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Numero do processo: 10880.721252/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
NULIDADE - VÍCIO MATERIAL - ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. NULIDADE VÍCIO MATERIAL ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 12 52 /2 01 2- 11 Fl. 11741DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento. Julio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 11742DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 10880.721252/201211 Acórdão n.º 2402004.341 S2C4T2 Fl. 812 3 Relatório Tratase de auto de infração referente à incidência de contribuições devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidentes sobre a receita de exportação da produção rural, efetivada através de ‘tranding companies’, também denominada exportação indireta, nas competências de 01/2009 a 31/12/2010. Relatório Fiscal às fls. 13/23. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 296/311 (e documentos de fls. 313/11671), que restou julgada improcedente nos termos do acórdão de fls. 11674/11681 sob os seguintes fundamentos: 1) A imunidade conferida pela Constituição Federal/88 sobre as receitas decorrentes de exportação alberga, apenas, as contribuições sociais e as de intervenção no domínio econômico, nos termos do art. 149, § 2º, I, CF/88; 2) Inexiste dúvida quanto à natureza da contribuição ao SENAR, nitidamente de interesse de categoria profissional e econômica, portanto não abrangidas pela imunidade supracitada; 3) As contribuições destinadas ao SENAR não compõem o orçamento da Seguridade Social, conforme definido no art. 11 da Lei nº 8.212/91, não podendo, nem de longe, ser consideradas tais quais aquelas dispostas no art. 195 da Constituição Federal; 4) No tocante ao suposto erro material em que teria incorrido a fiscalização, tal não ficou caracterizado, pois não foram tomadas as notas fiscais, tampouco os CFOPs ou os registro de operações de exportação no SISCOMEX, apenas e tãosomente as informações prestadas pela própria empresa de que tais seriam os valores realizados através das trading companies; 5) Apenas a juntada de vastíssimo material desconectado dos fatos, secundado por pedido de perícia absolutamente desnecessária, tendo em vista que a fiscalização não produziu os números, apenas tomou por verdadeiros os valores apontados pelo próprio sujeito passivo; 6) No presente caso, o tal erro material, se ocorrido, não restou provado e, sobretudo, não partiu da fiscalização, de sorte que se afasta o argüido tanto quanto a perícia solicitada, posto que desnecessária à elucidação dos fatos; Ciente do resultado do julgado (fls. 11700), a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 11704/11728 segundo o qual: 1) As provas juntadas em sede de impugnação foram ignoradas no julgamento, implicando em cerceamento de defesa e, por conseqüência, em nulidade contemplada no art. 59 da Lei do Processo Administrativo Fiscal; Fl. 11743DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 4 2) O acórdão merece reforma com relação ao erro material promovido pela Fiscalização ao adotar como base de cálculo para o lançamento receitas de exportações da produção rural da Recorrente realizada de forma direta enquadrandoas como indiretas, acarretando a nulidade da autuação por pautada em fatos inexistentes; 3) Em havendo erro por parte da Autoridade Fazendária no que diz respeito à determinação da base de cálculo do tributo, visto que enquadra como indiretas as exportações que foram realizadas diretamente, necessariamente se impõe o reconhecimento e a decretação da nulidade do lançamento. 4) Da leitura do inciso I do parágrafo 2º do art. 149, CF/88, temse que as contribuições sociais e as contribuições de intervenção no domínio econômico não incidem sobre as receitas decorrentes da exportação. A contribuição devida ao SENAR, por estar inclusa no Sistema “S”, consequentemente classificase como contribuição social geral, não incidindo sobre as receitas de exportação. 5) Quando a RFB pretende cobrar as contribuições para o Sistema “S” de todos, as classifica como “contribuições gerais”, quando pretende cobrá las em decorrência de exportações, as classifica como contribuições destinadas às outras entidades ou fundos. Ou seja, a RFB transmuta a natureza das contribuições apenas para gerar receitas para União, o que é injurídico; Ao final, a Recorrente requer a anulação do auto de infração por erro material ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para apuração das alegações. Pleiteia ainda pela declaração da impossibilidade se incluir na base de cálculo das contribuições ao SENAR as receitas de exportação, sejam elas diretas ou indiretas, em razão da imunidade. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 11744DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 10880.721252/201211 Acórdão n.º 2402004.341 S2C4T2 Fl. 813 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O recurso voluntário atende ao requisito da tempestividade, razão pela qual dele conheço em parte para exclusão da parte em que se discute matéria objeto de Mandado de Segurança, conforme adiante explicitado. Da concomitância de processo administrativo e judicial Na questão de mérito o julgador de primeira instância decidiu e a própria Recorrente ratificou o entendimento de que em se tratando de matéria discutida em sede de mandado de segurança, não cabe análise pela via administrativa. Nesse sentido, nos termos da Súmula nº 1 do CARF, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo importa na renúncia a instancia administrativa: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Em igual sentido são as decisões deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Não se conhece o recurso apresentado, pois o contribuinte que ingressa no poder judiciário com ação, cujo objeto é o mesmo do processo administrativo, está renunciando o direito à instância administrativa. Aplicação Súmula CARF nº 1. Recurso voluntário não conhecido. (CARF – Processo n° 10865.000671/200143, Acórdão n° 3202001.101, Sessão de 27 de fevereiro de 2014) “PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Renuncia ao direito à instância administrativa o contribuinte que ingressa no Judiciário com ação, cujo objeto é o mesmo do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.” (CARF – Processo n° 10768.005734/200661, Acórdão nº 2201002.334, Sessão de 19 de fevereiro de 2014. “AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIDADE DE OBJETOS E DISCUSSÕES. RENÚNCIA CONFIGURADA. SÚMULA CARF. N. 01. No caso da existência de processo judicial no qual a discussão ali travada e os pedidos seja idênticos ao constante nos autos do processo administrativo, sobre eles operase a renúncia à esfera administrativa, em homenagem a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário. (...) Fl. 11745DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 6 (CARF – Processo. 15901.000467/200839, Acórdão n° 2402002.705) O caso sob análise enquadrase perfeitamente na hipótese prevista pela Súmula/CARF e pela jurisprudência, razão pela qual não cabe a esta Turma a apreciação do mérito do recurso voluntário, qual seja, a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre as verbas já mencionadas. Da Alegada Nulidade do Auto de Infração – Constatação do Erro Pretende a Recorrente a anulação do auto de infração sob alegação de que teria a Fiscalização cometido erro material na determinação da base imponível, ao considerar como indiretas as exportações realizadas diretamente pela empresa. Acosta inúmeros documentos na tentativa de demonstrar o alegado equívoco. Pois bem. A questão que ronda o presente processo administrativo foge da seara técnica e trata da questão fática envolvida. De um lado a Fiscalização, com ratificação pelo Sr. Julgador de primeira instância, entende que as exportações utilizadas como base para a lavratura do auto de infração foram efetuadas de forma indireta, mediante empresas interpostas. De outro lado, a empresa Recorrente alega que não houve apuração real e correta pela Fiscalização das planilhas e documentos apresentados. Aduz, ainda, que o julgador de primeira instância cerceou seu direito de defesa ao considerar tão somente as informações fornecidas pela fiscalização, sem analisar efetivamente os inúmeros documentos acostados junto à impugnação. Passemos à análise da questão fática, com base nos documentos acostados, tendo em vista que em sede de processo administrativo devese buscar a verdade material (Acórdão 920200.818, Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF). Durante o procedimento fiscalizatório, a Recorrente, atendendo a solicitação do Sr. Auditor, apresentou demonstrativo de receitas do ano de 2008. Dentre as informações apresentadas, constou lista denominada “Receitas Export Indireta” (fls. 109) que, posteriormente, foi utilizada pela fiscalização para lançamento a título de exportação indireta. Tal informação pode ser verificada na comparação entre os valores apontados na referida planilha apresentada pela Recorrente e o Relatório Discriminativo de fls. 05/06. A Recorrente, todavia, alega que a nomenclatura dada à lista apresentada não diz respeito às transações nela arroladas. De acordo com a empresa, o termo ‘indireta’, em verdade, significa que os produtos advieram de outra empresa com a finalidade específica de exportação pela Recorrente. Por tal razão, as operações teriam sido registradas pela Recorrente através do CFOP 7501 – Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação. Para verificar e apurar as afirmações, relacionamos os documentos acostados, por amostragem, em comparação com a planilha apresentada pela Recorrente às fls. 345/355: Comp. Nota Fiscal Data Fls. Memorando de exportação (Registro) Data Fls. Destino da mercadoria Valor da Transação (R$) 03/2009 29294 27/03/09 472 09/0299810001 08/04/09 470 Índia R$ 2.055.299,83 03/2009 29295 27/03/09 565 09/0299810001 08/04/09 563 Índia R$ 824.077,34 03/2009 29323 27/03/09 609 09/0270458001 08/04/09 608 Holanda R$ 2.436.820,77 Fl. 11746DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 10880.721252/201211 Acórdão n.º 2402004.341 S2C4T2 Fl. 814 7 Ou seja, com base nos dados acostados aos autos e ora minuciosamente analisados, verificase que as notas fiscais emitidas pela empresa Recorrente e enquadradas pela fiscalização como sendo referentes a exportações indiretas em verdade dizem respeito a exportações diretas realizadas pela Recorrente (consta nas NFs inclusive o destino das mercadorias). Da natureza do vício constatado Há situações capazes de gerar a invalidade do lançamento, tornandoo nulo ou anulável. Tais situações podem decorrer de vício formal ou material. Basicamente, o que os diferencia é o fato de o vício estar no instrumento de lançamento (vício formal) ou no próprio lançamento (vício material). Tratase da corriqueira distinção entre o chamado erro de fato e erro de direito. O Professor Paulo de Barros Carvalho conceitua estes dois institutos e ensina: “[...] erro de fato é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados lingüísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem as vezes de prova. Esse vício na composição semântica de linguagem que fazem às vezes de prova. Esse vício na composição semântica no enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do conseqüente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato. [...] Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizandose como um descompasso de feição externa, internormativa. [...] Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no conseqüente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da conseqüência da regramatriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras normas gerais e abstratas, que não a regrapadrão de incidência.” (CARVALHO, Paulo de Barros; Curso de Direito Tributário. 22ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2010. P. 485/486) Ou seja, se no erro de fato se tem vício relacionado ao lançamento em si, no erro de direito – que resulta no vício material – se verifica incorreção na relação entre a norma tributária (hipótese de incidência) e o fato jurídico tributário. No caso em tela, a fiscalização ao considerar como indiretas as exportações realizadas diretamente pela empresa Recorrente e, ainda, utilizar tais receitas como base de cálculo da obrigação previdenciária, deixou de determinar corretamente a matéria tributável e calculou de forma viciada o montante do tributo devido. A afronta a requisito disposto pelo art. 142 do CTN que, por sua vez, reflete os critérios da norma jurídica tributária (ou RMIT), incrustados no seu antecedente (critérios material, espacial e temporal) e conseqüente (critério pessoal e quantitativo), é motivo suficiente para inquinar o ato administrativo de modo inegável. Fl. 11747DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 8 Dessa forma, verificada inobservância ao critério material da regra matriz de incidência tributária, estarseá diante de nulidade absoluta decorrente de problemas inerentes ao conteúdo do lançamento (vício material). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento 1ª Turma, já reconheceu a nulidade do lançamento quando detectado erro na apuração da base de cálculo do tributo cobrado: Delegacia da Receita Federal de Julgamento em / 1a. Turma / DECISÃO em 24.03.2005 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. MULTA ISOLADA Nos termos do parágrafo 6º do artigo 37 da Lei nº 08.981, de 1995, quando o sujeito passivo não recolhe qualquer valor a título de IRPJ por estimativa, e nem elabora os balancetes de redução ou suspensão, incabível a aplicação de multa isolada, pois a forma de apuração do lucro é trimestral e definitiva, devendo ser desconsiderada a DIRPJ apresentada indicando a opção pela apuração anual. IRPJ E CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO NULO. VÍCIO MATERIAL É nulo, por vício de ordem material, o lançamento que não observou o correto período de apuração, transformando de mensal/trimestral para anual o período de apuração. A jurisprudência do CARF também é firme em reconhecer que o auto é nulo, sempre que se apoiar em base de cálculo imprestável, como se vê da ementa do Acórdão 2402 01319, da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária: “ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO MONTANTE AUTUADO. USO INDEVIDO DE AFERIÇÃO INDIRETA. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de base de cálculo equivocada altera os elementos essenciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade por vício material.” Nesse mesmo sentido, o 1° Conselho de Contribuintes decidiu: “[...] A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação. [...]” (1° Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10807.556, em 15/10/2003). “NULIDADE – VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Preliminar acolhida.” (1° Conselho de Contribuintes, 2ª Turma Especial, Acórdão 19200.015, em 08/09/2008) Tratase, portanto, de vício material, na medida em que atingido um dos elementos substanciais do fato gerador. Em outras palavras o vício evidenciado nos autos Fl. 11748DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 10880.721252/201211 Acórdão n.º 2402004.341 S2C4T2 Fl. 815 9 atinge um dos elementos enumerados no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim estabelece: Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em razão de vício material no lançamento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 11749DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO
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Numero do processo: 19647.010775/2006-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1803-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 75 /2 00 6- 10 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 128 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 2424.80411.111104.1.3.042461, em 11.11.2004, fls. 0307, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$139.230,74 recolhido em 31.12.2002, referente ao período de apuração de novembro de 2002, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. No Relatório de Informação Fiscal, fls. 0809, consta: 1. Consiste o presente processo de Declaração(ões) de Compensação (DCOMP) impetrada(s) pela empresa interessada, de supostos créditos de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ no valor R$139.230,74, [...]. 2. Na(s) Declaração(ções) de Compensação — DCOMP, constantes do Anexo III do processo n.° 19647.004738/200591, estão discriminado(s) o(s) débito(s) compensados com o referido crédito. 3. Pelo que cabe a esta fiscalização, buscamos diligenciar a contabilidade da empresa com vistas a informar no presente processo o montante do crédito a ser acatado pela SRF. [...] 4. Como podemos observar no item "1" acima, o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. 5. Conforme preceitua o artigo 10 IN SRF n° 600 de 28.12.2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 6. Portanto, o valor dito como sendo de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, referido no item "1" acima, não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR" para compensação de débitos. [...] 7. Em face do exposto, entendemos INEXISTENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte para ser utilizado nas compensações dos débitos fiscais do contribuinte informados nas Declarações de Compensações, discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do Mês de Novembro de 2002 (parte B), em anexo. Está registrado no Despacho Decisório, fl. 12: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 129 3 No uso da competência delegada pelo inciso XXI do art. 250 do Anexo da Portaria MF n.° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e concordando com os fundamentos expostos no Relatório de Informação Fiscal [...], que passa integrar este ato, conforme o artigo 5º, § 1º, da Lei n.° 9.784/99: 1. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas através das DCOMP’s discriminadas no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do mês de novembro de 2002, que encontra se anexo ao referido Relatório de Informação Fiscal; 2. DETERMINO a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1733, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas (não havia nenhuma informação, fundamento, documento ou prova para embasar as exigências), o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. Por tal razão, excluíra do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ a maior, em 31.12.02, referente ao período de apuração de 30.11.02, no valor de R$139.230,74. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débito de COFINS. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou as compensações efetuadas, com fundamento em Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa no 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devida ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 130 4 Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Por essa razão, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Ocorre que as razões apresentadas pela DRF/Recife não representam o melhor direito e merecem ser reformadas pela Delegacia Regional de Julgamento. I Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 131 5 IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. II Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Por fim, mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Conforme os termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados [...]. Portanto, foi exatamente o que ocorreu, pois o IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior foi transformado em saldo negativo de IRPJ, informação essa, prestada na DIPJ, e, passível de compensação com qualquer tributo a partir do ano calendário subsequente, ou seja, janeiro do ano de 2003. Neste caso, haveria apenas um erro na informação, da origem do crédito, pois o saldo negativo apurado no final ao ano seria suficiente para suportar as compensações efetuadas. Possivelmente — o Despacho Decisório não contém nenhuma fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico — tal decisão não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, a, o final do ano, teria saldo negativo de IRPJ inferior ao apurado pela contribuinte. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento da presente Manifestação de Inconformidade — decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará a dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a Impugnação apresentada pela contribuinte. Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento desta Manifestação de Inconformidade será um imperativo. Desse modo — insistase: somente na hipótese de discordância com as razões anteriormente expostas —, requerse que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 132 6 provimento à Impugnação apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. III Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela solução de consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo ° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valore . de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 133 7 Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados isso não ,pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebido s pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. IV Conclusão O Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente a compensação realizada pois: a) A previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei. b) Se a compensação do IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada, haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais e suficiente para suportar as compensações efetuadas. c) O Despacho Decisório da DRF/Recife e fruto de uma revisão de ofício de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. Por todos esses motivos, deve ser dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para homologar integralmente as compensações realizadas pelo contribuinte. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 28.424, de 09.12.2009, fls. 7988: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 134 8 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONAL1DADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 30.06.2010, fl. 91, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.07.2010, fls. 92109, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal [...]. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. [...] Por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 135 9 Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de IRPJ a maior em dezembro de 2002. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse • valor recolhido a maior com débito de COFINS.. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o prejuízo fiscal do período. Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizálo como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Apresentada a competente manifestação de inconformidade, houve por bem a DRJ não homologar a compensação efetuada, ratificando o procedimento da DRF/Recife de cobrar os débitos. Entretanto, a exigência fiscal em tela não pode subsistir, devendo ser integralmente cancelada. É o que se passa a demonstrar. I A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pelo contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos Preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito [...], tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influência do processo administrativo n° 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$2.628.838,20 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2003 [...]). Isso porque, de acordo com o posicionamento adorado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado. Assim, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de IRPJ de 2002 para compensar com os débitos em questão. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 136 10 Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação. Senão vejamos. II Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de 1RPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 137 11 Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Ademais, não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei. A DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infra legais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e não os dispositivo citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento apuração do imposto calculado por estimativa. Ora, conforme já demonstrado, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, podem ser compensados os tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou de ressarcimento. Assim, o procedimento adotado pela contribuinte guarda consonância também com o quanto disciplinado pelos citados atos infralegais, na medida em que houve o recolhimento a maior de IRPJ em dezembro de 2002 (portanto, passível de restituição) e que foi compensado com débito de COFINS. Ou seja, os citados dispositivos infralegais, quando interpretados em conjunto com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, como devem sêlo, ao invés de serem contrários ao procedimento efetuado pela contribuinte, na verdade o corrobora, reafirmando a impossibilidade de a Administração Fiscal restringir o direito de compensação ora em comento com base em mera instrução normativa da antiga da SRF (atual RFB). Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. III Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada. Ora, o IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débitos de IRPJ, PIS e COFINS. A decisão proferida pela DRF/Recife é arbitrária, pois, à partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 138 12 que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF nº 600/05, pois o IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. Com a devida vênia, o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser negado um direito de crédito que se materializou no tempo. Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de IRPJ), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que irrelevante o fato do crédito de IRPJ ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2002, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração. IV Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 A DRJ refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos. Com efeito, a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2002 houve recolhimento a maior de IRPJ, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão da DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de IRPJ. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa ad/ninistrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.00690/200699. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 139 13 V Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Conforme já demonstrado com a transcrição de trecho do Relatório de Informação Fiscal [...], referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela Solução de Consulta Interna n° 18. Essa Solução de Consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99 é de R$4.229.642,21, em relação à Telepisa, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal [...]. Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos para contribuinte é de R$5.719.025,18 (conforme planilha preparada pela contribuinte [...]. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 140 14 Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em, razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRJ não se manifestou sobre o assunto, pois supostamente ele seria pertinente a um outro processo administrativo não interferindo na presente lide. Tratase, entretanto, de alegação que não enfrenta o cerne da questão. Conforme já comentado, a ora recorrente teve auto de infração lavrado contra si, em 2006, por intermédio do qual foram feitas cobranças relacionadas as compensações realizadas pela empresa sucedida pela Recorrente. Após, tais valores foram excluído do PA derivado do AI e transferidos para o presente processo. [...] Ademais, existe uma pertinência lógica entre os fatos (atos cronologicamente concatenados), a comprovar a vinculação entre os processos: as declarações de compensação foram transmitidas em 2003 e 2004 e, posteriormente, em 2006, houve a lavratura do auto de infração do ágio, o que acarretou o indeferimento das compensações efetuada (os despachos decisórios são datados de 2007). Assim, demonstrase a fragilidade do argumento da DRJ, que não enfrenta o mérito da questão. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previsto pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação, leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VI Conclusão Ante todo o exposto, o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 141 15 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Preliminarmente, tem cabimento examinar a alegação da Recorrente de que há nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e os presentes autos. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 142 16 apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consultando o eprocesso, temse que contra a Tim Nordeste S/A foram formalizados, no processo nº19647.009690/200699, os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, fls. 424463 (numeração daquele processo), referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004, que se encontram pendentes de julgamento na 2ª TO/4ª Câmara/1ª Sejul/CARF1. Ressaltese que a referida pessoa jurídica é decorrente da incorporação da Telasa Celular S/A, da Teleceará Celular S/A, da Telern Celular S/A, da Telepisa Celular S/A, da Telpa Celular S/A e da Telpe Celular S/A, de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 482538 (numeração daquele processo). Ainda, naquele processo em que foram apuradas infrações consolidadas e acompanhadas com demonstrativos referentes a cada pessoa jurídica incorporada, também foram analisados todos os fatos que as circunstanciam, inclusive os créditos utilizados para extinção de débitos mediante Per/DComp da Telepisa Celular S/A, em conformidade com as Tabelas abaixo. Tabela 1 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [AnoCalendário 2001] Jan 786.291,52 335.741,71 22.481,46 1.144.514,69 Fev 191.119,93 335.741,71 22.481,46 907.566,27 Mar (178.575,67) 335.741,71 22.481,46 896.093,84 Abr (165.474,45) 335.741,71 22.481,46 1.267.418,23 Mai (73.922,84) 335.741,71 22.481,46 1.717.193,01 Jun 4.261.866,50 335.741,71 22.481,46 6.411.205,52 Jul 4.857.980,09 335.741,71 22.481,46 7.365.542,28 Ago 5.580.128,09 335.741,71 22.481,46 8.445.913,45 Set 7.007.956,00 335.741,71 22.481,46 10.231.964,53 Out 7.367.257,71 335.741,71 22.481,46 10.949.489,41 Nov 7.837.703,15 335.741,71 22.481,46 11.778.158,02 Dez 8.112.338,49 335.741,71 22.481,46 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProces suais.jsf>. Acesso em: 21 afo. 2014. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 143 17 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.377.422,05 335.741,71 269.777,51 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.232,501,24 335.741,71 22.481,46 1.590.724,41 Fev 2.225.713,41 335.741,71 22.481,46 2.942.159,75 Mar 3.643,483,71 335.741,71 22.481,46 4.718.153,22 Abr 4.468.895,52 335.741,71 22.481,46 5.901.788,20 Mai 5.465.943,78 335.741,71 22.481,46 7.257.059,63 Jun 6.250.062,16 335.741,71 22.481,46 8.399.401,18 Jul 7.862.905,69 335.741,71 22.481,46 10.370.463,88 Ago 8.468.686,75 335.741,71 22.481,46 11.334.472,11 Set 9.851.955,08 335.741,71 22.481,46 13.075.963,61 Out 11.583.674,57 335.741,71 22.481,46 15.165.906,27 Nov 15.933,181,74 335.741,71 22.481,46 19.873.636,61 Dez 13.183.531,88 335.741,71 22.481,46 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 972974 (eprocesso) Tabela 2 Demonstrativo do IRPJ e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [A] IRPJ Devido [B] [IRPJ Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 284.128,67 204.524,82 39.801,93 Fev 907.566,27 (61.237,10) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (66.105,21) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 24.725,88 0,00 12.362,94 Mai 1.717.193,01 110.443,70 0,00 55.221,85 Jun 6.411.205,52 1.171.503,13 882.664,00 144.419,57 Jul 7.365.542,28 236.584,19 152.648,76 41.967,72 Ago 8.445.913,45 268.092,80 184.157,36 41.967,72 Set 10.231.964,53 444.512,76 397.518,30 23.497,23 Out 10.949.489,41 177.381,22 93.445,79 41.967,72 Nov 11.778.158,02 205.167,15 121.231,72 41.967,72 Dez 12.411.016,52 156.214,63 72.210,24 42.002,20 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 216.388,79 216.388,79 0,00 Fev 2.431.985,09 188.603,43 188.603,43 0,00 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 144 18 Mar 4.426.633,17 373.530,32 373.530,32 0,00 Abr 6.422.880,33 344.420,46 344.420,46 0,00 Mai 7.558.411,55 167.101,96 167.101,96 0,00 Jun 8.835.800,72 52.372,61 52.372,61 0,00 Jul 9.421.279,16 56.492,06 56.492,06 0,00 Ago 10.975.053,49 192.506,71 192.506,71 0,00 Set 13.397.733,78 358.272,43 358.272,43 0,00 Out 15.232.055,22 312.504,31 312.504,31 0,00 Nov 17.398.480,95 317.084,92 317.084,92 0,00 Dez 16.676.100,08 0,00 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 261.919,05 (261.919,05) 0,00 Fev 2.942.159,75 245.837,00 245.837,00 0,00 Mar 4.718.153,22 251.508,73 251.508,73 0,00 Abr 5.901.788,20 236.002,13 209.689,47 17.156,33 Mai 7.257.059,63 241.400,21 (44.744,88) 98.327,67 Jun 8.399.401,18 85.299,68 0,00 42.649,84 Jul 10.370.463,88 258.707,57 0,00 129.353,79 Ago 11.334.472,11 216.958,14 (5.425,48) 105.766,33 Set 13.075.963,61 289.086,21 (97.716,79) 95.684,71 Out 15.165.906,27 383.621,88 0,00 191.810,94 Nov 19.873.636,61 623.326,70 (245.124;,60) 189.101,05 Dez 17.482.209,92 (675.468,67) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 3 Demonstrativo do Saldo a Pagar de IRPJ Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 IRPJ Devido 3.078.754,13 4.145.025,02 4.346.552,48 () Incentivos Ficais (0,00) (1.838.659,44) (1.928.353,85) () IRRF (0,00) (52.745,51) (168.659,61) () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (1.506.106,02) (2.579.278,00) (1.361.966,00) (=) IRPJ a Pagar Calculado de Ofício 1.572.648,11 (325.657,93) 887.573,02 IRPJ Declarado (DCTF) 0,00 0,00 0,00 IRPJ a Restituir Glosado (67.375,42) (2.303.180,35) (899.434,37) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 4 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 19542.92958.221203.1.3.023306 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 23436.76063.221203.1.7.023999 Compensação Admitida Totalmente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 145 19 18426.59977.261203.1.3.029710 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$14.506,65 [AnoCalendário 2003] 17015.64529.251104.1.3.026930 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 06862.83890. 