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Numero do processo: 15374.906513/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/10/2000
IPI. BASE DE CALCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste.
Recurso Voluntario Negado.
Numero da decisão: 3302-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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BASE DE CALCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntario Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 65 13 /2 00 9- 00 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 50 [emitido eletronicamente pelo SCC] que não homologou a DCOMP nº 08723.91112.130905.1.3.046251 transmitida pelo contribuinte retro identificado, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos do IPI no montante de R$ 61.407,19 [PA 08/2005, venc. 15/09/2005], tendo por lastro crédito originário de Pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 31/10/2000, de valor original igual a R$ 33.366,22, que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 61.407,19, cf. fls. 54/58. A motivação da não homologação foi a constatação da inexistência do crédito informado em razão da utilização integral do pagamento para quitação de débitos do contribuinte [IPI, PA 20/10/2000, valor R$ 33.366,22], não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação, em 27/04/2010 (fl. 53), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2010 (fl. 02), por meio do arrazoado de fls. 02/21, alegando, em síntese: => em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório [arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96] “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”; => no mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento [estas, sim, base de cálculo do PIS e da Cofins] segundo seus conceitos jurídicos, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema; => finaliza o tópico retro mencionado nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.906513/200900 Acórdão n.º 3303002.533 S3C3T3 Fl. 116 3 => pede, ao final, seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da não cumulatividade e da base de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO”. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a não homologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 31/10/2000 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço de venda], nele já está inserido, de modo que a expressão "valor da operação" deve ser compreendida com a sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde após longo arrazoado sobre a não cumulatividade e a base de calculo do PIS e da COFINS pugna pela exclusão do ICMS da base de calculo do IPI. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, trata o presente processo de pedido de restituição de IPI, por conta da indevida inclusão do ICMS na base de calculo do imposto sobre produtos industrializados. O Recorrente já teve inúmeros outros processos idênticos ao presente julgados pelo CARF, sendo pertinente a transcrição do voto exarado pelo Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Processo nº 15374.914749/200910) ao qual faço remissão como razão de decidir: No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui suá própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de calculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de calculo do imposto é: (...); Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.906513/200900 Acórdão n.º 3303002.533 S3C3T3 Fl. 117 5 II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; A Lei no 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O imposto será́ calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sobre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capitulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei no 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei no 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei no 7.798, de 1989) A Lei Complementar no 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de calculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1o Integra a base de calculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; No julgamento do RE no 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante de ICMS deve ser incluído na própria base de calculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de calculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de calculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2o, I, e 8o, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacifica em proclamar a inclusão do ICMS na base de calculo do IPI. Precedentes: REsp. No 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.No 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a nãoincidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001983/2005-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito
da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO Em face do contribuinte ANTONIO SCARATI NETO, CPF/MF nº 061.720.91891, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 29/06/2005, auto de infração, com ciência pessoal em 29/06/2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 IMPOSTO R$ 400.632,05 MULTA DE OFÍCIO R$ 300.474,01 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: § omissão de ganhos de capital na alienação de bens, nos anos calendário 2001 e 2002; § omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos montantes de R$ 600.459,23 (contas bancárias no Bradesco – ag. 20176, cc 3.9780 (R$96.611,15 + R$309.094,60) e Ag. 19780, cc 2.7928 (R$ 180.203,48) – e no Banespa – ag. 0489, cc 044662 (R$ 14.550,00)), R$ 408.265,26 (conta bancária no Bradesco – ag. 20176, cc 3.9780 (R$ 408.265,26)) e R$ 181.823,91 (contas bancárias no Bradesco – ag. 20176, cc 3.9780 (R$ 181.823,91)), nos anoscalendário 2000 a 2002, respectivamente. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJSalvador (BA), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1518.899, de 09 de abril de 2009 (fls. 431 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 31/07/2009 (fl. 436). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 19/08/2009 (fl. 439). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. o sigilo bancário do contribuinte foi quebrado indevidamente pela fiscalização, sem que tivesse conhecimento dos motivos e das razões que justificassem tal quebra, ausente ainda a necessária autorização judicial, sendo que a Lei nº 10.174/2001 não poderia retroagir para atingir fatos geradores pretéritos a sua vigência; II. além da fiscalização ter ancorado o lançamento apenas em extratos bancários, cerceando o direito de defesa do contribuinte, a decisão recorrida não apreciou os argumentos do então impugnante que iam muito além da simples leitura do art. 42 da Lei nº 9.430/96, igualmente cerceando o direito de defesa do contribuinte; III. deve ser decretada a decadência de todos os fatos geradores anteriores a 29/06/2000, uma vez que o mesmo foi autuado apenas em 29/06/2005, respeitando o qüinqüênio legal; IV. trouxe na impugnação a documentação comprobatória da alienação de bens, que comprova a origem dos depósitos bancários em discussão, ponto não enfrentado pela decisão recorrida. Agora repisa a necessidade desse colegiado apreciar tais itens da defesa, especificando alienações (06) que justificam os depósitos bancários considerados de origem não comprovada pela fiscalização; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001983/200542 Resolução n.º 2102000.082 S2C1T2 Fl. 2 3 V. não foram considerados os gastos na construção dos imóveis posteriormente alienados, majorando indevidamente o ganho de capital, construções essas que podem ser verificadas nas matrículas/escrituras; VI. os depósitos bancários, em si mesmos, não podem ser considerados como rendimentos omitidos. Em petição recebida neste CARF em 17/06/2010 (fls. 374 e seguintes), o recorrente aditou o RV, com as razões que seguem: 1. a fiscalização imputou toda a movimentação financeira ocorrida na conta corrente nº 3.9780, do banco Bradesco, quando estava comprovado que havia titularidade em conjunto do recorrente com sua esposa Eliana Giovannetti Scarati, CPF – 315.161.11842, como se percebia nos extratos, o que violou o art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96 e a Súmula CARF nº 29, sendo causa de nulidade do lançamento. Para reforçar o alegado, junta aos autos ofício do banco Bradesco que comprova o alegado (fl. 398); 2. repisa o pedido decadencial, como deduzido nas razões originais do recurso voluntário. É o relatório. VOTO Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 31/07/2009 (fl. 436), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 19/08/2009 (fl. 439), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 1º/09/2009, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, não vislumbro nulidade na decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, pois não se deve confundir uma decisão sucinta com uma decisão nula. Veja se que a decisão recorrida, de forma sucinta, afastou a comprovação da origem dos depósitos bancários e do incremento dos custos dos ganhos de capital, com as razões que seguem: (...) As determinações que individualizam um depósito são necessariamente a sua data e a seu valor, de modo que os comprovantes devem demonstrar a coincidência de data e valor entre o crédito e a sua alegada origem. Por estas razões, não se podem considerar provas da origem dos depósitos os documentos que indicam valores e datas diversas e incompatíveis com os créditos, como são neste caso as escrituras ou procurações com datas posteriores. A alegação de praxe na emissão Fl. 648DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 posterior destes documentos não pode afastar esta exigência legal, nem se justifica que neles não conste como foram efetuados os pagamentos, ou, quando conste, que tenham sido efetuados na celebração do próprio contrato. Ademais, não se excluem outros meios de prova que poderiam demonstrar que os depósitos foram efetuados pelos compradores dos imóveis, tais como cópias de cheques, recibos bancário de depósito, e outros mais, que o contribuinte não se preocupou em apresentar. (...) O fato de existirem construções nos imóveis não inverte o ônus da prova para a autoridade lançadora, seja porque estes custos poderiam já estar incluídos nos valores declarados, seja porque poderiam ter sido assumidos por terceiros, ou arcados diretamente pelos adquirentes, em negócio à parte. Claramente a decisão recorrida não acatou as alienações de imóveis para justificar a origem dos depósitos bancários, na forma explanada pelo contribuinte, pois ausente a vinculação dos valores percebidos nas alienações com os créditos bancários, com coincidência de data e valores, e igualmente não aceitou a majoração dos custos de imóveis no cálculo do ganho de capital, por ausência de comprovação desse incremento. Dessa forma, superada a preliminar de cerceamento de defesa da decisão recorrida, remanescem as preliminares de quebra indevida do sigilo bancário do contribuinte, da irretroatividade da Lei nº 10.174/2001 e da nulidade em decorrência da imputação de toda a movimentação da conta corrente nº 3.9780, ag. 20176, do Banco Bradesco, por ser em conjunta. Primeiramente, a nulidade decorrente da imputação ao contribuinte de toda a movimentação financeira acima, na forma da Súmula CARF nº 29, somente poderá atingir a movimentação dessa conta. Observese que há depósitos em contas individuais, como a da Ag. 19780, cc 2.7928, também do banco Bradesco, que é individual, e que, assim, poderia ficar a salvo da nulidade vindicada. Assim, a nulidade suscitada, mesmo que acatada, não teria o condão de cancelar todo o lançamento oriundo dos depósitos bancários de origem não comprovada. Por outro lado, a nulidade em decorrência do assenhoreamento das informações bancárias do contribuinte diretamente pelo fisco, bem como a irretroatividade da Lei nº 10.174/2001, podem atingir a totalidade do lançamento oriundo dos depósitos bancários de origem não comprovada, e essa matéria, atualmente, não pode ser apreciada pelo CARF, como se demonstra a seguir. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso Fl. 649DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001983/200542 Resolução n.º 2102000.082 S2C1T2 Fl. 3 5 administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando Fl. 650DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. Assim, com a fundamentação acima, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, que versa sobre o Tema 225, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 651DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721043/2013-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
Ementa:
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
O indeferimento fundamentado de pedido de prova pericial não constitui hipótese de nulidade por não caracterizar cerceamento de defesa, nos termos dos artigos 35 e 36 do Decreto nº 7.574, de 2011.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÕES. EQUIPARAÇÃO.
As retenções de PIS/Pasep e Cofins, previstas no artigo 30 da Lei nº 10.833, de 2003, equiparam-se a pagamentos antecipados para efeito de aplicação do prazo decadencial estabelecido no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional.
RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. CUSTOS COM REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES E ENCARGOS SOCIAIS
Para as empresas prestadoras de serviços em geral, com colocação de trabalhadores à disposição dos contratantes, inclusive a empresa de trabalho temporário definida na Lei nº 6.019, de 1974, a remuneração paga aos trabalhadores e os encargos previdenciários e trabalhistas são custos da prestação do serviço, integrantes do preço de venda e não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, por ausência de previsão legal, a teor dos artigos 1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Crédito Tributário Parcialmente Mantido.
Numero da decisão: 3302-002.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento fundamentado de pedido de prova pericial não constitui hipótese de nulidade por não caracterizar cerceamento de defesa, nos termos dos artigos 35 e 36 do Decreto nº 7.574, de 2011. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÕES. EQUIPARAÇÃO. As retenções de PIS/Pasep e Cofins, previstas no artigo 30 da Lei nº 10.833, de 2003, equiparam-se a pagamentos antecipados para efeito de aplicação do prazo decadencial estabelecido no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. CUSTOS COM REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES E ENCARGOS SOCIAIS Para as empresas prestadoras de serviços em geral, com colocação de trabalhadores à disposição dos contratantes, inclusive a empresa de trabalho temporário definida na Lei nº 6.019, de 1974, a remuneração paga aos trabalhadores e os encargos previdenciários e trabalhistas são custos da prestação do serviço, integrantes do preço de venda e não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, por ausência de previsão legal, a teor dos artigos 1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Crédito Tributário Parcialmente Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento fundamentado de pedido de prova pericial não constitui hipótese de nulidade por não caracterizar cerceamento de defesa, nos termos dos artigos 35 e 36 do Decreto nº 7.574, de 2011. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÕES. EQUIPARAÇÃO. As retenções de PIS/Pasep e Cofins, previstas no artigo 30 da Lei nº 10.833, de 2003, equiparamse a pagamentos antecipados para efeito de aplicação do prazo decadencial estabelecido no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. RECEITA BRUTA. NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. CUSTOS COM REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES E ENCARGOS SOCIAIS Para as empresas prestadoras de serviços em geral, com colocação de trabalhadores à disposição dos contratantes, inclusive a empresa de trabalho temporário definida na Lei nº 6.019, de 1974, a remuneração paga aos trabalhadores e os encargos previdenciários e trabalhistas são custos da prestação do serviço, integrantes do preço de venda e não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, por ausência de previsão legal, a teor dos artigos 1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 43 /2 01 3- 83 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 739 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento fundamentado de pedido de prova pericial não constitui hipótese de nulidade por não caracterizar cerceamento de defesa, nos termos dos artigos 35 e 36 do Decreto nº 7.574, de 2011. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÕES. EQUIPARAÇÃO. As retenções de PIS/Pasep e Cofins, previstas no artigo 30 da Lei nº 10.833, de 2003, equiparamse a pagamentos antecipados para efeito de aplicação do prazo decadencial estabelecido no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. RECEITA BRUTA. NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. CUSTOS COM REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES E ENCARGOS SOCIAIS Para as empresas prestadoras de serviços em geral, com colocação de trabalhadores à disposição dos contratantes, inclusive a empresa de trabalho temporário definida na Lei nº 6.019, de 1974, a remuneração paga aos trabalhadores e os encargos previdenciários e trabalhistas são custos da prestação do serviço, integrantes do preço de venda e não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, por ausência de previsão legal, a teor dos artigos 1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Crédito Tributário Parcialmente Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Fl. 739DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 740 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados para a constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep, fls.89 a 107 e de Cofins, fls. 108 a 126, referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2008. No Termo de Verificação Fiscal. fls. 53 a 59, a autoridade fiscal informa que a empresa se encontra em recuperação judicial e se dedica à atividade econômica de prestação de serviços em geral, com ênfase na colocação de seus empregados no estabelecimento da empresa contratante (cessão de mãodeobra), visando à execução dos serviços previamente pactuados. Informa ainda que a contribuinte está obrigada a entregar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ com opção pelo lucro real e, em razão disso, é contribuinte do PIS/Pasep e da Cofins pela modalidade não cumulativa. A autuação lastreouse na planilha de fls. 56, cuja base de cálculo foi apurada a partir das Notas Fiscais – Faturas de Serviços – NFFS, emitidas pelo contribuinte. Das contribuições foram deduzidas retenções de PIS/Pasep e Cofins, resultando nos valores lançados nestes Autos de Infração. Não foram considerados créditos da nãocumulatividade por falta de comprovação durante o desenvolvimento da auditoria. A recorrente apresentou impugnação, alegando: 1. Decadência relativa às competências de janeiro de 2006 a 12 de maio de 2006, por aplicação do art. 150, §4º do CTN; 2. Exclusão da base de cálculo dos valores relativos aos custos da remuneração e encargos dos trabalhadores, por considerar como receita da recorrente apenas o auferimento das taxas de administração dos contratos, em razão de figurar apenas como intermediadora entre a empresa tomadora do serviço e o prestador do serviço; para corroborar seu entendimento, junta decisões do Conselho de Contribuintes e do Tribunal Regional Federal da 4º Região; 3. Que a autoridade fiscal nunca verificou a procedência da Receita Bruta, as Notas Fiscais e os contratos de prestação de serviço; 4. Que se enquadra no conceito do art. 4º da Lei nº 6.019, de 1974 (empresa de trabalho temporário); 5. Desconsideração dos valores retidos a título de PIS/Pasep e Cofins, afirmando que a autoridade fiscal “desconsidera que foram emitidas notas fiscais, e as retenções feitas pelos contratantes, para considerar todos os valores como receitas omitidas, de forma totalmente equivocada e abusiva, conforme a planilha constante a fl. 11 do termo de verificação fiscal.”; Fl. 740DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 741 4 6. Que se a recorrente recebeu toda a quantia do faturamento, então sofreu a retenção de R$ 3.470.390,55 relativa à Cofins, que somada ao valor recolhido, concluirseia pela inexistência de valor devido ao erário; 7. Que a autoridade fiscal desconsiderou todos os documentos, provas, contabilidade, depoimentos, tributando tudo como omissão de receita; Ao final, a impugnante requer o reconhecimento da extinção dos créditos referentes aos períodos de apuração janeiro de 2006 a maio de 2006, atingidos pela decadência, e que seja dado integral provimento à sua defesa, desconstituindose os lançamentos efetuados, porque eivados de vícios e ilegalidades, e ainda provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial prova pericial contábil e juntada de documentos, nomeando o seu assistente pericial, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, para apurar os valores recolhidos e exigidos nos autos de infração, apresentando os seguintes quesitos a serem respondidos: 1 – É possível identificar a base de cálculo utilizada na DACON e na DIPJ como a taxa de administração de trabalho temporário? Se é possível, esses valores estão devidamente contabilizados na escrituração contábil apresentada pela contribuinte? 