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Numero do processo: 10580.725972/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria em litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria em litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 97 2/ 20 11 -4 1 Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.102 2 RELATÓRIO Freire Informática Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Salvador/BA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$1.091.195,85 (um milhão, noventa e um mil, cento e noventa e cinco reais e oitenta e cinco centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$317.135,58 (trezentos e dezessete mil, cento e trinta e cinco reais e cinqüenta e oito centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$328.102,07 (trezentos e vinte e oito mil, cento e dois reais e sete centavos), e à Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$71.088,80 (setenta e um mil, oitenta e oito reais e oitenta centavos), acrescidos de multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e dos juros de mora, totalizando R$4.989.168,13 (quatro milhões, novecentos e oitenta e nove mil, cento e sessenta e oito reais e treze centavos), na data dos lançamentos. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração do IRPJ, foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos no ano calendário de 2008, com base no artigo 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), em virtude de a contribuinte, estando autorizada a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, ter deixado de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação, em relação ao seguinte fato: a escrituração do livro Caixa apresentado está em desacordo com a legislação de regência para a tributação do Lucro Presumido, qual seja, Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único, pois não contempla a movimentação financeira, inclusive bancária, da fiscalizada. O lucro arbitrado foi determinado com base na receita bruta conhecida, constituída por: receita omitida, representada por depósitos efetuados em contas bancárias de titularidade da Contribuinte, cuja origem dos recursos, a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, apurada conforme planilha em anexo e Termo de Verificação Fiscal, sendo capitulados no enquadramento legal os art. 27, inciso I, e 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 532 e 537 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999); outras receitas apuradas conforme planilha demonstrativa em anexo e Termo de Verificação Fiscal, com enquadramento legal no art. 536 do RIR/1999. Em decorrência, foram lavrados os Autos de Infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o Programa de Integração Social e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. O Termo de Verificação Fiscal registra os seguintes fatos: 1. Da Ação Fiscal – a empresa fiscalizada, constituída em 20/05/1996, conforme instrumento de alteração e consolidação do contrato social registrado na Juceb em 07/05/2007, exerce a Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.103 3 atividade operacional de “Desenvolvimento, Locação de Sistemas Aplicativos para Computadores (Softwares), Serviços de Informática e Consultoria Técnica na Área de Contabilidade Pública, Orçamento, Plano Plurianual, Folha de Pagamento, Recursos Humanos, Arrecadação Tributária, Educação, Saúde, Licitações e Contratos, Controle Interno e Informática”; – no cadastro do CNPJ consta o CNAE Fiscal nº 62.01500 – Desenvolvimento de Programas de Computador sob encomenda, como atividade principal exercida pela fiscalizada; – em relação ao anocalendário de 2008, apresentou DIPJ adotando como forma de tributação o lucro presumido, estando assim, sujeita à apuração e recolhimento da Cofins e do PIS com base na cumulatividade; – em 12 de janeiro de 2011, a Contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal, solicitando a apresentação dos livros e documentos ali relacionados; – a contribuinte atendeu parcialmente às solicitações contidas no Termo de Início de Procedimento Fiscal e, em 25 de fevereiro de 2011, foi reintimada a apresentar os demais elementos solicitados, todavia, não houve manifestação alguma da fiscalizada; – em 15 de março de 2011, foram emitidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) para o Bradesco S/A e para o Banco do Brasil S/A apresentarem os extratos bancários de contas de movimento, de titularidade da fiscalizada, nas respectivas instituições financeiras; – em 19 de abril de 2011, a fiscalizada apresentou: 1) extratos de contacorrente nº 13.029X, agencia 34606 do Banco do Brasil S/A e; 2) extratos de contacorrente nº 19437, agencia 3121, do Banco Bradesco S/A, ambos do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008. Na carta protocolo que acompanhou a entrega dos extratos, a fiscalizada esclarece que não possui escrituração dos livros Diário e Razão e que a composição da base de cálculo dos tributos em fiscalização reportouse apenas ao movimento do livro Caixa; – com base nos extratos bancários enviados pela fiscalizada e pelos bancos circularizados por RMF, foi elaborado um levantamento com os ingressos de recursos nas contascorrentes mantidas pela fiscalizada nos bancos Bradesco e Brasil, expurgando os valores relativos a estornos, empréstimos, transferências de mesma titularidade e outros valores que pelo seu histórico não corresponde a ingresso de receitas; – em 2 de maio de 2011, a fiscalizada foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal solicitando a comprovação da origem dos valores creditados/depositados nos bancos Bradesco e Brasil, conforme relação de valores anexa ao citado Termo; – novos extratos foram enviados pelo Bradesco S/A sinalizando que o levantamento de ingressos que havia sido feito estava incompleto, ou seja, faltava incluir os ingressos financeiros da contacorrente nº 9.3173, agencia nº 2757. Diante desta constatação, foi elaborado um novo Termo de Intimação Fiscal, contendo tão somente os ingressos no Banco Bradesco nas contascorrentes nº 1.9437, agencia 3121 e 93173, agencia 2757, enviado pelo correio, com AR, com ciência de 16 de maio de 2011, solicitando a comprovação dos ingressos conforme relação de valores anexa; – em 20 de maio de 2011 a fiscalizada apresentou três volumes encadernados contendo a movimentação das contas de sua titularidade no Bradesco e no Banco do Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.104 4 Brasil, conforme Termos de Intimação Fiscal lavrados em 28 de abril de 2011 e 10 de maio de 2011, respectivamente; – com base nas identificações e explicações da fiscalizada acerca dos ingressos financeiros acima mencionados, novas exclusões foram efetuadas tendo em vista ingressos de recursos oriundos de empresas do grupo relativos a mútuos e outros valores que não representam receitas; – o levantamento dos ingressos financeiros que correspondem a Receitas Operacionais auferidas pela fiscalizada, no anocalendário de 2008 revelou um montante de R$13.141.500,46, o que ensejou as seguintes constatações; DIPJ 2009 – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – a RFB recepcionou esta declaração sendo que o montante de receitas informadas nesta declaração é de R$2.204.764,64; Dacon 2008 – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – a RFB recepcionou as declarações de 2008 e as receitas nelas declaradas guardam relação com os valores declarados na DIPJ entregue; Livro Caixa referente a 2008 – a fiscalizada apresentou o Livro Caixa escriturado, no entanto, a escrituração não contempla a movimentação financeira de bancos da fiscalizada; – as verificações efetuadas na escrituração do Livro Caixa em confronto com os ingressos de recursos em bancos e o montante de receitas tributado em 2008, resultaram na constatação de omissão de receitas da atividade, o que ensejou a insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS no período fiscalizado; – foram elaboradas planilhas demonstrativas de apuração de base de cálculo, mês a mês, dos tributos federais tomandose como base o levantamento dos ingressos de recursos em bancos. Dos valores apurados foram abatidos os valores declarados em DCTF, de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em 2008; 2. Da Fiscalização – a omissão de receitas da atividade apurada ensejou a lavratura de auto de infração do IRPJ, lucro arbitrado, com reflexos na CSLL, na Cofins e na contribuição para o PIS, em relação ao anocalendário de 2008; 3. Do Auto de Infração – foi lavrado auto de infração do IRPJ, lucro arbitrado, com reflexos na CSLL, na Cofins e na contribuição para o PIS; 4. Da Qualificação da Multa de Ofício – a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados como omissão de receitas no auto de infração do IRPJ e Reflexos, se justifica tendo em vista o que preceitua o art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, por ser incontestável que o contribuinte, embora tenha auferido receitas operacionais da atividade, deixou de declarar grande parte da sua receita, e, por conseguinte, recolher os tributos devidos sobre suas receitas operacionais nas atividades de “Desenvolvimento, Locação de Sistemas Aplicativos para Computadores (Softwares), Serviços de Informática e Consultoria Técnica na Área de Contabilidade Pública, Orçamento, Plano Plurianual, Folha de Pagamento, Recursos Humanos, Arrecadação Tributária, Educação, Saúde, Licitações e Contratos, Controle Interno e Informática”; 5. Da Representação Fiscal para Fins Penais Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.105 5 – diante dos fatos aqui relatados que descrevem o contexto deste procedimento de fiscalização e considerando o que determina o art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990, que trata dos crimes contra a ordem tributária, efetuarseá a adequada Representação Fiscal para Fins Penais com o objetivo de que seja apurada a ocorrência de crime contra a ordem tributária conforme determina o dispositivo legal. A contribuinte tomou ciência dos lançamentos, impugnandoos em 27/06/2011, sob os argumentos expostos a seguir: OS FATOS – todos os depósitos foram devidamente identificados, não apenas a origem do negócio como o nome completo do depositante, assim, a tributação não poderia ser presuntiva na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, caso fosse esse o enquadramento legal correto, não poderia ser em períodos trimestrais. Ademais, o fisco também não poderia estender a presunção para as contribuições sociais, uma vez que o permissivo legal é válido para períodos a partir de fevereiro de 2009; – também não poderia quebrar o sigilo bancário da Impugnante sem autorização previa do Poder Judiciário, conforme decisão do STF nos moldes do art. 543B do Código de Processo Civil, conhecidos como “repercussão geral”, à luz do que determina o Parecer da PGFN/CRJ/nº 492/2010; – o arbitramento do lucro foi medida extremada e sem motivação, pois o Livro Caixa, in casu, contempla a movimentação bancária, todavia, com pontuais falhas. Esse fato em si não autoriza a solução pelo arbitramento, pois, centenas de decisões das Delegacias de Julgamento e outras centenas de acórdãos do Conselho de Recursos Fiscais lidam com a figura da omissão de receita por não comprovação de depósitos, leiase “valores não contabilizados” e, no entanto, os lucros não foram arbitrados, apenas foram adicionados àqueles para efeito de tributação nas modalidades de real ou presumido; DO DIREITO – preliminarmente, requer o sumário arquivamento do auto de infração em razão dos erros materiais e processuais contidos na peça vestibular em razão do que passa a descrever nos tópicos seguintes; I– QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. DECISÃO DO STF – a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o art. 5º, incisos X e XII da Constituição Federal de 1988, transcrito; – além do mais, ao contrário do que possa parecer, o sigilo bancário realiza o interesse coletivo da segurança e da liberdade, permitindo que os administradores desenvolvam suas atividades econômicas sem a ingerência estatal. Daí se conclui que o sigilo bancário, entendido como direito constitucional que viabiliza a confidencialidade dos dados e das informações conservadas pelas instituições financeiras, só pode ser infirmado quando houver manifesto interesse público, e desde que sob intervenção e o crivo do Poder Judiciário; – vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autorizam) e formais (o procedimento a ser adotado), sendo, portanto, requisitos de validade da quebra do sigilo bancário: a) a existência, no mundo fenomênico, de circunstancia legalmente prevista que a autorize; b) relevante interesse Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.106 6 público, que não se confunde com o direito da Fazenda Pública; c) autorização de autoridade judiciária; d) curso de um procedimento oficial (criminal ou parlamentar – STF, RE 389.808, Rel. Min. Marco Aurélio, 15/12/2010); e) respeito à finalidade definida quando da requisição dos dados; f) manutenção do sigilo perante terceiros; – a quebra do sigilo realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para a sua realização; – a autoridade fiscal requisitante apresentou como fundamento o art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata das hipóteses ensejadoras do regime especial para cumprimento de obrigações pelo sujeito passivo. Não assinalou, contudo, qual a circunstância específica, no âmbito do dispositivo, que autorizaria a adoção da medida. Tal atitude da requisitante coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas, pois não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público; – a autuada em momento algum se negou a prestar as informações requisitadas, mas apenas solicitou a prorrogação do prazo para a entrega, o que denota sua boafé. Além do mais, os esclarecimentos prestados pelo contribuinte não foram analisados pela Fiscalização, que preferiu se acomodar com os dados obtidos pelo ilegal e violento procedimento adotado; – o vício acima apontado, em que pese gravíssimo e capaz, per si, de nulificar todas as infrações em discussão, é ofuscado por outro, muito mais evidente. Tratase da inexistência nos autos de decisão emanada por autoridade judiciária autorizando a quebra do sigilo bancário. Ou seja, a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a intervenção do Poder Judiciário, por exclusiva atuação da Receita Federal do Brasil. Como explica o mestre Yves Gandra da Silva Martins (Artigo publicado em “O Estado de São Paulo”, de 08 de janeiro de 2002) o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento de que é indispensável a autorização de autoridade judiciária – que é órgão isento e eqüidistante entre as partes – para efetivação da quebra do sigilo bancário. Cita ainda julgado do STF, de 1999; – confirmando esta linha de raciocínio, e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01 (transcreve acórdão e conclusão do voto) – portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia; – na linha de raciocínio aqui desenvolvida, a decisão monocrática da Ministra Carmem Lúcia (transcreve) consigna e comprova que o recurso extraordinário 389.808 Paraná é de repercussão geral; – transcreve parte da conclusão do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 2010, editado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, sobre a validade dos decisórios do STF em caráter de repercussão geral (transcreve parte da conclusão); – desse modo, o mínimo esperado do Julgamento é que mande cancelar o auto de infração ou determine o sobrestamento; II– DEPÓSITO BANCÁRIO: CRITÉRIO TEMPORAL Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.107 7 – a Impugnante requer o arquivamento do auto de infração também em razão da não aplicação do critério de apuração mensal, sobre os valores havidos como omissão de receita, por depósitos não comprovados, em flagrante desobediência ao artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (transcrito), pois este exige que os depósitos não comprovados sejam agrupados e tributados em lapsos temporais mensais; – o parágrafo primeiro do art. 42 referese ao lapso temporal nos quais os valores não comprovados devem ser agrupados para serem tributados mensalmente, não havendo qualquer possibilidade de outro período que não seja o mensal. Enquanto isso, no caso, os depósitos não comprovados foram tributados no imposto de renda em agrupamento de períodos trimestrais, desse modo contrário à literalidade da lei e por isso nulo; III– DEPÓSITO BANCÁRIO: QUANDO COMPROVADO NÃO É CASO DE PRESUNÇÃO – ERRO ENTRE FATO E BASE LEGAL – verificando que todos os depósitos bancários foram devidamente identificados, inclusive endereço, uma vez que os depositantes são pessoas jurídicas de direito público e em maioria Prefeituras Municipais, o fisco não poderia ter efetuado o lançamento pelo critério legal da presunção de omissão, ou seja, deveria lançar utilizando o enquadramento legal ao fato efetivamente ocorrido; – desse modo, ao efetuar o lançamento com base legal não aplicável ao caso o crédito perde o caráter de liquidez e certeza pela fragilidade e irregularidade da incorreta autuação (transcreve jurisprudência administrativa); eventualmente tributar pelo critério da prova direta, sem uso da presunção de omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996;– insubsistente o auto de infração uma vez que aponta uma base legal que não se coaduna com o fato sabidamente ocorrido; IV– DA REVOGAÇÃO PARCIAL DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – com a edição da LC 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, o legislador revogou parcialmente a tributação presuntiva do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando da não comprovação da origem, ao autorizar o fisco federal a requerer das instituições depositantes todos os esclarecimentos e documentos das transações, na dicção do art. 5º da LC 105, de 2001 (transcrito parcialmente); – o legislador ao suprir de competência o agente fiscal federal para requisitar, fiscalizar, auditar e obter os documentos adequados para a apuração dos fatos vinculados a operações financeiras acabou por inviabilizar parcialmente a possibilidade de aplicação do art. 42, da Lei nº 9.430, pois, quando o fiscalizado não comprova a origem dos depósitos, aquela autoridade deve fiscalizar auditar e requerer as informações e documentos adequados ao esclarecimento dos fatos junto a terceiros, inclusive instituições financeiras, quer dizer, elucidando a origem e motivação; – lamentável é que o fisco tenha renunciado a sua competência legal, com infringência ao art. 42 do CTN, e não aprofundou a investigação como determina a boa técnica de auditoria e exige a lei tributária, ou seja, não requisitou as cópias dos cheques depositados, não identificou os TED’s, limitouse aos extratos; – a conclusão é que o auto de infração é nulo em razão de o fisco ter tributado utilizando dispositivo de presunção, quando a determinação legal era de manobrar a prova direta, uma vez que a LC 105 revogou tacitamente o art. 42 da Lei nº 42 da Lei nº 9.430, na hipótese em que sejam perfeitamente identificados os depositantes e a Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.108 8 natureza jurídica dos depósitos, como é o caso dos depósitos em cheques e TED’s. Assim, o não aprofundamento da investigação resulta em ilegalidade. Mais ainda, os depositantes são pessoas jurídicas do direito público e todos (cem por cento) foram identificados, como comprova o documento entregue ao fisco que a Impugnante estima que tenha sido juntado ao processo; V– NÃO APLICABILIDADE NAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430, PARA FATOS GERADORES ATÉ JANEIRO DE 2009 – verificandose as espécies tributárias encontramos princípios, regras e institutos comuns e especiais. No campo prático observamse especialidades como o instituto da presunção, aqui entendida como uma espécie de atalho legal que faz uso de provas circunstanciais ou de evidencias, todas previamente enunciadas em atos legais autorizados, os quais determinam que sua ocorrência faz prova da ocorrência de outro fato geralmente de difícil comprovação, muito utilizado no direito tributário e proibido no direito penal; – dessa forma, as particularidades de um determinado tributo só podem ser utilizadas por outro se especificamente houver enunciado determinando sua aplicabilidade, até porque o Código Tributário Nacional (CTN) proíbe o uso da analogia para exigir tributo (transcreve o art. 108 do CTN); – retomase a questão da presunção de omissão de receita na hipótese de depósitos não comprovados, relativa ao imposto de renda, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre o alcance do instituto dessa presunção nos demais tributos; – o Decreto nº 4.524, de 2002, tratou de regulamentar as contribuições do PIS e Cofins, e no capítulo que trata de arbitramento de base de cálculo, diz, no art. 91, que: verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda; – a omissão de receita a que se refere o art. 91 não é aquela advinda de presunção prevista em lei, como a exemplo de saldo credor de caixa, passivo fictício e do funesto depósito não comprovado, uma vez que esses últimos são provas indiretas de omissão de receita a qual uma vez deduzidos os requisitos de presunção pelo fisco o ônus da prova é invertido para o sujeito passivo; – outra característica é que a omissão de receita decorrente de presunção legal dela não se sabe a origem, se de venda de mercadoria ou serviço, da consecução do objeto societário, de venda de ativo nãocirculante (Lei 11.638 de 2007) ou de receita de transações estranhas ao negócio da sociedade ou nem tenha sido produzido na sociedade, como o caso de sócio que injeta recurso na sociedade empresarial liquidando obrigações e não faz os registros contábeis pertinentes. Sabese apenas que é um redito, um plus, um ingresso não registrado na contabilidade e detectável por auditoria; – também, é característica da omissão de receita a imprecisão do exato valor omitido, por isso a lei que institui a presunção a delimita pela aparência, a exemplo do valor do saldo credor de caixa, passivo fictício e do depósito não comprovado; – a presunção legal de receita não se confunde com a figura da receita propriamente dita, não apenas pelo que foi exposto, mas porque se trata de ficção jurídica;– as presunções de omissão de receitas em per si autorizam apenas a constituição do crédito tributário, lançado sob o rótulo de “omissão de receita” por equiparação, mas não possuem força probatória para aplicação de multa qualificada; Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.109 9 – não é sem razão que a jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes pacificou o entendimento de que a multa qualificada não poderia ser em decorrência de omissão de receita detectada por presunção e o atual Conselho de Administração de Recursos Fiscais adotou o mesmo critério (transcreve Súmula Carf nº 25); – retornando ao art. 91 do Decreto, vale revelar que nenhum dos dispositivos do enunciado traz a determinação de aplicar a presunção do imposto de renda sobre as contribuições sociais, assim, com o objetivo de evitar remição, transcreve cada um dos dispositivos mencionados, a saber: Lei nº 8.212, de 1991, art. 33, caput e §§ 3º e 6º – texto em vigor na data da publicação do decreto nº 4.524, de 2002; Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 10, parágrafo único; Lei nº 9.715, de 1998, art. 9º e 11 e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24 – texto em vigor na data da publicação do Decreto nº 4.524, de 2002; – a omissão de receita de que trata o caput do art. 24 mencionado acima é omissão de receita real, efetiva, e não aquela decorrente de presunção legal, pois, como antes argumentado e provado, as decorrentes de presunção são acompanhadas das expressões “considerase” ou “caracterizase”; – a decomposição do art. 91 do Decreto nº 4.524, de 2002, demonstra de forma definitiva que as presunções de omissão de receitas de enunciados do imposto de renda nunca foram reivindicados por enunciados legais para aplicar nas contribuições do PIS e da Cofins; – quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei nº 7.689 de 1988, o enunciado do §2º, do artigo 102, da Instrução Normativa nº 390/04, editada pela Receita Federal (em destaque na transcrição do citado artigo), é ilegal, pois inexiste lei que autorize a constituição de crédito tributário nos moldes inventados pela Receita Federal, pois a lei que instituiu a exação, Lei nº 7.689, de 1988, apenas admitiu, em seu art. 6º, que: A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades e ao processo administrativo; – a autorização da lei é sobre obrigações instrumentais e procedimentos processuais. Assim a Instrução Normativa é ilegal, pois não foi editada com observância de Lei. Aliás, esse tipo de ilegalidade é repudiado pelo Carf com o afastamento do ato administrativo (cita ementa de acórdão do Carf); – só após a edição da Medida Provisória nº 449, de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, é que as presunções de omissão de receitas previstas na legislação do imposto sobre a renda foram autorizadas a serem aplicadas sobre as contribuições sociais, no teor do art. 26, que alterou o art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (transcrito parcialmente); – desse modo, fica comprovado que inexistia norma determinando a extensão da presunção para as contribuições. Mas, a questão não é nova, porque quando foi editada a Lei nº 9.430, trazendo ao ordenamento jurídico as figuras de presunção descritas nos artigos 40, 41 e 42, foram suscitadas duas questões: i) se era possível a tributação dos fatos pretéritos sob o manto da odiosa presunção simples, e ii) se a norma de presunção poderia abrigar fatos geradores anteriores à publicação da nova norma. Essas questões foram enfrentadas e produziram Acórdãos no Carf (transcritos) cujo entendimento é no sentido de que antes do advento da Lei nº 9.430/96, não prevalecem os lançamentos Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.110 10 com base em depósitos bancários e em passivo não comprovado, fundados em presunção simples; – analisando a questão por outro ângulo, podese afirmar, mesmo que houvesse extensão das presunções de omissão de receitas previstas para o imposto de renda em período que abarcasse os fatos geradores de 2008, também não alcançaria a situação da Impugnante, no que respeita às contribuições do PIS e Cofins pelo fato dessas exações estarem ao abrigo da Lei nº 9.718, de 1998, com apuração cumulativa, cujo fato gerador é o faturamento; – o faturamento, segundo a Lei nº 9.718, é a receita bruta. Conceitualmente, a receita bruta decorre da venda de mercadoria e ou serviço, o que corresponde a faturamento, enquanto a expressão “omissão de receita” decorrente da presunção legal é ampla, pois não consigna qual o tipo de receita, ou seja, não se sabe se é receia que compõe ou não o conceito de receita bruta. Logo, não pode compor a base de cálculo formada apenas pelo faturamento; V– ARBITRAMENTO DO LUCRO – a Impugnante optou por apurar o imposto de renda pelo lucro presumido, para tanto, adotou a escrituração simplificada admitida pela Lei Complementar nº 123, de 2007. Assim, escriturou o Livro Caixa e nele a movimentação bancária e o arbitramento ocorreu, nos dizeres do autuante, em razão de diversos depósitos bancários não estarem escriturados. O fato de existirem eventuais falhas na escrituração de depósitos bancários não a torna imprestável, mormente quando se trata de forma simplificada de escrituração do Livro Caixa; – ademais, a lavratura de auto de infração de omissão de receita por depósitos bancários não comprovados, por si só não autoriza medida de tal dramaticidade, pois sobre o montante encontrado pode ser cobrado imposto na mesma modalidade originalmente escolhida. Aliás, nos diversos julgados da Delegacia de Julgamento no Brasil, inclusive Salvador, as infrações de não comprovação de depósito bancário não resultaram em arbitramento de lucro, a exemplo dos acórdãos transcritos; – é notório que nos casos acima transcritos houve a mesma infração apontada pelo fisco, ou seja, não comprovação de depósito bancário cuja falha decorre da falta de registro contábil do evento. Contudo, a ausência de registro contábil daqueles depósitos não resultou em arbitramento do lucro, quer tenha sido apurado originariamente o imposto pelo critério do lucro presumido, quer tenha sido pelo critério do lucro real; – é insubsistente o arbitramento VII– MULTA QUALIFICADA – aplicase a multa qualificada quando o fisco comprova a existência de fraude, dolo ou simulação. Por se tratar de penalidade, mesmo que administrativa, mas com persecução criminal, não é possível sua aplicação por presunção. É necessário que evidencie o fato e colha provas que dêem substância à alegação pretendida; – a sonegação não pode ser alegada a partir de inferência, mas de feixes de evidência transparentes e robustas de elementos probatórios. Por isso, não pode ser fruto da suposição ou em decorrência de alegações genéricas. Há que ser específica e individualizada no seu conteúdo e essência; – no caso concreto, a autuante faz alegações genéricas e sem apresentação de provas ou circunstâncias com descrição do evento capazes de subsumir o fato à norma Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.111 11 da prática de ilícitos suficientes para aplicação de multa qualificada e a conseqüente representação para fins penais; – o enquadramento legal utilizado é de sonegação, a base legal informada no Termo de Verificação Fiscal é o 71, da Lei nº 4.502, de 1964, transcrito. O fato narrado, mesmo que de forma superficial, não subsume ao tipo sonegação, pois a Impugnante não deixou de apresentar nenhum documento a que estava obrigada, também não os retardou. Todas as obrigações instrumentais foram exibidas e apresentadas no prazo legal, mas que ao final satisfez a obrigação; – na verdade, a autuante narrou o fato de forma deficiente, pois dele não é possível extrair convicção de crime, uma vez que “eximirse da tributação” é expressão vaga, ambígua e de largas possibilidades. Eximirse pode ser declarar uma receita ou ainda oferecêla em valor menor que a efetiva, mesmo assim a ação descrita não confere com o conceito legal de sonegação, que é “impedir ou retardar o conhecimento”; – enquanto isso, a infração capaz de gerar crédito tributário descrita no auto de infração foi exclusivamente a não comprovação de depósito bancário, cuja autorização para tributar é presuntiva. Logo, a não comprovação de depósito bancário é fato incapaz de por si só ser o bastante para subsumirse simultaneamente à mesma norma que constitui crédito tributário e direito material em sede de penalidade qualificada (transcreve a Súmula 25 do Carf, à qual, a Portaria MF nº 383, de 12 de junho de 2010, atribuiu efeito vinculante em relação à administração tributária federal); – segundo a Auditora, o crime fiscal cometido decorre da quantidade de receita que deixou de ser declarada. Ocorre que não há norma estabelecendo a quantidade razoável nem há baliza para demarcar o limite entre esse e uma “grande quantidade de receita” e nem a autora do ato administrativo se deu ao trabalho de demonstrar a razão ou parâmetro para considerar “grande quantidade”. Portanto, diante da imprecisão da expressão e da falta de norma delimitadora, a Impugnante vê suprimidas suas efetivas possibilidades de exercer o direito de defesa em face do subjetivismo;– insubsistente a multa qualificada VIII– NULIDADE. MULTA QUALIFICADA SOBRE RECEITA DECLARADA – o fisco rejeitou a apuração do lucro presumido, em que havia sido utilizado o percentual de 32%, e arbitrou o lucro. Adiante, considerou como receita a totalidade dos depósitos bancários e os tributou na integralidade com o uso do percentual de lucratividade de 38,4%, e do imposto encontrado deduziu a quantia já paga e aplicou multa qualificada sobre a diferença. Este procedimento é equivocado e ilegal, pois, embute dois erros: i) suprime uma irregularidade (infração), ao tributar por diferença, e ii) aplica multa qualificada sobre a diferença de imposto resultante da majoração da base de cálculo no que respeita ao percentual de presunção do lucro presumido e arbitrado; – o procedimento correto, em considerando que as receitas declaradas estavam no rol dos depósitos não comprovados, seria lavrar o auto de infração com dois itens de irregularidades: um cobrando a diferença de imposto resultante da majoração do percentual de presunção de 32% para 38,4% em face do arbitramento e incidente sobre as receitas declaradas, com multa de ofício em 75%; e o segundo, depois deduzir do montante de depósitos não comprovados os já declarados e sobre a diferença aplicar o percentual de arbitramento e a multa qualificada, se fosse o caso; Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.112 12 – em síntese, o fisco transformou duas infrações em uma, manipulou o total do imposto devido e aplicou multa qualificada sobre receitas declaradas. Portanto, ilegal e nulo; – insubsistente o lançamento por absoluta ilegalidade; O PEDIDO – em face do exposto requer que esta Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador determine o cancelamento do auto de infração em razão de:1) quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; 2) tributação de receitas apuradas por presunção em período diferente do mensal; 3) erro da tipificação do fato e respectivo enquadramento; 4) uso de norma revogada; 5) aplicou norma de presunção sobre as contribuições sociais um ano antes da vigência; 6) arbitramento com motivação inadequada; 7) impropriedade de aplicação de multa qualificada; e 8)erro na aplicação de multa qualificada sobre receita oferecida à tributação. Enfim, que pratique todos os atos, como de hábito, para que se alcance a verdadeira justiça.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 15028.348 (fls. 9961.029) de 21/09/2011, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 NULIDADE. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram receitas omitidas os valores correspondentes aos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Deve ser arbitrado o lucro da pessoa jurídica optante pelo Lucro Presumido que, regularmente intimada, não apresenta à Fiscalização o Livro Caixa, no qual estejam escriturados os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período de forma a refletir toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ou escrituração contábil de acordo com a legislação comercial, tudo comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.113 13 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATURAMENTO. A omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada constitui faturamento, devendo ser tributada pelas contribuições sociais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA EXPRESSIVA E REITERADA. Verificase da Súmula nº 25 do Carf que não há qualquer vedação à aplicação de multa qualificada nos casos em que a infração decorre de presunção legal de omissão de receitas. Apenas exigese que a este fato esteja atrelada a devida existência da conduta dolosa, que no presente caso ficou comprovada pela prática reiterada de omitir do Fisco expressiva receita da atividade auferida pela pessoa jurídica, o que caracteriza sonegação fiscal.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 01/11/2011 (A.R. de fl. 1.096) a interessada interpôs recurso voluntário em 27/11/2011 (fls. 1.0341.095) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.114 14 VOTO Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Há que se reconhecer, de início, que o presente processo traz, dentre outras, matéria relativa a acesso a dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Passo a enfrentar esse tópico específico me valendo dos fundamentos, que adoto como razões de decidir neste Voto, apresentados pelo i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que transcrevo abaixo. “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.115 15 Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.116 16 Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.117 17 os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Resolução nº 1402000.143 S1C4T2 Fl. 1.118 18 Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Por todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento do presente processo, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.720430/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE NORMA VIOLADA. INEXISTÊNCIA.
