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Numero do processo: 16643.000144/2010-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
ATOS SOCIETÁRIOS PRATICADOS EM ANO JÁ DECAÍDO. REFLEXOS TRIBUTÁRIOS. FATO GERADOR OCORRIDO EM PERÍODO NÃO DECAÍDO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Ainda que os atos societários que deram origem ao ágio tenham se dado em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, não há que se falar em decadência se os fatos geradores dos tributos que tiveram suas bases de cálculo minoradas pelo aproveitamento indevido deste ágio ainda não se encontram decaídos.
A contagem do prazo decadencial somente se inicia após a ocorrência do fato gerador de tributo, quer seja aplicável ao caso concreto a regra estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN, quer seja a fixada pelo art. 150, §4º, do mesmo Código.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da permissividade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.
Havendo a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio.
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, em negar-lhe provimento quanto à preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 ATOS SOCIETÁRIOS PRATICADOS EM ANO JÁ DECAÍDO. REFLEXOS TRIBUTÁRIOS. FATO GERADOR OCORRIDO EM PERÍODO NÃO DECAÍDO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Ainda que os atos societários que deram origem ao ágio tenham se dado em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, não há que se falar em decadência se os fatos geradores dos tributos que tiveram suas bases de cálculo minoradas pelo aproveitamento indevido deste ágio ainda não se encontram decaídos. A contagem do prazo decadencial somente se inicia após a ocorrência do fato gerador de tributo, quer seja aplicável ao caso concreto a regra estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN, quer seja a fixada pelo art. 150, §4º, do mesmo Código. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da permissividade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Havendo a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
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Legitimidade de aproveitamento fiscal da amortização de ágio. Incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 ATOS SOCIETÁRIOS PRATICADOS EM ANO JÁ DECAÍDO. REFLEXOS TRIBUTÁRIOS. FATO GERADOR OCORRIDO EM PERÍODO NÃO DECAÍDO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Ainda que os atos societários que deram origem ao ágio tenham se dado em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, não há que se falar em decadência se os fatos geradores dos tributos que tiveram suas bases de cálculo minoradas pelo aproveitamento indevido deste ágio ainda não se encontram decaídos. A contagem do prazo decadencial somente se inicia após a ocorrência do fato gerador de tributo, quer seja aplicável ao caso concreto a regra estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN, quer seja a fixada pelo art. 150, §4º, do mesmo Código. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da permissividade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 44 /2 01 0- 11 Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 3 2 Havendo a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, em negarlhe provimento quanto à preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A em 02/01/2015, com fundamento nos arts. 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais acerca de uma série de matérias relacionadas à lide. Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 4 3 O recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1101000.962, por meio do qual os membros da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram: 1) por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo; 2) por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade do lançamento; 3) por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de conexão suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência; 5) por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio; 6) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às compensações de prejuízos fiscais e de bases negativas; 7) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. INOVAÇÃO EM DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora pode expressar livremente sua percepção dos fatos reunidos nos autos, inclusive acrescendo análises não cogitadas pela Fiscalização, em resposta à defesa do impugnante. Somente não lhe é permitido manter a exigência do crédito tributário com fundamento, exclusivamente, em argumentos novos, por ela adicionados à motivação do lançamento. LANÇAMENTO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. DEMAC (ANTERIOR DEAIN). INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. As competências da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes (anterior Delegacia Especial de Assuntos Internacionais) e da Delegacia Especial de Instituições Financeiras são concorrentes para efetuar o lançamento em contribuinte do tipo instituição financeira. Ademais, são válidos os lançamentos lavrados por servidor competente (AuditorFiscal) de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 5 4 do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). PROCESSOS DISTINTOS. ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Deve ser afastada glosa injustificada de compensação de base negativa declarada pela contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em processo licitatório, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), depois de devidamente intimada, manifestouse em 16/04/2014, reconhecendo a ciência a respeito do acórdão e informando que não haveria interposição de recurso especial ou oposição de embargos de declaração. Regularmente intimado acerca do acórdão em 03/07/2014, o contribuinte opôs embargos de declaração à decisão, de forma tempestiva. Arguiu a existência de omissões, contradições e obscuridade cujas eliminações levariam à reforma do julgado, com o provimento de seu recurso voluntário e o cancelamento dos lançamentos tributários. Em despacho de 15/12/2014, o Presidente da 1ª Turma da 1ª Câmara rejeitou os embargos manejados pelo contribuinte, por entender inexistente qualquer contradição, omissão ou obscuridade a ser sanada no Acórdão n° 1101000.962. Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 6 5 O contribuinte foi cientificado em 19/12/2014 a respeito da rejeição de seus embargos e interpôs, em 02/01/2015, recurso especial tempestivo insurgindose contra o acórdão que apreciou seu recurso voluntário, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pelo contribuinte contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido em relação a um total de sete matérias: 1) necessidade de aplicação à lide de decisão adotada em processo conexo já julgado; 2) legitimidade da amortização do ágio; 3) decadência/preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado; 4) impossibilidade de inovação, pela autoridade julgadora, do critério jurídico que fundamenta o lançamento; 5) inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível; 6) necessidade de consideração da integralidade dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL; 7) ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), o recorrente apontou acórdãos de turmas de câmara do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que teriam dado aos temas combatidos interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. Por razões de clareza, serão separadamente analisadas as alegações perfiladas pelo recorrente a respeito de cada uma das matérias combatidas. 1) Necessidade de aplicação de decisão já proferida em processo conexo O contribuinte afirma que o processo administrativo fiscal nº 16561.000222/200872 guardaria conexão com os presentes autos porque ambas as autuações decorreram das mesmas operações societárias: aquisição do BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A (doravante referido apenas como BANESPA) pelo BANCO SANTANDER CENTRAL HISPANO S/A (a partir de agora, citado apenas como SANTANDER HISPANO), empresa sediada na Espanha, por meio de leilão público (20/11/2000), com a posterior entrega das ações adquiridas à SANTANDER HOLDING LTDA. (mencionado de agora em diante apenas como SANTANDER HOLDING), em integralização de capital (29/05/2001), e, por fim, a incorporação desta última empresa pelo BANESPA (30/07/2001). O processo nº 16561.000222/200872 cuida de créditos tributários constituídos pela Fiscalização em razão de deduções indevidas, promovidas pelo BANESPA, de despesas de amortização de ágio gerado na compra de ações desta instituição pelo SANTANDER HISPANO e internalizado no Brasil por meio da integralização do capital social da SANTANDER HOLDING. Os créditos lançados referemse aos anoscalendário de 2002 a 2004, período anterior à incorporação do BANESPA pelo BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, ora recorrente e responsável tributário por sua sucedida em 2008, época do lançamento. Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 7 6 Com a incorporação do BANESPA, em agosto de 2006, o contribuinte autuado trouxe para a sua contabilidade o saldo do ágio gerado nas operações societárias realizadas nos anos de 2000 e 2001, passando a amortizálo e a deduzir as despesas daí decorrentes do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Por entender que tal procedimento era irregular, a Fiscalização efetuou as autuações de IRPJ e de CSLL relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, que originaram os presentes autos. O recorrente narra que a Ilustre Relatora do acórdão recorrido suscitou o reconhecimento da conexão entre os processos nº 16643.000144/201011 e nº 16561.000222/200872, propondo a aplicação, ao julgamento do recurso voluntário interposto nos presentes autos, do entendimento adotado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento no Acórdão nº 140200.802, pela dedutibilidade da amortização do ágio discutido no processo. Nesta parte, entretanto, prevaleceu o entendimento da maioria dos membros da 1ª Turma Ordinária da mesma Câmara, no sentido de que, embora os dois processos guardem identidade, a decisão anteriormente proferida não vincula os julgadores do CARF. Argumenta o recorrente que, ao não reconhecer a conexão entre os processos, a decisão recorrida estaria em conflito com o Acórdão nº 110200.155. Tal decisão adotaria o entendimento de que, havendo identidade entre duas autuações fiscais, a decisão proferida no primeiro processo deve ser aplicada ao processo decorrente, em razão da existência de conexão. Se decorrentes dos mesmos fatos e resultantes do mesmo procedimento de fiscalização, os lançamentos objeto dos dois processos seriam conexos e o julgamento feito a respeito de um deles se estenderia ao outro, segundo o acórdão paradigma apontado pelo contribuinte. Sendo assim, o recorrente pede que se aplique ao presente caso o entendimento exposto no acórdão paradigma: reconhecendose a conexão dos presentes autos com o processo nº 16561.000222/200872, deve ser aplicada ao julgamento da lide objeto deste processo a conclusão construída no Acórdão nº 140200.802, no sentido de que a autoridade fiscal não logrou provar que o contribuinte autuado não reunira todos os requisitos necessários para o aproveitamento fiscal do ágio. Finaliza o recorrente argumentando que a necessidade de extensão do julgamento de um processo a outro, conexo, decorreria dos princípios da segurança jurídica, eficiência e economia processual, todos norteadores do processo administrativo. 2) Legitimidade da amortização do ágio A respeito do ponto central da discussão travada na presente lide (legitimidade da aquisição do investimento com ágio pela SANTANDER HOLDING e do posterior aproveitamento de sua dedutibilidade fiscal), o recorrente aponta como decisão paradigma justamente o Acórdão nº 140200.802, prolatado nos autos do processo nº 16561.000222/200872. Como já foi mencionado, tal processo cuida de créditos tributários lançados por conta da dedução indevida, pelo BANESPA, de despesas de amortização do mesmo ágio discutido nos presentes autos. O sujeito passivo que figura naqueles autos é o próprio BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, na condição de sucessor por incorporação do BANESPA. Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 8 7 O recorrente argumenta que o presente processo é mera continuidade da suposta infração apurada pela autoridade fiscal no processo administrativo nº 16561.000222/200872. Apesar disso, mesmo diante da mesma situação de fato (mesmo ágio e mesmas operações societárias praticadas pelo grupo Santander), as decisões proferidas nos dois processos teriam, em sede de julgamento de recurso voluntário, dado interpretação divergente à aplicação dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que tratam da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio contabilizado na aquisição de participações societárias. Para comprovar a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos, o recorrente contrapõe trechos dos votos que fundamentaram as conclusões constantes de cada uma das decisões, relativamente aos principais argumentos atinentes à matéria. Resumidamente, aduz o recorrente: i) O acórdão recorrido considera que os arts 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 somente seriam aplicáveis se o BANESPA tivesse sido incorporado pelo SANTANDER HISPANO ou vice versa, já que seria necessária a confusão patrimonial entre a investida e a investidora de fato, com a consequente extinção do investimento correspondente ao ágio. Já o acórdão paradigma entende que o procedimento adotado pelo grupo Santander, no sentido de transferir à SANTANDER HOLDING o ágio inicialmente registrado no SANTANDER HISPANO, tem amparo nos arts 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, uma vez que tratouse de situação de desestatização e o valor contendo o ágio foi efetivamente pago à União; ii) Segundo o acórdão recorrido, as operações societárias adotadas pelo grupo Santander se deram de forma contrária à lei, uma vez que buscaram apenas uma vantagem tributária sem que o controle societário do BANESPA fosse de fato alterado. Já pela ótica adotada pelo acórdão paradigma, tais operações tiveram também propósito negocial diverso da busca por economia fiscal, inserindose no contexto de planejamento estratégico do grupo Santander no Brasil; iii) O tratamento fiscal conferido ao ágio pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 não pode, de acordo com o acórdão recorrido, ser interpretado como benefício fiscal, tendo em conta as justificativas constantes da exposição de motivos de tal lei. Já o acórdão paradigma entende que o aproveitamento fiscal do ágio instituído pelos mencionados dispositivos legais é um benefício fiscal que seria concedido a qualquer empresa que viesse a vencer o leilão das ações do BANESPA, sendo o intuito de usufruir de tal benefício um propósito negocial legítimo; iv) Para o acórdão recorrido, a análise do "filme", assim entendido o conjunto de todas as operações realizadas pelo grupo Santanter, demonstra que a titularidade do investimento no BANESPA permaneceu com a sociedade espanhola, não acontecendo o encontro patrimonial da investidora com a investida, fator que impede o aproveitamento tributário do ágio. Já o acórdão paradigma expõe que o "filme" analisado demonstra que as deduções pretendidas não são indevidas, uma vez que as ações do BANESPA, ao final, integravam o capital de contribuinte brasileiro, que faria jus à amortização do ágio; v) O acórdão recorrido conclui que a SANTANDER HOLDING seria uma "empresa veículo", diante da falta de propósito negocial para sua criação. De forma diversa, o acórdão paradigma entende que empresa foi constituída em densidade de circunstâncias e propósitos negociais que não permitem sua qualificação como "empresa veículo"; vi) Em sua conclusão, o acórdão recorrido afirma que o SANTANDER HISPANO jamais abriu mão de seu controle societário sobre o BANESPA e que a entrega das ações em integralização de capital social da SANTANDER HOLDING somente duplicou o ágio existente na Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 9 8 investidora original. Assim, não existiria ágio a ser amortizado com efeitos fiscais pelas empresas nacionais pertencentes ao grupo econômico. Já o acórdão paradigma defende que os argumentos utilizados pela autoridade fiscal impediriam de fato a utilização tributária do ágio pela empresas nacionais caso as operações tivessem ocorrido apenas no papel e caso se tratasse de ágio fictício. A situação concreta, no entanto, diante da densidade dos fatos que a cercam, não pode ser assim considerada. Além destes pontos diretamente confrontados, alega ainda o recorrente que acórdão paradigma reconhece que o caso discutido nos autos satisfaz totalmente os requisitos requeridos pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 para fins de legalidade da transferência do investimento detido com ágio para outra empresa do mesmo grupo da investidora original: a) efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; b) realização das operações entre partes não ligadas; c) lisura da avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura; d) existência de propósito negocial. Depois de reafirmar que todas as alegações elencadas foram objeto do devido prequestionamento, o recorrente pede que o recurso especial seja conhecido e provido em relação à legalidade da amortização de ágio nos moldes pretendidos. O recorrente apresenta em seguida um outro acórdão paradigma que diz respeito à matéria da legitimidade da amortização de ágio, mas especificamente sob a ótica da "inexistência de duplo ágio". A decisão recorrida entraria em conflito com o Acordão nº 1202000.884, exarado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, ao afirmar que "o aporte de capital na Santander Holding, representado pelas ações detidas pelo Santander Hispano no Banespa, somente duplica o ágio que subsiste no patrimônio da investidora original". Esta premissa teria fundamentado a conclusão de que inexistiria ágio a ser amortizado com efeitos fiscais pela empresas nacionais pertencentes ao grupo Santander. A divergência jurisprudencial adviria do fato de o acórdão indicado como paradigma abraçar a tese de que, com a entrega de ações de uma empresa investida, por uma investidora original a uma nova investidora, não ocorreria a transferência do ágio originalmente associado a tal investimento, mas a baixa do ágio original e a criação de um novo ágio na segunda investidora. Assim, incabível seria falar em duplicidade, uma vez que o surgimento do ágio na nova investidora implicaria na extinção de tal figura contábil na investidora original. Relacionando a tese adotada pelo acórdão paradigma ao caso concreto dos presentes autos, o recorrente argumenta que o ágio cuja amortização foi deduzida na apuração de seus tributos foi gerado não na compra de 97,02% das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, mas sim na aquisição, pela SANTANDER HOLDING, destas mesmas ações por meio de conferência em integralização de capital social pelo banco espanhol. Em tal operação, o SANTANDER HISPANO teria deixado de possuir em seu ativo as ações do BANESPA e passado a ser titular de ações da SANTANDER HOLDING (troca de ativos). Já a SANTANDER HOLDING aumentou seu capital em R$9,57 bilhões (custo de aquisição das ações por ocasião de sua compra pelo SANTANDER HISPANO), registrando tal valor de forma desmembrada (R$2,11 bilhões de valor de investimento pelo Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 10 9 método da equivalência patrimonial e R$7,46 bilhões de ágio), de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos e nos termos da Instrução CVM nº 247/1996. Assim, conclui o recorrente que o acórdão paradigma adota entendimento divergente daquele exposto no acórdão recorrido, por entender que os procedimentos adotados não caracterizam duplicidade ou mesmo transferência de ágio. 3) Decadência/Preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado Afastando a arguição preliminar, constante do recurso voluntário, de que o Fisco estaria impedido de examinar a legalidade de fatos pretéritos, perpetrados em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, o acórdão recorrido declarou que a decadência somente se opera em relação a fato gerador de obrigação tributária, situação que não se verifica por ocasião de eventos como o simples registro de ágio na contabilidade dos contribuintes. O recorrente alega que tal posicionamento divergiria do adotado pelo Acórdão nº 10197.084, que reconheceu a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade de fatos pretéritos (ocorridos e registrados contabilmente) após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, que tenham gerado efeitos tributários em anos subsequentes. Entende o acórdão paradigma que, uma vez que os registros contábeis foram informados ao Fisco, se sua regularidade não for questionada dentro do prazo decadencial, consolidase, para efeitos fiscais, a normalidade das operações realizadas pelo sujeito passivo. Pleiteando a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, defende o recorrente que o Fisco não poderia ter efetuado lançamento de ofício, em 2010, sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (operações societárias realizadas em 2001), para alcançar efeitos daí decorrentes em períodos subsequentes (dedução, em 2006 e 2007, de despesas decorrentes de amortização de ágio). 