2 – O Fiscal considerou as retenções sofridas pela Impugnante a título de PIS e COFINS SOBRE AS NOTAS DE SERVIÇO?” A Sexta Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1651.550, no qual decidiu pela improcedência da impugnação e pela manutenção integral do lançamento, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Decadência. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido recolhimento, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Prestação de Serviços. Terceirização e locação de mãodeobra. Trabalho temporário. Base de Cálculo. No caso de empresa prestadora de serviços de terceirização e locação de mãodeobra e de trabalho temporário, a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep corresponde aos valores por ela recebidos da tomadora dos serviços, não cabendo nenhuma exclusão a título de reembolso de despesas com salário e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas. Contencioso Administrativo. Controle de Constitucionalidade. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato Fl. 741DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 742 5 normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Decadência. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido recolhimento, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Prestação de Serviços. Terceirização e locação de mãodeobra. Trabalho temporário. Base de Cálculo. No caso de empresa prestadora de serviços de terceirização e locação de mãodeobra e de trabalho temporário, a base de cálculo da Cofins corresponde aos valores por ela recebidos da tomadora dos serviços, não cabendo nenhuma exclusão a título de reembolso de despesas com salário e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas. Contencioso Administrativo. Controle de Constitucionalidade. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Cientificada em 14/01/2014, a recorrente interpôs recurso voluntário em 13/02/2014, reprisando os argumentos da impugnação e acrescendo a alegação de cerceamento de defesa pelo indeferimento de produção prova pericial no julgamento de primeira instância. Ao final, pede ao colegiado que acolha as preliminares de cerceamento de defesa e de decadência, e, no mérito, que sejam desconstituídos os presentes lançamentos, vez que a NFLD não goza de liquidez, certeza e exigibilidade previstas no art. 3º da Lei de Execuções Fiscais. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Passase à análise das preliminares. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 742DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 743 6 A recorrente propugna pela nulidade da decisão de primeira instância, em razão do indeferimento do pedido de produção de prova pericial, o que acarretaria ofensa ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Os quesitos apresentados pela recorrente na impugnação foram: 1 – É possível identificar a base de cálculo utilizada na DACON e na DIPJ como a taxa de administração de trabalho temporário? Se é possível, esses valores estão devidamente contabilizados na escrituração contábil apresentada pela contribuinte? 2 – O Fiscal considerou as retenções sofridas pela Impugnante a título de PIS e COFINS SOBRE AS NOTAS DE SERVIÇO? A decisão do colegiado a quo foi assim delineada: Nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, a realização de diligências e de perícias é determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. No caso concreto, os argumentos acima desenvolvidos são o bastante para se concluir pela desnecessidade da realização de perícia ou de diligência. Especificamente em relação aos quesitos formulados pela impugnante, o primeiro não tem relevância, uma vez que seu faturamento não se resume aos valores recebidos a título de taxa de administração, e o segundo é desnecessário, pois, como visto, o auditor fiscal considerou sim as retenções sofridas a título de PIS/Pasep e de Cofins. Por outro lado, nos termos do inciso III também do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a apresentação da impugnação é que é o momento oportuno para a juntada de prova documental. Após essa ocasião, a juntada de novos documentos, para o que, aliás, não houve requerimento até a presente data, deve obedecer ao disposto nos §§ 4º e 5º do citado artigo do PAF, o que igualmente não é aqui o caso. Vêse que a decisão de primeira instância fundamentou o indeferimento por entender que o quesito quanto à sua identificação e contabilização era irrelevante diante da consideração de que o faturamento não se resume à taxa de administração. Quanto ao segundo quesito, decidiu ser desnecessário, em vista da constatação de que a autoridade fiscal já havia deduzido as retenções das contribuições devidas. Não se verifica, portanto, nulidade na decisão da DRJ, por ter cumprido os requisitos do art. 35 e 36, §2º do Decreto nº 7.574, de 2011. No mérito, com razão a DRJ. A perícia se revela desnecessária, pois não demanda conhecimentos técnicos específicos. Mesmo se tomado como mero pedido de diligência, também não se afigura imprescindível, pois a identificação da taxa de administração é irrelevante para o deslinde da questão e a resposta ao segundo quesito consta dos próprios autos, como se demonstrará adiante. DECADÊNCIA Fl. 743DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 744 7 A recorrente foi cientificada do lançamento em 13/05/2013 e defende a ocorrência da decadência para o período de janeiro de 2006 a 12 de maio de 2006, afirmando ter havido recolhimento de PIS/Pasep e Cofins, além das retenções efetivadas pelo tomador de serviço. Propugna pela aplicação do art. 150, §4º do CTN. Inicialmente, salientase que, embora tenha se referido a 2006, tratase de 2008. Concernente ao prazo decadencial das contribuições para a Seguridade Social, foi editada a Súmula Vinculante nº 8, pelo Supremo Tribunal Federal, de observância obrigatória pela administração pública federal, nos termos do art. 2º da Lei nº 11.417, de 2006: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Portanto, o prazo decadencial para as referidas contribuições sujeitase às regras gerais dos artigos 150 e 173 do CTN, cuja aplicação encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 744DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 745 8 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Esta decisão deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal afirmou que a contribuinte não efetuou recolhimento do valor total mensal devido (item 3.6) e que apuração das contribuições resultou do levantamento fiscal a partir das Notas Fiscais – Faturas de Serviço, sobre o qual aplicaram–se as alíquotas de 1,65% e 7,60% para o PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, e foram deduzidos os valores mensais retidos pelas tomadoras de serviço, conforme quadro demonstrativo da fl. 56 (item 4.1). Embora a recorrente afirma ter havido recolhimentos, não traz qualquer documento que possa infirmar o levantamento fiscal. Concluise, assim, pela inexistência de recolhimentos antecipados. Entretanto, é necessária a análise da natureza das retenções sofridas. A IN SRF nº 459, de 2004, dispôs sobre o tratamento das retenções sofridas: Fl. 745DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 746 9 Art. 1º Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep. ... Tratamento dos Valores Retidos Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. (grifos não originais) § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Por sua vez, a Lei nº 11.727, de 2008, em seu artigo 5º, dispôs: Art. 5o Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Regulamento) (grifos não originais) § 1o Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2o Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1o deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3o A partir da publicação da Medida Provisória no 413, de 3 de janeiro de 2008, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e Fl. 746DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 747 10 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. Depreendese que as disposições da IN SRF nº 459, de 2004 e do 5º da Lei nº 11.727, de 2008, conferem à retenção a natureza de pagamento antecipado, devendo ser deduzida no mês de apuração, após os descontos dos créditos da nãocumulatividade, ou restituída/compensada. Neste sentido, transcrevemse ementas de Acórdãos do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 1997IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa fisica, no anocalendário 1996, é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que no caso ocorreu em 31 de dezembro de 1996. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio, operase a decadência e o crédito tributário é extinto. Retificação de declaração.inadmissível a retificação da declaração de ajuste anual para pleitear restituição após o prazo decadencial de restituição. Restituição. Decadência. O direito de pleitear a restituição do imposto de renda pessoa física extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos a contar da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Equiparase ao pagamento antecipado a retenção do imposto na fonte. 1 ASSUNTO: DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ANOSCALENDÁRIO: 1998, 1999 E 2002EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA DOS VALORES RETIDOS NA FONTE. FISCALIZAÇÃO QUANTO AO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL QUE TEM INÍCIO NA DATA DO FATO GERADOR. Apresentado o pedido de compensação, a fazenda nacional tem 05 (cinco) anos para homologar, sob pena de homologação tácita. Este prazo, contudo, não desloca o inicio do prazo decadencial que, nos casos em que há pagamento, aqui compreendido, entre outros, o IRRF e as estimativas mensais, tem como marco inicial a data do fato gerador. No procedimento de compensação, para extinguir débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ decorrente de retenções de imposto de renda retido na fonte ou recolhimento de estimativas em valor superior ao imposto apurado, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de verificar, a qualquer tempo, a efetividade das retenções ou do recolhimento das estimativas que contribuem na formação do saldo negativo do irpj. Confirmada a existência do IRRF ou do recolhimento das estimativas, decorridos mais de cinco anos do fato gerador, não pode a autoridade fiscal glosar estes valores sob o fundamento de que os rendimentos que geraram o IRRF não foram oferecidos à tributação. tal procedimento implicaria, por 1 Acórdão nº 280200.268 proferido pela Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF Fl. 747DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 748 11 meios transversos, contornar o transcurso do prazo decadencial para rever a apuração do lucro real do contribuinte. 2 Assim, ao sofrer o ônus da retenção, a contribuinte antecipa parte do que seria devido. Aliás, o objetivo da retenção é justamente garantir aos cofres públicos parte do pagamento que deveria ser antecipado pelo contribuinte, atribuindo a terceiro a obrigação de fazêlo, além de possibilitar a verificação da receita auferida pela Administração Fazendária. Destacase que também não há comprovação de dolo, fraude ou simulação no procedimento de retenção, nem da própria apuração do tributo, seja pelo fato de a autuação não ter qualificado a multa de ofício aplicada, seja pelo fato de a matéria discutida ter comportado, ao longo do tempo, interpretações divergentes. Concluise, destarte, pelo reconhecimento da decadência relativa aos períodos de janeiro de 2008 a abril de 2008. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES RELATIVOS AOS CUSTOS COM REMUNERAÇÃO E ENCARGOS SOCIAIS DOS TRABALHADORES A recorrente exerce as atividades de prestação de serviços em geral a terceiros, assumindo a integral responsabilidade por todas as obrigações legais e convencionais provenientes dos contratos de trabalho dos empregados postos a serviço de empresas e/ou de instituições contratantes, bem como outras atividades como participação em empresas, comércio de materiais e brindes, conforme cláusula segunda do contrato social. Alega que se enquadra no conceito do art. 4º da Lei nº 6.019, de 1974 (empresa de trabalho temporário) e que a receita tributável se restringe à taxa de administração cobrada nos contratos de prestação de serviços e que os valores recebidos das tomadoras de serviço relativos aos pagamentos de salários e demais encargos sociais devem ser excluídos do conceito de receita bruta ou faturamento. Esta matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 1.141.065/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja ementa transcrevese: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEIS COMPLEMENTARES 7∕70 E 70∕91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718∕98, 10.637∕02 E 10.833∕03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019∕74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 2 Acórdão nº140200.601 proferido pela Segunda Turma Ordinária ad Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento Fl. 748DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 749 12 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7∕70 e 70∕91 ou Leis ordinárias 10.637∕2002 e 10.833∕2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019∕74 e pelo Decreto 73.841∕74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. 2. Isto porque a Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 847.641∕RS, perfilhou o entendimento no sentido de que: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEI COMPLEMENTAR 70∕91 E LEIS 9.718∕98, 10.637∕02 E 10.833∕03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019∕74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 1. A base de cálculo do PIS∕PASEP e da COFINS é o faturamento, hodiernamente compreendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, vale dizer: a receita bruta da venda de bens e serviços, nas operações em conta própria ou alheia, e todas as demais receitas auferidas (artigo 1º, caput e § 1º, das Leis nºs 10.637∕2002 e 10.8333∕2003, editadas sob a égide da Emenda Constitucional nº 20∕98). 2. A Carta Magna, em seu artigo 195, originariamente, instituiu contribuições sociais devidas pelos "empregadores" (entre outros sujeitos passivos), incidentes sobre a "folha de salários", o "faturamento" e o "lucro" (inciso I). 3. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, que sucedeu o FINSOCIAL, é contribuição social que se enquadra no inciso I, do artigo 195, da Constituição Federal de 1988, incidindo sobre o "faturamento", tendo sido instituída e, inicialmente, regulada pela Lei Complementar 70∕91, segundo a qual: (i) a exação era devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, (ii) sendo destinada exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, e (iii) incidindo sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 4. As contribuições destinadas ao Programa de Integração Social PIS e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, por seu turno, foram criadas, respectivamente, pelas Leis Complementares nº 7∕70 e nº 8∕70, tendo sido recepcionadas pela Constituição Federal de 1988 (artigo 239). Fl. 749DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 750 13 5. A Lei Complementar 7∕70, ao instituir a contribuição social destinada ao PIS, destinavaa à promoção da integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas, definidas como as pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda, caracterizandose como empregado todo aquele assim definido pela Legislação Trabalhista. 6. O Programa de Integração Social PIS, à luz da LC 7∕70, era executado mediante Fundo de Participação, constituído por duas parcelas: (i) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda; e (ii) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento. 7. A Lei nº 9.718∕98 (na qual foi convertida a Medida Provisória nº 1.724∕98), ao tratar das contribuições para o PIS∕PASEP e da COFINS devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das aludidas exações, definindoo como a "receita bruta" da pessoa jurídica, por isso que, a partir da edição do aludido diploma legal, o faturamento passou a ser considerado a "receita bruta da pessoa jurídica", entendida como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, 8. Deveras, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, em 15 de dezembro de 1998, a expressão "empregadores" do artigo 195, I, da Constituição Federal de 1988, foi substituída por "empregador", "empresa" e "entidade a ela equiparada na forma da lei" (inciso I), passando as contribuições sociais pertinentes a incidirem sobre: (i) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (ii) a receita ou o faturamento; e (iii) o lucro. 9. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Supremo Tribunal Federal que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950∕RS, 358.273∕RS, 390.840∕MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e nº 346.0846∕PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento de que inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718∕98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 10. A concepção de faturamento inserta na redação original do artigo 195, I, da Constituição Federal de 1988, na oportunidade, restou adstringida, de sorte que não poderia ter sido alargada para autorizar a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, revelandose inócua a alegação de sua posterior convalidação pela Emenda Constitucional nº 20∕98, uma vez que eivado de nulidade insanável ab origine, decorrente de sua frontal Fl. 750DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 751 14 incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. A Excelsa Corte considerou que a aludida lei ordinária instituiu nova fonte destinada à manutenção da Seguridade Social, o que constitui matéria reservada à lei complementar, ante o teor do disposto no § 4º, artigo 195, c∕c o artigo 154, I, da Constituição Federal de 1988. 11. Entrementes, em 30 de dezembro de 2002 e 29 de dezembro de 2003, foram editadas, respectivamente, as Leis nºs 10.637 e 10.833, já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20∕98, as quais elegeram como base de cálculo das exações em tela o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1º, caput), sobejando certo que, nos aludidos diplomas legais, estabeleceu se ainda que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica (artigo 1º, § 1º). 