O lançamento se deu pela falta de apuração do ganho de capital na redução do capital social do recorrente.
Assim, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo.
DEVOLUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL COM BENS. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. INCLUSÃO DE ÁGIO NO VALOR CONTÁBIL. PERDA DO FUNDAMENTO ECONÔMICO POR DESFAZIMENTO DO NEGÓCIO QUE GEROU O ÁGIO.
De forma usual, caso se decida desfazer uma compra e venda de participação societária contabilizada com ágio, deve-se realizar nova compra e venda onde o valor originalmente pago será considerado com custo de aquisição, baixando-se o valor do investimento e do ágio na apuração do ganho de capital.
Contudo, se as partes decidem realizar o negócio de modo diverso, de forma que o ágio permaneça contabilizado após a devolução do preço, os efeitos desse procedimento não são oponíveis ao Fisco, pois a mais valia escriturada perdeu seu fundamento econômico e sua razão de existir.
Assim, quando da devolução do capital social aos sócios com ações que ocasionaram o pagamento do sobrepreço, e para as quais o ágio foi deslocado por meio de incorporação da investidora, não é possível se admitir que esse ágio componha o custo de aquisição para reduzir o ganho de capital, nos termos do art. 419 do RIR/99.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento tanto do tributo quanto da penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, portanto, envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária.
Como consequência, é legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento.
LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA
Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-001.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que davam provimento ao recurso. O conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto acompanhou o relator pelas conclusões. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento, em seu lugar, o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Marcelo Baeta Ippolito.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE NORMA VIOLADA. INEXISTÊNCIA. O lançamento se deu pela falta de apuração do ganho de capital na redução do capital social do recorrente. Assim, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo. DEVOLUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL COM BENS. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. INCLUSÃO DE ÁGIO NO VALOR CONTÁBIL. PERDA DO FUNDAMENTO ECONÔMICO POR DESFAZIMENTO DO NEGÓCIO QUE GEROU O ÁGIO. De forma usual, caso se decida desfazer uma compra e venda de participação societária contabilizada com ágio, deve-se realizar nova compra e venda onde o valor originalmente pago será considerado com custo de aquisição, baixando-se o valor do investimento e do ágio na apuração do ganho de capital. Contudo, se as partes decidem realizar o negócio de modo diverso, de forma que o ágio permaneça contabilizado após a devolução do preço, os efeitos desse procedimento não são oponíveis ao Fisco, pois a mais valia escriturada perdeu seu fundamento econômico e sua razão de existir. Assim, quando da devolução do capital social aos sócios com ações que ocasionaram o pagamento do sobrepreço, e para as quais o ágio foi deslocado por meio de incorporação da investidora, não é possível se admitir que esse ágio componha o custo de aquisição para reduzir o ganho de capital, nos termos do art. 419 do RIR/99. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento tanto do tributo quanto da penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, portanto, envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Como consequência, é legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE NORMA VIOLADA. INEXISTÊNCIA. O lançamento se deu pela falta de apuração do ganho de capital na redução do capital social do recorrente. Assim, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo. DEVOLUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL COM BENS. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. INCLUSÃO DE ÁGIO NO VALOR CONTÁBIL. PERDA DO FUNDAMENTO ECONÔMICO POR DESFAZIMENTO DO NEGÓCIO QUE GEROU O ÁGIO. De forma usual, caso se decida desfazer uma compra e venda de participação societária contabilizada com ágio, devese realizar nova compra e venda onde o valor originalmente pago será considerado com custo de aquisição, baixandose o valor do investimento e do ágio na apuração do ganho de capital. Contudo, se as partes decidem realizar o negócio de modo diverso, de forma que o ágio permaneça contabilizado após a devolução do preço, os efeitos desse procedimento não são oponíveis ao Fisco, pois a mais valia escriturada perdeu seu fundamento econômico e sua razão de existir. Assim, quando da devolução do capital social aos sócios com ações que ocasionaram o pagamento do sobrepreço, e para as quais o ágio foi deslocado por meio de incorporação da investidora, não é possível se admitir que esse ágio componha o custo de aquisição para reduzir o ganho de capital, nos termos do art. 419 do RIR/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 30 /2 01 2- 41 Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.540 2 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento tanto do tributo quanto da penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, portanto, envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Como consequência, é legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que davam provimento ao recurso. O conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto acompanhou o relator pelas conclusões. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento, em seu lugar, o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Marcelo Baeta Ippolito. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.541 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, que exigiu o imposto suplementar no valor de R$ 536.378.597,27, e o Auto de Infração decorrente de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que lançou contribuição no valor de R$ 193.096.295,01, tendo os valores principais sido acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora (fls. 2.242 a 2.256). A infração lançada se refere à falta de contabilização de ganho de capital apurado na redução de capital social com a entrega de ativos aos sócios acima do valor contábil, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.194 a 2.241. A autuação decorre da análise dos fatos que terminaram com a oferta pública inicial de ações (IPO) da Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos, conhecida como Visanet. Ressaltese que a acusação fiscal descreve minuciosamente as complexas operações societárias realizadas. No relato que a seguir se transcreve, suprimi detalhes operacionais e procedimentos intermediários com o objetivo de facilitar a compreensão dos fatos. 1 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS FATOS (...) 1.1 VISÃO GERAL Iremos verificar, inicialmente, como o Grupo Bradesco participou do IPO da Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos, conhecida como Visanet. A Columbus Holding S/A (Columbus), que era empresa pertencente ao Grupo Bradesco e inicialmente não possuía nenhuma ação da Visanet, recebeu 535.792.789 ações da Visanet, através de subscrição de seu capital, de 05 (cinco) empresas do Grupo Bradesco nos meses de abril e maio de 2009, um pouco antes do IPO que ocorreu em junho de 2009. O quadro a seguir resume as subscrições do capital da Columbus, devemos observar que em alguns casos houve o registro de pagamento de ágio na subscrição de ações: AÇÕES DA VISANET ENTREGUES AÇÕES DA COLUMBUS SUBSCRITAS DATA EMPRESA QTD VALOR PREÇO AÇÃO QTD SUB CAPITAL SUBSCRITO ÁGIO 15/04/09 Banco Alvorada 105.374.499 39.772.957,63 0,38 105.374.499 39.772.957,63 0,00 15/04/09 Banco Boavista 214.100 80.808,32 0,38 214.100 80.808,32 0,00 15/04/09 Alvorada Cartões 804.090 303.498,55 0,38 804.090 303.498,55 0,00 22/04/09 Elba Holdings 175.579.400 568.590.141,99 3,24 175.583.353 66.273.008,58 502.317.133,41 04/05/09 Rubi Hodings 253.820.700 3.048.063.870,81 12,01 253.820.695 95.804.095,08 2.952.259.775,73 TOTAL 535.792.789 33.656.811.277,30 66,83 535.796.737 202.234.368,16 3.454.576.909,14 (...) Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.542 4 O Coordenador Líder foi o Banco Bradesco BBI S/A e citaremos, pela sua relevância neste trabalho de fiscalização, o Goldman Sachs do Brasil Banco Múltiplo S.A. e o Goldman Sachs & Co, que atuaram como Coordenador da Oferta e Agente de Colocação Internacional, respectivamente. (...) Todas as ações foram vendidas pelo valor unitário de R$ 15,00, logo o valor total da venda foi de R$ 2.599.913.145,00, como o custo contábil destas ações era de R$ 1.178.461521,12 (173.327.543 ações * R$ 6,80), foi apurado um ganho de capital total de R$ 1.421.451.623,88. O ágio de R$ 3.437.214.726,69, contabilizado na Columbus como parte integrante do valor contábil das ações Visanet, reduziu significativamente o ganho de capital apurado no IPO. O valor deste ágio e a disparidade entre os valores unitários das ações da Visanet que foram entregues, praticamente na mesma data, pelas empresas pertencentes ao Grupo Bradesco, com uma variação de 3.160% entre os valores unitários máximo (R$ 12,01) e, mínimos (R$0,38), levou esta fiscalização a tentar apurar qual era a origem das ações Visanet e o seu custo de aquisição. (...) No presente caso iremos analisar o percurso efetuado pelas 253.820.700 ações da Visanet, que foram entregues pela Rubi na capitalização da Columbus, e que envolveram transações entre empresas do próprio Grupo Bradesco e do Grupo Bradesco com o Grupo Goldman Sachs. Como a análise de todo o processo é extremamente complexa, dividimos o mesmo em 03 fases para simplificar o seu entendimento, a saber: Fase 1 Transações apenas entre empresas do Grupo Bradesco, com a saída das ações Visanet do Banco Alvorada e transferência das mesmas, sem ágio, entre empresas do grupo Bradesco até a Ferrara; Fase 2 Transações entre empresas do Grupo Bradesco e do Grupo Goldman Sachs pela participação acionária nas ações da Visanet detidas pela Ferrara; Fase 3 Transações apenas entre empresas do Grupo Bradesco, com a aquisição da Quixaba pela Rubi e a saída das ações Visanet da Ferrara e transferência das mesmas, com ágio, entre empresas do grupo Bradesco até a Columbus. 1.2 FASE 1 VISÃO GERAL Esta fase envolveu as seguintes empresas do Grupo Bradesco: Banco Alvorada, Ferrara Holdings S/A (Ferrara Holdings), Aicaré Holdings Ltda (Aicaré) e Anapurus Holdings Ltda (atual Ferrara Participações S/A) (Anapurus/Ferrara). Nesta fase ocorreu a saída das ações da Visanet do Banco Alvorada e as transferências das mesmas para a Ferrara Holdings, que posteriormente foram transferidas para a Aicaré e em seguida foram entregues a Anapurus/Ferrara. As transferências das ações Visanet se deram sempre pelo seu valor patrimonial, não ocorrendo nenhum ganho de capital nestas operações. A seguir detalhamos os atos jurídicos que deram forma a estas transferências: Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.543 5 05/10/2007 Subscrição do capital da Ferrara Holdings pelo Banco Alvorada; 15/04/2008 Incorporação da Ferrara Holdings pela Aicaré; 02/05/2008 Cisão parcial da Aicaré seguida de incorporação da parcela cindida pela Anapurus/Ferrara. (...) 1.3 FASE 2 VISÃO GERAL Esta fase envolveu diversas operações entre empresas do Grupo Goldman Sachs e do Grupo Bradesco sediadas no Brasil e no exterior (e que posteriormente foram desfeitas. O Grupo Goldman Sachs (Goldman Sachs) era composto pelas seguintes empresas: a) Sediadas no exterior: Goldman Sachs & CO Inc (GSCO), Goldman Sachs Financial Services LP (GSFS), Brasília Cayman Investiments Limited (BCI), Brasília Cayman Investiments II Limited (BCI II) e Brasília Cayman Investiments III Limited (BCI III); b) Sediadas no Brasil: Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda (Quixaba), Pirapetinga Empreendimentos e Participações Ltda (Pirapetinga) e Quixaba Investimentos S/A (Quixaba II). O Grupo Bradesco era formado pelas seguintes empresas: a) Sediadas no exterior: Filial nas Ilhas Cayman do Banco Bradesco S/A; b) Sediadas no Brasil: Banco Bradesco S/A (Bradesco), Banco Alvorada S/A (Alvorada), Rubi Holdings Ltda (Rubi), Bradesplan Participações S/A (Bradesplan) e Ferrara Participações S/A (Ferrara). Para uma melhor compreensão de toda a operação realizada entre os dois grupos reproduzimos integralmente o esclarecimento prestado pela empresa Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.544 6 Quixaba, em 30/08/2011, sobre o propósito negocial da operação realizada entre o Goldman Sachs e o Banco Bradesco e o motivo da mesma ter sido desfeita. A contribuinte esclarece abaixo o propósito negocial da operação realizada entre o Goldman Sachs (GS) e o Banco Bradesco (Bradesco), conduzido através de suas subsidiárias, que teve início em 04/09/2008 pelo investimento realizado pela empresa Pirapetinga (subsidiária do GS) na Ferrara Participações (subsidiária do Bradesco) e terminou em 11/12/2008 através da aquisição pela Rubi Holdings (subsidiária do Bradesco) da Quixaba (subsidiária do GS) e correspondente pagamento de Nota Promissória emitida por esta em favor do GS: O Bradesco é um dos maiores Bancos brasileiros e tem em seus portfólios diversos ativos financeiros, ativos não financeiros e investimentos. O GS é uma instituição com sede nos Estados Unidos, sendo um dos Bancos de investimentos mais prestigiados de Wall Sreet. O GS era, à época da pré negociação, um banco reconhecido por ter uma expertise mundial em estruturação e negociação de ativos, com funcionários altamente qualificados e experientes em negociações que atuavam e se relacionavam globalmente, além de possuir uma estrutura de capital muito significativa. Por esses atributos, era considerado o maior banco de investimentos do mundo. O Bradesco e o GS, dado os pontos fortes de cada um especificamente, conforme mencionado acima, acreditaram que podiam montar um negócio conjunto, o qual poderia explorar alguns ativos do Bradesco visando sua otimização. Para isso, seria utilizada toda a experiência de estruturação de negócios e o alcance global do GS, além da capacidade financeira de ambas as instituições. A ideia da parceria, a princípio, era explorar ativos denominados como Real State (ativos imobiliários) e alguns investimentos detidos pelo Bradesco, entre eles o investimento Visanet. Como passo inicial dessa sociedade, as partes resolveram estruturar uma operação para a exploração do investimento Visanet e a primeira etapa do negócio era a estruturação da sociedade, a qual foi concluída em 04/09/2008, com a entrada da Pirapetinga na Ferrara. Algum tempo após essa associação, eclodiu um fato muito relevante e excepcional, que atingiu os princípios dessa sociedade. No dia 15 de setembro de 2008, houve o anúncio do pedido de concordata do banco Lehman Brothers. Esse dia foi extremamente negativo para o mercado financeiro mundial, com quedas generalizadas de preços de ativos financeiros acompanhado do risco de uma recessão da economia global. Os bancos centrais começaram a adotar medidas para socorrer suas economias e tentar conter o risco sistêmico no mercado bancário mundial. A crise foi intensificada com os sérios problemas divulgados pela seguradora AIG. Nesse cenário, o FED injetou U$ 70 bilhões nas instituições financeiras americanas, o Banco Central Europeu injetou U$ 99 bilhões, o Banco Central Japonês ofereceu U$ 24 bilhões, o da Rússia U$ 18 bilhões. Na sequência desses graves eventos, começouse a discutir o risco dos derivativos de crédito (carregados por instituições financeiras), o que aprofundou mais ainda a gravidade da crise, pois havia se perdido o controle do tamanho do risco, se tal risco se materializasse. Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.545 7 A economia americana foi uma das que mais sofreu com a crise incluindo seu sistema financeiro. O governo americano implantou uma série de pacotes de ajuda econômica, visando amenizar a crise e evitar a quebra dos grandes bancos e corretoras dos Estados Unidos, mesmo assim a volatilidade do mercado acionário persistiu, bem como as noticiais de dificuldades dos bancos americanos como o GS, Bank of America, Citibank. A sequência dos fatores desencadeou no sistema financeiro americano a falta de confiança dos investidores, o problema de captação de recursos e liquidez, fatores que, no extremo, poderiam inviabilizar a continuidade de negócios dos bancos. No Brasil, o custo do crédito começou a aumentar, por causa da dificuldade de captação externa por conta da crise. Os bancos que anteriormente captavam recursos no exterior, com o agravamento da crise nos Estados Unidos, começaram a recorrer aos recursos do mercado interno, com isso o Banco Central adotou medidas para tentar aumentar a liquidez, como a redução de depósitos compulsórios, estímulo para que grandes bancos comprassem carteiras de médios e pequenos bancos etc. Dado todo o cenário adverso, a sociedade entre Bradesco e GS, teve que ser revista pelos dois lados. Para GS, naquele momento, era mais importante ter recursos que possibilitassem liquidez, a ter investimentos fora do país, mesmo que no futuro tais investimentos tivessem um bom potencial de retorno. Para o Bradesco, era importante que o seu investimento Visanet não sofresse qualquer tipo de restrição à governança que eventualmente pudesse advir em relação à exposição da GS à severa crise de mercado. Dados os fatos excepcionais e graves alheios à vontade das partes iniciouse uma operação para o “desfazimento” da sociedade implementada em setembro, fato que foi consumado no mês de dezembro de 2009. (...) Todas esta fase será dividida nas seguintes datas e eventos: 1) 04/09/2008 Assunção de compromissos para a aquisição de uma participação de 9,28% na Visanet; 2) 08/09/2008 – Implementação dos compromissos assumidos e estipulação de direitos e garantias; 3) 13/11/2008 e 03/12/2008 – Atos intermediários; 4) 09/12/2008 Assunção de compromissos para desfazer o negócio; 5) 11/12/2008 Implementação do “desfazimento” do negócio. 1.3.1 ASSUNÇÃO DE COMPROMISSOS PARA A AQUISIÇÃO DE UMA PARTICIPAÇÃO DE 9,28% DA VISANET Em 04/09/2008 foram assinados diversos documentos em que o Grupo Goldman Sachs se comprometia a adquirir 9,28% de participação na Visanet pertencente ao Grupo Bradesco. Este compromisso seria efetivado através da aquisição, pela Pirapetinga, de 49,9% de participação societária da Ferrara, proprietária de 126.910.350 ações da Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.546 8 Visanet, representando 18,6% do capital da mesma, pelo montante de R$ 4.382.435.166,14. O Grupo Bradesco, através da filial das Ilhas Cayman do Banco Bradesco, se comprometeu a emprestar o valor de R$ 1.575.010.205,00 à BCI II, desde que no dia 08/09/2008 esta tivesse cumprido todos os acordos pertinentes a esta aquisição. A seguir listamos e comentamos os diversos documentos e contratos que foram assinados nesta data. a) Contrato de Compra e Venda de Nota Vinculada a Ativo (...) b) Ata da AGE da Ferrara (...) c) Acordo de Acionistas (...) d) Contrato de Compra e Venda de Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões O contrato foi firmado em 04/09/2008 entre empresas do Grupo Goldman Sachs, em que a Quixaba concordava em emitir e a GSFS em comprar, em 08/09/2008, uma Nota pelo valor de R$ 3 bilhões. O fechamento ocorreria em 08/09/2008, quando a Quixaba entregaria a Nota e a GSFS transferiria o numerário para a conta n° 55719, da agência n° 2372 do Banco Bradesco, pertencente a Quixaba. (...) 1.3.2 IMPLEMENTAÇÃO DOS COMPROMISSOS ASSUMIDOS E ESTIPULAÇÃO DE DIREITOS E GARANTIAS Em 08/09/2008 foram implementados todos os compromissos assinados e o Grupo Goldman Sachs pagou o valor de R$ 4.382.435.166,14 por 49,9% de participação na Ferrara. Como o único ativo relevante da Ferrara era a sua participação de 18,598% no capital da Visanet, podemos inferir que o Grupo Goldman Sachs avaliou esta participação em aproximadamente R$ 4,4 bilhões, e, por conseguinte, a empresa Visanet teria sido avaliada em torno de R$ 23,7 bilhões. As partes assinaram diversos contratos de penhor e alienações fiduciárias de forma a garantir o pagamento ao GSFS da Nota Promissória de Taxa Flutuante de 3 bilhões. As partes também assinaram diversos contratos de opção de compra e venda para permitir a compra e a venda de suas participações em casos extremos, como uma falência, bem como após a ocorrência de um evento de IPO da Visanet. A seguir listamos e comentamos os diversos eventos que culminaram na implementação dos compromissos assumidos em 04/09/2008, bem como do fluxo Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.547 9 financeiro do numerário utilizado para o pagamento do valor acordado de R$ 4.382.435.166,14. (...) a) Emissão e compra da Nota Vinculada a Ativo (...) b) Aporte de capital na Quixaba efetuado pela BCI II e BCI III A 2a Alteração do Contrato Social da Quixaba, celebrada em 08/09/2008, aumentou o capital social para R$ 1.625.261.158,62 que passou a ser representado por 162.526.115.862 quotas. A BCI II integralizou 162.509.863.250 quotas no valor de R$ 1.625.098.632,50, e a BCI III integralizou 16.252.612 quotas no valor de R$ 162.526,12. (...) c) Emissão da Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões A Quixaba, pelo valor recebido de R$ 3 bilhões, em 08/09/2008, se comprometia a pagálo, na data de 26/02/2010, exceto se ocorresse um Resgate Antecipado ou um Evento de Rescisão Antecipada. Todos os termos e disposições previstos no Contrato de Compra e Venda de Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões celebrado em 04/09/2008 se aplicavam a esta Nota. (...) d) Procedimentos adotados pela Quixaba após o recebimento do numerário do exterior O Grupo Goldman Sachs entrou no país, em 08/09/2008, com um total de R$ 4.625.261.158,62 (US$ 2.719.142.362,51), sendo que R$ 1.625.261.158,62 (US$ 955.473.932,17) através de integralização do capital da Quixaba e R$ 3.000.000.000,00 (US$ 1.763.668.430,34) através de empréstimo concedido pelo GSFS a Quixaba. (...) e) Procedimentos adotados pela Pirapetinga após o recebimento do numerário da Quixaba A Pirapetinga recebeu, em 08/09/2008, R$ 4.382.585.166,14 através da integralização do seu capital realizada pela Quixaba. Na mesma data integralizou as 99.971.365 ações da Ferrara, representativas de 49,9% do seu capital social, que haviam sido subscritas em 04/09/2008 pelo valor de R$ 4.382.435.166,14. O patrimônio líquido da Ferrara na data de 03/09/2008 era de R$ 100.371.943,47, sendo que seu ativo e passivo era composto pelas seguintes contas: (...) Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.548 10 O único ativo relevante no acervo da Ferrara era a sua participação de 18,598% no capital da Visanet, representado contabilmente pelo montante de R$ 100.363.608,58. (...) Como a Pirapetinga pagou o valor de R$ 4.382.435.166,14, entendemos que a mesma avaliou a empresa Visanet em torno de R$ 23,7 bilhões. Com o aporte efetuado pela Pirapetinga o novo patrimônio líquido da Ferrara passou a ser de R$ 4.482.807.109,61 (R$ 4.382.435.166,14 + R$ 100.371.943,47). Pelo método de equivalência patrimonial a Pirapetinga registrou a sua participação de 49,9% no novo patrimônio líquido da Ferrara e a diferença entre este valor e o aporte efetuado foi registrado como ágio. A contabilidade da Pirapetinga apresentava os seguintes saldos relativos a estas contas em 08/09/2008: 1.3.1.01.0001 7 Ferrara R$ 2.236.920.777,09 1.3.1.01.00026 Ferrara Ágio R$ 2.145.514.389,05 Como o Grupo Goldman Sachs pegou emprestado do Grupo Bradesco R$ 1,575 bilhões com o compromisso de adquirir uma participação na Ferrara pelo valor de R$ 4,382 bilhões, isto nos leva a considerar que uma parcela deste ágio só foi paga porque o Banco Bradesco impôs esta condição para emprestar o dinheiro. Após a aquisição, pela Pirapetinga, da participação acionária na Ferrara o organograma ficou da seguinte forma: f) Procedimentos adotados pela Ferrara após o recebimento do numerário da Pirapetinga (...) 1.3.3 ATOS INTERMEDIÁRIOS Estes atos foram praticados em 13/11/2008 e 03/12/2008 e referemse à emissão de debêntures realizada pela Quixaba II, subsidiária integral da Quixaba, que era uma empresa do Grupo Goldman Sachs e a subscrição destas debêntures Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.549 11 efetuada pela Ferrara, empresa, que neste momento tinha o seu controle repartido entre o Grupo Bradesco e Goldman Sachs. As debêntures foram subscritas pelo valor de R$ 2.250.000.000,00 em 03/12/2008 e foram resgatadas em 02/01/2009 pelo valor líquido de R$ 2.268.776.809,72. Como o valor subscrito pela Ferrara de R$ 2,25 bilhões foi bem próximo do ágio pago pelo Grupo Goldman Sachs, podemos entender que este tenha sido um primeiro procedimento para desfazer o negócio e devolver o dinheiro ao Grupo Goldman Sachs, visto que o valor recebido pela Quixaba II foi utilizado na compra de LFT que foram penhoradas ao GSFS, porém esta linha de “desfazimento” parece não ter prosperado. Cabe destacar que as ações da Visanet sofreram um desdobramento de 1/2, conforme consta da ata da AGE de 22/09/2008 da Visanet, com isso a Ferrara passou a possuir em seu acervo 253.820.700 ações da Visanet. (...) 1.3.4 ASSUNÇÃO DE COMPROMISSOS PARA DESFAZER O NEGÓCIO Em 09/12/2008 foram celebrados dois compromissos, um que extinguiria a participação do Grupo Goldman Sachs nas ações da Visanet e o outro que extinguiria uma dívida com o Grupo Goldman Sachs. Os dois compromissos, em conjunto caracterizaram o “desfazimento” do negócio. Os compromissos acordados foram a compra da BCI II pela filial das Ilhas Cayman do Banco Bradesco e o pagamento da Nota Promissória de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões ao GSFS pela Rubi, ambos os compromissos deveriam ser concretizados em 11/12/2008. a) Compra da BCI II pelo Banco Bradesco Em 09/12/2008 foi assinado entre o Banco Bradesco, atuando por intermédio de sua filial nas Ilhas Cayman, e a BCI um contrato de compra e venda das 40.000 ações da BCI II, representando a totalidade de suas ações e pertencentes a BCI, pelo valor de US$ 94.222.374,00. (...) b) Compromisso assumido pela Rubi de adquirir da GSFS a Nota de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba Em 09/12/2008 a Rubi, a GSFS e a Quixaba celebraram um Contrato de Compra e Venda, através do qual a Rubi se comprometia a adquirir, na data de 11/12/2008, pelo valor de R$ 3.116.040.206,00, a Nota de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba. (...) Com o negócio entre os Grupos Goldman Sachs e Bradesco desfeito, temos uma nova organização societária, com a devolução do dinheiro investido ao Grupo goldman Sachs e o retorno ao Grupo Bradesco do controle total sobre a participação de 18,598% na Visanet. Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.550 12 1.3.5 IMPLEMENTAÇÃO DO "DESFAZIMENTO" DO NEGÓCIO Em 11/12/2008 foram realizados os pagamentos dos compromissos acordados em 09/12/2008 para desfazer o negócio entre o Grupo Goldman Sachs e o Grupo Bradesco. (...) 1.3.6 ANÁLISE SOBRE A OPERAÇÃO QUE FOI DESFEITA ENVOLVENDO OS GRUPOS GOLDMAN SACHS E BRADESCO O Grupo Goldman Sachs entrou no país, em 08/09/2008, com um total de R$ 4.625.261.158,62, sendo que R$ 1.625.261.158,62 através de integralização do capital da Quixaba, realizado pela BCI II e BCI III, e R$ 3.000.000.000,00 através de empréstimo concedido pelo GSFS a Quixaba. Como a BCI II pegou emprestado o valor de R$ 1.575.010.205,00 com a filial das Ilhas Cayman do Banco Bradesco, podemos considerar que para desfazer o negócio em 08/09/2008 bastaria o Grupo Bradesco devolver ao Grupo Goldman Sachs o montante de R$ 3.050.250.953,62 (R$ 4.625.261.158,62R$ 1.575.010.205,00). As partes tinham total liberdade para definir a forma de devolução, e acordaram no dia 09/12/2008 que o Grupo Bradesco iria adquirir as ações da BCI II e assumiria a dívida relativa ao empréstimo de R$ 3 bilhões concedido pelo GSFS à Quixaba. O valor total pago em 11/12/2008 foi de R$ 3.349.984.937,89. Este valor era composto dos seguintes valores: a) R$ 3 bilhões pelo pagamento do principal da Nota promissória; b) R$ 116.040.206,00 pelos juros incidentes sobre os R$ 3 bilhões; e c) R$233.944.731,89 pela aquisição das ações da BCI II Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.551 13 O propósito desta análise é demonstrar que esta operação, iniciada em 04/09/2008 e desfeita em 09/12/2008, teve como efeito prático a devolução do dinheiro ao Grupo Goldman Sachs acrescido de juros. Economicamente a operação, como um todo, foi semelhante ao pagamento de um empréstimo concedido pelo Grupo Goldman Sachs ao Grupo Bradesco. Conforme veremos no item 1.4 o Grupo Bradesco utilizou o ágio de R$ 2.145.514.389,05 que estava registrado na Pirapetinga, atribuindoo ao valor contábil das ações da Visanet que pertenciam a Ferrara. Pelo exposto podemos verificar que este ágio, a partir do “desfazimento” do negócio entre investidor e investido, perdeu o seu fundamento econômico, pois o dinheiro utilizado no pagamento deste ágio foi devolvido integralmente ao investidor e o controle acionário sobre a participação na Visanet, objeto da negociação, retornou ao controle do Grupo Bradesco. As partes tinham total liberdade para fazer e desfazer o negócio, porém a forma jurídica adotada não deveria modificar a essência econômica desta operação que foi na realidade uma venda que foi desfeita com a devolução do dinheiro utilizado pelo Grupo Goldman Sachs na aquisição de 9,28% de participação societária na empresa Visanet. 