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Numero do processo: 11762.720010/2013-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/07/2011, 13/12/2011
OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. DANO AO ERÁRIO NÃO COMPROVADO
Afasta-se a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada e a multa por cessão de nome na importação quando não comprovada a ocultação do sujeito passivo na importação.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 3101-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 20/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/07/2011, 13/12/2011 OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. DANO AO ERÁRIO NÃO COMPROVADO Afastase a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada e a multa por cessão de nome na importação quando não comprovada a ocultação do sujeito passivo na importação. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 20/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 10 /2 01 3- 92 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado com fundamento no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, cujo objeto é a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias então importadas e sujeitas à penalidade de perdimento. A autoridade fiscal alega a ocorrência de ocultação do sujeito passivo B A R COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ME nas operações de importação registradas pela empresa BRASPLANET COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, relacionadas às DI(s) 11/011100127, 11/03068964, 11/13762910 e 11/23596613. A ação fiscal originouse no procedimento especial de fiscalização regulado pela IN SRF nº 228/2002, instaurando na empresa BRASPLANET COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, em suas operações de importação ocorridas no período compreendido entre os meses de 06/2010 a 12/2011. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese: (i) que as mercadorias amparadas pelas DI(s) 11/011100127, 11/03068964, 11/13762910 e 11/23596613, registradas pelo importador Brasplanet Comércio Exterior Ltda, foram destinadas à Impugnante; (ii) que na data da negociação entre o importador e o fornecedor estrangeiro relacionada às mercadorias amparadas pelas DI(s) 11/011100127 e 11/03068964, a Impugnante sequer existia; (iii) que não houve interposição fraudulenta, visto que as mercadorias em comento foram adquiridas no mercado interno; (iv) que não houve qualquer dano ao Erário. A 23ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1656.513, referente a sessão de julgamento ocorrida em 27 de março de 2014, na qual julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/02/2013 DANO AO ERÁRIO A ocultação do real adquirente de mercadoria importada configura a infração tipificada como dano ao Erário, punível com a penalidade de perdimento da mercadoria. É cabível a conversão do perdimento em multa pecuniária equivalente ao valor aduaneiro das mercadoria, quando esta for consumida ou não localizada. Dispositivos legais: art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ São Paulo I, interpôs Recurso Voluntário, onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, relativos às DI’s 11/13762910 e 11/23596613. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11762.720010/201392 Acórdão n.º 3101001.774 S3C1T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A autoridade julgadora a quo manteve parcialmente o lançamento efetuado, entendendo ter ocorrido o dano ao Erário conforme previsto no inciso V do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, para as mercadorias importadas amparadas pelas DI(s) 11/13762910 e 11/23596613. Para as DI(s) 11/011100127 e 11/03068964, entendeu o julgador a quo que não ocorreu a ocultação, visto que a data de constituição da empresa alegadamente ocultada (BAR), dia 03/02/2011, era posterior à data de embarque das mercadorias amparadas pelas referidas DI(s), dias 09/11/2010 e 21/12/2010, impossibilitando a caracterização de importação por conta e ordem ou por encomenda daquela empresa. O principal argumento trazido pela autoridade fiscal é a existência da referida correspondência com o exportador FUAN YUANDON AMERICAN CHINA ELECTRIC CO. LTD., por intermédio da qual o importador envia ao fabricante modelos para impressão das caixa que acondicionariam as mercadorias, juntamente com a logomarca “B A R MOTOBOMBAS” da interessada. Entretanto, a fiscalização aponta que a remessa dos arquivos digitais deuse de forma prévia à fabricação dos produtos a serem importados. Conforme constatase da cópia da mensagem eletrônica às fls. 23 e 24, trata se de uma mensagem trocada entre as empresas BRASPLANET COMÉRCIO EXTERIOR e a empresa YUANDONG em 27 de agosto de 2011, intitulada “name plates and cartons design”, com o seguinte texto: “Enclose are the name plates, cartons and manual for your first container of pumps, please kindly check them and looking for your confirmation to go on the production.” Dentre as Declarações de Importação que foram lançadas, apenas a DI 11/23596613, registrada em 13/12/2011 (fls.405 a 410), é posterior à referida mensagem. A data de embarque foi no dia 16/10/2011. A DI nº 11/13762910 foi registrada em 25/07/2011 (fls. 398 s 404), e a data de embarque das mercadorias foi dia 02/06/2011, portanto, antes dos fatos de que tratam o referido email. Mesmo para a DI 11/23596613, entendo que esse elemento de prova, por si só, não é suficiente para caracterizar a ocultação fraudulenta e simulatória da empresa B A R COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ME na importação registrada pela empresa BRASPLANET COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. Não há nenhuma comprovação de que a Recorrente efetivamente encomendou o produto em questão, mesmo para o fato de que tratava o email. As mensagem foram trocadas entre as partes que foram identificadas na declaração de importação, vendedor FUAN YANDONG, e comprador BRASPLANET, sem a comprovação da participação na negociação ou mesmo na encomenda da empresa B A R. Acrescentese ainda que, das mercadorias importadas vinculadas à referida Declaração de Fl. 504DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Importação, apenas 9% da adição 001 foram revendidas para a empresa B A R COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ME. Para aceitar tal elemento como prova, outros elementos deveriam ser carreados aos autos, confirmando a acusação fiscal. O julgador a quo entendeu que além da correspondência eletrônica já citada, outros motivos apontados pela autoridade fiscal seriam suficientes para a comprovação da infração em questão: (i) a empresa importadora não possuía capacidade operacional; (ii) a saída da mercadoria importada para cliente no mercado interno ocorria em dia próximo àquele em que ocorreu o desembaraço; (iii) a forma por intermédio da qual o importador oferecia seus serviços a clientes na internet, fazendo uso do bordão “Quer importar e não sabe como? Nós importamos para você”; (iv) cópias de correspondências com fornecedor estrangeiro que demonstrariam ser usual o importador ter clientes com encomendas prévias às importações. Ainda que sirvam como elemento indiciário de irregularidades na operação de importação, os referidos motivos não fazem prova da ocultação apontada pela fiscalização, que poderiam indicar a participação da Recorrente na operação de importação como encomendante prédeterminada. Para tanto, outros elementos seriam necessários. Também não poderia ser caracterizada a operação como sendo por conta e ordem de terceiros, por estar ausente, nos autos, quaisquer elementos de prova acerca da origem dos recursos utilizados. Dessa forma, não restou caracterizada a ocultação do sujeito passivo (B A R) nas operações registradas pela importadora (BRASPLANET), inexistindo a comprovação de dano ao Erário. No presente caso, não foi comprovada a ocultação mediante fraude ou simulação, das operações vinculadas às DI’s 11/13762910 e 11/23596613, que se configuraram como uma importação direta realizada pela BRASPLANET. A fiscalização não logrou êxito em descaracterizar a operação como sendo por conta própria da BRASPLANET. Como não restou caracterizada a infração, a penalidade decorrente deve ser afastada, por não configurar o tipo infracional previsto na norma legal: multa de valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, de que trata o artigo 23, inciso V, c/c com o parágrafo 3º do mesmo artigo, do DecretoLei 1.455/1976. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das sessões, em 12 de novembro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 505DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 12571.000065/2010-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 01/2005, inclusive, com base na art.150, § 4º, CTN. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 01/2005, inclusive, com base na art.150, § 4º, CTN. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 00 65 /2 01 0- 40 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 01/2005, inclusive, com base na art.150, § 4º, CTN. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12571.000065/201040 Acórdão n.º 2403002.875 S2C4T3 Fl. 122 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – KCB MADEIREIRA LTDA EPP contra Acórdão nº 0627.354 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR , que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº. 37.134.4980, com valor de R$ 226.179,32. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, a empresa enquadrouse incorretamente no SIMPLES e nessa condição deixou de declarar as Contribuições Previdenciárias Patronais dos Empregados e Contribuintes Individuais em GFIP, Código de Fundamentação Legal CFL 68, no período 01/2005 a 06/2007. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Ainda, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa informa que foi feito um quadro comparativo de aplicação da multa, considerandose as alterações advindas da Lei 11.941/2009. O Relatório Fiscal da Infração informa que o contribuinte era optante pelo SIMPLES. No entanto, segundo o Relatório Fiscal da Infração, houve a Representação Fiscal para Exclusão do SIMPLES, através do Processo Administrativo 12571.000175/2008 97, a qual culminou com o Ato Declaratório Executivo DRF/PTG n° 11 publicado no DOU de 24/04/2009 que excluiu a empresa do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2005. Diante da não apresentação de impugnação pelo sujeito passivo a exclusão tornouse definitiva. O Relatório Fiscal também menciona a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. A Recorrente teve ciência do AIOA em 25.02.2010, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 15 a 16, é de 01/2005 a 06/2007. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Que a empresa foi excluída do Simples, retroativamente a janeiro/2005, através do ADE/DRF/PTG n° 11, publicado no DOU de 24/04/2009. Preliminar O suposto crédito foi gerado em cima da exclusão da empresa do Simples pela movimentação financeira incompatível com a receita bruta da Declaração simplificada da pessoa Jurídica. Que a empresa não teve conhecimento do Ato Declaratório de Exclusão. Mérito Que não teve direito ao contraditório. Diz que os documentos que comprovam a exclusão indevida do Simples encontramse hoje disponíveis para o exame da Fiscalização. Que a movimentação financeira se refere a transferências financeiras que nada tem a ver com receitas financeiras ou decorrentes de vendas de mercadorias. Que se verifica excesso de exação e que os tais movimentos financeiros nada mais são que transferências bancárias. Conclusão Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0627.354 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR , conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 AI 37.134.4980 APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a dispositivo legal. MULTA MAIS BENIGNA. A Medida Provisória 449, de 2008, alterou 'o cálculo da multa aplicada por entrega de GFIP com omissão de fatos geradores. Tal alteração atrai para o caso a aplicação do art. 106, II, "c" do CTN, devendo a multa aplicada ser a mais benigna para o sujeito passivo. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12571.000065/201040 Acórdão n.º 2403002.875 S2C4T3 Fl. 123 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, devendo o cálculo da multa ser efetivado de acordo com a nova sistemática implantada pela MP 449, de 2008, convertida na Lei n° convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 (D0U28/05/2009), conforme estabelece a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 4 de dezembro de 2009. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1 2 da Lei n.° 8.748, de 09 de dezembro de 1993 e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e requerendo: (i) Preliminar existência de vícios porque os valores de créditos não possuem certeza e liquidez. (ii) No Mérito requer o recálculo da multa pela aplicação da Lei 11.941/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Preliminar existência de vícios porque os valores de créditos não possuem certeza e liquidez. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – KCB MADEIREIRA LTDA EPP contra Acórdão nº 0627.354 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR , que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº. 37.134.4980, com valor de R$ 226.179,32. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, a empresa enquadrouse incorretamente no SIMPLES e nessa condição deixou de declarar as Contribuições Previdenciárias Patronais dos Empregados e Contribuintes Individuais em GFIP, Código de Fundamentação Legal CFL 68, no período 01/2005 a 06/2007. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12571.000065/201040 Acórdão n.º 2403002.875 S2C4T3 Fl. 124 7 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12571.000065/201040 Acórdão n.º 2403002.875 S2C4T3 Fl. 125 9 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Da decadência Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12571.000065/201040 Acórdão n.º 2403002.875 S2C4T3 Fl. 126 11 § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12571.000065/201040 Acórdão n.º 2403002.875 S2C4T3 Fl. 127 13 que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente AIOA nº. 37.134.4980 com o conexo processo principal nº 12571.000064/201003, AIOP nº 37.134.4964. No conexo processo principal, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 09, apresenta diversos recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social entre as competências 02/2006 a 03/2007, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Ademais, neste sentido de se considerar os recolhimentos parciais para a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, CTN, há a Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência do AIOA em 25.02.2010, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 15 a 16, é de 01/2005 a 06/2007. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados na competência 01/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. DO MÉRITO. (ii) No Mérito requer o recálculo da multa pela aplicação da Lei 11.941/2009. A questão de fundo se reflete no cálculo da multa, daí ser necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.134.4980, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12571.000065/201040 Acórdão n.º 2403002.875 S2C4T3 Fl. 128 15 § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência na competência 01/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; no Mérito: (ii) determinar o recálculo da da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10926.000633/2006-33
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Glosa de Despesas
Despesas informadas em DIPJ e não comprovadas em registros contábeis e fiscais e em documentos de suporte, devem ser glosadas.
Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Glosa de Despesas Despesas informadas em DIPJ e não comprovadas em registros contábeis e fiscais e em documentos de suporte, devem ser glosadas. Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 GLOSA DE DESPESAS Despesas informadas em DIPJ e não comprovadas em registros contábeis e fiscais e em documentos de suporte, devem ser glosadas. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 6. 00 06 33 /2 00 6- 33 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Contra a recorrente foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, constituindo um crédito tributário no valor total de R$ 466.521,50, incluídos os principais, juros e multa qualificada de 150%, tendo em conta irregularidades apuradas em procedimento de auditoria fiscal atinentes ao anocalendário 2000. De acordo com a descrição dos fatos pelo agente fiscal, a auditoria teve inicio em 22/10/2004 em face de divergências verificadas quando do cruzamento de informações consignadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ da contribuinte do ano calendário 2000, com dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina Diretoria de Administração Tributária, conforme oficio daquele órgão, datado de 26/03/2004 (fl. 26). Da análise dos documentos apresentados pelo órgão estadual, em face de Convênio de Cooperação Técnica entre a União e o Estado de Santa Catarina, apurouse que a empresa operava normalmente, conforme extratos das Guias de Informação e Apuração do ICMS de fls. 28 a 43, ao passo que na DIPJ informou que não obteve movimento operacional, vez que todos os campos foram zerados. No curso da ação fiscal, em 19/11/2004, a empresa apresentou DIPJ retificadora, relativa ao anocalendário sob fiscalização, informando, desta feita, movimento operacional/financeiro. Na declaração retificadora (fl. 94 a contribuinte teria informado a titulo de "Outras Despesas Operacionais" (Linha 30 da Ficha 05A) cerca de 80% do total das despesas operacionais daquele anocalendário, o que motivou o aprofundamento das investigações. Relata o autuante que restaram frustradas as tentativas de acesso à documentação fiscal/contábil, para fins de exame da conta de outras despesas operacionais, pois o sujeito passivo alegou o extravio dos livros Razão e Diário, bem como de todos os documentos fiscais de custos e despesas, relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000, conforme Boletim de Ocorrência registrado sob o n° 023/2005, de 15/03/2005, do órgão policial de Dionisio Cerqueira/SC (fl. 135). Concluiu a autoridade fiscal que restou prejudicado não só o exame da conta de outras despesas operacionais como também de todas as demais, motivo pelo qual glosou as despesas, por falta de comprovação, no valor de R$ 639.631,36 (seiscentos e trinta e nove mil, seiscentos e trinta e um reais e trinta e seis centavos), com incidência de multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento), diante da "evidente sonegação fiscal e da falsidade da DIPJ `zerada ". Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10926.000633/200633 Acórdão n.º 1801002.043 S1TE01 Fl. 3 3 Como decorrência do lançamento de imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ foi lançada contribuição social sobre o lucro liquido CSLL. Os lançamentos de PIS e COFINS tiverem por motivação a omissão de valores em DCTF, tendo o faturamento da contribuinte sido apurado a partir dos registros no Livro Registro de Saídas e débitos informados ao Fisco do Estado de Santa Catarina. Aos referidos lançamentos foi imposta a multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento). Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, sob o n° 10926.000634/200688. Na impugnação tempestivamente apresentada argüiu a empresa, em resumo, que: o direito de constituir o crédito Tributário pela Fazenda Nacional decai em cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4o. do art. 150 do CTN; apesar de atingidos pela decadência os períodos de 1999 e 2000, a documentação fiscal referente aos livros de registros de entradas e saídas de mercadorias foi extraviada e tal fato foi devidamente comunicado às autoridades competentes, conforme se depreende do protocolo de n° 023/2005, de 15/03/2005 (Boletim de Ocorrência), o que demonstra a boafé da empresa, que cumpriu com o disposto no regulamento, procedendo a denúncia espontânea; considerando que a empresa apresentou a retificadora da DIPJ/2001, consignando todo o seu movimento e comprovando a regularidade de suas operações, não deve prosperar a aplicação da multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento), em•relação ao IRPJ CSLL; não houve caracterização de atitude dolosa pelos elementos que instruem o presente processo e todo o levantamento fiscal está estribado em presunção, de modo que não se pode inferir a existência de qualquer atitude fraudulenta. A Turma Julgadora de 1a. Instância consignou que o prazo decadencial para lançamento das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL seria de 10 anos a contar do fato gerador, como disposto no art. 45 da lei n º 8212/91. Em relação ao IRPJ consignou que a regra de contagem do prazo decadencial para o caso seria a prevista no art. 173, I, dada a caracterização do intuito doloso, afastando, assim, a preliminar invocada. No mérito, historiando os fatos, concluiu que a empresa prejudicou o acesso do Fisco aos seus registros contábeis e fiscais, a fim de auditar as informações prestadas, extemporaneamente, na DIPJ retificadora. No tocante ao extravio dos elementos que teriam embasado as informações prestadas na DIPJ retificadora, observou aquela autoridade que a empresa não tomou todas as providencias exigidas pela legislação tributária, mantendo, assim, a glosa de despesas. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Foi confirmada a penalidade qualificada pela caracterização do evidente intuito de fraude. Cientificada da decisão, em 22/05/2007, como demonstra a cópia do AR à fl. 185, apresentou a interessada, em 06/06/2007, recurso voluntário no qual reproduz, litteris, as razões de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Inicio por apreciar o mérito, tendo em conta que a definição da regra de contagem do prazo decadencial depende do seu deslinde. Passemos aos fatos. Em resposta a ofício enviado pela SRF, a Secretaria de Estado de Fazenda de Santa Catarina consignou que a empresa Junior Comércio de Cereais Ltda. teria informado nas GIAS apresentadas àquela Fazenda Estadual de SC, movimento operacional total no ano de 2000 da ordem de R$ 2.454.273,58, enquanto que na DIPJ do anocalendário 2000, apresentada à SRF em 2001, a empresa declarou não ter obtido qualquer receita no referido período. Detectada a divergência foi deflagrada ação fiscal que teve início com a ciência, pela empresa, em 25/10/2004 do Termo de Intimação Fiscal que solicitou a apresentação dos Livros Diário, Razão, Caixa, Inventário, Entrada de Mercadorias, Saída de Mercadorias, assim como das notas fiscais e documentos deram suporte aos registros efetuados nos referidos livros. Nessa ocasião foram retidos os Livros de Registro de Saídas de Mercadorias dos anos 1999 a 2003. Em 28/10/2004 foi lavrada outra intimação, para que a recorrente apresentasse nova DIPJ do anocalendário 2000, em virtude da constatação de movimento operacional no período. Imediatamente após receber o Termo de Intimação Fiscal providenciou, a recorrente, a retificação da DIPJ do anocalendário 2000, nela inserindo as mesmas receitas mensais informadas em GIAS ao Fisco Estadual, ou seja, todo o seu movimento comercial e financeiro do período. Já de posse da retificadora a auditoria notou que a conta “outras despesas operacionais” consignara o montante de R$ 639.631,36, que representava 80% das despesas totais declaradas na DIPJ retificadora e lavrou nova intimação, em ... Em 22/12/2005 foi lavrada reintimação cobrando a apresentação dos Livros Diário, Razão, Caixa, Inventário, Entrada de Mercadorias, Saída de Mercadorias, assim como das notas fiscais e documentos deram suporte aos registros efetuados nos referidos livros. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10926.000633/200633 Acórdão n.º 1801002.043 S1TE01 Fl. 4 5 Nessa oportunidade a auditoria fiscal efetuou a retenção dos Livros de Registro de Entradas, Registro de Saídas e de Apuração do ano 2000. Na única resposta enviada à auditoria, em 23 de janeiro de 2006, a recorrente informa que os livros e documentos solicitados pela auditoria fiscal, relativos aos anos de 1999 e 2000, desafortunadamente, teriam sido extraviados, conforme BO lavrado. Consignou, ainda, na referida resposta, que alguns dos elementos solicitados estariam em seu poder, mas que por se referirem a período prescrito, não seriam apresentados. Temos, assim, que a empresa impediu, durante 5 (cinco) anos, que o Fisco Federal tivesse conhecimento de seu movimento operacional obtido no anocalendário 2000, suprimindo, com sua conduta, o pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública Federal. E a situação permaneceria dessa forma, não fosse a solicitação feita pela Receita Federal à Fazenda Estadual de Santa Catarina, que foi o órgão responsável por prestar a informação de que a empresa recorrente havia, sim, auferido receitas no ano de 2000. A recorrente poderia, minimamente, ter atendido às solicitações da auditoria no curso do procedimento, mas optou por obstaculizar ainda mais os trabalhos fiscais, recusandose a apresentar elementos de sua escrituração contábil e fiscal, ora por entender que o período a que se referiam estaria prescrito, ora por alegar que toda a documentação que comprovaria a expressiva despesa operacional do ano auditado fora extraviada justamente dias após a ciência da intimação que as solicitou. Nesse contexto reafirmo a posição adotada pela Turma Julgadora de 1a. Instância no sentido de que a cópia do Boletim de Ocorrência apresentado nada comprova a favor da defesa. Apenas veicula uma informação prestada pela própria parte que tem interesse imediato em suprimir informações e dados do Fisco Federal. Observo que a auditoria fiscal concedeu à contribuinte a oportunidade de refazer a sua declaração de rendimentos do anocalendário 2000, pois até o momento da retificação da DIPJ, a empresa possuía toda a escrituração contábil e fiscal necessária para apuração de seus resultados pelo Lucro Real. Refeita, pela recorrente, a apuração do ano de 2000, restava ao agente fiscal auditar a veracidade das informações prestadas na DIPJ retificadora, mediante a análise da escrituração contábil e fiscal usada como base de informações para sua elaboração. Mas no momento em que a auditoria tentou confrontar os elementos, optou, a recorrente, mais uma vez, por suprimir essas informações do agente fiscal, prejudicando, assim, ainda mais, o trabalho da fiscalização. Dessa forma, não apenas está justificada a glosa das despesas, pela inexistência de comprovação da veracidade do valor consignado na DIPJ retificadora, como também está justificada a imposição da multa qualificada, pela evidente prática dolosamente reiterada de sonegação fiscal e fraude, cujos tipos se encontram previstos na Lei n º 4.502, de 1964 Lei n º 4.502, de 1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Caracterizada a prática de fraude e sonegação fiscal, a contagem do prazo decadencial é regida pela regra prevista no art. 173, I do CTN, como já se encontra pacificado neste órgão de julgamento, como consignado na seguinte súmula de observância obrigatória: Súmula CARF nº 72. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Assim, para o fato gerador ocorrido em 31/12/2000, o lançamento poderia ter sido efetuado no anocalendário 2001. O primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado é o dia 1o. de janeiro de 2002 e o último dia do prazo para a constituição de ofício do crédito tributário teria se dado em 31/12/2006. Como o lançamento foi cientificado em 04/12/2006, não se operou a decadência. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos – CSLL, PIS e COFINS, acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10926.000633/200633 Acórdão n.º 1801002.043 S1TE01 Fl. 5 7 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 12466.002503/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada; no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº. 22.170.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada; no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº. 22.170. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 25 03 /2 00 8- 97 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada; no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº. 22.170. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner para uso em impressoras a laser HP”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 03/52) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de ImportaçãoII (R$ 152.519,41); Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – Importação (R$ 305.038,88); PIS/PASEP – Importação (R$ 1.134,48) e COFINS – Importação (R$ 5.225,30), acrescidos da multa de ofício; bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 26.375,30, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. Foi constatado pela fiscalização que alguns itens das adições das Declarações de Importações (DI) relacionadas nos autos de infração cartuchos de toner para uso em impressoras a laser HP são partes e acessórios compatíveis com equipamentos Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002503/200897 Acórdão n.º 3202001.435 S3C2T2 Fl. 799 3 multifuncionais, classificáveis na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, da TEC, aprovada pela Res. Camex n° 43/2006, sendo que o importador os classificou no código NCM 8443.99.29. Informa que as máquinas multifuncionais (NCM 8443.31.00) tem a seguinte definição: "Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (FAX), capazes de ser conectadas a uma máquina automática, para processamento de dados ou a uma rede". Explica que, entretanto, os acessórios para as máquinas multifuncionais não tinham classificação específica até aquele momento. Diante deste fato, a solução foi adotar a regra 3 c) do Sistema Harmonizado. Ademais, de acordo com a solução de consulta SRRF 9ª. RF/DIANA n° 126/07, o cartucho de toner utilizado em máquinas capazes de efetuar múltiplas funções, impressão, cópia e facsímile, é classificado no item 8443.99.3 e, como não existe um subitem apropriado para sua inclusão, o código NCM/TEC a ser utilizado é o 8443.99.39. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 656/663, na qual, em síntese: Alega que a função principal das mercadorias é imprimir textos e imagens com alta resolução, utilizando tecnologia de impressão a laser e que o cartucho de toner, na condição de parte, acessório ou dispositivo, tem tudo a ver com a função de imprimir, referência técnica que conduz seu enquadramento para NCM 8443.99.29. Defende que a Regra 3.c. não é aplicável ao caso, uma vez que a classificação dos "cartuchos de impressão para impressora laser " se faz em obediência direta às RGI 1° e 6°, por se tratar de mercadoria compreendida no texto da posição 8443, no código tarifário reservado às partes e acessórios de impressoras. A mesma interpretação há de prevalecer, com relação aos "cilindros para produção de imagens para impressora laser", despachados nos itens 17 e 18 da adição 001 da DI n° 08/08823560, de 12 de junho de 2008. Com relação às "cabeças de impressão de jato de tinta, com depósito de tinta incorporado", despachadas na adição 007 da DI n° 08/09060145, de 17.06.2008, dúvida alguma pode pairar, pois, no caso, tratamse de mercadorias nominalmente descritas na NCM 8443.99.25. Com referência aos "cartuchos de tinta", declarados na adição 002 da D.I. n° 08/09061145, de 17.06.2008, não há como contestarse sua classificação pela NCM 8443.99.27, onde se encontram nominalmente citados. Aduz que a Circular SECEX nº 041, de 26 de junho de 2008, ao propor alterações na NCM, com relação às impressoras e suas partes, reconheceu claramente que, no caso, a nomenclatura haveria que respeitar a mercadoria, e não a sua eventual utilização. Pretende a produção de provas, notadamente pericial, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Alega que, nos "Demonstrativos de Apuração", com relação às DI nº 08/09060145 e 08/08127459, sucederam alguns erros, pois, na primeira, no que toca ao II, Fl. 800DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 mencionouse um valor recolhido de (R$ 75.021,80), que efetivamente não ocorreu, havendo divergências também quanto ao IPI. No concernente à DI nº 08/08127469, o valor CIF de um item da adição 001 foi indevidamente acrescentando ao valor CIF dos 3 itens da adição 002. Aduz que tem conhecimento da Solução de Consulta nº 50/2008, da 7° R.F., versando sobre a classificação dos cartuchos de toner para impressoras na NCM 8443.99.29. A propósito, solicita que a referida decisão seja incorporada aos autos. Informa que as mercadorias, objeto da autuação, foram desembaraçadas com base em determinação judicial e mediante a realização de depósitos judiciais. Ressalta serem indevidos os créditos tributários lançados ao desamparo da legislação e sem qualquer suporte na prova dos autos. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou procedente em parte a impugnação, excluindo parte do crédito tributário relativo às DIs nº 08/09060145, de 17/06/2008, e nº 08/08127459, de 02/06/2008, conforme demonstrativo constante do voto do relator (efl. 708). Confirase a ementa do julgado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em parte. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu em preliminares a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, e no mérito, a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminar Fl. 801DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002503/200897 Acórdão n.º 3202001.435 S3C2T2 Fl. 800 5 Em preliminar a Recorrente suscitou a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, pelo fato de ter sido negado o pedido para realização de perícia. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora de primeira instância indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia revestese das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Desse modo, descabe o deferimento para realização de prova pericial quanto a autoridade julgadora entender que não há necessidade de conhecimentos específicos para esclarecer as questões fática constantes dos autos. A decisão recorrida está devidamente motivada, conforme se pode atestar com a simples leitura do voto condutor de tal decisão. Todos os pontos apresentados pela recorrente foram devidamente abordados pelo relator do acórdão, tanto é assim que acolheu em parte a impugnação, afastando parcialmente o crédito tributário cobrado. Não acolho a preliminar de nulidade suscitada. Mérito O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: Fl. 802DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) Fl. 803DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002503/200897 Acórdão n.º 3202001.435 S3C2T2 Fl. 801 7 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: Fl. 804DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002503/200897 Acórdão n.º 3202001.435 S3C2T2 Fl. 802 9 No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina Fl. 806DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner” devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 807DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.914547/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrosino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI – Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrosino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Kraft Foods Brasil S/A contra Acórdão nº 0629.125, de 10 de novembro de 2010, proferido pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que acordou por unanimidade de votos, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 14 54 7/ 20 08 -1 7 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 143 2 ratificando a não homologação da compensação declarada na DCOMP de nº 28499.69476.021006.1.7.044807. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Argumenta que como "não há qualquer explicação no despacho decisório sobre a motivação da não homologação da compensação declarada, a contribuinte suspeita que seja decorrente do não recolhimento de multa moratória quando do pagamento em atraso da Cofins utilizada para creditamento ". Isso porque, afirma: "o pagamento somente foi efetuado em 2410212003, tendo sido recolhido o valor principal acrescido dos juros correspondentes ao período". Ou seja, a contribuinte pagou o tributo em atraso sem a multa moratória. Diz ainda que a RFB pode ter entendido que "parte do crédito pleiteado já teria sido utilizado para a extinção da multa decorrente do respectivo pagamento em atraso, motivo pelo qual restaria apenas uma parcela passível de compensação com os débitos de Cofins, objeto do presente processo 'administrativo". Nesse sentido, informa que o DARF pago em atraso sem a adição da respectiva multa, foi objeto do Mandado de Segurança n° 2003.70.00.0331380, da 5 a vara federal de Curitiba, impetrado para reconhecer a denúncia espontânea e afastar a exigibilidade da multa decorrente do pagamento em atraso. Informa que o D. Magistrado concedeu a segurança pleiteada `para o fim de declarar a inexigibilidade da multa moratória decorrente de denúncia espontânea, conforme requerimentos protocolados na DRF sob n°s. 2003.0849 e 2003.0850 ". Informa ainda que os recursos da Fazenda Nacional interpostos ao TRF da 4' da Região e ao STJ tiveram o provimento à apelação negados. Em suma, sustenta que a "referida multa é manifestamente indevida, devendo ser afastada sua exigência, haja vista se tratar de denúncia espontânea reconhecida judicialmente”. Argumenta também que a Administração Pública deve agir de acordo com os princípios da verdade material e do informalismo, bem como, cabe a ela o dever de proceder à pesquisa de possíveis créditos anteriores que tivessem sido utilizados na compensação. Nesse sentido, ressalta que cabe à Administração o dever de tentar salvar os atos praticados pelos administrados, os quais, vêemse perdidos frentes aos inúmeros entraves burocráticos. Afirma que não respeitados tais pressupostos, a Administração Pública estaria se locupletando indevidamente. Assevera, ainda, que inexiste prova material contundente contra quanto à suposta inexistência do crédito ofertado pela contribuinte na compensação. Diante disso, sustenta que por conta da total ausência de provas e de sua incontestável boafé, há que ser afastada a glosa efetivada pela fiscalização e, consequentemente, a não homologação da compensação requerida. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, ratificando a não homologação da compensação declarada na PERDCOMP de nº 28499.69476.021006.1.7.044807, em acórdão com a seguinte ementa: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 144 3 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 DECLARAÇAO DE COMPENSAÇAO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. Não eliminado o fato de que o pagamento feito através de DARF foi totalmente alocado a débito confessado, é de ser mantido o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 3 de dezembro de 2010, apresentou recurso voluntário em 23 de dezembro de 2010 ao Conselho Administrativo Fiscal – CARF. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a KRAFT FOODS BRASIL S.A. teve ciência da decisão de primeira instância em 3 de dezembro de 2010, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentandoo em 23 de dezembro de 2010. Considerando outros processos apreciados individualmente, cabe elucidar que o referido recurso voluntário foi apresentado regularmente com o instrumento particular substabelecendo pelo Dr. Alberto René Bruel ao advogado Dr. José Augusto Lara dos Santos poderes para praticar todos os atos judiciais e extrajudiciais necessários à representação e defesa dos interesses da Outorgante (Kraft Foods Brasil S/A) em qualquer juízo, Instância ou Tribunal, bem como perante quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, inclusive de direito público, seus órgãos, Ministérios, Repartições Públicas Federais, Estaduais e Municipais, Juntas Comerciais, Prefeituras e Autarquias, com poderes para transigir, desistir, confessar, receber e Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 145 4 dar quitação, firmar termos e compromissos, podendo, inclusive substabelecer, enfim, praticar todos os demais atos necessários ao bom e fiel cumprimento do presente mandato. Sendo assim, passo a discorrer sobre as questões trazidas no recurso voluntário. Depreendendose da análise do recurso voluntário, importante trazer, quanto aos fatos, que a recorrente descreve que: · Em 02.10.2006, apresentou a declaração de compensação (DCOMP) n°. 03582.96269.150904.1.3.044895, que foi, posteriormente, retificada pela DCOMP n°. 28499.69476.021006.1.7.044807; · Nas referidas declarações, pleiteou a extinção de débitos de COFINS no valor histórico de R$ 6.581,13 referente ao período de apuração 08/2004, com créditos de COFINS originários de pagamento indevido, referente ao período de apuração de 04/2002, objeto da DARF recolhida em 24/02/2003, cujo valor total era de R$ 135.128,67; · Ao apreciar a referida DCOMP, em 25/09/2008, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu despacho decisório, no qual não homologou a pretensão da contribuinte, em decorrência da suposta inexistência do crédito; · Em virtude desta não homologação, a autoridade fazendária consolidou o débito de R$ 16.627,12 em desfavor da contribuinte, sendo: R$ 9.486,04 o valor principal; R$ 1.897,20 o valor da multa e R$ 5.243,88 o valor dos juros; · Em face deste r. despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade pela contribuinte, a qual foi julgada improcedente pela colenda Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, mediante o acórdão n 11 0629.125. Alega a recorrente, assim, que a presente declaração de compensação merece ser integralmente homologada, na medida em que o crédito ofertado pela contribuinte existe, sendo decorrência, inclusive, de decisão judicial já transitado em julgado. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 146 5 Quanto ao mérito, induz a recorrente que: · DRJ entendeu que a compensação não poderia ser homologada pela suposta inexistência do crédito, uma vez que "todo o crédito disponível para realizar a compensação" já teria sido utilizado; · O entendimento, no entanto, é manifestamente equivocado, na medida em que ignora a existência de decisão judicial (já transitada em julgado) acerca da existência do crédito necessário para que seja homologada a referida compensação; · Com efeito, o crédito ofertado à compensação é decorrente de pagamento indevido de COFINS (período de apuração de 03/2002), o qual foi objeto de denúncia espontânea pela contribuinte, sendo recolhido em 24/02/2003 o seu valor principal, acrescido apenas dos juros correspondentes ao período; · A suposta ausência/insuficiência do crédito ofertado pela contribuinte decorre justamente do fato do sistema da Receita Federal do Brasil ter utilizado indevidamente os valores indevidamente recolhidos para extinguir "multa moratória" decorrente do pagamento do débito em atraso; · Nesse sentido, a DARF paga em atraso e sem a adição da respectiva multa foi objeto do Mandado de Segurança no 2003.70.00.0331380, da 5 8 Vara Federal de Curitiba/PR, que foi julgado integralmente procedente, justamente para reconhecer a ocorrência da denúncia espontânea no caso, com o consequente afastamento da exigibilidade da referida multa; · Em sentença proferida, o Douto Juízo da Sa Vara Federal de Curitiba/PR concedeu a segurança pleiteada, "para o fim de declarar a inexigibilidade da multa moratória decorrente de denúncia espontânea, conforme requerimentos protocolados na Delegacia da Receita Federal sob n°s 2003.0849 e 2003.0850". Referida decisão foi, posteriormente, mantida pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 4a Região e pelo excelso Superior Tribunal de Justiça, o que acarretou o seu trânsito em julgado em 17.04.2006; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 147 6 · Tornase peremptória a conclusão de que a exigência do recolhimento da referida multa é manifestamente indevida e contrária, de modo patente, a referida determinação judicial já transitada em julgado. Com isso, por consequência, não sendo utilizados os referidos valores para quitar a referida multa, resta evidente a existência suficiente do crédito ofertado pela contribuinte à compensação; · Havendo decisão transitada em julgado favorável à contribuinte reconhecendo a denúncia espontânea e afastando a exigência do recolhimento de multa de mora, não pode a Administração Pública agir de forma contrária, reduzindo do crédito tributário da contribuinte o montante correspondente à referida multa de mora. Pelas razões acima expostas, conclui a recorrente que o crédito ofertado deve ser integralmente reconhecido, em virtude de decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu a denúncia espontânea e afastou a exigibilidade da multa de mora, e, conseqüentemente, a compensação declarada deve ser completamente homologada. Relativamente à alegação pela recorrente da possibilidade de aproveitamento da compensação efetivada pelo contribuinte, traz a recorrente que em matéria tributária, uma das formas de consecução da personalização do Direito Administrativo se encontra bastante presente, qual seja, a busca pela verdade material no Processo Administrativo Fiscal. O que, expõe que as autoridades julgadoras devem buscar mais do que os dados existentes nos processos e declarações, devem buscar o que efetivamente ocorreu, na tentativa de recomposição do ato com vistas a transformálo em fato. Continua a recorrente que, por outro ângulo, na análise das manifestações de vontade dos contribuintes, a Administração Pública deve se guiar pelo informalismo, ou seja, significa que a Administração não poderá aterse a rigorismos formais ao considerar as manifestações do administrado. O que considera que mesmo que a contribuinte eventualmente não tenha lançado mão de todas as formalidades exigidas (tal como a indicação de crédito decorrente de valor pago a maior na DCOMP, ao contrário de crédito decorrente de medida judicial), a autoridade administrativa DEVE sempre buscar a verdade material acerca da questão, para, verificando a real existência do crédito, regularmente homologar a compensação. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 148 7 Traz ainda a recorrente o dever da fiscalização de proceder as compensações de ofício quando da existência de créditos dos contribuintes, argumentando que mesmo que se não admitisse essa "salvabi1idade" dos dados informados na compensação, restaria, ainda, o dever da Administração Pública de proceder à pesquisa da existência de eventuais créditos do contribuinte, para se proceder à pleiteada compensação. Defende também a inexistência de prova material contra a contribuinte, considerando a recorrente que o débito tributário consolidado em desfavor do contribuinte não lhe pode ser exigido, na medida em que a administração fazendária não logrou produzir qualquer prova material relacionada a suposta inexistência do crédito ofertado pela contribuinte em compensação. Desta feita, traz à baila que o processo judicial, têm suas raízes fincadas na Constituição. O artigo 5 1, LV dispõe "aos litigantes em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Por fim, requer a recorrente que o recurso voluntário seja conhecido e integralmente provido, reformando a r. decisão recorrida, para homologar a compensação formalizada pela DCOMP nº 03582.96269.150904.1.3.044895 (retificada pela DCOMP nº 28499.69476.021006.1.7.044807), com o afastamento do débito tributário de Cofins consolidado em desfavor do contribuinte. Para melhor elucidar a questão do crédito ora discutido, transcrevo o voto constante do acórdão da DRJ: “A manifestação é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. O despacho decisório emitido (fl. 1) informa que o pagamento oferecido à compensação pela contribuinte (pagamento a maior de Cofins, código 2172, PA 04/2002, no valor total de R$ 1.35.128,67, recolhido em 24/02/2003) estava totalmente utilizado, conforme o quadro a seguir: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 149 8 Observase na DCTF ativa (11. 94) que o débito informado do tributo em questão é de R$ 1.716.621,49. Este foi quitado por dois pagamentos e uma compensação, conforme quadro a seguir: Portanto, o saldo credor do "pagamento 2", objeto da DCOMP aqui em questão, é a diferença entre o valor do principal e o valor utilizado, perfazendo o montante de R$ 12.057,89. Todavia, tal saldo credor do pagamento em questão foi objeto de duas DCOMPs (uma anterior a esta discutida), conforme se segue: A primeira DCOMP, conforme podese verificar no processo 10980.903309/200886, teve o crédito parcialmente reconhecido no montante de R$ 1.638,67. A contribuinte utilizou, desse modo, todo o crédito disponível para realizar a compensação então pleiteada. Salientese que a manifestação de inconformidade interposta contra essa homologação parcial não teve o mérito analisado por ter sido não conhecida, uma vez que foi interposta intempestivamente. Portanto, após a efetivação da primeira compensação (26103.69339.180906.1.7.045524), não resta à contribuinte saldo credor algum no pagamento informado para ser utilizado na compensação aqui discutida. Quanto à alegação do cerceamento do direito de defesa, esse também não pode prosperar. Isso porque o despacho decisório recorrido esclarece que o pagamento efetuado em 24/02/2003 foi parcialmente utilizado pela vinculação realizada pela contribuinte em sua DCTF (Db: cód 2172 PA 3010412002) e parcialmente utilizado na DCOMP 26103.69339.180906.1.7.045524, de modo a não lhe restar saldo credor algum no pagamento informado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 150 9 Concluise, assim, que a descrição do despacho decisório recorrido é clara, não se caracterizando qualquer cerceamento ao direito de defesa da Interessada, até porque o documento que lhe foi apresentado permitiu que ela compreendesse o motivo da não homologação e apresentasse sua defesa, de modo preciso. Desse modo, inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa quando a contribuinte demonstra ter conhecimento dos fatos imputados, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na manifestação de inconformidade. Cabe ressaltar também que não há qualquer violação aos princípios da verdade material e do informalismo, vez que a Administração demonstra claramente como se deu a utilização do crédito pleiteado na compensação. Não há, também, como salvar o ato praticado pela contribuinte, uma vez que o pagamento informado não possui crédito suficiente para extinguir, pela compensação, o crédito tributário informado. Por conseguinte, não há que se falar em enriquecimento indevido por parte da Administração Pública. Conclusão Diante do exposto, o presente voto é no sentido de julgar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE, ratificando a não homologação da compensação declarada no Per/Dcomp de no 28499.69476.021006.1.7.044807.” Após a transcrição do voto do relator Marcelo Miranda Ribeiro constante do acordão 0629.125 da 3ª Turma da DRJ/CTA e depreendendose da análise do recurso voluntário e documentos acostados no processo, a meu sentir, não resta claro se o valor do crédito utilizado pela recorrente foi efetivamente utilizado “equivocadamente” para “EXTINGUIR” multa moratória de pagamento de débito em atraso que, por sua vez, havia sido objeto de decisão transitada em julgado favorável à contribuinte reconhecendo a denúncia espontânea e afastando a exigência do recolhimento de multa de mora. O que, por conseguinte, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.914547/200817 Resolução nº 3202000.308 S3C2T2 Fl. 151 10 · Elabore demonstrativo da utilização do crédito tributário ora pleiteado vinculando com o débito liquidado – e, segregandose por “juros de mora” e “multa de mora”, com o intuito de sanar a controvérsia instaurada; · Confirme se o total do crédito pleiteado não foi efetivamente utilizado para se compensar a multa de mora do pagamento em atraso e que, por sua vez, teria sido objeto de afastamento do recolhimento pela decisão transitada em julgado; · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA
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Numero do processo: 10983.905058/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000
COFINS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
O valor referente à retenção na fonte da COFINS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos.
Numero da decisão: 3401-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte da COFINS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 58 /2 00 8- 44 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, pelo qual a Contribuinte pretende o ressarcimento da COFINS recolhida supostamente a maior para compensar com outros débitos também da COFINS. O crédito é oriundo de retenções na fonte praticadas por órgãos público que não foram utilizadas para abatimento do valor devido no período retido. O crédito foi indeferido por despacho decisório e a DRJ em Florianópolis/SC manteve o indeferimento. A Recorrente recorreu tempestivamente da decisão da DRJ. Em primeira análise por este colegiado, sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, o julgamento foi convertido em diligência sob o fundamento de que, apesar de a Contribuinte ter direito ressarcimento, não se saber qual era o valor do crédito. O processo foi analisado pela segunda vez, ocasião na qual novamente foi convertido em diligência, para que a Recorrente sanasse um vício de representação, e se pronunciasse acerca da conclusão da primeira diligência. Em terceira análise, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a delegacia de origem buscasse no SIAFI ou junto à Contribuinte os comprovantes de retenções alegados. O relatório da diligência, presente nas fls. 153/154, informa a existência de retenção no valor de R$ 13.292,34 e que a Recorrente não utilizou esse valor para dedução do valor devido no período, contudo conclui pela inexistência do crédito em razão de, no entender da autoridade fiscal, o crédito não atender aos ditames legais. A Recorrente se manifestou informando que em outros processos de matéria idêntica o CARF já se manifestara no sentido de que a parcela de retenção que não foi utilizada pelo contribuinte na apuração dos seus tributos caracterizase como pagamento indevido ou a maior. É o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.905058/200844 Acórdão n.º 3401002.798 S3C4T1 Fl. 173 3 Voto Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O julgamento da presente demanda resumese a duas partes, a primeira quanto a possibilidade de ressarcimento da parcela da COFINS retida na fonte por entidade pública e não aproveitada, pela Contribuinte, para abatimento do valor devido; a segundo, se, de fato, existe algum valor retido e não utilizado. Na primeira análise do recurso voluntário, muito embora o julgamento tenha sido convertido em diligência, no voto do relator original, aprovado por unanimidade, já foi analisada a primeira parte e se concluiu pela possibilidade de ressarcimento de tais créditos para compensação, conforme fl. 87/91 dos autos, in verbis (...) constatase pelo Despacho Decisório expedido eletronicamente pela DRF/FlorianópolisSC, que o motivo do não reconhecimento do crédito foi a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do referido Darf indicado pela interessada como originário do pagamento indevido ou a maior. Assim, somente com as informações trazidas pela interessada na Manifesto:0o de Inconformidade veio a tona a completa identificação do alegado crédito, ou seja, conforme dito acima, que o mesmo seria decorrente de retenção na fonte sofrida em face da regra do art. 64 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e não aproveitada para reduzir o valor do saldo apagar da contribuição. E a DRJ, por seu turno, atribuiu a inobservância da forma o motivo da não homologação da compensação, ou seja, mesmo admitindo, ou não ter questionado, a retenção na fonte, considerou que a Dcomp haveria de ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações nos quais a interessada apurara e declarara os valores devidos e a pagar relativos as contribuições objeto das retenções e aos períodos base a que pertencem. Sobre o referido art. 64 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, é bom que se esclareça o seu teor, ou seja, a partir de 1° de janeiro de 1997, todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, passaram a sujeitarse a incidência, na fonte, do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/PASEP sendo que o "valor retido": a) é levado a crédito da respectiva conta de receita da União (§ 2°); b) é considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e as mesmas contribuições (§ 3°); e c) somente pode ser compensado com o que for devido em relação a mesma espécie de imposto ou contribuição (§ 4°) Alem disso, a segregação do valor retido, de acordo com o imposto ou a contribuição, ficou estabelecida da seguinte forma: o IRPJ, mediante a aplicação de 15% sobre o Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 resultado da aplicação do percentual de que trata a Lei n° 9.249/95; a CSLL, de I% sobre o valor do montante pago, e o P1S/Pasep e a Cofins, dos percentuais correspondentes as respectivas alíquotas (§§ 5° ao 8°). O primeiro ato infralegal dispondo especificamente sobre essa modalidade de retenção na fonte foi a Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 04, de 18 de agosto de 1997, a qual estabeleceu regras para a retenção e trouxe uma tabela de retenção, segundo a qual, para os serviços prestados sob o titulo de "energia elétrica", o percentual aplicado seria de 4,85%, correspondente a soma dos percentuais de 1,2% (IRPJ), 1,0% (CSLL), 2,0% (Cofins) e 0,65% (PIS/Pasep), bem como que o código de recolhimento seria "6147". Referido ato prevaleceu, com algumas modificações posteriores até a edição da IN SRF n° 294, de 04/02/2003, que o revogou, tendo sido editada, para tratar da matéria, a IN SRF n° 306, de 12/03/2003,fixando, no que interessa ao processo, as mesmas regras listadas acima. Esta última Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF n°480, de 15/12/2004, a qual manteve, no que interessa ao processo, as mesmas disposições listadas acima, com alguma ou outra mudança não significativa para este julgamento. Com base nessas informações, podemos concluir que o DARF indicado pela interessada como origem para o crédito postulado, cujo código de recolhimento utilizado fora o "6147", referese, de fato, à retenção efetuada pela Universidade Federal de Santa Catarina em face de pagamento a interessada pela venda de energia elétrica. Podemos concluir, também, que o seu valor é composto por outros tributos além do PIS/Pasep, e que, nos termos dos parágrafos 3° e 4° do referido artigo 64, a interessada poderia ter diminuído do valor do PIS/Pasep devido o valor que lhe fora retido na fonte a esse titulo.Assim, diante das afirmações taxativas da interessada, de que bastaria a confrontação de sua DCTF, na qual está indicado o valor devido, com o Darf recolhido a esse titulo, para verificar que não se valeu da permissão legal de utilizar o valor retido na fonte, podese dizer que, de fato, e, em princípio, incorreu ela, por seu erro, num pagamento indevido ou a maior. A ressalva que fiz no parágrafo anterior devese ao fato de que, apesar de fortes indícios, o direito ao crédito não foi demonstrado corretamente pela interessada, dai a DRI não ter admitido a compensação. A DRJ tem razão quanto a inobservância da forma adequada, haja vista que a interessada deveria ter indicado na PER/Dcomp como origem de seu crédito o "pagamento indevido ou a maior" relacionado, não ao recolhimento efetuado pela Universidade de Santa Catarina e que correspondeu ao valor por esta retido na fonte a titulo de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, mas, sim, o recolhimento efetuado por ela própria, a interessada, relacionado ao débito do PIS/Pasep do mesmo período de apuração correspondente ao que gerou a referida retenção na fonte. Pois, como visto e revisto acima, não houve erro e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.905058/200844 Acórdão n.