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Numero do processo: 10875.902020/2009-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 15/08/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INOCORRÊNCIA.
Cabem Embargos de Declaração, em regra, somente quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-006.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 15/08/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INOCORRÊNCIA. Cabem Embargos de Declaração, em regra, somente quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela DRJ Ribeirão Preto/SP contra o Acórdão nº 380303.855, de 31 de janeiro de 2013, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65, inciso IV, do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 20 20 /2 00 9- 28 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.902020/200928 Acórdão n.º 3803006.594 S3TE03 Fl. 128 2 Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF). O presente processo originarase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) apresentados pelo contribuinte, em que se pretendeu extinguir débito de sua titularidade com saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no montante de R$ 10.539,41, pedido esse indeferido tanto na repartição de origem quanto na DRJ Ribeirão Preto/SP. No momento de apresentação da Manifestação de Inconformidade em face do despacho decisório denegatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos cópias, dentre outras, da DCTF original (fls. 26 a 34), da DCTF retificadora (fls. 35 a 38), da DIPJ original (fls. 39 a 42) e do Livro Registro de Apuração do IPI, com termos de abertura e de fechamento (fls. 43 a 51), documentos esses que restaram não apreciados pela Delegacia de Julgamento, que se valeu apenas do argumento de que a retificação da DCTF havia se dado em um momento em que o contribuinte não mais gozava de espontaneidade (fls. 61 a 64). Irresignado, o contribuinte recorreu a este Colegiado, tendo esta 3ª Turma Especial decidido por reformar a decisão de primeira instância, para que uma outra fosse proferida, afastandose o óbice erigido, referente à falta de espontaneidade do contribuinte no momento da apresentação da DCTF retificadora, com análise de todo o conjunto probatório trazido aos autos na primeira instância, precipuamente o Livro Registro de Apuração do IPI, sem prejuízo de outras providências que se mostrassem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. Os Embargos de Declaração interpostos pela PGFN, com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, em que se alegara a inobservância da Súmula CARF nº 331, foram rejeitados pela Turma, por unanimidade de votos, em razão da inexistência do vício apontado, conforme se verifica do acórdão presente às fls. 127 a 132. Na seqüência, os autos foram encaminhados à DRJ Ribeirão Preto/SP, tendo havido a interposição, pela Delegada de Julgamento, de Embargos de Declaração, com fulcro no art. 65, inciso IV, do Anexo II do Regimento do CARF, em que se argüiu, sob o fundamento de ocorrência de obscuridade e contradição no acórdão embargado, o seguinte: a) não se constatou no acórdão embargado qualquer indicação para a anulação da decisão original da DRJ, embora tenha havido alusão a uma suposta afronta aos princípios que norteiam o PAF, tendo sido criado, então, uma situação na qual se determinou o proferimento de nova decisão, sem, contudo, ter havido a anulação da anterior; b) “não foi por acaso que o nobre conselheiro optou pela não anulação da decisão recorrida”, pois o “Voto proferido pelo julgador a quo está plenamente fundamentado”, pois o “motivo do indeferimento foi justificado pela falta de liquidez do direito creditório à época da transmissão do PER/DCOMP, já que a DCTF é o instrumento legal para confissão de dívida”; c) “não ficou caracterizada qualquer ofensa ao princípio da verdade material”, pois, tratandose “de pedido de restituição combinado com pedido de compensação 1 Súmula CARF nº 33: “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.902020/200928 Acórdão n.º 3803006.594 S3TE03 Fl. 129 3 (sic), a verdade material não se restringe à existência do direito creditório, mas também, à liquidez e disponibilidade do crédito à data da compensação”; d) “[ante] a impossibilidade de anular a decisão da Delegacia de Julgamento pela ausência de vícios, o Acórdão proferido pelo Conselho acabou por suscitar uma situação não prevista no Processo Administrativo Fiscal: no caso de prolação de novo Acórdão pela DRJ, a coexistência de duas decisões válidas, da mesma instância, com conclusões e determinações contrárias”. Submetidos os embargos ao juízo de admissibilidade, foram eles admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os Embargos de Declaração foram interpostos pela Delegada da DRJ Ribeirão Preto/SP, que argüiu a ocorrência de obscuridade e contradição no acórdão nº 3803 003.855, de 31 de janeiro de 2013, desta 3ª Turma Especial, com base no art. 65, § 1º, inciso IV, do Anexo II do Regimento do CARF, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (...) IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; (grifei) Consoante o dispositivo supra, temse que, somente em caso de nulidade da decisão de primeira instância, se prevê a hipótese de interposição de embargos de declaração pelo Delegado de Julgamento. Como bem apontou a própria Delegada de Julgamento em sua peça recursal, no presente caso, não se teve, no acórdão combatido, a declaração de nulidade da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, não sendo cabível, a princípio, o manejo desse recurso por parte dessa autoridade administrativa. Nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 19722, no processo administrativo fiscal, há nulidade quando houver lavratura de atos e termos por pessoa 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.902020/200928 Acórdão n.º 3803006.594 S3TE03 Fl. 130 4 incompetente ou quando os despachos e decisões forem proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma das hipóteses do art. 59 se aplica ao presente caso, pois, embora tenha havido referência, no voto condutor do acórdão embargado, ao princípio do formalismo moderado e às demais regras e princípios que informam o Processo Administrativo Fiscal (PAF), não se cogitou de preterição do direito de defesa, pois que ao contribuinte restou assegurado o direito de recorrer da decisão de primeira instância, como efetivamente veio a ocorrer. Conforme constou do voto condutor do acórdão embargado, foi por respeito ao princípio do duplo grau de cognição, que a Turma decidiu por reformar o acórdão recorrido, afastandose o óbice erigido pelo julgador de piso, a título de prejudicial de mérito, relativamente à apresentação intempestiva da DCTF retificadora, ou seja, sua apresentação após a transmissão da declaração de compensação. O acórdão da 3ª Turma Especial pretendeu provocar a prolação de nova decisão da Delegacia de Julgamento na condição de ato saneador do ato original, dado o afastamento da questão prejudicial que orientara a decisão de primeira instância. Não se detectou no acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP a ocorrência de vício que reclamasse anulação, pois que a decisão fora proferida segundo a interpretação então dada pela autoridade julgadora à legislação de regência, interpretação essa que restou superada pela decisão desta 3ª Turma Especial, decisão essa ora embargada. Nos termos do art. 55 da Lei nº 9.784, de 1999, aplicável subsidiariamente ao PAF3, inexistindo na decisão administrativa a ocorrência de “lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentam defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. Valendose do termo presente na lei, temse que, na convalidação, há a emissão de outro ato administrativo, preservandose os demais efeitos do ato original não invalidados. O ato convalidador preserva e regulariza o ato convalidado, tornandoo “de acordo com a ordem jurídica na qual pretende inserirse”, ainda que à custa da geração válida de novos efeitos, que surgem a partir da regularização, formando ambos, ato convalidador e ato convalidado, uma unidade4. “[A] Administração não pode ficar impossibilitada de convalidar atos apenas porque já foram impugnados. A convalidação não tornaria inútil a impugnação, pois tal § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 3 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 4 BIGOLIN, Giovani. Segurança jurídica: a estabilização do ato administrativo. