional da legalidade, previsto no art. 37, caput, de nossa Carta Magna, cabendo a ela, simplesmente, aplicar as leis, de ofício, não se lhe cabendo inovar ou suprimir as normas vigentes, o que significa, em última análise, introduzir discricionariedade onde não lhe é permitida. Ademais, o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessa matéria. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Neste sentido a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Por fim, destaquese que é inaplicável ao caso a alteração normativa trazida pela Lei nº 13.097, de 2015 (conversão da Medida Provisória n.º 656, de 7 de outubro de 2014), conforme depreendese do dispositivo legal prescrito no § 17 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Nesse contexto, no caso em tela se está claramente diante de hipótese de falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, portanto aplicável a multa isolada qualificada prevista no § 2º do art. 18, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ante o exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO. É como voto. Luís Eduardo G. Barbieri Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 15983.000377/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO.CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRETE.DEDUÇÕES DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO EM DESCONFORMIDADE COM A EXIGÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO INDIRETA.
1. Tendo em vista que as despesas realizadas não podem ser deduzidas na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, correto o procedimento que resultou no Auto de Infração em questão.
2. A apresentação de documentos sem as exigências feitas pela fiscalização não tem o condão de afastar o lançamento.Restou claro que nas folhas de pagamento apresentadas, o contribuinte contabilizou somente os valores líquidos pagos aos carreteiros, não incluindo no referido documento as parcelas in natura, situação que caracterizou pagamento de remuneração indireta sujeita à tributação.
Numero da decisão: 2301-004.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO DE OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 15/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO DE OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 15/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRETE.DEDUÇÕES DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO EM DESCONFORMIDADE COM A EXIGÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO INDIRETA. 1. Tendo em vista que as despesas realizadas não podem ser deduzidas na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, correto o procedimento que resultou no Auto de Infração em questão. 2. A apresentação de documentos sem as exigências feitas pela fiscalização não tem o condão de afastar o lançamento.Restou claro que nas folhas de pagamento apresentadas, o contribuinte contabilizou somente os valores líquidos pagos aos carreteiros, não incluindo no referido documento as parcelas in natura, situação que caracterizou pagamento de remuneração indireta sujeita à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO DE OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 77 /2 01 0- 08 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 EDITADO EM: 15/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Tratase de autuação em face da empresa em referência a qual tem por objeto contribuições sociais destinadas ao SEST e ao SENAT incidentes sobre remunerações de segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços de transporte (transportadores rodoviários autônomos). A contribuições exigidas incidem sobre a remuneração dos aludidos segurados, as quais correspondem a 20% do “do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento”, consoante o disposto no §2º do artigo 69 da Instrução Normativa MPS/SRP n. 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época. Percebeu a Fiscalização que a autuada custeava as despesas dos contribuintes individuais com combustíveis, lubricantes, pedágios, peças e acessórios, não incluindo tais valores no valor bruto dos fretes. Cientificado da autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação [fls. 238/242] que alega, em síntese: “os valores pagos aos carreteiros, discriminando na forma clara e precisa os gastos com combustível, refeição, troca de pneus, etc. Devendo ser desconsiderado para a base de cálculo previdenciária as parcelas de natureza “in natura” ou remuneração indireta contabilizada na folha de pagamento dos carreteiros”. Sobre a motivação, alega que o ato administrativo deve indicar os fundamentos de fato e de direito que levaram o servidor público a tomar certa atitude, permitindo a sociedade acompanhar o trabalho da Administração Pública. Em 18 de janeiro de 2011, a 7ª Turma da DRJ de Campinas prolatou acórdão n. 05832.193 que, em síntese, julgou procedente a autuação. Cientificado do decisum, em 18/04/2011, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário que, em síntese, reitera os argumentos dispostos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Fl. 509DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000377/201008 Acórdão n.º 2301004.179 S2C3T1 Fl. 509 3 Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade,merece ser apreciado. A autoridade administrativa em estrita observância das regras contidas art.art. 142 do CTN c/c art. 10 do Decreto nº 70.235/72, efetuou o lançamento em razão de a empresa ter contabilizado apenas valores líquidos pagos a carreteiros, omitindo as parcelas consideradas in natura, ou seja, combustíveis, lubrificantes, pedágios e peças e acessórios que não foram incluídos no valor bruto dos fretes. Tendo em vista que o procedimento fiscalizatório transcorreu em perfeita harmonia com a legislação de regência não há que se falarem arbitrariedade e ilegalidade. À época do lançamento estava em vigor a IN SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, que estabelecia que as contribuições exigidas sobre a remuneração dos segurados (carreteiros) correspondiam a 20% (vinte por cento) do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte e, não se admitia a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que as parcelas a este título estivessem discriminadas no documento. Como o contribuinte não respeitou a legislação, a autoridade administrativa incumbida do lançamento, disse que o fato gerador, in casu, é: A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, correspondente a vinte por cento do rendimento bruto,conforme parágrafo 4º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social – RPS , aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.1999. Tendo em vista que as despesas realizadas não podem ser deduzidas na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, correto o procedimento que resultou no Auto de Infração em questão. A apresentação de documentos sem as exigências feitas pela fiscalização não tem o condão de afastar o lançamento. Restou claro que nas folhas de pagamento apresentadas, o contribuinte contabilizou somente os valores líquidos pagos aos carreteiros, não incluindo no referido documento as parcelas in natura, situação que caracterizou pagamento de remuneração indireta sujeita à tributação. O lançamento e a decisão recorrida estão em perfeita sintonia com a legislação em vigor e devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. Registrese por derradeiro que 3ª Turma Especial da Segunda Seção já se pronunciou em face do Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) do mesmo sujeito passivo [Acórdão n. 2803002.238]. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 511DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005283/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentas não garantem crédito de IPI, mormente quando a própria saída dos produtos industrializados também é isenta.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Cons. Jean Cleuter e Adriana Ribeiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhoz OAB/SP 131.441.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Adriana Ribeiro.
Nome do relator: Robson José Bayerl - Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentas não garantem crédito de IPI, mormente quando a própria saída dos produtos industrializados também é isenta. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentas não garantem crédito de IPI, mormente quando a própria saída dos produtos industrializados também é isenta. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Cons. Jean Cleuter e Adriana Ribeiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhoz OAB/SP 131.441. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Adriana Ribeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 83 /2 00 7- 95Fl. 777DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento de IPI concernente ao saldo credor apurado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo ao 3º trimestre/2003. Consoante requerimento inaugural do contribuinte, o valor é decorrente do direito ao crédito presumido do IPI em razão de aquisições isentas e pela manutenção dos créditos relativamente às saídas isentas, face à inexistência de restrição constitucional tocante ao princípio da não cumulatividade deste imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM indeferiu o pedido aduzindo que as empresas beneficiadas pelo regime do DL 288/67, que trata da Zona Franca de Manaus, gozam de isenção nas saídas dos produtos fabricados e nas aquisições de insumos, de tal sorte que não dispõem de créditos a serem compensados; que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente, falecendolhes competência para apreciar a constitucionalidade de atos regularmente editados; e, que as decisões judiciais somente aproveitam àqueles que figuram como parte nas ações correspondentes. Em manifestação de inconformidade o contribuinte asseverou que é estabelecimento industrial instalado na ZFM e, como tal, goza de isenção do IPI sobre a aquisição de insumos, nos termos dos arts. 3º e 4º do DecretoLei nº 288/67, o que, pela aplicação do princípio da não cumulatividade, garantirlheia o direito ao registro do crédito de IPI, como se não houvesse isenção, pela alíquota aplicável aos insumos adquiridos; que não se discute no processo o direito de crédito pela aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, com apuração de crédito pela alíquota do produto fabricado; que a CF/88, ao cuidar da não cumulatividade do IPI, estabeleceu que a compensação se daria entre o valor do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, sem qualquer restrição, diversamente do que estatuído para o ICMS; que o direito creditório nestas situações é matéria pacífica perante o Supremo Tribunal Federal; que a não cumulatividade só pode ser limitada por norma constitucional, o que não se dá em relação ao IPI, sendo improcedente eventual argumento de que o contorno constitucional definido para o ICMS é o mesmo conferido ao IPI; que a não cumulatividade deve ser interpretada como regra geral, de forma ampla, e não como exceção, devendo ainda ser conferido aos vocábulos “cobrado” e “devido” o significado de “incidido” e não “exigido”; que o pressuposto para que haja direito de crédito não é que o imposto tenha sido pago, mas incidido na etapa anterior ou na posterior; que o art. 11 da Lei nº 9.779/99, não impõe, como pressuposto ao aproveitamento de créditos do IPI, que a entrada tenha sido tributada; que o direito de crédito decorrente do princípio da não cumulatividade do IPI não exige lei específica que o assegure; que a análise da matéria posta não implica apreciação de questão constitucional; que o ressarcimento é espécie do gênero restituição, motivo pelo qual deve ser aplicada a taxa selic ao valor a ser ressarcido; por fim, requer o deferimento do pleito e a conseqüente homologação das compensações aviadas. A DRJ Belém/PA, utilizandose dos mesmos argumentos do despacho decisório, manteve o indeferimento mediante acórdão assim ementado: “IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o princípio da nãocumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações Fl. 778DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10283.005283/200795 Acórdão n.º 3401002.750 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes faltar eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional.” Em recurso voluntário o contribuinte verberou a decisão de primeiro grau administrativo sustentando que o direito de crédito de IPI pela aquisição de insumos isentos já estaria pacificado no âmbito do STF, através do leading case RE 212.4842/RS, com trânsito em julgado em 10/12/1998; que a questão não sofre a influência do julgamento proferido nos RE 353.657 e 370.682, uma vez que a matéria envolvia aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero; que o direito a tal creditamento teria sido reconhecido pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional no bojo do RE 353.657; que há diferença entre isenção, não tributação e tributação à alíquota zero, citando doutrina a respeito; que recentes julgados da Suprema Corte (RE 504.423 e 370.771) confirmam este entendimento; que o Decreto nº 2.346/97 possibilita a apreciação da questão pela esfera administrativa, referenciando acórdãos da CSRF acerca do tema (Ac. CSRF/0202.154 e 0202.364); que inexiste restrição constitucional à manutenção do crédito em relação ao IPI; que, a teor do art. 11 da lei nº 9.779/99, a manutenção de crédito independe de pagamento na operação anterior; que a aplicação do entendimento inequívoco do STF redunda na desnecessidade de apreciação da matéria constitucional, nos termos do já citado Decreto nº 2.346/97; e, que deve ser reconhecida a aplicação da taxa selic ao valor a ser ressarcido, ex vi do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, remetendo à jurisprudência administrativa. Em 03/02/2011, durante a sessão, o patrono do contribuinte requereu a retirada de pauta e o sobrestamento do julgamento, tendo em conta o disposto no art. 62A do regimento interno do CARF. Em 03/03/2011 o processo em questão teve o seu julgamento sobrestado nos termos do art. 62A do regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, por força do RE 590.809, pendente de julgamento perante o STF, conforme despacho. Com o advento da Portaria CARF nº 01/2012 o processo foi retirado da condição de sobrestado e posto em julgamento. Durante a sessão de abril/2012, no dia 24/04/2012, o contribuinte peticionou novamente o sobrestamento do feito, alegando fato superveniente, a saber, a decisão proferida no AI 717.462, o que motivou a retirada de pauta para análise. Na sessão de junho/2012, em 26/06/2012, por intermédio da Resolução nº 340300.355, o processo foi novamente sobrestado, em função de entendimento firmado pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme despacho lançado no processo 10283.005290/200797. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 Em 30/12/2013, com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013, os autos foram devolvidos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário ingressado é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Pretende o recorrente que se defira o pedido de ressarcimento de IPI fundado em suposto saldo credor acumulado, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, originário de aquisições de insumos isentos aplicados na industrialização de produtos também isentos, por ocasião de sua saída do estabelecimento industrial, nos termos da legislação de regência, em homenagem ao princípio constitucional da não cumulatividade. Consoante art. 153, § 3º da CF/88, as balizas que dão o contorno principal do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI são as seguintes: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10283.005283/200795 Acórdão n.º 3401002.750 S3C4T1 Fl. 4 5 IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa a apuração não cumulativa do IPI, que ora nos interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto, a meu sentir, inarredável que tenha havido pagamento (cobrança) de imposto na etapa imediatamente anterior e não mera incidência tributária, como sustenta o recorrente, como também imposto devido na operação subsequente. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, por via oblíqua, sinaliza neste sentido, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 2º (Revogado pelo DecretoLei nº 2.433, de 1988) § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada de matériaprima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto. Para evitar uma má interpretação da asserção, registro ser do conhecimento que a disposição em epígrafe se encontra hodiernamente mitigada pelo art. 11 da Lei nº Fl. 781DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 9.779/99, que permite a manutenção do crédito nos casos de produtos saídos com isenção e alíquota zero, todavia, sua referência foi feita em caráter argumentativo. Em síntese, ratifico meu entendimento de ser conditio sine qua non para aproveitamento dos créditos de IPI, pela sistemática de apuração não cumulativa, a efetiva cobrança do imposto, aqui entendida na acepção de exigir, fazer com que seja pago, e não simplesmente que incida a norma tributária. O raciocínio é especialmente importante no caso vertente, onde tanto o produto entrado (insumo) como aquele saído (industrializado) do estabelecimento industrial são isentos do tributo, de modo que a União está sendo instada a devolver o que nunca cobrou e, por conseguinte, nunca recebeu, em claro enriquecimento sem causa por parte do recorrente. Também não procede o argumento contrario sensu, atinente ao ICMS, segundo o qual, uma vez não repetida a vedação de aproveitamento de créditos pela aquisição submetida a isenção ou nãoincidência prevista no art. 155, § 2º, II da CF/88 para o IPI, implicaria automaticamente a sua possibilidade, ao passo que, mesmo submetidos à mesma sistemática não cumulativa de apuração, a forma de cálculo e cobrança do tributo é distinta, sendo o ICMS calculado “por dentro”, isto é, compondo o próprio preço da mercadoria, enquanto o IPI é apurado “por fora”, sendo o seu valor acrescido ao preço do produto, de modo que esta especificidade não permite a ilação pretendida pelo recorrente. Portanto, não vislumbro possibilidade de acolher o seu rogo, mormente à luz da novel redação do Decreto nº 70.235/72 conferida pela Lei nº 11.941/2009, que reproduzo: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 782DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10283.005283/200795 Acórdão n.º 3401002.750 S3C4T1 Fl. 5 7 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Notese que ao fim e ao cabo, nada obstante a afirmação negativa do recorrente, a questão se resume à altercação acerca do real sentido do vocábulo “cobrado” constante do texto da Carta Magna de 1988 e os efeitos da divergência de redação entre os dispositivos constitucionais que regulam a não cumulatividade para o IPI e o ICMS, o que, a meu sentir, revela a índole constitucional da testilha, o que remete à vedação disposta no caput do preceito transcrito. De outra banda, tendo em conta a referência à jurisprudência, em tese, pacífica e favorável ao almejado ressarcimento o que poderia, numa leitura açodada, levar à conclusão de aplicação da ressalva contida no § 6º do aludido preceito , acentuo que em pesquisa ao sítio virtual do Supremo Tribunal Federal verifiquei que a mesma é claudicante a respeito do tema, eis que a par dos julgados colacionados pelo recorrente existem outros recentes e contemporâneos em sentido contrário, aos quais peço licença para coligir: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO. OPERAÇÕES COM ENERGIA ELÉTRICA. I Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. II Inexiste direito constitucional ao crédito de IPI decorrente da aquisição de energia elétrica empregada no processo de fabricação de produtos industrializados que são onerados pelo imposto em suas saídas. III Agravo regimental improvido.” (RE 561.676 AgR/SC. 01/06/2010) (destaquei e sublinhei). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 AgR/RS – 06/04/2010) (destaquei e sublinhei) “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. IPI. AQUISIÇÕES ISENTAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. TRÂNSITO EM JULGADO. DESNECESSIDADE. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 1. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, consoante iterativa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 2. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições isentas, cujo entendimento afastou tese adotada no RE 212.484/RS). 3. Desnecessidade do trânsito em julgado dos precedentes em que se apoiou a decisão agravada. 4. Agravo regimental improvido.” (RE 488.357 ED/PR – 18/08/2009). (destaquei e sublinhei) “EMENTA: Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Insumos. IPI. Alíquota zero, isenção ou nãotributação. Crédito na operação posterior. Impossibilidade. Ausência de violação ao art. 153, § 3º, II, da CF/88. Precedentes. 3. Limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Inaplicabilidade. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 444.267 AgR/RS – 18/12/2007). Por pertinente, para melhor esclarecer o alcance do julgado, colho excerto do voto condutor do eminente Min. Ricardo Lewandowski no RE 561.676 AgR/SC julgado em 01/06/2010, verbis: “A decisão agravada foi proferida em harmonia com o atual entendimento desta Corte no sentido de que, na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. Decorre daí a lógica de que só se compensa crédito de operação anterior quando e na medida do que for devido na próxima operação e só se atribui crédito para uma operação seguinte quando e à medida do que for pago na anterior.” (destaquei) Na mesma linha de raciocínio o voto da Min. Ellen Gracie nos Embargos de Declaração no RE 488.3571/PR, proferido em 18/08/2009: “A decisão proferida pelo meu antecessor, Ministro Gilmar Mendes, deve ser mantida, porque está em harmonia com a orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal, nos precedentes citados (RE 370.682/SG, rel. para o acórdão Min. Gilmar Mendes, Plenário, Dje 19.12.2007; e RE 353.657/RS, rel. Min. Marco Aurélio, Plenário, Dje 7.3.2008), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições isentas. (...) Este Supremo Tribunal também concluiu que a partir do julgamento dos recursos acima citados, que serviram de fundamento para a decisão agravada, não mais subsiste a tese adotada no RE 212.484/RS, Plenário, rel. Min. Nelson Jobim, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10283.005283/200795 Acórdão n.º 3401002.750 S3C4T1 Fl. 6 9 DJ 27.11.1998, sustentada, no presente recurso, pelo ora recorrente.” (destaquei) De acordo com o relatório do recurso extraordinário em epígrafe, tratavase de embargo de declaração onde alegava o embargante que os julgados, tidos como paradigmas (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), “se concentraram nos casos de aquisições com não tributação e reduzidas à alíquota zero, tendo sido mantido o direito relativo às aquisições isentas (sic)” e que a decisão recorrida não teria feito a diferenciação necessária dos institutos, argumentando ainda que o direito a tal creditamento estaria amparado no leading case RE 212.484/RS e que tais decisões não alcançariam os casos de isenção. Inferese, por conseqüência, que a jurisprudência citada, a meu ver, não respalda a aplicação do art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, porquanto não se mostra suficientemente firme, ao contrário, apresentase hesitante em relação à matéria, razão porque entendo que a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. No que concerne à jurisprudência citada da egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, com o devido respeito que merece, não há norma legal ou regimental que obrigue à sua observância, vigendo também em sede contenciosa administrativa o princípio da persuasão racional ou da livre convicção motivada. Por derradeiro, negado o próprio direito em debate, desnecessário delongar o exame acerca da aplicação da taxa selic ao montante requerido, mostrandose suficiente a singela alegação de ausência de previsão legal para seu emprego ao caso sub examine. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 785DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000464/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 04 64 /2 00 7- 51 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.028.977,82. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 3.1. DOS RENDIMENTOS CARACTERIZADOS COMO DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Argumenta o impugnante que o contribuinte não tem como identificar os valores creditados como rendimentos, pois não foi apresentado no Termo de Verificação Fiscal, uma planilha demonstrativa dos valores considerados como comprovados e os que foram considerados como não comprovados, levando a conclusão de que valores referentes a juros, prêmio poupança, correção monetária, docs. de compensação, foram considerados como rendimentos auferidos pelo contribuinte, o que demonstra a irregularidade da autuação feita; 3.2. diz que, o contribuinte não logrou comprovar a origem de todas as receitas, pois parte dos depósitos foram realizados em cheque. Estes, por indicarem os dados do documento (título), poderiam fornecer informações importantes para que o Contribuinte pudesse apresentar os argumentos de sua defesa; ao autuado, por ser particular, não é possível obter o nome e os dados do emitente do cheque depositado em sua conta, o que seria elucidador para o presente caso, pois o auxiliaria a relembrar de fatos ocorridos há muito tempo; 3.3. por esta razão, com fundamento no art. 18 do decreto nº 70.235/1972, requer sejam realizadas diligências no sentido de obter, através dos mecanismos eficazes que são permitidos à Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000464/200751 Acórdão n.º 2201002.621 S2C2T1 Fl. 3 3 administração, como, por exemplo, envio de ofício às instituições financeiras, ou outro semelhante, para o fim de obter o(s) nomes do(s) emitente(s) dos cheques relacionados na planilha de cheques depositados sem indicação de emitente, sob pena de se assim não for procedido, restar violentamente violado o princípio da ampla defesa; 3.4. DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO REALIZADO EXCLUSIVAMENTE COM DADOS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A autuação apoiouse apenas nos dados referentes à movimentação bancária para apurar o suposto crédito tributário. Ocorre que tal medida é ilegal, pois não reflete o valor correto dos rendimentos tributáveis, equivale apenas a movimentação bancária, muitas vezes ocorridas entre parentes próximos ou entre contas do mesmo contribuinte. Assim, se a fiscalização tem mecanismos mais eficazes de investigação, não é aceitável o lançamento de Imposto de Renda apenas com base na movimentação bancaria do contribuinte; 3.5. alega que, tal procedimento era expressamente vedado pela legislação em vigor à época do fato gerador do tributo sob fiscalização lei 9.311/1996; 3.6. prossegue, o procedimento fiscalizatório contra o autuado, caso mostrese necessário, poderá ser realizado nas formas permitidas e autorizadas pela legislação vigente na época dos fatos. É o que impõe expressamente o art. 37 da Constituição Federal ao dispor que a Administração Pública de qualquer dos entes federativos deverão obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; 3.7. conclui, o lançamento tributário consubstanciado na presente autuação padece de vício insanável, eis que foram produzidos de forma dissociada da legislação em vigor; 3.8. DA MULTA DE OFÍCIO. Alega que a multa de 150% apenas pode ser aplicada se caracterizado o dolo específico do agente e não somente a intenção, mas também o objetivo da fraude; 3.9. diz que, no presente caso, não houve comprovação do dolo do agente, aliás o auto de infração foi lavrado porque a Administração tributária não terminou o processo de investigação, pois optou por não esperar os documentos que o Impugnante já havia informado que solicitara (extratos bancários) porém não havia conseguido buscar tais documentos. 