º 3401002.798 S3C4T1 Fl. 174 5 tampouco pagamento indevido ou a maior quando Universidade de Santa Catarina recolheu o valor da retenção na fonte, mas, sim, quando a interessada deixou de diminuir do valor a pagar da contribuição o valor da retenção sofrida na fonte, o que provocou o pagamento indevido ou a maior ora em discussão. Observo, contudo, que, ainda que a interessada tivesse assim procedido, seu pleito também não seria admitido de plano, ainda mai se considerarmos que o "batimento" das informações foi eletrônico, haja vista que os sistemas da Receita Federal fariam o confronto entre o valor do débito indicado na DCTF e o valor do recolhimento da contribuição e, obviamente, não se encontraria o crédito apontado no PER/Dcomp, que referese ao valor da retenção na fonte. E que, dadas as limitações dos campos disponibilizados para preenchimento nas PER/Dcomp, somente por ocasião da Manifestação de Inconformidade, ou por meio de petição suplementar, é que a interessada, então, teria a oportunidade de explicar as verdadeiras razões de seu pedido de reconhecimento de crédito. Além disso, não estivessem ainda sido retificados os registros e as declarações nas quais apurou e declarou os valores devidos e apagar, por óbvio, não se constataria erro algum no pagamento efetuado. Estou perfeitamente de acordo com a fundamentação utilizada pela instância de piso, especialmente quando ela diz:"É preciso ressaltar que as retenções na fonte previstas no artigo 64da Lei n.° 9.430/1996, acabaram merecendo disciplina complementar em alguns atos administrativos, como tais a Instrução Normativa SRF n.° 306, de 12/03/2003, e a Instrução Normativa SRF n.°480, de 15/12/2004. Em tais atos, está expresso que "os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do ma da retenção" (artigo 5.0 da IN SRF n.° 306/2003) e que" os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção" (art. 7o da IN SRF n.°480/2004). Como se vê, tais atos administrativos expressamente permitem que os valores retidos sejam utilizados para compensar débitos relativos a períodosbase_posteriores, mas certo é que tais disposições devem ser devidamente cruzadas com a natureza própria das retenções da fonte, expressa no parágrafo 3.0 da Lei n.° 9.430/1996, ou seja, o direito a compensação com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que as retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte.Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores." Porém, com a devida vênia, dela divirjo nas conclusões, ou seja, o pleito da interessada não pode ser considerado improcedente pela mera inobservância deforma, já que "forma por forma", também não poderia a DRJ ter deixado Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 de observar que a atribuição de verificação quanto a procedência ou não da compensação é da DRF, e não dela, e como visto, a fundamentação constante do Despacho Decisório para não homologar a compensação nada teve a ver com o motivo alegado pela DRJ. Vejase, por exemplo, os dispositivos da IN SRF n° 210, de 2002, que tratam da competência para o reconhecimento do direito creditório e para a homologação da compensação declarada: "Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a titulo de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, a data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) §1o A restituição ou a compensação de oficio do crédito do sujeito passivo com seus débitos para com a Fazenda Nacional caber6 ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, a data da restituição ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo. (...) §5o A homologação de Declaração de Compensação apresentada pelo sujeito passivo a SRF será promovida pelo titular da DRF, Derat ou Deinf que, a data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo, observado, quanto ao reconhecimento do direito creditório, o disposto no sS' 6°. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003)".] (...) Além disso, como afirmado acima, não há na PER/Dcomp campo próprio para que os detalhes que cercam esse tipo de pleito possam ser melhor esclarecidos pelos contribuintes, o que somente é possível, ou por meio de petição adicional, ou quando da apresentação de reclamação contra um despacho decisório desfavorável. Deixo aqui consignada a minha convicção, obtida dos elementos e argumentos trazidos pela Recorrente aos autos, de que existe o direito ao crédito por conta de não telo utilizado consoante a lei lhe facultava, porém, o seu reconhecimento efetivo para fins de aproveitamento em compensação não pode ser obtido neste julgamento em face de depender de providencias que :16 poderiam ter sido tomadas nas fases processuais anteriores, haja vista que as informações e documentos carreados ao processo pela interessada foram suficientes para que se aprofundasse nas investigações agora reclamadas. Neste ponto, invoco os princípios de direito administrativo aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal Federal, notadamente os da legalidade, moralidade, da eficiência e o da Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.905058/200844 Acórdão n.º 3401002.798 S3C4T1 Fl. 175 7 finalidade, bem como os princípios da verdade material, para proferir o meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem, agora sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifeste, facultando à mesma a oportunidade para também manifestarse, no prazo de trinta dias. 0 presente processo somente deverá voltar a este Colegiado se, da nova análise a ser efetuada quanto ao crédito, ainda assim não restar homologada a compensação declarada e contra tal decisão a interessada se insurgir.(grifos nossos) Por essa razão, reputo já ultrapassada a questão da possibilidade de ressarcimento da contribuição retida na fonte, restando analisar somente se existiu retenção não aproveitada para abatimento. Quanto à segunda parte, o relatório de diligência foi expresso em afirmar a existência de retenção no valor de R$ 13.292,34 que não foi utilizado para dedução do valor devido no período da retenção. Portanto, concluise pela existência de crédito em favor da Recorrente. Ex positis¸ dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer em favor o direito creditório no valor R$ 13.292,34. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 15504.018966/2009-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO.
Para o produtor rural pessoa jurídica, aplica-se a substituição das contribuição previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Numero da decisão: 2403-002.645
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício do lançamento. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Daniele Souto Rodrigues na base de cálculo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO. Para o produtor rural pessoa jurídica, aplica-se a substituição das contribuição previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
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TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO. Para o produtor rural pessoa jurídica, aplicase a substituição das contribuição previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 89 66 /2 00 9- 46 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício do lançamento. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Daniele Souto Rodrigues na base de cálculo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018966/200946 Acórdão n.º 2403002.645 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0228.435 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. AGROINDÚSTRIA. CONCEITO. Conceituase agroindústria como o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. O contribuinte tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Desnecessária a perícia, devendo ser indeferida, quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador e não restar comprovada a necessidade de conhecimento técnico específico para os questionamentos apresentados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra AVIÁRIO SANTO ANTONIO LTDA, CNPJ 17.425.646/000113, no montante de R$1.180.588,80 (Hum milhão, cento e oitenta mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta centavos), relativo às Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 competências compreendidas entre 01/2006 a 12/2006, com valor consolidado em 30 de novembro de 2009. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração AI (fls. 28/32), o lançamento referese a contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais e sobre os valores da comercialização da produção rural. Argumenta a autoridade fiscal que o crédito tributário foi constituído por meio dos seguintes levantamentos: a) PR Produto Rural, competências 01/2006 a 12/2006, FPAS 744 referente à comercialização da produção rural; b) Z1 Transf do levantamento FP Folha de Pagamento, FPAS 604 competências 01/2006 a 12/2006, referente às remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais. Registra que a apuração do crédito tributário foi realizada por meio das informações das folhas de pagamento e dos lançamentos contábeis do razão contidos nos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte. Aduz que o contribuinte se autoenquadrou como agroindústria, sob a alegação de que industrializava tanto os produtos rurais por ela produzidos quanto os adquiridos de terceiros. Informa que, ao analisar os lançamentos contábeis do contribuinte, constatou a presença de transações que não eram de venda de produto rural, mas simples envio para outras empresas. Assinala que os ovos produto rural eram industrializados em outras empresas e retornava ao contribuinte para a comercialização sob a fornia de pó. Argumenta que, para fins da legislação previdenciária, se considera agroindústria aquele que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural. Afirma que o contribuinte efetuou os seguintes recolhimentos previdenciários no ano de 2006: a) FPAS 787, com base na folha de pagamento de salários, para os segurados envolvidos na produção rural; b) FPAS 507, com base na folha de pagamento de salários, para os segurados que prestavam serviços nos escritórios. Pontua que o contribuinte não efetuava o recolhimento de contribuições sociais sobre os valores da comercialização da produção rural própria, conquanto, no que se refere às aquisições de produto rural de pessoa física, realizava corretamente os recolhimentos das contribuições no código 2607 da GPS. Atesta que o contribuinte não poderia se autoenquadrar como agroindústria em 2006 por não possuir setor industrial e, por corolário, não poderia recolher as contribuições sociais previdenciárias e as devidas a outras entidades ou fundos com base nas folhas de pagamento dos segurados a seu serviço. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018966/200946 Acórdão n.º 2403002.645 S2C4T3 Fl. 4 5 Conclui que o correto enquadramento do sujeito passivo, por se tratar de produtor rural pessoa jurídica, deve observar o seguinte enunciado: a) FPAS 604 I) contribuição a cargo do contribuinte sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais (20%); II) contribuição devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, até o limite máximo do saláriodecontribuição, a ser descontada e recolhida pelo sujeito passivo; III) contribuição devida a outras entidades ou fundos Salário Educação (2,5%) e Incra (0,2%); b) FPAS 744 I) contribuição a cargo do contribuinte sobre a receita bruta da comercialização da produção rural (2,5% patronal; 0,1% Sat); II) contribuição devida a outras entidades ou fundos Senar (0,25%). Na planilha denominada "Safis Comparativo de Multas", fls. 27, encontrase demonstrado o emprego da multa mais benéfica. A fundamentação legal do débito está disposta no relatório FLD, fls. 17/18. A ação fiscal foi precedida do Mandado do Procedimento Fiscal MPF n° 0610100.2009.01290. A documentação para auditoria foi solicitada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 23/24. O sujeito passivo foi cientificado do presente Auto de Infração em 01 de dezembro de 2009, conforme assinatura aposta em fls. 01. Os representantes do contribuinte, conforme procuração em fls 169, apresentaram defesa em 29/12/2009, fls. 157/168, alegando, em síntese, que: CLASSIFICAÇÃO EXCEPCIONAL DAS EMPRESAS DA AVICULTURA há um equívoco na conclusão do relatório da fiscalização, que contraria norma expressa do § 4º do art. 22A da Lei n° 8.212/91, redação acrescentada pela Lei n° 10.256/01, bem como da IN MPS/SRP n° 03/05, a qual estabelece enquadramentos e FPAS específicos para a agroindústria da avicultura; o produtor rural que se dedica à atividade da avicultura é sempre classificado como agroindústria e deve recolher as suas contribuições sociais previdenciárias sobre a folha de pagamento dos seus empregados ou trabalhadores autônomos a seu serviço e não sobre a receita bruta oriunda da comercialização da sua produção rural; as pessoas jurídicas do ramo da avicultura possuem e desenvolvem várias fases de industrialização rudimentar; Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A INDUSTRIALIZAÇÃO DO OVO EM PÓ o auto de infração concluiu que a impugnante não poderia ser enquadrada como agroindústria pelo fato de ter remetido à industrialização, a ser feita por uma terceira empresa industrial, parte da sua produção para transformála em ovo em pó ou ovo desidratado. Este entendimento contém vários equívocos; não se trata de remessa de produto rural ovo "in natura". Tratase de remessa de um produto que já se submeteu a processos de industrialização rudimentar no estabelecimento da própria impugnante, qual seja: o ovo integral pasteurizado resfriado; ao pasteurizar e resfriar os ovos já se classifica como agroindústria; o ovo pasteurizado e resfriado já não é mais produto rural in natura, mas produto que sofreu processo de industrialização rudimentar; o produto continua na sua propriedade e não é transferido a terceiros, tanto que a operação não sofre incidência de ICMS ou qualquer outra tributação; A IMPUGNANTE AVICULTURA E UMA AGROINDÚSTRIA DO RAMO DA AVICULTURA a impugnante é indubitavelmente uma agroindústria, do ramo da avicultura, que cria e produz galinhas, codornas, ovos, ração e outros produtos, sendo, alguns deles, submetidos a diversas fases de industrialização, tais como: separar a clara e a gema do ovo, pasteurizar e resfriar o ovo, classificálo e promover sua embalagem; a empresa se utiliza de vários equipamentos e máquinas, inclusive para industrializar o milho para fabricar ração destinada à alimentação de suas galinhas ou codornas. A ração é produzida para o próprio consumo e não para comercialização terceiros; A IMPUGNANTE SE ENQUADROU E RECOLHEU CORRETAMENTE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS a impugnante estava enquadrada e efetuou os recolhimentos, tempestivamente, à previdência social de acordo com os FPAS 507 e 787, conforme documentos em anexo; além das cópias das GPS, junta também as cópias dos protocolos de envio de arquivos de conectividade social;. MULTA DE OFÍCIO E OS JUROS EXIGIDOS por ter recolhido, tempestivamente, as contribuições devidas à Previdência Social relativas ao exercício 2006, como agroindústria da avicultura, a impugnante nada deve à Previdência Social a este título e, conseqüentemente, improcedente é a exigência de juros e multa de ofício; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018966/200946 Acórdão n.º 2403002.645 S2C4T3 Fl. 5 7 RECOLHIMENTO A MAIOR E O DIREITO À COMPENSAÇÃO E À REPETIÇÃO DO INDÉBITO a prevalecer o entendimento acolhido e defendido pela Fiscalização, é de se ver e de se constatar que a impugnante efetuou recolhimentos a maior e todos dentro do prazo legal; haveria, pois, uma diferença a favor da impugnante no importe de R$289.477,97; tratarseia, pois, de recolhimento indevido e a maior, o qual a impugnante tem o direito de compensar com o que lhe está sendo exigido e de repetir o que exceder, mediante devolução em espécie ou crédito para compensação com parcelas futuras do mesmo tributo; este auto de infração, bem como os AI de nºs 37.217.404 e 37.217.405, deverão ser apensados e reunidos ao principal, por conexão e para uma única instrução das impugnações; DAS PROVAS a impugnante traz ao processo cópias de notícias e informações que confirmam que a empresa como agroindústria da avicultura; requer, outrossim, a produção de prova pericial para melhor detalhar os recolhimentos efetuados, indicando o assistente técnico e sua qualificação; QUESITOS apresenta dois quesitos e protesta pela apresentação de quesitos suplementares; CONCLUSÃO a impugnante espera e requer o acolhimento de sua defesa e o cancelamento do Auto de Infração. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decisão contrária à Lei 8.212/91 (artigos 22 e 22A), dispositivos legais do lançamento por homologação e direito à compensação. · Fisco não poderia ignorar os pagamentos feitos. · Quer seja enquadrada como agroindústria, quer como produtor rural pessoa jurídica, deveria recolher as contribuições sobre a remuneração dos segurados e não sobre a receita da comercialização da produção própria. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 · Direito à compensação e repetição do indébito. · Juros de mora e multa de ofício. · Perícia para apurar o saldo devedor e o saldo credor. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018966/200946 Acórdão n.º 2403002.645 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO Entendo que, para solucionar este litígio, o ponto central a ser esclarecido é se a recorrente deve ser tributada com base na remuneração dos segurados (folha) ou sobre a receita bruta da comercialização da produção própria (observo que em caso de tributação sobre a receita da comercialização, os contribuintes individuais são tributados com base nas suas remunerações). Entendo que ficou claro na decisão de primeira instância que e recorrente, por definição legal (artigo 22 – A , da Lei 8.212/91), é produtor rural pessoa jurídica e não agroindústria. Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). A Lei 8870/94, na redação dada pela Lei 10.256/2001 estabelece, para produtor rural pessoa jurídica, a substituição da contribuição incidente sobre a folha por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,passa a ser a seguinte:(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Portanto, entendo correto o procedimento do fisco de efetuar o lançamento com base na receita bruta da comercialização da produção. Também observo correta a tributação dos contribuintes individuais. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO Acerca do possível direito á compensação ou restituição dos recolhimentos efetuados, entendo ser objeto estranho a este processo (a questão deve ser tratada noutro processo, que analisará a questão). Por essa razão, entendo não ser necessário, nem adequado, neste processo, efetuar perícia acerca de possível saldo credor ou devedor, decorrente do direito creditório do contribuinte. Simplesmente para registro, observo que a Lei 8.212/91 estabelece o direito de compensar ou restituir pagamentos indevidos. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. JUROS Para os juros, a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, estabelece que as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018966/200946 Acórdão n.º 2403002.645 S2C4T3 Fl. 7 11 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, à época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão da multa de ofício do lançamento. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10283.906416/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
IPI. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS.