4) Impossibilidade de inovação, pela autoridade julgadora, do critério jurídico que fundamenta o lançamento O recorrente defende que o acórdão recorrido teria fundamentado sua conclusão pela impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio discutido nos autos com base na inocorrência de confusão patrimonial entre a investidora original e a investida, nos termos requeridos pela legislação. Observa em seguida que tal fundamento jurídico não teria sido adotado pela Fiscalização, conforme demonstraria a leitura do Termo de Verificações Fiscais. Assim, restaria caracterizada a indevida inovação do critério jurídico do lançamento tributário, nos termos do art. 146 do CTN. Ao entender como possível a inovação na fundamentação do lançamento, o acórdão recorrido caracterizaria divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 104 18.695, que afirma que a autoridade julgadora deve "aterse aos fatos e provas que compõem o processo administrativo, firmando sua convicção para decidir sobre a lide". 5) Inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 11 10 O recorrente aduz que, ao concluir que os valores de amortização de ágio indevidamente deduzidos deveriam ser adicionados tanto ao lucro real quanto à base de cálculo da CSLL, o acórdão recorrido teria entrado em desacordo com outro julgado administrativo, o Acórdão nº 1301001.394. Ao contrário do acórdão recorrido, que afirma não existir especificidade de tratamento para a base de cálculo da CSLL em relação ao que se opera para o lucro real, o acórdão paradigma entende que não existe dispositivo legal que preveja a adição, à base de cálculo da contribuição, da amortização de ágio pago na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial. O acórdão paradigma faz referência expressa à inaplicabilidade do art. 57 da Lei nº 8.981/1995 à apuração da CSLL, em razão de tal dispositivo não prever a identidade de tratamento de sua base de cálculo com a utilizada para a apuração do IRPJ devido. Com base na conclusão constante do acórdão paradigma, o recorrente pleiteia o cancelamento dos autos de infração relativos à CSLL, em razão da inexistência de previsão legal que determine a adição à base de cálculo da contribuição dos valores amortizados contabilmente referentes à dedução do ágio. 6) Necessidade de consideração da integralidade dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL Defende o recorrente que o acórdão contestado incorreu em equívoco ao afirmar que a autoridade lançadora não estaria obrigada a considerar de ofício, no momento da autuação fiscal, os valores das bases negativas de CSLL e de prejuízo fiscal, para fins de compensação com os valores então constituídos. O recurso especial requer que seja aplicado ao caso o que restou exposto no Acórdão nº 1301001.544, apontado como paradigma em relação ao tema: a eventual constatação, de ofício, de matéria tributável suplementar, impõe que sejam computados, para fins de determinação das exações devidas, os resultados negativos apurados em períodos anteriores". 7) Ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício Como última matéria questionada em seu recurso, o contribuinte combate a posição do acórdão recorrido acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício constituída por ocasião da lavratura dos autos de infração. A decisão guerreada entende que o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao tratar do alcance dos juros de mora, se refere aos débitos em geral relacionados aos tributos e às contribuições, alcançando as multas de ofício. Sobre tal matéria, o recorrente aponta que a CSRF já expôs entendimento contrário ao adotado pela decisão recorrida, ao proferir seu Acórdão nº 910100.722. A ementa do julgado, transcrita parcialmente na peça recursal, é expressa ao afirmar que "os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada". Assim, é requerida a reforma do acórdão recorrido também em relação a este tema. Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 12 11 Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas em relação a todas as matérias indicadas, o recorrente apresenta também uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma de decisão, notadamente no que diz respeito à impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente da aquisição das ações do BANESPA. Em suma, argumentase que: A incorporação reversa adotada pelo grupo Santander (a investida BANESPA incorporou a investidora SANTANDER HOLDING) estaria em conformidade com a previsão da alínea "a" do art. 8º da Lei nº 9.532/1997, tendo sido necessária em razão de o BANESPA já possuir todos os registros e autorizações para atuar no Brasil; A operação utilizada pelo grupo Santander já foi anteriormente adotada em outros leilões de privatização, tanto por empresas residentes quanto não residentes no país, sendo considerada normal e adequada; A forma adotada pelo grupo Santander para a aquisição de participação societária do BANESPA teve propósito negocial específico, em razão da necessidade de se resguardar o sigilo a respeito do lance inicial que viria a ser ofertado no leilão; A constituição da SANTANDER HOLDING foi necessária porque o ágio contabilizado pelo SANTANDER HISPANO não poderia ser repassado às já existentes empresas nacionais controladas pela instituição espanhola, em virtude da vedação legal ao aumento de capital em instituições financeiras por conferência de ações. Além disso, a criação da empresa permitiu a constituição de provisão para proteger a distribuição de dividendos aos acionistas minoritários; A possibilidade de dedução da amortização do ágio deve ser garantida às instituições estrangeiras participantes dos leilões de privatização, em condições de igualdade com as empresas brasileiras, sob pena de ofensa ao princípio da isonomia; O grupo Santander adotou a forma mais direta, correta e adequada para atingir seus objetivos finais: (i) aquisição do BANESPA; (ii) reestruturação societária; (iii) preservação dos direitos dos acionistas minoritários. O contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja admitido, diante da comprovação das várias divergências jurisprudenciais alegadas, sendo posteriormente remetido à CSRF e provido com o consequente cancelamento integral dos autos de infração. A irresignação do contribuinte foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. O resultado foi o despacho de 25/06/2015 que apresentou as seguintes conclusões: Matéria "necessidade de aplicação de decisão já proferida em processo conexo" Considerou se não prequestionada a matéria, uma vez que o contribuinte só havia arguido, em petição protocolada antes do julgamento de seu recurso voluntário, a distribuição do presente processo ao mesmo Conselheiro que relatou o processo nº 16561.000222/200872, e não a reprodução do entendimento firmado no julgamento já realizado. Mesmo que fosse superada a questão da falta de prequestionamento, ainda assim não seria possível o seguimento do recurso em relação à matéria, em razão de o acórdão paradigma não guardar similitude fática com a decisão Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 13 12 recorrida. Enquanto a decisão paradigma trata, na realidade, de processos reflexos (embora se refira a conexão), o presente processo seria efetivamente conexo ao de nº 16561.000222/200872, o que impede o confronto entre os julgados; Matéria "Legitimidade da amortização do ágio" Concluiuse pela existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 140200.802, decisão que, exarada nos autos do processo nº 16561.000222/200872, desconstituiu as glosas, promovidas pela Fiscalização, das despesas decorrentes do mesmo ágio discutido nos presentes autos. Em razão de o primeiro paradigma já ser apto a comprovar o dissídio jurisprudencial, dispensouse o exame do segundo, de nº 1202000.884, também apontado pelo recorrente; Matéria "Decadência/Preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado" Considerouse comprovado o dissídio jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 10197.084, tendo seguimento o recurso especial no que diz respeito ao tema; Matéria "Impossibilidade de inovação, pela autoridade julgadora, do critério jurídico que fundamenta o lançamento" O despacho de exame de admissibilidade negou seguimento ao recurso especial em relação a esta matéria por absoluta falta de identidade fática entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 10418.695 (este apreciou o fato de autoridade julgadora de primeiro grau ter determinado o retorno dos autos à repartição de origem para o refazimento de demonstrativos). Além disso, como a "inovação" apontada pelo recorrente teria se dado em sede de julgamento de recurso voluntário, obviamente a matéria foi considerada como não prequestionada; Matéria "Inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível" Reputouse como não comprovado o conflito entre as decisões administrativas, uma vez que o Acórdão nº 1301 001.394 apreciou e interpretou legislação tributária diversa daquela que foi objeto de interpretação pelo acórdão recorrido (o primeiro tratou do art. 391 do RIR/1999 e da Lei nº 8.981/1995, enquanto o segundo cuidou dos arts 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997). Assim, negouse seguimento ao recurso no tocante à matéria; Matéria "Necessidade de consideração da integralidade dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL" Considerouse inexistente o dissídio jurisprudencial em razão de ambas as decisões (acórdão recorrido e Acórdão nº 1301001.544) afirmarem a mesma coisa: os contribuintes têm o direito de verem compensados eventuais resultados negativos apurados em períodos anteriores. A diferenciação entre os julgados advém meramente de particularidades fáticas: o acórdão recorrido identifica motivos que, no caso concreto, impossibilitam o aproveitamento total destes resultados, situação não observada no acórdão paradigma; Matéria "Ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício" Concluiuse pela existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 9101 00.722, tendo seguimento o recurso especial em relação ao tópico. Sendo assim, e restando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade estabelecidos regimentalmente, o recurso especial foi admitido em relação a três da matérias arguidas pelo recorrente: "Legitimidade da amortização do ágio", "Decadência/Preclusão do Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 14 13 direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado" e "Ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício". Em conformidade com a então vigente redação do art. 71 do RICARF/2015, por ter negado a admissibilidade do recurso especial em relação a alguns dos temas combatidos pelo recorrente, o despacho de exame de admissibilidade foi submetido a reexame pelo Presidente da CSRF, sendo mantido na íntegra. Em 06/07/2015, os autos foram eletronicamente remetidos para a PGFN para fins de ciência da interposição de recurso especial pelo contribuinte, assim como de sua admissão parcial, nos termos do art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 20/07/2015, contrarrazões às alegações do recorrente. Seguindo a ordem adotada pela PGFN, assim podem ser resumidas as contrarrazões apresentadas a respeito das três matérias em relação às quais o recurso especial do contribuinte teve seguimento: a) Da inexistência de decadência O termo "preclusão", utilizado pelo recorrente em seu recurso especial, referese a instituto eminentemente processual, inaplicável ao caso discutido nos autos; O direito de a Fazenda fiscalizar os procedimentos relativos à criação do ágio não se submete ao prazo decadencial tributário, uma vez que não se materializa, no momento do registro contábil dos atos que originam o ágio, hipótese de incidência tributária prevista em lei (fato gerador); Nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), o prazo decadencial de cinco anos somente tem sua contagem iniciada na ocorrência do fato gerador (art. 150) ou no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173); No caso do IRPJ e da CSLL, só se pode falar em prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir as obrigações tributárias a partir da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza e do resultado ajustado positivo do exercício (antes da provisão para o imposto de renda); O pagamento, por pessoa jurídica, do ágio previsto no art. 385 do RIR/1999 não materializa hipótese de incidência prevista para o IRPJ ou a CSLL. Passa a existir somente um potencial benefício fiscal a ser concedido pelo Estado (art. 386 do RIR/1999), mediante a possibilidade de dedução das despesas de amortização de tal ágio das bases de cálculo destes tributos, desde que cumpridas algumas condições fixadas pela legislação; A partir do momento da apuração do IRPJ e da CSLL, quer se utilize ou não a dedução advinda do benefício fiscal atinente ao ágio anteriormente pago, é que se pode falar em contagem de prazo decadencial contra a Fazenda Pública; No caso concreto, o fato contábilsocietário da integralização do aumento do capital social da empresa SANTANDER HOLDING com ágio das ações do BANESPA, ocorrido em 29/05/2001, não constituiu fato gerador de nenhuma obrigação tributária a reclamar para si a contagem do prazo decadencial previsto no CTN. Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 15 14 b) Da indedutibilidade do ágio registrado pelo contribuinte A realização, pelo grupo Santander, de uma sequência de operações societárias com o único objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem recolhidos pela empresa final exorbitou o propósito negocial da aquisição do BANESPA; O ágio discutido no processo foi pago por empresa estrangeira, sem qualquer fundamento na rentabilidade futura da participação societária adquirida, e posteriormente transferido a uma empresa nacional, não podendo ter, portanto, sua amortização deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, seja pelo arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, seja por qualquer outra norma legal; No momento da conferência de ações do BANESPA no processo de aumento de capital da SANTANDER HOLDING, ambas as empresas eram controladas pelo SANTANDER HISPANO, que ocupava simultaneamente as posições de vendedor e comprador no negócio; O investimento do SANTANDER HISPANO na SANTANDER HOLDING teve um prazo curtíssimo de duração (dois meses), principalmente se considerado o elevado montante envolvido; Para que determinada empresa possa gozar da dedutibilidade prevista no art. 386 do RIR/1999, não basta que ela simplesmente incorpore uma controlada na qual detenha participação societária adquirida com ágio. Entre as condições exigidas para tal gozo, encontramse: a necessidade de que a pessoa jurídica tenha efetivamente suportado o ágio registrado; a existência de propósito negocial (aquisição de um investimento); a verificação de substrato econômico a justificar a origem do ágio (transação comercial); o fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura da controlada; Por propósito negocial entendese a razão negocial que leva uma empresa a adquirir um investimento por valor superior àquele que originalmente custou ao alienante; Para fins de fazer jus ao benefício fiscal previsto pelo art. 386 do RIR/1999, o ágio deve ser originado em um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e obrigações correspondentes e proporcionais; A operação que dá origem ao ágio deve ainda ter substrato econômico, com o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o respectivo ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante; A exigência do cumprimento de tais requisitos é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários, por meio do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, e pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, nos termos da Orientação Técnica OCPC nº 02/2008; O ágio registrado pelo contribuinte não é dedutível porque não existiu o encontro, num mesmo patrimônio, do ágio com o investimento que lhe deu origem. Tal encontro deve necessariamente envolver a pessoa jurídica que de fato suportou a mais valia (SANTANDER HISPANO), o que não se verifica nos presentes autos (a incorporação se deu entre a investidora secundária SANTANDER HOLDING e a investida BANESPA); Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 16 15 O investimento realizado pelo SANTANDER HISPANO, por ocasião da aquisição das ações do BANESPA, nunca saiu de fato de seu patrimônio, o que impossibilitou a confusão patrimonial nos moldes requeridos pelo art. 386 do RIR/1999. O investimento permaneceu na empresa espanhola, travestido em ações de suas controladas brasileiras; O ágio registrado na SANTANDER HOLDING, por ocasião da "internalização" das ações do BANESPA, é inexistente de fato (foi criado de forma artificial, existindo apenas no papel). Mesmo que não o fosse, ainda assim não teria sua amortização dedutível, uma vez que não apresenta qualquer propósito negocial ou substrato econômico; Nenhuma das razões apontadas pelo contribuinte para a realização da operação que originou o ágio na SANTANDER HOLDING (manutenção do sigilo da oferta a ser apresentada no leilão do BANESPA; utilização de um benefício fiscal que seria cabível a qualquer empresa brasileira que viesse a vencer o leilão; preservação dos direitos dos acionistas minoritários do BANESPA; aprimoramento da sinergia administrativa das empresas do grupo Santander localizadas no Brasil) caracteriza propósito negocial apto a provocar a dedutibilidade do ágio. Tal propósito deve estar relacionado com fundamento necessariamente econômico, o que não é caso das razões apontadas pelo contribuinte; Na "transferência" do ágio do SANTANDER HISPANO para a SANTANDER HOLDING, não houve qualquer desembolso ou circulação de riquezas. Como a "alienante" era controladora da "adquirente", ocupava simultaneamente os dois pólos da negociação, cobrando o ágio de si mesmo. A operação não foi realizada em um ambiente de livre iniciativa, como seria necessário para fins de dedutibilidade do ágio gerado; A exposição de motivos da Lei nº 9.532/1997 explicita que a elaboração dos arts. 7º e 8º procurou exatamente impedir a criação de ágio artificial, proveniente de negócios fictícios, existentes apenas no papel, que visassem exclusivamente ao surgimento de um benefício fiscal; Outro motivo pelo qual a amortização do ágio discutido nos autos não é dedutível é o fato de que não existe laudo prévio que fundamente economicamente o ágio na expectativa de rentabilidade futura do BANESPA; O laudo que amparou o suposto ágio registrado na SANTANDER HOLDING, por ocasião do seu aumento de capital, foi elaborado seis meses após a compra das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, embora sejam idênticos os valores praticados para as ações nas duas operações. c) Da devida cobrança de juros sobre a multa de ofício A multa de ofício tem natureza de obrigação principal, nos termos do art. 113, §1º, do CTN; De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal, englobando, portanto, a multa de ofício; Como o art. 161 do CTN determina que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora", não há dúvidas de que a multa de ofício sofre a incidência de juros de mora quando não paga até o seu vencimento; Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 17 16 Já o art. 61, caput e §3º, da Lei nº 9.430/1996 determina que os juros de mora incidentes sobre "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" adotarão a taxa SELIC. Tais débitos referem se aos créditos tributários devidos à União, contemplando os tributos e a multa de ofício proporcional aplicada; Também o art. 2º, §2º, da Lei nº 6.830/1980 e o art. 39, §2º, da Lei nº 4.320/1964, que tratam da Dívida Ativa da Fazenda Pública, corroboram o entendimento de que as multas de ofício sofrem a incidência de juros de mora, uma vez que indubitavelmente integram o conceito de "Dívida Ativa da União". Por conta de tudo que expôs, a PGFN pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Turma a quo. Em 22/09/2015, o contribuinte foi cientificado, por meio de acesso à sua caixa postal eletrônica, a respeito do seguimento parcial dado ao seu recurso especial, assim como das contrarrazões apresentadas pela PGFN. Apresentou em seguida, em 25/09/2015, embargos inominados contra o despacho que examinou a admissibilidade de seu recurso especial. O documento questionou especificamente a negativa de seguimento em relação à matéria "Inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível". Alegou o contribuinte que as razões de decidir adotadas para apreciar o tema estariam em desconformidade com as disposições constantes do RICARF. O despacho teria incorrido em lapso manifesto ao negar seguimento à matéria com base no argumento de que o Acórdão nº 1301001.394 trataria de legislação tributária diversa daquela apreciada pelo acórdão recorrido. Segundo o contribuinte, ambas as decisões discutem a aplicação da Lei nº 7.689/1988. Em despacho de 28/10/2015, os embargos inominados não foram admitidos por absoluta falta de previsão regimental, uma vez que o art. 66 do RICARF/2015 prevê o cabimento de tal recurso apenas em face de inexatidão material constatada em acórdão. Ainda assim, o despacho reafirmou o mérito contestado pelo contribuinte, declarando que o acórdão apontado como paradigma em relação à matéria atinente à base de cálculo da CSLL de fato não se prestava à comprovação de divergência jurisprudencial em face do acórdão recorrido. Não admitidos os embargos inominados manejados pelo contribuinte, os autos seguiram para a CSRF para o julgamento do recurso especial em relação às matérias que tiveram seguimento. É o relatório. Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme concluiu o despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial interposto pelo BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, de um total de sete matérias contestadas, em relação a três foi reconhecido o cumprimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial, fixados pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. As matérias que provocaram o seguimento do recurso foram: "Legitimidade da amortização do ágio", "Decadência/Preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado" e "Ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício". Não tendo sido apresentadas, pela PGFN, por ocasião da exposição de suas contrarrazões, alegações preliminares de não conhecimento da peça recursal apresentada pelo contribuinte, adoto as razões expostas no aludido despacho, para CONHECER do recurso especial em relação às três matérias admitidas, passando à análise de seu mérito. As matérias serão analisadas em uma ordem que respeite a relação de dependência existente entre elas. Por tratarse de arguição preliminar, a questão da decadência será abordada primeiro. Depois, passase ao tema principal do debate travado nos autos, concernente à dedutibilidade da amortização do ágio, que é inclusive questão prejudicial à análise da terceira matéria (incidência de juros de mora sobre multa de ofício), cujo exame é deixado para o fim. 1) Decadência/Preclusão do direito ao questionamento dos atos que originaram o ágio O recorrente alega que o Fisco estaria impedido de questionar, no ano de 2010, a legalidade dos atos societários praticados em 2000 e 2001, em razão de tais operações já terem se consumado no tempo por conta do decurso do prazo decadencial. Os atos societários mencionados são a aquisição de ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, por meio de leilão público (20/11/2000) e de Oferta Pública de Ações (28/12/2000), a utilização de tais papéis na integralização do capital social da SANTANDER HOLDING (29/05/2001) e, por fim, a incorporação desta pessoa jurídica pelo BANESPA (30/07/2001). Embora os lançamentos tributários tenham se referido aos anoscalendário de 2006 e 2007, períodos em que o recorrente deduziu do lucro real e da base de cálculo da CSLL despesas que a Fiscalização entendeu indedutíveis, o recurso especial defende que a utilização fiscal do ágio nestes anos foi mero efeito dos atos negociais perpetrados em 2000 e 2001. Assim, postula o reconhecimento da decadência do direito do Fisco a questionar a legalidade de atos praticados em período já alcançado, no momento da autuação, pelo prazo de cinco anos. Argumenta que os registros contábeis referentes aos atos societários praticados em 2000 e 2001 já eram desde então de conhecimento do Fisco e que sua regularidade não foi questionada dentro do prazo decadencial, consolidandose, portanto, para Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 19 18 fins fiscais, a normalidade das operações realizadas, que operaram efeitos tributários nos anos subsequentes, inclusive 2006 e 2007. Inicialmente, julgo relevante avaliar a adequação da utilização, pelo recorrente, do termo "preclusão" como sendo equivalente à decadência. Por relevantes, transcrevo as palavras da PGFN a respeito do assunto, constantes de suas contrarrazões ao recurso especial: "Preliminarmente, acerca da utilização pelo recorrente em seu recurso da expressão “preclusão”, destacase que este instituto eminentemente processual não existe no âmbito da atividade fiscalizatória do Estado. No exercício de apuração do fato gerador (procedimento fiscal), não há qualquer preclusão dos atos praticados. O Fisco pode fazêlos e refazêlos como bem quiser, desde que observe o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Por preclusão entendese a impossibilidade, ou perda da faculdade, de praticar um ato processual. Essa impossibilidade pode decorrer de o ato já ter sido praticado anteriormente (preclusão consumativa), de o tempo hábil para a sua prática já ter expirado (preclusão temporal), ou de outro ato incompatível com ele ter sido praticado no seu lugar (preclusão lógica). Ora, d. Julgadores, diante de tal conceito, é de se imaginar que há preclusão nos procedimentos fiscais realizados pela Autoridade Tributária? Por exemplo, uma vez ela tendo solicitado determinada informação ao particular, ela não mais poderá fazêlo novamente? Por certo, não há que se falar que um ato de fiscalização não pode mais ser realizado porque ele já fora praticado anteriormente, porque outro ato incompatível com ele já fora realizado, ou porque o tempo para a sua execução já se expirou. Como reconhecido de forma uníssona pela doutrina e pela jurisprudência, o procedimento fiscal se reveste de caráter inquisitório, não sendo imposto ao Estado nessa fase observar contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Tais aspectos do direito de defesa do contribuinte serão plenamente e incondicionalmente garantidos ao sujeito passivo ao longo do processo administrativo fiscal, posterior à constituição do crédito tributário (lavratura do auto de infração). Antes disso, não há processo; não há faculdade para se praticar qualquer ato processual; não há preclusão. Por fim, vale destacar que o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários em nenhum momento pode ser confundido como uma preclusão temporal. Como visto e como será mais detalhado a seguir, a preclusão se refere à prática de um ato processual; a decadência, por seu turno, prevista no Código Tributário Nacional, se refere à constituição do crédito tributário por meio do lançamento. No CTN não há qualquer previsão de preclusão dos atos fiscalizatórios." Filiome ao entendimento exposto pela d. Procuradoria, no sentido de que um instituto eminentemente processual não pode ser oposto à fase inquisitória do procedimento de fiscalização tributária. Todavia, como o instituto foi utilizado, no recurso especial, praticamente como sinônimo de decadência, e a alegação relativa a esta será analisada em seguida, tal consideração não importa em prejuízo algum para o recorrente. Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 20 19 O instituto da decadência tributária visa a limitar, no tempo, o direito de o Fisco constituir créditos tributários por meio do lançamento, sendo regido pelos arts. 173 e 150 do CTN. O primeiro dispositivo traz, em seu inciso I, a regra geral da decadência, que reza que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue com o esgotamento do prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento tributário poderia ter sido efetuado. Já o §4º do art. 150 prevê a regra a que se submetem os tributos sujeitos ao lançamento por homologação: se a Fazenda Pública não se pronunciar em cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, o lançamento é homologado e o respectivo crédito, extinto. In verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Observase que os dois dispositivos têm algo em comum: ambos baseiamse no fato gerador dos tributos para estabelecer o marco temporal inicial da contagem do prazo decadencial. No caso do art. 173, inciso I, a contagem se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade tributária já poderia ter realizado o lançamento, motivado, logicamente, pela verificação do fato gerador. Já na previsão contida no §4º do art. 150, a própria ocorrência do fato gerador já inaugura o decurso do prazo decadencial. Os presentes autos tiveram origem em dois autos de infração: um referente ao IRPJ; o outro, à CSLL. Observese o que a legislação específica estabelece para tais tributos: Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 21 20 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (...) Lei nº 7.689, de 15/12/1988 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (...) O fato gerador do IRPJ é, portanto, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Já o fato gerador da CSLL, embora o dispositivo legal não seja explícito, é a ocorrência de resultado ajustado positivo no exercício financeiro, antes da provisão para o imposto de renda. Assim, só há sentido em se discutir decadência de lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL a partir do momento em que ocorrem tais fatos geradores, por determinação expressa dos arts. 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN. O recorrente defende a tese de que a contagem do prazo decadencial se iniciaria com a operação societária ocorrida em 2001, ou com o registro do ágio decorrente de tal operação na contabilidade das empresas brasileiras integrantes do grupo Santander, ou ainda com a entrega ao Fisco das informações atinentes a tal contabilização. Segundo a teoria exposta, feitos os registros contábeis referentes aos atos societários que deram origem ao ágio, se estes não forem contestados pela Administração Tributária dentro de cinco anos, receberiam uma espécie de "homologação tácita" e seu aproveitamento fiscal estaria autorizado, também de forma tácita. Não existe fundamento jurídico que possa sustentar a tese desenvolvida pelo recorrente. O instituto da decadência tributária tem o nobre propósito de evitar surpresas na relação entre contribuintes e Estado, homenageando o princípio da segurança jurídica. Todavia, ele não existe de forma independente, desvinculada dos fatos geradores dos tributos. Não é razoável se cogitar da existência de decadência para cada ato societário, cada registro contábil, cada transação realizada. Tais eventos indubitavelmente fazem parte da rotina das pessoas jurídicas, mas somente quando implicam na ocorrência do fato gerador de um tributo específico é que se pode falar em início da contagem de prazo decadencial. O simples registro do ágio na contabilidade da SANTANDER HOLDING (por ocasião da integralização de seu capital social pelo SANTANDER HISPANO), do BANESPA (depois que este banco incorporou a SANTANDER HOLDING, sua então Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 22 21 controladora) ou do próprio recorrente (após a incorporação do BANESPA) não poderia ser objeto de glosa ou de lançamento tributário por parte da autoridade fiscalizadora. A presença do ágio nos livros contábeis não provoca redução de crédito tributário, majoração de prejuízo fiscal ou causa para lançamento de multa isolada. Assim, não havia obrigação de atuação por parte do Fisco que pudesse provocar a fluência de prazo decadencial contra ele. O que os arts 385 e 386 do RIR/1999 prevêem é que a pessoa jurídica que incorporar outra em que detenha participação societária (ou for por ela incorporada), com a contabilização de ágio fundamentado na expectativa de resultados futuros, passa a ter um potencial direito de, no futuro, caso sejam cumpridos os demais requisitos exigidos pela legislação, usufruir da possibilidade de utilização das despesas decorrentes da amortização de tal ágio como deduções na apuração do IRPJ e da CSLL devidos. Somente quando o contribuinte faz uso deste direito que entende lhe caber é que surge a obrigação da autoridade tributária de verificar a correção dos valores apurados a título de IRPJ e de CSLL. Se os tributos forem apurados de forma incorreta, a valor menor, em razão da utilização da amortização do ágio de forma indevida (por exemplo, pelo não cumprimento de todas as exigências legais), passa a existir um fato que demanda a atuação do Fisco. Somente a partir do momento em que ocorrem os fatos geradores destes tributos, portanto, é que se passa a discutir decadência. O prazo decadencial aplicável a esta hipótese delimita o tempo de que o Fisco dispõe para averiguar a utilização, pelos contribuintes, da amortização do ágio, contabilizado em anos anteriores, para fins de redução dos tributos relativos aos anos posteriores. No caso da presente lide, os créditos tributários lançados referemse aos anoscalendário 2006 e 2007. Assim, até o cabo de cinco anos contados dos fatos geradores de tais tributos (se considerarmos aplicável o §4º do art. 150 do CTN, hipótese mais benéfica ao recorrente), a autoridade tributária poderia verificar a utilização do ágio contabilizado em 29/05/2001 na apuração dos tributos relativos a 2006 e 2007, homologando a utilização ou glosando as despesas dele advindas. Como as mencionadas glosas foram feitas em 2010, nenhuma irregularidade é identificada na atuação estatal. Além disso, registrese que a atuação do Fisco pode desconstituir a utilização fiscal do ágio, caso as condições legais estabelecidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e arts. 385 e 386 do RIR/1999 não tenham sido cumpridas, mas não a sua contabilização. O ágio contábil permanece na escrituração dos contribuintes, fato que reforça a ideia de que a atuação da autoridade tributária não afeta, efetivamente, fatos ocorridos e já alcançados pela decadência, mas apenas seus efeitos verificados em anos ainda não decaídos. O entendimento exposto neste voto é corroborado pela Lei nº 9.430/1996, na parte em que dispõe a respeito da obrigação de guarda de documentos pelos sujeitos passivos: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Ao determinar que os comprovantes de escrituração relativos a fatos que repercutam no futuro devem ser guardados pelos sujeitos passivos até o momento em que se opere a decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos a estes exercícios (os futuros, frisese), a legislação explicita que os fatos comprovados pela Fl. 3353DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 23 22 documentação não inauguram a contagem do prazo decadencial, mas sim os fatos geradores dos tributos que devem ser apurados e recolhidos nos exercícios posteriores. O CARF já teve oportunidade de se pronunciar acerca da tese apresentada pelo recorrente. Em recentíssimo julgamento de recurso voluntário nos autos do processo nº 10183.723840/201320, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara apreciou alegação exatamente igual à levantada no recurso especial sob análise. No Acórdão nº 1301002.019, restou assim ementada a decisão relativa a tal discussão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Do voto que prevaleceu em relação a esta matéria naquele julgamento, reproduzse o excerto: "Como preliminar, inicialmente, a recorrente insurgese contra a decisão da Turma Julgadora a quo que decidiu no sentido de que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial seria contado a partir do início da sua amortização (anocalendário 2009) e não quando da apuração do ágio (ano calendário 2007). Com relação a decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da sua amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Assim, o prazo decadencial deve ter como referência o período de apuração onde tenha ocorrido a amortização/dedução. No caso sob exame, a amortização iniciouse no anocalendário de 2009, como a ciência dos autos deuse em 24/09/2013, rejeito a preliminar da decadência conforme suscitada." (Grifouse) Diante de tudo o que foi exposto, entendo que não existe prescrição a afetar o lançamento dos créditos tributários objeto dos presentes autos. Os autos de infração foram lavrados em 2010, tendo por base fatos geradores de IRPJ e de CSLL ocorridos em 2006 e 2007, não o ágio registrado em 2001. Assim, relativamente à alegação preliminar de decadência, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Fl. 3354DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 24 23 2) Aspectos relativos à amortização do ágio e seus reflexos tributários O ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pelo recorrente (e condenado pela Fiscalização) de deduzir, nos anoscalendário de 2006 e 2007, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas com amortização do ágio registrado na contabilidade da SANTANDER HOLDING por ocasião da integralização do aumento de seu capital social pelo SANTANDER HISPANO. Conforme já foi mencionado, tal integralização de capital social se deu em 29/05/2001, por meio da entrega, pela empresa espanhola, de ações do BANESPA pelo valor total pago em sua aquisição em leilão público e em Oferta Pública de Ações (R$9,57 bilhões). Na contabilidade da SANTANDER HOLDING, o valor foi registrado de forma desmembrada: R$2,11 bilhões de valor de investimento pelo método da equivalência patrimonial e R$7,46 bilhões de ágio. Com a incorporação da SANTANDER HOLDING pelo BANESPA, este banco considerou que faria jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização de tal ágio, com base nos disposições constantes dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. Posteriormente, com a incorporação do BANESPA pelo recorrente, o saldo restante do ágio continuou sendo utilizado para fins de redução dos valores apurados de IRPJ e de CSLL. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do DecretoLei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 3355DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 25 24 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos também prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): : I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 26 25 (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os Fl. 3357DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 27 26 computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese às transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no recente Acórdão nº 9101002.301: "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 28 27 valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19971, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. 1 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 29 28 Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista3 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 19974: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. 3 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 30 29 Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 31 30 III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 32 31 §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 33 32 outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 5. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A 5 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 34 33 (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa se o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI6, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que 6 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 35 34 passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 36 35 a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa onde investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores por ocasião da aquisição, pelo SANTANDER HISPANO, das ações do BANESPA, no leilão público (20/11/2000) e na Oferta Pública de Ações (28/12/2000). Destas operações, resultou o registro de ágio no valor de R$7,46 bilhões (R$9,57 bilhões pagos pela aquisição das ações R$2,11 bilhões de valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial). Ocorre que tal ágio foi registrado na contabilidade da empresa espanhola. Fosse o SANTANDER HISPANO uma pessoa jurídica sediada no Brasil, submetida à legislação tributária brasileira, ela poderia fazer jus à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio de R$7,46 bilhões se viesse a incorporar o BANESPA e atendesse também às demais condições exigidas legalmente. Como não havia essa possibilidade, o grupo Santander promoveu a "internalização" do ágio em território brasileiro, por meio da integralização de aumento do capital social da SANTANDER HOLDING, em 29/05/2001. Foi realizada a entrega das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, pelos exatos valores que constavam da contabilidade do banco espanhol. Assim, a SANTANDER HOLDING passou a possuir, em sua contabilidade, o ágio de R$7,46 bilhões associado às ações do BANESPA, registradas por R$2,11 bilhões. O Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 37 36 próprio recorrente afirma, tanto em seu recurso especial quanto em manifestações anteriores, que foi este ágio, criado em 29/05/2001, que posteriormente foi utilizado na redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, e não aquele que constava na contabilidade do SANTANDER HISPANO já no ano 2000. Conforme já foi narrado, a SANTANDER HOLDING foi incorporada pelo BANESPA em 30/07/2001. Julgando fazer jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio com base nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999), o BANESPA passou a reduzir seu lucro líquido. Posteriormente, com a incorporação do BANESPA pelo recorrente em 31/08/2006, este continuou a utilizar o saldo remanescente do ágio para reduzir suas bases tributáveis. Ocorre que nem o BANESPA (conforme já foi reconhecido nos autos do processo nº 16561.000222/200872) nem o recorrente poderiam ter utilizado o ágio registrado originalmente na SANTANDER HOLDING para fins de deduzir as despesas decorrentes de sua amortização. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Como não foi a SANTANDER HOLDING que desembolsou o valor que deu origem ao ágio contábil, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. Como o próprio recorrente reconhece, o numerário que pagou pela aquisição das ações do BANESPA, no ano de 2000, saiu dos cofres do SANTANDER HISPANO. Posteriormente, em 29/05/2001, as ações foram transferidas à propriedade da SANTANDER HOLDING, sem nenhuma desembolso de valores por parte da nova proprietária. A SANTANDER HOLDING foi incorporada pelo BANESPA em agosto de 2001. O banco, julgando que estaria configurada a "confusão patrimonial" entre o ágio e o investimento que lhe deu causa, passou a aproveitar as despesas da amortização do ágio para fins tributários. Ocorre que tal "confusão patrimonial", principal manifestação do aspecto material necessário à efetiva incidência da norma tributária prevista no art. 386 do RIR/1999, deve obrigatoriamente se dar entre a investida e a investidora originária, real. Por investidora originária, entendese aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária. Ou seja, no caso sob análise, só existe uma real investidora: o SANTANDER HISPANO. Padeceu do mesmo vício o aproveitamento tributário do ágio feito pelo recorrente a partir de meados de 2006. Se a "confusão patrimonial" entre a SANTANDER HOLDING e o BANESPA já não atendia aos aspectos pessoal e material necessários à verificação da hipótese de incidência objeto do art. 386 do RIR/1999, o mesmo ocorreu com a posterior "confusão patrimonial" entre BANESPA e BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A. Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a empresa participante da "confusão patrimonial" tenha arcado com a aquisição do investimento com ágio, não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio que se exige diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do que um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 38 37 proporcionais ao negócio celebrado. No caso dos presentes autos, não se verificou a prática de tal "sacrifício patrimonial" pela SANTANDER HOLDING ou pelo recorrente. Sendo assim, a amortização operada pelo recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou seja por ela incorporada. No caso dos autos, a investidora originária não participou de "confusão patrimonial" alguma. Além disso, o ágio registrado na SANTANDER HOLDING decorreu de operação meramente contábil, sem efetiva circulação de riquezas e realizada entre empresas que integram um mesmo grupo econômico. Ainda que se analise a situação debatida nos autos sob outro enfoque, a conclusão alcançada continua sendo pela impossibilidade de utilização tributária do ágio pelo recorrente. Tal aproveitamento tributário do ágio consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 39 38 Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 40 39 consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como a encontrada nos presentes autos, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999, não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Diante de todo o exposto, relativamente ao pedido de reconhecimento da legitimidade da amortização de despesas de ágio nos moldes pretendidos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. 3) Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Por fim, o recorrente pede, na hipótese de seu recurso especial não obter provimento no que diz respeito às duas primeiras matérias combatidas, que se afaste a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por absoluta falta de previsão legal que ampare tal cobrança. Se equivoca o recorrente ao alegar que tal cobrança estaria desamparada pela legislação tributária. A cobrança de juros de mora sobre os créditos não pagos até a data de vencimento é prevista no art. 161 do CTN, nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A expressão "crédito", constante do caput do artigo reproduzido, obviamente se refere ao crédito tributário, pela própria natureza do diploma legal que habita. Para se definir o alcance de tal expressão, recorrese a outro dispositivo do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 41 40 Já a definição de obrigação principal, mencionada no art. 139 do CTN, é trazida pelo §1º do art. 113 do mesmo Código. Tal obrigação tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. In verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O critério utilizado pelo CTN para enquadrar determinada obrigação tributária como principal é, portanto, seu conteúdo pecuniário. Uma vez que a multa de ofício tem a característica de penalidade pecuniária, resta incontroverso que ela integra a obrigação principal, ao lado dos tributos. Interpretando em conjunto os dispositivos reproduzidos, concluise que incidem juros de mora sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento (art. 161) e que tais créditos decorrem da obrigação principal (art. 139), englobando o tributo e a multa de ofício (art. 113, §1º). Assim, a conclusão construída é a de que o CTN prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Os defensores da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício argumentam que a interpretação literal do caput do art. 161 do CTN impossibilitaria tal incidência em razão da presença da expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Se a penalidade referente à multa de ofício já estiver contemplada na expressão "crédito não integralmente pago no vencimento", a que outras penalidades cabíveis estaria se referindo o legislador? indagam. Ocorre que, frequentemente, a interpretação de uma norma tributária demanda a consideração da realidade jurídica e fática a que se aplica. Mais do que isso, a norma deve ser interpretada sistematicamente, levandose em conta todo o sistema tributário pátrio. A este respeito, examinese a interessante colocação da Ilustre Conselheira Viviane Vidal Wagner, designada para redigir o voto vencedor do Acórdão nº 910100.539: "Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 42 41 quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema." Sendo assim, a melhor interpretação a ser dada ao art. 161 do CTN é, sem dúvida, aquela que guarda harmonia com os demais dispositivos daquele Código que tratam do tema sob análise, qual sejam, os arts. 113 e 139. Além do CTN, a Lei nº 9.430/1997, em seu art. 61, caput e §3º, também dispõe sobre o cabimento de juros de mora sobre multa de ofício: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Depreendese do artigo reproduzido que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. A multa de ofício se amolda perfeitamente a tal definição, já que sua cobrança decorre, entre outras hipóteses, da falta de pagamento de imposto ou contribuição, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1997. Sendo assim, a exemplo do que ocorre com o art. 161 do CTN, também o art. 61 da Lei nº 9.430/1997 fundamenta a possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Corrobora ainda tal entendimento o art. 43 da Lei nº 9.430/1997 que, em seu parágrafo único, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. Assim, vêse que a legislação não enxerga incompatibilidade entre os juros de mora e uma multa pecuniária de caráter punitivo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 43 42 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou a respeito da legalidade da cobrança de juros de mora nos moldes praticados no presente processo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) Por fim, tanto §3º do art. 61 quanto o parágrafo único do art. 43, ambos da Lei nº 9.430/1997, fazem alusão à taxa aplicável a título de juros de mora: taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais. Quanto a este ponto, a matéria já foi inclusive pacificada por meio da edição da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte em relação às alegações de descabimento de incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pelo contribuinte; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto à alegação preliminar de ocorrência de decadência que impossibilitaria o questionamento dos efeitos tributários de atos societários praticados em período já alcançado pela decadência; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto ao pedido de reconhecimento da legitimidade do aproveitamento tributário do ágio para fins de redução do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2006 e 2007; Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 44 43 NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto ao pedido de afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em síntese: · conhecer do Recurso Especial; · negarlhe provimento quanto à preliminar de decadência e; · no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3375DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928482/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.382
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 82 /2 00 9- 84 Fl. 714DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.280 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 112 3 A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.280), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 716DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 573 a 585, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de janeiro de 2006, no total de R$ 5.111.134,05, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 17%, 14%, 17%, 14% e 34%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Da mesma forma, as receitas auferidas na execução do contrato CERCO/2005 41, no mês de janeiro de 2006, no total de R$ 15.942,55, também foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 113 5 0000100200800010811, em decorrência do contrato ter sido firmado posteriormente a 31/11/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 587 a 610, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos Fl. 718DF CARF MF 6 autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 644 a 658, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 114 7 Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 720DF CARF MF 8 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 115 9 apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 573 a 585). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 587 a 610), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 722DF CARF MF 10 deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 573 a 585) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 587 a 610), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 723DF CARF MF
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Numero do processo: 13766.720334/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA LEGAL. ALCANCE DA NORMA ISENTIVA.
A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, dos portadores e cegueira, não faz ressalva quanto ao tipo ou características da cegueira, o que implica no reconhecimento do direito ao gozo da isenção pleiteada.
Numero da decisão: 2201-003.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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CEGUEIRA LEGAL. ALCANCE DA NORMA ISENTIVA. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, dos portadores e cegueira, não faz ressalva quanto ao tipo ou características da cegueira, o que implica no reconhecimento do direito ao gozo da isenção pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 03 34 /2 01 4- 05 Fl. 73DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: A interessada impugna lançamento do anocalendário 2010, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 120.389,51, resultando em imposto suplementar de R$ 468,61. De acordo com o relatório fiscal, a contribuinte pretendia a isenção destes rendimentos de aposentadoria por ser portadora de “cegueira legal”, moléstia que não estaria incluída na lei de isenção. A impugnante reafirma o seu direito à isenção dos rendimentos e apresenta laudo médico do Instituto de Previdência do Estado do Espírito Santo atestando que é portadora de “cegueira legal” e que a moléstia estaria enquadrada no art. 1º da Lei nº 11.052/2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PERDA PARCIAL DA VISÃO. Em obediência ao princípio da interpretação literal das normas isentivas, o conceito de cegueira, usado sem outras qualificações na lei de isenção, não pode ser estendido para incluir a mera redução da acuidade visual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal, no qual o contribuinte sustentou, em síntese, que para a isenção do imposto de renda é necessário que o contribuinte seja aposentado, possua cegueira (binocular ou monocular) e que tal patologia seja atestada por laudo médico emitido pelo serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, não poderia o fisco fazer restringir o direito da recorrente fazendo restrição entre os tipos de cegueira, já que a lei não faz distinção. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13766.720334/201405 Acórdão n.º 2201003.854 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o presente lançamento tem como objeto a omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. Entendeu a fiscalização que a "cegueira legal" não se inclui entre as moléstias enumeradas na lei de isenção por moléstia grave. O acórdão recorrido manteve o lançamento, consoante o argumento abaixo transcrito: Como se observa, a patologia “cegueira” está inserida sem qualquer qualificação que inclua graus de perda de acuidade visual inferiores à perda total da visão, própria do conceito de cegueira, que é em si mesmo a mera negação do conceito de visão. Mas a doença atestada no laudo apresentado pela impugnante é “cegueira legal”, o que significa exatamente que não se trata aqui de cegueira, como a define a ciência médica, em sentido próprio, mas sim com a define a lei, dentro de parâmetros e contextos específicos. Acerca da isenção por moléstia grave, cabe mencionar o Enunciado de Súmula CARF n.º 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, são duas as condições necessárias para o gozo da isenção: a) recebimento de rendimentos de aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada e b) existência de moléstia grave prevista em lei e comprovada por laudo médico oficial. Com relação ao primeiro requisito mencionado, não houve controvérsia. Mas, com relação ao segundo requisito, a discussão referese à inclusão ou não da "cegueira legal" entre as moléstias enumeradas na lei de isenção por moléstia grave. O art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, faz referência à cegueira da seguinte forma: Fl. 75DF CARF MF 4 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência) Como se pode perceber, a cegueira consta do rol das moléstias graves, sem qualquer ressalva ou restrição. Portanto, se o legislador não fez essa distinção, não caberia ao intérprete fazêlo, de sorte que o portador de cegueira legal, com base em conclusão da medicina especializada, deve beneficiarse da isenção. Além disso, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 111, dispõe claramente sobre a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Desse modo, com a análise literal da lei, verificase que não há ressalvas quanto ao tipo ou características da cegueira, o que demonstra o alcance da norma a todos os casos da moléstia, seja em maior ou menor grau, seja monocular ou não. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002006/2001-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
Numero da decisão: 2202-004.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 20 06 /2 00 1- 38 Fl. 446DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de lançamento efetuado em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou por documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras ocorridas no anocalendário de 1998, no montante de R$ 1.259.159,10. O fundamento legal utilizado foi a presunção instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No Termo de Verificação Fiscal foram consignadas as seguintes observações: A partir do cruzamento de informações fornecidas pelas instituições bancárias relativas às movimentações financeiras sujeitas à incidência da CPMF, foram selecionados contribuintes com movimentações financeiras incompatíveis com os valores declarados ou omissos da entrega, que foi o caso do contribuinte em epígrafe; O contribuinte movimentou somente a conta corrente nº 0243.480803, cujo extrato foi fornecido diretamente pelo contribuinte. Quanto à origem dos depósitos, alegou o contribuinte que os mesmos eram provenientes de sua atividade de comerciante autônomo de veículos usados, atividade que regularizou somente em 24/01/2000, com a abertura da empresa Laranjeiras Comércio e Locação de Veículos Ltda. Após a análise dos valores constantes dos extratos, foram depurados os valores de créditos tributários passíveis de tributação que servirão como base de cálculo para a constituição do crédito tributário, que perfaz um total de depósitos no anocalendário de 1998 de R$ 2.167.180,00 O contribuinte apresentou Impugnação de fls. 62/82 na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) nulidade do lançamento por ter partido de informações sigilosas de movimentação de conta bancária e por confundir os conceitos de rendimentos tributáveis e movimentação financeira; b) a Constituição Federal veda qualquer possibilidade de quebra de sigilo bancário, inclusive aquelas disciplinadas na Lei Complementar nº 105/2001 e regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001; Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13819.002006/200138 Acórdão n.º 2202004.090 S2C2T2 Fl. 447 3 c) a jurisprudência do Conselho de Contribuintes já decidiu que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica; d) o lançamento do crédito com base em depósitos bancários só é admissível quando ficar provado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimentos e que, não há nos autos qualquer prova que demonstre que a utilização dos valores depositados se refira a renda que se pretende tributar; e) que a origem dos depósitos bancários, que apenas circulavam em sua conta corrente, advém da prática de intermediação de compra e venda de automóveis da Diretoria da Volkswagen, pratica que realizava , tendo em vista sua qualidade de ex funcionário da referida empresa. f) os valores de depósitos possuem o correspondente cheque dado como pagamento dos veículos comercializados, tendo como prova disso que, os referidos cheques foram emitidos em favor da Volkswagen. g) os valores recebidos pelo impugnante nunca ultrapassaram mais do que R$ 50,00 a R$ 150, por operação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 270 eprocesso): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E DA LEI Nº 10.174/2001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 448DF CARF MF 4 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. A imposição de multa de ofício e da taxa SELIC decorre de expressa disposição legal, não podendo a autoridade lançadora deixa de aplicála. Intimado da referida decisão (AR fls. 290) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 296/316, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. Acrescenta que os valores levados à cabo pela exigência fiscal são muito superiores a sua capacidade financeira configurando nítido confisco. É relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) ALEGAÇÕES DE OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE E DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. O Recorrente alega em seu recurso que o lançamento ofende o princípio constitucional da irretroatividade e que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Tais alegações não podem ser conhecidas. Isso porque, ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase, inclusive, sumulada, conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2) PRELIMINAR IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01 OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário só poderia ser feita mediante prévia autorização judicial, sendo, portanto, inconstitucional a autorização contida na Lei Complementar nº 105/2001. Alega também a impossibilidade de se aplicar a autorização nela contida aos fatos geradores pretéritos como ocorreria no caso dos autos em que o lançamento referese ao anocalendário de 1998. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13819.002006/200138 Acórdão n.º 2202004.090 S2C2T2 Fl. 448 5 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade Fl. 450DF CARF MF 6 contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. 3) MÉRITO 3.1) AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13819.002006/200138 Acórdão n.º 2202004.090 S2C2T2 Fl. 449 7 §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova e a desnecessidade de comprovação do consumo da renda é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 3.2) DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Alega o Recorrente para demonstrar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, que intermediava veículos da diretoria da Volkswagen, na qual seria antigo funcionário e que as cópias dos cheques emitidos para a Volkswagen, comprovariam o pagamento relativo aos mencionados veículos. Para tanto junta planilhas que trazem um comparativo mensal dos valores lançados pela fiscalização, conforme extratos bancários e os débitos constantes em sua contacorrente. Todavia, conforme ressaltou a decisão recorrida: Entretanto, nenhum dos documentos apresentados é hábil a comprovar a necessária relação entre os veículos vendidos (documento de transferência dos mesmos, notas fiscais, etc) e os depósitos, que, segundo o contribuinte, seriam provenientes da venda dos veículos (relação das pessoas que adquiriram tais veículos, contrato de aquisição, formas de pagamento, etc). A mera alegação do contribuinte, não embasada em documentos que demonstrassem inequivocamente que, efetivamente, houve a intermediação na venda dos veículos, por parte do impugnante, não faz prova a seu favor. As cópias dos cheques comprovam somente que houve pagamentos por parte do contribuinte à Volkswagen, não sendo possível estabelecer uma relação direta nem co os depósitos que figuraram em sua conta corrente, nem tampouco com a suposta venda de veículos. Fl. 452DF CARF MF 8 Destarte, não comprovada a origem dos recursos, tem a Autoridade Fiscal o poder/dever de autuar a omissão do valor dos depósitos bancários recebidos. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tão somente, a inquestionável observância do diploma legal aplicável ao caso em espécie. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. 4) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723472/2010-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) INOCORRÊNCIA
O MPF é mero instrumento de controle administrativo, e, portanto, não subtrai ou limita a competência legal do Auditor Fiscal para o exercício de suas funções, que está definida em Lei, em sentido estrito. Além disso, no caso sob exame, nem mesmo ocorreram as alegadas irregularidades relativas à sua espécie e à sua prorrogação.
OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO
Como a Contribuinte reiteradamente, ao longo de todo o ano de 2006, apurou o Simples a partir de uma receita muitas vezes menor do que a efetivamente auferida, e, posteriormente, também omitiu estas receitas do Fisco, quando as declarou em valores muito inferiores à realidade, restou caracterizada a intenção da Contribuinte de impedir que a Autoridade Fazendária tomasse
conhecimento da ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora. Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional.
Não compromete a qualificação da multa o fato de a base de cálculo ter sido apurada a partir de extratos bancários, uma vez que os valores autuados também estão refletidos no Livro Caixa, não havendo dúvidas de que se trata de recursos relativos a receitas auferidas junto a clientes, conforme indicam
os próprios históricos constantes daquele livro.
Numero da decisão: 1802-001.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que reduzia a multa de 150% para 75%.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) INOCORRÊNCIA O MPF é mero instrumento de controle administrativo, e, portanto, não subtrai ou limita a competência legal do Auditor Fiscal para o exercício de suas funções, que está definida em Lei, em sentido estrito. Além disso, no caso sob exame, nem mesmo ocorreram as alegadas irregularidades relativas à sua espécie e à sua prorrogação. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Como a Contribuinte reiteradamente, ao longo de todo o ano de 2006, apurou o Simples a partir de uma receita muitas vezes menor do que a efetivamente auferida, e, posteriormente, também omitiu estas receitas do Fisco, quando as declarou em valores muito inferiores à realidade, restou caracterizada a intenção da Contribuinte de impedir que a Autoridade Fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora. Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional. Não compromete a qualificação da multa o fato de a base de cálculo ter sido apurada a partir de extratos bancários, uma vez que os valores autuados também estão refletidos no Livro Caixa, não havendo dúvidas de que se trata Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.649 2 de recursos relativos a receitas auferidas junto a clientes, conforme indicam os próprios históricos constantes daquele livro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que reduzia a multa de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho . Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.650 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 3 a 73, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 63.070,68, R$ 46.436,56, R$ 66.381,21, R$ 196.035,23 e R$ 557.886,10, respectivamente, incluindose nestes montantes a multa qualificada de 150% e os juros moratórios. O lançamento abrangeu os meses do anocalendário de 2006. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações: omissão de receitas e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. Em conseqüência de ser mantida a autuação por omissão de receitas, a DRJ Salvador/BA também manteve a exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2007, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 07/2010 (fls. 103). Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1525.126, fls. 1.615 a 1.621: A descrição do procedimento de ofício que resultou na presente autuação se encontra no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 100/102, assim resumido: Em 15/12/2009, a contribuinte foi cientificada do Termo de Início de Procedimento Fiscal, intimandoa a apresentar os elementos necessários à fiscalização. Em 25/01/2010, a fiscalizada fez a entrega dos seguintes elementos: a) CNPJ; b) Livro Registro de Entradas n° 01; c) Livro Registro de Saídas n° 01; d) Livro de Apuração do ICMS n° 01; e) Informou na correspondência que protocola a entrega dos documentos que posteriormente entregaria os demais documentos. Em 12/02/2010, a fiscalizada foi cientificada do Termo de Reintimação Fiscal, solicitandolhe que apresentasse os demais elementos até então não apresentados e requeridos no Termo de Início de Procedimento Fiscal. Em 24/02/2010, a fiscalizada entregou os seguintes elementos relativos ao AC/2006: a) Livro Caixa escriturado; b) Extratos da conta corrente 7151X, ag. 27987, mantida pela fiscalizada no Banco do Brasil S/A; c) Extratos da conta corrente 00006408, ag. 3679, mantida no Banco Bradesco S/A e d) instrumento de procuração outorgando poderes específicos para atuação junto Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.651 4 ao Procedimento Fiscal n° 05.1.01.002009016029 a Jaime Vilanova Abdalla CPF n° 132.941.99520 e Daniele do Carmo Abdalla, CPF n° 780.992.50591. Com base nos elementos entregues pela fiscalizada verificouse que nem todos os ingressos financeiros escriturados no livro caixa estavam devidamente identificados, ou seja, faltava no histórico “lançado no caixa” a origem do ingresso. Em virtude do fato retrocitado e visando dirimir quaisquer dúvidas acerca da origem dos ingressos escriturados no livro Caixa, foi emitido Termo de Intimação Fiscal, com ciência pessoal em 15/03/2010, para solicitar a comprovação da origem dos valores escriturados no dito livro caixa e creditados/depositados nas contas correntes mantidas pela fiscalizada no Banco do Brasil S/A e Bradesco S/A. Ultrapassado o prazo de 20 (vinte) dias estipulado no Termo de Intimação Fiscal para a fiscalizada comprovar/justificar a origem dos recursos escriturados no livro caixa, nada foi apresentado ou justificado. Em virtude da falta de resposta e conseqüentemente de comprovação dos valores ingressados no livro caixa, creditados/depositados no Banco do Brasil e Bradesco, em contas correntes de titularidade da fiscalizada, e considerando que a forma de tributação adotada pela fiscalizada foi o SIMPLES, através do regime de caixa, foram considerados todos os ingressos financeiros relacionados no Termo de Intimação Fiscal emitido para fins de apuração e lavratura do auto de infração do SIMPLES. Consta no TVF que após apuração e levantamento de todos os ingressos no livro caixa, representados por créditos/depósitos em conta corrente do Banco do Brasil e Bradesco, foram expurgados destes os valores de estornos, devoluções de cheques depositados, bem como outros valores que por seu histórico não se configuram receita. Isto posto, foi lavrado auto de infração do SIMPLES no montante de R$ 929.809,79 (novecentos e vinte e nove mil oitocentos e nove reais e setenta e nove centavos). A multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados como diferença de base de cálculo de receitas no auto de infração do SIMPLES, se justifica em face do disposto no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96 c/c o art. 72 da Lei n° 4.502/64, uma vez ser incontestável que o contribuinte embora tenha auferido receitas operacionais no AC/2006, para eximirse da tributação a ela imposta pela legislação fiscal, deixou de declarar e recolher os tributos devidos sobre grande parte das suas receitas operacionais na atividade de comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso humano. Devido ao resultado da ação fiscal houve lavratura de Representação para Fins Penais e Exclusão do Simples, evento Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.652 5 este que se concretizou através do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 7, de 2010 (fl. 102). Em 19/04/2010, a autuada foi cientificada (ver fl. 05). Em 19/05/2010, a autuada interpôs impugnação, às fls. 493/512, alegando, em síntese, que: (i) Faz provar pelas notas fiscais anexas (DOC. 01) e planilhas inerentes aos lançamentos ocorridos nos meses de janeiro a março (DOC. 02), que estes valores sejam apurados para, no mérito, terem seus respectivos valores conferidos e abatidos da exigência fiscal in lide. (ii) Ocorre que a defendente não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, motivo pelo qual este deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. (iii) Não houve, como afirmado na descrição dos fatos e enquadramento legal, nenhuma diferença na base de cálculo, havendo sim um equívoco e uma desestruturação contábil da empresa, fato este que já está sendo sanado e vem a ser provado mediante apresentação das notas ficais e planilhas anexas (DOC. 01 e 02) que comprovam a inexatidão dos valores levantados na lavratura do auto de infração por esta Douta Receita. (iv) Destarte, não se exime a autuada do seu erro em não ter prestado tais informações anteriormente, bem como em não poder comprovar todos os lançamentos ocorridos no ano em questão por terem sido, muitos deles, advindos de descontos antecipados de títulos de crédito, meio encontrado pela autuada para poder sobreviver no mercado de trabalho e assim sanar suas pendências financeiras, evitando com isso maiores prejuízos. (v) O fato é que a autuada vem, através de um esforço incomensurável, tentar deslindar e sanar esse conflito. Infelizmente, devido ao ínfimo prazo concedido para a apresentação desta impugnação, não houve tempo hábil para levantar todas as notas fiscais do AC/2006, sendo só possível realizar o levantamento dos meses de janeiro a março. Conforme planilha anexa (Doc. 02), verificarseá as notas fiscais elencadas com seus respectivos valores e numerações. Se existisse alguma possibilidade de uma dilação de prazo para apresentação de defesa complementar acerca dos meses faltosos, poderia assim a autuada levantálos. (vi) É sabido que a realidade econômica brasileira vem, gradativamente, impossibilitando, devido aos altos e pesados impostos imputados, um crescimento empresarial no país. Os valores apurados no AI são incontestavelmente exorbitantes e abusivos, vez que a defendente faz provar a sua inexatidão, já que os dados que desencadearam a fiscalização, bem como a lavratura do auto, estão pautados justamente no demonstrativo Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.653 6 de valores apurados através dos extratos bancários e do livro caixa da empresa. (vii) Em vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para, se possível, dilatar o prazo apenas para a entrega da complementação da defesa inerente aos meses faltosos, bem como cancelar os débitos fiscais reclamados, devidamente comprovados com notas fiscais, e realizar um novo levantamento apenas sobre os lançamentos que não foram comprovados. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA manteve tanto o lançamento para a exigência dos tributos englobados no regime de tributação simplificada Simples, relativamente ao anocalendário de 2006, como também manteve a exclusão do Simples a partir de 01/01/2007, porque as receitas omitidas em 2006 fizeram com que a empresa ultrapassasse o limite de receitas permitido para a opção pela tributação simplificada. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 12/01/2011, a Contribuinte apresentou em 11/02/2011 o recurso voluntário de fls. 1.628 a 1.631, com os argumentos descritos abaixo. PRELIMINARMENTE: reitera o pedido de que os valores levantados e recolhidos do ano base 2006, consoante faz prova notas fiscais e planilhas colacionadas, sejam apurados para, supervenientemente, no mérito, terem seus respectivos valores constatados e abatidos dos levantamentos efetuados que foram desencadeadores do montante nos autos mencionados; destaca que o Mandado de Procedimento Fiscal, com prazo de 60 (sessenta dias), já que com a exclusiva finalidade de diligência, não teve sua prorrogação deferida, tampouco requerida, o que invalida o procedimento e suas conseqüências; alega que pela simples leitura da prorrogação deferida em abril/2010, constatase que o prazo que se iniciou em dezembro/2009 teve seu término em fevereiro/2010, tramitando sem a devida prorrogação no lapso temporal compreendido entre fevereiro/2010 e abril/2010, motivo pelo qual devem ser acolhidas as razões da defendente e anulados os autos lavrados, já que viciados como demonstrado acima. NO MÉRITO, argumenta que: optou pelo sagrado direito à ampla defesa, como preconizado pelo Pacto fundamental do País, posto que discorda da ação fiscal instaurada; na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que, além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos a investidas ilegais; a defendente não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, motivo pelo qual este deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento; Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.654 7 não ocorreu, consoante o afirmado na descrição dos fatos e enquadramento legal, nenhuma diferença na base de cálculo para recolhimento, sendo imputado a empresa a responsabilidade tributária de recolhimento de valores decorrentes de pagamentos de cheque especial e seus respectivos créditos; com o confronto entre os extratos bancários colacionados ao processo administrativo e as notas fiscais apresentadas, apesar de por motivos de força maior não serem apresentadas em sua totalidade, encontramse comprovadas as vendas realizadas e os respectivos e devidos recolhimentos; a maioria dos movimentos financeiros destacados pelo Fisco, que se destacam nos extratos bancários, é decorrente da cobertura do cheque especial acima mencionado, havendo o crédito em conta por parte do banco, através do crédito em cheque especial, e o correspondente pagamento com a mesma quantia, na tentativa de garantir a saúde financeira da empresa, já que o limite era coberto em datas específicas pelo próprio banco; o equívoco e a desestruturação contábil da empresa informados em sede de impugnação retratam a realidade econômica/estrutural brasileira, que por vezes a falta de informação, ainda que assistido por profissional técnico da área, faz com que declarações ou informações sejam retratadas de forma equivocada, como se apresenta o caso, já que a defendente, por não informar as entradas para cobertura de limite e respectivas saídas para pagamento dos mesmos, fez parecer sua realidade financeira totalmente diferente do que realmente é; destarte, não se exime a autuada do seu erro em não ter prestado tais informações anteriormente, bem como em não poder comprovar todos os lançamentos ocorridos no ano em questão por terem sido, muitos deles, advindos de cobertura e pagamento do cheque especial, assim como em alguns casos antecipação de títulos de crédito; a autuada defende que se encontra viciado o procedimento que resultou na lavratura dos autos de infração, primeiro porque não houve a devida prorrogação do MPF, como determinado em lei, segundo, por entender que os valores levantados e considerados para efeito de lançamento são exorbitantes e abusivos, uma vez que desconsiderados os recolhimentos realizados e a movimentação declarada, havendo uma abusividade no valor cobrado; a realidade econômica brasileira vem, gradativamente, impossibilitando, devido aos altos e pesados impostos imputados, um crescimento empresarial no país. Os valores apurados no A.I. são incontestavelmente exorbitantes e abusivos, vez que a defendente faz provar a sua inexatidão, já que os dados que desencadearam a fiscalização, bem como a lavratura do auto, estão pautados justamente no demonstrativo de valores apurados através dos extratos bancários e do livrocaixa da empresa; é indevida a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) aos valores encontrados, uma vez que não teve a defendente o interesse em lesar o erário, tampouco fraudar o sistema, mas sim em pequeno percentual do valor auferido pela Receita foi a defendente induzida a erro quando da demonstração e informação das origens dos valores constantes em sua movimentação bancária, já que entende ser abusivos os valores em sua maioria, já que desconsiderados os valores recolhidos, declarados e resultantes de cobertura e pagamento de cheque especial; Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.655 8 ainda que verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e justificada, presumese a ocorrência de omissão de rendimentos tributáveis. Afastandose, entretanto, a aplicação da multa agravada em razão de não estar presente o evidente intuito de fraude previsto no parágrafo segundo do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Isso porque o conceito de evidente intuito de fraude não se presume e escapa à simples omissão de rendimentos quando ausente conduta material bastante para sua caracterização, sendo injustificada a imposta multa agravada; no caso de lançamento tributário fulcrado em depósitos bancários, apesar da presunção legal que confere ao Fisco o poder de lançar o imposto de renda, o 1º Conselho já decidiu que para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Este é o Relatório. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.656 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2006. A autuação está fundamentada em omissão de receita, apurada em razão da falta de comprovação de origem dos valores creditados/depositados nas contas bancárias da Contribuinte, ingressos estes que estavam registrados no Livro Caixa, mas nem todos com histórico que permitisse a identificação de sua origem. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, a omissão de receita repercutiu em uma outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. Além disso, as receitas omitidas em 2006 fizeram com que a Contribuinte ultrapassasse o limite de receitas permitido para a opção pela tributação simplificada, o que resultou em sua exclusão do Simples, a partir de 01/01/2007, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 07/2010 (fls. 103). PRELIMINAR. Quanto aos alegados problemas relacionados ao MPF, no que diz respeito à sua espécie e à sua prorrogação, cabe mencionar que o antigo Conselho de Contribuintes já pacificou entendimento no sentido de que a natureza do MPF é a de um instrumento meramente administrativo, e que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/1972, conforme ementas transcritas abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF um instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão 1024791, de 21/09/2006) Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.657 10 PIS. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento meramente administrativo. Eventual irregularidade em relação ao mesmo não contamina o lançamento que tenha obedecido às regras do Processo Administrativo Fiscal. (Acórdão 20177550, de 17/03/2004) Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.A despeito da correta emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF, este se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 201 79542, de 24/08/2006) PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, na medida em que a competência que o auditor fiscal tem para realizar o trabalho de lançamento decorre da Lei. Ademais, continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita, tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de n° 1265/1999 e 3007/2001. (Acórdão 10808696, de 25/01/2006) Realmente, a competência dos Auditores Fiscais está definida em Lei, em sentido estrito, e as repercussões de irregularidades cometidas em relação ao MPF limitamse às relações entre a Administração Tributária e seus integrantes, no âmbito específico do Direito Administrativo. Não obstante essas considerações, vêse que todo o procedimento fiscal foi conduzido ao amparo de MPF válido. A Portaria RFB nº 11.371/2007, em seu art. 4º, estabelece que o MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica, e que a ciência do MPF pelo sujeito passivo dar seá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico “www.receita.fazenda.gov.br”, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. A mesma Portaria, em seu art. 9º, determina que também serão procedidas mediante registro eletrônico as alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração. Nesse passo, cabe destacar que o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 105/106) indicava o código de acesso para a confirmação e acompanhamento do MPF no sítio eletrônico da Receita Federal (código: 18099957). E depois de iniciada a Fiscalização, cada termo de intimação recebido representava evidentemente uma comunicação da continuidade do procedimento e, por Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.658 11 conseqüência, a prorrogação do prazo final para a sua conclusão, circunstância essa que poderia ser consultada e confirmada a qualquer momento pela Contribuinte no sítio eletrônico da Receita Federal, com o código de acesso acima mencionado. Essa consulta no endereço eletrônico da Receita Federal retorna as seguintes informações: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO Nº 05.1.01.002009016029 (...) PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES: SIMPLES NACIONAL PERÍODOS: 01/2006 a 12/2006 (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ALTERADO EM 06/04/2010 NATUREZA DA ALTERAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES INCLUÍDOS : SIMPLES PERÍODOS : 01/2006 a 12/2006 (...) DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÕES VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFs MPF prorrogado até: 08 de Junho de 2010. (grifos acrescidos) A fiscalização foi encerrada em 19/04/2010. Vêse, portanto, que não houve qualquer problema quanto à validade do MPF, eis que sua prorrogação foi além da data da conclusão da auditoria fiscal, da mesma forma que não há problema quanto à espécie do MPF, porque se trata de MPFFiscalização, e não de MPFDiligência, como alegou a Recorrente. Deste modo, rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, cabe registrar que durante a auditoria foi constatado que nem todos os ingressos financeiros escriturados no Livro Caixa estavam devidamente identificados. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF, faltava no histórico “lançado no caixa” a origem do ingresso. Diante disso, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal datado de 15/03/2010, com ciência pessoal nesta mesma data, solicitandose a comprovação da origem dos valores escriturados no Livro Caixa e creditados/depositados nas contas correntes mantidas pela Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.659 12 fiscalizada no Banco do Brasil S/A e Bradesco S/A, conforme relação anexa ao referido termo (fls. 115 a 137), sob pena de estes ingressos ensejarem lançamento a título de omissão de receitas, nos termos do art. 849 do RIR/1999, que é uma reprodução do art. 42 da Lei 9.430/1996. A Contribuinte não comprovou a origem dos recursos, o que motivou o lançamento, como previsto na intimação fiscal. De acordo com o TVF, após apuração e levantamento de todos os ingressos no Livro Caixa, representados por créditos/depósitos em conta corrente do Banco do Brasil e Bradesco, foram expurgados destes os valores de estornos, devoluções de cheques depositados, bem como outros valores que por seu histórico não configuravam receita. Na apuração dos valores a tributar, também foram excluídas as receitas constantes da Declaração Simplificada – PJSI apresentada pela Contribuinte, o que resultou nas seguintes diferenças, conforme demonstrativo de fls. 75, que serviram de base para a autuação: PA Receitas conforme Receitas tributadas Total de Receita Caixa e Extratos no SIMPLES omitida a tributar jan/06 262.715,81 32.976,11 229.739,70 fev/06 247.175,72 33.403,70 213.772,02 mar/06 180.673,79 35.101,48 145.572,31 abr/06 284.502,74 40.949,07 243.553,67 mai/06 296.053,18 42.023,15 254.030,03 jun/06 235.697,78 35.905,19 199.792,59 jul/06 402.538,05 38.125,90 364.412,15 ago/06 320.085,17 37.190,00 282.895,17 set/06 254.044,50 32.135,00 221.909,50 out/06 219.072,27 33.192,00 185.880,27 nov/06 311.700,93 34.152,00 277.548,93 dez/06 218.172,21 33.900,00 184.272,21 Total 3.232.432,15 429.053,60 2.803.378,55 É importante destacar que a Contribuinte registrou estes ingressos no Livro Caixa, embora em alguns casos com histórico insuficiente para indicar a origem dos recursos, mas uma análise deste livro (às fls. 196 a 304) evidencia que as entradas vindas de “clientes” (portanto, receitas) já superam em muito os valores declarados pela Contribuinte à Receita Federal, por meio de sua PJSI. Não há outros valores a serem excluídos do lançamento, ao contrário do que alega a Recorrente. No caso, toda a receita anteriormente declara já foi excluída do auto de infração. Além disso, a Recorrente não trouxe nenhum elemento para demonstrar que a Fiscalização deixou de excluir algum valor de estorno, devolução de cheque depositado, ou qualquer outro ingresso, seja em Bancos, seja no Livro Caixa, que não configurasse receita. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.660 13 Ela apenas juntou uma grande quantidade de notas fiscais, acompanhadas de boletos, duplicatas e relatórios bancários, mas estes documentos não são suficientes para demonstrar que houve qualquer cômputo indevido ou em duplicidade na apuração da Receita Bruta. Quanto a estes documentos, a Delegacia de Julgamento fez as seguintes observações: (...) Na sua impugnação a interessada alega que os valores referentes ao primeiro trimestre do AC/2006 estariam comprovados pelas notas fiscais anexas (Doc. 01) e planilhas inerentes aos lançamentos ocorridos nos meses de janeiro a março (Doc. 02). Diz ainda que muitos depósitos se referem a descontos antecipados de títulos de crédito, meio encontrado pela autuada para poder sobreviver no mercado de trabalho e assim sanar suas pendências financeiras, evitando com isso maiores prejuízos. Agora, examinando as notas fiscais anexadas pela impugnante como sendo de vendas de medicamentos, atreladas às respectivas duplicatas, relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006, às fls. 1433/1580, verificase que muitas delas coincidem com aquelas relacionadas no anexo ao termo de intimação em que foi requerida a comprovação dos créditos que serviram de base aos lançamentos (fls. 115/137). E dá para concluir que os seus valores devem ser de fato tributados, pois constituem receita bruta da PJ do Simples, tais como, por exemplo, os valores de R$ 2.500,00, recebido em 31/03/2006 (duplicata/fatura às fls. 1558/1559), e o de R$ 480,70 recebido em 29/03/2006 (boleto/fatura às fls. 1541/1542), que figuram na relação da autuante. O mesmo ocorre com outras notas fiscais anexadas pela impugnante, a exemplo do valor de R$ 519,90, da Nota Fiscal Fatura à fl. 409, recebido em 01/12/2006, e ao valor de cobrança de R$ 3.734,97 lançado a crédito pelo BB em 05/12/2006 (fl. 425), também relacionadas pela autuante para comprovação de origem. Não é demais lembrar que a parcela da receita bruta escriturada no Livro Caixa e declarada na DSPJSimples do AC/2006 foi devidamente excluída dos lançamentos, conforme se observa nos demonstrativos às fls. 75/99, integrantes dos autos de infração. Então as notas fiscais atreladas aos valores elencados pela autuante, que a contribuinte alega serem de vendas constitui receita do Simples Federal, sendo correta a sua tributação por tal sistemática. Portanto, a despeito da alegação da impugnante de inexatidão e de falta de motivação para lavratura dos autos de infração, não Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.661 14 vejo qualquer evidência de anormalidade que pudesse motivar a revisão dos mesmos, razão pela qual devem prosperar. Registrese, por fim, que a comprovação da origem de depósitos bancários só afasta a tributação se ficar comprovado que os valores já foram tributados, são nãotributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Não há dúvida de que os valores constantes das notas fiscais são relativos a vendas e que, portanto, configuram receitas a serem tributadas. Sua exclusão poderia ocorrer na medida em que a Contribuinte vinculasse os ingressos bancários às notas fiscais, de modo a demonstrar que valores recebidos, por exemplo, com descontos de duplicatas, haviam sido oferecidos à tributação em outro momento, em razão do regime de caixa. Nesse caso, a tributação realmente não poderia recair sobre uma determinada nota fiscal e novamente sobre o recebimento a ela relativo, uma vez que isto implicaria em duplicidade. Mas o valor total dos ingressos (R$ 3.232.432,15) é muito superior às receitas declaradas (R$ 429.053,60), o que inviabiliza o argumento apresentado pela Recorrente. Além disso, como já mencionado, a autuação não está baseada apenas nos ingressos bancários, eis que estes ingressos também foram registrados no Livro Caixa (embora alguns apresentem histórico insuficiente para identificação da origem), e não faria qualquer sentido a Contribuinte escriturar no livro duas vezes um mesmo ingresso ou uma mesma receita. Com efeito, a divergência de datas e valores poderia ocorrer entre extrato bancário e Livro Caixa, mas não intrinsecamente no próprio Livro. A Contribuinte também alega que a maioria das entradas autuadas pelo Fisco está relacionada à cobertura de seu cheque especial, correspondendo a crédito em conta por parte do banco, quantias que a Contribuinte tinha que repor em sua conta bancária, nos mesmos valores cedidos pelo banco, mas isto não condiz com os históricos dos extratos bancários, e nem mesmo com os históricos de seu Livro Caixa, que indicam para a grande maioria das entradas as seguintes informações: “Vlr recebido cheque”, “Vlr cheque compensado”, “Vlr depósito em cheque clientes”, “Vlr depósito clientes”, “Vlr depositado clientes”, “Vlr cobrança clientes”, “Vlr transferência clientes”, “Vlr depósito on line clientes”, “Vlr transferência on line clientes”, dentre outros. Nesse caso, para confirmar suas alegações, caberia à Contribuinte comprovar que estas entradas teriam origem nos próprios recursos da empresa, conforme declarados à Receita Federal, o que não seria uma tarefa fácil, pois as receitas declaradas no montante de R$ 429.053,60 não seriam suficientes para justificar entradas no montante de R$ 3.232.432,15. Os argumentos da Contribuinte realmente não afastam a omissão de receitas, que já estaria caracterizada até mesmo pelos registros do Livro Caixa. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.662 15 Quanto à qualificação da multa, considero importante afirmar inicialmente que o Dolo, como elemento subjetivo do tipo tributáriopenal qualificado, pode também estar presente nas condutas omissivas, e não apenas naquelas onde se constata uma falsidade materializada documentalmente. Como elemento subjetivo do tipo, o Dolo é a consciência e a vontade de o agente realizar a conduta que está descrita em cada um dos tipos legais. E como vontade e consciência, jamais estará colado ao próprio fato que está sendo taxado como infração ou delito, ao contrário, o Dolo é sempre revelado no contexto geral dos fatos, ou seja, nos elementos que circundam o ocorrido. Não fosse assim, não haveria a previsão dos crimes omissivos impróprios no Direito Penal, que traz o dolo como regra. Em razão disso, no âmbito das relações jurídicotributárias, resta cada vez mais superado o tabu quanto à possibilidade de visualização do dolo nas condutas omissivas, ou seja, naquelas em que o contribuinte se omite na prática de algum ato, buscando eximirse do recolhimento de tributos, por exemplo, quando, de forma contumaz, deixa de declarar as suas receitas. Realmente, não é correta a idéia de que, para a qualificação da multa, deve haver necessariamente uma prova material do dolo, até porque, dada a sua natureza, como consciência e vontade, isto nem sempre é possível. O que se prova materialmente são fatos, por meio do chamado corpo de delito. E é justamente por isso que o dolo pode estar na omissão, ou seja, em uma não ação. Os próprios tipos legais para a qualificação da multa, nos termos da Lei 4.502/1964, não deixam qualquer dúvida a esse respeito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifos acrescidos) No caso em questão, observase que a Contribuinte reiteradamente, ao longo de todo o ano de 2006, apurou o Simples a partir de uma receita muitas vezes menor do que a efetivamente auferida, e, posteriormente, também omitiu estas receitas do Fisco, quando as declarou em valores muito inferiores à realidade. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.663 16 Diante destes fatos, das observações anteriores sobre o mérito da autuação, e considerando ainda os argumentos trazidos pela Recorrente, não vejo nenhuma possibilidade de ocorrência de erro não intencional. Quanto ao problema de o lançamento basearse em presunção legal, cuja base de cálculo foi obtida a partir de extratos bancários, é importante registrar que os valores autuados também estão refletidos no Livro Caixa, não havendo dúvidas de que se trata de recursos relativos a receitas auferidas junto aos clientes, conforme indicam os próprios históricos constantes daquele livro, como já mencionado anteriormente. Portanto, considero plenamente configurada a hipótese da qualificadora. Quanto ao ato de exclusão do Simples (ADE DRF/SDR/SEFIS nº 07/2010 fls. 103), cabe registrar que não houve por parte da Contribuinte nenhuma manifestação expressa no recurso voluntário. Cabe observar também que na manifestação de inconformidade de fls. 401 a 403, dirigida à Delegacia de Julgamento, a Contribuinte não apresentou nenhuma questão diferente das já tratadas tanto na decisão de primeira instância, quanto no presente voto. Ela apenas nega que tenha ultrapassado o limite legal de receita bruta no anocalendário de 2006. Nestes termos, a exclusão do Simples configura mera decorrência da infração relativa à omissão de receitas. Assim, uma vez mantida a omissão, e verificando que a Contribuinte realmente ultrapassou, em 2006, o limite de receita permitido para os optantes do regime simplificado, concluo que a decisão de primeira instância também não merece qualquer reparo.em relação a esse aspecto. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13820.001015/2002-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 201-00.794
Decisão: RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligencia.
