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Numero do processo: 10950.000301/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, pela sistemática da Lei nº 9.363/96, admite-se a inclusão dos valores referentes às aquisições de MP, PI e ME de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164).
CULTURA PRÓPRIA. DESPESAS DE FORMAÇÃO DE LAVOURA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
As despesas realizadas com a formação de cultura de cana-de-açúcar, que não integra a atividade industrial, devem ser contabilizadas no ativo imobilizado e não geram direito ao crédito presumido do IPI quando da sua realização.
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO DO FISCO.
Havendo oposição do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic desde a data da decisão que impediu a utilização do crédito até a data da ciência da decisão que, definitivamente, afastou a oposição do Fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que reconheciam, também, o direito aos juros Selic a partir da data da apresentação do pedido de ressarcimento.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, pela sistemática da Lei nº 9.363/96, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de MP, PI e ME de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CULTURA PRÓPRIA. DESPESAS DE FORMAÇÃO DE LAVOURA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. As despesas realizadas com a formação de cultura de canadeaçúcar, que não integra a atividade industrial, devem ser contabilizadas no ativo imobilizado e não geram direito ao crédito presumido do IPI quando da sua realização. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO DO FISCO. Havendo oposição do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic desde a data da decisão que impediu a utilização do crédito até a data da ciência da decisão que, definitivamente, afastou a oposição do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 03 01 /2 00 3- 17 Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 3 2 reconheciam, também, o direito aos juros Selic a partir da data da apresentação do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Referido benefício fiscal se traduz no ressarcimento, ao produtor exportador, das contribuições de PIS e COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, de que trata a Lei nº 9.363/96, regulamentada pela portaria MF 38/97. A Recorrente apurou créditos presumidos de IPI, para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2002, sendo que decidiu partilhar estes créditos através de dois pedidos de ressarcimento: este e o processo nº 10950.005378/200294, juntado a este (fl. 1.715). Vinculado ao crédito pleiteado, a empresa recorrente apresentou DCOMP, cujos processos foram juntados a este. Os processos juntados são os de nº 10950.000461/2003 58, 10950.000740/200311 e 10950.000742/200734 (fl. 1.715). A DRF de Maringá, por entender que o partilhamento do benefício fiscal não se mostrava adequado e prejudicava o controle administrativo sobre os créditos pleiteados, decidiu analisar todos os créditos requeridos através de apenas um dos processos, ou seja, através deste processo nº 10950.000301/200317. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Maringá PR reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 410/420. A autoridade competente não reconheceu a atualização monetária e glosou as seguintes parcelas da base de cálculo do benefício pleiteado: 1 Insumos defensivos uso agrícola; 2 Insumo uso industrial; 3 Lubrificantes uso industrial; Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 4 3 4 Lubrificantes uso agrícola; 5 Combustíveis; 6 Peças e Materiais – Manutenção Máquinas Agrícolas 7 Peças e Materiais – Manutenção Caminhões; 8 Materiais Diversos; 9 MatériaPrima (CanadeAçúcar) adquirida de Pessoas Físicas; 10 Manutenção Geral e Outros Itens Industriais Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade pleiteando os créditos relativos às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e, também, a atualização monetária do valor a ressarcir, a ser calculada com base na taxa Selic. As alegações podem ser resumidas nos seguintes termos: a) Faz breve referência ao histórico do benefício denominado crédito presumido do IPI, com menção à Lei nº 9.363/1996, concluindo que a base de cálculo do crédito presumido é determinada sobre a totalidade das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sem previsão de qualquer exclusão; b) É entendimento equivocado excluir aquisições de pessoas físicas, posto que estes fornecedores não são contribuintes do PIS e da COFINS. A Lei nº 9.363/1996 não impôs esta condição para a fruição do benefício, e as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal não podem inovar o texto legal, ignorando a hierarquia das Normas Jurídicas. Acerca disso, já há jurisprudência administrativa a favor; c) Para a formação da lavoura, a manifestante concorda com a exclusão dos insumos utilizados nas fases que compreende as fases de adequação e preparo do solo e plantio, porém discorda da exclusão dos insumos utilizados na fase do cultivo da lavoura da canade açúcar, cujos gastos com defensivos e fertilizantes devem compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. d) A exclusão referente às transferências entre as unidades de produção, incorreu em equívoco do agente fiscal, pois o CFOP 211 referese às aquisições de pessoa jurídica. Mesmo não incorrendo em erro, o direito ao crédito presumido do IPI sobre as transferências também possui fundamento na Lei nº 9.363/1996; e) Quanto da inclusão dos insumos referente à produção de álcool hidratado e álcool anidro na relação de matérias primas utilizadas, em momento algum a manifestante solicitou o crédito presumido do IPI sobre tais matériasprimas, apenas foram consideradas para formação do percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, conforme preceitua o artigo 3º da IN SRF nº 23/1997. Portanto, os insumos excluídos da industrialização do álcool devem ser considerados para o cálculo do crédito; f) Acrescentou, ainda, que é imprescindível a atualização monetária do valor total de IPI a ser ressarcido desde a data a que tinha direito até a data atual, inclusive do valor já deferido. Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 5 4 A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1418.136, de 16/01/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto : Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COMPRAS. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Os valores referentes às aquisições de insumos sem incidência de PIS e COFINS, não integram o cálculo do crédito presumido, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. É incabível a homologação da compensação se o direito creditório reclamado não for reconhecido como líquido e certo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 12/03/2008, conforme AR de fl. 495, e, no dia 04/04/2008, ingressou com o recurso voluntário de fls. 497/516, onde reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade e junta Laudo Técnico descrevendo detalhadamente cada fase do processo produtivo da canadeaçúcar. Das decisões proferidas nos processos juntados a este (nºs 10950.005378/200294, 10950.000461/200358, 10950.000740/200311 e 10950.000742/200734) a empresa apresentou recurso voluntário com, praticamente, o mesmo teor do apresentado neste processo. Na sessão do dia 03/02/2009, a Câmara de julgamento resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 20100.801, para a DRF Maringá – PR adotar os seguintes procedimentos: 1 segregar e incluir no cálculo do crédito presumido pleiteado o valor das MP, PI e ME usados na fabricação do açúcar, constantes do GRUPO 2 de despesas informado pela recorrente; Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 6 5 2 demonstrar a receita de exportação e a receita operacional bruta usada no cálculo do benefício deferido (item 28 do Despacho Decisório), haja vista que é diferente da pleiteada pela recorrente. Destacar o valor da receita mensal da venda de álcool (Produto NT) do valor da venda de açúcar e de outros produtos/serviços. 3 após as providências acima, prestar os esclarecimentos que julgar necessário e recalcular o valor do crédito presumido a ressarcir que entender correto. 4 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado final da diligência, abrindolhe prazo para manifestação. Realizado a diligência, em atenção ao item 1 da Resolução, foi elaborado a PLANILHA DOS PRODUTOS ACEITOS E NÃO ACEITOS (fls. 1856 a 1871), que reconheceu R$ 1.980.139,24 como MP, PI ou ME passível de ressarcimento, alterando a base de cálculo do crédito presumido de R$ 3.010.165,85 para R$ 4.990.139,24 e o valor do crédito presumido de R$ 90.304,98 para R$ 140.416,46. Para atende ao solicitado no item 2 da Resolução, a autoridade da DRF elaborou o demonstrativo intitulado PLANILHA COMPARATIVA DE VALORES DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA E RECEITA DE EXPORTAÇÃO e justificou os motivos das diferença apontadas na Resolução. Antes de concluída a diligência, a empresa solicitou a desistência parcial do recurso para excluir da lide as compensações declaradas e controladas nos Processos nº 10950.000742/200734, 10950.000461/200358 e 10950.000740/200311. Ciente do resultado da diligência a Recorrente apresentou manifestação na qual renova seus argumentos sobre o conceito de produtos intermediário e a falta de previsão legal para excluir as matériasprimas (canadeaçúcar) adquiridas de pessoa física. Renova os argumentos sobre o seu processo produtivo do açúcar e do álcool que é integrado com cultivo da canadeaçúcar e todas as despesas da atividade agrícola deve ser reconhecida como produto intermediário da atividade industrial. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Conheceuse do Recurso Voluntário na sessão do dia 03/02/2009. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando o ressarcimento de crédito presumido de IPI, previsto e calculado na forma da Lei nº 9.363/1996 e da Portaria MF 38/1997. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 7 6 Os autos descerem em diligência para que a Fiscalização efetuasse a segregação do que era e do que não era MP, PI e ME das despesas constantes do GRUPO 2 da informação da Recorrente, bem como esclarecesse a diferença entre receitas de exportação e operacional bruta apontada na Resolução. Realizado a diligência, ficou comprovado que das despesas informadas no referido GRUPO 2, R$ 1.980.139,24 eram MP, PI ou ME passível de ressarcimento, razão pela qual o valor do crédito apurado pela DRF foi alterado para R$ 140.416,46. Na sua manifestação sobre o resultado da diligência, a empresa Recorrente limitouse, basicamente, a repetir os argumentos do recurso. Portanto, a lide posta diz respeito à inclusão, na base de cálculo do benefício, (i) do valor das aquisições de matériasprimas (canadeaçúcar) junto à pessoas físicas, (ii) do valor de combustíveis, lubrificantes, partes e peças de máquinas agrícolas e caminhões, defensivos de uso agrícola e materiais diversos, relacionado no Relatório, e (iii) sobre a incidência dos juros Selic no ressarcimento, inclusive na parte reconhecida pela DRF. A questão relativa à inclusão, no cálculo do benefício, das aquisições de canadeaçúcar, feitas junto à pessoas físicas, já foi pacificada pelo STJ que, ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidiu que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da referida instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei nº 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. Quanto à pretensão de incluir na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos dispêndios realizados na atividade agrícola, preliminarmente há que se demarcar alguns limites que envolvem a questão. O crédito presumido é calculado pelo valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na atividade industrial e estes conceitos são extraídos da legislação do IPI. Portanto, nem todo custo de produção (art. 290 do RIR/99) enquadrase em um destes conceitos. A recorrente exerce duas atividades econômicas: uma agrícola e outra industrial. O crédito presumido do IPI não pode ser concedido para a atividade agrícola, por estar fora do campo de incidência do IPI. O fato de a recorrente destinar parte ou toda a sua produção de canadeaçúcar para a fabricação de açúcar em nada muda esta realidade. A contabilização dos custos com a formação da lavoura de canadeaçúcar é feita (ou deveria ser) separadamente dos custos relativos à fabricação de açúcar (atividade industrial). Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 8 7 Os custos incorridos com a formação da lavoura da canadeaçúcar (adubos, defensivos, fertilizantes, combustíveis, etc.) não são custos da atividade industrial e devem ser contabilizados como investimento no ativo imobilizado. Se são imobilizados não são custos ou despesas e, portanto, não podem gerar direito ao crédito presumido do IPI, mesmo para quem entende que a atividade agrícola é uma parte da fabricação de açúcar. Tal afirmativa (a atividade agrícola é uma parte da fabricação de açúcar) é falaciosa porque quem fabrica açúcar não é obrigado cultivar canadeaçúcar, do mesmo jeito de quem fabrica automóvel não é obrigado a fabricar pneus ou de quem fabrica requeijão não é obrigado a criar vaca. Não resta nenhuma dúvida de que a canadeaçúcar é matériaprima utilizada na fabricação do açúcar e o valor do seu custo de aquisição deve ser considerado no cálculo do crédito presumido, independente do tipo de aquisição (compra, troca, cultivo, criação, etc.). Entendo que o fato de o fabricante de açúcar produzir a canadeaçúcar não lhe tira o direito de considerar o custo de aquisição da canadeaçúcar por ele produzida no cálculo do crédito presumido. A despesa foi realizada, embora no pretérito. No entanto, o custo de produção da canadeaçúcar não pode ser computado na data do seu dispêndio porque o mesmo é (ou deveria ser) contabilizado como investimento. Por uma questão de equidade e porque a Lei fala em “custo de aquisição” e não em “compra” ou “valor de compra”, quando da colheita e utilização da canadeaçúcar para a fabricação do açúcar, deve ser incluído no cálculo do crédito presumido o seu custo de produção, contabilizado como investimento e apropriado como custo de produção da atividade industrial por meio de sua contabilização como despesa de depreciação. Todos os dispêndios realizados para a formação da lavoura de canade açúcar, incluindo mãodeobra, combustível, manutenção de equipamentos utilizados na atividade, etc., são dispêndios formadores do custo de produção da canadeaçúcar e, consequentemente, determinam o seu valor econômico ou preço e são obrigatoriamente contabilizados. Na hipótese de a recorrente adquirir no mercado a canadeaçúcar usada na fabricação do açúcar, o preço (custo de aquisição) pago entra no cálculo do crédito presumido, pela fórmula da Lei nº 9.363/96. Também na hipótese de a recorrente produzir canadeaçúcar para a fabricação do açúcar, todo o valor despendido para a formação da lavoura (custo de formação), calculado e apropriado quando da colheita da canadeaçúcar (via depreciação), representa o custo de aquisição desta matériaprima e deve entrar no cálculo do crédito presumido, desde que calculado pela fórmula estabelecida na Lei nº 9.363/96 e não pela fórmula alternativa da Lei nº 10.276/01. No caso em espécie, a empresa está pleiteando a inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, de dispêndios realizados na atividade agrícola, que não guarda relação com a produção do açúcar exportado e sim com a formação de lavoura de canade açúcar a ser empregada, no futuro, na atividade industrial. Não procede, portanto, a pretensão da Recorrente de incluir tais dispêndios na base de cálculo do benefício pleiteado. Sobre a correção monetária de créditos de IPI, o STJ decidiu nos dois RESPs abaixo citados (ambos os julgamentos submetidos ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008), cujos resultados são de adoção obrigatório por este Colegiado (Art. 62A do RICARF), que não incide correção monetária nos créditos do IPI aproveitados na forma prevista na legislação do imposto e somente quando há ato ilegítimo do Fisco se opondo ao aproveitamento do crédito é que incide a correção monetária. Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 9 8 O primeiro caso é o RESP 1035847, cujo relator foi Min. Luiz Fux. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. No segundo caso, falo do RESP 993164, cujo relator foi o Min. Luiz Fux, que resultou na Súmula 411, cujo julgado concluiu que: A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. No presente caso, houve resistência do Fisco para que a recorrente aproveitasse parte do crédito pleiteado. Tal resistência se caracteriza pelo deferimento parcial do pedido de ressarcimento apresentado. O Despacho Decisório que decidiu o pleito da recorrente foi prolatado no dia 16/10/2006. Nos termos da decisão proferida no RESP nº 1035847, não há previsão legal para correção monetária, e muito menos juros, dos créditos de IPI utilizados na forma prevista na legislação do imposto. O valor do crédito reconhecido foi utilizado na forma prevista na legislação do IPI e sobre ele não há que se falar em aplicação de juros Selic. No entanto, a decisão proferida pelo STJ no RESP nº 993164 impõe o pagamento de juros, calculados pela taxa Selic, quando houver resistência do Fisco para o legítimo aproveitamento de crédito do IPI. É, portanto, a resistência do Fisco que desnatura o crédito do IPI e isto somente ocorre com a decisão da DRF/IRF que não reconhece o crédito pleiteado (total ou parcialmente), repercutindo seus efeitos da data de sua prolação até a data da ciência da decisão administrativa definitiva (da DRJ ou do CARF) que afastou a oposição até então existente, permitindo a utilização do crédito pelo contribuinte do IPI. Antes de o contribuinte apresentar seu pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, e da Autoridade Administrativa sobre ele se manifestar, não há como se falar em oposição do Fisco para a sua utilização. A decisão da empresa de utilizar o crédito do IPI, sob a forma de ressarcimento e/ou compensação, dáse com a apresentação do competente pedido à RFB, cujo exercício (para todos os contribuintes) começa com a decisão administrativa sobre a procedência do mesmo, respeitado a regra sobre a data em que se considera efetuada a compensação declarada que utiliza créditos objeto de pedido de ressarcimento. Portanto, nos termos que decidiu o STJ, entre a data da apresentação do pedido de ressarcimento e a data da decisão administrativa não há oposição do Fisco e, consequentemente, não existe previsão para incidir juros Selic sobre o valor do crédito Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10950.000301/200317 Acórdão n.º 3302002.537 S3C3T2 Fl. 10 9 reconhecido pelo Delegado/Inspetor de DRF/IRF da RFB. O termo inicial, portanto, para a incidência dos juros Selic sobre os créditos não reconhecidos pela DRF/IRF e reconhecidos pelas DRJ ou pelo CARF, é a data da decisão administrativa do Delegado/Inspetor de DRF/IRF da RFB que se opôs à utilização do crédito. Também não há que se falar em oposição do Fisco a partir da data em que o contribuinte toma ciência de decisão definitiva da DRJ, proferida em manifestação de inconformidade, ou do CARF, proferida em recurso voluntário ou recurso especial, que reformou decisão anterior para permitir a utilização do crédito pelo contribuinte, por qualquer uma das modalidades previstas na legislação tributária federal. No caso concreto, a decisão administrativa que se opôs à utilização de parte crédito pleiteado, e reconhecido pelo presente julgado, é de 12/03/2007, data a partir da qual incide os juros Selic, até a data da ciência da presente decisão pela Recorrente, ou da decisão que vier a ser proferida pela CSRF, na hipótese de a PGFN , ou a própria Recorrente, interpor Recurso Especial contra a presente decisão. Por último, há que se deferir o pedido de desistência da lide relativa às compensações declaradas, e vinculadas a crédito aqui discutido, controlados nos Processos nºs. 10950.000742/200734, 10950.000461/200358 e 10950.000740/200311. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) incluir na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de canade açúcar feitas junto à pessoas físicas e das MP, PI e ME apurado na diligência; (ii) reconhecer o direito à incidência de juros Selic de 12/03/2007 até a data da ciência da decisão definitiva deste CARF; (iii) deferir o pedido de desistência acima referido; e (iv) determinar que a autoridade da RFB apure o valor do crédito reconhecido e homologue as compensações declaradas (porventura ainda existentes), até esse valor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902231/2012-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2002
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 31 /2 01 2- 12 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902231/201212 Acórdão n.º 3801002.309 S3TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902231/201212 Acórdão n.º 3801002.309 S3TE01 Fl. 67 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902231/201212 Acórdão n.º 3801002.309 S3TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902231/201212 Acórdão n.º 3801002.309 S3TE01 Fl. 69 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15521.000167/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias, sujeita-se ao prazo decadencial
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.001
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias, sujeita-se ao prazo decadencial Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias, sujeitase ao prazo decadencial Recurso Voluntário Provido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 67 /2 00 7- 43 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de recurso contra Ato Cancelatório de Isenção emitido em 12/03/2008, fls.113, com efeitos a partir de 01/1997, por descumprimento do inciso III, do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente (...) “III promova assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes.” O Ato Cancelatório teve suporte na Informação Fiscal emitida em 27/09/2007, que analisou a documentação da entidade para o período de 01/1997 a 12/1999, concluindo que a mesma deixou de cumprir o inciso III do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, e por isso teve cancelada a sua isenção patronal das contribuições previdenciárias. Após a emissão do Ato Cancelatório, a entidade apresentou recurso contra o mesmo, o processo foi remetido à Procuradoria da Fazenda Nacional para apresentação de contrarrazões e posteriormente foi enviado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. No CARF, por meio de despacho da 3ª Câmara, da 2ªSeção, datado de 18/08/2011, fls.. 121, os autos retornaram à DRF Campos dos Goytacazes para que fosse observado o estabelecido no art. 32 da lei 12.101 de 2009, que derrogou o art. 55 da Lei 8.212/91 (com base na qual foi emitido o Ato Cancelatório contestado pela Fundação Benedito Pereira Nunes). Em resposta à determinação, foi elaborado despacho pelo Auditor Fiscal autor da Informação Fiscal que embasou o referido Ato Cancelatório, apenas citando o dispositivo infringido pela Instituição que acarretou a perda do benefício usufruído Novamente o processo veio a este Colegiado e foi exarado voto de fls. 125, pela anulação da decisão de primeira instância a fim de que de que nova decisão seja proferida considerando o procedimento previsto na Lei nº 12.101 de 2009 e no Decreto n.º 7.237 de 2010. Desta feita foi emitido novo Despacho Decisório às fls.128/133, contra o qual a entidade se manifestou argüindo, em síntese: a) a prescrição qüinqüenal; b) que possui direito à isenção pelo direito adquirido, já que é portadora do CEBAS e atendeu às exigências da Lei n.º 3.577/59 e DecretoLei n.º 1.572/77; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15521.000167/200743 Acórdão n.º 2302003.001 S2C3T2 Fl. 178 3 c) a ineficácia do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, visto a ação direta de inconstitucionalidade n.º 20285, d) que prestou serviços ao SUS como forma de absorver qualquer obrigação de gratuidade. Por fim, requer a suspensão da decisão recorrida; a nulidade da decisão recorrida; o reconhecimento da decadência para o período de 1997 a 1999, e conseqüentemente o reconhecimento da isenção neste período, assim como o cancelamento de qualquer débito fiscal lançado neste período. Às fls. 174/175, a Seção de Orientação e Análise Tributária SAORT/CGZ, se manifesta dizendo que repetiu todo o procedimento, por determinação do CARF, sendo dada ciência à Fundação Benedito Pereira Nunes que novamente interpôs Manifestação de Inconformidade e ao seu ver, não há mais providência a ser adotada pela SAORT, devendo os autos retornarem ao CARF, para análise da nova manifestação de inconformidade da recorrente. É o relatório Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatório O recurso apresentado pelo contribuinte é tempestivo, devendo ser conhecido e examinado. À época da informação fiscal, cabia a Receita Federal do Brasil verificar se a entidade cumpria com os requisitos esposados no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, cumulativamente, para poder usufruir da isenção patronal previdenciária. O parágrafo 4º do referido artigo era taxativo ao afirmar que: Art. 55 ... §4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. De acordo com a incumbência e a competência asseguradas pelos artigos 55 da Lei n.º 8.212/91 e 206, parágrafos 7º e 8º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, à Receita Federal do Brasil cabia à verificação do cumprimento, por parte da entidade beneficente, de todos os requisitos essenciais à fruição do benefício legal da isenção previdenciária patronal. Devendo ser cancelada a isenção da pessoa jurídica de direito privado que não cumprir com as exigências legais, a partir da data que deixar de atendêlas, artigo 55, parágrafo 4º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 206, parágrafo 8º do RPS Com este objetivo foi iniciada auditoria fiscal na entidade e o Fisco, após a análise dos elementos disponibilizados, entendeu que a mesma não faz jus à isenção patronal, eis que não cumpre cumulativamente os requisitos expostos no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, em especial o inciso III, que se refere à promover assistência social, educacional e de saúde ao público alvo. Todavia, é de se ver que o inciso III do citado artigo 55, está suspenso por força de liminar do Supremo Tribunal Federal na Adin 2.0285/99, referendada pelo plenário em 11/11/1999, é de se atentar que prevalece a redação original do inciso e que a Informação Fiscal, que postula pelo cancelamento da isenção usufruída a partir de 01/1997, trouxe elementos para comprovam o não cumprimento dos requisitos legais cumulativamente pela entidade para gozar do beneficio legal. Contudo, ainda que legítima a pretensão quanto ao cancelamento da isenção usufruída pela empresa por não comprovar o cumprimento dos requisitos constantes dos inciso III, do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, desde 01/1007, há que se observar a decadência nos limites impostos pela Súmula Vinculante n.