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Numero do processo: 10384.001004/2009-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0823.008 da 3ª Turma da DRJ/FOR, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra a Exclusão do Simples, fl. 01, consoante o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 002, DE 03 DE MARÇO DE 2009, segundo a qual a ora recorrente, enquadrada na condição de empresa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 10 04 /2 00 9- 48 Fl. 78DF CARF MF 2 pequeno porte no regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, estabelecido pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, houvera excedido o limite de receita bruta determinado para permanência no regime. Peço a devida vênia para reproduzir (parcialmente) o relatório, apresentado pela DRJ em seu acórdão: 02. A verificação da infração em questão decorreu de auditoria fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0330100.2008.004983 ao final da qual, conforme consta do processo administrativofiscal de nº 10384.000711/200917, foi constituído crédito tributário no valor total de R$ 434.715,21 (quatrocentos e trinta e quatro mil, setecentos e quinze reais e vinte e um centavos). 03. Conforme registrado pela autoridade lançadora em documento denominado Representação Fiscal – Exclusão do Simples, (...) a fiscalizada auferiu no decorrer do ano calendário de 2005 receita bruta em montante acumulado excedente ao limite estabelecido para permanecer no SIMPLES (R$ 2.400.000,00). Diante o exposto, como a empresa infringiu o art. 9º da Lei n° 9.317/1996, ao permanecer no SIMPLES nos anos calendários 2006, 2007 e 2008, mesmo excedendo os limites estabelecidos para Empresas de Pequeno Porte (EPP), proponho fundamentado no art. 14, I da Lei n° 9.317/1996 que a mesma seja excluída do SIMPLES. 04. O documento foi encaminhado ao Gabinete do Senhor Delegado da DRF Teresina que emitiu o Ato Declaratório Executivo nº 002, de 03 de março de 2009, fl. 32, nos seguintes termos: DECLARA o contribuinte FONTENELE INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 63.516.165/000130, EXCLUÍDO do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, pelo motivo abaixo discriminado: A empresa fiscalizada, enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte, auferiu no decorrer dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 receita bruta excedente ao limite estabelecido para permanecer no SIMPLES. Os efeitos da exclusão, em obediência às disposições contidas no art. 15, inciso IV, da Lei nº 9.317/96, surtirá efeito a partir de primeiro de janeiro de 2006. 05. A ciência do ato de exclusão, por via postal, efetivouse no dia 25 de março de 2009, fl. 33. 06. Em documento recepcionado na unidade de origem em 07 de abril de 2009, fls. 35/42, o contribuinte manifestou sua inconformidade com o que foi deliberado alegando, em síntese, que Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10384.001004/200948 Acórdão n.º 1001000.777 S1C0T1 Fl. 3 3 Advogamos, no entanto, que a exclusão do Impugnante, na forma em que foi erigida, apresentase inválida. Com efeito, consoante se infere dos termos da própria Representação Fiscal em testilha, debruçouse a fiscalização, no procedimento que culminou com a lavratura do auto de infração n° 10384.000711/200917, tãosomente sobre a movimentação financeira relativa ao anocalendário de 2005, deixando de aferir, por não ter sido objeto da ação fiscal, as receitas auferidas (ou mesmo omitidas) nos anos de 2006, 2007 e 2008. Em resumo, tomandose por absolutas as conclusões adotadas pela fiscalização no citado auto de infração n° 10384.000711/200917, somente se pode afirmar que o Impugnante ultrapassou o limite de que trata o art. 9º, II1, da Lei n° 9.317/96 exclusivamente em relação às receitas auferidas no anocalendário de 2005. Como corolário, a exclusão do Impugnante deveria, necessariamente, limitarse ao período de 2006, por força do que reza o art. 15, IV da mesma Lei n° 9.317/96, ou seja, a partir do anocalendário subseqüente ao que foi verificado o estouro do limite legalmente estabelecido. Isso porque a fiscalização, justamente por não ter sido alvo (objeto) da ação fiscal que ensejou o referido auto de infração, não possui qualquer prova ou informação de que o Impugnante teria ultrapassado o limite do art. 9º , II, da Lei n° 9.317/96 também nos anos de 2006 e 2007. (...) Portanto, como o contribuinte sujeito ao SIMPLES pode, após sanada a causa que ensejou sua exclusão optar pela reinclusão no Sistema, com vigência a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente à nova opção (art. 8º , § 2º , da Lei n° 9.317/96), afigurase ilegal a exclusão do Impugnante também nos anos de 2007 e 2008, já que, insistase, não há qualquer auditoria fiscal que possa infirmar a receita bruta declarada nos anoscalendário de 2006 e 2007. (...) Nessa ordem de idéias, o Ato Declaratório Executivo n° 35/2008, por desbordar dos limites estabelecidos na Lei n° 9.317/96 manifestase claramente nulo. Não bastasse, a confecção da exclusão do SIMPLES ora questionada antes do encerramento do contencioso administrativo instaurado pelo Impugnante através da apresentação de impugnação ao auto de infração n° 10384.000711/200917, que deu suporte à Representação Fiscal hostilizada, inquina de invalidade o ato administrativo. Ora, enquanto ainda não encerrado o procedimento de revisão do lançamento tributário de ofício (o próprio contencioso Fl. 80DF CARF MF 4 administrativo) não se pode ter as conclusões fiscais como absolutas, ou muito menos atribuirlhes qualquer conseqüência ou efeito jurídico. (...) Posto isto, diagnosticada a fragilidade do ato de exclusão do Impugnante do regime do SIMPLES, depreca para que seja conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para que reste anulado o Ato Declaratório Executivo n° 35/2008, quer seja (a) porque desbordou dos limites preconizados pela Lei n° 9.317/96, dês que não há notícias acerca da superação do limite do art. 9º , II, nos anoscalendário de 2006 e 2007, não autorizando a extensão da exclusão para outros períodos, quer seja (b) pela ausência de fato jurídico apto que possa ancorar a exclusão, já que não encerrado o contencioso administrativo instaurado com a impugnação ao auto de infração n° 10384.008065/200855, que deu suporte à Representação Fiscal em lide. 07. É o que se tem a relatar. Cientificada da decisão de primeira instância em 28/05/2012 (fl 64), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 27/06/2012 (fl 66) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente repete, em seu recurso voluntário, os mesmos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, já devidamente apresentados no relatório acima consubstanciado. Neste ponto, peço a devida vênia para reproduzir (parcialmente) o voto da DRJ: 09. Considerandose o que foi argumentado pela defendente, têmse dois aspectos principais a serem tratados: • sabendose que a fiscalização limitouse ao anocalendário 2005, cumpre se perscrutar se os efeitos da exclusão poderão alcançar os anoscalendário 2006, 2007 e 2008 ou, conforme defendido pela impugnante, devem se restringir ao ano calendário 2006; e • não estando o crédito tributário definitivamente constituído (formalizado no processo 10384.008065/200855, relativo ao anocalendário 2005, quando foi apurado o excesso de receita bruta, cujo lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo), devese aferir a legalidade da exclusão da pessoa jurídica do Simples desde o dia 1º de janeiro de 2006, visto a impugnante argumentar em sentido contrário. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10384.001004/200948 Acórdão n.º 1001000.777 S1C0T1 Fl. 4 5 10. No caso em apreciação, conforme consta do processo nº 10384.000711/200917, no anocalendário 2005 a pessoa jurídica auferiu receita bruta superior a R$ 2,4 milhões, em face do que foi formalizada Representação Fiscal comunicando o ocorrido à autoridade competente que, em vista disso, emitiu o Ato Declaratório Executivo nº 02, de 30/03/2009, excluindo a sociedade empresarial da sistemática do Simples com efeitos retroativos, a partir de 1º de janeiro de 2006. 11. Argumentou a impugnante que, em razão de a fiscalização ter se restringido ao anocalendário 2005, os efeitos da exclusão deveriam atingir apenas o anocalendário 2006. Aduziu que na hipótese de não ter auferido, em 2006, receita bruta acima de R$ 2,4 milhões, poderia retornar ao modelo simplificado já no ano de 2007, em face do que postula que os efeitos do ADE combatido não se estendam para os períodos subsequentes a 2006. A DRJ, então, discorre sobre a legislação de regência, a Lei 9.317/96, artigo 9°, que trata do limite da receita bruta para a opção pelo Simples. Continuando: 13. Sabendose que nessas condições a empresa não poderia ingressar no regime, obviamente que as já inseridas na sistemática simplificada nela não poderão permanecer. Assim, considerandose que em 2005 a receita bruta superou o limite de R$ 2,4 milhões, deveria o próprio contribuinte, mediante alteração cadastral, a ser formalizada até o último dia de janeiro de 2006, providenciar a sua exclusão do regime (art. 13, inc. II, “a”, Lei nº 9.9317, de 1996). Como assim não procedeu, restou à autoridade fiscal dar ensejo à sua exclusão de ofício. É o que preconiza a Lei nº 9.317, de 1996, ... 14. Nesses termos, tendo em vista que o contribuinte incidiu em situação excludente e não efetuou a comunicação obrigatória, veio a lume o ADE nº 02, de 03/03/2009, fl. 32, que, ao determinar a exclusão da pessoa jurídica do Simples, estabeleceu que referido ato produziu efeitos legais a partir de 1º de janeiro de 2006, procedimento que encontra arrimono art. 15, inc. IV da Lei nº 9.317, de 1996, ... 15. Como observado, ao expressar que a exclusão discutida entraria em vigor a partir de anocalendário 2006, sem a delimitação de um termo final, agiu com acerto a autoridade jurisdicionante do sujeito passivo. Nesse estágio, caso deseje retornar ao regime simplificado, em não havendo excesso de receita bruta no ano “n”, compete ao contribuinte, em janeiro do ano “n+1”, mediante alteração cadastral, formalizar nova adesão ao Simples. É o que preceitua a Instrução Normativa SRF nº 608, de 2008, conforme os dispositivos a seguir retratados: ... 16. No caso em tela, o ADE nº 02/2009 veio a lume em 03 de março de 2009. Ora, sabendose que seu termo inicial foi o dia 1º de janeiro de 2006, não havendo previsão legal para a delimitação de seu termo final, conforme demonstrado, os efeitos jurídicos do ato impugnado se propagam, de modo indeterminado, para os anos seguintes, até que desapareçam os motivos da exclusão e até que o contribuinte promova nova adesão à sistemática. Assim, não havendo excesso de receita bruta em 2009, somente poderia o contribuinte postular sua reinclusão no Simples a partir de Fl. 82DF CARF MF 6 janeiro de 2010, motivo pelo que não se vislumbra amparo legal no pedido da impugnante. A DRJ, então, apresenta a jurisprudência pertinente ao assunto, a qual peço, também, a devida vênia para não repetir. A ora recorrente apresentou a ementa do Acórdão nº 30333225, segundo a qual “O ato declaratório de exclusão surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, até o último dia do exercício em que for regularizada a situação, ou seja, que a empresa apresentar receita bruta, cujo montante esteja dentro do legalmente previsto”. A este respeito, retruca a DRJ: 19. Ocorre que, conforme excertos do voto condutor da decisão, reproduzidos na manifestação de inconformidade ora apreciada, o contribuinte requereu sua reinclusão no regime sob o fundamento de que houvera sanado a irregularidade antes mesmo que fossem produzidos os efeitos da exclusão, argumento que foi rechaçado pela autoridade julgadora, visto que “a regularização de seu quadro societário com vistas a adequarse a legislação do SIMPLES ocorreu somente em 02/01/2004, documento de fls. 61/66. Dessa feita, poderá a Recorrente, caso queira, proceder à inclusão nos quadros do Simples, a partir do anocalendário seguinte, qual seja, 1º de janeiro de 2005 (...)”. Assim, a decisão adotada por aquela Corte foi no sentido de negar, por unanimidade, provimento ao recurso do contribuinte. Nesses termos, o julgado apresentado pela impugnante não se amolda ao caso em apreciação, tratandose de situação diversa daquela ora analisada. 20. Resta que seja apreciada a alegada possibilidade de imediata incidência dos efeitos jurídicos do ato que determinou a exclusão da litigante da sistemática simplificada, ainda que o processo administrativo correspondente ao lançamento tenha sido impugnado pela pessoa jurídica. A esse respeito, observese o preconizado pelo § 3º do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996: § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. 21. Nesse diapasão, ao tratar da exclusão de ofício do sujeito passivo, a legislação apontada assegurou ao implicado o exercício do contraditório e da ampla defesa nos moldes delineados pelo processo tributário administrativo. Em outro dizer, determinou a aplicabilidade do regramento estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, equiparase a manifestação de inconformidade aqui tratada à impugnação do lançamento versada no referenciado ato legal ensejando, dentre outros, os seguintes efeitos legais: • instaura a fase litigiosa do procedimento (art. 14, Decreto nº 70.235, de 1972); • deve ser apresentada no prazo de trinta dias, contado da notificação do sujeito passivo (art. 15, Decreto nº 70.235, de 1972); e • é cabível a apresentação de recurso voluntário, no mesmo prazo de trinta dias, da decisão de primeira instância que for desfavorável ao contribuinte. 22. Nessa toada, o ADE impugnado produz efeitos jurídicos a partir do momento em que se aperfeiçoa, com a notificação do destinatário. Contudo, havendo a apresentação de manifestação de inconformidade, deverá ser observado o Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10384.001004/200948 Acórdão n.º 1001000.777 S1C0T1 Fl. 5 7 rito processual estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do processo administrativo fiscal (PAF). 23. Desse modo, é de se inferir que a impugnação manejada contra o auto de infração, controlado no processo nº 10384.008065/200855, formalizada em razão da omissão de receita que caracterizou a infração que ensejou a exclusão do Simples, não representa óbice à edição do ato administrativo neste processo tratado. A seguir, a DRJ/FOR cita jurisprudência da DRJ de Ribeirão Preto; ... Assim, em conclusão: 25. Em verdade, não há exigência legal de que o recurso administrativo contra o auto de infração lavrado seja julgado antes da edição do ato de exclusão do Simples. É inegável, contudo, que o eventual julgamento pela improcedência do auto de infração teria reflexos quanto à exclusão do Simples, já que a receita bruta considerada para o ato de exclusão não mais subsistiria. 26. Ocorre que referido auto de infração também foi julgado nesta 3ª Turma da DRJ Fortaleza e considerado procedente. Assim, não se conformando o contribuinte com o que foi decidido, poderá recorrer ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tanto do indeferimento da impugnação do lançamento, quanto do não acatamento da manifestação de inconformidade objeto deste processo cabendo, no âmbito da instância superior, a apreciação conjunta desses recursos. Conclusão 27. Ante o exposto, tendo presentes os fatos e a legislação indicados, VOTO pelo indeferimento da manifestação de inconformidade e pela manutenção da exclusão do sujeito passivo da sistemática simplificada de tributação estabelecida pela Lei nº 9.317, de 1996. 28. Anotese que a unidade de origem deverá atentar para o estabelecido pelo art. 1º, inc. III da Portaria RFB nº 666, de 2008, adotando as providências que se fizerem necessárias em atendimento ao determinado pelo referido dispositivo legal, relativamente ao lançamento de ofício apreciado no processo nº 10384.008065/200855 e à manifestação de inconformidade concernente a este julgado, que devem ser objeto de um único processo administrativo. Entendo não merecer maiores análises a correta aplicação da legislação e sua conclusão sobre os fatos. Entretanto, é inegável, como a própria DRJ/FOR afirma, na conclusão do acórdão, que: relativamente ao lançamento de ofício apreciado no processo nº 10384.008065/200855 e à manifestação de inconformidade concernente a este julgado, que devem ser objeto de um único processo administrativo.(grifei). Na verdade, houve um equívoco na menção ao número do processo. O correto é o mencionado no item 10 do relatório acima, o que não invalida a conclusão. No Fl. 84DF CARF MF 8 processo de n° 10384.000711/200917, a recorrente não apresentou o devido recurso, estando inscrito em dívida ativa. De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como este não ocorreu, considerase definitiva a decisão de primeira instância e, assim, consequentemente, este processo. Portanto, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 19395.720100/2012-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 01 00 /2 01 2- 30 Fl. 257DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 12.766,37, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. O fundamento que lastreou o lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de que os documentos apresentados pelo Recorrente não seriam suficientes para a comprovação do pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários e, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente entendeu o Fisco não assegurada a permanência de sua validade no tempo. Também entendeu a Autoridade Fiscal ter se caracterizado pagamento por liberalidade e sem direito a dedução em razão da mudança da fonte de recursos do Contribuinte. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que considera comprovação insuficiente aos moldes do que entende legalmente apropriado, mesmo que com decisão judicial expedida sobre a pensão alimentícia e juntada da cópia da disponibilidade financeira em nome dos beneficiários, nos termos que segue: Em decorrência de procedimento de revisão levado a efeito pela DRF Macaé/RJ tendo por objeto a Declaração de Ajuste Anual de IRPF apresentada pelo interessado em epígrafe referente ao Exercício 2009 – AnoCalendário 2008, foi emitida, em 30/04/2012, a Notificação de Lançamento nº 2009/446011654332034 (fl. 06/10), para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar – cód. DARF 2904 . R$ 12.766,37 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 08), parte integrante da Notificação de Lançamento nº 2009/446011654332034 ora em exame, consta que, em decorrência de procedimento de revisão levado a efeito pela DRF Macaé/RJ tendo por objeto a Declaração de Ajuste Anual de IRPF apresentada referente ao Exercício 2009 – AnoCalendário 2008, foi apurada dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública no valor de R$ 49.100,00. Sobre dedução de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, os art. 4°, II e 8º, II, f, da Lei nº 9.250, de 1995, assim estabelecem: (...) De acordo com os dispositivos legais anteriormente transcritos são requisitos para a dedutibilidade da pensão alimentícia: a) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; b) que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e c) que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Insta registrar ainda que, além da existência de determinação judicial obrigando o pagamento, é necessário demonstrar o efetivo Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19395.720100/201230 Acórdão n.º 2001000.584 S2C0T1 Fl. 258 3 desembolso dos valores. Isto porque o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as despesas informadas na declaração de ajuste anual. No caso dos autos, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 08), foi apurada dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública tendo em vista alta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução. De acordo com a DIRPF apresentada (fl. 67), o interessado declarou pagamento de pensão alimentícia no anocalendário de 2008 para Luiz Arthur Moreira Bon – CPF 108.578.17710 no valor de R$ 29.460,00 e para Maria Ângela da Silva Bon – CPF 003.026.08761 no valor de R$ 19.640,00. No que tange aos pagamentos efetuados a Luiz Arthur Moreira Bon, o acordo homologado judicialmente (documentos cópias de fl. 12/15 Apelação Cível nº 3231/96) determinou que o Sr. Luiz Adilson Moreira Bon verteria a título de pensão alimentícia para seu filho a quantia equivalente a 6 (seis) salários mínimos depositada mensalmente até o quinto dia seguinte ao mês vencido em conta bancária da genitora desse Solange de Fátima Moreira Mariquito, sendo tal valor destinado a atender a todas as necessidades do alimentado. Não é hábil e suficiente, portanto, à comprovação pretendida a simples apresentação dos recibos de fl. 16/27 sem firma reconhecida e sem a demonstração da transferência de numerário para a conta da Sra. Solange Mariquito, a teor do que dispõe o acordo anteriormente citado. No que tange à pensão alimentícia da Sra. Maria Ângela da Silva Bon, conforme acordo homologado judicialmente datado de 1986 (cópia às fl. 30/41), temse que: • O cônjugevarão contribuiria mensalmente a título de pensão alimentícia com 40% de sua retirada prólabore da firma Grua Construtora Ltda., valor este equivalente a 8 salários mínimos mensais. Deste modo, já que o Sr. Luiz Adilson Bon havia se retirado da firma Grua à época dos fatos (cópia do Instrumento de Alteração e Consolidação do Contrato Social da Firma Grua Construtora Ltda – fl. 95/101 – apresentada pelo interessado juntamente com a impugnação e outros documentos nos autos do Processo Administrativo n° 19395.720077/201283), a teor do acordo apresentado, a pensão devida a Sra. Maria Ângela corresponderia à importância de 3,2 salários mínimos (40% de 8 salários mínimos). Assim, tendo em vista que, de acordo com as Leis 11.498/2007 e 11.709/2008, o salário mínimo vigente em janeiro e fevereiro de 2008 foi de R$ 380,00 e de março a dezembro de 2008 foi de R$ 415,00, o valor devido a título de pensão alimentícia correspondeu no ano Fl. 259DF CARF MF 4 calendário de 2008 a R$ 15.712,00 [(R$ 380,00 x 3,2 x 2) + (R$ 415,00 x 3,2 x 10] e não ao montante de R$ 19.640,00 declarado. Ademais, não foram juntadas aos autos cópias das transferências dos valores para a conta bancária da Sra. Maria Ângela, tal como acordado, não sendo suficiente a simples apresentação dos recibos de fl. 42/53 sem firma reconhecida. Por fim, não é relevante ao caso dos autos a alegação de que os valores em questão teriam sido declarados pelo alimentado na DIRPF correspondente, uma vez que a presente lide versa sobre a comprovação do preenchimento dos requisitos para que o interessado possa usufruir do benefício da exclusão de tais montantes da base de cálculo do imposto. Deste modo, deve ser mantida a glosa da dedução a título de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 49.100,00, tendo em vista não ter sido apresentado elemento de prova capaz de elidila. Do exposto, concluise por negar provimento à impugnação, mantendo o lançamento do imposto suplementar no valor de R$ 12.766,37, montante este acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora cabíveis, na forma da legislação vigente. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 12.766,37, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: No anocalendário de 2008, exercício 2009, período a que se refere o lançamento, o recorrente pagou pensão alimentícias judiciais a seu filho – Luiz Arthur Moreira Bom e a sua exesposa – Maria Ângela da Silva Bom. Ambas as prestações foram estipuladas/acordadas em Juízo por decisão judicial na 3ª Câmara Cível do Tributal de Justiça do Rio de Janeiro e na 2ª Vara de Família de Niterói, referindose a primeira à pensão para o filho do Recorrente e a segunda para a exesposa. Os documentos probatórios compõem o anexo nº 01. Como adiante iremos demonstrar, tanto a notificação de lançamento quanto a R. Decisão ora recorrida adotaram entendimento antagônicos com os preceitos legais e com as provas dos autos, entendimentos esses que são insustentáveis à manutenção do crédito tributário exigido, devendo ser restabelecida a dedução glosada. O acordo judicial relativo à pensão paga pelo Recorrente para seu filho foi firmada em 1996, quando o alimentado tinha apenas 7 (sete) anos de idade e, portanto, totalmente incapaz para a prática de atos da vida civil. O depósito em conta corrente bancário de sua genitora revestiuse apenas de elemento facilitador do cumprimento do dever de sustento do, à época, menor. Tratase de prática comum a indicação de conta bancária para o depósito do quantum de pensão devido, especialmente quando não há desconto em folha. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19395.720100/201230 Acórdão n.º 2001000.584 S2C0T1 Fl. 259 5 Depósito em conta corrente, pagamento em cheque ou em espécie são apenas formas de cumprimento do dever a que estava obrigado o Recorrente, não sendo cabível que, embora tenha cumprido o dever de pagar, seja penalizado por adotar a forma mais conveniente para si, para o beneficiário, seu filho, e para a mãe deste. No ano calendário de que trata a Notificação e de que resultou a R. Decisão recorrida, o senhor Luiz Arthur Moreira Bom já era capaz de praticar os atos da vida civil e, principalmente, ser sujeito de obrigação tributária, sendo irrelevante a arguição de que a verba do pensionamento devesse ser depositada na conta de sua genitora. Os montantes pagos pelo Recorrente para seu filho preenchem, indubitavelmente, as condições do artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda citado, bem como estão plenamente justificadas e comprovadas a teor do artigo 73 do mesmo diploma legal, a saber: a) Há acordo judicial firmado pelo Recorrente que lhe obriga a pagar a pensão alimentícia e; b) Os valores foram efetivamente pagos como fazem prova os recibos anexados por ocasião da Impugnação, a declaração firmada pelo beneficiário com firma reconhecida, que ora anexamos, e a cópia da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário. Em relação à pensão paga à exesposa do Recorrente – Senhora Maria Ângela da Silva Bom – assim se posiciona a Decisão a quo: (...) Mais absurdo ainda o fato de reconhecer como direito à dedução, apenas sob a ótica dos Julgadores, parcela significativa da dedução, mas não concedêla ao Recorrente, em razão de os recibos apresentados não conterem firma reconhecida. Vale destacar que os valores pagos pelo Recorrente se por um lado representam para ele uma dedução, para os beneficiários, filho e ex esposa, tipificamse como rendimentos tributáveis, anulando possíveis reduções de tributos. Para ratificar as comprovações já apresentadas por ocasião da Impugnação, juntamos declara os recibos mensais firmados pela beneficiária, com firma reconhecida, de que a beneficiária recebeu no ano calendário de 2008 a quantia de R$ 19.640,00 e cópia de sua Declaração de Ajuste Anual, constituindose tais documentos no anexo nº 03. DO QUE REQUER O Recorrente possui acordo judicial que atesta a obrigação de pagar as pensões, cujos montantes foram glosados, bem como a natureza dos valores deduzidos como Pensão Alimentícia Judicial; As verbas devidas a título da citada Pensão Alimentícia foram efetivamente pagas aos beneficiários; Fl. 261DF CARF MF 6 Os documentos acostados na Impugnação provam, categoricamente, as transferências financeiras dos valores homologados em sentença judicial para as pessoas beneficiárias das pensões; A jurisprudência Administrativa milita pacificamente em favor do Recorrente; REQUER Seja recebido o presente Recurso Voluntário e provido inteiramente para reformar a Decisão recorrida e restabelecer as deduções glosadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência estabelecida na lide se limita a comprovação dos valores levantados pela Fiscalização como referentes à pensão alimentícia da exesposa Maria Ângela da Silva Bom e do filho Luiz Arthur Moreira Bom, motivo da glosa das deduções a este título no anocalendário de 2008, cuja comprovação não satisfez a fiscalização na oportunidade do lançamento e do julgamento de piso na DRJ. Também entendeu o Fisco que os documentos comprobatórios da homologação judicial dos pactos para pagamento da pensão alimentícia deveriam fixar prazo para sua vigência, e que a ausência de data fim dos compromissos os tornou insubsistentes. O litígio é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante documentação que apresentou por ocasião do lançamento, documentos agora novamente disponibilizados, de forma a satisfazer as exigências da legislação tributária. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19395.720100/201230 Acórdão n.º 2001000.584 S2C0T1 Fl. 260 7 art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor da pensão do filho do Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente o termo de acordo juntado pelo interessado, mesmo que acompanhado da homologação do acordo de alimentos com a decisão judicial que a oficializou. Quanto à pensão da exexposa a glosa do valor deduzido do imposto ocorreu em razão da juntada de cópia da separação consensual do casal, com a respectiva homologação judicial, em que não constava documento atualizador emitido pelo Poder Judiciário de que permanecia a obrigação de pagar pensão alimentícia à beneficiária no anocalendário de 2008. Tratase, tão somente neste caso, do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99. Fl. 263DF CARF MF 8 Com efeito, o Recorrente acostou ao processo cópia do acordo homologado judicialmente que define o valor da pensão com base no valor recebido a época pelo obrigado no acordo, como parâmetro do quantitativo a ser pago como alimento. Na cláusula 8ª está fixado percentual de 40% sobre o referido valor que representava o equivalente a oito salários mínimos, sendo que o percentual aplicado sobre o total resulta no valor da pensão correspondente a 3,2 salários mínimos. Também juntou ao processo certidão da Junta Comercial do RJ e o contrato social que regista sua saída da sociedade Grua Construtora Ltda. Ressaltese que a determinação da pesão, por sua finalidade, não poderia ficar somente amparada no prólabore recebido pelo pagante, referente exclusivamente àquela fonte pagadora, de vez que poderia este passar não mais receber tal remuneração da empresa citada, como de fato aconteceu. Assim que a vinculação ao quantitativo de salários mínimos veio a dar caráter permanente para o valor e para obrigação, independente do vínculo com a empresa na qual mantinha participação societária naquele momento. Inadmissível seria desobrigar o pagante da pensão de alimentos se este não mais recebesse o referido prólabore que foi utilizado somente como parâmetro para a fixação do valor do benefício. Da mesma forma, seria inconcebível obrigar as partes a fazer novo acordo judicial para continuação do pagamento da pensão alimentícia a cada vez que o Recorrente trocasse de vínculo empregatício ou de tipo de remuneração. Assim que a mudança de fonte de recursos do Recorrente não torna a pensão alimentícia ato de liberalidade no pagamento porque permanece a obrigação contributiva de sustento por decisão judicial, com validade até que ocorram as condições previstas para seu término, quando definido. A Autoridade Fiscal também recusou a comprovação do efetivo pagamento da pensão alimentícia fixada no documento judicial, valor que foi utilizado como redutor do imposto de renda a pagar por parte do Recorrente, não reconhecendo como verdadeira a comprovação de transferência dos valores que se destinaram as partes beneficiadas no acordo. Contudo, a legislação não especifica que tipo de comprovação tem força probatória ou qual comprovação é insuficiente para o caso. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. A legislação não obriga que o pagamento da pensão alimentícia deva ser realizado por uma ou outra forma de meios de pagamento. E, mesmo que conste no acordo judicial um determinado meio de pagamento outro pode ser utilizado, de comum acordo das partes, para facilitar a quitação da obrigação e satisfação do beneficiário de forma mais simplificada e ágil. Nenhum obstáculo fiscal pode ser considerado para quem pagar a pensão alimentícia em espécie mesmo que antes tenha se proposto em fazêlo por depósito bancário, se a parte beneficiada aceita, e para isso, entendo despiciendo mudar o acordo judicial somente Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19395.720100/201230 Acórdão n.º 2001000.584 S2C0T1 Fl. 261 9 por essa particularidade. Se há comprovante de quitação da obrigação, por qualquer forma, a decisão judicial está comprida. Por ocasião deste recurso voluntário foi novamente juntado ao processo a comprovação do acordo judicial homologado que se referem ao processo definidor da pensão alimentícia de Maria Ângela da Silva Bom e de Luiz Arthur Moreira Bom, o que reafirma com consistência a ocorrência da obrigação assumida do pagamento e, vez que comprovados os pagamentos mediante recibos/declarações assinados e com firma reconhecida, há que se considerar cumprida a obrigação do pagamento da pensão alimentícia. Neste sentido, motivo não há para recusa da utilização da dedução na declaração do imposto sobre a renda do Recorrente, vez que permitida pela legislação tributária nas condições em que foram formalizadas. De outra banda, a decisão a quo inova ao trazer cálculos de valor do que seria o valor correto da pensão alimentícia segundo o acordo homologado judicialmente, visto que não consta do lançamento como motivo da glosa o quesito quantitativo financeiro correspondente aos 3,2 salários mínimos. Ressaltese que o motivo da glosa, como inclusive constou do voto da DRJ, referemse tão somente à ausência de depósito na conta da genitora, desconhecendo os recibos assinados pelo filho alimentado e que os 40% do prólabore provindos da empresa Grua Construtora Ltda., não constavam como rendimentos desta fonte pagadora na declaração do Recorrente, sem considerar que ele não fazia mais parte daquela sociedade. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou material probante do acordo judicial e comprovação do pagamento das pensões a que se comprometeu judicialmente, podendo assim se beneficiar da utilização da dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Contribuinte, dando provimento ao recurso no que se refere ao restabelecimento das deduções. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, excluindose o crédito tributário no valor de R$ 12.766,37, que era o que correspondia ao valor lançado. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721887/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES
Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico).
