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Numero do processo: 10480.007532/2002-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantê-lo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial.
Recurso Especial da Procuradoria negado.
Numero da decisão: 9303-004.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantê-lo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial. Recurso Especial da Procuradoria negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
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NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMÃOS CRUZ LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantêlo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial. Recurso Especial da Procuradoria negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 75 32 /2 00 2- 46 Fl. 180DF CARF MF 2 Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3403002.776, de 25/02/2014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancelase o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso voluntário provido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência em relação à falta de prévia intimação e à improcedência de lançamento baseado em causa incorreta. Visando comprovar as divergências, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 20402.641 (primeiro tema) e 20312.427 e 203 10.933 (segundo tema), cujas cópias de inteiro teor foram juntadas aos autos. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 167/170. Não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial deve ser conhecido. Decidiuse no acórdão recorrido que, a partir da edição do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002 (conversão da Medida Provisória – MP nº 16, de 2001), a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, deveria ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. Como assim não se fez, o lançamento seria nulo. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10480.007532/200246 Acórdão n.º 9303004.376 CSRFT3 Fl. 181 3 O art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, tem a seguinte redação: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) No Acórdão nº 20402.641, cuja exigência também decorreu de revisão interna de DCTF, entendeuse, no entanto, que, na mesma situação, não haveria nulidade, porquanto a falta de intimação para que a contribuinte se manifestasse na fase de constituição do crédito tributário não constituiria cerceamento de direito de defesa, uma vez que poderia se manifestar nas fases impugnatória e recursal. Advirtase que, em ambos os casos, o auto de infração foi lavrado após o início da vigência da Medida Provisória – MP nº 16, de 2001, que já previa, em seu art. 7º, a intimação prévia para prestar esclarecimentos. Portanto, não obstante o acórdão paradigma não tenha chegado à mesma conclusão adotada no recorrido, o fato é que ambos os processos versavam sobre fatos que derivavam do mesmo procedimento, de forma a permitir, a nosso juízo, o conhecimento da matéria nesta sede recursal. Mas, embora conhecido, ao recurso especial devese negar provimento. É que, em sendo a intimação prévia exigência prevista em lei, não há como desconsiderála como se não existisse, protraindose para o momento da impugnação (ou dos demais recursos acaso interpostos) a ciência das irregularidades constatadas e a possibilidade, se for o caso, de apresentação dos devidos esclarecimentos. Sim, porque cabe à autoridade lançadora obedecer aos ritos estabelecidos em lei, mediante a estrita observância de todos os aspectos que circundam a realização de sua atividade. Tratase, o caso, pura e simplesmente, de clara violação ao devido processo legal, cuja não observância acarreta a nulidade do feito. A segunda matéria proposta no recurso especial também deve ser conhecida, E ao recurso interposto também é de se negar provimento. Com efeito, malgrado se tenha indicado, no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, que o lançamento decorreu da “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA” (fl. 7), em seu Anexo I, intitulado “Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados”, no qual detalhada a infração, está registrado que o processo judicial informado em DCTF, como origem da compensação, pertenceria a outro CNPJ (Proc jud de outro CNPJ). Em síntese: a falta de recolhimento originouse na impossibilidade da compensação informada na DCTF, porque a contribuinte não integraria o polo ativo da ação judicial indicada. Fl. 182DF CARF MF 4 No acórdão primeiro acórdão paradigma, o de nº 20310.933, não há identidade de fatos, a ensejar a viabilidade do recurso especial. Enquanto na decisão recorrida a ação judicial pertencia a outro contribuinte, neste a compensação foi efetivada antes do trânsito em julgado. Confirase o seguinte parágrafo do voto condutor do acórdão: A par dos autos, verificase que o contribuinte vinculou na DCTF do 4° trimestre de 1997, relativamente ao período de apuração 11/97, valor de compensação efetuada com base em ação judicial, antes do seu trânsito em julgado. Assim, reduziu o saldo a pagar no montante do valor compensado. No segundo paradigma, porém (o acórdão de nº 20312.427, que consubstanciou lançamento também decorrente de auditoria interna de DCTF), o processo judicial informado que ampararia as compensações não restou comprovado (no Anexo I do auto de infração, constou a expressão “Proc jud não comprovad”). Neste julgamento, entendeuse, conforme consta do voto vencedor, que a inexistência do processo judicial não seria verdadeiramente o pressuposto fático do lançamento, mas a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF: "A nobre relatora não vê configurada a concomitância por considerar que, nesta seara administrativa, em face do enquadramento legal e da situação fática descrita no auto de infração, discutese tãosomente a existência ou não do processo judicial, no qual a recorrente seja parte e lhe garanta (ou não) o direito de proceder a compensação vinculada em DCTF, cuja origem é o indébito do PIS pago indevidamente. Para ela, a exigência tributária, no que fundada na inexistência do processo judicial informado como origem dos créditos vinculados aos débitos declarados nas DCTF, deve ser cancelada porque demonstrado o contrário: existe sim, a ação judicial referida. Entendo diferente porque o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido. Embora admitindo que a descrição constante do auto de infração é lacônica e podia ser aperfeiçoada, ressalto que não houve qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, que desde o primeiro momento demonstrou compreender por inteiro a autuação. Tanto assim que na impugnação o contribuinte já informa que os créditos têm origem em pagamentos a maior do próprio PIS, e que o seu direito foi reconhecido judicialmente nos autos do processo nº 96.0017913.” A nosso juízo, nada obstante a diferença de notações (Proc jud de outro CNPJ e Proc jud não comprovad), o fato de um processo judicial não ser comprovado e do outro referirse a outro contribuinte não inviabiliza a admissibilidade do recurso especial, porque, afinal, em ambos os casos, o contribuinte não integraria, ao menos conforme indicado em anexo aos autos de infração, o polo ativo de qualquer demanda judicial, a autorizar a compensação informada em DCTF. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10480.007532/200246 Acórdão n.º 9303004.376 CSRFT3 Fl. 182 5 Considerando, pois, que, não obstante a semelhança entre os casos, os entendimentos foram divergentes (embora o desfecho tenha sido o mesmo), é de se conhecer do recurso especial. Entretanto, a ele deve negarse provimento. É que o motivo de fato em que se funda o auto de infração não é só a falta de recolhimento, tal como consta do campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e sustenta o Recorrente. Tratase, evidentemente, de apenas uma expressão de inequívoco caráter generalizante, que, por isso mesmo, deve ser complementada pelos fatos descritos no próprio campo ou em anexos (p. ex., em Termo de Verificação Fiscal), nos quais se pormenoriza a infração constatada – o porquê do não recolhimento. Se assim não fosse, bastaria que o julgador administrativo, ao verificar que tais fatos pormenorizados não ocorreram no caso sob sua relatoria, encontrasse outras justificativas para o não recolhimento, o que, obviamente, além de prejudicar o direito de defesa do contribuinte, constituiria inovação não permita em lei. Aqui, como já antecipamos, a fiscalização sustenta que a contribuinte não poderia ter compensado os valores que compensou em DCTF, porque não comporia o polo ativo da ação judicial. Evidentemente, se este fato é improcedente (o estabelecimento matriz e a filial figuravam, sim, na ação judicial informada), o motivo declinado para fundamentar o lançamento nunca existiu, de modo que este não poderia, por outro motivo, subsistir, se este outro motivo não integrava, na origem, o fundamento do auto de infração. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19675.001793/2006-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 04/08/2006
COIFA. DEPURADOR DE AR DE COZINHA, REENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA.
Coifa aspirante, ainda que com elementos filtrantes incorporados, própria para extração ou reciclagem de ar provenientes de cocção em cozinhas domésticas, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm, denominada comercialmente de "depurador de ar de cozinha", classifica-se no código NCM 8414.60.00.
A denominação comercial utilizada para um produto não tem o condão de alterar suas definições técnicas, tampouco de fundamentar sua codificação na NCM/SH.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.105
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 04/08/2006 COIFA. DEPURADOR DE AR DE COZINHA, REENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Coifa aspirante, ainda que com elementos filtrantes incorporados, própria para extração ou reciclagem de ar provenientes de cocção em cozinhas domésticas, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm, denominada comercialmente de "depurador de ar de cozinha", classifica-se no código NCM 8414.60.00. A denominação comercial utilizada para um produto não tem o condão de alterar suas definições técnicas, tampouco de fundamentar sua codificação na NCM/SH. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1494; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 16 1 15 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19675.001793/200673 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.105 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria Classificação de Mercadorias Recorrente Diamantino e Hofman Com. e Representação Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/08/2006 COIFA. DEPURADOR DE AR DE COZINHA, REENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Coifa aspirante, ainda que com elementos filtrantes incorporados, própria para extração ou reciclagem de ar provenientes de cocção em cozinhas domésticas, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm, denominada comercialmente de "depurador de ar de cozinha", classificase no código NCM 8414.60.00. A denominação comercial utilizada para um produto não tem o condão de alterar suas definições técnicas, tampouco de fundamentar sua codificação na NCM/SH. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 5. 00 17 93 /2 00 6- 73 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19675.001793/200673 Acórdão n.º 3301003.105 S3C3T1 Fl. 17 3 Relatório Tratase de Auto de Infração referente à diferença de tributos incidentes sobre a importação, além de multa prevista pelo artigo 84, inciso I, da Medida Provisória 2.15812001, em face de reclassificação de mercadoria, no curso do despacho aduaneiro. Foi submetido a despacho aduaneiro por meio da Declaração de Importação (DI) D.I. 06/09206812 de 04/08/2006, as mercadorias descritas pelo importador como "DEPURADOR DE 90 cm, 120 V / 60 HZ, MODELO ECIO ( B2)", dentre outros modelos, classificandoas no código NCM 8421.39.90. Em face de Laudo Técnico elaborado pelo Engenheiro Mecânico, Sr. José Renato Garzillo (fls. 45/66), em atendimento à solicitação do Fisco (fl. 44), bem como de conferência fisica realizada, a fiscalização identificou a mercadoria em questão como "coifas" e procedeu à sua reclassificação para o código 8414.60.00. Cientificado do lançamento em 10/10/2006, o contribuinte apresentou impugnação em 01/11/2006, fls. 67/118, alegando, em síntese, que os documentos anexados (Laudo do técnico José Renato Garzillo, Catálogo do produto, Manual de instalação, Diagrama explicativo, e Especificações Técnicas) mostram claramente que a mercadoria periciada tratase efetivamente de Depuradores de Ar como declarado, estando a posição 8421.39.90 correta segundo as regras de classificação. Submetido ao colegiado de primeira instância, foi exarado o Acórdão 17 32176, de 2009, da 2ª Turma da DRJ/SPO II, fls. 144 ss, ora recorrido, onde os membros daquela Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, acordaram por Julgar procedente o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 04/08/2006 Ementa: REENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DE TRIBUTOS. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Coifa aspirante própria para extração ou reciclagem de ar de ambientes, mais comumente de cozinhas domésticas, com ventilador incorporado, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm, denominada comercialmente "depurador de ar", classificase no código NCM 8414.60.00. Lançamento Procedente Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 156 ss, repisando os argumentos apresentados na Impugnação, acrescentando: a) Que o questão em litígio resumese em "saber se o artefato cuja classificação se discute é uma "coifa", como pretende a ação fiscal, ou é um "depurador", como consta do despacho aduaneiro. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 4 b) Que a decisão recorrida reconhece que o laudo identificou tratarse de "depurador de ar", entretanto, desconsiderando o laudo, aplica classificação destinada à coifa. c) Afirma que a decisão recorrida errou ao desprezar a conclusão do laudo técnico: "Ora, o único laudo técnico constante do processo oferece elementos para considerar o artefato em discussão um depurador. Não podia a decisão recorrida tomar posição diversa sem se basear em outro laudo técnico. A utilização de decisões de outros casos, sobre outros artefatos sem que se conheça com exatidão as suas características técnicas, não se presta ao exame deste processo.". d) Conclui afirmando que a classificação utilizada pela recorrente deve prevalecer, pois o texto da posição 8421 é específica para depurador, que não se confunde com coifa. Por sorteio, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua síntese. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19675.001793/200673 Acórdão n.º 3301003.105 S3C3T1 Fl. 18 5 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. Destaquese que para a feitura do presente voto foram considerados, positiva ou negativamente, os fundamentos externados nos Acórdãos a seguir identificados. Assim, desde já registrese as honras de praxe aos nobres conselheiros relatores dos respectivos Acórdãos: · Conselheiro Nilton Luiz Prieto, Acórdão 30333.247, de 2006, da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes; · Conselheira Mercia Helena Trajano D´Amorim, Acórdão 320100246, de 2009, 2ª Câmara, 1ª Turma da Terceira Seção do Carf; · Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Alburquerque Silva, Acórdão 930302.039, de 2012, 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Carf. · Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Acórdão 9303002.997, de 2014, 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Carf. · Conselheira Valdete Aparecida Fernandes, Acórdão 3101001.670, de 2014, 1ª Câmara, 1ª Turma da Terceira Seção do Carf. A controvérsia limitase a definir a correta classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) a ser aplicada ao produto descrito pelo importador como "depurador", se a da posição 8414.60.00, pretendida pela fiscalização ou da 8421.39.90, defendida pelo importador, ora recorrente. Antes de adentrarmos no mérito do presente processo, teço abaixo algumas informações elementares acerca das regras de classificação. A estrutura do Sistema Harmonizado HS1 A classificação fiscal de mercadorias é ciência complexa, com muitas nuances, havendo assim grandes possibilidades de se cometer erros, razão pela qual a Organização Mundial do Comércio OMC estabeleceu uma padronização para classificação de mercadorias. 1 fonte: http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=1090#Sistema Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 6 Assim, visando minimizar erros e permitir uma correta classificação, foi desenvolvido o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH). O SH é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições, sendo composto por um sistema de códigos com 6 dígitos, divididos em 21 seções e 97 capítulos. No âmbito do Mercosul, no entanto, esse sistema sofreu algumas alterações com a aprovação da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. Basicamente, aos 6 dígitos SH foram acrescidos mais 2. No Mercosul, portanto, os produtos estão classificados com base na NCM, que possui 8 dígitos. É este código que deve ser utilizado para identificação dos tributos incidentes sobre determinado produto., bem assim para identificar o tratamento administrativo incidente sobre a mercadoria ou ainda confirmar o direito a benefícios fiscais e tributários, dentre tantas outras finalidade e funções. Para identificar a classificação de um determinado produto, além de conhecer a relação dos códigos da NCM, ainda se faz necessário conhecer as Regras Gerais para interpretação do SH e ainda as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de designação e de codificação de mercadorias (NESH) Resumidamente o Sistema Harmonizado (SH) abrange: · Nomenclatura – Compreende 21 seções, composta por 96 capítulos, além das Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição. Os capítulos, por sua vez, são divididos em posições e subposições, atribuindose códigos numéricos a cada um dos desdobramentos citados. Enquanto o Capítulo 77 foi reservado para uma eventual utilização futura no SH, os Capítulos 98 e 99 foram reservados para usos especiais pelas Partes Contratantes. O Brasil, por exemplo, utiliza o Capítulo 99 para registrar operações especiais na exportação; · Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado – Estabelecem as regras gerais de classificação das mercadorias na Nomenclatura; · Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) – Fornecem esclarecimentos e interpretam o Sistema Harmonizado, estabelecendo, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura. Sobretudo, para se classificar um produto devemos identificálo, assim entendido obter as informações e dados na quantidade e qualidade necessários e suficientes para a sua classificação na NCM/SH. Portanto, dependendo do produto terseá necessidade de uma ou outra informação, um ou outro dado técnico, cada qual com sua especificidade, conforme detalhamento constante na NCM/SH. Voltando ao caso dos autos. Reprisese, a controvérsia está em definir a correta classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) a ser aplicada ao produto descrito pelo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19675.001793/200673 Acórdão n.º 3301003.105 S3C3T1 Fl. 19 7 importador como "depurador", se 8421.39.90, defendida pelo importador ou 8414.60.00, pretendida pela fiscalização. Vejamos o disposto nas referidas classificações: 8421 CENTRIFUGADORES, INCLUÍDOS OS SECADORES, CENTRÍFUGOS; APARELHOS PARA FILTRAR OU DEPURAR LÍQUIDOS OU GASES. 8421.1 Centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos 8421.2 Aparelhos para filtrar ou depurar líquidos 8421.3 Aparelhos para filtrar ou depurar gases 8421.31.00 Filtros de entrada de ar para motores de ignição por centelha (faísca) ou por compressão 8421.39 Outros 8421.39.10 Filtros eletrostáticos 8421.39.20 Depuradores por conversão catalítica de gases de escape de veículos 8421.39.30 Concentradores de oxigênio por depuração do ar, com capacidade de saída inferior ou igual a 6 litros por minuto. 8421.39.90 Outros 8421.9 Partes .................................... xxx ............................ .................................... xxx ............................ 8414 BOMBAS DE AR OU DE VÁCUO, COMPRESSORES DE AR OU DE OUTROS GASES E VENTILADORES; COIFAS ASPIRANTES PARA EXTRAÇÃO OU RECICLAGEM, COM VENTILADOR INCORPORADO, MESMO FILTRANTES. 8414.10.00 Bombas de vácuo 8414.20.00 Bombas de ar, de mão ou de pé 8414.30 Compressores dos tipos utilizados nos equipamentos frigoríficos 8414.40 Compressores de ar montados sobre chassis com rodas e rebocáveis Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 8 8414.5 Ventiladores 8414.60.00 Coifas com dimensão horizontal máxima não superior a 120 cm Ex 01 do tipo doméstico 8414.80 Outros 8414.90 Partes É de bom alvitre que, desde já, façamos uma correta identificação do produto importado, relevante para a correta classificação na NCM/SH. Em sua Declaração de Importação o importador, ora recorrente, identificou o produto como sendo "DEPURADOR DE 90 cm, 120 V / 60 HZ, MODELO ECIO ( B2)" (dentre outros modelos). É fato inconteste, inclusive atestado pericialmente, que o produto importado é denominado comercialmente de "depurador de ar", bem assim que sua finalidade está restrita ao uso em cozinha. Resumindo, o produto importado, cuja classificação fiscal ora se debate, é um equipamento denominado comercialmente de depurador de ar para uso em cozinha, medindo 90 cm de dimensão horizontal. O recorrente fundamentou a aplicação da NCM 8421.39.90 no fato de, a seu ver, tratarse de um depurador, produto enquadrável naquela posição, pois lá encontramse os depuradores de gases, conquanto a posição 8414, pretendida pelo fisco, cuida de coifa. Afirma ainda o recorrente que depurador de ar, ainda que para uso em cozinhas, não tem correlação com coifas, assim, os produtos teriam classificações distintas. Esse entendimento foi corroborado por Decisões de algumas Turmas do Carf, inclusive pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao cuidar de mesma matéria, referente à produto similar (ou idêntico). Vide Acórdão 930302.039 2, de 2012, 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), da lavra do Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Alburquerque Silva, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004 EMENTA: IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL O depurador de ar de uso doméstico classificase no ex 01 da posição 8421.39.90. Recurso provido. 2 Tratouse de Recurso Espeical da Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão 30334.950, Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O Voto exarado naquele Acórdão, de lavra do Conselheiro Marciel Eder Costa, foi precursor do entendimento pela adoção posião 8421 para depurador de ar usado em cozinhas, mantido pela CSRF. por meio do Acórdão 930302.039. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19675.001793/200673 Acórdão n.º 3301003.105 S3C3T1 Fl. 20 9 Para melhor compreensão da matéria e dos fundamentos que sustentaram o Acórdão acima, transcrevese excertos do voto: "Relativamente à classificação fiscal e partindo das características estruturais que definem o que venham a ser coifas e depuradores de ar, encontro como resultante que o depurador tem como finalidade limpar o ar de impurezas e fazêlo retornar ao ambiente, livre das impurezas depuradas e a coifa se destina a exaurir o ar impuro para outro ambiente. Assim, o depurador fabricado pela Recorrida é composto de vários materiais como monobloco feito de chapa de aço; motor elétrico de 110/220; quadro filtrante com perfil de alumínio, tela perfurada, manta de bidim; arame trave da tela; painel frontal feito com chapa de aço; sistema elétrico e filtro de carvão ativado, tudo isto,devolvendo ao ambiente ar aspirado isento de partículas indesejáveis." [...] "A coifa, podendo ou não possuir elementos filtrantes, retira do ambiente o ar poluído e o expele para fora enquanto o depurador após a filtragem do ar retirando impurezas o devolve ao mesmo ambiente. Concluise afinal que as características operacionais de um e de outro equipamento são diversas." [...] De fato, a considerar a linha de raciocínio desenvolvido pelo recorrente; corroborada nos fundamentos apresentados no voto acima transcrito (a coifa, [...], retira do ambiente o ar poluído e o expele para fora enquanto o depurador após a filtragem do ar retirando impurezas o devolve ao mesmo ambiente); terseia razão o contribuinte. Entretanto, penso que o recorrente, e todos que o acompanham, ancoram se em argumentos e definições equivocadas. A base de sustentação para a aplicação da NCM 8421.39.90 para os "depuradores de ar usados em cozinha" (mercadoria importada, objeto da autuação) esta em considerálo um equipamento distinto de coifa, posição 8414. Divirjo. Isso é, a meu ver, um grande equívoco. Vislumbro que a posição pretendida pelo recorrente, posição 8421, é destinada a produtos com complexidades e utilizações que não guardam relação com aquelas aplicáveis ao produto importado. De singular análise do texto da posição 8421, bem assim dos Pareceres3 de Classificação adotados pela Organização Mundial das Alfândegas OMA e das Soluções de Consultas de Divergências4 emitidas pelo Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias da Receita Federal do Brasil (RFB/Ceclam) constatase que a posição 8421 está destinada a produtos, r.g., utilizados em: 3 Vide site http://idg.receita.fazenda.gov.br/formularios/arquivoseimagens/coletaneain1459 2014.pdf 4 Vide site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/classificacaofiscalde mercadorias/compedioceclam.pdf Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 10 · Hemodialisador esterilizado descartável. · Concentrador de oxigênio, · Laboratórios · Veículos automotores, incluindo os catalizadores. · Cabinas utilizadas para pintura a pistola · Aparelho para tratamento de água, · Aparelho para filtar e purificar ar de vasos sanitários · Cartucho filtrante de máscara facial Ademais, a NCM adotada pelo importador apresenta "EX" que notoriamente indicam perfil de produtos alinhados com fins outros, distintos do equipamento importado, vejamos: 8421.39.90 Outros "Ex" 001 Combinações de máquinas compostas de filtros de mangas e unidade de coleta de pós para despoeiramento de aciaria elétrica, com capacidade de vazão superior a 2.000.000 Am³/h. "Ex" 002 Geradores de nitrogênio gasoso, de pureza entre 95 e 99,9%, obtido por filtração de ar comprimido seco por melo de membranas poliméricas ocas; dotados de analisador digital de oxigênio, com capacidade de 17 Nm³/h e pressão máxima de trabalho de 14 bar. Na mesma esteira, tão quão ou mais relevante, a subposição de segundo nível utilizada, 8421.39, encontrase subdividida em três outros itens, além daquele adotado pelo requerente (8421.39.90), voltados para atividade industrial (Filtro eletrostático e catalizador) ou médica (concentradores de oxigênio), vejamos: 8421.39 Outros 8421.39.10 Filtros eletrostáticos 8421.39.20 Depuradores por conversão catalítica de gases de escape de veículos 8421.39.30 Concentradores de oxigênio por depuração do ar, com capacidade de saída inferior ou igual a 6 litros por minuto. 