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Numero do processo: 11516.723422/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO.
Havendo omissão, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que ela seja suprida.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. FUNRURAL. QUESTIONAMENTO SOBRE A SUA CONSTITUCIONALIDADE. VIGÊNCIA DA LEI 10256/01. CONCOMITÂNCIA. EXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NESTE PONTO.
1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo, pois, em qualquer hipótese, haverá de prevalecer o que for decidido judicialmente.
2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
3. O sujeito passivo, previamente ao lançamento, realmente ajuizara ação judicial para questionar a constitucionalidade das contribuições devidas pelos produtores rurais empregadores, inclusive sob a égide da Lei 10256/2001; e as contribuições controladas nestes autos têm período de apuração posterior à citada lei.
Numero da decisão: 2402-006.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com alteração do resultado do julgamento, para não conhecer do recurso voluntário no tocante à inconstitucionalidade do Funrural.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Havendo omissão, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que ela seja suprida. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. FUNRURAL. QUESTIONAMENTO SOBRE A SUA CONSTITUCIONALIDADE. VIGÊNCIA DA LEI 10256/01. CONCOMITÂNCIA. EXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NESTE PONTO. 1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo, pois, em qualquer hipótese, haverá de prevalecer o que for decidido judicialmente. 2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 3. O sujeito passivo, previamente ao lançamento, realmente ajuizara ação judicial para questionar a constitucionalidade das contribuições devidas pelos produtores rurais empregadores, inclusive sob a égide da Lei 10256/2001; e as contribuições controladas nestes autos têm período de apuração posterior à citada lei.
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FUNRURAL Embargante COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL COOPERJA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Havendo omissão, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que ela seja suprida. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. FUNRURAL. QUESTIONAMENTO SOBRE A SUA CONSTITUCIONALIDADE. VIGÊNCIA DA LEI 10256/01. CONCOMITÂNCIA. EXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NESTE PONTO. 1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo, pois, em qualquer hipótese, haverá de prevalecer o que for decidido judicialmente. 2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 3. O sujeito passivo, previamente ao lançamento, realmente ajuizara ação judicial para questionar a constitucionalidade das contribuições devidas pelos produtores rurais empregadores, inclusive sob a égide da Lei 10256/2001; e as contribuições controladas nestes autos têm período de apuração posterior à citada lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 34 22 /2 01 3- 96 Fl. 814DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com alteração do resultado do julgamento, para não conhecer do recurso voluntário no tocante à inconstitucionalidade do Funrural. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL COOPERJA, nova denominação social de COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE JACINTO MACHADO, em face de acórdão proferido por este colegiado, cuja ementa é a seguinte. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. JULGAMENTO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. 1. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. 2. Quanto ao Funrural, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a sua constitucionalidade em decisão tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 718874, com repercussão geral reconhecida. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 11516.723422/201396 Acórdão n.º 2402006.468 S2C4T2 Fl. 3 3 MULTA. AUSÊNCIA DE AUTENTICAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO NA JUNTA COMERCIAL. Não havendo sido realizada a devida autenticação dos livros contábeis perante a Junta Comercial, resta configurado o suporte fático para aplicação da multa prevista no art. 283, inciso II, 'j', do RPS. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencidos João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator) e Jamed Abdul Nasser Feitoza que davam provimento nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Embargos A embargante aponta que a decisão do CARF teria sido omissa, por não haver levado em conta a decisão favorável proferida no processo nº 2006.72.04.000422 0, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no sentido de declarar a inconstitucionalidade da contribuição sobre a comercialização da produção rural de produtor pessoa física. Assevera que a fundamentação utilizada pelo colegiado embargado, o Recurso Extraordinário nº 718.874, sequer havia sido publicada no período fiscalizado, não produzindo efeitos jurídicos sobre a presente lide. Ao final, pede o conhecimento e acolhimento dos aclaratórios. Do exame de admissibilidade Conforme despacho/decisão de fls. 810/812, os embargos foram admitidos para julgamento. Vejase: Entretanto, da leitura da decisão, constatase que no voto condutor do acórdão não há qualquer menção a referida ação judicial, mesmo que para não conhecer da alegação em razão da ocorrência de concomitância. Portanto, observase que é procedente a alegação de omissão apontada nos embargos, devendo o processo retornar ao colegiado para o seu saneamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 816DF CARF MF 4 1 Admissibilidade Conforme detalhado no exame de admissibilidade, os embargos são tempestivos e foi objetivamente apontado o ponto que deveria, no entender da embargante, ser clareado. Em sendo assim, o recurso deve ser conhecido. 2 Da omissão Segundo a embargante, o acórdão embargado teria sido omisso por não ter levado em consideração a decisão favorável proferida na ação judicial nº 2006.72.04.000422 0. No seu entender, ainda, a fundamentação utilizada pelo colegiado, o julgado proferido no recurso extraordinário nº 718.874, sequer havia sido publicado no período fiscalizado. Pois bem. Melhor analisando os autos, verificase que: (i) a embargante, previamente ao lançamento, realmente ajuizara ação judicial para questionar a constitucionalidade das contribuições devidas pelos produtores rurais empregadores, já sob a égide da Lei 10256/2001; (ii) e as contribuições controladas nestes autos têm período de apuração posterior à citada lei. Desta forma, há coincidência entre os objetos veiculados na ação e na peça recursal submetida a este Conselho, mormente pela coincidência entre as causas de pedir de ambos os procedimentos (judicial e administrativo). Por outro lado, a única matéria que seria distinta não foi conhecida. Mesmo sabendo da ação judicial, a fiscalização procedeu ao lançamento porque, como a discussão se limitaria às contribuições devidas pelos produtores rurais empregadores, deveria o sujeito passivo ter um controle que permitisse distinguilos dos produtores rurais não empregadores (segurados especiais), cujas contribuições deveriam ser recolhidas. Como o sujeito passivo não teria feito esse controle, todas as contribuições foram lançadas como devidas em função de aquisições junto a segurados especiais. Ocorre que o sujeito passivo apenas questionou esse procedimento em grau recursal, o que levou este colegiado a não conhecer da matéria, por unanimidade, nos seguintes termos: A recorrente suscita tese de natureza preliminar, consistente na necessidade de anulação do lançamento. No seu entender, como o acórdão recorrido reconheceu como devida apenas a contribuição devida pelo segurado especial, e como a fiscalização efetuou o lançamento sobre todas as notas fiscais de compras, sem fazer a separação entre as categoriais (i) segurado especial e (ii) produtor rural empregador, os autos deveriam ser anulados. Tal matéria, contudo, não foi ventilada na impugnação, sendo insuscetível, pois, de conhecimento em grau recursal. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 11516.723422/201396 Acórdão n.º 2402006.468 S2C4T2 Fl. 4 5 A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. [...] Cumpre acrescentar que "as normas de preclusão são indispensáveis ao devido processo legal e, de modo algum, relevamse incompatíveis com o direito de ampla defesa"1. Voltando à questão da concomitância, a submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo. Em qualquer hipótese, há de prevalecer o que for decidido judicialmente. Como reforço do que se alega, vale lembrar que o inc. XXXV do art. 5º da Constituição Federal preleciona que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", de forma que o órgão do Judiciário tem a última palavra na solução de conflitos. Singrando esse entendimento, este egrégio Conselho editou a Súmula CARF nº 1, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial, pelo sujeito passivo, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vejase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como sabido, este Conselho está obrigado a seguir a orientação traçada em súmulas, ex vi do art. 72 do seu Regimento Interno. Destarte, o recurso não deveria ter sido conhecido neste ponto, muito menos ter julgado sobre a inconstitucionalidade com base no Recurso Extraordinário (RE) 718874. Como se vê, pois, o suprimento da omissão implica alteração do resultado do julgamento, para não conhecer da matéria relativa à inconstitucionalidade do Funrural, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 1. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração, para suprimir a omissão relativa à existência prévia da ação judicial, Fl. 818DF CARF MF 6 com alteração do resultado do julgamento, para não conhecer do recurso voluntário no tocante à inconstitucionalidade do Funrural. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 819DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006047/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE MANTEVE A AUSÊNCIA DA ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO, NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, DE DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DA CSLL EM SALDO A PAGAR.
Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo da CSLL, a contribuinte sofreu autuação fiscal, ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação da base de cálculo da CSLL, de despesa de amortização de ágio, implicando na reversão do saldo negativo da CSLL em saldo a pagar do referido ano-calendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário.
Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo da CSLL em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo da CSLL do referido ano-calendário.
Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo da CSLL para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo, ao manter a referida infração.
Numero da decisão: 1201-002.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE MANTEVE A AUSÊNCIA DA ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO, NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, DE DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DA CSLL EM SALDO A PAGAR. Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo da CSLL, a contribuinte sofreu autuação fiscal, ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação da base de cálculo da CSLL, de despesa de amortização de ágio, implicando na reversão do saldo negativo da CSLL em saldo a pagar do referido ano-calendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário. Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo da CSLL em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo da CSLL do referido ano-calendário. Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo da CSLL para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo, ao manter a referida infração.
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DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE MANTEVE A AUSÊNCIA DA ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO, NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, DE DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DA CSLL EM SALDO A PAGAR. Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo da CSLL, a contribuinte sofreu autuação fiscal, ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação da base de cálculo da CSLL, de despesa de amortização de ágio, implicando na reversão do saldo negativo da CSLL em saldo a pagar do referido anocalendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário. Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo da CSLL em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo da CSLL do referido anocalendário. Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo da CSLL para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo, ao manter a referida infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 47 /2 00 6- 11 Fl. 386DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO CELPE recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1124.932, sessão de 18 de dezembro de 2008, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, mantendo a decisão de NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO, nos termos do voto do relator. Por bem sintetizar o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, constante do Acórdão ao norte mencionado, completandoo ao final: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação —Dcomps (fls. 12/57), por meio das quais compensou crédito da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado seria decorrente de saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário 2003, exercício 2004, no total de R$ 3.277.176,31 (valor originário constante da sua DIPJ/2004 retificadora entregue em 30/10/2006). De acordo com o Relatório de Informação Fiscal (fls.07/09), propôsse a nãohomologação das compensações, haja vista que após as verificações necessárias para a confirmação do crédito declarado, a fiscalização detectou falta de adição ao lucro liquido de despesas operacionais indedutiveis contabilizadas como amortização de ágio, fato este que corrigido de oficio ensejou na cobrança da CSLL relativa ao ano calendário de 2003 no valor de R$ 3.043.622,96,(Demonstrativo às fls. 97/98 e Termo de Encerramento de Ação Fiscal as fls.100/126), portanto deixando de existir o crédito da CSLL declarado pela contribuinte. Aprovando o citado parecer, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife exarou o Despacho Decisório DRF/REC de f1.147, através do qual resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 19647.006047/200611 Acórdão n.º 1201002.363 S1C2T1 Fl. 387 3 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 151/162), alegando, em síntese, que a suposta infração detectada pela fiscalização, a qual alterou o resultado da CSLL constitui o processo de n° 196476.010151/200783 que se encontra em litígio, desta feita, o presente processo deverá aguardar a decisão definitiva do citado processo por estar estritamente relacionado com o mesmo. A impugnante também argumenta contra a infração detectada relativamente glosa de despesa relativa à amortização de ágio constante do processo n° 19647.010151/200783. Do pedido. A impugnante requer que seja julgada a presente impugnação conjuntamente com a impugnação apresentada no processo n° 19647.010151/200783, e em caso contrário que este processo seja sobrestado com fulcro no art. 265, inciso IV do CPC até o desfecho do citado processo. Requer ainda que, caso entendimento for no sentido de a presente lide ser julgada independentemente do processo n° 19647.010151/200783, seja analisado o mérito alegado e reformada a decisão recorrida. A DRJ/Recife, por meio do Acórdão ao norte identificado, indeferiu a solicitação da contribuinte e manteve a decisão consubstanciada no despacho decisório de efls. 147, sob os seguintes argumentos: Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida pela Delegacia da Receita Federal em Recife, no anocalendário em questão, ensejando lançamento de auto de infração formalizado no Processo n° 19647.010151/200783, no qual foi verificado, entre outras, a falta de adição ao lucro liquido de despesas indedutiveis de amortização de ágio, ensejando a cobrança da CSLL no montante de R$ 3.043.622,96, deixando de existir, portanto, o crédito da CSLL objeto do pedido de compensação em lide. 0 citado auto de infração, constante do processo n° 19647.010151/200783, foi objeto de julgamento pela 5" Turma de Julgamento desta DRJRecife, através do Acórdão n° 11 23.277 de 30/06/2008, o qual manteve a glosa da dedução de despesa a titulo de ágio efetuada pela fiscalização (...) (...) O Acórdão acima citado foi objeto de Recurso voluntário e encontrase no 1º Conselho de Contribuintes, para apreciação desde 12/11/2008, consoante consulta anexa as fls.244/245 . Vale salientar que, mesmo que o auto de infração ainda não houvesse sido julgado nesta instância, haveria de ser mantida a decisão denegatória do crédito suplicado. Isto porque, à época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então Fl. 388DF CARF MF 4 a circunstância de que, naquele momento, como agora, inexistiam créditos líquidos e certos a amparar a compensação pleiteada, em face do que se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, (...) (...) Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (e fls. 267 e seguintes) trazendo, em essência, as mesmas alegações de seu primeiro apelo. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 1402001.692, na sessão de 07 de maio de 2014 (fls. 373 e seguintes), deu provimento ao recurso voluntário e reconheceu o direito ao crédito pleiteado pela contribuinte. Porém, ao final do voto condutor, registra a seguinte ressalva, verbis: Saliente se que a execução desta decisão condicionase ao trânsito em julgado do acórdão proferido nos autos do processo 19647.010151/200783, motivo pelo qual deve ser promovida a juntada por apensação deste àquele. Compete à CSRF quando do julgamento do recurso especial interposto naquele processo ratificar ou retificar, conforme o caso, a decisão aqui proferida. Assim, conforme determinado no Acórdão supra, este processo foi juntado por apensação ao processo nº 19647.010151/200783. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Em face da tempestividade verificada e presentes os demais pressupostos de admissibilidade passo a apreciar o recurso voluntário interposto. Conforme relatado, os autos do processo tratam de compensação tributária. A contribuinte efetuou compensação tributária de débitos, conforme DCOMPs objeto dos autos, utilizando saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003, valor original apurado R$ 3.277.176,31, informado na DIPJ 2004, anocalendário 2003, Ficha 17, e fls. 94. Na sequência, em 25/09/2007, a contribuinte foi autuada quanto ao ano calendário 2003, e o saldo negativo de CSLL de R$ 3.277.176,31 foi revertido para saldo de CSLL a pagar de R$ 3.043.622,95, conforme autos do Processo conexo nº 19647.010151/200783, em face da infração imputada "adições ao lucro líquido antes da CSLL falta de adição de despesas indedutíveis de amortização de ágio" , in verbis: Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19647.006047/200611 Acórdão n.º 1201002.363 S1C2T1 Fl. 388 5 (...) Abaixo, trago a colação, o "Demonstrativo de Apuração" da CSLL do ano calendário de 2003 constante do Auto de Infração do processo conexo nº 19647.010151/2007 83: Fl. 390DF CARF MF 6 A lide objeto do Processo nº 19647.010151/200783, que trata da falta de adição de despesas indedutíveis de amortização de ágio que implicou reversão do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 de R$ 3.277.176,31 para saldo de CSLL a pagar de R$ 3.043.622,95, restou com decisão definitiva, irreformável, na instância administrativa, com o advento do Acórdão nº 9101002.186, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 2.565 do processo nº 19647.010151/200783), com a seguinte decisão: DAR PROVIMENTO para fins de restabelecer a autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio, pela glosa de prejuízos compensados indevidamente no IRPJ e pela compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL; Assim, existindo decisão final irreformável na órbita administrativa nos autos do Processo (conexo) nº 19647.010151/200783, confirmando a inexistência de saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2003 pela manutenção da infração "ausência da adição ao lucro líquido do período, na determinação da base de cálculo da CSLL, de despesa de amortização de ágio", ou seja, restou sacramentada a reversão do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 de R$ 3.277.176,31 para saldo de CSLL a pagar de R$ 3.043.622,95, não cabendo discutir aqui, novamente, a mesma matéria, que restara decidida naqueles autos. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13679.720169/2016-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
A documentação apresentada pelo recorrente não o socorre.