151204.1.3.028699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 5 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 21225.67935.291203.1.3.047407 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$67.046,91 Janeiro 32706.28238.150104.1.3.040130 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 32208.16963.150104.1.3.048068 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$166.356,90 20526.53890.150104.1.3.040956 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$12.825,71 25933.61227.290104.1.3.042601 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 11479.90392.130204.1.3.040761 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 30792.09958.130204.1.3.049400 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$29.710,44 Abril 37661.02703.250204.1.3.045331 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40686.21854.250204.1.3.04 2061 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96) Maio 08799.47925.120304.1.3.049770 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Junho 19229.48833. 120304.1.3.046328 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96 Julho 01020.51908.120304.1.3.049703 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Agosto 35683.30933.120304.1.3.048676 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$234.310,91 Setembro 32497.99089.120304.1.3.041202 Compensação Admitida Totalmente Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 146 20 03378.18349.140404.1.3.042791 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$148.899,04 34345.60137.140404.1.3.046200 Compensação Admitida Totalmente Outubro 26001.93432.111104.1.3.040208 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$147.434,15 Novembro 02424.80411.111104.1.3.042461 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$10.785,31 [AnoCalendário 2003] 05649.33488.300104.1.3.049906 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$73.339,12 Janeiro 22301.19695.300104.1.3.042420 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 32105.03389.300104.1.3.040477 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$103.647,82 Fevereiro 01316.48575.300104.1.3.048740 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 13938.02879.300104.1.3.04 6325 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$28.046,84 Março 35705.65852.300104.1.3.046240 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40787.06362.300104.1.3.045692 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 21453. 03816.151204.1.3.040941 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 6 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo da CSLL Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do CSLL Apurada [AnoCalendário 2001] Jan 788.991,48 335.741,71 19.781,50 1.144.514,69 Fev 196.519,85 335.741,71 19.781,50 907.566,27 Mar (170.475,79) 335.741,71 19.781,50 896.093,84 Abr (154.674,61) 335.741,71 19.781,50 1.267.418,23 Mai (60.423,04) 335.741,71 19.781,50 1.717.193,01 Jun 4.278.066,26 335.741,71 19.781,50 6.411.205,52 Jul 4.876.879,81 335.741,71 19.781,50 7.365.542,28 Ago 5.601.727,77 335.741,71 19.781,50 8.445.913,45 Set 7.032.255,64 335.741,71 19.781,50 10.231.964,53 Out 7.394.257,31 335.741,71 19.781,50 10.949.489,41 Nov 7.867.402;71 335.741,71 19.781,50 11.778.158,02 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 147 21 Dez 8144.738,05 335.741,71 19.781,50 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.409.821,61 335.741,71 237.377,95 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.235.201,20 335.741,71 19.781,50 1.590.724,41 Fev 2.231.113,33 335.741,71 19.781,50 2.942.159,75 Mar 3.651.583,59 335.741,71 19.781,50 4.718.153,22 Abr 4.479.695,36 335.741,71 19.781,50 5.901.788,20 Mai 5.479.443,58 335.741,71 19.781,50 7.257.059,63 Jun 6.266.261,92 335.741,71 19.781,50 8.399.401,18 Jul 7.881.805,41 335.741,71 19.781,50 10.370.463,88 Ago 8.490.266,43 335.741,71 19.781,50 11.334.472,11 Set 9.876.254,72 335.741,71 19.781,50 13.075.963,61 Out 11,610.674,17 335.741,71 19.781,50 15.165.906,27 Nov 15.962.881,30 335.741,71 19.781,50 19.873.636,61 Dez 13.215.931,40 335.741,71 19.781,50 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10811083 (eprocesso) Tabela 7 Demonstrativo da CSLL e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do CSLL Apurada [A] CSLL Devida [B] [CSLL Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 103.006,32 74.348,94 14.328,69 Fev 907.566,27 (21.325,36) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (22.357,87) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 11 .061,32 0,00 5.530,66 Mai 1.717.193,01 11.061,32 0,00 20.239,87 Jun 6.411.205,52 422.461,13 29.817,77 196.321,68 Jul 7.365.542,28 85.89031 55.673,56 15.108,38 Ago 8.445.913,45 97.233,40 34.296,34 31.468,53 Set 10.231.964,53 160.744,60 13.171,44 73.786,58 Out 10.949.489,41 64.577,21 0,00 32.288,62 Nov 11.778.158,02 74.580,17 30.627,27 21.976,45 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 148 22 Dez 12.411.016,52 56.957,37 26.565,50 15.195,89 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 116.185,51 85.968,75 15.108,38 Fev 2.431.985,09 102.693,15 72.312,84 15.190,16 Mar 4.426.633,17 179.518,33 148 .972,46 15.272,94 Abr 6.422.880,33 179.662,34 148.987,96 15.337,14 Mai 7.558.411,55 102.197,81 83 936,69 9.130,56 Jun 8.835.800,72 114.965,02 83.888,50 15.538,26 Jul 9.421.279,16 52.693,06 21.199,14 15.746,96 Ago 10.975.053,49 139.839,69 113.575,10 13.132,30 Set 13.397.733,78 218.041,23 186.332,70 15.854,27 Out 15.232.055,22 165.088,93 132.745,29 16.171,82 Nov 17.398.480,95 194.978,32 162.383,99 16.297,17 Dez 16.676.100,08 (65.014,28) 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 143.165,20 112875,80 15.144,70 Fev 2.942.159,75 121.629,18 91.359,77 15.131,71 Mar 4.718.153,22 159.839,41 129.378,77 15.330,32 Abr 5.901.788,20 106.527,15 76.251,25 15.137,95 Mai 7.257.059,63 121.974,43 0,00 60.987,22 Jun 8.399.401,18 102.810,74 0,00 51.405,37 Jul 10.370.463,88 102.810,74 0,00 88.698,00 Ago 11.334.472,11 86.760,38 0,00 13.380,19 Set 13.075.963,61 156.734,23 0,00 15.998,55 Out 15.165.906,27 188.094,84 0,00 94.047,42 Nov 19.873.636,61 423.695,73 0,00 198.000,51 Dez 17.482.209,92 (215,228,40) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 8 Demonstrativo do Saldo a Pagar de CSLL Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 CSLL Devida 1.116.991,49 1.500.849,01 1.573.398,89 () Incentivos Ficais (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Retida na Fonte (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (264.500,82) (1.240.303,42) (562.297,45) (=) CSLL a Pagar Calculada de Ofício 852.490,67 260.545,59 1.011.101,44 CSLL Declarada (DCTF) 0,00 0,00 0,00 CSLL a Restituir Glosado (23.188,08) (124.384,28) (247.225,49) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 9 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 149 23 Saldo Negativo 29766.65071 .201203.1.3.037904 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 26783.96027.201203.1.3.039636 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 01638.29859.201203.1.3.030593 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Saldo Negativo 02451 .41354.151204.1.3.034073 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10931121 (eprocesso) Tabela 10 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de CSLL Determinada Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 37900.64064.300104.1.3.045466 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Maio 08532.74624.300104.1.3.043556 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Janeiro 41857.05167.300104.1.3.040699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 37551.63064.300104.1.3.040887 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 37992.53567.30010.1.1.3.043087 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 05501.34033.300104.1.3.040293 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 05750.76066.151204.1.3046840 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10921121 (eprocesso) Caracterizado está o nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e o presente processo conexo. Superada essa preliminar, tem cabimento examinar o argumento da Recorrente no sentido de que tem aplicação ao presente caso o enunciado da Súmula CARF nº 84. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 150 24 pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 151 25 A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Na decisão de primeira instância de julgamento afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010775/200610 Acórdão n.º 1803002.336 S1TE03 Fl. 152 26 conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, no valor de R$139.230,74 recolhido em 31.12.2002, referente ao período de apuração de novembro de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16327.003943/2003-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. PERC.
O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC constitui documento fundamental para que a repartição da Receita Federal analise, na época própria, o direito ao gozo do incentivo fiscal anteriormente recusado. Não apresentá-lo importa na preclusão do direito à sua revisão.
Numero da decisão: 9101-002.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado,
1) Quanto ao Conhecimento: por maioria de votos, em conhecer do recurso , vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). 2) Quanto ao Mérito, por unanimidade dos votos, em dar provimento ao recurso especial.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. PERC. O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC constitui documento fundamental para que a repartição da Receita Federal analise, na época própria, o direito ao gozo do incentivo fiscal anteriormente recusado. Não apresentálo importa na preclusão do direito à sua revisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto ao Conhecimento: por maioria de votos, em conhecer do recurso , vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). 2) Quanto ao Mérito, por unanimidade dos votos, em dar provimento ao recurso especial. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 39 43 /2 00 3- 01Fl. 570DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica —IRPJ (fls. 2 a 5), no valor de R$ 526.161,54, incluído nesse montante a multa de oficio de 75% e os juros moratórios. A autuação decorreu do não reconhecimento do direito o incentivo fiscal —FINAM para o anocalendário de 1998. De acordo com a fiscalização, a parte do IRPJ destinada ao fundo de investimento acabou implicando na falta de recolhimento do imposto, no mesmo montante daquela parcela. O termo de Verificação Fiscal de fl. 7 apresenta os seguintes fundamentos: O contribuinte optou por recolher parte do IRPJ apurado no ano base de 1998 através de DARF indicativo de fundo de investimento regional, nos termos da previsão expressa nos arts. 601 e 610 do RIR/94 (Decreto 1041/94) Ocorre que no processamento de sua DIPJ/99, foi verificada a existência de débitos com indicação de saldo devedor; no CONTACORPJ, fato que afronta a disposição do art. 60 da Lei 9069/95, impedindo a concessão do beneficio. Além disso, outras ocorrências de irregularidades detectadas pelo sistema de processamento constam da pág. 04/04 espelhada da Ficha16. A informação constante da pág. 04/04 espelhada da Ficha 16, dá conta de que, em decorrência, a totalidade do valor recolhido em nome do fundo foi considerada como aplicação de recursos próprios, não como extinção de parcela do imposto devido. Essa circunstância acabou gerando, devido à mecânica de preenchimento da DIPJ, falta de recolhimento de uma parte do imposto apurado. Cumpre ressaltar que o contribuinte não contestou a falta de acolhimento à sua opção pela aplicação incentivada. O recurso seria cabível através de PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, possibilidade não aproveitada pelo contribuinte, conforme demonstrado pela tela Consulta ao sistema PERC/99, anexa. Instaurada a fase contenciosa, por meio da impugnação de fls. 32 a 40, acompanhada dos documentos de fls. 41 a 332, foram apresentados Os seguintes argumentos de defesa, conforme descritos na decisão de primeira instância, Acórdão n° 16 12.230, de fls. 338 a346: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 16327.003943/200301 Acórdão n.º 9101002.020 CSRFT1 Fl. 3 3 Inicialmente, alega a nulidade do procedimento fiscal por estar eivado de vícios, visto que a autoridade fiscal não poderia ter ignorado a opção pelo incentivo fiscal manifestada na DIPJ nem o recolhimento efetuado por meio de DARF específico relativo ao FINAM, em razão de supostos débitos registrados em um sistema interno da Secretaria da Receita Federal SRF (Contacorpj). Sustenta o impugnante que não apresenta qualquer irregularidade perante o fisco, conforme se comprova pela DIPJ (fls. 145 a 191) e pelas certidões negativas expedidas pela própria SRF (fls. 192 a 201). Acrescenta que a suposta irregularidade apontada de forma genérica no sistema Contacorpj não é suficiente para embasar a presente autuação, pois o fisco não pode se basear em meras presunções para impor obrigações ao contribuinte quando a situação de fato ou de direito demonstre a necessidade de investigação complementar. O impugnante alega também que a autuação é arbitrária por pressupor a desqualificação do direito ao incentivo fiscal em razão da existência de créditos tributários cuja exigibilidade encontravase suspensa. Acrescenta que a existência de créditos tributários com a exigibilidade suspensa em razão de decisões judiciais, prevista no art. 151 do CTN, não lhe retira o direito à concessão do beneficio. Ainda que não se consideram as razões acima aduzidas, sustenta o impugnante que a exigência deve ser cancelada em razão de ter ocorrido dupla tributação. Argumenta que recolheu o valor do IRPJ (R$ 198.132,83), ainda que utilizando o código relativo ao Finam, não podendo ser efetuada nova cobrança. Sustenta que, não reconhecendo o direito à aplicação em incentivos fiscais, a União deveria efetuar internamente o redirecionamento do correspondente recurso para a quitação do imposto ao invés de exigir novamente o pagamento. Ante o exposto, requer que o auto de infração em tela seja julgado improcedente. Conforme já mencionado, a DRJ São Paulo/SP I considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, e incabível cogitar a nulidade do auto de infração. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais com a opção cancelada ou divergente daquela consignada na DIPJ deve ser contestada pelas Fl. 572DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 pessoas jurídicas optantes no prazo legal, que, para o Ano calendário de 1998, foi estendido até 28/06/2002. Emitido extrato com opção divergente daquela consignada na DIPJ, sem que o interessado tenha apresentado qualquer manifestação no prazo concedido, mantémse a exigência do imposto pago a menor em virtude de não ter sido reconhecido o direito ao incentivo fiscal. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 26/02/2007, a Contribuinte apresentou em 28/03 /2007 recurso voluntário de fls. 355 a 374, onde desenvolve argumentos sobre os seguintes pontos: Do cabimento da defesa administrativa: no caso em voga, o respeito ao princípio constitucional que garante a ampla defesa no processo administrativo não foi devidamente obedecido pela C. Turma Julgadora a quo; isso porque o v. acórdão recorrido concluiu que o Recorrente, não poderia alegar em sede de impugnação as razões pelas quais discorda da análise feita pela ,Secretaria da Receita Federal, uma vez que deixou transcorrer in albis o prazo para do PERC; acontece que, apesar de decorrido o prazo para a apresentação do PERC, a impugnação administrativa é o ato que instaura a fase litigiosa do procedimento de constituição do crédito tributário, momento em que o Contribuinte pode e deve apresentar, sob pena de preclusão, toda a matéria de direito conveniente à sua defesa; nesse contexto, sob nenhum pretexto a Autoridade Julgadora Administrativa pode esquivarse de apreciar as razões de impugnação, ainda que, em momento anterior à constituição formal do crédito tributário, pudesse o Recorrente ter apresentado razões fizessem com que o Fisco revisse a sua posição e considerasse correta a aplicação dos incentivos fiscais; imaginese a seguinte situação: a autoridade fiscal aponta possíveis infrações tributárias cometidas por determinado contribuinte, intimandoo a prestar esclarecimentos sobre certas operações. Este encontra dificuldades para reunir; os elementos de prova solicitados pela fiscalização no prazo estabelecido, e o fiscal lavra o auto de infração. Não poderá o contribuinte impugnar o lançamento? Evidente que sim; da mesma forma, recebido o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, poderia o Recorrente apresentar pedido de revisão. Por não têlo feito, foi lavrado auto de infração. Perguntase: não poderá o contribuinte impugnar o lançamento? A resposta, nesse caso, também é positiva; não fosse assim, não teria constado do auto de infração a intimação para que o Recorrente recolhesse o crédito tributário aos cofres públicos ou impugnasse, no prazo legal, o lançamento. Realmente, o que mais poderia o Recorrente aduzir Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 16327.003943/200301 Acórdão n.