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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I)F G/\RFMl' MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13820.001015/2002-53 Recurso nO 136.883 Voluntário Assunto Solicitação de Diligência Resolução n° 201-00.794 Data 07 de novembro de 2008 Recorrente SCORPIOS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. r'1,660 CC02/COI F1s,329 • RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. b1-.~o.... l tvUDaJt 0.1~Of)' •JbsEfà MARIA COELHO MÀRQU1S~- I Presidente ~,. O U~!~. ~~RAMIDAS' Relatora Participaram, ainda, da presente resolução, os Conselheiros, Walber José da Silva, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Ivan Allegretti (Suplente) e Gileno Gurjão Barreto. ~3erv)nsu!t;-;1do no c~':dereç() ConwH". il página de auten1icação no deste docurncnto, DF GARF MF Processo n.o 13820.001015/2002-53 Resolução n.o 201-00.794 Relatório FI. 662 CC02/COI Fls. 330 • Trata-se de pedido de ressarcimento de IPI com base nos termos do art. 5!?da Lei n!?9.826/99, referente ao período de apuração do 2!?trimestre do ano de 2000. Parte dos produtos produzidos teriam sido remetidos à Zona Franca de Manaus e o restante destinados à fabricação de motocicletas. Por serem saídas com suspensão do IPI, a recorrente teria direito a manter o creditamento e, conseqüentemente, ao ressarcimento de valores e compensação com tributos federais. Intimada a apresentar documentos que comprovassem o crédito pleiteado, a recorrente não se manifestou, tendo sido indeferido seu pedido de ressarcimento (fls. 49/50, vol. I). Inconformada, a recorrente apresentou suas razões de inconformidade (fls. 53/62), oportunidade em que anexou o que seriam os documentos comprobatórios da existência do crédito, como notas fiscais de entrada e saída (amostragem), cópia da DIPl e DCTFs, do livro de Registro de Apuração do IPI e do livro Diário, onde se registraram os créditos. Alegou a existência do crédito e a desnecessidade de apresentar os documentos requerídos pela autoridade administrativa. Foi apensado aos autos deste Processo o de n!?13820.000398/2000-91, em que a recorrente havia pleiteado os mesmos créditos, sem obter êxito, em razão da ausência dos documentos necessários, a despeito das intimações recebidas. Logo, extinguiu-se o processo sem o que a recorrente define como "julgamento do mérito", posto que sequer foi apresentada manifestação de inconformidade contra o indeferimento do direito ao crédito. Após a análise dos documentos, a Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP proferiu o Acórdão nQ 11.772, em 29/03/06, fls. 271/278, por meio do qual manteve a negativa do Despacho Decisório, sob os seguintes fundamentos: (i) a autoridade administrativa pode e deve solicitar a apresentação de documentos que comprovem a existência de créditos pleiteados pelos contribuintes e, pelas regras que regem o processo administrativo, é a recorrente quem deve comprovar a existência de seu direito; (ii) a recorrente apenas teria instruído o pedido de ressarcimento com uma planilha genérica, com os totais mensais do crédito pleiteado e cópia do livro de Apuração do IPI; (iii) não teria constado do processo: a relação dos produtos fabricados pela empresa; a indicação de qual teria sido enviado à ZFM; a menção à classificação fiscal dos produtos fabricados; as notas fiscais de compra (insumos) ou as informações sobre o insumo utilizado na industrialização; (iv) não teria havido comprovação do envio dos produtos à ZFM; ~ ~ i?ocun:€I~O de 397 pàgi;)d(~l c~.n~;Tl~~Odigit~lrn8nl;. ~ode ".e' consultado, no ,e~1c:{:r_8ç?,~1:1ps:j!ca,:.re?eitaJazendEl,f1ov.brieCACjpublico/login.as~x 1;010COdl"O de locai:zaç,.,o EP1 f ,,,ui, . ,4192.1"192. ,.,ol,suli.e d r,agl:l3 Of, 3dlE:l ,tc.;lçao ,1" "nal deSLe oocumenlo. DF GAH.F MF Processon,O 13820.00101512002.53 Resoluçio n.O 201-00.794 r:I,664 CC02lCOI Fls. 331 (v) os documentos apresentados posteriormente ao indeferimento do pedido de ressarcimento não podem ser analisados pela Delegacia na fase de julgamento, em razão de ser de competência da DRF; e (vi) sem mencionar que o simples não atendimento à Fiscalização já seria razão suficiente para o indeferimento do pleito. Indignada, a recorrente opôs recurso voluntário (fls. 282/303, vol. 11),por meio do qual reiterou suas razões de inconformidade e acrescentou as alegações de que teria apresentado toda a documentação necessária à comprovação de seu direito, a qual sequer foi analisada pela Delegacia de Julgamento; discorreu, ainda, acerca da possibilidade de serem aceitos documentos quando da apresentação de manifestação de inconformidade, inclusive se a autoridade administrativa não compareceu à sede da empresa para verificação dos documentos in locu. Rechaçou, ainda, o fato de a decisão ter se fundamentado na ausência de provas produzidas no Processo de n!! 13820.000398/2000-91, por se tratarem de procedimentos autônomos, sendo certo que o direito ao crédito estaria comprovado nestes autos. É o Relatório . • Documento de ::iS? páoinai,,) confirmado digi!ai'nente, Pode ser consultado no endereco httPs:!icav,receílaJazenda.gov,br!eCAC!!Jubliço!login.a~x pelo codl\jo de !oGaliza~ção'c'P', 7.0317, 14192.FI92, Consulte a página de au!enl'cação' no fnôl deste documento, . DF CARF MF Processo n.o 13820.001015/2002.53 Resolução n.o 201-00.794 Voto Conselheira FABlOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora FJ,666 CC02/COI Fls. 332 ~ • Conforme relatado, a recorrente utiliza-se deste procedimento administrativo para requerer o ressarcimento de valores a título de IPI. Realmente, não apresentou as provas necessárias quando intimada para tanto, todavia, juntou-as no momento da impugnação (no caso da manifestação de inconformidade). A questão é que os documentos trazidos à colação não foram analisados pela autoridade administrativa, seja ela julgadora (DRJ) ou fiscalizadora (DRF), o que inviabilizou que a contribuinte comprovasse seu direito. Concordo que o fato de a recorrente não ter atendido a nenhuma das intimações recebidas em que se requeria a apresentação dos documentos não conta pontos a seu favor e, inclusive, pode levar à conclusão de má-fé da empresa ou da inexistência dos créditos. Entretanto, ao trazer documentos ainda na fase da defesa administrativa de primeira instância, a recorrente elide esta presunção e as provas não podem ser simplesmente ignoradas (antecedentes jurisprudenciais: Recursos n~s 143.572, 121.225, 105.166 e 146.102). Dos documentos apresentados, verifico a plausibilidade do pedido, bem como da existência de algum crédito em favor da recorrente. Efetivamente, as notas fiscais de saída (fls. 230/266) comprovam a saída de mercadorias para a Zona Franca de Manaus ou a ocorrência da suspensão do imposto em virtude da incidência do art. 5~da Lei n~9.826/99. Não digo que tais notas são suficientes para a concessão do crédito, mas trazem a esta Julgadora a dúvida sobre a existência do suporte contábil e, assim, também, conseqüentemente, o direito ao ressarcimento. Em vista deste fato e da ausência de diligência in [oeu para verificação dos documentos, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que o agente administrativo: (i) analise os documentos apresentados junto ao recurso de manifestação de inconformidade para concluir se são suficientes para justificar o crédito pleiteado; (ii) não sendo suficientes: (a) intime a recorrente para apresentar documentação do suporte hábil no prazo de 30 (trinta) dias; (b) analise tais documentos; (c) elabore parecer conclusivo acerca da existência ou não de créditos; e (d) intime novamente a recorrente para manifestação acerca do parecer, em 30 (trinta) dias; e (iii) sendo suficientes para a concessão do crédito, a autoridade administrativa deverá: (a) elaborar parecer conclusivo; e (b) intimar a recorrente para manifestação acerca do parecer, em 30 (trinta) dias. É como voto. 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 19515.005284/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PROMESSA COMPRA E VENDA IMÓVEIS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. RESCISÃO DO CONTRATO. IRRELEVÂNCIA.
A promessa de compra e venda de imóvel consubstancia-se em forma de alienação, sendo que eventual rescisão do contrato não interfere na apuração do ganho de capital referente às parcelas já percebidas em decorrência da avença.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-005.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROMESSA COMPRA E VENDA IMÓVEIS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. RESCISÃO DO CONTRATO. IRRELEVÂNCIA. A promessa de compra e venda de imóvel consubstancia-se em forma de alienação, sendo que eventual rescisão do contrato não interfere na apuração do ganho de capital referente às parcelas já percebidas em decorrência da avença. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROMESSA COMPRA E VENDA IMÓVEIS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. RESCISÃO DO CONTRATO. IRRELEVÂNCIA. A promessa de compra e venda de imóvel consubstanciase em forma de alienação, sendo que eventual rescisão do contrato não interfere na apuração do ganho de capital referente às parcelas já percebidas em decorrência da avença. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplicase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 52 84 /2 00 8- 14 Fl. 344DF CARF MF 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.005284/200814 Acórdão n.º 2402005.933 S2C4T2 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos anoscalendário 2003 e 2004, face à apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, e de omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel denominado Fazenda Nova Esperança, situado no Município de Juína, MT (Termo de Verificação Fiscal às fls. 143 e ss). Não obstante impugnada (fls. 171 e ss), a exigência foi mantida pela decisão de primeira instância, a qual apenas recalculoua considerando a redução sobre os ganhos de capital prevista no art. 18 da Lei nº 7.713/88 (fls. 275/290). O recurso voluntário foi interposto em 22/4/2014 (fls. 313/315), sendo então aduzido que: celebrou em 24/3/2003 contrato particular de promessa de compra e venda do imóvel em questão com Nilvo Folle, constando o recorrente como vendedor, havendo aquele no entanto pago somente R$ 1.108.000,00 de um preço total de R$ 1.700.000,00, não havendo ainda assumido as obrigações vinculadas ao imóvel e derivadas do contrato perante o Banco do Brasil; o negócio deverá ser rescindido em razão do inadimplemento, cabendo ao impugnante devolver a importância recebida superior a R$ 340.000,00, correspondente a 20% do valor pactuado, nos termos da cláusula 44 do referido contrato, não havendo, dadas essas razões, falar em lucro imobiliário; houve resilição do negócio jurídico e notificação ao comprador, então a alienação não foi finalizada, tendo sido incorreto o enquadramento realizado pela fiscalização; os valores em sua conta bancária se tratam de reembolso de despesas proveniente de viagens a trabalho, estandose a impor penalidade severa sem ao menos avaliar a origem dos depósitos; Contesta ainda a multa de ofício que reputa confiscatória, pugnando pelo sua aplicação no patamar de 20%, bem como a taxa de juros SELIC. Pede, ao final, o cancelamento do débito fiscal. São juntados em 6/5/2014 documentos, extratos do Banco do Brasil no qual constam débitos de encargos contratuais. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que diz respeito à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, mister frisar que ela foi apurada tendo como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Nesse contexto, a alegação genérica de que os depósitos correspondem a reembolso de despesas da atividade profissional do contribuinte, sem quaisquer documentos a lhe embasar, não preenche as condições legais para ser considerada como apta a justificar os depósitos em tela. E salientese, apesar de não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Destarte, intimado e reintimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados devidamente discriminados pela fiscalização conforme termos de fls. 27/28, de fls. 32 e de fls. 83 e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Vale referir, ainda, que os valores relativos à alienação do imóvel, bem como ao resgate de aplicações financeiras e situações similares, foram excluídos pela autoridade fiscal dos créditos sujeitos à justificação (fl. 148 e ss). Quanto ao ganho de capital, temse como inconteste que o recorrente firmou contrato de promessa de compra e venda da Fazenda Nova Esperança, pelo preço de R$ 1.700.000,00, havendo recebido do comprador, ao longo dos anoscalendário 2003 e 2004, R$ 1.108.000,00 em virtude de tal avença. Exsurge de plano, então, a incidência do imposto sobre a renda face à aquisição de disponibilidade econômica revelada, forte no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.005284/200814 Acórdão n.º 2402005.933 S2C4T2 Fl. 603 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1oA incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (...) Com visto, optou o legislador ordinário por considerar, de maneira expressa, a promessa de compra e venda como forma de alienação, para fins de mensurar eventual ganho de capital auferido em operação que envolva contrato dessa espécie. Reza o art. 3º da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) (grifei) Por sua vez, os art. 116 do CTN assim dispõe: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 348DF CARF MF 6 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (...) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. E, como bem apontado pela decisão guerreada, a cláusula que prevê a rescisão do contrato por falta de pagamento do preço ajustado configura modalidade de ato jurídico sob condição resolutória nos termos do inciso II do art. 117 supra, ou seja, modalidade em que a eficácia do negócio jurídico não fica pendente da ocorrência do evento futuro. Ela apenas extingue o direito já constituído anteriormente pelo instrumento de promessa de compra e venda, em virtude da ocorrência de evento futuro previsto no contrato (falta de pagamento do preço ajustado, no caso). Irrelevante, assim, haver previsão contratual acerca de rescisão do negócio jurídico, ou mesmo a efetiva ocorrência desse acontecimento, pois já perfectibilizado o fato gerador do imposto de renda nos termos da legislação encimada, impondose o recolhimento do tributo devido sobre as parcelas recebidas, ainda que estas não o sejam na totalidade prevista no instrumento contratual. As eventuais agruras que afligem o contribuinte, tais como cobranças bancárias, e que seriam decorrentes do inadimplemento contratual por parte do comprador, em nada interferem, deve ser dito, na cogência das normas tributárias examinadas. Verificado serem corretas as constatações da fiscalização, e não sendo apontadas falhas no cômputo do ganho de capital apurado considerandose a alienação do imóvel à vista, mas o imposto devido quando do recebimento das parcelas não há reparos a fazer na autuação, também sob esse prisma. No mesmo sentido, citese, a título ilustrativo, o Acórdão do CARF de nº 280101.642, j. 8/6/2011. Por sua vez, a imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização, visto que o contribuinte não cumpriu suas obrigações tributárias, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sua aplicação, portanto, é mera decorrência da legislação, e coerente com a constatação da autoridade fiscal no particular, ou seja, não haver sido pago o tributo devido. E, no tocante às alegações de caráter confiscatório dessa multa, e consequente prevalência do percentual de 20%, não devem elas prosperar, por ingressarem na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.005284/200814 Acórdão n.º 2402005.933 S2C4T2 Fl. 604 7 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como remate, registrese que a incidência de juros de mora, face ao inadimplemento do tributo no prazo de regência, dáse por força de expressa previsão legal contida nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sendo irrelevante qualquer conjetura acerca do aspecto volitivo da conduta do contribuinte para sua aplicação. Não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, valendo trazer à colação o enunciado em referência: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001544/2005-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Comprovado nos autos, por prova direta obtida na escrituração mantida, a omissão de receitas e a insuficiência de recolhimento, procedente a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-000.679
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Comprovado nos autos, por prova direta obtida na escrituração mantida, a omissão de receitas e a insuficiência de recolhimento, procedente a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Comprovado nos autos, por prova direta obtida na escrituração mantida, a omissão de receitas e a insuficiência de recolhimento, procedente a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 307DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 367.229,11, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura (fls. 187/200). De acordo com o relato constante da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, foram apuradas, em procedimento fiscal as seguintes irregularidades: 1) Falta de escrituração nos Livros Diário e Razão, de valores de receitas de prestação de serviços escriturados no Livro Registro de Serviços, relativamente aos terceiro e quarto trimestres do anocalendário 2001; 2) Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido, recolhido e/ou declarado a menor em DCTF, referente ao segundo trimestre do ano calendário de 2001, conforme Demonstração de Resultado do Exercício e LALUR; 3) Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não recolhidos e nem declarados em DCTF, referentes ao quarto trimestre do anocalendário 2001, apurados em Demonstração do Resultado do Exercício e LALUR. Cientificada das exigências em 22/06/2005, apresentou a contribuinte impugnação tempestiva, na qual alega, em suas palavras, que: 1) “a exigência tributária na forma constituída não poderia subsistir, considerando, principalmente, a sua fundamentação equivocada pois, conforme demonstrativo de apuração da receita bruta anexo 01 o autuante tomou como fonte os valores escriturados no Livro de Registro de Prestação de Serviços, confrontandoos com os constantes da DRE/DCTF, considerando a diferença encontrada como omissão de receita ou de recolhimento, residindo aí o equivoco;” 2) “por imposição do fisco municipal as notas fiscais de serviço emitidas são escrituradas em rigorosa ordem cronológica de emissão e respectiva seqüência numérica. Dessa forma, independentemente do regime contábil de lançamento, estão escrituradas no Livro de Registro de Prestação de Serviços;” 3) “enquanto a apuração do resultado e a DCTF consideram o regime de caixa ficam excluídos os valores faturados a prazo, classificados na rubrica “contas a receber”; desse modo, os valores descritos no auto de infração, item 001 – Omissão de Fl. 308DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10320.001544/200542 Acórdão n.º 180100.679 S1TE01 Fl. 302 3 Receitas Receitas não contabilizadas, fato gerador 30/09/2001, no valor de R$ 5.413,00, 0. corresponde ao somatório das notas fiscais no.s 503 e 506, emitidas em setembro/2001, referentes a serviços a prazo, contabilizadas como receitas antecipadas/contas a receber, que se direciona para exercício futuro;” 4) “a outra parcela indicada no auto de infração, com a tipificação já mencionada, no valor de R$ 366.374,68, fato gerador 31/12/2001, na realidade o valor correto seria R$ 329.382,74, de igual modo se constitui o somatório das notas fiscais n ºs 546, 547, 560 e 564, emitidas em dezembro/2001, para recebimento no exercício futuro;” 5) “quanto aos valores que constituem o item 02 Resultados Operacionais não declarados: o primeiro, de R$ 158.920,00, fato gerador 30/06/2001, na realidade o imposto devido foi declarado, apenas deixou de ser calculado o adicional, cujo valor originário é R$ 9.892,00, estando o seu pagamento sendo providenciado;” 6) “o segundo valor desse mesmo item, de R$ 77.850,00, fato gerador 31/12/2001, havia sido declarado e o recolhimento respectivo ocorreu em 22/06/2005, conforme DARF anexo, usando a faculdade estabelecida no art. 19, da Lei n° 3.470/58, não sendo cabível a sua exigência nos autos de IRPJ;” 7) “no que se refere ao auto de infração da CSLL, no valor de R$ 94.904,84, a impugnante alega que por se tratar de lançamento reflexo do auto de infração do IRPJ, a que se reportou nos parágrafos precedentes, aplica os mesmos argumentos de defesa utilizados para o lançamento formalizado pelo auto de infração do IRPJ, por se tratar das mesmas infrações, dos mesmos fatos geradores, dos mesmos valores tributáveis ou contribuições, dos mesmos equívocos cometidos pelo autuante e por conseguinte das mesmas insubsistências. DARF's respectivos anexos.” A 4a. Turma da DRJ em Fortaleza/CE proferiu o Acórdão 0813.592 e julgou as exigências procedentes (fls. 279/286). Aquela autoridade rejeitou, por falta de prova, as alegações de que as receitas consideradas omitidas nos terceiro e quarto trimestres de 2001 teriam sido reconhecidas em período posterior, assim como afastou qualquer alegação de postergação de pagamento de imposto, apoiandose em jurisprudência administrativa. Quanto à exigência relativa ao segundo trimestre de 2001 esclareceu que somente foi lançado o adicional que deixou de ser recolhido, no valor de R$ 9.892,00, o que fora admitido pela própria impugnante que, no entanto, não comprovou o pagamento da referida parcela como afirmou na peça de defesa. No que respeita à infração capitulada como resultados operacionais não declarados relativa ao 4o. trimestre de 2001 observou que o pagamento em 22/06/2005, conforme DARF à fl. 273, foi efetuado após a ciência do lançamento, razão pela qual não poderia ser aplicado o benefício do pagamento espontâneo, com o cálculo de multa de mora sobre o principal, quando a penalidade aplicável seria a multa de ofício, e também porque referido valor havia sequer sido previamente declarado. Assim, após demonstrar os cálculos do valor devido com acréscimo da multa de ofício e a sua redução em 50% pelo pagamento dentro do prazo da impugnação, manteve a exigência do valor de R$ 4.087,62, a título de IRPJ e R$ 2.452,45 a título de CSLL, relativamente a essa infração. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Notificada da decisão, em 30/07/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 292, a interessada apresentou, em 29/08/2008, o recurso voluntário de fls. 293 a 295, no qual reproduz as alegações de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Em procedimento de auditoria fiscal o agente apurou, por prova direta, omissão no reconhecimento de receitas de prestação de serviços nos terceiro e quarto trimestres de 2001. A prova encontrase nos documentos angariados pela fiscalização e se referem à Demonstração do Resultado do Exercício (fls. 12/23), Lalur (fls. 24/28) e o Livro Registro de Prestação de Serviços e respectivas notas fiscais (fls. 29/186). Nele foram corretamente escriturados os valores recebidos pela empresa por serviços prestados nos referidos trimestres. Entretanto, por ocasião da apuração e pagamento do IRPJ e da CSLL devidos nesses períodos, os valores de R$ 5.413,00 (3o. trimestre), e R$ 366.374,68 (4o. trimestre) deixaram de ser computados no cálculo dos referidos tributos. A recorrente alega que escritura o Livro Registro de Prestação de Serviços pelo regime de competência enquanto que os seus resultados e a declaração dos valores em DCTF se dá pelo regime de caixa. Nesse sentido os valores de R$ 5.413,00 e R$ 366.374,68, para efeito de cálculo dos tributos devidos, teriam sido reconhecidos em períodos posteriores. Tal procedimento, entretanto, não tem qualquer amparo na legislação. A escrituração, a apuração dos resultados e o respectivo pagamento do IRPJ e da CSLL pelas pessoas jurídicas se dá pelo regime de competência. Assim está disposta toda a legislação. Ainda que fosse o caso de inobservância de regime de escrituração com possível postergação de pagamento de tributo, ainda assim o lançamento deveria ser efetuado, nos termos do que dispõe o artigo 273 do RIR/99: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10320.001544/200542 Acórdão n.º 180100.679 S1TE01 Fl. 303 5 Contudo, o procedimento invocado também não pode ser qualificado como postergação pois a recorrente não fez prova de ter incluído os referidos valores de receitas de prestação de serviços na apuração e cálculo do IRPJ e da CSLL em períodos posteriores. Assim os montantes respectivos devem ser tratados como omissão de receitas, pura e simplesmente, comprovadamente apurada por prova direta, na escrituração. Quanto aos demais argumentos da defesa nada há mais a acrescentar em relação ao que já foi consignado pela autoridade julgadora de 1a. instância. Ou seja, quanto ao resultado operacional não declarado, objeto do item 2 do auto de infração, referente ao 2o. trimestre/2001, somente foi calculado e exigido o adicional, de R$ 9.892,00 sobre a parcela de R$ 158.920,00; e quanto ao recolhimento efetuado após a ciência dos lançamentos e no prazo da impugnação, no que respeita à infração capitulada como resultados operacionais não declarados relativa ao 4o. trimestre de 2001, devem ser mantidas conforme decidido em 1a. instância. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 311DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19740.720097/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO.
