Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11020.725095/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL.
Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1302-001.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Ausentes momentaneamente os Conselheiros GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA e WALDIR VEIGA ROCHA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11020.725095/2011-17
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364519
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.433
nome_arquivo_s : Decisao_11020725095201117.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 11020725095201117_5364519.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Ausentes momentaneamente os Conselheiros GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA e WALDIR VEIGA ROCHA.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5549787
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815586123776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 696 1 695 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.725095/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.433 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2014 Matéria Omissão de receitas Recorrente ALVES & BUENO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE. FRAUDE. CARACTERIZADA. A prática reiterada por sucessivos exercícios de omitir receitas mediante declaração falsa de inatividade e de declarar de maneira significativamente reduzida a receita auferida caracterizam a intenção fraudulenta de omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NEGADA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 50 95 /2 01 1- 17 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Ausentes momentaneamente os Conselheiros GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA e WALDIR VEIGA ROCHA. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.725095/201117 Acórdão n.º 1302001.433 S1C3T2 Fl. 697 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado Auto de Infração com o lançamento de IRPJ (R$ 6.445,33), CSLL (R$ 7.734,39), COFINS (R$ 8.082,12) e PIS (R$ 1.751,17), relativo aos anoscalendário 2007/2010, no cumprimento do MPF nº 1010600.2011.00928, a partir da apuração de omissão de receitas (fls. 407/501). O AFRFB convenceuse da ocorrência das seguintes circunstâncias, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 505/510): (i) Que referente ao anocalendário 2007, a recorrente apresentou DIPJ Lucro Presumido com faturamento de R$ 100,00 (cem reais) (fls. 389/400); (ii) Que nos anoscalendário 2008 a 2010 a recorrente declarouse inativa perante a Receita Federal (fls. 401/404); (iii) Que a recorrente, intimada a apresentar os Livros Diário e Razão (ou Caixa) do período fiscalizado e Contrato Social com alterações dos últimos cinco anos (fls. 04/09), apresentou somente os contratos sociais, informando que não dispunha da escrituração fiscal (fls. 10); (iv) Que a recorrente foi intimada a apresentar em meio magnético e em papel os extratos bancários de todas as suas contas utilizadas para movimentar recursos financeiros durante o período ficalizado (fls. 16/17), mas mantevese inerte; (v) Que diante da inércia da recorrente, foi expedida Requisição de Informações Sobre Movimentações Financeiras ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul (BANRISUL) requisitando extratos informações bancárias dela entre 20072010. Requisição essa atendida pela instituição (fls. 17/21); (vi) Que o AFRFB, de posse dos extratos bancários da recorrentes oferecidos pelo BANRISUL, intimoua para comprovar mediante documentação idônea a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária (fls. 26/64); (vii) Que em resposta, a recorrente informou que utilizava a conta bancária para efetuar o recolhimento de diversos documentos de arrecadação/cobrança para terceiros, com recursos depositados pelos respectivos beneficiados pelos pagamentos, cobrando em média R$ 10,00 (dez reais) a R$ 15,00 (quinze reais) por pagamento. Para tanto, apresentou planilhas e demonstrativos financeiros corroborando o alegado (fls. 66/305); (viii) Que a conduta da recorrente é típica omissão de receitas, motivo pelo qual foi realizado o lançamento de ofício e a imposição de multa de 150%, com fulcro no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 A recorrente foi notificada do lançamento em 20/12/2011 (fls. 513). Em 17/01/2012, apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 516/527), perquirindo sua improcedência. A impugnação da recorrente foi julgada improcedente, nos termos do acórdão da DRJ cuja ementa segue abaixo (fls. 653/658): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não detém competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. CABIMENTO. A declaração de menos de um por cento da receita efetivamente auferida no anocalendário 2007 e a falsa declaração de inatividade nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, períodos em que a empresa atuou e obteve receitas, revelam a intenção dolosa da contribuinte de impedir ao fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Tais situações impõem a duplicação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi intimada da decisão ora transcrita em 21/05/2012 (fls. 669). Em 15/07/2012, interpôs recurso voluntário (fls. 670/683), no qual ventila as seguintes razões, em resumo. (i) Que a conduta da recorrente, desde o início da fiscalização, é dotada de boa fé, não sendo lícita a imputação de omissão dolosa de receitas; (ii) que a multa de 150% aplicada em face da recorrente com fulcro no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, possui nítido caráter confiscatório; (iii) que é viável ao CARF decidir pela inconstitucionalidade de lei, quando houver precedentes do Poder Judiciário; Em seguida, os autos foram devolvidos novamente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.725095/201117 Acórdão n.º 1302001.433 S1C3T2 Fl. 698 5 Voto Conselheiro MARCIO RODRIGO FRIZZO O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 1. Da Subsistência do Lançamento Tributário e Da Configuração de MáFé Em apertada síntese, a recorrente sustenta a inexistência de dolo em sua conduta com o fito de omissão de receitas ou sonegação fiscal, apoiandose no argumento de que a autoridade fazendária realizou o lançamento tributário com base em sua escrituração contábil (fls. 672). Diante das assertivas lançadas pela recorrente em seu recurso, importa analisar os fatos que serviram de esteio para fundamentar o lançamento tributário e se estes são suficientes para mantêlo. Vale lembrar que no anocalendário 2007 a recorrente declarou ter auferido renda de R$ 100,00 (cem reais) (fls. 389/400) e, nos anoscalendário subsequentes (2008/2010), declarouse inativa perante a Receita Federal (fls. 401/404). Desta maneira, intimada do início do procedimento fiscal e a apresentar os documentos inerentes à sua escrituração fiscal (fls. 04/09), a recorrente expressamente declarou não possuir escrituração contábil, como se destaca (fls. 10): Em cumprimento ao pedido de esclarecimentos, a remessa de documentos de acordo com a legislação vigente, tem o contribuinte em questão a dizer a Vossa Senhoria seguinte: Item 1) Livro Diário e Livro Razão referente aos anos calendário de 2007 a 2010 esclareço que não disponho de escrituração contábil, por tratarse de empresa prestadora de serviços de recolhimento de guias de ICMS, para cargas e fretes, com baixa movimentação financeiras e rendimentos de valores mínimos. (grifouse). Da manifestação em destaque (fls. 10) já é possível verificar que, ao contrário do informado em suas DIPJs, em especial com relação à sua inatividade nos anos de 2008/2010, a recorrente realizou atividade econômica durante todo o período fiscalizado, como ao final do procedimento fiscal ficou demonstrado, assumindo não as ter escriturado contabilmente. Embora se trate de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido, a manutenção de escrituração contábil é obrigatória, conforme se abstrai do art. 527, do RIR/99, in verbis: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Deste modo, não há motivação que possa justificar a falta de escrituração contábil da movimentação financeira realizada pela recorrente, mas ao contrário, era sua obrigação legal realizar e manter a escrituração contábil de suas atividades econômicas, bem como disponibilizála ao fisco quando solicitado. Continuando a análise das razões em que se apoiou o AFRFB para realizar o lançamento tributário, não há que se dizer, como pretendeu a recorrente, que inexistem os pressupostos mínimos para subsidiar o lançamento, pois as circunstâncias que embasam o lançamento tributário encontramse devidamente registradas tanto no auto de infração (fls. 407/501) quanto no termo de verificação fiscal (fls. 505/510). Quanto à arguição da recorrente de que a imposição da penalidade somente pode ocorrer quando “apontado o fato e o fundamento legal da incidência” (fls. 673), ou seja, desde que devidamente fundamentada, importa destacar que o TVF de maneira clara expõe a motivação de lançamento da multa sancionatória qualificada, bem como seu fundamento legal, nos seguintes termos (fls. 509): Diante do exposto, em razão de o contribuinte ter omitido informações em sua declaração de rendimentos e prestado, de forma reiterada, declaração falsa a autoridade fazendária, ocultando da RFB a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e tributos reflexos, restou configurada a conduta de sonegação, definida no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, abaixo transcrito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (…) Assim sendo, foi efetuado o lançamento da multa de ofício qualificada no percentual de cento e cinquenta por cento, prevista no art. 44, inciso I, e §1º, da Lei n.º 9.430/1996 (...). Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.725095/201117 Acórdão n.º 1302001.433 S1C3T2 Fl. 699 7 Destarte, entendo que o “fato e o fundamento legal da incidência”, questionados pela recorrente, encontramse devidamente corroborados nos autos, não se sustendo a insurgência neste aspecto. Não se pode ignorar que a recorrente declarou movimentação econômica irrisória no anocalendário de 2007 (fls. 389/400) e, nos anoscalendário de 2008 a 2010, declarouse como inativa (fls. 401/404), sendo que sustentou tais declarações até ser intimada a justificar sua movimentação bancária (fls. 26/64; 66/305), frisase, conhecida apenas por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF enviada à Instituição Financeira (fls. 17/21). O que se pretende dizer é que restou evidente que a recorrente pretendeu omitir sua atividade econômica e movimentação financeira da autoridade fazendária, até que, diante dos extratos bancários obtidos pelo AFRFB junto ao banco, admitiu então ter realizado prestações de serviços durante todo o período fiscalizado, apresentando diversas planilhas e livros contábeis. O auto de infração lavrado em face da recorrente (fls. 407/501) fundamenta o lançamento de omissão de receitas no art. 926, do RIR/99 (fl. 408), que dispõe: Art. 926. Sempre que apurarem infração às disposições deste Decreto, inclusive pela verificação de omissão de valores na declaração de bens, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional lavrarão o competente auto de infração, com observância do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, que dispõem sobre o Processo Administrativo Fiscal. No caso particular, verificase que o AFRFB efetuou o lançamento do crédito tributário com base em planilhas e esclarecimentos prestados pelo próprio contribuinte (fls. 66/305), de modo que as alegações tecidas pela recorrente são absolutamente abstratas. Para todos os efeitos, a recorrente não aproveitou a oportunidade do recurso voluntário para rebater os argumentos consignados no acórdão recorrido, que merece destaque para o seguinte excerto (fls. 657): O dolo da empresa é evidente. Declarou que estava inativa nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010 e, com isso, não apurou ou pagou qualquer tributo. Já com relação ao anocalendário 2007, declarou o auferimento de receita de R$ 100,00, enquanto o valor efetivo foi de R$ 11.456,05, como já dito. Em outros termos, declarou 0,87% da receita que obteve e omitiu do fisco 99,13% da receita efetiva. Por óbvio, houve a intenção premeditada de impedir o conhecimento pelo fisco da ocorrência do fato gerador. Temos, então, a presença do dolo a justificar a duplicação da multa. (…) Também é falacioso o argumento de que o fisco buscou na escrituração da autuada os valores que deram origem à imposição fiscal. Primeiro porque a própria empresa, inicialmente, declarou não possuir escrituração e não apresentou livro diário, razão e/ou livro caixa. A intimação para Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 tal está às fls. 4 e 5 e a resposta às fls. 10. A intimação data de 09/8/2011 e a resposta de 19/08/2011. Em seguida a isso, em 01/09/2011, a contribuinte foi intimada a apresentar extratos das contas bancárias (fls. 16/18), mas não atendeu à intimação. Houve, então, a requisição de movimentação financeira no final de setembro, com os documentos sendo entregues pelo banco em 10/10/2011 (fls. 19/22). Em 20/10/2011 a empresa recebeu a intimação de fls. 26/65, onde é instada a comprovar a origem de todos os depósitos em sua conta corrente. Notese que até esse momento, em outubro de 2010, a empresa mantinhase evasiva: não apresentou os livros fiscais solicitados e deixou de atender à intimação para apresentação dos extratos bancários. Portanto, mantinha suas declarações originais: cem reais de receita em 2007 e nada nos anos seguintes, por inatividade. Atentese que a primeira intimação havia sido recebida pela empresa mais de dois meses antes, em 09/08/2011. E foi frente à prova irrefutável de sua atuação e auferimento de receitas – os extratos bancários obtidos através RMF – é que a contribuinte obrigouse a admitir que parte dos ingressos em bancos lhe pertencia. E admitiu que atuou em todos os anos. E mais, que atuava 24 horas por dia e tinha dois empregados (doc. de fls. 66). (grifouse). Portanto, eis o manifesto dolo da recorrente na omissão de receitas. Veja que a recorrente declarou em DIPJ ter auferido receita de R$ 100,00 (cem reais) no anocalendário 2007 (fls. 389/400), enquanto durante o procedimento fiscal restou evidente o valor escriturado (fls. 313/321) de receitas no montante R$ 11.456,05 (fls. 67/79) durante aquele período. Ficou demonstrado, também, que em relação aos anoscalendário 2008/2010, nos quais a recorrente declarouse como inativa (fls. 401/404), o efetivo exercício de atividade econômica em regime de 24 horas, segundo suas próprias declarações (fls. Fls. 66, item 03), havendo o auferimento de receitas (fls. 150/305 e 322/357) não declaradas. Vale lembrar que, intimada inicialmente a apresentar sua escrituração fiscal, a recorrente alegou não a possuir (fls. 10), sendo que, posteriormente, somente após o conhecimento do AFRFB de sua movimentação bancária por RMF, apresentoua nos autos (fls. 313/357). Por estas razões concluo restar caracterizada a conduta prevista no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, hábil a fundamentar a manutenção da multa qualificada, na forma do art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.725095/201117 Acórdão n.º 1302001.433 S1C3T2 Fl. 700 9 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (…) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. No mesmo sentido do entendimento que ora sustento encontramse os seguintes julgados deste Conselho: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE EMENTA. Tendo havido erro na publicação da ementa, que não reflete o teor da decisão proferida, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sua retificação, com ratificação da decisão proferida. Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para retificar a ementa do acórdão nº 140100149, da seguinte forma: “MULTA QUALIFICADA. Quando o contribuinte se declara inativo e sem movimento, mas mantém o seu funcionamento sem oferecer suas receitas à tributação, resta configurada a hipótese de qualificação.” (CARF. Acórdão 1401000.360. PAF nº 10932.000099/200503. Rel. Cons. Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Publicação: 11/11/2010). (grifouse) MULTA QUALIFICADA DE 150% – CONDUTA FRAUDULENTA A prática reiterada da contribuinte, por sucessivos exercícios, em omitir receitas, mediante declaração falsa de inatividade, e em declarar de maneira significantemente reduzida a receita auferida, caracterizam sua intenção fraudulenta. (CARF. Acórdão 101.96908. PAF nº 10120.005273/200551. Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Publicação: 17/09/2008). (grifouse) Destarte, não há subsídio jurídico no recurso voluntário hábil a infirmar o auto de infração lavrado em face da recorrente, motivo pelo qual é patente concluir pela manutenção do crédito tributário. Assim, voto no sentido de negar provimento do recurso voluntário nos termos da fundamentação ora delineada. 2. Do caráter confiscatório da multa de ofício Alega a recorrente que a multa exigida no presente feito é excessivamente onerosa, desproporcional e flagrantemente ofensiva aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. Como acontece em defesas dessa natureza, a insurgência ataca a previsão do percentual abstratamente imposto pela lei. Isto significa que votar pela procedência do recurso implicaria afastar uma lei vigente, o que somente poderia ser feito caso houvesse vício de inconstitucionalidade reconhecido por uma das formas previstas no art. 26A, §6º, Dec. 70.235/72, o que não é o caso. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Portanto, por força da competência deste Conselho, tal provimento não é possível, nos termos dispostos pela súmula n. 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale consignar que outro seria o tratamento jurídico caso fosse ventilado o desajuste entre a previsão abstrata da lei e a aplicação desta pelo agente fiscal, pois tal constatação se inseriria perfeitamente na competência deste Conselho (art. 1o, do Anexo I da Portaria MF n. 256/2009 – RICARF). Tendo em vista que a recorrente se insurge contra a lei posta, e não quanto à sua aplicação, isto é, invoca o princípio do nãoconfisco para combater a previsão legal da multa, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema, razão pela qual voto pelo desprovimento do recurso neste ponto. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002917/2004-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
A pessoa jurídica que, embora não qualificada formalmente como comercial exportadora, adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, à alíquota zero, desoneradas da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, para posterior remessa ao mercado exterior, sem submetê-los a processo de industrialização, não poderá descontar os créditos decorrentes da não-cumulatividade relativamente às respectivas operações.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica que, embora não qualificada formalmente como comercial exportadora, adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, à alíquota zero, desoneradas da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, para posterior remessa ao mercado exterior, sem submetê-los a processo de industrialização, não poderá descontar os créditos decorrentes da não-cumulatividade relativamente às respectivas operações. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10280.002917/2004-35
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357145
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-001.469
nome_arquivo_s : Decisao_10280002917200435.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10280002917200435_5357145.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
id : 5508114
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815616532480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 136 1 135 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.002917/200435 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.469 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria RESSARCIMENTO PIS/PASEP Recorrente EBATA PRODUTOS FLORESTAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica que, embora não qualificada formalmente como comercial exportadora, adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, à alíquota zero, desoneradas da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, para posterior remessa ao mercado exterior, sem submetêlos a processo de industrialização, não poderá descontar os créditos decorrentes da nãocumulatividade relativamente às respectivas operações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 29 17 /2 00 4- 35 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 137 2 epigrafado ao Acórdão nº. 0116.884 (fls. 107109), da 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP referente ao segundo trimestre de 2003, no valor de R$ 50.148,20 (fl. 01). Apresentou DCOMP de fl. 11. A delegacia de origem indeferiu o pleito do contribuinte, sob os seguintes fundamentos: ‘O direito de utilizar os créditos, entretanto, não beneficia a empresa exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. É o que determina o art. 7° da Lei n° 10.637/2002. Com base no Código Fiscal de Operações e de Prestações (Cfop),.verificase que foram informados nas notas fiscais de fls. 01 a 101, do Anexo III, relacionadas na Planilha 1 (fls. 74 a 76), os códigos 5.102 e 7.102 (Venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros). Ocorre que estes códigos representam vendas de mercadorias adquiridas de terceiros com fim especifico de exportação, o que impede, nos termos dos 2° e 3° do art. 70 da Lei n° 10.637/2002, c/c inc. VIII e IX do art. 46 da Instrução Normativa SRF n° 247/2004 a utilização de crédito calculado sobre custos, encargos e despesas vinculados às mesmas. Este entendimento também deve ser aplicado à nota fiscal n° 5784 (fl. 45 do Anexo III, já que, muito embora tenha sido informado na nota fiscal o CFOP n° 7.11, (Venda de produção do estabelecimento), ela remete, em "Informações complementares" às notas fiscais de aquisição, n° 307 e 308 de 18/03/2003, (fls. 211 e 212 do Anexo III) de madeiras adquiridas do fornecedor V. GONÇALVES MADEIRAS, CNPJ: 02.582.772/000104, correspondentes a mercadorias destinadas com fins específicos de exportação. Cumpre observar ainda que as notas fiscais 5648. 5650 e 5651, fls. 30, 31 e 32 do Anexo III e relacionadas na Planilha 1, fl. 74 dos autos, apesar de referir ao código CFOP 5.102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para o Estado) se destinam à remessa com fins específicos de exportação, conforme consta na "Informações Complementares", das próprias notas fiscais. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 138 3 Desde modo, considerando que somente gera direito a crédito os custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produção do próprio sujeito passivo, não há o que se falar em créditos de PIS, pois a premissa básica para que o contribuinte tenha o crédito, é que a receita de exportação seja originada de produção própria, não beneficiando aí, por pressuposto lógico, as empresas comerciais exportadoras que apenas intermedeiam as operações de exportação de produtos de terceiros. Cientificada em 21/09/2009 (AR fl. 88verso) a interessada apresentou, tempestivamente, em 21/10/2009 a Manifestação de Inconformidade (fls. 89/94), alegando que: Frisese que em momento algum o Agente Fiscal contestou a exatidão dos créditos apurados. Contudo, mesmo assim, aplicando uma interpretação completamente errônea, o mesmo glosou a totalidade dos créditos (..). Depreendese do referido Parecer que o Auditor parte da premissa de que a Manifestante é uma empresa comercial exportadora, o que é um completo equívoco. (.) a Manifestante não é, nem nunca foi empresa comercial exportadora, mas sim, uma empresa industrial de madeiras, que adquire madeira serrada, seca ou madeira de aproveitamento, entre outras e que após sofrerem processo de industrialização, são transformadas em Decking, Piso e outros produtos beneficiados. Tudo conforme podese verificar nas Notas Fiscais de entrada e saída, bem como da descrição do processo produtivo da empresa, já anexados ao processo. Portanto, resta claro que essa empresa não se caracteriza, para os efeitos da lei, como ‘empresa comercial exportadora’ e que suas aquisições não têm ‘fim especifico de exportação’. Importante ressaltar que o Nobre AuditorFiscal, deixou de considerar, o Código Fiscal de Operação – CFOP, constante em cada uma das Notas Fiscais. (...) ..tratase [o Código Fiscal de Operações e Prestações – CFOP] de valiosa ferramenta para a administração tributária e de segurança para o contribuinte, pois permite, facilmente, de forma clara e objetiva, a correta definição da operação realizada, não deixando margens para eventuais desencontros de interpretação entre o contribuinte e a fazenda, que poderiam surgir se, ao invés da utilização de códigos, cada contribuinte pudesse, livremente, descrever a sua operação. (...) Assim é que, dentre outras tantas operações ou prestações identificadas, temos os códigos específicos a serem utilizados, para amparar as ‘remessas com fim específico de operação’ (sic), que são os códigos 5.501 e 6501. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 139 4 (...) Sendo assim, incompreensível a atitude do Nobre Auditor ao desconsiderar os CFPOS contidos nas referidas Notas Fiscais de entrada ao definir a correta natureza da operação fiscal. (...) Ora, o que ocorre é que, à época, o setor de faturamento da empresa utilizou nas NF de venda códigos CFOP 7.12/7102, referentes a comércio de mercadoria adquirida de terceiros. Mas, como, certamente é sabido pelo agente, fiscal, este código difere em muito do código de venda de produtos adquiridos por comercial exportadora, com fins específicos de exportação, que é o CFOP 7.501. E é somente para esta operação (de aquisição por comercial exportadora, com fins específicos de exportação) que a lei veda a manutenção do crédito. (...) Dessa forma, também com relação a este ponto, completamente descabida a ,argumentação constante do parecer. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência do despacho decisório guerreado, espera e requer a recorrente seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para o fim de que seja deferida na íntegra a compensação efetuada no processo. (...).’ É o relatório.” Após delimitar a matéria impugnada, a 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém/PA, através do acórdão já referenciado, manteve parcialmente a linha do Despacho Decisório de fls. 77/85, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica exportadora que adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, desoneradas da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, não poderá descontar Créditos decorrentes da nãocumulatividade desta contribuição relativamente às respectivas operações.” Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto ao seu não enquadramento como empresa exportadora, de forma que haveria equívoco do Agente Fiscal em observar os CFOP’s nas Notas Fiscais informadas o CFOP 7.501, que seria código de venda de produtos adquiridos por comercial exportadora, com fins específicos de exportação. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 140 5 Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo o voto lido em sessão, que reproduz os fundamentos do acórdão e que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes, inclusive por este redator designado: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. O recorrente busca demonstrar que não se caracteriza, para os efeitos da lei, como “empresa comercial exportadora”, e que suas aquisições não teriam fim específico de exportação, de modo que a referida classificação como tal teria partido de equívoco do Auditor Fiscal, o qual teria sido mantido pelo acórdão combatido. Nesse sentido, é de primordial importância discorrer sobre a sistemática da nãocumulatividade com relação às contribuições ao PIS/Pasep. Destacase que estas possuem como fato gerador o faturamento mensal, o que pode ser entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Dessa forma, a Lei nº 10.637/2002, ao prescrever sobre essa sistemática, estabelece, em seu artigo 5º, uma série de atividades sobre as quais não há a incidência dos aludidos tributos, o que faz nascer, para o contribuinte, um direito ao crédito decorrente das operações anteriores, nas formas estabelecidas pelo §1º deste, tal como abaixo se observa. “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 141 6 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.” (grifo nosso) A recorrente defende, portanto, que nunca foi “empresa comercial exportadora, mas sim, uma empresa industrial de madeiras, que adquire madeira serrada, seca ou madeira de aproveitamento, entre outras e que após sofrerem processo de industrialização, são transformadas em decking, piso e outros produtos beneficiados”. Com relação ao regime aplicável às empresas comerciais exportadoras, a Lei nº 1.248/1972, que prescreve em seu artigo 1º que: “Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento.” (grifo nosso). As empresas comercias exportadoras, pela sistemática imposta pelo supracitado diploma, nos termos de seu artigo 3º, não gozam dos benefícios tributários concedidos para fins de exportação, os quais, para serem usufruídos, imprescindem do preenchimento da condição de produtorexportador, como abaixo se observa: “Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora”. Nesses termos, relativo ao presente caso, como ressalta o Eminente Relator da 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém/PA: “Primeiramente, ao que consta do presente processo administrativo, tenho que não há lugar a dúvidas quanto ao fato de que a empresa não é, do ponto de vista formal, uma comercial Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 142 7 exportadora. Contudo, também se faz presente nos autos que este não é o fator determinante à negativa do crédito pretendido pela contribuinte, como na sequência se esclarece”. E continua: “No caso concreto, pelo que consta nos autos, revelase evidente que a contribuinte recebeu o bem madeira com desoneração de PIS/PASEP, ou seja, a adquirente tinha pleno conhecimento da desoneração, haja vista o teor das anotações constantes das respectivas notas fiscais de entrada”. Como observa o acórdão atacado, a recorrente recebeu mercadorias finalizadas, desoneradas de PIS/Pasep, e que já teriam como finalidade a exportação. Nessa linha, as saídas da recorrente, para o período ora discutido, corresponderam, somente, à remessa, dessas mesmas mercadorias já prontas e acabadas, para o exterior, o que impera constatar uma atuação da recorrente com empresa comercial exportadora, pelo menos com relação ao período, às saídas e mercadorias em questão. Consolidando o entendimento ora esboçado, há de se ressaltar que o recorrente não oferece elementos probatórios suficientes para amparar suas alegações, afastando o que defende a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao contrário, militam em seu desfavor os documentos presentes neste processo administrativo. Nesse quadro, a Manifestação de Inconformidade de fls. 89 não traz qualquer documento hábil para provar o que argumenta a recorrente, trabalhando com a mera hipótese de erro do Auditor Fiscal, ou mesmo de seu setor contábil, mas sem indiciar, precisamente, elementos que corroborem essas teses. No mesmo sentindo se encaminhou seu Recurso Voluntário, de fls. 113, que sem trazer elementos probatórios novos, repete a defesa de sua peça anterior. Ao contrário, as Notas Fiscais constantes nos Anexos deste processo, fazem prova em sentido contrário, corroborando com o entendimento dado pela Receita Federal, como lembra o acórdão combatido: Acrescendo ao que até aqui foi consignado, constatase que a contribuinte, em suas notas fiscais de saída referentes ao trimestre de apuração objeto dos autos lançou os CF0Ps 7102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, fls. 01/101 do anexo III) e 5102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, fls. 30/32). Apesar de na nota fiscal n° 5784 (fl. 45 do anexo III) constar o CFOP 7.11 (venda de produção do estabelecimento), esta corresponde às. NFs de entrada n° 307 e 308, cujas mercadorias foram adquiridas com fins específicos de exportação. Ou seja, a interessada ratifica, por intermédio de documentação fiscal, que recebeu produtos acabados e, no trimestre em tela, suas saídas corresponderam exclusivamente a tais bens (e não a quaisquer outros que Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 143 8 porventura possa, eventualmente, haver efetivamente submetido a processo industrial). A jurisprudência deste Conselho é clara quanto à imprescindibilidade da prova das alegações do recorrente: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A falta de previsão legal para o creditamento levado a efeito pela recorrente de transferências de mercadorias acabadas de um estabelecimento para outro é, de per si, o bastante para afastar a defesa da recorrente, que aliás confessa o conhecimento da carência de base legal para o seu procedimento. