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Numero do processo: 10945.007130/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário:
2004
SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei
para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o
contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes.
DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer
modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo
objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão
de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo
judicial. (Sumula 1 do CARF).
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Sumula 1 do CARF). Recurso voluntário Negado.
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EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Sumula 1 do CARF). Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10945.007130/200741 Acórdão n.º 140200.941 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório EDITORA GAZETA DO IGUACU LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 16), mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 11.435,76, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa aos quatro trimestres de 2004. O lançamento foi efetuado com fundamento nos dispositivos legais indicados no quadro 05 (“Descrição dos Fatos/Fundamentação”) do referido auto de infração. Cientificada do lançamento em 05/11/2007 (AR, fl. 78), a interessada, por meio de procurador (mandato de fl. 14), interpôs em 30/11/2007 a impugnação de fls. 01/12, instruída com os documentos de fls. 13/70, a seguir sintetizada. Informa que por meio da Informação Fiscal Secat/DRF/Foz n.º 0157/2006, foi excluída de ofício do Simples, com efeitos retroativos, alcançando todas as situações jurídicas ocorridas desde 1º de janeiro de 2002, pelo que foi intimada a elaborar e transmitir as DCTF em causa. Argumenta que desde de janeiro de 1999 até janeiro de 2005, quando solicitou sua exclusão, recolheu tributos e apresentou declarações com base na sistemática do SIMPLES, nos termos da Lei n.º 9.317, de 1996, sem qualquer oposição do fisco. Sustenta que a prévia e inequívoca adesão ao SIMPLES é condição necessária para dispensála da apresentação de DCTF, não podendo ser apenada com multa por atraso na entrega dessas declarações relativas ao anocalendário de 2002, conforme estabelecia o art. 3º, caput da IN SRF n.º 126, de 1998; cita, a propósito, ementas de julgados administrativos (fl. 05); diz que somente deveria apresentar DCTF a partir do 1º semestre do ano subseqüente ao da exclusão, ou seja, a partir do ano calendário de 2005. Diz que não se pode invocar para o caso a IN SRF n.º 255, de 2002, posto que é “legislação ulterior a fatos jurídicos já ocorridos”. Fala, também, que atendeu à intimação Secat n.º 153/2006, no que se refere à apresentação da DCTF 2002 como substitutiva da declaração anual simplificada, ou seja, entende que alegada infração (falta/atraso na entrega de DCTF) já teria sido objeto de notificação por parte do fisco, que teria concedido prazo para a apresentação da declaração, que foi cumprido fielmente, pelo que não poderia ser punida por algo que, notificada, cumpriu de maneira adequada e tempestiva. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10945.007130/200741 Acórdão n.º 140200.941 S1C4T2 Fl. 0 3 Diz que jamais teve intenção de não apresentar DCTF, ou apresentála em atraso, ou mesmo de não pagar tributos, o que mais uma vez corroboraria a irregularidade da autuação. Na seqüência, no item “Da Inaplicabilidade da Taxa Selic”, alega não ser cabível, no caso, a eventual exigência da taxa Selic no que diz respeito à cobrança de juros de mora. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do lançamento. À fl. 79, despacho do Secat/DRF/Foz do Iguaçu, atestando a tempestividade da impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES. são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. Impugnação improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido e, ao final, concluir e requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10945.007130/200741 Acórdão n.º 140200.941 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Tratase de exigência de multa por atraso na entrega da DCTF em face de exclusão retroativa do Simples. A recorrente contesta a exigência retroativa das DCTF e da multa por atraso. Todavia, a meu ver, os fundamentos da decisão recorrida não merece reparos nessa parte, pelo que peço vênia para adotálos como razões de decidir. Outrossim, no recurso voluntário foi informado pelo próprio representante da contribuinte que a empresa ingressou com ação judicial para contestar a retroatividade da exclusão do Simples (verbis): “(...)E mais, ern 26 de julho de 2007 foi proposta pela Recorrente, no âmbito judicial, a Ação Ordinária no 2007.70.02.0054989, em trâmite perante a 2' Vara Federal da Subseção Judiciária de Foz do Iguaçu — Seção Judiciária do Paraná, visando a nulidade do Processo Administrativo Fiscal n° 10945.001633/200622 e, consequentemente, do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, bem como a nulidade dos efeitos retroativos do referido ato que se reportam a 1° de janeiro de 2002, uma vez que tal medida afronta os princípios constitucionais da irretroatividade, da segurança jurídica e ofende o artigo 146 do Código Tributário Nacional. A sentença, publicada na data de 28 de fevereiro de 2008, concedeu 'parcialmente procedente o pedido da Autora para que a exclusão do Simples gere efeitos a partir do dia 25 de outubro de 2006, nos termos da fundamentado", in verbis: (...)” Logo, nessa parte não cabe apreciação do litígio em face da concomitante ação judicial. Nesse sentido é a sumula 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000043/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/02/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA.
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, g do Regulamento da Previdência Social.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário cuja totalidade das alegações nele aviadas inovam o Processo Administrativo Fiscal.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, g do Regulamento da Previdência Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário cuja totalidade das alegações nele aviadas inovam o Processo Administrativo Fiscal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 145 1 144 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000043/201016 Recurso nº 002.470 Voluntário Acórdão nº 2302002.470 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS AI CFL 59 Recorrente TOMÉ ENGENHARIA E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário cuja totalidade das alegações nele aviadas inovam o Processo Administrativo Fiscal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 43 /2 01 0- 16 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Data da lavratura do Auto de Infração: 22/02/2010. Data de ciência do Auto de Infração: 24/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada, em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Autuado em face do lançamento aviado no Auto de Infração nº 37.217.4876, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 4º, §1º da Lei nº 10.666/2003 c.c. art. 216, I, ’a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de este ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 08. CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 146 3 Informa a Autoridade Lançadora que a autuada não fez a arrecadação, prevista da legislação, da contribuição de 11% sobre os pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais indicados no Demonstrativo a fl. 08, cujos fatos geradores houveram se por apurados mediante o exame de notas fiscais, faturas e recibos apresentados pela empresa à Fiscalização. A obrigação principal da Empresa relativa aos fatos geradores ora em debate houvese por formalizada mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.217.4944, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10932.000039/201040. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor básico de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30 de dezembro de 2009, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 09. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 61/70. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no acórdão a fls. 103/108, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa em 09/01/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 111. Não se conformando com a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, o Autuado ofereceu Recurso Voluntário a fls. 112/119, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a ação fiscal foi concluída mais de 01 ano após a emissão do MPF, sem haver emissão e ciência de MPF complementar; · Que as formalidades necessárias à validade do MPF não foram respeitadas, pois deixou de constar quais os documentos inicialmente exigidos para a fiscalização dos tributos fiscalizados e que não foram entregues pela Recorrente, bem como a fixação do prazo para o término da fiscalização; · Que, extrapolado o prazo de 120 dias sem renovação ou lavratura do Auto de Infração, é necessária a emissão de novo MPF e a nomeação de um novo agente fiscal para realizar o trabalho; · Que a autuação efetuada sob a rubrica “011 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL” referese a prestadores de serviços através de pessoas jurídicas; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que a norma que determina a retenção na fonte e torna a empresa contratante de serviços pessoalmente responsável não pode ser interpretada literalmente; · Que não há incidência do dever de retenção em serviços de transporte; Ao fim, requer o reconhecimento da nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, e que seja reconhecida a não incidência de verbas previdenciárias nos tributos apontados pela fiscalização. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A apresentação do Recurso Voluntário se deu no prazo e na forma previstos na legislação, como assim atesta o documento a fl. 144. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que a ação fiscal foi concluída mais de 01 ano após a emissão do MPF, sem haver emissão e ciência de MPF complementar. Assevera que as formalidades necessárias à validade do MPF não foram respeitadas, pois deixou de constar quais os documentos inicialmente exigidos para a fiscalização dos tributos fiscalizados e que não foram entregues pela Recorrente, bem como a fixação do prazo para o término da fiscalização. Argumenta que, extrapolado o prazo de 120 dias sem renovação ou lavratura do Auto de Infração, é necessária a emissão de novo MPF e a nomeação de um novo agente fiscal para realizar o trabalho. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 147 5 Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 148 7 Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DOS FATOS GERADORES A Recorrente alega que a autuação efetuada sob a rubrica “011 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL” referese a prestadores de serviços através de pessoas jurídicas. Aduz haver dispensa do dever da retenção de 11%, uma vez que os serviços foram prestados pelo próprio contratado, sem a utilização de empregado, conforme art. 148 da Instrução Normativa – IN MPS/SRP nº 3/2005. Argumenta que a norma que determina a retenção na fonte e torna a empresa contratante de serviços pessoalmente responsável não pode ser interpretada literalmente. Aduz não haver incidência do dever de retenção em serviços de transporte. Em primeiro lugar, há que se destacar que o vertente processo não comporta qualquer lançamento tributário referente a obrigação principal, mas, tão somente, lançamento decorrente do descumprimento de obrigação acessória, em razão de não haver sido arrecada pela empresa as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no mês, mediante desconto das respectivas remunerações, e o Recorrente das importâncias assim arrecadas, conforme determinação expressa inscrita no art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Inexiste no vertente processo qualquer lançamento de obrigação tributária principal referente à rubrica “011 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL”, motivo pelo qual deixamos de apreciar tal alegação, eis que se revelam alheias ao objeto da autuação. O Recorrente alega, igualmente, que o art. 148 da IN SRP nº 3/2005 preceitua que “não está sujeito à retenção do INSS o valor pago pela prestação de serviços, no caso em que o prestador de serviços não possuir empregados, e que o serviço for prestado pessoalmente pelo sócio”. Revelase totalmente impertinente a referência ao art. 148 da IN SRP nº 3/2005, pois este trata, tão somente, da retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, hipótese que não guarda qualquer relação com as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, as quais se encontram previstas no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, muito menos com a obrigação acessória inscrita no art. 4º da Lei nº 10.666/2003, cujo descumprimento objetivo constituise, exatamente, no objeto e motivação da lavratura do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Também se revela totalmente alheia à realidade dos autos a alegação de não haver incidência do dever de retenção em serviços de transporte, uma vez que a obrigação tributária ora em trato não versa sobre a retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, mas, sim, sobre o desconto das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais prevista no art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Como dito, o caso em estudo trata da obrigação acessória da Empresa contratante de mão de obra de segurados contribuintes individuais de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias de que trata o art. 21 da Lei nº 8.212/91, a cargo dessa categoria de segurados obrigatórios do RGPS, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.666/2003, e a de recolher a importância assim arrecada aos cofres da Autarquia Previdenciária Federal, no prazo e na forma fixada na legislação de regência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei , na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2o É de 11% (onze por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do saláriodecontribuição a alíquota de contribuição do segurado contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo que optarem pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. (Incluído pela Lei Complementar nº 123/2006). §3o O segurado que tenha contribuído na forma do §2o deste artigo e pretenda contar o tempo de contribuição correspondente para fins de obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição ou da contagem recíproca do tempo de Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 149 9 contribuição a que se refere o art. 94 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, deverá complementar a contribuição mensal mediante o recolhimento de mais 9% (nove por cento), acrescido dos juros moratórios de que trata o § 3o do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o A contribuição complementar a que se refere o §3o deste artigo será exigida a qualquer tempo, sob pena de indeferimento do benefício. (Incluído pela Lei Complementar nº 128/2008) Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003. Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. §1º As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir. §2º A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos. (...) Art. 13. Aplicamse ao disposto nesta Lei, no que couber, as disposições legais pertinentes ao Regime Geral de Previdência Social. (grifos nossos) Reiterese que a autuação fiscal sub examine louvouse na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no art. 4º da Lei nº 10.666/2003, a qual finca o dever instrumental de o sujeito passivo arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, a contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, e de recolhêlas no prazo legal. Nesta vertente, mostrase auspicioso destacar que, em razão da previsão expressa emoldurada no art. 13 da citada Lei nº 10.666/2003, são aplicáveis às disposições insculpidas nessa Lei, os preceptivos aviados na Lei Orgânica da Seguridade Social. O alcance da norma tributária assinalada nas orações anteriores estendese, por óbvio, àquela estatuída no art. 92 da Lei nº 8.212/91, eis que plenamente cabível. Diante desse quadro, atendendo à normatividade exigida pelo dispositivo legal em ênfase, foi editado o Decreto nº 4.729/2003, cuja primazia foi a de conferir nova redação à alínea ‘a’ do inciso I do art. 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, assim destacando: Regulamento da Previdência Social. Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) A conduta omissiva conformada de forma genérica e abstrata nos parágrafos precedentes configurase infração às disposições inscritas no art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 13 da Lei nº 10.666/2003 c.c. o art. 92 da Lei nº 8.212/91 aviaram norma sancionatória prevendo a punição do obrigado em caso de infração à obrigação instrumental em realce, sujeitando o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme disposição analítica assentada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, a alínea ‘g’ do inciso I do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de efetuar os descontos das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 4.862/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 150 11 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/ 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, o valor mínimo previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91 houve se por reajustado mediante a Portaria Interministerial MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009, que fixou em R$ 1.410,79 o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social. Não procede a alegação de que “a norma que determina a retenção na fonte e torna a empresa contratante de serviços pessoalmente responsável não pode ser interpretada literalmente”. A obrigatoriedade inescusável da arrecadação, mediante desconto das contribuições devidas dos respectivos Salários de Contribuição, encontrase plasmada no art. 33 da Lei nº 8.212/91, cujo §5º estatui a presunção absoluta de que o desconto da contribuição ora em debate sempre tenha sido feito pelo Contratante, a este não sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando ele diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições que reteve, bem como pelas importâncias que eventualmente tenha deixado de reter, ou que houver retido em desacordo com a legislação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000043/201016 Acórdão n.º 2302002.470 S2C3T2 Fl. 151 13 único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Dessarte, a empresa contratante de mão de obra de segurados contribuintes individuais tem, por força de lei formal, o dever jurídico de operar a retenção das contribuições previdenciárias de que trata o art. 21 da Lei nº 8.212/91, conforme previsto na legislação vigente, ficando diretamente responsável pelo recolhimento da importância retida, assim como por aquela que deixou de reter ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Cumpre frisar que a obrigação principal referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas creditadas ou devidas aos segurados contribuintes individuais ora em questão figura como objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10932.000039/201040, formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal 37.217.4944, o qual foi julgado integralmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, nos termos do acordão 0535.320 – 9ª Turma da DRJ/CPS. O Contribuinte efetivou a consolidação do débito acima referenciado no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, na modalidade Débitos Previdenciários não Parcelados Anteriormente, não havendo naqueles autos registro de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de 1ª Instância. O Parcelamento acima citado foi liquidado em 29/07/2011, como assim atesta despacho a fl. 196 do PAF nº 10932.000039/201040. Tal procedimento, nos termos do art. 5º da Lei nº 11.941/2009, importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos. Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 354 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. A nãointerposição de Recurso Voluntário nos autos do PAF nº 10932.000039/201040 e a confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo e por ele indicados para compor os referidos parcelamento implicam o Trânsito em Julgado da Decisão de Primeira Instância Administrativa e o reconhecimento da ocorrência dos fatos geradores correspondentes. Nessa prumada, reconhecido formalmente a ocorrência de pagamentos remuneratórios a segurados contribuintes individuais a seu serviço, deveria a empresa ter procedido à arrecadação, mediante desconto das respectivas remunerações, das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais em foco, e ao recolhimento das importâncias assim arrecadas. Resta configurada, portanto, a infração ora em testilha, circunstância que implica a procedência da autuação. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13819.001184/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. QUESTÕES IMPUGNADAS. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO. NULIDADE. CABIMENTO.
