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Numero do processo: 10845.001015/2002-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PRESSUPOSTOS - LIMITES - ERRO MATERIAL, OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra qualquer erro material, obscuridade ou contradição a sanar, em decisão que na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo improvimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado).
Embargos Rejeitados
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3402-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Não se vislumbra qualquer erro material, obscuridade ou contradição a sanar, em decisão que na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo improvimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado). Embargos Rejeitados Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 10 15 /2 00 2- 87 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de novos Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pelo contribuinte, com fundamento no art. 65do RICARF por suposta contradição no v. Acórdão nº 3402002.293 exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) de minha relatoria em sede de Recurso Voluntário (fls. 361/371) que, em sessão de 29/01/14, por unanimidade de votos, houve por bem negar provimento ao recurso voluntário aos fundamentos sintetizados na ementa e súmula nos seguintes termos: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 COTA DE CONTRIBUIÇÃO AO IBC EXPORTAÇÃO DE CAFÉ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECRETOLEI Nº 2295/86 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCINALIDADE PELO STF DIREITO À RESTITUIÇÃO DENTRO DO PRAZO LEGAL. A declaração de inconstitucionalidade pelo STF da Cota de Contribuição nas exportações de café devida ao IBC, instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, autoriza a restituição do tributo recolhido de acordo com a base de cálculo declarada inconstitucional (arts. 165 a 168 do CTN) desde que requerida dentro do prazo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 PAF RECURSO ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI LIMITES PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ. É assente na jurisprudência administrativa a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado. RESTITUIÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO PRECEDENTES DO STF E STJ. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.554 S3C4T2 Fl. 3 3 A Jurisprudência Judicial pacificouse no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyana (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel (Substituta) e João Carlos Cassuli Júnior. Ausente, justificadamente Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta. Entende a ora Embargante que teria havido suposto “lapso manifesto” e “contradição” no v. Acórdão embargado porque “o prazo da decadência para pleitear a restituição da "cota de contribuição ao IBC somente pode ser contado a partir da data da Resolução do Senado Federal que declara ‘suspensa a execução’ dos dispositivos julgados inconstitucionais”, razão pela qual requer o acolhimentos dos presente embargos “para julgá los procedentes e declarar o direito ã. restituição da cota de contribuição devida ao IBC, que foi julgada inconstitucional pelo STF, e objeto de coisa julgada de acórdão proferido pelo TRF/2ª Região cf. Apelação cível n° 96.02.083662”. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem ser conhecidos, mas no mérito não merecem provimento, ante a inocorrência de qualquer erro material, obscuridade, omissão ou contradição na sua fundamentação. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 De fato, desde logo se verifica que o voto condutor do v. Acórdão embargado conclui que: “... tratandose de pedido de restituição protocolado em 19/03/02, portanto anterior à vigência da LC nº 118/05 (que ocorreu em 09/06/05), parece evidente que referido pedido não poderia abranger recolhimentos efetuados além dos 10 anos anteriores ao pedido (19/03/92), como é o caso da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC recolhida no período de dezembro de 1987 a dezembro de 1989. Da mesma forma ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Finalmente, ressaltese que a serôdia alegação no sentido de que haveria a r. sentença exarada na Ação Declaratória nº 89.00257196 (fls. 469/485 do processo digitalizado), que tramitou perante a Justiça Federal no Rio de Janeiro (10ª Vara Federal RJ, e TRF da 2ª Região AC nº 96.02.083662), transitada em julgada de 27/05/02 (cf. Certidão de fls. 278 do processo original e fls. 484 do processo digitalizado) , não argüida por ocasião da manifestação de inconformidade sequer poderia ser conhecida, por se achar preclusa, nos expressos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.23 5/72 (P.A.F., com redação determinada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) e da Jurisprudência deste E. Conselho que reiteradamente entende ser inadmissível a apreciação, em grau de recurso de matéria que não foi suscitada na instância a quo (cf. Ac. nº 20215690 da 2ª Câm. do 2º CC no Rec. nº 122963, Proc. nº 1305 1.000127/9924, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 07/07/04). Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento da restituição. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida da DRJ.” Portanto verificase que, ao contrário do que aduz a ora embargante, a par de não conter qualquer erro material, obscuridade ou contradição, baseandose nas premissas e fatos tal como fixados na instância “a quo” o voto do relator limitase a aplicar a lei aos fatos Fl. 927DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.554 S3C4T2 Fl. 4 5 nos limites da lide e, como já assentou o E. STJ “o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos.” (cf. REsp 886.695/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no REsp 896045 / RN, Reg. nº 2006/02290861, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX, Publ. in DJU de15/10/2008). Assim, não se vislumra a existência de qualquer erro material, obscuridade ou contradição a sanar, na decisão embargada que, na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo improvimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador, donde os Declaratórios apresentam caráter nitidamente infringente, razão pela qual nesta matéria devem ser rejeitados, tal como proclamado pela Jurisprudência Administrativa e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo, quando não demonstrados os pressupostos do art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ante a inexistência de dúvida, contradição ou necessidade de suprir omissão constante do julgado recorrido. EMBARGOS DECLARATÓRIOS LIMITES Não pode ser conhecido o pedido do sujeito passivo na parte que, a pretexto de retificar o acórdão, pretende substituir a decisão recorrida por outra, com revisão do mérito do julgado. Embargos de declaração rejeitados.” (cf. Acórdão 10805339, Rec. nº 114572, Proc. nº 10935.000705/9628 , em sessão de 22/09/1998, Rel. Cons. Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho) Isto posto, voto no sentido de conhecer dos Embargos Declaratórios, mas no mérito rejeitálos, por inocorrência dos supostos erro material, obscuridade ou contradição em sua fundamentação. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 928DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006442/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
CUSTOS/DESPESAS DESNECESSÁRIAS. GLOSA
Mantém-se a glosa de custos/despesas (perdas) consideradas desnecessárias por se tratar de produtos importados adquiridos desnecessariamente, em quantidades muito elevadas, sem levar em consideração a obsolescência iminente de estoques anteriormente existentes (rotação de estoques negligenciada), com influência indireta da fornecedora dos produtos que também é a matriz do conglomerado.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ESCOLHA DO MÉTODO MAIS FAVORÁVEL
É direito do contribuinte, quando demandado à apresentar a regularidade do método de preço de transferência nas operações que realiza com parte relacionada, escolher qualquer um dos métodos dispostos na lei -escolher aquele que lhe garante o menor ou nenhum ajuste. Não se pode aceitar, no entanto, que se impute à Fiscalização, ante a irregularidade na aplicação do método apontado pelo contribuinte, que a mesma esteja obrigada a aplicar o método mais favorável, testando cada um deles.
Numero da decisão: 1401-001.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam parcial provimento ao recurso para cancelarem as glosas relativas às perdas (infração 01). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 CUSTOS/DESPESAS DESNECESSÁRIAS. GLOSA Mantém-se a glosa de custos/despesas (perdas) consideradas desnecessárias por se tratar de produtos importados adquiridos desnecessariamente, em quantidades muito elevadas, sem levar em consideração a obsolescência iminente de estoques anteriormente existentes (rotação de estoques negligenciada), com influência indireta da fornecedora dos produtos que também é a matriz do conglomerado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ESCOLHA DO MÉTODO MAIS FAVORÁVEL É direito do contribuinte, quando demandado à apresentar a regularidade do método de preço de transferência nas operações que realiza com parte relacionada, escolher qualquer um dos métodos dispostos na lei -escolher aquele que lhe garante o menor ou nenhum ajuste. Não se pode aceitar, no entanto, que se impute à Fiscalização, ante a irregularidade na aplicação do método apontado pelo contribuinte, que a mesma esteja obrigada a aplicar o método mais favorável, testando cada um deles.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam parcial provimento ao recurso para cancelarem as glosas relativas às perdas (infração 01). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 CUSTOS/DESPESAS DESNECESSÁRIAS. GLOSA Mantémse a glosa de custos/despesas (perdas) consideradas desnecessárias por se tratar de produtos importados adquiridos desnecessariamente, em quantidades muito elevadas, sem levar em consideração a obsolescência iminente de estoques anteriormente existentes (rotação de estoques negligenciada), com influência indireta da fornecedora dos produtos que também é a matriz do conglomerado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ESCOLHA DO MÉTODO MAIS FAVORÁVEL É direito do contribuinte, quando demandado à apresentar a regularidade do método de preço de transferência nas operações que realiza com parte relacionada, escolher qualquer um dos métodos dispostos na lei escolher aquele que lhe garante o menor ou nenhum ajuste. Não se pode aceitar, no entanto, que se impute à Fiscalização, ante a irregularidade na aplicação do método apontado pelo contribuinte, que a mesma esteja obrigada a aplicar o método mais favorável, testando cada um deles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam parcial provimento ao recurso para cancelarem as glosas relativas às perdas (infração 01). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 64 42 /2 00 8- 31 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 JORGE CELSO FREIRE DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 727 3 Relatório Trata o presente feito de recurso voluntário por meio da qual a Contribuinte pretende a desconsitituição de auto de infração que possui dois fundamentos: 1º) glosa de despesas lançadas pela Recorrente, por destruição de medicamentos com prazo de validade vencido; 2º) erro na aplicação dos métodos de controle dos preços de transferência de produtos por ela importados. Segundo se extrai do relatório da DRJ, que adoto e transcrevo como parte do presente: Em ação fiscal decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal 09.2.01.002008004276, comunicado à pessoa jurídica no Termo de Intimação 1/2008, à f. 3, foramconstatadas as seguintes infrações à legislação tributária: 001 Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Necessários Exclusão Indevida do Lucro Líquido (no Anobase de 2005) Produtos importados adquiridos desnecessariamente, em quantidades muito elevadas, sem levar em consideração a obsolescência iminente de estoques anteriormente existentes (rotação de estoques negligenciada), com influência indireta da fornecedora dos produtos que também é a matriz do conglomerado, conforme descrito item II do Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante e indivisível deste Auto de Infração, cujos efeitos fiscais de exclusão do lucro líquido se efetivaram apenas no ano calendário de 2005. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/12/2005 R$2.415.017,74 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 249,1, 299 e 300 do RIR/99. Dispositivos Infringidos: Arts. 299 e 250,1 e II, do RIR/99. 002 Adições Preços de Transferência Adição a Menor de Parcela de Custos Indedutíveis, Relativa a Bens Adquiridos no Exterior Provenientes de PJ Vinculada Adições ao lucro líquido realizadas a menor, de parcelas de custos indedutíveis relativos a preços de transferência referentes Fl. 728DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 a insumos e produtos adquiridos de pessoa jurídica vinculada e situada no exterior, conforme descrito no item I do Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante e indivisível deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$8.218.329,61 75,00 Enquadramento Legal: Art. 18, II, da Lei n 9.430, de 1996 (art. 241, II, do RIR/99). Arts. 40, 1, 2, 3,4, 5 e 12 da IN 243, de 2002. Em decorrência das infrações descritas, foram emitidos os seguintes autos de infração, para constituição do crédito tributário da Fazenda Pública nacional: Compensações de Ofício É relevante observar que a autoridade fiscal já efetuou, por ocasião da expedição do Auto de Infração do IRPJ a compensação integral do valor tributável do IRPJ com o prejuízo fiscal do anocalendário de 2004 (f. 141) e parcial (trinta por cento do Lucro Real de R$ 2.792.952,84, antes das compensações, equivalente a R$ 837.885,85), em relação ao anocalendário de 2005 (f. 141v). Mutatis mutandis, o mesmo procedimento foi adotado pela autoridade fiscal em relação à compensação dos valores apurados no procedimento fiscal com as bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, como demonstrado às f. 144v (anocalendário de 2004) e 145 (ano calendário de 2005), no respectivo Auto de Infração. Irresignada, a contribuinte interpôs impugnação contra a totalidade da exigência fiscal, pela petição de f. 161 a 189, em que alega: em nenhum momento importou produtos que não tivessem sua comercialização autorizada no Brasil (item 25, f. 167); embora as bacitracinas (entre as quais se inclui o produto BMD) tenham tido seu uso reavaliado na União Europeia durante certo tempo, não chegaram a ser proibidas no Brasil nem nos Estados Unidos (doe. 28) e voltaram a ser liberados na Europa (doe. n 29), fato reconhecido pela autoridade fiscal àf. 139; "27. Também é importante ressaltar que tal reavaliação só ocorreu com as Bacitracinas, dentre as quais se encontra o BMD, o Deccox e o 3Nitro nunca tiveram seu uso restrito na União Europeia, o que demonstra o equívoco das premissas adotadas pela D. Fiscalização." (f. 168); Fl. 729DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 728 5 "31. Em vista do momento de considerável crescimento econômico do final dos anos 90 e início do século XXI, a Requerente apostou no crescimento exponencial do volume de vendas no mercado brasileiro, motivo pelo qual importou quantidades significativas dos produtos mencionados, mesmo ainda tendo quantidade desses produtos em seu estoque." "32. Como resultado das opções e decisões que foram tomadas a empresa não obteve os resultados que esperava e que foram projetados, tendo sofrido, na verdade, prejuízos, uma vez que o volume de importação de alguns dos produtos revelouse superior à capacidade do mercado em consumilos." (f. 169); "33. Com isso, a Requerente incorreu em elevados custos com armazenagem, transporte e logística, além do impacto da carga fiscal na importação, e também com a perda dos produtos, haja vista que pela sua própria natureza, tiveram de ser destruídos após ter expirado o respectivo prazo de validade para uso, e não haveria como reprocessálos. Portanto, a destruição dos produtos foi feita sob o rigoroso controle das autoridades fazendárias." "34. A empresa passou por processo de revisão de seu planejamento estratégico quanto à atuação no País. A administração da empresa mudou e a sede foi transferida para Santa Catarina, em Florianópolis, mais próxima de parcela relevante dos clientes estabelecidos no sul do País. As importações via marítima passaram a ser conduzidas pelo Porto de Itajaí."; entre as f. 168 e 174, constam demonstrativos das quantidades de produtos importados, vendidos, retornados e os remanescentes em estoque, ao final de cada anocalendário, de 2001 a 2002 (f. 169 Produto 3Nitro 100); de 2000 a 2003 (f. 170, produto BMD), e de 1999 a 2003 (f. 171, produto Deccox), e a impugnante conclui esses demonstrativos nos itens 43 e 44 (f. 171 e 172): 43. Mas não é só isso. Se for comparado a quantidade de produtos destruída com o volume de saídas dos períodos analisados, se poderá verificar que no caso do 3NITRO 100, o montante destruído foi de cerca de 7.800 kg, enquanto o volume que deu saída da Requerente só os anos de 2001 e 2002 foi de cerca de 45.262 kg. 44. Quanto ao BMD, a quantidade de produto destruída foi de 87.420 kg, de um total remetido de 1.898.257 kg nos anos de 2000 a 2003. Por fim, no que se refere ao DECCOX. a quantidade destruída foi de 61.043 kg para 748.609 kg que deram saída do estabelecimento. [...] 47. Da análise das informações acima, é possível verificar que a quantidade de produtos destruída foi bastante inferior ao montante comercializado pela empresa nos períodos. Portanto, a Fl. 730DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 perda de parte desse produto pelo decurso do prazo de validade é mais do que justificável, demonstrando que as conclusões obtidas pela D. Fiscalização Federal não se sustentam. 48. A destruição de parte dos estoques existentes nada mais é do que a garantia de que a Requerente só comercializa seus produtos obedecendo a critérios bastante rigorosos de controle de qualidade. E totalmente justificável a perda pequena parte de seus estoques, o que comprova que a destruição dos produtos, por se tratarem de materiais indispensáveis ao exercício das atividades da Requerente, deve compor custo dedutível do resultado do exercício. [...] 51. A Requerente demonstrou que tomou todas as providências, solicitando inclusive o acompanhamento da destruição pela autoridade fiscal (doe. « 11), o que de fato ocorreu, tendo havido a comprovação inequívoca da destruição do material (doe. ns 12). Assim, fica evidente a necessidade de reconhecimento do custo no resultado do exercício objeto da discussão. 52. Como conclusão, não obstante as estratégias e projeções de vendas equivocadas levadas a termo pela antiga administração, a Requerente sempre agiu com idoneidade de propósito, em atenção à legislação aplicável. Como se pode verificar, a forma de atuação da Requerente sempre pautouse pela transparência, sendo que manteve estrito controle fiscal de suas operações, com o regular registro das entradas e saídas dos produtos que comercializa. 53. Portanto, é necessário que se reconheça que a destruição dos produtos do estoque da Requerente, devidamente documentada e comprovada, inclusive com o acompanhamento de agentes fiscais que certificaram a destruição, deve compor custo para fins de apuração do resultado do exercício. Em seguida, ataca a impugnante o "Item 2 do Auto de Infração – utilização do método de cálculo de Preços de Transferência menos gravoso para a Requerente PIC", com as seguintes alegações (f. 177 a 184): [•••] 61. Feitas essas considerações, é possível passar para a análise da exigência formulada pela D. Fiscalização Federal. No item 2 do Auto de Infração, a D. Fiscalização Federal afirma que a Requerente teria se equivocado no cálculo do ajuste do exercício, deixando de considerar parcela relevante que deveria ser adicionada ao lucro real por conta de supostos erros no método de cálculo do Preço de Transferência dos produtos importados de pessoa jurídica relacionada no exterior. 62. No Termo de Verificação Fiscal, a D. Fiscalização Federal informou que ao solicitar os cálculos utilizados para a verificação do método de Preço de Transferência utilizado, a Requerente teria verificado equívocos na apuração do seu Fl. 731DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 729 7 método de PRL, apresentando novos cálculos para corrigir a sistemática anterior. 63. De acordo com o novo cálculo apresentado pela Requerente, a D. Fiscalização Federal considerou que o ajuste feito anteriormente pela Requerente não estaria correto, motivo pelo qual determinou a adição de valor de R$ 8.218.329,61, com o consequente ajuste do prejuízo fiscal apurado no ano de 2004. 64. Entretanto, tal exigência também não merece guarida. Apesar dos cálculos apresentados pela Requerente tem supostamente apresentado informações que permitiriam à D. Fiscalização considerar necessária a adição do valor de cerca de R$ 8.000.000,00 no resultado do exercício, o cálculo elaborado não condiz com o método que melhor traduz o ajuste necessário para fins de apuração do Preço de Transferência. A requerente verificou que o método para cálculo Preço de Transferência que melhor traduz suas aquisições não é o método do PRL, mas sim o Método do PIC. 65. Como se pode verificar da análise do demonstrativo juntado a esta Impugnação (Doe. n 30), caso se utilize o método PIC, a Requerente terá um valor ainda menor de ajuste dos preços do exercício do que aquele originalmente informado em sua DIPJ referente ao ano de 2004. 66. Tanto é assim que a Requerente já providenciou a retificação do cálculo dos Preços de Transferência para o período posterior ao objeto do Auto de Infração, quais sejam, os anos de 2005, 2006 e 2007 (does. ns 31 a 33). 67. Por essa razão, é necessário que a exigência seja cancelada, para que se aplique o método menos gravoso à Requerente, qual seja, o método PIC. Tal providência se faz necessária tendo em vista a aplicação do artigo 18, parágrafo 4, da Lei n 9 430/96, que assim estabelece: [ . . . ] 71. Ou seja, o próprio Conselho de Contribuintes reconhece que o contribuinte tem o direito de escolher o método que lhe é menos gravoso para apurar o ajuste referente ao Preço de Transferência de seus produtos, o que evidencia a necessidade de que a exigência fiscal seja cancelada. 72. A esse respeito, a Requerente transcreve a ementa e trechos do voto do Relator em outro julgamento da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos autos do Processo 16327.000796/200228, no qual se reconheceu a impossibilidade de se estabelecer limitações à escolha do método de cálculo do Preço de Transferência: [...] 73. E nem afirme que a exigência seria válida pelo fato de que os valores cobrados baseiamse no cálculo de Preço de Transferência efetuado pela própria Requerente. Em que pese o Fl. 732DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 equívoco dos cálculos apresentados, a Requerente tem o direito de refazer tais cálculos, de modo a obter o resultado que lhe será menos prejudicial. 74. Na verdade, mais do que direito da Requerente, é obrigação da autoridade administrativa rever os procedimentos do contribuinte, para garantir que deva ser aplicado o método menos gravoso. 75. O alo de lançamento é vinculado, ou seja, a D. Fiscalização Federal ao praticar o lançamento de parcela de tributo que considera devida, deve se ater necessariamente ao que a legislação estabelece. Se o parágrafo 4° do artigo 18 da Lei n 9.430/96 estabelece que o contribuinte tem o direito de ver aplicada a regra que lhe é menos gravosa, tal comando deve ser observado pela Administração. 76. Esse, aliás, é o teor de outra decisão proferida pelo Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, nos autos do Processo Administrativo 16327.003124/200274, que, ao analisar a questão, reconheceu que não só o contribuinte tem o direito a aplicar o método de cálculo de Preço de Transferência que lhe é menos gravoso, como a própria autoridade fiscal, ao fazer o lançamento de oficio, deve aplicar a mesma regra: "IRPJ. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A obrigação de dedutibilidade do maior valor apurado impõe ao Fisco, não só a utilização do método menos gravoso, mas também a demonstração, a cargo deste, de que o método utilizado atende a este requisito. MÉTODO PIC. A correta aplicação deste método exige que os preços independentes de comparação tenham sido praticados no período de apuração da base de cálculo do imposto. [...]" 77. O Conselheiro Relator, em seu voto, ressalta o caráter vinculado do ato administrativo e a necessidade de que se aplique, mesmo pela autoridade fiscal, a regra que for menos prejudicial ao contribuinte: [...] 78. Em outras palavras, o Conselho entendeu que a disposição contida no artigo 18, § 4, da Lei n 9.430/96, que estabelece que na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, o Fisco tem não só a obrigação de utilizar o método que resulte em menor ajuste , como também comprovar que este método é efetivamente aquele que traz menores adições nas bases do IRPJ e CSL do contribuinte. 79. Desse modo, a Requerente considera que o Conselho já decidiu que na apuração do cumprimento das regras de preços de transferência sempre deverá ser buscado o método que importe no menor ajuste, motivo pelo qual há a necessidade de que se cancele a exigência fiscal. 80. Além disso, também é necessário ressaltar que, ainda que tivesse havido qualquer infração à legislação tributária, o que de Fl. 733DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 730 9 fato não houve, não ocorreu qualquer prejuízo ao Erário. Especialmente no que se refere ao item 2 do Auto de Infração, a conduta da Requerente não levou recolhimento a menor dos tributos. 81. Por fim, a Requerente novamente reitera seu pedido de que seja feita diligência ou perícia técnica, acaso considerada necessária, para que se confirme os valores de cálculo do PIC apresentados. IV. A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO (f. 184) 82. O Auto de Infração em análise também pretendeu exigir CSL na mesma circunstância da exigência do IRPJ sobre os custos dos produtos destruídos. A esse respeito, destaquese que à CSL são aplicadas as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, observada a legislação específica quanto à alíquota e base de cálculo. 