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002917/200435 Acórdão n.º 3102001.469 S3C1T2 Fl. 144 9 VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência não cumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, fossem sujeitas à incidência não cumulativa. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoriafiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON (versão 1.3), inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Processo nº 13986.000233/200440, Recurso nº 267.946 Voluntário, Acórdão nº 310100.738 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 03 de maio de 2011, Matéria PIS NÃO CUMULATIVO RESSARCIMENTO, Recorrente AGRÍCOLA FRAIBURGO, Recorrida FAZENDA NACIONAL)”. Assim, é perfeitamente possível vislumbrar que em hipóteses, como a que ora se apresenta, em que a empresa adquire produtos, já finalizados, com saídas à alíquota zero, com o intuito de realizar nova operação de saída, também à alíquota zero, para o mercado exterior, não gerarão a essa o direito de crédito de PIS/Pasep, o qual já foi gozado pela primeira empresa que transferiu as mercadorias à alíquota zero. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006895/2004-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.155
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10830.006895/2004-17
conteudo_id_s : 5353936
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-000.155
nome_arquivo_s : Decisao_10830006895200417.pdf
nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 10830006895200417_5353936.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
id : 5492216
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815620726784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 198 1 197 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.006895/200417 Recurso nº Resolução nº 220200.155 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de fevereiro de 2012 Assunto Omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem Recorrente JOSÉ ANTONIO DOMINGUES MAÇANS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 199 2 Relatório 1 Intimação e Procedimento de Verificação Fiscal Com base em movimentações atípicas obtidas a partir do cadastro da CPMF, a Fazenda iniciou procedimento de verificação fiscal em face do recorrente. O contribuinte foi intimado em 12/08/04 a apresentar o seguinte: a) Relação de todos os rendimentos tributáveis auferidos durante os anos calendário 1999 a 2001, anexando os respectivos comprovantes e devendo confeccionar planilhas discriminando esses rendimentos mensalmente para esses três anoscalendário; b) Com relação à movimentação financeira efetuada, no referido período, nas instituições financeiras abaixo relacionadas: b.1) Apresentar os extratos das contas bancárias que deram origem à movimentação financeira; b.2) Apresentar os comprovantes de rendimentos auferidos, fornecidos pelas instituições financeiras; b.3) Apresentar a documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos e/ou créditos nas contas correntes bancárias, nas contas de poupança e/ou nas contas de aplicação financeira relativas às instituições financeiras abaixo relacionadas. Banco A.C. CNPJ Movimentação Financeira Conhecida BANCO ITAÚ S.A. 1999 60.701.190/000104 R$ 627.771,25 BANCO ITAÚ S.A. 2000 60.701.190/000104 R$ 1.071.152,26 BANCO ITAÚ S.A. 2001 60.701.190/000104 R$ 179.750,89 c) Apresentar extrato bancário de todas as contas (mantidas no Brasil ou no Exterior), de instituições não mencionadas no item anterior, em que efetuou movimentação financeira no período de 01/01/1999 a 31/12/2001, bem como todos os comprovantes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras e, ainda, a documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos e/ou créditos nas respectivas contas correntes bancárias, nas contas de poupança e/ou nas contas de aplicação financeira dessas instituições, se for o caso. Em resposta, o contribuinte apresentou as cópias reprográficas dos extratos bancários do Banco Itaú S.A., relativamente aos anoscalendário de 1999 a 2001, protestando que o faria tãosomente em razão da ameaça de agravamento da penalidade pela fiscalização: Com base nas informações apresentadas pelo contribuinte, entendeu a autoridade fiscal que o mesmo não logrou êxito em comprovar a origem de toda a movimentação financeira efetuado nos respectivos os anoscalendário (1999 a 2001), visto que “não há um nexo causal entre as disponibilidades consignadas em suas DIRPFs e os valores Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 200 3 depositados, na sua maioria em cheques, como se pode ver de uma analise dos extratos bancários.” 2 Auto de Infração Foi lavrado contra o contribuinte auto de infração no montante de R$ 1.315.417,65 (um milhão trezentos e quinze mil quatrocentos e dezessete reais e sessenta e cinco centavos), por omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem identificada, tendo tomado conhecimento da autuação em 25/11/2004. 3 Impugnação Indignado com o lançamento de ofício, o contribuinte apresentou impugnação esgrimindo os seguintes argumentos: a) a Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), no seu artigo 11, § 3° vedava expressamente a utilização dos dados colhidos da CPMF pela Secretaria da Receita Federal com intuito de constituir crédito tributário b) irretroatividade da Lei n° 10.174/01. O artigo 11, § 3° da Lei n° 9.311/96, vigorou até o dia 09/01/2001 com sua redação original, vedando a Secretaria da Receita Federal a usar dados da CPMF para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos e, a partir do dia 10/01/2001, passou a vigorar com sua nova redação. c) a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01 é inconstitucional, pois fere o direito à inviolabilidade da intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas, ao sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas. d) a impossibilidade de caracterização do depósito bancário como fato gerador do IRPF, pois não representa disponibilidade econômica ou jurídica de renda, muito menos de proventos de qualquer natureza. Utilizouse a fiscalização de mera presunção de omissão de rendimentos, trazida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, que vai contra os princípios formadores das presunções legais, pois, evidenciado que entre esses dois fatos, quais sejam, depósitos bancários e omissão de rendimento, não há nexo causal. e) exigência de lei complementar para definição de fato gerador e base de cálculo em matéria tributária. A introdução da sistemática de presunção de omissão de rendimento a partir de depósitos bancários, se possível fosse, somente poderia ser veiculada em nosso ordenamento por meio de Lei Complementar. O que não ocorre com a Lei n° 9.430/96. f) a Lei n° 9.430/96 foi editada com o objetivo apenas de tratar da sistemática do IRPJ, da CSLL e do IPI, não se lhe aplicando inteiramente às pessoas físicas, somente nas situações em que os auditores, no âmbito da fiscalização da pessoa jurídica, têm acesso às contas bancárias de seus sócios, gerentes, etc., e comprovam ser esta movimentação das empresas. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 201 4 g) no mérito, aduz que se deve considerar como origens dos valores depositados em conta bancária os saldos consignados nas declarações de bens integrantes das declarações de ajuste anual dos anos imediatamente anteriores aos examinados, a titulo de dinheiro em caixa e bancos. 4 Acórdão de Impugnação Recebida e conhecida a impugnação, por atender a todos os requisitos de admissibilidade, foi a mesma julgada improcedente, sendo mantida a autuação, tendo a decisão os seguintes fundamentos: a) com relação (i) à aplicabilidade da lei 9.311/1996, (ii) à irretroatividade e inconstitucionalidade da lei 10.174/01 e (iii) às conseqüências desastrosas e antijurídicas da aplicação da lei 10.174/01, podese afirmar que o procedimento de solicitar os extratos bancários, quer seja diretamente ao contribuinte, ou nas condições previstas em lei as instituições financeiras, encontrase plenamente legitimado pelo ordenamento jurídico. Pelas normas vigentes, não ocorre a alegada quebra de sigilo sobre as informações obtidas, mas apenas a sua transferência ao Fisco, que, por força de lei, é obrigado a conserválo. b) no que diz da apreciação e decisão de questões referentes à constitucionalidade de atos legais não cabe às autoridades julgadoras administrativas, visto que a Constituição Federal, por meio dos artigos 97 e 102, confere tal competência exclusivamente ao Poder Judiciário. c) relativamente à impossibilidade de caracterização do depósito bancário como fato gerador do imposto de renda, referiuse que, uma vez cumprido pela autoridade fiscal o rito prescrito em lei, somente a comprovação da origem dos depósitos é capaz de elidir a presunção estabelecida. As afirmações do impugnante com vistas a demonstrar a fragilidade da autuação calcada em depósitos bancários redundam no questionamento da propriedade da presunção, fato que não cabe aqui apreciar. d) para a argumentação acerca da exigência de lei complementar para definição de fato gerador e base de cálculo em matéria tributária, declarouse que a tributação corn base no artigo 42, da Lei 9.430/1996, não consiste em se considerar os depósitos bancários sem origem justificada como fato gerador do imposto de renda, mas em presumir na presença destes a ocorrência de omissão de rendimentos tributáveis de acordo com a definição dada pelo referido artigo 43. e) a tese da inaplicabilidade da Lei 9.430/96 para pessoa física também não prospera. A ilação extraída pelo impugnante de que tal dispositivo legal aplicase somente no âmbito da fiscalização da pessoa jurídica não tem fundamento. Observese que o caput do artigo faz menção a omissão de receita ou de rendimento, que se refere a pessoas físicas, sendo irrelevante o fato de o artigo estar contido na Seção Omissão de Receita f) finalmente, no mérito, a pretensão do contribuinte baseiase em saldos existentes no dia 31 de dezembro do ano anterior (dinheiro em caixa e banco), portanto, valores globais. Para a comprovação exigida, seria imprescindível a apresentação de documentos adicionais que demonstrassem cabalmente que os valores existentes no ano anterior foram transformados nos depósitos perquiridos. No caso dos saldos em banco, extratos de outras contas que demonstrassem débitos coincidentes em datas e valores com os depósitos. No caso Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 202 5 dos valores em espécie, além de demonstrar a necessidade de transformálos em depósitos, seria necessária a comprovação da existência desses recursos. 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com a decisão da DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário com base nos seguintes argumentos: a) aduz que Autoridade Fazendária não observou no curso do procedimento fiscalizatório aos ditames estabelecidos pela Lei Complementar n° 105/2001 (regulada pelo Decreto n° 3.724/2001) e, em conseqüência, o texto do art. 9° do Decreto n° 70.235/72. Tal legislação exige que seja lavrado relatório circunstanciado no qual deve constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o principio da razoabilidade. E consoante se depreende dos autos do presente Processo Administrativo, antes da expedição de referidas RMF, não foi elaborado qualquer relatório, pelo que se tem por violados os Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. De resto, manteve a parte recorrente os argumentos trazidos com a impugnação. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 203 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento a existência de depósitos bancários sem origem comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização valeuse das informações existentes no cadastro de CPMF do contribuinte, para fatos geradores anteriores à edição da Lei 10.174/01. Além disso, utilizou requisição de movimentação financeira (RMF), após a apuração de omissão de rendimentos em conta conjunta com outra contribuinte. Apenas a co titular da conta teve a quebra de sigilo bancário apreciada e deferida por órgão judicial. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, Fl. 203DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 204 7 sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO Fl. 204DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 205 8 PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10830.006895/200417 Resolução n.º 220200.155 S2C2T2 Fl. 206 9 reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902033/2009-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : null null
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.902033/2009-32
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358492
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.091
nome_arquivo_s : Decisao_10073902033200932.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10073902033200932_5358492.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5515166
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815641698304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 130 1 129 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902033/200932 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.091 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 33 /2 00 9- 32 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902033/200932 Acórdão n.º 3802003.091 S3TE02 Fl. 131 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902033/200932 Acórdão n.º 3802003.091 S3TE02 Fl. 132 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721809/2012-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ATO CANCELATÓRIO COM TRÂNSITO EM JULGADO.
Regular o lançamento com base em Ato Cancelatório de Direito à Isenção.
DIREITO À ISENÇÃO. MP 446/2008. REQUISITOS.
A falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos impedem o gozo da isenção.
DIREITO À ISENÇÃO. LEI 12.101/2009. REQUISITOS.
A falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos impedem o gozo da isenção.