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007, p. 118119. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.902020/200928 Acórdão n.º 3803006.594 S3TE03 Fl. 131 5 circunstância seria o elemento ativador da correção do vício, restaurando o influxo das normas jurídicas cogentes”5. Prepondera na doutrina pátria o entendimento de que, por força da legitimidade que caracteriza os atos administrativos, não se mostra razoável a sua invalidação sem que antes se verifique a possibilidade de correção de eventuais defeitos existentes em sua prolação6. Maria Sylvia Zanella Di Pietro considera ser “possível substituirse o ato vicioso quanto ao seu objeto por outro, de “anatomia” perfeita, observandose que neste caso ocorre o que se convencionou chamar de conversão” 7. Além disso, tendose em conta a dicção do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), “[as] irregularidades, incorreções e omissões [...] não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. O saneamento de irregularidades, incorreções e omissões se mostra como a medida aplicável nas hipóteses de inocorrência de nulidades. No procedimento adotado, observou esta Turma o direito constitucional do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa8, pois, ao invés de simplesmente converter o julgamento em diligência à repartição de origem, hipótese em que, ao retornarem os autos, ter seia por suprimida a primeira instância administrativa, decidiuse, em observância aos princípios constitucionais da eficiência9 e da celeridade processual10, por remeter os autos diretamente à DRJ, para que se analisassem as questões de fato e de direito que restaram prejudicadas em face do argumento do relator de piso afastado no julgamento desta 3ª Turma Especial. Destaquese que, conforme nos leciona Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Matínez López, em sua atuação, a Administração Pública deve evitar, na medida do possível, o combate a defeitos puramente formais, devendose buscar a “conservação dos atos administrativos, explorandoos ao máximo a convalidação” 11. Merecem destaque, ainda, os princípios da economia processual e da eficiência, em razão dos quais, devese buscar “o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”12. 5 Idem, p. 122. 6 Idem, p. 84. 7 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 233. 8 Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 9 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: 10 Art. 5º (...) LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 11 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 74. 12 Idem, p. 77. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.902020/200928 Acórdão n.º 3803006.594 S3TE03 Fl. 132 6 O princípio da eficiência “relacionase também com a aplicação do princípio da instrumentalidade das formas, em que se preconiza o aproveitamento de atos processuais”, não se anulando “atos imperfeitos quando não prejudicarem as partes, buscando uma proporção entre meios e fins, para equilíbrio do binômio custobenefício”13. Hely Lopes Meirelles ignora a adoção da figura da anulabilidade em Direito Público, pois, segundo ele, “o ato administrativo é legal ou ilegal; é válido ou inválido. Jamais poderá ser legal ou meio legal; válido ou meio válido, como ocorreria se se admitisse a nulidade relativa ou anulabilidade, como pretendem alguns autores que transplantam teorias do Direito Privado para o Direito Público sem meditar na sua inadequação aos princípios específicos da atividade estatal. O que pode haver é correção de mera irregularidade que não torna o ato nem nulo, nem anulável, mas simplesmente defeituoso ou ineficaz até a sua retificação”14. Muito provavelmente é nessa teoria que se embasa o Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF) 15, pois nesse ato normativo somente há referência expressa às nulidades, não se cogitando da existência no PAF da anulabilidade própria do Direito Privado; havendo menção, além das nulidades, apenas à figura do saneamento das irregularidades, das incorreções e das omissões. No mesmo sentido se posiciona Diogo de Figueiredo Moreira Neto, para quem a aplicação do instituto da anulabilidade ao Direito Público é inadequada, sendo “pertinente apenas ao ramo do Direito Privado, cujos particulares envolvidos podem deliberar acerca da manutenção ou não do ato”16. Considerando tais posições doutrinárias e, portanto, desvinculandose da dicotomia nulidade/anulabilidade do Direito Privado, no processo administrativo, mostrase como mais adequada a utilização de termos como “sanear” ou “reformar”, nos casos de correção de eventuais defeitos ocorridos na instância anterior. 13 Idem p. 77. 14 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 21. ed. São Paulo: Malheiros, 1996, p. 189. 15 CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. 16 MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de direito administrativo. 12. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 179. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.902020/200928 Acórdão n.º 3803006.594 S3TE03 Fl. 133 7 Contudo, a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, em seus artigos 53 e 5417, prevê a figura da anulação, mas apenas nas hipóteses de vício de legalidade, lesão ao interesse público ou prejuízo a terceiros. Nesse sentido, inexiste consenso quanto à possibilidade ou não de se anularem atos administrativos em razão da ocorrência de defeitos em sua formulação, defeitos esses que não se configurem vícios de legalidade. Uns defendem a impossibilidade de se transplantar para o Direito Público a figura da anulabilidade, que segundo eles é própria do Direito Privado, outros argumentam a favor da convalidação, ou mesmo da “conversão”, havendo, quase sempre, referência, ainda que implicitamente, à possibilidade de retificação dos atos administrativos, independentemente de sua anulação. Não obstante tais constatações, temse que a reforma do acórdão recorrido determinada por esta 3ª Turma Especial tem como efeito prático a complementação da decisão da Delegacia de Julgamento a partir do enfrentamento das questões de mérito que restaram prejudicadas em decorrência da razão de decidir até então adotada, “anulandose”, por conseguinte, a prejudicial de mérito que bloqueara a análise ampla da Manifestação de Inconformidade. Somente a partir desse esforço hermenêutico se concebe o conhecimento dos embargos interpostos pela Delegada de Julgamento, pois, nos termos do art. 65, § 1º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acima reproduzido, tal prerrogativa somente é cabível nos casos de nulidade das decisões de primeira instância, nulidade essa ora entendida em sua acepção relativa, ou seja, a anulabilidade. 17 Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.902020/200928 Acórdão n.º 3803006.594 S3TE03 Fl. 134 8 Diante do exposto, voto por REJEITAR os embargos de declaração, dada a inocorrência de omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004797/2009-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato Gerador: 11/11/2009
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES.
Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.750
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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E REPRES. DE VEÍCULOS AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato Gerador: 11/11/2009 DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES. Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 97 /2 00 9- 99 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.004797/200999 Acórdão n.º 2403002.750 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1625.368 da 13ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: AUTUAÇÃO 1.Trata o presente processo de Auto de Infração (AI DEBCADn° 37.214.8093), consolidado em 09/11/2009, lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso III e parágrafo 11 da Lein° 8.212/91, com a redação da Medida Provisória n° 449/08 (posteriormente convertida na Lein° 11.941/09), e regulamentada pelo art. 225, inciso III, do RPS (Regulamento da Previdência Social) aprovado pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 6/7), o contribuinte deixou de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização. 2.O citado Relatório Fiscal da Infração (fls. 6/7) destaca ainda: 2.1. O contribuinte, apesar de devidamente intimado a apresentar a documentação e os esclarecimentos contidos no Termo de Intimação Fiscal 003 TIF (fls. 11/12), de 31/08/2009, não atendeu ao solicitado, motivo que levou à lavratura do Termo de Constatação Fiscal 001 (fls. 13) encaminhado à empresa e recebido em 25/09/2009, conforme Aviso de Recebimento de fls. 14. 2.2. Em face do Auto de Infração DEBCAD n° 37.217.8034 possuir os mesmos elementos de prova que embasam a presente autuação, foram anexados àquele processo (19515.004803/200916) os seguintes documentos: Contrato Social e Alterações (fls. 16/54); termos fiscais emitidos durante a ação fiscal (fls. 55/70) e CDR conten< digitais da Contabilidade (fls. 89). 2.3. A empresa é reincidente específica, dada a existência de Auto de Infração anterior definitivamente constituído nos 5 (cinco) anos que antecederam a presente autuação. Tal fato acarretou a triplicação da multa aplicável, com base no art. 290, inciso V e parágrafo único, e art. 292, inciso IV, do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 8) informa que o valor da multa aplicável à infração tipificada está amparada nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91 e nos arts. 283, inciso II, alínea "b", e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e alterado pelo Decreto 4.862/03. O valor base da multa foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 11/02/2009, e correspondia a R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). Considerando a ocorrência da agravante de reincidência específica, o valor base da multa foi triplicado, resultando no valor aplicado de R$ 39.874,98 (trinta e nove mil, oitocentos e setenta e quatro reais e noventa e oito centavos). O relatório fiscal da aplicação da multa informa, ainda, que o valor autuado será atualizado pela Taxa SELIC a partir da lavratura até seu pagamento, de acordo com o que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 10/2008. A ciência do Sujeito Passivo se deu pessoalmente, em 11/11/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração (fls. 1). Além dos relatórios e anexos supracitados, acompanham o Auto de Infração n° 37.214.8093 os seguintes documentos: IPC Instruções para o Contribuinte (fls. 2/3); Relatório de Vínculos (fls. 4/5) e cópia de tela CCREDEXT e CCRED (sistema DIVIDA/PLENUS), confirmando a situação do crédito 37.014.7340 (fls. 10) para efeito de reincidência. IMPUGNAÇÃO de 09/12/2009 (fls. 18/24) 6. Dentro do prazo regulamentar, conforme fls. 27, a empresa impugnou a autuação por meio do instrumento de fls. 18/24, assinado por seu sócio, alegando o que segue, resumidamente: 6.1. Alega haver necessidade de julgamento conjunto desta autuação com o Auto de Infração n° 37.214.8034, posto que vinculado a este, visto que inexistindo as contribuições impugnadas como existentes e não declaradas em GFIP, este auto de obrigação acessória também deverá ser julgado nulo. 6.2. Alega não ter deixado de apresentar as informações requeridas, apresentando guias de pagamento e recolhimento, escrituração contábil em meio digital e papel, conforme determinado em Instrução Normativa. A contabilidade permitiu ao Auditor encontrar todos os lançamentos pesquisados 6.3. O contribuinte afirma que já havia informado em GFIP o salário de contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços que o próprio Auditor Fiscal atesta este fato nos itens 7.1 e 7.2 de seu relatório fiscal. 6.4.Alega que o Auditor Fiscal não esclareceu a natureza dos levantamentos com códigos "Zl" e "Z2", frente aos levantamentos "CUS" e "DES". Também,a "Tabela 3" não Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.004797/200999 Acórdão n.º 2403002.750 S2C4T3 Fl. 4 5 esclarece quais as rubricas que estão sendo consideradas dentro ou fora do salário de contribuição. Afirma que não foi requerida a apresentação de todos os documentos. Alega que foram incluídas no "Anexo II" despesas de prestação de serviços de pessoas jurídicas, de verbas indenizatórias e de provisões para contingências. Ressalta a hipótese de decadência com aplicação do art. 150, § 4o, do CTN. Considerando que efetuou a declaração de seus débitos em GFIP e o consequente pagamento, a homologação ocorre após 60 meses do pagamento, conforme Súmula Vinculante n° 8, LC 128/2009 e o citado artigo do CTN, restando decadente o lançamento para as competências 01/2004 a 09/2004. 6.8.Requer o reconhecimento da decadência, a improcedência do lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração equivocadamenteapurada nos registros contábeis, que seja determinada diligência para apuração dos reais beneficiários dos pagamentos em relação ao período não decadente e, por fim, a conexão desta autuação com o crédito 37.214.8034 (19515.004803/200916). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência. · Apresentou o Contrato Social consolidado em 09/2003 e alterações, como o CD contendo os arquivos digitas da contabilidade e arquivos MANAD da folha de pagamento. · Ônus da prova é do fisco. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A autuação deuse, segundo o fisco, por a empresa ter deixado de apresentar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e .contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização quando, apesar de devidamente intimada. O Termo de Constatação Fiscal descreve que houve apresentação parcial (faltou a parte da contabilidade) das Informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais (IN MPS/SRPn. 12 de 20/06/2006), constante no TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal, de 15/07/2008 e, no TIF Termo de Intimação Fiscal 001 de 06/01/2009; não foi apresentado o Comprovante de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, TIF 002 de 03/05/2009; e não foi apresentada toda a documentação constante do TIF Termo de Intimação Fiscal 003, de 31/08/2009, isto é, lançamentos referentes às despesas especificadas e documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis. TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL n° 0001 ... No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado e de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99), CONSTATAMOS OS fatos abaixo discriminados: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Apesar de regularmente intimada, a empresa deixou de apresentar ou apresentou de forma parcial os seguintes documentos/elementos: 1) Apresentação parcial(faltou a parte da contabilidade) das Informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais (IN MPS/SRPn. 12 de 20/06/2006), constante no TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal, de 15/07/2008 e, no TIF Termo de Intimação Fiscal 001 de 06/01/2009; 2) Comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, TIF 002 de 03/05/2009; 3) Toda a documentação constante do TIF Termo de Intimação Fiscal 003, de 31/08/2009 A fundamentação legal é o artigo 32, III e parágrafo 11 da Lei 8.212/91. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.004797/200999 Acórdão n.º 2403002.750 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 32. A empresa é também obrigada a: III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. A recorrente alega a decadência e a entrega de toda a documentação. Esta é uma autuação em que basta um evento em período não decadente para afastar a decadência. a ação fiscal referiuse ao período 01 a 12/2004 e a documentação, a qual a recorrente foi intimada a apresentar, referese à totalidade do ano 2004, isto é, por qualquer critério do CTN abrange período não decadente (ciência da autuação em 11/11/2009), o que me leva a afastar a tese da decadência apresentada pela recorrente. Para a questão da entrega da documentação, o TIF Termo de Intimação Fiscal 003, de 31/08/2009, solicitou os lançamentos referentes às despesas especificadas e documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis. Dentre o especificado constam CONTA 61120207 – INDENIZAÇÃO, CONTA 65110106 – SERVIÇOS PRESTADOS TERCEIROS, CONTA 66210208 – ACORDO TRABALHISTA, CONTA 66320208 – ACORDO TRABALHISTA, CONTA 693001 – DESPESAS COM REFEIÇÕES, etc. A recorrente alega no recurso que entregou as folhas de pagamento. Pela simples leitura do “Relatório Fiscal da Infração" se pode ver que a ora recursante forneceu à fiscalização o Contrato Social consolidado de 09/2003 e alterações, da Décima Terceira a Décima Sétima, abrangendo o período até 09/2007, como também o CDR contendo os arquivos digitais da Contabilidade (Livros Diário, Razão e Balancetes do período) e Arquivos MANAD da folha de pagamento, os quais, conforme cita a nobre Auditora Fiscal, foram disponibilizados pela Autuada. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Entendo que os documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis referentes ao acima exemplificado não estão nas folhas de pagamento e, portanto, dou razão ao fisco pela autuação. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11020.912298/2012-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 28/02/2009