Numero da decisão: 2002-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A documentação apresentada pelo recorrente não o socorre.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A documentação apresentada pelo recorrente não o socorre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 72 01 69 /2 01 6- 24 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13679.720169/201624 Acórdão n.º 2002000.307 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.166/167) contra decisão de primeira instância (fls.158/163), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Para o Contribuinte identificado no preâmbulo, foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Poços de Caldas – MG, a Notificação de Lançamento de fls. 150/153, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2013. O imposto a restituir apurado na declaração revisada foi reduzido para R$ 2.196,85, valor já pago ao Contribuinte. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND nº 06/36.042.847, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência da seguinte irregularidade: · Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 50.283,11. Fonte Pagadora: Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. O enquadramento legal e a descrição dos fatos foram informados no corpo da Notificação de Lançamento. Depois da ciência do lançamento, o Contribuinte apresenta Impugnação e documentos comprobatórios às fls. 3/141. O Impugnante alega que, em decorrência de moléstia grave, tem direito à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria “concedida na modalidade por Invalidez”. Discorre longamente sobre o seu quadro de saúde e sobre os procedimentos/exames realizados. Acrescenta que é portador de vários problemas de saúde desde 1991, os quais caracterizam cardiopatia severa considerada grave, por isso o ato de sua aposentadoria foi proferido e publicado no Diário Oficial do Estado em 20/04/2002. Junta aos autos a Portaria MD nº 1174/2006 e a Norma Técnica Junta Médica TRT/DRT Alagoas, de fevereiro de 2009, as quais, no entendimento do Impugnante, amparam o argumento de que o seu quadro de saúde se enquadra no conceito de cardiopatia grave. O Contribuinte menciona dispositivos da legislação tributária, decisões administrativas e dos Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça. Requer a procedência da Impugnação e o reconhecimento do direito à restituição apurada na DAA retificadora revisada. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13679.720169/201624 Acórdão n.º 2002000.307 S2C0T2 Fl. 4 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos e, adicionalmente complementou o recurso. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O acórdão nº 0373.198 foi disponibilizado para ciência dia 22/02/2017 (fl.164). Recurso Voluntário protocolado dia 06/03/2017 (fl.166), assinado pelo próprio contribuinte. Em 10/08/2017 (fls.173/184), o contribuinte complementou o recurso voluntário. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda (Súmula 43 deste CARF). Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula 63 deste CARF). Destaco ainda, que o laudo médico oficial (fls.36/37), elaborado pelo médico vinculado à Secretaria Municipal de Saúde de Monte Santo de Minas, relata vários problemas de saúde do recorrente, porém não existe o apontamento de nenhuma moléstia grave, elencada na lei de isenção fiscal no particular. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13679.720169/201624 Acórdão n.º 2002000.307 S2C0T2 Fl. 5 4 Pois bem, o recorrente trouxe para os autos o doc. de fl.168, "Extrato de Laudo Médico", onde concluiu que o recorrente se enquadra na Lei de Isenção do Imposto de Renda, no conceito de cardiopatia grave, CID I25.5 definitivamente, a partir de janeiro de 2017. Em sendo assim, a manutenção da r. decisão revisanda deve ser mantida. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000339/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, devem prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2201-004.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, devem prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 646 1 645 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17546.000339/200726 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.638 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE ALBERT SABIN S/B LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1998 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, devem prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 39 /2 00 7- 26 Fl. 646DF CARF MF Processo nº 17546.000339/200726 Acórdão n.º 2201004.638 S2C2T1 Fl. 647 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra Decisão Notificação da então Secretaria da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário. O lançamento é referente a contribuições devidas à Previdência Social, incidentes sobre valores pagos a empresa prestadora de serviço da área da saúde, devidos em razão da Solidariedade da empresa supra (Hospital e Maternidade Albert Sabin S/B Ltda. pela cessão de mão de obra colocada à sua disposição, correspondente à parte do empregado, da empresa (quota patronal), e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O débito da notificada, lançado na presente NFLD, referese ao período de 04/1998 a 11/1998 (anterior à implantação da GFIP). A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/11/205, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário, tempestivamente, em 23/12/2005, data da postagem nos Correios, alegando, em síntese: A decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 09/05/2005, data da ciência da NFLD, estando decadentes os fatos geradores ocorridos nas competências entre 05/1999 a 05/2000, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Não há crédito tributário, posto que todos os valores descontados dos empregados foram recolhidos. Em face da exiguidade do prazo para apresentação de defesa e da grande quantidade de documentos, deixa de apresentar a comprovação dos pagamentos nesse momento, prometendo fazêlo em momento oportuno. A inconstitucionalidade de aplicação da taxa Selic. Pleiteia a juntada posterior de documentos. Por fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, sendo anulado o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência Fl. 647DF CARF MF Processo nº 17546.000339/200726 Acórdão n.º 2201004.638 S2C2T1 Fl. 648 3 O recorrente alega a prescrição e a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. No que tange à prescrição, que é a perda do direito de ação, não há de se cogitar, uma vez que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa com o protocolo da impugnação. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.2i2, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5°do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1°do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua Fl. 648DF CARF MF Processo nº 17546.000339/200726 Acórdão n.º 2201004.638 S2C2T1 Fl. 649 4 revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula n° 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados se referem à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF n° 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as Fl. 649DF CARF MF Processo nº 17546.000339/200726 Acórdão n.º 2201004.638 S2C2T1 Fl. 650 5 contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, no presente caso, temos que o lançamento se perfectibilizou com a ciência pessoal ocorrida em 09/05/2005 (fl.49). Verificouse que não há nos autos prova de que houve antecipação do pagamento relativa ao crédito tributário lançado. Desse modo, aplicase a regra inserta no art. 173, § 1º, do CTN. Estão atingidas pela decadência, pois, todas as competências do presente lançamento, eis que o crédito tributário lançado é referente ao período de 04/1998 a 11/1998. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.727207/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor R$7.506,95.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor R$7.506,95. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor R$7.506,95. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 72 07 /2 01 2- 86 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10730.727207/201286 Acórdão n.º 2201003.360 S2C2T1 Fl. 94 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 19ª Turma da DRJ/RJ1 (Fls. 42), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação protocolizada pelo interessado, contra Lançamento de Ofício nº 2011/451947962886687 relativo ao Exercício de 2011 Ano Calendário 2010 que resultou em crédito tributário no montante de R$ 2.446,36 , sendo R$ 1.309,97 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904), R$ 982,47 de Multa de Ofício e de R$ 153,92 de Juros de Mora, calculados até 31/05/2012, conforme Notificação de Lançamento fls. 04/09. A Descrição dos fatos e o Enquadramento Legal encontramse detalhados nos Demonstrativos de fls. 06/07, versando sobre as infrações de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa a Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. O contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em 24/05/2012 de acordo com o Aviso de Recebimento de fl. 36, tendo protocolizado a impugnação de fls. 02/03 e 26, em 22/06/2012, onde consta o seguinte: Com relação a infração de Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa a Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica (fl. 07), no valor de R$ 3.044,88 o interessado não a impugnou, tratandose portanto de Matéria Não Impugnada. Desta forma, considerase portanto, incontroverso o Lançamento nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1.972, transcrito abaixo: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Com relação a infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública (fl. 06) o interessado afirmou estar contestando parte (R$ 7.506,95) da infração lançada pelo Fisco no valor de R$ 10.466,18. Logo, o valor não contestado pelo interessado em sua impugnação, de R$ 2.959,23 (R$ 10.466,18 – R$ 7.506,95) tratase de Matéria Não Impugnada. Desta forma, considerase portanto, incontroverso o Lançamento nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1.972, transcrito abaixo: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10730.727207/201286 Acórdão n.º 2201003.360 S2C2T1 Fl. 95 3 Segue abaixo o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido pertinente as Matérias Não Impugnadas pelo contribuinte: Descrição Valores em Reais 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados, fl. 35 53.446,14 2) Omissão de Rendimentos Apurada 0,00 3) Total das Deduções Declaradas, fl. 35 28.609,31 4) Glosas de Deduções Indevidas (Não Impugnadas) (R$ 2.959,23 + R$ 3.044,88) 6.004,11 5) Prev.Oficial sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) 30.840,94 7) Imposto Apurado após as Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 1.254,83 8) Contrib. Prev. a Emp. Doméstico Declarado 0,00 9) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 10) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 11) Total de Imposto Pago Declarado, fl. 35 1.250,86 12) Glosa de Imposto Pago 0,00 13) IRRF sobre infração e/ou CarnêLeão Pago 0,00 14) Saldo de Imposto a Pagar após Alterações (789+1011+1213) 3,97 15) Imposto a Restituir Declarado, fl. 35 737,34 16) Imposto já Restituído, fl. 08 0,00 17) Imposto Suplementar 3,97 Obs.: Valores em Reais Face aos cálculos contidos na tabela acima, restou incontroverso o valor de R$ 3,97 a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904) acrescido de Multa de Ofício (75%) e Juros de Mora de acordo com a legislação vigente, pertinente as Matérias Não Impugnadas pelo Interessado. O contribuinte anexou aos autos as cópias de documentos constantes das fls. 10/29. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10730.727207/201286 Acórdão n.º 2201003.360 S2C2T1 Fl. 96 4 Passo adiante, a 19ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA. Somente pode ser deduzida a importância paga a título de Pensão Alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de Decisão Judicial, de Acordo Homologado Judicialmente ou de Escritura Pública e desde que devidamente comprovada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL RELATIVA À RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Cientificado em 22/10/2014 (Fls. 48), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 05/11/2014 (fls. 55 a 59), argumentando em síntese: (...) Resta claro, assim, que o Processo Administrativo Fiscal deve ser sempre informado pelos princípios da verdade material e do livre convencimento motivado do julgador, que deverá valorar as provas, de forma fundamentada, de acordo com o que ele considere como o melhor meio para se alcançar a verdade dos fatos apresentados. Da valoração das provas apresentadas a luz do princípio da verdade material Nada mais justo e consentâneo com o citado princípio que as provas apresentadas sejam apreciadas sob a lente da verdade material. Não pode o Fisco Federal descurar de tais fatos, e simplesmente ignorar o pagamento da pensão alimentícia realizado pelo recorrente. Frise.se que tais pagamentos foram realizados por determinação judicial, como se infere de toda a documentação apresentada. Não se afigura legítimo que a Instrução Normativa n° 25/1996 se sobrepuje ao princípio da verdade material. (...) É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10730.727207/201286 Acórdão n.