Numero da decisão: 2403-002.460
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ATO CANCELATÓRIO COM TRÂNSITO EM JULGADO. Regular o lançamento com base em Ato Cancelatório de Direito à Isenção. DIREITO À ISENÇÃO. MP 446/2008. REQUISITOS. A falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos impedem o gozo da isenção. DIREITO À ISENÇÃO. LEI 12.101/2009. REQUISITOS. A falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos impedem o gozo da isenção.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.721809/2012-11
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363357
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.460
nome_arquivo_s : Decisao_10073721809201211.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10073721809201211_5363357.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5543673
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815646941184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.721809/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.460 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDAÇÃO MIGUEL PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ATO CANCELATÓRIO COM TRÂNSITO EM JULGADO. Regular o lançamento com base em Ato Cancelatório de Direito à Isenção. DIREITO À ISENÇÃO. MP 446/2008. REQUISITOS. A falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos impedem o gozo da isenção. DIREITO À ISENÇÃO. LEI 12.101/2009. REQUISITOS. A falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos impedem o gozo da isenção. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 09 /2 01 2- 11 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721809/201211 Acórdão n.º 2403002.460 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1256.365 da 13ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRÉREQUISITOS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. EFEITOS. Descumpridos os requisitos previstos em lei para a manutenção do benefício fiscal, a autoridade fiscal está autorizada a lançar o crédito tributário devido. A qualidade de entidade filantrópica imune deve ser mantida com o atendimento, contínuo, dos requisitos legais, não havendo direito adquirido ao benefício fiscal. A perda de imunidade, declarada em Ato Cancelatório regularmente emitido, enseja a lavratura de Auto de Infração, para exigência das contribuições sociais devidas a partir da data em que a entidade descumpriu os requisitos necessários à manutenção do benefício fiscal. Cancelado o benefício fiscal, o contribuinte, ainda que possuidor do CEBAS, passa a ter todas as obrigações das empresas em geral. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). DOCUMENTO DECLARATÓRIO GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O crédito da seguridade social também é constituído por meio de confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. Inteligência do Art. 33, §7°, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97 O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de Infração (DEBCAD nº 51.025.3601 e 51.026.8870) lavrado em decorrência de cancelamento de isenção de que era beneficiário o sujeito passivo identificado em epígrafe, exigindose, na presente, contribuições relativas às rubricas empresa e SAT/GILRAT, no período de 01/2009 a Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 13/2009, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Inclui ainda as contribuições adicionais ao SAT incidentes sobre a remuneração de segurados expostos a agentes nocivos em condições especiais de trabalho, na alíquota de 6%, relativa ao benefício de Aposentadoria Especial aos 25 anos. 2. De acordo com o Relatório Fiscal (fls.06/15) temos que as bases de cálculo das contribuições lançadas foram apuradas através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – GFIP, onde a Autuada declarou as remunerações pagas aos segurados a seu serviço, informando o código 639, relativo à Entidade com Isenção de Contribuições Previdenciárias. 3. Esclarece que o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias era requisito indispensável no período de vigência do artigo 55 da Lei 8.212/91 (até 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009), e que, no período de 10/11/2008 a 11/02/2009, e a partir de 29/11/2009 devem ser observados os requisitos estabelecidos no artigo 28 da MP 446/2008 e art. 29 da Lei 12.101/2009. 4. Assim, em que pese o preenchimento da GFIP com código 639, a imunidade da Autuada foi cassada através do Ato Cancelatório n. 01/2008 e Ato Cancelatório (Retificação), expedidos em 12/02/2008 e 13/05/2008, sendo os efeitos de tais atos válidos a partir de 01/10/2005. O acórdão 1243.688, da 13a Turma da DRJ/RJ1, de 06/02/2012 manteve o Ato Cancelatório n. 01/2008, não tendo o contribuinte interposto recurso em relação a esta decisão. 5. Informa ainda a Autoridade Fiscal que a Autuada não apresentou as certidões negativas ou as certidões positivas com efeito de negativa de débitos solicitadas e descumpriu as obrigações acessórias estabelecidas na Lei 8.212/91, deixando de informar nas GFIP a totalidade das remunerações pagas aos segurados a seu serviço e respectivas contribuições no período de jan/2008 a dez/2009 e não registrando devidamente os Livros Contábeis referentes aos exercícios de 2008 e 2009 no órgão competente. Assim, não possui o direito a isenção das contribuições estabelecidas nos artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91,. 6. Ainda segundo o Relatório Fiscal, os fatos geradores contidos no presente lançamento são a remuneração paga aos segurados empregados, bem como pagamentos efetuados a contribuintes individuais, todas discriminadas nas GFIP´s apresentadas pela autuada à RFB antes do início da ação fiscal. O valor do presente lançamento é de R$ 100.293,87 (DEBCAD 51.025.360 1) e R$ 541.438,27 (DEBCAD 51.026.8870) consolidado em 13/12/2012. 7. Finalmente, informa a Fiscalização que o fato de ter informado em GFIP o código FPAS 639, declarando de forma incorreta a contribuição devida, configura, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 1o, I da Lei 8.137/1990, motivo pelo qual será comunicado o fato à autoridade competente para as providências cabíveis. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721809/201211 Acórdão n.º 2403002.460 S2C4T3 Fl. 4 5 Da Impugnação 8. Notificada por via postal do Auto de Infração em 17/12/2012 (fl.76), a interessada apresentou impugnações postadas em 16/01/2013 (fl.169), de fls. 79/121, alinhando os argumentos a seguir sintetizados: 8.1. Tece breve histórico da entidade, afirmando protagonizar relevante papel na área de saúde e cumprir fielmente as exigências impostas pela legislação vigente para o reconhecimento de seu trabalho assistencial. 8.2. Afirma que, por questões de ordem administrativa, não questionou o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, e confia no bom senso deste órgão para avaliação dos argumentos que demonstram a injustiça do cancelamento, eis que, não obstante o descumprimento de normas burocráticas, a entidade nunca se furtou ao cumprimento das exigências fáticas feitas às instituições filantrópicas. 8.3. Afirma ser uma entidade sem fins lucrativos, e acosta os documentos que demonstram a sua caracterização como entidade de assistência social, além de atestar que não remunera seus associados e/ou diretores pelos serviços prestados, não distribui qualquer parcela de sua renda ou de seu patrimônio, a título de lucro ou de participação no seu resultado, aplica integralmente no País os seus recursos na manutenção de seus objetivos sociais, e mantém escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidade capazes de assegurar sua exatidão. 8.4. Alega que o fato de os livros contábeis não estarem registrados não significa dizer que não possam assegurar a exatidão das informações contábeis ali prestadas. 8.5. Argumenta que o benefício fiscal que possui é imunidade, e não isenção, e, deste modo, a imunidade é constitucionalmente garantida e regulamentada por lei complementar, sendo ilegal qualquer outra norma que desafie este benefício, inclusive a lei ordinária que estabelece novos requisitos para a caracterização da entidade como imune. Não se pode limitar a imunidade. 8.6. Aduz que as instituições que tenham sido reconhecidas como filantrópicas antes do decretoLei 1.522/77 têm assegurada a obtenção do CEBAS e a manutenção da imunidade das contribuições previdenciárias em virtude do direito adquirido já reconhecido pela pacífica jurisprudência de nossos Tribunais. A Impugnante possui o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, bem como Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 título de utilidade pública federal desde 1964, tendo assim assegurado o seu direito à imunidade. O desatendimento de uma exigência formal em determinado período não retira o seu direito ao benefício tributário. 8.7. Defende que o ato administrativo de reconhecimento da isenção é apenas declaratório, sendo que o direito à isenção se consuma a partir do momento em que ocorrer o cumprimento dos requisitos impostos na legislação, e não desde a data do ato administrativo, não sendo constitutivo de um direito. 8.8. Quanto ao AI contido no DEBCAD nº 51.026.8870, acrescenta a irresignação contra alíquota de 2% do SAT, defendendo que se enquadraria na de 1%, pois “a Lei 8.212/91 não define o que seja atividade preponderante, e, da mesma forma, não estabelece critérios de classificação acerca dos graus de risco”. Entende que esteja evidenciada a violação ao princípio da tipicidade, não sendo permitido que tais elementos sejam fixados ou alterados através de vias inadequadas. 8.9. Impugna o argumento de que a ausência de CND ou de CPDEN seria motivo para a descaracterização da entidade como filantrópica, eis que a exigência desta certidão foi instituída apenas pela lei 12.101/2009, e o período do lançamento alcança as competências de 01 a 12/2008, sendo portanto impossível a exigência deste documento neste período. Acrescenta que mesmo após a lei 12.101/2009 a exigência deve ser considerada inconstitucional. 8.10. Questiona a descaracterização, feita pela Fiscalização, dos profissionais autônomos que prestam serviço à entidade, eis que a competência para a caracterização de vínculo empregatício é da justiça do Trabalho. Afirma ser necessária a comprovação dos requisitos estabelecidos na CLT para a demonstração do vínculo de emprego. Não há subordinação hierárquica entre o hospital e os médicos, e deve se respeitar o princípio de que o contrato faz lei entre as partes. 8.11. Finalmente, requer o cancelamento do Auto de Infração. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Discorre sobre a origem e finalidade da Fundação. · Questiona a validade do Ato Cancelatório. · Discorre sobre a situação atual d Fundação. A situação em que se encontrava a Fundação à época do Ato Cancelatório não mais persiste faticamente. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721809/201211 Acórdão n.º 2403002.460 S2C4T3 Fl. 5 7 · Os livros Diário estão devidamente registrados. · Está e dia com os tributos. Afirma que o débito, que se encontrava em aberto e que foi motivador do ato que cassou a isenção já foi quitado. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CANCELAMENTO DA ISENÇÃO Registra a decisão recorrida que o direito à isenção foi cassado pelo Ato Cancelatório nº 01/20087 e que o processo já transitou em julgado. 12.1. O auto em tela foi lavrado em razão do cancelamento da condição de isenta das contribuições, por intermédio do Ato Cancelatório de nº 01/2008, que apontou como causa a existência de débito, infringindo o § 6º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. O ato administrativo citado já transitou em julgado, haja vista que a Impugnante não recorreu da decisão prolatada no Acórdão nº 1243.688, de 06/02/2012 Assim, resta certo que o direito da Autuada à imunidade deixou de existir a partir de 01/10/2005. Entendo que após o transito em julgado da cassação do direito à isenção, a recorrente passou a ser obrigada a recolher as contribuições patronais e para terceiros normais do Regime Geral de Previdência Social. Entendo o lançamento como regular. ISENÇÃO – MP 446/2008 E LEI 12.101/2009 A Medida Provisória Nº 446, de 7 de novembro de 2008, que foi rejeitada pela Câmara dos Deputados, vigorou entre 10/11/2008 a 11/02/2009, estipulava requisitos para o gozo da isenção para as entidades beneficentes de assistência social, dentre os quais apresentar certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721809/201211 Acórdão n.º 2403002.460 S2C4T3 Fl. 6 9 aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público FederalCADIN e manter escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade. Art.28.A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam osarts. 22e23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Iseja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1o; IInão percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; IIIaplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; IVpreveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; Vnão seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; VIapresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público FederalCADIN; VIImantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; VIIInão distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; IXaplique as subvenções e doações recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Xconserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizados que venham a modificar sua situação patrimonial; XIcumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e XIIzele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. A Lei 12.101/2009 também estabeleceu requisitos para o gozo da isenção, dentre os quais manteve as exigências relativas à comprovação da regularidade fiscal e escrituração contábil regular. DA ISENÇÃO Seção I Dos Requisitos Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos;(Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721809/201211 Acórdão n.º 2403002.460 S2C4T3 Fl. 7 11 V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela LeiComplementar no123, de 14 de dezembro de 2006. § 1oA exigência a que se refere o inciso I do caput não impede:(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício;(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal.(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 2oA remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 1odeverá obedecer às seguintes condições:(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o(terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo.(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 3oO disposto nos §§ 1oe 2onão impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Quanto à escrituração contábil, a recorrente não possuía os Livros diários registrados, conforme estipulam as normas, o que feria o inciso VII, do artigo 28, da MP 446 e IV do artigo 29, da lei 122.101/2009, acima apresentadas. A comprovação do registro, até 2009, somente ocorreu em 06/2013 e foi apresentado apenas no recurso. O recurso destaca que os Livros Diário 2010 e 2011 encontramse na Receita Federal. Para a questão da regularidade fiscal (CND/CPDEN), na impugnação, a recorrente afirmou que era exigência instituída apenas pela Lei 12.101/2009, sendo impossível a exigência para período anterior. Está comprovada a exigência também pela MP 446/2008. Agora, no recurso, apresenta certidões da Receita Federal/PGFN, Caixa Econômica Federal/FGTS, Justiça do Trabalho, todas emitidas em 2013. Considerando que a autuação é datada de 2012, entendo descumpridos os requisitos para gozo da isenção relativos à MP 446/2008 e Lei 12.101/2009. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916045/2011-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/03/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/03/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.916045/2011-72
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352960
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.816
nome_arquivo_s : Decisao_13888916045201172.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Francisco José Barroso Rios
nome_arquivo_pdf_s : 13888916045201172_5352960.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5490154
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815685738496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 86 1 85 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.916045/201172 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.816 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Fênix Empreendimentos S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/03/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/03/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 45 /2 01 1- 72 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 30/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 74,45, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de março de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916045/201172 Acórdão n.º 3802002.816 S3TE02 Fl. 87 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 03/07/2013 (fls. 57 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 12/07/2013 (fls. 84), o recurso voluntário de fls. 59/76, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 82/83, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916045/201172 Acórdão n.º 3802002.816 S3TE02 Fl. 88 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 82/83). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916045/201172 Acórdão n.º 3802002.816 S3TE02 Fl. 89 7 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006540/2003-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Impedido Gilberto de Castro Moreira Junior.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10768.006540/2003-30
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364128
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-000.215
nome_arquivo_s : Decisao_10768006540200330.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10768006540200330_5364128.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Impedido Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5546170