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado.
Numero da decisão: 3301-004.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Antônio Carlos da Costa Calcanti Filho, que negou provimento ao frete em movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico). CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 87 /2 01 1- 41 Fl. 9312DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.463 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Antônio Carlos da Costa Calcanti Filho, que negou provimento ao frete em movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa – PER/DCOMP nº 23825.61392.030909.1.1.093857, transmitido em 03/09/2009 vinculados à receita de exportação, apurados no 1º trimestre calendário de 2009, no valor de R$ 18.478.832,55. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi parcialmente deferido, tendo sido reconhecido o crédito no valor de R$ 11.564.554,85. Foram homologadas as compensações vinculadas ao pedido, até o limite do crédito reconhecido. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010 – tratadas nos processos números 11516.721887/201141, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180 e 10983.911357/201113 , foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.723929/201340, 11516.723931/201319, 11516.723930/201374, 11516.723933/201316. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010 – tratadas nos processos números 11516.721887/201141, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180 e 10983.911357/201113 , foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.723929/201340, 11516.723931/2013 19, 11516.723930/201374, 11516.723933/201316. Fl. 9313DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.464 3 Sobre as verificações realizadas nos créditos do período a autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Explica que os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte sequência: numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas memórias de cálculo (onde o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos declarados em Dacon) foram cotejadas com as notas fiscais, obtidas do SPED Fiscal; a segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”, com os itens que, com base na legislação vigente à época, davam direito a crédito; a terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, a fim de identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do Dacon; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não tinham direito a crédito; subtraiuse o segundo do primeiro para chegar ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Conclui que, ao final dos procedimentos descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Informa que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios que descrimina, presentes nos autos nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. Depois de descrever o procedimento fiscal, a autoridade fiscal passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 16A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas no relatório NF Glosadas Alíquota zero; 1.1.2. os valores dos itens que se referem a revenda de gás liquefeito de petróleo, que tem alíquota concentrada, não gerando crédito ao revendedor. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo: a autoridade fiscal relata que glosou os valores das notas fiscais de aquisições de bens Fl. 9314DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.465 4 ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, MATERIAIS MECANICOS GRUPO GERADOR STEMAC, PALLET MADEIRA 120X100X14CM EXPORT PL7, OUTROS SERVIÇOS; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos; 1.2.2. aquisições de pessoas físicas sem direito a crédito na linha 2; cada uma das notas fiscais glosadas consta da listagem NF GLOSADAS – Aquisições de pessoas físicas; 1.2.3. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Alíquota zero; 1.2.4. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP); 1.2.5. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – Aquisicao PJ – Suspensao obrigatória. Em relação a essas aquisições de insumos de pessoas jurídicas, a autoridade fiscal relata que excluiu os valores das aquisições de insumos com suspensão obrigatória de PIS/Cofins na operação de venda, que não geram crédito regular (linha 02), mas somente crédito presumido de atividades agroindustriais. Assim coloca: No período sob fiscalização, a contribuinte adquiria de pessoas jurídicas, de forma rotineira, Leite in Natura e outros produtos agropecuários. Estas mercadorias eram utilizadas no processo produtivo da contribuinte, na elaboração de seus produtos. A contribuinte apurou, sobre estes insumos, créditos básicos de PIS e COFINS. Todavia, conforme será demonstrado, este procedimento não estava correto. Na época, as aquisições de leite in natura e outros produtos agropecuários por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, verbis: Destaca que a BRF S/A preenchia condições para a aplicação da suspensão elencadas no art 4º da IN SRF 660/2006 e que, portanto, a suspensão na operação de venda determinada em lei se impunha. Menciona que caso o vendedor tenha apurado contribuição para o PIS/PASEP e Cofins sobre estas vendas, ocorreu pagamento indevido, o que não dá direito de creditamento para o comprador. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo Dos montantes informados para linha 03 do Dacon foram glosados os valores das aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como: DESINSETIZACAO E CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO DE CONFECCAO E INSTALACAO ou SERVICO REFORMA PALLETS PBR. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos. 1.4. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Fl. 9315DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.466 5 Foram glosadas as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação; explica: tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; as aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Da base de cálculo do crédito foram glosados os valores das aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representam aquisições de insumos, perfeitamente identificados na listagem individualizada, e das notas fiscais das aquisições de bens para revenda. A autoridade fiscal traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas na listagem Credito presumido – detalhe. 3. Ficha 16B Aquisições de Insumos no Mercado Externo Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem. 3.1. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da base de cálculo dos créditos informados na linha 02 das Ficha 16B, foram glosados os valores referentes a: 3.2. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004; bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como MOTOR TRIF. 13,5 KM 380V 60HZ 261755 KS, MOTOR 4HP 4P B5 210400422350A3 MONDINI e PRECORTADOR 05 CORTES 62715801 MADO. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – não representam aquisição de insumos. 3.3. Aquisições de bens cujo código fiscal da operação (CFOP) não representa aquisição de insumos. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – operações sem direito a crédito (CFOP) A autoridade fiscal relata que, ao examinar os Dacon apresentados pela contribuinte no período fiscalizado, constatou que a BRF S/A exclui parte Fl. 9316DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.467 6 significativa de sua receita da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a título de receita de exportação – linha 07 (Receita Sem Incidência da Contribuição Exportação) das fichas 07A (PIS) e 17A (COFINS). Informa que, entretanto, a fiscalizada não realizou operações de exportação em nome próprio em janeiro e fevereiro, conforme informações do sistema DWAduaneiro. Constatado tal fato, restou a verificação da ocorrência de vendas com fim específico de exportação, o que também possibilitaria o lançamento na linha 7 das fichas 7A e 17A. Neste caso, considerou que a interessada não comprovou o fim específico de exportação nas saídas com CFOP 5501/6501 para a filial 108 da Perdigão Agroindustrial SA, pelo que tais vendas foram consideradas como receitas tributáveis auferidas no mercado interno. Por conta disso, para fins de recalculo do crédito a descontar no período e reconstituição do Dacon, ajustou a proporção das receitas de mercado interno tributado, mercado interno não tributado e de exportação, nos meses de janeiro e fevereiro, acolhendo os valores declarados pela interessada para o mês de março, como segue: 4. Do crédito gerado no trimestre recálculo da Ficha 25B pela DRF Relata a autoridade fiscal que, tendo em vista as correções realizadas nas fichas 16A e 16B do Dacon, restaram alterados os valores dos créditos utilizados para desconto dos débitos, como segue: A Autoridade Fiscal também traz a planilha com os Créditos de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação gerados no trimestre, já Fl. 9317DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.468 7 diminuídos das glosas, que contempla os valores creditados no trimestre diminuídos das utilizações dos créditos no trimestre. Decide pelo deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento, ante o reconhecimento parcial do direito creditório no valor de R$ 11.564.554,85 e a homologação parcial das Dcomp vinculadas, até o limite do crédito confirmado. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente defende a manifestação de inconformidade ora apresentada deverá, igualmente, ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/2011 00, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180, 10983.911357/201113 e 10983.911356/201179, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.723622/201349, 11516.723929/201340, 11516.723931/201319 e 11516.723933/201316. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. No tópico III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente, a fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais Fl. 9318DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.469 8 dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessa contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. E na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens para revenda, adquiridos a alíquota zero No item 111.2.2 — Dos Bens para Revenda, a recorrente inicialmente contesta a glosa das as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero para revenda, realizada com base no art. 3º, § 2º, da Lei n.° 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a esta norma. Nesse sentido, argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona a mencionada norma, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuições, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Conclui então que, tendo em vista que os insumos sujeitos à alíquota zero não se subsumem ao art. 3º parágrafo 2º, inciso II, da Lei n.° 10.833103, devem tais aquisições ser integralmente consideradas para fins de creditamento, tal como determinado pela regra disposta no art. 3º, inciso II, da Lei n.° 10.833/03. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Bens para revenda, com tributação concentrada No mais, a requerente informa que cometeu um equívoco ao classificar as aquisições de GLP sob o CFOP 1102 (Compra para comercialização), já que o GLP não foi adquirido para revenda, e sim, para ser utilizado com insumo em seu processo produtivo. Explica que o gás é utilizado: na (i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; no (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; e na (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc. Nesse sentido defende que, sendo certo que o GLP consiste de insumo, os valores de suas aquisições geram crédito da Cofins, independentemente do regime ao qual tal insumo está sujeito, no caso, o monofásico. Isso porque, como alega, a única vedação da legislação para tomada de crédito, ocorre nos casos de "aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição", o que afirma não Fl. 9319DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.470 9 ser o caso nos presentes autos, considerando que a receita do produtor auferida na venda de GLP foi oferecida a tributação. Bens e serviços utilizados como insumo No tópico 111.2.3 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Inicialmente, em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz aterse aos “itens mais relevantes” dos presentes na planilha NF Glosadas — Não Representam Aquisições de Insumo. Assim segue. Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a recorrente, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como botas, botinas e Luva, bem como os itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Adicionalmente, cita decisão do CARF que autorizou o creditamento sobre as despesas incorridas com os chamados "materiais para acondicionamento para transporte", por configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.° 10.833/03. Conclui, então, que as glosas devem ser canceladas, por se tratarem, os pallets, de material indispensável no processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com armazenagem, tal como já decidido pelo CARF. Nessa linha, defende o crédito em relação aos serviços de repaletização (também chamados de serviços de "reforma de pallets") face à sua essencialidade, devido à imprescindibilidade dos pallets no processo produtivo. A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita detergentes, lubrificantes, fusível, dentre outros – e outros tantos não mencionados que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. Explica que: os detergentes industriais, por exemplo, são utilizados na higienização e limpeza das máquinas e pisos do estabelecimento industrial, atendendo, obviamente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades regulatórias; os lubrificantes e os fusíveis, são indispensáveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo. Aduz que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses itens estão “intrinsecamente ligados ao processo produtivo”, pois seria impossível realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas à higienização ou preservação e bom funcionamento de suas máquinas. Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF, em processo da própria requerente, por meio do qual restou reconhecido o direito ao crédito sobre as aquisições de ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos de sua atividade fabril. Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados por "Operador Logístico", alegando que a movimentação das mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de comercialização de seus produtos na ausência Fl. 9320DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.471 10 de tais serviços, que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas. Transcreve ementa de Acórdão do CARF, abaixo reproduzida, que teria considerado que os “serviços relacionados à movimentação de mercadorias e ao frete deve ser tratada em conjunto e, consequente, o direito ao crédito ser a eles estendidos”. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. CREDITAMENTO. Uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados pelas contribuições, eles darão direito a crédito. (Acórdão n.° 380303.152, de 28.06.2012, g.n.) E acrescenta que a própria RFB já considerou como insumo os gastos incorridos com a carga e descarga, e cita a Solução de Divergência n° 15/2007. Conclui, que dada à imprescindibilidade dos serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, as glosas devem ser integralmente canceladas. Afirma que os serviços de Análise Laboratoriais consistem de insumo, tendo em vista que os produtos fabricados são destinados ao consumo humano e que, portanto, devem ser constantemente avaliados e testados, de modo a preservar sua qualidade e integridade. Traz decisão do CARF que, segundo alega, ao apreciar as despesas incorridas com "serviços de análise laboratorial de comidas" firmou o entendimento de que, aos contribuintes cujo objeto social é relacionado à produção de alimentos, os serviços de análise laboratorial devem ser considerados como insumo. Nesse mesmo sentido, também traz a Solução de Consulta n° 145, de 21/09/2012. Defende o direito ao crédito em relação à aquisições de bens utilizados como insumo adquiridos de pessoas físicas alegando que os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas foram utilizados no processo produtivo e, portanto, guardam perfeita relação com as receitas geradas, caracterizandose com insumos. E segundo, CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos a aquisições de insumos em casos análogos. No mais, defende que pelo menos faz jus ao crédito presumido na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Reclama que, a teor do art. 142 do CTN, a Fiscalização possui o dever de apurar corretamente os valores supostamente devidos a título de tributo, o que significaria, no presente caso, glosar apenas parcialmente os créditos oriundos de aquisições de pessoas físicas, já que a legislação prevê a possibilidade de crédito presumido, conforme os percentuais estabelecidos no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Defende o direito ao crédito em relação à aquisições de bens utilizados como insumo sujeitos a alíquota zero com base nos mesmos fundamentos expendidos acima em relação ao bens adquiridos para revenda sujeitos a alíquota zero. Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da autoridade fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados são produtos químicos (cita metionina, hexano GC, etc) que, evidentemente, são empregados no processo produtivo e que há diversos óleos que são utilizados nas máquinas pertencentes ao processo produtivo. Reclama ter sido arbitrário o Fl. 9321DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.472 11 procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo CFOP diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. E aponta como mais grave ainda a situação que se refere ao CFOP cuja descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, ou mesmo de material de uso ou consumo (CFOP 1949), pois é impossível a Fiscalização saber de qual insumo se trata apenas com base na mera redação do CFOP. Conclui dizendo que o simples equívoco cometido pela Requerente na classificação do CFOP não pode ser utilizado pelas Autoridades Fiscais como justificativa para glosar os créditos, ainda mais nas hipóteses em que a característica do item como insumo, segundo alega, é evidente. Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a recorrente alega que as alegações trazidas pela Fiscalização não merecem prosperar, pois o leite in natura e os insumos foram adquiridos sem a suspensão da Cofins. Defende que, em assim sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse sentido, ressaltar, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda No item 111.2.4 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, a recorrente inicia afirmando que a tomada de créditos apurados a partir das despesas com fretes, sejam este relacionadas ou não à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa. Explica que, diante das diversas etapas do processo produtivo, aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório que o frete de matérias primas e produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado processo produtivo, devendo os seus gastos serem considerados para fins de creditamento, vez que contribuem, indubitavelmente, para a geração de receita. Alega que a própria RFB e o CARF já se pronunciaram favoravelmente à essa pretensão; cita Acórdão do CARF. Pelos mesmo motivos e sendo, segundo alega, inegável a importância da existência de centros de distribuição responsáveis por escoar a produção de maneira mais eficiente, alega que os gastos incorridos com os fretes de produtos acabados são, igualmente, aptos ao creditamento da mencionada contribuição; cita Acórdãos do CARF. No mais, a fim de afastar a alegação de que "não ficou comprovado que os fretes em tela referemse a fretes na operação de venda", a Requerente diz ter trazido em anexo planilhas (Doc. 11), que, segundo alega, contêm todas as despesas com fretes ocorridas no período. Menciona, como exemplo, as planilhas referentes ao mês de maio de 2009, contendo, segundo diz, todas as despesas de armazenagem e frete nas operações de vendas incorridas no período, com as respectivas contas contábeis, bem como a abertura da Ficha 16A, Linha 7, do Dacon (doc. 12). Crédito presumido da agroindústria Fl. 9322DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.473 12 Inicialmente a recorrente coloca que o itens descritos como "milho granel", "óleo soja degomado p/ ração", "sui abate misto spl picdal pirâmide", "suíno fêmea reprodução terceiros", consistem de insumo. Explica que: o milho e o óleo de soja são elementos essenciais na produção da ração dos animais, que, por sua vez, são de extrema importância ao processo produtivo; os suínos abate misto ("sui abate misto spl picdal pirâmide") e os suínos fêmeas ("suíno femea reprodução terceiros") são adquiridos para o processo produtivo suíno, já que, a Requerente, como alega, não é totalmente autossuficiente na produção de suínos. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual fazendo remissão ao caput, vincula, assim, o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. Pedido de perícia e diligência A recorrente pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: descrever de forma detalhada os seus processos produtivos; descrever de forma detalhada cada despesa glosada pela Fiscalização; esclarecer qual a relação das despesas glosadas pela Fiscalização com o processo produtivo; demonstrar quais despesas de frete são relacionadas à venda de mercadorias e produtos e quais são relacionadas à transferência entre estabelecimentos. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a recorrente também pugna pela realização de diligência fiscal para que o auditor fiscal esclareça se os bens e serviços caracterizados como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no processo produtivo e efetivamente guardam relação intrínseca com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.833/03. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade. Da revisão do acórdão Verificada inexatidão material devido a erro no cálculo do crédito passível de ressarcimento, o processo retornou à DRJ para prolação de acórdão revisor, em substituição do Acórdão nº 0735.252, de 30 de julho de 2014. Fl. 9323DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.474 13 É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte e o Acórdão n° 0736.186, de 10/12/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 A 31/03/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA.CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Fl. 9324DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.475 14 No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repetiu as alegações contidas na manifestação de inconformidade e adicionou informações complementares acerca de determinados bens, custos e despesas que considerou como insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 9325DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.476 15 Tratase de glosa de créditos de COFINS do 1° trimestre de 2009, que resultaram em parciais indeferimento de Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologação dos Pedidos de Compensação (DCOMP) vinculados. Em preliminar,a recorrente lista processos administrativos que reputa que devem ser julgados em conjunto, pois são conexos. Está correta: todos estão nesta pauta para julgamento. Cumpre mencionar recorrente consignou em suas peças de defesa detalhadas descrições do seu processo produtivo, laudo do INT (doc. 09 da manifestação de inconformidade), comprovando a essencialidade de determinados bens, custos e despesas á atividade industrial e memorando prerado por engenheiro civil, com minudente explicação de sua operação (doc. 03 do recurso voluntário). O exame dos argumentos contidos no recurso voluntário será essencialmente instruído pelo conceito de insumos (art. 3° da Lei n° 10.637/02) que vem sendo majoritariamente adotado no CARF, qual seja, o de que assim devem ser considerados os custos e despesas essenciais à conclusão do processo de preparação dos produtos. Com efeito, tal posicionamento se alinha à recente decisão proferida pelo STJ, em sede do REsp 1.221.170/PR, sob a sistemática dos recursos repetitivos, publicada em 24/04/18, que, inclusive, considerou como ilegais os conceitos de insumos exarados pelas IN SRF n° 247/02 e 404/04: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a Fl. 9326DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.477 16 possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" Por fim, menciono ainda que adotei como balizadores de minhas conclusões: a premissa de que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, nos termos do art. 373 do Código Processo Civil (Lei n° 13.105/15),; que, na busca da verdade material, há que se verificar se os argumentos da recorrente encontram respaldo nas descrições de seus processos produtivos, com as quais também trabalhou a auditoria fiscal, devidamente confirmadas pelos laudos técnicos carreados aos autos. "PRELIMINARMENTE 11.2 — Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material" Fl. 9327DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.478 17 A recorrente requer a decretação da nulidade do despacho decisório, em suma, porque considera que o trabalho da fiscalização foi superficial, baseado em "ilações e leituras genéricas" e não em análise detalhada do processo produtivo. Aduz ainda que não produziu "provas documentais e cabais" de que as operações, tal como informadas e contabilizadas, não ocorreram. Como exemplos, cita o fato de ter chegado a conclusões com base, simplesmente, no Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP). Não obstante as divergências acerca de algumas conclusões a que chegou, entendo que não há motivos que possam eivar de nulidade o despacho decisório. E adoto a conclusão da DRJ como minha razão de decidir: "1 Nulidade do despacho decisório A recorrente suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. Como veremos, entretanto, o procedimento fiscal foi regularmente realizado, tendo sido oferecido à contribuinte todas as condições e oportunidade, não só de demonstrar e comprovar o crédito pleiteado, como de exercer amplamente o seu direito à defesa. Vejamos. Inicialmente, firmese que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento através do qual a empresa deve demonstrar ao Fisco todas as operações que influenciam a apuração do valor devido da contribuição para o PIS e da Cofins, não cumulativas, e dos respectivos créditos. Esse demonstrativo possui fichas e linhas específicas que devem necessariamente refletir a real composição do valor da base de cálculo dos créditos apurados e utilizados pelo contribuinte (via desconto, compensação, pedido de ressarcimento ou de restituição), identificando