º 08, do Supremo Tribunal Federal. A informação fiscal foi proferida em 27/09/2007 e o Ato Cancelatório exarado em 12/03/2008, devendo ser considerado que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15521.000167/200743 Acórdão n.º 2302003.001 S2C3T2 Fl. 179 5 Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Portanto, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Compulsando os autos se vê que quando do início da ação fiscal e emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em 09/07/2007, o período de apuração do procedimento fiscal ficou delimitado de 01/1997 a 12/1999, fls. 39. Da mesma forma, os documentos solicitados, examinados e as razões expostas pelo Fisco para cancelar a isenção devido ao descumprimento do artigo 55, inciso III da Lei n.º 8.212/91, se referiram apenas ao período citado, que já se encontrava abrangido pela decadência qüinqüenal, exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, quando da fiscalização, não servindo para sustentar o cancelamento da isenção usufruída pela entidade. Por todo o exposto, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15521.000167/200743 Acórdão n.º 2302003.001 S2C3T2 Fl. 180 7 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001466/2007-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10640.001466/200725 Recurso nº 501.300 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.124 – 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado LINA KATIA MESQUITA DE OLIVEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 14 66 /2 00 7- 25 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10640.001466/200725 Acórdão n.º 9202003.124 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 083, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar proviemnto parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. DEFICIÊNCIAS DOS RECIBOS APRESENTADOS SUPRIDA POR DECLARAÇÕES DOS PROFISSIONAIS. Tendo sido supridas as deficiências dos recibos por meio de declarações dos profissionais emitentes dos mesmos, restabelecese a dedução das despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as deduções das despesas médicas no valor de R$ 8.000,00. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.” Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre quais formalidades possibilitam a dedução, referente a despesas médicas. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes que possibilitam a apresentação do recurso especial (Acórdãos 102.41.918 e 10422840); 2. OS recibos apresentados pelo sujeito passivo não possuem os pressupostos determinados no Art. 8º, da Lei 9.250/1995; 3. Não há, nos recibos apresentados a indicação do endereços dos profissionais que o firmaram e o beneficiário do tratamento; 4. O sujeito passivo deveria demonstrar a prova da despesa, por meio de cheque nominativo pelo qual foi efetuado do pagamento, pois se deve comprovar o efetivo dispêndio; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 5. .Diante do exposto, exposto, aguarda a reforma do acórdão recorrido. Por despacho, fls. 097, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo – devidamente intimado – não apresentou suas contra razões, nem recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10640.001466/200725 Acórdão n.º 9202003.124 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto ao conhecimento do recurso, há questão que deve ser analisada. A recorrente sustenta em seu recurso que os recibos de tratamento de saúde apresentados pelo sujeito passivo não podem ser aceitos, pois não cumprem as determinações da legislação, já que não informam endereços dos profissionais que os firmaram e o beneficiário do tratamento; Ocorre, com todo respeito à recorrente, que não é esse o caso. Realmente, até a decisão da DRJ – que utilizou desses fundamentos para a não aceitação desses documentos os recibos não possuíam essas informações, só que o sujeito passivo apresentou declarações dos profissionais de saúde que sanaram essas ausências e que foi o motivo determinante para a decisão da turma a quo, conforme trecho do voto, acompanhado por unanimidade: “Vêse do excerto do voto reproduzido que a autoridade julgadora a quo manteve a glosa perpetrada pela autoridade fiscal, sob o fundamento de que os recibos apresentados não indicam os beneficiários/usuários dos serviços, bem como não há informação do endereço profissional do prestador de serviço. A contribuinte, nesta fase recursal, apresenta declarações dos profissionais, Karina Aparecida de Lácio (fl. 66) e de Eduardo Hygino Cesário (fl. 67), confirmando a prestação dos serviços no valor de R$ 3.000,00 e R$ 5.000,00, respectivamente, declinando os nomes dos beneficiários dos mesmos, bem como endereço profissional dos emitentes dos recibos. Ressalte se que não há como questionar a apresentação destas declarações nesta fase processual, posto que alínea “a” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ressalva a impossibilidade de apresentação da prova no momento oportuno. Com efeito, como a produção de tais provas exigiria contato com os referidos profissionais é plausível a sua apresentação juntamente com o Recurso Voluntário. Destarte, suprida a falta apontada, não mais subsiste a razão da glosa e, consequentemente, as deduções devem ser restabelecidas. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer as deduções das despesas médicas no valor de R$ 8.000,00.” Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Assim, como as supostas ausências de requisitos – fundamento do recurso especial – segundo decisão da turma a quo, foram devidamente sanadas, não há como fundamentar recurso sobre essa questão, pois a tese do recurso não enfrenta o teor da decisão recorrida. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11610.012183/2001-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo.
Numero da decisão: 3201-001.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 21 83 /2 00 1- 33 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.012183/200133 Acórdão n.º 3201001.606 S3C2T1 Fl. 97 2 para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro de 1997 a junho de 1997, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1718, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/11/2001, perfazendo o total de R$38.228,15 (trinta e oito mil e duzentos e vinte e oito reais e quinze centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1 a 4 LC 70/91; Art 1 L 9249/95; Art 57 L 9069/95; Arts 56 e par Un, 60 e 66, L 9430/96. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada, a contribuinte protocolizou, em 28.12.2001, a impugnação de fls. 24, acompanhada dos documentos de fls. 527, na qual alega: I DOS FATOS E DO DIREITO 2.1. A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, sujeitandose, pois, ao recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS. 2.1.1. Nesse contexto, sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal, a Impugnante foi surpreendida pelo Auto de Infração em referência, que consubstancia a cobrança de valores supostamente devidos a título da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, multa punitiva e juros de mora. 2.1.2. No Termo de Constatação integrante do Auto de Infração a Autoridade Fiscal não considerou o fato da Impugnante ter impetrado Medida Cautelar (processo n° 94.00002556) para poder compensar os valores recolhidos ao FINSOCIAL com alíquotas superiores a 0,5%, pleiteando a inconstitucionalidade das leis que instituíram estas alíquotas maiores. 2.1.3. Diante disso, a ora Impugnante, protegida por Medida Liminar, não recolheu Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS nos períodos de Janeiro a Julho de 1997. 2.1.4. Assim sendo, a Impugnante solicitou a Certidão de Objeto e Pé do Processo n° 94.00002556 (Ação Cautelar). Entretanto este processo foi arquivado, juntamente com a Ação Ordinária n° 94.00055587, em 4 de Setembro de 2001. Para solicitar esta Certidão, seria antes necessário pedir o desarquivamento do processo supra citado, o que demoraria 20 dias, esgotandose nosso prazo para a presente Impugnação. 2.1.5. Desta maneira, a Impugnante imprimiu o andamento constante no sistema e carimbou no Cartório (doc. 04), prova suficiente da existência processo n° 94.00002556, que concede a Medida Liminar. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.012183/200133 Acórdão n.º 3201001.606 S3C2T1 Fl. 98 3 II Do Pedido 2.2. Diante de todo o exposto, servese a Impugnante da presente para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em todos os seus efeitos. 2.2.1. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório nesta Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n° 923, 8o andar, em atenção ao Dr. RICARDO LACAZ MARTINS, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante, no endereço constante destes autos. 2.2.2. Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito. 2.3. Por fim, pede Deferimento. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federa lDERAT/ EQAMJ em São PauloSP que exarou o Despacho em 11/11/2011 (fl. 55), onde consta: “Tratase de AIDCTF de débitos da COFINS declarados em DCTF como compensados, vinculados à Medida Cautelar n° 94.00002556 e Ação Ordinária n° 94.00055587/3ª VF SP. Em análise, verificase que a ação tinha como objetivo o reconhecimento do direito de efetuar a compensação dos valores recolhidos a maior, a título de FINSOC1AL, excedente a 0,5%, com débitos vincendos de contribuições de mesma espécie, corrigidos monetariamente desde o recolhimento indevido. A ação transitou em julgado, em 11/04/2003, no STJ (fl. 37), com Acórdão negando provimento ao Agravo de Instrumento interposto pelo contribuinte em face da decisão que indeferiu o processamento do recurso especial. No Acórdão do TRF3 foi julgado improcedente o pedido inicial (fl. 35). Diante do exposto, propõese encaminhar este processo à EQAAR/DICAT/DERAT/SPO para que prossiga cobrança.” (negritamos) Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 AÇÃO JUDICIAL NEGADO PROVIMENTO COMPENSAÇÃO EFETUADA SEM AMPARO JUDICIAL. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.012183/200133 Acórdão n.º 3201001.606 S3C2T1 Fl. 99 4 A ação transitou em julgado, em 11/04/2003, no STJ, com Acórdão negando provimento ao Agravo de Instrumento interposto pelo contribuinte em face da decisão que indeferiu o processamento do recurso especial. No Acórdão do TRF3 foi julgado improcedente o pedido inicial restando então, sem amparo judicial a compensação efetuada e portanto, correto o lançamento no Auto de Infração. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. INTIMAÇÃO VIA POSTAL ENDEREÇO CONSTANTE NO CADASTRO DA RFB. Para ser válida, a intimação, quando efetuada por via postal, deve ser encaminhada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim entendido aquele endereço fornecido para fins cadastrais. Tendo em vista que a autoridade administrativa atua de forma vinculada à lei, são estas as regras que devem ser observadas quanto à intimação. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.012183/200133 Acórdão n.º 3201001.606 S3C2T1 Fl. 100 5 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração eletrônico que promoveu a constituição de crédito tributário de Cofins em relação a fatos geradores ocorridos entre janeiro e junho de 1997. A contribuinte informou em DCTF ter procedido com a compensação destes débitos com créditos decorrentes do processo judicial nº 94.00002556. O auto de infração informa que os créditos não foram confirmados, indicando, de forma genérica, a ocorrência de “Proc jud não comprovado”. Do exposto, constatase que a autuação tem por única motivação a não comprovação da ação judicial nº 94.00002556, informada pela recorrente em sua DCTF. Observase, contudo, que a recorrente trouxe aos autos provas de que, efetivamente, ingressou junto ao Poder Judiciário com a ação judicial nº 94.00002556, comprovando, portanto, a existência da ação. Desta forma, mostrase incorreto o pressuposto de fato que dá suporte ao auto de infração. Como consequência, em não tendo sido constatada a situação que fundamenta o presente lançamento, o mesmo deve ser cancelado, exonerando o crédito tributário nele exigido. Neste mesmo sentido, precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como a decisão cuja ementa se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ” e “proc inexist no Profisc”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. (Ac. 9303 001.700, 3ª Turma, sessão de 05/10/11, relator Rodrigo Cardozo Miranda) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.012183/200133 Acórdão n.º 3201001.606 S3C2T1 Fl. 101 6 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 14041.000218/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996
LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE.
A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade.
É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido.