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 28/02/2009 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 22 98 /2 01 2- 22 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 56 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912298/201222 Acórdão n.º 3802003.777 S3TE02 Fl. 81 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 53), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 56). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912298/201222 Acórdão n.º 3802003.777 S3TE02 Fl. 82 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000213/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário pela fluência do prazo decadencial, tanto pela regra exposta no artigo 173, I, quanto pela homologação tácita do crédito nos moldes do artigo 150 §4º, ambos do Código Tributário Nacional.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário pela fluência do prazo decadencial, tanto pela regra exposta no artigo 173, I, quanto pela homologação tácita do crédito nos moldes do artigo 150 §4º, ambos do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 13 /2 00 7- 09 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11330.000213/200709 Acórdão n.º 2302003.419 S2C3T2 Fl. 362 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão de primeira instância que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da contribuinte, considerando o lançamento integralmente procedente. Adotase trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 246 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado contra 0 contribuinte acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLDDEBCAD n° 37.017.8580, no valor de R$ 640.622,92 (seiscentos e quarenta mil seiscentos e vinte e dois reais e noventa e dois centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado em 04/12/2006 de R$ 2.003.248,68 (dois milhões e três mil e duzentos e quarenta e oito reais e sessenta e oito centavos), relativo ao não recolhimento, no prazo legal, das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, relativo às competências 01/1996 a 12/1996. O presente crédito compõese de: a) contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados; b) contribuições previdenciárias a cargo da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, denominadas de Seguro de Acidente de TrabalhoSAT; c) contribuições previdenciárias dos segurados empregados, não descontadas nem retidas dos mesmos, observado o limite máximo do saláriodecontribuição; d) contribuições devidas por lei aos terceiros, a cargo da empresa (Salárioeducação, Incra, Sesc e Sebrae); e) acréscimos legais devidos, compostos de juros e multa moratória, em face do não recolhimento das contribuições devidas. 2. Esclarece o agente fiscal no relatório fiscal (fls. 6482) que: 2.1. A ação fiscal iniciouse em 2005 na sociedade empresária TV GLOBO LTDA., CNPJ 33.252.156/000119, conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 9233568, de 15/04/2005 e Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Mandado de Procedimento Fiscal Complementar 01, de 09/08/2005. Posteriormente, a citada empresa apresentou documentos, comprovando a sua incorporação pela empresa Globo Comunicações e Participações S/A, CNPJ 27.865.757/000102. Em decorrência da sucessão empresarial, com fulcro no art. 132 do Código Tributário Nacional, foi emitido, assim, o Mandado de Procedimento Fiscal n° 9271615 00, de 27/10/2005, em nome da empresa incorporadora. Em continuação à ação fiscal desenvolvida no ano de 2005, foram emitidos em 2006, os Mandados de Procedimento Fiscal n° 92290631 e seus complementares; 2.2. O procedimento fiscal foi iniciado a partir da requisição do Ministério Público do Trabalho, como resultado final do Inquérito Civil Público n° 602/00, instaurado em face da TV GLOBO LTDA, ora sucedida, que concluiu que “...a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 7° da Constituição, além de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação “civil” com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais.” 2.3. A fraude à legislação trabalhista caracteriza ato nulo, nos termos do art. 9°, CLT, sem necessidade de declaração judicial; 2.4. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), através do art. 302, e o DecretoLei n° 972/69, nos seus arts. 2°, 3° e 6°, dispõem sobre a regulamentação da profissão de jornalista. A regra, portanto, é que o jornalista seja empregado da empresa jornalística e que tal contrato seja por prazo indeterminado; 2.5. Na presente ação fiscal, a fiscalização caracterizou os sócios das empresas prestadoras de serviço, no caso jornalistas e artistas, que prestaram serviço à TV GLOBO S/A à época, como sendo segurados empregados da tomadora de serviço, nos termos do art. 12, I, “a” da Lei n° 8.212/91 c/c arts. 2° e 3° da CLT; 2.6. Na análise do contrato de prestação de serviços, ficaram demonstrados os requisitos da caracterização de emprego, quais sejam: serviço prestado por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. A fiscalização citou as cláusulas dos contratos de prestação de serviço que comprovam a relação de emprego. No anexo 2 do relatório fiscal (fls. 101121), consta a transcrição de algumas cláusulas que demonstram a relação de emprego, de cada contrato analisado dos jornalistas; 2.7. O presente lançamento engloba os seguintes jornalistas e empresas interpostas: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11330.000213/200709 Acórdão n.º 2302003.419 S2C3T2 Fl. 363 5 2.8. A base de cálculo do presente lançamento, no período de 01/1996 a 12/1996, foi apurada com base nos valores registrados nas contas contábeis 5006, 5007 e 5012, constantes do arquivo magnético fornecido pela empresa. A contribuição do segurado empregado foi apurada, obedecendose ao limite máximo do saláriodecontribuição, sendo deduzidos os valores recolhidos por cada segurado, conforme dados extraídos do sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, de acordo com anexo 01 do relatório fiscal (fls. 8384); 2.9. Em face da responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico, nos termos do art. 30, IX da Lei n° 8.212/91, as empresas GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA, CNPJ 00.811.990/000148 e SIGLASISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA, CNPJ 28.114.122/000128, devedoras solidárias do presente lançamento, foram cientificadas da presente notificação fiscal de lançamento de débito para exercerem o seu direito de defesa. 3. O Discriminativo Analítico do Débito DAD, o Discriminativo Sintético do Débito DSD e o Relatório de Lançamento RL demonstram as bases de cálculo, as alíquotas utilizadas, os valores devidos originários, os acréscimos moratórios e os valores finais devidos. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 4. A fundamentação legal do lançamento de crédito é apresentada no Relatório Fiscal e complementada no Anexo "Fundamentos Legais do Débito FLD", onde consta toda a legislação que ampara o lançamento, por rubrica e por competência. DA IMPUGNAÇÃO 5. Inconformada com o lançamento, a empresa GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A (sucessora de TV GLOBO LTDA) contestou a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), através do instrumento de fls. 127198. Os demais devedores solidários (GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA e SIGLASISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA) não impugnaram o lançamento. (...) Como afirmado, a DRJ, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 278 e seguintes). Outrossim, em razão do posterior advento da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, a recorrente, por intermédio da petição de fls. 356 e seguintes, reiterou, com este novo argumento, o pedido de reconhecimento da decadência do lançamento, vez que foram lançadas as competências de janeiro a dezembro de 1996 apenas em 07/12/2006, ou seja, muito após findo o prazo decadencial, nos termos da aludida Súmula Vinculante. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11330.000213/200709 Acórdão n.º 2302003.419 S2C3T2 Fl. 364 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Recurso Voluntário. Decadência. A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 20/12/2006, e compreende as competências de 01/1996 a 12/1996. O lançamento foi efetuado pela autoridade fiscal e mantido pela DRJ com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias. Ocorre que este artigo foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008”. Com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Vejamos a parte final do voto proferido pelo Rel. Min. Gilmar Mendes, seguida do texto do aludido enunciado: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Como cediço, os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Deveras, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11330.000213/200709 Acórdão n.