12. Deveras, enquanto consideradas hígidas as Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, por força do princípio da legalidade e da presunção de legitimidade das normas, vislumbrase a existência de dois regimes normativos que disciplinam as bases de cálculo do PIS e da COFINS: (i) o período em que vigorou a definição de faturamento mensal∕receita bruta como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa, dada pela Lei Complementar 70∕91, a qual se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718∕98; e (ii) período em que entraram em vigor as Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003 (observado o princípio da anterioridade nonagesimal), que conceituaram o faturamento mensal como a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 13. Os princípios que norteiam a eficácia da lei no tempo indicam que, nas demandas que versem sobre fatos jurídicos tributários anteriores à vigência das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, revelase escorreito o entendimento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS (faturamento mensal∕receita bruta), devidos pelas empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária, regidas pela Lei 6.019∕74, contempla o preço do serviço prestado, "nele incluídos os custos da prestação, entre os quais os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados" (Precedente da Primeira Turma acerca da base de cálculo do ISS devido por empresa prestadora de trabalho temporário: REsp 982.952∕RS, Rel. Originário Ministro José Delgado, Rel. p∕ Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 02.10.2008, DJ 16.10.2008). (grifos não originais) 14. Por outro lado, se a lide envolve fatos imponíveis realizados na égide das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003 (cuja elisão da Fl. 751DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 752 15 higidez, no âmbito do STJ, demandaria a declaração incidental de inconstitucionalidade, mediante a observância da cognominada "cláusula de reserva de plenário"), a base de cálculo da COFINS e do PIS abrange qualquer receita (até mesmo os custos suportados na atividade empresarial) que não constar do rol de deduções previsto no § 3º, do artigo 1º, dos diplomas legais citados. 15. Conseqüentemente, a conjugação do regime normativo aplicável e do entendimento jurisprudencial acerca da composição do preço do serviço prestado pelas empresas fornecedoras de mãodeobra temporária, conduz à tese inarredável de que os valores destinados ao pagamento de salários e demais encargos trabalhistas dos trabalhadores temporários, assim como a taxa de administração cobrada das empresas tomadoras de serviços, integram a base de cálculo do PIS e da COFINS a serem recolhidas pelas empresas prestadoras de serviço de mãodeobra temporária (Precedentes d oriundo da Segunda Turma do STJ: REsp 954.719∕SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 13.11.2007). 16. Outrossim, à luz da jurisprudência firmada em hipótese análoga: 'Não procede, ademais, a alegação de que haveria um "bis in idem", já que os recursos utilizados pelos lojistas para pagar o aluguel (ou, eventualmente, a administração comum do shopping center), por provirem de seu faturamento, já se sujeitaram à incidência das contribuições questionadas (PIS∕COFINS), pagas pelos referidos locatários. O argumento, que não foi adotado pelo acórdão embargado e que sequer foi invocado na impetração, prova demais. Na verdade, independentemente de ser o aluguel estabelecido em valor fixo ou calculado por percentual sobre o faturamento, os recursos para o seu pagamento são invariavelmente (a não ser em se tratando de empresa deficitária) provenientes das receitas (vale dizer, do "faturamento") do locatário. Isso independentemente de se tratar de loja de shopping center ou de outro imóvel qualquer. E não só as despesas com aluguel, mas as demais despesas das pessoas jurídicas são cobertas com recursos de suas receitas, podendo, quando se destinarem à aquisição de bens e serviços de outras pessoas jurídicas, formar o faturamento dessas, sujeitandose, conseqüentemente, a novas incidências de contribuições PIS∕COFINS. Ora, essa é contingência inevitável em face da opção constitucional de estabelecer como base de cálculo o "faturamento" e as "receitas" (CF, art. 195, I, b). Por isso mesmo, o princípio da nãocumulatividade não se aplica a essas contribuições, a não ser para os setores da atividade econômica definidos em lei (CF, art. 195, § 12). Como lembra Marco Aurélio Greco, "... uma incidência sobre receita∕faturamento, quando plurifásica, será necessariamente cumulativa, pois receita é fenômeno apurado pontualmente em relação a determinada pessoa, não tendo caráter abrangente Fl. 752DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 753 16 que se desdobre em etapas sucessivas das quais participem distintos sujeitos. Receita é auferida por alguém. Nisso se esgota a figura.' (GRECO, Marco Aurélio. "Nãocumulatividade no PIS e na COFINS", apud "Nãocumulatividade do PIS∕PASEP e da COFINS", obra coletiva, coordenador Leandro Paulsen, São Paulo, IOB Thompson, 2004, p.101). (grifos não originais) Atualmente, o regime da nãocumulatividade limitase às hipóteses e às condições previstas na Lei 10.637∕02 (PIS∕PASEP) e Lei 10.8333∕03, alterada pela Lei 10.865∕04 (COFINS). Aliás, há, em doutrina, críticas severas em relação ao modo como a matéria está disciplinada, por não representar qualquer vantagem significativa para os contribuintes. "O novo regime", sustentase, "longe de atender aos reclamos dos contribuintes não veio abrandar a carga tributária; pelo contrário, aumentou a , instaurou verdadeira balbúrdia no regime desses tributos, a ponto de desnortear o contribuinte, comprometer a segurança jurídica e fazer com que bem depressa a sociedade sentisse saudades da época em que era o da cumulatividade" (MARTINS, Ives Gandra da Silva, e SOUZA, Fátima Fernandes Rodrigues de. Apud "Nãocumulatividade do PIS∕PASEP e da COFINS", obra coletiva, cit., p. 12). Independentemente das vantagens ou desvantagens do regime da nãocumulatividade estabelecido pelo legislador, matéria que aqui não está em questão, o certo é que, mantido o atual sistema constitucional e ressalvadas as situações previstas nas Leis acima referidas, as contribuições para PIS∕COFINS podem incidir legitimamente sobre o faturamento das pessoas jurídicas mesmo quando tal faturamento seja composto por pagamentos feitos por outras pessoas jurídicas, com recursos retirados de receitas sujeitas às mesmas contribuições." (EREsp 727.245∕PE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 09.08.2006, DJ 06.08.2007) (...) 18. Recurso especial provido, invertidos os ônus de sucumbência." (REsp 847.641∕RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.03.2009, DJe 20.04.2009) 3. Deveras, a definição de faturamento mensal∕receita bruta, à luz das Leis Complementares 7∕70 e 70∕91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718∕98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718∕98: RE 390.840, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rel. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rel. Ministro Fl. 753DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 754 17 Eros Grau Rel. p∕ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 4. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 5. Conseqüentemente, a definição de faturamento∕receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019∕74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. 6. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019∕74 e pelo Decreto 73.841∕74, consoante assentado no acórdão regional), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 09 de dezembro de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Fl. 754DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 755 18 Esta decisão transitou em julgado em 08/03/2010 e deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A3 do Anexo II do RICARF. Destarte, relativamente às empresas de trabalho temporário, os valores relativos aos dispêndios com remuneração dos trabalhadores colocados à sua disposição, inclusive os encargos sociais, se inserem no conceito de receita bruta auferida. Ainda que não se trate de empresas de trabalho temporário, definidas na Lei nº 6.019, de 1974, ou seja, para as empresas prestadoras de serviços terceirizados em geral, a remuneração paga aos trabalhadores e os encargos previdenciários e trabalhistas nada mais são que custos da prestação do serviço, integrantes do preço de venda dos serviços e não podem ser excluídos da receita bruta auferida, pois que inexiste previsão legal para tal, a teor dos artigos 1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. DESCONSIDERAÇÃO DAS RETENÇÕES SOFRIDAS Na peça recursal, a recorrente afirma que o lançamento seria abusivo pelo fato de as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras não terem sido consideradas nos lançamentos, item 54, fl. 731. Constatase no Termo de Verificação Fiscal que a autoridade fiscal verificou as retenções a partir das DIRF´s entregues e das Notas Fiscais/Faturas de Serviços, fls. 54 da numeração digital. Na DIRF, constatouse o valor de R$ 4.792.549,22 sob o código 5952, R$ 32.431,40 sob o código 5960 e R$ 887,14 sob o código 5979. O código 5952 engloba as retenções de CSLL, Cofins, e PIS/Pasep nos percentuais de 1%, 3% e 0,65%, respectivamente. Separando por tributo, temse R$ 3.091.967,24 de Cofins, R$ 669.926,24 de PIS/Pasep e R$ 1.030.655,75 de CSLL. Somandose aos códigos específicos, concluise que nas DIRF´s entregues pelas fontes pagadoras houve retenção de PIS no montante de R$ 670.813,38 e retenção de Cofins no montante de R$ 3.124.398,64. Já no item 3.2 do mesmo Termo, as retenções obtidas das notas fiscais resultaram na planilha lá colada, na qual o montante de PIS/Pasep retido foi R$ 623.563,91 e de Cofins foi R$ 2.877.987,19, valores estes considerados no Demonstrativo da Cofins e do PIS/Pasep devidos, item 4.1, fls. 56. Verificase, portanto, que a autoridade fiscal considerou as retenções a partir das notas fiscais, correspondentes a mais de 92% dos valores informados em DIRF´s, sem, no entanto, justificar a não utilização dos valores das DIRF´s. Por sua vez, a recorrente faz o cálculo inverso, reclamando a retenção de R$ 3.470.390,55, sem, contudo, apresentar qualquer prova da efetividade da retenção, ônus que lhe caberia, tendo em vista as informações constantes nas DIRF´s e o levantamento realizado pela autoridade fiscal, conforme art. 57, inciso III do Decreto nº 7.574, de 2011. 3 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Fl. 755DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.721043/201383 Acórdão n.º 3302002.649 S3C3T2 Fl. 756 19 Neste ponto, dáse provimento parcial ao recurso, para que as retenções excedentes informadas nas DIRF´s sejam deduzidas dos lançamentos nos períodos em que, efetivamente, ocorreram. No mesmo tópico, a recorrente alega, ainda, o lançamento indevido de receitas omitidas e utilização de método presuntivo. Porém, não é o que se constata nos autos, pois que a base de cálculo foi apurada a partir das notas fiscais de serviço, resultando em contribuições apuradas pela aplicação das alíquotas de 7,60% e 1,65%, respectivamente para a Cofins e PIS/Pasep, que, após as deduções das retenções (parcialmente deduzidas), resultaram nos valores lançados, em razão da falta de declaração em DCTF e da inexistência de recolhimentos em DARF´s. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando os lançamentos relativos aos períodos de janeiro de 2008 a abril de 2008, referentes ao PIS/Pasep e Cofins, atingidos pela decadência, e para que as retenções excedentes informadas nas DIRF´s sejam deduzidas dos lançamentos nos períodos em que, efetivamente, ocorreram. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 756DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001725/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 17 25 /2 00 7- 19 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Trata o presente processo exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO:Omissão de rendimentos, tendo em vista a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal lavrador em 29/11/2007, parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos artigos 1º, 2º, 3º, e §§, da Lei n º 7.713, de 1988; artigos 1º e 2º , da Lei n º 8.134, de 1990 e artigo 1º da Lei nº. 10.451, de 2002 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM COMPROVADA: Omissão rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal lavrado em 29/11/2007, parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigo 1º da Lei nº 10.451, de 2002. Por meio de Resolução da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em sessão realizada em 25 de outubro de 2011, foi convertido o julgamento em diligência para que a Repartiçâo Origem tome as devidas providências no sentida de complementar a instrução processual, acostando aos autos cópias de todas as decisões proferidas após interposição, pela Fazenda Nacional, do recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO (03/09/2009), bem como, se for a caso, cientificar a contribuinte sobre as conclusões da diligência dandose vista ao recorrente, com prazo para se pronunciar. Trata a presente processa de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física em face da Sr. ROMEU, lavrado em 03/12/2007. O contribuinte impugnou o lançamento se indispondo contra a exigência fiscal. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ , através do Acórdão n. 1320.403, conclui pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção em parte da crédito tributário lançado. Tendo em vista que a correspondência dando ciência da decisão de primeira instância retornou em razão da aparente recusa no recebimento, a DERA T/RJ afixou Edital n° 062/2008, para cumprimento da art. 23, da Decreto n 70.235/72. Em 30/12/2008 a autoridade administrativa lavrou a Termo de Perempçâo, pois transcorrida o prazo para recurso, não houve manifestação do contribuinte, e despachou o processo para inscrição da crédito tributária em Divida Ativa da União. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.001725/200719 Acórdão n.º 2202002.636 S2C2T2 Fl. 3 3 Inconformado com a decisão e com os fatos acorridos o contribuinte interpôs, em 15/05/2009, o recurso voluntário, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Em 24/06/2009, o recorrente interpôs a ação judicial, (n.2009.51.01.5067866), visando a proteção judicial para que fosse considerada tempestivo o recurso voluntário apresentado. Em 12/08/2009, a Juiza da 21 a Vara Federal do Rio de Janeiro, concedeu o pedida de preliminar em ação ordinária determinando à Ré que suspenda a exigibilidade do crédito tributária consubstanciado no Processa administrativo n° 18471.001725/200719, reabrindose o prazo para que a Autor apresente recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II n° 1320.403. Em 03/09/2009, A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), inconformada com a r. decisão interlocutória, interpõem recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO, requerendo que seja recebido, para, atribuindolhe EFEITO SUSPENSIVO, determinar seu regular processamento. O CARF, analisando o processo, entendeu que deveria primeiro ser superada a prejudicial de tempestividade da recurso voluntário, matéria sob análise do judiciária. Portanto, entendendo que o processo ainda não se encontra em condições de julgamento, face da ausência nos autos de cópias da conclusão da ação judicial em trânsito no Poder Judiciário, converteu o julgamento em diligência para que a Repartição Origem tome as devidas providências no sentido de que sejam acostadas aos autos cópias de todas as decisões proferidas após interposição, pela Fazenda Nacional, do recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO (03/09/2009). Em atendimento à determinação contida na Resolução da CARF e amparada pelo MPF . 07108002013.013160 intimouse o Sr. ROMEU HILÁRIO ANASTÁCIO JUNIOR, através do Termo de Diligência Fiscal lavrado em 06/08/2013, a apresentar a documentação solicitada pelo CARF, conforme citado acima. Em 27/08/2013, o contribuinte responde a intimação informando que houve sentença em primeiro grau de jurisdição que revogou a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, julgando improcedente a pretensão anulatória da ciência do acórdão da DRJ/RJ Ressaltase que dessa sentença o recorrente interpôs apelação, estando o recurso em tramitação junto ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 2a Região. É o relatório. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi cientificada ao contribuinte através de Editar afixado em 11/11/2008 (fls 315), considerandose cientificado no 16º (décimo sexto) dia da afixação deste edital. Foi lavrado Termo de Perempção de fls 317. A peça recursal, somente, foi protocolada em 2009, conforme atesta documento de fls. 381 a 399, portanto, fora do prazo fatal. Nos autos também está demonstrado que a intimação por edital foi utilizado após o insucesso da tentativa de intimação pelo correio. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. É verdade que no processo se conhece que o recorrente em 24/06/2009, interpôs a ação judicial, (n.2009.51.01.5067866), visando a proteção judicial para que fosse considerada tempestivo o recurso voluntário apresentado. Em 12/08/2009, a Juiza da 21 a Vara Federal do Rio de Janeiro, concedeu o pedida de preliminar em ação ordinária determinando à Ré que suspenda a exigibilidade do crédito tributária consubstanciado no Processa administrativo n° 18471.001725/200719, reabrindose o prazo para que a Autor apresente recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II n° 1320.403. Em 03/09/2009, A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), inconformada com a r. decisão interlocutória, interpõem recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO, requerendo que seja recebido, para, atribuindolhe EFEITO SUSPENSIVO, determinar seu regular processamento. Em 27/08/2013, o contribuinte responde a intimação informando que houve sentença em primeiro grau de jurisdição que revogou a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, julgando improcedente a pretensão anulatória da ciência do acórdão da DRJ/RJ Sabese que dessa sentença o recorrente interpôs apelação, estando o recurso em tramitação junto ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 2a Região. Consultando o situação do processo na data corrente, notase que o mesmo ainda aguarda o julgamento da apelação não tendo transitado em julgado. Diante do exposto, uma vez que não foi pedida a tutela antecipada na apelação, nada impede que se prossiga com o processo administrativo. Reiterese que conforme observado já foi negada em primeira instância a pretensão anulatória da decisão da primeira instância. No caso corrente, os elementos constantes no autos não deixam dúvida da intempestividade do recurso. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.001725/200719 Acórdão n.º 2202002.636 S2C2T2 Fl. 4 5 Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003512/2003-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO CAPÍTULO 22 DA TIPI
Não se pondo, conforme o contrato social, o objeto social da recorrente em zona cinzenta, é dela o onus probandi de que não exerce tais atividades, no caso, atividade de industrialização de produtos classificados no capítulo 22 da TIPI. Para sua alegação, a recorrente nada trouxe aos autos, a infirmar o que prevê seu objeto social. A cópia do livro de registro de saídas de mercadorias prova contra a recorrente.
INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES
A norma vedatória não tem eficácia a partir de 1/1/01: ela salvaguarda até 31/12/00 dos efeitos da exclusão do regime simplificado quem era dele optante antes de 13/3/00. Esse é o sentido de mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96. O art. 15, II c/c o art. 9º, XIX, dessa lei implica o início dos efeitos da exclusão do Simples federal em 1/1/01, a quem era optante do regime antes de 13/3/00.