1.4 FASE 3 VISÃO GERAL Esta fase envolveu diversas operações, apenas entre empresas do Grupo Bradesco, com atribuição de diversos ágios ao valor contábil das ações da Visanet, que resultaram em um aumento total do custo contábil destas ações de R$ 2.934.898.634,15. Uma parte deste ágio, no valor de R$ 2.145.514.389,05, foi criado em 08/09/2008, quando a Pirapetinga adquiriu uma participação societária na Ferrara, fato que já foi exaustivamente explorado nos itens 1.3.2, alínea (e), e 1.3.6, e deveria ter sido expurgado da contabilidade da Pirapetinga, em 09/12/2009, quando a negócio foi desfeito, conforme visto no item 1.3.6. O restante do ágio foi criado em dois momentos distintos, o primeiro, no valor de R$ 305.675.950,64, em 11/12/2008, quando a Rubi adquiriu a Quixaba, e o segundo, no valor de R$ 483.708.294,46, em 23/04/2009, quando a Quixaba contabilizou a incorporação da Pirapetinga pela Ferrara. Apesar do ágio de R$ 2,145 bilhões ter envolvido inicialmente o Grupo Goldman Sachs, após o negócio ter sido desfeito, este ágio e os demais, desde as suas constituições, tratavamse de “riquezas” criadas em operações realizadas dentro do próprio Grupo Bradesco, ou seja, o Grupo Bradesco criou uma riqueza nova sobre ativos que já lhe pertenciam. (...) Iremos dividir esta fase da seguinte forma: 1) 11/12/2008 Aquisição das cotas da Quixaba pela Rubi Criação de um ágio de R$ 305.675.950,64 na contabilidade da Rubi; Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.552 14 2) 23/04/2009 Incorporação da Pirapetinga pela Ferrara Atribuição do ágio de R$ 2.145.514.389,05 ao valor contábil das ações da Visanet pertencentes a Ferrara; 3) 23/04/2009 Incorporação da Pirapetinga pela Ferrara Criação de um ágio de R$ 1.074.907.321,03 na contabilidade da Quixaba; 4) 24/04/2009 Redução do capital da Ferrara Transferência do ágio de R$ 2.145.514.389,05 para as empresas Rubi (R$ 1.074.902.704,73) e Quixaba (R$ 1.070.611.684,32); 5) 30/04/2009 Redução do capital da Quixaba Transferência do ágio de RS 1.554.319.978,78 para a empresa Rubi, sendo este montante composto da soma dos ágios de R$ 1.070.611.684,32 com R$ 483.708.294,46 (este valor referese a uma parcela do ágio criado na Quixaba em 23/04/2009); e 6) 04/05/2009 Subscrição do capital da Columbus pela Rubi Transferência do ágio de R$ 2.934.898.634,15 para a empresa Columbus, sendo este valor composto da soma dos ágios de R$ 2.145.514.389,05, R$ 483.708.294,46 e R$ 305.675.950,64. (...) 1.4.2 INCORPORAÇÃO DA PIRAPETINGA PELA FERRARA ATRIBUIÇÃO DO ÁGIO AO VALOR CONTÁBIL DAS AÇÕES DA VISANET A atribuição do ágio de R$ 2.145.514.389,05 ao valor contábil das ações da Visanet pertencentes a Ferrara, ocorreu quando esta incorporou a Pirapetinga em 23/04/2009. A incorporação da Pirapetinga está descrita na ata da AGE da Ferrara datada de 23/04/2009 e no Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação datado de 22/04/2009. A Pirapetinga contabilizava este ágio na conta 1.3.1.01.00026 Ferrara Ágio e a Ferrara passou a contabilizálo na conta 1.3.1.1.2.057 Ágio Visanet. A origem deste ágio estava fundamentada na venda a valor de mercado de 9,28% de participação na Visanet pelo Grupo Bradesco ao Grupo Goldman Sachs. Esta venda foi formalizada através da aquisição pela Pirapetinga de 49,9% de participação na Ferrara, a qual contabilizava as ações da Visanet pelo seu valor patrimonial. Sabemos que o negócio foi desfeito, ou seja, a venda foi desfeita, inclusive com a devolução do dinheiro investido ao Grupo Goldman Sachs, porém a contabilidade da Pirapetinga não refletiu este "desfazimento". A Pirapetinga poderia, de forma mais transparente, ter registrado este "desfazimento" em sua contabilidade da seguinte forma: Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.553 15 D Despesas de provisão (Despesa não dedutível) R$2.145.514.389,05 C Provisão para perdas em investimentos (Redutora do ativo) R$ 2.145.514.389,05 Procedendo desta forma, no momento da incorporação pela Ferrara o ágio registrado pela Pirapetinga seria cancelado com a provisão constituída. Assim nenhum ágio seria atribuído ao valor contábil das ações da Visanet, evidenciando que a venda destas ações tinha sido desfeita. Considerando que a maior parte do valor devolvido ao Grupo Goldman Sachs foi pago pela Rubi através da quitação da Nota Promissória de R$ 3 bilhões acrescida de juros e que após o desfazimento do negócio ela adquiriu a Quixaba pelo valor de R$ 1,827 bilhões, podemos considerar que foi a própria Rubi quem suportou o ônus financeiro do ágio que foi atribuído às ações da Visanet. Sabemos que a Rubi detinha o controle indireto de 18,598% da Visanet antes da venda de 9,28% da Visanet ao Grupo Goldman Sachs e que após o "desfazimento" do negócio voltou a deter o controle indireto de 18,598% da Visanet, vide figura abaixo considerando a incorporação da Pirapetinga pela Ferrara. Atribuir o ágio de R$ 2,145 bilhões ao valor contábil das ações da Visanet, significa afirmar que a própria Rubi adquiriu com ágio ações que já lhe pertenciam, pois foi a Rubi quem efetivamente suportou o ônus financeiro deste ágio após o desfazimento do negócio. Ressaltamos que a Rubi, em conformidade com o entendimento desta fiscalização, registrou em sua contabilidade, em 31/12/2008, na conta 1.3.1.1.6.010 Outras Empresas (redutora de ativo), o saldo credor de R$ 2.145.514.364,30, cujo histórico de lançamento descrevia: “Valor referente a provisão para perda em investimento da Ferrara Participações Ltda, relativo ao mês de dezembro/2008, conforme mapa de investimentos.” (grifos nossos). Infelizmente a Pirapetinga não adotou o mesmo critério de contabilização, gerando a distorção em sua contabilidade ao não demonstrar o "desfazimento" do negócio. (...) 1.4.4 REDUÇÃO DO CAPITAL DA FERRARA Em 24/04/2009 a Ferrara realizou uma AGE para efetivar uma proposta de redução de capital, da ata desta AGE destacamos: Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.554 16 Foi realizada a redução do Capital Social em R$ 2.241.317.443,26, com o cancelamento de 64.902.343 ações, mediante restituição do valor mencionado às acionistas da Sociedade, em bens representados por 253.820.700 ações de emissão da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento VISANET; Foi restituído à acionista Rubi o valor de R$ 1.122.900.034,70 representados por 127.164.170 ações da VISANET, com o conseqüente cancelamento de 32.516.074 ações de emissão da Sociedade, de titularidade da Rubi; . Foi restituído à acionista Quixaba o valor de R$ 1.118.417.408,56 representados por 126.656.530 ações da VISANET, com o conseqüente cancelamento de 32.386.269 ações de emissão da Sociedade, de titularidade da Quixaba; O Capital Social passou a ser de R$ 2.553.289.773.74, dividido em 148.185.822 ações. Os seguintes lançamentos contábeis foram realizados pela Ferrara relativos a esta redução de capital. D 2.8.1.1.1.001 Capital Social Integralizado R$ 2.241.317.443,26 C 1.3.1.1.2.057 Ágio Visanet R$ 2.145.514.389,05 C 1.3.1.1.1.048 6300 VisanetR$ 95.803.054,21 Conforme visto neste Termo, em especial no item 1.4.2, o ágio de R$ 2,145 bilhões, a partir do “desfazimento” do negócio, perdeu o seu fundamento econômico e não deveria ter sido atribuído ao valor contábil das ações da Visanet. Como o negócio foi desfeito e o dinheiro foi devolvido, o ônus financeiro pelo pagamento do ágio foi suportado pela Rubi. Com a redução do capital da Ferrara, ficou claro que a Rubi recebeu as ações da Visanet que já lhe pertenciam acrescidas de um ágio pelo qual ela mesma pagou. (...) A essência econômica deste ágio de R$ 2,145 bilhões estava baseada em uma operação de venda que foi desfeita, e apesar do Grupo Bradesco não ter contabilizado o “desfazimento” desta venda na Pirapetinga, esta fiscalização irá considerar os efeitos tributários deste “desfazimento” sobre a transferência deste ágio para a Rubi e Quixaba. (...) 1.4.5 REDUÇÃO DO CAPITAL DA QUIXABA Em 30/04/2009 a Quixaba promoveu uma redução de capital formalizada através de Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social. Este Instrumento informa que foi realizada a redução do Capital Social em R$ 1.602.125.703,02, com o cancelamento de 160.212.570.302 cotas, mediante restituição do valor mencionado à sóciacotista Rubi, em bens representados por 126.656.530 ações de emissão da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento — VISANET. Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.555 17 (...) 1.4.6 SUBSCRIÇÃO DO CAPITAL DA COLUMBUS PELA RUBI Em 04/05/2009 a Rubi subscreveu o capital da empresa Columbus entregando 253.820.700 ações da Visanet. (...) Após descrever os fatos, a autoridade fiscal entendeu que a redução do capital da Ferrara, ocorrida em 23/4/2009, com a entrega de ativos aos sócios por montante acima do valor contábil é fato gerador de Imposto de Renda conforme previsto no art. 419 do Regulamento do Imposto de Renda. Transcrevo seus argumentos: O valor contábil para ativos avaliados por equivalência patrimonial é composto pela soma de (i) valor do ativo pelo método de equivalência patrimonial (MEP), (ii) o ágio ou deságio na aquisição do investimento e (iii) provisão para perdas que tiver sido deduzida na apuração do lucro real. Em 23/04/2009, antes da incorporação da Pirapetinga, a Ferrara registrava as ações representativas de 18,598% do capital da Visanet, pelo valor contábil de R$ 96 milhões que era igual ao valor patrimonial (MEP) destas ações. Caso a Ferrara procedesse a redução de seu capital em R$ 2,241 bilhões com a entrega destas ações da Visanet aos seus sócios, ela deveria oferecer à tributação o valor de R$ 2,145 bilhões, correspondente à diferença entre o valor atribuído ao ativo e o seu valor contábil. Porém a Ferrara, antes de reduzir o seu capital, incorporou a Pirapetinga trazendo para o valor contábil das ações da Visanet o montante de R$ 2,145 que foi denominado como “ÁgioVisanet”. A origem deste ágio estava fundamentada na venda a valor de mercado de 9,28% de participação na Visanet pelo Grupo Bradesco ao Grupo Goldman Sachs que foi desfeita. A Pirapetinga poderia, de forma mais transparente, ter registrado este “desfazimento” em sua contabilidade da seguinte forma: D Despesas de provisão (Despesa não dedutível) R$ 2.145.514.389,05 C Provisão para perdas em investimentos (Redutora do ativo) R$ 2.145.514.389,05 Procedendo desta forma, no momento da incorporação pela Ferrara, o ágio registrado pela Pirapetinga seria cancelado com a provisão constituída, e nenhum ágio seria atribuído ao valor contábil das ações da Visanet, evidenciando que a venda destas ações tinha sido desfeita. Considerando que a maior parte do valor devolvido ao Grupo Goldman Sachs foi pago pela Rubi através da quitação da Nota Promissória de R$ 3 bilhões acrescida de juros e que após o desfazimento do negócio ela adquiriu a Quixaba pelo valor de R$ 1,827 bilhões, podemos afirmar que foi a própria Rubi quem suportou o ônus financeiro do ágio que foi atribuído às ações da Visanet. Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.556 18 Sabemos que a Rubi detinha o controle indireto de 18,598% da Visanet antes da venda de 9,28% da Visanet ao Grupo Goldman Sachs e que após o "desfazimento" do negócio voltou a deter o controle indireto de 18,598% da Visanet. Atribuir o ágio de R$ 2,145 bilhões ao valor contábil das ações da Visanet, significa afirmar que a própria Rubi adquiriu com ágio ações que já lhe pertenciam, pois foi a Rubi quem efetivamente suportou o ônus financeiro deste ágio após o desfazimento do negócio. A própria Rubi, em conformidade com o entendimento desta fiscalização, registrou em sua contabilidade, em 31/12/2008, na conta 1.3.1.1.6.010 Outras Empresas (redutora de ativo), o saldo credor de R$ 2.145.514.364,30, cujo histórico de lançamento descrevia: “Valor referente a provisão para perda em investimento da Ferrara Participações Ltda, relativo ao mês de dezembro/2008, conforme mapa de investimentos.” (grifos nossos), porém não atribuiu esta provisão ao valor contábil das ações da Visanet quando elas foram transferias para a Columbus. As partes tinham total liberdade para desfazer o negócio, porém a forma jurídica adotada não deveria modificar a essência econômica desta operação que foi na realidade uma venda que foi desfeita com a devolução do dinheiro utilizado pelo Grupo Goldman Sachs na aquisição de 9,28% de participação societária na empresa Visanet. Portanto, a atribuição deste ágio ao valor contábil das ações da Visanet não tem o menor fundamento econômico, conforme já exaustivamente visto neste Termo, primeiro porque a venda da participação da Ferrara foi desfeita, que era o fundamento do ágio registrado na Pirapetinga, e segundo porque o ônus financeiro deste ágio foi suportado pela própria Rubi, sócia majoritária da Ferrara antes da venda ser realizada e depois da venda ser desfeita. Devemos fazer uma leitura atenta do parágrafo único do artigo 219 do RIR/99: "Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto" (Grifos nossos) O contribuinte tem liberdade para contabilizar os seus ativos da forma que lhe for conveniente, os limites impostos pelo Fisco se reservam apenas aos efeitos tributários destas contabilizações. Apesar do valor de R$ 2,145 bilhões estar denominado como “Ágio Visanet” na contabilidade da Ferrara e da liberdade do contribuinte de atribuílo ao valor contábil das ações Visanet, o “Ágio – Visanet” não poderia ser utilizado para reduzir o valor tributável previsto no artigo 419 do RIR/99, visto que o mesmo era desprovido de qualquer fundamento econômico e teria sido financeiramente suportado pelo próprio sócio da Ferrara, que neste caso iria figurar como comprador, vendedor e principal beneficiário desta redução de capital com a entrega de ativos que foram valorizados por ele mesmo. A essência econômica deste ágio de R$ 2,145 bilhões estava baseada em uma operação de venda que foi desfeita, e apesar do Grupo Bradesco não ter contabilizado o “desfazimento” desta venda na Pirapetinga, esta fiscalização irá Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.557 19 considerar os efeitos tributários deste “desfazimento” sobre a transferência deste ágio para a Rubi e Quixaba. Portanto, a Ferrara procedeu a redução de seu capital pelo valor de R$ 2.241.317.443,26, entregando ações da Visanet cujo valor contábil, para efeitos tributários, deveria ser composto apenas do seu valor patrimonial de R$ 95.803.054,21, resultando em um valor tributável de ganho de capital de R$ 2.145.514.389,05. O valor de RS 2.145.514.389,05 será tributado, na Ferrara, com base no artigo 419 do RIR/99. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2.259 a 2.323), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu o conteúdo do recurso da seguinte maneira (fls. 2.355 a 2.358): 1. A fiscalização não observou que a empresa que experimentou o ganho de capital, e, por consequência, o recolhimento a menor de tributos, em decorrência da contabilização do ágio, foi a Columbus Holding S/A, e não a impugnante. 1.1. O ganho de capital, a aquisição de renda – renda esta diminuída em razão da contabilização do ágio – foi apurado pela Columbus Holding S/A, e, assim sendo, somente a mencionada pessoa jurídica poderia sofrer as consequências pela diminuição dos tributos pagos, jamais a impugnante, que não auferiu renda alguma. 1.2. Logo, a presente autuação contempla hipótese de erro na identificação do sujeito passivo, o que acarreta sua nulidade. 2. Os presentes autos de infração foram lavrados sem enquadrar os fatos invocados como geradores da obrigação tributária na lei. A capitulação legal é genérica, aponta que ganho de capital é tributável, mas não aponta a lei da qual decorreu a convicção de que tenha se dado, em concreto, o tal ganho de capital. 3. No caso da impugnante, não ocorreu riqueza nova ou acréscimo patrimonial, logo não ocorreu fato gerador dos tributos em causa. 3.1. A impugnante recebeu de seu sócio um determinado valor, em aumento de capital, e aplicou estes recursos na sua atividade. Passado o tempo, reduziu este capital, restituindo a seus sócios o valor originalmente recebido e contabilizado. 3.2. Os autos se baseiam em fenômenos contábeis e não em renda. Tributou se ágio e se esqueceu que o fato gerador dos tributos é a renda, o acréscimo, o ganho, o aumento patrimonial, e nenhum desses fenômenos ocorreu. 3.3. Feita a entrega das ações a valor de custo, não se gerou qualquer ganho de capital, qualquer renda, e não há nem mesmo como se questionar a forma de como é composto o custo contábil destas ações, pois há regra legal específica para a matéria. 3.4. O §4º do artigo 658 do RIR exclui o ágio da regra que manda tributar a redução de capital que tenha sido aumentado com reservas. 3.5. Assim, a redução do capital feita não enseja a geração de renda tributável, ainda que alguma houvesse sido gerada, o que não ocorreu. Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.558 20 4. Nem o Bradesco cedeu graciosamente parte das ações Visanet que possuía no momento inicial da associação, assim como o Goldman Sachs não as devolveu graciosamente quando da desassociação. Em todas as transações e operações realizadas, tinhase em mente o valor de mercado de tais ações, que eram a razão da associação. 4.1. Por intermédio da aquisição de participações societárias, o Goldman Sachs adquiriu os ativos a que se comprometeu, pagando por eles valor de mercado, de forma a criar um negócio conjunto. Quando esse negócio conjunto tornouse impraticável em razão da conjuntura internacional, recebeu pelos ativos, também parametrizados ao valor de mercado negociado entre as partes. 4.2. A desconstituição da parceria era um negócio complexo, pois, em função do valor dos ativos envolvidos, demandava recursos financeiros de grande monta para viabilizar o negócio, além da segurança que cada uma das partes exigia em cada um dos passos do negócio. Afinal, eram mais de 4 bilhões de reais envolvidos, e não era concebível perder tal valor no todo ou em parte. As partes não poderiam se sujeitar a ficar sem as devidas garantias em cada um dos passos que o negócio seguiu e a desconstituição da parceria foi planejada para atender aos requisitos de segurança das partes. 4.3. Ocorreu, na verdade, um novo negócio, não se podendo perder de vista que o Banco Alvorada, do Bradesco, teve que fazer um aporte de capital novo na impugnante de quase 5 bilhões de reais, para tornar possível a retirada do Goldman Sachs da parceria. 4.4. Neste contexto, não se pode falar em perda de fundamento econômico do ágio registrado. 5. O desfazimento da sociedade com o Goldman Sachs deuse em 11/12/2008, quando a Rubi adquiriu a Quixaba. Neste momento, configurouse a saída do Goldman Sachs da associação. 5.1. Portanto, nos termos do art.48, do Código Civil, por ocasião da lavratura dos autos aqui discutidos estava decaído o direito de se tirar os efeitos dos atos societários praticados, ainda que estes violassem a lei ou fossem eivados de erro, dolo, simulação ou fraude. 6. Segundo a fiscalização, a interveniência concreta das empresas regularmente constituídas não teria a menor importância ou significado, pois todas as ações, independentemente de quem as fazia, eram sempre o "Grupo Bradesco" e o "Grupo Goldman Sachs" que agiam. 6.1. Sendo assim, o procedimento da fiscalização implica na necessária desconstituição da personalidade jurídica das pessoas que efetivamente fizeram os negócios e acabaram sendo tributadas. Num momento elas não existem, para logo depois serem penalizadas. 6.2. Ressaltese que a quebra da personalidade jurídica é prerrogativa do Poder Judiciário. 7. O entendimento adotado pela fiscalização contraria a orientação dada pela Receita Federal aos contribuintes por intermédio da resposta à questão de número 554 – “Qual é o tratamento tributário aplicável no caso de rescisão de contrato de promessa de compra e venda de bens ou direitos?”, do “Perguntão” da Pessoa Física, relativo ao anocalendário de 2012, segundo a qual eventual ganho de capital Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.559 21 auferido no negócio desfeito tem o tratamento tributário como se o negócio não tivesse sido desfeito, e o desfazimento implica em nova aquisição que altera o custo do bem, para agregar ao valor anteriormente escriturado, para o bem, o ganho de capital do negócio desfeito. 8. Na data escolhida pela fiscalização, o ágio gerado na integralização feita pela Pirapetinga na impugnante já houvera sido incorporado ao capital social, sendo que a impugnante considerou a geração de tal ágio coberta pela não incidência dos tributos, em razão do artigo 442 do RIR. 8.1. Caso fosse aceita a tese da fiscalização, deveria ser glosado o ágio gerado no aumento do capital que gerou a reserva posteriormente capitalizada, motivo pelo qual o Fisco incorreu em erro com relação à eleição do fato gerador. 9. É insubsistente a alegação de que houve planejamento tributário visando à economia de tributos, visto que, no caso, o Grupo Bradesco pagaria menos tributos se não tivesse efetuado a reestruturação societária. 9.1. Conforme atesta o próprio termo de verificação fiscal, o custo médio de cada ação da Visanet era de R$6,80, tendo sido alienadas no IPO 173.327.543 ações pelo valor unitário de R$15,00, apurandose um ganho de capital de R$1.421.451.623,88. 9.2. Antes do IPO, a Rubi era proprietária de 253.820.700 ações da Visanet, cujo custo unitário era de R$12,01. Assim, caso fossem alienadas no IPO apenas as ações da Visanet de propriedade da Rubi, o ganho de capital seria de R$518.249.353,57, sobre o qual incidiriam tributos no montante de R$176.204.780,21, valor R$307.088.771,91 inferior ao montante de tributos recolhidos pelo Grupo Bradesco. 9.3. Assim, não faz sentido a argumentação de que o planejamento tributário visaria apenas à economia tributária, pois o que ocorreu foi justamente o contrário. 10. É indevida a incidência da variação da taxa SELIC sobre a multa de ofício apurada nos presentes autos. 10.1. Isto porque inexiste previsão legal para inclusão da taxa SELIC na multa, seja ela moratória, seja de ofício, incidindo referida taxa apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições objeto da autuação, nos termos do art.61, da Lei nº 9.430/96. 11. A impugnante protesta pela posterior produção de novos argumentos e documentos que se fizerem necessários. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou procedente o lançamento, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 2.350 a 2.369): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CAPITULAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.560 22 Não prosperam os questionamentos relativos à identificação do sujeito passivo e à capitulação legal do lançamento de ofício, tanto em face da perfeita compreensão de ambas as questões demonstrada pela contribuinte por intermédio da peça de impugnação, quanto à luz do exauriente conjunto probatório trazido pela fiscalização aos autos. VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A VALOR DE MERCADO. DESFAZIMENTO DO NEGÓCIO JURÍDICO E CONSEQUENTE PERDA DO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. Há perda do fundamento econômico relativo ao ágio oriundo de venda, a valor de mercado, de participação societária por um valor superior àquele registrado contabilmente, quando se constata o desfazimento do negócio jurídico, por meio do pagamento de maneira justa dos ativos envolvidos, de forma a preservar o valor de mercado, e assim eliminar a maisvalia referente à participação societária. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE PREVISTA EM LEI. Não cabe questionar a ocorrência do fato gerador do tributo, ao ser demonstrado pelo Fisco que o caso descrito no lançamento de ofício se subsumiu à situação definida em lei para gerar a obrigação principal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.561 23 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, pois os dispositivos legais aplicados determinam que, no caso de devolução de bens e direitos entregues a título de participação no capital social, realizada a valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Assim, concluise que houve a correta identificação do sujeito passivo por parte da fiscalização, conforme demonstram tanto a descrição dos fatos feita pelo contribuinte por meio da peça de impugnação, como o conjunto probatório trazido aos autos, em particular a ata da Assembleia Geral Extraordinária do Recorrente; b) não se admitiu o questionamento acerca da capitulação legal do lançamento de ofício, uma vez que a fiscalização afirmou de maneira inequívoca que o ganho de capital objeto da atuação foi oriundo de redução do capital social, conforme previsto no art. 419, do RIR/99, com fulcro no art. 22, e §1º, da Lei nº 9.249/95; c) ocorreu a perda do fundamento econômico do ágio da aquisição do Recorrente pela Pirapetinga quando do desfazimento do negócio, pois, ao se devolver o dinheiro recebido, eliminouse a maisvalia oriunda da compra; d) não há erro na eleição do fato gerador, pois a análise do razão contábil analítico de fl. 74 demonstra a ocorrência do lançamento contábil indevido, efetuado pelo impugnante em 24/04/2009, referente à baixa do valor do ágio das ações da Visanet, por redução do capital social do impugnante; e) em observância ao disposto no CTN, o Fisco aplicou ao caso concreto a hipótese definida em lei, sem negar quaisquer efeitos dos atos societários praticados, motivo pelo qual não se sustentam os argumentos do impugnante (i) nem de que haveria ocorrido a decadência prevista no art. 48, do Código Civil, e (ii) nem de que o procedimento da fiscalização implicaria em desconstituição de personalidade jurídica; f) o entendimento da RFB manifesto por meio da resposta à questão 554 do “Perguntão” da Pessoa Física de 2012 não se aplica ao caso, pois, além de tratar de pessoa física, e não de pessoa jurídica, a resposta transcrita também cuida de contrato de promessa de compra e venda, ou seja, de um contrato preliminar, que é distinto da venda de participação na Visanet abordada nos autos; Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.562 24 g) a existência de propósito econômico na reestruturação societária não altera a conclusão do lançamento, pois as operações questionadas pela fiscalização dizem respeito apenas à redução do capital social da Ferrara; h) as reorganizações societárias tiveram por resultado o aumento do valor contábil das ações da Visanet pertencentes ao grupo Bradesco, o que reduziu o valor do ganho de capital por ocasião do IPO, o que contradiz o argumento recursal de que houve planejamento tributário “às avessas”, com pagamento a maior de tributos; i) indeferiuse o pedido genérico de juntada de novos documentos, pois não se demonstrou a ocorrência de algum dos eventos descritos no §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972; j) a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício não é objeto do lançamento em litígio, e decorre diretamente da lei. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 1º/4/2013 (fl. 2.376), o contribuinte apresentou, em 30/4/2013, o recurso voluntário de fls. 2.382 a 2.460, onde afirma que: a) todas as operações realizadas foram realizadas pelo valor contábil dos ativos envolvidos, fato comprovado pelo “Relatório de revisão dos efeitos contábeis e fiscais” (Laudo), elaborado pela PricewaterhouseCoopers (PWC), uma das maiores empresas de auditoria internacional; b) os autos de infração consignam como data do fato gerador dos tributos objeto do lançamento de ofício o dia 24/4/2009, data em que fez uma redução parcial de seu capital social, devolvendoo para seus dois sócios, Rubi Holdings Ltda (Rubi) e Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda (Quixaba). Contudo, efetivou a redução parcial de seu capital social entregando aos sócios bens que compunham seu ativo, avaliandoos a valor contábil, no preciso e exato valor pelo qual estes bens estavam registrados em sua contabilidade, inexistindo qualquer ganho de capital; c) a justificativa da fiscalização para não admitir o ágio contabilizado foi o de que ele tinha perdido seu fundamento econômico, mas tal exigência não está prevista em lei; d) não é competência da fiscalização a determinação do modo como os negócios devem ser feitos, nem está o contribuinte obrigado a adotar o procedimento considerado mais interessante para o Fisco; e) o argumento de desfazimento de venda não procede, pois, em todo o negócio entre o Bradesco e o Goldman Sachs (GS), só existiram duas operações de venda e compra: o Banco Bradesco adquiriu a empresa BCI II, que pertencia ao GS, e a Rubi Holdings Ltda adquiriu a Quixaba, e até a presente data estas vendas não foram desfeitas. Não houve o desfazimento do negócio, mas o desfazimento da sociedade mediante a realização de novos negócios, novos fatos, por meio da intervenção de outras empresas; Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.563 25 f) a questão fundamental neste processo não é o valor contábil dos ativos, pois o que os autos de infração fazem é, exatamente, desprezar a contabilidade do contribuinte e, mediante uma informalidade insustentável frente à lei, desconsiderar o fato efetivamente ocorrido e criar um novo fato, inexistente, como base de cálculo sem lei autorizadora para tanto; g) a interpretação segundo o critério econômico não é amparada em nosso ordenamento, pois dá à autoridade fiscal o poder de árbitro para decidir se existe ou não finalidade econômica, violando diretamente a Constituição Federal. A única norma que poderia dar sustentação à teoria da fiscalização seria o parágrafo único do art. 116 do CTN, que precisa de lei ordinária que o regulamente para vigorar; h) o lançamento é nulo por erro na identificação do sujeito passivo, pois se a acusação fiscal era de que o ganho de capital na Columbus havia sido indevidamente reduzido, então era nessa empresa que a autuação deveria se dar. Afinal, somente nessa pessoa jurídica, com a venda das ações da Visanet, que teria surgido renda a ser tributada. Assim, a situação retratada é paradoxal, pois existe confissão literal da fiscalização de que o ágio contabilizado pela Columbus reduziu seu ganho de capital, e, após constatada a suposta origem viciada do ágio, ao invés de dirigir a autuação contra a pessoa jurídica que auferiu renda, beneficiandose do ágio, preferiu o D. Agente Fiscal autuar o recorrente, que jamais auferiu qualquer renda. Não fosse o bastante, apenas aproximadamente 30% das ações Visanet foram vendidas pela Columbus no IPO, não a totalidade. Ou seja, a fiscalização não só autuou o contribuinte que não auferiu renda, como ainda autuou renda ainda não auferida; i) o lançamento também é nulo em razão de inexistência de norma legal que se aplique aos fatos existentes. O que ocorreu foi a aplicação da lei a fatos inexistentes, construídos pela fiscalização, supostamente assemelhados aos de fato ocorridos; j) o lançamento tributou ágio, não renda. Afirma que recebeu de seu sócio, em aumento de capital, um determinado valor, aplicou esses recursos na sua atividade e, passado o tempo, reduziu o capital, restituindoo a seus sócios exatamente no valor originalmente recebido e contabilizado; l) quando a Pirapetinga aumentou seu capital social, foi constituída reserva de ágio na emissão de ações nos termos do art. 182 da Lei das S.A., valor não tributável segundo o art. 442 do RIR/99. O ágio tinha por fundamento o valor de mercado dos bens. Um ano depois, a reserva de ágio foi incorporada ao capital social. Quando incorporou a Pirapetinga em 23/4/2009, vinculou o ágio pago ao bem que lhe deu causa, de acordo com o art. 386, inciso I, do RIR/99. Com a incorporação, a Quixaba, controladora integral da empresa incorporada, tornouse sua acionista, proprietária de 49,9% de seu capital. Em 24/4/2009, reduziu seu capital social, pagando suas controladoras, a Quixaba e a Rubi, com ações da Visanet pelo seu valor contábil, não tendo gerado ganho de capital. Além disso, o parágrafo 4º do artigo 658 do RIR/99 exclui a reserva de ágio da regra que manda tributar a redução de capital que tenha sido aumentado com reservas; m) não existe lei que mande ajustar o lucro contábil por perda do fundamento econômico, e art. 118 do CTN determina que a norma que define o fato gerador seja interpretada abstraindose dos efeitos que os fatos efetivamente produzam. Além disso, o art. 426 do RIR/99 permite a dedução do ágio qualquer que seja seu fundamento econômico; Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.564 26 n) não houve o desfazimento do negócio, como simploriamente entendeu a Fiscalização, mas a realização de um novo negócio, não se podendo perder de vista que o Banco Alvorada, do Bradesco, para tornar possível a retirada do GS da parceria, mediante a realização de novos negócios jurídicos distintos, independentes e subsequentes, teve que fazer um aporte de capital novo de quase 5 bilhões de reais. No início da operação, existia uma estrutura jurídica, determinadas empresas faziam parte do Grupo GS, outras do Grupo Bradesco; após o final da parceria, a estrutura societária passou a ser completamente diferente, impostos foram pagos, e todos esses atos produziram efeitos irreversíveis no mundo jurídico, sendo impossível ignorálos, como se nunca tivessem ocorrido, para caracterizálos como uma singela compra e venda desfeita; o) outra conotação que ainda poderia ser dada às assertivas de perda do fundamento econômico do ágio seriam outras afirmativas equivocadas da fiscalização, espalhadas pelo texto, de que havia sido constituído ágio sem que se tivesse pago por ele. Não se deu conta a Fiscalização de que existem outras formas de pagamento, além das transferências monetárias. Nas trocas, por exemplo, sacrificase um ativo para ter o outro e esta é uma forma de pagamento. Nas incorporações, o preço da participação extinta paga o valor da aquisição da nova havida; p) o auto de infração foi lavrado mais de três anos após o suposto “desfazimento do negócio”, em 11/12/2008, com a aquisição da Quixaba pela Rubi, o que supera o prazo do art. 48 do Código Civil para se desconstituir os fatos da vida societária da pessoa jurídica; q) talvez se pudesse pensar em desfazimento se a Ferrara fizesse uma redução do capital social, devolvendo os recursos de pronto para a Pirapetinga. Contudo, essa operação não aconteceu, não por capricho das partes, mas porque não era possível fazêla, pois, se ocorresse a redução de capital, os atos ficariam suspensos para registro por um período de 90 dias. Tal possibilidade mostravase totalmente inadequada para as partes, diante da situação do momento. Esse modelo também deveria contemplar que as partes, na redução de capital, não receberiam ativos da mesma natureza, ou seja, uma parte receberia ações e a outra receberia dinheiro, tal fato poderia ser questionado no futuro por qualquer das partes, ou seus acionistas. Além disso ficariam pendentes de resolução as garantias contratuais assumidas pelas partes quando da associação. Por isso foi tomado o outro caminho, que não passava por entregar recursos nas mãos de terceiros, sem antes ter certeza de que os compromissos seriam quitados. O caminho seguro foi o escolhido, e, com isto, não ocorreu qualquer problema decorridos mais de 3 anos dos fatos; r) concretamente, o procedimento fiscal consiste na quebra da personalidade jurídica de todas as empresas envolvidas, pois pretende atribuir ao grupos Bradesco e Goldman Sachs negócios que foram realizados por pessoas jurídicas específicas, e na desconsideração da escrituração regular de todas as entidades participantes e dos fatos realmente ocorridos; s) a própria Receita Federal do Brasil entende que, uma vez realizada a venda, devido é o ganho de capital, e, mesmo se o negócio for desfeito, esse ganho de capital continua devido e deve compor o custo de aquisição da nova alienação; t) aceita a tese da Fiscalização, deveria ter ela glosado o ágio gerado no aumento do capital que gerou a reserva posteriormente capitalizada, incorrendo o D. Agente Fiscal em erro evidente com relação à eleição do fato gerador; Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.565 27 u) teria ocorrido um planejamento tributário às avessas, pois caso o Grupo Bradesco tivesse feito o IPO com as ações da Rubi, teria obtido um ganho de capital inferior ao de fato apurado, o que demonstra que as operações realizadas não tiveram propósito de economia de tributos; v) os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício; x) traz aos autos, a fim de corroborar a legalidade dos atos que foram objeto da autuação fiscal, laudo da PricewaterhouseCoopers (PWC), concluído após a apresentação da impugnação, e desse modo no amparo do § 4º do PAF (fls. 2.476 a 2.490). São essas as conclusões do laudo: 1 Os registros contábeis da Ferrara Participações e demais sociedades relacionados no citado processo administrativo, decorrentes dos eventos societários realizados entre 05/10/2007 a 04/05/2009, que resultaram na concentração das ações da Visanet com respectivo ágio na Columbus foram realizados observandose as correspondentes normas contábeis. 2 Os resultados fiscais aplicados estão de acordo com a legislação de IRPJ e CSLL, em especial: i) a não tributação das reduções de capital social com entrega de bens a valor contábil realizadas pela Ferrara em 24/04/2009 ou pela Quixaba em 30/04/2009; ii) a não tributação do aumento de capital com conferência de ativo, avaliado pelo valor contábil embasado em escrituração legítima e regular, ocorrida em 04/05/2009, da Rubi para a Columbus. 3 Os documentos societários dos eventos cumprem as exigências legais e estão devidamente arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo, e representam atos jurídicos perfeitos, não podendo ser classificados contábil ou fiscalmente de forma diversa, em nossa opinião. Ao final, requer que se declare a nulidade dos autos de infração, seja pelo erro na identificação do sujeito passivo ou pela ausência de norma legal violada, ou que se negue provimento à ação fiscal. CONTRARRAZÕES DO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Em 12/8/2013, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2.494 a 2.532), onde argumenta que: a) não houve erro na identificação do sujeito passivo, pois o ágio escriturado na COLUMBUS representou apenas o ponto de partida para os trabalhos da Fiscalização, que, após constatar o planejamento abusivo realizado pelo contribuinte, apurou a ocorrência do fato gerador em outro momento, qual seja: na entrega de ações da VISANET, para a RUBI e a QUIXABA, realizada quando houve redução de capital da FERRARA. Assim, o fato tributável realmente deve ser imputado à FERRARA; b) após a descrição das operações societárias, fica evidente que o GRUPO BRADESCO aproveitou o ágio registrado na PIRAPETINGA para alterar o valor contábil das ações da VISANET. Com efeito, antes da incorporação da PIRAPETINGA, as ações da VISANET estavam registradas na FERRARA pelo seu valor patrimonial – R$ 96 milhões. Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.566 28 Após a referida incorporação, o ágio de R$ 2,145 bilhões – anteriormente registrado na PIRAPETINGA – passou a compor o valor das ações da VISANET; c) o ganho de capital em relação às ações da VISANET é incontroverso e era precisamente sobre esse ganho que o GRUPO BRADESCO pretendia evitar a tributação. Para isso, o mencionado grupo empresarial, aproveitando o desfazimento do negócio com o GRUPO GOLDMAN SACHS, realizou operações visando manter os registros contábeis relativos ao ágio que foram contabilizados pela PIRAPETINGA. O objetivo do GRUPO BRADESCO era, após algumas reorganizações societárias intragrupo, atribuir ao valor contábil das ações da VISANET o montante de ágio anteriormente pago pelo GRUPO GOLDMAN SACHS; d) nesse contexto, a autoridade fiscal identificou que o dinheiro aplicado pelo GRUPO GOLDMAN SACHS foi devolvido pelo GRUPO BRADESCO, mas esse fato não foi refletido na FERRARA ou na VISANET. Apesar de a alienação ter sido desfeita – com a devolução do capital empregado pelo comprador (GRUPO GOLDMAN SACHS) e o retorno do objeto do negócio (ações da VISANET) ao vendedor (GRUPO BRADESCO) – o que se verifica é que o efeito econômico da compra e venda permaneceu na contabilidade da PIRAPETINGA e da FERRARA – correspondente ao “ágio FERRARA” e à “Reserva de ágio na emissão de ações”, respectivamente; e) assim, o ágio de R$ 2,145 bilhões perdeu seu fundamento econômico quando houve o “desfazimento” do negócio entre o GRUPO GOLDMAN SACHS e o GRUPO BRADESCO. Isso porque não havia mais lastro econômico para o ágio registrado na contabilidade, ou seja, a venda de um ativo pelo valor de mercado (ações VISANET). Por essa razão, quando a FERRARA distribuiu as ações da VISANET aos seus sócios – RUBI e QUIXABA – o montante de R$ 2,145 bilhões não poderia ter sido atrelado ao valor contábil das ações como “ágio” pago, mas sim como ganho de capital da FERRARA; f) para existir, o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e, assim, um substrato econômico (transação comercial). Somente registros escriturais não podem servir de suporte para essa figura econômica e contábil. Dessa forma, o ágio ou deságio devem sempre decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres correspondentes e proporcionais. No caso dos autos, poderiam até ser identificadas essas características no momento inicial, quando a PIRAPETINGA integralizou o aumento de capital da FERRARA e registrou o ágio. Todavia, o “desfazimento” do negócio eliminou as bases negociais e econômicas que haviam fundamentado o ágio. Isso se torna, indiscutivelmente, um fator impeditivo à pretensão do recorrente, qual seja: atribuir o ágio de R$ 2,145 bilhões – agora, sem suporte negocial e econômico – ao custo contábil das ações da VISANET detidas pelo GRUPO BRADESCO; g) o trabalho da Fiscalização se pautou pela busca do aspecto material das operações, e não pela aparência meramente formal, dentro do espírito do art. 187 do Código Civil de 2002, que considera ilícito o ato efetuado com excesso dos limites impostos pelo seu fim econômico ou social. E é evidente que um ato ilícito na esfera civil não está apto a gerar efeitos na seara tributária. Pensar de maneira diferente equivale a afirmar que o particular não pode ser lesado – o que autorizaria a utilização do art. 187 do Código Civil – mas a Fazenda Pública pode sofrer as conseqüências de um ato qualificado como ilícito na esfera civil; Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.567 29 h) o verdadeiro propósito do conjunto de atos societários era a reavaliação dos ativos pertencentes ao GRUPO BRADESCO sem o pagamento de IRPJ e da CSLL incidente sobre o ganho de capital. Ora, o próprio contribuinte reconhece que existiu reavaliação de ativos e o respectivo ganho de capital, mas não consegue apresentar um fundamento plausível para justificar porque esse ganho não foi oferecido à tributação; i) desse modo, correto o entendimento da Fiscalização ao considerar o cenário inicial e final da estrutura societária do GRUPO BRADESCO, a fim de identificar exatamente qual a operação pretendida. A partir dessa análise, a autoridade responsável pelo lançamento constatou que o ágio de R$ 2,145 bilhões não poderia ter sido atribuído ao custo contábil das ações da VISANET. Nesse contexto, a interpretação dos fatos e jurídica feita pela autoridade fiscal conduziu à seguinte conclusão: o valor de R$ 2,145 bilhões configurou, na realidade, um ganho de capital. Isso porque a FERRARA devolveu aos seus sócios – a RUBI e a QUIXABA – as ações da VISANET com acréscimo patrimonial, ou seja, superior ao valor contábil, sem oferecer tais ganhos à tributação – como determina o art. 22 da Lei n° 9.249, de 1995; j) incide juros de mora sobre a multa de ofício por expressa previsão legal. Caso se pense o contrário, há que ao menos se reconhecer a incidência de juros de mora à taxa de 1% ao mês, nos termos do art. 161 do CTN. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em 13/6/2013, mas somente ficou efetivamente disponível para análise em 21/8/2013, após o retorno dos autos com as contrarrazões da PGFN. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. O processo foi incluído em pauta pela primeira vez na sessão de 5 de novembro de 2013, mas não foi apreciado em função de pedido de adiamento do recorrente. A partir da sessão de dezembro de 2013, o julgamento foi interrompido em virtude de sucessivos pedidos de vista. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1. GANHO DE CAPITAL NA REDUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL 1.1 Análise dos Fatos O litígio se centra na criação de ágio em virtude da subscrição de ações de empresa do Grupo Bradesco por pessoa jurídica pertencente ao Grupo Goldman Sachs, no Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.568 30 posterior desfazimento do negócio entre os grupos, no deslocamento do ágio para a investida por meio de incorporação, e no aproveitamento desse ágio como custo de aquisição na apuração do ganho de capital na redução do capital social do recorrente. Na verdade, a ação fiscal se iniciou com a análise da oferta pública inicial de ações (IPO) da Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos, conhecida como Visanet, pela empresa Columbus Holding S/A, pertencente ao Grupo Bradesco. Verificouse que essa empresa recebeu ações da Visanet de diversas outras empresas do Grupo Bradesco praticamente na mesma data, mas com uma grande disparidade entre os valores unitários das ações. Nesse contexto, efetuouse pesquisa das operações que antecederam ao IPO para se analisar a formação do custo da ação. O presente lançamento decorre dessa investigação com relação a 253.820.700 ações da Visanet entregues pela empresa Rubi Holdings Ltda para a Columbus ao custo unitário de R$ 12,01. Em suma, constatouse que grande parte do valor das ações foi formado pela adição ao custo do investimento de ágio gerado em operação de subscrição de ações em período anterior. A seguir, faço um rápida descrição das operações societárias relevantes para a compreensão da lide, bem como das consequências jurídicas que cada parte pretende a elas conferir. 1.1.1 Criação do Ágio Em 2008, os grupos Goldman Sachs e Bradesco resolveram realizar operações em conjunto, e para isso decidiram que o primeiro participaria de investimentos na Visanet possuídos pelo segundo. Para isso, por meio de diversas operações comerciais e societárias, o Grupo Bradesco concentrou suas ações da Visanet no recorrente, a Ferrara Participações S.A., e o Grupo Goldman Sachs transferiu o valor necessário para a aquisição para a empresa Pirapetinga Empreendimentos e Participações Ltda, que por sua vez subscreveu e integralizou ações da Ferrara com a contabilização de ágio. O fundamento para o pagamento da mais valia foi o fato de o valor de mercado das ações da Visanet possuídas pela Ferrara ser superior ao custo registrado na sua contabilidade, nos termos do art. 20, §2o, inciso “a” do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Repito as representações gráficas das operações constantes do relatório para melhor visualização: Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.569 31 O aporte dos recursos vindos do exterior foi feito na empresa Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda, sócia controladora da Pirapetinga, que recebeu um aumento de capital em dinheiro de suas controladoras (Brasília Cayman Investiments II Limited (BCI II) e Brasília Cayman Investiments III Limited (BCI III)) no valor de R$ 1.625.261.158,62, e também um empréstimo de R$ 3 bilhões por meio da emissão de uma Nota de Taxa Flutuante em favor da Goldman Sachs Financial Services LP (GSFS). Posteriormente, a Quixaba utilizou a maior parte desses recursos para integralizar o capital da Pirapetinga, no total de R$ 4.382.585.166,14, valor imediatamente utilizado para integralizar o capital da Ferrara, em 8/9/2008. Pelo Método da Equivalência Patrimonial, a Pirapetinga registrou o investimento na Ferrara por R$ 2.236.920.777,09 e um ágio de R$ 2.145.514.389,05. Na Ferrara, foi registrada uma Reserva de Ágio na Emissão de Ações no valor de R$ 4.282.463.801,00, valor não tributável nos termos do art. 442, inciso I, do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 442. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38): I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; A Fiscalização não questiona o surgimento desse ágio. Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.570 32 1.1.2 Desfazimento do Negócio Após a crise do sistema financeiro mundial iniciada com o pedido de concordata do Banco Lehman Brothers, ocorrida poucos dias após a conclusão do negócio, em 15/9/2008, as partes decidiram desfazer o acordo. Para isso, foram realizadas duas operações: a) o Grupo Bradesco adquiriu a BCI II, em 9/12/2008, por US$ 94.222.374,00, que correspondeu naquela data a R$ 233.944.731,89; b) a Rubi adquiriu da GSFS, em 9/12/2008, a Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba, pagando para isso R$ 3.116.040.206,00. A diferença entre o preço pago (R$ 4.382.585.166,14) em setembro de 2008 e o devolvido em dezembro do mesmo ano (R$ 3.349.984.937,89), devese ao fato da filial das Ilhas Cayman do Banco Bradesco ter emprestado ao Goldman Sachs, por meio da BCI II, R$ 1.575.010.205,00 em 8/9/2008, como parte do negócio original. Assim, ao adquirir a BCI II, O Grupo Bradesco assumiu a dívida da qual era credor. Repito o esquema gráfico do relatório da nova organização societária: As divergências entre acusação e defesa se iniciam nesse momento. A autoridade fiscal entende que, com o desfazimento do negócio, seria necessário se baixar o ágio anteriormente registrado na Pirapetinga, por perda do seu fundamento econômico. Afirma que, apesar das operações que ocasionaram o fim do negócio não terem se dado a partir da Pirapetinga, por maior transparência ela deveria ter registrado uma conta redutora do ativo de provisão para perdas em investimentos no valor do ágio. Já a defesa afirma que aquilo que, por simplificação, inicialmente denominou de “desfazimento do negócio”, na verdade se tratava da realização de um novo negócio, realizado por outras partes e em outras bases, e portanto com outras consequências jurídicas, não sendo possível classificar o conjunto de fatos ocorridos como uma singela compra e venda desfeita. Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.571 33 1.1.3 Aproveitamento do Ágio Em seguida, o Grupo Bradesco realizou uma série de operações para aproveitar o ágio registrado na Pirapetinga, devendose lembrar que, nesse momento, todas as pessoas jurídicas envolvidas pertenciam ao mesmo grupo econômico. Primeiramente, em 11/12/2008, a Quixaba foi adquirida pela Rubi, com a criação de um ágio de R$ 305.675.950,64 que não é objeto desta autuação. Em 23/4/2009, o recorrente (Ferrara) incorporou a Pirapetinga. Como o ágio pago era fundamentado no valor de mercado das ações da Visanet possuídas pela Ferrara, a mais valia foi contabilizada como acréscimo ao bem que lhe deu causa, nos termos do art. 7º, inciso I e §1º e art. 8º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (art. 386 do RIR/99), abaixo transcritos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. (...) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Assim, após a incorporação da investidora pela investida, e a consequente extinção da participação societária, a lei determina que, se o fundamento do ágio for o valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada, ele deve passar a integrar o valor contábil do bem, tanto para fins de depreciação, amortização, exaustão, quanto para apuração de eventual ganho ou perda de capital. Nesse momento, a Ferrara passou a ter como controladoras a Rubi e a Quixaba, como demonstra o esquema gráfico a seguir: Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.572 34 No dia seguinte, em 24/4/2009, a Ferrara reduziu seu capital social em R$ 2.241.317.443,26, restituindo esse valor aos seus acionistas em bens representados por 253.820.700 ações da Visanet. A Rubi recebeu 127.164.170 ações, e a Quixaba 126.656.530. Esclareçase que, segundo informações do recurso, antes dessa data a reserva de ágio na emissão de ações, criada quando da subscrição das ações do recorrente pela Pirapetinga, havia sido incorporada ao capital social. A devolução do capital em bens ou direitos é regulada pelo art. 419 do RIR/99 da seguinte maneira: Art. 419. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem transferidos ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). Parágrafo único. No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos transferidos será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, § 1º). Isto é, a empresa, ao reduzir seu capital devolvendo aos sócios e acionistas bens e direitos, pode optar por avaliálos pelo valor contábil ou de mercado. No segundo caso, deve apurar ganho de capital pela diferença com o valor contábil. Como o valor do ágio havia sido incorporado ao valor contábil do bem, o recorrente não apurou ganho de capital. Afirma, ainda, o recorrente, que o § 4o do art. 658 do RIR/99 exclui a reserva de ágio da regra que manda tributar a redução de capital que tenha sido aumentado com reservas. De fato, esse dispositivo prevê que, se a pessoa jurídica que tiver incorporado reservas ao capital social restituílo aos sócios antes de se passarem cinco anos, o capital Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.573 35 restituído será considerado lucro ou dividendo distribuído e deverá ser tributado na fonte. Entretanto, isso não ocorrerá se a reserva de capital incorporada for aquela formada com ágio na emissão de ações, como é o caso dos autos. Transcrevo o dispositivo na parte de interesse à discussão: Art. 658. Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas não sofrerão tributação do imposto na fonte (Lei nº 8.849, de 1994, art. 3º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 2º). (...) § 3º Se a pessoa jurídica, dentro dos cinco anos subseqüentes à data da incorporação de lucros ou reservas, restituir capital social aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social ou, em caso de liquidação, sob a forma de partilha do acervo líquido, o capital restituído considerarseá lucro ou dividendo distribuído, sujeito, nos termos da legislação pertinente, à tributação na fonte e na declaração de rendimentos, quando for o caso, como rendimento dos sócios, dos acionistas ou do titular (Lei nº 8.849, de 1994, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 2º). § 4º O disposto no parágrafo anterior não se aplica nos casos de (Lei nº 8.849, de 1994, art. 3º, § 5º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 2º): I aumento do capital social mediante incorporação de reserva de capital formada com ágio na emissão de ações, com o produto da alienação de partes beneficiárias ou bônus de subscrição, ou com correção monetária do capital; (...) Contudo, a Fiscalização não admitiu que o valor do ágio compusesse o custo de aquisição, pela perda de seu fundamento econômico em função do desfazimento do negócio, e tributou a diferença como ganho de capital. Acrescenta a autoridade fiscal que, como foi a Rubi que efetivamente pagou o desfazimento do negócio ao adquirir a Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões, foi ela quem suportou o ônus financeiro do ágio que foi atribuído às ações da Visanet. Assim, atribuir o ágio de R$ 2,145 bilhões ao valor contábil das ações da Visanet significa afirmar que a própria Rubi adquiriu com ágio ações que já lhe pertenciam. Ressalta, ainda, que própria Rubi registrou em sua contabilidade, em 31/12/2008, na conta 1.3.1.1.6.010 Outras Empresas (redutora de ativo), o saldo credor de R$ 2.145.514.364,30, cujo histórico de lançamento descrevia: “Valor referente a provisão para perda em investimento da Ferrara Participações Ltda, relativo ao mês de dezembro/2008, conforme mapa de investimentos.” Posteriormente a esses fatos, a Quixaba transferiu as ações da Visanet por uma redução de capital em favor da Rubi, que em seguida subscreveu o capital da empresa Columbus entregando 253.820.700 ações da Visanet. Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.574 36 São essas as principais observações a serem feitas sobre os fatos ocorridos e as interpretações a eles dadas pelas partes, passandose a enfrentar os argumentos do recurso. 1.2 Preliminares Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da autuação por erro de identificação do sujeito passivo e pela ausência de norma legal violada. O erro de identificação do sujeito passivo decorreria do fato de a acusação fiscal se centrar em uma redução indevida do ganho de capital na Columbus. Como consequência lógica, seria nessa empresa que a autuação deveria ter se dado. Entretanto, como bem observado nas contrarrazões do Procurador da Fazenda Nacional, o ganho de capital apurado na Columbus serviu como ponto de partida para maiores investigações, que detectou a ocorrência do fato gerador em outro momento, qual seja, na redução do capital social da Ferrara por valor abaixo do custo. Nesse sentido, também não procede o argumento de nulidade por falta de norma legal que se aplique aos fatos existentes, já que a acusação busca demonstrar de forma racional a violação ao art. 419 do RIR/99 (art. 22 da Lei nº 9.249, de 20 de junho de 1995). Assim, julgo que, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo. Dessa forma, rejeito as preliminares levantadas. 