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815688884224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 2.616 1 2.615 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.006540/200330 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.215 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de maio de 2014 Assunto DILIGÊNCIA. CONEXÃO. Recorrente CHEVRON BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Impedido Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Declaração de Compensação/Pedido de Ressarcimento de IPI do estabelecimento filial 33.337.122/0069 (fl. 05), referente ao 2º trimestre de 2003, fundamentandose no artigo 11 da Lei nº 9.779/99, no valor de R$ 1.927.904,50. O pedido foi apreciado pelo Parecer/Despacho Decisório de fls. 2.445/2.446, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco, que, tomando por base as conclusões do Termo de Informação Fiscal de fls. 2.434/2.442, reconheceu o direito creditório no valor de R$ 234.680,12 e, homologando a compensação até esse limite. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade (fls.2.567/2.507), a qual a DRJ julgou parcialmente procedente (fls. 2510 e ss.). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 06 54 0/ 20 03 -3 0 Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.006540/200330 Resolução nº 3202000.215 S3C2T2 Fl. 2.617 2 Primeiramente, o acórdão recorrido rejeita a preliminar de nulidade, suscitada pela empresa com base no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois afirma que o despacho decisório foi proferido pelo Delegado da Receita Federal, que, apenas, ratificou o parecer elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal. Além disso, para o acórdão recorrido, a competência para elaboração de despacho decisório pode ser delegada pelo Delegado ou inspetor da Receita Federal ao AuditorFiscal da Receita Federal, conforme dispõe o art. 6º da Lei 10.593/2002 e o Parecer SEORT/DRF/OSA n o 030/2007. Leiase: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (...)b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fisca l, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (...)§ 2o Incumbe ao AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil, resguardadas as atribuições privativas referidas no inciso I do caput e no § 1o deste artigo: I exercer atividades de natureza técnica, acessórias ou preparatórias ao exercício das atribuições privativas dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil; II atuar no exame de matérias e processos administrativos , ressalvado o disposto na alínea b do inciso I do caput deste artigo; ” (grifos nosso) Pela leitura do dispositivo legal acima, concluise que a elaboração ou prolação de decisão em processo administrativo–fiscal, ou mesmo a participação nela, é atividade exclusiva dos ocupantes do cargo de Auditor–Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), consoante disposição expressa e taxativa consignada no inciso I, “b”, do caput . Portanto, a elaboração, prolação ou participação em despacho decisório em processo administrativo de compensação/restituição de créditos tributários, como o ora analisado, é de competência exclusiva do Auditor–Fiscal da Receita Federal do Brasil. O Parecer SEORT/DRF/OSA n o 030/2007 e o Termo de Informação Fiscal de fls. 2.434/2.442, elaborados por Auditores–Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB), pelo seu conteúdo, contém todos os elementos de análise do mérito do pleito e foram aproveitados integralmente no despacho decisório, como ele mesmo destaca. No que diz respeito à delegação de competências é praxe adotada na Administração Pública Federal de longa data, que visa agilizar a análise dos processos administrativos, descentralizandose as decisões. A autoridade originalmente competente para decidir (no caso, o Delegado da Receita Federal), delega a outra autoridade a ele subordinada, e de sua confiança, a competência para decidir nos Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.006540/200330 Resolução nº 3202000.215 S3C2T2 Fl. 2.618 3 processos administrativos de restituição/compensação, como ocorrido na espécie. Igualmente, a DRJ rejeitou a tese do contribuinte, de que teria havido cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Termo de Informação Fiscal é absolutamente claro ao descrever os procedimentos adotados. Confirase: Da mesma forma não procede a argüição de nulidade do parecer/despacho decisório por falta de fundamentação. Notese que citado parecer/despacho decisório expressamente toma por base as conclusões e fundamentos do Termo de Informação Fiscal de fls. 2.434/2.442 (nova numeração do termo quando materializado na forma eletrônica), quando menciona “Considerando que o Serviço de Fiscalização desta Delegacia, em verificações fiscais, que culminaram no Termo de Informação Fiscal (fls. 2093/2101), que passa a fazer parte integrante do presente Parecer,”. E o Termo de Informação Fiscal é absolutamente claro ao descrever os procedimentos adotados, expostos nos seguintes tópicos: I – Instrução do Processo; II – Dos Procedimentos de Auditoria Efetuados; III – Parecer Conclusivo. Portanto, perfeitamente delineadas no Termo de Informação Fiscal – o qual, frisese, foi tomado como base para o parecer/despacho decisório – as razões de fato e de direito que fundamentaram o deferimento parcial do direito creditório, não havendo se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. Quanto ao pedido da contribuinte para sobrestar o presente processo em virtude da existência do processo administrativo nº 10882.002150/200627, relativo ao auto de infração que trata de lançamento de IPI, com decisão desfavorável de 1º instância, fls. 2.516, alusivo à mesma matéria de mérito e período objeto do presente processo, assevera a DRJ que não existe essa previsão legal no processo administrativo tributário. No mérito, a DRJ decidiu por indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar a compensação, porquanto foi constatada a inexistência de saldo credor de IPI, no do processo administrativo nº 10882.002150/200627. A par disso, o arresto recorrido assegura que, em caso da requerente sair vitoriosa no processo administrativo nº 10882.02150/200627, terá os créditos glosados restabelecidos e recalculados o valor a ser ressarcido. A despeito disso, a DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade pelo fato de ter constatado que o valor da glosa referente aos “Créditos Lançados em Duplicidade – Anexo III” foi de R$ 196.125,72 e não R$ 196.195,72, devendo ser reconhecida uma diferença favorável ao contribuinte de R$ 70,00. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, pretendendo que o presente processo seja suspenso até decisão administrativa definitiva do processo nº 10882.002150/200627, ou que esse processo seja apensado ao presente processo. Alega ainda, que a competência para julgamento de pleitos deduzidos em processo administrativo fiscal federal é exclusiva do Delegado da Receita Federal, sendo indelegável, com base no art. 13 da Lei nº 9.784/1999. Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.006540/200330 Resolução nº 3202000.215 S3C2T2 Fl. 2.619 4 No que diz respeito ao direito creditório na aquisição de insumos (matérias primas, materiais de embalagem e produtos intermediários), alega, a recorrente, que a Lei nº 9.779/99 e o art. 195 do RIPI ratificam esse direito, inclusive de produtos isentos ou não tributáveis, com a notação NT (não tributáveis). No que tange ao indeferimento da suspensão do IPI nas saídas realizadas pela recorrente, o art. 5º da Lei 9.826/99 traz expressamente que o beneficio da suspensão do IPI não é vinculado à natureza do destinatário (fabricante de veículo), mas sim, ao destino dados aos produtos (montagem e veículos). Ademais, quanto à alegada falta de menção à suspensão do IPI no corpo da nota fiscal de saída, aduz a contribuinte não ser fator impeditivo para desqualificar a suspensão, tendo em vista que a fiscalização, com base em outros documentos de escritas fiscais, poderia certificar se aquelas operações estariam realmente amparadas pela suspensão. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme narrado no relatório, a DRJ decidiu manter a decisão da DRF, que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação, postulada pela Recorrente, porquanto foi constatada a inexistência de saldo credor de IPI, no Processo administrativo nº 10882.002150/200627. Como se vê, o mérito do presente Proc. nº 10768.006540/200330 (pedido de ressarcimento e declaração de compensação) depende do desfecho do Processo administrativo nº 10882.002150/200627, pois neste último se discute a existência ou não de saldo credor do IPI. Entretanto, verifico no site do CARF que Processo administrativo nº 10882.002150/200627 ainda está pendente de distribuição a um relator no CARF, para apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte. Confirase: Processo Principal :10882.002150/2006 27 Data Entrada : 10/11/2006 Contribuinte Principal : CHEVRON BRASIL LTDA Tributo : IPI Processos Vinculados Nº Processo Data Vinculação 10882723807201231 14/11/2012 Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 12/11/2012 RECURSO VOLUNTARIO Andamentos do Processo Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.006540/200330 Resolução nº 3202000.215 S3C2T2 Fl. 2.620 5 Processo Principal :10882.002150/2006 27 Data Entrada : 10/11/2006 Contribuinte Principal : CHEVRON BRASIL LTDA Tributo : IPI Processos Vinculados Nº Processo Data Vinculação Data Ocorrência Anexos 12/11/2012 DISTRIBUIR/SORTEAR3ª Seção 12/11/2012 EM TRAMITAÇÃOTipo de Recurso: RECURSO VOLUNTARIOData de Entrada: 12/11/2012Unidade: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF 12/11/2012 RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRALGEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF Desse modo, diante da conexão das causas e a fim de evitar decisões conflitantes, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora junte aos autos cópia da decisão administrativa definitiva de mérito, proferida nos autos do processo nº 10882.002150/200627. Caso esta ainda não tenha sido proferida, devem os autos aguardar naquela DRFB, até que seja definitivamente decidido, nos autos do referido processo, a existência ou não do crédito pleiteado. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905878/2011-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10660.905878/2011-84
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362426
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.040
nome_arquivo_s : Decisao_10660905878201184.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10660905878201184_5362426.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5533983
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815727681536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 160 1 159 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905878/201184 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.040 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 78 /2 01 1- 84 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905878/201184 Acórdão n.º 3803006.040 S3TE03 Fl. 161 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 14.746,99. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905878/201184 Acórdão n.º 3803006.040 S3TE03 Fl. 162 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905878/201184 Acórdão n.º 3803006.040 S3TE03 Fl. 163 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905878/201184 Acórdão n.º 3803006.040 S3TE03 Fl. 164 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720243/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES.
A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins.
CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE
A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa
CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO
Admitem-se os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido.
CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS
A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.472
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída, quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido e quanto ao saldo do terceiro trimestre de 2006; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento; (v) pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto
Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO Admitem-se os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido. CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Direito Creditório Reconhecido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10909.720243/2009-34
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351308
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.472
nome_arquivo_s : Decisao_10909720243200934.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10909720243200934_5351308.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída, quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido e quanto ao saldo do terceiro trimestre de 2006; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento; (v) pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5475521
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815746555904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2143; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 352 1 351 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.720243/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.472 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria PIS/COFINS Recorrente SEARA ALIMENTOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO Admitemse os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 02 43 /2 00 9- 34 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 353 2 CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída, quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido e quanto ao saldo do terceiro trimestre de 2006; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento; (v) pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 354 3 Trata o presente processo de Pedido re Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativaexportação, referente ao 4o. trimestre de 2006, no valor de R$ 9.459.968,67. Do Termo de Verificação Fiscal Em seu Termo de Verificação Fiscal, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal (DRF) em Itajaí/SC, ao relatar sobre o método de verificação fiscal, registra que os valores informados pela interessada no Dacon nem sempre correspondem àqueles presentes na memória de cálculo apresentada em atendimento à intimação à Receita Federal para fins de demonstração da composição da base de cálculo do direito de crédito e que foram, então, considerados como pleiteados os valores presentes nesta e não os declarados no Dacon. Relata a Autoridade Fiscal que do confronto entre a memória de cálculo apresentada pela contribuinte e a legislação aplicável à matéria resultaram as glosas que seguem: a) Bens Adquiridos para Revenda linha 01 do Dacon: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de produtos classificados no capítulo 29, no código 3002.30 e na posição 38.08, todos da TIPI, por se tratarem de produtos sujeitos à alíquota zero de acordo com o art. I o do decreto n° 5.127/2004 e com o art. I o da Lei n° 10.925/2004; b) Bens Utilizados como Insumos linha 02: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de bens utilizados como insumos, cujas receitas de vendas estão sujeitas a alíquota zero, conforme: art. 28, III, da Lei n°10.865/2004; art.1º incisos I, II. IV, VII, IX e XII. da Lei n° 10.925/2004; c) Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda linha 07: foram excluídos: os fretes relativos a CTRC não vinculados a uma operação de venda; os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período; os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas encontramse no Livro Registro de Saídas do período mas não se referem a uma operação de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros ou a uma operação de venda de produção do estabelecimento. d) Créditos da Atividade de Transporte de Carga linha 18: sobre os valores informados a esse título, informa a autoridade fiscal que a interessada não presta serviços de transporte rodoviário de carga e que os códigos Cnae relativos a esse tipo de serviço, atribuídos a algumas de suas filiais, têm servido apenas para a emissão de conhecimentos de carga cujo tomador do serviço é a própria empresa, tendo sido, então, excluídos os valores informados destes serviços, por não gerarem créditos nos termos previstos nos §§ 19 e 20 do art. 3 o da Lei n° 10.833/2003, na redação da Lei n° 11.051/2004. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 355 4 e) Crédito Presumido Atividades Agroindustriais linha 25: dos valores informados a esse título: foram excluídos os valores relativos a aquisições de bens para revenda, adquiridos de pessoas físicas, em razão de este tipo de aquisição, a teor da legislação pertinente, não gerar direito à crédito presumido; foram ajustadas as alíquotas aplicadas à aquisições de insumos de pessoas físicas: 4,56% (60% de 7,6%) para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, e de 2,66% (35% de 7,6%) para os demais produtos; No cálculo do crédito da contribuinte, a Autoridade Fiscal, também glosou o valor de R$ 1.434.749,18, informado pela interessada na "Memória de Cálculo" a título de "Saldo de Credito de Meses Anteriores", que é o saldo remanescente da apuração dos créditos da contribuição, efetuada pela contribuinte referente ao terceiro trimestre de 2006, que foi objeto de análise em processo administrativo decorrente de pedido de ressarcimento correspondente, quando foi integralmente apropriado pela Autoridade Fiscal na dedução dos valores devidos apurados nos meses correspondentes. E além das glosas acima, considerando que a interessada utiliza o método de rateio proporcional, ajustou a proporção entre a receita de exportação, vinculada às aquisições de bens e serviços que geram direito ao crédito, e a receita bruta total de vendas de bens e serviços, a ser aplicada sobre os valores dos custos, despesas e encargos comuns, incorridos no mês. Ao final, ressalva a Autoridade Fiscal que a soma, por mês de apuração, dos valores indicados à linha 06 da ficha 25B do Dacon (Total da Cofins apurada no mês) foi extraída do Dacon da interessada e não se constituiu em objeto de procedimento de fiscalização, o qual ainda poderá ser realizado, respeitado o prazo decadencial. Com base no Termo Fiscal da Sessão de Fiscalização/DRF/ITJ e no Parecer/Sarac/DRF/ITJ n° 224/2010, a DRF/Itajaí/SC decidiu por meio do Despacho Decisório à folha 217: a) reconhecer o direito creditório objeto do Pedido de Ressarcimento n° 22802.38339.060508.1.1.096984. no valor de RS 2.195.687,67; b) homologar, até o limite do direito creditório reconhecido na alínea "a", as Dcomp 18554.32657.080508.1.3.098004, 33445.66081.210508.1.7.090568; 11180.71442.210508.1.7.099581; 26045.00205.3000508.1.3.098311 e 00441.07613.050608.1.3.091739; c) homologar parcialmente, até o limite do direito creditório remanescente do utilizado na alínea "a", qual seja R$ 698.096.70, a Dcomp 20913.32187.090608.1.3.09 2397; d) não homologar as Dcomp 23352.92335.160608.1.3.090029; 23479.55345.030708.1.3.095235; 37147.77310.160708.1.3.095947; 04626.08656.3000708.1.3.090633; 40568.71250.080808.1.3.091360; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 356 5 15385.98914.180808.1.3.097046; 07062.74351.270808.1.3.090086 e 