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Numero do processo: 10183.906957/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.927
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.906957/201185 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.927 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 95 7/ 20 11 -8 5 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912076/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.790
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T19:31:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T19:31:32Z; Last-Modified: 2017-08-11T19:31:32Z; dcterms:modified: 2017-08-11T19:31:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T19:31:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T19:31:32Z; meta:save-date: 2017-08-11T19:31:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T19:31:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T19:31:32Z; created: 2017-08-11T19:31:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T19:31:32Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T19:31:32Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912076/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.790 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 76 /2 01 2- 11 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.817, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.901153/2009-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/05/2005 CSLL - RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA - COMPENSAÇÃO As restrições previstas no art. 10 da IN SRF 460/2004, quanto à utilização de créditos relativos a estimativas pagas a maior, não são aplicáveis para a quitação de débitos de estimativa do mesmo ano em curso. Pela própria sistemática dos sucessivos Balancetes de suspensão/redução ao longo do ano, um eventual excesso de estimativa em um determinado mês acaba sendo absorvido nos meses posteriores, para, ao final, ser levado como dedução no ajuste anual, independente do mês a que se refira. Seja via Dcomp que objetive deslocar a estimativa de um mês para o outro, ou via Balancete cumulativo de suspensão/redução, o eventual excesso em um mês será normalmente considerado nos meses seguintes, contribuindo da mesma forma para o montante a ser deduzido no ajuste a título de estimativas mensais pagas ao longo do ano.
Numero da decisão: 1802-000.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/05/2005 CSLL - RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA - COMPENSAÇÃO As restrições previstas no art. 10 da IN SRF 460/2004, quanto à utilização de créditos relativos a estimativas pagas a maior, não são aplicáveis para a quitação de débitos de estimativa do mesmo ano em curso. Pela própria sistemática dos sucessivos Balancetes de suspensão/redução ao longo do ano, um eventual excesso de estimativa em um determinado mês acaba sendo absorvido nos meses posteriores, para, ao final, ser levado como dedução no ajuste anual, independente do mês a que se refira. Seja via Dcomp que objetive deslocar a estimativa de um mês para o outro, ou via Balancete cumulativo de suspensão/redução, o eventual excesso em um mês será normalmente considerado nos meses seguintes, contribuindo da mesma forma para o montante a ser deduzido no ajuste a título de estimativas mensais pagas ao longo do ano.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/05/2005 CSLL RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA COMPENSAÇÃO As restrições previstas no art. 10 da IN SRF 460/2004, quanto à utilização de créditos relativos a estimativas pagas a maior, não são aplicáveis para a quitação de débitos de estimativa do mesmo ano em curso. Pela própria sistemática dos sucessivos Balancetes de suspensão/redução ao longo do ano, um eventual excesso de estimativa em um determinado mês acaba sendo absorvido nos meses posteriores, para, ao final, ser levado como dedução no ajuste anual, independente do mês a que se refira. Seja via Dcomp que objetive deslocar a estimativa de um mês para o outro, ou via Balancete cumulativo de suspensão/redução, o eventual excesso em um mês será normalmente considerado nos meses seguintes, contribuindo da mesma forma para o montante a ser deduzido no ajuste a título de estimativas mensais pagas ao longo do ano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 84 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 85 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, que manteve a negativa em relação à Declaração de Compensação – Dcomp eletrônica apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1811.819, às fls. 39 a 44: Trata o presente processo de Declaração de Compensação efetuada por intermédio do PER/DCOMP n° 34266.67744.310805.1.3.049907, transmitido em 31/08/2005 (fls. 13), onde o Contribuinte compensou débito de CSLL, período de apuração julho de 2005, informando um crédito de R$12.339,42, referente à parcela do recolhimento efetuado em 30/06/2005 a título de estimativa mensal de CSLL — código 2484 (fl. 02). Em 25/03/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 04, não reconhecendo o crédito pleiteado e não homologando a compensação declarada, em razão de que o crédito informado se refere a pagamento de estimativa mensal de CSLL, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução da CSLL no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo dessa contribuição. Inconformado com o referido despacho decisório, o Contribuinte, por intermédio de seu procurador, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 0915 e os documentos de fls. 1634, com as seguintes alegações: Inicialmente, esclarece que o valor anual do imposto é apurado pela integração gradativa dos resultados parciais mensais que são ordenados para o efeito de promover a antecipação dos recolhimentos que, ao final do período de apuração, poderá ou não ser devido. A renda, como pressuposto constitucional de incidência, é um acréscimo de direitos patrimoniais que ocorrem durante o ano base. No caso de prejuízo anual, haverá um decréscimo de patrimônio, o que veda constitucionalmente a possibilidade de haver incidência tributária. Considerando a hipótese de que os recolhimentos antecipados viessem a não representar o pagamento de tributo ao cabo do exercício, a legislação previu que os valores que fossem antecipados (art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996), poderiam ser compensados com qualquer outro tributo devido à União. Assim, a partir desse dispositivo legal, utilizou seus créditos relativos a IRPJ e CSLL apurados por balanceies e pagos antecipadamente, para pagar tributo devido. Somente após a publicação da Medida Provisória n° 449, de 2008, art. 29, foi criada a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 86 4 limitação do direito de compensação previsto no caput do art. 74 de Lei n° 9.430, de 1996. Os saldos negativos de IRPJ e da CSLL não decorreram de pagamentos a maior efetuados por erro ou liberalidade, mas sim, de recolhimentos mensais antecipados e apurados por estimativas determinados pelo art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996, sujeitando o Contribuinte ao controle fiscal. Ao mesmo tempo, tinha a garantia de compensar o valor antecipado com qualquer tributo administrado pela RFB, na medida em que ao final do exercício viesse a apurar o IRPJ e a CSLL em valor menor do que o pago. Tratase, portanto, de uma forma de restituição rápida e promovida pelo próprio Contribuinte tendo o direito de aproveitar. Na medida em que o imposto de renda e a contribuição social apurados foram inferiores aos recolhimentos antecipados, restou saldo negativo, que seria compensado com aos valores devidos, procedimento esse que foi vedado pelo art. 29 da Medida Provisória n° 449, de 2008. Essa vedação é absolutamente inconstitucional, uma vez que usurpou o direito de compensação, configurando violação de um direito adquirido, garantido pelo art. 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal. Violou, ainda, a vedação do reconhecimento do efeito retroativo de qualquer lei nos termos do art. 5°, inciso XL, da Constituição Federal e do art. 106 do CTN. Todo o tributo recolhido de forma antecipada e que não venha ser devido deve ser imediatamente devolvido, uma vez que a Constituição Federal somente permite a tributação a partir de eventos efetivamente ocorridos, sendo duvidosa a possibilidade, sob o ponto de vista constitucional, a existência de antecipação do tributo por conta de uma possibilidade de lucros futuros. Sem dúvida, está caracterizado um ato coator que ofende o direito líquido e certo do Contribuinte recolher e saldar os seus compromissos tributários segundo os ditames da Constituição Federal e da Lei. Além disso, como está caracterizado o pagamento indevido de imposto, a RFB, na medida que impeça a compensação, está violando o art. 165, inciso I, do CTN. Sobre o assunto, cita decisão do TRF da 4ª Região e do Superior Tributal de Justiça. Assim, uma vez que créditos atingidos pela limitação da MP foram apurados em um momento anterior à vigência desta limitação, não há como glosar a compensação realizada, podendo utilizarse do crédito formado pelas antecipações efetuadas antes da vigência da referida MP para extinguir débitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Finalizando, requer que “seja o valor glosado tido como indevido e se reconheça a extinção do crédito apurado em razão da compensação realizada pela requerente, sob pena de aplicação retroativa dos efeitos de Medida Provisória ao direito adquirido da contribuinte efetuar tal aproveitamento à luz da lei vigente.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 87 5 Como já mencionado, a DRJ Santa Maria/RS manteve a negativa em relação à Dcomp eletrônica apresentada pela Contribuinte, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DOS ATOS LEGAIS As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/05/2005 CSLL. RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO A pessoa jurídica tributada com base no lucro real anual, que efetuou pagamento de estimativa mensal de CSLL a maior durante o anocalendário de 2005, somente pode utilizálo na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo dessa contribuição. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 18/02/2010, a Contribuinte apresentou em 19/03/2010 o recurso voluntário de fls. 49 a 58, onde reitera as mesmas razões de sua primeira manifestação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando ainda os seguintes argumentos: a decisão recorrida não enfrentou a base do argumento fundamental do recurso, assim como inovou em relação à glosa quando, para justificar a limitação da compensação, fez valer a aplicação do artigo 10 da Instrução Normativa 460/04 em detrimento do direito contido no artigo 74 da Lei 9.430/96, vigente a época da compensação, que foi glosada por alteração inconstitucional, sobre a qual a decisão não se manifestou; por se tratar de direito constitucional, o mesmo não pode ser negado como ocorreu com a manifestação de inconformidade, em especial pelo fato de que a administração pública, mesmo a tributária, está inteiramente sujeita à incidência e ao respeito Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 88 6 das normas constitucionais, urna vez que é pressuposto de existência do ato administrativo a legalidade do mesmo, ou seja, sua vinculação às regras da Constituição Federal; a decisão de primeira instância insere argumento novo, sob a forma de dispositivo regulamentar administrativo, sem qualquer expressão jurídica (artigo 10 da IN 460) para afastar o direito de compensação previsto e exercido a luz do artigo 74 da Lei 9.430/96; a base legal utilizada (art. 10 IN SRF 460/2004) para negar provimento à manifestação de inconformidade se trata de elemento novo, pois não foi referida na notificação, o que implica em cerceamento de defesa da contribuinte; a base legal utilizada para glosar a compensação decorre de, alteração inconstitucional;. ao aplicar a base legal para negar provimento à manifestação de inconformidade apresentada, a autoridade fiscal adotou a nova redação do dispositivo, enquanto deveria ter se utilizado da redação antiga, vigente à época em que o pedido de compensação foi transmitido; a alteração implementada pela MP 449/2008, além de inconstitucional na origem, deixou de ser convalidada, ficando sem eficácia o preceito legal que restringia a compensação de estimativas. Este é o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 89 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio versa sobre Declaração de Compensação – Dcomp eletrônica, abrangendo um crédito de R$12.339,42, referente à parcela da estimativa de CSLL de maio/2005 (recolhida em 30/06/2005), e um débito de estimativa de CSLL do mês de julho/2005. A decisão recorrida traz os seguintes esclarecimentos sobre o crédito utilizado na compensação: Analisando a declaração de compensação, a Ficha 16 da DIPJ/2006 Cálculo da CSLL mensal por estimativa de maio de 2005 (fls. 3738) e o pagamento a título de estimativa de CSLL (código 2484 CSLL estimativa mensal) referente ao mês de maio de 2005 (fl. 36), constatase que o pedido do Contribuinte se refere a diferença dessa contribuição recolhida a maior (25.698,92 — 13.359,50 = 12.339,42). Inicialmente, é importante registrar que o Despacho Decisório da Delegacia de origem (fl. 4) apresenta a seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 12.339,42 . Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Enquadramento legal. Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vêse que não houve a alegada inovação nos fundamentos para a negativa em relação à Dcomp. Desde o início, a Delegacia de origem pautou sua análise sobre o tipo de crédito oferecido à compensação, e a DRJ, nesse mesmo sentido, também explicitou que o pagamento a maior de estimativa somente pode ser utilizado na dedução da contribuição Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 90 8 devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo dessa contribuição, mas não utilizado diretamente em Dcomp, como pretendeu a Contribuinte. Embora a DRJ tenha comentado genericamente a respeito da apreciação de questões envolvendo inconstitucionalidade de lei, nenhuma relevância isso teve para o caso concreto, uma vez que a negativa do Fisco passa ao largo das restrições implementadas pela MP 449/2008, que realmente não foram convertidas em lei. Foi a Contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, quem trouxe à baila as restrições implementadas pela MP 449/2008, vedando o procedimento de compensação para a quitação de “débitos” de estimativa. Mas aqui a situação é mesmo a referida no art. 10 da IN SRF 460/2004, cuja restrição se dá não em virtude do tipo do “débito” compensado, mas em razão do “crédito” utilizado na compensação:. Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Feitos estes esclarecimentos, entendo que todo o fundamento apresentado para a negativa da compensação em virtude do tipo de crédito utilizado seria perfeitamente aplicável no caso de o procedimento estar envolvendo outros tipos de débito, mas não débitos de estimativa do mesmo ano em curso. Vale lembrar que os Balancetes mensais de suspensão/redução do tributo são sempre cumulativos, levando em conta todos os fatos e recolhimentos ocorridos a partir de primeiro de janeiro até o último dia do mês ao qual se referem. Assim, pela própria sistemática dos sucessivos Balancetes de suspensão/redução ao longo do mesmo ano, um eventual excesso de estimativas acaba sendo absorvido nos meses posteriores, para, ao final, ser levado como dedução no ajuste anual, independente do mês a que se refira. Deste modo, seja via Dcomp que objetive deslocar a estimativa de um mês para o outro, ou via Balancete cumulativo de suspensão/redução, o eventual excesso em um mês será normalmente considerado nos meses seguintes, contribuindo da mesma forma para o montante a ser deduzido no ajuste a título de estimativas mensais pagas ao longo do ano. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.901153/200924 Acórdão n.º 180200.903 S1TE02 Fl. 91 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.912121/2012-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.835
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T20:29:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T20:29:41Z; Last-Modified: 2017-08-11T20:29:41Z; dcterms:modified: 2017-08-11T20:29:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T20:29:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T20:29:41Z; meta:save-date: 2017-08-11T20:29:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T20:29:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T20:29:41Z; created: 2017-08-11T20:29:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T20:29:41Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T20:29:41Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912121/201229 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.835 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 21 /2 01 2- 29 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.862, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912121/201229 Acórdão n.º 3301003.835 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.901705/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2009
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.734
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2009 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 17 05 /2 01 4- 31 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09060.092, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10830.901705/201431 Acórdão n.º 3301003.734 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901857/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.032
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 1456.776 da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Ressarcimento de IPI e, por conseguinte, não homologara as compensações declaradas. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu preliminarmente a nulidade, por generalidade, do despacho decisório e, no mérito, invocou o princípio da verdade material e pleiteou o reconhecimento da não incidência da taxa Selic e multas sobre os débitos que restaram não compensados. Anteriormente, o contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança, tendo obtido decisão liminar, em que se determinou que os pedidos de ressarcimento por ele RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 85 7/ 20 11 -3 1 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13851.901857/201131 Resolução nº 3201001.032 S3C2T1 Fl. 466 2 formulados fossem examinados “no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, a contar da intimação [da] decisão, sob as penas da lei.” A par da liminar, o contribuinte foi intimado a apresentar livros, documentos e arquivos digitais em 20 dias, tendo a Fiscalização verificado que os arquivos digitais apresentados continham milhares de ocorrências de erros, sendo que, em função dessas incorreções e do prazo exíguo para a prolação da decisão, o pedido foi indeferido. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o ressarcimento e na existência de previsão legal para a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Quanto à alegação do contribuinte acerca do caráter confiscatório da multa de ofício, o julgador a quo argumentou que a vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar as penalidades nos moldes da legislação que as instituiu. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito postulado e pedindo, alternativamente, a realização de diligência para as apurações cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.025, de 29/08/2017, proferido no julgamento do processo 13851.901697/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.025): A compensação tributária pode ser requerida pelo contribuinte que possua crédito líquido e certo contra a Fazenda. Nesse sentido é a literalidade do artigo 170 do CTN1. A administração, no prazo de 30 dias para análise que lhe foi concedido pelo Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, intimou a empresa a apresentar arquivos e documentos que já deviam estar disponíveis. O artigo 11 da Lei 8.218/912 prescreve o dever dos contribuinte de disponibilizar os dados. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13851.901857/201131 Resolução nº 3201001.032 S3C2T1 Fl. 467 3 A responsabilidade do serviço público é muito grande quando defere restituição/ressarcimento ao contribuinte, pois se trata de transferir recursos da sociedade para o particular. Somente a materialidade provada, líquida e certa autoriza um ato administrativo com essa envergadura de responsabilidade. No presente caso, não existiam condições para tanto. Com efeito, o arquivo próprio para tais tipos de análises, que detalha as notas fiscais, não foi oferecido à administração, posto que aquele apresentado possuía tantos erros que não poderia validamente ser fundamento da restituição/ressarcimento. O Relatório Fiscal aponta milhares e milhares de erros no arquivo digital apresentado, erros inclusive de “IPI inválido”[...]. Resumese: ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2005 7667 Já existe um participante com esta identificação 2005 12 Inconsistência de IPI 2005 6 Inconsistência de Valor 2005 441 IPI Inválido 2005 3 NCM Inválida ou Inexistente 2008 9125 Já existe um participante com esta identificação 2008 186 Inconsistência de ICMS 2008 78 Inconsistência de IPI 2008 18 Inconsistência de Valor 2008 566 IPI Inválido 2008 4 NCM Inválida ou Inexistente 2009 9400 Já existe um participante com esta identificação ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2009 109 Inconsistência de ICMS 2009 44 Inconsistência de IPI 2009 1 Inconsistência de Valor 2009 494 IPI Inválido 2009 3 NCM Inválida ou Inexistente 2010 8875 Já existe um participante com esta identificação 2010 17 Inconsistência de ICMS 2010 1207 Inconsistência de IPI 2010 310 Inconsistência de Valor 2010 13114 IPI Inválido 2010 1 NCM Inválida ou Inexistente Não se configura, portanto, a materialidade do crédito pretendido. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13851.901857/201131 Resolução nº 3201001.032 S3C2T1 Fl. 468 4 Logo, mais que lícito e fundamentado o indeferimento da compensação. A recorrente poderia, no longo prazo que decorreu desde o indeferimento do Despacho Decisório até hoje, esclarecer as divergências, oferecer outro arquivo, apontar planilhas com, ao menos, parte do crédito devido, indicar a origem material de seu direito, mas não é o que aconteceu. Poderia e deveria, porque o ônus de provar o crédito é seu art. 333 do Código Civil3. Até hoje, entretanto, mantémse na tentativa de obter um deferimento sumário, sem análise de mérito do crédito. A obrigação de esclarecimento do contribuinte é positivada, ainda, artigo 4º da Lei 9.784/99: Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos Como pedido alternativo, a recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Em regra, a diligência somente é cabível quando se verifique o esforço da recorrente em esclarecer a materialidade dos fatos. Embora não se verifique inovação probatória na Impugnação e no Recurso Voluntário, que ensejasse a constatação desse esforço, o fato é que, nos casos de Pedido de Ressarcimento de IPI, o próprio programa gerador do pedido exige extensas informações, detalhadas, sobre o crédito. Essas informações indicam a existência de créditos, mas que ainda não foram auditados. Não houve oportunidade de correção dos arquivos digitais, primeiro, pelo prazo de análise imposto pelo Poder Judiciário, e em segundo lugar porque, em regra, essa correção não tem como ser feita nas instâncias julgadoras. À vista de todo o exposto, a comprovação das informações prestadas já no pedido, deve ser oportunizada, por meio dos arquivos digitais corrigidos e outros elementos que o Fisco entender necessários. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal promova auditoria nas informações já prestadas no pedido de ressarcimento, proferindo Despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Destaquese que, assim como ocorreu no acórdão paradigma, neste processo também se verificaram inconsistências nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte para demonstrar o crédito pleiteado. 3 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13851.901857/201131 Resolução nº 3201001.032 S3C2T1 Fl. 469 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado, procedendose à auditoria das informações já prestadas no Pedido de Ressarcimento, valendo se dos dados presentes nos arquivos digitais devidamente corrigidos e em outros elementos que entender necessários, proferindose despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 518DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.000091/95-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 101-02.348