Numero da decisão: 1103-001.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO CAPÍTULO 22 DA TIPI Não se pondo, conforme o contrato social, o objeto social da recorrente em zona cinzenta, é dela o onus probandi de que não exerce tais atividades, no caso, atividade de industrialização de produtos classificados no capítulo 22 da TIPI. Para sua alegação, a recorrente nada trouxe aos autos, a infirmar o que prevê seu objeto social. A cópia do livro de registro de saídas de mercadorias prova contra a recorrente. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A norma vedatória não tem eficácia a partir de 1/1/01: ela salvaguarda até 31/12/00 dos efeitos da exclusão do regime simplificado quem era dele optante antes de 13/3/00. Esse é o sentido de mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96. O art. 15, II c/c o art. 9º, XIX, dessa lei implica o início dos efeitos da exclusão do Simples federal em 1/1/01, a quem era optante do regime antes de 13/3/00.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 1. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO CAPÍTULO 22 DA TIPI Não se pondo, conforme o contrato social, o objeto social da recorrente em zona cinzenta, é dela o onus probandi de que não exerce tais atividades, no caso, atividade de industrialização de produtos classificados no capítulo 22 da TIPI. Para sua alegação, a recorrente nada trouxe aos autos, a infirmar o que prevê seu objeto social. A cópia do livro de registro de saídas de mercadorias prova contra a recorrente. 2. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A norma vedatória não tem eficácia a partir de 1/1/01: ela salvaguarda até 31/12/00 dos efeitos da exclusão do regime simplificado quem era dele optante antes de 13/3/00. Esse é o sentido de “mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas” do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96. O art. 15, II c/c o art. 9º, XIX, dessa lei implica o início dos efeitos da exclusão do Simples federal em 1/1/01, a quem era optante do regime antes de 13/3/00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 35 12 /2 00 3- 51 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.003512/200351 Acórdão n.º 1103001.013 S1C1T3 Fl. 224 2 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.003512/200351 Acórdão n.º 1103001.013 S1C1T3 Fl. 225 3 Relatório DA DECISÃO DA DRF Tratase de Ato Declaratório Executivo 462.415 emitido pela DRF de Joinville/SC em 7/8/2003, em que há a exclusão da recorrente do Simples federal, com efeitos a partir de 1/1/2001, devido ao fato de ela realizar atividade vedada à opção ao regime simplificado federal. No caso, a industrialização de bebidas classificadas no capítulo 22 da TIPI. A exclusão foi baseada no artigo 14 da Medida Provisória 1.99029/2000, no artigo 14 da Medida Provisória 2.18949/2001, no artigo 73 da Medida Provisória 2.158 34/2001 e nos artigos 20, inciso XVIII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II, da IN/SRF250/2002. Houve apresentação de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) nº 0920200/000098, em 30/9/2003, e que foi indeferida. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 04 a 09 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, alegou que a fiscalização realizou o lançamento com base no fato de o contrato social da recorrente prever “depósito e armazenamento de produtos de terceiros”, conforme o artigo 9º, XII, da Lei 9.317/96. Nesse sentido, afirmou que o contrato social da recorrente prevê como um de seus objetivos sociais a “comercialização e depósito de mercadorias adquiridas de terceiros”, mas efetivamente sua atividade é de “comercializar e armazenar mercadorias perante terceiros” não atuando como armazém ou depósito, mas, quando muito realizando o armazenamento das mercadorias para posterior comercialização ou para as usar em seu processo produtivo. Sendo assim, afirmou que a atividade que ela efetivamente realiza não vai de encontro com a proibição da lei, que veda o armazenamento e depósito para as empresas que optaram pelo Simples. Colacionou entendimento do CARF, no sentido de que devem prevalecer as premissas presentes no contrato social da empresa. Por fim, requereu que sejam permitidos todos os meios de prova em direito admitido, o recebimento da manifestação de inconformidade, a sua reinclusão no Simples e o arquivamento do presente processo. DA DECISÃO DA DRJ Em 16/8/2007, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação, conforme o entendimento que se segue. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.003512/200351 Acórdão n.º 1103001.013 S1C1T3 Fl. 226 4 Alegou que a recorrente combateu a sua exclusão do Simples afirmando que essa foi feita com base no artigo 9º, XII, da Lei 9.317/96, que foi um artigo não mencionado no Ato de Exclusão. Afirmou que, de acordo com o artigo 9º, XIX, da Lei 9.317/96, que foi introduzido pela Medida Provisória 1.99029/2000, as empresas que exercem atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos capítulos 22 a 24 do TIPI, não podem optar pelo Simples. Acrescentou que o conteúdo desse artigo foi transcrito em outras medidas provisórias. Nesse sentido, aduziu que a partir de 1/1/2001, as empresas que possuem como objeto tais atividades de industrialização, o que é o caso da recorrente, devem modificar sua tributação, de modo a passar a pertencer ao rol das empresas ao regime geral e não mais ao do regime simplificado federal. Evidenciou que, de acordo com o artigo 23, I, da IN/SRF 250/2002, deverá ser excluída de ofício a empresa que for retirada do Simples e não comunicar isso de forma espontânea. Por fim, transcreveu o artigo 24, II, da IN/SRF 250/2002, e afirmou que a classificação dos produtos fabricados não foi contestada. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 218 a 222 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de manifestação de inconformidade. Primeiramente, afirmou que a fiscalização apenas aplicou a letra fria da lei, sem analisar o que ocorre na vida real, uma vez que a recorrente não realiza todas as atividades previstas em seu contrato social, e não realiza, principalmente, a industrialização de bebidas classificada no capítulo 22 da Tabela de Incidência de IPI, atividade que levou a fiscalização a excluíla do Simples. Sendo assim, alegou que não houve fiscalização, uma vez que a recorrente não realiza atividade contrária aos princípios norteadores do Simples e que, segundo informação presente na página eletrônica da Receita Federal, deve haver a realização da atividade para que haja o enquadramento ou não da empresa junto ao Simples. Evidenciou que há jurisprudência no sentido de que deve haver prova da real atividade do contribuinte, de modo a impedir que ele sofra prejuízos e de modo a não inviabilizar a atividade econômica da empresa. Nesse sentido, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o recebimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, a reinclusão da recorrente no Simples e o arquivamento do presente processo. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.003512/200351 Acórdão n.º 1103001.013 S1C1T3 Fl. 227 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fl. 216 e 217 do eprocesso). Dele, pois, conheço. Conforme o contrato social da recorrente, seu objeto social compreende a exploração do ramo de indústria de bebidas, como batidas de limão, de maracujá, de côco, de amendoim, engarrafamento de aguardentes, fabricação e engarrafamento de vinhos, de vodkas (fl. 16). Tratase de cópia da alteração do contrato social de 12/4/01, que apenas consolida o contrato social (fls. 16 a 20). Ainda, consta nos autos cópia do livro de registro de saída de mercadorias nº 3, em que figuram as saídas de produtos sob codificação fiscal 512 e 612 (fls. 22 a 195). Não se pondo, conforme o contrato social, o objeto social da recorrente em zona cinzenta, é dela o onus probandi de que não exerce tais atividades, no caso, atividade de industrialização de produtos classificados no capítulo 22 da TIPI. Para sua alegação, a recorrente nada trouxe aos autos, a infirmar o que prevê seu objeto social. A cópia do livro de registro de saídas de mercadorias prova contra a recorrente. A exclusão do regime simplificado federal, portanto, é de rigor. Questão que pode gerar dúvida é quanto ao início dos efeitos da exclusão. Sucede que, para quem já exercia a atividade em comentário, a vedação ao Simples federal passou a se dar a partir de 1/1/01, em face do que dispunha o art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96 com a redação da Medida Provisória (MP) 1.99029, publicada em 13/3/00: Art. 14. O art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 6o da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 9º. .................................................................. [...] XIX que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas." (NR) [...] Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.003512/200351 Acórdão n.º 1103001.013 S1C1T3 Fl. 228 6 Art. 20. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. “ O art. 15, II, da Lei 9.317/96, com a redação do art. 73 da Medida Provisória 2.15834/01, previa o início dos efeitos da exclusão do Simples federal, a partir do mês subsequente da ocorrência da situação excludente de que trata os incisos II a XIX do art. 9º dessa lei. A melhor exegese da interpretação conjunta dos dispositivos legais é a de que os efeitos da exclusão do Simples federal se iniciam a partir de 1/1/01. Ocorre que a norma vedatória não tem eficácia a partir de 1/1/01. O que ela prevê é salvaguardar a contribuinte dos efeitos da exclusão do regime simplificado até 31/12/00. Esse é o sentido da dicção “mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas” do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96. Quer dizer, a norma legal colocou um termo a quo para a exclusão àqueles que já tenham exercido a opção pelo regime simplificado ao tempo da edição da MP 1.990 29/00. Para os que não exerceram a opção até a publicação da MP 1.99029/00, a vedação tem eficácia imediata. Assim, o art. 15, II, da Lei 9.317/96 combinado com o art. 9º, XIX, da mesma lei conduz à exegese de que o início dos efeitos da exclusão do Simples federal se dá em 1/1/01, a quem era optante do regime antes de 13/3/00. Não vejo, pois, como início dos efeitos da exclusão do Simples, o mês de fevereiro de 2001. Em tais termos, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de março de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720724/2010-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
Súmulas. Observância Obrigatória.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula Carf no. 49). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula Carf nº 2) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 07 24 /2 01 0- 16 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0639.262/13 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 63 a 69, que decidiu julgar procedente o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa por atraso na entrega da DCTF – Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais, relativa ao mês de agosto de 2006. O aresto restou assim ementado: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720724/201016 Acórdão n.º 1801001.999 S1TE01 Fl. 3 3 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 75 a 110, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese (transcrito do acórdão guerreado): “Após um breve relato dos fatos, a interessada alega, preliminarmente, a nulidade do auto de infração em face da inexistência dos Termos de Início e de Encerramento de Fiscalização. Sustenta que os referidos termos são essenciais e obrigatórios, sendo a existência dos mesmos formalmente exigida pelo art. 196 do Código Tributário Nacional para a validade do procedimento fiscal. Diz que o inciso IV, art. 11, da Portaria 3.007/2001, o qual possibilita a não emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nos casos de tratamento automático das declarações, é ilegal e afronta o princípio da legalidade. Pugna pela aplicação da hierarquia das leis e do princípio da legalidade, sustentando que a citada Portaria deve se subordinar aos preceitos da Lei Complementar, qual seja, o CTN . No mérito a contribuinte reclama, primeiramente, pela aplicação do instituto da denúncia espontânea. Sustenta que realizou a apresentação da declaração antes de qualquer medida de fiscalização e que, portanto, a aplicação da penalidade pecuniária, de acordo com a disposição contida no artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/66), deve ser afastada. Alega, também, que multa aplicada tem caráter punitivo e não ressarcitório, e que a mesma não encontra amparo legal no ordenamento jurídico, nem, tampouco, na interpretação doutrinária e na jurisprudência. Em outro tópico a interessada alega a ilegalidade de multa aplicada. Diz que o Estado não pode cobrar a Multa em qualquer percentual e de forma isolada; que a ele não é permitido cobrar a multa violando o direito de propriedade e inviabilizando a livre iniciativa e a atividade econômica da contribuinte; e que o mesmo deve aplicar as multas respeitando o princípio da razoabilidade. (...) Sustenta, também, a interessada a insubsistência da obrigação acessória frente ao cumprimento da obrigação principal. Alega que a obrigação acessória está vinculada à obrigação principal e que o desaparecimento dessa importa no desaparecimento daquela que lhe é relativa. E conclui que, no presente caso, a cobrança da multa é insubsistente, uma vez que os tributos declarados em DCTF foram devidamente recolhidos e extintos antes da entrega da declaração. Por fim, em outros três tópicos separados, a contribuinte discursa sobre princípios constitucionais que entende que foram frontalmente atingidos pela pretensão fiscal. Discorre primeiramente sobre a afronta ao princípio da razoabilidade, na seqüência sobre o efeito confiscatório da multa exigida e por último sobre a lesão aos princípios da proporcionalidade e da ordem econômica.” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 14/03/13, efls. 74; Recurso – 03/04/13, efls. 75 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Com relação às demais argüições da recorrente, de igual forma os argumentos veiculados no recurso voluntário não merecem melhor sorte. Equivocase a recorrente ao entender serem documentos fundamentais para a presente autuação os Termos de Início e/ou Encerramento de Fiscalização, bem como a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. O espírito da norma que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal é coibir abusos em procedimentos de fiscalização e conceder segurança aos contribuintes de que o procedimento realizado em sua pessoa (física/jurídica) é de natureza institucional. No presente caso, observase que a fiscalização pautouse pela observância das normas tributárias, materiais e procedimentais, ao se deparar com a situação fática revelada em revisão interna das declarações entregues pela contribuinte. Assim é que acolho a jurisprudência dominante deste CARF ao entender que o Mandado de Procedimento Fiscal é norma de natureza interna corporis e não possui o condão de levar à nulidade o lançamento fiscal pautado na norma tributária vigente, sendo suprido pelos outros termos lavrados pela autoridade fiscal revestida da competência natural de sua função. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720724/201016 Acórdão n.º 1801001.999 S1TE01 Fl. 4 5 Quando mais em relação ao presente processo, em que se trata de procedimento restrito à revisão de entrega de declaração, nos quais a própria Portaria SRF nº 6.087/05 citada pela recorrente, em seu artigo 11, dispensa a emissão de MPF: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). Incabível, portanto, no presente caso a arguição da recorrente no sentido de ser exigível a emissão do MPF. De idêntica forma quanto à exigibilidade de lavratura de Termo de Início ou Encerramento de fiscalização, precipuamente nos casos de lavratura de Autos de Infração, emitidos eletronicamente, que se restringem à verificação sumária de entrega de declarações (obrigações acessórias) a que se sujeita os contribuintes e cominação de penalidade correspondente. A ausência de tais termos fiscais não ferem as disposições inseridas no Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), quanto à formalização dos Autos de Infração e/ou Notificações de Lançamento. As nulidades admitidas no PAF impõe a flagrante ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte ou a prática do ato administrativo por autoridade incompetente. Esta é a inteligência do artigo 59, incisos I e II, combinado com a redação do artigo 60: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nenhuma das hipóteses elencadas nos dispositivos acima reproduzidos ocorreram no presente lançamento fiscal, razão pela qual afasto as nulidades suscitadas pela recorrente. A recorrente argúi que o cumprimento da obrigação acessória vinculase ao cumprimento da obrigação principal, sendo que, se cumprida a principal, não se pode exigir o cumprimento da acessória, ou cominarse penalidade pelo não cumprimento. Não há base normativa para sustentar a alegação da recorrente. Cediço é o teor do artigo 113 do CTN, que define as obrigações: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O parágrafo 3º acima transcrito deixa claro que o não cumprimento da obrigação acessória convertea em obrigação principal quanto à penalidade correspondente (multa pela falta/atraso na entrega de declaração, i.e) mas de forma alguma vincula a obrigação acessória ao pagamento de tributo devido. Por derradeiro, no que respeita às invocações da recorrente sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade de normas tributárias vigentes, e quanto ao que discorre sobre a ofensa destas normas aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, confisco tributário, capacidade contributiva e outros princípios constitucionais, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15504.725891/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO - NULIDADE. - DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo a autoridade julgadora esclarecido o erro material constante do relatório fiscal, e que a verba abono sindical não estaria contida no presente AI, não há qualquer nulidade na ausência de apreciação dos argumento sobre tal verba.
Recurso Voluntário Negado.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - GANHOS EVENTUAIS - NATUREZA SALARIAL
Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
CORRESPONSABILIDADE - INDICAÇÃO DOS SÓCIOS NOS RELATÓRIOS CONSTANTES DO AI (CORRESP E VÍNCULOS) - AUSÊNCIA DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL AOS SÓCIOS.