1.3 Perda do Fundamento Econômico do Ágio Como visto, a acusação se centra na perda do fundamento econômico do ágio quando do desfazimento do negócio pelos grupos Bradesco e Goldman Sachs. Concordo com o argumento. Se o ágio foi gerado pela aquisição de um investimento, nada mais natural que ele deixe de existir com o desfazimento do negócio. Em uma compra e venda normal de um investimento com ágio, o comprador contabilizará, na conta relativa ao investimento, o valor equivalente à participação proporcional no patrimônio líquido da investida e, na conta relativa ao ágio, o preço pago a maior em relação ao item anterior. Já o vendedor, regra geral, registrará um ganho de capital. Caso posteriormente decidam desfazer o negócio, realizarão nova operação de compra e venda, onde o antigo adquirente alienará o investimento para o antigo alienante. Supondo que façam a operação pelo mesmo preço, o adquirente (antigo alienante) contabilizará também o investimento e o ágio, e o alienante (antigo adquirente) eliminará as suas contas de investimento e de ágio na apuração de eventual ganho de capital, que não existirá devido à coincidência entre o custo contabilizado e o valor pago. Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.575 37 É esse o entendimento da Receita Federal do Brasil citado pelo contribuinte e constante do “Perguntão” da Pessoa Física: uma vez realizada a venda, devido é o ganho de capital, e, mesmo se o negócio for desfeito, esse ganho de capital continua devido e deve compor o custo de aquisição da nova alienação. E esse entendimento seria aplicável ao caso, se a empresa tivesse utilizado o caminho normal para desfazimento do negócio pela realização de revenda do investimento do Grupo Bradesco para o Grupo Goldman Sachs: o ágio contabilizado seria utilizado para reduzir ou anular o ganho de capital na nova alienação. Entretanto, os grupos econômicos resolveram desfazer a sociedade de modo diverso, já que o Grupo Bradesco adquiriu a) a BCI II, para quem havia emprestado parte do valor usado pela Pirapetinga para integralizar o capital do recorrente, e b) a Nota de Taxa Flutuante, representativa do empréstimo feito dentro do Grupo Goldman Sachs. Desse modo, o Grupo Bradesco, após devolver os valores anteriormente pagos pelo Grupo Goldman Sachs, passou a figurar, nos dois empréstimos, como devedor e credor, encerrando os negócios por confusão (art. 381 do Código Civil de 2002). Do modo como contabilizadas as operações, não foi necessária a baixa do ágio contabilizado para apuração de ganho de capital, pois nenhum ganho de capital foi apurado. Pergunto: por qual motivo o Grupo Bradesco remeteu R$ 3.116.040.206,00 para o Grupo Goldman Sachs em 9/12/2008? A resposta dada pelo recorrente de se tratar de desfazimento de sociedade é insuficiente, pois não se pagou quantia tão elevada pelo simples distrato social. Obviamente o pagamento se deu pela devolução do bem anteriormente adquirido, e sobre esse negócio jurídico incide ganho de capital, que, nos termos do art. 418 do RIR/99, consiste no resultado na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. E analisando a operação em termos de grupos econômicos, é notória a extinção de bem do ativo permanente do Grupo Goldman Sachs, que deixou de contar com o investimento feito na Visanet, o que obrigaria a apuração de ganho de capital. Mas observese o resultado fiscal decorrente das operações perpetradas. Primeiro, não se apurou ganho de capital na aquisição da Ferrara pela Pirapetinga, pois ela se deu na modalidade de subscrição de ações, onde o ganho de capital do vendedor (empresa que tem seu capital aumentado) é contabilizado como reserva de capital. Depois, também não se apurou ganho de capital na rescisão do negócio, apesar de o preço pago ter retornado em sua integralidade ao Grupo Goldman Sachs e do investimento permanecer contabilizado junto com a mais valia anteriormente paga no Grupo Bradesco. Finalmente, o ágio foi utilizado para integrar o custo de aquisição das ações da Visanet do recorrente, e assim reduzir o ganho de capital na redução de seu capital social. Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.576 38 Assim, deixouse de apurar um ganho de capital obrigatório, que resultaria na extinção do ágio contabilizado, e se aproveitou indevidamente desse ágio na redução de outro ganho de capital, gerado pela devolução do capital social a preço de mercado. Desse modo, entendo que, do modo como as operações foram realizadas, seria necessário o reconhecimento da insubsistência do ativo relativo ao ágio da Pirapetinga, o que resultaria no registro de uma despesa, que não seria dedutível na apuração do lucro real. Entretanto, como não foi feito tal registro, correto o entendimento da autoridade fiscal de que tal modo de contabilização não é oponível ao Fisco, que pode desconsiderar o ágio indevidamente escriturado, e apurar o ganho de capital no momento em que se pretenda utilizálo, considerandoo como se inexistente fosse. 1.4 Fraude à Lei De há muito, a doutrina e a jurisprudência vêm discutindo os limites dos planejamentos tributários feitos pelos contribuintes. Filiome ao grupo que entende que o ordenamento jurídico possui instrumentos de controle voltados à supressão de abusos. Em sede doutrinária, adoto o posicionamento do Prof. Marco Aurélio Greco em sua obra “Planejamento Tributário” 1. Assim, mesmo se o planejamento tributário envolver apenas atos lícitos, realizados antes da ocorrência do fato gerador, e sem a prática de simulação (vista como vício de vontade), ainda assim ele pode não ser oponível ao Fisco se sofrer de outras patologias do negócio jurídico, tais como o abuso de direito, a fraude à lei e o abuso de formas. A ressalva acima feita ao termo simulação como vício de vontade referese ao foco dado por alguns à vontade das partes para a validade do negócio jurídico, inadmitindo apenas os atos negociais onde a vontade real seja diferente da aparente. Contudo, não é possível se analisar os negócios na perspectiva do que as partes dizem que fazem, mas sim daquilo que efetivamente fazem, abandonandose a análise em um perspectiva meramente formal para uma perspectiva substancial. Assim, devese considerar a causa (motivo) como elemento do negócio jurídico, e entender a simulação como vício no plano da causa: viciado é o negócio onde o motivo real é diferente do motivo aparente. Nessa perspectiva, poderseia classificar os fatos em análise como simulados, por ocultarem o verdadeiro motivo dos atos perpetrados, que foi o desfazimento da compra e venda de participação societária com a manutenção indevida do ágio registrado na alienação original. Mas mesmo que não se considere possível adotar esse conceito de simulação, ainda devese rejeitar o planejamento tributário que padeça de outras patologias do negócio jurídico. 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011. Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.577 39 Apesar de o Procurador da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, classificar o caso como abuso de direito, nos termos do art. 187 do Código Civil de 2002, penso que os fatos melhor se amoldam à figura da fraude à lei, prevista no art. 166, inciso VI, do mesmo código, abaixo transcrito: Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: (...) VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; (...) Transcrevo as lições do Prof. Greco2 sobre a matéria: (...) Nessa figura, estamos perante duas normas (ou uma norma e uma ausência de previsão expressa) do ordenamento: a) uma norma imperativa de tributação que se considera indesejada à qual o contribuinte não quer se submeter (a norma contornada); e b) uma norma ou uma ausência de previsão expressa, que o contribuinte utiliza para evitar a norma contornada (a norma de contorno). Na fraude à lei o contribuinte monta determinada estrutura negocial que se enquadre na norma de contorno para, desta forma, numa expressão coloquial, “driblar” a norma contornada. Com isto pretende fazer com que a situação concreta seja regulada pela norma de contorno, com o que ficaria afastada a aplicação da norma de tributação (ou de tributação mais onerosa). No caso sob análise, o recorrente buscou “driblar” a norma que exige a baixa do ágio na nova venda do investimento, e montou a operação de forma a obter o mesmo resultado da compra e venda (recebimento do bem e pagamento do preço), mas mantendo indevidamente o ágio contabilizado. A reação do ordenamento para a fraude à lei é a aplicação da norma contornada. No caso, considerase o ágio como baixado, não permitindo seu uso como custo na apuração do ganho de capital quando da redução do capital social. Quanto ao argumento de que não é possível se utilizar as figuras previstas no Código Civil na esfera tributária, entendo que sua aplicação decorre da própria imperatividade do ordenamento, e que podem ser utilizadas mesmo sem lei expressa que as autorizem. Ademais, utilizandose do argumento constante das contrarrazões do Procurador da Fazenda Nacional, isso seria o mesmo que entender que o particular não pode ser lesado, mas a Fazenda Pública pode sofrer as conseqüências de um ato qualificado como ilícito ou nulo na esfera civil. Já para refutar a afirmação de que o Fisco não pode desconsiderar os atos ou negócios jurídicos praticado para fins fiscais antes da vigência e devida regulamentação do 2 GRECO, Marco Aurélio. Op. Cit. p. 251. Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.578 40 artigo 116, parágrafo único, do CTN, utilizo mais uma vez os argumentos de Marco Aurélio Greco3 relativos ao abuso de direito e à fraude à lei: Tratandose de abuso de direito, o Código Civil assumiu postura clara e inequívoca no sentido de prever que configura ato ilícito. Isto significa que, na hipótese de abuso de direito no campo tributário, haverá uma ilicitude e, portanto, deixará de ser caso de elisão para configurar conduta ilícita (se evasão, sonegação ou outra figura, não é o momento de examinar). Portanto, ainda que o abuso implique uma dissimulação, a ilicitude originária contamina a operação e, portanto, não é o caso de desconsiderar, mas de identificar o ilícito cometido. O Fisco não fica jungido aos procedimentos do artigo 116, parágrafo único, pois aplicase o artigo 149 do CTN. Da mesma foram, se o caso concreto for de fraude à lei, o agente utiliza uma previsão legal existente como cobertura para sua ação, ou promove “montagens jurídicas” que visam contornar normas tributárias de incidência, mediante a busca de previsões mais vantajosas (quase sempre mediante dissimulação). Ocorre que a fraude à lei agride a imperatividade do ordenamento e, por decorrência, a própria legalidade que o rege e, por isso, deflagramse as consequências pertinentes, independente do parágrafo único do artigo 116. (...) 1.5 Demais argumentos da defesa O contribuinte alega que o auto de infração foi lavrado mais de três anos após o suposto “desfazimento do negócio”, prazo máximo previsto no art. 48 do Código Civil para desconstituir os fatos da vida societária da pessoa jurídica. Entretanto, não houve qualquer intenção do Fisco em anular as decisões da sociedade, apenas não admitindo os efeitos de algumas operações para fins fiscais. Ademais, considerandose os atos nulos por fraude à lei, há que se considerar que o art. 169 do Código Civil não permite sua confirmação ou convalescença pelo decurso do tempo. Também não prevalece o argumento de quebra da personalidade jurídica de todas as empresas envolvidas, pois se teria atribuído ao grupos Bradesco e Goldman Sachs negócios que foram realizados por pessoas jurídicas específicas, já que a tributação ocorreu em pessoa jurídica determinada, e a análise em termos de grupos econômicos só se deu para compreensão dos fatos efetivamente ocorridos. Finalmente, também não procede o raciocínio de que teria ocorrido um planejamento tributário às avessas, pois caso o Grupo Bradesco tivesse feito o IPO com as ações da Rubi, teria obtido um ganho de capital inferior ao de fato apurado, o que demonstra que as operações realizadas não tiveram propósito de economia de tributos. Ora, o custo de aquisição das ações da Rubi é justamente decorrente de toda a discussão da ação fiscal, onde ficou demonstrado que estava inflado pela incorporação de ágio que perdera seu fundamento econômico. Como consequência, caso se tivesse adotado o custo correto, o ganho de capital na Columbus seria maior. E como bem observado pela decisão recorrida, as mesmas ações da Visanet que saíram do Banco Alvorada pelo valor contábil de R$ 68.767.876,47 chegaram à Columbus 3 GRECO, Marco Aurélio. Op. Cit. p. 556. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.579 41 com esse valor aumentado para R$ 3.048.063.870,81, não havendo sentido na afirmação de que as operações realizadas resultaram em um pagamento a maior de tributo. Por todo o exposto, considero correto o lançamento na parte em que não admitiu que o valor do ágio compusesse o custo das ações da Visanet quando da devolução do capital social do recorrente com entrega dos bens aos sócios, apurando, como consequência, ganho de capital nos termos do art. 419 do RIR/99. 2. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO O recorrente alega ainda que é indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Argumenta que tal exigência carece de base legal, pois o artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996 é claro ao restringir a incidência dos juros de mora apenas sobre o principal lançado. Discordo dos argumentos. A incidência de juros de mora sobre o crédito não pago no vencimento decorre do art. 161 do CTN, abaixo transcrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) O crédito a que se refere o artigo é, sem dúvida, o crédito tributário, que, nos termos do art. 139 do Código, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, §1o, do CTN, determina que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Assim, por evidente, o crédito tributário envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. A base legal indicada para os juros de mora é o art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.580 42 (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, a incidência dos juros de mora se dá sobre débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, o que inclui a multa de ofício acessória, e não apenas sobre os tributos e as contribuições. Não há outra exegese a ser extraída do adjetivo “decorrentes”. Outros dispositivos legais confirmam que essa é a interpretação mais adequada. Vejase o constante no art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, a lei permitiu a formalização de crédito tributário exclusivamente de multa, admitindo ainda a incidência de juros sobre ela, o que demonstra que é essa a lógica do sistema. Ademais, a Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, incluiu o § 8º no art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, dispondo que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o que obviamente inclui as multas de ofício aplicadas. Desta forma, interpretandose de forma sistemática o ordenamento, não restam dúvidas de que os juros de mora devem incidir sobre o tributo e a multa de ofício, não sendo lícito que qualquer possível impropriedade na redação de um dispositivo de forma isolada altere essa conclusão. É esse o entendimento predominante da 1a Turma da CSRF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.581 43 incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, sessão de 17 de outubro de 2011, redator do voto vencedor Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de débitos relacionados com tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a taxa Selic, ex vi dos arts. 29 e 30, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. (Acórdão nº 910101.191, sessão de 15 de maio de 2012, relator Conselheiro Valmir Sandri) Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. (Acórdão nº 9101001.337, sessão de 14 de agosto de 2012, relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) 3. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.720430/201241 Acórdão n.º 1102001.073 S1C1T2 Fl. 2.582 44 Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10840.002699/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 26 99 /2 00 6- 16 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002699/200616 Acórdão n.º 3402002.360 S3C4T2 Fl. 320 3 Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS e COFINS, supostamente recolhidos indevidamente entre novembro de 2001 e outubro de 2002, no montante de R$ 296.668,70, sob alegação de que a inclusão dos valores de ICMS e IPI na base de cálculo das referidas contribuições, recolhidas pelas montadoras por substituição tributária, seria indevido, embasando tal alegação em entendimento do STF. O pedido foi indeferido, por meio de Despacho Decisório (fls. 252/255 – n.e.), alegando que a base de cálculo das contribuições é composta por todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica e que o valor de ICMS não está entre as exclusões da base de cálculo previstas em lei. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 261/273 – n.e.), argumentando, em apertada síntese, que a ampliação da base de cálculo das citadas contribuições (art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98) seria inconstitucional, pois que a dita lei foi publicada antes da edição da Emenda Constitucional nº 20/98, que veio a alterar o art. 195 da Constituição Federal, ampliando o conceito de faturamento. Aduz, portanto, que o ICMS não poderia ser incluído na base de cálculo das contribuições sociais em discussão, pois que não compreendida no conceito de faturamento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de conformidade apresentada, a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), proferiu o Acórdão de nº. 1434.577, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido.” Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que só se faz possível a exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins, o valor relativo a ICMS, nos casos de substituição tributária, o que não seria o caso da contribuinte. Destaca, ainda, que o faturamento inclui todas as receitas de venda, das quais o ICMS faz parte, pois que integra o preço de venda das mercadorias. Quanto ao entendimento de que o ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, menciona súmula do STJ, decisão do antigo Conselho de Contribuintes e atual julgamento do STF, para ressaltar que a matéria está sub judice no STF, portanto não haveria como aplicar suposto entendimento deste tribunal ao caso concreto, uma vez que o tema referente a inclusão do ICMS na base de cálculo ainda encontrase pendente. No que tange a restituição de IPI, aduz que a requerente não é contribuinte deste tributo, assim não há que se falar em exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições. Quanto ao IPI pago pela montadora, destaca que por não houvesse a substituição tributária, não subsistiria a possibilidade de restituição de IPI na base das contribuições, pois que seria o IPI custo para a Recorrente para o caso em discussão. Ao fim, votou pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 29/08/2011, conforme AR de fls. 285 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 286/300) em 08/09/2011, apresentando novos doutrinadores e julgados, porém repisando os mesmos argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, que por respeito à brevidade, não os repetirei, pedindo, ao fim, que seja deferido seu pedido de restituição, acarretando, assim, a devolução da importância recolhida indevidamente a título de PIS e COFINS sobre os valores de ICMS e IPI inseridos inconstitucionalmente em suas bases de cálculo. DO SOBRESTAMENTO Em sessão do dia 24 de abril de 2012, em atenção à Portaria CARF nº 1, de 03 de janeiro de 2012, os membros desta turma, por unanimidade de votos, entenderam por bem sobrestar o julgamento do processo em discussão, pois que a matéria discutida nos autos encontrase comprovadamente sobrestada pelo Supremo Tribunal Federal. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 318 (trezentos e dezoito), estando apto para análise desta Fl. 322DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002699/200616 Acórdão n.º 3402002.360 S3C4T2 Fl. 321 5 Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A primeira questão em discussão que emana dos autos, diz respeito à possibilidade, defendida pela Recorrente, ou à vedação, sustentada pela Administração de se excluir da base de cálculo da Contribuição à PIS e COFINS, os valores relativos ao ICMS incidentes sobre as operações de venda, sob o fundamento de que tais valores, na realidade, constituirseiam em receitas pertencentes ao Estado e não ao contribuinte. Adentrando ao mérito da questão, sabese que a matéria é objeto de discussão no âmbito do STF, em sede de Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG, em curso de julgamento desde 1999, que discute a incidência no âmbito da Lei n° 9.718/98. Em referido RE o “score” está 6x1 em favor do contribuinte, tendo sido publicado o seguinte resultado de julgamento: "O TRIBUNAL, POR MAIORIA, CONHECEU DO RECURSO, VENCIDOS A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA E O SENHOR MINISTRO EROS GRAU. NO MÉRITO, APÓS OS VOTOS DOS SENHORES MINISTROS MARCO AURÉLIO (RELATOR), CÁRMEN LÚCIA, RICARDO LEWANDOWSKI, CARLOS BRITTO, CEZAR PELUSO E SEPÚLVEDA PERTENCE, DANDO PROVIMENTO AO RECURSO, E DO VOTO DO SENHOR MINISTRO EROS GRAU, NEGANDOO, PEDIU VISTA DOS AUTOS O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES. AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS SENHORES MINISTROS CELSO DE MELLO E JOAQUIM BARBOSA. FALARAM, PELA RECORRENTE, O PROFESSOR ROQUE ANTÔNIO CARRAZA E, PELA RECORRIDA, O DR. FABRÍCIO DA SOLLER, PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. PRESIDÊNCIA DA SENHORA MINISTRA ELLEN GRACIE. PLENÁRIO, 24.08.2006". Sabese também, no entanto, que houve a apresentação da Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 18, na qual foi concedido provimento judicial para que se sobrestassem os julgamentos de matérias similares a esta até o julgamento final da lide pela Corte Suprema, sendo em razão desta liminar que tais demandas aguardam o pronunciamento do STF, inclusive as que estavam pendentes perante este Conselho por força da Portaria MF n° nº 256, de 22 de junho de 2009, revogada através da Portaria MF n° 545, de 18 de novembro de 2013. Tenho, no entanto, que a matéria está muito longe de restar pacificada mesmo com eventual decisão do STF favorável aos contribuintes, pois que dela emanariam efeitos que alterariam premissas firmadas há décadas a respeito do ICMS, inclusive de ordem criminal (por ser imposto próprio ou de terceiro, p. ex.) e que acabariam por não resolver, também, as demandas que poderiam se originar nos períodos em que as contribuições ao PIS e à COFINS Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002699/200616 Acórdão n.º 3402002.360 S3C4T2 Fl. 322 7 passaram a ser apuradas sob o regime da não cumulatividade, pois que viria à toma o questionamento sobre o direito de se tomar crédito sobre a parcela do ICMS incluído no custo das mercadorias para revenda ou dos insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens. Firmouse a premissa de que o ICMS é um “imposto próprio”, ou seja, seu ônus é do próprio contribuinte, e seu mecanismo de incidência não comporta a transferência jurídica do encargo ao adquirente da mercadoria (diferentemente do IPI, no qual se fatura o preço do produto e o preço do IPI, separadamente). Daí surgem efeitos primeiramente no art. 166, do CTN, para fins de eventual indébito e demandas por créditos, e também no âmbito criminal, pois que a simples falta de pagamento de ICMS poderá passar a ser considerada “apropriação indébita”, pois que o contribuinte passaria a ser mero depositário do tributo, para repassálo ao ente arrecadador estadual. Daí porque já no final da década de 1980 e início da de 1990, o Superior Tribunal de Justiça editou as Súmulas n°s. 68 e 94, com os seguintes teores: Súmula 68. A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Súmula 94. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Sabese que o FINSOCIAL foi substituído pela COFINS com a edição da Lei Complementar n° 70/91, tanto que no início acabou recebendo a alcunha de “novo Finsocial”, acomodando com isso as diversas discussões quanto à sua constitucionalidade que pairavam no Brasil pós Constituição de 1988. A digressão história anterior foi necessária para dizer que a análise jurídica da exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS passam pela análise da constitucionalidade do art. 13, da Lei Complementar n° 87/96 (Lei Kandir), que determina que o ICMS seja calculado “por dentro”, e que lhe concede todo esse contorno de “imposto próprio”, como mencionado alhures. E essa competência para declarar a inconstitucionalidade de Lei tributária não cabe aos julgadores do CARF, nos termos da Súmula CARF n° 2. Tratase de uma função que compete ao STF e que o fará com o julgamento da ADC n° 18. Até lá, temse a presunção de constitucionalidade da Lei, tanto do art. 13 da LC 87/96, como da Lei n° 9.718/98 questionada em sede de STF, e que não preveem a hipótese de exclusão da receita bruta de vendas ou do faturamento, os valores relativos ao ICMS incidente sobre as vendas, de modo que não merece amparo o pleito recursal. Finalmente, trago à colação parte do voto do ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, que ao julgar o Processo n° 13851.001210/200640 (sessão de janeiro de 2014, pendente de publicação), com maestria pontuou: ...em relação à inclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, pois como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC nº 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado “por dentro”, não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS contrariamente ao que Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 8 ocorre no caso do IPI (art. 3º da Lei nº 9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou, no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do STJ. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592).” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp 706766RS, Reg. nº 2004/01685982, em sessão de 18/05/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 29/05/06 p. 169) Finalmente releva notar que no caso excogitado (pretensão de exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo “os magistrados e Tribunais – que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o benefício da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rel. Min. Celso de Mello). (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Agr. Reg. no AI nº 171.733SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237) Desta forma, entendo que agiu com acerto a DRJ ao manter a incidência das contribuições em questão sobre a parcela relativa ao ICMS, pois que este é imposto próprio do contribuinte que forneceu à Recorrente, e não mero depositário do tributo em favor do Estado da federação. Quando a segunda questão sob julgamento, no que tange o pedido de restituição dos valores da contribuição à COFINS calculadas por substituição tributária e cobradas DA Recorrente sobre o IPI devido pelo substituto tributário, tenho que igualmente não assiste razão ao contribuinte, assim como já votado no julgamento de primeira instância. Isto porque, resta claro que a requerente não é contribuinte deste tributo, e este passa a ser seu custo ao ser inserido no cálculo das contribuições, não havendo como haver seu indébito como pretendido pela Recorrente. Assim não há que se falar em exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições ao Pis e nem da COFINS. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002699/200616 Acórdão n.º 3402002.360 S3C4T2 Fl. 323 9 Também não merece prosperar o tocante ao IPI pago pela montadora, uma vez que não houve substituição tributária, não subsistindo, portanto, a possibilidade de restituição de IPI para o caso em discussão. Com efeito, na esteira das considerações acima, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR
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Numero do processo: 13308.000031/2001-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000, 01/07/2000 a 30/09/2000, 01/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APROVEITAMENTO MEDIANTE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO E/OU COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO EFICAZ.