O julgamento administrativo fiscal é a atividade onde se examina a correção ou não dos atos praticados pelos agentes do fisco, sem discutir a legalidade ou constitucionalidade dos dispositivos legais que deram suporte àqueles atos, uma vez que é da competência do Poder Judiciário tratar destas questões.
Numero da decisão: 3201-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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O julgamento administrativo fiscal é a atividade onde se examina a correção ou não dos atos praticados pelos agentes do fisco, sem discutir a legalidade ou constitucionalidade dos dispositivos legais que deram suporte àqueles atos, uma vez que é da competência do Poder Judiciário tratar destas questões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 352 e seguintes) apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1234.044, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 97 /2 00 9- 81 Fl. 401DF CARF MF 2 Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (SP) (fls. 328 e seguintes), que assim relatou o feito: Tratase do Auto de Infração de fls. 84/118, lavrado pela Delegacia de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro em 08/06/2009, com ciência da Interessada nesta mesma data (fl. 885), no qual se exige CPMF, para fatos geradores que teriam ocorrido no período de 07/07/2004 a 31/12/2006, no valor total de R$ 61.991,26, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, com fulcro no que dispõem os arts. 2º, 4º, 5º, 6º e 7º da Lei nº 9.311/96 e art. 1º da Lei nº 9.539/97, o art. 84 das Disposições Constitucionais Transitórias acrescentado pelo art. 3º da Emenda Constitucional nº 37/2002 e o art. 3º da Emenda Constitucional nº 42/03. 2. No Termo de Verificação Fiscal – CPMF de fls. 14/19, que é parte integrante do Auto de Infração, os fatos foram assim descritos pelo Autuante, em síntese: Descrição dos Fatos que, em 25/03/2009, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 004, onde foi solicitado que a Interessada justificasse o não recolhimento da CPMF – código de receita 5884 – Instituição Financeira como contribuinte, decorrente de movimentação financeira para pagamento das suas despesas operacionais, bem como informasse sobre a existência de ação judicial proposta contra a cobrança da CPMF; que, em resposta de 01/04/2009, a Interessada justificou o não recolhimento com base no art. 8º, inciso IV, da Lei nº 9.311/96, bem como alegou que a movimentação financeira para pagamento de despesas operacionais, como salários, etc., seria tributada a alíquota zero, por força do disposto no inciso XIII do art. 8º da Lei nº 9.311/96; Legislação Tributária Aplicável Referente à Incidência da CPMF na Hipótese de Instituição Financeira como Contribuinte que, conforme dispõe o § único do art. 1º da Lei nº 9.311/96, a hipótese de incidência da CPMF é a movimentação ou transmissão de valores de créditos e direitos de natureza financeira, assim compreendida qualquer operação liquidada ou lançamento realizado pelas entidades referidas no art. 2º, que representem circulação escritural ou física de moeda, e de que resulte ou não transferência de titularidade dos mesmos valores, créditos e direitos; que, em atendimento às hipóteses de incidência da CPMF, o art. 2º da Lei nº 9.311/96 enumera as operações que estão sujeitas à incidência da CPMF: I – o lançamento a débito por instituição financeira, em contas correntes de depósito (...); II – o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, (...); Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 402 3 III – a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, (...) IV – o lançamento, e qualquer outra forma de movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, não relacionados nos incisos anteriores, efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas; V – a liquidação de operações contratadas nos (...); VI – qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características (...); que o art. 3º da Lei nº 9.311/96 e alterações subseqüentes definem as hipóteses de não incidência da referida contribuição; que o art. 4º da referida Lei elenca os contribuintes: I – os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2º, ainda que movimentadas por terceiros; II – o beneficiário referido no inciso III do art. 2º; III – as instituições financeiras referidas no inciso IV do art. 2º; IV – (...); V – (...); que o art. 6º, também da referida Lei, descreve a base de cálculo: I – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 2º, o valor do lançamento e de qualquer outra forma de movimentação ou transmissão; II – (...); III – (...); IV – (...). Parágrafo único. O lançamento, movimentação ou transmissão de que trata o inciso IV do art. 2º serão apurados com base nos registros contábeis das institições ali referidas. que o art. 8º da Lei nº 9.311/96 define as hipótese de alíquota zero; que o inciso IV do art. 8º da Lei nº 9.311/96, apresentado na resposta da Interessada como base legal para o nãopagamento da CPMF, determina alíquota zero nos lançamentos efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira Fl. 403DF CARF MF 4 comercial e caixas econômicas, relativos às operações a que se refre o art. 3º da Portaria MF nº 244/04; que, com relação ao inciso XIII do art. 8º da Lei nº 9.311/96, também relacionado na resposta da Interessada, esta hipótese de alíquota zero foi introduzida pela MP nº 340, de 29 de dezembro de 2006, convertida na Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007, portanto produzindo efeitos em data posterior ao período fiscalizado; que destaca, também, a IN SRF nº 450, de 21 de dezembro de 2004, alterada pela IN SRF nº 610, de 17 de janeiro de 2006, que disciplina a cobrança e o recolhimento da CPMF; que, em resumo, a CPMF é devida pela Interessada na condição de contribuinte, com base, principalmente, no seguinte enquadramento legal: Hipótese de incidência (fato gerador) – Inciso IV do art. 2º da Lei nº 9.311/96; Na condição de contribuinte – Inciso III do art. 4º da Lei nº 9.311/96; Base de cálculo – Inciso I e parágrafo único do art. 6º da Lei nº 9.311/96. que enfatiza que as operações realizadas pela Interessada e sujeitas à alíquota zero (art. 8º da Lei nº 9.311/96 e art. 3º da Portaria MF nº 244/04) foram totalmente excluídas da apuração da base de cálculo da CPMF no período fiscalizado; Do Lançamento que, com base nos registros contábeis da Interessada no período de 01/07/2004 a 31/12/2006, procedeu a um levantamento das movimentações de valores de natureza financeira utilizados para pagamento de despesas operacionais, incluindo os tributos ou contribuições na qualidade de contribuinte no período fiscalizado, de forma a apurar a base de cálculo da CPMF; que tais movimentações foram obtidas das contas contábeis de nº 1.1.1.10.00.001 – Caixa, 1.1.3.10.00.001 – Banco Central – Reservas Livres em Espécie e 4.9.9.05.00.001 – Cheque Administrativo do período de 01/07/2004 a 31/12/2004, assinalandose que essas contas regitram todos os pagamentos feitos pela Interessada; que os pagamentos realizados pela Interessada utilizando a conta caixa são provenientes de recursos transferidos da conta 1.1.3.10.00.001 Banco Central – Reservas Livres em Espécie, conforme composição preparada pelo Autuante com base nos arquivos contábeis eletrônicos da Interessada e anexada ao presente processo, devendose destacar que a Folha de Pagamentos dos Funcionários é paga através de recursos classificados na conta caixa; que, assim, preparou um demonstrativo diário consolidando todas as operações sujeitas à tributação da CPMF na forma da Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 403 5 legislação tributária, e, a seguir, somou a movimentação de acordo com os diversos períodos de apuração e procedeu a sua inserção no Auto de Infração aplicando a alíquota de 0,38% em vigor no período de 01/07/2004 a 31/12/2006. 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 30/06/2009, a Impugnação de fls. 290/302, com anexos de fls. 303/322, na qual requer a Improcedência do Auto de Infração, tendo em vista que a CPMF não se encontra mais em vigor e sua legislação contraria diversas disposições constitucionais, não podendo a Impugnante ser obrigada ao seu recolhimento e se sujeitar a uma multa extorsiva, que não tem razão de ser. 4. É o Relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. O julgamento administrativo fiscal é a atividade onde se examina a correção ou não dos atos praticados pelos agentes do fisco, sem discutir a legalidade ou constitucionalidade dos dispositivos legais que deram suporte àqueles atos, uma vez que é da competência do Poder Judiciário tratar destas questões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo, em sede de preliminar, cerceamento do direito de defesa, passando, a partir daí, a repisar (copiar) os mesmos argumentos despendidos em sede de impugnação. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Na hipótese dos autos, notase que o Recorrente limitouse, em sede de Recurso Voluntário, a reiterar os termos da impugnação apresentada, transcrevendo, na íntegra, o seu teor. Fl. 405DF CARF MF 6 Dispõe o § 3º do art 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Com efeito, entendo que a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, analisou adequadamente o feito, aplicandolhe o melhor direito à espécie, razão pela qual, com fulcro no dispositivo transcrito, confirmo a adoção da decisão recorrida, que passo a transcrever: Voto 5. A Impugnação é tempestiva, vez que apresentada em 30/06/2009 (fl. 290), após ciência do Auto de Infração em 08/06/2009 (fl. 885), e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972 e alterações posteriores. Assim sendo, dela conheço. 6. Desde logo, é preciso deixar claro que a Impugnante se limita exclusivamente a dizer que não teria cometido qualquer infração porque a legislação que ampara o Auto de Infração não está mais em vigor, e, além do mais, ainda que estivesse, tampouco seria aplicável por ser flagrantemente inconstitucional. 7. Em que pese não ser objeto de apreciação na esfera administrativa a questão de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, estando afeto ao Poder Judiciário tal apreciação, mister se faz tecer algumas considerações sobre a questão. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 404 7 8. Cumpre enfatizar que o princípio geral norteador do Processo Administrativo Tributário, a Legalidade Objetiva (cuja origem vem do primado universal do Direito – Princípio da Legalidade, consagrado pela Constituição Federal, artigo 5º, inciso II), tem por finalidade realçar o caráter objetivo e portanto impessoal do atuar do agente administrativo (como decorrência do princípio da impessoalidade) e em contraste com o caráter subjetivo pessoal – da esfera jurídica do particular, ampara e fundamenta, em última análise, a aplicação na esfera administrativa do princípio da imparcialidade. 9. O princípio da legalidade objetiva deve governar, sob pena de invalidade, toda atividade procedimental e processual tributária que irá se desenvolver em estrita vinculação com a lei e para a finalidade de preservar a aplicação do sistema jurídico tributário. 10. Alegalidade objetiva é o corolário do princípio da autotutelavinculada da administração tributária, o que significa dizer que embora o Estado tenha prerrogativa de promover todas as providências necessárias para a formalização de sua relação de crédito em face do contribuinte, somente pode fazêlo com adstrição à norma jurídica que disciplina e instrumentaliza sua atuação – JAMES MARINS, Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial) Ed. Dialética, 2001, página 172/173. 11. Neste contexto, o afastamento da aplicação de uma lei, sob o argumento de que se violaria o direito constitucional somente poderia ser realizada na esfera administrativa, no caso de já ter havido sobre o assunto declaração por parte do Supremo Tribunal Federal como será demonstrado a seguir. 12. As autoridades administrativas carecem de competência para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de atos legais e infralegais, legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. 13. Cabe ao Poder Judiciário o exame destas questões, sendo que convém destacar que, o inciso XXXV do art.5º da Constituição Federal estabelece que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito. 14. As matérias questionadas pela Interessada são reservadas à apreciação do Poder Judiciário, exorbitando, portanto, à competência legal deste Órgão Colegiado de Julgamento de Processos Administrativos Fiscais, órgão administrativo, aliás, integrante da estrutura hierárquica do Poder Executivo, ao qual não cabe analisar da validade ou razoabilidade daquelas normas, mas, apenas, zelar pela sua aplicação nos processos fiscais sob sua apreciação. Fl. 407DF CARF MF 8 15. As Turmas de Julgamento têm a sua competência restrita ao exame dos atos praticados pelos agentes da Administração Tributária Federal, para verificar se estão em consonância com a lei e os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores. As suas atribuições limitamse pelo ordenamento jurídico vigente e manifestamse por meio do julgamento, em primeira instância, dos processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 16. Nesse sentido, a autoridade administrativa vêse obrigada a obedecer a legislação em vigor, observandose o estabelecido no Art. 1º, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, ressalvandose os casos de existência de decisão definitiva em processo judicial em que a Interessada seja parte, o qual prevê que: “As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação de texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto”. 17. Não há manifestação do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade quanto às matérias constantes no presente processo, nem decisão judicial definitiva, juntada aos autos, que beneficie a Interessada, sendo que o procedimento fiscal atendeu integralmente às disposições expressas da legislação vigente à época. 18. Concluise que o Controle da Constitucionalidade das Leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal, determinando o art. 52, em seu inciso X, da Constituição Federal que compete privativamente ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal". 19. Feitas estas considerações, passo a analisar cada uma das alegações da Interessada. 20. Quanto à alegação de que a legislação que ampara o Auto de Infração não está mais em vigor, a própria Interessada, em sua defesa, afirma que a legislação que garantia a cobrança da CPMF deixou de vigorar a partir de 01 de janeiro de 2008, não tendo, portanto, qualquer sentido a sua pretensão de que por este motivo ela não pudesse ser aplicada no período em foco, de 01/07/2004 a 31/12/2006. Ora, se ela deixou de vigorar a partir de 01/01/2008, é porque antes ela estava em vigor. Assim sendo, voto pelo afastamento desta alegação absurda. 21. Quanto à alegação de que a legislação que ampara o Auto de Infração seria flagrantemente inconstitucional, pelo quê também não poderia ser exigida a CPMF em foco, devo consignar que, como já visto, não cabe discutir, em âmbito administrativo, se a referida legislação é ou não constitucional. Não há, no caso, nenhuma decisão do Poder Judiciário que impedisse a Autoridade Fiscal de efetuar o lançamento em foco, Fl. 408DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 405 9 o qual, aliás, ela estava obrigada a fazer por força do que dispõe o parágrafo único do artigo 142 do CTN, que estabelece que a atividade administrativa de lançamento é vinculada à lei e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim sendo, voto pelo afastamento desta alegação. 22. Alega a Interessada que é extorsiva a aplicação da multa de 75% sobre o valor do tributo não pago. Ora, aqui também a Autoridade nada mais fez do que aplicar a legislação de regência vigente à época dos fatos geradores, artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, o que, repitase, era sua obrigação, por força do que estabelece o parágrafo único do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Assim sendo, voto pelo afastamento desta alegação. 23. Em face do exposto, voto pelo Não Provimento da Impugnação, para que seja mantido integralmente o lançamento da CPMF, no valor de R$ 61.991,26, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora até a data do efetivo pagamento. 24. É o meu voto. Acrescentase, por fim, quanto ao singelo argumento de ocorrência de cerceamento do direito de defesa constante do Recurso Voluntário, vêse que este não se sustenta e tratase de reiteração do próprio mérito, uma vez que se trata de requerimento de novo julgamento para que questões constitucionais sejam analisadas pela instância de origem. Assim, com fundamento nas próprias razões já despendidas pela DRJ, e com suporte na Súmula CARF nº 2 ("O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."), mantêmse integralmente a decisão recorrida. Desse modo, consoante razões transcritas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo integralmente a decisão de primeira instância. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 409DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.900673/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.988
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 73 /2 01 2- 83 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.333, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
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