º 2302003.419 S2C3T2 Fl. 365 9 No presente caso, por quaisquer das regras há que se reconhecer a decadência, visto que ultrapassado o lustro normativo, independentemente do dies a quo considerado. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10314.012843/2010-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/10/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/10/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/10/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/10/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 28 43 /2 01 0- 59 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.012843/201059 Acórdão n.º 3803006.631 S3TE03 Fl. 291 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 21/10/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 05/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 18/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.012843/201059 Acórdão n.º 3803006.631 S3TE03 Fl. 292 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.012843/201059 Acórdão n.º 3803006.631 S3TE03 Fl. 293 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.012843/201059 Acórdão n.º 3803006.631 S3TE03 Fl. 294 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.722592/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Recurso Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 92 /2 01 0- 74 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Tratase de Auto de Infração, lavrado em 16/03/2010 (fls. 03/10), contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos AnosCalendário 2006, 2007, que exige crédito tributário no valor de R$ 6.414.378,35, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 26/02/2010. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 05, o Fisco apurou Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. Em fls. 12/14, consta Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, que detalha o procedimento administrativo para apuração da infração acima descrita, conformes excertos transcritos abaixo: A presente Ação Fiscal foi autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n 05101.200900787, e teve como motivação denuncia apresentada pelo Ministério Público Federal através do Ofício 0019/09 PR/BAJM. [...] Em 22.10.2009 o contribuinte apresenta outra correspondência onde informa que os depósitos bancários efetuados nas contas correntes de sua titularidade ‘fluíram de intermediação de negócios com terceiros’ e decorreram ‘da cobrança efetivada pelo Banco do Brasil de cheques endossados pelo signatário em custódia de valores ecléticos’ (sic). Diz ainda que tem parceria com a Empresa AGE COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 06.054.840/000113, [...] mas não explica que tipo de negócios são realizados com a Pessoa Jurídica. Com o argumento de que todos os depósitos efetuados nas contas corrente de sua titularidade efetivamente teriam sido motivados por intermediações de negócios com terceiros, solicita a sua equiparação à pessoa jurídica e cita o artigo 150 do RIR/99 – Decreto nº 3.000/99. [...] Em 04.12.2009 o contribuinte atende ao Termo de Reintimação Fiscal com a apresentação de correspondência onde reitera a natureza comercial das suas atividades, agora já por intermédio de outra empresa – a ÁGIL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, inscrita no CNPJ sob p nº 40.511.560/000125, mas não apresenta nenhum elemento comprobatório de tal fato. [...] Por último, na correspondÊncia datada de 11.03.2010, quase um ano após o início do procedimento fiscal, vem o contribuinte informar que não tem condições de apresentar os documentos pendentes por conta de doença de seu contador, o que caracteriza tentativa de protelação por tempo indefinido da ação fiscal, fato este não aceito pela fiscalização. Relativamente à argumentação do contribuinte de que os depósitos bancários depositados em suas contas correntes decorreriam de atividades comerciais vinculadas ora À empresa AGE COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA e ora à empresa ÁGIL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, observamos que em relação à primeira empresa o contribuinte não tem nenhuma Fl. 770DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722592/201074 Acórdão n.º 2102003.237 S2C1T2 Fl. 770 3 relação comercial nem participa do quadro societário da mesma. Já em relação à segunda empresa – a Ágil Assessoria Empresarial Ltda, com domicilio fiscal no municio de São Felipe/Ba, embora o contribuinte seja o sócio responsável pela mesma, não se verifica nenhum movimentação financeira nem existe nenhum valor declarado à Receita Federal, seja através de DIPJ ou através de DCTFS ou DACONS, estando a mesma omissa na apresentação das respectivas declarações nos anos calendário ora sob ação fiscal. Desta forma, está sendo constituído crédito tributário para tributação dos valores creditados em contas de depósito mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Cientificado da exigência tributária e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 26/04/2010 (fls. 599/613), acompanhada dos documentos de fls. 614/734, alegando, o que segue: a) o art. 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, alterou o § 3º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, facultando à Receita Federal utilizar os dados da CPMF para fiscalizar os demais tributos. Contudo, o escoamento do prazo constitucional que autorizava a cobrança da CPMF, em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, resultou na perda da possibilidade técnica de atuar com base na legislação infraconstitucional a ela vinculada, que foi instantaneamente abrogada. Portanto, o auto de infração lavrado em março de 2010 seria nulo, por basearse em procedimento não mais autorizado; b) a autoridade lançadora tinha conhecimento de que o sujeito passivo explorava a atividade econômica empresarial, mediante a cobrança de juros na troca de títulos de crédito, especialmente de cheques. A natureza da referida atividade é tipicamente empresarial, portanto, o crédito tributário deveria ter sido lançado por equiparação com tributos próprios de pessoas jurídicas e não de pessoa física; c) a não equiparação à pessoa jurídica implicaria no não atendimento dos princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1532.003 da 3ª Turma da DRJ/SDR em 03/04/2013 (fl. 744). Sobreveio Recurso Voluntário em 29/04/2013 (fls. 745/767), desacompanhado de documentos, no qual, o contribuinte discorre sobre os princípios da isonomia, da vedação do confisco e da segurança jurídica. Argumenta acerca dos dados extraídos da CPMF. Alega omissão dos fatos por parte do servidor, pois a este não cabe decidir se investiga ou não o fato tido como supostamente delituoso e que, ademais, era objeto de sua averiguação. Os valores movimentados nas contas bancárias não deixam dúvidas, que se tratavam de movimentação de empresa de factoring, tamanha era a grandeza da movimentação. Aduz sobre o ônus da prova em processo fiscal. Discorre sobre o conceito de factoring. Por fim, requer a equiparação do requerente à pessoa jurídica como se firma individual fosse. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Inicialmente, alega o contribuinte que utilizouse dados extraídos da CPMF. No entanto, como bem observou a decisão a quo, o procedimento fiscal teve como motivação a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal através do Ofício 0019/09 PR/BAJM, e não utilizou dados extraídos da CPMF como quis dar a entender o recorrente (fl. 12). Não obstante a isso, ainda que a fiscalização tivesse se utilizado de dados extraídos da CPMF, não haveria que se falar em nulidade do lançamento pois a possibilidade de requisição de movimentação financeira pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar nº 105/01 autorizar a referida disposição expressamente: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que Fl. 772DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722592/201074 Acórdão n.º 2102003.237 S2C1T2 Fl. 771 5 disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações. Confirase: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Logo, não assiste razão o recorrente quanto a esta preliminar. No mérito, no que tange à omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada, de acordo com o regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado à comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° Fl. 773DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias indicadas pelo Fisco, conforme Relatório Fiscal de fl. 15. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Neste sentido, não merece guarida a alegação do recorrente de que os valores que transitaram por suas contas bancárias foram oriundos da atividade equiparada à empresarial exercida pelo mesmo de factoring, uma vez que o mesmo não acostou quaisquer documentos que evidenciem tais operações. Nesse sentido, aduz o recorrente que a Fiscalização deveria têlo equiparado à pessoa jurídica, como dispõe o art. 150, §1º II, do RIR/99, pois ele exerce atividade econômica com fim especulativo de lucro. Não assiste razão ao recorrente. Prevê o art. 150 do RIR/99 que: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto Lei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º) § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “a”); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “b”); III as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). (grifei) Portanto, para que o contribuinte pessoa física possa ser equiparado à empresas individuais, deve preencher os requisitos constantes no inciso II, do §1º do art. 150 acima transcrito, isto é, deve explorar atividade econômica, habitual e profissionalmente, com fim especulativo de lucro. No caso, o recorrente não logrou êxito em comprovar que exercia tal atividade, pois embora tenha acostados os extratos bancários, estes não demonstram a origem dos valores que circularam por suas contas bancárias e os extratos de custódia de cheques juntados aos autos pelo interessado não identificam os emitentes destes. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722592/201074 Acórdão n.º 2102003.237 S2C1T2 Fl. 772 7 Ademais, não consta nos autos qualquer informação referente à atividade desenvolvida pelo recorrente, nem mesmo qualquer alegação que demonstre correlação entre os depósitos glosados e as empresas AGE COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA e ÁGIL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, o qual alega que “mantinha laços comerciais fortíssimos e também era sócio”. Assim, não foi demonstrado que o recorrente desempenha atividade comercial, em nome próprio e com fins de lucro, que justificasse a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica, conforme o art. 150 do RIR/99. Nesse sentido: “Acórdão nº 2202002.784 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente HERMANN ALDA JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF – Anocalendário: 2002 [...] ART. 150 RIR/99 EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS ATIVIDADE EMPRESARIAL COMPROVAÇÃO NECESSIDADE Deve o contribuinte comprovar que desempenha atividade comercial, em nome próprio e com fim de lucro, a justificar a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica, prevista no art. 150, II, do RIR/99.” “Acórdão nº 2202002.582 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente MOACIR RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF – Anocalendário: 2005 [...] PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA EQUIPARAÇÃO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA COMPROVAÇÃO NECESSIDADE. A pessoa física será equiparada à pessoa jurídica quando enquadrarse em uma das hipóteses previstas no art. 150, § 1º, I, II e III, do RIR/99. O contribuinte deve comprovar o efetivo de exercício de uma das atividades econômicas elencadas no referido artigo, sob pena de que não seja enquadrado como pessoa jurídica. [...]” “Acórdão nº 2201002.382 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Fl. 775DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Recorrente PAULO ROBERTO BRITO MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF – Anocalendário: 2006 [...] EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO. Para haver equiparação da pessoa física à pessoa jurídica para fins fiscais é necessária comprovação de que a pessoa física exerça, habitualmente, atividade de natureza civil ou econômica, almejando lucro.” (grifei) Portanto, não restando comprovado nos autos que o contribuinte exerça, habitualmente, atividade de natureza civil ou econômica, almejando lucro, é de ser mantido o lançamento por omissão de rendimentos caracterizado através de depósitos bancários cuja origem não fora comprovada. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR, e no mérito, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 776DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10983.908283/2009-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO.
A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a sanála, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 83 /2 00 9- 13 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908283/200913 Acórdão n.º 3801004.735 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação. Inicialmente, alega a contribuinte que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.o 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a contribuinte que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional, e elenca extensivamente as razões pelas quais assim entende (tais razões não serão, entretanto, aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão). Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.o 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a contribuinte que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a contribuinte seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908283/200913 Acórdão n.º 3801004.735 S3TE01 Fl. 13 3 a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: se a lei já foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Egrégio Supremo Tribunal Federal, podem os órgãos de julgamento entender pela sua inconstitucionalidade e afastar a sua aplicação; tratase da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar urna norma inconstitucional, desde que essa já tenha sido assim declarada em decisão plenária pelo órgão máximo do Poder Judiciário; se a lei autoriza os órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade quando o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, em decisão plenária, DEVE esse Colendo Conselho afastar a aplicação do disposto no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Requerente e, por consequência, declarar homologada a compensação, visto que foram observados todos os ditames do artigo 74 da Lei n° 9430/96. Assim, requereu que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908283/200913 Acórdão n.º 3801004.735 S3TE01 Fl. 14 4 Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Em face da constatação da irregularidade na representação processual, o processo foi convertido novamente em diligência para que a Delegacia de origem intimasse à interessada no prazo de 15 (quinze) dias a regularizar a representação processual. A Delegacia atendeu o solicitado e intimou a recorrente a apresentar documento que permita a comprovação de poderes representação da pessoa jurídica pelo signatário do Recurso Voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos (p.p. Vicente Greco Filho) para atuação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil em nome da empresa, à época (20 de julho de 2009). A interessada foi cientificada da diligência e não se manifestou no prazo assinalado e tampouco apresentou qualquer documento. Assim, os autos administrativos retornaram mais uma vez a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908283/200913 Acórdão n.º 3801004.735 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo, ele não atende os demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a autoridade fiscal constatou em diligência fiscal a irregularidade na representação processual, isto é, o signatário do recurso voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos, não tinha legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da apresentação do recurso voluntário. O vício na representação processual não resultou na cobrança imediata dos débitos, pois a recorrente foi intimada a regularizar a representação processual. Ocorre, todavia, embora intimada, que a interessada não regularizou a representação processual. O vício na representação processual implica a revelia do réu, segundo o disposto no 13 do Código de Processo Civil, inciso II: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) No mesmo sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe no art. 6º, inciso V, que o requerimento inicial do interessado deve conter assinatura do requerente ou de seu representante: Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; II identificação do interessado ou de quem o represente; III domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908283/200913 Acórdão n.º 3801004.735 S3TE01 Fl. 16 6 V data e assinatura do requerente ou de seu representante. (grifouse) Deste modo, não há nos autos documentos que comprovem que o signatário do recurso voluntário tinha poderes para representar a recorrente no momento da interposição do recurso, logo este colegiado não pode conhecer do mesmo. Insistase, quando da apresentação do recurso voluntário ficou caracterizada a falta de procuração hábil para o signatário do aludido recurso. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em face de irregularidade na representação processual. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003801/2002-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO - FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 38 01 /2 00 2- 23 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.003801/200223 Acórdão n.º 3301002.456 S3C3T1 Fl. 3 2 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.003801/200223 Acórdão n.º 3301002.456 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico lavrado contra a contribuinte e referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 1997. De inicio cabe esclarecer que o fundamento da autuação foi a não localização pelos sistemas de controle da Receita Federal do processo judicial informado pelo contribuinte na DCTF do 2° trimestre do anocalendário de 1997 (“Proc. jud. de outro CNPJ”). Na Impugnação a contribuinte comprova que ingressou com ação cautelar (Processo n.º 93.184628) e posteriormente com ação declaratória (processo n.° 93.00252l 51), pleiteando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo à COFINS e ao PIS, até o limite dos créditos dos oriundos dos pagamentos indevidamente efetuados a título de FINSOCIAL. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação com base na seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n° 2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de oficio. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Lançamento Procedente em Parte Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que houve transito em julgado da decisão judicial que assegurou ao contribuinte o direito a compensação, não havendo mais motivo para manutenção auto. É o que importa relatar. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.003801/200223 Acórdão n.º 3301002.456 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Pelo que pode ser visto o presente auto de infração originouse da realização de auditoria interna nas DCTFs da Recorrente, tendo sido constatada, segundo a descrição dos fatos e o demonstrativo de créditos vinculados não confirmados, a falta de recolhimento da contribuição para a COFINS, decorrente de declaração inexata, não se comprovando a participação da Recorrente no processo judicial informado, vinculado a compensações – termo comumente grafado como “Proc. jud de outro CNPJ”, ou seja, processo judicial de outro CNPJ. Nos autos consta cópia dos processos na qual a Recorrente figura como autora e que foi fundamento para a autuação. No ordenamento pátrio a motivação dos atos administrativos sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, ex vi do artigo 50 da Lei n.º 9.784/1999 e alterações posteriores. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, “tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade” 1. Basicamente, presumese que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia, nada mais. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da .fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, por força do que determina o § 3º do artigo 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei n.º 8,748, de 1993. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte: “Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do .fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá 1 Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.003801/200223 Acórdão n.º 3301002.456 S3C3T1 Fl. 6 5 descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o .fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração”... Se a autuação tomou como pressuposto o fato que a Recorrente não era parte do processo judicial, e a contribuinte demonstrou a existência da ação e a sua participação na mesma, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Ora, uma vez notificado do lançamento e demonstrado a existência de processo judicial a autuação não justifica. Não procede, portanto, o lançamento, por não se comprovar a fundamentação fática que o originou, ressaltandose que não integra o objeto deste voto a correção, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte em relação aos créditos tributários objeto do lançamento, em função da decisão judicial obtida, uma vez que tal questão não foi analisada quando da realização do lançamento. Da única imputação que lhe foi feita na autuação – processo judicial de outro CNPJ – o contribuinte defendeuse, informando que efetivamente integrava a ação judicial por ele relacionada, não constando do lançamento qualquer outra alegação que fundamentasse a exigência. Por todo o exposto, no mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerandose improcedente o presente lançamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.003801/200223 Acórdão n.º 3301002.456 S3C3T1 Fl. 7 6 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912301/2012-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/03/2009
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/03/2009 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 01 /2 01 2- 16 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912301/201216 Acórdão n.º 3802003.780 S3TE02 Fl. 86 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 57), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 60). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912301/201216 Acórdão n.º 3802003.780 S3TE02 Fl. 87 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000919/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO.
Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2402-004.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício formal.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. Processo Anulado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício formal. Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício formal. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 19 /2 01 0- 60 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0934.260 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 198208, com ciência ao sujeito passivo em 20/04/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.308.3190, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 10/12/2010, fl. 3. De acordo com o relatório fiscal de fl. 79113, o lançamento trata de exigência de contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre pagamentos de diárias de viagens em valor excedente a cinquenta por cento da remuneração fixa mensal dos motoristas, no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Relata, a autoridade lançadora, que as bases de cálculo foram extraídos dos lançamentos contábeis, uma vez que o valor das diárias não foram incluídos em folhas de pagamento. Foi juntado demonstrativo dos fatos geradores contendo relação nominal dos motoristas beneficiados com o pagamento das diárias, o valor das diárias recebidas, a comparação com a remuneração mensal e o valor da contribuição do segurado deduzida a parcela já descontada da sua remuneração (Planilha 01), fl. 82112. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, falta de clareza quanto à distinção da aplicação dos percentuais de multa, quanto à apuração das diárias e quanto à fundamentação legal da aferição indireta adotada e não reconhecida pelo fisco, e, no mérito, que são válidos os seus registros contábeis e as folhas de pagamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 PEDIDO DE NULIDADE. INDEFERIMENTO. Ausente a demonstração de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato, seja referente à sua forma ou a sua substância, não há que se proclamar a nulidade do Auto de Infração. CERCEAMENTO DE DEFESA Inexiste cerceamento de defesa quando os fatos geradores das contribuições e os dispositivos legais que amparam o lançamento encontramse discriminados no Relatório Fiscal e seus Anexos, possibilitando ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e. assim, permitindolhe o exercício do pleno direito de defesa. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000919/201060 Acórdão n.º 2402004.462 S2C4T2 Fl. 249 3 DILAÇÃO DE PRAZO DE DEFESA. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO . Por carência de fundamentação legal, devem ser indeferidos os pedidos de dilação de prazo para aditamento à impugnação e juntada de novos documentos aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS Compete à empresa a obrigação de arrecadar a contribuição do segurado empregado e contribuinte individual, a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em arbitramento de valores quando as bases de cálculo do lançamento foram obtidas diretamente dos documentos apresentados pela empresa, tais como escrituração contábil, documentos de caixa e folha de pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 24/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso, fl. 212227, repetido às f. 228241, apresentando suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa diante da falta de demonstração numérica do cálculo do valor das diárias e de fundamentação fática e jurídica quanto ao uso da técnica do arbitramento. Argumenta que o prazo de trinta dias é insuficiente para analisar os dados da “planilha 01”, de modo que solicita prorrogação do prazo para complementação da defesa e apresentação de provas, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Alega que a autoridade lançadora desconsiderou formais registros contábeis da recorrente e presumiu a ocorrência do fato gerador e arbitrou o crédito tributário adotando a metodologia de cálculo narrada no relatório fiscal. Acrescenta que não questiona a utilização do critério de presunção e arbitramento, mas discorda da ausência da descrição, no relatório fiscal, do uso do arbitramento, dos critérios adotados e do correspondente fundamento legal. Justifica sua tese afirmando que constitui arbitramento considerar pagamentos realizados a título de contraprestação de despesas operacionais como se salários fossem, contrariando os registros contábeis e fiscais da empresa. Cita decisões administrativas reconhecendo a nulidade do lançamento por falta de fundamentação legal do arbitramento. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 No mérito, alega que o fato tributado se refere a reembolso de despesas de viagem e ajuda de custo concedida aos motoristas, de natureza jurídica indenizatória, conforme julgado do TST que colaciona. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000919/201060 Acórdão n.