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Numero do processo: 10935.001499/2011-46
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa).
Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martín Fernández e Jaci de Assis Junior.Ausentes, Momentaneamente, Os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 14 99 /2 01 1- 46 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martín Fernández e Jaci de Assis Junior.Ausentes, Momentaneamente, Os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de Infração lavrado por omissão de Rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal – no valor de R$ 58.916,52, relativos a ação judicial de revisão de aposentadoria por tempo de contribuição, na qual houve a retenção de IRRF no valor de R$ 1.7667,50; omissão de rendimentos recebidos pelo seu filho João Eduardo Pescara, da fonte pagadora GLG Comércio de Veículos Ltda., no valor de R$ 9.313,32, com IRRF relativo a tais rendimentos no valor de R$ 164,13. O recorrente apresentou Impugnação alegando que o valor dos rendimentos de R$ 9.313,32, Não guarda relação com o seu CPF. Afirma que tais rendimentos pertencem ao seu filho João Eduardo Pescara. Aduz que não informou o valor de R$ 58.916,58, recebido por precatório, por entender que era isento. Argumenta que é pessoa idosa portadora de diabetes e pressão alta, além de ser ostomizado e possuir seqüelas por fratura na coluna lombar crônica, conforme atestam os documentos em anexo. Informa que recebe auxílio acidente como indenização pelas seqüelas, com isenção do IR, portanto, é doente crônico. Alega que se aposentou por tempo de contribuição, porém, em 1998 sofreu acidente que lhe deixou seqüelas, as quais nos últimos anos caracterizase como invalidez. Afirma que deve ser aplicado ao contribuinte a previsão contida no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, que concede isenção do imposto de renda aos proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por pessoa física acometida por invalidez permanente. Ressalta que caso não lhe seja apreciado a isenção dos rendimentos, solicita que o valor de R$ 58.916,58 seja calculado como recebido em 60 meses, uma vez que tratase de rendimentos recebidos acumuladamente. Cita jurisprudência do STF que vem dando ganho causa aos aposentados cujos rendimentos são tributados pelo total dos valores acumulados. Informa que a SRF editou a IN nº 1.127/2001 a fim de por fim a esta discussão. Requer a aplicação retroativa, com base no inciso II do art. 106 do CTN, por ser mais benéfica ao recorrente, calculando o imposto de forma parcelada, considerandose, ainda, a prescrição qüinqüenal do crédito. Afirma que se procedendo aos cálculos de forma parcelada, com os abatimentos permitidos, resultaria num imposto a pagar de R$ 10.314,43, valor muito menor dos R$ 15.708,21 calculados no lançamento de ofício. Solicita que o percentual da multa aplicada deve ser aquele previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96, limitado a 20%, por ser mais benéfico ao contribuinte, com fulcro no art. 106, inciso II, “c” do CTN. Neste sentido, o Parecer n.º 2.144, PGFN/CRJ. Por fim, requer a exoneração total do lançamento suplementar, por ser pessoa idosa e doente ou que lhe seja retificado o lançamento com a diluição do precatório de Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.001499/201146 Acórdão n.º 2802003.071 S2TE02 Fl. 120 3 aposentadoria por decisão da Justiça Federal (RRA), aplicandose retroativamente a hipótese prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. A DRFJ acolheu parcialmente a Impugnação para excluir os rendimentos do seu filho, João Eduardo Pescara, da fonte pagadora GLG Comércio de Veículos Ltda., por este apresentar declaração em apartado e cujos valores foram oferecidos a tributação e por se tratar de erro na identificação do CPF do beneficiário. Em Voluntário, reafirma a isenção dos rendimentos recebidos, requer a redução da multa aplicada, bem como se insurge sobre a tributação dos rendimentos acumulados pelo regime de caixa. Invoca jurisprudência do STJ sobre o tema. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versam os presentes autos sobre cuja matéria de fundo trata da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. É de se ver que a tributação desses valores, conforme demonstrativo juntado aos autos, se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.001499/201146 Acórdão n.º 2802003.071 S2TE02 Fl. 121 5 e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Face ao reconhecimento da nulidade material do lançamento, prejudicadas as demais argumentações postas em razões de Voluntário sobre a natureza jurídica dos rendimentos e redução da multa aplicada. Pelo exposto, conheço e dou provimento integral ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917145/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917145/200836 Recurso nº Embargos Resolução nº 3102000.318 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de setembro de 2014 Assunto Diligência Embargante POWERPACK REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Interessado POWERPACK REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 3102 00.942, de 02 de março de 2011, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração/fato gerador: 01/10/2002 a 30/10/2002 EMENTA: COMPENSAÇÃO O Contribuinte não desconstituiu a afirmativa da Administração de que os créditos solicitados já teriam sido compensados com outros débitos fiscais, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. Recurso voluntário desprovido. Direito creditório não reconhecido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 17 14 5/ 20 08 -3 6 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917145/200836 Resolução nº 3102000.318 S3C1T2 Fl. 186 2 O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. O presente processo cuida de Declaração de Compensação – DCOMP de recolhimentos a maior com créditos relativos ao PIS e CSLL, nos períodos de 10/2002 e 10/2004. Por bem resumir a controvérsia, tratando do direito e dos fatos que envolvem a lide, adoto parte do relatório do r. acórdão proferido pela DRJ de origem (fls. 37 verso e 38). 2. Por meio do Despacho Decisório n° 781168688, (emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não reconheceu o crédito informado no PER/DCOMP apreciado, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3. Cientificada, em 22/08/2008 (11.08), a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 19, na qual alega, em síntese, que: 3.1 A Interessada representa no Brasil empresas estrangeiras que comercializam simuladores de vôo, motores aeronáuticos, helicópteros, turbinas, entre outros equipamentos, recebendo comissões por essa representação comercial; 3.2 As comissões são percebidas em moeda estrangeira (dólares norteamericanos), sendo o contrato de câmbio fechado regularmente; 3.3 Conforme dispõe a MP n° 1.8586, de 29/06/1999 (atual MP n° 2.15835, de 24/08/2001), em seu art. 14, III, § 1°, com efeitos retroativos a 01/02/1999, e a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, em seu art. 5º, II (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), tais receitas são isentas da Cofins e da Contribuição para o PIS, já que decorrem de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliaria no exterior (no caso, serviço de representação comercial) e há ingresso de divisas no Pais; 3.4 Não obstante tal isenção, por equivoco, a Interessada continuou a realizar os pagamentos da Cofins (código 2172) e da Contribuição para o PIS (código 8109 e 6912), até o período de apuração de 31/12/2003; 3.5 Verificados tais pagamentos indevidos, a Interessada protocolizou "Declarações de Compensação" nas quais utilizou os referidos créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS para quitar, por compensação, seus débitos junto à RFB; 3.6 O Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte; 3.7 Os valores da Cofins e da Contribuição para o PIS informados nas DCTF estão incorretos; 3.8 Ainda que a entrega da DCTF assuma caráter de confissão de dívida, a obrigação tributária decorre exclusivamente da lei, conforme dispõem os artigos 113 e 114 do CTN; 3.9 Havendo erro quanto ao fato confessado, e comprovado inequivocamente que o fato confessado não corresponde ao efetivamente ocorrido, tem se de admitir a prevalência do verdadeiro sobre o confessado; 3.10 Desde que comprovado a não ocorrência do fato gerador, o contribuinte tem direito à restituição do tributo que pagou indevidamente; e 3.11. Pelas razões acima expostas, deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e reformado o despacho decisório recorrido. 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 5. Foram por mim anexados às fls. 32 a 36, os extratos de pesquisas efetuadas no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF (fls. 32 a 35), e cópia da DIPJ (fl. 36). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917145/200836 Resolução nº 3102000.318 S3C1T2 Fl. 187 3 A DRJ julgou improcedente o pedido, conforme acórdão assim ementado (fl.37). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera as razões já expostas na impugnação. As omissões acusadas pela Embargante podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. 2.1 Conforme se verifica pela leitura do Acórdão n° 310200.942, esta E. 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pela EMBARGANTE, sob o único fundamento de que a EMBARGANTE não teria comprovado que o crédito por ela utilizado na DCOMP, ora em discussão, não teria sido objeto de outra compensação. 2.2 Eis o que sustenta o Acórdão n° 310200.942 como fundamento para a não homologação da DCOMP: "Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal." 2.3. Ora, pela simples leitura do recurso voluntário e do Acórdão n° 310200.942, não resta dúvida de que este foi omisso em relação ao principal fato trazido pela EMBARGANTE em seu recurso voluntário, qual seja, o de que as receitas de comissões recebidas pela EMBARGANTE decorrem da prestação de serviços de representação comercial a empresas estrangeiras e que, por conseguinte, não integram a base de cálculo do PIS, não tendo analisado toda a documentação anexada aos autos (DOCs. 01 a 05 do recurso voluntário). (...) 3. DA APRECIAÇÃO DOS FATOS TRAZIDOS PELA EMBARGANTE EM SEU RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1. A DRJ/RJ2 ao julgar a manifestação de inconformidade da EMBARGANTE reconheceu que, para a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, deveria ser demonstrado documentalmente que parte das receitas sobre as quais incidiu a COFINS referente ao período de apuração de novembro de 2002, era decorrente da prestação de serviços à pessoa jurídica domiciliada no exterior. (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917145/200836 Resolução nº 3102000.318 S3C1T2 Fl. 188 4 3.3 Notese que essa foi a única razão para a nãohomologação da DCOMP pela DRJ/RJ2. 3.4. Tendo em vista a alegação da DRJ/RJ2 para a nãohomologação da DCOMP e para que não mais pairassem dúvidas acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado em sua DCOMP, a EMBARGANTE apresentou em seu recurso voluntário os seguintes documentos: (...) É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Creio que assista razão à Embargante. Compulsando os autos, no intento de identificar, na decisão proferida por este Colegiado, alguma manifestação a respeito das provas carreadas aos autos pela Parte, fosse para recusálas por considerar precluso o direito a sua apresentação, fosse para negarlhes aptidão para provar o fato, não logrei êxito em encontrar qualquer comentário a respeito. De fato, o que há no corpo do decisum que se possa identificar como razão de decidir é pouco mais do que as cinco linhas transcritas no Relatório que precede o vertente Voto. Depois de rememorar os fatos em breves palavras, nas quais não foi mencionada a ausência de provas como razão de decidir da instância a quo, a i. Conselheira Relatora conclui. Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Por outro lado, o indeferimento da compensação foi motivado pela Autoridade Fiscal, que inclusive indicou o documento ou pagamento que já teria sido realizado com os supostos créditos indicados na PER/DCOMP ora em exame. Não houve, portanto, cerceamento de defesa. Por fim, cumpre verificar que a DCTF tem caráter de confissão de dívida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante destacar que as provas que acima são mencionadas dizem respeito à comprovação de outro fato. É que, segundo entendimento da Autoridade Administrativa, o contribuinte não fazia jus ao crédito pretendido, porque, nas suas palavras, o pagamento do qual seria oriundo já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Essa situação ocorre toda a vez que o administrado faz um pagamento indevido, mas não retifica a Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF anteriormente emitida. A informação nela contida continua retratando um pagamento devido, razão pela qual a pretensão Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917145/200836 Resolução nº 3102000.318 S3C1T2 Fl. 189 5 do contribuinte é de pronto rejeitada. O que a Relatora diz não ter sido provado, é, justamente, a indevida alocação do pagamento ou, nas suas palavras, que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Mas o que o contribuinte alega é que esse pagamento, a despeito de ter se esquecido de retificar a DCTF, foi indevido, pois decorre de receitas isentas. A decisão de primeira instâncias, por sua vez, entendeu que o contribuinte, que então já havia retificado a DCTF, não fez prova de que essas receitas eram de fato isentas. Como foi dito pela Embargante, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentadas provas de que as receitas corresponderam a serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Sobre essas provas é que nada foi dito. Nem, como disse acima, para rejeitálas por não serem aptas à comprovação do fato nem para desconsiderálas, por preclusão do direito. Com efeito, como também já disse acima, a questão específica dessas provas não foi sequer mencionada no corpo da decisão embargada. Necessário suprir a omissão e adentrar ao exame de mérito. Inicio pela admissibilidade das provas apresentadas só em sede de Recurso Voluntário. É cediço que o direito de apresentação de provas no Processo Administrativo Fiscal, observadas as situações excepcionadas pela norma legal, preclui com o transcurso do prazo fixado para apresentação da impugnação ao lançamento. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) A partir desse balizamento, me inclino em decidir que, no caso concreto, a situação se enquadra perfeitamente na hipótese especificada na alínea "c", acima. Explico A razão do indeferimento inicial, consta à folha 09 do Processo, no Despacho Decisório, foi, simplesmente, o fato de o crédito do contribuinte utilizado na compensação do débito declarado na PER/DCOMP corresponder a um valor alocado no pagamento de outro débito declarado em DCTF1. Até aí, nada falouse a respeito de provas. 1 Explica o i. Julgador da instância "a quo" no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917145/200836 Resolução nº 3102000.318 S3C1T2 Fl. 190 6 De fato, foi por ocasião da decisão tomada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento que foi apontado o problema da falta de comprovação de que a receita sobre a qual o contribuinte fez incidir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins era isenta. Ora, se até então a falta de provas não era razão de decidir da autoridade administrativa, por certo é esse um fato ou razão trazida posteriormente aos autos, enquadrandose, desta forma, na hipótese prevista na alínea "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.325/72. A respeito dessa tema, é pertinente acrescentar que, até por uma questão de bom senso, é absolutamente despropositado cogitarse de considerar que o administrado, em situações como a que aqui se trata, tenha negligenciado o seu dever comprovar os fatos alegados. Ora, em qual momento lhe foi solicitado que apresentasse as provas do seu direito? Como se sabe, a legislação que regulamenta o pedido de ressarcimento/restituição e o pedido de compensação a ele vinculado não exige do contribuinte a instrução probatória prévia. Adiante, ao processar automaticamente o pedido, os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil identificaram outro problema, não a falta de provas. Uma vez que se reconheça a necessidade de que todo e qualquer litígio que se estabelece entre partes com interesses opostos deva comportar um processo dialético minimamente eficaz, capaz de oferecer oportunidade aos litigantes de demonstrar a procedência de suas alegações, não haveria como negar ao contribuinte o direito de suprir a falta no momento em que dela tomou conhecimento. Repito, até a decisão de primeira instância, o direito reclamado pela Parte havia sido negado única e exclusivamente porque a DCTF ativa para o período informava a existência de um débito quitado com o crédito alegado. Nada a respeito da prova de que as receitas auferidas no período eram isentas das Contribuições. Por essa razão, tomo conhecimento das provas encartadas ao Recurso Voluntário. Na decisão recorrida, o i. Julgador manifestase a respeito das provas que deveriam ter sido apresentadas pela Requerente. Para que essas fossem comprovadas, a Contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo da base de cálculo da Cofins referente ao mês 11/2002, onde constassem discriminados os seguintes valores: total das receitas auferidas no mês, receitas diferidas em períodos anteriores, receitas isentas e as exclusões e deduções legalmente permitidas. Esse demonstrativo deveria vir acompanhado da documentação contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. No que se refere às receitas isentas, deveria ser comprovado que seriam decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, e que houve ingresso de divisas. "9.1 A Contribuinte informou na DCTF ativa à época em que foi proferido o Despacho Decisório impugnado (fls. 32/33), que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002 seria R$ 11.795,09, e que esse teria sido quitado integralmente por pagamento efetuado no valor de RS 11.795,09; 9.2 Na DIPJ (fl. 36), a Contribuinte não informou sobre a existência de receitas isentas, ratificando o valor da Contribuição informado na DCTF mencionada no subitem anterior; e 9.3 Após ter tomado ciência do Despacho Decisório recorrido, a Interessada apresentou DCTF retificadora(s) (fls.34/35), informando que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002seriaR$ 1.319,26 eR$ 1.147,67." Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917145/200836 Resolução nº 3102000.318 S3C1T2 Fl. 191 7 De fato, penso que seja essa a documentação hábil a demonstrar a origem das receitas auferidas pela empresa. Quanto a isso, junto ao Recurso Voluntário foi apresentado um demonstrativo denominado Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins, no qual é indicada uma receita oriunda de Serviços Prestados Mercado Externo no valor de R$ 349.194,36. Também Balancete Sintético, Livro Razão, Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, correspondências trocadas entre o banco e a empresa avisando o crédito de valores em moeda estrangeira e contratos de câmbio assinados em data próxima a essas correspondências. O valor total em moeda nacional expresso nos contratos de câmbio encartados ao Recurso Voluntário é de R$ 314.459,03, R$ 15.400,01 menor do que o valor de R$ 329.859,05 informado no Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins como sendo a receita decorrente de Serviços Prestados Mercado Externo. O Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, folha 81 do eProc, relaciona onze empresas responsáveis pelo pagamento dos R$ 329.859,05 correspondentes aos serviços pretados. Tratase de uma planilha elaborada pela própria litigante, desacompanhado de qualquer documento comercial que demonstre a veracidade das informações prestadas. Com efeito, não foi apresentado nenhum contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação semelhante que especificasse com clareza a prestação que deu azo aos pagamentos retratados nos contratos de câmbio. Para que seja reconhecido o direito da empresa, essencial que os valores estejam expressos de forma precisa e exata nos registros contábeis e documentos que lhes dão suporte e que sejam acompanhados de documentação comercial capaz de atestar trataremse de pagamentos por serviços prestados a empresas sediadas no exterior. De outra forma, impossível determinar com certeza a origem dos ingressos especificados nos contratos câmbio trazidos aos autos. VOTO pelo acolhimento dos Embargos de Declaração, para determinar a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja sanadas/justificadas as imprecisões acima descritas e sejam carreados aos autos os documentos comerciais (contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação análoga), que retratam as operações cambiais comprovadas no processo. Sala das Sessões, 18 de setembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15586.720557/2012-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720557/201246 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.357 – 1ª Turma Especial Data 22 de outubro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente E. H. DOS SANTOS COMÉRCIO DE IRRIGAÇÃO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. O presente processo trata de autos de infração que constituíram IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com crédito tributário no valor total de R$ 195.090,58, incluídos os valores principais, multa de ofício qualificada e juros de mora calculados até a data da lavratura. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 55 7/ 20 12 -4 6 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.720557/201246 Resolução nº 1801000.357 S1TE01 Fl. 3 2 Relata a auditoria fiscal (efls. 74/101) que após longo procedimento de fiscalização, constatou que a empresa E. H DOS SANTOS – COMÉRCIO DE IRRIGAÇÃO – ME, na verdade foi constituída para dar continuidade a empresa IRRIGAZON COMÉRCIO REPRESENTAÇÕES DE IRRIGAÇÃO E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA, de propriedade de DARLY CARLOS ZON. Por possuir dívidas tributárias e previdenciárias que não podia honrar, DARLY CARLOS ZON, sócio proprietário da IRRIGAZON COMÉRCIO REPRESENTAÇÕES DE IRRIGAÇÃO E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA, providenciou a constituição da E. H. DOS SANTOS – COMÉRCIO DE IRRIGAÇÃO – ME, no mesmo endereço da IRRIGAZON, mas em nome de um “laranja” ou “testa de ferro”, EDVALDO HENRIQUE DOS SANTOS, para que, assim, pudesse continuar trabalhando e exercendo o mesmo tipo de comércio da empresa IRRIGAZON. Tais fatos teriam sido confirmados em depoimentos prestados a auditoria fiscal, por várias pessoas, dentre elas EDVALDO HENRIQUE DOS SANTOS, ARCENDINO TEIXEIRA DE MORAES, DARLY CARLOS ZON FILHO, e até pelo próprio DARLY CARLOS ZON, conforme termos anexados aos autos. Apesar de intimado, o contribuinte teria deixado de apresentar as informações bancárias à auditoria, assim como teria apresentado Livro Caixa sem a escrituração da movimentação bancária, mantendoas à margem da escrituração. No período fiscalizado a empresa teria optado pelo Simples Federal, de 2004 a junho de 2007, e pelo Simples Nacional, de julho a dezembro de 2007. Pelo Ato Declaratório n º 13/2012, a empresa foi excluída do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2007, pela constatação de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, com fundamento no inciso IV do art. 14 e inciso V do art. 15 da Lei n º 9.317, de 1996. Da mesma forma, foi excluída do Simples Nacional, pelo Ato Declaratório nº 12/2012, pelo mesmo fato, com fundamento no art. 29, IV e § 1o. da Lei Complementar n º 123, de 2006. Não comprovou a origem do valor de R$ 2.207.193,40, creditado em suas contascorrentes bancárias no período de 2007, 2008 e 2009. Excluída da sistemática simplificada foi a empresa intimada a optar pela apuração de seus resultados com base no lucro real ou presumido. Optou pelo lucro presumido, mas o Livro Caixa apresentado não continha o registro da movimentação financeira, o que determinou o arbitramento dos lucros da empresa. Tomouse como receita bruta conhecida a somatória das receitas declaradas e escrituradas obtidas na revenda de mercadorias e na prestação de serviços, com aquelas omitidas, presumidas com base nos depósitos bancários não comprovados. Dos valores apurados foram deduzidos aqueles declarados no regime simplificado. A multa de ofício foi qualificada, pelo evidente intuito de fraude. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.720557/201246 Resolução nº 1801000.357 S1TE01 Fl. 4 3 Foram lavrados termos de sujeição passiva solidária a DARLY CARLOS ZON e DARLY CARLOS ZON FILHO. A empresa, por intermédio de procurador, apresentou impugnação, cujas razões de defesa foram assim resumidas no relatório do acórdão proferido pela DRJ/RJI: 11. Em impugnação às fls.829/847, o interessado, por seu procurador, César Augusto Gomes, diz, em sede de preliminar, que o Auto de Infração contém duas falhas graves, que impedem a sua continuação como documento válido para exigir tributo. Alega que: a) Darly Carlos Zon, tido e havido como gente cumpridora pontual de seus deveres e obrigações, teve seus bens bloqueados, porque casado com a irmã do deputado José Mauro Gomes e Gama, envolvido em complexo processo de desvio de verbas públicas; b) Darly Carlos Zon usou, para pagar dívidas, as contas bancárias do primogênito, Darly Carlos Zon Filho (Darlizinho), que, “não durou dois anos e foram fechadas por cheque sem fundos”; c) “quando a Receita Federal chamou Darlizinho para depor, Darly Carlos Zon assumiu toda a responsabilidade e mesmo assim teve o desencanto de ver o seu primogênito e esposa autuados pela Receita Federal”; d) a vinculação de contador, caseiro e filhos, como coresponsáveis, se choca com o § 5º do art.42, da Lei nº 9.430, de 1996, segundo o qual, comprovada a interposição, “o ilícito tributário deve incidir somente sobre o beneficiário efetivo dos recursos”; e) apesar de terem sido arrolados Evaldo Henriques dos Santos (caseiro, por ter conhecimento dos procedimentos fraudulentos adotados), Arcendino Teixeira de Moraes (contador, por ter pedido a Evaldo para assinar alguns papéis da contabilidade), Darly Carlos Zon Filho (por assessorar o pai, Darly Carlos Zon), Dalila Gama Zon (filha), Sidney Zon, irmão de Darly Carlos Zon (por terem aceito ser sócios da empresa) e Darly Carlos Zon (o usufrutuário das movimentações financeiras), o responsável único é Darly Carlos Zon; f) “neste caso, mesmo com a interposição forçada de pessoa, um Juiz Federal decidiu que não houve a deliberação e a expressa vontade de cometer o crime de apropriação indébita ao não repassar ao INSS os encargos retidos dos funcionários da antiga empresa Irrigazon Ltda, sucedida pela E.H. Santos Ltda”; g) “senhores julgadores da DRJ/RJO, está mais do que provado que Darly Carlos Zon é um homem de propósitos retos, que só desviou para a interposição de terceira pessoa em atitude desesperada, com centenas de protestos de duplicatas”. 12 Acerca da base de cálculo da exigência, o interessado diz que, “para apurar a efetiva omissão, a autoridade lançadora, em lugar de subtrair dos depósitos bancários as receitas registradas, somouas, majorando a base de cálculo em mais de hum milhão e trezentos mil reais, conforme cálculos abaixo, feitos a partir de fls.17 e 19 do Termo de Verificação”: [transcreve demonstrativo apresentado na defesa] 13 Com relação à responsabilização tributária, o interessado afirma que: 13 Com relação à responsabilização tributária, o interessado afirma que: Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.720557/201246 Resolução nº 1801000.357 S1TE01 Fl. 5 4 a) “através do art.58 da Lei nº 10.627/2002, foi introduzido um § 5º no art.42 da Lei nº 9.430, de 1996, pelo qual as autoridades fiscais podem identificar quem é o efetivo responsável pelo tributo, que, sozinho, se responsabilizará pelos atos irregulares”; b) Darly Carlos Zon compareceu à Receita Federal e disse com todas as palavras que era o único responsável pelas movimentações bancárias indevidas, e ofereceu o seu CPF como o canalizador de todos os ilícitos que a Repartição apurasse contra seus filhos, esposa e seu colaborador, e, mesmo assim, nunca teve um MPF lavrado em seu nome, e continua à margem da fiscalização tributária; c) não concordando com a situação de não ter sido intimado, Darly Carlos Zon fez carta à Delegada, e assumiu toda a responsabilidade como o efetivo e único movimentador em prol de suas empresas – Irrigazon e depois E. H. dos Santos – das contas bancárias abertas em nome das filhas, do filho e do funcionário; d) Darly Carlos Zon Filho prestou em 25.03.2008 termo de depoimento à fiscalização e disse literalmente que seu pai movimentava, pela sistemática de cheques em branco, as contas bancárias, ficando demonstrada a interposição de pessoas; e) o patrimônio de Darly Carlos Zon bloqueado é de tal proporção que cobra com folga o débito do cunhado com a reparação à Fazenda do Estado do Espírito Santo e os tributos federais; f) o auto de infração deve ser cancelado na íntegra porque “a autoridade desobedeceu, de frente, a legislação tributária, por lavratura e solidarização de pessoas imunes à imputabilidade tributaria, por expressa previsão legal”; g) “os primeiros cinco nomes listados na página 23 do TVI, Arcendino, Dalila, Sidnei, Darly e Edevaldo não têm gabarito comercial ou financeiro para movimentar valores de tais proporções, inclusive com saldos negativos diários em bancos acima de R$ 20.000,00, e, são imunes à imputabilidade do fisco federal”; h) “apenas Darly Carlos Zon, que é o gerente, o movimentador, o pagador e o recebedor tem vínculo com o fato gerador”. 14 O interessado reproduz jurisprudência e diz que os processos de exclusão do Simples estão em andamento no Carf e que sobre eles não há decisão definitiva. 15 O interessado pede que o auto seja declarado nulo porque houve a majoração da base de cálculo, derivada da soma das receitas declaradas aos depósitos bancários e porque houve imposição de responsabilidade tributária sobre sujeitos passivos impróprios e em desacordo com legislação de regência. 16 Foi lavrada representação fiscal para fins penais (processo nº 15586.720571/201240, apensado). A Turma Julgadora de 1a. Instancia afastou a preliminar de nulidade suscitada e observou que não haveria necessidade de haver decisão definitiva acerca da exclusão do Simples para que se prossiga no julgamento dos autos de infração. Reproduzindo trechos do Termo de Verificação, justificou o arbitramento dos lucros na ausência de escrituração da movimentação financeira no livro caixa, imprescindível para abrigar a forma de tributação adotada pela recorrente, o lucro presumido, quando por ocasião da exclusão da sistemática simplificada.. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.720557/201246 Resolução nº 1801000.357 S1TE01 Fl. 6 5 Entendeu como correta a apuração da base de cálculo para o arbitramento e apuração dos tributos, assim como a sujeição passiva solidária, observando que o fato de Darly Carlos Zon ter admitido a responsabilidade pelos atos, não poderia modificar o conceito de contribuinte e responsável adotado pela legislação tributária. Observou que a multa qualificada não foi expressamente impugnada e, assim, considerou improcedente as razões de defesa, mantendo integralmente as exigências. Cientificada da decisão, em 01/08/2012 (AR...), apresentou recurso voluntário em 28/08/2013, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Como se depreende do relato, no período fiscalizado a empresa optou pelo Simples Federal, de 2004 a junho de 2007, e pelo Simples Nacional, de julho a dezembro de 2007. Pelo Ato Declaratório n º 13/2012, foi excluída do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2007, pela constatação de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, com fundamento no inciso IV do art. 14 e inciso V do art. 15 da Lei n º 9.317, de 1996. Da mesma forma, foi excluída do Simples Nacional, pelo Ato Declaratório nº 12/2012, pelo mesmo fato, com fundamento no art. 29, IV e § 1o. da Lei Complementar n º 123, de 2006. Em consulta ao sistema Eprocesso verifiquei que os dois processos, de números 13768.720092/201260 e 13768.720093/201212, estão aguardando distribuição para julgamento. A Portaria RFB n º 666, de 2008, que dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), assim determina: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: ... III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; ... Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.720557/201246 Resolução nº 1801000.357 S1TE01 Fl. 7 6 § 3º Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade e impugnação, as peças serão juntadas aos processos de que tratam os incisos II e III. ... Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Art. 4º O disposto no art. 2ºaplicase aos processos formalizados a partir da publicação desta Portaria. (grifos acrescidos) Em que pese o Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não ter tratado da conexão ou da continência processual, o Código de Processo Civil deve ser aplicado, de forma subsidiária. Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art.102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...]. (grifos não pertencem ao original) Assim, há matéria prejudicial ao mérito, de cunho processual, a ser apreciada O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09), em seu artigo 6º e 49, § 7º, do Anexo II, dispõem: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. [...] Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.720557/201246 Resolução nº 1801000.357 S1TE01 Fl. 8 7 Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) É competência regimental do Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) a distribuição de processos, dentro do órgão – artigo 20, inciso III, Anexo I: Art. 20. Ao Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) compete: (...) III distribuir e movimentar os processos administrativos fiscais para as Seções e Câmaras; Destarte, deve o Secoj proceder na forma determinada pelo art. 3 º da Portaria RFB n º 666, de 2008, e remeter os processos administrativos nºs 13768.720092/201260 e 13768.720093/201212, devidamente digitalizados e juntados por anexação ao presente, a esta Conselheira, para que se possa proceder à apreciação e votação conjunta com o presente litígio, por flagrantemente interligados seus objetos. Na oportunidade, o presente processo deverá ser remetido de igual forma a esta Conselheira. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento na realização de diligência a ser cumprida pelo Secoj do Carf. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.933180/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em baixar o processo em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro. Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que não homologou as declarações de compensação DCOMP. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 4.383.307,49. 2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 33 18 0/ 20 09 -0 4 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10680.933180/200904 Resolução nº 1401000.311 S1C4T1 Fl. 3 2 Despacho Decisório da DRF 3. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 848544462 anexado à fl. 34, exarado aos 07/10/2009, que assim se manifestou: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período". 3.1 Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 ( CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. 4. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF NÃO HOMOLOGA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. o Manifestação de Inconformidade 5. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/10/2009, conforme documento à fl. 62. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 09, onde, em síntese, argumenta: 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou a CSLLEstimativa Mensal no mês de março/2005 no montante de R$ 5.860.293,24, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor da CSLL (estimativa mensal) para o período, "acabou por apurar prejuízo', "gerando o recolhimento indevido montante anteriormente recolhido no valor de R$5.860.293,24 ". (grifo e negrito do original). 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. "Todavia a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (..)". Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10680.933180/200904 Resolução nº 1401000.311 S1C4T1 Fl. 4 3 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n°9.430, de 1990. Invoca os arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005 . Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que " a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês." Informa a retificação da DCTF, " tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou "a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante "requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CM. Destaca ainda que "na hipótese de o despacho decisório em epigrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional". 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 6. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.63). Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 3ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, indeferir a manifestação de inconformidade, e por via de consequência, não homologar as compensações realizadas, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10680.933180/200904 Resolução nº 1401000.311 S1C4T1 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão de Primeira Instância, COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Analisando os autos entendo por encaminhar o mesmo para realização de diligência para verificar a correção da apuração do balanço de suspensão e redução no ano calendário 2005 e identificaçao se o valor pago relativo ao mês de março de 2005 foi superior aquele registrado no exercício e verificar a disponibilidade do referido valor para fins de compensação, com a consequente formalização de parecer conclusivo. Após a referida medida determino a intimação do contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720300/2011-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 10/06/2007
OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Constatado a inexistência omissão, obscuridade e contradição, não há o que se manifestar o esclarecimento objeto do declaratório não encontra encartado nos pressupostos aqui relacionados, pois o julgador não está obrigado a declinar a natureza do vício, formal ou material, que macula o ato administrativo.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo M. G. de Menezes, OAB/DF 39.664.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 10/06/2007 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Constatado a inexistência omissão, obscuridade e contradição, não há o que se manifestar o esclarecimento objeto do declaratório não encontra encartado nos pressupostos aqui relacionados, pois o julgador não está obrigado a declinar a natureza do vício, formal ou material, que macula o ato administrativo. Embargos Rejeitados.