Nos termos da súmula n. 88 do CARF a Relação de Co-Responsáveis - CORRESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2401-003.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Os ganhos recebidos pelo empregado como retribuição pelo serviço prestado nada mais são do que verbas salariais que compõem o conceito de salário de contribuição. O fato da verba “ganhos” ser paga apenas alguns meses no ano, não lhe afasta a natureza de parcela paga em retribuição ao serviço prestado, consistindo, no mês em que for paga base de cálculo de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS GANHOS EVENTUAIS NATUREZA SALARIAL Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. CORRESPONSABILIDADE INDICAÇÃO DOS SÓCIOS NOS RELATÓRIOS CONSTANTES DO AI (CORRESP E VÍNCULOS) AUSÊNCIA DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL AOS SÓCIOS. Nos termos da súmula n. 88 do CARF a Relação de CoResponsáveis CORRESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 58 91 /2 01 1- 78 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo a autoridade julgadora esclarecido o erro material constante do relatório fiscal, e que a verba abono sindical não estaria contida no presente AI, não há qualquer nulidade na ausência de apreciação dos argumento sobre tal verba. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal AIOP, lavrado sob o n. 37.343.5746 em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, tendo o crédito sido constituído sobre salários indireto pagos no período de 01/2008 a 12/2008, sob a rubrica “ganho eventual” Conforme relatório fiscal de fls. 14/22 e Relatórios Discriminativo do Débito – DD (fls. 4/8) e de Lançamentos – RL (fls. 34/36), os valores lançados são incidentes sobre importâncias pagas a empregados denominadas Ganho eventual. Consta no relatório fiscal de fls. 14/22 conforme segue: PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A DENOMINAÇÃO DE GANHO EVENTUAL E ABONO ACORDO SINDICAL Pela análise das folhas de pagamento de 01/2008 a 12/2008 foram identificados pagamentos efetuados com a rubrica “28140 – Ganho eventual” e “21405 –Abono Acordo Sindical”. Tais pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tais valores também não foram declarados como tal em GFIP. Por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 002, o contribuinte foi intimado a apresentar, em relação às competências de 01/2008 a 13/2008, os documentos relativos ao dissídio coletivo da categoria que trata dos pagamentos efetuados a título de Abono acordo sindical (rubrica 21405), bem como, outros dissídios ou regulamento da empresa que tratem de benefícios concedidos a empregados ou de pagamentos efetuados, como no caso da rubrica Ganho eventual (código 28140). A empresa não apresentou convenção coletiva, regulamento ou qualquer outro documentos que contivessem as regras relativas aos valores pagos a título de Ganho eventual e Abono acordo sindical. Considerandose o que dispõe, acerca do conceito de salário de contribuição, a Lei nº 8.212/1991, artigo 28 e o Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048/1999, artigo 214, tais importâncias foram consideradas fatos geradores de contribuição previdenciária. Foram elaborados os demonstrativos Anexos II e III (fls. 24/33) que discriminam os pagamentos efetuados sob essas rubricas, por código do trabalhador, totalizando por competência. Esses fatos geradores foram identificados nos autos com o código de levantamento E1, E11, E12, GE, GE1,GE2. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 05/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 12/12/2011. Não conformada com a autuação a recorrente S/A ESTADO DE MINAS apresentou impugnação, fls. 126 a 144. Também apresentaram impugnações as empresas indicadas como solidárias SOCIEDADE RADIO E TELEVISÃO ALTEROSA LTDA, e S/A GUARANI. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 257 a 263 . ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 REPRESENTANTES LEGAIS DA EMPRESA. As informações acerca dos administradores e representantes legais do sujeito passivo inseridas nos anexos “REPLEG” e “VÍNCULOS” não constitui imputação de responsabilidade tributária aos mesmos. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para Outras Entidades e Fundos a seu cargo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentou recurso, fls. 448 a 485, onde argumenta em síntese: 1. Diz que não assiste razão ao fisco no que toca a procedência dos lançamentos realizados, porque a autoridade fiscal fez incidir contribuições previdenciárias sobre parcelas que não compõem o saláriodecontribuição dos empregados. 2. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES Alega ser impossível a imputação de responsabilidade solidária aos administradores sem que tenha ocorrido a prática de atos ilícitos ou que tenha havido atuação com excesso de poderes. Cita o artigo 135 do CTN. Aduz que a infração da lei a que se refere esse artigo do CTN não se refere ao mero pagamento do tributo conforme caracterizado pela fiscalização. Cita doutrina e jurisprudência. 3. Acrescenta que a própria controvérsia acerca da legitimidade do entendimento destacado no lançamento impugnado desfaz qualquer dúvida quanto ao comportamento excessivo em face das normas aplicáveis, inexistindo qualquer atitude dolosa capaz de permitir a solidariedade cogitada. 4. VALORES PAGOS A TÍTULO DE GANHO EVENTUAL (RUBRICA 28140 e 29135) 5. Afirma que os valores pagos a título de ganho eventual, rubricas 28140 e 29135, não possuem natureza salarial e por isso sob elas não deve incidir contribuição para a previdência social. Aduz que pela leitura do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 214, apenas os benefícios financeiros que integrem a remuneração devem ser entendidos como saláriodecontribuição. 6. Disserta sobre remuneração e contrato de trabalho e conclui que remuneração se configura por um conjunto de prestações recebida habitualmente pelo empregado em decorrência da prestação de serviços decorrente do contrato de trabalho. Aduz que quando for verificado o pagamento recorrente de determinada verba é que se poderá entender que estas estão pactuadas ainda que tacitamente. Diz que a jurisprudência corrobora esse entendimento. Cita Súmula do STF. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 4 5 7. Afirma que é pressuposto constitucional que os ganhos que sofrerão incidência de contribuição previdenciária são apenas aqueles habituais, sendo que a Lei nº 8.212/1991 exclui as verbas eventuais da hipótese de incidência. 8. Conclui que, como o pagamento do bônus não se deu com habitualidade tal pagamento amoldase exatamente nas disposições do RPS, artigo 214, § 9º. 9. Diz que o prêmio somente integra o salário e se torna passível de incidência de contribuição previdenciária a partir do momento em que se caracteriza a habitualidade do seu pagamento porque, senão, tornase verba eventual e, conseqüentemente, não sujeita à tributação previdenciária. Cita doutrina de DELGADO, Maurício Godinho, Curso de Direito de Trabalho que ratificaria esse entendimento. 10. Acrescenta que o próprio parecer CJMPS nº 1.797/1999 exige, para caracterizar o prêmio como verba passível de incidência da contribuição previdenciária o requisito essencial da habitualidade. 11. Cita jurisprudência que trata de bonificação por assiduidade/produtividade e de premiação e conclui que a habitualidade corresponde à idéia de repetição uniforme, em certo contexto temporal, em relação a determinado beneficiário e que descaracterizada essa hipótese, não há se falar em incidência de contribuição previdenciária. 12. VALORES PAGOS A TÍTULO DE ABONO ACORDO SINDICAL PARA EMPREGADOS Em relação aos valores pagos a título de abono acordo sindical foram objeto de autuação somente os valores pagos a dois empregados conforme se extrai do Anexo I do auto de infração. 13. Aduz que, no que diz respeito à empregada cujo “Cód. Trabalhador” é o de nº 021010920, tratase de Tatiana Hoelze Martins Morais, que, até 2/6/2006 prestou serviços para a Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda, conforme documento juntado aos autos. Diz que a partir dessa data o empregado teve seu contrato de trabalho transferido para ela. 14. Acrescenta que, apesar de ter pago o abono ao empregado, tal abono se refere ao período que essa empregada esteve a serviço da Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda, sendo que para essa empresa existe Convenção Coletiva de Trabalho com cópia juntada aos autos. 15. Diz que nos termos da legislação em vigor não integram o saláriodecontribuição os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei, e não os abonos pagos em virtude de lei. 16. Acrescenta que no caso em análise o Abono Acordo Sindical foi pago em cumprimento às Convenções Coletivas de Trabalho – CCT, 2008/2009 (juntada aos autos) e nada mais é do que um abono único no valor de R$ 1.400,00 dividido em três parcelas para não onerar, a um só tempo, o caixa da empresa. Portanto, por determinação legal contida na CLT, artigo 144, tal pagamento é desvinculado do salário. Explica que o artigo 144 da CLT consignou que os abonos concedidos em virtude de convenção coletiva não integrarão a remuneração do empregado. Cita jurisprudência do STJ que corrobora esse entendimento. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 17. Afirma que ademais o abono pago por força da Convenção Coletiva de Trabalho não condiciona o segurado empregado ao cumprimento de qualquer exigência, tratandose, portanto, de verba indenizatória, não integrando o saláriodecontribuição. Cita jurisprudência nesse sentido. 18. Conclui ser inconteste a existência de expressa disposição legal que desvincula da remuneração o abono pago em cumprimento às Convenções Coletivas de Trabalho 2008/2009 da Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda. 19. Diz que o pagamento não decorreu de mera liberalidade do empregador mas por força de determinação de CCT de 2008/2009 e, portanto, não há habitualidade. Aduz que ausente a certeza de sua ocorrência para todos os anos o pagamento do abono é ganho eventual. 20. Assevera que a natureza do abono é indenizatória pois que visa à indenização dos empregados pela demora no término da negociação coletiva. 21. Aduz que o mesmo se aplica à empregada com “Cód. Trabalhador” nº 021010799, Marina Assis Chaves que recebeu abono em função do período que esteve a serviço da Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda. 22. PEDIDOS Requer seja reconhecida a impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária a seus administradores. Requer seja declarada a improcedência/cancelamento do lançamento fiscal relativamente aos valores pagos a título de ganho eventual, de abono pago a título de Abono Acordo Sindical. 23. O contribuinte juntou cópia de documentos A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 448 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA DECISÃO PROFERIDA PELO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Em seu recurso, descreve o recorrente que a decisão de primeira instância não analisou as alegações do recorrente sobre o abono acordo sindical (rubrica 21405), senão vejamos trecho do recurso: Analisando a referida decisão, observase realmente a falta do julgador, posto que mesmo não refutou os argumentos trazidos pelo recorrente, sendo que os mesmos são fundamentais para determinação da procedência do lançamento. Ora, embora entenda que nem sempre se faz necessário apreciar ponto a ponto trazido na peça impugnatória ou recursal, compete a autoridade fiscal, no mínimo afastar em conjunto as alegações. Contudo, ao observarmos os termos da decisão de primeira instância, a autoridade julgadora já enfatizou que, apesar de constar do relatório fiscal, a verba abono sindical, não encontrase lançada no presente AIOP (bastando confrontar essa informação com a do relatório Discriminativo analítico de débito – DAD). Também não haveria de se decretar a nulidade do lançamento, face a falta cometida pelo julgador, nem tampouco, poderíamos falar que o mesmo tacitamente concordou com os argumentos trazidos pelo autuado em sua defesa, tendo em vista que o julgador não abordou de forma aprofundada as questões trazidas quanto ao referido abono, já que o mesmo não consta da autuação e que o AI encontrase devidamente fundamentado. Vícios materiais, que não interfiram no débito lançado, e que restaram apreciados pela autoridade julgadora (justamente indicando a falta cometida pelo relatório fiscal) não nulidificam o lançamento ou a decisão proferida. DO MÉRITO Tendo a autoridade julgadora, afastado a existência de abono no presente lançamento, restanos apreciar a questão dos ganhos eventuais. Antes de apreciar esse argumento, entendo pertinente transcrever a legislação que define o conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 6 9 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, avaliando o dispositivo legal, acima transcrito, não se encontram dentro do rol de exclusão, os valores de ganhos eventuais. Considerando a amplitude do conceito de remuneração, e que nenhum dos dispositivos do art. 28, § 9º da lei 821291, foi revogado ou alterado, não pode o recorrente atriubuir verba “ganhos eventuais”. Outra natureza que não a salarial. Para que possamos, definir a natureza salarial de uma verba paga ao empregado, devese, primeiramente identificar se a verba agregará valor ao ganho recebido pelo empregado, ou simplesmente transitará em sua contabilidade pessoal, porém já nasce em sua essência com destinação específica. Podemos, claramente identificar essa diferença no pagamento de um adicional, uma gratificação em relação a uma diária paga pelo empregador para o exercício de uma viagem a serviço (POR EXEMPLO). Nos dois primeiros casos, embora os fundamentos para os pagamentos sejam distinto, não há como afastar o fato que ao receber os valores do empregador poderá o empregado dele dispor da maneira que bem entender. Diferente das diárias, cuja vinculação encontrese adstrita a pagamento de alimentação, estada e transporte quando da execução da atividade em cidade diversa da contratação de serviços. DA HABITUALIDADE NO PAGAMENTO Argumentar que a verba não era paga com habitualidade, mas apenas eventualmente, também não demonstra equivoco no lançamento realizado. Aliás, o conceito de habitual, no presente caso, não se reporta a idéia de pagamentos constantes (continuados), porque se assim o fosse, de pronto já constituiriam salário de contribuição. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário, ou mesmo quando buscase definir uma parcela in natura (utilidades)como integrante do conceito de Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 7 11 remuneração. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fator determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória. Aliás, muito se observa a preocupação exacerbada quanto a nomenclatura adotada pelas empresas, quando fornecem benefícios indiretos ao seus trabalhadores. É fato que muitas se utilizam de nomes que transmitem, em uma primeira visão aspectos de que se trata de verba indenizatória, apenas no intuito de mascarar uma verba salarial. Isto posto, entendo que o GANHO tido pelo empregado, mesmo que ententual, no mês em que for pago nada mais é do que uma remuneração indireta, para que naquela competência (mês), haja incidência de contribuição previdenciária. CORRESPONSÁVEIS Aliás, apenas para esclarecer o papel do relatório de vínculos, sem adentrar aos aspectos questionados pelo recorrente, posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 88 aprovada em sessão plenária de 10/12/2012: Assim, não há discussão acerca das atribuições dos administradores, mas a descrição dos mesmos no relatório de vínculos ou corresponsáveis, por serem perante o ente público os responsáveis pela PJ autuada. Não se atribui responsabilidade pessoal, mas indicação dos responsáveis pela pessoa jurídica. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Assim, no entender dessa relatora, o lançamento seguiu os ditames previstos, estando correta a posição da autoridade julgadora de manter o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto POR CONHECER DO RECURSO, para rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância e no mérito por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.001045/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 01/12/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário.
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de prestar esclarecimentos que lhe foram requeridos em sede de ação fiscal, sem qualquer prova que justificasse sua omissão, é de ser mantida a multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 01/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de prestar esclarecimentos que lhe foram requeridos em sede de ação fiscal, sem qualquer prova que justificasse sua omissão, é de ser mantida a multa aplicada. Recurso Voluntário Negado.