º 2402004.462 S2C4T2 Fl. 250 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de invalidade do lançamento. Insuficiente demonstração da base de cálculo. Presunção e Arbitramento. A controvérsia se refere à insuficiente demonstração dos dados quantitativos que compõem a base de cálculo do lançamento e se este foi feito com base em presunção. Os fatos tributários considerados no lançamento são os pagamentos de diárias apurados com base na contabilidade da empresa, nos lançamentos contábeis efetuados nas contas nº 3.1.01.01.0001, denominada “venda de mercadorias mercado interno”, com código reduzido “392”, e conta nº 4.1.02.01.0004, denominada “viagens na distribuição”, com código reduzido “326”. Os pagamentos a título de diárias foram extraídos dos lançamentos contábeis efetuados na conta nº 326, e nessa conta, em regra, o histórico do lançamento vincula a diária ao número da carga. A diária é devida na data da viagem ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada, momento da ocorrência do fato gerador. Como a data do lançamento contábil nem sempre coincide com a data da viagem, a fiscalização, com base no número da carga, identificou, na conta nº 392, a data da viagem que gerou o pagamento da diária. Considerando que a empresa contabiliza na conta contábil nº 392 os pagamentos de diárias juntamente com pagamentos de despesas de viagem relativas à manutenção do veículo, alimentação do motorista, pedágio, despesas com guinchos, dentre outras, a fiscalização analisou os registros da conta contábil nº 392 e selecionou aqueles com histórico de pagamento de diárias e excluiu os registros contábeis que entendeu impertinentes, adotando os seguintes critérios1: Do total de lançamentos da conta 326 selecionamos aqueles que se referiam às diárias, excluindo acertos pendentes, prestação de contas, estornos de lançamentos indevidos, viagens sem número de carga, assim tratadas as viagens de transbordo. Efetuamos também o descarte de lançamentos quando uma mesma carga trazia dois valores sem identificar qual se referia à despesa e qual à diária. Considerando que a empresa não considera esta remuneração como base de cálculo para contribuições previdenciárias ela busca não identificar contabilmente os valores como diárias, razão pela qual emitimos o Auto de Infração por não contabilização correta de fatos geradores de contribuições previdenciárias. 1 Relatório Fiscal, fl. 80. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A “planilha 1”, acostada aos autos, consigna o resultado obtido desse processo analítico, qual seja, o valor total devido a título de diárias aos motoristas no período do lançamento. Vêse que, para chegar ao valor das diárias devidas aos motoristas na competência da viagem adotouse um método que envolveu a análise qualitativa e quantitativa de diversos lançamentos contábeis, sendo que somente o resultado deste processo foi demonstrado. Com efeito, a “planilha 1” apresenta valores agrupados, não há demonstração analítica do resultado anunciado, dos valores individuais que compuseram o total das diárias, os lançamentos contábeis originários não estão identificados e não ficou demonstrada a relação entre a data do registro contábil e a competência do lançamento tributário. Entretanto, ao contrário do alegado, esse defeito não atinge o fato gerador do lançamento porque não é suficiente para infirmar quaisquer dos elementos da regra matriz de incidência ou da relação tributária. O fundamento jurídico do lançamento é o pagamento de diárias e está claramente identificado no relatório fiscal e corroborado pelos documentos juntados aos autos, que demonstram que as diárias não estão sujeitas à prestação de contas, não possuindo, portanto, caráter ressarcitório. Os recibos anexados ao relatório fiscal destinamse à prestação de contas de despesas que são ressarcidas pela empresa e que são controladas nos documentos chamados de “fechamentos de viagem” dos motoristas, onde essas despesas são identificadas pela rubrica “despesas de viagem”. Elas são controladas nos acertos dos motoristas separadamente das diárias. Com relação às diárias, não há qualquer documento relacionado aos seus valores, de onde se conclui que os gastos vinculados às diárias não estão sujeitos à prestação de contas. Tabela 1 – Documentos Anexos ao Relatório Fiscal Motorista Fecha mento de Viagem Recibos Despesas Viagem (R$) Diárias (R$) fls Data Valor (R$) fls Descrição Recibo Conclusão Márcio Rodrigues Miranda 353,50 114,00 114 24/02 54,00 118 hospedagem 3 dias parados no posto fiscal diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 27/02 10,00 118 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 28/02 20,00 118 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 01/03 18,00 117 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 01/03 12,00 118 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 02/03 12,00 116 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 02/03 13,50 116 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 03/03 150,00 119 hospedagem diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 03/03 13,50 116 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 03/03 13,50 116. refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 04/03 25,00 117 hospedagem diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 04/03 12,00 117 diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 353,50 114,00 353,50 Wanderluci o Rocha B Barros 90,00 139,00 120 24/02 18,00 123 diárias tempo posto fiscal diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25/02 18,00 124 diárias tempo posto fiscal diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000919/201060 Acórdão n.º 2402004.462 S2C4T2 Fl. 251 7 despesas de viagem 26/02 18,00 125 diárias tempo posto fiscal diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 27/02 18,00 126 diárias tempo posto fiscal diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 28/02 18,00 127 diárias tempo posto fiscal diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 90,00 139,00 90,00 Renato Ferreira Silva 117,80 137,00 131 08/10 13,00 136 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 08/10 16,40 135 despesa diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 09/10 13,00 135 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 09/10 16,40 136 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 10/10 13,00 137 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 12/10 10,00 134 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 12/10 valor ilegível 134 despesa diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 13/10 8,00 134 despesa diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 13/10 8,00 134 despesa diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 117,80 137,00 97,80 Elismar Eterno Martos 400,00 300,00 138 08/10 400,00 140 Carregamento de mercadoria diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 400,00 300,00 400,00 Clecio Tavares Ribeiro 194,00 274,00 141 29/04 95,00 144 arrastamento de atoleiros diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 04/05 90,00 143 diárias diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 194,00 274,00 185,00 Luis Antonio O Mendonça 207,50 192,00 145 08/09 25,00 147 conhecimento de transporte diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 12/09 108,00 147 diária motorista trainee diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 12/09 13,50 148 correio diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 13/09 36,00 147 diária ajuda de custo diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 207,50 192,00 182,50 Jamyl Vieira dos Sousa 86,00 259,00 149 0,00 diárias sem prestação de contas. Não foram apresentados recibos Total 86,00 259,00 0,00 Mauricio Oliveira Araujo 244,11 108,00 145 30/09 12,03 153 bilhete de passagem diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 29/09 179,79 153 bilhete de passagem diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 19/09 12,29 153 bilhete de passagem diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 29/09 12,00 153 refeição diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 29/09 12,00 153 despesa diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 29/09 8,00 154 despesa diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 30/09 8,00 154 despesa diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 244,11 108,00 244,11 O problema levantado pela recorrente é que a fiscalização considerou os pagamentos classificados como “despesas de viagem”, assim identificados em sua contabilidade, como se fossem diárias. Entretanto, no relatório fiscal ficou consignado que na composição da base de cálculo foram descartados os registros contábeis com histórico de acertos pendentes, prestação de contas, estornos de lançamentos indevidos e viagens sem número de carga. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Contatase, entretanto, que os documentos apresentados não desnaturam o fato gerador, ao contrário, o confirmam. Todavia, não ficou demonstrado nos autos, com clareza, se, por exemplo, os valores dos recibos analisados na Tabela 1 integram ou não a base de cálculo. Repito que a dificuldade da análise dessa questão, neste foro, decorre da ausência de informação detalhada da composição da base de cálculo. De todo o exposto é possível afirmar que o vício apontado alcança somente o documento de formalização do crédito tributário (auto de infração). Tratase, portanto, de vício formal, conforme explica Paulsen2: Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. A formalização insuficiente dificulta a análise do processo a ponto de inviabilizar o contraditório, cerceando o direito de defesa do sujeito passivo. Constatado o prejuízo, cabe reconhecer a nulidade do ato viciado, conforme preconiza o art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Por incompatibilidade, deixo de apreciar o mérito. Por fim, é recomendável a realização de lançamento substitutivo. Conclusão Com base no exposto, voto por anular o lançamento por vício formal. Luciana de Souza Espíndola Reis 2 Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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