3.10. DA INCONSTITUCIONALIDADE DO USO DA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS MORATÓRIOS. Diz ser irregular a incidência da taxa SELIC como índice de correção monetária ou taxa de juros moratórios do débito imputado ao Impugnante, já que se trata de índice não próprio para tanto, pois tratase de fator de medição da variação apontada nas operações do Sistema especial de Liquidação e de custódia, objetivando ainda premiar o capital investido pelo tomados de títulos da dívida Fl. 322DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 pública, como rendimento da denominada "Letra do Banco Central do Brasil". 4. À vista dos argumentos do impugnante, o presente processo foi baixado em diligência (fls. 83 e 84), por esta Delegacia de Julgamento 7ª Turma, solicitando que a DRF de origem abrisse nova oportunidade para que o contribuinte se manifestasse acerca dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, a partir de Planilha apontando, individualizadamente, todos os créditos que compuseram a base de cálculo do lançamento em causa. 5. Conforme Relatório Fiscal de fl. 101, referida diligência foi incluída na programação de ação fiscal, com a emissão da MPF (081106.0020095701 de 05/03/2009), tendo sido elaboradas as novas planilhas, as quais, juntamente com o Termo de Intimação datado de 10/03/2009, foram recebidos pelo contribuinte em 13/03/2009, conforme AR; 6. Em 27/03/2009 o contribuinte solicitou prazo suplementar de 30 (trinta) dias, o qual foi concedido conforme solicitado, tendo recebido a informação de prorrogação em 07/04/2009, conforme AR. 7. Em 27/04/2009, apresenta o interessado complementação à impugnação (fls. 94 a 97), repetindo, basicamente, o que já havia dito em sua impugnação de fls. 65 a 77; acerca da nova questão posta – comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes , apresenta a seguinte justificativa: “Cabe frisar que o Auto de Infração foi lavrado mesmo sem o contribuinte ter conseguido apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização. Ademais, como a seguir será demonstrado, o auto de infração merece ser anulado, tendo em vista a dificuldade de obter dados sobre a origem dos depósitos, o autuado não encontrou os documentos comprobatórios da origem das receitas devido trataremse de valores movimentados já há muito tempo, e levandose em conta que a própria autuação, nessa parte, está fragilizada por ter se baseado, única e exclusivamente, na análise da Movimentação Financeira do Contribuinte, o que fere substancialmente o princípio da verdade material.” A 7ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou parcialmente procedente o lançamento, reduzindo a multa de ofício de 150% para 75%, conforme se infere das ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MULTA. DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000464/200751 Acórdão n.º 2201002.621 S2C2T1 Fl. 4 5 A multa de ofício qualificada, prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, só pode ser aplicada quando comprovado nos autos o evidente intuito de fraude. A não comprovação da origem dos depósitos bancários, por si só, não permite a aplicação da multa qualificada, ainda que tenha sido caracterizado o intuito doloso do contribuinte em outro processo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte (grifei) O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 02/07/2009 (fls. 122v) e, em 03/08/2009 (fls. 274), interpôs o recurso voluntário de fls. 125/132, que ora se examina, e no qual reitera o pedido de diligência. Afirma também que a decisão de primeira instância ignorou que a conta bancária é conjunta com Eliana Oliveira Tagliamento; que o julgamento de primeira instância interpretou a legislação de maneira mais desfavorável ao autuado, o que contraria princípio de direito tributário, ao deixar de decretar a nulidade do lançamento, o que estaria obrigado a fazer; que era sócio da empresa Prisma Caxias Produtos Químicos Ltda. e que cedeu suas quotas a terceiros, “o que equivale presumir a assunção de, no mínimo, o quinhão do capital social no montante de R$ 594.000,00 (fato ignorado) como receita livre de tributação”; que emprestou sua conta pessoal para movimentação financeira das atividades da empresa em questão. O processo em apreço foi julgado em 18/06/2013 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2202000.491, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2002. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelo recorrente. Quanto ao pedido de diligência, penso que deve ser indeferido. Da análise dos argumentos do recorrente, fica evidente que todos eles se referem à produção de provas que caberia ao contribuinte sua apresentação, como os livros contábeis e fiscais da pessoa jurídica. Com efeito, a diligência e/ou perícia não se destina a preencher as lacunas da defesa quanto à produção de provas de sua competência, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos forem considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Rejeitase, assim, o pedido de conversão do julgamento em diligência. No que tange a alegação de que a decisão de primeira instância deixou de decretar a nulidade do lançamento, em razão da interpretação de legislação tributária mais desfavorável ao autuado, penso que a afirmação é estéril e não há como prosperar. Na verdade, o julgamento singular analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos impugnatórios. Com efeito, na Impugnação apresentada não há qualquer elemento essencial que possa afastar a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Sobre a alegação de que a autoridade recorrida ignorou que a conta bancária é conjunta com Eliana Oliveira Tagliamento, constatase, da análise dos autos, que o suplicante não juntou qualquer documento que possa comprovar essa ocorrência. Assim, não vislumbro nenhum vício na decisão recorrida. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que os valores movimentados em sua conta bancária pertencem à pessoa jurídica Prisma Caxias Produtos Químicos Ltda. Assevera ainda que, como cedeu suas quotas a terceiros, presumese como receita livre de tributação a assunção de, no mínimo, o quinhão do capital social no montante de R$ 594.000,00. Em que pese alegue o recorrente que créditos bancários pertencem à pessoa jurídica, verifico, pois, que o interessado nada apresentou para comprovar a origem dos depósitos bancários aportados em seu movimento financeiro. No caso em pauta, era necessário que o fiscalizado carreasse aos autos os documentos que forçosamente lastrearam as operações financeiras em comento, de modo a vinculálos, mediante o cotejo de datas e valores, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000464/200751 Acórdão n.º 2201002.621 S2C2T1 Fl. 5 7 diretamente aos depósitos bancários efetuados na contacorrente que foram apurados pela autoridade lançadora. Da mesma forma, não há como considerar como receita livre de tributação o montante de R$ 594.000,00, relativo à assunção de quotas de capital social da empresa Prisma Caxias Produtos Químicos Ltda, em razão da falta da indicação desse valor no extrato bancário do recorrente. Com efeito, a indicação da fonte do recurso, sem outro elemento de prova, é absolutamente insuficiente para comprovar a origem dos diversos créditos aportados em sua movimentação financeira. Portanto, ante a ausência de prova do uso comercial da conta bancária em nome próprio, torna lícito o lançamento sobre o titular da conta, conforme expressamente dispõe a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Dessarte, sem a vinculação dos depósitos, presumese que os valores não transitaram pela conta bancária do contribuinte. Por fim, não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13707.001766/2003-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAMENTO.
Requerida pelo interessado a desistência parcial do recurso, em função da adesão ao parcelamento, não deve ser conhecido o apelo nessa medida.
COFINS. AUDITORIA INTERNA OU ELETRÔNICA. AUTO DE INFRAÇÃO. MUDANÇA DA MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA DRJ. ART. 18, § 3º, DO PAF.
Se a autuação torna como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Precedentes desta turma.
Recurso voluntário parcialmente conhecido; na parte conhecida, recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário; na parte conhecida, dar provimento ao recurso voluntário da empresa. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda votou pelas conclusões. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº. 153.881.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Recorrente COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAMENTO. Requerida pelo interessado a desistência parcial do recurso, em função da adesão ao parcelamento, não deve ser conhecido o apelo nessa medida. COFINS. AUDITORIA INTERNA OU ELETRÔNICA. AUTO DE INFRAÇÃO. MUDANÇA DA MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA DRJ. ART. 18, § 3º, DO PAF. Se a autuação torna como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Precedentes desta turma. Recurso voluntário parcialmente conhecido; na parte conhecida, recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário; na parte conhecida, dar provimento ao recurso voluntário da empresa. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda votou pelas conclusões. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº. 153.881. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 17 66 /2 00 3- 57 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira– Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração eletrônico, lavrado em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, relativo a COFINS do período de 04/1998 a 12/1998 nos valores de R$ 12.580.887,89 de contribuição, R$ 9.435.665,92 de multa e R$ 10.221.784,69 de juros, totalizando R$ 32.238.338,50. Segundo o auto de infração, parte do débito de setembro (R$ 6.046.509,46) foi informado como compensado com o processo judicial nº 92.00542808, contudo, tal vinculação não foi confirmada em virtude do processo judicial não ter sido comprovado. Em relação aos demais períodos e parcela do débito de setembro (R$ 707.658,31), a interessada informou em DCTF que estes estariam com exigibilidade suspensa com base na ação judicial 96.00301050, entretanto, a vinculação não foi confirmada sob o fundamento de que o processo judicial pertenceria a outro CNPJ. A interessada foi cientificada em 19/08/2003 (fl. 711) e apresentou impugnação (fls. 03/08), em 08/09/2003. Em função da defesa apresentada, a DEMAC efetuou a revisão de oficio do auto de infração, tão somente para excluir a multa de ofício, com base no seguinte: 1. Vinculações ao Processo Judicial nº 96.00301050 Despacho (fls. 702/705) Do exame da documentação apresentada pelo contribuinte, constatouse que foram várias as ações judiciais que receberam os depósitos, movidas em diferentes Unidades da Federação por postos de venda de combustíveis e derivados de petróleo, em que o interessado é implicado na condição de substituto tributário. Ou seja, o contribuinte não é parte nessas ações, nem é o contribuinte de fato em relação aos débitos aqui tratados, embora seja o responsável pelos mesmos perante a RFB. (...) o depósito de R$ 545.113,22 (cópia a fls. 160), de 10/9/1998, foi erroneamente efetuado na conta CEF n° 0265/005/001006820, vinculada a uma ação judicial referente ao PIS. Os dados dessa conta disponíveis no sistema Sinal Dep Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13707.001766/200357 Acórdão n.º 3202001.463 S3C2T2 Fl. 1.105 3 (cf. fls. 302) não nos permitem identificar a ação, apenas podemos deduzir que a mesma se refere ao PIS porque o código de receita que ali consta é 2849 (PIS Conversão de Depósito Judicial). A conta correta para a realização de tal depósito seria a de n° 0265/005/001740884, vinculada ao Mandado de Segurança n° 96.00301050, supra referido, em que é parte SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Portanto, tal depósito não foi considerado nos cálculos de imputação feitos mediante o programa Sicalc (demonstrativos a fls. 517/584), pelos quais constatouse que os depósitos em geral foram suficientes,excetuandose o valor acima referido, que não foi considerado, e outras insuficiências não tão significativas, causadas por depósitos feitos em atraso, sem a adição de acréscimos legais. Antes de concluir, devemos reconhecer que não cabe a aplicação da multa de ofício sobre o saldo devedor apurado, pois, tratandose de débitos declarados em DCTF, verificouse que a ação judicial existe e tem pertinência relativamente aos débitos objeto da autuação, e os depósitos, malgrado as insuficiências apontadas, foram confirmados. A interessada foi cientificada do despacho, sendolhe facultada a apresentação de razões adicionais à impugnação. Diante disso, a impugnante apresentou razões adicionais (fls. 715/719). Na sequência, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme resume a ementa abaixo (fls. 747/ss.): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador. AUDITORIA DCTF. PROCESSO NÃO COMPROVADO. Para comprovação da vinculação efetuada em DCTF relativa a compensação com ação judicial é necessária a existência de processo em que a interessada seja parte, e que tenha como objeto a compensação de tributos administrados pela RFB. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Não conformada, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando seus argumentos, lançados na impugnação. Posteriormente, a recorrente pediu a desistência parcial do recurso voluntário, em relação à COFINS do período de apuração do mês de setembro de 1998, por ter aderido ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, com redação alterada pela Lei nº 12.996/2014 e pela MP 651/2014. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Inicialmente, dado o pedido de desistência parcial do recurso voluntário, destacado na sustentação oral da recorrente, em relação à COFINS do período de apuração do mês de setembro de 1998, vinculado ao Processo nº 16682.720455/201114, em apenso, e ao Processo Judicial nº 92.00542808, por ter a empresa aderido ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, com redação alterada pela Lei nº 12.996/2014 e pela MP 651/2014, NÃO CONHEÇO as matérias alusivas ao citado período. Dito isso, passo ao exame dos temas articulados pela empresa. Para a recorrente, o auto de infração seria nulo, porque lançou valores já constituídos em DCTF. Porém, não procede a tese da Recorrente, porque a autuação decorre da glosa da informação contida na DCTF, de que o tributo declarado estaria suspenso por ação judicial. Segundo o auto de infração, inexiste a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tal como informada na DCTF da empresa, na medida em que a decisão judicial indicada pela contribuinte não lhe alcançaria, pois o autor da citada demanda possui outro CNPJ. Leiase a fundamentação do lançamento: ***** Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13707.001766/200357 Acórdão n.º 3202001.463 S3C2T2 Fl. 1.106 5 Assim, contestada pela fiscalização a informação contida na DCTF, é correta a lavratura de auto de infração, para que a contribuinte demonstre a correção ou não do seu procedimento, não havendo que se falar, nessas circunstâncias, em desnecessidade de lançamento, o que só ocorre quando o Fisco acata integralmente os dados apresentados pelo particular. Rejeito, portanto, a nulidade alegada. Quanto ao argumento de que o lançamento é improcedente por vício de motivação, já que a tentativa de revisão do lançamento, para excluir a multa de ofício por constatar a pertinência das ações judiciais indicadas na DCTF, teria modificado o fundamento da cobrança, o que exigiria a lavratura de novo auto de infração ou de notificação complementar, nos termos do art. 18, §3º, do PAF, esse tem procedência. Eis o que dispõe o art. 18, §3º, do PAF: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.. Como se vê, à luz do art. 18, § 3º, do PAF, no caso de inexatidões de que resultem inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar. Pois bem. Como destacado pela recorrente, a DICAT/DIMAC/RJ efetuou a revisão de ofício, para reduzir o valor exigido, de modo a excluir a multa de ofício, porquanto “verificouse que a ação judicial existe e tem pertinência relativamente aos débitos objeto da autuação, e os depósitos, malgrado as insuficiências apontadas, foram confirmados”. Confira se (fl. 704): Antes de concluir, devemos reconhecer que não cabe a aplicação da multa de ofício sobre o saldo devedor apurado, pois, tratandose de débitos declarados em DCTF, verificouse que a ação judicial existe e tem pertinência relativamente aos débitos objeto da autuação, e os depósitos, malgrado as insuficiências apontadas, foram confirmados. Isto posto, proponho seja submetida ao titular desta Unidade a minuta de despacho decisório que se segue, encerrando o procedimento de revisão interna e encaminhando o processo ao julgamento pela DRJ/RJOII, facultando ao interessado a apresentação de razões adicionais, no mesmo prazo estabelecido pelo PAF para impugnação. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Ao teor das informações acima, tornase inequívoco que o pressuposto da autuação “processo judicial de outro CNPJ” foi considerado improcedente, tendo em vista que “verificouse que a ação judicial existe e tem pertinência relativamente aos débitos objeto da autuação, e os depósitos”. Deveras, constatouse que o Mandado de Segurança Coletivo nº 96.00301050, indicado na DCTF, foi impetrado pelo SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO, do qual faz parte a recorrente. Leiase o acórdão recorrido fazendo constatação nesse sentido também: Em relação aos débitos informados com exigibilidade suspensa com base na ação nº 96.00301050 a vinculação não foi confirmada sob o fundamento de que o processo judicial pertenceria a outro CNPJ. Conforme informação da interessada, tratase de diversas ações judiciais interpostas pelo SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO objetivando afastar a antecipação da COFINS por parte das empresas Distribuidoras de combustíveis na condição de substituto tributário dos revendedores de combustíveis. A interessada alega que foi determinado o depósito judicial da importância devida na condição de substituta tributária. Efetuados os cálculos de fls. 535/607, verificase que foram efetuados depósitos após o vencimento sem os devidos acréscimos legais. A interessada alega a exatidão dos depósitos, contudo, não aponta qualquer incorreção nos cálculos apresentados. Além disso, não foi confirmado o depósito relativo ao débito de COFINS do período de 08/1998. A cópia do depósito no valor de R$ 545.113,22 (cópia a fls. 172), apresentada pelo contribuinte, consta a conta CEF n° 0265/005/001006820, vinculada a uma ação judicial referente ao PIS. ). A conta correta para a realização de tal depósito seria a de n° 0265/005/001740884, vinculada ao Mandado de Segurança n° 96.00301050, em que é parte SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Nesse contexto, entendo que há inequívoca mudança da fundamentação do auto de infração, o que exigiria a lavratura de um novo lançamento, como exige o art. 18, § 3º, do PAF. O acórdão recorrido, porém, embora reconheça que “a fundamentação do auto que foi a ausência de comprovação da ação judicial”, ratificou o procedimento efetivado, passando a tratar de outros completamente diversos do motivo da lavratura do auto de infração. O tema passou de “processo judicial de outro CNPJ” para se tornar: i) a tempestividade dos depósitos; ii) a correção do depósito do período de 08/1998; iii) a abrangência do objeto da ação judicial. É o que se verifica do Voto do acórdão recorrido: Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13707.001766/200357 Acórdão n.º 3202001.463 S3C2T2 Fl. 1.107 7 Efetuados os cálculos de fls. 535/607, verificase que foram efetuados depósitos após o vencimento sem os devidos acréscimos legais. A interessada alega a exatidão dos depósitos, contudo, não aponta qualquer incorreção nos cálculos apresentados. Além disso, não foi confirmado o depósito relativo ao débito de COFINS do período de 08/1998. A cópia do depósito no valor de R$ 545.113,22 (cópia a fls. 172), apresentada pelo contribuinte, consta a conta CEF n° 0265/005/001006820, vinculada a uma ação judicial referente ao PIS. ). A conta correta para a realização de tal depósito seria a de n° 0265/005/001740884, vinculada ao Mandado de Segurança n° 96.00301050, em que é parte SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO. A impugnante alega que apesar do erro no número da conta judicial os demais dados informados no depósito, nº da ação judicial, tributo, estão informados corretamente. Entretanto, não há como considerar um depósito efetuado em conta indevida. Ressaltando que a conta informada referese à outra ação judicial. Assim, também não cabe a alegação de enriquecimento ilícito visto que o Fisco não recebeu tal valor. Ocorrendo decisão favorável à interessada na ação do PIS o valor será devolvido à ela e não será convertido à Fazenda. [...] Nesse contexto, cabe analisar o auto de infração como efetuado originalmente, para saber se foi corretamente efetuado e se é procedente. Analisando a cópia do acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região (fls. 276/280), verificase que a interessada impetrou mandado de segurança objetivando eximirse do recolhimento da contribuição social criada pela Lei Complementar nº 70/91 e foi dado parcial provimento a apelação para reconhecer que a imunidade do art. 155, parágrafo 3º, se aplica às operações da empresa, no concernente a combustíveis e derivados de petróleo, e, em consequência, o seu faturamento, neste aspecto, está imune à aplicação da exação da COFINS. Portanto, diferentemente do que informou o contribuinte na DCTF a ação não autoriza a compensação, visto que não é este o seu objeto. A interessada alega a improcedência do auto de infração, visto que comprovou a ação judicial e também por força da coisa julgada na ação nº 92.00542808. Não há como considerar que foi efetivada a compensação por força da decisão judicial porque este não é seu objeto, conforme explicado anteriormente. Em relação à fundamentação do auto que foi a ausência de comprovação da ação judicial, apenas a sua existência não é Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 suficiente, deve ser comprovada sua regularidade, a autorização judicial, isto é, a interessada deve ser parte no processo, o objeto do processo dever ter relação com a vinculação informada na DCTF. Foi comprovada a existência, a regularidade, contudo, o objeto da ação não é a compensação com débito de Cofins. Cabe destacar que a interessada não esclarece a origem do crédito, já que a ação não pleiteia tal compensação. Mesmo que se aventasse a possibilidade de erro de preenchimento na DCTF, sendo o vínculo pretendido o da suspensão da exigibilidade, a interessada não comprova tal suspensão, constatase que a sentença denegou a segurança (fls. 269) portanto, não estaria amparada por liminar. Em regra, os efeitos da medida liminar, salvo se revogada ou cassada, persistirão até a prolação da sentença, e no caso em questão, a sentença denegou a segurança. O acórdão que julga a apelação em face da sentença que concede a segurança, só vem a substituíla após seu trânsito em julgado. Além disso, a justiça manifestouse incidentalmente no processo MS nº 95.00442256 declarando que o Mandado de Segurança nº 92.00542808 produziu efeitos apenas no exercício financeiro de 1992. Sendo assim e por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, cancelandose os débitos dos períodos de 04/1998, 05/1998, 06/1998 e 07/1998 em virtude da decadência. Valéria Cristina Lima da Silva Relatora A meu ver, esse fato é suficiente para caracterizar a improcedência, por vício material, do auto de infração, que foi fundamentado no único fato que se revelou improcedente de que o processo judicial informado pela contribuinte não abrangeria seu CNPJ. Nesse contexto, não pode a DRJ alterar o fundamento da autuação, discutindo assuntos diversos daqueles trazido na autuação original. Em casos muitos semelhantes ao presente mutatis mutandi, nossa turma julgou nulas as autuações: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:1997 COFINS. AUDITORIA INTERNA OU ELETRÔNICA. AUTO DE INFRAÇÃO. MUDANÇA DA MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA DRJ. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13707.001766/200357 Acórdão n.º 3202001.463 S3C2T2 Fl. 1.108 9 Se a autuação torna como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Precedente do CARF (PAF nº 13863.000134/200292. Acórdão nº 3202000.6922 ªCâmara/2ªTurma Ordinária). Recurso voluntário provido. [PAF nº 13819.002615/200278. 2ªCâmara/2ªTurma Ordinária. Rel. Cons. THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES. Julgado em 12/10/2014] **** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração:01/07/1997a31/12/1997 COFINS.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. MUDANÇA DA MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA DRJ. Se a autuação torna como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD NAO COMPROVADO", e o contribuinte demonstram a existência desta ação, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. A alteração da motivação exige a lavratura de novo auto de infração ou a sua retificação por meio de outro auto de infração. Precedente do CARF (3ª Seção /3a.Turma da 4a.Câmara/ Acórdão340300.565,em29/09/2010). [PAF nº 13863.000134/200292. Acórdãonº 3202000.692– 2ªCâmara/2ªTurma Ordinária. Rel. Cons. THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES. Julgado em 20/03/2013]. Ante o exposto, conheço em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.000647/2004-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DO CRÉDITO FISCAL EXISTENTE
A dedução do imposto devido referente a saldo credor de IRPJ, de ano-calendário anterior, é processada na própria declaração por opção do contribuinte, podendo ser inclusive pedido sua restituição. Os pedidos de restituição ou compensação de tributos e contribuições federais observando o prazo decadencial, devem ser apresentados de acordo com a legislação especifica que regulamenta o tema.