A falta de pronunciamento sobre a regularidade formal da compensação e a documentação comprobatória do direito creditório, apresentada como parte da impugnação ao auto de infração, matérias não apreciadas na ação judicial que reconheceu o direito material à compensação, acarreta nulidade da decisão de primeira de instância, por cerceamento de direito de defesa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3102-001.892
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencida a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que superava a nulidade e dava provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento- Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. QUESTÕES IMPUGNADAS. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO. NULIDADE. CABIMENTO. A fal ta de pronunciamento sobre a regularidade formal da compensação e a documentação comprobatória do direi to creditório, apresentada como parte da impugnação ao auto de infração, matérias não apreciadas na ação judicial que reconheceu o direito material à compensação, acarreta nulidade da decisão de primeira de instância, por cerceamento de direi to de defesa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencida a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que superava a nulidade e dava provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 11 84 /2 00 2- 22 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 28/33), resultado do trabalho de auditoria interna, realizada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 2º trimestre de 1997, que resultou na não confirmação dos valores dos créditos vinculados aos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de maio e junho de 1997, em face da não localizado/comprovação do processo judicial nº 97.63046. Em sede de impugnação, a interessada contestou a exigência fiscal, com base no argumento de que a exigência fora motivada, exclusivamente, por erro no preenchimento da DCTF do 2º Trimestre de 1997, na qual foi informado incorretamente o número do processo judicial de nº 97.63046 quando o correto seria 97.00063046. Sobreveio o acórdão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Capinas/SP, em que, por unanimidade, foi considerada procedente em parte a impugnação, para manter os valores principais dos débitos lançados e exonerar a multa de ofício aplicada, com base nas seguintes razões: a) a propositura de ação judicial com o mesmo objeto da lide administrativa, por concomitância, impedia julgamento na esfera administrativa; b) a propositura da ação judicial, antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculizava a formalização do lançamento; e c).em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, era incabível aplicação da multa de ofício sobre débitos declarados em DCTF. Ainda no referido acórdão, alertou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal de origem atentasse para: [...] a existência de decisão judicial transitada em julgado, com a conseqüente necessidade de, anteriormente à cobrança e considerando outros débitos que tenham sido vinculados à mesma ação judicial, verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito reconhecido judicialmente, para fins de compensação com os débitos aqui autuados. Em 13/3/2012, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 12/4/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 472/499, em que reafirmou os argumentos de defesa aduzidos na fase de impugnação. Em aditamento, alegou a nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, com base no argumento de que o órgão de julgamento a quo não analisou a regularidade da compensação, realizada em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, nem examinou a prova documental carreada aos autos na fase de impugnação. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13819.001184/200222 Acórdão n.º 31023.102.001.892 S3C1T2 Fl. 10 3 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que o órgão de julgamento a quo não analisara a regularidade formal da compensação nem examinara a prova documental carreada aos autos. De fato, com base no argumento de que o objeto da presente controvérsia e o da referida ação judicial eram concomitantes, tais questões não foram analisadas no julgado recorrido. Não decidiu bem o órgão de julgamento de primeiro grau. A ação judicial em destaque tratou apenas das questões atinentes: a) à inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, com base nos Decretoslei nºs 2445/88 e 2449/88; b) ao direito de a recorrente efetivar a compensação de eventual indébito sem as limitações impostas pela Instrução Normativa SRF nº 67, de 1992; e c) à forma de correção do eventual indébito. Nesse sentido, em decisão final, transitada em julgado em 2/6/2000, foi reconhecido, em favor da recorrente, o direito de compensar o indébito tributário decorrente dos valores por ela pagos a maior a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos da Lei 8.383/1991, ou seja, por sua própria iniciativa e sem a necessidade de prévia da autorização da autoridade fiscal, ressalvado ao fisco o direito de analisar a regularidade da compensação efetivada. Além disso, em 13/3/2002, data da ciência do Auto de Infração, a decisão judicial já havia transitado em julgado, consequentemente, a matéria, relativa ao direito material concernente à compensação em apreço já se encontrava definitivamente reconhecido na esfera judicial, portanto, indevida e inoportuna a alegada concomitância. Por outro lado, as questões atinentes ao reconhecimento do direito creditório e a regularidade formal da compensação, que não foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário, inexplicavelmente, não foram apreciadas pelo órgão de julgamento de primeiro grau. É oportuno ainda esclarecer que, na fase de impugnação, a recorrente comprovou a existência da ação judicial e, em atendimento a intimação de fls. 147/148, apresentou a documentação solicitada pela autoridade fiscal (fls. 156/238), que, sem qualquer justificativa nos autos, não foi analisada pela autoridade fiscal nem no julgamento de primeiro grau. Por todas essas razões, a meu ver, resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa da recorrente de ver apreciada a regularidade formal da Fl. 722DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 compensação por ela realizada, vício indelével de legalidade do Acórdão recorrido, sanável apenas com a declaração da sua nulidade, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF). Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade do Acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos ao Órgão de julgamento de primeiro grau, para que outra decisão seja proferida em boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 723DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10293.720004/2008-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 17/03/2008, a Notificação de Lançamento nº 02301/00003/2008 (às fls. 98/102), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 14.627,44, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Seringal Recife II”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.6150, com área declarada de 12.427,0 ha, localizado no Município de Sena Madureira/AC. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 93 .7 20 00 4/ 20 08 -8 9 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10293.720004/200889 Resolução nº 2801000.222 S2TE01 Fl. 170 2 A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 01/02, exigindose a apresentação de: 1º Cópia do ADA Ato Declaratório Ambiental; 2º Cópia da Matrícula do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; e, 3º Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB. Em resposta, foram apresentados os documentos/extratos de fls. 09/97. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte, e das informações constantes das DITR/2005, decidiuse alterar o VTN declarado de R$ 240.000,00 para o arbitrado de R$ 8.077.550,00, com base no valor de R$ 650,00/ha indicado no SIPT, com conseqüente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$ 8.731,44, conforme demonstrado às fls. 101. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 99/100 e 102. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 31/03/2008 (fls. 105), a Impugnante, por meio de procurador legalmente constituído, fls. 15, protocolou em 30/04/2008, fls. 106, a impugnação de fls. 106/107, lida nesta Sessão e instruída com os documentos de fls. 108. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • apresenta um relato dos fatos da presente Notificação de Lançamento e esclarece que a ora postulante apresentou o Laudo de Técnico de Avaliação de Imóvel Rural; • esclarece ainda, que o laudo apresentado indica o objetivo da avaliação, fundamentação, a metodologia aplicada, o período de execução e vistoria, descrição e característica do imóvel, a especificação das áreas estruturadas do imóvel, bem como a respectiva avaliação; • requer que seja cancelado o lançamento. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10293.720004/200889 Resolução nº 2801000.222 S2TE01 Fl. 171 3 digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 120/125, que restou assim ementado: DO VALOR DA TERRA NUA _ SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2004), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 24/01/2012 (AR fls. 129/130), a interessada, representada por seu advogado (fl. 15), interpôs o recurso de fls. 131/143, em 23/02/2012. Em sua defesa, alega que não se sustenta o arbitramento do VTN procedido neste caso, tendo em vista o Oficio da Prefeitura Municipal de Sena Madureira solicitando a desconsideração e anulação da tabela de preços apresentada à RFB (fls. 145/146). É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento cuida de alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN, verificase que não constam dos autos as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que foram utilizadas pela autoridade fiscal para proceder o arbitramento contestado pela recorrente. Dessa forma, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade competente anexe aos autos as informações do SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que embasaram o procedimento fiscal em apreço, e esclareça se a informação constante do Oficio da Prefeitura Municipal de Sena Madureira solicitando a desconsideração e anulação da tabela de preços apresentada à RFB (fls. 145/146) teria alguma repercussão na análise do litígio em questão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001482/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS.
Verificado que o lançamento tributário versou não-homologação às declarações apresentadas, cujas bases de cálculo foram impactadas pela despesa considerada indedutível, verifica-se que a insurgência fiscal não se dá no tocante à contabilização da despesa, mas, quanto à sua utilização.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO OU DEFICÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo em vista que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados, permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, verifica-se a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA.
A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O abuso de direito pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violá-los. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deu-se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. LANÇAMENTO DECORRENTE - Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
Numero da decisão: 1301-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, reformando a decisão recorrida, reconhecer legítima a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. NÃOHOMOLOGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. Verificado que o lançamento tributário versou nãohomologação às declarações apresentadas, cujas bases de cálculo foram impactadas pela despesa considerada indedutível, verificase que a insurgência fiscal não se dá no tocante à contabilização da despesa, mas, quanto à sua utilização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO OU DEFICÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo em vista que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados, permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, verificase a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. 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Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 82 /2 01 0- 52 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. LANÇAMENTO DECORRENTE Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, reformando a decisão recorrida, reconhecer legítima a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo administrativo acerca de autos de infração (fls. 375 – 413), lavrados contra a Recorrente para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao IRPJ e à CSLL. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 415 – 442) foram apuradas, resumidamente, as seguintes irregularidades: AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ 1 – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. 2 – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1o, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 e art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. AUTO DE INFRAÇÃO CSLL 1 – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NÃO NECESSÁRIAS. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de Infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1o da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. 2 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de Infração, do qual faz parte integrante. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Enquadramento legal: Art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; Art. 58 da Lei nº 8.981/95, art. 16 da Lei nº 9.065/95; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. 3 – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, do qual faz parte integrante. Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1o, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 e art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Temse em síntese, portanto, autuação atinente aos anoscalendário 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, decorrente da glosa de despesa deduzida pela Recorrente referente à amortização fiscal de ágio, que no entender da Fiscalização fora gerado “intragrupo” e seria, destarte, indedutível. De acordo com a Fiscalização a dedução da despesa teria reduzido indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, além de resultar na insuficiência do pagamento de estimativas dos dois tributos e na compensação indevida de base negativa de CSLL. Nessa ordem de idéias, atestou o agente fiscalizador que o procedimento fiscal teve início com o Termo de Início de Fiscalização lavrado em 29.07.2009, com ciência da Recorrente em 30.07.2009, com o objetivo de analisaremse as despesas contabilizadas no período de 2004 a 2009 como amortização de ágio, reportando que iniciados os procedimentos de fiscalização, foi solicitado à Recorrente que fornecesse, entre outros documentos, cópia da justificativa econômica fundamentada para a constituição, em 30 de novembro de 2004, do ágio no valor de R$ 560.852.903,00 (Quinhentos e sessenta milhões oitocentos e cinqüenta e dois mil novecentos e três reais), valor sobre o qual incidiriam, nos meses subsequentes, despesas com sua amortização, redutoras da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor mensal de R$ 5.842.217,74 (Cinco milhões oitocentos e quarenta e dois mil duzentos e dezessete reais e setenta e quatro centavos) . Seguiu a Fiscalização dando conta de que este valor mensal corresponde a 1/12 do valor anual de R$ 70.106.612,88 (Setenta milhões cento e seis mil seiscentos e doze reais e oitenta e oito centavos), que por sua vez corresponde a 1/8 do total a ser amortizado de R$ 560.852.903,00 em oito anos, uma vez que o prazo estabelecido em lei é de no mínimo 60 (sessenta) meses para amortizações do ágio sobre investimentos (vide Termo de Início de Fiscalização). Atesou a Fiscalização que de acordo com as informações prestadas pela Recorrente, tomouse conhecimento dos atos societários que envolveram a empresa no período que antecedeu a constituição do mencionado ágio no ano de 2004 e que resumidamente são descritos abaixo: (i) Em 01.11.2004, a empresa de consultoria Ernst & Young Consultores Associados Ltda havia encaminhado à General Motors Acceptance Corporation, dos Estados Unidos, um laudo de avaliação encomendado por esta sobre o valor de mercado do Banco Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 4 5 General Motors S.A., antiga denominação do Banco Gmac S.A., levando em conta a expectativa de seus rendimentos futuros. (ii) O laudo de avaliação apresentado pela Ernst & Young estima, com as fórmulas e metodologia de cálculos que descreve, que o valor justo de mercado do Banco naquela data, baseado em sua rentabilidade esperada entre julho de 2004 e dezembro de 2020, portanto, um período de 16 (dezesseis) anos e 6 (seis) meses, é de R$ 957.414.000,00 (Novecentos e cinqüenta e sete milhões quatrocentos e quatorze mil reais), valor que inclui a perspectiva de lucro do Consórcio Nacional GM Ltda no período de julho de 2004 a dezembro de 2008. fls. 17 a 58. (iii) Antes disso, em 15.09.2004 foi constituída uma empresa denominada Mynchuan Participações Ltda, CNPJ 07.021.761/000179, com capital de R$ 100,00 (cem reais) dividido em 100 (cem) quotas de R$ 1,00 (hum) real, com sede na Rua Boa Vista, 254, 7º andar sala 721, Centro, São Paulo/SP, tendo como sócios quotistas uma empresa denominada Schaft Participações Ltda., CNPJ 03.347.239/000120, com sede no mesmo endereço, detentora de 99 (noventa e nove) quotas, e outra empresa denominada Gesellschaft Participações Ltda., CNPJ 04.654.506/000175, com sede no mesmo endereço, detentora de 1 (uma) quota (fls. 59 a 70). (iv) Em alteração de contrato social datada de 19.11.2004, a Schaft Participações Ltda., cedeu suas 99 quotas de R$ 1,00 cada para a General Motors Acceptance Corporation, sociedade com sede nos Estados Unidos da América e a Gesellschaft Participações Ltda, cedeu sua única quota de R$ 1,00 para o sr. Rudolfus Robertus Grin, holandês, casado, portador da Cédula de Identidade para Estrangeiros RNE nº V330772U, CPF nº 227.856.58850, domiciliado na Av. Indianópolis, nº 3.096, Planalto Paulista, São Paulo/SP, para onde, nesse mesmo ato, foi transferida a sede social da Mynchuan Participações Ltda e sua razão social foi alterada para Braco Participações Ltda (fls. 71 a 86). (v) Em 23.11.2004, os sócios da Braco Participações decidiram aumentar o capital social da sociedade de R$ 100,00 para R$ 957.414.000,00 (novecentos e cinqüenta e sete milhões quatrocentos e quatorze mil reais) mediante a criação de 957.414.000 (novecentos e cinqüenta e sete milhões e quatrocentos e quatorze mil) novas quotas de R$ 1,00 cada, todas subscritas pela General Motors Acceptance Corporation, e integralizadas mediante a conferência de 396.561.097 (trezentos e noventa e seis milhões quinhentos e sessenta e um mil e noventa e sete) quotas representativas de parte do capital social da General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 de titularidade da General Motors Acceptance Corporation. (vi) No dia 24.11.2004, a General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 promoveu uma redução no valor de R$ 396.561.097,00 (trezentos e noventa e seis milhões quinhentos e sessenta um mil e noventa e sete reais) de seu