83. Assim sendo, são válidos os argumentos de fato e de direito apresentados anteriormente, que justificam a legalidade do procedimento adotado pela Requerente, para efeitos também da CSL. V. A INFUNDADA SUSPEITA DE PRÁTICA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA (f. 184 a 186) Neste item, a Requerente afirma ser "90. [...] despicienda a averiguação de crime.", e a própria remessa de comunicação ao Ministério Público Federal, em face da ausência de dolo, demonstrada pela própria exigência de multa no valor básico, de 75% (f. 185); no caso do item 2 do Auto de Infração, por não ter sequer havido exigência de tributo, mas apenas ajuste no prejuízo fiscal do período; e, finalmente, no caso do item 1 do Auto de Infração, pois a impugnante entende fazer "88. [...] jus à dedução do custo referente aos produtos destruídos, tendo em vista que tais produtos são justamente alguns dos produtos acabados e matériasprimas dos produtos fabricados aqui no Brasil. [...]", destruição essa devidamente documentada e comprovada. VI. A FORMULAÇÃO DE QUESITOS E A INDICAÇÃO DOS ASSISTENTES TÉCNICOS (f. 186 a 188) Neste passo, a impugnante indica seus assistentes técnicos, um médico veterinário e um economista, para se for considerado indispensável seu concurso , produzirem laudos em que respondam aos quesitos que formula no subitem 100, às f. 187 e 188: 100. Além disso, indica os seguintes quesitos para serem respondidos quando da realização da perícia técnica em questão, sem prejuízo de futura formulação de quesitos complementares e/ou elucidativos: (i) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos informar a quantidade de produtos DECCOX, 3NITRO e BMD que entraram e saíram dos estabelecimentos da Requerente nòperíodo entre 1.1.1999 e 31.12.2003; Fl. 734DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 (ii) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos informar se em algum momento os produtos DECCOX, 3NITRO e BMD teve (sic) sua comercialização proibida no mercado brasileiro nos anos de 1999 a 2004; (iii) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos informar se o método de cálculo PIC anexado a esta Impugnação está de acordo com as importações e exportações efetuadas pela Requerente no ano de 2004; (iv) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos prestar quaisquer outros esclarecimentos que julgarem necessários para a elucidação da questão em objeto. VI. CONCLUSÃO E PEDIDO (f. 188 e 189) 101. Como conclusão de todo o exposto, resta evidenciado que as infrações apontadas no Auto de Infração não ocorreram, motivo pelo qual as exigências fiscais merecem ser revistas. No que se refere ao item 1, a Requerente demonstrou que efetuou a destruição de produtos que compunham seu estoque de mercadorias para comercialização, tendo em vista terem perdido seu prazo de validade. 102. Além disso, ficou demonstrado que tal destruição não ocorreu por descontrole de estoques da Requerente, mas sim em virtude de alguns equívocos no planejamento e projeção de venda dos produtos nos anos de 1999 a 2003. De qualquer forma, o incremento das vendas justificou um aumento da importação dos produtos. 103. Assim, a destruição dos produtos é circunstância normal das atividades de qualquer empresa, o que acarreta a improcedência da exigência da D. Fiscalização Federal de pretender desconsiderar a dedução do resultado do exercício do custo da destruição dos produtos. Diante disso, é evidente que a destruição dos produtos deve compor o custo para fins de apuração do resultado do exercício de 2005, motivo pelo qual a exigência do item 1 do Auto de Infração é indevida; 104. No que se refere ao item 2 do Auto de Infração, a Requerente demonstrou que tem direito à revisão do método de cálculo do ajuste de Preço de Transferência, para adotar o método que lhe é menos gravoso, em virtude do estabelece o parágrafo 4 do artigo 18 da Lei n 9.430/96, bem como reconhecido pelo Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes. Assim, é seu direito utilizar o método PIC para o cálculo do ajuste. 105. Além disso, também é necessário ressaltar que, ainda que tivesse havido qualquer infração à legislação tributária, o que de fato não houve, não ocorreu qualquer prejuízo ao Erário. 106. Por fim, a Requerente demonstrou que a acusação de prática de infração é improcedente, uma vez que não houve sequer a prática de infração à legislação tributária, quanto mais a ocorrência de ato que pudesse ser tipificado como crime, motivo pelo qual a menção contida no Auto de Infração do possível envio de comunicação ao Ministério Público para Fl. 735DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 731 11 apuração de crime contra a ordem tributária é totalmente equivocada. Diante disso, e tendo em vista o que dispõe o artigo 83 da Lei n 9.430/96, requer que se considere e aguarde o julgamento definitivo do Processo Administrativo antes do encaminhamento de eventual representação ao Ministério Público. 107. Por tudo isso, a Requerente pleiteia seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração ora impugnado, para que se desconstitua o débito tributário decorrente do Processo Administrativo em questão. Para comprovar todas suas alegações, a Requerente protesta pela posterior juntada de novos documentos e/ou realização de diligências ou perícia técnica. A impugnante juntou a sua petição cópias autenticadas por tabelião das cédulas de "Identidade de Advogado" de seus representantes, às f. 190 e 191, bem como documentos numerados de 1 a 33, às f. 192 a 303. É de observarse que, embora informe à f. 118 que junta sob o indicativo "(doe. 1)", ao expediente de f. 118 a 123, as " [ . . . ] Licenças Sanitárias para comercialização dos produtos que a contribuinte produz ou revende: [ . . . ] " (f. 116), tais licenças (ou tal doe. 1) não estão(á) presente(s) nos autos. Os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal IRPJ (f. 135 a 140) serão relatados no voto subsequente, quando analisados os correspondentes argumentos da impugnação, já referidos. Em julgamento perante a DRJ de Florianópolis, a Turma Julgadora entendeu por manter o auto do infração, tendo a decisão sido assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa J u r í d i c a IRPJ Anocalendário: 2004,2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. TROCA DO MÉTODO DE DETERMINAÇÃO ADOTADO, APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. INVIABILIDADE. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado para o cálculo do preço parâmetro, refletido nas informações contidas na DIPJ, para determinação do limite de dedutibilidade decorrente da legislação dos preços de transferência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004,2005 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. E de indeferirse a solicitação de perícia quando não for necessário, para formação do convencimento do julgador, o conhecimento técnico especializado para correta avaliação da prova, não podendo servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que lhe cabia trazer aos autos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Em razão do disposto na Portaria MF n2 383, de 12 de julho de 2010 (DOU de 14 de julho de 2010) que vincula a administração tributária federal – e em seu anexo , é de aplicação obrigatória também por esta primeira instância administrativa de julgamento o Enunciado n2 28 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda Carf, aprovado por seu pleno em sessão de 8 de dezembro de 2009, pelo qual "O Carf não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.", deixase de proferir qualquer manifestação a respeito de representação fiscal para fins penais. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, repisando as razões de impugnação. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 732 13 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVA PERICIAL Aduz a Recorrente, em sede de preliminar, a nulidade de decisão de piso, posto que indeferiu a realização da prova pericial requerida, ofendendo o direito de ampla defesa constitucionalmente assegurado. O pedido de prova pericial foi postulado com os seguintes fundamentos: 95. Diante disso, para dirimir quaisquer dúvidas sobre as questões de fato trazidas. Em primeiro lugar, a perícia servirá para, caso se considere necessário, reforçar a demonstração já realizada nos autos de que os produtos destruídos pela Requerente estavam regularizados no país e eram aceitos pelos clientes, bem como pelos órgãos de fiscalização nacional. 96. Por outro lado, a perícia contábil também poderá demonstrar as quantidades de produtos que entraram e saíram do estabelecimento da Requerente durante o período que foi analisado pela D. Fiscalização, comprovando que o volume de produtos destruídos não era relevante face à quantidade negociada durante o período de 1999 a 2003 pela Requerente. 97. Por fim, a perícia poderá demonstrar a correção do método PIC no cálculo do ajuste do Preço de Transferência, o que demonstra que a utilização do método PRL não se justifica e, pior do que isso, vai contra o que estabelece a legislação e a jurisprudência do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes. 98. Por essa razão, pleiteia a V.Sa. que, caso considere necessária, determine a produção de prova pericial, fundamental para a demonstração da veracidade dos fatos ora alegados, acaso ainda permaneça dúvida sobre tais fatos. 99. Assim, a Requerente requer seja produzida prova pericial, ocasião em deverá o Sr. Perito designado responder aos anexos quesitos. No intuito de auxiliar os trabalhos periciais, a Requerente indica, desde já, como assistente técnico, o Sr. Marco Antônio de Almeida, residente e domiciliado na Avenida 7 0 Álvaro Rodrigues n° 1.570, conjunto 115, Centro, Município Fl. 738DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 de Florianópolis, ' ^ Santa Catarina, Médico ^Veterinário, com inscrição no Conselho Regional de \ Medicina Veterinária n°s SP 0218 (Registro em São Paulo) e SC 02637 (Registro ^ < em Santa Catarina), bem como o Sr. João Mosena, con2_jnesjno_ejid^reço, 9^ economista, com inscrição no Conselho Regional de Economia de Santa Catarina faW*G& sob n° 22543. 100. Além disso, indica os seguintes quesitos para serem respondidos quando da realização da perícia técnica em questão, sem prejuízo de futura formulação de quesitos complementares e/ou elucidativos: ( i ) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos informar a quantidade de produtos DECCOX, 3NITRO e BMD que entraram e saíram dos estabelecimentos da Requerente no período entre 1.1.1999 e 31.12.2003; (ii) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos informar se em algum momento os produtos DECCOX, 3NITRO e BMD teve sua comercialização proibida no(iii) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos informar se o método de cálculo PIC anexado a esta Impugnação está de acordo com as importações e exportações efetuadas pela Requerente no ano de 2004; (iv) queiram os Srs. Perito e Assistentes Técnicos prestar quaisquer outros esclarecimentos que julgarem necessários para a elucidação da questão em objeto. A decisão recorrida entendeu pela desnecessidade de referida prova, com os seguintes fundamentos: Já no que tange ao pedido de perícia, há de ser indeferido, tendo em conta que só se justificaria na hipótese de ser necessário conhecimento técnico especializado para correta avaliação da prova, ou de serem necessários esclarecimentos adicionais referentes à prova contida nos autos, para formação da convicção do julgador, situação que não se configura nos presentes autos eis que, como fartamente transcrito no relatório precedente e no presente voto, dúvidas não remanescem sobre a materialidade das quantidades de matérias primas e de produtos importados, comercializados ou destruídos, nem dos valores envolvidos nos fatos geradores analisados, mas apenas discordância em relação aos efeitos jurídico tributários dos mesmos acontecimentos, em face do tratamento contábil e fiscal a eles dados pelo sujeito passivo, bem como da (impossibilidade de alteração/retificação, após o início do procedimento fiscal, do método de aferição dos preços de transferência; todas essas matérias e as provas correspondentes foram adequadamente analisadas no presente voto, para solução do litígio inaugurado pela impugnação. Sobre o assunto, assim se posiciona Antônio Airton Ferreira em "Processo Administrativo Fiscal PAF", conforme citado pelo Dr. Gilson Wessler Michels em "Processo Administrativo Fiscal Fl. 739DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 733 15 Comentários e Anotações ao Decreto n.° 70.235, de 6/3/1972" (Versão 16 Atualizada até 15/Setembro/2010): PERÍCIA DEFERIMENTO COMO PRERROGATIVA DO JULGADOR: A perícia não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado. A perícia é prova de. caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico. Todavia, ela não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêla prescindível, não acolher o pedido. (Antonio Airton Ferreira em "Processo Administrativo Fiscal PAF", disponível no site www.fiscosoft.com.br, acesso em 14/02/2005). Tem razão a decisão recorrida. De fato, a perícia técnica somente se faz necessária quando for demandado o conhecimento de matéria técnica específica que não possa ser analisada de plano pelo julgador. No caso dos autos, está em debate saber (i) os efeitos da importação de medicamente por parte da Recorrente, com sua posterior destruição e registro de perda e (ii) a aplicação dos métodos de controle dos preços de transferência. Nenhuma dessas duas questões demandam conhecimento técnico que fuja ao que ordinariamente se processa no âmbito dos processos administrativos fiscais, razão pela qual deve ser rejeitada a realização da perícia, sem que isso importe em cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. PRIMEIRA INFRAÇÃO A primeira acusação fiscal é a de que a Recorrente teria promovido a importação de bens desnecessariamente e em quantidades muito elevadas, “sem levar em consideração a obsolescência iminente de estoques anteriormente existentes (rotação de estoques negligenciada), com influência indireta da fornecedora dos produtos que também é a matriz do conglomerado”. Isso porque, em junho e julho de 2004, a Recorrente requereu permissão para destruição acompanhada dos produtos BMD 11%, DECCOX, 3 NITRO e AVATEC, que foi processada em 31 de julho de 2004. Acusa a Autoridade Fiscal o seguinte: Acontece que os produtos destruídos, acima identificados, ficaram obsoletos por absoluta negligência da contribuinte, quando efetuou importações desorganizadamente, SEM A DEVIDA PRUDÊNCIA E SEM NECESSIDADE, conforme demonstramos abaixo: Conforme Termo de Intimação 03/2008 (fl. 85), a contribuinte foi intimada fornecer demonstrativo (documentado) de todas as perdas de estoque por obsolescência em que ficassem Fl. 740DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 evidenciados, além dos produtos e quantitativos derrogados, o prazo de validade, a data da fabricação, a data da obsolescência, etc. Em resposta a esta intimação, a fiscalizada apresentou as planilhas anexadas às fls. 87 a 104, no qual ficou demonstrado que a maioria dos produtos derrogados haviam sido IMPORTADOS nos anos calendário de 1998 E 1999, e APESAR dos vencimentos diferenciados (2 anos para o BMD, 3 anos para o Deccox e 5 anos para o 3Nitro) terminaram por invalidar vários lotes do produto Deccox (de março a outubro de 2002 fl. 96), vários lotes do produto BMD 11% (de outubro de 2000 a novembro de 2001 fl. 90) e alguns lotes do produto 3NITRO (em julho de 2002 a setembro de 2003fl. 9495). Acontece que uma extração de dados do sistema Siscomex, da SRF, efetuada pela fiscalização (fls. 02 a 23 do Anexo I1), informava que nos anos calendário de 1999 a 2002, a contribuinte continuou a efetuar importações de maneira EXCESSIVA para quem tinha lotes de produtos prestes a vencer nos anos calendário de 2000 a 2002. Este fato levou a fiscalização a cotejar quantitativos vincendos com quantitativos importados, fazendo concluir que a fiscalizada, independentemente de ter alguns de seus lotes em VIAS DE OBSOLESCÊNCIA, CONTINUOU NEGLIGENTEMENTE A IMPORTAR AQUELAS MERCADORIAS SEM DEMANDARLHE A SAÍDA (VENDA) DOS PRODUTOS EM VIAS DE TER SEU PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. Por isso é que a contribuinte foi intimada, por intermédio do Termo de Intimação 06/2008 (fls. 116 a 117), a se justificar de tais práticas antieconômicas, conforme transcrição abaixo (grifos nossos): "b) Justificar tecnicamente a necessidade das importações abaixo relacionadas [uma vez que conforme planilha apresentada pela própria empresa, em resposta à intimação 03/2008 (alínea "a") nas datas de chegada dos produtos ao Brasil vários lotes daqueles mesmos produtos se encontravam na iminência de se tornarem obsoletos, o que indica, a princípio, a desnecessidade de pelo menos parte das aquisições descontrole no setor de estocagem]:" "c) Justificar tecnicamente a necessidade da importação de 72.000 kg de Deccox, no ano calendário de 2000, uma vez que 1999 já haviam sido importados 422.000 kg daquele produto (e informar as quantidades vendidas deste produto nos anos Fl. 741DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 734 17 calendário de 1999 e 2000, assim como as quantidades em estoque em 31/12 daqueles períodos base);" A resposta à intimação 06/2008 CONFIRMOU QUE O DESCONTROLE DE ESTOQUES E A NEGLIGÊNCIA (OU DESCASO) NA LOGÍSTICA DAS IMPORTAÇÕES foram mesmo os motivos que levaram à contribuinte deixar de evitar a obsolescência dos seus produtos (fls. 118 a 123): Em primeiro lugar porque, conforme confirmado pela fiscalizada em resposta àquela intimação (fl. 118 item 4), "as projeções feitas quanto ao crescimento potencial da participação de alguns produtos da empresa no mercado não se concretizaram, determinouse a importação de determinados produtos em quantidade superior à capacidade da empresa e do mercado em absorvêlos e consumilos..." Em segundo lugar porque, como também se pode reparar pela resposta à intimação 04/2008, o descontrole no estoque e nas importações era ainda mais deficiente do que a fiscalização supunha. Ressaltese, por exemplo, que o caso do produto BMD 11% (fl. 121), apesar da contribuinte ter um saldo inicial (em 31/12/1999) de 621.301,90 quilogramas (seiscentas e vinte e uma toneladas), e ter 5.425 kg vencendo em outubro de 2000 (10/2000) e mais 42.975 kg vencendo no mês seguinte (novembro/2000), ainda assim a contribuinte ousou importar naquele períodobase nada menos que 146.000 kg (cento e quarenta e seis mil kg), ao invés de utilizar naquele ano pelo menos as parcelas vincendas de 48.400 kg (quarenta e oito mil e quatrocentos kg — fl. 116), que acabaram se tornando sem validade e sendo incineradas (e debitadas a custo das mercadorias vendidas) em junho de 2004. Mas, o que não se pode mesmo admitir, muito menos entender, é que quantitativos em iminência de atingir seu prazo fatal de validade (tais como o BMD em outubro e novembro de 2000 conforme tabela acima), ao invés de terem sido utilizados antes da obsolescência (por intermédio da elementar técnica do P.E.P.S. primeiro que entra deveria ser o primeiro que sai), pudessem ter sido preteridos, em vendas, a lotes do mesmo produto que não estivessem na iminência de obsoletar. O mesmo se diga para o produto 3NITRO 100, cujos quantitativos vincendos em 07/2002, conforme planilha acima transcrita (item b da intimação 04 fl. 116), conviveram paradoxalmente com a compra continuada, naquele período base (2002), de quantidades até mesmo muito maiores que a que estavam perecendo, e o que é pior, SEM QUE A CONTRIBUINTE SE DESSE CONTA DE UTILIZAR OS QUANTITATIVOS VINCENDOS, A FIM Fl. 742DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 DE EVITAR A SUA DETERIORAÇÃO PELO PRAZO DE VALIDADE. Procedimento equivalente mas não menos incoerente e imprudente ocorreu com o produto Deccox pois: apesar de terem sido vendidos apenas 11.320 kg (!) durante todo o ano calendário de 2000 (fl. 122), embora tivesse uma validade esperada de apenas 3 anos e a fiscalizada o tivesse em estoque, em 31/12/1999, em quantidade de quase 300.000 kg (fl. 122), a contribuinte ousou importar a quantia nada desprezível de mais 72.000 kg no ano de 2000, o que obviamente colaborou fatalmente para o vencimento dos 61.043 kg no ano calendário de 2002 (fl. 96). A própria contribuinte reconheceu, na resposta à intimação (fl. 123) a desnecessidade de importação do produto (Deccox Decoquinato) o que ocasionou prejuízos e a "ocorrência de custos desnecessários ", "haja vista que tiveram que ser destruídos após ter expirado o respectivo prazo de validade para uso " (sic ! fl. 123 item 12). Ocorre que vigora na legislação brasileira do Imposto de Renda o conceito de NECESSIDADE dos custos e despesas, uma vez que as despesas ou "custos desnecessários", na legislação do imposto de renda (e da CSLL), EMBORA PASSÍVEIS DE CONTABILIZAÇÃO COMO TAL para efeito de lucros contábeis, são indedutíveis da base de cálculo do IR (o lucro real), nos termos do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda. De se citar: [...] Ressaltese que TODOS OS TRÊS PRODUTOS ACIMA DESCRITOS foram (à época) importados diretamente da MATRIZ do grupo ALPHARMA, denominada ALPHARMA INC. (fl. 84), que é detentora da marca Alpharma no mundo, e que por sua condição MAJORITÁRIA no conglomerado teve e ainda tem importante poder de DECISÃO sobre os destinos da fiscalizada e consequentemente daquela sua logística de estoques, que se mostrou infundada. A própria contribuinte informou na resposta à intimação 06/2008 que, à época, as operações da empresa eram conduzidas e coordenadas pelos Srs. Loren Willians (Diretor para a América Latina) e José Paulo de Sá, então gerente geral notese a nada sutil dependência brasileira das decisões da Matriz estrangeira Alpharma). E, como se vê, fica demonstrado que grande parte das importações efetuadas pela contribuinte não foram realizadas por necessidade, mas sim, por descontrole, Fl. 743DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 735 19 QUIÇÁ ATÉ POR INDUÇÃO da Matriz estrangeira (grupo Alpharma multinacional), conforme se vislumbrará adiante: A Alpharma Inc., Matriz mundial do conglomerado Alpharma, segundo suas próprias palavras (fl. 79), efetuou a "aquisição, com reflexos no Brasil, de TODA A DIVISÃO MUNDIAL de Aditivos Alimentares Medicados (AAM) da ROCHE " (Hoffmann La Roche outra gigante multinacional de medicamentos), no valor de R$ 536,7 milhões de Reais (ao dólar da época), ocorrida em 26 de abril de 2000, INCLUSIVE SEUS ESTOQUES (fl. 79), conforme relatado no processo "Ato de Concentração n 08012.007344/0041", que tramitou no CADE Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Ministério da Justiça, anexado às fls. 77 a 84, o que, com certeza, elevou os estoques do grupo no início de 2000. A mesma época, em final dos anos 90 (1998, 1999 e início de 2000), a Comunidade Econômica Europeia passou a restringir mais fortemente a utilização dos até então conhecidos como "promotores do crescimento", passando a classificálos como "ADITIVOS ALIMENTARES" (Decoquinato, Lasalocida), "MEDICAMENTOS VETERINÁRIOS" E/OU "ANTIBIÓTICOS (Bacitracinas, Espiramicina), exigirlhes testes de toxicidade e de resíduos nos animais por eles ingeridos, a ponto até de impedir alguns na utilização na alimentação animal. E que naqueles períodos base passou a vigorar efetivamente, como "legislação da Comunidade Econômica Europeia ", os ditames da Diretiva 70/542 da CEE e alterações (fls. 40 a 84 do Anexo II), no qual os "promotores do crescimento ", "aditivos para a alimentação animal (antibióticos, coccidiostáticos e outras substâncias medicamentosas e fatores de crescimento), MESMO OS JÁ CADASTRADOS naquela Comunidade, passaram a ter autorização de utilização apenas provisoriamente, "com vistas à sua REAVALIAÇÃO enquanto aditivos que vinculam um responsável pela sua colocação em circulação " naquele continente ver legislação da CEE anexada às fls. 40 a 84 do Anexo II). f. 139: Em suma, entendeu a Autoridade Fiscal que, tendo em vistas restrições impostas pela CEE à comercialização dos produtos em voga, os mesmos foram importados pela Recorrente, ainda que não houvesse a necessidade dos mesmos para utilização no processo Fl. 744DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 produtivo no Brasil, tornandoos despesas desnecessárias e, por conseguinte, indedutíveis as perdas decorrentes da destruição de equivalentes que, uma vez em estoque, não chegaram a ser utilizados antes do prazo de validade. Não vejo como a tese da Autoridade Fiscal possa se sustentar. Inicialmente por não estar no campo de deliberação do Fisco saber acerca da necessidade de importação de insumos por parte das empresas em geral, seja porque referida decisão encontrase exclusivamente no âmbito da liberdade empresarial De fato, se os produtos importados não eram proibidos de comercialização no Brasil e havia, ainda que por suposição, mercado hábil para absorção dos produtos importados, não há como se dizer que, para fins fiscais, não havia interesse da empresa no Brasil em realizar a aquisição desses bens de sua controladora no exterior. Aliás, a situação é justamente o contrário: se os produtos foram proibidos no exterior – impossibilitando seu consumo nos países de origem, e não o foram no Brasil – possibilitando o seu consumo no país – nada mais lógico que referidas operações fossem de fato concretizadas. Isso porque, com a restrição da venda dos produtos no exterior, a perda para a matriz seria certa, sendo que a importação dos produtos pela empresa brasileira surge como uma alternativa plausível e possível de aproveitamento dos produtos no Brasil, ante a ausência de vedação de sua comercialização dos produtos no país. Por fim, não há como a autoridade fiscal imiscuirse em dizer o que é certo ou o que é errado na organização e estratégia empresarial, desde que os negócios sejam lícitos e possíveis. Válida, assim, a justificativa da Recorrente, para quem "as projeções feitas quanto ao crescimento potencial da participação de alguns produtos da empresa no mercado não se concretizaram, determinouse a importação de determinados produtos em quantidade superior à capacidade da empresa e do mercado em absorvêlos e consumilos..." (fl. 118 item 4). Acrescer 43. Mas não é só isso. Se for comparado a quantidade de produtos destruída com o volume de saídas dos períodos analisados, se poderá verificar que no caso do 3NITRO 100, o montante destruído foi de cerca de 7.800 kg, enquanto o volume que deu saída da Requerente só os anos de 2001 e 2002 foi de cerca de 45.262 kg. 44. Quanto ao BMD, a quantidade de produto destruída foi de 87.420 kg, de um total remetido de 1.898.257 kg nos anos de 2000 a 2003. Por fim, no que se refere ao DECCOX. a quantidade destruída foi de 61.043 kg para 748.609 kg que deram saída do estabelecimento. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 736 21 Permissa venia, a lógica adotada no auto de infração desconsidera os custos de importação, transporte, logística e armazenamento, tudo para incorrer propositalmente em perda. Diante do exposto, voto por cancelar o auto de infração nesse particular. SEGUNDA INFRAÇÃO Segundo a acusação fiscal (fls. 136 e ss): Conforme declaração do imposto de renda DIPJ, anexa às fls. 02 a 80 do Anexo I, a fiscalizada adicionou ao lucro líquido, no ano calendário de 2004, a quantia de R$ 701.315,09 (setecentos e um mil, trezentos e quinze reais e nove centavos) oriundas da utilização do método PRL 20, referente à importação de quatro mercadorias apenas, segundo cópia da "ficha 41" da DIPJ, anexada à fls. 70 a 73 do mesmo anexo. Consoante o Termo de Intimação 04/2008, anexado à íl. 106, a contribuinte foi intimada a fornecer a relação insumo x produto de todos os produtos por ela industrializados e/ou comercializados, assim como os demonstrativos do cálculo do "preço parâmetro de transferência", nos termos do artigo 40 da IN 243/2002. De se citar: Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos Auditores Fiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 22 A relação insumo x produto, anexada à fl. 105, fornecida pela contribuinte revelou ter havido, em 2004, 12 (produtos) comercializados e 4 (quatro) produtos industrializados (esses últimos transformados a partir de três matérias primas apenas Lasalocida, 3Nitro e Robenidina). Em contradição àquela relação Insumo x Produto, anexada à fl. 105, a contribuinte, alguns dias depois, apresentou uma planilha de cálculo para os preços de transferência em que para as matérias primas importadas, acima descritas (Lasalocida, 3Nitro e Robenidina), sujeitas à industrialização, utilizava o mesmo método que para as mercadorias importadas, de imediata comercialização (PRL20). No entanto, isto contraria o artigo 2° da Lei 9.959/2000. De se citar: Art. 2o A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: [...] "d) da margem de lucro de: sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (NR) (grifouse) Assim, por contrariar o artigo 2° da Lei 9.959/2000 e o 4 o da IN 243/2002 , reintimamos a contribuinte pelo Termo de Intimação 05/2008 (fls. 109), a fornecer novamente os demonstrativos de cálculo dos preços parâmetro de transferência, "nos termos do artigo 40 da IN 243/2002". A resposta à intimação 05/2008 (íl. 110111), embora desta feita tenha trazido os preços de transferência dos produtos industrializados pelo PRL60, e não mais pelo PRL20, o que era correto, indicou como quantidade vendida das matérias primas "3Nitro" e "Lasalocid Sócio", respectivamente, os quantitativos de 19.859,98 Kg e 41.955,77 Kg, o que destoava fortemente para menor dos valores efetivamente vendidos, indicados n a resposta da relação Insumo x Produto, anexada à fl. 105 (93.305,00 Kg e 132.778,50 Kg respectivamente). Por isso é que a contribuinte viuse tacitamente obrigada a refazer novamente os cálculos apresentados à fl. 110, solicitando verbalmente mais prazo para apresentar os ajustes (o que lhe foi concedido também verbalmente), e que culminou com a apresentação, vinte dias depois, de u m a nova planilha (anexada à fl. 112). Também a planilha anexada à fl. 112, por ter considerado erroneamente algumas (poucas) compras de mercadorias no mercado nacional (que obviamente não está sujeito a cálculo de Fl. 747DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 737 23 preços de transferência), foi substituída pelas planilhas de fls. 113 e 114. E, finalmente, conforme REVELOU esta planilha, apresentada à fls. 113/114, verificouse que a contribuinte, ao invés de adicionar os R$ 701.315,09 (setecentos e um mil, trezentos e quinze reais e nove centavos) apresentados no LALUR (fl. 29) e n a DIPJ (fl. 08 do Anexo I), deveria, na realidade ter adicionado R$ 4.894.910,78 referente aos produtos revendidos, mais R$ 4.024.733,92 referentes aos produtos industrializados, perfazendo um total de R$ 8.919.644,70. Isto significa que falta adicionar ainda a quantia de R$ 8.218.329,61 (oito milhões duzentos e dezoito mil trezentos e vinte e nove reais e sessenta e um centavos), a serem lançados de ofício, no presente Auto de Infração, a título de preços de transferência para produtos IMPORTADOS. Sujeitase portanto a contribuinte, ao lançamento complementar de R$ 8.218.329,61 (oito milhões duzentos e dezoito mil trezentos e vinte e nove reais e sessenta e um centavos), considerados indedutíveis, a serem ADICIONADOS ao Lucro Líquido do Exercício, nos termos do artigo 18 da Lei n° 9.430/1996. Em sede de impugnação, a Recorrente passou a defender que o melhor método para respaldar a operação realizada é o método PIC, e não o PRL. Citando precedentes deste Conselho, assim como os Comentário da OCDE, a Recorrente faz entender que seria obrigação da Autoridade Fiscal testar todos os métodos para, em eventual lançamento, aplicar aquele que é mais benéfico ao contribuinte. Não entendo dessa forma. De fato, é direito do contribuinte, quando demandado à apresentar a regularidade do método de preço de transferência nas operações que realiza com parte relacionada, escolher qualquer um dos métodos dispostos na lei – e obviamente escolher aquele que lhe garante o menor ou nenhum ajuste. Para garantir esse direito do contribuinte, nenhum dos métodos pode ser restrito a priori, como É isso que diz Sandra Maria Faroni no julgamento do recurso nº 137.928, citado em sede de recurso, in verbis: "Este Colegiado já decidiu que a Lei n ° 9.430/96 não restringe a utilização do Método do Preço de Revenda menos o Lucro PRL a qualquer empresa. Por conseguinte, a Instrução Normativa SRF n° 38, de 30/04/1997, ao vedar a utilização de um método específico para apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, inovou a matéria em relação à legislação de regência, em desrespeito ao princípio da legalidade (art. R O . . inciso I I . e 37 da CF/88 e art. Q7. do CTN). segundo o qual, somente a lei pode estabelecer situações que, se e quando Fl. 748DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 24 ocorridas no mundo fático. são capazes de gerar a obrigação de pagar tributo e de fixar o quantum debeatur ou hipótese de infração à lei. Assim, por se tratar de matéria sujeita à mais absoluta reserva da lei, em sentido formal e material, jamais poderia, o ato normativo, ter instituído vedação absoluta à utilização do método PRL, introduzindo, desta forma, verdadeira inovação em relação à lei de regência da matéria." (não destacado no original) Vejase que não é essa a hipótese dos autos: a Autoridade Fiscal não impôs nenhum óbice a que a Recorrente, no momento oportuno, em que utilizasse do PIC ou do CPL para respaldar suas operações. No entanto, a Recorrente optou por apresentar o método PRL20, cuja aplicação está restrita aos bens importados e vendidos sem passar por transformação ou industrialização no Brasil. Na mesma linha seguem os Guidelines on Transfer Princing da OCDE, para quem: "Sobre a escolha do método, o Relatório da OCDE que trata dos princípios aplicáveis em matéria de preços de transferência prevê que, 'do mesmo modo que não existe um método único utilizável em todas as circunstâncias, também não é necessário rejeitar este ou aquele método'. E que 'os grupos multinacionais são inteiramente livres de recorrer a outros métodos além dos descritos no presente Relatório, desde que os preços fixados satisfaçam o princípio de plena concorrência, em conformidade com os princípios diretores aqui enunciados. O contribuinte deve manter, no entanto, documentação relativa ao modo como os preços de transferência foram fixados e estar apto a disponibilizála.' Assim, o Relatório da OCDE acerca dos princípios faculta, sim, a escolha de qualquer dos métodos nele previstos (não rejeita a utilização de nenhum deles), permitindo, outrossim, a adoção de outros métodos nele não previstos, porém, nesses casos, condiciona a adoção a que o método satisfaça o princípio da plena concorrência e à manutenção de documentação que demonstre o modo de fixação do preço de transferência. Presumese que os métodos previstos no Relatório (entre os quais se encontra o PRL) atendem o princípio da livre concorrência, e a adoção de outros não previstos pressupõe a demonstração de que também atendem àquele princípio. (...) Em conclusão, ao dispor, no capuí , que o valor dedutível não pode exceder ao valor calculado por um dos métodos, a lei facultou ao contribuinte a escolha do método. Mais que isso, no § 4, admitiu a utilização de todos os métodos e escolha do resultado mais favorável. Pode, a fiscalização, impugnar o cálculo feito pelo contribuinte segundo qualquer dos métodos, não podendo, todavia, impugnar a escolha do método." E de fato, como afirmado acima, a escolha é facultada ao Contribuinte. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 738 25 Não se pode aceitar, no entanto, que se impute à Fiscalização, ante a irregularidade na aplicação do método apontado pelo contribuinte, que a mesma esteja obrigada a aplicar o método mais favorável, testando cada um deles. Ora, cabe ao contribuinte apresentar o método que escolheu e sustentálo em seus fundamentos. No entanto, a partir do momento em que a Recorrente indicou o método PRL20, e posteriormente o método PRL60, não pode a mesma dizer que não efetuou a escolha que a lei – e a própria lógica mundial – de aplicação das normas de controle dos preços de transferência lhe defere. Agora, a partir daí, extrair que deveria a Fiscalização escolher o método que é mais favorável ao contribuinte, e que não foi por ele indicado, não tem cabimento nem na lei, nem na lógica internacional de aplicação das normas de controle dos preços de transferência. Com essas razões, nego provimento ao recurso nesse particular. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para cancelar as glosas relativas às perdas (infração 01), mantendo quanto ao demais, o auto de infração. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 26 Voto Vencedor O Conselheiro Antonio Bezerra Neto: Em que pese as sempre bem fundamentadas razões de decidir posta pelo nobre Conselheiro Relator, peço vênia para discordar em relação à primeira infração que foi assim descrita pela autoridade fiscal: 001 – Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Necessários Exclusão Indevida do Lucro Líquido (no Anobase de 2005) Produtos importados adquiridos desnecessariamente, em quantidades muito elevadas, sem levar em consideração a obsolescência iminente de estoques anteriormente existentes (rotação de estoques negligenciada), com influência indireta da fornecedora dos produtos que também é a matriz do conglomerado, conforme descrito item II do Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante e indivisível deste Auto de Infração, cujos efeitos fiscais de exclusão do lucro líquido se efetivaram apenas no ano calendário de 2005. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 2.415.017,74 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 249, I, 299 e 300 do RIR/99. Dispositivos Infringidos: Arts. 299 e 250, I e II, do RIR/99. Como se sabe, a norma é a dedutibilidade das despesas necessárias, e não as meramente volitivas, conforme regra encartada no RIR/99: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º.)” (Grifei). O primeiro ponto a ser analisado é a questão da necessidade, usualidade ou normalidade da referida despesa. Essa regra é a que mais oferece dificuldade na análise em virtude da vagueza e subjetividade desses conceitos. Na verdade, o que a legislação tenta perseguir através desses conceitos é uma referência à idéia do que seja “mera liberalidade”, em que não haveria a correlação correspondente, direta ou indiretamente, entre gastos despendidos/receita correlata auferida. Como se vê, não obstante ser a existência real da despesa, condição necessária para a sua dedutibilidade, ela não é suficiente. Há que se comprovar também a sua necessidade diante da atividade desenvolvida pela empresa. É que despesas assumidas, pagas ou incorridas por mera liberalidade não são aceitas pela legislação fiscal ou são aceitas dentro de determinados limites. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 739 27 Nesse ponto, tornase relativa a seguinte raciocínio do Relator que foi colocado de forma absoluta: Inicialmente por não estar no campo de deliberação do Fisco saber acerca da necessidade de importação de insumos por parte das empresas em geral, seja porque referida decisão encontrase exclusivamente no âmbito da liberdade empresarial É que apesar de não haver limite objetivo fixado na lei para a dedutibilidade de despesas operacionais incorridas, o Direito não compactua com desvios da finalidades da norma, nem mesmo quando se está no exercício de um direito. É por isso que existe a figura da “fraude a lei” e “abuso de direito”. Nesse caso, nem mesmo precisamos nos utilizar desses institutos, uma vez que tal limite para se evitar desvios de finalidade e abuso de direito no direito à dedutibilidade de despesas encontrase ínsito e positivado no art. 299, § 2º do RIR/99, através da chamada “cláusula aberta e indeterminada” sujeita como tal a certo subjetivismo, mas que dela se pode extrair limites não arbitrários, mas fundamentados e razoáveis para a dedutibilidade em casos como esses. Ou seja, o limite é dado e aferido a partir do conceito de necessidade e liberalidade dispostos em lei. O TVF é bastante detalhado e profícuo em demonstrar todo o contexto gerencial e financeiro em que se deu as referidas importações desnecessariamente excessivas. Fico também bastante claro que não se trata de mero descontrole de gestão de estoques, mas intenção deliberada da organização que controla os fluxos estoques em escala mundial que decidiu transferir excedentes inconvenientes que aqui poderiam ser comercializados mesmo com o altíssimo risco de serem aqui destruídos (como de fato o foram), gerando prejuízos pretensamente dedutíveis na Recorrente. Eis abaixo o teor do TVF dando conta disso de forma detalhada: Essa infração foi detalhadamente descrita pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal – IRPJ, já reproduzido no voto vencido, mas que se destaca aqui ponto que considero relevante: II – CUSTOS INDEDUTÍVEIS – PROVISÃO PARA PERDAS DE ESTOQUE – PRODUTOS IMPORTADOS CUJO VENCIMENTO DO PRAZO DE VALIDADE TEVE COMO PRINCIPAL MOTIVO O DESCONTROLE DOS ESTOQUES, UMA VEZ QUE FORAM ADQUIRIDOS DESNECESSARIAMENTE EM QUANTIDADES MUITO ELEVADAS, SEM LEVAR EM CONTA A OBSOLESCÊNCIA IMINENTE DE ESTOQUES ANTERIORMENTE EXISTENTES E COM INFLUÊNCIA DIRETA DA PRÓPRIA FORNECEDORA DAS MERCADORIAS QUE É A MATRIZ DO CONGLOMERADO ALPHARMA. (...) Acontece que os produtos destruídos, acima identificados, ficaram obsoletos por absoluta negligência da contribuinte, quando efetuou importações desorganizadamente, SEM A DEVIDA PRUDÊNCIA E SEM NECESSIDADE, conforme demonstramos abaixo: Fl. 752DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 28 Conforme Termo de Intimação 03/2008 (fl. 85), a contribuinte foi intimada fornecer demonstrativo (documentado) de todas as perdas de estoque por obsolescência em que ficassem evidenciados, além dos produtos e quantitativos derrogados, o prazo de validade, a data da fabricação, a data da obsolescência, etc. Em resposta a esta intimação, a fiscalizada apresentou as planilhas anexadas às fls. 87 a 104, no qual ficou demonstrado que a maioria dos produtos derrogados haviam sido IMPORTADOS nos anos calendário de 1998 E 1999, e APESAR dos vencimentos diferenciados (2 anos para o BMD, 3 anos para o Deccox e 5 anos para o 3Nitro) terminaram por invalidar vários lotes do produto Deccox (de março a outubro de 2002 – fl. 96), vários lotes do produto BMD 11% (de outubro de 2000 a novembro de 2001 – fl. 90) e alguns lotes do produto 3NITRO (em julho de 2002 a setembro de 2003 – fl. 9495). Acontece que uma extração de dados do sistema Siscomex, da SRF, efetuada pela fiscalização (fls. 02 a 23 do Anexo I1), informava que nos anos calendário de 1999 a 2002, a contribuinte continuou a efetuar importações de maneira EXCESSIVA para quem tinha lotes de produtos prestes a vencer nos anos calendário de 2000 a 2002. Este fato levou a fiscalização a cotejar quantitativos vincendos com quantitativos importados, fazendo concluir que a fiscalizada, independentemente de ter alguns de seus lotes em VIAS DE OBSOLESCÊNCIA, CONTINUOU NEGLIGENTEMENTE A IMPORTAR AQUELAS MERCADORIAS SEM DEMANDARLHE A SAÍDA (VENDA) DOS PRODUTOS EM VIAS DE TER SEU PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. Por isso é que a contribuinte foi intimada, por intermédio do Termo de Intimação 06/2008 (fls. 116 a 117), a se justificar de tais práticas antieconômicas, conforme transcrição abaixo (grifos nossos): “b) Justificar tecnicamente a necessidade das importações abaixo relacionadas [uma vez que conforme planilha apresentada pela própria empresa, em resposta à intimação 03/2008 (alínea “a”) nas datas de chegada dos produtos ao Brasil vários lotes daqueles mesmos produtos se encontravam na iminência de se tornarem obsoletos, o que indica, a princípio, a desnecessidade de pelo menos parte das aquisições – descontrole no setor de estocagem]:” PRODUTO MÊS/ANO DA IMPORTAÇÃO QUANTIDADES IMPORTADAS (KG) DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO QUANTIDADES VINCENDAS (KG) DATA DO IMINENTE VENCIMENTO BMD 01/2000 04/2000 60.000 100.000 XXXXX VÁRIAS 5.425 42.975 10/2000 11/2000 3 NITRO 02/2001 03/2001 08/2001 03/2002 09/2002 11/2002 5.000 5.000 5.000 3.000 5.000 5.000 889806 151533 63695 213590 319500 817806 4.600 3.200 07/2002 09/2003 1 Nota do relator: os referidos extratos do Siscomex o primeiro com 12 laudas (1 de 12 a 12 de 12) e o segundo com 11 laudas (1 de 11 a 11 de 11) , se encontram às f. 2 a 13 e 14 a 24 do Anexo II, e não às f. 2 a 23 do Anexo I, como consta no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 1401001.229 S1C4T1 Fl. 740 29 “c) Justificar tecnicamente a necessidade da importação de 72.000 kg de Deccox, no ano calendário de 2000, uma vez que 1999 já haviam sido importados 422.000 kg daquele produto (e informar as quantidades vendidas deste produto nos anos calendário de 1999 e 2000, assim como as quantidades em estoque em 31/12 daqueles períodos base);” A resposta à intimação 06/2008 CONFIRMOU QUE O DESCONTROLE DE ESTOQUES E A NEGLIGÊNCIA (OU DESCASO) NA LOGÍSTICA DAS IMPORTAÇÕES foram mesmo os motivos que levaram à contribuinte deixar de evitar a obsolescência dos seus produtos (fls. 118 a 123): Em primeiro lugar porque, conforme confirmado pela fiscalizada em resposta àquela intimação (fl. 118 – item 4), “as projeções feitas quanto ao crescimento potencial da participação de alguns produtos da empresa no mercado não se concretizaram, determinouse a importação de determinados produtos em quantidade superior à capacidade da empresa e do mercado em absorvêlos e consumilos ...” Em segundo lugar porque, como também se pode reparar pela resposta à intimação 04/2008, o descontrole no estoque e nas importações era ainda mais deficiente do que a fiscalização supunha. Ressaltese, por exemplo, que o caso do produto BMD 11% (fl. 121), apesar da contribuinte ter um saldo inicial (em 31/12/1999) de 621.301,90 quilogramas (seiscentas e vinte e uma toneladas), e ter 5.425 kg vencendo em outubro de 2000 (10/2000) e mais 42.975 kg vencendo no mês seguinte (novembro/2000), ainda assim a contribuinte ousou importar naquele períodobase nada menos que 146.000 kg (cento e quarenta e seis mil kg), ao invés de utilizar naquele ano pelo menos as parcelas vincendas de 48.400 kg (quarenta e oito mil e quatrocentos kg – fl. 116), que acabaram se tornando sem validade e sendo incineradas (e debitadas a custo das mercadorias vendidas) em junho de 2004. Mas, o que não se pode mesmo admitir, muito menos entender, é que quantitativos em iminência de atingir seu prazo fatal de validade (tais como o BMD em outubro e novembro de 2000 – conforme tabela acima), ao invés de terem sido utilizados antes da obsolescência (por intermédio da elementar técnica do P.E.P.S. – primeiro que entra deveria ser o primeiro que sai), pudessem ter sido preteridos, em vendas, a lotes do mesmo produto que não estivessem na iminência de obsoletar. O mesmo se diga para o produto 3NITRO 100, cujos quantitativos vincendos em 07/2002, conforme planilha acima transcrita (item b da intimação 04 – fl. 116), conviveram paradoxalmente com a compra continuada, naquele período base (2002), de quantidades até mesmo muito maiores que a que estavam perecendo, e o que é pior, SEM QUE A CONTRIBUINTE SE DESSE CONTA DE UTILIZAR OS QUANTITATIVOS VINCENDOS, A FIM DE EVITAR A SUA DETERIORAÇÃO PELO PRAZO DE VALIDADE. Procedimento equivalente mas não menos incoerente e imprudente ocorreu com o produto Deccox pois: apesar de terem Fl. 754DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 30 sido vendidos apenas 11.320 kg (!) durante todo o ano calendário de 2000 (fl. 122), embora tivesse uma validade esperada de apenas 3 anos e a fiscalizada o tivesse em estoque, em 31/12/1999, em quantidade de quase 300.000 kg (fl. 122), a contribuinte ousou importar a quantia nada desprezível de mais 72.000 kg no ano de 2000, o que obviamente colaborou fatalmente para o vencimento dos 61.043 kg no ano calendário de 2002 (fl. 96). A própria contribuinte reconheceu, na resposta à intimação (fl. 123) a desnecessidade de importação do produto (Deccox – Decoquinato) o que ocasionou prejuízos e a “ocorrência de custos desnecessários”, “haja vista que tiveram que ser destruídos após ter expirado o respectivo prazo de validade para uso” (sic ! – fl. 123 item 12). Ocorre que vigora na legislação brasileira do Imposto de Renda o conceito de NECESSIDADE dos custos e despesas, uma vez que as despesas ou “custos desnecessários”, na legislação do imposto de renda (e da CSLL), EMBORA PASSÍVEIS DE CONTABILIZAÇÃO COMO TAL para efeito de lucros contábeis, são indedutíveis da base de cálculo do IR (o lucro real), nos termos do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda. De se citar: [...] Por todo o exposto, nego provimento em relação a esse item. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 755DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 23/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001421/2008-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/08/2006
AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. EXTINÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE PÚBLICO. ANISTIA CONCEDIDA POR LEI.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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FATOS GERADORES. Recorrente JOSÉ REINALDO S. DOS SANTOS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/08/2006 AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. EXTINÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE PÚBLICO. ANISTIA CONCEDIDA POR LEI. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 14 21 /2 00 8- 12 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.001421/200812 Acórdão n.º 2803004.019 S2TE03 Fl. 599 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal contempla o Auto de Infração – AI DEBCAD 35.900.2501, CFL.68, consiste em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 08 a 10, o auto de infração, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinada por lei. A pessoa física foi autuado em razão de sua atuação como dirigente de órgão público. 2. Conforme dispõe a Legislação previdenciária e o Regimento Interno da Câmara Municipal de Crisópolis (anexo), o presente Auto de Infração foi lavrado em nome do Presidente da Câmara Municipal em exercício no período referente à autuação: O Artigo 41 da Lei 8.212, de 1991 dispõe: "Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da Administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 28/09/2006, conforme espelho SIPPS, as fls. 196, a defesa está acostada, as fls. 197 a 199, acompanhada dos documentos, de fls. 200 a 460; 463 a 526. A impugnação foi considerada intempestiva, fls. 534 e 535. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a Decisão Notificação – DN nº 04.401.4/0531/2006, em 20/11/2006, fls. 536 a 541, no qual a autuação foi considerada procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/04/2007, AR, fls. 545. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 551 a 554, protocolizado, em 15/05/2007, conforme espelho SIPPS, de fls. 550, acompanhada dos documentos, de fls. 555 a 563. As razões recursais não serão resumidas, o que explicará no voto. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 565. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.001421/200812 Acórdão n.º 2803004.019 S2TE03 Fl. 600 3 Os autos foram remetidos ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 565. Os presentes autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote nº 16, despacho, de fls. 597. É o Relatório. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.001421/200812 Acórdão n.º 2803004.019 S2TE03 Fl. 601 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado A MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 41 da Lei 8.212/91 e deste modo e nos termos do Parecer PGFN 190/2009 itens 21 a 23, abaixo transcrito, a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão foi extinta, o que atrai a aplicação do artigo 106, II, “a”, da Lei 5.172/66. 21. O segundo item prioritário trata da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212, de 1991, pela MP nº 449, de 2008, que possuía a seguinte redação: “Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição.” 22. Inicialmente, entendemos que neste caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei 8.212, de 1991. Além do que dito acima, o artigo 12, da Lei 12.024/2009, abaixo transcrito deu expressa anistia à situação versada nos autos, o que implica na exclusão do crédito tributário, nos termos do artigo 175, II c/c o 180, caput, da Lei 5.172/66. Art. 12. São anistiados os agentes públicos e os dirigentes de órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a quem foram impostas penalidades pecuniárias pessoais, até a data de publicação desta Lei, com base no art. 41 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.001421/200812 Acórdão n.º 2803004.019 S2TE03 Fl. 602 5 Destarte, com esses argumentos a autuação não deve subsistir, este é o motivo pelo qual as razões recursais não foram sumariadas. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento, reconhecendo a improcedência do crédito, devido à revogação do artigo 41, da Lei 8.212/91, pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, deixando de ser a conduta do dirigente do órgão, infração à lei tributária, bem como pela anistia concedida a estes pelo artigo 12, da Lei 12.024/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10882.002583/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE.
As perdas no recebimento de crédito oriundas da atividade da pessoa jurídica somente podem ser deduzidas como despesa, para determinação do lucro real, se observada a determinação do art. 9º da Lei nº 9.430/1996, acompanhada de sua comprovação realizada por meio de provas hábeis e idôneas.
PROVAS PERICIAL E TESTEMUNHAL. MEIOS DE PROVA SUBSIDIÁRIOS.
As provas pericial e testemunhal são meios subsidiários de formação da convicção do julgador, restringindo-se, pois, ao aprofundamento de questões objeto de provas já acostadas aos autos, não constituindo meio de substituição de provas que deveriam ter sido produzidas e juntadas aos autos em momento oportuno.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL.
O decidido para o lançamento principal deve ser estendido aos demais lançamentos reflexivos face à vinculação existente.