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ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de prestar esclarecimentos que lhe foram requeridos em sede de ação fiscal, sem qualquer prova que justificasse sua omissão, é de ser mantida a multa aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 45 /2 01 0- 18 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001045/201018 Acórdão n.º 2401003.598 S2C4T1 Fl. 115 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por VIAÇÃO BRISTOL LTDA., em face do acórdão de fls. 76/85, por meio do qual foi mantida a integralidade o crédito tributário constituído no Auto de Infração n. 37.233.1793, por ter a recorrente deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal esclarecimentos necessários à fiscalização infringindo o Regulamento da Previdência Social. Consta do relatório fiscal de fls. 09 que a empresa atendeu parcialmente à intimação para explicar os seguintes questionamentos: (i) códigos utilizados na folha de pagamento, entregando somente uma relação que esta anexada aos autos de fls 7/8, em que se constata estarem presentes apenas os descontos e não os proventos e a respectiva tabela de incidência gerada pelo sistema da folha de pagamento; (ii) Não entregou nem justificou por escrito o regulamento da participação nos Lucros ou resultados, Regulamento dos Benefícios concedidos ao Trabalhador, Cópia de comprovante de residência atualizada de Vicente dos A D Ferraz, Cópias de Escritura de imóveis e de certidões de registro de veículos e relação dos mesmos, Livro de Inspeção do Trabalho; e (iii) não prestou informações sobre compensações efetuadas na GFIP competência de 13/2007. O lançamento compreende as competências de 07/2006 a 13/2007, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 17/09/2009 (fls. 29). Do acórdão de primeira instância depreendese que a multa aplicada foi mantida visto que não preencheu todos os requisitos necessários para seja relevada. Em seu recurso preliminarmente sustenta a nulidade do presente Auto de Infração em razão de que o MPF inicial que previa a fiscalização dirigida ao Imposto de Renda do ano de 2005 foi alterado sem a sua ciência para a inclusão de fiscalização de contribuições previdenciárias no período de 07/2006 a 12/2007, situação que configurou o cerceamento de seu direito de defesa. Acrescenta que já havia sido anteriormente fiscalizado no período em questão, de forma que segundo sua tese não seria justificável novas intimações para se apresentar novos documentos. Aduz, por fim, que não existe previsão legal para que o contribuinte seja penalizado por não apresentar copias de escrituras de imóveis, copia de registro de veículos ou Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 comprovante de residência de sócios conforme consta no relatório de procedimento fiscal e aplicação da multa. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001045/201018 Acórdão n.º 2401003.598 S2C4T1 Fl. 116 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES na modificação do objeto do Mandado de Procedimento Fiscal originalmente emitido. Alega que a alteração do objeto da fiscalização inicialmente dirigida ao Imposto de Renda do ano de 2005 para a verificação das contribuições previdenciárias dos anos de 2006 e 2007. Todavia, os documentos integrantes dos autos comprovam que o procedimento realizado pelo Auditor Fiscal, além de estar em conformidade com as normas em vigor, previa inicialmente que a fiscalização darseia inclusive no tocante a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, conforme bem apontou a DRJ no seguinte excerto do voto condutor: a ação fiscal foi instaurada mediante o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08.1.90.002008022126, emitido em 27/03/2008, com as devidas prorrogações, sendo a última com validade até 16/05/2010, cópias às fls. 01/02 e fls. 10/11; conforme se verifica às fls. 01, o MPF inicial, emitido em 27/03/2008, já autorizava a fiscalização dc contribuições previdenciárias c para Outras Entidades c Fundos referente ao período de 07/2006 a 12/2007: Assim, rejeito a preliminar. MÉRITO No tocante ao mérito, a omissão em prestar os esclarecimentos fora contestada apenas no sentido de que os documentos estavam disponíveis à fiscalização, no entanto, não trouxe o contribuinte qualquer prova de tais alegações, tendo, inclusive efetuado pedido de relevação da multa em primeira instância, o que demonstra que de fato não havia qualquer disponibilidade dos documentos ou mesmo que tais esclarecimentos tenham sido efetivamente prestados. Ademais, os documentos nem mesmo foram apresentados quando de sua impugnação, o que motivou a rejeição do pedido de relevação da multa formulado em primeira instancia e não repetido em sede de recurso voluntário. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Muito menos trouxe prova aos autos no sentido de que já fora objeto de fiscalização anterior das mesmas contribuições objeto de lançamento nos autos do presente processo, sobretudo a demonstrar que, mesmo novamente fiscalizado, não houvesse qualquer justificativa para que a auditoria viesse a lhe requerer os esclarecimentos não prestados indicados no relatório fiscal do presente Auto de Infração. No entanto, em que pese este relator reconhecer que os esclarecimentos não tenham sido prestados, ou mesmo que não haja qualquer prova em sentido contrário, tenho que uma das alegações de recurso merece a atenção desta Eg. Turma, qual seja a de que não pode a parte ser penalizada pela totalidade dos fundamentos elencados no relatório fiscal do presente Auto de Infração. Explico. In casu, a empresa foi autuada por infração ao art. 32, inciso III, §11 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09, e art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, abaixo transcritos, tendo em vista que deixou de apresentar ou apresentou parcialmente os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização discriminados no Relatório Fiscal da Infração: Lei n° 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ou seja, a falta imputada no presente Auto de Infração com base no fundamento legal supra é a conduta da parte de deixar de prestar à fiscalização esclarecimentos que lhe foram solicitados e não simplesmente de deixar de apresentar documentos, situação esta que também é positivada como infração à legislação previdenciária, no entanto, que possui outro fundamento legal, que não aquele que se refere à conduta de não prestar esclarecimentos. E atento a tal diferenciação, vi que o auditor justificou a penalização da parte com a multa ora combatida pela não apenas por ter deixado de prestar os esclarecimentos solicitados, mas também pelo simples fato de ter deixado de apresentar uma série dos documentos a seguir listados: (i) o regulamento da participação nos Lucros ou resultados; (ii) Regulamento dos Benefícios concedidos ao Trabalhador; (iii) Cópia de comprovante de residência atualizada de Vicente dos A D Ferraz; (iv) Cópias de Escritura de imóveis; (v) certidões de registro de veículos e relação dos mesmos; (vi) Livro de Inspeção do Trabalho Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001045/201018 Acórdão n.º 2401003.598 S2C4T1 Fl. 117 7 Assim, tenho para mim que o fato de simplesmente não terem sido apresentados os documentos supra, não é conduta que se amolda ao lançamento da multa objeto do presente Auto de Infração, mas que deveriam ser condutas consideradas para aplicação da multa prevista no art. 283, II ," j " Decreto 3.048/99, específico para apenar tal conduta. E tanto é assim que o mesmo contribuinte teve contra si lavrado um Auto de Infração exclusivamente pela não apresentação de documentação solicitada (AI 37.233.1815 3), que acabamos de julgar. Logo, entendo que assiste razão ao recorrente quando se insurge contra o fato de que a multa objeto do presente processo poderia ser lançada com fundamento na mera não apresentação dos documentos listados acima . Todavia, conforme já explicitado, a multa objeto do presente Auto de Infração não fora lançada, simplesmente pelo fato de que não foram apresentados documentos, mas também em razão de não terem sido prestados os esclarecimentos solicitados sobre os códigos utilizados nas folhas de pagamento, bem como do procedimento de compensação levado a efeito na competência de 13/2007. O não atendimento de tais solicitações, por si só, o que está comprovado nos autos, já é motivo suficiente para a manutenção da multa lançada, por ser de valor único independentemente do número de motivos que justificaram o seu lançamento. Assim, mesmo em se reconhecendo que parte dos fundamentos constantes no relatório não são aptos a justificar o lançamento, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do lançamento. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito em NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.918339/2012-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 39 /2 01 2- 80 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10283.720910/2010-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 10 /2 01 0- 17 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 609 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 304308, com a exigência do crédito tributário no valor de R$37.939,39 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2007. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração de ISS, (Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas AIDDP's nºs 79, 121, 116, 146, 171 e 193 de 2007), fl. 301 e no Livro Caixa, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 296303. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 518, art. 519 e art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 610 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 309314 com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.520,19 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24 da Lei nº 9.249, de 29 de dezembro de 1995 e alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 315319 com a exigência do crédito tributário no valor de R$20 862,66 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 320325 a exigência do crédito tributário no valor de R$19 985,3 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 22 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 349383, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: 2. Dos Fatos A impugnante se dedica à produção, organização e promoção de espetáculos artísticos e eventos culturais, conforme cópia de seu Contrato Social [...]. Para tanto, realizou diversos eventos nos anos de 2007 e 2008, submetendo se, conseqüentemente, ao recolhimento dos Impostos Sobre Serviços à Prefeitura do Município de Manaus, tendo em vista que, em referida municipalidade, é a empresa cadastrada e responsável pela organização desses eventos. [...] Embora a Fiscalização tenha fundamentado suas premissas neste particular, demonstrarseá, ao final, o seguinte: 1. Os incorretos critérios utilizados para apuração da base de cálculo da suposta receita omitida; 2. Desconsideração de instrumentos jurídicos realizados pela Impugnante; 3. Ausência de busca da verdade material por parte da Fiscalização; e 4. A existência de lançamento realizado exclusivamente em instrumentos que conduzem a meros indícios. [...] 3. Do Mérito 3.1 Da Prova da Efetiva Ocorrência do Crédito Tributário. Inexistência. [...] Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 611 4 Não houve qualquer intimação sobre o pedido de prazo para a entrega dos demais documentos desta Impugnante resumindose apenas a solicitar "esclarecimentos" de fatos jurídicos que não dizem respeito aos Impostos de competência Federal, mas sim apenas relativos ao ISS, de nítida competência municipal. Transferir o ônus de prova à Impugnante e sem, posteriormente, ter sido realizada qualquer intimação do contribuinte para contrapor ou mesmo para esclarecer fatos que demonstrassem a busca da verdade material por parte da Fiscalização, só reforçam a nulidade instransponível havida com o lançamento ora Impugnado. [...] 3.2. Da Omissão de Receitas: A simples responsabilidade legal quanto a r : : s obtenção das [Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas] AIDDP's não implica em inversão do ônus da prova, cabendo à Fiscalização comprovar a sua relação com qualquer omissão de receitas [...] A Fiscalização não soube diferenciar a presunção legal onde o ônus em se provar a ocorrência da hipótese de incidência passa a ser do contribuinte por força de Lei da relativa, situação na qual este ônus permanece com a Fiscalização; ou seja, o simples fato da Impugnante não ter apresentado todos os documentos solicitados não cria situação jurídica suficiente a justificar a inversão do ônus da prova por um único fato relevante: não há qualquer previsão legal que autorize às Autoridades para tanto. E não há de se olvidar que os documentos de que se ressentem as Autoridades que presidiram esta fiscalização não foram entregues porque a Impugnante, a despeito de ter solicitado mais tempo, não teve seu pedido sequer, analisado. [...] Após os esclarecimentos prestados no Termo de intimação, a Fiscalização simplesmente ignorou todos os argumentos relativos à inexistência de parte das receitas por parte da Impugnante e, simplesmente, lançou todos os impostos com fundamento apenas e exclusivamente no total das AIDDP'S, ignorando totalmente as alegações da Impugnante quanto ao fato concreto [...] de que estas não representavam a integralidade das receitas da impugnante, já que outros parceiros tinham participação na receita bruta do evento. Todos estes esclarecimentos foram ignorados e sequer a Fiscalização empreendeu novas diligências para apurar o quanto esclarecido pela empresa! E não se pode perder de vista, ao contrário do quanto realizado no auto, o simples cotejo realizado pela Fiscalização entre os valores declarados pela Impugnante em seus livros Fiscais e os valores apurados por meio das AIDDP'S sejam hipóteses previstas na Legislação e tidas como aptas a impor o ônus da prova. [...] É importante que se frise novamente que a única fundamentação do Lançamento ora impugnado tratase do fato de a [...] Impugnante ter figurado como solicitante perante a Prefeitura de Manaus, no que concerne à obtenção das AIDDP's., No entanto, com a mesma ênfase, é necessário reconhecer que jamais restou provado pela Fiscalização que a totalidade dos recursos advindos com a venda de ingressos efetivamente representou integralidade de receitas à Impugnante, como bem faz crer em seu lançamento. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 612 5 Ao contrário, a Impugnante, durante a fiscalização fez prova de que grande do faturamento refletido nas AIDDP'as não lhes pertencia, informação que foi totalmente ignorada pela Fiscalização. Uma premissa é importante que fique desde já consolidada: os valores declarados ao Fisco pela Impugnante existem, porém, em proporção diferente do quanto apurado em cotejo com as AIDDP's, pois, para fins de apuração da base cálculo para o ISS sempre se terá o valor integral da venda de ingressos; todavia, para fins da base de cálculo do IRPJ e demais tributos federais, deve ser verificado apenas o valor que concerne efetivamente ao seu faturamento, ou seja, a parcela pertencente à Impugnante na totalidade dos ingressos, após a divisão das verdadeiras sociedades que são constituídas para a realização de cada um dos eventos. Ou seja, jamais se tratou de hipótese de pagamento de serviços de terceiros, o que necessariamente induziria à conclusão de que todo o faturamento advindo com a venda das AIDDP'S pertenceu e ingressou no [seu] caixa; ao contrário, sempre os eventos foram realizados em parceria, as quais tinham como origem o total de ingressos vendidos, justificandose assim o fato destes recursos não terem ingressado em sua totalidade para a Impugnante. [...] No entanto, embora a Fiscalização tenha sido advertida tempestivamente destes fatos, resolveu por ignorálos totalmente, sendo este o motivo de alegação da presente nulidade. Logo, há de ser declarado nulo o Auto, tendo em vista a incorreta apuração da base imponível dos tributos lançados, especialmente não observação a todos os documentos apresentados quando no momento da apresentação do termo de intimação. 3.2.1 Insuficiência das AIDDP's como base imponível à tributação Federal: análise da legislação municipal [...] A Legislação do Município de Manaus em pouco se difere das demais do Brasil. Embora seja totalmente discutível a "venda de ingressos" como base imponível para o imposto sobre serviços, é importante se destacar esta foi a única forma que as municipalidades encontraram para controlar estes eventos, a partir da eleição de apenas um contribuinte que, em via de regra, é aquele Agente organizador, o qual geralmente tem sede na cidade e local do evento. Todavia, a praxe deste mercado é muito peculiar, de forma que a Organização do evento nunca aufere para si a integralidade das receitas auferidas com a venda de seus ingressos. [...] Da mesma forma, assim como a simples informação relativa aos contratos não pode servir como fato imponível para os tributos federais, a simples informação de venda de ingressos por meio da Municipalidade de Manaus também não o serve, posto que jamais a totalidade destes recursos se reverteram em receitas próprias da Impugnante, conforme bem comprovam os contratos de parceria que seguem anexos a presente. 3.2.2 Das relevantes parcerias para a divulgação dos eventos: percentual de cortesias superior aos 5% admitidos pelas AIDDP's Ausência de limitação legal para apuração receita tributável. Quando da realização de cada evento, é notório que se faça necessário que os mesmos sejam divulgados em variados meios de mídia. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 613 6 Em contrapartida, este mesmo "patrocínio para divulgação" não necessariamente se converte em aporte financeiro para os eventos, de forma que ingressos de cortesia são amplamente fornecidos e entregues gratuitamente à sociedade para que, assim, se angarie um maior número de participantes. Dada esta prática de mercado, comumente se percebe sorteios de ingressos para shows em jornais, rádios e demais meios de comunicação, os quais em uma via dupla auxiliam na publicidade de seus programas, na mesma medida em que permutam ingressos a serem distribuídos, sem que, para isso haja qualquer cessão de créditos ou fato imponível tributável. No entanto, conforme já destacado em tópico anterior, quando se esclareceu a forma de emissão das AIDDP's, a Municipalidade somente admite que apenas 5% dos ingressos sejam desonerados do ISS a título de cortesia. Porém, embora para fins deste Imposto Municipal haja um limitador legal, o mesmo não ocorre para com a Legislação Federal. [...] É importante também se ressaltar que esta divulgação que também não representa receita para a Impugnante acaba sempre representando um custo na produção do evento que não necessariamente se reverte em uma fonte tributável. [...] Novamente fixadas estas premissas, temos que as AIDDP's em primeiro: i) não refletem a efetiva prestação dos serviços prestados pela Impugnante; ii) não indicam as exclusões legalmente permitidas por força de Lei e, especialmente; iii) não consideraram as saídas que aqui se equivalem às cortesias uma vez que, embora tenha havido a emissão dos ingressos, não houve a sua efetiva venda [...] Logo, como a base de cálculo para IRPJ/CSLL/PIS/COFINS das empresas optantes do regime do lucro presumido é o faturamento bruto/receita de vendas, tudo o que não for enquadrado como receita/faturamento deve ser excluído da base de cálculo destes impostos, sendo certo que os valores apurados a partir das AIDDP's não representa a verdadeira receita desta Impugnante. [...] Nesse sentido, se comprova [...] a incoerência relacionada à omissão de receitas descritas no auto, impondose, mais uma vez e por estes fundamentos, o reconhecimento da nulidade do lançamento. 