DO DIFERIMENTO DO RESULTADO NOS CONTRATOS COM O PODER PÚBLICO.
O valor a ser excluído do lucro líquido para apurar o lucro real é uma faculdade do contribuinte, o que não o vincula caso resolva proceder de outra forma, qual seja deixar de adotar o diferimento, em atendimento ao disposto no artigo 409 do RIR/99:
IMPACTO DO LUCRO DIFERIDO NA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL
O limite legal de 30% na compensação de prejuízo fiscal deveria ser calculado sobre o lucro tributável, excluído do valor correto do resultado diferido.
A diferença desconsiderada pela fiscalização acabou por acarretar um impacto fiscal na base de cálculo considerada para lavratura do AI, o que não se sustenta em razão do reconhecimento da possibilidade de dedução do lucro líquido.
DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO
Quanto à questão da postergação sob o ponto de vista financeiro é evidente que se houver o aproveitamento do prejuízo fiscal de 100% num determinado ano e lucro nos anos subsequentes, a empresa pagará os tributos relativos ao aproveitamento acima dos 30% em anos subseqüentes.
Contudo, para usufruir desse entendimento o contribuinte deverá demonstrar essa tributação sobre os lucros em períodos subseqüentes, juntando as DIPJs, Lalur e outros documentos dos períodos subsequentes.
DA SEGREGAÇÃO DOS RESULTADOS
No momento de se discriminar as Adições Declaradas na recomposição do Lucro Real era possível a fiscalização com base nos registros fiscais nos livros de registros dessas operações que envolvem as Sociedades em Conta de Participação fazer o destaque correspondente à Recorrente e às SCPs.
Quanto à CSLL, os mesmos fundamentos se aplicam quanto à tributação e base negativa.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o valor de R$ 3.762.580,45 a título de exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, conforme item 2C do voto, e para restabelecer a compensação de prejuízos fiscais até o limite de 30% sobre a base de cálculo do IRPJ aqui mantida, conforme item 2D do voto.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DO CRÉDITO FISCAL EXISTENTE A dedução do imposto devido referente a saldo credor de IRPJ, de ano-calendário anterior, é processada na própria declaração por opção do contribuinte, podendo ser inclusive pedido sua restituição. Os pedidos de restituição ou compensação de tributos e contribuições federais observando o prazo decadencial, devem ser apresentados de acordo com a legislação especifica que regulamenta o tema. DO DIFERIMENTO DO RESULTADO NOS CONTRATOS COM O PODER PÚBLICO. O valor a ser excluído do lucro líquido para apurar o lucro real é uma faculdade do contribuinte, o que não o vincula caso resolva proceder de outra forma, qual seja deixar de adotar o diferimento, em atendimento ao disposto no artigo 409 do RIR/99: IMPACTO DO LUCRO DIFERIDO NA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL O limite legal de 30% na compensação de prejuízo fiscal deveria ser calculado sobre o lucro tributável, excluído do valor correto do resultado diferido. A diferença desconsiderada pela fiscalização acabou por acarretar um impacto fiscal na base de cálculo considerada para lavratura do AI, o que não se sustenta em razão do reconhecimento da possibilidade de dedução do lucro líquido. DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO Quanto à questão da postergação sob o ponto de vista financeiro é evidente que se houver o aproveitamento do prejuízo fiscal de 100% num determinado ano e lucro nos anos subsequentes, a empresa pagará os tributos relativos ao aproveitamento acima dos 30% em anos subseqüentes. Contudo, para usufruir desse entendimento o contribuinte deverá demonstrar essa tributação sobre os lucros em períodos subseqüentes, juntando as DIPJs, Lalur e outros documentos dos períodos subsequentes. DA SEGREGAÇÃO DOS RESULTADOS No momento de se discriminar as Adições Declaradas na recomposição do Lucro Real era possível a fiscalização com base nos registros fiscais nos livros de registros dessas operações que envolvem as Sociedades em Conta de Participação fazer o destaque correspondente à Recorrente e às SCPs. Quanto à CSLL, os mesmos fundamentos se aplicam quanto à tributação e base negativa. Recurso conhecido e parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o valor de R$ 3.762.580,45 a título de exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, conforme item 2C do voto, e para restabelecer a compensação de prejuízos fiscais até o limite de 30% sobre a base de cálculo do IRPJ aqui mantida, conforme item 2D do voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DO CRÉDITO FISCAL EXISTENTE A dedução do imposto devido referente a saldo credor de IRPJ, de ano calendário anterior, é processada na própria declaração por opção do contribuinte, podendo ser inclusive pedido sua restituição. Os pedidos de restituição ou compensação de tributos e contribuições federais observando o prazo decadencial, devem ser apresentados de acordo com a legislação especifica que regulamenta o tema. DO DIFERIMENTO DO RESULTADO NOS CONTRATOS COM O PODER PÚBLICO. O valor a ser excluído do lucro líquido para apurar o lucro real é uma faculdade do contribuinte, o que não o vincula caso resolva proceder de outra forma, qual seja deixar de adotar o diferimento, em atendimento ao disposto no artigo 409 do RIR/99: IMPACTO DO LUCRO DIFERIDO NA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL O limite legal de 30% na compensação de prejuízo fiscal deveria ser calculado sobre o lucro tributável, excluído do valor correto do resultado diferido. A diferença desconsiderada pela fiscalização acabou por acarretar um impacto fiscal na base de cálculo considerada para lavratura do AI, o que não se sustenta em razão do reconhecimento da possibilidade de dedução do lucro líquido. DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO Quanto à questão da postergação sob o ponto de vista financeiro é evidente que se houver o aproveitamento do prejuízo fiscal de 100% num determinado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 47 /2 00 4- 00 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 ano e lucro nos anos subsequentes, a empresa pagará os tributos relativos ao aproveitamento acima dos 30% em anos subseqüentes. Contudo, para usufruir desse entendimento o contribuinte deverá demonstrar essa tributação sobre os lucros em períodos subseqüentes, juntando as DIPJs, Lalur e outros documentos dos períodos subsequentes. DA SEGREGAÇÃO DOS RESULTADOS No momento de se discriminar as Adições Declaradas na recomposição do Lucro Real era possível a fiscalização com base nos registros fiscais nos livros de registros dessas operações que envolvem as Sociedades em Conta de Participação fazer o destaque correspondente à Recorrente e às SCPs. Quanto à CSLL, os mesmos fundamentos se aplicam quanto à tributação e base negativa. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o valor de R$ 3.762.580,45 a título de exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, conforme item 2C do voto, e para restabelecer a compensação de prejuízos fiscais até o limite de 30% sobre a base de cálculo do IRPJ aqui mantida, conforme item 2D do voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de Auto de Infração que cobra IRPJ e CSLL do ano calendário de 1999. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 3 3 Vejamos os detalhes do lançamento através da transcrição do Relatório Fiscal: 1. NÃO SEGREGAÇÃO DE LUCROS REAIS APURADOS EM SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (SCP): Examinando os livros contábeis e fiscais da empresa pudemos verificar que, no ano calendário de 1999, a empresa fiscalizada participou como sócia ostensiva das seguintes Sociedades em Conta de Participação (SCP): SCP OBRA 110; SCP OBRA 129; SCP OBRA 142; SCP OBRA 146; SCP OBRA 159; SCP OBRA 163; SCP OBRA 166 e SCP OBRA 167. Ora, conforme a norma contida no art. 254, II do RIR/99, os resultados e o lucro real correspondentes à SCP devem ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, cabendo a este apenas a responsabilidade pelos valores a recolher dos tributos e contribuições devidos. Apesar de ter em sua contabilidade as operações de cada SCP destacadamente, a empresa apurou e declarou um único lucro real na DIRPJ do exercício de 2000, ano calendário de 1999. Por esse motivo, solicitamos a empresa fiscalizada a apresentação da demonstração do lucro real de cada uma SCP destacadamente da do sócio ostensivo, o que foi feito pela VARCA, após o início da ação fiscal e após esta nossa solicitação, quando foram apresentadas cópias dos Livros de Apuração do Lucro Real, com os seguintes valores: (...) Sobre os lucros reais apurados nas SCP's, a empresa sócia ostensiva (VARCA) declarou o IR a Pagar devido pelas SCP no valor de R$ 192.243,00 e a CSLL a Pagar devida pelas SCP, no valor de R$ 189.066,00, conforme constam das Fichas 13A, Linha 19 e da Ficha 30, Linha 32, da respectiva DIRPJ do ano calendário de 1999. Todavia, não apurou a sócia ostensiva nenhum valor a pagar de IRPJ e CSLL devido por ela própria, o que não se justifica, pelas irregularidades apuradas a seguir descritas. 2. IRREGULARIDADES APURADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA SÓCIA OSTENSIVA CONSTRUTORA VARCA SCATENA LTDA: 2.1. LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO DECLARADO A MENOR A empresa sócia ostensiva (VARCA) declarou a menor o Lucro Liquido antes do IRPJ para efeito de determinar o lucro real. A irregularidade deveuse ao fato de não ter sido observado a independência dos resultados e lucros reais das 410 sociedades, Fl. 988DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 conforme determina a norma do art. 254, inciso II do RIR199, visto que foram declarados os resultados auferidos e lucros reais das sociedades SCP da sócia ostensiva de forma consolidada, conforme acima citado: Lucro Liquido antes do IRPJ Contabilizado 5.829.940,65 Lucro Liquido antes do IRPJ Declarado 5.747.784,86 Lucro Liquido Antes do IRPJ Não Declarado 82.155,79 2.2. ADIÇÕES DECLARADAS A MENOR: 2.2.1. DESPESAS INDEDUTÍVEIS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CONTRIBUIÇÕES AO PIS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA: A empresa deixou de adicionar ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, os valores apropriados na conta 313020013, no ano de 1999, da contribuição ao PIS, cuja exigibilidade encontravase suspensa nos termos do inciso VI do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (CTN), por força de medida liminar concedida na ação cautelar n° 96.00164002, ajuizada na 21a. Vara da Justiça Federal de Sao Paulo. Por esta razão o valor apurado abaixo está sendo adicionado ao lucro liquido por esta fiscalização: (...) LUCRO REALIZADO NO ANO E DECORRENTE DE CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS A empresa deixou de adicionar ao lucro liquido, no ato da determinação do lucro real, o lucro realizado no ano de 1999 pertinente a contratos firmados entre a sócia ostensiva VARCA e entidades governamentais (excluído na apuração do lucro real de 1998), no valor de R$ 157.179,11, conforme registrado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real do ano de 1999. Registrese que o referido valor só foi adicionado ao lucro liquido na nova demonstração do lucro real efetuada após o inicio da ação fiscal. 