º 9101002.020 CSRFT1 Fl. 4 5 em sede de impugnação senão razões contrárias ao indeferimento de sua aplicação em incentivos fiscais? Nada mais; como se não bastasse, as peculiaridades que revestem o presente caso demonstram que a forma como a Administração Tributária ‘facultou’ ao Recorrente o direito de apresentar as suas razões de inconformismo em face do indeferimento da opção pelos incentivos não pode justificar a negativa de apreciação das razões da impugnação; realmente a Administração Tributária editou o Ato Declaratório Executivo CORAT n° 32, de 9 de novembro de 2001, fixando a data limite para apresentação do PERC em relação às opções pelo FINAM, FINOR e FUNRES, manifestadas para o anocalendário de 1998, até 28 de junho de 2002; quando o Recorrente recebeu o Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 144) dando conta do indeferimento da aplicação, um mês após a edição de referido ato normativo, observou que a orientação constante do referido extrato era para o contribuinte, em caso de divergências entre o extrato e a sua opção, ‘procurar o órgão da Secretaria da Receita Federal ao qual está jurisdicionado até 28/06/2002’; a instrução dada pela Administração Tributária foi para que o contribuinte "procurasse", até 28/6/2002, a Secretaria da Receita Federal caso discordasse da análise. Ocorre que procurar não significa dizer: ‘contribuinte, dirijase ao Fisco, obtenha a decisão que justificou o indeferimento de sua aplicação e protocole, nesse mesmo prazo, a defesa que julgar conveniente’; notase que o Recorrente não foi intimado de forma regular da decisão de indeferimento da aplicação, a qual nem mesmo instruiu o extrato enviado pela Secretaria da Receita Federal, que deveria mencionar expressamente que o prazo para apresentação do PERC expiraria no dia 28/06/2002; nesse contexto, é impositiva a apreciação das razões de mérito que justificam o acolhimento da aplicação ao FINAM feita pelo Recorrente. Do preenchimento das condições impostas para o gozo do incentivo Do cálculo do IRPJ direcionado ao FINAM: são improcedentes as ocorrências de nºs 01, 04 e 05 apontadas no Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais como supostas causas de redução do valor do incentivo fiscal postulado , pelo Recorrente; para calcular o valor que poderia recolher a titulo de incentivo fiscal dirigido ao FINAM, o Recorrente deduziu do lucro real a Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 parcela correspondente ao crédito tributário decorrente do aproveitamento de medidas judiciais, mais a parcela relativa ao investimento no P.A.T., chegando à base de cálculo de R$ 1.100.737,94, valor este que corresponde exatamente aos 18% do imposto de renda devido, conforme quadro demonstrativo constante do recurso. Dos créditos tributários com exigibilidade suspensa: o acórdão recorrido afirmou que a existência de débito de IRPJ no anocalendário de 1998 com a exigibilidade suspensa impede a emissão automática do incentivo fiscal, haja vista a necessidade de comprovação da causa suspensiva da exigibilidade perante a Administração Tributária; ocorre que o indeferimento do incentivo, nesse particular, afigurase manifestamente arbitrário por simplesmente desconsiderar a vigência de provimentos judiciais plenamente vigentes, conforme reconhecido pelo próprio Fisco no extrato que instruiu a impugnação (doc. 6); ora, se a própria Receita reconhece a existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não há razão para que impeça o aproveitamento do beneficio por parte do Recorrente; a jurisprudência deste E. Conselho não destoa desse entendimento, conforme RV n° 132.713 e RV n° 131.232. Dos débitos na Contacorpj: as fonte primárias de todos os dados atinentes ao IRPJ dos contribuintes são as próprias declarações da pessoa jurídica (DIPJ), não havendo qualquer motivo para que a fiscalização as tivesse simplesmente ignorado e utilizado informações de um sistema interno da Receita Federal, alimentado e atualizado sabese lá de que forma, para supor, sem no entanto explicitar, a existência de débitos fiscais impeditivos do aproveitamento do beneficio; as declarações do Recorrente, aliadas aos recolhimentos efetuados, dão conta da inexistência de qualquer irregularidade para com o Fisco (doc. 3 da impugnação); a confirmar a inexistência de qualquer saldo devedor para com o Fisco, excetuados aqueles com a exigibilidade suspensa por força de medida judicial, considerese a existência de certidões periódicas, expedidas pela Receita, atestando a situação de absoluta regularidade por Parte do ora Recorrente (doc. 04 da impugnação); a eleição dos dados constantes do referido sistema Contacorpj, em absoluto detrimento da regularidade demonstrada na DIPJ do ora Recorrente, bem como as certidões negativas expedidas pela própria Receita, resultam na evidente inadequação dos meios de apuração empregados pela Fiscalização, ensejando, nos termos do pacificado entendimento deste E. Conselho, o pronto cancelamento da autuação em apreço, conforme RV n° 141.945 e RV n° 145.636; Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 16327.003943/200301 Acórdão n.º 9101002.020 CSRFT1 Fl. 5 7 ademais disso, não pode o Fisco basearse em meras presunções para impor obrigações ao contribuinte quando a situação de fato ou de direito imponha investigação complementar, ou pelo menos explicativa, como pressuposto para a apuração de eventuais créditos tributários devidos; as situações fática e jurídica impunham a investigação complementar para aferição concreta e precisa de eventual débito por parte do Recorrente, sendo absolutamente despropositada a autuação decorrente de suposta irregularidade apontada, de forma genérica, no tal sistema Contacorpj; também sob esse aspecto, o E. Conselho de Contribuintes tem rechaçado as autuações baseadas em, mera presunção, conforme RV n° 116.379 e RV n° 128.590; à mingua de prova cabal acerca da existência de pendências fiscais por parte do Recorrente, a ser ao menos referenciada pelo Fisco no seu termo de fiscalização, nula restará qualquer autuação fiscal imposta ao contribuinte, conforme RV n° 113.043 e RV n° 126.838; Da duplicidade da exigência: o auto de infração ora combatido visa exigir do Recorrente parcela do IRPJ devido no anobase de 1998, e que já foi efetivamente recolhido através de guia DARF (doc. 02 da impugnação); o valor do DARF, destinado ao fundo, R$ 198.132,83, corresponde exatamente ao valor do imposto objeto de autuação; assim, a supor que o recurso pago pelo Recorrente não pudesse ter sido direcionado a esse ou àquele Fundo específico, competiria à União efetuar internamente o redirecionamento do dito recurso e não simplesmente cobrálo novamente do contribuinte que, de boafé, nos estritos termos da lei, efetuou o pagamento da exação; nessa situação hipotética, o contribuinte poderia, quando muito, assumir o ônus inerente ao descumprimento de uma obrigação acessória, mas jamais ter que, por uma segunda vez, pagar o mesmo imposto, acrescido, ainda, de juros e multa; não bastasse a duplicidade na cobrança, foi também exigido, ao lado do principal, juros de mora e multa de oficio de 75% sobre o recolhimento efetuado tempestivamente pela Recorrente com o código de receita específico para aplicação no FINAM; se o Fisco lançou exatamente o valor que a Recorrente optou por destinar ao FINAM, R$ 198.132,83, não há dúvida de que não foi apurado saldo devedor de IRPJ, não havendo que se falar em mora e, por conseqüência, na cobrança de juros e multa de oficio; Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 tendo o Recorrente agido de boafé e em estrita observância das normas que regulamentam a matéria e dos atos administrativos praticados pelo Fisco em relação ao procedimento em voga, é impositiva a aplicação do art. 100, parágrafo único, do CTN, a fim de que sejam excluídos do lançamento, quando menos, a multa de oficio e os juros de mora. Este é o Relatório. O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 . APLICAÇÃO EM INCENTIVO FISCAL FINAM VALOR CONSIDERADO COMO SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA EXIGÊNCIA DO TRPJ CORRESPONDENTE ÔNUS DA PROVA O § 7° do art. 4° da Lei n° 9.532/97 prevê que na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos de investimento, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. Mas tanto a situação de irregularidade fiscal, que prejudica a totalidade da renúncia fiscal em favor da Contribuinte, quanto as inconsistências no cálculo do incentivo, que também acarretam débito de IRPJ, devem ser devidamente demonstradas pelo Fisco, sob pena de não subsistir o lançamento. NORMAS PROCESSUAIS PRAZO PARA CONTESTAR O NÃO RECONHECIMENTO DE INCENTIVO FISCAL PEDIDO DE REVISÃO/PERC E IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE IRPJ O prazo previsto no § 5° do art. 15 do Decretolei n° 1.376/1974 está relacionado à norma que trata da destinação dos valores idas ordens de emissão cujos títulos não foram procurados pelos optante. Esse limite temporal é para que os Contribuintes busquem os seus certificados de investimentos, e não se aplica aos casos em que o Fisco nega o direito ao incentivo. A negativa da Administração Tributária em relação ao reconhecimento do incentivo, manifestada por meio de extrato que não atende aos requisitos do Decreto n° 70.235/1972 – PAF, desautoriza a aplicação do prazo de 30 dias lá previsto para a apresentação de recursos administrativos. Deste modo, a impugnação ao lançamento, apresentada tempestivamente, merece ser apreciada em todos os seus aspectos, independentemente de o Contribuinte ter ou não apresentado o PERC no prazo estipulado pelo § 5° do art. 15 do Decretolei nº 1.376/1974 e prorrogado por ato da CORAT/SRF. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 403/428, no qual discute divergência de interpretação à lei tributária quanto aos seguintes temas: 1 — PERC. Perda de prazo processual para interposição de recurso. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 16327.003943/200301 Acórdão n.º 9101002.020 CSRFT1 Fl. 6 9 2— PERC. Ônus da prova da regularidade fiscal. O recurso foi admitido pelo presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF O sujeito passivo apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O especial é tempestivo e preenche os demais requisitos, pelo que dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese a dois temas enfrentados pelo recorrido. 1) Superação da não apresentação de PERC pela impugnação, onde seriam rediscutidos os temas afetos ao pedido de revisão. 2) Ônus da prova da regularidade fiscal, o que poderia afastar a higidez do lançamento, tornandoo improcedente. Digase de início que qualquer a ordem dos temas afeta o resultado do julgamento. Isto porque o primeiro tema, se dado pela procedência do especial fulminaria de vez o acórdão recorrido, pois toda vexata quaestio da regularidade fiscal ficaria superada pela improcedência do meio utilizado pelo contribuinte. Assim, analisaremos o primeiro tema, já destacando a prejudicialidade do segundo em relação ao primeiro. Vejase também que o tema do ônus da prova não foi enfrentado pela DRJ (julgamento de fls. 338346), tratandose de inovação trazida o julgamento do voluntário. A DRJ entendeu que não havia nulidade em face dos meios de prova utilizados pela Administração tributária para negar o direito ao benefício fiscal. Sopesados os argumentos do acórdão recorrido, aqueles trazidos no recursos especial e aqueles opostos nas contrarrazões, entendo que a não apresentação do PERC, ainda que suprimida pela impugnação ao lançamento, para efeito da discussão da matéria, deve ser feita de forma tempestiva, nos termos do Decreto n. 70.235/72, mas seria imprescindível a apresentação do PERC. Pois não tendo este Pedido apresentado pelo contribuinte tempestivamente (na verdade não foi apresentado enquanto PERC em nenhum momento) resta preclusa a discussão sobre a revisão do indeferimento do incentivo, que tem iter próprio. É que se aplica também a casos de tal jaez a sistemática do Decreto n. 70235/72, que prevê o prazo de trinta dias para a manifestação, sob pena de preclusão. Este entendimento foi também manifestado em Acórdão da CSRF (Acórdão CSRF n. 0105.7654, decidido em 10/09/2007, unânime), conforme voto do C. Conselheiro Marcos Vinicius Neder, que assim se manifestou: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 Mesmo que se pretendesse equiparar o procedimento administrativo de aplicação do imposto de renda em investimentos do FINAM ao procedimento de restituição/ressarcimento de tributo, seria o ato de opção da contribuinte pela aplicação no FINAM efetuada na DIPJ aquele ato que se equipararia ao pedido de ressarcimento do tributo. A apresentação do PERC, por outro lado, tem natureza processual e equipara se a manifestação de inconformidade contra o ato de indeferimento da Administração. O PERC investe contra a alteração da opção pela aplicação prevista no incentivo, contida no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. Assim, entendo inaplicável a regra geral de restituição de tributos previsto do artigo 168 do Código Tributário Nacional para interposição do PERC. Acompanho a decisão recorrida, no entendimento de que o prazo aplicável é de 30 dias como previsto na regra processual o art. 15 do Decreto n° 70.235/72.(Grifouse). Concedo que seria possível discussão dos temas que poderiam provocar a revisão do indeferimento se houvesse um erro provocado pela Administração Tributária que tenha ensejado a não apresentação do PERC. Mas isto não sucedeu no caso em que se analisa. É fato processual que o contribuinte tomou ciência do indeferimento das aplicações ao receber o Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 144), e como consta do TVF (fl. 7), não tendo apresentado o PERC e só se manifestando sobre o tema ao ser intimado do Auto de Infração. Nem se diga que seria o caso de aplicação da Súmula CARF n. 36 (considerando que o recorrido traz o argumento da discussão sobre a regularidade fiscal), isto porque a aplicação da Súmula pressupõe a apresentação do PERC. Ademais, devese ressaltar que o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais enviado ao contribuinte e regularmente recebido aponta o não catamento da indicação e fundamenta claramente o motivo do indeferimento. Esta é a jurisprudência estável do CC e do CARF, espelhada nas decisões das antigas Câmaras do CC e das TOs do CARF e desta CSRF. Transcrevo abaixo decisões neste mesmo sentido, filiandome aos argumentos que ensejaram suas edições, sem a necessidade de aqui transcrever suas fundamentação in litteris, mas tão somente suas mais que elucidativas ementas sobre o tema, como segue adiante. Acórdão CSRF n. 0105.7654 (dec. 10/09/2007, unânime, Rel. C. Marcos Vinicius Neder de Lima) PERC NORMAS PROCESSUAIS PERDA DE PRAZO PARA RECORRER O PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Acórdão 1º CC/5ª C. n.10517.287 (dec. 16/10/2008, unânime, Rel. Leonardo Henrique M. De Oliveira) INCENTIVOS FISCAIS FINOR — PERC O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC constitui documento fundamental para que a repartição da Receita Federal analise, na época própria, o direito ao gozo do incentivo fiscal anteriormente recusado. Não apresentálo ou fazêlo fora do prazo legal importa na preclusão do direito à sua revisão. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 16327.003943/200301 Acórdão n.º 9101002.020 CSRFT1 Fl. 7 11 Acórdão CSRF 910100.210 (dec. 27/07/2009, unânime, Rel. C. Karem Jureidini Dias). PERC. PEDIDO DE REVISÃO. PRAZO PARA RECORRER. NORMA PROCESSUAL. O PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, o prazo para interposição de recurso administrativo ocorre após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC, salvo se prazo maior e específico for conferido ao contribuinte. Acórdão 1aS/3aC./2ª TO n. 130200.946 (Dec. 05/07/2012, Relator C. Luiz Tadeu Matosinho Machado) NORMAS PROCESSUAIS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS DE IRPJ PERC PRAZO PARA REVISÃO. PRECLUSÃO. A ciência pelo sujeito passivo do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal, demarca o início do prazo processual para a manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção, por meio do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento PERC, observado o disposto no art.15 do Decreto nº 70.235/1972. Acórdão n° 9101001.155 (Dec. 03/08/2011, unânime, Relator C. Antônio Carlos Guidoni Filho) Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Conforme precedentes da Camara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Assim, entendo haver preclusão pela não apresentação do PERC no prazo legal após o recebimento Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (que traz a fundamentação do indeferimento), o qual foi recebido regularmente, e desta forma considero prejudicados os outros argumentos sobre a discussão da regularidade fiscal e do ônus da prova em relação a esse aspecto, pelo que dou pelo provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, restabelecendo a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 580DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 12 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10218.000118/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2004
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando demonstrada contradição entre os fundamentos do voto e a parte dispositiva, por força de erro formal, devendo o acordão embargado ser retificado.