corretamente os custos e despesas que o compõem, a fim viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência do crédito pela Autoridade Administrativa Fazendária competente, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF da jurisdição fiscal do contribuinte/pleiteante, a quem cabe deferir ou não o pleito do contribuinte. Como relatado, a fim de proceder à análise do crédito pleiteado, conforme apurado e informado no Dacon apresentado para o período, a fiscalização intimou a contribuinte/pleiteante a demonstrar e comprovar a origem de todos os valores utilizados na base de cálculo do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Em resposta às intimações fiscais, a interessada prestou os esclarecimentos que julgou necessários e suficientes para tanto e apresentou os documentos de que dispunha. Fl. 9328DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.479 18 A autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Como se vê, o Auditor Fiscal, a partir das informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal, tendo em conta a legislação de regência e o processo produtivo da empresa, ajustou o crédito a que a interessada tem direito, glosando os valores não comprovados e os valores para os quais a legislação não prevê direito de créditos. Não se verifica, portanto, que a fiscalização tenha sido superficial e nem tenha ocorrido a alegada apuração fiscal com base em ilações genéricas; compulsando os autos o que se verifica é que a Fiscalização, em sua análise, partiu das informações e dos elementos apresentados pela própria contribuinte, inclusive a descrição dos bens, a nomenclatura atribuída pela contribuinte a alguns bens na escrituração das notas fiscais e nos códigos Cfop nestas consignadas. Notese que, ao contrário do que defende a recorrente, “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” não caberia à fiscalização, mas à própria pleiteante demonstrar e comprovar todos os “fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado”; o que veremos no item que segue sobre repartição do ônus da prova no âmbito dos processos administrativos. É descabida, portanto, a intenção da recorrente de afastar as informações que prestou à fiscalização, inclusive dos Cfop contidos nas notas fiscais apresentadas, como meio de prova suficiente para demonstrar a natureza de suas operações. Isso porque todas as informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal a vinculam perante o Fisco, pelo menos até que esta logre comprovar qualquer equívoco cometido, obviamente, por meios hábeis para tanto, todavia em sede de análise do mérito e não enquanto preliminar. No que concerne ao Cfop, é importante ter em conta que a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Assim é que no âmbito dos tributos federais não se pode prescindir do formalismo e oficialidade conferido pelas notas fiscais aos atos negociais praticados pelas pessoas jurídicas; destes as notas fiscais fazem prova perante o fisco na medida em que gozam de presunção (relativa) de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. Assim, à evidência, descabida é a intenção da recorrente de descaracterizar a análise e a decisão proferida pela DRF com base no argumento de que os elementos por ela fornecidos à fiscalização não seriam hábeis e suficientes para informar a realidade dos fatos. No mais, verificase que no relatório fiscal há a identificação de cada valor glosado da base de cálculo do crédito e a clara motivação da glosa. Compulsando o relatório vêse que este foi devidamente fundamentado, contendo as informações Fl. 9329DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.480 19 necessárias e suficientes para o conhecimento das irregularidades apuradas e a produção da defesa da contribuinte. De outro turno, em respeito ao devido processo legal, a contribuinte foi notificada da decisão, sendolhe conferido prazo para contestála, contestação que ora se analisa. Portanto, tendo em conta que no âmbito de processos de reconhecimento de direito creditório é do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar o direito que alega (matéria que será tratada no item seguinte), temse que o procedimento fiscal foi regularmente realizado, sendo improcedente a alegação de que a análise fiscal teria sido superficial em razão de se basear nos documentos e informações prestadas pela fiscalizada. Concluise que a decisão recorrida foi proferida por autoridade competente, tendo sido respeitados os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual é improcedente é alegação de nulidade do feito fiscal." Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar. "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero " A fiscalização glosou créditos sobre bens cujas compras era tributadas à alíquota zero, com fundamento nos incisos II dos § 2° dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: "(. . .) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." A DRJ ratificou o procedimento fiscal. O contribuinte alega que citado dispositivo veda créditos tão somente quando a revenda do produto não estiver no campo de incidência das contribuições, o que não seria o caso, posto que sofrem tais imposições, porém à alíquota zero. Adicionalmente, alega que alíquota zero e isenção são institutos similares. Transcreve opiniões de doutrinadores neste sentido. E, assim entendido, poderia registrar os créditos, pois o citado dispositivo legal admite o registro de créditos relativos a produtos isentos, caso a saída seja tributada. Regra geral, as leis vedam o registro de créditos derivados da compra de produtos não tributados, a fim de preservar a sistemática da não cumulatividade. Não se pode Fl. 9330DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.481 20 registrar créditos, cujos valores não foram computados no preço e, por conseguinte, não foram pagos pelo adquirente. As leis, todavia, abriram uma exceção à isenção, desde que o bem seja aplicado em produto ou serviço cuja receita de venda seja tributada. Ao dispor que não gera direito a crédito a aquisição "de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção", o legislador não excluiu apenas os bens, cuja operação de compra estiver fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, como aduziu a Recorrente. Se assim o fosse, não teria criado exceção à regra para as aquisições isentas das contribuições. Também excluiu os tributados à alíquota zero e os beneficiados pela suspensão. Também não acompanho a Recorrente, quando aduz que, por serem similares, a isenção e tributação à alíquota zero devem ser receber o mesmo tratamento, quando se trata de creditamento de PIS e COFINS. Não obstante o fato de o resultado final ser o mesmo desoneração tributária a isenção e a tributação reduzida a zero são institutos que se encontram previstos em dispositivos legais distintos, com existência própria. Não cabe conferir a um (alíquota zero) o mesmo tratamento dispensado ao outro (isenção), em razão de ambos representarem renúncias fiscais. Por fim, no sentido de não reconhecer o direito a créditos sobre aquisições de bens tributados à alíquota zero, vale mencionar as decisões do STF em sedes do RE n° 628.093/RS. Portanto, nego provimento às alegações contidas neste tópico. "b) Dos Bens Para Revenda que Possuem Aliquota Concentrada" Foram glosados os créditos derivados de compras de GLP, em razão de estar sujeito à tributação concentrada e, por conseguinte, não gerando crédito para o revendedor. A DRJ não considerou as alegações da recorrente de que, na verdade, tratavase de insumo industrial, pois entende que este argumento não foi apresentado e, por conseguinte, analisado pela fiscalização, uma vez que fora informado no DACON como bem para revenda. A defesa sustenta que, ao contrário do que espelhou no DACON, o GLP era utilizado na produção para "i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc.." E, como a receita com a venda dos respectivos produtos era tributada pelas contribuições, tem direito à tomada dos créditos. A recorrente argumentou, porém não comprovou que o GLP foi aplicado no processo industrial. E, da leitura das descrições das atividades industriais e laudos, tampouco se encontra respaldo para o que afirma. Assim, nego provimento. Fl. 9331DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.482 21 "III.2.4 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 16A — Linhas 02 e 03 da DACON) a) Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos" A fiscalização glosou créditos sobre as compras de diversos bens que concluiu não se enquadrarem no conceito de insumos, aplicando os restritivos conceitos das IN RFB n° 247/02 e 404/04. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou argumentos para sustentar o registro de créditos daqueles itens que julgou mais relevantes A DRJ ratificou o procedimento fiscal e ainda dispôs que não pôde avaliar se os demais itens eram realmente intrinsecamente ligados ao processo fabril, tão somente pelos conceitos gerais de insumos levados aos autos pela recorrente. No recurso voluntário, a recorrente repete os argumentos da primeira peça de defesa. E aduz não ter sido possível analisar "cada uma das 2 mil glosas registradas na planilha 'NF Glosadas Não representam Aquisições de Insumos'", tendo, assim, optado por tratar individualmente os considerados mais relevantes. Nos parágrafos seguintes, aprecio os argumentos apresentados pela recorrente, porém, antecipadamente, manifesto que concordo com a DRJ no sentido de que não é possível acatar alegações genéricas, devendo ser considerada como "(. . .) não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." (art. 17 do decreto n° 70.235/72). "(i) Indumentária e Itens de Uso Obrigatório" A recorrente apresentou os seguintes argumentos: Fl. 9332DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.483 22 Não há dúvida de que tratase de insumos. Depreendese das informações constantes nos autos que os itens acima listados são essenciais à manutenção da integridade e qualidade dos alimentos e, portanto, essenciais à produção. Corrobora com este entendimento, a seguinte decisão da CSRF: Acórdão n° 930301.740, da CSRF COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Dou provimento aos argumentos. Fl. 9333DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.484 23 "ii) Pallets" e "(iii) Repaletização" A recorrente informa que os pallets são insumos, pois utilizados para proteção das mercadorias, quando movimentadas nos estoques. E, em exportações, como material de embalagem. Traz excerto do laudo do INT e decisões do CARF que corroboram com seus argumentos. E, na mesma linha de raciocínio, devem ser admitidos como insumos os serviços de restauração de pallets. Mais uma vez, colacionou trecho do laudo do INT. Indubitavelmente, os pallets são imprescindíveis, essenciais ao processo industrial, como se depreende das informações constantes do autos. E os serviços de repalletização, por conseguinte, também; Ocorre que os créditos foram calculados sobre os valores das compras, como se pudessem ser integralmente e de pronto consumidos, sem que fossem identificados os valores relativos aos pallets: utilizados como embalagem e que, por conseguinte, integraram os custos dos estoques (insumo passível de creditamento de imediato, de acordo com os incisos II dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03); ou integrantes do ativo imobilizado (neste caso, o crédito seria albergado nos incisos VI dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, e deveria ser calculado sobre os custos com depreciação). O serviço de repalletização é evidência clara de que havia reaproveitamento de pallets e que, portanto, nem todos eram utilizados como embalagens. Assim, dada a ausência das informações complementares acerca do emprego dos pallets objetos da defesa, nego provimento. "(iv) Materiais e Equipamentos" A recorrente sustenta que; I) detergentes, lubrificantes, anticorrosivos e fusíveis são aplicados na produção de ração animal e em equipamentos de corte de carnes; II) acoplamentos de borracha em ligações de eixos rotativos de máquinas; III) conectores e desengrachantes, para garantir o funcionamento eficaz de máquinas e evitar vazamento de óleo, graxa e combustível; IV) combustíveis (gasolina, óleo, GLP, gás acetileno, argônio e oxigênio industriais), como energia para funcionamento de máquinas; V) dicoflenato sódico, como medicamento para aves; VI) metionina, treonina e neomicina, na produção de ração; Fl. 9334DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.485 24 VII) serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração de máquinas; Dada a atividade desenvolvida pela recorrente, detalhadamente descrita nas peças de defesa e corroborada pelos laudos técnicos, indubitavelmente, devemos admitir na base de cálculo dos créditos os custos citados nos itens "V" e "VI", posto que, inclusive, não se poderia imaginar uma outra destinação plausível. No tocante aos demais, todavia, não há na defesa informações detalhadas acerca das máquinas nas quais os listados produtos teriam sido aplicados. Com relação a peças e serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração, além da ausência de identificação das máquinas, para fins de aceitação dos créditos, haveria ainda que definir se aumentaram a vida útil do bem. Caso positivo, deveriam ter sido contabilizadas no custo do bem do ativo imobilizado, para posterior depreciação (art. 346 do Regulamento do Imposto de Renda decreto n° 3.000/99)? Isto posto, dou provimento parcial, revertendo as glosas dos itens nos itens "V" e "VI", acima mencionadas. "(v) Serviços Realizados por "Operador Logístico" Não foram acatados serviços de carga e descarga, movimentação de saída de mercadorias e crossdoking (processo de recebimento de mercadoria e imediata preparação para carregamento e entrega ao cliente). Vejo os gastos com carga e descarga como, dependendo do caso, integrante dos de aquisição (incisos II dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) ou armazenagem e frete sobre vendas (inc. IX do art. 3° e inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). E, dada à sua natureza e clareza com que foram identificados nos registros contábeis, também não vejo necessidade de informações complementares para que sejam admitidos os créditos correspondentes. "(vi) Análises Laboratoriais" Não foram admitidos créditos sobre custos com análises laboratoriais de alimentos, para confirmar estarem aptos para o consumo humano. Voto pela reversão das glosas, posto que são essenciais á conclusão do processo de preparação para consumo de gêneros alimentícios. "b) Dos Bens Utilizados como Insumos — Aquisições de Pessoas Físicas" Os gastos com compras de pessoas físicas de lenha para caldeiras não foram admitidos nas bases de cálculo dos créditos. Na manifestação de inconformidade, sustenta que a lenha movimenta a caldeira de escaldagem de animais, consistindo em insumo. Não obstante, alternativamente, pleiteou o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. Fl. 9335DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.486 25 A DRJ concordou com a fiscalização, alegando que aquisições de pessoas físicas não dão direito a créditos, nos termos dos incisos I dos §§ 3° dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, afastou a possibilidade de concessão de ofício de crédito presumido, pois não cabe à fiscalização investigar formas alternativas de concessão de crédito, diferente daquelas indicadas no DACON. No recurso, repete os argumentos e adiciona que o mero erro no preenchimento do DACON não tem o condão de impedir que, alternativamente, seja conferido crédito presumido. Voto por negar provimento, em linha com a decisão da DRJ. Por um lado, porque o crédito sobre compra de pessoa física é expressamente vedado (incisos I dos §§ 3° dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). E, por outro, porque reputo que não cabe aos colegiados de primeira ou segunda instâncias conduzir processo investigativo, para concluir acerca da possibilidade de o contribuinte computar créditos alternativos àquele que foi efetiva e formalmente pleiteado. Com relação ao último argumento, vale mencionar que reconheço que há circunstâncias em que até é possível a redução de crédito tributário lançado de ofício, por exemplo, por meio da utilização de créditos a compensar ou de saldos de prejuízos fiscais (CSL ou IRPJ). Contudo, tais créditos devem então já constar em declarações ou livros fiscais, o que não seria o caso em tela, que requereria a busca por informações acerca do processo industrial do qual a caldeira tomou parte e dos produtos dele resultantes, para então verificar seu perfeito enquadramento no rol de produtos do caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "c) Dos Bens Utilizados como Insumos — Bens Sujeitos à Alíquota Zero" Houve glosa de créditos cujas compras eram tributadas à alíquota zero. Para este caso, a fiscalização apresentou o seguinte resumo dos produtos e das fundamentações legais das glosas (fl. 574), integralmente ratificadas pela DRJ: Fl. 9336DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.487 26 Nas peças de defesa, a recorrente remetese às alegações contidas no tópico acima tratado "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero ". Voto por negar provimento, tal qual o fiz para o tópico citado no parágrafo precedente. "d) Dos Bens Utilizados como Insumos — Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos" Consta na "Informação Fiscal" (4.334 a 4.369) que foram identificadas compras que de bens cujo CFOP indicava não se tratarem de operação com direito a crédito. Na respectiva planilha (fls. 571 a 573), constam aquisições sob os seguintes CFOP códigos confirmados com o Convênio ICMS s/n de 15/12/1970 : i) 3556, 2556 e 1556 (material de uso e consumo); ii) 1949 e 3949 (outras entradas não especificadas); eiii) 2407 e 1407 (material de uso e consumo sob regime de substituição tributária de ICMS). Na manifestação de inconformidade, a recorrente acusa a fiscalização de ter efetuado trabalho muito superficial, pois, tão somente com base nos CFOP, não seria possível concluir se eram ou não insumos, o que requereria exame do processo produtivo. no recurso voluntário, trouxe elementos de defesa para alguns bens. E que equívocos na determinação do CFOP não pode comprometer o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. Adicionalmente, de forma genérica, informa que diversos produtos químicos constante da planilha de glosa são produtos químicos utilizados no processo industrial. A DRJ confirmou o trabalho da fiscalização. Lembrou que foi efetuado com base nas informações prestadas pelo contribuinte e que a nota fiscal "é, por excelência, o meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas". E que, oportunamente, deveria ter provido o auditor das provas de que se travam de insumos, pois o ônus de comprovar a existência do direito é de quem alega detêlo. Minha leitura da legislação fiscal, é a de que a comprovação plena das operações comerciais passa não somente pelas notas e livros contábeis e fiscais e contratos, porém, e notadamente, pelas evidências de elementos que comprovem cabalmente suas natureza, efetividade e emprego nos negócios. E, para tanto, no caso de serviços, há que se reunir relatórios técnicos, contendo pareceres e recomendações. Quanto a aquisições de bens, manuais e laudos técnicos que demonstrem a que se destinam e de que forma são utilizados na respectiva atividade empresarial. Não obstante, da leitura dos autos, confirmase o relatado pela DRJ. A recorrente tinha pleno conhecimento do propósito da auditoria fiscal e dos dados que deveria fornecer para a comprovação da legitimidade dos créditos. E o agente fiscal, com base nos elementos fornecidos, concluiu seu trabalho. Portanto, tal qual consignei na preliminar, não vejo defeito no trabalho fiscal, que o eive de nulidade. O recurso voluntário repete a manifestação de inconformidade, porém com mais detalhes acerca dos produtos cujos créditos foram glosados. Fl. 9337DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.488 27 Tal qual procedi em tópico anterior, para que eu vote pela reversão de glosas, em princípio, fazse necessária a conciliação dos argumentos com as descrições dos processos produtivos e laudos técnicos. Exceção, contudo, há que se fazer aos casos em que a descrição do produto, por si só, seja esclarecedora e dispense uma análise técnica de especialista. Ademais, consigno que supero eventuais erros na classificação fiscal em CFOP, em nome da verdade material. Dito isto, a única glosa que proponho que seja revertida é a da metionina, empregada na produção de ração animal, tal qual o fiz em tópico anterior, sob as mesmas alegações. "e) Dos Bens Utilizados como Insumos — Vendas com Suspensão de Contribuição ao PIS e de COFINS" Foram glosados os créditos integrais, calculados sobre as aquisições de produtos beneficiadas com suspensão do PIS e da COFINS (artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04): leite in natura e outros produtos agropecuários. A DRJ confirmou o entendimento da fiscalização. A Recorrente alega que os produtos são insumos e as respectivas compras realizadas sofreram tributação pelo PIS e COFINS, posto que a suspensão tornouse obrigatória tão somente após a edição da IN SRF n° 977/09 (1/11/2009). Até então, sob a IN SRF n° 660/2006, era opcional. Divirjo da Recorrente. Restou incontroverso que os produtos adquiridos encontramse no caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. E minha leitura do art. 9° da Lei n° 10.925/04 é a de que, desde sua instituição, a aplicação da suspensão era obrigatória e não opcional, a despeito do que se pudesse inferir da leitura da IN SRF n° 660/06. Ademais, não há evidência nos autos de que as compras tenham sido oneradas pelas contribuições. E o registro de créditos, em casos de suspensão, é vedado pelos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos: "Lei n° 10.925/04 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro Fl. 9338DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.489 28 de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. [...] Art. 9° A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 9339DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.490 29 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Portanto, nego provimento aos argumentos da Recorrente. "III.2.5 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16A — Linha 07 da DACON)" Os créditos sobre as despesas com frete foram glosadas, porque a recorrente não as vinculou a operações de venda, circunstância única em que a fiscalização admitiria o creditamento (inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). A DRJ ratificou tal posicionamento. Consultei a planilha de glosas de fretes (fls. 617 a 757) e percebi que a fiscalização conseguiu identificar, em diversos casos, por meio das notas fiscais, que o bem transportado era "produto lácteo" ou "laticínio". Nos demais, há descrição genérica de que tratavase de operação "fretes e carretos" ou mesmo de produto não vinculado pela recorrente ao processo produtivo. Assim, de pronto voto pela manutenção das glosas, quando não há identificação da natureza da operação (ex: compra de insumos, venda de produtos acabados etc.) ou vinculação do produto transportado à atividade industrial. Por outro lado, nas situações em que há descrição do produto transportado, constando "laticínios" ou "produtos lácteos", notoriamente relacionados à atividade industrial da recorrente, meu voto é pela reversão das glosas. E, conforme explicarei em seguida, não importa se em operação de compra, venda ou transporte entre estabelecimentos da recorrente. A meu ver, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos os fretes incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, nas venda e nos deslocamentos entre estabelecimentos do mesmo titular. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível Fl. 9340DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.491 30 que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Em linha com meus posicionamentos, cito os Acórdãos nº 3402002.881, de 28/1/2016, e nº 340101.715, de 15/2/2012, de cujas ementas extraio excertos, a saber: "FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem como custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99." (Acórdão nº 3402002.881) "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) Com base no acima exposto, voto por reconhecer os direitos creditórios relacionados às despesas com fretes de "laticínios" ou "produtos lácteos. Por outro lado, voto por manter a glosa dos créditos sobre fretes nos demais casos. "III.2.6— Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais" A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. Enquanto a fiscalização e DRJ entendem que o percentual a ser aplicado sobre o valor da compra deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo adquirido, a Recorrente alega que seria a do produto no qual o insumo é aplicado. Transcrevo o art. 8º da Lei nº 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada Fl. 9341DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.492 31 período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1° deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Posteriormente, a Lei n° 12.865/13 acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, a saber: "§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." Realmente a redação original dos inciso I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 ensejava dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2009 em razão do art. 106 do CTN: Fl. 9342DF CARF MF Processo nº 11516.721887/201141 Acórdão n.º 3301004.900 S3C3T1 Fl. 5.493 32 "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Voto pelo provimento da alegação da Recorrente, qual seja, de que o percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos é determinado pela classificação na TIPI do produto no qual foi aplicado. "IV Pedido de Perícia e de Diligência" A Recorrente protesta pela realização de perícia, para demonstrar a aplicação dos insumos glosados em seu processo de industrialização. A fase de produção de provas acerca da legitimidade dos créditos já se expirou. Ademais, uma diligência não se presta para produzir provas em favor ou contra qualquer uma das partes, porém para o provimento de esclarecimentos sobre os elementos que já se encontram nos autos. Assim, nego provimento. Conclusão Voto pelo provimento parcial, a saber: com reversão das glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, metionina, treonina, neomicina, fretes para transporte de "produtos lácteos" e "laticínios", serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 9343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.021016/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei.
Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
ART. 6° DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. LEI N° 10.174/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA.