º 2201003.360 S2C2T1 Fl. 97 5 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, o presente litígio restringese a Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no montante de R$ 7.506,95. Segundo a autoridade lançadora a pensão só seria devida a partir de setembro de 2010; haja vista que somente nesta data foi homologado o acordo de pensão. (doc.pág. 06 dos autos) Ato contínuo, o contribuinte apresentou documentos que comprovam que a ação judicial teve inicio em 1992, com a fixação de alimentos provisionais, e que tal pensão provisória foi transformada em definitiva em setembro de 2010. Contudo, apesar de o contribuinte ter afastado a motivação do lançamento, entendeu a DRJ que somente as cópias dos recibos de fls. 10/16, sem a comprovação do desconto realizado em folha de pagamento, não tem o condão de comprovar que no ano calendário a que se refere a presente lide, ocorreu o efetivo pagamento da Pensão alimentícia. Em seu recurso o recorrente afirma que pagamentos foram realizados por determinação judicial, como se infere de toda a documentação apresentada (recibos); e solicita que as provas apresentadas sejam apreciadas sob a lente da verdade material. Do exposto, se verifica que a fiscalização não requisitou, neste caso específico, provas ao contribuinte da efetividade dos pagamentos; tendo, inclusive, aceito os pagamentos, comprovados através de recibos, da pensão dos meses de setembro a dezembro. Por este motivo, não é o caso de se requerer, no presente momento, a análise do caso sob o aspecto da efetividade dos pagamentos; mas sim sob a ótica da existencia ou não de determinação judicial anterior a setembro de 2010. A DRJ não poderia inovar o lançamento, exigindo a comprovação dos efetivos pagamentos. Bastando, para afastar as glosas realizadas pela fiscalização, a apresentação de documento que comprove a existência de determinação judicial de pagamento de pensão anterior a setembro de 2010. Assim, na presente situação, entendo que a documentação apresentada pelo recorrente supre a prova requerida pela fiscalização, e é suficiente para reverter as glosas relacionadas. Ademais, constam nas página 10 a 16 dos autos recibos/declarações de recebimento de pensão alimentícia, assinadas pela beneficiária Carlinda Maria da Silva Sampaio, do meses de janeiro a dezembro de 2010; todas no valor de R$1.304,88 (hum mil Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10730.727207/201286 Acórdão n.º 2201003.360 S2C2T1 Fl. 98 6 trezentos e quatro reais e oitenta e oito centavos), perfazendo um total anual de R$15.658,52 (quinze mil seiscentos e cinqüenta e oito reais e cinqüenta e dois centavos). Tenho o entendimento de que a declaração/recibo faz prova de pagamento; posto que preenche todos os requisitos legais e dá quitação ao pagamento de pensão alimentícia; que, é um dos poucos casos em que pode haver a prisão do alimentante em razão da falta de pagamento. Assim, perante a existência de prova de que os pagamentos se deram em decorrência de acordo homologado judicialmente, deve ser restabelecida a dedução do valor com certeza conhecido de R$7.506,95. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor R$7.506,95. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722058/2013-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento, e excetuada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial de cinco anos conta-se a partir da data em que se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária. Cancela-se a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial.
MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA.
Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual.
Numero da decisão: 3402-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para negar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento, e excetuada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir da data em que se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária. Cancelase a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindose seu percentual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para negar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 58 /2 01 3- 69 Fl. 4744DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrados em 16/09/2013, devidas pelos regimes não cumulativo, relativamente aos períodos de apuração janeiro a dezembro/2008, que constituíram crédito tributário no montante total de R$ 3.985.410,17 (Cofins – R$ 3.274.499,14 e PIS – R$ 710.911,03), somados o principal, multa de ofício qualificada e agravada (225%) e juros de mora. A autuação versa, em síntese apertada, acerca da tomada de crédito da aquisição de mercadorias que não se configuram como insumos conforme a apuração do processo produtivo do Contribuinte, além de notas fiscais de entrada com valor maior do que o realmente praticado, utilizando então os créditos de insumos inexistentes para diminuição dos valores de PIS e Cofins. Notificado da autuação, o contribuinte impugnou nos seguintes termos: Inicialmente, a contribuinte sintetiza os fatos e as constatações do procedimento de fiscalização sob a ótica do que foi descrito no Termo de Verificação Fiscal. Alega, então, a decadência dos créditos tributários relativos aos períodos de janeiro a agosto de 2008, tendo em vista que ao caso aplicase o prazo estabelecido no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), e não o do art. 173, I, do mesmo Código (cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele que o lançamento poderia ter sido efetuado), o qual foi assinalado pela fiscalização. Cita jurisprudência administrativa e judicial para ilustrar seu entendimento. Sobre a glosa dos insumos, alega: Segundo o relatório da Fiscalização, das 113 (cento e treze) mercadorias informadas como insumos, 66 (sessenta e seis) "não fazem parte do processo produtivo”. Ab initio, limitouse o Douto Fiscal a glosar os créditos referentes às mercadorias não consideradas como insumos, deixando de apresentar as razões pelas quais os créditos foram desconsiderados, limitandose a elaborar tabela apontando com o "NÃO" as mercadorias que não ensejam direito a crédito. Essa omissão por parte da autoridade fiscal prejudica o exercício do contraditório nesta fase administrativa, ofendendo Fl. 4745DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722058/201369 Acórdão n.º 3402003.210 S3C4T2 Fl. 3 3 princípio constitucional traçado no inciso LV do artigo 5o da Constituição Federal, abaixo transcrito: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Assim, no tocante aos insumos desconsiderados pela Fiscalização, e por não se tratar de questão meramente de Direito, revelase imprescindível a realização de perícia técnica, cujo trabalho apontará a destinação específica das matériasprimas na atividade empresarial. Somente pela análise desse trabalho pericial será possível aferir a qualidade de insumo às matériasprimas com créditos glosados pelo fiscal, como ocorreu em recente decisão do CARF, consubstanciada no acórdão 330100.416, publicado em 16.03.2011. Para tanto, indica como Perito o Sr. Diego Morosine Dacencio, portador da cédula de identidade R.G. n° 34.236.4005 e devidamente inscrito no CPF/MF sob n° 363.668.66821, com registro no CRQ IV REGIÃO n° 04464863, residente à Rua Antonio Velho Tinoco, 329, Bairro Cidade Líder, CEP 08280 120, com os quesitos formulados em peça anexa à presente Impugnação. Quanto às condições de qualificação da multa (dolo, fraude ou simulação),alega: Constatados valores informados nos arquivos magnéticos muito maiores que as cifras constantes nas notas fiscais de n° 10135, 210153, 201396, 210676 e 223878, interpretouse tal fato como configuração do crime de sonegação fiscal, nos termos do artigo 1o da Lei 8.137/90, assim passado: [...]A interpretação gramatical da norma acima permite a conclusão segundo a qual o crime contra a ordem tributária apenas configurase com a omissão de informação, deixando o sujeito ativo, dolosamente, de expor "em documento ou livro exigido pela lei fiscal" toda e qualquer informação contábil, de forma a reduzir tributo. Ou seja, exigese, no caso sob análise, conduta comissiva por parte da Impugnante no sentido de simplesmente ter se aproveitado do valor muito acima a que tinha direito, consequentemente reduzindo o quantum debeatur. Lecionando acerca da Lei 8.137/90, Hugo de Brito Machado, em seu Curso de Direito Tributário, assim de posiciona: O crime de supressão ou redução de tributo distinguese do antigo crime de sonegação fiscal, essencialmente, por ser um crime material, ou de resultado. Só estará consumado se houver a supressão ou a redução do tributo. Fl. 4746DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Se realmente houvesse a intenção de praticar o crime de sonegação fiscal, a Impugnante teria inserido nos livros fiscais os mesmos valores constantes nas notas fiscais acima elencadas. Do manuseio das cópias dos livros fiscais ora anexado Doc. II percebese que não houve qualquer pretensão em reduzir tributo omitindo informações em livro, posto nada foi omitido, logo nenhum tributo foi recolhido a menor. Ao inserir nos livros fiscais os valores concernentes à aquisição das matériasprimas, vislumbrase que houve mero equívoco quando da transmissão dessas informações, podendo inclusive tal discrepância ter sido causada pelo próprio sistema disponibilizado pelo Fisco, ou seja, erro técnico do qual não participou a Impugnante. De outro prisma, apresentase incoerente a acusação fiscal afirmar a apropriação de créditos na ordem de milhões de reais exatamente R$ 11.728.638,70 (base de cálculo) quando a DACON anexa Doc. I demonstra com clareza valores muito menores e que espelham fidedignamente os créditos de PIS e COFINS. A título de exemplo, a Douta Fiscalização concluiu que a Impugnante apropriouse no mês de dezembro de 2008 de crédito de PIS/COFINS na importância de R$ 5.859.513,00 referente à Nota Fiscal n° 223878. A DACON desse período dezembro/2008 revela que efetivamente a base de cálculo referente a créditos de PIS foi de R$ 1.982.513,75 e de COFINS representou R$ 1.983.698,03, de modo a compor durante todo o mês natalino a quantia de R$ 3.966.211,78. Assim, se realmente a Impugnante houvesse se apropriado dos créditos conferidos apenas pela nota fiscal supra mencionada, o valor a creditar na apuração do PIS e da COFINS aproximarse ia de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) quando se comprova pela DACON que a importância aproveitada durante todo o mês foi de R$ 183.472,53 (cento e oitenta e três mil, quatrocentos e setenta e dois reais e cinquenta e três centavos). A análise pormenorizada das DACON's dos demais meses do ano de 2008 revelará cabalmente que a Impugnante não se apropriou dos valores a maior referentes às Notas Fiscais apontadas acima. (destaques do original) Alega ainda, quanto à multa aplicada: IV— Da inaplicabilidade da multa prevista no inciso II do artigo 957 do RIR/99. Sob o entendimento de ter havido evidente intuito de fraude, a Fiscalização acresceu ao crédito tributário exigido multa no percentual de 225%, com base no inciso II do artigo 957 do RIR/99. Fl. 4747DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722058/201369 Acórdão n.º 3402003.210 S3C4T2 Fl. 4 5 Ora, conforme apontado acima, corroborado pelos documentos ora anexados, afastase qualquer conduta fraudulenta por parte da Impugnante e seus sócios, de modo que se revela inaplicável a multa, bem como o agravamento da penalidade. Prossegue a defesa argüindo contra a responsabilização dos sócios: V Da ausência de responsabilidade do sócio Carlos Roberto dos Santos Conforme consta na própria peça acusatória, o sócio Impugnante tornouse responsável pela sociedade em 25.09.1990, retirandose da sociedade em 18.04.2005, ao passo que durante o exercício fiscalizado não figurava como sócio, tampouco exercia a função de gerente ou administrador da empresa. Sem a condição de sócio a norma esculpida no inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional não deve incidir no caso concreto, pela total incompatibilidade da subsunção do fato à norma. De igual forma revelase a aplicação do inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional, incidente quando constatadas "pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", nos exatos termos legais. No caso sob análise, a situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal consistiu, sob o prisma do Fisco, no creditamento a maior de PIS e COFINS sobre insumos não considerados e notas fiscais supervalorizadas, de modo a reduzir os tributos federais a recolher. Nessa linha de raciocínio, se à época dos fatos o sócio não tinha qualquer vínculo com a empresa, não participando como quotista, de rigor seu total desinteresse na "situação" que constituiu o fato gerador do PIS e da COFINS, revelando a autuação fiscal, consequentemente, plenamente improcedente no tocante ao sócio Impugnante. Decisão recente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF reforça o comando legal ao exigir ao sócio o poder de gerência, além de chamado ilícito qualificado, como se pode depreender com a leitura da seguinte ementa: [...]VI Da ausência de responsabilidade dos sócios Jair Edson Cusin e José Manitta. Mesmo figurando como sócios com poderes de gerência, os Impugnantes jamais agiram contra a Lei crime de sonegação fiscal posto não ter havido dedução a maior de créditos de PIS e COFINS, bem como os insumos com créditos glosados são efetivamente aplicáveis no processo produtivo, conforme restará demonstrada pela prova pericial ora solicitada. A decisão da DRJ/Ribeirão Preto foi parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: Fl. 4748DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa durante o curso do procedimento fiscal, no qual cumpre ao sujeito passivo apenas colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Somente após autuação, e regular contestação, é que se forma uma relação jurídica de natureza processual, da qual a contribuinte se torna parte, aplicandose, então, as garantias do devido processo legal. AUTUAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado nos autos que as razões que fundamentaram as glosas dos créditos estão bem explicitadas no Termo de Verificação que compõe o auto de infração, e que a contribuinte fora devidamente cientificada desse documento, bem como dos arquivos digitais elaborados pela fiscalização, não se caracteriza qualquer cerceamento ao direito ao contraditório e à ampla defesa da interessada. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento, e excetuada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir da data em que se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária. Cancelase a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindose seu percentual. Fl. 4749DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722058/201369 Acórdão n.