Embargos de Declaração acolhidos.
Numero da decisão: 3202-001.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração apresentados pela PFN. Ausente o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Presentes na sessão: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado GRÁFICA REDENÇÃO LTDA ME ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2004 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando demonstrada contradição entre os fundamentos do voto e a parte dispositiva, por força de erro formal, devendo o acordão embargado ser retificado. Embargos de Declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração apresentados pela PFN. Ausente o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator Presentes na sessão: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (efl. 110/ss), em face do Acórdão nº 320200.158, de 25/08/2010, proferido por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 01 18 /2 00 5- 69 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Tendo em vista que o Relator do Acórdão ora embargado não mais integra este Colegiado, e em vista do disposto no art. 49, § 7o, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256/2009), a presidente da Turma designoume relator ad hoc para a análise dos embargos apresentados. Alega a embargante (efls. 168/ss) que teria havido contradição, obscuridade e omissão no votocondutor do Acórdão pelos seguintes motivos: (i) A contradição decorreria do fato de que a decisão recorrida, ao reduzir a multa aplicada pela não apresentação da DIFPapel Imune (prevista no art. 57 da MP nº 2.158 35/2001), que originalmente incidia “por mêscalendário” para um “valor único por declaração não apresentada no prazo”, em face da retroatividade benigna, ter feito remissão ao artigo 1º, § 4º, inciso II da Lei nº 11.945/2009 – que prescreve a multa no valor de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas , contudo, no dispositivo do acórdão fez referência ao valor de R$ 1.500,00. Assim, haveria contradição entre o dispositivo do acórdão e as razões que o fundamentam; (ii) A decisão conteria obscuridade porque não deixou clara qual era a intenção do órgão julgador: se a referência ao valor da multa aplicada no patamar de R$ 1.500,00 se tratou de um vício no julgado passível de correção via de embargos ou se o órgão julgador pretendeu, de fato, fazer remissão ao valor da multa tal qual estipulava o art. 57 da MP nº 2.15835/2001. (iii) Entretanto, se essa última premissa revelarse verdadeira, estaríamos diante do vício de omissão, uma vez que o Colegiado não se pronunciou sobre o tema, não elencando as razoes para fundamentar a decisão de modo a acatar uma pretensa retroatividade benigna mediante uma indevida combinação da legislação antiga e a atual. Assim, nessa linha, o acórdão seria omisso e obscuro, ao adotar, sem embasamento legal, particularidades ora de uma legislação (art. 57 da MP nº 2.15835/2011), ora de outra mais atual (Lei nº 11.945/2009). Deste modo, requer a União sejam conhecidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para sanar/retificar os supostos vícios apontados. É o Relatório. Voto Os embargos de declaração estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso em tela, assiste razão à Embargante. Há, de fato, contradição e obscuridade na decisão recorrida. Ao aplicar a retroatividade benigna, reduzindo a multa pela não apresentação da DIFPapel Imune, prevista originalmente no art. 57 da MP nº 2.15835/2001 no valor de R$ 1.500,00 (para as optantes pelo SIMPLES), que incidia “por mêscalendário” para um “valor único por declaração não apresentada no prazo”, prevista no artigo 1º, § 4º, inciso II da Lei nº 11.945/2009, a decisão recorrida incorreu em equívoco ao indicar em seu dispositivo o valor de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10218.000118/200569 Acórdão n.º 3202001.368 S3C2T2 Fl. 122 3 R$ 1.500,00, quando na verdade o texto da lei prescreve o valor de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas, verbis: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (Produção de efeitos). I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Esse, inclusive, é o entendimento desta 2ª Turma/3ª Câmara, conforme já estou assentado no Acórdão nº 3202000.476, de 24/04/2012, relatado pela ilustre Conselheira e Presidente da Turma Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, em decisão unânime. Confira se a ementa e o dispositivo do julgado: Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2002, 2003 e 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIFPapel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº. 9.779, de 19/01/1999; art. 57 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 24/08/2001; arts. 11 e 12 da Instrução Normativa/SRF n° 71, de 24/08/2001 e arts. 212 e 505 do Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002). OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA “DIFPAPEL IMUNE”. Nos termos do parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº. 159, de 16/05/2002, a apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória para aqueles possuidores do registro especial, mesmo que não tenha ocorrido operação com papel imune no período. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei no 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIFPapel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.15835/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso provido em parte. Dispositivo Assim, por aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, tendo a nova lei cominado penalidade menos severa que a anterior, entendo que o valor da multa aplicada deve ser de R$ 2.500,00 para cada declaração trimestral não apresentada, isto é, para cada uma das oito declarações trimestrais que deixaram de ser entregues (3º e 4º trimestres/2002; 1º, 2º, 3º e 4º trimestres/2003 e 1º e 2º trimestres/2004), reduzindoa para o valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Assim, pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o valor da multa aplicada, na forma acima posta. Tratase, a meu ver, de um vício no julgado passível de correção via de embargos. Assim sendo, voto por conhecer e acolher os presentes embargos de declaração, para retificar a parte dispositiva do acórdão, que ficará redigida nos seguintes termos: Diante do exposto, e com base no que dispõem a nova legislação e o dispositivo benigno de aplicação retroativa acima transcrito, voto por que se dê provimento parcial ao recurso de forma que a exigência fiscal limitese ao valor da multa aplicada, R$ 2.500,00, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10218.000118/200569 Acórdão n.º 3202001.368 S3C2T2 Fl. 123 5 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 19515.000974/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 74 /2 00 7- 04 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Fl. 897DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000974/200704 Acórdão n.º 2202002.812 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JOSÉ HENRIQUE ANÍSIO FRAGA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 647/651, relativo aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 4.396.413,23, conforme abaixo: Imposto R$ 2.021.677,67 Juros de Mora (calculados até 30.03.2007) R$ 858.477,32 Multa Proporcional R$ 1.516.258,24 A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 648, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. No anocalendário 2002, o contribuinte movimentou recursos referentes a depósitos no montante de R$ 1.081.322,52, sendo que, em 2003 e 2004, os valores somaram R$ 3.907.107,07 e R$ 2.418.509,70, respectivamente. As Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário 2002 e 2004, juntadas ao processo, demonstram que o contribuinte informou não ter recebido rendimentos tributáveis nestes anos. Devidamente intimado a comprovar através de documentação hábil e idônea a origem dos recursos movimentados e creditados em suas contas bancárias nos anos de 2002, e 2003 e 2004, conforme valores listados mensalmente no demonstrativo de fls. 579/642, o contribuinte não apresentou a documentação comprobatória requerida. Sendo assim, a fiscalização considerou evidenciada a existência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, efetuando o presente lançamento com base no artigo 42 da Lei 9.430/96. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 28.05.2007, através do instrumento de fls. 655/703, alegando em breve síntese que: DO MÉRITO O entendimento doutrinário e jurisprudencial, sobretudo aquele exteriorizado por nossos Tribunais, no sentido de que a matéria relativa ao sigilo de dados e operações financeiras (assim também entendida a circulação dessas informações entre os órgãos da Administração para fins diversos daqueles para as quais foram originalmente obtidas), possui estrutura constitucional inserta no rol das garantias individuais, de modo que a sua flexibilização excepcional só pode ocorrer mediante ordem judicial, em cada caso concreto e sempre devidamente fundamentada; A par da falta de aptidão da lei ordinária para determinar a quebra do sigilo bancário, a eliminação da participação do Poder Judiciário na apreciação da existência concreta de causa provável que legitime a medida excepcional em favor da Administração Pública, importa em gravíssima vulneração de Fl. 898DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 cláusulas pétreas e do princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade; Os parágrafos 2° e 3° do art. 11 da Lei 9.311/96, esse último com a redação dada pela Lei 10.174/01 não merecem subsistir porque a lei ordinária não tem aptidão para regular matéria referente à quebra do sigilo bancário, sob pena de desobediência ao art. 192, caput da CF; É imprescindível que o levantamento fiscal se faça por profissional habilitado para tanto, vale dizer, profissional devidamente inscrito no Conselho Regional de Contabilidade, in casu o CRC/SP; O levantamento levado a efeito pelo Auditor Fiscal da Receita Federal que culminou com a presente imputação deve ser integralmente desconsiderado uma vez que além de não levar em consideração os controles paralelos realizados pela autuada para comprovação das diferenças apuradas nos saldos das contas bancárias, ignorou os esclarecimentos prestados pelo autuado que colocava à disposição do auditor os documentos comprobatórios para aferição, a saber: livro diário, livro razão auxiliar, cópias de cheques referentes a depósitos da própria empresa em suas contas correntes e extratos bancários; O Sr. Auditor Fiscal trouxe à colação relação de cheques, e que por motivos que fogem ao seu conhecimento, sequer foram autuados pela serventia desta Secretaria da Receita Federal na medida em que suas páginas não se encontram devidamente numeradas e carimbadas pela autoridade competente, possibilitando assim uma adequada remissão aos documentos de fls. a fim de demonstrar as transferências entre contas de titularidade da autuada, e que por via de conseqüência não representam receitas tributáveis; A r. decisão impugnada aduz levianamente que o princípio da verdade material teria sido rigorosamente observado na medida em que, in verbis: "...os lançamentos efetuados com base em presunção legal a única verdade material que se pode buscar é a relativa à ocorrência do fato que permite a inversão do ônus da prova..." A jurisprudência do E. CC vem reiteradamente decidindo que os extratos bancários não podem ser utilizados como fundamento para a imposição de multa por omissão de receitas sem o necessário cotejo com o Livro Diário; Requer, ante o exposto, a declaração de nulidade dos Autos de Infração e Multa em epígrafe ou, caso não seja este o entendimento, seja o presente auto de infração considerado improcedente ou, ainda, seja a multa imposta relevada. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o Fl. 899DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000974/200704 Acórdão n.º 2202002.812 S2C2T2 Fl. 4 5 lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. SIGILO BANCÁRIO. PRELIMINAR. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, e constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade de leis e atos normativos, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. Nas atividades inerentes à constituição de créditos da Fazenda Nacional administrados pela Receita Federal do Brasil são competentes os Auditores Fiscais, não se lhes aplicando quaisquer limitações relativas à profissão , de contabilistas. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos 01) de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. Lançamento Procedente Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da quebra do sigilo bancário; Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários; Da taxa selic. É o relatório. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado do pressuposto legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 901DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000974/200704 Acórdão n.º 2202002.812 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 902DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, Fl. 903DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000974/200704 Acórdão n.º 2202002.812 S2C2T2 Fl. 6 9 estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; Fl. 904DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 905DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000974/200704 Acórdão n.º 2202002.812 S2C2T2 Fl. 7 11 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10280.720472/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. SUJEITO PASSIVO. TÍTULO ILEGAL. INVASÃO. O cancelamento do título de propriedade do imóvel rural com efeitos ex-tunc, alidado à configuração do esbulho, de forma continuada, caso dos autos, descaracteriza o sujeito passivo da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
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SUJEITO PASSIVO. TÍTULO ILEGAL. INVASÃO. O cancelamento do título de propriedade do imóvel rural com efeitos extunc, alidado à configuração do esbulho, de forma continuada, caso dos autos, descaracteriza o sujeito passivo da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 04 72 /2 01 0- 17 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 0433.138 1ª Turma da DRJ/CGE, que manteve integralmente o lançamento tributário de ITR no imóvel rural denominado Fazenda Fernão Dias, NIRF 6.540.8721, localizada no município de AcaráPA, com área total de 8.838,0ha. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 17/09/2013. A interposição do Recurso Voluntário deuse em 15/10/2013. O contribuinte alega que a cobrança do tributo é ilegítima pois desde antes de 1999 não detém a posse e uso do imóvel, e que em 09/09/2010 teve averbado o cancelamento da matrícula do imóvel em cumprimento ao Provimento 002/2010CJCJ. A decisão de cancelamento decorre de cumprimento de decisão do Corregedor Nacional de Justiça, Ministro Gilson Dipp, nos autos do Pedido de Providências n. 0001943.67.2009.2.00.0000 (ver doc. 4 anexo ao Recurso Voluntário, fls. 174176). No recurso o contribuinte apresenta o histórico de ocupação da propriedade, conforme a seguir. 1. Exerceu atividades agrícolas, florestais e agropecuárias entre 1970 e 1999. 2. No 2o. semestre de 1999 o imóvel foi invadido pelo Movimento dos Sem Terra, que ocuparam a propriedade desde então. 3. Em 20/07/00 protocolou Ação de Reintegração de Posse (Processo 5111/00) e obteve decisão liminar favorável. Contudo, a liminar nunca foi levada a efeito tendo em vista um incêndio criminoso no fórum local (anexo 5 do Recurso Voluntário). 4. Apesar de não ter acesso ao imóvel, tampouco a posse e uso, formalizou a entrega de DITR ao fisco em 2006, tendo em vista salvaguardar os próprios interesses e evitar exigências fiscais. Declarou a existência de reserva legal e de área de preservação permanente. Contudo, tendo em vista o esbulho sofrido na propriedade, não teria como indicar com precisão o quantitativo dessas áreas. 5. O lançamento de ofício sobreveio tendo em vista a falta de apresentação de ADA e de averbação da reserva legal. 6. Apresentou impugnação tempestiva argumentando que não detinha a posse e uso do imóvel e que o imóvel estava em litígio, ocupado pelo Movimento dos Sem Terra. 7. Na impugnação juntou documentos : a) Certidão emitida pelo Cartório da Vara de Tomé Açu, no Pará sobre a ocorrência do incêndio criminoso; b) Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo, lavrado em 03/05/2010 que demonstra a invasão e ocupação da área; e c) solicitou diligência fazendária para averiguação da verdade material dos fatos descritos (não atendido). 