40527.79308.290808.1.3.096248. Da Manifestação de Inconformidade Em sua Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório a interessa contesta o parecer fiscal nos termos que seguem. Inicialmente a interessada contesta a glosa dos valores das aquisições dos bens para revenda e de insumos adquiridos a alíquota zero alegando que, "a despeito de terem [as aquisições] sido realizadas mediante alíquota zero de Cofins", os tais produtos "foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação.". Nesse sentido aduz que "mesmo quando o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero, paga, embutido no preço, o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, [...], adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo''. A corroborar sua tese traz excertos de uma decisão do STJ e de outras do Conselho de Contribuintes. Conclui, então, que as aquisições de produtos tributados pela presente contribuição a alíquota zero, não se tratam "de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3º, parágrafo 2º da Lei 10.833/03". E acrescenta que a própria legislação, no caso a Lei n° 11.033/04, em seu artigo 17. autoriza a manutenção dos créditos em situações como a presente. Em relação às glosas dos valores referentes a fretes nas operações de venda, alega, preliminarmente, que não tem condições de contestáas pois não teria como identificar quais são os CTRC que não foram aceitos pela fiscalização, eis que não há uma listagem destes no Despacho Decisório. Reclama, então, que teve seu direito à ampla defesa cerceado e pugna pela nulidade da decisão na parte em que trata desta glosa. Adicionalmente, argumenta que os CTRC não vinculados a qualquer nota fiscal se referem às aquisições de aves vivas, consideradas como insumos em seu processo produtivo. Já em relação às despesas de fretes entre estabelecimentos da própria empresa, defende que "com base na lei e nas soluções de consulta da Receita Federal, conferem direito a créditos de COFINS", entre outros: (...) (...) c) transferência de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento distribuidor da mesma pessoa jurídica; d) serviços de transporte (adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País) de insumos, de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, sendo esse deslocamento necessário à inserção desse insiimo no processo produtivo desenvolvido no estabelecimento de destino. e) transporte de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente. E conclui que comprovado o direito ao crédito referente a despesas de "serviços de transporte relativos a transferências essenciais ao processo produtivo" as glosas Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 357 6 dos valores correspondentes não devem ser mantidas, eis que tratam créditos a título de frete apropriados nos exatos termos das leis que regulamentam esta questão". A contribuinte defende, ainda, ter direito a crédito em relação aos "pagamentos efetuados na subcontratação de serviços de transporte de carga", por força do disposto nos §§ 19 e 20 do art. 3 o da Lei n° 10.833/2003, considerando ser uma de suas atividades empresariais, conforme os documentos societários acostados aos autos. Salienta que é prestadora de serviço de transporte de carga, e que o fato de as operações que geraram o crédito terem sido prestadas em benefício próprio não afasta o direito ao crédito previsto em lei, pelo que alega que a Autoridade Fiscal agiu fora dos limites da legalidade. No que concerne ao crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, a interessada insurgese contra a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%), utilizada pela Autoridade Fiscal nos cálculos do crédito presumido. Defende considerando que o critério eleito pelo legislador para determinar o cálculo do benefício do crédito presumido não é o insumo e sim o produto produzido pela empresa e que seu objetivo social que consiste, entre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves. suínos, bovinos e outros animais que convier, observada a respectiva classificação nos Capítulos 2 e 16 da TIPI, bem como nos códigos 15.01 da NCM (doe. 02) calculou corretamente o crédito presumido da Cofins à alíquota de 4,56% (60% de 7,6), tendo em vista que os produtos produzidos pela mesma encontramse classificados nos códigos constantes do inciso I do § 3 o , art. 8o do mencionado diploma legal. A contribuinte contesta a glosa do valor referente ao saldo de crédito do 3º trimestre de 2006 que foi objeto de análise em processo de ressarcimento próprio, quando foi integralmente utilizado na dedução dos valores devidos nos meses correspondentes alegando que não pode ser impedida de se utilizar deste "saldo remanescente a fim de liquidar o crédito tributário decorrente das DCOMP's apresentadas", uma vez que o processo administrativo correspondente está pendente de apreciação pela DRJ. Por fim, a contribuinte insurgese contra o "rateio das exportações" argumentando que "como as glosas efetuadas pela fiscalização, acima expostas, não devem ser mantidas, por consequência, o crédito o crédito utilizado para fins de rateio das exportações deve corresponder àquele pleiteado pela Manifestante, e não àquele constantes das lis. 18/20". Diante de todo o exposto, requer o acolhimento de sua Manifestação de Inconformidade para que reste deferido seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra, em 08.10.2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 03.11.2011. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 358 7 Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Considerações Iniciais Os questionamentos da Recorrente dizem respeito à possibilidade de aproveitamento de créditos referentes às contribuições para o PIS/COFINS, no regime de não cumulatividade, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, relativamente ao 3º trimestre de 2006. A Lei nº 10.637, de 2002, instituiu a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para o PIS/PASEP, em seu art. 3º, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. No mesmo sentido, a Lei nº 10.833/03 dispôs acerca da não cumulatividade da COFINS em seu art. 3º, com a redação também dada pela Lei nº 10.865, de 2004, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 359 8 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (...) Assim, da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreendese que a pessoa jurídica sujeita à incidência nãocumulativa de PIS/PASEP e COFINS pode, com as restrições previstas, em especial nos §§ 2º e 3º, descontar créditos relativos ao valor dos serviços por ela contratados, utilizados como insumo na sua prestação de serviços. Com vistas a disciplinar a aplicação dos dispositivos dessas leis, a Instrução Normativa SRF nº 404/2004, em seu art. 8º, estabeleceu, para a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, o conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática não cumulativa, nos seguintes termos: Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º , a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput , entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 360 9 II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Referidos dispositivos referemse a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição prescrita na Lei é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Ademais os, ditos, insumos devem fazer parte do processo produtivo, ou seja, precisam ser utilizados na elaboração do produto final. No âmbito dessa E. Corte o entendimento não está pacificado, sendo compartilhado por 3 (três) correntes: (i) o conceito de insumos estaria diretamente atrelado a legislação do IPI, ou àquilo que está expresso nas Leis que regem o PIS e a COFINS; ii) que os elementos classificados como insumos estariam atrelados à Legislação que rege o IRPJ, e; iii) a classificação de bens e serviços como insumos, para fins de creditamento de PIS e COFINS deve seguir critérios próprios, devendo cada caso ser analisado isoladamente, dentro de suas próprias características. Alinhome a terceira corrente. Entendo, em consonância com a jurisprudência, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. A hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas, cuja amplitude torna inviável a sua vinculação ao valor exato da tributação incidente em cada etapa anterior do ciclo produtivo. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 361 10 Da mesma forma, para fins de creditamento do PIS e da Cofins, admitese que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, quanto à abrangência dada pela legislação de regência ao admitir que serviços sejam considerados como insumos de produção ou fabricação, com o qual corrobora a doutrina, a exemplo de Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003, grifo nosso). Seguindo o que escrevera o doutrinador, as leis mencionadas preveem expressamente que o serviço pode ser utilizado como insumo na produção ou fabricação e que um serviço (atividade + utilidade) pode ser insumo da produção ou da fabricação de um bem. Será efetivamente insumo esse serviço sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Vale dizer, quando atividade ou utilidade contribuírem para o processo ou o produto existirem ou terem certas características. Portanto, o conceito de insumo adotado pelas Leis é amplo a ponto de abranger até mesmo as utilidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que relevantes para o processo ou para o produto. Terem as leis de regência admitido créditos relativos a "serviços utilizados como insumos" demonstra o conceito de "utilização como insumo" no âmbito da nãocumulatividade de PIS/COFINS não tem por critério referencial o objeto físico, pois um sem número de serviços não interfere direta nem fisicamente com o produto final; limitase a assegurar que o processo exista ou se desenvolva com as qualidades pertinentes. Seguindo a linha de raciocínio de Marco Aurélio Greco, este introduz na sequência os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Uma vez que processo de construção de um produto requer um conjunto de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento requer o cômputo de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção, mais uma vez mais amplo que o previsto na legislação do IPI. Considerando todas essas peculiaridades da nova sistemática de não cumulatividade instituída pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as referidas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 não poderiam simplesmente reproduzir o conceito de insumo para fins de IPI restringindo, por conseguinte, os bens/produtos cujos valores poderiam ser creditados para fins de dedução das contribuições para o PIS e Cofins nãocumulativos, sob pena de distorcer o alcance que as referidas leis conferiram a esse termo, obstaculizando a operacionalização da sistemática nãocumulativa para essas contribuições. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 362 11 Explico: As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 majoraram as alíquotas das contribuições do PIS e da Cofins de 0,65% para 1,65 e de 3% para 7,6%, respectivamente. E, em contrapartida, criaram um sistema legal de abatimento de créditos apropriados em razão das despesas e aquisições de bens e serviços relacionados no art. 3º de ambas as leis. Da própria exposição de Motivos da Medida Provisória n. 66, de 29 de agosto de 2002, constou explicitamente que "constitui premissa básica do modelo à manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/PASEP". Assim, a restrição pretendida pelas Instruções Normativas para o conceito de insumos aos elementos consumidos no processo operacional, além de ir de encontro à própria essência do princípio da nãocumulatividade, acaba por gerar a ampliação da carga tributária das contribuições em comento. Dessa forma, é inexorável a conclusão de que os referidos atos normativos fazendários, ao validarem o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos com acepção restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, acabaram por extrapolar os termos do ordenamento jurídico hierarquicamente superior, in casu, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois vão de encontro à finalidade da sistemática de nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins. Reconhecida a ilegalidade das Instruções Normativas 247/02 e 404/04, por adotarem definição de insumos semelhante à da legislação do IPI, impede definir agora qual seria a exegese para o termo mais condizente com a sistemática da nãocumulatividade das contribuições em apreço. Da mesma forma, entendo incabível a utilização da legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo. Primeiramente, porque se assim o quisesse o legislador, teria sido mais simples aumentar diretamente a alíquota do IRPJ ou da própria CSLL (considerando a sua desvinculação constitucional) e permitir aos contribuintes a dedução das despesas operacionais. Por essa linha de raciocínio, em contraponto, o conceito de insumo poderia se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterizasse como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. Seria dizer que "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços", na acepção da lei, referirseia a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Houve precedente nesse sentido nesse mesmo CARF, no Recurso n. 369.519, Processo n. 11020.001952/200622, 2ª Câmara, Sessão de 08.12.2010. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 363 12 Valhome desse julgado, mas para concluir de forma distinta, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento – exemplo – Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa (o que abrange a administração). Porém, por princípio, todos os custos (não todas as despesas) da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, poderiam ser passíveis de crédito. Dito isso, permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a intepretação da legislação ao ponto de tornala inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. Como havia dito no primeiro parágrafo, a exclusão do "Custo das mercadorias ou serviços" e das "Despesas Operacionais" da base de cálculo das contribuições ao PISPasep e Cofins, caso considerados insumos, resultaria em que seria tributado apenas o Lucro Operacional da empresa + as Receitas não Operacionais (receitas não relacionadas diretamente com o objetivo social da empresa), como dito, o que resultaria na subversão da norma jurídica ao aproximála por interpretação às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 364 13 Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Sendo assim, podese afirmar que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 PIS e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 COFINS exige que: i) O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); ii) A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e iii) Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, estaremos diante da essencialidade desse bem ou serviço, necessária à sua classificação como insumo. Não apenas em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. A título de exemplo, os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial e que haja prova disso. Como corolário, possível verificarse se a sua subtração resulte na impossibilidade dessa prestação do serviço ou da produção, isto é, prejudique a atividade da empresa, ou resulte em perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, nos dizeres de Marco Aurélio Greco. Essa interpretação, senhores conselheiros, com a devida vênia, é a que adequase à intenção do legislador, à norma em vigor, ao direito do contribuinte e à manutenção dos níveis de arrecadação pela União. É a interpretação que coadunase com as modernas técnicas de produção, neutra do ponto de vista filosófico, por não resultar em incentivos negativos aos investimentos em modernização e em inovação de processos e produtos. Pois bem, feitas essas considerações, passo a analisar, especificamente, o processo em epígrafe. Subiram para apreciação as seguintes glosas, mantidas pelo Acórdão Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 365 14 recorrido: 1) Aquisição de bens não sujeitos ao pagamento do PIS na etapa anterior; 2) Despesas com Frete na Operação de Venda, subdividindose em 2.1) Fretes relativos ao CTRC cujas notas vinculadas não constam do LRS; 2.2) Fretes que não se referem à operação de venda; 3) Créditos presumidos das atividades agroindustriais, que subdividese em 3.1) Bens adquiridos para revenda; 3.2) aquisições de pessoas físicas; 4) Serviços de transporte de carga prestados por pessoa física; 5)Saldo anterior do último trimestre de 2006 1) Aquisição de bens não sujeitos ao pagamento do PIS Nos termos do § 2º do artigo 3º da Lei 10.637/02 temos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O referido dispositivo legal estabelece que os contribuintes sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS com base nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, poderão deduzir, nas situações jurídicas que preconiza, os montantes pagos a título de PIS e de COFINS. A lei pode autorizar exclusões e vedar deduções de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, encontrandose elencadas no artigo 1º, § 3º, da Lei n.º 10.637/02, e no artigo 1º,§ 3º, da Lei n.