Para fim de comprovar o valor do crédito presumido do IPI, apurado mensalmente, a pessoa jurídica produtora-exportadora não está obrigada a manter contabilidade de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial. Caso não possua tal sistema de contabilidade de custos, em cada mês, apurará a quantidade de insumos aplicados no processo de industrialização somando a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo-se, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. Optando por essa modalidade de apuração de custos, a pessoa jurídica deverá comprovar as aquisições com a exibição das notas fiscais de compra e o saldo final de insumos em estoque no final de cada período de apuração mediante a exibição de relações de quantidades e valores dos insumos, o que é perfeitamente factível mediante a apresentação do livro Registro de Inventário.
CRÉDITO BÁSICOS DO IPI. SALDO CREDOR ACUMULADO NO FINAL DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. APROVEITAMENTO MEDIANTE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO E/OU COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO EFICAZ.
A partir da vigência do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, passou a ser permitido o ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, do saldo de créditos básicos do IPI acumulado no final de cada trimestre-calendário, decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributários à alíquota zero. Para fim de comprovação da certeza e liquidez do referido crédito, é suficiente a apresentação das cópias do livro Registro de Apuração do IPI, corroborado pelas notas fiscais dos insumos adquiridos no período.
SALDO CREDOR REMANESCENTE DO IPI. INDEFERIMENTO DO RESSARCIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO COMO CRÉDITO ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL DATA DO INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62-A do RI- CARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao presente recurso para: a) reconhecer o direito creditório da Interessada ao valor total do saldo do crédito presumido do 2º trimestres de 2000 (fl. 01) e saldo credor do IPI dos 3º e 4º trimestres de 2000 (fls. 02/03); b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 526/567, com saldo remanescente do crédito presumido do IPI do 2º trimestre de 2000 (fl. 01) e dos débitos declarados na DComp de fls. 518/525, com saldo credor do IPI do 3º trimestre de 2000 (fl. 02), que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do inciso V do § 2º do art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, dos seguintes valores: a. eventual saldo do crédito presumido do IPI do 2º trimestres de 2000 (fl. 01), se remanescente após as compensações dos débitos informadas nos Pedidos de Compensação de fls. 04/16, homologadas tacitamente, e dos débitos declarados nas DComp de fls. 526/567, homologadas neste julgamento, que deverá ser acrescido da taxa Selic, calculada a partir de 11/05/2006, data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 439; e b. do saldo dos crédito básicos do IPI dos 3º e 4º trimestres de 2000 (fls. 02/03), remanescente após a compensação dos débitos declarados na DComp de fls. 518/525 (com o saldo de créditos do 3º trimestre de 2000), que deverá ser acrescido da taxa Selic, calculada a partir de 20/08/2008 (fl. 605), data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 604.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000, 01/07/2000 a 30/09/2000, 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APROVEITAMENTO MEDIANTE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO E/OU COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO EFICAZ. Para fim de comprovar o valor do crédito presumido do IPI, apurado mensalmente, a pessoa jurídica produtoraexportadora não está obrigada a manter contabilidade de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial. Caso não possua tal sistema de contabilidade de custos, em cada mês, apurará a quantidade de insumos aplicados no processo de industrialização somando a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. Optando por essa modalidade de apuração de custos, a pessoa jurídica deverá comprovar as aquisições com a exibição das notas fiscais de compra e o saldo final de insumos em estoque no final de cada período de apuração mediante a exibição de relações de quantidades e valores dos insumos, o que é perfeitamente factível mediante a apresentação do livro Registro de Inventário. CRÉDITO BÁSICOS DO IPI. SALDO CREDOR ACUMULADO NO FINAL DO TRIMESTRECALENDÁRIO. APROVEITAMENTO MEDIANTE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO E/OU COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO EFICAZ. A partir da vigência do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, passou a ser permitido o ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, do saldo de créditos básicos do IPI acumulado no final de cada trimestrecalendário, decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributários à alíquota zero. Para fim de comprovação da Fl. 24DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 certeza e liquidez do referido crédito, é suficiente a apresentação das cópias do livro Registro de Apuração do IPI, corroborado pelas notas fiscais dos insumos adquiridos no período. SALDO CREDOR REMANESCENTE DO IPI. INDEFERIMENTO DO RESSARCIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO COMO CRÉDITO ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL DATA DO INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62A do RI CARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao presente recurso para: a) reconhecer o direito creditório da Interessada ao valor total do saldo do crédito presumido do 2º trimestres de 2000 (fl. 01) e saldo credor do IPI dos 3º e 4º trimestres de 2000 (fls. 02/03); b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 526/567, com saldo remanescente do crédito presumido do IPI do 2º trimestre de 2000 (fl. 01) e dos débitos declarados na DComp de fls. 518/525, com saldo credor do IPI do 3º trimestre de 2000 (fl. 02), que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do inciso V do § 2º do art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, dos seguintes valores: a. eventual saldo do crédito presumido do IPI do 2º trimestres de 2000 (fl. 01), se remanescente após as compensações dos débitos informadas nos Pedidos de Compensação de fls. 04/16, homologadas tacitamente, e dos débitos declarados nas DComp de fls. 526/567, homologadas neste julgamento, que deverá ser acrescido da taxa Selic, calculada a partir de 11/05/2006, data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 439; e b. do saldo dos crédito básicos do IPI dos 3º e 4º trimestres de 2000 (fls. 02/03), remanescente após a compensação dos débitos declarados na DComp de fls. 518/525 (com o saldo de créditos do 3º trimestre de 2000), que deverá ser acrescido da taxa Selic, calculada a partir de 20/08/2008 (fl. 605), data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 604. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 10/10/2011 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Sólon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 649 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 0113.058, de 18 de fevereiro de 2009 (fls. 607/618), proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ/BEL), em que, por unidade de votos: a) consideraram definitiva a decisão da Unidade de origem, no que diz respeito à análise de mérito dos pleitos de fls. 02/03 e declarações de compensação objeto do pedido de diligência de fls. 596/601, por não haverem sido contestadas pela empresa interessada; b) consideraram homologadas tacitamente as compensações de fls. 04/16, conforme despacho decisório de fl. 604; e c) indeferiram a presente manifestação de inconformidade, relativamente à parte contestada pela empresa, mantendo a decisão da Unidade de origem, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000, 01/07/2000 a 30/09/2000, 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese indeferimento do pleito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. São homologadas tacitamente as declarações de compensação que deixarem de ser apreciadas no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da mesma ou do pedido de compensação convertido por força do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Solicitação Deferida em Parte Por bem descrever os fatos ocorridos até prolação da decisão de primeiro, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: A interessada acima qualificada formulou, em 06.03.2001, pedidos de ressarcimento de créditos presumidos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), nos valores de R$ 216.099,91, referente ao 2° trimestre de 2000 (fl. 01), com fundamento no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Na mesma data, formulou pedidos de ressarcimento de créditos básicos nos valores de R$ 88.517,75, referente ao 3° trimestre de 2000 (fl. 02) e R$ 81.461,40, referente ao 4° Fl. 26DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 trimestre de 2000 (fl. 03), com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Constam ainda do presente processo declarações de compensação de fls. 04 a 16, também protocolizadas em 06.03.2001, num valor total de R$ 166.518,49. 2. Nas fls. 518 a 567 foram anexadas diversas Dcomp transmitidas nos anos de 2003, 2005 e 2006, para tratamento manual, as quais, porém, não fazem parte da presente lide. 3. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à. comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito objeto do pedido de fl. 01, deixando de apreciar os pedidos de fls. 02 e 03, sob a alegação de que os mesmos foram objeto de análise em outros processos. Abaixo, em síntese, os fundamentos para o indeferimento de pedido de fl. 01, constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 270 a 298: a) "o estabelecimento produz calçados, sendo que todo o processo de industrialização é feito sob encomenda, somando 19 o número de estabelecimentos industrializadores", de acordo com informação prestada pela interessada; b) Em demonstrativo intitulado “Vendas Referentes Remessas p/ Depósito”, apresentado pela requerente, encontramse listadas, por exemplo, saídas de produtos (Remessa para depósito em estabelecimento de terceiros – CFOP 5.99) ocorridas em 5/5/1999, sendo que tais produtos somente teriam sido devolvidos ao estabelecimento (nele reingressado), por meio de notas fiscais de entrada do próprio contribuinte (NF de Remessa nº 6744 e NF de Entrada nº 20000), em 19/12/2001, portanto, mais de dois anos e sete meses após a saída declarada; c) “O Interessado, ainda, dá saída a mercadorias como ‘remessa de amostra’ ou ‘remessa para teste de amostra’, classificadas nos CFOP 699 ou 799, que até a data da informação prestada não haviam retornado, chegando a somar, estas saídas, no mês de junho/2000, R$ 309.151,76; até a data da informação prestada também não foram estornados os créditos respectivos, que possivelmente foram lançados na entrada destas mercadorias” (fl. 149). “Da mesma forma, o Interessado dá saída a mercadorias nos CFOP 5.12 e 6.12 –Venda de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros, sem o devido estorno de possíveis créditos lançados nas respectivas entradas”; d) “O interessado declara que todos os seus produtos são industrializados por terceiros e que ocorrem, até o desenvolvimento do produto final, várias etapas no processo de industrialização, realizada por vários estabelecimentos industrializadores, com várias entradas, portanto, destes produtos semiacabados em seu estabelecimento e, por outra, deixou de apresentar justamente as informações relativas a estas industrializações (...), necessárias e imprescindíveis ao devido esclarecimento da questão em pauta: os procedimentos do estabelecimento quanto à emissão e registro de documentos e Fl. 27DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 650 5 livros fiscais, os necessários e suficientes ao cálculo dos créditos pleiteados...”; e) A própria contribuinte declara que “a partir de janeiro de 2002 deuse o início da implantação de um novo programa (...) ficando pronto agora em dezembro de 2003 a parte do controle da produção que vai alimentar o livro modelo 3 referente ao movimento dos produtos prontos e intermediários”, o que indicaria a inexistência de quaisquer controles quanto a MatériasPrimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de Embalagem (ME) utilizados diretamente no processo industrial. Aduz a fiscalização que, de fato, “o Interessado nada apresentou sobre quaisquer movimentações de matériasprimas, material de embalagem etc”, ressaltando que “ainda que não dispusesse mesmo do que seria devido, o livro modelo 3 – Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou fichas substitutivas ou outro controle equivalente) (...) não apresentou quaisquer controles que sejam, algum controle que valha como tal sobre alguma parte do seu processo produtivo”; (grifouse). f) Por último, consignouse que os “procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial (..) impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido – IPI (Lei nº 9.363/96 e Portaria MF 38/97) ..., o cálculo dos valores de créditos pleiteados (...)”; 4. Em 02/03/2006, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 439, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela e não homologou as compensações correlatas, em face de que a interessada, não mantendo qualquer Controle da Produção e Estoque, haveria inviabilizado a verificação dos valores a serem ressarcidos. 5. A interessada tomou ciência do referido Despacho Decisório em 11/05/2006 (fl. 446) e apresentou, em 08/06/2006 (fl. 446), a manifestação de inconformidade de fls. 447 a 482, na qual alega, em síntese, que: a) A DRF Fortaleza referiuse em seu despacho decisório a período diverso do pedido pelo contribuinte, no que diz respeito ao pedido de fl. 01, uma vez que se reportou ao 2° trimestre de 2001, sendo o pedido referente a 2000; b) Vários fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal e, ainda, por ocasião da emissão do Aviso de Cobrança decorrente do indeferimento do seu pleito, pela Delegacia de origem, demonstram a total falta de respeito para consigo, induzindo ofensa ao seu direito de defesa. Aponta que a fiscalização, com o mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do respectivo Termo de Início; c) Ocorreu homologação tácita das compensações de fls. 04 a 16, nos termos do § 2° do art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; Fl. 28DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 d) A matéria referente ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS/Cofins, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, é de simples compreensão e aplicação, sendo que foram disponibilizados à fiscalização, a partir de dados retirados dos controles de estoque e livros fiscais existentes, quadros demonstrativos de exportação e movimentação contábil dos insumos. Com base na legislação pertinente e nos quadros demonstrativos apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as MP, PI e ME foram adquiridas no mercado nacional; se tais aquisições amparavamse em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se as exportações informadas foram efetivamente realizadas; se as receitas totais correspondem àquelas informadas em outras declarações decorrentes de obrigações acessórias; se o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais encontravase correta; e se o cálculo do crédito presumido encontravase correto. Ressalta que, “com um pouco de boa vontade”, poderseia facilmente constatar “onde e para que finalidade foram utilizados todos os insumos adquiridos pela contribuinte”, que é empresa “quase que exclusivamente exportadora”; e) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam milhares de documentos fiscais, cujo atendimento se fazia quase impossível no prazo concedido, pelo que sustenta que “o agente fiscal tinha certeza que a empresa não teria condições de atender às solicitações, no formato pedido”, sendo que “sua intenção era alegar improcedentes os pedidos da contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal”; f) Acresce que “disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado”, documentos os quais seriam “mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção”. Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender às informações requeridas, a fiscalização “levaria décadas para analisálas”, indicando que, em caso de dúvida quanto aos insumos e respectivas quantidades utilizadas na fabricação dos calçados exportados, bastaria haverse “multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo, pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo”; g) Invoca o art. 9º, IV, do Decreto nº 2.637, de 1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/1998), para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente às operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os remete a outras empresas para industrialização. Desta forma, Fl. 29DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 651 7 afirma que “nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem à contribuinte, inclusive o crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e Cofins”; h) Registra que o não reconhecimento do direito líquido e certo ao crédito presumido causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. i) No que diz respeito aos pedidos de fls. 02 e 03, alerta que pelo preâmbulo do próprio termo de verificação fiscal, fl. 269, vêse claramente que os processos citados (13308.000038/200169 e 13308.000085/200111) cuidaram de pedidos relativos ao crédito presumido do IPI objeto da Lei n° 9.363, de 1996, sendo que os constantes das fls. 02 e 03 referemse a pedidos de ressarcimento de créditos básicos. Entende que, no silêncio da DRF, tais pedidos devem ser considerados tacitamente deferidos. Acrescenta que apesar do deferimento tácito, os fundamentos utilizados no Termo de Verificação Fiscal são infundados. 5. Em face de tais alegações, a requerente peticiona no sentido de que: a) a decisão recorrida, referente ao pedido de fl. 01, seja reformada; b) seja autorizado o crédito referente aos pedidos de fls. 02 e 03, atualizado pela Selic; c) sejam considerados homologados tacitamente os débitos dos pedidos de compensação de fls. 04 a 16; d) sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao presente processo; e) o ressarcimento do crédito presumido de IPI seja atualizado, dentre a data do protocolo do pedido e a data do efetivo ressarcimento, pela taxa Selic; f) seja deferida perícia “para constatar a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos, exportações e tudo o mais necessário, para comprovar o direito ao crédito presumido de IPI solicitado”, indicando quesitos relacionados (fls. 481/482) às exportações que realizou, à comprovação da idoneidade ou não dos documentos de aquisição de MP, PI e ME, bem como quanto à devida escrituração fiscal e contábil de tais documentos, além da possibilidade de se estabelecer correlação entre os insumos adquiridos e os produtos exportados. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 7. Em 22/05/2007, a interessada apresenta requerimento para que seja juntada aos autos cópia simples de acórdão proferido, em seu favor, pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, o qual se encontra às folhas 493/508 e exibe ementa no sentido de que “o estabelecimento exportador, equiparado a produtor (...) faz jus ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, seja por se enquadrar no conceito de exportador, seja porque este conceito não pode alterar o objetivo da norma, de garantir o ressarcimento das exações ao PIS e Cofins incidentes no ciclo de produção de produtos exportados (...)”; 8. Tendo em vista haver sido verificado que os processos citados pela Unidade como já tendo sido objetos de análise (13308.000038/200169 e 13308.000085/200111), cuidaram do crédito presumido do IPI objeto da Lei n° 9.363, de 1996, sendo que os atuais referemse a pedidos de ressarcimento de créditos básicos, optouse pela realização de diligência (fls. 596/601) com o seguinte objetivo: "a.1) analisar os pedidos de fls. 02 e 03 do presente processo, manifestandose quanto ao mérito caso os mesmos não tenham sido, objeto dos processos 13308.000038/200169 e 13308.000085/200111; a.2) manifestarse quanto às Dcomp de fls. 517/567, anexadas ao , presente processo após a análise de mérito; a.3) apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo;" 9. Em resposta, a DRF Fortaleza apresentou a Informação Fiscal de fls. 602/603, juntamente com o despacho decisório de fl. 604 através do qual: a) indefere os pedidos de fls. 02/03; b) considera homologadas tacitamente as compensações de fls. 04/16; c) considera não homologadas as demais compensações. 10. Cientificada em 26.08.2008 (AR fl. 605), a empresa não se manifestou, motivo pelo qual se considera definitiva a decisão resultante da diligência efetuada. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, presencialmente (fl. 618), em 01/04/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 621/645, protocolado em 27/04/2007 (fl. 620), em que reafirmou todos os termos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade de fls. 447/482, especialmente, o pedido de atualização do valor do crédito pleiteado, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Em aditamento, em síntese, alegou o seguinte: 1) em relação ao Pedido Ressarcimento de fl. 01, referente ao crédito presumido do IPI do 2º trimestre de 2000: Fl. 31DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 652 9 a) nas fiscalizações anteriores, os pedidos formulados foram deferidos, total ou parcialmente, enquanto que nas duas últimas fiscalizações houve o indeferimento total dos pedidos formulados. Tal fato causavalhe estranheza, haja vista que não houve mudança na legislação, no processo produtivo, nos controles dos estoques nem nos registros fiscais e contábeis. A única mudança que ocorrera, segundo a Recorrente, fora o desfecho das duas últimas fiscalizações, em que o indeferimento fora motivado não pela inidoneidade dos documentos analisados ou exportações fraudulentas ou algo parecido, mas em decorrência da impossibilidade de identificação da utilização dos insumos utilizados nos produtos vendidos, o que havia sido possível nas fiscalizações anteriores; b) estranhava ainda o fato de a decisão recorrida, da lavra da DRJBelém, ter aceito as alegações da fiscalização, enquanto que as decisões proferidas pela DRJRecife, no julgamento dos processos relativos à primeira fiscalização (realizada pelo mesmo AuditorFiscal, também com proposta de indeferimento dos pedidos, baseada nos mesmos argumentos apresentados nos presentes autos), determinara a realização de perícia, para confirmar a alegada impossibilidade de identificar o consumo dos insumos, bem como os cálculos dos créditos pleiteados; c) um controle nos moldes desejados pela Fiscalização e DRJBelém apenas facilitaria a identificação dos insumos, entretanto, a falta desse controle não podia ser argumento para negar a verdade da compra dos materiais, da sua industrialização e da exportação. A Lei nº 9.363, de 1996, em seu artigo 2°, era clara quando dizia que o crédito presumido seria calculado tendo como base a totalidade das compras de matériasprimas, materiais de embalagem e materiais intermediários. O legislador, em nenhum momento, menciona os vocábulos “consumido” ou “utilizado”. A base do incentivo era “o VALOR TOTAL DAS AQUISIÇÕES”. d) como não possuía sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, o valor dos insumos consumidos, para efeito do que determina o art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, era apurado através da soma algébrica das movimentações dos estoques (§ 7°) e, neste caso, devia manter a relação dos estoques dos insumos (§ 14), o que se deu com a apresentação dos relatórios de produção e venda, dos controles internos e do Livro de Inventário; e) a apuração do crédito presumido do IPI, para aqueles que não possuíam sistema de custo integrado à contabilidade comercial, nos termos do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 103, de 1997, ou seja, para aqueles em que não fosse permitida a identificação dos insumos (§ 1°), a apuração dos insumos que geravam crédito era baseada nos documentos fiscais das aquisições (§ 2°) e as parcelas dos estoques existentes no final de cada período de apuração eram determinadas por critério de rateio (§ 3°), efetuado com base em percentual, apurado mensalmente, resultante da relação entre a soma dos insumos que geram direito ao crédito presumido e os valores totais dos insumos adquiridos (4°), ou seja, a apurados dos Fl. 32DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 estoques, para efeito do cálculo dos insumos consumos no período de apuração, era resultado de uma operação matemática; f) havia disponibilizado à fiscalização “TODAS AS NOTAS FICAIS DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE TODOS OS SEUS ESTABELECIMENTOS, bem como os livros fiscais onde foram escrituradas essas notas fiscais”, dessa forma, havia atendido, integralmente, o que determinava o § 1° do Art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997; g) todo o cálculo do crédito presumido do IPI, para os contribuintes que não tinha sistema de custo integrado à contabilidade, em conformidade com a legislação vigente à época, estava centrada (i) na comprovação das exportações (RE, SD, B/L, invoices, contrato de câmbio); (ii) na comprovação do total das receitas brutas operacionais (notas fiscais de vendas); (iii) no total das aquisições de insumos (notas fiscais de compras e importações); e (iv) na aquisição de insumos nacionais (notas fiscais). Uma vez comprovada a veracidade desses elementos, não havia razão do indeferimento total do pedido de ressarcimento; h) o objetivo do Fisco era retardar ao máximo o deferimento dos pedidos de ressarcimento. Nesses casos, os contribuintes só obtinha sucesso em sede deste Conselho, como foi o caso da Recorrente, relativamente aos processos nºs 13308.000054/9994, 13308.000072/9976, 13308.000082/0006, 13308.000086/0096 e 13308.000114/0020, referentes aos pedidos de ressarcimento objeto da primeira fiscalização; i) tanto na primeira fiscalização, quanto na segunda, que compreende o período de apuração deste processo, a justificativa para o indeferimento do pedido basearase no mesmo argumento, a saber, a “impossibilidade de aplicação das legislações”; e j) caso este Colegiado não se sentisse confortável para reverter a decisão recorrida, para o bem da verdade material, ratificava o pedido de realização de diligência apresentado anteriormente, para que fossem respondidos os quesitos que especificou (fls. 638/639); 2) em relação aos Pedidos de Ressarcimento de fls. 02/03, referentes aos créditos básicos do IPI dos terceiro e quarto trimestres de 2000: a) só havia tomado conhecimento do pedido de diligência realizado pela DRJ Belém, assim como do resultado da diligência que fora realizada, quando da ciência do Acórdão recorrido; b) não havia contestado os argumentos da DRF – Fortaleza, relativos a referida diligência, simplesmente porque dela não lhe fora dado conhecimento; c) a DRF Fortaleza encaminhou o resultado da dita diligência para endereço diverso daquele que lhe fora informado para, quando necessário, encaminhar notificações, intimações etc.; e d) apesar da matéria relacionada nos pedidos de ressarcimento de fls. 02/03 ser distinta daquela atinente ao pedido de ressarcimento de fl. 01, os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 653 11 argumentos apresentados no item anterior aplicamse a estes pedidos, haja vista que os argumentos da fiscalização, para indeferir os três pedidos, foram os mesmos. No final, requereu a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse deferido, integralmente, o ressarcimento de todos os valores consignados nos pedidos de ressarcimento de fls. 01/03, acrescidos da variação da Taxa Selic, desde o protocolo do pedido, e deferida a homologação das compensações ainda não homologadas. Em cumprimento ao despacho de fl. 647, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto dos presentes autos. Os presentes autos tratam de (i) pedido de ressarcimento de créditos presumidos do IPI do 2° trimestre de 2000 (fl. 01), com fundamento no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e (ii) pedidos de ressarcimento de créditos básicos do IPI do 3° trimestre de 2000 (fl. 02) e do 4° trimestre de 2000 (fl. 03), com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Constam ainda dos presentes autos os Pedidos de Compensação de fls. 04/16 e as Declarações de Compensação (DComp) de 518/567. Em 02/03/2006, com base na Informação Fiscal de fls. 437/438, foi proferido o Despacho Decisório de fl. 439, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento fl. 01 e não homologou as compensações a ele vinculadas. Em 29/02/2008, com base na Informação Fiscal de fls. 602/603, a titular da Unidade da Receita Federal de origem proferiu o Despacho Decisório de fl. 604, em que foi (i) indeferido os Pedidos de Ressarcimento de fls. 02/03, (ii) consideradas homologadas tacitamente as compensações de fls. 04/16 e (iii) não homologadas as demais compensações (DComp de fls. 518/567). Da parte do Acórdão recorrido que considerou definitiva a decisão consignada no Despacho Decisório de fl. 604. Com base no argumento de que a Interessa não havia contestado o Despacho Decisório de fl. 604, a Turma de Julgamento a quo considerou definitiva a decisão proferida pela titular da Unidade da Receita Federal de origem que (i) indeferiu os Pedidos de Fl. 34DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 Ressarcimento de fls. 02/03; (ii) considerou homologadas tacitamente as compensações discriminadas nos Pedidos de Compensação de fls. 04/16; e (iii) não homologou as demais compensações informadas nas DComp de fls. 518/567. Em relação a essa parte da decisão, alegou a Recorrente que não havia contestado a Informação Fiscal e o Despacho Decisório de fls. 602/604, porque deles não havia tomado conhecimento, pois a DRF Fortaleza tinhaos encaminhados para endereço diverso daquele que havia informado ao referido Órgão, para fim de notificações, intimações etc. Assiste razão a Recorrente. De fato, analisando o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 605, verificase que o endereço nele anotado referese a Rua Oswaldo Cruz, 01, sala 603, Edf. Trade Center, Aldeota CEP. 60.150161, Fortaleza/CE, que não corresponde ao endereço do domicílio fiscal da Interessada (Avenida Raimundo Alconforado 777 Alto Guaramiranqa CEP 62.300000, Canindé/CE) nem ao endereço do procurador da Recorrente, informado para envio de intimações, notificações e citações (Av. Santos Dumont, 3060, sala 610, Aldeota, CEP 60150161, Fortaleza/CE), nos termos do requerimento de fl. 509. Diante desses fatos, fica demonstrado que a Interessada não foi cientificada do referido Despacho Decisório, portanto, insubsistente o argumento aduzido no voto condutor do Acórdão recorrido, utilizado como fundamento para considerar definitiva a decisão consignada no citado Despacho. No caso, apesar da matéria abordada nos Pedidos de Ressarcimento de fls. 02/03 ser distinta da atinente ao Pedido de Ressarcimento de fl. 01, a Recorrente