8. Entende que o título de propriedade está esvaziado, visto que não detém a posse, nem o domínio, nem o uso, e, a partir de 2010, nem a propriedade. 9. A informação do cancelamento do título de propriedade do imóvel só foi do conhecimento do recorrente após a impugnação (doc. 8 anexo ao Recurso Voluntário). Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10280.720472/201017 Acórdão n.º 2101002.596 S2C1T1 Fl. 3 3 10. Ressalta que a situação de perpetuidade da invasão do imóvel rural está reconhecida pelo Estado, conforme documento n. 7 anexo ao Recurso Voluntário. Nesse documento, o órgão de policiamento local atesta a existência de diversas famílias fixadas na localidade. 11. A liminar de reintegração de posse foi concedida em 2000 e, no entanto, nunca foi cumprida. Assim, não se pode presumir que o contribuinte exerceu a autotutela para retomar o imóvel, e nem se poderia admitir que estaria consolidada a titularidade do bem em favor do recorrente por decurso de prazo. 12. Colaciona decisões do CARF sobre situações similares. 13. A concessão de isenção de ITR independe da apresentação de ADA pelo contribuinte. 14. A existência de reserva legal em imóvel rural é uma presunção legal , cujas dimensões variam conforme a região territorial, e, portanto, não podem ser desconsideradas sem prova ao contrário de sua preservação. (art. 3 e 12 da lei 12651/12). 15. Em não sendo detentor do imóvel rural (posse ou domínio útil) e agora com o cancelamento do título de propriedade, não existe fato gerador do tributo. 16. O cancelamento do registro e da matrícula do imóvel rural se deu em virtude de nulidade declarada pelo CNJ, com efeitos ex tunc, e em definitivo. Pugna pela anulação da exigência do ITR motivo do processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente, têmse que analisar a titularidade do imóvel. O recorrente alega que não mais detém posse, domínio, uso ou propriedade do imóvel. Relativamente à propriedade, os documentos acostados aos autos confirmam que a propriedade do imóvel estaria sendo exercida pelo recorrente ao arrepio da lei. O recorrente nunca teria sido o proprietário legal das terras, pois não teve um título de propriedade concedido originariamente pelo Senado Federal, tanto que o título de propriedade foi cancelado. Conforme a Constituição Federal de 1946, com a redação dada pela Emenda Constitucional n. 10 de 1964, a seguir transcrita, o título da propriedade em questão era ilegal, e por isso foi cancelado. Art 156 A lei facilitará a fixação do homem no campo, estabelecendo planos de colonização e de aproveitamento das Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 terras pública. Para esse fim, serão preferidos os nacionais e, dentre eles, os habitantes das zonas empobrecidas e os desempregados. § 1º Os Estados assegurarão aos posseiros de terras devolutas que tenham morada habitual, preferência para aquisição até cem hectares. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 10, de 1964) § 2º Sem prévia autorização do Senado Federal, não se fará qualquer alienação ou concessão de terras públicas, com área superior a três mil hectares, salvo quando se tratar de execução de planos de colonização aprovados pelo Govêrno Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 10, de 1964) O documento autorizador do cancelamento da matrícula do imóvel determina que devem ser cancelados os registros inequivocamente incompatíveis com a legislação constitucional e infraconstitucional, ainda que não individualmente identificados. Prossegue o documento (fls.190) relacionando os critérios para a definição dos títulos a serem cancelados nos cartórios de registro de imóveis: " Nesses limites, devem ser cancelados todos os registros, com averbações necessárias em todos os atos e transferências subsequentes, encerrandose a matrícula respectiva, nos Cartórios de Registros de Imóveis do interior do Estado do Pará de sua situação, referentes aos imóveis rurais atribuídos a particulares pessoas físicas o jurídicas e, originariamente desmembrados do patrimônio público estadual por ato da Administração que configure concessão, cessão legitimação, usucapião, compra e venda ou qualquer tipo de alienação onerosa ou não, e que, sem autorização do Senado ou do Congresso: ... tenham sido lançados, no período de 9 de novembro de 1964 a 4 de outubro de 1988, com área superior a 3.000 (três mil) hectares; .." A certidão de registro do imóvel em questão, do Registro de Imóveis da Comarca de ToméAçu, Estado do Pará, (documento 4 anexo ao Recurso Voluntário) relaciona todos os possuidores/proprietários do imóvel rural. O documento está registrado no livro 3A, folhas 55, transcrição 956. O título inicial de propriedade da terra duas glebas de terras, sem denominação especial teria sido emitido pelo Governo do Estado do Pará, em 15 de maio de 1963, transcrito no Registro de Imóveis em 10/01/1966. Ao final, está registrado o cancelamento da matrícula, em 09/09/2010, em cumprimento à decisão do Corregedor Nacional de Justiça, Ministro Gilson Dipp, nos autos do Pedido de Providências n. 0001942.67.2009.2.00.0000. Observase que o documento autorizador do cancelamento da matrícula do imóvel (efls. 179189) inclui um procedimento anterior, de bloqueio da matrícula, para que o titular do imóvel prove a legalidade do título de propriedade. O mesmo documento delega poderes aos Juízes de Direito das Varas Agrárias do Estado do Pará para determinar o desbloqueio das matrículas, desde que requerido pelo interessado e atendidos os requisitos legais, tendo em vista efetuar a regularização das áreas. Dessa decisão caberia recurso administrativo, sem efeito suspensivo à Corregedoria. Isso quer dizer que foi dado o direito de ampla defesa aos interessados para que regularizassem o título. De acordo com o documento, o Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10280.720472/201017 Acórdão n.º 2101002.596 S2C1T1 Fl. 4 5 bloqueio dos registros "tem o efeito de sustar outras operações derivadas e o significado de divulgar publicamente a pendência, a dúvida ou a impugnação sobre o assunto". Adicionalmente, o referido provimento garante o direito daqueles que exercem regularmente a posse com base no título afetado, o que não é o caso dos autos. Pelas razões: a) vício na origem da concessão do título de propriedade; b) cancelamento do título, podendo ter havido uma simples suspensão para que o titular do direito se defendesse; c) não existência, nos autos, de qualquer documento atestando a legalidade da origem do título de propriedade do recorrente; e d) prazo decorrido desde o cancelamento do título (2010), entendo que o cancelamento do título de propriedade é definitivo e tem efeitos extunc, ou seja, a propriedade do imóvel rural nunca pertenceu ao recorrente. Relativamente à posse, o recorrente também carreou aos autos, documentos comprobatórios de que não mais detém a posse do imóvel rural. Aliás, conforme certidão (documento n. 7 anexo ao Recurso Voluntário) expedida pelo Delegado de Polícia Civil do município de ToméAçu, Pará, em 07/10/2013, a empresa do recorrente é desconhecida na localidade. O Delegado certifica a existências de diversas famílias em um assentamento rural de fato, existente há mais de 10 anos no perímetro da Fazenda Fernão Dias, situada às margens do rio AcaráGrande. Observase, contudo, que o imóvel vistoriado pelo notário, referese a uma gleba de terras objeto de transcrição 911, livro 3A, fls. 49, do Cartório de Registro de Imóveis do município de ToméAçu. O imóvel vistoriado pelo Delegado de Polícia referese apenas à Fazenda Fernão Dias, de propriedade da empresa Fernão Dias Agropecuária S/A. Adicionalmente, o recorrente anexou aos autos o Ato n. 003, aonde o Notário Maria Izabel Carvalho da Cruz Escrevente Juramentada efetuou a verificação in loco do estado de ocupação do imóvel, atestando as informações de que no local vivem mais de 150 famílias assentadas. O Notário também informa que essas pessoas afirmaram ser proprietários das terras ocupadas e moram no local há mais de 10 anos. A Lei 9.393/96 assim define o fato gerador do tributo: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Observase que o imóvel rural em questão não teve sua matrícula cancelada por interesse social para fins de reforma agrária. O imóvel teve a matrícula cancelada porque o título originário da propriedade era ilegal. Contudo, verificase que, mesmo com o título ilegal, mas estando o recorrente na posse e domínio útil do imóvel rural, teria ele que arcar com o tributo. Conforme o art. 4o. da Lei 9.393/96, o sujeito passivo da obrigação tributária é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Tendo em vista o cancelamento do título de propriedade por vício na origem, entendo que o cancelamento tem efeitos extunc, e que a posse e o domínio útil da propriedade não se encontram com o recorrente há pelo menos 10 anos, conforme documentos dos autos, voto por prover integralmente o recurso voluntário considerando o lançamento tributário improcedente Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Nesse sentido, decisão do STJ no REsp 1144982 PR 2009/01147493, a seguir colacionada. TRIBUTÁRIO. ITR. INCIDÊNCIA SOBRE IMÓVEL. INVASÃO DO MOVIMENTO "SEM TERRA". PERDA DO DOMÍNIO E DOS DIREITOS INERENTES À PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE DA SUBSISTÊNCIA DA EXAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Conforme salientado no acórdão recorrido, o Tribunal a quo, no exame da matéria fática e probatória constante nos autos, explicitou que a recorrida não se encontraria na posse dos bens de sua propriedade desde 1987. 2. Verificase que houve a efetiva violação ao dever constitucional do Estado em garantir a propriedade da impetrante, configurandose uma grave omissão do seu dever de garantir a observância dos direitos fundamentais da Constituição. 3. Ofende os princípios básicos da razoabilidade e da justiça o fato do Estado violar o direito de garantia de propriedade e, concomitantemente, exercer a sua prerrogativa de constituir ônus tributário sobre imóvel expropriado por particulares (proibição do venire contra factum proprium). 4. A propriedade plena pressupõe o domínio, que se subdivide nos poderes de usar, gozar, dispor e reinvidicar a coisa. Em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, essa propriedade não é plena quando o imóvel encontrase invadido, pois o proprietário é tolhido das faculdades inerentes ao domínio sobre o imóvel. 5. Com a invasão do movimento "sem terra", o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para a proprietária. 6. Ocorre que a função social da propriedade se caracteriza pelo fato do proprietário condicionar o uso e a exploração do imóvel não só de acordo com os seus interesses particulares e egoísticos, mas pressupõe o condicionamento do direito de propriedade à satisfação de objetivos para com a sociedade, tais como a obtenção de um grau de produtividade, o respeito ao meio ambiente, o pagamento de impostos etc. 7. Sobreleva nesse ponto, desde o advento da Emenda Constitucional n. 42/2003, o pagamento do ITR como questão inerente à função social da propriedade. O proprietário, por possuir o domínio sobre o imóvel, deve atender aos objetivos da função social da propriedade; por conseguinte, se não há um efetivo exercício de domínio, não seria razoável exigir desse proprietário o cumprimento da sua função social, o que se inclui aí a exigência de pagamento dos impostos reais. 8. Na peculiar situação dos autos, ao considerarse a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade. 9. Recurso especial não provido. As questões sobre a obrigatoriedade de ADA (Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal) e averbação tempestivos(Área de Reserva legal) estão Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10280.720472/201017 Acórdão n.º 2101002.596 S2C1T1 Fl. 5 7 devidamente consideradas no acórdão de impugnação e nada há a acrescentar. Os motivos do provimento do Recurso Voluntário independem da reanálise desses pontos. Recurso Voluntário provido. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 201DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10314.007932/2008-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/07/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/07/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/07/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 79 32 /2 00 8- 69 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007932/200869 Acórdão n.º 3803006.586 S3TE03 Fl. 342 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 21/07/2008 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/09/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007932/200869 Acórdão n.º 3803006.586 S3TE03 Fl. 343 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007932/200869 Acórdão n.º 3803006.586 S3TE03 Fl. 344 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007932/200869 Acórdão n.º 3803006.586 S3TE03 Fl. 345 9 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 349DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.724511/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010
AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ANULAÇÃO - Deve ser anulada, no sentido de ser proferida outra, a decisão de 1ª Instância Administrativa que não contempla a análise de impugnação apresentada pelo o responsável solidário. Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3302-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ANULAÇÃO Deve ser anulada, no sentido de ser proferida outra, a decisão de 1ª Instância Administrativa que não contempla a análise de impugnação apresentada pelo o responsável solidário. Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 45 11 /2 01 1- 62 Fl. 931DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA., CNPJ 01.192.333/000122, em face da decisão proferida em 24 de janeiro de 2012 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 0536.752 proferido pela 3 ª Turma da DRJ/CPS, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que integrou o julgado, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Na origem tratamse de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente ao Período de Apuração de 01/12/2007 a 31/12/2010, lançados em 06 de outubro de 2011, com ciência pessoal da contribuinte na mesma data da lavratura, que constituíram o crédito tributário total de R$ 25.436.483,10, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2011. Os lançamentos foram efetuados contra a contribuinte acima identificada e contra o responsável solidário “ABC MOTORS LTDA”, CNPJ 01.979.916/000106, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de efl 582, o qual foi cientificado em 24 de Outubro de 2011, conforme Aviso de Recebimento – AR de efl 583. Do Acórdão recorrido extraise trecho que, em síntese, esclarece os lançamentos objetos dos presentes autos: “Este lançamento de ofício se ateve aos efeitos das Ações Ordinárias n°s 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas contra a União pela concessionária ABC Motors Ltda, com a pretensão de afastar a aplicação da Lei n 10.485/2002 que instituiu a incidência concentrada do PIS e COFINS sobre a receita auferida pelos fabricantes e importadores na venda de determinados veículos automotores. Portanto, este lançamento de ofício está sendo feito em face do contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, CNPJ 01.192.333/000122 e do responsável solidário ABC MOTORS LTDA., CNPJ 01.979.916/000106, nos termos do art. 124 do CTN (...).” A contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA apresentou impugnação em 04/11/2011 ( efls 587 a ), alegando, em síntese: Fl. 932DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302002.728 S3C3T2 Fl. 924 3 1) Preliminar de Nulidade do Auto de Infração por iliquidez e incerteza do Crédito Tributário nele exigido, em decorrência da falta de comprovação, pelo o auditor fiscal, de que os valores ora exigidos não foram recolhidos pela concessionária ABC Motors; 2) Ausência de responsabilidade da Montadora i) pela aplicação da interpretação proferida no Parecer Normativo nº 1, de 2002: a) Violação ao inciso I do art. 121, C.C o art. 128 do CTN e b) os limites da responsabilidade no regime de Substituição Tributária: Hipótese de não retenção por força de decisão judicial e encerramento do período de apuração do tributo enseja a transferência do dever de pagar o tributo ao contribuinte (substituído); ii) pela determinação judicial de recolhimento de parte do tributo pela concessionária ABC MOTORS LTDA. Por sua vez, o responsável solidário “ABC MOTORS LTDA”, em 23/11/2011, apresenta sua impugnação de efls 693 a 719, por meio da qual apresenta suas razões sob os