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente VIA ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 18 /2 00 9- 39 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402003.920 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente à competência 04/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 20/28), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 34/64) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0334.986 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 68/79) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, entendendo que: (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 82/91) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 92/93). É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente deixou de pagar as contribuições previdenciárias referente à competência 04/1996. No presente caso, ocorreu um novo lançamento em decorrência de ter sido anulado o lançamento fiscal anterior por conter vício formal, este foi veiculado por meio das NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Assim, a regra prevista no art. 173, II, do Código Tributário Nacional (CTN) concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Cumpre esclarecer que, para o lançamento de ofício, o crédito tributário é considerado definitivamente constituído com a regular ciência da decisão definitiva, momento em que não pode mais o lançamento ser contestado na esfera da Administração. Observase que a definitividade das decisões que anularam as NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087 deverá levar em consideração a regra estampada no artigo 42 do Decreto 70.235/1972, Lei do Processo Administrativo Fiscal (PAF), in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; (g.n.) III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. Dessa regra estatuída acima, percebese que as decisões de segunda instância das quais não caibam mais recursos, ou transcorrido o prazo de sua interposição, são Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402003.920 S2C4T2 Fl. 4 5 definitivas. Com isso, a partir do momento em que não for mais cabível qualquer recurso ou tendo ocorrido o exaurimento das vias recursais, as decisões de segunda instância no âmbito do processo administrativo federal transitam em julgado e geram a coisa julgada formal administrativa, que é o impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que foi proferida, também chamada de preclusão máxima administrativa. Essas decisões são atos administrativos, e, portanto, estão sujeitas aos princípios e atributos inerentes ao regime jurídico público administrativo, seja em relação aos seus efeitos, seja em relação à sua validade. Nos termos do artigo 37 da Constituição Federal, constatase que o princípio da publicidade deverá ser observado por toda a Administração Pública, incluindo a Administração Tributária. A Lei 9.784/1999, diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, explicita como critério de observância obrigatória a “divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição” (art. 2o, parágrafo único, inciso V). Ainda nos termos dos artigos 26 e 28 dessa Lei 9.784/1999, a intimação de decisões proferidas no âmbito administrativo tributário é obrigatória e será realizada pelo órgão competente em que tramita o processo administrativo. Lei 9.784/1999: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. ......................................................................................................... Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. O art. 23 do Decreto 70.235/1972 prevê como modalidades de intimação das decisões proferidas no âmbito do contencioso administrativo tributário a pessoal, por via postal e por meio eletrônico. E, essas modalidades de intimação são materializadas ou realizadas no momento em que ocorrer a ciência do sujeito passivo, nos termos do parágrafo 2° desse mesmo artigo retromencionado. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)Art. 23. Farseá a intimação: (...) (g.n.) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No mesmo sentido dispunha o art. 34 da Portaria MPS no 520/2004 que a intimação dos atos processuais seria realizada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. Portaria MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL MPS nº 520 de 19.05.2004, publicada no D.O.U.: 20.05.2004 Das Intimações Art. 34. A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402003.920 S2C4T2 Fl. 5 7 II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Nesse contexto, as decisões proferidas em processo administrativo, tributários ou não, têm a publicidade como um requisito de validade e de produção de seus efeitos. A rigor, não se pode dizer sequer que o ato administrativo já esteja inteiramente formado (perfeito) enquanto não ocorrer a sua publicidade prevista na lei, que no presente caso será no momento em que o sujeito passivo tomar ciência da decisão proferida pela Corte Administrativa (na época o Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS). Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade do lançamento fiscal. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. No caso concreto, faltou a configuração a data do termo inicial para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal, já que se tratava de lançamento substitutivo. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402003.920 S2C4T2 Fl. 6 9 O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco no Relatório Fiscal um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402003.920 S2C4T2 Fl. 7 11 “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11853.000854/2011-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 08 54 /2 01 1- 32 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0348.225, julgado na sessão de 10 de maio de 2012, pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília, referente ao processo administrativo n° 11853.000854/201132, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado Auto d e Infração relativo a cobrança de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do mês de apuração de janeiro/20 07, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 6.943,33. O enquadramento legal do lançamento é o art 7 o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 5/9) ao lançamento alegando, em síntese, que de acordo com as imposições do Art 142 do CTN, o lançamento fiscal obrigatoriam ente deve conter elementos confirmatórios para a sua essência, e deixar clara a tipificação e fundamentação da origem da infração tributária. Observa que o inciso IV, art 10 do Dec. 70.235/72, obriga o autu ante a mencionar o dispositivo legal infringido pela contribuinte. No caso, a autoridade lançadora no campo 05 (descrição dos fa tos e fundamento legal) identificou a Lei nº10.246, de 24/04/2002 com fundamento para lançamento de multa por atraso na entreg a do Dacon, normativo este que não trata de penalidades tributárias e sim da Política Agrícola no País; capitulação imprópria que torna nulo o lançamento fiscal.Acrescenta que apresentou a Declaração em atraso, porém espontaneamente, nos termos do artigo 138 do CTN, não cabendo a aplicação de multa sancionatória ou moratória. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. ” Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 5 4 A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DDF de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DDF conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o rec olhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal,não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 21.06.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 5657, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. Em que pese em casos idênticos, este Relator tenha sido vencido na questão, entendo ainda assim, por bem, acompanhar a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, nos termos da declaração de voto proferida no acórdão nº 3801002.085, desta Colenda Turma Especial: Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há lei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi realizada a entrega do DACON após o prazo especificado em lei, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 7 6 sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de entregar o DACON dentro de prazo determinado pela lei, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a entrega do DACON em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, que dandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 8 7 o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração entrega extemporânea do DACON, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da DACON espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 9 8 Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 10 9 não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. Muito embora ainda seja vencido nesta Colenda Turma quanto a presente matéria, mantenho as referidas razões de decidir, nos termos do voto da ilustre Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Discordo do voto do Conselheiro Relator, pelas razões abaixo. A fiscalização apurou que a contribuinte entregou fora do prazo o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon e exigiu multa pelo atraso. Os fatos são incontroversos. A infração está tipificada no art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19, da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Cito: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 11 10 sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004.) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (...) § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo.( Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.) Logo, não há razão para se considerar nula a exigência. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 12 11 O enunciado da súmula é o seguinte: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração.” Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: CSRF/0400.574, de 19/06/2007; 19200.096, de 06/10/2008; 10709.410, de 30/05/2008; 101 96.625, de 07/03/2008; 10516.674, de 14/09/2007; 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000854/201132 Acórdão n.º 3801002.647 S3TE01 Fl. 13 12 A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO – DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF nº 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904102/2012-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 41 02 /2 01 2- 15 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904102/201215 Acórdão n.º 3803005.539 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16095.000883/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO INDEVIDA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.
Sujeita-se à multa de ofício isolada o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96.
CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Inadmissível a compensação de suposto crédito de natureza nãotributária, cedido por terceiros, com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, visto a ausência de qualquer permissivo legal nesse sentido. A compensação, como modalidade de extinção do crédito tributário, somente pode ser admitida nos estritos termos que a lei a faculta, e rege-se pelas normas vigentes à época em que efetuada.
Numero da decisão: 1301-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO INDEVIDA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Sujeitase à multa de ofício isolada o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a compensação de suposto crédito de natureza nãotributária, cedido por terceiros, com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, visto a ausência de qualquer permissivo legal nesse sentido. A compensação, como modalidade de extinção do crédito tributário, somente pode ser admitida nos estritos termos que a lei a faculta, e regese pelas normas vigentes à época em que efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 08 83 /2 00 8- 41 Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 16095.000883/200841 AAccóórrddããoo n.º 1301001.371 SS11CC33TT11 Fl. 3 2 Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de ofício isolada por compensação indevida mediante Declarações de Compensação – DCOMP, apontando crédito oriundo de ação judicial que não possui a União no polo passivo, além de não ser relativo a tributos ou contribuições administrados pela então Secretaria da Receita Federal, e não ter sido apurado pelo próprio contribuinte em suas atividades empresariais, enquadrandose, portanto, como crédito de terceiro, utilizado na quitação de valores devidos a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e multas. Registra o Termo de Constatação de Irregularidades (fl. 719) que o trabalho fiscal decorre do não reconhecimento do direito creditório de valor pleiteado pela empresa, por meio das Declarações de Compensação entregues em formulários, ou transmitidas eletronicamente através do sistema PER/DCOMP, e tratadas manualmente nos processos sob n° 13609/000625/200414, 16098.000035/2006 41,. e 16098.000036/200695, através do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT n° 318/2006, 319/2006, e 320/2006, que, por consequência, foram consideradas NÃODECLARADAS as compensações efetuadas nas Declarações de Compensação tratadas nos processos. Conforme consta dos mencionados Despachos Decisórios, o contribuinte, declarou compensações dos débitos com créditos identificados como tendo origem no Processo Judicial nº. 696/49, que teria tramitado pela 1ª. Vara de Fazenda Pública Falência e Concordata da Comarca de Curitiba. A ação foi declarada como transitada em julgado em 06 de junho de 1999, data esta atribuída ao Recurso Especial N° 37.056, mencionado em todas as Declarações de Compensação tratadas no processo. Segundo apurado no procedimento de certificação do crédito, a origem do valor utilizado a esse título nas DCOMPs é proveniente de uma Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios de um terceiro a favor do contribuinte. O que orientou os Despachos Decisórios para o não reconhecimento do direito creditório, e o consequente enquadramento das compensações como NA0 DECLARADAS, foram os fatos de: (i) a União não estar no polo passivo do crédito arrolado (a parte sucumbente é o Estado do Paraná); (ii) o crédito não ser relativo a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (o objeto do Processo Judicial nº. 696/49 seria uma questão eminentemente fundiária); (iii) o crédito não ter sido apurado pelo próprio contribuinte em suas atividades empresariais, enquadrandose, portanto, como crédito de terceiro. Essas duas últimas razões são expressamente previstas no art. 74, § 12, inciso II, alíneas “a” e “e”,da Lei nº 9.430/96 como hipóteses em que as compensações devem ser Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 16095.000883/200841 AAccóórrddããoo n.