8421.39.90 Outros Acrescentese o teor da Resolução Camex nº 91, de 17 de dezembro de 2012 5, assim dispondo quanto ao "ExTarifário" relativo à NCM 8421.39.90, Classificação adotada pelo importador: 8421.39.90 Ex 021 – Neutralizadores de aminas através de reação química com ácido sulfúrico para tratamento máximo de 10.000Nm³ de gás contaminado por hora, temperatura máxima de trabalho de 50º C, contração residual de amina no gás depurado de aproximadamente 1,2mg amina/Nm³ 5 vide site http://camex.gov.br/legislacao/interna/id/1019 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19675.001793/200673 Acórdão n.º 3301003.105 S3C3T1 Fl. 21 11 Depreendese que os produtos que se classificam na posição 8421 distanciamse, pelas naturezas extrínsecas e intrínsecas, do equipamento importado, posto que, como se verá, há classificação própria para a espécie. Registrese, desde logo que, a meu ver, o produto submetido a despacho, denominado comercialmente de "depurador de ar para uso em cozinhas", deve ser, para fins de classificação na NCM/SH, identificado como coifa, ainda que com função de depurador de ar (filtrante), classificandose no código 8414.60.00. Ressaltese que em processo idêntico, do qual participei no colegiado, de relatoria da Conselheira Valdete Aparecida Fernandes, Acórdão 3101001.670, de 2014, 1ª Câmara, 1ª Turma da Terceira Seção do Carf, acompanhei o voto da relatora no sentido de considerar correta a classificação na NCM 8421.39.90. Contudo, nessa oportunidade, como relator, examinando com acuidade os autos, vejome obrigado a votar diametralmente oposto a meu próprio voto, mas convicto de que se trata de um voto fruto do aprofundamento no mérito e da livre convicção. Eis minhas razões de votar nesse sentido. Vejamos a definição de coifa, encontrada em dicionário técnico de engenharia civil 6 : Coifa Equipamento para exaustão e depuração dos gases provenientes da combustão. Permite filtrar a gordura dos gases de cozinha e reter a humidade em filtros substituíveis, sendo o ar filtrado expelido para o exterior do edifício. Exaustor. Depurador. [destaquei] Vêse que coifa, enquanto definição técnica, representa um equipamento para exaustão e depuração de gases. Portanto, coifa tanto pode ser utilizada para realizar a exaustão, pura e simplesmente, quanto para a depuração do ar, a depender dos acessórios nela instalados. Quando acompanhada somente de ventilador, a coifa terá unicamente a função de exaustão (retirar o ar de um ambiente, deslocandoo para outro, no mesmo estado que se encontra), conquanto, havendo nela acoplados elemento filtrantes, poderá também executar a função de depurar o ar. Noutra dicção, tecnicamente, a coifa, quando possuir elementos filtrantes, nada mas faz do que depurar. Afinal depurar o ar é filtrálo. Podemos ter diferentes níveis de depuração (filtração), do mais simples ao mais complexo, todavia, havendo filtragem, estaremos depurando o ar, especificamente, no caso concreto, o ar da cozinha. Popularizouse, equivocadamente, dizer que a coifa limitase a retirar do ambiente o ar poluído e o expelir para fora enquanto o depurador, após a filtragem do ar, o 6 vide site http://www.engenhariacivil.com/dicionario/coifa Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 12 devolve ao mesmo ambiente. Entretanto, coifa confundese com depurador (ou é o próprio depurador), quando presentes os elementos filtrantes que provoquem a depuração do ar. Portanto, coifa é um artefato utilizado para a retirada do ar saturado de uma cozinha remetendoo diretamente para outro ambiente, ou retornandoo ao mesmo ambiente, quando depurado ou filtrado. Nesse sentido vejamos informações extraídas da wikipedia 7 : "Coifa é o equipamento eletrodoméstico responsável pelo tratamento dos gases e vapores resultantes da cocção. Este tratamento pode se dar pela exaustão ou depuração dos gases. A depuração do ar é feita por dois sistemas distintos de filtragem: Préfiltragem: O ar é forçado a passar por um labirinto em alumínio, que retém as partículas mais significativas de gordura. São estas partículas as responsáveis pelas manchas causadas por gordura em paredes e objetos etc. Estes filtros podem ser lavados e não exigem substituição periódica. Filtragem por Carbono Ativado: O carbono ativado tem a propriedade de absorver e reter a umidade. Assim, quando o ar passa por estes filtros, a umidade é retida, junto com as partículas menos significativas de gordura, responsáveis pelo odor característico deste material. Estes filtros devem ser trocados a cada 4 a 6 meses de acordo com o uso." As coifas se diferenciam quanto ao processo de tratamento de gases da seguinte forma: Exaustão: descarta o ar préfiltrado diretamente no ambiente externo; Filtrante: o ar passa por um segundo processo de filtragem com o objetivo de eliminar os odores, devolvendoo depurado ao ambiente da cozinha [destaquei] Conforme se depreende depurar tem a ver com filtrar. Depurado, o ar poderá ser direcionado para outro ambiente (externo) ou para o mesmo ambiente, a depender do grau de depuração e do tipo de coifa. Se acoplada em duto (chaminé) irá deslocar o ar para outro ambiente ou, se inexistente o duto, ira devolver o ar para o mesmo ambiente de origem, após tratado, filtrado, depurado. Portanto, coifa com elemento filtrante é um depurador. Não há como dissociar o procedimento de depurar o ar da cozinha e o equipamento coifa, pois este é o artefato utilizado para se executar a depuração daquele ar saturado. V. excerto do Laudo oficial: [...] 7 fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Coifa_%28equipamento%29 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19675.001793/200673 Acórdão n.º 3301003.105 S3C3T1 Fl. 22 13 A função precípua deste equipamento é o de depurar (filtrar) o ar proveniente de locais tal como cozinhas e etc . locais em que o ar está impregnado de gordura e gases ou atmosfera em que há presença de substâncias indesejáveis . [...] [destaquei]. Na mesma esteira andou a Conselheira Mercia Helena Trajano D´Amorim, Acórdão 320100246, de 2009, 2ª Câmara, 1ª Turma da Terceira Seção do Carf; ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/04/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Coifa aspirante própria para extração ou reciclagem de ar de ambientes, mais comumente de cozinhas domésticas, com ventilador incorporado, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm, denominada comercialmente "depurador de ar", classificase no código NCM 8414.60.00; bem como aplicação da multa de oficio. [...] Assim fundamentou seu voto: Como se verifica da transcrição do código da NCM, baseada no Sistema Harmonizado, a posição 8414 foi estabelecida para recepcionar os produtos denominados de coifas aspirantes que se destinem à extração ou reciclagem de ar ou gases, com ventilador incorporado, mesmo filtrantes. Ora, por certo que a reciclagem pressupõe o retorno do ar ou dos gases ao ambiente de origem. Essa posição é clara quanto ao enquadramento de coifas, nesta compreendidas as que tenham como finalidade a extração ou a reciclagem de ar ou de gases, visto que essas finalidades estão expressamente citadas no texto da posição. Daí que esses produtos englobam aparelhos que tenham função aspirante ou depurante, visto que nessa posição está expressamente indicada a reciclagem. Ademais, ao final do texto foi prevista a permanência nessa posição das coifas mesmo filtrantes, o que significa dizer que se classificam nesta posição as coifas filtrantes ou não. Cumpre observar, por oportuno, que a expressão "coifas aspirantes" está mencionada no original do Sistema Harmonizado, em francês "hottes aspirantes", que, segundo o Dicionário "Peat Larousse Ilustre" tem o seguinte significado: "Hotte Aspirante: instalation ou permettent d'aspirer les vapeurs et odeurs de cuisson, et que pent être soit a raccordesment, soit á recyclage interne". Ou seja: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 14 "Coifas Aspirantes: instalação que permite aspirar os vapores e odores do cozimento, seja por tubulações, seja por reciclagem interna." Verificase, assim, que para efeitos de classificação tarifária é irrelevante a denominação comercial dada a esses aparelhos, como coifas, depuradores, exaustores, sugadores, etc, tendo a NCM baseada no Sistema Harmonizado sido clara ao enquadrar tais aparelhos na posição 8414, tenham função aspirante ou depurante. Concluindo, a matéria tem entendimento pacifico na SRF, conforme dão conta diversas outras decisões em processos de consulta pertinentes a esses produtos, que, comercialmente, são usualmente denominados de "depuradores de ar", mas que, para efeitos de classificação, o Sistema Harmonizado os enquadrou como coifas aspirantes para extração ou reciclagem. Em outra manifestação, do Conselheiro Nilton Luiz Prieto, Acórdão 303 33.247, de 2006, da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, em matéria idêntica, também convergiu no mesmo caminho: Existindo dúvidas quanto à classificação do produto em uma das duas posições destacadas, há que ser observada a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n°. 3, a qual estabelece que: "3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas. (...)" [destaquei]. Esclarecem as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH: Posição 8421 (...) A presente posição engloba os filtros e depuradores de todos os tipos (mecânicos, químicos, magnéticos, eletromagnéticos, eletrostáticos, etc.) ( ... ) De modo geral, as máquinas e aparelhos deste grupo distinguemse nitidamente pela sua própria utilização: filtração de líquidos ou tratamento de gases. ( ... ) B) Filtração e depuração de gases Os aparelhos deste grupo destinamse a reter as partículas sólidas ou líquidas em suspensão nos gases com a finalidade de recuperar produtos de valor (poeiras de carvão ou partículas metálicas dos gases de fornalhas ou de fornos metalúrgicos) ou simplesmente de eliminar resíduos nocivos (despoeirar o ar ou fumaças (fumos*), Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19675.001793/200673 Acórdão n.º 3301003.105 S3C3T1 Fl. 23 15 retirar o alcatrão dos gases, retirar os óleos do vapor expelidos pelas máquinas a vapor, etc). Conforme o seu princípio de funcionamento, podem distinguirse: 1) Os filtros e depuradores de ação física ou mecânica, (...). Entre os filtros e depuradores de gás de ação exclusivamente física, podem citarse: 1°) Os filtros de entrada de ar para motores de ignição por centelha (faísca) ou de compressão, que combinam, às vezes, os dois sistemas. 2) Os filtros eletrostáticos, de ar ou de outros gases (...) 3) Os filtros de grãos ou scrubbers, (...) 4) Os filtros e depuradores de ar ou de outros gases, de ação química (incluídos os conversores catalíticos que transformam o monóxido de carbono dos gases de escapamento dos veículos automóveis). ............................................ Posição 8414 (...) C COIFAS, ASPIRANTES (EXAUSTORES*) PARA EXTRAÇÃO OU RECICLAGEM, COM VENTILADOR INCORPORADO, MESMO FILTRANTES O presente grupo abrange as coifas de cozinha de ventilador incorporado, que podem ser de uso doméstico ou de uso em restaurantes, cantinas, hospitais, por exemplo, bem como as coifas de laboratório e as coifas industriais de ventilador incorporado. Da análise sistemática do texto das referidas posições na TEC e do norte que nos dá a NESH, chego à conclusão de que a posição adequada à mercadoria importada pelo contribuinte, também em observância à Regra Geral de Interpretação de n°. 3, é a 8414.60.00. A descrição das referidas posições e o disposto nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado deixam claro que os "aparelhos para filtrar ou depurar gases" da posição 8421, constituem um gênero que comporta diversas espécies de equipamentos para uso industrial, comercial, automobilístico, etc. Já a posição 8414 aplicase às coifas aspirantes e exaustores de cozinha com ventilador incorporado, que podem ser de uso doméstico ou empregadas em restaurantes, cantinas, etc... [...] Reprisandose, no diaadia, comercialmente, adotouse a palavra "coifa" para identificar o equipamento utilizado para exaustão de cozinha, por meio de duto, isto é, retirar o ar saturado da cozinha, por sucção, destinandoo diretamente para ambiente Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 16 externo, no mesmo estado em que se encontra. Conquanto, ao equipamento, ainda que de mesmo porte da "coifa", com função de "depurar" o ar da cozinha, devolvendoo reciclado, purificado, denominouse comercialmente de "depurador de ar". Daí passouse a diferenciar, equivocadamente, coifa e "depurador de ar utilizado em cozinhas", como se fossem excludentes entre si. Entretanto, a denominação comercial utilizada para um produto não tem o condão de alterar suas definições técnicas, muito menos fundamentar sua codificação na NCM/SH. Nessa esteira racional, resta cristalino que coifa é o equipamento utilizado na cozinha como estrutura física para a exaustão ou depuração do ar saturado daquele ambiente. Coifa e depurador são equipamentos de sinomia, quando destinamse ao tratamento do ar proveniente de cocção, em cozinhas. Portanto a classificação a ser adotada deve ser a 8414.60.00. Dispositivo Ante o todo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 35301.007045/2006-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 70 45 /2 00 6- 07 Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 35301.007045/200607 Acórdão n.º 9202004.764 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.927098/2009-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
ENTIDADE DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. MENSALIDADES DE ALUNOS. ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS.
A entidade de educação sem fins lucrativos faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados.