capital social, valor esse representado pela sua participação no capital do Banco General Motors S. A. para entregar esses haveres à Braco Participações Ltda., que passa a ser detentora desse valor no capital do Banco General Motors S.A. e se retira da participação no capital da General Motors do Brasil S.A. (fls. 109 a 120.). (vi) Em 03.12.2004, o Banco General Motors S.A. realizou sua 47a Assembleia Geral Extraordinária, para deliberar sobre a incorporação da Braco Participações Ltda., (incorporação reversa, pois as quotas do capital do Banco Gmac pertenciam à Braco Participações), cujo capital em 23.11.2004 era de R$ 957.414.000,00. O capital do Banco, que era de R$ 268.862.720,13 (duzentos e sessenta e oito milhões oitocentos e sessenta e dois mil setecentos e vinte reais e treze centavos) passou para R$ 268.862.820,13 (duzentos e sessenta e oito milhões oitocentos e sessenta e dois mil oitocentos e vinte reais e treze centavos), representando um aumento de capital de apenas R$ 100,00, que era o valor antes de 23.11.2004 (fls.121 a 127). Verificados esses passos, de acordo com a Fiscalização, as alterações societárias efetuadas ocorreram em empresas componentes de um mesmo grupo econômico, sendo efetuadas de acordo com comando único, no caso a General Motors Corporation, sociedade empresária sediada nos Estados Unidos da América, e que tinham por fim exclusivo Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 uma reorganização de seus negócios com segregação da atividade industrial da atividade financeira, tendo como pano de fundo os acontecimentos que vieram a público nos últimos anos, com a crise vivida pela General Motors que se viu bem perto da bancarrota, sendo salva, como é fato notório, por ato do Governo dos Estados Unidos. Destacouse ainda, que em 31/12/2003, consoante informação constante na DIPJ da General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150, seu capital era detido em 47,20% pela General Motors Pacific Holdings, pessoa jurídica com sede nos Estados Unidos da América (CNPJ 05.734.503/000104) e 52,77% pela General Motors Corporation, pessoa jurídica também com sede nos Estados Unidos da América (CNPJ 05.724.664/000117). Já com relação ao Banco General Motors S.A, CNPJ 59.274.605/000113, seu capital era detido em 31/12/2003 em 99,97% pela General Motors do Brasil Ltda, CNPJ 59.275.792/000150, de sorte que, segundo a Fiscalização, seria evidente a existência de controle comum, verificandose que até 24.11.2004 a General Motors Acceptance Corporation E.U.A. possuía uma participação de R$ 701.632.799,00 (setecentos e um milhões seiscentos e trinta e dois mil setecentos e noventa e nove reais) no capital da General Motors do Brasil Ltda., e esta, por sua vez, era detentora do capital integral do Banco General Motors S.A., no valor de R$ 396.561.097,00. A partir dessa data, a General Motors do Brasil deixa de ser acionista do Banco General Motors e entrega o capital do Banco General Motors à Braco Participações Ltda., controlada da General Motors Acceptance Corporation E.U.A. Considerando que o capital efetivo do Banco General Motors era de R$ 396.561.097,00 e o valor de integralização das novas quotas da Braco Participações era de R$ 957.414.000,00, verificou a Fiscalização que a diferença de R$ 560.852.903,00 seria justificada pelo valor justo de mercado do Banco Gmac S.A. (antigo Banco General Motors) em dezembro de 2020 dezesseis anos e seis meses depois previsto no relatório da empresa Ernst & Young (fl. 18). No entendimento do autuante, a esse procedimento, dáse o nome de ágio interno e o exame dos atos praticados demonstraria não ter havido qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio ora deduzido pelo Banco General Motors S.A. De acordo com a Fiscalização, na realidade, a Braco Participações Ltda., embora legalmente constituída, nunca foi uma empresa de fato. Com capital de apenas R$ 100,00, não tinha sede própria, nem funcionários, nem administradores e não exercia nenhuma atividade com a finalidade de obter lucro, finalidade essa embutida no conceito de empresa, destacando que o dito procedimento teria servido apenas de meio pelo qual o ágio criado na reorganização societária veio a ser, posteriormente, deduzido dos resultados operacionais do Banco General Motors S.A. Ressaltase que essa "empresa" não operacional (era de participações, com um capital de R$ 100,00), após apenas dois meses de sua constituição, passou por um aumento de capital espetacular com um acréscimo de quase R$ 1 bilhão em seu capital, com o propósito de viabilizar a constituição de um ágio em seu ativo pela incorporação de uma fração de participação societária na General Motors do Brasil Ltda., fração essa que representava de fato o valor do Banco General Motors. Assinalou ainda, que em sua trajetória meteórica a Braco Participações, empresa já com capital registrado de R$ 957.414.100,00, através de um simples ato de incorporação reversa, deixa de existir, viabilizando o início da dedutibilidade do ágio adrede preparado, na visão do autuante, portanto, essa sociedade (Braco Participações) foi constituída Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 5 7 com o propósito único de deixar de existir e gerar um benefício fiscal para seus idealizadores gerando artificialmente um ágio meramente contábil de R$ 560.852.903,00, que sua incorporadora utilizou para diminuir a base de cálculo de seus tributos ao longo dos oito anos seguintes. Quanto ao laudo apresentado, destacou a Fiscalização que o trabalho de avaliação "foi feito com base em informações contábeis e gerenciais fornecidas pelos executivos e funcionários do BGM Brasil e GMB e foram consideradas verdadeiras, uma vez que não faz parte do escopo deste projeto qualquer tipo de procedimento de auditoria, desta forma, a Ernst & Young não assume qualquer responsabilidade futura pela precisão das informações históricas utilizadas neste relatório”. Concluiuse que o ágio não pago e que se origina entre entidades pertencentes ao mesmo grupo econômico não é aceitável, pois esse "ágio interno" não decorre de uma operação com propósito negocial num mercado livre e aberto em que o comprador e o vendedor têm que chegar a um denominador comum sobre o preço a ser pago pelo bem que está sendo vendido, levando em consideração o lucro que esse bem proporcionará ao seu comprador e que a precificação no ágio interno não se fundamenta nessas premissas, assinalando que o critério adotado como base de valor na mensuração contábil de ativos e passivos, em condições normais de continuidade de uma empresa, é o custo histórico. Destacouse ainda que a teoria contábil daria respaldo apenas ao ágio pago numa negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si e que o ágio gerado internamente não decorre de uma operação com propósito negocial, considerando que inexistiu um desembolso, que servisse para chancelar uma transação livre da qual emergisse o valor justo de um ativo negociado por partes independentes, não tendo havido negociação, nem compra, nem venda, nem mercado livre e aberto. Após tecer outras tantas considerações, a Fiscalização registrou que o art. 20 do Decreto Lei nº 1.598 de 26/12/1977 e o art. 7º da Lei nº 9.532 de 10/12/1997, que tratam do registro contábil do ágio ou deságio e sua amortização permitem a contabilização do ágio (ou deságio) e sua amortização desde que haja livre negociação entre as partes e que o investidor justifique e fundamente o pagamento do ágio sobre a parte ou o total do capital da empresa investida, sendo certo que o parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional estabelece que "a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária". Em conclusão, afirmou a Fiscalização que a operação de reorganização societária que resultou da simples transferência de ativos pertencentes ao grupo General Motors de dentro da empresa industrial para outra empresa especialmente criada para isso, totalmente inoperante no momento anterior à transação, com manutenção integral do controle por parte do grupo General Motors, fazendo surgir ágio na "aquisição de participação societária" caracteriza o denominado ágio interno, que não é aceito pela ciência contábil, nem pode ser aceito como dedutível na apuração dos tributos de competência da Fazenda Pública da União, sendo que a operação engendrada não evidenciaria propósito negocial, que pode ser caracterizado como o conjunto de razões de caráter econômico, comercial, societário ou financeiro que justifique a adoção dos atos e negócios jurídicos, além da finalidade de pagar menos tributos, caracterizando abuso de direito, porquanto realizada em curto espaço de tempo Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 8 (cinco dias), evidenciando a presença de sociedade efêmera que serviu de mero veículo para a obtenção de um objetivo planejado de gerar ágio interno, em que não há o pagamento desse ágio e com isso obter vantagem fiscal. Nesse curto período de cinco dias a sociedade efêmera, formada com capital de R$ 100,00 faz aumento de capital em quase R$ 1 bilhão, tornandose importante sócia da General Motors do Brasil, resolvendo no dia seguinte sair da sociedade levando ativo relevante e no dia seguinte é extinta por incorporação por sua controlada, motivo pelo qual procedeu à glosa das despesas mensais de ágio nos anos de 2005 a 2009, aplicando as multa isoladas ante óbvio impacto nas bases estimadas. Apurouse ainda a compensação indevida de bases negativas da CSLL e de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente apresentava em seus assentamentos contábeis, em 31.12.2004, o valor de R$ 57.921.673,33 de saldo de bases negativas de anos anteriores de CSLL. Em 2005 e nos anos seguintes, compensou, em cada período, os valores correspondentes a 30% das bases de cálculo declaradas deduzindo, aqueles valores do saldo acima e devido às glosas de despesas anuais no valor de R$ 70.106.612,88, o lucro anual da Recorrente e a base de cálculo da CSLL foram alterados para maior, revelando, no caso da CSLL, mudanças significativas nos valores compensados. A Fiscalização, portanto, aplicou o percentual de 30% (trinta por cento) sobre a nova base por entender que tal procedimento era amplamente favorável à Recorrente e como consequência, a partir de 2006, os saldos de bases negativas tenham se revelado insuficientes para cobrir os valores efetivamente compensados, caracterizandose, no entender da Fiscalização, a compensação indevida. Na planilha "CSLL Compensação Indevida" (fl. 374), o autuante demonstrou os efeitos da alteração de bases de cálculo que foram objeto da infração correspondente à compensação indevida de CSLL e no termo de Constatação consta que a Recorrente deveria proceder às alterações necessárias em seus livros fiscais para adequálos aos novos saldos de Bases Negativas de CSLL e de Prejuízos Acumulados (fl. 442). Cientificada das imputações fiscais, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 454 a 531), acompanhada de documentos (fls. 532 a 854), alegando em síntese que a exigência fiscal referese a valores de tributos que derivaram diretamente de operações ocorridas no período base de 2004, de forma que toda a autuação já se encontra irremediavelmente fulminada pela decadência, porquanto o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial conferido às autoridades fiscais para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Alegou, portanto, que os supostos fatos geradores das obrigações tributárias constantes da exigência fiscal ocorreram ainda no anocalendário 2004 em relação à amortização de ágio, uma vez ocorrida a incorporação, já nasce o direito de a sociedade sobrevivente amortizar o ágio no prazo previsto na legislação e tanto isso seria verdade, que anteriormente à edição da Lei n° 9.532/1997, que atualmente regula a amortização fiscal de ágio, o DecretoLei n° 1.598/1977 previa que a despesa correspondente ao ágio era integralmente dedutível no momento da incorporação sendo que somente com a Lei nº 9.532/97 é que essa despesa passou a ser obrigatoriamente diferida em no mínimo cinco anos, e considerando que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação, afirmou a Recorrente que o prazo para questionar os efeitos fiscais dessas operações ocorridas ao longo do anocalendário 2004 expirou em 31/12/2009, aduzindo ainda, que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para fins de contagem da decadência. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 6 9 Aduziu ainda, que haveria erro de enquadramento legal nos lançamentos, em ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e ao art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, já que em vez de motivar a autuação com a indicação das específicas normas tributárias que teriam sido supostamente infringidas e com uma explicação clara, a Fiscalização limitouse a listar um apanhado de normas tributárias, sem estabelecer a necessária relação entre seus respectivos conteúdos e os fatos que originaram o processo administrativo, afirmando que a algumas das normas citadas pela Fiscalização nem mesmo poderiam ser aplicáveis aos fatos tratados no Termo de Verificação e Constatação. Aduziu ainda, que os artigos 299 e 300 do RIR/99, por exemplo, invocados pela Fiscalização para lavrar a autuação, tratam das regras gerais sobre a dedutibilidade de despesas e custos operacionais incorridas pela pessoa jurídica, mas não se aplicam a casos de amortização fiscal de ágio relativo à aquisição de participação societária, que é tratada de forma específica nos artigos 385 e 386 daquele Regulamento e que as despesas de ágio relativas a participações societárias não se confundem com custos de produção dos lucros do negócio da pessoa jurídica ou com as despesas ligadas à produção desses lucros, que constituem o objeto dos artigos 299 e 300 do RIR/99, sendo que os artigos 249 e 251 do RIR/99 determinam apenas regras gerais de escrituração contábil, para fins da determinação do lucro real tributável e a Fiscalização não teria apresentado nenhuma relação entre os dispositivos utilizados para fundamentar a autuação e os fatos descritos no Termo de Verificação, o que no seu entender, enseja o cancelamento da presente autuação. Em relação à CSLL, argumentou que todos os dispositivos citados pela Fiscalização são igualmente genéricos, ora disciplinando a apuração da base de cálculo, que de forma geral deve seguir a do IRPJ, ora estabelecendo alíquotas específicas, mas sem que nenhum deles se relacione, nem mesmo indiretamente, aos fatos descritos no Termo de Verificação e que a incorreta ou imprecisa fundamentação legal leva ao cancelamento imediato do lançamento, porquanto afronta os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72. Quanto ao mérito argumentou a Recorrente que a despeito das falhas de enquadramento legal da presente autuação, acima comentadas, se consideradas somente as afirmações constantes do Termo de Verificação, se verificaria que a premissa adotada pela Fiscalização foi a de que a Recorrente teria, sem nenhuma razão empresarial ou econômica, executado operações societárias com o exclusivo propósito de obter um indevido benefício fiscal de amortização fiscal de ágio e que a premissa adotada pela Fiscalização é equivocada e, com isso, toda a autuação fiscal é improcedente merecendo ser integralmente cancelada. Aduziu que os fatos discutidos no presente processo administrativo devem ser analisados no contexto da segregação mundial das atividades "automotivas" e "financeiras" do grupo General Motors, que em um processo de concentrar mundialmente as sociedades financeiras de todo o grupo sob o controle societário direto da GMAC, o grupo General Motors buscava não só possibilitar que a GMAC aprimorasse a eficiência da gestão de suas operações financeiras em todo o mundo, mas também se preparar para a venda global do controle dessa empresa, que acabou ocorrendo no anocalendário 2006. Destacou ainda que as operações examinadas nestes autos, executadas fora e dentro do País, foram todas motivadas por razões empresariais e econômicas legítimas, que eram anteriores e independentes de seus efeitos tributários, porquanto o propósito maior almejado pelo grupo General Motors com as operações examinadas nestes autos era o de transferir a participação detida na Recorrente, da GMB para a GMAC, segregando suas Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 10 atividades financeiras e automotivas no Brasil em canais de negócios distintos, preparandose para a possível venda global do canal de negócios financeiro a terceiros e que foram também razões empresariais e econômicas não tributárias, ligadas à situação da GM e da GMAC no mercado norte americano, que exigiam que essa transferência fosse feita nas chamadas condições arm's length, ou seja, a valor justo de mercado, afirmando que a necessidade de preservação de registro de capital estrangeiro junto ao Banco Central do Brasil constitui outra razão empresarial não tributária para a estruturação dessa transferência com a participação da sociedade Braco Participações Ltda. Seguiu arrazoando que esse aspecto foi, inclusive, objeto de análise prévia pelo Banco Central do Brasil, o que também demonstra que são infundadas as alegações feitas pela Fiscalização de que a Braco seria uma mera empresa veículo, criada sem outra finalidade que não a de permitir uma amortização fiscal de ágio, apresentando um histórico com explicações sobre o processo de segregação da GM e da GMAC, abordando o Grupo General Motors e a sua origem no Brasil, bem como os panoramas internacional e nacional anteriores à segregação, aludindo a documentos e protestando – nos termos do art. 16, § 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/1972 pela juntada de documentos em tradução para o Português por tradutor juramentado, os quais não teria conseguido obter a tempo para juntada aos autos (itens 49 a 72 da impugnação; fls. 465 a 471). Argumentou acerca dos fatores empresariais e econômicos de definição da estrutura do negócio, assinalando serem descabidas as suspeitas que Fiscalização pretende levantar quanto ao curto prazo de realização das operações em exame, porquanto o processo de transferência da responsabilidade administrativa pelas operações da Recorrente para a GMAC começou a ser discutido ainda na década de 90, para, em 2001, ser regulado no MdE, e, em janeiro de 2004, ser ainda objeto de regulação pelo MTTA. Sustentou que o Contrato de Separação apenas concluía todo esse processo e determinava a necessidade de implementação dessa transferência ainda no anocalendário 2004, mencionando que a GM somente podia realizar negócios em bases comutativas (arm's lentgh) com a GMAC (nos termos do Acordo de Bases Comutativas submetido à SEC no Formulário 8K de 23.10.2001), necessitava fortemente de caixa para suas operações automotivas, enquanto que a GMAC possuía uma situação mais equacionada em suas operações financeiras. Por outro lado, desde 2001, com a celebração do MdE, a GM e a GMAC já haviam começado a transferir a responsabilidade administrativa pelas operações da Recorrente para a GMAC, de forma a preparar a futura transferência definitiva do controle societário direto da Recorrente no Brasil para a GMAC, que viria a ocorrer no ano de 2004, justificando, que por todas essas razões empresariais e econômicas, era natural que a GM e a GMAC pretendessem implementar a transferência dela para a GMAC em um curto espaço de tempo, enfatizando o ponto de que, a exemplo dos demais negócios realizados entre a GM e a GMAC, a transferência da participação detida na Recorrente também