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CELSO ALVES FEITOSA
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CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS GENIVAl lONDRES 21 de março de 2001 R E SOL U ç Ã O NR. 101-02.348 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto • pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO - RJ. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. • • ~ . ISON B PRESI . FORMALIZADO EM: 1 3 NOV 2001 • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: KAZUKI SHIOBARA, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, SANDRA MARIA FARONI, RAUL PIMENTEL, L1NA MARIA VIEIRA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. -' • Processo nO. :13706.000091/95-31 Resolução n°. :101-02.348 2 Recurso nr. 118.810 Recorrente: DRJ NO RIO DE JANEIRO - RJ. RELATÓRIO Contra a sociedade acima identificada foram lavrados os seguintes Autos de Infração, por meio dos quais são exigidas as importâncias citadas: • • Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 04/71) - 7.755.933,93 UFIR, mais acréscimos legais, além de 65.349,95 UFIR a título de multa por atraso na entrega de declaração IRPJ; PIS (fls. 996/1002) - 3.724,17 UFIR, mais acréscimos legais; FINSOCIAL (fls. 1.003/1.007) - 5.288,56 UFIR, mais acréscimos legais; COFINS (fls. 1.008/1.013) - 6.129,19 UFIR, mais acréscimos legais; IR FONTE (fls. 1.014/1.031) - 660.833,72 UFIR, mais acréscimos legais; Contribuição Social (fls. 1.032/1.053) - 1.898.665,27 UFIR, mais acréscimos legais; Mais os seguintes valores, em face de perda da isenção: • PIS (fls. 1.054/1.072) - 5.575,36 UFIR, mais acréscimos legais; COFINS (fls. 1.082/1.090) - 6.921 ,55 UFIR, mais acréscimos legais; FINSOCIAL (fls. 1.091/1.102) - 8.882,15 UFIR, mais acréscimos legais. daOs lançamentos, relativos aos exercícios de 1990 a 1994, constatação das seguintes irregularidades, conforme Auto principal: Além disso, exige-se também (fls. 1.073/1.081) IR Fonte decorrente da caracterização de distribuição disfarçada de lucros, no montante equivalente a 33.260,31 UFIR, mais acréscimos legais. O total do crédito tributário perfaz importância correspondente a 23.214.850,67 UFIR. • • .. • Processo nO. :13706.000091/95-31 Resolução nO. :101-02.348 3 • • • • • 1) omissão de receitas - suprimentos, empréstimos e doações não comprovados; 2) omissão de receitas - suprimento de numerário; 3) omissão de receitas - bens do ativo permanente não contabilizados; 4) custos ou despesas não comprovadas; 5) custos, despesas operacionais e encargos não necessários; 6) custos, despesas operacionais e encargos - glosa de dedução de multas; 7) correção monetária de bens do ativo permanente não contabilizados; 8) insuficiência de correção monetária; 9) lucros não declarados (porque o contribuinte deixou de apresentar declaração IRPJ referente aos períodos-base de 1989 a 1993 com base no lucro real e deixou de recolher o imposto correspondente. Foi apresentado à fiscalização apenas o Livro Diário referente ao ano-base de 1989. Segundo a fiscalização, não se enquadraria a sociedade como empresa isenta) . De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 05/32), as irregularidades que levaram o contribuinte a não se enquadrar nas isenções estabelecidas nos arts. 126 e 130 do RIR/80 foram: a) ter beneficiado terceiros, proporcionando-lhes aumento de lucros através da utilização de seus equipamentos (infração aos arts. 126, I, e 130, I e 11, do RIR/80); b) deixar de recolher IR Fonte sobre juros de financiamentos remetidos ao exterior (infração aos arts. 126, 111, S 1°, e 130, IV, do RIR/80; e PN 193/74); c) desvirtuar-se de seus objetivos, ficando obrigada à tributação com base no lucro real (arts. 190 e 220 do RIR/94); d) omissão de receitas por contabilizar como empréstimos valores recebidos como doações (arts. 180 e 181 do RIR/80; e art. 228 do RIR/94); e) importar equipamentos em seu nome sem recolher Imposto de Importação e IPI; f) cobrar de pacientes diversos serviços que não foram oferecidos à tributação (art. 156 do RIR/80); g) não apresentar livros diários dos períodos-base de 1990 a 1993 devidame te escriturados e autenticados (art. 203 do RIR/94); e h) deixar de contabilizar os equipamentos importados por meio das DI 00439 e 17566/90 . • Processo n.o. :13706.000091/95-31 Resolução nO. :101-02.348 4 • • • • • Impugnando o feito às fls. 1.113/1.136, 1.733/1.741, 2.335/2.344, 2.939/2.944 e 3.538/3.544, a autuada alegou, em síntese: 1) que é instituição educacional sem fins lucrativos, cuja atividade social é a de desenvolvimento das ciências médicas e pesquisas tecnológicas, aperfeiçoamento do ensino da medicina e do padrão de assistência médica e hospitalar, declarada de utilidade pública pelo Decreto nO94.083/87, sendo-lhe, desde então, anualmente, renovado o título; 2) que, em prol de seus objetivos, importou equipamentos e contratou especialistas para promoverem cursos baseados nos resultados dos exames feitos com os referidos equipamentos; 3) que as doações e/ou empréstimos recebidos para fazer face ao pagamento da importação de equipamentos ou como contrapartida de sua utilização por terceiros não é suficiente para descaracterizar a imunidade; 4) que os valores foram indevidamente tributados, em relação a cada período; 5) quanto à Contribuição Social: que está isenta de seu pagamento; que o aumento de ai íquota de 8% para 10% só poderia ser considerado a partir de 31.12.90; que a correção monetária do período-base de 1990 só interfere na base de cálculo do IRPJ; e que a despesa considerada desnecessária para fins de IRPJ é dedutível para fins da contribuição; 6) quanto ao IR Fonte (reflexo - ILL): que o Imposto sobre o Lucro Líquido é inconstitucional; que a despesa considerada desnecessária para fins de IRPJ é dedutível para fins deste tributo; que o ILL revogou o art. 8° do Decreto-lei nO 2.065/83; e que não houve distribuição aos sócios; 7) quanto ao PIS (reflexo): que está sujeita a essa contribuição à razão de 1% de sua folha salarial; e que as importâncias relacionadas não integram o conceito de receita operacional bruta nem o de faturamento; 8) quanto ao FINSOCIAL (reflexo): que é imune a essa contribuição; que as importâncias relacionadas não integram o conceito de receita operacional bruta nem o de faturamento; e que a alíquota deveria ser de 0,5%; 9) que é incabível a exigência da TRD, a não ser a partir de agosto/1991; 10) quanto às exigências a título de PIS, FINSOCIAL e COFINS pela perd da imunidade: que foi errônea a desqualificação como instituição educacio ai e que, de todo modo, não podem integrar a base de cálculo os emprésti os e doações, nem a recuperação de receitas . • Processo n°. :13706.000091/95-31 Resolução nO. :101-02.348 l 5 • • • • • Quanto ao IRRF, a autuada considerou não litigiosa a exigência relativa à remessa de juros para o exterior, juntando comprovante de quitação, subsistindo o litígio quanto aos juros calculados à base da TRD. Afirmou, ainda, que não houve distribuição disfarçada de lucros porque as entidades supostamente beneficiadas não são pessoas ligadas. Além disso, os empréstimos foram devidamente contabilizados (o que levou o autuante a não glosar a despesa de variação monetária passiva incorrida pela impugnante) e não prevêem qualquer condição que pudesse ser considerada de favor, até porque não contemplam juros, mas apenas correção monetária. Houve conversão do julgamento em diligência (fls. 4.157/4.165), tendo sido apresentado o resultado às fls. 4.403/4.407 . Na decisão recorrida (fls. 4.414/4.426), a autoridade de primeira instância concluiu que a fiscalização não demonstrou que a entidade tenha se desvirtuado de seus objetivos sociais ou tenha desatendido os requisitos legais para usufruir da imunidade, não cabendo portanto a suspensão ou a cassação do benefício da imunidade. Além disso, observou que superavif entre receita e despesa não se confunde com lucro real, pois o primeiro é de razão contábil e o segundo, de razão fiscal. Desse modo, julgou: procedente em parte o lançamento de IRF de fls. 1.073/1.081, retificando-o conforme demonstra à fI. 4.426, relativamente à parte não impugnada (remessa de juros para o exterior), reduzindo-o para 12.803,98 UFIR, mantendo a multa de 50% e reduzindo as multas de 80% e 100% para 75%; improcedentes os demais lançamentos . • • • • • • Processo n.o. :13706.000091/95-31 Resolução n.o. :101-02.348 De sua decisão, recorre de ofício a este Conselho. É o relatório . 6 • Processo n.o. :13706.000091/95-31 Resolução n.o. :101-02.348 VOTO Conselheiro CELSOALVES FEITOSA, Relator 7 Por entender que alguns pontos do processado merece um melhor • conhecimento, voto no sentido de remessa dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para que sejam respondidas pelo Fisco as seguintes questões: • 1. possuía a Autuada livros diários abrangendo os períodos fiscalizados? 2. possuía ainda o LALUR escriturado? 3. possuía demonstrativos de correção monetária e demonstrações financeiras, correspondentes ao período fiscalizado? • • • Após, intimar a Autuada para, em querendo, no prazo de 10 (dez) dias, manifestar-se sobre as questões postas, com remessa a este Conselho de Contribuintes dos autos, em retorno, para decisão. É como voto. 1 de março de 2001 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000691/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
As diferenças de conteúdo fático verificadas entre os acórdãos são essenciais e não meramente acidentais, embora a questão central do debate seja a tese jurídica quanto a existência ou não de preclusão material para se reconhecer a intempestividade da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, as diferenças fáticas não permitem assegurar que haveria divergência entre a decisão dos colegiados caso a situação fosse análoga.
A falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido no recurso como divergência aponta para o não cumprimento dos requisitos regimentais necessários para conhecimento do recurso proposto.
Numero da decisão: 9202-005.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO. NÃO CONHECIMENTO. As diferenças de conteúdo fático verificadas entre os acórdãos são essenciais e não meramente acidentais, embora a questão central do debate seja a tese jurídica quanto a existência ou não de preclusão material para se reconhecer a intempestividade da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, as diferenças fáticas não permitem assegurar que haveria divergência entre a decisão dos colegiados caso a situação fosse análoga. A falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido no recurso como divergência aponta para o não cumprimento dos requisitos regimentais necessários para conhecimento do recurso proposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO. NÃO CONHECIMENTO. As diferenças de conteúdo fático verificadas entre os acórdãos são essenciais e não meramente acidentais, embora a questão central do debate seja a tese jurídica quanto a existência ou não de preclusão material para se reconhecer a intempestividade da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, as diferenças fáticas não permitem assegurar que haveria divergência entre a decisão dos colegiados caso a situação fosse análoga. A falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido no recurso como divergência aponta para o não cumprimento dos requisitos regimentais necessários para conhecimento do recurso proposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 91 /2 00 9- 16 Fl. 616DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.809, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de AutodeInfração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD n° 37.264.7952, lavrado em 23/12/2009 (data da cientificação do contribuinte), no valor de R$ 5.541.283,61 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e um mil, duzentos e oitenta e três reais e sessenta e um centavos), referente às contribuições previdenciárias dos segurados, não declaradas em GFIP, incidentes sobre a remuneração que lhes foi paga pela empresa, no período de março/2004 a dezembro/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 10/62, o contribuinte não declarou remunerações nem recolheu contribuições incidentes sobre algumas verbas pagas a seus trabalhadores (Remunerações pagas a empregados e diretores por empresas interpostas e Outras remunerações de Gerentes, Analistas, Programadores, Líderes de Projeto e Consultores); simulou contratos com empresas de empregados, com o intuito de burlar as legislações trabalhista, previdenciária e tributária; e, ainda, causou embaraço à ação da fiscalização ao tentar impedir a correta verificação dos tributos devidos. Diante desse quadro, foi necessária a realização de diligências, que foram efetuadas junto à Justiça do Trabalho, a pessoas jurídicas e pessoas físicas. Em 27/01/2010, a autuada apresentou a impugnação de fls. 89/123, com as seguintes alegações, em síntese: alegou, dentre outras preliminares, que formalizou a impugnação dentro do prazo legal, tendo em vista que foi cientificada do autodeinfração em 23 de dezembro de 2009; assim, o prazo passou a fluir no dia 28 de dezembro de 2009, uma vez que, no dia 24 de dezembro, não houve expediente normal, situação que foi, inclusive, reconhecida pela autoridade lançadora; e, no mérito, impugnou, sobretudo, a desconsideração da pessoa jurídica, aduzindo que as empresas dos prestadores de serviços foram devidamente constituídas, obedecendo os trâmites legais. Às fl. 391/399, consta despacho da 5ª Turma da DRJ/DRFB/DF, encaminhando o processo para julgamento na DRJ de origem, após notificar que o prazo para impugnação venceu no dia 26/01/2010, sendo, portanto, intempestiva a defesa apresentada em 27/01/2010. O Contribuinte apresentou recurso voluntário alegando, em síntese: a tempestividade da impugnação, vez que o ato de intimação da empresa se encerrou após o horário do expediente normal externo da Delegacia da Receita em Brasília. Explicou que “Em Fl. 617DF CARF MF Processo nº 14041.000691/200916 Acórdão n.º 9202005.448 CSRFT2 Fl. 10 3 23/12/2009 o representante da recorrente, Sr. Kleuber Pereira Batista, e o advogado da empresa, Dr. Maurício Maranhão de Oliveira, se dirigiram à Delegacia da Receita Federal em Brasília atendendo solicitação do Sr. Auditor Fiscal André Lima de Castro para que fossem intimados da lavratura do Auto de Infração. O ingresso dos representantes da empresa na sede da Delegacia da Receita Federal em Brasília se deu após às 15h00, o que pode ser confirmado pelos registros da segurança do órgão. Com a presença dos representantes da empresa para que fosse feita a intimação, o Sr. Auditor Fiscal passou à leitura dos Autos de Infração e às explicações que julgou pertinentes; dada a complexidade e o volume de informações, essa audiência somente se encerrou após o término do horário normal de expediente externo do órgão. Assim, o ato de intimação, que em princípio deveria ter sido concluído no dia 23/12/2009, tendo se encerrado após o horário do expediente externo normal do órgão, somente se reputou aperfeiçoado no primeiro dia útil subseqüente no caso, dia 28/12/2009.” Cita email enviado pelo auditor fiscal para a empresa informando que dia 24 “só haveria expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segunda feira. 28/12/2009.” Por força da literalidade do o artigo 5 do Decreto 70.234/72, deve ser excluído o dia do começo, qual seja a segundafeira 28/12/2009, de sorte que o trintídio efetivamente se concluiu na quartafeira 27/01/2010. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 426/442, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, devendo a impugnação ofertada em face do auto de infração ser analisado pela DRJ e seguir o rito do Decreto 70.235/72. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA. Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início. Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança. Recurso Voluntário Provido Às fls. 501/511, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de que não restou clara qual foi a confusão que levou a Turma a considerar tempestiva a impugnação apresentada após o trintídio legal, fazse mister que o Colegiado se manifeste para esclarecer seu posicionamento. Fl. 618DF CARF MF 4 Às fls. 512/529, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação a intempestividade da impugnação. O acórdão paradigma entendeu que, ultrapassado o prazo de 30 dias fixado nos arts. 10 e 15 do Decreto nº 70.235/72, considerase intempestiva a impugnação apresentada. Notese que, no julgado paradigma, o então interessado, a exemplo do que ocorreu nos presentes autos, alegou que teria sido induzido em erro pela autoridade fiscal no que toca ao termo de início da contagem do prazo para apresentação de impugnação, o que feriria o princípio da segurança jurídica. Todavia, a Primeira Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF, diferentemente do Colegiado a quo, não acolheu tal argumentação, por considerar que a forma de contagem do prazo de defesa está claramente estabelecida em lei, a qual deve ser observada pelo contribuinte, sob pena de operarse a preclusão processual, que impede a análise do mérito da defesa. Às fls. 545, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento rejeitou os embargos declaratórios. Às fls. 548/553, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida (intempestividade da impugação). Devidamente cientificado às fls. 558, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 583/597, alegando, preliminarmente, falta de similitude fática entre as decisões apontadas pela União como paradigmas. No mérito, além de reiterar argumentações já levadas ao processo anteriormente, arguiu princípio da confiança e boafé da Administração em favor do Contribuinte. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora DO CONHECIMENTO O Contribuinte arguiu em sede de contrarrazões a falta de similitude fática entre as decisões apontadas pela União como paradigmas. Segundo alega o Contribuinte em sede de contrarrazões o acórdão recorrido e o paradigma partem de premissas diversas. Enquanto o recorrido trata do conteúdo material do email do Auditor Fiscal que levou o Contribuinte a erro, o paradigma discute o início da contagem do prazo, se esta seria iniciada da data do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal ou do recebimento do Auto de Infração Fiscal. Compulsando o Exame de admissibilidade, observo que as diferenças de conteúdo fático não são meramente acidentais, embora a questão central do debate seja a tese jurídica quanto a existência ou não de preclusão material para se reconhecer a Fl. 619DF CARF MF Processo nº 14041.000691/200916 Acórdão n.º 9202005.448 CSRFT2 Fl. 11 5 intempestividade da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, após o aceite desta pela Turma Ordinária, as diferenças fáticas não permitem assegurar que haveria divergência entre a decisão dos colegiados caso a situação fosse análoga. O segundo paradigma também não serve para fundamentar a divergência, embora tenha havido um equívoco, pelo fato das assinaturas dos termos ter se dado em momentos distintos, não há duvida razoável, tanto que o email poderia ser considerado. Em decorrência disso observo que no caso em tela o Recurso da Procuradoria não logrou êxito em comprovar os requisitos exigidos no Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, não restando evidente a existência de divergência entre as decisões. Sendo assim, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, embora seja tempestivo não atende aos demais pressupostos de admissibilidade, não devendo ser conhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10477.000017/2005-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004
SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO
Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158-35/01.
Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação, o artigo 88, da Medida Provisória nº 2158-35/01.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE.
O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de declaração falsa, constitui fraude que implica no agravamento da multa.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004
SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO
Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158-35/01.
Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação, o artigo 88, da Medida Provisória nº 2158-35/01.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE.
O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de declaração falsa, constitui fraude que implica no agravamento da multa.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
((assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Cássio Schappo, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158-35/01. Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação, o artigo 88, da Medida Provisória nº 2158-35/01. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de declaração falsa, constitui fraude que implica no agravamento da multa. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158-35/01. Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação, o artigo 88, da Medida Provisória nº 2158-35/01. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de declaração falsa, constitui fraude que implica no agravamento da multa. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 215835/01. Aplicase no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação, o artigo 88, da Medida Provisória nº 215835/01. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de declaração falsa, constitui fraude que implica no agravamento da multa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 215835/01. Aplicase no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação, o artigo 88, da Medida Provisória nº 215835/01. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 47 7. 00 00 17 /2 00 5- 37 Fl. 1177DF CARF MF 2 O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de declaração falsa, constitui fraude que implica no agravamento da multa. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. ((assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Cássio Schappo, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para cobrança do montante de originário de R$ 2.461.941,10 (dois milhões, quatrocentos e sessenta e um mil, novecentos e quarenta e um reais e dez centavos) para o fim de constituir o débito de Imposto Sobre a Importação II, Imposto Sobre Produto Industrializado IPI, Multa do Controle Administrativo das Importações e Multa Agravada pela acusação de fraude referente a falta de recolhimento dos tributos. Para o débito de Imposto Sobre a Importação II, a fiscalização lavrou o Auto de Infração carreado às fls. 0253 objetivando a cobrança (i) do referido tributo, pela constatação de subfaturamento do preço das mercadorias importadas; (ii) da multa proporcional de 150%, nos termos da antiga redação do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96; e (iii) da multa 100% do controle administrativo prevista no artigo 88, § único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, regulamentado pelo artigo 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/2002, conforme demonstrativo abaixo: Demonstrativo do Crédito Tributário em R$ Valor Imposto Sobre a Importação 275.642,21 Juros de Mora 97.423,02 Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 3 3 Multa Proporcional 413.463,32 Multa do Controle Administrativo 736.158,17 Valor do Crédito Tributário Apurado 1.522.686,72 Já em relação ao débito do Imposto Sobre Produto Industrializado IPI, a fiscalização lavrou o Auto de Infração carreado às fls. 5497 objetivando a cobrança (i) do referido tributo, também pela constatação de subfaturamento do preço das mercadorias importadas; (ii) da multa proporcional de 150%, nos termos do artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45, da Lei nº 9.430/96 c/c artigo 69, inciso I, alínea "b", da Lei nº 4.502/64, conforme tabela abaixo: Demonstrativo do Crédito Tributário em R$ Valor Imposto Sobre a Importação 328.097,45 Juros de Mora 119.010,75 Multa Proporcional 492.146,18 Valor do Crédito Tributário Apurado 939.254,38 Por retratar a realidade dos fatos envolvendo a acusação de subfaturamento das mercadorias importadas, peço vênia para transcrever o relatório da decisão de primeira instância administrativa, a saber: Cuidase de exigência de crédito tributário (fls. 0152 e 5396) da lavra da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CAMPO GRANDE, face à interessada BRINKS DIVERSÕES LTDA. ME, devidamente qualificada nos autos. Em estreita sínte, inferese das extensas descrições dos fatos contidas nos autos, que: a ação fiscal em questão se originou da diligência demandada pela DRF Paranaguá/PR, unidade jurisdicionante do local onde tramitava o despacho de importação das mercadorias (máquina de jogos por ficha, novas) inerentes à DI nº 03/10651357; a diligência visou constatar a existência da autuada, a sua capacidade operacional e possível ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, tendo em vista as informações contidas no cadastro da SRF e os indícios de irregularidades (valor declarado por máquina nova dez vezes menor que o valor de máquinas iguais ou similares usadas, incompatibilidade entre faturamento e os valores importados, e intimação sem esclarecimento de divergência); na diligência: (i) a autuante destacou o aspecto físico da empresa diligenciada e constatou que as mercadorias importadas ali não se encontravam; (2) o representante da empresa explicou que, apesar de promover a importação, as mercadorias não chegavam a entrar fisicamente na empresa, já que em sua maioria, emitiase nota fiscal de entrada, e em seguida, nota fiscal de locação à empresa SP Kart Locações de Bens S/C, onde ficavam estocadas até que fossem vendidas ou locadas à outra empresa, e, nesses casos, era emitida nota fiscal de retorno da locação e outra de saída, sendo que, já teria sido aberta filial em São Paulo para Fl. 1179DF CARF MF 4 regularizar a operação, fato constatado no cadastro CNPJ; (3) na ocasião foram apresentados e retidos diversos documentos, dentre os quais faturas comerciais, conforme Termo de Retenção de fls.100105; tendo por base os documentos arrecadados na empresa diligenciada, a autuada os distinguiu como provas diretas (vide itens 1 a 6 das fls.0506) e provas indiretas (vide itens 1 a 17 das fls. 0608) de supostas irregularidades; julgando tratarse de fundadas suspeitas e evidências de fraude, a autuante aprofundou a auditoria do exame de valor com base no artigo 88 da MP nº 2.158 35/2001 e detectou infrações nas declarações de importação, tal como a seguir se específica: 1 Falta de recolhimento decorrente de declaração inexata do valor aduaneiro da mercadoria (fls.09). Aplicação do 1º método Valor de transação (fatura utilizada x fatura original) Constatada diferença entre o valor informado e o valor constante da fatura original. Considerado os valores de transação constantes nas faturas originais apreendidas. Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI´s nº 03/06753841, de 11/08/2003 (fls.1011); 03/05403448, de 27/06/2003 (fls. 1112; 03/059866109, de 16/07/2003 (fls.1213) e 03/07159005, de 22/08/2003 (fls. 1314). Importações oriundas da TOYO DI´s nº 02/09839290, de 05/11/2002 (fls.1416); 02/10513688, de 27/11/2002 (fls.1618); 02/05067233, de 10/06/2002 (fls.1819); 02/083094400, de 17/09/2002 (fls.1921) e 02/086442400, de 27/09/2002 (fls. 2224). Aplicação do 6º método (critério de razoabilidade) Dada a identidade das mercadorias, os valores foram determinados a partir da comparação entre os valores informados pelo importador e os valores efetivos de outras importações onde foi aplicado o 1º método. Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI nº 04/00113699, de 07/01/2004 (fls.2425). Importações oriundas da TOYO DI´s nº 03/02483750, de 25/03/2003 (fls.2527); 03/04832205, de 09/06/2003 (fls. 2729); 03/00337994, de 15/01/2003 (fls. 2930) e 03/03258645, de 17/04/2003 (fls. 3032). 2 Falta de recolhimento decorrente de declaração inexata do valor aduaneiro da mercadoria (fls.34) Fatura comercial não apresentada à fiscalização. Localizada tabela e documento, intitulados "PAGAMENTOS ANDREU", onde constam diversos lançamentos. Corrrelação lógica com extrato bancário. Importações oriundas da ANDREU di Nº 00/09806045, DE 13/10/2000 (fls. 3436). 3 Diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (fls. 3740). Declaração a menor do valor de transação da mercadoria. Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI´s nº 03/06753841, de 11/08/2003; 03/05403448, de 27/06/2003; 03/059866109, de 16/07/2003 e 03/07159005, de 22/08/2003. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 4 5 Importações oriundas da TOYO DI´s nº 02/09839290, de 05/11/2002; 02/10513688, de 27/11/2002; 02/05067233, de 10/06/2002; 02/083094400, de 17/09/2002 e 02/086442400, de 27/09/2002. 4 Diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado ou o preço declarado e o preço arbitrado (fls.4041). Declaração a menor do valor de transação da mercadoria. DI´s nº 04/00113699, de 07/01/2004, 03/02483750, de 25/03/2003; 03/04832205, de 09/06/2003; 03/00337994, de 15/01/2003 e 03/03258645, de 17/04/2003. Intimada da lavrada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 899926, requerendo a improcedência do lançamento fiscal com base nos seguintes fundamentos1: Preliminarmente, suscitou nulidade dos lançamentos em razão de suposto vício de forma face à inobservância do Acordo de Valoração Aduaneira, ou seja, a fiscalização desprezou os valores consignados nas DI´s (por entender havido fraude), "abandonou" o primeiro método, não aplicou o sexto método, valorou por meros indícios, descumpriu a MP 2.15835/01 e deixou de cientificar a interessada dos motivos que levaram a desprezar o 1º método, violando assim os princípios basilares da legalidade e da razoabilidade. No mérito, alegou falta de comprovação do ilícito posto que os lançamentos foram formalizados com base em indícios e presunções simples, tais como, pagamentos por meios ilegais; acusação de assinatura (fatura) falsa sem exame técnico; referências a tabelas, planilhas e anotações informais como elementos de prova: utilização de termos que dexiam dúvida de certeza. p. ex. "podem estar sendo remetidas (...)" e "a prática possivelmente se repete (...)". Por tais presunções, argumenta a interessada, seriam incabíveis os valores arbitrados. Explica que os kits adquiridos da Santrade consistiam apenas em conjunto onde eram acrescidos outros componentes eletrônicos, o que justifica os valores informados, e ainda que, embora a Santrade adquirisse diretamente da Global VR as máquinas "por inteiro", remetia ao importador somente os kits para montagem no Brasil. Quanto às máquinas advindas da Toyo, afirma que as mesmas são adquiridas de "show room", o que justifica o baixo valor. Rechaça o arbitramento dos valores com base em emails. Sobre a importação decorrente da Andreu, salienta que a ação fiscal tomou por base uma "tabela" e "documento constituído de uma página contendo vários lançamentos manuscritos" com a anotação "PAGAMENTOS ANDREU", sendo que, tal "tabela" sequer consta a identificação de qualquer bem, tampouco nos "rabiscos", bem como, foi considerado um pagamento via cartão de crédito como sendo, supostamente, para quita a transação de importação. Assim, ao longo das folhas 899 a 904 a interessada cita respeitáveis doutrinas e transcreve diversa jurisprudências no sentido de argumentar e demonstrar a inconsistência dos autos em razão da ausência de prova. 1 Trecho extraído da decisão de piso. Fl. 1181DF CARF MF 6 No mais, a interessada defende que não há provas da existência de fraude, sonegação ou conluio. Para tal, também recorre a doutrinas e jurisprudências no sentido de afastar a aplicação de penalidade agravada. Por fim, requer (1) preliminarmente, a nulidade dos lançamentos; (2) superadas as preliminares, no mérito, a insubsistência dos lançamentos, inclusive da multa qualificada; (3) subsidiariamente, a realização de diligências, protestando pela apresentação de provas a posteriori. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 9121004 (vol. IV) e 1007 1076 (vol V). Por meio do acórdão nº 0813.533 (fls.1.1041.120), houve por bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento/Fortaleza julgar (i) por unanimidade de votos, preliminarmente, por conhecer da impugnação para rejeitar a arguição de nulidade do lançamento por vício formal suscitada pela impugnante; (ii) por maioria de votos, em rejeitar a nulidade por vício material arguida pelo julgador Carlos Guilherme Cavalcante Studart, em sede de preliminar, conforme declaração de voto que acompanha a presente decisão; e (iii) por unanimidade de votos, no mérito, por JULGAR PROCEDENTE o lançamento objeto do presente contencioso administrativo, para considerar devido o crédito tributário lançamento, nos termos da ementa sintetizada da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004 ALEGAÇÃO DE NULIDADE. VÍCIO DE FORMA. NÃO CONSTATAÇÃO. Não cabe declarar nulo o lançamento quando não demonstrada a ocorrência de vício de forma no procedimento adotado pelo agente autuante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 13/10/2000 a 12/01/2004 SUBFATURAMENTO. FRAUDE. Constatado que os valores informados das mercadorias nas declarações de importação foram subfaturados mediante fraude, cabível a exigência da diferença dos tributos incidentes na operação de importação de mercadorias, acrescida de multa de ofício agravada e juros de mora, bem como da multa específica por subfaturamento. Não se conformando com a decisão de piso, a Recorrente, intimada em 11.08.2008 (fls.1.134), interpôs recurso voluntário em 08.09.2008 (fls.1.1241.173), reproduzindo os argumentos apresentados em sede de impugnação. Adicionalmente, arguiu nulidade da decisão de primeira instância pela ausência de apreciação dos argumentos e elementos de prova. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 5 7 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Revelia A Recorrente não impugnou a cobrança da multa 100% do controle administrativo prevista no artigo 88, § único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, regulamentado pelo artigo 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/2002. Em relação as matérias não impugnadas, aplicase as determinações contidas no artigo 54, do Decreto 7574, de 29 de setembro de 2011, que assim dispõe: Art. 54. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável (Decreto no 70.235, de 1972, art. 21, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o No caso de identificação de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. § 2o Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago ou parcelado o crédito tributário, o órgão preparador encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. III Preliminares III.1 Nulidade da decisão de primeira instância Não apreciação dos argumentos e elementos de prova Cerceamento de defesa A Recorrente inaugura sua peça recursal discorrendo acerca de razões que levariam à nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Alega cerceamento de defesa sob o argumento de que os julgadores "a quo" teriam deixado de se pronunciar sobre o questionamento concernente a validade jurídica de "documentos apócrifos" e doutros contendo simples manuscritos, bem como, sobre a correspondência eletrônica que consta ter sido utilizada pela fiscalização para obtenção de preços, silenciando, também, quanto os demonstrativos de custos colacionados à impugnação com os respectivos documentos comprobatórios. Em que pese os argumentos apresentados pela Recorrente, não vislumbro a nulidade suscitada. Isto porque, a decisão de primeira analisou todos os argumentos e documentos carreados aos autos, conforme destacase trecho da decisão de piso: "Tal como ocorreu com as importações advindas da Santrade, no que concerne às DI´s 02/09839290, 02/10513688, 02/05067233, 02/08309440 e 02/08644240, aqui também foram encontrados diversos documentos que diante de uma correlação lógica obtêmse o valor da transação. Refirome às faturas originais, packing list, correspondências via eletrônica, planilhas e tabelas, conforme bem descreveu a fiscalização às folhas 14 e 24, onde e constatou coincidências quanto às descrições das mercadorias, porém divergências quanto aos valores, com variações de até 10 vezes em relação ao valor declarado, constando ainda nos vários Fl. 1183DF CARF MF 8 documentos indicações de pagamentos que sempre correspondem aos valores a maior." O fato de os julgadores de piso não terem expressamente tecido comentários sobre cada um dos argumentos e documentos trazidos pela Recorrente não gera nulidade da decisão tampouco acarreta cerceamento de defesa, considerando que houve a devida análise dos fatos e provas produzidos nos autos. Assim, rejeito o pedido de nulidade da decisão de piso. III.2 Nulidade dos lançamento de ofício Omissão de formalidades Inobservância do Acordo de Valoração Aduaneira e da legislação pertinente. Neste ponto, a Recorrente suscitou nulidade dos lançamentos em razão de suposto vício de forma face à inobservância do Acordo de Valoração Aduaneira, ou seja, a fiscalização desprezou os valores consignados nas DI´s (por entender havido fraude), "abandonou" o primeiro método, não aplicou o sexto método, valorou por meros indícios, descumpriu a MP 2.15835/01 e deixou de cientificar a interessada dos motivos que levaram a desprezar o 1º método, violando assim os princípios basilares da legalidade e da razoabilidade. A decisão de piso afastou as pretensões da Recorrente com base nos seguintes fundamentos, a saber: "No caso, a fiscalização tratou a questão como fraude, e como tal, naquelas importações onde foi possível detectar o efetivo valor das mercadorias, face às faturas e outros documentos encontrados na empresa, adotou o próprio valor da transação (1º método), e nos demais casos, arbitrou, tal como prevê o artigo 88 da MP 2.15835/01. De toda sorte, a questão foi construída sob o prisma da existência de fraude, o que afasta a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira, já que o AVA não trata desta matéria, sendo que, no ordenamento jurídico pátrio as regras de valoração aplicáveis no caso de fraude estão dispostas no art. 148 do CTN, art. 88 da MP 2.15835/01 e art.84 do Dec. nº.4543/02.; Desse modo, foi adotado para a apuração da base de cálculo dos tributos os critérios sequencias do artigo 88 da MP 2.158 35/01. Assim, em face das disposições do citado dispositivo legal, quando foi possível identificar o valor da transação (1º método), a fiscalização o adotou para a apuração dos tributos exigíveis, no entanto, nos casos em que não possível apurar o preço efetivamente pago, tampouco apurar a base de cálculo com base no inciso I do artigo 88 da MP 2.15835/01, adotou o autuante os critérios do inciso II do referido artigo 88, entre os quais o da razoabilidade (6º método), já que os valores declarados mostraramse inverossímeis, e, em