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.721035/2013-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO.
O Recurso Voluntário apresentado após o não conhecimento da Impugnação, que tratou de matéria completamente estranha ao auto de infração configura inovação e, por essa razão, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. O Recurso Voluntário apresentado após o não conhecimento da Impugnação, que tratou de matéria completamente estranha ao auto de infração configura inovação e, por essa razão, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 10 35 /2 01 3- 15 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração relativo a COFINS e PIS, ano calendário de 2009, com crédito total apurado de R$ 225.187,43, incluindo principal, multa de ofício e juros de mora, valor este atualizado até abril de 2013. De acordo com a Autoridade fiscal lançadora o sujeito passivo incorreu na seguinte infração: insuficiência de recolhimento da Contribuição, aplicando multa de ofício de 75%. O Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal trata também da infração de omissão de receita, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cujos créditos tributários são objeto do processo nº 11516.721034/201371. A Recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou Impugnação tempestivamente em que alega, em síntese: (i) afastamento da presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, vez que não teve oportunidade de computar os valores dos depósitos bancários, na base calculo dos impostos e contribuições a que estavam sujeitos; (ii) que o acesso a movimentação financeira por parte da Receita Federal sem autorização judicial configura quebra de sigilo bancário; (iii) que o enquadramento do artigo 28 da Lei 9.430/96 no Auto de Infração, não se aplica a este caso, por se tratar de lucro liquido e o contribuinte se enquadra no lucro presumido; (iv) que a autoridade lançadora não tipificou a conduta dolosa que o contribuinte incorreu ao qualificar a multa de oficio: artigo 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64; (v) a autoridade não especificou porque razão a apresentação da declaração inexata teria intuito de fraude; (vi) a presunção de omissão de receita, baseada em depósitos bancários, não comporta multa qualificada, por não presumir fraude, ementa do acórdão do CARF nªº 10809364 e 920201 do CSRF; (vii) a omissão de receita não conduz a fraude, Súmula 14 do CARF; (viii) quando a capitulação legal gerar dúvida aplicase a mais branda, art. 112 do CTN; (ix) não foram excluídos da base do lançamento os valores transferidos entre contas de mesma titularidade, cheques devolvidos, empréstimos informais e receita declarada através da DCTF. Em 22 de Julho de 2013 a Recorrente apresentou uma EMENDA A IMPUGNAÇÃO TOTAL, em que aduz: (i) seus produtos de venda, possuem alíquota ZERO para PIS/COFINS, a saber, queijos e derivados, conforme art 1 da Lei 10.925/2004 e alterada pela Lei 11.196/2005; (ii) solicita a compensação dos valores recolhidos indevidamente. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.721035/201315 Acórdão n.º 3403003.128 S3C4T3 Fl. 6.143 3 A DRJ não conheceu da Impugnação por tratar de matéria estranha à autuação. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que basicamente repete a sua emenda total à impugnação. É o Relatório. Voto O Recurso Voluntário realmente não pode ser conhecido. Não houve contestação da matéria em primeira instância, tanto que a Impugnação não foi conhecida, de modo que todo o Recurso Voluntário configura inovação à discussão jurídica, discussão não verificada quando da primeira instância, o que constitui um obstáculo ao seu conhecimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 765DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 13854.000086/99-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do processo em diligência. Vencidos o conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batisat. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento a Dra. Roberta Bordini Prado Landi, OAB/SP 236.181.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do processo em diligência. Vencidos o conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batisat. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento a Dra. Roberta Bordini Prado Landi, OAB/SP 236.181. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento realizado pela Recorrente, no período de apuração de janeiro a dezembro de 1998, relativo ao crédito presumido de IPI, de que trata a Portaria do Ministério da Fazenda n. 38/1997, pedido este formulado em 29 de abril de 1999, no valor de R$ 2.089.860,03. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 54 .0 00 08 6/ 99 -0 1 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 55 2 O pleito da Recorrente foi deferido parcialmente, apenas no que se refere ao valor de R$ 62.398,99, com fundamento na manifestação fiscal de fls. 70/74, que resultou no despacho decisório de fls. 75, estribado nos seguintes fundamentos: (i) Exclusão das aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas; (ii) Exclusão do valor de frete pago a terceiros; (iii) Exclusão de valores relativos à aquisição de insumos realizadas nos anos de 1996 e 1997, que não podem entrar no cálculo do incentivo para o ano de 1998; (iv) Ajuste no valor do estoque final de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados e não vendidos, em 31/12/1997, que havia sido excluído em 1997 e que deve ser incluído em 1998; foi considerado o valor de R$ 704.354,85 calculado pelo Fisco na revisão do cálculo de 1997, conforme documentos de fls. 17/21, enquanto a empresa havia utilizado o valor de R$ 14.580.273,84; (v) Ajuste no valor do estoque final de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados e não vendidos, em 31/12/1998, a ser excluído do cálculo; (vi) Exclusão do valor de receita de exportações, de mercadorias adquiridas para revenda, que foram exportadas mas não foram industrializadas pela empresa; (vii) Exclusão do valor de receita de exportações, de variações cambiais; A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual concordou com as retificações constantes nos itens "ii", "iii" e "v". No mérito sustentou que a Lei n. 9.363/1996 determina a utilização do valor total das aquisições de insumos, motivo pela qual faria jus ao crédito decorrente de insumos adquiridos de pessoas físicas. A Fiscalização reduziu o valor do estoque existente em 31/12/1997, das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados e não vendidos, em decorrência dos ajustes realizados na apuração do crédito presumido de 1997, nos autos do processo n. 13854.000047/9861; porém esses valores foram modificados por decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes que deu provimento integral ao Recuso Voluntário da Recorrente, improcedente, pois, a glosa realizada pela Fiscalização; Não há amparo leal para a exclusão da receita de exportação da revenda para o exterior de produtos adquiridos no mercado interno e defende a inclusão na receita de exportação dos valores relativos às variações cambiais, com base na legislação do Imposto de Renda. Requer ainda que o ressarcimento seja acrescido da taxa SELIC a partir da data do protocolo do pedido. O Despacho Decisório foi retificado, por erro formal, tendo sido cientificada a Recorrente que apresentou nova Manifestação de Inconformidade, em que reitera os argumentos favoráveis à inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas, visto que a Fl. 451DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 56 3 retificação expressamente fez constar que laranjas adquiridas de pessoas jurídicas outorgariam direito ao crédito presumido. A DRJ decidiu que a Recorrente não teria direito ao crédito das aquisições de pessoas físicas, pois, segunda ela, o artigo 1 da Lei n. 9363/1996 se refere às Contribuições incidentes nas aquisições e, portanto, para haver incidência fazse necessário que as aquisições sejam feitos junto a pessoas jurídicas, regra prevista no parágrafo 2 do artigo 2 da IN n. 23/1997. No tocante ao estoque a decisão descreve que realmente a Recorrente obteve decisão favorável perante o Conselho de Contribuintes no processo n. 13854.000047/9861, que deu provimento integral ao crédito presumido de 1997, admitindo a inclusão no cálculo das aquisições de insumos de pessoas físicas. Assim, segundo a Recorrente, descreve a Decisão, o valor a ser incluído em 1998 seria de R$ 14.580.273,84, que foi excluído em 1997. Mas, de acordo com a Decisão, a situação de 1998 seria atípica, pois tal valor se refere a 31.12.1997 e foi excluído do cálculo porque pertence ao ano seguinte, vez que os produtos saíram da empresa somente em 1998. Porém, em 1998, a Decisão considera que os insumos adquiridos de pessoas físicas não podem ser incluídos na apuração e, por essa razão, seria apenas o de R$ 704.354,85, pois desconsidera os insumos não adquiridos pela legislação. No que concerne à receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros, a Decisão fundamenta que o benefícios foi instituído para a empresa produtora e exportadora, para que a receita de exportação possa ser computada no cálculo da proporcionalidade que determinará a base de cálculo, sendo necessário que o produto exportado seja industrializado pela exportadora e tributado pelo IPI, condições indispensáveis para gerar direito ao crédito presumido. Tal conclusão decorreria das expressões empresa produtora e exportadora e para utilização no processo produtivo, conforme previsto no artigo 1 da Lei n. 9363/1996, assim como o disposto no parágrafo único, do artigo 3, que determina a utilização da legislação do IPI para definir produção. Menciona a decisão que a nota MF n. 312/1998 já esclarecia que este assunto, objeto do Ato Declaratório Normativo COSIT n. 09/1998, no sentido de que o valor decorrente da venda de produtos adquiridos de terceiros não integra a receita de exportação, mas a integra a receita operacional bruta. Apenas após a IN SRF n. 313/2003 que foi determinada a exclusão das receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros da receita operacional bruta, mas tal regra apenas entrou em vigor em 26.03.2003, não alcançando a apuração do crédito presumido, cujo período é anterior. No tocante às variações cambiais nas receitas de exportação, a DRJ decidiu que a receita de exportação deve ser obtida com base nos valores escriturados nos Livros Registro de Apuração do IPI dos estabelecimentos, pelos somatórios dos valores registrados com CFOP 7.111, conforme Nota 312, de 03 de agosto de 1998. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 57 4 A DRJ menciona a Pergunta 773 e 774 do Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica, sendo que o artigo 3 da Lei n. 9363/1996 determina que se considere o artigo 9 da Lei n. 9.718/1998, que classifica as variações monetárias ativas ou passivas como receita ou despesa financeira. No mesmo sentido a Nota Conjunta n. 397/1998, motivo pelo qual decidiu que estaria correto o procedimento adotado pela Fiscalização. E quanto a atualização pela taxa SELIC, a DRJ decidiu que não haveria previsão legal para tanto e, por essa razão, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que defende que quanto às aquisições de pessoas físicas (produtos rurais) a matéria já se encontraria pacificada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que também foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça. Quanto ao ajuste dos estoques a Recorrente defende que se os ajustes dos estoques de 31.12.1997 foram cancelados por decisão definitiva nada mais lógico que, segundo a sistemática de cálculo do crédito presumido de IPI, os estoques de 1998 sejam recalculados, de acordo com o que foi decidido no processo administrativo anterior. No tocante à Receita de Exportação de produtos adquiridos de terceiros a Recorrente repete o aduzido em sua Manifestação de Inconformidade, assim como quanto às denominadas variações cambiais. Contudo, em relação a esse último tema, a Recorrente reitera que, em verdade, ele não trata de mera variação cambial da receita da exportação, mas sim de variação da própria receita, sendo oriundo da emissão de nota fiscal complementar pela Recorrente, que ajuste o preço de sua mercadoria entre a ata da venda e a data do efetivo embarque das mercadorias, ou seja, antes de a Recorrente adquirir o direito ao preço decorrente das operações realizadas. A Recorrente cita o artigo 22 da IN SRF 243, de 11.11.2002, que estabelece que a receita de exportação será determinada pela taxa de câmbio de embarque, no caso de bens. E, por fim, quanto à aplicação da taxa SELIC, a Recorrente relaciona farta jurisprudência do STJ, que admite a aplicação da taxa SELIC quando a pretensão é resistida pelo Fisco. É o Relatório. Voto vencido Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator A discussão relativa à aquisição de insumos de pessoas física no cálculo do crédito presumido da Lei n. 9363/1996 já encontrase sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula 494, assim vazada: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os Fl. 453DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 58 5 insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Portanto, equivocada a decisão da DRJ relativamente a este ponto, visto que o cálculo do crédito presumido a que a Recorrente faz jus deve sim conter as aquisições junto às pessoas físicas (produtores rurais). Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob a sistemática do recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC, de que o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela Cofins criado via instrução normativa exorbita os limites impostos pela lei ordinária. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. Condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS. Exorbitância dos limites impostos pela lei ordinária. Súmula Vinculante 10/STF. Observância. Instrução Normativa (ato normativo secundário). Correção monetária. Incidência. Exercício do direito de crédito postergado pelo fisco. Não caracterização de crédito escritural. Taxa SELIC. Aplicação. violação do artigo 535, do CPC inocorrência Relativamente ao valor dos estoques de 31.12.1997, no montante de R$ 14.580.273,84, que foi excluído em 1997, vez que segundo a própria Decisão, os produtos saíram da empresa apenas em 1998, não persiste a decisão da DRJ, posto que assim foram tratados pela Decisão porque se referem à aquisições de pessoas física, matéria esta cuja discussão já encontrase devidamente pacificada. Dessa forma, não há nenhum motivo para que o valor de R$ 14.580.273,84 de estoque da Recorrente não seja incluído no cálculo, uma vez que foi afastado pela DRJ por se tratar de aquisição de pessoa física, direito este reconhecido pelo STJ, conforme mencionado anteriormente, que deve ser obrigatoriamente observado por este CARF. Relativamente à receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros, entendo que também merece reparo a Decisão da DRJ, mas não na forma pretendida pela Recorrente. Isso porque, o crédito presumido do IPI aplicase tãosomente ao industrial, exportador, ou seja, à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, conforme dispõe o artigo 1 da Lei n. 9363/1996, in verbis: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 59 6 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. O artigo 2 da Lei n. 9.363/1996 dispõe que a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportados, conforme segue: Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Dessa forma, temos que o crédito presumido, diversamente do alegado pela Recorrente, não se aplica sobre produtos não industrializados, sendo que tais produtos não devem ser incluídos, pois, na receita de exportação e, por via de consequência, na receita bruta do produto exportador, sob pena de desequilibrar o cálculo. Nessa linha de raciocínio o Acórdão 9303001.823 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relatado pela Conselheira Nanci Gama, conforme segue: Ementa Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS INDUSTRIALIZADAS POR TERCEIROS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Sendo certo que a base de cálculo do crédito presumido de IPI é determinada mediante a aplicação, sobre o valor dos insumos, de um percentual obtido da relação existente entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, nada mais coerente que não sejam considerados nem na receita de exportação nem na receita operacional bruta, os valores das receitas de vendas dos produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, in casu, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos ao exterior. Recurso Especial do Procurador Negado. Dessa forma, o valor correspondente à receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros deve tanto ser excluída da receita de exportação como da receita operacional bruta no cálculo do crédito presumido do IPI, de forma a não influenciar o valor do benefício, posto que estranho a ele. A denominada variação cambial mencionada pela Decisão como variação monetária ativa ou passiva, em verdade, se refere aos valores de notas fiscais complementares a que a Recorrente está obrigada a emitir em obediência à legislação do ICMS e do próprio IPI, Fl. 455DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 60 7 justamente para complementar o valor da operação em razão da diferença de preço havida entre a data da emissão da nota e a data efetiva do embarque da mercadoria ao exterior. Assim, essa diferença de preço, decorrente de ajuste da moeda entre a data da emissão da nota fiscal e a data do embarque deve integrar a receita de exportação, visto que contábil e fiscalmente essa receita deve ser definitivamente reconhecida no momento do embarque. Não se trata, pois, de variação monetária ativa ou passiva, enquadrável como receita financeira, posto que esta última se verifica após o embarque e incide sobre o ativo, o recebível ou obrigação, conforme o caso, registrada na contabilidade do contribuinte. No presente caso, a Recorrente, inclusive por