seguintes itens e sub itens e conclui pedindo pela nulidade dos lançamentos: 1) Dos fatos; 2) Do Direito: 2.1. Da necessidade de abertura de Mandado de Procedimento Fiscal em face da empresa concessionária ABC MOTORS LTDA; 2.2. Da Sujeição Passiva Solidária indevida; 2.3. Da nulidade por indicação equivocada da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade; 2.4. Da impossibilidade de consolidação de lançamento em face da empresa ABC MOTORS por meio do “;Termo de Sujeição Passiva Solidária”; 2.5. Do Vício Material Insanável; Como dito acima, em 24 de janeiro de 2012 a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa emite o Acórdão nº 0536.752 proferido pela 3 ª Turma da DRJ/CPS, cujo voto do relator, que foi seguido por unanimidade pelos os seus pares, depois de discorrer sobre os dispositivos originais da Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, que instituíram o chamado regime monofásico a tributação do setor automotivo, efetua análise acerca da distinção entre o regime monofásico e o de substituição tributária para concluir sobre a correção da eleição dos sujeitos passivos feita pela fiscalização e pela concomitância, inclusive quanto à questão da responsabilidade tributária. Por meio da intimação SECAT nº 147/2012 (efl 751), a contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA foi cientificada da decisão prolatada pela autoridade julgadora de 1ª instância, em 14/02/2012, consoante Aviso de Recebimento – AR de efl. 756. Inconformada com tal decisão, em 13 de março de 2012, interpõe Recurso Voluntário (efls 759 a ), no qual contesta a decisão sobre a concomitância entre a ação judicial da empresa “ABC Motors” e o presente processo administrativo da ora recorrente, sob o argumento de que não se tem, nos autos, os pressupostos necessários para a configuração da Fl. 933DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 alegada concomitância, posto que, para tal configuração, fazse necessário que haja identidade de sujeito (o sujeito passivo da obrigação tributária deve ser o autor da ação judicial), bem como, identidade de objetos, ou seja o mesmo pedido. Nesse sentido, defende que a ação ordinária n° 2002.61.00.0296324 referida pelas D. Autoridades fiscais não foi proposta pela ora recorrente, mas sim pela concessionária de veículos ABC Motors Ltda e que os pedidos envolvidos nas ações judiciais e administrativas são absolutamente distintos não comportando interpretações sobre a possível concomitância de esferas, consoante tenta demonstrar. Além da contestação sobre a concomitância declarada no Acórdão recorrido, traz ainda, em seu recurso voluntário, os mesmos argumentos já apresentados na impugnação, no sentido de defender a nulidade dos autos de Infração por ausência de prova de que os valores exigidos não tenham sido recolhidos anteriormente pelo contribuinte de fato, qual seja a concessionária ABC Motors, e que, caso não seja este o entendimento do colegiado, de demonstrar que se os valores fossem devidos deveriam ser cobrados diretamente do contribuinte, in casu, a concessionária ABC Motors. O seu recurso voluntário contém os seguintes itens de defesa: I DOS FATOS; II DO DIREITO; II.1 – DA INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE A AÇÃO JUDICIAL DA EMPRESA ABC MOTORS E O PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO DA ORA RECORRENTE; II.2 – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ILIQUIDEZ; II.3 – DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA MONTADORA, ORA RECORRENTE; II.3.A – VIOLAÇÃO AO INCISO I DO ART. 121, C/C O ART. 128 DO CTN INTERPRETADOS PELO O PARECER NORMATIVO CST Nº 01, DE 2002; II.3.A.1.1 OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE NO REGIME DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA: HIPÓTESE DE NÃO RETENÇÃO POR DECISÃO JUDICIAL; II.3.A.1.2 OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE NO REGIME DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA: ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO ENSEJA A TRANSFERÊNCIA DO DEVER DE PAGAR O TRIBUTO AO CONTRIBUINTE (SUBSTITUÍDO); III DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DIANTE DA DETERMINAÇÃO JUDICIAL DE RECOLHIMENTO DE PARTE DO TRIBUTO PELA CONCESSIONÁRIA ABC MOTORS; IV DOS PEDIDOS: “104. Diante do exposto, a recorrente requer: Fl. 934DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302002.728 S3C3T2 Fl. 925 5 (I) Seja afastada a suposta concomitância entre o presente processo administrativo e a ação judicial nº 2002.61.000296324 proposta pela concessionária ABC Motors para decretar a anulação do acórdão da delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS) ora recorrido, e determinar o retorno dos autos àquela delegacia de julgamento afim de enfrentar o mérito discutido no presente processo; (II) Alternativamente, caso os D. Conselheiros deste Tribunal Administrativo se julguem aptos a analisar as razões do presente recurso voluntário, o qual reitera argumentos já trazidos à baila pela recorrente em sede de impugnação, mas que não foram apreciados pelo o julgador a quo, a recorrente pugna pelo o afastamento da concomitância, e o conseqüente provimento do recurso; (III) Com o provimento do presente recurso, deverá ser decretada a nulidade do lançamento fiscal, cancelandose as cobranças de PIS e COFINS em razão de vício material insanável e da iliquidez e incerteza do Auto de Infração; (IV) Caso assim não entendam V. Sas., requer que se julgue procedente o presente recurso para declarar a improcedência do lançamento tributário diante da ausência de responsabilidade da ora Recorrente pelas contribuições sociais devidas pelo contribuinte de fato (ABC Motors), não recolhidas em razão de determinação judicial, com fundamento no Parecer Normativo nº 01/2002 e artigos 121 e 128 do CTN; ou (V) Em última análise, caso V.SAS. entendam pela manutenção da responsabilidade da ora recorrente, se requer que seja afastada a responsabilidade pelo recolhimento do tributo que, por ordem judicial, cabia unicamente à concessionária ABC Motors.” Tal recurso voluntário foi incluído na Pauta de Julgamento da 2ªTO/3ªCâmara/3ª Seção de Julgamento, deste CARF, na sessão das 09:00 horas do dia 20/03/2013. Entretanto, a empresa responsável, ABC MOTORS LTDA, que também havia impugnado o lançamento, consoante acima mencionado, na qualidade de responsável solidária, em 19/03/2013, apresentou petição de efls 844 a 846 noticiando que não havia sido cientificada da decisão proferida pela DRJ Campinas, acima referida, solicitando, em decorrência, a retirada de pauta de julgamento do recurso voluntário para que ela, ABC MOTORS, fosse notificada do resultado do julgamento de primeira instância e, consequentemente, para ter a oportunidade de também apresentar recurso voluntário. Em face dessa petição protocolada no CARF pelo o advogado da empresa “ABC MOTORS LTDA, o processo foi retirado de pauta da sessão do dia 20/03/2013 e, por meio do Despacho nº 3302031 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, o presidente da 2ª Turma Ordinária determinou a restituição do processo à SECAT/DRF/CAMPINAS/SP para dar ciência à ABC MOTORS LTDA do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012, abrindolhe prazo para apresentação de recurso voluntário. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Em atendimento a essa determinação, a unidade de origem, por intermédio da Intimação SECAT nº 427/2003 de efl 849, cientifica, em 11/04/2013, a empresa ABC MOTORS LTDA, na qualidade de responsável solidária pelo o lançamento, do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012, conforme demonstra o Aviso de recebimento – AR de efl. 861, intimandoa ao recolhimento do crédito tributário lançado ou a apresentar recurso voluntário no prazo de 30 dias, além de informarlhe que, findo o prazo estabelecido, o processo seguiria para o CARF, tendo em vista o recurso voluntário já apresentado pela a contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA. Após cientificada do referido Acórdão, a empresa ABC MOTORS LTDA, por meio de sua advogada devidamente nomeada e constituída por Instrumento de Mandato (e fl. 872), às efls 869 e 870, apresenta nova petição datada de 20 de maio de 2013, na qual requer: “i) seja o presente encaminhado para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, aos cuidados do I.Relator Fernando Pires Montanari, para que seja proferida nova decisão apreciando a impugnação apresentada pela empresa ABC MOTORS LTDA em razão da economia processual, bem como a fim de evitar a supressão de instância, uma vez que a impugnação apresentada não foi objeto de julgamento no v. acórdão nº 05.36.752; ii) na remota hipótese de não ser esse o entendimento, seja determinada a expedição de intimação a empresa ABC MOTORS LTDA,fazendo constar expressamente a sua intimação acerca do v. acórdão nº 05.36.752, inclusive com a abertura de prazo para apresentar recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.” Á efl 921 consta o Despacho de Encaminhamento expedido pelo o agente da SECAT/DRF/CAMPINAS/SP, nos seguintes termos: “DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Em atenção ao despacho de saneamento de fls. 847/848 foi emitida a Intimação SECAT/427/2013 (fls. 849) recebida pela empresa ABC MOTORS LTDA., na qualidade de responsável solidária, em 11/04/2013. A empresa retro citada protocolou em 21/05/2013 (40 dias após o recebimento da intimação) o expediente ora juntado às fls. 868/920. Atendido o determinado no despacho de saneamento retro mencionado retorno o presente para o CARF (3ª Câmara 2ª Turma). DATA DE EMISSÃO : 23/05/2013” Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Fl. 936DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302002.728 S3C3T2 Fl. 926 7 No caso do presente processo, mais de um sujeito passivo integram o pólo passivo dos lançamentos, em razão das regras de atribuição de responsabilidade tributárias constantes do Código Tributário Nacional. São eles: Contribuinte: ‘HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA’., CNPJ 01.192.333/000122; Responsável tributário: “ABC MOTORS LTDA”, CNPJ 01.979.916/000106 E, consoante consta do relatório, ambos impugnaram os lançamentos. O recurso voluntário apresentado pela HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, podendo ser acolhido.Contudo, deixase de se pronunciar acerca de seus argumentos em face da análise de nulidade que se faz a seguir. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Relativamente ao Responsável Solidário ABC MOTORS LTDA, a unidade de origem atendeu à determinação do CARF proferida no Despacho nº 3302031 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, no sentido de dar ciência à ABC MOTORS LTDA do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012, abrindolhe prazo legal de 30 dias para apresentação de recurso voluntário, além de informarlhe que, findo o prazo estabelecido, o processo seguiria para o CARF, tendo em vista o recurso voluntário já apresentado pela a contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, conforme se verifica pela Intimação SECAT nº 427/2003 de efl 849. Não obstante, esta, devidamente cientificada do referido Acórdão e intimada a recolher o crédito tributário lançado ou a apresentar recurso voluntário no prazo de 30 dias, ao invés de apresentar recurso voluntário no prazo legal fixado, apresenta, 40 dias após o recebimento da intimação, nova petição noticiando, desta vez, que o Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012, não contemplou a impugnação apresentada pela peticionaria. Aqui, cabe um parênteses para registrar que a empresa de advocacia “Benício Advogado Associados” solicitou e recebeu em 27/02/2013 cópia integral do presente processo, ai incluindo a cópia do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012 e do Recurso Voluntário interposto pela HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, consoante se constata pelos documentos de efls.863/865. Portanto, quando a empresa ABC MOTORS LTDA apresentou em 19/03/2013, por meio de advogado da referida empresa de advocacia, a petição de efls 844 a 846, noticiando que não havia sido cientificada da decisão proferida pela DRJ Campinas, acima referida, solicitando, em decorrência, que ela, ABC MOTORS, fosse notificada do resultado do julgamento de primeira instância para ter a oportunidade de também apresentar recurso voluntário, a mesma já tinha conhecimento do teor do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012 e do recurso voluntário apresentado pela HONDA. Entretanto, naquela petição, mesmo já tendo conhecimento do teor do Acórdão prolatado pela DRJ Campinas, contrariamente ao que noticia na segunda petição, esta apresentada em 21/05/2013, como dito acima, após ter sido devidamente cientificada do Fl. 937DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012 e intimada pela unidade de origem, a ABC MOTORS LTDA mencionava que; “Conforme se depreende da análise das cópias anexas e dos próprios autos, a empresa peticionária ABC MOTORS foi intimada na condição de coresponsável solidária a apresentar defesa administrativa, no prazo regular de 30 dias. Nesse sentido a Delegacia Regional de Julgamento proferiu decisão apreciando as defesas administrativas das empresas Honda Automóveis(montadora de veículos) e da empresa ABC MOTORS (Concessionária de veículos). Consoante se depreende da decisão recorrida, o Delegado Julgador ao prolatar sua decisão aprecia os pontos trazidos pela peticionária, transcrevendo inclusive trechos trazidos na peça de defesa. A Receita Federal do Brasil, entretanto, quando da intimação dessa decisão de primeira instância administrativa, intimou tão somente a montadora de veículos Honda Automóveis, deixando de intimar a coresponsável solidária ABC MOTORS desse decisum, tolhendo desse modo o seu direito à apresentação de Recurso Voluntário a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiascais.”(Sublinhado por esta relatora).” Vêse que tal petição, nos termos acima formulada, conduziu ao entendimento do presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, da 3ª Sessão do CARF de que o vício a ser sanado seria unicamente acerca da omissão da cientificação do Acórdão e da Intimação ao responsável solidário ABC MOTORS, motivo pelo o qual emitiu o Despacho nº 3302031 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, determinando que fosse dada ciência à ABC MOTORS LTDA do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012, abrindolhe prazo para apresentação de recurso voluntário. Contudo, sem adentrar na motivação contida na contradição dos termos inseridos nas primeira e segunda petições formuladas pela empresa ABC MOTORS LTDA, indicada como responsável solidária nos presentes lançamentos, o fato é que, realmente, o Acórdão nº 0536.752 proferido pela 3 ª Turma da DRJ/CPS fez referência unicamente aos argumentos apresentados na impugnação interposta pela contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, omitindose de analisar a impugnação apresentada pelo o responsável solidário ABC MOTORS LTDA. Analisando o teor do voto do relator do referido acórdão, ora recorrido, pode se concluir que os fundamentos ali postos, especificamente acerca da conclusão de ocorrência de concomitância, mesmo sem fazer menção ao responsável solidário e à impugnação por ele interposta, responderia aos argumentos aduzidos pelo o responsável solidário no item denominado ”Da nulidade por indicação equivocada da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade”, mencionado no relatório acima (sub item 2.3). Não obstante, a impugnação do responsável solidário ainda traz outros itens de defesa, de natureza procedimental, que na visão daquela impugnante conduziria à nulidade do lançamento contra ela, que não estariam contemplados pelo referido acórdão, tais quais os sub itens 2.1, 2.2, 2.4 e 2.5 citados no relatório acima e a seguir mencionados: 2. “Do Direito: Fl. 938DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302002.728 S3C3T2 Fl. 927 9 2.1. Da necessidade de abertura de Mandado de Procedimento Fiscal em face da empresa concessionária ABC MOTORS LTDA; 2.2. Da Sujeição Passiva Solidária indevida ; (...) 