devia ser feita, obrigatoriamente, a valor justo de mercado (arm's length), ou seja, tal como se praticada entre terceiros não relacionados, em cumprimento ao Acordo de Bases Comutativas, que foi inclusive registrado perante a SEC por meio do Formulário 8K de 23.10.2001 (doc. n° 14, acima mencionado). Concluiu a Recorrente, que a totalidade das suas ações à época era detida pela GMB, empresa automotiva diretamente detida pela GM, a transferência das ações da Recorrente para a GMAC teria igualmente de ser tratada como um negócio a ser feito entre a GMAC e a GM em bases arm's length, ou seja, a valor justo de mercado e por esse motivo, a GMAC solicitou à empresa internacional de auditoria independente Ernst & Young Consultores Associados Ltda. ("E&Y"), uma avaliação completa do valor justo de mercado da Impugnante à época, com base em uma estimativa de sua rentabilidade futura, utilizandose o Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 7 11 método do fluxo de caixa descontado para dezesseis anos e seis meses, o qual foi emitido com data de 1.11.2004 (doc. n° 18), sendo que a E&Y, empresa reconhecidamente independente e especializada nesse tipo de avaliação econômico/financeira, concluiu que o valor justo de mercado da Recorrente era de R$ 957.414.000,00, o que, em dólares, correspondia a US$ 335.510.937,00 (trezentos e trinta e cinco milhões, quinhentos e dez mil, novecentos e trinta e sete dólares americanos), conforme cotação disponibilizada pelo Banco Central para o dia 1.11.2004 (doc. n° 19) e, portanto, em um negócio feito em condições verdadeiramente comutativas (arm's length), esse deveria ser o valor justo de mercado a ser pago pela GMAC à GM em contrapartida ao recebimento da participação na Recorrente. Ou seja, de acordo com a Recorrente, as empresas estavam obrigadas a aceitar, para a conclusão do negócio, o valor que fosse obtido pela empresa independente, fosse ele qual fosse e assim foi feito, a GMAC pagou esse exato valor à GM, por meio de uma transferência bancária de recursos, onde houve o efetivo pagamento em dinheiro entre as empresas, cujo comprovante de transferência do valor em questão ela colaciona aos autos (doc. n° 20), ficando, segundo sustenta a contribuinte, comprovada a improcedência da afirmação feita pela Fiscalização de que não teria havido nenhuma circulação de recursos financeiros na operação. Mencionou a Recorrente que ao contrário do que supôs a Fiscalização, houve um efetivo pagamento, da GMAC (adquirente) para a GM (vendedora) no exterior; naquele momento, essas empresas já operavam como sociedades completamente independentes e não relacionadas, e esse pagamento foi feito suportado em laudo de avaliação devidamente preparado por empresa especializada e absolutamente independente sendo que todo o negócio de transferência da participação detida na Recorrente para a GMAC estava sendo discutido e ajustado entre as sociedades controladoras GMAC e GM no exterior, e não com a GMB no Brasil, porquanto a Recorrente encontravase no canal de negócios automotivo da GM e, no âmbito de um negócio global de transferência dela para o canal de negócios financeiro do grupo, acordouse que o caixa que seria pago pela GMAC como preço dessa negociação deveria ser pago à própria GM, tendo se cogitado então, efetuar uma redução de capital da GMB, com a entrega das ações da Recorrente à GM, de modo que a GM pudesse proceder à alienação das ações da Recorrente a valor de mercado (arm's length) para a GMAC, porém, uma regra cambial em vigor à época (Circular do Banco Central n° 2.997, de 16.8.2000), aliada ao cenário então vigente de desvalorização acumulada do real frente à moeda estrangeira, faria com que essa eventual alternativa (de redução de capital da GMB para entregar as ações da Impugnante diretamente para a GM no exterior) levasse a GM a uma perda importante de valor no registro de investimento externo direto (Registro de Investimento Estrangeiro Investimento Externo Direto "RDEIED") que passaria a manter junto ao Banco Central em relação a esse investimento detido diretamente na Recorrente. Na mesma ordem de idéias, aduziu que a Circular 2.997/00 determinava que na hipótese de redução de capital com entrega de participação societária a sócio estrangeiro, seria cancelada parte do RDEIED detido pela parte estrangeira (GM) em relação à sociedade brasileira que estivesse reduzindo o capital (GMB) e, em seu lugar, um outro RDEIED seria criado relativamente ao investimento que a estrangeira (GM) passaria a deter na sociedade cuja participação lhe havia sido entregue (Recorrente), como esse novo RDEIED que seria detido pela GM em relação à Recorrente teria necessariamente de ser constituído à taxa de câmbio vigente na data dessa redução de capital, as sucessivas e acumuladas desvalorizações ocorridas na moeda brasileira até aquele momento fariam com que o valor em moeda estrangeira desse Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 12 novo RDEIED (detido em relação à Recorrente) não correspondesse ao montante que teria sido cancelado no RDEIED da GMB, mas sim a um montante bastante inferior. Em outras palavras, sustentou a contribuinte que essa possível alternativa de reduzir o capital da GMB para entregar a Recorrente à GM no exterior provocaria uma perda importante de valor no novo RDEIED que seria detido diretamente na Recorrente. Afirmou ainda, que uma alternativa seria fazer a GMAC adquirir da GM, no exterior, uma quantidade de quotas da própria GMB que, em última análise, corresponderia ao valor justo de mercado da Recorrente, para em seguida, ser realizada redução de capital da GMB com a entrega da participação detida na Recorrente diretamente para a GMAC, porém, em função da mesma Circular 2.997/00, a GMB também não poderia proceder a uma redução do seu capital social para entregar a totalidade das ações da Recorrente diretamente para a GMAC, uma vez que essa situação levaria igualmente a GMAC a perder valor em moeda estrangeira no RDEIED que deteria em relação à Recorrente. Após este histórico das opções, atestou a Recorrente que optouse por uma estrutura em que a GMAC iria ainda adquirir quotas da GMB no exterior a valor de mercado, com o efetivo pagamento de caixa à GM, mas, em seguida, a GMAC contribuiria (mediante integralização do aumento de capital) com essas quotas da GMB adquiridas no exterior, pelo mesmo valor, para uma outra sociedade no Brasil, a Braco (Braco Participações Ltda); com isso, a GMAC preservaria o valor do RDEIED que passaria a deter na Recorrente, pois a redução de capital da GMB com a entrega das ações da Recorrente seria então feita em relação à Braco, sem mais impactos no RDEIED do investimento, mencionando, por fim, que havia a Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 3.040, de 28.11.2002 que passou a exigir a interposição de sociedade holding entre instituições financeiras Brasileiras e sua controladoras que não fossem constituídas como instituições financeiras no exterior; como a Recorrente havia sido constituída anteriormente à publicação da Resolução 3.040/02, ainda não havia certeza ou garantias legais de que a Recorrente poderia ser detida diretamente pela GMAC que não era instituição financeira no exterior, sem a obrigação de o seu capital social ser detido por sociedade holding brasileira, como passou a exigir a referida Resolução; por outro lado, constatouse que a eventual manutenção da Braco na posição de holding detentora do capital da Recorrente resultaria em custos adicionais para o canal de negócios financeiro da GMAC. Justificou a Recorrente, portanto, que todas essas razões acima, foram submetidas à análise prévia do Banco Central do Brasil, conforme formalizadas em carta enviada àquele órgão em 17.12.2004, por meio da qual solicitavase aprovação para a incorporação da Braco (doc. n° 21), sendo que havia motivos relevantes e não tributários para a inclusão da Braco na estrutura de transferência da Recorrente para a GMAC, assim como havia razões negociais para a sua posterior incorporação, motivos que eram também independentes do registro do ágio ora discutido e suficientes para impor à Recorrente esse modelo de negócio, de modo que não caberia falar em empresa veículo criada exclusivamente para fins tributários neste caso, uma vez que uma estrutura diferente causaria às partes, como visto, ineficiências, despesas e custos, financeiros e negociais, prejudiciais e absolutamente evitáveis, restando demonstrado que todos esses pontos acima assinalados constituíam razões empresariais e econômicas legítimas vivenciadas por cada uma das partes, que tinham objetivos anteriores e independentes dos efeitos de amortização fiscal de ágio ora discutidos. Após tecer tais considerações, a Recorrente passou a comentar, nos itens 101 a 133 de sua impugnação (fls. 477 a 485), cada etapa das operações que levaram à transferência do seu controle direto, que, segundo ela, estariam respaldadas pela doutrina e jurisprudência, que validariam a obtenção de economias tributárias quando a estrutura não tenha sido Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 8 13 implementada com fins exclusivamente fiscais, mas sim por razões empresariais que sejam legítimas e anteriores a seus possíveis efeitos tributários. Em continuidade, sustentou que embora não exista no Brasil legislação que obrigue expressamente a ter sempre razões empresariais e extra tributárias para que suas operações sejam admitidas como válidas, sabese que, nos anos mais recentes, notadamente nos últimos cinco anos, doutrina e jurisprudência têm se orientado no sentido de que o exame da validade das operações deve passar pelo exame das razões empresariais e extra tributárias que tenham motivado essas suas operações; assim, mesmo sob esse novo enfoque, afirmou que suas operações devem aceitas como válidas e legítimas, já que estão comprovadamente baseadas em razões empresariais e extra tributárias verdadeiras, mencionando que a doutrina mais autorizada sobre a matéria questiona somente as operações que sejam praticadas com o fim único e exclusivo de buscar a economia fiscal, sem qualquer outro propósito a lhes motivar, no entanto, nos casos em que a operação tenha por base razões empresariais extra tributárias, essas operações devem ser consideradas legítimas e válidas para todos os fins de direito no Brasil, inclusive fiscais. A partir dessas considerações, concluiu que as despesas de amortização de ágio deduzidas no período de 2005 a 2009 foram válidas e não podem ser glosadas pela Fiscalização com base em alegações totalmente destoantes do contexto fático e negocial evidenciado. Quanto aos fundamentos de Direito, aduziu que o ponto central em discussão no presente processo administrativo referese à equivocada premissa adotada pela Fiscalização de que a Recorrente teria efetuado operações societárias dentro do seu grupo econômico com o único propósito de gerar despesas de amortização de ágio, ao contrário do que ocorreu e que as operações em questão foram estruturadas em um contexto específico de uma segregação de duas linhas de atividades distintas, fato que, inclusive, foi expressamente reconhecido pela Fiscalização, no Termo de Verificação, não se podendo acatar o argumento de que tiveram o exclusivo intuito de gerar despesas de amortização de ágio, reiterando os argumentos já expendidos. Por fim, reputou que a multa de ofício aplicada é abusiva, ultrapassando os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, e que exigência concomitante da multa isolada e de ofício é abusiva, insurgindose ainda contra a utilização da Taxa Selic. Após o encaminhamento do processo à DRJ/SP, a Recorrente peticionou em 31/01/2011 (fls. 860 a 862), solicitando a juntada de versões notarizadas, consularizadas e traduzidas por um tradutor juramentado para o português de seis documentos (fls. 863 a 906), conforme havia adiantado em sua impugnação, alegando dificuldades em obtêlos a tempo de colacionálos no momento da sua interposição, em razão do tempo decorrido desde a celebração dos mesmos e do fato de serem mantidos em arquivos no exterior. Atestouse que foi providenciado no âmbito da DRJ/SP a juntada da petição e dos documentos ao processo (fl. 907, fl. 915), sendo encaminhado à Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro, em razão da transferência de competência do seu julgamento para esta DRJ, conforme Portaria Sutri nº 2.563, de 27/04/2011, publicada no DOU de 28/04/2011 (fl. 916). A 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, por seu turno, nos termos do acórdão e voto de folhas 917 a 960, julgou o lançamento procedente, atestando de início a Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 14 tempestividade da Impugnação, bem como admitindo, com base no princípio da verdade material, os documentos juntados após o protocolo da Impugnação. Afastouse a preliminar de erro quanto ao enquadramento legal, considerando que não houve qualquer prejuízo à defesa e, no tocante a alegada decadência, reconheceuse a regência do dito prazo, para os tributos sujeitados ao lançamento por homologação em que haja prova do efetivo pagamento, da norma disposta no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, afirmandose, todavia, que considerandose a antecipação do pagamento, temse que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário 2005, apurado pelo lucro real anual, consolidouse em 31/12/2005, não se podendo acatar a argumentação da Recorrente no sentido de que o lançamento não poderia se reportar a fatos do anocalendário 2004, pois, na verdade, o auto de infração se refere à glosa de dedução de despesa referente ao anocalendário 2005 e seguintes. Registrouse que o mesmo raciocínio valeria para a Contribuição Social, porquanto o prazo de cinco anos é contado não da incorporação ou amortização contábil, mas sim do encerramento do período de apuração no qual a despesa foi deduzida, exceto na hipótese de dolo ou fraude. Evidentemente, antes da dedução da despesa, não poderia haver a autuação, ainda que o ágio seja constituído com infração à lei, de modo que o fato gerador referente ao período mais antigo ocorreu em 31/12/2005, o final do prazo decadencial deuse em 31/12/2010 e, considerando que o lançamento de ofício se formalizou em 19/11/2010, concluiuse que à época da lavratura dos autos de infração não havia decaído o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário em relação aos fatos geradores atinentes ao ano calendário 2005, bem como aos seguintes. Afirmouse ainda, que se não houvesse antecipação do pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário teria se extinguido após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173 do CTN. Assim, na hipótese de inexistência de pagamento, levandose em conta que o lançamento relativo ao fato gerador referente ao período mais antigo (31/12/2005) só poderia ser feito a partir de 01/01/2006, o prazo decadencial se iniciaria em 01/01/2007 e terminaria em 31/12/2011, motivos pelos quais não procederia a alegação de decadência suscitada pela Recorrente. Superada esta questão, a decisão recorrida passou a analisar se o valor de R$ 350.533.064,40, do total de R$ 560.852.903,00 contabilizado pelo interessado como ágio na incorporação de seu acionista controlador (Braco Participações), pode ou não ser deduzido como despesa de amortização de ágio e impactar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Procedendo tal análise, ressaltou o aresto impugnado que o autuante não questionou a validade formal dos atos praticados, mas sim a dedutibilidade da despesa, para fins de apuração de IRPJ e de CSLL. A decisão recorrida realizou detida recapitulação dos procedimentos que resultaram no referido ágio, para então afirmar que a despeito de a Recorrente alegar que a Braco não poderia ser entendida como "empresa veículo" por não ter sido criada exclusivamente para a obtenção de economia fiscal, restaria evidenciado que a referida empresa, de vida curta, não produziu qualquer riqueza. No tocante às alegações quanto à existência de razões empresariais ou econômicas, anteriores e independentes de seus efeitos tributárias, para as operações realizadas, registou a decisão que não se contestava a intenção da General Motors de concentrar Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 9 15 mundialmente as sociedades financeiras de todo o grupo sob o controle societário direto da GMAC e de aprimorar a eficiência da gestão das operações financeiras da GMAC em todo o mundo e que também não se duvidava do propósito do grupo General Motors de transferir a participação detida na Recorrente, da GMB para a GMAC, segregando as atividades financeiras e automotivas no Brasil. Registrouse ainda, que da mesma forma, não se contesta a alegação da Recorrente de que a americana GM estaria obrigada a realizar negócios em bases comutativas (arm's lentgh) com a americana GMAC e que a primeira necessitava fortemente de caixa para suas operações automotivas, enquanto que a segunda possuía uma situação mais equacionada em suas operações financeiras, porquanto não se verificaria, em princípio, qualquer indício de irregularidade na cópia do documento apresentado (fls. 783 a 789) para comprovar a existência de transferência bancária em 22/11/2001, no valor de US$ 335.510.937,00, a título de pagamento da GMAC para a GM, pela aquisição de 396.561.097 quotas da GMB, de sorte que não haveria razão para não acatar como idôneo o documento apresentado para contestar a alegação do autuante de que não teria havido qualquer saída de caixa (pagamento) na operação da qual teria se originado o ágio deduzido pelo Banco. Contudo, segundo entendimento da decisão recorrida, mesmo levando em conta a transferência de numerário entre as empresas americanas em razão da aquisição de quotas da GMB, não se verifica, nas demais operações que se seguiram envolvendo as empresas brasileiras, qualquer saída de numerário na transferência do ágio, que passou a ser deduzido pela Recorrente, tendo esta demonstrado que as operações foram submetidas à análise prévia do Banco Central do Brasil, em carta enviada àquele órgão em 17.12.2004, por meio da qual ela solicitava aprovação para a incorporação da Braco (doc. n° 21), mas, não demonstrou efetivamente a sua alegação de que a redução do capital da GMB com a entrega direta da participação no Banco à GM no exterior para alienála à GMAC provocaria uma perda importante de valor no registro de investimento externo direto (RDEIED), que seria detido diretamente na Recorrente. Concluiuse ainda que a argumentação de que todas as operações em exame deveriam ser tratadas como tendo sido realizadas entre sociedades não relacionadas em razão do Acordo de Bases Comutativas celebrado entre as empresas americanas não pode ser aceita, uma vez que a GM e a GMAC eram sociedades relacionadas e pertencentes ao mesmo grupo econômico, já que a segunda era subsidiária integral da primeira e, na realidade, considerando se todas as operações de reorganização societária ocorridas, o controle da Recorrente nunca saiu do grupo societário. Segundo a decisão recorrida, ao final das operações, a americana GM continuou a controlar indiretamente a Recorrente, além disso, ainda que não se conteste a idoneidade do laudo confeccionado e pela empresa Ernst & Young Consultores Associados Ltda, não se pode olvidar que a empresa autora do trabalho consignou que ele "foi feito com base em informações contábeis e gerenciais fornecidas pelos executivos e funcionários do BGM Brasil e GMB” e que ela “não assume qualquer responsabilidade futura pela precisão das informações”. Quanto ao