O art. 6° da lei complementar n° 105/01 e a lei n° 10.174/2001 cuidam de regras adjetivas que visam instrumentalizar o fisco com novos meios de fiscalização, mediante a ampliação dos poderes de investigação. dessa forma, pode ter aplicação imediata, nos termos do art. 144, § 1°, do CTN.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 10 16 /2 00 8- 44 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 184 2 ART. 6° DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. LEI N° 10.174/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. O art. 6° da lei complementar n° 105/01 e a lei n° 10.174/2001 cuidam de regras adjetivas que visam instrumentalizar o fisco com novos meios de fiscalização, mediante a ampliação dos poderes de investigação. dessa forma, pode ter aplicação imediata, nos termos do art. 144, § 1°, do CTN. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente Fl. 184DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 185 3 convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19647.021016/200844, em face do acórdão nº 1131.986, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), em sessão realizada em 25 de novembro de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Em desfavor de JOÃO GADELHA DE ALBUQUERQUE NETO, devidamente qualificado nos autos, foi lavrado auto de infração do imposto de renda da pessoa física de fls. 01 a 08, onde é formalizada a exigência no valor de R$ 373.611,85, dos quais R$135.185,39 dizem respeito a imposto, R$ 86.342,90, a juros demora, e R$ 152.083,56, a multa de oficio. Segundo consta do Relatório de Ação Fiscal que é parte integrante do referido auto de infração, juntado às fls. 09 a 12, dados obtidos por meio dos cruzamentos realizados com base no permissivo instituído pelos §§ 2º e 3º da Lei n° 9.311, de 1996, acrescidos pela Lei n° 10.174, de 2001, revelaram significativa movimentação financeira nas contas correntes de titularidade do Contribuinte. Consequentemente, foi o mesmo intimado e reintimado a apresentar extratos bancários, mas deixara de atender tais intimações, motivando a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Com base nos dados obtidos por meio de tal instrumento, foi elaborado demonstrativo e solicitado ao Contribuinte que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem de recursos depositados em tais contas. Ainda segundo o mesmo relatório, mais uma vez, a intimação formulada pelo Fisco não foi atendida. Ante a tais elementos, foi elaborado demonstrativo de depósitos bancários de origem não comprovada colacionado às fls. 50 a 53 e, com base em tal demonstrativo, formulouse a exigência fiscal litigiosa. Regularmente cientificado pela via postal em 11/12/2008, compareceu o Autuado ao processo em 09/01/2009 para, por meio da impugnação de fls. 61 a 93, pleitear a declaração da nulidade do auto do auto de infração litigioso, bem assim do procedimento fiscal que o viabilizou, requerendo, ainda que o mesmo seja julgado improcedente. Essencialmente, tal pedido estaria escorado nas seguintes alegações: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 186 4 a) Inobservância do principio da finalidade, materializada na ausência de um procedimento específico de acesso aos dados sigilosos. Inexistiria, nessa linha, qualquer motivação para a "quebra" de dados sigilosos do impugnante, expressamente exigida pela Lei Complementar n° 105, de 2001, cuja constitucionalidade seria questionável. Aduz que a inobservância aos princípios que regem a Administração Pública conduziria à nulidade do procedimento. Cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes, transcreve o art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999, destaca trecho de voto do Min. Celso de Mello. b) Violação à Lei Complementar n° 105, de 2001 e aos Decretos n° 4.489, de 2002 e 3.724, de 2001. Após transcrever os arts. 1º, 5º e 6º da Lei Complementar n° 105; 1 2o e 3o do Decreto n° 4.489; e I o a 5o do Decreto n° 3.724, de 2001, conclui que o procedimento sob exame teria violado esses dispositivos em razão de que: teriam sido acessadas informações bancarias, além dos simples "montantes globais mensalmente movimentados" permitidos pelo §2° do art. 5o da LC n° 105/2001, sem abertura e formalização de procedimento especifico de quebra de sigilo: Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF; incompetência de "mero" auditorfiscal: dado que o acesso às informações bancárias teria sido levado a efeito sem a competente RMF, bem assim que o MPF não conteria determinação para acesso a tais informações. Restando violado, portanto, o art. 4o do Decreto n° 3.724, de 2001, que limitaria a aptidão para pleitear acesso às informações bancárias às mesmas autorizadas a expedir MPF. Enumera tais autoridades. ausência de pressupostos materiais para "quebra" de sigilo bancário, na medida em que não se configurara hipótese que torna indispensável o acesso aos dados bancários: em suma, não restara demonstrada omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicação financeira de renda fixa ou variável, vez que as supostas receitas não teriam se originado em aplicações financeiras; ausência de motivação e fundamentação para emissão de RMF, na medida em que não teria sido elaborado relatório expondo, com precisão e clareza, a hipótese de indispensabilidade em que a matéria sob exame se enquadraria. c) Vício e Inadequação do Mandado de Procedimento Fiscal, na medida em que: equivocadamente, teria sido expedido MPF de Fiscalização quando, em verdade, caberia expedir um MPF de diligência; O MPF não descreve as verificações a serem realizadas; Fl. 186DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 187 5 O impugnante não foi cientificado das alterações e prorrogações do referido mandado; Esgotouse o prazo de validade do mandado, conforme comprovariam as pesquisas realizadas no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil d) Vício na fixação da base de cálculo, alegadamente materializado no arbitramento com base na totalidade dos depósitos. Segundo sustenta o Impugnante, diversos valores que teriam transitado pela conta corrente teriam sido alvo de auto de infração anterior, o que representaria bitributação. Junta acórdão do extinto Conselho de Contribuintes que respaldaria seu raciocínio. Ademais, o acórdão colacionado demonstraria que os depósitos em contacorrente não caracterizam disponibilidade econômica ou jurídica, passíveis de incidência do IRPF, nos termos do art. 43 do CTN, exigindose a demonstração de acréscimo patrimonial. Aduz, ainda, que é pessoa bastante conhecida e disponibiliza sua conta para negociações comerciais de terceiros e que o valor do lançamento supera a totalidade do seu patrimônio. Sustenta violação aos princípios da Capacidade Contributiva, Vedação ao Confisco e Dignidade da Pessoa Humana. Protesta pela produção de provas. E o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 156/178, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares 1.1 Quebra de sigilo bancário. Aplicação imediata do art. 6° da lei complementar n° 105/01. Lei n° 10.174/2001. Alega o recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397, 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 188 6 Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, quanto a alegação de aplicação imediata alegada pelo contribuinte, impõe referir que o art. 6° da lei complementar n° 105/01 e a Lei n° 10.174/2001 cuidam de regras adjetivas que visam instrumentalizar o fisco com novos meios de fiscalização, mediante a ampliação dos poderes de investigação. dessa forma, pode ter aplicação imediata, nos termos do art. 144, § 1°, do CTN. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. 1.2 Cerceamento de defesa O artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n° 8.748/1993, prevê a possibilidade de a autoridade julgadora determinar, “de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. No tocante ao pedido de perícia, o artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972, estabelece a obrigatoriedade de a impugnação especificar os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ressaltese que tais requisitos não foram atendidos, razão pela qual se considera não formulado o pedido, com fulcro no § 1o do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972 (parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.748/1993). Ademais, em relação a fatos passíveis de serem comprovados por documentos, como é o caso dos autos, incumbe ao sujeito passivo apresentálos no prazo para impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses previstas no artigo 16, § 4º, do Decreto citado (parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.532/1997). Quanto às arguições de nulidade do lançamento de que trata o presente feito, observese que, de acordo com o artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e possui status de lei, só se caracteriza a nulidade do lançamento se o ato for praticado por agente incompetente (inciso I), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 189 7 Também sustenta a recorrente a nulidade do auto de infração, por ter sido lavrado sem intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. Ocorre que não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. Ocorre que, na hipótese de revisão da declaração de ajuste anual, o lançamento poderá ser efetuado com base nos elementos de que dispuser a repartição, nos termos do artigo 835, § 2º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto n° 3.000/1999). Deste modo, não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade. 1.3 Das provas, perícia e da falta de análise de razões de defesa. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova suscitada pelo contribuinte. Por fim, quanto a preliminar de que houve falta de análise de razões de defesa, verifico que também não procede. Há na verdade inconformismo do recorrente com o julgamento de sua impugnação, que foi contrária aos seus pedidos. Deste modo, rejeito as referidas preliminares suscitadas pelo contribuinte. 1.4 Alegações de inconstitucionalidade Conforme acima já mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Feitas essas considerações, passarseá a apreciação das alegações do contribuinte relativamente às demais matérias constantes no recurso voluntário. 2. Mérito 2.1 Depósitos bancários A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 190 8 não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Para a DRJ de origem os documentos presentes nos autos não foram totalmente suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. 2.2 Multa. Lançamento de ofício. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 19647.021016/200844 Acórdão n.º 2202004.666 S2C2T2 Fl. 191 9 Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005185/2005-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
VTN. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT - SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. Aplicação do valor declarado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-007.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Aplicação do valor declarado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 85 /2 00 5- 14 Fl. 549DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 29/11/2011, foi julgado o Recurso Voluntário n° 336.995, prolatandose o Acórdão nº 210201.663 (efls. 475/485), assim ementado: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 ÁREA CONTÍNUA. UNIDADE PARA TRIBUTAÇÃO. SOMATÓRIO. Os imóveis rurais confrontantes entre si, do mesmo proprietário (áreas contíguas), serão objeto de apenas uma declaração para o somatório das áreas, pois, nestes casos, para efeito do ITR, essas áreas formam apenas um imóvel. DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. NÃO IMISSÃO DE POSSE OU TRANSFERÊNCIA. O ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializase pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10183.005185/200514 Acórdão n.º 9202007.174 CSRFT2 Fl. 550 3 seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e declaração, será aplicada no lançamento de oficio multa calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), excetuadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. TAXA SELIC. JUROS DEVIDOS NO PERÍODO DE INADIMPLÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Cientificado do acórdão em 17/05/2011 (efls. 493), o Contribuinte apresentou Recurso Especial (efls. 494/502), no qual pretende o cancelamento do lançamento. Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial, conforme o Despacho n° s/n, de 08/05/2013 (efls. 524/526), pois apesar de ter indicado vários temas no recurso, elegeu apenas dois acórdãos paradigmas, os quais tratam apenas da aplicação do VTNm extraído do SIPT, apurado com base no valor médio declarado nas DITRs. O seguimento parcial foi confirmado em sede de reexame, conforme e fls. 527/528. Como não houve intimação do contribuinte da não admissibilidade do seu recurso por não ter indicado paradigma com relação aos tópicos b, c, d, e e, foi admito apenas a temática contida no item a, foi proposta a Resolução 9202000.082, ora atendida. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões aduzindo, em preliminar, que o recurso não merecia ser conhecido por ser restrito a matéria fática, e no mérito argumentam a validade do SIPT e a legitimidade do arbitramento (efls. 530/534). É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 551DF CARF MF 4 Cingese a controvérsia na divergência nas informações declaradas no imóvel “Gleba Colniza”, número do imóvel – NIRF 1.595.6571, localizado no município de Colniza – MT, um crédito tributário constituído, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do seu vencimento, foi de R$ 602.200,23 (seiscentos e dois mil e duzentos reais e vinte e três centavos) de imposto e R$ 451.650,17 (quatrocentos e cinquenta e um mil, seiscentos e cinquenta reais e dezessete centavos) de multa. O acórdão recorrido tratou do arbitramento do valor da terra nua, sendo que, ao contrário dos paradigmas, aceitou o VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas. Portanto, nessa questão, patente a divergência jurisprudencial. Esta CSRF já se manifestou reiteradamente quanto à questão, de modo que reproduzo o voto da Ilustre Conselheira Presidente em Exercício, Maria Helena Cotta Cardozo, Acórdão n.º 9202007.109, 26 de julho de 2018: Trata de Imposto Territorial Rural (ITR) do exercício de 2009 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) tendo por base o Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. A Contribuinte havia declarado VTN de R$ 1.929,40/ha, o que motivou a Fiscalização a arbitrálo em R$ 18.886,20/ha (fls. 9), com base no SIPT. Por ocasião do julgamento em Primeira Instância, foi acatado o VTN de R$ 6.253,14/ha, apurado no Laudo de Avaliação apresentado pela Contribuinte, rejeitandose assim o arbitramento com base no SIPT. No acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso de Ofício, restabelecendose o arbitramento do VTN com base no SIPT, desconsiderandose o laudo como documento hábil e idôneo. A Contribuinte, por sua vez, pede que o VTN apurado no laudo seja acolhido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10183.005185/200514 Acórdão n.º 9202007.174 CSRFT2 Fl. 551 5 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do Município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola do imóvel, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Frente ao disposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte no que tange ao valor da terra nua (VTN), devendo ser mantido o valor declarado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 553DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001899/2008-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77.
Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 9202-006.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
"Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)".
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. "Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro(a) Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro(a) não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 99 /2 00 8- 09 Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 806 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202003.728, prolatado pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 15 de março de 2017 (efls. 648 a 657). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/08/2006 DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O julgador de 1ª instância rejeitou a alegação do contribuinte, porque entendeu que o mesmo não efetuara antecipação do pagamento referente, especificamente, às contribuições previdenciárias incidentes sobre a contratação de estagiários, objeto do lançamento. Entretanto, diz a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO “STRICTO SENSU”. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE. Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 807 3 CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego “ stricto sensu ”. Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 11/2003, inclusive. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, em 12/04/2017 (efl. 687 do Processo 16327.001899/200809, apenso), sua Procuradoria apresentou, em 12/05/2017 (efl. 716 do Processo 16327.001899/200809, apenso), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 659 a 686 e anexos). Analisado tal pleito através de despacho de efls. 687 a 699, o Recurso restou admitido quanto à matéria litigada, a saber, a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a segurados qualificados pela empresa como estagiários, durante a vigência da Lei no. 6.494, de 1977. Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 27/07/2011, através do Acórdão no. 2302001.162, e, ainda, em relação ao decidido, pela 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 20/06/2012, no âmbito do Acórdão no. 2402002.826 de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2302001.162 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. ESTAGIÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 808 4 Figura como hipótese de não incidência de contribuição previdenciária o pagamento feito a estagiário, a título de bolsa de complementação educacional, quando efetuado nos exatos termos da Lei n° 6.494/77. Assentado que, nos termos da lei, nos serviços prestados por estagiários remunerados encontramse presentes todos os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a ocorrência e a fiel observância dos termos e condições estatuídas na Lei n° 6.494/77 para que se possa desfrutar do benefício da renúncia fiscal ora em debate. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ALÍQUOTA MÍNIMA. 8%. É de 8% a alíquota mínima da contribuição dos segurados empregados, uma vez que a CPMF foi definitivamente extinta, não persistindo mais os motivos que ensejaram o desconto nos Salários de Contribuição até 3 salários mínimos. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SESC/SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. OBRIGATORIEDADE. As empresas prestadoras de serviços, por estarem enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais vertidas ao Sesc/Senac. SEBRAE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 809 5 O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Acórdão 2402002.826 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2005 a 28/02/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PRÊMIOS DE INCENTIVO – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 810 6 Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a contribuintes individuais. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado ESTAGIÁRIO – CONTRATAÇÃO NÃO CUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS – INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a trabalhadores a condição de estagiários se não forem cumpridos os requisitos para tal contratação dispostos na Lei nº 6.494/1977. De acordo com o art. 118 do CTN, abstraise, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR A escrituração contábil regular deve refletir a verdade dos fatos. Assim, mediante alegações sem provas de equívocos nos registros contábeis, prevalecem os últimos. PROVA TESTEMUNHAL – OITIVA DE TESTEMUNHA – INDEFERIMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Não representa cerceamento de defesa o indeferimento de produção de prova testemunhal por meio de oitivas face à inexistência de previsão no Decreto nº 70.235/1972 da apresentação de prova testemunhal no contencioso administrativo fiscal PERÍCIA – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO – REQUISITOS – CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova RESPONSÁVEIS LEGAIS – PÓLO PASSIVO – NÃO INTEGRANTES Os representais legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Vínculos não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis. TAXA SELIC – APLICAÇÃO Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 811 7 Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC, a qual não é aplicada de forma capitalizada MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Thiago Taborda Simões que limitavam a multa ao percentual de 20%. Após defender a existência de divergência interpretativa, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) No caso, a relação de estágio foi analisada à luz da Lei no. 6.494, de 1977, vigente à época dos fatos geradores. Inobstante, a decisão recorrida cogitou da aplicação da Lei no. 11.788, de 25/09/2008. Em verdade, é sabido, como regra, que os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Principio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional. No tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades; b) Portanto, no caso, como não houve expressa disposição da lei, nem lei expressamente interpretativa, nem regulação de sanções, então não há retroatividade. Logo, no caso, a relação de estágio deve ser aferida segundo os requisitos estabelecidos na Lei no. 6.494, de 1977, vigente à época dos fatos geradores; c) Pelo teor da referida Lei, para a caracterização da relação de estágio, é necessária a comprovação da frequência escolar dos alunos admitidos pela empresa. Este requisito, no entanto, não foi cumprido pela contribuinte, conforme atestou a fiscalização, que ressaltou irregularidades quanto à: a) falta de comprovação de supervisão dos estagiários; b) não apresentação de plano de estágio; c) remuneração vinculada a cumprimento de metas; d) desempenho de atividades meramente burocráticas; d) Cita o art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, ressaltando que o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a bolsa paga ao estagiário. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem observar os elementos definidos na Lei no. 6.494, de 1977. Este requisitos, no entanto, Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 812 8 não foram cumpridos no caso dos autos, conforme detalhado anteriormente, tendo em vista as irregularidades apontadas pela fiscalização na relação de estágio. Com efeito, verificase que a verba relativa a bolsa de estágio não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, sendo que a isenção atinge apenas os valores pagos a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, em estrita observância à Lei no. 6.494, de 1977. No caso, o contribuinte não comprovou a matricula e frequência dos estagiários em instituições de ensino, conforme exige a lei. Além do descumprimento deste requisito legal, a fiscalização ainda constatou as seguintes irregularidades: falta de comprovação de supervisão dos estagiários; não apresentação de plano de estágio; remuneração vinculada a cumprimento de metas e desempenho de atividades meramente burocráticas; e) Não basta a mera exibição do Termo de Compromisso para afastar as verbas pagas a título de bolsa de estágio da incidência da contribuição previdenciária. Não é isso que está previsto na lei. É preciso que todos os requisitos sejam cumpridos cumulativamente. Impor tais obrigações apenas à instituição de ensino e ao órgão interveniente seria contrariar o espírito da relação de estágio e impor obrigações a apenas algumas partes, o que vai de encontro à própria natureza do instrumento firmado (convênio). Assim, uma vez caracterizado o descumprimento da Lei no. 6.494, de 1977, correta a exigência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos à titulo de bolsa de estagio; f) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. Portanto, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente a bolsa de estágio incondicionalmente, não teria feito expressa referência à Lei no. 6.494, de 1977, cujos requisitos devem ser observados e comprovados pelo contribuinte; g) Convém registrar que a Lei n ° 10.243, de 2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é especifica. O art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas. Para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, §9o., da Lei n° 8.212/91, conforme demonstrado. A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11, da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Desse modo, não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, deve persistir o lançamento; Assim, requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 813 9 Após a ciência da autuada em 29/06/2017 (efls. 709/710), esta, em 11/07/2017 (efl. 711), apresentou contrarrazões de sua iniciativa, de efls. 715 a 738, onde: a) Alega que o REsp aviado pela PFN não se volta contra o principal fundamento que norteou, de fato e de direito, o provimento do Recurso Voluntário, qual seja: as obrigações tidas por descumpridas em relação aos estagiários não competem à Recorrida, o que, aliás, consta do próprio TVF. O Recorrido, em verdade, deu provimento ao Recurso Voluntário justamente por reconhecer que nenhum dos pretensos fundamentos da autuação consubstanciaria obrigação descumprida pela Recorrida, destacando uma série de elementos que corroborariam a improcedência da pretensão fiscal; b) É evidente que as alegações fazendárias tecidas no RESP não teriam o condão de alterar a conclusão da improcedência da autuação, pois tocam pontos periféricos do decisum que poderiam até ser considerados obter dictum no contexto global do v. Acórdão Recorrido. Com efeito, estando comprovado que o Acórdão Recorrido julgou o caso à luz da Lei n° 6.494, de 1977 e reputou não competir à Recorrida as obrigações tidas por descumpridas pela autuação, é fato que não alteraria o resultado de julgamento (i) o afastamento do Princípio da Retroatividade Benigna em relação à Lei n° 11.788/08, que revogou a Lei n° 6.494/77; (ii) o entendimento pela necessidade de comprovação da frequência escolar; c) Aliás, em relação ao quesito da comprovação de frequência escolar, além de não se tratar de obrigação da Recorrida, nos termos da Lei n° 6.494, de 1977, o Acórdão Recorrido reputou comprovado in casu, diante do Convênio firmado, bem como em função dos Termos de Compromisso, dos relatórios de estágio e de toda a documentação fornecida, cujo pressuposto é o estado de matriculado dos estagiários, bem como diante da ausência de prova em contrário por parte da Fiscalização. Notese que tal quesito é suscitado pela PGFN não para convencer este Colegiado de que não haveria comprovação de matrícula dos estagiários, mas, apenas e tão somente, com a intenção de gerar dúvida sobre a sua existência. Diante disso, tem se que as razões arguídas pela PGFN à reforma do Acórdão Recorrido não seriam suficientes a tal fim, dado que os Julgadores a quo adotam outras e mais amplas premissas que manteriam o resultado tal como vazado. Assim, diante da evidente falta de interesse processual da Recorrente neste quesito, não merece ser conhecido o REsp aviado pela PFN.; d) Importa notar que o Acórdão Recorrido pautouse na detida análise do caso concreto, sopesando os motivos da autuação e os argumentos e provas colacionados pela ora Recorrida, para concluir pela improcedência das acusações fiscais. Tal fato demonstra de per se o descabimento do REsp da PGFN por ausência de paradigmas similares e entendimento divergente, não apenas pela dificuldade de se identificar autuação e julgado similares em tamanha complexidade fática, mas também, e principalmente, porque se reconhece in casu a diligência da Recorrida nas obrigações que lhe competiam, bem como a improcedência da acusação fiscal ao reputar descumpridos certos requisitos legais que não competiam à Recorrida. Em outras palavras, o Acórdão Recorrido adentrou aos detalhes do caso concreto para reconhecer que as acusações fiscais não refletem a realidade dos fatos, seja porque a Recorrida observou e cumpriu com a Lei no 6.494, de 1977, seja porque não poderia ser responsabilizada por eventual descumprimento de obrigação de terceiros, tal como da Instituição de Ensino, que ocupa importante posição na relação de estágio. Já se viu quais foram os fundamentos da autuação e do Acórdão Recorrido. Em contrapartida, a denotar a absoluta dessemelhança fática, cita as razões fáticas e jurídicas que lastreiam os alegados acórdãos paradigmas. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 814 10 d.1) A UMA, vejase que nenhum dos acórdãos encimados toca nas matérias de "titularidade das obrigações tidas por descumpridas" e "comprovação do cumprimento das tarefas legais da unidade concedente", as quais foram basilares na compreensão e no julgamento do caso concreto, por meio do Acórdão Recorrido, fato esse que torna insuscetíveis de comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial. d.2) A DUAS, os julgados encimados registram, e de forma reiterada, a ausência de provas por parte dos contribuintes em face das acusações fiscais, o que levou os Julgadores a forma convicção de que, de fato, os pagamentos autuados se afiguraram salário de contribuição na constância de vínculo empregatício. Já in casu a produção de provas e argumentos foi identificada. e valorada pela Turma "a quo", dando ao caso concreto o devido tratamento legal a si aplicável, mediante o cancelamento da autuação, dada a higidez da relação de estágio que motivou os pagamentos autuados. Também isso torna insuscetíveis de comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial. d.3) A TRÊS, notese que os acórdãos encimados sequer discutem de forma detida, tampouco amparam o argumento fazendário de que a autuação haveria de ser mantida por pretensa ausência de acompanhamento, de orientação e de avaliação de estágio, e de evidenciação de frequência escolar e matrícula dos estagiários na Instituição de Ensino. E por que não trataram disso? Por total carência de provas por parte dos contribuintes, segundo consta dos arestos. E, no caso do Acórdão no. 2402002.826 (caso "IGATA"), sequer a autuação recai sobre bolsa auxílio de estagiários, mas sim sobre "cartão de incentivos', o que corrobora sua imprestabilidade à rediscussão do v. atesto vergastado in casu. É dizer NÃO HÁ ADERÊNCIA ENTRE os JULGADOS, SEJA QUANTO AOS FATOS, SEJA QUANTO AO ENTENDIMENTO. Notese que uma leitura apressada dos pretensos paradigmas poderia induzir o erro de que haveria alguma identidade, mas a sua ausência fica clara quando se percebe que tais julgados se limitaram a interpretar a lei em tese, talvez por falta de provas por parte dos contribuintes, enquanto que o Acórdão Recorrido analisou fatos e os submeteu à subsunção legal, concluindo, de forma natural, pela improcedência dos lançamentos. e) Ora, é cediço que a configuração da divergência jurisprudencial pressupõe que as decisões ditas conflitantes se reportem à mesma circunstância fática. Ou seja, somente podese falar em dissídio jurisprudencial quando diferentes julgadores, diante de circunstâncias fáticas similares, apresentam entendimentos divergentes, o que, como visto à saciedade, não ocorre in casu, notadamente quanto à discussão da aplicabilidade ou não da retroatividade benigna do art. 106 do CTN. Resta claro, portanto, o descumprimento do caput do art. 67 do RICARF, que prescreve o mais essencial dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial, que é a identidade fática e a interpretação divergente de lei tributária, comprovada por meio de acórdão paradigma apto. E, com relação à matéria de retroatividade benigna da Lei no 11.788, de 2008, a PGFN não apresenta acórdão paradigma para subsidiar tal argumento e tampouco o ponto foi motivo de decidir do v. aresto recorrido, desrespeitando o caput do 67 do RICARF. Assim, tendo em vista que a Procuradoria não demonstrou a existência de interpretação divergente da lei tributária, por meio da apresentação de acórdão paradigmático, na forma do caput do at. 67 do RICARF, não deve ser conhecido o RESP contrarrazoado, quanto ao ponto da retroatividade benigna; f) Outrossim, é fato que a irresignação da PGFN, in casu, decorre de clara pretensão de rediscutir matéria fáticoprobatória, o que não se admite nesta via especial, impedindo, portanto, o conhecimento do RESP aviado. A questão que se impõe é bem clara: a pretensão recursal demanda que se revisite toda sorte de documentos e subsídios carreados aos Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 815 11 autos, bem como a sua rediscussão, extrapolando, portanto, o plano do direito, o que não cabe nesta via especial. Com efeito, a PGFN busca rediscutir o conjunto probatório constante dos autos, em busca de uma nova análise por esta CSRF. É cediço não caber, nesta via especial, a discussão sobre os fatos alegados no curso da lide administrativa, sendo claro que, a pretensão da PFN colide com a referendada Súmula n° 7 do STJ. g) Assim como consolidado na Súmula encimada, a CSRF não pode declinar se sobre o conjunto probatório presente nos autos, pois vai contra o seu mister, de âmbito de discussão de questões jurídicas, de direito, sendo certo que, a avaliação probatória, no âmbito do CARF, vai até a segunda instância. Aplicandose tal entendimento no presente caso, vêse que a PGFN demanda, em seu Recurso, que esta CSRF realize o reexame todo o conjunto probatório do caso, sugerindo, talvez, ter havido um julgamento errôneo das provas por parte da Câmara a quo, o que não ocorreu neste caso. Portanto, não pode ser conhecido o Recurso Especial ora contrarrazoado, também por afrontar a Súmula STJ n° 7; h) o dissídio jurisprudencial objeto do Recurso Especial deve ser cabalmente evidenciado, a partir da indicação analítica dos pontos divergentes, para, somente então, ter seu mérito conhecido. Sendo o cotejo analítico entre acórdão recorrido e paradigmas elemento essencial para a caracterização do dissídio jurisprudencial, o Recurso Especial que não se desincumbir do ônus imposto pelo art. 67, § 8o, do RICARF 2009, não pode ser conhecido. Ou seja, não obstante o esforço da Procuradoria, o seu Recurso limitase à mera transcrição da ementa e alegações do que trataria os acórdãos paradigmas, os quais não se prestam a evidenciar a similitude fática, tampouco a divergência entre os acórdãos. Importa lembrar que a CSRF já consolidou seu entendimento no sentido de que o REsp, para ser conhecido, deve proceder ao cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigmas, sendo que, para tanto, é insuficiente mera transcrição de ementa das decisões paradigmáticas, se desacompanhada de análise comparativa substancial. Assim, tendo em vista que a Procuradoria não demonstra a correlação na matéria debatida em seu Recurso de modo analítico, tal qual preceitua o artigo 67, § 6o, do RICARF 2009, a sua irresignação não merece ser conhecida, tal como asseverado no Despacho de Inadmissibilidade (sic); i) Quanto ao mérito, entende que a caracterização do estágio é certa, tanto com fulcro na Lei n° 6.494, de 1977, como na Lei n° 11.788, de 2008, notadamente diante do conjunto probatório apresentado pela ora Recorrida, comprovando o cumprimento dos requisitos da Lei n° 6.494, de 1977, inexistindo vínculo empregatício entre a Recorrida e os estagiários. Cita o art. 3o, da Lei n° 6.494,de 1977, para defender que, uma vez que a Recorrida apresentou os Termos de Compromisso firmados com os estagiários, inclusive, todos com interveniência do Centro de Integração Empresa Escola ("CIEE"), conforme reconhecido pela própria Autoridade Administrativa no Relatório Fiscal que acompanha os AIs, temse que a Recorrida cumpriu o requisito necessário para a realização do estágio; j) Cita, ainda, os art. 5o. do Decreto 87.497, de 1982, para argumentar que resta patente que a existência do Termo de Compromisso celebrado entre o estudante o cedente, com a supervisão da Instituição de Ensino, constitui prova bastante e suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Nesse sentido, inclusive, jurisprudência deste CARF a propósito. k) Destarte, resta patente que os estágios curriculares fornecidos pela Recorrida estão em perfeita consonância com as determinações legais, bem como que a Recorrida cumpriu todos os requisitos formais e materiais previstos na Lei n.° 6.494, de 1977, Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 816 12 revelandose, assim, absolutamente improcedente a pretensão da Autoridade Fiscal. Além disso, a Recorrida cumpriu os demais requisitos formais e materiais indicados na Lei n.° 6.494, de 1977, pois, além dos Termos de Compromisso firmados, todos os estagiários indicados no auto de infração frequentam cursos de educação superior; a Recorrida possui condições de proporcionar a experiência prática necessária na linha de formação do estagiário, sendo certo que o estágio propicia a complementação do ensino e da aprendizagem do estudante, planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos. E mais, todas as informações e relatórios acercados estagiários foram devidamente encaminhados às Instituições de Ensino e/ou ao CIEE, sendo certo que à Recorrida não cabe a guarda deste material, até porque, muitas vezes, os mencionados relatórios são enviados via digital, ficando disponíveis em sistema por apenas seis meses; l) Ademais, caso os programas de estágio não estivessem em conformidade com as condições estabelecidas pela lei e pelas instituições de ensino, as mesmas já teriam se pronunciado, solicitando que a Recorrida tomasse as providências cabíveis no sentido de regularizar a situação, haja vista serem as responsáveis pelos estágios, consoante inteligência do artigo 2o., do Decreto n.° 87.497, de 18 de agosto de 1982. Portanto, os elementos de prova demonstrados pela Recorrida são hábeis e suficientes para a comprovação das atividades de estágio exercidas; Pugna, assim, inicialmente, pelo não conhecimento do REsp aviado pela PGFN e, subsidiariamente, no mérito, pelo seu desprovimento, mantendose o Acórdão Recorrido na parte em que vergastado. É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Pelo fato de o ConselheiroRelator Heitor de Souza Lima Junior não mais compor o colegiado em função do encerramento do seu mandato, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele encaminhado na sessão de julgamento. Considerando que eu (Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), como redatora adhoc, fui designada apenas para a formalização do voto, deixo consignado que embora tenha acompanhado o relator, não me vinculo a todas os fundamentos por ele adotados em seu voto. Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator 1. Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o Recurso atende a este requisito de admissibilidade. Passo, assim, a analisar as óbices quanto ao conhecimento levantadas sem sede de contrarrazões (itens 12 a 53 de efls. 719 a 728). Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 817 13 Inicialmente quanto à óbice levantada pela contraarrazoante de inexistência de interesse processual da PGFN (itens 12 a 21 de contrarrazões), entendo não lhe assistir razão. Explico. Nítido, em meu entendimento, que a Fazenda Nacional aduz, em seu Recurso de efls. 659 a 686 e anexos, tese jurídica que seria suficiente, sim, à manutenção do lançamento, na medida em que: a) Uma vez afastada a aplicação retroativa da lei no. 11.788, de 2008, e b) caracterizada violação pelo autuado da Lei no. 6.494 de 1977, pela não manutenção dos comprovantes de matrícula e de frequência de seus estagiários, (independentemente da existência do Convênio com a CIEE, que não é mencionado no Recurso) se atinge sim, pelo Recurso, o ponto fulcral de descumprimento de obrigação legal de responsabilidade do contribuinte consoante pode ser confirmado às efls. 682 a 684 do Recurso Fazendário. Notese que, afastada a referida retroatividade e uma vez adotada a tese propugnada pela Recorrente, restaria escorreito o lançamento Por fim, em sede de conhecimento, não deve se manifestar este Colegiado acerca de eventual improcedência de alegação por insuficiência de provas, a ser analisada somente quando do mérito recursal caso o Recurso reste regularmente admitido. Afastada tal óbice inicial, passo, agora, à análise de existência de similitude fática e existência de divergência interpretativa (óbices em itens 22 a 38 de contrarrazões, às e fls. 722 a 726). De se notar, a propósito que o Recurso Fazendário de efls. 659 a 686, contrariamente ao afirmado pelo contraarrazoante não possui, no presente caso, qualquer item específico relativo à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna, o qual é tratado conjuntamente com a matéria litigada, referente à caracterização de estagiários como empregados. Quanto à alegada inexistência de similitude fática entre recorrido e paradigmas, com o devido respeito ao argumento tecido pelo contrarrazoante, cediço que se está diante de situação fática notadamente semelhante no caso do primeiro paradigma (Acórdão 2302001.162), onde se conclui, pela necessidade, à luz do disposto na Lei no. 6.494, de 1977, de manutenção, pelo autuado (e não por terceiros) de comprovantes de frequência escolar (conforme citado às efls. 18/19 do primeiro acórdão paradigma), apesar de também ali existir convênio realizado com a mesma instituição dos presentes autos (CIEE) para fins de contratação do estágio. Assim, transmudado o caso concreto para o Colegiado paradigmático, não havendo a apresentação de tais elementos, restaria rejeitada a exclusão tencionada pelo autuado, em linha com a glosa realizada pela autoridade fiscal e em posição divergente do Colegiado a quo. Caracterizada, assim, a existência de divergência interpretativa, Quanto à óbice em sede de conhecimento levantada pelo contribuinte de se estar a tratar aqui de revaloração probatória (itens 39 a 46 de efls. 726/727), entendo que se está, no pleito, diante de questão notadamente jurídica, no que diz respeito ao ônus probatório a ser suportado pela instituição concedente de estágio, para fins da fruição da exclusão dos valores pagos a titulo de estágio da incidência sobre contribuições previdenciárias e à suficiência dos termos de compromisso como elemento de prova. Especificamente quanto ao item supra, ressalto que, neste cenário, não há que se falar em revaloração probatória, mas simplesmente de estabelecer o ônus probatório do qual se deve desincumbir o contribuinte (questão notadamente jurídica), limitandose, a partir daí, o Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 818 14 julgado à aplicação da tese vencedora ao caso concreto, levando, sim, em consideração as provas constantes dos autos, mas sem revalorálas. Finalmente, quanto à suposta inexistência de cotejamento analítico (itens 47 a 53 de contrarrazões), entendo não haver reparos a fazer à análise de efls. 687 a 699, tendo a Fazenda se desincumbido satisfatoriamente do requisito Regimental, mais especificamente no item III de seu pleito, constante de efls. 662 a 679. Assim, a partir do acima disposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo à sua análise de mérito. 2. Quanto ao mérito Caracterização de Segurado Empregado Estagiário: Inicialmente, incontroversa, a esta altura, em meu entendimento a inaplicabilidade da retroatividade benigna e, consequentemente, da Lei no. 11.788, de 2008, aos presentes autos para fins de caracterização da relação de estágio/vínculo empregatício, uma vez que o contribuinte a reconhece como inaplicável expressamente em sede de contrarrazões, por força de sua interpretação da decisão recorrida, verbis: 36. E, com relação à matéria de retroatividade benigna da Lei no. 11788/08, a D. PGFN não apresenta acórdão paradigma para subsidiar tal argumento e tampouco o ponto foi motivo de decidir do v. aresto recorrido (grifei). Assim, de se analisar o cumprimento ou não dos requisitos para fins da exclusão tencionada à luz da Lei no. 6.494, de 1977. Adentrando o caso, rezava a propósito o já mencionado art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; (...) Por sua vez a mencionada Lei no. 6.494, de 1977, assim estabelecia : Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) §1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 819 15 médio ou superior ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) §2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) §3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. (Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Art. 2º O estágio, independentemente do aspecto profissionalizante, direto e específico, poderá assumir a forma de atividade de extensão, mediante a participação do estudante em empreendimentos ou projetos de interesse social. Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. Por sua vez estabelecia o Decreto no. 87.497, de 1982, regulamentador da Lei no. 6.494, de 1977: Art . 1º O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2º grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas. Art . 2º Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 820 16 na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. Art . 3º O estágio curricular, como procedimento didático pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no processo educativo. Art . 4º As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977; d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Art . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso.(grifei) Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. Art . 7º A instituição de ensino poderá recorrer aos serviços de agentes de integração públicos e privados, entre o sistema de ensino e os setores de produção, serviços, comunidade e Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 821 17 governo, mediante condições acordadas em instrumento jurídico adequado. Parágrafo único. Os agentes de integração mencionados neste artigo atuarão com a finalidade de: a) identificar para a instituição de ensino as oportunidades de estágios curriculares junto a pessoas jurídicas de direito público e privado; b) facilitar o ajuste das condições de estágios curriculares, a constarem do instrumento jurídico mencionado no artigo 5º; c) prestar serviços administrativos de cadastramento de estudantes, campos e oportunidades de estágios curriculares, bem como de execução do pagamento de bolsas, e outros solicitados pela instituição de ensino; d) coparticipar, com a instituição de ensino, no esforço de captação de recursos para viabilizar estágios curriculares. Feita tal digressão, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, entendo que, com fulcro no estabelecido no art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 1991, a referida Lei no. 6.494, de 1977, na forma do seu art. 1o, §§1o., 2o. e 3o., estabelece condições a meu ver a serem necessariamente cumpridas e que perpassam a simples celebração do Termo de Compromisso, dependendo a exclusão da base de cálculo das contribuições da efetiva comprovação, pela concedente, de todos os requisitos estabelecidos, uma vez que é a concedente a beneficiária da exclusão, cabendo a esta, assim, comprovar o fato constitutivo de seu direito àquela, prevista na referida alínea "i", afastando, assim, a relação de emprego. No que tange à efetiva comprovação do atendimento ao disposto nos §§1o., 2o. e 3o. do art. 1o da Lei no. 6.494, de 1977, à luz do referido Regulamento, acedo aqui ao posicionamento brilhantemente esposado pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no âmbito do Acórdão no. 2401004.286, visto refletir, também, meu posicionamento acerca do tema, verbis: (...) De acordo com a legislação de regência, a caracterização de estagio curricular depende da celebração de Termo de Compromisso entre o Estudante e o Concedente, com a interveniência da Instituição de Ensino, o qual termo constituirá comprovante exigível da inexistência de vínculo empregatício. Com efeito, é através do reexame periódico do citado instrumento jurídico que as autoridades competentes, dentre as quais os auditores fiscais federais, podem sindicar se a relação jurídica estabelecida inicialmente entre estagiário e as empresas continuam atendendo aos requisitos essenciais da inexistência de vínculo empregatício, ou, no caso da legislação previdenciária, se o valor auferido pelo estagiário ainda reúne as condições indispensáveis para se subsumir à hipótese de não incidência prevista na alínea “i” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. (...) Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 822 18 Em consonância com o regime jurídico ora vigente, a caracterização de inexistência de vínculo empregatício entre o estagiário e a empresa depende do adimplemento cumulativo dos seguintes requisitos essenciais: § Comprovação de matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; § Comprovação da celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; § Comprovação da compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso; § Comprovação do acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, mediante vistos nos relatórios de atividades do educando, apresentados periodicamente em prazo não superior a 6 (seis) meses, e por menção de aprovação final.”(grifei) Aplicando tais considerações especificamente quanto ao caso sob análise, entendo que, uma vez tendo se limitado a concedente a apresentar os Termos de Compromisso de Estágio sem qualquer comprovação de matrícula e frequência regular e de compatibilidade de atividades e acompanhamento efetivo, não se desincumbiu aquela concedente satisfatoriamente do ônus supra, qual seja, de comprovação de cumprimento dos requisitos estabelecidos nos §§1o., 2o. e 3o. do art. 1o da Lei no. 6.494, de 1977, à luz do referido Decreto regulamentador, que restaram, assim, violados, alinhandome aqui ao entendimento da autoridade julgadora de 1a. instância, cujo excerto abaixo é adotado aqui como razão de decidir adicional quanto à matéria: (...) Cabe observar, no caso, que a atividade do estagiário revestese, em princípio, de pessoalidade, de subordinação, de não eventualidade e de onerosidade, características inerentes a uma relação de emprego, mas que a legislação previdenciária isenta os valores percebidos pelos estagiários quando obedecidas as exigências previstas na Lei n.° 6.494/77, (...) (...) É de se ressaltar, aqui, que, caso a empresa não demonstre o atendimento dos requisitos formais e materiais da Lei n.° 6.494, de 07/12/1977, os valores percebidos pelos estagiários serão tributados, sofrendo a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, com a sua caracterização como segurados empregados. (...) Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 823 19 Assim, não é qualquer pagamento a estagiário que irá resultar em isenção das contribuições previdenciárias e de terceiros, mas apenas aqueles que forem realizados em observância à Lei n.° 6.494/77, sendo que a prova de que a relação com o estudante respeita os pressupostos da Lei do Estágio é do contribuinte, não do Fisco. É do contribuinte, porque o estágio remunerado possui os pressupostos da relação de emprego. (...) Transcrevese, a seguir, entendimento jurisprudencial que abarca a matéria e solidifica a certeza de que cabe à concedente de estágio o ônus de comprovar a regularidade do estágio realizado dentro de seu estabelecimento, com o seu enquadramento nos preceitos da Lei n.° 6.494/77, sob pena de serlhe atribuída a condição de relação de emprego e a correspondente vinculação previdenciária do estagiário. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE TRABALHO. ÔNUS PROBATÓRIO ART. 333,I DO CPC. I. No intuito de incidência da legislação que regra o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior, a situação fálica vivenciada pelas instituições educacionais deveria enquadrarse nos preceitos da Lei n°6.494/77. 2. A parte autora não logrou êxito ao demonstrar o cumprimento das normas legais, ônus probatório que lhe incumbia (art. 333, I do CPC), 3. Não caracterizada a atividade como estágio, configurase os elementos fálicos que tipificam a relação de emprego, e, consequentemente, passível de incidência de contribuição previdenciária. (AC APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.° 200304010059570/SC; TRF4 —Tribunal Regional Federal da 4" Região — Primeira Turma; Relatora Maria Lúcia Luz Leiria; DJ de 14/07/2004). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE ESTUDO. RELAÇÃO DE EMPREGO. 1. Para que incidisse a legislação que dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior, deveria a hipótese vertente se amoldar aos preceitos da Lei n°6.494/77. 2. A embargante não logrou infirmar a situação fática constatada pela fiscalização previdenciária, que evidenciou não se tratar efetivamente de bolsas de estudos, mas de gratificações a funcionários ou retribuição por serviços prestados em atividades cotidianas, com subordinação e horários estabelecidos pela Universidade. 3. Restando desvirtuadas as finalidades visadas pela Lei n° 6.494/77, pois os bolsistas prestavam atividades inseridas nos fins próprios e inerentes da Universidade, como verdadeiros Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 824 20 empregados, não se caracterizando a relação como de aprendizagem profissional e de complementaridade entre os conhecimentos ministrados na instituição de ensino e os praticados, são devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a título de "bolsas de estudos". (EIAC EMBARGOS INFRINGENTES NA APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.° 199804010661910/RS; TRF4 — Tribunal Regional Federal da 4' Região — Primeira Seção; Relator Wellington Mendes de Almeida; DJ de 13/11/2002) Cumpre esclarecer que, ao contrário do que entende a impugnante, a simples apresentação de Termos de Compromisso de Estágio celebrados com os estudantes não constitui prova suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Não basta a apresentação, pela empresa, destes Termos, para comprovar a regularidade dos estágios. É inadmissível prosperar a tese de que, uma vez contratado o estudante, com a formalização de Termo de Compromisso de Estágio, nenhuma outra providência ou controle viesse a ser exercido pela concedente do estágio ou exigido dela. A existência dos referidos Termos de Compromisso não constitui condição suficiente, mas apenas necessária para descartar o vínculo empregatício.(grifei) Deve ser observado, aqui, o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, no qual o que prevalece é a realidade fática sobre a realidade formal. Em outras palavras, tais Termos de Compromisso só descaracterizam a relação de emprego quando observados todos os preceitos da Lei n.° 6.494/77, que foi regulamentada pelo Decreto n.° 87.497/82, o que não ocorreu no presente caso. Cabe observar que não procede a alegação da impugnante no sentido de que não caberia a ela a guarda e a apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, mediante TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), referente a outros relatórios e informações acerca dos estagiários que não os Termos de Compromisso de Estágio retro mencionados, uma vez que tais documentos constituem elementos probatórios das condições do estágio, sendo necessários para fins de comprovação do atendimento dos requisitos previstos na Lei n.° 6.494/77, sem a qual os estagiários são caracterizados como segurados empregados, com a integração das verbas pagas a eles ao saláriode contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i" da Lei n.° 8.212/91, e dos artigos 9°, inciso I, alínea "h" e 214, parágrafo 9°, inciso IX do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Ressaltese que, no caso, de acordo com o Relatório Fiscal, diversos requisitos, formais e materiais, previstos na legislação específica (Lei n.° 6.494/77 e Decreto n.° 87.497/82), relativos Fl. 824DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 825 21 ao contrato de estágio, deixaram de ser cumpridos pela empresa concedente, conforme trecho a seguir transcrito. 5. PONTOS EM DESACORDO COMA LEGISLAÇÃO (...) Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática.., são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários corno empregados. (...) Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. No que tange ao relatório MAPE do estagiário Marcello Renato Souza, que cita em sua defesa e cuja cópia anexa aos autos, cabe observar que nele consta como data de admissão "20/02/2008", sendo que o período objeto deste AI é de 12/2002 a 08/2006, e que, ainda que fosse concernente ao presente lançamento e que, por hipótese, pudesse comprovar o planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estágio, não seria hábil a afastar esta autuação, uma vez que vários outros requisitos da legislação específica deixaram de ser atendidos pela empresa concedente, conforme se pode verificar no Relatório Fiscal.(grifei) É de se destacar, aqui, que o presente lançamento não foi fruto de uma simples interpretação econômica dos fatos, como alega a impugnante, tendo sido realizado, pela fiscalização, com base no disposto na Lei n.° 8.212/91, no RPS, aprovado Decreto n.° 3.048/99, na Lei n.° 6.494/77, no Decreto n.° 87.497/82, na Lei n.° 11.457/2007 e no Código Tributário Nacional, tendo sido observado, no caso, o princípio da legalidade. Ainda, acrescento, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, que, na forma do art. 123 do CTN abaixo transcrito, entendo como inoponíveis ao Fisco os Convênios com a CIEE, de forma a sustentar eventual tese de que, por força dos referidos convênios, tivesse sido transferida a terceiros (que não são os beneficiários da referida exclusão) a responsabilidade pela comprovação do cumprimento das obrigações, repitase, estabelecidas por Lei, para fins de fruição do benefício da exclusão da base de cálculo. Como já tive oportunidade de mencionar, tal ônus, em meu entendimento, era do Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 826 22 autuado, visto se estar a tratar de fato constitutivo de seu direito à exclusão em questão, previsto no art. 28, §9o, "i", da Lei no. 8.212, de 1991, na forma regrada pelo art. 333, I do CPC, em linha com julgados oriundos do TRF4 já aqui reproduzidos. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Rejeita este relator, ainda, a vinculação deste Tribunal a julgados oriundos da Justiça do Trabalho (TST inclusive) que, notese, não tratam especificamente da incidência de contribuições previdenciárias e, consequentemente, da legislação tributária em análise (diferentemente dos julgados exemplificativos trazidos pela decisão de 1a. instância, que se amoldam perfeitamente à situação em litígio, visto que oriundos do TRF da 4a. Região). A propósito ainda, com a devida vênia a quem entende de forma diversa, não se buscou, através do lançamento tributário, nenhum tipo de "tutela" pela RFB da relação estagiárioautuado, mas tão somente verificar o cumprimento dos requisitos legalmente estabelecidos, a fim de que os pagamentos efetuados não compusessem a base de cálculo do tributo em análise (cuidandose, aqui, da relação fiscocontribuinte), daí a não vinculação, seja legal, ou mesmo material, a tais julgados oriundos da Justiça Trabalhista, esta, sim, responsável pela tutela jurídicolaboral. Quanto aos arts. 4o. e 5o. do Decreto 87.497, de 1982, faço notar que entendo que se está a tratar, ali, dos requisitos de natureza acadêmica, cuja regulamentação obviamente se remete às instituições de ensino e não às entidades concedentes, sem que, ressaltese, em nenhum momento nos referidos artigos, notese, se esteja a retirar qualquer ônus de comprovação da entidade concedente para fins de exclusão da incidência previdenciária. Devese, ainda, aqui, ressaltar que o §1o. do art. 6o. do mesmo diploma estabelece que o Termo de Compromisso é comprovante exigível para fins de que se afaste o vínculo empregatício, sem que tal fato acarrete, todavia, que a mera apresentação dos referidos Termos seja suficiente para afastamento do vínculo em situações onde, a exemplo do caso em questão, são carreados relevantes indícios no sentido da existência de tal vínculo. Oportuno, a propósito que se remeta aqui a tais indícios, constantes do Relatório Fiscal, mais especificamente às efls. 75 a 95, verbis: (...) 5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: (...) 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 53, alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: Fl. 826DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 827 23 "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3' cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. 5.2 Comprovação de freqüência escolar Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.3 Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 828 24 Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. (...) 8.1 Outros elementos de convicção (...) 8.1.5 Continuidade da contratação de estagiário Anteriormente à apresentação dos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio relacionados em "3.2", o Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio que foram firmados em período posterior ao auditado e, dentre eles, destacamos o firmado com o estagiário Ricardo Gomes Munhoz, com as mesmas características já mencionadas em "3.3", a saber: "Data de assinatura: 04/07/2007" "Cláusula 3a Ficam compromissadas entre as partes as seguintes CONDIÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO": "Vigência de: 04/07/2007 até 31/12/2008". "Bolsa Auxílio mensal, inicial de: R$1.159,11 (UM MIL, CENTO E CINQÜENTA E NOVE REAIS E ONZE CENTAVOS)" "Atividades do Estágio": "Elaborar relatórios de contabilidade; acompanhar a elaboração de relatórios de análises gerenciais; elaborar planilhas de custos e despesas; auxiliar na elaboração de relatórios gerenciais". 8.1.5.1 Relatório de estágio Juntamente com o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, o Contribuinte anexou um Fl. 828DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 829 25 RELATÓRIO DE ESTÁGIO, referente a 11/2007, do estagiário Ricardo Gomes Munhoz. Este relatório, segundo informações do estagiário Ricardo Gomes Munhoz, é preenchido no site do CIEE pelo próprio estagiário. Deste relatório destacamos dois pontos que julgamos mais importantes: Texto no início do formulário, logo após a identificação do estagiário: "Caro Estagiário, o CIEE tem a responsabilidade de subsidiar as Instituições de Ensino com informações sobre o desenvolvimento e a evolução do seu estágio. Através deste instrumento estaremos auxiliando as Instituições de Ensino na supervisão e avaliação do estágio de seus alunos. Portanto, o preenchimento desse relatório é obrigatório, conforme consta na cláusula 7' do Acordo de Cooperação e o Termo de Compromisso de Estágio". Atividades de Estágio: As informações prestadas pelo estagiário foram: "Atendimento à fiscalização Receita Federal e Prefeituras. Controle e cadastro de Agências Filiais do Banco pelo país. Separar documentos para regularização de agências na Prefeitura". As atividades desenvolvidas não estão previstas no acordo assinado; não há indicação de supervisão ou avaliação. As atividades foram de execução, sendo, inclusive, esta Auditoria Fiscal atendida pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz que, na maioria das vezes, apresentavase sem a presença de empregado do Contribuinte; prestava e recebia esclarecimentos como se empregado fosse. Em 26/02/2008 o Sr. Ricardo utilizouse do endereço de email do Contribuinte (Sup. Impostos Riscos Fiscais JSMTP:sirfiscaisasantander.com.br para responder ao questionamento a cerca dos históricos no razão contábil apresentado (anexo no CD com nome @EmRicardo). Na maioria das vezes que compareci às instalações do Contribuinte, foi o estagiário Ricardo quem liberou para a recepcionista a minha entrada nas dependências do mesmo (anexada cópia de uma das liberações). Estes outros elementos de convicção demonstram que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados, reconhecidos pela Justiça Trabalhista e, internamente por todos. (...)" Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 830 26 Diante do exposto, considerando: a) a não comprovação pelo autuado dos requisitos estabelecidos pela Lei no. 6.494, de 1977, mais especificamente em seu art. 1o, §§1o., 2o. e 3o., e que não se limitam ao Termo de Compromisso de Estágio (condição necessária mas não suficiente), simultaneamente à b) constatação de indícios que apontam para a existência de vínculo empregatício, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose, assim, o lançamento, a partir da escorreita caracterização dos estagiários em análise como segurados. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 831 27 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A presente declaração tem por escopo apenas reforçar alguns pontos suscitados durante as discussões acerca da impossibilidade de formação de vínculo de emprego quando descumpridas as regras da lei de Estágio. Quanto a impossibilidade de formação de vínculo de emprego para efeitos previdenciários, confundese o sujeito passivo, quanto ao alcance do lançamento e sua fundamentação. Conforme trazido pela autoridade fiscal no lançamento, e reforçado no voto do ilustre conselheiro relator Heitor de Souza Lima Junior, é fato que a contratação de estagiários deuse de forma irregular. A lei 6.494/77, em seus primeiros artigos descreve a inexistência de vínculo de emprego entre a empresa concedente do estágio e o estagiário, todavia, também estabelece a caracterização de segurado obrigatório da previdência social quando descumpridas as regras da lei de estágio. Trouxe a autoridade fiscal em seu relatório, fls. 186 a 202, não apenas a análise da legislação, como também, elementos fáticos que demonstram quais os descumprimentos foram imputados ao sujeito passivo e que ensejaram o lançamento fiscal acerca da motivação do lançamento. 2. Dos Fatos Em auditoria fiscal realizada no Contribuinte acima identificado, mediante MPF também acima identificado, foi solicitado por Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, documentos e esclarecimentos acerca da contratação de estagiários pelo contribuinte. Da documentação e esclarecimentos prestados, esta auditoria concluiu que as falhas existentes nesta contratação caracterizamna como uma relação de vínculo empregaticio. A caracterização deste vinculo empregatício está demonstrada, neste relatório, da seguinte forma: Em "3. DA CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS PELO CONTRIBUINTE" está relatado como se dá a relação do contribuinte com os estagiários quanto à documentação; Em "4. LEGISLAÇÃO SOBRE A CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS" está transcrita a legislação pertinente à contratação de estagiário; e, Em "5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO" estão relacionados os pontos da relação contribuinte estagiário em desacordo com a legislação. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 832 28 Em "6. Do VALOR APURADO" informações sobre como e quais valores foram calculadas as contribuições devidas. Em "7. DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO" a origem e o período que compõem o valor cobrado. Em "8. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO" constam o documento onde Contribuinte relaciona beneficiários e valores, forma de contratação e informações diversas confirmando que os estagiários na verdade são empregados. Ou seja, sempre foram de responsabilidade da empresa concedente do estágio as obrigações inerentes ao cumprimento e acompanhamento do cumprimento do objetivo do estágio, qual seja, o exercício pelos alunos de atividades em empresas ou instituições com o objetivo de complementar a aprendizagem através da vivência no mundo do trabalho dos conteúdos obtidos em sala de aula, senão vejamos outro trecho do relatório fiscal, transcrevendo os termos do contrato de estágio : Cláusula 3' Caberá à Concedente de Estágio: a) "formalizar as oportunidades de estágio, em conjunto com o CIEE, atendendo as condições definidas pelas Instituições de Ensino para a realização dos estágios, identificando quais vagas devem ser trabalhadas em módulo de Processo Especial"; b) "receber os estudantes interessados e informar ao CIEE o nome dos aprovados para o estágio"; c) "assinar os documentos legais providenciados pelo CIEE, indicados na alínea "e" da cláusula 2a;" d) "cumprir todas as responsabilidades, como Concedente, indicadas nos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio celebrado com os estagiários"; e) "efetuar o pagamento mensal das BolsasAuxílio, diretamente a seus estagiários"; f) "solicitar ao estagiário, a qualquer tempo, documentos comprobatórios da regularidade da situação escolar"; g) "informar ao CIEE, de imediato, sempre que identificada irregularidade na situação escolar de qualquer estagiário e toda vez que ocorrer rescisão antecipada de qualquer Termo de Compromisso de Estágio TCE, para as necessárias providências legais e interrupção dos procedimentos técnicos e administrativos a cargo do CIEE, quando for o caso"; h) "participar da sistemática de acompanhamento, supervisão e avaliação dos estágios, fornecendo para as Instituições de Ensino ou ao CIEE quando solicitado". Vejamos o conceito de estágio descrito na lei 6494/77, que é a norma vigente à época em que o contrato de estágio se desenvolveu: Fl. 832DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 833 29 O estágio é o procedimento formativo, de cunho didático pedagógico e articulado segundo projeto de planejamento institucional, que visa permitir ao estudante complementar a sua formação e compreender na prática os ensinamentos teóricos recebidos em sua vida escolar. Ademais, deixou muito bem consignado no relatório fiscal, não apenas os aspectos teóricos, mas especialmente os elementos de convicção que demonstram não apenas tratase de profissionalização de estudantes, mas utilização de mão de obra de forma irregular. senão vejamos, novamente, trechos dos relatórios: 3.2 — Depois de solicitado pelo Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e por diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, o Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, conforme previsto na alínea "e" da cláusula 2a do Convênio firmado com o CIEE, todos em arquivo formato pdf anexado ao presente Auto (multimídia que não permite regravação); referentes aos seguintes contratados: [...] 3.2.1 — Atividades a serem desenvolvidas constantes nos contratos relacionados em 3.2 são: Alessandro Analisar documentos para preparação de contratos, examinar processos diversos, organizar arquivos de processos e clientes, elaborar procurações para clientes, orientar clientes sobre direito administrativo. Ana Auxiliar na contabilidade do Banco;auxiliar nos serviços gerais da agência; auxiliar no autoatendimento; fazer atendimento aos clientes; fazer divulgação dos produtos da agência. Bruno Elaborar calendário de eventos; identificar eventos turísticos; auxiliar na promoção de visitas, congressos, exposições festivas e demais eventos; elaborar calendário de eventos. Carolina Orientar participantes de cursos e treinamentos; auxiliar na preparação de material para treinamento; preparar relatórios gerenciais; auxiliar na programação de treinamentos. Daniela Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Fabio Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Felipe A ser estabelecida pelo coordenador interno e orientador do estágio, estabelecerão o plano de trabalho. Fernanda Auxiliar na análise de indicadores econômicos; calcular taxas ou operações financeiras; orientar clientes sobre Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 834 30 produtos e serviços do banco; elaborar documentos relatório, planilhas ou formulários diversos. Leonardo Não menciona as atividades e prevê desconto do seguro item 6 Mariana Estabelecer crescimento de vendas por produtos; fazer divulgação técnica dos produtos; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de autoatendimento; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes. Ritiely Criar apresentações em Powerpoint; emitir documentos, relatórios, planilhas ou formulários diversos; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes; organizar documentos, prontuários e/ou registros diversos. Tatiana Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Tiago Cadastrar novos clientes; estabelecer crescimento de vendas por produtos; analisar documentos para preenchimento do cadastro; prospectar clientes; operar terminais, ou pc, para processamento de informações; poderão ser realizadas outras atividades, a critério da supervisão do estágio. 3.2.2 O CIEE está como interveniente na maioria dos contratos, exceto nas seguintes contratações: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Leonardo Seiji Miyahara e Tatiana Da Silva; para os quais consta a respectiva faculdade como interveniente: 3.2.3 Consta nos respectivos termos urna previsão de reembolso de despesas extras na execução das atividades do estagiário, item 8 do termo, dos contratados Felipe Giunte Yoshida e Leonardo Seiji Miyahara. 3.2.4 Nos termos firmados cujo interveniente • é a respectiva faculdade, as atividades a serem desenvolvidas serão Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. [...] PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: 5.1 — DOS ACORDOS DE COOPERAÇÃO E TERMOS DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO Em relação aos acordos de cooperação e termos de compromisso de estágio apresentados pelo contribuinte com as pessoas contratadas, temos os seguintes pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação: 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 5', alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: Fl. 834DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 835 31 "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades'de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3a cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. Não foram apresentados os planos de estágios que deveriam ser encaminhados pelo Banco às Instituições de ensino, nos moldes por elas estabelecidos, previstos em diversos acordos (mencionados em 3.2.1). 5.2 — DO VALOR PAGO COMO REMUNERAÇÃO: Dentre os valores pagos a título de remuneração aos estagiários, dependendo de setor e atividade desenvolvida, o estagiário recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a um objetivo específico, qual seja, superação de metas pré estabelecidas. Situação totalmente contrária à prevista no termo de compromisso e não contemplada na legislação sobre o assunto, ou seja, tanto a Lei quanto o Decreto falam que o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada. Como nos acordos firmados foi estipulado o recebimento de um valor fixo, outros valores estão fora do acordado. Foram pagos valores a título de BONUS VENDAS SEGUROS (290), que representa um bônus pelo número de seguros vendidos, devido aos Estagiários à disposição dos Gerentes; portanto, foi dado o mesmo tratamento que se dá aos empregados, qual seja, a superação de metas de vendas de seguros. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 836 32 Outra situação indicativa de vínculo empregatício é a previsão de reembolso de despesas extras na execução das atividades dos contratados Felipe Giunte Yoshida e Leonardo Seiji Miyahara, ou seja, tinham autorização para realizar gastos em nome da empresa. 5.3 —Comprovação de freqüência escolar Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.4 — Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva. É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática —conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 837 33 Da leitura do relatório fiscal, não cntraposta com documentos capazes de afastar a realidade ali retratada notese que realmente houve a utilização de mão de obra de estagiários em descumprimento aos requisitos legais. O trabalho de estagiários não pode ser executado de forma autônomo, sem supervisão em atividades, tratase de trabalho de profissioalização de tudo que se aprende na escola, ou universidades. O pagamento de prêmios, pelo alcance de metas, no meu entender, já denota por si só a utilização irregular dessa força de trabalho em substituição aos empregados. Interessante observar, inclusive as informações obtidas junto a sindicatos e congressos dos próprios empregados do recorrente, em que se destaca a situação irregular dos estagiários: Abaixoassinado pede bolsaextra para estagiários Outro assunto discutido na reunião foi a exploração dos estagiários. Ademir entregou para Gilberto um abaixoassinado dos estagiários das agências Porto Alegre Centro e Passo D'Areia, reivindicando o pagamento de uma bolsaauxilio extra em dezembro, como forma de compensar o não pagamento de 13° salário ou gratificação natalina. Os representantes sindicais defenderam a efetivação dos jovens, alertando que, além do descumprimento da legislação trabalhista e previdenciária, muitos deles acabam indo trabalhar em bancos concorrentes, levando muitos clientes. Vários ex estagiários movem também ações trabalhistas. Neste comunicado, vale lembrar que é de 16 de dezembro de 2003, temos o destaque da preocupação dos dirigentes sindicais com a situação dos supostos "estagiários", quanto à remuneração do 13° salário, o que leva a crer não existir defasagem entre a remuneração paga aos estagiários e empregados com funções parecidas,ou semelhantes. Há também a denúncia de que não são estagiários e sim, empregados, informando que" diversos já recorreram à justiça para reconhecimento do vínculo empregaticio. 8.1.3 — Informação obtida, também, na internet, no site da FETEC — SP — CUT 2, da qual destacamos os seguintes pontos: Administrador 15 /09 / 2003 (São Paulo) O 17.° Congresso Nacional dos Trabalhadores do Grupo Santander Banespa, realizado nos dias 12 e 13 (sextafeira e sábado passados), definiu um conjunto de ações a ser realizado nos próximos meses em defesa do emprego e dos direitos de todos os funcionários da ativa e aposentados. Temas em pauta — Os 377 congressistas (291 homens e 86 mulheres) do Banespa, Santander Brasil e Meridional debateram ainda outros temas importantes para os trabalhadores do grupo, tais como: unificação de contratos, formas de contratação e Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.001899/200809 Acórdão n.º 9202006.944 CSRFT2 Fl. 838 34 condições de trabalho, saúde e previdência, campanha salarial e a questão dos aposentados. Principais deliberações aprovadas no 17.° Congresso III — Formas de contratação e condições de trabalho — Fazer denúncia ao Ministério da Educação sobre a atividade bancária desempenhada pelos estagiários; — Exigir a contratação dos estagiários que executem funções de bancários e o respeito à grade curricular daqueles estudantes que realmente fazem estágio no banco; Fonte: Afubesp Dessa forma, quando constatadas irregularidades na execução de estágio, mais especificamente, quanto a seus requisitos objetivos, possível sim a formação de vinculo de emprego para efeitos previdenciários, no intuito de dar amparo ao trabalhador nos termos descritos na CF/88, vejamos o que estabelece o art. 9º do Decreto 3.048/99: "Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas": "h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n9 6.494, de 7 de dezembro de 1977. (grifo nosso)" Em mesmo sentido, descreve a lei 8212/91, em seu art. 28, §9º, 'i", a exclusão dos valores pagos à título de bolsa de aprendizagem, apenas quando pagas de acordo com a norma aplicável: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Ou seja, a lei previdenciária é clara em determinar que o descumprimento da lei do estágio gera incidência de contribuição previdenciária, assim como bem o fez o auditor no presente lançamento. Aliás, no meu entender, não poderia ser diverso o tratamento, concedendo amparo previdenciário, direito de todo o trabalhador, inclusive aquele que presta serviços de forma irregular, conforme descrito na CF/88. Entendo que o lançamento fiscal foi realizado no estreito cumprimento da lei, razão pela qual ratifico a posição no sentido de acompanhar o voto do relator. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 838DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.010634/2003-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme preleciona o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso.
Numero da decisão: 2402-006.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GANHOS DE CAPITAL E DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente NELSON DAMASCENO PORTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Conforme preleciona o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 06 34 /2 00 3- 58 Fl. 792DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração, anoscalendário 1998, 1999 e 2000, para a exigência de IRPF decorrente de: (a) omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital na alienação de bens imóveis; e (b) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento em instituições financeiras, em relação aos quais ele não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. O contribuinte apresentou impugnação não assinada, na qual requereu a improcedência total do Auto de Infração. Em exame preliminar da impugnação, verificouse a necessidade de agravamento da exigência, haja vista o acórdão DRJ/FOR 4965/2004, relativo ao processo n° 10380.010182/200312, formalizado para cobrança de IRPF através de Auto de Infração lavrado contra o senhor Luiz Sérgio Roberto Porto. Desta forma, os membros da DRJ resolveram converter o julgamento em diligência, retornando o processo à autoridade autuante através da Resolução 227/2004, para: a) intimar o contribuinte a comparecer à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (Serviço de Fiscalização) e assinar a impugnação; b) proceder ao agravamento, incluindo no rol dos créditos/depósitos com origem não comprovada o depósito no valor de R$ 200.000,00, feito em 23/12/1999, na conta corrente n° 4301, da agência n° 743, da Caixa Econômica Federal, considerandose como rendimento omitido o valor de R$ 100.000,00. O contribuinte compareceu àquela unidade e confirmou a impugnação que foi apresentada. Anexouse cópia, que se encontra devidamente assinada. Em cumprimento ao item 2 da Resolução, a fiscalização lavrou Auto de Infração para cobrança do IRPF no valor de R$ 25.556,00. O crédito tributário foi formalizado no processo n° 10380.010231/200490, em apenso. Inconformado com a nova exigência, o contribuinte apresentou impugnação nos autos em apenso. No julgamento dos Autos, verificouse a necessidade de agravamento da exigência consubstanciada no processo n° 10380.010231/200490, haja vista que na apuração Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10380.010634/200358 Acórdão n.º 2402006.459 S2C4T2 Fl. 3 3 do IRPF devido a fiscalização considerou a parcela a deduzir, no valor de R$ 4.320,00, enquanto que essa parcela já havia sido considerada neste processo. A omissão de rendimentos, no valor de R$ 100.000,00, relativa ao processo n° 10380.010231/200490, a este apensado, é complemento da omissão de rendimento de que trata este processo, relativamente ao anocalendário 1999, no valor de R$ 514.055,19, e que a fiscalização optou por formalizar em Auto apartado, considerando apenas a parte agravada, ao invés de lavrar novo auto de infração relativo ao anocalendário de 1999, considerando todos os rendimentos omitidos. Desta forma, os membros da DRJ resolveram mais uma vez em converter o julgamento em diligência, retornando o processo à autoridade autuante, através da Resolução n° 305/2005, para rever o Auto de Infração complementar de que trata o processo n° 10380.010231/200490, no sentido de excluir da apuração do imposto a parcela a deduzir, no valor de R$ 4.320,00. Em cumprimento à Resolução, a fiscalização lavrou Auto de Infração Complementar, relativamente ao Auto de Infração apurado no processo nº 10380.010231/2004 90, para cobrança do IRPF no valor de R$ 1.188,00, crédito este formalizado no processo n° 10380.007732/200570. O crédito tributário relativo ao processo n° 10380.007732/200570 foi liquidado por pagamento, tendo sido determinado o seu arquivamento. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DESAPROPRIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA. Sujeitase ao pagamento do imposto de renda, à alíquota de quinze por cento, a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive na hipótese de desapropriação de imóvel urbano declarado de utilidade pública para fins de afetação rodoviária federal. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com Fl. 794DF CARF MF 4 observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. DECISÕES DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EFEITOS. Por não terem eficácia normativa, nos termos do inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional, as decisões proferidas pelo órgão julgador de segunda instancia não têm o condão de vincular o julgamento de primeira instância. LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE Lei n° 10.174, de 09/01/2001 e Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001. Tratandose de legislação que instituiu novo critério de apuração do crédito Tributário e ampliou os poderes de investigação da Fiscalização, a Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001 e a Lei n° 10.174, de 09/01/2001 aplicamse a lançamento em relação a fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício. Intimado da decisão em 26/10/2006 (fl. 666), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/11/2006 (fls. 678/720), no qual basicamente reiterou os termos de sua impugnação. A PGFN proferiu o despacho PFN/CE/nº 306/2007, fls. 746/749, dispensando o arrolamento de bens como condição para seguimento do recurso voluntário, de forma que este processo foi encaminhado ao então Primeiro Conselho de Contribuintes (v. fl. 751). No citado parecer, a Procuradoria afirmou que o débito apurado neste processo foi inscrito em dívida ativa sob o nº 3010700532327, em 19/03/2007. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10380.010634/200358 Acórdão n.º 2402006.459 S2C4T2 Fl. 4 5 Às fls. 753/775, foi juntado o protocolo e documentos relativos ao requerimento datado de 06/10/2014, no qual o contribuinte pediu a "suspensão ou exclusão do Cadin", tendo em vista ter incluído o débito controlado neste processo na Reabertura da Lei 11.941/09, o que foi deferido pela PGFN, considerandose a regularidade do citado parcelamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Muito embora o contribuinte não tenha formalizado pedido expresso de desistência do recurso, o fato é que os documentos de fls. 753/775 demonstram, de forma inequívoca, que ele incluiu o débito controlado neste processo na Reabertura da Lei 11.941/09. Curiosamente, aliás, o citado débito já havia sido incluído na dívida ativa da União, provavelmente em função da primeira negativa de seguimento ao recurso voluntário, retratada às fls. 733, posteriormente cancelada em decorrência do Parecer da PGFN, de fls. 746/749. Vejase que o requerimento assinado pelo contribuinte faz referência expressa a este PAF e à inscrição dele decorrente, tanto é que a PGFN deferiu o requerimento de suspensão da inscrição no CADIN. Ocorre que o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso voluntário, conforme preleciona expressamente o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. [...] (destacouse) Logo, e diante dessa desistência, o recurso não deve ser conhecido. Fl. 796DF CARF MF 6 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004850/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
ROYALTIES PAGOS PELA UTILIZAÇÃO EM PRODUTOS DE PERSONAGENS INFANTIS REGISTRADOS COMO MARCA.
O aproveitamento comercial das ideias contidas em obras artísticas não é objeto de proteção a titulo de direito autoral, mormente quando se trata de figuras de personagens já registrados como marca no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI.