Recurso Especial do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-004.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ISENÇÃO. Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. MENSALIDADES DE ALUNOS. ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. A entidade de educação sem fins lucrativos faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados. Recurso Especial do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 70 98 /2 00 9- 58 Fl. 173DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.383, de 25/07/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência em relação ao entendimento de que as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional não são receitas decorrentes das atividades próprias da instituição. Visando comprovar as divergências, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 3801001.005 e 310201.333, cujas cópias de inteiro teor foram juntadas aos autos. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 163/164. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, às fls. 166/171. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A questão é simples e não comporta maiores digressões. Restringese a saber se a isenção da Cofins para as entidades de educação sem fins lucrativos compreende ou não as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional (no caso em exame, as mensalidades escolares). Conforme demonstrado no Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.927098/200958 Acórdão n.º 9303004.368 CSRFT3 Fl. 174 3 exame de sua admissibilidade, o recurso especial trouxe entendimentos divergentes adotados por Turmas diversas deste Conselho Administrativo. Conhecido, o recurso também deve ser provido. É que, como é do conhecimento de todos, a matéria já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, por meio de decisão submetida à sistemática dos recursos repetitivos, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.158 35/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158 Fl. 175DF CARF MF 4 35/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 203 12738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/200775, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303 001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1353111/RS, rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 18/12/2015). Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.927098/200958 Acórdão n.º 9303004.368 CSRFT3 Fl. 175 5 Registrese que as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça proferidas na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), são de observância obrigatória no julgamento dos recursos administrativos pelo CARF, por imposição do art. 62 do Regimento Interno deste Colegiado (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 – RICARF). Ademais, e em razão desta decisão judicial e de decisões administrativas antes proferidas, este Colegiado Administrativo, o CARF editou a Súmula nº 107, segundo a qual "A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997". Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.006978/98-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1993
MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Ao restar comprovada a identidade de litígio entre o presente processo e outro, já decidido definitivamente em sede administrativa, descabe a reabertura da discussão. Correta a decisão de primeira instância ao considerar a inexistência, neste processo, de litígio passível de apreciação administrativa, posto que a matéria já havia sido apreciada e decidida em outro processo. Não há, assim, cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, nem qualquer nulidade a macular a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1301-000.569
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1993 MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Ao restar comprovada a identidade de litígio entre o presente processo e outro, já decidido definitivamente em sede administrativa, descabe a reabertura da discussão. Correta a decisão de primeira instância ao considerar a inexistência, neste processo, de litígio passível de apreciação administrativa, posto que a matéria já havia sido apreciada e decidida em outro processo. Não há, assim, cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, nem qualquer nulidade a macular a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.006978/9850 Acórdão n.º 130100.569 S1C3T1 Fl. 622 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório DOURO S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas/MG. Por bem descrever a lide, valhome do minucioso relatório elaborado pelo relator por processo em primeira instância (Fls. 103/104): A sociedade acima qualificada apresentou, em 08/07/1998, pedido de fl. 1, requerendo a compensação de pagamentos efetuados a maior, em 30/10/1992, 30/11/1992, 30/12/1992, 29/01/1993 e 26/02/1993, fls. 02/03, a título de PIS/Dedução (código 8002), com o débito de PIS/Faturamento, referente ao período de apuração de junho de 1998. Na petição de fls. 04/05, a requerente afirma que citados pagamentos a maior referemse às antecipações e duodécimos devidos na forma consignada em sua declaração de rendimentos, relativa ao exercício de 1993, anocalendário 1992, da qual gerou crédito com a Receita Federal no total equivalente a 563.291,90 UFIR, sendo 535.127,30 UFIR de IRPJ e 28.164,60 UFIR de PIS/Dedução. Requer, ainda, a compensação do saldo remanescente com as obrigações vincendas relativas aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, especialmente a COFINS e PIS/Faturamento, a serem apuradas futuramente, na forma da IN SRF n° 37, de 1997. Às fls. 23/24, a interessada solicita a compensação do crédito de IRPJ (código 2362) com débitos de COFINS (código 2172) e de PIS/Faturamento (código 8109). Os pleitos acima foram indeferidos pelo Delegado da Receita Federal em Sete Lagoas, em seu Despacho Decisório de fls. 47/49, tendo em vista que, de acordo com o disposto nos artigos 156, inciso I, 168 e 165 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, com alterações posteriores, o direito à compensação já se achava extinto à época da formulação dos referidos pedidos. Em apoio a esse entendimento, foi citado e juntado aos autos, fls. 42/46, o Acórdão n° 2.611, de 19/12/2002, proferido no processo n° 10680.006977/9897, também de interesse da requerente. Ciente desse Despacho Decisório em 17/02/2003, a interessada apresentou, em 11/03/2003, a manifestação de inconformidade de fls. 52/59, acompanhada dos documentos de fls. 60/92, a qual, em essência, argumenta que: haveria recolhido a maior antecipações e duodécimos tanto de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (código 2362) quanto de PIS/Dedução (código 8002), esta última contribuição calculada em conformidade com decisão judicial favorável à interessada; acrescenta que, entre outubro de 1992 e fevereiro de 1993, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.006978/9850 Acórdão n.º 130100.569 S1C3T1 Fl. 623 3 tais recolhimentos excederam o devido nas apurações finais de IRPJ, constituindo prova deste indébito sua própria declaração de rendimentos, relativamente ao exercício de 1993, anocalendário de 1992, apresentada a esta Secretaria da Receita Federal, em 14/06/1993; tais recolhimentos eram obrigações estatuídas pela Lei n.° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, não sendo opção de sua parte deixar de fazêlos; o inciso I do art. 165 do CTN aplicarseia somente aos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em suas próprias palavras (fl. 105): "(...) para o recolhimento obrigatório é inaplicável tal regra de prescrição disposta no CTN e que a interpretação deste artigo 165 c/c o art. 168, efetuado pelo r. Auditor Fiscal, restou prejudicada (...)” seguindo esta linha de raciocínio, aplicarse ia o prazo prescricional do Código Civil; o não acolhimento de seus pedidos implicaria confisco e enriquecimento sem causa da União; o prazo extintivo do direito a pleitear reconhecimento de direito creditório deveria ser contado a partir de 23 de setembro de 1994, quando teria transitado em julgado a sentença que lhe assegurara o direito de pagar o PIS/Dedução dentro das regras ditadas pela Lei Complementar n.° 7, de 7 de setembro de 1970; em se tratando de contribuições, tal prazo prescricional seria de 10 anos, a teor de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ); finalmente, caberia adotar interpretação sistemática dos artigos do CTN, pois sua simples leitura conduziria necessariamente ao enriquecimento ilícito do Erário. À fl. 93, consta Representação formalizada pela Repartição de origem, propondo a transferência de débitos para outro processo, para que fosse dada continuidade à cobrança, nos termos da Nota SRF/COSAR 109, de 10 de julho de 2001 (vide Termo de Transferência de Crédito Tributário à fl. 94). Às fls. 97/99, foi juntada cópia do Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal em Sete Lagoas/MG, formalizado em 27/09/2002, relativamente ao processo n° 10680.006977/9897, de interesse da contribuinte. Por fim, pelo despacho de fls. 100/101, a DRF de origem constata que o presente processo trata do mesmo objeto já analisado pelo mencionado processo nº 10680.006977/9897. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante a Resolução DRJ/BHE nº 0250, de 13/06/2003 (fls. 102/105), considerou não instaurado litígio passível de julgamento, vez que “o objeto dos presentes autos já fora analisado pelo citado processo nº 10680.006977/9897, de interesse da contribuinte” (fl. 105). Ciente da decisão de primeira instância em 23/06/2003, conforme documento de fl. 107, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 23/07/2003 (registro de recepção à fl. 108, razões de recurso às fls. 109/115), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.006978/9850 Acórdão n.º 130100.569 S1C3T1 Fl. 624 4 Preliminarmente, argúi a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de seu direito à ampla defesa. Por sua ótica, tal teria ocorrido por não terem sido considerados os aspectos fáticos e probatórios por ela apresentados. Afirma que o presente processo não teria o mesmo objeto daquele citado pela autoridade julgadora em primeira instância e que, além disto, aquele outro processo ainda não teria transitado em julgado, estando pendente de julgamento o recurso interposto ao Conselho de Contribuintes. Conclui com o pedido de que seja declarada a nulidade do acórdão recorrido, para que outra decisão seja proferida enfrentando as matérias elencadas em sua manifestação de inconformidade. No mérito, repete os argumentos anteriormente trazidos, já sintetizados alhures neste relatório. O processo foi encaminhado ao agora extinto Segundo Conselho de Contribuintes, tendo sido proferido, em 20/10/2004, o Acórdão nº 20215.868 (fls. 147/158), dando provimento parcial ao recurso. Referido acórdão nº 20215.868 foi embargado (fls. 159/160) pelo Sr. Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, do que resultou a lavratura de novo acórdão, de nº 202.16808 (fls. 176/179), em 08/12/2005, para retificar o acórdão anterior. Novamente a decisão foi embargada pelo Sr. Presidente da Câmara (fl. 180) e levada à apreciação do colegiado. Desta feita, mediante o Acórdão nº 20217.076, de 27/04/2006 (fls. 182/188), foi decidido anular o processo a partir do Acórdão nº 20215.868, inclusive, e declinar da competência de julgamento em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes, em face da matéria. O processo foi, então, levado a julgamento em 27/08/2009 perante esta Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara do CARF (que sucedeu funcionalmente aos Conselhos de Contribuintes). Na oportunidade, por entender que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi prolatada a Resolução nº 130100.018 (fls. 191/194), convertendo o julgamento em diligência e determinando a juntada aos autos de cópia do inteiro teor do processo administrativo nº 10680.006977/9897. Em cumprimento, foram acostados ao presente processo as cópias de fls. 199/619, e o processo retorna agora para seguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Convém, inicialmente, delimitar a lide a ser apreciada por este Colegiado. A decisão de primeira instância considerou não instaurado litígio passível de julgamento, vez que “o objeto dos presentes autos já fora analisado pelo citado processo nº 10680.006977/9897, de interesse da contribuinte”. Em outras palavras, a manifestação de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.006978/9850 Acórdão n.º 130100.569 S1C3T1 Fl. 625 5 inconformidade apresentada pelo sujeito passivo no presente processo não foi aqui apreciada, pois já o teria sido em outro processo. A recorrente sustenta, em preliminares, que o presente processo e aquele outro não teriam o mesmo objeto. Em assim sendo, não haveria fundamento para que seus argumentos não tenham sido apreciados neste processo, acarretando a nulidade da Resolução recorrida, por cerceamento de seu direito à ampla defesa. O primeiro ponto a se verificar, então, é a identidade, ou não, de objetos entre o presente processo e aquele de nº 10680.006977/9897, juntado por cópia integral às fls. 199/619. O objeto do presente processo já foi bem delineado no relatório que antecede a este voto. Por amor à clareza, repito que se trata de pedido de compensação por alegados pagamentos efetuados a maior em 30/10/1992, 30/11/1992, 30/12/1992, 29/01/1993 e 26/02/1993 a título de antecipações e duodécimos de PIS/Dedução (apresentado em 08/07/1998, código 8002, fl. 01) e IRPJ (apresentado em 07/08/1998, código 2362, fl. 23). Na petição de fls. 04/05 (Expediente GCGTR/FZ/OE – VP Nº 009/98), a requerente afirma que citados pagamentos a maior referemse às antecipações e duodécimos devidos na forma consignada em sua declaração de rendimentos, relativa ao exercício de 1993, anocalendário 1992, gerando crédito com a Receita Federal no total equivalente a 563.291,90 UFIR, sendo 535.127,30 UFIR de IRPJ e 28.164,60 UFIR de PIS/Dedução. Os débitos para os quais se pretende a compensação são os de código 8109, PA 06/98 (fl. 01); e código 2172, PA 07/98 e código 8109, PA 07/98 (fl. 23). Quanto ao processo nº 10680.006977/9897, os créditos trazidos à compensação são rigorosamente os mesmos anteriormente descritos, como se observa no Pedido de Compensação à fl. 201 (apresentado em 08/07/1998, código 2362, IRPJ) e fl. 226 (apresentado em 26/07/1998, código 8002, PIS/Dedução). Até a petição de fls. 204/205 é a mesma que consta às fls. 04/05, no processo nº 10680.006978/9850. A partir daí, sucedemse os pedidos de compensação, apresentando os créditos de código 2362 (fls. 227, 230, 232, 234, 237, 238, 239, 241, 242, 245, ..., 273) e de código 8002 (fl. 228), para compensação com débitos diversos. Não tenho dúvidas, portanto, que o direito creditório invocado nos dois processos administrativos é o mesmo. Tão somente os débitos a serem compensados são distintos. A confirmar essa conclusão, transcrevo os seguintes excertos de peças processuais do processo nº 10680.006977/9897: • Despacho Decisório da DRF Sete Lagoas/MG, datado de 26/09/2002 fls. 290/292: A contribuinte, acima identificada, requer a restituição de antecipações e duodécimos relativos ao PISDedução do exercício 1993, anocalendário 1992, recolhidos de 30/10/92 a 26/02/93 e de saldo negativo de imposto de renda apurado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do exercício 1993, ano calendário 1992. • Manifestação de inconformidade, apresentada pela interessada nos autos do processo nº 10680.006977/9897 (fls. 302/309): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.006978/9850 Acórdão n.º 130100.569 S1C3T1 Fl. 626 6 Cuida o processo em referência de uma improcedente alegação por parte da Delegacia da Receita Federal de Sete Lagoas, ao indeferir pedidos de compensação/restituição de antecipações de PIS DEDUÇÃO e duodécimos (CÓD. 8002) e IRPJ (código 2362) detalhadamente consolidado no doc. GCGTR/FZ/OE VP 009/98, protocolado em 08 de julho de 1998. • Acórdão DRJ/BHE nº 2611, de 19/12/2002 – fls. 348/352: A sociedade acima qualificada apresentou, em 8 de julho de 1998, o pedido de fl. 1, requerendo a compensação de pagamentos efetuados a maior, nos anos calendário de 1992 e 1993, conforme QUADRO I, abaixo, extraído dos dados constantes do documento de fls. 4 e 5, encaminhado pela interessada. QUADRO I RELACAO DE PAGAMENTOS ALEGADAMENTE FEITOS A MAIOR DATAS DE PAGAMENTO TRIBUTOS 30 de outubro de 1992 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) antecipações (código 2362) Programa de Integração Social (PIS) antecipações (código 8002) 30 de novembro de 1992 30 de dezembro de 1992 29 de janeiro de 1993 IRPJ duodécimos (código 2362) PIS duodécimos (código 8002) 26 de fevereiro de 1993 A partir daí, tanto no recurso voluntário apresentado (fls. 355/359), quanto no Acórdão nº 10807.749, de 18/03/2004, prolatado pela 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 369/381), nos autos do processo nº 10680.006977/9897, a discussão girou em torno do prazo para pleitear a repetição do indébito. No recurso especial (fls. 392/401), ao qual foi negado seguimento mediante o despacho de fls. 459/460, mais uma vez a interessada afirma que O presente processo referese à restituição, sob a forma de homologação das declarações de compensações, de valores pagos indevidamente a título de antecipações de PIS DEDUÇÃO e duodécimos (Cód. 8002) e IRPJ(Cód. 2362) conforme demonstrado em sua declaração de IRPJ, ano 1992/exercício 1993, apresentado em 08/07/1998, no valor total de 1.098.419,20 UFIRs. Tenho, pois, por comprovada a identidade de objeto entre o pleito do presente processo e aquele de que trata o processo nº 10680.006977/9897. Na verdade, o presente processo, desde o início, deveria ter sido juntado àquele e assim tido andamento, posto que os créditos alegados, as razões da interessada e as decisões proferidas são rigorosamente idênticas. Tão somente, por motivos desconhecidos e que considero irrelevantes, dois pedidos de compensação (de fls. 01 e 23 deste processo) foram desgarrados e autuados em outro processo administrativo. No entanto, uma vez identificado esse fato, não cabe proferir decisão sobre matéria já decidida em outro processo. Isto posto, não faço reparo à decisão de primeira instância. O litígio já foi examinado e decidido definitivamente, em sede administrativa, nos autos do processo nº 10680.006977/9897. Lá, o contribuinte teve a ampla oportunidade de expor seus argumentos e provas, seja com relação ao prazo para pleitear a repetição do alegado indébito (razão que, ao final, foi determinante para a decisão lá prolatada e que não está aqui sob discussão), seja quanto ao mérito da liquidez e certeza de seu direito creditório. Não há cerceamento de defesa e, em consequência, não há nulidade, ao não se reabrir a discussão, neste processo, acerca de matéria já decidida naquele outro. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.006978/9850 Acórdão n.º 130100.569 S1C3T1 Fl. 627 7 Nessa linha de raciocínio, devem ser rejeitados, em sede de recurso, os argumentos de mérito aduzidos neste processo. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e igualmente as razões de mérito, visto que o litígio já foi definitivamente resolvido, em sede administrativa, nos autos do processo nº 10680.006977/9897. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.726616/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 16 /2 00 9- 21 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726616/200921 Acórdão n.º 9202004.108 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726616/200921 Acórdão n.º 9202004.108 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726616/200921 Acórdão n.º 9202004.108 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726616/200921 Acórdão n.º 9202004.108 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726616/200921 Acórdão n.º 9202004.108 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 324DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 325DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726616/200921 Acórdão n.º 9202004.108 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.003509/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - INADMISSIBILIDADE - REANÁLISE DE PROVAS - IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial tem o objetivo de sanar divergência de interpretação da legislação entre decisões exaradas por Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou pela própria CSRF.