determinação legal, fez o ajuste de sua receita, quando do embarque da mercadoria ao exterior e incluiu esse valor na sua receita de exportação. O Acórdão CSRF 0202814, cuja ementa segue abaixo transcrita, decidiu que a receita de exportação deve ser apurada na data do embarque: Sala de sessões, em 14 de outubro de 2014 Luiz Rogério Sawaia Batista Voto vencedor Conselheiro Alexandre Kern . Cuidase de recurso tempestivamente apresentado contra o Acórdão n° 14 25.575, de 5 de agosto de 2009, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EMPRESA PRODUTORA EXPORTADORA. A simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, ~! sem sofrer qualquer processo de industrialização, não está contemplada no incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 61 8 CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tratase de pedido de ressarcimento de CPIPI apurado nos quatro trimestres do anocalendário de 1998. Controvertemse: a) aquisições de insumos a produtores rurais pessoas físicas; b) ajuste pela exclusão da base de cálculo do valor dos insumos aplicados em produtos semiacabados ou acabados mas não vendidos ao final de 1997 e inclusão do mesmo valor no ano de 1998 (R$ 14.580.273,84 X R$ 704.354,85); c) exclusão da Receita de Exportação REx do valor das receitas de revenda de mercadorias. d) inclusão da DCambial na REx. e) Atualização pela taxa Selic do valor do ressarcimento. Especificamente no que diz respeito à matéria da alínea “b”, acima, a Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, regente da matéria na época dos fatos, dispunha, nos §§ 3° e 4° do art. 3° assim dispõem: Art. 3° (...) § 3º No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. § 4º O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. O ajuste promovido pela Fiscalização – ratificado pela decisão recorrida – aparentemente, seguiu estritamente essas disposições: excluiu R$ 14.580.273,84 da apuração de 1997 e acrescentou esse mesmo valor na apuração do primeiro trimestre de 1998, ora sub judice. A alegação recursal, no entanto controverte tal valor, sob o argumento de que a decisão definitiva no processo 13854.000047/9861 asseguroulhe o direito de aproveitar CP Fl. 457DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13854.000086/9901 Resolução nº 3403000.591 S3C4T3 Fl. 62 9 IPI sobre as aquisições de insumos a produtores rurais pessoas físicas, o que reduziria o valor do ajuste a R$ 704.354,85. A decisão recorrida reconhece que o provimento dado no processo 13854.000047/9861 assegurou tal direito e, nada obstante, manteve o ajuste segundo os valores calculados pela Fiscalização. Inexiste nos autos qualquer prova que certifique que a tutela garantida no processo 13854.000047/9861 tenha a consequência pretextada no recurso voluntário e, no meu ponto de vista, em sede de pedido de ressarcimento, allegare nihil et allegatum non probare paria sunt (alegar, não provando o alegado, e nada alegar equivalemse). O Colegiado, no entanto, preferiu converter o julgamento do recurso em diligência, baixando o processo à Autoridade Administrativa competente para examinar o pleito, para que se tomem as seguintes providências: a) Juntese aos autos cópia da decisão final proferida no processo 13854.000047/9861; b) Demonstre o valor do ajuste determinado nos §§ 3° e 4° do art. 3° da PMF n° 38, de 1997, considerando o provimento dado nessa decisão; c) Repercuta o resultado desse cálculo na apuração do CPIPI ora em julgamento, em parecer circunstanciado, nele acrescentado qualquer outra informação que entenda útil para o julgamento da lide; d) Abra o prazo regulamentar para que o interessado se manifeste sobre suas conclusões, e) Findo o prazo, devolva o processo a esta instância recursal, para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de sessões, em 14 de outubro de 2014 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Numero do processo: 35464.001501/2001-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1998
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, há demonstração de recolhimentos parciais, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FATO GERADOR. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERÍSTICAS. AUSÊNCIA.
Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.
O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
Configura-se a cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
No presente caso, a cessão de mão de obra não foi demonstrada pela fiscalização, fato fundamental para a solidariedade, conforme a Lei 8.212/1999, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-003.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior acompanhou a votação por suas conclusões; b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN, com a exclusão das contribuições apuradas até 11/1994, anteriores a 12/1994, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, na questão de mérito. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há demonstração de recolhimentos parciais, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FATO GERADOR. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERÍSTICAS. AUSÊNCIA. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Configurase a cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 15 01 /2 00 1- 20 Fl. 7198DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 No presente caso, a cessão de mão de obra não foi demonstrada pela fiscalização, fato fundamental para a solidariedade, conforme a Lei 8.212/1999, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior acompanhou a votação por suas conclusões; b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN, com a exclusão das contribuições apuradas até 11/1994, anteriores a 12/1994, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, na questão de mérito. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 7199DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.988 3 Relatório Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário, fls. 06860 e 06892, respectivamente, interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e pelo Sujeito Passivo (SP) contra acórdão, fls. 06860, que decidiu dar provimento parcial à impugnação, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdencidrias Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1998 Documento: NFLD n° 35.040.1403, de 30/11/1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL RESPONSABILIDADE SOLIDáRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARBITRAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. JUROS. MULTA. INCIDÊNCIA DA TRD. O proprietário ou dono da obra é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o INSS pode inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Ê de dez anos o prazo para a constituição do crédito previdenciário. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Os juros e a multa de mora têm caráter irrelevável, a eles aplicandose a legislação vigente em cada competência. Acordam os membros da 11a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, retificando o crédito tributário exigido para o valor de R$ 90.812,57, consolidado na mesma data do lançamento original. Fl. 7200DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Para esclarecimento, segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), a partir das fls. 0136, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT). Ainda segundo o RF, o crédito referese à responsabilidade solidária pelos serviços prestados por terceiros mediante cessão de mão de obra e na construção civil. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 03/12/1999 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, a partir das fls. 0350, acompanhada de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. O prazo decadencial deve ser de o determinado no CTN; 2. O lançamento é nulo, pois o arbitramento utilizado não está autorizado pela legislação; 3. Como demonstram os documentos, grande parte da exigência já foi recolhida; 4. Nos casos de responsabilidade solidária deve ser verificado, antes, o adimplemento dos contribuintes prestadores de serviços; 5. O limite máximo do Salário de Contribuição (SC) dos segurados não foi respeitado; 6. A exigência do Salário Educação é inconstitucional; 7. A alíquota do SAT foi aplicada de maneira incorreta; 8. A multa deve ser excluída, no período anterior à incorporação da empresa; 9. As multas e juros foram aplicados de maneira equivocada; 10. Diante do exposto, espera que o lançamento seja revisto. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 0701. A fiscalização respondeu aos questionamentos, a partir das fls. 0704. A recorrente apresentou novos documentos, a partir das fls. 0711, acompanhada de anexos. Devido aos novos documentos, a Delegacia solicitou nova diligência ao Fisco, a partir das fls. 05764. Fl. 7201DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.989 5 O Fisco emitiu Parecer pela retificação do lançamento, a partir das fls. 05778. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte o lançamento, a partir das fls. 06152. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, a partir das fls. 06242, acompanhado de anexos, onde reitera seus argumentos apresentados na defesa. Com as novas alegações da recorrente, a Delegacia solicitou pronunciamento da fiscalização, fls. 06306. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 06308, posicionandose pela retificação do lançamento. A Delegacia emitiu despacho, a partir das fls. 06423, retificando o lançamento. A Segunda Câmara (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, fls. 06535. No retorno dos autos á CAJ, os autos foram analisados e o colegiado decidiu, novamente, pela conversão do julgamento em diligência, fls. 06621. O Fisco respondeu aos questionamentos, fls. 06629. A CAJ analisou os autos e decidiu anular os lançamentos oriundos de cessão de mão de obra, devido a vício formal e, para o restante, anular a decisão de primeira instância, fls. 06677. A Delegacia ingressou com pedido de revisão do acórdão proferido, fls. 06707. A recorrente apresentou suas contra razões, fls. 06713. A CAJ não conheceu do pedido de revisão, fls. 06748. O Fisco emitiu Relatório sobre a parcela que permaneceu no lançamento, fls. 06754. A recorrente apresentou defesa, a partir das fls. 06765. A DRJ São Paulo I (SP) analisou os autos e decidiu pela procedência parcial da exigência, recorrendo de ofício ao CARF, com a exclusão dos lançamentos oriundos de cessão de mão de obra e pelos lançamentos oriundos de serviços construção civil em que as empresas prestadoras foram fiscalizadas de forma total pelo Fisco. Fl. 7202DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Na análise dos autos, o CARF converteu o julgamento em diligência, a fim de que, em síntese, o sujeito passivo apresentasse recurso voluntário. A Delegacia enviou os autos ao sujeito passivo, que apresentou seu recurso voluntário, fls. 06892, alegando, em síntese, que: 1. O recurso e´tempestivo; 2. A decisão da DRJ descumpriu decisão transitada em julgado pelo CRPS, já que o Fisco não cumpriu as determinações do acórdão n° 1670/CRPS, pois, além de não ter investigado corretamente o recolhimento das contribuições previdenciárias pelos prestadores de serviços (o que afasta a responsabilidade solidária da Recorrente), nem ao menos incluios no pólo passivo da presente NFLD, para que pudessem exercer seus direitos ao contraditório e a ampla defesa, motivo suficiente para nos lançamentos relativos aos serviços de construção civil mantidos – reformar o acórdão, a fim de declarar nula a manutenção do que já foi decidido; 3. A regra decadencial a ser aplicada ao caso deve ser a determinada no Art. 150 do CTN; 4. De maneira totalmente indevida a fiscalização utilizou o arbitramento para a obtenção do valor lançado; 5. O critério adotado para arbitramento (% sobre valor da NF) aumentou o valor das contribuições previdenciárias, como pode ser facilmente comprovado pelos documentos já anexados ao processo; 6. O lançamento por arbitramento ocorreu de forma absolutamente indevida, uma vez que o critério adotado para arbitramento (% sobre valor da NF) não decorre de qualquer previsão legal, como seria imprescindível, mas sim de meras normas infralegais, como reconhecido pelo acórdão recorrido (ordens de serviço, instruções normativas), as quais não se coadunam com a excepcionalidade do procedimento de arbitramento; 7. Diante do exposto, demonstrado que a Fiscalização adotou critério aleatório para a composição da base de cálculos das contribuições ora exigidas, que em nenhum momento foi demonstrado faltarem elementos para eventual lançamento regular e, portanto, que o arbitramento foi realizado de forma arbitrária, deve ser reformado o acórdão recorrido, reconhecendose a nulidade da NFLD em discussão; 8. O lançamento está equivocado, também, por exigir tributo do responsável solidário antes da exigência do devido ao prestador de serviço; 9. Portanto, em razão do desrespeito ao beneficio de ordem, da incorreta atribuição da qualidade de sujeito passivo à Recorrente, bem como do não cumprimento dos requisitos elementares para a atribuição de responsabilidade solidária à empresa, houve insanável vicio no Fl. 7203DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.990 7 lançamento efetuado, merecendo, portanto, ser reformado o acórdão recorrido e cancelado o crédito previdenciário remanescente; 10. Incabível a cobrança de multas dirigidas à Recorrente, pois, em verdade, as contribuições deixaram de ser pagas por prestadores de serviços contratados pela empresa por ela sucedida. Assim, se seria questionável a cobrança de multas ao próprio tomador dos serviços, imaginese o absurdo da cobrança de multas a seu sucessor; 11. A utilização da TRD, no período de 02 a 12/1991 é indevida; 12. Do exposto, aguarda provimento de seu recurso. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 7204DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário. Analisaremos cada um deles. Antes de analisarmos as questões presentes nos recursos, cabe – por motivo relevante – transcrever a conclusão contida na decisão de primeira instância, fls. 06879: DA CONCLUSÃO: Ante todo o exposto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, retificado nos termos do Acórdão n° 1670, de 28/07/2004 (fls. 6654/6677, vol. XIX) da 2 a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu pela nulidade dos levantamentos por cessão de mãode obra e pela nulidade da DecisãoNotificação n° 21.004/0278/2000 (fls. 6152/6192, vol. XVIII), no tocante aos levantamentos relativos a serviço de construção civil. Assim, ficam excluídos do presente lançamento os levantamentos identificados por CM1 Prest. Novo Mundo; CM0 Cessão de Mãodeobra; MO1 Cessão de Mão de obra e; TEM Serviço Temporário, assim como as empresas de construção civil relacionadas no Relatório Fiscal Substitutivo (fl. 6754/6761, vol. XX) como estando baixadas ou fiscalizadas com análise da contabilidade. Então os levantamentos CO] — Construção Civil CGC 61 e CON — Construção Civil Resp. Solidr ficam retificados conforme exposto: 1. com a exclusão das empresas prestadoras: Bel Bavária Engenharia Ltda. (encerrada); • Cisenco Engenharia e Construções Ltda. (encerrada); • NCR Constr. E Incorp. Ltda. (encerrada); • Consrai Construtora Ltda. (fiscalizada com exame da contabilidade); • CSN Construtora Stefani Nogueira Ltda. (fiscalizada com exame da contabilidade); • Frontenge Engenharia Ltda. (fiscalizada com exame da contabilidade e já excluída nas decisões anteriores); • Press Construções Ltda. (fiscalizada com exame da contabilidade) e; Fl. 7205DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.991 9 Soedil Soteco Edificações Ltda. (fiscalizada com exame da contabilidade). 