º 1301001.371 SS11CC33TT11 Fl. 4 3 consideradas como não declaradas pela Autoridade Administrativa encarregada da análise da compensação. Assenta o Termo que a prática descrita sujeita o contribuinte, por força do dispositivo do artigo 18, da 10.833/2003, à aplicação de multas isoladas relativa aos débitos cujas compensações foram consideradas não declaradas, a ser objeto de constituição de crédito tributário por meio de Auto de Infração, com enquadramento legal nos artigos 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; art. 74, da Lei 9.430/96; art. 18, da Lei no 10.833/03, com redação dada pela Lei n° 11.051/04 e 18, parágrafo 4°, da Medida Provisória n° 351/2007. A autoridade fiscal verificou que o contribuinte entregou, em 14 de julho de 2004, a DCOMP N° 13675.57653.140704.1.7.576207 onde arrolou uma série de débitos e, posteriormente, entregou (impropriamente) formulários manuais previstos na revogada IN SRF N° 210/2002, repetindo a maioria dos débitos cujas compensações já foram declaradas naquela Além disto, notou também, que nas DCOMPs posteriores, tratadas nos processos que orientam a análise, houve também repetição de débitos cujas compensações já teriam se dado. Em decorrência, foi feito um trabalho de eliminação das repetições de débitos, resultando no "Demonstrativo dos Débitos Irregularmente Compensados", anexo e integrante do Termo. A apuração da multa está assim demonstrada: Nº DCOMP Nº processo Data transmissão Total débitos compensados Multa isolada (75%) 13675.57653.140704.1.7.57620 16098.000036/200695 14/07/2004 2.914.504,64 2.185.878,48 27558.40814.160904.1.3.57965 13609.000625/200414 16/09/2004 849.345,56 637.009,17 15649.71810.200904.1.3.57409 13609.000625/200414 20/09/2004 83.946,67 62.960,00 37145.77648.151004.1.3.57908 16098.000035/200641 15/10/2004 105.184,50 78.888,38 Em impugnação tempestiva o contribuinte alegou que, conforme reconhecido pela autoridade fiscal em seu termo de Constatação e Irregularidades Fiscais, muitos erros foram cometidos quando da apresentação das DCOMP referidas, ocorrendo duplicidades de débitos, e que, não obstante a Fiscalização ter realizado o trabalho de expurgo dos débitos apresentados de forma repetida, subsistem, ainda, muitos débitos nessas condições, que devem eliminadas do demonstrativo, sob pena de excesso de exação. Esclareceu que, ao localizar tais duplicidades em suas compensações, encaminhou pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, o qual teria confirmado a existência de diversos débitos apresentados mais de uma vez. Aduziu que, segundo análise efetuada pela Receita Federal, todos os débitos arrolados no processo de nº 16098.000036/200695 teriam sido apresentados em duplicidade, razão pela qual deveriam ser excluídos para efeito de multa. Requereu fosse efetuada análise mais pormenorizada dos débitos, para que se expurguem as demais repetições não consideradas. Em relação à autuação, sustentou não ser possível subsistir o lançamento da multa, por se tratar de compensação sustentada em crédito reconhecido judicialmente e transitada em julgado em 06 de junho de 1999, conforme consta do Auto de Infração, em que restou assegurada a responsabilidade solidária da União pelo valor envolvido na ação judicial, Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 16095.000883/200841 AAccóórrddããoo n.º 1301001.371 SS11CC33TT11 Fl. 5 4 descartandose a hipótese de utilização de crédito de natureza nãotributária, conforme a acusação fiscal. Por fim, requereu a nulidade da autuação procedida, com o consequente arquivamento do processo. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, em decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 NULIDADE. COMPETÊNCIA. ATO DE NÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. APRECIAÇÃO EM JULGAMENTO. Embora as Delegacias de Julgamento não tenham competência para apreciar recurso contra atos de não declaração, na medida em que este é pressuposto da aplicação da multa de ofício isolada, e o reconhecimento de sua eventual nulidade independeria de recurso do interessado, é possível a apreciação dos argumentos do impugnante, com vistas a definir o cabimento de representação à autoridade competente para revisão de ofício do ato questionado. DUPLICIDADE DE DÉBITOS. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Expurgadas pela fiscalização as duplicidades de débitos em declaração de compensação, e nada tendo sido trazido aos autos que comprove a existência de aplicação de igual penalidade sobre o mesmo débito, mantémse a exigência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a compensação de suposto crédito de natureza nãotributária, cedido por terceiros, com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, visto a ausência de qualquer permissivo legal nesse sentido. A compensação, como modalidade de extinção do crédito tributário, somente pode ser admitida nos estritos termos que a lei a faculta, e regese pelas normas vigentes à época em que efetuada. Ciente da decisão em 15 de fevereiro de 2012, a interessada ingressou com recurso em 13 de março, no qual reitera que, embora a Fiscalização tenha realizado o trabalho Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 16095.000883/200841 AAccóórrddããoo n.º 1301001.371 SS11CC33TT11 Fl. 6 5 de expurgo dos débitos apresentados de forma repetida, subsistem, ainda, muitos débitos nessas condições, que devem eliminadas do demonstrativo, sob pena de excesso de exação. Diz que todos os débitos arrolados no processo administrativo 10698.000036/200695 referentes aos débitos compensados no montante de R$2.914.504,64 foram todos apresentados em duplicidade, devendo ser excluídos para efeito de multa. Afirma que não prospera a alegação da Delegacia de Julgamento, de que a Fiscalização quando da autuação, já considerou as duplicidades apuradas através do pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União. Contestou também a afirmativa da decisão, de “o fato dos débitos constantes das DCOMP apresentadas já estarem em cobrança em processo diverso não exime a contribuinte do pagamento da multa isolada ora em litígio, pois esta tem por fundamento o uso indevido da Declaração de Compensação com fins de extinguir débitos junto à RFB, e não a cobrança dos referidos débitos.” Diz não ser objeto do presente recurso ou da impugnação anteriormente apresentada contra cobrança de quaisquer débitos compensados, mesmo porque o objeto da ação fiscal não é a cobrança de débito, mas de multa sobre compensação indevida. E que não se pode exigir multa sobre débitos compensados em duplicidade, sob pena de cobrança indevida de multa. Diz que a Fiscalização constituiu multa sobre os débitos constantes do processo administrativo nº 16098.000036/200695, o que é indevido, porquanto a documentação juntada contendo a análise da Receita Federal demonstra que os débitos desse processo estão em duplicidade, já que foram objeto de compensação com outros créditos. Refuta o argumento de que a decisão que julgou não declarada a compensação não é passível de discussão pela Delegacia de Julgamento, contrapondo que a autoridade julgadora está confundindo recurso apresentado contra decisão que julgou não declarada a compensação com a insurgência contra a multa lavrada em virtude de compensação ter sido considerada não declarada. Diz que o recurso contra decisão que considera a compensação não declarada não possui seguimento administrativo, porém a questão que envolve a legitimidade de lançamento da multa não pode ser olvidada pelos órgãos de julgamento. Acrescenta que a compensação está sustentada em crédito reconhecido judicialmente em decisão transitada em julgado em 06 de junho de 1999, em que restou assegurada a responsabilidade solidária da União pelo valor envolvido na ação judicial, descartandose a hipótese de utilização de crédito de natureza não tributária. Assim sendo o contribuinte legítimo credor da União, pode utilizar os créditos para compensação dos seus débitos. Invoca o art. 66 da Lei nº 8.393, de 1991. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 16095.000883/200841 AAccóórrddããoo n.º 1301001.371 SS11CC33TT11 Fl. 7 6 Recurso tempestivo e em conformidade com os pressupostos que o legitimam. Dele conheço. Os fatos descritos no auto de infração litigado indicam que a irregularidade apontada enquadrase no §4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, por ter havido decisão administrativa não contestada, que considerou não declaradas as compensações tratadas nos processos nºs 13609/000625/200414, 16098.000035/2006 41 e 16098.000036/200695. Referido dispositivo estabelece: Art. 18. (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O fato de não haver impugnado a não homologação das compensações não prejudica a possibilidade de o contribuinte defenderse da imposição da multa na instância administrativa. A subsistência do lançamento correspondente à multa depende da confirmação de que o crédito oferecido à compensação enquadrase em qualquer das condições previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. As decisões administrativas que consideraram não declaradas as compensações apuraram que os créditos indicados têm origem no Processo Judicial nº. 696/49, que teria tramitado 1ª Vara de Fazenda Pública Falência e Concordata da Comarca de Curitiba, Estado do Paraná, cuja ação foi declarada como transitada em julgado em 06 de junho de 1999, data esta atribuída ao Recurso Especial n° 37.056, mencionado em todas as Declarações de Compensação. Apuraram, ainda, pelo teor do Acórdão de recurso especial e pela cópia da Escritura Pública de Transferência de Direitos Creditórios que tais créditos foram transferidos ao contribuinte por Jarbas de Araújo Oliveira, sendo de natureza indenizatória, surgida em questão fundiária. Aliás, a decisão ora recorrida foi mais a fundo, e pesquisou no sítio do STJ o Recurso Especial mencionado nas declarações de Compensação, e apurou: “Logo, o reconhecimento judicial do crédito, argüido pelo contribuinte, referese a declaração de prescrição de execução judicial proposta pelo Estado do Paraná em 20/04/1949, visando obter o cancelamento das transcrições imobiliárias em nome dos vencidos e seus sucessores. O Estado do Paraná figura como autor da ação reivindicatória de terras, e o fato de ter transitado em julgado o recurso que não admitiu a execução judicial por ele proposta, não permite inferir que o julgamento de Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 16095.000883/200841 AAccóórrddããoo n.º 1301001.371 SS11CC33TT11 Fl. 8 7 procedência da reivindicação, ocorrido em 30/12/1989, tenha resultado em sua condenação no pagamento de indenizações, mormente na condição de autor da demanda e tratandose esta de ação de reivindicação e não de desapropriação.” Portando, inquestionável que as declarações de compensação foram corretamente tidas como “não declaradas”. O simples fato de não se tratar de crédito de titularidade do contribuinte, referente a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, é suficiente para considerar a compensação como “não declarada”. Alega a Recorrente que na decisão transitada em julgado restou assegurada a responsabilidade solidária da União pelo valor envolvido na ação judicial, mas esse fato não tem o condão de transmudar a natureza do crédito, de indenizatória por questão fundiária para tributária. Afirma, ainda, a Recorrente, que a própria Secretaria da Receita Federal constatou, a partir da documentação juntada, que os débitos do Processo 10698. 000036/2006 95 estão em duplicidade, já que foram objeto de compensação em outros processos, e assim, os débitos deles constantes não poderiam ser arrolados para aplicação da multa. O processo é dialético, presidido pelo princípio do contraditório. Para efetuar o lançamento da multa ora questionada, a autoridade fiscal analisou todas as declarações e apontou: 0 Exame dos processos permite perceber que o contribuinte entregou, em 14 de julho de 2004, a DCOMP N° 13675.57653.140704.1.7.576207 onde arrolou uma série de débitos. Posteriormente, entregou (impropriamente) formulários manuais previstos na revogada IN SRF N° 210/2002, repetindo a maioria dos débitos cujas compensações já foram declaradas na DCOMP N° 13675.57653.140704.1.7.576207. Além disto, nota se também, que nas DCOMPs posteriores, tratadas nos processos que orientam a presente análise, houve também repetição de débitos cujas compensações já teriam se dado, como fica evidente no "Demonstrativo das Compensações Declaradas", anexo ao presente Termo, onde os débitos que o contribuinte pretendeu compensar foram organizados de forma a se mostrar que alguns foram declarados mais de uma vez. Em decorrência do exposto no parágrafo anterior, houve um trabalho de eliminação das repetições de débitos, resultando no "Demonstrativo dos Débitos Irregularmente Compensados"(fls. 736 a 741), também anexo ao presente Termo. Integraram o Termo Fiscal dois demonstrativos pormenorizados, o primeiro com a relação individualizadas todos os débitos declarados como compensados (fls. 722/735), e o segundo, após expurgadas as duplicidades, onde estão individualizados os débitos irregularmente compensados (fls. 736/741). Se o contribuinte discordou da apuração, entendendo que não foi completamente eliminada a duplicidade, cabialhe indicar objetivamente onde estaria o equívoco. Alegar, e não provar, é o mesmo que não alegar. Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 16095.000883/200841 AAccóórrddããoo n.º 1301001.371 SS11CC33TT11 Fl. 9 8 Isto posto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 05 de dezembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10510.722073/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Tratando-se de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõe-se à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional.
In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, impõe-se à observância dos procedimentos ali inscritos, com o devido aprofundamento na matéria ao rechaçar a condição de entidade isenta, dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos nos autos do próprio lançamento fiscal, inexistindo necessidade de emissão de Ato Cancelatório.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
IMUNIDADE COTA PATRONAL. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. EXCLUSIVA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUXÍLIO SERVIÇOS PRESTADOS PELO ESTADO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA.