Nesse contexto, para a admissibilidade do Recurso deve ser demonstrada a divergência de interpretação da legislação, não a divergência quanto a valoração das provas dos autos.
No caso dos autos, a divergência apontada foi em relação à valoração da prova, sendo que o deslinde da controvérsia passa por nova análise destas.
Não se conhece recurso que vise reanálise de provas.
Numero da decisão: 9202-004.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que o conheciam.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - INADMISSIBILIDADE - REANÁLISE DE PROVAS - IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial tem o objetivo de sanar divergência de interpretação da legislação entre decisões exaradas por Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou pela própria CSRF. Nesse contexto, para a admissibilidade do Recurso deve ser demonstrada a divergência de interpretação da legislação, não a divergência quanto a valoração das provas dos autos. No caso dos autos, a divergência apontada foi em relação à valoração da prova, sendo que o deslinde da controvérsia passa por nova análise destas. Não se conhece recurso que vise reanálise de provas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que o conheciam. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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O Recurso Especial tem o objetivo de sanar divergência de interpretação da legislação entre decisões exaradas por Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou pela própria CSRF. Nesse contexto, para a admissibilidade do Recurso deve ser demonstrada a divergência de interpretação da legislação, não a divergência quanto a valoração das provas dos autos. No caso dos autos, a divergência apontada foi em relação à valoração da prova, sendo que o deslinde da controvérsia passa por nova análise destas. Não se conhece recurso que vise reanálise de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que o conheciam. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 09 /2 00 7- 17 Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre valores creditados em contas mantidas em instituições financeiras no Brasil e no exterior, em relação aos quais, regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a origem, mediante documentação hábil e idônea. Em relação aos depósitos mantidos em contas no exterior, identificados no âmbito da operação denominada "Beacon Hill", foi constatado que o contribuinte era procurador de pessoa jurídica titular. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou regular Impugnação, que fora julgada procedente em parte, para afastar a cobrança do imposto sobre depósitos inferiores a R$ 12.000,00, cuja somatória não ultrapassou o limite de R$ 80.000,00 ao ano. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, originando decisão, onde, por unanimidade de votos, foi acolhida preliminar de decadência, relativamente ao anocalendário 2001 e, também por unanimidade, foi negado provimento ao mérito. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração, alegando: 1. contradição em relação ao critério utilizado para apuração dos valores excluídos relativos aos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, cuja soma não ultrapassou R$ 80.000,00 ao ano; 2. omissão em relação ao argumento de ilegalidade do lançamento efetuado com base exclusivamente em extratos bancários; e 3. omissão e contradição em relação à alegação e comprovação de que os valores depositados em contas no exterior eram de titularidade de terceiros, e não do contribuinte. No julgamento dos embargos a 1ª Turma ordinária, da 2ª Câmara de Julgamento, por maioria, a eles deu parcial provimento, para excluir da base de cálculo do imposto os depósitos efetuados nas contas bancárias mantidas pela pessoa jurídica no exterior, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVEM SER ACOLHIDOS OS EMBARGOS QUANDO EXISTENTE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003509/200717 Acórdão n.º 9202004.287 CSRFT2 Fl. 1.533 3 Devem ser acolhidos os embargos de declaração para explicitar os termos da decisão embargada e sua aplicação, tendo em vista a existência de omissão, sem alteração no resultado do julgamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CONDIÇÃO DE PROCURADOR. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro não titular da conta quando restar comprovado por indícios veementes e convincentes que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem efetivamente a tal terceiro e não ao titular da conta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 2201002.329, de 19/02/2014. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos efetuados nas contas nºs 45200483, do Merchants Bank of New York e 710103, do Audi Bank. Vencidos os Conselheiros FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Regularmente intimada a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial. Para demonstrar a admissibilidade de seu recurso trouxe os acórdãos nº 330100.005 e 340200.111, alegando que frente a provas similares, as decisões proferidas nos referidos acórdãos divergem da decisão proferida no recorrido. No mérito, alega a União que ao contrário do afirmado pela decisão atacada, resta totalmente afastada qualquer alegação de “fragilidade” ou “incerteza” da prova apresentada pelo Fisco para caracterização do contribuinte como beneficiário dos depósitos. Referidas provas carreadas aos presentes autos são suficientes para demonstrar que o contribuinte era o titular dos recursos depositados em instituição financeira sediada fora do país. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, pois constatada a similitude fática entre o acórdão recorrido e o primeiro paradigma, uma vez que ambos analisaram autuação decorrente da Operação Beacon Hill e analisaram a força probante dos documentos coletados no bojo da referida operação, em especial Laudos Técnicos elaborados pelo Departamento de Polícia Federal, documentos de abertura de contas no exterior e cartões de autógrafo. Regularmente intimado o contribuinte apresentou contrarrazões, alegando: 1. Inadmissibilidade do recurso, dada a ausência de similitude fática entre o paradigma analisado, que trata de hipótese em que o atuado possuía conta conjunta com outra pessoa física, e o recorrido que trata de situação em que o autuado é procurador da pessoa jurídica titular da conta; Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 2. Inadmissibilidade do recurso tendo em vista que pleiteia revisão de julgado em consonância com a súmula CARF 32 (Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.); 3. Inadmissibilidade do recurso que exige o reexame de provas para ser decidido; 4. Ilegitimidade passiva do contribuinte para figurar como sujeito passivo da obrigação tributária, dado que não comprovado que as contas de titularidade das empresas eram por ele movimentadas; Impossibilidade de responsabilização do procurador apenas por possuir essa condição; aplicação da Súmula CARF 32; É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Inicialmente, entendo pertinente o debate acerca da admissibilidade do recurso interporto. Pois bem. O artigo 67 do RICARF vigente à época da interposição do presente Recurso Especial rezava que o cabimento do recurso era adstrito a decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro ente julgador, nos seguintes termos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Claro está no referido texto que a divergência é de interpretação da Lei tributária, ou seja, é a divergência de interpretações jurídicas que faz nascer o direito ao Recurso Especial. Logo, divergência quanto à valoração das provas trazidas para comprovação de um fato não tem o condão de fazer nascer o referido direito ao recurso especial. Analisando detalhadamente o Recurso da União vejo que ao tratar da divergência de interpretação da Lei tributária o que se está demonstrando é exatamente a divergência quanto a valoração probatória. Vale a transcrição do seguinte trecho do referido Recurso para demonstrar tal afirmação (fls. 1.471): O acórdão recorrido, como visto, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte por considerar que as informações veiculadas em relatórios da Secretaria da Receita Federal – SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística – INC, elaborados a partir de mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado, Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003509/200717 Acórdão n.º 9202004.287 CSRFT2 Fl. 1.534 5 não seriam suficientes para provar a titularidade dos recursos movimentos à margem do Sistema Financeiro Nacional. Por outro lado, os acórdãos paradigmas, analisando os mesmos tipos de documentos acostados aos presentes autos, entenderam que não havia reparo a ser feito no procedimento da autoridade fiscal. Assentaram que o Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais serve como prova da titularidade dos recursos movimentados à margem do Sistema Financeiro Nacional, justificando, assim, o lançamento de IRPF. Noutros termos, enquanto as decisões paradigmas concluíram que os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, objeto de perícia e laudo conclusivo da Polícia Federal constituemse em elementos de prova suficientes para demonstrar que o sujeito passivo era responsável e titular dos recursos financeiros movimentados em conta mantida no exterior em instituição bancária norte americana, a decisão recorrida encampou posicionamento diverso. Logo, tendo em vista que a divergência demonstrada pela União se dá em relação à valoração das provas e não em relação à interpretação das normas, incabível o Recurso Especial. Mas não é só, a fundamentação para se pedir a alteração do julgado e a manutenção do lançamento realizado é de que se faça nova análise das provas, conforme se pode depreender da seguinte passagem do referido Recurso Especial (fls. 1.475): A alegação de que os recursos não pertenciam ao contribuinte não se sustenta. Como já dito, os documentos juntados aos autos pela fiscalização têm força probante suficiente para sustentar a ocorrência das remessas ao exterior e demonstrar que o autuado era o titular dos recursos depositados em instituição financeira sediada fora do país, sendo que é esse fato que dá sustentação ao presente auto de infração. Nesse contexto, tendo em vista a pretensão de nova análise das provas, entendo não poder ser admitido o presente Recurso. Assim voto por não conhecer o Recurso Especial da União. Gerson Macedo Guerra Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903619/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 21/11/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 21/11/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903619/201272 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.589 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria COFINS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 21/11/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 19 /2 01 2- 72 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903619/201272 Acórdão n.º 3402003.589 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.961, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903619/201272 Acórdão n.º 3402003.589 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903619/201272 Acórdão n.º 3402003.589 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903619/201272 Acórdão n.º 3402003.589 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903619/201272 Acórdão n.º 3402003.589 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.721381/2012-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins.