observância ao que prevê o parágrafo único do artigo 88 da MP 2.15835/01, cuidou a fiscalização de aplicar a penalidade ali prevista sobre a diferença entre o preço declarado e o preço, que na sua visão, foi o efetivamente praticado. É de se ver, que a valoração foi feita com base no artigo 88, da Medida Provisória nº 215835/2001 c/c artigo 1º do AVA, considerando a existência dos requisitos previstos na referida norma, qual seja, fraude, sonegação ou conluio, e impossibilidade de apuração do preço efetivamente praticado, a saber: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 6 9 tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Depreendese do relatório fiscal, anexo ao Auto de Infração, que a fiscalização considerou e apurou para fins de valoração aduaneira das mercadorias importadas, para as Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI´s nº 03/06753841, de 11/08/2003; 03/05403448, de 27/06/2003; 03/059866109, de 16/07/2003 e 03/07159005, de 22/08/2003, e para Importações oriundas da TOYO DI´s nº 02/09839290, de 05/11/2002; 02/10513688, de 27/11/2002; 02/05067233, de 10/06/2002; 02/083094400, de 17/09/2002 e 02/086442400, de 27/09/2002, os valores constantes de faturas definitivas e outros dados encontrados nas dependência da empresa, resultado da diligência realizada pela autoridade fiscal. Assim, nos termos do artigo 88, da Medida Provisória nº 215835/2001 c/c artigo 1º do AVA, para essas DI´s, não cabe a aplicação dos demais métodos de valoração previstos no AVA. Já para as Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI nº 04/00113699, de 07/01/2004; Importações oriundas da TOYO DI´s nº 03/02483750, de 25/03/2003; 03/04832205, de 09/06/2003; 03/00337994, de 15/01/2003 e 03/03258645, de 17/04/2003 (fls. 3032); e Importações oriundas da ANDREU di Nº 00/09806045, DE 13/10/2000 (fls. 3436), que não foi possível apurar o preço efetivamente pago, tampouco apurar a base de cálculo com base no inciso I do artigo 88 da MP 2.15835/01, adotou o autuante os critérios do inciso II do referido artigo 88. Destacase que em decorrência da constatação de fraude, os preços declarados nas DI´s foram desconsiderados, por serem inverossímeis, sendo que para este caso (declaração inexata) os métodos de valoração do AVA foram corretamente substituídos pelos critérios previstos no artigo 88, da Medida Provisória 2.15835/2001. Neste sentido, vale transcrever o disposto na Opinião Consultiva 19.12: 2 Opinião Consultiva mencionada no acórdão 30238.170. Fl. 1185DF CARF MF 10 "(...) Cumpre salientar que a fiscalização, partindo da premissa da ocorrência da aludida infração, segundo o seu convencimento, utilizou como supedâneo legal para a apuração da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias o artigo 88 da MP nº 2.15835/2001, que determina a valoração das mercadorias, segundo os critérios que especifica, quando da ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, já que esta é a norma aplicável ao caso e não o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994, consoante detalhado anteriormente. Assim a autoridade autuante tomou como critério de arbitramento aquele definido em primeiro lugar na ordem sequencial, ou seja, o preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar. Notese que os valores unitários tomados como critério de arbitramento, que constam da tabela de fls. 453 a 475, foram obtidos de Declarações de Importação registradas pela própria interessada, entre 21/01/2004 e 25/05/2004 (fls. 277a 433), observando o parâmetro de mercadoria idêntica exportada para o Brasil, originárias do mesmo país (china), fornecidas pelo mesmo exportador e em quantidades comercialmente equivalentes. Frisese que o AVA concede a prerrogativa para que as aduanas investiguem a veracidade e a regularidade das operações comerciais engendradas entre comprador e vendedor, a fim de se perquirir acerca da correta apuração do valor aduaneiro. Assim dispõe o artigo 17 do AVA: "Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira." Nesse sentido, depreendese da leitura da opinião consultiva 10.1, que as administrações aduaneiras, com base em legislação própria, no caso de ocorrência de fraude, podem deixar de aplicar o AVA. OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 TRATAMENTO APLICÁVEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS 1.O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fatos reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados peara fins de valoração aduaneira. Conseqüentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 7 11 (Opinião Consultiva 10.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial das Alfândegas OMA, publicada em anexo à Instrução Normativa SRF n° 318/2003 (DOU 07/04/2003) Portanto, obtidos documentos relativos as verdadeiras faturas, que demonstram o real valor da transação e realizado o arbitramento quando não foi possível apurar o preço efetivamente pago, isso tudo adotando a premissa de ocorrência de fraude nos termos da MP 2.15835/01, não vejo irregularidades no lançamento fiscal para exigência das diferenças do tributos sob análise. Melhor sorte também não merece o argumento da Recorrente no sentido de haver necessidade de intimação prévia para demonstrar os motivos que levaram à fiscalização utilizar critérios de arbitramento, a uma porque a MP 2.15835/01 não determina nenhum procedimento neste sentido, e a duas porque na fase de impugnação foi dado total ciência dos fatos e fundamentos utilizados pela fiscalização para proceder o lançamento fiscal, garantindo, assim, o amplo direito de defesa ao contribuinte. Tal fato, por si só, não acarreta nulidade do lançamento fiscal. Cabe esclarecer, que no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por fim, entendendo por correto o procedimento fiscal, entendase, inexistência de dúvida sobre a capitulação legal do fato, posto que correta a aplicação dos critérios adotados pela fiscalização com fulcro na norma prevista na MP 215835/01, fica afastada a aplicação do artigo 112, inciso I, do Código Tributário Nacional. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. III.3 Ofensa ao princípio da legalidade Observância do princípio da razoabilidade Sustenta a Recorrente que como consequência da flagrante inobservância das prescrições legais anteriormente analisadas, acarretando vício de forma, houve flagrante violação aos princípios da legalidade e da razoabilidade, que regem o processo administrativo. Fl. 1187DF CARF MF 12 Alega, ainda, que a fiscalização não agiu conforme a lei e o direito, desprezando requisitos formais obrigatórios à celebração do lançamento de ofício do imposto de importação (e de seu decorrente IPI), ao exercer o controle aduaneiro das importações feitas pela recorrente. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, não vislumbro qualquer vício formal no lançamento fiscal. Isto porque, conforme já explicitado alhures, entendo que o procedimento fiscal realizado pela fiscalização observou corretamente as normas aplicáveis ao presente caso, inexistindo ofensa ao princípio da legalidade. Não bastasse isso, os critérios de arbitramento utilizados pela fiscalização foram pautados no conjunto probatório obtido em diligência realizada na sede da empresa e realizados com total observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Além disso, a relação entre a infração e a punição, bem como a observação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade por certo foram levados em consideração pelo legislador quando do processo legislativo de discussão do projeto de lei, só cabendo ao fisco aplicar a legislação existente, vigente e válida. No mais, por estar devidamente fundamentada as exigências, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, a teor da previsão contida no artigo 102, incisos I e II, "b" e §1º, da Constituição Federal. Corroborando esse posicionamento, a Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fez constar o artigo 62, o qual dispõe "Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade" . Por fim, a matéria já está sumulada no âmbito deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. III.4 Pedido de Diligência junto aos importadores e fornecedores Em sede de impugnação, a Recorrente pleiteou a realização de diligências junto aos fabricantes/vendedores/exportadores, a fim de verificar o acerto da impugnante em relação as importações de mercadorias sob análise. A decisão combatida, por sua vez, afastou a pretensão da Recorrente com base nos seguintes fundamentos: "Quanto ao pedido de diligência junto aos exportadores, destaco que o pleito se mostrou de maneira meramente subsidiária, não atendendo ao disposto do inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.7235/72, bem como, a mercê do que diz o artigo 18 do mesmo diploma legal, a julgo prescindível face ao farto material probante, pelo que, opino pelo seu indeferimento." Já na fase recursal, a Recorrente apresentou os seguintes argumentos sobre o pedido de diligência: "...a recorrente tem a discordar com a opinião (isto mesmo: o relator não decidiu, apenas opinou pelo indeferimento) do pedido de diligência junto aos importadores e fornecedores, cuja realização é necessária para provar o acerto de seu procedimento e de suas alegações. Não obstante tratarse apenas de opinião do relator, a recorrente considera que, Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 8 13 mais uma vez, teve seu direito de defesa cerceado, com séria desvantagem no duelo de provas com o fisco". Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, tenho que discordar de suas alegações, principalmente no tange a inexistência de julgamento por parte do relator "a quo" em relação ao pedido de diligência. Com efeito, a decisão de piso afastou o pedido de Recorrente (i) pelo não atendimento aos requisitos do inciso IV, do artigo 16, do Decreto 70.235/72 e, do artigo 18, do mesmo diploma legal; e (ii) por entender prescindível a realização de diligência face ao farto conjunto probatório carreado aos autos. Aliás, a decisão de primeira instância, da forma como foi proferida, se amolda perfeitamente com a parte final do artigo 28, do referido decreto, senão vejamos: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifado) Portanto, não há que falar em inexistência de julgamento em relação ao pedido de diligência. No mais, entendo que o indeferimento do pedido de diligência não merece reparos. Isto porque, a Recorrente além de não especificar de forma concisa os motivos que justificariam a realização de diligência, deixou de observar os requisitos previstos no inciso IV, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ressaltase, por oportuno, que nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235/723, a autoridade julgadora é livre para decidir sobre pedidos de perícia ou diligência, podendo indeferilos quando considerar tais procedimentos prescindíveis.Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 09/08/1994 a 02/09/1994 PROVA PERICIAL A prova pericial deve ser indeferida quando os autos processuais já contiverem elementos suficientes e demonstrarem ser desnecessária para a formação da prova e do processo de convicção para a decisão.(...) (Acórdão 320200.112) 3 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1189DF CARF MF 14 Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa, na medida em que as provas juntadas pelas partes se prestam para dirimir a controversa sobre a existência, ou não, de subfaturamento das mercadorias importadas. IV Mérito Em linhas gerais, argumenta a Recorrente que (i) inexiste comprovação do ilícito, pelo fato de os lançamentos haverem sido formalizados com base em indícios e presunções simples; e (ii) não há prova da existência de fraude, sonegação ou conluio. De proêmio, insta tecer que a fiscalização adotou critérios distintos de valoração aduaneira para as DI´s sob análise, entretanto, todos eles baseados nos critérios previstos no artigo 88, da Medida Provisória 2,158/35/2001, que assim disciplina: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Para as Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI´s nº 03/06753841, de 11/08/2003; 03/05403448, de 27/06/2003; 03/059866109, de 16/07/2003 e 03/07159005, de 22/08/2003, e oriundas da TOYO DI´s nº 02/09839290, de 05/11/2002; 02/10513688, de 27/11/2002; 02/05067233, de 10/06/2002; 02/083094400, de 17/09/2002 e 02/086442400, de 27/09/2002, foram atribuídos os preços efetivamente praticados na operação de importação, resultado da constatada diferença entre o valor informado e o valor constante da fatura original apreendida de fiscalização. Já para as Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI nº 04/00113699, de 07/01/2004; e oriundas da TOYO DI´s nº 03/02483750, de 25/03/2003; 03/04832205, de 09/06/2003; 03/00337994, de 15/01/2003 e 03/03258645, de 17/04/2003; os valores foram determinados a partir da comparação entre os valores informados pelo importador e os valores efetivos de outras importações onde foram aplicados os preços efetivamente praticados na operação de importação. Por fim, em relação a Importação que envolve o nome "ANDREU" citado como adquirente da mercadorias objeto da DI nº 00/09806045, de 13/10/2000, os valores Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 9 15 foram determinados a partir de tabelas e documentos intitulados "Pagamentos Andreu", de correlação lógica com extraído bancário e também através da comparação entre os valores informados pelo importador e os valores efetivos de outras importações onde foram aplicados os preços efetivamente praticados na operação de importação. Feito essas ponderações iniciais, passase a análise dos critérios adotados pela fiscalização para proceder o lançamento fiscal, bem como dos argumentos apresentados pela Recorrente. IV.1 Subfaturamento/Arbitramento: preços efetivamente praticados na operação de importação Na descrição fatos e enquadramento legal anexo aos Autos de Infração, a fiscalização apresentou detalhadamente os motivos e as justificativas que a levaram constatar a existência de fraude na importação das mercadorias sob análise, donde se extraí os seguintes fatos que embasaram o lançamento fiscal. Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI nº 03/06753841, de 11/08/2003: Tem como descrição da mercadoria 10 kits Vortek Sistem Kits (Global VR), por preço unitário de US$ 320.00 e preço total de US$ 3,200.00. (...) No escritório da empresa também foi localizado uma via original da fatura (INVOICE) de nº INV 006140, emitida pelo GLOBAL VR Inc, produtor da mercadoria importada, datada de 25/07/2003, com a descrição de 10 V3 HEADSET KIT, ao preço unitário de US$ 3,200.00 e preço total de US$ 32,000.00; DI nº 03/05403448, de 27/06/2003: Tem como descrição da mercadoria 10 kits Vortek Sistem Kits (Global VR), por preço unitário de US$ 320.00 e preço total de US$ 3,200.00. (...) No escritório da empresa também foi localizado uma via original da fatura proforma (PROFORMA INVOICE) de nº SR7014, emitida pelo GLOBAL VR Inc, com a descrição de 10 VORTEK KIT, ao preço unitário de US$ 3,250.00 e preço total de US$ 32,500.00; DI nº 03/059866109, de 16/07/2003: A fatura comercial que instruiu a DI, conforme consta no campo informações complementares, INVOICE nº 26932, tem como descrição da mercadoria 10 kits Vortek Sistem Kits (Global VR), por preço unitário de US$ 320.00 e preço total de US$ 3,200.00. Entretanto, esta fatura é relativa a DI nº 03/05403448, de 27/06/2003. No escritório da empresa foi localizada uma cópia da INVOICE nº 27135, como sendo relativa a DI nº 03/05986109, constando que o valor pago foi US$ 3,200.00, sendo que em tais faturas não consta a assinatura do representante da SANTRADE e, embora sejam de mesmo modelo, diferem da fatura nº 27245, tendo sido confeccionadas em papel de gramatura diferente sem alto relevo. Foi localizado também a INVOICE nº INV 0005793, de 30/06/03, emitida pelo GLOBAL VR Inc, com a descrição de 10 V3 HEADSET KIT, ao preço unitário de US$ 3,250.00 e preço total de US$ 32,500.00, com pagamento total efetuado por meio de transferência bancária. Também foi localizada outra fatura proforma original de nº 7014b, com a descrição de 10Vortek Kit, ao preço unitário de US$ 3,200.00 e preço total de US$ 32,000.00; e DI nº 03/07159005, de 22/08/2003: Tem como descrição da mercadoria 10 kits Vortek Sistem Kits (Global VR), por preço unitário de US$ 320.00 e preço total de US$ 3,200.00. (...) No escritório da empresa também foi localizado uma via original da fatura Fl. 1191DF CARF MF 16 (INVOICE) de nº INV 0006243, emitida pelo GLOBAL VR Inc, produtor da mercadoria importada, datada de 07/08/036, com a descrição de 10 V3 HEADSET KIT, ao preço unitário de US$ 3,200.00 e preço total de US$ 32,000.00; Importações oriundas da TOYO DI nº 02/09839290, de 05/11/2002: A declaração de importação cujo valor declarado foi de US$ 5.372,00, é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 2 unidades AIR TRIX 107, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 626,00; 1 unidade HOUSE OF DEAD DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 605,00; 3 unidades EIGHTEEN WHWLLER, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 715,00; e 2 unidades MOTO CROSS GO, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 685,00 No escritório da empresa foi localizado o Packing List e a via original da fatura (INVOICE) de nº KO05A, emitida pelo TOYO CO ltd., datada de SPE/24/2002, relativa a importação de diversas máquinas no valor total de US$ 32,550.00, assim descrita: Quantity description unit price amount 3 18WHEELLER DX $ 5,650.00 $ 16,950.00 2 MOTO CROSS GO $ 2,800.00 $ 5,600.00 1 HOUSE OF DEAD 2 DX $ 4,400.00 $ 4,400.00 2 AIR TRIX DX $ 2,800.00 $ 5,600.00 8 UNITS FOB JAPAN US$ 32,500.00 DI nº 02/10513688, de 27/11/2002: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 4,978.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 3 unidades AIR TRIX 107, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 626,00; 5 unidades TOP SKATER, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 620,00; Foram localizados no escritório da empresa (i) correspondência via email, com a indicação de preços e mercadorias; (ii) tabelas com vários recebimentos e pagamentos Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 10 17 relacionados, onde consta a remessa ao Japão de US$ 12,222,00, representativo da diferença entre o valor constante da fatura TOYO nº KO07, de USD 17.200,00 e o valor declarado na DI de USD 4.978,00; (iii) cópia de um fax intitulado acerto de contas com a BRINKS, relativo a 3 AIR TIRX e 5 TOP Skate, no valor U$ 58,000.00; e (iv) extratos bancários que comprovam as transferências bancárias; DI nº 02/05067233, de 10/06/2002: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 5,587.