No direito tributário brasileiro, o principio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condiciona-se a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindo-se, portanto, as aquisições isentas.
Numero da decisão: 3401-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Adriana Ribeiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flavio de Sá Munhoz OAB/SP n.º 131.441.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Adriana Ribeiro, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o principio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Adriana Ribeiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flavio de Sá Munhoz OAB/SP n.º 131.441. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Adriana Ribeiro, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 64 16 /2 00 9- 12 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI referentes ao primeiro trimestre de 2004, no valor de R$ 3.006.337,37, efetuado por intermédio do PER/DCOMP n. º 08505.32052.130705.1.1.012866 de fls. 02/64. Em suas informações iniciais o contribuinte evidencia o fato de estar estabelecido na ZFM, e por força do projeto aprovado na SUFRAMA com base nos Art. 3º e 4º do DL 288/67, gozar da isenção do IPI nas aquisições de insumos no exterior e mercado interno. E , informa que "os pedidos de ressarcimento referemse a crédito relativo aos valores de IPI lançados nas Declarações de Importação de insumos adquiridos do mercado exterior, utilizados na produção da Requerente e aos valores que consubstanciaram descontos de IPI nas notas fiscais de aquisições de insumos no mercado interno, também utilizado na produção da Requerente, escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI Modelo 8, no 3° decênio de junho de 2003" (excerto às fls. 104). A unidade de origem (Delegacia da Receita Federal em Manaus), por intermédio do Parecer e Despacho Decisório de fls. 245/247, indeferiu o pleito com base no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 104/105, no qual: (i) a autoridade fiscal propõe o não acolhimento do pedido de ressarcimento objeto dessa PERDCOMP n. º 08505.32052.130705.1.1.012866, (ii) informa que: a) em face dos incentivos fiscais conferidos a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, as importações de insumos do exterior ocorrem com suspensão do IPI e, quando do desembaraço aduaneiro, tornamse isentas e, portanto, não podem gerar créditos do imposto para atual ou futura utilização; b) as aquisições de insumos no mercado interno são remetidas à Zona Franca de Manaus com suspensão do IPI e, quando da sua entrada definitiva, efetivase a isenção, motivo pelo qual também estes valores não podem gerar crédito de IPI; c) os livros de Registro de Apuração do IPI, bem como a contabilidade da contribuinte não registram os valores dos créditos pleiteados, sendo incorreta sua afirmação de que há a escrituração de tais valores. E (iii) informa que há pedidos de compensação vinculados a esse pedido de ressarcimento. A Ementa desse Parecer e Despacho Decisório declara: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IMPORTAÇÕES ISENTAS. SAÍDAS ISENTAS. CRÉDITO NÃO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Empresa industrial beneficiada pelo regime do DL 288/67 – Zona Franca de Manaus (ZFM) além de gozar de isenção na saída dos produtos finais adquire (e importa) matériaprima e insumos também isentos do pagamento de IPI, não dispondo, portanto, de montante a ser compensado. Não há lei específica, ou relativa ao IPI, que outorgue direito a crédito presumido de IPI decorrente de importações isentas realizadas pelas empresas no regime da ZFM. Não havendo crédito passível de restituição ou ressarcimento, seja pela inteligência do dispositivo atinente à nãocumulatividade do IPI, seja pela inexistência de dispositivo legal que outorgue direito de crédito Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.906416/200912 Acórdão n.º 3401002.754 S3C4T1 Fl. 3 3 presumido de IPI decorrente de importações isentas no âmbito da ZFM, o pedido de ressarcimento deve ser tido como INDEFERIDO e NÃO HOMOLOGADA a compensação. Tendo sido cientificada dessa decisão de indeferimento em 15.04.2010 (AR de fl. 248), a requerente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 251/270 por meio da qual alegava, conforme síntese elaborada pela Turma de Julgamento de:1ª Instância que aqui reproduzo: “a) Adquire insumos com isenção do IPI por estar instalada na Zona Franca de Manaus, sendo certo que a controvérsia estabelecida restringe se à possibilidade de creditamento em relação a tais aquisições. Inexistindo na Constituição semelhante restrição, nenhuma lei ou dispositivo regulamentar poderá restringir o creditamento em tela. Refere doutrina e jurisprudência, afirmando que seu direito encontra guarida na jurisprudência definitiva do STF, transcrevendo múltiplos julgados. b) Aduz que o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, permite a manutenção do crédito independentemente de pagamento na operação anterior, sendo que a imposição de qualquer outro requisito estranho aos dispostos na legislação implica afronta ao princípio da legalidade. c) Ressalta a necessidade de aplicação do disposto no art. 26 A do Decreto n° 70.235/1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), inserido pela Lei n° 11.941/2009, no que diz respeito aos atos declarados inconstitucionais por decisão plenária definitiva do STF. Cita decisões administrativas. d) Requer a aplicação, sobre o valor a ser ressarcido, de juros calculados pela taxa Selic. Refere julgados administrativos e solicita, ao final, o reconhecimento da procedência do seu pleito.” A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, em 12/04/2011, apreciou a manifestação do contribuinte e indeferiu o pedido de reconhecimento de crédito. Nessa ocasião, os R. Julgadores teceram as seguintes considerações e conclusões: · resultam improfícuos os julgados referidos pela recorrente, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos competentes, sem lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. · A autoridade administrativa encontrase totalmente vinculada aos ditames legais (artigo 116, III, da Lei n.° 8.112/1990), portanto, a esta autoridade, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados, pelo sujeito passivo, mesmo que indiretamente, como inconstitucionais e/ou ilegais. · em clara oposição à tese sustentada pela contribuinte, verificase que o Supremo Tribunal Federal, em seus recentes julgados, proferidos a partir a partir dos Resp n°s 353.657 e 370.682, finalmente passou a reconhecer que: Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 (....) a admissão do creditamento implica ofensa ao inciso II do § 3° do art. 153 da CF. Asseverouse que a nãocumulatividade pressupõe, salvo previsão contrária da própria Constituição Federal, tributo devido e recolhido anteriormente e que, na hipótese de nãotributação ou de alíquota zero, não existe parâmetro normativo para se definir a quantia a ser compensada. Ressaltouse que tomar de empréstimo a alíquota final relativa a operação diversa resultaria em ato de criação normativa para o qual o Judiciário não tem competência. Aduziuse que o reconhecimento desse creditamento ocasionaria inversão de valores com alteração das relações jurídicas tributárias, dada a natureza seletiva do tributo em questão, visto que o produto final mais supérfluo proporcionaria uma compensação maior, sendo este ônus indevidamente suportado pelo Estado. Além disso, importaria em extensão de benefício a operação diversa daquela a que o mesmo está vinculado e, ainda, em sobreposição incompatível com a ordem natural das coisas. Por fim, esclareceuse que a Lei 9.779/99 não confere direito a crédito na hipótese de alíquota zero ou de nãotributação e sim naquela em que as operações anteriores foram tributadas, mas afinal não o foi, evitandose, com isso, tornar inócuo o beneficio fiscal. ..." · o princípio constitucional da nãocumulatividade é exercido pela sistemática de créditos e débitos do IPI, segundo a qual do imposto devido pela saída de produtos do estabelecimento deve ser abatido o imposto pago relativamente aos produtos nele entrados, evitandose, desta forma, a cobrança de imposto sobre imposto, a chamada "tributação em cascata", de modo que somente o valor referente à diferença encontrada deverá ser recolhido ao Erário. Assim, não tendo sido cobrado imposto nas operações anteriores, seja pela nãoincidência, isenção ou tributação à alíquota zero dos produtos adquiridos, não há que se falar em direito ao crédito, pois que, se nada de imposto foi pago na aquisição do insumo, nada haverá a ser deduzir ou abatido do imposto a ser pago na saída do produto final. · à luz da legislação que rege a matéria, só geram créditos de IPI as operações de compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem em que foi pago o imposto, em que há destaque do tributo na nota fiscal. Quando tais operações são desoneradas do imposto, não ocorre o direito creditório, ante a inexistência de autorização legal para tanto (vejase, aliás, que o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, ao permitir o aproveitamento de saldo credor do IPI, em nenhum momento sugeriu ou indicou que insumos desonerados do tributo dariam gênese a qualquer crédito). · não é cabível atualização monetária requerida pela contribuinte, por serem ilegítimos os créditos em causa e por seguir o acessório (correção monetária e juros de mora) o mesmo destino do principal (créditos) e não existir previsão legal para qualquer forma de atualização monetária nas hipóteses de ressarcimento de créditos de IPI. A Ementa do Acórdão 0121.365 ficou assim redigida: ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A Autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.906416/200912 Acórdão n.º 3401002.754 S3C4T1 Fl. 4 5 normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e legalidade. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes faltar eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. IPI. PRINCIPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS ISENTOS. No direto tributário brasileiro, o princípio da nãocumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condiciona se a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente onerados pelo Imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. A contribuinte – cientificada em 29/07/2011 , contra essa decisão de indeferimento, ingressou com Recurso Voluntário em 22/08/2011 por meio do qual alegou: 1. A recorrente é indústria dedicada à fabricação de garrafas plásticas, instalada na Zona Franca de Manaus, com projeto aprovado na SUFRAMA, e goza, portanto, de isenção de IPI sobre aquisição de insumos, nos termos do disposto nos artigos 3º e 4º do Decretolei n. 288/1967 e nos artigos 69, III, e 73 do RIPI/2002. 2. A controvérsia restringese à possibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos em operações amparadas por isenção, calculado pela alíquota aplicável ao insumo adquirido. 3. Cumpre observar, ainda, que (i) os créditos foram apropriados após a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99, que garantiu o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI, (ii) o valor dos créditos não sofreu qualquer correção e (ii) não há dúvida de que os créditos escriturados são relativos a insumos (matériaprima e material de embalagem) adquiridos pela Impugnante e utilizados no processo produtivo do produto final. 4. o direito da recorrente encontra guarida na jurisprudência definitiva do Pretório Excelso, firmada no julgamento do Extraordinário n° 212.4842, em acórdão proferido pelo Plenário do E. Supremo Tribunal Federal, Relator o Ministro Nelson Jobim, pois, segundo o recorrente, naqueles autos (RE 212.4842), decidiuse que o direito ao credito cm operações isentas de IPI, embora não tenha havido recolhimento na etapa anterior, não ofende a nãocumulatividade, justamente pela ausência de restrição constitucional e para dar validade à isenção concedida à Zona Franca de Manaus; 5. a negativa do crédito resultaria em inocuidade do INCENTIVO CONCEDIDO à Zona Franca de Manaus, em afronta ao art. 40 do ADCT e ao objetivo precípuo da República Federativa do Brasil, previsto no art. 3o , III, da Constituição, de redução de desigualdades regionais. 6. O Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.819/RS, encerrado em 29/9/2010, consignou que não estava revisando o posicionamento adotado no RE 212.484/RS, que tratou do reconhecimento do direito de crédito Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 de IPI decorrente da aquisição isenta de insumos fabricados por empresa instalada na Zona Franca de Manaus. 7. Há precedentes no CARF na aplicação do entendimento sedimentado por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. 8. O art. 11 da Lei n° 9.779/99 assegura o direito à manutenção de créditos diante de saída isenta. E o reconhecimento do direito ao ressarcimento não contraria a decisão do STF nos autos do RE 475.551 para as operações posteriores ao início da vigência dessa Lei. 9. deve ser aplicada a Taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido, a partir da data de protocolo dos pedidos de ressarcimento, nos termos do que dispõe o art. 39, § 4 o da Lei n° 9.250/95, consoante Sumula 411 do Superior tribunal de Justiça, em cumprimento ao disposto no artigo 62A, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Pretende a recorrente o deferimento do seu pedido de ressarcimento de IPI de suposto saldo credor acumulado, com base em ser empresa instalada na ZFM com projeto aprovado pela SUFRAMA nos termos do Decretolei n. 288, de 1967 c/c o que prevê o art. 11 da Lei nº 9.779/99, originário de aquisições de insumos isentos aplicados na industrialização de produtos também isentos, por ocasião de sua saída do estabelecimento industrial, nos termos da legislação de regência, em homenagem ao princípio constitucional da não cumulatividade. Há pedido de compensação vinculado a esse pedido de ressarcimento. A Recorrente está localizada na Zona Franca de Manaus, com projeto aprovado pela SUFRAMA com direito ao beneficio de isenção de pagamento do IPI: (a) nas operações de comercialização dos produtos por ela industrializados, e (b) na aquisição das matériasprimas e insumos empregados no processo industrial de fabricação dos produtos por ela comercializados. Portanto, não há incidência do IPI nem na aquisição de matérias primas ou insumos utilizados no processo industrial dos produtos fabricados pela Requerente, nem na comercialização desses últimos. A Constituição Federal (1988), em seu § 3º do artigo 153, § 3º da CF/88, estabelece definições para o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.906416/200912 Acórdão n.º 3401002.754 S3C4T1 Fl. 5 7 II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) O texto é cristalino, a meu ver, ao informar que a apuração não cumulativa do IPI em determinada operação se dá pelo abatimento do valor cobrado nas anteriores em o valor devido pela saída do produto tributado nessa operação. O valor cobrado nas operações anteriores implica que houve um valor devido e passível de exigência ou cobrança de pagamento e não mera incidência tributária, como sustenta a recorrente, como também imposto devido na operação subsequente. Concorre a este sentido o que dispõe o art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” É evidente que o principio da nãocumulatividade do IPI definido pela Lei Maior permite ao contribuinte compensar o valor devido na operação com o montante cobrado nas anteriores. O inciso II, §3°, art. 153 é claro e não carece de qualquer outro comando constitucional para definir o instituto da não cumulatividade e elucidar a situação. A aplicação do principio da nãocumulatividade é restrita a quando tiver havido obrigação de pagamentos sobre os insumos adquiridos para industrialização (ou seja, quando a operação anterior for passível de cobrança no âmbito do IPI), portanto não há que se cogitar da geração de crédito relativamente aos insumos adquiridos com isenção, àqueles cujas alíquotas foram esvaziadas e aos nãotributados, por ausência do pressuposto da cobrança. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Muito menos ainda cabível o aproveitamento de alegados créditos de IPI quando tanto os insumos como os produtos finais forem livres do pagamento de IPI. Com relação à Lei n° 9.779/99, entendo que seu art. 11 estabeleceu incentivo fiscal consistente no aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da entrada tributada de insumos, ainda que aplicados na produção de mercadoria cuja saída seja isenta, imune ou sujeita à aliquota zero. Este dispositivo não possui relação com a aplicação do principio inscrito no art. 153, § 3°, inciso II, da CF/88, sendo inconcebível gerar crédito com base no artigo 11 daquela Lei quando não tiver havido pagamento de IPI sobre os insumos adquiridos. Portanto, não procede o argumento de que o art. 11 da Lei 9.779/99 veio a admitir, em parte, o principio da nãocumulatividade semelhante ao que pretende ver reconhecido a Recorrente. Esse dispositivo de lei apenas garantiu àqueles contribuintes que industrializam produtos tributados à alíquota zero ou isentos do IPI o ressarcimento dos valores de IPI incidentes sobre as matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem utilizados no processo de fabricação, quando não puderem fazer a compensação com o IPI devido na saída de outros produtos ao longo do trimestrecalendário. Na hipótese da aplicação desse artigo de Lei, embora haja o efetivo pagamento do tributo, o produto comercializado é isento do pagamento de IPI. Assim, justificase que haja o reembolso do valor pago, ou compensação com outros tributos devidos pelo contribuinte, ainda que de outra natureza. Mas esse não é o caso em tema neste processo, pois não foi tributada e não houve pagamento com a entrada os insumos para a produção dos bens isentos. Ou seja, ao caso não se aplica o disposto no artigo 11 da Lei n. 9.779, de 1999. Em sua manifestação de inconformidade e em seu Recurso o contribuinte invoca decisões judiciais e entendimento proferidos no STF. Ele afirma que o direito de crédito de IPI pela aquisição de insumos isentos estaria pacificado no âmbito do Supremo Tribunal Federal, através do RE 212.4842/RS, com trânsito em julgado em 10/12/1998; e que a questão não sofre a influência do julgamento proferido nos RE 353.657 e 370.682, uma vez que a matéria envolvia aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero; e que o direito a tal creditamento teria sido reconhecido pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional no bojo do RE 353.657; e que haveria diferença entre isenção, não tributação e tributação à alíquota zero, citando doutrina a respeito; e que recentes julgados da Suprema Corte (RE 504.423 e 370.771) confirmariam este entendimento. Ocorre, a meu ver, que o Supremo Tribunal Federal mudou seu entendimento para uma posição diametralmente oposta, revisando o que havia sido disposto no RE 212.484/RS, no RE 350.446/PR e RE 370.682, de forma que atualmente a Corte Constitucional firmou o entendimento de que NENHUMA DAS AQUISIÇÕES DESONERADAS concederia direito ao crédito presumido (RE 566.819/RS). Assim, aquisições isentas, bem como as imunes, as Não tributadas e as de alíquota zero, não fariam jus a crédito. Atualmente, o STF analisa a situação das aquisições advindas da Zona Franca de Manaus, em o reconhecimento de Repercussão Geral no RE 592.891/SP, que não se refere à questão e à situação alegada pela recorrente deste processo administrativo (pois, o contribuinte, situado na ZFM, informou que pretende obter o crédito do IPI pelas aquisições realizadas no mercado interno nacional e no mercado estrangeiro com as importações feitas). Por todo exposto, sendo a decisão definitiva proferida pelo STF do RE 566.819/RS de aplicação obrigatória pelo CARF (artigo 62 do Regimento Interno do CARF), concluo que não há crédito passível de ressarcimento, seja pela compreensão do dispositivo atinente à nãocumulatividade do IPI, seja pela fato de não existir dispositivo legal que outorgue direito de crédito presumido de IPI decorrente de importações isentas no âmbito da Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.906416/200912 Acórdão n.º 3401002.754 S3C4T1 Fl. 6 9 Zona Franca de Manaus, seja pela fato de não existir dispositivo legal que outorgue direito de crédito presumido de IPI decorrente aquisição de insumos isentos aplicados na produção de bens isentos. Por derradeiro, negado o próprio direito em debate, resta prejudicada a questão concernente à aplicação da taxa selic ao montante requerido. É de se negar, portanto, provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10314.004855/2001-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 14/02/2001 a 09/04/2001
EXPORTAÇÃO. FRAUDE. COMPROVAÇÃO. REGISTROS DAS OPERAÇÕES. SISTEMAS INFORMATIZADOS.