A prestação de serviços por entidade privada, in casu, exclusiva cessão de mão-de-obra, utilizando-se da estrutura do próprio Estado, não caracteriza promoção de assistência social beneficente, nos termos do inciso III, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91 e legislação superveniente, capaz de assegurar a fruição da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, o que somente seria viável na hipótese de utilização de meios próprios da entidade, limitando-se, ainda, a cessão da mão-de-obra de maneira a não desvirtuar os seus objetivos institucionais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratandose de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõese à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, impõese à observância dos procedimentos ali inscritos, com o devido aprofundamento na matéria ao rechaçar a condição de entidade isenta, dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos nos autos do próprio lançamento fiscal, inexistindo necessidade de emissão de Ato Cancelatório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 20 73 /2 01 1- 11 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. IMUNIDADE COTA PATRONAL. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. EXCLUSIVA CESSÃO DE MÃODEOBRA. AUXÍLIO SERVIÇOS PRESTADOS PELO ESTADO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. A prestação de serviços por entidade privada, in casu, exclusiva cessão de mãodeobra, utilizandose da estrutura do próprio Estado, não caracteriza promoção de assistência social beneficente, nos termos do inciso III, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91 e legislação superveniente, capaz de assegurar a fruição da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, o que somente seria viável na hipótese de utilização de meios próprios da entidade, limitandose, ainda, a cessão da mãodeobra de maneira a não desvirtuar os seus objetivos institucionais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 404 3 Relatório SOCIEDADE EUNICE WEAVER DE ARACAJU, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 15032.179/2013, às fls. 358/378, que julgou procedentes os lançamentos fiscais, lavrados em 13/06/2011, referentes às contribuições sociais devidas ao INSS, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 07/2006 a 12/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 64/80, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) AIOP n° 37.253.2420 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; 2) AIOP n° 37.253.2438 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros; 3) AIOAC n° 37.253.2446 – Auto de Infração Código 78 – lavrado nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com informações incorretas ou omissas, devidamente elencadas no Relatório Fiscal, ensejando a aplicação da multa de R$ 23.080,00, com fundamento no artigo 32A, caput, inciso I, § 3°, da Lei n° 8.212/91; Após explicitar que a contribuinte é portadora dos documentos/certificados necessários à imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, com reconhecimento pelo INSS em 23/10/1992, ressalta que a entidade, no período de 07/2006 a 12/2010, deixou de observar os pressupostos legais para fruição de aludido benefício fiscal, inscritos nos seguintes dispositivos legais; 1) Artigo 55, inciso III, da Lei n° 8.212/91 – 01/07/2006 a 09/11/2008; 2) Artigo 28, incisos III e IX, da Medida Provisória n° 446/2008 – 10/11/2008 a 11/02/2008; 3) Artigo 55, inciso III, da Lei n° 8.212/91 – 12/02/2009 a 29/11/2009; 4) Artigo 29, inciso II, da Lei n° 12.101/2009 – 30/11/2009 a 31/12/2010; Isto porque, de conformidade com o Relatório Fiscal, a entidade, preponderantemente, não utilizou os seus recursos no desenvolvimento de seus objetivos institucionais e sim no cumprimento de tarefas inerentes a outras pessoas jurídicas não detentoras da referida isenção, a partir de formalização de contratos/convênios de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, situação, inclusive, que deu ensejo à Ação Civil Fl. 405DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Pública impetrada pelo Ministério Público de Sergipe, em trâmite perante a 3a Vara Cível da Comarca de Aracaju/SE. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 387/390, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Em defesa de sua pretensão, assevera que a SEWA utilizou os seus recursos no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, continuando exercendo as suas atividades sociais, não tendo sofrido qualquer punição por parte dos órgãos competentes dos Poderes da República, mas somente intervenção e cumpriu os ditames da Lei, principalmente as regras que a fiscalização aponta como não cumpridas. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da suposta imunidade da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos na legislação de regência, notadamente no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, artigo 28 da Medida Provisória n° 446/2008, e artigo 29 da Lei n° 12.101/2009, mormente em razão de sempre ter aplicado suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, conforme se pode verificar através de investigação contábil, sendo totalmente improcedentes os lançamentos em epígrafe, os quais encontramse embasado em simples suposições. Sustenta não haver qualquer irregularidade com os convênios firmados com o Poder Público, representando mais de noventa e nove por cento da receita arrecadada, a qual se pode denominar subvenções para gastos para manutenção de suas atividades, não existindo nada apontado pela Fiscalização como irregular. Requer, igualmente, seja reconhecida a nulidade do feito, uma vez que a exigência fiscal encontrase escorada em desconsideração da condição de entidade isenta sem a devida pretérita manifestação do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, cancelando ou suspendendo aludido benefício fiscal, contemplando os fatos que levaram a tal conclusão. Registra que a relação jurídica entre a Prefeitura de Aracaju e a Autuada era de Convênio (instrumentos jurídicos firmados sem visar lucro) e não de contrato de locação de mãodeobra, objetivando à época exclusivamente a execução de atividade gratuita na educação do trânsito, educação infantil, modalidade creches, nas comunidades carentes, através de parceria entre o Poder Público Municipal e a entidade SEWA, colocando seu pessoal na Entidade Municipal e em contra partida a Prefeitura Subvencionava a Entidade SEWA, cada Ente com suas responsabilidades. Alega que eventuais sobras advindas dessa atividade de parceria, era destinada à manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, em observância aos preceitos da legislação de regência, primando sempre a educação e a assistência social gratuitas para os necessitados, conforme garante a Constituição Federal. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 405 5 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face da contribuinte foram lavrados Autos de Infração em virtude da constatação do descumprimento das obrigações acessórias e principal abaixo discriminadas, no decorrer do período de 07/2006 a 12/2010, senão vejamos: 1) AIOP n° 37.253.2420 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; 2) AIOP n° 37.253.2438 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros; 3) AIOAC n° 37.253.2446 – Auto de Infração Código 78 – lavrado nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com informações incorretas ou omissas, devidamente elencadas no Relatório Fiscal, ensejando a aplicação da multa de R$ 23.080,00, com fundamento no artigo 32A, caput, inciso I, § 3°, da Lei n° 8.212/91; Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo nas infrações previstas nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação das multas, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Ademais, no entendimento da fiscalização, deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a totalidade das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas a partir da desconsideração da imunidade da cota patronal da entidade, diante da inobservância das seguintes normas legais: 1) Artigo 55, inciso III, da Lei n° 8.212/91 – 01/07/2006 a 09/11/2008; 2) Artigo 28, incisos III e IX, da Medida Provisória n° 446/2008 – 10/11/2008 a 11/02/2008; 3) Artigo 55, inciso III, da Lei n° 8.212/91 – 12/02/2009 a 29/11/2009; 4) Artigo 29, inciso II, da Lei n° 12.101/2009 – 30/11/2009 a 31/12/2010; Com mais especificidade, explicita o fiscal autuante que a entidade, preponderantemente, não utilizou os seus recursos no desenvolvimento de seus objetivos institucionais e sim no cumprimento de tarefas inerentes a outras pessoas jurídicas não detentoras da referida isenção, a partir de formalização de contratos/convênios de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, situação, inclusive, que deu ensejo à Ação Civil Fl. 408DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 406 7 Pública impetrada pelo Ministério Público de Sergipe, em trâmite perante a 3a Vara Cível da Comarca de Aracaju/SE. Em face do apensamento de todos os processos, diante do nexo de causa e efeito que os vincula, a contribuinte apresentou defesas inaugurais, as quais foram rechaçadas pela autoridade julgadora de primeira instância e, posteriormente, recurso voluntário, contemplando essencialmente argumentos pertinentes à pretensa imunidade das contribuições previdenciárias, que passaremos a analisar. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO De início, pretende seja decretada a nulidade do feito, uma vez que a exigência fiscal encontrase escorada em desconsideração da condição de entidade isenta sem a devida pretérita manifestação do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, cancelando ou suspendendo aludido benefício fiscal, contemplando os fatos que levaram a tal conclusão. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias propriamente ditas, impende trazer à baila breve evolução dos dispositivos constitucionais/legais que regulamentam a matéria, com o fito de melhor elucidar a questão posta nos autos. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência de parte dos fatos geradores, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para a fruição da isenção da cota patronal dos tributos em epígrafe novos regramentos a serem observados pelos contribuintes e autoridades fazendárias. De início, registrase a edição da Medida Provisória nº 446/2008, que dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e procedimentos a serem adotados com a finalidade de sua obtenção objetivando fazer jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, apartando os campos de atuação da entidade para efeito de usufruto do benefício fiscal (Saúde, Educação e Assistência Social), estabelecendo, ainda, a competência para análise do cumprimento dos requisitos legais para concessão e cancelamento de referida certificação. Dentre as alterações que causaram maior discussão, destacamse os preceitos contidos no artigo 37 da MP nº 446/2008, que assim estabeleceu: “Art. 37. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Parágrafo único. As representações em curso no CNAS propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores.” Fl. 410DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 407 9 Posteriormente, fora editada a Lei nº 12.101, de 27/11/2009, igualmente, contemplando os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, bem como os procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social. Relativamente ao tema posto em debate, mister ressaltar o disposto nos artigos 31 e 32 daquele Diploma Legal, constantes da Seção II – “Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção”, que assim prescrevem: “Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente.” Repousa exatamente nos dispositivos encimados a discussão aventada pela contribuinte e que nos fez pensar sobre o tema, para não lhe conferir direito, senão vejamos. Como se observa, com o advento da Lei nº 12.101/2009, o procedimento fiscal tendente a verificar o cumprimento dos requisitos do favor legal que ora cuidamos fora submetido a nova ordem, passando a entidade a usufruir da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias a partir da publicação da concessão da certificação, conquanto que observados os demais pressupostos para tanto, inseridos na Seção I da mesma Lei. Por seu turno, rechaçando os atos cancelatórios, determinouse que a fiscalização e a eventual constatação do descumprimento dos requisitos do benefício fiscal em comento deveria ser formalizada com a lavratura do auto de infração, contendo relatório demonstrando a inobservância de tais pressupostos em relação ao período objeto da fiscalização. Extraise daí a celeuma que permeia a presente demanda. De um lado, a autoridade lançadora achou por bem reenquadrar a entidade como não imune, desconsiderando o seu autoenquadramento naquela condição, inferindo para tanto que assim procedeu em razão do descumprimento das normas legais que regulam a matéria, cada uma a seu tempo, como acima explicitado. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Em outra via, pretende a contribuinte seja decretada a insubsistência/nulidade do feito, aduzindo para tanto que a autoridade fiscal deveria ter aguardado pretérita manifestação do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, cancelando ou suspendendo aludido benefício fiscal, contemplando os fatos que levaram a tal conclusão, para, somente assim, poder promover o lançamento, entendimento que não compartilhamos. Isto porque, o artigo 144, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a aplicação da legislação no tempo, é por demais enfático ao preceituar que deverá ser aplicado ao lançamento legislação posterior à ocorrência dos fatos geradores quando tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ou seja, novos procedimentos fiscalizatórios, in verbis: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido.” Foi precisamente o que ocorrera no caso vertente, onde a ação fiscal iniciou se 20/01/2011, como se extrai do Termo de Início de Procedimento Fiscal, de fls. 108, portanto, após a edição da Lei nº 12.101/2009, ressaltando, ainda, que os lançamentos somente foram consolidados/efetuados em 13/06/2011, com a ciência da contribuinte constante da folha de rosto dos Autos de Infração. Com o fito de rechaçar qualquer dúvida quanto à matéria, impende suscitar que o próprio Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, o qual regulamentou a Lei nº 12.101/2009, encampou tal entendimento ao determinar que os Atos Cancelatórios e Pedidos de Isenção pendentes de julgamento deveriam ser remetidos para as Delegacias da Receita Federal competentes, com a finalidade de verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, consoante se infere dos artigos 44 e 45, que assim preceituam: “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele Fl. 412DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 408 11 órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Melhor elucidando, se o próprio Decreto que regulamentou a Lei nº 12.101/2009, na linha do disposto no artigo 144, parágrafo 1º, do CTN, contemplou a retroatividade dos novos procedimentos para verificação da observância dos pressupostos para fruição da imunidade da cota patronal para os processos contemplando pedidos de isenção e cancelamento ainda pendentes de julgamentos, quiçá para os casos de ação fiscal em