Os valores pagos a esse título ao licenciador consubstanciam royalties pela exploração de marcas comerciais, e sua dedutibilidade sujeita-se às condições estatuídas na legislação.
GLOSA DE DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS.
A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI.
GLOSA DE DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR.
A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas a beneficiário no exterior, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida com o registro do respectivo contrato no Banco Central do Brasil.
JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ, apurada em procedimento de oficio, enseja a aplicação (apenas) de Multa Isolada, não cabendo a cobrança de juros isolados.
ROYALTIES PAGOS A BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO NA FONTE.
Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a título de royalties, para beneficiário domiciliado no exterior. Portanto, em conformidade com a legislação vigente, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,
Numero da decisão: 1302-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que alterou seu posicionamento dado na sessão anterior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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PRODUTOS COM ESTAMPAS PENSONAGENS INFANTIS. SUPER HERÓIS Recorrente MALWEE MALHAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ROYALTIES PAGOS PELA UTILIZAÇÃO EM PRODUTOS DE PERSONAGENS INFANTIS REGISTRADOS COMO MARCA. O aproveitamento comercial das ideias contidas em obras artísticas não é objeto de proteção a titulo de direito autoral, mormente quando se trata de figuras de personagens já registrados como marca no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI. Os valores pagos a esse título ao licenciador consubstanciam royalties pela exploração de marcas comerciais, e sua dedutibilidade sujeitase às condições estatuídas na legislação. GLOSA DE DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. GLOSA DE DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas a beneficiário no exterior, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida com o registro do respectivo contrato no Banco Central do Brasil. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 48 50 /2 01 0- 39 Fl. 5083DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 3 2 A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ, apurada em procedimento de oficio, enseja a aplicação (apenas) de Multa Isolada, não cabendo a cobrança de juros isolados. ROYALTIES PAGOS A BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO NA FONTE. Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a título de royalties, para beneficiário domiciliado no exterior. Portanto, em conformidade com a legislação vigente, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que alterou seu posicionamento dado na sessão anterior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0731.546 de 5 de junho de 2013, da 3ª Turma da DRJ de Florianópolis SC que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, conforme a seguir exposto. A autuação referese aos anoscalendários 2006, 2007 e 2008, no qual foram lançados créditos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em face da glosa de despesa com royalties, bem como Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pela ausência de retenção e o recolhimento por conta do pagamento de royalties às licenciador as domiciliadas no exterior. Irresignada com a autuação fiscal, a Recorrente apresentou impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, a qual julgou procedente em parte a impugnação apresentada, restando assim ementada a referida decisão: Fl. 5084DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008 ROYALTIES PAGOS PELA UTILIZAÇÃO EM PRODUTOS DE PERSONAGENS INFANTIS REGISTRADOS COMO MARCA. O aproveitamento comercial das ideias contidas em obras artísticas não é objeto de proteção a titulo de direito autoral, mormente quando se trata de figuras de personagens já registrados como marca no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI. Os valores pagos a esse título ao licenciador consubstanciam royalties pela exploração de marcas comerciais, e sua dedutibilidade sujeitase às condições estatuídas na legislação. GLOSA DE DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. GLOSA DE DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas a beneficiário no exterior, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida com o registro do respectivo contrato no Banco Central do Brasil. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ, apurada em procedimento de oficio, enseja a aplicação (apenas) de Multa Isolada, não cabendo a cobrança de juros isolados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ROYALTIES PAGOS A BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO NA FONTE. Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a título de royalties, para beneficiário domiciliado no exterior. Portanto, em conformidade com a legislação vigente, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 30/05/2016 (fl. 1970), via DTE. Interpôs recurso voluntário, em 17/07/2013 (fl. 4623). Em 01/08/2013, peticionou (fl. 4669) ratificando o Recurso Voluntário interposto, em 17/07/2013. Apresentou suas razões em relação à (i) a natureza do contrato firmado e do conceito de direito autoral; (ii) dos contratos de licenciamento de direito autoral e da não descaracterização pelo FISCO; (iii) da equivocada interpretação dada à declaração de royalties pagos à titulo de exploração econômica de direitos patrimoniais do autor; (iv) da cobrança do IRPJ e da CSLL do direito a dedutibilidade integral das despesas operacionais decorrentes de Fl. 5085DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 5 4 contratos de licenciamento de direitos autorais; (v) da indevida cobrança do IRRF em razão da ausência de remessa de valores ao exterior; (vi) indevido o reajustamento da base de calculo (rendimento); e, por fim, (vii) da ilegalidade e da inconstitucionalidade da multa de oficio. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões, nas quais reforça os fundamentos apresentados pela Fiscalização e ratificados pela DRJ, no sentido que seja negado provimento ao Recurso Voluntário. Por ocasião da primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido a esta Turma, converteuse o julgamento em diligência (Resolução nº 1302000.500, de 20/07/2017), para que fossem adotadas as seguintes providências: Para a conclusão sobre a pertinência da glosa de despesas com Royalties, é necessário ter presente a natureza jurídica dos negócios celebrados pela Recorrente: se exploração de marcas ou licenciamento de direitos autorais. Nessa linha, para a conclusão sobre a obrigatoriedade ou não de a Recorrente promover a retenção na fonte do imposto de renda (IRRF) nos pagamentos que efetuou e efetua, é necessário ter presente a natureza jurídica da relação existente entre a Recorrente e os Agentes das Licenciadoras no Brasil; e entre a Recorrente e os Licenciadores no exterior. A Fiscalização, fls. 1229 a 1341, constatou que os contratos firmados pela Recorrente e as Licenciadoras (Those Characters), fls. 1342 a 1369 (King Fatures) e 1370 a 1402 (Marvel), indicam que tais licenciadoras são domiciliadas no exterior. Os contratos indicam que os Agentes de tais Licenciadoras situados no Brasil, não são parte nos contratos. Nesse contexto, não há como afirmar se o pagamento é efetuado para os agentes das licenciadoras no Brasil ou para as licenciadoras no exterior. É preciso haver certeza quanto à real natureza das relações jurídicas entre tais participantes. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF visando intimar a Recorrente para que apresente documentos e informações que possam comprovar qual a relação jurídica existente entre o licenciador no exterior e os credenciadores no Brasil. Comprovese, ainda, se realmente houve pagamento do IR Fonte. Informar a que título os pagamentos são efetuados no Brasil. Apresentar relatório conclusivo no prazo de 30 dias e dar ciência ao contribuinte para que, caso haja interesse, manifestese a respeito. A diligência foi cumprida e a DRF apresentou o seguinte Relatório de Diligência Fiscal: 2) Procedimentos O presente processo (10920.004850/201039) foi então encaminhado à ARF Jaraguá do Sul a qual intimou a Recorrente (fls. 4.966) a apresentar as informações solicitadas na Resolução supracitada. A Recorrente teve ciência da Intimação e da Resolução por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, em 05/10/2017. Em 05/10/2017 este processo foi encaminhado à DRFJoinville para aguardar a entrega dos documentos e dar continuidade dos procedimentos necessários ao cumprimento da diligência. Fl. 5086DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 6 5 Em 07/11/2017 a Recorrente solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação através do documento às fls. 4974 anexado ao processo. O pedido foi deferido. Em 06/12/2017 a Recorrente respondeu à intimação através dos documentos às fls. 4981 a 5038 anexados ao processo. Em 14/12/2017 a Recorrente foi novamente intimada, através do Termo de Intimação Fiscal às folhas 5039 a 5041, a prestar informações complementares a sua resposta à intimação anterior. Em 12/01/2018 a Recorrente solicitou prorrogação de prazo para atendimento do Termo de Intimação Fiscal através do documento às fls. 5047/5048 anexado ao processo. O pedido foi deferido e a nova data para atendimento da intimação ficou para 15/02/2018. Até o presente momento da lavratura desse relatório, de 20/02/2018, o contribuinte não mais se manifestou no processo e não atendeu o Termo de Intimação Fiscal às folhas 5039 a 5041. 3) Conclusão A Recorrente apresentou resposta à diligência solicitada pela 3a Câmara, da 2a Turma Ordinária, da 1a Seção de Julgamento, através da Resolução CARF 1302 000.500, que encontramse anexadas às fls. 4981 a 5038 deste processo. Seguem observações da fiscalização em relação à resposta da Recorrente: 3.1) Quanto a relação jurídica existente entre o licenciador no exterior e os credenciadores no Brasil. Nessa questão não nos parece haver divergências entre a fiscalização e a Recorrente. Os contratos que deram origem aos pagamentos dos royalties foram firmados entre a licenciada MALWEE MALHAS LTDA e as respectivas LICENCIADORAS THOSE CHARACTERS, KING FEATURES e MARVEL, todas empresas dos Estados Unidos da América. Já as empresas EXIM Character Licenciamento e Marketing Ltda, DALICENÇA Licenciamento, Publicidade e Promoção Ltda e ITC América Latina Ltda, são suas respectivas AGENTES sediados no Brasil, para os quais foram efetuados os pagamentos que serviram de base para o lançamento de IRRF. LICENCIADORA AGENTE no Brasil THOSE CHARACTERS EXIM Character Licenciamento e Marketing Ltda KING FEATURES DALICENÇA Licenciamento, Publicidade e Promoção Ltda MARVEL ITC América Latina Ltda 3.2) Comprovese, ainda, se realmente houve pagamento do IR Fonte. A Recorrente informa, em sua resposta à intimação de 06/12/2017, que o IRRF foi efetivamente retido na fonte pelos Agentes sediados no Brasil quando esses remeteram os royalties para as respectivas Licenciadoras no exterior. Fl. 5087DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 7 6 3.2.1) Para a agente EXIM Character Licenciamento e Marketing Ltda a Recorrente elaborou uma planilha e anexou, em 06/12/2017, os DARFs referentes ao pagamento, por parte desse Agente, do imposto incidente sobre a maioria das transferência de valores para a empresa licenciadora THOSE CHARACTERS durante os anos de 2006 a 2008. Observamos, conforme planilha às folhas 4988/4989, apresentada pela Recorrente, que nem todos os pagamentos (transferências para estrangeiro) sofreram retenção do IRRF (coluna "ir retido 15% DARF" da planilha), assim como houve deduções de comissão (coluna "comissão" da planilha), cobradas pelo Agente, na maior parte dessas transferências. 3.2.2) Ocorre que para os agentes DALICENÇA Licenciamento, Publicidade e Promoção Ltda e ITC América Latina Ltda a Requerente não apresentou, em sua resposta de 06/12/2017, nenhum comprovante de que realmente houve pagamento do IR Fonte, assim como não havia, no processo, nenhuma comprovação desses pagamentos, referentes a remessas de royalties para as respectivas Licenciadoras no exterior, recolhidos por esses Agentes. Intimada a apresentar esses DARF's através do Termo de Intimação Fiscal às folhas 5039 a 5041, a Requerente não os apresentou 3.3) Informar a que título os pagamentos são efetuados no Brasil. Para a fiscalização, os pagamentos realizados pelo contribuinte às suas licenciadoras se referem a royalties devidos pela exploração de marcas comerciais, conforme exposto no RELATÓRIO DE ATIVIDADE FISCAL e no Acórdão 07 31.546 3a Turma da DRJ/FNS, respectivamente às fls. 3052 a 3073 e fls. 4456 a 4489 deste processo. Já a Recorrente defende que os pagamentos foram referentes a licenciamento de direitos autorais. Para constar e surtir os efeitos legais, elaboramos o presente relatório, assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil eletronicamente, cuja ciência pelo sujeito passivo darseá por envio ao DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO (DTE). Encaminhese o presente relatório para manifestação do contribuinte, caso haja interesse, no prazo de 30 (trinta) dias. Após tal conclusão, a recorrente foi intimada manifestarse sobre o Relatório de Diligência Fiscal (fl. 5065). Em resposta, apresentou as petições de fls. 5068, 5069, 5070, 5071, 5077, 5079, 5080, por meio das quais informou que não foi possível obter os comprovantes de retenção na fone de IR, realizados pela empresa agente DALICENÇA Licenciamento, Publicidade e Promoção Ltda (licendiadora da marca King Features) e da empresa agente ITC América Latina Ltda. (licenciadora dos produtos Marvel). Assim, requereu à DRF que fosse dirigido ofício ao Bacen para que apresentasse os respectivos registros de remessa de royalties ao exterior, em favor de tais empresas detentoras dos direitos autorais. Verificase que não houve oportunidade para a DRF apreciar tais pedidos de ofício ao Bacen. Os autos retornaram ao Carf, sem a consulta ao Bacen. É o relatório. Fl. 5088DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário foram apreciados por ocasião da referida Resolução, conhecendose do recurso. À vista das informações e documentos colhidos no curso da Diligência, verifico que a consulta ao Bacen pode ser dispensada. Pois, entendo que os elementos constantes dos autos são suficientes para análise segura das questões postas, como a seguir analisado. Da glosa da despesa com Royalties. Na definição quanto à natureza jurídica dos negócios celebrados pela Recorrente, se exploração de marcas ou licenciamento de direitos autorais, reside o ponto principal desse tópico. A Recorrente alega que seus negócios se referem a licenciamento de direitos autorais regidos pela Lei 9.610/98 e que os requisitos específicos de dedutibilidade exigidos pela Fiscalização são inaplicáveis ao caso. A Fiscalização e a DRJ entenderam que os negócios se referem à exploração de marcas regidos pela Lei 9.279/96, devendo assim, observar os requisitos legais de registro no Banco Central do Brasil (BACEN) e no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), tal qual exigido pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto nº 3000, de 26/03/1999, que disciplina os royalties, sua admissibilidade como despesa, e os limites e condições de sua dedutibilidade, vejamos: Royalties Ari. 352. A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento (Lei n4.506, de 1964, art. 71). Art. 353. Não são dedutíveis (Lei n 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): (...) V os royalties pelo uso de marcas de indústria e comércio pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: a) que não sejam objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; ou (...) Limite e Condições de Dedutibilidade Art. 355. (...) Fl. 5089DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 9 8 § 3 A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n. 9.279, de 14 de maio de 1996. Verificase que, em conformidade com o Relatório de Atividade Fiscal, os contratos tem por objeto o licenciamento de uso de personagens (desenhos artísticos) em produtos da empresa. Ocorre que esses personagens licenciados pela Recorrente estão todos licenciados como marcas no INPI, conforme comprovantes extraídos via internet (fls. 2723 a 2761). Assim, os royalties pagos pela Recorrente tem como objeto personagens que foram transformados em marca, devidamente registrada, para exploração comercial (Lei 9.279/96, que regula os direitos e obrigações relativos a propriedade industrial), conforme consta do Relatório de Atividade Fiscal. Nesse contexto, é possível concluir que, em realidade, as empresas licenciadoras que mantiveram ou mantêm contrato com a Recorrente disponibilizaram a esta, não o direito de utilização de obras de arte e sim os personagens específicos que se tornaram marca, devidamente registradas no INPI para exploração comercial. Analisemos os contratos que fundamentaram o pagamento de royalties da Recorrente com a licenciadora DISNEY (às fls. 268/579), os quais mencionam tratarse de licenciamento de direitos autorais para a Propriedade Intelectual (licenças de uso do material licenciado nos produtos). Entretanto, importante mencionar o que consta nesses contratos, em especial cláusulas no seguinte teor, in verbis: DEFINIÇÕES DE TERMOS Para fins deste Contrato, os termos a seguir terão o significado que lhes é atribuído abaixo, sendo utilizado no singular ou no plural: (...) G. "Propriedade Intelectual'' significa 'Material Licenciado'' e "Materiais de Design" como se define abaixo: (1) "Material Licenciado" consiste das representações gráficas dos personagens e descrições de personagens (e das cenas fixas que o acompanham), conforme possa ser indicado pela Licenciadora, de uma ou mais Propriedades licenciadas diferentes, objeto de um Anexo deste contrato, onde estão descritas. "Propriedade" significa a marca, filme ou show de televisão licenciado nos termos deste contrato. Fl. 5090DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 10 9 (2) "Material de Design" significa o estilo, design, tamanho, forma, cor, vestimenta, aspecto e outras características estéticas similares dos Artigos que se baseiem em qualquer Material Licenciado ou incorporem, contenham, apresentem, exibam ou expressem, direita ou indiretamente, no todo ou e parte, por referencia ou inferência (por exemplo, pela forma ou pelo contorno, pelo material utilizado, porem sem características especificas qualquer Material Licenciado ou tema, aparência ou toque de qualquer Material Licenciado, ou qualquer outro nome, logo marca, nome comercial, design, personagens ou outra propriedade ou propriedade intelectual da Disney autorizada para a utilização neste Contrato" Destaquese que a Recorrente em suas manifestações e recursos nunca negou o intuito comercial no emprego de imagens artísticas, cuja titularidade é pertencente às empresas licenciadoras no exterior. Diferentemente do que afirma a Recorrente às fls. 4.524, o Superior Tribunal de Justiça ao apreciar o tema no HC 145.131/PR estabeleceu uma judiciosa delimitação da proteção conferida pelas diferentes vertentes do direito de propriedade intelectual, exatamente como no presente caso, firmando o entendimento de que, na hipótese de os desenhos de personagens infantis estarem registrados como marca no INPI, as relações jurídicas que os tenham como objeto são regidas pelo direito de marca, e não pelo direito autoral. Sobre as orientações veiculadas pela própria Receita Federal do Brasil, registrese que nas instruções de preenchimento da DIPJ, à época, havia clara orientação para preencher o campo "Exploração econômica dos direitos patrimoniais de marca" com o valor de royalties referentes a contratos de licenciamento de uso de marca registrada no INPI, exatamente como se tem no presente caso. Sobre os efeitos tributários dos negócios efetivamente praticados (exploração de marcas), importante observar que a sua dedutibilidade encontrase condicionada à averbação dos contratos no INPI e ao registro no BACEN, situação não verificada no presente caso. Pelo exposto, o aproveitamento comercial das ideias contidas em obras artísticas não é objeto de proteção a título de direito autoral, mormente quando se trata de figuras de personagens já registrados como marca no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Os valores pagos a esse título aos licenciadores consubstanciam royalties pela exploração de marcas comerciais, e sua dedutibilidade somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registro no BACEN. Da Incidência do Imposto de Renda na Fonte A Recorrente sustenta que não efetuou a retenção do IR, por entender que nos pagamentos de royalties não haveria fato gerador do tributo, pelo fato de que os pagamentos seriam efetuados a empresas (agentes das licenciadoras) sediadas no Brasil. Na forma demonstrada pela Fiscalização, fls. 1229 a 1341 os contratos firmados pela Recorrente e as Licenciadoras (Those Characters), 1342 a 1369 (King Fatures) e 1370 a 1402 (Marvel), indicam que tais licenciadoras são domiciliadas no exterior. Verifica se que os agentes de tais Licenciadoras situados no Brasil, não são parte nos contratos. O fato Fl. 5091DF CARF MF Processo nº 10920.004850/201039 Acórdão n.º 1302003.001 S1C3T2 Fl. 11 10 de os pagamentos terem sido realizados por intermédio de tais agentes, não se confunde com a real destinação dos valores, isto é, para as Licenciadoras no exterior. Assim sendo, e com base nos arts. 710 e 722 do RIR/99, é correta a exigência da fiscalização quanto à retenção na fonte do IR, apurado a partir do rendimento reajustado de acordo com o que estabelece o art. 725 do mesmo regulamento, verbis: Art. 710. Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties, a qualquer título. Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido. Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único. Da Legalidade da Multa de Ofício A Recorrente defende que a multa de oficio aplicada é ilegal por ser confiscatória e por ferir a capacidade contributiva. A questão está sumulada de tal modo que veda ao Carf apreciar ilegalidade e inconstitucionalidade de normas fiscais, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalização Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 5092DF CARF MF
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Numero do processo: 13639.000054/2002-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
PIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95, CONVERTIDA NA LEI 9715/98. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL VACATIO LEGIS. ADIN 1417
Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9715/98. Aplica-se, quanto aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996 o disposto na LC n" 7/70, nos termos da IN SRF n" 6/2000.
A MP 1.212/95 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo validas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98.