A comprovação de que as informações prestadas pelo exportador no despacho de exportação das mercadorias eram falsas pode ser feita com base em informações obtidas nos sistemas informatizados mantidos pela Secretaria da Receita Federal, quando os dados dali obtidos demonstram que os valores praticados e as especificações informadas são incompatíveis com o tipo de mercadoria declarado como exportada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
FRAUDE NA EXPORTAÇÃO. MERCADORIA. DESCRIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO. MULTA ESPECÍFICA.
A fraude na exportação relacionada a preço, peso, medida, classificação e qualidade da mercadoria sujeitam o exportador, isolada ou cumulativamente, a multa de 20 % a 50% do valor da mercadoria.
Numero da decisão: 3102-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à exigência do tributo e, por maioria de votos, também em relação à exigência das multas. Vencida a Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora, que excluía as multas aplicadas e a Conselheira Nanci Gama que desagravava a multa de 150% para 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator
(assinatura digital)
Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: Relator
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(anterior BERTIN LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Período de apuração: 14/02/2001 a 09/04/2001 COURO WET BLUE. DECRETO Nº 3.684/00. IMPOSTO. INCIDÊNCIA. PREVISÃO. No período compreendido entre o dia 07 de dezembro de 2000 e o dia 30 de novembro de 2001, os couros classificados nos códigos 4104.10, 4104.22 e 4104.29.00 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM estavam sujeitos à incidência do imposto de Exportação à alíquota de nove por cento. INFRAÇAO POR DECLARAÇÃO INEXATA OU FALTA DE PAGAMENTO/LANÇAMENTO. MULTA. PERCENTUAL. AÇÃO INTENCIONAL. QUALIFICAÇÃO. Aplicase a multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento, por falta de lançamento ou pagamento ou declaração inexata, que pode ser agravada para cento de cinqüenta por cento nos casos de dolo, fraude ou simulação. FRAUDE NA EXPORTAÇÃO. MERCADORIA. DESCRIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO. MULTA ESPECÍFICA. A fraude na exportação relacionada a preço, peso, medida, classificação e qualidade da mercadoria sujeitam o exportador, isolada ou cumulativamente, a multa de 20 % a 50% do valor da mercadoria. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/02/2001 a 09/04/2001 EXPORTAÇÃO. FRAUDE. COMPROVAÇÃO. REGISTROS DAS OPERAÇÕES. SISTEMAS INFORMATIZADOS. A comprovação de que as informações prestadas pelo exportador no despacho de exportação das mercadorias eram falsas pode ser feita com base em informações obtidas nos sistemas informatizados mantidos pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 48 55 /2 00 1- 19 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 381 2 da Receita Federal, quando os dados dali obtidos demonstram que os valores praticados e as especificações informadas são incompatíveis com o tipo de mercadoria declarado como exportada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à exigência do tributo e, por maioria de votos, também em relação à exigência das multas. Vencida a Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora, que excluía as multas aplicadas e a Conselheira Nanci Gama que desagravava a multa de 150% para 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator (assinatura digital) Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por BRACOL HOLDING LTDA, nova denominação da BERTIN LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), a qual julgou, por unanimidade, improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Diante da precisão do relatório constante do acórdão, que minuciosamente reportou a pretensão da contribuinte, passo a adotálo, nos termos a seguir: “Inicialmente, o presente processo de auto de infração foi lavrado em 19/11/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Exportação acrescido de juros de mora e multa proporcional, no valor de R$ 2.904.116,58, em virtude dos fatos a seguir descritos: Foi publicado no DOU, em 08/12/2000 o Decreto no. 3.684 de 07/12/2000 que fixou em 9% (nove) por cento alíquota de incidência do Imposto de Exportação incidente sobre os couros e peles compreendidos nos códigos 4104.10, 4104.22 e 4104.29.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM. Este Decreto Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 382 3 entrou em vigor a partir de sua publicação e produzirá efeitos até 30 de novembro de 2001. Denúncias provenientes da COANA/CONOF alertaram que exportadores de couro estariam fraudando a classificação fiscal com o objetivo de contornar a imposição do Imposto de Exportação sobre couros curtidos. Os couros curtidos (4104.22.12) são submetidos somente a processo de curtimento à base de cromo e são conhecidos como couros "Wet Blue", haja vista que o couro resultante deste processo tem uma coloração azulada e aspecto molhado. Já os couros preparados (4104.3119) são couros que, após o curtimento são submetidos a processo de semi acabamento resultando em um produto de maior valor agregado com reflexos na melhoria do preço de comercialização. No período de 12 a 17/04/2001 a Alfândega do Porto de Santos realizou operações visando reprimir exportações de couros processadas irregularmente.Em função de notícia veiculada pela revista Couro Bussiness, a Receita Federal começou a intensificar uma operação de combate à fraude nas exportações de couro. O resultado foi a apreensão em menos de 10 dias de 600 toneladas de couro Wet Blue [NCM 4104.22.12], que seria embarcado como produto já preparado após a curtimenta [NCM 4104.31.19] e, portanto, livre da taxação de 9%. Dentre estas apreensões figuravam 9 (nove) conteiners de couros registrados para exportação pela empresa Bertin Ltda CNPJ 01.597.168/000601, estabelecida na cidade de Lins/SP, perfazendo um total de aproximadamente 177 toneladas,correspondentes aos seguintes DDEs: 2010203701/9, 20102067929,2010210919/2, 2010245932/0, 2010245905/3, 2010237900/9, 2010223569/4 e 2010223637/2 todos desembaraçados automaticamente pelo canal verde e liberados sem conferência aduaneira.A autuada de acordo com os documentos de exportação acima referidos(DDEs) e respectivas Notas Fiscais, declarou que as mercadorias objeto das exportações apreendidas eram couro preparado após curtimenta classificados na NCM 4104.04.19, portanto sem incidência do Imposto de Exportação.Entretanto, conforme conclusão da inspeção realizada pelo Serviço de Agropecuária do Porto de Santos os couros eram na realidade tipo Wet Blue, NCM 4104.22.12, sujeitos ao Imposto de Exportação.Chamou a atenção da fiscalização o volume de couros apreendidos da empresa Bertin Ltda. Foram aproximadamente 177 toneladas de um total de 600 toneladas,correspondendo a cerca de 30% do total apreendido. Além disso, esta empresa NÃO possui histórico de exportações de couros preparados após curtimenta (NON 4104.31.19). Tanto que, segundo pesquisa realizada no sistema Lincefisco Exportação (JAN/97 a JUL/01) esta empresa exportou este tipo de couro somente no exíguo espaço de dois meses, ou seja, de 14/02/2001 a 09/04/2001.Este artifício consistiu em alterar a classificação fiscal do real produto exportado (couro wet blue código 4104.22.12) para couro semiacabado código 4104.31.19 em 106 (cento e seis) DDE. Destes, 8 (oito) foram Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 383 4 apreendidos pela fiscalização.O presente Autode Infração referese aos 88 (oitenta e oito) DDE restantes cujas exportações foram efetivadas sem o pagamento do Imposto de Exportação.Em 29/11/2001, o presente auto de infração foi retificado formalizando a exigência de Imposto de Exportação acrescido de juros de mora e multa proporcional,acrescida da exigência da multa de controle administrativo no valor total do crédito tributário de R$ 12.785.312,76.O procedimento teve por escopo retificar a penalidade imputada à empresa BERTIN LTDA, bem como acrescentar outra penalidade uma vez que a mesma promoveu declaração inexata quanto às mercadorias de fato exportadas (couro "wet blue").Restou evidenciado o procedimento doloso com que o exportador intentou furtarse ao recolhimento do imposto de exportação, à alíquota de 9% (nove por cento),instituído pelo art. 1° do Decreto no. 3.684/00 (DOU de 08/12/00). Constatase assim a fraude quanto a classificação fiscal e à qualidade da mercadoria (era couro "wet blue" e não semi acabados, com maior valor agregado, conforme declarado), razão pela qual devese aplicar a multa prevista no art. 66 da Lei no. 5.025/66.Há que se ressaltar que o dispositivo legal determina a aplicação da multa agravada (150%) e expressamente destaca que "independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis".Por meio do aditamento ficou imputada à empresa BERTIN LTDA a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) pela declaração inexata (da descrição da mercadoria e de sua correta classificação fiscal) dos registros de exportação (Res) e declarações de despacho de exportação (DDEs) relacionados no auto de infração, que resultaram em falta de pagamento do imposto de exportação, tendo o exportador agido com evidente intuito de fraude.Fica também imputada ao exportador a multa prevista no art. 66 da Lei no.5.025/66, de 50% do valor da mercadoria, uma vez caracterizada, de forma inequívoca, a fraude perpetrada no que tange à classificação e à qualidade do couro exportado. A aplicação da multa de 50% devese ao fato de ser a BERTIN LTDA um grande exportador (não apenas de couro, como também de carne), há anos no mercado, e que anteriormente à publicação do Decreto no. 3.684/00, que criou a alíquota de 9% para o imposto de exportação, exportava o produto (couro "wet blue") com sua declaração exata, tanto na descrição do produto quanto na sua correta classificação fiscal. Com tal procedimento não apenas deixou de pagar os impostos devidos à Fazenda Nacional, como também ludibriou os controles administrativos da exportação efetuados pela Secretaria de Comércio Exterior SECEX, distorcendo os dados que embasam as políticas governamentais. Os juros de mora estão previstos no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, incidentes sobre o valor do imposto devido, equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 07/12/2001, (fls. 95), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 384 5 70.235/72, em 04/01/2002, de fls. 100 a 112, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Com efeito, verificase que a fiscalização nada mais fez, nos presentes autos, que presumir. Dados estatísticos e comparação analógica de notas e estatísticas não levam a conclusão nenhuma! A atividade fiscalizatória é inerente ao ato de inspeção, verificação in loco, de papéis, mercadorias, documentos, ou seja, o fato gerador, para ser tipificado, mormente no caso presente, tem que ser constatado, e não presumido, inferido. A fiscalização não aquilatou absolutamente nada fisicamente, não constatou, não vistoriou coisa alguma! Apenas "concluiu" que, se oito DDEs referiamse a couro wet blue, as outras noventa e oito DDEs também seriam. A fiscalização louvouse na existência de oito containeres que apresentavam DDEs de couro semiacabado, e constatação física de couro wet blue. Nas DDEs de nºs 2010250159/9 e 2010203681/0, o produto declarado na R.E. e exportado, foi couro wetblue,conforme consta nos extratos de declaração de despacho, cujas cópias são ora exibidas, e como foi constatado in loco, pela fiscalização, através de verificação em "canal vermelho", que se fazia acompanhar com o devido recolhimento do imposto de exportação, conforme asseguram as cópias dos DARFs correspondentes e foram regularmente liberados para embarque.Das 106 DDEs relacionados, encontramos dez (10) que foram declarados como couro wet blue, com o respectivo recolhimento do imposto de exportação, o que demonstra que não há, absolutamente, nenhum motivo para a defendente se ver novamente tributada por aquelas exportações.Quanto as restantes 96 DDEs, reafirmaseque foram todas exportações de couro semiacabado,haja vista que todo o processo de exportação transcorreu dentro das normas legais vigentes, tendo sido, inclusive, utilizado o sistema de inspeção in loco, do"canal vermelho", onde se comprovou que, nas DDEs de nºs 2010143980/6, 2010178216/0 e2010192439/9, que, na relação de fls.7/10, constam como sendo "suspeitos" de terem sua classificação alterada, a fiscalização constatou que se tratavam de exportação de couro semi acabado,tal como se havia declarado, conforme consta dos inclusos extratos de declaração de despachos, de maneira que igualmente foram liberadas para embarque.A fiscalização preferiu "concluir" que haveria fraude, em vez de"constatar" que elas existiram através de inspeção física.O auto de infração em comento, está eivado de nulidade insanável, por vicio de "presunção" fiscal, totalmente repudiado pelo Direito. A multa fiscal ou tributária não pode ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado.Pugna a nulidade e imprestabilidade do auto de infração. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 385 6 Em 07/05/2008, os julgadores da Primeira Turma da DRJSPOII,por unanimidade de votos,em julgar PROCEDENTE a presente exigência fiscal, nos termos do Acórdão nº 1724.682,la Turma da DRJ/SPOII.A impugnante recorreu ao Egrégio Conselho de Contribuintes por intermédio do Recurso Voluntário nº 343.394. Através do V. Acórdão nº 310200340, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu que houve cerceio de defesa quando o acórdão deixa de examinar o aditamento ao auto de infração, silenciando se,portanto, sobre as multas aplicadas.Assim, deu provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir do v. acórdão proferido pela colenda DRJ de origem, inclusive. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls.316/325 ), em que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o pedido, indeferindo o pleito da contribuinte. Assim manifestouse o colegiado na origem, íntegra da ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Data do fato gerador: 14/02/2001 Decreto no. 3.684 de 07/12/2000 fixou em 9% (nove) por cento alíquota de incidência do Imposto de Exportação incidente sobre os couros e peles compreendidos nos códigos 4104.10, 4104.22 e 4104.29.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM. Apreensão de 9 contêineres da empresa autuada. O presente Auto de Infração referese aos 98 DDE já exportadas sem o pagamento do Imposto de Exportação. Em que pese não ter ocorrido a vistoria efetiva das cargas, o que sustenta a conclusão de que essas mercadorias referiamse a couros wetblue é o fato de constar no sistema LINCE Fisco, os preços efetivamente praticados na Operação de exportação, além da densidade de superfície dos couros exportados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, com a decisão de primeira instância, protocolizou o Recurso Voluntário de fls.316/325, em que rechaçou veemente a decisão de primeira instância, arguindo, preliminarmente, a sua nulidade e no mérito, requereu o provimento do Recurso Voluntário para anular integralmente o auto de infração ora combatido. É o Relatório Voto Vencido Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 386 7 Conselheira Mírian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele o conheço. Como bem destacou o nobre relator do processo na DRJ SP II, Dr. Jorge Lima Abud, ao resumir a controvérsia, em que agora se aprecia em grau de recurso “é ponto incontroverso o fato de que as exportações relacionadas no corpo do auto de infração foram promovidas pela autuada; é ponto controvertido que a ação fiscal é toda pautada em mera presunção, desobedecendo as regras básicas de Direito Tributário.” Com efeito, cuidase de auto de infração lavrado em face da Recorrente ao argumento, colhido em presunção do fisco, se nenhuma comprovação física ou material da mercadoria exportada, que a empresa, renomada exportadora brasileira teria fraudado a classificação fiscal com o objetivo de contornar a imposição do Imposto de Exportação sobre couros curtidos. O norte adotado pela fiscalização tomou como ponto de partida para as suas conclusões, a apreensão dos oito contêineres, correspondentes a DDE's com declaração das mercadorias como sendo couros preparados após curtimenta, do código tarifário NCM4104.31.19, comprovadamente couros do tipo WET BLUE, NCM 4104.22.12 classificados no código tarifário NCM 4104.22.12 (sujeitos ao imposto de exportação à alíquota de 9%). Mencionou o acórdão recorrido (fls. 321), que, de fato, foi apurado em 8 DDEs, cujas cargas foram apreendidas, os couros declarados como couros preparados após curtimenta, classificados no código NCM4104.31.19, tratavamse de couros wetblue, da classificação fiscal 4104.22.12, com incidência de imposto de importação à alíquota de 9%. Para as demais DDE's (98), fezse a juntada do levantamento de preços praticados na exportação de couros wetblue (4104.22.12) e semi acabados (4104.31.19) no período de janeiro a abril de 2001 em US$ FOB extrato do Sistema LINCE EXPORTAÇÃO (anexos 3, 4 e 5, de fls. 38/40) e extrato do SISCOMEX/DataWarehouse (anexo 6, de fls.41/42). Além do levantamento de preços nas fontes acima mencionadas, praticados na exportação de couros wet blue, em cotejo com os preços praticados para o couro com preparados após curtimenta, o acórdão recorrido, para a manutenção integral do auto de infração, também baseouse em outros indícios colhidos pela fiscalização para fundamentar o seu convencimento, entre eles destacamos os de maior relevo, na convicção desta relatora (fls 321/323): “a empresa autuada não possui histórico de exportação de couros preparados após curtimenta e, em pesquisa no LINCEFISCO Exportação (jan/97 a jul/2001), verificouse que ela exportou esse tipo de couro somente no espaço de tempo de dois meses, de 14/02/2001 e 09/04/2001, totalizando 106 DDE’s, após a instituição do imposto de exportação (dez/2000). nenhuma das 106 exportações declaradas como couro semi acabado está dentro das especificações definidas na tabela 04 (couros semi acabados), ou seja, não se referem a couros semi acabados (preparados após curtimenta) ; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 387 8 Verificando os valores das 88 maiores exportações de couro semi acabados ocorridas no primeiro trimestre de 2001, todas elas estão dentro das especificações da tabela 3 (couros do tipo wetblue), ou seja, referemse a couros tipo wetblue; que eram tributados à alíquota de 9%, de que trata a presente ação fiscal; as exportações sublinhadas em verde, realizadas pela Berlin, filial em Estancia Velha RS, em 2000, estão todas dentro da especificação da tabela 04 (valores de densidade de superfície variando de 0,473 kg/m2 a 2,080 kg/m2), ou seja, tratamse de couros semi acabados; comparandose a exportação do couro wetblue e do couro semiacabado, verificase não haver diferenças entre ambas no que diz respeito a preço médio e densidade de superfície do couro; até 14/02/2001, predominância absoluta de exportações de couro wet blue;após essa data, até início de abril, passouse a exportar couro semi acabado; após ação da Receita Federal, retomouse a exportação de wetblue, extinguindose abruptamente as exportações de couro semi acabado;” A Recorrente, nas razões de seu recurso voluntário, atacou frontalmente a decisão da DRJ SP II, com fundamentos que buscam reformar o resultado alcançado, sob o firme argumento de que a autuação foi inconsistente, eis que realizada exclusivamente em meras presunções, não existindo concretamente, fatos materiais e formais que justifiquem o expressivo auto de infração lavrado. Importante trazer à baila, os principais argumentos trazidos pela recorrente, os quais passo a transcrever (fls. 340 e 341): “Na descrição dos Fatos e enquadramento Legal do Auto de Infração lavrado no dia 19 de novembro de 2001, se depreende ter o AFRF analisado preços, dimensões, densidade e outros parâmetros das exportações promovidas pela recorrente com números por ele apresentados visando fundamentar a sua presunção de se referirem todas as operações a venda de couro do Tipo Wet Blue, sem ter sido realizada qualquer constatação física ou outros procedimentos; Várias das exportações declaradas como suspeitas foram analisadas in loco no canal vermelho, como ocorreu em relação as operações objeto das DDEsnºs 2010143980/6, 2010178216/0 e 2010192439/9, tendo sido apurado pela própria fiscalização se referirem efetivamente a exportação de couro já preparado após curtimenta sendo posteriormente liberados para o embarque. (...) a precariedade do levantamento fiscal também pode ser apurado no fato de existirem, entre as exportações relacionadas ao lançamento, nas quais teriam sido praticada fraude, algumas relacionadas a exportação de Couro do Tipo Wet Blue praticado pela recorrente com o pagamento do Imposto de Exportação correspondente, como ocorreu em relação as DDEs de nºs 2010250159/9 e 2010203681/0. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 388 9 Da mesma forma, este juízo administrativo deve considerar, conforme se depreende da Tabela 01 citada no Auto de Infração, estarem os importadores de couro industrializados pela Recorrente localizados na Espanha, Hong Kong, Itália e Portugal, como países considerados de primeiro mundo e com uma atividade de fiscalização portuária das mais sérias e profissionais do mundo; Considerando representarem os códigos NCM um padrão internacional e estar o tipo de couro descrito expressamente nos documentos de exportação, como pode ser admitida com válida a presunção realizada pela fiscalização se, na ocasião da entrada dos produtos naqueles países, com a realização da fiscalização aduaneira, os mesmos foram liberados para serem usados pelos seus respectivos adquirentes? Pelo cotejo de argumentos feitos pela parte recorrente e a ilustre Fiscalização, depreendese, desde logo que o resultado alcançado pela decisão da DRJ SP II baseouse,em presunções e indícios, sem apresentar,concretamente, comprovações físicas e materiais que desabonassem a conduta da Recorrente. Salvo melhor juízo, compulsando os autos, não localizo levantamentos físicos realizados pela Receita Federal para infirmar as suas alegações, tampouco, como requereu a ora recorrente, identifico iniciativa do órgão fazendário em confrontar as alegações da Recorrente. Em sua defesa sugeriu a Recorrente que se verificasse perante os destinatários, ou nas respectivas aduanas dos países importadores, se efetivamente todos os 106 contêineres exportados continha, em sua íntegra, exclusivamente, couro do tipo wet blue. A Fazenda restou silente. Por seu turno, não identifico no acórdão recorrido (fls. 323), resposta fundamentada à formulação da contribuinte de que a fiscalização mostrouse inconsistente em muitos aspectos, pois nas exportações objeto das DDEs de nºs 2010250159/9 e 2010203681/0, o produto declarado foi Couro do tipo Wet blue, com o pagamento do imposto correspondente. Para este incontroverso argumento apresentado pela empresa, eis que os DARFs respectivos foram anexados aos autos, o acórdão recorrido resumiuse a entender que a “alegação de que relativamente as DDEs nos 2010.250159/0 e2010.203681/0, referemse a couro wetblue,não invalida a conclusão da ação fiscalizadora,que à exaustão comprovou a exportação de couros wetblue,sob declaração de couros preparados após curtimenta.” Feitas estas considerações trazidas do acórdão recorrido, penso que o ponto crucial que precisa ser dirimido por este egrégio colegiado administrativo resumese em saber ser possível, ou não, na ausência de levantamento fiscal técnico, em que nenhuma verificação física foi realizada e tampouco comprovada, atribuir ao contribuinte conduta dolosa e fraudulenta, aplicandolhe a multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento) por declaração inexata ( da descrição da mercadoria e de sua correta classificação fiscal) dos registros de exportação (Res) e declarações de despacho de exportação (DDES), adicionada à multa de 50 % (cinquenta por cento) sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 66 da Lei nº 5.025/66, por fraude perpetrada no que tange à classificação e à qualidade do couro exportado. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 389 10 Ao meu sentir, descabe tal penalização. Em que pese os indícios e suposições arguidos pelo o fisco, não verifico nos autos fatos concretos apurados pela autoridade fiscalizadora. Os argumentos articulados pela Receita Federal, de certo, são evidências que fazem parte de um conjunto de suposições, mas que precisam ser comprovadas. Sem isso, corremos o risco de penalizar em grau gravíssimo, aquele que não deu causa à conduta apenada. Outro ponto, me parece, merece reflexão mais apurada por este colegiado. Impõe o acórdão recorrido a condenação da Recorrente das 106 (cento e seis) exportações realizadas, mas conforme demonstrado nos autos, as exportações objeto das DDEs de nºs 2012250159/9 e 2010203681/0 foram de couro Wet Blue, com o pagamento do imposto correspondente. Ou seja, aqui não há que se falar em indício. Somado a isso,confirmase que algumas das exportações foram submetidas ao sistema de inspeção in loco do canal vermelho. Consoante verificase nos autos, as DDEs de nºs 2010143980/6, 20101782216/0 e 2010192439/9 mencionadas como irregulares pela fiscalização, tratavamse de classificação correta, na qualidade de Couro já preparado após Curtimenta. Vejase que no presente caso, ao meu sentir, procurase tratar todas as exportações como dolosas, fraudulentas e irregulares, mas não é o que denotase dos autos se analisarmos as 106 (cento e seis) exportações realizadas pela Recorrente. A fraude e o dolo, no ordenamento jurídico tributário brasileiro são faltas gravíssimas e de apenações e consequências severas. Por isso, impõese, que não podem jamais serem presumidas. Exigese que sejam efetivamente comprovadas, por todos os meios de prova admitidos. Assim entendem já entendeu este Tribunal: Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Turma Ordinária, Acórdão nº 10193910 do Processo 10820001276200102 , de 21/08/2002: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NO REGISTRO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. O lançamento tributário, resultante do exercício da atividade administrativa que é, está submetido ao princípio da legalidade e, em conseqüência, só pode resultar em exigência de tributo quando expressamente autorizado por Lei, estendido esta no sentido formal e material. Em se tratando de presunções erigidas pelo ordenamento jurídico como pressupostos de fato que ensejam a incidência do tributo, quando concretamente acontecidos, os resultados podem e devem constituir base imponível da exação. Eventuais indícios, suspeitas ou suposições, não autorizam concluir pela ocorrência de omissão no registro de receitas. Portanto, há de se considerar insubsistente o Ato Administrativo de Lançamento fundamentado em mera suposição ou suspeita de que a formalização do Contrato de Compromisso de Contrato de Compra e Venda não corresponda à realidade dos fatos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO "EX Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 390 11 OFFICIO" Tendo o Julgador a quo ao decidir o presente litígio, se atido às provas dos Autos e dado correta interpretação aos dispositivos aplicáveis às questões submetidas à sua apreciação, negase provimento ao Recurso de Ofício. (grifo nosso) Por todo o exposto, baseandose o acórdão recorrido em evidências e presunções, não confirmadas pela vistoria efetiva das mercadorias exportadas, adicionado a ausência de comprovação de que a Recorrente dolosamente pretendeu furtarse ao recolhimento do imposto, fraudando a legislação tributária vigente, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as multas aplicadas. É o voto Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Apresento a seguir as razões que me levaram a divergir da decisão que vinha sendo encaminhada pela i. Relatora do Processo. A divergência que se estabeleceu durante o julgamento da lide esteve relacionada, principalmente, à comprovação das irregularidades apuradas pela Fiscalização Federal nas exportações de couro realizadas pela empresa Bertin no período compreendido entre os dias 14/02/2001 e 09/04/2001. Os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento coletaram informações nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (LinceFisc) e com base nelas demonstraram que entre os meses de janeiro a abril de 2001 o preço médio praticado pelo mercado na exportação de couro Wet Blue foi de US$ 2,76/Kg e de US$ 16,11/Kg para o couro semi acabado. Ainda mais, que própria autuada, nesse mesmo período, vendeu o couro Wet Blue por um valor médio de US$ 2,72/Kg1. Em contraste com esses dados, foi demonstrado 1 Conforme consta no Relatório Fiscal, a autuada realizou no período de 14/02/2001 a 09/04/2001 um total de cento e seis exportações, todas elas classificadas como couro preparados para curtimenta. Disso depreendo que o preço praticado nas exportações de couro Wet Blue realizadas pela própria Bertin no período refiramse às operações realizadas no mês de janeiro e na primeira quinzena de fevereiro. A seguir o texto extraído do Auto de Infração. "QUADRO 01: Total das exportações de couros preparados após curtimento (NCM 4104.31.19) efetuadas pela autuada no período de 14/02/2001 a 09/04/2001, incluindo as apreendidas e as efetivas. Nro. DDEs Valor US$ FOB Valor R$ Total GERAL: 106 9.118.668 18.540.412 Total APREENDIDAS: 8 528.540 1.128.613 Total EXP. EFETIVAS: 98 8.590.128 17.411.799 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 391 12 que na exportação do couro semi acabado durante o período fiscalizado, a autauda praticou um preço quase idêntico ao preço observado nas exportações de couro Wet Blue, qual seja, US$ 2,74/Kg. No trabalho de auditoriafiscal, foram também obtidos laudos de especificação técnica encaminhados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), segundo os quais o parâmetro mais importante para avaliação do couro é a densidade de superfície em Kg/m2, expressa em função da espessura em milímetros do couro. A partir dessa informação, foram elaboradas as tabelas de valores de densidade de superfície em Kg/m2 para couros Wet Blue e para couros semi acabados. Reproduzo a seguir os dados calculados pelos AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento. Couro Wet Blue Mínimo ( espessura 1,2 1,4 mm) 1,29 Kg/m2 Máximo ( espessura 3,0 3,2 mm) 5,89 Kg/m2 Couro Semi Acabado Mínimo (espessura 0,5 0,7 mm) 0,473 Kg/m2 Maximo (espessura 2,2 2,4 mm) 2,080 Kg/m2 Mais uma vez com base nas informações extraídas dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (DataWarehouse), a Fiscalização demonstrou que nenhuma das cento e seis exportações realizadas pela autuada, declaradas como sendo de couro semi acabado, foram de mercadoria compreendida dentro dos limites acima especificados. Com exceção das exportações feitas a Hong Kong2 o valor da densidade de superfície do couro foi sempre superior a 3,00 Kg/m2. Sobre esse aspecto, o Fisco acrescenta ainda outro elementos. 2) Verificando os valores das oitenta e oito maiores exportações de couro semi acabado NCM 4104.31.19 ocorridas no primeiro trimestre de 2001 (anexo 06) percebemos que todas elas estão dentro do estipulado, sem exceção. 3) As exportações sublinhadas em verde na tabela 05, realizadas pela própria Bertin Ltda, filial em Estância Velha/RS, em 2000, estão todas dentro da especificação, variando de um mínimo de 0,884 Kg/m2 a um máximo de 1,217 Kg/m2. (...) A conclusão a que chegamos, com lastro em fartas provas, é a de que realmente houve, uma alteração de classificação fiscal de 4104.22.12 para 4104.31.19 nas 106 DDE (incluindo, é obvio, as oito DDE apreendidas)" 2 Que também estava em faixa superior, de 2,6 Kg/m2. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 392 13 No final do tópico IV (Formação das Provas), a Fiscalização acrescenta ainda que até o dia 14 fevereiro do ano de 2001 a Recorrente exportava preponderantemente couro Wet Blue. A partir de então, começou a exportar couro semi acabado, sendo que, depois de iniciada a ação da Receita Federal, recomeçaram as exportações do couro Wet Blue, "extinguindose abruptamente, assim como começara, as exportações de couro semi acabado 4104.31.19, não havendo mais noticia, até fins de julho/2001 de novas exportações deste couro". Além disso, esta empresa NÃO possui histórico de exportações de couros preparados após curtimenta (NCM 4104.31.19). Tanto que, segundo pesquisa realizada no sistema Lincefisc Exportação (JAN/97 a JUL/01) esta empresa exportou este tipo de couro somente no exíguo espaço de dois meses, ou seja, de 14/02/2001 a 09/04/2001. Observamos que todas estas exportações (total de 106 DDE, de acordo com o QUADRO 01 abaixo) ocorreram após a instituição do Imposto de Exportação (dez/2000) e se encerraram tão logo iniciouse a operação levada a cabo pela Alfândega do Porto de Santos. Peço vênia para dizer que não vejo nessas informações apenas indícios ou presunções carentes de elementos materiais de demonstração e comprovação da efetiva ocorrência das infrações apuradas. Segundo entendo, é substancial o quadro de evidências demonstrado pela Fiscalização Federal. Ora, se o preço médio praticado pelo mercado na exportação do couro que a Recorrente diz ter exportado de foi de US$ 16,11/Kg, como explicar que nesse mesmo período a autuada possa têlo vendido por US$ 2,74/Kg, num valor quase idêntico a que o mercado vendia o couro Wet Blue (US$ 2,76/Kg)? Não estamos tratando a de pequenas diferenças de preços passíveis de serem reconhecidas como oscilações normais de mercado. O valor é quase oito vezes superior (!). Não encontrei nos autos nenhuma explicação para esse fato. E o que pode ter mais materialidade do que os valores de densidade de superfície do couro, indicados pela próprio Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil CICB como o parâmetro mais importante para avaliação do couro? Nenhuma das exportações autuadas estava dentro do limite calculado com base nos laudos remetidos pelo CICB: de 0,473 Kg/m2 a 2,080 Kg/m2. Também não encontrei nos autos nenhuma explicação para o fato de o couro declarado como sendo semi acabado ter uma densidade de superfície própria do couro Wet Blue. De fato, peço licença para dizer que o que identifico no Recurso Voluntário são apenas argumentos retóricos, tendentes a demonstrar a fragilidade da acusação. A defesa contesta o fato de os AuditoresFiscais não terem realizado nenhuma conferência física das mercadoria, afirma que as alfândegas dos países de destino teriam identificado tal equívoco, mas em nenhum momento consegue ou mesmo tenta demonstrar que as informações contundentes trazidas aos autos pela Fiscalização Federal estavam equivocadas. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 393 14 Quanto a isso, de se observar que de fato a Recorrente sequer respondeu ao pedido de esclarecimentos feito pelos AuditoresFiscais autuantes. Eles assim relatam: Durante o desenrolar desta fiscalização, enviamos ao contribuinte Termo de Intimação Fiscal, para que o mesmo pudesse justificar, no prazo de 10 (dez) dias, os fatos aqui narrados. (anexo 12 fls.55 a 58). Junto à referida intimação enviamos cópia da Tabela 01 e dos laudos técnicos emitidos pelo CICB. Referida intimação foi recebida no dia 30/07/2001 e não foi cumprida (anexo 13 fls. 59 ), cabendonos a presunção de que, pela gravidade dos fatos apontados e a qualidade das provas obtidas, o silêncio é sinal de reconhecimento da procedência do Auto. E não se pode olvidar que, em regra, a demonstração dos fatos aos quais se reputa algum efeito tributário é feita com base em evidências documentais. Atestase a saída de uma mercadoria pelos assentamentos contábeis e os documentos fiscais emitidos e não pela comprovação do fato em si. Atestase o adimplemento de um regime pelos registros que lhe são próprios e não pela comprovação de que determinado insumo foi incorporado fisicamente ao produto exportado. Essa é uma verdade de grande repercussão. No caso concreto, não haveria mais como proceder ao exame pericial das mercadorias, pois ela já haviam sido exportadas. Tal circunstância, contudo, não tem o condão de excluir a competência do Fisco de proceder ao reexame das informações prestadas por ocasião do despacho de exportação. Tendo em conta as evidências identificadas e demonstradas pela Fiscalização Federal de que o couro exportado pela fiscalizada não poderia ter sido aquele declarado e considerando a falta de elementos concretos que infirmem tais conclusões, não vejo como excluir do presente litígio nem os tributos exigidos nem as multas aplicadas, uma vez que presente o elemento volitivo, colhido da conduta do contribuinte, que não pode ser interpretada como mero engano. VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 16 de outubro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 393DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 10314.004855/200119 Acórdão n.º 3102002.308 S3C1T2 Fl. 394 15 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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Numero do processo: 14041.001490/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/12/2007
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, j DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, j do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ao não apresentar os livros diários devidamente registrados.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES
Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal.