manifestou entendimento de que a matéria poderia seja julgada no âmbito deste Colegiado, pois eram os mesmos os argumentos aduzidos pela Fiscalização, para fim de indeferimento dos três Pedidos de Ressarcimento em tela. No presente caso, tendo em conta que a decisão de mérito favorecerá a Recorrente, deixo de pronunciar a nulidade da parte da decisão inquinada e de mandar repetir a intimação irregular, com respaldo no que dispõe o § 3º do art. 591 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Em consequência, passo a análise do mérito de toda a contenda. Do objeto da presente controvérsia. A presente controvérsia teve origem com o prolação do Despacho Decisório de fl. 439, em que o titular da Unidade da Receita Federal de origem, com base na Informação Fiscal de fls. 437/438, não reconheceu o direito creditório nem homologou as compensações informadas, com base no argumento de que o pleito deixara de satisfazer os requisitos formais de legalidade e a fiscalização realizada a priori havia detectado “ser o creditamento incompatível, na sua integralidade, com os elementos comprobatórios do processo industrial e correspondentes notas fiscais constantes dos autos”. Com efeito, compulsando o Termo de Verificação Fiscal de fls. 270/298, que serviu de respaldo para a decisão vergastada, verificase que o motivo do não reconhecimento do direito creditório em apreço foi a constatação pela Autoridade Fiscal que os procedimentos 1 "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 35DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 654 13 de emissão e registro dos documentos e livros fiscais da Recorrente impossibilitavam o cálculo dos valores do crédito pleiteado e a aplicação da legislação do ressarcimento do IPI, prevista no art. 11 da Lei 9.779, de 1999, e na Instrução Normativa SRF nº 033, de 1999. As razões apontadas pela dita Autoridade Fiscal, em síntese, foram as seguintes: a) as Notas Fiscais e os Livros Fiscais que documentavam as operações de entrada de mercadorias e saída dos produtos não atendiam aos requisitos previstos no RIPI/98, podendo, inclusive, serem considerados inidôneos, de acordo com o art. 300 do RIPI/98; b) as Notas Fiscais de retorno (CFOP 5.13 Industrialização efetuada por outras empresas), emitidas pelos estabelecimentos industriais executores das encomendas, não atendiam os requisitos estabelecidos nos arts. 3º e 4º do RIPI/98, pois, não continham a descrição do produto nem o seu enquadramento tarifário, impossibilitando a identificação e quantificação do produto, como se a relação com os industrializadores por encomenda fosse apenas de prestação de serviço; e c) não apresentou o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3) ou fichas substitutivas ou qualquer outro controle equivalente sobre as movimentações dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem). Por sua vez, a d. Turma de Julgamento de primeiro grau manteve o indeferimento do pleito em tela, desta feita com base no argumento de que o controle de entrada e saída de mercadorias não era efetivo, bem como a emissão de notas fiscais, a escrituração, fiscal e contábil, e o controle de estoque não era revestidos de coerência e confiabilidade de modo que indicasse, com precisão, quais as MP, os PI e os ME que efetivamente faziam parte do processo produtivo, haja vista que o direito ao aproveitamento dos créditos presumidos respectivos cingiase à concreta aplicação de tais insumos no processo produtivo da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. Por outro lado, a Recorrente alegou que a comprovação da existência do crédito do IPI davase apenas com a análise da idoneidade das notas fiscais de aquisição dos insumos e a sua escrituração no livro de entrada de mercadoria e nos livros contábeis da empresa e que o valor crédito objeto do presente Pedido de Ressarcimento estava comprovado com as Notas Fiscais dos insumos adquiridos no referido trimestre, devidamente escrituradas e submetidas à fiscalização, independentemente do fato d’esses insumos terem sidos consumidos naquele trimestre ou não. Assim, resta demonstrado que o cerne da presente controvérsia restringese ao aspecto fáticoprobatório, especificamente, em relação aos tipos de documentos e livros fiscais necessários e suficientes, para fim de comprovação do valor do crédito presumido do IPI do 2º trimestre de 2000 e do saldo credor do IPI acumulado no final dos 3º e 4º trimestres de 2000. I DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI O crédito presumido do IPI foi instituída pela Lei nº 9.363, de 13 dezembro de 1996, como forma de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes Fl. 36DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 14 sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Em conformidade como disposto no artigo 2º da Lei nº 9.363, de 1996, a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total dos insumos, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Sobre a base de cálculo assim determinada será aplicado o percentual de 5,37%, obtendose, dessa forma, o valor do crédito presumido do IPI a que tem direito a pessoa jurídica produtoraexportadora. Da documentação necessária para comprovação do crédito presumido do IPI. A documentação exigida para fim de comprovação dos insumos aplicados na fabricação dos produtos exportados, foi determinada pelo art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, a seguir transcrito: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. [...] (grifos não originais) Em consonância com o referido preceito legal, dispõe o § 1º do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, a seguir transcritos Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". § 1º No caso de apuração centralizada, o estabelecimento matriz deverá manter arquivadas, além dos originais das notas fiscais das próprias aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, cópias das notas fiscais correspondentes às aquisições efetuadas pelos demais estabelecimentos, que permitam a verificação do crédito apurado. [...] (grifos não originais). Com base nos referidos comandos normativos, temse que, para fim de comprovação do valor do crédito presumido do IPI, apurado no 2º trimestre 2000, era necessário e suficiente a apresentação do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, devidamente escriturado na forma dos arts. 375 a 376 todos do RIPI/98, e das notas fiscais de aquisição dos insumos e das notas de fiscais dos produtos exportados. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 655 15 Nesse sentido, em conformidade com o disposto na legislação do IPI, o § 1º do art. 9º2 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, vigente na data da formulação do presente pleito, determinava que o pedido de ressarcimento, na época feito em formulário impresso, fosse instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. Esse comando normativo, vem corroborar o entendimento aqui esposado, no sentido de que os documentos hábeis e idôneos, para comprovar o saldo acumulado no final do trimestrecalendário, são o livro Registro de Apuração do IPI e as referidas notas fiscais. Da análise da controvérsia. Conforme anteriormente delineado, os d. Julgadores da Turma de Julgamento a quo mantiveram o indeferimento do direito creditório pleiteado nos presentes autos com base no argumento de que a Recorrente não dispunha de um controle de estoque, revestido de coerência e confiabilidade, respaldado em notas fiscais e escrituração fiscal e contábil idôneas, que indicassem com precisão os insumos aplicados no processo produtivo da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. Tal argumento seria procedente, se fosse obrigatória apuração do crédito presumido com base exclusivamente em sistema de custo coordenado e integrado com escrituração comercial da pessoa jurídica. Porém, a adoção do referido sistema era opcional, segundo o disposto nos §§ 5º a 8º e 14 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, vigente no período de apuração dos créditos em apreço, que seguem transcritos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. 2 "Art. 9º A apuração do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para PIS/PASEP e COFINS, será efetuada pelo contribuinte, observadas as normas do art. 3º da Portaria MF nº, de 038 de 27 de fevereiro de 1997. § 1º O pedido de ressarcimento em espécie será instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. [...]" Fl. 38DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 16 § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. [...] § 14. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração. [...] Segundo o disposto no § 7º do art. 3º em destaque, caso a pessoa jurídica não mantenha sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de insumos utilizada em cada mês será determinada “somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências”. Para atender a essa exigência, a pessoa jurídica beneficiária deverá exibir as notas fiscais de compra dos insumos e as relações de quantidades e valores dos insumos em estoque no final de cada período, o que poderá ser feito com a apresentação do livro Registro de Inventário, modelo 7, previsto no inciso VII do art. 345 do RIPI/98. Logo, para fim de comprovar o valor do crédito presumido do IPI, não é obrigatória a existência de um controle de estoque nos moldes preconizados pela Fiscalização e ratificado nos julgados precedentes. No meu entendimento, os documentos e as informações solicitadas no Termo de Intimação Fiscal de fls. 113/116, além de exageradas e desarrazoadas, são desnecessárias e afronta o disposto nos preceitos normativos anteriormente citados. Nesse diapasão, cabe ressaltar ainda que, embora a Recorrente tenha disponibilizado todas as notas fiscais de compras e de vendas, os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, os livros de inventários, os documentos de exportação e os livros razão e diário, não foram colacionadas aos autos qualquer prova material comprobatória das alegações genéricas acerca das irregularidades concernentes à emissão dos citados documentos ou quanto à escrituração dos mencionados livros. Na verdade, compulsando os autos, constatei que a única irregularidade devidamente comprovado, com base em elementos probatórios idôneos, diz respeito às notas fiscais de retorno dos insumos industrializados, as quais nem sequer foram emitidas pela Recorrente, mas pelos estabelecimentos industriais executores das encomendas. No presente caso, cabe ainda destacar que o Pedido de Ressarcimento de fl. 01 foi instruído adequadamente, com todos os elementos exigidos pela Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997. Ademais, foram disponibilizados para a Autoridade Fiscal diligente os Fl. 39DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 656 17 livros e as notas fiscais necessários à análise do pleito e que esta não apontou qualquer discrepância em relação ao saldo dos créditos presumidos do IPI detalhado no Demonstrativo de Apuração do Crédito encartado na DCTF do 2º trimestres 2000 (fl. 35). Com base nessas considerações, reconheço o direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento de fl. 01, o qual já foi utilizado na compensação: a) dos débitos discriminados nos Pedidos de Compensação de fls. 04/16, já homologados tacitamente; e b) dos débitos declarados nas DComp de fls. 526/567, que homologo no presente julgamento, até o limite do valor do crédito reconhecido. Após as referidas compensações, caso ainda remanesça saldo de crédito, o ressarcimento em dinheiro deverá ser feito, conforme estabelecido no inciso V do § 2º do art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. II DO SALDO REMANESCENTE DOS CRÉDITOS BÁSICOS DO IPI A previsão legal do direito de ressarcimento e compensação do saldo credor do IPI acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, encontrase estabelecida no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, a seguir transcrito: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifos não originais). Induvidosamente, o referido preceito legal instituiu um novo tratamento para os créditos básicos do IPI (aquele pago na aquisição do insumo e destacado na respectiva nota fiscal), ampliando as hipóteses de manutenção do crédito e de aproveitamento do saldo credor do Imposto acumulado no final de cada trimestrecalendário. De acordo com a nova sistemática, o direito ao crédito básico foi ampliado, passando incluir às aquisições de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, o que era vedado na legislação anterior (art. 25 da Lei nº 4.502, de 1964). De fato, na sistemática anterior, a manutenção do crédito IPI, relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos imunes, isentos ou sujeitos a alíquota zero somente era permitida sob a forma de incentivo fiscal, como no caso do produto exportado que, Fl. 40DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 18 apesar de imune, tinha assegurado a manutenção do crédito do Imposto, nos termos do art. 5º3 do Decretolei nº 491, de 1969. A partir da nova sistemática, a manutenção do crédito básico do IPI foi ampliada para todos os insumos aplicados no processo de industrialização, independentemente, dos tais produtos industrializados, na saída do estabelecimento industrial, estarem sujeitos ao pagamento ou não do Imposto. A contrário senso, ficou excluída da nova sistemática de manutenção dos referidos créditos, somente os insumos aplicados na fabricação de produtos considerados não industrializados, segundo a legislação do IPI, portanto, aqueles fora do campo de incidência do Imposto, os quais são anotados na TIPI como NT (Não Tributados). Além da ampliação da manutenção do crédito básico do IPI para todo insumo aplicado no produto industrializado, independente de pagamento do Imposto ou não saída, o preceito legal em comento instituiu também duas formas de aproveitamento do saldo credor do IPI, remanescente no final trimestrecalendário após a dedução dos débitos do Imposto, a saber: (i) o ressarcimento em dinheiro e (ii) a compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Em complementação ao disposto no referido preceito legal, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 033, de 1999, que no seu art. 2º estabeleceu (i) os requisitos para o registro do referido crédito na escrita fiscal do contribuinte e (ii) os procedimentos para aproveitamento do saldo credor do IPI remanescente no final do trimestrecalendário, nos seguintes termos, in verbis: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou 3 "Art. 5º É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados". Fl. 41DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 657 19 compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). [...] Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. (grifos não originais) Logo, ratificando as conclusões anteriormente apresentadas, deixa expresso § 3º art. 2º, combinado com o disposto no art. 4º, que devem ser estornados da escrita fiscal do contribuinte apenas os créditos básicos do IPI relativos aos insumos que forem “destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)”. Em outras palavras, apenas os créditos básicos referentes aos insumos tributados que não forem aplicados no processo de fabricação de produtos industriais, ainda que imunes, isentos ou tributados à alíquota zero na saída do estabelecimento industrial. Dessa forma, embora o texto do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, não tenha mencionado expressamente os produtos imunes, interpretando adequadamente o dito preceito legal, o transcrito art. 4º da referida Instrução Normativa esclareceu que a manutenção dos crédito básicos do IPI também se aplicava aos insumos utilizados na industrialização dos produtos imunes. No que tange as formas de aproveitamento saldo remanescentes dos crédito básicos do IPI, a partir da vigência do novel preceito legal, além da prévia e obrigatória dedução dos débitos do Imposto, anteriormente prevista, passou ser permitido tanto o ressarcimento em dinheiro como a compensação com outros débitos relativos a tributos administrados pela RFB, desde que atendidas as formalidades exigidas nos atos normativos editados pelo referido Órgão. Em relação aos requisitos da escrituração fiscal, deixou claro o referido comando normativo que registro do Imposto na escrita fiscal deve ser feito no momento da entrada, simbólica ou real, do produto no estabelecimento industrial, o que leva a conclusão que o referido registro deve ser feito no livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, previsto no inciso VIII do art. 345 do RIPI/98, vigente na época dos fatos. Da documentação necessária para comprovação do saldo remanescente dos crédito básicos do IPI. Com base no exposto anteriormente, resta demonstrado que, para fim de comprovação do saldo credor do IPI, remanescente no final dos 3º e 4º trimestres 2000, era necessário e suficiente a apresentação do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, devidamente escriturado na forma dos arts. 375 a 376 todos do RIPI/98, e das notas fiscais de aquisição dos insumos. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 20 Nesse sentido, em conformidade com o disposto na legislação do IPI, o § 1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vigente na data da formulação do presente pleito, determinava que o pedido de ressarcimento, na época feita formulário impresso, fosse instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. Da mesma forma, no período em que realizada a diligência no estabelecimento da Recorrente (iniciada em 27/11/2003 e concluída 22/12/2005), determinava o art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, o seguinte: Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas. Esse comando normativo, vem corroborar o entendimento aqui esposado, no sentido de que os documentos hábeis e idôneos, para comprovar o saldo acumulado no final do trimestrecalendário, são o livro Registro de Apuração do IPI e as notas fiscais dos insumos adquiridos no período. Ademais, segundo o referido comando normativo, a eventual diligência fiscal realizada no estabelecimento da pessoa jurídica tem por fim a verificação da “exatidão das informações prestadas”. Da análise da controvérsia. O argumento aduzido pela Autoridade Fiscal para o indeferimento do direito creditório objeto dos Pedidos de Ressarcimento de fls. 02/03, com a devida vênia, ao meu ver, também não procede. A uma, porque o direito aos créditos básicos do IPI está condicionado apenas que o insumo seja aplicado na fabricação de produtos industrializados, independentemente de tais estarem sujeitos ou não ao pagamento do Imposto na operação de saída do estabelecimento industrial. A duas, porque a comprovação dos créditos básicos do IPI deve ser feita com base no livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, corroborado pelos documentos relativos aos créditos: (i) notas fiscais de aquisição dos insumos tributados, adquiridos no mercado interno, (ii) declaração de importação dos insumos tributados adquiridos no mercado externo etc. Nesse sentido, dispunha § 1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997, vigente na data da apresentação dos pedidos em apreço. Por conseguinte, com o fim de comprovar o saldo credor do IPI pleiteado, não vejo como imprescindível a existência de um controle de estoque nos moldes preconizados pela Fiscalização e pelos julgados precedentes. No meu entendimento, os documentos e as informações solicitadas no Termo de Intimação Fiscal de fls. 314/318, além de exageradas e desarrazoadas, contraria o disposto nos preceitos normativos anteriormente citados. Nesse diapasão, cabe ressaltar ainda que, embora a Recorrente tenha disponibilizado todas as notas fiscais de compras e de vendas, os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, os livros de inventários, os documentos de exportação e os livros razões e diário, não foram colacionadas aos autos qualquer prova material comprobatória das Fl. 43DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 658 21 alegações genéricas acerca das irregularidades concernentes à emissão dos citados documentos ou quanto à escrituração dos mencionados livros. Na verdade, compulsando os autos, constatei que a única irregularidade devidamente comprovada com elementos probatórios idôneos diz respeito às notas fiscais de retorno dos insumos industrializados, as quais foram emitidas pelos estabelecimentos industriais executores das encomendas. Diante dessas conclusões, tenho que as cópias do livro Registro de Apuração do IPI de fls. 36/140 comprovam adequadamente o valor do crédito objeto dos Pedidos de Ressarcimento de fl. 02/03, haja vista que foram disponibilizados todas as notas fiscais de aquisição dos insumos tributados e a Autoridade Fiscal diligente não apontou qualquer discrepância em relação aos valores dos créditos do IPI consignados no citado livro. Dessa forma, reconheço o direito creditório pleiteado e homologo a compensação declarada na DComp de fls. 518/525. III – DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Após a compensação dos débitos discriminados nos Pedidos de Compensação de fls. 04/16 e nas DComp de fls. 518/567, o saldo credor remanescente deverá ser ressarcido em dinheiro, na forma estabelecida no inciso V do § 2º do art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em apreço, com o argumento de que o contribuinte seria penalizado pelo atraso no pagamento do referido valor e haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. A matéria já foi apreciada pelo C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), que consolidou o entendimento de que o impedimento da utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, por meio de ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural desse tipo crédito, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Acerca do assunto, a Primeira Seção do STJ aprovou a Súmula de nº 411, cujo enunciado dispõe que “é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrentes de resistência ilegítima do Fisco”. Nesse sentido, o acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime dos recursos repetitivos, previsto no artigo 543 C do CPC, transitado em julgado em 03/03/2010, que ficou assim ementado, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 22 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) grifos do original Dessa forma, ressalvado o entendimento divergente deste Conselheiro, em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, adoto o inteiro teor do acórdão proferido pelo E. STJ no âmbito do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, que passa a fazer parte integrante deste voto, como se transcrito aqui estivesse, e com base nos fundamentos jurídicos nele consignados, reconheço o direito à atualização do saldo remanescente (após as referidas compensações) do crédito presumido do IPI do 2º trimestre de 2000 e dos créditos básicos do IPI dos 3º e 4º trimestres de 2000, a ser ressarcido em dinheiro, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir data da ciência dos respectivos Despachos Decisórios, ou seja: a) em relação ao Pedido de Ressarcimento de fl. 01 (crédito presumido do IPI), a partir de 11/05/2006 (fl. 440), data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 439; e b) em relação aos Pedidos de Ressarcimento de fls. 02/03 (crédito básicos do IPI), a partir de 20/08/2008 (fl. 605), data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 604. IV DA CONCLUSÃO Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para: Fl. 45DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000031/200147 Acórdão n.º 380200.674 S3TE02 Fl. 659 23 a) reconhecer o direito creditório da Interessada ao valor total do saldo do crédito presumido do 2º trimestres de 2000 (fl. 01) e saldo credor do IPI dos 3º e 4º trimestres de 2000 (fls. 02/03); b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 526/567, com saldo remanescente do crédito presumido do IPI do 2º trimestre de 2000 (fl. 01) e dos débitos declarados na DComp de fls. 518/525, com saldo credor do IPI do 3º trimestre de 2000 (fl. 02), que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do inciso V do § 2º do art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, dos seguintes valores: a. eventual saldo do crédito presumido do IPI do 2º trimestres de 2000 (fl. 01), se remanescente após as compensações dos débitos informadas nos Pedidos de Compensação de fls. 04/16, homologadas tacitamente, e dos débitos declarados nas DComp de fls. 526/567, homologadas neste julgamento, que deverá ser acrescido da taxa Selic, calculada a partir de 11/05/2006, data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 439; e b. do saldo dos crédito básicos do IPI dos 3º e 4º trimestres de 2000 (fls. 02/03), remanescente após a compensação dos débitos declarados na DComp de fls. 518/525 (com o saldo de créditos do 3º trimestre de 2000), que deverá ser acrescido da taxa Selic, calculada a partir de 20/08/2008 (fl. 605), data da ciência do Despacho de Decisório de fl. 604. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 46DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /10/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10665.906634/2009-54
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-005.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase o presente de PER/DCOMP que visa compensar crédito de COFINS, no valor original de R$ 4.999,88, correspondente ao DARF, no valor de R$ 4.999,88, recolhido em 15/02/02, com débitos administrados pela RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 66 34 /2 00 9- 54 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.906634/200954 Acórdão n.º 3803005.642 S3TE03 Fl. 67 2 O Despacho Decisório está anexo à fl. 41 e foi emitido em 07/10/2009, sob o pressuposto de que foram identificados pagamentos utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte e que estavam vinculados ao DARF mencionado no PER/DCOMP em exame, razão pela qual não há crédito suficiente para a compensação pleiteada. O referido despacho está embasado no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, bem como nos arts. 165 e 170 do CTN. Às fls. 02/09 está anexa a Manifestação de Inconformidade, a partir dos seguintes argumentos de defesa: a) suscita preliminar de nulidade do Despacho Decisório, devido o fato desse não estar adequadamente fundamentado o que causou prejuízo a ampla defesa; b) advoga que inexiste lei que obrigue a correção das DCTFs para retificar o valor do crédito declarado; c) entende que a declaração de compensação deveria prevalecer em relação a declaração anterior; Já às fls. 46/51 consta o Acórdão nº 0239.809 da 2ª Turma da DRJ/BHE, que indeferiu a compensação devido a inexistência de crédito por falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior de tributo. Além do que, a decisão de piso destacou que o Despacho Decisório não é nulo em razão de ter sido lavrado por autoridade competente e sem que o contribuinte fosse prejudicado em seu direito a ampla defesa e ao contraditório. Os julgadores de piso, argumentaram ainda que o Despacho Decisório está devidamente fundamentado no art. 74 da Lei n.º 9.430/1996, diante da ausência de crédito utilizado no PER/DCOMP e principalmente que no referido despacho consta que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado com a informação do número do pagamento, do valor original, do período de apuração e o código do tributo. No acórdão exarado pela DRJ, fica claro que os julgadores rechaçam a tese apresentada pelo contribuinte de que a Fazenda Nacional deveria aceitar a PER/DCOMP em exame, enviada posteriormente a DCTF, ainda que ela esteja em divergência com os valores informados nesta última, uma vez que cabe ao contribuinte o ônus tributário de demonstrar a existência de seu direito. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 55/67 e repisou as alegações já explanadas em sua Manifestação de Inconformidade, cabendo destaque sintético em relação à nulidade do Despacho Decisório, pois compreende que a mera afirmação de que “inexiste crédito suficiente para a compensação” é por demais genérica, motivo pelo qual lhe prejudicou a ampla defesa, bem como violou o princípio do devido processo legal. Defende que o pedido de compensação goza de eficácia de presunção e que cabe ao Fisco motivar o indeferimento da sua homologação de forma mais clara. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.906634/200954 Acórdão n.º 3803005.642 S3TE03 Fl. 68 3 Insiste na falta de lei que o obrigue a retificar a DCTF para reduzir o valor do débito declarado. Além do que, segundo o contribuinte, se a DCTF constitui confissão de dívida, por outro lado o PER/DCOMP é uma compensação, logo se presume crédito os valores nele declarados. O contribuinte pretende que a PER/DCOMP, posteriormente informada, prevaleça em relação à DCTF, pois para ele aquela substitui e anula a confissão de dívida feita anteriormente, justamente porque a PER/DCOMP foi declarada depois. Em sua defesa, cita julgado do CARF no PAF nº 10530.901536/200875, com o fito de demonstrar que inexiste norma condicionando à apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF. Por derradeiro, requer a nulidade do Despacho Decisório e o reconhecimento do crédito transmitido em PER/DCOMP. Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Não assiste qualquer razão ao contribuinte. Analisando o Despacho Decisório está evidente no campo 3 deste documento, reservado a fundamentação da decisão, que o motivo do indeferimento do pedido de compensação foi a falta de crédito informado no PER/DCOMP, havendo inclusive a citação do art. 170 do CTN, bem como o art. 74 da Lei n. 9.430/96, os quais por sua vez se referem ao instituto da compensação. Ademais, como bem destacaram os julgadores de primeiro grau, o Despacho Decisório ainda identificou para o DARF informado em PER/DCOMP, o número do pagamento, código do tributo e o seu valor, ou seja, R$ 5.402,53. Com efeito, compreendo que não há que se falar em violação ao princípio da ampla defesa, como deseja o contribuinte, principalmente devido ao fato de que o Despacho Decisório encontrase adequadamente fundamento. Por outro lado, é verdade que a fundamentação é sintética. Também é verdade que para a melhor compreensão do Despacho Decisório eletrônico se exige do sujeito passivo razoável conhecimento dos mecanismos e procedimentos adotados pela RFB. Todavia, ainda assim, não é possível acolher a pretensão do contribuinte de que aquele seja nulo por falta de motivação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.906634/200954 Acórdão n.º 3803005.642 S3TE03 Fl. 69 4 Ainda, “data vênia”, discordo da tese defendida pelo contribuinte de que o envio de uma declaração de compensação possua o efeito de substituir e retificar a DCTF anteriormente enviada, ainda que divergente dos dados informados na DCTF anterior. Outro ponto discordante da tese apresentada pelo sujeito passivo, diz respeito a sua alegação de que o PER/DCOMP constitui crédito com presunção legal de validade. Isso porque, em sede de pedido de compensação é pacífico na doutrina e na jurisprudência que cabe ao contribuinte constituir no PAF a prova do seu direito, visto que incumbe a quem alega fato constitutivo do seu direito. Além do que, o débito confessado em DCTF foi de R$ 38.560,58, mas o contribuinte não juntou prova da existência do pretenso crédito informado em PER/DCOMP. Deste modo, uma vez apresentado pedido de compensação e sobrevindo posteriormente a decisão denegatória, obriga a Fazenda Nacional tão somente a apontar de maneira objetiva o motivo pelo qual inexiste o crédito indicado em PER/DCOMP, exatamente como ocorreu no caso em tela. Assim, a fim de provar a existência do crédito pretendido, ao contribuinte cabia apresentar dos documentos contábeis idôneos necessários para demonstrar a redução do débito declarado. O contribuinte poderia ainda ter apontado “suposto” equívoco do Despacho Decisório, principalmente em relação à informação de que utilizou o DARF indicado em PER/DCOMP para pagamento de outro débito, todavia assim não o fez. Conseqüentemente, deve ser mantida a decisão de piso, uma vez que o contribuinte não desempenhou sua obrigação de comprovar a existência do direito creditório. Ante exposto, nego provimento do recurso. É como voto. Sala das sessões, 27 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000857/2007-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2005, 2006
Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2005, 2006 Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 08 57 /2 00 7- 10 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Em respeito à economia processual reproduzo relatório adotado na Resolução n º 1801000.158, desta 1a. Turma Especial da 1a. Seção / 3a. Câmara: Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 212.514,39, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas anocalendário 2003, 2005 e 2006 (fls. 04 a 48). De acordo com o “Relatório de Fiscalização” (fls. 49 a 53), foi instaurado procedimento de fiscalização junto à empresa contribuinte no qual apurouse, com base em extratos de movimentação financeira fornecidos por instituições bancárias, a prática de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante da deficiência da escrituração contábil e fiscal mantida pela pessoa jurídica, que não registrava toda a movimentação financeira, as exigências foram formalizadas nos moldes do arbitramento dos lucros. No item “3.4” do relatório de fiscalização consta a seguinte informação: O contribuinte exerce atividade de exploração de jogos de bingo. Em função de tal atividade, a Ação Civil Pública n° 2007.61.11.0016411, na qual o Ministério Publico Federal intenta a cessação da exploração de jogos de bingo e de atividades correlatas, promoveu a apreensão de máquinas de vídeobingo no estabelecimento do contribuinte e a sua interdição. (documentos fls. 61/72). Encontrase nos autos, às fls. 61, cópia do Ofício n º 290 – 2007 – ORD – da 3a. Vara Federal, determinando ao Delegado da Receita Federal em Marília/SP a realização de perícia em máquinas de vídeobingo apreendidas na sede da empresa fiscalizada. Consta, ainda, do referido documento: "...Comunico, outrossim, que foi autorizado o acesso do Ministério Público Federal e da Secretaria da Receita Federal aos estabelecimentos lacrados, esta última a fim de que promova procedimento de fiscalização, com observância das normas de regência, levando a efeito, inclusive, a retenção de documentos de interesse fiscal, se necessário, na forma da legislação tributária, com o acompanhamento de oficial de justiça deste juízo, tudo conforme decisão de fls. 188/195, cuja cópia instrui o presente..." Na impugnação tempestivamente apresentada alegou a empresa, em resumo, que seria improcedente a autuação por não terem sido considerados os registros lançados nos livros contábeis apresentados. Aduziu que em decorrência de regras legalmente estabelecidas, bem assim contrato de aluguel das máquinas de bingo, a sua receita corresponderia a meros 10% do total da receita com jogos. Afirmou, também, que não teriam sido deduzidos saques bancários que serviram para cobertura do fundo de caixa interno, tampouco importâncias depositadas originárias de empréstimos bancários e de aportes feitos pelo sócio. A 5a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, por unanimidade, considerou procedentes os lançamentos. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11444.000857/200710 Acórdão n.º 1801001.929 S1TE01 Fl. 3 3 Notificada da decisão, em 02/04/2009, como demonstra a cópia do AR (fl. 350), apresentou, a interessada, em 30/04/2009, o recurso voluntário de fls. 351/358. Inicia suas alegações historiando a legislação que, à época, regulamentava a exploração de jogos de vídeobingo para concluir que apenas pequena parcela dos valores autuados corresponderiam a receitas de sua atividade, tendo sido o restante utilizado para pagamento dos prêmios. Aduz que nos extratos bancários inúmeras retiradas em espécie tiveram por destino único e exclusivo a cobertura do fundo de caixa interno seria utilizado para, além das suas funções básicas de efetuar o pagamento dos prêmios líquidos aos usuários da casa, trocar cheques por dinheiro dos usuários, já que as máquinas eletrônicas só funcionariam mediante a introdução de valores em cédulas e que, cerca de 20% dos cheques trocados pelo caixa interno, não eram utilizados dentro do próprio estabelecimento. Afirma que foram considerados pela auditoria fiscal outros créditos não relacionados à sua atividade, como por exemplo créditos do período de março à setembro do ano de 2003, quando o estabelecimento esteve fechado por determinação judicial, e valores creditados em suas contas correntes originários de empréstimos bancários e também da pessoa física do contribuinte. Apresenta demonstrativos (fl. 416/419 p.d.) contendo a receita bruta que entende deva ser considerada para cálculo dos tributos Reitera as demais razões de defesa deduzidas na impugnação aos lançamentos, e pede, ao final, em suas palavras, pela “...suspensão do Auto de Infração, até que sejam recalculadas as contribuições e os impostos devidos baseados nos valores de receitas corretos, colocandose a inteira disposição para melhor detalhamento do que aqui foi transcrito, assim como, apresentação novamente dos documentos examinados, ou até mesmo da indicação de perito para execução de Laudo Pericial contábil, que expresse mais claramente a receita bruta declarada”. Tendo em vista a revogação do Artigo 62A, parágrafos 1o. e 2o. do Regimento Interno do CARF, que determinava o sobrestamento do julgamento do presente processo, retornam os autos em pauta para prosseguimento. É o relatório. Voto Fl. 432DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente Pelo que se depreende das razões de defesa a recorrente, ainda que de modo genérico, se refere a pedido de perícia técnica. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a realização de perícia técnica quando estiverem presentes, nos autos, elementos suficientes a formar a convicção do julgador. In casu, prescindível o exame pericial suscitado eis que se encontram anexados elementos suficientes ao deslinde do litígio. Rejeito, portanto, o pedido. 2 Mérito Cumpre consignar, inicialmente que, no presente caso, a omissão de receitas restou plenamente caracterizada. Por meio de ação de fiscalização direta, iniciada em 21/05/2007, intentava a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB verificar a regularidade fiscal da empresa, com movimentação financeira incompatível com as declarações prestadas ao Fisco, de inatividade operacional nos anoscalendário 2003 e 2005 e movimentação financeira de R$ 118.087,84 (2003) e R$ 474.418,38 (2005) e com receita bruta, no anocalendário 2006, incompatível com a movimentação financeira apurada, de R$ 254.163,10 (fl. 39 p.d.). Assim é que a empresa foi regularmente intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal e seus extratos bancários. A intimação foi atendida parcialmente, pois a empresa teve“dificuldades” para localizar os livros de entradas, notas fiscais e extratos bancários solicitados. Com a instauração de Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal em face da empresa recorrente e outras empresas exploradoras de jogos de bingo e a apreensão das máquinas de vídeobingo, sobreveio determinação judicial explícita para instauração de procedimento fiscal junto à contribuinte. Em face da não apresentação dos extratos bancários solicitados foram emitidas requisições – RMF – às instituições financeiras. De posse dos extratos bancários e dos Livros Diário a auditoria fiscal tentou, em vão, conciliar os valores, pois referidos Livros Diários não apresentavam registro de qualquer movimentação financeira. Nessas condições a auditoria fiscal elaborou demonstrativos contendo os valores creditados nas contascorrentes bancárias mantidas pela empresa, expurgando desses demonstrativos transações entre contas de mesma titularidade e outros lançamentos que não configuravam ingresso de recursos, como empréstimos, devolução de depósitos, estornos de créditos e outros, conforme demonstrativo intitulado "Créditos Desconsiderados na Apuração dos Valores a Comprovar", que foi cientificado a recorrente para que esta comprovasse a origem dos ingressos. Interessante ressaltar que, somente em 2007, após o início dos trabalhos fiscais com a apuração pela auditoria de movimentação financeira incompatível e depois de cientificada dos demonstrativos elaborados pela fiscalização que apontavam essa Fl. 433DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11444.000857/200710 Acórdão n.º 1801001.929 S1TE01 Fl. 4 5 incompatibilidade, é que a recorrente se deu conta de que havia apresentado, cinco anos antes, em 2003 e 2005, erroneamente, declaração de inatividade operacional, oportunidade em que solicitou autorização para retificar as referidas declarações. A auditoria fiscal ainda intimou a empresa a reconstituir a contabilidade de modo que a movimentação financeira apurada fosse devidamente registrada nos Livros Diários e respectivos documentos fiscais. Mas a recorrente se limitou a informar que não iria reconstituir sua contabilidade. Dessa forma, em que pese as oportunidades dadas no curso do procedimento fiscal para apresentar a comprovação da origem lícita dos recursos, a recorrente optou por informar que não poderia atender a solicitação. As demais tentativas de reintimação da empresa ou de seu sócio restaram infrutíferas, uma vez que nem a empresa, nem os sócios, foram localizados nos seus endereços cadastrais (fls. 273 a 277) Importa consignar que, na data da ocorrência dos fatos, a legislação em vigor permitia a presunção de omissão de receitas formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada . É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o t i tular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos uti l izados nessas operações [destaques acrescidos]. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea . Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas da atividade operacional, ou caso sejam, que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio justamente dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta ao Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de receitas. O depósito bancário não se constitui em fato gerador de tributo. Todavia, a partir da edição do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se o contribuinte não fizer prova da origem dos recursos depositados em suas contas correntes e de investimentos, pode a autoridade fiscal presumir a omissão de receitas, fato integrante da base de cálculo dos tributos em discussão. No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelo titulas das contas correntes e de investimentos, deve ser a tributação de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma Há, portanto, disposição legal expressa no sentido de considerar omissão de receitas, depósitos bancários que não tiverem sua origem comprovada pelo titular da conta. Logicamente, quando o contribuinte observa as obrigações tributárias principais e acessórias, todos os depósitos bancários estão devidamente contabilizados, e têm a sua origem identificada na contabilidade, regularmente amparada em documentação de suporte. O que não é o caso em apreço, em que se limita a defesa a meras argüições, estas sim absolutamente desprovidas de amparo legal , no sentido de que os depósitos bancários não podem ser considerados como receitas omitidas, ainda que não tenham sido comprovados pelo seu titular. A omissão de receitas restou, enfim, claramente configurada e este aspecto da autuação foi confirmado pela autoridade julgadora de primeira instância. Nos anoscalendário 2003, 2005 e 2006 a omissão de receitas é inquestionável, verificada no simples confronto entre as declarações de inatividade DIPJ INATIVA, dos anoscalendário 2003 e 2005 e a comprovada movimentação financeira nos mesmos períodos, nos valores R$ 118.087,84, no anocalendário 2003 e R$ 474.418,38, no anocalendário 2005. E no anocalendário 2006, em que pese a apresentação de DIPJ com movimento operacional, o valor da receita total declarada foi muito inferior à movimentação financeira apurada, de R$ 254.163,10. No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelo titular das contascorrentes e de investimento, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma. Para a refutação dos fatos indiciários, que levaram ao conhecimento jurídico do fato qualificador da norma de incidência tributária, in casu, a omissão de receitas, caberia à recorrente, provar que os indícios são falsos ou que não haveria nexo de implicação entre os fatos diretamente provados – depósitos bancários não comprovados e indiretamente provados – omissão de receitas. Entretanto, a recorrente não ofereceu nenhuma contraprova capaz de afastar os indícios. Neste ponto importa ressaltar que os demonstrativos apresentados pela defesa no corpo do recurso voluntário não podem ser admitidos para efeito de comprovação da origem dos recursos creditados em suas contascorrentes bancárias e para determinação de nova receita bruta, uma vez que os valores neles consignados não se encontram amparados em qualquer prova física, ou seja, não constam da escrituração da empresa ou de qualquer outro documento. Como já restou assinalado, para que seja afastada a presunção capitulada no artigo 42 da Lei n º 9.430, de 1996, é necessário que a origem dos recursos fique demonstrada e comprovada de forma individualizada, com coincidência de datas e valores. Mantida, pois, a imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O arbitramento dos lucros se justifica em face: (i) de a empresa não manter escrituração nos termos da legislação e, (ii) ter se recusado a reconstituir sua escrituração com o registro da sua movimentação financeira, como determinam as leis comerciais e fiscais, de Fl. 435DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11444.000857/200710 Acórdão n.º 1801001.929 S1TE01 Fl. 5 7 modo a possibilitar a tributação pelo lucro real, em que pese ter sido reiteradamente instada a fazêlo. À respeito, transcrevo os respectivos comandos do Decreto no. 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, que tem por base os artigos 47 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e 1o. da Lei no. 9.430, de 1996: Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei no. 8.981, de 1995, art. 47, e Lei no. 9.430, de 1996, art. 1o.): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... VI – o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Nessas condições, os fatos apurados pelo agente fiscal determinavam a aplicação dos artigos 529 e 530 do RIR/99, acima citados, pois a contribuinte se enquadrava nas situações descritas nos incisos I, II (“a” e “b”), III e VI do artigo 530. A auditoria fiscal cumpriu, assim, as determinações da lei. Agiu com plena legalidade e em respeito, também, ao comando do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabil idade funcional . (destaques acrescidos). Ademais, de acordo com posicionamento assente neste órgão, não existe arbitramento condicional: Súmula CARF n º 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. No que tange aos autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, destaquese que se tratam de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Em assim sendo, a decisão de mérito proferida em relação à exigência matriz constitui prejulgados na decisão das exigências reflexas. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 437DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10530.724163/2010-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identifica-se que realmente houve omissão em um dos quesitos formulados pelo contribuinte no Recurso Voluntário, motivo pelo qual deve ser conhecido.
REDUÇÃO DA MULTA EM 50% (OU 40%). IMPOSSIBILIDADE. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
O art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 não dá suporte de redução da multa de ofício, sobre os valores julgados que permanecem em exigência, sendo a benesse aplicável somente ao momento da (i) notificação do lançamento, (ii) decisão administrativa de primeira instância e (iii) no caso de provimento do recurso de ofício.
Numero da decisão: 1802-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade ACOLHER os embargos de declaração para suprir omissão, sem contudo alterar os efeitos do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identifica-se que realmente houve omissão em um dos quesitos formulados pelo contribuinte no Recurso Voluntário, motivo pelo qual deve ser conhecido. REDUÇÃO DA MULTA EM 50% (OU 40%). IMPOSSIBILIDADE. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 não dá suporte de redução da multa de ofício, sobre os valores julgados que permanecem em exigência, sendo a benesse aplicável somente ao momento da (i) notificação do lançamento, (ii) decisão administrativa de primeira instância e (iii) no caso de provimento do recurso de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade ACOLHER os embargos de declaração para suprir omissão, sem contudo alterar os efeitos do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
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OMISSÃO. Identificase que realmente houve omissão em um dos quesitos formulados pelo contribuinte no Recurso Voluntário, motivo pelo qual deve ser conhecido. REDUÇÃO DA MULTA EM 50% (OU 40%). IMPOSSIBILIDADE. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 não dá suporte de redução da multa de ofício, sobre os valores julgados que permanecem em exigência, sendo a benesse aplicável somente ao momento da (i) notificação do lançamento, (ii) decisão administrativa de primeira instância e (iii) no caso de provimento do recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade ACOLHER os embargos de declaração para suprir omissão, sem contudo alterar os efeitos do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 41 63 /2 01 0- 27 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.724163/201027 Acórdão n.º 1802002.161 S1TE02 Fl. 1.205 2 Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.724163/201027 Acórdão n.º 1802002.161 S1TE02 Fl. 1.206 3 Relatório Conforme definido pelo Acórdão 1802001.592, de 9 de abril de 2013, esta turma julgou pela manutenção parcial da exigência de crédito tributário em face da ora Embargante através de Auto de Infração que determinava pela apuração incorreta de tributos, crédito tributário com multa isolada. Intimada do Acórdão em 03/09/2013 [terçafeira], (efls. 379) identificou suposta omissão no Acórdão, pelo que apresentou Embargos de Declaração em 09/09/2013 [segundafeira], (efls. 381/386) com fulcro no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. O Acórdão ora embargado está assim ementado (efls. 336/337): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE. VÍCIO DE FORMA. MULTA ISOLADA. INSTRUMENTO DISTINTO. As hipóteses de nulidade elencadas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235/72 não estão presentes in casu. Também, não se identifica contrariedade ao que dispõe o art. 9° do Decreto n° 70.235, pela complementação de seu §1°, podendo ser a multa isolada objeto de um mesmo instrumento, quando estiverem relacionadas matérias que dependem da mesma comprovação. Ademais, com o exercício da ampla defesa e celeridade satisfeitas, não se observa prejuízo pela exigência em único instrumento. PROVISÕES. LANÇAMENTO DE REVERSÃO. EXPECTATIVA DE RECEITAS NÃO CONSOLIDADA NO ANOCALENDÁRIO. LUCRO REAL. TRIBUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O erro escritural contábil da recorrente, tanto de reversão de lançamento como de provisão de receitas, não afetou o lucro apurado no anocalendário, de forma que não se observa prejuízo ao Fisco, tendose em vista que para fins do imposto de renda, a reversão é indedutível, não podendo se vislumbrar hipótese de postergação do imposto (art. 247 do RIR/99) e no caso de provisão é patente o erro de escrituração, pois não há suporte para provisão de receitas com base em expectativa de direitos futuros e incertos, baseados em cláusulas penais. Há que se corrigir o lançamento nesta parte em relação àquilo que comprovadamente está fundado na escrituração desta natureza. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO ADENE. PERCENTUAL. Como matéria não impugnada, evidenciase que a utilização de percentual para utilização do incentivo fiscal ADENE, foi Fl. 394DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.724163/201027 Acórdão n.º 1802002.161 S1TE02 Fl. 1.207 4 utilizado equivocadamente pela recorrente, motivo pelo qual, é de permanecer a exigência nesta parte. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. 1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha sido apurado” prejuízo fiscal no final do período. 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. 3. Os balancetes de suspensão/redução são cumulativos. Nesse caso, havendo diminuição no resultado em períodos subseqüentes, a falta de estimativa apurada em mês posterior é mero reflexo da falta de estimativa apurada até o mês anterior. A penalidade aplicada para o mês anterior afasta a penalidade para o mês subseqüente. 4. A estimativa mensal, quando apurada em balancetes de suspensão/redução, também pode ser reduzida pela compensação de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL de período anterior. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. A matéria constante dos Embargos levanta omissão, sob alegação de que um dos pontos argumentados no Recurso Voluntário não foi considerado pelo julgamento, conforme enxerto constante do Embargos (efls 383): 6. Quando da interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente requereu a reforma da decisão prolatada pela DRJ, de modo que fosse dado provimento ao pedido de: (i) declaração de nulidade do auto de infração por vício de forma, pois a multa isolada deveria ter sido lançada em auto de infração distinto; Fl. 395DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.724163/201027 Acórdão n.º 1802002.161 S1TE02 Fl. 1.208 5 (ii) cancelamento das multas isoladas na estimativa; (iii) exclusão das provisões de receitas; e (iv) redução de 50% (ou 40%) ao valor da multa, nos casos de procedência em parte da Impugnação, com fundamento no art. 44, §3°, da lei n° 9.430/96 e no art. 6° da Lei n° 8.218/91. Todavia, os r. Julgadores não se manifestaram sobre o item (iv), a despeito de têlo citado expressamente no relatório de fl. 348, nos seguintes termos: “Irresignada com a manutenção de parte da exigência, da qual foi intimada em 08/09/2011, apresentou em 01/10/2011 Recurso Voluntário pedindo em apertada síntese pela nulidade do auto se infração, ou quando menos, a improcedência da exigência relativa a IRPJ, CSLL e suas respectivas multas de ofício e isolada, caso em que, caso permaneçam, pede pelo parcelamento com benesses do art. 6° da Lei n° 8.212/91. É o relato do essencial.” (Grifouse) Encerra requerendo que sejam acolhidos seus Embargos e sanada a omissão relativa a este ponto, de redução das multas mantidas em 50% (ou 40%) à luz das bases legais que cita. É o relato do essencial. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.724163/201027 Acórdão n.º 1802002.161 S1TE02 Fl. 1.209 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator Os embargos de declaração interpostos foram protocolizados tempestivamente, pelo que merecem ser conhecidos. DA SUPOSTA OMISSÃO DA APLICAÇÃO DE REDUÇÃO DE 50% (OU 40%) AO VALOR DA MULTA MANTIDA, NOS CASOS DE PROCEDÊNCIA PARCIAL. Os embargos interpostos expõe a existência de omissão no Acórdão atacado, pela falta de posicionamento acerca da possibilidade de redução da multa mantida, nos termos do art. 44, §3° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cumulado com o art. 6°, I ou II, da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991. Em análise do Acórdão atacado, verificase que realmente este restou omisso nessa parte, não julgando a questão, motivo pelo qual o mesmo merece ser reconhecido e a omissão caracterizada. Pois bem; ao enfrentar essa questão, inauguro retratando por breve resumo a argumentação da ora embargante no que tange a essa questão: que a multa contida no lançamento é de 75%; que o art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 prevê redução na aplicação da multa de ofício, quando ocorre o pagamento ou o parcelamento do lançamento, conforme art. 6°, I ou II respectivamente da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 na ordem de 50% de 40%, e de 30%, no prazo do recurso (inciso III); que por medida de justiça, com a manutenção parcial do lançamento deveria retroceder as benesses de redução da exigência, quando resta configurado que a defesa do contribuinte não manifestou mera atitude protelatória; que não recolheu anteriormente a parte mantida pelo Acórdão por acreditar ser toda a cobrança irregular e que não reduzir a multa acarreta uma imprópria afronta ao princípio da ampla defesa e; manifesta a aplicação de ‘dois pesos e duas medidas’ quando parte do lançamento é realmente julgada indevida e na parte mantida, não se lhe devolve o direito à redução, apenando impropriamente aquele que de boafé busca correção de um equívoco em seu favor. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.724163/201027 Acórdão n.º 1802002.161 S1TE02 Fl. 1.210 7 Em que pese a boa motivação do contribuinte, não é possível aplicarlhe as benesses dispostas pelo art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, pelas seguintes razões. O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 dispõe que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ocorre que, o art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 não permite em sua leitura aplicação extensiva, nem deixa dúvida quanto a natureza ou às circunstâncias materiais do benefício da redução, senão vejamos: Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 398DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.724163/201027 Acórdão n.º 1802002.161 S1TE02 Fl. 1.211 8 § 1o No caso de provimento a recurso de ofício interposto por autoridade julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III do caput deste artigo, para o caso de pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A rescisão do parcelamento, motivada pelo descumprimento das normas que o regulam, implicará restabelecimento do montante da multa proporcionalmente ao valor da receita não satisfeita e que exceder o valor obtido com a garantia apresentada. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o O disposto no caput aplicase também às penalidades aplicadas isoladamente. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifouse) Como se observa, as reduções trazidas pela Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 se aplicam em momento próprio, diferente do que estão os presentes autos. Vejase que o dispositivo legal não dá margem à dúvida quanto a este ponto, não havendo como estender os efeitos dessa benesse para outro momento, como a decisão de segunda instância para aplicar em seu benefício, sendo inaplicável o art. 112 do CTN. Desta forma, não há previsão legal para aplicar redução sobre a multa de ofício (e também as isoladas nos termos do §3° do art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991) dos valores mantidos em segunda instância administrativa. Ressaltase que embora o pleito da Recorrente neste quesito tenha fundamentação e motivação adequada, não há margem para assistirlhe razão devido à falta de previsão legal para aplicação dessa benesse em seu benefício. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço dos embargos e supro a omissão apontada, sem alterar os efeitos do acórdão embargado. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 399DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11080.909278/2011-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 482 1 481 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.909278/201189 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.928 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 92 78 /2 01 1- 89 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.909278/201189 Acórdão n.º 3803005.928 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 22 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 15 de abril de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.909278/201189 Acórdão n.º 3803005.928 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.909278/201189 Acórdão n.º 3803005.928 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.909278/201189 Acórdão n.º 3803005.928 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.909278/201189 Acórdão n.º 3803005.928 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10945.900102/2013-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/04/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/04/2011 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 01 02 /2 01 3- 43 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900102/201343 Acórdão n.º 3801003.049 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900102/201343 Acórdão n.º 3801003.049 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900102/201343 Acórdão n.º 3801003.049 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900102/201343 Acórdão n.º 3801003.049 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900102/201343 Acórdão n.º 3801003.049 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900102/201343 Acórdão n.º 3801003.049 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. . Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900102/201343 Acórdão n.º 3801003.049 S3TE01 Fl. 16 8 Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13839.913789/2009-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 13 78 9/ 20 09 -0 4 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 241 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 26/07/2005 a 26/07/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 242 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 243 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, período de apuração de 26/07/2005, no valor histórico de R$ 283.128,64, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo da COFINSImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINSImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 244 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 245 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 246 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 247 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913789/200904 Resolução nº 3801000.731 S3TE01 Fl. 248 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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