Numero da decisão: 1401-001.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relato
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Berra Presta e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas no recebimento de crédito oriundas da atividade da pessoa jurídica somente podem ser deduzidas como despesa, para determinação do lucro real, se observada a determinação do art. 9º da Lei nº 9.430/1996, acompanhada de sua comprovação realizada por meio de provas hábeis e idôneas. PROVAS PERICIAL E TESTEMUNHAL. MEIOS DE PROVA SUBSIDIÁRIOS. As provas pericial e testemunhal são meios subsidiários de formação da convicção do julgador, restringindo-se, pois, ao aprofundamento de questões objeto de provas já acostadas aos autos, não constituindo meio de substituição de provas que deveriam ter sido produzidas e juntadas aos autos em momento oportuno. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. O decidido para o lançamento principal deve ser estendido aos demais lançamentos reflexivos face à vinculação existente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relato Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Berra Presta e Karem Jureidini Dias.
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(antiga razão social de Alvorada Serviços e Negócios Ltda.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas no recebimento de crédito oriundas da atividade da pessoa jurídica somente podem ser deduzidas como despesa, para determinação do lucro real, se observada a determinação do art. 9º da Lei nº 9.430/1996, acompanhada de sua comprovação realizada por meio de provas hábeis e idôneas. PROVAS PERICIAL E TESTEMUNHAL. MEIOS DE PROVA SUBSIDIÁRIOS. As provas pericial e testemunhal são meios subsidiários de formação da convicção do julgador, restringindose, pois, ao aprofundamento de questões objeto de provas já acostadas aos autos, não constituindo meio de substituição de provas que deveriam ter sido produzidas e juntadas aos autos em momento oportuno. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. O decidido para o lançamento principal deve ser estendido aos demais lançamentos reflexivos face à vinculação existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 83 /2 00 4- 11 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relato Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Berra Presta e Karem Jureidini Dias. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10882.002583/200411 Acórdão n.º 1401001.164 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela BBV Serviços e Negócios Ltda., antiga razão social de Alvorada Serviços e Negócios Ltda., contra a decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campinas/SP, que, por unanimidade, manteve integralmente o lançamento. Temse auto de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contirbuição Social sobre o Lucro Líquio – CSLL, relativas a irregularidades detectadas pela Autoridade Fiscal no ano calendário 1999, assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 73/74, in verbis: “1. A empresa foi intimada, em 18/08/2004 e reintimada em • 08/10/2004, a apresentar os elementos comprobatórios das supostas perdas efetivas, lançadas na D1PJ/2000 (ano calendário de 1999) como 'outras exclusões', no total de R$ 34.187.205,50, linha 19 da Ficha 30 (Cálculo da CSLL) e linha 28 da Ficha 10" (Demonstração do Lucro Real). Em resposta, a empresa em carta de 15/10/2004, que juntamos ao dossiê, informou não ter conseguido identificar informações adicionais além das já encaminhadas anteriormente. 2. Quanto ao valor de R$ 424.000,00 referente a agosto/1999, utilizado como exclusão, e que faz parte do total de R$ 34.187.205,50, acima citado, informou que a referida provisão foi constituída de forma indevida recebendo o tratamento de adição temporária. Informou, ainda, que, no encerramento do anocalendário de 1999, considerando que o mencionado valor encontravase registrado na parte 'B' do Lalur, indevidamente foi efetuada uma exclusão da citada provisão para fins de baixa da parte 'B' do Lalur, e o conseqüente registro do valor em despesa `indedutivel' com sua adição de forma definitiva na apuração do Lucro Real (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 3. De fato, essa adição foi efetuada na linha 12 da Ficha 30 e linha 16 da Ficha 104, incluído o seu valor no total de R$ 424.783,99. 4. Quanto ao valor restante, de R$ 33.763.205,50, a fiscalizada foi regularmente intimada a demonstrar a base legal das exclusões, bem como apresentar a documentação que comprove estarem abrigadas por eventual amparo legal às exclusões, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 como, p. ex, contrato de risco completo, bem como todos os elementos da cobrança judicial, considerandose que as perdas superiores a R$ 30.000,00, vencidas há mais de um ano, deveriam ter os procedimentos judiciais, para o seu recebimento, iniciados e mantidos, além das outras exigências determinadas pela Lei n° 9.430, art. 9°, §1 0, com vistas à fruição do direito de exclusão da demonstração do Lucro Real. Entretanto, não trouxe os elementos solicitados, limitandose a apresentar alguns contratos, em alguns dos quais não consta a identificação do signatário mutuário. Revelou, também, falta de empenho em se ressarcir das 4111 eventuais inadimplências não comprovadas para poder registrálas legalmente nas exclusões do Lucro Real. 5. Ficou demonstrado, portanto, que não foram satisfeitas as condições exigidas pela legislação vigente para que os valores acima, com exceção da parcela de R$ 424.783,99, pudessem ser utilizados como exclusões do Lucro Líquido, conforme citado no item 2 da reintimação de 08/10/2004. 6. Desta forma, estão sendo constituídos os créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL cujos fatos geradores relacionamos abaixo: 7. Ainda como resultado da ação fiscal, estão sendo emitidos formulários para alteração do prejuízo/lucro e da base de cálculo negativa da CSLL nos sistemas da SRF, para que sejam adequados os valores dos exercícios seguintes". Em sede de impugnação, a Contribuinte opôsse ao crédito contra ela constituído, asseverando o seguinte (fls. 129/146): a) apresenta os documentos de forma a comprovar a regularidade das exclusões promovidas na apuração dos tributos em questão; b) apresenta demonstração de serem os valores dedutíveis e de que adotou as providências necessárias para que os créditos pudessem ser registrados como perdas efetivas; c) contesta não ter sido levada em conta a documentação que comprova a legalidade das exclusões do valor de R$34.187.205,50 e R$2.872.531,35; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10882.002583/200411 Acórdão n.º 1401001.164 S1C4T1 Fl. 4 5 d) Como relata a decisão recorrida: “Contesta especificamente não terem sido considerados os seguintes elementos: a) toda a documentação apresentada relativa a base legal das exclusões utilizadas na D1PJ/2000 para o valor de R$ 34.187.205,50 excluído na ficha 10 linha 28 e ficha 30 linha 19 'Outras Exclusões’; b) a exclusão da provisão para perdas com devedores duvidosos por tornarse dedutível nos tomos da Lei n°9.430/96, relativo ao valor de R$ 2.872.531,35 Transcreve o art. 9° e seus §§ da Lei n° 9.430, de 1996, para fundamentar a exclusão, e afirma que a devedora encontravase desativada e não existiriam garantias que possibilitassem a recuperação do crédito. c) a perda efetiva do valor de R$ 3.890.674,15 pela rescisão de contrato de cessão de imagem do atleta Bebeto, baixada contra ativo de Contrato de Risco, conta 185.10.00.05 página 62 do Livro Razão; Afirma se tratar de provisão para perdas, tendo em conta a rescisão de contrato de cessão de imagem do atleta, em decorrência da idade (Lei de Liberação de Passe —Resolução do Conselho Nacional de Desportos n° 10, de 23/04/1986, art. 23, V). d) a perda parcial efetiVada pela venda da Marca Unidas bairada contra ativo 1.8.8.1a002 cf página 097 do Livro Razão no valor de R$ 14.000.000,00; e) a perda parcial efetivada pela venda da Marca Unidas baixada contra ativo 1.8.8.10.002 cf. página 097 do Livro Razão no valor de R$ 13.000.000,00"; E explica: "Em dezembro de 1997 foi feita a provisão da parcela para perdas no valor de R$ 2.331.833,34 relativo ao investimento na marca Unidas, sendo esta provisão adicionada à apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro, transitando na Parte A e B do Lalur (Conta D — 8.1.8.30.00.008 C 1.8.8.12.00.004, Lalur n° 05 pág. 021, Livro Razão Analítico n°09 pág. 132 e 149). Já em dezembro de 1997 foi feita a provisão da parcela para perdas no valor de R$ 11.668.166,66 relativo ao investimento na marca Unidas, sendo esta provisão adicionada a apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro (Conta D — 8.1.8.30.00.008 e C —1.8.9.99.00.035, Lalur n° 06 pág. 029, Livro Razão Analítico n° 10 pag 85). Fl. 487DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Dessa forma, em dezembro de 1999 foi feita a exclusão do valor de R$ 14.000.000,00 na apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido referente a PERDA EFETIVA na cessão da Marca Unidas. O mesmo ocorreu com o valor de R$ 13.000.000,00, onde em junho de 1998 foi feita provisão para perdas desse valor, relativo ao investimento na marca Unidas, sendo esta provisão adicionada a apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro (Conta D — 8.1.8.30.30.016 e C — 1.8.999.00.011, Lalur n° 06 pág. 028, Livro Razão Analítico n°10 pág. 85). Assim em dezembro de 1999 foi feita a exclusão do valor de R$ 13.000.000,00 na apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente a PERDA EFETIVA na cessão da Marca Unidos” Em julgamento perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (fls. 317/329), o acórdão entendeu, por unanimidade, pela manutenção do auto de infração, sobrevindo recurso voluntário do Contribuinte para este Conselho, em que alega, em suma (fls. 334/347): a) cerceamento do direito de defesa por não ter sido produzida provas testemunhal e pericial requeridas na pela de impugnação; b) perda efetiva do valor de R$2.872.531,35, por ter a decisão recorrida desconsiderado o fato de que “a empresa devedora encontravase desativada e não existiam garantias que possibilitassem a recuperação do crédito” (fls. 343); c) perda efetiva do valor de R$3.890.674,15 do atleta Bebeto, por superveniência do fator idade, nos termos da legislação do desporto vigente à época, em especial do art. 23 da Resolução 10/86, do Conselho Nacional do Desporto, que previa redução do valor de indenização do passe “a partir de 32 (tribta e dois) anos de idade, 90% (noventa por cento)”, idade de referido jogador em 1999; d) perda efetiva dos valores de R$14.000.000,00 e R$13.000.000,00 na cessão da marca UNIDAS É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10882.002583/200411 Acórdão n.º 1401001.164 S1C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator. Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende os pressupostos de admissibilidade. Nulidade do acórdão por cerceamento de defesa Conforme legislação disciplinadora do processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235/72, a prova documental do direito do contribuinte deve ser oferecida quando do oferecimento da impugnação, de forma que o direito de fazêlo é alcançado pela preclusão em momento posterior, salvo exceções expressamente previstas, nas quais não se insere a Recorrente. Ainda, impende registrar que tanto a prova pericial quanto a testemunhal, outrora pretendida pela recorrente, são meios subsidiários de formação da convicção do julgador, restringindose, pois, ao aprofundamento de questões objeto de provas já acostadas aos autos, não constituindo meio de substituição de provas que deveriam ter sido produzidas e juntadas aos autos em momento oportuno. No caso, não há se falar em situação que justifique a produção de quaisquer outras provas que não as documentais juntadas com a impugnação, cujas guarda e proteção competem à interessada, com a dispensa, portanto, de colheita de depoimento e/ou produção de conhecimento técnicocientífico especializado. Ante o exposto, não merece acolhida a referida preliminar. Mérito Pretende a ora Recorrente demonstrar que apresentou todos os documentos de forma a comprovar a regularidade das exclusões promovidas na apuração dos tributos em questão, o que, no entanto, não corresponde à realidade fática dos autos. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Inicialmente, fazse referência aos artigos da Lei nº 9.430/96, disciplinadores da dedutibilidade, registro contábil e recuperação de perdas no recebimento de créditos, in verbis: Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. (Vide MP nº 656, de 7 de outubro de 2014) § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. (Vide MP nº 656, de 7 de outubro de 2014) § 3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. (Vide MP nº 656, de 7 de outubro de 2014) Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10882.002583/200411 Acórdão n.º 1401001.164 S1C4T1 Fl. 6 9 § 5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. (Vide MP nº 656, de 7 de outubro de 2014) § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: (Vide MP nº 656, de 7 de outubro de 2014) I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1º do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. § 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. § 3º Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. § 4º Os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso II do caput poderão ser baixados definitivamente em contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor. (...) Art. 12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. § 1º Os bens recebidos a título de quitação do débito serão escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial que tenha determinado sua incorporação ao patrimônio do credor. ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 § 2º Nas operações de crédito realizadas por instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, nos casos de renegociação de dívida, o reconhecimento da receita para fins de incidência de imposto sobre a renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ocorrerá no momento do efetivo recebimento do crédito. ( Redação dada pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012 ) ( Vide art. 78, § 1º da Lei nº 12.715/2012 ) Constatase da análise do Termo de Início de Fiscalização (fls. 03/04), que a Recorrente foi intimada a demonstrar as contas e respectivos valores integrantes do item denominado “outras exclusões”, no montante de R$34.187.205,50 na determinação da base de cálculo do IRPJ bem como da CSLL. Ainda, houve nova intimação no sentido de esclarecer a base legal das exclusões realizadas e a origem das provisões, o que não restou atendido pela Recorrente. Em relação à alegação de perda efetiva do valor de R$ 2.872.531, 35, verificase que não consta nos autos qualquer documentação hábil a comprovar as operações envolvidas, que sequer foram identificadas, com registro apenas na parte A do Lalur como parte do montante de R$5.204.364,69, objeto de adição em 31/12/1997 (fls. 56). Registrase que a partir de 1º de janeiro de 1997, a provisão para devedores duvidosos tornouse indedutível na determinação do lucro real, apenas sendo admitida a dedutibilidade das perdas efetivas, devidamente comprovadas e sob condições específicas. Em assim sendo, em razão da ausência de documentação adequada e suficiente a comprovar a perda efetiva, procedentes a glosa e o lançamento tributário correspondente. Quanto à alegação de perda efetiva do valor de R$3.890.674,15 pela rescisão do contrato de cessão do atleta Bebeto, por superveniência do fator idade, ressaltase, primeiramente, que muitos dos documentos carreados aos autos não se encontram devidamente subscritos pelas partes contratantes (fls. 16 e 25). Ademais, devese levar em consideração o fato de que à época da contratação do atleta em questão, pelo Esporte Clube Vitória, datada de 10/06/200 – fls. 16, este já contava com 37 anos de idade, portanto, já no momento da assinatura da avença o desportista já contava com mais de 32 anos, sendo, pois, detentor de seu passe – suposta situação responsável pelo registro da perda. Não se pode deixar de ponderar o fato de haver previsão no contrato de mútuo firmado pela Recorrente, mutuante, e o Esporte Clube Vitória, mutuário (fls. 23/25 e 26/34), no sentido de que a extinção do passe do atleta em comento estaria coberta pelo seguro contratado. Corrobora a dúvida quanto à suposta perda sofrida pela Contribuinte. No ponto utilizome da fundamentação e apontamento de documentação juntada pela Recorrente já minuciosamente tratados pelo acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Novamente, não comprovou a Recorrente de maneira suficiente os motivos pelos quais procedeu a perda efetiva, assim, igualmente procedente a glosa realizada pela Fiscalização (fls.325/327). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10882.002583/200411 Acórdão n.º 1401001.164 S1C4T1 Fl. 7 11 Por fim, quanto à manifestação da Recorrente em relação às quantias de R$14.000,00, conta 1.8.9.99.00.1, e R$ 3.000,00, conta 1.8.9.99.00.3, relativas às supostas perdas parciais efetivadas pela venda da marca “Unidas” baixadas da conta ativo 1.8.8.10.002, mais uma vez deixou a Recorrente de colacionar aos autos documentos aptos a comprovar a alegada perda. A impugnação apresentada por parte da Contribuinte não veio acompanhada de elementos probatórios suficientes para a comprovação das alegações que veiculava de perda ocorrida em razão da cessão do registro da marca “Unidas Rent a Car”. Estáse diante, mais uma vez, de glosa procedente. Tributação Reflexa No tocante ao auto de infração referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, tratase de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que levaram ao lançamento do imposto de renda. Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 493DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 15889.000116/2010-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. CRITÉRIO OBJETIVO.
Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ Recurso Repetitivo).
A empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda estrutrutura material (maquinário específico) e estrutura de pessoal, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual faz jus ao benefício tributário em discussão - incidência dos coeficientes de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso da CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais.
Sobre a parcela da receita bruta decorrente de prestação de serviços de consultas médicas incide o coeficiente de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento) tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula, quando inexistir razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-002.366
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. LEI Nº 9.249, DE 1995. CRITÉRIO OBJETIVO. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo). A empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda estrutrutura material (maquinário específico) e estrutura de pessoal, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual faz jus ao benefício tributário em discussão incidência dos coeficientes de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso da CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais. Sobre a parcela da receita bruta decorrente de prestação de serviços de consultas médicas incide o coeficiente de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento) tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula, quando inexistir razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 16 /2 01 0- 58 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 448 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 449 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.379/440 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efls.359/371) que julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário atinente aos autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL) do anocalendário 2005. Quanto aos fatos, consta : que, em 25/05/2010, na DRF/Bauru foram lavrados pela Fiscalização da RFB os autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL), anocalendário 2005 (efls. 03/19), imputando a seguinte infração do IRPJ, no âmbito do regime do Lucro Presumido (efls. 06/07): 001 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A ARTIR DO AC 93 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO Aplicação incorrreta do coeficiente de 8% sobre as receitas da. atividade de prestação de serviços laboratoriais de anatomia patológica e de Citopaloqia para apuração do lucro presumido, quando o correto seria de 32%, conforme descritos e detalhado no Termo de Constatação Fiscal de fls. 18 a 22. No presente lanqamento foi efetuado a apuração da diferença do lucro presumido, aplicandose a diferença do percentual de 24% sobre as receitas de prestação de servicos declaradas na DIPJ. Valor tributável: AC 2005 Receita bruta (R$) 2º Trimestre (fato gerador mês 06/2005) 1.903.178,02 Abril 362.945,13 Maio 335.942,97 Junho 394.289,93 3º Trimestre (fato gerador mês 09/2005) 1.301.596,37 Julho 423.984,12 Agosto 454.055,87 Setembro 423.556,38 4º trimestre (fato gerador mês 12/2005) 1.312.709,24 Outubro 422.626,91 Novembro 429.585,83 Dezembro 460.496,50 Obs: Ainda houve lançamento reflexo. Quanto à CSLL do anocalendário 2005, a contribuinte apurou essa exação fiscal, utilizando coeficiente de presunção de 12% sobre a receita bruta, quando deveria ter aplicado 32%; foi apurada a diferença de base de cálculo da CSLL de 20% auto de infração da CSLL (efls. 11/19). Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 450 4 Enquadramento Legal (auto de infração do IRPJ): Arts. 518 e 519 do RIR/99. Auto de infração da CSLL (lançamento reflexo): que foi apurada diferença dessa exação fiscal para os citados períodos de apuração trimestral, pois a contribuinte fez a apuração aplicando coeficiente de presunção do lucro de 12% e não de 32%. Enquadramento legal: Art. 22 da Lei 10.684/03; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. que integra os autos de infração, ainda, o Termo de Constatação Fiscal, de 21/05/2010 (efls.20/24); que, quanto aos fatos, consta do citado Termo de Constatação Fiscal que, para efeito tributário (gozo de coeficientes reduzidos de presunção do lucro para Serviços Hospitalares), a contribuinte não atende as condições estabelecidas na legislação tributária do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, transcrevo a narrativa constante do referido Termo de Constatação (efls. 21/24), in verbis: (...) Os presentes autos apresentam como questão principal a elucidar se a atividade exercida pela contribuinte, isto é, a prestação de serviços de laboratório de anatomia, patologia, citologia, etc, está englobada no conceito de serviços hospitalares para fins tributários. A Instrução Normativa SRF n° 480, de 15 de dezembro de 2004, (...), em seu art. 27, com redação alterada pela IN SRF nº 539, 25 de abril de 2005, trouxe a definição do que seriam serviços hospitalares, conforme abaixo transcrito: Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 451 5 II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1°A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. § 2°São também considerados serviços hospitalares, para fins do disposto nesta Instrução Normativa, os seguintes serviços prestados por empresário ou sociedade empresária: I préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); II de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida."(NR) (os grifos não constam do original) (...) O art. 982 do atual Código Civil determine que a sociedade empresaria está sujeita à inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis (art. 961 do Código Civil). Não é o caso das registradas em cartório, que são sociedades Simples. O regime jurídico do empresário, de acordo com o novo Código Civil, é o regime do comerciante. É o que diz art. 2.037 do novo Código Civil: (...) Disso decorre que empresários e sociedades empresárias estão sujeitas a regime jurídico mercantil. Elas devem ser inscritas na Junta Comericial (...) Consequentemente, não se considerava atividade hospitalar, para fins tributários, a desenvolvida pelas anteriormente denominadas sociedades civis de prestação de serviços de profissão regulamentada, cujos serviços eram prestados pelos sócios legalmente habilitados mesmo com o concurso de auxiliares e colaboradores. No caso presente, o contrato social da interessada, conforme alterações às fls. (65 a 149), foram registrados no Cartório do 1° Oficial de Registro Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Botucatu/SP, (...) Além disso, não consta nos autos de que a estrutura física do estabeledimento da contribuinte atenda ao disposto no item 3, da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de, fevereiro de 2002, (...) Apenas foi apresentada uma Declaração expedida em 21/12/2009 pelo Centro de Vigiláncia Sanitária Grupo: de Fl. 451DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 452 6 Vigilância, Sanitária de Botucatu GVS XVI. afirmando que, a empresa fora devidamente licenciada e inspecionada pela Equipe Tecnica de Vigilância Sanitária para os anos de 2005 e 2006, tendo apresentado condições satisfatórias no que se refere a legislação Sanitária vigente, conforme documento de fls. 151. Portanto, as atividades desempenhadas pela recorrente, quais sejam, a prestação de servigos de laboratório de análides de anátomopatológico, citologia, histoquímica, imuno histoquímica, etc., aplicase o percentual de 32% sobre receita bruta auferida, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda com apuração pelo lucro presumido e da Contribuição sobre o Lucro Líquido, por restar configurado que a empresa não se enquadra como estabelecimento hospitalar. (...) Não há provas nos autos que as instalações físicas da contribuinte se coadunavam com as de um estabelecimento hospitalar, visto que não foi comprovado que existissem leitos para internação de pacientes, nem de assistencia integral durante as 24 horas. Conforme já visto, a contribuinte não é constiutída por empresários, nem pode ser considerada sociedade emeresária, nos termos do art 982 do atual Código Civil. (os grifos não são do original) (...) que o crédito tributário, lançado de ofício, pefaz o montante de R$ 656.626,43, assim discriminado por exação fiscal: AC 2005 (2º, 3º e 4º trimestres) AUTO DE INFRAÇÃO PRINCIPAL JUROS DE MORA (calculados até 30/04/2010 ) MULTA DE OFÍCIO 75% TOTAL IRPJ 222.448,99 115.811,56 166.836,73 505.097,28 CSL 66.734,69 34.743,45 50.051,01 151.529,15 TOTAL 656,626,43 A Contribuinte tomou ciência dos autos de infração, por via postal AR, em 27/05/2010 (efl. 162), e apresentou impugnação em 24/06/2010 (efls. 169/207) cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão a quo e que transcrevo, por reunir os principais aspectos da lide (efls. 362/363), in verbis: (...) Fl. 452DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 453 7 Regularmente notificada da imposição tributária, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 158/196 com alegação de que: os autos devem ser devolvidos à unidade lançadora para realização de diligência junto às instalações da contribuinte com o objetivo de verificar que sua atividade se enquadra na definição de serviços hospitalares a que se refere a legislação. Arguiu que é dever indeclinável da autoridade tributária a apresentação de provas bastantes para embasar a imposição do lançamento fiscal. Anexou fotos das instalações, além de declarações, apresentadas posteriormente, firmadas por instituições, que noticiam a execução de exames na área de anatomia patológica, prestadas desde janeiro/2003; é improcedente exigir que a contribuinte ostente natureza jurídica de sociedade empresária, uma vez que tal definição adveio com o Novo Código Civil, que estabeleceu o dia 11/01/2007 como termo final para adaptação ao novo regime. sua atividade enquadrase no conceito de serviços hospitalares, à luz das regras instituídas pelas Instruções Normativas SRF n. 306/2003 e, posteriormente, pela IN 480/2004, art. 27, com a redação dada pela IN 539/2005, em consonância com a jurisprudência administrativa e jurisdicional; antes do advento da Lei n. 11.727/2008, que incluiu as atividades exercidas pela contribuinte no campo de incidência da norma de tributação benéfica, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) caminhava no sentido de que as exigências instituidas pela administração tributária relativas à necessidade de existência de leitos, à contratação de médicos empregados e à constituição sob a forma de sociedade empresária eram contrárias à Lei n. 9.249/1995. Assim, "toda empresa que, de alguma forma, preste serviço que se vincule às atividades desenvolvidas por hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, ou seja, que possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes, tem direito à base de cálculo reduzida da alínea "a", III, § 1º, art. 15, da Lei 9.249/95, buscando, se for o caso, a repetição dos valores pagos pela aplicação equivocada da base de cálculo de 32%"; as empresas médicas que prestem serviços de ortopedia, traumatologia ou serviços de complementação diagnóstica e terapêutica; que tenham suas atividades voltadas à população em geral; que possuam equipamentos destinados a esse fim; que consumam insumos para a execução de tais serviços podem calcular o IRPJ com aplicação de 8% para a apuração da base de cálculo do tributo; as instruções normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal não são leis e não podem alargar a hipótese de incidência tributária, visando aumentar a arrecadação. (obs: os grifos não são do original) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 454 8 (...) Enfrentando as questões suscitadas pela contribuinte, a 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente, conforme Acórdão nº 1435.448 , de 10/10/2011 (efls.359/371), cuja ementa transcrevo, a seguir: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e estrutura fisica do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de diligência ou perícia deve ser denegado se tiver sido formulado em desacordo com as prescrições legais, aliado à. circunstância de estarem presentes nos autos elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos para solução da lide. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 454DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 455 9 Ciente desse decisum em 08/11/2011, por via postal – AR (efl. 375), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 06/12/2011 (efls. 379/440) pedindo sua reforma, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da possibilidade do órgão de julgamento administrativo reconhecer a inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei/ato normativo declaradas pelo STJ e/ou STF: que “Há que se ter em vista que toda atividade judicante administrativa desenvolvese sob os ditames constitucionais. É impossível dissociar a aplicação de uma lei da aplicação da própria Constituição”; que “... quando o julgador, inclusive o administrativo, aplica ou não uma lei está, automática e forçosamente, aplicando ou não a Constituição. É logicamente inconcebível que se aplique uma lei, uma instrução normativa (...), e que não se aplique a norma superior que lhe dá suporte de validade.”; que “A atividade do Poder Executivo não se limita à simples aplicação da lei, necessitando, por vezes, de interpretação. Tratase de controle de constitucionalidade não jurisdicional, realizado no intuito de manter a ordem constitucional, a qual o Tribunal Administrativo está adstrito.” que “ Assim sendo, caso o administrador público defrontese com uma situação em que há uma lei e tenha que aplicala, mas é flagrante o vício, sua inconstitucionalidade, deve deixar de aplicar a lei e obedecer a Carta Magna, que se encontra no vértice do ordenamento jurídico e é o fundamento das demais espécies normativas.” que “... a Administração Pública, possui o poder de autotutela, a dizer, pode revogar os seus próprios atos, tanto por motivo de conveniência ou oportunidade, quanto por estes estarem eivados de vícios que o tornem ilegais ou inconstitucionais, tal prerrogativa é reconhecida pelo próprio STF, nos termos da Súmula n° 473 (...); que “Jungida está a Administração Pública ao princípio da legalidade, o que, obviamente, não impõe o dever de cumprir normas inconstitucionais e/ou ilegais. Embora não possua competência para excluir do ordenamento jurídico tais normas, no caso concreto, pode deixar de cumprir dispositivo legal, que contrarie expressamente a Carta Magna.” que “Pela análise das inconstitucionalidades e legalidades que foram apontadas na Impugnação e também aqui o serão, podese destacar que outro princípio constitucional se encontra frontalmente lesado, qual seja, o da segurança jurídica.” ‐ que “...é de rigor o reconhecimento de que o Tribunal administrativo possui o poder dever de declarar a inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei em controle incidental, de instruções normativas e demais atos internos da administração, o que ora se requer e espera, por ser medida de Justiça.” ‐ Da negativa de vigência e/ou aplicação da Lei 9.249/95: que o cerne da questão consiste em definir o alcance da disposição do art. 15, § 1o, III, "a", da Lei 9.249/95; que a Lei 9.249/95 não fez nenhuma exigência referente ao contribuinte que presta serviços hospitalares, e não pode ato infralegal passar a exigilo; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 456 10 que o benefício fiscal do art. 15, § 1o, Lei 9.249/95 é objetivo (com foco nos serviços prestados) e não subjetivo (em razão da pessoa do contribuinte que executa a prestação de “serviços hospitalares”), visando a reduzir a carga tributária em função do fato tributado (renda decorrente da prestação de “serviços hospitares”); que a redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6O da Constituição Federal; que firmado resta que o beneficio concedido foi levado a termo de forma objetiva, em razão do serviço prestado, não se pode aceitar que apenas aqueles que procedem à internação de pacientes, face aos custos, estariam beneficiados pela norma isentiva. Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não necessariamente; que a própria ANVISA, para autorizar a abertura e funcionamento de um hospital, exige que o nosocômio comprove que possui contrato de prestação de serviços com um laboratório. Sendo assim, evidente o caráter de serviços hospitalares dos laboratórios de análises clínicas, tais como o ora recorrente. Há que se fixar que somente a lei pode inovar na sistemática constitucional, o princípio da legalidade é imprescindível, ainda mais no que concerne a criar deveres instrumentais na esfera do direito administrativo tributário; que, pelo quanto exposto, se verifica a contribuinte possuía desde a entrada em vigor da Lei n° 9.249/95, o direito a calcular o lucro presumido, utilizando o percentual de 8% sobre a Receita Bruta Mensal, bem como não havia a necessidade de se constituir como sociedade empresária, instituto esse criado pelo novo Código Civil de 2002, cujo dispositivo somente entrou em vigência em 2007. Sendo assim, não poderia a Receita Federal criar condições para o gozo de tal isenção, que nem mesmo a lei instituidora previu; que cai por terra qualquer fundamentação de que a IN SRF n° 306/2003, que lhe garantia o direito de calcular o lucro presumido em 8% sobre a receita bruta mensal, foi revogada pela IN SRF n° 480/2004, cuja eficácia retroage à data da publicação da Lei n° 9.249/95, por ser tratar de norma interpretativa (artigo106, I, CTN) ou qualquer outra que retire o direito do contribuinte de realizar os recolhimentos considerando a base de cálculo mais benéfica; que ficam vinculados os órgãos da Admninistração Pública, em especial Administração Pública Federal, sempre que leterminado julgamento seja realizado nos termos do art. 543C do CPC, obrigando os Tribunais Administrativos afetos à decisão a acompanhar o entendimento exarado pelo STJ ou STF (inclusive consta do RICARF, art. 62A); que a respeito do alcance do benefício fiscal concedido aos "serviços hospitalares" que resultam na redução do coeficiente de presunção de 32% para 8% base de cálculo do IRPJ e para 12% à CSLL – base de cálculo dessa exação fiscal, o E. Superior Tribunal de Justiça já assentou o entendimento defendido no Recurso Especial abaixo reproduzido, proferido nos termos do art. 543C, representativo da controvérsia, senão vejamos: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 457 11 RECURSO ESPECIAL N° 1.116.399 BA (2009/00064810) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2.Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1a Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1o, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada deforma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3.Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com a s prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4.Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa Fl. 457DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 458 12 contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2° do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6.Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7.Recurso especial não provido. que a aplicação retroativa de uma instrução normativa fere o princípio constitucional da segurança jurídica, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito (artigo 5o, XXXVI da Constituição Federal); que a possibilidade de aplicação de legislação tributária a fatos pendentes somente pode se dar nas hipóteses previstas no art. 106 do CTN, que são da lei meramente interpretativa e da lei tributária que estabeleça penalidade mais branda ou deixe de considerar determinado fato como infração; que não há como se admitir que um ato declaratório ou uma instrução normativa, meramente interpretativos, intentem revogar a própria lei regulamentada; que a edição de ato administrativo ulterior, cujo conteúdo de suas disposições pretende derrogar comandos legais então vigorantes, fere os arts. 87, parágrafo único, inciso II, e 150, I, da Constituição Federal c/c arts. 9o, inciso I, e 100 do CTN; que a normação administrativa não poderá reduzir a abrangência da norma interpretada, modificando de qualquer forma o seu conteúdo, ou seja, não pode inovar a ordem jurídica, suprimindo direitos legalmente previstos. Daí sua condição de instrumento secundário de instrução de normas tributárias (art. 100 do CTN). Portanto, as pretensas "revogações" em tela condicionam a conclusão irrefutável de infringência ao Princípio da Reserva Legal (arts. 87, parágrafo único, inciso II, e 150, I, da Constituição Federal c/c arts. 9O, inciso I, e 100 do CTN), condicionando a invalidade do ato administrativo e a impossibilidade de sua aplicação; que merece, pois, a recorrente ter reconhecida em seu favor a norma com coeficientes reduzidos de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vez que se enquadra na hipótese legal. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 459 13 Da conversão do julgamento em diligência princípio da busca da verdade material: que, em regra, o ônus da prova incumbe a quem imputa a infração (art. 333, inciso I, do CPC); que, agindo do modo simplista – embora insustentável , o ilustre Auditor Fiscal formulou auto de infração sem qualquer aprofundamento naquilo que foi aplicado, "jogando" para a contribuinte todo o ônus de provar o que seria facilmente confirmado pela própria autoridade tributária, caso houvesse tido a perspicácia, sabedoria e bom senso de diligenciar, primeiro; que são defesos os lançamentos tributários sem a comprovação do fato ilícito imputado, em virtude dos princípios da tipicidade cerrada e da legalidade. que, no mais, é nulo o auto de infração que ora se combate, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, pela inocorrência do fato gerador; que, não obstante, a recorrente trouxe aos autos fotos do estabelecimento autuado, demonstrando que suas instalações são compatíveis com a prestação de serviços hospitalares, com os equipamentos e materiais para realização de exames e diagnósticos específicos, leitos para punção de líquidos e biópsias de tecidos destinados à elaboração de laudos de anatomia patológica, arquivo de exames, equipamentos para o recolhimento de lixo tóxico hospitalar e da sua forma de coleta por empresa especializada; que, caso os elementos de prova sejam insuficientes para manter ou afastar o lançamento fiscal (existência dúvida fundada), que sejam os autos baixados em diligência. Da não obrigatoriedade de adequação às regras societárias do novo Código Civil (sociedade empresaria x sociedade simples): que, oportuno lembrar, as adaptações societárias decorrentes do "novo" CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO (Lei N° 10.406/02), por força do art. 2.031, DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS, recentemente alterado pela Lei n° 11.127 de 28.06.2005, teve sua obrigatoriedade de adaptação prorrogada para 11/01/2007; que, é certo, até esta data 11/01/2007 a inexistência de adaptação não poderia acarretar quaisquer decorrências restritivas a direitos de que seja titular a sociedade. Nunca é demais repetir somente a partir de Jareiro de 2007 é que as novas regras societárias se tornaram obrigatórias; que, cronologicamente, a obrigatoriedade de adaptação das sociedades às novas regras societárias estabelecidas pelo "novo" CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO (Lei N° 10.406/02), é muito posterior à introdução do regime de apuração do IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA sobre a modalidade de Lucro PRESUMIDO (Lei N° 9.249/95), o que nos autoriza a afirmar expressamente que a dita condição não pode prevalecer nem mesmo obstar o gozo do benefício de redução da base de cálculo do IRPJ, uma vez que ao tempo da fruição do benefício o regime societário exigido sequer existia em nosso ordenamento jurídico; Fl. 459DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 460 14 que, no período compreendido entre 30/06/2005 e 31/12/2005, objeto do Auto de Infração, ainda estava em vigor a forma societária anterior ao novo código civil; que a alteração da Lei n° 9.249/95, que determina a alteração das empresas civis para Sociedades Empresárias, é posterior, não podendo prejudicar a recorrente. Da sistemática de apuração do lucro presumido (Lei nº 9.249/95, arts. 15 e 20): que sustenta a recorrente contrariedade aos arts. 15, § 1o, inciso III, alínea "a", e 20 da Lei n° 9.249/95 e 99 e 100, inciso II, do CTN, aduzindo, em síntese, que o conceito de "serviços hospitalares" utilizado pelo referido dispositivo legal, para fins de redução da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, abrange os serviços que presta. Da natureza dos serviços prestados: que, em face do que dispõe o seu contrato social, a recorrente realiza os seguintes exames: ANATOMIA PATOLÓGICA, CITOLOGIA ONCÓTICA, IMUNOHISTOQUÍMICA, CITOMETRIA DIGITAL, CAPTURA HÍBRIDA e "FISH"; que serviços hospitalares, para o fisco, são os serviços de assistência à saúde relacionados nos incisos do art. 23 da IN/SRF n° 306/2003, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM n° 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde; que possui estrutura física condizente para a execução da atividade de anatomia patológica, prevista na IN SRF n° 306/2003 e na Portaria GM n° 1.884/94, do Ministério da Saúde, uma vez que presta atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto), bem como presta serviços de apoio técnico atendimento direto a assistência à saúde em funções de apoio (contato indireto), tendo em vista que possui unidades dentro de nosocômios, como se comprova por meio dos anexos contratos de prestação de serviços; que se insere dentro do favor fiscal oferecido pela lei regente da matéria, uma vez que o artigo 15, § 1o, inciso III, alínea 'a', segunda parte, da Lei n° 9.249/95, além de não vincular o conceito de "serviços hospitalares" ao local em que são prestados, mas sim à sua finalidade, sejam próprios, suporte ou auxiliares daqueles prestados no âmbito hospitalar, merece uma interpretação teleológica, pois objetiva reduzir os custos do tratamento da saúde, ante ser "direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção recuperação", consoante dispõe o artigo 196 da CF; que, entretanto, como dito anteriormente, em mais uma manobra visando a restringir o universo de contribuintes beneficiados pelo art. 15 da Lei n° 9249/95, foi editada a referida IN/SRF n° 480/2004, atualmente com a redação alterada pela IN/SRF n° 539/2005, determinando que para a conceituação de determinado serviço de assistência à saúde como hospitalar, é imprescindível que a pessoa jurídica prestadora possua estrutura física conforme a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, Fl. 460DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 461 15 de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n° 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n° 189, de 18 de julho de 2003; que, ademais, são empresas médicas as que, concomitantemente, (i) prestam serviços de ortopedia, traumatologia ou serviços de complementação diagnostica e terapêutica; (ii) tenham suas atividades voltadas à população em geral; (iii) possuam equipamentos destinados a esse fim e (iv) consumam insumos para a execução de tais serviços, podem, indubitavelmente, calcular o IRPJ com a aplicação de 8% para a apuração da base de cálculo do tributo.; que, entretanto, como dito anteriormente, em mais uma manobra visando restringir o universo de contribuintes beneficiados pelo art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei n° 9249/95, foi editada a referida IN/SRF n° 480/2004, atualmente com a redação alterada pela IN/SRF n° 539/2005, determinando que para a conceituação de determinado serviço de assistência à saúde como hospitalar, é imprescindível que a pessoa jurídica prestadora possua estrutura física conforme a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n° 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n° 189, de 18 de julho de 2003; que, ainda, inferese a pessoa jurídica ligada à atenção e assistência à saúde, que possua estrutura física condizente para a execução do serviço de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia , será considerada prestadora de serviços hospitalares; que, ademais disto, as Instruções Normativas não são leis, não podendo alargar a hipótese de incidência tributária, visando a aumentar a arrecadação; que a recorrente presta de serviços hospitalares, fazendo jus ao tratamento do artigo 15, § 1o, inciso III, letra 'a' da Lei n° 9.249/95, ou seja, poderá recolher o imposto de renda sobre a base de cálculo de 8% (oito por cento), independentemente de quaisquer outras condições ou requisitos não estabelecidos; que, porém, a CoordenaçãoGeral de Tributação pela SCI nº 01, de 25 abril de 2006, adicionou a condição de atividade explorada por empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do novo Código Civil; que é imprescindível observar que a Lei n° 9.249/95 não faz qualquer menção ao tipo societário do contribuinte beneficiado pelo regime de tributação incentivado aos prestadores de serviços hospitalares, de forma que não cabe ao intérprete do dispositivo legal, quando da sua aplicação ao caso concreto, fazer distinções ou mesmo apontar como condição/requisito ao gozo do benefício, elementos não previstos expressamente na Lei; que, ao proceder ao recolhimento do IRPJ e CSLL, a Recorrente efetuou o pagamento com as alíquotas corretas por ser beneficiário da redução tributária relativa aos prestadores de serviços hospitalares, sendo imperativo de ordem legal o afastamento das arbitrárias e ilegais cobranças das "diferenças" no recolhimento do Imposto e da CSLL, juros de mora e multa de ofício. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 462 16 Por fim, ante essas razões, a Recorrente pediu: pediu a nulidade ou improcedência do lançamento fiscal; que, caso esse não seja o entendimento, que se baixem os autos para realização de diligência fiscal para que prevaleça o princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 463 17 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca dos autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL) que tratam da exigência de diferença dessas exações fiscais (principal) e respectivos acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora), quanto ao ano calendário 2005. Consta da imputação fiscal que a recorrente apurara a menor o IRPJ e a CSLL, em decorrência de aplicação indevida dos coeficientes de presunção do lucro de 8% e 12%, respectivamente, sobre a receita bruta, quando deveria ter utilizado coeficiente de presunção do lucro de 32% para apuração da base de cálculo dessas exações fiscais. A decisão a quo, embora admitindo ou reconhecendo a natureza de atividade de promoção da saúde (atenção e assistência), no campo da medicina, de apoio ao diagnóstico e terapia (prestação de serviços de laboratório de análises anátomopatológico, citologia, histoquímica, imunohistoquímica, etc), manteve o lançamento fiscal, pois concluiu que restaram não atendidos as duas outras condições, na legislação infralegal, para efeito de gozo do benefício tributário deferido à prestação de “serviço hospitalar” (coeficientes reduzidos de presunção do lucro), ou seja, que: a) que a recorrente não teria comprovado nos autos que as instalações físicas (estrutura material) e de pessoal se coadunavam com as de um estabelecimento hospitalar, visto que não não teria comprovado que existissem leitos para internação de pacientes, nem de assistencia integral durante as 24 horas/dia; b) que a contribuinte não estaria constituída por empresários, nem pode ser considerada sociedade empresária, nos termos do art 982 do atual Código Civil (que a recorrente é mera sociedade civil de prestação de serviços de profissão regulamentada, pois não deixara de efetuar a adaptação dos seus atos constitutivos para sociedade empresária, conforme determina o novo Código Civil, quanto ao anocalendário 2005, período de apuração objeto do lançamento fiscal). A recorrente, nas razões do recurso, pediu a reforma da decisão recorrida, argumentando: 1) – que o lançamento fiscal não merece prosperar, pois foi produzido sem prova da efetiva existência dos fatos atinentes à infração imputada; que é ônus do fisco a comprovação dos fatos de sua acusação; que, em observação do princípio da verdade material, seja o julgamento convertido em diligência, caso não seja hipótese de improcedência, de plano, da acusação fiscal; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 464 18 2) que não há diferença de crédito tributário a ser exigido via auto de infração relativo ao anocalendário 2005, pelo seguinte: a) que é pessoa jurídica ligada à atenção e assistência à saúde e tem estrutura física condizente para a execução do serviço de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, considerada prestadora de “Serviços Hospitalares”; b) que a receita bruta, inclusive nesse anocalendário, decorreu da prestação de serviços de exames laboratoriais anatomopatológico e citopatológico, e que tais serviços são classificados como de natureza médicohospitalar; c) que é pessoa jurídica prestadora dos referidos serviços com estrutura material e de pessoal; d) que, nesse anocalendário objeto dos autos, não era condição ainda, para efeito tributário, que a pessoa jurídica fosse, necessariamente, constituída sob a forma de sociedade empresária; e) que a condição de atividade explorada por empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do novo Código Civil, para gozo dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro, é exigência adicionada pela RFB a partir da Solução de Consulta Interna – SCI da Coordernação –Geral de Tributação, ou seja, da SCI nº 01, de 25 abril de 2006 (ano seguinte aos fatos geradores objeto dos autos). 3) – que, por essas razões, faz jus à aplicação dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro, ou seja, de 8% (lucro presumido) e 12% (base de cálculo da CSLL) sobre a receita bruta trimestral, quanto ao anocalendário 2005, conforme apurado e informado na respectiva DIPJ; que, por conseguinte, não há diferença a ser exigida do IRPJ e da CSLL; que o lançamento seja declarado improcedente ou convertido o julgamento em diligência. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentar o mérito da lide. Primeiro, para resolução da contenda, tornase necessário apurar, identificar, quais eram as condições, requisitos, exigências da legislação de regência, para caracterização da atividade de “Serviço Hospitalar” para efeito tributário no anocalendário 2005 (para gozo do benefício fiscal de apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes reduzidos de presunção do lucro). Os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95 estabelecem, respectivamente, que à atividade de prestação de “Serviço Hospitalar” o lucro presumido é de 8% (oito por cento) da receita bruta e a base de cálculo da CSLL é de 12% da receita bruta. Nesse sentido transcrevo, o comando normativo, vigente na época, dos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.119, de 2005)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 465 19 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.(Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)(Vide Lei nº 11.119, de 2005)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) (...) Como visto, desde que os serviços prestados tivessem natureza médico hospitalar, a lei vigente na época não estipulava, não previa, restrição alguma quanto à estrutura física e forma de constituição da pessoa jurídica. Entretanto, a legislação infralegal, atos normativos expedidos pela RFB, que passaram a regular a matéria para efeito tributário, estabeleceram que, além de comprovação de natureza de “serviço hospitalar”, o estabelecimento deve possuir estrutura física adequada e exploração da atividade de forma empresarial com seus atos constitutivos resgistrados na Junta Comercial. Nesse sentido, a Lei 9.249/95 foi regulamentada, pela primeira vez, em 2003, quando a Receita Federal publicou a IN SRF nº 306, que elencava no seu artigo 23 as atividades que poderiam ser consideradas serviços hospitalares. Nesse sentido, transcrevo o comando do art.23 da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, in verbis: Art. 23.Para os fins previstos no art. 15, § 1ºinciso III, alínea "a", da Lei nº9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº1.884, de 11 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 466 20 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I (...) II (...) III (...) IV (...) V prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: a) patologia clínica; b) imagenologia; c) métodos gráficos; d) anatomia patológica; e) desenvolvimento de atividade de medicina nuclear; f) realização de procedimentos cirúrgicos e endoscópicos, tais como: 1 recepcionar e transferir pacientes; 2 assegurar a execução dos procedimentos préanestésicos e executar procedimentos anestésicos nos pacientes; 3 executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; 4 emitir relatórios médicos e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; 5 proporcionar cuidados pósanestésicos; 6 garantir o apoio diagnóstico necessário. g. realização de partos normais e cirúrgicos; h. desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes externos e internos; i. desenvolvimento de atividades hemoterápicas; j. desenvolvimento de atividades de radioterapia; k. desenvolvimento de atividades de quimioterapia; l. desenvolvimento de atividades de diálise; m. desenvolvimento de atividades relacionadas ao leite humano. (...) Fl. 466DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 467 21 Como demonstrado, o conceito adotado pelo artigo 23 da IN 306 abrigava quase todas as atividades ligadas à medicina. Porém, na tentativa de afastar a interpretação dada pela IN SRF 306, foi editado o ADI 18/2003 que estabeleceu que seria a forma como o serviço é prestado, o que definiria o percentual de presunção do lucro aplicável às receitas dos “serviços hospitalares”. Nos termos do ADI 18/2003, se a receita se originasse de uma atividade empresarial, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL seriam reduzidas (coeficientes de presunção reduzidos respectivamente para o patamar de 8% e 12%). Caso se originasse unicamente do trabalho intelectual e pessoal, a base de cáluclo de ambas as exações fiscais seria de 32%. Ocorre que a IN SRF 306 foi revogada pela IN SRF 480, de 2004 e, com isso, o conceito definido no ADI 18/2003 foi superado. A propósito, o art. 27 da IN SRF nº 480/2004 tem a seguinte redação: Art. 27.Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. § 1º Para os efeitos deste artigo, consideramse estabelecimentos hospitalares, aqueles estabelecimentos com pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes, que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. § 2º Para efeito de enquadramento do estabelecimento como hospitalar levarseá, ainda, em conta se o mesmo está compreendido na classificação fiscal do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), na classe 85111 – Atividades de Atendimento Hospitalar. § 3º São considerados pagamentos de serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, àqueles efetuados às pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida Fl. 467DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 468 22 Observase que, indubitavelmente, a IN SRF 480/2004 recrudesceu, exacerbou, restringiu, de forma drástica, para efeito tributário o conceito de “serviço hospitalar”, confundindo “serviço hospitalar” com hospital (estabelecimento hospitalar). Serviço hospitalar = estabelecimento hospitalar = hospital. Posteriormente, a IN SRF 480/2004 foi alterada pela IN SRF 539/2005 (art. 27) abrandando, em parte, a situação, que assim dispõe: Art. 27.Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n° 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n° 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I – seguintes atribuições: a) (...) b) (...) c) (...) d) (...) II – atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4) § 1º A estrututura física do establecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Na sequência, foi dada nova redação pela IN RFB nº 791, de 10 de dezembro de 2007. A IN SRF 791/07 veicula, em seu artigo 27, o entendimento da Receita Federal acerca do conceito de serviços hospitalares: Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de Fl. 468DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 469 23 serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: (...) A Lei nº 11.727/08 também veiculou importantes disposições a respeito do tema, dispondo, em seu artigo 29, que os serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A modificação é valida a partir do dia 01 de janeiro de 2009. Segundo a referida lei, passaram a ser considerados, também, como serviços hospitalares, as atividades médicas acima listadas, desde que observada a forma de constituição da pessoa jurídica e, ainda, normas da ANVISA a respeito. As normas da ANVISA estão previstas na Resolução – RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde e estabelece requisitos das prestadoras de serviços médicos. Vêse, portanto, que, ao longo dos últimos anos, a Receita Federal alternou posições, sempre, em relação ao sentido, alcance, da expressão “Serviço Hospitalar” para efeito da legislação tributária; porém, direcionando seu entendimento a uma interpretação cada vez mais restritiva e, na maioria das vezes, praticamente impossível de ser adotada, operacionalmente, pela grande diversidade de serviços médicos–hospitalares prestados pelas pessoas jurídicas prestadoras desses serviços. Isso acentuou, elevou, sobremaneira, o grau de litigiosidade dos contribuintes contra o fisco, seja admininstrativamente, seja judicialmente, em relação ao sentido, alcance, da expressão “serviços hospitalares”, para efeito de gozo do benefício fiscal de apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes reduzidos de presunção do lucro. O STJ, logo quando da edição da Lei nº 9.249/95, mostrouse favorável ao entendimento de que a aplicação da base de cálculo reduzida deveria abranger todos os prestadores de serviços médicos. Naquela oportunidade, entendeu o STJ que o conceito de “serviços hospitalares” estava ligado à prestação quaisquer“serviços voltados à saúde humana”. No entanto, a questão mudou em 27/11/2006, com a publicação da decisão proferida nos autos do Recurso Especial nº 832.906, através do qual a 1ª Seção do STJ alterou o entendimento até então pacífico e passou a atribuir interpretação restritiva, adequandose ao entendimento da Receita Federal. Posteriormente, voltando ao entendimento mais benéfico, a 1ª Seção do STJ, no RESP nº 951.251/PR (22/04/2009), passou a entender que o conceito de serviços hospitalares deve ser interpretado de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 470 24 Assim, segundo a atual posição do STJ, serviços hospitalares são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. A questão foi pacificada, de vez, no julgamento do RESP 1.116.399/BA, sob o regime do art. 543C, do CPC (Recursos Repetitivos), em 28/10/2009. Dessa forma, atualmente, a posição jurisprudencial do STJ é extremamente favorável às clínicas médicashospitalares. Nesse sentido, cabe, aqui, citar alguns precedentes do STJ, in verbis: Serviços de diagnóstico por imagem, compreendendo a radiologia em geral, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, densitometria óssea e mamografia, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadramse no conceito legal de serviços médicohospitalares, estabelecido pela Lei 9.249/95”. (AgRg nos EREsp 883.537/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/06/2010). “A atividade desenvolvida pela recorrida referese a serviços de hemodiálise, como bem definido no Tribunal de origem, necessitando de estabelecimento apropriado, consultório ou clínica, de aparato humano e tecnológico aptos, com custo elevado que justifica a incidência ou base de cálculo mitigada, assim como os dispêndios operacionais de montante elevado com aparelhagem sofisticada, leitos hospitalares e outros serviços correlatos, estando a merecer carga fiscal mais amena”. (AgRg no REsp 1110263/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/05/2010). “Serviços de análises,exames anátomopatológicos, citológicos e de patologia clínica, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadramse no conceito legal de serviços médico hospitalares, estabelecido pela Lei 9.249/95”. (EDcl no REsp 987.684/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2010). “A redução da base de cálculo deve atingir as cirurgias e exames oftalmológicos especializados, excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo”. (EDcl nos EDcl no REsp 983.247/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/03/2010). “Serviços médicos na especialidade de ortopedia, traumatologia, fisioterapia e fonoaudiologia, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadramse no conceito legal de serviços médicohospitalares, estabelecido pela Lei 9.249/95”. (AgRg no REsp 1059430/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2009). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 471 25 “Serviços de hemoterapia, hematologia e oncologia, não se está diante de simples consulta médica, mas de atividades que se inserem no conceito de serviços hospitalares, já que demandam maquinário específico.(RESP 200801678846. Relator(a) Castro Meira. Segunda Turma. DJE de 04/08/2009; RESP 200700760383. Relator(a) Castro Meira. Segunda Turma. DJE de 04/08/2009). Configuram prestação de serviços “hospitalares” por clínicas médicas:“litotripsia para fragmentação de cálculos renais”(REsp nº 837.195/PR);“diagnóstico e tratamento de infertilidade conjugal“(REsp nº 778.406/RS). “Prestação de serviço médico na área de otorrinolaringologia e Fonoaudiologia, o IRPJ é devido sobre a base de cálculo de 8% da receita bruta auferida pela prestação desses serviços”. (TRF1, AMS 2006.38.09.0003990/MG, Rel. Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, 04/09/2009). Em resumo, todas as receitas (faturamento bruto) advindas da prestação de serviços voltados à saúde humana (com custo diferenciado, existência pela estrutura material e de pessoal específicos demandados para a prestação do serviço de assistência e promoção à saúde), nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, devem ser tributados com coeficiente reduzidos de presunção de 8% e 12% para obtenção da base de cálculo sobre a receita bruta para apuração do IRPJ e da CSLL, respectivamente, salvo as receitas (faturamento) decorrentes de simples consultas médicas (serviço prestado nos consultórios médicos), que devem ser tributadas com coeficiente de presunção de 32% tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Compulsando os autos, contatase, de plano, como já dito inicialmente, que não há litígio quando à natureza da prestação dos serviços prestados pela recorrente (prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades da recorrente de exames: ANATOMIA PATOLÓGICA, CITOLOGIA ONCÓTICA, IMUNO HISTOQUÍMICA, CITOMETRIA DIGITAL, CAPTURA HÍBRIDA e "FISH"). Já com relação à estrutura material e de pessoal e à forma de exploração da atividade (se sociedade civil ou sociedade empresária) é que reside o dissenso ou discordância frontal entre o fisco e a recorrente. Quanto à estrutura material e de pessoal do estabelecimento, entendo que os elementos de prova constantes dos autos são suficientes, como prova, de que a recorrente, sim, tem estrutura de material e de pessoal suficientes para caracterização de sua atividade como “serviço hospitalar” para efeito da legislação tributária, em relação ao anocalendário 2005. Senão, vejamos: A fiscalização da RFB e/ou a contribuinte juntaram aos autos os seguintes documentos (elementos de prova): 1) – Relação dos funcionários extraídos da GFIP apresentadas pela empresa/fisco, quanto ao anocalendário 2005, contendo os nomes de 29 (vinte e nove) funcionários, entre auxiliares de laboratório, técnicos de laborário, etc (efls. 23/27). Isso, por si só, já revela, comprova, que a recorrente tem custos diferenciados, adicionais, em relação a Fl. 471DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 472 26 mera sociedade civil de profissão regulamentada (sociedade simples) que presta serviço de consulta médica, em consultórios médicos; 2) – Cópia de Declaração expedida pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo – Coordenadoria de Controle de Doenças – Centro de Vigilância Sanitária (efl.160), nos seguintes termos: (...) DECLARAÇÃO Declaro a pedido do interessado Sr. Carlos Eduardo Bacchi, Responsável Legal da empresa Laboratório de Patologia Bacchi Ltda, CNPJ: 02.198.534/000108, situada na Rua Major Leôinidas Cardoso, n°. 739 Centro — Botucatu/SP, que revendo nossos assentamentos referentes aos anos de 2005 e 2006, observamos que a empresa foi devidamente licenciada e inspecionada pela Equipe Técnica da Vigilância Sanitária, tendo apresentado condições satisfatórias no que se refere à Legislação Sanitária vigente. Botucatu, 21 de Dezembro de 2009. (...) 3) Fotos, imagens, de partes internas do estabelecimento, como laborátorio, maquinário específico etc (efls. 208/215); 4) Registro do Establecimento na Vigilância Sanitária Municipal de Botucatu – SP, de 21/05/2004 e atualizado em 2011, e outros documentos que comprovam a atividade de laborórios de análises clínicas de Anatomia Patológica, tais como anátómopatológico, imuno histoquimico e biologia molecular, desde o ano de 2005 (efl. 216/232 e 345/346); 5) Cópia da Relação Anual de Informações – RAIS do anobase 2004, 2008, 2009 (efls. 233/285); 6) Certidão Simplificada expedida pela pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, certificando que a recorrente está cadastrada, registrada, nesse registro do comércio,última atualização de 11/09/2011 (efls. 357/358). Em relação à forma de exploração de sua atividade (se por pessoa jurídica constituída como sociedade civil ou empresária), aqui também entendo que, embora no ano calendário 2005 a recorrente ainda continuasse – nos atos constitutivos como sociedade civil, isso não configura, por si só, óbice para o gozo do benefício fiscal dos coeficientes reduzidos de presunção para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL para o anocalendário 2005, pois a recorrente, como pessoa jurídica, comprovou a existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual, de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Tratase, portanto, de uma pessoa jurídica que presta serviços de clínica laboratorial com intuito de lucro, com caráter empresarial. Organização da atividade em caráter empresarial. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 473 27 Além do mais, para a solução da lide deve ser adotado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na interpretação da Lei nº 9.249/1995 ao julgar Recurso Especial representativo de controvérsia, na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC) que consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou, na época, precipuamente a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)” com os temperamentos dessa Corte guardiã da norma infraconstitucional , in verbis: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas Fl. 473DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 474 28 médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJ e 24/02/2010) Como restou caracterizado acima, o STJ consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou precipuamente a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”, mas com custos difrenciados, ou seja, excluindose as simples consultas médicas que são prestadas em consultórios médicos. Portanto, diversamente do entendimento da fiscalização da RFB consignado no Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal (efls.21/24), a contribuinte preenche os requisitos para seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares para efeito da legislação tributária quanto ao anocalendário 2005 (período de apuração objeto do auto de infração), ou seja, que faz jus aos coeficientes reduzidos de presunção (lucro presumido de 8%) e base de cálculo da CSLL de 12% para a atividade de laboratório de patologia clínica e citologia atividade econômica de exploração de laboratório clínico de exames anatomo patológico e citopatológico (serviço de exames laboratorias). Frisese, ainda, a autoridade fiscal competente ao proceder o lançamento de ofício (auto de infração), na apuração do IRPJ e da CSLL não segregou, não consignou, que a pessoa jurídica autuada tivesse receita bruta decorrente de “ prestação de serviços de consultas médicas” além da receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos – prestação de serviços laboratoriais. Desse modo temse como inconteste o exercício da atividade asseverada pela recorrente, ou seja, toda a receita bruta do anocalendário 2005 é Fl. 474DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000116/201058 Acórdão n.º 1802002.366 S1TE02 Fl. 475 29 decorrente da atividade de prestação de serviços de laboratório clínico de exames anatomo patológico e citopatológico (serviço de exames laboratorias). Com efeito, na esteira do entendimento do STJ, tratandose de empresa que se dedica à serviços de exames anatomopatológico e citopatológico (serviços de exames laboratoriais), com estrutura material e de pessoal, o coeficiente de presunção em relação aos serviços prestados é de 8% (oito por cento) para o IRPJ e 12% para a CSLL. Neste caso, ainda dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.(os grifos não constam do original) Por todas essas razões elencadas na fundamentação, é improcedente o auto de infração do IRPJ do anocalendário 2005. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula, quando inexistir razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 475DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002060/2002-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/04/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL
GUINDASTEAUTOPROPULSORSOBREPNEUS.
As diferenças entre o caminhão-guindaste e o guindaste-autopropulsor designam características distintas e funções distintas. Os elementos que conferem a cada qual a exata classificação fiscal são suas essências (caminhão de um lado e guindaste de outro), seus projetos de concepção (chassi especificamente projetado para cada função) e suas destinações principais de uso que não se confundem.
O guindaste-autopropulsor marca LIEBHERR, modelo LTM, classifica-se no código NCM 8426.41.10.
Numero da decisão: 3101-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/04/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL GUINDASTEAUTOPROPULSORSOBREPNEUS. As diferenças entre o caminhão-guindaste e o guindaste-autopropulsor designam características distintas e funções distintas. Os elementos que conferem a cada qual a exata classificação fiscal são suas essências (caminhão de um lado e guindaste de outro), seus projetos de concepção (chassi especificamente projetado para cada função) e suas destinações principais de uso que não se confundem. O guindaste-autopropulsor marca LIEBHERR, modelo LTM, classifica-se no código NCM 8426.41.10.
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As diferenças entre o “caminhãoguindaste” e o “guindasteautopropulsor” designam características distintas e funções distintas. Os elementos que conferem a cada qual a exata classificação fiscal são suas essências (caminhão de um lado e guindaste de outro), seus projetos de concepção (chassi especificamente projetado para cada função) e suas destinações principais de uso que não se confundem. O guindasteautopropulsor marca LIEBHERR, modelo LTM, classificase no código NCM 8426.41.10. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 20 60 /2 00 2- 17 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão n° 1742.087 2 Turma da DRJ/SP2, de 23/06/2010 (fls. 326/332), que manteve os autos de infração (fls. 03/09; 10/16), decorrente da divergência entre a classificação fiscal do produto “guindaste autopropulsor” declarada pela Recorrente na posição 8426 e a adotada pelo fisco na posição 8405. Consta dos autos Acórdão n° 310200.005, de 25/03/2009 (fls. 317/319), anulou o processo a partir da primeira decisão de primeira instância Acórdão n° 1717.493 – 2a Turma da DRJ/SP011, de 15/02/2007, uma vez que não apreciara uma das preliminares suscitadas. O relatório da decisão recorrida traz descrição suficientes acerca da lide: 0 importador por meio da DI de n° 02/02817304, registrada em 01/04/2002, importou a mercadoria descrita na adição 001 como um "GUINDASTE PARA TODO TERRENO, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, COMPUTADORIZADO, COM LANÇA TELESCÓPICA DE 48 M DE COMPRIMENTO E CAPACIDADE MÁXIMA DE CARGA DE 80 TON, MODELO LTM 1080/1, NÚMERO DE SÉRIE P/N 061 293", classificandoa no código NCM 8426.41.00, recolhendo o imposto de importação à alíquota de 4% ("ex" tarifário 004 — Resolução Camex n° 22/01) e imposto sobre produtos industrializados alíquota de 5%. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta é a NCM 8705.10.00, com alíquota do imposto de importação de 35%, e alíquota do imposto sobre produtos industrializados de 5%. Através do Auto de Infração de fls. 01 e seguintes cobraramse as diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, juros, multa de oficio e multa pela falta de guia de importação. Intimada do Auto de Infração em 21/05/2002 (fl. 79), a interessada apresentou impugnação e documentos em 19/06/2002, juntados às folhas 80 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a nulidade da autuação pelo fato de a fiscalização ter indicado como modelo do equipamento um número que, segundo a impugnante, tratase do código da cidade de produção do bem. Alega ainda preliminarmente violação do Principio da Ampla Defesa pois não foram explicitados os critérios utilizados para tipificação do fato gerador. 2. No mérito alega que a empresa LIEBHERR não produz caminhões. Citando as NESH, alega que o equipamento possui movimentação tipo "caranguejo", controlada da cabine do guindaste, que já caracterizaria um dos requisitos exigidos para a sua classificação como guindaste autopropulsor da posição 8426. Possui mecanismo de autolocomoção. Possui superestrutura formando um conjunto integrado ao chassi de forma homogênea. Alega que a retirada do guindaste tornaria sem utilidade o "carro inferior" (fl. 90, 2° parágrafo da impugnação). 3. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes relativa a guindastes hidráulicos. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 3101001.579 S3C1T1 Fl. 391 3 4. Julga incabível a multa por falta de guia de importação alegando que, de fato, possui guia de importação, e que só a ausência de qualquer guia daria ensejo à referida sanção. Além disso, julga improcedente a multa, pois considera correta a classificação fiscal por ela adotada. O Acórdão foi assim ementado: “CLASSIFICAÇÃO FISCAL O caminhão guindaste marca LIEBHERR, modelo LTM 1080/1, classificase no código NCM 8705.10.00. Lançamento procedente” Em face da manutenção do auto de infração, foi apresentado recurso voluntário (fls. 353/379), pugnando pela nulidade do auto de infração e reiterando as seguintes razões: Preliminarmente, a declaração da nulidade do auto de infração, posto que não satisfez aos requisitos do art. 142, CTN e não houve manifestação da primeira instância neste sentido. No mérito, seja o bem importado classificado de acordo com o descrito na declaração de importação e o afastamento das multas (art. 44, Lei 9.430/96 e art. 526, II, RA), ante a ausência de fato ensejador das penalidades. É o relatório. Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Sob o aspecto técnico da classificação fiscal de mercadorias, nos termos do Sistema Harmonizado, a tese trazida pelo lançamento parte de uma premissa fática equivocada, o que levou a uma conclusão que se afastou da adequada posição tarifária. As notas explicativas da NESH, as provas produzidas no processo e precedentes do CARF apontam que há severa diferença entre “caminhãoguindaste” e “guindasteautopropulsor”, o laudo elaborado em outros processos administrativos com o mesmo objeto guindaste marca LIEBHERR, modelo LTM demonstram que a estrutura do veículo foi concebida para ser um guindaste e não um caminhão que foi adaptado. A r. Turma Julgadora recorrida fundamentou sua decisão nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovada pela Instrução Normativa SRF nº 157/2002, partindo da falsa premissa de que os equipamentos importados pela Recorrente seriam caminhõesguindastes, quando, na verdade, são guindastes autopropulsores. O fulcro da questão reside na análise do que dispõe a NESH a respeito das posições 8426 e 8705. Confirase: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Posição 8426: “84.26 CÁBREAS; GUINDASTES, INCLUÍDOS OS DE CABO; PONTES ROLANTES, PÓRTICOS DE DESCARGA OU DE MOVIMENTAÇÃO, PONTESGUINDASTES, CARROS PÓRTICOS E CARROSGUINDASTES. (...) 8426.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados: (...) Continuam por outro lado classificados aqui os aparelhos simplesmente autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando acima indicados se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação (mais freqüentemente um guindaste (gruas) montado em chassi com rodas, mesmo que este conjunto possa circular pelos seus próprios meios.. ....” (destacamos) O que se verifica é que o equipamento da posição 8426 é concebido para se um guindaste, sendo que, continuam classificados na posição 8426, aqueles “GUINDASTES” providos de motor para lhes conferir autopropulsão. Posição 8705: “87.05 VEÍCULOS AUTOMÓVEIS PARA USOS ESPECIAIS (POR EXEMPLO: AUTOSOCORROS, CAMINHÕES GUINDASTES, VEÍCULOS DE COMBATE A INCÊNDIOS, CAMINHÕESBETONEIRAS, VEÍCULOS PARA VARRER, VEÍCULOS PARA ESPALHAR, VEÍCULOSOFICINAS, VEÍCULOS RADIOLÓGICOS), EXCETO OS CONCEBIDOS PRINCIPALMENTE PARA TRANSPORTE DE PESSOAS OU DE MERCADORIAS (+). 8705.10 Caminhõesguindastes (...) Pelo contrário, permanecem classificados, por exemplo, nas posições 84.26, 84.29 e 84.30, os aparelhos e máquinas autopropulsores (guindastes, escavadoras, etc.) em que um ou mais dos mecanismos de propulsão ou de comando acima mencionados se encontram reunidos na cabine da máquina de trabalho montados sobre um chassi com rodas ou lagartas, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios. Do mesmo modo, seriam excluídas desta posição [8705] as máquinas autopropulsoras de rodas cujos chassis e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo (por exemplo, algumas niveladoras autopropulsoras denominadas “motoniveladoras” (motorgraders)). Neste caso, o instrumento de trabalho não está simplesmente montado sobre um chassi de veículo automóvel, mas inteiramente integrado a um chassi que não pode ser utilizado para outros fins e que pode possuir os Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 3101001.579 S3C1T1 Fl. 392 5 mecanismos automóveis essenciais acima mencionados.” (destacamos) Já na posição 8705, os veículos são concebidos para serem CAMINHÕES, mas adaptados para utilidades diversas, inclusive, guindaste. Não se pode utilizar um caminhãoguindaste nas funções de guindastes autopropulsores, nem vice versa, uma vez que as indicações de uso são completamente diferentes. Lembro que apesar de um relógio ter calculadora, ele não deixa de ser relógio para ser classificado como calculadora, nem mesmo uma calculadora com função relógio não deixa de ser calculadora apenas por ter a função adicional. O elemento que confere a cada qual a exata classificação fiscal é sua essência, sua concepção e sua destinação principal de uso. A mesma análise merceológica deve ser feita para diferençar o “caminhãoguindaste” do “guindaste autopropulsor”. Notese que o “caminhãoguindaste”, primeiro, é caminhão, ou seja, se lhe retirarmos o equipamento guindaste, ele continuará sendo um caminhão. Já em relação ao “guindaste autopropulsor” se lhe tirarmos o guindaste, teremos uma plataforma, pesada com motor que não terá as características e a utilidade de caminhão. Dos enunciados prescritivos da NESH podemos concluir que: (i) o guindaste autopropulsor é um só conjunto mecânico, porque tanto o chassi quanto o aparelho de elevação ou de movimentação foram concebidos num único projeto, “um para o outro”; são partes inseparáveis, ambas fabricadas pela indústria de guindastes. Já no caminhãoguindaste, o aparelho de elevação ou de movimentação (fabricado pela indústria de guindastes) foi montado (adaptado) sobre um “verdadeiro chassi de veículo automóvel ou de caminhão” previamente fabricado pela indústria automotiva (por exemplo, Mercedes Benz, Fiat, Scania etc.); e (ii) até então, o guindaste autopropulsor, em todos os seus modelos, enquadravase na posição 8426. As alegações da Recorrente, ao longo do processo, demonstram coerência na caracterização do equipamento importado como sendo um guindaste autopropulsor e não caminhãoguindaste, valendose de (i) faturas, catálogos com dados técnicos e notas da transação comercial, acompanhadas das respectivas traduções juramentadas, demonstrando que, conforme concebido, tratase de um “guindaste autopulsor”; (ii) a fabricante do bem (LIEBHERR), por sua representante nacional, declarou (fls. 266) que não produz o referido modelo apontado pela fiscalização no auto de infração, “bem como nunca possuiu em sua linha de itens produtidos ou comercializados qualquer equipamento com esta qualificação de modelo”. Noto, ainda, que ficou demonstrado que, apesar de o modelo possuir duas cabines, uma serve somente para direção e outra, além dos movimentos dos guindates, também serve para proporcionar a realização do movimento “caranguejo” do equipamento, característica está que não se espera de um “caminhãoguindaste” e, justamente, a que requer o disposto no Código NCM 8426.41.10: “Com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo) com capacidade de carga igual ou superior a 60t”(destacamos) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Igualmente à mercadoria apreciada nestes autos, a controvérsia travada no PAF nº 10314.002826/200716 também envolvia a discussão a respeito da natureza dos bens importados (guindaste autopropulsor ou caminhãoguindaste). Tanto neste como naquele caso, o responsável pela lavratura dos autos de infração concluiu que os bens importados seriam caminhõesguindastes e não guindastes autopropulsores. Naquele caso, esta Turma a converteu, inicialmente, o julgamento em diligência (Resolução nº 310200.106), determinando a realização de perícia técnica com o fim de descrever o equipamento. O Perito designado pela Receita realizou a inspeção física nos equipamentos importados, analisou a documentação técnica fornecida pelo importador e empreendeu pesquisa na internet, concluiu que “O equipamento em questão, denominado guindaste, foi projetado para transportar o próprio equipamento, pois é autopropelido e também transporta e movimenta cargas, com movimento vertical através de lança telescópica. ...” Ou seja, claramente, naquela perícia envolvendo equipamentos símiles , restou constatado que estes são, indiscutivelmente, guindastes autopropulsores, exatamente como declarados por ocasião das importações. Adoto como razões de decidir adicionais o brilhante voto condutor do Acórdão n° 3101001.263, de 23/10/2012, do Eminente Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que expõe: “Num primeiro momento, o fulcro da questão destes autos, como bem dizia a recorrente, à fl. 588, reside na análise das posições 8426 e 8705 (aparelhos autopropulsores e veículos automóveis para usos especiais); a primeira, defendida pelo contribuinte, e a segunda, pela auditoriafiscal, que diz serem indevidos as exceções à TEC que beneficiaram as importações promovidas pela recorrente em 2002 e 2004, e afirma haver erro de classificação fiscal nas importações de 2006 Com efeito, estabelecer as diferenças entre as duas posições referidas é sobremaneira fundamental para a resolução do litígio, bem como a identificação precisa das mercadorias importadas, contudo, penso que no caso dos bens importados em 2002 e 2004, outra questão a ser enfrentada diz com o perfeito enquadramento da identificação dos bens importados com a identificação dos bens descritos nos destaques EX respectivos. Podese caracterizar o guindaste autopropulsor, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, como um equipamento no qual um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação montado em chassi com rodas, cujo chassi e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo que não pode ser utilizado para outros fins e que pode possuir os mecanismos automóveis essenciais que lhe permita circular por seus próprios meios; ao passo que o caminhãoguindaste, vem a ser um veículo não destinado ao transporte de mercadorias, constituído por um verdadeiro chassi de veículo automóvel ou de caminhão, com cabina sobre o qual está instalado, em caráter permanente, um guindaste rotativo, e que reúne nele próprio, no mínimo, os seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem (travagem). Após a efetivação da perícia complementar1, pelo engenheiro mecânico credenciado pela IRF/SP, ficou claro, ao menos para este conselheiro, que as 1 Notas de Rodapé do Acórdão n° 3101001.263: – Respostas aos quesitos: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.002060/200217 Acórdão n.