º 10.833/03, as exclusões autorizadas. Por seu turno, estabelecem os artigos 3ºs, de ambas as Leis, as deduções permitidas, bem como as vedações quanto ao aproveitamento de determinados créditos para essa finalidade. Ademais, é necessário buscar o alcance da disposição prevista no inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e duas são as conclusões extraídas: (i) não dá direito ao crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS; (ii) quando os bens ou serviços adquiridos forem isentos, a sua aquisição não dará direito a crédito quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 366 15 As Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 têm natureza específica no tocante às regras de não cumulatividade do PIS e da COFINS, e, por força do princípio da especialidade, a regra especial prevalece sobre a regra geral. Ao justificar os motivos que levaram à glosa de créditos de COFINS referentes a bens adquiridos para revenda e bens utilizados como insumos, alegou o fisco que as aquisições de produtos classificados no código 3002.30 e na posição 38.08, da T I P I , referemse a produtos sujeitos a alíquota zero, que devem ser, portanto, excluídas do cômputo de créditos. Tais insumos seriam, por exemplo, a batatinha inglesa, tomate em cubos, cenoura em cubos, champignon fatiado, etc. Claramente tratamse de matériasprimas utilizadas na fabricação de condimentos e rações destinados a todos os alimentos, ou seja, carnes de aves e suínos, industrializados pela Recorrente. O fundamento para a glosa em questão recairia no artigo 3o, parágrafo 2 o da Lei 10.833/03, com a redação dada pelas Leis n° 10.685/04 e 10.925/04: "§ 22 Não dará direito a crédito o valor: I I da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Entendo correto o argumento de que a aquisição dos produtos acima gera sim o direito ao creditamento glosado, na medida em que, a despeito de terem sido realizadas mediante alíquota zero de COFINS , é fato incontestável que foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Nesse sentido, faz jus ao creditamento mesmo que o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero, eis que paga, ainda que embutido no preço, o t r i b u to ( P I S / C O F I N S ) indiretamente em outros insumos ou produtos, a exemplo de adubos, fertilizantes, ferramentas, maquinários, dentre outros, adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Por isso existe o legislador trouxe o art. 17 à Lei no. 10.033. Importante mencionar dois julgados nesse sentido: Primeiro, a decisão proferida pela Ministra Eliana Calmon, da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, que ao julgar caso referente aos créditos relativos ao Crédito Presumido de IPI, regulado pela Lei 9363/96, bem reconhece o direito atinente a aquisições em que o tributo ( P IS e C O F I N S ) tenha incidência em cascata: "( ... ) Muito ponderei sobre o tema, especialmente diante de algumas reflexões trazidas nos memoriais, dentre as quais destaco: Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 367 16 1) a COFIN S e o PIS oneram em cascata o produto rural , por isso , estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador mesmo não havendo incidência na sua última aquisição: 2) o Decreto 2.367/98 regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; 3) a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2) sem condicionantes. Depois de todas essas avaliações, concluí da seguinte maneira: 1o) o produtorexportador adquire como insumo, por exemplo, tecidos, linhas, agulha, botões, etc, e em todas essas aquisições é ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o preço final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; 2o) mesmo quando o produtorexportador adquire matériaprima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, embutido no preço dessas mercadorias o tributo PIS/COFINS indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários. adubos, etc , adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Pareceme, portanto, que razão assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei." (RESP 586392 DJ 06.12.2004, pág. 259) O mesmo entendimento foi adotado pelo CARF: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE I P I . AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. (...) Mesmo as aquisições de insumos de não c o n t r i b u i n t e s das contribuições em causa (P I S / P A S E P e C O F I N S ) dão d i r e i to ao crédito presumido, considerandose quef em etapas anteriores, tais contribuições oneraram, em cascata, o custo do produto a ser e x p o r t a d o e t êm sua incidência embutida nas operações anteriores. (Recurso n° 129856 Terceira Câmara Processo n° 13527.000092/200120 Sessão De 10/08/2005 Entendo pois que há o direito à manutenção integral dos créditos apropriados pela Recorrente como custo incorrido por serem claramente insumos, no conceito amplo que lhe conferiu o legislador Ainda há outro argumento trazido à baila pelo contribuinte que entendo reforçar o raciocínio: essas operações não se tratam de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, elas são sim sujeitas ao seu pagamento, mas à alíquota zero, e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3°. parágrafo 2° da Lei 10.637/02. com a redação dada pelas Leis n° 10.684/03 e 10.865/04, tal como acima transcrito. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 368 17 Por isso, caso nossos pares entendam que a contribuinte não faz jus aos créditos integrais decorrentes das aquisições mediante aplicação de alíquota zero, automaticamente teremos que reconhecer o cabimento do direito ao crédito presumido previsto no artigo 8° da Lei n°. 10.925/2004. Referido dispositivo, prevê que a pessoa jurídica poderá deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o. das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os produtos acima relacionados tratamse de insumos adquiridos pela Recorrente, na qualidade de produtora de mercadorias de origem animal destinados à alimentação humana, os quais foram utilizados na fabricação de produtos por ela fabricados e destinados à venda. Nesse tópico, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Finalmente, Caso haja distinção de alguma espécie por parte dos nobres pares, consigno que esses mesmos argumentos e razões de decidir são válidos para as glosas da rubrica de "Bens adquiridos para Revenda", ou seja, relativas aos produtos classificados no código 3002.30 e na posição 38.08, da T I P I, para os quais também entendo plenamente cabível o direito ao crédito. 2) Despesas com frete nas operações de venda 2.1) Fretes relativos ao CTRC cujas notas vinculadas não constam do LRS; No que tange à glosa de créditos referente às despesas com frete nas operações de venda, muito embora entenda perfeitamente cabível o direito ao creditamento, compulsando os autos, verifico que há carência de material probatório, em que pese as alegações da recorrente sejam no sentido de que tal prova seria impossível em virtude das próprias características do transporte de aves vivas. Perfilome do entendimento sufragado pelos i. julgadores de primeira instância onde restou decidido que: “Assim, dos conhecimentos de transporte relacionados pela contribuinte, a Autoridade Fiscal não acolheu aqueles aos quais não há qualquer nota fiscal vinculada. Neste caso, agiu corretamente a Autoridade Fiscal, haja vista nos casos em que não há no CTRC a informação precisa da nota fiscal do material transportado resta prejudicada a confirmação de trataremse de fretes na venda de um produto da empresa, requisito essencial para que a despesa de frete gere o crédito pretendido. (...) Em assim não tendo agido a contribuinte, a teor do que está firmado no item 1 deste voto, deixou de cumprir o ônus que a lei Fl. 368DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 369 18 lhe impõe de comprovar os créditos pleiteados não havendo, portanto, como reconhecêlos.” Assim, por não ter havido a comprovação, por parte da Recorrente da efetiva ocorrência das operações de venda vinculadas aos referidos CTRC, entendo não assistirlhe razão quanto a esse tópico. 2.2) Fretes que não se referem à operação de venda Existência de direito ao credito relativo aos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. Neste contexto, por todo exposto entendo que assiste razão a recorrente, que pode creditarse de frete realizado pela empresa, uma vez que se tratam de despesas operacionais indispensáveis e essenciais ao funcionamento da Recorrente, sem os quais a atividade industrial da empresa fica evidentemente prejudicada. Assim entende a RFB: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 9 de 30 de maio de 2006 ASSUNTO: 15 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO FRETE. Geram direito ao crédito da Cofins, os pagamentos, a pessoas jurídicas domiciliadas no país, pelo serviço de transporte de bens de um estabelecimento a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 370 19 outro da mesma pessoa jurídica, na qualidade de insumos para obtenção de um , produto cuja industrialização será concluída no estabelecimento de destino, desde que esse deslocamento se revele necessário no processo produtivo, integrando o custo de produção, e de sde que o produto acabado seja destinado à venda. Também geram direito ao crédito mencionado os pagamentos a pessoa jurídicas domiciliadas no país pelo serviço de transporte de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente e o produto acabado for destinado à venda. Ainda: 7a REGIÃO F I S C AL SOLUÇÃO DE CONSULTA N°. 275 de 02 de julho de 2004 EMENTA: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS. Os valores referentes aos fretes contratados para transporte de insumos, aplicados na fabricação de produtos, desde que prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, por serem considerados insumos nos termos do art. 66, I , " b " , da IN SRF n° 247, de 2002, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados da COFINS. Os valores referentes ao frete na operação de venda de produtos, desde que suportados pelo vendedor, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados da COFINS, a partir de 01 de fevereiro de 2004. As despesas de comissões de vendas, pagas a pessoa jurídica domiciliada no país não geram direito a crédito da COFINS por falta de amparo legal A recorrente inclusive demonstra os CFOP´s cujos créditos foram glosados. Referiramse a 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento 5451 Remessa de Animal ou de Insumo para Estabelecimento Produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 371 20 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 5923 Remessa de mercadoria por conta e o r d em de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. 6151 Transferência de produção do estabelecimento 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação d e Serviço Não Especificada Claramente, todas as operações ou são relativas a insumos, ou referese ao envio de produtos acabados para seus armazéns ou até mesmo para exportação. 3) Créditos presumidos das atividades agroindustriais, A título de esclarecimento, não foram glosados os créditos presumidos de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas, foram readequadas as alíquotas aplicáveis na presunção, tal como será doravante exposto. 3.1) Bens adquiridos para revenda Inicialmente, foram glosados bens adquiridos para revenda, que foram incluídos nas bases dos créditos erroneamente, mas que não foram contestados. Logo, não há lide nesse sentido no presente processo. 3.2) aquisições de pessoas físicas Conforme o entendimento da fiscalização, para a apuração do crédito presumido referente às aquisições de pessoas físicas, a Recorrente deveria aplicar as alíquotas previstas nos incisos I e II do §3° do artigo 8 o da Lei n° 10.925/04 de acordo com cada insumo adquirido. Desta forma, de acordo com tal entendimento, a fiscalização apurou que a contribuinte Recorrente teria utilizado, equivocadamente, a alíquota de 4,56%, quando na verdade, sobre as aquisições de alguns insumos, deveria ter aplicado a alíquota de 2,66%. Nesse caso, tratase de interpretação da Lei. De acordo com a Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, acima transcrita, foi autorizado às pessoas jurídicas que comercializam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas em determinados códigos NCM especificados na T I P I , a apuração de crédito presumido das contribuições ao PIS/PASEP e à C O F I N S sobre os insumos adquiridos de pessoa física e pessoa jurídica que exerça a atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 372 21 Discorremos sobre essa matéria por ocasião da apreciação de outros casos, no qual restei vencido. Por outro lado, importante ressaltar que esse dilema fora resolvido posteriormente pelo legislador, que encerrou a controvérsia. De qualquer sorte, entendo que ao dispor sobre o direito ao crédito presumido o legislador considerou toda a cadeia de custos dos fabricantes de produtos de origem animal e vegetal , tendo chegado a conclusão de que a primeira é mais onerada pelo PIS / COFINS do que a segunda, haja vista a pecuária incorrer em gastos de produção muito mais vultosos do que o segmento puramente agrícola, justificando assim um maior percentual de crédito presumido. Por outro lado, segregar o direito ao crédito presumido de acordo o tipo de insumo seria infringir o comando normativo do caput do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, que qualificou o direito a crédito pela condição do adquirente e não pelas características do seu fornecedor. Prova disso são as classificações fiscais citadas no inciso I do §3°: "60% (sessenta por cento) (...), para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas oupreparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; Como se pode perceber pelas classificações fiscais citadas, o referido dispositivo está fazendo alusão aos produtos comercializados pela agroindústria, uma v e z que as classificações fiscais sublinhadas referemse a uma parcela dos produtos finais deste segmento e não as matériasprimas advindas de seus fornecedores (ex: animais vivos ) . Vejamos alguns exemplos das classificações citadas no inciso: 02.02 Carnes de animais da espécie bovina, congeladas. 02.03 Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas 02.06 Miudezas comestíveis de animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina, cavalar, asinina e muar, frescas, refrigeradas ou congeladas 02.07 Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. 1501.00.00 Gorduras de porco (incluída a banha) e gorduras de aves, exceto as das posições 02.09 ou 15.03. 1506.00.00 Outras gorduras e óleos animais, e respectivas frações, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados. 15.16 Gorduras e óleos animais ou vegetais, e respectivas frações, parcial ou totalmente hidrogenados, interesterificados, reesterificados ou elaidinizados, mesmo refinados, mas não preparados de outro modo. No referido dispositivo não se citam os animais vivos da posição 1 da TIPI, mas apenas os subprodutos de sua matança. Ora, se a realmente a intenção do legislador fosse Fl. 372DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 373 22 conceder o direito ao crédito presumido com base nas entradas, ela deveria citar os animais vivos (NCM's 1.02: bovinos, 1.03: suínos e 1.06: aves) no inciso I do §3° do art . 8o, principal insumo de parte significativa da agroindústria de alimentos de origem animal, como geradores do direito a crédito presumido. Isso nos leva a concluir que o percentual determinase de acordo com as saídas e não com as entradas. Nesta ordem de considerações entendo que no caso de empresas que fabriquem produtos de origem animal o direito a crédito é de 60% independente do tipo de insumo, animal ou vegetal, adquirido pelo agroindustrial. Finalmente, gostaria também de mencionar recente voto do I. Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão no. 340200.476: 5.14. Crédito presumido de atividade agroindustrial Em relação ao crédito presumido de atividade agroindustrial, informa o fisco que houve aplicação incorreta da alíquota de 60% (o correto seria 35%) a diversas aquisições de produtos classificados em códigos da NCM não contemplados no comando legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia / ovo fértil). A recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido, e que os bens são de fato utilizados no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção). O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins),devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos.Na letra da lei: (...) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 374 23 Vêse,pelas glosas, que o fisco aplicou as alíquotas conforme os insumos adquiridos. Contudo, a recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido. Assim, devese iniciar a análise da questão pela alíquota aplicável.A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema,mantendoo lógico, coerente e harmônico.Tal tarefa foi recentemente empreendida nesta turma, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281,Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes,defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até anti isonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que,simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, Fl. 374DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 375 24 sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1o). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicalo depois de reduzida azero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no.10.925/04: decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que,se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matérias primas,bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido,por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário,estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e,como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes,conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” Fl. 375DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 376 25 Assim, entendese aqui também cabível a concessão do crédito presumido mediante a aplicação das alíquotas de 60% ou 35% em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Restaria ainda analisar as questões referentes à inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e à inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero(pintos de 1 dia). Contudo, parte do contencioso foi solucionada com a decisão de piso: “Quanto às aquisições de pintos de 1 dia, como já visto, o art. 8o da Lei no 10.925/04, estabelece que poderão apurar crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessas contribuições que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, nele especificadas, destinadas à alimentação humana ou animal, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na produção dessas mercadorias, adquiridos de pessoas físicas ou das pessoas jurídicas listadas no seu § 1o.A concessão do crédito presumido, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, é conjugada com a obrigatória suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas vendas de insumos feitas por essas pessoas jurídicas, consoante determinação do art. 9o da Lei no 10.925, de2004. (...) Por fim, quanto à lenha utilizada em fornos e câmaras para produção de diversos produtos, tendo em vista a utilização destes bens como combustível, constatase que lenha corresponde ao conceito de insumos e concede direito ao crédito presumido quando adquirida de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas incluídas no § 1o do artigo 8o da Lei no 10.925/2004. Desta forma, concedese o crédito presumido em relação às aquisições de lenha e pintos de 1 dia, ao percentual de 35%incidente sobre a alíquota das contribuições, explicitados na planilha anexada a este acórdão, (...)” (grifo nosso) Assim, resta apenas acrescer ao já decidido pela DRJ nossas considerações sobre a alíquota aplicável em relação ao crédito presumido. Na parte que ainda resta contenciosa animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos,há que se destacar que os dois últimos não são produtos agropecuários, aptos a gerar o creditamento. Os três primeiros, por sua vez, passaram a ensejar o creditamento apenas em 2009, como também destacou o julgador a quo: “Quanto à glosa de créditos em relação a animais reprodutores,animais para lactação e animais para recria, esclarecese que apenas após a publicação da Lei no 12.058/09, eficaz a partir de1o de novembro de 2009, foi concedido o direito Fl. 376DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 377 26 a crédito presumido em relação a aquisições de animais vivos da espécie bovina. Ressaltase que não é permitido o crédito presumido em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria de outras espécies devido a estes bens encontraremse incluídos no ativo imobilizado e, portanto, não corresponderem ao conceito de insumos.Tendo em vista que o presente lançamento referese ao 1o trimestre de 2007, mostrase correta a glosa.” (grifo nosso) Concluise, então, neste tópico, pela improcedência das glosas no que se refere às alíquotas adotadas, inclusive em relação aos créditos presumidos só assegurados na decisão de piso, e pela manutenção das glosas referentes a animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos.” Isso posto, entendo procedente os argumentos da recorrente, e voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário também nesse tópico. 