3.3. Da constituição de Parcerias com Terceiros e com as Bandas apresentantes para a realização dos Eventos Divisão da Receita Bruta Praxe de Mercado Praticada [...] [As] parcerias, que geralmente tiveram a mesma base de cálculo das AIDDP's, representam verdadeira partilha de receitas, que devem ser confrontadas isoladamente para cada um daqueles que as percebeu, tudo de forma a refletir a "verdade material" dos fatos imponíveis, relativos às contribuições e Impostos Federais, condições estas tão essenciais à comprovação da omissão de receitas diante da legislação aplicável. [...] Ainda que depois de instalado o processo administrativotributário venham a ser colacionadas provas capazes de constituir o fato jurídico ou o ilícito tributário, tal procedimento não supre a invalidade que afeta o ato, pois, como anotamos, trata Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 614 7 se de vício na estrutura interna, de natureza não convalidável. A instrução, realizada no corpo do processo instaurado por ocasião da impugnação do contribuinte, volta se tãosomente ao convencimento do julgador sobre pontos contraditados pelo particular, não servindo para preencher eventual ausência de comprovação do fato que serve de suporte à exigência ou autuação fiscal. Como inexiste a comprovação da verdade material concernente à omissão de receitas, inconsistente o Lançamento por expressa violação aos artigos 112, 142 todos do CTN, e quanto ao artigo 10°, do Decreto n° 70.235/72. 3.4 Dos valores Recolhido ao ECAD [Escritório Central de Arrecadação e Distribuição dos direitos autorais de execução pública musical] como comprovação dos argumentos Sabese que o ECAD calcula os valores que devem ser pagos pelos usuários de música de acordo com os critérios do Regulamento de Arrecadação desenvolvido pelos próprios titulares, através de suas associações musicais. O valor a ser pago é calculado sempre em função do parâmetro físico ou de percentual incidente sobre a receita bruta. [...] Notase que a legislação relativa aos direitos autorais traz duas informações importantes: admite um percentual de 10% de ingressos de cortesia; e, também cobra seus direitos sobre percentual da receita bruta dos eventos. Logo, se o objetivo do lançamento tinha como premissa uma apuração indireta por meio das AIDDP’s no mínimo um cotejo com os valores recolhidos ao ECAD deveriam ter sido feito, o que não o ocorreu no caso concreto. Desta sorte, ratificase a necessidade do reconhecimento de nulidade do auto em face da incorreta apuração de sua base de cálculo. 4. Da existência de duplo lançamento quanto ao período de apuração setembro/08 e outubro/2008. [...] Para comprovar a inexistência de nenhum outro evento no mesmo período, seguem anexas todas as AIDDP's, emitidas entre os anos de 2007 e 2008, tudo para que se ateste a existência deste único evento. Sendo assim, embora não concordando com o lançamento realizado, devese, no mínimo, retificálo para excluir de sua base de cálculo a duplicidade de crédito tributário relativo ao período de setembro/08, tendo em vista que este foi declarado no outubro seguinte, tendo havido inclusive o recolhimento de todos os impostos. 5. Dos Princípios da Administração Pública A solução do caso demanda, ainda, aplicar princípios próprios à Administração Pública, em especial os da razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e capacidade contributiva. [...] 6. Da necessidade de interpretação das razões seguindo aos termos do quanto exposto no Art. 112. CTN Os elementos colacionados apontam para ilegalidade do auto de infração, baseado apenas em informações de AIDDP's, já que isoladamente não comprova a omissão de receita alegada no Lançamento e, especialmente por não se ter Fl. 614DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 615 8 demonstrado nos autos os mesmos limites relativos a um acréscimo e disponibilidade patrimonial equivalente. Corroborando este entendimento, o art. 112, do CTN, determina o emprego de uma interpretação benéfica ao contribuinte, se houver dúvidas quanto às circunstâncias de fato, a extensão dos efeitos derivados de sua infração e a penalidade cabível diante dessas circunstâncias. 7. Realização de diligências [...] Tal pedido consiste em se determinar a baixa do processo para a realização de diligências, com o fim da Fiscalização de avaliar cada evento mencionado no auto de infração, no sentido de apurar a real receita da Impugnante em cada um daqueles, e assim formar a base de cálculo que de fato se adeque à realidade dos fatos e ao objeto da fiscalização, sob pena de ser mantida ao contribuinte uma receita fictícia e, por isso, uma tributação irreal, capaz de promover a falência da Impugnante. Aqui, cabe destacar que tal medida não poderá ser indeferida, sob a justificativa do contribuinte impugnar especificamente o lançamento na presente defesa, vez que o caso não comporta a inversão do ônus da prova, que cabe especificamente á fiscalização, como já abordado nos tópicos anteriores. Na mesma oportunidade, poderá ser analisada a movimentação financeira, expressa nos extratos bancários anexos, seja para evidenciar a razoabilidade da receita já declarada pela Impugnante, seja para demonstrar a desproporcionalidade do montante considerado pela fiscalização como omisso e expresso no auto aqui combatido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto requerse que se digne a: 1) Reconhecer a improcedência do auto de infração, baseado apenas nas informações dos AIDDP's, relativamente aos exercícios de 2007 e 20086, vez que desacompanhados da efetiva comprovação da relação destas com a alegada omissão de receitas e, especialmente, por não ter sido evidenciado qualquer acréscimo de patrimônio à disponibilidade econômica ou jurídica da Impugnante, não restando comprovada as hipóteses de incidência do IRP3 e adicionais, CSLL, PIS e COFINS, tudo nos termos da presente Impugnação. 2) Caso não haja reconhecimento do pedido anterior, o que se pondera por respeito ao debate, requerse, de forma alternativa, a baixa do processo para a realização de diligências de natureza fáticocontábil, com o propósito de se apurar a verdadeira base de cálculo dos tributos lançados, aplicandose, assim, os princípios mencionados na presente defesa, sob pena de imputar uma tributação excessiva, capaz de configurar a prática de excesso de exação, tipificada, inclusive, como crime rio ordenamento brasileiro. 3) Na hipótese de não haver acolhimento das presentes razões, requerse a redução da majoração da multa aplicada, tudo nos termos da fundamentação. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 616 9 Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 25.166, de 16.12.2011, fls. 519531: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. PROVA. As declarações oferecidas pelo sujeito passivo ao ente tributante gozam de presunção de veracidade, podendo serem utilizadas na apuração da obrigação tributária de competência de outro ente, salvo se restar comprovada sua inveracidade. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 Ementa: BASE DE CÁLCULO. O PIS tem como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 Ementa: BASE DE CÁLCULO. A Cofins tem como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 03.07.2012, fl. 535, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.08.2012, fls. 536577, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 617 10 Faz um relato sobre a ação fiscal, que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente e acrescenta que: III DO MÉRITO III. 1.1 DA NÃO COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Conforme podemos observar pelo exame dos autos, a Receita Federal, motivada pela declaração da Recorrente feita na Prefeitura de Manaus para fins de recolhimento do ISS, a intimou para que explicasse o motivo de não ter submetido a totalidade das receitas obtidas pela venda de ingressos de seus eventos relativos ao primeiro semestre de 2007. Importante lembrar que, além do lapso de 2 anos entre os eventos e a requisição da Receita, estamos tratando de 6 meses de comprovantes e diversas atividades realizadas, sendo assim, o prazo dado para a juntada da documentação se mostrou extremamente curto, o que motivou a Recorrente a pedir sua prorrogação por 20 dias, havendo o deferimento pela Receita de 15 dias. Desta forma, a juntada da documentação contábil foi prestada tempestivamente em 19/06/2009. No entanto, após este fato, não houve qualquer intimação requisitando a entrega de outro documentos, resumindose apenas a solicitar "esclarecimentos" de fatos jurídicos relativos ao ISS, de competência municipal, e não aos impostos de competência federal. Em seguida, a Recorrente foi surpreendida com a lavratura do Auto de Infração sem que a Fazenda tivesse todos os elementos necessários para tal, havendo tão somente indícios auferidos junto à Prefeitura, que possui seu procedimento próprio para a cobrança do ISS. Lamentavelmente o que ocorreu foi uma transferência do ônus da prova à Recorrente, sendo que a Receita deveria se diligenciar para verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, e não presumir que o contribuinte é devedor. No presente caso, não pode a Administração Pública se omitir em buscar a verdade dos fatos, também conhecida pela terminologia verdade material. [...] Toda esta sistemática [...], especialmente quanto à comprovação dos atos de "investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária" não se encontram presentes neste lançamento, o que necessariamente conduz à sua nítida nulidade, já que não houve a busca da "verdade material" ou mesmo de quaisquer outros sinais tão 3cessários à comprovação de qualquer omissão de receitas. Não há como haver um lançamento tributário por mera suposição de que houve fato gerador. Os elementos comprobatórios devem ser apurados e juntado aos autos. Conforme diz [os arts. 112 e 116] Código Tributário Nacional, somente se verifica a ocorrência do fato gerador quando esta for comprovada pela Fazenda [...]. Assim, a interpretação benéfica será matéria que a própria lei impõe à solução do processo administrativo, devendose aplicála ao caso concreto, tendo em vista, especialmente, a ausência de elementos suficientemente robustos e necessários à Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 618 11 comprovação do lançamento nos moldes como foi realizado, já que as informações contidas nas AIDDP's não comprovam, isoladamente, a omissão de receita alegada. Conforme dito na Impugnação, o fisco sequer se diligenciou junto ao ECAD (Escritório Central de Distribuição e Arrecadação), que é uma sociedade instituída pela Lei 5.988/73 para realizar a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras. Sabese que o ECAD calcula os valores que devem ser pagos pelos usuários de música de acordo com os critérios do Regulamento de Arrecadação desenvolvido pelos próprios titulares, através de suas associações musicais. O valor a ser pago é calculado sempre em função do parâmetro físico ou de percentual incidente sobre a receita bruta. Vemos que o seu procedimento de apuração leva em consideração inclusive as cortesias, limitado ao percentual de 10% [...]. Logo, se o objetivo do lançamento tinha como premissa uma apuração indireta por meio das AIDDP's, no mínimo um cotejo com os valores recolhidos ao ECAD deveria ter sido feito, o que não ocorreu no caso concreto. Desta sorte, ratificase a necessidade do reconhecimento de nulidade do auto em face da incorreta apuração de sua base de cálculo. Portanto, o que se pretende demonstrar nos argumentos acima, é a omissão da fiscalização quanto às suas obrigações legais, o que determina, imediatamente, a nulidade do auto, daí, porque, se requer a anulação do lançamento realizado. III.2 DA NÃO VINCULAÇÃO DAS AIDDPs PARA COBRANÇA DE IMPOSTOS FEDERAIS Vemos pela decisão recorrida que a suposta omissão de receitas foi aferida com base nos documentos sujeitos ao controle do Município de Manaus, no caso, as AIDDP's [...]. Concluímos que a fiscalização de eventos de diversão pública passa por três momentos distintos: 1 Prévia Autorização de Impressão de Documento de Diversões Públicas AIDDP, fornecida pela Divisão de Fiscalização da SEMEF mediante cumprimento da legislação municipal, na forma do art. 35 do Decreto do Estado do Amazonas n° 7.007/03, que disciplina matérias relativas a documentos fiscais e ao Regulamento do ISS. 2 Em seguida, é feito o recolhimento do ISS correspondente à 60% do total dos documentos que foram objeto de autorização. 3 Realizado o evento e apurado o valor correto de vendas, subtraídas as cortesias com limite máximo de 5%, é feito o recolhimento restante do imposto, caso ainda falte. Quando da análise dos documentos enviados pela Prefeitura do Município, em 2007, o sr. Auditor Fiscal constatou, no Livro de Registro de Apuração do ISS, uma suposta inexatidão entre as informações prestadas à Prefeitura para fins de recolhimento do ISS e a prestada junto à Receita Federal. Ocorre que ele se ateve ao primeiro passo, que leva em consideração o total de ingressos a serem vendidos, como determina a legislação em vigor. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 619 12 Como bem sabemos, a legislação federal determina um outro procedimento para aferição de seus próprios débitos. Quanto aos tributos em questão devemos considerar o valor do faturamento da empresa, e não o valor total de ingressos incluindo os que não foram vendidos. Essa dita incongruência de informações alegada pela Receita é fruto de tratamentos tributários diferentes. Ora, não se pode receber admitir que um procedimento singular se mostre como prova suficiente de que o contribuinte é devedor. O procedimento municipal para cobrança do ISS não leva em consideração o valor para a expedição das AIDDP's, mas tão somente uma estimativa, já que o evento sequer aconteceu. III.2.1 DA LEGISLAÇÃO QUE FUNDAMENTA O AUTO DE INFRAÇÃO [...] Veremos [...] que a lei é clara em determinar o fato gerador e a base de cálculo dos tributos em questão, todas elas dizem respeito ao faturamento da empresa [Lei Complementar n° 70, de 30 de Dezembro de 1991, Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 224 e 1rt. 518 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002...]. Conforme demonstrado, tratase de tributos sobre o faturamento da empresa, portanto, encontramse excluídas transações correspondentes a saída de caixa, estando incluídas apenas as operações de entrada permanente. Vemos inclusive que a exclusão das vendas canceladas e dos descontos se encontra expresso no texto legal. Se um desconto não integra a base de cálculo, com muito mais propriedade as cortesias também não integrarão. A Legislação do Município de Manaus, vista anteriormente, em pouco se difere das demais do Brasil. Embora seja totalmente discutível a "venda de ingressos" como base imponível para o imposto sobre serviços, é importante se destacar esta foi a única forma que as municipalidades encontraram para controlar estes eventos, a partir da eleição de apenas um contribuinte que, em via de regra, é aquele Agente organizador, o qual geralmente tem sede na cidade e local do evento. Todavia, a praxe deste mercado é muito peculiar, de forma que a organização do evento nunca aufere para si a integralidade das receitas auferidas com a venda de seus ingressos, portanto, essa suposta "renda" não pode ser considerada como faturamento. [...] Da mesma forma, assim como a simples informação relativa aos contratos não pode servir como fato imponível para os tributos federais, a simples informação de venda de ingressos por meio da Municipalidade de Manaus também não o serve, posto que jamais a totalidade destes recursos se reverteram em receitas próprias da Recorrente, conforme comprovam os contratos de parceria já anexados aos autos. [...] Porém, este Conceito de receita bruta e exclusões são definidos geralmente e, portanto, em Lei são estabelecidos os critérios para que cada um destes institutos possam ser determinados, posto que a receita bruta das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, sobre a qual se aplicam os percentuais de presunção de lucro é constituída pelo: a. Produto de venda de bens e serviços (mercadorias ou produtos) nas operações de conta própria; b. Preço dos serviços prestados; Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 620 13 c. Resultados auferidos nas operações de conta alheia(comissões auferidas na venda de bens ou serviços por conta de terceiros, por exemplo); Desses valores, devem ser excluídos (ou neles devem ser computados) os valores relativos: a. Às vendas canceladas e as devoluções de vendas; b. Aos descontos incondicionais concedidos, constantes da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependentes de evento posterior à emissão desses documentos(IN SRF n° 51/1978); c. Ao IPI incidente sobre as vendas; d. Ao ICMS, ao PIS e à COFINS, quando devidos pelo contribuinte substituto no regime de substituição tributária; e. Às saídas que não decorrem das vendas, a exemplo das transferências de mercadorias para outros estabelecimentos da mesma empresa [...] Novamente fixadas estas premissas, temos que as AIDDP's em primeiro: i) não refletem a efetiva prestação dos serviços prestados pela Impugnante; ii) não indicam as exclusões legalmente permitidas por força de Lei e, especialmente; iii) não consideraram as saídas que aqui se equivalem às cortesias uma vez que, embora tenha havido a emissão dos ingressos, não houve a sua efetiva venda. [...] Caminha na mesma linha a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo, aplicável à Recorrente. A base de cálculo destas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (inclusive as variações monetárias ativas), sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. [...] Desta base de cálculo devem ser excluídas: a. IPI, nas empresas contribuintes deste imposto; b. As vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos em NF; c. ICMS no regime de substituição tributária; d. As reversões de provisões e recuperação de créditos baixados como perda representem ingresso de novas receitas; e. .A receita decorrente da venda de bem de ativo imobilizado; f. As receitas isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota zero. [...] As contribuições para o PIS e à COFINS, têm como fato gerador o faturamento , assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 621 14 Notase, assim, que há uma remissão ao conceito de receita bruta, permanecendo aqui como sendo aquele equivalente ao total das receitas (serviços) advindos das operações conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica [Lei nº 10.637/2001 e Lei nº 10.684/2003] [...]. Nesse sentido, se comprova [...] a incoerência relacionada à omissão de receitas descritas no auto, impondose, mais uma vez e por estes fundamentos, o reconhecimento da nulidade do lançamento. III.2.2.1 DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO TRIBUTÁVEIS: CORTESIAS [...] A Municipalidade somente admite que apenas 5% dos ingressos sejam desonerados do ISS a título de cortesia. Já a legislação federal, porém, não possui essa limitação o que nos leva a concluir que a forma de cálculo é diferente, o que já demonstra a iliquidez da autuação. [...] Há de se ter em conta que, para o tipo de eventos referidos no caso concreto, fazse necessário que sejam distribuídos, através de parcerias com os meios de comunicação, percentuais muito superiores aos 5% definidos pela legislação municipal. [...] É importante também se ressaltar que esta divulgação acaba representando mais uma despesa na produção do evento que não se reverterá em uma fonte tributável, situação esta que deveria ser levada em conta pela Receita Federal, pois seu procedimento é distinto da cobrança do ISS, conforme estamos chamando atenção no presente recurso. Veremos [...] que a legislação federal dispõe como base de cálculo tão somente o faturamento da empresa. Por conclusão óbvia, não devemos levar em consideração cortesias concedidas, pois eles não correspondem à entrada de dinheiro em caixa, afinal, foram distribuídos gratuitamente, sem qualquer contrapartida. Desta forma, devemos concluir que não haveria como o fisco obter todos os elementos necessários para a lavratura do Auto de Infração, pois a documentação analisada, no caso a declaração feita junto ao Município de Manaus, é válida apenas para fins de cobrança do ISS. [...] A declaração junto ao Município não foi em consonância com a da Receita Federal porque são tratamentos tributários distintos, devendose, para este último, considerar receitas que não fizeram parte do faturamento, como cortesias e repasses feitos. [...] No entanto, embora a Fiscalização tenha sido advertida tempestivamente destes fatos, resolveu por ignorálos totalmente, sendo este o motivo de alegação da presente nulidade. III.2.2.2 DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃOTRIBUTÁVEIS: REPASSE DA RECEITA À TERCEIROS [...] Estas parcerias, que geralmente tiveram a mesma base de cálculo das AIDDP's, apresentam verdadeira partilha de receitas, que devem ser confrontadas isoladamente para cada um daqueles que as percebeu, tudo de forma a refletir a "verdade material" dos fatos imponíveis, relativos às contribuições e Impostos Federais, condições estas tão essenciais à comprovação da omissão de receitas diante da legislação aplicável. [...] Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 622 15 O só fato de ser a Impugnante optante do lucro presumido não faz com que o lançamento seja com base no informado nas AIDDP's. A verdade retratada pela AIDDP é que a Impugnante solicitou a impressão dos ingressos,e ficou responsável pelo pagamento destes perante a Prefeitura de Manaus, sendo os valores informados nas AIDDP' mera presunção e como visto o lançamento por omissão de receita não admite presunções. [...] Logo, vêse, nitidamente, que a base cálculo para IRPJ e dos demais impostos e contribuições federais jamais poderia ter sido o faturamento informado pela Prefeitura de Manaus, mas sim terem sido empreendidas diligências suficientes a se apurar a real receita obtida pela Recorrente em cada evento, apuração esta que não foi realizada em nenhum momento pela Fiscalização. [...] Consciente da imprescindibilidade do fato constituído pautarse em provas, o legislador federal dispôs, expressamente, sobre sua necessidade por ocasião da lavratura de exigência fiscal, prescrevendo no art. 9o, caput, do Decreto n° 70.235/72, [...] devese entender, por ordem de interpretação sistemática, que a atitude descritiva há de concretizarse com fundamento nas provas produzidas no curso da fiscalização. [...] Do exposto, decorre a conclusão de que,sendo o lançamento ou o ato administrativo de aplicação de penalidade realizados sem respaldo em provas estão, portanto, viciados na motivação, sendo imperativa sua retirada do ordenamento jurídico pela autoridade competente. III DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA FEITA PELA RECEITA FEDERAL Como vimos no capítulo anterior, a lavratura do Auto de Infração foi feita com base em declarações feitas pelo contribuinte junto ao Município de Manaus. Apenas essa afirmativa já seria suficiente para provar o motivo da inexatidão entre as informações contidas no Município de Manaus e a Receita Federal, já que estamos falando de procedimentos tributários distintos. Sendo assim, o exame do fato gerador, bem como a fiscalização para apuração de débitos supostamente devidos, continua sendo atribuição da [RFB]. Além de estamos lidando com iliquidez da autuação, há imprecisão quanto à ocorrência do fato gerador, tendo em vista que os documentos que fundamentaram o Auto de Infração revelam tão somente a incidência do ISS, que é imposto de competência municipal. Sendo assim, não deveria implicar em inversão do ônus da prova, como aconteceu, cabendo ainda à Fiscalização o ônus de comprovar a suposta omissão de receitas, conforme vimos no capítulo anterior em diversas decisões e dispositivos legais. [...] No entanto, como podemos ver pelos dispositivos abaixo, não há qualquer previsão legal que autorize as Autoridades a procederem com a lavratura do Auto de Infração baseadose em meros indícios, atribuindo ao contribuinte o encargo de provar o contrário. [...] A Fiscalização ignorou todos os argumentos relativos à inexistência de parte das receitas por parte da Recorrente e simplesmente, lançou todos os impostos com fundamento apenas e exclusivamente no total das AIDDP'S, ignorando totalmente as alegações quanto ao fato concreto de que estas não deveriam servir de base para a Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 623 16 apuração de impostos federais, pois se encontram em um regime tributário singular e bem específico [...] Ademais, é importante lembrar que nos eventos promovidos pela Recorrente há a participação de outros parceiros, havendo, após a realização do evento, o repasse da receita bruta de acordo com a quota parte de cada um. No entanto, todos estes esclarecimentos foram desconsiderados e sequer a Fiscalização empreendeu novas diligências para apurar o quanto esclarecido pela empresa, simplesmente atribuindo ao Recorrente o condão de provar o contrário. E não se pode perder de vista, ao contrário do quanto realizado no auto, o simples cotejo realizado pela Fiscalização entre os valores declarados pela Recorrente em seus livros Fiscais e os valores apurados por meio das AIDDP's sejam hipóteses previstas na Legislação e tidas como aptas a impor o ônus da prova por se tratarem de procedimentos diferenciados, inclusive quanto ao fato gerador e forma de composição da base de cálculo. [...] Ao contrário, a Recorrente fez prova de que grande parte do faturamento refletido nas AIDDP's não lhes pertencia, sendo parte integrante dele, por exemplo, as cortesias e o repasse do lucro a outras empresas participantes dos eventos artísticos. Esta informação, lamentavelmente, foi totalmente ignorada pelo órgão fazendário. Embora possa não parecer, este fato é fundamental para concluirmos pela improcedência da autuação, pois diz respeito diretamente ao fato gerador dos tributos relacionados. A Recorrente não nega a existência dos valores alegados pelo Auditor Fiscal [autuante], no entanto, esclarece que não se trata de omissão de receitas, pois eles foram declarados ao Município de Manaus apenas para fins de expedição das AIDDP's e o consequente recolhimento do imposto de sua competência. Frisese que as AIDDP's não refletem a efetiva prestação dos serviços prestados pela Recorrente, não indicam as parcerias realizadas nos eventos e, especialmente; não consideram as saídas que aqui se equivalem às cortesias uma vez que, embora tenha havido a emissão dos ingressos, não houve a sua efetiva venda. Daí decorre a sua inexatidão para fins de cálculo dos tributos federais. [...] V DOS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A solução do caso demanda, ainda, aplicar princípios próprios à Administração Pública, em especial os da razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e capacidade contributiva. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto requerse que se digne a: 1) Reconhecer a improcedência do Auto de Infração decorrente do MPF n° 0220100.30708/2009, baseado apenas nas informações dos AIDDP's, relativamente ao primeiro semestre de 2007, vez que desacompanhados da efetiva comprovação da ilação destas com a alegada omissão de receitas e, especialmente, por não ter sido Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 624 17 evidenciado qualquer acréscimo de patrimônio à disponibilidade econômica ou jurídica da Recorrente, não restando comprovada as hipóteses de incidência do IRPJ e adicionais, CSLL, PIS e COFINS. 2) Caso não haja reconhecimento do pedido anterior, requerse, de forma alternativa, o recalculo do débito, com o propósito de se apurar a verdadeira base de cálculo dos tributos lançados. Neste caso, requer seja observada a incoerência da base de cálculo usada, já que as informações constantes nas AIDDP's não configuram necessariamente que será o mesmo valor nos tributos federais, sob pena de imputar uma tributação excessiva, capaz de configurar a prática de excesso de exação, tipificada, inclusive, como crime no ordenamento brasileiro. 3) Na hipótese de não haver o acolhimento das presentes razões, requerse a redução da majoração da multa aplicada, tudo nos termos da fundamentação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Cabe ressaltar que a matéria litigiosa nos presentes autos restringese aos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2007. Como não alcançou o anocalendário de 2008, os argumentos pertinentes não podem ser examinados nessa instância de julgamento por falta de objeto. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, uma vez que o prazo para cumprimento das intimações fiscais foi exíguo. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 625 18 intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Ainda sobre o prazo para cumprimento das intimações fiscais, o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, prevê: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 626 19 operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 304325 e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0125.166, de 16.12.2011, fls. 519531, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 0203, Termo de Reintimação Fiscal, fls. 0605, Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, fls. 4344, Termo de Solicitação de Esclarecimentos, fls. 4649 e Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 532535) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A própria Recorrente poderia ter juntados aos autos os documentos produzidos pelo ECAD (Escritório Central de Distribuição e Arrecadação) em relação a si mesma. Ao contrário, procura demonstrar que caberia ao Erário produzir prova em seu favor. A realização desses meios probantes é 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 627 20 prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente7. 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 628 21 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração de ISS (Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas AIDDP's nºs 79, 121, 116, 146, 171 e 193 de 2007), fl. 301 e no Livro Caixa, em conformidade com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2007 Períodos (A) Valores Informados nas AIDDP R$ (B) Valores Informados nas DIPJ R$ (C) Valores de Omissão de Receita R$ D = (B C) 1º Trimestre de 2007 100.690,00 26.630,00 74.060,00 2º Trimestre de 2007 321.182,50 64.500,00 256.682,50 Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 296303, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: II) Infrações Apuradas II.1) Omissão de Receitas II.1.1) Apuração das Receitas Omitidas O contribuinte optou pelo regime de tributação do Lucro Presumido, no ano calendário de 2007. A partir de 01/07/2007, optou pelo regime simplificado "Simples Nacional".[...] O contribuinte explora atividades de serviços em geral vinculadas a shows musicais e outros espetáculos, inclusive venda de ingressos. [...] Concernente aos eventos de diversões públicas, os documentos fiscais sujeitos ao controle do órgão público municipal por meio das AIDDP, não são as notas fiscais mas sim os "Documentos Fiscais de Diversões Públicas", ou ingressos filigranados. Procedemos ao cotejo entre os valores constantes nas planilhas encaminhadas à DRFB/Manaus pela Prefeitura Municipal de Manaus, citadas no item " I " acima, e os valores registrados no Livro Registro de Apuração de ISS e no Livro Caixa, [...]: a) No Livro Registro de Apuração de ISS estão registradas as diversas notas fiscais emitidas, que não estão relacionadas a vendas de ingressos; b) No Livro Caixa estão registrados os recebimentos vinculados às notas fiscais emitidas e registradas no Livro Registro de Apuração do ISS. Não há outros registros no Livro Caixa, que correspondam, em data e valor, aos montantes Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 629 22 demonstrados nas Planilhas de AIDDPS Autorização de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas encaminhadas à DRFB/Manaus pela PMM/SEMEF. Na resposta apresentada à fiscalização em 08/03/2010, o sujeito passivo alega que as AIDDP não evidenciam as parcerias realizadas nos eventos e não consideram as saídas que não representam venda efetiva mas somente entrega de ingressos à título de cortesia. A seguir, apresenta, [...], demonstrativos dos valores repassados aos denominados "parceiros" e anexa cópias de contratos celebrados com os mesmos e de notas fiscais emitidas referentes aos valores pactuados e repassados. [...]: 1) Quanto às "parcerias" citadas no texto, o contribuinte argumenta que estas parcerias, "que geralmente tiveram a mesma base de cálculo das AIDDP'S, representam verdadeira partilha de receitas, que devem ser confrontadas isoladamente para cada uma daqueles que as percebeu...". [...] A base de cálculo do imposto de renda e da CSLL é o total da receita bruta apurado pelo sujeito passivo, sobre a qual, para o caso de prestação de serviços em geral, no qual está enquadrado o contribuinte sob fiscalização, aplicase o coeficiente de 32% para apuração do lucro presumido, que corresponde à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto às demais contribuições (PIS e COFINS), de acordo com o art. 10 do Decreto n° 4524/02: [...]. Portanto, tanto na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL no regime do lucro presumido, [...], quanto na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, [...], não se consideram quaisquer valores repassados a terceiros, não importa a que título, quer sejam pagamentos de custos, despesas, locação ou repartição de ingressos financeiros pactuados por meio de instrumento particular. [...]. Não há controvérsia sobre essa matéria, mas podemos citar, para corroborar essa afirmação, a seguinte decisão em processo de consulta: Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DISIT N° 68, de 07 de maio de 2001. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: ATIVIDADE NÃO ROTINEIRA. REPASSE A OUTRA PESSOA JURÍDICA. O total dos recursos arrecadados pela consulente com a venda de ingressos ao público, para o parque de exposições, compõe sua base de cálculo da Cofins, nos termos do art. 2º da LC n° 70, de 1991, mesmo que se trate de atividade não rotineira no faturamento da empresa, ou que parte das receitas seja posteriormente repassada a outra pessoa jurídica. No mesmo processo de consulta acima citado, o órgão consultado apresentou a seguinte fundamentação: "4. Configurada a receita de vendas dos ingressos pela consulente, a possibilidade de exclusão deve aterse à existência ou não de autorização na legislação. Por sua vez, o parágrafo único do art. 2º da LC n° 70, de 1991, discrimina as parcelas que não integram a receita bruta. Entre as possibilidades discriminadas, não se encontra o repasse ou transferência a outras pessoas jurídicas, nem qualquer outra possibilidade de despesas, tais como as "de operacionalização" nomeadas pela interessada." O mesmo argumento aplicase aos demais tributos, uma vez que não há, tanto para o PIS quanto para o IRPJ e CSLL apurados segundo o regime do lucro Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 630 23 presumido, previsão legal de exclusão de exclusão de repasses ou transferências a outras pessoas jurídicas, ou de custos e despesas incorridos. [...] 2) Quanto aos chamados ingressos de cortesia, entendemos que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a efetiva saída de ingressos à título de cortesia: O livro caixa, [...], somente estão registrados os ingressos de recursos correspondentes às notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo, as quais [...] não guarda relação com a atividade principal da empresa a qual, em termos financeiros, decorre preponderantemente da venda de ingressos nos eventos de diversões públicas; Nos Demonstrativos das AIDDP estão discriminados os ingressos por tipo. Os ingressos do tipo "cortesia" estão claramente identificados na coluna "Preço Unitário (R$)", na qual estão indicados valores "0,00". Portanto, o "Demonstrativo de Receita Bruta Apurada" anexo ao presente termo, baseado nas informações das AIDDP encaminhadas pela PMM/SEMEF, já contempla a exclusão dos ingressos ditos "de cortesia". Cabe ao contribuinte demonstrar que a saída de ingressos do tipo "cortesia" é superior às quantidades que constam nos demonstrativos oficiais das AIDDP, emitidos pela PMM/SEMEF. Ao contribuinte não basta alegar. O mesmo deve comprovar suas afirmações com documentos hábeis e idôneos. Não foram apresentados tais documentos à fiscalização. II. 1.2) Do cálculo dos valores a lançar de ofício A) LUCRO PRESUMIDO As receitas omitidas foram apuradas a partir dos "Demonstrativos das AIDDP (Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas)", autenticados pela PMM/SEMEF e encaminhados à DRFB/Manaus, cujos valores estão resumidos nas planilhas também encaminhadas pelo referido órgão municipal. As receitas omitidas, decorrente das vendas de ingressos dos eventos acima referidos estão demonstradas no "DEMONSTRATIVO DE RECEITA BRUTA APURADA", anexo ao presente termo. Os débitos apurados, decorrentes dessas receitas omitidas, estão demonstrados no Demonstrativo de Apuração do IRPJ (Auto de Infração), com base nos valores informados no campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal". Temse que “as declarações constantes de documentos assinados presumem se verdadeiras em relação aos signatários” 8. Por essa razão, os Demonstrativos das AIDDP’s, fls. 81110, apresentados pela Recorrente, são documentos hábeis como evidência dos fatos imponíveis. Esses relatórios contêm dados sobre a receita auferida pela venda de ingressos, que demonstra a diferença entre o quantitativo de ingressos impressos e aqueles devolvidos e objeto de cortesias. Ressaltese que o valor referente aos ingressos de cortesia foi efetivamente deduzido na quantia exata registrada no Livro de Registro de Apuração de ISS. Por essa razão não há que se falar em erro na apuração da base tributável. Em relação ao argumento da defesa de que não é sujeito passivo da obrigação integral apurada nos autos, uma vez que parte da receita já foi oferecida à tributação pelos demais integrantes de cada evento, temse que cabe à defesa a prova dos fatos que tenha 8 Fundamentação legal: art. 219 do Código Civil. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 631 24 alegado e ainda mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir9. As provas foram obtidas por meios lícitos dentro do regular exercício de atividade de fiscalização fazendária o Livro Registro de Apuração de ISS e as AIDDP’s foram apresentado pela Recorrente, o que reforça o exame fiscal aprofundado para fins de apuração do ilícito tributário e a sua justa causa. Não se caracterizou, portanto, a prova emprestada, porque o referido Livro Registro de Apuração de ISS é de pleno conhecimento da Recorrente, que aliás, o escriturou com base nas informações contidas em seus documentos contábeis e fiscais. A Recorrente não indica pormenorizadamente eventuais erros materiais nos seus assentos contábeis e nem junta os documentos pertinentes, para fins de fundamentar sua alegação. No que se refere ao argumento da defesa de que a totalidade da receita apurada pela venda de ingressos não corresponde à receita auferida, tendo em vista os contratos de parceria. Nos autos não consta comprovação de sua movimentação financeira que possa fundamentar sua tese. Além disso, não se pode esquecer que no regime de tributação com base no lucro presumido, somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante. Nos Contratos de Cessão de Pauta, celebrado entre Estúdio Amazônico de Radiodifusão Ltda. Studio 5 Centro de Convenções e Biribá Produções Artísticas Ltda, fls. 146147 e 173174, não são documentos hábeis para que se proceda deduções na receita bruta apurada de ofício, mas tãosomente para demonstrar a existência de despesas vinculadas à receita auferida pela Recorrente. Os Contratos de fls. 187189 e 193196, não podem ser considerados como prova nos presentes autos, haja vista que não foram avençados no período objeto do lançamento. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente suscita que o PIS e a Cofins têm como base de cálculo o faturamento e por essa razão devem ser deduzidos os valores relativos aos ingressos de cortesia. Sobre esses tributos a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, prevê: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] 9 Findamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 333 do Código de Processo Civil e art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 632 25 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Analisando a legislação de regência inferese que, a despeito da atividade econômica exercida pela Recorrente, o seu faturamento está sujeito à incidência de PIS e de Cofins. Reiterese que Demonstrativos das AIDDP’s, fls. 81110, apresentados pela Recorrente, são documentos hábeis como evidência dos fatos imponíveis. Esses relatórios contêm dados sobre a receita auferida pela venda de ingressos, que demonstra a diferença entre o quantitativo de ingressos impressos e aqueles devolvidos e objeto de cortesias. Reiterese que o valor referente aos ingressos de cortesia foi efetivamente deduzido na quantia exata registrada no Livro Registro de Apuração de ISS. Por essa razão não há que se falar em erro na apuração da base tributável. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos10. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; 10 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 633 26 – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância11. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 14. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a 11 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 14 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 634 27 que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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