º 3402003.210 S3C4T2 Fl. 5 7 MULTA AGRAVADA. PROCEDÊNCIA. A não apresentação das informações ou esclarecimentos solicitados no curso do procedimento de fiscalização enseja o agravamento da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.PROCEDÊNCIA. Caracterizado o interesse comum das pessoas físicas elencadas na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correta a sua designação como sujeitos passivos solidários. Diante do provimento parcial, não apresentou o Contribuinte qualquer Recurso Voluntário, subindo este processo ao CARF em razão exclusivamente de Recurso de Ofício de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso de Ofício ultrapassa o limite de alçada e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. A respeito do mérito, a matéria devolvida a este Colegiado diz respeito à contagem do prazo decadencial e aplicação de multa de ofício qualificada. Em primeiro lugar, há que se analisar o cabimento da multa qualificada e a ocorrência dos seus elementos ensejadores, haja vista que, se verificados, implicam o juízo acerca da contagem do prazo decadencial. O fundamento legal apontado para o lançamento da multa de ofício qualificada foi o art. 957, II, do Regulamento do IR/99, que reproduz as disposições do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 4750DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Referido artigo teve sua redação alterada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, restando assim redigido a partir de então: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Assim, para os casos de falta de declaração ou de declaração inexata, será aplicada a multa de 75%, a menos que o Fisco constate a ocorrência de condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei nº 4.502, de 1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Resta clara a necessidade de comprovação clara da conduto dolosa para a aplicação da multa qualificada, mesmo porque o art.112 do CTN determina que, em caso de dúvida sobre a natureza da conduta praticada, essa dúvida deve operar em seu favor: Fl. 4751DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722058/201369 Acórdão n.º 3402003.210 S3C4T2 Fl. 6 9 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Conforme afirmado na decisão recorrida, concluiu a fiscalização que (fl.4680): a contribuinte utilizouse indevidamente de créditos de insumos para reduzir os valores devidos de PIS e de Cofins, conforme informações por ela prestadas em seus Dacon do ano de 2008. As situações que revelaram essa utilização indevida e o intuito de fraude são as seguintes: (i) quatro notas fiscais de compra de elevado valor indicadas nos arquivos magnéticos de notas fiscais de entrada têm, na realidade, valores reais bastante inferiores; (ii) significativa diferença entre os valores totais das notas fiscais de compras de insumos apresentadas e o declarado no Dacon para maio e setembro de 2008; (iii) ter informado como insumos compras de mercadorias/produtos que não fazem parte do seu processo de fabricação em todos os meses de 2008. Todavia, não parece que caracterizado o dolo do contribuinte, como observou acertadamente a decisão recorrida, pelo que reproduzo seus fundamentos: Sobre a situação impugnada, como já mencionado, a divergência dos valores das notas fiscais foi identificada em vista dos arquivos digitais apresentados pela contribuinte, e após o cotejo com as notas fiscais físicas. Estas, segundo consigna o TVF, foram obtidas junto aos fornecedores, já que a interessada não as apresentou quando intimada para tanto. Somente na última resposta à fiscalização (em 02/08/2013) a interessada apresentou suas cópias das notas fiscais. Apenas para melhor compreensão, colacionese novamente a tabela do TVF que alude a essas notas fiscais: Fl. 4752DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 A autoridade fiscal nada consigna acerca dos valores escriturados de tais notas fiscais, e não constam dos autos que a interessada tenha apresentado os livros Diário e Razão que lhe foram solicitados no curso do procedimento fiscal. Por outro lado, digase que as cópias dos livros de Registro de Entradas apresentadas junto à impugnação não podem ser aceitas como prova, tendo em vista que não estão autenticadas, nem assinadas pela empresa, e, salvo melhor juízo, contém apenas partes dos lançamentos dos períodos. Assim é que, tendo a fiscalização obtido as notas fiscais físicas que permitiramlhe confirmar a incorreção dos valores que lhe foram informados, e a despeito das informações que efetivamente constaram sobre essas notas na contabilidade, cumpre verificar se houve a ação dolosa que foi imputada à contribuinte, qual seja, de ter se aproveitado de créditos de insumos calculados em relação aos valores indevidamente majorados daquelas notas fiscais, reduzindo, conseqüentemente, os valores devidos de PIS e de Cofins nos períodos em análise. A análise dos Dacon relativos aos períodos das citadas notas fiscais indica que não se pode afirmar que tenha havido a utilização indevida dos créditos, conforme se passa a expôr. A tabela a seguir foi elaborada a partir das informações consignadas no TVF, e nas planilhas de fls. 4.096, 4.217, 4.268, 4.278, e planilha anexa à fl. 4.144. Os valores expressos são em Reais (R$): Com efeito, no mês de janeiro, o valor das notas fiscais de entrada constantes dos arquivos magnéticos foi de R$ 2.880.755,16. Subtraindose desse valor a diferença a maior da nota fiscal “em desacordo” (n. 201.396), R$ 1.553.013,00, o valor corrigido do total de notas fiscais de entrada dos arquivos passa a ser de R$ 1.327.742,16. O valor total das notas fiscais físicas apresentadas foi de R$ 1.635.429.48 – o qual excede o valor retificado das notas do arquivo. Já no Dacon, a base de cálculo das aquisições de bens utilizados como insumos totalizou R$ 970.874,13, valor este inferior tanto ao valor do total das notas fiscais físicas como do total das notas dos arquivos magnéticos. Ainda, a fiscalização aceitou como base de cálculo dos créditos um valor superior ao informado no Dacon (R$ 978.724,02). Portanto, não se verifica a informação no Dacon de créditos sobre insumos calculados em relação ao valor a maior daquela da nota fiscal “em desacordo”. Fl. 4753DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722058/201369 Acórdão n.º 3402003.210 S3C4T2 Fl. 7 11 Em fevereiro, o valor das notas fiscais de entrada constantes dos arquivos magnéticos foi de R$ 1.564.310,63. Subtraindose desse valor a diferença a maior da nota fiscal “em desacordo” (n. 10135), R$ 477.063,70, o valor corrigido do total de notas fiscais de entrada dos arquivos passa a ser de R$ 1.087.246,93. O valor total das notas fiscais físicas apresentadas foi de R$ 1.377.062,38 – o qual excede o valor retificado das notas do arquivo. Já no Dacon, a base de cálculo das aquisições de bens utilizados como insumos totalizou R$ 1.273.766,93, o qual é inferior ao valor total das demais notas fiscais físicas. Assim, o valor do Dacon não incluiu o valor majorado daquela nota fiscal “em desacordo”. Em maio, o valor das notas fiscais de entrada constantes dos arquivos magnéticos foi de R$ 5.867.025,99. Subtraindose desse valor a diferença a maior das notas fiscais “em desacordo” (n° 210153 e 210676), R$ 3.839.049,00, o valor corrigido do total de notas fiscais de entrada dos arquivos passa a ser de R$ 2.027.976,99. O valor total das notas fiscais físicas apresentadas foi de R$ 1.739.512,72 conforme planilha (ou R$ 1.708.599,87 conforme TVF). Já no Dacon, a base de cálculo das aquisições de bens utilizados como insumos totalizou R$ 2.508.726,25. Embora esse valor seja superior ao valor das notas fiscais físicas e do arquivo, a diferença aqui se limita aos montantes de R$ 480.749,26 a R$ 769.213,53, ao passo que o valor majorado daquela nota fiscal foi de R$ 3.839.049,00. Assim, podese afirmar que a base de cálculo do Dacon não incluiu aquela diferença de valor da nota fiscal em “desacordo”. Digase, ademais, que a documentação dos autos também não permite afirmar que a diferença entre os valores do Dacon e das notas fiscais decorra especificamente de parcela daquele valor majorado da nota fiscal em “desacordo”. Em dezembro, o valor das notas fiscais de entrada constantes dos arquivos magnéticos foi de R$ 7.023.612,42. Subtraindose desse valor a diferença a maior da nota fiscal “em desacordo” (n° 223878), R$ 5.859.513,00, o valor corrigido do total de notas fiscais de entrada dos arquivos passa a ser de R$ 1.164.099,42. Não consta o valor das notas fiscais físicas eventualmente apresentadas para esse período. No Dacon, a base de cálculo das aquisições de bens utilizados como insumos totalizou R$ 1.976.609,75. Embora esse valor seja superior ao valor das notas fiscais do arquivo, a diferença aqui se limita ao montantes de R$ 812.510,33 ao passo que o valor majorado daquela nota fiscal foi de R$ 5.859.513,00. Assim, podese afirmar que a base de cálculo do Dacon não incluiu aquela diferença de valor da nota fiscal em “desacordo”. Diga se, ademais, que a documentação dos autos também não permite afirmar que a diferença entre os valores do Dacons e das notas fiscais decorra especificamente de parcela daquele valor majorado da nota fiscal em “desacordo”. Importante consignar que o valor das contribuições a pagar demonstrado nos Dacon corresponde aos débitos declarados Fl. 4754DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 pela contribuinte em suas DCTF no período, corroborando, assim, que não há evidência do aproveitamento de créditos de insumos calculados em relação aos valores indevidamente majorados daquelas notas fiscais, reduzindo, conseqüentemente, os valores devidos de PIS e de Cofins nos períodos em análise. Retomando a fundamentação explicitada para a qualificação da multa interposta, o comportamento doloso da contribuinte no sentido de fraudar o Fisco foi aferido a partir de três situações identificadas pela autoridade fiscal. Demonstrado que a primeira delas não se sustenta, resta verificar se as duas demais, por si sós, são suficientes para caracterizar aquele comportamento, e, assim, justificar a qualificação da multa, a despeito de não ter a interessada apresentado argumentos específicos em face dessas constatações. Da forma como contextualizada nos autos, entendo que a inclusão no Dacon na rubrica de créditos de bens e serviços utilizados como insumos de valores relativos a compras de mercadorias/produtos que não fazem parte do seu processo de fabricação (situação iii) não caracteriza conduta dolosa da contribuinte no intuito de reduzir os valores devidos de contribuições. De fato, referidas compras têm suporte em notas fiscais apresentadas pela própria contribuinte, e não consta dos autos que não tenham sido contabilizadas. Ao contrário, consta do TVF que foram contabilizados R$ 25.768.071,19 a título de “Custo de Mercadorias, Produtos e Serviços”, dos quais R$ 19.797.362,37 se referem à conta de “Material/Insumos utilizados na produção”, ao passo que o Dacon indicou o total de bens e serviços utilizados como insumos de R$ 26.738.502,07, e a DIPJ indicou o total de compra de insumos de R$ 19.797.362,37. Entendemos correta a análise e entendimento do julgador de 1ª instância, inclusive de acordo com a jurisprudência desse Conselho: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO INTUITO DE FRAUDE NÃO EVIDENCIADO Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, fato não caracterizado nos autos pelo órgão lançador. Restando incomprovada a conduta dolosa do contribuinte, improcede a aplicação da multa qualificada." (Acórdão n.° 10808.896, da antiga 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Cons. Rei. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; sessão de 21.6.2006– destacouse). MULTA QUALIFICADA. DOLO NÃO CONFIGURADO. INCABÍVEL. A declaração dos débitos, em DCTF, em valores inferiores aos efetivamente devidos não configura o dolo necessário à qualificação da multa de ofício se a contribuinte declarou em DIPJ e registrou os valores corretos na Fl. 4755DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722058/201369 Acórdão n.º 3402003.210 S3C4T2 Fl. 8 13 contabilidade com base na qual foi realizado o lançamento. (Ac. 220200037, de 04/03/2009) Nesse contexto, havendo duvida acerca da conduta dolosa da contribuinte, devese retirar a qualificação da multa de ofício, reduzindose o percentual da penalidade para 75%. Quanto a contagem do prazo decadencial, tratase de matéria já debatida nessa Turma, que aplica, por imposição legal e regimental, o teor da Súmula Vinculante nº08 do STF, na linha defendida pelo acórdão recorrido: Em 20/06/2008, foi publicada a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, com o seguinte teor: Súmula Vinculante STF nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por seu turno, o art. 2º da Lei nº 11.417, de 19 de dezembro de 2006, define os efeitos da edição de súmula vinculante nos seguintes termos: Lei nº 11.417, de 2006: Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. O Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda em 18/08/2008, estabeleceu orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 8, assim dispondo quanto à fixação do dies a quo dos prazos decadenciais das contribuições para a seguridade social, uma vez afastadas do mundo jurídico as normas contidas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. . 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...) Fl. 4756DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Diz o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destacouse) Diz o artigo 150 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(destacouse) Inicialmente, como se viu acima, não ficou evidenciada a conduta fraudulenta da interessada. Portanto, não se aplica a hipótese de dilação do prazo prevista no art. 150, §4o, do CTN, acima reproduzido. No caso em tela, como relatado, a contribuinte foi cientificada em 18/09/2013 do auto de infração relativos a valores de PIS e de Cofins dos períodos 01 a 12/2008. Nesse contexto, no que se refere aos períodos 09 a 12/2008, a ciência do lançamento deuse dentro do prazo de cinco anos Fl. 4757DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722058/201369 Acórdão n.º 3402003.210 S3C4T2 Fl. 9 15 estabelecido pelo art. 150, § 4º do Código acima transcrito, restando regular sua exigência. No que tange aos períodos 01 a 08/2008, ante a Súmula Vinculante nº 8 e Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, cumpre verificar a existência do respectivo pagamento, para fins de determinação do marco inicial do decurso decadencial. O pagamento foi verificado no âmbito da própria DRJ, conforme telas de fls. 4.6894.690, o que implica a aplicação da regra do art.150, §4º do CTN. Isso implica na decadência do período de 01 08/2008, conforme já verificado no acórdão recorrido. Desse modo, nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão recorrida. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 4758DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10580.726977/2009-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.120