preço de mercado da Recorrente àquela época, mencionou a decisão recorrida que ainda que não se discuta a idoneidade do laudo para a avaliação do preço e a idoneidade da empresa contratada, não se pode deixar de considerar que o preço (apurado com base em uma expectativa de rentabilidade para os próximos dezesseis anos) que a Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 16 americana GMAC estava disposta a pagar à americana GM (sua controladora) pela aquisição do Banco no contexto da viabilização da reorganização societária do grupo, pode não ser o preço que um terceiro totalmente independente estivesse disposto a pagar. No tocante à questão do ágio propriamente dito, salientou a decisão recorrida, consoante doutrina e jurisprudência citadas, que os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e a existência de fundamento econômico, concluindo que a Recorrente, ao incorporar a Braco, contabilizou o ágio transferido (R$ 560.852.903,00) em conta do ativo diferido e passou a amortizálo, apesar de não ter recebido qualquer participação societária, considerandose que as próprias ações representativas do capital não são participações societárias, uma vez que nenhuma empresa participa de si mesma. Ela pode ter ações em tesouraria, que é bem diferente de deter participação societária. As ações recebidas foram restituídas à GMAC, seu acionista majoritário, visto a não emissão de novas ações correspondentes. Portanto, o primeiro pressuposto do ágio (participação societária) não foi atendido. Entendeuse ainda, que o motivo que justificou a contabilização do ágio na Braco foi a rentabilidade futura da Recorrente, no entanto, este motivo não pode prevalecer na incorporação levada a efeito, pois não se justifica o contribuinte constituir um lançamento em sua contabilidade da própria rentabilidade futura, ainda que esta rentabilidade estivesse atrelada a determinados ativos. Anotouse que a própria CVM se autocensura quanto ao procedimento de contabilização do próprio ágio, reconhecendo que lhe falta fundamento econômico. Desta forma, no caso ora examinado, entendeu que revelouse ausente também o segundo pressuposto do ágio fundamento econômico. Além do mais, observouse que no ágio há uma contraposição de receita e custo entre entes diferentes. Quem vende o investimento aufere receita e quem compra incorpora ao valor investido um custo pela mais valia e não se observaria na incorporação da Braco pela Recorrente esta contraposição, de sorte que a Recorrente teria contabilizado o ágio como um ativo diferido, que é definido no art. 179 da Lei 6.404/1976 como “as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais”, sendo que o ativo diferido é formado por despesas ou custos já incorridos, em face de um benefício futuro que elas trarão e o valor contabilizado pela Recorrente em conta de ativo diferido, a título de ágio, não se enquadra nos conceitos acima. Reafirmouse que a empresa Braco foi constituída para replicar o ágio pago pela GMAC na aquisição das quotas da GMB representativas das ações que ela detinha da Recorrente e o mesmo ágio, inicialmente pago, está duplicado na Braco, que, pela incorporação, é transferido para Recorrente, cujo controle direto apenas circulou dentro do grupo de empresas, mantendose o controle indireto sempre na empresa original, assinalando que o art. 386 do RIR/1999 dispõe sobre o tratamento tributário a ser dado ao ágio ou deságio nos casos de incorporação, fusão ou cisão e que o § 6º, inc. II, deste artigo prevê que o tratamento é também aplicado quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária, destacando, contudo, que devese entender que a aplicação do dispositivo só se revela cabível se a compra da participação societária com ágio e a posterior incorporação da investida tiver por finalidade a utilização dos ativos na atividade da empresa, havendo fundamento econômico plausível. Na sequência, a decisão recorrida enfrentou a questão correlata ao abuso de direito, imputado pela Fiscalização à Recorrente, para concluir que no caso sob exame, Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 10 17 verificase o excesso, observandose que a Braço não estava estruturada para operacionalizar uma atividade econômica. Possuía somente um conjunto líquido de ativo, não tendo produtos, serviços, clientes, empregados etc. e a americana GMAC poderia ter adquirido o controle direto da Recorrente, sem necessidade imprescindível de constituição de uma nova entidade. Concluiuse assim, que a despeito das várias razões aduzidas pela impugnante como motivos econômicos para fundamentar o ágio, revelase predominante, sem dúvida, a motivação tributária para o melhor aproveitamento econômico do ágio pela controladora no sentido de reduzir o pagamento do IRPJ e da CSL, considerando indiscutível que figurava como objetivo da operação, dentre os outros aludidos, a amortização do vultoso ágio para fazer frente aos lucros que seriam gerados pela sociedade controlada, resultando em aumento da capacidade de geração de caixa do investimento. Não sendo razoável supor que esse objetivo era apenas secundário, mantendo, assim, a glosa implementada. Quanto ao tópico atinente à compensação indevida de bases de cálculo de CSLL, entendeu a decisão recorrida que uma vez demonstrada a procedência da glosa das despesas de ágio da Recorrente efetuada pela Fiscalização, confirmamse as alterações para maior das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, cabendo considerar que a busca dos efeitos da limitação em 30% na compensação de prejuízos não pode ficar restrita, isoladamente, a cada período de apuração ou aos períodos abrangidos pela ação fiscal. Cabe à Fiscalização, tendo como limite temporal o último período de apuração exigível ao término da ação fiscal, e observado o limite legal, levar em conta valores apurados nos períodos fiscalizados, recompondo, inclusive, as compensações efetuadas pelo contribuinte. No mais, mantevese, as multas isoladas a utilização da Taxa Selic. Devidamente cientificada da decisão desfavorável a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a preliminar de decadência e os argumentos de mérito já relatados. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões, defendendo o acerto da decisão recorrida e desprovimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 18 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade, admitoo para julgamento. A questão colocada relacionase, em sua essência, na glosa implementada na dedutibilidade de despesas com amortização de ágio, deduzidas pela Recorrente, nos anos calendário de 2005 a 2009. Segundo a Fiscalização e a chancela da decisão aqui impugnada, o mencionado ágio não satisfaria, na sua formação, os requisitos impostos pela legislação de regência em vista das peculiaridades que revestiram a operação e que serão adiante descortinadas, considerando que a operação de reorganização societária nutrira o escopo de criar a despesa amortizável, sem razão empresarial ou econômica efetiva. Considerando o conteúdo da peça recursal, antes mesmo de enveredarse no mérito da questão que desencadeou o presente processo administrativo, de bom alvitre analisar se eventual extinção do crédito tributário pela ocorrência do fato decadencial. Acerca da decadência, a Recorrente sustenta que a exigência fiscal em trato se refere a operações ocorridas no períodobase de 2004, situação que imporia o reconhecimento da decadência, presente para a espécie a norma de regência contida no artigo 150, § 4º do CTN, por se tratar de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Segundo afirma a contribuinte, tal conclusão se deve ao fato de que ocorrida a incorporação, já nasce o direito de a sociedade sobrevivente amortizar o ágio no prazo previsto na legislação, de sorte que o prazo para questionar os efeitos fiscais dessas operações ocorridas ao longo do anocalendário 2004, teria expirado em 31/12/2009, citando diversos precedentes administrativos que entende favoráveis à tese por ela defendida. A decisão recorrida, por seu turno, apreciando a coincidente alegação assim se manifestou à folha 942, in verbis: “(...) Considerandose que a antecipação do pagamento, temse que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2005, apurado pelo lucro real anual, consolidouse em 31/12/2005, não se podendo acatar a argumentação da impugnante no sentido de que o lançamento não poderia se reportar a fatos do anocalendário de 2004, pois, na verdade, o auto de infração se refere à glosa de dedução de despesa referente ao anocalendário de 2005 e seguintes. O mesmo raciocínio vale para a Contribuição Social. O prazo de cinco anos é contado não da incorporação ou amortização contábil, mas sim do encerramento do período de apuração no qual a despesa foi deduzida, exceto na hipótese de dolo ou fraude. Evidentemente, antes da dedução da despesa, não poderia haver a autuação, ainda que o ágio seja constituído com infração à lei. (...)” Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 11 19 Tem razão o aresto impugnado, conquanto a Fiscalização repute inaceitável a formação da própria despesa, é a sua utilização em concreto que foi glosada, portanto, a insurgência da Fiscalização, ao meu sentir, deuse com a “não homologação” das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL impactadas pelo ágio contabilizado e não o ágio registrado em si, de sorte que o fato gerador mais remoto, ocorrido em 31/12/2005, e a ciência dos autos de infrações de IRPJ e CSLL em 19/11/2010 (fls. 376 e 387, respectivamente), não autorizam o reconhecimento da decadência, motivo pelo qual, afasto a preliminar suscitada. No tocante à alegação, ainda preliminar, de nulidade decorrente de erro e/ou confusão no enquadramento legal das imputações, entendo que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, a indicar a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito, motivo pelo qual, também neste ponto em particular, reafirmo o conteúdo da decisão recorrida e afasto a preliminar. Superadas as questões preliminares, passase ao enfrentamento do mérito envolvido na autuação em apreço, relembrando que a Recorrente teve glosadas despesas deduzidas a título de amortização fiscal de ágio, que no entender da Fiscalização fora gerado “intragrupo” situação que revestiria a citada despesa de indedutibilidade. Segundo posição da Fiscalização e da própria decisão recorrida, a dedução da despesa teria reduzido indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, além de resultar na insuficiência do pagamento de estimativas dos dois tributos e na compensação indevida de base negativa de CSLL. Consoante o TVF, ao analisaremse as despesas contabilizadas no período de 2004 a 2009 com amortização de ágio, foi solicitado à Recorrente que fornecesse, entre outros documentos, cópia da justificativa econômica fundamentada para a constituição, em 30 de novembro de 2004, do ágio no valor de R$ 560.852.903,00, valor sobre o qual incidiriam, nos meses subsequentes, despesas com sua amortização, redutoras da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor mensal de R$ 5.842.217,74. Registouse que este valor mensal corresponde a 1/12 do valor anual de R$ 70.106.612,88, que por sua vez corresponde a 1/8 do total a ser amortizado de R$ 560.852.903,00 em oito anos, uma vez que o prazo estabelecido em lei é de no mínimo 60 meses para amortizações do ágio sobre investimentos (vide Termo de Início de Fiscalização). As informações prestadas pela Recorrente deram conta dos atos societários que envolveram a empresa no período que antecedeu a constituição do mencionado ágio no ano de 2004, que a despeito de comporem o relatório acima minudenciado, devem ser novamente descritos abaixo: (i) Em 01.11.2004, a empresa de consultoria Ernst & Young Consultores Associados Ltda havia encaminhado à General Motors Acceptance Corporation, dos Estados Unidos, um laudo de avaliação encomendado por esta sobre o valor de mercado do Banco General Motors S.A., antiga denominação do Banco Gmac S.A.,levando em conta a expectativa de seus rendimentos futuros. (ii) O laudo de avaliação apresentado pela Ernst & Young estima, com as fórmulas e metodologia de cálculos que descreve, que o valor justo de mercado do Banco naquela data, baseado em sua rentabilidade esperada entre julho de 2004 e dezembro de 2020, portanto, um período de 16 anos e 6 meses, é de R$ 957.414.000,00, valor Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 20 que inclui a perspectiva de lucro do Consórcio Nacional GM Ltda no período de julho de 2004 a dezembro de 2008. Fls. 17 a 58. (iii) Antes disso, em 15.09.2004 foi constituída uma empresa denominada Mynchuan Participações Ltda, CNPJ 07.021.761/000179, com capital de R$ 100,00 (cem reais) dividido em 100 quotas de R$ 1,00, com sede na Rua Boa Vista, 254 7º andar sala 721, Centro, São Paulo/SP, tendo como sócios quotistas uma empresa denominada Schaft Participações Ltda., CNPJ 03.347.239/000120 com sede no mesmo endereço, detentora de 99 quotas, e outra empresa denominada Gesellschaft Participações Ltda., CNPJ 04.654.506/000175, com sede no mesmo endereço, detentora de 1 (uma) quota (fls. 59 a 70). (iv) Em alteração de contrato social datada de 19.11.2004, a Schaft Participações Ltda., cedeu suas 99 quotas de R$ 1,00 cada para a General Motors Acceptance Corporation, sociedade com sede nos Estados Unidos da América e a Gesellschaft Participações Ltda cedeu sua única quota de R$ 1,00 para o sr. Rudolfus Robertus Grin, holandês, casado, portador da Cédula de Identidade para Estrangeiros RNE nº V330772U, CPF nº 227.856.58850, domiciliado na Av. Indianópolis, nº 3.096, Planalto Paulista, São Paulo/SP, para onde, nesse mesmo ato, foi transferida a sede social da Mynchuan Participações Ltda e sua razão social foi alterada para Braco Participações Ltda. Fls. 71 a 86. (v) Em 23.11.2004, os sócios da Braco Participações decidiram aumentar o capital social da sociedade de R$ 100,00 para R$ 957.414.100,00 mediante a criação de 957.414.000 novas quotas de R$ 1,00 cada, todas subscritas pela General Motors Acceptance Corporation, e integralizadas mediante a conferência de 396.561.097 quotas representativas de parte do capital social da General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 de titularidade da General Motors Acceptance Corporation. (vi) No dia 24.11.2004, a General Motors do Brasil Ltda., CNPJ 59.275.792/000150 promoveu uma redução no valor de R$ 396.561.097,00 de seu capital social, valor esse representado pela sua participação no capital do Banco General Motors S. A. para entregar esses haveres à Braco Participações Ltda., que passa a ser detentora desse valor no capital do Banco General Motors S.A. e se retira da participação no capital da General Motors do Brasil S.A. (fls. 109 a 120.). (vi) Em 03.12.2004, o Banco General Motors S.A. realizou sua 47a Assembleia Geral Extraordinária, para deliberar sobre a incorporação da Braco Participações Ltda., (incorporação reversa, pois as quotas do capital do Banco Gmac pertenciam à Braco), cujo capital em 23.11.2004 era de R$ 957.414.000,00. O capital do Banco, que era de R$ 268.862.720,13 passou para R$ 268.862.820,13, representando um aumento de capital de apenas R$ 100,00, que era o valor antes de 23.11.2004 (fls.121 a 127). Avaliando as operações acima traduzidas, a decisão recorrida assim se manifestou à folha 946, litteris: “(...) Observase que a Braco pode se enquadrar perfeitamente nessas situações. Foi criada para receber as ações do capital da impugnante, transmitidas pela empresa GMB, acrescidas de um ágio oriundo da aquisição pela GMAC de parte da participação que a GM detinha na GMB, equivalente às ações do capital da impugnante. Tal ágio, resultante da operação realizada entre GM e GMAC, foi contabilizado na Braco em face do investimento na GMB, recebido na integralização ocorrida por ocasião de seu aumento de capital. Depois, ainda permaneceu contabilizado na Braco, quando esta recebeu da GMB, em troca do cancelamento das quotas que nela detinha, toda a participação que a segunda detinha no BGM. Em seguida, a Braco, ao ser incorporada pela impugnante, transmitiulhe o ágio (R$ 560.852.903,00). A impugnante, por sua vez, restituiu à GMAC as ações de seu capital, visto que o ato de incorporação não resultou em um aumento de capital equivalente, contabilizando o ágio (R$ 560.852.903,00) em conta do ativo diferido, passando a amortizalo. Em suma, o papel da Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 12 21 fundamental da Braco foi replicar o ágio pago inicialmente pela GMAC à GM pela aquisição das quotas da GMB equivalentes ao capital do Banco, transferindo a ele o próprio ágio, que passou a ser por ele amortizado, gerando despesa deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL. A despeito de a impugnante alegar que a Braco não poderia ser entendida como "empresa veículo" por não ter sido criada exclusivamente para a obtenção de economia fiscal, resta evidenciado que a referida empresa, de vida curta, não produziu qualquer riqueza. (...)” Constatou a decisão recorrida, portanto, que a Fiscalização acertou ao imputar à transação efetivada o nominado “abuso de direito”, porquanto a Braco teria se prestado unicamente à criação do ágio, e que a transação realizada com o mesmo grupo econômico não refletiria o conteúdo econômico indissociável à dedutibilidade da despesa em trato. Assim verificado, a questão que se coloca gira em torno do chamado “ágio interno”, devendose verificar quais as balizas legais acerca da matéria, bem como analisar detidamente os aspectos próprios das operações ocorridas nestes autos. Sabidamente, o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de determinado investimento e o seu valor patrimonial, de sorte que ele, falo do ágio, se apresenta sempre que uma das partes, munida de desígnios variados, a exemplo da expectativa de rentabilidade futura, propõese a pagar pelo investimento um valor maior do que aquele que corresponde ao seu patrimônio líquido. Tratássemos aqui de uma operação envolvendo empresas completamente independentes entre si, sem maiores dificuldades se verificaria a legitimidade da dedutibilidade do ágio em questão, já que o laudo sobre o qual se apoia o fundamento do ágio não foi questionado pela Fiscalização. Contudo, a celeuma se instala justamente quando se pretende atribuir que esta precificação superior ao valor patrimonial somente seria legítima se avençada por partes totalmente independentes entre si, ou seja, que não pertençam ao mesmo conglomerado econômico. Os precedentes que se formaram neste âmbito administrativo, nos quais se inadmitiu o chamado “ágio interno”, sempre louvaram o bem fundamentado magistério de Jorge Vieira da Costa Jr. e Eliseu Martins, segundo os quais, o ágio somente poderia existir validamente se as partes envolvidas fossem independentes e não relacionadas, isso porque, segundo sustentase nestes casos, à luz da teoria da contabilidade, não seria admissível a geração de ágio em uma operação ocorrida dentro de um mesmo grupo econômico. Tal como citado pela própria decisão recorrida, e nos muitos casos em que as semelhantes glosas subsistiram, este mesmo entendimento é prestigiado pela Comissão de Valores Mobiliários, nos precisos termos do Ofíciocircular CVM SNC/SEP nº 01/2007, segundo o qual “... é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método de equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 22 terceiros. Assim não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo...”