º 3101001.579 S3C1T1 Fl. 393 7 mercadorias importadas tratamse, de fato, de guindastes autopropulsores, e não de caminhõesguindastes. Nessa moldura, a reclassificação fiscal levada a efeito mostrase equivocada e contrária à prova dos autos. Portanto, assim como nos Acórdãos n°s 3201001.241, de 20/03/2013, Rel. Daniel Mariz Gudiño, 3401002.225, de 24/04/2013, Rel. Jean Cleuter Simões Mendonça, e principalmente no Acórdão acima citado e no Acórdão n° 3102002.123, de 28/11/2013, Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro, que tratam do mesmo modelo objeto destes autos, o conjunto probatório dos autos demonstram que não há elementos para identificar a mercadoria importada a caminhãoguindaste, por ter sido concebido para ser um guindaste autopropulsor. Ademais, especificamente no tocante aos equipamentos importados pela Recorrente que são objeto da autuação em análise, esta, ao efetuar a classificação fiscal, o fez sob o Código NCM 8426.41.10, com base no “Ex 004” da Resolução Camex nº 22/01, o qual versa: a) As mercadorias desembaraçadas possuem haste telescópica? Resposta: Sim, todos os modelos em questão foram projetados e fabricados para operar com haste telescópica, como item de série, conforme catálogos e fotografia individual de cada modelo: (...) b) Os guindastes possuem eixos de rodas direcionáveis? Resposta: Sim, todos os modelos em estudo possuem eixos de rodas direcionáveis, diferentes na quantidade, conforme quadro resumo abaixo: (...) c) As mercadorias desembaraçadas foram montadas sobre chassi de veículos automotores? Resposta: Não, as mercadorias desembaraçadas foram montadas sobre chassi "tipo caixão", próprio para guindastes. O chassi é o suporte do equipamento. É sobre ele que se montam a carroçaria, o motor etc. Chassi tem o mesmo significado que suporte ou estrutura, e deve ter construção robusta com resistência à torção, no qual se incorporam elementos do guindaste (caixa de patolas, assento do rolamento de giro). A estrutura que forma o chassi do carro inferior do guindaste autopropulsado para todo terreno é composta de uma viga "tipo caixão", que se trata de uma solução mecânica estrutural clássica, a qual confere alta capacidade e resistência ao conjunto. É ainda construída com aço carbono liga, de granulometria fina, de alta resistência, com classe de resistência de 95 Kg/ mm2. Nos guindastes autopropulsados para todo terreno, o chassi do carro inferior não tem somente a função de veículo transportador da superestrutura, mas sim faz parte integrante da mesma: (...) Através da imagem acima, pode se verificar que o alojamento das vigas de sustentação (patolas) faz parte integrante da estrutura do carro inferior. De maneira análoga, o assento o rolamento de giro e demais elementos é estruturado e integrado ao chassi, formando um bloco caixão compacto e resistente aos esforços decorrentes. Os guindastes em questão, não são veículos (caminhões) adaptados, eles foram construídos com o propósito único e exclusivo de funcionarem como guindastes, a sua estrutura (ou chassi) não pode ser utilizada para outros fins. d) A capacidade de deslocamento das mercadorias desembaraçadas foi projetada para transporte de carga ou para o transporte do próprio equipamento em si? Resposta: Para a resposta deste quesito e um perfeito entendimento das mercadorias desembaraçadas, o equipamento deve ser subdivido em: parte inferior composta de um chassi autopropulsor sobre rodas, parte superior composta do guindaste propriamente dito. A parte inferior foi concebida, projetada e construída única e exclusivamente para transportar a parte superior (guindaste propriamente dito). Dessa forma, a parte inferior do equipamento não foi projetada para o transporte de carga. A parte superior (guindaste) foi concebida, projetada e construída para o içamento de carga (com movimento vertical) através de seus elementos de telescopagem e elevação. Conclusão: O equipamento em questão, denominado guindaste, foi projetado para transportar o próprio equipamento, pois é autopropelido e também transporta e movimenta cargas, com movimento vertical através da lança telescópica. Para efeito de ilustração, segue abaixo quadro resumo com a capacidade de carga e peso próprio de cada guindaste: (...) Para cada modelo existe uma tabela de carga em função do comprimento da lança, raio de inclinação da mesma, além do contrapeso necessário e patolamento (vide anexo). e) As mercadorias desembaraçadas podem ser consideradas bens de capital? Resposta: Quesito prejudicado, pois, não tratase de quesito de matéria técnica e sim contábil. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 "EX 004 GUINDASTE PARA TODO TERRENO, AUTOPROPULSORES SOBRE PNEUS, COMPUTADORIZADO, COM LANÇA TELESCÓPICA DE COMPRIMENTO IGUAL OU SUPERIOR A 42m E CAPA CIDADEMAXIMA DE CARGA IGUAL OU SUPERIOR A 60t" Ora, o equipamento LTM, conforme documentos acostados apresentados pela recorrente, é um “guindaste para todo terreno, autopropulsores, sobre pneus computadorizado, com lança telescópica de 48m de comprimento e capacidade máxima de carga de 80 toneladas”. Como se vê, completamente adequado ao proposto no referido “EX 004”. Consequentemente, a classificação tarifária adequada para os equipamentos LTM importados estava prevista posição na posição 8426.41.10, EX 004 porque há plena subsunção da descrição de fato com a descrição do enunciado prescritivo da posição. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, ficando superada a apreciação das demais questões apresentadas quanto à alegação de nulidade e quanto às penalidades aplicadas. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11128.003023/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2003 Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa. Caracterizado o cerceamento do direito de defesa, forçoso é reconhecer a nulidade do acórdão. Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 3102-001.396
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão 3102000.876, de 10 de dezembro de 2010 e devolver os autos à Secretaria da Câmara para realização de novo sorteio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Cerceamento do Direito de Defesa. Caracterizado o cerceamento do direito de defesa, forçoso é reconhecer a nulidade do acórdão. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão 3102000.876, de 10 de dezembro de 2010 e devolver os autos à Secretaria da Câmara para realização de novo sorteio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de manifestação da Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Santos, que aponta erro material, recebida como embargos de declaração, em desfavor do Acórdão 3102000.876, de 10 de dezembro de 2010, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 261DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.003023/200731 Acórdão n.º 310201.396 S3C1T2 Fl. 246 2 Data do fato gerador: 30/04/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de até 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão a ser recorrida. Após esse prazo, o recurso que vier a ser protocolado não pode ser conhecido, por ser perempto. Recurso voluntário não conhecido Aponta a R. Autoridade de Jurisdição que o acórdão indica como matéria litigiosa a COFINS, quando, na realidade, a exigência fiscal diz respeito ao Imposto de Importação e ao IPI vinculado e que, a despeito do despacho de fl. 239 reconhecer a tempestividade do recurso, tomouse o mesmo por intempestivo. Considerando o encerramento do mandato da relatora, Conselheira Beatriz Sena, me auto designei para analisar os embargos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator O Erro material é inegável. Com efeito, além dos elementos já apontados, o relatório fiscal noticia fatos que em nada se relacionam com os debatidos nos presentes autos e, por outro lado, o próprio voto condutor noticia erro na indicação da parte. Nessa linha, é igualmente inegável que o sujeito passivo teve seu direito de defesa cerceado e tal circunstância, como é cediço, atrai a aplicação do art. 59, II do Decreto nº 70.235, de 19721. De fato, nenhum dos seus argumentos foi enfrentado. Por outro lado, seria temerário que este Conselheiro, depois de reconhecida a nulidade, enfrentasse o mérito do recurso, pois, por via oblíqua, evitarseia a realização do necessário sorteio do Relator. Assim, voto no sentido de anular o Acórdão 3102000.876, de 10 de dezembro de 2010 e devolver os autos à Secretaria da Câmara para que, por meio de novo sorteio, seja designado novo relator para a análise do recurso. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 1 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.003023/200731 Acórdão n.º 310201.396 S3C1T2 Fl. 247 3 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10280.720122/2007-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE - INOBSERVÂNCIA DA REGULAÇÃO DE MPF
1 - Despropositada a arguição de que o MPF-F emitido seria imprestável para o procedimento fiscal relativo ao PIS e à Cofins. Estes foram apurados sobre a mesma materialidade investigada atinente ao IRPJ e à CSLL.
2 - Não houve extinção de MPF-F, por extrapolação de prazos, seja originalmente, seja para as prorrogações do MPF-F. Não há vício, no caso, por tempo decorrido para o procedimento fiscal que culminou nos lançamentos em dissídio.
NULIDADE - QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO
Questão de inconstitucionalidade e inaplicabilidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01 constitui matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2.
NULIDADE - QUEBRA INDEVIDA DE SIGILO BANCÁRIO
Há solicitação de emissão de RMF (Requisição de Movimentação Financeira), sob fundamento de indício de que o titular de direito seja interposta pessoa do titular de fato. As RMFs expedidas, conforme o Anexo II da Portaria SRF 180/01, para apresentação dos extratos bancários do período de 1/1/02 a 31/12/03, contêm os demais requisitos indicados no art. 4º, § 7º, do Decreto 3.724/01. Quebra indevida de sigilo bancário inocorrente.
ILEGALIDADE - OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA
A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do Fisco. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a intimação prévia do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditados. Houve tal intimação para a recorrente comprovar a origem dos créditos bancários devidamente individualizados. Encontram-se presentes os requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção juris tantum de omissão de receitas. Inexiste vício na presunção legal relativa de omissão de receitas em discussão.
IRPJ, CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO
Intimada à apresentação dos Livro Caixa ou Diário, Livro Razão, Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração do ICMS e/ou IPI, nada apresentou a recorrente. Caso de arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/99. Arbitramento do lucro com base em receita conhecida (receitas omitidas por presunção legal), conforme o art. 532 do RIR/99. Para a determinação do lucro para fins de IRPJ, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 9,6%; para a determinação do lucro para fins de CSLL, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 12%. Não merece reproche a aplicação dos coeficientes legais para determinação do lucro arbitrado, nos termos do art. 532 c/c o art. 518, do RIR/99, e do art. 20 da Lei 9.249/95 c/c o art. 29, I, da Lei 9.430/96.
PIS, COFINS - OMISSÃO DE RECEITAS
As receitas omitidas se consideram ordinariamente como decorrentes de sua atividade típica, de venda de produtos. Para quem desempenha atividade econômica com fim de lucro, aquela conclusão é decorrência lógica da omissão de receitas presumida.
MULTA CONFISCATÓRIA
A apreciação de inconstitucionalidade por ser confiscatória a multa, e, pois, eventualmente afastá-la sob tal fundamento, é questão defesa a enfrentamento por este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2.
ILEGALIDADE DA TAXA SELIC
Os juros são devidos à taxa Selic. Trata-se de matéria sumulada pelo CARF, consoante a Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 1103-001.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer das razões de recurso relativas a inconstitucionalidades de atos legais e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE INOBSERVÂNCIA DA REGULAÇÃO DE MPF 1 Despropositada a arguição de que o MPFF emitido seria imprestável para o procedimento fiscal relativo ao PIS e à Cofins. Estes foram apurados sobre a mesma materialidade investigada atinente ao IRPJ e à CSLL. 2 Não houve extinção de MPFF, por extrapolação de prazos, seja originalmente, seja para as prorrogações do MPFF. Não há vício, no caso, por tempo decorrido para o procedimento fiscal que culminou nos lançamentos em dissídio. NULIDADE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Questão de inconstitucionalidade e inaplicabilidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01 constitui matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2. NULIDADE QUEBRA INDEVIDA DE SIGILO BANCÁRIO Há solicitação de emissão de RMF (Requisição de Movimentação Financeira), sob fundamento de indício de que o titular de direito seja interposta pessoa do titular de fato. As RMFs expedidas, conforme o Anexo II da Portaria SRF 180/01, para apresentação dos extratos bancários do período de 1/1/02 a 31/12/03, contêm os demais requisitos indicados no art. 4º, § 7º, do Decreto 3.724/01. Quebra indevida de sigilo bancário inocorrente. ILEGALIDADE OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do Fisco. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 22 /2 00 7- 55 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 612 2 intimação prévia do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditados. Houve tal intimação para a recorrente comprovar a origem dos créditos bancários devidamente individualizados. Encontramse presentes os requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção juris tantum de omissão de receitas. Inexiste vício na presunção legal relativa de omissão de receitas em discussão. IRPJ, CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO Intimada à apresentação dos Livro Caixa ou Diário, Livro Razão, Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração do ICMS e/ou IPI, nada apresentou a recorrente. Caso de arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/99. Arbitramento do lucro com base em receita conhecida (receitas omitidas por presunção legal), conforme o art. 532 do RIR/99. Para a determinação do lucro para fins de IRPJ, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 9,6%; para a determinação do lucro para fins de CSLL, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 12%. Não merece reproche a aplicação dos coeficientes legais para determinação do lucro arbitrado, nos termos do art. 532 c/c o art. 518, do RIR/99, e do art. 20 da Lei 9.249/95 c/c o art. 29, I, da Lei 9.430/96. PIS, COFINS OMISSÃO DE RECEITAS As receitas omitidas se consideram ordinariamente como decorrentes de sua atividade típica, de venda de produtos. Para quem desempenha atividade econômica com fim de lucro, aquela conclusão é decorrência lógica da omissão de receitas presumida. MULTA CONFISCATÓRIA A apreciação de inconstitucionalidade por ser confiscatória a multa, e, pois, eventualmente afastála sob tal fundamento, é questão defesa a enfrentamento por este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC Os juros são devidos à taxa Selic. Tratase de matéria sumulada pelo CARF, consoante a Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer das razões de recurso relativas a inconstitucionalidades de atos legais e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 613 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 614 4 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ, PIS, CSL e Cofins referentes aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, cujos instrumentos específicos dos autos de infração se encontram nas fls. 183 a 194 (IRPJ), 195 a 204 (PIS), 205 a 214 (Cofins) e 215 a 228 (CSL), com os valores de principal, multa e juros calculados até 30/4/2007. A recorrente foi cientificada, em 10/5/2007, nos próprios autos. A recorrente foi autuada por falta de comprovação da origem dos depósitos e créditos nas contas correntes mantidas no Banco Rural S.A. e Banco do Brasil S.A. O lucro foi arbitrado e determinado mediante a utilização de percentual de 9,6% sobre a receita bruta da atividade auferida em cada período de apuração com base na receita conhecida informada na DIPJ e idêntico percentual aplicado sobre a receita omitida pela falta de apresentação dos livros contábeis. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação, em 8/6/2007, nas fls. 235 a 311, alegando, em síntese, o que segue. Preliminarmente, alega nulidade do auto de infração pelas razões a seguir expostas. 1) Princípio da Legalidade: Aduz pela desobediência ao Mandado de Procedimento Fiscal pelo descumprimento dos limites por ele impostos e pela não conclusão da fiscalização no prazo fixado. Afirma que o MPF fixou a data de 6/7/2006 como limite para conclusão dos trabalhos e os autos de infração foram lavrados somente em 10/10/2007, portanto, após o previsto. Ainda sob a ótica do mesmo princípio, afirma não ter ocorrido o fato gerador para constituição do crédito tributário. Alega ainda não terem sido expedidos MPFs complementares para os autos de infração de CSL, PIS e Cofins, extrapolando o auditor fiscal os limites de sua competência. 2) Cerceamento de defesa: Entende que a autoridade fiscal não poderia ter fundamentado sua alegação com o argumento de que os documentos apresentados pela recorrente restaram “inservíveis aos fins a que se destinavam” sem sequer analisálos. Afirma ter realizado o pagamento de todos os tributos devidos e também que manteve sua documentação em dia, conforme comprovam as DIPJs, DCTFs e Darfs anexos aos autos. Acrescenta ainda que não pode a autoridade fiscal presumir a omissão de receitas apenas com base na análise de seus extratos bancários. Além disso, as movimentações em análise correspondem a transferências entre contas de mesma titularidade e contratação de Fl. 623DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 615 5 obrigações junto aos bancos (referentes a dívidas existentes), não podendo servir como meio idôneo para apuração de crédito tributário. Alega que a análise realizada pela autoridade fiscal durou por tempo demasiado longo e foi realizada de forma pouco acurada. Restou à recorrente, portanto, o ônus de provar o contrário do que alegado, tendo em vista terem sido obtidos valores fictícios por parte da autoridade fiscal e, tudo isso, em tempo menor ao utilizado por esta para analisar os fatos em questão. No mesmo sentido, acrescenta que a presunção de legitimidade dos atos administrativos não é fator que caracterize a inversão do ônus da prova, restando o auto de infração eivado pelo vício da nulidade. No mérito. Aduz a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário autorizada exclusivamente pela autoridade administrativa, tendo em vista que o mesmo funcionário que pratica função típica da administração não pode praticar também função típica do Poder Judiciário sob pena de violação ao princípio da impossibilidade do exercício simultâneo de funções e, ainda, por não estar de acordo com o princípio da reserva de jurisdição. Entende, pois, o procedimento como ilegal, realizado sob abuso de poder, tendo em vista a inconstitucionalidade do ato, solicitando a desconsideração das informações bancárias por configuração da prova obtida por meio ilícito. Nesse sentido, invoca a inconstitucionalidade do art. 6º da LC 105/01. Combate a apuração de receitas omitidas por presunção, alegando a ilegalidade por incomprovação da ocorrência dos fatos geradores e por falta de concreção dos fatos geradores. Afirma constituir infração ao art. 150, IV, da CF de 88 a utilização do percentual de 75% de multa, caracterizando ato abusivo e confiscatório, vez que ultrapassa o conceito indenizatório e ainda privação da propriedade privada. Traz à luz a impossibilidade da aplicação da Selic, tendo em vista a taxa ser composta de juros e correção monetária, o que impossibilita a sua cumulação com novas parcelas da mesma espécie, devendo, neste caso, ser aquela taxa expurgada. Assim, requer o deferimento e realização de perícia para apuração do efetivo valor do débito. E ainda entende ser lícito à autoridade fiscal deixar de aplicar leis inconstitucionais, tendo em vista sua decisão não ter efeito erga omnes, não sendo definitiva, mas somente terminativa na esfera administrativa. Pelo exposto, requer sejam declarados improcedentes os autos de infração e os valores dele decorrentes. DA DECISÃO DA DRJ Em 30/10/2009, acordaram os julgadores da 1ª Turma da DRJ/Belém, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, pelos motivos abaixo sintetizados. Preliminarmente, acerca dos julgados trazidos pela recorrente, entendemse frustrados, tendo em vista que não constituem norma complementar de direito, vinculando Fl. 624DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 616 6 somente as partes envolvidas nos litígios em questão. Cumpre esclarecer ainda que as súmulas dos Tribunais Superiores, diferentemente das súmulas vinculantes do Superior Tribunal Federal, não submetem o administrador aos seus julgados. Neste sentido o art. 100, II, do CTN, e o Parecer Normativo CST 390/71. E ainda, mesmo tendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento, salvo hipótese de edição de súmula administrativa, conforme art. 26A do Decreto 70.235/72, incluído pela Lei 11.196/05. Quanto à alegação de nulidade da não conclusão da fiscalização dentro do prazo e da não emissão de MPF complementar para lavratura dos autos das contribuições reflexas, não prosperam as alegações da impugnante. Os MPFs foram prorrogados a critério da autoridade outorgante, bem como suas prorrogações sempre estiveram à disposição da recorrente no site da Receita Federal para que tivesse acesso ao documento e suas alterações a qualquer momento. E ainda se entende que, havendo um MPF autorizando a lavratura do auto de infração do IRPJ, é decorrência lógica deste a lavratura de seus reflexos. Ademais, esta é uma questão inferior no que tange à anulabilidade do lançamento, tendo em vista ser o MPF apenas um instrumento de gerenciamento e planejamento da atividade fiscal. Foi afastada, portanto, a preliminar de nulidade decorrente de eventual irregularidade na emissão de MPF. No concernente à preliminar de cerceamento de defesa, foi alegado ser o ônus da prova de responsabilidade da Administração. Contudo, tratase de autuação fundamentada em presunção legal e um de seus efeitos é a inversão do ônus da prova, conforme se verifica no art. 334, IV, do Código de Processo Civil. E ainda, somente após a lavratura do auto de infração ficam sujeitos os atos processuais submetidos ao contraditório e à ampla defesa diante da possibilidade de propositura de impugnação. Restou descaracterizada a referida alegação ainda pelo fato de ter sido específica a intimação da fiscalização (fls. 73 a 150) para que a recorrente justificasse a origem dos depósitos apontados. No mérito. O pedido de nulidade do procedimento em virtude de quebra de sigilo bancário também não merece prosperar, uma vez que havia procedimento fiscal em curso, motivado por movimentação financeira incompatível com a receita declarada. E a autoridade fiscal somente solicitou às instituições financeiras os extratos bancários da recorrente após a sua recusa em apresentálos, ato lícito e previsto pelo art. 38, § 5º, da Lei 4.595/64. E ainda há o fato de que todos os contribuintes são obrigados a prestar informações ao Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, devendo apresentar regularmente declarações de rendimentos e ficando sujeitos à auditoria das informações prestadas, conforme art. 927 do RIR/99. Negandose o contribuinte a apresentar as informações solicitadas, é lícito à autoridade fiscal buscálas junto às instituições bancárias, como pode ser observado na previsão do art. 197, II, do CTN. Além do fato de que não há quebra do sigilo bancário, tampouco do sigilo fiscal, na transferência dos dados pelas instituições financeiras à Receita Fl. 625DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 617 7 Federal; isto somente ocorreria caso a transferência de informações fosse feita a terceiros. Neste caso, o segredo permaneceu intocado. A matéria foi também tratada pelos arts. 1º, § 3º, IV, e 6º, da Lei Complementar 105/01. Em conformidade com todos os preceitos legais apresentados, não haveria qualquer violação à legislação quanto ao sigilo bancário do contribuinte. Havendo ainda as restrições aos servidores públicos que em razão do cargo tenham acesso às informações protegidas, conforme art. 8º do Decreto 3.724/01, sem prejuízo das sanções penais cabíveis, conforme art. 325, CP, e regulamentação também prevista nos artigos 918, 998 e 999, do RIR/99. No tocante à inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, as autoridades administrativas não são competentes para manifestaremse acerca da constitucionalidade das leis, seja porque tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam de presunção de constitucionalidade, cabendo ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto 2.346/97, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. Não é, portanto, competência da autoridade fiscal apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados pela recorrente como inconstitucionais e/ou ilegais. Quanto à presunção de omissão de receitas, apontamse o art. 42 da Lei 9.430/96, e suas modificações com o art. 4º da Lei 9.481/97, que estabeleceram presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito de investimento mediante documentação hábil e idônea. De acordo com o dispositivo entendese, portanto, que há autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando não forem apresentadas as documentações solicitadas, não havendo necessidade de o Fisco juntar qualquer outra prova. Sobre a cobrança da taxa de juros de mora com base na Selic, primeiramente deve ser considerada a previsão do art. 161, § 1º, do CTN, que ressalva a possibilidade de aplicação da taxa de juros com base em lei ordinária. São neste caso considerados também os artigos 61, §§ 1º, 2º e 3º, da Lei 9.430/96, e 5º, § 3º, do mesmo diploma legal. Resta comprovada a admissibilidade da aplicação da taxa Selic ao caso ora em comento. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear realização de diligências e perícias, conforme art. 1ª da Lei 8.748/93, este pedido é passível de autorização para sua realização, podendo ser indeferido se considerado prescindível ou impraticável, fundamento utilizado para sua denegação, tendo em vista que não se presta à produção de provas que a recorrente deveria ter trazido aos autos junto com a peça impugnatória. Aplicase às contribuições sociais reflexas (CSL, PIS e Cofins), no que couber, o que foi decidido para a obrigação principal, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 12/1/2010, recurso voluntário de fls. 380 a 455, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 618 8 DA RESOLUÇÃO DO CARF Em sessão do dia 12/4/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante a Resolução nº 110300.059, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, de acordo com o artigo 2º da Portaria CARF 1/12, conforme entendimento abaixo sintetizado. Colacionou o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10, e transcreveu o parágrafo único do artigo 1º, da Portaria CARF 1/12. Acentuou que a matéria discutida no presente processo é objeto do RE 601.314 RG/SP com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Afirmou que o Ministro Ricardo Lewandowski, no julgamento, pelo STF, dos Agravos de Instrumento nº 668.843 e nº 765.714/SP, determinou a devolução dos autos referentes a esses feitos aos tribunais de origem a fim de que ocorra o sobrestamento dos feitos, nos termos do art. 543B do CPC, em face do RE 601.314RG/SP, sob repercussão geral, onde é discutida questão idêntica. Apontou que, nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF, se houver a subida ou distribuição de múltiplos recursos fundados em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator deve determinar a devolução dos processos aos tribunais de origem, de modo a aplicar os parágrafos do art. 543B do CPC. Por fim, entendeu que, de acordo com o artigo 2º, caput e § 2º, da Portaria CARF 1/12, está caracterizada, no presente processo, a hipótese para sobrestamento do julgamento do presente feito. DO DESPACHO DE RETORNO AOS AUTOS Tratase de despacho expedido em 24/2/2014 que determina a reinclusão do presente processo, o qual foi sobrestado, na pauta para julgamento. Afirmou que a inclusão na pauta para julgamento de processos que tratam de matérias que estão em repercussão geral sem trânsito em julgado no STF, de acordo com o rito do artigo 543B do CPC, derivou do fato de a Portaria MF 545/2013 ter revogado o §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II da Portaria MF 256/2009, o qual aprova o Regimento Interno Do CARF. Por fim, determinou o retorno do presente processo para o CARF, de modo a prosseguir o julgamento, em consonância com o Decreto 70.235/72. É o relatório. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 619 9 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Como se viu do relatório, o julgamento do recurso havia sido sobrestado por resolução, em face do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF e da Portaria CARF 1/12, diante da existência de RE sob repercussão geral afetada à matéria em jogo. Por conta da Portaria MF 545/13, que revogou os mencionados §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os autos do feito retornaram a este relator, para julgamento do recurso. Alega a recorrente nulidade dos lançamentos por desobediência aos limites normativos impostos para o Mandado de Procedimento Fiscal. Despropositada a arguição de que o MPFF emitido seria imprestável para o procedimento fiscal relativo ao PIS e à Cofins. Como se viu do relatório, esses tributos foram apurados sobre a mesma materialidade investigada atinente ao IRPJ e à CSL. Eis a dicção do art. 9º da Portaria SRF 6.007/05, vigente à época do procedimento fiscal: Art. 9º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Notase que, durante o procedimento fiscal, houve inclusões e exclusões de ARFB responsáveis pela execução do MPFF, de modo que ocorreu a expedição de 2 MFPC (fls. 3 e 4), em consonância com o que previa o art. 10 da Portaria SRF 6.007/05: Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição de AFRF responsável pela sua execução ou supervisão, bem assim as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante emissão, pela autoridade outorgante do MPF originário, de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), conforme modelos aprovados por esta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. § 1º. O MPFC será identificado pelo número do MPF originário, na forma do inciso I do art. 7º , acrescido de número seqüencial correspondente a sua emissão, separado por hífen. [...] Com relação ao prazo do MPFF e suas prorrogações, há sua regulação prevista na mesma portaria: Fl. 628DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 620 10 Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1 º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. [...] Como se vê na fl. 5, não houve extinção de MPFF, por extrapolação de prazos, seja originariamente, seja para as prorrogações do MPFF. E não há vício, no caso, por tempo decorrido para o procedimento fiscal que culminou nos lançamentos em dissídio. Outrossim, rejeito tal preliminar de nulidade. A recorrente articula nulidade dos lançamentos por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. A revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF motivou o retorno dos autos para julgamento do recurso, resultando prejudicada a questão da aplicabilidade ou da inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01 ficou prejudicada neste feito. Ocorre que a questão de aplicação e de inconstitucionalidade da lei constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/091; também, consoante o art. 62 do Anexo II do Regimento 1 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 629DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 621 11 Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 2 (segundo consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.. Outrossim, rejeito a preliminar de nulidade por inconstitucionalidade e inaplicabilidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. A rigor, não se está diante de quebra de sigilo bancário. Em resposta à intimação para apresentação dos extratos de conta corrente bancária no Banco do Brasil dos anoscalendário de 2002 a 2004 (fl. 11), a recorrente diz que o referido banco não fornece as informações solicitadas concernentes ao período em questão, e que por esse motivo ela não as fornece ao autuante. Na mesma resposta, afirma que o autuante pode solicitar o requerido diretamente ao banco (fl. 13). Em resposta à intimação para apresentação dos extratos de conta corrente bancária no Banco Rural dos anoscalendário de 2002 e 2003 (fl. 51), a recorrente diz que se encontra em lide judicial com aquele banco e por isso ela não tem como receber do banco os extratos requeridos pelo autuante. Na mesma resposta, afirma que ele pode solicitar os extratos diretamente ao banco (fl. 54). Na medida em que a recorrente autorizara o Fisco de obter os extratos bancários da recorrente junto aos bancos, não se há de falar de quebra de sigilo bancário. Quer dizer, a rigor, seriam desnecessárias as Requisições de Movimentação Financeira (RMF) aos banco, pelo Fisco. Ainda assim, prossigo no enfrentamento da questão. O art. 3º do Decreto 3.724/01 regulamenta o art. 6º da Lei Complementar 105/01: ele descreve as hipóteses de cabimento de quebra do sigilo bancário. O art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01 prevê o relatório circunstanciado contendo a motivação para a solicitação da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). É defesa a emissão de RMF sem que haja prévia intimação do sujeito passivo para apresentação das informações solicitadas; a emissão da RMF podese dar caso haja a recusa da prestação das informações ou sua apresentação incompleta. Assim impõe o art. 4º, § 2º, do Decreto 3.724/01. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 622 12 A Portaria SRF 180/01 regulamenta o art. 4º, § 1º, do Decreto 3.724/01. Este preceito determina que a requisição de informações atinentes ao sigilo bancário deve ser formalizada por meio de documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) dirigida a cada instituição financeira na qual o sujeito passivo supostamente possua conta corrente bancária, de custódia de títulos e valores mobiliários, etc. Vejo que há solicitação de emissão de RMF para o Banco do Brasil, sob fundamento de indício de que o titular de direito seja interposta pessoa do titular de fato – fls. 18 e 19. A solicitação é para apresentação de cartão de assinatuta de contra corrente, dados da ficha cadastral do sujeito passivo, extratos de depósito a prazo e poupança, extratos de movimentação de conta corrente, emissão de ordens de crédito ou documentos semelhantes, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentarem conta corrente. A solicitação compreende o período de 1/1/02 a 31/12/04. Nas fls. 20 e 21 consta a RMF para o Banco do Brasil, requerendo as informações acima. Vejo que há solicitação de emissão de RMF para o Banco Rural, sob fundamento de indício de que o titular de direito seja interposta pessoa do titular de fato – fls. 55 e 56. A solicitação é para apresentação de cartão de assinatura de contra corrente, dados da ficha cadastral do sujeito passivo, extratos de movimentação de conta corrente, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentarem conta corrente. A solicitação é para o período de 1/1/02 a 31/12/02. Nas fls. 57 e 58 figura a RMF para o Banco Rural. Ainda, nas fls. 61 e 62, noto que há outra solicitação de emissão de RMF para o Banco Rural, sob fundamento de indício de que o titular de direito seja interposta pessoa do titular de fato. A solicitação é para apresentação de que já havia sido indicado (menos extratos de movimentação de conta corrente) e extratos de aplicações financeiras, para o mesmo período da anterior (1/1/02 a 31/12/02). Há a RMF para o Banco Rural nas fls. 63 e 64. Nas fls. 88 e 89, vejo que há mais uma solicitação de emissão de RMF para o Banco Rural, sob o fundamento das anteriores. A solicitação é para novamente para apresentação de extratos de movimentação de conta corrente do mesmo período. As RMFs expedidas, conforme o Anexo II da Portaria SRF 180/01, para apresentação dos extratos bancários do período de 1/1/02 a 31/12/03, contêm os demais requisitos indicados no art. 4º, § 7º, do Decreto 3.724/01. Posto isso tudo, rejeito a preliminar de nulidade por quebra indevida de sigilo bancário. Argui, ainda, a recorrente nulidade por inverter o ônus da prova à contribuinte, na determinação e identificação da matéria tributável. No caso vertente, essa questão se imbrica com a de mérito, de molde que a enfrentarei no exame do mérito. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 623 13 Passo ao exame do mérito. A recorrente articula, em síntese, a ilegalidade da determinação de omissão de receitas que compõem a base de cálculo do IRPJ e da CSL, por presunção. Sobre a questão, de início, observo que os acórdãos citados são julgados que enfrentam a questão posta pela recorrente à luz da legislação tributária anterior à vigência da Lei 9.430/96. Sob o manto daquela legislação, havia inclusive a Súmula 182 do antigo TRF que rechaçara a presunção de omissão de receitas em dissídio, por falta de nexo causal entre os créditos bancários e as receitas supostamente omitidas, baseandose a pretensão em mera presunção, o que colide com o art. 43 do CTN. Sucede que essa presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti ou comum, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas. Isso mudou com a superveniência da Lei 9.430/96, que, em seu art. 42, guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os depósitos ou créditos bancários sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou jurídica3. 3 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) § 4º. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 624 14 A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, desde que cumpridos os requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do Fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 (reproduzido no art. 287 do RIR/99). Na ausência de um desses requisitos, fica derruída essa presunção legal, restando fulminada de nulidade a pretensão naquela apoiada. É como entendo. Vejo que houve intimação para a recorrente comprovar a origem dos créditos bancários individualizados – fl. 92. Os créditos objetivados na intimação se encontram individualizados, no anexo de fls. 93 a 239. O autuante diz no Relatório de Fiscalização (fls. 292 a 297) que integra os lançamentos que a recorrente entregara uma correspondência justificando parte da movimentação financeira. Não localizei nos autos a referida correspondência. Ainda, conforme o Relatório de Fiscalização, o autuante observa que expurgara sem análise o total de R$ 2.120.717,14, relativos a créditos inferiores a R$ 1.000,00. Também, que expurgara: R$ 34.976.663,43 referente a créditos de empréstimos bancários; R$ 49.242.169,18 correspondente a transferências entre contas de mesma titularidade; R$ 6.855.438,39 de cheques devolvidos emitidos pela recorrente; R$ 4.300.803,36 de depósitos devolvidos; R$ 21.077.920,01 relativo a depósitos parcialmente devolvidos e a cheques depositados e posteriormente devolvidos. Encontramse presentes os requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção juris tantum de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96. Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). Inexiste vício na presunção legal relativa de omissão de receitas em comentário. E, no caso vertente, nada foi carreado aos autos para comprovar a origem dos recursos depositados e creditados, a demonstrar que os créditos e depósitos não são representativos de receitas. Por outro lado, receitas omitidas não são renda omitida. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 625 15 Intimada à apresentação dos Livro Caixa ou Diário, Livro Razão, Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração do ICMS e/ou IPI, nada apresentou a recorrente. O caso, portanto, é de arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/99. Arbitramento do lucro com base em receita conhecida, conforme o art. 532 do RIR/99 – receitas omitidas por presunção legal. Para a determinação do lucro (base de cálculo) para fins de IRPJ, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 9,6%, como se constata das fls. 303, 304, 306 e 307, que são dos instrumentos específicos do lançamento. Ou seja, o arbitramento do lucro se deu pela aplicação do coeficiente para venda de produtos, que é de 8%, acrescidos de 20% (= 9,6%) sobre as receitas omitidas. Sucede que, conforme suas DIPJ/03, DIPJ/04 e DIPJ/05, consta como atividade a criação de galináceos para corte – fls. 240, 256 e 274. Para a determinação do lucro (base de cálculo) para fins de CSL, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 12%, como se comprova nas fls. 336 e 338, que são dos instrumentos específicos do lançamento. Não merece reproche a aplicação dos coeficientes legais para determinação do lucro arbitrado, para fins de IRPJ e de CSL. Isso, nos termos do art. 532 c/c o art. 518, do RIR/99, e do art. 20 da Lei 9.249/95 c/c o art. 29, I, da Lei 9.430/96 (CSL). Já, para PIS e Cofins, desnecessárias mais digressões, em face do que já ficou deduzido até aqui. As receitas omitidas se consideram ordinariamente como decorrentes de sua atividade típica, de venda de produtos. A quem desempenha atividade econômica com fim de lucro, aquela conclusão é decorrência lógica – para não dizer novamente presuntiva – da omissão de receitas presumida. Presunção decorrente ou consequente à presunção não se confunde com presunção de presunção ou presunção sobre presunção. Não há nada nos autos que demonstre o contrário, i.e., a recorrente nada contrastou a esse respeito. Nessa linha de considerações, nego provimento ao recurso sobre a questão do mérito, bem como sobre a do onus probandi. Há, ainda, irresignação da recorrente quanto à multa infligida e aos juros moratórios à taxa Selic. A apreciação de inconstitucionalidade por ser confiscatória a multa, e, pois, eventualmente afastála sob tal fundamento, é questão defesa a enfrentamento por este órgão julgador, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e da Súmula CARF nº 2. Quanto à ilegalidade da taxa Selic, tratase de matéria sumulada pelo CARF, conforme a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.720122/200755 Acórdão n.º 1103001.118 S1C1T3 Fl. 626 16 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Por conseguinte, sobre tais questões, nego provimento ao recurso. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19311.000082/2008-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 30/08/2008
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pela legislação, cabendo ao responsável da obra o ônus da prova em contrário.
Na execução de obra de construção civil, para fins de aferição indireta, poderá ser utilizado o Custo Unitário Básico (CUB) da Construção Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo os lançamentos fiscais: AI - Autos de Infração n° 37.137.755-2 (processo n° 19311.000083/2008-17), nº 37.164.265-5 (processo n1 19311.000081/2008-28) e n° 37.164.264-7 (processo n° 19311.000082/2008-72) relativos à obrigação principal, e n° 37.164.269-8 (processo n° 19311.000080/2008-83), relativo à obrigação acessória.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 30/08/2008 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pela legislação, cabendo ao responsável da obra o ônus da prova em contrário. Na execução de obra de construção civil, para fins de aferição indireta, poderá ser utilizado o Custo Unitário Básico (CUB) da Construção Civil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo os lançamentos fiscais: AI Autos de Infração n° 37.137.7552 (processo n° 19311.000083/200817), nº 37.164.2655 (processo n1 19311.000081/200828) e n° 37.164.2647 (processo n° 19311.000082/200872) relativos à obrigação principal, e n° 37.164.2698 (processo n° 19311.000080/200883), relativo à obrigação acessória. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 82 /2 00 8- 72 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000082/200872 Acórdão n.º 2803003.883 S2TE03 Fl. 196 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, correspondente às contribuições sociais incidentes sobre a mão de obra aplicada na edificação de obra de construção civil, matriculada nº 50.012.4328479. O julgamento em questão se refere aos: AI Autos de Infração n° 37.137.7552 (processo n° 19311.000083/200817, contribuição patronal), nº 37.164.2655 (processo nº 19311.000081/200828, contribuição de Terceiros) e n° 37.164.2647 (processo n° 19311.000082/200872, contribuição de segurados) relativos à obrigação principal, e n° 37.164.2698 (processo n° 19311.000080/200883), relativo à obrigação acessória (CFL 38). A mão de obra foi aferida pela DISO — Declaração e Informação Sobre Obra (protocolada sob n° 37311.000451/200566), a qual informa que se trata de obra de alvenaria para prédio comercial, com início em 31/12/2003 e término em 25/01/2004, com área de 715,08 m2, cujo Habitese foi expedido em 13/01/2005. Do total da mão de obra apurada foram deduzidos os valores correspondentes aos recolhimentos das contribuições e o valor convertido em área regularizada, correspondente à aquisição de concreto usinado. No período de 12/2003 a 01/2004 não há nota fiscal/fatura relativo à contratação de mão de obra. Conforme ficha de registro de empregado (FRE) e GFIP a admissão dos empregados ocorreu em 02/02/2004 e os mesmos foram mantidos até 08/2004, conforme conta contábil 1.3.03.01.003 — Ordenados e Salários, sendo que em 2003 não ocorreu lançamento nessa conta. Não se verificou registros de mão de obra própria, nem de terceiros, nas competências de 12/2003 a 01/2004, o que não permitiu identificar a aplicação do concreto adquirido. Em face das constatações foi lavrado auto de infração. A contabilidade apresentada não registra toda a mão de obra utilizada, ou seja, não expressa a realidade da evolução da obra. Foram examinados as folhas de pagamento, GFIP, GPS, FRE e Livros Diário/Razão, além de outros documentos. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: n° 37.137.7552 referente à contribuição patronal; n° 37.164.2647 referente à contribuição dos segurados empregados; nº 37.164.2655 referente as contribuição destinadas a outras entidades e fundos, denominados de "Terceiros" (FNDE, SESI/SENAI, SEBRAE e INCRA); e Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000082/200872 Acórdão n.º 2803003.883 S2TE03 Fl. 197 3 n° 37.164.2698 referente ao descumprimento de obrigação acessória (CFL 38). DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. DA DECISÃO O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal por unanimidade manteve os lançamentos fiscais: AI Autos de Infração n° 37.137.7552 (processo n° 19311.000083/200817), nº 37.164.2655 (processo n1 19311.000081/200828) e n° 37.164.2647 (processo n° 19311.000082/200872) relativos à obrigação principal, e n° 37.164.2698 (processo n° 19311.000080/200883), relativo à obrigação acessória. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: em nenhum momento informou que a nota fiscal não constava do Livro Razão, pois no próprio recurso informa que está registrada no livro diário, a nota fiscal nº 2565, datada de 27/jan/2004, da empresa CIVILSOLO Sondagens e Fundações Ltda, referente a estaqueamento. O concreto usinado foi utilizado para o enchimento dos furos abertos para tal fim. A decisão recorrida desconhece o procedimento, restrito à área da Engenharia Civil e ignora ainda os documentos técnicos apresentados; Relativamente à nota fiscal emitida em 27/01/2004, o acordo comercial entre as referidas empresas seria que a cobrança através da nota fiscal ocorreria apenas 05 (cinco) dias após a conclusão dos serviços de estaqueamento, o qual findaria com a conclusão da concretagem de todas as 77 (setenta e sete) estacas, uma vez que a CIVILSOLO era a responsável técnica pelo acompanhamento da concretagem das estacas, conforme consta de sua declaração técnica, em anexo. Como a última concretagem ocorreu com o fornecimento do concreto em 23/01/2004, a data da nota fiscal da empresa CIVILSOLO está consoante com o acordo comercial; a classificação da obra como galpão comercial não altera sua destinação, ou seja, destinada ao uso comercial, devendo assim ser enquadrada, conforme demonstrado no laudo técnico anexo aos autos. Não pode ser enquadrada como projeto comercial – andar livre como quer a fiscalização; o custo apresentado no livro razão, na contabilidade, expressa fielmente à realidade da evolução da obra, inexistindo assim quaisquer irregularidades; por fim, requer a nulidade da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000082/200872 Acórdão n.º 2803003.883 S2TE03 Fl. 198 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal do auto de infração AI nº 37.137.7552, fls. 20/23 dos autos digitalizados, que o contribuinte apresentou, em 26 de Janeiro de 2005, Declaração e Informação Sobre Obra DISO, matrícula CEI 50.012.4328479, com início em 31/12/2003 e final em 25/01/2004. Tratase de obra nova de alvenaria para prédio comercial, andares livres, com área de 715,08 m2. O habitese apresentado tem data de 13 de janeiro de 2005. A análise da DISO sem a conferência com a contabilidade apresentou recolhimentos inferiores a 70% (setenta por cento), estabelecidos na norma de fiscalização (inciso I do art. 491 da IN 100/2003). Por esse motivo o pedido de regularização da obra foi encaminhado à fiscalização para o confronto das informações com a contabilidade. No período de 12/2003 a 01/2004, declarado pelo contribuinte na DISO, a fiscalização constatou que não havia nota fiscal/fatura de serviço com mão de obra de subcontratada ou prestação de serviço ou ainda de temporários, e que a ficha de registro de empregados (FRE) de números 01 a 04, a data de admissão se iniciou 02/02/2004, data também constatada na GFIP de competência 02/2004. A fiscalização entendeu, ainda, que a contabilidade não registrava toda a mão de obra utilizada, concluindo que não expressava a realidade da evolução da obra e que a DISO apresentada pelo contribuinte continha nível baixo de recolhimento de contribuições sociais para regularização de obra. Destarte, apurou os valores com base nos documentos que dispunha. A fiscalização emitiu novos cálculos demonstrados no relatório Aviso de Regularização de Obras – ARO (fls. 24/26), com início da obra em 31/12/2003 e término em 13/01/2005, área: 715,08m2, com enquadramento de obra nova, destinação: comercial, andar livre, padrão normal, número de unidade: 1, contendo o valor da mão de obra apurada e das remunerações a recolher, as deduções dos recolhimentos efetuados relativos às remunerações contidas em GFIP/GPS e apuradas em notas fiscais informadas (fl. 26), anexando aos autos os comprovantes que serviram de base para o lançamento fiscal. Diante dos fatos, os cálculos apresentados pela autoridade fiscal demonstram a realidade da obra de construção em epígrafe, devendo ser desconsideradas as informações constante na DISO apresentadas pelo contribuinte com início da obra em 12/2003 e término em 01/2004 para uma obra de área: 715,08m2, por falta de comprovação razoável dos fatos. Os argumentos apresentados pelo contribuinte não foram suficientes para sustentar a construção da obra em epígrafe no período de 2 (dois) meses e com recolhimento inferior ao estabelecido pelas normas previdenciárias e legislação vigente. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000082/200872 Acórdão n.º 2803003.883 S2TE03 Fl. 199 5 A obra foi enquadrada como construção de prédio comercial, com base no projeto anexado pelo contribuinte às folhas 125 dos autos digitalizado, de conformidade com o art. 451, inciso II da IN nº 100/2003, e conforme o tipo de projeto de construção de um prédio comercial (fl. 125), nos termos do art. 437, inciso II da IN MPS/SRF n° 3/2005, alterada pela IN MPS/SRP nº 24/2007. Ressaltase que o contribuinte reconhece a destinação da obra com fins comercial no recurso voluntário. O contribuinte é obrigado a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais exigidas pela fiscalização. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a autoridade fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do art. 33, §§ 2o e 3º da Lei 8.212/91. Assim sendo, as autuações fiscais relativas aos autos de infração de obrigação principal, lançados pela fiscalização, devem ser mantidas. Do mesmo modo a autuação de obrigação acessória (CFL 38) não apresentação ou apresentação deficiente de documentos à fiscalização. As notas fiscais e valores relativos a concreto usinado, considerados no levantamento fiscal, estão relacionados nos autos (fl. 26). A nota fiscal nº 2565 de 27/01/2004, de R$500,00 (quinhentos reais), da empresa CIVILSOLO Sondagens e Fundações Ltda é referente a serviço de estaqueamento (fls. 114) e não foi considerada no lançamento por falta de previsão normativa (IN nº 100/2003). Destarte, não se justifica, para o caso em epígrafe, o argumento do contribuinte de que a decisão recorrida desconhece o procedimento de engenharia civil e ignora os documentos técnicos apresentados. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e §único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamentos – RL; o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; Relatório Fiscal; e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos fiscais: AI Autos de Infração n° 37.137.7552 (processo n° 19311.000083/2008 17), nº 37.164.2655 (processo n1 19311.000081/200828) e n° 37.164.2647 (processo n° 19311.000082/200872) relativos à obrigação principal, e n° 37.164.2698 (processo n° 19311.000080/200883), relativo à obrigação acessória. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000082/200872 Acórdão n.º 2803003.883 S2TE03 Fl. 200 6 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10850.908245/2011-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 45 /2 01 1- 91 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908245/201191 Acórdão n.º 3803006.724 S3TE03 Fl. 194 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 191,17. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/04/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908245/201191 Acórdão n.º 3803006.724 S3TE03 Fl. 195 3 Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 05/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722623/201311, contendo a Declaração de Compensação (DCOMP) do crédito controvertido nestes autos. Submetida a DCOMP à apreciação da autoridade administrativa de origem, emitiuse despacho decisório de não homologação da compensação declarada, considerando que o direito creditório já havia sido indeferido no presente processo. Cientificado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação, repisando os argumentos de defesa. Adicionalmente, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. A DRJ Ribeirão Preto/SP mais uma vez não reconheceu o direito creditório, tendo sido o novo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908245/201191 Acórdão n.º 3803006.724 S3TE03 Fl. 196 4 Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado das decisões de primeira instância em 18/06/2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/07/2014 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias de planilha de cálculo, do livro Razão e do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908245/201191 Acórdão n.º 3803006.724 S3TE03 Fl. 197 5 configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e declaração de compensação relativos a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908245/201191 Acórdão n.º 3803006.724 S3TE03 Fl. 198 6 de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908245/201191 Acórdão n.º 3803006.724 S3TE03 Fl. 199 7 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois nenhum elemento de prova adicional foi trazido aos autos, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908245/201191 Acórdão n.º 3803006.724 S3TE03 Fl. 200 8 Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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