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 2 unidades AIR TRIX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 626,00; 2 unidades MARINE FISHNG, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 605,00; 1 unidade F 355 DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; 1 unidade 500GP, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 645,00; 3 unidades SILENT SCOPE, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 610,00; No escritório da empresa foram localizadas tabelas com relação das máquinas e quantidades relativa a DI em questão, a saber: Quantity description unit price amount 1 F 355 DX $ 5,390.00 $ 5,390.00 2 MARINE FISHING $ 2,300.00 $ 4,600.00 2 AIR TRIX $ 2,350.00 $ 4,700.00 1 500 GP $ 4,500.00 $ 4,500.00 3 SILENT SCOPE AIR $ 3,000.00 $ 9,000.00 TOTAL US$ 28,190.00 DI nº 02/083094400, de 17/09/2002: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 5,012.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 1 unidade TOP SKATER, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 626,00; Fl. 1193DF CARF MF 18 2 unidades SEGA RALLY 2 DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 645,00; 1 unidade MARINE FISHING, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 605,00; 1 unidade HOUSE OF DEAD DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 605,00; 1 unidade THE KEISA TSUKAN 24H, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 618,00; 1 unidade F 355 DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; No escritório da empresa foram localizados tabelas com as mesmas máquinas e quantidades relativa a DI, com exceção da máquina Police 911, que substituiu a THE KEISA TSUKAN 24H, a saber: Quantity description unit price amount 2 POLICE 911 $3,700.00 $7,400.00 1 F 355 DX $ 6,600.00 $ 6,600.00 1 MARINE FISHING $ 2,600.00 $ 2,600.00 1 TOP SKATER $ 1,600.00 $ 1,600.00 1 HOUSE 1 $ 2,500.00 $ 2,500.00 2 SEGA RALLY 2 DX $ 6,000.00 $ 12,000.00 TOTAL US$ 32,700.00 DI nº 02/086442400, de 27/09/2002: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 4,452.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 1 unidade AIR TRIX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 626,00; 1 unidade SEGA RALLY 2 DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 645,00; 1 unidade 500 GP, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 645,00; 2 unidadeS THE KEISA TSUKAN 24H, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 618,00; 2 unidades F 355 DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 11 19 No escritório da empresa foram localizados tabelas com as mesmas máquinas e quantidades relativa a DI, a saber: Quantity description unit price amount 1 AIR TRIX $3,700.00 $7,400.00 2 FERRARI 355 DX $ 6,600.00 $ 13,200.00 2 POLICE 911 $ 3,700.00 $ 7,400.00 1 GP 500 $ 2,000.00 $ 2,000.00 1 HOUSE 1 $ 2,500.00 $ 2,500.00 1 SEGA RALLY 2 DX $ 6,000.00 $ 12,000.00 TOTAL US$ 33,100.00 Especificamente para as DI´s nº 02/08309440 e 02/08644240, a Recorrente afirma que os documentos utilizados pela fiscalização, tais como "tabelas" e "planilhas", são totalmente imprestáveis para comprovar a existência de subfaturamento, bem como para se concluir a realidade dos preços praticados. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, constatase que a fiscalização com base nas faturas originais, packing list e extratos bancários, conseguiu vincular o real valor despendido pela Recorrente nas operações de importação das mercadorias objeto das DI´s anteriormente citados, possibilitando, assim, a confirmação dos preços efetivamente praticados e a utilização do método do valor da transação. O fato de não ter sido localizado a fatura original que comprovasse o real preço praticado pela Recorrente, não infirma o lançamento fiscal realizado por meio de outros documentos obtidos pela fiscalização junto a sede da empresa. Aliás, diante de existência de identidade entre as mercadorias importadas pela Recorrente, as faturas originais que demonstraram o real preço praticado, servem de parâmetro para comprovar a existência de subfaturamento para demais importações onde não se localizou a fatura original. Neste ponto, pareceme evidente que inexistiu ao menos em relação as DI´s anteriormente citadas a "simples presunção", como alegado pela Recorrente. Ou seja, a fiscalização considerou e apurou, para fins de valoração aduaneira, os valores constantes de faturas definitivas e outros documentos encontrados na sede da empresa. Por outro lado, a Recorrente não trouxe nenhum argumento ou prova documental capaz de refutar/contrapor os valores localizados nas faturas originais, tampouco os valores arbitrados pela fiscalização. Portanto, ao contrário do que alegou a Recorrente, com base no conjunto probatório carreados aos autos, a fiscalização apurou que houve fraude, mediante Fl. 1195DF CARF MF 20 subfaturamento dos preços das mercadorias importadas, sendo, assim, imperiosa a manutenção do lançamento fiscal em relação as DI´s anteriormente noticiadas. IV.2 Subfaturamento/Arbitramento: Aplicação do 6º método (critério de razoabilidade) Extraise da descrição fatos anexo aos Autos de Infração, que as Importações oriundas da GLOBAL VR/SANTRADE DI nº 04/00113699, de 07/01/2004; e oriundas da TOYO DI´s nº 03/02483750, de 25/03/2003; 03/04832205, de 09/06/2003; 03/00337994, de 15/01/2003 e 03/03258645, de 17/04/2003; tiveram os valores efetivamente praticados determinados pela aplicação do 6º método Método pelo Critério da Razoabilidade, uma vez que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base nos métodos precedentes por falta de dados disponíveis que pudessem embasar sua aplicação. Nas importações anteriormente citadas, parte das mercadorias importadas são idênticas as mercadorias importadas pela Recorrente que tiverem o critério para determinação do preço o valor da transação. Para estes casos, a fiscalização considerou os preços unitários das importações suscitadas no tópico anterior, bem como a referência denominada "lista preço FOB" para arbitrar o preço "médio" praticado nas importações. Senão vejamos: Importação oriunda da GLOBAL/SANTRADE DI nº 04/00113699, de 07/01/2004: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 4,800.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 10 KITS TIME CRISES, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 480,00; Neste caso a fiscalização informa que a DI nº 03/06753841, de 11/08/2003, relativa a importação de 10 V3 HEADSET KIT (V3800KIT), bem como as DI´s nº 03/05403448; 03/05986109; e 03/07159005, tiveram os kits declarados com valor de 10 vezes menor do que o efetivamente pago, mediante a omissão da fatura original emitida pelo produtor e a sua substituição por parte, sendo que para DI em análise adotouse o critério para determinação do preço o fato de que a prática relativa ao exportador SANTRADE se repetir, ou seja, o valor declarado dos kits constitui 10% do valor negociado. Importações oriunda da TOYO DI´s nº 03/02483750, de 25/03/2003: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 3,920.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 2 unidades F 355DX , (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; 1 unidades EIGHTEEN WHELLER , (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 715,00; 1 unidade MARINE FISHING, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 605,00; Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 12 21 2 unidades ACE DRIVER, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; Para as mercadorias alhures citada, a fiscalização apurou o preço médio com base nos seguinte critérios: Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ preço FOB TOYO 2002 7,391.00 preço FOB TOYO 2002 5,913.00 preço FOB 9,300.00 preço FOB 8,550.00 preço FOB BRINKS 8,550.00 preço FOB BRINKS 8,550.00 DI 02/05067233 9,300.00 DI 02/09839290 5,650.00 DI 02/08309440 6,600.00 F 355 DI 02/08644240 6,600,00 EIGHTEEN WHELLER Valor determinado 6,600.00 Valor determinado 5,650.00 Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ preço FOB BRINKS 4,500.00 preço FOB TOYO 2002 1,565.00 DI 02/05067233 2,300.00 preço FOB 2,077.00 MARINE FISHING DI 02/08309440 2,600.00 ACE DRIVE preço FOB BRINKS 7,950.00 Valor determinado 2,600,00 Valor determinado 3,864.00 DI nº03/04832205, de 09/06/2003: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 5,235.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 2 unidades F 355DX CHALLENGE , (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; 1 unidades EIGHTEEN WHELLER , (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 715,00; 2 unidades STAR WAR RACER, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 680,00; 1 unidade STRIKE FIGHTER DX, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 640,00; 2 unidades DARK SILHOUETETE SILENTE SCOPE 2, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 610,00; Para as mercadorias alhures citada, a fiscalização apurou o preço médio com base nos seguinte critérios: Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ F 355 preço FOB TOYO 2002 7,391.00 EIGHTEEN WHELLER preço FOB TOYO 2002 5,913.00 Fl. 1197DF CARF MF 22 preço FOB 9,300.00 preço FOB 8,550.00 preço FOB BRINKS 9,300.00 preço FOB BRINKS 8,550.00 DI 02/05067233 5,390.00 DI 02/09839290 5,650.00 DI 02/08309440 6,600.00 DI 02/08644240 6,600,00 Valor determinado 6,600.00 Valor determinado 5,650.00 Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ preço FOB BRINKS 5,217.00 EMAIL TOYO 5,000.00 EMAIL TOYO 5,300.00 STAR WAR RACER DX STRIKE FIGHTER DX Valor determinado 5,258.50 Valor determinado 5,000.00 Mercadoria Referência US$ preço FOB 5,250.00 preço FOB BRINKS 5,250.00 EMAIL TOYO 3,500.00 EIGHTEEN WHELLER DI 02/05067233 3,000.00 Valor determinado 3,000.00 DI nº 03/00337994, de 15/01/2003: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 5,850.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 2 unidades MOTO CROSS GO W, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 685,00; 3 unidades SILENT SCOPE , (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 610,00; 2 unidades F 355, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; 2 unidades JAMBO SAFARI, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 675,00; Para as mercadorias alhures citada, a fiscalização apurou o preço médio com base nos seguinte critérios: Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ preço FOB TOYO 2002 3,043.00 preço FOB 5,250.00 DI 02/09839290 2,800.00 preço FOB BRINKS 5,250.00 EMAIL TOYO 3,500.00 MOTO CROSS GO SILENT SCOPE DI 02/0506723 3 3,000.00 Valor determinado 2,800.00 Valor determinado 3,000.00 Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 13 23 preço FOB TOYO 2002 7,391.00 preço FOB TOYO 2002 4,783.00 preço FOB 9,300.00 preço FOB 6,087.00 preço FOB BRINKS 8,550.00 EMAIL TOYO 5,000.00 DI 02/05067233 9,300.00 DI 02/08309440 6,600.00 F 355 DI 02/08644240 6,600,00 JAMBO SAFARI Valor determinado 6,600.00 Valor determinado 2,844.00 DI nº 03/03258645, de 17/04/2003: A declaração de importação cujo valor declarado é de US$ 5,600.00 é relativa à importação das seguintes máquinas, classificadas na NCM 9504.30.00, como outros jogos acionados por ficha/moeda, exceto jogos de balizas, conforme relação abaixo: 2 unidades DOWNHILL , (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 690,00; 2 unidades TIME CRISIS II DX TYPE, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 850,00; 2 unidades F 355, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 650,00; 2 unidades SILENT SCOPE, (valor unitário na condição de venda) declarado US$ 610,00; Para as mercadorias alhures citada, a fiscalização apurou o preço médio com base nos seguinte critérios: Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ EMAIL TOYO 6,900.00 preço FOB 5,250.00 preço FOB 7,547.00 preço FOB BRINKS 5,250.00 preço FOB TOYO 2002 7,826.00 EMAIL TOYO 3,500.00 TIME CRISIS II DX SILENT SCOPE DI 02/0506723 3 3,000.00 Valor determinado 7,424.00 Valor determinado 3,000.00 Mercadoria Referência US$ Mercadoria Referência US$ preço FOB TOYO 2002 7,391.00 EMAIL TOYO 2,800.00 preço FOB 9,300.00 preço FOB 3,043.00 F 355 preço FOB BRINKS 8,550.00 DOWNHILL preço FOB TOYO 2002 3,462.00 Fl. 1199DF CARF MF 24 DI 02/05067233 9,300.00 DI 02/08309440 6,600.00 DI 02/08644240 6,600,00 Valor determinado 6,600.00 Valor determinado 3,101,66 Como se vê, os parâmetros utilizados pela fiscalização para apurar a "média" do preço arbitrado foi realizada através de bases coerentes e aplicáveis, tais como a espécie, o tipo e classificação fiscal dos produtos e preços unitários localizados em outras DI´s, onde se aplicou o preço efetivamente praticado na operação de importação, inexistindo, ao meu ver, mera presunção por parte da fiscalização para comprovar a existência de subfaturamento. Diante desses fatos, cabia a Recorrente trazer elementos probatórios consistentes aos autos que infirmassem as conclusões da fiscalização, o que não foi feito. Com efeito, assim como na peça impugnatória, no recurso voluntário a Recorrente limitouse a alegar que a ocorrência de subfaturamento não podia ser presumida, mas concretamente comprovada no processo administrativo, por meio de elementos hábeis e idôneos, e não apenas com base em trocas de mensagens eletrônicas, anotações e tabelas obtidas na empresa. Sem razão a Recorrente. Isto porque a fiscalização não se baseou em qualquer mensagem eletrônica ou documento sem nenhum cunho probatório, mas em documentos obtidos diretamente da empresa com informações sobre os preços e condições de pagamento das mercadorias declaradas nas DI´s. Aliás, os documentos obtidos pela fiscalização que comprovam o real preço praticado pela Recorrente nas importações que tiverem o arbitramento realizado com base no preço efetivamente praticado na operação de importação, são suficientes para comprovar que as demais importações, principalmente onde há identidade de mercadorias, foram subfaturadas. Neste sentido, destacase trecho do relatório fiscal: Conforme demonstrado acima, as faturas ORIGINAIS encontradas em confronto com os valores lançados pelo próprio importador, em seus diversos controles internos, possibilitam que seja identificadas perfeitamente as verdadeiras transações comerciais e os preços efetivamente praticados, sendo, dessa forma, totalmente possível a utilização do método do valor da transação. Mesmo nos casos em que os documentos originais da transação não foram encontrados, os valores efetivamente praticados puderam ser determinados a partir de outros documentos, como as listas de preços do fornecedor ou os controles internos da empresa. Outras vezes, observase que as práticas relativas a um mesmo fornecedor estrangeiro se repetem, ou seja, o valor declarado constitui normalmente um percentual do valor real, possibilitando, dessa forma, a confirmação dos preços efetivamente praticados, a partir da comparação com outras operações. Diferentemente do alegado pela Recorrente, há nos autos diversas provas documentais colhidas pela fiscalização que demonstram efetivamente a existência de subfaturamento nas importações da mercadoria, as quais foram devidamente citadas anteriormente, todas descritas pormenorizadamente no relatório de fiscalização anexo ao Auto de Infração. Portanto, entendo que o presente procedimento fiscal não foi realizado com base em meras presunções, mas embasado em robusto acervo probatório, que se encontra colacionado aos autos. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 14 25 Já em relação à aplicação dos métodos de arbitramento, onde a Recorrente alegou desobediência por parte da fiscalização dos critérios sequenciais dos métodos de apuração fixados no artigo 88, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, entendo também que não lhe assiste razão. Isto porque, a fiscalização obedeceu rigorosamente os critérios sequenciais previstos no referido diploma legal, aplicando, ao final, o critério de valoração estabelecido no artigo 88, inciso II, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, utilizandose dos critérios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme preconizado pelo artigo 7, do AVA/GATT e devidamente demonstrado nos parágrafos anteriores, onde se apresentou os critérios utilizados pela fiscalização para calcular a "média" dos preços praticados. Aliás, os questionamentos realizados pela Recorrente sobre a aplicação da Medida Provisória nº 2.15835/2001 já foram devidamente analisados por este Relator quando da apreciação do pedido de nulidade do lançamento fiscal, sendo desnecessário reproduzilos novamente neste tópico. Da mesma forma, não merece guarida os argumentos explicitados pela Recorrente quanto ao fato das máquinas provenientes da Toyo serem adquiridas em Show Room, o que justificaria a operação em preços inferiores às que saem direto das fábricas. Isto porque a Recorrente não comprovou que a aquisição das mercadorias foram oriundas de compras realizadas em "Show Room". É relevante destacar que a prova da infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta; esta última conceituada como aquela que se apoia em um conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre sua convicção, desde que motivada. Esclareçase, por oportuno, que os fatos acima exemplificados, vistos isoladamente, podem até não comprovar completamente o subfaturamento, entretanto, analisados conjuntamente, servem de indícios para que, seguramente, cheguese à conclusão de que houve a ilicitude. Convém salientar, ainda, que prova indiciária, fundada em inúmeros fatos secundários relacionados entre si, que conduzem a um mesmo resultado, permite demonstrar com segurança a ocorrência do fato principal. Reforçando, aqui se está diante de muitos elementos probatórios que sustentam a infração e a correspondente sujeição passiva. E ainda que, tomandose de uma visão exacerbadamente conservadora, referidos elementos viessem a ser deslocados apenas à condição de indícios, os mesmos são harmoniosos e concordantes o bastante a se converterem em prova. Desse modo, entendo que as conclusões acerca das irregularidades apontadas pela fiscalização nas operações de importação não foram baseadas em presunções e argumentos sem fundamentação, como, sem razão, apregoa a Recorrente. Na realidade, os elementos aqui verificados, vários e harmonizantes, juntados a outras evidências mostradas em um encadeamento lógico de fatos, de maior ou menor valor probante, robustecem a tese à qual se filiou a fiscalização. Fl. 1201DF CARF MF 26 IV. 3 Multa qualificada Nos termos do relatório, a fiscalização aplicou multa de 150% (cento e cinquenta por cento) nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, que assim dispunha: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, disciplinam os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A Recorrente discorda da aplicação da multa agravada e pleiteia seu afastamento com base nos mesmos argumentos apresentados nos tópicos anteriores, qual seja, que a fiscalização constatou a existência de subfaturamento através de simples presunção, não demonstrando, assim, a ocorrência de fraude nas importações por ela realizada. Cita diversas jurisprudências sobre o tema. Discorda, ainda, da aplicação da multa de ofício sobre o IPI vinculado, pois segundo seu entendimento, ainda que comprovada a infração e suas circunstâncias perante o imposto de importação, os supostos ilícitos não teriam por escopo escamotear o IPI, mas sim o que lhe deu origem. Inicialmente, a questão envolvendo a "simples presunção" arguida pela Recorrente já foi devidamente apreciada nos tópicos anteriores, onde restou consignado o entendimento deste Relator sobre o assunto. Em linhas atrás, ficou devidamente explicitado que a fiscalização carreou aos autos provas que demonstram, de forma deliberada, a ocorrência de subfaturamento do preço das mercadorias importadas mediante artifício doloso, considerando que na sede da empresa, foram localizados diversos documentos que demonstram o real preço praticado pela Recorrente. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10477.000017/200537 Acórdão n.º 3302004.776 S3C3T2 Fl. 15 27 Ao meu ver, a Recorrente prestou declaração inexata ao informar nas DI´s valores aduaneiros muito inferiores aos efetivamente pagos, sendo que tal atitude caracteriza fraude e sonegação fiscal, nos termos do artigo 72, da Lei nº 4.502/96. Somase a isso, que a declaração inexata não ocorreu por erro ou equívoco no preenchimento, mas de forma deliberada e com a nítida intenção de causar prejuízo ao erário. Os fatos apreciados no presente voto demonstram claramente que a transação comercial não ocorreu como declarado pela Recorrente, visto que todas provas são convergentes no sentido de apontar a verdadeira situação fática: importações de mercadorias mediante subfaturamento. Diante das irrefutáveis provas carreadas ao processo, inferese que, houve o intuito de reduzir o montante dos impostos devidos na importação, o que revela a fraude. Ressaltese que na fraude tributária ocorre a ação dolosa do importador excluindo ou modificando as características essenciais do ator gerador da obrigação tributária de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento, nos termos do citado artigo 72 da Lei n° 4.502/1964. Assim, verificase que, quando da ocorrência do fato gerador dos tributos e incidentes na importação, foram modificadas suas características essenciais, no que se relaciona à matéria tributável. O elemento subjetivo da conduta adotada é o dolo, a intenção de provocar um evento ou resultado contrário ao Direito, que, no caso, se apresenta como a vontade consciente de falsear informações relativas à operação de comércio internacional, o que resta evidente diante dos indícios juntados aos autos. Já em relação ao segundo argumento suscitado pela Recorrente, no sentido de excluir a aplicação da multa sobre o valor cobrado a título de IPI, entendo que suas alegações são frágeis e desprovidas de fundamento jurídico hábil à infirmar o lançamento fiscal e, por consequência lógica afastar a aplicação da multa. Com efeito, a Recorrente sequer apresentou fundamento jurídico para respaldar suas pretensões, partindo, pura e simplesmente do pressuposto de que a cobrança da multa de ofício sobre o Imposto sobre a Importação não poderia refletir sobre o IPI, como se um fosse causa excludente do outro. Entretanto, não veja razões plausíveis para acolhimento do referido pedido. A uma porque, inexiste no ordenamento jurídico pátrio legislação que dê suporte as pretensões da Recorrente. E a duas, porque o caput do artigo 44, da Lei nº 9.430/96 é claro ao determinar que multa incidirá sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixou de ser recolhida pelo contribuinte. No caso dos autos, considerando que a operação realizada pela Recorrente ocasionou na exigência dos tributos sob análise (II e IPI), a multa de ofício deve incidir sobre os referidos impostos, a teor do que determina o dispositivo anteriormente citado. Portanto, são aplicáveis as multas por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre o Imposto de Importação, sobre IPI vinculado, previstos, respectivamente, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996 e art. 80, inciso II, da Lei n° Fl. 1203DF CARF MF 28 4.502/1964 com redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/1996 c/c artigo 69, inciso I, alínea "b", da Lei nº 4.502/64. V Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 1204DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.720032/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA EMPRESTADA PROCESSUAL. VALIDADE.
É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova carreada de outro processo administrativo, cujo valor probante dependerá de nova valoração, sendo assegurado novo contraditório e ampla defesa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR. INEXISTÊNCIA.
Com o transcurso do prazo decadencial apenas o poder/dever de constituir o crédito tributário estaria obstado. Não se submetem à decadência do direito de o fisco revisar seus assentamentos contábeis e fiscais os saldos negativos de CSLL apurados direta ou indiretamente nas declarações apresentadas a serem regularmente comprovados quando objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação.
RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
A receita proveniente da recuperação de créditos de tributos dedutíveis, que foram objeto de declaração de compensação, é tributável e somente está sujeita à exclusão da base de cálculo da CSLL nas hipóteses de não homologação da compensação, de cancelamento da declaração de compensação ou de declaração considerada não declarada.
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1302-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votou pelas conclusões quanto à decadência.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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VALIDADE. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova carreada de outro processo administrativo, cujo valor probante dependerá de nova valoração, sendo assegurado novo contraditório e ampla defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR. INEXISTÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o poder/dever de constituir o crédito tributário estaria obstado. Não se submetem à decadência do direito de o fisco revisar seus assentamentos contábeis e fiscais os saldos negativos de CSLL apurados direta ou indiretamente nas declarações apresentadas a serem regularmente comprovados quando objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A receita proveniente da recuperação de créditos de tributos dedutíveis, que foram objeto de declaração de compensação, é tributável e somente está sujeita à exclusão da base de cálculo da CSLL nas hipóteses de não homologação da compensação, de cancelamento da declaração de compensação ou de declaração considerada “não declarada”. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 00 32 /2 01 3- 91 Fl. 4160DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.161 2 Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votou pelas conclusões quanto à decadência. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 4.028 a 4.055) interposto contra o Acórdão nº 0132.038, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 3.998 a 4.022), que, por unanimidade, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 Ementa: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, Fl. 4161DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.162 3 nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem nulidade da decisão enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. APURAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. O prazo decadencial estampado no CTN impede o lançamento, mas não obsta a aferição do direito creditório do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2011 DESPESA NÃO COMPROVADA. PRESSUPOSTOS. A configuração da infração de despesa não comprovada pressupõe o oferecimento da oportunidade do sujeito passivo de se manifestar a respeito da existência da despesa, ressalvada a comprovação inequívoca de sua inexistência. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO NO LUCRO REAL. A receita proveniente da recuperação de créditos de tributos dedutíveis, que foram objeto de declaração de compensação, é tributável e somente está sujeita à exclusão no lucro real nas hipóteses de não homologação da compensação, de cancelamento da declaração de compensação ou de declaração considerada “não declarada”. ESTIMATIVAS PARCELADAS. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo da CSLL apurado na declaração anual, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, não recolhidos tempestivamente e inscritos em parcelamento, somente poderá ser utilizado pelo sujeito passivo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB à medida que forem quitados, e desde que o montante já pago exceda o valor do imposto ou da contribuição e que a quitação ocorra até a data de entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido" O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DComp) nº 15955.49304.291211.1.3.030704 (fls. 02 a 9), apresentada pela Recorrente, com base em suposto saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado em relação ao anocalendário de 2006, no montante de R$ 1.368.746,58, e composto do seguinte modo: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Lucro líquido antes da CSLL 18.798.888,83 Adições 1.201.353,60 Exclusões 16.709.184,68 Base de cálculo da CSLL 3.291.057,75 Compensações de base neg. períodos anteriores 987.317,32 Base de cálculo da CSLL 2.303.740,43 CSLL apurado em 31/12/2006 207.336,64 Fl. 4162DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.163 4 ()Estimativas mensais pagas 128.083,17 () Estimativas mensais parceladas 1.448.000,05 Saldo negativo 1.368.746,58 Por meio do Parecer Seort nº 1.214/2014 e Despacho Decisório nele embasado (fls. 3.823 a 3.832 e 3.834), o Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES não homologou a compensação de que trata a referida DComp, com base na verificação do saldo negativo apurado pelo contribuinte em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e na desconsideração dos seguintes valores: a) R$ 1.448.000,05 (um milhão, quatrocentos e quarenta e oito mil e cinco centavos), referentes a valores de estimativas mensais supostamente parceladas no âmbito do processo administrativo nº 13804.000511/201006, mas que se tratavam, em verdade, de valores extintos por meio de DComp posteriormente canceladas ou cuja compensação não foi homologada, com os débitos tendo sido extintos por pagamento apenas no anocalendário de 2012; b) exclusão, na apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2006, do montante de R$ 1.808.721,27 (um milhão, oitocentos e oito mil, setecentos e vinte e um reais e vinte e sete centavos), relativo a compensações homologadas e que foram consideradas como receitas não efetivadas por conta da não homologação das compensações; c) R$ 4.084.754,94 (quatro milhões, oitenta e quatro mil, setecentos e cinqüenta e quatro reais e noventa e quatro centavos), referente a despesas consideradas indedutíveis, conforme apuração realizada em procedimento fiscal anterior, em relação aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010, e que resultaram em auto de infração que compõe o processo administrativo nº 15578.720163/201378. Após todas as desconsiderações acima descritas, a apuração da CSLL relativa ao anocalendário de 2006 foi ajustada, de modo que não resultou qualquer saldo negativo de CSLL, conforme detalhado a seguir: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Lucro líquido antes da CSLL 18.798.888,83 Adições 1.201.353,60 Exclusões 16.709.184,68 Compensações de base neg. períodos anteriores 987.317,32 Base de cálculo da CSLL 2.303.740,43 Ajustes (+) Soma das despesas não dedutíveis 4.084.754,94 (+) Excesso de exclusão 1.808.721,27 Base de cálculo da CSLL ajustada 8.197.216,64 CSLL apurada 737.749,50 () CSLL mensal paga no período 128.083,17 CSLL a pagar 609.666,33 O sujeito passivo apresentou, em 08/10/2014, Manifestação de Inconformidade, cujas alegações foram sintetizadas pelo Acórdão recorrido, do seguinte modo: "Da decadência 1. Houve a decadência do direito da fazenda pública promover a glosa das despesas ocorridas no anocalendário 2006; Da prejudicialidade da decisão Fl. 4163DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.164 5 2. A decisão é nula em razão do Relatório de Fiscalização, utilizado para subsidiar a decisão, ter sido objeto de impugnação no processo nº 15578.720163/201378, carecendo portanto de definitividade; 3. Deve ser reconhecida a prejudicialidade da impugnação em relação a este processo, conforme art. 265, IV, “a” e “b”, do Código Processo Civil; 4. Apenas com o trânsito em julgado do processo administrativo que aprecia o lançamento é que a situação jurídica se constitui definitivamente, nos termos do art. 116, II, do CTN; 5. Devese aguardar o desfecho daquele processo, sob pena de ofender o art. 151, III, do CTN; 6. Requer a suspensão do processo e/ou a conversão do julgamento em diligência, até que seja proferida decisão final (com trânsito em julgado) nos autos do Processo Administrativo n° 15578.720163/201378; Do crédito de estimativas parceladas 7. O art. 177 da Lei nº 6.404/76, determina que os resultados devem observar o regime de competência. Assim, o imposto originado no exercício fiscal de 2006 deve ser considerado para fins do ajuste anual, independentemente da forma e o motivo de sua quitação posterior; Da exclusão dos créditos recuperados 8. A própria autoridade fiscal reconheceu que o valor de R$ 16.709.184,68, que englobaria o montante de R$ 1.808.721,27, teve sua compensação não homologada. O que justificaria a exclusão da receita; 9. A autoridade fiscal não comprovou qual as DCOMP que teriam sido homologadas e que seriam objeto da exclusão do valor apontado; 10. As compensações são processadas com efeito resolutivo, somente gerando direitos após a homologação. Assim, o fato de qualquer compensação vir a ser reconhecida posteriormente à composição das exclusões, não haverá de impactar na formação da apuração que fora calculada anteriormente a sua homologação; Da glosa das despesas 11. A glosa das despesas é ilegal, posto que baseada em uma ação fiscal que não abrangeu o período de competência das despesas; 12. Houve cerceamento do direito de defesa, vez que não teve a oportunidade de comprovar os serviços prestados no ano de 2006; Fl. 4164DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.165 6 Das despesas com a Negócios Soluções Assessoria Empresarial Ltda 13. O enquadramento legal não condiz com a infração de “despesa não comprovada”; 14. A Negócios Soluções está sediada em sala sublocada por outra empresa, à Rua Libero Badaró, 377, conj. 1105, sala 02, Centro, São Paulo/SP, e regularmente cadastrada na prefeitura e no Ministério da Fazenda – MF; 15. É impossível uma empresa constituirse sem apresentar ao contador um local de funcionamento, mediante contrato de aluguel ou outra prova, que será levada aos órgãos de registro de cadastramento, para verificação da possibilidade de aprovação ou não da solicitação; 16. A empresa Negócios e Soluções foi localizada pela fiscalização, atendeu todas as intimações, está regularmente registrada em todos os órgãos administrativos, emitiu documentos fiscais dos serviços prestados e recolheu os impostos devidos; 17. Nada de objetivo e conclusivo foi apresentado pela fiscalização para embasar sua alegação de inexistência de fato da empresa, impondose, portanto, a decretação de insubsistência desta parte do lançamento; Das despesas com a Litwell Consultoria e Orientação Tributária Ltda 18. O sócio da Litwell, o advogado Antônio Carlos Gomes Munhões, recebeu, por mera formalidade, o titulo de diretor jurídico da KIA MOTORS, tratandose na verdade de preposto da Litwell para prestação de serviços específicos; 19. Pelo fato da empresa Litwell não ser uma sociedade de advogados, as prestações de serviços advocatícios do referido senhor foram faturadas como consultoria tributaria; 20. Os serviços prestados foram devidamente comprovados através de o acompanhamento de mais de 67 (sessenta e sete) processos judiciais; 21. A existência da empresa resta comprovada pelo atendimento das intimações; o serviço prestado, pelo pagamento e contabilização das notas fiscais emitidas; Das despesas com a Levs Consultoria Tributário Ltda 22. O fato de um dos sócios atuar como diretor da empresa Kia Motors do Brasil, coligada à impugnante Brazil Trading, não descaracteriza a efetiva prestação dos serviços pela empresa a qual é sócio (Levs); 23. Os valores livremente pactuados e pagos a empresas prestadoras de serviços especializados em regra são superiores Fl. 4165DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.166 7 aos valores dos salários pagos aos executivos e/ou diretores, notadamente ante a ausência de contribuições previdenciárias, FGTS, etc., bem como ante a temporariedade dos serviços a serem prestados; 24. Os serviços prestados pela empresa Levs restaram devidamente comprovados pelas cerca de 25 (vinte e cinco) apostilas sobre temas diferentes, bem como pela escrituração contábil e tributação de todos os lançamentos decorrentes dos serviços prestados; 25. Não há de se falar de inexistência de fato da empresa posto que esta foi localizada pela fiscalização, atendeu todas as intimações, apresentando farto material que comprova a prestação dos serviços, estava regularmente registrada em todos os órgãos, emitiu documentos fiscais de todos os serviços prestados e recolheu todos os impostos devidos; Das despesas com a MFB Empreendimentos e Participações Ltda 26. A mera divergência em relação ao cadastro existente num e noutro órgão não pode servir de base para presunções e conclusões de inexistência de prestação de serviços, notadamente quando houve recolhimento de todos os impostos inerentes aos mesmos; 27. Não se pode concluir pela inexistência da prestação do serviço baseada somente no funcionamento da empresa em endereço residencial e na simplicidade do serviço; 28. O enquadramento nas hipóteses previstas nos artigos 71 e 73 da Lei 4562/64, beira o excesso por parte da fiscalização, por estar calçada em ficções, indícios e presunções; 29. Não houve sequer a consideração de um valor justo para a execução dos serviços; 30. A declaração de inidoneidade das notas fiscais requereria a declaração de inaptidão da empresa, nos termos dos art. 216 e 217 do RIR/99; 31. O fato de a empresa ter respondido às intimações expedidas durante a fiscalização é suficiente para se afastar a aplicação de multa qualificada em 150%;" O processo administrativo nº 15578.720136/201486, que trata do lançamento da multa isolada aplicada sobre a compensação não homologada, foi juntado a este por apensação (fl. 3.840). O Acórdão recorrido afastou as preliminares de nulidade do Despacho Decisório, de conexão e prejudicialidade do processo administrativo n° 15578.720163/201378 em relação aos presentes autos, e de cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa. A par disso, rejeitou suposto erro no enquadramento legal do Despacho Decisório, quanto à exclusão de despesas. Fl. 4166DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.167 8 No mérito, não foram acatadas as teses de ilegalidade da glosa das despesas, por se basear em uma ação fiscal que não abrangeu o mesmo período de competência; e de decadência do direito da Fazenda Pública para promover as referidas glosas em relação ao ano calendário de 2006. De outra parte, por ausência de questionamento ao sujeito passivo a respeito da comprovação da efetiva prestação do serviço e por ausência de demonstração de excesso de valor pago pela Recorrente, as glosas das despesas com as pessoas jurídicas Negócios Soluções Assessoria Empresarial Ltda, Levs Consultoria Tributário Ltda, Litwell Consultoria