. Necessário, todavia, tratandose de lançamento tributário no qual se ventile glosa a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, perquirir se os conceitos acima citados, que embasaram os precedentes conhecidos, hospedam a compreensão tributária sobre o tema. Luís Eduardo Schoueri, em obra intitulada “Ágio em Reorganizações Societárias, Ed. Dialética”, ao fazer coincidente esforço investigativo, exemplifica na página 105 em diante, que estes conceitos encerram bom exemplo acerca da divergência entre as disciplinas contábil e tributária, porquanto embora contabilmente o ágio exija uma participação de terceiros, no âmbito da legislação tributária, que rege o lançamento, não existe semelhante imposição. Para o apontado professor, para os fins tributários, o investidor deve sempre registrar um ágio que corresponda à diferença positiva entre o valor patrimonial e o preço efetivamente pago, concluindo que o pressuposto contábil de “precificação com terceiro”, não fora contemplado pelo legislador tributário. Nessa ordem de ideias, apresentase conveniente reproduzir o que dispõem os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 13 23 incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Ora, pela leitura dos dispositivos acima reproduzidos, resta verificado que de fato não há na legislação de regência qualquer óbice ao “ágio interno”, situação que se referenda pelo fato de o próprio artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que respaldo o artigo 385 do RIR/99, já prever a necessidade, em caso de aquisição de investimento em sociedade coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, o custo de aquisição ser desdobrado entre o valor do patrimônio líquido e a diferença entre o custo de aquisição do investimento e este valor, que resultariam em ágio ou deságio, de sorte que a única questão que Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 24 pode obstar a dedutibilidade é aferir o conteúdo econômico e o contemplálo à luz do imputado abuso de direito que a Recorrente teria cometido, já que, segundo a decisão recorrida: “ motivo que justificou a contabilização do ágio na Braco foi a rentabilidade futura da impugnante. No entanto, este motivo não pode prevalecer na incorporação levada a efeito, pois não se justifica o próprio constituir um lançamento em sua contabilidade da própria rentabilidade futura, ainda que esta rentabilidade estivesse atrelada a determinados ativos”. Vêse assim, que a decisão recorrida estipula que as justificativas dadas pela Recorrente para o implemento da transação, não hospedariam a legitimidade para deduzirse a despesas, eis que a Braco teria sido mera “empresa veículo”, surgida com o intuito preponderante, senão único, de criarse o ágio. Mas, se como vimos acima, a lei tributária não traz vedação ao ágio interno, de fato se precisa aferir se a Recorrente agiu com abuso de direito, de sorte que a questão, para além da formação ágio, cujo laudo – repito – não foi contestado, passa pelo enfrentamento da questão da elisão fiscal, porquanto, segundo premissa estabelecida pela própria decisão recorrida, o condenável não é a alienação “intragrupo” de determinado investimento com ágio, o que se repugna é a simulação e o abuso de direito. Confirase o entendimento conferido pela decisão recorrida acerca da matéria: “(...) Em suma, não há dúvida de que a impugnante tem o direito, previsto na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito. Como tal, uma vez provado tratarse de operação com esta razão principal, como restou evidenciado nos autos pelos motivos expostos neste voto, pode o Fisco recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. (...)” (meus os destaques) Com tais premissas estabelecidas pela decisão recorrida, convém registrar que minha análise dos autos afasta por completo qualquer abuso de direito praticado pela Recorrente, bem como, na legislação de regência, não encontro fundamento válido para impor se a glosa unicamente porque o contribuinte realizou estruturação societária de forma menos onerosa do ponto de vista tributário, contrário disso, observo legítimos os procedimentos regulares de elisão fiscal. Tanto é assim, que Celso Ribeiro Bastos, in Comentários ao Código Tributário Nacional, Ed. Saraiva, pág. 193, ao descortinar o parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional, assim arremata: “(...) o parágrafo único do dispositivo posto à análise ainda é, não obstante seu tempo de vigência no ordenamento, bastante debatido na doutrina. E isso porque instituiu no país o que muitos denominam equivocadamente norma geral antielisiva. Para explicar melhor, é importante mencionar que, antes do referido dispositivo, prevalecia a ideia de plena liberdade de planejamento tributário, sendo a [única barreira posta a este os Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 14 25 casos de simulação. O contribuinte tinha plena liberdade de reestruturar seus negócios e de economizar o tributo] (...) A norma em tela, no entanto, não inibe o planejamento tributário, que é aquilo que não ofende as leis vigentes, o ordenamento. O planejamento, ou melhor, elisão tributária, continua válida no país. O que a nova norma dispõe é acerca das hipóteses de dissimulação, um ato que omite a ocorrência do fato gerador ou oculta a natureza de um negócio, de uma transação tributável. A norma, portanto, é antievasão. Apenas deixou mais claro aquilo que já constituía o ilícito tributário. (...)” Não parece legítimo, destarte, concluir que a simples intenção da Recorrente em proceder de forma a gerar economia de tributo possa desnaturar e invalidar os efeitos da transação, mesmo que tais efeitos tenham implicado na geração de um ágio interno, por absoluta falta de previsão legal para esta conclusão. Em hipótese alguma, a simples intenção de efetivarse um planejamento tributário (fundamento da decisão recorrida), pode indicar abuso de direito, necessitandose, para esta configuração, demonstrar que a Recorrente tenha agido de forma dissimulada, abstraindo se houve ou não o propósito negocial que autorize o ágio, situação eu será enfrentada a seguir, cuidandose do abuso de direito, ressalvada as hipóteses de simulação, não verifico que a intenção de elisão fiscal possa acarretar os efeitos dados pela decisão recorrida. Aliás, para que se configure a simulação, imprescindível seja demonstrado um descompasso entre a intentio facti e o intentio júris, sem os quais, não se pode falar em simulação, já que esta pressupõe operação que não existe, falseiase a realidade do que efetivamente ocorreu, ou seja, ocorre a desconformidade consciente e querida da declaração com a vontade, mas é preordenada com a parte à qual a declaração se dirige e acordado com ela, a fim de enganar terceiros. In casu, os fatos ocorridos não foram fingidos nem simulados e tampouco dissimularam outro fato. Todas as circunstâncias fáticas levantadas no auto de infração realmente aconteceram na realidade negocial e não tiveram o objetivo de encobrir outros fatos, não sendo legítimo deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário Público. Bem assim, não pode se negar que os contribuintes utilizam formas simuladas para esconder dolosamente fatos geradores. Contudo, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legítimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo no ordenamento jurídico vigente e qualificá las como simuladas. Com efeito, acerca do tema esta Turma decidiu, por ocasião do julgamento do PA nº 18471.000999/200529: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 26 Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. (...) ABUSO DE DIREITO A figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. (...) Ora, se a própria decisão recorrida assenta que a intenção da Recorrente sempre foi realizar a operação da forma menos onerosa, nada há de simulado ou abusivo nisso, de sorte que não vejo no caso em exame a dissimulação de qualquer aspecto da legislação de regência, já que inexistiu abuso do direito, da forma jurídica ou da interpretação da mens legis, eis que os negócios jurídicos praticados pela Recorrente tiveram evidente motivação no plano societário, como notoriamente conhecido, e não se resumiram apenas a provocar a economia do imposto, conforme visto pelo Nobre Julgador da decisão recorrida, bastando verificar que semelhantes operações ocorreram, com o mesmo grupo econômico, na Suécia e na Alemanha. Portanto, analisando todas as etapas do negócio jurídico levado a efeito, até os resultados concretos que redundaram no aproveitamento do ágio não vejo como enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, conforme entendeu a r. decisão recorrida, mesmo porque, para restar compreendida como abusiva, uma conduta deve refletir um conflito entre forma e substância, e a prova de tal conflito deve ser feita com base em elementos objetivos, sem uma justificativa razoável para tal operação, a qual não seja mera vantagem fiscal, o que, digase de passagem, em nenhum momento ficou comprovado nos autos. Ademais, o artigo 7º da Lei nº 9.532/97, estabelece apenas o termo “a quo” para o exercício do direito de deduzir o ágio (opção fiscal), ao condicionar a dedutibilidade do ágio a partir do evento incorporação, fusão ou cisão, consoante explicitado no dispositivo, sendo imperioso extrairse daí que a decisão sobre o evento de incorporação, fusão ou cisão compete exclusivamente aos acionistas das empresas, a ninguém mais, razão pela qual não vejo como atribuir mácula de abusividade nas operações praticadas pela contribuinte com o intuito de aproveitar a despesa com ágio se a materialidade do laudo com a perspectiva de rentabilidade futura não foi questionada, tampouco sua higidez discutida. Rejeito, portanto, o fundamento da decisão recorrida segundo o qual teria havido abuso de direito, passandose a analisar o segundo fundamento concernente ao propósito negocial, situação que deve ser aferida do ponto de vista factual, assentado que está, ao meu sentir, a possibilidade do ágio interno. A este propósito torno a lembrar que o fundamento central da decisão para inquinar de abusivo esta incorporação, seria o fato de inexistir um interesse econômico, sendo Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 15 27 que a alegada agregação de empresas como sendo uma finalidade do instituto da incorporação, acarretaria a necessidade de terse um cunho econômico. Neste aspecto específico, equivocouse, data vênia, a decisão recorrida, pois a incorporação fica ao alvedrio exclusivo dos acionistas, inclusive de empresas ditas “veículos”, bem como a sua extinção por incorporação, independe de qualquer motivação econômica ou financeira, pois está na órbita exclusiva da decisão dos sócios, como já se decidiu no acórdão 1301000.711, de relatoria do eminente Dr. Valmir Sandri citando o professor Renato Ventura Ribeiro, arremata que: "Os motivos para incorporação de companhia controlada são bem variados, como concentração empresarial, para ganhos de eficiência, possibilidade de maior crescimento, benefícios tributários, oportunidades de aquisição a preços baixos, integrações verticais, proteção contra ofertas hostis, entre outros. A decisão da incorporação, independente da motivação, decorre apenas de uma única vontade, a dos controladores da incorporadora. Com isso, ela diferenciase das incorporações nas quais estão envolvidas sociedades com controladores distintos, pois uma das particularidades da incorporação de companhia controlada, como já dito, é a existência de apenas uma única vontade." Ainda por ocasião do acórdão 1301000.711, registrouse que idêntico raciocínio serviria para a incorporação da controladora pela controlada, já que o artigo 8º da Lei nº 9.532/97, prescreve que a dedutibilidade do ágio está garantida, inclusive na incorporação reversa, a saber: "Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." Sendo assim, desacertado o entendimento segundo o qual haveria na espécie um planejamento inoponível ao fisco, por não ter havido razão econômica de modo a possibilitar a dedução do ágio, mesmo porque, como também já se reconheceu anteriormente, esta exigência não encontra respaldo na legislação de regência. Tornando a citar o que decidido no acórdão nº 1301000.711, observo que antes de a Lei nº 9.532 tratar da questão, o ágio na baixa do investimento mediante incorporação, fusão e cisão era considerado uma perda de capital, plenamente dedutível para efeito de imposto de renda, nos termos do artigo 34 do DecretoLei nº 1.598/77: “Art. 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 28 I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos;” Ora, até o advento da Lei nº 9.532/97, quando da liquidação do investimento, a dedutibilidade do ágio decorria de sua própria natureza de perda de capital, que afetava o lucro contábil da empresa, reduzindo, por conseguinte, imediatamente, o lucro tributário, sendo certo que a Lei nº 9.532/97, deu um tratamento diverso ao ágio reconhecido nos termos do artigo 20 do Decretolei n. 1598/77, e o fez apenas para efeito fiscal, tratando o aproveitamento do ágio condicionado ao evento absorção do patrimônio e montante ao longo de determinado prazo. Com efeito, o inciso III do artigo 7º da Lei 9532/97, prescreve o seguinte: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...). III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;” Assim, este dispositivo previu a amortização do ágio com fundamento em rentabilidade futura apenas para efeitos fiscais, tanto que a norma fala em “balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração”. Ou seja, temse estabelecido no dispositivo uma regra para a utilização do ágio, diferente daquela prevista anteriormente, possibilitando o contribuinte, sob determinada condição (absorver o patrimônio) e por prazo certo, forma de reduzir a base de cálculo do IRPJ mensalmente por, ao menos, 60 meses. No presente caso, o auto de infração e a decisão recorrida suprimiram este benefício fiscal ao criarem condições inexistentes na própria legislação tributária, mais precisamente, no inciso II, do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97. Esse dispositivo condicionou a amortização do ágio apenas e tão somente à absorção do patrimônio da investida pela investidora ou viceversa (art. 8º da norma legal), absorção esta que só pode ocorrer mediante incorporação, cisão ou fusão, a independer do conteúdo econômico. A despeito destas premissas jurídicas, reveladoras da suficiência para reformar a decisão recorrida, mesmo que se pretenda analisarse os fatos em busca de um critério econômico para a operação em questão, se vai verificar o desacerto do aresto impugnado, porquanto os fatos descritos nestes autos, precisam ser examinados sob o enfoque da “segregação mundial das atividades automotivas e financeiras do grupo General Motors”, mais pontualmente, as operações efetuadas no ano de 2004 para transferir a totalidade das ações da Recorrente, então denominada Banco General Motors S.A., da sua controladora à época, a General Motors do Brasil Ltda., para a então holding financeira mundial do grupo, a General Motors Acceptance Corporation LLC. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1301001.224 S1C3T1 Fl. 16 29 Segundo afirmou a Recorrente no mister de assentar a legitimidade das operações, a citada transferência era necessária, dentre outros motivos, para reunir as sociedades financeiras do grupo em todo o mundo, sob o controle exclusivo da GMAC, pretendendo assim, unificar o controle financeiro do grupo e permitir a subsequente venda mundial do controle dessa empresa a terceiros, razão pela qual haveria nítido contesto empresarial nas operações e não apenas o conteúdo eminentemente tributário. Com efeito, demonstrou a Recorrente existir um propósito, almejado pelo grupo General Motors, consistente em transferir a participação detida na Recorrente, da GMB para a GMAC, segregando suas atividades financeiras e automotivas no Brasil em canais de negócios distintos, justificado, falo do negócio na formatação adotada, pela necessidade de preservação de registro de capital estrangeiro junto ao Banco Central do Brasil, que como tem justificado a contribuinte, constitui outra razão empresarial para a estruturação dessa transferência com a participação da sociedade Braco Participações Ltda., sendo que esse aspecto foi, inclusive, objeto de análise prévia pelo Banco Central do Brasil, demonstra não prospera o entendimento da decisão recorrida de que a Braco foi mera empresa veículo, criada sem outra finalidade que não a de permitir uma amortização fiscal de ágio, apresentando um histórico com explicações sobre o processo de segregação da GM e da GMAC. Diante disso, ao menos duas inegáveis razões empresariais defluem do caso apresentado: (i) a premente necessidade de transferência do controle acionário da Recorrente (ii) a preservação do registro de capital estrangeiro perante o Banco Central do Brasil. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Concluo, destarte, no sentido de rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, reformando a decisão recorrida, reconhecer legítima a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/06/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 11080.729251/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.366