curso, como aqui se vislumbra. E mais, se os Atos Cancelatórios ainda pendentes de julgamentos perderam os efeitos e objeto, com a determinação da remessa às unidades da Receita Federal de origem, para nova análise do cumprimento dos requisitos da isenção, não se pode exigir a emissão de aludido ato para fins de cancelamento da imunidade em comento, após a edição da Lei n° 12.101/2009. Mister ressaltar, porém, que somente os procedimentos fiscalizatórios posteriores ao advento da Lei nº 12.101/2009 deverão observar os novos regramentos inseridos naquele Diploma legal, devendo verificar, no entanto, os requisitos do benefício fiscal em comento de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Em outras palavras, a questão procedimental deverá observar a legislação hodierna inscrita na Lei nº 12.101/2009, mas a questão material (os pressupostos em si da isenção) deve observância aos dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores. Com mais especificidade, não é demais lembrar que o entendimento estampado acima, se aplica exclusivamente aos novos procedimentos, iniciados ou já em curso após o advento da Lei nº 12.101/2009, não alcançado, portanto, aqueles que se findaram antes da edição de referida lei, mesmo porque as autoridades fazendárias não poderiam adivinhar os novos regramentos que seriam contemplados pela legislação futura. A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro Marco André Ramos Vieira, reconhecendo a aplicabilidade da Lei nº 12.101/2009 retroativamente aos fatos geradores anteriores à edição de referido Diploma legal, sobretudo no que tange as normas procedimentais, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN, conforme se depreende do julgado exarado nos autos do processo administrativo nº 10120.002408/201093, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO. O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DO DIREITO À ISENÇÃO. A percepção direta ou indireta de remuneração, vantagens ou benefícios, sob qualquer forma ou título, pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, de Entidade Beneficente de Assistência Social, implica a suspensão automática do direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 da Lei nº 12.101/2009, durante o período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em apreço, devendo a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrar o auto de infração relativo ao período correspondente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 230201.597 – 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª SJ do CARF – Sessão de 19/01/2012) (grifamos) Na esteira desse entendimento, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura dos presentes autos de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, andou bem a autoridade lançadora ao observar os procedimentos ali inscritos, aprofundandose na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta, dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, não havendo a necessidade de prévia emissão de Ato Cancelatório por parte do Fisco ou mesmo do Ministério competente para a concessão do CEBAS, impondo a manutenção do feito na forma conduzida. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da suposta imunidade da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos na legislação de regência, notadamente no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, artigo 28 da Medida Provisória n° 446/2008, e artigo 29 da Lei n° 12.101/2009, mormente em razão de sempre ter aplicado suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, conforme se pode verificar através de investigação contábil, sendo totalmente improcedentes os lançamentos em epígrafe, o quais encontramse embasados em simples suposições. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 409 13 A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a SEWA utilizou os seus recursos no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, continuando exercendo as suas atividades sociais, não tendo sofrido qualquer punição por parte dos órgãos competentes dos Poderes da República, mas somente intervenção e cumpriu os ditames da Lei, principalmente as regras que a fiscalização aponta como não cumpridas. Insurgese contra a pretensão fiscal, Sustenta não haver qualquer irregularidade com os convênios firmados com o Poder Público, representando mais de noventa e nove por cento da receita arrecadada, a qual se pode denominar subvenções para gastos para manutenção de suas atividades, não existindo nada apontado pela Fiscalização como irregular. Registra que a relação jurídica entre a Prefeitura de Aracaju e a Autuada era de Convênio (instrumentos jurídicos firmados sem visar lucro) e não de contrato de locação de mãodeobra, objetivando à época exclusivamente a execução de atividade gratuita na educação do trânsito, educação infantil, modalidade creches, nas comunidades carentes, através de parceria entre o Poder Público Municipal e a entidade SEWA, colocando seu pessoal na Entidade Municipal e em contra partida a Prefeitura Subvencionava a Entidade SEWA, cada Ente com suas responsabilidades. Suscita, por fim, que eventuais sobras advindas dessa atividade de parceria, era destinada à manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, em observância aos preceitos da legislação de regência, primando sempre a educação e a assistência social gratuitas para os necessitados, conforme garante a Constituição Federal. Não obstante as fundamentadas alegações de fato e de direito arguidas pela contribuinte em defesa de sua tese, seu insurgimento não é capaz de rechaçar a pretensão fiscal, como passaremos a demonstrar. O tema em debate envolve grande celeuma no âmbito dos julgamentos neste Colegiado. De um lado, a fiscalização por vezes entende que uma entidade sem fins lucrativos não poderia prestar serviços sob pena de desvirtuar de seus objetivos sociais, escorando seu entendimento, inclusive, em Parecer n° 3.272/2004, da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, o qual contempla o fornecimento de mãodeobra por parte de entidades beneficentes. No entanto, impende analisar com o devido cuidado cada caso posto em debate. Primeiro, aludido Parecer não vincula este Órgão Colegiado. Segundo, porque a jurisprudência administrativa vem aceitando a prestação de serviços por parte das entidades beneficentes, ainda que mediante cessão de mãodeobra, conquanto que não extrapole os limites razoáveis ou haja o seu desvirtuamento com a simples locação de mãodeobra. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra por parte recorrente, na forma que a legislação de regência contempla, capaz de justificar a isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias. Indispensável ao deslinde da controvérsia, antes mesmo de adentrar as questões meritórias impende transcrever os dispositivos constitucionais/legais que regulamentam a matéria, senão vejamos: Fl. 415DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 “ CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 2000) Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III sobre a receita de concursos de prognósticos. IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) [...] § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. § 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. § 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b". Fl. 416DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 410 15 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. [...] Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. § 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. § 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, na sua redação original, tendo em vista decisão exarada nos autos da Adin nº 2028/DF, que suspendeu, até julgamento final, a alteração daquele dispositivo legal introduzida pela Lei nº 9.732/98, contempla os requisitos a serem observados para o gozo do benefício fiscal em comento, nos seguintes termos: “ LEI Nº 8.212/91 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção.” Antes de seguir com o estudo, cabe aqui fazer um parêntese, relativamente ao instituto da imunidade/isenção, elencando sua finalidade e as condições para sua a fruição. Conforme se depreende dos dispositivos constitucionais acima transcritos, é dever do Estado, dentre outros, prestar aos administrados serviços de saúde, de maneira a atender as suas necessidades visando alcançar o bem estar da população, os quais serão financiados por toda sociedade na forma estabelecida no artigo 195 da CF. Entrementes, é notório que o Estado não reuni as condições necessárias ao atendimento pleno das demandas nas áreas de saúde, educação, etc. Em vista dessa realidade, o legislador constituinte contemplou mecanismos para que as entidades privadas pudessem exercer referido papel/dever do Estado, tendo como contrapartida a isenção e/ou imunidade de alguns tributos. Melhor elucidando, a instituição privada de saúde, educacional, etc, a qual pretendesse ofertar aos administrados a prestação de serviços médicos e/ou outros de forma gratuita, observados, ainda, os requisitos previstos em leis específicas, teriam direito ao gozo da isenção/imunidade dos tributos pertinentes. Ou seja, as entidades de assistência social desenvolvem atividades que se o Estado desenvolvesse, iria utilizar os recursos das contribuições para a seguridade social, consoante previsto no artigo 194 da Constituição Federal, justificando, assim, o tratamento tributário privilegiado conferido àqueles. Em outras palavras, a entidade que reunir os requisitos para se enquadrar como beneficente de assistência social, especialmente aqueles insculpidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, fará jus à imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias. Na hipótese dos autos, à primeira vista, poderseia concluir que a contribuinte cumpre com todos os requisitos da imunidade em comento. Isto porque, além de observar os demais pressupostos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação posteriormente vigente, de fato, prestaria serviços de assistência social, destinada ao amparo social de crianças desamparadas, carentes, com prioridade assistência ao filho de hansenianos, AUXILIANDO principalmente Órgão Públicos no desenvolvimento de suas atividades, o que estaria de acordo com o inciso III daquele dispositivo legal. Em suas razões recursais, após traçar histórico da entidade, explicitando as atividades que desenvolve, bem como suas certificações, se limita a recorrente a inferir/afirmar que aquela instituição presta serviços de assistência social, ao contrário do entendimento levado a efeito pela fiscalização. No entanto, com a devida vênia, enganase a recorrente, uma vez restar demonstrado no Relatório Fiscal um desvirtuamento dos seus objetivos institucionais, eminentemente no sentido de prestar assistência social, tendo em vista que os convênios Fl. 418DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 411 17 firmados com os Órgãos Públicos se prestam basicamente a suprir a carência de mãodeobra de aludidos órgãos, caracterizando a entidade como mera cedente de mãodeobra, o que foge ao seu desiderato, senão vejamos: “[...] Na folha de pagamento, apesar de existir o código de lotação específico para os segurados que trabalham na própria Sewa, código 05, no período de 07/2006 a 13/2010, somente nas competências 13/2008, 02/2009, 03/2009 e 04/2009 há trabalhadores com essa lotação, conforme discriminação a seguir: [...] 8.1. Salientase que: a) Na competência 13/2008, de um total de 869 segurados incluídos na folha de pagamento, apenas 3 estavam trabalhando na SEWA; b) Na competência 02/2009, de um total de 401 segurados incluídos na folha de pagamento, apenas 1 estava trabalhando na SEWA; c) Na competência 03/2009, de um total de 401 segurados incluídos na folha de pagamento, apenas 1 estava trabalhando na SEWA; d) Na competência 04/2009, de um total de 398 segurados incluídos na folha de pagamento, apenas 1 estava trabalhando na SEWA; 8.2. Verificase que em 55, das 59 competências fiscalizadas, 100% dos segurados, apesar de estarem na folha de pagamento da SEWA, tiveram a sua mão de obra cedida. Nas outras 4 competências esse percentual ficou acima de 99%. 8.3. Em relação à freqüência da cessão de mão de obra, observase a presença desse instituto em 100% das competências fiscalizadas. 9. A SEWA entregou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), para as competências de 07/2006 a 12/2010, com o código de recolhimento 150, em que são informados os locais de trabalho (SEWA ou estabelecimentos de terceiros) dos segurados. Apenas nas competências 13/2007, 13/2008, 01/2009 e 02/2009, constaram segurados trabalhando para a própria SEWA, nas seguintes quantidades: [...] 10. Na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) 2006, cópia anexa, verificase que de um total de R$ 5.357.811,89 de receitas, R$ 5.327.470,06, ou seja, 99,43% têm Fl. 419DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 origem nos convênios/contratos em que são cedidas mãos de obra. 10.1 Na parte das despesas, nessa mesma DRE 2006, observase que de um total de R$ 5.345.971,40, R$ 5.331.169,76, ou seja, 99,72% são despesas com os convênios/contratos em que são cedidas mãos de obra. 11. Na DRE 2007, cópia anexa, verificase que de um total de R$ 7.447.873,43 de receitas, R$ 7.417.963,05, ou seja, 99,60% têm origem nos convênios/contratos em que são cedidas mãos de obra. 11.1 Na parte das despesas, nessa mesma DRE 2007, observase que de um total de R$ 7.444.425,13, R$ 7.414.451,41, ou seja, 99,60% são despesas com os convênios/contratos em que são cedidas mãos de obra. 12. Na DRE 2008, cópia anexa, verificase que de um total de R$ 7.640.144,35 de receitas, R$ 7.626.783,26, ou seja, 99,83% têm origem nos convênios/contratos em que são cedidas mãos de obra. [...] 13. Na DRE 2009, cópia anexa, verificase que de um total de R$ 367.099,56 de receitas, R$ 354.648,50, ou seja, 96,61% têm origem nos contratos em que são cedidas mãos de obra. [...] 14. Na DRE 2010, cópia anexa, verificase que de um total de R$ 397.349,66 de receitas, R$ 397.068,85, ou seja, 99,93% têm origem nos contratos em que são cedidas mãos de obra. [...] 15. Para exemplificar os instrumentos de terceirização de mão de obra firmados pela Sociedade Eunice Weaver de Aracaju (SEWA), encontrase anexa cópia do Convênio n.° 01/2006 celebrado entre o Município de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (denominada Concedente nesse convênio), e a SEWA (denominada Convenente nesse convênio), objetivando a execução de atividade na Educação Infantil modalidade Creche, nas comunidades carentes da Capital. 