Recurso Especial do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-004.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (relator), Júlio César Alves Ramos e Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COFINS. BASE DE CÁLCULO Recorrente ST IMPORTAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Especial do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (relator), Júlio César Alves Ramos e Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 13 81 /2 01 2- 12 Fl. 927DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pelo contribuinte acima, em face do acórdão n° 3101001.542, de 26/11/2013, do qual resultou a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PIS E COFINS S/ CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO BASE DE CÁLCULO. Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo das Contribuições. Recurso Voluntário Negado A recorrente suscitou divergência quanto à tributação, a título de PIS e Cofins, do subsídio estadual outorgado por meio da concessão de créditos presumidos do ICMS, que representaria uma receita. Foi admitido o recurso especial. No recurso especial é referido que a natureza jurídica do crédito presumido de ICMS, como redução de despesa tributária, e não como receita, impossibilita a composição da base de cálculo das contribuições ora discutidas. É trazida jurisprudência judicial e administrativa em favor do pleito da recorrente, inclusive julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.618, de 26/11/2013) e das Primeira e Segunda Turmas do STJ. Nas contrarazões, a Fazenda Nacional sustenta que o crédito presumido de ICMS é uma subvenção, e nos termos do art. 44, IV, da Lei nº 4506/64, deve compor a receita operacional da empresa, o que implica estar no conceito restrito de faturamento; ao fim, requer a negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório Fl. 928DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 928 3 Voto Vencido O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo, atende aos demais pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Notase que os paradigmas trazidos, de fato, consubstanciam aplicação de mesma legislação e questão fática extremamente similar, de forma diversa do acórdão recorrido: Acórdão nº 9303002.618 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO FISCAL DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2004 a 31/12/2005 INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO FISCAL DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido. Acórdão nº 3102001.989 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. A mera apuração de crédito presumido do ICMS, decorrente da aplicação da legislação que disciplina o pagamento do imposto não reúne as características necessárias para inclusão no conceito de receita e, como tal, não se sujeita à incidência da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep. Quanto à matéria de fundo PIS e Cofins sobre créditos presumidos de ICMS vale referir que o Supremo Tribunal Federal está com o tema por decidir em sede de repercussão geral (tema 843: possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal). Fl. 929DF CARF MF 4 No âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, há precedentes favoráveis tanto para a Fazenda Nacional (acórdão nº 930301.292, de 08 de dezembro de 2010) como para os contribuintes (acórdão nº 9303002.618, de 26 de novembro de 2013). Minha posição restou vencida naquela oportunidade de 2013, sendo que em 2010 não tive a honra de participar dos trabalhos. Nesse sentido, como nada de novo veio a lume com respeito à matéria, adoto a posição do voto vencedor do acórdão recorrido, que por seu turno, inspirouse no voto vencedor do Acórdão 3202000.454, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sessão, de lavra da Conselheira Irene Souza da Trindade Torres: (...) Divirjo do entendimento do i. Relator, que propugnou pela não inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, do “crédito presumido” do ICMS concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, no programa denominado “Probahia”, ao entendimento de que “não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, (...) tendo havido “mera redução no montante do ICMS a pagar”. Afirma o relator que “um desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada”. Na minha compreensão, o incentivo fiscal ora em análise deve ser considerado como receita não operacional da empresa, vez que não decorre diretamente da alienação de bens ou serviços relativos à sua atividade fim, e, como tal, deve integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. O incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado da Bahia consiste em subvenção governamental, devendo ser enquadrado contabilmente como receita, como deixa claro o Pronunciamento Técnico CPC nº 07, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Referido Comitê foi criado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.055/2005, e tem por objetivo “o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais”. Por meio do predito Pronunciamento Técnico, vêse, claramente, que as subvenções governamentais (aí não se fazendo distinção entre subvenção para investimento ou de custeio), recebidas em dinheiro ou que se apresentem meramente como redução do passivo (como é o caso em questão), devem ser enquadradas como receita. Vejamos o que afirma o predito Pronunciamento Técnico: Definições 3. ..................................................................................................... Fl. 930DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 929 5 Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade ......................................................................................................... 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. ......................................................................................................... Reconhecimento da subvenção ......................................................................................................... 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo ......................................................................................................... Contabilização 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. 13. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) Uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. (b) Subvenção governamental apenas excepcionalmente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. (c) Assim como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal, na demonstração do resultado. ......................................................................................................... 20. Uma subvenção governamental na forma de compensação por gastos ou perdas já incorridos ou para finalidade de dar suporte financeiro imediato à entidade sem qualquer despesa futura relacionada deve ser reconhecida como receita no período em que se tornar recebível. (alguns grifos não constam do original) Fl. 931DF CARF MF 6 Entendo que não há como se apartar o conceito contábil de “receita” de seu conceito jurídico, conforme se pronunciou o i. Relator. O conceito de “receita” nasce da Contabilidade e, quando a lei deseja afastálo de sua origem, assim expressamente o faz. Tanto assim o é que a Lei nº. 12.350/2010, em seu art. 30, veio expressamente excluir as subvenções de que tratam as Leis nº. 10.973/2004 e 11.196/2005 das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Se o alegado “conceito jurídico” de “receita” fosse apartado do seu “conceito contábil”, e, assim, não estivessem incluídas as subvenções governamentais, seria desnecessária a edição da referida lei para expressamente excluílas da base de cálculo das preditas contribuições. Veja se: Art. 30. As subvenções governamentais de que tratam o art. 19 da Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, e o art. 21 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005, não serão computadas para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que tenham atendido aos requisitos estabelecidos na legislação específica e realizadas as contrapartidas assumidas pela empresa beneficiária. (...) Na esteira disso tudo, penso que a decisão recorrida não merece qualquer reparo e NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 932DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 930 7 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, redator: Com a devida vênia, divirjo do il. Relator. É que já está mais do que pacificada na jurisprudência a tese de que o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados às pessoas jurídicas que neles se instalem ou aumentem a produção já instalada não integra a base de cálculo do PIS/Cofins, por constituir se, segundo este entendimento, apenas mera recuperação de custos. Exemplificativamente, confiramse as seguintes ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a quem cabe, como se sabe, a tarefa de uniformizar a interpretação de lei federal: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 20/04/2016, contra decisão publicada em 29/03/2016. II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.402.204/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/06/2015. III. Consoante a jurisprudência desta Corte, "a questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Tribunal" (STJ, AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 843051 / SP, Rel. Min. Assussete Magalhães, DJe 02/06/2016). Fl. 933DF CARF MF 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ ACERCA DA MATÉRIA. SÚMULA 83/STJ. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ de que os créditos presumidos de ICMS, por se tratarem de mero ressarcimento, não representam ingresso de valores nos caixas da empresa e, portanto, não são tributáveis. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1573339 / SC, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 24/05/2016). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26/11/2015). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LEIS 10.637/02 E 10.833/03: O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS CONFIGURA INCENTIVO VOLTADO À REDUÇÃO DE CUSTOS, COM VISTAS A PROPORCIONAR MAIOR COMPETITIVIDADE NO MERCADO PARA AS EMPRESAS DE UM DETERMINADO ESTADOMEMBRO, NÃO ASSUMINDO NATUREZA DE RECEITA OU FATURAMENTO, PELO QUE NÃO COMPÕE A BASE DE Fl. 934DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 931 9 CÁLCULO DO PIS/COFINS. ENTENDIMENTO APLICÁVEL AO IRPJ E À CSLL. PRECEDENTE: AGRG NO RESP. 1.227.519/RS, REL. MIN. BENEDITO GONÇALVES, DJE 7.4.2015. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 2. A Primeira Turma desta Corte assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Não há dúvida alguma que a aplicação desse sistema de incentivo aos exportadores amplia os lucros das empresas exportadoras. Se não ampliasse, não haveria interesse nem em conceder, nem em utilizar. O interesse é que move ambas as partes, o Fisco e o contribuinte; neste caso, o Fisco tem o interesse de dinamizar as exportações, por isso concede o benefício, e os exportadores têm o interesse de auferir maiores lucros na atividade exportadora, por isso correm reivindicam o benefício. Isso é absolutamente básico e dispensável de qualquer demonstração. 3. Nesse sentido, deve o legislador haver ponderado que, no propósito de menor tributação, a satisfação do interesse público primário representado pelo desenvolvimento econômico, pela geração de emprego e de renda, pelo aumento de capacidade produtiva, etc. preponderaria sobre a pretensão fiscal irrestrita, exemplo clássico de interesse público secundário. 4. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no REsp 1461415 / SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 26/10/2015). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Recurso especial em que se discute a inclusão do crédito presumido de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo de: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS) e Constribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 2. "O crédito presumido de ICMS configura "benefício fiscal" que ao ser lançado na escrita contábil da empresa promove, indiretamente, a majoração de seu lucro e impacta, consequentemente, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Nesse sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.458.772/RS, Rel. Fl. 935DF CARF MF 10 Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 13/10/2014; AgRg no REsp 1.461.032/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 27/11/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.465.870/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 31/3/2015. 3. "Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, NÃO integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS". Nesse sentido: AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 18/02/2014; AgRg no REsp 1.463.364/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, julgado em 24/3/2015, DJe 30/3/2015. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1402204 / SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02/06/2015). O fundamento é o disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, 29 de dezembro de 2003, que assim determinam: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: (...) b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (g.n.) Esse entendimento é também compartilhado pelo ProcuradorGeral da República, como se vê do parecer que exarou nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº 835818/PR, no qual reconhecida a repercussão geral da matéria levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal: Fl. 936DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 932 11 PARECER Nº 117184/2016 – ASJCIV/SAJ/PGR Recurso Extraordinário 835818 – PR Relator: Ministro Marco Aurélio Recorrente: União Recorrida: O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda. DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 843. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA ISONOMIA E DA PROPORCIONALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. DESPROVIMENTO. 1 – Proposta de Tese de Repercussão Geral (Tema 843): Devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, sob pena de ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da proporcionalidade. 2 – Parecer pelo não provimento do recurso extraordinário. Brasília (DF), 30 de maio de 2016. Rodrigo Janot Monteiro de Barros ProcuradorGeral da República Portanto, na esteira de remansosa jurisprudência do STJ, o crédito presumido de ICMS conferido pelos estados não integra a base de cálculo do PIS/Cofins. Ante o exposto, conheço e DOU PROVIMENTO ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 937DF CARF MF 12 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello. A controvérsia posta nos presentes autos cingese à inclusão ou não das receitas de subvenção (benefícios fiscais de créditos de ICMS) na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS apuradas pela sistemática da nãocumulatividade. No julgamento do acórdão n° 3101001.542, ora recorrido, negouse provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, sob o fundamento da ausência de amparo legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Na oportunidade, insurgese a Contribuinte por meio de recurso especial de divergência buscando a reforma da decisão. Com as vênias devidas ao Ilustre Conselheiro Relator dos presentes autos, ousa se divergir do seu entendimento, para reconhecer a não incidência do PIS e da COFINS sobre os valores recebidos pela Contribuinte a título de crédito presumido de ICMS do Estado de Santa Catarina, conforme razões expostas nessa declaração de voto. Ponto crucial na análise do presente tema é perquirirse se o valor que se pretende tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, mais importante que a classificação contábil do incentivo em tela, é a definição de sua natureza jurídica, pois dela dependerá o seu regime jurídico de tributação. Deixou claro o legislador que a essência assume maior relevância que a forma, indicando que a tributação não dependerá de o valor estar registrado como receita, mas sim que o mesmo seja efetivamente uma receita. Visando à melhor compreensão da natureza dos valores objeto do litígio, importa tecer algumas considerações sobre as características singulares dos benefícios fiscais concedidos pelos Governos Estaduais na forma de subvenções de ICMS. Estáse, no presente caso, diante de benesse concedida pelo Estado de Santa Catarina, por meio do Parecer 0721/2006 COGAT, PSEF 75.348/004 (Regime Especial de ICMS na Importação de mercadorias para comercialização subsequente). A empresa foi beneficiada nos seguintes termos: 1 – Diferimento na importação de mercadorias destinada à comercialização; 2 – Diferimento parcial na operação interna subsequente à importação; 3 – Crédito presumido na operação subsequente à importação de mercadorias para comercialização de mercadorias que não tenham similar produzido em território catarinense; Fl. 938DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 933 13 4 – Dispensa de garantia nos termos do artigo 7º, II, “a” e “b” do artigo 10 do Anexo 3 do RICMSSC/01; 5 – Autoriza o desembaraço aduaneiro mediante apresentação da “guia para liberação de mercadorias estrangeira sem comprovação do recolhimento do ICMS” nos termos deste regime, observado disposto nos artigos 192e 192A do Anexo 6 e artigo 41 do Anexo 5 do RICMS/SC/01. No ato administrativo de concessão da benesse fiscal, foram estabelecidas pelo Estado de Santa Catarina as seguintes obrigações para a manutenção no Regime Especial (fl. 167), in verbis: [...] 