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729251/201295 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.366 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de junho de 2013 Assunto DILIGÊNCIA FISCAL Recorrente DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE LIMPEZA URBANA DMLU Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 29 25 1/ 20 12 -9 5 Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999, bem como os valores relativos à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2008 a 12/2008. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal informa que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.376.4871à referese às contribuições sociais relativas à parte patronal, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, no caso, a Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda.; e acréscimos legais sobre pagamentos efetuados, com atraso, em Guias da Previdência Social (GPS); 2. DEBCAD 37.376.4880à relativo à retenção sobre a remuneração de serviços prestados com cessão de mão de obra ou empreitada de mão de obra; 3. DEBCAD 37.343.6424 à por descumprimento de obrigação tributária acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias), Código de Fundamento Legal CFL 68. Esse Relatório Fiscal informa ainda que, com relação ao AIOP DEBCAD 37.376.4871, o fato gerador da contribuição previdenciária, de 15% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços por cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, é o contrato firmado entre a autuada e a Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda., já que parte dos pagamentos efetuados à cooperativa não foram declarados em GFIP nem recolhidas as contribuições sobre eles incidentes. Destaca, com relação ao AIOP DEBCAD 37.376.4880, que “(...) as notas fiscais de serviço dos prestadores CONSTRURBAN ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, CONFIANÇA TRANSPORTES E TURISMO LTDA, DELTA CONSTRUÇÕES S/A, J P AGUIAR TRANSPORTES LTDA, JULIO SIMÕES LOGÍSTICA S/A, MRC Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 4 3 TRANSPORTES LTDA, MUGICA TRANSPORTES LTDA,QUALIX SERVIÇOS AMBIENTAIS LTDA, TRANSPORTES R N FREITAS LTDA ME, RTM TRANSPORTES LTDA, TRANSSABARÁ TRANSPORTES LTDA, TRANSPORTES SIÇA E DHARA LTDA, SIRCEK TRANSPORTES LTDA, SIL SOLUÇÕES AMBIENTAIS LTDA, TRANSPORTADORA BELÉM LTDA, TRANSCELAUS TRANSPORTES LTDA, TRANSFROES TRANSPORTES LTDA, TRANSPORTES GUASSELLI LTDA, TRANPICASSO TRANSPORTES LTDA, TERRAPLENAGEM ERONI MACHADO LTDA, TRANSPORTES SATURNOS LTDA, TRANSBILHAN TRANSPORTES LTDA e TRANSVIVI TRANSPORTES LTDA, não discriminam os valores relativos a equipamentos e materiais, incidindo, portanto, a retenção dos 11%, sobre o valor bruto da nota fiscal de serviço. No caso, a retenção, quando efetuada, foi menor do que a devida, conforme demonstrado nas planilhas ‘Prestadores de Serviços – Retenção Não Efetuada’ e ‘Locação de Veículos Retenção Não Efetuada’, em anexo.” Informa que as notas fiscais das empresas Transportes Redivo Ltda. e Transportes Provim Ltda. – excetuadas as notas fiscais nº 167 e 170, desta última – trazem a discriminação de valores relativos a equipamento e material, havendo incidência de contribuição sobre o percentual mínimo de 50% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, conforme demonstrado na planilha “Locação de Veículos – Retenção Não Efetuada”; que não houve o destaque da retenção dos 11%, nem a discriminação dos valores relativos a equipamento e material, nas notas fiscais da empresa Transportes Kuhn Ltda. Com relação à prestação de serviço da Associação de Triadores de Resíduos Sólidos Domiciliares da Lomba do Pinheiro, informa que “(...) os ‘Relatórios Custo Convênio Associação X DMLU’ (não há emissão de nota fiscal de serviço), não discriminam os valores relativos a equipamentos e materiais e, portanto, a retenção dos 11% incide sobre o ‘valor do repasse’, conforme demonstrado na planilha ‘Prestadores de Serviços Retenção Não Efetuada’, em anexo. O valor fixo de R$5.000,00 (cinco mil reais) repassado à conveniada para os custeios de manutenção, não foi utilizado como base para a retenção.” A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 16/08/2012 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. entende haverem sido corretas e integrais as contribuições incidentes sobre o valor das notas fiscais dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, assim como corretas as declarações em suas GFIP, citando dispositivos da Lei 8.212/1991, Regulamento da Previdência Social (RPS) e Instrução Normativa SRF nº 971/2009, afirmando que “(...) neste sentido restando destacado nas notas fiscais expressamente o valor de repasse da remuneração aos associados e havendo previsão no contrato das despesas com materiais ou equipamentos próprios ou de terceiros, foi utilizado como base de cálculo aquele valor destacado, sendo sobre ele realizando o recolhimento da contribuição previdenciária devida (15% quinze por cento), bem como informado regularmente na GFIP os valores dos pagamentos realizados à cooperativa, razão pela qual deve ser reconhecido que houve o recolhimento correto da contribuição previdenciária e a declaração correta dos pagamentos na GFIP”; Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 5 4 2. em relação às notas fiscais de serviço de transporte dos prestadores Contrurban Engenharia e Construções Ltda., Confiança Transportes e Turismo Ltda., Delta Construções S/A, J P Aguiar Transportes Ltda., Julio Simões Logística S/A, MRC Transportes Ltda., Mugica Transportes Ltda., Qualix Serviços Ambientais Ltda., Transportes R N Freitas Ltda. ME, RTM Transportes Ltda., Transsabará Transportes Ltda., Transportes Siça e Dhara Ltda., Sircek – Transportes Ltda., Sil Soluções Ambientais Ltda., Transportadora Belém Ltda., Transcelalis Transportes Ltda., Transfroes Transportes Ltda., Transportes Guasseli Ltda., Transpicasso Transportes Ltda., Terraplanagem Eroni Machado Ltda., Transportes Saturnos Ltda., Transbilhan Transportes Ltda. e Transvivi Transportes Ltda., que “(...) os valores retidos nas respectivas notas fiscais foram efetivados no percentual de 11%, adotando como base de cálculo o percentual da mão de obra previsto nos contratos e lançados nas notas fiscais, não sendo razoável que seja desde logo entendido que a retenção procedida tenha sido a menor, pois a retenção de 11% foi procedida exatamente sobre a parcela que lhe serve como base para o cálculo, ou seja, a de mão de obra”; 3. em relação às empresas Transportes Redivo Ltda. e Transportes Provim Ltda., que estas sempre observaram, em suas notas fiscais, o destaque dos valores relativos a mão de obra como previsto nos contratos administrativos e planilhas de composição de preços; 4. quanto à empresa Transkuhn Transportes Kuhn Ltda., afirma ter esta apresentado suas notas fiscais sem qualquer destaque para retenção por entender haver amparo, para isto, no inciso XIX do parágrafo 2º do artigo 219 do RPS, na redação do Decreto 4.729/2003, que determinava retenção apenas para o transporte de passageiros, “razão pela qual não havia retenção a ser procedida”; 5. requer a improcedência e a anulação dos Autos de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão 1040.699 da 7a Turma da DRJ/POA – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que não é devido os valores apurados pelo Fisco, já que não está configurada a contratação de serviços de cooperativa de trabalho nem a cessão de mão de obra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões do recurso da Recorrente diz respeito à matéria fática relacionada com a base de cálculo e com o enquadramento da cessão de mão de obra, bem como a caracterização da prestação de serviços por cooperado, realizado por intermédio de cooperativa de trabalho: Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada (base de cálculo), o Fisco informa que as notas fiscais dos prestadores de serviços a Recorrente, mediante cessão de mão de obra e por intermédio de cooperativa de trabalho, não discriminam os valores relativos a equipamentos e materiais, incidindo a retenção dos 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de serviço, assim como incidindo 15% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda). Em sentido contrário, a Recorrente afirma que há um erro na apuração da base de cálculo do lançamento fiscal, já que os contratos firmados, acompanhados de notas fiscais emitidas, apontam a distinção entre os valores oriundos exclusivamente do serviços e os valores oriundos dos materiais e equipamentos, delineados em planilhas de custos das empresas envolvidas, dentre elas: Delta Construções S.A.; Qualix Serviços Ambientais Ltda; Terraplenagem Eroni Machado Ltda; SIL Soluções Ambientais Ltda. Com relação à caracterização da cessão de mão de obra, o Fisco afirma que houve a contratação de empresas para a prestação de serviços contínuos, entretanto a Recorrente aponta que não está caracterizada a cessão de mão de obra, já que realizou os serviços por meio de empreitada total e por de meio de Convênio com a Entidade beneficente (Associação de Triadores de Resíduos Sólidos Domiciliares da Lomba do Pinheiro), inclusive em alguns casos ocorreu o transporte de carga e não coleta de resíduos, relacionado com as seguintes empresas: SIL Soluções Ambientais Ltda; Transporte KUHN Ltda; Transbilhan Transportes Ltda; Transportes RN Freitas Ltda; Terraplenagem Eroni Ltda; dentre outras. Nesse passo, a Recorrente também afirma que não houve a caracterização da realização dos serviços prestados pelos cooperados da Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda. Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal e na peça de impugnação. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 7 6 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório – inclusive cópias de documentos –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Com isso, após a alegação fática posta na peça recursal, é necessário que o Fisco verifique a apuração da base de cálculo e a caracterização da cessão de mão de obra e da prestação de serviços pelos cooperados da Cooperativa de Trabalho Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre Ltda, observando a escrituração contábil dentro de um contexto fático da atividade desenvolvida pela empresa e a apuração dos valores da base de cálculo das notas fiscais apresentadas pela Recorrente. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.729251/201295 Resolução nº 2402000.366 S2C4T2 Fl. 8 7 concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10983.912107/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento.
ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida 3ª TURMA DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracterizase como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 21 07 /2 00 9- 86 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912107/200986 Acórdão n.º 1102000.542 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ – código 2362 – para compensação do mesmo tributo, indeferido com base no entendimento de que apenas suscetível de compensação o saldo do IRPJ ou CSLL apurado no final do exercício. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que o Despacho Decisório não teria questionado a legitimidade do crédito, mas indeferido o PER/DCOMP com base em alegações genéricas que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa. Destacou que estimativas seriam passíveis de compensação, consoante interpretação dos arts. 73 e 74, da Lei n. 9.430/96 e do art. 170, do CTN e que não teria sido questionada a liquidez e certeza do direito creditório que alega possuir, além de defender que os créditos teriam sido utilizados após o término do exercício e não haveria vedação legal para o procedimento adotado antes da edição da Medida Provisória n. 449/08. Por fim, a Recorrente transcreveu julgado oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para pugnar pelo cancelamento do Despacho Decisório e homologação da compensação efetuada. A DRJ de Florianópolis manteve o indeferimento, por entender teria o Despacho Decisório fundamentado de forma clara os motivos que levaram à decisão, asseverando, ainda, que deveriam ser computadas as estimativas recolhidas na composição do saldo de IRPJ do período, consoante art. 10, da IN SRF n. 600/05. Em resposta ao entendimento de que não haveria vedação legal ao procedimento adotado, transcreveu os artigos 170, do CTN; 66, da Lei n. 8.383/91; 74, da Lei n. 9.430/96 e art. 10, da IN SRF n. 460/04, acrescentando que referida IN teria sido revogada pela IN SRF n 600/05 que não teria alterado o procedimento compensatório no que tange ao ponto alvo de discussão. Ao final, acrescentou a autoridade julgadora que o pagamento indevido ou a maior de estimativas, cuja natureza não seria de tributo, não se sujeitaria às normas de compensação de tributos e que a situação em análise não poderia ser confundida com a hipótese de utilização de créditos para compensação de débitos de estimativas. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora analisado repetindo as razões postas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912107/200986 Acórdão n.º 1102000.542 S1C1T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preliminarmente, defende a Recorrente estaria o Despacho Decisório baseado em alegações genéricas, que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa, em que pese constar expressamente na decisão que “foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A Recorrente, portanto, teve ciência dos fatos que ensejaram o indeferimento de forma clara, foi respeitado o direito à ampla defesa e ao contraditório, inexistindo prejuízo para a parte ou qualquer outra hipótese de nulidade elencada no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, melhor sorte não tem a Recorrente, porquanto tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de estimativa – que consistem em meras antecipações dos tributos porventura devidos ao final do exercício – formalizados após o término do exercício, quando já deveria, ao menos em tese, terem sido apurados os tributos devidos no exercício ou o saldo negativo. Defende a Recorrente que a legislação federal reconheceria o direito à compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo órgão, deixando de observar que o direito creditório suscitado referese a estimativas (antecipações) que poderiam não ter sido recolhidas mediante balancetes de suspensão ou redução, consoante faculta do art. 230, do RIR/99. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912107/200986 Acórdão n.º 1102000.542 S1C1T2 Fl. 5 4 Além de postular restituição de mera antecipação, ao invés de saldo negativo, a Recorrente não colacionou aos autos qualquer prova capaz de evidenciar que o valor do crédito declarado representaria o saldo ou base negativa dos tributos, limitandose a defender genericamente seu direito à compensação. Em adição ao equívoco de requerer a restituição de estimativas, a Recorrente defende e invoca julgados do Judiciário que reconhecem o direito de compensação de créditos tributários com estimativas futuras, hipótese flagrantemente distinta da ora apreciada, haja vista que a MP 449/2008 tentou impedir a compensação do saldo negativo com débitos de estimativas, empecilho não apresentado pela DRJ. Consoante registrado pela DRJ, a IN SRF n.º 460/2004 já expressava o claro entendimento de que os valores recolhidos a título de estimativas mensais apenas podem ser utilizados ao final do período em que houve o pagamento indevido, para dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ou para compor o saldo negativo dos mesmos tributos e a IN SRF n.º 600/005, vigente à época dos pedidos ora analisados, manteve o mesmo entendimento. Diversa é a hipótese em que o contribuinte apura de forma equivocada o valor da estimativa e recolhe mais do que o exigido pela legislação, contudo, não é a hipótese em exame. Por fim, transcrevo a seguir ementas que convergem com o entendimento ora exposto, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2003 IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS IMPOSSIBILIDADE Supostos créditos originados do recolhimento de estimativas não são passíveis de compensação, à luz da legislação vigente. Somente para o saldo negativo apurado ao final do período é que se admitiria tal possibilidade. COMPENSAÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, a teor do art. 170 do CTN. Não há liquidez e certeza em créditos ainda sob discussão administrativa, em outro processo. COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM OUTRO PROCESSO O direito creditório apurado em outro processo deve lá ser discutido.” (Acórdão 10516803, Processo Administrativo n.º 16327.000435/200362, 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Data: 05/12/07) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDA CSLLEXERCÍCIO: 2002CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE.OS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA DEVEM SER LEVADOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, SENDO POSSÍVEL AO CONTRIBUINTE, VERIFICANDO O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO NO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO, PUGNAR PELA RESTITUIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. OS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA NÃO SÃO, POR SI SÓ, PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 180500035, Processo Administrativo n.º Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912107/200986 Acórdão n.º 1102000.542 S1C1T2 Fl. 6 5 10380.001787/200312, 5ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Data: 21/10/08) Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 11020.003343/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente),, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente),, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ que manteve o lançamento de PIS e COFINS, por erro na apuração dessas contribuições, decorrente de fiscalização para análise de Pedidos de Ressarcimento do anocalendário de 2005, indeferido pela DRF. A Ementa da decisão recorrida foi assim redigida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 03 34 3/ 20 09 -5 1 Fl. 7851DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003343/200951 Resolução nº 3101000.278 S3C1T1 Fl. 7.852 2 Anocaledário: 2005, 2006 REMESSA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. PROVA DA EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A não incidência de contribuições de seguridade social, no caso de venda para empresas comerciais exportadoras, depende de prova da efetiva exportação. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS,. CRÉDITOS. Na incidência nãocumulativa da Cofins, admitese a apuração de créditos na aquisição de insumos, assim considerados os bens e serviços consumidos na produção de bens e na prestação de serviços tributados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocaledário: 2005, 2006 REMESSA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. PROVA DA EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A não incidência de contribuições de seguridade social, no caso de venda para empresas comerciais exportadoras, depende de prova da efetiva exportação. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS,. CRÉDITOS. Na incidência nãocumulativa da Cofins, admitese a apuração de créditos na aquisição de insumos, assim considerados os bens e serviços consumidos na produção de bens e na prestação de serviços tributados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual aduz que: (i) os combustíveis e lubrificantes eram empregados no processo produtivo para movimentar máquinas, ferramentas e veículos; (ii) as partes e peças de máquinas são utilizadas para manutenção dos equipamentos utilizados na produção devendo ser consideradas como insumos, uma vez que no âmbito das contribuições a noção de insumo é mais ampla que a adotada para o IPI; (iii) os serviços glosados foram efetivamente utilizados no processo produtivo, não podendo a Recorrente sofrer a glosa por erro de terceiros; (iv) as despesas de frete devem ser consideradas pois compõem o processo produtivo; e (v) os produtos sujeitos à alíquota zero quando aplicados no tratamento de madeira geram crédito para o PIS e a COFINS; (vi) indevida a glosa das receitas de exportações efetivadas. É o relatório. Voto O substrato probatório dos autos não possibilita o julgamento da lide, isso porque a glosa efetivada pelo Fisco baseiase, no mais das vezes, na interpretação comparativa entre um determinado item e um processo produtivo que não se apresente claro e definido. Fl. 7852DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003343/200951 Resolução nº 3101000.278 S3C1T1 Fl. 7.853 3 Nem o Fisco nem o contribuinte trouxeram aos autos elementos que pudessem dar segurança jurídica à eventual decisão que pretendesse por fim a lide. Vislumbro, com clareza, que diversas aquisições glosadas compõe sim o processo produtivo do contribuinte, mas, diante das provas colacionadas aos autos, não tenho condições de fazer tal afirmação de forma categórica, da mesma forma que não tenho condições de dizer peremptoriamente que não fazem parte do processo produtivo. Dentre os produtos que pude verificar a impossibilidade de avaliação estão: bens e serviços utilizados na benfeitorias em edificações próprias e de terceiros; máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado; partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos (rolamento, polia, mancal, radiador, parafuso, brocas, serras, correias, etc.), produtos indicados como insumos da produção (combustíveis, lubrificantes, equipamento de proteção individual – EPI, serviços de manutenção de lavoura/floresta), serviços de frete e armazenagem; produtos agropecuários (adubos, pesticidas, formicidas,farelo de trigo, milho, sal, coelhos, defensivos, glifosato, etc.), dentre outros. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: a) relacione as aquisições que entende não aparadas por documento válido, indicando: fornecedor, descrição do serviço ou bem, data do recibo/nota; valor e página do documento no processo, indicando se foram contabilizadas como ativo permanente ou custo de produção; b) relacione as aquisições registradas na contabilidade como ativo permanente e as contabilizadas no custo de produção, com as informações de: fornecedor, descrição do serviço ou bem, data do recibo/nota; valor e página do documento no processo, excluindo as indicado na alínea “a” acima; c) concluídas as planilhas previstas nos itens “a” e “b” acima, proceda a repartição de origem a elaboração de laudo técnico de descrição e avaliação do processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica no CREA, no qual deverá descrever o processo produtivo e indicar em que fase da produção os insumos adquiridos são utilizados, a função de cada produto ou serviços dentro do processo. d) Especifique, em cada remessa para exportação em que tenham sido juntados pelo contribuinte os documentos mencionados (BL e Registro de Exportação), se as saídas se deram com suspensão dos tributos e com anotação de remessa para exportação; Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 7853DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002922/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Preliminar rejeitada