15.1 A Cláusula Segunda desse convênio especifica os compromissos da Secretaria Municipal de Educação, entre eles constam: "A Exercer ampla e completa coordenação, assistência e fiscalização, em todas as fases de execução do presente convênio; " "B Aprovar a seleção e fiscalizar a atuação dos profissionais necessários a operacionalização do programa e garantir apoio técnico, administrativo e financeiro à Sociedade Eunice Weaver de Aracaju;" Fl. 420DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 412 19 "D Promover a capacitação dos Educadores Assistentes contratados pela Sociedade Eunice Weaver que desenvolverão atividades objeto deste Convênio;" "F Lotar os assistentes designados pela Sociedade Eunice Weaver, exclusivamente nas unidades de educação infantil — modalidade creche;" "H – Solicitar a substituição da equipe ou pessoa contratada pela CONVENENTE quando for detectada falha técnica no atendimento ou operacionalização dos Projetos Pedagógicos;" 15.2 A Cláusula Terceira desse convênio especifica os compromissos da SEWA, entre eles constam: "B Manter cadastros, prontuários e relatórios individualizados dos Assistentes, bem como quaisquer outros registros de modo a permitir monitoramento, fiscalização e inspeção sobre a execução;" "F – Viabilizar o atendimento às solicitações encaminhadas pela SECRETARIA visando adequar as ações de atendimento à criança de 0 a 3 anos, às suas necessidades reais;" "G – Apoiar ativamente as ações da SECRETARIA relativas ao atendimento à criança de 0 a 3 anos matriculadas nas Unidades de Ensino Públicas Municipais;" "H – Responsabilizarse pelos encargos trabalhistas, previdenciários ou fiscais, resultantes da contratação dos recursos humanos para execução do objeto deste Convênio, nos termos da legislação aplicável;" 15.3 A Cláusula Quarta cuida da vigência do convênio, inicialmente prevista para um prazo de 384 dias, a contar da data da sua assinatura, podendo, no entanto, a critério exclusivo da Secretaria Municipal da Educação ser prorrogado. 15.4 Esse convênio foi assinado em 13/02/2006 pela Secretária Municipal da Educação e pela Presidente da SEWA. 15.5 No Anexo I a esse convênio (plano de trabalho), cópia anexa, no item 3 (descrição do projeto), consta a justificativa da proposição: "Com o recente processo de passagem das creches públicas municipais da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania para a Secretaria Municipal de Educação, fazse necessário o aumento de recursos humanos para o atendimento crescente às crianças de 0 a 3 anos que se encontram matriculados nas escolas municipais de educação infantil. Estes recursos humanos se constituem de educadores assistentes, profissionais indispensáveis para melhoria da qualidade de ensino oferecida para essa faixa etária da população aracajuana." Fl. 421DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 15.6 Encontrase em anexo o Terceiro Aditivo a esse Convênio 001/2006, assinado em 001/2009 pela Secretária Municipal da Educação e pela Presidente da SEWA. 16. Acompanha este relatório fiscal cópia do Convênio n° 03/2007 celebrado entre a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito SMTT de Aracajú/SE (denominada 1ª CONVENENTE) e a SEWA (denominada 2ª CONVENENTE), em que o objeto é a realização do projeto de Educação e Mobilidade Urbana em Aracaju. 16.1 Diz a Cláusula Terceira (Responsabilidades) desse convênio: "Para a realização do objeto deste convênio a SMTT contribuirá com o repasse dos recursos financeiros explicitados na Cláusula Quarta deste instrumento, a serem utilizados, exclusivamente, em DESPESAS COM PESSOAL E ENCARGOS DA CONTRATAÇÃO para fins do objeto do presente Convênio, e a 2a CONVENENTE com a execução do projeto de Educação e Mobilidade Urbana em Aracaju, conforme definido em plano de trabalho elaborado pela SMTT através da sua Coordenadoria de Educação para o Trânsito. Parágrafo Único — A SMTT franqueará aos executores do projeto, constantes da relação de pessoal a ser encaminhada pela convenente, cartão de gratuidade funcional do transporte público urbano de Aracaju, para garantir seu deslocamento durante o período da prestação dos serviços." 16.2 A Cláusula Oitava cuida da vigência do convênio, inicialmente prevista para um prazo de 6 meses, a partir da data de sua assinatura, podendo ser prorrogado por igual período, por conveniência das partes. 16.3 Esse convênio foi assinado em 24/09/2007 pelo Superintendente da SMTT e pela Presidente da SEWA. 16.4. No Parecer Jurídico de 24/09/2007, cópia anexa, ratificado pelo Superintendente da SMTT, referente a esse convênio, no segundo parágrafo está dito: "Diante deste intento e, tendo em vista as atividades inerentes ao plano de trabalho desenvolvido pela Coordenadoria de Educação para o Trânsito, com a necessidade de uma efetiva ação dos educadores e a falta de pessoal disponível nos quadros desta autarquia e, para atendimento à demanda detectada quando da efetivação das diversas campanhas já em andamento, se faz necessária a ampliação dos educadores empregados no plano de trabalho." (grifos nossos) 17. Anexo a este relatório fiscal encontrase cópia do Convênio n° 03/2008 celebrado entre o Município de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (denominada Concedente nesse convênio), e a SEWA (denominada Convenente nesse convênio), objetivando a execução de Fl. 422DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 413 21 atividades na Educação Básica modalidades Infantil e Fundamental, nas comunidades carentes da Capital. 17.1 A Cláusula Segunda desse convênio especifica os compromissos da Secretaria Municipal de Educação, entre eles constam: A – Exercer ampla e completa coordenação, assistência e fiscalização, em todas as fases de execução do presente convênio, nomeando, para tanto, o gestor do convênio;" "B Aprovar a seleção e fiscalizar a atuação dos profissionais necessários à operacionalização do programa e garantir apoio técnico, administrativo e financeiro à Sociedade Eunice Weaver de Aracaju;" "D – Promover a capacitação dos profissionais contratados pela Sociedade Eunice Weaver que desenvolverão as atividades objeto deste Convênio:" "F – Lotar os profissionais designados pela Sociedade Eunice Weaver exclusivamente nas unidades de educação básica — modalidades infantil e fundamental;" "H – Solicitar a substituição da equipe ou pessoa contratada pela CONVENENTE quando for detectada falha técnica no atendimento ou operacionalização das ações desenvolvidas;" 17.2 A Cláusula Terceira desse convênio especifica os compromissos da SEWA, entre eles constam: "B Manter cadastros, prontuários e relatórios individualizados dos profissionais, bem como quaisquer outros registros de modo a permitir monitoramento, fiscalização e inspeção sobre a execução;" "F Adotar providências necessárias à contratação dos profissionais indicados no Plano de Trabalho, para desenvolver as atividades do programa;" "H – Responsabilizarse pelos encargos trabalhistas, previdenciários e fiscais, resultantes da contratação dos recursos humanos para execução do objeto deste Convênio, nos termos da legislação aplicável;" "L – Viabilizar o atendimento às solicitações encaminhadas pela CONCEDENTE, visando adequar as ações de atendimento às reais necessidades da educação básica;" "M Como contratante de pessoal, a SOCIEDADE EUNICE WEAVER DE ARACAJU poderá demitir a qualquer tempo os profissionais que não cumprirem as exigências relativas ao Programa, em consonância com o gestor do convênio." 17.3 Esse convênio foi assinado em 10/09/2008 pela Secretária Municipal da Educação e pela Presidente da SEWA. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 17.4. No Anexo I a esse convênio (plano de trabalho), cópia anexa, no item 3 (descrição do projeto), consta a justificativa da proposição: "Com a significativa redução do número de funcionários da Rede Municipal de Ensino, seja através de afastamento definitivo por aposentadoria, seja através de afastamento para readaptação motivada por problemas de saúde, fazse necessária a reposição de recursos humanos para o atendimento dos serviços educacionais ofertados à população, constitucionalmente definidos como direito inalienável do cidadão. Estes recursos humanos se constituem de profissionais técnicoadministrativos, garantidores da execução da atividade fim o exercício da docência indispensáveis para a continuidade do sistema educacional no município de Aracaju. " 17.5 Ainda nesse Anexo I, no item 4 (cronograma de execução), estão especificadas as funções exercidas pela mão de obra cedida pela SEWA e a respectiva quantidade: 115 Digitadores, 342 Serviços Gerais, 62 Porteiros e 5 Técnicos em Nutrição. 18. Apresentase anexa a este relatório fiscal cópia do Convênio n.° 002/2009 celebrado entre o Município de Aracajú, por meio da Secretaria Municipal da Educação (denominada Concedente nesse convênio), e a SEWA (denominada Convenente nesse convênio), objetivando a execução de atividades na Educação Infantil na modalidade Creche. 18.1. A Cláusula Terceira desse convênio especifica as obrigações da SEWA, entre eles constam: "A Promover a capacitação do pessoal contratado destinados a desenvolver as atividades objeto deste convênio;" "D – Manter cadastros, prontuários e relatórios individualizados dos profissionais, bem como quaisquer outros registros de modo a permitir monitoramento, fiscalização e inspeção sobre a execução; e documentação relativa ao registro da relação empregatícia;" "H – Adotar providências necessárias à contratação dos profissionais indicados no Plano de Trabalho, para desenvolver as atividades do programa, inclusive atender a NR7 e demais NR do MT e demais pertinentes ao tipo de contratação;" "I – Recolher em tempo hábil os encargos trabalhistas, previdenciários e fiscais, resultantes da contratação dos recursos humanos para execução do objeto deste Convênio, nos termos da legislação aplicável;" 18.2 A Cláusula Décima Segunda cuida da vigência do convênio, inicialmente prevista para um período de 12 meses, a partir da data de sua assinatura, podendo, no entanto, a critério exclusivo da Secretaria Municipal da Educação ser prorrogado. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 414 23 18.3. Esse convênio foi assinado em 04/05/2009 pela Secretária Municipal da Educação e pela Presidente da SEWA. 19. Por tudo que foi exposto acima, verificase que a Sociedade Eunice Weaver de Aracaju SEWA não cumpriu todos os requisitos necessários à manutenção da isenção das contribuições previdenciárias e das contribuições sociais para Terceiros, pois, preponderantemente, não utilizou os seus recursos no desenvolvimento de seus objetivos institucionais e sim no cumprimento de tarefas inerentes a outras pessoas jurídicas não detentoras da referida isenção. [...]” A extensa transcrição de parte do Relatório Fiscal tem por objetivo demonstrar que a entidade, em que pese ter como objeto institucional a prestação de assistência social, em verdade, desenvolveu atividades exclusivamente no sentido de ceder mãodeobra aos Órgãos Públicos que firmou convênios, com receitas e despesas de tais atividades representando mais de 99% do total, sem contar a ínfima lotação de funcionários na própria SEWA, no período objeto do lançamento. Ora, como relatado alhures, não se pode negar a possibilidade de haver cessão de mãodeobra por parte de entidades beneficentes de assistência social, conquanto que de maneira proporcional/razoável, não representando, ainda, o desvirtuamento de seus objetivos institucionais, como aqui se vislumbra. Por sua vez, a contribuinte em momento algum logrou demonstrar que, de fato, além da cessão de mãodeobra, desenvolve efetivamente serviços de assistência social, pelos seus próprios meios, de maneira a justificar a imunidade sob análise, se limitando a inferir que os “Convênios” são instrumentos jurídicos firmados sem visar lucro, tendo revertido toda sobra da receita em seus objetivos institucionais, deixando de apresentar qualquer prova neste sentido. Em outras palavras, a exclusiva atividade de cessão de mãodeobra de digitadores, serviços gerais, porteiros, técnicos em nutrição, professores, e outros, ou seja, fornecimento de recursos humanos (como estipulado nos convênios), ainda que tendentes a auxiliar no regular desenvolvimento das atividades inerentes do Estado (Órgãos Públicos), não se presta a assegurar o direito à imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias. Partindo dessa premissa, afigurase um verdadeiro contrasenso conceder imunidade a uma entidade privada que presta serviços/auxilia (fornece mãodeobra) por meio de Órgãos Públicos, o qual tem como finalidade precípua o atendimento gratuito à população. Como se observa, as atividades desenvolvidas pela entidade, portanto, isoladamente, não representam à observância do inciso III, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, que assim prescreve: “III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes;” Extraise da norma legal retro que a condição para fruição do benefício fiscal sob análise é a promoção a assistência social beneficente aos que necessitarem. In casu, quem Fl. 425DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 24 presta os serviços, ou seja, quem promove a assistência social, é o próprio Órgão Público, que já tem esse dever. Como a própria recorrente afirma a todo momento, a SEWA tão somente (sem qualquer intenção de minimizar os serviços desenvolvidos pela entidade) AUXILIA na prestação das atividades desenvolvidas pelos Órgãos Públicos. A SEWA não é mantenedora de um Hospital, Escola, Creche, etc próprios, utilizados na prestação de serviços de assistência social gratuitos à população carente, situação que se amoldaria à intenção do legislador ao contemplar a imunidade em epígrafe. O que a legislação de regência exige é a prestação de serviços de assistência social à população carente e, não, o auxílio nesta empreitada, sobretudo quando o agente principal é o próprio Estado (Órgãos Públicos). Repitase, a legislação de regência impõe a prestação de serviços de assistência social beneficentes/gratuitos aos necessitados e, não, o auxílio nessa atividade, mediante cessão de mãodeobra, enquadrandose como secundário ao alcance de sua finalidade. Tratase, pois, de prestação de serviços aos Órgãos Públicos e não a população carente diretamente, o que é feito pelas próprias contratantes. Acolherse o pleito da contribuinte significaria possibilitar o gozo da imunidade a qualquer entidade privada que auxiliar uma instituição pública na prestação de serviços públicos. Aliás, seria a Administração conferindo imunidade de contribuições previdenciárias a entidade que não desonera o Estado da prestação dos serviços assistenciais, mas simplesmente o auxilia nesta empreitada, sendo, no entanto, remunerada para tanto. No que concerne às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações a respeito do tema, uma vez já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. É o que se extrai do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATISVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, Fl. 426DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10510.722073/201111 Acórdão n.º 2401003.454 S2C4T1 Fl. 415 25 operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidandose a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mêscalendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.” (Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Dessa forma, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Registrese, que a própria fiscalização ao notificar o contribuinte do Auto de Infração tem o cuidado de informar, mediante o anexo “Instruções para o Contribuinte – IPC”, que a defesa poderá ser parcial ou total, considerando confessada a matéria que não fora objeto de contestação. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais argumentações da contribuinte, não se cogita em analisá las, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, Fl. 427DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 26 atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a exigência fiscal em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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