2.4. Da impossibilidade de consolidação de lançamento em face da empresa ABC MOTORS por meio do “;Termo de Sujeição Passiva Solidária”; 2.5. Do Vício Material Insanável;” Destacase ainda o argumento inserido pela empresa ABC MOTORS LTDA, no .item. de impugnação denominado “Da nulidade por indicação equivocada da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade”, cujo título foi citado no item 2.3 do relatório acima, acerca da existência de recolhimentos por ela efetuados em estrito cumprimento a provimento jurisdicional, que poderá, ou não, conforme sejam comprovados os efetivos recolhimentos e seja averiguada a forma e adequação dos mesmos, conduzir ao entendimento de procedência ou improcedência dos lançamentos. É que, conforme destacado na impugnação efetuada pela contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, “Ao conceder a tutela antecipada e a sentença favorável, o que fez o judiciário foi determinar que a montadora recolhesse o percentual do PIS e da COFINS que lhe cabia para que a concessionária passasse a recolher o PIS e a COFINS pelo percentual que entendia devido sobre a base de cálculo que entendia devida.” Tal argumento apresentado pelo o responsável solidário vai ao encontro de similar argumento efetuado pela impugnante HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, o qual, também, não foi analisado pelo o Acórdão ora recorrido, quando assim se manifestou em sua impugnação: “Portanto, NUNCA houve dispensa de pagamento do PIS e da COFINS pela empresa ABC Motors, o que pressupõe que após a concessão da tutela antecipada e da sentença procedente ela estava obrigada ao recolhimento das contribuições da forma como determinada as Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Mas repitase:a empresa ABC Motors não estava dispensada do pagamento do PIS e da COFINS. Diante desta constatação uma reflexão se faz necessária: AO LAVRAR O AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA A ORA IMPUGNANTE (MONTADORA) O SR. .AGENTE FISCAL FISCALIZOU A CONCESSIONÁRIA ABC MOTORS A FIM DE AVERIGUAR SE ELA RECOLHEU O PIS E A COFINS? A resposta a esta pergunta não é possível de ser respondida, tendo em vista que não há qualquer indício nos autos de infração e nas respectivas descrições da infração se o valor recolhido pela concessionária ABC Motors, da forma como determinada na sentença, foi descontado do valor ora exigido. ... Fl. 939DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Ao contrário: o cálculo apresentado pela Fiscalização foi simplista, tendo sido cobrado exatamente o percentual restante (4,24%, e 0,89%) que foi excluído do recolhimento pela montadora (5,36% e 1,11%) do valor da alíquota cheia (9,6% e 2%).” Detectadas tais omissões, mister se faz que a Autoridade julgadora de 1ª Instância efetue a devida análise dos mesmos. Passar ao largo da constatação dessas omissões existentes no Acórdão 0536.752 proferido pela 3 ª Turma da DRJ/CPS, decidindo as questões levantadas na impugnação do responsável solidário, em fase de recurso voluntário, é preterir o direito de defesa dos sujeitos passivos apontados nos lançamentos, ora contestados, com a supressão do 1º grau de jurisdição administrativa. CONCLUSÃO Assim, em face das omissões detectadas no Acórdão nº 0536.752 proferido pela 3 ª Turma da DRJ/CPS, e tendo em conta os princípios do duplo grau de jurisdição e o da ampla defesa, voto no sentido de anular o Acórdão, para que outra seja prolatada, com a devida análise da impugnação interposta pelo responsável solidário e da análise do argumento de recolhimentos contido na impugnação apresentada pela contribuinte, reabrindose o prazo para interposição de novo recurso voluntário para ambos os sujeitos passivos, caso seja do interesse e vontade dos mesmos. Em face do voto de nulidade do Acórdão recorrido, deixase de analisar a questão de mérito, por ser com aquela incompatível, nos termos do art. 28 do Decreto nº 70.235/72. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 940DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11516.006907/2008-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO.
Seguindo-se a decisão do Superior Tribunal de Justiça, o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que sejam aplicadas as alíquotas e tabelas vigentes à época em que os rendimentos omitidos deveriam ter sido adimplidos ao contribuinte, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Nathalia Correia Pompeu que davam provimento integral. O resultado foi apurado por meio de votações sucessivas, conforme o art. 60 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), pois na primeira votação foram propostas três teses, quais sejam, o provimento parcial proposto pelo relator, o integral e a realização de diligência, porém nenhuma delas obteve maioria. Em segunda votação foi rejeitada a tese do Conselheiro Ronnie Soares Anderson para realização de diligência. Na terceira votação, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o voto do Conselheiro Relator, com o que este voto passou a ser adotado pela maioria do Colegiado.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson e Nathalia Correia Pompeu (suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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TRIBUTAÇÃO. Seguindose a decisão do Superior Tribunal de Justiça, o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que sejam aplicadas as alíquotas e tabelas vigentes à época em que os rendimentos omitidos deveriam ter sido adimplidos ao contribuinte, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Nathalia Correia Pompeu que davam provimento integral. O resultado foi apurado por meio de votações sucessivas, conforme o art. 60 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), pois na primeira votação foram propostas três teses, quais sejam, o provimento parcial proposto pelo relator, o integral e a realização de diligência, porém nenhuma delas obteve maioria. Em segunda votação foi rejeitada a tese do Conselheiro Ronnie Soares Anderson para realização de diligência. Na terceira votação, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o voto do Conselheiro Relator, com o que este voto passou a ser adotado pela maioria do Colegiado. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 69 07 /2 00 8- 54 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson e Nathalia Correia Pompeu (suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Trata o presente de Auto de Infração, fls. 29 a 34 (processo digitalizado) lavrado para exigência do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao anocalendário 2004, em decorrência da constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Justiça Federal relativo processo judicial n.° 97.00.038254/SC — precatório n.° 2003.04.02.0053710/TRF da 4ª Região. Na apuração do imposto devido foi compensado o valor de R$ 9.669,45 a titulo de imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. O contribuinte apresenta impugnação, fls. 40/41, instruída com os documentos de fls. 42 a 58, na qual alega, em síntese, que o cálculo do imposto de renda deveria ter sido elaborado tomandose por base o salário percebido mês a mês e não sobre o montante total auferido, excluindose o valor correspondente aos juros e correção monetária. Requer que, após análise, lhe seja apresentada proposta de pagamento parcelado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. Submetemse ao ajuste anual os rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial que não sejam isentos, não tributados ou de tributação exclusiva, observadas as deduções permitidas em lei. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS. TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incide sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão em 13/09/2011, fls. 69, o interessado interpôs recurso voluntário em 11/10/2011, fls. 70/71, instruído com os documentos de fls. 72 a 91, reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006907/200854 Acórdão n.º 2802003.158 S2TE02 Fl. 98 3 O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 16 de outubro de 2012, tendo a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Sejul proferido a Resolução nº 2201000.116, fls. 93 a 95, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 183 a 189. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi redistribuído a este Conselheiro em 11/04/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tratase de infração caracterizada como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em decorrência de ação judicial movida contra o Instituto de Nacional da Seguridade Social – INSS. Nesse aspecto, ressaltese, de plano, que, por corresponder ao recebimento acumulado de verbas trabalhistas, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: O contribuinte instruiu tanto sua impugnação como seu recurso voluntário com as cópias das peças que integram o processo trabalhista. Nesse caso, à vista do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto aplicável sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Sobre o assunto, inicialmente, convém registrar que, nos termos do § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, existe a possibilidade legal de se retornar os autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006907/200854 Acórdão n.º 2802003.158 S2TE02 Fl. 99 5 Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento, prevista neste comando legal, se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que seria vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário (12ª Edição, Malheiros, 1997, p 123), as hipóteses de mudança de critério jurídico podem acontecer em duas situações. A primeira, “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. A segunda, está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a observância das alíquotas vigentes à época em que o rendimento deveria ter sido adimplido não importará em prejuízo ao contribuinte, haja vista que, a exemplo da regra prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a alteração do crédito tributário deverá ser procedida de forma “total ou parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque entendo, que para a aplicação do entendimento firmado pelo STJ, basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte, e aplicar as alíquotas correspondentes sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. Notese que na sequência do entendimento dado pelo STJ para que se calcule o imposto de renda com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores recebidos acumuladamente deveriam ter sido adimplidos, há expressa recomendação no sentido de se observar a renda auferida mês a mês pelo segurado. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Diante dessa recomendação, entendo que, apesar de a interpretação dada pelo STJ não afastar a sistemática de ajuste anual prevista para a tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, para o caso específico de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente ficou estabelecida tão somente a observância da renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Nesse aspecto, seria bom ressaltar que o Parecer PGFN/CAT Nº 815, de 2010, editado na época em que se tentava solucionar a implementação concreta das decisões do STJ em âmbito de rendimentos acumulados, concluiu, em seu item 100, “b”, que a recomposição do valor tributável dos rendimentos à época em que estes deveriam ter sido pagos deveria ser aplicada apenas na hipótese de a Receita Federal do Brasil RFB possuir os dados necessários. Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, definiu o referido Parecer que se deve tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos (item 100, “d”). Nesse caso, conclui o Parecer em referência no item 100, “e”: “100. (...) ......................................................................................................... e) Assim, simplesmente, desprezando se o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais; (...).” Percebese, pois, que a situação examinada nos itens 100, “d” e 100, “e” do Parecer PGFN/CAT Nº 185, de 2010, se coaduna com perfeição à forma exposta anteriormente neste voto para se calcular o imposto de renda incidente sobre os rendimentos, tratados no presente processo, à luz do entendimento firmado pelo STJ. Portanto, fica evidenciado que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco. Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. A respeito da questão relacionada ao aspecto temporal para se proceder a retificação de ofício, ensina o professor Leandro Pausen, em seu livro Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e jurisprudência (11. ed. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009, p 1034), em seu comentário ao parágrafo único do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN: “Þ Revisão para onerar x revisão para beneficiar. A regra do parágrafo único visa a proteger o contribuinte contra revisões do lançamento que venham a lhe onerar mediante elevação do montante do crédito tributário. Estabelece, assim, que o Fisco tem o prazo decadencial para constituir o crédito, seja originariamente, seja mediante revisão de lançamento anterior. O prazo corre contra o Fisco. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006907/200854 Acórdão n.º 2802003.158 S2TE02 Fl. 100 7 – Não há que se entender, assim, que tal parágrafo impeça o Fisco de revisar lançamento feito a maior, de modo a beneficiar o contribuinte mediante diminuição do crédito tributário para sua adequação à legislação válida aplicável. Isso pode decorrer tanto por força de lei como de decisão judicial, ou mesmo de simples verificação administrativa à luz de documentos novos apresentados pelo contribuinte. Mas, embora não se fale em prazo decadencial para revisões que beneficiem o contribuinte, não terão elas qualquer efeito sobre o prazo prescricional que já esteja correndo contra o Fisco.” Finalmente, importa observar que, contrariando o entendimento do contribuinte acerca da falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, o CARF editou a Súmula CARF nº 12, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam aplicadas as alíquotas e tabelas vigentes à época em que os rendimentos omitidos deveriam ter sido adimplidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13839.904320/2009-76
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-004.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 43 20 /2 00 9- 76 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.904320/200976 Acórdão n.º 3801004.362 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe embargos de declaração em face do Acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. A Embargante alega omissão e contrariedade, pois apresentou planilhas demonstrativas da origem do crédito e em todas as suas manifestações nos presentes autos, inclusive nas razões de Recurso Voluntário, expressamente consignou que todas as notas fiscais de venda à ZFM estão e sempre estiveram à disposição das Ilustres Autoridades da Administração Tributária Federal, muito embora jamais tenham sido por elas requeridas, não havendo que se falar em ausência de provas. Acrescenta que nesta oportunidade apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos, com fundamento no princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. Por fim, requer que sejam os embargos de declaração recebidos e acolhidos, para que seja reconhecido o direito creditório da Embargante, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, a fim de que seja homologada a compensação efetuada. O Presidente da Turma admitiu os presentes embargos. É o que importa relatar. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.904320/200976 Acórdão n.º 3801004.362 S3TE01 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conheço dos presentes embargos porquanto tempestivos, entretanto ao mesmo não dou provimento. Conforme apontado o foi negado provimento ao recurso voluntário tendo em vista que a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possuía o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Agora, em sede de Embargos a Recorrente reafirma que na planilha juntada “encontramse suficientemente comprovadas as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, evidenciandose, também, o indevido recolhimento da COFINS em relação às receitas oriundas dessas vendas.”, afirmando, ainda, que as notas fiscais sempre estiveram à disposição da autoridade, “tanto é que a Embargante apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos”. O que ficou evidenciado é que no momento do julgamento as referidas notas não estavam juntadas nos autos e que de fato não haviam provas que pudessem autorizar a compensação, tanto é que a Embargante fêlas juntar em sede de Embargos. Entretanto, em que pese a juntada desses documentos, estes foram juntados a destempo e não havia no acórdão embargado qualquer omissão ou obscuridade que autorizassem alterações via embargos. Nesse sentido, conheço dos embargos e por não haver qualquer omissão ou obscuridade no acórdão recorrido os rejeito. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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