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 10 de maio de 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada Recurso negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 22 /2 00 7- 64 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Relatório MARIA DE LOURDES BARROS POIETTI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 151) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 103/111s, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercícios de 2004 e 2005, no valor de R$ 31.955,37, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 70.896,90. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Segundo o relatório fiscal, a Contribuinte era cotitular de conta bancária mantida em conjunto com Amérito Proietti, CPF nº 382.154.03891, tendose sido imputado 50% dos depósitos sem comprovação de oriegem. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a autuação é desprovida de fundamento, pois a realidade factual não corresponde ao tipo legal descrito na lei; que não houve subsunção dos fatos à norma, inexistindo relação jurídicotributária; que houve violação de princípios constitucionais; que a Auditora Fiscal também procedeu à fiscalização da pessoa física de seu esposo, Sr. Américo Proietti, sendo a fiscalização da Impugnante uma extensão dessa fiscalização; que a Auditora formaliza o crédito tributário na proporção de 50% dos valores depositados na conta corrente, que, conforme seus argumentos, representam depósitos de origem não comprovada; que a Auditora omite que o esposo recebeu rendimentos a titulo de participação societária, além de outros, durante os referidos anosbase, sendo os mesmos classificados como isentos ou não tributáveis, nos termos do art. 10, da Lei n° 9.249/1995; que estes rendimentos, assim como os demais rendimentos recebidos, foram devidamente informados nas Declarações de Imposto de Renda dos respectivos anos calendário; que esclareceu, em 29/08/2007, que os depósitos objeto da autuação, referem se a "depósitos efetuados pelo cônjuge, Sr.Américo Proietti"; que estes recursos fazem parte do patrimônio do casal , devidamente apresentados ao Fisco Federal pelo Sr. Américo Proietti; que a Auditora Fiscal incorreu em omissão e parcialidade na lavratura dos autos de infração, tanto da Impugnante como de seu esposo, uma vez que não adotou os mesmos procedimentos que norteiam a fiscalização de ambos; que se houve o lançamento do crédito tributário na autuação do esposo, repetilo na autuação da Impugnante demonstra máfé da auditora, e um bis in idem no lançamento fiscal; que a Secretariada Federal tinha pleno conhecimento dessas movimentações, bem como de sua origem; que não houve, portanto, omissão ou qualquer tipo de ocultação de informações; que, com relação aos supostos depósitos de origem não comprovada na conta da Impugnante, tratase de recursos que se encontravam na posse do esposo, estando apenas em mãos do mesmo ou em conta diversa, mas sempre da mesma origem; que o deposito do dinheiro em mãos do esposo ou a simples transferência entre contas não pode se constituir em fato gerador do imposto de renda; que o auto de Infração é Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002922/200764 Acórdão n.º 2201002.086 S2C2T1 Fl. 3 3 improcedente, pois carece de sustentação fática e jurídica; que houve quebra do Principio de Estrita Legalidade, pois não houve a total correspondência entre a descrição normativa e o fato concreto, sendo que a quebra de um dos princípios que regem a atividade administrativa, inquina o ato administrativo (lançamento) de vicio insanável, que o leva nulidade de pleno direito; que, assim, impõese a declaração de improcedência do lançamento, por violação dos princípios que regem a Administração Pública, por respeito à segurança jurídica do Estado Democrático de Direito, por inexistência do vinculo jurídico obrigacional entre Impugnante e o Fisco Federal, e, sobretudo, pela violação das garantias constitucionais. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSÃO PAULO/SP II rejeitou a preliminar de nulidade. Observou que, segundo o artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, são dois os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento e, no caso, não ocorreu nenhum deles; que o lançamento foi feito por servidor competente e sem preterição do direito de defesa; que de acordo com o artigo 14 do mesmo Decreto, a fase litigiosa do procedimento somente se instaura com a ciência da autuação, momento a partir do qual se abre a oportunidade do contraditório. Quanto ao mérito, a DRJ rejeitou, inicialmente, a alegação de que os depósitos bancários referemse à movimentação financeira do cônjuge da autuada relacionado à atividade da empresa Skycargas Ltda; observou que a alegação não foi comprovada e que, sem a comprovação desse fato, agiu com acerto a autoridade lançadora ao imputar a omissão de rendimentos aos dois titulares das contas. Registrou a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários, ressaltando a previsão legal expressa do procedimento, no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 26/03/2010 (fls. 162) e, em 26/04/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 165/169, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade do lançamento. Afirma a Recorrente que o lançamento está eivado de vício insanável, pois não há correspondência entre a realidade fática e a descrição dos fatos da autuação; que o lançamento com base em mera Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 presunção afronta princípios constitucionais, como os da segurança jurídica e da estrita legalidade. Digase, desde logo, que reforge competência aos órgãos julgadores administrativos para se pronunciarem sobre alegação de inconstitucionalidade de normas, matéria de competência exclusiva dos órgãos do Poder Judiciária. Esta posição já está consolidada no âmbito deste Conselho que editou a súmula CARF nº 02, com o seguinte enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dito isto, não vislumbro os alegados vícios. O lançamento foi formalizado por servidor competente, tendo sido garantido à Recorrente o direito ao amplo exercício do direito de defesa; a autuação é clara, com a precisa descrição dos fatos e a indicação dos fundamentos legais da exigência. Por outro lado, as manifestações da Recorrente quanto ao alegado descompasso entre os fatos e a descrição feita na autuação, fere, na verdade, o mérito do lançamento e será examinado côo tal. Enfim, não vislumbro no procedimento fiscal ou na autuação dele decorrente vício que possa ensejar a nulidade do lançamento, razão pela qual rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Este tipo de lançamento tem previsão legal expressa. Tratase do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002922/200764 Acórdão n.º 2201002.086 S2C2T1 Fl. 4 5 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 A Contribuinte afirma que os depósitos bancários referemse a movimentação financeira de seu esposo, com quem mantém contaconjunta, relacionado à atividade da empresa Skycargas Ltda., porém , não apresenta elementos de prova que vinculem, de forma individualizada, os depósitos à atividade da referida empresa. Notese que o parágrafo 6º do artigo 42, acima reproduzido, determina expressamente que, nos casos de conta mantida em conjunto, os depósitos de origens não comprovadas devem ser divididos igualmente entre os titulares. Assim, para que fosse afastada a exigência em relação à ora recorrente, seria indispensável que fosse efetivamente comprovada a alegada origem. Agiu com acerto, portanto, a autoridade lançadora ao proceder à autuação também em face da ora recorrente. Também não se cogita neste caso do alegado bis in idem. A autuação feita em face da recorrente referese apenas aos depósitos bancários a ela atribuídos conforme determinação legal. Quanto às origens dos depósitos, o que se tem evidenciado neste processo é a total ausência de comprovação das origens dos depósitos bancários. Além da alegação genérica de que os depósitos referemse à movimentação financeiras das empresas das quais o cônjuge é sócio,m nada foi apresentado, e sem a comprovação das origens dos depósitos bancários, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10235.720019/2008-31
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
ÁREAS DE RESERVA LEGAL ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA
Constatado que área de reserva legal já está averbada antes do fato gerador do tributo, fica suplantada a necessidade da entrega do ADA, para fins tributários
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2802-001.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão nº 2802-001.400, de 12 de março de 2012, sem efeito modificativo do julgado, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite.Ausência momentânea: Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. ÁREAS DE RESERVA LEGAL ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA Constatado que área de reserva legal já está averbada antes do fato gerador do tributo, fica suplantada a necessidade da entrega do ADA, para fins tributários Embargos Acolhidos.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. ÁREAS DE RESERVA LEGAL ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA Constatado que área de reserva legal já está averbada antes do fato gerador do tributo, fica suplantada a necessidade da entrega do ADA, para fins tributários Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos de Declaração para reratificar o acórdão nº 2802001.400, de 12 de março de 2012, sem efeito modificativo do julgado, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 10/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 00 19 /2 00 8- 31 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite.Ausência momentânea: Sidney Ferro Barros. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 64/66), em face do Acórdão 2802.001.400, de 12 de março de 2012, fls. 53/60. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “O objeto da presente autuação cingese à glosa das áreas declaradas pela contribuinte na DITR exercício 2005 a título de preservação permanente e reserva legal, bem como do Valor da Terra Nua indicado. A Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para. restabelecer a área averbada de reserva legal de 4.800 hectares. Eis a ementa do acórdão: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001 EXIGIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de calculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL —AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO, Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Provido em Parte.” Em primeiro lugar, cumpre registrar que o acórdão embargado não se pronunciou sobre a exigência do ADA protocolizado tempestivamente para o reconhecimento da área de reserva legal. Necessário observar que a contribuinte, regularmente intimada a apresentar documentos para comprovar a isenção relativa às áreas de preservação permanente e utilização limitada, não logrou apresentálos, o que rendeu ensejo à cobrança do imposto suplementar conforme previsão em lei. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10235.720019/200831 Acórdão n.º 2802001.859 S2TE02 Fl. 3 3 Evidente, portanto, o vício da omissão apontado, uma vez que o acórdão embargado, com relação à área de reserva legal, apenas se pronunciou quanto à averbação à margem da matrícula do imóvel no Cartório competente, sem emitir suas razões sobre a (des)necessidade de apresentação do ADA protocolizado tempestivamente para o reconhecimento desta.É o relatório. Tal aspecto constituiu, ainda, contradição, na medida em que o voto condutor dispôs, quando da análise da isenção relativa à área de preservação permanente, que a exigência de ADA se aplica também à área de reserva legal, conforme trecho a seguir transcrito: “Assim sendo, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal/utilização limitada, interesse ecológico e etc, a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida).” Assim, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando a omissão/contradição acima apontada, a fim de que a decisão deste colegiado mostre se consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de Recurso Especial e/ou execução do julgado. Outrossim, pré questionamse as matérias aqui tratadas, uma vez que não foram objeto de análise expressa pelo colegiado, a fim de que a Fazenda Nacional possa interpor recurso, se cabível. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. O embargante denuncia que o acórdão embargado não se pronunciou sobre a exigência do ADA protocolizado tempestivamente para o reconhecimento da área de reserva legal. De fato houve obscuridade no Acórdão de nº 2802.001.400, de 12 de março de 2012, fls. 53/60, razão pela qual entendo que os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para sanar tal obscuridade.. Assim , o texto correto, no que se refere a Área de Reserva Legal, é o seguinte: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Área de Reserva Legal A Notificação de Lançamento de fls. 1/5 fez se sob o argumento de que o sujeito passivo deixara de apresentar, a averbação da Área de reserva legal margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, para a comprovação da Área de Preservação Permanente. No Acórdão de Primeira Instância a exigência foi mantida sob o seguinte fundamento: “Dos termos da legislação antes reproduzida, vê se que a utilização da Reserva Legal para fins de isenção do ITR está condicionada à averbação da respectiva área à margem da matrícula do imóvel no Cartório de Registro competente. Consta, às fls. 14/15 dos autos, Certidão de Averbação de Reserva Legal, expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Caçoene (AP), a qual informa que, em 05/12/2003, a área de Reserva Legal composta por 4.800,0 ha foi averbada à margem da matrícula do imóvel denominado Fazenda Tucuman, com área total de 7.329,0 ha. Nesse passo, cabe lembrar que a Lei nº. 9.393/1996, em seu art. 1º, dispôs que o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, no caso concreto em 01/01/2004. Por conseqüência, depreende se que esta exigência específica foi cumprida, já que a averbação da área de reserva legal foi realizada antes da ocorrência do fato gerador do ITR/2004 Outra exigência para usufruir a redução do imposto em decorrência das áreas de reserva legal e de preservação permanente é a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA no Ibama.” Quanto a esse ponto, meu entendimento difere do consubstanciado no acórdão recorrido. Vejamos: O mandamento que determinou a averbação da Área de reserva legal margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n°4.771, de 15/09/1965 o chamado Código Florestal, pelo artigo 1° da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001, litteris: Art.16. As .florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidos, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória n" 2.16667, de 2001) (Regulamento) ( ) 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10235.720019/200831 Acórdão n.º 2802001.859 S2TE02 Fl. 4 5 registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(destaques da transcrição) Por oportuno, cabe destacar que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo.Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts.1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Ademais, que é uma peculiaridade da reserva legal a eleição, pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que será reservada para a proteção ambiental, por tal, somente se constitui reserva legal com a averbação daquela área no registro de imóveis, o que lhe revestirá dos efeitos contra terceiros. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nessa esteira, apenas depois de cumprida a obrigação legal prévia, qual seja, a averbação da área no cartório de registro de imóveis é que o proprietário constitui, perante as autoridades ambientais competentes e, via de conseqüência, para o órgão tributário, a parte da área passível de preservação (parágrafo 8°, art. 16, da Lei 4.771/1965).” Verificase pois que a razão de dar tratamento distinto à reserva legal devese ao fato de a norma que torna obrigatória a apresentação do ADA aplicarse tão somente aos casos de isenção com base nesse Ato. Essa exegese aponta que o §1º, do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000) teve por finalidade esclarecer que o documento não pode ser substituído por outro, ainda que tenha o mesmo conteúdo e seja registrado em órgão de proteção ambiental. Mas essa exigência taxativa se refere ao caput ( benefício de isenção que tenham por base o ADA), como é o casos das áreas de preservação permanente, mas não é no caso de reserva legal. (grifei) A propósito, no caso concreto, entendo que essa limitação foi suprida uma vez que o interessado comprovou a respectiva averbação (fls. 14/15), em 05/12/2003. A prova prévia da averbação da área de reserva legal não é pressuposto para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, dada a submissão ao regime jurídico do lançamento por homologação a que o ITR se submete. Entretanto, é pressuposto para fins de reconhecimento do benefício legal, ou melhor, a lei exige a determinação prévia da averbação e não da prévia comprovação para fins de fruição da redução da base de cálculo. Destarte, deixo aqui o entendimento que esta Segunda Turma Especial da Segunda Seção do CARF decidiu por diversas vezes no sentido de que, constatado que área de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 reserva legal já está averbada antes do fato gerador do tributo, fica suplantada a necessidade da entrega do ADA, para fins tributários. Esse entendimento foi firmado tendo em vista o alcance do objetivo preconizado pela norma definida no § 8º do art. 16 da Lei nº 4,771, de 1965. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para retificar o Acórdão 2802.001.400, de 12 de março de 2012, sem efeito modificativo do julgado. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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