5. CONSIDERAÇÕES GERAIS: 5.1. Durante toda a vigência deste Regime os benefícios ficam condicionados: a) à pontualidade dos pagamentos dos créditos tributários, inclusive parcelamento, sob pena de recolhimento do imposto na forma regulamentar prevista para a importação, independentemente de intervenção fiscal; b) à manutenção dos índices de atividade econômica e de emprego apresentados por seus estabelecimentos neste Estado, no início da vigência deste Regime, consideradas as contingências atinentes ao ramo da atividade em que atua a empresa. [...] Na leitura inferese que os créditos de ICMS, para serem concedidos, exigem uma contraprestação por parte da Contribuinte, que deve cumprir as determinações contidas no ato concessório do Regime Especial para a obtenção e fruição do benefício. Ainda, não se tratam de simples obrigações acessórias, mas sim implicam verdadeiros desembolsos realizados pelo Sujeito Passivo no aprimoramento do desenvolvimento de sua atividade econômica que tragam resultados efetivos para o Governo do Estado (geração de empregos, desconcentração especial dos adensamentos industriais, integração das cadeias produtivas e de comercialização, etc). Assim, os benefícios de ICMS concedidos podem ser conceituados como ingressos condicionados, restando inequivocamente afastados da definição de receita. Nessa linha relacional, a verificação do estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos exige a intenção do subvencionador e, principalmente, a ação do subvencionado no sentido de promover a efetiva e específica aplicação do recurso na consecução do objetivo traçado. Só será verificada a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. Fl. 939DF CARF MF 14 Por isso, a necessidade de verificação da efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, é correta. No caso dos autos, a Fiscalização limitouse a desqualificar a natureza do incentivo fiscal com base em interpretação de legislação e nas informações constantes em documentos contábeis, não se desincumbindo da verificação e demonstração de terem sido ou não os recursos aplicados no desenvolvimento das atividades econômicas, conforme exigido na concessão do Regime Especial. Portanto, não há de se falar na manutenção da autuação, não devendo ser os valores recebidos a título de crédito presumido de ICMS tributados pelo PIS e COFINS não cumulativos, pois não se enquadram no conceito de receita, pois recebidos mediante reservas e condições. A afirmação encontra lastro no entendimento do Supremo Tribunal Federal consignado em julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que tratou da incidência de PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS, no sentido de que o conceito constitucional de receita bruta implica em um "ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Em razão do entendimento externado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, esvaziase a discussão sobre a correta classificação contábil do referido crédito de ICMS (subvenção para custeio, para investimento, recuperação de custo ou de despesa). Ao trazer o conceito constitucional de receita bruta, definiu a Suprema Corte como cerne verificar se a existência de condicionantes ou contraprestação para o ingresso patrimonial da pessoa que o recebe. Importa a transcrição da ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as Fl. 940DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 934 15 operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) No caso em análise, portanto, os créditos de ICMS concedidos Governo Estadual de Santa Catarina não constituem receita bruta em virtude de não serem concedidos sem reservas ou condições e por não se constituírem em elemento novo e positivo. Assim, inequivocamente afastada hipótese de incidência da contribuição para o PIS e a COFINS na sistemática nãocumulativa. Confirmando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativo, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não Fl. 941DF CARF MF 16 como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifouse) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifou se) Ainda que se entenda importar ao deslinde do feito adentrarse na classificação contábil dos créditos presumidos de ICMS, é possível atribuir aos mesmos natureza jurídica de subvenção financeira ou de investimento, uma vez que se trata de auxílio ou doação que só pode ser concretizada se atendidos os requisitos estabelecidos na respectiva legislação de regência. Nesse sentido, pronunciouse o Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis ao proferir Voto Vencedor no acórdão nº 3401001976, de 26/09/2012, que também consignou entender de menor relevância a classificação contábil, em face da predominância natureza jurídica do incentivo. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 935 17 Além disso, de acordo com o art. 182, §1º, alínea "d" da Lei nº. 6.404/76, vigente à época do período lançado, as subvenções para investimento eram classificadas como reservas de capital, não interferindo na apuração do lucro líquido da Empresa, de que a receita faz parte, e se destinando a incrementar o Ativo Permanente. Também por esse prisma, não há de se entender subvenção como receita. Nessa linha relacional, considerando que os créditos decorrentes de subvenção não integram o conceito de receita, afastando a incidência do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade, pronunciouse a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em acórdão assim ementado, cujos fundamentos passam a integrar a presente fundamentação: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRSUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011) (grifouse) Portanto, reconhecese que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Governo Estadual de Santa Catarina ao Sujeito Passivo não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência das contribuições do PIS e da COFINS do regime não cumulativo sobre os mesmos. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. Fl. 943DF CARF MF 18 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. No que tange à discussão acerca da incidência do PIS e da Cofins sobre os créditos presumidos do ICMS, peço vênia ao ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas para manifestar meu entendimento. Entendo, a priori, que a análise do caso vertente, considerando sua especificidade, devese dar observando os argumentos acolhidos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em recente julgado – Recurso Extraordinário 606.107 que tratou da incidência do PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS. Eis que se enquadra perfeitamente ao presente caso. O que passo forçosamente a discorrer sobre aquele julgamento. O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, na assentada de 22.5.2013, o RE 606.107, de relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definindo que os créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresa exportadora não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. É de se lembrar que o tema teve repercussão geral reconhecida, conforme segue (Grifos meus): “ RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 936 19 definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida” (RE 606.107 – RG, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ 20.8.2010). Continuando, é de se recordar que ao julgar o mérito desse RE, o Tribunal negou provimento à pretensão da União e definiu não incidirem as contribuições de PIS e de COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresas exportadoras. Não obstante o julgamento tenha tratado de empresa exportadora, impossível ignorar os fundamentos adotados, pois evidente válidos para o caso em questão. Sendo assim, retornando, temse que o Supremo Tribunal Federal afastou à época a cobrança das contribuições, baseando seu entendimento no fato de que tais créditos de ICMS representariam incentivo à exportação – e que não seriam passíveis de tributação pelas contribuições, pois se caracterizam como redução do custo econômico do ICMS – não se compreendendo, portanto, ao conceito de receita para fins de apuração desses tributos. Compulsando aos autos do processo, notase que o crédito estímulo do ICMS foi criado com o intuito de garantir tanto a competitividade de empresas estabelecidas no Estado que concedeu tal “benefício”. O que entendo, por óbvio, que tais créditos caracterizariam como redução do custo econômico do ICMS – em consonância com a fundamentação esposada pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, importante trazer que a concessão dos créditos pela realização das operações de saída deve observar requisitos criteriosos trazidos para a fruição desse crédito. Dessa feita, evidente que para a empresa ao adquirir os créditos deve também cumprir com as determinações contidas na legislação estadual. Dessa forma, insurgindo ao entendimento do Supremo Tribunal Federal no referido RE 606.107/RS de que o conceito constitucional de “receita bruta” pressupõe um “ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições” – o que, peço licença para transcrever o voto da Min. Rosa Weber, para melhor aclarar: “ Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondências no passivo, vem acrescer seu vulto, como elemento novo e positivo.” Fl. 945DF CARF MF 20 Vêse esvaziada a discussão sobre qual seria a correta classificação contábil do referido crédito, se subvenção para custeio, para investimento, recuperação de custo ou de despesa, haja vista que, independentemente da classificação contábil adotada, a Suprema Corte definiu o conceito constitucional de “receita bruta”, entendendo imprescindível a verificação, no caso concreto, se o ingresso patrimonial se submete ou não a alguma espécie de condição, reserva ou contraprestação pela pessoa que o recebe. Para melhor elucidar tal entendimento, impõese a transcrição de trecho da ementa do referido julgado, in verbis: “ (...) V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (...)” (grifouse)” Em linha com esse entendimento, notase que o crédito concedido pelos Estados e Distrito Federal não constitui “receita bruta” para fins da incidência das contribuições do PIS e da COFINS, pois não é concedido “sem reservas ou condições” e não representa elemento novo e positivo. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 937 21 Na mesma seara, ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” havia tratado tal conceito da mesma forma que o julgado no STF ao manifestar: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo„", Cabe trazer que em consonância com o entendimento de que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC – a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “ CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo Fl. 947DF CARF MF 22 homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 938 23 “ Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, se subvenção ou recuperação de custo. A discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS e, no caso dos créditos de ICMS provenientes de benefícios fiscais. Forçoso negativamente também considerar como receita para fins de tributação das contribuições a redução de custo proveniente do benefício fiscal do ICMS em análise, pois natureza jurídica de receita não possui, vez que precisamente não foi concedido “sem reservas ou condições” e por não representar elemento novo e positivo Para melhor compreensão e por não considerar tal benefício como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1. Hipótese: Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo, Estado – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Fl. 949DF CARF MF 24 Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: Estado – autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. Portanto, crucial afastar o benefício fiscal do ICMS da tributação das contribuições, pois não se configura juridicamente como tal, independentemente do registro contábil adotado ou adotável. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata, mas de um ingresso que configura a recomposição do patrimônio, até então decomposto pelo custo arcado com o pagamento do tributo. Tanto é assim – recomposição do patrimônio que o crédito corresponde a 100% do débito de ICMS incidente sobre cada operação de saída de produtos. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza, comportando somente a recomposição do patrimônio anteriormente desfalcado ou recomposição da mesma disponibilidade preexistente. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 939 25 Sendo assim, o crédito do ICMS não ostenta natureza de receita ou faturamento, mas mera recomposição do patrimônio na forma de incentivo fiscal concedido pelo Estado, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Vêse que a operação de obtenção dos créditos, considerando até mesmo a essência contábil e sua primazia, deve ocorrer com a escrituração na contabilidade da empresa para posterior utilização. O que, por consequência, devese escriturálos em contas patrimoniais, visto que, os créditos não utilizados se constituem em meros direitos. E não devem ser registrados como ingresso de receitas, compondo o seu resultado. Dessa forma, é de se esclarecer que pela essência econômica, a correta classificação contábil dos r. créditos de ICMS deveria considerar seu registro em contas patrimoniais. E, em respeito à Regra Matriz de incidência das contribuição ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do crédito de ICMS, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Frisese também a jurisprudência deste Conselho, conforme julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, que analisou situação idêntica, inclusive envolvendo a mesma empresa, cuja ementa restou redigida (Grifos meus): “ [...] PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido” (grifouse) (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011)” E o posicionamento exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção no acórdão abaixo transcrito4: “(...) Fl. 951DF CARF MF 26 “ NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Grifouse) (Acórdão nº 3401001.976, P.A. 11618.000542/200563, Redator para acórdão Conselheiro Emmanuel Carlos Dantas de Assis, julgado em 26.09.2012)” Em vista de todo o exposto, reconheço que os créditos incentivados de ICMS concedidos não constituem “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e da COFINS, na linha do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao julgar o RE 606.107 / RS – pois o crédito de ICMS não se constitui entrada de recursos passível de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS nãocumulativo. Não obstante, caso ignorássemos a discussão acerca do conceito jurídico e contábil de receita, entendo que, ainda assim, não deverseia tributar tais créditos para fins de PIS e Cofins, eis que os r. créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de subvenção para investimento, vez que por óbvio são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos – incentivos do Estado a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial. E, assim, sendo subvenções para investimentos, não constituem lucro nem estarão disponíveis para distribuição como dividendo, vez que deverão ser contabilizadas em reservas de capital. Traz o art. 182, § 1º, alínea “d”, da Lei nº 6.404/76 (Grifos meus): “ Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que Fl. 952DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 940 27 ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. [...]” Ademais, importante trazer os dizeres do PN CST 112/78 – que traz que a subvenção para investimento corresponde efetivamente a uma transferência de recursos do Poder Público para uma pessoa jurídica com a finalidade de darlhe suporte para aplicação específica em bens e serviços para “expandir empreendimentos econômicos” – o que é o caso vertente. Eis o que traz o PN (Grifos meus): “ [...] 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1. do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Fl. 953DF CARF MF 28 Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia de intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus‟de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...]” Tal subvenção deve ser registrada em contas de reserva de capital, em respeito à Nota Explicativa da ICVM 59/86: “ As reservas de capital representam acréscimos efetivos aos ativos da companhia que não foram originados dos lucros auferidos em suas operações, por não representarem efeitos de seus próprios esforços, mas assim de contribuições de acionistas ou de terceiros para o patrimônio líquido da companhia com o fim de propiciar recursos para o capital (em sentido amplo), inclusive contribuições governamentais sob a forma de subvenções por incentivos fiscais. (...) Quanto às doações e subvenções, fazemse necessários alguns comentários adicionais. As doações recebidas pela companhia poderão ser em bens (imóveis, móveis) ou direitos. A contabilização de bens doados, tendo como contrapartida uma conta de reserva de capital, deve ser feita a valor de mercado pelo valor que custaria adquirir o bem recebido em doação. Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de Fl. 954DF CARF MF Processo nº 11516.721381/201212 Acórdão n.º 9303004.312 CSRFT3 Fl. 941 29 devolução de IPI ou ICMS e de isenção temporária de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras.” O que, em breve síntese, com tal registro – não haveria como considerarmos como base de cálculo do PIS e Cofins. Em vista de todo o exposto, resta a essa Conselheira afastar a cobrança do PIS e da Cofins sobre o crédito presumido de ICMS. O que, por conseguinte, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama. Fl. 955DF CARF MF 30 Fl. 956DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000322/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thais de Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.000322/200723 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.832 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de novembro de 2016 Assunto II SUBVALORAÇÃO Recorrente EQUANT BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que declarou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Imposto de Importação (“II”), Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como as respectivas multas de ofício no patamar de 75% e juros de mora em razão de desconsideração pela fiscalização aduaneira do valor declarado (valor de transação) pelo importador, nas importações realizadas através das Declarações de Importação (Dl) relacionadas às fls. 04 a 14. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 00 32 2/ 20 07 -2 3 Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 112 2 Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pela Contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: (...) A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 186 a 206, em síntese: Que as mercadorias foram vendidas no exterior para a "Sociéte de Telecommunications Aeronautiques" — SITA e posteriormente foram exportadas para a EQUANT Address (USA), sociedade pertencente ao mesmo grupo, que por sua vez exportou para a EQUANT Brasil (incorporadora da ClP do Brasil) sob o regime de comodato. Que o importador entregou o contrato de comodato que ampara a remessa das mercadorias pela SITA para o importador brasileiro Equant Brasil Ltda (fls. 177 a 191 do anexo XV). • Que no contrato de comodato entre o exportador e o importador consta que "os bens serão usados unicamente para implementação de centros de comutação e concentração anteriormente instalados ou a serem instalados em dependências da CIP do Brasil, de forma a permitir a interligação com a rede mundial da SITA". • Que a importação se deu sob o regime de comodato, não se aplicando, assim, o primeiro método de valoração aduaneira. • Que foi analisado criteriosamente o cabimento da aplicação de cada um dos métodos substitutivos, em ordem cronológica, do segundo ao sexto método, chegandose a conclusão de que o método a ser utilizado é aquele previsto no artigo 7° do acordo sobre valoração aduaneira, uma vez que não foi encontrada nos sistemas informatizados da RFB importação de mercadorias idênticas ou similares. • Que a alegação do importador de que o valor reduzido se deu por aplicação do desconto de 45% é incoerente com o disposto no contrato de comodato entre a Equant Brasil e a SITA SC. • Que a segunda alegação do importador de que o valor aduaneiro reduzido se deu em virtude de um desconto de 43% é inverossímil pela análise do valor da Dl em comparação com as listas de preço da CISCO. • Que o critério utilizado para se valorar as mercadorias se baseou nos valores constantes das faturas emitidas pelo exportador ao importador e considerando a primeira resposta do próprio importador de que tais valores foram reduzidos em 45% pretensamente a título de desconto para demonstração/avaliação. • Que a base de cálculo foi redefinida, desconsiderandose o desconto de 45%. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 303 a 326, alegando, em síntese: Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 113 3 • Que não persiste o entendimento esposado pelos fiscais signatários do auto, sendo perfeitos e legítimos os valores aduaneiros declarados pela impugnante em suas importações. • Que em um primeiro momento, a Cisco Systems, por meio de urna de suas filiais (por exemplo: Malásia, México, EUA), fornece à SITA S/A, localizada nos EUA, as mercadorias. Logo, há uma operação de exportação para os EUA ou uma operação interna, nesse mesmo pais. Em tal transação, as mercadorias são comercializadas com certo desconto da CISCO para a SITA. • Que, em uma segunda etapa, a SITA promove a exportação, desde os EUA para a CIP ou para a Equant do Brasil. • Depreendese, do relatório fiscal, que a motivação da rejeição dos valores aduaneiros declarados nas 131 DI's teve por fundamento a desqualificação do valor de transação na exportação feita pela Cisco Systems à SITA. • Que as autoridades fiscais rejeitaram os valores aduaneiros praticados na exportação da SITA para a CIP do Brasil, não porque tivessem comprovado que os valores constantes das respectivas DI's não correspondessem a real transação existente entre tais empresas, mas porque, supostamente, o exportador não poderia ter adquirido as mercadorias pelo preço que as adquiriu. • Que os AFRFB pretendem desbordar de sua esfera de competência, empreendendo a fiscalização muito além dos seus limites territoriais e legais, desqualificando o negócio jurídico cuja apreciação e controle cabe a autoridade aduaneira de cada um dos países estrangeiros envolvidos. • Que independentemente de os AFRFB entenderem inválidos os descontos ajustados entre as empresas CISCO e SITA, o que não o são, ressaltese que as mercadorias ingressaram no patrimônio da SITA pelos mesmos valores por esta transferidos ao importador brasileiro. • Que não foi demonstrada no auto de infração qualquer impropriedade nas faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros. • Que as autoridades fiscais não comprovaram que o importador tenha suportado quaisquer outros encargos na operação. • Que não subsiste fundamento para a autuação ora guerreada, uma vez que não se comprovou inconsistência nos valores que serviram de base de cálculo dos tributos. Ou seja, a fatura não foi descaracterizada e não houve comprovação de que tenha recaído sobre o preço das mercadorias qualquer encargo que pudesse ser atribuído ao importador. • Que a alegada divergência de preços constantes nas faturas e os que as autoridades obtiveram da "consulta ao site do fabricante/fornecedor" não tem o condão de desqualificar as bases da transação negocial havida entre o exportador e importador. Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 114 4 • Que não procede a afirmação das autoridades fiscais acerca de inexistência de parâmetros comparativos entre as mercadorias importadas. • Que consultas ao Sistema ALICEWEB, constatase que produtos importados de idêntica classificação fiscal, dentro do mesmo período objeto do auto de infração, apresentam valores aduaneiros plenamente condizentes com aqueles que serviram de base às declarações de importação. • Que os AFRFB, indiscriminadamente, acrescem um percentual fixo a todas as operações e a todas as mercadorias, sem demonstrar em que medida esse acréscimo é adequado às conclusões de seus alegados estudos, nos quais supostamente teriam sido comparados os preços constantes das DI's com aqueles pesquisados nos "sites da intemet". • Que das 130 Dl' s objeto da autuação, 43 não se referem a vendas provenientes da CISCO. • Portanto, no tocante a essas 43 DI's não há como ser mantido o lançamento ora contestado, visto que em nada se coadunam com a questão levantada pelos AFRFB, sendo certo que não dizem respeito ao contrato analisado. • Que a importação terse dado sob a modalidade de comodato não implica que o valor aduaneiro declarado tenha de ser desconsiderado, dandose lugar a sua determinação segundo métodos alternativos. • Que resta clara a improcedência do lançamento fiscal que pretendeu acrescer a todas as mercadorias importadas o valor correspondente a 45%, sob a alegação de ser vinculado a uma condição não cumprida pelo exportador. • Defende, às fls. 316 a 325, que o valor declarado corresponde exatamente o valor da transação e, com base no AVAGATT, corroborado por decisões dos órgãos julgadores (CC e DRJ), a motivação invocada pela fiscalização para não aceitar o valor declarado como valor aduaneiro e adotar o 6° método (art. 7º do AVA) para o presente caso não se sustenta. Requer, por fim, a improcedência do lançamento. Em julgamento datado de 27 de março de 2009, a DRJ Florianópolis/SC negou provimento à impugnação da Contribuinte (Acórdão 0715.525, fls 496 a 506), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 20/03/2003 a 29/12/2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. Demonstrado que as transações realizadas não constituem operações de "compra e venda", primeira e principal condição para a aplicação do primeiro método, considerase correto o procedimento adotado pela fiscalização aduaneira no sentido de Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 115 5 desconsiderar o valor declarado e estabelecer um novo valor com base nos métodos substitutivos previsto no AVAGATT 1994. VALORAÇÃO ADUANEIRA. CRITÉRIO RAZOÁVEL APLICABILIDADE. Demonstrada a impossibilidade da aplicação dos métodos 1° ao 50, previstos no Acordo (AVA/GATT 1994), correta a valoração da mercadoria pela fiscalização que adotou como critério razoável os valores constantes das faturas emitidas pelo exportador ao importador, desconsiderando o desconto de 45% alegado pelo mesmo. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho (fls. 514 a 540), repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 08/05/2009, conforme AR de fls 513, tendo apresentado seu recurso voluntário em 09/06/2009. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Passo então à análise do mérito. Inicialmente devese destacar que o presente caso resumese à imputação da prática de subvaloração de mercadorias em operações de importação. Não há acusação pela autoridade fiscal, portanto, de subfaturamento ou qualquer outra espécie de fraude relativa às transações de comércio exterior. Tal destaque exordial é importante à medida que a subvaloração não caracteriza ato ilícito, mas sim um erro na interpretação do Acordo Geral de Tarifas e Comércio GATT que tem como consequência a declaração pelo importador de valor aduaneiro a menor. A seu turno, no subfaturamento verificase a prática de ato ilícito (falsidade documental, material ou ideológica) pela declaração falsa do valor aduaneiro. Ou seja, o valor efetivamente pago pelo importador não corresponde àquele posto na Declaração de Importação, na fatura comercial. 1 Sobre tal diferenciação, e as consequências em relação ao regime jurídico a ser aplicado ao subfaturamento, diferente daquele regime jurídico referente à subvaloção, já se pronunciou o CARF. Vejase a seguinte ementa, esclarecedora sobre o ponto: 1 "É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material).” (FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Valoração aduaneira e subfaturamento. In: DOMINGO et.al., Tributação Aduaneira,p. 250 ¬251.) Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 116 6 Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/10/2013, 31/12/2013 TRIBUTOS ADUANEIROS. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE DE VALOR. SUBFATURAMENTO. SUBVALORAÇÃO. DIFERENCIAÇÃO. Nos casos de fraude de valor, não há subvaloração, mas subfaturamento, que se diferencia da primeira em razão da ilicitude da conduta do importador. O subfaturamento ocorre quando o importador registra a declaração de importação (DI) tendo por base um fatura comercial que não reflete o preço realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode resultar da falsificação da fatura, mediante apresentação de versão não verdadeira substitutiva da fatura genuína ou por alteração do documento verdadeiro (falsidade material). Também pode ocorrer quando, mediante conluio entre importador e exportação, emite se uma fatura verdadeira, porém, com valores menores que os efetivamente praticados (falsidade ideológica). Não se confunde com a subvaloração, que constitui a aplicação indevida de um dos métodos de valoração aduaneira do AVA/Gatt, sem a ocorrência de fraude (Opinião Consultiva nº 10.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira). (...) (Número do Processo 10909.720986/201471, Data da Sessão, 25/02/2015, Acórdão 3802004.098) No contexto do Acordo Geral sobre Tarifa e Comércio – GATT, criado para a efetivação de acordos recíprocos e vantajosos, visando à redução substancial das tarifas aduaneiras e de outras barreiras às permutas comerciais, além de eliminação de tratamento discriminatório no âmbito do comércio internacional (GATT 47), surgiu o Acordo para a implementação do Artigo VII do GATT, também chamado de Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (“AVAGATT”), que passou a ser parte integrante do GATT e obrigatório para todos os membros da Organização Mundial do Comércio (“OMC”) em 1994, com a conclusão da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais (“Rodada Uruguai”). A incorporação dessas disposições ao Direito interno brasileiro ocorreu com o Decreto Legislativo 30/94, que aprovou, e o Decreto 1.355/94, que promulgou a Rodada Uruguai, contendo o citado AVAGATT. O conteúdo do AVAGATT apresenta diversos princípios a serem observados na análise de casos valoração aduaneira, sendo o principal deles o princípio do primado do valor da transação. Segundo tal princípio, “a base de valoração de mercadorias para fins aduaneiros deve ser, tanto quanto possível, o valor de transação das mercadorias a serem valoradas”. 2 É o que dispõe o artigo 1º do AVAGATT: Artigo 1º: O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o Pais de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, desde que (...):3A definição do termo venda constante do citado artigo é 2 Ibidem, p. 243. 3 As alíneas do dispositivo legal em questão apresentam os pressupostos de aplicabilidade o ˜método do valor da transação”, quais sejam: (a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (...) Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 117 7 crucial para o presente caso, uma vez que foi precisamente pelo fato de as operações auditadas pela fiscalização aduaneira terem ocorrido através de contrato de comodato, e não por compra e venda, que concluiu pela impossibilidade de utilização do valor de transação como método para alcance do valor aduaneiro. Pois bem. É incontroverso no presente processo que as importações ocorreram sob o abrigo de contrato de comodato (empréstimo gratuito de coisas não fungíveis, que se perfaz com a tradição do objeto artigo 579 do CC/02). Sem adiantar a análise sobre a aplicação ou não a esta espécie contratual do primado do valor da transação, temse, a princípio, que pelo fato de não estarmos diante de contrato de compra e venda, o AVAGATT (artigo 1º, caput) já nos direcionada para os métodos substitutivos de valoração aduaneira. Devese, então, passar à análise dos métodos substitutivos da valoração aduaneira, constantes do artigo 3º e seguintes do AVAGATT, os quais devem ser aplicados de forma sucessiva e excludente. São eles: i) valor de transação de mercadorias idênticas vendidas para o mesmo país de destino (segundo método); ii) ou similares (terceiro método); iii) preço de revenda de mercadorias importadas idênticas ou similares no mercado interno, deduzido o lucro e as despesas previstos no artigo 5º do AVA GATT (quarto método); iv) valor computado, baseado nos custos de produção, apurado a partir dos termos do artigo 6º do AVAGATT (quinto método); v) valor apurado segundo qualquer critério que se mostre razoável à luz dos princípios e disposições gerais do Acordo (sexto método). Com relação ao segundo método, foi justificado seu afastamento pela autoridade fiscal pelos seguintes dizeres: “em consulta aos sistemas da SRF, não encontramos importação de mercadorias idênticas às descritas nas 131 DIs” (fls 197). O mesmo se percebe com relação ao terceiro método: “em consulta aos sistemas da SRF, não encontramos importações de mercadorias similares às descritas nas 131 DIs.” Contrapondo tal informação, a Recorrente afirma que “não procede a referida alegação. Para afastála basta analisar os relatórios de pesquisa do sistema oficial ALICE WEB, 4 antes referidos, nos quais se verifica a plena compatibilidade dos valores aduaneiros em questão.” As consultas ao sistema encontramse em fls 359 417, feitas nos termos das operações fiscalizadas (período de 2003, NCM, bloco econômico, porto de chegada das mercadorias). (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação as mercadorias objeto de valoração; ( c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2º deste artigo." 4 “The System Of Analysis of Foreign Trade Information (Alice Web) was developed to modernize the ways to access Brazilian statistics of exports and imports. Alice Web is updated monthly with data from the month most recently ended, and it is based on data from the Integrated Foreign Trade System (SISCOMEX), which administers the Brazilian foreign trade.” Disponível em http://www.aliceweb.mdic.gov.br/, a partir do sítio eletrônico oficial do Ministério da Industrial, Comércio Exterior e Serviços (http://www.mdic.gov.br/). Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 118 8 Para dirimir a questão, cumpre observar o Comentário 1.1. do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira: COMENTÁRIO 1.1 MERCADORIAS IDÊNTICAS OU SIMILARES PARA OS FINS DO ACORDO 1. Este Comentário examina a questão das mercadorias idênticas e similares no contexto geral da aplicação dos Artigos 2 e 3. 2. Os princípios em questão estão enunciados no Artigo 15, segundo o qual "mercadorias idênticas" são aquelas mercadorias iguais em todos os aspectos, inclusive: a) características físicas; b) qualidade; e c) reputação comercial. As pequenas diferenças na aparência não impedem que sejam consideradas idênticas as mercadorias que, em tudo o mais, se conformem à definição. 3. "Mercadorias similares" são aquelas que, embora não sejam iguais em todos os aspectos, possuem: a) características semelhantes; e b) composições semelhantes o que lhes permite: c) cumprir as mesmas funções; e d) ser comercialmente intercambiáveis. Para determinar se as mercadorias são similares, há que se levar em consideração, dentre outros fatores, sua qualidade, reputação e a existência de uma marca registrada Pela leitura do citado texto, percebese que o trabalho de averiguação da identidade ou similitude de mercadorias para fins de valoração aduaneira deve levar em consideração uma série de elementos. Todavia, no caso ora sob apreço, não é possível encontrar uma única explicação ou prova nos autos do porquê entendeu a autoridade fiscal que os produtos registrados no Siscomex, no mesmo período, sob o mesmo NCM, não são idênticos ou similares – segundo os elementos descritos no Comentário 1.1. do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira – àqueles que foram internalizados no Brasil pela Recorrente. Ora, ao assim proceder, a autoridade lançadora não permite que os julgadores analisem se foi cumprido ou não o procedimento necessário para continuar o percurso nos métodos substitutivos de valoração aduaneira previstos no AVAGATT, que são, repitase, de aplicação sucessiva e excludente. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do presente processo em diligência, sendo devolvidos os autos para a repartição fiscal de origem, a fim de que: 1) Sejam juntadas provas (e.g. telas dos sistemas em que foi feita a busca por mercadorias similares ou idênticas) e todas as considerações pertinentes (e.g. razões pelas quais as mercadorias não foram consideradas idênticas ou similares) em parecer conclusivo da Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 10074.000322/200723 Resolução nº 3402000.832 S3C4T2 Fl. 119 9 Fiscalização, para explicar porque a autoridade lançadora foi incapaz de utilizar o 2º método (valor de transação de mercadorias idênticas vendidas para o mesmo país de destino) e o 3º método (valor de transação de mercadorias similares) substitutivo da valoração aduaneira, tudo levando em consideração os critérios traçados pelo Comentário 1.1. do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira; 2) Sejam analisadas as provas acostadas aos autos pela Recorrente (pesquisa do sistema oficial ALICEWEB, em fls 359 417) sobre a existência de mercadorias idênticas/similares, as quais justificariam os preços praticados nas 131 DIs, também por meio de parecer conclusivo da Fiscalização. 3) Seja aberta vista sobre o resultado da diligência à Recorrente, para se manifestar no prazo de 30 dias. Após tais procedimentos, requeiro a devolução dos autos a esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF para a continuidade do julgamento. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 3499DF CARF MF
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