2.3. EXCLUSÕES DECLARADAS A MAIOR: 2.3.1. EXCLUSÕES REFERENTES A LUCROS REAIS APURADOS EM SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (SCP): Intimada a demonstrar os valores excluídos na Demonstração do Lucro Real, a empresa esclareceu que o valor de R$ 3.331.112,00, informado como Outras Exclusões na Ficha 10 A — Demonstração do Lucro Real, Linha 29 e na Ficha 30 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, Linha 19, da respectiva DIRPJ do ano calendário de 1999, se refere a lucros diferidos e auferidos pela própria Varca e pelas Sociedades em Conta de Participação (SCP), nos seguintes valores: (...) Fl. 989DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 4 5 Quanto ao valor de R$ 2.870.288, a empresa apresentou demonstrativo do diferimento do lucro referente a contratos firmados com entidades governamentais (vide anexo), em conformidade com legislação pertinente (art. 409 do RIR/99 21/79), portanto foi considerado como comprovado e IN. No entanto, os valores excluídos e referentes a lucros auferidos pelas SCP's só podem ser computados (como de fato o foram) na determinação do lucro real das próprias SCPs, em razão da independência dos resultados e lucros reais das sociedades, conforme determina a norma do art. 254, inciso II do RIR/99. Portanto, a exclusão no valor de R$ 428.700,00 (composta pelos valores de R$ 159.567,00, R$ 225.276,00 e R$ 43.857,00), efetivada na determinação do lucro real da sócia ostensiva, é totalmente indevida, pelo que será glosada. 3. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Após os ajustes acima, restou provada a compensação indevida de prejuízo fiscal e a compensação indevida de base de cálculo negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro, no ano calendário de 1999, visto que a empresa não observou o limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões, previstas e autorizadas pelas legislações do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro, conforme apurado no Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais e no Demonstrativo de Bases Negativas da CSLL, anexo ao Auto de Infração lavrado nesta data. No citado Demonstrativo de Bases Negativas da CSLL também foi apurada compensação indevida de base negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro, decorrente de insuficiência de saldo de base de cálculo negativa da contribuição sobre o lucro de períodos anteriores. Compensação indevida de prejuízo fiscal (IRPJ) por inobservância do limite de 30%: R$ 1.584.259,67 Compensação indevida de base negativa (CSLL) por inobservância do limite de 30%: R$ 1.554.991,09 Compensação indevida de base negativa (CSLL) por insuficiência de saldo anterior: R$ 36.898,38. O Auto de Infração foi lavrado em 24/03/2004, sob as seguintes imputações: 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Compensação indevida de prejuízo fiscal, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme Fl. 990DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 apurado no Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais e descrito no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. 002 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. LUCRO REALIZADO DECORRENTE DE CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. Falta de adição ao lucro liquido, na determinação do lucro real, do lucro realizado no ano de 1999, pertinente a contratos firmados com entidades governamentais, e que foi excluído na apuração do lucro real de 1998, apurado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real do ano de 1999, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. 003 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Falta de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, dos valores apropriados como despesas no ano de 1999, a titulo de contribuição ao PIS, cuja exigibilidade encontravase suspensa nos termos do inciso VI do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (CTN), conforme descrito e demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. 004 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS LUCROS DE SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (SCP). Exclusão indevida na determinação do Lucro Real do ano calendário de 1999, a titulo de lucros diferidos e pertinentes a contratos firmados com entidades governamentais, auferidos por Sociedades em Conta de Participação (SCP), em virtude da exclusão não estar autorizada pela legislação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. 005 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. A empresa declarou valor a menor do Lucro Liquido antes do IRPJ, para efeito de determinar o lucro real, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. Falta de adição ao lucro liquido, na determinação do lucro real, do lucro realizado no ano de 1999, pertinente a contratos firmados com entidades governamentais, e que foi excluído na apuração do lucro real de 1998, apurado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real do ano de 1999, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 5 7 Falta de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, dos valores apropriados como despesas no ano de 1999, a titulo de contribuição ao PIS, cuja exigibilidade encontravase suspensa nos termos do inciso VI do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (CTN), conforme descrito e demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. Exclusão indevida na determinação do Lucro Real do ano calendário de 1999, a título de lucros diferidos e pertinentes a contratos firmados com entidades governamentais, auferidos por Sociedades em Conta de Participação (SCP), em virtude da exclusão não estar autorizada pela legislação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que 'lassa a fazer parte deste Auto de Infração. CSLL BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Compensação indevida de base negativa da contribuição social sobre o lucro, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas na legislação da Contribuição Social sobre o Lucro, conforme apurado no Demonstrativo de Bases Negativas da CSLL e descrito no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte deste Auto de Infração. CSLL BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA. SALDO INSUFICIENTE DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Compensação indevida de base negativa da contribuição social sobre o lucro, tendo em vista insuficiência do saldo anterior de base de cálculo negativa da contribuição sobre o lucro, conforme apurado no Demonstrativo de Bases Negativas da CSLL e descrito no Termo de Verificação Fiscal, que passa a fazer parte do Auto de Infração. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 23/04/2004 (fls.199 a 232), trazendo basicamente os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE Afirma que a autuação é nula, pois, a fiscalização cientificou a lavratura do Auto de Infração à pessoa que não é nem representante legal ou procuradora da Impugnante, Sr. João Lopes Garcia. Informa que está previsto no artigo 23, do PAF, que "farseá a intimação pelo autor do procedimento ou agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto". Fl. 992DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 Menciona também, que o artigo 238, do CPC, prevê que "não dispondo a lei de outro modo, as intimações serão feitas às partes, aos seus representantes legais e aos advogados pe1o correio ou, se presentes em cartório, diretamente pelo escrivão ou chefe da secretaria". Alega, também, que a postura adotada pelo Sr. AFRF carece de legitimidade tendo em vista os lamentáveis equívocos cometidos quando da sua lavratura. Passa a, resumidamente, apontar tais erros que são discutidos quando da abordagem do mérito da autuação, dizendo demonstrar a total precariedade do AI, em face da adoção de critérios que se afastam do correto procedimento administrativo. MÉRITO Da Recomposição das Exigências a Titulo de IRPJ e CSLL. Alega que a fiscalização não considerou, na lavratura do Al, os créditos fiscais de IRPJ e CSLL, correspondentes a R$ 315.519,40 e R$ 29.000,00, respectivamente, detidos pela lmpugnante. Informa que tais créditos são originários de IRRF sobre aplicações financeiras e sobre serviços, bem como IRPJ e CSLL recolhidos a maior, relativos aos anoscalendário de 1996 a 1998. A lmpugnante anexa cópias de documentos para comprovar a existência destes créditos e provar que não foram utilizados em períodos subseqüentes. Destaca que, "a exigência de IRPJ e CSLL relativa ao ano calendário de 1999 só se legitima quando feita com o confronto dos créditos de anoscalendário anteriores" e que "assim, concluise que o Sr. AFRF, adotando uma postura extremamente cômoda e com fins meramente arrecada tórios, não se preocupou em apurar a existência dos créditos, que poderiam evitar, assim, a lavratura de um Al manifestamente improcedente". Aponta outro erro da fiscalização, que excluiu do resultado tributável, tanto para o IRPJ como para CSLL, o valor de R$ 2.870.288,00 decorrente de diferimento de lucro com contratos firmados com entidades governa is, quando o correto seria o valor de R$ 3.762.580,45, conforme demonstrado nos balancetes e planilha anexados. Declara que, "o valor informado de R$ 2.870.288,00 foi considerado no momento da compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, todavia, uma vez imposta a trava de 30% do lucro, há que se considerar o correto valor de R$ 3.762.580,45 (total de rendimentos diferidos recebidos durante o anocalendário 1999)". Efeitos de postergação Alega que a fiscalização não levou em consideração o fato de que a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL acima de 30%, pode não implicar em cobrança de tributos, se tiver ocorrido somente postergação de pagamento. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 6 9 Destaca que, quando o contribuinte utiliza todo o prejuízo fiscal, sem trava, eventuais lucros nos anos seguintes acabam sendo tributados integralmente, e o fisco apenas perde o efeito financeiro dos pagamentos, não ocorrendo a perda de tributos. Diz que a fiscalização estaria obrigada a recompor toda a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, da forma estabelecida pelo PN COSIT n° 02/96 e não simplesmente glosar o valor compensado a maior. Da Ilegalidade da Exigência a Titulo de IRPJ. Da Incorreta Apuração do IRPJ. Alega que a fiscalização não atendeu o que ela própria destacou no Termo de Verificação, ou seja, "os resultados e o lucro real correspondentes às SCP devem ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo". Informa que não foi segregado o valor de R$ 350.226,00, referente a adições ao lucro liquido para apuração do lucro real. Declara que deste valor, R$ 166.066,63 corresponde à lmpugnante e R$ 184.159,37 às SCP's. Destaca que, a fiscalização utilizou critério equivocado, apurando suposto débito incorretamente e maculando o lançamento tributário. Reitera as decisões transcritas do Conselho de Contribuintes, que "evidenciam o cancelamento das exigências fiscais quando comprovado o erro na apuração do crédito tributário". Da Ilegalidade da Exigência a Titulo de CSLL. Da Dedutibilidade dos Valores com Exigibilidade Suspensa. Alega que a Lei n° 7.689/88 e Lei n° 8.981/95 não prevêem a indedutibilidade, com relação à CSLL, de despesas com tributos cuja exigibilidade esteja suspensa. Logo, a fiscalização não poderia adicionar ao lucro liquido para apuração da base de cálculo o valor de recolhimento do PIS, cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medida liminar. Do Direito Compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL. Alega que a fiscalização não levou em consideração os recolhimentos realizados no período de 02/99 a 12/99, a titulo de COFINS, à alíquota de 3%. Alega que o Governo Federal, por meio da Lei n° 9.718/98, alterou significativamente a legislação relativa à apuração e ao recolhimento desta contribuição, incluindo outras receitas e, ainda, majorando a alíquota de 2% para 3%. Além, disso, destaca que, o § 1°, do artigo 8° desta lei, permitiu que as empresas compensassem até um terço (1/3) da COFINS efetivamente paga, ou seja, exatamente o montante correspondente á majoração da alíquota, com a CSLL devida. Afirma que a fiscalização, quando da lavratura do Auto de Infração, deixou de abater em seu cálculo o recolhimento efetuado pela Impugnante da COFINS, conforme planilha e DARF's anexados. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 Da Incorreta Apuração da CSL. Alega que a fiscalização, aqui também, não separou os valores que se referiam à Impugnante e às SCP's. Considera o valor de R$ 6.052.992,11 como lucro liquido antes da CSLL, sem segregar o valor de R$ 5.996.007,28 correspondente Impugnante e R$ 56.984,83 correspondente às associadas. Outro equivoco apontado pela lmpugnante referese ao fato não ter sido considerado na apuração da CSLL, a proporcionalidade exigida para os mesescompetência 01/99 a 04/99 (aplicação da alíquota de 8%) e os mesescompetência 05/99 a 12/99 (aplicação da alíquota de 12%). Destaca que a fiscalização informou que apurou a CSLL, levando em consideração o disposto na parte final, do inciso I, do Ato Declaratório n° 3/00, ou seja, "com base nos resultados apurados mediante balanços ou balancetes levantados nos períodos de janeiro a abril e aplicar a alíquota de oito por cento sobre a base apurada, e de janeiro a dezembro a aplicar a alíquota de doze por cento sobre a diferença entre as bases de cálculo apuradas"; entretanto não foi esse o cálculo efetuado pela fiscalização. Da Legitimidade da Compensação Integral dos Prejuízos Fiscais/Bases de Cálculo Negativas da CSLL. A lmpugnante diz que, caso esta Turma julgadora venha a considerar que o procedimento adotado pela fiscalização esteja correto, o previsto nos artigos 42 e 58, da Lei n° 8.981/95 e 15 e 16, da Lei n° 9.065/95, é totalmente ilegal e entra em detalhes das razões de não poder ser limitada a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL a 30% do resultado tributável. Da Necessidade de Realização de Diligência. Finalizando, a lmpugnante diz que se esta Turma de julgamento entender que não ficou comprovada a argumentação suscitada na presente impugnação. A DRJ de São Paulo entendeu por manter em parte o lançamento fiscal, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO NULO. IRPJ E CSLL. Não existindo os pressupostos previstos em Lei para considerar Auto de Infração nulo, não há como assim considerálo. Considerase, o Contador, como pessoa com poderes para tomar ciência do Auto de Infração. SALDO CREDOR DE IRPJ E CSLL. Os saldos credores de anoscalendário anteriores são passíveis de compensação na declaração ou de pedido de compensação ou restituição, em processo especifico, atendendo a legislação aplicável. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 7 11 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. No caso da CSLL a legislação não previa a impossibilidade de registrar contabilmente o PIS, com exigibilidade suspensa, como despesa dedutível para apuração do resultado tributável. Lançamento exonerado. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Provado que foi considerado valor a maior da base de cálculo para proceder ao lançamento de oficio, exonerase parteja exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. COMPENSAÇÃO IRPJ e CSLL. LIMITAÇÃO DE 30%. POSTERGAÇÃO. A glosa de compensação de prejuízo fiscais e bases negativas da CSLL superiores ao limite de 30%, na apuração do resultado tributável, não configura hipótese de postergação de tributo. Portanto, a decisão da DRJ cancelou os seguintes lançamentos: Decorridos os trâmites administrativos, a 4ª Turma da DRJ SPOI julgou parcialmente procedente o lançamento, apenas determinando o cancelamento das seguintes exigências: a) CSLL decorrente da glosa do valor de R$ 66.530,52, referente â contribuição ao PIS, com exigibilidade suspensa por medida liminar concedida na Ação Cautelar n° 96.00164002, excluído na apuração do lucro liquido (item 1.b); b) CSLL decorrente da desconsideração de 1/3 do valor recolhido a titulo de COFINS, no período de 02/99 a 12/99; e c) CSLL decorrente do equivoco da adição do valor de R$ 56.984,83, correspondente ao lucro liquido das SCPs. Não há Recurso de Ofício. A contribuinte foi intimada em10/04/2008, e apresentou Recurso em 12/05/2008, alegando em síntese que: A DO CREDITO FISCAL EXISTENTE (item 2b) Muito embora o v. acórdão entenda que a fiscalização agiu corretamente ao desconsiderar o crédito fiscal existente quando do lançamento de IRPJ e CSLL, tal exigência não merece prosperar. Conforme exposto, tais créditos são oriundos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras e sobre serviços, bem como de IRPJ e CSLL recolhidos a maior Fl. 996DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 pela RECORRENTE, relativos aos anoscalendário de 1996 a 1998 (Doc. 03, da Impugnação). Vale dizer que a veracidade dos créditos foi comprovada pela juntada dos Informes de Rendimentos de Aplicações Financeiras e dos DARFs que demonstram os recolhimentos a maior a titulo de IRPJ (Doc.04, da Impugnação) e CSLL (Doc. 05, da Impugnação), os quais não foram utilizados em períodos subsequentes, conforme atestam os Livros Razões (Doc. 06, da Impugnação). Inclusive, o v. acórdão sequer questionou a legitimidade dos referidos créditos. De fato, no momento da autuação, estavam presentes todos os elementos necessários para que o AFRF, ou a própria DRJ, reconhecessem e efetuassem a compensação com os créditos tributários existentes. Considerando que a fiscalização atestou a existência dos créditos tributários, ao calcular o montante do tributo devido, deveria compensálo com o saldo credor fiscal. Como pode se notar, é indiscutível que o AFRF deveria ter levado em consideração a existência dos pelo anocréditos relativos aos anoscalendário anteriores, inclusive pelo fato de estar recompondo a base de cálculo relativa ao ano calendário de 1999. Ou seja, a exigência de IRPJ e CSLL relativa ao anocalendário 1999 só se legitima quando feita com o confronto dos créditos de anoscalendário anteriores. Não é bastante dizer que, nos casos inversos, onde a Receita Federal do Brasil verifica débitos em nome das pessoas jurídicas, a compensação de oficio é prontamente efetuada. Com efeito, antes de proceder restituição ou ao ressarcimento de crédito dos contribuintes para com a Fazenda Nacional, relativo aos tributos e contribuições de competência da União, a Autoridade Fiscal, para promover a restituição ou o ressarcimento, deverá verificar a existência de débito em nome do contribuinte no âmbito da RFB e da PGFN. Ora, se por um lado a compensação de oficio é realizada, por outro o AFRF tem o dever de considerar o que foi indevidamente recolhido pela RECORRENTE, para efetuar o lançamento do respectivo valor devido. B — DO DIFERIMENTO DO RESULTADO (item 2.c) O v. acórdão não considerou o real resultado a ser diferido (R$ 3.762.580,45), alegando que a própria RECORRENTE, em atendimento à fiscalização, informou o valor de R$ 2.870.288,00. Com todo o respeito, não pode a DRJ limitarse a dizer que, no momento da fiscalização, a RECORRENTE informou que o resultado passível de diferimento era de R$ 2.870.288,00. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 8 13 O processo administrativo foi criado justamente para suprimir os equívocos, erros e desencontros de informações havidos entre a Autoridade Fiscal e os contribuintes. De fato, a RECORRENTE disponibilizou todos os documentos necessários à verificação do real resultado passível de diferimento, ressaltando tais argumentos, inclusive, em sede de Impugnação. Conforme demonstra os balancetes da RECORRENTE referentes ao anocalendário 1999 (Doc. 07, da Impugnação), bem como da planilha de composição do lucro diferido (Doc.08, da Impugnação), é indiscutível que o valor a ser excluído é de R$ 3.762.580,45. Aliás, a RECORRENTE requereu diligência para verificação de quaisquer alegações que, no entendimento da DRJ, não ficassem comprovadas. Portanto, a DRJ deveria analisar a questão com base nos argumentos e documentos apresentados, a fim de evitar tributação indevida da RECORRENTE. Isso significa que, tanto o AFRF quanto a própria DRJ, não observaram o principio da verdade material. O real resultado decorrente dos contratos realizados com entidades governamentais está contabilizado, e foi disponibilizado As Autoridades, desde o momento da sua ocorrência. C DO IMPACTO DO LUCRO DIFERIDO NA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL (item 2.d) Além de afetar tremendamente o quantum devido, a desconsideração da diferença do resultado passível de diferimento impactou no lançamento sobre a compensação dos prejuízos fiscais acima do limite legal de 30%. Isso porque, o limite legal de 30% deveria ser calculado sobre o lucro tributável, excluído do valor correto do resultado diferido (R$3.762.580,45). Logo, a diferença de R$ 892.292,45 (desconsiderada pela Autoridade Fiscal) acabou por acarretar um impacto de R$ 267.687,74 na base de cálculo considerada para lavratura do AI. Resta por óbvio, portanto, que ocorreu erro na apuração do IRPJ e da CSLL, razão pela qual o Al deve ser totalmente cancelado. Deste modo, pelo fato do crédito tributário a titulo de IRPJ e CSLL ter sido apurado incorretamente e, consequentemente, sendo descabida a pretensão fiscal que o embasou, o presente AIIM deve ser cancelado. D DA POSTERGAÇÃO (item 2.e) Fl. 998DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 O v. acórdão fundamenta que o prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores não é elemento do conceito de renda. Pelo contrário, é um beneficio fiscal concedido aos contribuintes. Ou seja, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL relacionamse com um período de apuração e os resultados negativos acumulados possuem relação com outros períodos de apuração. Com tais afirmações, a DRJ pretende esclarecer o seu entendimento no sentido de que a ausência de recolhimento do tributo por conta da compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas acima do limite legal não pode ser considerada postergação do pagamento dos tributos, como se os períodos de apuração fossem completamente independentes. Primeiramente é importante esclarecer que o IRPJ e a CSLL são tributos cujo fato gerador é complexo, ou seja, abrange diversos atos ou situações jurídicas ao longo de um período. Isso não significa que um período de apuração (exercício fiscal anual) seja um delimitador absoluto da evolução patrimonial da empresa. O período fiscal anual estabelecido pela legislação tributária é uma convenção criada para possibilitar e facilitar a cobrança do IRPJ e CSLL devidos, não podendo afastar a natureza dos fatos geradores dos tributos. Ao incidirem sobre a Renda e o Lucro Liquido da empresa, tais tributos incidem sobre o patrimônio líquido da empresa. A observância do Principio da Continuidade é indispensável à correta aplicação do Principio da Competência, por se relacionar diretamente à formação do resultado e de constituir dado importante para aferir a capacidade futura de geração de resultado. Pretender desconsiderar que o lucro liquido e o lucro real auferidos decorrem da continuidade das atividades da empresa ao longo de sua existência é ignorar a própria essência pregada pelos princípios contábeis e comerciais. Logo, não há que se falar em independência dos exercícios, desconsiderando os demais como se as mutações patrimoniais das empresas não prolongassem no tempo. Tanto é verdade que, com exceção do limite legal de 30%, a própria legislação fiscal não impõe limite temporal para o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado. De fato, com o advento da Lei n° 9.065/95, o saldo do prejuízo fiscal acumulado deixa de