e Orientação Tributária Ltda e MFB Empreendimentos e Participações Ltda foram consideradas improcedentes. No que tange à exclusão da receita das compensações não homologadas, houve a redução da glosa para o montante de R$ 1.722.763,81, correspondente à diferença entre a exclusão efetuada pela recorrente e as compensações comprovadamente não homologadas. Por fim, quanto à utilização dos débitos de estimativas mensais supostamente parcelados, na composição do saldo negativo do período, ainda que quitadas após a data de apuração, apesar de entender que o limite temporal de quitação para utilização do crédito deve ser o momento da compensação, mantevese o não reconhecimento dos valores, posto que extintos após a data de entrega da DComp. Nesse sentido, o resultado do período do anocalendário de 2006, foi ajustado ao decidido, remanescendo a inexistência de saldo negativo de CSLL, de modo que foi mantida a não homologação da compensação declarada na DComp nº 15955.49304.291211.1.3.03 0704. A apuração da CSLL devida em relação ao anocalendário de 2006, considerandose as conclusões do Acórdão recorrido, é detalhada a seguir: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Lucro líquido antes da CSLL 18.798.888,83 Adições 1.201.353,60 Exclusões 16.709.184,68 Compensações de base neg. períodos anteriores 987.317,32 Base de cálculo da CSLL 2.303.740,43 Ajustes (+) Soma das despesas não dedutíveis (+) Excesso de exclusão 1.722.763,81 Base de cálculo da CSLL ajustada 4.026.504,24 CSLL apurada 362.385,38 () CSLL mensal paga no período 128.083,17 CSLL a pagar 234.302,21 No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente: a.1) Suscita, mais uma vez, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Pública promover glosa de despesas em relação ao anocalendário de 2006, o que violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN, posto que ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos; Fl. 4167DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.168 9 a.2) Sustenta, ainda, que ao contrário do afirmado no Acórdão recorrido, o caso trata sim de lançamento de créditos tributários, posto que em decorrência do não reconhecimento do direito creditório, teria sido realizado tal lançamento; a.3) Invoca, em favor de sua alegação, o Acórdão nº 10708.306, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), bem como aponta que decisão proferida pelo julgador de primeira instância, no âmbito do processo administrativo nº 15578.720163/201378, já teria reformado parte da glosa que fundamentou aquelas procedidas no âmbito dos presentes autos; b.1) Igualmente, repete as alegações de nulidade do Parecer e Despacho Decisório que não homologaram a compensação declarada, bem como de prejudicialidade do Recurso Voluntário apresentado no processo administrativo nº 15578.720163/201378, já que, ao seu ver, os fatos produzidos na ação fiscal que resultou naquele processo foram ilegal e indevidamente utilizadas para embasar as glosas realizadas no caso sob análise; b.2) Afirma que, ao não se aguardar o trâmite do processo administrativo nº 15578.720163/201378, houve cerceamento do seu direito de defesa, no sentido de que foi impedida de se defender de fato consumado com base em situação pendente de julgamento e que após o resultado definitivo daquele processo poderá resultar em reflexos na apuração do saldo negativo de que tratam os presentes autos; b.3) Por força da alegada prejudicialidade, defende a suspensão do presente processo, ou conversão em diligência, até que decisão final seja proferida no processo administrativo nº 15578.720163/201378; c.1) No mérito, assevera que todos os valores de tributo referentes ao ano calendário de 2006 devem ser considerados, independentemente da forma e do motivo de sua quitação posterior; c.2) Insurgese, portanto, contra o critério adotado na decisão que não teria considerado os valores liquidados após o encerramento do exercício, tendo em vista que tal montante não poderia ser utilizado posteriormente; d.1) Alega que a autoridade fiscal não individualizou as DComp que teriam sido homologadas e, desse modo, teriam motivado a glosa da exclusão de receitas procedida pela Recorrente; d.2) A par disso, defende que "o fato de qualquer compensação vir a ser reconhecida posteriormente à composição das exclusões, não haverá de impactar na formação da apuração, que fora calculada anteriormente à sua homologação"; 3) Finaliza, tecendo comentários acerca do acerto do Acórdão guerreado na parte em que reconheceu a insubsistência da glosa referente às despesas com prestação de serviços, ratificando os fatos e fundamentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 4168DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.169 10 Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo 1 DO CONHECIMENTO DO RECURSO A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 09 de julho de 2015 (fl. 4.026) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 4.028 a 4.055 em 05 de agosto de 2015, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradoras, devidamente constituídas às fls. 4.056 a 4.060. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso II, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Cabe ressalvar, entretanto, que, quanto à desconsideração de despesas referentes a serviços prestados à Recorrente pelas pessoas jurídicas Negócios Soluções Assessoria Empresarial Ltda, Levs Consultoria Tributário Ltda, Litwell Consultoria e Orientação Tributária Ltda e MFB Empreendimentos e Participações Ltda, deixase de analisar as alegações veiculadas no Recurso Voluntário. É que o Acórdão recorrido já considerou improcedente tal desconsideração, por ausência de questionamento ao sujeito passivo a respeito da comprovação da efetiva prestação do serviço e por ausência de demonstração de excesso de valor pago pela Recorrente. Não há, portanto, qualquer matéria litigiosa quanto a este fato. 2 DA INEXISTÊNCIA DE DECORRÊNCIA COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720163/201378 Antes de adentrar à análise do Recurso apresentado, é importante esclarecer a relação existente entre o presente processo e o de nº 15578.720163/201378, posto que tal fato perpassa boa parte das alegações suscitadas pela Recorrente e poderia, até mesmo, constituir óbice ao julgamento imediato do Recurso contido nestes autos. Conforme se pode constatar por meio da leitura do Relatório de Fiscalização de fls. 360 a 793 e do Acórdão nº 0132.038 1ª Turma da DRJ/BEL (fls. 3.998 a 4.022), o referido processo administrativo trata de procedimento fiscal e Autos de Infração relativos aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010. Os presentes autos, por outro lado, como já relatado, dizem respeito a Declaração de Compensação (DComp) apresentada com base em suposto saldo negativo de CSLL apurado em relação ao anocalendário de 2006, e compensado com débito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do período de apuração de dezembro de 2011 (fls. 2 a 9). Fl. 4169DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.170 11 Fica patente, portanto, a total dissociação de períodos. O único vínculo existente, como bem delimitado pelo Acórdão recorrido, diz respeito ao aproveitamento, no presente processo, de elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento fiscal que originou o processo administrativo nº 15578.720163/201378 (fls. 797 a 3.822). Tratase, portanto, de prova emprestada (em sua acepção processual), definida, na lição de Ada Pellegrini Grinover (apud Fabiana Del Padre Tomé, A Prova no Direito Tributário, 3ª ed, São Paulo: Noeses, 2011, p. 137), como "aquela que é produzida num processo para nele gerar efeitos, sendo depois transportada documentalmente para outro, visando a gerar efeitos em processo distinto". O mero aproveitamento da prova produzida no processo administrativo nº 15578.720163/201378 não produz nenhuma relação de decorrência ou prejudicialidade destes autos em relação àqueles, posto que a valoração das referidas provas será realizada de modo independente em um e outro processo. É essa a precisa lição de Fabiana Del Padre Tomé (op. citado, p. 137): "No que diz respeito à valoração, cumpre ao julgador do processo, ao qual o documento transladado foi juntado, apreciá la no contexto da nova relação processual, servindo essa espécie de prova documental como um dos elementos de convicção. Sua força probatória não é, necessariamente, a mesma que lhe foi atribuída nos autos em que ocorreu sua produção originária, sendo o julgador livre para valorála." Isto posto, fica comprovado que o presente processo não está vinculado ao processo administrativo nº 15578.720163/201378 por decorrência (nos moldes do art. 6º, §1º, inciso II, do Anexo II do RI/CARF). Nesse sentido, não se aplica o sobrestamento previsto no §5º do mesmo dispositivo do RI/CARF, pelo que se passa à análise das razões recursais. 3. DAS PRELIMINARES 3.1 DA NULIDADE E DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Como dito, a Recorrente suscita a nulidade do Parecer e Despacho Decisório que não homologaram a compensação declarada por meio da Declaração de Compensação (DComp) nº 15955.49304.291211.1.3.030704, posto que os fatos produzidos no procedimento fiscal que resultou no processo administrativo nº 15578.720163/201378 teriam sido ilegal e indevidamente utilizados para embasar as glosas realizadas no presente processo. No seu entender, ao se utilizar das referidas provas, sem que se aguarde o trânsito em julgado administrativo do processo de origem, violouse o seu direito de defesa, de modo a ensejar a nulidade, por força do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. A matéria foi adequadamente abordada no Acórdão recorrido que concluiu não existir evidência de nulidade na decisão que não homologou a compensação realizada pela Recorrente, posto que "o Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente e o autuado Fl. 4170DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.171 12 tomou conhecimento da decisão, tendo sido concedido ao mesmo o amplo direito de defesa, o que exerceu amplamente, conforme Manifestação de Inconformidade recebida e conhecida de fls. 3826 e 3828." Como já demonstrado no item precedente, não existe vinculação por decorrência entre o presente processo e o de nº 15578.720163/201378, sendo que, tão somente, provas produzidas neste último foram utilizadas pela Autoridade Fiscal para embasar a sua decisão na análise da DComp apresentada pela Recorrente. Decisão esta plenamente fundamentada consoante as razões expressas no Parecer Seort nº 1.214/2014. Ora, o uso de provas emprestadas no Processo Administrativo Fiscal (PAF), sejam aquelas oriundas de outros processos administrativos envolvendo as mesmas partes (provas emprestadas processuais), sejam aquelas produzidas por outras Fazendas Públicas (provas emprestadas tributárias) é plenamente admitido pela legislação, doutrina e jurisprudência. O Decreto nº 70.235, de 1972, é silente em relação a requisitos genéricos para a admissão da prova emprestada processual, tratando exclusivamente, em seu art. 30, §3º, do uso de laudos e pareceres técnicos sobre produtos. De resto, os limites que tem sido impostos pela jurisprudência, quando muito, temse limitado a que os processos sejam entre as mesmas partes, que seja assegurado o contraditório e a ampla defesa, e que o empréstimo seja apenas das provas e não das conclusões. Neste sentido, "PROVA EMPRESTADA. PROVAS INDICIÁRIAS. VALIDADE. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios. (Acórdão CARF nº 1301002.205, 1ª Seção / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Roberto Silva Júnior, julgado em 14 de fevereiro de 2017)" "PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas em outro processo do Fisco Estadual, mesmo que este ainda não tenha "transitado em julgado", são admissíveis no processo administrativo fiscal, desde que não prejudique o direito de defesa do contribuinte. (Acórdão CARF nº 1401 001.568, 1ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Antônio Bezerra Neto, julgado em 02 de março de 2016)" "PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. (Acórdão CARF nº 1103000.823, 1ª Seção / 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Relator Sérgio Luiz Bezerra Presta, julgado em 06 de maço de 2013)" "PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Fl. 4171DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.172 13 Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. (Acórdão CARF nº 2401004.483, 2ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Cleberson Alex Friess, julgado em 17 de agosto de 2016)" No caso em análise, as provas trazidas aos autos se originaram do processo administrativo nº 15578.720163/201378 (em que as partes são as mesmas deste processo), a autoridade fiscal realizou a sua valoração e sobre elas extraiu as suas conclusões para o período de apuração de 2006 (o Acórdão recorrido, inclusive, concluiu no sentido de que elas não foram suficientes para, isoladamente, comprovar a inexistência das despesas) e foi inteiramente assegurado ao sujeito passivo a apresentação dos recursos previstos, tanto que o caso foi submetido às instâncias do contencioso administrativo. Também não procede a alegação da Recorrente de que, ao não se aguardar o trâmite do processo administrativo nº 15578.720163/201378, houve cerceamento do seu direito de defesa, no sentido de que foi impedida de se defender de fato consumado com base em situação pendente de julgamento e que após o resultado definitivo daquele processo poderá resultar em reflexos na apuração do saldo negativo de que tratam os presentes autos Como já tratado no item 2, não há qualquer reflexo das decisões exaradas no processo administrativo nº 15578.720163/201378 em relação aos presentes autos, posto que se tratam de objetos e períodos de apuração completamente distintos e dissociados. Aquele, trata de constituição de crédito tributário em relação aos anoscalendários de 2008 a 2010; estes de compensação de saldo negativo relativo ao anocalendário de 2006, com débito referente a período de apuração contido no anocalendário de 2011. Não se encontram presentes, portanto, quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste sentido, rejeito as preliminares de nulidade e cerceamento do direito de defesa. 3.2 DA PREJUDICIALIDADE E DA SUSPENSÃO DO PROCESSO A Recorrente alega a prejudicialidade da decisão final do processo administrativo nº 15578.720163/201378 em relação àquela que venha a ser proferida nestes autos, pugnando pela suspensão do presente processo, ou conversão em diligência, até que decisão final seja proferida naquele processo administrativo. Esta matéria já foi suficientemente afastada nesta decisão, com a demonstração da inexistência de vinculação por decorrência entre os referidos processos, Fl. 4172DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.173 14 hipótese em que se aplicaria a suspensão determinada pelo art. 6º, §5º, do Anexo II do RI/CARF. Neste sentido, rejeito igualmente a alegação de prejudicialidade e a necessidade de suspensão do processo ou conversão em diligência. 3.3 DA REVISÃO DA BASE DE CÁLCULO DO DIREITO CREDITÓRIO A Recorrente invoca a decadência do direito de a Fazenda Pública promover glosa de despesas em relação ao anocalendário de 2006, uma vez que ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos, posto que isso violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN. Como bem esclarecido na decisão recorrida, o prazo de que trata o art. 173 do CTN trata da constituição do crédito tributário, não guardando qualquer relação com o objeto do presente processo que é a análise de suposto direito creditório invocado pela Recorrente na DComp apresentada. Como sabido, uma vez apresentada pelo sujeito passivo a Declaração de Compensação de que trata o art. 74, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a Fazenda Pública dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para verificar a correção da compensação declarada, sob pena de homologação tácita desta. Por óbvio que esta verificação da correção da compensação declarada deve envolver a liquidez e a certeza do crédito que o sujeito passivo utilizou para embasar a sua declaração, posto que tais características são requisitos essenciais fixados pela lei para a realização da compensação, conforme art. 170 do CTN. Assim, na verificação realizada pela Autoridade Fiscal dentro do prazo de 5 (cinco) anos após a apresentação da DComp não há como se impor limites a que se analise inclusive a base de cálculo do suposto crédito invocado pelo sujeito passivo, ainda que se refira a fatos ocorridos a mais de 5 (cinco) anos, não para que realize lançamento tributário, mas para embasar a decisão acerca da restituição/compensação. Há diversos precedentes deste Conselho neste sentido: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à decadência do direito de o fisco revisar seus assentamentos contábeis e fiscais os saldos negativos de IRPJ apurados direta ou indiretamente nas declarações apresentadas a serem regularmente comprovados quando objeto de pedido de restituição ou compensação." Fl. 4173DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.174 15 (Acórdão nº 1401001.656, 1ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Antônio Bezerra Neto, julgado em 09 de junho de 2016) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. (...)" (Acórdão nº 1402002.306, 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Relator Luiz Augusto de Sousa Gonçalves, julgado em 15 de setembro de 2016) "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo do IRPJ, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver Fl. 4174DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.175 16 disponível." (Acórdão nº 1301001.300, 1ª Seção / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Paulo Jackson da Silva Lucas, julgado em 08 de outubro de 2013) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PIS E COFINS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO MODIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SEM FORMALIZAÇÃO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO . POSSIBILIDADE Correta a metodologia utilizada considerandose a forma que se realiza a nãocumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, apurada na sistemática "base contra base". COMPENSAÇÃO.DECADÊNCIA A partir da Medida Provisória n. 66/2002. que deu a redação do § 2o , art. 74, da Lei n° 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...)" (Acórdão nº 3201002.449, 3ª Seção/ 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relatora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, julgado em 24 de janeiro de 2017). Na verdade, conclusão diversa tornaria letra morta o referido prazo para a homologação posto que o sujeito passivo dispõe do prazo de 5 (cinco) anos contados a partir do fato gerador para retificar sua declaração (Parecer Cosit nº 48, de 1999; Solução de Consulta Interna Cosit nº 11, de 2006; Parecer Normativo Cosit nº 6, de 04 de agosto de 2014), bem como de igual prazo, contado desde a extinção do crédito tributário, para pleitear a restituição do tributo pago indevidamente ou a maior (art. 168, inciso I, do CTN). O