CONDIÇÃO DE ISENTA - NÃO COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 - LEI 3214/56 - INAPLICABILIDADE À CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
A recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratar-se de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar.
A alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referir-se a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ao não apresentar os livros diários devidamente registrados. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal. CONDIÇÃO DE ISENTA NÃO COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 LEI 3214/56 INAPLICABILIDADE À CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 14 90 /2 00 7- 74 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada sob n. 37.139.0745, em desfavor da recorrente, O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 35.761.5107, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme o relatório fiscal, fls. 11 e seguintes, foi cientificado de ação fiscal instituída pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPFF no. 09412829, acompanhado do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF com data de 26/09/2007, para a apresentação dos documentos nele descritos. Ainda conforme o relatório, também foi apresentado, ao contribuinte, outro pedido de documentos através do Termo de Intimação • para Apresentação de Documentos TIAD durante a ação fiscal em 03/12/2007. Na data marcada para a exibição dos documentos, e durante toda a ação fiscal, a empresa deixou de apresentar os seguintes documentos: Livro Diário do ano de 2003 que atendesse às formalidades legais exigidas, pois quando a empresa finalmente apresentou a cópia do respectivo livro diário, o mesmo não estava registrado em cartório conforme prevê a legislação. A não exibição dos documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 33, parágrafo 2% combinado com o art. 232 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, in verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", 'b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei n"10.256101) § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/12/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 27 a 42. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total da autuação, fls. 45 e seguintes, conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÓES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 17/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social bem como apresentálo sem as devidas formalidades legais constitui infração àlegislação previdenciária, nos termos dos §§'2° e 3° do artigo 33. da Lei n° 8.212/91. CONTRADITÓRIO Não há cerceamento, de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização. MULTA. CONFISCO. A multa aplicada encontra respaldo na legislação vigente e não se caracteriza como de natureza confiscatória. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. No Processo Administrativo Fiscal, somente é permitida a juntada posterior de provas caso haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PARCELAMENTO DE DÉBITO Não cabe à Delegacia da Receita Federal do Brasil e Julgamento (DRJ) se pronunciar em pedidos de parcelamento de débitos tributários, sendo tal atribuição da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do contribuinte. Lançamento Procedente Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 4 5 Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso fls. 58 e seguintes, onde em síntese alega: houve erro da fiscalização quanto ao incorreto enquadramento legal do fato descrito, de onde resulta inocorrer fato imputável à impugnante e, em conseqüência, a nulidade o da notificação fiscal; a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que autorizam e embasam a Notificação nulificam o procedimento adotado, ferindo o disposto' no art.37, da Constituição Federal; a Fiscalização não capitulou o ilícito não ensejando, por isso, sanção tributária; a Fundação goza de isenção de tributos por Lei Ordinária Federal n° 3.124, de 15/04/1957, que deve ser cumprida em todos os seus efeitos; a Autoridade Fiscal só elencou uma das espécies previstas nos artigos legais citados para a infração. Afirma que o Contador da empresa informou à fiscalização que o livro diário_ do ano de 2003 não estava sendo encontrado, mas que estava providenciando uma cópia do • mesmo junto ao cartório. Continua alegando que, visando corroborar com a fiscalização, forneceu uma cópia do livro que estava no sistema, não havendo prejuízo pára a fiscalização. Discorre sobre os princípios constitucionais administrativos da proporcionalidade e razoabilidade, bem como sobre nulidade, infração e os elementos do fato típico Insurgese contra a multa aplicada, considerandoa confiscatória e contrária a Constituição Federal, artigo 150, inciso IV. Ao final, requer a produção dos meios de provas em direito admitidos principalmente a juntada de novos documentos e, caso seja vencido na demanda administrativa requer lhe seja assegurado desde já, os beneficios fiscais de redução ora permitidos de parcelamento e pagamento por meio de precatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 73. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: A base da alegação do recorrente é de cerceamento do direito de defesa, posto que o auditor não se desincumbiu de demonstrar a falta cometida, ou mesmo a capitulação que justificaram a autuação. Contudo, entendo que o AI encontrase devidamente formalizada, não padecendo das irregularidades apontadas pelo recorrente. Batasnos a leitura do relatório fiscal, fls. 11 e seguintes, para que possamos identificar facilmente a fundamentação legal do AI: " originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. " Transcrevo abaixo, trecho do próprio relatório fiscal, onde desincumbiuse o auditor fiscal de descrever na forma devida o lançamento fiscal, bem como a fundamentação legal: Conforme o relatório fiscal, fls. 11 e seguintes, foi cientificado de ação fiscal instituída pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPFF no. 09412829, acompanhado do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF com data de 26/09/2007, para a apresentação dos documentos nele descritos. Ainda conforme o relatório, também foi apresentado, ao contribuinte, outro pedido de documentos através do Termo de Intimação • para Apresentação de Documentos TIAD durante a ação fiscal em 03/12/2007. Na data marcada para a exibição dos documentos, e durante toda a ação fiscal, a empresa deixou de apresentar os seguintes documentos: Livro Diário do ano de 2003 que atendesse às formalidades legais exigidas, pois quando a empresa finalmente apresentou a cópia do respectivo livro diário, o mesmo não estava registrado em cartório conforme prevê a legislação. A não exibição dos documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 33, parágrafo 2% combinado com o art. 232 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, in verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", 'b" e "c" do Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 5 7 parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei n"10.256101) § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. A própria decisão de primeira instância afastou ditas alegações, deixando claro que os documentos constantes do processos e os relatórios fornecem todos os esclarecimentos necessários ao exercícios da ampla defesa e do contraditório, tanto é que o recorrente alega não ter apresentado o livro Diário, tendo em vista que o contador não o lacalizou, tendo obtido nova cópia, mas, sem o respectivo registro Após a decisão não rebateu o recorrente os pontos ali descritos, resumindose a reprisar as mesmas alegações da impugnação. Assim, afasto qualquer alegação de nulidade. DO MÉRITO Ora, ao recorrente dáse o direito de insurgirse contra as autuações que lhe foram imputadas, colacionando alegações que demonstrem a fragilidade do mesmo, mas desde que, para tanto, demonstre inexistir os fatos que ensejaram a autuação, o que não foi o caso. Conforme descrito no relatório fiscal a autuação pautouse em dispositivo diverso o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, no caso, não apresentou os livros contáveis –diário e razão”. Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Simplesmente alegar, ou mesmo dizer que os documentos encontramse à disposição, porém não no prazo exíguo estipulado, de forma alguma, determina a procedência de suas alegações. Durante o procedimento o contribuinte é intimado a apresentar os documentos que determinam a sua regularidade em relação as contribuições previdenciárias. Ora, considerando que durante o contencioso administrativo o julgador deve apreciar os argumentos e provas que demonstrem a improcedência do lançamento, não é possível, atestar as alegações do recorrente quando o mesmo se resume a argumentar mas, sem comprovar efetivamente a inexistência da infração. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto a alegação de multa confiscatória, entendo que razão também não assiste ao recorrente: A multa aplicada obedeceu estritamente aos ditames previstos não havendo qualquer reparo a ser feito. A fundamentação da multa foi bem descrita, razão pela qual não há qualquer equivoco na sua aplicação: Em decorrência da infração praticada está sendo aplicada a multa cabível, nos termos do artigo 283, inciso I I , "3" do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3 . 0 4 8 / 9 9 , no valor de R$ 10.359,14 valor atualizado pela Portaria MPS/479, de 07/05/2004. Com efeito, não tendo o contribuinte regularizado a infração cometida, e não atendendo o requisitos estabelecidos no § 1.° do artigo 291, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, mantémse a multa aplicada no presente Auto de Infração, regularmente lavrado pela Fiscalização. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação, dessa forma, indiferente a argumentação de que não agiu de máfe. Assim, não tendo o recorrente, afastado a falta que lhe foi imputada, demonstrando a apresentação dos livros dentro das exigências legais deve ser determinada a procedência da autuação. DA CONDIÇÃO DE IMUNE Conforme também devidamente indicado pelo auditor e apreciado pelo julgador de primeira instância, em relação as contribuições previdenciárias, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme se demonstrará adiante. Notese que a alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que a entidade em questão não se enquadra nas exigências acima descritas. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 7 11 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 8 13 IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou cumprir todos os requisitos do art. 55 da lei 8212;91, mais especificamente não possui para o período objeto do lançamento CEBAS (não houve qualquer Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 alegação quanto a essa constatação fiscal) que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida a partir da expiração do prazo de validade do certificado anterior. Não formalização do pedido perante a previdência A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. O Decreto 2536/98, demonstra que a inércia do recorrente em pedir a renovação lhe tira o direito a usufruir do benefício pretendido, qual seja, ter o CEBAS válido para todo o período que pretendi ter a condições de filantrópica reconhecida. Senão vejamos o art. 3: “Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:” §2 O certificado de Entidade de fins filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. §3 Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) é o principal instrumento de reconhecimento, pelo poder público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento de entidade que pretenda ser beneficiária da imunidade de contribuições para a seguridade social, de acordo com o que prevê o art. 195, § 7º, da Constituição Federal (CF). Tal imunidade é uma das poucas exceções à regra geral prevista na CF, que instituiu o princípio da solidariedade no custeio do sistema de seguridade social, assim, a ausência de cobertura para um determinado período afasta a imunidade pretendida pelo recorrente. QUANTO A FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 9 15 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas, indicando no relatório fiscal os motivos do seu não enquadramento. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Assim, também não cumpriu o recorrente requisito fundamental, qual seja, requerer junto ao INSS o pedido de isenção de contribuições, razão pela qual, mais um descumprimento, corretamente imputado pelo auditor, que tira do recorrente o direito ao gozo da isenção de contribuições previdenciárias. POSSIBILIDADE DE AFASTAR NORMAS INCONSTITUCIONAIS No que tange a possibilidade de afastar normas inconstitucionais em relação ao efeito confiscatório da multa, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa, ao contrário do que alega o recorrente. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991, principalmente no que se refere aos requisitos para concessão da isenção.. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual deve o auditor, no exercício de atividade vinculada, cumprir e aplicar todos os dispositivos da legislação previdenciária, sob pena inclusive de falta funcional. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA Quanto a multa aplicada, melhor sorte não assiste ao recorrente, considerando que no relatório fiscal consta especificamente relatório com toda a fundamentação da multa aplicada, inclusive transcrevendo os dispositivos legais. Da mesma forma, devidamente apreciada a questão pelo julgador de primeira instância: DA AUSÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO DA MUITA Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001490/200774 Acórdão n.º 2401003.791 S2C4T1 Fl. 10 17 Em relação à multa aplicada, constatase que a mesma encontrase corretamente aplicada, de acordo com as disposições previstas na Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e art. 283, inciso II, alínea "j" e art. 373 , do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, estando a presente autuação constituída com observância das formalidades legais e regulamentares próprias. Ressaltese que, comprovada a ocorrência da infração, outra alternativa não resta ao fiscal autuante a não seca aplicação objetiva da multa prevista em lei. A multa exigida pela Fiscalização é exatamente a determinada nas leis e decretos constitucionais indicados na autuação. Tendo em vista que o lançamento do crédito tributário é atividade plenamente vinculada e que a lei constitucional foi fielmente observada, impossível se aceitar a tese de que o ato administrativo não é razoável nem proporcional. A tese apresentada pelo impugnante, no que concerne ao caráter confiscatório da multa descrita no Auto de'Infração em tela, não se sustenta, porquanto a sua aplicação está em plena consonância coma norma jurídica em vigor, aplicável à espécie. Observese, por fim, que tributo não se confunde com multa e o art. 150, IV da Constituição Federal/88, citado na impugnação, referese a tributo. A multa corresponde à pena de caráter pecuniário, que tem por escopo desestimular o desrespeito ou infração a dispositivos legais pela não observação das obrigações acessórias previstas em lei. Isto posto, entendo que ao decisão de primeira instância encontrase acertada e na conformidade com o s dispositivos legais. CONCLUSÃO Voto por CONHECER DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto proferido. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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