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 77 /2 00 9- 77 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 12 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.726133/200926. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, totalizando o valor de R$ 129.738,53, incluídos aí multa de ofício, equivalente a 75%, e juros de mora. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 13 3 A Contribuinte apresentou impugnação, restando integralmente indeferida pela DRJ/SDR/BA às fls. 126/132. Regularmente cientificada, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, fls. 137/227, argumentando, entre outros, a natureza indenizatória das diferenças recebidas de URV, a legitimidade da União Federal para cobrar o Imposto de Renda; a imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; a exigência de multa de ofício e juros moratórios. Em análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, fls. 272/279, deu parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Após rejeitados os Embargos Declaratórios apresentados pela Contribuinte às fls. 284/287, apresentou Recurso Especial às fls. 294/318, suscitando, em síntese, a não incidência do Imposto de Renda sobre as verbas referentes às diferenças de URV, face sua natureza indenizatória. Alega que as parcelas referentes às diferenças de URV não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou do trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração. Requer, ainda, tratamento isonômico entre os membros dos Ministérios Públicos da União e do Estado. No exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, a Presidência da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 354/356, deu seguimento ao recurso em face da verificação da divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, para que ambas as matérias suscitadas no recurso especial sejam discutidas. Assim, deve ser reapreciada da natureza jurídica das diferenças remuneratórias calculadas em face da variação da URV, pagas a membro de Ministério Público estadual, para concluir pela incidência ou não do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, bem como a aplicação da resolução n. 245 do STF ao caso concreto. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, fls. 358/365, vieram os autos conclusos. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.115, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.726133/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.115): PRELIMINAR DE NULIDADE Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Ministério Público da Bahia. Ausência de nulidade do lançamento Primeiramente, considerando ter sido suscitado de ofício a nulidade do lançamento, argumentando se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral seria capaz de eivar de vício material o lançamento. Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. De acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 15 5 AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Aliás, até no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/2005 61, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Com base na decisão proferida pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos Fl. 475DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 16 6 acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo a nova base de cálculo. Destaco, ainda, que a competência dessa CSRF restringese a apreciação dos argumentos trazidos em sede de recurso especial pelas partes, não competindo aos seus membros suscitar de ofício argumentos pela nulidade da autuação sem que o recorrente o tenha feito. Isto posto, entendo que deva ser rejeitado o conhecimento da nulidade suscitada de ofício pela ilustre relatora. DO MÉRITO Competência para legislar sobre IR. Primeiramente, conforme descrito no lançamento, a Lei Complementar nº 20 do Estado da Bahia, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da Fl. 476DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 17 7 devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV. Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza Fl. 477DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 18 8 daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial Fl. 478DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 19 9 tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 20 10 Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União Fl. 480DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 21 11 para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou Fl. 481DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 22 12 mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Quanto a necessidade de prévia declaração de inconstitucionalidade da lei estadual. Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual, entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido, a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Membros do MP da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação, de que necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionlidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Quanto a forma de cálculo do IR devido Regime Caixa X Competência Fl. 482DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 23 13 Conforme já trazido quando da apreciação da decisão do STF sobre o tema em sede de preliminar, entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de calculo aplícável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do rendimentos recebidos pelos membros do MP da Bahia, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP e o e RE 614.406/RS versam exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Conforme já citado neste voto e inclusive transcrita ementa, o CARF já se manifestou acerca dessa questão no processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Fl. 483DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 24 14 Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, Fl. 484DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 25 15 ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Da leitura do trecho do voto transcrito acima, ao qual uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS foram no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como Fl. 485DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 26 16 descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88), mas sim, pelo regime de competência. Dessa forma, considerado os termos da decisão do STF e STJ, encaminho pelo provimento parcial do Resp do Contribuinte, para afastar a nulidade e que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para afastar a nulidade suscitada de ofício pela relatora e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para afastar a nulidade suscitada de ofício e, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 486DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 27 17 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 9202004.120 CSRFT2 Fl. 28 18 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.003760/2007-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA.
MOMENTO DA VEDAÇÃO ANO-CALENDÁRIO DE 1999.
O art. 33 do Decreto Lei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação.
Numero da decisão: 1103-000.716
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. O conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou pelas conclusões e fará declaração de voto.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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MOMENTO DA VEDAÇÃO ANOCALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do DecretoLei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. O conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou pelas conclusões e fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 719 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, exigindo o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 13.511.157,70, incluídos neste valor a contribuição, a multa de ofício e os juros moratórios, estes calculados até a data da autuação. 2. De acordo com o TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL, às fls. 455 e 456, foi apurada compensação indevida da base de cálculo negativa de períodos anteriores na apuração da CSLL. São os seguintes os fatos descritos: 2.1. A empresa, optante pelo regime de tributação pelo lucro real, fez constar nas DIPJ dos exercícios de 2003 e 2004, anoscalendário de 2002 e 2003, na linha correspondente à base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro de períodos anteriores, que estivesse sendo compensada no períodobase, um valor de saldo negativo que não possuía. 2.2. A situação pode ser assim resumida: Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Anocalendário 2002 Linha Descrição Declarado Ajustado 01 LL antes da CSLL 46.587.293,37 46.587.293,37 18 SOMA das Adições 77.695.776,84 77.695.776,84 27 SOMA das Exclusões 33.841.267,38 33.841.267,38 32 () BC NEG DA CSLL DE PB ANT 27.105.540,85 0,00 34 BC DA CSLL 63.336.261,98 90.441.802,83 35 CSLL 5.700.263,58 8.139.762,25 Anocalendário 2003 Linha Descrição Declarado Ajustado 01 LL antes da CSLL 129.963.534,44 129.963.534,44 19 SOMA das Adições 94.342.172,41 94.342.172,41 29 SOMA das Exclusões 45.977.033,07 45.977.033,07 34 () BC NEG DA CSLL DE PB ANT 35.719.028,62 0,00 36 BC DA CSLL 142.609.645,16 178.328.673,78 Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 720 3 37 CSLL 12.834.868,06 16.049.580,64 2.3. As diferenças de CSLL apuradas são autuadas como compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, resultando os seguintes valores tributáveis: Ano Base de cálculo 2002 27.105.540,85 2003 35.719.028,62 2.4. Intimouse a contribuinte a proceder aos ajustes no LALUR. 3. Em decorrência da infração verificada foi lavrado o auto de infração de fls. 460 e 461, exigindo (valores em Reais – R$): CSLL 5.654.211,23 Multa de ofício 4.240.658,41 Juros de mora 3.616.288,06 Total 13.511.157,70 4. Cientificada do auto de infração em 29/11/2007, a contribuinte apresentou, em 21/12/2007, a impugnação de fls. 465 a 486, instruída com a documentação de fls. 487 a 599 e 602 a 649, aduzindo, em sua defesa, em síntese: Dos fatos 4.1. relata um breve histórico das suas operações, para justificar as origens das bases negativas da CSLL que foram utilizadas nas DIPJ referentes aos anosbase de 2002 e 2003 e, equivocadamente, desconsideradas pelo Sr. Agente fiscal; 4.2. a CTEEP, ora impugnante, incorporou, em 23/03/1999, parcela cindida da Companhia Energética de São Paulo (CESP); 4.3. a efetivação da cisão deuse em 31/03/1999 e, a partir dessa data, a impugnante passou a ser responsável pelas obrigações da parcela incorporada da companhia cindida, bem como passou a deter direitos sobre o patrimônio incorporado, inclusive a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela CESP em períodos anteriores; Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 721 4 4.4. anexa demonstrativo que comprova ter direito a compensar o montante de R$ 201.949.000,40, de base de cálculo negativa de CSLL, proporcionalmente à parcela cindida da CESP por ela incorporada, de um total de base negativa de R$ 2.071.798,94 (doc. 6); 4.5. de acordo com o Protocolo de Cisão, as obrigações trabalhistas, previdenciárias e as reclamações trabalhistas em curso, relativas aos empregados transferidos para as incorporadoras, foram assumidas pelas mesmas, inclusive as obrigações originadas de atos, fatos ou eventos ocorridos anteriormente à cisão; 4.6. por força dessa cláusula a impugnante viuse obrigada a pagar parcela de um auto de infração lavrado pelo INSS em face da CESP, antes da cisão; 4.7. a fim de solver essa dívida, ofereceu o total da base negativa da CSLL que havia recebido da própria CESP por ocasião da cisão, como parcela do valor a ser pago, e para tanto, a CESP formulou Pedido de Utilização de Crédito de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas – Optante pelo Refis ou Parcelamento Alternativo (doc. 08); 4.8. a decisão da EQPIR/9J pugnou pela impossibilidade de aproveitamento, pela CESP, das bases negativas adquiridas da CTEEP, porém admitiu a utilização, pela CTEEP, do montante de R$ 64.737.408,80 (anexa transferência bancária da CTEEP para CESP em razão da impossibilidade da utilização da base de cálculo negativa – doc. 09); 4.9. claro está, portanto, que a impugnante tinha direito à utilização dessas bases; Do direito Preliminar de mérito – Da decadência do direito de lançar 4.10. com base no disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, o E. Conselho de Contribuintes vem entendendo que quando há equívocos na apuração do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa o fisco tem o prazo de cinco anos, contados da apuração desses valores, para conferilos e, em sendo o caso, lavrar o auto de infração; 4.11. no caso em questão, em que o saldo da base negativa glosado foi apurado nos anos de 1989 a 1996, quando da lavratura do auto de infração (novembro/2007) já havia decaído o direito de o fisco formalizálo; 4.12. ante a ausência de questionamento no prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, por parte da Fiscalização, do valor apurado a título de base de cálculo negativa relativa aos períodos anteriores ao anocalendário de 1996, o direito de revisar o montante apurado nesse período encontrase afetado pelo instituto da decadência; Do direito à compensação de bases negativas de CSLL pela sucessora Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 722 5 4.13. a Impugnante adquiriu a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela empresa incorporada (CESP), proporcionalmente ao patrimônio líquido que lhe fora vertido, em razão da cisão parcial, cujos efeitos começaram a valer a partir do dia 31/03/1999 (cláusula A 4 do Protocolo de Cisão); 4.14. nessa época, o direito à utilização, pela sucessora, das bases de cálculo negativas de CSLL, apuradas em exercícios anteriores pela empresa cindida, não sofria qualquer vedação expressa; 4.15. a garantia de utilização da base de cálculo negativa foi levada em consideração nas negociações que culminaram com a cisão parcial da CESP; 4.16. a vedação ao aproveitamento da base de cálculo negativa da CSLL deu se apenas em relação às bases negativas transferidas em cisões, fusões, incorporações posteriores à publicação da Medida Provisória nº 1.8586, em 30/06/1999, ou seja, posteriormente à ocorrência da cisão, em 31/03/1999; 4.17. a vedação prevista no Decretolei nº 2.341, de 1987, somente passou a ser aplicável à base de cálculo da CSLL nas transformações societárias ocorridas após a edição da Medida Provisória nº 1.8586; 4.18. a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é uníssona no sentido de que a vedação prevista no art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 1987, foi estendida à compensação de base de cálculo negativa da CSLL apenas para as cisões, fusões e incorporações ocorridas após a publicação da Medida Provisória nº 1.8586, de 30/06/1999; 4.19. não pode lei superveniente tolher o direito da Impugnante, eis que, tendo sido a cisão parcial da CESP processada em seus regulares efeitos, é ato jurídico perfeito, e a lei não poderá prejudicála, por força do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal; Da inobservância do Princípio da Verdade Material 4.20. caso o Sr. Agente Fiscal tivesse observado o princípio da verdade material, teria verificado os atos societários de cisão da CESP e a transferência do patrimônio à Impugnante; 4.21. não houve qualquer diligência à sede da empresa que foi parcialmente cindida, nem qualquer solicitação de documentos à CESP, o que afronta o princípio da verdade material, ou seja, a busca real dos fatos; 4.22. em razão dos documentos acostados e em atenção ao princípio da verdade material, o auto de infração deve ser cancelado, ou deve ser determinado o retorno dos autos à repartição de origem a fim de que sejam feitas diligências na sede da CESP para a obtenção de eventuais outros documentos que comprovam o saldo de base negativa transferido à Impugnante; Da taxa SELIC Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 723 6 4.23. a taxa SELIC foi criada para medir a variação apontada nas operações do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, sendo, portanto, uma taxa de juros remuneratórios; 4.24. a sua fixação visa a remunerar o investidor, e não para ser aplicada como sanção, por atraso no cumprimento de uma obrigação; 4.25. ademais, devese ressaltar que a referida Taxa não foi criada por lei, mas por Resoluções do Banco Central do Brasil, o que ofende o princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional; 4.26. como não existe lei ordinária que tenha criado a Taxa Selic, os juros (se devidos) que deveriam ser aplicados estão limitados a 1% ao mês; 4.27. considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como a sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma com a natureza de juros de mora. 5. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração e protesta pela produção e apresentação de todos os meios de prova em direito admitidos, reiterandose a necessidade de observância da verdade material. A 2ª Turma da DRJ de São Paulo I, por meio do acórdão n.º 1616.727, decidiu, (ementa): “DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA A contagem do prazo decadencial do lançamento relativo à compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL toma por base a data da compensação, não a de apuração da base negativa. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. COMPENSAÇÃO. CISÃO E INCORPORAÇÃO Após a publicação da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, é vedada à empresa sucessora o aproveitamento da base de cálculo negativa de CSLL apurada em períodos anteriores pela empresa sucedida. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE As alegações de inconstitucionalidade de legislação tributária não são apreciadas na instância administrativa, por ser exclusiva do Poder Judiciário a competência para pronunciarse sobre esta matéria. JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios decorre de lei.” A recorrente alega (resumo): Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 724 7 DO DIREITO Preliminar de mérito Da decadência do direito de Lançar Antes de se analisar o mérito do presente processo administrativo, necessário destacar que, ainda que essa C. Câmara entenda que a decisão ora recorrida está correta, no que se refere ao não reconhecimento do direito de a Recorrente compensar os valores questionados pelo Sr. Auditor Fiscal, o que se alega a titulo argumentativo, eventual direito do Fisco de exigir o crédito tributário em questão foi atingido pelo instituto da decadência previsto no artigo 150, §40 do CTN. Ora, de forma diametralmente oposta à alegação da Turma Julgadora, o próprio Termo de Verificação e Constatação Fiscal, de lavra do Sr. Auditor Fiscal, que serviu de base para a lavratura do auto de infração, é claro ao consignar que a exigência fiscal ocorreu diante da suposta ausência de comprovação da base de cálculo negativa: "1. DESCRIÇÃO DOS FATOS Compensação a maior da Base de Cálculo Negativa de períodosbase anteriores na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. 0 contribuinte em atendimento as (sic) intimações para a apresentação de documentos e livros fiscais e contábeis, que justificassem a falta de declaração, os quais não logrou êxito na comprovação. Os valores justificados serão autuados de oficio conforme se segue." (p.1 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal — g.n.)” Assim, pela leitura do termo de verificação, resta claro que, em nenhum momento, o Sr. Auditor Fiscal entendeu que a compensação era indevida, mas sim, diferentemente do que afirmou a Turma Julgadora, questionou a existência (numérica e documental) da base de cálculo negativa, lavrando a autuação diante da suposta não comprovação, pela Recorrente, dessa base, apurada em exercícios anteriores, que foi legitimamente utilizada. Para que não restem dúvidas, a Recorrente transcreve outras passagens do termo de verificação fiscal que comprovam que a autuação gravitou em torno da falta de comprovação da base de cálculo negativa, o que, por conseqüência, acarretou a glosa da compensação: "(...) Pelas orientações divulgadas para o preenchimento dessa declaração de rendimentos [DIP) 2003] consta que nessa linha 32 deveria ser indicado o valor correspondente à base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro de períodos anteriores, que estiver sendo compensada no período base, o contribuinte declarou nessa linha 32 um valor de saldo negativo que não possuía, distorcendo o resultado que deveria ser na Linha 34". (p.1 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal — g.n.) Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 725 8 Dessa forma, claro esta que a autuação relacionase à não comprovação da base de cálculo negativa ("saldo negativo que não possuía"), e não questiona, em nenhum momento, o direito à compensação das bases negativas pela Recorrente, como entendeu, equivocadamente, a Turma Julgadora. Em seguida, é de se registrar que, as decisões mencionadas em sede de impugnação, diferentemente do que alega a DR.1 3, entenderam, em situações análogas à presente, pela impossibilidade de se discutir a glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL se os respectivos prejuízos e bases tiverem sido apurados em períodos já atingidos pela decadência, pelo que o direito à sua utilização já se encontra liquido, certo, e tacitamente homologado pelo Fisco. Assim, o cerne da questão, no que se refere à decadência é o seguinte: existem dois tipos de infrações que poderiam ter sido apuradas pelo Sr.Auditor Fiscal: (i) glosa de base de cálculo negativa em decorrência de falta de comprovação dessas bases (o que, efetivamente, foi objeto da autuação); (ii) glosa de compensação indevida de base de cálculo (como presumiu a DRJ ter ocorrido no caso em tela); Notase que a DRJ pretende alterar o critério jurídico todo pelo Sr. Agente Fiscal (glosa de base de cálculo negativa). Ao afirmar que; "A infração apurada consiste em compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL (...)". A alteração pela DRJ do critério jurídico adotado pelo Sr.Agente Fiscal não pode ser aceita por esse E. Conselho sob pena de indevida intromissão à competência outorgada à autoridade fiscal. De fato, deve a autoridade julgadora solucionar a lide com base nos argumentos que lhe foram submetidos pelas partes, sendolhe vedado apresentar novos fundamentos ao lançamento efetuado. Nesse mesmo sentido, o Conselho de Contribuintes já se manifestou, conforme se extrai do acórdão abaixo ementado: "IRPF — PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DECISÃO DE PRIMEIRA INTANCIA — DEFESO A AUTORIDADE JULGADORA ATRIBUIRSE A CONDIÇÃO DE AUTORIDADE LANÇADORA —NULIDADE. E nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar objetivamente a matéria objeto da lide, de acordo com o disposto no art. 31 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Ao determinar o refazimento da autuação fiscal, segundo seu entendimento, assume a condição de autoridade lançadora/julgadora ocasionando o préjulgamento da matéria. Deste modo, deve a autoridade julgadora aterse aos fatos e provas que compõem o processo administrativo, firmando sua convicção para decidir sobre a lide. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 726 9 Não pode, portanto, afastarse do seu poder/dever de julgar a lide, nos estritos limites das peças processuais componentes do contencioso. Auto de infração anulado. Decisão e atos subseqüentes anulados." (Acórdão n° 104 18695, g.n.) Assim, no caso em questão, em que o saldo da base negativa glosado foi apurado nos anos de 1989 a 1996, quando da lavratura do auto de infração (novembro/2007) já havia decaído o direito do Fisco de formalizar auto de infração para constituir eventual crédito tributário. Ainda que se admitisse (apenas a titulo argumentativo) que o prazo de decadência tivesse seu inicio a partir da cisão parcial (31/03/1999), que é o período em que a Recorrente passou a ter direito irrestrito à compensação das bases ora questionadas, o prazo decadencial para o Fisco constituir crédito tributário também já teria se expirado. Do direito à compensação de bases negativas da CSLL pela sucessora Uma vez comprovada, em sede de impugnação, por documentação hábil, a existência do base negativa da CSLL, a Recorrente passa a expor, por mero amor ao debate, caso não seja acolhida a tese da decadência anteriormente exposta, que o seu direito à utilização dessas bases da CSLL é amplo e irrestrito. Com efeito, a Recorrente adquiriu a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela empresa incorporada (CESP), de forma proporcional ao patrimônio liquido que lhe fora vertido em razão da cisão parcial, cujos efeitos começaram a valer a partir do dia 31.03.1999. (Cláusula A 4 do Protocolo de Cisão). Ora, nessa época, o direito à utilização, pela sucessora, das bases de cálculo negativas de CSLL, apuradas em exercícios anteriores pela empresa cindida, não sofria qualquer vedação expressa. Evidentemente, essa garantia de utilização da base de cálculo negativa foi levada em consideração nas negociações que culminaram com a cisão parcial da CESP, sobretudo porque a base de cálculo negativa da CSLL, acumulada por esta empresa até 31/12/1998, atingia a vultosa quantia de R$ 2.071.271.798,94 (dois bilhões, setenta e um milhões, duzentos e setenta e um mil, setecentos e noventa e oito reais e noventa e quatro centavos). Assim, o direito compensação das bases negativas é amplo e irrestrito, pelo que se passará a demonstrar, devendo ser reconhecido por esse E. Conselho de Contribuintes, com a consequente reforma da decisão ora recorrida. Dos efeitos da cisão A vedação ao aproveitamento da base de cálculo negativa da CSLL deuse apenas em relação às bases de cálculos negativas transferidas em cisões, fusões e incorporações ocorridas posteriormente à publicação da Medida Provisória no 1.8586, em 30/06/1999 (ou seja, após à ocorrência da cisão, do caso em tela, que se deu em 31/03/1999), cujo artigo 20 dispõe o seguinte: Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 727 10 "Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987." (g.n.) Destarte, a partir da publicação do protocolo de cisão, e o registro dos atos societários na JUCESP (documentos já acostados em sede de impugnação), em 31/03/1999, a base de cálculo negativa (que antes pertencia à CESP) passou a integrar o patrimônio liquido da Recorrente e, nesse momento, como já demonstrado, não estaria em vigor o dispositivo previsto pela MP no 1.8566. Por essa razão, a vedação imposta às bases de cálculo negativas da CSLL não se aplica ao caso em tela, eis que a cisão passou a produzir efeitos a partir de 31/03/1999, como já mencionado, antes, portanto, da publicação da Medida Provisória no 1.8586, que instituiu tal limitação. Verificase, portanto, que o limite temporal para a aplicação da Medida Provisória no 1.8566, não é a compensação, mas, sim, o ato que caracteriza a transformação societária. Logo, referido dispositivo não se aplica As transformações societárias ocorridas antes de 30/06/1999, como é o caso dos autos. Verificase, portanto, de forma clara, que a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é uníssona no sentido de que a vedação prevista no artigo 33 do DecretoLei n° 2.341/87 foi estendida à compensação de base de cálculo negativa da CSLL apenas para as cisões, fusões e incorporações ocorridas após a publicação da Medida Provisória n° 1.8586, de 30 de junho de 1999. Dessa maneira, não merece prosperar a alegação da Turma Julgadora de que se aplica o disposto no artigo 20 da Medida Provisória no 1.8566 (atual Medida Provisória n° 2.15835/2001, art. 22) ao caso, eis que, após a transformação societária e transferência das bases negativas, não há como alegar se tratar de bases negativas adquiridas de empresa sucedida por cisão, mas sim de bases negativas próprias. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. DO DIREITO Preliminar de mérito Quanto a alegada mudança de critério jurídico mencionada pela recorrente, este, não existiu, haja vista que o que foi glosado foi exatamente os valores aos quais a fiscalização intimou a contribuinte a explicar, e por meio da resposta “dossie” elaborada pela contribuinte fl. 438, ela responde sobre os valores de 2002 de R$ 27.132.540,85 e 2003 R$ 35.719.028,62: Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 728 11 “Sobre o débito supra mencionado informamos que fora herdado em cisão atada em 1999, a base de cálculo negativa fora apresentada em DIPJ 2000 conforme cópia de ficha 28.A em anexo.” Ora, estes foram exatamente os valores objeto do auto de infração, assim, não assiste razão a recorrente. Do TVF extraio: “Na DIPJ 2004 anocalendário 2003, constatamse na Ficha 17 — Calculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, que houve impropriedade no preenchimento da Linha 34 com reflexo na Linha 36, base de cálculo da CSLL. Pelas orientações divulgadas para preenchimento dessa declaração de rendimentos consta que nessa Linha 34 deveria ser indicado o valor correspondente à base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro de períodos anteriores, que estiver sendo compensada no períodobase. O contribuinte declarou nessa Linha 34 um valor de saldo negativo que não possuía, distorcendo o resultado que deveria ser na Linha 36.”Grifado Como vemos, os valores declarados pela contribuinte como oriundos da cisão foram exatamente os valores lançados, conforme valores do auto de infração: Ano Base de cálculo 2002 27.105.540,85 2003 35.719.028,62 O lançamento foi de compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Dessa forma, em absoluto não houve mudança no critério jurídico por parte do acórdão atacado. Assim, rejeito a preliminar. A recorrente também questiona a decadência, quanto a isso transcrevo parte do acórdão guerreado que retrata muito bem a atual jurisprudência do CARF: “A infração apurada consiste em compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL e, portanto, o momento em que tal compensação foi feita é que deve nortear a análise da decadência do direito de o fisco questionála. Não importa quando teriam sido apuradas as bases negativas de CSLL, contrariando o entendimento exposto pela impugnante.” Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 729 12 Quanto ao mais, o fato gerador mais antigo foi em 31/12/2002, como o lançamento ocorrera em 29/11/2007, por nenhum critério estará decaído. Do direito à compensação de bases negativas da CSLL pela sucessora A questão se restringe em saber se o limite temporal para a aplicação da Medida Provisória n º1.8566 (atual 2.15835/2001), é a compensação, ou, o ato que caracteriza a transformação societária. É dominante o entendimento, da doutrina e da jurisprudência federal, de que a lei aplicável, em matéria de compensação, é aquela vigente na data de encontro de créditos e débitos e, por isso, a partir da respectiva publicação, os limites nela imposto incidem e são eficazes. Como inserto no acórdão n.º 3801000.869, de 10/08/2011, da 1 ª Turma especial da Terceira seção de julgamento: “Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 10/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DO “TEMPUS REGIT ACTUM”. VERIFICAÇÃO DO PRESSUPOSTO EM FACE DO DIREITO APLICÁVEL. A lei aplicável, em matéria de compensação tributária, será aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos, pois neste momento é que surge efetivamente o direito à compensação, de acordo com os cânones traçados pelo Direito Privado a tal instituto, que devem ser respeitados pela lei tributária....” Da obra Compensação Tributária de coordenação da Karem Jureidini Dias e Marcelo Magalhães Peixoto, no artigo assinado pelos conselheiros Maria Teresa Martinez Lopes e Emanuel Carlos Dantas de Assis transcrevo, fl. 102 e seguintes: “O STF por sua vez, também tratando das limitações impostas pelas Leis n.º 9.029/95 e n.º 9.132/95, já interpretou que o regime jurídico é do momento do encontro de contas... TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTÔNOMAS E ADMINISTRADORES. PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO UTILIZÁVEL PARA EXTINÇÃO, POR COMPENSAÇÃO, DE DÉBITOS DA MESMA NATUREZA, ATÉ O LIMITE DE 30%. Quando constituídos após a edição da lei n.º 9.129/95.Alegada ofensa aos princípios do direito adquirido e da irretroatividade da lei tributária. Se o crédito se constituiu após o advento do referido diploma legal, é fora de dúvida que a sua extinção, mediante compensação, ou por outro qualquer meio, há de processarse pelo regime nele estabelecido e não pelo da lei anterior, posto aplicável, no caso, o princípio segundo o qual não há direito adquirido a regime jurídico.” Em outro trecho os ilustres autores asseveram: Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 730 13 “Pois bem: no julgamento com a ementa acima transcrita, o rel. Min. Ilmar Galvão considerou que a lei a ser aplicada é aquela que regula a extinção do crédito tributário liquidado mediante compensação, e não a lei que trata da compensação no momento anterior do pagamento indevido que originou o indébito a compensar. (...) Nos termos do art. 170 do CTN, que deve ser interpretado em conjunto com os arts. 66 da Lei n.º 8.383/91 e 74 da Lei n.º 9.430/96, a compensação somente pode ser efetuada conforme a lei que a regulamenta. Não é aquela que originou o indébito, mas a do momento da compensação (...)” Mais a frente os autores finalizam: “De todo modo, levandose em conta que o regime jurídico da compensação é o da lei em vigor na data em que praticada na hipótese, a data de entrega da declaração de compensação) Dito isto, pois, quando da compensação realizada das bases de cálculo negativas de CSLL, da pessoa jurídica incorporada, foram efetuadas nas DIPJ dos anos calendário de 2002 e 2003, quando estava vedado tal procedimento. Com a publicação da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999 (D.O.U de 30/06/1999), passou a ser vedado o aproveitamento da base de cálculo negativa de CSLL, nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Dispõe tal MP, em seu art. 20 (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, art. 22): “Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987.” Por sua vez, o DecretoLei nº 2.341, de 1987, assim determina: “Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida.” Ora, a compensação ocorrerá nas DIPJ 2002 e 2003, quando já estava proibida a utilização dos prejuízos fiscais da sucedida. Os prejuízos fiscais são, como a própria contribuinte afirma (nunca negou), da sucedida, assim, não vejo como compensar estes prejuízos após a edição da MP em comento. O acórdão CSRF/0104452, de 25 de fevereiro de 2003, da Câmara Superior de Recursos Fiscais reafirmou a aplicação da Lei em vigor no períodobase em que processa a compensação. Tratava do famoso limite de 30 %. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 731 14 Sobre o tema em questão o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já se manifestou em diversos acórdãos como no 140100.262, de 09 de julho de 2010, da 1.ª Turma da 4.ª Câmara, que por unanimidade negou provimento ao recurso, a saber: ‘COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO ANO CALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do DecretoLei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcado ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece’ Assim, perfeito o entendimento do acórdão recorrido, pois, a vedação à compensação foi a partir da edição da medida provisória em comento. Entendimento este, de acordo com a melhor doutrina e com o entendimento do STF. Em face do exposto, voto por rejeitar as preliminares, e no mérito negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Declaração de Voto Basicamente, neste julgamento, buscase saber se há a possibilidade de uma sociedade sucessora compensar bases de cálculo negativas apuradas pela sucedida, tendo a operação societária ocorrida antes da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/99. De acordo com o voto do Relator, em síntese, no momento das apurações ao final dos anoscalendário 2002 e 2003 tal compensação não poderia ser efetivada em razão exatamente da vigência do art.20 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/99, atual art.22 da MP nº 2.158, de 24/08/01, abaixo reproduzido: Art. 22. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987. O Decretolei nº 2.341, de 29/06/87, a que alude tal dispositivo dispõe: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 732 15 houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Nesta declaração de voto procurase analisar a questão sob ângulo distinto daquele adotado pelo Relator. Em suma, verificar se antes da MP nº 1.8586 poderia a sucessora valerse de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida, ou, em outros termos, se até mesmo seria necessária aquela medida para obstaculizar a compensação em tal hipótese. Em razão de a interpretação de tais dispositivos daquelas Medidas Provisórias dependerem necessariamente da compreensão das regras trazidas pelo Decreto nº 2.341/87, inevitável é a apreciação do contexto em que estas foram editadas, ainda que referentes à compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores. Assim, inicialmente, no Decretolei nº 1.598, de 26/12/77, constatase a expressa previsão de aproveitamento, pelas sucessoras, de prejuízos fiscais apurados por sociedades sucedidas, já na vigência do art.227 da Lei nº 6.404/76 (“Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.”). Vejamos: Art 64 A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. ..... § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito a compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. Da existência de tal parágrafo quinto na lei tributária concluise que se tratava de uma regra especial à permissão geral de as pessoas jurídicas compensarem prejuízos por elas próprias apurados em determinado período. Outro não poderia ser o alcance da regra posta no caput, caso contrário seria desnecessária ampliálo mediante a ressalva. Pouco tempo depois, tal possibilidade foi restringida pelo Decretolei nº 1.730, de 17/12/79, quando então “a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra” passou a depender de autorização do Conselho Monetário Nacional para “atender a interesses da segurança e fortalecimento da empresa nacional”, e ainda assim quando as sociedades pertencessem a um mesmo grupo ou estivessem sob controle comum. Vejamos: § 5º O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 733 16 Novamente, presente a necessidade de uma redação específica a “...autorizar a compensação de prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra”. Precisamente em 6 de maio de 1981, o art.3º do Decretolei nº 1.870 revogou expressamente o parágrafo quinto do Decretolei nº 1.598/77, deixando de existir tal autorização especial. Logo, quando o Decretolei nº 2.341, de 29/06/87, expressamente dispôs sobre a impossibilidade de uma sucessora valerse dos prejuízos fiscais apurados pela sucedida, apenas reafirmou vedação válida e eficaz desde um ponto pretérito. Tal interpretação coadunase com o vazado na Exposição de Motivos do Decretolei nº 2.341/87, publicada no Diário do Congresso Nacional (p.726) 1: “O artigo 32 dispõe sobre a não compensação de prejuízos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas, quando após a apuração dos prejuízos tiver ocorrido modificação do controle societário e do ramo de atividade da empresa. Essa norma visa restringir a absorção de uma pessoa jurídica por outra com o objetivo de compensar prejuízos fiscais. O artigo 33 consolida normas de legislação em vigor, relativamente à compensação de prejuízos na ocorrência de incorporação, fusão ou cisão de empresas.” (destaquei) Também dessa Exposição de Motivos exsurge com clareza o objetivo de não se permitir a compensação derivada de tais operações societárias: “Essa norma visa restringir a absorção de uma pessoa jurídica por outra com o objetivo de compensar prejuízos fiscais”. Diante da impossibilidade legal de compensação de prejuízos fiscais apurados por sucedidas, e levandose em conta a finalidade de tal restrição, não haveria razão a justificar tratamento distinto para a compensação de bases negativas de CSLL na forma como passou a ser permitida pelo ordenamento jurídico. A Lei nº 8.383, de 30/12/91, autorizou a compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores: Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.° 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. 1 Disponível em http://imagem.camara.gov.br/Imagem/J/1/300/1/J003000383.TIF, consulta em 28/06/2012. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 734 17 Tal dispositivo foi revogado pela Lei nº 8.981, de 20/01/95, que, no entanto, manteve a possibilidade de compensação com a fixação de um limite de trinta por cento, prestigiado igualmente na Lei nº 9.065, de 20/06/95: Lei nº 8.981/95 Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei nº 9.065/95 Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Tais normas inseremse no contexto de apuração da CSLL de um determinado período de apuração, sendo que as bases de cálculo negativas acumuladas a que aludem são aquelas apuradas em períodos anteriores pelo próprio contribuinte, não por terceiros. Guardadas as devidas vênias a entendimentos em contrário, a melhor interpretação aponta para a impossibilidade de aproveitamento de resultados negativos de sociedades sucedidas, a demandarem norma especial expressa, a exemplo do que se passou, temporariamente, com a compensação de prejuízos fiscais. Em complemento a tal conclusão, não se pode olvidar, mantidas as particularidades inerentes ao IRPJ e da CSLL, que a partir da Lei nº 8.981/95 o legislador buscou estabelecer uma identidade entre as apurações e formas de pagamento atinentes a tais espécies tributárias. O seu artigo 57 não deixa margem para dúvida: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 735 18 O dispositivo não deve ser entendido como um comando voltado à produção legislativa de normas relacionadas à CSLL, para que se mantenha uma possível paridade com aquelas que regulam a apuração e o pagamento do IRPJ, o que seria plenamente inócuo, vez que o mesmo legislador ordinário poderia, quando lhe fosse conveniente e no exercício de sua função precípua, dispor diferentemente. Na realidade, o supracitado artigo 57 representa um vetor interpretativo que não pode ser desprezado na aplicação do modelo de apuração e pagamento do IRPJ à CSLL. No caso concreto, incide para reforçar que a compensação, pela sucessora, de bases de cálculo negativas apuradas por sucedida, demandaria previsão legal específica. A não autorização de tal compensação fundamentase na inexistência de norma especial a excepcionar o comando geral, levandose em conta o claro objetivo de não se permitir o aproveitamento de bases negativas decorrentes de uma operação societária que no bojo de sua realização tenha visado à redução de bases tributárias futuras, propósito objetivado no caso concreto, como admite o próprio contribuinte: “(...) Evidentemente, essa garantia de utilização da base de cálculo negativa foi levada em consideração nas negociações que culminaram com a cisão parcial da CESP, sobretudo porque a base de cálculo negativa da CSLL, acumulada por esta empresa até 31/12/1998, atingia a vultosa quantia de R$2.071.271.798,94 (dois bilhões, setenta e um milhões, duzentos e setenta e um mil, setecentos e noventa e oito reais e noventa e quatro centavos).” O silêncio quanto ao regramento da compensação, pelas sucessoras, de bases negativas de CSLL apuradas por sociedades sucedidas, não significa que estava permitida até o advento da Medida Provisória nº 1.8586/99. Não custa repetir, a regra geral posta na legislação de regência é o aproveitamento de resultados apurados pela própria sucessora. A rigor, à luz do art.57 da Lei nº 8.981/95 e considerandose a ratio da vedação veiculada no art.33 do Decretolei nº 2.341/87, voltada à compensação de prejuízos fiscais na hipótese ora debatida, sequer haveria a necessidade do art.20 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/99. Sem norma especial a permitir a compensação pretendida, incide à plenitude a regra geral. Por fim, cabe observar que a opção de se contemplar em um texto legal certa determinação necessariamente não implica alterar uma interpretação, podendo ter como objetivo uma simples redução de litigiosidade pontual, diante, por exemplo, de inúmeros questionamentos administrativos, que inegavelmente ocorreram quanto à matéria em debate. No caso concreto, o art.20 da Medida Provisória nº 1.8586/99, por tudo que se disse, ao apenas revelar o que se podia extrair de uma interpretação sistemática, objetivou infirmar dúvida a respeito da matéria. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 736 19 Aqui não se desconhecem as inúmeras decisões administrativas proferidas pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que abrigam o entendimento do recorrente, porém, não se concorda com a visão de que se trate de matéria pacificada, a não comportar releitura, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do que ocorreu com o aproveitamento integral de prejuízos fiscais de sociedades incorporadas, recentemente vedado após um longo período permitido por aquela instância administrativa. Mesmo no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, já se podia colher entendimento dissonante, como o posto no acórdão nº 10323.404, de 06/03/08, da Terceira Câmara, cujo relator foi o Cons. Antonio Carlos Guidoni Filho, que recebeu a seguinte ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. O caso em debate tratouse de uma incorporação aprovada em 30/01/98, ou seja, anteriormente à edição da Medida Provisória nº 2.158/2001. Na oportunidade, como a retrata a ementa, vedouse a compensação pela sucessora de bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas em períodos anteriores pela sucedida. Mais recentemente, além do acórdão nº 140100.262, de 09/07/2010, proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, de lavra do Cons. Antonio Bezerra Neto, que contempla interpretação no mesmo sentido do que aqui se defende, podese mencionar a seguinte decisão, cujo desfecho assemelhase ao contemplado no voto do Relator: COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA PROIBIÇÃO INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586, DE 30/06/1999. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência dos fatos geradores anuais de CSLL 31/12/2000 e 31/12/2001, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida. (1ªSJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 1802 00.900, de 25/05/2011, Rel. Cons. José de Oliveira Ferraz Corrêa) Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 110300.716 S1C1T3 Fl. 737 20 Por fim, cumpre esclarecer que não se trata de negar vigência à sucessão universal de direitos e obrigações prevista na lei societária, mas de prestígio à legislação tributária posta, que, como é sabido por todos, dotase de efeitos próprios, que não podem ser sonegados, sob pena de subversão do sistema jurídico. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 19311.720396/2011-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 96 /2 01 1- 91 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 9202004.400 CSRFT2 Fl. 1.110 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 9202004.400 CSRFT2 Fl. 1.111 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 9202004.400 CSRFT2 Fl. 1.112 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 9202004.400 CSRFT2 Fl. 1.113 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 9202004.400 CSRFT2 Fl. 1.114 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 9202004.400 CSRFT2 Fl. 1.115 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11052.000201/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 00 20 1/ 20 10 -0 6 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000201/201006 Resolução nº 1402000.383 S1C4T2 Fl. 1.091 2 Relatório O processo veio ao CARF para o julgamento do recurso voluntário apresentado pela empresa BEST POWER LTDA, tendo sido inicialmente distribuído ao Conselheiro Carlos Pelá. Reproduzo, abaixo, o Relatório elaborado pelo Conselheiro Carlos Pelá, no voto que fundamentou o pedido de diligência aprovada pela Resolução nº 1402000.160, de 04 de dezembro de 2012, pois retrata bem a situação dos autos: Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de pessoa jurídica tributada sob o SIMPLES, atinentes ao anocalendário de 2006, acrescido de juros e multa de 75%, lavrados em razão da suposta omissão de receitas. Conforme Termo de Verificação (fls. 679), fundamentaram, materialmente, as exações as diferenças mensais entre as Notas Fiscais emitidas, fornecidas pela contribuinte, conforme relação de janeiro a dezembro de 2006, juntamente com as cópias das notas fiscais de fevereiro a dezembro (notas fiscais de janeiro não foram encontradas) e a receita bruta declarada. Assim, foram exigidas igualmente as insuficiências tributárias advindas das alterações dos coeficientes aplicáveis à receita bruta. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 774/777), alegando, em síntese: (i) dificuldades em apresentar a contabilidade no exíguo prazo estabelecido pela fiscalização, tendo em vista que o funcionário responsável pela contabilidade à ter abandonado a empresa sem ter feito nenhum lançamento contábil, o que só foi descoberto após o recebimento da intimação fiscal, (ii) a empresa elaborou rapidamente um livro caixa auxiliar, onde constam todas as notas fiscais canceladas, uma a uma, títulos protestados e cheques devolvidos de vários clientes; (iii) vícios formais, passíveis de regularização, não suficientes para determinar o arbitramento do lucro, quando existe a escrituração e a documentação em que ela se fundamenta, à época em que ocorre a fiscalização, e essa escrituração e documentação são, desde logo, colocados a disposição do fisco, para seu exame (conforme Acórdão nº 1053920/89), (iv) requer a realização de perícia para revisão da receita apurada. A 2ª Turma da DRJ/RJ1 julgou o lançamento procedente (fls. 865/869), entendendo não ter a contribuinte apresentado provas capazes de afastar a omissão de receitas apurada pela fiscalização ou aptas a comprovar a inclusão de notas fiscais canceladas na apuração fiscal. Quanto à perícia, entendeu prescindível ante a documentação acostada aos autos e a omissão do sujeito passivo na apresentação de provas objetivas. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1043/1054), sustentando, em síntese, que: (i) o lançamento é nulo, pois inexiste Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000201/201006 Resolução nº 1402000.383 S1C4T2 Fl. 1.092 3 mandado de procedimento fiscal em face da contribuinte, (ii) há erro na apuração da base de cálculo já que foram consideradas 23 notas fiscais canceladas, (iii) a fiscalização não motivou a segunda infração (insuficiência de recolhimento), ou seja, não explicitou os motivos de fato e de direito que jusitifcariam o lançamento e (iv) a multa de ofício aplicada é inconstitucional e confiscatória. Consta, ainda, ter a contribuinte apresentado a petição de fls. 870, anexando as 23 notas fiscais supostamente canceladas (fl. 888/1037) e requerendo sua exclusão do cálculo do lançamento. É o Relatório. Em seu voto, o Conselheiro Carlos Pelá manifestouse da seguinte forma: O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. De plano, cumpre destacar que o recurso voluntário, assim como a impugnação interposta pela contribuinte é parcial, haja vista não apresentar qualquer contestação expressa às infrações que lhe foram imputadas pela fiscalização dando origem aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS calculados de acordo com a sistemática do Simples Nacional. Assim, a omissão na contestação dos fatos apurados, por si só caracteriza a concordância do sujeito passivo relativamente à parte não contestada, ensejando a aplicação do art. 17 do Decreto nº. 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Dito isso, passo a analisar a preliminar argüida pela Recorrente, relativa à nulidade do lançamento, em razão (i) da inexistência de mandado de procedimento fiscal e (ii) da falta de motivação para a infração 2 “insuficiência de recolhimento”. Consta dos autos o Termo de Início de fiscalização às fls. 21, referente ao Simples no exercício 2007, MPF nº. 2009048132, demonstrando ser descabida a alegação da Recorrente. Além disso, menos amparo merece a afirmação de que a insuficiência de recolhimento apurada não foi devidamente explicada nos autos. Da atenta leitura do Termo de Verificação (fls. 679), notase estarem devidamente expostas as razões fiscais para o lançamento, sendo elas, a verificação de receitas omitidas e a insuficiência de recolhimento dos tributos lançados que é sua conseqüência. No mérito, quanto ao cancelamento das notas fiscais de número 1357 a 2005, listadas às fl. 888 dos autos, as quais somam R$ 342.810,93, a Contribuinte anexou, às fls. 889 a 1037, cópias das quatro vias de cada uma destas notas. Por força do princípio da verdade material, que vem manifestado no art. 149, VIII, do CTN, dentre outros dispositivos, entendo que tais documentos devem ser apreciados. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000201/201006 Resolução nº 1402000.383 S1C4T2 Fl. 1.093 4 É possível verificar a observação de "cancelada" em todas as vias anexadas. Embora sejam fortes os indícios de que as notas não ampararam qualquer operação de saída de mercadorias, após deliberações com os demais conselheiros, entendi necessário converter este julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal ateste que as notas foram efetivamente canceladas. Baixados os autos em diligência, a recorrente foi intimada pela autoridade fiscal, por duas vezes (v. efls. 1077/1078 e 1082/1083) a apresentar os originais das notas fiscais que a contribuinte alega terem sido canceladas. Entretanto, conforme atesta o Relatório de Diligência de efls. 1085/1086, e os documentos de efls. 1.077/1.084, a recorrente teria atendido apenas à primeira intimação; a segunda, em que a autoridade fiscal requereu justamente a apresentação dos originais das notas fiscais canceladas não teria sido atendida pela recorrente. Encerrada a diligência, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000201/201006 Resolução nº 1402000.383 S1C4T2 Fl. 1.094 5 Voto Conselheiro LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Delimitação da matéria devolvida a julgamento Preliminarmente, há que se resolver acerca de três matérias que não foram objeto de contestação quando da impugnação, isso porque a interposição do recurso voluntário transfere ao órgão ad quem, conforme a extensão da petição, o reexame da matéria impugnada. Destarte, o recurso não lhe devolve o conhecimento de matéria não contestada quando da impugnação do lançamento. Nessa linha de entendimento, dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não é permitido inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas. Sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, questões não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, arguidas pela recorrente somente na fase recursal, constituem matérias preclusas, vedada a sua análise pelo órgão ad quem. As matérias que identificamos não constarem da impugnação (v. efls. 774/777) são as seguintes: a) nulidade do lançamento por inexistência de MPF; b) falta de motivação da 2ª infração apurada pela fiscalização, referente à "Insuficiência de Recolhimento"; c) multa de ofício caráter confiscatório inconstitucionalidade. Tais pontos não foram objeto de menção na impugnação, mesmo de forma indireta, razão pela qual não podem ser apreciados, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. Erro na apuração da base de cálculo notas canceladas. Assim, nossa análise resumese à alegação da recorrente de que a autoridade fiscal teria incorrido em erro na apuração da base de cálculo dos tributos objeto do auto de infração, haja vista ter considerado em sua apuração cerca de 23 notas fiscais que teriam sido canceladas. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000201/201006 Resolução nº 1402000.383 S1C4T2 Fl. 1.095 6 Em nome do princípio da verdade material, os autos foram baixados em diligência para que a autoridade fiscal verificasse, junto à autuada, a veracidade/autenticidade dos respectivos documentos. Em sustentação oral, a defesa arguiu que não teria sido regularmente cientificada da segunda intimação, e também do relatório de diligência lavrado pela autoridade fiscal. Argumentou o patrono que o conjunto comercial onde está situada a empresa possui 03 blocos, localizandose a mesma no terceiro bloco. Ocorre que o endereço para o qual foi endereçada a intimação não especifica o bloco, apesar de o mesmo constar do cadastro do CNPJ de efls. 1.071. Aduziu, ainda, que as notas fiscais canceladas já teriam sido juntadas aos autos e estariam dentre os documentos de efls. 888/1.037. Assim, considerando que o endereço da segunda intimação, em que se requereu a apresentação dos originais das notas fiscais, estava incompleto, aliado ao fato de a recorrente não ter sido intimada do relatório de diligência, resolveu por bem a Turma Julgadora converter novamente o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora tome as seguintes providências: 1) determine à autoridade fiscal que diligencie no sentido de verificar a efetividade do cancelamento das operações relativas às notas fiscais ditas canceladas (circularizando os clientes da requerente, se for o caso); 2) atente para o endereço completo do contribuinte, ao intimálo novamente, conforme o extrato do CNPJ de efls. 1.071 (incluindo o bloco do edifício onde se encontra estabelecida a recorrente); 3) após o encerramento da diligência, dê ciência à contribuinte do relatório produzido, abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, conforme o disposto no art. 35, § 1º, do Dec. 70.235/72. Em 13 de setembro de 2016. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES – Relator Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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