caso sob apreço ilustra perfeitamente tal fato: A Recorrente, após haver apresentado DIPJ em relação ao anocalendário de 2006 (fls. 10 a 99), na qual apurou saldo de CSLL a pagar igual a R$ 0,05, apresentou em 29 de dezembro de 2011, DIPJ retificadora (fls. 100 a 190), na qual alterou o base de cálculo da CSLL, em R$ 16.709.184,68, de modo que indicou saldo negativo no montante de R$ 1.368.746,58. Na mesma data, apresentou a DComp de que trata o presente processo, por meio da qual compensou o novo saldo apurado. Adotandose a linha de raciocínio invocada pelo sujeito passivo, a Administração Tributária, apesar de dispor até 29 de dezembro de 2016 para homologar ou não a compensação declarada pelo sujeito passivo, disporia de apenas 2 dias para verificar a liquidez e certeza do saldo negativo que a embasou. A interpretação de todas as normas deve ser realizada de modo sistêmico, para concluir que, embora disponha até 31 de dezembro de 2011 para constituir qualquer crédito tributário relativamente ao anocalendário de 2006 (é disso que trata o art. 173 do CTN), a Fazenda Pública disporá de todo o prazo de 05 (cinco) anos, contados a partir da Fl. 4175DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.176 17 apresentação da DComp, para verificar a liquidez e certeza do crédito invocado, inclusive contestando a base de cálculo utilizada para apurálo. Mais uma vez, o caso em apreço é perfeito para ilustrar o tema: Após 31 de dezembro de 2011, a Autoridade Fiscal possuía competência para contestar a apuração do saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2006, com vistas ao não reconhecimento de direito creditório, e à não homologação da compensação declarada com base nele. De outra parte, com base em tal apuração, jamais poderia constituir qualquer crédito tributário referente ao referido período de apuração, uma vez que já terá transcorrido o prazo decadencial. Foi exatamente isso que ocorreu, in casu. Apesar de apurar que o sujeito passivo, em lugar de possuir saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.368.746,58, devia haver recolhido o valor de R$ 609.666,33, a Autoridade Fiscal nada pôde fazer para constituir tal crédito tributário, limitandose a nãohomologar a compensação declarada. Não procede a afirmação da Recorrente de que, em decorrência do não reconhecimento do direito creditório, teria sido realizado tal lançamento. Também não aproveita à Recorrente a invocação do Acórdão nº 10708.306, posto que a decisão é válida apenas para a parte nele envolvida. Ademais, como citado acima, há vasta jurisprudência em sentido diverso. Por fim, igualmente, não possui qualquer repercussão nos autos a alegação de que decisão proferida pelo julgador de primeira instância, no âmbito do processo administrativo nº 15578.720163/201378, teria reformado parte da glosa que fundamentou aquelas procedidas no âmbito dos presentes autos. Como sobejamente repetido, aquele processo administrativo não guarda relação de decorrência com o presente e a valoração das provas emprestadas daqueles autos deve ser realizada para o período de apuração aqui analisado. Por todo o exposto, voto no sentido de não reconhecer a decadência suscitada pela Recorrente. 4. DO MÉRITO 4.1 DA DESCONSIDERAÇÃO DA EXCLUSÃO DE RECEITAS Em relação à desconsideração da exclusão de receitas realizada pela Recorrente, sua alegação é no sentido de que a autoridade fiscal não individualizou as DComp que teriam sido homologadas e que, portanto, deveriam ter sido mantidas como receitas. O argumento não procede, já que a autoridade fiscal discrimina, às fls. 350 a 359, o desfecho de todas as DComp apresentadas pela Recorrente no anocalendário de 2006, explicitando aquelas que teriam sido homologadas, no montante de R$ 1.808.721,27. Fl. 4176DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.177 18 A Recorrente defende, ainda, que "o fato de qualquer compensação vir a ser reconhecida posteriormente à composição das exclusões, não haverá de impactar na formação da apuração, que fora calculada anteriormente à sua homologação". Na verdade, a lógica invocada é a inversão da sistemática que deve ser aplicada. Neste ponto, pela precisão da abordagem, transcrevo trecho da decisão recorrida: "Nesse passo, importa registrar que a compensação efetuada pelo sujeito passivo, na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96, tem efeito imediato, sob condição resolutória de ulterior homologação da RFB (§2º). Ou seja, operase com a entrega de Declaração de Compensação, perdendo seus efeitos na hipótese de não homologação. Não a toa que a inércia da Administração resulta na homologação tácita da compensação declarada. Pensar do contrário, seria atribuir efeito suspensivo à declaração até a sua homologação. (...) Por conseguinte, havendo a inclusão da receita no resultado, por ocasião da entrega da declaração de compensação ou de deferimento do pedido de restituição, a exclusão dessa receita do lucro real somente ocorreria na hipótese de (i) não homologação da compensação, (ii) cancelamento da declaração de compensação ou (iii) declaração de considerada “não declarada”. Isto porque são definitivas as decisões administrativas que homologam a compensação ou reconhecem os pedido de restituição, assim como a homologação tácita da compensação. Logo, a exclusão da receita de créditos recuperáveis no lucro real deve estar devidamente fundamentada em documentos que comprovem uma das hipóteses aventadas no parágrafo anterior." Assim, desde a apresentação da DComp, deve o sujeito passivo reconhecer a receita do crédito compensado, de modo a anular os efeitos da dedutibilidade do pagamento ocorrida em momento anterior. Como dito, somente em caso de não confirmação da compensação, é que a receita poderia ser excluída na apuração do lucro real. No caso dos autos, do total de R$ 16.709.184,68 excluídos pela Recorrente em sua contabilidade, só ficou comprovada a não homologação do valor de R$ 14.986.420,87, de modo que perfeito o Acórdão na medida em que desconsiderou a exclusão de receitas em montante correspondente à diferença entre esses totais, ou seja, R$ 1.722.763,81. 4.2 DA GLOSA DE ESTIMATIVAS No tocante à desconsideração das estimativas recolhidas após a apresentação da DComp, a Recorrente manteve a alegação de que todos os valores de tributo referentes ao anocalendário de 2006 devem ser considerados, independentemente da forma e do motivo de sua quitação posterior, por força do regime de competência. Fl. 4177DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.178 19 Insurgese, assim, contra a não consideração dos valores liquidados após o encerramento do exercício, tendo em vista que tal montante não poderia ser utilizado posteriormente. Constatase, portanto, que o sujeito passivo não considerou em seu Recurso o abrandamento de critério promovido pelo Acórdão recorrido. É que, enquanto no Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada na DComp nº 15955.49304.291211.1.3.030704 foram desconsideradas todas as estimativas que não haviam sido quitadas até o encerramento do período de apuração (31/12/2006); o julgador de primeira instância, de outra parte, considerou todos os recolhimentos efetuados até a data de realização da compensação, ou seja, até a data de transmissão da DComp. A fundamentação utilizada no Acórdão recorrido pode ser assim sintetizada: "Antes de tudo, importa diferenciar o crédito tributário da Fazenda pública contra o sujeito passivo do crédito tributário do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O primeiro decorre da ocorrência do fato gerador do tributo, momento que surge em contrapartida um débito tributário do sujeito passivo a favor da fazenda pública. O segundo tem origem em um pagamento à fazenda pública, passível de utilização na extinção do débito tributário do sujeito passivo para com a fazenda pública. Ao tratar da compensação, o art. 170 do CTN determina que os créditos tributários líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública podem ser objetos de compensação, na forma que a lei estipular. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Como liquido e certo, entendese aquele crédito tributário cuja existência seja garantida e que valor seja mensurável. Ocorre que o débito parcelado não se enquadra no conceito de crédito tributário contra a fazenda pública. Primeiro porque se trata de uma obrigação (débito) do sujeito passivo para com Fazenda, e não de um direito (crédito) perante esta. Segundo, ainda que possa ser exigido pela fazenda pública, o débito parcelado somente pode ser transformado em crédito tributário a partir de sua extinção, momento em que sua liquidez e certeza tornamse passível de avaliação. O parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não o extingue. As formas de extinção do crédito tributário estão previstas no art. 156, do CTN, e dentre elas não se fala de parcelamento. O parcelamento foi inserido como uma das modalidades de suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso VI, do CTN. Fl. 4178DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.179 20 Do exposto, para que o sujeito passivo efetue a compensação de tributos, necessário se faz que seu direito seja líquido e certo, vale dizer, que o débito tributário que deu origem ao crédito esteja comprovadamente extinto. Não sendo o caso, não há como compensar o crédito apenas porque o débito do qual originário foi parcelado. Logo, o débito incluído em qualquer modalidade de parcelamento, não pode, só por este fato, ser restituído ou compensado. Somente com o pagamento do débito até o momento da transmissão da DCOMP é que o crédito dele resultante pode ser objeto de pedido de restituição e/ou compensação." Entendo não haver reparo ao raciocínio utilizado. Nos termos do art. 2º, §4º, e art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, o saldo negativo de CSLL é apurado, em 31 de dezembro de cada ano, quando o valor da CSLL devida é superado pela soma das seguintes parcelas: I da CSLL paga ou retida na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação da sua base de cálculo; II da CSLL paga por estimativa. Vêse, portanto, que apenas o valor pago (aqui, com base no art. 156 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, devese entender recolhido ou compensado) poderá ser levado ao cálculo do saldo, para fins de apuração do montante passível de restituição e/ou compensação, na forma do art. 6º, inciso II, da mesma Norma. Os valores de estimativa que deixaram de ser recolhidos tempestivamente pelo sujeito passivo, até o encerramento do exercício, não poderão mais ser exigidos por meio de lançamento de ofício (Súmula CARF nº 82), não serão cobrados administrativamente e/ou por meio de execução fiscal (Nota Cosit nº 31/2013 e Parecer PGFN/CAT nº 88/2014) e não serão objeto de parcelamento (Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013), sendo aplicável apenas a multa isolada de que trata o art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430, de 1996. A controvérsia que se põe, então, é saber o tratamento a ser conferido em relação aos valores pagos a título de estimativa após o encerramento do período de apuração e levados ao ajuste anual da CSLL. A interpretação conjunta dos dispositivos citados da Lei nº 9.430, de 1996, com o art. 170 do CTN, que exige a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, para autorizar a compensação, leva à conclusão a que chegou o Acórdão recorrido: apenas os valores pagos até a data da realização da compensação, ou seja, a data de transmissão da DComp, poderão ser aproveitados em tal compensação. Entender o contrário seria autorizar ao sujeito passivo a compensação de valores ilíquidos e incertos, o que feriria o referido art. 170 do CTN. No caso dos autos, a Recorrente alegou que, do total de R$ 1.576.083,22 de estimativas consideradas na apuração do saldo negativo do anocalendário de 2006, R$ 1.448.000,05 havia sido quitado por meio de parcelamentos. Fl. 4179DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.180 21 O exame atento do Parecer Seort nº 1.214/2014, porém, revela que a situação é completamente distinta. In verbis: "12. A contribuinte informou na Ficha Estimativas Parceladas, valores referentes a alguns meses do ano de 2006, totalizando R$ 1.448.000,05 (um milhão, quatrocentos e quarenta e oito mil e cinco centavos), resumido no quadro seguinte. P A VALOR P A VALOR P A VALOR abr/06 53.000,01 jul/06 153.000,01 out/06 150.000,01 mai/06 90.000,01 ago/06 199.999,99 nov/06 92.000,00 jun/06 220.000,01 set/06 280.000,01 dez/06 210.000,00 13. Informou na DCOMP que todos esses valores teriam sido parcelados no processo n° 13804.000511/201006, entretanto, tratase de um equívoco, visto que no referido processo não consta nenhum valor de CSLL. 14. Em relação a esses valores, a contribuinte havia transmitido diversas DCOMPs, declarando compensações de CSLL dos meses de abril a dezembro de 2006, todas elas não homologadas. 15.No demonstrativo a seguir, constam relacionadas todas as DCOMPs transmitidas contendo débitos de CSLL mensal do ano de 2006: 16. Constatase, pelo número dos processos, que todas as compensações foram tratadas a partir de 2009. Nenhuma delas foi homologada. 17. Os débitos declarados nas DCOMPs válidas (aquelas não retificadas ou canceladas), foram controlados em processos de cobrança (última coluna do demonstrativo do item 15). Nº DO PER/DCOMP P A VALOR PROCESSO ANÁLISE DO CRÉDITO PROCESSO COBRANÇA DÉBITO 08889.10931.260506.1.7.041776 abr06 53.000,01 10783911886/200959 10783912281/200985 27450.08827.090806.1.7.044915 mai06 90.000,01 107839006289/201127 10783907308/201132 13642.12502.140706.1.3.040107 jun06 220.000,01 10783900350/201041 10783900477/201061 39908.23180.180906.1.3.048224 ago06 139.253,82 10783914081/200967 10783914517/200918 30743.74702.180906.1.3.046453 ago6 60.746,17 10783900352/201031 10783900479/201050 41404.13964.071106.1.7.049016 set06 83.787,24 10783914945/200941 10783915399/200965 13117.56903.071106.1.7.044310 set06 155.460,80 10783914944/200904 10783915398/200911 24872.08315.071106.1.7.044040 set06 40.751,97 10783906296/201129 10783907315/201134 38803.60410.141206.1.3.048338 nov06 92.000,00 10783906297/201173 10783907316/201189 42835.40946.230107.1.3.045500 dez06 133.640,00 10783900353/201085 10783900480/201084 29285.74070.230107.1.3.041631 dez06 76.360,00 10783900354/201020 10783900481/201029 Fl. 4180DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.181 22 18. Os referidos débitos, em valores originais, total de R$ 1.145.000,03 (um milhão, cento e quarenta e cinco mil e três centavos), foram liquidados somente em 2012, ou seja, após o término do período de apuração do IRPJ, não sendo considerado na composição do resultado fiscal do exercício. (...) 20. Embora extintos os referidos débitos, por terem sido liquidados após o encerramento do exercício, assim, não serão considerados para efeito de composição do saldo negativo (CSLL a recuperar) que espelha uma situação em 31/12/2006." Assim, no que diz respeito aos valores referentes aos meses de abril a junho, agosto, setembro e dezembro, tratamse de quantias que, à data de transmissão da DComp nº 15955.49304.291211.1.3.030704 (na verdade, na data de encerramento do anocalendário de 2006), já estavam extintas, sob condição resolutória de sua posterior homologação, por meio de Declarações de Compensação. Isto posto, ainda que as referidas DComp não tenham sido homologadas, os valores nelas confessados devem ser considerados na apuração do saldo do período de apuração. É este o entendimento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9101002.493 (Relator Marco Aurélio Pereira Valadão, julgado em 23 de novembro de 2016): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)." Tal entendimento é amparado pelo posicionamento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) expresso no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014: "Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança." Qualquer dúvida sobre tal possibilidade de aproveitamento, baseado no entendimento da impossibilidade de cobrança das estimativas após o encerramento do Fl. 4181DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.182 23 exercício, é afastada, no presente caso, pelo fato de que os valores cuja compensação não foi homologada foram quitados nos processos de cobrança. Em sentido contrário, a partir do exposto, e com base no art. 170 do CTN, não há como se homologar a compensação realizada com saldo negativo de CSLL apurado a partir da consideração de valores que, até a data de transmissão da DComp nº 15955.49304.291211.1.3.030704 não estavam extintos, como é o caso daqueles relativos aos meses de julho e outubro, que totalizam R$ 303.000,02, e somente foram recolhidos em 2012. Nesse sentido, o Acórdão nº 1401000.406 (1ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, julgado em 25 de janeiro de 2011): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 1995, 1996, 1997, 1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO. DÉBITO DE TERCEIROS. DIVERGÊNCIA DE VALOR. DARF E DECLARAÇÃO DE PREVALÊNCIA DO DARF. Constatada divergência entre o valor declarado como direito creditório pelo contribuinte, e comprovado mediante o respectivo DARF de recolhimento, deve prevalecer o neste consignado. GLOSA EFETUADA. PAGAMENTO POSTERIOR O pagamento posterior do valor glosado não afasta a glosa antes efetuada, tendo o contribuinte que arcar com os efeitos da compensação indevida. Recurso voluntário negado." Deste modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso, para que o montante de R$ 1.145.000,03, extinto, a título de estimativas, por meio de Declarações de Compensação (DComp) apresentadas antes do encerramento do anocalendário de 2006, seja considerado na apuração do saldo de CSLL ao final daquele período. 5. DO CRÉDITO AJUSTADO O saldo de CSLL referente ao anocalendário de 2006 deve então ser ajustado, para levar em considerações o decidido no presente Acórdão, restando evidenciado do seguinte modo: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Lucro líquido antes da CSLL 18.798.888,83 Adições 1.201.353,60 Exclusões 16.709.184,68 Compensações de base neg. períodos anteriores 987.317,32 Base de cálculo da CSLL 2.303.740,43 Ajustes (+) Soma das despesas não dedutíveis (+) Excesso de exclusão 1.722.763,81 Base de cálculo da CSLL ajustada 4.026.504,24 CSLL apurada 362.385,38 Fl. 4182DF CARF MF Processo nº 15578.720032/201391 Acórdão n.º 1302002.328 S1C3T2 Fl. 4.183 24 () CSLL mensal paga no período 1.273.083,20 Saldo negativo de CSLL 910.697,82 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário e HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação de que trata a Declaração de Compensação (DComp) nº 15955.49304.291211.1.3.030704 até o limite correspondente ao saldo negativo de R$ 910.697,82 (novecentos e dez mil reais, seiscentos e noventa e sete reais e oitenta e dois centavos), atualizado na forma dos art. nº 39, §4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e nº 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, até a data de apresentação da referida DComp. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Fl. 4183DF CARF MF
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