Numero da decisão: 3301-004.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95, CONVERTIDA NA LEI 9715/98. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL VACATIO LEGIS. ADIN 1417 Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9715/98. Aplicase, quanto aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996 o disposto na LC n" 7/70, nos termos da IN SRF n" 6/2000. A MP 1.212/95 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo validas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 00 54 /2 00 2- 91 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 350 2 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.256263: Trata o presente processo de pedido de restituição protocolado em 14/01/2002, apoiado na alegação de ser referente a “valores recolhidos indevidamente a título de PIS, dos Períodos de Apuração (PAs) 10/95 a 02/96, conforme inconstitucionalidade do artigo 15 da Medida Provisória n. 1.212/95 até o artigo 18 da Lei n. 9.715/98, ADIN n. 1417/0”. Primeiramente, a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório (fls. 25/26 do processo em papel), no qual a Delegacia de origem, indeferiu o pedido em face do decurso do prazo para pleitear restituição. No Acórdão nº 0924.007 – 2ª Turma da DRJ/JFA (fls. 65/75 sequenciais) também o foi por semelhante motivação. Já no Acórdão nº 310201.470 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, os membros daquele colegiado deram “ parcial provimento do recurso voluntário interposto para afastar a prejudicial de decadência/prescrição e devolver o processo ao órgão julgador de primeira instância para analisar as demais questões de mérito.” No respectivo voto condutor foi determinada “a realização de novo julgamento para apreciação do mérito do pedido de restituição.” O processo foi encaminhado à autoridade preparadora para análise do mérito. Novo despacho decisório foi emitido, indeferindo o pleito da contribuinte, com o seguinte desfecho: A contribuinte confessou (doc. de fl. 157) e pagou (doc. de fl. 156) o PIS sob o efeito do art. 15, in fine, Medida Provisória n. 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, in fine, da Lei n. 9.715, de 25 de novembro de 1998, assim, utilizando a base de cálculo mensal e a alíquota de 0,65% previstas pela referida MP, apurou valores que lhe foram benéficos, ou seja, menos onerosos do que os valores efetivamente devidos ao PIS dos PAs 10/95 a 02/96, conforme a jurisprudência e as normas supracitadas. Desta forma, não há que se exigir os pagamentos além dos já efetivados (doc. de fl. 156) – apesar de ser o montante dos pagamentos inferior ao montante dos efetivos débitos (LC07/70, doc. de fl. 162), priorizase a forma benéfica (menos onerosa) praticada pela contribuinte (débitos iguais aos pagamentos) –. Por outro lado fica demonstrada a não ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que: (...) 6. Entretanto, conforme se demonstrará, merece reforma o r. despacho decisório prolatado, a fim de que seja considerado como indevido os pagamentos relativos à contribuição ao PIS nos termos da MP n°. 1.212/1995, vez que tal medida provisória reinstala total desobediência à ordem jurídica instituída, fazendo reeditar, na prática, as inconstitucionais previsões contidas nos indigitados DecretosLeis n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 351 3 (...) 8. O v. despacho decisório, em face do qual a Manifestante se insurge, fundamenta o indeferimento do pleito da empresa contribuinte sob a alegação de que (i) haveria transcorrido o prazo de cinco anos entre a data do protocolo do pedido de restituição, em 14/01/2002, sendo o direito da empresa contribuinte alcançado pela decadência e (Vi) quanto ao mérito, alega que a Manifestante não tem qualquer direito creditório (...) 29. Entretanto, quando a Medida Provisória n°. 1.212/95 não foi convertida em lei, no prazo de 30 (trinta) dias da sua publicação, perdeu eficácia e as suas reedições não tiveram força para manteremse retroativamente. Então, a cada reedição, uma nova situação se instalava e, neste ínterim, deverseia observar, por óbvio, os princípios constitucionais pertinentes, dentre os quais o Princípio da Anterioridade. 30. Não basta atentarse à anterioridade somente no que tange à primeira edição da Medida Provisória. Este princípio constitucional deverá ser observado a cada reedição, conforme inteligência do artigo 62 da Constituição da República. (...) 33.As alterações preconizadas antes de consolidaremse em lei, pela conversão, perdem a eficácia e não podem ser exigidas, eis que, por imposição constitucional, há de aguardarse noventa dias. (...) 39. Assim, uma vez declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal, a inconstitucionalidade ganha alcance erga omnes e efeitos ex tunc, alcançando e desconstituindo a aplicação futura da lei, haja vista ser esta absolutamente nula, sendo ineficazes, portanto, os atos pretéritos praticados com base nessa norma declarada inconstitucional. (...) 42. Desta forma, é de se concluir que, no período compreendido entre outubro de 1995 até fevereiro de 1999, nada é devido a título de PIS com base na legislação supra, e, em especial do período de outubro de 1995 a março de 1996, vez que, conforme exaustivamente narrado alhures, tal período já fora objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive de acordo com a própria IN SRF n°. 006/00. III DOS PEDIDOS À vista do exposto, a Impugnante requer o provimento total da presente Manifestação de Inconformidade, homologandose a compensação declarada no aludido PER/DCOMP, para especificamente: (a) Seja reconhecido os cálculos efetuados pela Manifestante e, consequentemente, seja declarada a inexistência de saldo devedor; (b) seja reconhecida a homologação TOTAL dos pedidos de compensação consubstanciados nos PER/DCOMP's; (c) Ad Argumentandum, caso assim não estenda esta I. Delegacia, seja convertido o julgamento em diligência a fim que seja efetuado novo calculo de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 352 4 atualização dos valores, nos moldes elaborados pela Manifestante e em atendimento aos artigos 28 c/c 72 da IN 1.300/2012. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, em especial, documental e pericial, realização de diligência nos termos da lei, caso necessário. Em 14 de abril de 2015, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/01/2002 RESTITUIÇÃO A restituição só é cabível quando comprovada a existência de direito creditório. VÁCUO LEGAL. MP 1.212/1995 E REEDIÇÕES. Firmouse o entendimento do STF, a partir do julgamento da ADIn 1417, no sentido da constitucionalidades das alterações incorporadas à disciplina do PIS pela MP 1212/95 e suas reedições, devendo ser respeitado o prazo nonagesimal em relação somente à referida MP. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2002 BASE LEGAL. PIS Até o início da vigência da MP 1212/95, definida no judiciário, 01/03/1996, vigorou a Lei Complementar 07/70. Cientificada da decisão em 24.04.2015 (fls.265), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.05.2015 (fls. 268278), reproduzindo os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 353 5 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator I Admissibilidade O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo dele tomo conhecimento. II Mérito A controvérsia travada nos presentes autos cingese à verificação da existência de pagamento indevido da contribuição ao PIS e, consequentemente do direito à restituir o valor recolhido, concernente ao período de apuração compreendido de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, decorrente da observância dos ditames dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2449/88 e da Medida Provisória nº 1.212/95, respectivamente, em detrimento do disposto na Lei Complementar nº 7/70. Em seu arrazoado a Recorrente traz os seguintes argumentos para embasar seu direito: i) a base de cálculo da contribuição ao PIS foi instituída pela Lei Complementar n°. 07/70, e, no curso de sua vigência, referida contribuição foi alvejada por alterações promovidas pelos DecretosLeis n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, os quais, no entanto, foram expulsos do ordenamento jurídico por decisão do Supremo Tribunal Federal (RE n°. 148.7542/ RJ) e, posteriormente, pela Resolução n°. 49/1995 do Senado Federal; ii) o após o advento da Resolução n°. 49/1995, o Poder Executivo mobilizou se no sentido de normatizar a lacuna existente em decorrência da suspensão dos DecretosLei n°.s 2.445 e 2.449/1988, utilizandose, para tanto, de Parecer elaborado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, culminando por adotar a Medida Provisória n°. 1.212/1995, combinada com Ato Declaratório n°. 39, de 28/11/1995; iii) o Com base na aludida MP e no Ato Declaratório, as empresas comerciais e industriais, a partir do fato gerador ocorrido em outubro de 1995, deveriam contribuir ao PISFATURAMENTO mediante a aplicação da alíquota de 0,65% sobre o faturamento do mês; iv) o as empresas prestadoras de serviço, no período que medeia a edição da Resolução n°. 49/1995 (outubro de 1995) até a ocorrência dos fatos geradores de fevereiro de 1996, estão sujeitas ao PISREPIQUE, ou seja, à aplicação da alíquota de 5% sobre o imposto de renda devido ou como se devido fosse; v) o A partir do fato gerador de março de 1996, tais empresas deveriam contribuir ao PIS (modalidade faturamento) da mesma forma como as empresas comerciais e industriais (PISFaturamento). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 354 6 v) Assim a MP n°. 1.212/1995, em seu artigo 2°, inciso I, elegeu como base de cálculo do PIS, o faturamento auferido no mês, assim entendido como a receita bruta, na forma da legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, dos preços dos serviços prestados e do resultado obtido nas operações de conta alheia; A MP n°. 1.212/95 alterou a base de cálculo do PIS, majorandoa, isto porque, de acordo com a LC n°. 07/70, a base de cálculo era o valor devido a título de Imposto de Renda e, com a edição da MP, a base de cálculo passou a ser o faturamento; vi) o Quando da edição da MP n°. 1.212/1995, estabeleceuse que os dispositivos nela contidos, no que tange às empresas prestadoras de serviço, entrariam em vigor a partir de 10 de março de 1996. É de se observar que, em relação a esta MP, haveria total observância ao Princípio da Anterioridade; vii) o quando a MP n°. 1.212/95 não foi convertida em lei, no prazo de 30 (trinta) dias da sua publicação, perdeu eficácia e as suas reedições não tiveram força para manteremse retroativamente. Então, a cada reedição, uma nova situação se instalava e, neste ínterim, deverseia observar, por óbvio, os princípios constitucionais pertinentes, dentre os quais o Princípio da Anterioridade; viii) o a MP n°. 1.212/1995 somente poderia ter eficácia a partir de março de 1996, respeitando assim o prazo nonagesimal para entrar em vigor, e, jamais, a partir de 1° de outubro de 1995, como determinava o seu artigo 15 ao dispor que: "Esta medida provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995". ix) o artigo 18 da Lei n°. 9.715/1998 repetiu o mesmo equivoco, assim redigido: "Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995". x) Todavia, o Supremo Tribunal Federal pacificou a matéria na ADI n°. 1.4170, julgando inconstitucional o artigo 18 da Lei no. 9.715/98; uma vez declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal, a inconstitucionalidade ganhaalcance erga omnes e efeitos ex tunc, alcançando e desconstituindo a aplicação futura da lei, haja vista ser esta absolutamente nula, sendo ineficazes, portanto, os atos pretéritos praticados com base nessa norma declarada inconstitucional; xi) 0corre que, em janeiro de 2000, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, na tentativa de amenizar a controvérsia criada com a declaração da inconstitucionalidade da MP n°. 1212/1995, baixou a IN SRF n°. 006/2000. xii) Por meio desta Instrução Normativa, reconheceuse a irretroatividade dos efeitos da ADI no. 1.4170, mas apenas para o período de outubro de 1995 a março de 1996, contudo sem estender tal efeito à entrada em vigor da Lei n°. 9.715/98, a qual, portanto, somente poderia se efetivar a partir de fevereiro de 1999; xiii) Desta forma, é de se concluir que, no período compreendido entre outubro de 1995 até fevereiro de 1999, nada é devido a título de PIS com base na legislação supra, e, em especial do período de outubro de 1995 a março de 1996, vez que, conforme exaustivamente narrado alhures, tal período já fora objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive de acordo com a própria IN SRF n°. 006/00. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 355 7 Em relação à existência de pagamento indevido, ratifico os termos do acórdão recorrido que indeferiu o pedido de restituição. Isto porque, a recorrente pleiteia reconhecimento no sentido de que o pagamento indevido do PIS decorreria da inexigibilidade dessa contribuição, no período de out/05 a fev/96, em conseqüência da revogação da LC nº 07/70 pela MP nº 1.212/95. Todavia, a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.136.210/PR, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos nos termos do art. 543C do CPC, consolidou entendimento segundo o qual, no período de competência entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996 e de março de 1996 a outubro de 1998, a contribuição para o PIS é regida pela Lei Complementar 7/70 e pela Medida Provisória 1212/95 e suas reedições, respectivamente. Confirase: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754). RESTAURAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI COMPLEMENTAR 7/70. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 18, DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. 1. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. 2. A contribuição destinada ao Programa de Integração Social PIS disciplinada pela Lei Complementar 7/70, foi recepcionada pelo artigo 239, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (RE 169.091, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 07.06.1995, DJ 04.08.1995). 3. O reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.1994) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: AI 713.171 AgR, Rel. Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgado em 09.06.2009, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 EMENT VOL0236819 PP04055; RE 479.135 AgR, Rel.Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em26.06.2007, DJe082 DIVULG 16.08.2007 PUBLIC 17.08.2007 DJ 17.08.2007; AI 488.865 ED, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 07.02.2006, DJ 03.03.2006; AI 200.749 AgR, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 18.05.2004, DJ 25.06.2004; RE 256.589 AgR, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 08.08.2000, DJ 16.02.2001; e RE 181.165 EDED, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 02.04.1996, DJ 19.12.1996. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: AgRg no REsp 531.884/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 25.11.2003, DJ 22.03.2004; REsp 625.605/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 08.06.2004, DJ 23.08.2004; REsp 264.493/PR, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.02.2006; AgRg no Ag 890.184/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 356 8 Turma, julgado em 20.09.2007, DJ 19.10.2007; e REsp 881.536/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 28.10.2008, DJe 21.11.2008). 4. É que a norma declarada inconstitucional é nula ab origine, não se revelando apta à produção de qualquer efeito, inclusive o de revogação da norma anterior, que volta a viger plenamente, não se caracterizando hipótese de repristinação vedada no § 3º, do artigo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. 5. Outrossim, é pacífica a jurisprudência da Excelsa Corte, anterior à Emenda Constitucional 32/2001, no sentido de que as medidas provisórias não apreciadas pelo Congresso Nacional, não perdiam a eficácia, quando reeditadas dentro do prazo de validade de 30 (trinta) dias, contandose anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da CRFB/88, da edição da primeira medida provisória (ADI 1417, Rel. Ministro Octávio Gallotti, Tribunal Pleno, julgado em 02.08.1999, DJ 23.03.2001). 6. Destarte, até 28 de fevereiro de 1996 (início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995), a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715, de 25 de novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1136210/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Do que se extrai da referida decisão é que de outubro de 1995 até 28 de fevereiro de 1996, a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70, sendo que somente a partir de março de 1996 e até a publicação da Lei n. 9.715, de 25 de novembro de 1998, a contribuição restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. Em resumo, só caberia restituição a título de PIS, no período sob exame, se tivesse havido pagamento a maior, por conta da utilização de base de cálculo inconstitucionalmente ampliada, no período anterior a vigência da MP 1.212/11995, fato este não ocorrido nos autos, conforme se verifica no trecho do despacho decisório citado anteriormente e, sobre o qual a Recorrente não se insurgiu: A contribuinte confessou (doc. de fl. 157) e pagou (doc. de fl. 156) o PIS sob o efeito do art. 15, in fine, Medida Provisória n. 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, in fine, da Lei n. 9.715, de 25 de novembro de 1998, assim, utilizando a base de cálculo mensal e a alíquota de 0,65% previstas pela referida MP, apurou valores que lhe foram benéficos, ou seja, menos onerosos do que os valores efetivamente devidos ao PIS dos PAs 10/95 a 02/96, conforme a jurisprudência e as normas supracitadas. Desta forma, não há que se exigir os pagamentos além dos já efetivados (doc. de fl. 156) – apesar de ser o montante dos pagamentos inferior ao montante dos efetivos débitos (LC07/70, doc. de fl. 162), priorizase a forma benéfica (menos onerosa) praticada pela contribuinte (débitos iguais aos pagamentos) –. Por outro lado fica demonstrada a não ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a pretensão da Recorrente não é essa. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13639.000054/200291 Acórdão n.º 3301004.966 S3C3T1 Fl. 357 9 Com efeito, a Recorrente busca o reconhecimento de pagamento indevido, sob a suposição de que nada é devido a título de PIS, entre 10/1995 e 02/1996, o que não encontra respaldo na legislação nem na jurisprudência do STJ, aplicada ao presente caso na forma do art. 62A do RICARF. Nesse sentido destacase o trecho da decisão de piso: Dessarte, não assiste razão à manifestante quando aduz haver um vácuo legal a impedir a exigibilidade da contribuição para o Pasep no período em que pleiteia a restituição/compensação, ressaltandose, ainda, que a IN SRF nº 6/2000, de observância obrigatória pela Administração Fazendária, esclarece a inexistência de qualquer hiato legal ao determinar expressamente para o espaço de tempo entre 01/10/95 a 29/02/96, em relação aos fatos geradores ocorridos neste período, a aplicabilidade das Leis Complementares n.º 07 e 8/70. Nestes termos, não há que se falar em inexistência de fato gerador de PIS, tampouco em pagamento indevido ou maior. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13310.000017/2001-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 10 .0 00 01 7/ 20 01 -0 2 Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.200 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0110939, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, o qual decidiu por deferir parcialmente a solicitação de ressarcimento e compensação de crédito de IPI da contribuinte, ao considerar a homologação tácita de determinadas compensações. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante deste decisum: Tratase de Pedido de Ressarcimento apresentado pelo contribuinte em 27/04/2001 (fl. 1 e 127), cumulado com Pedido de Compensação (fl. 94, 100, 101, 106, 111, 115, 119, 123, 390, 391), por meio do qual solicita a restituição de valores correspondentes a saldo credor de créditos básicos de Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI) em relação ao período de apuração de 10/ 2000 a 12/2000 (4° trimestre) (sic). O saldo credor seria decorrente das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (MP, PI e ME) utilizados na industrialização de produtos industrializados tributados à aliquota zero, já na vigência art. 11 da Lei n° 9.779/99. Art.19.A pena de perdimento, aplicada na hipótese a que se refere o caput do artigo anterior, poderá ser convertida, a requerimento do importador, antes de ocorrida a destinação, em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Parágrafo único.A entrega da mercadoria ao importador, em conformidade com o disposto neste artigo, fica condicionada à comprovação do pagamento da multa e ao atendimento das normas de controle administrativo) A Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE (DRF) entendeu que "o Interessado não vem sendo capaz de apresentar os documentos hábeis comprobatórios do processo industrialização que teriam sido submetidos os insumos considerados nos Pedidos de Ressarcimento" (fl. 181; grifo editado — Termo de Verificação Fiscal), em seguida concluindo, pelas mesmas razões, que "o pleito deixou, portanto, de satisfazer os requisitos formais da legalidade, conformando aos atos normados pela SRF e à legislação aplicável ao requerido pelo contribuinte, e a fiscalização realizada a priori detectou ser o creditamento incompatível, na sua integralidade, com os elementos registrados de apuração e correspondentes notas fiscais constantes dos autos, de modo que a improcedência do pleito deuse não pela base legal, mas pela falta de comprovada materialidade do processo de apuração do tributo" (fl. 385; grifo editado — Informação Fiscal), assim decidindo, ao final, pelo indeferimento da restituição e recusa de homologação à compensação (Despacho Decisório de fl. 386). Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.201 3 A contribuinte foi notificada em 13.12.2006 (fl. 393), apresentando então manifestação de inconformidade (fls. 394/420), na qual alega (a) a necessidade de reconhecimento da ocorrência da homologação tácita em relação aos pedidos de compensação, visto que transcorreram mais de cinco anos entre a sua apresentação e a decisão de homologação, e que (b) na que o Auditor Fiscal fez solicitações de documentos e informações que extrapolavam qualquer medida de razoabilidade. Requereu ainda, (c) que seu crédito seja atualizado pela Taxa Selic entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Com a Impugnação, a Contribuinte apresentou copia de diversas decisões proferidas em outros processos da mesma natureza, nos quais solicitou o ressarcimento de IPI em relação a outros períodos de apuração, os quais foram deferidos integral ou parcialmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em Belém — PA (DRJ), manteve o indeferimento do pedido do contribuinte, por meio do Acórdão n° 0110939 (fls. 524/544), cujas razões são resumidas na seguinte ementa: Ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. Só geram direito ao ressarcimento do crédito de IPI as matérias primas e os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que embora não se integrando ao novo produto, se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direito com o produto em fabricação. Parecer Normativo n°65/79. LIQUIDEZ E CERTEZA Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01.10.2000 a 31.12.2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Passados cinco anos contados da data de entrega do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 40 e 5°, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96. Com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n° 10.833/03, perdendo o fisco o direito de rever de oficio a declaração de compensação. JUROS SELIC. Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.202 4 Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento do IPI. Solicitação Deferida em Parte. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 479/508), no qual: a) reitera que, em relação ao período de apuração tratado neste caso, a totalidade de sua produção, enquanto indústria de calçados, era destinada exportação, produzindo dezenas de modelos de calçados distintos; b) reitera a descrição do seu processo produtivo (feita em resposta ao item 8 do Termo de Verificação Fiscal), explicando também que a industrialização é feita utilizando mãodeobra da Cooperativa de Calçados de Quixeramobim Ltda (Cocalqui), com as máquinas e equipamentos da Contribuinte; c) insurgese contra a alegação do Fisco de que não haveria prova de que os insumos teriam sido de fato destinados ao processo produtivo, argumentando que não há qualquer fundamento concreto que justifique esta dúvida, e que seria questão de bom senso aferir que os insumos compõem o produto final; a propósito do tema, questiona "se todas essas matériasprimas, materiais de embalagem e materiais intermediários não foram aplicados na produção, e se não constam do registro de inventário da empresa, o que foi feito com eles?" e argumenta que "se verificarmos superficialmente o demonstrativo n° 10, entregue à fiscalização em atenção ao Termo de Inicio e juntado ao Processo quando da Manifestação de Inconformidade, que relaciona TODOS OS MATERIAIS utilizados na produção para cada ano calendário que foi objeto de fiscalização, ficará constatado, até para um leigo, que tais materiais fazem parte da produção de calçados (couros, solados, forros, saltos, caixas, linhas, etc.), atendendo, inclusive, os preceitos contidos nos Pareceres CST n°.s 65/79 e 181/74" (fl. 488) d) insiste, assim, em que as informações solicitadas pela Fiscalização foram atendidas de forma suficiente. Argumentou, também, que o direito de crédito do IPI é gerado na entrada do insumo no estabelecimento industrial, e não no consumo dos insumos na produção. Em 26/05/2010, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento (fl. 1930 e seguintes), na Resolução 340300.047, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, "para que a Delegacia de origem verifique quanto à regularidade da escrituração dos créditos de IPI". Em 23/05/13, a mesma Turma Ordinária decide novamente por converter o julgamento em diligência (fl. 2177 e seguintes), na Resolução 3403000.459, para o integral cumprimento da Resolução anterior, o que não teria ocorrido, posto que: Recebidos os autos na origem, a Delegacia limitouse a encaminhar ao contribuinte o teor da Resolução. Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.203 5 O contribuinte, por sua vez, apresentou o contrato firmado com a Cocalqui. Em seguida, a d. Autoridade determinou a devolução dos autos a este Conselho. Em 20/03/17, patrono da recorrente junta documento (fl. 2191 e seguintes) no qual noticia decisão judicial em seu favor. A fiscalização, então, em TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL, antes de atender o que determinou a dita Resolução, manifestase por solicitar deste CARF "orientação" [...] "quanto aos documentos anexados pelo Contribuinte em 20/03/2017" (fl. 2179). Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.204 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. A primeira Resolução deu o recurso voluntário apresentado por tempestivo, dele conhecendo1. Sobre a decisão judicial que trouxe aos presentes autos a recorrente assim informa: Recentemente, em sentença proferida em 05/10/2016, o juiz da 2ª Vara Federal de Fortaleza/CE, Dr. Jorge Luíz Girão Barreto, reconheceu o pedido de anulação das decisões administrativas e condenou a União a deferir os créditos presumidos de IPI pleiteado para os ressarcimentos de PIS e COFINS incidentes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, nos termos da ementa a seguir transcrita (cópia da íntegra em anexo): “(...) O exame da farta documentação legalfiscal e tributária acostada aos autos, no que respeita a sua idoneidade e ao tratamento técnico contábil utilizado pela empresa Calçados Aniger Nordeste Ltda., isto é, sistema de custo coordenado e integrado à escrituração comercial através de software específico, dá a este Perito a certeza de que a mesma cumpre todas as formalidades exigidas para merecer o BENEFÍCIO FISCAL TRIBUTÁRIO que pretende ter restaurado nesta ação, ou seja, comprovou a legitimidade do crédito tributário nas compras de insumos, a utilização dos insumos no processo produtivo e a exportação dos produtos para o mercado estrangeiro, mediante a aplicação da fórmula: CP = A x (RE/RT) x 5,37/100." 8. Sendo o perito judicial órgão oficial, de caráter imparcial, merecem suas conclusões presunção "juris tantum" de veracidade, cabendo à parte que divergir das suas conclusões o ônus da prova para infirmar o laudo, o que não foi o caso. Sobre a matéria, já consolidou entendimento o Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região: [...] DISPOSITIVO. Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido para declarar a nulidade das decisões administrativas proferidas nos autos dos processos administrativos de pedidos de ressarcimento nºs. 13310.000018/200149, 13310.000023/200232 e 13310.000042/200269, bem como para condenar 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.205 7 a União a deferir os créditos presumidos de IPI solicitados pela Autora, nos aludidos processos administrativos, para ressarcimento do PIS/COFINS incidentes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados nos produtos exportados, cujos valores deverão ser corrigidos pela taxa SELIC. (Grifos do original). Tendo em vista a publicação da decisão acima mencionada no dia 28/10/2016, vem a contribuinte requerer a juntada na íntegra da Sentença de 1ª Instância do Proc. nº. 00074116.2010.4.05.8100, objetivando que Vossas Senhorias, nos julgamentos dos processos abaixo listados, observem o princípio da coisa julgada e reconheçam o direito da contribuinte ao ressarcimento dos créditos pleiteados, em garantia à uniformização de julgamento deste Conselho. Este relator então consultou tais processos no sistema informatizado "e Processo". O processo administrativo 13310.000018/200149 cuida de pedido de ressarcimento de "crédito presumido de que trata a Portaria MP n 3897" (item 12 do respectivo formulário), período de apuração janeiro a dezembro de 2000 (fl. 01). O processo 13310.000023/200232, cuida da mesma matéria, período de apuração janeiro a dezembro de 2000 (fl. 01). Para o processo 13310.000042/200269, encontrase cadastrado no eprocesso, sem qulquer documento juntado. (>: Possivelm em papel, iriam digitalizar) A citada portaria "dispõe sobre o Cálculo e a Utilização do Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996". Esta assim estabelece, em seu art. 1º: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.206 8 nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Já o processo em julgamento trata de pedido de ressarcimento de " Insumos utilizados na fabricação de produtos exportados DecretoLei nº 491/69, art 5º e Lei nº 8.402/92, artigo 1º, inciso II" (item 01 do respectivo formulário), período de apuração novembro e dezembro de 2010 (fl. 01). Reproduzo as disposições normativas: Da Lei nº 8.402/92: Art. 1° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: [...] II manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969; Do DecretoLei nº 491/69: Art. 5º É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados.(Vide Decretolei nº 1.722, de 1979) (Vide Decretolei nº 1.724, de 1979) (Vide Lei nº 8.402, de 1992) Documento também juntado pela recorrente, como "SENTENÇA" (fl. 2184 e seguintes) delimita a questão de direito em torno da Lei 9.363/96, nada tratando da Lei 8.402/92. Os fundamentos legais dos pedidos de ressarcimento são distintos; um sob a forma de crédito presumido, ressarcido de plano; outra de manutenção e utilização do crédito, afeito ao sistema de creditamento inerente ao tributo nãocumulativo; ainda que ambas digam respeito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. O que se deduz então é que a ação judicial em foco produz efeitos sobre três processos administrativos 13310.000018/200149, 13310.000023/200232 e 13310.000042/200269 que não o ora sob julgamento. A questão de direito é distinta, como detalhado. Não há, portanto, identidade de objetos, afastandose a possibilidade de concomitância. Assim, os documentos juntados pela contribuinte, em 20/03/2017, os quais dão conta de sentença judicial relativa a outros três processos, em nada afeta o curso do presente contencioso. Voto então por converter o presente processo em diligência para que a unidade de origem atenda o que lhe fora solicitado na Resolução 340300.047, nos termos lá postos, os quais reproduzo abaixo: Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 13310.000017/200102 Resolução nº 3301000.762 S3C3T1 Fl. 2.207 9 (1) se o contribuinte lançou o credito pela entrada dos insumos no valor pelo qual adquiriu, antes de remetêlos à Cocalqui, ou se se creditou pelo valor das remessas recebidas da Cocalqui, bem como se o valor da atividade (prestação de serviço/industrialização por encomenda) da Cocalqui é lançado como crédito; (2) se os produtos saídos da contribuinte foram exportados. O relatório da diligência deve, também, dizer se os documentos apresentados pelo contribuinte na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário autorizam inferir a aplicação dos insumos nos produtos saídos da contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 2207DF CARF MF
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