4) Fretes de Pessoa Física No que se refere às glosas de créditos com fretes adquiridos de pessoas físicas, importante algumas considerações. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos deve ser interpretada de forma sistemática, e de fato, o legislador busca eliminar a incidência em cascata das contribuições na cadeia produtiva. Tanto o é que regra geral é a de que aquisições de pessoas físicas não são admitidas para crédito, em diversos momentos. A exemplo, despesas de aluguéis pagos a pessoa físicas, mãodeobra, etc. Havendo possibilidade de restrição legal dos créditos, e sendo regra geral a inadimissibilidade de créditos sobre aquisições de pessoas físicas (não que não possa haver créditos sobre elas, caso concreto da presunção analisada anteriormente, claramente trazida à baila para moldar a Lei à realidade da cadeia específica do agronegócio) Como dito, os arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, expressamente estabelecem que o creditamento é em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” (grifo nosso), Concluindo, muito embora creia firmemente que fretes são insumos, seja na venda, seja durante a produção, no caso de fretes contratados a pessoa física entendo que a lei inadmite tal creditamento. 5) Saldo Anterior do Terceiro Trimestre de 2006 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 378 27 Finalmente, há ainda a contestação de uma eventual glosa, relativa ao saldo anterior do terceiro trimestre de 2006. Verificamos porém que essa lide consta do processo do próprio terceiro trimestre de 2006, cujo destino necessariamente será lá resolvido, sem prejuízo para o contribuinte, motivo pelo qual não há observação a ser feita nesses autos, exceto por não considerar tais argumentos, por não pertencerem à este trimestre. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e julgo parcialmente procedente É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto às seguintes matérias: 1. Direito ao creditamento sobre as aquisições de bens para revenda e insumos não sujeitos ao pagamento do PIS; 2. Direito ao creditamento sobre despesas de fretes em operações não comprovadas como de venda; Direito ao creditamento sobre as aquisições de bens para revenda e insumos não sujeitos ao pagamento da contribuição A autoridade fiscal glosou os créditos tomados sobre a aquisição de bens para revenda classificados no capítulo 29, no código 3002.30 e na posição 38.08, cuja redução à alíquota zero está prevista na Lei nº 10.925, de 2004 e no Decreto nº 5.821, de 2006. Do mesmo modo, glosou os créditos tomados sobre as aquisições de insumos, reduzidos à alíquota zero pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 28, inciso III, pela Lei nº 10.925, de 2004, incisos I, II, IV, VII, IX, XI, XII. Lei 10.856, de 2004, art. 28: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) ... III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; Lei nº 10.925, de 2004: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 379 28 Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; IV corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; ... VII produtos classificados no Código 3002.30 da TIPI; e IX farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho, classificados, respectivamente, nos códigos 1102.20, 1103.13 e 1104.19, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ... XI leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) XII queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Decreto nº 5.821, de 2006: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; O fundamento da glosa foi de que tais bens, por não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições, não podem gerar créditos. O conselheiro relator entendeu pela possibilidade de creditamento, afastando a restrição imposta no §2º, inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, sob dois fundamentos: ter havido incidência deste tributo nas etapas anteriores da circulação e entender que sujeição à alíquota zero implica, sim, em pagamento, mas à alíquota zero. Penso, entretanto, de modo diverso. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei, obedecidas as restrições legais, dentre elas a impossibilidade de creditamento em relação a bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, conforme dispositivos legais abaixo transcritos: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 380 29 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A clareza do dispositivo não deixa margem a dúvidas: o que se exige é que a aquisição seja sujeita ao pagamento e não sujeita à incidência tributária. A tributação sob alíquota zero, embora inserta no campo da incidência tributária, não possui qualquer conteúdo econômico positivo. Por outro lado, as aquisições à alíquota zero não transferem carga tributária, uma vez que além de não haver débito na saída, o crédito embutido na etapa anterior é ressarcível pelo vendedor (artigo 17 da Lei nº 11.033, de 20041 combinado com artigo 16 da Lei nº 11.116, de ,20052), não havendo transferência de carga tributária no preço. O que ocorre, de fato, é a aquisição desonerada de carga tributária. A questão foi enfrentada no julgamento do RE 353.6575 – PR, ao tratar do creditamento de IPI sobre as aquisições sujeitas à alíquota zero. No item 6 do voto, a Ministra Ellen Gracie assim explicitou: 6. Desejo frisar a importância da ausência de tributação em momento anterior à etapa zero ou nãotributada. Isso porque, a maneira pela qual os contribuintes ingressam e juízo e pleiteiam o creditamento faz parecer que qualquer entrada de matéria prima haverá de gerar crédito, a ser compensado com o montante do tributo devido na saída do produto industrializado. Não é essa, todavia, a sistemática da nãocumulatividade, que objetiva tãosomente evitar a incidência tributária sobre uma base já onerada pelo mesmo tributo. Se, no entanto, a etapa zero ou N/T não está precedida de tributação positiva, a base de 1 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 381 30 cálculo já está desonerada, sem que faça necessário – ou mesmo pertinente – qualquer mecanismo compensatório. Como frisado no voto da Ministra Ellen Gracie, a inexistência de transferência de carga tributária para a etapa seguinte constitui um dos fundamentos para o impedimento de creditamento à alíquota zero, restrição imposta que não desnatura o princípio da nãocumulatividade. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de creditamento de PIS/Pasep ou Cofins, sobre as aquisições de bens para revenda e insumos tributados à alíquota zero, porquanto delas não resulta qualquer pagamento. Direito ao creditamento sobre despesas de fretes em operações não comprovadas como de venda A autoridade fiscal glosou despesas de fretes tomados pela recorrente sob o argumento de se tratarem de fretes sobre operações de venda (art. 3º3, inciso IX da Lei nº 10.833, de 2003). Segundo a autoridade fiscal, tais fretes se referiam a transferências entre estabelecimentos da própria recorrente, mas que não integravam uma operação de venda, pois não havia uma nota fiscal de venda emitida previamente à operação. A recorrente contestou especificamente os Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP – abaixo relacionados: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento 5451 Remessa de Animal ou de Insumo para Estabelecimento Produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 5923 Remessa de mercadoria por conta e o r d em de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. 6151 Transferência de produção do estabelecimento 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação d e Serviço Não Especificada Pontuese que as glosas referentes aos demais CFOPs não foram contestadas e consideramse incontroversas. A recorrente, em síntese, alegou que os fretes glosados estavam vinculados a operações de venda ou ao processo produtivo. Por sua vez, o relator entendeu que assistiria 3 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 382 31 direito à recorrente, em razão de que tais fretes se referiam a despesas operacionais indispensáveis e essenciais à atividade industrial da recorrente. Com respeito aos argumentos do relator, divirjo, em parte, de seu entendimento, pois relativamente aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 6151, 6905 e 7949, entendo que não cabe razão à recorrente. Embora me alinho em termos gerais com o conceito de insumo esposado pelo relator, reputo que os fretes para serem classificados como insumos devem estar inseridos no custo de produção ou no custo dos serviços prestados, ou seja, serem aplicados ou consumidos no processo produtivo, sendo, portanto, essenciais e inerentes a este processo. Tenho, portanto, que para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. Já em relação aos fretes em operações de venda, acompanho a premissa da autoridade fiscal de que esta operação de venda deve ocorrer previamente à realização da despesa. A recorrente afirmou na peça recursal que os fretes vinculados às notas fiscais de CFOPs 5151 e 6151 se referiam às transferências de produtos industrializados dos estabelecimentos fabris para os centros de distribuição. Em relação aos CFOPs 5905 e 6905, afirmou apenas tratarem de mercadorias enviadas para depósito fechado ou armazém geral. Portanto, por se tratarem de despesas operacionais, como bem salientado pelo relator, relativas a transferências de produtos acabados, ou seja, despesa incorrida após o processo produtivo, não devem gerar créditos das contribuições por falta de previsão legal, isto é, não podem ser considerados insumos, nem fretes em operações de venda. Já os fretes vinculados às notas fiscais de CFOP 5503 tratam de devolução de mercadoria, não se referindo, pois à venda de produto/mercadoria, nem a serviço aplicado ou consumido no processo produtivo. Por fim, os fretes vinculados ao CFOP 7949 referemse a despesas operacionais que a recorrente afirmou serem decorrentes de remessa para formação de lote de exportação. Entretanto, este CFOP é um código residual destinado às saídas não especificadas nos demais códigos. A operação descrita pela recorrente, aparentemente, deveria ser registrada nos códigos 5504, 5505, 6504 ou 65054 que tratam das remessas para formação de lote de exportação. A escrituração em um código genérico e residual não é suficiente para confirmar a natureza da operação, devendo a recorrente ter trazido aos autos as provas necessárias para caracterizar a operação como de exportação ou de remessa com o fim específico de exportação. 4 5.504 Remessa de mercadoria para formação de lote de exportação, de produto industrializado ou produzido pelo próprio estabelecimento 5.505 Remessa de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, para formação de lote de exportação. 6.504 Remessa de mercadoria para formação de lote de exportação, de produto industrializado ou produzido pelo próprio estabelecimento 6.505 Remessa de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, para formação de lote de exportação. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720243/200934 Acórdão n.º 3302002.472 S3C3T2 Fl. 383 32 Destarte, voto para negar provimento ao recurso voluntário quanto ao direito ao desconto de créditos da contribuição sobre as despesas de fretes vinculados aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 6151, 6905 e 7949. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 31/03 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915845/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/03/1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/03/1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.915845/2008-52
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351909
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.625
nome_arquivo_s : Decisao_10880915845200852.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10880915845200852_5351909.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5481544
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815760187392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915845/200852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.625 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/03/1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 45 /2 00 8- 52 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/02/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 049265), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 387.049,91, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 10/03/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 02/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. No dia 16/09/2006, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 043202), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 387.049,91 para R$ 433.339,43, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação (R$ 387.049,91). Na DCTF Original entregue em março de 1999, a Empresa Recorrente vinculou referido DARF de pagamento, no valor de R$ 433.339,43 (além de outros dois DARFs), ao débito declarado de COFINS do PA de 02/99. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 1º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 02/99, no valor de R$ 8.815.272,82. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.297.739,99 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 03/94, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 7.517.532,83 com a utilização parcial do pagamento de R$ 8.815.272,82, efetuado no dia 10/03/99. Não utilizou o DARF de pagamento de R$ 433.339,43. Com a utilização parcial somente do pagamento de R$ 8.815.272,82, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.297.739,99 passível de restituição ou compensação e é exatamente parte desse o crédito (R$ 387.049,91) que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 783792352, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 4 3 Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 759.589,08, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 28/02/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em fevereiro de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 7.517.532,83, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 433.339,43, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 15153.33314.120204.1.3.049265, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 5 4 podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.076, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/03/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico Instruções Normativas SRF nº 210/2002 e nº 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 31/05/2013, com Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 6 5 recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de que a DCTF retificadora prova que ocorreu pagamento a maior da Cofins de 02/99, restando legítimo seu direito ao crédito no valor original de R$ 433.339,43. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de fevereiro/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003” passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins de 03/94, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende contarse após a homologação (tácita ou expressa) e as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de fevereiro de 1999. O pagamento ocorreu no dia 10/03/1999. O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamentos feitos no dia 10/03/1999. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referidos pagamentos estavam integralmente declarados e alocados ao débito, de mesmo valor, da COFINS do PA 02/99. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 02/99 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para corrigir o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 7 6 Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS Db: cód 2172 PA 28/02/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 28/02/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 8.815.272,82, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 8 7 disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. [...] Ademais, cabe destacar que a simples apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, no presente processo administrativo, perante esta autoridade julgadora, sendo imprescindível a sua comprovação por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Ou seja, nesta fase do processo, tal declaração – a DCTF retificadora – deveria estar acompanhada de documentos comprobatórios de erro no preenchimento da DCTF que já havia sido entregue antes dela, a fim de conferir liquidez e certeza ao crédito. E, no caso, a empresa não acostou aos autos documentos, como cópias da sua escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada em sua DCTF. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em março de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 10/03/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 02/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 9 8 compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de 03/94 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 02/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de março de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. O mesmo vale para o aproveitamento parcial do pagamento de COFINS realizado no dia 10/03/1999. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS de 03/94, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 02/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 02/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 10 9 [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915845/200852 Acórdão n.º 3302002.625 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