2. com a manutenção dos valores lançados por responsabilidade solidária com as empresas de construção civil: • Construções Elétricas Belima Ltda. (planilha de lançamentos as fl. 313, vol. I); • Empreiteira Jomarc S/C Ltda. (planilha de lançamentos as fl. 316/320, vol. I); Technion Construções e Arquitetura Ltda. (planilha de lançamentos às fl. 328, vol. I); • CSN Estruturas Metálicas e Construções Ltda. (planilha de lançamentos às fl. 315, vol. I, com a retificação procedida na Decisão Notificação n° 21.004/0278/2000, por ter logrado a Impugnante elidirse da responsabilidade solidária nas competências 04/92, 12/92 e 02/93, conforme Quadro I supra) e • TWA Engenharia Ltda. (planilha de lançamentos As fl. 329, vol. I). A decisão do CRPS consignou em sua conclusão, fls. 06677: “Voto no sentido de: a uma, declarar nulos, por vicio formal, os levantamentos correspondentes à cessão de mãodeobra; a duas, ANULAR a DecisãoNotificação, para que sejam adotadas as cautelas mínimas de auditoria fiscal previdenciária para evitar duplicidade de exação tendo por base a mesma divida, sob o fundamento de responsabilidade solidária, nos créditos remanescentes. Sem embargo, no dispositivo deverá constar a Decisão de maior relevo, em razão da operacionalização nos sistemas informatizados do CRPS e daí Autarquia.” Portanto, como está claro em todas as peças: 1. O lançamento foi efetuado por responsabilidade solidária, com várias empresas (contribuintes) como “prestadoras de serviços” e a recorrente, sujeito passivo, como tomadora de serviços; e 2. Decisão do CRPS decidiu: a) excluir do lançamento – por nulidade por vício formal as empresas relativas a prestação de serviço por cessão de mão de obra, pois não estava caracterizada a cessão de mão de obra; b) anular a decisão para que se verificasse quais empresas prestadoras e construtoras já teriam sido encerradas e/ou fiscalizadas, com cobertura total, no período idêntico que consta do lançamento. Feitos os esclarecimentos, passaremos a decisão. Fl. 7206DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 RECURSO DE OFÍCIO Como já afirmamos, o recurso de ofício referese a decisão, pelo CRPS, de nulidade, por vício formal, de valores referentes à prestação de serviço por cessão de mão de obra, pois a cessão não estava caracterizada. Nesse sentido, concordamos com a decisão. A legislação determina que a cessão deve ser demonstrada, pois dessa demonstração pe que corre o lançamento. Lei 8.212/1991: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. ... § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Portanto, o fundamento da exigência é a existência de cessão de mão de obra. Assim, como não restou demonstrada a cessão, o lançamento foi anulado, corretamente. Pelo motivo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 7207DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.992 11 RECURSO VOLUNTÁRIO Quanto ao recurso voluntário, em primeiro lugar, devemos verificar a questão da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Fl. 7208DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 7209DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.993 13 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação do Fisco de que verificou valores recolhidos, fls. 0135, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF). Outro ponto importante é que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Fl. 7210DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 14 Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Esse é o teor de Súmula recentemente aprovada pelo CARF: “Súmula 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Fl. 7211DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.994 15 Portanto, claro está que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conseqüentemente, como a ciência do lançamento ocorreu em 12/1999, fls. 001, estão decadentes todas as contribuições apuradas até 11/1994, anteriores a 12/1994, pelos motivos expostos. Com as decisões do recurso de ofício e da decadência, conforme decisão da DRJ, na análise do Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR), fls. 06813, restam contribuições apuradas por responsabilidade solidária em obras de construção civil, fls. 06841, levantamentos CO1 e CON. Ocorre que na análise dos autos – apesar do lançamento ocorrer por responsabilidade solidária – não há ciência, intimação, nem possibilidade de defesa, nem responsabilização das empresas prestadoras de serviço. Ora, a responsabilidade solidária surge quando você determina que mais de um contribuinte responderão por exigência oriunda de obrigação tributária. A ausência de participação de um dos responsáveis – neste caso, para evidenciar ainda mais o equívoco, dos contribuintes originais, diretos – causa cerceamento de defesa, pois não há como eles participarem do processo e questionarem a acusação fiscal, impossibilitando, por exemplo, a contradita na inversão do ônus da prova. Assim, por esse motivo, ocorre a nulidade do lançamento. Outra clara nulidade no presente lançamento, repetimos, fundamentado em responsabilização solidária, é que o lançamento corresponde a prestação de serviço por vários contribuintes originais, impossibilitando que o valor lançado seja individualizado por prestador, o que impossibilita, também, por exemplo, o contraditório na inversão do ônus da prova. Fl. 7212DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 16 Assim, por esse motivo, ocorre, também, a nulidade do lançamento. Somandose a esses pontos, não está caracterizada a cessão de mão de obra nos serviços prestados. Como consta da legislação acima – inclusive citada pelo Fisco no Relatório Fiscal para fundamentar o lançamento que teve o cuidado, inclusive de definir o que é cessão de mão de obra, a fiscalização deve, para que o lançamento prevaleça, demonstrar que a cessão existiu, de forma comprovada. Essa demonstração deve ocorrer inclusive na construção civil, pois há atividades em que há cessão e há atividades em que a cessão não ocorre. Ressaltese que não há no Relatório Fiscal informação de que documentos não foram apresentados, o que impossibilitaria a comprovação de existência da cessão. Assim, como o Fisco não comprovou, nem demonstrou, a hipótese de incidência da Lei para a efetivação da exigência e como a decisão de mérito soluciona a questão, dou provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em: 1. Negar provimento ao recurso de ofício; 2. Dar provimento parcial ao recurso voluntário, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN, com a exclusão das contribuições apuradas até 11/1994, anteriores a 12/1994, nos termos do voto; e 3. Dou provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto, na questão de mérito. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 7213DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001501/200120 Acórdão n.º 2301003.965 S2C3T1 Fl. 6.995 17 Fl. 7214DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13804.000528/00-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3201-001.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 05/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 05/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 05 28 /0 0- 30 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Cia. de Cimento Portland Ponte Alta, doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 1615.601, de 27/11/2007, proferido pela 9ª Turma da Delegacia de Julgamento São Paulo I (SP). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Em 10/03/2000 a interessada pede restituição de FINSOCIAL no valor de R$ 74.266,71, apurado entre 01/88 e 03/92 e pago entre 12/2/88 e 15/4/92 (cópias de Darf’s fls 222 a 257), motivada pela ação declaratória 94.00218125 para compensar pela IN 21/97 (fl.1). Cumula pedido de compensação com IRRF, CSLL e IRPJ (fl. 2). 2. Em 12/09/2000, pediu desistência da compensação relativa ao IRPJ de dezembro de 1999 (R$ 54.629,84) por não ter apurado imposto (fl.34) e pediu compensações com CSLL (fl.28). Ainda em 2000 apresentou os seguintes pedidos de compensação: em 04/10 (CSLL, fl.78); em 07/11 (CSLL e IRPJ, fl.84). Em 2001 apresentou pedidos de compensação em: 01/03 (CSLL, fl.90); 02/02 (COFINS, fls 96 e 98); 30/03 (CSLL, fl.104); 02/05 (CSLL, fl.109); 05/07 (CSLL, fl.115); 27/07 (CSLL, fl.123); 03/09 (CSLL, fl.135); 10/07 (CSLL, fl.149). 3. Em 15/8/94 (fl.216) a empresa propôs a ação cautelar 94.00196938 com pedido liminar (indeferido) visando compensar o Finsocial excedente à alíquota de 0,5%, com outros tributos e/ou contribuições sociais devidas à União. 4. Em 31/8/94, a autora propôs a ação ordinária 94.0021812 5 (declaratória cumulada com condenatória de repetição de indébito), requerendo (fls. 184/185) declarar inexistência de relação jurídico fiscal quanto à exação de Finsocial excedente a 0,5% do faturamento (Lei 7689/88 até a LC 70); afastar a IN 67/92 e declarar o direito de compensar tais quantias, atualizadas monetariamente, com quaisquer tributos, ou, subsidiariamente, com outras contribuições arrecadadas pela SRF, ou somente com COFINS pelo art 66 da Lei 8.383/91, eventualmente condenar a Ré a repetir os indébitos. Acresceu aos pedidos as cominações legais, custas e honorários. 5. Em 17/5/95, o TRF concedeu liminar em agravo regimental (Mandado de Segurança 94.00196938, no âmbito da ação cautelar), para compensar valores recolhidos a maior do FINSOCIAL com COFINS vincenda (art 66, Lei 8.383/91) sob sua conta e risco e, se inexata, autuável pelo fisco (fls 346 a 353). 6. Em 14/8/95, conforme decisão de fls 11, a Cautelar 94.00196938 foi extinta sem julgamento de mérito, por ter sido julgada a ação principal (na mesma data). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13804.000528/0030 Acórdão n.º 3201001.688 S3C2T1 Fl. 425 3 7. Em 14/8/95, a sentença proferida na ação ordinária 94.00218125 (fls.186189) declarou a empresa sujeita apenas aos DecretosLeis 1.940/82 e 2.397/87 e à Lei 7.738/89 até março de 1992 (afasta a legislação que majorou a alíquota de 0,5%), e declarou assegurado o direito de compensar importâncias eventualmente recolhidas a maior antes de 1992, com as vincendas devidas pela LC 70/91 (COFINS). Determinou a correção monetária desde a data dos recolhimentos, pelo IPC até 31/12/91 e pela UFIR a partir de 1/1/92. Não afastou a fiscalização administrativa das compensações feitas sob exclusiva responsabilidade da autora. Condenou a Ré em custas além de honorários fixados em 10% do valor da causa. Submeteu ao reexame necessário. 8. Em 10/12/97, ao julgar a apelação da União ao TRF na ação ordinária (96.03.0197343), o relator afirmou: “Evidentemente, não há condições de aferirse o exato recolhimento dos valores, mas demonstram, em tese, o direito de compensar ou postular a restituição do indébito”. Ao final, negou provimento à apelação e deu parcial provimento à remessa oficial, para que se apliquem os mesmos índices utilizados pela União para atualização de seus créditos deduzindo o pedido para compensar o FINSOCIAL com a COFINS, bem como, se cabível em tese a compensação, esta deve ser aferida pela administração quanto ao procedimento e valores (fls.193204). Os Embargos de Declaração da autora (índices de correção a serem aplicados na compensação) foram rejeitados (fl. 206). O Recurso Especial da União não foi admitido e o acórdão transitou em julgado em 19/08/2002 (fls. 278). 9. Em 21/10/2004, sob cominação de indeferimento, a empresa foi intimada a apresentar diversos documentos (fl.263), dentre os quais: os relativos à desistência da execução judicial (IN 210/02); os valores mensais restituíveis ao Finsocial; declaração de não utilização da restituição em compensação fora do presente processo (§ 1º, art. 66, Lei 8.383/91 e art 58, Lei 9.069/95). 10. Em 9/12/2004, a empresa peticionou ao juízo da 20ª Vara Federal (fl.319), informando que “procedeu às compensações na forma como lhe foram deferidas” e que a SRF estaria condicionando a homologação da compensação à desistência da autora da execução das custas e verbas e dos patronos da autora quanto aos honorários advocatícios. 11. Em 30/6/2005, conforme consta do sítio da Justiça Federal, foi publicado despacho na Ação Cautelar 94.00196938 pelo qual, baseado na extinção desta sem julgamento do mérito (267, VI, CPC) e na não condenação em verbas de sucumbência, o juiz determinou desapensar esses autos da Ação Ordinária e indeferiu pedido de execução (fls.354 e 355). 12. Em 8/7/2005, a empresa requereu administrativamente a apreciação do pedido (fls 314 a 316), anexando cópia de decisão Fl. 493DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 de 10/12/2004 pela qual o juízo da 20ª Vara Cível, nos autos do processo 94.0218125, determinara à Secretaria da Receita Federal a conclusão do procedimento administrativo de compensação dos créditos tributários, “sem exigir da autora a renúncia ao recebimento das verbas sucumbenciais, especialmente, dos honorários advocatícios”. 13. Em 28/12/2005, deuse a ciência do Despacho Decisório pelo qual a EQITD considera os pedidos de compensação como declarações de compensação (art. 49 da Lei 10.637/02), indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações declaradas (fls. 280 a 282), em razão de, após duas dilações de prazo concedidas, não ter fornecido todos os documentos/declarações solicitados (art 40, Lei 9.784/99) e pela não comprovação quanto ao “animus de manter a via administrativa em detrimento da judicial” por meio de desistência da execução (§ 2º, art. 50, IN 460/2004). 14. Em 26/01/2006 a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade, argumentando em síntese: tem direito de compensar crédito por sentença transitada em julgado conforme certidão; o artigo 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/02 autoriza a compensação; o § 2º do art. 50 da IN 460/04 não pode restringir ou trazer condições que a lei não trouxe; a decisão presumiu inércia do contribuinte por suposta ausência de documentação; o sistema da Receita Federal possui informações quanto à utilização do crédito e compensações anteriores e o órgão é integrado à Procuradoria da Fazenda Nacional; se as informações requeridas não foram obtidas junto ao contribuinte poderiam ser obtidas no sistema interno; pelos artigos 22 de 23 da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) os honorários de sucumbência pertencem ao advogado, não se admitindo renúncia e o § 2º, do art 50, da IN 460 viola esses artigos; as relações jurídicas Contribuinte/Fisco e Advogado/União são distintas; a petição apresentada nos autos posteriormente ao trânsito em julgado da decisão que concedeu o crédito de Finsocial visa à execução dos honorários; alega violação ao princípio da legalidade, citando doutrina para fundamentar que a IN/460 não se submeteu à Lei 8.906/94. Ao final requer o conhecimento da Manifestação de Inconformidade e o reconhecimento da compensação feita pela impugnante e sua homologação, tendo em vista a ilegalidade das restrições impostas pelo § 2º do artigo 50 da IN 460/2004. 15. Em 22/1/2007, conforme consta do sítio da Justiça Federal, nos autos da Ação Ordinária 94.0218125 o magistrado homologou, após a concordância da União, o valor da conta de liquidação relativa à execução dos honorários advocatícios e determinou a intimação das partes quanto à oportuna adoção das “providências necessárias ao prosseguimento da execução do julgado” (fls. 356 a 358). A instância a quo julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13804.000528/0030 Acórdão n.º 3201001.688 S3C2T1 Fl. 426 5 ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciação de argüições de ilegalidade de normas. FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO DE EXECUÇÃO. A inobservância das regras relacionadas à restituição na via administrativa de valor atinente a título judicial (entre as quais a que estabelece a necessidade de desistência do Processo de Execução, de assunção de todas as custas e honorários do Processo de Execução e de homologação judicial da desistência dessa ação, ou renúncia ao Processo de Execução), inviabiliza a restituição. COMPENSAÇÃO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Não é dado à Administração não homologar a parte das compensações declaradas antes do qüinqüênio anterior à data de ciência do Despacho Decisório. Solicitação Deferida em Parte Inconformada com a manutenção parcial do despacho decisório, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente. Contudo, cotejando a decisão recorrida (efls. 360/372) e o recurso interposto (efls. 378/382), verificase a ocorrência de um equívoco, eis que as razões para reformar a decisão recorrida não condiziam com a realidade dos fatos. Confirase alguns trechos da peça recursal: 8. Por lógica, julgandose prejudicada a decisão proferida inicialmente pela Delegacia da Receita Federal, que indeferiu a compensação por vislumbrar a decadência do crédito, anulando se todos os atos praticados após aquela decisão, inclusive a Manifestação de Inconformidade, deverá ser restabelecido o status quo ante daquele processo. [...] 12. Atualmente, o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, embora tenha julgado prejudicada a decisão da SRF, está mantendo os efeitos do indeferimento da compensação, autorizando implicitamente a cobrança do tributo compensado, o que não pode prevalecer. [...] 18. Diante do exposto, requer dignese esse D. Conselho em dar provimento integral ao presente Recurso Voluntário, fim de reformar a decisão cm tela e determinar o encaminhamento do pedido de compensação ao órgão administrativo competente para análise ou, caso assim não entendam V.Sas., que esse D. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Conselho analise a legitimidade do procedimento de compensação adotado pela Recorrente, com base na decisão judicial transitada em julgado. Em hora alguma a decisão recorrida julgou prejudicada a decisão da repartição de origem. Da mesma forma, o pedido de compensação não foi indeferido pelo fato de direito creditório ter sido alcançado pela decadência. Apesar dessas inconsistências, o recurso voluntário foi distribuído à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, em 23/11/2009, converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 320100.042 (efls. 389/399). Ocorre que, induzido ao erro pelo teor do recurso voluntário, o relator também equivocouse ao formalizar a decisão, eis que o seu voto referiuse a outros fatos não tratados na decisão recorrida, inclusive outros processos judiciais. Vale dizer, o relator votou no sentido de anular a decisão de 1ª instância, que supostamente teria deixado de conhecer a impugnação por haver constatado a concomitância entre o pedido judicial e o administrativo. Ora, se o caso fosse de anulação parcial do processo, a decisão não seria uma resolução, e sim um acórdão. Para sanar qualquer dúvida a respeito do teor da decisão recorrida, merece transcrição a sua parte dispositiva: 22. Razões pelas quais: a) quanto ao pedido de restituição, voto pelo NÃO ACOLHIMENTO da Manifestação de Inconformidade apresentada, e mantenho o Despacho Decisório atacado, que indeferiu o pedido de restituição do contribuinte com fundamento no § 2º, do art. 50, da IN 460/2004 (atual § 2º, do art. 50, da IN/SRF nº 600, de 2005). b) quanto aos pedidos de compensação de fls 90, 96, 98, 104, 109, 115, 123, 135 e 149, voto pelo NÃO ACOLHIMENTO da Manifestação de Inconformidade apresentada e mantenho o Despacho Decisório que os recepciona como Declaração de Compensação e não homologa esses pedidos de compensação com fundamento no § 2º, do art. 50, da IN 460/2004 (atual § 2º, do art. 50, da IN/SRF nº 600, de 2005). c) quanto aos pedidos de compensação de fls 2 (IRRF dos períodos janeiro e fevereiro de 2000, CSLL de janeiro de 2000 e IRPJ de janeiro de 2000); fls 28 (CSLL dos períodos novembro e dezembro de 1999); fls 78 (CSLL do período de agosto de 2000) e fls 84 (CSLL e IRPJ do período de setembro de 2000), mantenho o Despacho Decisório no ponto em que os recepciona como Declaração de Compensação, porém reconheço a ocorrência da homologação tácita, pois haviam sido protocolados há mais de cinco anos da data de ciência do Despacho Decisório, e voto pelo ACOLHIMENTO PARCIAL da Manifestação de Inconformidade. Em razão disso, em 04/12/2009, a Recorrente atravessou petição na qual requereu o retorno dos autos ao CARF para julgamento do recurso voluntário interposto, retificando os erros apontados na resolução (efls. 404/406). Fl. 496DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13804.000528/0030 Acórdão n.