ter prazo decadencial para compensação. E essa limitação só não existe, pois o próprio legislador concorda que o fato gerador do IR é complexo e se perpetua no tempo enquanto a atividade da empresa continuar. È indiscutível que quando o contribuinte se utiliza de todo o prejuízo fiscal, sem trava, eventuais lucros nos anos seguintes acabam sendo tributados integralmente, ou seja, o Fisco apenas Fl. 999DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 9 15 perde o efeito financeiro do fluxo de pagamentos, mas não há perda de tributos. Resta concluir, portanto, que o Al deve ser totalmente cancelado, face a inobservância do Sr. AFRF ao disposto no Parecer Normativo n° 02/96. Isso porque, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas acima da trava de 30% não acarreta falta de pagamento de tributo, mas apenas a sua postergação, de modo que o que pode ser cobrado é apenas o efeito financeiro dessa postergação. E DA SEGREGAÇÃO DOS RESULTADOS (item 2.f) A DRJ afirma que não houve vicio no cálculo da fiscalização, uma vez que a mesma intimou a RECORRENTE para que apresentasse o demonstrativo de adições e exclusões, detalhando os valores informados na Demonstração do Lucro Real, relativamente ao anocalendário de 1999, tanto para a RECORRENTE como para as SCPs. Alega, ainda, que a resposta fornecida pela RECORRENTE destacou os itens e valores que compunham o valor total adicionado. Entretanto, manteve o lançamento sob o argumento de que o valor informado pela RECORRENTE, como sendo correspondente à sua parte, não foi detalhado pelos itens que o compõem. Ora, se por um lado a DRJ afirma que a RECORRENTE não detalhou os valores que compõem a sua parcela do resultado, por outro assume que a RECORRENTE apresentou à fiscalização os itens e valores que compunham o valor total adicionado. Ou seja, a DRJ confessa que a fiscalização tinha elementos suficientes para observar a regra do art. 254, II, do RIR/99, mas se escusa de cancelar o lançamento por conta de uma suposta ausência de detalhamento do resultado relativo apenas à própria RECORRENTE. Entretanto, ainda que se admita que a RECORRENTE não tenha detalhado os itens que compõem a sua parcela do resultado, tal procedimento não ofende o art. 254, II, do RIR199, tampouco impede a fiscalização de verificar qual a parcela da RECORRENTE e das SCPs. O fato é que no momento de discriminar as Adições Declaradas na recomposição do Lucro Real, o total apurado foi de R$ 350.226,00 (conforme Termo de Verificação do Al). Vale dizer, o cálculo elaborado pelo AFRF não destacou o montante relativo as SCPs e a RECORRENTE. Ou seja, não houve segregação do valor de R$ 350.226,00 (R$166.066,63 correspondente a RECORRENTE e R$184.159,37 Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 correspondente as SCPs), contrariando o preceito do art. 254, II, do RIR199, citado pela própria D. Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal. Resta por óbvio, portanto, que o Sr. AFRF utilizou o critério equivocado, apurando o suposto débito incorretamente e maculando, por via de conseqüência, o lançamento tributário. Logo, não restam dúvidas que o Al ora impugnado não merece prosperar pois, em face do procedimento adotado pelo SR. AFRF, o crédito tributário a titulo de IRPJ foi apurado incorretamente. Por fim, solicitou a baixa do processo em nova diligência para apuração dos pontos levantados neste recurso. Em sessão de julgamento dessa Colenda Turma em outubro de 2012, entenderam por bem baixar os autos em diligência, conforme voto abaixo transcrito: Diante do exposto, determino a baixa dos autos em diligência, para intimar o contribuinte a demonstrar que nos anos subseqüentes a 1999 houve a tributação dos valores relativos à parcela que excedeu a compensação do prejuízo fiscal e base negativa quanto ao limite de 30%. A contribuinte, a despeito de ter sido intimada da solicitação da comprovação, apresentou apenas as DIPJs de 2000 a 2005, apontando que apenas em 2001 (ano calendário), houve apuração de Lucro. Este é o Relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Não existindo matéria preliminar, passemos ao mérito. DO CREDITO FISCAL EXISTENTE (item 2b) Quanto à questão da necessidade de se olhar e considerar os créditos fiscais existentes, visto que tais créditos são oriundos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras e sobre serviços, bem como de IRPJ e CSLL recolhidos a maior pela recorrente, relativos aos anoscalendário de 1996 a 1998, com todo o respeito aos argumentos do contribuinte, mas a decisão da DRJ não merece reparos. Isso porque tais créditos anteriores não vinculam o auditor fiscal a considerá los, há meios próprios para o ressarcimento ou compensação, se pagos a maior ou indevidamente. Como bem frisou a DRJ “a dedução do imposto devido referente a saldo credor de IRPJ, de anocalendário anterior, é processada na própria declaração por opção do Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 10 17 contribuinte, podendo ser inclusive pedido sua restituição. Logo, se depreende que o pedido da lmpugnante foge do objeto do presente processo administrativo fiscal e deve ser indeferido. Os pedidos de restituição ou compensação de tributos e contribuições federais, observando o prazo decadencial, devem ser apresentados de acordo com a legislação especifica que regulamenta o tema.” Neste aspecto, não merecem guarida as alegações trazidas pela Recorrente quanto ao referido tema. DO DIFERIMENTO DO RESULTADO (item 2.c) Quanto ao valor de exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real, se o valor de R$ 2.870.288,00 ou o valor de R$ 3.762.580,45, vislumbro que a decisão da DRJ merece reparos quanto a esse tema. Isso porque, a despeito do contribuinte ter informado à fl. 108 dos autos o valor de R$ 2.870.288,00 a título de valor a ser excluído do lucro líquido para apurar o lucro real, fato é que se trata de uma faculdade do contribuinte, o que não o vincula caso resolva proceder de outra forma, qual seja deixar de adotar o diferimento, em atendimento ao disposto no artigo 409 do RIR/99: Art.409.No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso I): I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. §1ºSe o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, §4º). §2ºConsiderase como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar. §3ºA pessoa jurídica, cujos créditos com pessoa jurídica de direito público ou com empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 18 decorrentes de construção por empreitada, de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, forem quitados pelo Poder Público com títulos de sua emissão, inclusive com Certificados de Securitização, emitidos especificamente para essa finalidade, poderá computar a parcela do lucro, correspondente a esses créditos, que houver sido diferida na forma deste artigo, na determinação do lucro real do período de apuração do resgate dos títulos ou de sua alienação sob qualquer forma (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 1º). Nesse aspecto, o eventual exercício de uma faculdade não implica em uma obrigação da manutenção desse procedimento até o fim, muito menos se tal procedimento não trouxer ao contribuinte benefícios, sendo esse o objetivo legal quando a legislação permitiu o diferimento em razão das peculiaridades da atividade. Nestes termos, considerando que o valor de R$ 3.762.580,45 não foi questionado, entendo pela possibilidade da dedução para fins de apuração do lucro real. DO IMPACTO DO LUCRO DIFERIDO NA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL (item 2.d) Em razão do reconhecimento quanto ao item anterior, é fato que o limite legal de 30% deveria ser calculado sobre o lucro tributável, excluído do valor correto do resultado diferido (R$3.762.580,45). Com isso, a diferença de R$ 892.292,45 que fora desconsiderada pela fiscalização acabou por acarretar um impacto de R$ 267.687,74 na base de cálculo considerada para lavratura do AI, o que não se sustenta em razão do reconhecimento da possibilidade de dedução do lucro líquido do valor de R$ 3.762.580,45. DA POSTERGAÇÃO (item 2.e) Quanto à questão da postergação, é obvio sob o ponto de vista financeiro que se houver o aproveitamento do prejuízo fiscal de 100% num determinado ano e lucro nos anos subsequentes, a empresa pagará os tributos relativos ao aproveitamento acima dos 30% em anos subseqüentes. Contudo, para usufruir desse entendimento, que é bem aceito nesse E. Tribunal, o contribuinte deverá demonstrar essa tributação sobre os lucros em períodos subseqüentes, juntando as DIPJs, Lalur e outros documentos dos períodos subsequentes. O relatório de apuração às fls. 165 e 166 dos autos, realizado pela Receita Federal, é insuficiente para demonstrar a postergação, há apenas a possibilidade de verificar que no ano de 2000 houve prejuízo e em 2001 houve lucro, o que aparentemente teria havido a tributação de parcela do valor do prejuízo que fora compensado integralmente no ano de 1999. Por isso, foi baixado os autos em diligência para que o contribuinte pudesse demonstrar por meio da juntada das DIPJs e do Lalur a referida postergação. A despeito de juntar apenas a DIPJ dos anos de 1999 a 2004, que apontam lucro apenas no anobase de 2001, sendo que os demais anos a empresa apurou prejuízo, não é possível identificar com precisão que o excedente compensado em 1999 ensejou na postergação do pagamento do tributo em momento posterior, pois a empresa deixou de apresentar o Lalur. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000647/200400 Acórdão n.º 1201001.037 S1C2T1 Fl. 11 19 Nestes termos, entendo por negar provimento ao Recurso nessa parte, por falta de demonstração da postergação pela contribuinte, a despeito de ter sido dado oportunidade em sede de diligência. DA SEGREGAÇÃO DOS RESULTADOS (item 2.f) É fato incontroverso nesse processo que a contribuinte não detalhou os itens que compõem sua parcela do resultado. Art. 254. A escrituração das operações de sociedade em conta de participação poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios, observandose o seguinte: II os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros; A questão posta pelo contribuinte é se a Receita Federal possuía ou não elementos para identificar os resultados da contribuinte e das SCPs. Entendo que essa segregação era perfeitamente possível no momento da autuação. Com isso, no momento de se discriminar as Adições Declaradas na recomposição do Lucro Real, era possível a fiscalização com base nos registros fiscais nos livros de registros dessas operações que envolvem as Sociedades em Conta de Participação fazer o destaque correspondente a R$ 166.066,63 para a Recorrente e de R$ 184.159,37 para as SCPs. Nestes termos, entendo pelo cancelamento do lançamento fiscal quanto a esse item, não por descumprimento do disposto no artigo 254, inciso II, do RIR/99, pois esse ficou demonstrado, mas pela falta de investigação e aprofundamento do lançamento fiscal quanto à apuração e discriminação dos resultados da Recorrente e das SCPs para fins fiscais de lançamento, incorrendo em atendimento ao princípio da verdade material em erro na base de cálculo. Quanto à CSLL, os mesmos fundamentos se aplicam quanto à tributação e base negativa. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o valor de R$ 3.762.580,45 a título de exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, conforme item 2C do voto, e para restabelecer a compensação de prejuízos fiscais até o limite de 30% sobre a base de cálculo do IRPJ aqui mantida, conforme item 2D do voto. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 20 Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
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