º 3201001.688 S3C2T1 Fl. 427 7 Posteriormente, o processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño De acordo com o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores, compete ao presidente da turma julgadora a retificação de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto mediante requerimento de conselheiro. No caso concreto, todavia, não se trata de mera retificação de inexatidões materiais, não havendo que se falar em descumprimento de disposição regimental. Isso porque o recurso voluntário sequer foi julgado na primeira vez que o processo foi encaminhado ao CARF. Com efeito, em respeito ao princípio da celeridade processual que informa o processo administrativo federal, é imperiosa a realização imediata do julgamento da peça recursal, tal como requerido mais recentemente pela Recorrente. Pois bem, feitas as considerações acima, passase à análise da admissibilidade do recurso voluntário. Inicialmente, convém destacar que o objeto do recurso voluntário são os pedidos de compensação cuja não homologação foi mantida pela instância a quo, sendo certo que não se discute os pedidos de compensação para os quais a instância a quo já reconheceu a homologação tácita. Conforme relatado, o recurso voluntário interposto referese a fundamentos inexistentes na decisão recorrida. Tanto isso é verdade que as razões recursais são totalmente inovadoras se comparadas àquelas aduzidas na manifestação de inconformidade (efls. 287/301). A jurisprudência maciça do CARF é no sentido de que não se pode conhecer o recurso voluntário que inove as razões de defesa apresentadas na impugnação/manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. Confirase: PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos Fl. 497DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 de discordância e as razões e provas que possuir. A matéria trazida apenas em sede recursal não será conhecida. (Acórdão nº 2302003.073, Rel. Cons. Liege Lacroix Thomasi, Sessão de 19/03/2014) ......................................................................................................... NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. (Acórdão nº 3803005.126, Rel. Cons. Hélcio Lafetá Reis, Sessão de 28/01/2014) ......................................................................................................... INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA MORATÓRIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Não se toma conhecimento das razões recursais que deixaram de ser submetidas à autoridade de primeira instância, tratandose de matéria preclusa (art.17 do Decreto nº 70.235/72). (Acórdão nº 1103000.751, Rel. Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sessão de 11/09/2012) A despeito de entender que houve uma sucessão de lapsos por parte do patrono da Recorrente e do primeiro relator do presente processo no CARF, há inegavelmente a subsunção do caso concreto à norma processual que prevê a preclusão argumentativa, razão pela qual o presente julgamento merece o mesmo desfecho da jurisprudência acima colacionada. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário, e, por conseguinte, deixo de apreciar o direito creditório pleiteado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 498DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 13603.001564/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
SISTEMA NÃO CUMULATIVIDADE. CÁLCULO DO VALOR DEVIDO. APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
O inciso IX do art. 3º combinado com o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/03 prevêem o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II do artigo 3º. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídos, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE.
Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluí-los, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama que davam total provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF 29.266.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator designado.
(assinatura digital)
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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CÁLCULO DO VALOR DEVIDO. APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O inciso IX do art. 3º combinado com o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/03 prevêem o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II do artigo 3º. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídos, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE. Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluílos, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama que davam total provimento. Designado para redigir o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 15 64 /2 00 7- 05 Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 3 2 voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF 29.266. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator designado. (assinatura digital) Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Recife que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo parte do direito creditório pleiteado, por entender, em especial, que distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero, não têm amparo legal para o creditamento de PIS/COFINS, relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos. Segundo a DRJ/REC, admitir o creditamento seria contrariar em sua essência a lógica da tributação monofásica, além do que o art. 3°, I, h, da Lei n° 10.833/2003, com a redacã̧o dada pela mesma Lei n° 10.865/2004, vedou expressamente a apuração de créditos sobre despesas de frete e de armazenagem incorridas na operação de revenda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gas liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. A ora Recorrente protocolou Pedido de Ressarcimento – PER (9902.82884.141206.1.1.103038) seguido de Declarações de Compensação – DCOMPs, para compensar débitos próprios com créditos de PIS, apurado em razão da aquisição de mercadorias para a revenda e outros créditos autorizados pela legislação e não aproveitados na dedução da contribuição devida. Iniciada a fiscalização pela DRF/Natal, com os documentos apresentados pela empresa em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, foi verificado que os pagamentos feitos a título de frete ou armazenagem estão vinculados ao transporte de gasolinas, óleo diesel e álcool combustível, cuja revenda está fora do campo de abrangência da nãocumulatividade. Assim, a DRF/Natal, ao examinar o pedido de ressarcimento e as compensações a ele vinculados, concluiu pela impossibilidade de apuração de créditos em face das receitas de revenda de combustíveis sob as seguintes premissas: A partir de agosto de 2004, portanto, a venda de combustíveis derivados de petróleo pelas refinarias passou a ser regida por nova sistemática com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei n° 10.865/2004 no art. 1° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Processada a alteração legal, os produtos de que trata a Lei n° 9.990/2000, à excecã̧o do álcool para fins carburantes, passam a integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, ficando instituída a partir de então a sistemática monofásica nãocumulativa de pagamento das contribuições para as refinarias de combustíveis. As demais integrantes da cadeia de producã̧o e Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 4 3 comercialização destes produtos continuam, independentemente da alteração legal, fora do campo de incidência das referidas contribuintes. Além disso, procedeu à glosa dos valores relativos aos aluguéis e encargos com depreciação. Consigna o Despacho Decisório que “Não foi apresentado nenhum comprovante de pagamento de aluguel relativo aos meses de janeiro a outubro de 2006, razão pela qual todos os valores destes períodos foram desconsiderados para efeito de composição de base de cálculo de crédito da COFINS não cumulativa” e que “ainda que os comprovantes de pagamentos tivessem sido apresentados, não fariam jus à apuração de créditos pelos mesmos motivos narrados” Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, protestando pela legitimidade dos créditos apurados aduzindo que a Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei 10.865/04, excluiu apenas receitas de vendas com álcool para fins carburantes da sistemática nãocumulativa da COFINS, não vinculando esse produto a nenhum sujeito especifico, é certo que os demais combustíveis anteriormente vedados (gasolina e oleo diesel) passaram a compor referida sistemática, não importando a qualidade do contribuinte que efetuou a venda desses mesmos produtos. Ademais, segundo a Recorrente, o despacho decisório não merece prosperar na media em que: a) como visto, a Lei n° 10.865/04, ao excepcionar apenas o álcool para fins carburantes da sistemática nãocumulativa, determinou a inclusão das demais receitas de petróleo (gasolina e óleo diesel, por exemplo) sem qualquer limitação de natureza subjetiva; b) o inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.833/03, não confirma que os créditos são destinados apenas a produção, pois os créditos de revenda estão previstos no inciso I desse dispositivo e os créditos pleiteados pela Manifestante encontram amparo nos demais incisos, como, por exemplo, o do inciso IX (despesas com armazenagem e frete); c) a continuidade do regime monofásico dos derivados de petróleo no âmbito da refinaria não implica exclusão das receitas auferidas pela Manifestante, referentes a esses produtos, da nãocumulatividade, pois, como visto, esses regimes não são conflitantes, mas sim concomitantes (regime híbrido); d) da mesma forma, a aliquota 0% da gasolina e óleo diesel prevista no art. 42 da MP n° 2.158/2001 não afeta a inclusão das receitas auferidas com esses produtos na sistemática nãocumulativa por qualquer contribuinte que pratique a sua venda. Alegou, ainda, a ora Recorrente que realiza operação de industrialização nos moldes previstos no art. 4°, II, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, qualificandose como uma empresa que desenvolve verdadeiro e típico processo de beneficiamento de gasolina, não podendo ser qualificada, portanto, como mera comerciante revendedora de combustíveis. Neste contexto, a gasolina "Tipo C" seria um produto industrializado, à maneira definida no art. 3° do RIPI, o que justificaria a apropriação dos créditos de PIS e COFINS. Salienta a Recorrente que a vedação do abatimento constante do artigo 3°, §7°, das Leis n°10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS) não impacta nas operações da empresa que é regida por legislação especifica, a Lei n° 10.485/02. Admitir o contrário, implica majoração Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 5 4 da alíquota do PIS e COFINS, a qual só faz sentido se vier acompanhada de abatimentos legais ("créditos") que neutralizem o impacto econômico sofrido pelos contribuintes, sob pena de haver acréscimo de ônus tributário sem o correspondente aumento da capacidade contributiva. E conclui: Desta forma, não restam dúvidas de que a limitação ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em razão da incidência monofásica (entendimento da r. decisão recorrida), em respeito a própria finalidade para que foram promulgadas, jamais poderia restringir o aproveitamento integral dos créditos. Assim, revelase inválida, além de incompatível com a técnica da não cumulatividade do PIS e da COFINS, a vedação aos créditos nessas circunstâncias, sob pena de implicar majoração da alíquota do PIS e da COFINS e inconstitucional imposição de um ônus fiscal ao contribuinte. No que se refere especificamente à glosa dos valores despendidos com frete, alega a ora Recorrente que (i) referidas despesas se incluem no conceito de insumos; (ii) que formulou Consulta à Administração Tributária com o objetivo de indagar a respeito da correta aplicação da legislação federal no tocante à apuração de créditos de PIS e de COFINS relacionados à contratação de serviços de transporte na aquisição dos insumos destinados ao seu processo produtivo (processo n° 13820.000524/200421), à qual lhe fora favorável, tendo reconhecido expressamente que o valor do frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda compõe o custo do bem, podendo, portanto, ser utilizado como crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos; (iii) que as consultas têm efeito vinculante em relação ao contribuinte e as autoridades fiscais, o que não fora observado no caso concreto, já que a fiscalização lhe aplicou entendimento contrário ao não acatar os créditos da contribuinte calculados sobre fretes. Quanto às glosas de custos/despesas com aluguéis, alega que não se deu contra o seu direito, em si, de se creditar dos valores de aluguéis de máquinas, prédios e equipamentos pagos, mas por meras questões formais de comprovação destes custos/despesas. Afirma, ainda, que: (i) o contrato de aluguel celebrado com a IPLEMG: “em 2008, ou seja, em momento posterior ao período ora fiscalizado, a Manifestante transferiu seu escritório em Belo Horizonte da Rua Dias Adorno (endereço constante do contrato de locação em tela) para a Av. Raja Gabaglia (atual endereço constante dos cadastros da RFB), consoante se infere do CNPJ da época e do alvará da Prefeitura ora acostados aos autos”; (ii) o contrato firmado com SALEMCO BRASIL PETRÓLEO LTDA: “de fato, hoje a locadora está com seu CNPJ irregular por dificuldades financeiras por que passou desde a época do contrato. Tanto isso é verdade que o referido imóvel locado à Manifestante foi posteriormente dado em pagamento a um dos credores, o Banco Industrial, com o qual a Manifestante celebrou contrato de locação e ao qual passou a pagar os valores dos aluguéis, tal qual se depreende do conjunto documental 05 ora apresentado”; (iii) os contratos firmados com CONSULTANTUM SC e CIA DE EMPREENDIMENTOS DE SÃO PAULO: requereu a juntada de documentos comprobatórios dos pagamentos, que antes foram apresentados parcialmente (de forma meramente exemplificativa). Em seguida, sustenta que “uma vez apresentada a documentação faltante referida pelo agente fiscal, impõese a revisão dos valores encontrados pelo auditor fiscal e discriminados na Tabela 2 de seu despacho Decisório, para se adequar ao percentual de rateio Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 6 5 calculado conforme as novas tabelas elaboradas e transcritas pela contribuinte nesta peça impugnatória”. Por fim, alega que a não homologação das declarações de compensação não pode ser acompanhada de multa e de juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito no caso de apresentação de recurso administrativo. A DRJ em Recife julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. INCLUSÃO DOS PRODUTORES/ IMPORTADORES NA NÃOCUMULATIVIDADE. NÃO ALTERAÇÃO DA SITUAÇÃO DOS DISTRIBUIDORES/COMERCIANTES VAREJISTAS. A inclusão dos produtores/importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática nãocumulativa da COFINS não alterou a situação das distribuidoras e dos comerciantes varejistas destes produtos, cujas vendas não passaram a ser tributadas por esta sistemática, mas continuaram, em razão da manutenção da tributação concentrada dos referidos combustíveis perante os produtores/ importadores, submetidas à alíquota zero. VENDAS DE COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS INCORRIDOS PELA DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INVIABILIDADE. Como estão excluídas as receitas auferidas pelas distribuidoras com a venda de combustíveis derivados de petróleo da sistemática não cumulativa de apuração da COFINS, incabível a apuração de créditos desta sistemática sobre despesas, encargos e custos vinculados a estas receitas, as quais devem ser consideradas fora da nãocumulatividade no cálculo do rateio proporcional de que trata o art. 3º, §8º, da Lei nº 10.833/2003. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRODUTOS TRIBUTADOS PELO IPI. COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. As distribuidoras de combustíveis, produtos imunes ao IPI, que misturam o álcool anidro à gasolina “Tipo A”, para a obtenção da gasolina “Tipo C”, não são estabelecimentos industriais, assim somente considerados aqueles que fabricam produtos tributados. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. PROVA DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS. CREDITAMENTO. É reconhecido à contribuinte o direito ao creditamento relativo a encargos de depreciação, cujo ônus comprovadamente assumiu, relativos a edificações e a benfeitorias realizadas em imóveis utilizados nas atividades da empresa. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. COMPROVAÇÃO. CREDITAMENTO. É reconhecido à contribuinte o direito ao creditamento em relação a despesas de aluguéis, que comprovadamente incorreu, alusivas a prédios utilizados nas atividades da empresa. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 7 6 MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NA PRODUÇÃO OU DESTINAÇÃO PARA LOCAÇÃO A TERCEIROS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Nos termos do art. 3º, VII, da Lei nº 10.833/2003, a contribuinte somente tem direito ao aproveitamento de encargos de depreciação sobre máquinas e equipamentos utilizados na produção ou destinados para locação a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo tributário, aos órgãos de julgamento é vedado, ressalvadas as hipóteses, não configuradas nos autos, previstas do art. 26 A, afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. DILIGÊNCIAS. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. DÉBITO SUPERIOR AO CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPROCEDÊNCIA. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANUTENÇÃO. Improcedente o pedido de ressarcimento a título da COFINS na sistemática não cumulativa quando o valor total do débito desta contribuição em determinado período é superior ao crédito apurado no mesmo período em favor do sujeito passivo, sendo mantida a nãohomologação das indevidas compensações declaradas nas quais o pretendido crédito foi utilizado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Incialmente cumpre esclarecer que o presente julgamento se circunscreve à possibilidade ou não de creditamento das despesas com frete (na operação de venda) e Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 8 7 armazenagem incorridas na distribuição de gasolinas e suas correntes, exceto_gasolina de aviacã̧o, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo — GLP derivado de petróleo e de gás natural. Isso porque o direito ao crédito relativo às despesas com alugueis e despesas com depreciação foi reconhecido pela instancia recorrida. Para avaliar o direito ao crédito cumpre examinar o regime de tributação vigente para as receitas decorrentes da venda de combustíveis para averiguar a possibilidade de apropriação de créditos pela ora Recorrente. Pois bem, de início, a incidência de PIS/COFINS nas operações decorrentes da producã̧o e comercializaçaõ de combustíveis e derivados de petróleo foi disciplinada Lei nº 9.718/98, com regra de substituição tributária, elegendo as refinarias como substitutos tributários dos demais contribuintes integrantes da cadeia produtiva. Essa sistemtática foi alterada pela Lei nº 9.990/00, que alterou substancialmente o regime jurídico de apuração do PIS e da COFINS, introduzindo a regra de tributação concentrada nas refinarias de combustíves, com alíquota mais elevada. Complementando esse novo regramento, o art. 42, I da Medida Provisória n° 2.15835/2001, reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, óleo diesel e GLP auferida por distribuidores e comerciantes varejistas. Nesse cenário, as contribuições para o PIS/COFINS, antes apuradas e recolhidas sob a sistemática de substituição tributária para frente, passaram a adotar o regime de incidência concentrada, tendo as refinarias como únicas obrigadas ao recolhimento das exações em toda cadeia de produçaõ e comercializaçaõ dos combustíveis. Assim, como asseverado pela DRJ, as demais empresas que atuam na producã̧o e comércio de combustíveis, embora sofram com a carga econômica dos tributos, deixaram de ser contribuintes do PIS e COFINS incidentes sobre receitas desta natureza, perdendo a condição de sujeitos passivos das contribuições.(fls 930). A introdução da nãocumulatividade como novo regime de apuração e recolhimento de PIS/COFINS, implementada com a edição das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, a princípio, não alterou as regras para as receitas decorrentes da venda de combustíveis. Isso porque, essa duas leis excluíam do regime não cumulativo as receitas sujeitas à tributação monofásica. Todavia, em agosto de 2004, com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei n° 10.865/04 os produtos de que trata a Lei n° 9.990/00, à exceção do álcool para fins carburantes, passam a integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos. Noutro giro, a partir de agosto de 2004, as receitas da venda de combustíveis integram o regime não cumulativo de apuração e recolhimento de PIS/COFINS. Essa mudança de regime colocou no regime não cumulativo todas as receitas decorrentes da venda de combustíveis, sem fazer distinção sobre os sujeitos passivos, importador e industrial ou distribuidor revendedor. Não há como sustentar as razões do acórdão recorrido no sentido de que estarseia diante de tributação monofásica, concentrada na figura do distribuidor/importador uma vez que há incidência (sob alíquota zero) para os demais sujeitos da cadeia. Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 9 8 Isso porque o art. 4º da Lei nº 9.718/98 ao estabelecer as alíquotas para os combustíveis não implementou regime monofásico, ao contrário, definiu alíquotas majoradas para as distribuidoras importadoras ao passo que o art. 42 da Medida Provisória nº 2.158/0135 definiu alíquota zero para os revendedores. Vejase a redação dos dispositivos: Lei nº 9.718/98 Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Medida Provisória nº 2.158/0135 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Nesse contexto, verificase que todas as receitas estão dentro do campo de incidência do PIS e da COFINS, e desde agosto de 2004 submetidas à sistemática não cumulativa. Aliás, essa é a interpretação vem sendo reconhecida por parte da Administração Federal como se vê da resposta às Consultas abaixo reproduzidas: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 351 de 28 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. CRÉDITOS POSSÍVEIS. INCIDÊNCIA PARCIAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. REVISÃO DO CÁLCULO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Na tributação pela sistemática não cumulativa da COFINS sobre a receita proveniente da revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, apesar da incidência de alíquota zero, podem ser descontados créditos referentes aos incisos IV a IX da Lei nº 10.637/2002 e III a IX da Lei nº 10.833/2003 (energia elétrica, aluguel etc.), sendo vedado o desconto de créditos relativos a bens sujeitos à tributação monofásica adquiridos para revenda, a bens e serviços usados como insumo e à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A tributação da receita de venda de álcool para fins carburantes está obrigatoriamente sujeita à sistemática cumulativa, de modo que não é possível o desconto de créditos relativos a esta Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 10 9 receita. O valor dos créditos, no caso de incidência parcial das receitas à cumulatividade e à nãocumulatividade, será determinado exclusivamente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita nãocumulativa e à parcela dos custos, despesas e encargos comuns, referentes à receita não cumulativa, determinada alternativamente pelo método da apropriação direta ou do rateio proporcional. O cálculo da contribuição poderá ser revisto pelo contribuinte através de retificação do DACON, com a compensação ou ressarcimento de eventual saldo credor, sem a incidência de juros e de correção monetária, por meio do programa PER/DCOMP, de acordo com a IN SRF nº 600/2005. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244 de 07 de Julho de 2010 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITOS. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS AO REGIME DE APURAÇÃO MONOFÁSICA. A pessoa jurídica revendedora dos produtos sujeitos à incidência monofásico não pode, por expressa vedação legal, apurar créditos sobre o custo de aquisição daqueles produtos adquiridos para revenda, nem tampouco sobre o custo de aquisição de bens e serviços supostamente por ela utilizados como “insumos” de sua atividade comercial e sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Por outro lado, a pessoa jurídica revendedora dos referidos produtos, submetida ao regime de apuração não cumulativa da contribuição, pode descontar créditos sobre os custos, despesas e encargos previstos nos incisos III, IV, V, VII, VIII e IX do “caput” do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Nos períodos de 1º de maio de 2008 a 23 de junho de 2008, e de 1º de abril de 2009 a 04 de junho de 2009, por força do art. 15 da Medida Provisória nº 413, de 2008 e do art. 9º da Medida Provisória nº 451, de 2008, os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos sujeitos ao regime de apuração monofásica estavam expressamente impedidos de descontar todos os créditos listados nos incisos do caput do referido art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, parece claro que a Recorrente tem suas receitas submetidas à tributação pela alíquota zero, fazendo jus ao direito creditório, que passo a examinar. Com efeito, após a edição das Leis nºs 10.485/02 e 10.637/03, sobreveio a Emenda Constitucional 42, de 19 de dezembro de 2003, que deu status constitucional à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS, ao introduzir o § 12 no artigo 195 da Constituição Federal, determinando que “a lei definirá setores de atividade econômica para os quais as contribuições (...) serão não cumulativas.” Logo, nos termos da Constituição Federal, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS não é ampla e irrestrita, aplicável a todas as pessoas jurídicas, mas sim adstrita aos setores de atividade econômica definidos em lei. Assim, mesmo após a constitucionalização da nãocumulatividade das referidas contribuições, continuam vigentes outros regimes de apuração do PIS e da COFINS, como o cumulativo (Lei 9.718/98). Não raro acontecer atualmente que uma única pessoa jurídica tenha suas receitas tributadas por mais de um regime, dependendo de cada atividade por ela desenvolvida, o que demonstra não ser plena e absoluta a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 11 10 É com escopo nessa não cumulatividade “mitigada” que as regras de apuração de crédito de PIS e COFINS, como definidos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, que prevê o direito de creditamento nas seguintes hipóteses: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A seu turno, a exceção prevista na alínea “b” acima mencionada tem a seguinte redação: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) X – no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo – GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004). Conjugando todas as normas que versam sobre a tributação das receitas de venda de combustível e suas correntes verificase que o direito ao crédito de PIS e COFINS vinculado a revenda de gasolina e suas correntes está restrito às importadoras e industriais desses produtos que têm autorização expressa do crédito. Para as distribuidoras e revendedoras desses produtos, não há que se falar em direito creditório nesse item. No entanto, como já exposto, o crédito que a Recorrente busca ver reconhecido referese em essência aos gastos com fretes e armazenagem de combustíveis. Para esses gastos, há expressa permissão apropriação de crédito nos termos dos incisos III a X das Leis nºs 10.673/02 e 10.833/03. Reconhecido o direito de creditarse, aplicase ao caso o artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, assegurou o direito a manutenção do crédito nas operações em que venda é submetida à alíquota zero nos eguintes termos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Sendo assim, ao que tudo indica, o artigo 17 da Lei 11.033/04 deve se aplicar para garantir o pleno cumprimento aos setores econômicos, ou melhor, às receitas sujeitas ao Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 12 11 regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, nas hipóteses em que uma das etapas da cadeia de produção é desonerada das contribuições por meio de isenção, alíquota zero, não incidência, ou suspensão. Entendido dessa forma, faz todo sentido o comando contido no referido artigo 17, que garante, ao vendedor, a manutenção dos créditos nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência do PIS e da COFINS. De fato, somente assim fica assegurada a plenitude do regime da nãocumulatividade, que não deve sofrer nenhuma restrição. Estabelecida estas premissas, passamos a verificar a possibilidade de a Recorrente se creditar dos valores relativos ao frete (insumos e produtos acabados) e à armazenagem. Antes, porém, analisaremos o conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Conceito de insumo Pois bem. A nãocumulatividade da COFINS foi instituída pela Lei nº 10.833/03, a qual permite o desconto de créditos sobre (i) bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e sobre (ii) custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Neste sentido, o artigo 3º, da Lei nº 10.833/03, estabelece que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Nos termos do referido dispositivo legal, o valor devido a título de COFINS será apurado pela aplicação da alíquota de 7,6% sobre a base de cálculo definida no artigo 1º, da Lei nº 10.833/03, e, do valor apurado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desse modo, é possível observar que o direito creditório do sujeito passivo surge com a aquisição de insumos que serão utilizados no desenvolvimento de sua atividade. Ao dispor sobre o conceito de insumo contemplado na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, Natanael Martins nos explica que ele “está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 13 12 indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar um determinado serviço”. 1 De fato, a definição de insumo, para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, se relaciona com a ideia de relação intrínseca entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, os quais devem refletir, ainda que mediatamente, na receita/faturamento sobre o qual incidirá referidas contribuições. Neste contexto, sempre deverá ser considerado como o insumo o bem ou serviço que seja necessário ao desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica ou para a existência do processo produtivo ou do produto, ou ainda, que contribua para que estes (processo e produto) tenham determinadas características. Neste sentido, são os ensinamentos de Marco Aurélio Greco: Vale dizer, “utilizar como insumo” é extrair dos bens ou dos serviços todas as utilidades que lhes sejam próprias para o fim de fazer com que o processo produtivo ou o produto destinado a venda existam ou tenham as características almejadas. Vale dizer, fazer com que – no específico contexto da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte – processo e produto sejam o que são. (...) A análise feita leva a uma conclusão preliminar no sentido de deverse considerar “utilizados como insumo” para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais – o que abrange bens, serviços e utilidades deles decorrentes, ligados aos fatores de produção (capital e trabalho), adquiridos ou obtidos pelo contribuinte e onerados pelas contribuições – que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições.2 Tecidos esses comentários e tomando de empréstimo as terminologias utilizadas por esses autores, concluímos que para que um determinado bem ou serviço seja considerado como insumo, devese analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência “(em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências)”.3 Neste ponto, vale ressaltar que a definição do conceito de insumo proposta pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, na sistemática não cumulativa, é manifestamente ilegal, na medida em que estabelece restrição não prescrita na lei. Eis sua formula textual: 1 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In PIS COFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de Insumo à luz da legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário – RFDT. Julho/Agosto de 2008, v. 34, pp. 1620. 3 GRECO, Marco Aurélio. Op. cit. p. 17. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 14 13 Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Como é possível perceber, a Receita Federal do Brasil pretendeu, com a promulgação da referida Instrução Normativa, limitar o alcance de legislação ordinária (Lei nº 10.833/08). Entretanto, por se tratar de veículo introdutor secundário, não se sustentam os Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 15 14 comandos que são manifestamente contrários aos da norma de superior hierarquia que lhe empresta fundamento de validade (a lei). Ademais, ainda que fosse possível a alteração das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 por norma de inferior hierarquia, o que se admite apenas para argumentar, não se pode olvidar que a IN SRF nº 404/04, ao equiparar a definição de insumo para fins de não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, com o de insumo para fins de não cumulatividade de IPI e ICMS, incorreu em manifesto equívoco. De fato, a presente equiparação não tem qualquer sustentação jurídica, uma vez que a não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS não tem o mesmo perfil da empregada ao IPI e ao ICMS. Isso porque, no caso do IPI e do ICMS, o referencial para se analisar o conceito de insumo, é um objeto físico (produto). De forma diferente, no caso da COFINS, o referencial é a atividade e processo de produzir e fabricar, sendo que a partir dessa referência que se identificará quais os bens e serviços serão considerados insumos. Por outro lado, enquanto o IPI e ICMS incidem sobre o produto/mercadoria, a COFINS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, o que demonstra que o universo de elementos abrangidos pela nãocumulatividade de COFINS é mais amplo do que o de IPI/ICMS. Sobre a inaplicabilidade da Instrução Normativa SRF nº 404/04, face às diferenças existentes entre os insumos de COFINS e os insumos de IPI e ICMS, Ricardo Mariz de Oliveira ensina que: Com efeito, essa interpretação está assentada, ou ao menos influenciada determinantemente, pelo conceito de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI, e também de ICMS. Acontece que as leis destes dois impostos não admitem, como fazem as Leis nº 10.637 e 10.833, a dedução ou o crédito relativo a insumos em geral, pois restringem os créditos aos valores devidos na operação imediatamente anterior sobre apenas alguns tipos de insumos, que são exatamente as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Sem ser necessário adentrar em qualquer discussão relativa à extensão dos créditos de IPI e de ICMS, para se poder distingui los das deduções relativas a insumos para efeito de quantificação da COFINS e da contribuição ao PIS, basta ver que, quanto ao IPI, a redução dos créditos a apenas os três grupos de insumos deriva de expressa disposição da respectiva legislação, enquanto que no ICMS as leis que o regem têm disposições inteiramente diversas das contidas nas Leis nº 10.637 e 10.833. Além disso, em benefício da citada instrução normativa sequer existe uma disposição legal que diga que, para a identificação dos insumos que geram dedução da COFINS e da contribuição ao PIS, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como ocorre com o crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363, de 13.12.1996, neste caso por força de expressa determinação do parágrafo único do art. 3º. Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 16 15 Portanto, o que dizem as mencionadas instruções normativas quanto a que somente são insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, as embalagens e quaisquer outros bens que sofram alteração, carece inteiramente de base legal. Esse ato fazendário somente teria validade jurídica se a lei expressamente tivesse permitido a dedução exclusivamente quanto a matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros bens sob aquele requisito, em vez de autorizála abertamente sobre insumos destinados à produção de bens e serviços.4 Neste contexto, não resta dúvida de que a restrição estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 não encontra amparo legal, motivo pelo qual não poderá sequer ter seus dispositivos considerados pelo órgão julgador. No caso em análise, a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica à comercialização de combustíveis. Por outro lado, pretende ver reconhecido o direito ao crédito de COFINS relativo às despesas com fretes (insumos e revenda de produtos acabados) e armazenagem de combustíveis. Sendo essa a sua utilização, não há dúvida que tais serviços guardam inerência com a atividade desenvolvida pela empresa, na medida em que são efetivamente importantes para a sua produção, razão pela qual devem gerar direito ao crédito no caso concreto. No que toca especificamente ao frete, vale esclarecer que, do meu ponto de vista, não gera direito à crédito apenas aquele destiando à venda, nos termos expressamente autorizados pelo inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 e da Lei nº 10.637/02, mas também aquele dedicado à compra de insumos Isso porque, este último se insere no conceito serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a que se refere o art. 3º, II, das referidas leis. Como bem pontuado pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, ao proferir voto vencedor no Acórdão nº 3401002.075 (Processo nº 16366.003307/200738), o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 apenas ampliou o rol dos fretes que dão direito ao crédito, haja vista que o frete de insumos e produtos acabados (vendidos ou não) já estavam contemplados pelo inciso II. nas suas palavras: A norma introduzida pelo inc. IX, acima, segundo a qual a armazenagem e o frete contratados junto a pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base no inciso II (mais antigo, quando considerada a não cumulatividade do PIS, em vigor desde dezembro de 2002) os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e produtos acabados (vendidos ou não), já davam direito a crédito. O que importa averiguar, a meu ver, é se o transporte é de insumos, de produtos acabados (não vendidos) ou de produtos já 4 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Aspectos Relacionados à “Nãocumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. In PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 43/44. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 17 16 vendidos. Fosse transporte de imobilizado, de material de escritório ou de trabalhadores do setor administrativo, por exemplo, não devia ser admitido crédito. Mas, como informado no voto vencido, a situação destes autos é de insumos e produtos acabados. Em três momentos – um inicial, quando transportados insumos; outro intermediário, quando transportados produtos acabados, mas não vendidos; e um final, quando entregues produtos vendidos – o crédito deve ser concedido, seja pela norma extraída do inc. II (transporte entre os estabelecimentos da mesma empresa, inclusive antes de 1º fevereiro de 2004 na hipótese do PIS) ou pela do inc. IX (entrega dos produtos vendidos aos adquirentes, nesta hipótese a partir de 1º de fevereiro de 2004, já que introduzida norma específica com vigência a partir dessa data, a mesma que contemplou os custos com armazenagem). Por conta disso, entendo que o frete, seja na aquisição de insumos, seja na venda de produtos acabados, dá direito ao crédito de Contribuição ao PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por DAR TOTAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito relativo aos custos dos serviços de fretes prestados por pessoa jurídica situada no Brasil, relativos ao transporte de insumos e de venda de produtos acabados, bem assim o de armazenagem. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Apresento a seguir as razões porque decidi inaugurar a divergência em relação à decisão proposta pela i. Relatora do Processo. Em primeiro plano, fundamental que sejam enquadrados com clareza os gastos sobre os quais recai a controvérsia instaurada no presente litígio, uma vez que daí parte minha contrariedade ao entendimento e decisão que vinham se encaminhando. A esse respeito, conforme bem situado pela i. Relatora, cumpre esclarecer que o presente julgamento se circunscreve à possibilidade ou não de creditamento das despesas com frete (na operação de venda) e armazenagem incorridas na distribuiçaõ de gasolinas e suas correntes, exceto_gasolina de aviaçaõ, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo — GLP derivado de petróleo e de gás natural. Isso porque o direito ao crédito relativo às despesas com alugueis e despesas com depreciação foi reconhecido pela instancia recorrida. Definida a circunscrição do litígio, de grande importância definir que, a meu sentir, nenhuma razão existe para que se adentre a questão relacionada ao conceito válido de insumos para o Sistema Não Cumulativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 18 17 Digo isso por duas razões. Primeiro, como resta claro do disposto no artigo 3º das Leis 10.637/02 10.833/03, o direito de crédito vinculado às despesas com frete na venda e aluguel está especificado no inciso IX do artigo 3º, descolado, portanto, da previsão específica de crédito na aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, definido no inciso II deste mesmo artigo. De fato, não se identifica qualquer relação de interdependência entre um tipo de gasto e outro. Quero dizer, insumos, a despeito da polêmica que haja em torno da amplitude do conceito válido para a tal expressão, são insumos. Gastos com frete (na venda) e aluguel estão dentre os outros gastos para os quais admitese o crédito, não compreendidos no conceito de insumo. Segundo, uma vez aqui não se cogita de uma operação de produção que transborde o conceito de industrialização, o direito de crédito na aquisição de insumos destinados à produção ou fabricação de bens destinados a venda está necessariamente vinculado ao exercício de uma atividade que possa ser enquadrada nesse conceito (de industrialização). Na medida em que sejam os combustíveis imunes ao Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme limitação do poder de tributar especificada no art 155, § 3º, da Constituição Federal, tal operação não pode ser considerada uma operação de industrialização, por força do disposto no artigo 3º da Lei nº 4.502/64, in verbis. Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. (grifos acrescidos) Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) Quanto a isso, de extrema pertinência a menção feita nos autos no sentido de que, fosse reconhecida a atividade industrial da Recorrente, e necessariamente ela deveria ser submetida à tributação concentrada própria das refinarias, uma vez que essa deva ser aplicada à receita auferida pelos produtores. Como se vê, não tem cabimento a pretensão da Parte. Isto posto, necessário que o pleito seja analisada a partir da compreensão de que o que se discute nos autos é o direito de crédito em relação a outros gastos previstos no artigo 3º das Lei 10.637/02 e 10.833/03, que não compreendidos no conceito de insumo nem no conceito de bens adquiridos para revenda. Analisase, por conseguinte, o direito de creditar se dos gastos com frete na venda e aluguel para uma empresa que atua como distribuidora de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. A autorização legal para a apuração de créditos no cálculo das Contribuições com gastos dessa natureza encontrase descrita nas Leis supra citadas nos seguintes e precisos termos. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 19 18 (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O inciso IX do artigo 3º é o único que contém expressa restrição aos casos dos incisos I e II. É famoso o brocardo segundo o qual a lei não contem palavras inúteis. De fato, nenhum outro inciso do artigo 3º demonstrou a preocupação do legislador em determinar limite de alcance ao direito concedido, apenas o inciso IX. É preciso que se lhe atribua sentido. A esse respeito, entendo falha a interpretação de que tal restrição esteja destinada a coibir excessos cometidos pelo Fisco, garantindo a todos, comerciantes, industriais e prestadores de serviço, o direito ao crédito. Tal não resiste a mais perfunctória análise, já que nada de especial há em relação a esses gastos que lhes exigisse tratamento diferenciado em comparação com os demais. De fato, creio que a razão para tal distinção encontrase, exatamente, na coexistência de diversas exceções à regra geral de apuração pelo Sistema Não Cumulativo, que comportam restrições de crédito, como é, no caso concreto, incontroversa a proibição ao crédito na aquisição do produto destinado a venda pelas distribuidoras e varejistas. Assim, ao delimitar o crédito aos casos dos incisos I e II, o legislador, ainda que não tenha escolhido a melhor maneira, retirou desse universo as situações que tenham sido excluídas de um dos dois incisos, o que é justamente o caso em tela, já que os produtos referidos no § 1ª do artigo 2º das Leis sob escrutínio foram excepcionados do inciso I do artigo 3º. Observese o texto legal. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) (...) Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 20 19 previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) Converge com esse entendimento, pelo menos em parte, a Solução de Consulta nº 149 SRRF06/Disit, de 07 de dezembro de 2010, nos seguintes termos. O exame dos dispositivos legais transcritos no item anterior indica que, com relação a produtos sujeitos aos sistemas de tributação concentrada, quando adquiridos para revenda: a) vedase a apropriação de créditos referentes à aquisição dos referidos produtos (inc. I); b) vedase a apropriação dos créditos da Cofins referidos na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, caput, inc. IX, bem como dos créditos do PIS referidos na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, caput, inc. IX, c/c art. 15, inc. II. Com efeito, admitemse tais créditos apenas nas hipóteses dos incs. I e II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, sendo que nem o inc. I nem o inc. II se aplicam à situação sob análise (cf. item ‘a’ supra e item “d’ infra, respectivamente); (...) E não se diga que, se o legislador assim desejasse, o teria dito de outra forma. Nada há de claro na legislação sub examine. As disposições parecem vir mais de um confronto de ideias do que de uma iniciativa governamental de regulamentação do assunto. Com base nessas considerações, a conclusão a que chego é a de que a Recorrente não tem direito a creditarse dos valores gastos a título de armazenagem e frete na venda dos produtos que negocia. Quanto a isso, pertinente acrescentar que, embora não se esteja aqui tratando especificamente desse assunto, também não haveria direito ao crédito se os gastos com frete fossem entre estabelecimento ou na aquisição dos produtos. Em relação ao primeiro, porque o frete de produto acabado, não sujeito a novo processo de industrialização ou produção, não pode ser compreendido dentro do conceito de insumo, exatamente porque o produto já está acabado. Quanto ao segundo, uma vez que tal dispêndio se caracterize como custo de aquisição do produto em si5, não vejo como admitilo, uma vez que ele, o produto, esteja excluído da relação de gastos para os quais admitese o direito de crédito. 5 Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 21 20 Finalmente, concluo por acrescentar que, ainda que não tenham prosperado as tentativas do Poder Executivo de definir de forma taxativa a impossibilidade de aproveitamento do crédito nas operações de que aqui se trata, o fato é que nenhum sentido há para que se admita tal possibilidade. Como já bem delineado nos autos, a origem das normas que hoje regulam a tributação exigida nas operações de venda de gasolina e suas correntes (...) encontrase nas regras definidas pela Lei nº 9.718/98, que previa a substituição tributária para frente, sob responsabilidade das refinarias. O problema é que, como é cediço, neste tipo de operação, por princípio6 (ou regra constitucional) o substituído tem o direito de pleitear a restituição de valores que considere lhe sejam devidos, o que termina por trazer grandes obstáculos à eficiência e simplificação pretendidas pelo o sistema. Foi essa a razão para introdução do Sistema de Tributação concentrada, que se equivale a tributação monofásica, garantindo, contudo, em relação a essa, o direito a apuração de créditos pelo sujeito passivo onerado pela tributação. Em regimes dessa natureza, difícil encontrar sentido na outorga de direito de crédito para aquele que encontrase fora do alcance da exação. Isso seria uma espécie de concessão àquele que não é responsável por nenhuma contrapartida. De se acrescentar a esse respeito, que nada há de incompatível entre esse raciocínio e a autorização reconhecida pela Lei 11.003/04 às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. A uma, porque as Leis 10.637/02 e 10.833/03 nunca vedaram o direito de manutenção do crédito escriturado no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, razão pela qual o disposto na Lei 11.003/04 assume caráter meramente enunciativo. A duas, porque trata se de um direito de ampla aplicação em diversos segmentos de mercado desonerados das Contribuições, mas que não foram submetidos ao sistema de concentração de que aqui se trata. Sobre a inexistência do direito de crédito às empresas submetidas ao regime de tributação concentrada, vêm sendo tomadas diversas decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ. REsp 1265198 Ministra ELIANA CALMON PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE POR ESTA CORTE. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ALEGAÇÕES GENÉRICAS (SÚMULA 284/STF). PIS. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO LITERAL. APLICAÇÃO EXCLUSIVA AOS CONTRIBUINTES DO REPORTO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA EXTENSÃO AOS DEMAIS CONTRIBUINTES. 6 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 22 21 (...) 3. A Constituição Federal no art. 195, § 12, remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. 4. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. 5. As receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições para o PIS e à COFINS em regime de tributação monofásica, com alíquota concentrada na atividade de venda e alíquota zero na revenda, não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do regime de incidência nãocumulativo. (Precedente: REsp 1.267.003/RS). 6. Tratandose de tributo monofásico por expressa determinação legal, descabe falar em direito a creditamento, o qual pressupõe, fática e juridicamente, sobreposição de incidências tributárias, que não existe na espécie. (Precedentes: REsp 1.200.996/AL, REsp 1.380.915/SE e AgRg no REsp 1.239.794/SC). (...) REsp 1380915 Ministra ELIANA CALMON TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO LITERAL. APLICAÇÃO EXCLUSIVA AOS CONTRIBUINTES DO REPORTO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA EXTENSÃO AOS DEMAIS CONTRIBUINTES. 1. A Constituição Federal no art. 195, § 12, remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. 2. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. Precedentes. 3. Na chamada incidência monofásica aplicase uma alíquota concentrada para os fabricantes e importadores e alíquota zero para os demais integrantes da cadeia produtiva. 4. Tratandose de tributo monofásico por expressa determinação legal, descabe falar em direito a creditamento, o qual pressupõe, fática e juridicamente, sobreposição de incidências tributárias, que não existe na espécie. 5. Para a criação e extensão de benefício fiscal o sistema normativo exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) e veda interpretação extensiva (cf. art. 111 do CTN), de modo que benefício concedido aos contribuintes integrantes de regime especial de tributação (REPORTO) não se estende aos demais contribuintes do PIS e da COFINS sem lei que autorize. 6. Recurso especial não provido. AgRg no REsp 1206713 Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SÚMULA 284/STF. PIS E COFINS. COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. INVIABILIDADE. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001564/200705 Acórdão n.º 3102002.154 S3C1T2 Fl. 23 22 1. É incontroverso que a Lei 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, onerando as refinarias. Por essa razão, as operações subseqüentes não são tributadas. 2. A agravante é distribuidora de combustíveis e defende que tem direito ao creditamento relativo a essas contribuições, por força das alterações promovidas pela Lei 10.865/2004. 3. Impossível entender, pela leitura das peças recursais, como a contribuinte pretende se creditar no regime monofásico ou como podem coexistir este regime em relação à refinaria e o plurifásico (com nãocumulatividade) para a distribuidora de combustível. Aplicase, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF. 4. Ademais, a jurisprudência pacífica do STJ reconhece a ilegitimidade ativa processual das distribuidoras por conta da incidência monofásica do PIS e da Cofins. Pela mesma razão, inviável o creditamento pretendido. 5. Agravo Regimental não provido. Por todas as razões expostas, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Sala de Sessões, 26 de fevereiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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